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MEDIDAS E AVALIAÇÃO NA EDUCAÇÃO FÍSICA Ana Paula Maurilia dos Santos Avaliação física para o idoso Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Relacionar o processo biológico de envelhecimento com o exercício físico. Descrever formas de avaliação da funcionalidade em idosos. Desenvolver formas de avaliação da aptidão física em idosos. Introdução O envelhecimento é considerado um problema de saúde pública, já que é impossível evitar o deteriorar de capacidades físicas como força, resistência, equilíbrio, flexibilidade, agilidade. No entanto, com a prática regular de exercícios físicos, conseguimos atenuar e, em parte, reverter os problemas de limitação física ocasionados durante esse processo natural. As políticas públicas voltadas ao envelhecimento ativo estão focadas na prevenção e no tratamento das morbidades que atingem os idosos, e o exercício físico parece exercer papel fundamental nesse processo, promovendo maior autonomia e independência nessa fase da vida. A literatura da área do envelhecimento tem se dedicado a descrever diferentes protocolos para a avaliação da capacidade funcional e da aptidã o fí sica do idoso, considerando a sua importância para a elaboração de programas de exercícios físicos que promovam a saúde e a qualidade de vida dos idosos. Com o intuito de proporcionar conhecimento acerca dos procedi- mentos e administração dos protocolos de testes válidos existentes, neste capítulo, você conhecerá as baterias de testes de aptidão física e capacidade funcional, que estão diretamente relacionadas às atividades de vida diária, autonomia e independência dos idosos. Exercício físico e envelhecimento A população idosa vem crescendo substancialmente nos últimos anos, e a expectativa de vida têm aumentado, no Brasil, para em torno dos 75 anos (AGÊNCIA..., 2017). Nesse contexto, os profi ssionais da saúde têm dedicado atenção especial a essa população, no sentido de acompanhar a longevidade e proporcionar uma melhor qualidade de vida. Carvalho (2016) considera que, para que haja um envelhecimento de boa qualidade, impõe-se uma sistemática estratégia de prevenção e trata- mento (reabilitação) das doenças crônico-degenerativas a ser desenvolvida principalmente por meio da adoção de um conjunto de hábitos saudáveis de vida, que têm no exercício físico um aspecto fundamental. Isso porque os níveis atividade física parecem estar correlacionados com a atenuação do processo de declínio cognitivo e com melhores índices de qualidade de vida em idosos, principalmente naqueles com doenças crônicas (CASTRO et al., 2017). Uma das mudanças mais marcantes observáveis durante todo o processo de envelhecimento é o declínio da capacidade de movimento. Desse modo, o acompanhamento dos padrões de movimento em idosos é fundamental. De acordo com Rosa Neto, Liposcki e Teixeira (2000, documento on-line): [...] a deterioração dos parâmetros físicos, como força muscular, resistência muscular, equilíbrio, flexibilidade, agilidade e coordenação, leva à limita- ção funcional que ocasionará dependência física, ou seja, se os parâmetros físicos declinarem abaixo do nível requerido para a realização das atividades da vida diária, como cuidados pessoais básicos (como vestir-se, banhar-se, levantar-se da cama e sentar-se em uma cadeira, utilizar o banheiro, comer e caminhar), isso resultará em dependência funcional, influenciando na qua- lidade de vida do idoso. Por esse motivo, a determinação da aptidão física e funcional dos idoso deve ser priorizada na elaboração de programas de intervenção. Hunter, McCarthy e Bamman (2004) ilustram os fatores negativos gerados pela inatividade física no processo de envelhecimento, com ênfase nos efeitos deletérios da sarcopenia (perda da força e da massa muscular), um dos principais declínios físicos verificados em idosos, que tem sido bastante documentado pela literatura como um grande problema de saúde pública nessa população. Avaliação física para o idoso2 Figura 1. Efeitos deletérios da sarcopenia. Fonte: Adaptada de Hunter, McCarthy e Bamman (2004). De maneira geral, podemos verificar que a sarcopenia estabelece seus sintomas principalmente em indivíduos insuficientemente ativos, mas também é vista em sujeitos que são suficientemente ativos ao longo de suas vidas e, com isso, comprova que se trata de um fator pertinente à saúde pública (PICOLI; FIGUEIREDO; PATRIZZI, 2011). Além de seu papel na progressão da doença, a perda de força e o descen- tramento neuromuscular geral que acompanham a sarcopenia diminuem a capacidade de realizar tarefas de vida diária. A diminuição da força e da po- tência do músculo parece estar relacionada à perda da autonomia, ao bem-estar e à qualidade de vida dos idosos (ASSUMPÇÃO; SOUZA; URTADO, 2008). Tanto a qualidade de vida quanto a probabilidade de declínios no estado de saúde são influenciados com o aumento da idade (HUNTER; MCCARTHY; BAMMAN, 2004). Para os mesmos autores, a redução da massa magra com o envelhecimento está associada a: diminuição do gasto energético de repouso e da oxidação da gordura corporal; aumento da adiposidade e distribuição de gordura visceral em idosos, com risco elevado de desenvolver dislipidemia, resistência a insulina e doença cardiovascular; desenvolvimento de osteopenia e possível progressão para osteoporose em função da sarcopenia. 