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12 modelo de preCiFiCação de ativos e Custo de oportunidade Um dos aspectos mais relevantes do desenvolvimento recente da teoria de finanças e risco é o conhecido modelo de precificação de ativos, amplamente di- vulgado por capital asset pricing model (CAPM).1 Esse modelo é derivado da teoria do portfólio estudada nos dois capítulos anteriores e busca, mais efetivamente, uma resposta de como devem ser relacionados e mensurados os componentes básicos de uma avaliação de ativos: risco e retorno. O CAPM é bastante utilizado nas várias operações do mercado de capitais, participando do processo de avaliação de tomada de decisões em condições de risco. Por meio do modelo, é possível também apurar-se a taxa de retorno reque- rida pelos investidores. O coeficiente beta, medida obtida do modelo, indica o incremento necessário no retorno de um ativo de forma a remunerar adequada- mente seu risco sistemático. Como todos os modelos financeiros, são definidas algumas hipóteses para seu desenvolvimento, citando-se, entre as mais importantes: • assume-se grande eficiência informativa do mercado, atingindo igual- mente a todos os investidores; • os ativos assumem o comportamento de uma distribuição normal; • os investidores, de maneira geral, são avessos ao risco. As decisões de investimentos são tomadas com base no retorno esperado e desvio-pa- drão; 1 O desenvolvimento da teoria a ser exposta neste capítulo é atribuída a diversos autores. No entanto, é necessário citar os pioneiros e relevantes trabalhos publicados por: SHARPE, Willian F. Capital assets prices: a theory of market equilibrium under conditions of risk. Journal of Finance. Sept. 1964; MARKOWITZ, Harry. Portfólio selection. New York: John Wiley, 1959; LINTNER, J. The valuation of risks assets: the selection of risk investments in stock portfolios and capital budgets. Review of Economics and Statistics, Feb. 1965; MOSSIN, J. Equilibrium in a capital asset market. Econometrica, Oct. 1966. 266 Finanças Corporativas e Valor • Assaf Neto • não há impostos, taxas, custos de transação ou quaisquer outras restri- ções para os investimentos no mercado; • todos os investidores apresentam a mesma percepção com relação ao desempenho dos ativos, formando carteiras eficientes com base em idênticas expectativas; • existe uma taxa de juros de mercado definida como livre de risco. Inúmeras e importantes conclusões sobre o processo de avaliação de ativos foram definidas com base nessas hipóteses. É importante que se entenda que elas não são restritivas, e têm por objetivo essencial melhor descrever um modelo financeiro, destacando a demonstração de seu significado e aplicações práticas. Mesmo que não sejam constatadas na realidade de mercado, as hipóteses formu- ladas não são suficientemente rígidas de maneira a invalidar o modelo. Muita coisa ainda precisa ser feita, é verdade, porém o que já foi desenvolvido trouxe uma inestimável contribuição para explicar o funcionamento das decisões finan- ceiras no mundo real. 12.1 Reta do mercado de capitais Conforme desenvolvido nos Capítulos 10 e 11, as curvas de indiferença re- presentam as preferências de um investidor diante de alterações que venham a ocorrer na relação risco/retorno de um investimento. Essas curvas, cujos estudos foram introduzidos no capítulo anterior, oferecem maior nível de satisfação ao investidor quando se deslocam para cima e para a esquerda, denotando, por ou- tro lado, uma crescente aversão ao risco quanto mais inclinadas se apresentarem. A Figura 12.1 ilustra as curvas de indiferenças de dois investidores: R e S. Observe que o investidor S apresenta menor aversão ao risco em relação a R, ou seja, o investidor S exige menor retorno esperado para todo risco adicional assumido. Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 267 De outra forma, R1 e S1, por se apresentarem mais acima e à esquerda, ofere- cem maior satisfação para cada investidor. Ainda de acordo com a teoria desenvolvida nos capítulos anteriores, sabe-se que os vários títulos disponíveis no mercado podem formar diferentes carteiras (portfólios); cada uma delas oferecendo determinado nível de risco/retorno em função de sua composição. Ou seja, oferecendo a cada título diferentes taxas de rentabilidade e risco, os resultados da carteira alteram-se à medida que venham a variar as proporções dos ativos que a compõem. A área sombreada da Figura 12.2, que ilustra as diversas carteiras possíveis de serem formadas considerando-se diferentes participações de títulos, é denomi- nada conjunto de oportunidades de investimento. Observe na Figura 12.2 que as melhores oportunidades de investimento en- contram-se identificadas sobre a linha AB, pois apresentam maior retorno espe- rado para um mesmo nível de risco ou menor risco para um mesmo retorno es- perado. Essa linha, conforme estudou-se anteriormente, é denominada fronteira eficiente, não sendo alcançada, em termos de risco/retorno, por nenhum outro ponto do conjunto de oportunidades. A Figura 12.2 ilustra, ainda, o critério teórico de seleção ótima de carteira de investimento diante da análise risco/retorno. O ponto P, identificado dentro da fronteira eficiente, indica um equilíbrio entre os resultados da carteira eficiente e o grau de aversão ao risco do investidor, ilustrado pela curva de indiferença. Em outras palavras, neste ponto o investidor aufere o máximo de retorno possível para determinado nível de risco; de maneira inversa, o ponto P é a carteira na qual o investidor minimiza seu risco para determinada taxa de retorno esperada. Ao se admitir, por outro lado, que uma carteira seja formada de ativos com risco combinados com ativos livres de risco (títulos governamentais, por exem- plo), o contorno do conjunto de oportunidades de investimento assume a forma de uma linha reta, conforme ilustrada na Figura 12.3. 268 Finanças Corporativas e Valor • Assaf Neto O RF, na Figura 12.3, representa a taxa de retorno de um ativo considerado livre de risco. Admitindo, ainda, que um investidor possa captar recursos no mercado à taxa livre de risco, e aplicar esses valores em títulos com risco, com retorno su- perior, a alavancagem obtida dessa decisão permite que o investidor se desloque à direita da reta, não ocorrendo mudança em sua inclinação, indicando melhor retorno esperado na carteira. Nessa situação, o risco da carteira também se eleva, apurando maior desvio-padrão, conforme é ilustrado na Figura 12.3. De forma contrária, ao captar no mercado taxas de juros mais elevadas, em relação à taxa livre de risco, a declividade da reta diminui, revelando uma redução no retorno esperado da carteira.2 A Figura 12.4, ilustrada a seguir, insere novas informações na relação risco -retorno de uma carteira, formada por ativos com risco e livres de risco. É elabo- rada pela junção das Figuras 12.3 e 12.2. 