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Avaliação Física de Pessoas Idosas GUIA PRÁTICO E DESCOMPLICADO Prof. MSc. Ismael Lima Volume 1 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Título: Avaliação Física de Pessoas Idosas: Guia Prático e Descomplicado Autor: Ismael Lima Godinho Copyright © 2024 por Ismael Lima Todos os direitos reservados. Revisor: Aloísio Júnior ISBN: 978-65-00-90864-0 Como citar: GODINHO, IL. Avaliação Física de Pessoas Idosas: Guia Prático e Descomplicado, 1ª Edição. 2024. Contêm referências bibliográficas SOBRE A OBRA Esse e-book vem para ajudar quem ainda sente dificuldades em realizar avaliações físicas em pessoas idosas. Um guia prático e descomplicado, que vai muito além da ciência, ajuda a entender os resultados. Traz ainda modelo de anamnese detalhado para resolver de vez esse problema. Então vem junto comigo nessa jornada. Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Formado em Educação Física pela Universidade de Fortaleza em 2008. Especialização em Treinamento Funcional e Reabilitação. Mestre Doutorando em Ciências do Desporto pela Universidade Trás-os-Montes e Alto Douro em Portugal. Personal Trainer há mais de 20 anos, com ampla experiância no atendimento de pessoas consideradas dos grupos especiais,, incluindo pessoas idosas com ou sem comorbidades. Também sou professor em nível universitário, pós-graduação e cursos de extensão universitária com mais de 830 alunos formados e certificados. Autor e co-autor de livros e trabalhos científicos. SOBRE O AUTOR @prof.ismaellima Clique no ícone do instagram e me siga nas redes sociais. Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com https://www.instagram.com/prof.ismaellima/ SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO 1.1 O processo de Envelhecimento 1.2 Aptidão física em pessoas idosas 1.3 Características do cliente idoso 2. POR ONDE COMEÇAR? 3. AVALIAÇÃO FUNCIONAL DE PESSOAS IDOSAS 3.1 Sênior Fitness Test 3.2 Pontuação para Sênior Fitness Test 4. TIMED UP-AND-GO TEST 5. AVALIAÇÃO DO ÍNDICE DE SARCOPENIA 5.1 O que é sarcopenia? 5.2 Força de preensão manual 5.2.1 Como realizar a avaliação 5.3 Índice de massa msucular 5.4 Circunferência da panturrilha 5.5 Performance física (SPPB) 5.6 Avaliação do salto vertical 5.6.1 Aplicativos para smartphones e tablets 6. ÍNDICE TORNOZELO-BRAQUIAL 6.1 Protocolo ITB 6.2 Como medir? 6.3 Como interpretar? 7. DEPRESSÃO EM IDOSOS 7.1 Fatores de risco para depressão 7.2 Escala de depressão geriátrica 8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 5 5 7 11 14 17 27 41 44 45 44 46 47 48 50 51 54 56 57 58 58 60 61 62 65 16 3.3 Escala de equilíbrio de BERG 33 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Com o aumento da expectativa de vida, a importância da aptidão física para os idosos está crescendo. A manutenção da saúde e a prevenção de doenças crônicas tornam-se fundamentais. Enquanto os jovens visam evitar problemas de estilo de vida, os idosos priorizam a mobilidade funcional para uma vida ativa e independente. À medida que envelhecem, as pessoas experimentam alterações cognitivas e físicas, que podem ser classificadas como eugérico, (deterioração inevitável da estrutura e função celular independentemente da presença de doenças ou do meio ambiente), ou seja, envelhecimento natural relacionado à idade não acompanhado por doenças; e patogérico (é causado pela presença de doenças e pelos fatores associados ao ambiente), ou seja, envelhecimento patológico inerente à idade acompanhado por doenças. Enquanto algumas mudanças são normais, fatores ambientais e de estilo de vida também influenciam o processo, alterações em diversos sistemas orgânicos são comuns (Tabela 1). 1. INTRODUÇÃO 1.1 O processo de envelhecimento 5 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Velocidade de condução nervosa 15% Taxa Metabólica Basal 20% Índice cardíaco 30% Capacidade vital 50% Fluxo sanguíneo renal 50% O2 máximo 60-70% Estatura 1cm Massa magra corporal 10% Tabela 1: Taxa de Declínio das funções associado ao envelhecimento, por década após o ápice. No Brasil, pessoas com 60 ou mais anos, são classificados como pessoas idosas ou, comumente, dizemos que fazem parte da terceira idade. No entanto, o processo de envelhecimento não se inicia aos 60 anos e idade, mas sim, por volta dos 30-35 anos, após o ápice. Na literatura, há várias definições para envelhecimento mas, de uma delas temos certeza, o envelhecimento sofre forte influência do estilo de vida de cada um de nós. As teorias sobre o envelhecimento podem ser categorizadas em duas vertentes: aquelas que respondem à pergunta "Por que envelhecemos?" e as que abordam a questão "Como envelhecemos?". Poucas teorias abrangentes tentam explicar por que nós, e a maioria dos organismos vivos, envelhecemos. 6 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com As pesquisas atuais sobre envelhecimento têm como objetivo testar essas hipóteses, visando identificar os mecanismos que impactam o envelhecimento. Essa identificação pode abrir caminho para intervenções capazes de retardar o envelhecimento. “Envelhecimento é a somatória de diversos processos biológicos que ocorrem com o passar do tempo que levam a perda da capacidade de adaptação ao meio ambiente, a alterações morfofuncionais que diminui a capacidade funcional e leva a morte.” Outras definições, exploram as mudanças na aptidão física, como diminuição de força e resistência muscular, capacidade aeróbica, equilíbrio, mobilidade, agilidade e outras. 1.2 Aptidão física em pessoas idosas A presença de declínio funcional capaz de restringir a autonomia e a independência do indivíduo não pode ser atribuída ao envelhecimento normal, mas sim à presença de incapacidade funcional, resultante das Grandes Síndromes Geriátricas, de forma isolada ou associada (poli-incapacidades). Este declínio funcional não deve ser considerado “normal da idade”, pois representa o principal determinante de desfechos negativos, como o desenvolvimento de outras incapacidades e piora funcional, institucionalização, hospitalização e, até mesmo a morte. Usualmente as causas são múltiplas e multifatoriais, frequentemente associadas à presença de doenças crônico-degenerativas, uso excessivo de medicamentos e sarcopenia. 7 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Preservar a funcionalidade é vital para que os idosos mantenham um estilo de vida saudável e duradouro. Segundo Bompa (2002) capacidade funcional é integração de força, velocidade, resistência, coordenação, flexibilidade e equilíbrio, elementos que são essenciais para o êxito nas atividades motoras e já que, a força muscular parece ser a principal capacidade física relacionada à manutenção da capacidade funcional e, consequentemente, da independência funcional no envelhecimento (Matsudo et al., 2000) o treinamento de força deveria ser parte integrante e fundamental nos programas de treinamento de idosos. De acordo com La Scala (2017), o conceito de treinamento funcional (TF) está relacionado ao desenvolvimento de diferentes capacidades físicas de forma integrada e equilibrada, a fim de proporcionar autonomia, eficiência e segurança durante as atividades relacionadas à vida diária, ao trabalho e/ou aos esportes (Figura 1). Para isso, o TF utiliza exercícios de força geralmente caracterizados por exercícios integrados, multiarticulares e/ou multisegmentares, assimétricos, multiplanares, acíclicos, intermitentes, rápidos e instáveis que enfatizam estabilidade do core (Figura 2), (LA SCALA TEIXEIRA et al., 2017). 8 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com 9 EXERCÍCIOS DE FORÇA ESPECÍFICO ALTA VELOCIDADE MULTIPLANAR ASSIMÉTRICO ACÍCLICOINTERMITENTE INTEGRADO MULTI-ARTICULAR MULTI-SEGMENTAR INSTÁVEL ESTABILIDADE DO CORE Figura 01: Proposta de representação esquemática da integração de capacidades físicas/sistemas fisiológicos durante a execução de tarefas funcionais; base teórica para a construção conceitual de FT. Adaptado de LA SCALA TEIXEIRA, C. V. et al. “You’re Only as Strong as Your Weakest Link”: A Current Opinion about the Concepts and Characteristics of Functional Training. Frontiers in Physiology, v. 8, p. 643, 30 ago. 2017. Figura 02: Representação esquemática das características do treinamento/exercício funcional. Adaptado de LA SCALA TEIXEIRA, C. V. et al. “You’re Only as Strong as Your Weakest Link”: A Current Opinion about the Concepts and Characteristics of Functional Training. Frontiers in Physiology, v. 8, p. 643, 30 ago. 2017. Conhecer os métodos e procedimentos para avaliar a funcionalidade de idosos fornece recursos e instrumentos para adaptar e prescrever exercícios físicos baseados nas necessidades individuais. No entanto, a avaliação detalhada da funcionalidade não é uma prática comum entre os Profissionais de Educação Física. Quando realizada, muitas vezes é feita de maneira superficial, focando mais nas respostas qualitativas, como em uma anamnese pré-participação. Coordenação Resist. aeróbica Agilidade Resist. muscular Flexibilidade EquilíbrioForça Potência VelocidadeIntenção de movimento/tarefa Ação integrada dos diferentes sistemas fisiológicos Execução da tarefa funcional Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com As páginas seguintes deste livro apresentam uma variedade de testes e um modelo de anamnese que podem ser facilmente aplicados por Profissionais de Educação Física, voltados para avaliar a funcionalidade de idosos, com uma interpretação que vai além dos resultados numéricos. Embora existam muitos testes validados e confiáveis, é sempre difícil tomar a decisão de quais testes aplicar. A seleção para o livro considerou principalmente a viabilidade e a praticidade de aplicação em academias, clínicas e na rotina dos profissionais de saúde. Eu explico tudo isso, detalhadamente, no meu curso On-line COMO TREINAR PESSOAS IDOSAS, que você acessa clicando no ícone abaixo. Ao final do livro, está em anexo um modelo de anamnese onde adicionei os testes que considerei mais viáveis e que aplico na minha rotina diária como treinador. No entanto, diante de tantos testes, os quais apresento a seguir, fica a critério do avaliador decidir quais utilizar em sua prática, baseado na viabilidade e condições de tempo e materiais disponíveis. 