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30 SISTEMA DIGESTÓRIO 01. Parte supradiafragmática O sistema digestório consiste de um canal alimentar ligado em níveis contínuos com um conjunto de órgãos anexos. O papel fundamental do sistema digestório é conseguir, a partir dos alimentos, as moléculas imprescindíveis para a manutenção, o crescimento, e outras necessidades energéticas do corpo humano. O canal alimentar é um conduto contínuo, cujo comprimento medido no cadáver é de aproximadamente nove metros de extensão, composto por um tubo oco, que se estende da boca ao ânus. As estruturas do canal alimentar abrangem: a boca, a faringe, o esôfago, o estômago, o intestino delgado, o intestino grosso, o reto, e o ânus. Os órgãos anexos são: os dentes, a língua, as glândulas da boca, o fígado, a vesícula biliar, e o pâncreas. O canal alimentar pode ser dividido em partes. A parte supradiafragmática do canal alimentar consiste nas estruturas situadas acima do diafragma. Portanto, a parte supradiafragmática do canal alimentar abrange: a boca, a faringe, a parte cervical do esôfago, e a parte torácica do esôfago. A parte infradiafragmática do canal alimentar consiste nas estruturas localizadas abaixo do diafragma. Portanto, a parte infradiafragmática do canal alimentar abrange: a parte abdominal do esôfago, o estômago, o intestino delgado, o intestino grosso, o reto, e o ânus. Para o bom emprego das substâncias alimentares, o sistema digestório tem que processar várias ações que incidem na mastigação, na deglutição, no peristaltismo, na ingestão, na digestão, na absorção, e por fim no armazenamento e na eliminação dos resíduos. A mastigação, (G. mastichan, ranger os dentes) destina-se à desintegração parcial dos alimentos por processos mecânicos e por processos químicos, que se executam na boca. Os movimentos mastigatórios reduzem o tamanho dos alimentos, e misturam os alimentos com a saliva. A deglutição, (L. deglutire, engolir) incide no transporte dos alimentos por meio da faringe para o esôfago, o que requer a participação de vários movimentos musculares, e dos quais enfatiza em relevância a ascensão da laringe, impossibilitando que as substâncias nutritivas se encaminhem para as vias aéreas, de outra maneira permanentemente abertas ao trânsito do ar. O peristaltismo, (G. peri, em torno; stellein, comprimir) consiste em contrações rítmicas semelhantes a ondas que movem o alimento através do canal alimentar. A ingestão é à entrada do alimento no estômago, e que se processa por meio do esôfago. No estômago e no duodeno acontece a digestão, que é o desdobramento das substâncias alimentares em suas moléculas mais simples. A absorção processa-se, especialmente no restante do intestino delgado, enquanto o intestino grosso serve de receptáculo passageiro aos resíduos não aproveitáveis, até o momento de serem excluídos pela defecação. 1.1. Boca A boca também referida como cavidade oral representa a porta de entrada do sistema digestório. Além da função mastigatória, participa ativamente na fonação, na sensação do paladar, e como via aérea acessória. Para finalidades descritivas, a cavidade oral é subdividida em duas partes principais: a parte externa, o vestíbulo da boca, e a parte interna, a cavidade própria da boca. Do ponto de vista anatômico, a cavidade oral é delimitada anteriormente pelos lábios, lateralmente pelas bochechas, superiormente pelo palato, inferiormente pela língua e soalho da boca, e posteriormente pelo istmo das fauces e parte do palato mole. A mucosa que reveste a cavidade oral pode ser de três tipos: de revestimento, mastigatória, e especializada. A mucosa de revestimento é deparada em toda a região que não é sujeitada a um grande empenho durante a mastigação. É vista na bochecha, a mucosa bucal; nos lábios, a mucosa labial; no soalho da boca; no palato mole; em parte do osso alveolar, a mucosa alveolar; e na face inferior da língua. Especificamente no vestíbulo da boca, a mucosa alveolar se reflete em sentido à mucosa dos lábios e à mucosa da bochecha, compondo o fórnice do vestíbulo, designado clinicamente como “fundo de saco do vestíbulo”. A mucosa mastigatória é espessada por uma camada de queratina, e apresenta uma coloração menos intensa que a mucosa de revestimento. Está simbolizada pela gengiva e pelo revestimento do palato duro. Duas partes da gengiva devem ser apontadas: a gengiva inserida e a gengiva marginal livre. A gengiva inserida está seguramente fixada ao osso alveolar e o cemento radicular vizinhos. A gengiva marginal livre corresponde à parte da gengiva sem inserção em tecido duro que contorna os dentes. Entre um dente e outro, a gengiva ocupa um espaço triangular, compondo as papilas interdentais. A face interna da gengiva marginal livre está voltada para uma depressão que afasta o dente do tecido gengival. Esta depressão corresponde ao sulco gengival. Afastando-se a gengiva vestibular da mucosa alveolar depara-se uma linha com facilidade vista, designada de junção mucogengival. A mucosa especializada é a que forra o dorso da língua. O forramento dos dois terços anteriores possui papilas com papéis gustativos. No terço posterior se deparam nódulos linfáticos com papel de defesa contra patogênicos. Os lábios da boca, superior e inferior, de natureza muscular, são ricamente irrigados, e guardam a entrada da boca. São formados por quatro camadas sobrepostas intimamente relacionadas. A mais externa é composta por pele, onde se deparam numerosos folículos pilosos e glândulas sudoríparas. Profundo a ela, se depara uma camada muscular formada em sua maior parte pelo músculo orbicular da boca. Em seguida se observa uma camada submucosa, abrangendo glândulas salivares menores, as glândulas labiais, em toda a sua extensão, cujos ductos de excreção abrem-se na mucosa labial. A camada mais interna é representada pelo tecido mucoso que forra os lábios. A parte vermelha dos lábios, cuja coloração se deve ao rico leito vascular, é designada de margem vermelha. Os dois lábios da boca se unem lateralmente no nível do ângulo da boca. Nesse local observa-se uma discreta depressão designada de comissura dos lábios. A rima da boca é uma zona localizada entre o lábio superior e o lábio inferior, que pode permanecer aberta ou fechada, quando os dois lábios estão em contato. A comissura dos lábios pode ter modificações, relacionadas com hipovitaminoses, e com a redução da dimensão vertical da oclusão, designadas de queilite angular. A fenda labial, unilateral ou bilateral, é uma malformação congênita que afeta o lábio superior. Pode ser uma pequena fissura da margem livre do lábio, ou envolvê-lo totalmente até o nariz. Às vezes, estende-se intensamente, e continua-se com fendas do palato, designada de fissura labiopalatal. Uma doença grave que não muito ocasionalmente atinge o lábio, especialmente o inferior, e de indivíduos do sexo masculino, é o carcinoma, em geral, causado por exposição exagerada ao sol. O limite lateral do lábio superior é composto pelo sulco nasolabial, que se estende desde a comissura dos lábios até a asa do nariz. Uma ligeira depressão vertical rasa, situada na linha mediana do lábio superior, e inferiormente ao septo do nariz, é designada de filtro. Logo após do filtro encontra-se o tubérculo, uma saliência volumosa de tamanho variável na margem vermelha. O lábio inferior é separado do mento pelo sulco labiomentual. Outro sulco, o labiomarginal, é uma ruga característica dos adultos que vai do ângulo da boca à base da mandíbula. O vestíbulo da boca é o espaço composto entre os lábios, as bochechas, e os dentes em oclusão. O vestíbulo da boca se comunica com o exterior por meio da rima da