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Diálogos Sobre Pesquisas em Educação Especial na Perspectiva Inclusiva Vinicius Iuri de Menezes Eliana Marques Zanata Fabiana Aparecisa Menegazzo Cordeiro Vera Lucia Messias Fialho Capellini Diálogos Sobre Pesquisas em Educação Especial na Perspectiva Inclusiva Vinicius Iuri de Menezes Eliana Marques Zanata Fabiana Aparecida Menegazzo Cordeiro Vera Lucia Messias Fialho Capellini (Org) Diálogos Sobre Pesquisas em Educação Especial na Perspectiva Inclusiva 2024 Copyright © 2024 ABPEE Título: Diálogos Sobre Pesquisas em Educação Especial na Perspectiva Inclusiva Direção Editorial: Eliana Marques Zanata Edição e Diagramação: Davi Robson Latini de Carvalho Projeto Gráfico: Súsel Fernanda Lopes Capa: William Nobuhiro Mizobata ISBN 978-65-88765-08-0 Este livro passou por avaliação e aprovação às cegas de dois ou mais pareceristas ad hoc. A revisão geral e o conteúdo de cada capítulo são de responsabilidade dos autores. Ficha Catalográfica Diálogos sobre pesquisas em Educação Especial na perspectiva inclusiva [recurso eletrônico] / Vinicius Iuri de Menezes (organizadores)... [et al.] . - Bauru: ABPEE, 2024 347 p. ISBN: 978-65-88465-08-0 (Digital) Disponível em: https://www.jipeepi.com/publicacoes Publicação da 1. Jornada Internacional de Pesquisa em Educação Especial na Perspectiva Inclusiva Inclui bibliografia 1. Inclusão. 2. Pesquisa. 3. Experiência. I. Menezes, Vinicius Iuri de. II. Zanata, Eliana Marques. III. Cordeiro, Fabiana Aparecida Menegazzo. IV. Capellini, Vera Lucia Messias Fialho. CDD 371.9 Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca da Unesp Bauru Minervina Teixeira Lopes CRB-8/8692 Comissão Organizadora da I JIPEEPI Davi Robson Latini de Carvalho Eduardo Silva Benetti Fabiana Aparecida Menegazzo Cordeiro Ketilin Mayra Pedro Laura Regina Paniágua Justino Lucas de Morais da Silva Márcio José Linhares Maria Osvalda de C. Feitosa Cristovam Michelle Ap. de Almeida Teles de Ataide Súsel Fernanda Lopes Vera Lucia Messias Fialho Capellini Vinicius Iuri de Menezes Corpo Editorial Profª Dra. Carina Alexandra Rondini (UNESP) Prof. Dr. Éder Pires de Camargo (UNESP) Profª. Dra. Daiane Natália Schiavon (Faculdades Integradas de Jaú) Prof. Dr. Dariel de Carvalho (UNESP - LADEPPE) Profª. Dra. Eliane Jesus de Morais Mani (FAAG) Profª Dra. Kátia de Abreu Fonseca (SME-Bauru) Profª Dra. Ketilin Mayra Pedro (UFSCAR) Profª Dra. Olga Maria Piazentim Rolim Rodrigues (UNESP) Profª Dra. Silvia Regia Vieira da Silva (UNESP) Profª Dra. Verônica Lima dos Reis (EDUVALE) Comissão Científica Alan Rocha Damasceno (UFRRJ) Alessandra Ferreira di Roma (Pesquisadora) Ana Paula de Oliveira (Pesquisadora) Ana Paula Zerbato (USP) Dariel de Carvalho (UNESP) Edileine Vieira Machado (Pesquisadora) Eliana Marques Zanata (UNESP) Eliane Moraes de Jesus Mani (FAAG) Fátima Denari (UFSCar) Guilherme Henrique Gomes da Silva (UNESP) Jair Lopes Júnior (UNESP) Jacqueline Lidiane de Souza Prais (UNIR) Kátia de Abreu Fonseca (FAAG) Letícia Oliveira (Pesquisadora) Márcia Denise Pletsch (UFRRJ) Márcia Regina Reis (UENP) Maria de Fátima Belancieri (UNIFAI) Mariana dos Reis Alexandre (Pesquisadora) Mônica de Carvalho Magalhães Kassar (UFMS) Mônica Pereira dos Santos (UFRJ) Morgana de Fátima Agostini Martins (UFGD) Nadja Carolina de Sousa Pinheiro Caetano (UESPI) Rita Melissa Lepre (UNESP) Relma Urel Carbone Carneiro (UNESP) Silvia Regina Vieira da Silva (UNESP) Taís Chiodelli (UNESP) Thais Cristina Rodrigues Tezani (UNESP) Wagner Antonio Junior (SME-Bauru/SP) William Nobuhiro Mizobata (Pesquisador) SUMÁRIO APRESENTAÇÃO 11 EIXO 1 - ENSINO COLABORATIVO, COLABORAÇÃO, CO-ENSINO E DESENHO UNIVERSARL PARA APRENDIZAGEM CONTRIBUIÇÕES DO DESENHO UNIVERSAL PARA APRENDIZAGEM (DUA) NO PLANEJAMENTO E ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS Gracieli Ribeiro Antunes da Silva | Margit Regina Herrmann Ruela | Ariangelo Hauer Dias. 13 DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM E ESTUDANTES COM TEA: DESDOBRAMENTOS POSSÍVEIS Tatiana Marta Loch 18 ENSINO COLABORATIVO E FORMAÇÃO CONTINUADA EM SERVIÇO: CONTRIBUIÇÕES PARA PRÁTICAS INCLUSIVAS Adriana Inocência Gonçalves | Roseneide maria batista Cirino 23 ENSINO COLABORATIVO: POSSIBILIDADES E PERCALÇOS DA ORGANIZAÇÃO DO ENSINO COLABORATIVO ENTRE O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO ESPECIAL E O PROFESSOR DO ENSINO COMUM Sirlei Batista Franco Carvalho | Nerli Nonato Ribeiro Mori 28 FORMAÇÃO CONTINUADA: INCLUSÃO ESCOLAR NOS ALUNOS COM TEA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL SOB A PERSPECTIVA DO DUA Viviane Teles Vidal Dalanesi | Jair Lopes Junior 33 FORMAÇÃO DE PROFESSORES SOBRE O DESENHO UNIVERSAL PARA APRENDIZAGEM Delma dos Santos Silva Pereira 39 PROCESSO E PESQUISA SOBRE O DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM NO ENSINO DE GEOGRAFIA PARA ESTUDANTES AUTISTA Ícaro Belém Horta 44 EIXO 2 - DIREITO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA E CULTURAS INCLUSIVAS APONTAMENTOS SOBRE A EDUCAÇÃO SEXUAL DE CRIANÇAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL Débora de Aro Navega | Ana Cláudia Bortolozzi 50 ATIVISMO DIGITAL MATERNO E DIREITO À INCLUSÃO ESCOLAR Cândida Beatriz Alves | Sonia Cristina Hamid 55 CONSIDERAÇÕES SOBRE O RECONHECIMENTO DAS LÍNGUAS DE SINAIS NA AMÉRICA DO SUL Milena Maria Pinto | Lara Ferreira dos Santos 60 EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA – UMA ANÁLISE SOBRE O DIREITO À EDUCAÇÃO E AO TRABALHO Sandra Rodrigues da Silva Chang | Ubirajara da Silva Caetano | Letícia Paloma de Freitas Silva 65 ESCOLARIZAÇÃO E PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: POSSIBILIDADES TERMINOLÓGICAS OU PRIVATIZAÇÃO DO CURRÍCULO? Fábio Junio da Silva Santos | Georgton Anderson da Silva 70 O DIREITO À EDUCAÇÃO DO PÚBLICO-ALVO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO ESTADO DO PARANÁ Fernanda Carolina Libanio | Wully Altieri de Souza Castelar | Dorcely Bellanda Garcia 75 O ENSINO DE HABILIDADES SOCIAIS EM PESSOAS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO: DIMENSÕES METODOLÓGICAS ACERCA DAS EVIDÊNCIAS DE APRENDIZAGENS Danilo Leutwiller Gabas | Flávia de Carvalho Luvas Velo | Jair Lopes Junior 80 PROFISSIONAL DE APOIO ESCOLAR: REFLEXÕES SOBRE AS TERMINOLOGIAS ADOTADAS EM PESQUISAS Camila E. Messias dos Santos | Fabiana Ap. Menegazzo Cordeiro | Vera Lucia Messias Fialho Capellini 85 EIXO 3 - GESTÃO INCLUSIVA, FORMAÇÃO DE PROFESSORES E FORMAÇÃO CONTINUADA CONSTRUINDO CAMINHOS: A FORMAÇÃO DOCENTE NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Jane Lucia Pereira Vanin | Daniela Leal 92 EDUCAÇÃO INCLUSIVA E PARA A DIVERSIDADE NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES: ANÁLISE CURRICULAR NO BRASIL E NA ESPANHA Franciele dos Santos | Ketilin Mayra Pedro 97 FORMAÇÃO CONTINUADA NA EJA: ESTRATÉGIAS DE ENSINO PARA ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Olga Mara Bueno | Rita de Cássia da Silva Oliveira 102 FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO ESPECIAL, AS REFORMAS E A EDUCAÇÃO DE ALUNOS SURDOS Cristina Miranda Duenha Garcia Carrasco | Simone Mateus 107 INCLUSÃO NAS ESCOLAS DE TEMPO INTEGRAL: A IMPORTÂNCIA DA IDENTIDADE E DOS SABERES DO PROFESSOR DO AEE Mileidi Ferreira de Castilho | Cícera A. Lima Malheiro 112 PERCEPÇÕES DE TRÊS GESTORAS SOBRE A INCLUSÃO ESCOLAR DE ESTUDANTES COM AUTISMO Maria Ap. Ferreira de Paiva | Eliana Cristina Pedroso de Oliveira | Éder Pires de Camargo 118 PERFIL DE ESTUDANTES DO PÚBLICO-ALVO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL E ESTRATÉGIAS E RECURSOS INDICADOS POR SEUS PROFESSORES Isabella Xavierde Freitas | Jurciliane Domingues Caldeira | Jáima Pinheiro de Oliveira 123 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS AUXILIADORAS PARA O PROCESSO DE INCLUSÃO DE ALUNOS COM TEA Angela Karina Martins | Daniela Leal 128 PROPOSTA DE EPISÓDIOS PARA CONTEXTOS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES SOBRE INCLUSÃO ESCOLAR Rodiney Marcelo Braga dos Santos | Tatiana Cristina Vasconcelos 134 EIXO 4 - PRÁTICAS INCLUSIVAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA E ENSINO SUPERIOR A GAMIFICAÇÃO COMO FERRAMENTA METODOLÓGICA PARA APRIMORAMENTO DAS HABILIDADES LINGUÍSTICAS DE CRIANÇAS ATÍPICAS Ana Paula da Silva | Roseneide maria Batista Cirino 140 A INVISIBILIDADE DO POTENCIAL SUPERIOR E A INCLUSÃO SOCIAL DE PESSOASL COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO Débora Thalita Santos do Amor Divino | Thelma Helena Costa Chahini 145 AQUISIÇÃO DA LÍNGUA DE SINAIS POR UM ALUNO SURDO E AUTISTA NA SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS Graziele Perpétua Fernandes Mello | Eduardo José Manzini 150 AQUISIÇÃO DE LINGUAGEM: ATUAÇÃO DO INSTRUTOR SURDO COM ESTUDANTES SURDOS NO ENSINO BILÍNGUE Ester Chaves Pessoa | Lara Ferreira dos Santos 155 AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NA PERSPECTIVA INCLUSIVA Charlene Tugne Pinheiro | José Fabiano Costa Justus 160 AUTISMO: ASPERGER, KANNER, LOVAES, RUTTER... E A ESCOLA PÚBLICA Silvana Azevedo Bastos 165 BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E A AFILIAÇÃO DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA Fabiana de Jesus Cerqueira | Theresinha Guimarães Miranda 170 CARACTERIZAÇÃO DAS ATIVIDADES DE AVALIAÇÃO DE ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO DE UM PROJETO DE EXTENSÃO NO PERÍODO DE 2018- 2022 Michele Ap. de Almeida Teles de Ataíde | Taís Chiodelli | Vera Lucia Messias Fialho Capellini 175 CARTOGRAFIA DAS PRODUÇÕES SUBJETIVAS SURDAS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA E SUAS CONTRA-CONDUTAS Luísa Leôncio Monti | Vanessa Regina de Oliveira Martins 180 DESENHANDO EMOÇÕES: UMA INVESTIGAÇÃO DO DESENHO COMO FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM DE ESTUDANTES DENTRO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA Roberta Guimarães Busemeyer Lise | Elizabeth Regina Streisky de Farias 185 DESENVOLVIMENTO MORAL DE ESCOLARES COM ALTAS CAPACIDADES E PRÁTICAS INCLUSIVAS: REVISÃO INTEGRATIVA DA LITERATURA Rone Oliveira Brito | Josilene Domingues Santos Pereira 190 EDUCAÇÃO BILÍNGUE DE SURDOS E AS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS EM LIBRAS NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL Vanessa Regina de Oliveira Martins | Tatiane Cristina Bonfim 195 EDUCAÇÃO ESCOLAR INCLUSIVA: PRÁTICAS PEDAGÓGICAS E O DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM DE EDUCANDOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Adriana Lígia Miskalo | Roseneide Maria Batista Cirino 202 EDUCADOR SOCIAL VOLUNTÁRIO (ESV): PERCEPÇÕES DE PROFESSORES E ESVs ACERCA DO TRABALHO EXERCIDO À LUZ DA INCLUSÃO ESCOLAR NO DF Jailson Lima Ferreira | Sonia Cristina Hamid 207 JOGO INCLUSIVO PARA O ENSINO DE INGLÊS Carla Gonçalves Távora | Eduardo Martins Morgado 213 LETRAMENTO VIUAL E O ENSINO DA LÍNGUA PORTUGUESA ESCRITA PARA ALUNOS SURDOS Aline Pedro Feza | Roseneide Maria Batista Cirino 217 INCLUSÃO EDUCACIONAL: UMA ANÁLISE NOS PROJETOS DOS CURSOS DE LICENCIATURA DA UNESPAR Monick Monteiro Borba Pelegrini Neves | Roseneide Maria Batista Cirino 222 O JOGO COMO ELEMENTO POTENCIALIZADOR PEDAGÓGICO PARA ALUNOS COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Divina Ledo de Carvalho Silva | Jos 227 OS DESAFIOS NA INCLUSÃO DOS ALUNOS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA NA REDE REGULAR DE ENSINO Claudete de Oliveira Melo | Rita de Cássia da Silva Oliveira 232 PRÁTICAS DE ATENDIMENTO AO ESTUDANTE COM TALENTO MATEMÁTICO: O QUE DIZEM OS ESTUDOS BRASILEIROS? Cristiane Santos Barreto Bastos | Josilene Domingues Santos Pereira 241 PRÁTICAS DE LETRAMENTO INFORMACIONAL DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA: ESTUDO DE CASO NA EDUCAÇÃO SUPERIOR DO IFSertãoPE Tatiane Lemos Alves | Theresinha Guimarães Miranda 246 PRÁTICAS INCLUSIVAS EM ANÁLISE DO COMPORTAMENTO APLICADA PARA ESTUDANTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA Viviane Rodrigues | José Roberto Barboza Junior | Kyvia Faria Cardoso de Sá 251 PRÁTICAS INCLUSIVAS PARA ALUNOS COM DIFICULDADES DE APRENDIZAGEM Vera Lucia Martiniak 256 PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS DE PROFESSORES DO ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Celiane Rodrigues Dias | Marcelo Gaudêncio Pureza 261 PROMOVENDO A COMUNICAÇÃO ENTRE SALA REGULAR E ATENDIMENTO EDUCACIONAL ESPECIALIZADO: ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS PARA EDUCAÇÃO DE ALUNOS SURDOS NA REDE REGULAR DE ENSINO EM FLORIANO, PI Lucelia Lima | Everson Manjinski. 268 PROMOVENDO A INCLUSÃO EFETIVA NAS ESCOLAS MUNICIPAIS DE SÃO MATEUS DO SUL/PR: A PERSPECTIVA DOS PROFESSORES Sandra Cecilia Jurach Faria | Everson Manjinski 273 PROPOSTAS LÚDICAS INCLUSIVAS: ANÁLISE DOS ANAIS DO JALEQUIM Fábio Daniel Tavares 278 SIGEDUC: LACUNAS E POTENCIALIDADES NA PERSPECTIVA DOS ESTUDANTES SURDOS NA EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS DE MOSSORÓ Jozilene Melo de Andrade Oliveira | Carlos Fernando França Mosquera | Fabiana Silva Azevedo Travaglia 283 TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA: UM ESTUDO SOBE PRÁTICA PEDAGÓGICA NO ENSINO FUNDAMENTAL I: DO DESAFIOS AS POSSIBILIDADES DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA Marta Ferreira Rodrigues | Denise Maria Vaz Romano França 288 TRIAGEM DE ESTUDANTES COM INDICADORES DE SUPERDOTAÇÃO COGNITIVA NO ENSINO SUPERIOR Tatiana de Cássia Nakano | Laura Gandia Romancini 295 EIXO 5 - TECNOLOGIA ASSISTIVA E MATERIAIS DIDÁTICOS ESPECÍFICOS CONTRIBUIÇÕES DA TECNOLOGIA ASSISTIVA PARA O PLANEJAMENTO PEDAGÓGICO NO DESENHO UNIVERSAL PARA APRENDIZAGEM Tiago José Alves | Eromi Izabem Hummel 301 CONTRIBUIÇÕES DA TECNOLOGIA DIGITAL NO DESEMPENHO ACADÊMICO E SOCIAL DE ALUNOS COM AUTISMO Patricia Nascimento de Sousa | Cícera A. Lima 307 FERRAMENTA DE AVALIAÇÃO EM LIBRAS: APLICAÇÃO EM UMA ESCOLA NA ZONA LESTE DE SÃO PAULO Joice Raquel Lemes de Freitas | Isabela Paiuto | Jonathas Oliveira Dias 312 MAPEAMENTO SISTEMÁTICO DE USO DE TECNOLOGIA ASSISTIVA NOS CURSOS DE GRADUAÇÃO EM TECNOLOGIA Maycon Ramatis Brugnera Vasconcellos | Daniel Arlindo de Oliveira Carling | Elisangela Dias Brugnera 318 O PAPEL DAS METODOLOGIAS ATIVAS NO DESENVOLVIMENTO DA APRENDIZAGEM DE ESTUDANTES AUTISTAS Mariane Fernanda da Silva Cuice Caldeira | Cícera A. Lima 323 O USO DA COMUNICAÇÃO SUPLEMENTAR E ALTERNATIVA PARA ESTUDANTES COM TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA – TEA Patrícia Karla da Silva Mantovi | Eromi Izabel Hummel 329 SÍNDROME DE IRLEN, PODE SER A CAUSA DAS DIFICULDADES DE LEITURA? Érica Jamal da Silva Alda | Eromi Izabel Hummel | Eliane Paganni da Silva 336 TECNOLOGIA ASSISTIVA PARA ESTUDANTE COM DEFICIÊNCIA FÍSICA: PRODUÇÃO DE UM RECURSO PAR AUXÍLIO NA ESCRITA Catia Cristina Gavronski Ramalheiro | Soellyn Elene Bataliotti 341 SOBRE OS ORGANIZADORES 346 SOBRE O LATEDIP 347 APRESENTAÇÃO Olá leitores, É com grande honra e satisfação que apresentamos o livro Diálogos Sobre Pesquisas em Educação Especial na Perspectiva Inclusiva. Este livro é o resultado de um esforço coletivo de pesquisadores dedicados e apaixonados pelo avanço da inclusão educacional. Nesta obra, você encontrará uma coleção de relatos de pesquisa que refletem o compromisso e a diversidade de abordagens do campo da Educação Especial. Cada relato é uma contribuição significativa que nos ajuda a compreender e aprofundar nosso conhecimento sobre políticas inclusivas, práticas pedagógicas e eficazes e a criação de culturas inclusivas nas escolas. Os relatos aqui presentes abrangem uma ampla gama de tópicos, desde estudos que analisam as políticas governamentais e suas implicações na educação inclusiva, até pesquisas que exploram práticas inovadoras e estratégias pedagógicas bem-sucedidas.Além disso, também apresentamos estudos que destacam a importância das culturas inclusivas no ambiente escolar e na sociedade em geral. Cada página deste livro representa um compromisso com a construção de um mundo mais inclusivo, onde cada indivíduo, independentemente de suas habilidades ou diferenças, tenha a oportunidade de aprender, crescer e prosperar em um ambiente educacional que valoriza a diversidade. Nossos pesquisadores têm se empenhado em superar desafios, identificar soluções e compartilhar conhecimento que possa inspirar práticas inclusivas em todo o mundo. Este livro é um testemunho do trabalho árduo e da paixão e todos os envolvidos na Jornada Internacional de Pesquisa em Educação Especial. À medida que você percorre as páginas deste livro, esperamos que encontre inspiração e insigths que o incentivem a se juntar a nós na missão contínua de promover a inclusão educacional. Agradecemos a todos os autores, revisores, organizadores e apoiadores que tornaram este livro possível. Que este livro com os relatos das Pesquisas apresentados durante a 1ª Jornada Internacional de Pesquisa em Educação Especial na Perspectiva Inclusiva seja uma fonte de conhecimento e inspiração para todos os que buscam criar um mundo mais inclusivo e igualitário através da educação. Link das Apresentações Orais no YouTube: https://youtube.com/playlist?list=PLdyQ- mNsBk5mVrRqyUEdqC4Y33zcBLFWV&si=DYOblIG9ip3bQAk- Organizadores https://youtube.com/playlist?list=PLdyQ-mNsBk5mVrRqyUEdqC4Y33zcBLFWV&si=DYOblIG9ip3bQAk- https://youtube.com/playlist?list=PLdyQ-mNsBk5mVrRqyUEdqC4Y33zcBLFWV&si=DYOblIG9ip3bQAk- EIXO 1 ENSINO COLABORATIVO, COLABORAÇÃO, CO-ENSINO E DESENHO UNIVERSAL PARA APRENDIZAGEM CONTRIBUIÇÕES DO DESENHO UNIVERSAL PARA APRENDIZAGEM (DUA) NO PLANEJAMENTO E ELABORAÇÃO DE ESTRATÉGIAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS Eixo Temático: Eixo 1 - Ensino colaborativo, Colaboração, Co-ensino e Desenho Universal para a Aprendizagem GRACIELI RIBEIRO ANTUNES DA SILVA 11 MARGIT REGINA HERRMANN RUELA 22 ARIANGELO HAUER DIAS 33 INTRODUÇÃO Esse trabalho tem por finalidade elencar através do levantamento bibliográfico e documental, os fundamentos históricos e legais da Educação Inclusiva no âmbito da Educação Básica, bem como seus princípios e objetivos, e como o Desenho Universal Para a Aprendizagem (DUA) pode contribuir para o planejamento e elaboração de práticas pedagógicas inclusivas mais exitosas no acolhimento e envolvimento na aprendizagem escolar do aluno público alvo da Educação Especial e dos demais alunos simultaneamente. Na fase de campo se desenvolverá de forma colaborativa e participativa com um grupo de professores que atuam em sala de aula do ensino comum, estudos coletivos, teóricos e realização de oficinas/mini cursos sobre Educação Inclusiva e DUA. A investigação parte do seguinte questionamento, se os professores da sala de aula comum do ensino regular recebem o suporte necessário para planejar e desenvolver práticas pedagógicas inclusivas, se possuem acesso aos recursos tecnológicos disponíveis e de fácil uso, nesse viés inclusivo, que otimize sua prática e ao mesmo tempo engaje os alunos para aprendizagem de maneira equitativa. 1 Mestranda no Programa de Pós-graduação em Educação Inclusiva em Rede – PROFEI / UEPG – Universidade Estadual de Ponta Grossa. E-mail 1100122013027@uepg.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1272612591480752. Agência financiadora: Bolsista CAPES. 2 Mestranda no Programa de Pós-graduação em Educação Inclusiva em Rede – PROFEI / UEPG – Universidade Estadual de Ponta Grossa. E-mail 1100122019027@uepg.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8987670916379994. 3 Pofessor Doutor Orientador no Programa de Mestrado em Educação Inclusiva- PROFEI pela Universidade Estadual de Ponta Grossa- UEPG. E-mail ariangelo@uepg.br Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7794068120475468. http://lattes.cnpq.br/1272612591480752 mailto:1100122019027@uepg.br. http://lattes.cnpq.br/8987670916379994 http://lattes.cnpq.br/7794068120475468 METODOLOGIA O desenvolvimento dessa pesquisa realizou-se através da revisão bibliográfica e documental sobre as principais produções científicas sobre o DUA e os documentos norteadores e regulamentadores da Educação Inclusiva sendo revistos e analisados a cada etapa do estudo. Considerando as análises bibliográficas e documentais, é necessário investigar a percepção dos docentes que atuam no Ensino Fundamental I, da rede municipal de Foz do Iguaçu, quanto ao fomento de práticas pedagógicas inclusivas por parte da Secretaria Municipal de Educação, o conhecimento ou não do DUA, além das considerações sobre o uso da tecnologia em sala de aula e nos momentos de planejamento como recurso de otimização da ação docente inclusiva. Essa caracterização ocorre através da implementação do método misto de forma sequencial – quantitativa / qualitativa, de prioridade qualitativa e integração na fase de interpretação dos dados que forem obtidos por meio de questionário a ser aplicado com o maior número possível de docentes dessa secretaria, esses dados serão base para formulação das intervenções na fase de campo, com a elaboração de uma formação com os professores em hora atividade que atuam em turmas de 1º, 2º e 3º ano na Escola Municipal João da Costa Viana sobre os princípios da Educação Inclusiva e o DUA como estratégia de planejamento de práticas inclusivas. Concomitante e resultante dessa etapa de formação pretende-se, de forma colaborativa com os professores participantes, elaborar estratégias pedagógicas na perspectiva do DUA para comporem o repertório de um aplicativo auto formativo em Educação Inclusiva com DUA a ser desenvolvido e entregue como produto educacional junto á dissertação final desse estudo. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Este estudo fundamenta-se a partir da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva - 2008, considerando que a elaboração dessa legislação é resultante de um longo processo de lutas e movimentos nacionais e internacionais sobre os direitos da pessoa com deficiência, onde metas foram lançadas e acordos fechados em prol das pessoas com deficiência. Ainda que se tenha obtido muitas conquistas em relação a Educação Especial dentro de uma perspectiva Inclusiva, observa – se, porém, um esforço prioritário dos sistemas de ensino em romper barreiras físicas de acesso à escola, sejam elas arquitetônicas, ou de oferta, com a garantia de vaga e matrícula do aluno público alvo da educação especial na Educação Básica dentro do ensino comum, com a disponibilização de algumas vagas no Atendimento Educacional Especializado – AEE, no contraturno. Assim como os documentos, números também evidenciam uma tendência à materialização da educação inclusiva, como entendida pelo governo brasileiro: crianças da educação especial matriculadas em classes comuns e recebendo atendimento educacional especializado em salas multifuncionais no contraturno escolar (REBELEO E KASSAR, p.64). Nesse sentido, é importante elencar alguns aspectos com relação a prática pedagógica do professor e a necessidade de estar preparado e mobilizado a desenvolver práticas inclusivas e justas. Segundo Menezes e Silva, 2020. “Não podemos considerar a inclusão educacional como uma realidade a ser perseguida, sem pensar sobre o contexto escolar, na formação do professor e suas condições de desenvolver práticas educativas que deem sustentação a este ideal.” (p. 174). Partindo desse entendimento, acredita-se que a concepção pressuposta no Desenho Universal para Aprendizagem tem muito a contribuir pois, segundo Prais e Vitaliano (2017, p.56) seus princípios “assumem objetivos e estratégias para uma proposta didática de ensino que visa satisfazer as necessidades de aprendizagem deum maior número de alunos na aula que está sendo proposta”. Pontualmente essa proposta está diretamente ligada a questão da acessibilidade, termo bastante conhecido no que diz respeito a superação das barreiras arquitetônicas. Um exemplo que deixa mais clara a compreensão desse conceito é a concepção de rampa. Uma rampa pode ser utilizada tanto por pessoas que apresentam uma deficiência física e dificuldade de locomoção quanto por pessoas que não apresentam nenhuma deficiência, como um idoso, uma pessoa obesa ou uma mãe empurrando um carrinho de bebê. (ZERBATO e MENDES, 2017) Apesar de atual o DUA carrega em seus três princípios concepções já relativamente compreendidas como necessárias ao professor englobar no planejamento de suas aulas, princípio do engajamento - como estimular, motivar o interesse do aluno para aprendizagem; princípio da representação – formas de apresentação, encaminhamento dos conteúdos e informações; princípio da ação e expressão – diferenciar formas de o aluno externar o que sabe ou aprendeu. Dessa forma, o propósito do DUA parece vir ao encontro dos princípios de Educação Inclusiva, pois entende-se que é importante, em parceria com professores especializados e outros profissionais, a elaboração de recursos, materiais, atividades e espaços educativos e flexíveis para o aprendizado de todos os alunos, contemplando, assim, a diversidade, os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem. (ZERBATO e MENDES, 2017) Entende – se também que um planejamento embasado no DUA, tem em seu pressuposto a superação de barreiras de acesso à aprendizagem entre elas as atitudinais, comunicacionais e tecnológicas, visto isso, não tem como se pensar em aplicação do DUA na práxis pedagógica desvinculada do uso de recursos tecnológicos e assistivos, tanto na fase se planejamento, quanto de implementação das estratégias elaboradas com DUA. CONSIDERAÇÕES FINAIS Alguns pontos positivos e as mudanças esperadas por essa experiência, referem-se diretamente à divulgação e disseminação da concepção do DUA como uma estratégia de efetivação dos princípios e objetivos mais caros a política de inclusão vigente, a qual foi formulada a partir de acordos internacionais como a Declaração de Salamanca. Portanto, pressupõe-se após análise documental e teórica que estratégias pedagógicas planejadas e implementadas a partir do DUA, podem otimizar e direcionar ação docente dentro da perspectiva da inclusão de forma mais exitosa e assertiva, pois o desafio que se evidencia é o de se implementar práticas pedagógicas de envolvimento coletivo, para que assim o aluno público alvo da educação especial de fato tenha seu protagonismo assegurado dentro do processo educativo no ambiente de inclusão e que outros alunos possam se beneficiar com as estratégias pensadas para esse estudante. Revelando então, a necessidade de melhores direcionamentos com diretrizes e orientações práticas que norteiem o fazer pedagógico do professor que está em sala de aula comum na perspectiva da inclusão. Pois se o professor não for bem assistido pode conceber a inclusão como um acentuamento dos problemas recorrentes da sala de aula, e não como uma necessidade social, que é a formação de uma cultura Inclusiva no ambiente e comunidade escolar. REFERÊNCIAS BRASIL, Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (2008). Secretaria de Educação Especial, MEC. Disponível em: http:// http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf. Acesso em: 18 mai. 23. CRESWELL, J.W. Procedimentos qualitativos. In: CRESWELL, J.W. Investigação Qualitativa e Projeto de Pesquisa: escolhendo entre cinco abordagens. Porto Alegre: Penso, 2014. Disponível em: https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/696271/mod_resource/content/1/Creswell.pd f Acesso em: 19 mai. 23. PRAIS, Jacqueline Lidiane de Souza; VITALIANO, Célia Regina. Contribuições do Desenho Universal para aprendizagem ao Planejamento do Processo de Ensino na Perspectiva Inclusiva. In: PAPIM, Angelo Antonio Puzipe; ARAUJO, Mariane Andreuzzi de; PAIXÃO, Kátia de Moura Graça; SILVA, Glacielma de Fátima da (Orgs.). Inclusão Escolar: perspectivas e práticas pedagógicas contemporâneas. Porto Alegre, RS: Editora Fi, p.49-69 2018. Disponível em: https://www.editorafi.org/_files/ugd/48d206_9389e65d9c7e432988b2bd7c58706ff1.p df Acesso em: 19 mai. 23. REBELO, Andressa Santos; KASSAR, Mônica de Carvalho Magalhães. Escolarização dos Alunos da Educação Especial na Política de Educação Inclusiva no Brasil. Pesquisa Brasileira em Ciência da Informação e Biblioteconomia. Brasília, DF, v.11 n.1, p.56-66. 2018 Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/323883630_Escolarizacao_dos_alunos_da _educacao_especial_na_politica_de_educacao_inclusiva_no_Brasi Acesso em: 19 mai. 23. VILARONGA, C.A.R.; MENDES, E. G. Ensino Colaborativo para o Apoio à Inclusão Escolar: Práticas Colaborativas entre os professores. Revista Brasileira de Estudos. Pedagógicos. Brasília, v. 95, n. 239, p. 139-151. 2014. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbeped/a/dBz3F9PJFfswJXFzn3NNxTC/abstract/?lang=pt Acesso em: 19 mai. 23. ZERBATO, Ana Paula; MENDES, Enicéia Gonçalves. Desenho universal para a aprendizagem como estratégia de inclusão escolar. Educação Unisinos v. 22 (2). p. 147-155, 2018. Porto Alegre Disponível em: http://revistas.unisinos.br/index.php/educacao/article/view/edu.2018.222.04/6074620 7. Acesso em: 19 mai. 23. http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/696271/mod_resource/content/1/Creswell.pdf https://edisciplinas.usp.br/pluginfile.php/696271/mod_resource/content/1/Creswell.pdf https://www.editorafi.org/_files/ugd/48d206_9389e65d9c7e432988b2bd7c58706ff1.pdf https://www.editorafi.org/_files/ugd/48d206_9389e65d9c7e432988b2bd7c58706ff1.pdf https://www.researchgate.net/publication/323883630_Escolarizacao_dos_alunos_da_educacao_especial_na_politica_de_educacao_inclusiva_no_Brasi https://www.researchgate.net/publication/323883630_Escolarizacao_dos_alunos_da_educacao_especial_na_politica_de_educacao_inclusiva_no_Brasi https://www.scielo.br/j/rbeped/a/dBz3F9PJFfswJXFzn3NNxTC/abstract/?lang=pt http://revistas.unisinos.br/index.php/educacao/article/view/edu.2018.222.04/60746207 http://revistas.unisinos.br/index.php/educacao/article/view/edu.2018.222.04/60746207 DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM E ESTUDANTES COM TEA: DESDOBRAMENTOS POSSÍVEIS Eixo Temático 1: Ensino colaborativo, Colaboração, Co-ensino e Desenho Universal para a Aprendizagem Tatiane Marta Loch 11 INTRODUÇÃO Este estudo é um recorte de pesquisa que propõe uma discussão sobre como ocorre o processo de inclusão dos estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), nas classes comuns do Ensino Fundamental, anos finais, na perspectiva do educador da sala regular e do professor da sala de Atendimento Educacional Especializado. Partindo desta temática de investigação, o objetivo é discutir aspectos importantes do Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) como uma abordagem curricular acessível. Em termos conceituais, o Transtorno do Espectro Autista é uma condição classificada no Manual de Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5,) como pertencente à categoria dos transtornos do neurodesenvolvimento (APA, 2014). As características essenciais contemplam déficits persistentes na comunicação social e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades, que demandam atenção especializada e multidisciplinar, de modo a contribuir para o desenvolvimento e a aprendizagem desses estudantes. METODOLOGIA Este estudo constitui-se como uma pesquisa bibliográfica, na qual são trazidos para a discussão conceitos, princípios e aplicação do DUA sustentados teoricamente em Nunes e Madureira (2015), Zerbato e Mendes(2018), Böck, Gesser e Nuernberg (2020) e Borges e Schmidt (2021). 