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Direitos étnicos-culturais dos 
quilombolas 
Apresentação
A escravidão da população negra no Brasil durou trezentos anos. Ou seja, no contexto da 
colonização, a mão de obra indígena, já quase extinta devido à tortura, assassinato e escravidão, 
acabou sendo substituída pelos negros. A importação dessa mão de obra se relacionava com a 
escravidão e com o tráfico de negros da África. Após um período extenso, a abolição acabou por 
acontecer. Vários motivos levaram à assinatura da Lei Áurea, os principais envolviam interesses das 
classes econômicas dominantes. Posteriormente à abolição, a vida dos ex-escravos foi marcada por 
preconceito e exclusão. Mesmo na contemporaneidade, a população negra ainda é alvo disso.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você compreenderá como ocorreu o processo de colonização na 
América, entenderá como os processos foram distintos no continente americano, verá também 
quais foram as dificuldades da população negra após a abolição e como alguns quilombos se 
estabeleceram com a legitimação da demarcação de terras e outros, mais próximos às cidades, 
converteram-se em favelas.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Explicar as origens das políticas escravocratas no contexto 
da colonização do território americano, com ênfase no Brasil.
•
Descrever impactos sofridos pela população quilombola após 
a Lei Áurea de 1888.
•
Relacionar a favelização das cidades com a demarcação 
das terras quilombolas.
•
Desafio
A escravidão é uma herança que deixou marcas na história do Brasil, principalmente na população 
negra. Ainda hoje, pessoas negras enfrentam situações de preconceito e desigualdade social. 
Muitas das dificuldades que enfrentam estão relacionadas à construção cultural que se fez da 
população negra desde a escravidão. A exemplo disso, há os quilombos que resistiram e que, apesar 
de reconhecidos e demarcados, sofrem com o descaso.
Uma das maiores queixas das pessoas dos quilombos é a perda da cultura, uma vez que as igrejas 
próximas acabaram por convertê-los. Outro aspecto é a educação, pois muitas crianças quilombolas 
têm acesso a escolas que recusam a cultura popular negra. Isso, mais uma vez, adentra o aspecto 
religioso, pois grande parte da sociedade é cristã e despreza, por preconceito, a religião afro-
brasileira, classificando-a como “bruxaria”. 
Sendo assim, você decidiu conversar com os alunos e explicar melhor alguns aspectos.
Para tanto, responda:
a) O que é sincretismo e como se relaciona com as religiões? 
b) Por que não faz sentido acusar religiões afro de "desrespeito com as demais crenças"?
Infográfico
O tráfico de negros para serem escravos no Brasil durou muitos anos. Até mesmo quando a prática 
já estava proibida, os capitães continuaram o tráfico por rotas alternativas. Nesse contexto, a mão 
de obra escrava dos negros foi fundamental para o projeto de comércio em relação à produção 
de açúcar. Assim, os portugueses se valeram do comércio de escravos existente na África para 
implementarem a escravidão no Brasil. 
No Infográfico, você entenderá como ocorria o tráfico de escravos, quais povos foram escravizados 
e por quais motivos.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/b6aeed29-3a5e-4b7d-acb9-11b06c2650bb/709390ab-3f8a-4522-8bb4-b4822fca47f5.png
Conteúdo do livro
A escravidão não aconteceu somente no Brasil. No contexto da chegada dos europeus, tanto na 
América do Sul quanto na América do Norte, foi empregado o uso da mão de obra escrava. 
Entretanto, há distinções nos processos de colonização. Nos EUA, a escravidão durou menos do 
que no Brasil e lá ocorreu a colonização de povoamento, ou seja, cidadãos ingleses e franceses 
foram morar nos EUA. No entanto, no Brasil, a colonização ocorreu com o caráter estritamente de 
exploração. Nesse sentido, os índios foram escravizados e, posteriormente, os negros. A escravidão 
no Brasil durou 300 anos e deixou marcas sociais e culturais que perduram até hoje na população 
negra do país.
No capítulo Direitos étnicos-culturais dos quilombolas, da obra Antropologia Social, você entenderá 
como ocorreu a colonização na América, em especial no Brasil, verá como ficou a situação 
socioeconômica e cultural dos negros após a abolição da escravidão, e, por fim, entenderá a relação 
existente entre as favelas e a demarcação quilombola, tanto historicamente como na atualidade. 
Boa leitura.
ANTROPOLOGIA 
SOCIAL
Mayara Joice Dionizio
Direitos étnicos-culturais 
dos quilombolas
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 � Explicar as origens das políticas escravocratas no contexto da colo-
nização da América, sobretudo no Brasil.
 � Descrever os impactos sofridos pela população quilombola após a 
Lei Áurea de 1888.
 � Relacionar a favelização das cidades à demarcação das terras 
quilombolas.
Introdução
A situação dos negros no Brasil é uma importante temática da história 
do país após a colonização, uma vez que, por meio dos portugueses, a 
importação de negros para serem escravizados começou em 1554. O 
uso da mão de obra escrava durou até a abolição, em 1888, porém, suas 
dificuldades não acabaram com a escravidão. A partir da abolição, o 
desafio em relação ao preconceito, aos direitos assegurados e à dignidade 
se solidificou na causa negra. Antes, no período da escravidão, eles eram 
totalmente desumanizados e, após a abolição, lidam com o preconceito 
institucionalizado que perdura em diversos aspectos até hoje.