2 Ver: ROSS, Stephen et al. Administração financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas. 2002. p. 225. Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 269 A Linha de Mercado de Capitais (CML) descreve a relação entre risco e retorno para carteiras que contém somente risco sistemático (carteiras bem diversificadas). A Inclinação da Reta revela a posição dos investidores em relação ao risco. – Interseção da reta = RF (taxa livre de risco) – Inclinação da reta (tg θ) = RM – RF σRM – Equação da CML: E(RP) = RF + − σ M M F R R R × σRP O ponto M, situado na fronteira eficiente do conjunto de oportunidades de investimento, indica uma carteira composta por ativos com risco. O segmento RF M contém todas as possíveis combinações de ativos sem risco com ativos com risco, conforme contidos na carteira M. As carteiras formadas e dispostas sobre a linha RF M são superiores a quaisquer outras formadas sobre outros segmentos da Figura 12.3, pois são capazes de promover maior retorno esperado para o mesmo nível de risco. As carteiras formadasà direita de M somente são possíveis se o investidor conseguir captar recursos no mercado à taxa livre de risco, e aplicar esses fundos adicionais em ativos com risco, conforme identificados em M. O traçado à esquer- da do ponto M inclui carteiras com maior participação de títulos livres de risco, acumulando, portanto, menor risco total (mais baixo desvio-padrão). TEOREMA DA SEPARAÇÃO DE TOBIN O Teorema de Separação proposto por Tobin3 coloca os investidores em duas situações distintas: (a) situação de total liquidez; e (b) situação de convivência com investimentos integralmente alocados em ativos de risco. Para Tobin, a pre- ferência dos investidores recai claramente sobre a liquidez, decisão motivada 3 TOBIN, James. Liquidity preference as behavior towards risk. Review of Economic, v. 7, 1952. 270 Finanças Corporativas e Valor • Assaf Neto principalmente pela incerteza dos resultados futuros, expressos nas taxas futuras esperadas de juros. Com isso, os investidores assumem uma postura de maior certeza com relação ao comportamento futuro dos juros e das variações não es- peradas nos preços de mercado dos ativos. O investidor, seguindo ainda a teoria formulada por Tobin, procura tomar suas decisões financeiras combinando ativos de risco com uma carteira de ativos identificada na Fronteira Eficiente, conforme descrita por Markowitz (ver capítulo anterior). Nessa identificação, fica claro o Teorema da Separação, onde o investidor toma suas decisões de investimentos em ativos livres de risco e no portfólio efi- ciente, de maneira independente. Em outras palavras, o investidor toma suas decisões identificando, em primeiro lugar, um portfólio eficiente formado por ati- vos de risco conforme proposto por Markowitz e, a seguir, definindo a proporção de recursos que devem ser aplicados no portfólio de risco (eficiente) e em ativos livres de risco. A teoria do portfólio, conforme modelo originalmente proposto em 1952 por Markowitz, propõe que as decisões de investimentos devem ser tomadas tendo como referência a análise risco-retorno esperados, visando a diversifi- cação do risco. Pelo Teorema da Separação pode-se concluir que a classificação de um investi- dor propenso ao risco ou avesso ao risco é a proporção do capital de sua carteira alocado em ativos livres de risco. Ou seja, a combinação perfeita entre ativos de risco (portfólio eficiente) e ativos livres de risco irá depender das preferências do investidor em relação ao risco-retorno. A combinação entre ativos de risco e o portfólio eficiente situa-se na CML4 (Linha do Mercado de Capitais). Ao vender ativos de risco e investir os recursos em ativos livres de risco, o investidor reduz seu risco; ao contrário, ao vender ativos de risco e aplicar os fundos recebidos na carteira eficiente, o investidor desloca-se para a direita da CML, produzindo carteiras com maior relação risco -retorno. 12.1.1 Escolha da carteira mais atraente 4 CML – Capital Market Line. A escolha da carteira mais atraente na reta definida por Z, também conhecida por reta de mercado de capitais, é função das preferências pelo risco demonstrada pelos investidores. Quanto maior a aversão ao risco, mais à esquerda de M loca- liza-se a carteira escolhida. Maior indiferença pelo risco, por outro lado, revela interesse por carteiras identificadas à direita de M. Pelas curvas de indiferença apresentadas na Figura 12.1, pode-se sugerir que o investidor S1, que apresenta maior propensão ao risco, escolheria provavelmente uma carteira situada à direi- ta da carteira M. Pelos resultados ilustrados na Figura 12.4, ainda, revela-se que a reta do mercado de capitais (reta Z) oferece as melhores relações risco/retorno para os Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 271 investimentos. Nessa linha, situam-se todas as melhores carteiras compostas por ativos com riscos e livres de risco possíveis de serem formadas no mercado de capitais. Qualquer ponto identificado ao longo dessa reta de mercado apresenta- se mais atraente que outras carteiras que possam ser formadas, sendo o ponto M da Figura 12.4 representativo da carteira mais indicada de ser selecionada por se situar exatamente na fronteira eficiente. É importante registrar, ainda, que a reta do mercado de capitais considera uni- camente a taxa de retorno esperada e o risco de carteiras eficientes, distribuídas ao longo de seu segmento. Carteiras de ativos classificadas fora da fronteira eficiente não são consideradas pela linha de mercado. Sua grande contribuição é a descrição que oferece do prêmio pelo risco de mercado, conforme adotado em todas as deci- sões tomadas em ambiente de incerteza. A carteira definida no ponto M é conhecida também por carteira de mercado. É uma carteira diversificada que contém, na teoria, todos os títulos na exata pro- porção em que estão disponíveis no mercado. Na prática, a carteira de mercado, pela dificuldade evidente de ser formada, é obtida por alguma medida existente. Por exemplo, a carteira de mercado no Brasil pode ser representada pela carteira de ações Bovespa (Bolsa de Valores de São Paulo). O retorno da carteira de mercado contém os juros de aplicações em títulos livres de risco mais um prêmio pelo risco de mercado, o qual é definido pela com- posição da carteira. Por ser extremamente diversificada, a carteira de mercado (carteira M da Figura 12.4) contém somente o risco sistemático (risco que não se elimina pela diversificação), oferecendo máxima satisfação em termos de relação risco/retorno. Ilustrativamente, a Figura 12.5 descreve a reta do mercado de capitais for- mada por seus dois componentes de retorno: remuneração de ativos sem risco e prêmio pelo risco de mercado. 