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PLANEJAMENTO EM SERVIÇO 
SOCIAL 
AULA 1 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Denise Erthal de Almeida 
 
 
CONVERSA INICIAL 
Esta aula tem o objetivo de introduzir o tema planejamento. 
Neste primeiro momento, vamos estudá-lo dentro do campo do saber da 
administração para entender sua conceituação. Na sequência, o planejamento 
será estudado em sua relação com o contexto social e, finalmente, sua evolução 
dentro do serviço social. 
 Ao final desta aula, você deverá ser capaz de: 
 compreender a inter-relação entre a administração e o trabalho; 
 compreender a evolução do planejamento como processo; 
 compreender o planejamento contextualizado na prática do serviço 
social. 
TEMA 1 – A CIÊNCIA E O CONTROLE DO TRABALHO 
Abordar o planejamento no serviço social requer situá-lo inicialmente nas 
perspectivas histórica e conceitual, possibilitando o entendimento de sua 
importância como conhecimento e de seus espaços no campo de trabalho dessa 
profissão. 
Iniciaremos pelo campo da administração, no qual o planejamento se 
consolidou como um saber especializado. Segundo Barbosa (1999, p. 29), 
administrar “é gerir interesses segundo a lei, a moral e a finalidade dos bens 
entregues à guarda e à conservação alheias. Pode ser particular, caso os bens 
e interesses geridos sejam individuais, e pública quando os bens são da 
coletividade”. 
Portanto, administrar é uma ação voltada ao atendimento de fins como o 
lucro, no caso da iniciativa privada, ou do bem-estar de uma coletividade, quando 
previsto em leis e em projetos político-ideológicos. 
No entanto, percebe-se, dentro da perspectiva histórica, que o 
planejamento como campo de conhecimento foi inicialmente impulsionado pelo 
ramo privado da administração, o que desencadeou a chamada Era da 
Administração Científica. 
A utilização das máquinas havia possibilitado maior eficiência no trabalho 
e se tornou necessário racionalizar sua organização e execução. Por meio de 
estudos e experimentos, novos procedimentos no gerenciamento dos processos 
 
 
3 
organizacionais aumentaram a produtividade e ampliaram os lucros sem 
necessariamente implicar aumento nas despesas com pessoal. 
Sob a devida supervisão, o trabalho tornou-se previsível como os demais 
fatores de produção, assim que determinada a maneira certa de executá-lo. Tal 
previsibilidade se dá pela racionalização do trabalho, que passa a acontecer por 
meio do planejamento de todos os procedimentos/etapas, além da coordenação 
de todas as atividades inerentes à produção, seja esta material ou de serviços. 
As questões sobre gerenciamento já estavam presentes no início do 
capitalismo industrial, quando houve a necessidade de organizar o trabalho de 
artesãos de forma cooperativa e definir processos de operação, fornecimento de 
materiais, prioridades, registros diversos como custos, receitas, vendas, 
pagamentos, entre outros. Esse período é definido como gerência primitiva, que, 
aplicada de forma rígida e autoritária, buscou adaptar a força de trabalho livre 
aos condicionantes de um sistema de trabalho extensivo. O controle das 
funções, tarefas e dos trabalhadores foi a solução para tornar o trabalho 
cooperativo e rentável. 
De acordo com Barbosa (1999, p. 30), esta situação foi denominada de o 
problema da gerência em forma rudimentar. Com base no verbo em inglês to 
manage (administrar, gerenciar), ele explica: 
O verbo to manage (administrar, gerenciar) vem do manus, do latim, que 
significa mão. Antigamente significava adestrar um cavalo nas suas 
andaduras, para fazê-lo praticar o manège. Como um cavaleiro que 
utiliza rédeas, bridão, esporas, cenoura, chicote e adestramento desde 
o nascimento para impor sua vontade ao animal, o capitalista 
empenha-se, através da gerência (management) em controlar. E o 
controle é, de fato, o conceito fundamental de todos os sistemas 
gerenciais, como foi reconhecido implícita ou explicitamente por todos 
os teóricos da gerência. (Barbosa, 1999). 
Retomando a administração científica, foi apenas com Taylor, no início do 
século XX, que ocorreram transformações substanciais no modo de organizar o 
trabalho e de administrar a produção. O controle do trabalho e sua adaptação às 
necessidades do capital estabeleceram o “modo de produzir próprio do mundo 
capitalista” e, ainda segundo Barbosa (1999), “Modelaram a empresa, como 
também as outras instituições do sistema capitalista que executam processos de 
trabalho”, ocasionando o distanciamento entre trabalho manual e trabalho 
intelectual; o aprofundamento da divisão sociotécnica do trabalho e a alienação 
do processo de produção. Esses efeitos da tradição iniciada pela administração 
científica gradativamente foram perpassados por controles do processo de 
 
