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Ética organizacional Apresentação De acordo com Ashley (2005), o conceito de responsabilidade social corporativa vem amadurecendo quanto à capacidade de sua operacionalização e mensuração. Essa afirmação pode ser comprovada quando observamos a quantidade e a qualidade dos diversos instrumentos desenvolvidos nesses quase 30 anos de evolução do conceito de gestão empresarial responsável, de indicadores a modelos de relatórios, de acordos voluntários a certificações. Dessa forma, as organizações que implementam a ética se destacam pela excelência e promovem a motivação e a satisfação de seus colaboradores. Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai ver as aplicações éticas relativas à atividade organizacional, bem como alguns conceitos e aplicações no mundo prático. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Reconhecer valores que circundam uma boa relação organizacional.• Construir uma identidade interessante para a prática organizacional.• Identificar questões interessantes para a construção de uma relação organizacional ética.• Infográfico Nenhuma empresa pode ser ética se a alta administração dela não transmite uma cultura baseada em premissas éticas. O ponto de partida é, portanto, a vontade da alta administração de estabelecer objetivos, políticas, normas e padrões éticos a serem adotados pela organização. Algumas chegam a definir e divulgar um código de ética a ser seguido por todos os que dirigem e trabalham na empresa, mas, se há um código explícito, deve ser obedecido. Neste Infográfico, você vai observar como a ética organizacional é importante para a boa saúde das relações na empresa. Conteúdo do livro Por que é tão importante que os gerentes e as pessoas em geral ajam de maneira ética e combinem a busca de seus interesses com a consideração dos efeitos de suas ações sobre os outros? Para saber mais, leia os capítulos O desafio de um gerente e Por que os gerentes devem se comportar de maneira ética? da obra Administração contemporânea, que serve como base teórica para esta Unidade de Aprendizagem. Boa leitura. ad m in is tr aç ão C O N T E M P O R Â N E A G A R E T H R . J O N E S J E N N I F E R M . G E O R G E Q U A RTA E D I Ç Ã O Administração Contemporânea Tradução da Quarta Edição ISBN 978-85-86804-72-4 A reprodução total ou parcial deste volume por quaisquer formas ou meios, sem o consentimento, por escrito, da editora é ilegal e confi gura apropriação indevida dos direitos intelectuais e patrimoniais dos autores. Copyright © 2008 by McGraw-Hill Interamericana do Brasil Ltda. Todos os direitos reservados. Av. Brigadeiro Faria Lima, 201, 17.º andar São Paulo – SP – CEP 05426-100 Copyright © 2008 by McGraw-Hill Interamericana Editores, S.A. de C.V. Todos os direitos reservados. Prol. Paseo de la Reforma 1015 Torre A Piso 17, Col. Desarrollo Santa Fé, Delegación Alvaro Obregón México 01376, D.F., México Tradução da quarta edição em inglês de Contemporary Management Publicada pela McGraw-Hill Irwin, uma unidade de negócios da McGraw-Hill Companies, Inc. 1221 Avenue of the Americas, New York, NY 10020 Copyright © 2006, 2003, 2000, 1998 by The McGraw-Hill Companies Inc. ISBN: 0-07-286082-0 Editoras de Desenvolvimento: Marileide Gomes e Gisélia Costa Supervisora de Produção: Guacira Simonelli Preparação de Texto: Marise Goulart/Adriana Rinaldi Design de Capa: Asylum Studios Diagramação: Formato Comunicação Ltda. A McGraw-Hill tem forte compromisso com a qualidade e procura manter laços estreitos com seus leitores. Nosso principal objetivo é oferecer obras de qualidade a preços justos, e um dos caminhos para atingir essa meta é ouvir o que os leitores têm a dizer. Portanto, se você tem dúvidas, críticas ou sugestões, entre em contato conosco — preferencialmente por correio eletrô- nico (mh_brasil@mcgraw-hill.com) — e nos ajude a aprimorar nosso trabalho. Teremos prazer em conversar com você. Em Portugal use o endereço servico_clientes@mcgraw-hill.com. J77a Jones, Gareth R. Administração contemporânea [recurso eletrônico] / Gareth R. Jones, Jennifer M. George ; tradução: Maria Lúcia G. L. Rosa ; revisão técnica: Alexandre Faria. – 4. ed. – Dados eletrônicos. – Porto Alegre : AMGH, 2011. Editado também como livro impresso em 2008. ISBN 978-85-63308-86-3 1. Administração. I. George, Jennifer M. II. Título. CDU 005“19” Catalogação na publicação: Ana Paula Magnus – CRB 10/2052 Como os gerentes, em setores problemáticos, podem promover o crescimento organizacional e a efetividade? A PAETEC Communications é uma empresa privada de telecomunicações de banda larga que fornece serviços locais, de longa distân- cia, dados e Internet em 27 mercados nos Estados Unidos.1 Em 1998, quando a PAETEC foi fundada, tinha menos de 20 funcionários e receitas de apenas $ 150.000. Por volta de 2004, tinha mil funcionários e $ 360 milhões em receitas.2 Além disso, essa taxa fenome- nal de crescimento ocorreu durante um perío- do em que o setor de telecomunicações per- deu mais de 500.000 empregos.3 A trajetória surpreendente de crescimento da PAETEC não ocorreu sem ser notada. Recentemente, a empresa foi classificada em segundo lugar na lista Fast 500, da Deloitte Technology, que classifica as 500 empresas de crescimento mais rápido no setor de tecnologia na Amé- rica do Norte. Empresas como a Yahoo e a eBay estrearam nessa lista quando inicia ram suas atividades.4 O crescimento e o progresso permanente da PAETEC são um tributo aos valores de seus cinco fundadores e à cultura criada por eles. Em particular, Arunas Chesonis, um dos funda- dores e atual CEO, garante que os valores da PAETEC são sustentados na medida em que são utilizados para orientar a maneira como ele administra o dia-a-dia. O resultado é uma força de trabalho satisfeita, motivada e fiel cujos membros desenvolveram uma abordagem singular e distinta à maneira como desempenham suas ativi- dades.5 Um princípio abrangente na PAETEC é “Os funcio- nários em primeiro lugar”.6 Isso não significa que a PAETEC não se importa com os clientes. Nada pode- ria estar mais longe da ver- dade. Chesonis acredita que quando uma empresa cuida bem de seus funcio- nários, estes cuidarão bem de seus clientes. Para Che- sonis, colocar funcionários em primeiro lugar significa ajudá-los a ter um trabalho e uma vida fami- liar equilibrados e prósperos, oferecendo-lhes o reconhecimento e a admiração merecidos e estimulando a comunicação aberta e a coope- ração.7 Chesonis também acredita que todos os funcionários devam ser tratados com respeito e igualdade. O Desafio de um Gerente Os Funcionários Têm Prioridade na PAETEC O fundador da PAETEC e atual CEO, Arunas Chesonis, acredita que quando uma empresa cuida bem de seus funcionários, estes cuidarão bem de seus clientes. 