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1 2 Sobre o autor: Yopanan Conrado Pereira Rebello é engenheiro civil pela Universidade Mackenzie (1971), é mestre e doutor pela FAU-USP (ano). Diretor Pedagógico da Ycon Formação Continuada Diretor Técnico da Ycon Engenharia Ltda. É professor titular das disciplinas de sistemas estruturais (curso de arquitetura), na universidade São Judas Tadeu. E autor de diversos livros, entre eles: “A Concepção Estrutural e a Arquitetura” ”Bases para Projeto Estrutural” ”Estruturas de Aço, Concreto e Madeira” ”Fundações” **títulos publicados pela Zigurate Editora - São Paulo Ficha técnica: Produção: CBCA - Centro Brasileiro da Construção em Aço Coordenação Geral: Sidnei Palatnik Projeto Gráfico: Thiago Felipe Nascimento e Sidnei Palatnik Editoração Eletrônica: Thiago Felipe Nascimento Ilustrações: Sidnei Palatnik e Caetano Sevilla São Paulo - 2009 ©2009 INSTITUTO BRASILEIRO DE SIDERURGIA/CENTRO BRASILEIRO DA CONSTRUÇÃO EM AÇO Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida por qualquer meio, sem a prévia autorização desta Entidade. Ficha catalográfica preparada pelo Centro de Informações do IBS/CBCA Av. Rio Branco, 181 / 28º Andar 20040-007 - Rio de Janeiro - RJ e-mail: cbca@ibs.org.br site: www.cbca-ibs.org.br Capa: Showroom Citroen - Paris Foto: Sidnei Palatnik 3 O conteúdo desta apostila é parte integrante do curso a distância intitulado “Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura”, desenvolvido pelo Engenheiro e Pro- fessor Yopanan Conrado Pereira Rebello e pelo Ar- quiteto Sidnei Palatnik, para o CBCA - Centro Bra- sileiro da Construção em Aço - e oferecido no link www.cursoscbca.com.br. Ao prepararmos esta apostila tivemos como único fim oferecer a possibilidade de imprimir o conteúdo es- crito do curso, de forma a facilitar sua leitura. Ressaltamos que inúmeros recursos multimídia dis- poníveis na internet não se aplicam a esta versão. Ela também não incluiu todo o conteúdo disponibilizado no curso, como exercícios, testes e vídeo, bem como o conteúdo desenvolvido pelos alunos durante os cur- sos. Eventuais links para sites, ou outros, apresentados ao longo do texto, só irão funcionar caso este seja aberto no seu formato eletrônico (pdf) e que aja uma cone- xão disponível para a internet. Os vídeos assinalados ao longo da apostila somente são disponibilizados através do ambiente de internet do curso. Recomendamos que seja feito o download dos vídeos oferecidos durante o curso para que possam ser visu- alizados a partir do computador do leitor. 4 Índice do Curso Introdução Módulo 1. Cargas que atuam nas estruturas Módulo 2. Características do Aço na Construção Civil Módulo 3. As seções estruturais e suas aplicações Módulo 4. Os Sistemas Estruturais em Aço Módulo 5. Associação de Sistemas Estruturais em Aço Módulo 6. Galpões em estrutura de aço Módulo 7. Edifícios residenciais e comerciais em Aço Módulo 8. Proteção contra Corrosão em Estruturas de Aço Módulo 9. Proteção ao Fogo em Estruturas de Aço Módulo 10. As interações entre as estruturas de aço e a arquitetura Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura 5 1Cargas que atuam nas estruturas MÓDULO Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura 6 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Índice - Módulo 1 1. Cargas que atuam nas estruturas 1.1. Visão geral de cargas nas estruturas Forças que atuam nas estruturas Conceito de direção e sentido Conceito de força 1.2. Cargas quanto à geometria Distribuição das cargas nos elementos estruturais: Geometria das cargas Cargas pontuais ou cargas concentradas Cargas lineares Cargas superficiais 1.3. Cargas quanto à direção 1.4. Cargas quanto à freqüência a. Cargas permanentes b. Cargas acidentais 1.5. Cálculo das cargas 2. Conceito de equilíbrio - equilíbrio estático das estruturas. Equilíbrio 2.1. Condições para se obter o equilíbrio estático. Condições de equilíbrio das estruturas Equilíbrio estático externo 2.2. Os vínculos estruturais Estruturas hipo, iso ou hiperestáticas 2.3. Estruturas hipostáticas, isostáticas e hiperestáticas. 3. Equilíbrio interno Equilíbrio estático interno 3.1. Conceito de tensão Tensão Regime elástico e Regime plástico Módulo de elasticidade 3.2. Tração simples ou axial 3.3. Compressão simples ou axial Compressão simples ou axial e flambagem A Flambagem 3.4. Momento - Momento Fletor Momento - momento fletor 3.5. Cálculo de momento fletor e força cortante para vigas biapoiadas sem e com balan- ços 3.6. Momento Torçor 4. Relação entre esforços e forma das seções A relação entre os esforços atuantes e as seções resistentes: O princípio da distribuição das massas na seção Tração simples ou axial Compressão simples ou axial Momento fletor – flexão Conceito de hierarquia dos esforços Uso de gráficos 7 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 1 Cargas que atuam nas estruturas INTRODUÇÃO Ao projetar uma construção, qualquer que seja ela, nos deparamos com diversas variáveis: necessidades do cliente na forma do programa de ar- quitetura, condicionantes físicas, normas legais, limitações financeiras e muitas outras. Entre estas, talvez a mais importante seja a definição do sistema estrutural a ser adotado. Intimamente ligado ao material estrutural que será escolhido está a defi- nição do sistema estrutural. A escolha do sistema construtivo não deve ser uma competição entre os diferentes tipos de estruturas, mas uma decisão com base nas necessidades da obra e nas características de cada sistema. A análise do custo global da obra pode reduzir substancialmente a dife- rença entre o uso do aço e do concreto, principalmente se usarmos o aço com seu melhor desempenho. Como sabemos, projetar com uma estrutura de concreto ou com uma estrutura de aço não é a mesma coisa. Cada qual tem suas respectivas limitações e vantagens características de seus componentes e modo de produção. Se esta definição é feita ainda na fase de anteprojeto, os ganhos com o sistema adotado serão mais consistentes. Ao contrário, migrar para outro material estrutural já numa fase posterior, quando muitas definições pro- gramáticas já estão prontas, não irá permitir todos os ganhos possíveis. O Professor Yopanan, engenheiro e calculista, conhecedor de diversas téc- nicas construtivas, como aço, concreto e madeira, será o nosso guia no aprendizado dos diversos sistemas estruturais em aço. Conheça o Professor Yopanan Vídeo 0 - Introdução Professor Yopanan PARTE 8 Parte 1 - Cargas que atuam nas estruturas 1.1 - Forças que atuam nas estruturas Video 1 - Cargas nas Estruturas Conceito de direção e sentido Quando alguém anda por uma rua reta e de repente entra numa de suas travessas, o caminho que essa pessoa percorre muda bruscamente de di- reção. Se por outro lado, a rua pela qual a pessoa caminha tiver uma cur- va, ao percorrer esta curva, a partir do seu início em cada ponto da curva a pessoa também estará mudando de direção. No caso anterior quando se entra numa travessa a mudança de direção, apesar de brusca, ocorre apenas uma vez, enquanto no caso da curva ocorrem muitas mudanças de direções. É sabido que para se garantir que um objeto esteja em movimento é ne- cessário que esse movimento seja relacionado a um referencial, por exem- plo: quando duas pessoas andam lado a lado, com mesmas velocidades, e uma delas olha para a outra, ela a verá sempre ao seu lado, como se estivesse parada. O mesmo não ocorre para uma terceira pessoa parada, que verá as duas primeiras afastando-se e, portanto, em movimento. No entanto essa terceira pessoa considerada parada não o estará para uma quarta que a visse do espaço sideral. Essa pessoa dita parada estaria em movimento junto com o planeta terra. Logo a terceira pessoa pode ser considerada parada ou não dependendo da referência que se tome. Como aquelas duas pessoas que andam lado a lado podem ser consideradas paradas uma em relação à outra, a terceira pessoa pode ser considerada parada em relação à terra, mas em movimento para um observador fora dela.Como no conceito de movimento, o conceito de direção também exige um referencial. Se não for levado em conta um referencial qualquer, di- reção será algo sem nexo. A direção de uma rua ou estrada tem que ser definida em relação a alguma referência, como, por exemplo, a linha do equador, a agulha de uma bússola, ou outra qualquer. Pode-se escolher qualquer referencial para se definir a direção, mas uma vez escolhido esse referencial deve ser fixo e conhecido para que todos possam ter a mesma interpretação dos acontecimentos. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 9 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Define-se como direção de uma reta qualquer o ângulo que ela forma com outra reta bem conhecida, denominada referencial. A reta que vai do ponto de localização de uma pessoa ao pólo magnético da terra dada pela agulha de uma bússola, por exemplo, é um referencial bastante definido e que normalmente é utilizado. A direção do vôo de um avião é definida pelo ângulo que sua rota forma com a direção dada pela bússola. Uma mesma direção ou rota, por exemplo, a rota entre São Paulo e Rio de Ja- neiro pode ser ocupada por um avião que vai de São Paulo para o Rio e outro que vai do Rio para São Paulo. Os dois aviões estão indo na mesma direção mas em sentidos contrários. Portanto, definida uma direção, para se caracterizar corretamente o movimento deve-se informar também o sentido. É muito comum haver uma certa confusão nos conceitos de direção e sentido. É comum ocorrer o engano de se dizer que determinado veículo está indo na direção de São Paulo para o Rio de Janeiro e o outro que está na mesma estrada mais em sentido contrário, dizer-se que ele esta na direção contrária, o que é um erro grosseiro. A direção é a mesma São Paulo - Rio de Janeiro ou Rio de Janeiro São Paulo, o que muda é o sentido. Conceito de força Sempre que um corpo, com uma determinada massa, estiver em repouso e iniciar um movimento ou, ainda, quando esse mesmo corpo, já em movimen- to retilíneo (movendo-se sobre uma reta), com velocidade constante tiver sua velocidade e/ou sua direção alterada diz-se que a ele foi aplicada uma força. Portanto a idéia de força está liga a noção de massa, aceleração (alteração na velocidade), direção e sentido. Matematicamente força é definida como o pro- duto da massa de um corpo pela aceleração que ele adquire numa determinada direção e sentido. F = M . σ Onde: • F = força • M = massa • σ = aceleração 1.2. Cargas quanto à geometria Distribuição das cargas nos elementos estruturais: Geometria das cargas A distribuição de cargas sobre uma estrutura pode ser diferente de um ponto para outro. As cargas que atuam sobre uma viga podem se distribuir de manei- ra diferente das que atua sobre uma laje. Normalmente a geometria dos car- regamentos acompanha a geometria dos elementos estruturais sobre os quais eles atuam. As cargas podem atuar de maneira uniforme sobre a estrutura ou variar sua intensidade ponto a ponto. As cargas que têm a mesma intensidade ao longo do elemento estrutural são denominadas cargas uniformes, aquelas que variam são denominadas cargas variáveis. Quanto a geometria as cargas podem ser: • Cargas pontuais ou cargas concentradas • Cargas lineares • Cargas superficiais 10 Cargas pontuais ou cargas concentradas Cargas pontuais ou cargas concentradas são aquelas localizadas em um ponto. São exemplos de cargas concentradas: uma viga apoiada sobre outra, um pilar que nasce numa viga ou placa, o peso próprio de um pilar, e assim por diante. Essas cargas são representadas graficamente por uma seta isolada. Cargas lineares Cargas lineares, como o próprio nome diz, são aquelas distribuídas sobre uma linha. São exemplos de cargas lineares o peso próprio de uma viga, o peso de uma parede sobre uma viga ou placa, as cargas depositadas por uma laje sobre as vigas, e assim por diante. Essas cargas são representadas graficamente por um conjunto de setas dispostas sobre uma linha. Cargas superficiais Cargas superficiais são aquelas que se distribuem sobre uma superfície. São exemplos de cargas superficiais o peso próprio de uma laje, peso próprio de revestimentos de pisos, o peso de um líquido sobre o fundo do recipiente, o empuxo de um líquido sobre as paredes do recipiente que o contém e as cargas acidentais definidas pela Norma. Essas cargas são representadas grafica- mente por um conjunto de setas dispostas sobre uma área. No quadro abaixo apresentamos alguns exemplos de cargas acidentais superfi- ciais definidas pela Norma: Cargas acidentais sobre pisos residenciais (pessoas, móveis, etc.) 150 kgf/m² Cargas acidentais sobre pisos de escritórios 200 kgf/m². Cargas acidentais sobre pisos de lojas 400 kgf/m². Cargas acidentais devidas ao vento 50 a 100 kgf/m². 1.3. Cargas quanto à direção Quanto à direção, as cargas podem ocorrer na vertical, sendo neste caso pre- dominantes as cargas devidas à gravidade, ou seja, as cargas de peso; podem, também, ocorrer na horizontal, tais como as cargas de vento, empuxos de so- los sobre arrimos, empuxos de água sobre paredes de piscinas e caixas d’água; podem, ainda, serem inclinadas, oriundas da composição de cargas verticais e horizontais. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 11 1.4. Cargas quanto à freqüência Algumas cargas atuam na estrutura durante toda sua vida útil, enquanto outras ocorrem de vez em quando. Denominam-se cargas permanentes àquelas que ocorrem ao longo de toda vida útil da estrutura e cargas acidentais àquelas que ocorrem eventualmente. a. Cargas permanentes As cargas permanentes são cargas cuja intensidade, direção e sentido, podem ser determinadas com grande precisão, pois elas são devidas exclusivamente a forças gravitacionais, ou peso. São exemplos de cargas permanentes as seguin- tes: - O peso próprio da estrutura. Para determiná-lo basta o conhecimento das dimensões do elemento estrutural e do peso específico (peso / m³) do material do qual o elemento estrutural é feito. - O peso dos revestimentos de pisos, como contrapisos, pisos cerâmicos, entre outros. - O peso das paredes. Para determiná-lo é necessário conhecer-se a largura e altura da parede e o peso específico do material do qual ela é feita , assim como do revestimento (emboço, reboco, azulejo e outros). - O peso de revestimentos especiais, como placas de chumbo nas paredes de salas de Raio X. Para determiná-lo é necessário o conhecimento das dimen- sões e peso específico desses revestimentos. b. Cargas acidentais. As cargas acidentais são mais difíceis de serem determinadas com precisão e podem variar com o tipo de edificação. Por isso essas cargas são definidas por Normas, que podem variar de país para país. No Brasil a norma que determi- na os valores das cargas acidentais é a NBR 6120 da Associação Brasileira de Normas Técnicas. São exemplos de cargas acidentais, prescritas pela Norma, as seguintes: • O peso de pessoas. • O peso do mobiliário. • O peso de veículos. • A força de frenagem (freio) de veículos. Esta é uma força horizontal que depende do tipo de veículo. • A força de vento. Esta é uma força horizontal que depende da região, das dimensões verticais e horizontais da edificação. Obs. - O efeito da chuva como carregamento, apesar de acidental, é considerado no peso das telhas e revestimentos, já considerados. Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Cargas inclinadas 12 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura - O peso de móveis especiais, como cofre, não é determinado pela Norma e deverá ser informado pelo fabricante do mobiliário. Como a carga acidental pode ocorrer em alguns pontos da estrutura e em ou- tros não, para um adequado dimensionamento da estrutura deve-se pesquisar, para cada elemento, qual a posição mais desfavorável de carregamento. Muitas vezes carregar parcialmente a estrutura pode ser mais desfavorável que carregá- la com toda a carga, como mostraa figura a seguir: Módulo 1 - 1.5. Cálculo das cargas que incidem sobre a estrutura Peso Próprio das lajes maciças Numericamente o peso por metro quadrado da laje depende apenas da altura da laje (h laje). Pode-se então escrever: Peso Proveniente das cargas acidentais: NBR 6120 – Cargas para cálculo de estruturas de edificações (Nov/1980) 13 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Cargas provenientes do peso próprio da viga O peso próprio das vigas pode ser obtido diretamente das tabelas de perfis dos fabricantes. Muitas delas podem ser obtidas na apostila O Uso do Aço na Arquitetura, do Prof. Aloizio Fontana Margarido. (Capítulo 3) Clique aqui para acessar a apostila. Cargas nas vigas provenientes das lajes Laje armada em uma só direção Para fins práticos, essa situação ocorre quando o vão maior é maior que o dobro do vão menor. Laje armada em cruz Na prática, isso ocorre quando o vão maior é menor ou igual ao dobro do menor. Cargas nas vigas provenientes das lajes armada em uma só direção onde l = vão menor da laje Obs: As lajes pré-moldadas comportam-se como lajes armadas em uma só direção (a direção das vigotas). Seu peso é dado em tabelas fornecidas pelos fabricantes em função do vão e da sobrecarga (acidental + revestimentos) Cargas nas vigas provenientes das lajes armadas em cruz Carga na viga do vão menor: Carga na viga do vão maior: onde, l= vão menor e L= vão maior Cargas nas vigas provenientes das alvenarias Pesos específicos (لا alve) de alvenaria mais usados: Tijolos de barro maciços revestidos 1.680 kgf / m³ Tijolos cerâmicos revestidos 1.120 kgf / m³ Blocos de concreto revestidos 1.250 kgf / m³ Blocos de concreto celular revestidos 950 kgf / m³ onde, b= largura da parede h= altura da parede 14 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Parte 2 - Conceito de equilíbrio - equilíbrio estático das estruturas Vídeo - Equilíbrio das Estruturas Equilíbrio Uma das propriedades desejadas para as estruturas, e a mais importante, é que quando submetidas às mais diferentes forças possam manter-se em equilíbrio, durante toda sua vida útil. Diz-se que um objeto está em equilíbrio quando não há alteração no estado das forças que atuam sobre ele. Uma espaçonave, no espaço sideral, longe do efeito gravitacional dos astros, desloca-se com velocidade constante e em uma trajetória reta. Nesta situação a espaçonave encontra-se em equilíbrio. Já um objeto sobre uma mesa, manter-se-á no lugar indefinidamente, desde que so- bre ele não seja aplicada outra força, que não sejam o seu peso e a reação da mesa. Nesta situação o objeto encontra-se também em equilíbrio. No caso da espaçonave o equilíbrio ocorre, mas existe movimento. Este é o equilíbrio dinâmico. No caso do objeto sobre a mesa não há movimento, o objeto per- manece parado; é o equilíbrio estático. É este último que interessa para as edi- ficações, que, para existirem, devem permanecer em equilíbrio estável durante toda a sua vida útil. Para uma estrutura permanecer em equilíbrio estático é necessário, mas não suficiente, que as dimensões de suas seções sejam corretamente determinadas. Embora corretamente dimensionada, a estrutura pode perder o equilíbrio se seus apoios ou as ligações entre as partes que a constituem, denominados vín- culos, não forem corretamente projetados. Por outro lado, o correto projeto dos vínculos não garante a estabilidade da estrutura se as dimensões das suas seções forem menores que as necessárias. Portanto uma estrutura para estar totalmente em equilíbrio estático deve manter-se nele tanto externamente, ou seja, equilíbrio nos seus vínculos, como internamente, com o equilíbrio das forças que ocorrem dentro das suas seções. 15 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Equilíbrio estático externo 2.1. Condições para se obter o equilíbrio estático. Considere-se uma barra qualquer. A ação da gravidade sobre sua massa pro- voca o aparecimento da força peso. Sob a ação dessa força a barra tende a se deslocar na vertical em direção ao centro da terra. P = M . σ Uma maneira de evitar que a barra se desloque na vertical é a criação de um dispositivo que crie uma reação contrária à força peso, equilibrando-a. Supo- nhamos que para isso se crie um suporte como mostrado na figura a seguir. Uma maneira de evitar que a barra se desloque na vertical é a criação de um dispositivo que crie uma reação contrária à força peso, equilibrando-a. Supo- nhamos que para isso se crie um suporte como mostrado na figura a seguir. Nestas condições o equilíbrio ainda não é alcançado já que a barra tende a continuar movimentando-se, só que agora girando em torno do seu suporte. Para evitar o giro podemos criar outro suporte, como mostra a figura a se- guir. Nestas condições a barra não irá movimentar-se na vertical e nem girar. Ainda assim o equilíbrio estático da barra não está garantido, já que a aplicação de uma força horizontal poderá deslocá-la nessa direção. Para evitar esse movi- mento pode ser colocada, num dos suportes, uma trava, como mostrado na figura abaixo. Dessa maneira qualquer que seja a força que atue sobre a barra, desde que no seu plano, ela permanecerá indeslocável, ou seja, em equilíbrio estático. Portanto, para um elemento estrutural estar em equilíbrio estático no seu pla- no é condição necessária e suficiente que ele não ande na vertical, não ande na horizontal e nem gire. Estas são as três condições mínimas necessárias para que ocorra o equilíbrio estático no plano. Este raciocínio pode ser extrapolado para o espaço. 2.2. Os vínculos estruturais Vídeo – Vínculos Vídeo – Modelos de Vinculos Vídeo – Vínculos - 2ª parte 16 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Vínculos Os vínculos são os dispositivos de ligação entre os elementos estruturais. São vínculos: • a ligação entre uma laje e uma viga; • uma viga e um pilar; • uma viga com outra viga; • a ligação entre as barras que formam uma malha estrutural e assim por diante. Os vínculos, conforme seja desejo de projeto, podem ou não permitir movi- mentos relativos entre os elementos por eles unidos. Um vínculo que permite giro e deslocamento relativos é denominado vínculo articulado móvel. Articulado porque permite o giro, móvel porque permite o deslocamento numa direção, normalmente a horizontal. O vínculo que permite apenas o giro relativo é denominado vínculo articu- lado fixo. O vínculo que impede o giro e os deslocamentos é denominado vínculo engastado. Na figura ao lado são apresentados os significados desses vínculos e suas repre- sentações gráficas. Cada tipo de vínculo apresenta determinadas restrições de movimento, geran- do assim reações. Por exemplo, um vínculo articulado móvel apresenta possi- bilidade de giro e deslocamentos em uma direção (normalmente horizontal), portanto ele só admite reação em uma direção (normalmente vertical. Algo semelhante acontece com os demais vínculos, a figura a seguir mostra os vín- culos e as reações originadas neles. 17 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Nem sempre as estruturas reais apresentam vínculos perfeitos, ou seja per- feitamente articulados ou móveis. A interpretação dos vínculos é sempre um modelo teórico, pensado de forma que se aproxime ao máximo do comporta- mento real. A rigidez dos elementos ligados é sempre um fator a ser observado nessa interpretação teórica. Na figura a seguir são mostrados exemplos reais e seus respectivos modelos. Reparem que uma mesma estrutura pode levar a duas ou mais interpretações. A interpretação será mais correta quanto mais ela se aproximar dos deslocamentos produzidos na estrutura real. No primeiro caso uma estrutura bastante rígida apoia-se em pilares pouco rígidos. Neste caso, pode-se interpretar os vínculos entre vigas e pilares como articulados, uma análise mais profunda pode indicar se eles podem ser consi- derados móveis ou fixos. No segundo caso, uma viga pouco rígida apoia-se em pilares muito rígidos,neste caso tem-se como um bom modelo, vínculos engastados. Nos demais casos têm-se vigas e pilares de mesma ordem de rigidez. Neste caso, dependendo do detalhamento, se houver uma ligação contínua entre vigas e pilares, pode-se ter um vínculo rígido (nem totalmente articulado nem totalmente engastado), ou um vinculo articulado se não houver essa continui- dade. 18 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura O desenho arquitetônico pode induzir a que o modelo estrutural se aproxi- me de um ou outro tipo. Na figura a seguir são mostrados exemplos em que o desenho da arquitetura gera uma interpretação de vínculo. No primeiro, a diminuição da espessura do pilar junto a viga leva inevitavelmente à inter- pretação de um vínculo articulado. Na base devido ao grande aumento na dimensão do pilar, a interpretação mais adequada é de um vínculo engastado. As mesmas questões podem ser observadas no segundo exemplo. Um vínculo mal interpretado pode gerar um acidente estrutural. A figura mostra um caso real de uma abóbada apoiada em duas vigas periféricas. O modelo adotado foi o de dois vínculos articulados fixos. Se realmente a ligação entre a abóbada e as vigas fossem desse tipo, a estrutura se comportaria ade- quadamente, pois os vínculos seriam capazes de absorver as forças horizontais (empuxos) originadas pela abóbada. Ocorre que as vigas eram muito finas, portanto com pouca rigidez lateral. Isso fez com que sob a ação dos empuxos da abóbada a viga se deformasse, fazendo com que a ligação entre a abóbada e as vigas se constituísse em um verdadeiro vínculo móvel. Com isso a estrutura tornou-se hipostática ocorrendo o seu colápso. 19 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas A opção por um ou outro tipo de vínculo depende do modelo físico ide- alizado para o comportamento da estrutura. Assim quando se quer que as dilatações térmicas de uma viga não influenciem os pilares sobre os quais ela se apóia, projeta-se um vínculo articulado móvel num dos pilares de apoio da viga, de maneira que ela possa dilatar-se livremente sem aplicar uma força horizontal ao pilar, como ilustrado na figura a seguir. Obs.: o neoprene é um tipo de borracha que permite deformações de diver- sos tipos. 20 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos de vínculos reais: 21 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 22 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos de vínculos aproximados: 23 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 24 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 25 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 2.3. Estruturas hipostáticas, isostáticas e hiperestáticas Vídeo – Estruturas Hipo Iso Hiperestáticas Estruturas hipostáticas, isostáticas e hiperestáticas Quando uma estrutura encontra-se em condições de estabilidade exatamente iguais às mínimas necessárias, ela é dita isostática (iso, radical grego que signi- fica igual). Quando as condições de estabilidade estão acima das mínimas, dizemos que a estrutura é hiperestática (hiper, radical grego que significa acima). Quando as condições de estabilidade estiverem abaixo das mínimas a estrutura é dita hipostática (hipo, radical grego que significa abaixo). Estruturas hipostáticas são estruturas que não se encontram em equilíbrio es- tático e, portanto não interessam ao universo das estruturas de edificações. São estruturas que tendem a cair. Conclui-se, portanto, que se deve trabalhar somente com estruturas isostáticas ou hiperestáticas. 26 Exemplos de estruturas hiperestáticas: vigas contínuas Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 27 Exemplo de estrutura isostática: viga biapoiada Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 28 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 2.4 Cálculo das reações de apoio em vigas biapoiadas sem e com balanços Reações nos apoios em vigas biapoiadas sem balanços 1. Carga concentrada Para simplificar o cálculo, pode-se generalizar os resultados usando uma força P qualquer atuando sobre a viga de vão l qualquer e distante a e b dos apoios A e B, respectivamente. 2. Carga distribuída Generalizando, considerando a carga distribuída q e o vão l, tem-se: 3. Vigas em balanço Uma viga em balanço é aquela em que uma das extremidades é totalmente livre de apoio e a outra apresenta um apoio engastado. 3.1 Carga concentrada 3.2 Carga distribuída 29 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Parte 3 - Equilibrio interno Vídeo - Equilíbrio das Estruturas O equilíbrio externo de uma estrutura é condição necessária, mas não sufi- ciente para sua existência. Mesmo uma estrutura com grande grau de estabi- lidade, como as estruturas hiperestáticas, pode perder a sua estabilidade, se o material da qual é composta não for capaz de reagir às tensões internas, rom- pendo-se e perdendo o equilíbrio interno. Semelhante ao caso do equilíbrio externo, para que ocorra o equilíbrio interno é necessário que as secções que compõem o elemento estrutural não se desloquem na horizontal, na vertical e não girem. A ruptura de um elemento estrutural dá-se pela perda do equilíbrio interno, ou seja, as tensões no material provocam algum deslocamento relativo entre as seções. Como não se pode ver o que acontece dentro da seção de um elemento es- trutural, antes dele romper-se, recorre-se a alguma pista externa. Essa pista é a forma como o elemento estrutural se deforma quando submetido às forças externas. Existe uma relação direta entre o que ocorre dentro do elemento estrutural e as deformações externas visíveis. 3.1. Conceito de tensão Vídeo – Tensão 30 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Vídeo – Tensão normal e tangencial Vídeo – Deformação elástica e plástica Tensão Ninguém duvida que o aço é um material mais resistente que, por exemplo, o algodão. Mas isso não garante que um fio de aço resista mais que um fio de algodão. Desde que colocada uma quantidade suficiente de algodão, o seu fio poderá resistir mais. A resistência de um elemento estrutural depende da relação entre a força aplicada e a quantidade de material sobre a qual a força age. A essa relação dá-se o nome de tensão. Em outras palavras, a tensão é a quantidade de força que atua em uma unidade de área do material. Só pode- mos comparar a resistência de dois materiais comparando as máximas tensões que eles podem resistir, ou em outras palavras, o quanto de força por unidade de área eles suportam. Quando a força é aplicada perpendicularmente à superfície resistente, a tensão denomina-se tensão normal. Quando a força aplicada for paralela, ou melhor, tangente à superfície resisten- te, a tensão denomina-se tensão tangencial ou tensão de cisalhamento. 31 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Um pilar é um exemplo de peça estrutural subme- tida a tensão normal. Um tirante é outro exemplo de peça estrutural sub- metida a tensão normal. 32 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Parafusos são exemplos de elementos estruturais submetidos a tensões de cisalhamento 33 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas É importante distinguir-se que tipo de tensão está ocorrendo num elemento estrutural, pois os materiais apresentam capacidades diferentes conforme sejam solicitados a um ou outro tipo. O quadro abaixo apresenta alguns exemplos de materiais e suas respectivas tensões máximas de trabalho. Aço tipo A-36 σ = 1.500 kgf/cm² (tensão normal) τ = 800 kgf/cm² (tensão de cisalhamento) Madeira (Pe- roba) σ = 90 kgf/cm² (tensão normal) τ = 12 kgf/cm² (tensão de cisalhamento) Concreto σ = 250 kgf/cm² (tensão normal) τ = 6 kgf/cm² (tensão de cisalhamento) As estruturas quando submetidas a tensões devem trabalhar com uma certa folga, para que imprevistos, tais como falhas de material, impossibilidade de uma execução ideal e outros efeitos não previstos, não ponham em risco a resistência da estrutura. Nenhuma estrutura trabalha dentro do seu limite de resistência, mas em um regime um pouco abaixo desse limite. A esse regimede trabalho dá-se o nome de regime de segurança e as tensões atuantes são denominadas tensões ad- missíveis. A determinação das tensões admissíveis é feita pela aplicação de um coeficiente de segurança às tensões limites do material. Os coeficientes de segurança variam de material para material e são obtidos, estatisticamente, dependendo da maior ou menor confiabilidade no material: no aço esse coeficiente é da ordem de 1,4 , no concreto armado de 2 e em algumas madeiras chega a 9. Todo material quando submetido a tensão apresenta uma deslocabilidade nas suas moléculas, o que é denominado deformação. Quanto mais solicitado o material, mais ele se deforma. Como as tensões são invisíveis ao olho humano, uma maneira de se saber se um elemento estrutural está mais ou menos solici- tado é pela verificação do quanto ele se deformou. Alguns materiais são mais deformáveis que outros apresentando deformações elevadas mesmo quando solicitados por pequenas forças. A deformabilidade visível dos materiais es- truturais é uma característica bastante desejável, já que grandes deformações podem avisar sobre problemas na estrutura. A maneira de se determinar o quanto um material resiste é submetendo-o a um ensaio. Neste ensaio são medidas as tensões a que o corpo de prova é submetido e suas respectivas deformações. O ensaio é levado até a ruptura do material. Regime elástico e Regime plástico Entre a situação de descarregamento total e a ruptura, os materiais passam por algumas fases importantes. Enquanto as deformações forem proporcionais às forças aplicadas, ou seja, ao se duplicar a força o material dobra sua deformação; ao se triplicar a força, sua deformação triplica e assim 34 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura por diante, o material é considerado trabalhando no regime elástico. Nesta fase quando se deixa de aplicar a força o material volta a ter a sua dimensão origi- nal. O elástico de borracha é um elemento que representa bem essa situação. Se a força aplicada atingir valores acima de um determinado limite, pode-se notar que o material muda de comportamento não mais apresentando defor- mações proporcionais ao aumento da força. A esta fase dá-se o nome de regi- me plástico. Nesta situação o material quando descarregado passa a apresentar uma deformação permanente. Ao final do regime plástico, com o aumento de carga, temos a ruptura do material. Alguns materiais apresentam na passagem do regime elástico para o plástico, um grande aumento na deformação sem aumento na intensidade da força. Esta situação caracteriza o fenômeno de- nominado escoamento do material, fenômeno típico do aço. A relação entre a força aplicada e a deformação ocorrida pode ser colocada em gráfico. Para que o gráfico represente o comportamento do material independentemente das dimensões do elemento que serviu de base para o ensaio, são colocadas no gráfico, em vez das forças aplicadas, suas respectivas tensões e em vez da defor- mação total da barra, cujo valor varia com o comprimento inicial é usada a de- formação específica que é a relação entre a deformação real e o comprimento inicial da barra. Dessa forma obtêm-se gráficos semelhantes àqueles mostrados na figura a seguir, denominados gráficos tensão x deformação. Módulo de elasticidade Observando o gráfico da figura acima, nota-se que na parte onde o gráfico é uma reta, que corresponde à região do regime elástico do material, ou seja, proporcionalidade entre tensão e deformação, sua inclinação varia de material para material. Essa variação nos mostra que para uma mesma tensão existem materiais que se deformam mais que outros. Quanto maior for o ângulo α, ou seja, quanto mais inclinada for a reta menos deformável é o material. Conclui- se que a inclinação dessa reta nos informa quanto deformável é o material. A essa inclinação dá-se o nome de módulo de Young ou módulo de elasticidade, que é uma constante para cada tipo de material. O módulo de elasticidade do aço é 2.100.000 kgf/cm², o do concreto é da or- dem de 210.000 kgf/cm². Esses valores mostram que o concreto é um material 10 vezes mais deformável que o aço, o que a princípio contraria a intuição, que tende a indicar o contrário. Isso se deve a maneira como os dois materiais são aplicados nas estruturas. As peças de aço, devido sua resistência maior, são mais 35 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Além do conceito de módulo de elasticidade, os gráficos de tensão x defor- mação apresentam uma relação bastante importante que descreve a maneira como o material se relaciona com as tensões a ele aplicadas e as suas respectivas deformações. Essa relação é particularmente importante no regime elástico, pois permite a solução de diversos problemas de dimensionamento de ele- mentos estruturais. Essa relação recebe o nome de Lei de Hooke, que pode ser obtida do gráfico a partir do conceito trigonométrico de tangente, que é a relação entre o cateto oposto e o adjacente; no gráfico o cateto oposto mede as tensões e o adjacente as deformações específicas, o que resulta na expressão matemática: • σ = Exε onde - σ: Tensão aplicada ao material - E : Módulo de elasticidade do material - ε : Deformação específica (deformação efetiva dividida pelo comprimento inicial da barra). E Aço E Concreto E Madeira 2.100.000 kgf/m² 180.000 a 300.000 kgf/m² 90.000 a 120.000 kgf/m² 3.2. Tração simples ou axial Vídeo – Tração simples Tração simples ou axial Se uma barra, quando submetida a forças externas, sofre um aumento no seu tamanho na direção do seu eixo, e se esse aumento ocorre de forma uniforme, ou seja, todas as suas fibras sofrem a mesma deformação, pode-se concluir que internamente a barra está sujeita a uma força atuando de dentro para fora, nor- mal ao plano da sua secção e aplicada no seu centro de gravidade. A esta força dá-se o nome de tração simples ou axial. A força de tração simples se distribui na secção da barra provocando tensões normais de tração simples. Essas tensões são uniformes ao longo de toda a secção, já que a tração simples provoca uma solicitação uniforme de todas as fibras da secção. Neste caso o equilíbrio interno é obtido quando o material é suficientemente resistente para reagir às tensões que, provocadas pelas forças de tração simples, tendem a afastar as seções. esbeltas e as de concreto, ao contrário, mais volumosas. Assim sendo, devido às suas dimensões, as peças metálicas tendem a ser mais deformáveis. 36 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos: Nestes exemplos são apresentados cabos e tirantes que são peças estruturais sempre submetidas a tração simples. 37 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 3.3. Compressão simples ou axial Vídeo – Compressão simples Vídeo – Flambagem Vídeo – Fatores que influenciam a flambagem Vídeo – Momento de inércia Vídeo – A forma da seção Vídeo – Comprimento de flambagem Compressão simples ou axial e flambagem Se a barra, quando submetida a forças externas, sofre uma diminuição no seu tamanho na direção do seu eixo, e se essa diminuição ocorre de forma unifor- me, ou seja, todas as suas fibras sofrem a mesma deformação, pode-se concluir que internamente a barra está sujeita a uma força atuando de fora para dentro, normal ao plano da sua secção e aplicada no centro de gravidade dessa secção. A esta força dá-se o nome de compressão simples ou axial. 38 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos: Além do sentido em que se deformam, há um comportamento bastante dife- renciado entre uma barra sujeita à tração simples e outra sujeita à compressão simples. Se em uma barra tracionada a força de tração simples é aumentada gradativamente, as tensões internas aumentam até que, ultrapassada a tensão de resistência à tração do material, a peça se rompe. No caso da compressão axial pode ocorrer a perda de estabilidade da peça, bem antes que seja atingida a tensão de ruptura a compressão do material. A este fenômenode perda de es- tabilidade da barra antes da ruptura do material, dá-se o nome de flambagem. A Flambagem A flambagem é o fenômeno que distingue radicalmente o comportamento entre barras submetidas à tração e barras submetidas à compressão simples, exigindo uma preocupação especial com as barras comprimidas. A flambagem é o fenômeno que distingue radicalmente o comportamento entre barras submetidas à tração e barras submetidas à compressão simples, exigindo uma preocupação especial com as barras comprimidas. A flambagem depende de diversos fatores, e o controle deles é que garante um comportamento adequado das barras submetidas à compressão. É imediata a conclusão de que a intensidade da força aplicada é um desses fatores. Quanto maior sua intensidade maior será o perigo de flambagem da barra. O tipo de material é outro fator. Como foi visto anteriormente existem materiais mais deformáveis que outros, e que a deformabilidade do material é medida pelo seu módulo de elasticidade, obtido no ensaio tensão x deformação. Materiais com módulos de elasticidade altos serão menos deformáveis e, portanto, sofre- rão menos riscos de flambagem. Outros fatores, menos evidentes Influenciam o comportamento da barra à flambagem, são eles a seção e comprimento da barra. A forma e dimensões da seção da barra são fatores de grande importância no fenômeno da flambagem. 