3Avaliação física para o idoso Idosos insuficientemente ativos têm também menor massa muscular e maior prevalência de incapacidade física (PICOLI; FIGUEIREDO; PATRIZZI, 2011). Os mesmos autores destacam diversos estudos demonstrando que o treinamento de força pode minimizar ou retardar o processo de sarcopenia para obter significantes respostas neuromusculares (hipertrofia muscular e força muscular) por meio do aumento da capacidade contrátil dos músculos esqueléticos. De maneira global, Carvalho (2016, p. 109), ao abordar a temática do exercício versus envelhecimento, destaca que “o exercício físico se constitui em potente fator de proteção, contribuindo para evitar o surgimento das principais doenças crônico-degenerativas”, e é, ainda, um potente fator de promoção de saúde, imprescindível para um envelhecimento plenamente saudável quando aliado a um estilo de vida também saudável. O mesmo autor cita que as principais condições combatidas pela prática regular de exercícios físicos são: doença aterosclerótica coronária, hipertensão arterial sistêmica, acidente vascular encefálico, doença vascular periférica, obesidade, diabetes melito tipo 2, osteoporose e osteoartrose, câncer de cólon, mama, próstata e pulmão, além de ansiedade e depressão. Além da ação efetiva na prevenção primária das doenças crônico-degenerativas, existe uma efetiva ação tera- pêutica advinda do exercício físico em relação a muitos desses males, sendo que o exercício físico, de fato, também contribui para o tratamento de todas as doenças crônicas não transmissíveis listadas. Apesar de o envelhecimento ser um processo progressivo e inerente a todos nó s, a Organizaç ã o Mundial de Saú de preconiza um “envelhecimento ativo”, tendo como princípio “viver a idade madura com o má ximo de autonomia e independência”, de modo a obter o má ximo possí vel de capacidade funcional, para a realização das ativi- dades de vida diá ria como vestir, comer, tomar banho sozinho e até mesmo caminhar pequenas distâ ncias de forma independente, bem como atividades instrumentais de vida diá ria que se referem à s atividades mais complexas do cotidiano, tais como: passear, fazer compras, limpar a casa, lavar roupa, dirigir, utilizar meios de transporte coletivo entre outros (DEL DUCA et al., 2011). Avaliação física para o idoso4 Segundo Ramos (2009), quando o indivíduo envelhece, o indicador de saúde importante não é a presença ou não de doença, mas o grau de capacidade funcional do indivíduo. O autor descreve também que mesmo o envelhecersem doença envolve algum grau de perda funcional, compatível com declínio fisiológico dessa etapa da vida, expresso por uma diminuição do vigor, da força, da prontidão, da velocidade de reação, dentre outras funções. Além disso, [...] quando essa perda funcional é exacerbada, digamos por um fator genético ou de exposição ambiental, temos o advento de um quadro clínico de doença crônica, que, na maioria das vezes, é expressa pela insuficiência de um órgão ou sistema biológico que caracteriza a doença — por exemplo, insuficiên- cia cardíaca, renal, respiratória (enfisema), pancreática (diabetes), cerebral (demência), óssea (osteoporose), visual, auditiva. Nesses casos, é o grau de perda da capacidade funcional que irá indicar quem terá um envelhecimen- to saudável ou não, independente de quais as doenças crônicas envolvidas (RAMOS, 2009, p. 40). Por esse motivo, conforme citado pelo autor, quaisquer que sejam as doen- ças, são as perdas funcionais, sejam por limitações físicas ou mentais, que irão determinar o quadro de saúde pública. Por esse motivo, é o grau de capacidade funcional que permitirá identificar a população de risco para hospitalização, institucionalização e morte (RAMOS, 2009). Sendo assim, a utilização da capacidade funcional como indicador de saúde das populações de idosos é de extrema valia para o planejamento de políticas públicas voltadas aos idosos e, por esse motivo, eleva-se a importância da avaliação funcional. Aliás, quando falamos em avaliação geriátrica, temos como itens primor- diais a avaliação funcional das atividades de vida diária, da aptidão física e a avaliação antropométrica e nutricional. Essas avaliações apresentam carac- terísticas particulares que as diferenciam dos demais grupos populacionais, exigindo dos profissionais envolvidos com a saúde um entendimento amplo sobre os principais protocolos existentes para o acompanhamento desse grupo etário (CARVALHO, 2016). Nesse contexto, apresentaremos, a seguir, como se dá a avaliação desses parâmetros em idosos. Justifica-se a importância da avaliação funcional de aptidão física e antropométrica, uma vez que é fun- damental que todos os profissionais envolvidos com avaliação e intervenção em idosos possam diagnosticar e verificar com precisão o quão eficiente está sendo o programa de exercícios físicos aplicado. Além disso, é importante, também, fornecer aos idosos informações sobre os parâmetros da sua evolução por meio da participação do programa proposto. 