76 Capítulo Três Como qualquer pessoa, Arunas Chesonis tem sua personalidade mar- cante e distinta, valores, maneiras de ver as coisas e desafios e falhas pessoais. Neste capítulo, analisaremos o gerente como um ser humano que sente e pensa. Começaremos descrevendo as características duradouras que influenciam a maneira como os gerentes “gerenciam”, bem como de que modo eles vêem as outras pessoas, suas organizações e o mundo que os cerca. Discutiremos também como as ati- tudes, os valores e os humores dos gerentes se manifestam nas organizações, definindo a cultura organizacional. No final deste capítulo, você terá uma boa avaliação de como as características pessoais dos gerentes influenciam o processo de administração em geral e a cultura organizacional em particular. Os gerentes na PAETEC não recebem rega- lias especiais e são mantidos diferenciais de salários relativamente baixos entre gerentes e não-gerentes. Chesonis anda diariamente pela sede da PAETEC em Rochester, Nova York, conversando com funcionários, respondendo a perguntas e reconhecendo realizações. Estas também são reconhecidas por meio dedois tipos de recom- pensas especiais, o Maestro Awards e o Chair- man Awards. Os Maestro Awards de opções de compra de ações são dados em reconhecimento a realizações excepcionais de um funcionário. Aqueles que sustentaram níveis de desempe- nho extraordinários recebem o Chairman Award, um prêmio de $ 5.000 que pode incluir um reló- gio Rolex ou férias de luxo. As contribuições de todos os funcionários são reconhecidas com um bônus anual de 10%.8 A PAETEC paga cerca de $ 3,5 milhões em bônus por ano.9 Chesonis também nutre uma cultura de cola- boração e comunicação aberta em que todo fun- cionário se oferece voluntariamente para ajudar, quando necessário. Espera-se que os funcioná- rios dividam seu conhecimento e Chesonis luta para eliminar as fronteiras entre departamentos e unidades. Em concordância com essa cultura, a cada duas semanas Chesonis faz uma ligação em conferência com toda a empresa, em que ele partilha informação atualizada com funcionários e solicita e responde perguntas. Com freqüência, as informações que ele transmite são do tipo que os gerentes em outras empresas raramente, ou nunca, compartilhariam com seus funcionários.10 Ele também reconhece que os funcionários na linha de frente estão freqüentemente em melhor posição para sugerir aprimoramentos e desenvol- ver novos serviços e maneiras de oferecê-los. Por exemplo, Mike Meath, um funcionário do Network Operations Center, veio com a idéia de um ser- viço roteador administrado, por meio do qual empresas (isto é, os clientes da PAETEC) pode- riam manter a voz e os serviços de dados de seus clientes remotamente. Meath apresentou a idéia à sua equipe, esta a implementou e o novo ser- viço aumentou as receitas em $ 50.000 em seus seis primeiros meses. A contribuição de Meath à PAETEC foi reconhecida com um Maestro Award.11 Embora Chesonis esteja direcionado à pros- peridade e motivação daqueles à sua volta para terem, igualmente, altas aspirações, ele tam- bém valoriza a vida familiar e a necessidade de “diversão”. Chesonis tem sido descrito como um “homem fanático pela família”, e nomeou a empresa com as iniciais dos nomes de sua esposa e filhos (P de sua esposa Pam; A, E, T e E de seus filhos, Adam, Erik, Tessa e Emma; e C de Chesonis). Os funcionários podem deixar de trabalhar o tempo que precisarem, sem per- der a remuneração, para resolver emergências e casos de doença de familiares.12 A PAETEC também comemora datas festivas com festas para os funcionários, suas famílias e clientes. No Halloween, por exemplo, os funcionários se fan- tasiam e seus filhos vão de escritório em escritó- rio brincando de travessuras ou gostosuras. Os passeios são planejados, como uma gincana em torno de Rochester que culmina com um jantar e um open bar, para que os funcionários possam passar um dia num evento social.13 Os valores de Chesonis e a cultura da PAETEC enfatizam colocar os funcionários em primeiro lugar. Essa abordagem centrada no funcionário faz sentido para os negócios. Os funcionários na PAETEC realmente querem que a empresa con- tinue a crescer e a ter sucesso. Eles estão alta- mente motivados e comprometidos em fornecer o melhor serviço possível a seus clientes.14 Visão Geral Ética e Responsabilidade Social 127 Por que os Gerentes Devem se Comportar de Maneira Ética? Por que é tão importante que os gerentes e as pessoas em geral ajam de maneira ética e combinem a busca de seus interesses com a consideração dos efeitos de suas ações sobre os outros? A resposta é que a busca incansável dos próprios inte- resses pode levar a um desastre coletivo quando uma ou mais pessoas começam a lucrar ao ser antiéticas, porque isso encoraja outras pessoas a agir do mesmo modo.22 Rapidamente, um número cada vez maior de pessoas adere e, em pouco tempo, todos estarão tentando manipular a situação da maneira que melhor atenda a seus fins pessoais, sem considerar os efeitos da ação sobre os outros. A situação causada pelo Napster é um exemplo de como o que é chamado de “tra- gédia dos bens comuns” (tragedy of the commons) funciona. Suponhamos que em uma comunidade agrícola exista a terra comum, que todos têm igual direito de usar. Buscando interesses próprios, cada produtor usa ao máximo os recursos livres, tal