Neste capítulo, você estudará o tráfico de negros para o Brasil; como 
a mão de obra escrava indígena foi substituída pela negra; o surgimento 
dos quilombos como forma de resistência; em qual contexto ocorreu a 
abolição da escravidão; e qual a situação dos negros social, econômica 
e geograficamente.
Origens das políticas escravocratas no contexto 
da colonização da América
Ao tratar do processo de colonização, é necessário ressaltar as distinções que 
ocorreram entre cada processo, uma vez que muitos países foram colonizados 
por diferentes nações, isso significa que culturas e modos de vida diversos 
implicaram várias produções culturais étnicas. Além dessa reformulação 
diante do encontro e da imposição cultural dos colonizadores, a economia, a 
política e as diferentes esferas da vida pública se relacionaram com o processo 
de colonização, inclusive, a escravidão. 
Assim, partindo da colonização da América, tanto a do norte como a do 
sul, nota-se uma distinção entre os povos e países, apesar de esse processo 
ter ocorrido quase na mesma época, devido à relação amplamente política, 
social, econômica e cultural que os países europeus estabeleceram quanto 
à escravidão, exploração, organização social, entre outras estruturas que 
compuseram o modo de vida em cada terra colonizada. Por exemplo, com 
uma diferença temporal pequena, Cristóvão Colombo chegou a América do 
Norte em 1492; e Pedro Álvares Cabral, a América do Sul em 1500, mas esses 
territórios são bem distintos. 
Entretanto, a escravidão foi uma prática adotada desde a Antiguidade, 
sendo os escravos basicamente os presos de guerra, o que aconteceu em 
diversas sociedades, não apenas na greco-romana, como também nas bár-
baras desse período (vikings, unos, entre outras). Assim, com o declínio do 
Império Romano e a ascensão do cristianismo, a escravidão quase se tornou 
inexistente na Europa, porque a maior parte dos seguidores da religião cristã 
era composta de escravos. Já no período da Renascença, essa prática voltou 
a ser adotada, sendo reestabelecida no contexto das navegações como um 
modo de cuidar das produções agrícolas, sobretudo a de açúcar, bem como a 
produção nas colônias, após a colonização da América — inicialmente pelos 
portugueses e espanhóis.
Assim, começaram as diferentes colonizações no continente americano. 
Por exemplo, acolonização dos Estados Unidos foi possível devido a diversos 
fatores, especialmente por ter tido um caráter de povoamento e mão de obra 
negra nos estados situados ao sul. Anteriormente à chegada de Colombo 
nos Estados Unidos, havia várias tribos nativas que foram dizimadas pelos 
espanhóis, pois, nesse período, a Espanha financiou e apoiou politicamente 
as incursões, desde Colombo, a América do Norte. No século XVI, os povos 
astecas, maias e incas também foram dizimados, e os espanhóis assumiram 
Direitos étnicos-culturais dos quilombolas2
o controle e colonizaram as regiões que se estendiam da América do Sul aos 
Estados Unidos, estabelecendo, sobretudo nestes, os assentamentos.
Depois, a região dos Estados Unidos começou a atrair países como França 
e Inglaterra, que estabeleceram colônias nessa área, porque os espanhóis não 
tinham um grande interesse na América do Norte. Entretanto, mais ao sul 
desse território, onde se concentravam as grandes plantações para exportação, 
a partir de 1619, começou-se a usar mão de obra escrava devido à expansão 
comercial. Assim, foi empregada a economia chamada plantation, um sistema 
econômico baseado em uma monocultura, na produção e comercialização de 
apenas um produto, neste caso, tabaco e algodão. Esse sistema não considera a 
economia regional, mas, sim, o lucro externo, o que gera grandes latifundiários 
e utiliza mão de obra escrava.
O sistema plantation também foi utilizado no Brasil por muitos anos, sendo 
característico das sociedades colonizadas. No Brasil, o processo de colonização 
foi diferente dos Estados Unidos, apesar de ambos terem usado mão de obra 
escrava, pois desde a chegada dos europeus, ele foi visto como uma terra a 
ser somente explorada pelos portugueses, durante um primeiro e extenso 
período. Portanto, seus colonizadores já tinham experiência com a produção 
de açúcar em Portugal, especificamente nas ilhas da Madeira e de São Tomé.
Devido à sua experiência, a coroa portuguesa decidiu criar engenhos de 
açúcar no Brasil, que enfrentaram dificuldades até meados dos anos de 1570, 
envolvendo os custos relacionados à montagem dos engenhos e à falta de mão 
de obra — que era formada por indígenas. Entretanto, em razão das doenças 
que os indígenas contraíram dos colonizadores (como sarampo e varíola), da 
falta de anticorpos, das péssimas condições de existência e dos maus tratos, 
muitos deles começaram a falecer. Assim, nesse contexto, iniciou-se o tráfico 
de pessoas negras para o Brasil.
