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Fundamentos da Educação Infantil I Semana 1: História da Educação da Infância Resumo: A história das instituições de Educação Infantil é marcada por diferentes pressupostos, de acordo com o público-alvo. Em alguns casos, como o jardim de infância, que nasceu predominantemente para a elite, buscou-se prolongar a infância, mantendo as crianças distantes do mundo e das obrigações dos adultos. Em outras instituições, como os asilos e as escolas maternais das vilas operárias de São Paulo, buscou-se proteger o menor desvalido, cuidar de sua saúde e higiene.Com o passar das décadas, muitas vezes a história das creches, dos jardins-de-infância e das instituições de educação pré-escolar de uma maneira geral, infelizmente, parece ter se tratado da aplicação de políticas “pobres para os mais pobres”.A noção ou conceito de creche e de pré-escola como direito social foi introduzida no Brasil pela ação dos movimentos sociais, emergentes no final dos anos 70, como o movimento feminista, que em muito contribuiu para a criação e a consolidação do movimento de luta por creches. Vídeo aula: História da Educação na Infância. 1. Jean Jacques Rousseau: procurar o homem na criança A criança nasce boa, não eram adultos em miniaturas. Portava em si muitas qualidades, quanto mais pudesse ficar afastada do adulto, melhor para ela. Teoria da bondade natural, ser criada baseada em seus instintos e interesses naturais que guiavam a educação. 2. Froebel: uma pedagogia do brincar para a infância. Jardim de infância, crianças eram boas, e nasciam como sementes, necessitando de um bom jardineiro, carecendo de rega, poda, entra outros para florescer as potencialidades das crianças. Se baseou nas ideias Pestalozzianas, por isso tanta importância para o contato com a natureza e as aulas passeio. Como se organizaria o cotidiano nesse jardim de infância? Muito a partir da auto atividade; a boa educação tinha: muita liberdade, muita regra e autodeterminação. Linguagem era importante e o brincar era fundamental. Roupas leves e próprias, que produzisse as condições necessárias para a brincadeira. Fazer, usar as mãos, e se expressar de várias formas. 3. Ovide Decroly e os centros de interesse Médico e se dedicou aos estudos da neurologia. Para ele a forma como a educação estava organizada não era possível uma organização separada, não era compatível com o modo que uma criança pensava. As bases do desenvolvimento não partem da parte para o todo, mas sim o contrário, do todo para a parte. Propõe a criação de centros de interesses, que nasciam a partir da necessidade das crianças, alimentação, respiração, asseio, proteção, jogos. A escola seria uma oficina/laboratório, onde teria oportunidade de fazer descobertas. 4. Maria Montessori Médica. Também pensou e criou materiais para a infância. Sua ideia é de a Pedagogia deveria ser cientifica, e voltada para a paz. Desde pequeno formamos a criança para um mundo melhor, carrega em si todas as potencialidades. Criança e professor aprendendo junto. Princípios da Pedagogia Montessoriana: liberdade, atividade e livre escolha. Mobiliário adequado a criança, um professor sendo mestre humilde sem se sobrepor a elas e um material estimulante sensorial que provoca a autoeducação. 5. Célestin Freinet O ensino é militância e engajamento, pois a educação é a possibilidade de emancipação do homem. Um cotidiano de uma escola é: planejamento com as crianças, conversa, atividades coletivas, comunicação dos trabalhos realizados e um momento de avaliação. 6. Loris Malaguzzi Italiano. As crianças são sujeitos que tem conhecimento e possibilidade de expressa-lo. A busca do saber precisa estar em conjunto com as famílias, além dos educadores. A organização do espaço tem sua importância no funcionamento do ambiente, de modo que as crianças possam explorar e aprender muito mais. Texto Base: A educação infantil no século XIX Moysés Kuhlmann Jr. Em 1854, durante o período imperial brasileiro, o regulamento da Instrução Primária e Secundária da Corte previa que crianças a partir dos 5 anos de idade poderiam frequentar a escola primária. Tem relação com o fato dessas crianças menores acompanharem seus irmãos mais velhos à escola, e que passaram a ser admitidos de uma maneira mais formal. Mais tarde tivemos a criação de creches, salas de asilos e outras instituições educacionais destinadas a crianças de 0 a 6 anos. No Brasil, a primeira dessas instituições que se tem conhecimento foi o Jardim de Crianças do Colégio Menezes Vieira, em 1875, no RJ. A creche foi divulgada no Brasil em 1879, no Jornal A Mãi de Familia, a matéria “A creche” (asilo para a primeira infância) com intuito de divulgar as creches e suas vantagens. O artigo já antecipava para tratar das relações de trabalho (à época havia sido instituído a Lei do Ventre Livre) onde as creches permitiriam que as mães pobres pudessem trabalhar e manter seus filhos em um lugar até completarem a idade para entrada no primário. As salas de asilo surgiram na França, e que depois foi nomeada de escolas maternais. Tal instituição (que também surgiu em diversos países) não tinha o caráter de obrigatório. Entendia-se que quanto menor a criança, ela deveria estar junto a mae e a família. No entanto os procedimentos para educar os filhos advinha pelo médicos, legisladores, educadores, religiosos, pessoas que se apresentaram como capazes de criar modelos que pudessem educar as crianças oriundas das classes populares. O jardim de infância, local para todas as crianças, de todos os segmentos sociais, serviria para desenvolvimento e cultivo de bons hábitos. Enquanto a creche, para bebês cuja função estaria atrelada como um apoio a família e seria exclusivamente para mães que necessitassem trabalhar. Durante a Exposição Pedagógica de 1883, os pareceres sobre a educação brasileira, escreveram Menezes Vieira, Maria Guilhermina e Joaquim Teixeira de Macedo, expondo materiais sobre a educação infantil de outros países com a Bélgica, França e E.U.A. A preocupação consistia numa “europeização” das crianças filhas de pais pós-liberto da abolição. A Tal educação funcionaria com antidoto para combater as práticas que acreditam ser ameaçadoras. Embora houvesse a discussão e manifestações quanto as instituições de educação infantil para crianças pobres, não há evidências de suas criação durante o século XIX no Brasil. As primeiras iniciativas, ocorridas nesse século, restringem-se aos poucos jardins de infância que atenderam crianças de setores sociais privilegiados. Texto Base: A educação infantil no século XX Moysés Kuhlmann Jr É importante considerarmos uma dimensão presente na história da educação brasileira: a falta de acesso às instituições educacionais. E se torna ainda mais marcante no que tange as instituições de educação infantil. No século XIX há a discussão dessas propostas, e já no século XX elas começam a ser colocadas em prática, implantadas. A Constituição de 1988 prevê educação infantil gratuita para pais e mães trabalhadores com filhos de 0 a 6 anos de idades, mesmo que haja uma distância entre o que ocorre na prática (falta de vagas, por exemplo). Integrar as creches no seu sistema educacional não proporcionou uma superação da concepção educacional assistencialista. Pela falta de verbas, é comum a educação infantil possuir divisões, por idades (ex: 0 a 3 anos frequentariam creches; de 4 a 6 anos pré-escola) limitando o atendimento em período integral. A primeira creche que se tem conhecimento no país, para os filhos de operário da Fábrica de Tecidos Corcovado, no RJ, em 1899. Já em SP, data de 1901 a Associação Feminina Beneficente e Instructiva, criada pela espírita Anália Franco, que organiza escola maternais e creches, agregadas a asilo para órfãos. A proteção à infância ganha destaque. Diversossegmentos como políticos, educadores, industriais, médicos, religiosos e juristas que se articulam na criação de associações e instituições educacionais para a criança pequena. No entanto esse movimento que faz defesa a criança, carrega sua limitação, que vê com preconceito a pobreza e trata das instituições como dádiva e não como direito. Tal educação assistencialista promove uma pedagogia da submissão, que pretende preparar os pobres para aceitar a exploração social. Na década de 1920, o campo educacional fica mais delimitado e a pedagogia passa a ser vista como arte e ciência. Ideias de Maria Montessori passam a ser difundidas, que individualizam as crianças, e que propõem ao professor se limitar a prestar auxílio, aconselhando. Desenvolvem-se modelos de registro e de observação com a intenção de diagnosticar as condições e aptidões dos alunos. Em 1930, no processo de organização do Estado, ira se estabelecer a tensão entre legislação e a falta de meios, de regulamentação e compromisso com as políticas sociais. Em 1932, as creches tornam-se obrigatórias em estabelecimento com pelo menos 30 mulheres maiores de 1 anos, medida que vai integrar a CLT. Mas essa legislação foi como letra morta. (A primeira regulamentação do trabalho feminino ocorreu em 1923, prevendo os estabelecimentos da indústria e comercio deveriam facilitar a amamentação durante a jornada, com a instalação de creches ou salas de alimentação próximas ao local de trabalho). Na Conferência Nacional de Proteção à Infância, no RJ, em 1933, Anísio Teixeira já chamava a atenção para a criança da pré- escola ser vista não apenas sob o angulo da saúde física, pois seu crescimento, desenvolvimento e formação de hábitos envolveriam facetas pedagógicas, como habilidades mentais, socialização e importância dos brinquedos. O Parque Infantil outra iniciativa no RS e SP, criadas por Mario de Andrade, se propunha a receber no mesmo espaço crianças de 3, ou 4 a 6 anos, e as de 7 a 12, fora do horário escolar. Na década de 1940 o Parque infantil se expande para outras localidades do país. O Parque Infantil valorizava elementos do folclore, da produção cultural e artística, brincadeiras e jogos infantis. Mas também enfatizaram o controle, a educação moral e a educação física, voltada para a cultura física (clima entre guerras ). Outras motivações além do desenvolvimento do emprego industrial e de grandes centros urbanos para a criação de instituições de educação infantil, é o que ocorre em SC, 1930, cujos fatores estão relacionados a organização da comunidade e as confissões religiosas que fizeram as famílias valorizarem essa experiencia educacional. Em 1967, o Plano de Assistência ao Pré-Escolar, indica as igrejas de diferentes denominações para a implantação dos Centros de Recreação, propostos como programa de emergência para atender as crianças de 2 a 6 anos. Embora falasse em plano de emergência, pouco se realizou. O atendimento educacional de crianças em creches ganha uma legitimidade social, para além de sua destinação