como o pasto para seu próprio gado e ovelhas. Coleti-vamente, todos os produtores usam demais a terra como pasto, a qual, rapidamente, se esgota. Então, um vento forte sopra no solo exposto e a terra comum é destruída. A busca do interesse individual sem consideração pelos interesses sociais leva ao desastre de cada indivíduo e de toda a sociedade, porque recursos escassos são des-truídos.23 No caso do Napster, a tragédia resultante do fato de todas as pessoas rou-barem mídia digital seria o desaparecimento das gravadoras, dos estúdios de filma-gem e das editoras, pois as pessoas da criação não encontrariam razão para trabalhar tanto e produzir músicas, histórias originais e assim por diante. Podemos examinar os efeitos do comportamento antiético no comércio e na atividade empresarial de outra maneira. Suponhamos que as empresas e seus gerentes operem em uma sociedade antiética, ou seja, em uma na qual os stakeholders costumam tentar trapacear e fraudar uns aos outros. Se os stakeholders esperam que os demais os trapaceiem, quanto tempo levará para eles negociarem a com-pra e o envio dos produtos? Quando não confiam uns nos outros, os stakeholders provavelmente gastarão horas negociando preços justos e esta é, em grande parte, uma atividade improdutiva, que reduz a eficiência e a efetividade.24 Todo o tempo e o esforço que poderiam ser gastos na melhoria da qualidade do pro- duto ou do atendimento ao cliente serão perdidos em negociações e barganhas. Assim, o comportamento antiético arruína o comércio, e a sociedade tem um padrão mais baixo de vida porque menos bens e serviços são produzidos, como ilustra a Figura 4.3. 128 Capítulo Quatro Figura 4.3 Alguns Efeitos do Comportamento Ético e Antiético confiança A confiança e a fé de uma pessoa na boa vontade de outra pessoa. Por outro lado, suponhamos que as empresas e seus gerentes operem em uma sociedade ética, onde um stakeholder acredita estar lidando com outros tão morais e honestos quanto ele. Nessa sociedade, os stakeholders têm uma razão maior para confiar uns nos outros, o que significa que eles têm mais confiança e fé na boa vontade do outro. Quando existe confiança, é mais provável que os stakeholders sinalizem suas boas intenções colaborando e fornecendo informações que facili- tem a negociação e a fixação do preço de bens e serviços. Quando uma parte age assim, isso encoraja os outros a agir da mesma maneira. Com o tempo, a maior confiança entre os stakeholders permitirá que o trabalho conjunto seja mais efi- ciente e efetivo, e isso aumentará o desempenho da empresa (ver Figura 4.3). À medida que as pessoas vêem os resultados positivos de agir com honestidade, o comportamento ético torna-se uma norma social valorizada e a sociedade em geral torna-se cada vez mais ética. De acordo com o Capítulo 1, uma das principais tarefas dos gerentes é proteger e zelar pelos recursos sob seu controle. Qualquer stakeholder da organização — gerentes, trabalhadores, acionistas, fornecedores — que coloca seus próprios inte- resses na frente, comportando-se de maneira antiética com os demais, seja tirando recursos ou negando recursos aos outros, desperdiça os recursos coletivos. Se outros indivíduos ou grupos imitarem esse comportamento antiético (“Se ele pode fazer isso, nós também podemos”), a má utilização dos recursos coletivos aumentará, e Aumenta o Padrão Nacional de Vida, o Bem-Estar e a Prosperidade Reduz o Padrão Nacional de Vida, o Bem-Estar e a Prosperidade Comportamento Ético Aumenta a Eficiência e a Efetividade da Produção e do Comércio Aumenta o Desempenho a Empresa Comportamento Antiético Reduz a Eficiência e a Efetividade da Produção e do Comércio Reduz o Desempenhoda Empresa Ética e Responsabilidade Social 129 poucos recursos poderão restar para a produção de bens e serviços. O comporta- mento antiético que não é punido incentiva as pessoas a colocar seus interesses próprios acima dos direitos dos outros.25 Quando isso acontece, os benefícios de se juntar em organizações desaparecem muito rapidamente. Um salvaguarda importante contra o comportamento antiético é o potencial para a perda da reputação.26 A reputação, a estima ou a alta consideração que os indivíduos ou organizações obtêm quando se comportam de maneira ética é um bem valioso. Os stakeholders têm reputações valiosas que devem proteger porque sua capacidade de sobreviver e obter recursos no longo prazo depende da maneira como eles se comportam diariamente, semanalmente, mensalmente. Se um gerente utiliza mal os recursos e as outras partes acham que esse com- portamento está em desacordo com os padrões aceitáveis, a reputação do gerente sofrerá. Comportar-se de maneira antiética pode, no curto prazo, causar sérias conseqüências no longo prazo. Um gerente que tem uma reputação ruim terá dificuldade para encontrar emprego em outras empresas. Os acionistas que vêem os gerentes se comportando de modo antiético podem se recusar a investir em suas empresas, o que diminuirá o preço das ações, prejudicará a reputação da empresa e, finalmente, colocará em risco o emprego dos gerentes.27 Todos os stakeholders têm uma reputação a perder. Fornecedores que oferecem insumos de qualidade inferior percebem que, com o tempo, as organizações dei- xam de fazer negócio com eles e, eventualmente, eles poderão perder os negó- cios. Os clientes poderosos, que exigem preços ridiculamente baixos, percebem que seus fornecedores tornam-se menos dispostos a negociar com eles, e final- mente acabam tendo mais dificuldade para obter os recursos. Os trabalhadores que evitam responsabilidades no trabalho têm mais dificuldade em conseguir novos empregos quando são demitidos. Em geral, se um gerente ou empresa for conhecido por ser antiético, os stakeholders provavelmente verão esse indivíduo ou organização com suspeita ou hostilidade, e a reputação de ambos será prejudi- cada. Mas, se um gerente ou empresa é conhecido por práticas éticas, cada um deles obterá uma boa reputação.28 Em resumo, em uma sociedade complexa, diversa, os stakeholders e as pessoas em geral