10 Clique na imagem e acesse o curso Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com https://symp.la/mnwmpf 11 1.3 Características do cliente idoso Fried (2001) e Rockwood (2005) exploraram o conceito de “frailty”, ou seja, fragilidade, uma síndrome geriátrica caracterizada pela diminuição das reservas de energia e resistência reduzida aos estressores. Fried propôs o “Fenótipo da Fragilidade”, identificado por critérios como perda de peso, exaustão, fraqueza, baixa atividade física e lentificação da marcha. Idosos com três ou mais parâmetros são considerados “frágeis”, dois são “pré-frágeis” e aqueles sem nenhum são considerados “robustos”, excluindo portadores de comorbidades e dependência funcional. Em 2005, Rockwood propôs um modelo abrangente de fragilidade, introduzindo o Índice de Fragilidade (IF). Este índice é derivado da Avaliação Geriátrica Ampla, representando uma medida ponderada de 30 a 70 déficits clínicos acumulativos, abrangendo doenças específicas, sinais e sintomas, perdas funcionais e alterações laboratoriais. O IF reflete uma avaliação holística da saúde do idoso. Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com 9 Ambos os modelos de fragilidade têm limitações significativas. O modelo de Fried é considerado engessado, focando principalmente na mobilidade e subestimando outros domínios funcionais. Sua aplicação demanda tecnologias pouco disponíveis na atenção básica. Já o Índice de Fragilidade de Rockwood, embora abranja uma gama maior de déficits, depende da Avaliação Geriátrica Ampla, que carece de consenso estrutural entre os autores e varia amplamente. Ambos os modelos não conseguem abranger todas as condições crônicas associadas ao risco de declínio funcional, hospitalização e óbito. Atualmente, o desafio reside na operacionalização do conceito de fragilidade para facilitar o reconhecimento e implementar intervenções que maximizem a independência do indivíduo, prevenindo desfechos adversos. Isso visa tornar o termo útil para aqueles envolvidos na prevenção da incapacidade funcional em idosos. Um ponto fundamental é que a velocidade que o processo de envelhecimento ocorre, pode variar de pessoa para pessoa. Por isso que você vê idosos em diferentes condições de aptidão física e capacidade funcional. Há aqueles que são mais fragilizados e aqueles que são mais preservados, por assim dizer. Por isso, sempre é recomendado utilizar mais de 1 modelo de avaliação para construir um relatório confiável. Para ficar mais fácil de visualizar tais diferenças, vejamos os 6 níveis classificação da capacidade funcional de pessoas idosas. Determinar o nível de capacidade funcional da pessoa idosa é o ponto de partida de qualquer prescrição de treinamento para essa população 12 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com NÍVEL CARACTERÍSTICAS CLASSIFICAÇÃO 1 Não executa nenhuma AVD e depende completamente de auxílio de outras pessoas. INCAPACIDADE FÍSICA CAPACIDADES PRIMÁRIAS Força, flexibilidade e equilíbrio estático nas AVDs 2 Não executa algumas ou nenhuma AVD, necessitando de cuidados domiciliares. FISICAMENTE DEPENDENTE Força, flexibilidade e equilíbrio estático/dinâmico nas AVDs 3 Executa todas as AVSs, mas somente algumas AIVDs. FISICAMENTE FRÁGIL Força, flexibilidade e equilíbrio estático/dinâmico nas AVDs e AVIDs 4 Executa todas as AVDs e AIVDs. Possui baixa reserva funcional e grande tendência a migrar para nível 3. FISICAMENTE INDEPENDENTE Capacidades de força, aptidão aeróbica, flexibilidade, equilíbrio, coordenação e agilidade 5 Executa todas as AVDs e também pratica exercícios/esportes de intensidade moderada. FISICAMENTE APTO Igual ao nível 4 6 Executa exercícios de alta intensidade e alto risco, podendo competir em alto nível. ELITE FÍSICA Igual ao nível 4 + específico do esporte AVDs: Atividades da vida diária AVID: Atividade instrumental da vida diária Tabela 2: Perfil e nível de capacidade funcional. 13 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Comece sempre por uma anamnese completa e detalhada. Essa é a primeira oportunidade que o profissional de educação física tem para coletar informações importantes. Veja ao final desse livro, um modelo de anamnese bastante completo para pessoas idosas. Um ponto importante na aplicação da anamnese inteligente para idosos é o nível cognitivo. Idosos podem ter dificuldade de entendimento, devido a fragilidade cognitiva ou à presença de doenças neurodegenerativas, como Parkinson e Alzheimer. Caso perceba que o idoso tem dificuldades para responder a anamnese, o profissional poderá solicitar que o cônjuge ou parentes próximos, auxiliem nas respostas. Na ausência dessas pessoas, o próprio pode ajudá-lo no preenchimento. Outro quadro que deve ser avaliado, é o de transtornos mentais. Os transtornos do humor representam uma das condições psiquiátricas mais prevalentes entre os idosos, contribuindo para a perda de autonomia e o agravamento de doenças preexistentes. Entre esses transtornos, a ansiedade e a depressão são as mais comuns, associadas a um aumento significativo no risco de morbidade e mortalidade. Além disso, estão relacionadas a uma maior utilização dos serviçosde saúde, negligência no autocuidado, adesão reduzida aos tratamentos prescritos e um aumento no risco de suicídio (LIMA; IVBIJAR, 2013). 2. POR ONDE COMEÇAR? 14 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Com o aumento do número e da porcentagem de adultos mais velhos em grande parte do mundo, é fundamental, por motivos econômicos e pessoais, que esse grande segmento da população permaneça saudável e independente pelo maior tempo possível. Um fator fundamental para preservar a mobilidade e a independência nos últimos anos é manter a capacidade física (por exemplo, força, resistência, agilidade e equilíbrio) necessária para realizar atividades cotidianas normais - fazer tarefas domésticas simples, subir degraus, levantar e carregar objetos, entrar e sair de cadeiras ou veículos de transporte e caminhar o suficiente dentro e ao redor de lojas, edifícios e estacionamentos para fazer suas próprias coisas sem precisar de ajuda, ou precisar de pouca ajuda de outras pessoas. 15 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com As quedas constituem uma das principais preocupações dos profissionais de saúde em relação à população idosa. Anualmente, aproximadamente 30% das pessoas com 60 anos ou mais experimentam quedas, muitas vezes precedendo lesões e outras complicações. Estudos indicam que a diminuição da capacidade funcional, a instabilidade da marcha e a fraqueza muscular nas extremidades inferiores são fatores de risco significativos para quedas em idosos que vivem na comunidade (MOREIRA et al., 2020). Outros fatores, tais como ter artrite/artrose, auto percepção de saúde ruim e problemas de visão, são associados à recorrência de quedas em idosos (ABREU et al., 2016) Em um grupo de praticantes de atividade física, a fraqueza muscular dos membros inferiores aumenta as chances de sofrer queda em 2,66 vezes (STREIT et al., 2011). Na literatura, há diversos modelos de instrumentos, como escalas, testes e questionários, destinados a avaliar a capacidade funcional dos idosos, com o objetivo de identificar potenciais riscos de quedas. Contudo, alguns estudos indicam que esses testes de mobilidade funcional podem não ser suficientemente sensíveis para detectar o risco de quedas em idosos. As baterias motoras têm a finalidade de avaliar a aptidão física em idosos, mas a literatura não esclarece se essas baterias possuem uma boa capacidade preditiva na detecção do risco de quedas em idosos que praticam exercícios físicos. O Sênior Fitness Test (STF) é amplamente utilizado internacionalmente para medir o nível de aptidão física em idosos (TODDE et al., 2016). Além disso, a SFT é uma bateria de fácil aplicação, baixo custo e possui valores normativos para idosos brasileiros (ABREU et al., 2016; MAZO et al., 2015). A seguir, lhes apresento a bateria de testes proposta por Rikli e Jones (RIKLI; JONES, 2013). 3. AVALIAÇÃO FUNCIONAL DE PESSOAS IDOSAS 16 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Objetivo: avaliar a força e resistência dos membros inferiores. Instrumentos: cronômetro, cadeira com encosto e sem braços, com altura de assento de aproximadamente 43 cm. Organização dos instrumentos: por razões de segurança, a cadeira deve ser colocada contra uma parede, ou estabilizada de qualquer outro modo, evitando que se mova durante o teste. Posição do avaliado: sentado na cadeira com as costas encostadas no encosto e pés apoiados no chão. Posição do avaliador: próximo ao avaliado, segurando a cadeira. 3.1 Sênior Fitness Test 1. Levantar e Sentar da Cadeira Adaptado de: Rikli RE, Jones JC.,(2008) Procedimento: o participante cruza os braços com o dedo médio em direção ao acrômio. Ao sinal o participante ergue-se e fica totalmente em pé e então retorna a posição sentada. O participante é encorajado a completar tantas ações de ficar totalmente em pé e sentar quanto possível em 30 segundos. O analisador deverá realizar uma vez para demonstrar o teste para que o participante tenha uma aprendizagem apropriada. O teste deverá ser realizado uma vez. Pontuação: a pontuação é obtida pelo número total de execuções corretas num intervalo de 30 segundos. Se o participante estiver no meio da elevação no final dos 30 segundos, deve-se contar esta como uma execução. 