exclusiva aos filhos dos pobres. O programa dos Centros de Convivência Infantil para o atendimento dos filhos de servidores públicos no estado de SP, em varias secretarias; a conquista de creches em universidades públicas; a reivindicação em alguns sindicatos operários e do setor de serviços, como bancários, jornalistas, professores. O princípio educacional adotados nos berçários (crianças de 0 a 18 meses) era o da estimulação, de modo a obter os comportamentos previstos nas escalas de desenvolvimento. Decoração do ambiente físico como parte da intenção de estimulação viso-sensório-motora, com brinquedos e móbiles que pudessem ser manipulados pelas crianças. A programação maternal para crianças acima dos 18 meses era de caráter compensatório, que visava superar as deficiências da clientela, tais como atividades de expressão oral, desenvolvimento motor, musica, matemática, ciências, integração social e vida pratica, respeitando as necessidades de cada faixa etária. Na década de 1990, aparecem formulações sobre a educação infantil que passam a enfatizar a inseparabilidade dos aspectos do cuidado e da educação da criança pequena. Semana 2: Educação Infantil brasileira: ordenamentos legais e políticas públicas Resumo: Vídeo Aula: Educação Infantil Brasileira: ordenamentos legais e políticas públicas Critérios anteriormente utilizados para o preenchimento das vagas insuficientes para todos: salário (do mais baixo para o mais alto), quantidade de filhos (do maior número) e localização (próxima à creche). Com a Constituição de 1988 isso deixa de ser valido, um marco ao direito das crianças, e como direito precisa ser preservado acesso e permanência, não há mais distinção, todas as crianças são iguais perante a lei. As conquistas precisam vir com as políticas públicas, a Lei nº 8,069 de 1990 – ECA indica que todo adolescente é cidadão (sujeito de direitos, saúde, educação, moradia). Documento das Carinhas – Critérios para um atendimento em creches. Em 1996, a LDB, concebe o atendimento a criança de 0 a 6 anos de idade como sendo primeira etapa da educação básica, cuja função é a de iniciar a formação necessária para todas as pessoas para que possam exercer sua cidadania. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil (1998) esse documentos embora recebesse muitas críticas por conceber uma criança muito abstrata, genérica para um país de dimensão continental como a nossa, apresenta uma proposta curricular com o trabalho das crianças. Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação infantil, caráter mandatório, três princípios: princípios éticos, políticos e estéticos (sensibilidade, criatividade, ludicidade) Documentos importantes publicados já no século XXI, como a Política Nacional de Educação Infantil(2005) 6min 25 s Texto Base: Política Nacional de Educação Infantil: pelo direito das crianças de zero a seis anos à Educação Compete ao Estado formular políticas, implementar programas e viabilizar recursos que garantam a criança desenvolvimento integral e vida, de forma eu complemente a ação da família. Creches e pré-escolas tem adquirido importância, no entanto a integração como etapa inicial ao sistema educacional não foi acompanhada, em nível nacional, da correspondente dotação orçamentária. Embora não seja obrigatória e sim direito, opção da família e dever do Estado. O Plano Nacional de Educação define uma ampliação da oferta “atender, em cinco anos, a 30% da população de até 3 anos de idade e 60% da população de 4 a 6 anos (ou 4 e 5) e, até o final da década, alcançar a meta de 50% das crianças de 0 a 3 anos e 80% das de 4 a 5 anos. Um aspecto importante na trajetória da educação das crianças de 0a 6 anos, gerado pela sociedade, é a pressão dos movimentos sociais organizados pela expansão e qualificação do atendimento (aumentou devido a inserção feminina no mercado de trabalho). Nas décadas de 1970 e 1980, a pressão da demanda, a urgência do seu atendimento, a omissão da legislação educacional vigente, a difusão da ideologia da educação como compensação de carências e a insuficiência de recursos financeiros levaram as instituições de Ed. Infantil se expandirem “fora” dos sistemas de ensino (Criou-se formas alternativas, como crecheiras, pajens, babás, auxiliares, etc). A trajetória da educação assumiu e assume muitas funções, ora assistencialista, ora um caráter compensatório e ora um caráter educacional nas ações desenvolvidas. Atualmente a forma de ver as criança com uma nova concepção, a concepção de criança criadora, sujeito de direitos, produtor de cultura e nela inserido. Essa visão contribuiu para que fosse definida uma nova função para as ações desenvolvidas com as crianças, envolvendo dois aspectos inseparáveis:educar e cuidar. Historicamente as modalidades da educação das crianças constituíam objetivos distintos: creches predominantemente na educação da população pobre, enquanto pré-escolas organizadas, principalmente, para os filhos das classes média e alta. Quanto a educação prevalecia que crianças de 0 a 3 anos predominam os cuidados em relação à saúde, higiene e alimentação. Enquanto criança de 4 a 6 anos concebida como antecipadora da Ed. Fundamental. Em 1990 temos a reafirmação da conquista da Constituição de 1988, o ECA, foram reafirmando esses direitos ao mesmo tempo que estabelecia mecanismos de participação e controle social na formulação e implementação de políticas para a infância. Em 1994 o MEC criou o documento Política Nacional de Educação Infantil, que se definem expansão da oferta de vagas para crianças de 0 a 6 anos, fortalecimento da concepção de educação e cuidados como aspectos inseparáveis. Bem como a importância da formação profissional qualificado para atuar nesses espaços. Em 1996 a LDB evidenciou a importância da Ed. Infantil ao incorporá-la como primeira etapa da Educação Básica. Dessa forma ganho uma dimensão mais ampla: atender as especificidades do desenvolvimento das crianças dessa faixa etária e contribuir para a construção e o exercício de sua cidadania. A Coordenação Geral de Educação Infantil (COEDI) buscou conhecer as propostas pedagógico-curriculares em curso nas diversas unidades da Federação e investigou os pressupostos que se fundamentavam essas propostas. O estudo realizado trouxe a tona a fragilidade e a inconsistência de grande parte das propostas pedagógicas em vigor. Foi possível evidenciar também a multiplicidade e a heterogeneidade de propostas e de práticas. Essa multiplicidade é um ponto crucial quando se discute a questão do currículo (como garantir um currículo que respeite as diferenças). Uma resposta a essa questão foi dada pela própria LDB (arts. 12 e 13) ao incumbir as instituições de Ed. Infantil de elaborar as próprias propostas pedagógicas com a participação efetivas dos professores(as), construída no cotidiano das instituições, juntamente com as famílias e as crianças. No entanto ainda faltava uma unidade qualitativa. Em 1998, foi elaborado o Referencial Curricular Nacional para a Ed. Infantil (RCNEI) no contexto da definição dos Parâmetros Curriculares Nacionais. O RCNEI consiste num conjunto de referencias e orientações pedagógicas, não se constituindo como base obrigatória à ação docente. A C.F. de 1988 atribuiu ao Estado o dever de garantir o atendimento as crianças de 0 a 6 anos em creches e pré- escolas, especificando que a União cabe prestar assistência técnica e financeira aos estados e aos municípios para garantir equalização das oportunidades e padrão mínimo de qualidade. Especificando, determinou que os municípios atuassem prioritariamente no Ens. Fundamental e Ed. Infantil. A LDB(1996) os municípios irão se incumbir de ofertar a Ed. Infantil em creches e pré- escolas, e, com prioridade, o Ensino Fundamental, permitida atuação em outros níveis de ensino apenas quando estiverem atendidas plenamente as necessidades de sua área de competência e com recursos acima dos percentuais mínimos vinculados pela CF a manutenção e ao desenvolvimento do ensino. Em face a essa responsabilidade constitucional, o aumento da matrícula de crianças de 0 a 6 anos deu-se em função do compromisso e da vontade de política de gestores públicos municipais que, apesar das restrições orçamentarias, procuraram garantir maior e melhor oferta para Ed. Infantil. Em 2001 aprovado o Plano Nacional de Educação que expressava em relação as competências dos entes federados: Quanto as esferas administrativas, a União e os estados atuarão subsidiariamente, porem necessariamente, em apoio técnico e financeiro aos municípios. – A autonomia dos entes federados e o regime de colaboração são dois princípios indissociáveis no sistema federativo brasileiro. Texto Base: Parâmetros Nacionais de Qualidade para a Educação Infantil – Vol. 1 4 A qualidade na perspectiva da legislação e da atuação dos órgãos oficiais no Brasil Em decorrência da inserção da Ed. Infantil na Ed. Básica, a formação exigida para o profissional que atua com essa faixa etária passa a ser a mesma daquele que trabalha nas primeiras series do Ens. Fundamental: nível superior em curso de licenciatura, admitindo-se, como formação mínima, a oferecida em nível médio modalidade normal. Considerando que o professor tem um papel extremamente importante na garantia da qualidade do trabalho realizado na educação. De acordo com os dispositivos constitucionais e com a LDB, cabe aos municípios a responsabilidade pela Ed. Infantil. Mas para que esse direito possa ser efetivado e vincule efetivamente a área educacional é necessária uma ação conjunta dos governos, nas instâncias federal, estadual e municipal, e a parceria com a sociedade. Após a aprovação da LDB, o MEC promoveu uma discussão no âmbito do Conselho Nacional e dos Conselhos Estaduais e Municipais de Educação que culminou com a publicação do documento Subsídio para credenciamento e funcionamento de instituições de Ed. Infantil (1998). Que possui sugestões de critérios de qualidade especificas para a Ed. Infantil. No final dos anos 1990 o MEC elaborou e distribuiu as escolas o documento Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil. Composto por 3 volumes: o 1º) apresenta uma reflexão geral sobre o atendimento no Brasil, sobre as concepções de criança, de educação e do profissional; 2º) Trata da Formação pessoal e social; 3º) diferentes conteúdos incluídos em Conhecimento do mundo. Aprovada as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Ed. Infantil, de caráter mandatório para todos os sistemas municipais e/ou estaduais, diferentemente do Referencial. Trata de várias questões relativas a qualidade. Ex: 1 professor para 6 a 8 bebês de 0 a 2 anos; 1 professor para cada 15 crianças de 3 anos; 1 professor para cada 20 crianças de 4 a 6 anos. CNE elaborou o Parecer nº. 14/99 (BRASIL, 1999c) sobre Diretrizes Curriculares Nacionais da Educação Escolar Indígena, com intuito de