precisam reconhecer que fazem parte de um grupo social maior. A maneira como tomam decisões e agem não só os afeta pessoalmente, mas também afeta as vidas de muitas outras pessoas. O problema é que, para algumas pessoas, sua luta diária para sobreviver e ter sucesso ou sua total desconsideração pelos direitos dos outros podem levá-las a perder aquela conexão “maior” com as outras pessoas. Nesse caso, nossas relações com familiares e amigos, com nossa escola, igreja e assim por diante. Precisamos sempre ir além e lembrar os efeitos de nos- sas ações sobre as outras pessoas — pessoas que estarão julgando nossas ações e a quem poderíamos prejudicar agindo de maneira antiética. Nossos escrúpulos morais não estão em “outra pessoa”, mas sim dentro de nossas cabeças. reputação A estima ou alta reputação que os indivíduos ou organizações obtêm quando se comportam de maneira ética. Algumas empresas, como Merck, Johnson & Johnson, Prudence Insurance, Fannie May e Blue Cross-Blue Shield são conhecidas pela prática da ética empresa- rial. Outras, como Arthur Andersen e Enron, que agora estão fora dos negócios, ou empresas de telefo- nia como WorldCom e Qwest, que estavam lutando para sobreviver em 2004, ocuparam-se repetidamente de atividades antiéticas e ilegais de negócio. O que explica as diferenças entre a ética dessas empresas e seus gerentes? Há quatro determinantes principais de diferenças éticas entre pessoas, funcio- nários, empresas e países: ética social, ética profissional, ética individual e ética orga- nizacional, principalmente a ética da diretoria de uma empresa.29 (Ver Figura 4.4.) Ética e Responsabilidade Social 130 Capítulo Quatro Figura 4.4 Fontes da Ética ética social Padrões que regem como os membros de uma sociedade devem lidar uns com os outros em assuntos que envolvem questões como integridade, justiça, pobreza e direitos do indivíduo. Ética Social A ética social consiste de padrões que regem como os membros de uma sociedade lidam uns com os outros em questões que envolvem justiça, igualdade, pobreza e direitos do indivíduo. A ética social emana das leis, costumes e práticas de uma sociedade, e também das atitudes, valores e normas não escritos que influenciam como as pessoas interagem umas com as outras. As pessoas em um determinado país podem se comportar automaticamente de um modo ético porque internaliza- ram (isto é, tornaram parte de sua moral) certos valores, crenças e normas éticas que especificam como eles devem se comportar quando confrontados com um dilema ético. A ética social varia entre as sociedades. Países como Alemanha, Japão, Suécia e Suíça são conhecidos por estarem entre os países mais éticos do mundo, com for- tes valores de ordem social e a necessidade de criar uma sociedade que protege o bem-estar de todos os grupos de cidadãos. Em outros países a situação é muito diferente. Em muitos países economicamente pobres, a propina é prática-padrão para se fazer negócio, como conseguir a instalação de um telefone ou a concessão de um contrato. Nos Estados Unidos e em muitos outros países do ocidente, o suborno é considerado antiético e usualmente ilegal. A IBM viveu o problema de diferenças de padrões éticos em sua Divisão Argen- tina. Os gerentes deste país ficaram envolvidos em um esquema antiético para assegurar um contrato de $ 250 milhões para a IBM fornecer e dar suporte téc- nico aos computadores de um dos maiores bancos estatais da Argentina. Depois do pagamento de $ 6 milhões como propina aos executivos do banco, que concor- daram em dar o contrato à IBM, a empresa anunciou que tinha demitido os três diretores de sua Divisão Argentina. De acordo com a IBM, transações como essa, embora antiéticas pelos padrões da IBM, não são necessariamente ilegais sob a lei argentina. Os gerentes argentinos foram demitidos, no entanto, por não segui- rem as regras organizacionais da IBM, que proíbem o pagamento de propinas para obtenção de contratos em países estrangeiros. Além disso, o pagamento de propinas viola a Lei de Práticas de Corrupção no Exterior dos Estados Unidos, que proí- be o pagamento de propinas por parte de empresas norte-americanas para asse- gurar contratos no exterior, responsabiliza as empresas pelas ações dos gerentes estrangeiros e permite que as empresas que forem pegas em violação sejam Ética Social Ética Empresarial Ética Individual Ética Organizacional Ética Profissional Ética e Responsabilidade Social 131 processadas nos Estados Unidos. Ao despedir os gerentes, a IBM sinalizou que não toleraria comportamento antiético de qualquer funcionário, e continua atu- almente a adotar uma postura rigorosa em relação a questões éticas. Os países também diferem amplamente em suas crenças sobre o tratamento adequado para seus funcionários. Em geral, quanto mais pobre for o país, maior a probabilidade de os funcionários serem tratados com pouco respeito. Uma ques- tão de interesse particular em nível global é se seria ético usar mão-de-obra infan- til, como discutido em “Ética em Ação”, a seguir. É Correto Usar Mão-de-obra infantil? Nos últimos anos, o número de empresas norte-americanas que compra seus pro- dutos de fornecedores estrangeiros de baixo custo tem crescido, e a preocupação com a ética associada ao emprego de crianças em fábricas tem aumentado. No Paquistão, crianças novas, de seis anos, trabalham longas horas em condições deploráveis para fazer tapetes e carpetes com o objetivo de exportar aos países do ocidente. Crianças em países pobres da África, Ásia e América do Sul trabalham em condições semelhantes. É éticoempregar crianças em fábricas? As empresas norte-americanas deveriam comprar e vender os produtos feitos por essas crianças? As opiniões sobre a ética do trabalho infantil variam muito. Robert Reich, economista e secretário do trabalho na primeira administração de Clinton, acredita que a prática seja totalmente repreensível e deveria ser considerada ilegal, em nível global. Outra visão, defendida pela revista The Economist, é que, embora ninguém queira ver crianças empregadas em fábricas, os cidadãos de