17 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Objetivo: avaliar a força e resistência do membro superior. Instrumentos: cronômetro, ou relógio de pulso ou qualquer outro que tenha ponteiro de segundos. Cadeira com encosto e sem braços e halteres de mão (2,3 kg para mulheres e 3,6 kg para homens). Já foram validados para o Brasil 2 kg para mulheres e 4 kg para homens. Logo, será utilizado 2 Kg e 4 Kg. Organização dos instrumentos: o participante senta em uma cadeira com as costas retas, os pés no chão e o lado dominante do corpo próximo à borda da cadeira. Ele segura o halter com a mão dominante, utilizando uma empunhadura de aperto de mão. Posição do avaliado: o participante senta em uma cadeira com as costas retas, os pés no chão e o lado dominante do corpo próximo à borda da cadeira. Ele segura o halter com a mão dominante, utilizando uma empunhadura de aperto de mão. O teste começa com o braço estendido perto da cadeira, perpendicular ao chão. Posição do avaliador: o avaliador ajoelha-se (ou senta em uma cadeira) próximo ao avaliado no lado do braço dominante, colocando seus dedos no meio do braço da pessoa para estabilizar a parte superior do braço e pra garantir que uma flexão total seja feita (o antebraço do avaliado deve apertar os dedos do avaliador. É importante que a região superior do braço do avaliado permaneça parada durante todo o teste. Sênior Fitness Test 2. Flexão de cotovelo 18 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com O avaliador pode também precisar posicionar sua outra mão atrás do cúbito do avaliado para ajudar a medir quando a extensão total tenha sido alcançada e para impedir um movimento de balanço para trás do braço. Procedimento: O teste começa com o braço estendido perto da cadeira e perpendicular ao chão. Ao sinal indicativo, o participante gira sua palma para cima enquanto flexiona o braço em amplitude total de movimento e então retorna o braço para uma posição completamente estendida. Na posição inicial, o peso deve retornar para a posição de empunhadura de aperto de mão. O avaliado é encorajado a executar tantas repetições quanto possível em 30 segundos. Após a demonstração, faça uma ou duas repetições para verificar a forma apropriada, seguida do teste. Deverá ser executado o teste uma vez. Pontuação: a pontuação é obtida pelo número total de flexões corretas realizadas num intervalo de 30 segundos. Se no final dos 30 segundos o antebraço estiver em meia flexão, conta-se como uma flexão total. Adaptado de: Rikli RE, Jones JC.,(2008) 19 Sênior Fitness Test Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Objetivo: Avaliar a resistência aeróbica. Instrumentos: cronômetro, ou relógio de pulso ou qualquer outro que tenha ponteiro de segundos. Uma fita para marcar a parede. Procedimentos: Estabelecer a altura da marcha usando a fita adesiva para marcar o ponto medial entre a borda superior da patela e a crista ilíaca do avaliado. Ao sinal de “começar”, o avaliado deverá “marchar” e não “correr”, elevando um joelho após o outro até a altura demarcada na parede. Posição do avaliado: o participante fica em pé, de frente para a parede e aguarda o sinal do avaliador para iniciar o teste. Posição do avaliador: o avaliador se posiciona lateralmente ao avaliado. 3. Marcha Estacionária de 2 minutos Pontuação: corresponderá ao número de passos realizados durante o período de 2 minutos, contados apenas quando o joelho direito atingir a altura demarcada. Adaptadode: Rikli RE, Jones JC.,(2008) 20 Sênior Fitness Test Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Objetivo: avaliar a flexibilidade dos membros inferiores. Instrumentos: cadeira com encosto e sem braços a uma altura de, aproximadamente, 43 cm, até o assento e uma régua de 45 cm. Organização dos instrumentos: Por razões de segurança deve-se colocar a cadeira contra uma parede de forma a que se mantenha estável (não deslize para frente) quando o participante se sentar na respectiva extremidade. Posição do avaliado: o ponto aproximado entre a linha inguinal e os glúteos deve estar paralelo ao assento da cadeira. Mantenha uma perna flexionada e o pé do chão, os joelhos paralelos, voltados para frente, o participante estende a outra perna (a perna preferida) à frente do quadril, com o calcanhar no chão e dorsiflexão plantar a aproximadamente 90º. Posição do avaliador: próximo ao avaliado. Procedimento: com a perna estendida (porém não superestendida), o participante inclina-se lentamente para a frente, mantendo a coluna o mais ereta possível e a cabeça alinhada com a coluna. O avaliado tenta tocar os dedos dos pés escorregando as mãos, uma em cima da outra, com as pontas dos dedos médios, na perna estendida. A posição deve ser mantida por dois segundos. Se o joelho estendido começar a flexionar, peça ao avaliado para sentar de volta lentamente até que o joelho esteja estendido. Lembre o avaliado de expirar á medida que se inclina para a frente, evitando saltos ou movimentos forçados rápidos e nunca alongando ao ponto de sentir dor. 4. Sentado e Alcançar 21 Sênior Fitness Test Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Seguindo a demonstração, faça que o avaliado determine sua perna preferida – a perna que produz o melhor escore. Dê então ao avaliado duas tentativas (alongamento) nesta perna, seguidas por duas provas de teste. Pontuação: usando uma régua de 45 cm, o avaliador registra a distância (cm) até os dedos dos pés (resultado mínimo) ou a distância (cm) que se consegue alcançar para além dos dedos dos pés (resultado máximo). O meio do dedo grande do pé na extremidade do sapato representa o ponto zero. Registrar ambos os valores encontrados com a aproximação de 1 cm, e fazer um círculo sobre o melhor resultado. O melhor resultado é usado para avaliar o desempenho. Adaptado de: Rikli RE, Jones JC.,(2008) 22 Sênior Fitness Test Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Objetivo: avaliar a flexibilidade dos membros superiores (ombro). Instrumentos: régua de 45,7 cm. Organização dos instrumentos: Posição do avaliado: em pé próximo ao avaliador. Posição do avaliador: atrás do avaliado. Procedimento: em pé, o avaliado coloca a mão preferida sobre o mesmo ombro, a palma aberta e os dedos estendidos, alcançando o meio das costas tanto quanto possível (cúbito apontado para cima). A mão do outro braço está colocada atrás das costas, a palma para cima, alcançando para cima o mais distante possível na tentativa de tocar ou sobrepor os dedos médios estendidos de ambas as mãos. Sem mover as mãos de avaliado, o avaliador ajuda a verificar se os dedos médios de cada mão estão direcionados um ao outro. Não é permitido ao avaliado agarrar seus dedos unidos e puxar. Seguindo a demonstração, o avaliado determina a mão preferida e são feitas duas tentativas de aprendizagem, seguidas pelo teste (2 tentativas). 5. Alcançar atrás das costas 23 Sênior Fitness Test Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Pontuação: à distância da sobreposição, ou a distância entre as pontas dos dedos médios é a medida ao cm mais próximo. Os resultados negativos (-) representam a distância mais curta entre os dedos médios; os resultados positivos (+) representam a medida da sobreposição dos dedos médios. Registram-se as duas medidas. O “melhor” valor é usado para medir o desempenho. Certifique-se de marcar os sinais (-) e (+) na ficha de pontuação. Adaptado de: Rikli RE, Jones JC.,(2008) 24 Sênior Fitness Test Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Objetivo: avaliar a mobilidade física – velocidade, agilidade e equilíbrio dinâmico. Instrumentos: cronômetro, fita métrica, cone (ou outro marcador) e cadeira com encosto a uma altura de aproximadamente 43 cm, até o assento. Organização dos instrumentos: a cadeira deve ser posicionada contra a parede ou de forma que garanta a posição estática durante o teste. A cadeira deve também estar numa zona desobstruída, em frente coloca-se um cone (ou outro marcador), à distância de 2,5 m (medição desde a ponta da cadeira até a parte anterior do marcador, cone). Deverá haver pelo menos 1,5 m de distância livre à volta do cone, permitindo ao participante contornar livremente o cone. Posição do avaliado: o avaliado começa em uma posição sentada na cadeira com uma postura ereta, mãos nas coxas e os pés no chão com um pé levemente na frente do outro. Posição do avaliador: o avaliador deve servir como um marcador, ficando no meio do caminho entre a cadeira e o cone, pronto para auxiliar o avaliado em caso de perda de equilíbrio. Procedimento: ao sinal indicativo, o avaliado levanta da cadeira (pode dar um impulso nas coxas ou na cadeira), caminha o mais rapidamente possível em volta do cone, retorna para a cadeira e senta. Para uma marcação confiável, o avaliador deve acionar o cronômetro no movimento do sinal, quer a pessoa tenha ou não começado a se mover, e parar o cronômetro no instante exato que a pessoa sentar na cadeira. 6. Levantar e Caminhar 2,5 metros. 