39 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Apresentando a figura ao lado, vê-se que ao flambar, as seções da barra, que antes eram paralelas, giram em torno dos seus eixos aproximando-se numa das faces e afastando-se em outra. Essa situação mostra que a maior ou menor possibilidade de uma barra flambar está diretamente ligada a maior ou menor facilidade de giro das suas seções. Uma folha de papel dobrada, se comparada a uma folha não dobrada, como mostra a figura a seguir, apresenta uma resistência bastante superior à flamba- gem, ou seja suas secções apresentam maior dificuldade de girar em relação ao seu centro de gravidade. Convém lembrar que o centro de gravidade de uma figura plana é o ponto em que, se a figura tivesse peso, poder-se-ia suspendê- la, de forma que ela não sofreria qualquer giro mantendo-se horizontal. É intuitivo que para que isso ocorra é necessário que as massas que compõem a figura estejam adequadamente distribuídas em todas as direções em relação ao centro de gravidade, daí ser possível que o centro de gravidade de uma figura plana ocorra fora dessa figura. CG = Centro de gravidade da seção Qual é o fator que faz com que uma seção se torne mais ou menos resistente ao giro? A maior ou menor possibilidade de uma seção girar depende da maneira como o material está distribuído em relação ao centro de gravidade da seção. Para entender melhor esse fenômeno observe a seguinte analogia física: suponha que se queira girar, com a mão, uma massa qualquer amarrada a ela por um fio. Quanto mais afastada essa massa estiver da mão mais difícil será impulsioná-la ao giro. Ou seja, quanto mais longe estiver a massa do centro de giro mais difí- cil é tirá-la da inércia. Coisa semelhante ocorre com a distribuição de material na seção de uma barra. Quanto mais afastado estiver o material do centro de giro da seção da barra, ou seja, do seu centro de gravidade, mais difícil será girar a seção e, conseqüentemente, mais difícil será a barra flambar. No exemplo da folha de papel, quando ela está dobrada sua seção transversal tem a forma de um V, cujo centro de gravidade encontra-se na posição mostra- da na figura. Quando a folha não está dobrada a sua secção tem a forma de um retângulo cuja altura é muito pequena (a espessura da folha). Nesta situação o centro de gravidade encontra-se na metade dessa altura. Pode-se ver que as distribuições de material em relação ao centro de gravi- dade das secções são muito diferentes para a folha dobrada e a não dobrada. Naquela o material está mais longe do centro de gravidade, ou centro de giro, o que resulta numa maior resistência ao giro da seção e, portanto numa maior resistência à flambagem. A forma como o material é distribuído na seção pode ser medido matemati- camente e recebe o nome de momento de inércia da seção. O momento de inércia da seção relaciona as diversas porções de áreas que compõem a seção com suas distâncias ao centro de gravidade da seção. 40 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Pode-se concluir que para barras submetidas à compressão, portanto sujeitas a flambagem, a forma da seção, ou seja, a maneira como o material está distri- buído em relação ao centro de gravidade da secção, é de extrema importância. Ao se comprimir barras, com as mesmas seções e de comprimentos diferentes, notar-se-á que elas flambarão com forças diferentes: quanto maior o compri- mento da barra menor será a força necessária para provocar a flambagem. Verifica-se, também, que a flambagem da barra depende do quadrado do seu comprimento. Em outras palavras, quando se duplica o comprimento de uma barra, a força necessária para provocar sua flambagem ficará reduzida a apenas um quarto. A barra ficará quatro vezes mais instável. Por isso, são de funda- mental importância as condições de travamento lateral das barras submetidas à compressão. A figura mostra que o comprimento de flambagem da barra muda em função do tipo de vínculos nos seus extremos. Portanto nem sempre o comprimento de flambagem será igual ao comprimento real da barra. A figura a seguir mostra como os travamentos alteram o comprimento de flambagem da barra e em conseqüência sua capacidade de carga. Resumindo, a rigidez de uma barra à flambagem depende da relação entre o momento de inércia da sua seção, do comprimento da barra e da elasticidade do material que a compõe. A fórmula apresentada a seguir, de autoria de Euler, sintetiza bem essas relações: 41 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas * Pcr = π2.E.J L2 * Onde - Pcr : Carga crítica de flambagem (aquela que provoca a flambagem). - E : Módulo de elasticidade do material. - J : Momento de inércia da secção da peça. - L : Comprimento não travado da peça. A força de compressão simples se distribui na seção da barra provocando ten- sões normais de compressão simples. Essas tensões são uniformes ao longo de toda a seção, já que a compressão simples provoca uma solicitação uniforme em todas as fibras da seção. No caso da compressão simples o equilíbrio interno é obtido quando a barra é suficientemente rígida, a ponto de não girar sob o efeito de flambagem, ou quando o material é suficientemente resistente para reagir às tensões que tendem a aproximar as secções, provocadas pelas forças de compressão simples. 42 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Parte 4 - Momento Fletor 3.4. Momento - Momento Fletor Vídeo – Introdução ao Momento fletor Vídeo – Momento Fletor Vídeo – Momento fletor na viga e a linha neutra Vídeo – Forças devidas ao momento fletor Vídeo – Momento e escorregamento Vídeo – Deformação na barra Momento Tome-se um disco fixado no seu centro e tendo na extremidade de um dos seus raios uma carga pendurada por um cabo. Se esse disco for colocado em uma posição em que o cabo que sustenta a carga não esteja alinhado com o seu centro, ele girará até que ocorra o equilíbrio, quando a carga, o cabo e o centro do disco ficarem alinhados. A análise das forças que atuam no disco mostra a existência de duas forças, uma de ação representada pelo peso e outra de reação a esse peso aplicada no centro do disco, onde ele está fixado. 43 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Enquanto as linhas de ação dessas forças não estiverem alinhadas, o disco gira. Quando elas se alinham, o disco para. A figura a seguir mostra como as forças encontram-se aplicadas no disco. Conclui-se dessa experiência que o giro ocorre enquanto estiver aplicado no disco um par de forças, de mesma direção (paralelase verticais), sentidos contrários (uma para cima e outra para baixo) e enquanto não estiverem coli- neares. A um par de forças nesta situação dá-se o nome de binário. Sempre que ocorrer um binário ocorrerá um giro. A esse giro dá-se o nome de momento. Matematicamente o momento pode ser expresso pelo produto da força pela sua distância ao centro de giro. Lembrar que a distância entre uma força e um ponto é a menor distância entre sua linha de ação e o ponto. A figura a seguir mostra uma barra sobre dois suportes, no meio da qual é apli- cada uma força perpendicular ao seu eixo. Assim solicitada a barra deforma-se e seu eixo, que antes era reto, passa a ter a forma de uma parábola. A figura a seguir mostra que ao sofrer essa deformação todas as seções da barra, que inicialmente eram paralelas, giram em relação aos eixos horizon- tais que passam pelos seus centros de gravidade, o que caracteriza a ocorrên- cia de momento. 44 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura As deformações que ocorrem ao longo do eixo da barra tornando-o curvo são denominadas flechas. Portanto o momento que ocorre na barra submetida a carregamentos aplicados perpendicularmente ao seu eixo, além de provoca- rem giros nas suas seções, também provoca flecha no seu eixo, portanto é um momento de flecha ou momento fletor. É fácil observar que ao girarem as seções se aproximam na porção localizada acima do eixo que passa pelo centro de gravidade da seção e a se afastam na porção abaixo desse eixo, mostrando a ocorrência de forças simultâneas de compressão e tração. O modelo mostra também que a intensidade desse giro varia ao longo do comprimento da barra. As seções próximas ao centro giram menos que aque- las próximas aos apoios; portanto o momento fletor aumenta do apoio para o centro da viga. O momento fletor provoca deformações parecidas com as causadas pela flam- bagem, ou seja, flechas e giros das secções. Mas os agentes causadores são dife- rentes. Enquanto a flambagem é provocada por uma força aplicada na direção do eixo da barra (força de compressão simples), o momento fletor é provo- cado por forças aplicadas perpendicularmente a esse eixo. Os dois fenômenos apresentam-se visualmente idênticos, mas são conceitualmente bem diferentes. O binário interno de tração e compressão simultâneo, provocado pelo mo- mento fletor, se distribui na seção transversal da barra provocando simultane- amente tensões normais de tração e de compressão. Semelhantemente ao fenômeno da flambagem, a resistência de uma seção ao momento fletor depende do seu momento de inércia, ou seja, da maior ou menor possibilidade de giro das seções. Um esforço sempre associado à ocorrência de momento fletor é a Força Cor- tante. Esse esforço recebe esse nome por que seu efeito é de corte entre as seções longitudinais e transversais da barra. Existe uma relação direta entre momento fletor e força cortante, o que se constitui no fenômeno geral de flexão. Um experimento simples mostra isso. Ao se tomar um maço de papéis e sustentá-lo com as mãos e aplicar simulta- neamente giros iguais nas extremidades, veremos que não ocorrerão desliza- mentos relativos entre as diversas folhas do maço. 45 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Se ao contrário, for provocado um giro em apenas uma das extremidades, as diversas folhas escorregarão, como se estivessem sendo fatiadas, indicando a ocorrência de força cortante longitudinal. Sempre que o momento fletor variar de uma seção a outra do elemento estrutural ocorrerá a tendência de deslizamentos vertical e horizontal das seções da peça, ou seja, a ocorrência de força cortante. Como é bastante rara a ocorrência de momento fletor constan- te ao longo de um trecho de uma viga, pode-se dizer que sempre que houver a ocorrência de momento fletor haverá a ocorrência de força cortante. Sempre que ocorrer o escorregamento longitudinal, cortando a barra em sec- ções longitudinais, haverá, também, o escorregamento das seções transversais. São escorregamentos provocados pelas forças cortantes horizontais e verticais e que se combinam resultando em forças inclinadas de tração e compressão como mostra a figura ao lado. Dependendo do carregamento, o valor da força cortante varia ao longo da viga. Na figura a seguir pode-se observar que as fatias horizontais escorregam mais nas extremidades do que próximas ao centro da viga, o que mostra que o valor da força cortante é maior nas extremidades, diminuindo para o centro do vão. 46 A força cortante se distribui nas seções transversais e longitudinais da barra provocando tensões tangenciais ou de cisalhamento verticais e horizontais. A tensão de cisalhamento varia ao longo da mesma secção, sendo máxima no centro de gravidade e nula nas extremidades. No caso da força cortante o equilíbrio interno se dá quando o material é sufi- cientemente resistente para reagir às tensões de tração e compressão inclinadas devidas às tendências de escorregamentos horizontais e verticais das seções. Exemplos de peças estruturais submetidas a flexão Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 47 3.5. Cálculo de momento fletor e força cortante para vigas biapoia- das sem e com balanços Força cortante e momento fletor em vigas biapoiadas sem balanços 1. Cargas concentradas Pode-se generalizar os resultados para força cortante e para momento fletor. onde, QA e QB são as forças cortantes máximas que ocorrem nos apoios e são iguais às reações. Gráficos de força cortante e momento fletor Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 48 2. Cargas distribuídas Pode-se generalizar os procedimentos para uma carga uniformemente distri- buída q e um vão qualquer l. Cálculo do momento fletor e da força cortante em vigas em balanço 1. Cargas concentradas Generalizando para qualquer carga em qualquer posição sobre o balanço, tem-se: Gráficos de momento fletor e força cortante Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 49 2. Cargas distribuídas Generalizando para qualquer valor de carga uniformemente distribuída em qualquer comprimento de balanço, tem-se: Gráficos de força cortante e momento fletor: Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 50 3.6. Momento Torçor Vídeo – Momento torçor Vídeo – quadrados em losangos Vídeo – Viga balcão Como foi visto anteriormente, momento significa giro, portanto momento torçor deve, também, significar um tipo de giro. De fato, quando ocorre mo- mento torçor numa barra ocorre giro das suas seções, mas, diferentemente do momento fletor, no caso do momento torçor as seções giram com o eixo da barra mantendo-se reto, não apresentando as flechas características da flexão. A figura ao lado mostra o modelo de uma barra submetida a torção. Um outro ensaio, bastante simples, pode ser realizado com um canudo, feito com uma folha de papel enrolada, como vimos no vídeo. Ao se torcer esse canudo, notar-se-á o escorregamento longitudinal entre as folhas. Deste ensaio conclui-se que a torção provoca, além do giro relativo entre as seções trans- versais, um escorregamento longitudinal das seções horizontais. Conclui-se, ainda, que o giro transversal e o escorregamento longitudinal provocam forças cortantes transversais e longitudinais, semelhantes àquelas discutidas anterior- mente quando foi apresentada a força cortante. Esses dois efeitos, força cortante transversal e força cortante longitudinal ocor- rem simultaneamente, dando como resultado o aparecimento de forças de tração e compressão, inclinadas a 45 graus. O efeito dessas forças fica bastante evidente no modelo da figura a seguir, que apresenta uma barra quadriculada. As deformações que sofrem as quadrículas mostram as direções das forças re- sultantes da torção. As forças cortantes transversais e longitudinais devidas à torção distribuem- se nas seções das barras provocando tensões de cisalhamento transversais e longitudinais. O efeito simultâneo dessas tensões resulta em tensões normais inclinadas de tração e compressão. SistemasEstruturais em Aço na Arquitetura 51 No caso da torção o equilíbrio interno se dá, semelhantemente ao caso da for- ça cortante, quando o material tiver resistência suficiente para reagir às tensões de tração e compressão resultantes da tendência de escorregamento transversal e longitudinal das seções. 4. Relação entre esforços e forma das seções. Vídeo – Relação entre esforços e forma A forma como se distribui o material na seção transversal de uma peça es- trutural pode determinar o seu melhor ou pior aproveitamento, e em conse- qüência sua quantidade e o espaço ocupado. Diminuir o espaço ocupado pelos elementos estruturais pode ser desejável, seja por questões estéticas, seja pela necessidade de aumento do espaço útil da edificação. Entretanto, não é só a economia de material que define uma boa escolha. A maior ou menor facili- dade de execução da secção estrutural, em algumas situações, pode ser o fator determinante, impondo muitas vezes a escolha de uma forma que não seja, em princípio, a de menor consumo de material. Discutiremos, aqui, o que se denomina “Princípio da Distribuição das Massas na Seção”. Este princípio discute as relações entre os esforços atuantes e as formas de seções mais adequadas para suportá-los. Tração simples ou axial A tração simples ou axial, como já foi visto, desenvolve tensões uniformes na seção de uma barra. Qualquer que seja a forma da seção, a ruptura da peça sempre se dará quando é atingido o limite de resistência do material. Conclui- se que a quantidade de material, e não a forma como ele é distribuído na seção, é o fator determinante na resistência de uma barra submetida à tração simples ou axial. Se interessar, como resultado, o menor espaço ocupado pelos elementos estru- turais, pode-se escolher dentre todas as possíveis seções aquela que concentre material bem próximo do seu centro de gravidade. Esta seção é a circular cheia. Devido a essa propriedade dos esforços de tração serem bem absorvidos por seções com massa concentrada, pode-se concluir que os elementos estruturais submetidos a tração simples serão aqueles que ocuparão menor espaço no ambiente e que resultarão mais leves física e visualmente. Na figura a seguir, vêem-se as diversas possibilidades de formas de seção trans- versal, todas com a mesma área, ou seja, com a mesma quantidade de material. Supondo que a barra esteja sujeita a tração axial e que seja sempre usado o mesmo material, sua ruptura dar-se-á, sempre, com a mesma força de tração axial. Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 52 Na prática as seções que respondem bem aos esforços de tração são: Compressão simples ou axial A compressão simples, como a tração simples, solicita as seções das peças es- truturais com tensões uniformes. Essas tensões crescem com o aumento do esforço de compressão, mas ao contrário da tração simples, antes de ocorrer a ruptura da seção por compressão é bem provável que ocorra um deslocamen- to lateral da peça estrutural, fazendo-a perder a estabilidade. Ë o fenômeno da flambagem, já discutido. Viu-se que para aumentar a resistência da seção ao efeito da flambagem é preciso que o material se distribua o mais afastado possível do centro de gravidade da seção. Numa seção submetida à compressão simples o material junto ao seu centro de gravidade apresenta pouca eficiência, podendo ser desprezado. Portanto, ao se procurar maior economia de material deve-se escolher seções que não apresentem material junto ao centro de gravidade, ou seja, as seções vazadas. Se, além disso, também interessa aquela que ocupa o menor espaço, optar-se-á pela seção vazada circular, que ocupa 10 % a menos de espaço. Como na seção circular vazada o material distribui-se uniformemente em torno do centro de gravidade, é ela a única que apresenta a mesma resistência à flambagem em qualquer direção. Ao contrário da tração simples, na compressão simples não é a quantidade de material o fator determinante na resistência da seção, mas a maneira como esse material se distribui. Na compressão simples a melhor distribuição de massa na seção é aquela que ocorre fora do centro de gravidade e igualmente espaçada em qualquer direção. É importante notar que para uma mesma força, devido ao fenômeno da flam- bagem, as peças submetidas a compressão simples serão sempre mais robustas que aquelas submetidas à tração simples. Tanto física como visualmente, as primeiras serão sempre mais pesadas que as segundas. Na prática as seções que respondem bem ao esforço de compressão simples são mostradas a seguir. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 53 Exemplo: Perfil seção I Momento fletor - flexão A distribuição das tensões nas seções sujeitas a momento fletor é aquela apre- sentada na figura abaixo. Ocorrem simultaneamente, tensões de tração e com- pressão. A intensidade dessas tensões depende não só da altura da seção, o que corresponde a uma variação no braço do binário tração-compressão, ou seja, a uma variação na intensidade dessas forças, como também do momento de inércia da seção, ou seja, da maior ou menor tendência de giro da seção. A relação entre o momento de inércia da seção e sua altura é denominada mó- dulo de resistência da seção. Em outras palavras: quanto maior o módulo de resistência de uma seção menores serão as tensões devidas ao momento fletor e, portanto, mais resistente será a seção. As tensões devidas ao momento fletor não se distribuem de maneira uniforme, variam ao longo da altura da seção de um máximo à compressão a um má- ximo à tração, passando por zero junto ao centro de gravidade da seção. Essa distribuição leva a concluir que numa seção submetida a momento fletor as massas devem se concentrar em pontos mais afastados do centro de gravidade e devem diminuir próximos a ele. Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 54 Um esquema representativo dessa distribuição de massa é dado na figura ao lado. Na prática, estas são as seções que respondem melhor aos esforços de flexão. Conceito de hierarquia dos esforços Note-se que tanto o fenômeno da flambagem como o de flexão exige uma distribuição de massas longe do centro de gravidade da seção. No caso da fle- xão a concentração de material deve ocorrer onde se concentram os esforços de tração e compressão, ou seja, transversalmente ao plano em que ocorre o momento fletor. Na compressão simples, a impossibilidade de se prever em que direção vai ocorrer a flambagem exige a necessidade de uma distribuição uniforme de material em todas as direções. O fenômeno da flambagem exige da seção mais rigidez (distribuição adequada de material) do que quantidade de material. Duas barras de mesmos compri- mentos, mesmas seções, mesmos módulos de elasticidade e de resistências dife- rentes, flambarão com a mesma carga crítica. Já a flexão exige, além da rigidez, a resistência do material, o que implica em maior quantidade de material ou maior resistência do mesmo. As fórmulas a seguir, que dão os esforços críticos para compressão simples e momento fletor respectivamente, comprovam essa afirmação. As fórmulas apresentadas referem-se a barras com extremidades ar- ticuladas. Onde • Pcr : Carga que inicia a flambagem da barra • E : Módulo de elasticidade do material • J : Momento de inércia da secção da barra • L : Comprimento não travado da barra. Onde • Mcr : Momento que inicia a ruptura da barra • σ : Tensão de ruptura do material da barra • W : módulo de resistência da secção. A primeira fórmula evidencia que a capacidade de uma barra ser estável à flambagem independe da resistência do material, pois ela é independente de σ (tensão de resistência do material), o que já não ocorre com a capacidade de uma seção sob flexão, como mostrado na segunda fórmula. Conclui-se daí que a flexão exige, além de uma distribuição adequada, maior quantidade e melhor qualidade de material. Vê-se, portanto, que conforme o esforço aplicado há uma exigência diferen- te em relaçãoa quantidade, a forma de distribuição e qualidade de material. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 55 Sendo que alguns esforços exigem menos, outros mais. O que resulta numa hierarquia de esforços, ou seja, existem esforços mais econômicos que outros quanto ao consumo de material e espaço ocupado pelas seções. Os esforços de tração simples, como se pode ver são aqueles que exigem a menor quantidade de material e resultam em seções mais esbeltas e leves, tanto física como visu- almente. Já o esforço de compressão simples, por exigir certa rigidez, conduz a seções com maior consumo de material e mais robustas que as submetidas à tração simples, levando a peças estruturais mais pesadas, tanto física como visualmente. Por último, tem-se a flexão que exige seções que, além de apre- sentarem uma distribuição adequada de material, apresentem também, grande resistência e quantidade de material. Resumindo pode-se dizer que, em termos de dimensões das seções transver- sais das peças estruturais, os esforços de tração simples são aqueles que apresen- tam um desempenho mais favorável, e os de flexão menos favorável, ficando a compressão simples no meio termo. Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 1 2Características do Aço na Construção Civil MÓDULO Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura 2 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Índice - Módulo 2 5. O material Aço • Composição do Aço • A produção do Aço • Os tipos de aços mais comuns na construção civil 6. O uso do aço • Vantagens e Desvantagens do uso do Aço em Estruturas • A altura das Vigas • O Modelo teórico e o comportamento real • A questão do custo inicial • A questão da corrosão • As propriedades dos materiais • A clareza da concepção estrutural • Estrutura metálica: um sistema pré-fabricado • Dimensões das peças em uma estrutura em aço • A reciclagem • Reformas, ampliações e novos usos 3 Parte 1 - Características do Aço na Construção Civil 5. O material Aço Composição do Aço O aço é uma liga metálica constituída fundamentalmente de ferro e carbono. Além desses dois elementos, dependendo do tipo de aço que se quer obter, são encontrados outros elementos tais como: manganês, silício, fósforo, enxofre, alumínio, cobre, níquel, nióbio, entre outros, que modificam as propriedades físicas da liga, tais como resistência mecânica, resistência a corrosão, ductilidade e muitas outras. Alguns dos elementos que fazem parte da matéria prima utilizada permane- cem na liga e sua retirada é economicamente inviável. São as denominadas impurezas, cujas quantidades não chegam a afetar o desempenho do material. Abaixo é mostrado o exemplo de uma liga: AÇO = Fe + C + Si + Mn + P + S (...) C 0,22 % P < 0,045 % S < 0,055 % 0,4 % < Mn < 0,6 % onde: Fe = ferro C = carbono Si = silício Mn = manganês P = fósforo S = enxofre. Para a obtenção de aços mais resistentes à corrosão são adicionadas quantida- des determinadas de cobre; para aços inoxidáveis, é adicionado cromo; para aços resistentes a ácidos, níquel, e assim por diante. Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas 4 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura A quantidade de carbono é de suma importância nas características mais im- portantes do aço. Aços com porcentagem maior de carbono são mais resisten- tes, mas, em compensação, tornam-se pouco dúcteis e bastante quebradiços. Com menos carbono sua resistência cai, mas aumenta a ductilidade. A ductilidade é uma das características mais importantes dos materiais estru- turais. Os materiais com boa ductilidade possibilitam a visualização de grandes deformações em peças estruturais submetidas a tensões muito elevadas, servin- do então, como “aviso” de que a ruptura pode acontecer ou ainda, permitindo a redistribuição de esforços para elementos menos solicitados. Para saber mais sobre aços carbono: http://www.cbca-ibs.org.br/nsite/site/acos_estruturais.asp A produção do Aço Como foi visto, as matérias primas básicas para a produção do aço são: minério de ferro e carvão coque. A essas são adicionados o calcário, com função espe- cífica de retirar impurezas. Antes do início da produção do aço, o carvão mineral é queimado na coqueria e transformado em blocos de aproximadamente mesmas dimensões, denomi- nados coque ou carvão – coque. Como o ferro é raramente encontrado puro na natureza, usa-se o seu miné- rio. Para transformar o minério em ferro é necessário a sua queima. Para isso, quantidades pré-definidas de minério, coque e calcário são colocadas na parte superior de um forno especial denominado “alto-forno”. Na presença de calor esses materiais são fundidos, produzindo ferro e impurezas. O coque, em presença de um ar superaquecido introduzido sob pressão na parte inferior do forno, queima e forma um gás que remove os óxidos do mi- nério de ferro. O calor da combustão liquefaz o calcário, o qual, combinando- se com as impurezas do minério de ferro, forma a escória, ao mesmo tempo em que funde o ferro contido no minério. A carga no forno torna-se progres- sivamente viscosa e líquida. A escória, por ser mais leve, flutua sobre o ferro em fusão, chamado nesse es- tágio de gusa. Os dois componentes são separados, a escória é destinada à pro- dução de cimento e o ferro gusa é despejado, ainda líquido, em um recipiente denominado Carro-Torpedo. O ferro gusa possui alta porcentagem de carbono (3,5% a 4%), absorvido do coque, e não tem aplicação estrutural. Para transformar o gusa em aço é necessário reduzir a quantidade de carbono. Para isso o ferro gusa é misturado com aparas de aço (sucata) e calcário, e con- duzido a um forno em forma de barril, denominado “conversor”. Oxigênio de alta pureza é introduzido no topo do forno a velocidade supersô- nica, num fluxo com duração aproximada de 20 minutos. Durante esse proces- so, temperaturas muito altas são atingidas, quando então, é queimado o excesso de carbono e eliminadas as impurezas não absorvidas pelo calcário fundido. Alto forno – ArcelorMittal – CST – ES 5 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Finalmente o aço é despejado em moldes denominados lingoteiras, resultando em blocos de aço chamados lingotes ou tarugos. A partir daí, o aço passa pelo processo de laminação a quente onde é trans- formado em perfis ou chapas. Antes da laminação, o lingote passa pelo forno poço, onde sofre novo aquecimento para facilitar o processo. Veja o Ciclo completo de produção no link, disponível no ambiente do curso. Os tipos de aço mais comuns na construção civil No Brasil são fabricados vários tipos de aço para fins estruturais, que podem ser conhecidos através de consulta à Norma Brasileira NBR 8800. Entre eles, apresentamos a seguir, os aços mais comumente utilizados: Tipo de Aço Usos mais comuns ASTM A-36 - também conhecido como aço comum perfis laminados, perfis de chapa dobrada e de chapas soldadas. ASTM A-500 – GA (grau A) fabricação de tubos ASTM A-570 - G33 (grau 33) fabricação de perfis de chapa dobrada finos. ASTM A-577 fabricação de perfis laminados e soldados SAE 1020 chapas planas, perfis de chapa dobrada e barras redondas. Aços patináveis ou de maior resistência à corrosão São ainda fabricados chapas planas de aços especiais resistentes a corrosão, tais como o CSN COR (CSN), o USI - SAC 300 e USI - SAC 350 (Usiminas) , COS – AR – COR - 400 (COSIPA) e CST COR, (CST), entre outros. Mais adiante abordaremos este tipo de aço. Para saber mais sobre aços patináveis: http://www.cbca-ibs.org.br/nsite/site/ acos_estruturais.asp Os aços ainda recebem denominações adicionais como grau, que identifica a composição química e classe, que o qualifica quanto a resistência mecânica e acabamento superficial. Para saber mais sobre a história da evolução do uso do aço e seu processo de fabricação acesse o link, no ambiente do curso: Módulo 1 - apostila do Curso de Introdução ao Uso do Aço na Construção - CBCA. Panela daaciaria derrama gusa e sucata no conversor Lingotamento contínuo Laminador de tiras a quente 6 Parte 2 6. O uso do Aço Vídeo - As Vantagens do Aço Vantagens e Desvantagens do uso do Aço em Estruturas A escolha do aço como material estrutural deve ser embasada em critérios que mostrem ser ele o material mais indicado para determinada situação. É bom lembrar que optar pelo aço apenas por simpatia ou até por curiosidade pelo material pode levar a soluções muito desvantajosas e que podem criar uma visão desfavorável do material. Para ajudar a embasar adequadamente a escolha pelo aço é que são mostradas a seguir as vantagens e também as desvantagens, procurando-se ser o mais isento. Vantagens Grande resistência a esforços. Talvez seja essa, em princípio a maior vantagem. No entanto, como será visto mais adiante, essa vantagem pode em determina- das situações ser desfavorável. Para uma melhor visão do quanto o aço é resistente, veja-se a comparação com outros materiais convencionais: Tensão admissível à compressão σ aço 1500 kg/cm² σ concreto 100 kg/cm² σ madeira 80 kg/cm² Tensão admissível à tração σ aço 1500 kg/cm² σ concreto 10 kg/cm² σ madeira 90 kg/cm² Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 7 Vê-se pelos valores acima que o aço além de ser o mais resistente apresenta uma característica muito interessante para as estruturas: resistências iguais a tração e compressão. Como conseqüência de sua maior resistência o aço permite peças estruturais com menores dimensões. A figura a seguir mostra a comparação entre as dimensões finais entre uma estrutura convencional de viga em concreto armado e uma estrutura com viga de aço. Aço X concreto – Vigas A figura seguinte mostra o mesmo comparativo ente pilares de concreto e pilares de aço. Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas Aço X concreto – Pilar 8 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura A altura das Vigas Pode-se se ver que as vigas metálicas apresentam uma altura da ordem de 60% das vigas em concreto. Isso proporciona outras grandes vantagens para o projeto, tais como menor pé direito, logo menor área de acabamento. Além disso, a altura final do edifício resulta menor. Um edifício em estrutura mista de 20 andares chega a ter altura equivalente a um edifício de 19 andares em estrutura de concreto, o que pode, em determinadas situações, viabilizar um edifício em termos do gabarito permitido. Em conseqüência da menor dimensão dos elementos da estrutura, obtém-se menor peso próprio da estrutura, resultando em menor carga na fundação. O peso próprio da estrutura Grosso modo, uma estrutura de aço pesa 6 vezes menos que uma estrutura equivalente em concreto armado. A estrutura em aço, sendo bem mais leve, possibilita fundações mais econômicas ou adaptáveis a regiões em que o solo exija soluções mais complexas. O Modelo teórico e o comportamento real A solução estrutural em aço apresenta um resultado muito próximo entre o modelo teórico e o comportamento real. Um vínculo em aço, como por exemplo a ligação entre uma viga e um pilar, se adotado como articulado, poderá ser executado perfeitamente articulado com relativa facilidade. No concreto armado moldado in-loco, muitas vezes adota-se no modelo teó- rico um vínculo articulado que quando da execução afasta-se muito desta situação teórica, o que pode acarretar problemas de ordem econômica ou de comportamento estrutural inadequado. A questão do custo inicial Ao se optar pelo uso do aço nas estruturas, deve-se levar em conta a ques- tão de custo. Em algumas situações o custo inicial da estrutura em aço pode ser bem mais elevado do que em concreto armado. Isso geralmente ocorre quando o projeto arquitetônico obriga o uso de vãos muito díspares. Sendo a estrutura metálica um processo industrializado, o uso de medidas extre- mamente variáveis, vai acarretar perfis muito diferentes, de tamanhos muito diferentes, resultando em grandes perdas, o que sem dúvida tende a deixar a estrutura de aço mais cara. Um projeto bem modulado proporciona soluções muito mais econômicas e vantajosas, quando comparadas às estruturas de concreto armado. Deve-se lembrar, ainda, que o custo da estrutura é apenas um dos compo- nentes do custo final da edificação. Mesmo apresentando um custo inicial um pouco maior que a estrutura de concreto, até 30 %, pode-se optar com tranqüilidade por uma estrutura de aço, já que as vantagens de sua incidência em outros elementos da construção, tais como fundações mais leves, meno- res perdas nos acabamentos, maior rapidez de execução, entre outras, podem fazer com que na pior das hipóteses o custo final da obra seja igual àquele de uma estrutura de concreto armado. 9 Módulo 1 | Cargas que atuam nas estruturas (Gráfico: Construção em Aço) (Gráfico: Construção Convencional) A questão da corrosão Um outro aspecto que pode ser levantado como negativo para uso do aço é a possibilidade de sua deterioração em contato com o meio ambiente. O aço enferruja. A ferrugem, ou oxidação (Fe + O), constitui uma camada protetora, mas facilmente removível, gerando, portanto, o processo de cor- rosão do material, ou seja, diminuição na espessura do elemento estrutural. A corrosão chega a consumir camadas que variam entre 9 μm por ano em ambientes menos agressivos e mais secos, como Brasília, e 170μm por ano em ambientes úmidos e marinhos, como Praia Grande, em São Paulo. Para minimizar o problema são fabricados aços especiais, que, com adição de cobre, cromo ou níquel em sua liga, apresentam uma camada de oxidação irremovível denominada pátina. A pátina aumenta em muito a resistência do aço à corrosão. Teremos, mais adiante neste curso, um módulo dedicado exclusivamente a este assunto, onde iremos conhecer as formas adequadas de proteção à corro- são. As propriedades dos materiais O concreto, pela maneira com que é produzido: uma mistura quase que aleatória de cimento, areia, pedra e água, não permite acreditar numa res- posta precisa quanto as suas propriedades; o aço que, por sua vez, é obtido industrialmente, com alto controle de qualidade, resulta em um material mais confiável quanto as suas propriedades, podendo ser aplicado com coeficien- tes de segurança mais baixos, o que obviamente resulta em possibilidade de economia. A clareza da concepção estrutural A concepção de uma estrutura metálica é revelada, claramente depois de executada e pode ser facilmente entendida. O mesmo nem sempre ocorre em estruturas de concreto armado. Uma ligação entre uma viga e um pilar em concreto armado moldado “in loco” nunca é visível, logo uma análise visual não permite concluir se a ligação foi concebida como articulada ou rígida. Estrutura metálica: um sistema pré-fabricado A estrutura metálica é um sistema pré-fabricado; no canteiro ocorre apenas sua montagem, permitindo ser executada em lugares exíguos, necessitan- do, em algumas ocasiões, de espaço para locomoção de gruas ou guindastes e pequeno depósito. O canteiro de obra torna-se mais racional e pode ter dimensões reduzidas. A questão da dimensão ou até mesmo da topografia desfavorável do canteiro de obra pode ser um fator decisivo para a opção pela estrutura metálica. A estrutura metálica, por ser uma estrutura pré-fabricada, com componen- tes industrializados, pode ser fabricada e montada muito rapidamente. Uma estrutura em aço consome aproximadamente 60% do tempo necessário para 10 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura a execução de uma estrutura equivalente em concreto armado. Não necessita de tempo de cura, e diversas atividades de construção, tais como fundação, podem ser executadas simultaneamente à fabricação da estrutura. Dimensões precisas das peças em uma estrutura de aço Devido ao sistema de industrialização, as dimensões das peças em uma estru- tura em aço são muito precisas e podem ser expressas em milímetros. Erros de até 1cm são plenamente aceitáveis em estruturas de concreto arma- do, mas nãoem estruturas de aço, onde as tolerâncias são de apenas 5 mm. Devido à precisão os elementos estruturais podem ser perfeitamente ali- nhados, nivelados e aprumados. As estruturas metálicas são tão precisas que podem servir de gabarito para a execução de demais componentes da edifi- cação, tais como vedações e acabamentos, o que pode levar a uma economia de até 5% na aplicação desses materiais. A reciclagem Sabe-se que hoje o processo de urbanização é muito rápido, edifícios mudam de uso, ou são demolidos para dar lugar a outras edificações. Com ligações parafusadas, as estruturas em aço podem ser facilmente des- montadas, podendo ser reutilizadas em outros lugares ou reaproveitadas na execução de novas edificações. Ainda que seus elementos não sejam reutiliza- dos, o material, como sucata, pode ser reaproveitado na fabricação de novos produtos de aço, devido à infinita possibilidade de reciclagem que o aço possui. Reformas, ampliações e novos usos Pela mesma razão vista no item anterior, muitas edificações podem ter seu uso alterado, ao serem solicitadas por cargas maiores, ou mesmo pela exigên- cia de uma nova composição estrutural, o que pode resultar na necessidade de um reforço estrutural. Através de soldagem de chapas ou perfis a vigas e pilares existentes, é possível reforçá-las com facilidade, permitindo um aumento nos vãos e nas cargas. Este aspecto também se torna de suma importância na recuperação de estru- turas que foram sujeitas a sinistros. 1 3Características do Aço na Construção Civil MÓDULO Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura 2 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Índice - Módulo 3 7. As seções estruturais e suas aplicações. 7.1 Perfis Estruturais 7.1.1 Perfil Laminado. 7.1.2 Perfil de Chapa Dobrada. 7.1.3 Perfil de Chapas Soldadas. 7.1.4 Perfis calandrados. • 7.2 Cantoneiras • 7.3 Perfil U • 7.4 Perfil I • 7.5 Perfil H • 7.6 Perfil tubular 8. Os principais elementos de ligação: rebites, parafusos e solda • 8.1 Rebites • 8.2 Parafusos • Parafusos comuns • Parafusos de alta resistência • 8.3 Solda • Controle de qualidade da solda • Tipos de soldagem • Representação gráfica das soldas 3 Parte 1 - As seções estruturais e suas aplicações 7. As seções estruturais e suas aplicações. Vídeo – Tipos de seções estruturais 7.1 Perfis Estruturais Denomina-se perfil estrutural à barra obtida por diversos processos e que apre- senta forma de seção com determinadas características para absorver determi- nados esforços. Os perfis estruturais são obtidos a partir dos lingotes reaquecidos, que passam pelos laminadores-desbastadores, onde têm suas seções transversais alteradas e a estrutura molecular do aço trabalhada para atingir características físicas apropriadas. Como resultado dessa operação são obtidas placas, ou tarugos, de seção qua- drada ou retangular. As placas são destinadas à fabricação de chapas e os tarugos à fabricação de perfis estruturais. Os tarugos são processados, sob pressão, em máquinas denominadas laminado- res, em três fases: bruta, intermediária e de acabamento. Ao final desse processo são obtidos os perfis com seções adequadas às solicitações estruturais. As chapas laminadas, por sua vez, podem resultar em outros perfis através de seu dobramento ou soldagem com outras chapas. Os perfis estruturais podem ser obtidos de três maneiras básicas: laminado, de chapa dobrada e de chapas soldadas. Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações Corte de placa com maçaricos 4 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 7.1.1 Perfil Laminado É aquele obtido a partir da laminação dos tarugos. Suas dimensões são padro- nizadas e limitadas. Normalmente é utilizado em obras de médio porte. Tem como vantagem a redução do trabalho de transformação da chapa, pois já vem pronto. Os principais perfis laminados fabricados no Brasil são: cantoneira, U, I e H. Vídeo – Gerdau Açominas – fabricação de perfis laminados 7.1.2 Perfil de Chapa Dobrada. O perfil de chapa dobrada é obtido pelo dobramento de chapas a frio. Quando as chapas são finas, entre 1,5 mm a 5 mm, os perfis recebem a denominação de perfis leves. Por serem muito esbeltos exigem cuidados especiais na sua aplicação, tanto quanto à solicitação aos esforços como pela possibilidade de fácil deterioração, para isso existe norma específica, a NB 143. Os perfis mais pesados podem ser executados com chapas que podem chegar à espessura de 25 mm. Neste caso são exigidos raios de curvaturas mínimos na dobragem para evitar fissuração ou alteração nas características do aço. Os perfis leves são mais comuns e são utilizados em obras de pequeno porte ou em elementos estruturais secundários. Em coberturas o uso de perfil de chapa dobrada é mais econômico. Os perfis de chapas dobradas permitem grande variação de forma e dimensões das seções, mas podem, também, ser encontrados prontos e padronizados. Os perfis de chapas dobradas mais comuns são: cantoneira, U e U enrijecido. Perfis I laminados de abas paralelas Perfiladeira contínua 5 Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações Detalhe de uma perfiladeira contínua Estrutura de perfis conformados a frio 7.1.3 Perfil de Chapas Soldadas. É o perfil obtido pela soldagem de chapas entre sí. Permite grande varieda- de na forma e dimensões das seções; chapas, com as mais diversas espessuras, variando entre 5 e 50 mm, e que podem ainda, estar previamente dobradas, quando soldadas entre si originam as mais diversas possibilidades de seções. Devido ao custo de fabricação mais elevado, o perfil soldado é utilizado em obras de médio a grande porte. No entanto, quando o projeto exigir seções com formas especiais, essa solução pode ser usada em obras de menor porte. 7.1.4 Perfis calandrados Os perfis estruturais podem, quando necessário, ser submetidos a encurvamen- to em relação a ambos os eixos, processo que recebe o nome de calandragem. Neste processo, devem ser respeitados os limites dos raios de curvatura, que dependem da secção do perfil. O processo de calandragem aumenta bastante o custo do perfil. Pilar em perfil H de chapa soldada e vigas treliçadas em chapas dobradas a frio Perfil calandrado Perfil calandrado Formas de calandragem em relação ao eixo do perfil 6 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 7.2 Cantoneiras As cantoneiras podem ser obtidas por dobramento de chapa, ou laminadas (produto de siderúrgica). São especificadas em projeto pela letra “L”, seguidas das dimensões da seção especificando primeiro as larguras das abas, seguidas da sua espessura. As dimensões das cantoneiras laminadas são expressas em pole- gadas e as de chapa dobrada em milímetros. Exemplo: L 4” x 4” x ½” ou L 100 x 100 x 12,5 mm. O primeiro é laminado e o segundo de chapa dobrada. Os usos mais comuns para as cantoneiras são apresentados a seguir: a) Elemento de ligação entre peças 7 Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações b) barras de treliças, principalmente em tesouras de telhado É recomendável que as barras das treliças sejam formadas por cantoneiras du- plas, para que o c.g. da força passe pelo c.g. da seção, evitando-se assim excen- tricidades que resultem em esforços indesejáveis. A ligação entre as cantoneiras é feita através de chapas, nas quais são soldadas ou parafusadas. c) Composição de pilares. 8 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Neste caso, com pequena quantidade de material pode ser obtida uma coluna, bastante rígida e com uma seção com grande momento de inércia. É de capital importância que, para garantir que as 4 cantoneiras não trabalhem independentes, mas como uma única seção formada por 4 cantoneiras, se evite o escorregamento relativo entre elas, para isso é necessário ligar as cantoneiras com travamentos adequados, sendo o mais eficiente aquele que forma triân- gulos. d) Reforços de chapas de piso ou vedação. As cantoneiras se comportam como nervurasaumentando a rigidez da chapa. Caso a chapa não fosse enrijecida pelas cantoneiras, sua espessura teria que ser maior, resultando em maior peso e custos mais elevados. 7.3 Perfil U Perfil U laminado O perfil U pode ser obtido por dobramento de chapa ou por laminação em siderúrgica. Sua especificação é feita pelo uso do símbolo “[“, seguido das di- mensões da seção e peso por metro linear. No caso de perfis laminados é fornecida a altura da alma em polegadas seguida do peso por metro linear; No caso do perfil de chapa dobrada são fornecidas todas as dimensões da seção em milímetros, na seguinte seqüência: altura, largura e espessura. 9 Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações Exemplos: • [ 8” x 17,11 para perfil laminado • [ 100 x 50 x 3(mm) para perfil de chapa dobrada. Nos perfis laminados, para cada altura de alma são fabricados diversos perfis com várias espessuras de alma e mesa. Em vista disso pode-se, mais popu- larmente, substituir a especificação através do peso pela posição do perfil no catálogo de fabricação. Exemplo: • [ 8” x 17,11 ou [ 8” 1a alma A denominação 1ª alma significa que foi escolhido, dentre os perfis de 8” de altura que aparecem no catálogo, aquele que apresenta espessura de alma mais fina e que, portanto, aparece em primeiro lugar no catálogo. Os perfis “U” são comumente usados nas seguintes situações: a) Barras de Treliças de grande porte. Perfil U utilizado com o banzo superior e inferior b) Composição de pilares através da soldagem dos perfis entre si ou com chapas ou cantoneiras Observe-se a intenção de jogar material longe do centro de gravidade da seção com o intuito de diminuir o efeito da flambagem. Composição de perfis para compo- sição de pilar 10 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura c) Terças para apoio de telhas de cobertura As terças são vigas que apóiam as telhas e que por sua vez apóiam-se nas te- souras. Recomenda-se que as abas do perfil estejam voltadas para baixo, a fim de que não haja acúmulo de poeira ou água oriunda da condensação da umidade do ar, que pode provocar corrosão. d) Vigas para pequenas cargas e vãos O uso de um único perfil deve ser restrito a cargas de vãos pequenos, pois devido a assimetria da seção existe a tendência de ocorrer torção. Para melhor desempenho da viga pode-se usar a composição de dois perfis “U”, de forma a tornar a seção simétrica e não sujeita à torção. Esta solução permite o uso em vigas com cargas e vãos maiores, mas tem contra si um razoável aumento de custo. Um fator que torna a composição de perfis U menos eficiente para vigas é embasado no princípio da distribuição de massa nas seções. As vigas são sub- metidas, predominantemente, a momento fletor e, como foi visto a melhor seção para esse esforço é aquela que concentra material longe do centro de gravidade, na direção normal ao eixo em torno do qual ocorre a flexão. Quan- do dois perfis U são compostos, a concentração de material se dá na alma, quando o melhor seria na mesa. e) Viga para apoio de degraus de escada 11 Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações Parte 2 - As seções estruturais e suas aplicações Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações 7.4 Perfil I Perfil I laminado de abas inclinadas O perfil “I” pode ser obtido por laminação em siderúrgica ou pela soldagem de três chapas. Os perfis “I” laminados são especificados em projeto pela letra “I”, acom- panhada da dimensão da sua altura em polegadas ou milímetros, seja padrão americano ou europeu, seguida do seu peso por metro linear. No padrão americano, pode-se informalmente substituir a especificação do peso pela posição do perfil na tabela do catálogo do fabricante (1ª alma, 2ª alma,...) Os perfis de chapas soldadas, quando não obtidos industrialmente, são especi- ficados pela sigla VS (viga soldada), seguida da sua altura em milímetros e do seu peso por metro linear. Alguns fabricantes têm suas próprias siglas. Os perfis laminados produzidos pela Gerdau Açominas são especificados pela letra W. Os perfis soldados da Usiminas pela sigla VE, onde a letra E indica que são executados por eletrosol- dagem. A Usiminas ainda usa a sigla VEE para perfis I eletrosoldados que têm as mesmas seções dos perfis laminados padrão americano. Exemplo: I 12” x 60,6 kgf/m ou I 12” - 1ª alma VS 300 x 62, onde o último número é o peso por metro linear W 310 x 28,3, onde o último número é o peso por metro linear VE 250 x 19, onde o último número é o peso por metro linear Os perfis de chapas soldadas podem, ainda, quando fogem de padrões indus- triais, ser especificados pelas suas dimensões em milímetros na seguinte ordem: altura, largura, espessura da mesa e espessura da alma. Ex.: VS 300x150x6,3x3,04 (mm) 12 Os perfis “I” podem ser usados como: a) Viga É essa a principal e mais importante aplicação desse perfil. Sua forma de seção é extremamente adequada para absorver os esforços de flexão, já que suas me- sas constituem elementos de grande quantidade de massa, afastados do centro de gravidade da seção. Todos os perfis I sejam laminados ou soldados, têm a espessura da mesa maior que a da alma, compatível com o princípio de distribuição de massa na seção. Muito interessante também é o uso do perfil “I” associado ao concreto, com- pondo vigas mistas de seção “T”. Nesse caso o concreto absorve a compressão e o aço a tração, devidas ao momento fletor, resultando em vigas muito resis- tentes e, com pouca altura, pois os dois materiais são solicitados dentro de suas melhores características mecânicas. Para garantir que os dois materiais trabalhem solidariamente, evitando escor- regamentos relativos, devido à força cortante, são usados elementos de “trava- mento”, denominados conectores, soldados na mesa superior do perfil metá- lico. O mais comum dos conectores é o “stud bolt”, um elemento com forma de parafuso. Perfil I laminado de abas paralelas Laje steel deck com fixadores tipo “stud bolt”, que permitem calcular a viga como uma viga mista de seção T. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 13 Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações b) Viga vierendeel alveolar Essa viga é obtida pelo corte conveniente da alma de um perfil “I” e posterior soldagem das partes cortadas, resultando em uma viga de maior resistência com a mesma quantidade de material. Este tipo de viga permite a passagem de tubulações através de sua alma. O uso dessa viga deve ser bem avaliado, pois todo seu processo de obtenção gera custos mais elevados. Sistema de corte do perfil Corte do perfil em seção circular Preparação das peças para soldagem 14 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura c) Pilar isolado para pequenas cargas A seção em I não apresenta a melhor forma de seção para forças de compres- são, portanto para pilares, pois a forma da seção resulta em uma maior rigidez na direção paralela à alma, do que na direção normal a ela. Essa característica impede o uso de perfis I para pilares mais solicitados e mais longos. d) Composição de pilares Pilares podem ser compostos através da soldagem direta de dois perfis ou pela ligação de dois perfis por meio de chapas ou cantoneiras, de uma maneira se- melhante à utilizada para perfis U. e) Estacas de fundação O perfil “I” é utilizado para tal finalidade, principalmente quando se deseja menor vibração durante a cravação da estaca, ou ainda quando o estaqueamen- to precisa ser executado em local que não permita a entrada de bate-estacas de grande altura, o perfil de aço pode ser cravado em pequenos segmentos e emendados por solda. Recomenda-se também seu uso, em fundações onde ocorram forças horizontais ou momentos, esforços não absorvíveis por estacas de concreto. Composição de pilar com perfil I 15 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Perfil I utilizado como estrutura de escada Vigas com perfil I f) Estacas-pranchaUtiliza-se o perfil “I” para a contenção do solo em escavações de grande pro- fundidade. Os perfis são cravados convenientemente espaçados e entre eles são colocadas pranchas de madeira ou até uma laje de concreto armado, que ser- virão como paredes para contenção do solo. As forças horizontais do empuxo do solo são transmitidas aos perfis de aço. Se a escavação for provisória e houver posterior re-aterro, os perfis podem ser recuperados por extração. No caso de sub-solos, a escavação é permanente e os perfis permanecem compondo o arrimo e fazendo parte da fundação. 16 Exemplos: • CS 300 x 26, onde o último número é o peso por metro linear • W 310 x 93, onde o último número é o peso por metro linear • CE 300 x 76, onde o último número é o peso por metro linear Os perfis soldados, quando não produzidos industrialmente, podem ser especi- ficados genericamente, seja perfil I ou H pela sigla PS de Perfil Soldado. Como essas seções não são tabeladas elas deverão ser identificadas na prancha de desenho em tabela própria, onde todas as dimensões sejam especificadas. Normalmente a ordem de identificação é altura do perfil, largura da mesa, espessura da mesa e espessura da alma. O perfil “H”, pelas suas características geométricas é quase que unicamente utilizado como pilar, pois apresenta boa rigidez em ambas as direções, respon- dendo bem ao esforço de compressão axial. A inércia de sua seção faz com que o perfil “H” seja indicado, também, para pilares submetidos a flexo-compressão (flexão+compressão axial). Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura (PerfilH) Este tipo de perfil pode ser obtido pela soldagem de 3 chapas ou por lamina- ção. Diferencia-se geometricamente do perfil “I” por apresentar largura de aba, ou mesa, igual a altura da alma. As indicações em desenho são semelhantes às do perfil “I”. Exceto que os perfis não industrializados de chapa soldada recebem a sigla CS, iniciais de Coluna Soldada. Os perfis laminados produzidos pela Gerdau Açominas recebem a sigla W ou HP. Os perfis eletrosoldados produzidos pela Usiminas recebem a sigla CE, de Coluna Eletrosoldada. 7.5 Perfil H 17 Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações Universal Records – São Paulo Cidade do Samba – Rio de Janeiro Residência – São Paulo 18 Parte 3 - As seções estruturais e suas aplicações Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 7.6 Perfil tubular Os perfis tubulares podem ser obtidos pelo processo de extrusão, quando não apresentam costura, ou pela calandragem (processo para curvar chapas ou perfis) de chapas e posterior costura. Os primeiro são chamados “tubos sem costura” e os últimos “tubos com costura”. Não há diferença quanto às pro- priedades físicas de um ou outro, mas apenas no processo de fabricação, onde os tubos de maiores dimensões são obtidos com costura e os de menores sem costura. Tubos sem costura são obtidos com dimensões que não ultrapassam o diâmetro de 355,6 mm. As seções dos tubos podem ser circulares, quadradas ou retangulares. Os tubos são especificados em projeto pela dimensão externa seguida da espessura em milímetros. Exemplos: • Ø 200 x 3 (tubo circular) • ì 150 x 80 x 2 (tubo retangular), onde o primeiro número é sempre a altura e o segundo a largura. Tipos de seção para tubos sem costura 19 Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações Perfilação a quente de tubos quadrados Conformação a frio de tubo sem costura circular para seção retangular Perfilação de tubo quadrado – cadeira de entrada Perfilação de tubo quadrado – cadeira de saída 20 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Para maiores informações sobre tubos sem costura: www.vmtubes.com.br Importante! Um problema sério dos perfis tubulares é a possibilidade de sofrerem deterio- rações de dentro para fora e que não podem ser detectadas visualmente. Por isso recomenda-se o uso de tubos em aços resistentes à corrosão. • Os tubos são usados em: a) Barras de treliças planas e espaciais. Os perfis tubulares, por possuírem massa igualmente distanciadas do centro de gravidade, prestam-se bem à utilização em barras submetidas tanto a tração como a compressão, como ocorre nas treliças. Apresentam certas dificuldades em relação às ligações entre as barras, embora já existam sistemas bastante eficientes para execução de nós em treliças com tubos cilíndricos (ex: Sistema Mero para treliças espaciais). b) Barras submetidas a torção. Os perfis tubulares, principalmente os cilíndricos, são os que melhor absor- vem esforços de torção, por possuírem massas igualmente distanciadas do centro de gravidade. Os perfis I, por exemplo, tem um desempenho fraco sob a ação de torção, pois a alma concentra material próximo ao centro de gravidade. c) Pilares. Talvez, do ponto de vista de comportamento frente à esforços de compressão, seja essa a mais interessante aplicação dos perfis tubulares, pois apresentam maior eficiência contra flambagem e com menor consumo de material. São executados vazados ou preenchidos com concreto, quando então se obtém uma grande resistência com seções bastante esbeltas. d) Vigas. Os perfis tubulares retangulares podem ser usados como vigas. Do ponto de vista econômico os perfis tubulares são menos eficientes que os perfis I, pois ao contrário destes apresentam maior concentração de massa na alma, o que contraria o princípio já bastante comentado. 21 Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações Perfil tubular – Aeroporto Santos Dumont – Rio de Janeiro Aeroporto dos Guararapes - Recife 22 Pilar tubular – CEA – São Paulo Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Passarela – São Paulo 23 Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações Cobertura em passarela – São Paulo Base de treliças - Fortaleza Estrutura atirantada – São Paulo 24 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura : Os Principais Elementos de Ligação Os principais elementos de ligação: rebites, parafusos e solda O rebite é um pino cilíndrico feito de material dúctil, tendo em uma das ex- tremidades, uma cabeça que se apóia em uma das peças a serem ligadas. Para melhor introdução do rebite é necessária uma folga de 1/16” entre seu diâmetro e o furo. O comprimento do rebite deve ser superior à soma das espessuras das chapas, de forma que o trecho restante, quando prensado, forme a segunda cabeça, fixando as peças. A rebitagem é feita a alta temperatura a fim de facilitar a deformação do corpo do rebite na formação da segunda cabeça e do preenchimento total do furo. Estação da Luz – São Paulo – SP Atualmente, os rebites estão em desuso nas estruturas devido às seguintes razões: • Desenvolvimento da técnica de soldagem e dos parafusos de alta resistência, que permitem ligações mais eficientes; • Os rebites necessitam de equipes de 4 a 5 homens bastante experientes; • Perigo de incêndio; • Ruído excessivo; • Ambiente de trabalho insalubre (calor e ruído). Qualquer conexão feita com rebite pode ser executada com solda, já o inver- so não é verdadeiro. As ligações soldadas podem atingir até 100% de eficiência, as rebitadas no máximo 80%. . Parafusos Os parafusos são barras cilíndricas rosqueadas numa extremidade e com cabeça em outra, de forma a permitir o aperto entre as peças através de ferra- menta adequada. Os parafusos mais empregados nas construções metálicas são os de cabeça quadrada e hexagonal. Apresentam porcas com a mesma dimensão e forma da cabeça. Os furos para introdução dos parafusos devem ter folga de 1/16”. Ligação com parafusos de alta resis- tência Para fixação do parafuso são necessárias duas ferramentas: uma para girar a porca, outra para impedir o giro da cabeça. Portanto para execução de uma ligação parafusada são necessários apenas dois operários. Em ligações submetidas a vibração são acrescentadas arruelas de pressão. Para uma escolha prévia do diâmetro do parafuso, aplica-se a seguinte relação: 1,6 t ≤ d < 3 Δ Onde: • t = espessurada chapa mais grossa. • Δ = espessura da chapa mais fina. . Rebites 8 8.1 8.2 25 Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações Parafusos comuns Os parafusos comuns são fabricados com aço carbono, menos resistentes e são reconhecidos pela sigla ASTM A307. Por serem pouco resistentes, os parafusos comuns são usados em ligações se- cundárias e em estruturas de pequeno porte. Parafusos de alta resistência São parafusos executados com aço de médio e baixo carbono, portanto mais resistentes São parafusos com alta tensão de ruptura a tração e a cisalhamento. Chegam a resistir a tensões de tração iguais a 11.950 kgf/cm². Esses parafusos podem fazer a ligação entre as peças de duas maneiras: a) Por atrito entre as peças ligadas Solução utilizada quando a estrutura não permite qualquer deslocamento (escorregamento) da ligação. b) Por resistência ao cisalhamento do corpo do parafuso Neste caso, há sempre a possibilidade de acomodação entre as peças ligadas. Os parafusos de alta resistência são bem mais caros que os parafusos comuns e, portanto, recomendáveis para obras de médio e grande portes, onde sua resistência propicia a diminuição no número de parafusos se comparados com os parafusos comuns. São fabricados dois tipos de parafusos de alta resistência: - ASTM A325 com limite de escoamento entre 5600 e 6500 kgf/cm² - e o ASTM A490 com limite de escoamento entre 8000 e 9600 kgf/cm² Os parafusos ASTM A325 são os mais usados. 26 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura fonte: O Uso do Aço na Arquitetura – Aloizio Margarido – ed. CBCA - 2008 Solda As ligações soldadas começaram a ser utilizadas com grande sucesso a partir da década de 40, e hoje são tão difundidas e de qualidade tão boa que existem obras inteiramente soldadas. As ligações soldadas são as que apresentam a maior rigidez. A soldagem se faz pelo aquecimento do material-base (elementos a serem ligados) a uma temperatura de aproximadamente 4.000 °C. Essa temperatura é obtida pela criação de uma arco voltaico entre o material- base e o eletrodo. O material-base ao atingir a temperatura indicada, funde-se propiciando a união entre as peças; o eletrodo, além de provocar o arco voltai- co, também se funde preenchendo o vazio entre a ligação. O material-base durante a soldagem, sofre modificações físico-químicas, o que pode influenciar na resistência da junta soldada sendo, portanto, muito importante o tipo e qualidade do material-base. Caso o metal base não seja soldável (por exemplo: aço com grande quanti- dade de manganês) a solda não se realiza adequadamente, tornando a ligação frágil. 8.3. 27 Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações Importante! Controle de qualidade da solda O principal defeito da solda é sua descontinuidade ou falha. As falhas enfra- quecem drasticamente a ligação. Para garantir a qualidade da ligação, as soldas devem sofrer rigoroso controle e aprovadas após exames especiais, tais como: a) Controle magnetoscópico Este ensaio serve para a observação de falhas superficiais. Consiste na mag- netização da peça a ser verificada; através da medição do campo magnético podem-se perceber as descontinuidades, revelando-se as falhas. b) Controle com líquidos penetrantes Também utilizada para observação de defeitos superficiais. A superfície a ser verificada é banhada com líquido penetrante colorido. As falhas absorvem o líquido, após a limpeza do excesso e aplicação do revelador (à base de talco ou gesso), ficam à mostra as descontinuidades. c) Controle Radiográfico Destina-se à verificação dos defeitos internos. Emprega-se o Raio-X. Ao atravessar o material os raios são absorvidos progressivamente. Quanto maior a espessura atravessada, menor a intensidade de radiação emergente. Ao atra- vessarem as falhas os raios emergem com maior intensidade impressionando o filme com tonalidade mais escura. Após revelação da chapa de filme, pode- se observar as falhas através da ocorrência de manchas mais escuras. d) Controle por Ultra-som Destina-se também à verificação dos defeitos internos. O princípio baseia-se na reflexão das ondas acústicas ao atingirem meios de diferentes densidades. Se no percurso da onda houver uma falha (vazio com densidade baixa), ha- verá uma reflexão antes da onda atravessar todo o material, esse retorno será captado antes pelo receptor, denunciando a existência da falha. Tipos de soldagem Conforme as chapas a serem soldadas sejam posicionadas podem ocorrer dois tipos de soldagem. a) Solda de topo Neste caso as chapas são posicionadas uma contra a outra e em um mesmo plano. Conforme aumentem as espessuras das chapas a serem unidas, devem ser pre- vistos detalhes que garantam a penetração total da solda. Para isso as extremi- dades das chapas devem ser convenientemente preparadas. 28 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Fonte: O Uso do Aço na Arquitetura – Aloi- zio Margarido – ed. CBCA - 2008 b) Solda em ângulo Quando as chapas são posicionadas em planos ortogonais. Aqui também, de- pendendo das espessuras das chapas, suas extremidades devem ser preparadas com algum tipo de chanfro. Representação gráfica das soldas Mesmo para aqueles que não pretendem ser projetistas de estruturas metá- licas é importante conhecer a simbologia mínima de representação de solda para que se tenha uma interpretação correta do projeto. As soldas são indicadas com setas, sobre as quais são especificados o tipo e espessura da solda. A solda de topo é representada por dois traços paralelos sobre a seta. A solda em ângulo é representada por um triângulo. Caso o triangulo esteja voltado para baixo, a solda ocorre do lado onde está a ponta da seta e se ao contrário, o triângulo estiver para cima, a solda ocorre exata- mente do lado oposto ao que se encontra a extremidade da seta. Esta repre- sentação que a princípio pode parecer descabida é interessante para evitar concentração de informações. Quando a solda ocorre nas duas faces indica- das pela seta o triângulo é duplo. A seguir, são apresentadas as formas mais comuns de representação de solda nos desenhos de estruturas metálicas. (ver próxima página) Observações gerais: a) As ligações soldadas devem ser preferencialmente executadas em fábrica. Sua execução no canteiro pode acontecer em condições adversas e com me- nor controle de qualidade, resultando em ligações deficientes. c) As ligações soldadas são mais vantajosas em relação às parafusadas por não necessitarem de furos. Os furos diminuem a seção resistente da peça. Essas ligações não exigem a mesma precisão das ligações parafusadas. d) As ligações com parafusos são executadas no canteiro, o que garante mais qualidade e rapidez à execução. Quando o edifício tem um uso não permanente, as ligações parafusadas são uma exigência já que permitem fácil desmontagem da estrutura. Para saber mais sobre ligações: O Uso do Aço na Arquitetura – Aloizio Margarido 29 Módulo 3 | As seções estruturais e suas aplicações Fonte: O Uso do Aço na Arquitetura – Aloizio Margarido – ed. CBCA - 2008 1 4Os Sistemas Estruturais em Aço MÓDULO Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura 2 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Índice - Módulo 4 • Introdução • 9.1. Cabos O cabo Comportamento • 9.2. Arcos Comportamento Tipos de arcos A questão dos empuxos. Critérios de uso Os arcos em estruturas metálicas Pré-dimensionamento • 9.3 Treliças Treliças Planas Comportamento Tipos de treliças Critérios de uso Pré-dimensionamento • 9.4. Viga Vierendeel Comportamento Critérios de uso Pré dimensionamento • 9.5. viga de alma cheia Comportamento Vigas biapoiadas com balanços. Vigas contínuas sem balanço. Vigas contínuas com balanço. Critérios de uso Pré-dimensionamento Vigas de alma cheia com seção especial. Passagem de tubulações nas vigas.• 9.6. pilares Comportamento Pré-dimensionamento 3 Parte 1 - Os Sistemas Estruturais em Aço 8. Os sistemas estruturais em Aço Vídeo – Sistemas Estruturais Vídeo – Integração arquitetura e estrutura Introdução Nos próximos itens, serão apresentados uma série de sistemas estruturais bási- cos compostos por barras, a partir dos quais, através de associações adequadas, pode-se criar uma quantidade quase infinita de possibilidades estruturais. O estudo desses sistemas estruturais será dividido em alguns sub-itens, onde serão discutidos seu comportamento estático, os materiais e seções mais usuais para sua execução, condições de aplicação e limites de utilização e, finalmente, ele- mentos para o pré-dimensionamento. O pré-dimensionamento dos sistemas estruturais é feito através do uso de grá- ficos que foram elaborados pelo professor Philip A. Corkill da Universidade de Nebraska e que foram traduzidos e adaptados para o sistema métrico pelos professores Yopanan C. P. Rebello e Walter Luiz Junc, com a colaboração da arquiteta Luciane Amante. Os gráficos apresentam nas abscissas valores que correspondem a uma das vari- áveis, como vãos, quando se trata de estruturas como cabos, vigas e treliças, ou o número de pavimentos ou altura não travada, quando se trata de pilares. Nas ordenadas estão os valores correspondentes, respostas do pré-dimensionamen- to, como flecha do cabo, altura da seção do arco, da viga e da treliça, ou, ainda, a dimensão mínima de um dos lados da seção do pilar. Os gráficos não são apresentados na forma de uma linha, mas de uma superfí- cie contida entre duas linhas. A linha superior representa os valores máximos de pré-dimensionamento e a inferior os valores mínimos. O uso do limite inferior ou superior depende de bom senso. Se a estrutura for pouco carrega- da, como estruturas de cobertura, usaremos o limite inferior, ou na dúvida a região intermediária. Quando a estrutura é bastante carregada usamos o limite superior. Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço 4 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 9 .1. Cabos Vídeo – Cabos Vídeo – Cabos e funicular Vídeo – Empuxos Vídeo – Instabilidade dos cabos O cabo Comportamento O cabo é uma barra em que seu comprimento é tão predominante em rela- ção à sua seção transversal que se torna flexível, ou seja, não apresenta rigidez nem à compressão e nem à flexão. Em outras palavras, o cabo não apresenta qualquer resistência a esforços de compressão e flexão, deformando-se total- mente quando submetido a esses esforços. O cabo apresenta resistência apenas quando tracionado, por isso ele deve ser usado em situações em que ocorra esse tipo de esforço. Como foi visto anteriormente, o esforço de tração simples é o mais favorável, resultando em elementos estruturais bastante esbeltos e, portanto leves, tanto física como visualmente. Por isso as estruturas em cabos, também chamadas estruturas suspensas ou pênseis, são estruturas que podem vencer grandes vãos com pequeno consumo de material. Para se entender o comportamento de um cabo, suponha-se o modelo apre- sentado a seguir, composto por um fio que tenha em seus extremos anéis que o prendam a uma barra rígida. Suponha-se, também, que esse fio seja carrega- do em seu ponto médio por um peso qualquer P. A tendência dos anéis, que servem de apoio, é escorregarem sobre a barra rígida solicitados por uma força horizontal, até se juntarem na mesma vertical do peso. 5 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço Para evitar esse escorregamento devemos fixar os anéis num ponto qualquer da barra rígida. O cabo nessa posição adquirirá uma forma triangular. Chama- remos de flecha do cabo a altura do triângulo assim formado. Se alterarmos a posição e/ou a quantidade de cargas o cabo apresentará, para cada situação, uma forma diferente. Se nesse cabo colocarmos duas cargas iguais e simétricas, notar-se-á que o cabo se deformará e apresentará a con- formação de um trapézio. Ao se aumentar o número de cargas observar-se-á que para cada conjunto o cabo apresentará uma forma de equilíbrio diferente. Se as cargas forem iguais e igualmente espaçadas em relação a horizontal, o cabo apresentará, quando totalmente carregado, a forma de uma parábola de segundo grau. Se as cargas forem iguais, mas igualmente espaçadas ao longo do comprimento do cabo, como acontece com seu peso próprio, a curva será ligeiramente diferente da parábola e se chamará catenária. Nessas duas últimas situações a flecha do cabo será dada pela distância entre a horizontal que passa pelos apoios do cabo e seu ponto mais afastado dessa horizontal. As diversas formas que o cabo adquire em função do carregamento denominam-se fu- niculares das forças que atuam no cabo; em outras palavras, o caminho que as forças percorrem ao longo do cabo até chegarem aos seus apoios. A palavra funicular vem do vocábulo latino funis, que significa corda e do grego gonia que significa ângulo. Como o cabo só admite esforço de tração simples, devido às suas condições de rigidez, conclui-se que as forças ao longo do seu comprimento são sempre de tração simples e variam de intensidade toda vez que mudam de direção, aumentando do meio do vão para o apoio. Para um determinado carregamento e vão, a força horizontal necessária para dar o equilíbrio ao cabo, aumenta com a diminuição da flecha. Isso poderá ser facilmente verificável através de uma simples experiência: suponha-se que se esteja suportando com as mãos uma das extremidades de uma corda, que sustenta um peso aplicado no meio. Sem sair da posição procure-se retificar essa corda. Notar-se-á que se é obrigado a puxar cada vez com maior força, ou seja, aplicar uma força horizontal cada vez maior. Conclui-se desse fato que existe uma relação inversa entre a flecha do cabo e a reação horizontal nos apoios, com a reação vertical mantendo-se constante, pois esta só depende do peso aplicado ao cabo. Pode-se também verificar que, para dado carregamento e vão, a solicitação no cabo depende da variação da força horizontal, portanto do valor da flecha. 6 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Conclui-se, daí, que quanto menor a flecha maior será a solicitação no cabo. Aqui surge um interessante problema: um cabo com flecha pequena é mais solicitado, e requer uma maior seção. Por outro lado tem um comprimen- to menor, o que corresponde a um determinado volume de material. Se a flecha for grande será menos solicitado, logo terá uma seção menor, mas em compensação um comprimento maior, resultando em outro volume de material. Portanto deve existir uma relação entre flecha e vão que resulte no menor volume de material. Essa relação depende do tipo de carregamento e encontra-se entre os seguintes limites: • 1/10<f / I<1/5 onde: f : flecha do cabo I : vão do cabo. Loja - São Paulo Conjunto comercial – São Paulo Exemplos de uso 7 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço Ponte em Jacaraípe - ES Ponte em Jacaraípe - ES Fábrica de papel - Nervi; Fonte Process n. 23 8 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Instituto de estruturas leves de Stuttgart- Frei Otto 9 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço 8.2. Arcos Vídeo – Arcos Vídeo – Antifunicular Vídeo – Empuxo no Arco e vínculo articulado Comportamento O uso do arco remonta a épocas remotas quando os materiais estruturais res- tringiam-se a madeira e pedra. Os primeiros arcos eram executados com blocos que se apoiavam com um pequeno balanço em relação ao anterior. É o chamado arco falso. Esses arcos não permitiam vencer grandes vãos. O arco verdadeiro, provavelmente surgiu da desestabilização do arco falso que resultou numa disposição dos blocos mais adequada para vãos maiores. O arco verdadeiro é resultado do empilhamento de diversos blocos, de maneira que o comprimento resultante seja maior que o vão a ser vencido. Desta maneira qualquer bloco para se dirigir ao solo sob a ação da gravidade deve provocar um “apertamento”nos dois blocos vizinhos, e assim sucessivamente. Manten- do-se os apoios indeslocáveis, todo o sistema permanecerá submetido a com- pressão, mantendo os blocos unidos e o arco íntegro. Apesar de originalmente o arco ser um sistema estrutural submetido a com- pressão, não se pode generalizar que ele constitui sempre uma estrutura onde só existem esforços de compressão. Isso nem sempre é verdade. Os esforços no arco podem variar de acordo com a forma de carregamento que incide sobre ele. Para entender essa relação será utilizado um modelo a partir de um cabo. O cabo, por não ter rigidez, só é capaz de absorver esforço de tração axial. Portanto em qualquer situação de carregamento pode-se afirmar que o cabo encontra-se submetido à tração simples. Outra característica importante dos cabos é que sua forma deformada muda de acordo com a quantidade e posição das cargas. A essa forma adquirida pelo cabo dá-se o nome de funicular, como vimos anteriormente. Falso arco Arco de pedra 10 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Nos exemplos acima é sempre possível afirmar que no cabo existem apenas esforços de tração simples. Assim, se as formas funiculares forem invertida, usando uma barra rígida e mantendo o mesmo carregamento, resultarão em estruturas sobre as quais po- de-se garantir estarem sujeitas apenas a compressão simples. Ou seja, para se ter um “arco” só comprimido, sob a ação de uma única carga concentrada, sua forma deverá ser triangular, que é o oposto do funicular dessa carga. Note que no último modelo o cabo, com cargas uniformemente distribuídas ao longo do seu comprimento, adquire uma forma funicular que é a curva denominada catenária. Invertida, ela nos dá o arco ideal para cargas de peso próprio (cargas iguais ao longo do comprimento do arco). Conclui-se, pois, que para se ter apenas esforços de compressão, a forma do arco deverá ser o inverso do funicular das forças a ele aplicadas. Esses arcos são chamados de arcos funiculares. Qualquer modificação no carregamento pro- voca esforços de flexão, além de compressão axial. E como é sabido, o esforço de compressão axial é mais econômico que o de flexão, portanto é econômico evitar a flexão no arco. Um caso extremo é apresentado na figura a seguir. Um arco parabólico susten- tando uma carga concentrada no meio do vão. Viu-se que a forma ideal para conduzir uma força concentrada aos apoios é o triângulo, o funicular da força. O arco obriga o carregamento a descrever um caminho mais longo, afastado da trajetória ideal. Isso provoca uma excentrici- dade entre o caminho ideal e o fornecido pelo arco, o que fará surgir esforço de flexão, o qual para ser absorvido exige uma seção mais robusta para a peça e, portanto menos econômica. Deduz-se, portanto, que o arco torna-se uma estrutura econômica quando ele 11 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço é o funicular das forças aplicadas. Vimos que no caso de arcos com carregamento uniforme ao longo da hori- zontal, sua forma ideal é a parabólica, e que para arcos submetidos apenas ao seu peso próprio, a forma ideal é a catenária. Visualmente a diferença entre uma curva parabólica e catenária é quase imperceptível. Pode-se dizer que para arcos bastante abatidos as curvas são praticamente iguais. Normalmente os arcos são construídos com forma parabólica para facilitar a execução, seja para cargas uniformes ao longo da horizontal, seja para peso próprio. É claro que para estas últimas aparecerão esforços de flexão, mas, feliz- mente, eles não chegam a influenciar as dimensões do arco. Tipos de arcos Dependo da situação em que são usados ou do processo construtivo escolhido os arcos podem apresentar vínculos articulados ou engastados. Estes últimos são usados apenas em casos especiais, pois introduzem esforços de flexão. a) Arco tri-articulado É o tipo de arco mais utilizado, principalmente pela facilidade de execução. Como o próprio nome diz, esse tipo de arco apresenta três articulações, duas nos apoios e uma terceira normalmente localizada no centro. O arco tri-articulado apresenta uma grande vantagem construtiva. Cada tre- cho entre as articulações pode vir pronto para montagem no canteiro. Além disso, caracterizam-se por uma boa adaptação a mudanças de forma geradas por dilatação térmica, deformações próprias, entre outras, pois as articulações permitem melhor acomodação das peças. Os arcos tri-articulados são isostáticos, o que facilita seu cálculo, mas em com- pensação possuem seções mais robustas aumentando seu custo em relação aos outros tipos. Os arcos tri-articulados são os mais usados em estruturas metálicas. Atenção! Não existe arco tetra-articulado. Um arco com mais de três articulações é hi- postático, ou seja, não é estável. b) Arco bi-articulado Esse tipo de arco apresenta articulações apenas nos apoios. Não tem a mesma versatilidade de acomodação às mudanças de forma do tri-articulado, portanto está mais sujeito ao aparecimento de esforços de flexão indesejados. É hiperestático, portanto admite menores dimensões de seção, resultando em menor consumo de material. Do ponto de vista construtivo, é menos interessante que o articulado. Os arcos biarticulados são mais usados em concreto armado. 