Nessa época, o Brasil estabeleceu relações de comércio com os países 
do norte europeu, o que fomentou o tráfico de negros em grande proporção 
entre os anos de 1580 e 1620. Já a produção açucareira brasileira ultrapassou 
todos os outros países que forneciam açúcar para a Europa, devido à mão 
de obra escrava negra importada, que superava a indígena, já debilitada. Os 
escravos negros, por sua vez, trabalhavam no engenho de forma organizada 
e especializada, o que possibilitou o aumento na produção de açúcar e fez o 
valor de um negro se tornar três vezes maior do que o de um indígena, em 
relação à compra e ao tráfico. Quando os indígenas começaram a falecer de 
forma maciça, a coroa portuguesa criou algumas leis que criminalizavam, 
parcialmente, a escravidão de índios.
3Direitos étnicos-culturais dos quilombolas
Assim, no Brasil, os colonos investiram no tráfico de negros, principal-
mente a partir do século XVI, em que a Angola havia sido conquistada pelos 
portugueses. Segundo Marquese (2006), entre os anos de 1576 e 1600, vieram 
por volta de 40.000 escravos e, de 1600 a 1625, esse número praticamente 
triplicou, sendo que o país recebeu cerca de 150.000 novos escravos, os quais, 
em geral, eram destinados ao trabalho nos engenhos e canaviais.
A produção em grande escala atraiu os europeus, especialmente os ho-
landeses e ingleses (estes já tinham conquistado a América do Norte), o que 
culminou nas invasões que aconteceram por parte da Holanda. Em 1624 e 
1630, os holandeses invadiram a Bahia e, posteriormente, o Pernambuco, 
o qual ficou marcado pela Guerra dos Palmares. Após conquistarem essas 
regiões, eles notaram que lhes faltava a logística econômica em relação à 
produção de açúcar, não conseguindo organizar os escravos, nem negociar 
com os traficantes de negros. Sua solução foi conquistar os lugares forne-
cedores de escravos para o Brasil. Portanto, em 1638, houve a conquista do 
entreposto de Portugal na África, primeiramente em São Jorge de Mina e, 
depois, em 1641, na Angola. Tais invasões foram comandadas por Maurício 
de Nassau, em nome da West-Indische Compagnie (WIC), a companhia de 
mercadores holandeses.
Entretanto, em 1645, houve a revolta dos colonos portugueses ou luso-
-brasileiros, o que causou a retirada dos holandeses do Brasil; e, em 1654, 
os portugueses expulsaram os holandeses da Angola. Desde então, a WIC 
se concentrou em produzir açúcar na América do Norte, principalmente em 
estados portuários como o Caribe, e ensinou a técnica aos colonos franceses 
e ingleses que habitavam a área. Porém, durante todo o conflito entre os 
colonos portugueses e holandeses, o número de escravos negros diminuiu, 
devido à disputa em torno dos países fornecedores de mão de obra escrava e 
à resistência desta aos colonizadores. No século XVII, em que ainda havia 
conflitos entre colonos, muitos escravos do centro-sul da África desembar-
caram no Brasil. Já a região de Palmares, em Pernambuco, se tornou o lugar 
de resistência quilombola, bem como era conhecida pelo plantation, o que 
favoreceu a organização da resistência, na medida em que era populosa devido 
à grande produção.
Após vencerem os holandeses, os portugueses iniciaram um confronto 
contra a resistência de Palmares, tendo como maior obstáculo a queda na 
Direitos étnicos-culturais dos quilombolas4
produção açucareira do Brasil. Isso significa que o conflito com os holan-
deses já os havia desgastado; o número de escravos diminuiu; e a produção 
dos países da América do Norte (que haviam aprendido a produzir açúcar 
com os holandeses) começou a superar a brasileira. Assim, a população de 
escravos se alojou em Palmares, conseguiu resistir a várias tentativas das 
autoridades e ficou conhecida, na época, como os holandeses de outra cor. 
Entretanto, ela foi derrotada pelo uso de armas dos colonos portugueses, em 
situação de conflito.
Neste período, a Europa começou a importar açúcar dos franceses e ingleses, 
e não mais do Brasil. Outro ponto importante é que, entre 1640 e 1668, Portugal 
entrou em guerra contra a Espanha, fazendo-o depender muito mais das colônias. 
Portanto, as colônias ficaram responsáveis por sustentar a coroa portuguesa, 
seja com despesas do reino ou com o exército português.
Entretanto, para suprir esses gastos da coroa portuguesa, os colonos con-
seguiram retomar à produção de açúcar firmando um acordo com a África, 
que aceitou fornecer escravos por um preço inferior ao de outrora. Nessa 
época, os donos de engenho começaram a se preocupar com as revoltas qui-
lombolas, criando a figura do capitão do mato e a alforria, assim, com o 
intuito de consegui-la, muitos negros se tornavam capitães do mato de seus 
senhores e capturavam os escravos. Já outros eram libertos e aceitavam essa 
função por falta de expectativas sociais de trabalho e de convivência com a 
sociedade; existiam ainda aqueles que estavam à disposição por tentarem se 
sentir superiores aos demais; entre outras situações.