272 Finanças Corporativas e Valor • Assaf Neto Em termos matemáticos, a CML5 pode ser descrita pela seguinte expressão, a qual considera a taxa livre de risco e o retorno da carteira de mercado: CML = RF + RM – RF × σρ σM A intersecção da reta do mercado de capitais é a taxa livre de risco (RF), e sua inclinação por unidade de risco [(RM – RF)/σM] indica o prêmio pelo risco de mercado. A taxa de retorno requerida de uma carteira é, portanto, igual a uma remu- neração sem risco (RF), mais um prêmio pelo risco [(RM – RF )/σΜ] ponderado pelo desvio-padrão da carteira (σρ). Por exemplo, sendo RF = 8%, RM = 20% e σM = 20%, uma carteira com σρ= 14% tem uma taxa esperada de retorno [E (Rρ)] igual a: E(RP) = 8% + 20% – 8% × 14% 20% E (RP) = 8% + (0,60 × 14%) = 16,4% Uma carteira com risco maior (σρ = 22%, por exemplo) teria um retorno requerido de: E (RP) = 8% + (0,60 × 22%) = 21,2%, e assim por diante. 12.1.2 Ilustração da reta do mercado de capitais 5 CML – Capital Market Line. Admita que um investidor possa tomar emprestado e aplicar seus recursos a uma taxa de juro livre de risco (RF). Suas opções de investimento apresentam-se: Ativo com risco Ativo sem risco Retorno esperado Desvio-padrão (risco) 18% 24% 8% 0 Se o investidor constituir uma carteira com 40% de ativos com risco (ações ordinárias, por exemplo) e 60% sem risco (títulos governamentais, por exemplo), têm-se os seguintes resultados de sua decisão: • Retorno Esperado – E (RP) E (Rp) = (18% × 0,40) + (8% × 0,60) E (RP) = 7,2% + 4,8% = 12,0% • Desvio-padrão (σp) 2 2 2 2 1/2 ,[( ) ( ) (2 )]P R R F F R F R F R FW W W Wσ = × σ + × σ + × × × ρ × σ × σ Sendo σR e σF, respectivamente, o desvio-padrão do ativo com risco e livre de risco, e como por definição σF= 0, tem-se que: Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 273 σP = 2 2 1/2( )R RW × σ σP = (0,602 × 0,242)1/2 σP = (0,020736)1/2 = 14,4% CARTEIRAS ALAVANCADAS Essa carteira formada com um título com risco e outro sem risco encontra-se identificada na reta de mercado de capitais, conforme a Figura 12.6. O investi- dor, ao aplicar parte de seu capital em títulos governamentais (sem risco) e parteem ativos com risco (ações), obterá um retorno esperado e desvio-padrão que o colocará ao longo da reta que une RF a M. O ponto M representa a carteira constituída de ativos com risco. Pontos acima da carteira M são formados, conforme foi explicado anterior- mente, somente se o investidor conseguir tomar emprestado a uma taxa livre de risco e aplicar esses recursos em títulos com risco, que apresentam retorno mais elevado. Com isso, consegue-se obter uma alavancagem favorável, aumentando a remuneração de seus investimentos. (Capital mais os recursos tomados empres- tados.) Suponha, como ilustração, que o investidor em consideração tenha tomado um empréstimo equivalente a 40% de seu capital e investido tudo na carteira M, constituída somente de ativos com risco, cujo retorno esperado é de 18%. Con- siderando os custos que deverá pagar pelo empréstimo levantado (equivalente a uma taxa sem risco de 8%), seu retorno esperado atinge a: E (RP) = (1,40 × 18%) – (0,40 × 8%) E (RP) = 25,2% – 3,2% = 22,0% O retorno obtido é maior que os 18% esperados do título com risco em razão da alavancagem favorável que o investidor está conseguindo fazer, ou seja, está captando a uma taxa (8%) inferior ao retorno que pode auferir da aplicação des- ses recursos (18%). 274 Finanças Corporativas e Valor • Assaf Neto Se um investidor puder contrair empréstimos a uma taxa livre de risco, e aplicar seus recursos em ativos com risco, elevará sua rentabilidade para a direi- ta do ponto M e, consequentemente, também seu nível de risco. Ao aplicar, por outro lado, a uma taxa sem risco, mantém o retorno de sua carteira ao longo do segmento RF M. A linha pontilhada da Figura 12.6, após o ponto M, indica uma situação em que o investidor está captando a uma taxa maior da que pode receber pelo empréstimo (aplicação) desse dinheiro. Com isso, a reta do mercado de capitais reduz sua inclinação, prejudicando a alavancagem da operação. De forma genérica, é possível representar três situações que envolvem o com- portamento da reta de mercado de capitais: a. Investidor capta à taxa livre de risco A alavancagem é favorável, pois: RF ≤ Ki < RM. A Figura 12.6 ilustra essa situação, demonstrando como o investidor se des- loca à direita da seta à medida que pode captar a uma taxa livre de risco e aplicar à taxa de mercado (RM), composta por ativos com risco. b. Investidor capta à taxa de retorno de mercado (Ki = RM) Neste caso, ilustrado na figura a seguir, a alavancagem é neutra, não pro- duzindo resultado residual ao investidor. O investidor não capta recursos para financiar (alavancar) sua carteira de investimentos. c. Investidor capta a uma taxa acima da taxa de mercado (Ki > RM) A alavancagem é desfavorável, conforme ilustra a figura a seguir, revelando perdas para o investidor determinadas por esse diferencial negativo das taxas. Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 275 12.2 Reta característica A reta característica permite que se relacione, dentro do modelo de precifi- cação de ativos, o comportamento de um título (ou carteira específica de títulos) com a carteira de mercado. Procura descrever como as ações, por exemplo, mo- vem-se diante de alterações verificadas em todo o mercado. Sabe-se que, na prática, é constatável uma forte correlação entre esses va- lores mobiliários e o mercado, distinguindo-se, no entanto, as intensidades que variam. Assim, em sua maior parte, se o mercado apresentar uma valorização, as ações também crescem, porém não necessariamente com a mesma força. Por meio dessa verificação prática, é possível prever-se os resultados proporcionados por uma ação, dado o desempenho esperado do mercado. Para o CAPM, o retorno esperado E(Rj) de um ativo apresenta uma correlação linear positiva com o risco sistemático, medido pelo coeficiente beta (inclina- ção da regressão linear). A relação entre os retornos de um título e os retornos da carteira de mercado pode ser desenvolvida por meio de dados históricos, admitindo-se nessa situação que os retornos verificados no passado sejam previsivelmente repetidos no futu- ro, ou mediante certas estimativas de valores futuros esperados. Identificados os retornos dos ativos e da carteira de mercado, os mesmos são plotados em um gráfico, que permite a obtenção da denominada reta caracterís- tica. Diante do comportamento positivamente correlacionado dessas variáveis, a reta característica é obtida mediante regressão linear. Nessa regressão, ainda, são identificadas duas novas e importantes medidas financeiras: o coeficiente beta (β) e o coeficiente alfa (α), respectivamente, o parâmetro angular e linear da reta de regressão. A reta característica descreve, através de uma regressão linear, o compor- tamento de