superar as imposições de modelos educacionais estranhos a cultura dos povos indígenas, propõe que o ensino regular seja ministrado em língua portuguesa, assegurada as comunidades indígenas a utilização de suas línguas maternas e processos próprios de aprendizagem. Com reforço na LDB, que determina a oferta de educação bilingue intercultural aos povos indígenas. Texto Base: A Educação Infantil na Base Nacional Curricular A terminologia “pré-escolar” utilizada no Brasil até a década de 1980 sugeria o atendimento de crianças como uma etapa anterior a escola que só teria começo no Ensino Fundamental, portanto fora da educação formal. Com a C.F. 1988 o atendimento de crianças de 0 a 6 anos torna-se dever do Estado. Posteriormente em 1996 com a LDB, a Ed. Infantil passa a ser parte integrante da Ed. Básica, situando-se no mesmo patamar que o Ens. Fundamental e Médio. Com a antecipação do acesso ao Ens. Fundamental para os 6 anos de idade, a Ed. Infantil passa a atender a faixa etária de 0 a 5 anos. A Ed. Infantil passa a ser obrigatória para as crianças de 4 a 5 anos apenas com a emenda Constitucional nº. 59/2009, que determina obrigatoriedade da Educação Básica dos 4 ao 17 anos. A Educação Infantil no contexto da Educação Básica A concepção vinculada da Ed. Infantil é a de educar e cuidar, cujo objetivo é de ampliar o universo de experiencias, conhecimentos e habilidades dessas crianças, atuando de maneira complementas a educação familiar, sobretudo da educação dos bebes e das crianças bem pequenas, que envolve aprendizagens muito próximas aos dois contextos (familiar e escolar), como a socialização, a autonomia ea comunicação. De acordo com as DCNEI, os eixos estruturantes das praticas pedagógicas dessa etapa são as interações e brincadeiras. A interação durante o brincar caracteriza o cotidiano da infância, trazendo consigo muitas aprendizagens. Seis direitos de aprendizagem e desenvolvimento asseguram as condições para que as crianças aprendam em situações nas quais possam desempenhar um papel ativo, podendo construir significados sobre si, os outros e o mundo social e natural. Conviver – com outras crianças, adultos, pequenos ou grandes grupos; Brincar – de diversas formas e espaços; Participar- ativamente, com adultos e outras crianças; Explorar – movimentos, gestos , sons, formas, etc. Expressar – com sujeito dialógico, criativo e sensível. Conhecer-se – construir uma identidade pessoal, social e cultural. Semana 3: O cuidar o educar na Educação Infantil Resumo: Vídeo aula: O cuidar e o educar na Educação Infantil - Educar e cuidar são indissociáveis- brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada para contribuir com o desenvolvimento das crianças. Promove interação das crianças com os objetos, e interação entre elas mesmas. - contexto de encantamento, proposta de introduzir cultura indígena, e culturas. -Cuidar, educar e proteger. Acolhimento as famílias (no portão da escola), saída da escola. 0 – 3 anos é importante explorar o lugar, brincadeiras simbólicas (em casa, supermercado, escritório), heurísticas (exploram os objetos e suas características, e constroem coisas com esses objetos (por exemplo, uma caixa de papelão que pode se tornar um fogão). - Cuidados em higiene pessoal, repouso e alimentação presente no cotidiano diário da escola há uma construção de vínculos. Momentos no coletivo e individual (como o banho). Texto Base: Os educadores de creche e o conflito entre cuidar e educar Roberta C P Alves Maria De La Ó R Veríssimo As representações de doenças mudam conforme a cultura, tempo histórico e influências cientificas. Assim historicamente foi introduzido o “conceito de saúde como ausência de doença, com o um modelo baseado na tecnologia, sendo o hospital o centralizador desse atendimento assistencialista”, sem a preocupação da medicina em compreender os saberes, os significados relativos aos problemas de saúde nos meios populares. Quando nos referimos as crianças, creches e pré-escolas são cenário de destaque, atualmente é comum que elas fiquem grande parte do dia em instituições. Assim justifica-se compreender como a questão da saúde é garantida na creche. O Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil – RCNEI pretende, não uma simples transposição do cuidado doméstico para o ambiente institucional, mas sim a construção de uma prática de atendimento cujo principio seja garantir as melhores oportunidades de desenvolvimento as crianças. Sabe-se hoje que o bom desenvolvimento físico, psíquico e social do ser humano depende em grande parte dos cuidados referentes a atenção, nutrição, estimulação, acolhimento, compreensão e carinho oferecidos especialmente nos três primeiros anos de vida. Uma justificativa para estes princípios é o desenvolvimento da estrutura neurológica humana. Ao nascer, a criança já tem a maior parte das células cerebrais de que precisara para o resto da vida, porem os milhares de neurônios ainda não estabeleceram sinapses. A principal tarefa do desenvolvimento cerebral inicial é a formação e o reforço dessas ligações. As conexões entre os neurônios se formam à medida que a criança em crescimento experimenta o mundo que a cerca e estabelece ligações com pais, com os membros da família e com os outros cuidadores. Isto significa que, quanto mais estimulada for a criança, mas ligações entre os neurônios ela terá. Os estímulos necessários são os mais variados possíveis, como o olhar, o acariciar, o toque, o abraço, a música, o falar com o bebê, o cantar, o ler para a criança, o brincar, o aconchego. É importante aproveitar todas as oportunidades para essa estimulação. O cuidado de alta qualidade é aquele capaz de gerar a confiança e vínculo afetivo entre a criança e o adulto. Mediante o cuidado, a interação e a brincadeira, estabelecem-se vínculos afetivos significativos e essenciais ao bem- estar infantil. Portanto, nas instituições se faz necessário se perguntar o que os adultos estão provendo para as crianças. No Brasil, na prática de seu atendimento, as trabalhadoras de creches veem o cuidado a criança como algo que não demanda habilidades ou conhecimentos específicos, de menor valor e subsidiário em relação a educação, levando em conta o “instinto materno” natural das mulheres, baseados no senso comum. Nesses serviços, ate recentemente, houve poucos investimento na formação e capacitação desses trabalhadores. Nas práticas desenvolvidas prevalece a ideia de que o meio familiar pode ser transportado para a creche. Em comparação ao ano de 1999 e 2015 tivemos uma aumento das capacitações profissionais, no entanto cabe analise acerca da qualidade e integração do trabalho exercido, o que se observa ainda é o cuidado com a saúde se aprende de forma artesanal, observando outros educadores, que são assimilados de forma parcial ou reinterpretados. Além dos problemas de formação, outro problema que contribui para esse quadro é que as práticas de saúde são mais frequentes nas escolas estão fundamentadas no paradigma tradicional de saúde escolar, se limitando as intervenções sanitárias (vacinação, desparasitação, controles médicos, palestras sobre tema de saúde) cujo enfoque é da lógica biomédica, centrada na prevenção de doenças, ficando a escola em posição passiva nas atividades. A construção de práticas de qualidade, que incorporem cuidados de promoção e manutenção de saúde na creche, dependo do desenvolvimento de um referencial conceitual e operacional apropriado. O modelo das Escolas Promotoras da Saúde (EPS) vem se difundindo desde 1995 parte de uma visão multidisciplinar (holística), dessa forma a saúde escolar passa por uma revisão dos conceitos e práticas higienista e assistencialista. Pontos importantes nos relatos da professora: falta de integração/diálogo entre a educação e a saúde. Falta faxineiras (que promovem a limpeza do ambiente, impedindo a exposição a doenças), falta professores para dar atenção necessária ao desenvolvimento da criança, a falta de uma auxiliar de enfermagem, para atender especialmente bebês que não conseguem se queixar de dor, nutricionista e psicólogo, e sobretudo integração das creches com serviços de saúde, para facilitar o encaminhamento das crianças, e também para que houvesse troca de conhecimentos entre a educação e a saúde. Percebe-se que há uma lacuna na sistematização do cuidado, dificultando que ele possa ser objetivado, mediante planejamento, com definição de objetivos, estratégias e avaliação. E essa ausência não permite que ele [cuidado] seja visto como produto de um trabalho profissional. A desvalorização do cuidado enquanto função profissional do educador de creche tem sido creditada, entre outras razões, ao fato do cuidado infantil ser tradicionalmente atribuição materna e familiar, e entendido como naturalmente feminino (capacidade inatas femininas) o que influencia ainda mais nas profissionais buscarem um status profissional de forma a rejeitar as ações entendidas como maternas. A coordenadora da pesquisa alega que as professoras reclamam do tempo que “desperdiçam” com o cuidado, interpretado apenas como higiene, prevenção de acidentes e oferta de nutrientes, era acusado de “atrapalhar” o desenvolvimento da ação pedagógica, por consumir tempo dos educadores que restringem as ações educativas aos intervalos que sobravam. Em outra pesquisa se verificou que apesar do cuidado estar presente, ele era ora negado, porque tido como antiprofissional,ora visto como algo característico a condição feminina, materna. Quando o cuidado não está claramente vinculado a uma ação entendida como educativa, as professoras sentem que não estão atuando como professoras e sim exercendo função de mãe. Texto Base: Educar crianças pequenas – Em busca de um novo perfil de professores Maria Malta Campos O contexto brasileiro Somente em 1990 se universalizou o acesso ao ensino fundamental obrigatório, o que significa que hoje chegam as escolas de hoje segmentos da população que antes não tinham acesso. No entanto esses período de expansão do acesso a educação caracterizam-se por ocorrer sem garantias de condições as escolas para receber a nova população (superlotação das salas, multiplicação dos turnos de funcionamento das escolas, contratação de professores de caráter temporário). Culpabilização do professor pelos resultados negativos dos alunos, sem considerar a realidade difícil vivida por muitas escolas, e o fato de que o professor de hoje é resultado de muitas décadas de descaso com a educação, durante os quais seu salario foi rebaixado, sua carga de trabalho aumentada, a formação, aligeirada, e sua posição na sociedade, deteriorada. A profissão docente, que já havia perdido o antigo prestígio, passou a ser considerada como algo provisório, indesejada, que se aceita na falta de outra. A definição da educação infantil como primeira etapa da educação básica (resultado de