Entre 1684 e 1745, um dos grandes números de alforrias era de mulheres, 
pois muitos homens tentavam alforriar escravas para serem suas amantes, 
assim, estimava-se cerca de duas mulheres alforriadas para cada homem 
branco. Já a reprodução de escravos se comprometeu com o decorrer dos anos, 
porque muitos eram filhos de brancos. Tudo isso garantiu a predominância do 
tráfico negreiro como principal fonte de mão de obra no Brasil. Houve também 
a alforria de vários escravos nascidos no país, que eram classificados como 
criouloou pardo e constituíram a maior porcentagem de alforriados, sendo 
que de 100%, 69% eram crioulos e 31% nativos da África. Na Figura 1, você 
pode ver uma pintura que retrata o tráfico negreiro.
5Direitos étnicos-culturais dos quilombolas
Figura 1. Slave Trade, by John Raphael Smith, after George Morland, 1762-12, British print.
Fonte: Everett - Art/Shutterstock.com.
Você conhece a história de Chica da Silva? Ela era filha do português Antônio Caetano de 
Sá e de Maria da Costa, uma escrava trazida da Nigéria para o Brasil. Chica se destacou, 
no Período Colonial, por ter sido uma escrava livre e rica que, em 1754, foi comprada 
por João Fernandes de Oliveira, um rico e importante contratador de diamantes que 
se apaixonou por ela. Eles tiveram 15 filhos e viveram como casados até o ano de 1770, 
quando Oliveira teve de retornar a Portugal para receber uma herança, levando seus 
quatro filhos homens. Chica ficou com suas filhas e as propriedades deixadas por seu 
companheiro, o que possibilitou que tivessem a mesma educação recebida pelas 
filhas dos aristocratas da época. Ela faleceu em 1796.
Direitos étnicos-culturais dos quilombolas6
Impactos sofridos pela população quilombola 
após a Lei Áurea de 1888
O sistema de escravidão no Brasil aconteceu diante de uma constante vigi-
lância, uma violência aplicada de antemão, preventivamente e baseada no 
processo de rebaixamento moral e físico, em uma hierarquia. Nesse contexto, a 
desumanização do negro como pessoa era um dos pilares que mais sustentava 
a não rebelião de escravos. Do mesmo modo, o colonialismo incluía em sua 
legislação que os negros fossem perseguidos, subordinados e castigados caso 
fugissem ou se recusassem a executar qualquer tarefa. Essa legislação era 
respaldada pelos argumentos europeus de escravidão, em relação ao Período 
Greco-romano.
Como forma de resistência, os escravos começaram a se organizar, resistir 
e formar os quilombos. Assim, quando os escravos conseguiam fugir, a única 
forma de viver sem se submeter ao sistema escravista era ir a áreas de difícil 
acesso, o que deu origem aos primeiros quilombos brasileiros. Esses escravos 
começavam a habitar alguma região inóspita, e a notícia chegava aos escravos 
nas fazendas, os quais tentavam encontrá-la e formavam a comunidade quilom-
bola, que, devido ao sistema de escravidão, tinha de criar sistemas de defesa e 
se manter sempre em alerta caso uma pessoa branca encontrasse o quilombo.
Em 13 de maio de 1888, instituiu-se a Lei Áurea, conquistada após muitos 
esforços, mas que, apesar de libertar os negros da escravidão, impôs aos ex-
-escravos uma situação bem difícil. Em 1824, a Constituição do Império foi 
outorgada e não apresentou lei alguma que garantisse qualquer direito aos 
negros ou que os reconhecesse como cidadãos brasileiros. Nesse período, 
apenas os crioulos ou escravos alforriados tinham direitos que consistiam em 
alguns direitos políticos e na remota possibilidade de ocuparem cargos públicos, 
uma vez que o preconceito era bastante arraigado e presente na sociedade. 
Em 1826, Dom Pedro I ratificou uma convenção juntamente a Inglaterra, em 
que declararam proibido o tráfico de escravos, tornando-o ilegal em 1830.
Em 1831, instituiu-se a Lei Feijó, em que os escravos vivos, importados do 
continente africano, estariam livres a partir de então. Desde esse momento, 
foram apresentados projetos em relação à escravidão, alguns defendiam que 
esse sistema deveria ser extinto, e outros que sua extinção seria gradual. Até 
a assinatura da Lei Áurea, foram instituídas diversas leis em favor dos negros, 
como Lei Eusébio de Queirós, que abolia o tráfico; Lei do Ventre Livre, que 
7Direitos étnicos-culturais dos quilombolas
libertava as crianças ainda não nascidas; Lei dos Sexagenários, que libertava 
todos os negros com mais de 60 anos.
Já em 11 de maio de 1888, o Senado do Império recebeu uma proposta de 
lei abolicionista referente à escravidão, que já havia sido votada na Câmara 
Geral. Em 13 de maio, o Senado a aprovou e a submeteu à princesa regente, 
Isabel, que assinou a Lei Áurea, mas, em geral, sua aprovação não ocorreu pela 
sociedade reconhecer os direitos dos negros, mas, sim, pelas pressões sociais e 
econômicas. Apesar de o movimento abolicionista ter grande relevância nesse 
período, o que garantiu a aprovação da lei foi que muitos escravos começaram 
a ser alforriados e foram morar em quilombos. Eles ainda invadiam as fazendas 
e saqueavam, o que gerou um problema para os fazendeiros, uma vez que a 
população de escravos já estava se reduzindo bastante no decorrer dos anos.