1 Mestranda do Programa de Pós-graduação em Educação da Universidade de Caxias do Sul. E- mail: tatiane.loch@hotmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6067617004404627. mailto:tatiane.loch@hotmail.com http://lattes.cnpq.br/6067617004404627 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O conhecimento das peculiaridades que envolvem o modo como as pessoas aprendem é essencial para que os professores possam planejar práticas pedagógicas que permitam o acesso pleno de todos os alunos ao currículo escolar. Uma abordagem especialmente relevante neste sentido é o Desenho Universal para Aprendizagem. A abordagem do DUA tem como base pesquisas em educação e neurociência e objetiva o desenvolvimento de práticas pedagógicas que permitam o acesso ao currículo. Zerbato e Mendes (2018) apontam que diante do desafio de transformar escolas de ensino comum em ambientes inclusivos e favoráveis à aprendizagem de todos, surgiu, em 1999, nos Estados Unidos, o conceito Universal Designer Learning (UDL), traduzido como Desenho Universal para Aprendizagem (DUA). O DUA consiste na elaboração de estratégias para acessibilidade de todos, tanto em termos físicos quanto em termos de serviços, produtos e soluções educacionais para que todos possam aprender sem barreiras. A origem do DUA relaciona-se ao Desenho Universal (DU), terminologia adotada por arquitetos e engenheiros para projetar espaços e objetos acessíveis a todos. Foi desenvolvido por David Rose, Anne Meyer e outros pesquisadores e apoiado pelo Departamento de Educação dos Estados Unidos, em 1999, em Massachusetts. O DUA constitui um modelo prático que objetiva maximizar as oportunidades de aprendizagem para todos os estudantes, com deficiências ou não. Tem como objetivo auxiliar os educadores e demais profissionais a adotarem modos de ensino de aprendizagem adequados, escolhendo e desenvolvendo materiais e métodos eficientes, de forma que seja elaborado de forma mais justas e aprimorados para avaliar o progresso de todos os estudantes. Nunes e Madureira (2015) apontam que abordagem do DUA é também influenciada pelos conhecimentos resultantes das neurociências, nomeadamente os sistemas envolvidos na aprendizagem. Esses conhecimentos evidenciam que a aprendizagem é um processo multifacetado, que envolve o uso de três sistemas básicos, as redes afetivas, as redes de reconhecimento e as redes estratégicas, correspondendo cada uma a um local particular no cérebro e tendo funções especificas. As redes afetivas relacionam-se com a motivação para a aprendizagem e ajudam o sujeito a determinar o que é importante aprender. As redes de reconhecimento referem-se ao que aprendemos e as redes estratégicas relacionam-se com o como aprendemos e indicam-nos como fazer as coisas. Böck, Gesser e Nuernberg (2020) apontam que o DUA é uma aplicação das bases epistemológicas do modelo social da deficiência nos espaços de aprendizagem. Segundo os autores, quando a lógica do paradigma médico se modifica são incluídos diferentes recursos, estratégias e metodologias em uma ação intencional do cuidado que antecipa as diferentes necessidades de cada aprendiz na promoção da equidade. Assim, parte-se do pressuposto de que o DUA, ao ser incorporado nas práticas docentes, revela-se como um dos princípios basilares dessa ética do cuidado. O cuidado destinado às pessoas com deficiência precisa estar qualificado no sentido de ampliar as possibilidades de participação dessas pessoas com autonomia. Além disso, ressalta-se a importância de os professores realizarem planejamentos emancipatórios, intencionais, éticos e que compreendam e acolham todas as formas e maneiras de ser e de estar nesse mundo. Para tanto, há a necessidade de formação inicial e continuada que possibilite a ressignificação das concepções de deficiência, pois essas permanecem pautadas em discursos assistencialistas, capacitistas e médicos, que fundamentam, produzem e mantêm as barreiras sociais e as práticas excludentes. Em síntese, Borges e Schmidt (2021) sinalizam que o DUA atua como um facilitador da prática pedagógica, por isso é importante que os professores conheçam e se apropriem dessa ferramenta que contribui para a inclusão escolar dos estudantes com TEA e para uma prática pedagógica mais equitativa. Assim, DUA é uma abordagem teórica e aplicada que visa oferecer subsídios aos professores para pensar em um ensino acessível a todos, por meio de objetivos pré- estabelecidos, recursos e estratégias diferenciadas. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os resultados parciais da investigação bibliográfica apontam que pensar no TEA como um espectro sinaliza para a enorme gama de diferenças individuas entre esses estudantes. Na escola comum, essas diferenças podem ser evidenciadas e impactar nas práticas pedagógicas. Uma possibilidade de intervenção para facilitar o processo de aprendizagem dos estudantes com TEA é o DUA. A abordagem do DUA permite que alunos com deficiência, como os alunos com TEA que tem especificidades em termos de aprendizagem, possam acompanhar o currículo, pois o importante nessa concepção, não é se o material em si é acessível, mas se a aprendizagem para qual o material ou atividade é projetada é acessível. (BORGES; SCHMIDT, 2021). Além disso, os autores apontam que o fundamental é o entendimento de que cada estudante tem necessidades únicas e aprende de formas diferentes. A estrutura do DUA facilita o acesso do aluno ao currículo através do reconhecimento das diferenças individuais. Pensar nas práticas pedagógicas para estudantes com TEA envolve acolher o espectro como uma diferença humana, como tantas outras, que merece ser respeitada. Isso não implica negar, por exemplo, algumas especificidades destes alunos, como os transtornos sensoriais e os entraves na comunicação verbal, mas concebê-los sob uma perspectiva diferenciada. Olhar para essas diferenças não sob uma matriz deficitária ou como um problema, porque foge ao modo de funcionamento padrão, mas como uma oportunidade de oferecer recursos sociais e pedagógicos em relação às mudanças ambientais necessárias para garantir a convivência e a inclusão dos sujeitos com TEA. CONSIDERAÇÕES FINAIS A imersão teórica realizada sinalizou que o DUA pode ser um aliado em potencial do trabalho colaborativo para o favorecimento da inclusão escolar, pois converge em um objetivo comum: a construção de práticas pedagógicas acessíveis para a escolarização de todos em sala de aula do ensino comum por meio da parceria colaborativa entre professor de ensino comum e Educação Especial e/ou outros profissionais especializados. É nesse sentido que o DUA constituiu uma abordagem curricular que procura ajudar os docentes a responder às necessidades de diversos alunos; remover as barreiras à aprendizagem; flexibilizar o processo de ensino; permitir aos alunos formas alternativas de acesso e envolvimento na aprendizagem e reduzir a necessidade de adaptações curriculares individuais, contribuindo assim para o desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas. Não há um esgotamento do debate sobre o DUA e que há muito ainda para ler e aprender sobre a temática da inclusão. As adequações de recursos e incorporações de novas estratégias podem emergir na relação entre o objeto da aprendizagem e o sujeito que se apropria do conhecimento. Para tanto, é preciso ter escuta e respeito a fim de encontrarem-se as melhores estratégias no modo de o estudante se relacionar com o conhecimento. REFERÊNCIAS APA. Associação Americana de Psiquiatria. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais: DSM-5. Porto Alegre: Atmed, 20’4. BÖCK, G. L. K.; GESSER, M.; NUERNBERG, A. H. O desenho universal para aprendizagem como um princípio docuidado. Revista Educação, Artes e Inclusão, Florianópolis, v. 16, n. 2, p. 361-380, 2020. Disponível em: https://periodicos.udesc.br/index.php/arteinclusa. Acesso em: 17 jan. 2023. BORGES, Adriana Araújo Pereira; SCHMIDT, Carlo. Desenho universal para aprendizagem: uma abordagem para alunos com autismo na sala de aula. Revista Teias, v. 22, n. 66, jul./set. 2021. p. 27-39, 2021. Disponível em: https://www.e- publicacoes.uerj.br/index.php/revistateias/article/view/57044/0. Acesso em: 19 jan. 2023. NUNES, Clarisse; MADUREIRA, Isabel. Desenho Universal para a Aprendizagem: Construindo práticas pedagógicas inclusivas. Invest. Práticas. Vol.5. no.2. Lisboa. set.2015. ISSN. 2182-1372. Disponível em: http://www.scielo.mec.pt/pdf/inp/v5n2/v5n2a08.pdf . Acesso em: 18 jan. 2023. ZERBATO, Ana Paula. MENDES, Enicéia Gonçalves. Desenho universal para a aprendizagem como estratégia de inclusão escolar. Educação. UNISINOS [online]. 2018, vol.22, n.2, pp.147-155. Disponível em: https://revistas.unisinos.br/index.php/educacao/article/view/edu.2018.222.04. Acesso em: 18 jan. 2023. https://periodicos.udesc.br/index.php/arteinclusa https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistateias/article/view/57044/0 https://www.e-publicacoes.uerj.br/index.php/revistateias/article/view/57044/0 http://www.scielo.mec.pt/pdf/inp/v5n2/v5n2a08.pdf https://revistas.unisinos.br/index.php/educacao/article/view/edu.2018.222.04 ENSINO COLABORATIVO E FORMAÇÃO CONTINUADA EM SERVIÇO: CONTRIBUIÇÕES PARA PRÁTICAS INCLUSIVAS Eixo Temático: Eixo 1 - Ensino colaborativo, Colaboração, Co-ensino e Desenho Universal para a Aprendizagem Adriana Inocência Gonçalves 1 Roseneide Maria Batista Cirino 2 INTRODUÇÃO Este relato foi realizado a partir da pesquisa de mestrado realizado no âmbito do Profei – Mestrado em educação Inclusiva Unespar - Campus de Paranaguá. A pesquisa emergiu da problemática evidente configurada no distanciamento em relação às práticas realizadas pelos professores do Atendimento Educacional Especializado (AEE) e professores do ensino regular. Teve por objetivo analisar as contribuições do ensino colaborativo no processo de formação continuada em serviço, tendo em vista o desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas e a superação do distanciamento evidenciado na problemática. Fundamentou-se em autores que discutem a inclusão sob a perspectiva da abordagem social. A metodologia utilizada foi de cunho teórico bibliográfico e de campo, de abordagem de análise qualitativa, caracterizada como pesquisa colaborativa de cunho reflexivo. Os participantes somaram um total de 17 professoras da Rede Municipal de Araucária, Paraná, que atuam em uma escola no ensino comum e em um Centro Municipal Atendimento Educacional Especializado (CMAEE), as quais em suas práticas atendem alunos Público-alvo da Educação Especial (PAEE). METODOLOGIA A pesquisa referida neste resumo, configurou-se por meio de pesquisa teórica e de campo, utilizando-se da metodologia com enfoque na abordagem de análise qualitativa, 1 Mestre em Educação Especial Inclusiva - Secretaria do Estado da Educação do Paraná E-mail: adriinocencia@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2171465009377491 2 Doutora em Educação - Universidade Estadual do Paraná. E-mail: roseneide.cirino@unespar.edu.br Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4251118936692913 mailto:adriinocencia@gmail.com http://lattes.cnpq.br/2171465009377491 mailto:roseneide.cirino@unespar.edu.br http://lattes.cnpq.br/4251118936692913 permeado pela abordagem colaborativa, de cunho reflexivo. Tal opção calhou por reconhecermos que, nesse enfoque, há uma maior oportunidade de investigar os pressupostos levantados em relação ao ensino colaborativo, à formação docente e às práticas inclusivas. Para Lüdke e André (2013), a pesquisa qualitativa nos contextos educacionais concerne a uma ocasião privilegiada, visto que emerge de inquietações e de situações problemas presentes na prática do pesquisador, pertencente ao contexto pesquisado. Foram convidados 23 professores, entretanto somente 17 concordaram em participar e assinaram e o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido – TCLE. Tendo os participantes, partimos para coleta de dados, recorrendo a um instrumento com dois blocos, sendo: um bloco com questões de identificação inicial e um bloco com roteiro entrevista semiestruturado. A entrevista foi devidamente gravada para transcrição de seus dados, os quais posteriormente foram devidamente analisados. Corroborando com a compreensão de Souza (20219), percebemos a necessidade de utilização de questionamentos, de contrapontos e de análises profundas dos dados, dessa forma recorremos ao método da Análise Temática (AT), o qual consiste em uma técnica que possibilita compreender os fenômenos a partir das perspectivas dos participantes, buscando por padrões, recursividade, flexibilidade, homogeneidade interna dos temas e heterogeneidade externa dos mesmos. Subsidiados, também por Braun e Clarke (2006), recorremos as seis fases do método AT, sendo: Familiarização com os dados obtidos, sistematização dos dados coletados e a geração dos códigos iniciais, ajuste do foco da análise, revisão e o refinamento dos códigos iniciais e os extratos das falas dos participantes, definição e refinamento dos temas e por fim a elaboração do relatório. Deixamos exposto ainda que mediante ao estudo produzido a partir desta pesquisa produzimos produto educacional, um e-book de caráter autoformativo intitulado 3Contribuições do ensino colaborativo para o desenvolvimento de práticas inclusivas. 3 Disponível em: < https://unespar- my.sharepoint.com/:b:/g/personal/profei_unespar_edu_br/EXWGo9Gu6O9LqMa-OIwU9O4BrNLp_l- GfrQ96RdbPKm_AQ?e=oekrSF > Acesso em: 15 de mai. 2023 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O desenvolvimento da pesquisa aqui relatada foi fundamentada em teóricos que discutem a formação docente e a inclusão educacional sob a perspectiva da abordagem social, no viés do ensino colaborativo, conforme Mendes, Vilaronga e Zerbato (2018) na medida em que os direitos avançam, as desigualdades diminuem, e conforme as desvantagens sociais diminuem, diminuem também a discriminação. Atualmente, a inclusão educacional é um imperativo ético essencial para atender à diversidade, o que exige de todos uma elevada consciência de sua prática, a qual só é formada mediante a formação docente e efetivação das relações entre os pares, possibilidades que vai gradativamente se concretizando com o trabalho colaborativo. Não podemos perder de vista que o resultado do trabalho docente é a humanização das pessoas, o que depende da mediação e da humanidade do professor, um homem diante de outro homem, o que exige uma clareza conceitual e pedagógica de sua ação, o que dimana, sobretudo, do processo de formação docente. Discorreu-se no estudo as particularidades da formação docente inicial e continuada, formação continuada em serviço e formação para o aprimoramento das práticas inclusivas: a colaboração em pauta. Buscando maiores compreensões em relação ao ensino colaborativo, recorremos a literatura internacional e nacional. No Brasil, os primeiros estudos foram de Capellini (2004) e Zanata (2004), a partir deles, inúmeros outros surgiram, contribuindo assim com o processo inclusivo. Conforme, Gonçalves (2022): O ensino colaborativo configura-se pela articulação dos saberes e dos conhecimentos dos professores do AEE e do ensino comum, que, em unidade, buscam unir seus conhecimentos e suas vivências profissionais para a elaboração e a implementação de práticas inclusivas que promovam o ensino e a aprendizagem para todos, de forma especial aos alunos PAEE. (GONÇALVES,2022, p.46). No que tange ao ensino colaborativo, abordamos com maior profundidade: As concepções. Possibilidade de implementação. Aspectos legaise políticos da inclusão e relação com o ensino colaborativo. Papel dos professores no coensino e possibilidades de arranjos em sala de aula. RESULTADOS E DISCUSSÕES Amparados pelo método de AT, supracitado anteriormente, pode-se constatar que mesmo não acontecendo a contento, o ensino colaborativo tem revelado contribuições significativas no processo de formação continuada em serviço, e aos poucos vão se estabelecendo as parcerias colaborativas, as relações entre os pares vão se fortalecendo, possibilitando a troca de experiências, de saberes e de práticas. Entretanto no contexto da pesquisa as professoras participantes revelaram que fazem tentativas de trabalhar colaborativamente e se formarem nesse processo, mas a maior participação em formações continuadas são aquelas promovidas pela Secretaria Municipal de Educação e por interesse próprio. Observamos nas falas das professoras a necessidade de terem mais momentos colaborativos: “Então, até o momento, tem sido mais uma orientação, no decorrer do ano. A gente gostaria que todos estivessem envolvidos, participando em sala, fazendo os atendimentos in loco mesmo”. (P1, 2022) (GONÇALVES, 2022, p.100). Amparados por esta fala e outras, é possível afirmar que o ensino colaborativo extremamente fecundo, pois confere maior significado ao trabalho pedagógico, possibilitando a resolução de problemas e indagações que emergem no decorrer das práticas diárias, no contexto da escola. Em contrapartida, sem essa ação colaborativa, tais situações tendem a não se resolver e a se procrastinar, prejudicando os processos de ensino e de aprendizagem, além de gerar desgastes, frustrações, tensões e conflitos. Mediante ao ensino colaborativo os casos podem ser vistos e estudados, os planejamentos podem ser elaborados e os reencaminhamentos dados conforme as necessidades. CONSIDERAÇÕES FINAIS Ao tecer as considerações finais para este momento, retomamos ao objetivo inicial, da pesquisa. E mediante toda a trajetórias do estudo, tanto no aspecto teórico como no campo pesquisado, podemos afirmar as inúmeras contribuições do ensino colaborativo no processo de formação continuada em serviço. Aproveitamos ainda para atribuir valor aos esforços das professoras participantes desta pesquisa, as quais dentro de suas possibilidades tentam, se encontrar e conversar, tendo em vista a elaboração do planejamento e o desenvolvimento de práticas inclusivas, para todos os alunos, independentemente de suas condições biopsicossocial, de modo especial alunos PAEE. Todavia, compreendemos que tais tentativas só se efetivarão mediante a disponibilidade de subsídios conceituais promovidos pela formação continuada, de modo especial aquelas promovidas em serviço, com condições estruturais, com disponibilidade de profissionais para a organização e a realização do trabalho, com professores em número adequado a fim de planejar em comum e executar as práticas. Em suma, toda uma reestruturação do sistema educacional como um todo e com previsão orçamentária. REFERÊNCIAS BRAUN, Virginia.; CLARK, Victoria. Using thematic analysis in psychology. Qualitative Research, [s. l.], v. 3, n. 2, p. 77-101, 2006. CAPELLINI, Vera Lúcia Messias Fialho. Avaliação das possibilidades do ensino colaborativo no processo de inclusão escolar do aluno com deficiência mental. 2021. 300 f. Tese (Doutorado em Educação Especial) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2004. GONÇALVES, Adriana. Inocência. Ensino colaborativo e formação continuada em serviço: contribuições para práticas inclusivas 2022. 154 f. Dissertação Mestrado – Universidade Estadual do Paraná (UNESPAR). Paranaguá, 2022. GONÇALVES, Adriana. Inocência. Contribuições do ensino colaborativo para o desenvolvimento de práticas inclusivas. Paranaguá, 2022. 55 f. Disponível em: https://unespar- my.sharepoint.com/:b:/g/personal/profei_unespar_edu_br/EXWGo9Gu6O9LqMa- OIwU9O4BrNLp_l-GfrQ96RdbPKm_AQ?e=oekrSF Acesso em: 14 de mai. 2023. MENDES, Enicéia Gonçalves; VILARONGA, Carla Ariela Rios Vilaronga; ZERBATO, Ana Paula. Ensino colaborativo como apoio à inclusão escolar. 1. ed. 2. reimp. São Carlos: EdUFSCar, 2018. LÜDKE, Menga; ANDRÉ, Marli. Pesquisa em educação: abordagens qualitativas. 2. ed. São Paulo: Editora E.P.U, 2013. SOUZA, Luciana Karine de. Pesquisa com análise qualitativa de dados: conhecendo a Análise Temática. Arquivos Brasileiros de Psicologia, v. 71, n. 2, p. 51-67, 2019. DOI: http://dx.doi.org/10.36482/1809-5267.ARBP2019v71i2p.51-67 ZANATA, Eliana Marques. Práticas pedagógicas inclusivas para alunos surdos numa perspectiva colaborativa. 2004. 198 f. Tese (Doutorado em Ciências Humanas) – Universidade Federal de São Carlos, São Carlos. http://pepsic.bvsalud.org/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=article%5Edlibrary&format=iso.pft&lang=p&nextAction=lnk&indexSearch=AU&exprSearch=SOUZA,+LUCIANA+KARINE+DE http://dx.doi.org/10.36482/1809-5267.ARBP2019v71i2p.51-67 ENSINO COLABORATIVO: POSSIBILIDADES E PERCALÇOS DA ORGANIZAÇÃO DO ENSINO COLABORATIVO ENTRE O PROFESSOR DE EDUCAÇÃO ESPECIAL E O PROFESSOR DO ENSINO COMUM Eixo Temático: Ensino colaborativo, Colaboração, Coensino e Desenho Universal para Aprendizagem Sirlei Batista Franco Carvalho1 Nerli Nonato Ribeiro Mori 2 INTRODUÇÃO A partir das reflexões que abarcam a temática da Educação Inclusiva e do Ensino Colaborativo, discorremos sobre as possibilidades e percalços da organização do Ensino Colaborativo entre o professor de Educação Especial e o professor do ensino comum, com o intuito de investigar: Uma formação continuada sobre Ensino Colaborativo poderia beneficiar os professores do ensino comum para que a educação inclusiva pudesse se efetivar? Ao partirmos dessa premissa, buscamos propor experiências de trabalho pedagógico que propiciassem a ampliação da participação do professor do ensino regular, em conjunto com o professor especializado, na elaboração de estratégias pedagógicas, que favorecessem todos os alunos em sala de aula. Além disso, objetivamos desenvolver práticas colaborativas para nortear o trabalho dos professores e promover a aprendizagem dos alunos da educação básica via elaboração de um plano de intervenção pautado no Ensino Colaborativo para ser desenvolvido em sala de aula pelos professores com todos os estudantes. 1 Mestre em Educação Inclusiva – PROFEI; Professora de Educação Especial (SEED/PR). sirlei.batistafranco@hotmail.com. Currículo lates: http://lattes.cnpq.br/4612886673308158 2 Doutora em Psicologia Escolar e do Desenvolvimento Humano - Bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq - Nível 2; Professora - Universidade Estadual de Maringá. nnrmori@uem.br. Currículo lattes: http://lattes.cnpq.br/0771300635766380 mailto:sirlei.batistafranco@hotmail.com mailto:nnrmori@uem.br METODOLOGIA A proposta metodológica teve como princípio norteador a pesquisa-ação e a pesquisa colaborativa, que contou com a participação de 32 professores da rede regular de ensino do Núcleo Regional de Umuarama - Paraná, o estudo ocorreu por meio de um projeto de extensão desenvolvido no formato de ensino remoto, com encontros síncronos e assíncronos através das Plataformas Google Meet e Google Classroom, com conteúdos ministrados de forma expositiva. Os encontros on-line foram realizados durante sete semanas e ministrados pela pesquisadora, docente Sirlei Batista Franco Carvalho, e o último encontro contou com a convidada, professora doutora Kátia de Abreu Fonseca, para encerramento do curso. Ibiapina (2016, p. 47) nos diz que “[...] nos trabalhos colaborativos, os partícipes devem se colocar como aprendizes, apreendendo com as experiências, os conhecimentos, as reflexões, objetivos e organização cognitiva e afetiva do outro”. Com esteestudo, objetivamos contribuir para a reflexão crítica do professor em relação ao processo de ensino e aprendizagem do aluno. Para Ibiapina é possível: [...] convocar os docentes para participarem de projetos de pesquisa que almejam a produção conjunta de análises-síntese de determinado objeto de conhecimento é, também, fazê-los vivenciar processos de formação sobre a prática educativa que eles consideram como problemática. Dito de outra maneira, a organização de contextos de pesquisa colaborativa proporciona condições para que os docentes reflitam e questionem as práticas educativas (IBIAPINA, 2016, p.45). FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A Constituição Federal Brasileira de 1988 garante que todos os cidadãos têm direito à Educação e de serem matriculados preferencialmente na rede regular de ensino (art.208, III), com isso, fica claro o compromisso de assegurar a democratização da Educação, independentemente das diferenças dos alunos, assumindo uma proposta inclusiva. Os sistemas de educação vigentes, ainda pensam em trabalhos com salas de aulas homogêneas onde todo o aluno tenha um bom/ótimo desempenho em termos de notas e disciplina. Porém, os alunos são diferentes e lidar com estas diferenças não é uma tarefa fácil. SILVA (1994, p. 32) nos mostra que “[...] a paixão de formar é uma atividade atravessada por tensões poderosas”. Ao entrarmos em contato com a literatura e pensarmos em como o aluno público – alvo da educação especial poderia ser incluso verdadeiramente, ou seja, ter acesso não somente à matrícula, mas ao conhecimento e fazer/ser parte do contexto escolar, adentramos ao mundo do Ensino Colaborativo como estratégia pedagógica. Os sistemas educacionais e os documentos normativos orientadores que trazem o termo Ensino Colaborativo, abordam a necessidade de este ocorrer nos espaços escolares, mas não oportunizam a articulação entre o professor de Educação Especial e o professor do ensino comum; também reconhecem a importância desse trabalho em equipe no intuito de proporcionar a plena participação e aprendizagem dos alunos nas atividades escolares, porém os professores não recebem a formação e as orientações específicas para trabalharem com o Ensino Colaborativo no contexto escolar. Pensar em práticas inclusivas que vão além da adaptação e adequação de materiais e atividades não é um trabalho fácil se levarmos em consideração a cultura de trabalho individualizado e solitário no contexto escolar, ou seja, cada um trabalhando com sua especificidade. Capellini, Zanata e Pereira (2012, p.17) nos falam: “O Ensino Colaborativo é uma estratégia didática inclusiva, em que um professor do ensino comum e um professor de Educação Especial planejam, elaboram e implementam, de forma colaborativa, procedimentos de ensino para contribuir no aprendizado de um grupo heterogêneo de estudantes em classes comuns”. Na pesquisa, intencionamos proporcionar aos professores cursistas discussões e reflexões sobre as possibilidades de realizar o Ensino Colaborativo nos espaços escolares. Através da formação continuada ofertada, oportunizamos que os cursistas pudessem planejar, elaborar e implementar em salas de aulas o Ensino Colaborativo através de práticas pedagógicas elaboradas em parcerias entre professores. CONSIDERAÇÕES FINAIS Reiteramos que a formação inicial e continuada é um importante caminho para que possamos refletir sobre nossas ações e atitudes frente à aprendizagem dos alunos. Defendemos que a formação deve ocorrer desde o início, nos bancos acadêmicos, e ter continuidade ao longo da nossa trajetória profissional e pessoal. Porém, apenas isso não basta: precisamos de políticas públicas assertivas, efetivas, que cooperem para que o Ensino Colaborativo faça parte do cotidiano educacional e esteja presente nas formações pedagógicas. Salientamos que ainda não temos cultura colaborativa nas instituições escolares: o trabalho é individualizado, solitário, rotineiro e temos um longo caminho a percorrer. Durante os encontros e as atividades realizadas, foi possível observar que o Ensino Colaborativo tem uma função e importância significativa no trabalho pedagógico, porém ainda não se sabe como realizá-lo. Os professores da Educação Especial e Ensino Comum não compreendem como realizar o planejamento em parceria, visto que os horários para planejamento não são compatíveis. A formação continuada e as reflexões decorrentes dos estudos do Ensino Colaborativo nos levam a perceber que para que a educação inclusiva se materialize com qualidade para além do direito previsto na lei, os professores devem estar em constante formação e contato com seus parceiros. No percurso desta pesquisa, observamos ainda que a formação continuada é a ponte entre o fazer pedagógico e o desenvolvimento dos educandos. Recorremos a Rabelo (2016, p.221) ao enunciar que “acredita-se que os processos de formação continuada são necessários, desde que contribuam com o aprimoramento e reconstrução de conhecimentos teóricos e práticos”. Vale salientar que são necessários estudos e formação continuada rotineiramente, para que os professores possam desenvolver trabalhos pedagógicos e compartilhar com seus pares, produzindo e levando conhecimento para todos. Reiteramos que o Ensino Colaborativo tem papel formativo, beneficiando professores e alunos. Citamos Gava, et al. (2018, p.75) quando afirmam que “[...] as propostas colaborativas não se consolidam de forma natural, é preciso possibilitar esse aprendizado de escuta e partilha de práticas, percepções e perspectivas”. Observamos que o curso de formação continuada ofertado impactou de forma direta e indireta os participantes. Ficou evidenciado o olhar dos professores participantes de respeito a individualidade e das possibilidades dos educandos. Ao longo das atividades relatadas, também foi possível perceber o quanto os professores entendem a importância do Ensino do Ensino Colaborativo nos espaços escolares e o desejo de realizá-lo. REFERÊNCIAS BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. São Paulo: Saraiva, 1998. CAPELLINI, V. L. M. F., ZANATA, E. M., PEREIRA, V. A. Ensino Colaborativo. In: CAPELLINI, V. L. M. F.; RODRIGUES, O. M. P. R. (Org.). Recursos e estratégias pedagógicas que favorecem a inclusão. Bauru: UNESP/FC, 2012, p.11 - 43. GAVA, F.G.; ROCHA, M.T.L.G.; GARCIA, V.F. Pesquisa colaborativa em educação. In: Ensaios Pedagógicos. Sorocaba, vol.2, n.1, jan. /abr. 2018, p.73-80. IBIAPINA, I. M.L. de M; BANDEIRA, H. M.M. ARAUJO, F. A. M. Pesquisa colaborativa: multirreferenciais e práticas convergentes. Editora EUFPI. 