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Níveis e modalidades de ensino Monica Botiglieri Moretti Introdução Vamos conhecer a estrutura do ensino no Brasil, quais são os níveis e modalidades da edu- cação e suas principais características? Você poderá, ainda, identificar as responsabilidades de cada esfera (municípios, Estados e União) no que compete à ordenação da educação e ao seu financiamento. Objetivos de aprendizagem Ao final desta aula você será capaz de: • identificar os elementos que compõem a estrutura administrativa do ensino brasileiro; • reconhecer as contribuições dos governos: municipal, estadual e federal nos níveis e modalidades do ensino. 1 Estrutura administrativa do ensino brasileiro Ao iniciarmos nosso estudo é importante lembrar que a estrutura administrativa do ensino brasileiro organiza-se pela União, pelo Distrito Federal e os diferentes Estados e municípios. As determinações e responsabilidades de cada esfera estão previstas nos artigos 8, 9, 10, 11, 16, 17, 18 e 19 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, a LDB, Lei nº 9.394 (BRASIL,1996), que definem as responsabilidades de cada esfera. SAIBA MAIS! Para conhecer em detalhes o que prevê a LDB (BRASIL, 1996), você pode acessar o texto completo no endereço: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L9394.htm>. Figura 1 – União, Estados, DF e municípios administram a educação Fonte: Naeblys/Shutterstock.com. Para você entender melhor, compete ao sistema federal de ensino ou à União as instituições mantidas por ela, as instituições de Ensino Superior criadas e mantidas pelas redes privadas e os órgãos federais de educação. Já os sistemas estaduais de ensino e Distrito Federal são responsáveis pelas instituições criadas por seus poderes públicos, pelas instituições de Ensino Superior municipais, as institui- ções de ensinos Fundamental e Médio criadas e mantidas pelas redes privadas e os órgãos de educação estaduais ou do Distrito Federal. Saiba que a LDB prevê apenas uma exceção em relação ao sistema estadual de ensino do Distrito Federal, que comporta também as instituições de Edu- cação Infantil criadas e mantidas pela iniciativa privada. Por fim, aos sistemas municipais cabe cuidar das instituições de ensino da Educação Infantil (redes municipal e privada), Ensino Fundamental (primeiro e segundo ciclos) e Ensino Médio, que estejam sob sua responsabilidade, e os demais órgãos de educação municipal, lembrando que a prioridade, é sobre o Ensino Fundamental e a Educação Infantil. EXEMPLO No estado do Rio de Janeiro temos como exemplos do sistema federal de ensino a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Colégio Pedro II. No estado de São Paulo, um exemplo do sistema estadual de ensino é a Universidade de São Paulo (USP). Já nos municípios há como exemplos dos sistemas municipais as escolas de Educação Infantil. 2 Características do sistema de ensino Para você compreender como funciona o sistema de ensino, devemos recordar que a edu- cação brasileira foi estruturada entre os anos de 1961 e 1996, a partir das leis: “[...] 4.024 de 1961 (a primeira LDB), pela Lei 5.540 de 1968 (reforma do Ensino Superior), pela Lei 5.692 de 1971 (reforma do ensino de primeiro e segundo graus) e pela Lei 7.044 de 1982, que alterou os artigos da Lei 5.692/71 referentes ao ensino profissional do segundo grau.” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2003, p. 240). Segundo os autores, com a Constituição Federal de 1988 iniciaram-se alterações importan- tes no ensino. Houve mudanças de nomenclaturas e foram apresentadas a noção de sistema para a educação, suas diferentes responsabilidades e abrangências. FIQUE ATENTO! Uma importante alteração de nomenclatura instituída foi a dos ensinos de primeiro e segundo graus, que passaram a se chamar Ensino Fundamental e Ensino Médio. No caso da LDB de 1996, antes da aprovação a legislação passou por longos períodos de reformulações e discussões, totalizando oito anos até a publicação. A proposta inicial “previa a existência de um sistema nacional de educação, de um Fórum Nacional da Educação e de um Conselho Nacional de Educação” (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2003, p. 240-241). Tais órgãos deveriam ter caráter deliberativo, responsabilidade de articulação e incluir as representações da sociedade civil. No entanto, quando da aprovação da lei, estas características foram substituídas ou suprimidas, e manteve-se apenas o Conselho Nacional de Educação, porém com caráter de representatividade quase nulo, tornando-se muito mais um órgão do governo, sem ser compreen- dido como instância de participação da sociedade civil (LIBÂNEO; OLIVEIRA; TOSCHI, 2003). FIQUE ATENTO! As discussões sobre um Sistema Nacional de Educação têm acontecido ao longo dos últimos anos e este ainda não foi estabelecido, embora seja considerado como urgente. Atualmente, o Ministério da Educação sinaliza que o Plano Nacional de Educação, aprovado em 2014, tem vigência até 2024, sendo, então, urgente a instituição de um Sistema Nacional de Educação, conforme estabelecido no artigo 13 da Lei nº 13.005, de 2014 (BRASIL, 2014): Art. 13. O poder público deverá instituir, em lei específica, contados 2 (dois) anos da pu- blicação desta Lei, o Sistema Nacional de Educação, responsável pela articulação entre os sistemas de ensino, em regime de colaboração, para efetivação das diretrizes, metas e estratégias do Plano Nacional de Educação (BRASIL, 2014, p.03). Figura 2 – Organização dos sistemas de ensino Fonte: Jurik Peter/Shutterstock.com. Entenda que a partir da legislação anterior, de uma série de articulações entre sistemas estaduais e municipais, bem como de debates com a comunidade educacional, construiu-se um projeto de lei complementar (PLP) em 2016, para regulamentar o parágrafo único do artigo 23 da Constituição Federal (BRASIL, 1988). Ele propõe a instituição de um Sistema Nacional de Edu- cação e delimita normas de cooperação entre União, Estados, Distrito Federal e municípios, entre Estados e seus municípios e entre municípios. Essa proposta dialoga com outra, apresentada no Fórum Nacional de Educação, denominada “O Sistema Nacional de Educação – documento pro- positivo para o debate ampliado”. Foi elaborado a partir do debate a respeito do PLP nº 413/2014, que tramita no Congresso Nacional. SAIBA MAIS! Em 2015 o MEC, em parceria com professores de renome na educação brasileira, divulgou um artigo discutindo a importância da instauração de um Sistema Na- cional de Ensino. Acesse-o pelo link: <http://pne.mec.gov.br/images/pdf/SNE_ju- nho_2015.pdf>. 3 Níveis e modalidades de ensino e responsabilidade federal, estadual e municipal É importante recordar que a educação brasileira, em seus níveis e modalidades, divide-se em: • Educação Básica – formada pela Educação Infantil, pela Educação Fundamental e pelo Ensino Médio; • Educação Superior; Figura 3 – Níveis na educação brasileira Fonte: stokkete/Shutterstock.com. Esses níveis, por sua vez, englobam as seguintes modalidades de ensino: • Educação de Jovens e Adultos – EJA; • Educação Profissional e Tecnológica; • Educação Especial; • Educação Indígena; • Educação a Distância. Como ainda não termos consolidada a formação de um Sistema Nacional de Ensino, nossa educação é organizada pelo sistema federal, pelos sistemas estaduais e municipais. Perceba que ao tratarmos do sistema federal de ensino, estamos nos referindo “às institui- ções, aos órgãos, às leis e às normas que, sob a responsabilidade da União, do governo federal, se concretizam nos estados e nos municípios” (LIBÂNEO, OLIVEIRA E TOSCHI, 2003, p. 242). Nesse sentido, tratamos das universidades federais, também de instituições isoladas de Ensino Superior, institutos e centros de educação