 
4 
produção que se modernizaram “em formas de organização e incentivos que 
aceleraram a extração do sobre trabalho” (Barbosa, 1999). 
Mais tarde, na fase monopolista do capitalismo, com a participação do 
Estado na economia e na formulação de políticas sociais, surgem medidas para 
organização do trabalho e do serviço público, fundamentadas no arcabouço da 
ciência da administração. Esse modo de gerenciar a coisa pública trouxe 
retorno econômico e exerceu a “função político-ideológica bem específica 
referente à ação regulatória e controlista do Estado sobre a sociedade” (Barbosa, 
1999). Para a autora, o discurso das escolhas racionais cientificamente 
certificadas aparece como a alternativa capaz de difundir valores da sociedade 
burguesa moderna como o individualismo, a impessoalidade e a igualdade, uma 
vez que o saber técnico suplantaria as diferenciações sociais, políticas e 
ideológicas. 
Em síntese, a administração é um campo do conhecimento e de práticas 
voltados para processos, organização e relações de trabalho, com ênfase no 
planejamento. Este, por sua vez, envolve a determinação de quais decisões 
deverão ser tomadas para que as metas e propósitos sejam alcançados e 
possibilita, assim, controlar os processos de produção de determinados bens e 
serviços. 
TEMA 2 – ASPECTOS CONCEITUAIS DO PLANEJAMENTO 
O conceito de planejamento é bastante próximo do nosso dia a dia, no 
senso comum. O cotidiano exige gerir tempo, atividades, recursos, riscos e 
imprevisibilidades com metas que estabelecemos para nós próprios, com o 
objetivo de alcançar resultados que vão alterando nossas vidas. 
Segundo Chiavenato (2004), o planejamento se constitui na primeira 
função do processo administrativo. Caracteriza-se como uma prática essencial 
na administração – pública ou privada –, devido aos benefícios que essa 
ferramenta traz, entre os quais o aumento da racionalidade das decisões, o que 
eleva a eficiência e aumenta a possibilidade de alcançar os objetivos propostos. 
Conforme Oliveira (1996), o planejamento norteia a organização a seguir 
o rumo traçado, de forma a buscar uma situação almejada, diferente da atual, 
empregando todo o seu potencial disponível. Essa proposta corrobora Pereira 
(2009), ao afirmar que o planejamento pode ser entendido como a racionalização 
do processo decisório. 
 
 
5 
Além dessa característica decisorial, segundo Maximiano (1995), o 
planejamento compreende também os fatores tempo e incerteza. Dessa forma, 
seu conceito engloba o processo de definição dos objetivos a serem alcançados 
e dos meios para atingi-los, por meio da interferência na realidade e tem a 
intenção de passar de uma situação conhecida para uma situação desejada, 
dentro de um intervalo de tempo previamente definido, em que as decisões 
tomadas no momento atual afetarão o futuro. 
De uma maneira mais ampla, o planejamento é composto pelas fases de 
análise, por meio de diagnóstico, a qual mostra o cenário da realidade existente, 
seguida da fase de propostas, quando se estabelecem metas, objetivos, 
estratégias e ações, e finalmente a fase de gestão, incumbida de fazer a 
implementação,avaliação e controle. 
Concluímos que as palavras-chave conectadas ao planejamento são: 
lógica, racionalidade, sistematização de informações, expectativas sobre 
cenários futuros e mensuração dos níveis de risco e incerteza. 
TEMA 3 – O PLANEJAMENTO NO CONTEXTO SOCIAL 
Para Barbosa (1990), no momento em que pensamos nas mudanças 
intencionais de algum contexto, já se pode notar incutida a noção de 
intervenções planejadas. Isso significa dizer que, para chegar a alguma 
transformação intencional da realidade social, será necessário passar por um 
processo de planejamento racional e lógico com intuito de acelerar o processo 
de desenvolvimento de um cenário futuro. 
Sobre o planejamento na administração pública, este autor cita o plano 
quinquenal da União Soviética em 1929, que foi construído como diretriz política 
e econômica centralizada e como instrumento governamental para intervenção 
na economia. Já no mundo ocidental, somente após a 2ª Guerra Mundial o 
planejamento passa a ter maior aceitabilidade e é incorporado como instrumento 
para o desenvolvimento econômico capitalista. 
Para o serviço social, planejar a ação profissional é um instrumento 
fundamental no enfrentamento das questões sociais postas pelo capitalismo 
contemporâneo. Vamos rever na trajetória da profissão como o planejamento 
vem sendo utilizado até os dias de hoje. 
Bonin e Krüger (2015) aferem que, até a década de 50, o serviço social 
aplicava o planejamento tradicional, de forma restrita e com orientações 
 