25 Sênior Fitness Test Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Após a demonstração, o avaliado deve ensaiar o teste uma vez para praticar e, então, realizar duas tentativas. Lembre ao avaliado que o cronômetro não será parado até que ele esteja completamente sentado na cadeira. Pontuação: o resultado corresponde ao tempo decorrido entre o sinal de “partida” até o momento em que o participante está sentado na cadeira. Registram-se dois escores do teste para o décimo de segundo mais próximo. O melhor escore (menor tempo) será o escore utilizado para avaliar o desempenho. Adaptado de: Rikli RE, Jones JC.,(2008) 26 Sênior Fitness Test Clique na imagem e acesse o curso Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com https://symp.la/mnwmpf 27 Teste Levantar da cadeira – é obtido pelo número de repetições em que o idoso senta e levanta (extensão completa dos joelhos) durante o período de 30 segundos. Pontação dos testes Valores de referência para Mulheres Valores de referência para Homens 3.2 Pontuação para o Sênior Fitness Test Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Teste Flexão de Cotovelo– O valor dado a este teste é referente ao número de repetições realizadas no período de 30 segundos. Pontação dos testes Valores de referência para Mulheres Valores de referência para Homens 28 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Marcha Estacionária – a pontuação corresponderá ao número de passos realizados durante o período de 2 minutos, contados apenas quando o joelho direito atingir a altura demarcada. Pontação dos testes Valores de referência para Mulheres Valores de referência para Homens 29 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Teste Sentado e Alcançar – O valor dado a este teste é referente ao à distância em centímetros que o idosos consegue alcançar até os dedos dos pés. Pontação dos testes Valores de referência para Mulheres Valores de referência para Homens 30 Licenciadopara - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Teste Alcançar Atrás das Costas – é obtido pela distância entre os dedos médios (resultado negativo) ou pela sobreposição das mãos (resultado positivo). A mensuração é dada em centímetros e é registrado o melhor resultado entre duas tentativas. Pontação dos testes Valores de referência para Mulheres Valores de referência para Homens 31 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Teste Levantar e Caminhar 2,5m – o resultado corresponde ao tempo decorrido entre o sinal de “partida” até o momento em que o participante está sentado na cadeira. Registram-se dois escores do teste para o décimo de segundo mais próximo. O melhor escore (menor tempo) será o escore utilizado para avaliar o desempenho. Pontação dos testes Valores de referência para Mulheres Valores de referência para Homens 32 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com O equilíbrio é uma capacidade que temos de realizar movimentos e mobilidade de forma eficaz em nossas atividades diárias. É composto por diversos fatores, incluindo, entre outros, respostas somatossensoriais, vestibulares e posturais (PARK; LEE, 2017). A Escala de Equilíbrio de Berg é uma ferramenta de teste com alta validade e confiabilidade utilizada para mensurar o equilíbrio. O equilíbrio dá ao indivíduo a capacidade de realizar movimentos físicos e performar bem e com segurança as atividades da vida diária. Pode ser classificado como estático ou dinâmico e é essencial para redução do risco de quedas em pessoas idosas (PARK; LEE, 2017). Foi criado por Katherine Berg em 1989 inicialmente para uso em idosos com média de 73 anos (AZUMA; CHIN; MIURA, 2019) no entanto, tem sido utilizado em outros indivíduos, como amputados e pessoas com problemas neurológicos como doença de Parkinson e acidentes vasculares cerebrais, além de esclerose múltipla, declínio cognitivo e indivíduos em recuperação e reabilitação (DOWNS; MARQUEZ; CHIARELLI, 2013). Essa escala também tem sido utilizada para avaliar o risco de quedas e prever o tempo de internação durante a reabilitação de pacientes internados. 3.3 Escala de Equilíbrio de BERG 33 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com A Escala de Berg abrange 14 tarefas cotidianas que avaliam o equilíbrio estático e dinâmico, incluindo atividades como alcançar, girar, transferir-se, manter-se em pé e levantar-se. A avaliação é feita em formato de questionário conduzido pelo próprio avaliador. Os itens avaliados na Escala de Equilíbrio de Berg incluem a capacidade do indivíduo em manter posições de crescente dificuldade. Isso envolve desde diminuir a base de suporte ao sentar-se, passando por posturas confortáveis e ficar em pé com os pés juntos, até desafios mais complexos, como adotar postura em tandem (um pé à frente do outro) e, por fim, manter-se em uma única perna — considerados os dois itens mais desafiadores. Outros itens avaliam a habilidade do indivíduo em realizar transições de posição, como de sentado para em pé, transferir-se de uma cadeira para outra, pegar objetos do chão e sentar-se. A execução dessas tarefas é observada e pontuada de 0 a 4 em cada uma, totalizando até 56 pontos. A pontuação é atribuída com base no tempo de manutenção da posição, na distância alcançada pelo braço ou no tempo necessário para concluir a tarefa. Pontos são subtraídos se o tempo ou a distância não forem atingidos, se o indivíduo precisar de supervisão ou apoio externo, ou se receber ajuda do examinador. Confira a seguir o questionário. Em seguida, falaremos sobre como deve ser feita a aplicação do questionário. 34 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com DESCRIÇÃO DOS ÍTENS PONTUAÇÃO ( 0 A 4 ) 1. SENTADO PARA POSIÇÃO EM PÉ 2. EM PÉ SEM APOIO 3. SENTADO SEM APOIO 4. EM PÉ PARA POSIÇÃO SENTADO 5. TRANSFERÊNCIAS 6. EM PÉ COM OS OLHOS FECHADOS 7. EM PÉ COM OS PÉS JUNTOS 8. ALCANÇAR À FRENTE COM OS BRAÇOS ESTENDIDOS 9. APANHAR UM OBJETO DO CHÃO 10. VIRAR PARA OLHAR PRA TRÁS 11. GIRANDO 360 GRAUS 12. COLOCAR OS PÉS ALTERNADAMENTE SOBRE UM BANCO 13. EM PÉ, COM UM PÉ A FRENTE DO OUTRO 14. EM PÉ, APOIADO EM UM DOS PÉS Tabela 3: Descrição dos ítens a serem avaliados na bateria de testes de Equilíbrio de BERG. 3.3.1 Instruções para aplicação dos testes Instrua o sujeito de acordo com as descrições fornecidas para cada tarefa, registrando a categoria de menor pontuação para cada item ao reportar os resultados. Na maioria das tarefas, o sujeito deve manter uma posição por um tempo específico. Pontos são progressivamente subtraídos por falhas de tempo, distância, necessidade de supervisão, apoio externo ou assistência do examinador. 35 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com É crucial esclarecer aos participantes que devem manter o equilíbrio ao realizar a tarefa. Eles têm a liberdade de escolher qual perna servirá como apoio e determinar a amplitude dos movimentos. Julgamentos inadequados podem impactar negativamente o desempenho e a pontuação. Os equipamentos necessários incluem um cronômetro (ou relógio com ponteiro de segundos) e uma régua ou outro dispositivo de medição com escalas de 5, 12,5 e 25 cm. As cadeiras utilizadas devem ter uma altura adequada, e um degrau ou banco (com altura semelhante a um degrau) pode ser empregado para uma das tarefas. 1. SENTADO PARA EM PÉ. Instruções: Por favor, fique de pé. Tente não usar suas mãos como suporte. ( ) 4 capaz de permanecer em pé sem o auxílio das mãos e estabilizar de maneira independente . ( ) 3 capaz de permanecer em pé independentemente usando as mãos ( ) 2 capaz de permanecer em pé usando as mão após várias tentativas . . ( ) 1 necessidade de ajuda mínima para ficar em pé ou estabilizar ( ) 0 necessidade de moderada ou máxima assistência para permanecer em pé. 2. EM PÉ SEM APOIO. Instruções: Por favor, fique de pé por dois minutos sem se segurar em nada. . ( ) 4 capaz de permanecer em pé com segurança por 2 minutos ( ) 3 capaz de permanecer em pé durante 2 minutos com supervisão ( ) 2 capaz de permanecer em pé durante 30 segundos sem suporte ( ) 1 necessidade de várias tentativas para permanecer 30 segundos sem suporte . ( ) 0 incapaz de permanecer em pé por 30 segundos sem assistência Se o sujeito é capaz de permanecer em pé por 2 minutos sem apoio, marque pontuação máxima na situação sentado sem suporte. Siga diretamente para o item #4. 3. SENTADO SEM SUPORTE PARA AS COSTAS, MAS COM OS PÉS APOIADOS NO CHÃO Instruções: Por favor, sente-se com os braços cruzados durante 2 minutos. . . ( )4 capaz de sentar com segurança por 2 minutos . ( )3 capaz de sentar com por 2 minutos sob supervisão ( )2 capaz de sentar durante 30 segundos . ( ) 1 capaz de sentar durante 10 segundos. ( ) 0 incapaz de sentar sem suporte durante 10 segundos. 36 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com 4. EM PÉ PARA SENTADO . Instruções: Por favor, sente-se. . ( ) 4 senta com segurança com o mínimo uso das mão . ( ) 3 controla descida utilizando as mãos . ( ) 2 apóia a parte posterior das pernas na cadeira para controlar a descida . ( ) 1 senta independentemente mas apresenta descida descontrolada ( ) 0 necessita de ajuda para senta 5. TRANSFERÊNCIAS. Instruções: Pedir ao sujeito para passar de uma cadeira com descanso de braços para outra sem descanso de braços (ou uma cama) . . ( ) 4 capaz de passar com segurança com o mínimo uso das mãos ( ) 3 capaz de passar com segurança com uso das mãos evidente ( ) 2 capaz de passar com pistas verbais e/ou supervisão . ( ) 1 necessidade de assistência de uma pessoa . ( ) 0 necessidade de assistência de duas pessoas ou supervisão para segurança 6 . EM PÉ SEM SUPORTE COM OLHOS FECHADOS . Instruções: Porfavor, feche os olhos e permaneça parado por 10 segundos. ( ) 4 capaz de permanecer em pé com segurança por 10 segundos ( ) 3 capaz de permanecer em pé com segurança por 10 segundos com supervisão . ( ) 2 capaz de permanecer em pé durante 3 segundos . ( ) 1 incapaz de manter os olhos fechados por 3 segundos mas permanecer em pé . ( ) 0 necessidade de ajuda para evitar queda . . 