países ricos precisam reconhecer que crianças em países pobres são, freqüente- mente, os únicos a ganhar o pão para a família. Assim, negar o emprego às crianças causaria o sofrimento de famílias inteiras, e um erro (trabalho infan- til) poderia produzir um erro maior (pobreza). Em vez disso, The Economist é a favor de regulamentar as condições sob as quais as crianças são empregadas e espera que, com o tempo, à medida que os países pobres se tornem mais ricos, a necessidade de trabalho infantil desapareça. Muitos varejistas norte-americanos costumam comprar roupas de fornecedo- res estrangeiros de baixo custo, e os gerentes dessas empresas têm sido chama- dos a adotar sua postura ética quanto ao trabalho infantil. Gerentes da Wal- Mart, Target, JCPenney e The Gap (ver Tabela 4.1) têm seguido os padrões e normas norte-americanos e têm polí- ticas que ditam que seus fornecedores estrangeiros não devem empregar trabalho infantil. Eles também garantem cortar vínculos com qualquer fornecedor que viole esse padrão. No entanto, os varejistas, aparentemente, diferem muito na maneira como obrigam o cumprimento de tais políticas. Estima-se que mais de 300.000 crianças com menos de 14 anos estejam sendo empregadas em confecções na Guate- mala, um popular lugar de baixo custo para a confecção de roupas que abastece o mercado norte-americano. Essas crianças, freqüentemente, trabalham mais de 60 horas por semana, e muitas vezes recebem menos de $ 3 por dia, pró- ximo do salário mínimo na Guatemala. Muitos varejistas norte-americanos não investigam seus fornecedores estran- geiros. É claro que, se os eles quiserem ser verdadeiros em sua postura ética quanto a essa questão preocupante, não podem ignorar o fato de estarem comprando roupas feitas por crianças, e devem agir para regulamentar as condições sob as quais essas crianças trabalham. Meninos afegãos tecem tapete, em abril de 2003, enquanto seu pai está ao lado, em local próximo à sua casa, em Kabul, Afeganistão. Os fabricantes de tapetes afegãos contratam crianças para fazer tapetes, pagando às suas famílias perto de $ 8 por metro. Fazer um tapete de 6 metros leva aproximadamente um mês, e as crianças normalmente trabalham em turnos alternados com a escola e outros deveres domésticos. Ética em Ação 132 Capítulo Quatro ética profissional Padrões que regem como os membros de uma profissão ou ofício devem proceder ao realizar atividades relacionadas ao trabalho. ética individual Padrões e valores pessoais que determinam como as pessoas vêem suas responsabilidades em relação aos outros e como devem agir nas situações em que seus próprios interesses estão em jogo. ética organizacional Práticas e crenças norteadoras por meio das quais uma determinada empresa e seus gerentes vêem sua responsabilidade perante os stakeholders. Ética Profissional A ética profissional consiste de padrões que regem como os membros de uma pro- fissão, ocupação ou ofício devem proceder quando desempenham atividades rela- cionadas ao trabalho.30 Por exemplo, a ética médica rege o modo como os médicos e enfermeiros devem tratar os pacientes. Espera-se que os médicos realizem apenas os procedimentos médicos necessários e ajam visando aos interesses do paciente, e não aos seus próprios. A ética da pesquisa científica requer que os cientistas condu- zam seus experimentos e apresentem seus achados de maneira a assegurar a vali- dade de suas conclusões. Como a sociedade em geral, a maioria dos grupos profis- sionais pode impor punições para violações de padrões éticos.31 Os médicos e advogados podem ser impedidos de exercer suas profissões se desconsiderarem a ética profissional e colocarem seus próprios interesses em primeiro lugar. Dentro de uma organização, as regras e normas profissionais normalmente regem a maneira como os funcionários, advogados, pesquisadores e contadores devem tomar decisões para atender a outros stakeholders. Os funcionários interna- lizam as regras e normas de sua profissão (assim como fazem com as regras e nor- mas da sociedade) e seguem-nas automaticamente ao decidir como devem se comportar. Uma vez que a maioria das pessoas segue regras estabelecidas de com- portamento, elas tomam, freqüentemente, a ética como algo subentendido. Entre- tanto, quando a ética profissional é violada, tal como quando cientistas fabricam dados para disfarçar os efeitos nocivos de produtos, as questões éticas passam a ser o foco de atenção. Ética Individual A ética individual consiste de padrões e valores pessoais que determinam a maneira como as pessoas vêem suas responsabilidades em relação às outras pes- soas e grupos e como devem agir nas situações em que seus próprios interesses estão em jogo.32 As fontes da ética individual incluem a influência da família, dos colegas e da educação em geral. As experiências adquiridas ao longo da vida — através de participações em instituições sociais, tais como escolas e igrejas — tam- bém contribuem para o desenvolvimento dos padrões e valores pessoais que uma pessoa aplica para decidir o que é certo ou errado e se deve fazer certas ações ou tomar certas decisões. Muitas decisões ou comportamentos que uma pessoa acha antiéticos, como usar animais para teste de cosméticos, podem ser aceitáveis para outra pessoa. Se as decisões ou comportamentos não forem ilegais, os indivíduos podem concor- dar ou discordar quanto às suas crenças éticas ou podem tentar impor suas pró- prias crenças a outras pessoas e torná-las lei. Em todos os casos, entretanto, as pessoas devem desenvolver e seguir os critérios éticos descritos anteriormente para equilibrar seus interesses em relação aos dos outros quando eles determinam como se comportar em uma dada situação. Ética Organizacional A ética organizacional consiste de práticas e crenças norteadoras por meio das quais uma determinada empresa e seus gerentes vêem sua responsabilidade perante seus stakeholders. A ética individual dos fundadores e dirigentes de uma empresa é especialmente importante na determinação do código de ética da orga- nização. Organizações cujos fundadores