Contudo, no continente americano, o Brasil foi o último país a abolir a 
escravidão. Outro ponto forte que garantiu a aprovação da lei foi a relação do 
Brasil com a Inglaterra, pois, naquele momento, esta havia se tornado uma 
grande potência industrial e exercia bastante influência sobre muitos países, 
bem como certo domínio mercadológico em relação a eles. O ditado popular 
“para inglês ver” surgiu nesse contexto, porque as leis anteriores à outorga da 
Lei Áurea foram quase ineficazes. Por não querer negociar mais com um país 
escravista, a Inglaterra exigiu que a escravidão fosse abolida definitivamente 
ou se voltaria contra ele.
Após a abolição formal da escravidão, a maioria dos negros foi expulsa das 
fazendas e teve duas opções: ir morar nos quilombos ou se alojar nas periferias 
das cidades. Grande parte dos que viviam na área rural optou por morar nos 
quilombos, sendo que muitos se organizavam em grupos para ir aos locais 
quilombolas, uma vez que eram de difícil acesso. Isso ocorreu também porque 
vários temiam que a lei de abolição fosse revogada, assim, já estariam longe.
O próprio contexto no qual aconteceu a outorga da Lei Áurea era totalmente 
elitizado e com a aprovação política devido aos fazendeiros, e não aos horrores 
da escravidão ou à humanização. A instituição dessa lei foi comemorada na 
corte brasileira por meio de um baile, em que os negros foram, mas como 
criados, pois o serviço de criadagem pertencia a eles até aquele momento e 
demorou um período para que isso mudasse. Outro aspecto é que, de forma 
geral, a lei não dava qualquer garantia social aos negros, o que significa que 
ficaram à margem da sociedade, não tinham acesso às escolas, ao latifúndio, 
nem à saúde. Assim, o destino deles foi trabalharem em serviços que, até 
então, praticavam como escravos e receberem menos do que um trabalhador 
branco. Muitos escravos afirmavam que sentiam saudades da escravidão, pois 
antes tinham o que comer (COSTA, 1986, p. 96).
Direitos étnicos-culturais dos quilombolas8
Portanto, a mentalidade colonialista, a mesma que resiste em reconhecer os 
direitos indígenas, se manteve em relação aos negros. Com a Proclamação da 
República em 1889, bem próxima à outorga da abolição da escravidão, os ideais 
eugenistas controlaram a sociedade brasileira, sendo instituída a superioridade 
da raça branca, com a qual as pessoas negras têm de lidar até os dias atuais. 
Isso começou com um estudo sobre o cruzamento das raças, que inclusive 
fundamentou o genocídio dos judeus no nazismo, em que os alemães eram 
considerados superiores. A princípio, esse estudo visava melhorar as raças no 
campo da agricultura e agropecuária, porém, logo se tornou um fundamento 
de exclusão social das minorias.
Assim, a classe média e a burguesia da época motivavam estudos genéticos 
e sociais que tivessem como finalidade a melhoria da raça. Nesse contexto, 
aconteceram as imigrações de europeus, como os alemães e italianos, para 
executarem os trabalhos que antes eram feitos pelos negros, isso motivado 
pelo preconceito fomentado na época. Instaurou-se uma concorrência em 
relação ao mercado de trabalho, principalmente o agrícola, em que os donos 
de fazendas evitavam empregar os negros por duas razões: 
 � Os negros eram vistos como um perigo, especialmente aqueles que 
foram libertados, pois poderiam voltar às fazendas procurando trabalho 
e se vingaremde seus antigos donos.
 � O ideal eugenista pregava que se ninguém empregasse os negros, eles 
morreriam sem fontes de renda, o que contribuiria para o branquea-
mento do país.
Neste período, os negros começaram a ocupar terras em uma relação 
consignada com os donos, cedendo grande parte dos ganhos a eles. Poucas 
pessoas negras conseguiram ascender socialmente e, quando ocorria, eram alvo 
de muito preconceito. Já no século XX, eles migraram mais para as cidades 
em busca de trabalho, nesse contexto, as oportunidades viáveis envolviam 
artesanato e a Marinha. Depois, a indústria começou a ascender, assim como 
os meios de comunicação, principalmente o rádio.
Assim, os negros foram inseridos aos poucos no mercado de trabalho, e, 
de forma gradual, os meios de comunicação assimilaram a dignificação dessa 
população do Brasil. Esse quadro está em retardo em relação ao preconceito até 
a atualidade, por exemplo, ao se analisar o racismo revelado em estatísticas de 
consumo em geral, dos rendimentos do trabalho e da mão de obra empregada 
em certos setores.
9Direitos étnicos-culturais dos quilombolas
Da favelização das cidades à demarcação das 
terras quilombolas
Pensar nas favelas brasileiras e na população negra que ocupa esses espaços já 
se tornou uma relação quase sequencial. Devido à situação dos negros após a 
abolição da escravidão ou à conquista de alforria imposta, sua liberdade veio 
acompanhada de muitos interesses da coroa e da elite brasileira, por isso, eles 
não tiveram suporte social e cultural após a abolição. Essa falta de suporte 
se estendeu também à questão de moradia e subsistência, pois a maioria se 
refugiou em dois espaços: nos quilombos da área rural e nas periferias das 
cidades. Isso teve relação direta com o surgimento das favelas, por exemplo.