boca, e com a cavidade própria da boca por meio dos espaços interdentais e o intervalo posterior ao último dente molar do arco dental maxilar e do arco dental mandibular. A glândula parótida lança suas secreções salivares no vestíbulo da boca por meio de uma pequena abertura em frente ao segundo molar maxilar. Essa abertura apresenta uma elevação da mucosa, e é designada de ducto parotídeo ou ducto de Stenon. Quandoferida inadvertidamente pela oclusão dos dentes molares, inflama-se e incha. Diversas outras glândulas salivares menores têm nomes regionais, como por exemplo, as glândulas da bochecha e as glândulas labiais, também, lançam suas secreções no vestíbulo da boca por meio de aberturas microscópicas. Na maior parte dos indivíduos, pequenas glândulas sebáceas, não funcionais, de coloração amarelada, que ficaram presas na mucosa durante o desenvolvimento, portanto, não apresentam qualquer patologia associada, tratam-se dos grânulos de Fordyce, considerados variações anatômicas, também, encontrados na mucosa da bochecha. O fórnice do vestíbulo no plano mediano do vestíbulo da boca encontram-se duas pregas da mucosa, o frênulo do lábio superior e o frênulo do lábio inferior. Eventualmente o frênulo do lábio quando inserido muito próximo à margem gengival, acarreta separação dos dentes incisivos centrais vizinhos a ele. Esse espaço acentuado resulta em um diastema. Para a correção ortodôntica do diastema é preciso executar antecipadamente ao tratamento uma cirurgia de frenectomia labial, a fim de dificultar a recidiva do problema. Esse procedimento cirúrgico também pode ser requerido, em casos, de reabilitação protética de pacientes desdentados totais, onde o frênulo impede ou dificulta a estabilização da prótese dental no fórnice da boca. Na região da bochecha essas pregas designam-se de frênulo lateral ou bridas. Têm relevância clínica para anestesia do nervo alveolar superior médio, no caso do freio lateral superior, e do nervo mentual, no caso do freio lateral inferior, em pacientes desdentados, pois servem como ponto de referência para o local de introdução da agulha. A bochecha se estende entre o fórnice do vestíbulo superior e o fórnice do vestíbulo inferior na direção superoinferior. Em sentido posteroanterior, a bochecha ocupa o espaço abrangido entre a margem anterior do ramo da mandíbula até a comissura dos lábios, o sulco nasolabial, e o sulco mentolabial. A estratigrafia da bochecha possui quatro camadas caracterizadas sobrepostas entre si. Externamente se depara uma camada delgada de pele e ricamente irrigada. Essa característica anatômica explica a mudança para uma cor avermelhada relativamente rápida da região, especialmente durante as atividades físicas, em temperaturas ambientais baixas, e em modificações emocionais instantâneas, como por exemplo, quando o indivíduo fica encabulado. Sobreposta à camada cutânea está localizada o estrato formado por tecido celular subcutâneo, que possui quantidade alterável de tecido adiposo conforme a morfologia de cada indivíduo. Nas crianças e em indivíduos obesos a quantidade de gordura subcutânea é mais vultosa. Um acúmulo específico de tecido adiposo dessa camada é o corpo adiposo da bochecha, ou corpo adiposo de Bichat. Essencialmente, apresenta a função de preenchimento dos tecidos, porém também exerce papel funcional durante os movimentos de sucção do recém-nascido. Subjacente ao plano subcutâneo está uma camada de tecido muscular recoberta pela sua fáscia. Essa camada é representada pelo músculo estriado esquelético, designado de músculo bucinador. A ação do músculo bucinador é tracionar o ângulo da boca em sentido posterior, apertando a bochecha contra os arcos dentais. É, por isto, um músculo auxiliar aos músculos da mastigação, pois ajuda na mistura dos alimentos para imediata deglutição. Igualmente, age ainda no sopro e no movimento de sucção. Por fim, a camada mais interna da bochecha é forrada por tecido mucoso. A cavidade própria da boca é a parte da cavidade oral que se localiza internamente ao arco dental da maxila e ao arco dental da mandíbula, abrangendo a gengiva que os compreende. Seu limite superior é: o palato duro e o palato mole, e o seu limite inferior é a parte muscular da língua. O limite anterolateral da cavidade própria da boca é composto pela superfície dos dentes, a gengival lingual e a mucosa alveolar lingual. O limite póstero-superior da cavidade própria da boca é composto pela parte vertical do palato mole e pelo pilar anterior das fauces, o arco palatoglosso. Este arco abrange o músculo palatoglosso e a mucosa oral que a forra, e se estende do palato mole até os lados da base da língua. A cavidade oral comunica-se com a parte oral da faringe por meio do istmo das fauces. É limitado superiormente pelo palato mole, inferiormente pela raiz da língua, e lateralmente pelo arco palatoglosso e pelo arco palatofaríngeo. Esses arcos delimitam de cada lado um espaço de formato triangular com base inferior designada de fossa tonsilar. Na fossa tonsilar é encontrada uma estrutura anatômica composta por tecido linfático, à tonsila palatina. As tonsilas palatinas apresentam aspecto ovoide, e diversas vezes podem alterar de tamanho. Sua superfície possui formato granuloso com inúmeras invaginações que correspondem às criptas da tonsila. Em companhia com as tonsilas linguais, as tonsilas faríngeas, e outros pequenos nódulos linfáticos que se juntam, compõem o anel linfático da faringe, antigamente relatado como anel linfático de Waldeyer. Essas estruturas anatômicas funcionam como o primeiro obstáculo de defesa do corpo humano contra os agentes patogênicos que adentram pela cavidade nasal e pela cavidade oral. O palato compõe o teto da cavidade oral. O palato é formado pelo palato duro, ósseo e anterior; e pelo palato mole, muscular e posterior. O palato duro é formado pelo processo palatino da maxila, fusionado com a lâmina horizontal do palatino. Anteriormente o palato duro é limitado pelo arco alveolar e, posteriormente, acaba na junção com o palato mole. O palato mole é uma estrutura muscular suspensa entre a parte oral da faringe e a parte nasal da faringe. Uma vez que é flexível, pode ser erguido para separar a cavidade oral da parte nasal da faringe. No palato duro vê-se uma crista mediana, a rafe do palato, que acaba anteriormente, logo atrás dos incisivos centrais superiores, numa saliência lisa, piriforme, designada de papila incisiva. Essa estrutura anatômica é um ponto de referência relevante para a anestesia da região anterior do palato, pois a papila incisiva recobre a abertura oral do canal incisivo pelo qual passam o nervo nasopalatino e a artéria nasopalatina, em direção à parte anterior do palato. Irradiando-se a partir da papila incisiva, observa-se uma sequência de rugas irregulares, cruzando o palato transversalmente, designado de pregas palatinas transversas. Essas pregas palatinas são estruturas anatômicas restantes nos seres humanos, porém em alguns animais inferiores desempenham papéis acessórios de mastigação e sensitivas especiais. No palato mole, depara-se uma saliência cônica e mediana, a úvula palatina. O véu palatino é a parte do palato mole representada posteriormente, pela margem livre das fauces e, lateralmente, pelos pilares das fauces. O componente muscular do palato mole está representado pelo músculo levantador do véu palatino, pelo músculo tensor do véu palatino, pelo músculo palatoglosso, pelo músculo palatofaríngeo, e pelo músculo da úvula. Alguns desses músculos se originam fora do palato mole e se inserem em sua estrutura, e outros apresentam origem no palato mole e se inserem na língua e/ou na parede da faringe. Todos