Prévia do material em texto
MEDICINA VETERINÁRIA V Ostectomia de metacarpo e metatarso acessórios (II e IV) José Claudio Alex Costa Anderson do Nascimento EQUESTRE CLÍNICA, CIRURGIA E REPRODUÇÃO Os ossos acessórios (II e IV) do metacarpo e metatarso são pequenos ossos que compõem a estrutura do membro do cavalo. Eles são pequenos demais para suportar o peso do animal e estão localizados nos dois lados do osso metacarpo III e metatarso III. O conhecimento da anatomia desses ossos é fundamental para a compreensão da ostectomia de metacarpo e metatarso acessórios Diagnóstico •Avaliação pré-operatória •Exame físico abrangente •Diagnóstico por imagem •Bloqueios anestésicos •Avaliação do estado geral de saúde do cavalo Tratamento Clínico Nas fraturas onde não se observa envolvimento do ligamento suspensório, portanto, sem desmite, pode-se tentar apenas o tratamento conservador, constituído de anti- inflamatórios não esteroidais (AINES), corticosteroides e dimetilsulfóxido, além de ultrassonografia terapêutica e diatermia, ambos após a fase aguda dos processos. Qualquer que seja a extensão da fratura, um período de repouso será obrigatório. O exercício controlado é importante na maturação da cicatriz do ligamento ou tendão, devendo proporcionar tensão suficiente para permitir a reorganização das fibras de colágeno durante a cicatrização. Entretanto, o exercício não deve ser forte a ponto de levar a recidiva da lesão. O objetivo da fisioterapia é a restauração da função e promoção da cura tecidual, auxiliando os processos fisiológicos. São exemplos de métodos de fisioterapia: frio, calor, massagem, exercício, luz e manipulação. Entre os recursos para melhorar a qualidade do tecido cicatricial, os agentes físicos como o laser e o ultrassom têm sido utilizados por seus efeitos anti-inflamatórios e como promotores da cicatrização Pré Cirúrgico O uso de anestesia geral é recomendado. Sendo utilizado o decúbito lateral, um torniquete auxiliará. Tricotomia e assepsia são indispensáveis preparados com bandagens estéreis.Ter em mãos boas radiografias, administrar o antibacteriano (ampicilina intravenosa) uma hora antes da cirurgia, colocar uma almofada entre os membros torácicos, retirar as ferraduras, lavar as extremidades do membro e cobrir o casco com uma luva, colocação de bandagem de Esmarch (borracha) e um torniquete de látex, na tentativa de diminuir o sangramento no campo operatório. Material necessário adicional: negatoscópio e aparelho de Raios-X na sala de cirurgia, martelo ortopédico, cinzel – chanfrado em uma face, osteótomo – chanfrado nas duas faces e cureta de Hugues Tratamento Cirúrgico A incisão é de comprimento variável diretamente sobre o metacarpiano acessório, estendendo-se dois centímetros proximalmente ao local da amputação até um centímetro além da extremidade distal do osso mencionado. A fáscia subcutânea é seccionada ao longo da mesma linha de incisão, porém não atravessando o periósteo. A extremidade distal do osso afetado é escavada com o auxílio de dissecação, liberando-a da fáscia circundante e de suas conexões com o MTC III e daí, pinçada e removida. O periósteo é separado com um elevador próprio e, em seguida, empregaram um osteótomo para seccionar o metacarpiano acessório, proximalmente à fratura. A extremidade proximal é curetada e aparada evitando se deixar borda aguda ou esquírola óssea. Após a amputação da extremidade óssea, o tecido subcutâneo é reconstituído empregando-se sutura absorvível sintética. Na dermorrafia emprega-se sutura inabsorvível monofilamentar em padrão simples separado. Aplica se sobre a ferida cirúrgica, curativo não aderente revestido por bandagem de algodão e atadura. Conduta terapêutica Os cuidados pós-operatórios e os protocolos de reabilitação desempenham um papel vital na garantia de resultados bem-sucedidos para cavalos submetidos à osteotomia acessória do metacarpo e do metatarso. Isso inclui monitoramento cuidadoso do paciente, adadministraçãde medicamentos, repouso absoluto em primeira instância, curativos diários, fisioterapia com movimentos controlados e fornecimento de cuidados adecuados com os cascos. A colaboração entre o veterinário, o proprietário e os especialistas em reabilitação de equinos é essencial para otimizar a cura e melhorar o retorno do cavalo à função normal. A avaliação regular do progresso clínico do animal é fundamental para a detecção precoce de complicações. 12 a 18 horas após a cirurgia, um hematoma pode se tornar excelente meio de cultura para bactérias, justificando a necessidade de serem evacuados tão logo seja possível, já que diferentes investigações bacteriológicas mostraram que até 20% dos hematomas pós-operatórios são contaminados. Apesar da hemostasia cuidadosa, a cirurgia é geralmente acompanhada de hemorragia, sendo sensato trocar o curativo no primeiro ou segundo dia após a cirurgia. Após esse período, os curativos compressivos são trocados a cada cinco a sete dias e mantidos por três a quatro semanas, associados à aplicação de soro antitetânico e, ainda, antibacterianos, principalmente quando houver suspeita de osteíte ou osteomielite. Caso estejam sendo usados drenos de Penrose, esses deverão ser removidos no segundo ou terceiro dia após a cirurgia. A remoção dos pontos de pele deve ocorrer entre dez e quatorze dias após a cirurgia. as complicações pós-operatórias mais freqüentes nesse tipo de procedimento são relacionadas a infecções, exostoses, deiscência de feridas, edema de membro, granulomas e necrose local, devendo ser tratadas de acordo com a gravidade da manifestação e com a sintomatologia apresentadas. Complicações pós-operatórias •Infecções •Exostoses •Deiscência de feridas •Edema de membro •Granulomas •Necrose local As complicações pós-operatórias mais frequentes nesse tipo de procedimento são relacionadas a: Devendo ser tratadas de acordo com a gravidade da manifestação e com a sintomatologia apresentadas. A osteotomia acessória do metacarpo e do metatarso em cavalos são procedimentos cirúrgicos que têm apresentado avanços significativos nos últimos anos. Incluindo técnicas, benefícios e rriscos potenciais. Mantendo-se informados sobre os últimos avanços e consultando especialistas, os veterinários podem fornecer o melhor cuidado possível aos cavalos que necessitam desses procedimentos.