5Avaliação física para o idoso Avaliação funcional Compreende-se por capacidade funcional o potencial apresentado pelo idoso para decidir e atuar em suas atividades cotidianas de forma independente (FIELDLER; PERES, 2008), enquanto a difi culdade ou a necessidade de ajuda para a realização dessas atividades diárias pode ser defi nida como incapacidade funcional. A incapacidade funcional é definida pela presença de dificuldade no de- sempenho de certos gestos e atividades da vida cotidiana, ou mesmo pela impossibilidade de desempenhá-las. Seu diagnóstico consiste em um dos principais componentes a ser considerado na avaliação da função física saúde funcional do idoso, pois a incapacidade funcional é forte preditora de mortalidade nessa faixa etária, sendo associada a características como idade avançada, baixa escolaridade e inatividade física (DEL DUCA et al., 2011, p. 221). A capacidade (ou incapacidade) funcional pode ser quantificada por escalas e índices. Esses instrumentos podem fornecer várias informações, uma vez que avaliam diferentes categorias de incapacidade funcional, podendo apresentar um caráter mais global, como as que abrangem a função física, a comunicação, a cognição, os aspectos psicossociais, ou aquelas que avaliam os déficits físicos e as atividades de vida diária (CARVALHO, 2016). Essas escalas possibilitam a pontuação das atividades que podem ser reavaliadas, dando ao profissional a condição de analisar a eficácia do programa de exercícios físicos. De acordo com Paixão Jr. e Reichenheim (2005), o estado funcional é a dimensã o-base para a avaliaç ã o física em idosos, que contempla a avaliação dos fatores físicos, psicoló gicos e sociais que afetam a saú de dos indivíduos mais idosos e frágeis. Os autores ainda colocam que os profissionais envolvi- dos com a população geriátrica devem preocupar-se com a qualidade de vida dos idosos, realizando uma ampla avaliaç ã o funcional em busca de perdas possíveis dessas funções. De modo geral, a avaliação em saúde envolve as atividades de vida diá ria (AVDs), que são subdivididas em (DUARTE; ANDRADE; LEBRÃO, 2007): atividades básicas de vida diária: relacionadas ao autocuidado, como alimentar-se, banhar-se, vestir-se, arrumar-se, mobilizar-se, manter controle sobre suas eliminações; atividades instrumentais de vida diária: representam a capacidade do indiví duo de levar uma vida independente dentro da comunidade onde Avaliação física para o idoso6 vive e inclui a capacidade para preparar refeiç õ es, realizar compras, utilizar transporte, cuidar da casa, utilizar telefone, administrar as pró prias finanças, tomar seus medicamentos. De modo específico, é inserida nesse contexto o que se denomina ava- liação funcional, na qual “se busca verificar em que ní vel as doenç as ou agravos impedem o desempenho das atividades cotidianas dos idosos de forma autô noma e independente, ou seja, sem a necessidade de adaptaç õ es ou de auxí lio de outras pessoas, permitindo o desenvolvimento de um planejamento assistencial mais adequado” (DUARTE; ANDRADE; LEBRÃO, 2007, p. 318). Ao considerarmos, portanto, a avaliação funcional dos idosos, é importante a utilização de testes que apresentem boa produtividade e validade; desse modo, também é fundamental que o profissional conheça os protocolos existentes, para que possa ser medido exatamente aquilo que o teste propõe. Vários testes funcionais são descritos na literatura para a avaliação da mobilidade e do equilíbrio em idosos. O objetivo desses testes é verificar a capacidade dos idosos em desempenhar as atividades funcionais do cotidiano, bem como o risco de quedas. O Í ndice de Katz é um dos instrumentos mais utilizados para avaliar as atividades básicas de vida diá ria (ABVD) e foi idealizado por Sidney Katz (1963) para avaliar a capacidade funcional do indiví duo idoso. Além dele, destacam-se o Timed Up and Go (TUG) e o teste do apoio unipodá lico (MAR- TINS; MAIA; PEREIRA, 2007). Índice de Katz (Index de Independência nas Atividades de Vida Diá ria — Index of ADL) Este índice objetiva avaliar o funcionamento físico de idosos com doença crônica e, a partir dele, vários outros instrumentos foram desenvolvidos. Katz e colaboradores demonstraram que a recuperação do desempenho funcional de seis atividades consideradas básicas da vida diária de idosos incapacitados era semelhante à sequência observada no processo de desenvolvimento da criança (APÓSTOLO, 2012). As atividades básicas são: banhar-se, vestir-se, ir ao banheiro, locomover-se, ser continente e alimentar-se. Segundo essa escala, os idosos são classifi cados como independentes se desenvolvem a atividade (qualquer uma das seis propostas) sem supervisã o, orientaç ã o ou qualquer tipo de auxí lio direto (DUARTE; ANDRADE; LEBRÃO, 2007). A dependência para cada uma das seis funções estabelecidas é previamente determinada conforme pode ser verifi cado no Quadro 1, a seguir. 