mobilização social), incluindo creche, representou a extensão dos direitos a educação para a população menor de 7 anos e a consequente ampliação do mercado de trabalho para os profissionais da educação (trazer esse atendimento para a área da educação, ampliar a etapa da educação básica e estender a ensino superior ou trabalhador especializado, representou uma enorme mudança, ainda não plenamente traduzida para a pratica). O debate internacional A inclusão da creche ao sistema educacional de um país ainda não foi incluído em todo, pois se trata de uma tendência recente. Devido ao pioneirismo do Brasil, muitos especialistas internacionais observam nossas experiencias. A definição do papel da professora é de uma professora polivalente, generalista, ou seja, que se encarrega do trabalho com diferentes conteúdos – linguagem, matemática, ciências, estudos sociais, artes – de forma integrada, com um grupo de crianças. Na França a professora atua na escola maternal, que atende a faixa etária de 2 a 5/6 anos, seguindo horários e períodos letivos, semelhantes aos adotados na escola elementar. A assistente maternal (denominação para educadora de creche) embora na reforma educacional esteja condicionada ao ensino superior, continuar a fazer parte de outro campo profissional, separado da educação. Nas creches italianas depois saiu das mãos de órgão assistencial nacional e passou para as prefeituras, sua cobertura e qualidade do atendimento são bastante desiguais. Nos países escandinavos, a creche também era mantida fora da área da educação, ate recentemente. A tradição predominante é um modelo próximo ao formato doméstico, as crianças não são separadas rigidamente por idade e cujas rotinas são bastante informais, e o currículo se apoia em projeto temáticos com diferentes abordagens. No Reino Unido, as creches continuam fora da área educacional, apresentando arranjos institucionais bastante heterogêneos. A profissão de professor e a de auxiliar de classe e educador de creche ainda se permanece a cisão. No Estados Unidos, o atendimento é bastante desigual para as crianças abaixo de cinco anos, pois a maioria do serviço é paga, com exceção de alguns programas para populações pobres ou em situação de risco. Os estados possuem regulamentação própria, o que variam bastante (existe credenciamento para que profissionais atuem com um grupo pequeno de crianças na própria residência – creches familiares). Estudo comparativo sobre países desenvolvidos – tendências gerais: a) Diferenciação entre profissionais que atuam em creches e os professores da pré-escolas e escola primária; b) Crescente exigência de diploma universitário para ambos; c) Oportunidades de formação continuada mais desfavoráveis para as profissionais que estão fora da área educacional e/ou trabalham em modalidades não formais, como creches domiciliares; d) Permanência de áreas ainda não suficientemente cobertas na formação dos dois tipos de educadores. Desafios no Brasil Embora as indefinições e dificuldades não gestão e na orientação pedagógica das creches sejam comum a outros países, ao trazer a creche para o campo da educação, nossa legislação apontou para uma direção promissora, ao incluir o mesmo estatuto das demais etapas educacionais, com exigências de formação de pessoal, objetivos pedagógicos e condições de funcionamento condizentes. A creche desempenha papeis além da sua função educativa, a criança dessa faixa etária demanda um tipo de atendimento que não sei encaixa no modelo escolar (tempo em aulas centradas na condução do adulto). Portanto o modelo tradicional de professor não se ajusta a esse contexto. Seria preciso construir uma nova identidade. Registrar, analisar e refletir sobre as experiencias que se desenvolvem nas redes municipais, nas escolas de educação infantil das universidades, nas entidades conveniadas, nas escolas privadas são tarefas que podem contribuir para essa missão complexa e urgente. Texto Base: Cenas do cotidiano na educação infantil: desafios da integração entre cuidado e educação Apesar dos avanços legais e das produções acadêmicas sobre a primeira infâncias, a criança, em muitas instituições, ainda é tida como objeto de tutela e não como sujeito de direitos. Isso decorre de mesmo após a inserção das creches no sistema de educação, a visão sobre cuidado ainda se pauta na sua dimensão instrumental, como forma de tomar conta, zelar, como se fosse possível educar sem cuidar. É de fundamental importância resgatar a dimensão ética do cuidado e agir com sensibilidade para reconhecer que a criança pequena precisa de afeto e atenção em seu processo de educação. A rotina da criança do CEI A rotina como um aspecto importante das creches e pré-escolas, e que pode revelar muito sobre a instituição (sua concepção de currículo, criança e infância). Quase não há problematização da relação entre organização do tempo e as necessidades e desejos das crianças. Isso é preocupante, pois bebês e crianças pequenas carecem de maior tempo para suas aprendizagens, que ocorrem por meio de experimentação da investigação, da brincadeira e da interação com adultos e crianças. Momentos de alimentação Na CEI em questão se fazia 5 refeições diárias: café da manhã, suco, almoço, lanche da tarde e jantar. Um momento relativamente agitado, de muito barulho. Acompanhada das professoras, percebia-se que elas atribuíam pouca atenção, ou apenas para repreender algum comportamento da criança (as professoras ficavam conversando entre si). Nos momentos do café da manhã e do lanche da tarde as crianças conversavam muito umas com as outras, brincavam e as vezes se levantavam das cadeiras, mas era logo repreendida pela professora que pedia para que permanecesse sentada. A partir das 10h era servido o almoço que se iniciava com os menores (berçário) e terminava com os maiores (Minigrupos). Quando todas as crianças do grupo terminavam a refeição a sobremesa e a água eram servidas, e, em seguida, todas se dirigiam ao banheiro para realizar escovação dos dentes. Esse processo era demorada [escovação] por se tratar de crianças bem pequenas, e na maioria das vezes elas ficavam sentadas, encostadas na parede do corredor aguardando sua vez. As professoras repreendiam constantemente as crianças que se levantavam ou que brincavam nesse momento (somente uma única vez a autora presenciouuma professora cantando junto as crianças enquanto aguardavam). As refeições dos bebês eram diferenciadas, eram colocados em cadeirões, e foi possível que a autora percebessem uma maior atenção das professoras as crianças. No entanto, se mostravam atitudes severa, dando pouco acalento quando os bebês choravam ao se alimentar. O horário para a realização dessa refeição era sempre rigoroso, dificultando o atendimento as necessidades individuais (um bebe adormeceu após o passeio, as professoras guardaram seu almoço, porém não havia a possibilidade de aquece-lo. No caso relatado no ano posterior, uma criança do berçário adormeceu, e não teve seu almoço, mas sim bolacha doce, não teve nem comida, embora fria). Não se percebeu nenhum questionamento ou preocupação com a criança. Oferecer bolacha no lugar de almoço para um bebê é algo inadmissível e fere os direitos fundamentais da criança. Em face a essa questão da flexibilização de horários, a diretora se defendeu utilizando a prerrogativa de que 1) norma área de nutrição segundo o qual, após servir o almoço, as sobras devem ser descartadas, o que impossibilita guardar refeições. 2) período de almoço da equipe de cozinha, que deve ser após o almoço das crianças, depois que a equipe organiza a cozinha. Atentando- se a fato de que a supervisória havia dito não ter ciência desse fato, alegando que e função exclusivamente do diretor, o que leva a supor que o olhar burocratizado das práticas cotidianas encobre as crianças. Situações como essas evidenciam como os conflitos entre adultos- professoras, equipe de cozinha e coordenadora pedagógica – afetam as crianças, provocando a negligência de seus direitos fundamentais. O trabalho com os bebês requer delicadeza e um olhar aguado para as suas necessidades, para a efetivação de práticas humanizadora, pois as ações sem reflexão podem, mesmo sem a intenção, transformar-se em ações desumanas com as crianças. Professoras que exigem que as crianças tenham comportamento de adultos (passagem em que a professora pede para que a criança coma sozinha e para utilize a colher, pois já está “grandinha”, no entanto era uma criança de 2 anos). Embora nem todas as professoras tivesse essa mesma atitude, o seu silencio favorece que essas cenas se repitam com frequência (não há interferência na autoridade da outra, num corporativismo que desrespeita a criança, levando em conta apenas os interesses dos adultos). A respeito de algum momento da rotina que consideram não-democrático com a criança, o professor assinala justamente o das refeições – Apesar de incentivar a criança a se alimentar, esse momento não era prazeroso, por dois motivos: 1) localização inadequada do refeitório, sendo de frente ao parque, local em que as crianças queriam ficar sempre. 2) impossibilidade de o professor alimentar-se junto com as crianças, por determinação da Secretária Municipal de Educação. Acreditava que, ao realizar a refeição junto com as crianças, o professor poderia servir como estímulo para elas provarem e conhecerem diferentes alimentos, que muitas vezes rejeitavam. – Cabe ressaltar que quanto ao adulto alimentar-se com a criança é importante atentar para os riscos, pois da forma como é organizado, com as crianças almoçando com muitas crianças ao mesmo tempo e em um curto período, com um número pequeno de adultos, torna-se de fato difícil possibilitar um momento de refeição tranquilo, tanto para a professora quanto para a criança). Momento do descanso O momento de descanso é obrigatório, não se pode optar por outra atividade. No berçário todas eram colocadas nos berços, aqueles que não ficavam deitadas para dormir, as professoras pegavam no colo e ninavam ou apenas balançavam o berço. No caso das crianças maiores, todos deveriam se deitar no colchonete e permanecer em silencio, as luzes eram apagadas e as professoras ficavam com as crianças que não quisessem dormir até elas dormirem. É espantosa a facilidade com que as professoras repreendem e ameaçam as crianças. Parece não haver uma preocupação em tentar compreender as manifestações infantis. O que é grave nessas situações é a facilidade que as professoras possuem e expressam afirmações depreciativas com relação as crianças, de maneira desrespeitosa. Parece que forçar a criança a dormir, mesmo que ela não deseje, e utilizar ameaças é algo natural. Parece que não se dão conta da violência dessas práticas para a formação da personalidade da criança. Segundo Tristao, há fatores que extrapolam a posição de cada professora, nem tudo que ocorre na creche e por má vontade dos professores. Algumas vezes, as condições estruturais são realmente impeditivas. No entanto e tênue a fronteira entre os reais impedimentos estruturais e a acomodação ou o temor de fazer diferente, ou, ainda, deixar que a rotina atropele oportunidades de novas experiências. Nesse momento da rotina, tal como nos horários de alimentação, não eram respeitados os direitos fundamentais das crianças de ter seus ritmos biológicos considerados. Tendo sono ou não, todas devem dormir no mesmo horário. A especificidade do trabalho na educação infantil: a integração entre cuidado Ao analisar os motivos pelos os quais os cuidados com o corpo são marginalizados em relação as práticas pedagógicas”, Coutinho levanta duas hipóteses: 1) Herança assistencial, que acentua a proximidade entre trabalhos desenvolvidos com as crianças na instituição e o que é realizado no âmbito doméstico. 