7. EM PÉ SEM SUPORTE COM OS PÉS JUNTOS Instruções: Por favor, mantenha os pés juntos e permaneça em pé sem se segurar . ( ) 4 capaz de permanecer em pé com os pés juntos independentemente com segurança por 1 minuto . ( ) 3 capaz de permanecer em pé com os pés juntos independentemente com segurança por 1 minuto, com supervisão ( ) 2 capaz de permanecer em pé com os pés juntos independentemente e se manter por 30 segundos . ( ) 1 necessidade de ajuda para manter a posição mas capaz de ficar em pé por 15 segundos com os pés juntos . ( ) 0 necessidade de ajuda para manter a posição mas incapaz de se manter por 15 segundos 37 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com 8. ALCANCE A FRENTE COM OS BRAÇOS EXTENDIDOS PERMANECENDO EM PÉ . Instruções: Mantenha os braços estendidos a 90 graus. Estenda os dedos e tente alcançar a maior distância possível. O examinador coloca uma régua no final dos dedos quando os braços estão a 90 graus. Os dedos não devem tocar a régua enquanto executam a tarefa. A medida registrada é a distância que os dedos conseguem alcançar enquanto o sujeito está na máxima inclinação para frente possível. Se possível, pedir ao sujeito que execute a tarefa com os dois braços para evitar rotação do tronco. ( ) 4 capaz de alcançar com confiabilidade acima de 25cm (10 polegadas) ( ) 3 capaz de alcançar acima de 12,5cm (5 polegadas) . ( ) 2 capaz de alcançar acima de 5cm (2 polegadas) . ( ) 1 capaz de alcançar mas com necessidade de supervisão . ( ) 0 perda de equilíbrio durante as tentativas / necessidade de suporte externo 9. APANHAR UM OBJETO DO CHÃO A PARTIR DA POSIÇÃO EM PÉ Instruções: Pegar um sapato/chinelo localizado a frente de seus pés ( ) 4 capaz de apanhar o chinelo facilmente e com segurança . ( ) 3 capaz de apanhar o chinelo mas necessita supervisão . ( ) 2 incapaz de apanhar o chinelo mas alcança 2-5cm (1-2 polegadas) do chinelo e manter o equilíbrio de maneira independente ( ) 1 incapaz de apanhar e necessita supervisão enquanto tenta . ( ) 0 incapaz de tentar / necessita assistência para evitar perda de . equilíbrio ou queda. 10. EM PÉ, VIRAR E OLHAR PARA TRÁS SOBRE OS OMBROS DIREITO E ESQUERDO . . Instruções: Virar e olhar para trás sobre o ombro esquerdo. Repetir para o direito. O examinador pode pegar um objeto para olhar e colocá-lo atrás do sujeito para encorajá-lo a realizar o giro. ( ) 4 olha para trás por ambos os lados com mudança de peso adequada ( ) 3 olha para trás por ambos por apenas um dos lados, o outro lado mostra menor mudança de peso . ( ) 2 apenas vira para os dois lados mas mantém o equilíbrio . ( ) 1 necessita de supervisão ao virar . ( ) 0 necessita assistência para evitar perda de equilíbrio ou queda 11. VIRAREM 360 GRAUS . Instruções: Virar completamente fazendo um círculo completo. Pausa. Fazer o mesmo na outra direção . ( ) 4 capaz de virar 360 graus com segurança em 4 segundos ou menos. ( ) 3 capaz de virar 360 graus com segurança para apenas um lado em 4 segundos ou menos . ( ) 2 capaz de virar 360 graus com segurança mas lentamente . ( ) 1 necessita de supervisão ou orientação verbal . . ( ) 0 necessita de assistência enquanto vira . 38 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com 12. COLOCAR PÉS ALTERNADOS SOBRE DEGRAU OU BANCO PERMANECENDO EM PÉ E SEM APOIO . Instruções: Colocar cada pé alternadamente sobre o degrau/banco. Continuar até cada pé ter tocado o degrau/banco quatro vezes. ( ) 4 capaz de ficar em pé independentemente e com segurança e completar 8 passos em 20 segundos . ( ) 3 capaz de ficar em pé independentemente e completar 8 passos em mais de 20 segundos . ( ) 2 capaz de completar 4 passos sem ajuda mas com supervisão . ( ) 1 capaz de completar mais de 2 passos necessitando de mínima assistência . . ( ) 0 necessita de assistência para prevenir queda / incapaz de tentar 13. PERMANECER EM PÉ SEM APOIO COM OUTRO PÉ A FRENTE Instruções: (demonstrar para o idoso - Colocar um pé diretamente em frente do outro. Se você perceber que não pode colocar o pé diretamente na frente, tente dar um passo largo o suficiente para que o calcanhar de seu pé permaneça a frente do dedo de seu outro pé. (Para obter 3 pontos, o comprimento do passo poderá exceder o comprimento do outro pé e a largura da base de apoio pode se aproximar da posição normal de passo do sujeito.) ( ) 4 capaz de posicionar o pé independentemente e manter por 30 segundos . . . ( ) 3 capaz de posicionar o pé para frente do outro independentemente e manter por 30 segundos ( ) 2 capaz de dar um pequeno passo independentemente e manter por 30 segundos . ( ) 1 necessidade de ajuda para dar o passo mas pode manter por 15 segundos . . ( ) 0 perda de equilíbrio enquanto dá o passo ou enquanto fica de pé 14. PERMANECER EM PÉ APOIADO EM UMA PERNA . Instruções: Permaneça apoiado em uma perna o quanto você puder sem se apoiar . ( ) 4 capaz de levantar a perna independentemente e manter por . mais de 10 segundos . ( ) 3 capaz de levantar a perna independentemente e manter entre 5 e 10 segundos . ( ) 2 capaz de levantar a perna independentemente e manter por 3 segundos ou mais . ( ) 1 tenta levantar a perna e é incapaz de manter 3 segundos, mas permanece em pé independentemente . ( ) 0 incapaz de tentar ou precisa de assistência para evitar queda Pontuação Total 39 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com NÃO EXISTEM RISCOS DE QUEDAS LOCOMOÇÃO SEGURA MAS COM RECOMENDAÇÕES DE ASSISTÊNCIA DE MARCHA INDICA 100% DE RISCO DE QUEDAS 37 - 44 PONTOS 45 - 56 PONTOS0 - 36 PONTOS 40 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Com as alterações funcionais inerentes ao processo de envelhecimento, as quedas tornam-se eventos frequentes, influenciados por múltiplos fatores. Essas quedas representam uma preocupação significativa para os idosos, podendo resultar em declínio na capacidade física, fragilização, redução da marcha e um aumento no risco de institucionalização. Esses fatores contribuem para um aumento no risco de quedas e possíveis lesões associadas. Os resultados encontrados no estudo de Teixeira e colaboradores (2019) evidenciam que a prevalência de quedas em idosos ocorre a partir da interação deles com o meio ambiente em que vivem, quando comparados com aqueles advindos de agravos da saúde do indivíduo. Portanto, os fatores extrínsecos mostraram-se mais predominantes do que os fatores intrínsecos (TEIXEIRA et al., 2019). Diante dessas circunstâncias, o teste Timed Up and Go (TUG) visa avaliar a mobilidade e o equilíbrio funcional, especialmente em adultos mais velhos. Destaca-se por sua execução simples, custo acessível e eficácia na avaliação da mobilidade e equilíbrio funcional. Sua procura tem aumentado devido à sua associação com o risco de quedas, o medo de cair e sua capacidade funcional (ALEXANDRE et al., 2012). Tudo que você vai precisar é de uma cadeira de aproximadamente 45 cm, um cone (pode até usar garrafa pet ou qualquer outro marcador visual) e um cronômetro. 4. TIMED UP-AND-GO TEST (TUG Test) 3 metros Figura 3: Timed Up-and-Go Test clássico 41 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Muito embora, alguns trabalhos sugerem que o TUG test, sozinho, tem baixa capacidade de avaliar o risco de quedas em idosos, em um artigo recente de revisão, os autores reuniram 10 trabalhos que analisaram a sensibilidade do TUG test em identificar o risco de pessoas idosas sofrerem quedas (ANDRADE etal., 2021). Em suas conclusões, é possível ver um grande número de publicações que atestam o TUG test como ferramenta viável e confiável, já outros estudos apresentam resultados divergentes. Como no estudo de Bretan e colaboradores, que avaliou 102 idosos com idades iguais ou maiores de 75 anos, constatando que o TUG test é uma boa ferramenta para avaliar o risco de quedas (BRETAN et al., 2013). Já em outro estudo, os autores encontraram que o teste clássico não se associava ao risco de quedas e devem ser utilizados com cautela (VIRTUOSO et al., 2014) Portanto, com base nos estudos apresentados, os resultados mencionados não indicam a eficácia isolada do teste TUG na predição do risco de quedas em idosos. No entanto, as pesquisas apontam para resultados positivos quando o teste é complementado por outras avaliações. Destaca-se a necessidade de escalas eficazes que contribuam para a prática clínica, permitindo a avaliação do risco de quedas (ANDRADE et al., 2021). Grande parte das divergências encontradas, no que diz respeito aos resultados observados nas pesquisas com idosos, pode estar atrelado à grande heterogeneidade das amostras, tanto quando à idade como quanto etnias diferentes. Idades mais avançadas é um fator que contribui para aumento do risco de quedas pela redução da funcionalidade, o que poderia levar a um aumento do tempo que cada indivíduo leva para completar o teste, não necessariamente indicando que há maior ou menor risco de sofrerem quedas. O medo de sofrer quedas é outro fator. 