os músculos são inervados pelas contribuições do nervo vago no plexo faríngeo, exceto o músculo tensor do véu palatino, que é inervado pela divisão mandibular do nervo trigêmeo. O músculo levantador do véu palatino é espesso, apresenta o formato de “lápis”, e está intensamente agregado à face lateral dos cóanos. Tem três origens: parte petrosa do temporal, parte timpânica do temporal, e na tuba auditiva; e insere-se na aponeurose palatina. O músculo tensor do véu palatino apresenta o formato de “pirâmide”, está localizado anteriormente ao músculo levantador do véu palatino, e medialmente ao músculo pterigoideo medial. O músculo tensor do véu palatino se origina na fossa escafoide, na espinha do esfenoide, e na tuba auditiva; e insere-se na aponeurose palatina. A fundamental açãodo músculo levantador do véu palatino incide em elevar o palato mole durante a deglutição, movendo o músculo levantador do véu palatino à parede posterior da faringe. Por conseguinte, a comunicação entre a parte oral da faringe e a parte nasal da faringe permanece obliterada, dificultando que o alimento atinja a cavidade nasal. Quando age solitariamente, o músculo levantador do véu palatino, também estreita o óstio faríngeo da tuba auditiva. Contudo, como sua ação costumeiramente é sinérgica a do músculo tensor do véu palatino, o músculo levantador do véu palatino atua tão somente na fixação da tuba auditiva, possibilitando a dilatação da abertura do óstio faríngeo da tuba auditiva pelo músculo tensor do véu palatino. O músculo palatoglosso é pequeno, cilíndrico, disposto longitudinalmente, e forrado pela mucosa, compondo, deste modo, o arco palatoglosso. O músculo palatoglosso se origina na fáscia e na musculatura da margem lateral do palato mole, e insere-se na margem lateral da língua. A contração do músculo palatoglosso abaixa o palato mole e eleva a raiz da língua, reduzindo a abertura do istmo das fauces. A ação fundamental do músculo palatofaríngeo é estreitar o istmo das fauces lateralmente quando contraído bilateralmente. O músculo da úvula é um músculo pequeno e fino, localizado entre as duas camadas da aponeurose palatina. O músculo da úvula se origina da espinha nasal posterior do palatino e da aponeurose palatina. Se junta ao músculo do outro lado, compondo a substância da úvula. A contração do músculo da úvula encurta a úvula, erguendo-a. O palato apresenta uma rica irrigação, especialmente pela artéria palatina maior de cada lado, um ramo da artéria palatina descendente. A artéria palatina maior atravessa o forame palatino maior, e prossegue anteromedialmente. A artéria palatina menor, um ramo da artéria palatina descendente, adentra no palato por meio do forame palatino menor, e anastomosa-se com artéria palatina ascendente, um ramo da artéria facial. Outros ramos relevantes da artéria facial são: a artéria labial superior e a artéria labial inferior. A artéria labial superior irriga as estruturas do lábio superior, e a artéria labial inferior irriga as estruturas do lábio inferior, incluindo os músculos da face, como o músculo depressor do ângulo da boca. As veias do palato são tributárias do plexo venoso pterigoideo. Os nervos sensitivos do palato são ramos do nervo maxilar que se ramificam no gânglio pterigopalatino. O nervo palatino maior inerva a gengiva, a mucosa, e a s glândulas da maior parte do palato duro. O nervo nasopalatino inerva a mucosa da parte anterior do palato duro. Os nervos palatinos menores inervam o palato mole. Os nervos palatinos seguem as artérias palatinas por meio do forame palatino maior e do forame palatino menor. As protrusões ósseas, o toro palatino, podem ser vistas no palato duro. O toro palatino, em geral, bilaterais, assintomáticos, ainda que possam intervir com a fixação de próteses dentárias maxilares. Podem necessitar de remoção cirúrgica antes da produção de moldes. O palato mole é uma estrutura móvel, e deve ser evitado ao se posicionar uma prótese dentária maxilar, porque sua atividade motora dificultará o amoldamento da prótese ao palato duro, com movimento da prótese. A parte posterior do palato mole é sensível ao toque e vômitos podem ser motivados por estimulação nessa área. O soalho da boca está coberto por mucosa de revestimento e subjacente, a mucosa de revestimento, depara-se relevantes estruturas anatômicas: a glândula sublingual, os ductos de excreção salivar da glândula submandibular e glândula sublingual, a artéria sublingual, a veia sublingual, o nervo lingual, e o nervo hipoglosso. As glândulas incisivas, um pequeno grupo de glândulas salivares acessórias menores, também podem ser vistas no soalho da boca, imediatamente atrás dos dentes incisivos mandibulares. Superficialmente no soalho da boca, vê-se na linha mediana uma prega fina que se estende até a face inferior da língua, designada de frênulo da língua. Quando o frênulo da língua é muito curto, ou sua inserção se faz próximo ao ápice da língua, tem-se uma condição designada como anquiloglossia, vulgarmente conhecida como “língua presa”. Esse quadro clínico restringe espantosamente a movimentação da língua, trazendo muitas vezes dificuldades fonéticas. Nessas situações, a ressecção cirúrgica do frênulo, a frenectomia, está indicada. Lateralmente, de cada lado do frênulo da língua, existe uma pequena papila, designada de carúncula sublingual, onde se abre o ducto submandibular, ou ducto de Wharton, e o ducto sublingual. O órgão mais notável no soalho da boca é a língua. A língua é a mais evidente das estruturas anatômicas da cavidade oral, e está relacionada à fonação, a mastigação, a deglutição, a gustação, e na própria articulação das palavras. A língua ocupa quase todo o espaço da cavidade própria da boca, quando os dentes estão em oclusão. É composta essencialmente por tecido muscular esquelético que lhe concede extraordinária mobilidade. Possui um corpo, um ápice, uma raiz, duas margens, além de uma face superior, e uma face inferior. A extremidade anterior do corpo da língua é o ápice. A parte lateral da língua representa a sua margem. A face superior da língua corresponde ao seu dorso. O dorso da língua tem seus dois terços anteriores separados do terço posterior pelo sulco terminal, que apresenta o formato de “V”, de abertura anterior e vértice mediano, coincidindo com o forame cego, que é remanescente do ducto tireoglosso do desenvolvimento embrionário. O sulco terminal representa a linha divisória embrionária. Isto é, todas as estruturas anatômicas anteriormente localizadas a essa linha situam-se na cavidade oral, e todas as estruturas anatômicas posteriores, na faringe. O terço posterior, que é a raiz, é vertical, e volta-se para a faringe. A sua mucosa cobre massas de tecido linfoide que constituem relevos superficiais. Ao seu conjunto se designa de tonsila lingual. A mucosa cobre também as pequenas glândulas linguais. A base da língua une-se a epiglote por três pregas mucosas, uma mediana e duas laterais. Cada prega glossoepiglótica lateral restringe, com a prega glossoepiglótica mediana, uma depressão designada de valécula epiglótica. Os dois terços anteriores do dorso da língua possuem uma mucosa rugosa em virtude à presença das papilas linguais. As papilas linguais podem ser divididas em: papilas circunvaladas, papilas filiformes, papilas fungiformes, e papilas folhadas. Anteriormente e ao longo do sulco terminal há uma cadeia de 7 a 14 papilas circunvaladas. As papilas circunvaladas apresentam corpúsculos gustativos, e acolhem os ductos das glândulas serosas de von Ebner, um dos poucos grupos de glândulas salivares menores acessórias que tem denominação. As papilas filiformes são as mais numerosas e conferem