No Período Colonial, os quilombos simbolizavam a resistência negra à 
escravidão, a busca pela conquista da terra e por liberdade. Porém, a relação 
que o coletivo da comunidade quilombola estabelecia com a terra era de prover 
para a própria subsistência do povo refugiado. Diante do sistema escravista, 
esses quilombos eram móveis, cuja permanência nunca estava atrelada a apenas 
um local, mas a muitos, com a finalidade de não serem encontrados por pessoas 
não escravas. Assim, seus membros pensavam na sua existência de modo 
estratégico. Pode-se afirmar que, no Brasil, parte do desgaste da escravidão 
ocorreu devido ao refúgio e à resistência que os quilombos possibilitaram.
Outro aspecto é que o quilombo começou a representar uma disputa latifun-
diária. Quando eram escravos, os negros serviam apenas como uma ferramenta 
de produção, não tinham acesso a quaisquer frutos de seus trabalhos; mas 
ao serem libertos, quilombolas entraram na disputa por terra e se tornaram 
sujeitos políticos. Muitas pessoas se estabeleceram nesses espaços, assim 
como as gerações que surgiram depois, atualmente, ainda há uma relação de 
disputa por essas terras. Portanto, as comunidades remanescentes quilombolas 
se fortaleceram nessas áreas, criando laços culturais e afetivos, conforme 
previsto no art. 68 da Constituição: “[a]os remanescentes das comunidades 
dos quilombos que estejam ocupando suas terras e reconhecida à propriedade 
definitiva, devendo ao Estado emitir-lhes os títulos respectivos”.
Entretanto, assim como a demarcação das terras indígenas, a dos quilombo-
las vive em uma luta constante por legitimação. Nesse contexto, os quilombos 
e as favelas surgem como um espaço de resistência, segundo Campos (2010, p. 
31): “[o] quilombo, era espaço de resistência à ordem imperial, tem alguns pon-
tos em comuns com as atuais favelas brasileiras, sobretudo aquelas localizadas 
nas grandes cidades”. Nesse sentido histórico, a relação entre os quilombos e 
as favelas não é apenas comparativa, porque, como a prerrogativa quilombola 
era dificultar o acesso dos não escravos a esses locais, muitos quilombos foram 
Direitos étnicos-culturais dos quilombolas10
construídos em morro e nos espaços periféricos das cidades. Quanto às áreas 
mais altas, como os morros, isso permitia que os escravos tivessem uma visão 
ampla e conseguissem fugir com maior facilidade.
A concentração dos escravos era sempre à margem das cidades, em lugares 
com cobertura de mata. Esses quilombos próximos das metrópoles come-
çaram a atrair não somente escravos, como também negros livres e pessoas 
não negras que tinham situação irregular no país. O que se evidenciou no 
decorrer dos anos é que sua formação estava atrelada tanto aos negros como 
a uma esfera social, pois as condições sociais reuniram aqueles que não eram 
aceitos socialmente nas grandes cidades. A primeira favela surgiu durante a 
Guerra do Paraguai, na qual os negros que lutaram tiveram direito à alforria 
e a residir nos morros da Previdência e de Santo Antônio.
Já o surgimento das favelas posteriores à guerra, os quilombos próximos 
das áreas urbanas, ocorreu como o único espaço em que as pessoas tinham uma 
possibilidade de sobreviver. Posteriormente, na versão mais contemporânea, 
elas surgiram em decorrência do aumento da população e da necessidade de 
morar perto dos grandes centros, em busca de melhores condições de vida. 
Assim, os quilombos foram, aos poucos, se transformando em favelas, em 
geral, porque, na sociedade brasileira, a desigualdade social e estigmatização 
de negros, pobres e desajustados condicionavam esses sujeitos a um modo de 
vida, levando-os a procurar tais locais.
Os quilombos, que posteriormente se tornaram favelas, evidenciavam 
a negação do negro como sujeito político e detentor de direitos. Na medida 
em que, mesmo após a abolição, lhe era negado o direito a adentrar na vida 
sociocultural dos demais, sendo segregado inclusive geograficamente, por isso, 
esses locais estavam amparados na desigualdade social e marginalização de 
forma constitucional. Assim, o Estado sempre, mas tratando-se do moderno, 
considerou tais espaços uma forma de separar todos os inconvenientes sociais 
em apenas um lugar.
De modo comparativo, os quilombolas e os negros moradores das favelas 
ainda enfrentam os resquícios do sistema de escravidão e as dificuldades 
acarretadas desde então. As comunidades demarcadas atualmente como qui-
lombolas também lidam com alguns problemas que atingem as favelas, as 
quais eram quilombos, como a dificuldade de acesso à educação, à saúde e o 
preconceito. De acordo com Barbosa (2005, p. 50): “até hoje os descendentes 
de Campos Novos [comunidade quilombola] sofrem com invasões de migran-
tes, construções ilegais e extração de areia. [...] O aumento da população do 
município trouxe, dizem os/as moradores/as, para os jovens, problemas ‘que 
eram sós da cidade grande’”.