2) trata da falta de conhecimentos sobre como fazer uma prática pedagógica diferente. Além dessas motivações a autora do texto observou em sua prática o papel das emoções, carregadas de sentimentos de desvalorização por trabalharem com crianças pequenas, as professoras parecem negar inconscientemente o que é especifico nesse segmento, nessa etapa de vida em que as crianças dependem dos adultos para aprender a cuidar de si e relacionar- se com o outro. De acordo com Heloisa, a educação da emoção deve ser incluída entre os propósitos da ação pedagógica, o que supõe conhecimento íntimo do seu modo de funcionamento. As professoras questionadas sobre como escolheram sua carreira no CEI como segmento de atuação. Muitas não escolheram trabalhar na educação infantil. Muitas encontraram nessa modalidade o meio de inserir-se na carreira publica do magistério de SP. Outras prestaram o concurso e não sabia como era o trabalho e relataram o choque ao descobrir que teria de trocar as fraldas dos bebes (relato de uma professora que vomitou no primeiro dia ao trocar uma fralda e faltou três dias consecutivos ) Texto Base: Práticas Pedagógicas na Educação Infantil Marta Chaves Nas práticas escolares das instituições de ed. Infantil é recorrente a realização de atividades que envolvam apostilas ou as chamadas atividade para pintar e desenhar (nos quais, cabe a criança pintar os limites das ilustrações) conduta pedagógica esse com pouco ou nenhum sentido e significado para os escolares. Quando as situações didáticas são consideradas “livres”, os procedimentos – em geral – são fragmentados, com temáticas em sua maioria relacionadas as datas comemorativas e, por vezes, quando guardam alguma relação com a arte, essas condutas pedagógicas não têm continuidade (não sugere prosseguimento ou aprimoramento). Estudos e amparo teórico-metodológico Os pressupostos utilizados nesse projeto partem da noção de que a educação não se explica por si mesma, o que significa afirmar que os fenômenos são explicado pela organização da sociedade, assim nenhum fenômeno é compreendido isoladamente. Nesse sentido, a especificidade da organização da rotina e os procedimento didáticos apresentado e realizados pelas crianças evidencia e necessidade de considerarmos a dinâmica da sociedade capitalista na atualidade. O que ensina as crianças, de formaexplicita ou não, revela o conjunto de valores que predomina na sociedade, por exemplo, na data comemorativa do dia da mulher, é comum o professor pedir as crianças que recortem de uma revista uma imagem (revistas voltadas a vida de “famosos”) e posteriormente colar num cartaz. Prática ilustra como as vivencias das crianças estão empobrecidas, bem a gosto da sociedade capitalista nesses tempos em que a miséria se mostra cotidianamente. Partindo do pressuposto de Vygotsky, ressalta a importância da criação de necessidades. Ampliar e enriquecer suas vivencias implica, necessariamente, em não as limitar as experiencias de sua história individual e local, únicas vivencias que a sociedade capitalista lhe reservou. A educação correta e adequada, como propõe Vygotsky, deve ter como ponto de partida a humanização. Nessa perspectiva deve-se valorizar o cotidiano das crianças quando este for carregado de beleza e de arte. Semana 4: O brinquedo e a brincadeira: o ontem e hoje Texto Base: A brincadeira e suas implicações nos processos de aprendizagem e de desenvolvimento Scheila Tatiana Duarte Cordazzo e Mauro Luís Vieira Resumo: Apresentar evidencias sobre as contribuições que a brincadeira oferece ao desenvolvimento infantil e a aprendizagem no contexto escolar. Definição dos termos brinquedo, brincadeira e jogo Termos que podem facilmente ser confundidos, uma vez que a sua utilização varia de acordo com o idioma utilizada (dificuldade existentes na definição dessas palavras nas línguas francesa, inglês e portuguesa. Cada idioma possui suas peculiaridades de utilização, que as diferem entre si). Vocábulos brincar e jogar, no português há uma definição que distingue as duas ações, no inglês e no francês podem ter diversos significados, que podem se distanciar da ação lúdica infantil (francês, jouer para ações de brincar e jogar, não fazendo distinção semântica entre elas.Enquanto que no inglês, game designa o ato de jogar e se refere a jogos de regras, e que pode se confundir com o termo play, que indica brincar, a ação da brincadeira). Na língua portuguesa, segundo Baptista da Silva, os verbos brincar que indica uma atividade lúdica não estruturada e jogar, atividade que envolve os jogos de regras propriamente ditos, embora exista essa diferenciação no cotidiano a utilização de ambos, muitas vezes, se confunde. Para investigar a utilização dessas palavras no contexto social e cultural no qual se encontram e são empregados. Kishimoto conceitua o brinquedo como o objeto suporte da brincadeira. Brougère;Wajsko vão um pouco mais além, quando consideram o brinquedo um objeto cultural que, como muitos objetos construídos pelos homens, tem significados e representações que podem ser diferentes, de acordo com a cultura, o contexto e a época no qual estão inseridos os objetos. Ex: a boneca Barbie representa o padrão de beleza feminina para a atual sociedade ocidental, toda via em outra época ela poderia representar falta de saúde e raquitismo. Para Sutton- Smith, o brinquedo é o produto de uma sociedade, e como objeto lúdico da infância, possui funções sociais. Quanto a função do brinquedo, Brougère e Wajskop esclarecem que ele tem um valor simbólico que domina a função do objeto, ou seja, simbólico torna-se função do próprio objeto. Ex: a função do cabo de vassoura nas mãos de uma criança que, simbolicamente, o transforma em um cavalo. A função do brinquedo é a brincadeira. A brincadeira é uma atividade espontânea e que proporciona para a criança condições saudáveis para o seu desenvolvimento biopsicossocial. Para Vygostky a brincadeira mesmo sendo livre e não estruturada, possui regras. Para o autor todo tipo de brincadeira está embutido de regras, até mesmo o faz- de-conta possui regras que conduzem o comportamento das crianças. O brincar é essencial para o desenvolvimento cognitivo da criança, pois os processos de simbolização e de representação a levam ao pensamento abstrato. Elkonin avançando esse noção, cria a lei do desenvolvimento do brinquedo. Para esse autor o brincar passa por momentos evolutivos. A brincadeira vai de uma situação inicial, onde o papel e a cena imaginaria são explicitas e as regras latentes, para uma situação em que as regras são explícitas e o papel e a cena imaginária latentes (não aparentes). Brougère e Wajsko afirmam que a brincadeira é simbólica e o jogo funcional, ou seja, enquanto a brincadeira tem a característica de ser livre e ter um fim em si mesma, o jogo inclui a presença de um objetivo final a ser alcançado, a vitória (essas regras que já chegam prontas as mão das crianças, tem relação intima com as regras sociais, morais e culturais existentes, por exemplo, o jogo de xadrez que quanto maior o grau de poder da peça maiores as possibilidade de ações junto ao jogo). A concepção dos termos depende não somente da perspectiva utilizada pelo autor, mas também dos seus objetivos de investigação. Autores como Vygotsky, Leontiev, Elkonin, Brougère, Dias Dacci e Biscoli mantém os estudos centrados na influência que a cultura e a sociedade exercem no brincar. Tanto que afirma em seus conceitos ser a brincadeira um resultado da construção histórica e cultural da sociedade. Já, autores como Negrine, Friedmann, Bomtempo, Kishimoto e Dohme ao conceituarem brincadeira procuram identificar as suas características; não negam a influencia social e cultural do brincar, mas focam suas pesquisas principalmente em estudar as características e influencias comportamentais e desenvolvimentais da brincadeira. A influência da brincadeira no desenvolvimento infantil A brincadeira é a atividade principal da infância, não pela frequência de uso que as crianças fazem do brincar, mas principalmente pela influencia que esta exerce no desenvolvimento infantil. Leontiev diz que na atividade lúdica a criança descobre as relações existentes entre os homens, além disso a criança pode avaliar suas habilidades, e comparar com as das outras crianças. Permite apropriar de códigos culturais e de papeis sociais. Segundo Leontive, as brincadeiras mudam conforme muda a idade da criança, logo que a criança começa a falar os jogos de exercícios ( observação e manipulação dos objetos, que exploram seu meio através do sentidos) começam a diminuir e dão espaço aos jogos simbólicos. Para Vygotsky as crianças querem satisfazer certos desejos que muitas vezes não podem ser satisfeitos imediatamente. Desta forma, pelo faz de conta, a criança testa e experimenta os diferentes papeis existentes na sociedade (papai, mamãe, filhinho, trabalhador, etc). Próximo ao final desta fase, os jogos simbólicos começam a declinar porque passam a aproximar-se cada vez mais do real. O símbolo pede seu caráter de deformação lúdica e passa a ser uma representação imitativa da realidade. Inicia-se então a estrutura dos jogos de regras, que tem um ponto de partida próximo aos 6 anos e vai até o principio da adolescência. A brincadeira, simbólica ou de regras, estimula uma serie de aspectos que contribuem tanto para o desenvolvimento individual do ser quanto para o social. A brincadeira desenvolve aspectos físicos e sensoriais. Os jogos sensoriais, de exercício e as atividades físicas que são promovidas pelas brincadeiras auxiliam a criança a desenvolver os aspectos referentes a percepção, habilidades motoras, força, resistência e ate as questões referentes a termorregulação e controle de peso. Outro fator que pode ser observado na brincadeira é o desenvolvimento emocional e da personalidade da criança. Alem do prazer, as crianças também podem, pela brincadeira, exprimir a agressividade, dominar a