à mucosa do dorso da língua um aspecto de “veludo”. São as únicas papilas linguais que não possuem receptores gustativos, porém possuem corpúsculos do tato. As papilas fungiformes estão dispostas entre as papilas filiformes, surgindo em número muito menor que as papilas filiformes. Devem o seu nome ao aspecto de “cogumelo” que adquirem. São encontradas, especialmente no ápice e nos lados dorso da língua. Nos indivíduos vivos podem ser distinguidas como pontos vermelhos luminosos. A margem posterolateral dos dois terços anteriores da língua apresenta sulcos verticais designados de papilas folhadas, cujos corpúsculos gustativos sofrem degeneração após alguns anos de vida. A face inferior da língua está dirigida para o soalho da boca; as suas mucosas são contínuas e semelhantes. Na língua, a mucosa compõe uma dobra ondulada, designada de prega franjada, e recobre a veia profunda da língua, visível como uma mancha azul; e a glândula lingual anterior, ou glândula de Blandin, próxima ao ápice. A musculatura da língua pode ser divida em dois grupos: os músculos extrínsecos e os músculos intrínsecos. Todos os músculos da língua são inervados pelo nervo hipoglosso.O suprimento vascular provém de ramos da artéria lingual. Os músculos extrínsecos são aqueles que apresentam origem fora da língua e inserção na língua. O músculo genioglosso, o músculo hioglosso, e o músculo estiloglosso são os representantes da musculatura extrínseca da língua. O músculo genioglosso se origina da espinha geniana superior da mandíbula e se insere na face interna da superfície inferior da língua. É o mais volumoso dos músculos da língua, e suas fibras musculares estão dispostas em formato de “leque”. É um músculo protrusor e também abaixador da língua. Em casos de fratura da mandíbula, ou paralisia de ambos os músculos genioglosso, a língua limita-se e pode ocorrer asfixia por obstrução da passagem aérea. A língua não só cai para trás e impede a respiração com maior facilidade, porque o músculo genioglosso se fixa na mandíbula; é por isso, que as anestesias habituam puxar a mandíbula para frente, aproveitando-se dessa fixação. O músculo hioglosso se origina do hioide e passa verticalmente para se inserir no interior da língua. Apresenta o formato “quadrilátero”. Age no abaixamento e na retrusão da língua. Um grupo de fibras musculares individualizadas dependentes do músculo hioglosso, que apresentam origem no corno menor do osso hioide, e inserção nas margens laterais da língua é designado de músculo condroglosso. O músculo estiloglosso se origina no processo estiloide do temporal e se insere na língua, em sua face lateral, para se unir com as fibras do músculo hioglosso. É responsável pela retrusão e a elevação da língua. Os músculos intrínsecos são aqueles localizados no interior da língua. Contudo, nem todos os músculos intrínsecos se originam, e se inserem na própria língua. Os músculos intrínsecos da língua são designados conforme a direção de suas fibras. A musculatura intrínseca da língua corresponde ao músculo longitudinal superior, ao músculo transverso da língua, ao músculo vertical da língua, e ao músculo longitudinal inferior. O músculo longitudinal superior é o único músculo ímpar da língua. O músculo transverso apresenta direção laterolateral, e está localizado profundamente ao músculo longitudinal superior. O músculo vertical da língua se depara inferiormente ao músculo longitudinal superior, juntamente com o músculo transverso. Por fim, o músculo longitudinal inferior está localizado acima da mucosa da face inferior. Os músculos intrínsecos da língua são responsáveis pelos movimentos de encurtar o diâmetro transverso, arredondar e afilar a língua. Do mesmo modo, também elevam e abaixam tanto o ápice quanto a margem lingual. Em suma, se pode expor que a ação conjunta dos músculos intrínsecos da língua é modificar a conformação da língua. As artérias linguais se originam da artéria carótida externa. Ao adentrar na língua, a artéria lingual passa profundamente ao músculo hioglosso. As artérias dorsais da língua irrigam a raiz da língua; as artérias profundas da língua irrigam a parte anterior da língua. A artéria sublingual irriga a glândula sublingual, a mucosa do soalho da cavidade oral e o musculo milo-hióideo. As veias da língua são: as veias dorsais da língua, que seguem a artéria lingual; as veias profundas da língua, que iniciam no ápice da língua, prosseguem posteriormente além do frênulo da língua para se juntarem à veia sublingual. As veias sublinguais em indivíduos idosos habitualmente são varicosas. Todas as veias linguais acabam na veia jugular interna. A drenagem linfática da língua é extraordinária. A maior parte da drenagem linfática converge para a drenagem venosa e a prossegue; contudo, a linfa da extremidade da língua, do frênulo da língua, e da parte central do lábio inferior prossegue um trajeto independente. A linfa da língua prossegue quatro trajetos: 1. A linfa do terço posterior drena para os linfonodos cervicais profundos superiores; 2. A linfa da parte medial dos dois terços anteriores drena diretamente para os linfonodos cervicais profundos inferiores; 3. A linfa das partes laterais dos dois terços anteriores drena para os linfonodos submandibulares; 4. O ápice da língua e o frênulo da língua drenam para os linfonodos submentuais. O terço posterior e a parte medial dos dois terços anteriores drenam bilateralmente. A língua altera normalmente, e de forma vultosa quanto ao seu tamanho e a aparência da sua superfície. Essa alteração é comumente resultado de anormalidades do desenvolvimento. Algumas das anormalidades mais frequentes e sem grandes sequelas são a microglossia, ou a língua pequena; a macroglossia, ou a língua grande; a língua fissurada, fissuras exageradas no dorso da língua; a glossite romboide mediana, uma região sem papilas linguais; e a língua franjada, endentações ao longo da margem da língua que comprimem contra os dentes em oclusão. A língua saburrosa pode acontecer em virtude ao fuma, às infecções respiratórias, as infecções bucais e à febre. A higienização da língua é muito relevante e previne, entre outros fatores, a halitose. O câncer de língua é o câncer mais frequente da cavidade oral. Aproximadamente 95% dos casos de cânceres situados na língua e no soalho da boca são carcinomas de células escamosas e estão correlacionados com uma longa história de utilização de álcool e de tabaco. Os dentes são órgãos mineralizados, resistentes, esbranquiçados e implantados no arco dental da maxila e no arco dental da mandíbula, que exerce as seguintes funções: · Prender as substâncias alimentares conseguidas pela ação conjunta dos dentes incisivos e dos lábios; · Incidir os alimentos, ou ato de cortá-los em partículas menores; · Dilacerar os alimentos, ou o ato de rasgar e diminuir as substâncias alimentares a partículas menos compactas; · Triturar, ou o ato de moer os alimentos; · Articular as palavras ou fala. Conforme o tipo de dentes e o número de dentições, o ser humano é um mamífero heterodonte, por apresentar dentes de formas distintas, possibilitando a realização de funções distintas para cada dente ou grupo de dentes. Sob este aspecto os de dentes são divididos em: os incisivos (L. incidire, cortar) são os que seccionam o alimento; os caninos têm por finalidade dilacerar os alimentos; os pré-molares que esmagam os alimentos como se fossem prensas; e por fim os molares dedicam-se a triturar as substâncias mastigadas. Ainda, o ser humano é considerado um animal difiodonte, quer dizer, habitualmente dois conjuntos de dentes se desenvolvem na vida de um indivíduo. As dentições do ser humano são designadas