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Marx e Engels – Manifesto do Partido Comunista “Os operários não têm pátria. Logo, não é possível tirar deles aquilo que eles não têm. Ademais, dado que o proletariado tem primeiro de conquistar a dominação política, de ascender à classe dominante da nação, e finalmente se tornar ele próprio a representação da nação, então podemos dizer que, até o momento, ele ainda é nacional, mas não no sentido burguês da palavra.” Marx e Engels propuseram uma grande mudança para o pensamento político da época: a capacidade de os trabalhadores participarem do processo político. Até então, a grande maioria dos pensadores era contrária ao direito universal ao voto. Em panfleto escrito, em 1848, por Marx e Engels, foram consolidados diversos conceitos que já estavam em discussão, declarando que a história de todas as sociedades é a história da luta de classes, entre burgueses e proletários, e que esses conflitos entre as diferentes classes sociais, de interesses antagônicos e inconciliáveis entre si, seria a ideia chave para compreender a história e a dinâmica das sociedades modernas. Ressalta-se que o manifesto defendeu a ideia de que, além da capacidade de participação política, os trabalhadores estavam aptos a tomar o poder e conduzir um processo de transformação que levaria ao comunismo. Além disso, o texto antecipa desdobramentos da economia capitalista que só seriam conhecidos muito tempo depois, como a questão da globalização (num momento em que a Inglaterra era o único país verdadeiramente capitalista). Para Marx, a luta de classes era a única verdade inquestionável. E era ela o que determinava todas as outras "verdades", afirmando, ainda, que toda a história da sociedade se baseou na evolução dos antagonismos de classes, antagonismos que assumiram diferentes formas em diferentes épocas. Para Comte, somente o conhecimento científico deveria ser considerado verdadeiro, pois acreditava que uma teoria só poderia ser considerada verdadeira se fosse comprovada a partir de técnicas científicas válidas. Defendia, ainda, uma reforma social e intelectual, para que a humanidade se reorganizasse, pois, acreditava que a ciência salvaria a sociedade. Em 1867, foi publicada a obra básica para o entendimento do pensamento marxista: O Capital, de autoria de Marx, com os princípios básicos que fundamentam o socialismo, sintetizados em quatro teorias centrais: A teoria da mais-valia, na qual o trabalhador seria explorado na produção capitalista; A teoria do materialismo histórico, onde se supõe que os acontecimentos históricos são determinados pelas condições materiais (econômicas) da sociedade; A teoria da luta de classes, onde se afirmar que a história da sociedade humana é a história da luta de classes, ou do conflito permanente entre exploradores e explorados; A teoria do materialismo dialético, onde Marx e Engels tentam compreender a dinâmica das transformações históricas. Assim como, por exemplo, a morte é a negação da vida e está contida na própria vida, toda formação social (escravatura, feudalismo, capitalismo) encerra em si os germes de sua própria destruição. Sociedade Capitalista A sociedade capitalista é uma sociedade de classes sociais que se constitui a partir da forma de apropriação do excedente criado pelo trabalho. É uma relação social de produção, uma relação burguesa de produção, uma relação de produção da sociedade burguesa. É a relação de produção entre capitalista e o trabalhador assalariado, onde: os trabalhadores eram caracterizados pela venda da força de trabalho como forma de subsistência e os capitalistas pela propriedade dos meios de produção. Para Marx, a sociedade capitalista é: “Em sua totalidade, as relações de produção formam o que se chama de relações sociais, a sociedade e, particularmente, uma sociedade num estágio determinado de desenvolvimento histórico, uma sociedade com um caráter distinto, particular. A sociedade antiga, a sociedade feudal, a sociedade burguesa são conjuntas de relação de produção (...). O capital também é uma relação social de produção. É uma relação burguesa de produção, uma relação de produção da sociedade burguesa”(Marx, 1980, p.96) Para Naves: “(...) A reprodução das relações de produção capitalista é garantida, no fundamental, por um movimento estritamente econômico. No fundamental, porque interferem nesse processo tanto o direito e a ideologia jurídica, que jogam um papel importante ao possibilitar, através da constituição das categorias do comando e do sujeito de direito, a compra e venda da força de trabalho como o Estado, por meio do seu aparato repressivo (como as forças armadas) e ideológico (como a escola).” (...) Assim, o Capitalismo é uma forma de organização social, marcada pela separação entre os proprietários, controladores dos meios de produção e os que não possuem e não controlam os meios de produção, dependendo exclusivamente da venda de sua força de trabalho, através do salário, para sobreviver. Essa divisão seria a base da divisão da sociedade capitalista, entre duas classes antagônicas: a burguesia exploradora e os trabalhadores explorados. Deste modo, o Capitalismo teve como um dos seus alicerces as relações de produção, em que de um lado havia os proprietários dos meios de produção e do outro lado a massa oprimida dos trabalhadores. Outro fator primordial para a ascensão do Capitalismo foi o Estado que é definido como um conjunto de instituições políticas, jurídicas eadministrativas com jurisdição sobre a população de um paísinternacionalmente reconhecido em suas fronteiras. Para os pensadores alemães Karl Marx e Friedrich Engels,o Estado é um instrumento que serve aos seus interesses de classe dominanteem qualquer sociedade.Marx, ao contrário, colocou o Estado em seu contextohistórico e o submeteu a uma concepção materialista da história. Não é oEstado que molda a sociedade, mas a sociedade que molda o Estado. Asociedade, por sua vez, se molda pelo modo de produção e pelas relações deprodução inerentes a esse modo de produção. Destaca-se que com o avanço das forças de produção, daorganização do trabalho capitalista “assalariamento” e a exploração da mais-valia, proporcionou um progresso tecnológico que ficou conhecido comoRevolução Industrial.Assim, estudando a obra proposta, pode-se perceber quepara autor o capitalismo é um modo de produção historicamente determinado,que encontra na mercadoria sua forma de riqueza básica, que o sistema buscaa valorização do capital como único objetivo, enquanto os trabalhadores devembuscar seus direitos e a desmercantilização da força de trabalho, através daluta de classes e que a transformação de uma sociedade está estritamenterelacionada ao desenvolvimento de suas forças produtivas. REFERÊNCIAS: MARX, Karl. Classes Sociais e Contradições de Classes. In: IANNI, Octavio.(Org.) Karl Marx - Sociologia. 3. ed. São Paulo: Ática, 1982 MARX, Karl. A Produção da Sociedade. In: IANNI, Octavio. (Org.) Karl Marx -Sociologia. 3. ed. São Paulo: Ática, 1982 MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. A Ideologia Alemã. (Feuerbach) 5. ed. SãoPaulo: HUCUTED, 1986. MARX, Karl & ENGELS, Friedrich. O manifesto do partido comunista.Prólogo de José Paulo Netto. São Paulo: Cortez, 1998 NAVES, Márcio Bilhardino – Max: Ciências e Revolução, São Paulo: Moderna,Campinas, SP. Editora da Universidade de Campinas, 2000.