 
6 
funcionalistas, sendo um documento estático e fechado às demandas da 
população cliente. As ações dos assistentes sociais eram medidas assistenciais 
para atender interesses estatais e empresariais, visando conter o embate de 
classes. Após esse período, principalmente na década de 60, há um aumento de 
escolas e abertura de indústrias, mas também o agravamento dos níveis de 
pobreza da população trabalhadora, além do golpe militar de 1964. Esse quadro 
provoca a incorporação de novas atribuições profissionais pelos assistentes 
sociais, relativas à coordenação, planejamento e administração de programas 
sociais. Contudo, o exercício profissional se mantém dentro dos mesmos 
moldes. 
Conforme Bonin e Krüger (2015), até aproximadamente 1980, a ação 
planejada do serviço social pode ser percebida em dois momentos: 
a. antes da reconceituação, quando a ação profissional tinha uma 
perspectiva de ajuste do homem ao meio; 
b. durante o processo de reconceituação, quando o serviço social questiona 
a realidade social e procura novos caminhos para intervir. 
Neste momento busca “dominar os conhecimentos da disciplina de 
planejamento, instrumentalizando-se assim para atuar na política social e no 
planejamento social” (Bonin; Krüger, 2015), embora com marcos conservadores. 
O Código de Ética do Serviço Social de 1986 busca o rompimento com 
esse conservadorismo por meio da aproximação com a teoria marxista e propõe 
que o profissional tenha um conhecimento crítico da realidade e condições de 
elaborar, decidir, planejar e gerir a respeito de políticas sociais e programas 
institucionais. 
TEMA 4 – A EVOLUÇÃO DO PLANEJAMENTO NO SERVIÇO SOCIAL 
Após o movimento de reconceituação, o serviço social considera o 
planejamento: 
como um processo que envolve reflexão, decisão, ação e retomada da 
reflexão, exigindo uma análise sobre as intencionalidades, a dimensão 
político-decisória que dá suporte ético-político à ação técnico-
administrativa (Baptista, 2015, p.15 ) 
Esse processo é envolvido pelas correlações de força, as quais interagem 
nas intencionalidades e decisões, colocando em risco as transformações de 
cenário almejadas. Daí a importância de os assistentes sociais ocuparem 
 
 
7 
espaços relevantes no planejamento, assegurando que os interesses e direitos 
dos usuários sejam respeitados. 
Pela conquista de novos espaços ocupacionais pelo serviço social no 
campo da formulação, gestão e avaliação de políticas públicas, planos, 
programas e projetos sociais, houve a expansão da concepção de direitos 
sociais da Constituição de 1988, Teixeira (2009) ressalta que “cabe, entretanto, 
a gestores e técnicos, processar teórica, política e eticamente as demandas 
sociais, dando-lhes vazão e conteúdo no processo de planejamento e gestão, 
orientando a sua formatação e execução”. 
Com a Lei n. 8.662/1993, que regulamenta a profissão, o planejamento 
passa a se situar como ferramenta integrante das ações do assistente social 
(CFESS, 2012, p.44 a 46): 
Art. 4º 
I. Elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos 
que sejam do âmbito do Serviço Social com participação da sociedade 
civil. 
[...] 
VI. Planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais. 
VII. Planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a 
análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais. [...] 
X. Planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de 
Unidades de Serviço Social. 
Art. 5º 
I. Coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, 
pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social; 
II. Planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidades 
de Serviço Social (Brasil, 1993). 
No Código de Ética Profissional do Assistente Social, também de 1993, 
consta, no art. 2º, que é direito do assistente participar na elaboração e 
gerenciamento das políticas sociais e na formulação e implementação de 
programas. 
Couto (2012) afirma que o assistente social é chamado a prestar serviços 
que podem corroborar o status quo ou atuar para criar outras formas de 
sociabilidade, que reflitam e problematizem a organização da sociedade. Para 
que isso ocorra, é necessária uma sólida formação teórica e técnica. É preciso 
 