tiveram um papel vital na criação de um código altamente ético de comportamento organizacional incluem a Merck, a Hewlett-Packard, a Johnson & Johnson e a Prudential Insurance Company. O código de ética da Johnson & Johnson — seu credo — reflete uma grande preocu- pação por seus stakeholders (ver Tabela 4.2). Os credos de uma empresa, como o da Johnson & Johnson, procuram evitar comportamento antiético, de interesse próprio, Ética e Responsabilidade Social 133 Tabela 4.2 Formas de Comportamento Socialmente Responsável Os gerentes estão sendo socialmente responsáveis e mostrando seu apoio aos stakeholders quando: • Pagam indenizações para ajudar os trabalhadores demitidos a se manter até conseguirem encontrar outro emprego. • Fornecem aos trabalhadores oportunidades de aperfeiçoar suas qualificações e adquirir educação adicional para que possam permanecer produtivos e não se tornem desatualizados devido às mudanças na tecnologia. • Permitem que os funcionários tirem folga quando precisarem e fornecem a eles assistência médica e benefícios de pensão. • Contribuem com instituições beneficentes ou apoiam várias atividades voluntárias nas cidades onde estão localizadas (a Target e a Levi Strauss contribuem com 5% de seus lucros para subsidiar escolas, instituições beneficentes, artes e outros trabalhos). • Decidem manter umafábrica aberta, cujo fechamento devastaria a comunidade local. • Decidem manter as operações de uma empresa no país de origem para proteger os empregos de trabalhadores locais em vez de mudar-se para o exterior. • Decidem gastar dinheiro para aprimorar uma nova fábrica a fim de não poluir o ambiente. • Recusam-se a investir em países que têm poucos registros de direitos humanos. • Ajudam os países pobres a desenvolver uma base econômica para aprimorar seu padrão de vida. além de demonstrar aos gerentes e funcionários que a empresa não irá tolerar pessoas que, devido à sua própria fraqueza ética, colocam os interesses pessoais acima dos interesses de outros stakeholders organizacionais e ignoram os prejuízos que estão infligindo aos outros, bem como determinar que aqueles que agem de modo antiético serão punidos. Os gerentes ou trabalhadores podem se comportar de modo antiético ao se sentirem pressionados a fazer isso devido à situação em que se encontram e por diretores que sejam antiéticos. Mais uma vez, se os diretores de uma empresa endossam os princípios éticos de modo coerente com seu credo corporativo, eles podem impedir que isso ocorra. Os funcionários provavelmente agirão de modo antiético quando um credo não existe ou é desconsiderado. A Arthur Andersen, por exemplo, não seguiu seu credo; seus parceiros inescrupulosos pediram aos gerentes de nível médio para rasgarem os registros que mostravam a evidência de seus erros. Embora os gerentes soubessem que isso era errado, eles seguiram as ordens porque responderam ao poder pessoal e ao status dos parceiros, e não ao código de ética da empresa. Eles temiam perder seus empregos se não se compor- tassem de maneira antiética, mas suas ações acabaram custando seus empregos. Os diretores desempenham um papel crucial na determinação da ética de uma empresa. É muito importante, então, que, ao fazer as indicações, o conselho de diretoria examine detalhadamente a reputação e os registros éticos desses direto- res. É da responsabilidade do conselho decidir se um CEO potencial tem maturi- dade, experiência e integridade necessárias para chefiar uma empresa e para ser responsabilizado pelo capital e pela riqueza da organização, da qual depende o destino de todos os stakeholders. Em 2003, o ex-CEO da Kmart, que tinha levado a empresa à falência, estava sendo investigado por tomada de decisão gerencial ina- dequada; em 2004, Martha Stewart, a maior acionista de sua empresa, deixou a diretoria depois de ser considerada culpada por uma negociação privilegiada. Um histórico de sucesso não basta para decidir essa questão, pois um gerente pode ter atingido esse sucesso através de meios antiéticos ou ilegais. É impor- tante investigar os diretores potenciais e examinar suas credenciais. No início dos anos 2000, foi descoberto que os diretores de várias empresas importantes 134 Capítulo Quatro não tinham os diplomas ou a experiência declarados em seus currículos, e que eles tinham agido de maneira antiética para conseguir seus empregos atuais! Fre- qüentemente, o que melhor pode prever o comportamento futuro é o comporta- mento passado, mas o conselho de diretoria precisa estar atento a pessoas antiéti- cas que usam meios antiéticos para subir ao topo da hierarquia organizacional. responsabilidade social O dever ou a obrigação que um gerente tem de tomar decisões que promovam a segurança e o bem-estar dos stakeholders e da sociedade como um todo. abordagem obstrucionista As empresas e seus gerentes escolhem não se comportar de um modo socialmente responsável, e sim de maneira antiética e ilegal. Figura 4. 5 Quatro Abordagens de Responsabilidade Social A ética de uma empresa é o resultado de diferenças na ética social, organizacional, profissional e individual. Por sua vez, a ética de uma empresa determina sua postura ou posição na responsabilidade social. A postura de uma empresa na responsabilidade social é a maneira como seus gerentes e funcionários vêem seu dever ou obrigação de tomar deci- sões que protejam, aumentem e promovam a prosperidade e o bem-estar dos stakeholders e da sociedade como um todo.33 Como observado anteriormente, quando não existem leis que especifi- quem como uma empresa deve agir com relação aos stakeholders, os gerentes devem decidir o que é certo, ético e socialmente responsável a fazer. Diferenças na ética empresarial podem levar as empresas a assumir posições ou visões dife- rentes sobre qual é sua responsabilidade perante seus stakeholders. Muitos tipos de decisões mostram as crenças de uma empresa sobre sua obrigação de tomar decisões de negócio socialmente responsáveis (ver Tabela 4.2). A decisão de gastar dinheiro em treinamento e educar funcionários — investindo neles — é