um título diante da carteira de títulos de mercado. Sua principal contribuição é a descrição como um ativo (ações, por exemplo) se situa dian- te de modificações ocorridas na carteira de mercado. A Figura 12.7 ilustra a equação de regressão linear de uma relação verificada nos últimos anos entre o retorno de determinada ação (ação de Cia. j) e o retorno da carteira de mercado. Ao relacionar informações passadas, a reta linear carac- terística permite estabelecer uma tendência do comportamento da ação ao longo do tempo. A reta característica pode também ser descrita a partir de estimativas de comportamento futuro esperado. A equação da reta característica, de acordo com a equação da reta (Y = a + bx), é expressa da forma seguinte: Rj – RF = α + β (RM – RF) + εj 276 Finanças Corporativas e Valor • Assaf Neto Reta característica onde: Rj = retorno proporcionado pela ação da Cia. j em cada ano do horizonte de tempo estudado; RF = taxa de juros de títulos livres de risco (risk free); RM = retorno da carteira de mercado; Rj – RF; RM – RF = respectivamente, retorno adicional da ação da Cia. j e do mercado em relação ao retorno dos títulos sem risco (prêmio pelo risco); β = coeficiente beta. Parâmetro angular da reta de regressão, que identi- fica o risco sistemático do ativo em relação ao mercado; α = coeficiente alfa. Parâmetro linear da reta de regressão. Indica o retor- no em excesso de um ativo se o retorno da carteira de mercado for zero; εj = erro randômico. A relação entre os resultados dos ativos e da carteira de mercado, con- forme demonstrada na Figura 12.7, é determinada pelo retorno em excesso às taxas livres de risco, conhecido por prêmio pelo risco. Nesse caso, RM – RF é o prêmio pelo risco de mercado; Rj – RF, o prêmio pelo risco de se investir na ação da Cia. j. Por admitir que a reta de regressão, no pressuposto de equilíbrio de mercado, passa sempre da origem (coeficiente alfa nulo), a equação característica costuma ser apresentada da forma seguinte: Rj – RF = β (RM – RF) Rj = RF + β (RM – RF) 12.2.1 Coeficiente Alfa O parâmetro linear da reta de regressão, denominado de coeficiente alfa, in- dica o retorno esperado em excesso de um ativo, na hipótese de o retorno em excesso da carteira de mercado ser nulo. Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 277 Representa, em outras palavras, o intercepto da reta característica com o eixo das ordenadas, indicando o prêmio pelo risco oferecido pelo ativo. Evidentemen- te, se a reta partisse da origem, o valor de alfa seria nulo; se a reta de regressão originasse um ponto abaixo da origem, seria apurado um valor negativo para o coeficiente alfa. Na ilustração da Figura 12.7, a linha característica parte de um ponto acima da origem, indicando a existência de um retorno esperado positivo da ação para RM – RF = 0. Na avaliação de Van Horne,6 o valor de alfa de uma ação deve ser zero. Ou seja, em processo de equilíbrio, a reta característica passa pela origem. Se alfa é nega- tivo, um investidor racional iria preferir o melhor resultado esperado proveniente da combinação de um ativo sem risco com a carteira de mercado. Van Horne ad- mite que seu preço cairá, determinando,em consequência, uma recuperação do retorno esperado. Pela teoria, essa valorização da taxa de retorno da ação deve ocorrer até o nível de alfa atingir zero. Em caso contrário, para a situação de uma ação com coeficiente alfa positivo (α > 0), os investidores se sentirão atraídos para sua aquisição, elevando o preço do ativo e reduzindo, em consequência, seu retorno esperado. 12.2.2 Coeficiente Beta: risco sistemático 6 VAN HORNE, James C. Financial management and policy. 11. ed. New Jersey: Prentice Hall, 1998. p. 64. O modelo CAPM exprime o risco sistemático de um ativo por seu coeficiente beta, identificado com o parâmetro angular na reta de regressão linear (reta ca- racterística). Admite-se que a carteira de mercado, por conter unicamente risco sistemático (o risco não sistemático foi todo eliminado pela diversificação), apre- senta um beta igual a 1,0. Conforme demonstrado nas formulações estatísticas do Capítulo 10, o coe- ficiente angular de uma reta de regressão é calculado mediante a seguinte ex- pressão: b = COVX, Y VARX Colocando-se essa metodologia de cálculo no contexto do CAPM, tem-se: Coeficiente Beta (β) = ,J M M R R R COV VAR Para o CAPM, o beta de uma ação é medido pela relação entre a covariância entre o retorno da ação e do mercado, e a variância do retorno da carteira de mercado. Na avaliação do risco de uma carteira, o beta é entendido como a média pon- derada de cada ativo contido na carteira, pelo seu beta, sendo determinado pela seguinte expressão: 1 n P j j j W = β = β ×∑ 278 Finanças Corporativas e Valor • Assaf Neto onde: β e Wj representam, respectivamente, o coeficiente beta (risco sistemáti- co) e a participação relativa de cada ativo incluído na carteira, e βp, o beta da carteira. Pelo enunciado da equação da reta característica desenvolvido, quanto maior for o beta, mais elevado se apresenta o risco da ação em relação ao mercado, e, ao mesmo tempo, maior seu retorno esperado. O coeficiente beta determina o grau de inclinação da reta característica, revelando como o retorno em excesso de uma ação se move em relação ao retorno em excesso do mercado todo. Quando o beta de um ativo for exatamente igual a 1,0, diz-se que a ação se movimenta na mesma direção da carteira de mercado em termos de retorno esperado. Ou seja, o risco da ação é igual ao risco sistemático do mercado todo. Assim, pode-se concluir que o beta da carteira de mercado é igual a 1,0. Uma ação com beta maior que 1,0 retrata um risco total mais alto que risco sistemático da carteira de mercado, sendo por isso interpretado como um investi- mento “agressivo”. O retorno em excesso da ação, nessa situação, varia mais que proporcionalmente ao de mercado, remunerando o risco adicional ao ativo. Por exemplo, se β = 1,30, uma valorização média de 10% na carteira de mer- cado determina uma expectativa de rentabilidade de 13% na ação, ou seja: 10% × 1,3. Inversamente, se o mercado sofrer uma desvalorização de 10% (RM = – 10%), o retorno esperado do ativo reduz-se para – 13%, indicando maior risco. Quando beta é inferior a 1,0, tem-se um ativo caracteristicamente “defen- sivo”, demonstrando um risco menor que o da carteira de mercado. Uma ação com β < 1,0 demonstra que a variação de seu retorno em excesso é menos que proporcional ao do mercado. Por exemplo, se β = 0,80 e RM = 15%, o retorno da ação atinge somente 12% (0,80 × 15%), equivalente a 80% da taxa de mercado. Por outro lado, se RM = – 15%, a desvalorização da ação atinge somente 80% de seu valor, ou seja: – 15% × 0,80 = – 12%. 