12 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura c) Arco biengastado Seu uso é bastante incomum e só acontece quando há necessidade expressa de ligação rígida nos apoios. É o tipo de arco que mais consome material, pois apresenta momentos fletores devidos ao engastamento. Por outro lado é muito estável e, por isso, é utilizado para arcos isolados. Os arcos biengastados são raros em estruturas de aço. A questão dos empuxos. Um arco só é estável se seus apoios forem indeslocáveis, ou seja, articulados fixos. Se um dos apoios for móvel, o arco se transforma em uma viga parabó- lica, onde predomina flexão. Com isso suas dimensões serão bem maiores, da ordem de cinco vezes, tornando a solução totalmente antieconômica. Todos os arcos, quaisquer que sejam suas formas, apresentam nos apoios a tendência de se deslocarem na horizontal, aplicando a eles forças horizontais, denominadas empuxos horizontais. A intensidade dos empuxos é inversamente proporcional à flecha do arco. Denomina-se flecha do arco à sua altura no meio do vão. Sempre que possível os empuxos não devem ser transmitidos aos apoios. Em- puxos em pilares provocam grandes flexões, que também são transmitidas às fundações, encarecendo a solução. Os empuxos horizontais nos arcos podem ser absorvidos por tirantes, descar- regando nos apoios apenas forças verticais, resultando em pilares e fundações de menores dimensões. Por outro lado, o tirante pode ser um elemento indesejável no espaço interno da edificação, como, por exemplo, em quadras esportivas. Neste caso, os pilares serão responsáveis pela absorção das forças horizontais e ficarão submetidos a grandes esforços de flexão, o que exigirá deles maiores dimensões. Quando essa solução for inevitável recomenda-se criatividade para absorvê-la na arqui- tetura ou até mesmo tirar partido das novas dimensões resultantes. Os arcos em estruturas metálicas Os arcos, em estruturas metálicas, podem ser de alma cheia, usando perfil I, H ou tubular. No entanto, essa solução deve ter uma justificativa muito forte, pois perfis de alma cheia para serem dobrados necessitam ser calandrados, ou em última instância compostos em pequenos trechos. Neste caso o custo da solução pode ser bastante elevado. Quando treliçados, com cantoneiras e perfis U, sua execução fica bastante sim- plificada e com custos bem menores. Esta é a solução mais utilizada. Carga vertical provoca empuxos na base 13 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço Por serem usados em grandes vãos e estarem submetidos, predominantemente, a compressão simples, os arcos são sujeitos à flambagem, dentro e fora de seu plano, sendo muito instáveis, principalmente fora de seu plano. Para estabilizá- los é necessárioprever travamentos adequados, também conhecidos por con- traventamentos. Os contraventamentos têm a função de transmitir para a fundação qualquer força que apareça fora do plano do arco. Para isso cria-se toda uma estrutura treliçada, da qual o arco também faz parte. Para maior economia, as diagonais do contraventamento devem ser constituí- das por barras exclusivamente tracionadas. Como não é possível prever qual a direção que garantirá tração na diagonal, elas são projetadas em X. As barras das diagonais do contraventamento são executadas com barras redondas ou cantoneiras simples. Pré-dimensionamento Uso de fórmulas empíricas a) Foi visto que quanto maior a flecha menor é o empuxo do arco, e, portan- to, menos solicitado ele será. Logo um arco com uma grande flecha será mais esbelto. Em contrapartida um arco com grande flecha será mais longo, resul- tado num volume grande de material. A flecha ideal será aquela que resulte no menor volume de material. 14 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Uso de gráficos Estádio Olímpico - Atenas Passarela do Sistema de Trem Urbano – São Paulo Exemplos de uso 15 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço Shopping Center – Guarujá - SP Estádio “Engenhão” - RJ 16 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 9.3 TRELIÇAS Vídeo – Treliça Vídeo – Treliça de banzos paralelos Vídeo – Treliças : nomenclatura das barras Vídeo – Treliças em aço: tração nas diagonais e pontos de apoio Vídeo – Treliça de 2 águas ou tesoura Vídeo – Treliças de banzos paralelos : modelos Treliças Planas Como se sabe, os esforços de tração simples e de compressão simples são es- forços mais favoráveis que os de flexão por resultarem em seções estruturais mais econômicas. O ideal seria que as estruturas fossem submetidas apenas à tração simples, o que é impossível. Pois mesmo as estruturas em lona ou malha de cabos, que são submetidas apenas à tração simples, apresentam nos seus mastros de apoio compressão simples penas à tração simples, apresentam nos seus mastros de apoio compressão simples. Comportamento Para entender o comportamento da treliça tome-se o modelo a da figura a seguir. Pode-se assumir o modelo como um “arco” funicular da carga con- centrada. Daí deduz-se que as barras estão submetidas apenas a esforços de compressão simples e aplicam aos apoios forças horizontais (empuxos). Se os pilares forem articulados em sua base, tombarão sob a ação dos empuxos. Para evitar o tombamento dos pilares, tem-se como solução, a colocação de um tirante entre eles. Dessa maneira, têm-se as barras inclinadas submetidas a compressão simples e o tirante a tração simples. O resultado é uma estrutura estável formada por um triângulo e com barras submetidas apenas a esforços de tração e compressão axiais, logo uma estrutura bastante econômica. Suponha em seguida que existam dois vãos a vencer. A solução mais imediata é o uso de duas estruturas iguais às anteriores apoiadas entre pilares. 17 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço Suponha agora, que para liberar o espaço interno, se retira o pilar central. A estrutura ficará instável e girará sobre seus apoios extremos, tendendo a se aproximar. Para restabelecer o equilíbrio será necessária a colocação de uma barra rígida na parte superior. Nessa situação a barra superior ficará submetida à compres- são simples. A estrutura assim originada é uma treliça. Portanto, pode-se definir a treliça como um sistema estrutural formado por barras que se unem em nós articulados, formando triângulos e sujeitas apenas a forças de compressão e tração axiais. Tipos de treliças As treliças podem adquirir as mais diversas formas. Para se comportarem como treliças as barras devem formar triângulos e terem os nós articulados. Na prá- tica, os nós dificilmente são executados como perfeitamente articulados. É necessário que as ligações entre as barras sejam projetadas de maneira a que se tornem menos rígidas possíveis. Na figura a seguir são apresentadas as treliças mais comuns. As barras dessas treliças recebem nomes especiais: as barras superiores e infe- riores recebem o nome de banzos; as barras inclinadas de diagonais e as verti- cais de montantes. As treliças a e b são comumente usadas para coberturas em duas águas. Quando invertidas podem ser usadas como vigas de cobertura e até de piso. As treliças c e d, denominadas de treliças de banzos paralelos, são usadas como vigas, tanto para coberturas como pisos. A treliça f, de banzos paralelos, não apresenta montantes. Por ter menor quantidade de barras é sempre mais eco- nômica, porém, nem sempre é possível seu uso, como será visto mais adiante. 18 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura A direção de inclinação das diagonais é importante para garantir economia e um bom desempenho da treliça. No caso de estruturas em aço, é recomendá- vel que as diagonais trabalhem sempre a tração. Isto se deve ao fato de serem as diagonais as barras mais longas da treliça e se submetidas a compressão apresentarem a tendência de flambar, principalmente por sua grande esbeltez, se forem em aço. Se submetidas à compressão deverão ser reforçadas o que aumenta o peso da treliça e em conseqüência seu custo. As treliças b e d são as mais indicadas para serem executadas em aço. Como já visto, as treliças são sistemas estruturais que se tornam econômicos por apresentarem apenas esforços axiais de compressão e tração. Por isso a ocorrência de flexão deve ser evitada. A aplicação de cargas fora dos nós da treliça resulta no aparecimento de momento fletor nas barras, o que não é aceitável do ponto de vista econômico. Apesar de consumir menos material que as vigas de alma cheia, as treliças de- mandam mais mão-de-obra para sua execução. Como o que importa é o custo total, material e mão de obra, não é para qualquer vão que a treliça se torna uma solução econômica. Do ponto de vista prático a treliça metálica se torna econômica para vãos acima de 10 m. Os perfis mais usados nas barras das treliças são as cantoneiras duplas ou U. Em treliças para grandes vãos e cargas podem ser usados perfis I ou H. Pré-dimensionamento: Uso de fórmulas empíricas. a) Quanto mais alta for a treliça, menores serão os esforços nas barras, mas, por outro lado, quando muito altas resultam num peso maior. As treliças mais econômicas são as que apresentam a relação entre altura da treliça e do vão compreendida entre 1/7 e 1/10. Em casos extremos podem ser utilizados va- lores entre 1/5 e 1/15, já não tão econômicos. Nem sempre o fator econômico é o critério decisivo na escolha da altura con- veniente. Outros critérios, inclusive estéticos, podem se impor. b) Diagonais muito inclinadas aumentam o peso da treliça e ao contrário provocam um comportamento inadequado da treliça. O ângulo de inclinação mais adequado deverá estar entre 30º e 60º, sendo o ideal 45º. Em coberturas com estruturas metálicas o espaçamento mais econômico en- tre treliças é de 5,0 metros, podendo eventualmente ser aumentado para 6,0 metros. Apesar de serem mais econômicas que as vigas de alma cheia, as treliças re- sultam em alturas bem maiores, alcançando o dobro (ver critérios de pré- dimensionamento). Por isso, quando o projeto exigir limitação na altura da viga, pode-se optar, mesmo para grandes vãos, pela viga de alma cheia, apesar de mais cara. 19 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço Uso de gráficos: 20 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos de uso TRE – Salvador – BA Passarela 21 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço TCU – Salvador - BA Aeroporto dos Guararapes - Recife - PE 22 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Colégio – São Paulo - SP Distrito Naval – São Paulo - SP 23 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço Cobertura de cinema em Shopping Center Cobertura de cinema em Shopping Center 24 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Casa do Comercio – Salvador - BA Hotel Cesar Park –Guarulhos - SP 25 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço Ambev – Diadema – SP Academia de Squash 26 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Shopping Center – Uberlândia – SP 27 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço Parte 2 - Os Sistemas Estruturais em Aço 8.4. Viga Vierendeel Vídeo – Viga Vierendeel Vídeo – Viga Vierendeel : quadro rígido Vídeo – Viga Viereendel : esforços e forma Vídeo – Viga Viereendel e viga alveolar Viga Vierendeel A viga vierendeel é uma viga de alma vazada. Ela é composta por barras que se encontram em nós. A viga vierendeel pode ser considera uma parente da treliça, mas apresenta comportamento bastante diferente. Comportamento Apesar de visualmente parecer, uma viga vierendeel não é o conjunto de duas vigas, uma superior, apoiada em vários pilares e uma inferior que recebe a car- ga desses pilares e vence o vão total. Se assim fosse, a viga vierendeel não apre- sentaria vantagens, pois teria dimensões maiores, com custos mais elevados. Para entender o comportamento da viga vierendeel, observe as situações mos- tradas nas figuras a seguir. Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço 28 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Na primeira situação, ao se aplicar a força sobre a estrutura, apenas a viga su- perior se deforma, não transmitindo qualquer esforço de flexão para as demais barras, pois todos os nós são articulados. Os montantes verticais recebem ape- nas força de compressão. Na segunda situação, por serem os nós rígidos, a flexão da viga superior é transmitida aos montantes. Devido a resistência à deformação aplicada por eles à viga, sua deformação é menor que na primeira situação, sendo, portanto, me- nos solicitada. Neste caso tem-se o tradicional pórtico. Sendo os nós inferiores articulados, nenhum esforço de flexão é transmitido à viga inferior, mas apenas tração simples, devida à tendência de afastamento das pernas do pórtico. Na terceira situação o nó inferior é enrijecido. Desta maneira a deformação dos montantes é diminuída devido a resistência oferecida pela viga inferior, logo, eles também ficam menos solicitados. Com isso os pilares passam a ofere- cer resistência maior ainda à deformação da viga superior, que fica menos so- licitada ainda. Dessa maneira todas as barras ficam solicitadas, resultando num esforço máximo menor que em qualquer das situações anteriores. 29 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço O aumento do número de montantes faz com que as deformações sejam menores, deixando as barras menos solicitadas. A estrutura resultante é a viga vierendeel. Do raciocínio acima se pode concluir que, para existir uma viga vierendeel, é necessário que as barras que a formam sejam rigidamente ligadas nos nós. As barras horizontais da viga vierendeel recebem o nome de membruras e as verticais de montantes. As barras da membrura superior são solicitadas por compressão axial, momento fletor e força cortante. As barras da membrura inferior são solicitadas por tração axial, momento fletor e força cortante. Os montantes são solicitados por compressão axial, momento fletor e força cor- tante. Um outro modelo para explicar o comportamento da viga vierendeel parte da treliça, da qual se subtraem as diagonais. Com isso os retângulos formados pelos banzos e montantes, por terem os nós articulados, tornam-se instáveis e tendem a se transformar em losangos. Isso se deve ao efeito da força cortante longitudinal que tende a fazer escorregar o banzo superior em relação ao inferior. Esse efeito, na treliça, era absorvido pelas diagonais, que formando triângulos não permitiam a deformação do retângulo. Com a perda das diagonais uma outra forma de manter a figura retangular indeformada é enrigecendo seus nós. Ao se proceder dessa maneira, os retângulos tornam-se indeformáveis e a viga como um todo se estabiliza, resultado em um novo sistema estrutural: a viga vierendeel. Como a viga vierendel, para se estabilizar, desenvolve mo- mento fletor em suas barras (devido à rigidez nos nós), ela é menos econômica que a treliça. 30 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Critérios de uso A viga vierendeel é usada em situações em que se necessita de vigas com grandes aberturas em suas almas para possibilitar a passagem de tubulações ou, ainda, para permitir ventilação e iluminação do ambiente. Os usos mais comuns de viga vierendeel são: • Vigas de transição São vigas que transferem as cargas de pilares mais próximos para outros mais afastados. A viga de transição é normalmente localizada no primeiro pavimen- to do edifício. Em edifícios altos, a viga de transição pode chegar a ter a altura de um pé-direito. • Vigas de passarelas Sustentam simultaneamente cobertura e piso. Passarela na Linha Amarela – Rio de Janeiro No caso da viga de passarela, a viga vierendeel permite o uso de uma viga alta capaz de vencer um grande vão e sem obstruir a passagem de iluminação e ventilação para dentro da passarela, tornando mais agradável sua travessia. • Vigas que apresentam grandes alturas e precisam ser vazadas, seja por questão funcional seja para diminuir seu peso próprio, seja, até mesmo, por questões estéticas. 31 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço A forma dos vazios pode ser qualquer, inclusive circular, conforme mostra a figura a seguir. A segunda solução da figura é a viga alveolar ou castelo. A viga vierendeel al- veolar ou castelo é obtida a partir de cortes convenientemente executados em perfis “I” ou “H” e posterior soldagem, conforme mostra a figura abaixo. 32 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Uma viga assim executada pode alcançar uma resistência bem maior que a original, sem alteração em seu peso próprio. Como foi visto pelo modelo de vierendeel criado a partir da treliça, a tendên- cia de escorregamento é maior do apoio para o centro do vão, ou seja, varia conforme varia a força cortante. Por isso os montantes e as membruras são mais solicitados junto aos apoios. Se a intenção for aliar a forma da viga ao seu melhor desempenho estático-econômico, deve-se aumentar as dimensões dos elementos mais próximos dos apoios. Com isso, resulta que as aberturas deverão ser variáveis diminuindo do centro para os apoios da viga, como a figura abaixo. As barras das vigas Vierendeel em aço são executadas com perfis “I” ou “H”, devido a sua resistência a flexão e compressão, esforços predominantes nessas barras. Pré dimensionamento Uso de fórmulas empíricas. 33 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço h 10 % do vão para cargas pequenas h 12 % do vão para cargas médias h 14 % do vão para cargas grandes h´ h/6 a h/4 (altura das barras) A largura das barras é de 60 % a 100% de h’. Para um melhor funcionamento, a viga vierendeel deve ter a distância entre montantes igual ou inferior a sua altura. Porém, admite-se, em caso extremo, uma distância igual a 1,5 da altura. Uso de gráfico 8.5. Viga de alma cheia Vídeo – Viga de alma cheia Vídeo – Viga de alma cheia balanço Vídeo – Relação de vãos econômicos Chama-se alma de uma viga a parte vertical de sua seção. Chamam-se vigas de alma cheia aquelas que não apresentam vazios em sua alma. Provavelmen- te, as primeiras vigas de alma cheia utilizadas pelo homem foram troncos de árvores e devem ter sido “projetadas” na tentativa de constituir espaços total- mente aproveitáveis entre apoios e possibilitar a criação de um piso elevado. São as vigas mais comuns. Entretanto, ao lado da vantagem oferecida, em termos de aproveitamento de espaço, a viga é um dos elementos estruturais mais solicitados em termos de esforços, pois precisa apresentar condições de transmitir aos apoios forças predominantemente verticais, através de um caminho geralmente horizontal. Esse “desvio” de 90° no caminho das forças exige muito da peça, o que acaba por gerar maiores dimensões de seção. 34 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Comportamento Pode-se dizer, usando um modelo maissimplificado e visualmente mais inte- ligível, que as vigas são barras que quando carregadas transversalmente estão sujeitas a esforços de flexão: momento fletor e força cortante. Na verdade, o comportamento real de uma viga é mais complexo. O comportamento mais próximo do real pode ser imaginado como a existência de “arcos internos atirantados”, ou seja, tudo se passa como se dentro da viga existissem arcos comprimidos e tirantes tracionados. Na verdade são linhas sobre as quais es- tão localizadas as tensões principais de compressão e tração. Ao longo dessas localizam-se as tensões de intensidades iguais. Elas recebem o nome de linhas isostáticas. Pode-se fazer uma analogia entre as linhas isostáticas e as curvas de níveis topográficas. Nestas encontram-se os pontos de mesmo nível, naquelas as tensões de mesmo valor. A figura abaixo mostra como se distribuem essas linhas. 35 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço Critérios de uso As vigas de alma cheia são mais pesadas que as treliças, mas por outro lado apresentam alturas menores. Em estruturas de aço as vigas de alma cheia são econômicas para vãos até 10 m. O que não impede que por outras razões, tais como altura estrutural ou rapidez de execução, não se use vigas de alma cheia para vãos maiores. Há edifícações em que essas vigas vencem vãos de mais de 25 m. Nas estruturas metálicas as ligações entre vigas e pilares podem ser articuladas ou rígidas. A opção por uma ou outra solução depende do modelo adotado para o comportamento da estrutura. As ligações viga x viga são, normalmente, adotadas como articuladas. Conforme a quantidade de vãos e posição dos apoios, as vigas podem ser clas- sificadas em vigas bi-apoiadas, com ou sem balanços e vigas contínuas com ou sem balanços. A figura a seguir mostra exemplos destes tipos de vigas. O uso de balanços, quando bem dosado, torna-se um aliado na diminuição dos esforços nas vigas. Existem relações apropriadas entre balanços e vãos centrais que tornam mínimo o esforço de flexão na viga. Para determinar a relação ideal entre balanços e vãos centrais imagine-se, ini- cialmente, uma viga bi-apoiada carregada com carga uniforme. Esta viga apre- senta momentos fletores variáveis ao longo do vão, com seu máximo no meio. Se um dos apoios é empurrado na direção do centro do vão, criando um pe- queno balanço, aparecem momentos negativos. É óbvio que esses momentos irão aliviar os momentos positivos ao longo do vão. Conforme se aumenta o balanço, cresce o momento negativo e diminui o positivo, até o ponto em que o momento negativo supera o positivo. A situação em que se tem o menor esforço de flexão na viga é quando o momento negativo é igual ao positivo. Esta situação ocorre quando se tem, aproximadamente, 5/7 do comprimento da viga como vão central e 2/7 como balanço. No caso de dois balanços essa situação ocorre quando se tem 1/5 do comprimento da viga nos balanços e 3/5 no vão central. 36 O perfil utilizado em vigas de alma cheia é predominantemente o perfil I. Para vigas pouco solicitadas pode-se, por questão de economia, usar perfil U. Atenção especial deve ser dada a esse perfil, pois como ele não é simétrico em relação ao eixo vertical, pode sofrer torção, por efeito das forças cortantes longitudinais. Como não é fácil aplicar a carga no denominado centro de cisa- lhamento, quando, então, não haveria torção, recomenda-se travar lateralmente esse perfil com outros que possam absorver a torção. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 37 Pré-dimensionamento Uso de fórmulas empíricas Vigas biapoiadas sem balanço. h= 4 % do vão, para cargas pequenas h= 5 % do vão, para cargas médias h= 6 % do vão, para cargas grandes A idéia de pequena, média ou grande carga não tem limites precisos. Na dú- vida usa-se o valor maior. Grosso modo, pode-se considerar como pequena carga a existência de laje apoiada apenas em um lado da viga e a inexistência de alvenaria. Carga média seria a existência de lajes nos dois lados da viga e de alvenaria. Pode-se considerar grande carga aquela que, além das lajes e alvena- ria, apresenta cargas de outras vigas apoiadas sobre ela. A largura da viga deve variar entre 40 e 60 % da sua altura. Vigas biapoiadas com balanços Neste caso, verifica-se a altura da viga, tanto pelo vão quanto pelo balanço, utilizando as regras anteriores para o vão e as que vêm a seguir para o balanço. Adota-se como altura da viga o maior dos dois valores. Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço 38 Caso seja interessante ou necessário, pode-se adotar alturas diferentes para ba- lanço e vão central. Neste caso, apesar de economia de material, tem-se maio- res dificuldades construtivas. A altura do balanço é pré-dimensionada com as seguintes relações: h= 8 % do balanço, para cargas pequenas h= 10 % do balanço, para cargas médias h= 12 % do balanço, para cargas grandes A largura da viga segue o mesmo critério das situações anteriores. Vigas contínuas sem balanço h= 3,5 % do maior vão, para cargas pequenas h= 4,5 % do maior vão, para cargas médias h= 5,5 % do maior vão, para cargas grandes Quanto à largura prevalecem os valores adotados nos itens anteriores. Vigas contínuas com balanço Verifica-se a altura da viga pelo vão conforme item anterior e pelo balanço. Adota-se o maior valor. Para largura adotam-se as relações anteriores. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 39 Uso de gráfico Vigas de alma cheia com seção especial. Quando necessário, principalmente em vigas mistas (link para modulo 3 – pág 16 – Viga Mista), pode-se utilizar perfis especiais, com mesas de largura e espessuras diferentes. Como a laje de concreto colabora a compressão, a mesa superior pode ser menor para tornar o perfil mais leve e econômico. Viga mista com perfil especial Para pré-dimensionamento dessas vigas, usam-se os mesmos valores anterio- res, usando um fator de correção de 0,8. Passagem de tubulações nas vigas. Furos adequadamente localizados e de dimensões que não afetem o compor- tamento da viga poderão ser efetuados. Os furos circulares são preferíveis aos Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço 40 retangulares. De maneira geral as vigas metálicas suportam furos tanto junto aos apoios como no meio do vão. Nos apoios os furos devem ser localiza- dos do eixo longitudinal da viga para baixo, no meio do vão o furo deve se localizar junto à linha neutra. Desde que a altura do furo não ultrapasse a 1/3 da altura do perfil não há necessidade de reforços. O comprimento dos furos não deve ultrapassar a 3 vezes sua altura, sendo ideal ser inferior a duas vezes. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 41 Parte 3 - Os Sistemas Estruturais em Aço 8.6. pilares Vídeo – Pilares Como é sabido, a grande preocupação no trato com pilares, principalmen- te em estruturas de aço, encontra-se no fenômeno da flambagem. Um bom projeto pensa no adequado travamento dos pilares, com vigas e contraventa- mentos. É também importante considerar a direção em que se coloca o pilar, para que sua direção mais rígida coincida com aquela em que o travamento é menos eficiente. É bom lembrar ainda que os pilares, além de compressão simples, podem estar sujeitos à flexão quando solicitados por forças horizon- tais. Diz-se, neste caso que o pilar está sujeito à flexão composta (flexão + compressão simples). Os perfis mais comuns utilizados em estruturas de aço são o perfil H e os tubu- lares. O primeiro apresenta a vantagem de ser aberto, facilitando a ligação com as vigas e sua manutenção. Os segundos apresentam a vantagem de grande rigidez, mas tem contra si a maior dificuldade na concepção das ligações e o problema da deterioração ocorrer de dentro para fora, dificultando o aspecto da manutenção. Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço 42 Pré-dimensionamento Uso de fórmula empírica • A seção = P / 700 ( cm² ) Onde: • A seção: área necessária para a seção do pilar em cm² • P: carga atuante no pilarem kgf, obtida por área de influência Para a determinação da carga atuante no pilar usa-se o processo da área de influência. Área de influência é a área de carga hipoteticamente depositada em cada pilar. Para determiná-la parte-se do fato de que dois pilares contíguos recebem, cada um, uma parcela de carga proporcional a metade da distância entre eles. Portanto a área de influência é determinada pelos comprimentos correspondentes a metade das distâncias entre os pilares em ambas as dire- ções. Para determinar a carga que incide sobre os pilares multiplicam-se suas respec- tivas áreas de influência por uma carga hipoteticamente distribuída sobre toda a área do edifício. Essa carga engloba as cargas de peso próprio, sobrecargas e alvenarias. Os valores dessa carga são: Para piso 700 kgf / m² Para cobertura 400 kgf / m² Os valores acima são as médias obtidas nas edificações, podendo ser au- mentados ou diminuídos em casos especiais, e conforme nosso bom senso recomendar. Quando o edifício for alto, a carga devida a área de influência, em cada pavi- mento, deverá ser multiplicada pelos números de pavimentos acima do pilar. Resumindo a determinação da carga em um pilar qualquer é dada por: Onde: P = carga no pilar Ainf = área de influência do pilar n = número de pavimentos qpiso = 800 kgf / m² Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 43 Uso de Gráfico Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço 44 Cidade do Samba – Rio de Janeiro Edifício Comercial – São Paulo Residência – São Paulo Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 45 Edifício Comercial – São Paulo Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço Universidade - Uberlândia Edifício Garagem – Flamboyant Shopping - Goiânia 46 Shopping Estação – Curitiba Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 47 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço Pilares muito esbeltos, criando transparência CEA – São Paulo 48 Sede da Açotubo - Guarulhos Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 49 Módulo 4 | Os sistemas estruturais em aço 1 5Associação de Sistemas Estruturais em Aço MÓDULO Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura 2 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Índice - Módulo 5 • 10.1. Vigas de cabos • 10.2. Malhas de cabo • 10.3. Tensegrity • 10.4. Viga vagão • 10.5. Cúpulas - cúpulas geodésicas • 10.6. Parabolóides hiperbólicos • 10.7. Treliças espaciais • 10.8. Grelhas • 10.9. Estruturas Recíprocas • 10.10. Pórticos • 10.11. Pilares vagonados • 10.12. Pilares em árvore 3 Parte 1 - Associações entre os sistemas estruturais básicos 10. Associação de sistemas estruturais. Associações entre os sistemas estruturais básicos Nos itens anteriores foi analisado o que se denominou sistemas estruturais básicos: o arco, o cabo, a treliça, a viga de alma cheia, a viga Vierendeel e o pilar. Esses sistemas, na verdade, não ocorrem isoladamente nas estruturas. Eles, sozinhos, não constituem uma estrutura completa. É óbvio que uma viga, seja de alma cheia, treliçada ou Vierendeel, para constituir uma estrutura, necessita de pelo menos um pilar. Isso, por si só, é uma associação; mínima, é verdade, mas é uma associação necessária para que se constitua uma estrutura completa. Por sua vez o pilar sozinho, também, não constitui uma estrutura completa, logo, deixa de ter sentido. É a associação adequada dos sistemas estruturais básicos, em quantidade, forma e processo, que dá sentido à estrutura e em conseqüência à arquitetura. Essas associações ocorrem como resultado natural da concepção arquitetônica: das funções, dos espaços e intenções formais. A criação de linhas e planos que se harmonizam na criação das formas arquitetônicas e que se integram ao meio em que se inserem, está intimamente ligada às possibilidades de associações entre os sistemas estruturais básicos. 10.1. Vigas de cabos Vídeo – Cabos : estabilização com cabos Vídeo – Instabilidade nos cabos Vídeo – Viga de cabos Como já foi visto, o cabo é um sistema básico que devido à sua grande flexi- bilidade adquire para cada tipo de carregamento uma determinada forma. Isso implica na grande instabilidade dos cabos. Viu-se também, que para se enrije- cer o cabo é necessário aplicar-lhe, previamente, uma determinada tensão. Essa tensão pode ser aplicada por um pré esticamento do cabo ou por um determi- nado carregamento, que o solicite de maneira que se mantenha rígido. Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço 4 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Uma primeira maneira de se estabilizar cabos através de uma tensão inicial, é feita pela associação de cabos com cabos ou barras rígidas, todos colocados no mesmo plano. Esta associação é denominada “viga de cabos”. Nesta associação um dos cabos é previamente tensionado transmitindo ao outro, através dos cabos ou barras rígidas, uma tensão que mantém o conjunto estável. Assim, quando a “viga” for submetida à flexão a força de tração no cabo superior será tão grande que a compressão devida à flexão será inferior àquela, não deixando ocorrer compressão no cabo, o que, se ocorresse, inviabilizaria a estrutura. 5 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço 10.2. Malhas de cabo Vídeo – Malha de cabos Outra forma de enrijecer cabos é o uso de associações cabo x cabo. São uti- lizadas para dar aos cabos rigidez necessária para que possam manter a confi- guração desejada, qualquer que seja o carregamento. A figura a seguir mostra a forma de se obter a rigidez de um cabo utilizando a associação com outro. O cabo superior é enrijecido por um cabo inferior ao qual é aplicada uma força de tração; essa força é transmitida ao cabo superior. Assim, o cabo superior passa a ser tensionado garantindo-lhe rigidez necessária. Denomina-se cabo sustentante àquele que recebe diretamente as cargas externas, no caso o cabo superior, e de cabo estabilizante àquele que enrijece o primeiro, no caso o cabo inferior. O enrijecimento dado ao cabo sustentante por um único cabo não é perfeito. A aplicação de uma carga fora do ponto de cruzamento pode provocar, ainda, grande deformação. Para melhorar a condição de rigidez devemos utilizar maior quantidade de estabilizantes. Exemplo de uso 6 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Por uma questão de espaço, evita-se que cada cabo estabilizante tenha seu ponto de fixação junto ao solo, utilizando-se para isso um cabo periférico que os fixará. Para criar rigidez nos cabos estabilizantes, na direção ortogonal aos seus planos é usado um segundo conjunto de cabos que se tornam estabilizan- tes dos estabilizantes. Note-se que com isso criou-se uma superfície em forma de sela de cavalo; essa é uma das formas fundamentais da associação cabo x cabo que apresenta rigidez em todas as direções. Da observação da figura acima se pode tirar alguns critérios para obtenção de condições mínimas de associações cabo x cabo: a. Deve haver no mínimo quatro pontos de fixação. b. O conjunto de cabos deve manter a ortogonalidade da malha, condição fundamental. c. Os cabos sustentantes e estabilizantes devem ter curvaturas opostas. d. Os cabos periféricos deverão ter a forma funicular. A próxima figura mostra uma maneira de enrijecer o cabo portante em duas direções. Para isso basta que um cabo estabilizante cruze ortogonalmente o cabo sustentante, de forma que este seja fixado em pontos altos, e o estabili- zante em pontos baixos. 7 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço 9.3. Tensegrity Vídeo – Tensegrity Vídeo – Tensegrity : modelo e execução Tensegrity O tensegrity é um sistema estrutural composto por barras rígidas e cabos. O tensegrity foi inventado pelo artista plástico Kenneth Snelson, quando traba- lhava com Buckminster Füller. A palavra tensegrity é uma abreviação das palavras inglesas integer tension, o que em uma tradução mais livre pode ser tração total. Essa denominação expressa bem uma das propriedades desse sistema: nele, barras comprimidas e cabostracionados se conectam de maneira que o conjunto se comporta da mesma forma, quer seja solicitado de dentro para fora como ao contrário, pois a inversão no sentido e direção de aplicação das solicitações não provoca inversão nos esforços internos. Exemplo de uso: 8 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplo de um tensegrity simples formado por quatro barras rígidas e cabos A figura a seguir mostra como se pode construir um tensegrity, a partir de um cubo que após servir de base para a construção é eliminado. Tensegrity montado tendo como base um cubo Grosso modo, o tensegrity pode ser assimilado a uma bexiga de ar, na qual as barras rígidas fazem o papel da pressão de ar e os cabos, o da membrana. Em uma bexiga, quanto maior for a pressão interna, ou mais esticada estiver a membrana, mais estável e resistente ela será quando submetida a um carrega- mento externo. No tensegrity ocorre algo semelhante: quanto mais esticados estiverem os cabos, ou seja, mais tracionados, mais estável ele será. O tensegrity pode ser usado na construção de torres e coberturas. As torres atuais feitas com esse sistema podem alcançar até 30 m de altura, e as cobertu- ras alcançam vãos de valores semelhantes. Exemplos de uso: 9 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço Needle Tower de Kenneth Snelson (1968) fonte: http://en.wikipedia.org/wiki/Tensegrity 10 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 9.5. Viga vagão Vídeo – Viga vagão Vídeo – Viga vagão : exemplos Vídeo – Associação interessante : tesoura com cabos Viga vagão A viga vagão consiste na associação entre uma viga de alma cheia e um cabo. Recebe também o nome de viga armada. O nome viga vagão origina-se do fato de ter sido muito utilizada em vagões de trem, apoiada entre os eixos das rodas. Comportamento Uma maneira bastante simples de explicar o comportamento da viga vagão é interpretá-la como uma viga cujo vão é diminuído pela colocação dos montantes, que em lugar de se apoiarem no piso, apóiam-se em um cabo, que vence o vão total. Sabe-se que o cabo assim solicitado aplica nos apoios cargas horizontais (empuxos). Esses esforços são absorvidos pela própria viga, resultando nos apoios apenas forças verticais. A viga vagão pode ser entendida como o inverso de uma viga pênsil. Nesta, os montante são trocados por ca- bos que se apóiam no cabo principal. Na viga pênsil o empuxo é absorvido pelos pilares ou por cabos fixados na fundação. 11 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço A viga vagão pode ter um ou mais montantes. É importante observar que con- forme mude a posição ou quantidade de montantes, muda também a forma do cabo. Como os montantes são cargas concentradas aplicadas ao cabo, este apresentará sempre a forma funicular dessas cargas. Uma viga vagão com três montantes cujo cabo seja um trapézio não se com- porta adequadamente. O resultado será o mesmo de uma viga com dois mon- tantes. Errado! Certo! Utiliza-se para a viga superior, perfil l ou H, principalmente o segundo devi- do ao seu melhor desempenho aos esforços de flexão e compressão axial. Variações de Vigas Vagão: 12 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Pré-dimensionamento Uso de fórmula empírica Uso de gráfico 13 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço Exemplos de uso: Vigas Pensil Ponte Hercílio Luz – Florianópolis Ponte Akashi Kaikyo - Japão Ponte Akashi Kaikyo - Japão 14 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Vigas Vagão 15 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço 16 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 17 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço 18 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Viga vagonada espacial A pirâmide do Museu do Louvre - Paris 19 Parte 2 - Associações entre os sistemas estruturais básicos 10.6. Cúpulas - cúpulas geodésicas Vídeo – Geodésicas Vídeo – Geodésicas : 2 modelos Uma primeira possibilidade de cúpulas em aço é aquela composta por arcos radiais que se cruzam. A cúpula de arcos cruzados necessita de um anel central de compressão para acomodar os diversos arcos. Um anel inferior ou a própria fundação deverá receber os empuxos dos arcos. Outra possibilidade de construção de cúpulas de aço são as denominadas cú- pulas geodésicas. A associação geodésica parte da disposição dos arcos segundo curvas geodésicas. Denomina-se curva geodésica a curva de menor compri- mento sobre uma esfera. Essas curvas, quando dispostas na vertical e horizontal, recebem os nomes de meridianos e paralelos, respectivamente. Os arcos, segundo as geodésicas, encontram-se dispostos segundo o menor ca- minho das forças e, portanto, menos solicitados que em outra posição qualquer, daí resultando estruturas muito leves. Na prática a associação geodésica não é formada por arcos verdadeiros, mas por segmentos de barras. Teoricamente os arcos só ocorrem quando o número de barras for infinitamente grande. Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço 20 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço Considerando-se o ângulo medido do topo para a base da cúpula geodésica, a transição entre os esforços de compressão e de tração nos paralelos ocorre com 52 graus. Portanto para ter-se uma cúpula totalmente comprimida ela deverá ter uma abertura angular máxima de 104 graus. A partir deste ângulo começam a ocor- rer esforços de tração. Entretanto quanto maior o raio, maior a reação nos pontos de apoio da cúpula. E quanto menor o ângulo, menor a reação, até que ao se tornar perpendicular, a reação nos apoios torna-se nula. Para a construção das cúpulas geodésicas parte-se de poliedros que podem ser inscritos ou circunscritos numa esfera. O mais comum desses poliedros é o icosaédro, poliedro de 20 faces. Dividindo-se as faces do icosaédro, que for- mam triângulos equiláteros, em outros triângulos, e projetando-se os vértices obtidos sobre uma esfera, que circunscreva o icosaédro, são obtidos sólidos com maior número de vértices, tornado-os cada vez mais próximos da esfera. Denomina-se freqüência da geodésica ao número de vezes em que se divide as faces triangulares do icosaédro inicial. A estrutura assim formada é composta por barras que se desenvolvem segundo linhas geodésicas, organizadas segundo pentágonos e hexágonos. As barras dessa estrutura estão sujeitas a forças de tração e compressão simples. O grande problema das estruturas geodésicas é a forma de vedá-las. Devido à sua leveza são muito sujeitas a movimentações, o que pode provocar problemas nos materiais de vedação. Os materiais mais usados para vedação são: a madei- ra, alumínio, lonas e tecidos sintéticos. Para a execução das barras das geodésicas são normalmente usadas barras com seções tubulares cilíndricas. 21 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos de cúpulas não geodésicas 22 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço Exemplos de cúpulas não geodésicas 23 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço 10.7. Parabolóides hiperbólicos Vídeo – Parabolóide hiperbólico Parabolóides hiperbólicos O parabolóide hiperbólico é uma superfície de dupla curvatura opostas. Essa superfície é originada por duas parábolas de centros de curvaturas opostos, uma denominada diretriz e a outra geratriz. Apesar de sua complexa curvatura, pode ser gerada por retas que deslizam sobre duas outras retas reversas. Essa propriedade faz com que uma superfície aparentemente tão livre possa ser executada com facilidade com os elementos retos metálicos. Especial atenção deve ser dada às bordas, que deverão ser mais rígidas que as barras internas para garantir estabilidade ao conjunto. Esse tipo de estrutura torna-se mais fácil de ser executada se as barras forem tubulares circulares, o que facilita os pontos de tangência. Essas estruturas podem vencer vãos de até 40 m. 24 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Museu de Arte de Milwaukee – EUA – SantiagoCalatrava Exemplos de parabolóides hiperbolicos 25 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço 10.8. Treliças espaciais Vídeo – Treliça espacial Treliças espaciais Antes de tudo, é importante conceituar o que são estruturas planas e espaciais. Na verdade todas as estruturas se desenvolvem no espaço, logo seriam todas espaciais. As estruturas são calculadas a partir de modelos físicos escolhidos pelo projetista e que melhor interpretem o comportamento real. A determi- nação dos esforços é feita através da tradução do modelo físico para um mo- delo matemático que melhor o descreva. Esse procedimento chama-se análise estrutural. O melhor modelo será aquele que descreva bem o comportamento real e que resulte em um modelo matemático simples. Um conjunto de vigas e pilares em um edifício pode ser analisado como um único pórtico espacial ou como uma série de elementos planos isolados. Na figura anterior a viga V2 pode ser analisada como um elemento plano, que se apóia nas vigas V4 e V6; a viga V4 como outro elemento plano que se apóia nos pilares P1 e P3, e assim por diante. Esse modelo é muito mais simples que o que considera todo conjunto como pórtico espacial. O modelo espacial é mais próximo da realidade, mas mais complexo. Nos vãos e carregamentos usuais o modelo plano é plenamente aceitável. Os “erros” de precisão não pre- judicarão o comportamento da estrutura e não resultarão em maiores custos. Existem situações em que o uso de um modelo plano no lugar de um espacial foge muito da realidade, resultando em mau comportamento da estrutura e levando a uma solução anti-econômica. É o caso de uma grelha, e que será estudada adiante, onde só se admite o modelo espacial. 26 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Em uma cobertura com estrutura plana, as treliças são os elementos estruturais principais recebendo a carga da cobertura, vencendo o vão principal e depo- sitando essas cargas nos pilares. Entre as treliças existem outras vigas, as terças, que apóiam as telhas e transmitem suas cargas para as treliças. Neste caso tem- se um modelo plano: terças num plano, treliças principais em outro. Quando, por alguma razão, a distância entre treliças aumenta, aumentam também as dimensões das terças. Neste caso passa a ser mais interessante, do ponto de vista econômico, o uso de terças treliçadas. A partir daí o modelo plano, como um todo, começa a ser desvantajoso do ponto de vista econômico. Pode-se optar, então, por um modelo espacial: a treliça espacial. A possibilidade de disposição de pilares é o fator principal que leva à escolha de uma treliça plana ou espacial. Comportamento Grosso modo, a treliça espacial pode ser assimilada a uma placa sem vigas pe- riféricas, discretizada, ou seja, composta de barras. Sabe-se que uma placa, quando apoiada em pilares em sua borda, flexiona, apresentando compressão na face superior, tração na inferior e tendência de escorregamento de suas fatias horizontais (cisalhamento). Na treliça espacial, as barras dispostas nos planos superiores e inferiores absorvem compressão e tração respectivamente. As barras inclinadas, por sua vez, absorvem o efeito de cisalhamento. 27 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço Para atender as condições acima a treliça espacial é composta de barras arti- culadas nos nós, dispostas em duas direções. Nos planos, superior e inferior as barras podem ser dispostas de qualquer maneira. As barras que ligam esses pla- nos, para poderem absorver adequadamente o efeito de cisalhamento, devem formar triângulos, daí esse sistema estrutural ser da família das treliças. Tipos de treliças espaciais Ao se projetar uma treliça espacial uma preocupação importante é com o aspecto construtivo. Por isso procura-se usar o mínimo de barras diferentes. A solução mais simples é o uso de um módulo composto a partir de prismas regulares, o que leva aos mais simples deles: prisma triangular, tetraedro e pirâ- mide de base quadrada. Esta última é a mais comum. Soluções mais criativas podem ser propostas. No caso visto na figura anterior, os planos horizontais resultam sempre preenchidos de quadrados, no entanto existem 32 maneiras diferentes de preencher um plano com polígonos re- gulares. As figuras, a seguir, mostram algumas dessa maneiras. Essas soluções fogem do comum, com resultados estéticos muito interessantes. Infelizmente são pouco exploradas. 28 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Um dos problemas mais importante da treliça espacial é a concepção dos nós, que está diretamente ligada às questões construtivas. O mercado oferece algu- mas soluções patenteadas, sendo as mais comuns: a que usa uma esfera onde os tubos são rosqueados (Sistema Mero) e a que usa um conjunto de chapas onde os tubos são fixados após terem as pontas amassadas (Sistema Mdeck). 29 Tipos de ligações: Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço Os perfis utilizados nas barras das treliças espaciais são predominantemente tubulares de seção circular. No entanto existem algumas soluções com canto- neiras duplas usadas na tentativa de criar um nó mais simples. Pré-dimensionamento Uso de fórmulas empíricas Pode-se adotar como altura da treliça espacial o seguinte valor: h = 5% L+I 2 Onde: L = espaçamento maior entre pilares I = espaçamento menor entre pilares 30 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos de uso: 31 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço 32 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 33 Parte 3 - Associações entre os sistemas estruturais básicos Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço 10.9. Grelhas Vídeo – Grelhas Vídeo – Grelha entendida como placa Vídeo – Desenho de Grelhas e treliças Comportamento da grelha Imagine duas vigas que se cruzem no seu ponto médio. Suponha que as duas vigas tenham as mesmas seções e vãos diferentes. Suponha que uma carga P seja aplicada no ponto de encontro das vigas, e que, em princípio, considere-se cada uma das vigas recebendo metade da carga aplicada. Se as vigas não estivessem interligadas e pudessem trabalhar independente- mente, a viga de vão maior deformaria mais que a viga de vão menor. Entre- tanto, como as vigas têm em comum o ponto de cruzamento, as deformações das vigas nesse ponto deverão ser, obrigatoriamente, iguais: nem tão grande como a da viga de vão maior e nem tão pequena como a da viga de vão me- nor, mas um valor intermediário. Tudo se passa como se a viga de vão maior fosse aliviada e a de vão menor fosse sobrecarregada. 34 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Esse efeito de alívio e sobrecarga vai ficando cada vez evidente conforme cres- ça a diferença entre os vãos, de tal maneira que a partir de uma determinada relação é lícito considerar-se a viga mais longa como apoiada na mais curta. Na prática, para simplificar o cálculo, sempre que ocorre tal situação, viga mais longa cruzando com viga mais curta, considera-se a viga de vão maior como apoiada na viga de vão menor. Imagine-se uma segunda situação: as vigas, agora, possuem os mesmos vãos e seções diferentes. Suponha-se, como no caso anterior, a aplicação de uma car- ga P no ponto de encontro, com cada viga recebendo, em princípio, metade da carga. Considere-se, inicialmente, cada viga independente da outra. Neste caso a viga de menor altura teria uma deformação maior que a viga mais alta. Como na realidade no ponto de encontro as deformações são obrigatoria- mente iguais, tudo se passa como se a viga mais alta sofresse um acréscimo de carga e a viga mais baixa um alívio. Crescendo a diferença de alturas entre as vigas, o alívio e o acréscimo vão crescendo, de forma que a partir de um certo ponto a viga mais baixa pode ser considerada como apoiada na viga mais alta. Esta é a consideração simpli- ficadora, normalmente feita na prática, quando ocorre cruzamento de vigas de alturas diferentes. Imagine-se uma terceira situação. As vigas têmos mesmos vãos e as mesmas seções. Neste caso, trabalhando juntas ou não, as vigas apresentarão sempre, no ponto de cruzamento, as mesmas deformações. Portanto, nenhuma delas irá receber acréscimo ou alívio de cargas. Cada uma receberá, de fato, metade da carga. Neste caso, não se pode considerar, para simplificar os cálculos, viga apoiando-se em viga, pois se estará muito afastado da realidade. Qualquer con- sideração de viga apoiada em viga resultará em superdimensionar a estrutura ou criar a possibilidade do aparecimento de trincas. Nesta terceira situação tem-se de fato um embrião de uma grelha, ou seja, vigas que trabalham con- juntamente não havendo hierarquia entre elas. 35 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço Quanto mais vigas se cruzarem mais complexo torna-se o comportamento do sistema. Há uma interação entra as vigas de sorte que nos pontos de cruzamen- to, algumas vigas são aliviadas, outras sobrecarregadas. A determinação dessas forças de interação é que constitui o cálculo de uma grelha. Observe que, para que um conjunto de vigas comporte-se como uma grelha, é condição neces- sária que as vigas se cruzem em nós rígidos. Normalmente, a grelha apresenta desenhos na forma de retângulos ou quadra- dos, mas como ocorre nas treliças espaciais, outros desenhos mais interessantes podem ser utilizados, todos compostos a partir de polígonos regulares. Uma solução pouco explorada, mas que resulta em uma estrutura interessante e muito leve, é o uso de uma espécie de grelha de vigas vagões. Na verdade, esse sistema é constituído de uma malha de cabos, sobre a qual se apóiam vi- gas distribuídas em duas direções; os empuxos dos cabos são absorvidos pelas próprias vigas. As vigas que compõem as grelhas são, geralmente, de alma cheia, de perfis I ou H. 36 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos de uso: 37 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço 10.10. Estruturas Recíprocas Vídeo – Estruturas recíprocas e modelo Estruturas recíprocas Uma instigante solução estrutural pode ser realizada com barras que se apóiam mutuamente no centro sem a necessidade de qualquer apoio, é denominada estrutura recíproca. Nesta estrutura a altura das barras, a inclinação e o raio do círculo central são interdependentes. Uma vez definidas duas das variáveis, a terceira é conseqüência, não podendo ser alterada. Para a construção desse sistema estrutural é necessário prever um apoio central provisório, que será retirado após a colocação de todas as barras. O uso de barras tubulares circu- lares facilita a execução permitindo que qualquer que seja a conformação da estrutura sempre haja um ponto de tangência. 10.11. Pórticos Vídeo – Ligação viga - pilar Vídeo – Pórtico: ligação viga - pilar rígida O Pórtico De modo geral pode-se denominar como pórtico todo sistema estrutural em que os vínculos entre as barras são rígidos. Comportamento A associação entre vigas e pilares pode se dar de duas formas: em uma primeira a viga pode estar simplesmente apoiada, de maneira que seus vínculos com os pilares são articulados. Neste caso a aplicação de uma carga sobre a viga vai transmitir ao pilar apenas cargas verticais. Em uma segunda possibilidade a viga pode ser rigidamente ligada ao pilar constituindo um pórtico. Neste caso além das cargas verticais a viga transmite também flexão ao pilar. 38 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Pode-se ver que no caso de viga simplesmente apoiada sua deformação é maior que no caso do pórtico. Dessa observação pode-se concluir que na primeira situação a viga é mais solicitada que na segunda. Em contrapartida na segunda situação os pilares recebem além da carga vertical, momento fletor e força cortante, o que irá exigir maior dimensionamento. Nas estruturas metálicas, por economia, opta-se normalmente por vigas sim- plesmente apoiadas. O uso do pórtico passa a ser interessante quando por exi- gências arquitetônicas a viga deva ter sua seção mais reduzida, ou ainda como elemento de contraventamento da estrutura. Pode-se ver que no caso de viga simplesmente apoiada sua deformação é maior que no caso do pórtico. Dessa observação pode-se concluir que na primeira situação a viga é mais solicitada que na segunda. Em contrapartida na segunda situação os pilares recebem além da carga vertical, momento fletor e força cortante, o que irá exigir maior dimensionamento. Nas estruturas metálicas, por economia, opta-se normalmente por vigas sim- plesmente apoiadas. O uso do pórtico passa a ser interessante quando por exi- gências arquitetônicas a viga deva ter sua seção mais reduzida, ou ainda como elemento de contraventamento da estrutura. Os perfis usados nos pórticos são os mesmos usados para vigas e pilares. 39 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço Exemplos de uso: Estação Largo XIII 40 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Parada de ônibus em corredor exclusivo – São Paulo 41 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço 42 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Pré dimensionamento Uso de fórmulas empíricas De modo geral pode-se denominar como pórtico todo sistema estrutural em que os vínculos entre as barras são rígidos. 43 10.12. Pilares vagonados Vídeo – Pilar Vagonado Pode-se usar a associação entre cabo e pilar, quando o cabo é utilizado para travar o pilar, diminuindo seu comprimento de flambagem, com isso, aumen- tando a capacidade de carga do pilar. Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço A tendência ao giro do pilar provocada pela flambagem é absorvida por com- pressão no pilar e tração no cabo. Ver figura 37. Quanto mais afastados os cabos estiverem do centro do pilar mais rígido será o conjunto. Essa solução permite a utilização de pilares muito altos e bastante esbeltos. Exemplos de uso: 44 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 45 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço Torre Collserola - Barcelona 46 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 9.13. Pilares em árvore Outras possibilidades, mais complexas, podem ocorrer, quando pilares mais robustos são subdivididos, gradativamente, em outros pilares de menores di- mensões. Essa solução visa à diminuição dos vãos da estrutura sustentada sem adensamento de pilares na base. Esse pilares recebem o nome de pilares em “árvore” por apresentarem seme- lhança com as formas ramificadas de uma árvore. Para determinação das posições dos “ramos” dos pilares pode-se usar um pro- cesso proposto por Frei Otto. Neste processo, fios molhados, em número iguais a quantidade máxima de “ramos” do pilar, são molhados e unidos. São colo- cados de “ponta cabeça”, deixando-os sob a ação do seu próprio peso ou de um peso suficiente para provocar uma pequena deformação no conjunto. Os fios irão se acomodar a uma posição que corresponde aos caminhos ótimos, de menor esforço. Fotografa-se essa posição e desenha-se o conjunto, agora na posição correta. Esse processo é semelhante ao do funicular, na determinação da melhor forma dos arcos. As imagens a seguir ilustram esse processo. 47 Módulo 5 | Associação de sistemas estruturais em aço Exemplos de uso: 48 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 1 6Galpões em estrutura de aço MÓDULO Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura 2 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Índice - Módulo 6 • 11.1. Elementos estruturais e de vedação que compõem o galpão Estrutura principal • 11.1.2. Coberturas • 11.1.2.1. Coberturas em arcos • 11.1.2.2. Coberturas em treliça de duas águas • 11.1.2.3. Coberturas com lanternins • 11.1.2.4. Coberturas em shed • 11.3. Terças e correntes • 11.4. Telhas • 11.1.3. Contraventamentos Contraventamento horizontal Contraventamento vertical • 11.10. Estrutura de fechamento - longarinas – correntes • 11.11. Pontes rolantes 3 Parte 1 - Galpões em estruturas de aço 10. Galpões de estruturas de aço. Vídeo – Edifícios industriais 10.1. Elementosestruturais e de vedação que compõem o galpão Galpões É nos galpões industriais que a estrutura metálica em aço apresenta sua aplica- ção mais freqüente em nosso país. Tal fato deve-se a exigência de grandes vãos livres, onde a estrutura metálica torna-se solução mais econômica se com- parada à estrutura de concreto armado. As primeiras estruturas das grandes coberturas foram projetadas em madeira, mas a evolução das indústrias e sua multiplicidade de atividades tornaram o risco de incêndio fator decisivo na opção pela estrutura metálica. Os componentes principais de um galpão industrial são: • Estrutura principal • Cobertura : terças e telhas • Fechamento : longarinas e elementos de vedação • Contraventamentos: horizontal e vertical. Estrutura principal A estrutura principal é formada por pórticos com diversas formas. Em função do vão a ser vencido, a estrutura principal pode ser composta por: a) Pórtico Simples. Quando a estrutura principal vence um único vão. Os pórticos simples são relativamente econômicos para vãos até 40 m. Os elementos que compõem o pórtico, vigas e pilares, podem ser de alma cheia, Vierendeel ou treliçados. A opção por uma ou outra solução depende dos vãos e resultados estéticos pre- tendidos. Normalmente para vãos até 10 m, a viga de alma cheia apresenta-se como solução satisfatoriamente econômica. Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço 4 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura b) Pórticos múltiplos Usados quando os espaços a serem cobertos são muito grandes, e não é econô- mico o uso de um único pórtico. São usados para vãos acima de 30m. 10.2. Coberturas em arcos As coberturas em arco são as mais freqüentes por que apresentam grande eco- nomia, principalmente para grandes vãos. Vale lembrar que o arco deve traba- lhar predominantemente à compressão simples, o que dentro da hierarquia dos esforços encontra-se em segundo lugar. Para a composição do arco podemos usar perfis de alma cheia, treliçados e vierendeeel. Destes, sem dúvida, a solu- ção em treliça é a mais econômica, como já foi discutido anteriormente. Tam- bém vale lembrar que para um arco ter um bom desempenho, sua forma deve ser a do antifunicular dos carregamentos predominantes: as cargas gravitacio- nais (peso próprio, telhas, forros, equipamentos, entre outras). Outra questão importante é a dos empuxos, que como já foi visto, podem ser absorvidos por tirantes ou nos pilares. Neste último caso os pilares sofrem flexão apresentando dimensões maiores. 5 Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço Outra possibilidade de cobrir vãos em edifícios industriais é o uso de treliças de duas águas, também denominadas de tesouras. Apesar de mais pesadas que os arcos, a tesoura metálica pode apresentar menor altura, resultando em edi- ficações mais baixas. Usando treliças de duas águas em disposições diferentes da tradicional, ou invertendo-a, pode-se criar soluções de cobertura bastante interessantes. Os perfis utilizados nesta treliças são, normalmente, cantoneiras duplas ou U. Nes- te último caso pode-se evitar o uso de chapas de nó, fixando-se as diagonais e montantes diretamente nos abas do perfil U. 6 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos de Uso: 7 Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço 8 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 10.4. Coberturas com lanternins Quando os espaços cobertos são muito grandes, a iluminação do ambiente, feita apenas pelas laterais, torna-se insuficiente. Neste caso, iluminações inter- mediárias devem ser previstas através do uso do lanternim, que é uma estrutura secundária apoiada na principal e que serve para apoio de caixilhos. O lanter- nim pode ser disposto longitudinalmente e contínuo ou transversalmente e descontínuo. A opção depende das necessidades de ventilação e iluminação. A retirada do ar quente se processa pelo efeito de convecção. Sendo o ar quente mais leve, ele sobe saindo pelo lanternim. O ar frio entra por baixo por aberturas feitas na vedação. Exemplos de uso: 9 Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço 10 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 10.5. Coberturas em shed O shed é um sistema de cobertura muito usado nas indústrias, pois além de permitir a diminuição dos apoios internos, permite excelente nível de ilumi- nação e ventilação do ambiente interno. O sistema de cobertura em shed apresenta dois níveis de estruturas principais portantes: as vigas primárias ou vigas mestras e as vigas secundárias. As vigas secundárias são as que recebem a estrutura de apoio das telhas, portanto devem apresentar a inclinação exigida pelo tipo de telha utilizado. As vigas secundárias podem ser formadas por vigas de alma cheia, vierendeel ou treliçadas, conforme exigência do vão ou opção estética. A viga mestra é o elemento estrutural que apóia as vigas secundárias e trans- mite a carga de toda cobertura para os pilares. A viga mestra pode ser formada por vigas de alma cheia, treliçadas de banzos paralelos ou Vierendeel. As vigas treliçadas serão sempre mais leves e econômicas. É na viga mestra que se fixa o caixilho para iluminação e ventilação do am- biente. No nosso hemisfério a face iluminada do shed (viga mestra) deve ficar voltada para o sul de forma a evitar incidência direta dos raios solares no re- cinto. 11 Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço 12 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 13 Parte 2 - Galpões em estruturas de aço 10.6. Terças e correntes Cobertura Para apoio das telhas e transmissão das cargas à estrutura principal, são usadas vigas que recebem o nome de terças. Se atendidos os vãos econômicos (4 a 6 m), as terças podem ser constituídas de perfis U laminados ou de chapas dobradas. Para vãos maiores são usados perfis l, vigas treliçadas ou, ainda, vigas armadas (viga vagão). A exigência do caimento para telhas faz com que as terças sejam montadas inclinadas. Com isso as cargas que as solicitam provocam esforços de flexão na direção de menor rigidez do perfil. Para evitar a necessidade de aumento de seção nessa direção, o que seria anti-econômico, o vão a ser vencido pelas terças, nessa direção, é diminuído pela colocação de tirantes que recebem o nome de correntes. As correntes podem ser constituídas por barras redondas de ½” de diâmetro ou por pequenas cantoneiras. Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço 14 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos de uso: 15 Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço 10.7. Contraventamentos Vídeo – Contraventamento Vídeo – Contraventamento portico nó enrijecido 1 Vídeo – Modelo de contraventamento Vídeo – Contraventamento portico com diagonal Vídeo – Posições de contraventamento horizontal Vídeo – Posições de contraventamento vertical Vídeo – Posições de contraventamento em 3 planos Vídeo – Contraventamento em estruturas verticais Vídeo – Contraventamento em estruturas verticais c diagonais Vídeo – Contraventamento em estruturas verticais c enrijecedor Vídeo – Contraventamento em estruturas 2 modelos Contraventamentos Um elemento estrutural importante e que muitas vezes não é considerado no projeto de arquitetura, e que pode provocar surpresas ao arquiteto, é o contra- ventamento. Sendo o aço um material muito resistente, as peças estruturais re- sultam muito esbeltas. O que por um lado é uma grande vantagem, por outro pode se apresentar como um inconveniente. Como as estruturas metálicas são muito esbeltas, apresentam grande instabilidade. Mesmo quando não sujeitas a esforços de vento, podem apresentar deformações indesejáveis fora dos planos dos esforços principais. Para travar a estrutura seja pela atuação do vento, seja por efeito de flambagem ou da própria falta de rigidez do conjunto estrutural, são usados os denominados contraventamentos. Os contraventamentos podem ser usados temporariamente, durante a monta- gem da estrutura, ou definitivamente. Como nunca se sabe em que direção poderá ocorrer o deslocamento do con- junto estrutural,o contraventamento deverá garantir a imobilidade em todas as direções. Para que ele não se torne um elemento pesado, tanto do ponto de vista visual como físico, deve-se, sempre que possível, fazer com que trabalhe a tração axial (o mais favorável dos esforços). Em vista disso a maneira mais simples de concebê-lo é na forma de um X, pois dessa forma, em um ou outro sentido, as barras que compõem esse X estarão submetidas à tração. A estabilização da estrutura deverá ser garantida tanto no plano horizontal como no vertical. No caso da cobertura do galpão a estabilização horizontal, é dada pela criação de contraventamento no plano inclinado da cobertura. 16 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Contraventamento horizontal O contraventamento horizontal é composto pelas barras em X, pelo banzo superior das tesouras e pelas terças. Esse conjunto forma uma grande treliça de banzos paralelos que é responsável por levar qualquer força horizontal para os pilares. Longe da região do contraventamento, as forças horizontais, devidas aos des- locamentos fora do plano da estrutura principal, são transmitidas a ele pelas terças. Se a distância entre contraventamentos for muito grande a eficiência de transmissão de forças pelas terças fica muito prejudicada, pois elas ficam muito longas. Para maior eficiência os contraventamentos horizontais deverão ser previstos com afastamentos convenientes. A experiência mostra que, colocados a cada três ou quatro pórticos, os contraventamentos mostram-se eficazes. Em outras palavras: os contraventamentos não devem ser afastados mais que 25 m. 17 Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço Exemplos de uso: 18 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Contraventamento vertical Os contraventamentos horizontais são necessários, mas não suficientes. As for- ças horizontais que chegam nos pilares devem ser transmitidas às fundações. Para isso são previstos contraventamentos verticais executados no plano verti- cal e entre pilares. Quando a locação do contraventamento vertical prejudicar a circulação, a for- ma em X poderá ser substituída por um pórtico treliçado. Esta solução, no entanto, será sempre mais cara que a anterior. O arquiteto deverá estar sempre consciente da necessidade desse contraventamento para que possa, se houver interesse, tirar proveito estético dele. Exemplos de uso: 19 Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço 20 Parte 3 - Galpões em estruturas de aço 10.9. Telhas Para cobertura do galpão poderão se previstos diversos tipos de telhas. O uso de telha de barro, em princípio, não é o mais indicado devido ao seu grande peso, no mínimo o dobro de outros tipos de telhas. Apesar disso, soluções de coberturas em estruturas metálicas com telhas de barro resultam em soluções estética e ambientalmente agradáveis. As telhas mais comumente usadas na cobertura de galpões são: • telhas metálicas em aço ou alumínio. • telhas de PVC. • telhas de fibras vegetais As telhas de fibras vegetais têm desenho semelhante às telhas de fibrocimento, hoje pouco usadas por suspeita de provocarem problemas de saúde. São for- necidas em diversas cores. Têm contra si a necessidade de grande número de terças, pois devido à sua pouca rigidez e resistência não vencem vão superior a 50 cm. Atualmente as telhas de aço são as mais usadas, por apresentarem dimensões que agilizam a montagem do telhado. Por serem de aço apresentam a possibi- lidade de deterioração, o que é solucionado com o uso de telhas galvanizadas, plastificadas ou pré-pintadas. São mais leves que as de fibrocimento e com possibilidade de vencerem vãos bem maiores, o que pode representar uma economia no uso de terças. Apresenta como desvantagem o alto índice de transmissão de ruídos e calor. Esse problema pode ser minimizado com o uso de telhas “sanduíche”, com material isolante entre elas, o que, por outro lado, aumenta o seu custo. Entretanto, no computo geral, considerando-se custos in- diretos de refrigeração ao longo da vida útil da edificação, as telhas isotérmicas tem se mostrado muito competitivas e até mais econômicas. 21 Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço As telhas de alumínio apresentam como grande vantagem seu baixo peso. Quanto ao aspecto de conforto valem as observações feitas para as telhas de aço. As telhas de alumínio não devem entrar em contato direto com peças de aço, devido ao processo de corrosão eletrolítica que acontece entre os dois materiais. Novos tipos de aço, revestidos de alumínio e zinco, comercializados como galvalume, zincalume, entre outros, são alternativas às telhas de alumínio, sen- do mais baratas e mais resistentes. (para saber mais: www.55alzn.com) As telhas de PVC, por serem translúcidas são usadas, exclusivamente, quando há necessidade de aumento de área de iluminação natural. Perfilação da telha no local 22 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Montagem do telhado Montagem com telhas isotérmicas 23 Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço Telha isotérmica 24 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Montagem de telha zipada 25 Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço Maquina de zipar de telhas Vista geral 26 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Telha multi-dobra Telha multi-dobra - instalação 27 Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço 10.10. Estrutura de fechamento - longarinas – correntes Fechamentos laterais Os fechamentos dos galpões industriais podem ser feitos com: • alvenaria de tijolos, blocos cerâmicos ou de concreto • telhas metálicas • painéis sanduíche metálicos • painéis pré-moldados de concreto armado. • painéis pré-moldados de argamassa armada. As alvenarias, principalmente de blocos, são normalmente utilizadas como complemento das vedações com telhas. Neste caso a alvenaria fecha o edifí- cio até uma altura em torno de 2 m e o restante é fechado com telha. Entre as telhas e a alvenaria é deixado um vão para penetração do ar externo para ventilação do ambiente. Devido ao comportamento diferenciado entre a alvenaria e o aço, alguns cui- dados especiais devem ser observados nas regiões de contato entre esses ma- teriais. O uso de uma alvenaria autoportante, totalmente independente da estrutura metálica, quando possível, é a melhor solução. Quando o fechamento lateral for constituído por telhas metálicas há a neces- sidade de se criar uma estrutura para apoiá-las. Essa estrutura tem a função de suportar as cargas verticais do peso próprio das telhas e as cargas horizontais devidas ao vento. Para essa função são usadas vigas constituídas de perfis “U” laminados ou de chapa dobrada. As vigas são posicionadas na horizontal visando maior resistência aos efeitos do vento. Na direção vertical os vãos são diminuídos pelo uso de correntes (tirantes) verticais. O uso de painéis de argamassa armada, devido ao seu baixo peso e grande resistência, é uma solução bastante promissora como elemento de vedação das estruturas metálicas. Mais promissores ainda são os painéis sanduíche metálicos, com enchimen- tos em pur ou pir. Por se constituírem de elementos industrializados, com grande qualidade de acabamento e velocidade de montagem compatível com a estrutura de aço, tem as vantagens de serem isotérmicos. E, com o uso de aços pré-pintados, tem ainda grande durabilidade e não necessitam de pintura adicional. 28 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplos de uso 29 Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço 30 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 10.11. Pontes rolantes Ponte rolante Quando o uso do galpão exigir deslocamento de produtos dentro do seu es- paço, deverá ser prevista a existência de talhas ou pontes rolantes. Para isso a estrutura principal do galpão (pórtico) deverá ser projetada para os grandes es- forços oriundos desses equipamentos. As frenagens longitudinais e transversais, que correspondem 1/7 a 1/10 da carga da ponte rolante, respectivamente, po- dem introduzir esforços muito grandesnos pilares, principalmente de flexão. Com isso os pilares dos pórticos passam a apresentar dimensões variáveis, com seção mais robusta até o nível da ponte rolante e menor daí até a cobertura. Ponte rolante 31 Módulo 6 | Galpões em estrutura de aço As vigas que apóiam a ponte rolante, e que vencem o vão entre os pilares do pórtico, são chamadas vigas de rolamento. Devido às grandes cargas que su- portam e ao vão que vencem, as vigas de rolamento apresentam grande altura e são normalmente executadas em perfil de chapas soldadas. Para se evitar torção, nessas vigas, devido à força de frenagem transversal, deve ser prevista ao nível da mesa superior, uma viga horizontal, de alma cheia ou treliçada, que irá transferir a força horizontal diretamente aos pilares do pór- tico. Dependendo do tipo e capacidade das pontes rolantes, são exigidas medidas especiais, necessárias para o bom desempenho do equipamento e que deverão ser rigorosamente seguidas pelo projeto de arquitetura. Em vista disso, reco- menda-se que sejam cuidadosamente consultados os catálogos dos fabricantes das pontes para obtenção dessas medidas. Exemplos de uso: 1 7Edifícios residenciais e comerciais em Aço MÓDULO Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura 2 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Índice - Módulo 7 12. Edifícios residenciais e comerciais em aço 12.1. Elementos estruturais e de vedação que compõem o edifício - 12.1.1. Plano horizontal - 12.1.1.1. Estrutura do piso • Critérios para uso de lajes • Lajes maciças de concreto armado, moldadas “in-loco” • Lajes pré-fabricadas mistas • Lajes “steel-deck” • Painéis pré-fabricados de concreto protendido • Painéis de concreto auto clavado (sical, siporex, etc) • Painéis mistos de fibrocimento e madeira (wall, etc) • Chapas metálicas - 12.1.1.2. Estrutura de apoio do piso • Critérios para uso do vigamento. • Soluções econômicas para estruturas de piso - 12.1.1.3. Contraventamento horizontal - 12.1.2. Plano vertical • Critérios para locação dos pilares - 12.1.2.2. Contraventamentos verticais - critérios de uso - 12.1.1.3. Vedações – interfaces • Tipos de Vedações. • Detalhes de interface entre as alvenarias de vedação e a estrutura metálica. 13. Estrutura de Aço de Edifícios Altos • Estrutura dos edifícios altos. 14. Consumo Médio de Aço nas Diversas Aplicações 3 Parte 1 - Edifícios residenciais e comerciais em Aço 11. Edifícios residenciais e comerciais em aço Vídeo: edifícios comerciais e residenciais Edifícios residenciais e comerciais em aço Somente há poucos anos, o uso da estrutura metálica para esses tipos de edi- fícios, vem sendo mais intensamente implementado. Muito desconhecimento ronda a execução dos projetos, devido, principalmente, à falta de experiência brasileira nesse campo. O Brasil ainda não tem um domínio satisfatório das interfaces entre a execução de concreto armado e de aço. Muitos são os erros de compatibilidade entre esses materiais, devido, principal- mente, à grande diferença de precisão entre a execução de um e outro. É um desafio que precisa ser enfrentado. Nos países mais adiantados o uso do aço nos edifícios não industriais ocorre há décadas, tornando esse material extrema- mente competitivo, ocorrendo situações em que o uso do concreto torna-se totalmente antieconômico em relação ao aço. É o caso dos edifícios com mais de dez andares onde o uso do aço apresenta-se mais econômico. No Brasil ainda não chega a ser assim, mas, sem dúvida nenhuma, se a opção urbanística for pela grande verticalização, edifícios com mais de 50 andares poderão ser mais econômicos em aço. O usuário brasileiro, e mesmo os profissionais da área, ainda não se acostu- maram com a linguagem estética do aço e muitos tendem a transferir para o aço formas e detalhes comuns ao concreto armado, tornando a solução cara. Espera-se que uma discussão mais ampla sobre o assunto com profissionais ligados à área, principalmente o arquiteto, o gerador inicial da estrutura, possa levar a uma aplicação mais adequada e em maior escala das estruturas em aço, mesmo para as edificações de pequeno porte. Um dado bastante sintomático dá conta de que 75 % dos edifícios executados no Brasil são residências uni- familiares. Destes, apenas 1 % é executado em aço. Há, portanto, muito ainda que se fazer neste segmento. Os edifícios baixos e os altos apresentam a mesma solução estrutural quanto aos seus planos horizontais (lajes e vigas). A diferenciação ocorre nos planos verticais, onde soluções especiais devem ser previstas para os edifícios altos, devido às forças horizontais do vento. Módulo 7 | Edifícios residenciais e comerciais em Aço 4 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Para uma análise mais organizada, a estrutura do edifício será dividida em plano horizontal e vertical. O primeiro abrange as lajes, vigas e o contraventa- mento horizontal, o segundo os pilares e o contraventamento vertical. 11.1. Elementos estruturais e de vedação que compõem o edifício Plano horizontal Sendo a construção metálica um processo de pré-fabricação, a repetição de elementos estruturais é um fator de simplificação e de economia na execução da estrutura. Para isso é necessário que os projetos arquitetônicos prevejam algum tipo de modulação. Isso não implica na necessidade de projetos extre- mamente fechados. A prova disso é que, apesar dessa necessidade de modulação, há uma infinidade de obras que apresentam soluções muito ricas e criativas. O módulo é a base sobre a qual podemos, sem receios, introduzir jogos de planos horizontais e verticais, elementos curvos e inclinados, mantendo a pos- sibilidade de soluções bastante ricas. Modulação nada tem a ver com pobreza de solução. O módulo fundamental, internacionalmente conhecido é de 10 cm ou 100 mm. A partir desse módulo são criados os multimódulos de 300 e 600mm e os submódulos, que são obtidos pela divisão do módulo por um número inteiro qualquer. O multimódulo maior, de 600 mm é, apropriado para ser usado como base do reticulado do qual se originará o projeto em aço. Matematica- mente o número 600 é apropriado para subdivisões, pois contém um número exato de vezes os números primos (600 = 2³ x 3 x 5²), portanto admite muitos divisores. Além disso, peças de 10 x 600 mm = 6 m de comprimento apresen- tam facilidades de transporte e manuseio. 