angustia, aumentar as experiencias e estabelecer contatos sociais. Mello em sua obra constatou ao estudar crianças vitimas de violência física domestica, pela brincadeira, as crianças elaboramas experiencias traumáticas vividas, pois os conteúdos expressos no brincar tem relação com suas historias (atua como uma válvula de escape para as emoções). O jogo é uma maneira de as crianças interagirem entre si, vivenciarem situações, manifestarem indagações, formularem estratégias e, ao verificarem seus erros e acertos, poderem reformular sem punição seu planejamento e suas novas ações. É uma rica fonte de comunicação, pois até mesmo numa brincadeira solitária a criança pelo faz de conta, imagina que está conversando com alguém ou seus próprios brinquedos. Com isso, a linguagem é desenvolvida com a ampliação do vocabulário e o exercício da pronúncia das palavras e frases. A cognição e o desenvolvimento intelectual são exercitados em jogos onde a criança possa testar principalmente a relação causa-efeito. Na vida real isto geralmente é impedido pelos adultos para evitar alguns desastres e acidentes. Quando a criança está jogando em grupo faz-se necessário um planejamento que aproveite todas as possibilidades e que diminua as limitações existentes, além de exercitar técnicas e estratégias ela também ira treinar o convívio social e as diversificadas formas de como lidar com os conflitos sociais que surgem durante a execução da brincadeira. Para Isidoro e Almeida, é entre os jogos com pares semelhantes, seja na condição social ou cognitiva, que o desenvolvimento tem a sua expressão máxima. A brincadeira no contexto escolar Em estudos na população francesa Brougère verificou que os jogos mais utilizados nas escolas são os pedagógicos e os de atividade motora. O autor ainda constatou que são os professores que escolhem os materiais e o tempo para utilização destes. Na Guatemala Cooney identificou algumas barreiras que impedem a implementação da brincadeira no currículo escolar. Estas barreiras estão relacionadas com as dificuldades encontradas pelos professores, como excessivo numero de crianças em cada classe, poucos recursos disponíveis e principalmente a falta de desenvolvimento profissional que enfoque a brincadeira. No Brasil, Wajskop pesquisou as concepções dos professores sobre o brincar e verificou que a brincadeira é vista como diversão e separada da educação. Kishimoto analisando as escolas infantis de SP, a autora afirma que falta espaço, material, remanejamento dos horários e formação adequada para as professoras. Os estudos de Carvalho demonstram uma dicotomia em relação ao brincar, entre a pratica e a visão dos professores. Ou seja, o professor reconhece a importância da brincadeira, mas tem dificuldade em utiliza-la. Spodek e Saracho distinguem dois modos de intervenção por parte do professor durante a brincadeira, o participativo e o dirigido. No modo participativo a interação do professor visa a aprendizagem incidental durante a brincadeira. As crianças acham um problema e o professor, como que um membro a mais no jogo, tenta junto com o grupo encontrar a solução, estimulando estas a utilizarem a imaginação e a criatividade. No modo dirigido o professor aproveita a brincadeira para inserir a aprendizagem de conteúdo escolares e dirigir as atividades para situações não lúdicas, causando uma desvalorização do brincar, que deixa de ser espontâneo, impedindo o desenvolvimento da criatividade. Uma tendência que vem ganhando espaço é a ludoeducação que resume- se em educar através da brincadeira e descontração. Respeitando as brincadeiras, o educador poderá desenvolver novas habilidades no repertorio de seus alunos. A brincadeira nem sempre traz benefícios. Uma pesquisada realizada na Inglaterra por Peter Blatchford revelou que o tempo médio de intervalo entre as aulas vem diminuindo por decorrência do alto índice de comportamentos agressivos e de incidentes violentos que ocorrem nestes momentos. Considerando que as crianças em idade escolar tem poucas oportunidades de interação social fora da escola, desta forma a hora do intervalo nas escolas é uma das poucas ocasiões onde as crianças interagem em um ambiente seguro, livre do controle de adultos, e onde suas brincadeiras e relação sociais são mais livres. A hora do intervalo é uma oportunidade para as crianças estabelecerem amizades através da brincadeira livre. A brincadeira tem sido creditada como um papel central nas amizades. E a amizade pode ser utilizada, posteriormente, como suporte para o ajustamento escolar em habilidades comunicativas e sociais e nos trabalhos em classe. Texto Base: “Você sabe como a gente brinca? De mamãe, de pega- pega, de escolinha, de médico, de neném...” – A teoria histórico-cultural: o brincar como atividade essencial para o desenvolvimento infantil Flávia Cristina Oliveira Murbach de Barros. Semana 5: E Educação Infantil e a relação com a família e a comunidade Vídeo Aula: A educação infantil e a relação com a família e comunidade Desafio: como lidar com as crianças? → Relação entre as famílias e as professoras, um assunto delicado, sensível. Não é um relação simples, marcada por conflitos, disputam a atenção das crianças, as expectativas dos dois lados nem sempre coincidem. → O cuidar e educar quanto menor a criança, mais forte essas ações devem ser, e por que é difícil de compreensão entre os professores? – Professor se forma para dar aula, e quando se depara numa creche, cuja criança depende boa parte do tempo do cuidado, a identidade do professor entra em choque ao se deparar com tal situação. → O cuidar implica vínculos, e como se dá esses vínculos? – O vínculo começa da família, ao confiar seu filho a escola. É importante que a equipe gestora cuide da recepção/matrícula, antes mesmo da criança entrar para adaptação. Todas as ações devem ser organizadas e planejadas. → O espaço, muitas vezes frio, diferente das casas das crianças, que, no entanto, passa despercebido para os professores e demais funcionário, a estética é importante “as paridades falam” ela necessitam transpassar confiança, bem-estar. → Adaptação/inserção – as crianças começam frequentar pela primeira vez essa instituição, e nesse período a escola está voltada para o acolhimento. Até mesmo para as crianças que já estão nessa instituição (pois novas mudanças ocorreram, tais como, novo período, novo professor, nova turma/colegas). → A reunião de pais é dita como um espaço de críticas a famílias e as crianças, mas o que é? – Mais uma estratégia de acolhimento da família e participação da vida da criança. Portanto pensar estratégias em uma reunião acolhedora, através de conversa, discussão dos conselhos, bem como suas expectativas. Momentos fundamentais para conhecer essas crianças, pais e professores estão discutindo o próximo passo, como ela estão se desenvolvendo. → Toda ação da escola deve ser avaliada, pois elas vão alimentando o projeto político pedagógico. Texto Base: A relação família-escola: intersecções e desafios Cynthia Bisinoto Evangelista e Claisy Maria Marinho-Araújo A família é considerada a primeira agência educacional do ser humano e é responsável, principalmente, pela forma com que o sujeito se relaciona com o mundo, a partir de sua localização na estrutura social. Existem muitas formas de entender o conceito de família, sendo suas definições tradicionais: restrições jurídicas e legais, aproximações genealógicas, perspectiva biológica de laços sanguíneos e compartilhamento de uma casa com crianças. Para Trost, uma família se forma quando um casal se casa ou quando passa a viver na mesma casa (coabitação), ou mesmo quando uma criança nasce e é criada por apenas um dos pais solteiros (pai ou mae). Para Petzold, o critério de intimidade deve ser a variável fundamental para definir família, atenta ao fato de que mesmo os casais sem filhos são reconhecidos como uma unidade familiar. A família é um grupo social especial, caracterizadopor intimidade e por relações intergeracionais. A Constituição Brasileira (1988) reconhece como entidade familiar a união estável entre homem e mulher, ou a comunidade formada por quaisquer dois pais e seus descendentes. No entanto existem diversos conceitos, e não há um consenso adotado por todos quando se trata de tal definição, no entanto há que se privilegiar aquelas definições que comtemplam variáveis mínimas, ou básicas, do que se entende por família, pois é a partir dessas variáveis que se poderão realizar estudos e pesquisas mais amplos e representativos das relações humanas. Os modelos familiares não mais se restringem a família nuclear. Atualmente há uma diversidade de famílias no que diz respeito a multiplicidade cultural, orientação sexual e composições. Os diferentes tipos de famílias: família -homossexual ou casais homossexuais; família-extensa; famílias multigeracionais; família reconstituída ou recasada; família de mãe ou pai solteiro, casais que coabitam; viver com alguém cuidando dele. Função social da família, da escola e interdependência dos sistemas família e escola De acordo com Bock, Furtado e Teixeira, o grupo familiar tem uma função social determinada a partir das necessidades sociais, sendo que entre suas funções está, principalmente, o dever de garantir o provimento das crianças para que possam futuramente exercer atividades produtivas; bem como educa-las para que tenham moral e valores compatíveis com a cultura que vivem. A responsabilidade familiar em termos de modelo que a criança terá e do desempenho de seus papeis sociais é tradicionalmente chamada de educação primária – tarefa principal: orientar o desenvolvimento e aquisição de comportamentos considerados adequados, em termos dos padrões sociais vigentes em determinada cultura. A escola é a instituição que tem como função a socialização do saber sistematizado, ou seja, do conhecimento elaborado e da cultura erudita. Segundo Savia a escola se relaciona com a ciência e não com o senso comum. A contribuição da escola para o desenvolvimento do sujeito é especifica a aquisição do saber culturalmente organizado as áreas distintas de conhecimento. Esses dois sistemas têm objetivos distintos, mas que se interpenetram, uma vez que compartilham a tarefa de preparar crianças e jovens para a inserção crítica, participativa e produtiva na sociedade. Relação família-escola Os trabalhos e pesquisas sobre a temática relação família-escola podem ser organizados em dois grandes grupos: Enfoque sociológico e enfoque psicológico. No enfoque sociológico a relação é vista em função de determinantes ambientais e culturais. Que demonstra um certo conflito entre a organização da família e os objetivos da escola. As famílias que não enquadram no suposto modelo desejado pela escola são consideradas as grandes responsáveis pelas disparidades escolares. Faz-se necessário para o bom funcionamento