42 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com ATÉ 10 SEGUNDOS DESEMPENHO NORMAL PARA ADULTOS SAUDÁVEIS. BAIXO RISCO DE QUEDAS ENTRE 11 E 20 SEGUNDOS NORMAL PARA IDOSOS FRÁGEIS OU COM DEBILIDADE, MAS QUE SE MANTÊM INDEPENDENTES NA MAIORIA DAS ATIVIDADES DE VIDA DIÁRIA. BAIXO RISCO DE QUEDAS ENTRE 21 E 29 SEGUNDOS AVALIAÇÃO FUNCIONAL OBRIGATÓRIA. INDICADO ABORDAGEM ESPECÍFICA PARA A PREVENÇÃO DE QUEDA. RISCO DE QUEDAS MODERADO 30 SEGUNDOS OU MAIS AVALIAÇÃO FUNCIONAL OBRIGATÓRIA. INDICADO ABORDAGEM ESPECÍFICA PARA A PREVENÇÃO DE QUEDA. ALTO RISCO PARA QUEDAS Para isso, apresento-lhes agora um trabalho publicado por brasileiros que valida o TUG test para nossa população, e estabelece um ponto de corte diferente dos encontrados no teste clássico (Figura 3). O estudo prospectivo investigou a precisão do teste Timed Up and Go (TUG) na triagem do risco de quedas entre 63 idosos residentes em uma comunidade. Além de aplicar um questionário de análise funcional multidimensional, a mobilidade foi avaliada por meio do TUG. Os resultados indicaram que o TUG se mostrou uma medida precisa para a triagem do risco de quedas em idosos, embora o ponto de corte fosse diferente dos valores relatados internacionalmente. A média registrada foi de 12,47 segundos para idosos brasileiros, sugerindo ser uma previsão mais adequada para idosos brasileiros (ALEXANDRE et al., 2012). Tabela 4: Valores internacionais de referência para avaliação funcional de pessoas idosas com base no TUG test. 43 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com A massa muscular diminui em uma taxa de 1% a 2% ao ano a partir dos 50 anos de idade, e declínios ainda maiores são observados na força muscular, que diminui em aproximadamente 1,5% ao ano entre as idades de 50 e 60 anos e 3% depois disso ao ano em média, a partir disso (VON HAEHLING; MORLEY; ANKER, 2010). Além disso, potência do músculo esquelético (ou seja, a capacidade do músculo de produzir contrações fortes e rápidas) diminui mais rapidamente do que a força muscular durante o envelhecimento (REID; FIELDING, 2012). Um ponto de partida importante é, determinar qual o índice de sarcopenia. Introduzindo nos protocolos de avaliação física, além das avaliações já citadas anteriormente, que avaliam fragilidade e risco de quedas, protocolos de avaliação de força e potência capazes de entregar dados confiáveis sobre a perda da massa muscular e funcionalidade que, juntas aumentam o risco de desenvolvimento de doenças osteoarticulares, osteoporose e o risco aumentado de fraturas ao sofrer quedas. 5. AVALIAÇÃO DO ÍNDICE DE SARCOPENIA 5.1 O que é sarcopenia? O termo sarcopenia [do grego, “sarx” (carne) e “penia” (perda)] foi originalmente proposta por Irwin Rosenberg (1989) para descrever a diminuição da massa muscular relacionada à idade. No entanto, esta definição evoluiu nas últimas décadas e agora se refere a uma condição caracterizada por diminuições na massa e função muscular, e no último Consenso Europeu sobre definição e diagnóstico de sarcopenia muscular a força vem à tona como o principal determinante. 44 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Estima-se que a sarcopenia afete aproximadamente 5% a 13% dos idosos entre 60 e 70 anos, podendo chegar a afetar 11% até 50% dos idosos de 80 anos ou mais, afetando tanto idosos saudáveis, quanto idosos acometidos por doenças crônicas (VON HAEHLING; MORLEY; ANKER, 2010). Essa condição aumenta muito o risco de quedas (BISCHOFF-FERRARI et al., 2015) e como resultado, o comprometimento da performance física e capacidade de realizar as tarefas diárias que, por sua vez, leva a uma redução na independência. A sarcopenia traz uma série de consequências, sendo ela de forma isolada ou acompanhada de outras comorbidades a condição está associada ao aumento do tempo de internação do paciente hospitalizado, aumento do risco de infecções hospitalares, comprometimento da deglutição (disfagia sarcopênica), au mento dos efeitos colaterais medicamentosos, o aumento do risco de quedas, diminuição da função em relação às ativida des de vida diária (AVD) e aumento da mortalidade (MITCHELL et al., 2012). 5.2 Força de preensão manual A força de preensão manual (FPM) é o esforço necessário para agarrar um objeto e é necessária para diversas atividades funcionais da vida diária (LEE; GONG, 2020). É um indicador útil em diversas situações clínicas e pode ser facilmente medido com baixo custo. A FPM está associada a diversas doenças crônicas, declínio cognitivo, tempo de internação hospitalar e mortalidade (COOPER et al., 2010). Para avaliação da FPM utilizamos um dinamômetro manual. Existem 3 tipos principais de aparelhos disponíveis, são eles: 1) Hidráulico (Figura 4); 2) Pneumático (Figura 5); e 3) Mecânico digital (Figura 6) (LEE; GONG, 2020). 45 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Figura 4: Dinamômetro hidráulico Figura 5: Dinamômetro pneumático Figura 6: Dinamômetro mecânico 5.2.1 Como realizar a avaliação Autores relataram em suas pesquisas que a FPM era mais fraca quando avaliada na posição deitada do que em pé ou sentado, e sugeriu a influência da gravidade como uma de suas causas. No entanto, Richards, em seu trabalho, relatou que não houve diferença significativa na FPM entre a posição supina e sentada e sugeriu que a influência da gravidade não era significativa (RICHARDS, 1997). Para efeito de comparação, Hillman e colaboradores compararam a FPM em 3 posições: posição supina sem apoio de braço, sentado com apoio de braço (poltrona) e sentado sem apoio de braço (HILLMAN et al., 2005). Como resultado, a FPM foi significativamente mais forte na posição sentada sem apoio de braços do que nas outras 2 posições. Eles atribuíram a causa à posição do cotovelo e não à posição deitada ou sentada. Geralmente, a posição sentada sem apoio do braço é a posição preferida e mais utilizada em todos os protocolos e trabalhos publicados que utilizaram a FPM como medida de avaliação para pesquisa. 46 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Ressonância magnética (MRI) e tomografia computadorizada (CT) são considerados o padrão ouro para a avaliação de massa muscular, mas a sua viabilidade nos cuidados primários é questionável devido ser um examede alto custo e pouco prático (BEAUDART et al., 2016; CRUZ- JENTOFT et al., 2019). A este respeito, o exame de raio-x de dupla energia (DEXA; Figura 7) foi proposta como uma medida válida, alternativa de baixa radiação para a avaliação clínica de rotina de massa muscular em idosos (BEAUDART et al., 2016). O sistema de análise faz inspeção transversa do corpo inteiro, em intervalos de 1cm da cabeça aos pés, e a partir dos seus resultados podemos quantificar a massa magra (muscular), massa óssea, massa gorda, percentual de gordura, percentual de massa muscular e a medida da gordura visceral. Limiares de 20 e 15 kg (quando não ajustado) ou 7 e 6 kg/m² (quando ajustado para altura²) da massa magra apendicular (ou seja, a soma da massa muscular dos quatro membros) foram propostos como pontos de corte para sarcopenia em homens e mulheres, respectivamente (CRUZ-JENTOFT et al., 2019). Ao final deste capítulo, vou apresentar um algorítimo que vai facilitar sua vida na hora de avaliar o índice de sarcopenia, através da identificação de pontos chave (Figura 11). 5.3 Índice de massa muscular Figura 7: DEXA 47 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Na ausência de um exame padrão ouro, segue uma fórmula para estimar o índice de massa apendicular em idosos. Fique atento para utilizar os valores corretos para as variáveis. (0.244×peso corporal-kg) + (7.8×altura-m) + (6.6×sexo) − (0.098×idade) + (raça−3.3) QUALIDADE E QUANTIDADE DE MASSA MAGRA APENDICULAR Homens: ≤ 8,50 kg/m2= sarcopenia severa; 8,51 - 10,75 kg/m2= sarcopenia moderada e; ≥ 10,76 kg/m2= massa muscular normal Utilize para a variável SEXO: 1 = homens e 0 = mulheres. Utilize para a variável ETNIA: 1,2 = asiáticos; 1,4 = pretos e 0 = caucasianos Mulheres: ≤ 5,75 kg/m2= sarcopenia severa; 5,76 - 6,75 kg/m2= sarcopenia moderada e; ≥ 6,76 kg/m2= massa muscular normal 5.4 Circunferência da Panturrilha Outro método que foi proposto quando o DEXA não é uma opção viável é a avaliação antropométrica (BEAUDART et al., 2016), que é o método mais utilizado na prática clínica de acordo com a uma recente pesquisa internacional que mostra que, entre aqueles médicos que avaliam a massa muscular em pacientes idosos, 58% usam dados antropométricos, 46% DEXA, 23% Bioimpedância e <20% ultrassonografia, ressonância magnética ou tomografia computadorizada (BEAUDART et al., 2019). Embora várias medidas antropométricas estejam disponíveis para avaliação de rotina (como por exemplo, índice de massa corporal, circunferência da panturrilha ou do braço, espessura das dobras cutâneas), a circunferência da panturrilha (CP) é a mais popular. 48 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Entretanto, no que diz respeito à CP, observou-se que a maior parte da popula ção tinha suas reservas de massa muscular da panturrilha preservada, mas vale ressaltar que essa medida é sensível para a população idosa e não a população adulta. Contudo, foi evi denciado que a maior parte da amostra de estudo conduzido tinha sobrepeso ou obesidade, dessa forma as medidas antropo métricas podem ter sido influenciadas visto que não houve separação da massa gordurosa e muscular (SOUZA et al., 2020). Além disso, é necessário ser cauteloso quanto ao diagnóstico de sarcopenia através da CP pois, em muitos casos, os pacientes/clientes idosos podem apresentar problemas circulatórios, causando inchaço nos membros inferiores, o que interfere na circunferência da perna. As medidas antropométricas não são indicadores precisos de massa muscular (TOSATO et al., 2017), mas um tamanho menor da panturrilha (ponto de corte <31 cm para circunferência da panturrilha) está associada com maior índice de fragilidade e menor desempenho nos mais velhos (LANDI et al., 2014). Contudo, de acordo com um trabalho conduzido por pesquisadores brasileiros, que avaliaram 132 idosos com média de idade de 69 anos, mostra um ponto de corte diferente para homens (33cm) e para mulheres (31cm) (PAGOTTO et al., 2018). 49 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com 50 A utilização de dispositivos de medição validados e confiáveis é de suma importância na prática clínica. Nesse contexto, destaca-se um instrumento denominado Short Physical Performance Battery, da sigla em inglês SPPB ou simplesmente, Bateria Breve de Desempenho Físico em uma tradução livre. Aqui usaremos a sigla SPPB. A bateria de testes constitui-se de um conjunto de testes para avaliar a capacidade funcional, originada nos Estados Unidos e elaborada principalmente por Jack M. Guralnik. A adaptação cultural e avaliação da confiabilidade da SPPB para a população idosa brasileira foram realizadas por Nakano em 2007. A SPPB incorpora dados provenientes dos testes de velocidade da marcha, equilíbrio estático e força nos membros inferiores (MMII), avaliada indiretamente por meio do teste de levantar e sentar. Esses três parâmetros de capacidade são reconhecidos como válidos e previsores do desempenho dos MMII em diversas populações, sobretudo na população idosa. Veja a figura 8. 