7Avaliação física para o idoso Fonte: Adaptado de Duarte, Andrade e Lebrão (2007). Atividades Independência (1 ponto) Dependência (0 pontos) (Pontos (1 ou 0) Sem supervisão, orientação, assistência pessoal Com supervisão, orientação ou assistência pessoal ou cuidado integral Banhar-se Pontos: ____ (1 ponto) Banha-se completamente ou necessita de auxí lio somente para lavar uma parte do corpo, como as costas, genitais ou uma extremidade incapacitada. (0 pontos) Necessita de ajuda para banhar-se emmais de uma parte do corpo, entrar e sair do chuveiro ou banheira ou requer assistência total no banho. Vestir-se Pontos: ____ (1 ponto) Pega as roupas do armá rio e veste as roupas í ntimas, externas e cintos. Pode receber ajuda para amarrar os sapatos. (0 pontos) Necessita de ajuda para vestir-se ou necessita ser completamente vestido. Ir ao banheiro Pontos: ____ (1 ponto) Dirige-se ao banheiro, entra e sai, arruma suas pró prias roupas, limpa a á rea genital sem ajuda. (0 pontos) Necessita de ajuda para ir ao banheiro, limpar-se ou usa urinol ou comadre. Transferê ncia Pontos: ____ (1 ponto) Senta-se/deita-se e levanta-se da cama ou cadeira sem ajuda. Equipamentos mecâ nicos de ajuda sã o aceitá veis. (0 pontos) Necessita de ajuda para sentar-se/ deitar-se e levantar-se da cama ou da cadeira. Continê ncia Pontos: ____ (1 ponto) Tem completo controle sobre suas eliminaç õ es (urinar e evacuar). (0 pontos) É parcial ou totalmente incontinente do intestino ou da bexiga. Alimentaç ã o Pontos: ____ (1 ponto) Leva a comida do prato à boca sem ajuda. A preparaç ã o da comida pode ser feita por outra pessoa. (0 pontos) Necessita de ajuda parcial ou total com a alimentaç ã o ou requer alimentaç ã o parenteral. Total de pontos = ____ 6 = Independente 4 = Dependência moderada 2 ou menos = Muito dependente Quadro 1. Í ndice de Katz Avaliação física para o idoso8 Timed Up and Go (TUG) É uma modifi cação do teste Get Up and Go, desenvolvido inicialmente para mensurar, de maneira qualitativa, o desempenho do indiví duo em levantar-se a partir de uma posição sentada, caminhar trê s metros e retornar à posiç ã o inicial (MARTINS; MAIA; PEREIRA, 2007). Uma cadeira padronizada com assento com altura igual a 45 cm e apoio de braç os com 63 cm é utilizada para a realização do teste. O tempo que o indivíduo leva para desempenhar o teste está diretamente relacionado ao seu ní vel de mobilidade funcional. Quanto à sua classificação, destacam-se os níveis a seguir (MARTINS; MAIA; PEREIRA, 2007). Boa mobilidade: indivíduos independentes (sem comprometimento no equilí brio) que cumprem o teste em 10 segundos ou menos. Representa- dos pelos idosos que saem sozinhos, sem acompanhamento ou recursos. Mobilidade anormal: indivíduos com independê ncia em transferê ncias bá sicas que cumprem em 20 segundos ou menos. Representados pelos idosos que necessitam de acompanhamento ou recursos durante o trajeto. Dependente da mobilidade: indivíduos dependentes em muitas ati- vidades da vida diária e na habilidade da mobilidade; necessitam de mais de 30 segundos para cumprir o teste. Representados por aqueles nã o podem sair sozinhos e necessitam de recurso para deambulaç ã o. Apoio unipodá lico (One Leg Stance) É um teste de equilí brio está tico bastante simples e utilizado na prá tica clí nica com idosos. Apresenta alta confi abilidade e sensibilidade quando aplicado em idosos da comunidade, institucionalizados e hospitalizados. Utiliza instrumen- tos simples e de baixo custo que permitem avaliar o risco de quedas em idosos, possibilitando medidas preventivas (MARTINS; MAIA; PEREIRA, 2007). Também conhecido como Teste de Apoio Unipodal (TAU), avalia a condiç ã o de equilí brio está tico com apoio unipodal em duas condiç õ es, sendo a primeira com os olhos abertos e a segunda com os olhos fechados. Utiliza-se o teste para quantificar o equilí brio, embora representando um teste de medida indireta para indiví duos saudá veis. Durante o teste, o indiví duo deve equilibrar-se sobre o membro dominante com os olhos abertos e, posteriormente, com olhos fechados por, no má ximo, 30 segundos. O tempo que ele consegue ficar apoiado 9Avaliação física para o idoso somente em um dos pé s deve ser medido em trê s tentativas em cada situaç ã o (olhos abertos e fechados), considerando-se a melhor medida (FREITAS et al., 2013). O cronô metro é parado no primeiro contato com o solo. A classificação é feita da seguinte maneira: indiví duos que alcanç am um tempo entre 21 e 30 segundos são classificados com bom ní vel de equilí brio; já os que alcançarem um tempo menor que 21 segundos são classificados com alteraç ã o no ní vel de equilí brio. (GUSTAFSON et al., 2000). Escala de equilíbrio de Berg Quando se fala de capacidade funcional, não podemos deixar de abordar a importância do equilíbrio. Dentre as escalas utilizadas para analisar o risco de quedas em idosos, destaca-se a Escala de Equilí brio de Berg (EEB), proposta por Katherine Berg (BERG et al., 1992). De acordo com Karuka, Silva e Naveca (2011), essa escala avalia o equilíbrio estático e dinâmico em 14 itens comuns à vida diária, conforme descrito no Quadro 2, a seguir. Cada item possui uma escala ordinal de cinco alternativas que variam de 0 a 4 pontos. As tarefas são qualificadas por meio da obser- vação e de uma escala ordinal de 5 alternativas, variando de 0 a 4 pontos, sendo a pontuação máxima alcançada, portanto, 56. Se, por ventura, o tempo e a distância não forem alcançados ou o idoso necessitar de algum apoio na execução da tarefa ou de uma assistência, esses pontos devem ser subtraídos. “Os pontos são baseados na qualidade do desempenho do idoso nos testes, no tempo em que uma posição pode ser mantida, na distância que o membro superior é capaz de alcançar à frente do corpo e no tempo para completar a tarefa. Quanto maior a pontuação atingida pelo indivíduo, menor será o seu risco de queda” (KARUKA; SILVA; NAVECA, 2011, documento on-line). De modo geral, cada ponto a menos representa um risco maior de queda, por exemplo, um idoso que alcançou escores entre 56 e 54, cada ponto a menos é associado a um aumento de 3 a 4% no risco de quedas, caso tenha alcançado escores entre 54 e 46, apresenta de 6 a 8% chances de queda, e abaixo de 36 pontos o risco de queda pode chegar a 100%. De acordo com Carvalho (2016), a pontuação final é definida pelo tempo em que uma posição pode ser mantida, pela distância em que o membro superior é habilitado para alcançar a frente do corpo e pelo tempo para completar a tarefa. O mesmo autor salienta a importância de as tarefas serem demonstradas Avaliação física para o idoso10 ao indivíduo, alé m de orientações quanto a roupa e sapatos adequados para a realização, esclarecendo ao avaliado que a finalidade das tarefas é preservar o equilíbrio. Fonte: Adaptado de Miyamoto et al. (2004). 