uma decisão dessa natureza. Outra decisão desse tipo é a de minimizar ou evitar dis- pensas sempre que possível. A decisão de agir prontamente e advertir clientes quando um lote de mercadoria com defeito foi vendido acidentalmente é outro exemplo. As empresas que tentam esconder problemas como esses mostram pouca consideração pela responsabilidade social. Na década de 1990, tanto a Ford quanto a GM tentaram esconder o fato de que vários de seus veículos tinham defeitos que lhes tornavam perigosos para dirigir. As empresas foram penalizadas com centenas de milhões de dólares em prejuízos por seu comportamento antiético. Por outro lado, em 2002, quando a Campbell Soup descobriu que milhares de latas de sopa rotula- das como creme de cogumelo na verdade continham sopa de molusco, ela anunciou rapidamente o problema para o público. Visto que o rótulo errado podia causar pro- blemas graves aos clientes com alergias a crustáceo, informar o público foi a coisa certa a fazer.34 A maneira como uma empresa anuncia problemas ou admite seus erros fornece fortes pistas sobre sua postura quanto à responsabilidade social. Quatro Abordagens Diferentes A força do compromisso das empresas com a responsabilidade social varia de “baixa” a “alta” (ver Figura 4.5). Como “baixa” situa-se a abordagem obstrucionista, na qual as empresas e seus gerentes escolhem não se comportar de uma maneira Abordagens à Responsabilidade Social Baixa responsabilidade social Alta responsabilidade social Responsabilidade Social Abordagem acomodativa Abordagem obstrucionista Abordagem defensiva Abordagem proativa Ética e Responsabilidade Social 135 uma maneira socialmente responsável. Em vez disso, comportam-se de modo anti- ético e ilegal e fazem tudo o que podem para impedir que seu comportamento chegue ao conhecimento de outras partes interessadas e da sociedade em geral. Os gerentes da Mansville Corporation adotaram essa conduta quando suprimiram evidências de que o amianto causava lesão nos pulmões. As empresas de tabaco também agiram assim quando buscaram esconder evidências de que fumar cigar- ros causa câncer de pulmão. Os diretores da Enron também agiram de modo obstrucionista quando impe- diram os funcionários de vender ações da empresa em seus fundos de pensão antes de eles saberem que a empresa estava com problemas. Ao mesmo tempo, a direção vendeu centenas de milhões de dólares no valor de suas próprias ações da Enron. Os sócios principais na Arthur Andersen, que instruíram seus subordina- dos a rasgar arquivos, escolheram, como os gerentes de todas essas organizações, uma abordagem obstrucionista. O resultado foi não só a perda da reputação, mas a ruína para a organização e para todos os stakeholders envolvidos. Todas essas empresas não estão mais funcionando. O comportamento antiético característico da abordagem obstrucionista é exemplificado na maneira como a equipe geren- cial da Beech-Nut, na década de 1980, colocou os interesses pessoais antes da saúde dos clientes e acima da lei. suco de Maçã ou água com Açúcar? No início dos anos 1980, a Beech-Nut, fabricante de alimentos para bebês, estava com graves problemas financeiros ao tentar competir com a Gerber Pro- ducts,a líder de mercado. Ameaçada pela falência, caso não pudesse abaixar seus custos operacionais, a Beech-Nut entrou num acordo com um fornecedor de baixo custo que vendia concentrado de suco de maçã. O acordo economi- zaria mais de $ 250.000 à empresa anualmente, em tempos em que cada dólar contava. Logo, um dos nutricionistas da Beech-Nuts preocupou-se com a quali- dade do concentrado. Ele acreditava que não era feito apenas de maçãs, mas continha grandes quantidades de xarope de milho e cana-de-açúcar. Ele levou a informação à diretoria da Beech-Nut, mas eles estavam obcecados com a necessidade de manter custos baixos e preferiram ignorar as preocupações do nutricionista. A empresa continuou a produzir e vender seu produto como suco de maçã puro.35 Por fim, os investigadores da FDA (Food and Drug Administration) dos Estados Unidos apontaram à Beech-Nut evidências de que o concentrado estava adulterado. A diretoria emitiu negativas e rapidamente vendeu o esto- que remanescente de suco de maçã para o mercado, antes de sua apreensão. O nutricionista que havia questionado a pureza do suco de maçã tinha pedido demissão da Beech-Nut, mas decidiu denunciar a empresa. Ele disse à FDA que a diretoria da empresa sabia do problema com o concentrado, mas tinha agido de forma a maximizar os lucros da empresa ao invés de informar os clientes sobre os aditivos no suco de maçã. Em 1987, a empresa foi declarada culpada das acusações de vender, deliberadamente, suco adulterado, e foi mul- tada em mais de $ 2 milhões. Seus diretores também foram declarados culpa- dos e sentenciados à prisão. A confiança do consumidor nos produtos Beech-Nut despencou, como tam- bém o valor das ações da empresa. A reputação da empresa foi arruinada, e por fim ela foi vendida para a Ralston Purina, agora de propriedade da Nestlé, que instalou uma nova equipe gerencial e um novo código ético de valores para orientar futuras decisões de negócio. Ética em Ação 136 Capítulo Quatro A abordagem defensiva indica um compromisso mínimo com o comporta- mento ético.36 As empresas e gerentes que adotam esta abordagem agem dentro da lei e acatam estritamente os requisitos legais, mas não tentam exercer respon- sabilidade social além do que dita a lei — assim eles podem e, freqüentemente, agem de modo antiético. São empresas desse tipo, como a Computer Associates e a WorldCom, que dão a seus gerentes grandes opções de compra de ações e boni- ficações, mesmo quando o desempenho da empresa está declinando. Os gerentes são do tipo que vendem suas ações antes dos outros acionistas porque sabem que o desempenho de sua empresa está caindo. Embora agir com base em informa- ções privilegiadas seja ilegal, muitas vezes é difícil provar o fato, visto que a dire- ção tem o direito de vender suas ações quando quiser. Os fundadores da maioria das empresas virtuais tiraram vantagem dessa