5.5 Performance Física - SPPB Figura 8: Protocolos de avaliação da SPPB e suas classificações. TESTE DE EQUILÍBRIO TESTE DE VELOCIDADE DA MARCHA TESTE DE SENTAR E LEVANTAR Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com O envelhecimento é um processo natural que, em diversos aspectos, é marcado por uma diminuição desigual no desempenho muscular, iniciando-se muito antes de o indivíduo atingir a idade avançada. Estima-se que, entre a quarta e a sétima década de vida, ocorra uma redução de 50% na massa e na força muscular humana, sobretudo devido à diminuição das fibras musculares do tipo II (REID; FIELDING, 2012). Recentemente, descobriu-se que os saltos com contramovimento medidos pela Análise do Salto Vertical (SV) se correlacionam bem com métodos para avaliar o risco de queda e o declínio muscular em adultos mais velhos (RUNGE et al., 2004). Salto Vertical avalia quantitativamente a função muscular em idosos em uma ampla gama de capacidades de desempenho físico, incluindo aqueles necessários para evitar quedas, especialmente potência (RUNGE; HUNTER, 2006). Com base nesses dados, um grupo de pesquisadores conduziu um estudo com o objetivo de determinar a segurança, em termos de integridade física e precisão de testes de salto vertical em um grupo de mulheres idosas, e comparar os resultados com os testes tradicionais de função e isocinéticos. Participaram do estudo 49 mulheres acima de 60 anos. Todas foram avaliadas em dinamômetro isocinético (figura 9) para extensores e flexores dos joelhos e para o salto vertical, utilizando plataforma de salto, com e sem contramovimento (figuras 10a e 10b). 5.6 Avaliação do salto vertical Figura 9: Dinamômetro isocinético 51 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Figura 10a: Salto vertical com contramovimento (nesta figura com swing de braços) Figura 10b: Salto vertical sem contramovimento, com as mãos na cintura. Os resultados do estudo mostraram que avaliar o salto vertical é seguro e eficaz para avaliação da potência dos membros inferiores em idosas com mais de 60 anos. Houve correlação positiva entre o teste de sentar e levantar de 30 segundos e o salto vertical, além de mostrar correlação negativa com o IMC e percentual de gordura, ou seja, quanto maior a massa corporal pior será o resultado do teste (SANTOS et al., 2022). Em outro estudo, que teve como objetivo comparar a performance de salto vertical e força dos membros inferiores baseado no nível de sarcopenia em homens e mulheres idosos de 55 a 75 anos. No total, foram avaliados 60 indivíduos, 27 homens e 33 mulheres, para potência de membros inferiores utilizando plataforma de salto do tipo Tendo FiTRODYNE. Além disso, também foram testados para força máxima por teste de 1RMno Leg press e abdução e adução do quadril em máquinas de musculação. Ao final, puderam concluir que há uma correlação entre a potência do salto e índice de sarcopenia (SINGH et al., 2014). 52 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Analisando a capacidade funcional da pessoa a ser avaliada: muitos idosos não têm experiência com exercícios físicos, e o salto exige um nível mais alto de desenvolvimento motor para ser utilizando, aumentado a eficácia e segurança do teste. Por vezes, o teste é ruim simplesmente porque o idoso ou idosa não sabe saltar, assim o resultado do teste é comprometido pelo comportamento motor. Apesar do salto vertical ser uma estratégia considerada segura e eficaz para avaliação da potência dos membros inferiores em idosos, os materiais e equipamentos utilizados para tal são de difícil acesso e de valores mais elevados e, apesar de serem o padrão ouro para evidências científicas, são pouco aplicáveis no mundo real para o personal trainer. Mas é preciso ponderar 2 coisas muitos importantes: Avaliar se é REALMENTE necessário e imprescindível a avaliação, analisando custo-benefício do teste, uma vez que idosos podem apresentar problemas ortopédicos que aumentam risco de dor e lesão. Na medida que a tecnologia avança, aplicações para celulares vem surgindo com objetivo de facilitar e dar mais dinâmica a vida das pessoas. No caso do profissional de educação física, os aplicativos são práticos para realização de avaliações físicas e oferecem dados relevantes e confiáveis. Aqui deixo 2 opções de aplicativos que podem ser utilizados. 53 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Um estudo teve o objetivo de quantificar a validade e a confiabilidade de um novo aplicativo para celulares baseados no sistema Android para medir o desempenho do salto. O aplicativo JumPO 2® forneceu uma medida válida de desempenho de salto, uma vez que suas medidas de tempo de voo estavam fortemente associadas com medidas de tempo de voo obtidas a partir de uma plataforma de força, embora um pequeno erro sistemático foi observado (VIEIRA et al., 2021). Tais erros eram de magnitude semelhante ao relatado em estudos que usaram outros aplicativos, como o My Jump 2. Os resultados do estudo de validação do My Jump 2, mostrou que a altura do CMJ pode ser facilmente avaliados, com precisão de forma confiável (BALSALOBRE-FERNÁNDEZ; GLAISTER; LOCKEY, 2015). Em ambos os aplicativos, é possível assistir vídeos tutoriais ensinando como conduzir as avaliações. Quais medidas são necessárias, como consegui-las e como introduzi-las no aplicativo. Até o momento da escrita desse livro, o JumPO 2 está disponível apenas para plataforma Android, na Play Store. O My Jump 2, está disponível para Android e IOS. 5.6.1 Aplicativos para Smartphones 54 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Tem déficit na força muscular? Quantidade/qualidade muscular baixa? Baixo desempenho físico? Força Preensão Manual Massa apendicular magra Caminhada 400m Vel. da marcha Escore SPPB Levantar da cadeira NÃO SIM NÃO SIM NÃO SIM Meça a qualidade e quantidade muscular Sem sarcopenia Sarcopenia confirmada Avalie a performance física Intervenção para evitar declínio funcional Sarcopenia severa VELOCIDADE DA MARCHA DESFECHOS > 1,3 m/s Idosos bem condicionados > 1,0 m/s Idosos saudáveis com baixo risco de eventos adversos < 1,05 m/s Declínio cognitivo estimado em 5 anos < 1,0 m/s Morte e hospitalização em 1 ano < 0,8 m/s Limitação das atividades de vida diária e mortalidade em 2 anos, SARCOPENIA < 0,7 m/s Morte, hospitalização, institucionalização e quedas < 0,6 m/s Declínio funcional e cognitivo, institucionalização e morte < 0,42 m/s Dependência funcional e comprometimento grave da marcha < 0,2 m/s Extremamente frágil Figura 11: Algorítimo para identificação de sarcopenia em pessoas idosas. Adaptado de VALENZUELA, P. L. et al. Physical Exercise in the Oldest Old. Em: TERJUNG, R. (Ed.). Comprehensive Physiology. 1. ed. [s.l.] Wiley, 2019. p. 1281–1304. Tabela 5: Referência e classificação do nível funcional e sarcopenia por base na velocidade da marcha. Ponto de corte da velocidade da marcha para classificação de sarcopenia. 55 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com O índice tornozelo-braquial é um exame complementar não invasivo que complementa o diagnóstico da doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) nos membros inferiores, tendo sido inicialmente delineado por Winsor em 1950. O cálculo desse índice consiste na razão entre a pressão sistólica da artéria braquial direita ou esquerda (o valor mais elevado) e a pressão sistólica das artérias maleolares tibial anterior ou tibial posterior (o valor mais elevado). Suas vantagens incluem o baixo custo, a execução por médicos não especialistas devidamente treinados e a necessidade apenas de um esfigmomanômetro e um sonar Doppler ou estetoscópio. Para além de sua aplicação na avaliação da DAOP, o índice tornozelo- braquial atua como indicador de doença aterosclerótica em outras regiões e como marcador prognóstico para eventos cardiovasculares. Diversos estudos já evidenciaram que pacientes com índice tornozelo- braquial inferior a 0,9 apresentam uma taxa de mortalidade de 3-6 vezes maior em um período de 5 anos, em comparação com os controles. Essa avaliação também pode ser aplicada sem a utilização de equipamentos sofisticados e caros. Você pode utilizar um aparelho para verificar a pressão arterial do tipo digital (figura do esfigmomanômetro digital). A parte legal desse tipo de avaliação é que, caso encontre algum valor de referência como os descritos na tabela abaixo, você poderá solicitar ao seu cliente que consulte seu médico cardiologista, informando os valores registrados em medidas bilaterais, ou seja, lado direito e lado esquerdo. 6. ÍNDICE TORNOZELO-BRAQUIAL 56 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com 6.1 Protocolo de medição do ITB - O cliente deve permanecer em repouso por 5 a 10 minutos em decúbito dorsal horizontal. - Não deve ter fumado por pelo menos 2 horas antes. - O manguito do esfigmomanômetro deve ter largura de pelo menos 40% da circunferência do membro. - Deve-se proceder a aferição da PAS nas duas artérias braquiais normalmente. - O manguito deve ser colocado na perna com sua borda distal 2 cm acima do maléolo medial. - Utilize um aparelho de aferição digital certificado, como por exemplo o Omron Hem-7122 (Figura 12) Figura 12: Aparelho para avaliar pressão arterial Omron Hem-7122. Ao avaliar um indivíduo com sobrepeso ou obeso, será necessário utilizar uma bolsa especial, que não acompanha o aparelho. Neste caso, existem outras opções no mercado como G-TECH Home BSP11 (Figura 13). Figura 13: Aparelho para avaliar pressão arterial G-Tech Home BSP11. 