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. 11. 12. 13. 14. Posição sentada para posição em pé. Permanecer em pé sem apoio. Permanecer sentado sem apoio nas costas, mas com os pés apoiados no chão ou num banquinho. Posição em pé para posição sentada. Transferências. Permanecer em pé sem apoio com os olhos fechados. Permanecer em pé sem apoio com os pés juntos. Alcançar a frente com o braço estendido permanecendo em pé. Pegar um objeto no chão a partir de uma posição em pé. Virar-se e olhar para trás por cima dos ombros direito e esquerdo enquanto permanece em pé. Girar 360 graus. Posicionar os pés alternadamente no degrau ou banquinho enquanto permanece em pé sem apoio. Permanecer em pé sem apoio com um pé a frente. Permanecer em pé sobre uma perna. Quadro 2. Escala de Equilíbrio de Berg Quanto à sua classificação, Karuka, Silva e Naveca (2011) citam que dife- rentes notas de corte são descritas na literatura para discriminar idosos com ou sem risco de queda; Berg et al., (1992) propõem 45 pontos. Desse modo: pontuações superiores a 45 indicam normalidade do equilíbrio; pontuações iguais ou inferiores a 45 apontam para o risco de quedas. Já Shumway-Cook e Woolacott (1997) classificam como: entre 53–46 pontos, baixo a moderado risco para quedas; 46 pontos ou menos, alto risco para quedas. 11Avaliação física para o idoso Pesquisas têm relatado manifestaç õ es motoras indesejá veis em decorrê ncia do uso inadequado de medicações e indicam uma associaç ã o entre o uso de medicamentos e um aumentode 6 vezes no risco de cair. Os principais medicamentos relacionados ao risco de queda são os psicotró picos, cardiovasculares, corticosteró ides e os anti- -inflamató rios nã o hormonais (MARTINS; MAIA; PEREIRA, 2007). Entre os medicamentos usados pelos idosos, estão relacionados à s quedas os benzo- diazepínicos e os diuré ticos, sendo que, muitas vezes, os acidentes ocorrem porque essas drogas podem diminuir as funç õ es motoras, causar fraqueza muscular, fadiga, vertigem ou hipotensã o postural. Mais especificamente, podemos considerar que o aumento de quedas em usuários de benzodiazepínicos está relacionado a diminuição do efeito ansiolí tico, maior risco de tolerâ ncia, insô nia rebote e dependê ncia. Já quanto aos diuré ticos, justifica-se pela fadiga ou por distú rbio hidroeletrolí tico, que geram a depleç ã o de volume e hipocalcemia — consequentemente, hipotensã o ortostá tica e arritmias (TOMAZ et al., 2017). Nesse contexto, podemos verificar que os métodos habituais de se realizar uma avaliação funcional estruturada consistem na observação direta, nos testes de desempenho, como também em questionários, sistematizados por meio de uma série de escalas que aferem os principais componentes da dimensão. De acordo com Paixão Jr. e Reichenheim (2005), tais escalas compõem o que se tem denominado “instrumentos de avaliação funcional”. A seguir, abordaremos a avaliação da aptidão física, que é de extrema relevância principalmente na capacidade funcional dos idosos, já que bons níveis de aptidão física garantem a manutenção das capacidades necessárias para a realização das atividades de vida diária. Avaliação da aptidão física A aptidã o fí sica é defi nida como a capacidade fí sica necessária para executar as atividades de vida diária de forma segura e autônoma (RIKLI; JONES, 1999), sendo diretamente relacionada à saúde e ao desempenho esportivo, podendo ser aprimorada por meio da prática de exercícios físicos regulares. A aptidão física relacionada à saúde inclui: força, resistência aeróbia, resistência muscular localizada, fl exibilidade, composição corporal; já quando relacionada à performance esportiva, pode envolver variáveis como agilidade, velocidade e também valências motoras, como coordenação e equilíbrio, conforme pre- conizadas por alguns autores (ROSA NETO, 2009). Avaliação física para o idoso12 O Senior Fitness Test (SFT), também conhecido como teste de aptidão física para o idoso ou bateria de Fullerton, é uma bateria bastante difundida e utilizada para a avaliaç ã o da aptidã o fí sica de idosos em diferentes países. A bateria de testes SFT mensura a aptidã o fí sica de idosos para realizar as atividades da vida diá ria e é composta por testes motores que estão associados à independência funcional e avaliam a forç a dos membros superiores e inferiores, flexibilidade dos membros superiores e inferiores, agilidade/equilí brio dinâ mico e resistê ncia aeró bia e composição corporal de acordo com a faixa etária. Veja, a seguir, como se dá a aplicação de cada um dos testes. Conforme preconizado por Rikli e Jones (2008), eleva-se a utilizaç ã o dessa bateria por apresentar validade à população idosa, ser