que as famílias adotem as mesmas estratégias de socialização usadas pela escola. Assim as estratégias de socialização das famílias passam ser preocupação da escola, de forma que esta amplia seus âmbitos de ação, tentando assumir o tentando substituir a família em sua ampla missão socializadora. Enquanto no enfoque sociológico a família é responsabilizada pela formação social e moral do indivíduo, no enfoque psicológico ela é responsabilizada pela formação psicológica. A ideia de que a família é a referência de vida da criança – o locus afetivo e condição sine qua non de seu desenvolvimento posterior- será utilizada para manter certa ligação entre o rendimento escolar do aluno e sua dinâmica familiar, colocando mais uma vez, a família no luar de desqualificada. Nesse enfoque se naturaliza a crença de que uma “boa” dinâmica familiar é responsável pelo “bom” desempenho do aluno. Pode-se afirmar que em ambos os enfoques se destacam dois aspectos: 1) A incapacidade da família para a tarefa de educar os filhos; 2) A entrada da escola para subsidiar a tarefa, principalmente quando se trata do campo moral. A relação família-escola está permeada de culpabilização e não de responsabilização compartilhada, além de estar marcada pela existência de uma forte atenção da escola dirigida a instrumentalização dos pais para ação educacional, por se acreditar que a participação da família é condição necessária para o sucesso escolar. A quem caberia a responsabilidade de construir essa relação? Ao contrário dos professores que acreditam que os pais é que devem ir a escola mostrando-se interessados pelo desenvolvimento de seus filhos e pela relação entre família e escola, Tancredi e Reali; Caetano acreditam que a construção da parceria entre escola e família é função inicial dos professores, pois eles são elementos-chave no processo de aprendizagem, dada a formação especifica que têm. Joyce Epstein delimita um modelo, defende a existência de cinco tipo de envolvimento: a. Os pais ajudarem os filhos em casa (organizar a rotina familiar diária); b. Os professores comunicarem-se com o pais, ou seja, informar os pais acerca do regulamento interno da escola, dos programas escolares e dos progressos e dificuldades dos filhos; c. Envolvimento dos pais na escola, apoiando voluntariamente a organização de festas e alunos com dificuldades de aprendizagens; d. Envolvimento dos pais na direção das escolas, influenciando e participando da tomada de decisões, se possível. Em suma, os modelos pouco se referem as ações da escola e dos professores no sentindo de promover a relação família-escola. É importante ressaltar o posicionamento contraditório dos diretores e professores que ora acusam os pais de não participarem ativamente, não emitirem o mínimo de esforço para ajuda-los; ora consideram que os pais não sabem participar com relação de colaboração, mas sim de cobrança, uma vez que não entendem do processo de ensino-aprendizagem. A família não pode intervir em questões próprias da escola, mas a escola se sente autorizada a intervir nos problemas domésticos e lidar com eles, além de considerar apta a estabelecer os parâmetros para a participação e o envolvimento da família. Caminhos para estudar a relação família-escola A visão da escola Conhecer o que os professores concebem a respeito das famílias de seus alunos. Nas pesquisas abordadas pela autora, sugere um desconhecimento, por parte dos professores, das características das famílias atendidas, ou uma imagem estereotipada (descrições feitas carregadas de conotação negativas e preconceituosas). Na visão de alguns professores o modelo de família idealizada é aquela que oferece suporte, aconchego e que tem funções diferentes para cada fase da vida. Segundo Reali e Tancredi, as famílias não são vistas pelo professor como parceiras que tem objetivos comuns, apesar de estas se mostrarem conscientes do importante papel da escolarização na vida dos filhos, e de estarem dispostas a contribuir com a escola. Na concepção dos professores, o apoio dos pais se resume a reforçar aquilo que o professor realiza e pede as crianças, ao invés de sugerir que os pais poderiam se envolver mais com questões escolares de maneira mais participativa e recíproca. Quanto as dificuldades encontradas no estabelecimento de relações harmoniosas, destaca-se que geralmente o contato estabelecido com as famílias é unidirecional (parte da escola para a família) e motivada por situações de baixo rendimento escolar e de mau comportamento dos alunos. Outro membro da comunidade que está envolvido na relação família-escola é o psicólogo escolar. Pesquisas realizadas apontaram que a escola é que determina os tipos e a frequência das oportunidades de participação dos pais, e que a atuação dessas psicólogas se restringe principalmente a orientação aos pais, levando a reflexão de que o psicólogoparece não estar investindo em inovações para possibilitar ou melhorar esta relação. A visão dos pais Conhecer a concepção dos pais sobre a relação família e escola. Nas pesquisas, identificaram que para os pais, o envolvimento deve ser de responsabilidade e iniciativa da escola, enquanto o papel deles seria complementar as metas educacionais da escola. Para os pais, o envolvimento refere-se a uma forma de participar intensamente de atividades relacionadas ao ensino aprendizagem, tanto em casa quanto na escola, adotar procedimentos para auxiliar os filhos (deveres de casa, leitura de livros, jogos educativos). A visão dos alunos Estudo realizado junto a estudantes do ensino médio, revelou que eles veem a relação da família e escola de maneira muito negativa. Para os alunos, a cobrança quanto ao rendimento escolar é uma questão bastante presente; a questão do diálogo entre a família mostra-se comprometida, pela não liberdade com os pais, ou pela falta de tempo dos pais. Em pesquisa realizada no DF aponta que na visão dos alunos há um decréscimo da participação dos pais nas atividades programadas pelas escolas, havendo uma diminuição da sua participação, conforme o aluno avança na série, sua participação vai se limitando. Polonia destaca que alunos da 8ª serie se sentem mais responsáveis pela intermediação (entregar bilhetes, avisos e informes), enquanto os alunos da 1ª serie se sentem mais responsáveis pelo estímulo a participação (contar mais sobre as atividades feitas na escola, solicitar participação dos pais). Texto Base: Escola – família – comunidade: Uma relação para o sucesso educativo Maria Martins de Sousa e Teresa Sarmento Semana 6: A articulação da Educação Infantil com o Ensino Fundamental Vídeo aula: A articulação da Educação Infantil com o Ensino Fundamental Como podemos fazer as crianças da ed. Infantil conhecer o que é educação fundamental. – Essa transição muitas vezes é complexa, a escola fundamental tem sido vista como “de verdade”, e a infantil onde as crianças vão para “brincar” como se o brincar não fizesse parte da aprendizagem que ocorre. Os relatos de adultos, pais e ate mesmo professores falam a essas crianças o quão difícil é o fundamental (o fato de ter que só estudar e fazer atividades) o que as deixa apreensivas para essa mudança. Essa transição pode ser facilitada através de projetos, aluno da ed. Infantil e fundamental, vão as escolas de ens. Fundamental para conhecer esse espaço, as pessoas, que existem crianças maiores, participando de atividades. O que significou para as crianças entrarem mais cedo no fundamental, aos 6 anos? A ideia era trazer um pouco da ed. Infantil para a ed. Fundamental, no entanto as redes não estavam preparadas. Texto base: Contribuições da Pedagogia da Infância para a articulação entre educação infantil e anos iniciais do ensino fundamental Gabriela Medeiros Nogueira e Suzane da Rocha Vieira Pedagogia da Infância: concepção educativa que considera o direito das crianças a educação como premissa para suas práticas pedagogias a partir de seus interesses e necessidades. Prioriza o respeito ao direito de ser criança para além das fronteiras institucionais. Segundo Campos, nessa nova organização adotada, não houve garantia de condições de infraestrutura, formação docente, diminuição de numero de alunos por turma, adaptação de currículo e materiais didáticos, entre outras, que permitissem uma transição menos acidentada para o novo formato, pelo contrário, criou-se novos problemas que se somam aqueles mais antigos e ainda não superados na ed. Básica do país. As professoras relatavam estar satisfeitas com a possibilidade de ter mais 2 anos para a alfabetização dessas crianças, crianças de 6 anos com essa nova organização. Uma proposta que tem como objetivo preparar a criança para ingressar no 1º ano antecipa práticas e rotinas especificas do Ens. Fundamental. Tal antecipação é considerada indesejável na resolução que define as Diretrizes Curriculares Nacionais para a Educação Infantil. A visão de que a educação infantil tem o papel de socializar a criança é criticado por Sarmento, pois tão conceito de socialização, inspirado por Durkheim, compreende a criança como um ser “pré- social” e, portanto, passível de um processe de inculcação de valores, normas de comportamento e de saberes, no entanto as crianças são seres sociais plenos, dotados de capacidade de ação e culturalmente criativos. Seguindo a perspectiva, Cohn destaca que essas práticas de socialização de que falam tem como objetivo a inserção dos indivíduos em categorias sociais que conformam um sistema, recusa- se as crianças, portanto, uma parte ativa na consolidação e definição de seu lugar na sociedade. Corsaro contrapondo esses modelos da sociologia tradicional (determinista) propõe o modelo de reprodução interpretativa, que considera a socialização como um processo de apropriação, reinvenção e reprodução, essa perspectiva tem por base o reconhecimento da importância da atividade coletiva e conjunta. Ao se falar em Pedagogia da Infância, não há o intuito de se apropriar dos objetivos e características da ed. Infantil para os anos iniciais ed. Fundamental, mas sim que cada uma das etapas possa acolher as crianças que nelas ingressam. A infância no senso comum pode estar associada a Ed. Infantil, que faz atendimento de crianças de 0 a 6 anos de idade, no entanto, o ECA define que infância compreende crianças de 0 a 12 anos. A Pedagogia da Infância envolve a sensibilidade da escola e professores para compreenderem e incorporarem a cultura infantil em seu projeto pedagogia, estejam atentos as falas, sentimentos e brincadeiras das crianças, possam desenvolver uma prática educativa mais interessante. Estudo realizado por Vieira mostrou que a maioria dos cursos de graduação em Pedagogia, quando se tratava da habilitação para a Ed. Infantil ele era voltado para ludicidade, e valorização da infância. Já no que tange a formação para os anos iniciais do Fundamental, voltadas para