1º ed. Teresina, 2016. RABELO, L. C. C. Casos de Ensino na Formação Continuada à Distância de Professores do Atendimento Educacional Especializado. Tese (Doutorado). Programa de Pós-graduação em Educação Especial do Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos. São Carlos. SP, 2016. 304 f. SILVA, M. C. P. A paixão de formar: da psicanálise a educação. Porto Alegre: Artes Médicas, 1994. FORMAÇÃO CONTINUADA: INCLUSÃO ESCOLAR DOS ALUNOS COM TEA NOS ANOS INICIAIS DO ENSINO FUNDAMENTAL SOB A PERSPECTIVA DO DUA Eixo Temático: 1 - Ensino colaborativo, Colaboração, Co-ensino e Desenho Universal para a Aprendizagem Viviane Teles Vidal Dalanesi 1 Jair Lopes Junior 2 INTRODUÇÃO Atualmente, vivenciamos o crescente aumento das matrículas dos alunos elegíveis aos serviços da Educação Especial na rede regular de ensino no Brasil como um reflexo do movimento mundial da inclusão escolar respaldado por políticas e legislações como a Constituição Federal do Brasil de 1988; a Declaração Mundial de Educação para Todos em 1990; o Estatuto da Criança e do Adolescente em 1990; a Declaração de Salamanca em 1994 e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, LDBEN nº9.394/96 de 1996 (BRASIL, 2012; 1996; 1988). Especificamenteem relação a escolarização das pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), em 2012, a Política Nacional de Proteção dos Direitos das Pessoas com Transtorno do Espectro Autista, Lei nº 12.764/2012, proíbe a recusa de matrículas para crianças com o transtorno no ensino comum, assim, o número de crianças com TEA incluídas nas escolas propende a aumentar. De acordo com Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais DSM-V (APA, 2014), o TEA é caracterizado pelo desenvolvimento comprometido ou acentuadamente anormal da interação social e comunicação, e por padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses e atividades. Dentre as variedades de 1 Doutoranda/Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem/Faculdade de Ciências/UNESP/Bauru. E-mail: viviane.vidal@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3052971675470624. 2 Doutor/Faculdade de Ciências/UNESP/Bauru. E-mail: jair.lopes-junior@unesp.br Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1124424108310223. http://lattes.cnpq.br/3052971675470624. http://lattes.cnpq.br/3052971675470624. características apresentadas pelas pessoas com TEA, segundo o DSM-V, está o fato de que muitos indivíduos com o transtorno apresentam comprometimento intelectual e/ou da linguagem e déficits motores, sendo comuns as dificuldades específicas de aprendizagem de leitura, escrita e aritmética. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Dentre os desafios para a consolidação da educação inclusiva nas escolas regulares, está a carência na formação docente para a prática pedagógica (GLAT; PLETSCH, 2010). Portanto, enfatizamos ser urgente uma formação pedagógica dos professores pensada na e para a inclusão escolar (CAPELLINI, FONSECA, 2017; VITALIANO, 2019). Perante essa realidade, o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), se mostra como uma perspectiva de ensino que considera a diversidade das salas de aula, respeitando as características individuais dos alunos e seus estilos de aprendizagem. Tal perspectiva se pauta em uma estruturação do ensino que visa eliminar as barreiras estruturais, atitudinais e de recursos e materiais, para que todos os alunos possam se beneficiar das estratégias utilizadas. Segundo Malheiro (2021), o DUA trata-se de “um processo de organização metodológica que utiliza soluções educacionais diversificadas empregadas com a finalidade de estimular um aprendizado e acessibilidade de conhecimento a todos”. Destarte, mediante o atual cenário educacional frente à inclusão, a formação dos professores se coloca como uma das medidas que podem contribuir para a efetivação de práticas pedagógicas inclusivas e, consequentemente, impactar na qualidade da escolarização dos estudantes com TEA (GLAT; PLETSCH, 2010; CAPELLINI, FONSECA, 2017; VITALIANO, 2019). Diante do exposto, esta pesquisa pretendeu averiguar junto a uma docente dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental (Participante P3), quais eram as suas necessidades e principais dificuldades em relação à escolarização dos alunos com TEA, e a partir deste levantamento, implementar uma formação continuada em serviço com objetivo de atender às demandas, fomentando conhecimentos sobre o TEA e sobre as práticas educacionais inclusivas sob o panorama do DUA. METODOLOGIA Para o percurso desta pesquisa optamos pelo delineamento quase-experimental, qualitativa e exploratória, com delineamento intra-sujeito do tipo A-B (linha de base/intervenção), o qual permite comparar as principais características de desempenho de cada participante com ele mesmo, antes e depois de uma intervenção. RESULTADOS E DISCUSSÕES Após a assinatura do TCLE, de acordo com o registro e aprovação junto ao CEP, no levantamento inicial, foi possível observar que P3 demonstrava uma visão reducionista a respeito do conceito de inclusão escolar relacionada à percepção de “igualdade”. A mesma também referiu que “quase sempre” é favorável à inclusão escolar, e afirmou ainda que sua formação inicial não a capacitou para atuar na e para a inclusão. Em relação ao seu conhecimento sobre o TEA, afirmou que o transtorno é “o aluno que apresenta um conjunto de especificidades”. P3 relatou desconhecer o DUA e destacou a necessidade de “aprender práticas educacionais que a auxiliassem a atender estudantes com tantas especificidades”. A formação continuada em serviço aconteceu em seis encontros com duração de duas horas cada, durante os HTPC. Foram abordados os temas: Inclusão Escolar, Transtorno do Espectro Autista, Desenho Universal para a Aprendizagem, Plano de aula sob a perspectiva do DUA e avaliação final. Ao longo da formação a professora se mostrou participativa e referiu algumas dificuldades como: sala superlotada, falta de apoio da equipe pedagógica e carência formativa, como alguns dos entraves à aprendizagem dos alunos com deficiência. Entretanto, ao final da formação continuada a professora demonstrou compreensão acerca do DUA, planejando e ministrando aulas sob esta perspectiva de ensino. As aulas foram gravadas e em posterior discussão, P3 considerou que houve aprendizagem da sua estudante com TEA, destacando, como pontos positivos, a participação e motivação dos alunos, a aprendizagem e a dinâmica. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa pretendeu averiguar as necessidades e principais dificuldades dos professores em relação à escolarização dos alunos com TEA, e a partir deste levantamento, implementou uma formação continuada em serviço com objetivo de fomentar conhecimentos sobre o TEA e sobre práticas educacionais inclusivas sob o panorama do DUA. Após a formação continuada foi possível observar que P3, ao planejar e ministrar aulas sob a perspectiva do DUA, demonstrou compreensão das diretrizes propostas pelo DUA apresentado práticas pedagógicas nas quais considerou as necessidades dos seus alunos e utilizou estratégias e recursos que propiciaram envolvimento e evidências de aprendizagem de todos. Diante disso, ressaltamos que, sob condições planejadas, a formação docente voltada para a construção de práticas pedagógicas subsidiadas pelo DUA, podem promover a aprendizagem de todos os alunos ao respeitar as suas características individuais e seus estilos de aprendizagem, e se pautar em uma estruturação do ensino que visa eliminar as barreiras estruturais, atitudinais e de recursos e materiais. Destarte, torna-se necessário a disseminação de pesquisas pautadas no planejamento das condições adequadas para o desenvolvimento de repertórios docentes fundamentados no DUA, pois verifica-se uma relativa escassez de estudos acerca da temática, bem como o seu desconhecimento por grande parte dos atores educacionais. REFERÊNCIAS American Psychiatric Association. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5). 5ª ed. Porto Alegre: Artmed. 2014. BRASIL. [Constituição (1988)]. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República, 1988. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 14 ago. 2020. _______. Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Brasília, DF, 1996. _______. Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos. Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Lei n.12.764, de 27 de dezembro de 2012. Brasília, DF, 2012. CAMARGO, S.P.H. et al. Desafios no processo de escolarização de crianças com autismo no contexto inclusivo: diretrizes para formação continuada na perspectiva dos professores.Educação em Revista. Belo Horizonte, v.36, p.214 -220, 2020. CAPELLINI, V. L. M. F.; FONSECA, K. de A. A escola inclusiva: seus pressupostos e movimentos. DOXA: Revista Brasileira de Psicologia e Educação, Araraquara, v. 19, n. 1, p. 107–127, 2017. DOI: 10.30715/rbpe.v19.n1.2017.10824. Disponível em: https://periodicos.fclar.unesp.br/doxa/article/view/10824.Acesso em: 22 maio. 2023. GLAT, R.; PLETSCH, M. D. O papel da Universidade no contexto da política de Educação Inclusiva: reflexões sobre a formação de recursos humanos e a produção de conhecimento. Revista de Educação Especial, Santa Maria, v. 23, n. 38, p. 345-356, set./dez. 2010. MALHEIRO, C.A.L. Design Universal para a Aprendizagem.Portal de Acessibilidade UNIFESP,2021. Disponível em: https://acessibilidade.unifesp.br/recursos/dua-udl. Acesso em: 21 out. 2021. PRAIS, J.L.S. VITALIANO, C.R. Formação docente para práxis inclusivas subsidiadas pelo desenho universal para a aprendizagem. Revista Teias, v. 22, n. 66, jul./set. 2021. VITALIANO , C. R. Formação de professores de Educação Infantil para inclusão de alunos com necessidades educacionais especiais: uma pesquisa colaborativa. Pro- Posições, Campinas, SP, v. 30, p. 1–30, 2019. Disponível em: https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/proposic/article/view/8656546. Acesso em: 22 maio. 2023. FORMAÇÃO DE PROFESSORES SOBRE O DESENHO UNIVERSAL PARA APRENDIZAGEM1 Eixo temático 1 – Ensino colaborativo, Colaboração, Co-ensino e Desenho Universal para a Aprendizagem Delma dos Santos Silva Pereira2 INTRODUÇÃO O Desenho Universal para Aprendizagem (DUA) traz elementos substanciais para a construção de práticas pedagógicas inclusivas, reconhecendo que a diversidade de recursos, atividades e estratégias deve ser utilizada no processo de ensino e de aprendizagem, uma vez que a cultura escolar precisa enxertar nas práticas o respeito à diferença, desenvolvendo atividades que respondam as diversas especificidades e necessidades presentes na sala de aula. Nessa perspectiva, a formação de professores sobre o Desenho Universal para Aprendizagem permitiu aos participantes (re)construírem concepções, ressignificarem conceitos e incorporarem novos saberes ao fazer pedagógico, elaborando planejamentos pedagógicos baseados nos princípios orientadores do Desenho Universal para Aprendizagem. Na direção dos ditos acima, definiu-se como objetivos da formação: (i) conhecer os princípios orientadores do DUA como estratégia para construção de práticas pedagógicas inclusivas; (ii) refletir sobre as implicações das práticas pedagógicas baseadas no DUA no processo de inclusão de estudantes; e (iii) elaborar planejamentos de práticas pedagógicas baseadas no DUA. Para alcance dos objetivos foi utilizada a pesquisa colaborativa como metodologia, possibilitando que os professores participantes refletissem sobre suas práticas e (re)pensassem, intencionalmente, estratégias com vistas ao atendimento à diversidade no contexto da sala de aula. 1 A formação continuada sobre o DUA foi o produto educacional da dissertação do Mestrado Profissional (PPGECID). 2 Mestrado em Educação Científica, Inclusão e Diversidade pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), professora da sala de recursos multifuncionais na rede municipal de Feira de Santana- Bahia. E-mail: mestradoeducacaoufrb2019.1@gmail.com. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/7285191093632525 mailto:mestradoeducacaoufrb2019.1@gmail.com https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=02FC539203F2CB9C03E9DFC3902783D8 METODOLOGIA O presente trabalho utilizou a pesquisa colaborativa, considerando que o pesquisador e os participantes, atuam como co-construtores, colaboradores, no desenvolvimento de conhecimentos ligados à prática profissional. De acordo com Ferreira e Ibiapina (2011) “[...] pesquisar, na proposta colaborativa, implica refletir sobre o agir e sobre as teorias que lhe servem de esteio, como também criar formas de interpretá-los e transformá-los”. (FERREIRA; IBIAPINA, 2011, p. 122). Isto requer que o pesquisador desprenda-se da função meramente de observador da realidade, mas delineie o projeto de modo que os professores reflitam sobre os contextos nos quais estão inseridos, sendo os protagonistas que analisam, refletem, confrontam e constroem o processo de forma compartilhada com o pesquisador. Os participantes da pesquisa foram professores do Ensino Fundamental do 1º ao 9º e professores da EJA de uma escola pública do município de Feira de Santana, no estado da Bahia, que atuam em salas comuns. Todos os critérios éticos foram seguidos respeitando a livre decisão de participar ou não. Os dados da pesquisa foram coletados por meio da plataforma Google Forms e pelo Google Meet, bem como a formação continuada de professores sobre o DUA de modo a manter o distanciamento social orientado como medida de segurança para não disseminação do vírus causador do Covid 19. A formação continuada dos professores sobre o DUA foi o produto educacional da dissertação3, sendo este a última etapa da pesquisa, por ser um mestrado profissional. A formação foi realizada durante um mês, em dias de segunda-feira e quarta-feira, previamente acordado com os professores. Foram nove encontros, organizados em momentos síncronos (seis encontros formativos) com a presença da pesquisadora, professores, coordenação, direção da escola e convidados, via Google Meet, e em momentos assíncronos (três momentos formativos), permitindo aos professores desenvolverem momentos autoformativos, momentos de estudos realizados em horários de acordo a preferência de cada participante. Os momentos síncronos totalizaram 10 horas. Como proposta final da formação continuada foram elaborados planejamentos 3 “O Desenho Universal para Aprendizagem como estratégia na construção de práticas pedagógicas inclusivas” pedagógicos baseados nos princípios orientadores do DUA (princípio do engajamento, da representação e princípio da ação e expressão). FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A formação docente deve ser considerada como elemento imprescindível para a inclusão de estudantes com ou sem deficiência, visto que a formação inicial e continuada pautada na perspectiva inclusiva, permite aos professores (re)construírem concepções, ressignificarem conceitos e incorporarem novos saberes ao fazer pedagógico. É premente, portanto, que os professores desenvolvam práticas pedagógicas que contemplem a perspectiva das diferenças, permitindo visibilizar a diversidade como parte da essência humana e desconstruir práticas excludentes, homogêneas e, por conseguinte, desenvolvam práticas pedagógicas inclusivas que acolham os diferentes estilos e ritmos de aprendizagem. Nessa perspectiva, o DUA instiga a escola pensar no currículo como flexível e ajustável à necessidade de cada um, portanto um instrumento que torna a aprendizagem acessível a todos. Para isso, o currículo precisa contemplar saberes que promovam tal aprendizagem, não se constituindo como uma barreira impenetrável e sim, baseando em estratégias de ensino flexíveis, com recursos pedagógicos intencionalmente selecionados, dentro do contexto escolar. Para tanto, faz-se necessário “[...] satisfazer as necessidades básicas de aprendizagem, [...] universalizar o acesso à educação e promover a equidade” (BRASIL, 1994). A abordagem do DUA parte do reconhecimento da diversidade humana, considerando que o planejamento pedagógico deve respeitar as diferentes condições dos estudantes e os diferentes estilos de aprendizagem, auditivo, leitor, escritor, visual, cinestésico. Essa abordagem educacional apresenta três princípios orientadores a ser considerado no planejamento, de modo que as barreiras metodológicas sejam diminuídas e maximizado o acesso curricular ao maior número possível de estudantes. Os princípios orientadores do DUA são: engajamento, representação, e ação e expressão. O princípio do engajamento (redes afetivas), refere-se às múltiplas formas de proporcionar ao estudante motivação, interesse e engajamento no processo educativo, respeitando os diferentes interesses queos motivam: culturais, emocionais, e a conexão que estabelece com outros conhecimentos. O princípio da representação (redes de reconhecimento), permite ao professor apresentar a mesma informação/conteúdo de múltiplas formas, atentando- se aos diferentes estilos de aprendizagem, pois “os alunos diferem no modo como percebem e compreendem a informação que lhes é apresentada” (CAST, 2011, p.05). O princípio da ação e expressão (redes estratégicas), oportuniza o estudante expressar como assimilou a informação/conteúdo a partir de diferentes atividades, recursos e estratégias. RESULTADOS E DISCUSSÕES Sobre a aplicabilidade do conteúdo da formação em sua prática pedagógica os professores participantes da formação continuada sobre o Desenho Universal para Aprendizagem, avaliaram positivamente, sendo. possível aplicar o conteúdo na sala de aula. Ao serem questionado se a estratégia do DUA era nova para eles, todos disseram que sim, confirmando a necessidade de disseminação da proposta do DUA. Os professores apontaram que usariam estratégias pedagógicas para potencializar a prática docente, citando a elaboração de planos de aula mais adequados às necessidades de todos e para todos os estudantes, usando materiais mais concretos, filmes, slides, mídias digitais, vídeos com audiodescrição e o planejamento mais voltado para as múltiplas aprendizagens. No que tange a avaliação do curso, nos pontos referente ao planejamento das atividades pedagógicas desenvolvidas e a organização da formação continuação, indicaram que a formatação da formação permitiu reflexões teóricas que embasaram o grupo para reconstruir outros caminhos de ensino e de aprendizagem. De modo geral, os participantes avaliaram o curso de forma muito satisfatória, o que mostra como o planejamento de cada encontro foi intencionalmente pensado e articulado para propiciar reflexão-ação-reflexão, dentro de um espiral formativo. CONSIDERAÇÕES FINAIS A formação continuada sobre o Desenho Universal para Aprendizagem contribuiu, significativamente, para construção de novos saberes, favoreceu reflexões pertinentes referentes à diversidade e deficiência, problematizando os estigmas legitimados pela sociedade. A formação permitiu também ratificar a compreensão sobre a importância de se buscar múltiplas formas de envolver os estudantes no processo de ensino e de aprendizagem, diversificar as formas de apresentar o conteúdo, bem como oferecer formas variadas de expressão do conhecimento pelos estudantes. Com a apropriação dos princípios do DUA como uma estratégia metodológica em resposta a diversidade de condições e características dos estudantes, os professores realizaram planejamentos considerando tais princípios, revelando que é possível construir um ambiente de aprendizagem que envolva todos os discentes. Assim, o exercício da elaboração de planejamentos orientados pelos princípios do DUA contribuiu para percepção dos mesmos como elementos potencializadores da construção de práticas pedagógicas inclusivas. Por fim, considera-se que a quantidade ainda reduzida de estudos sobre o Desenho Universal para a Aprendizagem no Brasil estimula a pensar em novas investigações sobre a temática, alargando as possiblidades da inclusão escolar. REFERÊNCIAS BRASIL. Declaração de Salamanca e Linha de Ação Sobre Necessidades Educativas Especiais. Brasília – DF, Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE), 1994. FRANCO, M.A.R.S. Práticas pedagógicas de acolhimento e inclusão: a perspectiva da pedagogia crítica. In.: RPGE- Revista on line de Politica e Gestão Educacional, Araraquara, v.21, n. esp. 2, p. 964-978, nov.2017. FERREIRA, M. S; IBIAPINA, I. M. L. M. A pesquisa colaborativa como espaço formativo. In: MAGALHÃES, M. C. C; FIDALGO, S. S. (Org). Questões de método e de linguagem na formação docente. São Paulo: Mercado das Letras, 2011, p.119- 140. HEREDERO, E. S. Diretrizes para o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). In.: Revista Brasileira de Educação Especial, Bauru, v.26, n.4,p. 733-768, out./dez., 2020. MEYER, A., ROSE, DH, & Gordon, D. Desenho universal para a aprendizagem: Teoria e Prática. Wakefield, MA: Publicação Profissional da CAST. 2014. PROCESSO E PESQUISA SOBRE O DESENHO UNIVERSAL PARA A APRENDIZAGEM NO ENSINO DE GEOGRAFIA PARA ESTUDANTES AUTISTAS Eixo Temático: 1- Ensino colaborativo, Colaboração, Co-ensino e Desenho Universal para a Aprendizagem Ícaro Belém Horta1 INTRODUÇÃO O processo de ensino com/para estudantes das mais diversas realidades é uma questão intrínseca ao ambiente e contexto das salas de aula. Nesta perspectiva, um grupo em específico vêm crescendo e tendo uma maior expressão: os estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Neste sentido, algumas propostas se emergem para o processo docente e, dentro delas, destaca-se o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). Com isso, algumas indagações surgem: como atuar com/para estes estudantes no ensino de geografia? Qual o papel que o ensino de geografia frente ao processo de socialização e autonomia? Tais questionamentos vêm de forma inerente ao processo de pesquisa e, dentro deste caminho, tem um processo de promoção de uma reflexão sobre: quais seriam as possibilidades de aplicação do DUA para o ensino-aprendizagem de Geografia, independentemente de conteúdo ou de faixa etária, na escolarização de estudantes com TEA em turmas regulares na educação básica, de acordo com a literatura brasileira? O trabalho se justifica na necessidade de produção e difusão de pesquisas sobre práticas com/para estudantes com deficiência e compreender as particularidades das disciplinas específicas. Ademais, o processo de entender e ressaltar as potencialidades são essenciais para a realização de um ensino que compreenda a educação enquanto um processo de fortalecimento da autonomia e superação de barreiras. 1 Mestrando em Educação pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) – Linha de Pesquisa: Políticas públicas de Educação. Bolsista do Programa de Apoio à Pós-Graduação da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (FAPEMIG). E-mail: oracibh@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1587289985250575. mailto:oracibh@gmail.com http://lattes.cnpq.br/1587289985250575 METODOLOGIA Na busca de adentrar no campo de pesquisa e compreender as realidades do DUA, lança mão de uma perspectiva qualitativa por meio da pesquisa bibliográfica (GIL, 2002), na qual há um processo de busca de compreender como as produções acadêmicas se estruturam e contribuem para a discussão das contribuições do Desenho Universal para a Aprendizagem no ensino de geografia para estudantes com TEA. A pesquisa, inicialmente, buscou suas fontes através do banco de dados do SciELO e da Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD), por meio dos descritores: Geografia e Inclusão; Geografia e Educação Especial; Geografia e Autismo; Geografia e Desenho Universal Aprendizagem. Com essa busca, realizada no ano de 2021, verificou uma produção muito baixa para compreender esse campo de pesquisa, tendo a necessidade de buscar novas bases de dados, selecionando dois grandes eventos da área da Educação Especial e do Ensino de geografia: o Congresso Brasileiro de Educação Especial (CBEE) e do Encontro Nacional de Prática de Ensino em Geografia (ENPEG). Com esses eventos, utilizou-se os três últimos anais do CBEE e os dois últimos do ENPEG – tais anais foram escolhidos pelas disponibilidades destes. Esta perspectiva se alinha com conceituações do processo cognitivo em estudantes com TEA, gerando uma análise para a verificar as contribuições que o DUA apresenta no contexto de ensino. Para tal, é realizado a fundamentação teórica e a obtenção, leitura e fichamentos das obras selecionadas. Com issosua organização possibilita a interlocução entre teorias e promovendo uma nova perspectiva sobre este processo. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA No processo de organização das bases teóricas que a pesquisa se ancora, têm-se três núcleos de compreensão: i) as teorias de cognição no TEA; ii) o Desenho Universal para a Aprendizagem; e iii) o ensino de Geografia. Neste caminho, busca- se pensar como as perspectivas se alinham para verificar as contribuições que são alinhadas a este processo. O Transtorno do Espectro Autista é um transtorno do neurodesenvolvimento que afeta principalmente áreas ligadas à comunicação social e comportamental, apresentando algumas dificuldades e potencialidades nestes aspectos (APA, 2014; SCHMIDT, 2018). Para entender como o processo de aprendizagem se relaciona nas pessoas autistas, três teorias cognitivas são importantes para o entendimento: a Teoria da Mente, as Funções Executivas e a da Fraca Coerência Central (SCHMIDT, 2016; 2018). A Teoria da Mente – Theory of Mind – traz a concepção de entender, atribuir e predizer explicações e comportamentos a respeito das relações sociais exercidas (TONELLI, 2011). Nos estudantes autistas, é verificado uma certa dificuldade nesta predição de comportamentos e no entendimento de comportamentos sociais (KHOURY; TEIXEIRA; PACHECO, 2014). Já as Funções Executivas dizem respeito às habilidades cognitivas e comportamentos socioemocionais (CAPOVILLA; ASSEF; COZZA, 2007). Ademais, a perspectiva da rigidez cognitiva, apego a rotinas são duas características que se destacam nos autistas (CZERMAINSKI; BOSA; SALLES, 2019). A Teoria da Fraca Coerência Central se alinha à compreensão de que há uma certa falha na tendência de unir e agrupar informações para compreender o todo, focalizando em algumas informações (BOSA; CALLIAS, 2000). Ao pensar o DUA, têm-se a obra de Meyer, Rose e Gordon (2014), que traz a complexidade de pensar contribuições das neurociências no processo de ensino- aprendizagem. Tal prática pedagógica observa as individualidades dos sujeitos e as potencialidades, visando eliminar e superar barreiras que atrapalhem o aprendizado. Para tal, é relevante ter em mente que o currículo deve ser acessibilizado considerando: os objetos de aprendizagem, os meios para alcançá-los, os métodos de ensino e os materiais. Outro aspecto importante de se pensar são os três princípios básicos, que busca a promoção de múltiplos meios de: engajamento; representação; e ação e expressão. Tais princípios se alinham com redes de aprendizado que apontam a ideia de o quê, o porquê e o como da aprendizagem (MEYER; ROSE; GORDON, 2014; ZERBATO; MENDES, 2018). Na organização do processo de ensino de Geografia, configura-se como um campo de formação de realidades sociais e promoção da autonomia. Neste sentido, Roque-Ascenção e Valadão (2016) aponta a relevância de movimentos cognitivos com base em um tripé metodológico de localização, descrição e interpretação para a compreensão de fenômenos geográficos na realidade brasileira. RESULTADOS E DISCUSSÕES Com base nas análises realizadas é verificado uma produção ainda incipiente, na qual vêm crescendo no campo da Educação Especial e com uma certa resistência no campo do Ensino de Geografia. Neste sentido, entende-se que tal instrumento pedagógico é um poderoso aliado ao processo de ensino-aprendizagem da referida disciplina e que se também tem contribuições com o Raciocínio Geográfico no processo de representação do conteúdo. Compreender e trazer para o âmbito geográfico tem caminhos frutíferos, como Roquejani (2018) apresenta em sua dissertação. O uso do DUA possibilita o respeito à diversidade em sala de aula e que todos apropriem de uma geografia que os emancipem e consigam construir um conhecimento geográfico. As múltiplas formas de representar o conteúdo, permitir o engajamento e ações e expressões por parte dos estudantes é um meio de fortalecer e fomentar práticas mais inclusivas em sala e valorizar todos aqueles que estão inseridos neste processo. Neste âmbito, cabe ressaltar que não são só os estudantes Público-Alvo da Educação Especial (PAEE) que saem ganhando, mas todas as pessoas envolvidas neste processo. O ensino de Geografia, com práticas que contextualizem e mobilizem significados com/para todos os educandos, caminha num sentido de maior significação. CONSIDERAÇÕES FINAIS Este processo de pesquisa se configura como um movimento de dupla-troca: agregar conhecimentos para a formação pessoal e laboral e, também, para possibilitar novos campos de análise na literatura brasileira. Ainda que sejam relativamente incipientes as produções brasileiras e, principalmente em disciplinas específicas, este estímulo reforça a compreensão e divulgação científica e acadêmica desta abordagem. Recomenda-se que novos estudos sejam incentivados e formulados para a maior difusão no contexto de salas de aula, possibilitando com que novos professores se apropriem deste instrumento. Ademais, a divulgação desta perspectiva é uma forma de consolidar um campo relevante de pesquisas acadêmicas. REFERÊNCIAS BOSA, Cleonice; CALLIAS, Maria. Autismo: breve revisão de diferentes abordagens. Psicologia: Reflexão e Crítica [online]. 2000, v. 13, n. 1, pp. 167-177. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0102-79722000000100017. Acesso em: 13 mai. 2023. CAPOVILLA, Alessandra Gotuzo Seabra; ASSEF, Ellen Carolina dos Santos; COZZA, Heitor Francisco Pinto. Avaliação neuropsicológica das funções executivas e relação com desatenção e hiperatividade. Aval. psicol., Porto Alegre, v. 6, n. 1, p. 51-60, jun. 2007. CZERMAINSKI, Fernanda Rasch; BOSA, Cleonice Alves; SALLES, Jerusa Fumagalli de. Funções executivas em crianças e adolescentes com transtorno do espectro do autismo: uma revisão. Psico. 