12.2.3 Risco não sistemático O risco não sistemático (diversificável) é identificado pela dispersão dos re- tornos dos títulos em relação aos movimentos de retorno da carteira de mercado, conforme ilustrados na reta característica. A reta representada na Figura 12.7, ilustra o risco não sistemático por meio dos pontos dispersos em torno da reta característica. Quanto maior a dispersão apresentada na reta de regressão, mais alto é o ris- co diversificável de um ativo. A redução ou, até mesmo, a eliminação do risco não sistemático de uma carteira é processada, conforme amplamente demonstrado nos Capítulos 10 e 11, pela diversificação dos investimentos. Em consequência, para uma carteira bem diversificada, o risco relevante para o investidor é o risco sistemático, que não pode ser eliminado pela diversificação. 12.3 Mensuração do risco sistemático Para efeitos de uma aplicação prática de determinação da reta característica, considere os cálculos desenvolvidos no Quadro 12.2. Os valores têm por base as taxas de retorno anuais em excesso das ações da Cia. j e as do mercado todo, re- ferentes aos sete últimos anos, conforme apresentadas no Quadro 12.1. Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 279 Quadro 12.1 Resultados em excesso da ação e do mercado. ANO RETORNO DE AÇÃO DA CIA. J (Rj – RF) RETORNO DA CARTEIRA DE MERCADO (RM – RF) X1 X2 X3 X4 X5 X6 X7 16,2% 14,7% 20,5% 8,4% – 6,7% 10,0% 11,6% 15,0% 12,1% 17,0% 8,0% – 5,5% 9,5% 12,0% Observe que a ilustração considera dados históricos (passados) para formu- lar predições futuras. Evidentemente, essas situações, muitas vezes verificadas na prática, requerem certas similaridades entre os fatos ocorridos e aqueles previs- tos na economia, ou seja, os diversos eventos verificados no passado de alguma forma se repetirão no horizonte de planejamento. Não se prevendo essa sintonia entre os valores históricos e esperados, a reta característica pode ser desenvolvi- da com base em valores projetados, previstos para determinado cenário futuro de mercado. A partir dos retornos das ações da Cia. j e do mercado como um todo, o Quadro 12.2 apura ainda diversas medidas estatísticas importantes para que se conheça, entre outros importantes indicadores financeiros, a volatilidade da ação com o mercado como um todo e a depuração do risco da empresa em sua parte sistemática e não sistemática (diversificável). Com base nesses valores calculados, a Figura 12.8 traça a reta característica de regressão dos resultados esperados considerados, ilustrando o retorno da Cia. j (Rj) como uma função linear do comportamento do mercado. Quadro 12.2 Retorno da Cia. j e do mercado como um todo. Ano (Y) RETORNO DA CIA. J (Rj) (X) RETORNO DO MERCADO (RM) XY Y2 X2 X – X (X – X)2 Y – Y (Y – Y)2 (Y – Y) × (X – X) X1 X2 X3 X4 X5 X6 X7 0,162 0,147 0,205 0,084 – 0,067 0,100 0,116 0,150 0,121 0,170 0,080 – 0,055 0,095 0,120 0,024300 0,017787 0,034850 0,006720 0,003685 0,009500 0,013920 0,026244 0,021609 0,042025 0,007056 0,004489 0,010000 0,013456 0,022500 0,014641 0,028900 0,006400 0,003025 0,009025 0,014400 0,052714 0,023714 0,072714 – 0,017286 – 0,152286 – 0,002286 0,022714 0,002779 0,000562 0,005287 0,000299 0,023191 0,000005 0,000516 0,055286 0,040286 0,098286 – 0,022714 – 0,173714 – 0,006714 0,009286 0,003057 0,001623 0,009660 0,000516 0,030176 0,000045 0,000086 0,002946 0,000955 0,007147 0,000393 0,026454 0,000015 0,000211 Total 0,747 0,681 0,110762 0,124879 0,098891 0 0,032639 0 0,045163 0,038121 280 Finanças Corporativas e Valor • Assaf Neto RETORNOS MÉDIOS * X = 16,2% + 14,7% + 20,5% + 8,4% – 6,7% + 10,0% + 11,6% = 10,6714% 7 * Y = 15,0% + 12,1% + 17,0% + 8,0% – 5,5% + 9,5% + 12,0% = 9,7286% 7 A construção gráfica da reta característica é efetuada, para cada ano consi- derado, com base nos pontos representativos de Rj e RM, denotando-se uma forte correlação desses valores no período ( ⋅ρ j MR R = 0,993), conforme calculada a par- tir dos resultados do Quadro 12.2. Os eixos horizontal e vertical da Figura 13.8 identificam, respectivamente, os retornos em excesso do mercado como um todo (carteira de mercado) e da ação da Cia. j em relação aos títulos livres de risco. O coeficiente alfa (α) representa o retorno em excesso daação em relação às taxas livres de risco quando RM – RF = 0. No exemplo ilustrativo, o parâmetro α é negativo (α = – 0,007), denotando que a reta passa abaixo da origem. Admitindo-se que RM = 14% e RF = 6%, ambas as taxas definidas em bases anuais, o retorno da ação da Cia. j deve atingir a taxa de 14,64%, ou seja: • X = 0,681 = 0,097286 7 • Y = 0,747 = 0,106714 7 • σX = 0,032639 7 = 0,068284 • σY = 0,045163 7 = 0,080323 • VARX = (0,068284)2 = 0,004663 Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 281 • VARY = (0,080323)2 = 0,006452 • COVX, Y = 0,038121 = 0,005446 7 • , 1/2 2 2 (0,681) (0,747) 0,110762 7 (0,681) (0,747) 0,098891 0,124879 7 7 X Y × − ρ = − × − ρX, Y = 0,993 ou PX, Y = 0,005446 = 0,993 0,068284 × 0,080323 • Beta (β) = 2 (0,681) (0,747) 0,110762 7 (0,681) 0,098891 7 × − − = 1,167 ou: Beta (β) = 0,005446 = 1,167 0,004663 • Alfa (α) = 0,106714 – 1,167 (0,097286) = – 0,007 • Rj – RF = α + β (RM – RF) Rj – 0,06 = – 0,007 + 1,167 × (0,14 – 0,06) Rj = 0,053 + 0,0934 = 0,1464 (14,64%) 12.3.1 Interpretação do risco sistemático na reta característica Observe na expressão da reta característica, ainda, que εj representa um re- torno não correlacionado com o mercado, ou seja, o erro randômico da reta de regressão linear. É explicado por fatores alheios ao mercado, ou seja, independe do que ocorre no mercado, sendo definido como o risco não sistemático (elimi- nável pela diversificação). Por exemplo, uma indústria automobilística apresentou em determinada épo- ca, na qual o mercado manteve nítida tendência de alta, um declínio nas taxas de retorno de suas ações. Isso foi explicado por uma falha no projeto dos veículos novos lançados no mercado, a qual acarretou sérios problemas aos consumido- res. Esse fato peculiar da empresa, que não apresenta nenhuma relação com o comportamento do mercado como um todo, deslocou o retorno da ação da reta característica. O risco assim assumido pelas ações dessa empresa, que não se apresenta relacionado às flutuações do mercado (está associado ao próprio títu- lo), pode ser evitado por um processo de diversificação da carteira. É o denomi- nado risco não sistemático ou diversificável. 