a escolarização, práticas que valorizavam mais conteúdos conceituais do que os interesses e necessidades das crianças nessas etapas. Texto Base: BNCC: Um currículo integrador da infância brasileira? Suely Amaral Mello Silva e Greice Ferreira da Silva Semana 7: Profissionais da Educação Infantil Vídeo aula: Profissionais da Educação Infantil Professores recém-formado chega no trabalho e não reconhece aquele espaço, não está habituado com aqueles métodos. Tempos e espaços, questões ligadas ao corpo, autonomia da crianças, as famílias são distintos. Algumas crianças inteiramente dependente dos adultos, outras já independentes. Lidar com essa multiplicidade é extremamente complexo para o professor iniciante na carreira. Como dar conta dos desafios profissionais? A formação inicial traz uma semente. Mas no contexto do trabalho e da formação continuada é que são princípios fundantes e fundamentais para a formação desse professor. A proposta inicial, a atividade, embora planejada, não deve estar atada, presa, ela deve fluir, pois a criança possui um tempo próprio. Como se deu a preocupação com a formação dos professores? Na perspectiva história isso é recente, a partir dos anos 70, teremos 3 modelos: medico-higienista, modelo assistencialista e modelo escolarizante (antecipatório do ensino fundamental) e aquele que prima pela qualidade de acesso dessas crianças (qualidade social), elas não veem para serem tratadas, cuidadas, mas sim possui as propostas pedagógicas. Profissionalização como isso acontece? Não se dá por uma única via de acesso, é fundamental o dialogo das pesquisas em universidade é fundamental, a formação continuada é o segredo, também precisa ser incentivado que esse professor procuree se interesse, esteja disposto, portanto precisamos de politicas públicas, investimentos. Quais conteúdos que não podem faltar/ fundamentais? Entender os tempos das crianças, acesso ao currículo que está se trabalhando, e dentro da perspectiva é preciso haver planejamentos, e repensar a prática em busca de melhorias. As trocas de gestões dão a sensação de lacuna ao professor. Texto base: Professoras de educação infantil e saber docente Ligia Leão de Aquino A formação profissional das pessoas que lidam diretamente com as crianças (educadoras) vem sendo identificada como fator fundamental, dessa forma identifica-se uma tendência mundial de implementar programas de elevação do grau de escolaridade e qualificação profissional específica para esses profissionais. Quem faz educação infantil? Até recentemente com a falta de uma disposição legal, se utilizavam o trabalho de pessoas sem formação específica ou mesmo sem escolaridade básica. Sendo assim, na Ed. Infantil foi um contingente diverso em sua escolaridade. Entretanto na legislação atual as instituições contam num prazo limite ate 2007 para que todos os seus professores tenham pelo menos o curso normal de nível médio. A formação deve ser entendida como um dever e um direito desse profissional O saber docente como uma categoria de análise Reconhecer os professores como principais atores e mediadores da cultura, implica também em reconhecê-los como sujeitos do conhecimento, rompendo as concepções que o identificam como um mero técnico que apenas reproduz o que os especialistas produziram – ora como uma agente social determinada exclusivamente por forças sociais. Tais visões, que desvalorizam os saberes dos professores, tem um caráter político que se evidencia ao longo da história da educação: “seja como corpo eclesial ou como corpo estatal, os professores sempre estiveram subordinados a organizações e a poderes maiores e mais fortes que eles, que os associavam a executores”. A situação de profissionais da ed. Infantil é mais frágil e propensa a desvalorização se compara aos professores dos demais segmentos – no imaginário social, esses profissionais não precisam ser identificados como docentes, e com a exigência da formação, muitos que trabalhavam juntos as crianças passaram a condição de professor leigo. Tipos de saberes descritos por Tardif – saberes da formação profissional: ciências da educação e ideologia pedagógica saberes das disciplinas; as áreas do conhecimento saberes curriculares: objetivos, conteúdos e métodos. Tardif reconhece uma dimensão pessoal na prática doente, mas identifica também uma dimensão coletiva. Embora seja um saber pratico, pautado, portanto, na experiencia pessoal, caracteriza-se por aquilo que denominou de “episteme cotidiano”, que se trata do entendimento comum o qual serve de bases aos nossos argumentos. Resultado num saber intersubjetivo. O saber intersubjetivo é uma construção coletiva, de natureza linguística, oriunda de discussões, de trocas discursivas entre seres sociais, é uma produção resultante da relação com o outro e para o outro. Como o saber docente resulta de sua prática, de sua experiencia pessoal e coletiva, os professores, leigos ou não, na atividade cotidiana do fazer pedagógico vão elaborando seus conhecimentos, valores, atitudes e hábitos. Assim, mesmo quando o professor frequentou ou frequenta cursos de formação previa e continuada, os saberes adquiridos fora da dinâmica de sala de aula só serão adotados, caso sejam validados pelas situações cotidianas da ação docente. O que é comum a todos os professores, independente do segmento educacional? Para Tardif, um professor é aquele que sabe alguma e que cuja função é transmitir isso ao outro. Ampliando esse conceito numa perspectiva construtivista, não se trata de transmitir, mas também de apropriar e reconstrução pessoal e coletiva de conhecimentos socialmente valorizados. Piaget redimensionou o papel do professor ao defende a importância dos chamados métodos ativos no ensino, proporcionando a possibilidade de conhecimento de modo que seja reinventada pelo aluno, reconstruída e não simplesmente transmitida, e que requer que o professor deixe de ser um conferencista, que estimule a pesquisa e o esforço. Ainda, em relação a função do docente, Piaget vai reconhecer a importância do professor como alguém que dispõe de conhecimentos historicamente produzidos e proporciona condições para que a criança possa se apropriar de tais conhecimentos. Vygotsky dispõe um valor especial para a transmissão cultural, e sobretudo ao ensino (educar com intencionalidade e método sistematizado), pois nele reconhecia que a educação escolar deveria adotar uma pedagogia que guiasse o desenvolvimento da criança em direção as funções em processo de amadurecimento, em vez de se limitar a trabalhar apenas baseado naquilo que a criança já é capaz de fazer. Para Vygotsky o desenvolvimento humano, ocorre em dois níveis: o nível de desenvolvimento real (aquilo que se é capaz de realizar sozinho) e o nível de desenvolvimento potencial (aquele no qual o sujeito é capaz com suporte de outro mais experiente). A distancia entre os dois níveis é chamada de Zona de Desenvolvimento Proximal – ZDP – que se dá pela mediação dos outros sociais e são ferramentas psicologias corporificadas numa outra pessoa, no signo, na brincadeira e nas situações de ensino, por exemplo. Vale ressaltar que nessa concepção, nos anos pré-escolares esse processo se dá, predominantemente, através de brincadeiras. Schön ao analisar a crise da educação, que é essa acusação constante de que a escola não dialoga com as necessidades da sociedade, percebeu que essa situação é alimentada pela crise de “confiança no conhecimento profissional”, segundo o autor, essa crise é devido ao conflito existente entre dois tipos de saberes : saber escolar e a reflexão-na-ação dos professores e alunos. O saber escolar é organizado por categorias e hierarquizado do mais simples para o mais complexo, é um saber que dever ser de domínio do professor para ser transmitido aos alunos. Como um saber considerado “certo, factual e categorial”, é também privilegiado, pois se aluno apresentar dificuldade em aprendê-lo, é encarado como problema do aluno e não no saber ensinado. Reflexã-na-ação, ocorre quando o sujeito se surpreende com determinado fenômeno ou evento, “reflete” sobre este, “reformula o problema suscitado pela situação” e, finalmente, “testa sua nova hipótese”. Esse processo, muitas vezes, não tem condições de se dar no espaço educacional, pois o sistema de ensino, em geral, tem uma organização muito burocratizada, não oferecendo tempo e espaço, nem reconhecendo a possibilidade e necessidade de reflexão dos professores e alunos. Por isso, surge o conflito entre o saber escolar e a reflexão-na-prática, o que resulta na dificuldade de estabelecer pontes entre os conhecimentos escolares e o “conhecimento-na- ação”, tanto para professores como para os alunos. Ao refletir durante a ação, a prática docente precisa realizar uma reflexão posterior a ação, a qual Schön definiu como “reflexão sobre a reflexão-na-ação”, que exige o uso de palavras, é uma ação, uma observação e uma descrição. Mas, para se procede de tal reflexão, deve-se aceitar a possibilidade do diferente, da multiplicidade de respostas, do erro e da confusão. Essa reflexão produz um tipo de saber refletido, crítico que possibilita recriar a própria prática. Ao considerar essas formas de reflexão, Schön completa sua análise sobre a prática docente, afirmando que esta deve envolver três tipos de saber: “saber”, “saber-fazer” e “saber explicar o que faz”. Os três saberes se completam-se e constituem o pensamento pratico do professor. Contextualizando a perspectiva docente na educaçãoHá um intenso debate a respeito da função da creche e da pré- escola. Por um lado, tem sido afirmada a função educacional sem, entretanto, nega a função assistencial (cuidar). Nesse sentido, não basta criticar o modelo educacional que tem predominado nas escolas e unidades de Ed. Infantil. Não basta dizer que os educadores da Ed. Infantil não são professores como os do Ens. Fundamental, nem que a ação pedagógica da creche e pré-escola não deve ter um currículo organizado por disciplinas. Kuhlmann Jr critica essa postura de querer estabelecer distinção entre Ed. Infantil e Ens. Fundamental em termos de oposição, para o autor tal atitude revela um descompromisso com a criança que ingressa no Ens. Fundamental. A nossa preocupação com o bem- estar da criança na Ed. Infantil para que não sofre práticas compartimentadoras deve existir de igual forma para com os alunos do Ens. Fundamental, porque não deixam de ser crianças. Por outro lado, a o risco desse discurso ser apropriado por professores e demais profissionais, mas suas praticas podem permanecer intactas porque foram naturalizadas (aceitar a teoria, sem modificar a prática). A relação possível entre a Ed. Infantil e os saberes das disciplinas é de que estes sirvam como repertorio e ferramenta dos professores para compreender e alimentar as ações das crianças em sua interação como mundo natural e cultural.