11Direitos étnicos-culturais dos quilombolas
Do Período Colonial até a atualidade, os territórios foram se tornando 
cidades, por isso, não existem mais quilombos tão afastados dela, o que sig-
nifica que o modo de vida dos descendentes de negros quilombolas é plural. 
Assim, ao mesmo tempo em que buscam preservar a cultura e a organização 
social, também vivem com acesso às cidades. Nesse sentido, eles sofrem tanto 
quanto nas favelas com o preconceito, a exclusão social e os malefícios da 
vida urbana, pois isso não se restringe à vida nessas áreas.
Entretanto, tais comunidades não são mal vistas pela classe dominante 
como as favelas, uma vez que as terras quilombolas interessam por outros 
aspectos, como pobreza e exclusão. Já as favelas são consideradas um lugar 
que abriga bandidos, traficantes e drogados, a escória da sociedade, o que é 
uma estigmatização que acompanha esses espaços desde seu surgimento, na 
medida em que acolhem os excluídos socialmente.
Conclui-se que, desde a chegada dos negros ao Brasil, sua situação passa 
por um certo retardo em relação aos seus direitos e à possibilidade de ascen-
são social. Eles se tornaram escravos por serem considerados de qualidade 
inferior e, após um extenso período de escravidão, torturas e humilhações, sua 
aboliçãoaconteceu devido aos interesses econômicos da classe dominante e da 
coroa portuguesa. Livres, os negros não tiveram suporte social, econômico e 
cultural, sendo alvo de políticas eugenistas que buscavam sua extinção. Com a 
industrialização do país e a instituição do Estado moderno, eles começaram a 
ocupar as favelas, e muitos são tratados como a escória social. Já os quilombos, 
apesar de serem demarcados, existem de forma precária e excluída.
Atualmente, busca-se políticas públicas como cotas em universidades e 
concursos, porém, como muitos negros ainda sofrem preconceito e têm difícil 
acesso à educação e aos outros direitos, por exemplo, herança histórica da 
escravidão, é pouco provável que eles ascendam socialmente, apesar de haver 
alguns exemplos dessa mobilidade social e econômica.
Para saber um pouco mais sobre o contexto da escravidão nos Estados Unidos, assista 
ao filme “12 Anos de Escravidão”.
Direitos étnicos-culturais dos quilombolas12
BARBOSA, J. C. A saga dos Rodrigues: 150 anos de história em Mato Grosso do Sul. 
Campo Grande: Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul, 2005. 255 p.
CAMPOS, A. Do quilombo à favela: a produção do espaço criminalizado. 3. ed. Rio de 
Janeiro: Bertand Brasil, 2010. 208 p.
COSTA, E. V. A abolição. 2. ed. São Paulo: Global, 1986. 102 p.
MARQUESE, R. B. A dinâmica da escravidão no Brasil: resistência, tráfico negreiro e 
alforrias, séculos XVII a XIX. Novos estudos CEBRAP, São Paulo, n. 74, p. 107–123, mar. 
2006. Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_abstract&pid=S0101-
-33002006000100007&lng=pt&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: 19 set. 2019.
Leituras recomendadas
CARDOSO, C. S.; MELO, L. O. FREITAS, D. A. Condições de saúde nas comunidades 
quilombolas. Revista de Enfermagem UFPE On Line, Recife, v. 12, n. 4, p. 1037–1045, abr. 
2018. Disponível em: https://periodicos.ufpe.br/revistas/revistaenfermagem/article/
view/110258. Acesso em: 19 set. 2019.
FREYRE, G. Casa grande e senzala: formação da família brasileira sob o regime de eco-
nomia patriarcal. 51. ed. São Paulo: Global, 2007. 727 p.
MORGAN, E. S. Escravidão e liberdade: o paradoxo americano. Estudos Avançados, São 
Paulo, v. 14, n. 38, p. 121–150, 2000. Disponível em: http://www.revistas.usp.br/eav/
article/view/9507. Acesso em: 19 set. 2019.
NAIFF, L. A. M.; NAIFF, D. G. M. A favela e seus moradores: culpados ou vítimas? Estudos 
& Pesquisas em Psicologia, Rio de Janeiro, v. 5, n. 2, p. 107–119, 2. sem. 2005. Disponível 
em: https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revispsi/article/view/11188. Acesso 
em: 19 set. 2019.
13Direitos étnicos-culturais dos quilombolas
Dica do professor
Uma das figuras mais importantes do Brasil foi o escritor Machado de Assis, nascido no Morro do 
Livramento, filho de um negro e neto de escravos alforriados. Com acesso restrito à educação em 
uma infância muito pobre, foi acolhido pelo padre Sarmento, que acabou sendo o seu mentor. 
Machado de Assis se tornou um dos maiores escritores da Língua Portuguesa.
Na Dica do Professor, você verá como foi a infância e a formação de Machado de Assis e entenderá 
como a sua obra assimilou em forma de romances as mudanças do período em que viveu, entre os 
séculos XIX 
e XX.