 
8 
fugir das improvisações, é imperioso planejar o trabalho, dar-lhe sentido 
teleológico, isto é, relacionar um fato com sua causa final. 
TEMA 5 – PLANEJAMENTO E SERVIÇO SOCIAL NO CONTEXTO ATUAL 
Decorridos mais de 20 anos da configuração do planejamento como 
competência do assistente social, seu espaço ainda é restrito tanto no âmbito 
teórico quanto prático da profissão. 
Segundo Bonin e Krüger (2015), o projeto ético-político do serviço social 
é hegemônico na academia e nas entidades representativas da categoria, mas 
no exercício profissional a mesma hegemonia não é identificada. Afirma-se que 
há lacunas a serem observadas, dentre as quais o planejamento, uma vez que 
esse projeto não avançou na mesma medida que outras referências da profissão. 
As autoras fazem três considerações a este respeito: 
 A dificuldade dos Assistentes Sociais em sistematizar suas 
ações profissionais, sendo este procedimento a base para ações 
planejadas; 
 A pouca participação dos assistentes sociais nos processos de 
planejamento das políticas sociais e 
 A escassa produção teórica na trajetória do serviço social sobre 
o tema (Bonin; Krüger, 2015) 
NA PRÁTICA 
O planejamento traz uma série de conceitos e enfoques, e cada um destes 
valoriza alguns aspectos em detrimento de outros. O planejamento no serviço 
social é um processo que envolve reflexão, decisão, ação e retomada da 
reflexão, exigindo uma análise sobre as intencionalidades, a dimensão político-
decisória que dá suporte ético-político à ação técnico-administrativa. 
Em relação ao planejamento no serviço social, o que mais chamou sua 
atenção no conceito? Nos espaços ocupacionais da profissão que você 
conheceu até agora, seja por meio de visitas institucionais e contatos com 
assistentes sociais para conhecer a prática profissional ou pela vivência de 
estágio em serviço social, o planejamento é exercido pelo assistente social? De 
que forma se expressa na prática profissional? 
 
 
 
9 
FINALIZANDO 
Nesta aula, foram abordadas a administração como campo de 
conhecimento que passou a controlar o trabalho e o planejamento,com sua 
conceituação e contextualização no social. Em seguida, foi vista sua trajetória na 
história do serviço social, os seus espaços na prática profissional e sua 
importância. 
 
 
 
 
10 
REFERÊNCIAS 
BAPTISTA, M. V. Planejamento social: intencionalidade e instrumentação. São 
Paulo. Veras Editora, 2015. 
BARBOSA, M. C. Planejamento e serviço social. São Paulo: Cortez, 1990. 
BARBOSA, R. N. C. Introdução ao estudo da administração e planejamento 
aplicados ao trabalho do assistente social. Revista Em Pauta – Faculdade de 
Serviço Social da UERJ, UERJ, Rio de Janeiro, n. 14, 1999. 
BERTOLLO, K. Planejamento e serviço social: tensões e desafios no exercício 
profissional. Temporalis, Brasília (DF), ano 16, n. 31, jan./jun. 2016. 
BONIN, S.; KRÜGER, T. Planejamento e serviço social. Sociedade em Debate, 
n. 21, v.2, 2015. 
BRASIL. Lei n. 8.662, de 7 de junho de 1993. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 8 jul. 1993. 
CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas 
organizações. Barueri: Manole, 2014. 
COUTO, B. R. Formulação de projeto de trabalho profissional. Serviço Social & 
Cotidiano, 30 out. 2012. Disponível em: 
<http://servicosocialecotidiano.blogspot.com/2012/10/formulacao-de-projeto-de-
trabalho.html>. Acesso em: 29 out. 2018. 
MAXIMIANO, A. C. A. 4. ed. Introdução à administração. São Paulo: Atlas, 
1995. 
OLIVEIRA, D. P. R. Planejamento estratégico: conceitos, metodologia e 
prática, 10. ed. São Paulo: Atlas, 1996. 
PEREIRA, J. M. Manual de gestão pública contemporânea. São Paulo: Atlas, 
2009. 
TEIXEIRA, J. B. Formulação, administração e execução de políticas públicas. 
Gestão e planejamento no campo das políticas sociais. In: _____. Serviço 
social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS/APEPSS, 
2009.

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