tecnológica, estabelecimentos de Ensino Médio, escolas técnicas federais e agrotécnicas, colégios de aplicação em ensinos Médio e Fundamental vinculados às universidades, o colégio Pedro II e instituições específicas de educação especial. E em relação aos sistemas estaduaisde ensino? Eles são responsáveis sobre as instituições estaduais de Ensino Superior, instituições de ensinos Fundamental e Médio, criadas e mantidas pelo poder público e organizadas pela iniciativa privada, órgãos de educação estaduais (e do Dis- trito Federal) e as instituições de Educação Infantil organizadas pelo setor privado. Figura 4 – EJA é uma das modalidades de ensino Fonte: ESB Professional/Shutterstock.com. Por fim, aos sistemas municipais caberão as responsabilidades prioritariamente pelas insti- tuições de Educação Infantil, Ensino Fundamental e, completando seu atendimento, pelas institui- ções de Ensino Médio, além de órgãos municipais de educação. FIQUE ATENTO! Tenha sempre em mente que os artigos 16 a 18 da LDB, a Lei nº 9.394/96 (BRASIL, 1996), regem a organização dos sistemas de ensino. Agora que você compreendeu em mais detalhes como se organiza o sistema de ensino, irá entender as formas de financiamento da educação. 4 Recursos Financeiros para a educação - contribuições municipal, estadual e federal para a educação Saiba que os recursos financeiros da educação são regidos pelos artigos 208 e 212 da Cons- tituição Federal. O primeiro diz respeito ao atendimento a todas as etapas da educação básica, considerando programas suplementares de acesso a material escolar, transporte, alimentação e assistência à saúde. Já o artigo 212 define mais especificamente os montantes, afirmando que caberá à União não aplicar menos de 18% e aos estados e municípios não menos de 25% dos impostos arrecadados, compreendendo ainda valores arrecadados a partir de transferências entre poderes (da União aos Estados, dos Estados aos municípios e da União aos municípios). EXEMPLO Um exemplo de contribuição social é o Salário-Educação, que é debitado das em- presas e destinado a financiar o Ensino Fundamental das redes públicas. Ele foi criado em 1964 e, atualmente, baseia-se no cálculo de 2,5% do salário. Quem con- tribui são as empresas vinculadas à Previdência Social. Essa distribuição, a partir dos percentuais descritos acima, deverá assegurar sobretudo o financiamento do ensino obrigatório, enquanto o descrito no artigo 208 (programas suplemen- tares, entre outros) deverá ser garantido por meio de contribuições sociais ou outros recursos orçamentários. Fechamento Nesta aula, você teve a oportunidade de: • conhecer em mais detalhes a estrutura administrativa do ensino brasileiro; • aprender sobre as características do sistema de ensino; • entender quais são as responsabilidades dos governos federal, estaduais e municipais sobre o ensino e suas diferentes modalidades. • saber como são distribuídos recursos financeiros à educação, a partir das contribui- ções municipais, estaduais e federal. Referências BRASIL. Casa Civil. Lei nº 13.005, de 24 de junho de 2014. Aprova o Plano Nacional de Educação - PNE e dá outras providências. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, Brasília, DF, 5 out. 1988. Disponí- vel em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 28 jun. 2017. BRASIL. Lei nº. 9394, de 20 de dezembro de 1996, que estabelece as diretrizes e bases da educa- ção nacional, Brasília, DF, 20 dez. 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/ L9394.htm>. Acesso em: 28 jun. 2017. LIBÂNEO, José Carlos; OLIVEIRA, João Ferreira de; TOSCHI, Mirza Seabra. Educação Escolar: polí- ticas, estrutura e organização. São Paulo: Cortez, 2003. MINISTÉRIO DA EDUCAÇÃO. Instituir um Sistema Nacional de Educação: agenda obrigatória para o país. 2015. Disponível em: <http://pne.mec.gov.br/images/pdf/SNE_junho_2015.pdf>. Acesso em: 19 jul. 2017.