dentes decíduos e dentes permanentes. Os dentes decíduos são pouco calcificados em relação aos dentes permanentes e, como tais são brancos como o leite. Os dentes permanentes, com maior índice de sais calcários, são brancos puxados para o amarelo. É a dentina que atribui a cor ao dente; o esmalte é praticamente incolor e transparente. Do ponto de vista puramente descritivo, o dente apresenta uma parte visível e funcionante na mastigação, a coroa do dente, A coroa do dente é dividida em coroa anatômica e coroa clínica. A coroa anatômica é à parte do dente coberta por esmalte. A coroa clínica designa tão somente a parte visível da coroa. A fixação do dente no seu osso alveolar dá-se por intermédio da raiz do dente. O segmento intermediário, não visível, estreitada da raiz do dente, e que une a raiz do dente à coroa do dente é designado colo do dente. O dente não é um órgão compacto. Em seu interior há uma cavidade que reproduz, em linhas gerais, a sua morfologia exterior. É a cavidade pulpar, a qual com as suas duas partes, a cavidade da coroa e o canal da raiz do dente. Nenhum dente funcionalmente está presente na cavidade oral no nascimento. A primeira série de dentes compõe a dentição decídua. Estes dentes surgem nos primeiros dois anos, e aproximadamente na seguinte ordem: incisivos inferiores (6 a 7 meses de idade); incisivos superiores (7 a 9 meses de idade); caninos (16 a 18 meses de idade); molares, primeiro (12 a 24 meses de idade) e segundo (20 a 24 meses de idade). Dessa forma, os dentes decíduos são em númerode 20. A segunda série de dentes compõe a dentição permanente. Os dentes permanentes fazem a sua erupção entre os 6 e 13 anos de idade, com exceção do terceiro molar. Os dentes permanentes realizam a sua erupção aproximadamente na seguinte ordem: incisivos (6 a 9 anos de idade); caninos (9 a 12 anos de idade); pré-molares, primeiro (10 a 12 anos de idade) e segundo (11 a 12 anos de idade); molares, primeiro (6 a 7 anos de idade), segundo (11 a 13 anos de idade) e terceiro (18 a 21 anos de idade). Eventualmente, com essa idade os indivíduos tornam-se mais ajuizados, daí o nome popular para os terceiros molares. Dessa forma, os dentes permanentes são em número de 32. O termo dentição mista é utilizado para referir ao período no qual, ao mesmo tempo, permanecem dentes decíduos e dentes permanentes na cavidade oral. Esta é uma fase de profundas alterações no sistema estomatognático, que se prepara para uma morfologia e uma função mais definitivas. Verifica-se uma sequência de modificações, entre elas os surtos de crescimento nos ossos da face, e a definição de novas posturas mandibulares. Têm casos de uma terceira geração de dentes, a poliodontia, e até os casos de falta de dentes, a anodontia ou agenesia dental. A artéria alveolar superior e a artéria alveolar inferior, ramos da artéria maxilar, irrigam os dentes maxilares e os dentes mandibulares, concomitantemente. Veias alveolares com os mesmos nomes e distribuição seguem as artérias. Os vasos linfáticos dos dentes e das gengivas prosseguem, principalmente para os linfonodos submandibulares. Os ramos designados de nervo alveolar superior e de nervo alveolar inferior dão origem aso plexos dentais que inervam os dentes maxilares e os dentes mandibulares. O nervo lingual está intensamente relacionado à face medial dos terceiro molares, portanto deve-se ter cautela para impedir lesão do nervo lingual durante uma exodontia. 1.2. A faringe A faringe é uma víscera composta por um tubo fibromuscular, situado atrás da cavidade oral, da cavidade nasal e da cavidade laríngea. Representa o extremo superior do tubo respiratório e do tubo digestório, e se comunica inferiormente com o esôfago. Transporta os alimentos ao esôfago e o ar a laringe, a traqueia, e os pulmões. Divide-se em parte nasal da faringe, parte oral da faringe, e parte laríngea da faringe. Com aproximadamente 15 centímetros de comprimento nos homens, e 13 centímetros de comprimento nas mulheres, com largura máxima de 3,5 centímetros até reduzir junto ao esôfago com diâmetro de 1,5 centímetros, estende-se desde a base do crânio, tubérculo faríngeo, até aborda inferior da cartilagem cricóidea, adiante e borda inferior de C6, por detrás. A parede posterior da faringe ampara-se sobre a fáscia pré-vertebral com um espaço potencial entre ambos, o espaço retrofaríngeo. O espaço retrofaríngeo é um espaço de deslizamento relevante do ponto de vista anatomo-clínico, pois se comunica diretamente com o mediastino posterior. Deste modo, afecções poderiam propagar-se a cavidade torácica. A faringe preenche tanto a região cefálica como a região cervical. A parte nasal da faringe apresenta função respiratória. É a parte mais superior da faringe, comunicando-se com a cavidade nasal, por meio dos cóanos. No teto da parte nasal da faringe depara-se, especialmente em indivíduos jovens, uma massa de tecido linfático designado de tonsila faríngea. A adenoide é um processo inflamatório da tonsila faríngea que pode motivar à obstrução dos cóanos, fazendo com que o indivíduo torne-se um respirador bucal. Em situações extremas, estes indivíduos adquirem uma expressão facial característica, designada de fácies adenoide, caracterizada pela boca aberta, a língua protraída, e a expressão facial abobalhada. A tonsila faríngea atrofia-se após a puberdade. Nas paredes laterais da parte nasal da faringe há uma abertura em fenda designada de óstio faríngeo da tuba auditiva. O óstio faríngeo da tuba auditiva representa a desembocadura da tuba auditiva na parte nasal da faringe. A tuba auditiva comunica a parte nasal da faringe com a orelha média, sendo a responsável por nivelar a pressão do ar existente na orelha média com a pressão atmosférica. O óstio faríngeo da tuba auditiva é delimitado superior e posteriormente por um relevo em formato de “meia-lua”, composta pela cartilagem da tuba auditiva, designada como toro tubário. Na parte nasal da faringe ainda podem ser vistas duas pregas da mucosa bem evidente: a prega salpingopalatina, anterior, do toro tubário em direção ao palato; e a prega salpingofaríngea, posterior, do toro tubário em direção à parede lateral da faringe. O espaço localizado posteriormente ao toro tubário e à prega salpingofaríngea é designado de recesso faríngeo, onde se aglomera tecido linfático, a tonsila tubária. A parte oral da faringe é uma estrutura relativamente simples, compondo-se na câmara que conduz á parte laríngea da faringe. A parte oral da faringe se estende do palato mole à margem superior da epiglote, que está posicionada na altura do hioide. A parte oral da faringe contém a tonsila palatina. As tonsilas palatinas de uma criança são maiores do que a dos adultos. As tonsilas palatinas são suscetíveis à infecção porque tendem a acumular sobras de alimentos nas criptas tonsilares. Comumente, a tonsilite pode exigir a tonsilectomia, uma conduta cirúrgica simples nas crianças. Entretanto, a proximidade das tonsilas palatinas com a artéria carótida comum e a rica irrigação das tonsilas palatinas demandam cautelas extremas nessa conduta. A parte laríngea da faringe consiste na parte mais inferior da faringe. Estende-se desde a margem superior da cartilagem epiglótica da laringe até a margem inferior da cartilagem cricóidea. Localiza-se posteriormente à laringe e prolonga-se diretamente pelo esôfago. Anteriormente, comunica-se com a cavidade da laringe por meio do ádito da laringe. A cada lado do ádito da laringe, há uma depressão designada de recesso piriforme. A parte laríngea da faringe, especificamente os recessos piriformes, é um local frequente de impactação de objetos pontudos, como por exemplo, os ossos