282 Finanças Corporativas e Valor • Assaf Neto O risco sistemático, diante do que foi detalhadamente exposto, está relacio- nado com o mercado como um todo, não podendo ser eliminado pelo processo de diversificação. Dessa maneira, a medida de risco relevante para um inves- tidor diversificado é aquela que apresenta uma sensibilidade com o mercado, sendo calculada pela covariância dos retornos da ação j (Rj) e do mercado (RM) – [ j MR RCOV ⋅ ], conforme apurada no Quadro 12.2. O coeficiente beta, pendente da reta de regressão linear, passa a ser o indicador do risco sistemático. No exemplo em consideração, observa-se que a ação da Cia. j, com um beta superior a 1,0 (β = 1,167), apresenta um risco mais elevado que o risco siste- mático do mercado como um todo, sendo por isso conhecido também como uma ação agressiva. Recorde-se que seu risco seria menor que o da carteira de merca- do se β < 1,0, e igual na hipótese de β = 1,0. Através do Quadro 12.2, ainda, é obtido o retorno médio, medido com base no desempenho dos últimos sete anos das ações da Cia. j [Rj = E (Rj) = 10,67%] e do mercado [RM = E (RM) = 9,73%]. Admitindo-se, conforme sugerido, uma taxa livre de risco (RF) de 6% ao ano, e também que as várias taxas médias calculadas sejam confiáveis e representati- vas de projeções futuras, pode-se calcular o retorno exigido pelo mercado para a ação da Cia. j a partir da reta de regressão, ou seja: Rj – RF = αj + βj (RM – RF) Rj = 0,06 – 0,007 + 1,167 (0,0973 – 0,06) Rj = 9,65% 12.4 Retorno exigido e o Alfa de Jensen Essencialmente, a taxa de retorno exigida nas decisões do investimento é for- mada com base na remuneração de um ativo livre de risco mais um prêmio pelo risco identificado na decisão em avaliação, ou seja: Rj (Retorno exigido) = Taxa de Juro Prêmio pelo livre de risco risco ( )FR + Ao se admitir o prêmio pelo risco de mercado (RM – RF) como adequado à decisão de investimento, a formulação do retorno requerido passa a ser expressa da forma seguinte: Rj (retorno exigido) = RF + (RM – RF) Essa estrutura sugerida de retorno exigido admite, implicitamente, que o risco do ativo em consideração é idêntico ao do mercado como um todo, sendo ambos remunerados pela mesma taxa de prêmio pelo risco. Usuario Riscado Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 283 Essa hipótese, todavia, não costuma ocorrer com frequência na prática, apre- sentando os ativos específicos geralmente níveis diferentes de risco daquele assu- mido pela carteira de mercado. Ao apresentar um risco superior ao do mercado como um todo, o investidor deve exigir um prêmio adicional no retorno definido em sua decisão; em caso contrário, quando o risco de um ativo for inferior ao do mercado, é aceitável uma remuneração inferior. Conforme vem sendo estudado ao longo deste capítulo, a medida que rela- ciona o risco de um ativo com o do mercado é o coeficiente beta. Logo, a expres- são da taxa de retorno requerida por um investimento em condições de risco é generalizada da forma seguinte: Rj = RF + β(RM – RF) Em verdade, esta é a expressão do CAPM, conforme desenvolvida, e equiva- lente à reta de regressão linear. Com isso, tem-se: reta de regressão : Rj = a + bRM CAPM : Rj = RF + β (RM – RF) O intercepto da equação do CAPM é obtido: Rj = RF + βRM – βRF Rj = RF + βRF – βRM Rj = RF (1 – β) + βRM O parâmetro RF (1 – β), conhecido por alfa de Jensen, reflete o desempenho da ação comparativamente a seus valores esperados, equivalendo ao intercepto a da equação de regressão linear. Em outras palavras, o alfa de Jensen efetua uma comparação entre os retornos esperados por uma ação e os retornos esperados pelo modelo do CAPM. Utilizando-se da mesma demonstração efetuada por Damodaran,7 tem-se: • Se: a > RF (1 – β): o desempenho do ativo superou as expectativas no perío- do de regressão; a = RF (1 – β): o desempenho do ativo foi idêntico às expectativas esta- belecidas para o período; a < RF (1 – β): o desempenho do ativo ficou abaixo das expectativas no período de regressão. Por exemplo, admita uma empresa que apura um beta igual a 1,45 baseado nos retornos auferidos nos últimos cinco anos. Sendo a taxa livre de risco igual à média anual de 7%, a estimativa do desem- penho do parâmetro RF × (1 – β) da ação atinge a: RF (1 – β) = 7% (1 – 1,45) = – 3,15% 7 DAMODARAN, Aswath. Finanças corporativas. 2. ed. Porto Alegre: Bookman, 2004. p. 178. Usuario Realce Usuario Riscado 284 Finanças Corporativas e Valor • Assaf Neto Se o ponto de intercepto da regressão linear traçada for de 1,5% (α = 0,015), o desempenho da ação se apresenta 4,65% superior ao esperado, conforme pa- drões estabelecidos pelo CAPM, ou seja: ∆ retorno = Ponto de Intercepto – RF (1 – β) ∆ retorno = 1,5% – (– 3,15%) = 4,65% O resultado favorável no desempenho da empresa refere-se ao período de- finido para a regressão, não significando necessariamente uma continuidade no futuro. EXEMPLO ILUSTRATIVO 1. Admita uma ação que apresenta um beta igual a 2,0. Ou seja, seu risco sistemático é o dobro do mercado como um todo. A taxa livre de risco da economia é de 6,5% e a expectativa dos investidores é de que o prêmio pelo risco de mercado atinja a 8,5%. Determinar a remuneração mínima exigida pelo investidor dessa ação. Solução: Pelos dados do exemplo, sabe-se que: β = 2,0 RF = 6,5% RM = 15% (6,5% + 8,5%) Logo, a taxa de retorno requerida (Rj) pelos investidores dessa ação atinge a: Rj = RF + β (RM – RF) Rj = 6,5% + 2 (15% – 6,5%) Rj = 23,5% O retorno esperado dessa açãodeve ser, no mínimo, igual a 23,5%, que re- presenta a taxa mínima de atratividade para o investimento nessa ação. EXEMPLO ILUSTRATIVO 2. No exemplo ilustrativo desenvolvido no Quadro 12.2, foram apurados, com base nos retornos da ação da Cia. j e do mercado nos últimos sete anos, um coeficiente alfa de – 0,7% e um beta de 1,167. A taxa livre de risco considerada na ilustração é de 6%. Por meio do alfa de Jensen, avaliar o desempenho desta ação no período de regressão. Solução: O ponto de intercepto de uma reta de regressão pode ser interpretado como uma medida de desempenho do ativo quando comparada com o alfa de Jensen: [RF (1 – β)]. Essa avaliação de desempenho restringe-se ao período de regressão. A avaliação do desempenho da ação da Cia. j no período atingiu: Ponto de intercepto = – 0,7% RF (1 – β): 6% (1 – 1,167) = – 1,0% Desempenho da ação: – 0,7% – (– 1,0%) = 0,3% Usuario Riscado Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 285 Ao bancar a análise no CAPM, o desempenho estimado da Cia. j seria de – 1,0%. O resultado apurado indica um desempenho 0,3% acima do esperado no período de regressão, ou seja: ∆ retorno = – 0,7% – (– 1,0%) ∆ retorno = + 0,3% 12.5 Coeficiente de determinação (R2) O Coeficiente de Determinação (R2) é uma medida estatística que define a porcentagem de Y (variável dependente) que pode ser explicada pela equação de regressão linear. A partir de R2 é possível avaliar se os valores de X permitem, ou não, proceder a uma boa estimativa de Y. O valor de R2 varia de 0 a 1. Quanto mais próximo de 1, melhor se revela o ajustamento da reta de regressão aos valores. Em termos financeiros, R2 permite que se conheça a parte do risco de uma empresa explicada pelas condições de mercado, o denominado risco sistemáti- co (taxas de juros, política econômica etc.), e a parcela decorrente de variáveis específicas de uma empresa (1 – R2), conhecida por risco não