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O diagnóstico correto e a adequada estimulação precoce são essenciais para o desenvolvimento neuropsicomotor, a compreensão do mundo e a socialização. Caso contrário, podem ocorrer repercussões educacionais, emocionais e sociais para o resto da vida. A família, a escola e o serviço de reabilitação devem atuar em conjunto para o desenvolvimento da criança com DV (GIL, 2000). Na infância, tem início o desenvolvimento de habilidades socioemociais, e as crianças com DV -assim como todas- também aprendem na socialização as regras e os padrões sociais em relação à sexualidade. Algumas experiências típicas do desenvolvimento da sexualidade na infância são: conhecer o próprio corpo e o corpo do outro, as sensações prazerosas, os afetos, assim como, manifestar dúvidas e curiosidades sobre as diferenças sexuais entre meninos e meninas, entre crianças e adultos, sobre o nascimento dos bebês, etc. É frequente a 1 Doutoranda no Programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem, Faculdade de Ciências- UNESP Bauru. Bolsista CAPES DS. E-mail:debora.navega@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3131295819201117. 2 Livre-Docente em Educação Sexual, Inclusão e Desenvolvimento Humano. Doutora em Educação. Professora Associada do Departamento de Psicologia- UNESP Bauru. E-mail:claudia.bortolozzi@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0418187005680125. dificuldade dos/as cuidadores frente a estas manifestações, levando a reações de omissão ou repressão (BORTOLOZZI, 2022). Com isto, perdem-se oportunidades de aprendizagens favoráveis à construção de uma sexualidade positiva. O preconceito de familiares e educadores de que pessoas com deficiência seriam assexuadas repercute na ausência de educação sexual para esta população. Crianças com e sem deficiências tem direito à educação sexual formal promotora de seu desenvolvimento psicossocial, de sua cidadania e saúde (BORTOLOZZI, 2021, 2022). Neste contexto, este estudo teve por objetivo explorar possíveis vivências de crianças com DV e identificar necessidades educacionais especificas na área da educaçãos sexual. METODOLOGIA Estudo de natureza qualitativa, descritivo e exploratório, por meio de revisão narrativa da literatura (ROTHER, 2007), na análise crítica dos conhecimentos sobre o desenvolvimento da sexualidade e a educação sexual de crianças com deficiência visual. As fontes de consulta foram materiais diversos como artigos científicos e de opinião, livros, e-books e palestras de especialistas em formato de vídeo, em português e inglês. Este levantamento é parte de tese em desenvolvimento, de autoria da primeira autora sob supervisão da segunda. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Baseamo-nos no modelo social da deficiência e na perspectiva cultural do desenvolvimento humano. Assim como, na vertente da educação sexual formal emancipatória, promotora de direitos sexuais e reprodutivos. RESULTADOS E DISCUSSÕES Na família, as interações afetuosas, os estímulos ao protagonismo na exploração do ambiente e à participação social, com respeito aos potenciais e limites de cada criança, promovem a autoestima e a autoconfinaça nas interações futuras (MASINI, 2007). De modo contrário, a superproteção costuma ser um empecilho para a contrução da autoconfiança e para a socialização (GIL, 2000). A repressão e o isolamento da criança com DV acarreta na privação sensorial, social e afetiva, prejudicando seu desenvolvimento integral. No âmbito do desenvolvimento da sexualidade, a criança com DV precisa de oportunidade e espaço pessoal para conhecer o próprio corpo (PINEL, 1999) e para interagir com outras crianças. Bem como, de informações claras para a compreensão sobre os corpos sexuados, ou seja, conhecimentos básicos sobre o corpo humano, os órgãos sexuais, seus locais, formas e tamanhos (MIGLIOZI, 2014). Precisa ainda de informações para prevenir e identificar a violência sexual infantil, como por exemplo, saber que os genitais são íntimos, saber nomeá-los, ter noções de que é errado um adulto tocar os genitais e pedir segredo ou fazer ameaças. Estas poderão auxiliá-la a discernir um toque aceitável de um toque abusivo (BORTOLOZZI, 2021, 2022). Para crianças com DV pode ser mais desafiador este discernimento sobre os limites dos toques nas interações interpessoais, pois tocar e ser tocada é uma via de comunicação cotidiana, e os/as cuidadores costumam tocá-las para auxiliar na mobilidade, no uso do banheiro, na higiene corporal, etc. Outro aspecto relacionado é o grau de proximidade corporal nas interações, frequentemente implícitos na cultura e aprendidos por observação. Assim, deve-se refletir com as crianças com DV que apesar delas terem o espaço pessoal invadido para o cuidado, outros toques em regiões íntimas são inaceitáveis (PINEL, 1999; KRUPA; ESMAIL, 2010; MIGLIOZI, 2014). Noçoes de privacidade e exposição também são bastante relevantes, reforçando que no ambiente comum todos estão sob a observação dos videntes, e deve-se atentar para garantir um espaço de privacidade no caso de comportamentos como ficar nu ou tocar o genital (GANDINI, 2020; MIGLIOZI, 2014). As pessoas com DV tem plenas condições de aprendizagem, desenvolvimento e participação social e a linguagem é a principal via destes processos (VIGOTSKI, 2022). Ouvir em palavras, de forma franca e direta, informações acuradas de pessoas confiáveis permitirá às crianças com DV a apropriação e autodeterminação em relação ao prórpio corpo, e, desta forma, maior proteção e menor chance de enfrentarem situações danosas na vivência de sua sexualidade a longo da vida. Contudo, o fato dos pais não se sentirem confortáveis para falar do assunto e da sexualidade ser um tabu para a sociedade – e em especial a sexualidade de pessoas com deficiência-, costuma dificultar muito a aprendizagem por pessoas com DV que tem a linguagem como principal via de aprendizagem (MIGLIOZI, 2014; GIL, 2000; BORTOLOZZI, 2021). Guerra (2020) discute que meninas com DV são especialmente afetadas pela educação repressiva, na medida em que são ensinadas a calar, ficar imóveis e agradar aos outros, sem oportunidades de perceber suas próprias necessidades e expressá-las, prejudicando a construção da sua autoconfiança, autonomia e de habilidades de comunicação, inclusive para indicar consentimento ou não. Então, é preciso ensinar desde cedo, especialmente para aqueles/as com deficiências, sobre autodeterminação e autonomia sobre o próprio corpo, sobre comunicar- se sobre suas escolhas e, se necessário, para pedir ajuda (BORTOLOZZI, 2021, 2022). Familiares e cuidadores/as deveriam ser encorajados a praticar uma comunicação clara sobre sexualidade (MIGLIOZI; 2014). Manter um canal aberto de comunicação e um vínculo fortalecido também será muito benéfico para a próxima etapa, da adolescência. Cuidadores, familiares e educadores podem precisar de auxílio nesse sentido (BORTOLOZZI, 2022).CONSIDERAÇÕES FINAIS Este estudo exploratório não pretende esgotar o assunto, nem ser generalizável visto a heterogeneidade desta população e dos meios culturais em que estão inseridas. Ainda assim, trata de um tópico pouco pesquisado e indica que crianças com DV tornam- se mais vulneráveis quando são escassas as oportunidades de socialização e quando não recebem informações diretas e claras sobre sexualidade, pelo que corroboramos com outros autores na defesa de uma educação sexual inclusiva desde o ensino infantil. REFERÊNCIAS BORTOLOZZI, Ana Claudia. Sexualidade e deficiência: uma releitura. São Paulo: Gradus Editora, 2021. BORTOLOZZI, Ana Claudia. Sexualidade na infância: manual para educadores/as. São Paulo: Gradus Editora, 2022. CONSELHO BRASILEIRO DE OFTALMOLOGIA. Censo oftalmológico: as condições de saúde ocular no Brasil. São Paulo: CBO, 2019. GANDINI, Camila. 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Se, por um lado, a garantia desses direitos passa pela esfera estatal, por outro, no âmbito das famílias, são historicamente as mães que lutam por sua conquista e efetivação. O cuidar, mais do que uma ação que se encerra na esfera do privado, se sustenta como fenômeno político, com causas e impactos que reverberam em toda estrutura social. Esta pesquisa, em caráter preliminar e exploratório, buscou acercar essas questões a partir de denúncias na rede social Instagram, que tem sido percebida como uma plataforma privilegiada para publicizar embates relacionados a grupos minoritários, como é o caso das pessoas com deficiência. Nesse sentido, o objetivo desta pesquisa foi o de analisar as narrativas acerca de violação de direitos de pessoas com deficiência relacionados à inclusão escolar veiculadas por perfis públicos de mães de crianças diagnosticadas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na rede social Instagram. METODOLOGIA 2 Doutora em Antropologia e professora do Instituto Federal de Brasília. E-mail: sonia.hamid@ifb.edu.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6553366267023299. 1 Doutora em Psicologia e professora da Universidade de Brasília. E-mail: candida.alves@unb.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9321950620549034. mailto:sonia.hamid@ifb.edu.br http://lattes.cnpq.br/6553366267023299 mailto:candida.alves@unb.br http://lattes.cnpq.br/9321950620549034 Para este estudo, foram selecionadas duas postagens realizadas no Instagram, rede social criada em 2010 para o compartilhamento de mídias. As postagens analisadas foram compartilhadas no mês de maio de 2023 por dois perfis públicos de mulheres autistas mães de crianças autistas. A fim de distingui-las, nos referimos a elas como Perfil A e Perfil B. O Perfil A é o de uma mãe autista e TDAH de uma criança autista de 9 anos. Em seu perfil, ela se autodefine como profissional da inclusão. Este perfil possui em torno de 20 mil seguidores e a postagem analisada, em formato de texto escrito, foi comentada por mais de 600 pessoas. O Perfil B é o de uma mãe autista de uma criança autista de 10 anos que se autodefine como uma ativista pelo direito das pessoas com deficiência e também como profissional autônoma de outra área. Seu perfil possui em torno de 3 mil seguidores e a postagem analisada, um vídeo de cerca de 3min, foi comentada por cerca de 100 pessoas. Ressaltamos o caráter inicial e exploratório desta pesquisa que se pautou, para a análise, na análise de conteúdo de Bardin (1977). FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A concretização dos direitos das pessoas com deficiência à inclusão na sala de aula comum se apoia, no Brasil, em importantes documentos como a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e a Lei Brasileira de Inclusão, além da Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, de 2008. De acordo com esta, os sistemas de ensino devem garantir “acesso ao ensino regular, com participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino” (BRASIL, 2008, p. 14) Apesar dos avanços, a inclusão escolar se depara com obstáculos, como falta de estrutura nas escolas e de capacitação dos profissionais da educação, além da persistência de preconceitos. Essas limitações muitas vezes resultam em exclusão, em vez de proporcionar um ambiente que promova a aprendizagem e o desenvolvimento de todos os estudantes (GARNICA et al, 2016; SILVA; MENEZES; BORGES, 2021). Nesse contexto, as mães são as principais responsáveis pela busca de amparo e pela construção de uma rede de apoio para seus filhos com deficiência (FEDERICI, 2019; PONTE; ARAUJO, 2022). O ativismo materno tem se destacado na busca pela garantia dos direitos em diversos âmbitos – dentre eles a educação inclusiva –, utilizando as redes sociais como uma ferramenta de denúncia e mobilização (MEDRADO; MULLER, 2018), gerando redes de indignação e esperança (CASTELLS, 2017). Nas redes sociais, as mães compartilham suas experiências e desafios gerando uma comunidade com laços afetivos e pautada no compartilhamento de um capital existencial que gera identificação (FREITAS; GAUDENZI, 2022). No caso de mães de pessoas com deficiência, destacam-se a luta por acessibilidade,igualdade de oportunidades e por uma sociedade inclusiva. “Na parentalidade atípica, as funções tradicionais e esperadas de pais e mães, ganham outros sentidos – de defender seus filhos/filhas como sujeitos de fato e de direitos, de luta contra sua desumanização, e pela inclusão – qualificando um ativismo” (MOREIRA, 2022, p. 3940). RESULTADOS E DISCUSSÕES 1) Denúncia e busca por amparo e apoio: caracterização das postagens A postagem no perfil A consiste em uma imagem com fundo preto e uma frase entre aspas: “Vale a pena repensar se nossa escola vai suprir as expectativas altas demais de vocês”. No texto abaixo da imagem, explica-se que se trata de uma frase ouvida pelos pais da criança na escola, como um convite para retirar o filho da instituição. Podemos dividir os mais de 600 comentários que se seguem à postagem em 4 tipos: 1) comentários que marcam veículos de comunicação – o que, podemos supor, tem a intenção de ampliar a denúncia; 2) comentários de solidariedade; 3) comentários em que mulheres relatam ter passado pela mesma coisa com seus filhos e 4) comentários citando direitos e ações jurídicas que poderiam ser levadas a cabo para sua concretização. A postagem no perfil B consiste em um vídeo de cerca de 3 minutos em que a mulher relata situações de exclusão por pares que seu filho autista de 10 anos vêm vivenciando na escola, sem que seja tomada nenhuma medida efetiva por parte da instituição. A mulher expressa estar cansada e angustiada por ver seu filho sofrendo por ser excluído das brincadeiras e interações, de modo que tomou a decisão de tirar o filho da escola, ainda que saiba que esse não é o ideal – o ideal seria enfrentar e lutar pela garantia de direitos. Os pouco mais de 100 comentários que seguem à postagem são do tipo 2) e 3) mencionados acima, momento em que leitores prestam solidariedade e demonstram que a escola, historicamente, se apresenta como palco de exclusões. As postagens e os comentários criam, conforme ressaltam Freitas e Gaudenzi (2022), uma comunidade afetiva por identificação e compartilhamento de vivências similares. Isso parece ter o efeito de atenuar a solidão e o desamparo sentido por essas mães (PONTE; ARAUJO, 2022). 2) Direitos violados - Socialização e Aprendizagem Além da criação de uma rede de apoio, observamos também como as postagens configuram a busca pela efetivação de direitos, ora explícita ora implícita. No caso do perfil A, as exigências feitas pelos pais e negadas pela escola, conforme explicação da responsável pelo perfil, consistem na contratação de um monitor especializado e na estruturação de um Plano de Ensino Individual. Trata-se, portanto, de uma demanda explícita (MOREIRA, 2022), uma vez que a mãe denuncia e exige reparação do ocorrido. No caso do perfil B, ainda que a mulher esteja decidida a tirar seu filho da escola por questões relacionadas à socialização com os pares e a omissão da escola, sua fala denuncia as mazelas causadas pela não efetivação de direitos. Ao levar à arena pública, faz eco às postagens de outras mães ativistas, como a do perfil A, potencializando redes de indignação e esperança, nos termos de Castells (2017). Destaca-se que a inclusão escola não se configura apenas como a presença física da criança na escola comum, mas sua participação, desenvolvimento e aprendizagem, conforme consta na Política Nacional da Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008) REFERÊNCIAS BRASIL. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, DF: Ministério da Educação, 2008. CASTELLS, Manuel. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. Editora Schwarcz-Companhia das Letras, 2017. FREITAS, Bárbara Morais Santiago; GAUDENZI, Paula. “Nós, mães de autistas”: entre o saber da experiência e as memórias coletivas em vídeos no YouTube. Ciência & Saúde Coletiva, v. 27, p. 1595-1604, 2022. Disponível em: https://doi.org/10.1590/1413-81232022274.07212021. 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A partir de reflexões sobre diferentes perspectivas e práticas no modelo educacional para surdos, foi desenvolvida uma pesquisa (nível doutorado) sobre a educação de alunos surdos na América Latina. Este relato refere-se a um recorte desta pesquisa, com a finalidade de apresentar considerações sobre o reconhecimento das línguas de sinais em diferentes países da América do Sul, sendo eles: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Suriname, Uruguai e Venezuela. Trata-se de uma pesquisa de caráter qualitativo, baseada em uma das etapas da pesquisa original - análise de documentos sobre o tema. Isto posto, selecionamos as discussões decorrentes de produções sobre as línguas de sinais, relacionando-se a aspectos da educação de surdos. A pesquisa originária aprofundou-se em discussões sobre modelos seguidos em diferentes locais, o envolvimento e atuação de diversos profissionais, e especialmente, o modo como as línguas de sinais estão na educação. 2 Doutora em Educação Especial pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Especial (PPGEEs), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Professora Adjunta do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). E-mail: lfsantos@ufscar.br. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/7312070448044165. 1 Doutoranda em Educação Especial. Programa de Pós-Graduação em Educação Especial (PPGEES), Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). E-mail: milenamp015@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4207519162784448. Especialmente tratandoa língua de sinais como protagonista em questões sobre a diferença e o direito linguístico dos alunos surdos, e como central no desenvolvimento,o objetivo deste trabalho é apresentar considerações sobre o reconhecimento das línguas de sinais em cada país da América do Sul e contribuir para futuras discussões sobre o tema, bem como incentivar pesquisas que relacionem aspectos de diferentes países. METODOLOGIA A pesquisa é de caráter qualitativo, baseada na metodologia de estudos em educação comparada, do tipo documental (BRAY, ADAMSON, MASON, 2015). Dessa forma, a busca realizada teve como finalidade encontrar documentos e produções científicas (disponíveis digitalmente) que retratassem a língua de sinais em países da América do Sul, a fim de contextualizar as perspectivas linguísticas e educacionais nos respectivos países; utilizando de termos relacionados às temáticas citadas, como: “educação de surdos”, “América Latina”, “América do Sul”, “reconhecimento da língua de sinais”, “surdez” -, fazendo diferentes combinações nas plataformas online Portal de Periódicos CAPES e Scientific Electronic Library - SciELO. A análise de dados foi fundamentada na técnica de Mapa de Associação de Ideias apresentada por Spink (2010), desenvolvida para compreender conteúdos a partir de núcleos temáticos, que permitem a organização de temas a partir da interpretação do pesquisador no procedimento de pesquisa, não possuindo tópicos “pré-definidos”. Após a identificação das produções na etapa de busca, resultantes dos termos que utilizamos, realizamos a leitura dos resumos de cada produção e selecionamos as que se encaixavam nas discussões para alcançar o objetivo proposto. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Esta pesquisa foi fundamentada na abordagem histórico-cultural desenvolvida por Vygotsky (1998; 2011), considerando os aspectos de desenvolvimento linguístico em relação ao âmbito educacional. É importante ressaltar a surdez como diferença linguística, social e cultural, que distancia-se de um conceito tradicional da deficiência, que enfatiza o aspecto (da falta) clínico e biológico no sujeito. O papel da língua é central para que o desenvolvimento ocorra, assim, é através da relação com o outro e com o contexto social que o sujeito se constitui (VYGOTSKY, 1998; 2011). Este ponto é essencial para compreender que pessoas surdas precisam estar em contextos sociais que favoreçam o contato e o desenvolvimento com e na língua de sinais. Ter modelos e pares linguísticos deveria ser uma prática comum na vivência de crianças surdas desde as primeiras etapas de vida. Entretanto, como apontado por Moura (2013), 95% das crianças surdas nascem em famílias ouvintes, esse contato acaba ocorrendo tardiamente, trazendo impactos para o desenvolvimento da linguagem e, consequentemente, para o desenvolvimento pleno. Nesse sentido, a escola torna-se um local potente para que a criança surda desenvolva-se, encontre relações e experiências que ocorram na língua de sinais (VYGOTSKY, 1998; 2011). RESULTADOS E DISCUSSÕES Apresentamos neste tópico os resultados preliminares da pesquisa, considerando os conteúdos analisados, resultantes da etapa de busca por documentos e produções nas temáticas já mencionadas. Sendo assim, organizamos nossas discussões em um eixo principal: Considerações sobre as línguas de sinais em países da América do Sul. Em resumo, nossas discussões sobre as línguas de sinais em países da América do Sul, abordam principalmente o reconhecimento da língua de sinais nos países, assim como os direitos legais para a educação. Considerações sobre as línguas de sinais em países da América do Sul Por muito tempo proibidas e inferiorizadas, as línguas de sinais possuem uma estrutura linguística própria, em modalidade viso-gestual e as mesmas funções no desenvolvimento humano do que as línguas orais (PINTO, 2021). Assim, com base na teoria histórico-cultural e nos estudos de Vygotsky (1998; 2011), a língua pode ser apontada como produção social e histórica, de forma que o sujeito a constrói e modifica, atuando continuamente na e com ela. As principais diferenças das línguas de sinais estão em seu uso e circulação social, pois representam uma minoria linguística e isso relaciona-se com questões sociais e culturais de cada contexto. O reconhecimento da língua de sinais pode ocorrer de diversas formas, sendo: reconhecimento constitucional; reconhecimento por meio de legislação linguística em geral; reconhecimento por meio de lei (ou ato) da língua de sinais; reconhecimento por meio de lei (ou ato) da língua de sinais, incluindo outros meios de comunicação, e reconhecimento por meio de lei do Conselho Nacional de Línguas (DE MEULDER, 2015). O estudo feito por Montes (2018), baseando-se nos estudos de De Meulder (2015; 2016) foi fundamental para nossos dados, considerando que apresentou os países que reconhecem as línguas de sinais legalmente, o ano de publicação e em qual documento. Destacamos os países da América do Sul presentes, sendo: Colômbia em 1996 (Lei de Língua de Sinais), Venezuela em 1999 (Reconhecimento Constitucional), Uruguai em 2001 (Lei de Língua de Sinais), Brasil em 2002 (Lei de Língua de Sinais). Os países Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Suriname - que também fazem parte da América do Sul -, não constam na lista da autora, entendendo-se que as línguas de sinais de cada país encontram-se em diferentes condições. Isto posto, a maioria dos países estudados não possui um documento oficial para o reconhecimento da língua de sinais, como Argentina, Bolívia, Chile, Equador, Paraguai, Peru e Suriname. Outros, têm o reconhecimento em uma lei específica, caso do Brasil, Uruguai e Colômbia. Os dados encontrados nos permitem refletir que onde a língua de sinais encontra-se reconhecida legalmente, há uma estrutura mais fundamentada para a educação de surdos. Enquanto em países como Brasil, Colômbia, Equador e Uruguai encontramos uma proposta de educação para surdos sustentada, seja por produções científicas e/ou por documentos legais, em outros, como Chile e Argentina, mostram-se em desenvolvimento nas produções. Em países como Bolívia, Paraguai, Peru e Suriname é necessário aprofundar discussões sobre um modelo adequado, indicando que atualmente são mais frequentes adequações na estrutura e organização educacional, não havendo um respaldo de documentos legais e/ou uma proposta de alcance nacional a ser seguida. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os movimentos para inclusão social e educação de surdos ressaltaram o direito ao acesso e à formação de qualidade, buscando com que a diferença linguística não fosse considerada uma limitação e/ou barreira no sistema. Estudar como as línguas de sinais são compreendidas em cada contexto nos direciona a refletir como se dão as políticas públicas, especialmente no que diz respeito à educação deste grupo e como cada contexto foi se fortalecendo. Sendo assim, percebemos que não há uma homogeneidade de reconhecimento da língua de sinais nos países, e consequente, da educação de surdos, em territórios da América do Sul. A análise de diferentes contextos pode promover aprendizados de amplo alcance, construindo discussões e modelos a serem seguidos, o que pode ocorrer através de pesquisas como esta. Ressaltamos que este é apenas um recorte de uma pesquisa aprofundada sobre a temática, que dá indícios sobre a estruturação da educação de surdos, como vem sendo tratada e referenciada em documentos importantes. Além disso, destacar o papel da língua de sinais no desenvolvimento pode contribuir para que sejam pensadas, planejadas e elaboradas práticas educacionais que respeitem a diferença linguística, e mais que isso, valorizem a diferença cultural e social no ensino. REFERÊNCIAS BRAY, M. ADAMSON, B. MASON, M. Pesquisa em Educação Comparada: abordagens e métodos (Orgs.), Brasília. Liber Livro, 2015. DE MEULDER, M. A barking dog that never bites? The British sign language (Scotland) bill. Sign LanguageStudies. v. 15, n. 4, 2015, p. 446-472. DE MEULDER, M. The power of language policy: The legal recognition of sign languages and the aspirations of deaf communities. 2016. 134 p. Doctoral Dissertation (PhD of Humanities) - University of Jyväskylä, Jyväskylä, 2016. MOURA, M. C. Surdez e linguagem. In: LACERDA, C. B. F.; SANTOS, L. F. (Orgs.). Tenho um aluno surdo, e agora? Introdução à Libras e educação de surdos. São Carlos: Edufscar, 2013. p. 13-26. PINTO, M. M. A criança surda na educação infantil: o desenvolvimento de linguagem na perspectiva do professor. (Dissertação em Educação Especial) Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, São Carlos, p. 145. 2021. SPINK, M. J. Linguagem e produção de sentidos no cotidiano [online]. Rio de Janeiro: Centro Edelstein de Pesquisas Sociais, 2010. 72 p. ISBN: 978-85-7982-046-5. VYGOTSKY, L. S. A formação social da mente. 6. ed.São Paulo: Martins Fontes, 1998. VYGOTSKY, L. S. Pensamento e linguagem. 5. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2011. EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DE PESSOAS COM DEFICIÊNCIA - UMA ANÁLISE SOBRE O DIREITO À EDUCAÇÃO E AO TRABALHO Eixo Temático: Eixo 2 - Direito da Pessoa com Deficiência e Culturas Inclusivas Sandra Rodrigues da Silva Chang1 Ubirajara da Silva Caetano2 Letícia Paloma de Freitas Pereira Silva3 INTRODUÇÃO Este texto apresenta, de forma resumida, os resultados de pesquisa realizada por meio de análise documental com o objetivo de verificar como a educação profissional e tecnológica (EPT) de pessoas com deficiência é referida em alguns dos documentos normativos brasileiros, buscando refletir sobre as concepções de trabalho subjacentes a tais documentos e o direito de tais sujeitos à educação profissional. Os resultados evidenciam que os documentos analisados trazem desde uma visão mais ampla e atualizada, que destaca a possibilidade de formas diversas de trabalho para pessoas com deficiência e a necessidade de que a educação profissional seja acessível a todos, até a ausência de menção ao trabalho ou à EPT no Decreto Federal nº 10.502/2020. METODOLOGIA O presente estudo foi realizado por meio de análise documental, tendo como ponto de partida uma breve revisão da literatura sobre a EPT e a inclusão de pessoas com deficiência nesta modalidade educacional. A partir daí, nossa análise concentrou-se na Lei Federal nº 9.394/1996 - Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, na Convenção 1 Mestre em Comunicação Social (ECA/USP) e doutoranda em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE/USP). E-mail: sandra.chang@usp.br. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/3227046907611693. 2 Mestre em Educação (UNISANTOS) e doutorando em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE/USP). E-mail: ubirajara.caetano@usp.br. Currículo Lattes:http://lattes.cnpq.br/9492449492116644. 3 Mestre em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE/USP) e doutoranda em Educação (FE/USP). E-mail: leticia.paloma.silva@usp.br Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5644732128922829. mailto:sandra.chang@usp.br mailto:sandra.chang@usp.br https://lattes.cnpq.br/3227046907611693 Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (Convenção da ONU), promulgada no Brasil por meio do Decreto Federal nº 6.949/2009, na Lei Federal nº 13.146/2015, denominada Lei Brasileira de Inclusão (LBI) e, por fim, no Decreto Federal nº 10.502/2020, recentemente revogado. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Embora no período da escravidão já houvesse iniciativas de educação profissional no âmbito agrícola, a partir de 1909 passou-se a buscar um modelo para todos os setores. Hoje a EPT engloba as mais diversas áreas de atividade econômica e perpassa tanto a educação básica quanto a superior. As questões relacionadas à EPT encontram-se na intersecção de diversas áreas ligadas às políticas públicas brasileiras, como educação, trabalho e juventude, fazendo com que suas bases conceituais e legais encontrem-se difusas em documentos destas esferas, e sua compreensão exija um olhar apurado para a realidade do mercado de trabalho. O direito ao trabalho está estreitamente ligado à sua consecução, e resolvê-lo depende de um certo desenvolvimento da sociedade (BOBBIO, 2004). Desta forma, garantir o direito ao trabalho passa pela garantia de condições para que se possa obtê-lo e exercê-lo, o que inclui a necessidade de mecanismos legais que favoreçam a contratação de pessoas historicamente excluídas das relações de trabalho, bem como o acesso destas pessoas à educação profissional. A LDB dedica o seu capítulo III à EPT, definindo os tipos de curso que abrange, mas é no capítulo V - da Educação Especial, que encontramos menção à articulação entre educação profissional e pessoas com deficiência, quando determina que os sistemas de ensino assegurem aos educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação, educação especial para o trabalho, “inclusive condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo” (BRASIL, 1996), parecendo se referir ao conceito de oficina protegida, definido no Decreto nº 3.298/1999 (BRASIL, 1999). Apesar das oficinas protegidas oportunizarem à pessoa com deficiência uma experiência laboral, esta ocorre de forma distinta do que seria uma situação real de trabalho, caracterizando-se mais como uma atividade ocupacional do que como uma preparação para o ingresso no mundo de trabalho, assumindo caráter de reabilitação e não educacional (REDIG; GLAT; 2017). A Convenção da ONU reconhece o direito das pessoas com deficiência ao trabalho, destacando que devem ter a oportunidade de “se manter com um trabalho de sua livre escolha ou aceitação no mercado laboral, em ambiente de trabalho que seja aberto, inclusivo e acessível” (BRASIL, 2009). Destaca ainda que as pessoas com deficiência devem ter acesso a programas de orientação técnica e profissional e a serviços de colocação no trabalho e de treinamento profissional e continuado. A Convenção traz uma visão ampliada de trabalho, estabelecendo que devem ser promovidas oportunidades de trabalho autônomo, empreendedorismo, desenvolvimento de cooperativas e de negócio próprio, além de empregos nos setores público e privado. Uma visão abrangente quanto ao trabalho também pode ser vista na LBI, segundo a qual a participação de pessoas com deficiência deve ser prevista nos “programas de estímulo ao empreendedorismo e ao trabalho autônomo, incluídos o cooperativismo e o associativismo” (BRASIL, 2015), bem como em linhas de crédito. Assegura ainda ambientes de trabalho acessíveis, igualdade de oportunidades, acesso a trabalho de livre escolha e aceitação da pessoa, bem como acesso a cursos de formação profissional e planos de carreira. A LBI prevê também que a colocação competitiva de pessoas com deficiência no mercado de trabalho pode se dar por meio de trabalho com apoio, com prioridade para aqueles que apresentarem maior dificuldade de inserção. Já o Decreto nº 10.502/2020 não contém qualquer menção direta à EPT. Apenas pode-se entendê-la contemplada, de forma não nominal, em seu artigo 4º, que define dentre os objetivos da Política “promover ensino de excelência aos educandos da educação especial, em todas as etapas, níveis e modalidades de educação” (BRASIL, 2020). Vale ressaltar que tal decreto foi revogado pelo Decreto Federal nº 11.370/2023. RESULTADOS E DISCUSSÕES A análise dos documentos normativos selecionados para este estudo nos permitiu verificar que as concepções de trabalho subjacentes a tais documentos refletem a dinâmica social de diferentes períodos. Como um reflexo da sociedade, tais documentos denotam os pensamentos e práticas de cada época. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/d10502.htm#art1 A LDB traz uma contribuiçãoimportante ao expressar a necessidade de se ofertar educação especial para o trabalho, no inciso IV de seu artigo 59. No entanto, ao prever no mesmo inciso, “condições adequadas para os que não revelarem capacidade de inserção no trabalho competitivo”, aproxima-se do conceito de oficinas protegidas, retomando em parte a ideia das oficinas pedagógicas presentes na Política de Educação Especial de 1994. Trata-se de uma forma de olhar para a questão comum à época em que tais documentos foram elaborados, a qual foi modificada nos documentos seguintes. Posteriormente, nota- se um alinhamento entre as concepções de trabalho explicitadas na LBI e na Convenção da ONU, nas quais o trabalho para pessoa com deficiência é visto de maneira alargada, não apenas como emprego formal, mas considerando também outras possibilidades, como o trabalho autônomo, o cooperativismo, o empreendedorismo e o trabalho apoiado. Além disso, tanto a LBI quanto a Convenção da ONU destacam a acessibilidade como condição para a efetivação do direito das pessoas com deficiência à educação e ao trabalho. Já o Decreto Federal nº 10.502/2020, ao não mencionar EPT ou trabalho para pessoas com deficiência, centrando sua atenção na educação básica, denota uma falta de perspectiva do potencial laboral destes sujeitos, deixando de considerar a legislação que o precedeu, a qual incentiva o acesso de pessoas com deficiência à educação profissional e ao trabalho, compreendendo-o como possível e necessário. Ressalte-se que tal decreto foi posteriormente revogado por meio do Decreto Federal nº 11.370, de 1º de janeiro de 2023. CONSIDERAÇÕES FINAIS Qualquer política pública ou documento normativo deve ser considerado a partir de seu contexto histórico, assim como nossos objetos de pesquisa e os questionamentos que deles derivam. Nota-se que as oscilações nas concepções de trabalho, bem como nas perspectivas de acesso a direitos sociais evidenciadas nos documentos analisados, refletem a realidade da sociedade brasileira em cada período histórico considerado, com suas lutas, avanços e contradições. O direito de acesso de pessoas com deficiência à educação e ao trabalho, embora garantido de longa data na legislação brasileira, ainda se encontra num processo de amadurecimento e consolidação, tornando relevantes estudos que problematizem tais questões. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/d10502.htm#art1 REFERÊNCIAS BOBBIO, Norberto. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004. BRASIL. Lei Federal nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Disponível em: http://www.planalto.gov.br /ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 09/07/2021. BRASIL. Decreto Federal nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março de 2007. Disponível em: http://www.planalto .gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm. Acesso em: 10/07/2021. BRASIL. Lei Federal nº 13.146, de 06 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Brasília, DF: 2015. Disponível em: http://www. planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 02/12/2020. BRASIL, Decreto Federal nº 10.502, de 30 de setembro de 2020. Institui a Política Nacional de Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com Aprendizado ao Longo da Vida. Brasília, DF: 2020. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ _ato2019- 2022/2020/decreto/D10502.htm . Acesso em: 09/07/2020. BRASIL. Decreto Federal nº 11.370, de 1º de janeiro de 2023. Revoga o Decreto nº 10.502, de 30 de setembro de 2020, que institui a Política Nacional de Educação Especial: Equitativa, Inclusiva e com Aprendizado ao Longo da Vida. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2023-2026/2023/Decreto/D11370.htm.gov.br. Acesso em: 15/05/2023. CUNHA, Luiz Antônio. O ensino de ofícios artesanais e manufatureiros no Brasil escravocrata. São Paulo: Editora UNESP, Brasília, DF: Flacso, 2000. REDIG, Annie Gomes e GLAT, Rosana. Programa educacional especializado para capacitação e inclusão no trabalho de pessoas com deficiência intelectual. Ensaio: Avaliação e Políticas Públicas em Educação, 2017, v. 25, n. 95, pp. 330-355. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-40362017002500869. Acesso em: 09/07/2021. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/D10502.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2020/decreto/D10502.htm ESCOLARIZAÇÃO E PESSOAS COM DEFICIÊNCIA: POSSIBILIDADES TERMINOLÓGICAS OU PRIVATIZAÇÃO DO CURRÍCULO? Eixo Temático: Eixo 2 - Direito da Pessoa com Deficiência e Culturas Inclusivas Fábio Junio da Silva Santos 1 Georgton Anderson da Silva2 INTRODUÇÃO Escolarização, com recorte no currículo, e pessoas com deficiência3, configuram-se em temática fundamental na compreensão do direito à educação de tais pessoas. Nesse sentido, explora-se a produção acadêmica, por meio de revisão bibliográfica, com foco no ensino fundamental, etapa da educação básica devido essa se configurar como a de maior acesso dessas pessoas, mas também aquela à qual as respostas da educação serão, de fato, exigidas, seja no acesso ou na permanência. A metodologia empregada possibilitou trilhar a produção sobre o que vem se produzindo como escolarização para as pessoas com deficiência no ensino fundamental, o objeto da análise de conteúdo centrou-se na relação entre currículo e educação especial. Primeiramente delineiam-se os critérios, seleção, coleta de dados e categorização inicial dos dados. Como decorrência da categorização inicial, discute-se que houve privatização do sentido de currículo por meio da operacionalização das terminologias engendradas sob rótulos genéricos relacionados às “preferências”, “especificidades” e “necessidades” das pessoas com deficiência no processo de escolarização. Conclui-se que a privatização dos sentidos do currículo age na contramão da garantia do direito à educação desse público. 3 Segundo a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e Protocolo Facultativo: “aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas” (BRASIL, 2007). 2 Mestrando em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP). E-mail: georgton.a88@usp.br. Currículo Lattes: https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/pkg_impcv.trata. 1 Mestre e doutorando em Educação pela Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo (FE-USP). E-mail: fabiojunio@usp.br. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/2714123335316155. mailto:georgton.a88@usp.br https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/pkg_impcv.trata mailto:fabiojunio@usp.br METODOLOGIA A composição do arquivo de pesquisa se estruturou a partir da exploração das bases de dados SciELO, ERIC e REDALYC, o recorte temporal compreendeu teses, dissertações e artigos entre os anos de 2000 e 2020. Para mediar a análise bibliográfica, os dados foram analisados com o aporte da análise de conteúdo temático categorial de Franco (2008). O que se vislumbra como relação entre currículo e pessoas com deficiência no âmbito do ensino fundamental? Essa questão balizou a construção de arquivo temático alicerçado nos descritores “currículo”, “escolarização de pessoas com deficiência”, “ensino fundamental” e “educação especial” no título, resumo ou palavras-chave, identificamos 452 produções. Em análise preliminartemático-categorial excluímos as produções pautadas na incompreensão entre dificuldades de aprendizagem e deficiência provocada pelo uso irrestrito de “necessidades educacionais especiais”, denotando uma relação unívoca entre ambas, separamos dessas apenas as que se referiam a situações de deficiência. Outro cuidado metodológico adotado foi a problematização das produções que usavam largamente o adjetivo “inclusivo”, essa ação se fez necessária porque muitos estudos que estavam associados ao descritor currículo estavam ligados a estudos que não tinham relação propriamente com as pessoas com deficiência, com esses cuidados metodológicos restaram para a composição do arquivo 111 produções. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Os pesquisadores utilizam o conceito de currículo concordando com Sacristán (1998) para quem o currículo é um processo social envolvendo disputas sobre o que deve ser valorizado. O currículo é um processo social porque as interposições de práticas afetam o modo como se pensa e se constitui o currículo, dessa maneira, o modo como as terminologias introduzem uma preocupação tem consequência para a escolarização, uma ênfase dada a determinado elemento pode evidenciar uma opção quanto à participação das pessoas com deficiência na escolarização. Sacristán (1998) subsidia este trabalho porque propõe que no currículo incidem vários níveis de decisão, não isolados, desde as instâncias em nível macro, como as legislações e os conteúdos obrigatórios, até as escolhas feitas pelo professor no momento da aula. Isso significa menos uma abordagem escolarizada de todas as dimensões da cultura e mais a escolha dos objetos culturais. Entendemos que esse conceito de currículo é importante porque dialoga sobre as escolhas dos objetos culturais, da didática, da concepção de direitos, da concepção de escola e, por fim, acreditamos que também repercute na concepção de pessoas com deficiência e seu direito à escolarização. Outra conceito que nos serve de guia para análise, e que está, a nosso ver, relacionado ao currículo como processo social é a relação íntima entre discurso pedagógico e discurso terapêutico (LARROSA, 2011, p. 40), pois, “as práticas pedagógicas, sobretudo quando não são estritamente de ensino, isto é, de transmissão de conhecimentos ou de ‘conteúdos’ em sentido restrito, mostram importantes similitudes estruturais com as práticas terapêuticas”. RESULTADOS E DISCUSSÕES Quadro 1 – Terminologias. Terminologias Recorrência Adaptação, adequação e ajuste 63 currículo surdo 9 currículo funcional 6 currículo inclusivo 3 acesso curricular , acessibilidade 2 currículo para altas habilidades 2 currículo por projeto 2 currículo aberto 2 currículo como rede de relações 1 currículo baseado na equivalência de estímulos 1 Currículo culturalmente engajado 1 currículo flexível 1 Educação na perspectiva do lazer 1 Habilidades sociais educativas 1 Práticas inclusivas 1 Práticas curriculares 1 Práticas solidárias 1 Práticas corporais alternativas 1 Percepção total do corpo 1 Fonte: Elaboração dos autores Nas terminologias encontradas entendemos que o currículo é percebido como artefato de “inclusão” se engendraram sob dispositivos individuais relacionados às “preferências”, “especificidades” e “necessidades” das pessoas com deficiência no processo de escolarização. Essa discussão se potencializa quando se observa que muitas produções abordam esse tema de forma a propor que escolarização não potencializa os “conteúdos escolares”, uma vez que utilizam as características desses sujeitos como limitadoras para o currículo, realimentado a intimidade entre os discursos pedagógicos e terapêuticos. Essa problemática ainda ganha mais representatividade quando se consideram os serviços e recursos do atendimento educacional especializado destinado às pessoas com deficiência, sobretudo quando se verifica que a articulação desse serviço com a sala comum é feita a partir de diferentes atuações de seus profissionais, ainda assim, é o professor desse atendimento quem “elabora”, “disponibiliza” e “avalia” tais recursos e serviços. Em algumas perspectivas, a oferta desse serviço e recurso é compreendida como currículo. O recurso pedagógico é focalizado para uma suposta compreensão de especificidade presente no indivíduo. Assim, define-se o que o indivíduo pode fazer e a forma como ele deverá fazer. Tal compreensão restringe a atuação do currículo ao sujeito, responsabilizando-o pelo seu processo de aprendizagem. Mesmo que se argumente que o recurso é pedagógico, porque auxilia o currículo, não se está considerando os objetivos curriculares, pois o recurso é para responder a uma necessidade do sujeito – como engrossadores de lápis, pranchas de leitura, atividades de vida diária etc. – não sendo expressão propriamente de seu conteúdo. CONSIDERAÇÕES FINAIS As terminologias sobre currículo no contexto da educação especial também gera tensão, porque organiza a discussão curricular a partir do “discurso” que cada uma delas quer afirmar como mais “benéfica” para as pessoas com deficiência. Nomear diferentemente o currículo parece estar a serviço da individualização dele como resposta à tensão relativa às “características” do sujeito. Uma outra possibilidade que se apresenta é a conformação de “currículos possíveis” para as características de algumas deficiências. Esse tipo de compreensão privatizante do currículo permite, em nome dessa “inclusão”, que se proponham diferentes nomes para o currículo, minando, assim o papel dos conteúdos escolares, trazendo à tona o que Larrosa (2011) discute sobre a relação íntima entre os discursos pedagógico e terapêutico. Por fim, há os imperativos hegemônicos que, em detrimento da perspectiva social do currículo, incentivam a associação direta entre as “necessidades” do sujeito e sua escolarização, argumentando que um currículo direcionado a tais necessidades seria indicativo da “inclusão” desse público na escola. REFERÊNCIAS FRANCO, Maria Laura Puglisi Barbosa. Análise de conteúdo 3. ed. Brasília: Líber Livro, 2008. LARROSA, Jorge. Tecnologias do eu e educação. In: SILVA, Tomaz Tadeu. O sujeito da educação: estudos foucaultianos. São Paulo, Vozes, 2011. SACRISTÁN, Jose Gimeno. O currículo: os conteúdos do ensino ou uma análise da prática? In: PÉREZ GÓMEZ, Angel Ignacio; SACRISTÁN, Jose Gimeno. Compreender e transformar o ensino. Porto Alegre, Artmed, 1998. O DIREITO À EDUCAÇÃO DO PÚBLICO-ALVO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL NO ESTADO DO PARANÁ Eixo Temático: Direito da Pessoa com Deficiência e Culturas Inclusivas Fernanda Carolina Libanio 11 Wully Altieri de Souza Castelar 22 Dorcely Isabel Bellanda Garcia 33 INTRODUÇÃO O movimento em prol da inclusão educacional, evidencia uma nova concepção de educação, quanto ao acesso, as condições de permanência e a aprendizagem do seu alunado, exigindo do poder público, das políticas educacionais e do sistema de ensino, ações que assegurem o direito à educação de todos e para todos (BRASIL, 1988). Dessa forma, o presente estudo buscou compreender se as concepções educacionais emanadas por normativas deliberadas pelo estado do Paraná, asseguram por meio da educação especial (EE) condições educacionais para a inclusão do público-alvo da educação especial (PAEE) no ensino regular. Com vistas a analisar a legislação do Paraná que norteia o processo educativo na perspectiva inclusiva no estado. Esta reflexão se faz necessária, visto que o processo inclusivo é resultado de uma construção constante oriunda de uma história de luta de direitos que busca consolidar a dignidade humana, na qual a proximidade do direito à igualdade inclui o direito à diferença e o respeito a diversidade. Elaborado mediante a um estudo documental e bibliográfico. METODOLOGIA 1 Mestra em Educação Inclusiva - PROFEI, UNESPAR/Campus de Paranavaí, libaniofernanda@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9451285565113867 2 Mestraem Educação Inclusiva - PROFEI, UNESPAR/Campus de Paranavaí, wully_altieri@hotmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6723348207498593 3 Professora Doutora lotada no Colegiado de Pedagogia e no Mestrado Profissional em Educação Inclusiva - PROFEI, UNESPAR/Campus de Paranavaí, dorcely.garcia@ies.unespar.edu.br Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8124217357002723 mailto:wully_altieri@hotmail.com mailto:dorcely.garcia@ies.unespar.edu.br O delineamento metodológico é de natureza qualitativa, com enfoque bibliográfico e documental, e visou responder se a organização da oferta da educação especial na rede de ensino regular do estado do Paraná, contribui para que se efetive o direito a educação dos estudantes PAEE. Utilizou-se como estratégia, apresentar o contexto histórico da constituição da EE, buscando compreender a atual organização do ensino paranaense para cumprimento das garantias legais da pessoa com deficiência. A análise documental e bibliográfica considerou, a trajetória da EE particularmente os encaminhamentos e atendimentos oferecidos às pessoas com deficiências, tendo como foco principal o cenário paranaense. A análise desses documentos ocorreu inicialmente com a leitura e a apreciação de cada um deles, passando posteriormente a uma leitura na qual colocamos em relação ao objetivo proposto no estudo. Os documentos possibilitaram-nos identificar as proximidades, distanciamentos, disputas, rupturas e permanências na proposição política para a área. Faz-se importante destacar que sempre procuramos ter claro que “os documentos de política contêm ambiguidades, contradições e omissões que fornecem oportunidades particulares para serem debatidas no processo de sua implementação” (SHIROMA; CAMPOS; GARCIA, 2011, p. 224). Possibilitando perceber como os governos explicam a realidade, legitimam suas atividades, os mecanismos utilizados e as relações que estabelecem como o campo educacional no sistema de ensino do estado Paraná. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA As conquistas da área da Educação Especial (EE) na perspectiva da Educação Inclusiva (EI), a nível nacional, foram marcadas por muitas lutas que conquistaram leis favoráveis a pessoa com deficiência, o movimento inclusivo se fortaleceu, com a promulgação da Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI) de 2008. A política foi instituída com base em documentos internacionais, que determinam as diretrizes de ação para a criação de políticas públicas locais e práticas pedagógicas voltadas à inclusão escolar. Sendo assim, considerando as novas demandas decorrentes do expressivo aumento no número de alunos PAEE nas salas de aula do ensino comum. A gestão da educação dos estados e municípios brasileiros, se responsabilizaram quanto a organização da oferta dos serviços educacionais especializados, como forma de viabilizar o tripé inclusivo, a saber: acesso, permanência e aprendizagem. No Estado Paraná, a política voltada para Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, determina que o aluno PAEE, deve matricular-se preferencialmente na rede regular de ensino, tendo apoio especializado disponíveis para seu processo de aprendizagem. A mesma defende a concepção de que o processo de EE e de Inclusão Educacional (IE) ocorram quando há uma sólida estrutura da rede de apoio entre aluno, profissionais da educação e família. Sendo assim, o poder público deverá responsabilizar- se para que os alunos sejam atendidos em suas necessidades, preferencialmente no ensino regular (PARANÁ, 2009). Os sistemas municipais que estão jurisdicionados à Secretaria de Estado de Educação (SEED) tem autorização para manter as turmas de classe especial, tendo embasamento nas orientações da Deliberação nº 03/04 (PARANÁ, 2004) , que estabelece critérios para o funcionamento da Classe Especial nos anos iniciais, do ensino fundamental. O MEC define como o PAEE alunos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento (TGD), do qual o transtorno do espectro autista (TEA) faz parte e altas habilidades\superdotação (AH/S). Por sua vez, o Estado do Paraná, além do público-alvo definido pelo MEC, considera também os alunos com transtornos funcionais específicos (TFE), a saber: dislexia, disgrafia, disortografia, discalculia e transtornos de atenção e hiperatividade (TDAH), para atendimento nas salas de recursos multifuncionais (SRM), orienta os sistemas de ensino nas diretrizes da PNEEPEI (BRASIL, 2008). Após o decreto nacional da Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) no ano de 2015, o Paraná decreta e sanciona a Lei nº 18.419, denominada Estatuto da Pessoa com Deficiência do Estado do Paraná, a presente lei dispõe de orientações normativas que objetivam assegurar, promover e proteger o exercício pleno e em condições de equidade de todos os direitos humanos das pessoas com deficiência, visando a sua inclusão social e cidadania plena, efetiva e participativa. Em 2016, o Estado do Paraná publica uma nova Deliberação, nº 02/2016, a qual dispõe sobre as normas para a EE no sistema estadual de ensino no estado para estudantes com deficiências, transtornos globais do desenvolvimento, transtornos funcionais específicos (TFE) e altas habilidades ou superdotação (PARANÁ, 2016). No sistema de ensino estadual paranaense a definição do atendimento, o objetivo, o público-alvo, a avaliação de ingresso, os critérios para organização funcional, as atribuições do professor da SRM e os critérios para solicitação de autorização, renovação e/ou cessação de funcionamento da SRM, é estabelecido pela Instrução n.º 09/2018 – SUED/SEED (PARANÁ, 2018). A concepção que rege a organização das SRM no estado do Paraná parte da premissa que esse serviço é indicado para os estudantes PAEE que necessitam de metodologia e recursos diferenciados para ultrapassar barreiras impostas pela sua condição em virtude de uma deficiência específica ou pela necessidade de suplementação curricular (LIBANIO, 2022). Com base na análise dos documentos que normatizam a EE no Estado do Paraná, podemos dizer que o Estado em questão adotou uma posição denominada inclusão responsável, sob a perspectiva que não basta apenas criar condições de acesso à escolarização dos alunos com deficiência. Esta argumentação o Estado do Paraná se denomina como política de inclusão responsável criticando duramente a política de inclusão radical preconizada pelo MEC. RESULTADOS E DISCUSSÕES Segundo o decorrer desta pesquisa, podemos constatar que a inclusão de PAEE deve se construir de forma a mudar a cultura da sociedade excludente, oportunizando a estes alunos estarem inseridos na sociedade tendo seu direito a diferença respeitado, mas sendo aceitos como iguais a todos os outros. Ao retiramos estes alunos da escola comum, potencializamos a exclusão já existente, usando o artificio da garantia do direito de estar em uma escola que atenda suas necessidades. Importante ressaltar que esse estudo, não questiona o trabalho desenvolvido pelas as Associações de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAEs), entretanto, o mesmo questiona a necessidade de um olhar para a escolarização dos alunos público alvo da Educação Especial. REFERÊNCIAS BRASIL, Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva, 2008. Disponível em: www.mec.gov.br/secadi. Acesso em 04 abr. de 2023. LIBANIO, F. C. Políticas Públicas de Educação Especial na Perspectiva Inclusiva: Um estudo sobre a implementação na rede municipal de ensino de Campo Mourão. Dissertação (Mestrado em Educação Inclusiva) – Universidade Estadual do Paraná, Paranavaí, 2022. PARANÁ. Departamento de Educação Especial e Inclusão Educacional. Curitiba: DEEIN, 2009. Disponível em: <http://www.nre.seed.pr.gov.br>. Acesso em: 19 março de 2023. PARANÁ. Lei nº 18.419, de 07 de janeiro de 2015. Estabelece o Estatuto da Pessoa com Deficiência do Estado do Paraná. Paraná, 2015. Disponível em: < https://www.legisweb.com.br/legislacao/?id=279996#:~:text=Art.- ,1%C2%BA%20Institui%20o%20Estatuto%20da%20Pessoa%20com%20Defici%C3%AAn cia%20do%20Estado,defici%C3%AAncia%2C%20incluindo%20as%20neurofibromatoses %2C%20visando>. Acesso em: 10 março de 2023. PARANÁ. Deliberação nº 02/2016. Estabelece Normas para a Educação Especial, modalidade da Educação Básica para alunos com necessidades educacionais especiais, no Sistema de Ensino do Estado do Paraná. Curitiba: CEE, 2016. Disponível em: < http://www.cee.pr.gov.br/sites/cee/arquivos_restritos/files/migrados/File/pdf/Deliberacoes/2 016/Del_02_16.pdf >. Acesso em: 18 março de 2023. PARANÁ. Secretaria de Estado de Educação. Instrução nº 03/04 – SEED/SUED. Estabelece critérios para o funcionamento da CLASSE ESPECIAL de 1ª a 4ª séries do Ensino Fundamental, na área da Deficiência Mental. Curitiba, 07 de maio de 2004. Disponível em: <http://www.educacao.pr.gov.br/arquivos/File/instrucoes/Instrucao032004CESIDI.pdf> Acesso em 14 de maio de 2023. PARANÁ. Instrução nº 09/2018 – SEED/SUED. Estabelece critérios para o Atendimento Educacional Especializado por meio da Sala de Recursos Multifuncionais, nas áreas da deficiência intelectual, deficiência física neuromotora, transtornos globais do desenvolvimento e para os estudantes com transtornos funcionais específicos nas instituições de ensino do Sistema Estadual de Ensino. Curitiba, 2018. Disponível em: < https://www.educacao.pr.gov.br/sites/default/arquivos_restritos/files/documento/2019- 12/instrucao_092018.pdf >. Acesso em: 10 março de 2022. SHIROMA, E. O.; CAMPOS, R. F.; GARCIA, R. Conversão das “almas” pela liturgia da palavra: uma análise do discurso do movimento Todos pela Educação. In: BALL, J. B.; MAINARDES, J. (org.). Políticas educacionais: questões e dilemas. São Paulo: Cortez, 2011. p. 222-248. O ENSINO DE HABILIDADES SOCIAIS EM PESSOAS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO: DIMENSÕES METODOLÓGICAS ACERCA DAS EVIDÊNCIAS DE APRENDIZAGENS Eixo Temático: Direito da Pessoa com Deficiência e Culturas Inclusivas Danilo Leutwiler Gabas 1 Flávia de Carvalho Lucas Velo 2 Jair Lopes Junior 3 INTRODUÇÃO Crianças com altas habilidades e/ou superdotação são comumente consideradas precoces. Muitos acreditam que, em todos os casos, elas progridem mais rápido do que as outras crianças por demonstrarem maior facilidade de aprendizagem e engajamento em uma ou mais áreas do conhecimento. Porém, nem todos os adultos que se destacaram foram crianças precoces. Há múltiplos fatores que interferem na história de vida de uma criança precoce que vão além do nível de habilidade, como os traços de personalidade, a motivação em buscar a excelência, o ambiente familiar propício para o desenvolvimento das habilidades e as oportunidades que aparecerão no decurso de sua vida. Além disso, a motivação intrínseca, a curiosidade, a vontade de aprender e o engajamento, fatores essenciais para um desempenho superior, dependem de um ambiente educacional enriquecido para se desenvolverem. Segundo Renzulli (1986), as pessoas, no decorrer de suas histórias, que foram reconhecidas por suas contribuições únicas, originais e criativas demonstraram possuir um conjunto notável de traços, sendo: (1) habilidades acima da média em alguma área do 1 Mestrando Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem/UNESP/Bauru. E- mail: danilo.gabas@unesp.br. Currículo Lates. http://lattes.cnpq.br/9404935723564087. 2 Mestranda Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem/UNESP/Bauru. E- mail: flavia.c.lucas@unesp.br. Currículo Lattes http://lattes.cnpq.br/5313257888017798. 