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Exercícios
1) No processo de colonização, a mão de obra escrava foi responsável pelo grande crescimento 
do país em relação à produção açucareira. Na verdade, o tráfico e a importação de escravos 
começaram por conta dessa produção, que já vinha dando resultados em algumas ilhas 
portuguesas. Nesse contexto, os colonizadores da América do Norte também começaram a 
implementar o mesmo sistema econômico brasileiro: o plantation.
Sendo assim, é correto afirmar que:
I. Plantation se baseava em explorar todos os tipos de agricultura.
II. Plantation se baseava em explorar a pecuária em especial.
III. Plantation se baseava em explorar a monocultura em especial.
Assinale a alternativa que indica a(s) frase(s) correta(s):
A) Somente a frase I está correta.
B) Somente a frase III está correta.
C) Somente as frases I e II estão corretas.
D) Somente a frase II está correta.
E) Somente as frases II e III estão corretas.
2) No período colonial, a produção de açúcar no Brasil se destacou. Assim, os europeus 
passaram a comprar os produtos exclusivamente do Brasil. Para tanto, a importação de mão 
de obra escrava aumentou, os holandeses se interessaram pelo território e pela produção 
açucareira do Brasil e decidiram invadir a cidade de Pernambuco. Disso decorreram alguns 
conflitos com os colonos portugueses.
Desse modo, é correto afirmar que:
A) Foi nesse período que os colonos portugueses conquistaram Angola.
B) Nesse período, os franceses e os holandeses disputaram o território brasileiro.
C) A guerra dos Palmares aconteceu em decorrência do conflito entre colonos.
D) Nesse período, foi proibido o tráfico negreiro entre África e Brasil.
E) O maior conflito, nesse período, foi entre os holandeses e os ingleses.
3) A abolição da escravidão, por meio da instituição da Lei Áurea, oficializou a libertação de 
diversos escravos que, a partir daquele momento, passaram a ser "sujeitos com direitos 
políticos". Acontece que, anteriormente à alforria, houve algumas leis que antecederam à 
abolição, porém sem muito eficácia.
Nesse sentido, é correto que dizer que a abolição aconteceu:
I. Porque os escravos começaram a fugir massivamente e a se refugiar nos quilombos.
II. Porque começaram conflitos entre escravos alforriados e escravos não livres.
III. Por pressão da Inglaterra, que exigiu a abolição da escravidão na América.
IV. Porque os deputados, os senadores e o Império se solidarizaram com os escravos.
Assinale a alternativa que indica a(s) frase(s) correta(s):
A) Somente as frases II e III estão corretas.
B) Somente as frases III e IV estão corretas.
C) Somente as frases I e II estão corretas.
D) Somente as frases I e IV estão corretas.
E) Somente as frases I e III estão corretas.
4) Após a alforria, a mão de obra brasileira mudou, ou seja, com os escravos libertos, era 
necessário importar outra mão de obra. Foi nesse contexto que os imigrantes europeus 
vieram ao Brasil, acabaram por se estabelecer aqui e criar colônias e algumas persistem até a 
atualidade.
Desse modo, é correto afirmar sobre a população negra que:
A) Foi empregada nas fazendas em que antes era escrava.
B) Começou a trabalhar em empregos comuns na cidade.
C) Foi morar em quilombos e nas periferias das cidades.
D) Saiu do Brasil e voltou para o continente africano.
E) Dividiu as colônias com os imigrantes europeus.
5) Os quilombos eram conhecidos como lugares de resistência negra, sendo assim, os escravos 
se refugiavam nesses espaços. Entretanto, devido ao sistema escravista, os quilombos 
tiveram que adotar estratégias de mobilidade territorial.
Nesse contexto, é correto afirmar que:
A) Todos os quilombos se transformaram em favelas às margens das metrópoles.
B) Os quilombos praticamente são inexistentes, pois não são demarcados.
C) Os quilombos viraram museus como garantia cultural dos quilombolas.
D) Alguns quilombos se tornaram favelas e outros foram demarcados.
E) Os quilombos se fundiram às aldeias indígenas nas demarcações.
Na prática
A guerra dos Palmares simboliza na história do Brasil a maior revolta quilombola. Vários escravos 
chegavam a fugir pela promessa de Palmares: que os escravos eram tidos como os holandeses de 
cor. Muito disso porque os holandeses, quando invadiram a região, não souberam administrar a 
organização dos escravos nem entendiam como ocorria a produção nos engenhos.
Confira, Na Prática, de que forma ocorreu a organização dos escravos naquele contexto de conflito 
e resistência.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
A questão nacional na América Latina
Leia o artigo que trata da história da América Latina após a colonização e como é vista sob a 
herança colonialista e seus rastros que permanecem até a atualidade.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Quilombos e quilombolas: cidadania ou folclorização?
Leia o artigo que trata do contexto em que, assim como a sociedade se inclina a caricaturar a figura 
do indígena, o mesmo acontece com a figura do quilombola.
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Favelas no Brasil e em São Paulo: avanços nas análises a partir 
da leitura territorial do Censo de 2010
Leia o artigo que trata da formação das favelas brasileiras, bem como a sua difícil continuidade. 
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 http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-40141988000100003
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-71831999000100123
http://www.scielo.br/pdf/cm/v18n35/2236-9996-cm-18-35-0075.pdf

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