de aves ou as espinhas de peixes. A presença de material estranho nessa região gera um quadro de asfixia, e o indivíduo fica inapto de retirar o objeto, cautelas devem ser adotadas em manuseio no recesso piriforme, pois na parte profunda da mucosa dessa região depara-se o ramo interno do nervo laríngeo superior, que pode ser lesado. Além dos músculos constritores: superior, médio, e inferior da faringe, existem outros músculos que se originam de variadas áreas, porém que se inserem na faringe. Os músculos constritores da faringe se superpõem parcialmente uns aos outros, como telhas, sendo o músculo constritor superior o mais interno, e o músculo constritor inferior o mais externo. O músculo constritor superior da faringe é delgado e quadrilátero. Tem origem do hâmulo pterigoideo, da rafe pterigomandibular, do quarto posterior da linha milo-hióidea, do processo alveolar da mandíbula, e da face lateral da raiz da língua. Basicamente a inserção corresponde à fáscia faringobasilar e à rafe faríngea no plano sagital mediano. É inervado pelas contribuições do nervo vago ao plexo faríngeo, e age na constrição da faringe. O músculo constritor médio da faringe é um feixe muscular em formato de “leque”, sendo composta por duas partes, a condrofaríngea e a ceratofaríngea. A parte condrofaríngea tem origem no corno menor do hioide e no ligamento estilofaríngeo, e a parte ceratofaríngea no corno maior do hioide. Sua inserção corresponde ao terço médio da rafe faríngea. É inervado pelas contribuições do nervo vago ao plexo faríngeo, e age na constrição da faringe. O músculo constritor inferior da faringe recebe a sua inervação motora das contribuições do nervo vago ao plexo faríngeo, do ramo externo do nervo laríngeo superior, e do nervo laríngeo recorrente do nervo vago. Funcionalmente, o músculo constritor inferior é formado por duas partes: a tireofaríngea, que age como um constritor; e a cricofaríngeaque atua como um esfíncter faringoesofágico, evitando o refluxo do conteúdo do esôfago para a faringe. A parte cricofaríngea nos seres humanos possui fibras do tipo I, as oxidativas e poucas fibras do tipo II, as glicolíticas, com predomínio do tipo I de contração lenta explica o papel do músculo na prevenção da aerofagia e do refluxo esofágico. A parte tireofaríngea tem origem na linha oblíqua da cartilagem tireóidea, e a parte cricofaríngea na face lateral da cartilagem cricóidea. A inserção das duas partes se dá na rafe faríngea. Entre os músculos constritores se verifica os hiatos faríngeos, que possibilitam a passagem de diversas estruturas anatômicas. O hiato entre o crânio e o músculo constritor superior, possibilita a passagem do músculo levantador do véu palatino, da tuba auditiva, e da artéria faríngea ascendente. O hiato entre o músculo constritor superior e o músculo constritor médio, possibilita a passagem do músculo estilofaríngeo e do músculo estiloglosso, além do nervo glossofaríngeo, do nervo lingual, e ainda da artéria lingual. O hiato entre o músculo constritor médio e o músculo constritor inferior, possibilita a passagem do nervo laríngeo interno e do nervo laríngeo superior. O músculo estilofaríngeo é longo, fino, e com formato cilíndrico. Tem origem no processo estiloide do temporal, e a inserção na face medial da faringe, entre o hiato do músculo constritor superior e músculo constritor médio, na cartilagem tireóidea. É o único que recebe inervação motora do nervo glossofaríngeo. Age na elevação da laringe e da faringe durante a deglutição. O músculo salpingofaríngeo é fino e fusiforme. Tem origem na margem posterior da cartilagem da tuba auditiva, e a inserção na parede lateral e posterior da faringe. É inervado pelas contribuições do nervo vago ao plexo faríngeo. Age na elevação da laringe, e pode ajudar na abertura da tuba auditiva durante a deglutição. O músculo palatofaríngeo é um músculo longo e fino, que se origina no palato mole, e se insere na cartilagem tireóidea e na parede muscular da faringe. Recebe sua inervação motora do nervo vago, por meio da sua contribuição ao plexo faríngeo. Age no estreitamento do istmo das fauces, e ajuda no abaixamento do véu palatino. A irrigação da parte superior da faringe deriva especialmente, do ramo faríngeo ascendente da artéria carótida externa, de ramos faríngeos da artéria maxilar, da artéria palatina ascendente, e de ramos tonsilares da artéria facial. A parte inferior da faringe é suprida pela artéria tireóidea superior e a artéria tireóidea inferior. A linfa é drenada par os linfonodos da cadeia cervical profunda, especialmente a originada da parte oral da faringe. Os linfonodos acolhem a linfa da parte nasal da faringe drenam para os linfonodos retrofaríngeo, que se comunica com outros linfonodos, como os linfonodos submandibulares e os linfonodos parotídeos. A inervação sensitiva da parte nasal e da parte oral da faringe deriva de ramos da divisão maxilar do nervo trigêmeo e do nervo glossofaríngeo, enquanto a inervação do restante da faringe é fornecida pelo nervo glossofaríngeo e o nervo vago. 1.2. Esôfago O esôfago é, funcionalmente, o segmento mais simples do cala alimentar. Sua única finalidade é o transporte de materiais líquidos ou sólidos da faringe para o estômago. Seu comprimento alcança no ser humano adulto aproximadamente 25 centímetros e, se considerado a distância entre os dentes incisivos e o estômago, tem-se aproximadamente 40 centímetros antes do alimento adentrar nesta víscera do sistema digestório. O esôfago apresenta três partes: a parte cervical, no adulto apresenta aproximadamente oito centímetros de comprimento; a parte torácica, com aproximadamente 16 centímetros no adulto; e a parte abdominal, em média, com um a três centímetros. No ser humano, o terço superior do esôfago é constituído de músculo estriado esquelético, sendo a camada circular interna sucessiva com os músculos da parte laríngea da faringe, e do esfíncter esofágico superior. Os dois terços inferiores do esôfago são constituídos por músculos lisos, sendo a camada longitudinal e a camada circular sucessiva com a musculatura do estômago. O esôfago corre para baixo desde o mediastino superior, por meio do pescoço, sendo que o esôfago cervical é o prosseguimento direto da faringe, e apresenta início na altura de C6. O tubérculo carótico assinala este nível, e compõe relevante detalhe anatômico para a sua determinação. O esôfago prossegue na parte superior do tórax, atrás da traqueia, levemente à esquerda com relação ao plano sagital mediano. Abaixo da extremidade desta, prossegue no mediastino posterior, entre o pulmão direito e o pulmão esquerdo, atrás do coração, e adentra na cavidade abdominal, passando o diafragma pelo hiato esofágico. Em seguida, uma pequena trajetória de dois centímetros, adentra na parte mais dilatada do estômago, a cárdia. Normalmente achatado na passagem do bolo alimentar, torna-se tubular. Os estreitamentos esofágicos são causados pelas suas relações sintópicas. O primeiro estreitamento é observado na transição entre a faringe e o esôfago, ao nível da margem inferior da cartilagem cricóidea, o estreitamento cricóide, e compõe o esfíncter esofágico superior. O segundo estreitamento e o terceiro estreitamento são observados quando o esôfago é cruzado pela aorta, o estreitamento aórtico, e pelo brônquio principal esquerdo, o estreitamento brônquico, sua esqueletopia corresponde a T5. Seu quarto estreitamento é observado próximo a três centímetros de sua terminação na cárdia do estômago, o estreitamento cárdico. Este estreitamento é dado pela contração das fibras musculares lisas do órgão, não sendo originado de sua relação com o diafragma, ainda que alguns