57 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Consequentemente, indivíduos de estatura mais elevada geralmente apresentam Índices Tornozelo-Braquial (ITB) superiores em comparação com indivíduos mais baixos, devido a esse fenômeno físico. Por ser uma razão, o ITB é menos afetado por fatores que influenciam a hemodinâmica global, como hemodiálise e frequência cardíaca. Pacientes com diabetes ou insuficiência renal crônica frequentemente apresentam uma alta prevalência de calcificação na camada média das artérias da perna, o que impede o colapso durante a insuflação do manguito pressórico e, assim, eleva falsamente o valor do ITB. Nesses casos, é recomendado calcular o índice utilizando a artéria do hálux, que geralmente permanece preservada da calcificação, nesse caso, a avaliação só poderá ser feita pelo médico em ambiente clínico. 6.3 Como interpretar A discrepância entre as pressões arteriais sistólica e diastólicaaumenta à medida que se movimenta distalmente ao longo da árvore arterial, resultando em um aumento da pressão sistólica e uma redução da pressão diastólica. 6.2 Como medir Abaixo segue uma figura que explica claramente como se deve fazer a medição. 58 Figura 14: Instruções para medição e cálculo do ITB. Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com > 1,3 Não compreensível 0,91 - 1,29 Normal 0,41 - 0,90 DAOP leve a moderada 0 - 0,4 DAOP grave Tabela 6: Interpretação do índice de pressão sistólica tornozelo-braquial (ITB). 59 Clique na imagem e acesse o curso Eu preparei um conteúdp super completo onde eu falo detalhadamente sobre tudo isso. Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com https://symp.la/mnwmpf A depressão é um transtorno de humor grave. Pode afetar a maneira como você sente, age e pensa. A depressão é um problema comum entre os idosos, mas a depressão clínica não é uma parte normal do envelhecimento. Na verdade, estudos mostram que a maioria dos idosos se sente satisfeita com a sua vida, apesar de ter mais doenças ou problemas físicos do que os mais jovens. No entanto, se uma pessoa sofreu de depressão quando era mais jovem, é provável que venha a sofrer de depressão quando for um adulto mais velho. Existem vários tipos de depressão que os idosos podem experimentar: Transtorno Depressivo Maior – inclui sintomas que duram pelo menos duas semanas e que interferem na capacidade de uma pessoa realizar tarefas diárias 1. Transtorno Depressivo Persistente (Distimia) – um humor deprimido que dura mais de dois anos, mas a pessoa ainda pode ser capaz de realizar tarefas diárias, ao contrário de alguém com Transtorno Depressivo Maior 2. Transtorno Depressivo Induzido por Substâncias/Medicamentos – depressão relacionada ao uso de substâncias, como álcool ou analgésicos 3. Transtorno Depressivo Devido a uma Condição Médica – depressão relacionada a uma doença separada, como doença cardíaca ou esclerose múltipla. 4. 7. DEPRESSÃO EM IDOSOS 60 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com A incidência de diagnóstico de depressão no Brasil cresceu 40% entre o período pré-pandemia e o primeiro trimestre de 2022, segundo levantamento Covitel, realizado pela Vital Strategies e pela UFPel (Universidade federal de pelotas). A pesquisa ouviu mais de 9 mil pessoas de todas as regiões do país entre 18 e 65 anos ou mais. Cerca de 58% dos entrevistados eram mulheres. De acordo com a pesquisa, o percentual de brasileiros que relataram ter a doença saltou de 9,6% para 13,5%, um aumento de quase 40%. O levantamento também identificou maior prevalência da condição em mulheres (39,3%). 7.1 Fatores de risco para depressão Há muitas coisas que podem se apresentar como fatores de risco de depressão. Para algumas pessoas, alterações químicas no cérebro, serotonina, noradrenalina e, em menor proporção, dopamina, substâncias que transmitem impulsos nervosos entre as células, podem afetar o humor e resultar em depressão. Outros podem sofrer de depressão após um acontecimento importante na vida, como um diagnóstico médico ou a morte de um ente querido. Às vezes, aqueles que estão sob muito estresse – especialmente pessoas que cuidam de entes queridos com doenças graves ou deficiências – podem sentir-se deprimidos. Outros podem ficar deprimidos sem motivo claro. Estudos recentes trouxeram grande preocupação no que diz respeito a saúde física de indivíduos com depressão, que de fato, vem acompanhada por alterações comportamentais e biológicas que deterioram a saúde, atingindo principalmente o sistema cardiovascular (GOLDSTEIN et al., 2015). Além disso, autores chegaram à conclusão de que indivíduos diagnosticados com depressão severa, morrem em média 10 anos antes do que indivíduos saudáveis, isso mesmo quando excluímos os casos de suicídio (CUIJPERS et al., 2014; LAURSEN et al., 2016). 61 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com O exercício pode amenizar os sintomas da depressão reduzindo a inflamação. Até agora, no que diz respeito a intensidade do exercício, ainda não sabíamos com certeza qual seria a mais adequada a adotar na prescrição. Contudo, em estudo recente, os resultados mostraram que a intensidade é importante e que o exercício contínuo de moderada intensidade pode ser ideal para prescrição de exercícios como estratégia para melhora da saúde mental (PAOLUCCI et al., 2018). Na ocasião, os pesquisadores analisaram 61 adultos saudáveis entre 18 e 30 anos diagnosticados com depressão que não praticavam exercícios regularmente. Por este motivo, é extremamente importante identificar se há ou não risco de desenvolvimento de depressão em pessoas idosas, bem como o grau da condição. Por isso, apresento-lhes uma Escalada de Depressão Geriátrica, a Global Distress Scale 15 ou simplesmente, GDS-15. A Escala de Depressão Geriátrica (GDS) é um dos questionários mais utilizados para o rastreamento de depressão em idosos. Talvez um dos questionários com maior poder de validação e confiabilidade. Sendo criado em língua inglesa por Yesavage et al. (1983), a escala completa original apresenta 30 perguntas, sendo desenvolvida especialmente para idosos, com perguntas que evitam a esfera das queixas somáticas. 7.2 Escala de depressão geriátrica O GDS apresenta vantagens incríveis, destacando-se pela formulação de perguntas claras, uma quantidade limitada de opções de resposta, possibilidade de autoaplicação e aplicação por um entrevistador treinado, mesmo sem formação em psicologia. Trata-se de um questionário resumido (original com 30 questões) e foi modificado para um formato que de correlaciona mais fortemente com diagnóstico de depressão. 62 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com PERGUNTAS SIM = 0 NÃO = 1 1. Está satisfeito (a) com a sua vida? 2. Diminuiu a maior parte de suas atividades e interesses? 3. Sente que a vida está vazia? 4. Aborrece-se com frequência? 5. Sente-se bem com a vida na maior parte do tempo? 6. Teme que algo ruim possa lhe acontecer? 7. Sente-se feliz a maior parte do tempo? 8. Sente-se frequentemente desamparado (a)? 9. Prefere ficar em casa a sair e fazer coisas novas? 10. Acha que tem mais problemas de memória que a maioria? 11. Acha que é maravilhoso estar vivo (a) agora? 12. Vale a pena viver como vive agora? 13. Sente-se cheio (a) de energia? 14. Acha que sua situação tem solução? 15. Acha que tem muita gente em situação melhor? O quadro abaixo demonstra que as perguntas são simples e de fácil aplicação no método. As respostas são classificadas como 0 ou 1, e se a soma das respostas ultrapassar 5, o cliente ou paciente é classificado como suspeito de depressão. Caso isso aconteça, encaminhe para uma avaliação psicológica com profissional capacitado. 63 Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com Se você chegou até aqui, MEUS PARABÉNS. Foi uma jornada e tanto. Passei pra você tudo que eu sei sobre avaliação das capacidades funcionais e da saúde de pessoas idosas, muita teoria associado a muitos elementos práticos que devem ser colocados em ação IMEDIATAMENTE. Mas você pode estar se perguntando: “Quais avaliações usar?” “Como vou organizar tudo isso pra colocar em prática?” É simples. Eu preparei um modelo de anamnese COMPLETO com as avaliações que considero mais relevantes. Tudo organizado e em uma sequência prática muito foda! Mas olha só, não é necessário realizar todos os testes em uma única sessão, tome seu tempo, aplique apenas os questionários que achar mais relevante para o momento. Vou dar um exemplo, se seu aluno ou aluna está demonstrando uma baixa auto-estima, aplique o questionário certo pra isso, se não, aplique outros testes mais importantes pro momento. Basta clicar no ícone aolado para baixar a planilha de anamnese gratuitamente! ANAMNESE Licenciado para - A m anda R oberto C arneiro de Lim a - 60528294350 - P rotegido por E duzz.com https://drive.google.com/file/d/1J5oGSVPPgIZpicDTBO-ROs4531Evngox/view?usp=drive_link 8. REFERÊNCIAS ABREU, D. R. D. O. M. et al. Fatores associados à recorrência de quedas em uma coorte de idosos. Ciência & Saúde Coletiva, v. 21, n. 11, p. 3439–3446, nov. 2016. ALEXANDRE, T. S. et al. Accuracy of Timed Up and Go Test for screening risk of falls among community-dwelling elderly. Brazilian Journal of Physical Therapy, v. 16, n. 5, p. 381–388, out. 2012. ANDRADE, L. C. A. et al. Timed Up and Go teste na avaliação do risco de quedas em idosos: uma revisão de literatura. Research, Society and Development, v. 10, n. 13, p. e321101321615, 15 out. 2021. AZUMA, Y.; CHIN, T.; MIURA, Y. The relationship between balance ability and walking ability using the Berg Balance Scale in people with transfemoral amputation. Prosthetics & Orthotics International, v. 43, n. 4, p. 396–401, ago. 2019. 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