sistemático ou diversificável. Graficamente, tem-se: Uma expressão bastante prática de cálculo do Coeficiente de Determinação é obtida pelo quadrado da Correlação, ou seja: R2 = CORR2 X, Y Sabe-se que: CORRX, Y = COVX, Y σX × σY Ilustrativamente, admita os seguintes retornos em excesso de uma ação (Rj) e do mercado (RM) referentes aos cinco últimos exercícios: Usuario Riscado 286 Finanças Corporativas e Valor • Assaf Neto ANO Rj – RF (Y) RM – RF (X) X0 X1 X2 X3 X4 7% 14% 22% 10% 5% 17% 20% 29% 24% 18% Os retornos esperados são apurados pela média dos retornos verificados em cada um dos períodos, ou seja: Y – E (Rj) = Rj = 7% + 14% + 22% + 10% + 5% = 11,6% 5 X – E (RM) = RM = 17% + 20% + 29% + 24% + 18% = 21,6% 5 O cálculo do coeficiente de correlação dos retornos da ação e do mercado é desenvolvido de acordo com as seguintes formulações estatísticas apresentadas: ANO (Y – Y) (X – X) (Y – Y) × (X – X) (X – X)2 (Y – Y)2 X0 X1 X2 X3 X4 – 0,046 0,024 0,104 – 0,016 – 0,066 – 0,046 – 0,016 0,074 0,024 – 0,036 0,002116 – 0,000384 0,007696 – 0,000384 0,002376 0,01142 0,002116 0,000256 0,005476 0,000576 0,001296 0,00972 0,002116 0,000576 0,010816 0,000256 0,004356 0,01812 COVRJ, RM = 0,01142 = 0,002284 5 VARRM = 0,00972 = 0,001944 5 σRM = 0,001944 = 0,044091 VARRJ = 0,01812 = 0,003624 5 σRJ = 0,003624 = 0,06020 CORRRJ, RM = COVRJ, RM σRJ × σRM CORRRJ, RM = 0,002284 = 0,860498 0,06020 × 0,044091 Logo: R2 = (0,860498)2 = 0,74 (74,0%). Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 287 Este resultado indica, pelo conceito estatístico de coeficiente de determinação (R2), que 74,0% do risco da ação é de natureza sistemática, e 26,0% decorrente de variáveis específicas da empresa (risco não sistemático). Esta parcela menor do risco pode ser eliminada pela diversificação, não sendo, portanto, considerada nos cálculos de retorno demonstrados pelo modelo do CAPM. 12.6 Reta do mercado de títulos (SML) A reta (linha) do mercado de títulos, também conhecida por Security Market Line (SML), relaciona os retornos desejados e seus respectivos indicadores de risco, definidos pelo coeficiente beta. A linha do mercado de títulos insere-se na lógica do modelo CAPM de ava- liar um ativo a partir da relação risco/retorno discutida na teoria de carteiras. Comparativamente, a reta do mercado de títulos (SML) e a reta do mercado de capitais (CML) são essencialmente a mesma coisa, diferenciando-se no risco dos ativos avaliados com o mercado. A medida de risco da CML é o desvio-padrão, e da SML, o coeficiente beta. A reta do mercado de capitais (CML) é utilizada preferencialmente para o es- tudo do risco e retorno desejado de ativos eficientes, identificados de forma direta com a carteira de mercado. A reta trabalha com carteiras de ativos, que possuem somente risco sistemático. A reta do mercado de títulos (SML), de outro modo, é aplicada na avaliação da relação risco/retorno de todos os ativos, mesmo aqueles que não se relacionam perfeitamente com a carteira de mercado. A SML considera títulos individuais, em condições de equilíbrio, localizados sobre a reta. A Figura 12.9 ilustra o traçado da reta do mercado de títulos, a qual pode ser rapidamente obtida pela identificação de dois pares de pontos. O primeiro par é constituído pelo retorno proporcionado pelo mercado (RM) e seu indicador de risco. Conforme foi demonstrado, a ampla diversificação as- sumida na carteira de mercado levou à eliminação do risco diversificável, per- manecendo somente em seu contexto o risco sistemático, atribuído às diversas fontes do mercado. Nessas condições, a taxa de retorno da carteira de mercado apresenta um coeficiente beta igual a 1,0 (β = 1,0). 288 Finanças Corporativas e Valor • Assaf Neto O segundo par de pontos utilizados para descrever a SML relaciona o retorno oferecido por ativos livres de risco (RF) com o seu beta, o qual, por tratar-se de uma taxa pura de juros, tem um risco nulo (β = 0). Em condições de equilíbrio de mercado, todos os títulos devem estar avalia- dos de forma que se coloquem ao longo da linha do mercado de títulos. Os ativos A e B ilustrados no gráfico apresentam o mesmo risco sistemático (βA = βB) e tam- bém o mesmo retorno esperado (RA = RB). Apesar de esses ativos não embutirem necessariamente o mesmo risco total (risco sistemático + risco não sistemático), esse aspecto não é considerado pela SML na definição do retorno esperado. Em verdade, a formação do prêmio pelo risco, conforme proposta pelo modelo num mercado em equilíbrio, não inclui o componente diversificável do risco (não sis- temático), o qual pode ser evitado ao se compor carteiras bem diversificadas. Na avaliação do risco de um título, a parcela relevante é a sistemática. Observe ainda, que os ativos A e B, por apresentarem um risco sistemático menor que o do mercado como um todo, apresentam também expectativas de retorno inferiores às do mercado. O contrário, entretanto, sucede com o ativo C, o qual oferece uma expectativa mais alta de retorno em relação ao mercado, determinado pelo maior risco sistemático assumido. Os ativos A, B e C apresentam-se em equilíbrio com o mercado, pois ao se localizarem sobre a reta do mercado de títulos prometem um retorno compatível com o risco assumido, ou, de maneira inversa, dado o nível de risco incorrido oferecem um retorno esperado perfeitamente compensatório. Dessa maneira, tendo-se o coeficiente beta de um título, é possível deter- minar seu retorno esperado em condições de equilíbrio, relacionando-se o risco assumido com a reta do mercado de títulos. Na prática, porém, nem sempre ocorrem essas situações de equilíbrio no mercado, verificando-sealguns pontos afastados da SML. Diferentes expectativas com relação ao desempenho de um título, ou decisões de compra tomadas com base em intuições ou “palpites”, levam a um desalinhamento dos títulos em rela- ção ao mercado.8 Na Figura 12.9, ainda, os ativos P e Q são exemplos claros dessa situação co- mentada de desequilíbrio. O ativo P, apesar de apresentar um beta inferior ao do mercado (apresenta um beta inferior a 1,0, sugerindo um risco sistemático menor que o do mercado como um todo), embute uma expectativa de retorno mais ele- vada (RP > RM). Por motivos não esclarecidos, esse ativo encontra-se subavaliado, oferecendo um retorno maior para níveis mais baixos de risco. É um indicativo de compra do título, pois pode-se esperar sua valorização a partir do momento em que os investidores perceberem a incoerência praticada pelo mercado. Ao se elevar sua demanda, o preço de mercado do ativo P crescerá, ocasionando uma redução de seu retorno esperado até o patamar ilustrado pela SML. Uma situação inversa à exposta ocorre com o desempenho do ativo Q na Figura 12.9. De maneira incoerente, também, o ativo oferece um retorno mais baixo que o do mercado, apesar de ter um risco maior. O mercado está superava- liando esse ativo, devendo os investidores, ao constatar a discrepância, promover sua venda. Com isso, seu preço cairá até que o retorno esperado atinja a reta de equilíbrio do mercado. Ao contrário do ativo P, a avaliação do ativo Q indica uma decisão de venda para o investidor. 