de fá cil aplicaç ã o e de baixo custo operacional (RIKLI; JONES, 2008). Teste de força e resistência de membros inferiores Levantar e sentar na cadeira Material: cronômetro, cadeira com encosto (sem braç os), com altura do assento de aproximadamente 43 cm. Como segurança, apoiar a cadeira contra a parede, para evitar que se mova. Procedimento: o participante deverá estar sentado no meio da cadeira, com as costas eretas, os pés afastados à largura dos ombros e totalmente apoiado no solo. Um dos pé s deve estar ligeiramente à frente em relação ao outro para a ajudar a manter o equilí brio. Braços cruzados em frente (e contra) o peito. Ao sinal de ‘‘início”, o participante eleva-se até a extensã o má xima (posiç ã o vertical) e regressa à posiç ã o inicial sentado. O participante é encorajado a completar o má ximo de repetiç õ es em um intervalo de tempo de 30 segundos. Pode ser chamada a atenção (verbal ou gestual) para correção do desempenho. Ensaio: o movimento deve ser demonstrado pelo avaliador, e um dos ensaios pode ser efetuado pelo participante, buscando a execução correta. Logo, inicia-se o teste. Anotação: deve ser anotado o número total de execuções corretas no tempo de 30 segundos. Se o participante estiver no meio da elevaç ã o no final dos 30 segundos, deve contar como uma repetição. Fonte: Rikli e Jones (1999). 13Avaliação física para o idoso No Quadro 3, estão descritos os valores de referência para o teste de sentar e levantar. Fonte: Adaptado de Mazo, Lopes e Benedetti (2009); Rikli e Jones (2008). Idade 60–64 65–69 70–74 75–79 80–84 85–89 90–94 Feminino 12–17 11–16 10–15 10–15 9–14 8–13 4–11 Masculino 14–19 12–18 12–17 11–17 10–15 8–14 7–12 Quadro 3. Valores de referência sentar e levantar (número de repetições) Teste de força e resistência de membros superiores Flexão do cotovelo Material: cronômetro, cadeira com encosto (sem braç os) e halteres de mã o (2 kg para mulheres e 4 kg para homens). Procedimento: o participante deverá estar sentado numa cadeira, com as costas eretas, os pés afastados à largura dos ombros, totalmente apoiado no solo e com o tronco totalmente encostado. Halteres na mão dominante. O teste tem início com o antebraç o em posiç ã o inferior, ao lado da cadeira, perpendicular ao solo. Ao sinal de “início”, o participante roda gradualmente a palma da mã o para cima, enquanto faz a flexã o do antebraç o no sentido completo do movimento, voltando à posiç ã o inicial de extensã o do antebraç o. Deve ser dada atenção especial ao controle da fase final da extensã o do antebraç o. O avaliador se posiciona lateralmente, junto ao participante, no lado do braço dominante, colocando os seus dedos no bíceps do participante, de modo a estabilizar a parte superior do braço e garantir que seja realizada a flexão completa (o antebraço do participante deve apertar os dedos do avaliador). A parte superior dos braços deve permanecer estática durante o teste, e deve-se evitar balanços com o antebraço. O participante é encorajado a completar o má ximo de repetiç õ es (movimentos controlados tanto na fase de flexão quanto de extensão) em um intervalo de tempo de 30 segundos. Instruções verbais podem ser dadas quando o movimento for realizado incorretamente. Ensaio: o movimento deve ser demonstrado pelo avaliador, e logo deverão ser realizadas uma ou duas tentativas pelo participante antes do inicio do teste. Anotação: deve ser anotado o número total de flexões corretas no tempo de 30 segundos. Se, ao final dos 30 segundos, o antebraço estiver em meia flexão, deve-se considerar uma flexão completa. Fonte: Rikli e Jones (1999). Avaliação física para o idoso14 Veja, no Quadro 4, os valores de referência para o teste de flexão do cotovelo. Fonte: Adaptado de Mazo, Lopes e Benedetti (2009); Rikli e Jones (2008). Idade 60–64 65–69 70–74 75–79 80–84 85–89 90–94 Feminino 13–19 12–18 12–17 11–17 10–16 10–15 8–13 Masculino 16–22 15–21 14–21 13–19 13–19 11–17 10–14 Quadro 4. Valores de referência flexão do cotovelo (número de repetições) Teste de flexibilidade de membros inferiores Sentar e alcançar Material: cronômetro, cadeira com encosto (sem braç os), com altura do assento de aproximadamente 45 cm. Como segurança, apoiar a cadeira contra a parede, para evitar que se mova. Procedimento: o participante deverá sentar na extremidade da cadeira (o seu corpo deve avançar para a frente, até que a dobra entre o topo da perna e as nádegas estejam ao nível da extremidade do assento. Com uma perna flexionada e o pé totalmente encostado no solo, a outra perna (dominante) é estendida na direção da coxa, com o calcanhar no chão e o pé flexionado (aproximadamente 90º). Com a perna estendida (mas nã o hiperestendida), o participanteflexiona lentamente para a frente até a articulação coxofemoral (a coluna deve manter-se o mais ereta possível, com a cabeç a no prolongamento da coluna, ou seja, nã o flexionada), deslizando as mã os (uma sobre a outra, com as pontas dos dedos sobrepostas) ao longo da perna estendida, tentando tocar os dedos dos pé s. Deve-se tocar nos dedos dos pé s durante 2 segundos. O joelho da perna estendida não poderá flexionar; caso isso ocorra, solicitar ao participante que se sente lentamente até que o joelho fique na posiç ã o estendida antes de iniciar a mediç ã o. O participante deverá expirar à medida que flexiona o tronco para a frente, evitando movimentos bruscos, rá pidos e fortes, nunca atingindo o limite da dor. Ensaio: o movimento deve ser demonstrado pelo avaliador e, logo, deverão ser reali- zadas uma ou duas tentativas pelo participante antes do início do teste. Anotação: a distância deve ser registrada em centímetros. O ponto zero da régua deve ser posicionado a partir do meio do dedo grande do pé (extremidade do sapato) e deve ser medida a distância (em cm) alcançada para além dos dedos dos pés. Deve- -se realizar o teste duas vezes e anotar o melhor resultado. Observações: como a perna dominante geralmente apresenta maior flexibilidade, por questões de tempo, apenas o lado hábil é usado para definição de padrões. Fonte: Rikli e Jones (1999). 