11.2. Elementos de piso Critérios para uso de lajes Em uma estrutura metálica podem ser usados os seguintes tipos de laje: - lajes maciças de concreto armado, moldadas “in-loco” - lajes pré-fabricadas mistas - lajes de concreto com forma metálica incorporada – conhecido como “steel- deck” - painéis pré-fabricados de concreto protendido - painéis de concreto auto clavado (sical, siporex, etc) - painéis mistos de fibrocimento e madeira (wall, etc) - chapas metálicas - Lajes maciças de concreto armado, moldadas “in-loco” As lajes maciças são usadas, com vantagem econômica, quando puderem ser incorporadas às vigas metálicas, formando, com estas, seções mistas de concre- to e aço, aproveitando o comportamento mais adequado de cada material, o concreto trabalhando a compressão e o aço a tração. Durante a execução da laje, as vigas metálicas podem eliminar a necessidade de cimbramento da laje enquanto não curada, pois a forma da laje pode ser apoiada diretamente nos perfis metálicos. Essa solução permite que sob a laje possam ocorrer outros tipos de atividades enquanto ela não estiver curada, 5 Módulo 7 | Edifícios residenciais e comerciais em Aço aumentando a velocidade de execução da obra. Para que se possa usufruir das vantagens da laje maciça é necessário que ela seja apoiada em um vigamento mais denso, com espaçamentos entre 1,5 e 4 m. Para maiores espaçamentos a solução com laje maciça deixa de ser vantajosa. Lajes pré-fabricadas mistas A laje pré é pouco utilizada em obras de maior porte ou em edifícios verti- calizados, pois não apresentaas vantagens de incorporação às vigas metálicas. Frente ao aço, seu uso torna-se muito artesanal. Por outro lado em obras re- sidenciais ela tem um uso bastante corriqueiro, principalmente pela questão econômica. O tipo de laje pré mais interessante para uso em estruturas metálicas é a de- nominada “pré laje”. Essa laje é composta de vigotas semelhantes às das lajes pré-moldadas convencionais, havendo apenas a eliminação das lajotas de en- chimento entre as vigotas. Isso permite que as vigotas possam ser dispostas lado a lado, resultando que após o enchimento da capa de concreto a laje torne-se maciça, possibilitando, inclusive, armação em duas direções. Esse tipo de laje pode ser incorporado ao perfil de aço para obtenção de vigas mistas. 6 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Exemplo: 7 Módulo 7 | Edifícios residenciais e comerciais em Aço Lajes “steel-deck” A laje de concreto, com forma metálica incorporada, mais conhecida por “steel-deck”, é uma solução cujo uso tem sido bastante difundido. Para sua execução usa-se uma forma metálica trapezoidal, com capacidade de suportar o concreto ainda fresco, em vãos de até 4m, diminuindo a necessidade de cim- bramentos. A forma metálica desempenha além da função de forma a função de armação da laje, compondo com o concreto uma laje nervurada. A forma metálica pode vir pintada em diversas cores, não necessitando de acabamento posterior. Sobre a forma é lançado concreto para completar a altura final da laje. Essa laje também pode ser incorporada à viga metálica para a composição de vigas mistas. 8 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Painéis pré-fabricados de concreto protendido Os painéis de lajes pré-moldados protendidos têm um uso muito freqüente devido à sua rapidez de execução e aos grandes vãos que podem vencer. Essas lajes não permitem sua incorporação às vigas metálicas. Exigem espaço, nem sempre disponível, para estacionamento do equipamento de lançamento. O uso dessa laje permite que aproximadamente 250 m² possam ser executados por dia. Forma de instalação: 9 Módulo 7 | Edifícios residenciais e comerciais em Aço Painéis de concreto auto clavado (sical, siporex, etc) Os painéis de concreto celular autoclavado são muito interessantes, pois são leves e podem vencer vãos de até 4m, sem qualquer cimbramento e sem capa de concreto. Painéis mistos de fibrocimento e madeira (wall, etc) Os painéis de fibrocimento e chapas metálicas exigem um grande número de vigas (espaçamento em torno de 1m), já que não são adequados para vencerem grandes vãos. São usados quando se tem a necessidade de grande agilidade na execução, pois apresentam dimensões reduzidas e são muito leves. Normal- mente esses painéis são aplicados em obras de pequeno porte e em locais de acesso limitado. 10 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Chapas metálicas As chapas metálicas não são recomendadas para locais onde o ruído seja pre- judicial ao ambiente. A laje ideal Concluindo, a escolha do tipo ideal de laje é função do processo construtivo, prazos, custos e até mesmo de necessidades estéticas. 11 Parte 2 - Edifícios residenciais e comerciais em Aço Módulo 7 | Edifícios residenciais e comerciais em Aço 11.3. Estrutura do piso Critérios para uso do vigamento O lançamento do vigamento está ligado à escolha do tipo de laje. Um critério fundamental é que a estrutura resulte em menor altura total de piso, o que significa menor altura do edifício e, portanto, em menor despesa com materiais de acabamento e com a própria estrutura. Basicamente, têm-se três tipos de vigas: as vigas principais, as vigas secundárias e as terciárias. As vigas secundárias apoiam-se nas principais e as terciárias na- quelas. As vigas principais transmitem a carga do piso para os pilares. A necessi- dade de existência ou não de vigas secundárias e terciárias, além de estar ligada ao tipo de laje, está também ligada à disposição dos pilares em planta. 12 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Os painéis de laje alveolar protendida, por exemplo, podem prescindir das vi- gas secundárias, apoiando-se, diretamente, nas vigas principais. A direção das vigas principais é definida pela possibilidade de disposição dos pilares. A direção onde pode haver maior quantidade de pilares, é a direção em que se desenvolve o vigamento principal. Nem sempre essa direção é única e as vigas principais podem não necessariamente estar numa única direção. De maneira geral pode-se dizer que o vigamento será mais econômico quanto mais curto for o caminho de uma carga ao pilar. Em edifícios onde pilares internos são arquitetonicamente indesejáveis, o uso de uma única ordem de vigas é mais econômico. Nesse caso pode-se usar um vigamento transversal apoiado diretamente sobre os pilares de fachada, sem a necessidade de outras vigas. O espaçamento econômico entre estas vigas situa-se entre 1,5 e 3 m. Para esta situação, pode ser econômico o uso de vigas com vãos de até 20m. O uso de pilares mais próximos facilita a execução da caixilharia, que poderá ser fixada diretamente na estrutura, dispensando o uso de outros elementos. Quando a arquitetura permitir a existência de pilares internos ao edifício, e quando, ainda, for necessária grande distância entre pilares, em ambas as direções, pode-se usar duas ordens de vigamentos, ou seja: vigas principais e secundárias. O espaçamento entre as vigas secundárias é definido pelo tipo de laje usado, sendo que são também econômicos espaçamentos entre 1,5 e 3 m. Como as vigas secundárias são sempre menos carregadas que as principais cabe a elas vencerem os vãos maiores dos retângulos formados pelos pilares. Com isso tem-se uma solução mais econômica. São econômicos vãos de 6 a 12 m para as vigas principais e de 7 a 20 m para as vigas secundárias. É interessante que o eixo de algumas vigas secundárias coincidam com os ei- xos dos pilares, para que o travamento do edifício se torne mais eficiente. Sempre que possível, as vigas secundárias devem ser colocadas no mesmo nível das principais, o que resulta em uma menor espessura da estrutura do piso. Nos edifícios, onde as tubulações de serviço são intensas e grandes, pode-se optar por colocar as vigas secundárias sobre as principais, liberando espaço para a passagem das tubulações. Nos edifícios de grande largura tornam-se econômicos espaçamentos maiores para as vigas secundárias, o que exige, para não aumentar o vão das lajes, uma terceira ordem de vigas, as vigas terciárias. Piso com o vigamento em 1 direção Piso com o vigamento em 2 direções 13 Módulo 7 | Edifícios residenciais e comerciais em Aço As vigas podem ser de alma cheia, vierendeel, vierendeel alveolar ou treliçada. As três últimas são utilizadas quando há necessidade da passagem de tubulação no espaço ocupado pela sua altura. Lembrar que a viga de alma cheia tem sempre menor altura que as demais. Como já comentado, a laje maciça de concreto armado pode ser incorporada às vigas metálicas, resultando nas vigas mistas, o que proporciona uma altura do perfil menor do que aquela que se obteria se trabalhassem isoladamente. Para garantir o comportamento conjunto entre laje e perfil da viga mista, evitando deslizamento entre as duas superfícies, devido à força cortante, deve ser prevista uma ligação adequada entre eles. Essa ligação é feita através de cantoneiras ou conectores soldados na mesa superior do perfil. Sendo os elementos de concreto armado de menor custo que os de aço, pode- se dizer que de maneira geral em um piso, deve-se projetar lajes com vãos maiores e vigas mais espaçadas, para diminuir o consumo de aço. Soluções econômicas para estruturas de piso 11.5. Contraventamento horizontal Plano Horizontal Como foi anteriormente comentado, os edifícios com estrutura em aço, inde- pendentemente de suas dimensões e devido à sua pouca rigidez, necessitam ser contraventados (travados), tanto no plano horizontal como vertical.As lajes maciças ou pré-moldadas, quando convenientemente ligadas ao vi- gamento, comportam-se como placas horizontais de grande rigidez que dão conveniente travamento ao edifício em seu plano horizontal. Piso com vigamento em 2 direções e vigas intermediárias transversais 14 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Caso a ligação laje-viga não for adequada será necessário criar um contraven- tamento metálico entre as vigas. Esses contraventamentos devem ser executa- dos na forma de X para que qualquer que seja o sentido do deslocamento as barras funcionem a tração. Para diminuir o peso da estrutura, os perfis que constituem as barras do con- traventamento devem ser barras redondas ou cantoneiras. Plano vertical Critérios para locação dos pilares. De modo geral, os espaçamentos econômicos entre pilares estão entre 6 e 18 m. Outro critério que pode determinar a locação dos pilares é a necessidade do contraventamento vertical da estrutura. Dependendo da altura do edifício e para aumentar sua rigidez, pode ser necessária a execução de pilares com es- paçamentos menores. Contraventamento vertical O contraventamento vertical representa, muitas vezes, um elemento de difícil adaptação à arquitetura. Por isso é necessário ser previsto na concepção do projeto arquitetônico, quando se pode, inclusive, usá-lo como elemento esté- tico. Constituem-se elementos possíveis de serem usados como contraventamento vertical: • paredes de alvenaria • paredes de concreto • aporticamento entre pilares e vigas • X metálico Para um adequado enrijecimento da estrutura metálica são necessários no mínimo três planos de contraventamentos verticais, não permitindo que sejam concorrentes em um mesmo vértice. 15 Módulo 7 | Edifícios residenciais e comerciais em Aço Apesar de possível, o uso das paredes de alvenaria como contraventamento não é recomendado em vista de sua possível eliminação quando de reformas. As paredes de concreto, mais permanentes, são mais usadas, principalmente em edifícios altos. Especial atenção deve ser dada ao processo construtivo, pois a diferença de velocidade de execução dos dois materiais, quando não levado em conta, pode provocar atraso na execução da estrutura metálica. As paredes de concreto podem formar o denominado núcleo rígido. Este núcleo de concreto pode ser constituído das áreas de caixas de elevadores e escadas, que, se construído com formas deslizantes, acompanha melhor a velo- cidade de estrutura de aço. O aporticamento e o contraventamento em X são outras formas de enrijecer a estrutura. São normalmente as mais usadas. O aporticamento consiste em enrijecer a ligação entre vigas e pilares, dimi- nuindo a deslocabilidade da estrutura. Os pórticos, entretanto, não tornam a estrutura totalmente indeslocável, com isso os pilares passam a apresentar um comprimento real de flambagem maior que à distância entre as vigas dos pavimentos contíguos, o que se traduz na necessidade de pilares de maiores dimensões, aumentando o custo da estrutura. Além disso, os pórticos são es- truturas que apresentam momento fletor nos pilares, o que tende a aumentar ainda mais o seu custo. O uso do contraventamento em X é bem mais econômico que o pórtico. Por outro lado, cria barreira formada pelo X, o que muitas vezes impede o seu uso. Enfim, a decisão pelo uso do tipo mais adequado de contraventamento vertical ficará, sempre, na dependência das possibilidades arquitetônicas, econômicas e construtivas. 16 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura 11.7. Vedações – interfaces Vedações As vedações utilizadas nas construções metálicas devem ter como premissa, leveza e agilidade de execução, propriedades típicas das estruturas metálicas. O uso de alvenarias de tijolos maciços e blocos de concreto ou cerâmico resultam em soluções muito interessantes esteticamente, mas de certa forma não coerente com o peso e velocidade construtiva da estrutura metálica. Caso opte-se por esse tipo de alvenaria, cuidados especiais deverão ser adotados para que as ligações entre os dois materiais minimizem os efeitos do comporta- mento diferenciado entre eles. Duas são as posturas que podem ser tomadas: ou se opta por uma ligação bastante íntima entre os dois materiais, com o uso de esperas deixadas nas peças metálicas ou se assume sua total separação. Atenção especial deve ser dada às vedações externas, onde as ligações entre alvenaria e aço, mesmo que bem executadas, podem, devido ao efeito das in- tempéries, apresentar fissuras, que mesmo não visíveis, são pontos de passagem de umidade, que resultam não só em prejuízos estéticos, como também na diminuição da vida útil da estrutura. O uso de rufos e/ou materiais selantes, pode apresentar bons resultados. Para as estruturas metálicas é mais interessante a utilização de painéis leves e de rápida aplicação tais como placas de concreto celular autoclavado, painéis de placas cimentícias estruturados sobre grelha metálica, de madeira com en- chimento de isopor, de fibrocimento com enchimento de madeira; os “dry wall” que são painéis de gesso aplicados sobre nervuras metálicas, painéis de concreto reforçado com fibras de vidro (GFRC) e painéis de concreto con- vencional. O painel GFRC por ser feito de material bastante plástico e permite efeitos semelhantes aos painéis moldados de fibras de vidro e outros plásticos. São usados principalmente para composição de fachadas. O “dry wal” é indicado para divisões internas. Detalhes de interface entre as alvenarias de vedação e a estrutura metálica. As alvenarias apresentam respostas bem diferentes às da estrutura metálica às questões de variação de temperatura e umidade do ambiente. Por isso as de- formações diferenciais entre os dois materiais podem causar resultados desa- gradáveis, como trincas e descolamentos, entre outros. Para minimizar esses problemas devem ser previstas algumas medidas como as que são mostradas a seguir: 17 Módulo 7 | Edifícios residenciais e comerciais em Aço a) Ligação da base da alvenaria externa com vigas metálicas. b) Ligação do topo das alvenarias com as vigas metálicas. 18 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura c) Ligação dos pilares com as alvenarias d) Perfis incorporados às alvenarias 19 Módulo 7 | Edifícios residenciais e comerciais em Aço Parte 3 - Edifícios residenciais e comerciais em Aço Estruturas de Aço em Edifícios Altos Para o estudo de edifícios altos vamos utilizar a apostila desenvolvida pelo Prof. Aloizio Fontana Margarido, O uso do Aço na Arquitetura, cujo capítulo 10 trata deste assunto. 20 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Mezaninos Supõem-se sobrecarga entre 300 e 500 Kgf/m² Área Consumo médio de aço qualquer área 35 a 45 kgf/m² Edifícios Supõem-se vãos entre 6,0 e 8,0 m Nº de pavimentos Consumo médio de aço até 3 pavimentos 30 a 45 kgf/m² de 3 a 10 pavimentos 40 a 45 kgf/m² Galpão Supõem-se pé direito de 6 m Vãos (m) Consumo médio de aço 10 a 12 m 10 kgf/m² 12 a 15 m 12 a 14 kgf/m² 15 a 20 m 14 a 18 kgf/m² 20 a 30 m 18 a 22 kgf/m² 30 a 40 m 20 a 25 kgf/m² * Nos galpões em arco prever de 10 % a menos de consumo Treliças espaciais Modulação Consumo médio de aço Módulo de 20 x 20 m 18 kgf/m² Módulo de 25 x 25 m 20 kgf/m² Módulo de 30 x 30 m 25 kgf/m² CONSUMO MÉDIO DE AÇO EM DIVERSAS APLICAÇÕES Este item tem como objetivo fornecer informações que possam ser úteis na previsão e avaliação do consumo de material nas estruturas metálicas. É importante salientar que os valores aqui fornecidos podem ser alterados em função de características especiais de cada projeto, mas serve de base para uma avaliação rápida de um empreendimento, baseado em valores médios. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas MÓDULO 1 Porque é necessário o tratamento anti-corrosivo das estruturas de aço? Apesar de este curso ter como foco os sistemas estruturais em aço,em ultima instância, estamos lidando com algumas características inerentes ao material aço e que podem interferir, tanto reduzindo sua resistência mecânica, com a perda de material por corrosão, como quanto em relação a redução do tempo de vida útil, pelo mesmo motivo. A obtenção do aço, a partir do minério, exige que sejam incorporadas grandes quantidades de energia para a sua purificação e conformação. Entretanto, a tendência natural é que ocorram reações químicas que o levem de volta ao seu estado de menor energia, que é a forma de óxido. Estas reações ocorrem pelo contato do oxigênio com o aço base, formando o óxido de ferro, normalmente usando o meio aquoso. Se este contato não ocorre, não há o processo de corrosão. Felizmente, existem diversas formas de se proteger o aço de tal forma que se possa controlar a corrosão. Tanto isto é verdade, que cada vez mais países vem utilizando estruturas de aço em volumes crescentes e temos inúmeros exemplos de estruturas longevas, com mais de 200 anos. A Inglaterra, uma ilha, é o país onde há a maior incidência de construções em estruturas de aço, chegando a 70%. Os países asiáticos também apresentam um crescimento expressivo do uso de sistemas industrializados de construção em aço. Assim sendo, devido a importância deste tema, convidamos o Prof. Fabio Domingos Panonni, Phd., reconhecidamente uma das autoridades nacionais neste assunto, para apresentar este módulo. Apresentação do Prof. Fabio Domingos Panoni O Prof. Fabio Domingos Panonni é reconhecido como um dos grandes especialistas nacionais em proteção contra corrosão e proteção contra incêndio de estruturas de aço. O Prof. Panonni formou-se em Química, no Instituto de Química da U.S.P. Começou sua carreira profissional como trainee na Cosipa, na área de desenvolvimento de novos aços, e tornou-se um especialista nas técnicas de controle da corrosão metálica, no desenvolvimento de novas famílias de aços (especialmente aqueles resistentes à corrosão atmosférica). Com Mestrado em Engenharia Metalúrgica e Doutorado em Engenharia de Materiais, ambos na Escola Politécnica da U.S.P. , fez ainda Especialização em Engenharia Civil na University of Sheffield e em Engenharia Química , na University of Leeds , ambas na Inglaterra. Foi agraciado com diversos prêmios como: “PRÊMIO JOVEM CIENTISTA” em 1998, “PRÊMIO GOVERNADOR DO ESTADO” em 1999, entre outros. É autor de diversos trabalhos acadêmicos sobre metalurgia e corrosão, além de ter longa experiência prática em usinas siderúrgicas e no mercado da construção civil. É Professor da Disciplina "ES-002 - Tecnologia de Materiais e Durabilidade" do Curso de Especialização intitulado "Gestão de Projetos de Sistemas Estruturais", oferecida pelo Programa de Educação Continuada em Engenharia (PECE) da Escola Politécnica da USP (www.pece.org.br). É também autor de mais de 60 artigos técnicos publicados em Seminários, Congressos e Periódicos nacionais e internacionais. Desde 2001 é Assessor Técnico do Grupo Gerdau, na Gerdau Açominas. 2 Módulo 8 - Proteção contra Corrosão em Estruturas de Aço Tópicos deste módulo Proteção contra Corrosão Introdução 1. Definição e importância 2. Formas mais comuns de ataque 3. Fundamentos da Corrosão: O mecanismo eletroquímico 4. Classificação de ambientes 5. A escolha de um sistema de proteção 6. Cuidados no projeto da estrutura de aço 6.1. Acessibilidade 6.2. Tratamento de frestas 6.3. Precauções para prevenir a retenção de água e sujeira 6.4. Tratamento de seções fechadas ou tubulares 6.5. Tratamento de arestas 6.6. Prevenção da Corrosão Galvânica I 6.7. Prevenção da Corrosão Galvânica II 7. Aços patináveis 8. Pintura e preparo de superfície 8.1. A importância da limpeza superficial 8.2. Formas de preparo de superfície 8.3. Introdução as tintas 8.4. Escolha de um sistema de pintura I 8.5. Escolha de um sistema de pintura II 9. Galvanização a fogo 9.1 - Descrição do método 9.2 - Como o zinco protege o aço 9.3 - Durabilidade Bibliografia Em função do tamanho dos arquivos, o módulo 8 foi dividido em 14 partes. Cada uma delas é um arquivo autoexecutável, que deve ser baixado para o computador do aluno, de onde poderá ser visualizado e salvo. Com este expediente evitaremos o problema de velocidade de execução de vídeos via internet, com suas interrupções constantes, para descarregamento de dados. A tela do vídeo tem dois botões que permitem avançar ou recuar, dentro do vídeo em exibição. Além disso, este pdf esta disponível como apoio complementar, entretanto, sem o vídeo. Devido a algumas tabelas e imagens adicionais que não estão inclusas no vídeo, recomendamos fazer o acompanhamento em paralelo a exibição dos vídeos. Parte 1 - (18.86 Mb) Parte 2 - (26.89 Mb) Parte 3 - (14.05 Mb) Parte 4 - (13.21 Mb) Parte 5 - (14.04 Mb) Parte 6 - (9.52 Mb) Parte 7 - (17.69 Mb) Parte 8 - (13.37 Mb) Parte 9 - (9.31 Mb) Parte 10 - (9.51 Mb) Parte 11 - (30.21 Mb) Parte 12 - (18.75 Mb) Parte 13 - (10.79 Mb) Parte 14 - (14.92 Mb ) Partes componentes do módulo Nota: Este recurso somente esta disponível para download no ambiente do curso. 3 Página em branco4 Introdução, Definição e importância Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas Módulo 8 Prof. Fabio Domingos Pannoni Ph.D. 6 Corrosão pode ser definida como sendo o conjunto de reações entre um material (usualmente um metal) e seu ambiente, que produz deterioração do material e de suas propriedades. Introdução Custo da corrosão País Ano Custo (USD x 109) % PIB Índia 1961 0,32 - Alemanha Ocidental 1969 6,0 3,0 URSS 1969 6,7 2,0 Reino Unido 1970 3,2 3,5 Austrália 1973 0,55 1,5 Estados Unidos 1975 70,0 4,2 Estados Unidos 2002 276 3,2 www.corrosioncost.com Termodinâmica x cinética 7 Introdução The Ironbridge Abraham Darby III (1779) 8 Introdução 9 Torre Eiffel Gustave Eiffel (1889) Introdução 10 Aeroporto Francisco Sá Carneiro Rem Koolhaas (2006) Introdução Fundamentos da Corrosão Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas Módulo 8 Existem muitas formas de ataque! 12 Fundamentos da Corrosão Corrosão atmosférica (corrosão uniforme) 13 O mecanismo eletroquímico Fundamentos da Corrosão O que afeta a velocidade de corrosão? Tempo de umedecimento Poluentes atmosféricos: Cl- e SO2 14 O mecanismo eletroquímico Fundamentos da Corrosão Classificação dos Ambientes Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 8 16 Classificação dos Ambientes Agressividade ambiental (ISO 9223:1992) 17 Agressividade Exemplos de ambientes típicos Exterior Interior C1 Muito baixa - Edificações aquecidas, com atmosferas limpas (escritórios, lojas, escolas, hotéis) C2 Baixa Atmosferas com baixo nível de poluição. A maior parte das áreas rurais Edificações sem aquecimento, onde a condensação é possível (armazéns, ginásios cobertos, etc.) C3 Média Atmosferas urbanas e industriais com poluição moderada por SO2. Áreas costeiras de baixa salinidade Ambientes industriais com alta umidade e alguma poluição atmosférica (lavanderias, cervejarias, laticínios, etc.) C4 Alta Áreas industriais e costeiras com salinidade moderada Indústrias químicas, coberturas de piscinas, etc. C5-I Muito alta (industrial) Áreas industriais com alta umidade e atmosfera agressiva Edificações ou áreas com condensação quase que permanente e com alta poluição C5-M Muito alta (marinha) Áreas costeiras e offshore com alta salinidade Edificações ou áreas com condensação quase que permanente e com alta poluição Classificação dos Ambientes 18 Classificação dos Ambientes Industrial Urbano Marinho A escolha de um sistema de proteção Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 8 20 Como a corrosão podeser controlada? Controle da Corrosão Tratamento Ambiental Revestimentos Protetores Proteção Catódica Detalhes de Projeto Seleção de Materiais Orgânicos p.ex. Pintura Metálicos Galvanização (Imersão) Metalização Aços Estruturais Aços Patináveis Aços Inoxidáveis Cuidados no detalhamento do projeto 21 Acessibilidade Cuidados no detalhamento do projeto 22 Operação Compriment o da ferramenta (D2), mm Distância entre a ferramenta e o substrato (D1), mm Ângulo de operação (a), graus Jateamento abrasivo 800 200 a 400 60 a 90 Ferramental elétrico -Pistola de pinos -Lixadeira elétrica 250 a 350 100 a 150 0 0 30 a 90 - Limpeza manual -Escovamento -Lixa manual 100 100 0 0 0 a 30 0 a 30 Metalização 300 150 a 200 90 Aplicação de tinta -spray -pincel -rolo 200 a 300 200 200 200 a 300 0 0 90 45 a 90 10 a 90 Acessibilidade Cuidados no detalhamento do projeto 23 Dimensões mínimas para acesso em áreas confinadas Cuidados no detalhamento do projeto 24 Dimensões mínimas para espaços restritos Cuidados no detalhamento do projeto Cuidados no Detalhamento do projeto Parte 2 Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 8 26 O detalhamento deve garantir a aplicação do sistema de proteção e não promover a corrosão! Cuidados no Detalhamento 27 O detalhamento deve garantir a aplicação do sistema de proteção e não promover a corrosão! Cuidados no Detalhamento 28 Tratamento de frestas Evite a retenção de água sobre a estrutura Cuidados no Detalhamento 29 Evite a retenção de água sobre a estrutura Cuidados no Detalhamento 30 Evite a retenção de água sobre a estrutura Cuidados no Detalhamento 31 Evite a retenção de água sobre a estrutura Cuidados no Detalhamento 32 Evite a retenção de água sobre a estrutura Cuidados no Detalhamento 33 Evite a retenção de água sobre a estrutura Cuidados no Detalhamento Tratamento de frestas Tratamento de seções fechadas Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 8 35 Tratamento de arestas Cuidados no Detalhamento 36 Tratamento de arestas Cuidados no Detalhamento Prevenção da Corrosão Galvânica Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 8 38 Parafusos, porcas e consumíveis Corrosão Galvânica 39 Corrosão Galvânica 40 Imperfeições de soldagem Corrosão Galvânica 41 Evite a corrosão galvânica Corrosão Galvânica Os Aços Patináveis Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 8 43 Controle da corrosão Como a corrosão pode ser controlada? Controle da Corrosão Tratamento Ambiental Revestimentos Protetores Proteção Catódica Detalhes de Projeto Seleção de Materiais Orgânicos p.ex. Pintura Metálicos Galvanização (Imersão) Metalização Aços Estruturais Aços Patináveis Aços Inoxidáveis Os Aços Patináveis Os Aços Patináveis Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 8 45 História: USS CorTen (1932) Eero Saarinen (1910 – 1961) Os Aços Patináveis 46 Aços patináveis: O que é “pátina”? Qual é o seu mecanismo de atuação? Os Aços Patináveis 47 Viaduto Cidade do Aço (2000) Volta Redonda - RJ Universidade Nove de Julho (2005) São Paulo - SP Os Aços Patináveis 48 Enquadrados em diversas normas ASTM A588 A242 A606 A709 NBR 5008 5920 5921 7007 Os Aços Patináveis 49 Condições necessárias para a formação da pátina • Ciclos de umedecimento e secagem • Fatores geométricos • Condições ambientais • [SO2] < 250 mg.m-3 • [Cl-] < 300 mg.m-2.dia-1 • Contato com outros aços estruturais Pátina Tempo Os Aços Patináveis 50 Resistência é limitada! Os Aços Patináveis Preparo de Superfície e Pintura Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 8 52 Como a corrosão pode ser controlada? Controle da Corrosão Tratamento Ambiental Revestimentos Protetores Proteção Catódica Detalhes de Projeto Seleção de Materiais Orgânicos p.ex. Pintura Metálicos Galvanização (Imersão) Metalização Aços Estruturais Aços Patináveis Aços Inoxidáveis Preparo de Superfície e Pintura 53 Formação da carepa de laminação Preparo de Superfície e Pintura 54 38x Preparo de Superfície e Pintura Formação da carepa de laminação 55 • “Design with Structural Steel: a Guide for Architects“, 2nd edition, American Institute of Steel Construction (AISC), Chicago, 2002 • www.aisc.org Preparo de Superfície e Pintura 56 Limpeza superficial : etapa fundamental Preparo de Superfície e Pintura 57 Chapa de aço jateada Chapa de aço lixada Tinta epóxi exposta ao ambiente industrial agressivo por um ano Preparo de Superfície e Pintura Limpeza superficial : etapa fundamental Preparo de Superfície e Pintura: Tintas Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 8 59 Preparo de Superfície e Pintura 0 20 40 60 80 100 Permeabilidade, mg.m-2.dia-1 Alquídicas Epoxídicas Poliuretânicas • Proteção por barreira • Proteção anódica/ catódica nas tintas de fundo • Proteção catódica nas tintas ricas em zinco 60 Preparo de Superfície e Pintura • Proteção por barreira • Proteção anódica/ catódica nas tintas de fundo • Proteção catódica nas tintas ricas em zinco 61 • Proteção por barreira • Proteção anódica/ catódica nas tintas de fundo • Proteção catódica nas tintas ricas em zinco Preparo de Superfície e Pintura 62 Tintas alquídicas • Interiores secos e abrigados • Exteriores não poluídos • Pintura predial: portas, esquadrias, janelas de madeira ou aço Preparo de Superfície e Pintura 63 Desempenho fraco em: • Ambientes úmidos • Ambientes alcalinos • Ambientes contendo Zn++ Preparo de Superfície e Pintura 64 Tintas epoxídicas • Aço carbono, aço galvanizado, concreto, fibra de vidro, não-ferrosos • Primer, intermediária e acabamento Preparo de Superfície e Pintura • Ponte rolante: Sistema epóxidico 65 • Trocadores de calor: Sistema epoxídico • Plataformas offshore: Sistema epoxídico Preparo de Superfície e Pintura 66 Epóxis, epóxis, epóxis… Preparo de Superfície e Pintura 67 Epóxis, epóxis, epóxis… Preparo de Superfície e Pintura 68 Tintas poliuretânicas • Aço carbono, concreto e madeira • Primer, intermediária e acabamento Preparo de Superfície e Pintura Atenção ! • Poliuretânica (acrílica) alifática • Poliuretânica aromática 69 Atenção ! • Poliuretânica (acrílica) alifática • Poliuretânica aromática Preparo de Superfície e Pintura • Vernizes poliuretânicos 70 Poliuretano, poliuretano… Preparo de Superfície e Pintura 71 Preparo de Superfície e Pintura 72 Preparo de Superfície e Pintura Galvanização a Fogo Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 8 74 Controle da corrosão Como a corrosão pode ser controlada? Controle da Corrosão Tratamento Ambiental Revestimentos Protetores Proteção Catódica Detalhes de Projeto Seleção de Materiais Orgânicos p.ex. Pintura Metálicos Galvanização (Imersão) Metalização Aços Estruturais Aços Patináveis Aços Inoxidáveis Galvanização a Fogo 75 Galvanização a fogo, ou a quente… Galvanização a Fogo 76 Características das camadas Galvanização a Fogo 77 Durabilidade Galvanização a Fogo Conclusão Proteção Anticorrosiva de Estruturas Metálicas Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 8 79 É importante ressaltarmos que a corrosão não é um impedimento ao crescimento do uso das estruturas de aço, desde que apliquemos de forma coerente com o que foi apresentado neste módulo teremos um grande aumento na vida útil das estruturas de aço. Através do correto detalhamento, através do reconhecimentoda agressividade do ambiente e da escolha adequada do sistema de revestimento, pintura ou galvanização, levam a um crescimento da vida útil da estrutura. Na Inglaterra, atualmente, 70 % da área de piso das edificações de múltiplos andares são em estrutura de aço. Esta é a primeira escolha. A Inglaterra tem os mesmos problemas ambientais, com umidade e deposição de cloretos, que temos aqui. Qual é a diferença então? Simplesmente, lá eles entenderam e incorporaram os procedimentos adequados para a proteção das estruturas de aço, de forma que este deixou de ser um problema. Atenção ao detalhamento adequado, Especificação correta de sistema de pintura ou galvanização. Não há nenhum segredo. Basta seguir o que o Anexo N da NBR 8800 prescreve Conclusão Módulo 8 - Proteção contra Corrosão em Estruturas de Aço Bibliografia e Leituras Adicionais do Módulo 8 Para complementar o conteúdo deste módulo, aos que quiserem se aprofundar no tema, recomendamos a leitura dos textos adicionais, cujos títulos apresentamos a seguir. 1. Durabilidade de Estacas Metálicas Cravadas no Solo - autor: Fabio Domingos Pannoni, Ph.D 2. Fundamentos da corrosão - autor: Fabio Domingos Pannoni, Ph.D 3. História, comportamento e uso dos aços patináveis na Engenharia Estrutural Brasileira - autor: Fabio Domingos Pannoni, Ph.D 4. Manual de Construção em aço - Tratamento de Superficie e Pintura - CBCA - autores: Celso Gnecco, Roberto Mariano e Fernando Fernandes 5. Princípios da Proteção de Estruturas Metálicas em Situação de Corrosão e Incêndio - autor: Fábio Domingos Pannoni, M.Sc., Ph.D. 80 Nota: Estes titulos estão disponíveis para download somente no ambiente do curso de Sistemas Estruturais do CBCA. 1 9Proteção Estrutural Contra IncêndioProteção Estrutural Contra Incêndio MÓDULO Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura Tópicos deste módulo Proteção ao Fogo 1. Introdução 2. Comportamento dos materiais estruturais em incêndio 3. Dinâmica de Incêndio 4. Tempo requerido de resistência ao fogo (TRRF) 5. Exigências da NBR 14432 6. Isenções de verificação I – NBR 14432 7. Isenções de verificação II – NBR 14432 8. Métodos de dimensionamento de materiais de proteção 8.1. Auto-proteção 8.2. Materiais usuais na proteção de estruturas 8.2.1. Concreto 8.2.2. Materiais projetados 8.2.3. Materiais rígidos e semi-rígidos 8.2.4. Gesso acartonado 8.2.5. Tintas intumescentes 8.3. Custo dos materiais 9. Métodos Simplificados e métodos avançados de dimensionamento 10. Conclusão Bibliografia Porque é necessário o tratamento contra fogo das estruturas de aço? Da mesma forma que o módulo 8 abordou a proteção contra a corrosão das estruturas de aço, optamos por incluir este módulo 9, dedicado a proteção das estruturas de aço contra o efeito do calor provocado por um eventual incêndio. Devido as características de bom condutor térmico, o aço tem a capacidade de se aquecer rapidamente. Principalmente, se levarmos em consideração que as seções dos perfis de aço são, normalmente, bastante esbeltas e por isso com menos massa que as peças de concreto. O calor faz com que o aço tenha suas características físicas de resistência alteradas, enquanto permanecer sob a ação desta fonte de calor. Ao final do incêndio, apesar das alterações de forma que a estrutura possa ter sofrido, o aço readquire sua resistência, em novos arranjos estruturais. É importante ressaltar que todos os materias sofrem alterações sob ação do fogo. Tanto o aço como concreto perdem em torno de 50% de sua resistência quando atingem 600º C. Apenas o concreto demora mais para atingir esta temperatura, devido a ser um mau condutor térmico, e por isso um bom isolante, e também ao fato das peças terem maior massa. Existem diversas formas de se proteger a estrutura de aço da ação do fogo. Inclusive o concreto é uma delas, seja na forma de placas de revestimento, ou na forma de sistemas mistos aço-concreto, onde o perfil de aço trabalha associado ao concreto, aumentando a resistência a flambagem, reduzindo a seção de pilares e vigas e ainda fornecendo uma proteção passiva ao elemento estrutural. Assim sendo, devido a importância deste tema, convidamos novamente o Prof. Fabio Domingos Panonni, Phd., reconhecidamente uma das autoridades nacionais neste assunto, para apresentar os diversos métodos de proteção contra incêndio utilizados atualmente. 