autores o denominem estreitamento diafragmático. A vascularização da parte cervical do esôfago provém da artéria tireóidea superior e da veia tireóidea superior; e a sua inervação se origina do nervo laríngeo inferior, um ramo do nervo vago, além do tronco simpático cervical. Já a vascularização da parte torácica provém das artérias bronquiais, dos ramos da parte descendente da aorta, das veias ázigos e das veias hemiázigo; e a sua inervação se origina do nervo vago e do tronco simpático cervical. Por fim, a vascularização, ainda da parte torácica do esôfago e da parte abdominal do esôfago provém da parte descendente da aorta, dos ramos da artéria gástrica esquerda, e da veia gástrica esquerda. As veias esofágicas são anastomosadas com as do estômago, logo abaixo do diafragma, estando, portanto, ligadas ao sistema porta-hepático formando uma anastomose portossistêmica, cuja fundamental ligação se dá pela pequena veia esôfago cardiotuberositária, tributária da veia gástrica esquerda que drena para o sistema da veia porta hepática. Na hipertensão portal, pode-se deparar por refluxo de veias varicosas, que provavelmente podem romper-se propiciando hemorragia alta do canal alimentar. A inervação do esôfago se origina do nervo vago e da parte simpática do nervo esplâncnico maior. A deglutição, ou ato de engolir é o complexo ato mecânico e fisiológico de mover o alimento, ou o líquido da cavidade oral para o estômago. A primeira fase da deglutição é voluntária e vem após a mastigação, se existir alimento envolvido. Durante essa primeira fase, a boca está fechada e a respiração é cessada provisoriamente. O bolo alimentar é formado quando a língua é erguida contra as pregas palatinas transversas, ou as pregas rugosas do palato duro. A segunda fase da deglutição é a passagem do bolo alimentar para a faringe. Os episódios dessa segunda fase são involuntários e ocorrem por estimulação dos receptores sensitivos situados na abertura da parte oral da faringe. A pressão da língua contra as pregas palatinas transversas fecha a parte nasal da faringe em relação à cavidade oral, gera uma pressão, e força o bolo alimentar para o interior da parte oral da faringe. O palato mole e a úvula palatina são erguidos para fechar a parte nasal da faringe, quando o bolo alimentar passa.O osso hioide e a laringe também são erguidos. A elevação da laringe contra a epiglote fecha a glote de maneira que seja menos provável que o alimento ou o líquido possam adentrar na traqueia. A imediata contração dos músculos constritores da faringe desloca o bolo alimentar da faringe para o esôfago. A segunda fase é terminada em menos de um segundo ou menos. A terceira fase da deglutição, a entrada e a passagem do alimento pelo esôfago, também é involuntária. O bolo alimentar é movido pelo esôfago por meio de ondas peristálticas. No caso de líquidos, o processo inteiro da deglutição se executa em pouco mais do que um segundo; para um bolo alimentar típico, o tempo varia de cinco a oito segundos. No contexto de uma incompetência do esfíncter inferior do esôfago, acontece refluxo de suco gástrico para o esôfago. Isto pode gerar a inflamação do esôfago em virtude à presença nociva de ácido clorídrico no suco gástrico. Tal esofagite de refluxo pode gerar dores, azia ou queimação que, comumente, depende da postura do paciente, ocorrendo, especialmente, quando o paciente está deitado. Sob o ponto de vista terapêutico, em casos leves de refluxos, são tomadas as medidas gerais, como por exemplo, a eliminação de alimentos desencadeadores e a redução de peso. Na esofagite de refluxo, medicamentos antiácidos são imprescindíveis. 02. Roteiro prático de sistema digestório a) Cavidade oral b) Vestíbulo da boca · Rima da boca · Lábios da boca · Filtro · Tubérculo · Frênulo do lábio superior · Frênulo do lábio inferior · Comissura dos lábios · Ângulo da boca · Bochecha · Corpo adiposo da bochecha · Papila do ducto protídeo c) Cavidade própria da boca · Palato duro · Palato mole · Rafe do palato · Pregas palatinas transversas · Papila incisiva d) Dentes · Dente incisivo · Dente canino · Dente pré-molar · Dente molar e) Língua · Corpo da língua · Raiz da língua · Dorso da língua · Margem da língua · Ápice da língua · Frênulo da língua · Papilas linguais · Sulco mediano da língua · Sulco terminal da língua · Forame cego da língua · Tonsila lingual · Músculo genioglosso · Músculo estiloglosso · Músculo longitudinal superior · Músculo longitudinal inferior · Músculo transverso da língua · Músculo vertical da língua · Músculo palatoglosso e) Fauces · Ismo das fauces · Palato mole · Úvula palatina · Arco palatoglosso · Arco palatofaríngeo · Fossa tonsilar · Tonsila palatina · Músculo levantador do véu palatino · Músculo tensor do véu palatino · Músculo da úvula · Músculo palatofaríngeo f) Faringe Parte nasal da faringe · Óstio faríngeo da tuba auditiva · Toro tubário · Tonsila tubária · Recesso faríngeo Parte oral da faringe · Valécula epiglótica · Prega glossoepiglótica mediana · Prega glossoepiglótica lateral Parte laríngea da faringe · Recesso piriforme · Músculo constritor superior da faringe · Músculo constritor médio da faringe · Músculo constritor inferior da faringe · Músculo estilofaríngeo · Músculo salpingofaríngeo · Músculo palatofaríngeo g) Esôfago · Parte cervical · Parte torácica · Parte abdominal 02. Loja gástrica-esplênica 2.1. Estômago O estômago está localizado no abdome, logo abaixo do diafragma, anteriormente ao pâncreas, superiormente ao duodeno e a esquerda do fígado. É parcialmente coberto pelas costelas. O estômago está situado no quadrante superior esquerdo do abdome, entre o fígado e o baço. O estômago é o segmento mais dilatado do canal alimentar, em razão dos alimentos permanecerem nele por algum período, portanto, carece ser um reservatório entre o esôfago e o intestino delgado. A forma e posição do estômago são muito diversificadas de indivíduo para indivíduo; o diafragma o empurra para baixo, a cada inspiração, e o puxa para cima, a cada expiração e por isso não pode ser descrita como típica. O estômago é divido anatomicamente em quatro regiões principais: a cárdia, o fundo gástrico, o corpo gástrico e o piloro. O fundo gástrico, que apesar do nome, situa-se no alto, acima do ponto onde se faz a junção do esôfago com o estômago. O corpo gástrico representa cerca de 2/3 do volume total. Para impedir o refluxo do alimento para o esôfago, existe uma válvula, que representa o orifício de entrada do estômago - o óstio cárdico, a cárdia, localizada logo acima da curvatura menor do estômago. É assim designada por estar próximo ao coração. Para impedir que o bolo alimentar passe ao intestino delgado prematuramente, o estômago é dotado de uma poderosa válvula muscular, um esfíncter designado de piloro, que representa o orifício de saída do estômago - o óstio pilórico. Pouco antes da válvula pilórica encontra-se uma parte designada de antro-pilórica. O estômago possui ainda duas partes: a curvatura maior, a margem esquerda do estômago e a curvatura menor, a margem direita do estômago. 2.2. Funções digestórias · Digerir alimentos. · Secretar hormônio gástrico e fator intrínseco. · Secretar suco gástrico, que inclui enzimas digestórias e ácido hidroclorídrico como substâncias mais importantes. · Regular o padrão alimentar e entregar o quimo ao intestino delgado. · Absorver pequenas quantidades de água e substâncias dissolvidas. 