15Avaliação física para o idoso No Quadro 5, estão descritos os valores de referência para o teste de sentar e alcançar. Fonte: Adaptado de Mazo, Lopes e Benedetti (2009); Rikli e Jones (2008). Idade 60–64 65–69 70–74 75–79 80–84 85–89 90–94 Feminino -1 a +13 -1 a +11 -3 a +10 -4 a +9 -5 a +8 -6 a +6 -11 a +3 Masculino -6 a +10 -8 a +8 -9 a +6 -10 a +5 -14 a +4 -14 a +1 -17 a +1 Quadro 5. Valores de referência sentar e alcançar (cm) Teste de flexibilidade de membros superiores Alcançar atrás das costas Material: ré gua de 45 cm. Procedimento: na posiç ã o de pé , o participante deve levar a mã o dominante para cima e para trás, flexionando o cotovelo, tentando alcanç ar o mais baixo possí vel em direçã o ao meio das costas, com a palma da mã o para baixo e os dedos estendidos (o cotovelo apontado para cima). A mã o do outro braç o é colocada por baixo e para trá s, com a palma virada para cima, tentando alcanç ar o mais longe possí vel em uma tentativa de tocar (ou sobrepor) os dedos mé dios de ambas as mã os. Erro: o participante não pode entrelaçar os dedos e puxar. Ensaio: o movimento deve ser demonstrado pelo avaliador, e o participante é questionado sobre a sua mão de preferência. Sem mover a mão do participante, o avaliador ajuda a direcionar os dedos médios de ambas as mãos. O participante deve experimentar duas vezes; logo, inicia-se o teste. Anotação: a medida é realizada por meio da distância entre os dedos médio. Resultados negativos (-) representam a distância mais curta entre os dedos médios; já os positivos (+) são representados quando há sobreposição dos dedos médios. Realizam-se duas medidas e anota-se o melhor tempo. Fonte: Rikli e Jones (1999). Avaliação física para o idoso16 Veja, no Quadro 6, os valores de referência para o teste de alcançar as mãos às costas. Fonte: Adaptado de Mazo, Lopes e Benedetti (2009); Rikli e Jones (2008). Idade 60–64 65–69 70–74 75–79 80–84 85–89 90–94 Feminino -8 a +4 -9 a +4 -10 a +3 -13 a +1 -14 a 0 -18 a -3 -20 a -3 Masculino -17 a 0 -19 a -3 -20 a -3 -23 a -5 -24 a -5 -25 a -8 -27 a -10 Quadro 6. Valores de referência alcançar mãos às costas (cm) Teste de mobilidade física: velocidade, agilidade e equilíbrio dinâmico Sentado, caminhar 2,44 m e voltar a sentar Material: cronômetro, fita mé trica, cone (ou outro marcador) e cadeira com encosto (aproximadamente 43 cm de altura). Como segurança, apoiar a cadeira contra a parede, para evitar que se mova, em uma zona desobstruída em frente a um cone à distância de 2,44 m. Faz-se necessária uma área livre de no mínimo 1,22 m de distância à volta do cone, permitindo que o participante o contorne livremente. Procedimento: o teste inicia com o participante totalmente sentado na cadeira, postura ereta, mãos nas coxas, pés fixos ao chão, sendo um pé ligeiramente mais à frente do outro. Ao sinal de “início”, o participante deve levantar-se da cadeira, caminhar o mais rápido possível em direção ao cone, contornando-o e regressar à cadeira. O participante deve ser estimulado a realizar o teste o mais rápido possível (sem correr). O avaliador deve dar assistência ao participante durante o teste, mantendo-se à meia distância da cadeira, de modo a auxiliar caso lhe falte equilíbrio. Ensaio: o movimento deve ser demonstrado pelo avaliador, e deverão ser realizadas uma ou duas tentativas pelo participante antes do início do teste. Anotação: o cronometro é iniciado ao sinal de ‘’partida’’ quer o idoso tenha ou não iniciado o movimento e deve ser parado no momento exato em que a pessoa se senta. Fonte: Rikli e Jones (1999). 17Avaliação física para o idoso No Quadro 7, estão descritos os valores de referência para o teste de agilidade. Fonte: Adaptado de Mazo, Lopes e Benedetti (2009); Rikli e Jones (2008). Idade 60–64 65–69 70–74 75–79 80–84 85–89 90–94 Feminino 6.0–4.4 6.4–4.8 7.1–4.9 7.4–5.2 8.7–5.7 9.6–6.2 11.5–7.3 Masculino 5.6–3.8 5.7–4.3 6.0–4.2 7.2–4.6 7.6–5.2 8.9–5.3 10.0–6.2 Quadro 7. Valores de referência teste de agilidade (em segundos) Teste de resistência aeróbia Andar por seis minutos Material: cronômetro, fita mé trica, cones e giz. Cadeiras para serem colocadas ao longo de vários pontos, na parte de fora do circuito. Procedimento: os participantes caminham continuamente (o mais rápido possível, sem correr) ao redor do percurso durante um período de 6 minutos, tentando percorrer a máxima distâ ncia possível. Os percursos podem ser de 50 m, sendo marcados segmentos de 5 m, e, se necessário, o teste pode ser realizado em uma á rea retangular, sendo marcados segmentos de 5 m. Essa área deve ser iluminada e o piso não pode ser liso. Se necessário, os participantes podem