brecha na lei para vender centenas de milhões de dólares de suas ações virtuais antes de seus preços caírem. Ao toma- rem essas decisões, tais gerentes colocam seus próprios interesses primeiro e cos- tumam prejudicar os outros stakeholders. A abordagem acomodativa é o reconhecimento da necessidade de apoiar a res- ponsabilidade social. As empresas e gerentes que adotam essa abordagem concor- dam que os membros da organização devem se comportar de modo legal e ético, e tentam equilibrar os interesses de diferentes stakeholders, de modo que as reivin- dicações dos acionistas sejam vistas em relação às reivindicações dos outros stakehol- ders. Os gerentes que adotam essa abordagem querem fazer escolhas que sejam razoáveis aos olhos da sociedade e desejam fazer a coisa certa quando necessário. Essa abordagem é seguida pela típica grande empresa norte-americana, que tem muito a perder com o comportamento antiético ou ilegal. Em geral, quanto mais antiga a empresa e melhor sua reputação, maior a probabilidade de seus gerentes evitarem a ação antiética por parte dos subordinados. Grandes empresas como a GM, a Intel, a Du Pont e a Dell buscam todas as maneiras de construir vantagens competitivas. Elas se esforçam para evitar que seus gerentes se compor- tem de maneira antiética ou ilegal, sabendo das graves conseqüências desse com- portamento na lucratividade futura. Empresas e gerentes que adotam a abordagem proativa defendem ativamente a necessidade de se comportar de modo socialmente responsável. Eles não medem esforços para saber quais são as necessidades de diferentes stakeholders e estão dis- postos a utilizar recursos organizacionais para promover os interesses não só dos acionistas, mas também dos outros stakeholders. Tais empresas estão à frente de campanhas por determinadas causas, tais como um ambiente sem poluição, reci- clagem e conservação de recursos, minimização ou eliminação do uso de animais em testes de drogas e cosméticos e redução do crime, do analfabetismo e da pobreza. Empresas como McDonald’s, Green Mountain Coffee, Ben and Jerry’s e abordagem defensiva As empresas e seus gerentes comportam-se de modo ético quando se mantêm dentro da lei e em estrita conformidade com os requisitos legais. abordagem acomodativa As empresas e seus gerentes comportam-se de modo legal e ético e tentam equilibrar os interesses de diferentes stakeholders. abordagem proativa As empresas e seus gerentes defendem ativamente o comportamento socialmente responsável, não medindo esforços para saber as necessidades de diferentes stakeholders e utilizando recursos organizacionais para promover os interesses de todos eles. Você pode se deliciar ao tomar um pote de sorvete Primary Berry Graham, da Ben & Jerry. A empresa tem uma longa história de comprometimento com a abordagem proativa em responsabilidade social ao doar lucros para caridade, gerar oportunidades econômicas e proteger o meio ambiente. Por exemplo, em 2003, a empresa lançou projetos sustentáveis de laticínios nos Estados Unidos e em Hellendorn, Holanda. Enquanto isso, a Packaging Innovation Group, empresa dirigida por funcionários, atingiu um importante objetivo de redução de embalagens plásticas — em vez de receber ingredientes a granel (especificamente cerejas) em zilhões de baldes plásticos de cerca de 20 ,, eles agora recebem esses ingredientes em embalagens a granel de peso muito superior. Ética e Responsabilidade Social 137 Target são conhecidas por ser proativas ao dar suporte aos stakeholders, bem como a seus fornecedores ou à comunidade em que operam. Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual da Instituição, você encontra a obra na íntegra. Dica do professor Atualmente, a concepção de ética organizacional ultrapassa o atendimento a normas e o cumprimento de legislações. Trata-se de ampliar os horizontes da empresa e perceber a influência de suas atividades na sociedade como um todo. Nesta Dica do Professor, você vai poder observar como as questões de ética organizacional podem contribuir para a realização dos objetivos da empresa, criando um diferencial para ela. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Na prática A responsabilidade social empresarial geralmente envolve a busca de novas oportunidades como uma maneira de responder às demandas ambientais, sociais e econômicas do mercado. O desenvolvimento sustentável, nas palavras de Roberto Guimarães (2017), não apenas visa ao crescimento econômico desenfreado, mas inaugura um novo estilo e uma nova ética, de maneira a superar o economicismo que contamina o pensamento contemporâneo sobre o processo de desenvolvimento. A questão da ética organizacional tem uma importância considerável nos dias atuais. Acompanhe este Na Prática e saiba mais sobre o assunto. Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: A ética e seus reflexos no comportamento organizacional O artigo apresenta o distanciamentoentre o discurso e a prática nos códigos de ética estabelecidos pelas empresas, sendo que o autofavorecimento financeiro tem sido apontado como uma das principais motivações que levam o indivíduo a desenvolver posturas contrárias aos códigos de ética e aos procedimentos internos, de modo que são necessárias ações que motivem boas práticas profissionais nos ambientes corporativos. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Desvendando a ética organizacional O artigo apresenta e discute o conceito de ética organizacional, que envolve os direitos e deveres de cada funcionário dentro de uma empresa. Trata-se de condutas relacionadas ao pacifismo e ao respeito entre os empregados, fornecedores e clientes. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Leandro Karnal fala sobre ética em ambientes profissionais A herança deixada pela escravidão nas relações de trabalho no Brasil, o assédio moral e sexual, a hierarquia e o respeito ao espaço do outro – esses foram alguns dos assuntos abordados pelo professor e historiador Leandro Karnal em entrevista ao Programa Revista TST. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.