2 Da mesma forma que o módulo 8, este módulo, em função do tamanho dos arquivos, foi dividido em 12 partes. Cada uma delas é um arquivo auto-executável, que deve ser baixado para o computador do aluno, de onde poderá ser visualizado e salvo. Com este expediente evitaremos o problema de velocidade de execução de vídeos via internet, com suas interrupções constantes, para descarregamento de dados. A tela do vídeo tem dois botões que permitem avançar ou recuar, dentro do vídeo em exibição. Além disso, este pdf esta disponível como apoio complementar, entretanto, sem o vídeo. Devido a algumas tabelas e imagens adicionais que não estão inclusas no vídeo, recomendamos fazer o acompanhamento em paralelo a exibição dos vídeos. Parte 1 - (6.61Mb) Parte 2 - (6.15 Mb) Parte 3 - (12.6 Mb) Parte 4 - (7.8 Mb) Parte 5 - (19.3 Mb) Parte 6 - (10.9 Mb) Parte 7 - (12.6 Mb) Parte 8 - (15.3 Mb) Parte 9 - (12.3 Mb) Parte 10 - (6.92 Mb) Parte 11 - (5.3 Mb) Parte 12 - (6.04 Mb) Partes componentes do módulo 9 Módulo 9 - Proteção ao Fogo das Estruturas de Aço 3 Página em branco Objetivos da Segurança Contra Incêndio Proteção Estrutural Contra Incêndio Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 9 Prof. Fabio Domingos Pannoni Ph.D. 6 Objetivos da segurança contra incêndio • Possibilitar a fuga dos ocupantes da edificação em condições de segurança • Possibilitar a segurança das operações de combate ao incêndio • Promover a minimização de danos às edificações adjacentes e à infraestrutura pública Objetivos da SCI 7 Como atingir estes objetivos? • Prevenindo a ignição • Escolha de materiais • Gerenciamento e manutenção da edificação • Facilitando a fuga • Rotas de fuga • Educação e treinamento • Prevenindo o desenvolvimento do incêndio • Detetores de fumaça e calor • Chuveiros automáticos • Extintores • Condições de contorno da edificação • Compartimentação • Ventilação • Prevenção do colapso estrutural • Projeto estrutural • Proteção térmica Objetivos da SCI Comportamento dos materiais Proteção Estrutural Contra Incêndio Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 9 9 • Todos os materiais estruturais perdem resistência e rigidez com a elevação de temperatura Comportamento dos Materiais 10 Comportamento dos Materiais 11 Comportamento dos Materiais Dinâmica do Incêndio Proteção Estrutural Contra Incêndio Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 9 13 O fogo: um fenômeno físico • Reação exotérmica Fogo = (combustível+oxigênio+ativação) Dinâmica do Incêndio 14 • Fases de um incêndio Dinâmica do Incêndio • A severidade de um incêndio depende de vários parâmetros: • Quantidade e localização dos combustíveis • Velocidade de combustão dos materiais • Condição de ventilação (aberturas) • Geometria do compartimento • Propriedades térmicas do envoltório O Incêndio-padrão Proteção Estrutural Contra Incêndio Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 9 16 • Resistência ao fogo é o tempo em que um elemento construtivo continuará a desenvolver suas funções, sob condições especificadas. O Incêndio-padrão Normas Brasileiras Proteção Estrutural Contra Incêndio Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 9 18 NBR 14432 Aço NBR 14323 Concreto NBR 15200 Madeira Eurocode Dimensionamento por ensaios Método simplificado Métodos avançados Métodos baseados em análise de risco Métodos do tempo equivalente Projeto de Engenharia de Segurança Contra Incêndio Normas Brasileiras 19 NBR 14432 Esta Norma estabelece as condições aserem atendidas pelos elementos estruturais e de compartimentação que integram os edifício para que, em situação de incêndio, seja evitado o colapso estrutural Concreto, aço, madeira, etc. Normas Brasileiras 20 Tabela A1 Normas Brasileiras 21 Edificações cuja área seja menor ou igual a 750m2 ISENÇÕES IMPORTANTES Edificações com até 2 pavimentos com área menor ou igual a 1.500 m2 e que possuam carga de incêndio específica ≤ 1.000 MJ/m2 Centros esportivos (estádios, ginásios, piscinas com arquibancadas, arenas), estações e terminais de passageiros (estações rodoferroviárias, aeroportos, estações de transbordo) e construções provisórias (circos e assemelhados) com altura ≤ 23 m, exceto as regiões de ocupação distinta Garagens sem acesso público e sem abastecimento (garagens automáticas), garagens com acesso de público e sem abastecimento, com altura ≤ 30 m, abertas lateralmente, com estrutura ... que atenda às condições construtivas do Anexo D (vigas principais e secundárias devem ser construídas como vigas mistas, utilizando-se conectores de cisalhamento...) Edificações térreas: Galpão industrial com carga especif. de incêndio ≤ 1.200 MJ/m2 Depósito com carga específica de incêndio ≤ 2.000 MJ/m2 (estarão isentos, para qualquer carga específica de incêndio, desde que providas de chuveiros automáticos ou se tiverem área total ≤ 5.000 m2, com pelo menos duas fachadas de aproximação que perfaçam, no mínimo, 50% do perímetro) Normas Brasileiras Dimensionamento Proteção Estrutural Contra Incêndio Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 9 23 • Dimensionamento por ensaios • Carta de cobertura Dimensionamento 24 • A espessura é especificada de tal modo que a temperatura do aço não exceda uma dada temperatura (temperatura crítica) por um dado TRRF Dimensionamento Materiais de Proteção p1 Proteção Estrutural Contra Incêndio Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 9 26 • A solução frequentemente empregada para evitar o aumento excessivo da temperatura das estruturas de aço em situação de incêndio é revestí-las por meio de materiais de proteção térmica • Formas de aplicação: Materiais de Proteção p1 • Materiais projetados: base cimentícia ou gesso contendo fibras minerais, vermiculita expandida e outros agregados leves • Custo competitivo • Resistência ao fogo de até 240 minutos • Espessuras secas de 10mm a 40mm • Aplicação é realizada em campo • Materiais são conduzidos, dentro do equipamento de aplicação, na condição seca (fibras projetadas) ou úmida (materiais de base gesso contendo vermiculita) Materiais de Proteção p1 28 • Argamassas projetadas Materiais de Proteção p1 • Fibra projetada 29 Materiais de Proteção p1 • Argamassa projetada Materiais de Proteção p2 Proteção Estrutural Contra Incêndio Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 9 31 • Materiais rígidos ou semi-rígidos Materiais de Proteção p2 32 • Materiais rígidos ou semi-rígidos Materiais de Proteção p2 • Materiais rígidos ou semi-rígidos: fôrmas aplicadas a seco, tanto na forma de “caixas“ quanto de “envolventes“ • O grupo inclui fibras cerâmicas, a lã de rocha basáltica, o silicato de cálcio, gesso (placas de gesso acartonado ou o próprio gesso) e a vermiculita • Resistência ao fogo de até 240 minutos • Placas de gesso acartonado e vermiculita são duras e lisas, possuindo aparência agradável. São vulneráveis ao impacto • Mantas de fibras minerais (fibra cerâmica e lã de rocha basáltica) são macias ao toque e flexíveis • A aparência visual variará de acordo com o sistema escolhido • Os materiais flexíveis são fixados ao aço por intermédio de pinos de aço soldados à estrutura por meio de anilhas de pressão • Apresentam-se em diversas espessuras (20, 25, 30, 35, 40 e 50mm) • As placas rígidas podem ser fixadas através de uma grande variedade de opções (montantes de aço galvanizado, pinos de aço, parafusos auto-perfurantes e colas especiais) • Períodos de resistência maiores são obtidos por meio da utilização de múltiplas camadas • As juntas devem ser cuidadosamente recobertas 33 Materiais de Proteção p2 • Lã de rocha (basáltica) 34 Materiais de Proteção p2 • Gesso é o sulfato de cálcio que, no estado seco, contém cerca de 20% de água cristalizada • Quando sujeito a altas temperaturas, transforma-se em sulfato de cálcio anidro, com absorção de grande quantidade de calor • Por outro lado, a água existente em sua constituição, absorve calor para se vaporizar • Ao absorver grande quantidade de calor, o gesso atrasa o aquecimento do componente estrutural, funcionando, assim, como material de proteção térmica • O emprego do gesso exige a utilização de um suporte adequado que evite sua desagregação (p.ex., uma rede metálica ou fibra de vidro) • Gesso • Gesso acartonado (“rosa“) Materiais de Proteção p3 Proteção Estrutural Contra Incêndio Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 9 36 • Revestimentos intumescentes Materiais de Proteção p3 37 Materiais de Proteção p3 • A primeira patente é de 1938. Seu uso tem crescido, em todos os países, nas últimas décadas • O termo intumescente deriva do latin “tumescere“, que significa iniciar, expandir • A intumescência ocorre pela reação de componentes ativos sob influência do calor, produzindo uma expansão significativa a partir de 200oC – 250oC • Esses componentes ativos expandem muitas vezes sua espessura inicial aplicada quando aquecidos (tipicamente mais do que 60x), produzindo uma massa carbonácea que protege qualquer substrato sobre o qual o revestimento tenha sido aplicado • Os revestimentos intumescentes mais empregados na construção civil podem ser tanto de base solvente quanto água e tipicamente possuem uma espessura de película seca menor do que 3mm • • Revestimentos intumescentes são muito utilizados na proteção de estruturas de aço para períodos de 30 e 60 minutos e seu uso para 90 minutos tem aumentado em alguns países • Pode retardar em até duas horas o instante em que se atinge a temperatura crítica do componente a proteger • Um sistema intumescente possui, de modo geral, três componentes: um primer, a tinta intumescente (a fase que reage) e um selante (a pintura de acabamento) • Em algumas situações, o primer ou o acabamento podem não ser necessários Tintas intumescentes: 38 • A maior parte dos revestimentos intumescentes é dedicada ao uso interno ou em locais abrigados, em ambientes externos • Durante a fase de construção, algum revestimento intumescente pode ficar temporariamente exposto ao ambiente externo e o uso de um selante pode ser necessário • Para exposições externas, deve-se consultar o fabricante da tinta • Revestimentos intumescentes • O uso destes produtos corresponde, em certos países, a mais do que 40% do mercado de produtos de proteção térmica utilizados em edifícios de múltiplos andares • No Reino Unido, esse número já ultrapassa os 50%, sendo que 2/3 correspondem à aplicação em campo (“on-site“) e 1/3 à aplicação no fabricante (“off-site“) Alguns benefícios provenientes da aplicação “off-site“ de tintas intumescentes: • Construção mais rápida, pois a proteção deixa de ser uma etapa crítica do processo de construção • Qualidade na aplicação, pois é feita sob condições cuidadosamente controladas e supervisionadas • Redução de interferências no canteiro de obra, pois não há necessidade de alocação de equipamento Materiais de Proteção p3 39 Materiais de Proteção p3 • O revestimento intumescente é somente parte do sistema de proteção. Para um sistema típico, haverá: • Preparo de superfície • Aplicação de primer, quando necessário • Aplicação da tinta intumescente • Aplicação de selante, quando necessário • Aplicação de um acabamento decorativo quando especificado • Na maior parte dos sistemas intumescentes, o selante e o acabamento decorativo são combinados em um único produto •Revestimentos intumescentes Materiais de Proteção p4 Proteção Estrutural Contra Incêndio Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 9 41 Materiais de Proteção p4 • Concreto moldado “in loco“, concreto pré-moldado e concreto celular autoclavado tem sido utilizados como proteção térmica desde os primórdios da construção em aço. • Concreto 42 Materiais de Proteção p4 • Instrução Técnica 08/04 (CBESP) • Anexo B – Resistência ao Fogo Para Alvenarias 43 Materiais de Proteção p4 44 Materiais de Proteção p4 45 Materiais de Proteção p4 46 Materiais de Proteção p4 Dimensionamento Métodos Simplificados Proteção Estrutural Contra Incêndio Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 9 • Elementos de aço simples Onde: • l é a condutividade térmica do aço • Q é o calor gerado internamente por unidade de volume e tempo • r é a massa específica do aço • c é o calor específico do aço • q é a temperatura • t é o tempo t cQ yyxx ¶ ¶ =+÷÷ ø ö çç è æ ¶ ¶ ¶ ¶ +÷ ø ö ç è æ ¶ ¶ ¶ ¶ qrqlql . Dimensionamento simplificado 48 • Temperatura do aço (oC) sem proteção térmica, conforme modelo do incêndio padrão (ISO 834) Dimensionamento simplificado 49 • Elementos de aço protegidos por materiais de proteção térmica Onde: • cm é o calor específico do material de proteção, J/kgK • lm é a condutividade térmica do material de proteção, W/mK ( ) ( ) ( ) ta tatg aam m ta et ct A u , 10/,, , 1 3/1 q x qq r l q x D--D + - =D ÷ ø öç è æ= A ut c c m m aa mm r r x Dimensionamento simplificado 50 Dimensionamento simplificado • Exemplo de aplicação - 2 51 Dimensionamento simplificado • Exemplo de aplicação - 2 52 53 • Métodos avançados • Millenium Dome • Richard Rogers – London - 1999 Dimensionamento • Métodos prescritivos x engenharia Engenharia de Segurança Contra Incêndio Métodos Prescritivos Atuais Um conjunto de soluções em segurança contra incêndio é feito sob medida para os riscos e objetivos previamente especificados Muitas vezes não é flexível Facilita a inovação, sem comprometimento da segurança Incapaz de prever todas as situações reais Os custos da proteção contra incêndio podem ser minimizados sem redução da segurança Em geral, não fornece a solução ótima Exige um grupo técnico altamente especializado A evolução técnica é lenta – pode levar vários anos para que uma nova solução seja amplamente aceita Consome grande capacidade computacional Em sua forma mais simples (uso de “cartas de cobertura”), não requer nenhuma capacidade computacional. Dimensionamento 54 • Métodos avançados Dimensionamento 55 Dimensionamento 56 Tcompartimento <<<< tandar Tdesocupação <<<< testrutura testrutura→¥ • Métodos avançados Dimensionamento 57 Proteção Estrutural Contra Incêndio Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 9 Certificação de Produtos e Aplicadores • Exigência ! Certificação de Produtos e Aplicadores 59 Os ensaios devem ser realizados em laboratórios reconhecidos, de acordo com as normas técnicas nacionais ou, na ausência destas, de acordo com normas ou especificações estrangeiras internacionalmente reconhecidas. Certificação de Produtos e Aplicadores • Exigência ! 60 5.9 Materiais de proteção térmica 5.9.1 A escolha, dimensionamento e aplicação de materiais de proteção térmica são de responsabilidade exclusiva do(s) responsável(eis) técnico(s) pelo projeto. 5.9.2 As propriedades térmicas e o desempenho dos materiais de proteção térmica quanto à aderência, combustibilidade, fissuras, toxidade, erosão, corrosão, deflexão, impacto, compressão, densidade e outras propriedades necessárias para garantir o desempenho e durabilidade dos materiais, devem ser determinados por ensaios realizados em laboratório nacional ou estrangeiro reconhecido internacionalmente, de acordo com norma técnica nacional ou, na ausência desta, de acordo com norma estrangeira reconhecida internacionalmente. Certificação de Produtos e Aplicadores • Exigência ! 61 62 Para as edificações com área superior a 10.000 m², será exigido controle de qualidade durante a execução e aplicação dos materiais de proteção térmica às estruturas, realizado por empresa qualificada. • Exigência ! Certificação de Produtos e Aplicadores Certificação de Produtos e Aplicadores 63 Conclusão Proteção Estrutural Contra Incêndio Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 9 65 Finalizando, é importante esclarecer que a proteção de estruturas frente ao fogo é uma parte de um todo muito maior. Quando avaliamos, de forma integrada, a proteção da estrutura, as rotas de desocupação, o uso de sistemas de proteção ativa e passiva e outros sistemas que compõem a segurança contra incêndio, traremos economia ao conjunto da proteção de estruturas. Proteção de estruturas ao fogo pode custar muito menos se integrarmos as partes, que nada mais é que utilizar os métodos avançados apresentados anteriormente. Tudo esta relativamente claro nas normas. É importante que elas sejam lidas e seguidas suas recomendações. E não há maiores dificuldades em sua utilização. E o mais importante é o aumento da segurança da edificação.. Conclusão Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Bibliografia e Leituras Adicionais do Módulo 9 Para complementar o conteúdo deste módulo, aos que quiserem se aprofundar no tema, recomendamos a leitura dos textos adicionais, disponíveis para download no ambiente do curso. Para abrir ou baixar estes textos, clique nos links abaixo: 1. A Segurança Contra Incêndio no Brasil - autores: Alexandre Itiu Seito, Alfonso Antonio Gill, Fabio Domingos Pannoni, Rosaria Ono, Silvio Bento da Silva, Valfrido Del Carlo, Valdir Pignatta e Silva 2. Segurança das Estruturas - autores: Valdir Pignatta e Silva, Fabio Domingos Pannoni, Edna Moura Pinto e Adilson Silva 3. Um Método Avançado de Cálculo para Pisos Mistos de Aço e Concreto em Situação de Incêndio - autores: Ricardo Hallal Fakury, José Carlos Lopes Ribeiro, Estevam Barbosa de Las Casas, Fabio Domingos Pannoni 4. Proteção de Estruturas Metálicas Frente ao Fogo - autor: Fabio Domingos Pannoni 5. A Real Fire In Small Apartment - A Case Study - autores: Valdir Pignatta e Silva, Ricardo Hallal Fakury, Francisco Carlos Rodrigues e Fabio Domingos Pannoni 6. Simulation Of a Compartment Flashover Fire Using Hand Calculations, A Zone Model And a Field Model - autores: Valdir Pignatta e Silva, Ricardo Hallal Fakury, Francisco Carlos Rodrigues e Fabio Domingos Pannoni 7. Manual de Construção em Aço - Resistencia ao Fogo das Estruturas de Aço - CBCA - autores: Mauri Resende Vargas e Valdir Pignatta e Silva 66 10Criatividade na Criatividade na Engenharia EstrutualEngenharia Estrutual MÓDULO Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura 1 Página em branco 1 Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura Introdução Finalmente chegamos ao último módulo deste curso. E afinal, surge a pergunta: E o que fazer com tudo isto? Como diz o Prof. Yopanan: - O importante não é ser diferente, mas fazer a diferença! Ao longo de 10 semanas, iniciando com as forças físicas a que estão submetidas às estruturas, passando pelos elementos estruturais em aço e, como o tema do nosso curso é de sistemas estruturais em aço, procuramos apresentar os principais sistemas estruturais utilizados atualmente, e mesmo alguns pouco usuais. Além disso, no módulo 8 tratamos de entender porque ocorre a corrosão e as muitas maneiras de preveni-la, e assim garantir a durabilidade da estrutura de aço. Já no módulo 9 tratamos do fenômeno do incêndio, seu impacto enquanto fenômeno destrutivo e as formas de proteção adequadas para garantir a segurança dos ocupantes, garantindo tanto a preservação da vida, quanto do patrimônio. Portanto, podemos afirmar que os elementos e os principais sistemas para pensar as estruturas foram conhecidos e absorvidos. Esta é a questão que o Prof. Yopananse propõe a responder neste último módulo, onde demonstra a importância, não apenas do conhecimento, mas da utilização criativa deste conhecimento, aumentando a qualidade estrutural e formal das estruturas, em soluções criativas e originais. Obras grandes e pequenas podem, e devem, se beneficiar desta abordagem que deve ser perseguida como postura ao nos depararmos com as inúmeras possibilidades estruturais que temos a nossa disposição para resolver as demandas de nossos projetos. É sobre esta sutil diferenciação que vamos nos aprofundar neste módulo, que trata da criatividade estrutural na arquitetura e na engenharia. Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA 1 Módulo 10. As interações entre estruturas de aço e a arquitetura Da mesma forma que os 2 módulo anteriores, este módulo, em função do tamanho dos arquivos, foi dividido em 11 partes. Cada uma delas é um arquivo autoexecutável, que deve ser baixado para o computador do aluno, de onde poderá ser visualizado e salvo. Com este expediente evitaremos o problema de velocidade de execução de vídeos via internet, com suas interrupções constantes, para descarregamento de dados. A tela do vídeo tem dois botões que permitem avançar ou recuar, dentro do vídeo em exibição. Partes componentes do módulo 10 e links para download: Além disso, o conteúdo da aula também esta disponível em formato pdf, entretanto, sem o vídeo, para leitura complementar. Parte 1 - (10.74 Mb) Parte 2 - (10.86 Mb) Parte 3 - (10.38 Mb) Parte 4 - (12.803 Mb) Parte 5 - (11.69 Mb) Parte 6 - (9.59 Mb) Parte 7 - (12.86 Mb) Parte 8 - (11.94 Mb) Parte 9 - (12.83 Mb) Parte 10 - (13.92 Mb) Parte 11 - (3.44 Mb) Pavilhão de Exposições - Leipzig - GMP Architectur Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA 1 Módulo 10 CRIATIVIDADE NA ENGENHARIA ESTRUTURAL O AÇO COMO AGENTE DA CRIATIVIDADE Vamos agora apresentar o último módulo do nosso curso, onde iremos discutir uma das questões mais importantes e infelizmente muitas vezes relegada a um plano inferior: a criatividade na arquitetura e na estrutura. Vamos falar sobre um assunto que é de fundamental importância para aqueles que se propõem a projetar algo que seja significativo. O Aço, por suas características construtivas, é o material que nos pode dar ensejo a grandes viagens na questão da criatividade. Vamos iniciar o assunto falando sobre os aspectos que influenciam a criatividade. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 2 ARQUITETOS SÃO CRIATIVOS... MAS, ENGENHEIROS PODEM E DEVEM SER CRIATIVOS ! A princípio pode parecer que o trabalho criativo se resume àquilo que o arquiteto faz. No entanto, o engenheiro é, também, um profissional que pode e deve ser criativo. Vejamos como isso pode ocorrer. Comecemos por conceituar o que é criatividade. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA 3 O QUE É CRIATIVIDADE ? A criatividade pode ser definida de várias maneiras. Vamos apresentar aqui algumas que identificam melhor o que é o processo de criatividade. Uma primeira definição, e que é bastante ilustrativa do processo de criatividade, é a que fala da criatividade como a capacidade de desestruturar a realidade e reestruturá-la de outras maneiras. Ou, ainda, como o ato de unir duas coisas que nunca estiveram unidas e daí tirar uma terceira que tenha um valor maior que as duas coisas, ou seja, um processo sinérgico. Também se pode ver a criatividade como uma capacidade natural que pode ser bloqueada ao longo do tempo, por influências ambientais e culturais. A capacidade de desestruturar a realidade e reestruturá-la de outras maneiras; O ato de unir duas coisas que nunca haviam estado unidas e tirar daí uma terceira coisa; Uma capacidade natural que é bloqueada por influências ambientais e culturais. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA 4 RELAÇÃO ENTRE POTENCIAL CRIATIVO E A IDADE CRONOLÓGICA A mente humana, por uma questão de sobrevivência, não foi desenvolvida para ser automaticamente criativa. Pois se assim fosse, poderia nos trazer grandes transtornos. Imagine se toda manhã, para sair para o trabalho, tivéssemos à disposição 11 peças de roupas para nos vestirmos. Se nossa mente fosse automaticamente criativa, nós teríamos mais de trinta milhões de possibilidades para usar essas roupas, das quais algumas são obviamente impossíveis como aquela de usar a meia sobre o sapato. Mas daquelas que são realmente factíveis restariam, pelo menos, umas cinco mil. Seria praticamente impossível sair de casa. Felizmente temos autonomia para escolher quando ser criativos e a nossa mente, por sua vez, nos dá naturalmente essa capacidade. Por outro lado, o que é natural pode ser desestimulado ao longo de nossa vida. O quadro que aparece nesse slide mostra bem essa situação. Ele mostra o resultado de um estudo feito com um grupo ao longo de vários anos. O estudo tinha como objetivo verificar como o grupo se comportava quando solicitado a ser criativo. Podemos observar, pelos números apresentados, que com a idade a criatividade vai diminuindo. Quando nós somos crianças, somos extremamente criativos. Isso porque não temos qualquer tipo de auto-censura. Nessa idade o grupo atinge 98 % de resultados criativos. Repare que esse comportamento vai diminuindo muito ao longo dos anos. Quando somos adultos nosso eficiência criativa cai de uma maneira vertiginosa e as respostas são muito baixas, da ordem de 2%; o que mostra que somos muito influenciados pelo meio que, normalmente, em lugar de estimular tende a bloquear nossa liberdade criativa. Podemos e devemos recuperar, através de diversos exercícios, esse potencial que tínhamos quando crianças. Ou seja, voltarmos a ser ingênuos, no bom sentido da palavra. Ingênuos no sentido de não termos restrições a imaginar, fantasiar e assim por diante. Os bloqueios fazem com que, ao longo do tempo, acabemos criando, em torno de nós, uma zona de conforto, onde as propostas são sempre embasadas em experiências que deram certo. Temos medo de extrapolar seus limites, correndo o risco de sermos ridicularizados por propor coisas aparentemente insensatas. Mas é justamente a superação dessa zona de conforto que faz parte do processo de criação. Perdermos preconceitos, eliminarmos censuras e vergonhas, enfim, sermos novamente criativos como éramos quando crianças. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA 5 O PROCESSO DE CRIATIVIDADE É SEMELHANTE AO DO HUMOR BISSOCIAÇÃO (Arthur Koestler) É interessante notar que a cratividade assemelha-se muito ao processo de humor. Arthur Koestler, escritor e jornalista, inventou o termo bissociação que ilustra bem essa questão que envolve o processo de criatividade e o processo de humor. Kostler coloca que todos os evento apresentam, subjacentes a eles, uma matriz de ocorrências que garante a sua existência. Quando essas matrizes de alguma maneira se cruzam elas criam uma certa tensão que pode provocar tanto o riso como uma nova idéia, uma idéia criativa. Neste slide estamos vendo uma brincadeira feita por alguns cidadãos em uma estrada. Eles tiram uma foto junto à uma placa comum de estrada alertando sobre o perigo de uma depressão na pista. A primeira matriz, quando se pensa em depressão na pista, nos reporta ao aspecto físico de um defeito na pista. Outra matriz, agora a da depressão psicológica, também nos lembra da tristeza, da falta de ânimo, etc.. Quando essas duas matrizes se cruzamacontece algo que, além de criativo, é bastante divertido: é o humor. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA 6 Resultado da interação de duas ou mais matrizes segundo Koestler Tipo de interação Resultado Explicação Colisão Humor É a interseção de duas matrizes, cada qual consistente por si mesma, porém em conflito com a outra. No decorrer da bissociação, emoção e pensamento separam-se abruptamente. Esse conflito causa uma tensão emocional e resolve-se em riso. Fusão Ciência A criação surge do encontro de duas matrizes até então desprovidas de relação. Trata-se de uma convergência de pensamentos em direção a um objetivo previamente estipulado “ as matrizes fundem-se em uma nova síntese.” Confrontação Arte As matrizes não se fundem nem colidem, mas ficam justapostas. Os padrões fundamentais de experiência são expressos novamente a cada novo olhar, em cada época ou cultura. Há uma transposição dos sistemas de referências. Outras formas de interação entre duas ou mais matrizes podem resultar em criações em outras áreas, ou melhor, são situações de interação que propiciam criatividade em áreas específicas. Quando existe uma fusão de matrizes temos resultados criativos na ciência. Quando existe uma confrontação, ou seja, elas não se fundem nem colidem, mas ficam justapostas, temos como resultado criações na área da arte. Mas essas situações não são ilhas isoladas. O humor pode criar situações criativas na ciência, na arte, e vice-versa. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 7 Usando exemplos da arquitetura e estrutura do aço, vamos, agora, apresentar algumas questões que envolvem a criatividade nestas áreas. Uma primeira situação é o reconhecimento de padrões. Analisando, com cuidado, um resultado complexo, podemos reconhecer nele a união de vários padrões simples. Isso mostra que a partir de eventos extremamente simples é possível criar coisas complexas. Entenda-se, aqui, complexo não como difícil, mas como junção adequada de vários padrões. Outra questão que envolve a criatividade é a capacidade de abstração. Abstrair é um termo com diferentes conotações. Neste trabalho abstração tem o sentido de separação. A capacidade de saber separar o que é menos importante do que realmente importa para o nosso objetivo. É óbvio que essa separação exigirá, não só inspiração, mas bastante transpiração. Outra questão que também propicia um ambiente criativo é a capacidade de transformar. Transformar o que é muito familiar em coisas novas. De uma maneira geral o processo criativo passa por duas fases: os processos de síntese e de análise. No primeiro, o nosso raciocínio e pensamento são deixados fluir por várias searas. Neste caso o raciocínio é chamado de “raciocínio divergente” ou pensamento lateral. Pois nessa fase permite-se vagar por novos caminhos, diferentes daqueles rotineiros, das coisas que se reproduzem. Nesta fase é possível visitar outras áreas do conhecimento humano. Fazer delas fontes de inspiração para nosso objeto de estudo. Para facilitar esse devaneio pode-se usar o processo de construir analogias e metáforas. Essa é uma ferramenta extremamente poderosa na criatividade. QUESTÕES QUE ENVOLVEM A CRIATIVIDADE: Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 8 Uma maneira freqüentemente desprezada, mas que nos ajuda nas analogias e metáforas criativas, é não prestar atenção só naquilo que a gente enxerga ou ouve, mas ser capaz de extrapolar os limites dos nossos sentidos, como, por exemplo, ser capaz de ouvir com a mente, de ver com as mãos, de recordar com o tato e assim por diante. Quantas vezes ao passar as mãos sobre uma superfície, a sensação obtida não nos traz à lembrança uma série de fatos adormecidos e que podem enriquecer o processo de criação? Na síntese temos que nos dar o direito de perder o medo, a vergonha. É preciso ousar, propondo idéias que mesmo aparentemente pareçam não fazer sentido. Daí a importância da fase de análise, quando poderemos separar aquelas situações que realmente permitam resultados adequados daquelas realmente inviáveis. Na análise são enfocadas as questões mais objetivas, tais como as formais, econômicas, construtivas, etc. No processo de análise, que é mais lógico, são usadas algumas ferramentas. Destacaremos aqui o uso de modelos. Modelo pode ser definido como a representação aproximada de uma verdade, mas uma verdade que também é temporária. Sendo temporária, a verdade é sempre válida para uma determinada situação espacial e temporal. Os modelo podem ser de vários tipos. Vamos aqui nos ater a modelos que estão mais ligados à nossa área de criação: os modelos qualitativos e os modelos quantitativos. QUESTÕES QUE ENVOLVEM A CRIATIVIDADE: Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 9 RECONHECER PADRÕES - VER SIMPLICIDADE NO COMPLEXO ABSTRAIR (INSPIRAÇÃO – TRANSPIRAÇÃO ) TRANSFORMAR FAZER ANALOGIAS PENSAR COM O CORPO CORAGEM DE OUSAR MODELOS QUALITATIVOS MODELOS QUANTITATIVOS MODELOS DE APRENDIZADO PROCESSO DE SÍNTESE: - RACIOCÍNIO DIVERGENTE - PENSAMENTO LATERAL PROCESSO DE ANÁLISE : USO DE MODELOS Antes de mais nada, é importante que fique claro que ser criativo não é apenas ser diferente, ou seja, usar um cabelo de um jeito, uma roupa do outro jeito. Ser criativo é fazer a diferença. É sutil o que há de diferente entre uma coisa e outra. Fazer a diferença é realmente criar, porque ao fazer a diferença produz-se algo que vai gerar proveito para outras pessoas, principalmente, na produção de novos conhecimentos. SER CRIATIVO NÃO É SER DIFERENTE. É FAZER A DIFERENÇA! Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 10 RECONHECER PADRÕES - VER SIMPLICIDADE NO COMPLEXO - Ò COMPLEXO = SOMA DE ELEMENTOS SIMPLES Ò EXEMPLOS: × BATUCADA × TELA MOIRÉ Vamos, agora, ilustrar tudo aquilo que colocamos sobre as questões que envolvem as ferramentas da criatividade. Uma primeira ferramenta, já comentada, é a de reconhecer padrões. Em última análise, reconhecer padrões é ver a simplicidade no complexo. O complexo é a soma de elementos simples. Usemos o exemplo de uma batucada. Suponha quatro pessoas e que seja proposto para cada uma delas um padrão. Por exemplo: para a primeira uma batida toda vez que se contar cinco, para a segunda batidasao longo de toda a contagem, para a terceira, duas batidas cada vez que o número for par, e para a quarta três batidas quando o número for impar. Se todas essas pessoas tocarem ao mesmo tempo os sons são combinados e vai ocorrer um determinado resultado. O resultado vai parecer extremamente caótico e sem organização alguma, mas, como vimos, ele nada mais é que a junção de padrões extremamente simples. Outro exemplo da associação de padrões simples é a tela moiré. A tela moiré apresenta um padrão bastante simples. Mas quando justaposta em várias camadas e em diversos ângulos começa a apresentar resultados variados e bastante complexos. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 11 M.C. Escher Um artista plástico que fez um trabalho belíssimo e que usava muito a associação de padrões era M. C. Escher. Neste slide estamos vendo uma obra de Escher, e que a primeira vista mostra um desenho extremamente complexo. Se nos detivermos mais tempo veremos que na verdade existe um módulo simples, a figura de um peixe, que justaposta de diversas maneiras resulta em uma malha aparentemente muito complexa. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 12 Este slide ilustra bem um resultado complexo obtido a partir de um modulo razoavelmente simples. Ë o estádio de Beijin, apelidado de “Ninho do Pássaro” e construído para as olimpíadas de 2008. Nele, barras distribuídas de forma aparentemente aleatória formam uma estrutura complexa. É claro que se fosse realmente uma distribuição aleatória, seria praticamente impossível executar essa obra. Como pode ser visto, pelas figuras da construção, existe um módulo formado por uma espécie de pilar multiplanar. Neste módulo encontram-se previamente locadas as saídas para as barras que vão desenhar outros módulos, o que faz com que o conjunto resulte bastante complexo, mas que é, no fundo, resultado de um padrão razoavelmente simples. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 13 Aqui temos um parabolóide hiperbólico construído em aço. O parabolóide hiperbólico é uma superfície de dupla curvatura opostas, o que em principio é uma superfície complexa. No entanto superfícies como esta podem ser construídas a partir de segmentos retos. Observando a figura, são barras retas reversas que unidas por outras barras retas permitem a criação de uma superfície de dupla curvatura. Ou seja, é mais um exemplo do complexo como resultado da repetição de padrões simples. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 14 Esta obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 15 ABSTRAÇÃO : VER A ESSÊNCIA DAS COISAS PERSISTÊNCIA : INSPIRAÇÃO + TRANSPIRAÇÃO Vamos apresentar agora exemplos de aplicação de outra ferramenta da criatividade, que é a abstração. Como já comentamos, a abstração é a capacidade de ver a essência das coisas. Ou seja: ver aquilo que realmente importa. O processo de abstração, por sua vez, requer persistência. E a persistência é uma outra questão que tem muito a ver com a criatividade. Persistir na busca de uma solução requer um tanto de inspiração e de muita transpiração. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 16 PICASSO - TOURO Segundo estudo Quarto estudo oitavo estudoDécimo primeiro estudo Aqui vemos os estudos de um touro feito por Picasso. Ele produziu mais de dez estudos para chegar à essência da imagem de um touro. Em primeiro lugar vemos o resultado do segundo estudo, onde aparece a figura típica de um touro. A seguir, no quarto estudo, Picasso vai eliminando algumas linhas na procura daquelas essenciais. No oitavo estudo vemos uma figura que representa a quase essência do que é um touro. No décimo primeiro estudo Picasso alcança o que é, para ele, a essência do touro. Note que nesta imagem final, a cabeça é pouco importante para representação do touro. São o corpo, o sexo e o chifre, os elementos essenciais na representação do animal. Note que nesse ultimo estudo, mesmo que não soubéssemos sua origem, facilmente identificaríamos a figura de um touro. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 17 ( Os desenhos ao lado são o resultado de uma troca de desenhos, via fax, ocorrida entre o Prof. Yopanan e o arquiteto Newton Massafumi, quando da elaboração do projeto de arquitetura e estrutura para a cobertura de uma quadra) Gosto de mostrar esse evento porque ele ilustra bem o processo de diálogo entre aarquitetura e estrutura. Vemos que a primeira proposta de projeto era de uma cobertura em treliça como o desenho mostrado acima. Vemos no segundo desenho uma alteração do primeiro desenho: ocorre uma limpeza, necessária, pois a primeira estrutura estava, visualmente, um pouco pesada. No terceiro estudo há a sugestão de uma solução ainda mais leve. As tentativas poderiam parar nesse estudo que parece ser a solução final. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 18 Mas a persistência fez com que prosseguíssemos no estudo. Com isso, chegamos a uma solução que tem muito a ver com a primeira, mas, bem mais limpa e leve, o que agradou tanto ao arquiteto como ao engenheiro. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 19 Neste último slide fazemos a comparação da primeira proposta com a adotada. Percebe-se que ao eliminar barras, limpando a estrutura, estavam engenheiro e arquiteto procurando a essência da solução. Esse processo de abstração e persistência seria muito produtivo se fosse freqüente entre arquitetos e engenheiros. O diálogo é muito rico para a criatividade porque é quando as idéias vagueiam, sem fronteiras, sem preconceitos, sem medo de propor coisas que não sejam adequadas. Pode ser um processo extremamente gratificante. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA 20 Aqui vemos uma outra manifestação de criação através da abstração. Trata-se da cobertura de um ginásio de esportes. Uma solução estrutural inicialmente aceita para execução, pela persistência de alguém, é submetida a novos estudos buscando abstrair dela os elementos essenciais para vencer o vão. Com isso chegou-se a uma solução diferenciada. O processo começou com um pórtico, com 50m de vão, em perfil de alma cheia, inicialmente aceito. Depois insistiu-se em procurar novas soluções. O slide mostra as diversas soluções estudadas, tais como um pórtico, já não mais de alma cheia, mas treliçado, e que resultou em uma solução mais leve. Depois um pórtico de vigas e cabos. Em seguida, uma solução semelhante a anterior, mas com cabos curvos. E, após novas alterações, chega-se a uma estrutura pênsil ancorada nos extremos, e que foi a solução construída. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 21 “ SÓ DANÇO O SAMBA, SÓ DANÇO O SAMBA, VAI, VAI, VAI...” TRANSFORMAR: DAR NOVA INTERPRETAÇÃO ÀS SOLUÇÕES ROTINEIRAS - A ELEGÂNCIA DA SOLUÇÃO - Outra ferramenta útil à criatividade, principalmente na fase de síntese, é o processo de transformação, quando podemos dar novas interpretações a soluções rotineiras, procurando, no processo, soluções mais elegantes e com um resultado formal melhor. A transformação é um processo típico de raciocínio divergente ou de pensamento lateral. Para ilustra melhor, vamos usar como exemplo uma musica que muita gente conhece, da época da bossa nova. Essa música em uma primeira interpretação poderia resultar no seguinte (em tom monocórdio): só danço o samba, Vai. Vai. Vai. Só danço o samba, só danço o samba, vai. Ora, será que alguém acharia alguma graça nessa letra? Dificilmente. Agora apresentada de outra maneira com uma nova interpretação, ou seja,com uma transformação mais elegante, ela torna-se um sucesso. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 22 Aqui vemos um exemplo de transformação da idéia de uma torre de transmissão. Estamos bastante acostumados à imagem de uma torre de transmissão tradicional, que é reproduzida à exaustão. De repente alguém imagina um projeto diferenciado, provoca uma transformação, dando uma interpretação nova para a arquitetura e estrutura das torres de transmissão, obtendo com isso uma solução diferenciada, de enorme elegância. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 23 Aqui vemos uma solução criativa para arcos não funiculares. É bom lembrar que arcos não funiculares são aqueles em que a forma não é coerente com o carregamento, ou seja, não tem a forma antifunicular do carregamento. Como sabemos, isso provoca o aparecimento de momentos fletores, o que em princípio não é desejável, pois tende a aumentar as dimensões do arco. Neste caso, em vez do autor do projeto aumentar a altura estrutural aumentando a espessura do arco, o que seria uma solução rotineira, ele a aumenta através do uso de cabos, que vão absorver a tração produzida pelo momento fletor. Isso resulta em uma estrutura mais leve, mais transparente, e muito mais elegante. Aqui são apresentados dois projetos em que a mesma solução foi utilizada: aumento da altura estrutural usando cabos. O primeiro o arco tem uma forma não funicular que resulta em momentos fletores que provocam tração na face superior a esquerda e na na face inferior a direita. No segundo a forma não funicular apresenta momentos fletores que provocam tração nas faces externas das laterais do arco, e tração na face inferior no vão central. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 24 Aquivemos a comparação das soluções propostas para os dois arcos. Apesar do problema ser o mesmo, observamos que as soluções são diferenciadas, cada uma com seu toque de originalidade. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 25 Outra solução estrutural que merece uma transformação é a treliça espacial. O padrão que normalmente se utiliza para compor uma treliça espacial é o de uma pirâmide de base quadrada ou retangular . Isso faz com os planos superiores e inferiores da treliça sejam preenchidos por quadrados ou retângulos. Vale a pena lembrar que existe uma grande quantidade de variação nas figuras geométricas regulares, alem do quadrado e do retângulo, que podem preencher planos. Nesse slide vemos algumas possibilidade de composição de figuras geométricas regulares , como triangulo, hexágonos e octógonos, que associados, podem resultar em soluções novas para treliças espaciais., O que irá acrescentar um ganho na forma e na elegância da já tradicional treliça espacial. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 26 Acima vemos uma forma diferenciada para treliças espaciais. É o projeto do concurso de um museu. Nessa proposta o corpo do museu é constituído de uma grande caixa composta por treliças espaciais, tanto na cobertura, como piso e paredes laterais. Além disso, é proposta uma nova composição de barras, usando outras figuras geométricas que não o quadrado e o retângulo. Neste caso a composição é feita com octógonos e quadrados, o que se traduz em uma nova estética para as treliças espaciais. É o processo de transformação, dando uma interpretação mais elegante para as treliças espaciais. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 27 Acima podemos ver uma aplicação bastante interessante da viga vagonada. O projeto propõe uma grande viga vagonada que se agrega à fachada, suportando simultaneamente cobertura e piso. É uma interpretação diferenciada e elegante do uso de vigas vagonadas. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 28 Aqui vemos uma obra bastante simples: um portão. Uma pequena modificação na posição de dobra da porta, faz com que essa portão ao se abrir adquira a forma de uma superfície em parabolóide hiperbólico. Uma interpretação bastante elegante para uma porta de galpão: uma porta que se transforma em cobertura e que, além disso, apresenta uma grande resistência dada pela geração de uma superfície em casca. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 29 Unir duas idéias que nunca haviam estado unidas e tirar daí uma terceira O RACICIOCÍNIO DIVERGENTE O PENSAMENTO LATERAL ( Edward de Bono) Vamos agora discutir outras ferramentas da criatividade: o raciocínio divergente e o pensamento lateral. São ferramentas que objetivam desviar nosso raciocínio da simples reprodução de obras habitualmente projetadas. Esse desvio pode, inclusive, perpassar outras áreas do conhecimento humano, buscando associar idéias que, aparentemente não se encaixam ou não se juntam, para obter um resultado criativo. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 30 Nessa obra de Renzo Piano, vemos uma aplicação diferenciada da viga vagonada. Normalmente as telhas são vistas apenas como elementos de vedação, exceto em situações em que a telha isoladamente tem secção capaz de fazê-la vencer vãos consideráveis. Neste projeto, Renzo Piano, inova ao juntar em uma só estrutura dois elementos que comumente são pensados separadamente: a vedação em telha e a viga vagonada. Neste caso Piano propõe uma viga em que a telha constitui- se na membrura superior da viga vagão, colaborando na resistência da peça. Essa solução nos chama a atenção para a possibilidade de se usar elementos de vedação como participantes da estrutura, ampliando as possibilidades de vedações estruturais além da já bastante conhecida alvenaria estrutural.. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 31 Neste caso , o raciocínio divergente é outro. Vemos ao lado direito a imagem de um brise feito com lonas. É um brise projetado por Nicholas Grimshaw para um pavilhão de exposições. Repare como ele vai buscar a idéia do brise em uma outra área, aparentemente diferente da área das edificações, a construção naval. Ele usa algo como pequenas velas para compor o brise. Vale ressaltar que, não querendo inventar a roda de novo, Grimshaw vai buscar na industria naval a solução para os detalhes de cabos e ligações, entre outros, transferindo-os para seu projeto de edificação. Sistemas Estruturais em Aço naArquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 32 Aqui temos uma solução bastante inovadora, resultado da associação de idéias que aparentemente estão distantes. Tem-se, em princípio, a idéia que uma malha de cabos é uma solução estrutural apropriada, apenas, para coberturas. No entanto neste projeto, o autor associa uma malha de cabos à estrutura de uma passarela, para apoio desta. Isso faz com que o efeito sinérgico dessa união resulte em uma solução diferenciada e inovadora. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 33 É na associação de soluções que aparentemente não se aproximam, que podemos ter como resultado propostas estruturais extremamente criativas. Neste caso temos a associação de uma laje de concreto armado com uma estrutura metálica. Para não aumentar a espessura da laje, o projetista aumenta sua altura estrutural usando uma malha de barras metálicas associada à laje, resultando numa espécie de vagonamento da laje em duas direções. É realmente uma solução inesperada, porque aqui além de se unirem soluções estruturais diferentes, unem-se também materiais diferentes; um procedimento que só pode enriquecer as possibilidades criativas. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 34 O ARCO O PÓRTICO ANALOGIAS E METÁFORAS Agora vamos apresentar ainda dentro do raciocínio divergente, outra ferramenta bastante poderosa para a criatividade: o pensar através de analogias e metáforas. Analogias são feitas quando as idéias próximas, e metáforas com idéias muito afastadas. Com essa ferramentas podemos unir áreas aparentemente muito distantes como a engenharia e a biologia, a engenharia e o reino animal, e assim por diante. Neste slide são apresentados dois exemplos muito simples que mostram como as analogias e metáforas podem ocorrer. A simples observação dos ossos de um pé podem inspirar para soluções diferenciadas em estruturas em arcos e similares. O corpo de um animal, como mostra a figura ao lado, também pode nos inspirar a tratar estruturas em pórticos de outra maneira. Analogias e metáforas servem não só para inspirar propostas de novas soluções estruturais, como também para facilitação do aprendizado. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 35 Blur building Neste slide vemos o uso da metáfora da nuvem. Essa metáfora leva à concepção de uma nova possibilidade estrutural para um edifício. Esse edifício é o Blür Building , cuja proposta é de imitar um nuvem que pairasse sobre um lago. É óbvio que para ser coerente com a leveza de uma nuvem, a proposta estrutural deveria ser também muito leve e transparente. Para isso optou-se por uma estrutura em tensegrity. A nuvem em volta da estrutura é criada por mais de trinta mil aspersores de vapor. O vapor permanece durante algum tempo em volta da estrutura simulando uma nuvem pairada sobre o lago. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 36 Neste slide vemos o uso da metáfora do ninho. Essa metáfora serviu de fonte de inspiração para a inusitada estrutura do estádio de Beijin para a olimpíadas da China. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 37 Aqui a analogia do Bambu inspira Pier Luigi Nervi na proposta de uma torre para uma ponte pênsil para o estreito de Messina. A estrutura da torre é em argamassa armada com seção tubular de parede muito fina.. Uma seção tubular quando submetida a flexão pode apresentar um achatamento, o que causa diminuição na sua resistência. Para evitar esse achatamento devemos projetar os chamados diafragmas de enrijecimento. A natureza dotou a seção do bambu com nós que se comportam como esses diafragmas. Usando a analogia estrutural do bambu, no que se refere aos nós, Nervi usa anéis, como diafragmas, para enrijecer as paredes desse grande pilar em tubo. Dessa maneira ao ser fletido a seção do tubo não se modifica garantindo a resistência do pilar. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 38 Aqui a analogia ou metáfora da teia de aranha inspira Frei Otto na proposta de cobertura para o estádio Olímpico de Munique, criando para a época uma solução muito inovadora e que carrega consigo o conceito de diferenciado. Essa solução produz um conhecimento novo que passa a ser aplicado de forma mais corriqueira por outros arquitetos e engenheiros. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa.Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 39 Um dos grandes problemas dos edifícios muito altos é a questão de contraventamento. O custo dos contraventamentos convencionais em edifício muito altos pode a chegar a 30 % do peso total da estrutura, o que a encarece muito. O engenheiro Farluz Khan propõe uma solução que ,a partir daí, serviu de referência para novos projetos similares. Khan utilizou para contraventamento a analogia com os tubos. Como o tubo tem uma secção muito rígida eles tornam-se solução muito eficiente para travamento desses edifícios. Devido à impossibilidade arquitetônica de se usarem tubos de paredes contínuas, Khan propõe falsos tubos criados a partir de pilares, muito próximos, e vigas que, juntos, formam um sistema estrutural muito próximo ao comportamento de um verdadeiro tubo. Khan denomina-o de pseudo-tubo. A quantidade de tubos varia de acordo com a altura a ser travada. Reparem que nos andares mais altos a necessidade de travamento é menor, o que faz com que a quantidade de pseudo-tubos diminua. Essa solução estrutural inovadora reflete-se na forma do edifício, criando também uma solução arquitetônica diferenciada. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 40 Aqui temos uma analogia oriunda de um brinquedo. Constantemente, temos contato com brinquedos que poderiam, através de analogias, inspirar novas soluções estruturais. Este brinquedo chama-se pega-varetas. É um brinquedo bastante conhecido. Nele as varetas criam um certo emaranhado, onde as varetas se apóiam, reciprocamente, umas nas outras. Essa situação,por analogia, sugere uma estrutura muito interessante denominada estrutura recíproca, onde barras apóia-se umas nas outras, sem haver uma hierarquia. Dessa maneira, obtém-se uma estrutura extremamente instigante e curiosa que pode ser facilmente aplicada a várias situações arquitetônicas e estruturais. Neste exemplo ,da estrutura de uma cobertura, as barras são treliçadas. Os elementos de vedação da cobertura são apoiados, alternadamente, nos banzos superiores e inferiores das treliças, fazendo com que surjam faixas abertas, como numa espécie de shed, permitindo a entrada de iluminação e ventilação e propiciando ao ambiente interno um efeito visual muito interessante.Essa estrutura pode ser usada para outras formas que não sejam necessariamente circulares. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. Uma outra analogia natural, muito interessante, é dada pelas bolhas de sabão. A bolha de sabão quando isolada adquire a forma esférica que é a de menor estado de energia. Quando associada a outras, se equilibram em uma formação também de menor estado energético. Isso leva à formação típica de três faces adjacentes, como mostra a figura. Estruturas que seguem essa formação são estruturas que apresentam um estado energético mínimo e, portanto, são estruturas muito leves e econômicas. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 42 O mesmo fenômeno pode ser observado nas maclas dos cristais. Devido ao equilíbrio atômico os cristais, quando se agrupam, tendem a manter forma idêntica às da bolha de sabão. Essa é outra analogia que pode ser extrapolada para soluções arquitetônicas e estruturais. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 43 Apresentamos ,a seguir, uma série de imagens que ilustram a utilização da metáfora das bolhas e dos cristais na composição de sistemas estruturais leves. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 44 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 45 Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 46 · Sinestesia – "ver" com as mãos - "ouvir" com a visão e assim por diante fotos de Evgen Bavcar Ver com os olhos da mente : Imaginar Aqui temos um exemplo bastante interessante de como o processo sinestésico é bastante poderoso na criatividade. São belas fotos obtidas por um fotógrafo chamado Eugen Bauscher. O que diferencia esse fotógrafo dos demais é que ele é cego. No entanto a cegueira não o impede de “ver” imagens através de outros sentidos, a ponto de conseguir captá-las através de uma máquina fotográfica. Na hora de projetar e criar, muitas vezes não prestamos atenção ao ambiente que nos cerca. Esse ambiente despercebido pode estar rico de analogias e metáforas que podem nos inspirarcoisas novas e diferenciadas. Uma forma de sentir esse ambiente é usar de todas as possibilidades de sentido que o nosso corpo pode permitir. Ou seja, é também importante pensar com todo corpo. Pensar com o corpo de maneira sinestésica, ou seja desenvolver habilidades que permitam ver com todos os sentidos e não só com os olhos. É preciso ver com os olhos da mente; criar imagens mentais, ou seja imaginar, usando todos os nossos sentidos. É possível lembrar ou imaginar, através do cheiro, do gosto, do som e do tato. Para ter idéias criativas é importante desenvolver essa habilidade de pensar com o corpo. Os gestos mais simples como sentar numa cadeira, apoiar-se sobre uma mesa, e assim por diante, podem ser fonte de geração dessas idéias. PENSAR COM O CORPO Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 47 Acima vemos uma forma de aprendizado que utiliza as sensações do corpo para perceber como as estruturas se comportam. Ou seja, sentir o que elas também sentem quando sujeitas a essas situações. Neste caso, o aprendiz pode perceber no seu corpo a sensação da compressão que ocorre nos arcos, assim como os efeitos dos empuxos. PENSAR COM O CORPO Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 48 CONHECIMENTO VALORIZAR A ARQUITETURA A PARTIR DA ESTRUTURA E VICE VERSA Um belo exemplo de como o conhecimento do comportamento das estruturas pelo arquiteto pode gerar idéias criativas é o projeto de Norman Foster para a torre de Colserolla. Sabemos que uma barra submetida a compressão sofre a possibilidade de flambagem, e que um dos fatores que mais influenciam na estabilidade da barra é o seu comprimento. Uma maneira de diminuir esse comprimento é o travamento da barra em determinados pontos. Esse travamento pode ser feito através de cabos. Usando esse conhecimento o arquiteto Foster, alia as necessidades estruturais às necessidades arquitetônicas de espaço, introduzindo no espaço deixado pelos cabos a área da edificação que vai dar apoio ao funcionamento da torre. De nada adianta todas as ferramentas de incentivo à criatividade se a pessoa que se propõe a criar não conheça bem o assunto sobre o qual está trabalhando. No nosso caso, um bom conhecimento estrutural pelos arquitetos, assim como um bom conhecimento de arquitetura pelos engenheiros é um pré-requisito fundamental. Essa troca de conhecimentos sempre resulta na valorização tanto da arquitetura como da estrutura, principalmente na geração de novas idéias. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 49 Nessa obra do arquiteto M. Pei há também uma demonstração de como tirar partido do conhecimento das necessidades estruturais e constituir uma arquitetura com uma forma bastante interessante, inovadora e criativa. Para contraventamento do edifício Pei propõe um treliçamento espacial, explorando-o esteticamente para criar a forma externa do edifício. Uma forma toda facetada, em triâgulos, o que, sem dúvida, gera um novo resultado formal para os edifícios altos. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 50 Neste projeto de uma residência, o arquiteto Shigeru Ban leva ao extremo a esbeltez dos pilares de apoio da cobertura. Sabemos que a esbeltez dos pilares ,para efeito de flambagem , também está ligada às questões dos vínculos extremos das barras. O comprimento de flambagem vai depender de como esses vínculos se apresentam. Uma barra bi-engastada vai apresentar um comprimento de flambagem igual à metade daquele que tem uma barra biarticulada. Como o comprimento de flambagem influencia ao quadrado a capacidade da barra a compressão, diminuindo pela metade o seu comprimento obtém-se, com a mesma seção, uma barra quatro vezes mais estável. É isso que faz Shigeru Ban para obter um pilar tão esbelto: Engasta seus extremos. Para obter este engastamento, garantindo a indeslocabilidade do nó, Ban trava a cobertura em um maciço muito rígido de concreto, um muro de arrimo, que na figura pode ser observado no canto esquerdo. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 51 Neste edifício de fachada diferenciada, o arquiteto Norman Foster também tira partido das necessidades de travamento do edifício. O local onde o edifício é implantado apresenta possibilidade de terremotos. Neste caso um travamento muito rígido não seria conveniente, pois a estrutura passa a absorver grande energia e, portanto, grandes esforços. O uso de treliçamento, neste caso , devido sua grande rigidez, não seria adequado. Uma nova proposta de contraventamento, como a mostrada na figura, permite uma estrutura mais deformável, que possa dissipar parte da energia , diminuindo, com isto, os esforços nas barras da estrutura. Neste caso o arquiteto aproveita esse novo desenho de contraventamento, expondo-o, criando com isso um novo e interessante desenho de fachada. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 52 Neste projeto de Mies Van der Rohe, de solução estrutural bastante simples, há uma genialidade na forma como ele trata os pilares, cujas secções são compostas de perfisI. Com isso cria-se uma seção bastante rígida, pois joga-se material para longe do centro de gravidade da seção, aumentando sua inércia. Ao mesmo tempo em que se cria uma seção com uma solução estética muito interessante. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 53 A CORAGEM DE OUSAR Outra fator muito útil na criatividade, mas ao mesmo tempo polêmico, é o ato de arriscar. Muitas vezes deixa- se de procurar uma solução nova, pelo receio, sentimento ligado à zona de conforto, que nos garante a segurança dos resultados. No entanto, permanecer nessa zona de conforto só nos faz reproduzir soluções consagradas e nada criativas. Para criar, muitas vezes, devemos ter a coragem de ousar. É óbvio que essa ousadia deverá ser sempre amparada por conhecimentos profundos do assunto relacionado à nossa proposta. Sobre essa coragem de ousar, Peter Rice, um grande engenheiro de estruturas, dizia que um bom e criativo engenheiro de estruturas jamais deve dormir tranqüilo. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Esta outra obra ilustra bem o aparentemente complexo obtido a partir de módulos simples. Trata-se do Museu Guggenheim, de Bilbao, conhecido por sua forma extremamente complexa. Como se pode observar pela foto, sua estrutura nada mais é do que a junção de diversas treliças feitas com apenas três tipos de barras. Estas treliças apresentam um módulo que justaposto de uma maneira conveniente resulta na possibilidade de uma superfície bastante complexa. 54 O RISCO DE INOVAR - AS NORMAS TÉCNICAS - DAVID OLGIVY: " AS NORMAS EXISTEM PARA OBEDIÊNCIA DOS TOLOS E ORIENTAÇÃO DOS SÁBIOS " A CORAGEM DE OUSAR Infelizmente, muitas das restrições impostas pelas Normas Técnicas tornam-se fontes de cerceamento ao ato criativo. A Norma tende a se basear em resultados comprovados e que seguramente darão certo. As restrições e procedimentos impostos pelas normas devem ser sempre vistos criticamente. Um publicitário inglês, chamado David Olgivy, tem uma frase, que apesar de poder ser considerada um pouco extrema, tem muito de verdade. Ele diz : “As normas existem para obediência dos tolos e orientação dos sábios”. Essa frase chama a atenção para que olhemos as Normas com bastante crítica, sabendo separar o que é realmente fundamental do que é apenas aplicação de novas teorias, que nunca deixarão de ser teorias e que sem as quais poderemos passar muito bem na nossa lida diária. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece o resultado de uma primeira experiência feita por Buckminster Fuller, com cúpulas geodésicas. Como se pode observar, não foi bem sucedida. Por uma avaliação equivocada da capacidade das barras, elas flambaram. Esse primeiro ensaio foi feito em uma escola americana, sob os olhares de alunos e professores, o que sem dúvida constituiu-se em uma grande ousadia. No entanto este insucesso não desanimou Fuller. Muito pelo contrário, usou o insucesso como aprendizado, possibilitando- lhe evoluir na pesquisa, o que permitiu que ele produzisse um grande número de coberturas desse tipo muito bem sucedidas e que lhe carreou seguidores pelo mundo todo. 55 Neste slide aparece o resultado de uma primeira experiência feita por Buckminster Fuller, com cúpulas geodésicas. Como se pode observar, não foi bem sucedida. Por uma avaliação equivocada da capacidade das barras, elas flambaram. Esse primeiro ensaio foi feito em uma escola americana, sob os olhares de alunos e professores, o que sem dúvida constituiu-se em uma grande ousadia. No entanto este insucesso não desanimou Fuller. Muito pelo contrário, usou o insucesso como aprendizado, possibilitando- lhe evoluir na pesquisa, o que permitiu que ele produzisse um grande número de coberturas desse tipo muito bem sucedidas e que lhe carreou seguidores pelo mundo todo. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA A 56 A insistência de Fuller fez com que o uso de coberturas em cúpulas geodésicas se impusesse como solução extremamente leve e econômica, como esta apresentada acima. O uso da geodésica devido suas características estruturais, se tornou solução freqüente para grandes vãos, como pode ser visto nessa obra do próprio Fuller, o pavilhão dos Estados Unidos na feira internacional de Montreal. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA A insistência de Fuller fez com que o uso de coberturas em cúpulas geodésicas se impusesse como solução extremamente leve e econômica, como esta apresentada neste slide. 57 Não se deve esquecer que toda obra por mais perfeita que possa parecer sempre apresentará algum defeito, pois ela é feita por seres humanos, naturalmente imperfeitos. Este slide mostra que aquela geodésica de Montreal, aparentemente perfeita, apresentou uma falha: os materiais de vedação eram altamente inflamáveis e foram rapidamente consumidos por um incêndio. Mais um revés para Buckiminster Fuller, que mais uma vez não se deixou abater, porque ele viu a falha como mais uma fonte de aprendizado. Uma falha que não permitiu que o mundo deixasse de aplaudi-lo e de usar suas soluções estruturais. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA A insistência de Fuller fez com que o uso de coberturas em cúpulas geodésicas se impusesse como solução extremamente leve e econômica, como esta apresentada neste slide. 58 Ousadia também aparece nessa proposta de passarela: a ponte do milênio de Normann Foster, uma estrutura mista, vagonada e pênsil. As flechas para os cabos, normalmente usadas nessas estruturas são de 1/15 a 1/10 do vão. Foster propõe 1/68, ou seja, um cabo muito pouco abatido. Uma grande ousadia. Isso resultou em uma ponte com freqüência muito alta, o que fez com que no dia de sua inauguração ela sofresse grandes vibrações com a circulação de pessoas. Ao contrário de se tornar um fracasso, essa inesperada falha serviu de base para o aprendizado. Os estudos feitos revelaram comportamentos inesperados no caminhar das pessoas, resultados que servirão de base para projetos de novas passarelas. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA A insistência de Fuller fez com que o uso de coberturas em cúpulas geodésicas se impusesse como solução extremamente leve e econômica, como esta apresentada neste slide. 59 Temos aqui um outro exemplo de ousadia. É o projeto proposto por Rino Levi para Brasília quando da realização do concurso para a nova capital, concurso este vencido por Oscar Niemeyer. O projeto de Rino Levi obteve o segundo lugar. A grande ousadia desse projeto está na proposta de edifícios laminares com mais de oitenta pavimentos, que teriam como desafio as questões de estabilidade e rigidez, principalmente sob a ação dos ventos. Claro que estas questões foram previstas pelo engenheiro de estruturas, Paulo Fragoso, que assessorou o arquiteto durante o desenvolvimento da proposta. Paulo Fragoso, apresentou, inclusive uma prancha de desenho da estrutura onde as dimensões das peças já eram estabelecidas. Como não foi executado, nunca saberemos das falhas, que com certeza existiriam e que poderiam servir de fonte de aprendizado para novos projetos. Poder-se-ia, até, especular o que seria do desenvolvimento das estruturas metálicas no Brasil se esse fosse o projetovencedor do concurso. Talvez hoje tivéssemos uma outra relação com as edificações metálicas no Brasil. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA A insistência de Fuller fez com que o uso de coberturas em cúpulas geodésicas se impusesse como solução extremamente leve e econômica, como esta apresentada neste slide. 60 0 Aqui vemos uma prancha do projeto com a estrutura metálica prevista por Paulo Fragoso, apresentada no concurso. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA A insistência de Fuller fez com que o uso de coberturas em cúpulas geodésicas se impusesse como solução extremamente leve e econômica, como esta apresentada neste slide. 61 O MODELO COMO FERRAMENTA PARA CRIAÇÃO E APRENDIZADO ANÁLISE: Depois de todo o processo de síntese, quando se buscam inspirações criativas nas mais dispersas fontes, ou seja, a fase que permite grandes viagens intelectuais, sem restrições, medos ou mesmo vergonha, vem a fase de análise, quando, com um raciocínio mais formal e mais lógico, a gente vai verificar a validade das idéias sob vários aspectos. Para isso existem várias ferramentas. Aqui vamos destacar uma, que consideramos das mais importantes, o uso de modelos. Os modelos servem tanto para a criação de novas propostas pelos profissionais, como também como fonte de aprendizado, tanto para experientes profissionais como para estudantes. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA A insistência de Fuller fez com que o uso de coberturas em cúpulas geodésicas se impusesse como solução extremamente leve e econômica, como esta apresentada neste slide. 62 MODELOS NA CIÊNCIA DAS ESTRUTURAS GALILEU COMO PRECURSOR DO ENSAIO DE ESTRUTURAS Os modelos, na ciência das estruturas, já é usado há muitos anos. Podemos dizer que desde o tempo de Leonardo da Vinci. Mas é Galileu que de fato se constitui no precursor da análise mais cientifica e formal do comportamento das estruturas. Nesse slide vemos a capa do seu famoso discurso e demonstrações matemáticas sobre o comportamento de estruturas. Na folha seguinte vemos o desenho do ensaio de uma viga em balanço carregada no seu extremo. Na verdade Galileu não chega a um resultado correto, o que só viria acontecer depois de quase cem anos. De qualquer forma, Galileu mesmo errando abre uma porta para que outros venham se interessar pelo assunto de maneira mais cientifica. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA A insistência de Fuller fez com que o uso de coberturas em cúpulas geodésicas se impusesse como solução extremamente leve e econômica, como esta apresentada neste slide. 63 MODELOS QUALITATIVOS A BUSCA DA FORMA MAIS ADEQUADA Vamos iniciar abordando os modelos qualitativos. O uso desses modelos tem não só a função de fazer entender o comportamento de uma determinada estrutura, como também de otimizá-la tanto sob o aspecto de melhor desempenho como também do ponto de vista estético. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA A insistência de Fuller fez com que o uso de coberturas em cúpulas geodésicas se impusesse como solução extremamente leve e econômica, como esta apresentada neste slide. 64 Vemos aqui como o arquiteto Antonio Gaudi desenvolvia suas criações a partir de modelos. Como seus projetos eram baseados ,fundamentalmente , em materiais pétreos, interessava a Gaudi desenvolver estruturas que apresentassem predominância de esforço de compressão, bastante adequados àqueles materiais. Para determinar a forma estrutural mais adequada para os esforços de compressão ele usava o processo do funicular. Como sabemos, o funicular é a forma que os cabos adquirem sob a ação de forças. Para cada conjunto de forças sobre o cabo existe um funicular. Sabemos também que o cabo só reage a tração. Portanto, o cabo na forma funicular apresenta somente tração e isto leva a concluir que invertendo a forma funicular de um determinado conjunto de forças obtém-se uma forma que só desenvolve compressão. Usando modelos elaborados com cabos em escala, inclusive de forças, que no caso era de 1 para dez mil, Gaudi lançava-as nos cabos. Estes adquiriam uma determinada forma funicular. Dessa maneira, sabia Gaudi que se invertesse aquela forma obteria uma estrutura totalmente comprimida na qual pudesse usar pedras como elemento de construção. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA A insistência de Fuller fez com que o uso de coberturas em cúpulas geodésicas se impusesse como solução extremamente leve e econômica, como esta apresentada neste slide. 65 MODELOS PARA DETERMINAÇÃO DE FORMAS Frei Otto é outro arquiteto e pesquisador que usa modelos não só elaborados, como também modelos da natureza. Usa-os na procura das formas mais adequadas para suas estruturas. Como ele trabalha frequentemente com estruturas em lonas, onde o mais importante é o estabelecimento das superfícies mínimas estáveis, Frei Otto cria modelos muito interessantes feitos com bolhas de sabão. As superfícies geradas são sempre superfícies mínimas. O contorno das superfícies, estabelecidas pelo projeto, são modeladas por um fio de arame. Mergulhando o contorno feito com arame em uma tina com detergente, forma-se ao longo da borda de arame uma membrana de sabão que desenha uma superfície que é mínima e, portanto, a ideal para a lona. Esse modelo é fotografado e transferido para o computador para que se procedam aos ajustes e cálculos definitivos. Perceba como esse procedimento é altamente positivo para o desenvolvimento de novas possibilidades formais: mudando a forma do arame ou sua posição podem ser obtidas as mais diversas formas estruturais e arquitetônicas. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA A fez com que o uso de coberturas em cúpulas geodésicas se impusesse como solução extremamente leve e econômica, como esta apresentada neste slide. 66 MODELOS PARA DETERMINAÇÃO DE FORMAS Aqui vemos outro modelo de Frei Otto, agora inspirado em Gaudi. São modelos funiculares que trabalham a tração e que, quando invertidos, trabalham apenas a compressão. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA A fez com que o uso de coberturas em cúpulas geodésicas se impusesse como solução extremamente leve e econômica, como esta apresentada neste slide. 67 Heins Isler é um engenheiro que usa a forma funicular para estudo de suas cascas em concreto armado. Isler interessou-se em usar esse tipo de modelo quando, em visita a uma obra, observou a forma adquirida por um pano que pendia de algumas barras de aço. Esse pano, devido a sua permanência ao tempo, apresentava uma superfície rígida. Usando essa analogia, Isler cria um processo para determinação de superfícies predominantemente comprimidas , que é o importante para suas cascas de concreto. Este é mais um exemplo de como observar, fazer analogia e metáforas pode ser uma grande ferramenta para a criatividade. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 68 Aqui vemos um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser ,inicialmente, obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofreremenrugamentos e perdas de forma. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 69 Aqui temos a cobertura do aeroporto de Stuttgart, que é uma estrutura composta de pilares em árvore. Esse tipo de estrutura é muito interessante porque permite que os pilares junto ao piso fiquem bastante afastados e os vãos da estrutura sejam diminuídos pelas ramificações. No caso desta obra os pilares estão distanciados de 40 m, enquanto a estrutura da cobertura não vence vão maior que 5 m. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 70 No aeroporto de Stuttgart , a posição dos galhos não é aleatória. Baseado também numa proposta de Frei Otto, cria-se um modelo de estudo feito de barbantes. Esses modelos servem para determinação da melhor posição para os galhos. Os barbantes são inicialmente molhados e unidos. Depois se deixam abrir em ramificações sob a ação de seu próprio peso ou de qualquer outro elemento. A ramificação obtida fornece o caminho mais curto para as cargas transitarem. Esse modelo é, também, uma espécie de funicular. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 71 MODELOS QUANTITATIVOS Muitas vezes os modelos qualitativos são complementados por modelos quantitativos, onde se pode determinar deformações e esforços. Este tipo de modelo é, geralmente, para estruturas complexas, cujo comportamento não é bem conhecido. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 72 MODELOS PARA DETERMINAÇÃO DE ESFORÇOS Aqui vemos dois exemplos de modelos quantitativos, onde podem ser usados os mais diversos aparatos mecânicos ou eletrônicos. O modelo da direita é especialmente interessante para verificar como as tensões se distribuem ao longo dos elementos estruturais. O processo é chamado de foto-elasticidade. A passagem de luz polarizada através de um modelo transparente submetido a um carregamento provoca o aparecimento de franjas coloridas que vão mostrar a intensidade das tensões e como elas se distribuem ao longo da peça. Este modelo representa o ensaio da estrutura de uma catedral gótica. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 73 O MODELO REAL ENSINANDO Outras vezes a resposta à nossa pesquisa só é alcançada pelo modelo real já executado ou por um protótipo. Através de suas deformações, fissurações e outros sinais, é possível verificar se o modelo teórico adotado foi adequado, ou preciso, em relação ao comportamento real. Ou seja, a obra executada também pode ser um modelo de aprendizagem. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 74 Aqui temos um exemplo bastante interessante dessa questão da obra executada como modelo de aprendizado. Vemos acima a Zuoz Bridge, do eng. Paul Maillart. Essa ponte, após sua execução, começou a apresentar trincas nos extremos. Maillart acompanhou o comportamento da ponte e verificou que essas trincas em nada prejudicavam a estabilidade da estrutura. Daí concluiu que aquela porção de massa não era necessária na estrutura. Esse aprendizado serviu para que Maillart projetasse uma nova ponte, a Tavanasa Bridge, com uma forma mais leve e muito mais estética. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 75 Aqui vemos duas pontes projetadas por Maillar, a partir da experiência anterior. Percebe-se facilmente o ganho estrutural e arquitetônico obtido na solução da Tavanasa Bridge. É a realidade ensinando a criar novas formas. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 76 MODELOS DE APRENDIZADO Além do modelo real existem outros que podem ser utilizados na aprendizagem e ensino, e que contribuem para o desenvolvimento da criatividade. São modelos qualitativos simples que permitem que o aprendiz perceba de maneira muito fácil o comportamento de sistemas estruturais. Aqui, aparecem alguns exemplos de modelos didáticos. Na primeira foto aparece um modelo que mostra, de maneira simples, o comportamento de barras tracionadas. Na segunda, o que ocorre em barras fletidas. Na terceira, temos um modelo que mostra como se distribuem as armaduras em uma estrutura de concreto. Na quarta, o modelo, também muito simples, mostra o comportamento de uma grelha. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 77 Aqui vemos outro modelo muito simples. É composto por uma vasilha de plástico. Esse modelo mostrao comportamento da estrutura das arquibancadas de um estádio. Como se pode ver, essa vasilha quando carregada abre-se em fatias, o que mostra a ocorrência de tração horizontal no contorno da estrutura. Acima, temos a imagem de um estádio projetado por Renzo Piano. Perceba como o aprendizado obtido do modelo da bacia de plástico pode ajudar na criação de uma estrutura inovadora para estádios. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 78 ESTRUTURA = CAMINHO DAS FORÇAS QUAL O MELHOR CAMINHO PARA AS FORÇAS ? QUAL A MELHOR SOLUÇÃO ESTRUTURAL ? Para podermos vencer a inércia da reprodução e enfrentarmos a procura por soluções diferenciadas devemos vencer uma barreira própria do ser humano que é a procura pelo “melhor”. Essa questão do “melhor” é muito discutível. O ser humano almeja tanto o melhor que, frequentemente, classifica muitas coisas como melhores; como, por exemplo, no caso de um jogador de futebol, é comum ouvir-se que determinado jogador é um dos melhores da atualidade, como se houvesse muitos melhores, o que é filosoficamente impossível. Kant dizia que o belo é bom para o ser humano porque sua mente tem condições de controlar bem o que envolve o belo. Já o sublime foge do seu controle, causando pavor e pânico. Portanto, o sublime não é, em última análise, bom para o ser humano. Extrapolando essa idéia podemos dizer que talvez o melhor não agrade tanto ao ser humano quanto o bom. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 79 Na verdade nós trabalhamos no dia-dia com as piores soluções estruturais porque na verdade são as que dão os melhores espaços. Por isso em vez de procurarmos a melhor devemos procurar a boa solução. A boa solução deve satisfazer determinados pré requisitos., que devem estar colocados de forma hierárquica. Por exemplo, ser em primeiro lugar a solução mais bonita, em segundo a mais leve, em terceiro a mais econômica e assim por diante. Ou dependendo de outras necessidades uma outra hierarquia. O que é importante é satisfazer adequadamente esses requisitos e fazer com que as distâncias entre essas hierarquias sejam as menores possíveis. Não interessa uma estrutura que seja a mais bela, mas de custo inviável, basta que a estrutura seja bela e possível de ser executada. Para discutirmos a questão da procura pela melhor solução estrutural vamos usar uma analogia: suponha que se queira projetar um pedestal de apoio para uma estátua em uma praça. Partindo do raciocínio de que estrutura é o caminho das forças, pode-se ter como a melhor solução a barra vertical colocada sob a estátua, que é o caminho mais curto para a carga da estátua. No entanto poderia ser colocada outra necessidade para essa estrutura: que ela permitisse que as pessoas circulassem sob a estátua. Dessa forma, a melhor solução deixa de ser a primeira e passa a ser a de duas barras inclinadas, que apesar de não representarem o menor caminho para as forças é uma solução que desvia as forças de maneira suave. No entanto se for colocada mais uma questão: a de que as pessoas ao circularem não sofram restrições de altura, a melhor solução passa a ser a da barra horizontal apoiada em seus extremos em duas verticais, o que, do ponto de vista estrutural , é a pior solução pois as forças são desviadas abruptamente da vertical para a horizontal. Apesar dessa solução não ser boa, do ponto de vista estrutural, ela é a que melhor resolve a questão de espaço. Portanto essa questão da melhor solução estrutural é muito relativa. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 80 Aqui temos uma passarela construída sobre uma estrada na Alemanha. Ela é considerada, pela literatura, como a pior solução estrutural. Isso se deve ao fato dela apresentar um grande distanciamento entre as qualidades arquitetônicas e as estruturais. O que ocorre é que a solução apresenta um arco com duas cargas concentradas devidas aos pilares de apoio do passadiço. Como um bom arco é aquele que tem a forma antifunicular das forças, a solução estrutural mais adequada seria a de um arco na forma trapezoidal. Não há dúvida de que essa solução, do ponto de vista arquitetônico, seria desagradável. A aproximação entre a qualidade arquitetônica e estrutural poderia ser obtida se fossem previstos mais apoios, ou se o passadiço tocasse o arco no seu ápice, aumentando os pontos de transmissão de cargas sobre o arco, e aproximando a forma do arco ao funicular das forças. Com isso não perderíamos na qualidade arquitetônica e ainda ganharíamos, e muito, na qualidade estrutural. A PIOR SOLUÇÃO: A FALTA DE ENCONTRO ENTRE A ARQUITETURA E ESTRUTURA Talvez jamais consigamos dizer qual a melhor solução estrutural porque, provavelmente, ela não existe. Mas a pior solução fica mais fácil de identificar: será aquela que cria um grande distanciamento entre a qualidade da solução estrutural e a da arquitetura. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 81 QUAL A MELHOR SOLUÇÃO ESTRUTURAL ? ESTRUTURA = CAMINHO DAS FORÇAS Já no caso dessa simples ponte de madeira, feita por gente simples sem conhecimento sistematizado do comportamento estrutural e arquitetônico, tem-se uma solução brilhante tanto estética como estrutural, com uma enorme coerência entre as duas áreas. Necessitando diminuir o vão das vigas do passadiço, o autor da obra, em lugar de colocar apoios intermediários sobre o leito do rio, coloca uma travessa. Essa travessa é apoiada, através de tirantes metálicos, no vértice do triangulo de madeira. Desta maneira tem-se uma carga concentrada cujo funicular é um triângulo. Portanto, a forma triangular da estrutura da ponte é perfeitamente adequada ao carregamento. Temos aí uma solução que resulta muito boa tanto do ponto de vista estrutural como arquitetônico. Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura Módulo 10 – Criatividade Estrutural CBCA Neste slide aparece um modelo bastante comum na procura e criação de formas para estruturas tracionadas. As melhores formas para estruturas em membrana podem ser inicialmente obtidas através desse tipo de modelo, visando rigidez suficiente para suportar carregamentos, não só de cargas estáticas, como as dinâmicas de vento, sem sofrerem enrugamentos e perdas de forma. 82 A Criatividade é um fator que pode ser utilizado em qualquer tipo de obra, pequena ou grande.Não é importante fazer projetos diferentes, mas sim projetos diferenciados. Uma pitada de criatividade é o tempero ideal. Para finalizar, gostaríamos de deixar uma mensagem: Devemos sempre procurar colocar, mesmo nas obras mais simples e mais corriqueiras, uma pitada de criatividade. Para isso é necessário que exercitemos os processos de criatividade através da síntese e da análise. Não precisamos necessariamente criar obras monumentais, que fiquem marcadas na história da humanidade, mas obras que sejam úteis, tanto pelo uso, como também para que outras pessoas possam nela se inspirar avançando com novas idéias. Portanto, é de fundamental importância que nos preocupemos em não fazer coisas diferentes, mas coisas diferenciadas que possam, de verdade, produzir conhecimento. Bons projetos. Prof. Yopanan C. P. Rebello Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura 1 Mensagem Final E assim chegamos ao final do nosso curso de "Sistemas Estruturais em Aço na Arquitetura". Gostaríamos de agradecer a sua participação. França - Arqtº Marc Mimram CCTV - China - Arqtº Rem Koolhas Aeroporto de Hamburgo - GMP Architectur E em seu próximo projeto, não esqueça, pense em aço! Até breve. Arqtº Sidnei Palatnik e equipe do CBCA Esperamos que tenha sido um esforço proveitoso, pois sabemos que o estudo via internet exige uma grande dedicação e disciplina do aluno. O intuito deste curso, complementando o que já foi estudado no curso anterior, "Introdução ao Uso do Aço na Construção", é de avançarmos ainda mais na estrada do conhecimento das estruturas de aço e colocando-a como real opção na concretização de seus projetos. O CBCA – Centro Brasileiro de Construção em Aço, é um órgão de divulgação de conhecimentos técnicos e continuará ampliando o repertório de publicações e informações a respeito de estruturas de aço e outros produtos de aço para a construção. Visite regularmente o site do CBCA, colocando a URL http://www.cbca-ibs.org.br na lista dos seus sites favoritos e acompanhe o que acontece no mundo das construções em aço. CBCA Av. Rio Branco, 181 / 28º Andar 20040-007 - Rio de Janeiro - RJ e-mail: cbca@ibs.org.br site: www.cbca-ibs.org.br www.cursoscbca.com.br Sistemas estruturais em Aço na Arquitetura