parar e descansar, sentando-se e retomando depois o percurso. Ensaio: um dia antes do teste, os participantes podem experimentar para criar o seu ritmo. No dia do teste, o avaliador realiza uma demonstração do procedimento e permite aos participantes que pratiquem rapidamente para garantir a compreensão do teste. Os participantes podem ser encorajados verbalmente a obterem o desempenho máximo. Anotação: deve-se anotar o número total de metros percorridos durante os seis minutos. Deve-se interromper o teste caso o participante sinta tontura, dor, náuseas ou fadiga. Fonte: Rikli e Jones (1999). Avaliação física para o idoso18 Veja, no Quadro 8, os valores de referência para o teste de andar por seis minutos. Fonte: Adaptado de Mazo, Lopes e Benedetti (2009); Rikli e Jones (2008). Idade 60–64 65–69 70–74 75–79 80–84 85–89 90–94 Feminino 498– 604 457– 581 439– 562 393– 535 352– 494 311– 466 251– 402 Masculino 578– 672 512– 640 498– 622 430– 585 407– 553 348– 521 279– 457 Quadro 8. Valores de referência andar por seis minutos (número de de metros percorridos) Teste para obtenção do índice de massa corporal (kg/m2) Peso e estatura Material: balança, fita mé trica de 150 cm, ré gua e marcador. Pode ser realizado com calçado. Procedimento: peso — o participante deve estar utilizando roupas leves. Estatura — uma fita mé trica deve ser sobreposta verticalmente em uma parede, com a posiç ã o zero exatamente a 50 cm acima do chão. O participante deve posicionar-se de pé , de costas para a parede (a parte mé dia da cabeç a deve estar alinhada com a fita mé trica). O avaliador coloca a ré gua sobre a cabeç a do participante, mantendo-a nivelada, estendendo-a até a fita mé trica. Anotação: o peso é registrado com aproximação à s 100 g e ajustes relativos ao peso docalçado (em geral, deve-se subtrair 0,45 kg para mulheres e 0,91 kg para homens). A estatura é medida em centímetros, indicada na fita mé trica, mais 50 cm (distâ ncia a partir do solo até ao ponto zero da fita mé trica). Quando o participante estiver calçado, pode retirar-se de 1,3 cm a 2,5 cm do total dos cm, usando o critério mais rigoroso possível). Fonte: Rikli e Jones (1999). 19Avaliação física para o idoso No Quadro 9, estão descritos os valores para o índice de massa corpotal. Fonte: Adaptado de OPAS, 2002 apud Mazo, Lopes e Benedetti (2009); Safons e Pereira (2007). IMC Classificação < 23 Baixo peso 23 < IMC < 28 Peso normal ≥ 28 e < 30 Sobrepeso ≥ 30 Obesidade Quadro 9. Índice de massa corporal Em relação à avaliação do índice de massa corporal em idosos, podemos destacar que as medidas antropométricas constituem-se em parte essencial na avaliação de idosos como importante ferramenta para indicar seu estado nutricional (CORTEZ; MARTINS, 2012). Além disso, segundo os autores, esse tipo de avaliação fornecerá as informações básicas sobre as variações físicas e sobre a composição corporal, e uma das vantagens desse tipo de teste é que essas medidas representam um método não invasivo, de fá cil e rá pida execução. Além do índice de massa corporal (IMC), as medidas utilizadas na avaliaç ã o antropomé trica da populaç ã o idosa incluem medidas de circunferê ncia (da cintura, do quadril, do braç o, da panturrilha, da coxa), comprimento da perna, dobras cutâ neas (tricipital, subescapular, bicipital, suprailí aca, peitoral, abdo- minal e dobra cutâ nea da coxa) (CORTEZ; MARTINS, 2012). Os autores afirmam que não existe consenso em relaç ã o aos indicadores e pontos de corte indicados para idosos. Desse modo, eleva-se a relevância do IMC em idosos, já que essa medição tem sido bem aceita na prática clínica por ter validade científica, ser indicador do estado nutricional global, ser de fá cil aplicaç ã o e praticidade, alé m de apresentar associaç ã o positiva com a estimativa de mortalidade. Veja, na Figura 2, os testes aplicados na avaliação física ao idoso. Avaliação física para o idoso20 Figura 2. (a) Levantar e sentar na cadeira; (b) flexã o de antebraç o; (c) sentar e alcançar; (d) alcançar atrás das costas; e) sentar, caminhar 2,44 m e voltar a sentar; (f) andar por seis minutos. Fonte: Rikli e Jones (2008). 21Avaliação física para o idoso De modo geral, podemos perceber o quão importante é a avaliação funcional e da aptidão física em idosos — prova disso é o número crescente de pesquisas disponíveis na literatura. O que podemos perceber é que existem diferentes testes e escalas para a avaliação física dos idosos, mas poucos apresentam va- lidade. No presente capítulo, apresentamos alguns dos instrumentos validados mais utilizados nas pesquisas nacionais e internacionais de modo a inspirar futuros profissionais de educação física a utilizarem esses instrumentos como forma de obter um diagnóstico preciso da capacidade funcional dos idosos, dos possíveis riscos de quedas ou de sua aptidão física. AGÊNCIA IBGE NOTÍCIAS. Em 2016, expectativa de vida era de 75,8 anos. Rio de Janeiro, 2017. Disponível em: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013- -agencia-de-noticias/releases/18470-em-2016-expectativa-de-vida-era-de-75-8-anos. Acesso em: 13 ago. 2019. ASSUMPÇÃO, C. O.; SOUZA, T. M. F.; URTADO, C. B. Treinamento resistido frente ao envelhecimento: uma alternativa viável e eficaz. Anuário da Produção Acadêmica Docente, São Paulo, v. 2, n. 3, p. 451-476, 2008. 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