8 Uma interessante análise sobre o assunto é tratada em: LEITE, Hélio de Paula. Introdução à ad- ministração financeira. 2. ed. São Paulo: Atlas, 1994. p. 423 ss. Algumas colocações do estudo deste capítulo são também desenvolvidas pelo autor, o qual apresenta, ainda, importantes questões. Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 289 12.6.1 SML em contexto de inflação Ao se introduzir a inflação no estudo desenvolvido, a linha do mercado de títulos não se invalida, passando a ser representada pela seguinte identidade, conforme sugerida por Copeland e Weston:9 E (R) = (RF + INF) + β [(QM + INF) – (RF + INF)] onde INF é a taxa de inflação. Os autores admitem que, em princípio, as expectativas inflacionárias não produzem alterações na inclinação da reta do mercado de títulos, originando-se, em verdade, linhas paralelas conforme demonstradas na Figura 12.9. No entan- to, advertem ainda que estudos têm indicado que fortes variabilidades nas taxas inflacionárias podem promover relevantes alterações nas inclinações da SML, ne- cessitando-se constatar mais profundamente a validade empírica dessa hipótese. 12.6.2 Exemplo ilustrativo 9 COPELAND, Thomas E.; WESTON, J. Fred. Managerial finance. 9. ed. New York: Dryden Press, 1992. p. 408 ss. Considere, visando a uma aplicação prática do uso da linha do mercado de títulos, três ativos de risco com os seguintes indicadores esperados de desempenho: ATIVO RETORNO ESPERADO E (R) RISCO (Beta) A B C 22,0% 20,0% 18,0% 1,70 1,10 0,90 O retorno médio esperado da carteira de mercado [E (RM)] está definido em 18,0% e a taxa de juro de ativo livre de risco, em 7,0%. 290 Finanças Corporativas e Valor • Assaf Neto Pede-se: a) determinar o retorno que os investidores devem exigir de cada um desses ativos; b) identificar na linha do mercado de títulos (SML) as posições dos três ativos; c) indicar os ativos sub e sobreavaliados. Solução: a) Retorno Esperado Pela equação do CAPM, sabe-se que: RJ = RF + β (RM – RF) • RA = 7% + 1,70 (18% – 7%) RA = 25,7% • RB = 7% + 1,10 (18% – 7%) RB = 19,1% • RC = 7% + 0,90 (18% – 7%) RC = 16,9% b) Os Ativos e a SML c) Os ativos B e C encontram-se subavaliados. Possuem um retorno alto diante do risco oferecido. O retorno exigido do ativo B diante do risco oferecido é de 19,1%; o mercado, porém, espera um retorno de 20% nesse investimento. Revelam grande potencial de valorização. O ativo C possui um risco menor que o de mercado, oferecendo, porém, um retorno esperado acima da carteira de mercado, indicando uma atratividade de compra. Ao perceberem essa incoerência na avaliação, os investidores serão atraídos para adquirirem esses ativos, elevando seus valores de mercado e trazendo sua rentabilidade para a posição de equilíbrio traçada pela SML. Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 291 O ativo A, situado abaixo da SML, encontra-se superavaliado, apresentando um risco elevado para os padrões de retorno oferecido. Para um beta de 1,70, o retorno que A deve produzir é de 25,7%, superior à taxa esperada pelos investi- dores de mercado. 12.7 Aplicações do CAPM O CAPM encontra grandes aplicações no campo das finanças. Inicialmente, o modelo permite determinar, de maneira consciente com o retorno esperado, o ris- co de um ativo. O retorno de um ativo, conforme foi comentado, é formado pela taxa livre de risco mais um prêmio de mercado pelo risco. Em extensão, ainda, o modelo permite o cálculo do risco de uma carteira, obtido pela média ponderada dos betas de cada componente. Com isso, é possível que um investidor selecione, de maneira mais eficiente, sua carteira de ativos, maximizando sua expectativa de retorno para determinado nível assumido de risco. O CAPM oferece também a oportunidade de se conhecer, por meio do traçado da linha do mercado de títulos (SML), a taxa de retorno requerida pelos proprie- tários da empresa, ou seja, seu custo de capital próprio. Essa medida financeira apresenta enorme importância nas decisões financeiras das empresas e em seu processo de avaliação de desempenho. Por meio do beta identificado na reta ca- racterística, é possível conhecer-se ainda o risco da empresa. O CAPM é igualmente aplicado em decisões que envolvem orçamento de capital, definindo o retorno exigido de cada projeto em função dos diferentes ní- veis de risco assumido. Para cada alternativa de investimento, com nível de risco próprio, o CAPM define uma taxa mínima de retorno requerida. Esse aspecto é discutido nos capítulos seguintes. Para empresas que operam com várias unidades de negócio com diferen- tes riscos, o CAPM tem enorme utilidade ao permitir que se estime o retorno desejado para cada segmento de negócios e se avalie, ao mesmo tempo, seu desempenho econômico, principalmente em termos de agregação de valor (ri- queza). Em verdade, a condição essencial no processo de criação de valor para uma empresa é quando sua atividade operacional produz um retorno superior ao seu custo de capital. Apesar de todos os seus méritos e ampla aceitação entre os analistas finan- ceiros e investidores de mercado, o modelo do CAPM traz algumas dúvidas com relação a sua eficácia. Alguns estudos de mercado divulgados têm demonstrado uma baixa relação entre os retornos históricos das ações e suas medidas de be- tas de mercado.10 Outras variáveis, que não o beta, foram entendidas no estudo como mais proximamente relacionadas ao retorno oferecido pelas ações. Estudos desenvolvidos em outros contextos, ao contrário, descrevem uma relação mais consistente entre o coeficiente beta de uma ação e seu retorno, reforçando a atribuição extremamente útil do modelo do CAPM para as decisões financeiras. 10 Um estudo importante sobre o assunto foi desenvolvido por Eugene Fama nos EUA, conforme é relatado em: BRIGHAM, Eugene F.; GAPENSKI, Louis C.; EHRHARDT, Michael C. Administração financeira. São Paulo: Atlas, 2001. Parte IV – Risco, Retorno e Custo de Oportunidade 12 Modelo de Precificação de Ativos e Custo de Oportunidade 12.1 Reta do mercado de capitais 12.1.1 Escolha da carteira mais atraente 12.1.2 Ilustração da reta do mercado de capitais 12.2 Reta característica 12.2.1 Coeficiente Alfa 12.2.2 Coeficiente Beta: risco sistemático 12.2.3 Risco não sistemático 12.3 Mensuração do risco sistemático 12.3.1 Interpretação do risco sistemático na reta característica 12.4 Retorno exigido e o Alfa de Jensen 12.5 Coeficiente dedeterminação (R2) 12.6 Reta do mercado de títulos (SML) 12.6.1 SML em contexto de inflação 12.6.2 Exemplo ilustrativo 12.7 Aplicações do CAPM