03. Loja hepática 3.1. Fígado O fígado é a maior glândula do organismo, e é também a mais volumosa víscera abdominal. Sua localização é na região superior do abdome, cujo topografia ocupa o hipocôndrio direito, logo abaixo do diafragma, normalmente 2/3 de seu volume estão a direita da linha mediana e 1/3 à esquerda. Pesa cerca de 1,500g e responde por aproximadamente 1/40 da massa corporal de um indivíduo adulto. O fígado possui duas faces: diafragmática e visceral. A face diafragmática é convexa e lisa relacionando-se com a cúpula diafragmática. A face visceral é irregularmente côncava pela presença de impressões viscerais. O fígado é dividido em lobos. A face diafragmática possui um lobo direito e um lobo esquerdo, sendo o direito pelo menos duas vezes maior que o esquerdo. A divisão dos lobos é estabelecida pelo ligamento falciforme. Na extremidade desse ligamento é encontrado um cordão fibroso resultante da obliteração da veia umbilical durante a vida intrauterina, denominado como ligamento redondo do fígado. A face visceral é subdividida em quatro lobos: o direito, o esquerdo, o quadrado e o caudado pela presença de depressões em sua área central. Entre o lobo direito e o quadrado é encontrada a vesícula biliar e entre o lobo direito e o caudado, há um sulco que abriga a veia cava inferior. Entre os lobos caudado e quadrado, há uma fenda transversal: a porta do fígado, ou pedículo hepático, por onde passam a artéria hepática, a veia porta, o ducto hepático comum, os nervos e os vasos linfáticos. As vias bilíferas extra-hepáticas são formadas: pelo ducto hepático comum, pela vesícula biliar, pelo ducto cístico e pelo ducto colédoco. O fígado é um órgão vital, sendo essencial o funcionamento de pelo menos 1/3 dele - além da bile que é indispensável na digestão das gorduras, sendo que o fígado exerce o relevante papel de armazenador de glicose e, em menor escala, de ferro, cobre e vitaminas. A função digestiva do fígado é produzir a bile, uma secreção verde amarelada, para passar para o duodeno. A bile é produzida no fígado e armazenada na vesícula biliar, que a libera quando lipídeos adentram no duodeno. A bile emulsiona a gordura e a distribui para a parte distal do intestino para a digestão e absorção. Outras funções do fígado são: · Metabolizar carboidratos, lipídios e proteínas; · Processar fármacos e hormônios; · Excretar bilirrubina e sais biliares; · Armazenar e fagocitar; · Ativar a vitamina D. 3.2. A vesícula biliar A vesícula biliar possui sete a dez centímetros de comprimento, localiza-se na fossa da vesícula biliar na face visceral do fígado. Esta fossa situa-se na junção do lobo direito e do lobo quadrado do fígado. A relação da vesícula biliar com o duodeno é tão íntima que a parte superior do duodeno normalmente é manchada com bile no cadáver. A vesícula biliar tem capacidade para até 50 mililitros de bile. O ducto cístico,com aproximadamente quatro centímetros de comprimento liga a vesícula biliar ao ducto hepático comum, união do ducto hepático direito e esquerdo, compondo o ducto colédoco. O comprimento varia de cinco a quinze centímetros de comprimento. O ducto colédoco desce posterior a parte superior do duodeno e situa-se na face posterior da cabeça do pâncreas. No lado esquerdo da parte descendente do duodeno, o ducto colédoco entra em contato com o ducto pancreático principal. A união do ducto colédoco, com o ducto pancreático e a papila maior do duodeno formam a ampola hepatopancreática. 04. Loja duodeno-pancreática, jejuno e íleo 4.1. Duodeno, jejuno e íleo A principal parte da digestão acontece no intestino delgado, que se estende do piloro até a junção iliocólica, válvula ileocecal, ou papila ileal, que se reúne com o intestino grosso. O intestino delgado é um órgão indispensável. Os principais eventos da digestão e absorção acontecem no intestino delgado, portanto sua estrutura é especialmente adaptada para essa função. Sua extensão fornece grande área de superfície para a digestão e absorção, sendo ainda muito elevada pelas pregas circulares, pelas vilosidades e pelas microvilosidades. O intestino delgado mede aproximadamente sete metros de comprimento, podendo variar entre cinco e oito metros (o comprimento de intestino delgado e de intestino grosso em conjunto após a morte é de aproximadamente nove metros). O intestino delgado é composto pelo duodeno, jejuno e íleo, estende-se do piloro até a papila ileal, onde o íleo une-se ao ceco, a primeira parte do intestino grosso. O duodeno é a primeira parte do intestino delgado. Recebe este nome por ter seu comprimento aproximadamente igual à largura de doze dedos, ou seja, 25 centímetros, assim referenciado por Herófilo da Macedônia. É a única parte do intestino delgado que é fixa., portanto, não apresenta mesentério. Possui quatro partes: a parte superior, que se origina no piloro e estende-se até o colo da vesícula biliar; a parte descendente, que é desperitonizada, além disso, os ductos: colédoco, que provêm da vesícula biliar e do fígado, contendo a bile e o ducto pancreático, que provêm do pâncreas, contendo o suco ou secreção pancreática, desembocam na paila maior do duodeno que está localizada na parte descendente; a parte horizontal; e por fim a parte ascendente. O jejuno é a parte do intestino delgado que faz continuação ao duodeno, recebe este nome porque sempre que é aberto se apresenta vazio. É mais largo, aproximadamente quatro centímetros, sua parede é mais espessa, mais vascular e de cor mais forte que o íleo. O Íleo é o último segmento do intestino delgado que faz continuação ao jejuno. Recebe este nome por relação com osso ilíaco. É mais estreito e suas túnicas são mais finas e menos vascularizadas que o jejuno. Distalmente, o íleo desemboca no intestino grosso num orifício que recebe o nome de papila ileal. Juntos, o jejuno e o íleo medem aproximadamente seis a sete metros de comprimento. A maior parte do jejuno localiza-se no quadrante superior esquerdo, enquanto a maior parte do íleo localiza-se no quadrante inferior direito. O jejuno e o íleo, ao contrário do duodeno, são móveis. 4.2. Pâncreas O pâncreas produz por meio de uma secreção exócrina o suco pancreático que adentra no duodeno através dos ductos pancreáticos, uma secreção endócrina produz o glucagon e a insulina que adentram no sangue. O pâncreas produz diariamente 1200 – 1500 mililitros de suco pancreático. O pâncreas é achatado no sentido anteroposterior, apresentando uma face anterior e outra posterior, com uma margem superior e inferior e sua localização é posterior ao estômago, sendo considerado um órgão retroperitoneal. O seu comprimento varia de 12,5 a 15 centímetros e seu peso no sexo feminino é de 14,95 gramas e no sexo masculino é de 16,08 gramas. O pâncreas divide-se em: cabeça, envolvida na curva do duodeno; colo; corpo sendo dividido em três partes: anterior, posterior e inferior; e cauda. O pâncreas tem as seguintes funções: · Dissolver carboidrato (amilase pancreática); · Dissolver proteínas (tripsina, quimotripsina, carboxipeptidase e elastáse); · Dissolver triglicerídios nos adultos (lípase pancreática); · Dissolver ácido nucleicos (ribonuclease e desoxirribonuclease). Referências Bibliográficas ALVES, N.; CÂNDIDO, P.L. Anatomia para o curso de odontologia. 2ª ed. Grupo Editorial Nacional, 2009. 263 p. AUMÜLLER, G.; et al. Anatomia. 1ª ed. Editora Guanabara-Koogan, 2009, 1317 p. BOGART, B.I. Anatomia e embriologia. 1ª ed. Elsevier Editora, 2008, 438 p. CASTRO, S.V. Anatomia fundamental. 3ª ed. Pearson Makron Books, 1985, 586 p. CHOPARD, R.P. Anatomia odontológica e topográfica da cabeça e do pescoço. 1ª ed. Grupo Gen, 2012, 511 p. CRUZ RIZZOLO, R.J.; MADEIRA, M.C. Anatomia facial com fundamentos de anatomia sistêmica geral. 1ª ed. Sarvier, 2004, 350 p. DI DIO, L.J.A. Tratado de anatomia aplicada. Póllus Editorial. Volume II, 1998, 1078 p. ERHART, E.A. 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