3 Doutor Departamento de Psicologia/UNESP/Bauru. E-mail. jair.lopes-junior@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1124424108310223. mailto:danilo.gabas@unesp.br http://lattes.cnpq.br/9404935723564087 mailto:flavia.c.lucas@unesp.br http://lattes.cnpq.br/5313257888017798 mailto:jair.lopes-junior@unesp.br http://lattes.cnpq.br/1124424108310223 conhecimento; (2) envolvimento com a tarefa e (3) criatividade. Assim, a realização criativa/produtiva, resultante dos comportamentos de superdotação, seria obtida apenas quando estes três conjuntos de traços estivessem dinamicamente em interação. Em seu Modelo dos Três Anéis, o pesquisador aponta que nem sempre a criança apresenta este conjunto de traços desenvolvidos igualmente, mas, se lhe forem dadas oportunidades, a criança possui capacidade para desenvolver amplamente seu potencial. REFERENCIAL TEÓRICO Evidências apontam que o jovem talentoso costuma trabalhar nos problemas relevantes a ele e que são considerados desafiadores, muitas vezes considerando soluções pragmáticas voltadas majoritariamente à racionalidade excessiva. São características comuns dessa categoria a criatividade, originalidade, o pensamento por analogias, diversidade de interesses, aversão a rotinas, busca novas formas de resolver problemas, sensibilidade excessiva e prazer na introspecção e na fantasia (RENZULLI, 2004; RENZULLI; REIS, 1997). Nessa perspectiva, considerando o imperativo do desenvolvimento global e a prioridade inclusiva, assume fundamental importância fomentar o conhecimento sobre a aquisição e o aprimoramento das habilidades sociais por crianças e por jovens superdotados. Del Prette e Del Prette (2008) salientam que as habilidades sociais são definidas por diferentes classes de comportamentos sociais no repertório do indivíduo essenciais na interação adequada com demandas interpessoais. Assim, o objetivo deste estudo foi o de identificar, mediante inspeção em parcela da literatura pertinente, quais são as características metodológicas das evidencias de aprendizagem de habilidades sociais por pessoas com altas habilidades/superdotadas, bem como o de analisar em que extensão tais características convergem em sinalizar estratégias de ensino mais eficientes. A relevância da avaliação das altas habilidades/superdotação (AH/S) pode ser compreendida dentro de uma proposta que busca a valorização dos pontos fortes, aptidões e talentos dos indivíduos, assim como a prevenção de problemas sociais e emocionais decorrentes da ausência de identificação. Identificar as evidências de aprendizagem de habilidades sociais em jovens superdotados é estimado pelos especialistas como condição relevante para o planejamento de condições de interação social mais saudáveis e adequadas para a expressão habilidades, de modo a evitar barreiras ao desenvolvimento dos talentos individuais, o que pode levar pessoas talentosas a uma situação de risco social (CROSS; ANDERSEN, 2016; NEIHART et al., 2002). METODOLOGIA Este estudo consistiu em pesquisa teórica, metodologicamente desenvolvida através da revisão parcial e integrativa da literatura utilizando as bases de dados Scielo e Scopus, bem como os descritores: altas habilidades and habilidades sociais RESULTADOS E DISCUSSÕES Uma síntese dos resultados destas buscas encontra-se no Quadro 1. São indicados os oito artigos extraídos das respectivas bases de dados, no período compreendido entre 2014 e 2022, que se constituíram em objeto de análise. Quadro 1 – Título e ano de publicação dos artigos considerados nas análises efetuadas nas respectivas bases de dados (com exclusão dos títulos registrados nas duas bases de dados). Artigos Utilizados na Pesquisa/ Base Scielo Artigos utilizados na Pesquisa/Base Scopus 1- Modelo de Enriquecimento e identificação do talento em alunos do ensino fundamental I: relato de experiência de duas educadoras. (2022) 2 - Bullying e Habilidades Sociais de Estudantes em Transição Escolar. (2022) 3 - Adolescent Social Skills, Perception of SocialSupport and Motivation to Learn: the impact on Scholl Performance. (2021) 4 - Habilidades Sociais e Problemas de comportamento de Crianças com Altas Habilidades/Superdotação. (2021) 5 - Altas Habilidades/Superdotação: Intervenção em Habilidades Sociais com Estudantes, Pais/Responsáveis e Professoras. (2020) 1- Desenvolvendo habilidades sociais com jovens talentosos: Um programa e múltiplas experiências (2019) 2 – Dotação, habilidades sociais e bem-estar subjetivo. (2017) 3 - Social skills and subject well-being of gifted and talented children (2014). Fonte: Elaborado pelos autores, 2023. https://www.scopus.com/record/display.uri?eid=2-s2.0-85106790013&origin=resultslist&sort=plf-f&src=s&nlo=&nlr=&nls=&sid=2d717a5e79bcb989bfc0299f673466b6&sot=a&sdt=a&sl=41&s=altas+habilidades+and+habilidades+sociais&relpos=18&citeCnt=0&searchTerm= https://www.scopus.com/record/display.uri?eid=2-s2.0-85106790013&origin=resultslist&sort=plf-f&src=s&nlo=&nlr=&nls=&sid=2d717a5e79bcb989bfc0299f673466b6&sot=a&sdt=a&sl=41&s=altas+habilidades+and+habilidades+sociais&relpos=18&citeCnt=0&searchTerm= https://www.scopus.com/record/display.uri?eid=2-s2.0-85106790013&origin=resultslist&sort=plf-f&src=s&nlo=&nlr=&nls=&sid=2d717a5e79bcb989bfc0299f673466b6&sot=a&sdt=a&sl=41&s=altas+habilidades+and+habilidades+sociais&relpos=18&citeCnt=0&searchTerm= https://www.scopus.com/record/display.uri?eid=2-s2.0-85041211087&origin=resultslist&sort=plf-f&src=s&nlo=&nlr=&nls=&sid=2d717a5e79bcb989bfc0299f673466b6&sot=a&sdt=a&sl=41&s=altas+habilidades+and+habilidades+sociais&relpos=24&citeCnt=1&searchTerm= https://www.scopus.com/record/display.uri?eid=2-s2.0-85041211087&origin=resultslist&sort=plf-f&src=s&nlo=&nlr=&nls=&sid=2d717a5e79bcb989bfc0299f673466b6&sot=a&sdt=a&sl=41&s=altas+habilidades+and+habilidades+sociais&relpos=24&citeCnt=1&searchTerm= https://www.scopus.com/record/display.uri?eid=2-s2.0-85032221155&origin=resultslist&sort=plf-f&src=s&nlo=&nlr=&nls=&sid=2d717a5e79bcb989bfc0299f673466b6&sot=a&sdt=a&sl=41&s=altas+habilidades+and+habilidades+sociais&relpos=26&citeCnt=6&searchTerm= https://www.scopus.com/record/display.uri?eid=2-s2.0-85032221155&origin=resultslist&sort=plf-f&src=s&nlo=&nlr=&nls=&sid=2d717a5e79bcb989bfc0299f673466b6&sot=a&sdt=a&sl=41&s=altas+habilidades+and+habilidades+sociais&relpos=26&citeCnt=6&searchTerm= As análises salientam que parcela expressiva das evidências acerca do desenvolvimento de habilidades sociais em pessoas com altas habilidades/superdotadas encontra-se baseadas em dados de avaliação psicométrica, prescindindo de dados de observação em contexto de interação interpessoal. Constata-se, assim, uma prioridade metodológica que concentra as evidências de aprendizagem de habilidades sociais por pessoas com altas habilidades/superdotadas em estimativas pós-intervenção efetuadas em escalas devidamente validadas com concomitante tratamento de grupos. Em termos teóricos, poder-se-ia estimar que, à princípio, a convergência metodológica resultantes das análises dos artigos indicados no Quadro 1 expressariam consistência com diretrizes que acentuam e advogam a prioridade das evidências na avaliação de práticas de intervenção em contextos educacionais, clínicos e de saúde (THOMAS; PRING, 2007). Contudo, sob uma perspectiva teórica complementar (BOTOMÉ; RIZZON, 1997; KUBO; BOTOMÉ, 2001), a convergência em termos de evidências geradas por estimativas em escalas acerca do desenvolvimento de habilidades sociais, parece impor restrições no necessário fomento do conhecimento sobre quais seriam as estratégias de ensino e a programação das mesmas que se mostrariam mais adequadas para o desenvolvimento de tais habilidades por inibir a visibilidade da aquisição das mesmas durante o processo de exposição dos participantes às condições planejadas de intervenção. Admite-se, assim, como posicionamento teórico derivado das análises empreendidas, no âmbito do fomento do conhecimento acerca das habilidades sociais em pessoas com altas habilidades/superdotação, que a adesão desejável às diretrizes que preconizam a relevância das evidências seja devidamente vinculada com orientações teóricas que advogam que evidências ou medidas de desempenho produzidas por estimativas em escalas psicométricas sejam devidamente complementadas por estratégias de investigação definidas por um processo contínuo de fornecimento de informações sobre a aquisição e o desenvolvimento de características relevantes dos repertórios que definem as habilidades sociais investigadas (BOTOMÉ; RIZZON, 1997; KUBO; BOTOMÉ, 2001). CONSIDERAÇÕES FINAIS Estima-se que a contribuição do presente estudo reside em advogar que, em complemento ao robusto lastro de conhecimentos já produzidos sobre os repertórios relevantes para as interações interpessoais, impõe-se como prioritários programas de investigação que salientem, baseados em dados de observação, as características e as funções de estratégias de ensino nas diferentes dimensões dos repertórios que definem as aprendizagens das habilidades sociais por crianças e jovens com altas habilidades/superdotação. REFERÊNCIAS BOTOMÉ, Sílvio; RIZZON, Luiz. Medidas de desempenho ou avaliação de aprendizagem em um processo de ensino: Práticas usuais e possibilidades de renovação. Chronos, 30. (1), p. 7-34, 1997 CROSS, Tracy; ANDERSEN, Lorl. Depression and suicide among gifted children and adolescents. In: NEIHART, M.; PFEIFFER, S.L.; CROSS. T. L. (Eds.). The social and emotional development of gifted children: what do we know? 2. ed. Washington: Prufrock Press, 2016. p. 79-90. DEL PRETTE, Almir.; DEL PRETTE, Zilda. Psicologia das relações interpessoais: vivências para o trabalho em grupo. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008. NEIHART, Maureen; et al. The social and emotional development of gifted children: what do we know? Washington: Prufrock Press, 2002. KUBO, Olga.; BOTOMÉ, Sílvio. Ensino-Aprendizagem: Uma interação entre dois processos comportamentais. Interação em Psicologia, 5, p. 133-171, 2001. RENZULLI, Joseph. The gifted constitutes 3-5% of the population. Dear Mr. and Mrs. Copernicus: we regret to inform you... In: RENZULLI, J. (Ed.) Essential reading in gifted education: volume 2: identification of students for gifted and talented programs. Thousand Oaks: National Assn for Gifted Children, 2004. p. 63-70. RENZULLI, Joseph. The three-ring conception of giftedness: A developmental model for creative productivity. In: RENZULLI, J.; REIS, S. (Orgs.) The triad reader. Mansfield Center: Creative Learning Press, 1986. p. 2-19. RENZULLI, Joseph; REIS, Sally The schoolwide enrichment model: a how-to guide for educational excellence. 2. ed. Mansfield Center: Creative Learning Press, 1997. THOMAS, Gary.; PRING, Richard. Educação baseada em evidências: A utilização dos achados científicos para a qualificação da prática pedagógica. Porto Alegre. ArtMed Editora, 2007. PROFISSIONAL DE APOIO ESCOLAR: REFLEXÕES SOBRE AS TERMINOLOGIAS ADOTADAS EM PESQUISAS Eixo Temático: Eixo 2 - Direito da Pessoa com Deficiência e Culturas Inclusivas Camila Elidia Messias dos Santos1 Fabiana Aparecida Menegazzo Cordeiro2 Vera Lucia Messias Fialho Capellini3 INTRODUÇÃO A educação constitui direito fundamental a todas as pessoas. Desta forma, o acesso à escola deve estabelecer condições equitativas, com o propósito de garantir a sua inclusão social e cidadania. Ao assegurar a implementação da educação na perspectiva da Educação Inclusiva em todos os níveis e modalidades de ensino, essa terminologia busca a valorização da diferença e da diversidade, com a disponibilização de suportes de acordo com as especificidades de cada aluno (CAPELLINI, 2019; OLIVEIRA; SANTIAGO; TEIXEIRA, 2022). No caso dos estudantes com deficiência, para a eliminação das barreiras ao seu pleno desenvolvimento, foi legalizada a oferta de profissionais de apoio escolar.Nacionalmente, esse profissional é definido como “pessoa que exerce atividades de alimentação, higiene e locomoção do estudante com deficiência e atua em todas as atividades escolares nas quais se fizer necessária” (BRASIL, 2015, p.23), em instituições de ensino públicas e/ou privadas. Contudo, a literatura tem feito uso de diferentes 1 Psicóloga. Doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” UNESP-Bauru. E-mail: camila.messias@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5042087846484615. 2 Advogada. Doutoranda pelo Programa de Pós-graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” UNESP-Bauru. E-mail: fabiana.menegazzo@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0675911823894944. 3 Pedagoga. Profa. Titular do Departamento de Educação, do Programa de Pós-graduação em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem e do Programa de Mestrado Profissional em Docência para a Educação Básica, da Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” UNESP-Bauru. E-mail: vera.capellini@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9928758732344366. nomenclaturas a este profissional, podendo ser identificado, a depender do documento como tutor, cuidador, monitor ou mentor, atribuindo diversas funções e responsabilidades. Diante disto, a presente pesquisa busca responder às seguintes perguntas: 1) As pesquisas têm priorizado alguma terminologia para se referir a esses profissionais? 2) As terminologias adotadas pelos profissionais possuem delimitações quanto ao tipo de serviço desempenhado? Portanto, objetiva-se analisar as produções bibliográficas sobre a utilização das terminologias empregadas e comparar a sua utilização quanto aos serviços e suportes oferecidos, de modo a clarificar a adoção futura da nomenclatura mais adequada de acordo com o serviço que se pretende alcançar. METODOLOGIA Delineou-se uma revisão de literatura, fundamentada na abordagem qualitativa, caracterizada como revisão integrativa, que consiste em “avançar na análise e integrar e agregar os resultados e as evidências dos estudos analisados” (MATAR; RAMOS, 2021). As informações foram coletadas nas plataformas online indexadas no portal do periódico da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), durante o primeiro semestre de 2023. Esta busca foi realizada através de associação entre os seguintes descritores: (inclusão AND aluno com deficiência AND tutor); (inclusão AND aluno com deficiência AND cuidador); (inclusão AND aluno com deficiência AND monitor); (inclusão AND aluno com deficiência AND profissional de apoio). Durante este levantamento utilizou-se o filtro busca avançada dos descritores e foram selecionados os artigos que apresentavam os descritores em seus títulos, resumos ou palavras-chave e, que estavam circunscritas ao campo da inclusão escolar. Foram critérios de inclusão: a) abordar a inclusão escolar no ensino básico; b) a pesquisa ser direcionada a estudantes com deficiência; c) publicação em formato de artigo e, d) estar redigido em Língua Portuguesa. Foram critérios de exclusão: a) estudos teóricos ou de revisão; b) artigos duplicados e, c) não disponibilizados na íntegra. Após a realização das buscas, foram identificados 98 documentos ao todo. Na análise preliminar, 84 resultados foram excluídos da amostra por não atenderem aos critérios estabelecidos, dos quais um por tratar de artigos de revisão; cinco por estarem duplicados, um por não ter sido encontrado, um por estar em formato de tese e, 76 por não se enquadrarem na temática. Dos 14 artigos restantes, foram realizadas a leitura dos resumos e categorizados quanto à nomenclatura utilizada. Depois da leitura, um estudo foi excluído por ter sido desenvolvido em instituição filantrópica de saúde e não no contexto escolar, sendo, portanto, selecionados ao final 13 documentos. A Tabela 1 a seguir, apresenta as etapas adotadas para a seleção dos artigos analisados. Tabela 1. Etapas adotadas na pesquisa. TERMOS UTILIZADOS Resultados Encontrados Artigos Selecionados Inclusão AND Aluno com deficiência AND Tutor 14 2 Inclusão AND Aluno com deficiência AND Cuidador 12 1 Inclusão AND Aluno com deficiência AND Monitor 10 2 Inclusão AND Aluno com deficiência AND Mentor 0 - Inclusão AND Aluno com deficiência AND Profissional de apoio 62 8 Fonte: Elaborado pelas autoras. RESULTADOS PRELIMINARES As análises preliminares evidenciaram diferenças entre as terminologias adotadas, caracterizando funções diferentes e com uso de proposição de termos complementares. Para os resultados encontrados utilizando o termo tutor, identificou-se que não se trata de um trabalho profissional, mas de “alunos tutores” que estudam na mesma turma que o aluno com deficiência e, que desempenham o papel de tutoria no auxílio das atividades. Embora os estudos apontem que a tutoria entre pares aumenta a participação dos estudantes com deficiência nas atividades (MARINS; LOURENÇO, 2021), essa estratégia corresponde apenas em um suporte de escolarização para esses alunos e, portanto, não devem ser associados aos serviços profissionais. As pesquisas encontradas com o termo cuidador, estão relacionadas ao principal responsável por garantir o bem-estar, a assistência e a prestação de cuidados à criança, sendo eles seus próprios parentes. Neste caso, o trabalho é baseado na assistência e cuidado, sem necessariamente uma preocupação com a escolarização, por outro lado, os pais como principais cuidadores, podem ser agentes colaboradores no processo de inclusão, na medida em que viabilizam ou não o acesso às informações (ARAÚJO; LIMA, 2011). O trabalho do cuidador também pode estar articulado ao trabalho desenvolvido pelos professores para adaptação de atividades diferenciadas aos estudantes com deficiência, encontrando-se também, neste caso, o uso da terminologia mediador de inclusão (BARRETO et al., 2022). Para as buscas realizadas com o termo mentor não foram encontrados resultados. Nos estudos encontrados com a terminologia monitor, as atividades desempenhadas consistem no acompanhamento dos educandos com deficiência no cotidiano escolar, que muitas vezes, acabam gerando situações de exclusão velada, ao invés de possibilitar autonomia e auxílio para esses estudantes. Essa situação se avulta, pois segundo Vasconcellos et al. (2016) o papel dos monitores é auxiliar nos processos de normatização e de normalização do aluno para que os objetivos da instituição escolar sejam atendidos, visando adequação a um padrão, no qual podem ser encontrados com a denominação de auxiliares. Os estudos sobre a nomenclatura profissionais de apoio, enfatizam que esse profissional acompanha as necessidades específicas dos alunos com deficiência durante todo o período que ela se encontra na instituição, mas tais atividades culminam mesclando com as atuações desenvolvidas tanto pelo cuidador, como pelo monitor. Assim, é necessária uma análise atenta ao uso de cada terminologia, uma vez que as características das funções exercidas se diferem. Cabe salientar que ao profissional de apoio, como serviço garantido em lei, deve ser oportunizado formação e capacitação específica para sua atuação de forma condizente às necessidades dos alunos para não associá-la às atividades de mero cuidado ou de padronização ao qual se busca superar. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os resultados apontaram a necessidade de uma melhor definição de terminologias e atribuições aos profissionais que atuam junto aos alunos com deficiência, em conformidade com os parâmetros nacionais, bem quanto a uma padronização do termo correto nas pesquisas, devido à tentativa de incluir outros termos identificados no cotidiano escolar,como: “mediador” e “auxiliares”. Embora haja divergências de nomenclaturas encontradas, com base nos resultados, pode-se sugerir que quando se trata de profissional no exercício da função, o termo mais apropriado e utilizado de modo geral, está relacionado ao profissional apoio especializado. Já quando se refere a apoio em atividades pedagógicas realizadas no cotidiano escolar por pares (alunos) no apoio de outro aluno, a nomenclatura utilizada é tutoria. Portanto, sugere-se que tais serviços e suportes tenham as suas funções delimitadas de acordo com cada nomenclatura proporcionando maior segurança no desenvolvimento das ações prestadas, sem contrapô-las a de outros profissionais ou agentes que atuem na efetivação da educação especial na perspectiva inclusiva. REFERÊNCIAS ARAÚJO, D. A.; LIMA, E. D. R. de P. Dificuldades enfrentadas pelo cuidador na inclusão escolar de crianças com paralisia cerebral. Educação em Revista, v.27, n.03, p.281-304, 2011.DOI: https://doi.org/10.1590/S0102-46982011000300014 BARRETO, C. A. S. et al. As dificuldades enfrentadas na docência com educandos com deficiência, transtornos globais do desenvolvimento e altas habilidades ou superdotação (DTGDAHS): relato de experiência no colégio ACM em Santa Inês/BA. Revista Diálogos e Perspectivas em Educação Especial, v. 9, n. 1, p. 103-114, 2022. Disponível em: https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/dialogoseperspectivas/article/view/9332. Acesso em 28 maio 2023. BRASIL. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, 2015. 2015.Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015- 2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 26 maio 2023. CAPELLINI, V. L. M. F. Colaboração Universidade-Escola Pública na construção de políticas, práticas e culturas mais inclusivas. Projeto de Pesquisa apresentado à FAPESP. São Paulo: FAPESP, 2019. MARINS, K. H. C. de; LOURENÇO, G. F. Avaliação de um programa de tutoria por pares na perspectiva da educação inclusiva. Cadernos De Pesquisa, v. 51, e07218, 2021. DOI: https://doi.org/10.1590/198053147218 MATTAR, J.; RAMOS, D. K. Metodologia da pesquisa em educação: Abordagens Qualitativas, Quantitativas e Mistas. Edições 70. Grupo Almedina (Portugal), 2021. E- book. ISBN 9786586618518 OLIVEIRA, A. F. T. de M.; SANTIAGO, C. B. S.; TEIXEIRA, R. A. G. Educação inclusiva na universidade: perspectivas de formação de um estudante com transtorno do espectro https://revistas.marilia.unesp.br/index.php/dialogoseperspectivas/article/view/9332 autista. Educação e Pesquisa, v. 48, p. e238947, 2022. DOI: https://doi.org/10.1590/S1678-4634202248238947por VASCONCELLOS, A. S. de. et al. Inclusão e educação física no município de rio grande: reflexões sobre as percepções dos educandos com deficiência. Movimento, v. 22, n. 2, p. 835-848, 2016. DOI: https://doi.org/10.22456/1982-8918.57126. EIXO 3 GESTÃO INCLUSIVA, FORMAÇÃO DE PROFESSORES, FORMAÇÃO CONTINUADA "CONSTRUINDO CAMINHOS: A FORMAÇÃO DOCENTE NA PERSPECTIVA DA EDUCAÇÃO INCLUSIVA" Eixo Temático: formação de professores, educação inclusiva. Jane Lucia Pereira Vanin1 Daniela Leal2 INTRODUÇÃO Atualmente, é amplamente reconhecido no ambiente escolar que a formação e o desenvolvimento dos profissionais da educação são fundamentais para garantir uma educação de qualidade. Especialmente, com a obrigatoriedade do processo de inclusão em todas as instituições de ensino, torna-se ainda mais importante abordar essa temática, a fim de proporcionar uma educação de qualidade a todos. A educação é um direito humano fundamental, de acordo com Mantoan (2013), e deve ser acessível a todos. A educação inclusiva busca atender a todos os alunos, incluindo aqueles com deficiência, no ensino regular. Para isso, as escolas devem estar preparadas e os professores devem ter formação adequada. Sendo necessário investir na formação dos professores para que possam planejar suas práticas educativas de acordo com as necessidades individuais dos alunos, garantindo uma educação inclusiva em todos os aspectos relevantes para uma aprendizagem efetiva. O tema "Educação inclusiva e formação de professores" desperta interesse devido ao papel da escola como espaço de interação, construção de conhecimento e promoção de valores de respeito e igualdade. O objetivo deste trabalho é identificar os desafios enfrentados pelos professores na formação para a Educação Especial Inclusiva, com foco nos alunos com deficiência. O artigo busca promover reflexões e debates sobre a 1 Mestranda em Educação. Pedagogia. Técnica na Coordenadoria Regional de São Lourenço do Oeste. E-mail janelpvanin@sed.sc.gov.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7442071108211019 2 Doutora em Educação: Psicologia da Educação. Professora Titular do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Comunitária da Região de Chapecó. E-mail: daniela.leal@unochapeco.edu.br ou dannylegal@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9613384135531044. mailto:daniela.leal@unochapeco.edu.br mailto:dannylegal@gmail.com http://lattes.cnpq.br/9613384135531044 importância da formação docente voltada para a Educação Especial Inclusiva, visando aprimorar as práticas educativas inclusivas. METODOLOGIA O trabalho realizado consistiu em uma pesquisa bibliográfica com o objetivo de identificar e analisar os desafios enfrentados pelos professores na formação para a Educação Especial Inclusiva, considerando a diversidade de alunos presentes nas salas de aula, com foco específico nos alunos com deficiência. Para realizar essa investigação, foram utilizadas referências bibliográficas disponíveis na literatura especializada. Após a coleta dos materiais relevantes, foi realizada a leitura criteriosa dos textos selecionados. A partir desta foram identificados os principais obstáculos e desafios enfrentados pelos professores na formação para a Educação Especial Inclusiva, levando em consideração a diversidade de alunos e as necessidades dos alunos com deficiência. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA É comum encontrar dificuldades por parte dos professores ao lidar com a inclusão de pessoas com deficiência nas salas de ensino regular. Muitos professores afirmam que durante sua formação não foram preparados para lidar com situações novas. Esta alegação de despreparo para atuar com os mesmos já se configura como uma barreira à inclusão. Para Mittler (2003), os professores já possuem conhecimento necessário e habilidades suficientes para realizarem tal tarefa. “O que lhes falta, muitas vezes, é a confiança em sua própria habilidade” (MITTLER, 2003, p. 181). No entanto, o autor não nega a importância de formação, pelo contrário, acredita que "Ainda que muitas perguntas permanecem sem respostas, as oportunidades disponíveis, atualmente, para o desenvolvimento profissional, constituem um marco principal para todos os professores e, portanto, para todas as crianças” (MITTLER, 2003, p. 237). Ferreira e Ferreira, Góes e Laplane (2004), Martins e Mendes (2004), Mittler (2003), Padilha e Bruno (2000), Bueno (1999) Os autores defendem a formação inicial e continuada de professores para lidar com a diversidade, enfatizando que a formação não se limita apenas ao início da carreira, mas deve ser contínua. Eles reconhecem a importância do papel do professor em atender às necessidades especiais dos alunos, e destacam a necessidade de trabalhar em conjunto com família, escola e comunidade. Além disso, os autores ressaltam a importância de acompanhar e apoiar o projeto pedagógico, além de adequar a prática pedagógica para garantir o sucesso de todos os alunos. Berenchtein Netto e Leal (2010, p. 66). Dizem que é importante que a formação de educadores vá além da mera produçãode professores tecnicamente competentes. Os professores em formação devem desenvolver habilidades de reflexão e análise sobre os processos educativos, políticas públicas e desafios da educação. Isso os capacita a contribuir de maneira eficaz para melhorar o sistema educacional, promovendo educação de qualidade e equidade. A diversidade de iniciativas na formação de professores no Brasil oferece uma oportunidade de aprimorar a preparação dos educadores, desde que haja compromisso com a reflexão crítica e o engajamento com questões educativas mais amplas. Segundo Martins (2006, p. 20) o que se pretende com tais mudanças: "Uma pedagogia centrada no aluno que por sua vez, suscite a construção de uma sociedade que respeite a dignidade e as diferenças humanas” (MARTINS, 2006, p. 20). A profissão docente tem sido influenciada por abordagens que enfatizam conhecimentos fundamentais e modelos práticos de ensino. Os conhecimentos fundamentais são os conteúdos e teorias subjacentes a uma disciplina, necessários para transmitir informações precisas aos alunos. Os modelos práticos são os métodos e técnicas de ensino utilizados para tornar a aprendizagem mais eficaz e envolvente. Essas abordagens variam de acordo com o contexto histórico, cultural e educacional, e envolvimento conceitos, teorias, princípios, estratégias de ensino, recursos educacionais e avaliação formativa. Com base nos referenciais encontrados verifica-se a proposição de alternativas e recomendações para uma formação de professores que garanta uma educação de qualidade para os alunos com deficiência. Essas recomendações incluem a necessidade de cursos de formação inicial e contínua que abordem de forma aprofundada as questões relacionadas à educação inclusiva, o fortalecimento do suporte e recursos nas escolas e promoção de práticas pedagógicas inclusivas. CONSIDERAÇÕES FINAIS A análise dos materiais permitiu a identificação de problemas como a falta de conhecimento especializado por parte dos professores em relação às diferentes deficiências, a ausência de estratégias de ensino adaptadas às necessidades individuais dos alunos e a falta de suporte e recursos adequados nas escolas. Diante desse cenário, ficou ainda mais evidente a formação dos professores como papel crucial à promoção da inclusão de pessoas com deficiência na educação. Embora muitos professores possam se sentir despreparados, eles já possuem conhecimentos e habilidades que podem ser aplicados nesse contexto, faltando-lhes confiança em sua própria capacidade. No entanto, a formação inicial e continuada dos professores é necessária para garantir uma abordagem inclusiva e sensível, reconhecendo a diversidade de cada aluno e promovendo sua autonomia. Essa formação deve ser contínua, atualizando os professores sobre as demandas educacionais e repensando os currículos para incluir conteúdos e práticas que promovam a educação inclusiva. Além disso, é essencial promover uma cultura de respeito à diversidade e combater o preconceito e o estigma associados às diferenças. REFERÊNCIAS BERENCHTEIN NETTO, Nilson; LEAL, Daniela; Estudos sobre a atividade docente aspectos teóricos e metodológicos em questão: A escolha pela docência: uma análise a partir da psicologia sócio-histórica – 2010. BRUNO, Marilda, M. G. Escola inclusiva: problemas e perspectivas. In: Anais do II Encontro de Educação do Oeste Paulista. Presidente Prudente: UNESP, 2000. BUENO, J. G. da S. Crianças com necessidades educativas especiais, políticas públicas e a formação de professores: generalistas ou especialistas Revista Brasileira da Educação Especial. Piracicaba: UNIMEP, v. 3 nº. 5, 1999. BUENO, J.G.S. A educação especial brasileira: integração/segregação do aluno diferente. São Paulo. EDUC/PUCSP, 1993 FERREIRA, Maria Elisa Caputo; GUIMARÃES, Marly. Educação Inclusiva. Rio de Janeiro: DP&A, 2003 FERREIRA, Maria Cecília Carareto; FERREIRA, Júlio Romero. Sobre Inclusão, Políticas Públicas e Práticas Pedagógicas. In: GÓES, Maria Cecília Rafael de; LAPLANE, Adriana Friszman de (Orgs.). Políticas e práticas de educação inclusiva. Campinas: Autores Associados, 2004 GÓES, M. C. R. de. Relações entre desenvolvimento humano, deficiência e educação: Contribuições da abordagem histórico-cultural. RBOSA, Denis Borges. Da Tecnologia à Cultura: Ensaios e Estudos de Propriedade Intelectual. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011. In: M. K. Oliveira, D. T. R. Souza; T. C. RÊGO (Org.) Psicologia, Educação e as Temáticas da Vida Contemporânea. 1. ed. São Paulo: Moderna, 2002. MANTOAN, Maria Teresa Eglér. Inclusão escolar – O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Summus, 2015. MARQUES, Carlos A.; MARQUES, Luciana P. Do universal a múltiplo: os caminhos da inclusão. In: LISITA, V.; SOUSA, L. (Orgs) Práticas educacionais, práticas escolares e alternativas de inclusão escolar. Rio de Janeiro: DPA, 2003. MAZZOTTA, Marcos J.S. Trabalho docente e formação de professores de educação especial. São Paulo: EPU, 1993. MAGALHÃES, Rita de Cássia B. P.; LIMA, Ana Paula de H. Perfil de professores de educação especial: dilemas e desafios na construção da educação básica inclusiva. ECCOS Rev.Cient. v.6 n.1. p. 85-98. jun. 2004 MENDES, E.G.; NUNES, L.R.O.P. Educação e Psicologia Integração e inclusão: o que revelam. Inclusão Educacional Pesquisa Interfaces. Rio de Janeiro: Livre Expressão, 2003. MITTLER, Peter. Educação inclusiva: contextos sociais. Porto Alegre: Artmed, 2003. MOROSINI, Marília C. (Org.). Professor do Ensino Superior: identidade, docência e formação. 2 ed., Brasília: Plano, 2001. V. 1. NÓVOA, Antonio. (Org.). Vidas de Professores. 2 ed., Portugal: Porto Editora, 1995. NÓVOA, Antonio. “Os professores e o “novo” espaço público da educação”. In: TARDIF, Maurice e LESSARD, Claude. (Orgs.). O ofício de professor: história, perspectivas e desafios internacionais. Petrópolis - RJ: Vozes, 2008. Política de educação especial / Estado de Santa Catarina, Secretaria de Estado da Educação. – Florianópolis: Secretaria de Estado da Educação, 2018. 64 p. PADILHA, Anna Maria L. Práticas Educativas: perspectivas que se abrem para a educação especial. Revista e Sociedade, n. 71, 2000. TARDIF, Maurice e RAYMOND Danielle. “Saberes, tempo e aprendizagem do trabalho no magistério”. In: Educação e Sociedade – CEDES. Campinas - SP, Ano XXI, 2000 EDUCAÇÃO INCLUSIVA E PARA A DIVERSIDADE NA FORMAÇÃO DE PROFESSORES: ANÁLISE CURRICULAR NO BRASIL E NA ESPANHA Eixo Temático: Eixo 3 - Gestão Inclusiva, formação de professores e formação continuada Franciele Dos Santos1 Ketilin Mayra Pedro2 INTRODUÇÃO A educação inclusiva e para a diversidade, tem se tornado, cada vez mais, tema de discussões no ambiente educacional, seja em relação à adequação curricular, seja na formação adequada dos profissionais da educação (ZOLIN, 2012). Neste contexto, visando discutir a formação de professores para a adoção de práticas inclusivas e para a diversidade na Educação Básica, o presente relato de pesquisa tem como objetivo apresentar e analisar disciplinas que abordem os temas diversidade e educação inclusiva de dois cursos de formação de professores, um brasileiro e outro espanhol. Ambos os cursos pertencem a instituições privadas e de cunho religioso católico, uma localizada na comunidade autônoma da Região de Murcia (Espanha) e outra localizada no interior do estado de São Paulo (Brasil). METODOLOGIA Os dados apresentados, tratam-se de um recorte da pesquisa de iniciação científica realizada pela autora principal e foram obtidos a partir de uma análise bibliográfica e documental. O estudo, de caráter qualitativo, apresenta a análise curricular de dois cursos, 1 Pedagoga, mestranda no programa de Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem, pela Universidade Estadual Júlio Mesquita Filho – UNESP, Campus Bauru. E-mail: franciele.santos05@unesp.br.Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7726527299820640. 2 Doutora em Educação. Docente na Universidade Federal de São Carlos. E-mail: ketilin.pedro@ufscar.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0991868156805558. http://lattes.cnpq.br/7726527299820640 um brasileiro e outro espanhol. Para a análise das matrizes curriculares foram utilizados documentos digitais, disponibilizados pelas instituições de ensino. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A educação inclusiva e para a diversidade está pautada no pressuposto de que todos os alunos, sem nenhum tipo de exclusão e independente de suas individualidades, devem receber uma educação de qualidade e que satisfaça suas necessidades de aprendizagem (ZOLIN, 2012). Para Braunstein, Moisés e Santos (2023) a educação inclusiva está além de discussões referentes à deficiência, mas requer o reconhecimento da existência das diferenças e desigualdades de oportunidades educacionais, as quais precisam ser corrigidas. Dentro deste contexto discutir e repensar a formação docente pode ser um caminho promissor para que novas práticas educacionais inclusivas e para a diversidade sejam implementadas na educação básica (SANTOS; LIMA, 2020). RESULTADOS E DISCUSSÕES O currículo brasileiro de Pedagogia analisado é composto por 44 disciplinas, que somam ao total 3200 horas e são distribuídas ao longo de quatro anos. Três disciplinas ofertadas no curso abordam temas relacionados à educação inclusiva e para a diversidade, sendo elas: Educação para a diversidade e direitos humanos, ofertada no segundo ano do curso; Libras, ofertada no terceiro ano; Fundamentos metodológicos da Educação Especial, ofertada no quarto ano do curso. No Quadro 1 estão expostas as disciplinas voltadas para a educação inclusiva e para a diversidade: Quadro 1 – Disciplinas voltadas para a educação inclusiva e para a diversidade do curso brasileiro. Disciplina: Descrição: Objetivos: Educação para a diversidade e direitos humanos. Estudos das esferas educacionais que envolvem os direitos humanos, diversidade, educação para diversidade e educação especial e inclusiva. Contexto histórico e legislação dos direitos humanos e da educação especial, alunos com 1. Compreender o processo de inclusão escolar e da educação para a diversidade; 2. Selecionar, desenvolver e aplicar propostas pedagógicas para atuar com alunos da Educação Básica de diferentes segmentos. deficiências, os diversos segmentos da educação para a diversidade. Pressupostos teóricos e metodológicos da escola inclusiva, práticas pedagógicas para o ensino e a aprendizagem de estudantes a partir do ponto de vista da diversidade. Acessibilidade e tecnologias assistivas. Perspectivas para a construção de uma sociedade inclusiva: família, escola e sociedade. Libras. A Língua Brasileira de Sinais - LIBRAS: compreensão e uso dos atos comunicativos em geral, principalmente aos relacionados ao ambiente escolar. Estudo da Gramática – aspectos fonológicos, morfológicos, sintáticos, semânticos e pragmáticos. Análise dos aspectos legais, profissionais, educacionais e políticos que envolvem a surdez. 1. Analisar os aspectos legais, profissionais e políticos educacionais que envolvem a realidade da inclusão escolar e social do Surdo; 2. Apresentar estratégias e recursos pedagógicos que colaborem para o ensino e a aprendizagem de alunos com deficiência auditiva ou surdez na área do curso que realiza; 3. Compreender e realizar diálogos e tradução de textos para a Língua Brasileira de Sinais utilizando o alfabeto manual, datilologia, classificadores, referentes locais e sinais das classes de palavras que se aplicam ao idioma; 4. Identificar os conceitos básicos relacionados à LIBRAS. Fundamentos metodológicos da educação especial. Perspectivas históricas e contextuais da deficiência. Caracterização dos tipos de deficiências e das necessidades educacionais especiais. Métodos, técnicas e recursos para o ensino das pessoas com necessidades educacionais especiais. Planejamento e adequação curricular. Uso de recursos pedagógicos adaptados e de tecnologia assistiva para favorecer o processo de ensino e de aprendizagem. 1. Identificar as necessidades e potencialidades dos alunos com deficiências e com necessidades educacionais especiais; 2. Analisar métodos, técnicas e recursos adequados às necessidades e potencialidades dos alunos com deficiência; 3. Elaborar adequação curricular condizente às especificidades do aluno. Fonte: Elaborado pelas autoras. O currículo espanhol de Educação Primária é composto por 32 disciplinas, as quais somam ao total 240 ECTS3, distribuídas ao longo de quatro anos. São ofertadas duas disciplinas que abordam o tema educação inclusiva e para a diversidade, sendo elas: 3 Cada ECTS equivale a no mínimo 25 e no máximo 30 horas de estudo. Transtornos do desenvolvimento e dificuldades de aprendizagem, ofertada no primeiro ano do curso; Atenção à diversidade e à interculturalidade, ofertada no terceiro ano. No Quadro 2 encontram-se as disciplinas voltadas para a educação inclusiva e para a diversidade: Quadro 2 – Disciplinas voltadas para a educação inclusiva e para a diversidade do curso espanhol. Disciplina: Descrição: Objetivos: Transtornos do desenvolvimento e dificuldades de aprendizagem. O objetivo desta disciplina é dotar os alunos de competências para identificar os transtornos e dificuldades de aprendizagem que mais ocorrem no ambiente escolar e respeitar a diversidade dos alunos. Uma vez cursada e aprovada a disciplina, o aluno será capaz de identificar dificuldades de aprendizagem e fazer adaptações curriculares, além de informar e colaborar com professores e outros serviços profissionais. 1. Conhecer e identificar as características dos transtornos de desenvolvimento mais comuns no ensino fundamental, bem como as dificuldades de aprendizagem mais frequentemente observadas em sala de aula; 2. Desenvolver e propor respostas educacionais que favoreçam a educação inclusiva desses alunos, garantindo a todo momento o atendimento de suas necessidades educacionais em sala de aula; 3. Informar e colaborar com a comunidade educativa, os pais e os diferentes serviços de intervenção e diagnóstico; 4. Refletir sobre as implicações pessoais e educacionais que os diferentes transtornos do desenvolvimento e dificuldades de aprendizagem acarretam para os alunos e como eles devem ser tratados ao serem garantidas orientações educacionais que atendam à sua diversidade em sala de aula. Atenção à diversidade e à interculturalidade. A disciplina Atenção à Diversidade e à Interculturalidade visa, a partir da aceitação das diferenças como algo positivo, por ser um quadro de conceitos e experiências que permitam identificar as melhores estratégias educativas para responder às necessidades de um ambiente diverso. O aluno será um profissional capaz de implementar ações que favoreçam a atenção à diversidade na escola. Da mesma forma, incorporará, de forma crítica, as mudanças sociais que afetam a educação escolar. Nesse sentido, a perspectiva da educação intercultural será incluída para se 1. Conhecer o marco conceitual e legal que protege a atenção à diversidade e interculturalidade no sistema educacional espanhol; 2. Identificar a proposta educativa mais adequada para responder à diversidade dos alunos e às suas necessidades educativas no ensino primário; 3. Compreender a importância da dimensão cultural e religiosa nos processos educativos. Compreender e aplicar os fundamentos e princípios da educação escolar inclusiva e intercultural; 4. Reconhecer os diferentes modelos políticos e educacionais para a gestão da diversidade e a integração de minorias; 5. Analisar, sintetizar e organizar as informações dos recursos e materiais vinculados ao sujeito por meio do trabalhoem equipe, do raciocínio crítico e da aprendizagem autônoma.4 4 Texto traduzido pelas autoras. aprofundar em culturas diferentes da nossa. Fonte: Elaborado pelas autoras. A partir das análises, foi possível observar que ambos os cursos se preocupam em propor em seus currículos disciplinas que sejam voltadas para a educação inclusiva e para a diversidade. Podemos observar também que as disciplinas dos dois cursos têm objetivos de aprendizagens similares, como por exemplo os objetivos número dois das disciplinas Educação para a diversidade e direitos humanos; Fundamentos metodológicos da Educação Especial5 e Transtornos do desenvolvimento e dificuldades de aprendizagem; Atenção à diversidade e à interculturalidade6. O currículo brasileiro destaca-se como diferencial por conta da disciplina de Libras, que é obrigatória no país e propõe o ensino da Língua brasileira de Sinais, primeira língua da população surda. CONSIDERAÇÕES FINAIS Foi possível observar que ambos os cursos se preocupam em ter em seus currículos disciplinas que contemplam discussões sobre a educação inclusiva e para a diversidade, entretanto apenas com a análise dos currículos não é possível identificar se essas disciplinas realmente são suficientes para ensinar os licenciandos a colocar em prática uma educação eficientemente inclusiva e para a diversidade. REFERÊNCIAS BRAUNSTEIN, V. C.; MOISÉS, J. F.; SANTOS, F. A. Oficina de literatura infantil: relato de experiência. Psicologia escolar e educacional, São Paulo, v. 27, 2023. LIMA, P. G.; SANTOS, J. M. O. A formação de professores e a educação inclusiva. Docent Discunt, Engenheiro Coelho, v. 1, 2020. ZOLIN, A. C. R. A educação inclusiva no ensino regular. Monografia de especialização. Universidade Tecnológica Federal do Paraná, Medianeira, 2012. 5 Currículo brasileiro. 6 Currículo espanhol. FORMAÇÃO CONTINUADA NA EJA: ESTRATÉGIAS DE ENSINO PARA ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA INTELECTUAL Eixo Temático: Eixo 3- Gestão inclusiva, formação de professores e formação continuada Olga Mara Bueno1 Rita de Cássia da Silva Oliveira2 INTRODUÇÃO Este relato apresenta os dados de uma proposta de formação docente continuada sob a perspectiva da Educação Inclusiva, desenvolvida em uma escola de Educação de Jovens e Adultos (EJA), em um município no Estado do Paraná, que contava no período pesquisado, com cinco alunos com deficiência intelectual, sendo três, nos anos finais do Ensino Fundamental e, dois no Ensino Médio. Estudos mostram que os professores, ainda, não se sentem preparados para enfrentar as necessidades de aprendizagem que a inclusão traz para a sala de aula, pela insuficiência de preparo teórico-metodológico na formação inicial, persistindo as metodologias tradicionais expositivas (TASSINARI, 2019; LEITE, 2020; GLAT; ESTEF, 2021; BUENO; OLIVEIRA, 2022). Assim, partindo do questionamento: como aprimorar as práticas pedagógicas para o atendimento aos estudantes com deficiência intelectual na EJA?, a pesquisa, realizado no âmbito do Mestrado Profissional em Educação Inclusiva em Rede Nacional- PROFEI, desenvolveu-se por meio de pesquisa-ação colaborativa, com a participação de dez professores de diferentes componentes curriculares. Teve como objetivo geral: elaborar e implementar uma proposta de formação continuada para professores da EJA, visando o aprimoramento da prática pedagógica para estudantes com deficiência intelectual. E como 1 Mestre em Educação Inclusiva. Professora de Educação Especial da Secretaria Estadual de Educação do Paraná. E-mail: olgamarabueno@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0005701703627383. 2 Doutora em Educação. Professora da Pós-graduação. Universidade Estadual de Ponta Grossa- UEPG. E-mail: soliveira@uepg.br . Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0396336269506743. objetivos específicos: a) conhecer as concepções dos professores sobre a deficiência intelectual; b) analisar as práticas pedagógicas para alunos com deficiência intelectual; c) discutir estratégias de ensino para aprimoramento das práticas pedagógicas. METODOLOGIA A pesquisa de abordagem qualitativa e objetivo exploratório, foi desenvolvida por meio de uma pesquisa-ação colaborativa (IBIAPINA, 2008), com a participação de dez professores dos seguintes componentes curriculares: língua portuguesa; língua inglesa, matemática; arte; ciências; química; física; biologia; geografia e história. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), Parecer n. 4.825.587. Para a coleta dos dados foram utilizados: a) questionário aberto para identificação das concepções sobre a deficiência intelectual; b) observação das aulas e; c) relato dos professores. Os dados foram analisados pela Análise de Conteúdo (BARDIN, 1977). A proposta de formação, com a carga horária de 40 horas, foi organizada em quatro módulos: 1. Deficiência intelectual: caracterização e contextualização; 2. Abordagem e estratégia de ensino: Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA) e Tutoria por Pares; 3. Estudo de caso dos estudantes matriculados na EJA e elaboração de plano de aula; 4. Implementação do plano de aula e resultados. Os materiais foram disponibilizados em um drive e discutidos em seis encontros. Cada professor escolheu um caso, de acordo com o estudante que estava frequentando seu componente curricular, para elaboração e aplicação do plano de aula, empregando as estratégias de ensino abordadas na formação. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Fundamenta-se teoricamente em Vigotski (1997, 2021), e em Vygotsky e Luria (1996), que caracterizam a deficiência intelectual, em primária, que é a biológica, e a secundária, que é histórica e cultural. Considera-se o meio social, e as interações, os processos de compensação e mediação que levam à pessoa com deficiência a sua constituição humana e cultural, fazendo-as capazes de desenvolverem funções humanas, como a linguagem, pensamento e as relações interpessoais. Para o material de estudo da proposta de formação, adotou-se como referenciais principais: Vigotski (1997; 2021) para caracterização da deficiência intelectual e possibilidades de aprendizagem; Prais e Vitaliano (2018), e Zerbato (2018), para Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), e Marins (2019) para Tutoria por Pares. Sobre formação de professores, para atendimento a estudantes com deficiência intelectual, tem como referência Trentin (2018); Bueno (2019) e Tassinari (2019), com estudos sobre formação continuada na EJA. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os dados dos questionários evidenciaram que os professores compreendem a deficiência intelectual, pelo que falta, destacando o comprometimento e as dificuldades. Em relação à prática pedagógica, entendem que os estudantes com deficiência intelectual necessitam de estratégias diferenciadas e, afirmam realizar adequações em atividades e avaliações. Entretanto, não sabem precisar as contribuições dessas práticas para a aprendizagem. Os registros da observação apontaram: predomínio de práticas expositivas, preocupação dos professores com a aprendizagem e, que as atividades em grupo proporcionam maior participação aos estudantes com deficiência intelectual. Os relatos finais mostraram que a formação foi contributiva à prática dos professores, com os seguintes resultados: 1. Alteração da concepção sobre a deficiência intelectual, de limitada e assistida, para possibilidades de participação e aprendizagem; 2. A Tutoria por Pares contribui para a aprendizagem dos estudantes com deficiência intelectual na EJA; 3. Destacaram-se como pontos positivos: a elaboração do plano de aula, de forma colaborativa, traz mais segurança ao trabalho docente; formas mais acessíveis para disponibilizar e avaliar conteúdos (abordagem do DUA), beneficiamnão apenas estudantes com deficiência intelectual, mas os demais estudantes da EJA. CONSIDERAÇÕES FINAIS A inclusão educacional de jovens e adultos com deficiência intelectual na EJA, especificamente, nos anos finais do ensino fundamental e ensino médio, é um tema pouco discutido. Ainda persiste a carência de estudos que tragam subsídios metodológicos e orientações para as práticas dos professores, com estratégias pedagógicas que colaborem na compensação de funções afetadas pela deficiência, e formas de mediação para estimular a aprendizagem. Esta pesquisa buscou contribuir com a formação de professores da EJA para o aprimoramento das suas práticas junto aos estudantes com deficiência intelectual, e os resultados obtidos foram proveitosos. No entanto, esse campo de estudos, ainda, demanda maior aprofundamento teórico- metodológico, com pesquisas de cunho interventivo. REFERÊNCIAS BARDIN, L. Análise de conteúdo. Lisboa: Edições 70, 1977. BUENO, M. B. Educação de Jovens e Adultos: formação continuada colaborativa entre professores da sala comum e da Educação Especial. 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FORMAÇÃO DE PROFESSORES PARA A EDUCAÇÃO ESPECIAL, AS REFORMAS E A EDUCAÇÃO DE ALUNOS SURDOS Eixo Temático 3 - Gestão Inclusiva, formação de professores e formação continuada CRISTINA MIRANDA DUENHA GARCIA CARRASCO 11 SIMONE MATEUS 22 INTRODUÇÃO E CONTEXTO No Brasil a formação de professores para o ensino de 1º Grau aconteceu nas chamadas Escolas Normais, instituições com Habilitação de Magistério de nível médio e na licenciatura em cursos de Pedagogia, a formação de professores é um processo obrigatório para que o professor seja habilitado e qualificado para dar aulas em instituições públicas ou privadas, todas essas instituições são regidas mediante legislações com objetivos a atingir o que inclui alunos com necessidades especiais. Há educadores que defendem os direitos de pessoas com necessidades especiais educacionais nas escolas regulares, como também, há aqueles com resistência na aceitação e permanência de educandos com comprometimento, principalmente, no desenvolvimento de habilidades básicas. Na convivência diária com as pessoas com necessidades especiais em escolas públicas, observa-se a solicitação de professores do ensino regular para a capacitação efetiva e eficaz para o atendimento educacional de todos, inclusive, de educandos com dificuldade de aprendizagem e que não apresentam déficits cognitivos e sensoriais. Há ausência de profissionais especializados em salas de aula para promover a educação de qualidade para todos. No contexto escolar com a inclusão dos surdos nas classes regulares, surgiram muitas dificuldades, estas crianças são assistidas, mas não como realmente deveriam ser, ou seja, há ainda muitas dificuldades na metodologia bem como na adequação do currículo encontradas na educação de surdos. A convivência com os surdos no dia a dia da sala de aula e outros contextos na sociedade, foi observado que as pessoas 1 Aluna de pós-graduação/PPGE UNESP-Marilia SP. E-mail: cristina.mdg.carrasco@unesp.br Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8628380397095879 2 Aluna de pós-graduação/PPGE UNESP-Marilia SP. E-mail: simone.mateus@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8312884775190467. não estão preparadas e que o número de profissionais especializados nas salas de aula para ajudá-los a aprender na sua própria língua são insuficientes. Algumas das dificuldades percebidas na educação de surdos é que não o respeitam como indivíduo, porque “eles não podem ouvir”. O processo de ensino aprendizagem precisa levar em consideração este fato, portanto precisa-se garantir a aquisição da primeira língua que é a língua de sinais, para que a criança surda possa aprender. Esta língua precisa ser de fácil acesso a criança para que ela se relacione e aprenda tanto no campo educacional como no social. A escolha do tema e a importância desse estudo se dão porque, além de garantir, sugerir uma aprendizagem melhor, que pode “ajudar” a autoestima da criança que vai sentir-se incluída de fato e pertencente ao grupo. A contribuição será para que futuros alunos não passem pelas mesmas dificuldades desta geração, e que profissionais da área se capacitarão melhor se souberem como devem agir. Os objetivos são identificar os aspectos, as ações emetodologias que possam contribuir para a educação inclusiva, particularmente a inclusão dos surdos, dentro das leis. METODOLOGIA Ressalta-se a importância do presente estudo para elucidar a necessidade da garantia de educação para todos como se propõe em documentos legais em nível nacional e de legislação internacional em que o Brasil é signatário (LDB 4.024/61; Lei 5692/71; LDB 9394/96; Declaração de Salamanca trata de princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais). A contribuição para formação de professores é essencial no sentido de que futuros alunos não sejam estigmatizados e segregados e permitir o conhecimento histórico e científico sobre a inclusão escolar de alunos com dificuldades de aprendizagem, independentemente, de ser ou não uma pessoa com deficiência. Busca-se compreender e desenvolver procedimentos de pesquisa de abordagem histórica e, particularmente, de pesquisa em história da Libras, trata-se de pesquisa documental e histórica, cuja análise de dados realizados foi realizada à luz de bibliografia específica com os documentos legais e normativos que auxiliam na compreensão do percurso formativo dos professores. Por meio da história é possível compreender as transformações sociais, as lutas, a história política e social ensinada nas escolas. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A inclusão é uma realidade escolar, mas é preciso satisfazer as necessidades educacionais do aluno e cumprir o objetivo educativo, para que não seja apenas a inclusão física. As investigações realizadas partiram dos seguintes questionamentos: quais os impactos das prescrições legais para a educação especial e, especificamente, para a formação de professores no Brasil, no período entre 1961 e 1996, período em que a educação foi regulada pela primeira lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), n. 4.024/61 e as mudanças ocorridas até 1996 quando a última LDB foi regulamentada Declaração de Salamanca trata de princípios, políticas e práticas na área das necessidades educativas especiais. Foi desenvolvida pesquisa histórica, quanto à abordagem, e documental, quanto às fontes, pois o corpus da pesquisa foi constituído pelo conjunto da legislação norteadora das reformas educacionais na educação e na formação de professores no Brasil. A proposta é realizar aproximações na perspectiva de comparação e análise na produção e disseminação das legislações (Lei de Diretrizes e Bases - LDB 4.024/61; Lei 5.692/71; e LDB 9394/96) para a formação de professores com as reformas do ensino e a educação especial. RESULTADOS E DISCUSSÕES A escola deve se preparar para a inclusão e não apenas integrar, hoje os direitos da pessoa com necessidades especiais é reconhecido mundialmente. É dever do Estado assegurar o suporte e atendimento, garantir serviços de apoio especializado, como saúde, trabalho e emprego, assistência social, esporte, cultura, possibilitando a criação de rede de apoio integral às famílias. Em 2002 a ideia de inclusão baseava-se em que democraticamente as pessoas poderiam e deveriam participar ativamente na sociedade e ter acesso as oportunidades, a realidade social. É preciso reconhecer que a política educacional de inclusão e as conquistas das comunidades surdas são importantes, mas é preciso melhorar a definição do papel do intérprete na escola, eles são mediadores muitas vezes dentro e fora da sala de aula, o que gera conflitos sobre sua atuação e sua função de trabalho. O Decreto 5.626/05 traz reflexões e questionamentos sobre tal atuação, retratam “um processo em curso” (p. 156). Ao regulamentar a profissão através da Lei 12.319/2010 se restringe as atribuições gerais, “seu campo de competência, nível acadêmico exigido, validação de sua proficiência, atribuições do tradutor no exercício [...] e considerações sobre a ética” (SCHBER; SILVA, 2012, p. 159). Pode se destacar que houve avanços com a exigência da formação específica para a profissionalização do intérprete, mas é preciso ter propostas de formação e qualificação permanente e delinear o perfil desse profissional, muitos iniciaram de forma voluntária, informal, em atividades de cunho religioso, assistencialista e filantrópico, alguns tinham amigos ou familiares surdos e acabaram se envolvendo com a língua, com a convivência com a língua e a comunidade surda adquiriu-se o domínio da Libras e depois a atuação profissional. CONSIDERAÇÕES FINAIS A escola deve se preparar para a inclusão e não apenas integrar. É dever de o Estado assegurar o suporte e atendimento, garantir serviços de apoio especializado, como saúde, trabalho e emprego, assistência social, esporte, cultura, possibilitando a criação de rede de apoio integral às famílias. Todas as pessoas possuem diferenças, com o mundo globalizado estamos sempre em contato com pessoas de diferentes culturas, costumes como seres de direitos iguais, e deve ser respeitado. Nesse sentido, é necessário considerar que as condições concretas de uma sociedade e a finalidade da educação escolar são condições determinantes para a objetivação do ensino. A educação e a prática pedagógica na sala de aula não são neutras, pois possui determinada formação social como seu ponto de partida e de chegada, existindo, portanto, uma finalidade a ser realizada ao longo do processo de formação. É necessário, portanto, considerar que as instituições educacionais estão inseridas em determinado meio social, que implica em uma identidade cultural que lhe é singular e que as instituições escolares se diferenciam uma das outras, cada uma representa de certa forma a sociedade em que está inserida, cada instituição escolar, adquire sua própria cultura. REFERÊNCIAS BRASIL, Ministério da Educação. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: Lei nº. 4.024, de 27 de dezembro de 1961. https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4024-20-dezembro-1961- 353722-publicacaooriginal-1-pl.html (acesso em 23/05/2023) Brasil. Lei n. 5.692/71, de 11 de agosto de 1971. Fixa diretrizes e bases para o ensino de 1º e 2º graus. http://www.planalto. gov.br/ccvil_03/Leis/L5692htm. (acesso em 23/05/2023) Brasil. Lei n. 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm CAMPBELL, S. I. Múltiplas faces da Inclusão. Rio de Janeiro: Wack Ed., 2009. GESSER, A. LIBRAS? Que língua é essa? Crenças e preconceitos em torno da língua de sinais e da realidade surda. São Paulo: Parábola Editorial, 2009. GIROTO, C. R. M; MARTINS, S. E. S. de O; BERBERIAN, A. P. (Org.) Surdez e Educação Inclusiva. São Paulo: Cultura Acadêmica; Marília: Oficina Universitária, 2012. LACERDA, C.B.F. de e SANTOS, L.F. dos (Organizadoras). Tenho um aluno surdo, e agora? Introdução à Libras e educação de surdos. São Paulo: EdUFSCar, 2014. MANTOAN, M. T. E. Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como fazer? São Paulo: Moderna, 2003 https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4024-20-dezembro-1961-353722-publicacaooriginal-1-pl.html https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1960-1969/lei-4024-20-dezembro-1961-353722-publicacaooriginal-1-pl.html https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L9394.htm INCLUSÃO NAS ESCOLAS DE TEMPO INTEGRAL: A IMPORTÂNCIA DA IDENTIDADE E DOS SABERES DO PROFESSOR DO AEE Eixo Temático: 3 Gestão Inclusiva, formação de professores e formação continuada Mileidi Ferreira de Castilho1 Cícera A. Lima Malheiro2 INTRODUÇÃO O papel das escolas de tempo integral emerge como espaços que fomentam a diversidade de aprendizagem, salientando a autonomia e a utilização de variadas tecnologias como parte integral de uma metodologia de ensino inovadora. Segundo Gadotti (2009), estas escolas introduzem uma nova dinâmica na sociedade do conhecimentoe o tema da inclusão. Este cenário se torna especialmente relevante para o público do Atendimento Educacional Especializado (AEE), em que a inclusão efetiva e o desenvolvimento dos alunos são intensificados por uma metodologia que incorpora recursos tecnológicos. No entanto, Gadotti alerta que um dos desafios é “fazer chegar às populações mais pobres os benefícios das novas tecnologias e ampliar os espaços de formação para além da escola". Nesse contexto, surge a necessidade de pesquisas com o foco na educação inclusiva desenvolvidas nas escolas de tempo integral. Estudos nesta área podem auxiliar professores que atuam no AEE a expressar suas perspectivas, contribuindo para a reflexão sobre seus saberes e identidade profissional. Entende-se que o estudo sobre a identidade destes professores podem contribuir para o desenvolvimento da qualidade do ensino e da experiência de aprendizagem dos alunos, especialmente em um serviço que está na vanguarda de programas nacionais voltados à educação inclusiva. 1 Mestranda – UNESP. E-mail: mileidi.castilho@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9840754784719742 . 2 Doutora – UNESP - E-mail: cicera.malheiro@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9594089174735076 mailto:mileidi.castilho@unesp.br http://lattes.cnpq.br/9840754784719742 mailto:cicera.malheiro@unesp.br http://lattes.cnpq.br/9594089174735076 Contudo, observa-se uma lacuna na literatura sobre como é formada a identidade desses profissionais, particularmente os que atuam em escolas de tempo integral. Este é um contexto que exige habilidades específicas e uma forte identidade profissional para lidar com demandas diárias. Assim, a questão de pesquisa deste estudo é: Como é constituída a identidade dos professores de AEE nas escolas de tempo integral? O objetivo é explorar e compreender o processo de formação identitária destes docentes. METODOLOGIA Essa pesquisa está em fase de desenvolvimento no âmbito do mestrado, para qual é empregada metodologia da História Oral, centrada em narrativas orais dos professores que atuam no AEE. Neste contexto, as narrativas orais serão uma ferramenta crucial, permitindo-nos captar a história de vida dos educadores e, assim, explorar sua formação identitária. Como Josso (2010, p. 69) explica, a "história de vida narrada é assim uma mediação do conhecimento de si, em sua existencialidade, o qual oferece à reflexão de seu autor oportunidades de tomada de consciência sobre seus diferentes registros de expressão e de representações de si, assim como sobre as dinâmicas que orientam a formação". Para a coleta das narrativas, será utilizado um roteiro de entrevistas semiestruturado. Serão realizadas as entrevistas com os professores do AEE que atuam em escolas de tempo integral em um município do estado do Mato Grosso do Sul. Para orientar essa análise, serão utilizados os estudos de Glat (1988) e Alberti (2013), que sublinham a importância da organização das narrativas orais como objeto de estudo para análises subsequentes. Considerando os pressupostos apresentados estão previstas nesse estudo as seguintes categorias de análise: Jornada Profissional; Auto-percepção e Identidade Profissional; Experiências de Moldagem de Identidade no contexto do AEE. Também será desenvolvido nesse estudo uma revisão da literatura que se encontra em andamento. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Foi a partir da Constituição Federal de 1988 (BRASIL, 1988) que determinou a educação de pessoas com deficiência em ambientes das salas de aula regulares. Esse foi um passo crucial para a educação especial, pois também assegurou a implementação do Atendimento Educacional Especializado (AEE). Assim em seu Artigo 208 afirma o compromisso do Estado com a educação, assegurando "[...] III - atendimento educacional especializado as pessoas com deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino" (BRASIL, 1998). A legislação assegura a aprendizagem e torna-se imperativo discutir a atuação, e formação dos professores, especificamente os que atuam no AEE, o que passa pela identidade profissional, possibilitando que se sintam qualificados para atender os estudantes público-alvo da educação especial (PAEE). De acordo com Gatti (1996, p. 85), é evidente que a identidade desempenha um papel fundamental no modo como as pessoas se relacionam com o mundo e com o trabalho, especialmente no caso dos professores e, mais especificamente, dos profissionais que atuam na área de serviços de educação especial dentro das escolas. Essa identidade influencia suas perspectivas em relação à formação e às formas de atuação profissional, bem como entende-se que essa pode influenciar a sua relação no ambiente de trabalho. A partir da afirmação da autora, entendemos sobre a importância de compreendermos como a identidade dos profissionais que trabalham nesses contextos é construída, considerando que a identidade não é apenas uma questão individual, mas também uma construção social, moldada por fatores pessoais, culturais e profissionais e impactada pelo ambiente. Nesse direcionamento, entende-se a partir de Gatti (1996, p. 98) que os professores possuem uma identidade pessoal e social que deve ser compreendida e respeitada. Essa afirmação nos leva a refletir sobre a necessidade de reconhecermos a singularidade de cada professor, levando em conta suas experiências de vida, valores e visões de mundo. A identidade docente, como mencionado pela autora, assume um papel fundamental na construção de relações e efetivas no ambiente educacional. Ao compreender e respeitar a identidade dos professores, podemos criar espaços de colaboração, diálogo e troca de experiências, favorecendo a construção de uma cultura de aprendizagem enriquecedora tanto para os professores quanto para os alunos PAEE. Nota-se que os desafios enfrentados pela educação básica no Brasil são significativos e tornam-se ainda mais proeminentes quando se menciona a educação especial. A problemática é ampla e, por isso, pesquisas que discutem essa temática da identidade e formação se mostram essenciais, tendo em vista que se propõem a iluminar o cotidiano de inúmeros discentes e docentes, especialmente na educação básica. A identidade docente desempenha um papel central na compreensão dos desafios e das possibilidades da prática pedagógica inclusiva. Assim, entende-se que o estudo do processo identitário dos professores que atuam no AEE em escolas de tempo integral é um tema que está intrinsicamente relacionado à busca por uma educação inclusiva de qualidade, o que consequentemente perpassa pelos saberes desses profissionais. RESULTADOS PRELIMINARES Como resultados preliminares destaca-se a parte inicial da revisão da literatura, onde foram encontrados dois conjuntos de estudos. Dubar (1997a, 1997b) que afirma que a identidade profissional é moldada por diferentes saberes: teóricos (providenciam base conceitual); práticos (obtidos pela experiência de trabalho); profissionais (fusão de práticos e técnicos, essenciais para uma atuação qualificada); e de organização (articulam práticos e teóricos, relacionados à responsabilidade e entendimento do contexto, como o serviço em AEE). A integração desses saberes constrói uma identidade sólida, requerendo formação adequada. No contexto da formação de professores, é crucial valorizar saberes práticos e necessário equilibrar e articular os diferentes saberes. A contínua atualização e valorização dos saberes capacitam o profissional a enfrentar desafios em um ambiente em constante transformação. Tardif (2014) e Tardif e Lessard (2007) destacam a relação entre saberes e construção da identidade profissional docente. Os saberes de formação pedagógica, que distinguem o educador, são adquiridos durante a formação específica. Saberes disciplinares, embora não produzidospelo professor, são essenciais na prática pedagógica, indicando seu domínio sobre os conteúdos. Saberes experienciais, construídos pela interação e experiência escolar, interpretam e orientam a profissão. A apropriação desses saberes é crucial para a identidade profissional e atuação no contexto escolar. CONSIDERAÇÕES FINAIS Essa pesquisa está em andamento, com foco na formação identitária de professores de Atendimento Educacional Especializado (AEE) em escolas de tempo integral. A metodologia da História Oral foi adotada para coletar as narrativas dos educadores, que são consideradas ferramentas cruciais para captar a história de vida e explorar sua formação identitária. As primeiras etapas do estudo envolvem a revisão da literatura e a realização de entrevistas semiestruturadas com professores de AEE. Resultados preliminares da revisão da literatura destacam a importância dos diferentes saberes na moldagem da identidade profissional. Os quais oferecem elementos valiosos sobre a relação entre saberes e a construção da identidade profissional. A pesquisa continuará a explorar como os professores de AEE em escolas de tempo integral constroem sua identidade a partir da aplicação de entrevistas semiestruturadas (em desenvolvimento) buscando apresentar como isso impacta sua prática pedagógica e o desenvolvimento da educação inclusiva REFERÊNCIAS ALBERTI, V. Manual de história oral. 3. ed. Rio de Janeiro: Editora FGV, 2013. BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Senado Federal, 1988. DUBAR, C. Formação, trabalho e identidades profissionais. In: CANÁRIO, Rui. Formação e situação de trabalho. Porto: Porto Editora, 1997a. DUBAR, C. A socialização: construção das identidades sociais e profissionais. Porto: Porto Editora, 1997b. GADOTTI, M. Educação Integral no Brasil: inovações em processo. São Paulo: Editora e Livraria Instituto Paulo Freire, 2009. GATTI, B. A. Os professores e suas identidades: o desvelamento da heterogeneidade. Cad. Pesq., São Paulo, n.98, p.85-90, ago. 1996. GLAT, R. "NÃO SOMOS DIFERENTES DAS OUTRAS PESSOAS": a Vida Cotidiana de Mulheres com Deficiência Mental Contada Por Elas Mesmas. Rio de Janeiro, junho de 1988. JOSSO, M. C. Caminhar para si. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2010. TARDIF, M. Saberes docentes e formação profissional. 17. ed. Petrópolis: Vozes, 2014. TARDIF, M.; LESSARD, C. O trabalho docente: elementos para uma teoria da docência como profissão de interações humanas. 3. ed. Petrópolis: Vozes, 2007. PERCEPÇÕES DE TRÊS GESTORAS SOBRE A INCLUSÃO ESCOLAR DE ESTUDANTES COM AUTISMO Eixo Temático: Eixo 3: Gestão Inclusiva, formação de professores e formação continuada Maria Aparecida Ferreira de Paiva1 Eliana Cristina Pedroso de Oliveira2 Eder Pires de Camargo3 INTRODUÇÃO A inclusão escolar é garantida pelas legislações vigentes (BRASIL, 1996; BRASIL, 2008; BRASIL, 2012; BRASIL, 2013; BRASIL, 2015) as quais definem que deva ocorrer, preferencialmente, na sala de aula comum. Todavia esta temática ainda é repleta de inquietações, preocupações, mistificações e problemáticas por parte dos agentes educacionais que refletem no modo como ocorre em cada unidade escolar Brasil afora. Negar a matrícula, a oportunidade de acesso e permanência aos estudantes eletivos ao Serviço da Educação Especial (EESEE) no ensino comum, configura-se como ilegal (BRASIL, 2008; BRASIL, 2013; BRASIL, 2015). Todavia, a qualidade da educação a eles ofertada ainda é alvo de muita discussão e pesquisa, aja visto que não basta estar presente em sala de aula para que a inclusão aconteça. Este processo demanda de outros fatores para que ocorra de fato. Partindo destes pressupostos como justificativa foi realizada a coleta de dados de uma pesquisa de doutorado em andamento na qual utilizou-se como um dos instrumentos um questionário via Google Forms com as três gestoras de uma unidade escolar de uma pequena cidade do centro-oeste paulista, cujo objetivo geral era analisar as contribuições 1 Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Educação para a Ciência – UNESP/Bauru. E-mail: maria.paiva@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1409315958549414. 2 Doutoranda do Programa de Pós-graduação em Educação para a Ciência – UNESP/Bauru.l. E-mail: eliana.pedroso@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/1025496922454216. 3 Livre Docente em ensino de física pela Universidade Estadual Paulista, Júlio de Mesquita Filho, Campus de Ilha Solteira e docente junto ao Programa de Pós-graduação em Educação para a Ciência UNESP/Bauru. E- mail:eder.camargo@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/3417921730250572. que uma proposta de formação continuada de professores do ensino comum e gestoras dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental sobre a alfabetização matemática pelas crianças com autismo podem desencadear ao processo de escolarização e inclusão. A pergunta norteadora da pesquisa participante com abordagem qualitativa de cunho descritiva foi: Quais os caminhos pelos quais a formação continuada dos professores e gestores dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental deve percorrer para garantir uma educação inclusiva aos estudantes com autismo? METODOLOGIA Tratou-se de uma pesquisa participante com abordagem qualitativa de cunho descritiva. Participaram três gestoras, a diretora, a vice-diretora e a coordenadora pedagógica, todas do sexo feminino, as quais responderam um questionário inicial, via Google Forms, contendo vinte e quatro questões subdivididas em três eixos, a saber: Eixo 1 – Perfil da participante; Eixo 2 – Percepções acerca do autismo e Eixo 3 – Alfabetização Matemática. Aqui nos deteremos nos dados oriundos dos Eixos 1 e 2 . A pesquisa em questão teve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) envolvendo seres humanos da Universidade Estadual Paulista (UNESP/Bauru) - sob o parecer nº 5.121.369. (BRANDÃO, 1988). FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O trabalho está embasado na Teoria Histórico-Cultural (THC), a qual tem como alguns de seus referenciais Vigotski e Luria (2010). Esta abordagem teórica apresenta como base de seus princípios que o desenvolvimento humano não se dá apenas na esfera biológica, mas permeada pelas relações sociais e culturais desencadeadas no meio em que o indivíduo está inserido. Ao conceber o homem como um agente ativo no processo de criação do meio ambiente, o qual é transformado por ele e que também o transforma, a THC aborda os aspectos cultural, histórico e instrumental do desenvolvimento humano. RESULTADOS E DISCUSSÕES O perfil das três gestoras participantes ficou configurado da seguinte forma: todas são graduadas em Pedagogia, nenhuma delas possui especialização Lato Sensu, o tempo no magistério varia de vinte e dois anos a quarenta anos, já o tempo de serviço no cargo/função, entre dois meses a cinco anos. Ao serem questionadas se têm contato com estudantes com autismo ao exercerem o cargo/função de gestora todas responderam afirmativamente, todavia, enquanto professoras em sala de aula comum apenas uma delas disse já ter trabalhado em turma com estudantes com autismo. Diante da pergunta: O que você saberia me contar a respeito do Autismo? as respostas foram as seguintes: “Temos os graus mais leves e mais severos”; “É um transtorno que possui várias fases, umas mais leves outras mais severas, temos vários casos em nossa escola e observo a diferença entre o grau de um e do outro” e “Que no autismo existem vários graus que afetam a interação do aluno com o meio. Sendo, às vezes, impossível inclui-lo dentro de uma sala de aula se ele não estiver preparado para uma socialização”. Pode-se observar que as respostas se pautaram na questão dos níveis de gravidade do autismo e que, para uma dasgestoras, uma das causas das dificuldades encontradas no processo de inclusão escolar destes estudantes está na condição deles em relação à interação com o meio e com o déficit causado pela falta de socialização. Diante disso, infere-se o quanto o fator biológico desses estudantes ainda é fortemente atrelado às barreiras atitudinais impostas pelos agentes escolares, os quais, muitas vezes, não levam em consideração outros fatores que dificultam ou até mesmo impedem que este processo de inclusão escolar seja mais profícuo quando baseado nos fatores sociais e nas outras barreiras que perpassam o funcionamento do cotidiano escolar, tais como: lacunas nas formações dos docentes e gestores; pré-conceitos inerentes de conhecimentos superficiais, com origens em mitos e no senso comum; falta de investimento em recursos materiais e humanos nas unidades escolares; empatia; abertura para o acolhimento da diversidade existente entre os estudantes, entre outros. (VIGOTSKI; LURIA; LEONTIEV, 2010). Ao serem solicitadas para descreverem as habilidades e dificuldades para a inclusão escolar de estudantes com autismo, as três gestoras citaram: “falta de pessoas capacitadas”; “falta de pessoas capacitadas para ficar com esses alunos em sala de aula” e, “dificuldade, às vezes, nem está no educador e sim no meio que a criança vive. Por exemplo, uma criança que não faz acompanhamento especializado não consegue se socializar. O que seria simples para uma criança sem autismo. Habilidades seriam atividades onde se estabelece um vínculo de confiança entre professor e alunos”. Mais uma vez, constata-se que a resposta obtida pela terceira gestora enfatiza a condição destes estudantes decorrentes do autismo e não os outros fatores que contribuem ou não para o sucesso ou fracasso na trajetória escolar deles. Já ao serem questionadas sobre o que precisaria para melhorar o processo de inclusão dos estudantes com autismo no ensino regular, as respostas perpassaram pela necessidade de mais professores especializados e pelo maior acompanhamento entre família e escola. As três gestoras responderam que consideram não terem formação necessária para lidar com os estudantes com autismo, apresentando como justificativas para isto que deveria ter um curso de especialização para os profissionais serem capacitados e que não estão preparadas para lidarem com alguns níveis mais severos de autismo. Este dado vem reforçar a necessidade e a importância da formação continuada em serviço no tocante às temáticas oriundas da Educação Especial e do processo de inclusão, já que, na maioria das vezes, as lacunas deixadas pela formação inicial e as novas demandas que aparecem em número crescente nos últimos anos nas unidades escolares requerem maiores conhecimentos, reflexões e práticas mais inclusivas por parte de toda equipe escolar, na qual a gestão configura-se como pilar para sustentação de medidas mais equitativas. CONSIDERAÇÕES FINAIS Faz-se importante dar vez e voz aos diversos agentes educacionais no tocante a temática da inclusão escolar de estudantes com autismo, somente assim as reflexões, os estudos e pesquisas terão como pressupostos as perspectivas destes profissionais acerca das facilidades ou dificuldades encontradas no cotidiano. Aliar teoria e prática em um movimento de práxis (ação-reflexão-ação) torna-se imperativo para que estes estudantes tenham seus direitos de aprendizagem garantidos e suas necessidades educacionais respeitadas e trabalhadas, contribuindo para que suas trajetórias escolares encontrem com pessoas proativas e receptivas a lançar mão de novas estratégias pedagógicas para que seus comportamentos disruptivos sejam minimizados e suas potencialidades sejam valorizadas, servindo de mola propulsora para a construção de novos conhecimentos. Os dados oriundos desta etapa de coleta de dados da pesquisa reflete o quanto a condição biológica dos estudantes com autismo ainda é determinante para que eles tenham sucesso ou não no processo de inclusão em sala de aula comum, que as barreiras atitudinais ainda perduram e apontam para comportamentos de negação e discriminação, o quanto a formação destes profissionais precisa ser olhada com mais atenção e com políticas públicas que visem promover uma educação de qualidade, mais justa e equitativa. REFERÊNCIAS BRANDÃO, C. R. Pesquisa Participante. 7 ed. São Paulo: Editora Brasiliense, 1988. BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília: MEC/SEESP, 2008. BRASIL. Presidência da República Casa Civil Subchefia para Assuntos Jurídicos. Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista. Lei nº 12.764, de 27 de dezembro de 2012. Brasília, DF, 2012. BRASIL. Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: Câmara dos Deputados, Edições Câmara, 2013. BRASIL. Lei n. 13.146, de 6 de jul. de 2015. Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2015- 2018/2015/Lei/L13146.htm. Acesso em: 24 maio 2022. VIGOTSKI, L. S.; LURIA, A. R.; LEONTIEV, A. N. Linguagem, Desenvolvimento e Aprendizagem. 11. ed. São Paulo: Ícone, 2010. PERFIL DE ESTUDANTES DO PÚBLICO-ALVO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL E ESTRATÉGIAS E RECURSOS INDICADOS POR SEUS PROFESSORES Eixo Temático 3: Gestão Inclusiva, formação de professores e formação Continuada Isabella Xavier de Freitas1 Jurcilaine Domingues Caldeira2 Jáima Pinheiro de Oliveira3 INTRODUÇÃO E CONTEXTO Este estudo se insere na temática de recursos e estratégias que podem favorecer o processo de inclusão escolar de estudantes com deficiência. O objetivo deste relato é relacionar os principais recursos e estratégias mencionados pelos professores para favorecer o processo de escolarização desses estudantes, matriculados nas escolas dos municípios em que atuam. Os dados apresentados neste relato, fazem parte de um projeto de uma rede de apoio para a inclusão escolar do estado de Minas Gerais, com ações nos Vales do Jequitinhonha e Mucuri (OLIVEIRA et al., 2021). METODOLOGIA Para a implantação das ações de formação continuada da primeira edição do projeto, foram efetuados levantamentos de dados da realidade das escolas e dos professores dos municípios participantes. Em seguida, foram planejados encontros remotos, em razão da 1 Pedagoga com Especialização; Mestranda em Educação e Docência pela Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). E-mail: isabellaxavierf@gmail.com Lattes: http://lattes.cnpq.br/2274386478554328 2 Pedagoga com Especialização; Mestranda em Educação e Docência pela Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). E-mail: jurcilainedo@gmail.com Lattes: http://lattes.cnpq.br/1982665000077227 3 Doutora em Educação; Docente da Faculdade de Educação, credenciada ao Programa de Pós- graduação em Educação: Conhecimento e Inclusão Social e ao Mestrado Profissional em Educação e Docência, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). E-mail: jaima@ufmg.br Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8137271342793052 mailto:isabellaxavierf@gmail.com mailto:jurcilainedo@gmail.com mailto:jaima@ufmg.br Pandemia de Covid-19. No ano de 2022, ocorreram encontros presenciais e, atualmente, o projeto está iniciando a sua segunda edição. Neste momento, as cidades que continuam participando ativamente são: Araçuaí e Novo Oriente de Minas. Na edição anterior, todas as atividades contaram com aproximadamente 220 professores. Nesta análise, serão apresentados dados obtidos em uma oficina presencial de 2022, ofertada para um grupo de79 professores. Destes, 22 (28%) atuavam no Atendimento Educacional Especializado (AEE) e 57 (72%) em sala de aula comum, tanto na Educação Infantil, quanto no Ensino Fundamental (l e ll). Para obtenção dos dados, foram aplicados formulários antes da realização da oficina e as autoras assumiram a responsabilidade ética sobre todas as fases que compuseram a coleta destes dados, informando adequadamente aos participantes que eles poderiam ser utilizados, também, para fins de pesquisa (MAINARDES; CARVALHO, 2019). REFERENCIAL TEÓRICO A revisão constante de concepções e conhecimentos que fundamentam a prática pedagógica, a interação entre profissionais, familiares e outros profissionais devem ser pontos de destaque numa pretensa escola inclusiva (CAPELLINI; ZERBATO, 2019; OLIVEIRA; OLIVEIRA, 2018). É nesse sentido, que alguns autores falam em construção de redes colaborativas, orientações e assessorias. Toda essa organização deve ter como foco o planejamento e o desenvolvimento de práticas pedagógicas capazes de promover e aperfeiçoar os processos de ensino e de aprendizagem de qualquer estudante, sem desconsiderar as suas especificidades (SEBASTIÁN-HEREDERO, 2020; MEYER; ROSE; GORDON, 2014). Concordamos com Barbosa e Moreira (2009, p. 347) ao reforçarem que a escola só se caracteriza como inclusiva se "for capaz de acolher e promover a permanência e o sucesso de todos os estudantes". Por isso, a escola precisa assegurar condições distintas para atender às necessidades específicas, o que por sua vez, inclui técnicas, estratégias, práticas pedagógicas, adaptações curriculares, ensino diferenciado, dentre outros aspectos (CAPELLINI; ZERBATO, 2019). RESULTADOS E DISCUSSÕES Para termos uma noção do perfil geral dos estudantes acompanhados pelos professores participantes, na tabela a seguir, encontram-se os dados referentes às matrículas de crianças e estudantes do Público-alvo da Educação Especial (PAEE) na Educação Infantil e no Ensino Fundamental (l e ll), todas em sala de aula comum. Tabela 1 – Matrículas de crianças do PAEE na Educação Infantil e no Ensino Fundamental (I e II) Condições Frequência absoluta (n) na Educação Infantil Frequência relativa (%) Frequência absoluta (n) no Ensino Fundamental (I e II) Frequência relativa (%) Transtorno do Espectro Autista (TEA) 34,0 80,0% 5,0 22,0% Deficiência Física 4,0 9.0% 1,0 4,0% Deficiência intelectual 3,0 7,0% 15,0 65,0% Deficiência Múltipla 1,0 2,0% 0,0 0,0 Baixa visão 1,0 2,0% 2,0 9,0% Total 43,0 100% 23,0 100,0% Fonte: dados da secretaria municipal. Sobre a indicação de professores, acerca de estratégias e recursos que poderiam favorecer o processo de inclusão escolar dessas crianças e desses estudantes do PAEE em sala de aula, temos dados na Tabela 2, a seguir. Tabela 2 – Recursos e estratégias indicadas pelos professores Categorias Frequência absoluta (n) Frequência relativa (%) Objetos grandes 26,0 29,0% Engrossador de lápis 22,0 24,0% Livros com imagens 16,0 17,0% Mouse e teclados adaptados 9,0 10,0% Recursos de comunicação 7,0 8,0% Recursos de Tecnologia Assistiva 4,0 4,0% Materiais para posicionamento adequado 3,0 3,0% Mediação direta com manuseio de objetos 3,0 3,0% Braile 2,0 2,0% Total de indicações 92,0 100% Fonte: dados da secretaria municipal. Observamos que a maioria dos aspectos mencionados referiu-se a recursos. Destes, a maioria está ligada a adaptações necessárias para pessoas com condições relacionadas à deficiência física (DF) e à deficiência visual (DV), como o braile, adaptação de mouse e teclados e recursos de tecnologia assistiva. Isso leva-nos a inferir que alguns destes professores podem ter tido contato com esse tema, em alguma formação anterior, tendo em vista, também, a presença de cinco estudantes com DF e três com baixa visão na rede. Ao relacionarmos estes dados com os estudantes matriculados, observamos a ausência de recursos e estratégias para pessoas com transtornos do neurodesenvolvimento, tais como, o transtorno do espectro autista e transtorno do desenvolvimento intelectual, que configuram perfis mais frequentes nas escolas. Sobre isso, podemos mencionar as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, (BRASIL, 2001) que preveem: Flexibilizações e adaptações curriculares, que considerem o significado prático e instrumental dos conteúdos básicos, metodologias de ensino e recursos didáticos diferenciados e processos de avaliação adequados ao desenvolvimento dos alunos que apresentam necessidades educacionais especiais, em consonância com o projeto pedagógico da escola. (BRASIL, 2001, p. 47). Observamos, também, que estratégias foram mencionadas apenas três vezes pelos professores, referindo-se à mediação com uso de objetos. Ainda que possamos inferir a presença de outras estratégias com o uso de recursos específicos, tais como os de comunicação, isso não foi mencionado de maneira clara, fazendo-nos supor que existe uma preocupação maior com os recursos. CONSIDERAÇÕES FINAIS Os dados permitiram considerar que nem todas as estratégias e os recursos indicados possuem articulação direta com os perfis principais dos estudantes do PAEE matriculados na rede de atuação dos professores. Reiteramos a pouca menção a estratégias em detrimento das indicações de recursos. Por fim, chamou a atenção a ausência de recursos e de estratégias importantes para estudantes com transtornos do neurodesenvolvimento, tais como o do espetro autista (TEA) e de desenvolvimento intelectual. Estes recursos e estratégias, normalmente, estão mais ligados à organização dos espaços e da rotina escolar, à diminuição de estímulos sonoros e sensoriais e à adequação de atividades e currículos. Com isso, concluímos que o desafio que se coloca para essa formação é continuar fornecendo apoio para a atuação desses professores, no dia a dia, para que eles possam pensar em formas diferentes de abordar a diversidade de estudantes presentes na sala de aula. Assim, todos os estudantes terão oportunidades de aprendizagem e desenvolvimento de habilidades e competências necessárias à vida social. REFERÊNCIAS BARBOSA, Altermir José Gonçalves; MOREIRA, Priscila de Souza. Deficiência mental e inclusão escolar: produção científica em Educação e Psicologia. Revista Brasileira de Educação Especial, Marília, v. 15, n. 2, p. 337-352, 2009. http://dx.doi.org/10.1590/S1413- 65382009000200011 BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica / Secretaria de Educação Especial - MEC; SEESP, 2001. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/diretrizes.pdf <Acesso em 22/05/2023> CAPELLINI, Vera Lúcia M. Fialho; ZERBATO, Ana Paula. O que é Ensino Colaborativo?. São Paulo: Edicon, 2019. MAINARDES, Jefferson; CARVALHO, Isabel Cristina de Moura. Autodeclaração de princípios e de procedimentos éticos na pesquisa em Educação. In: ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM EDUCAÇÃO. Ética e pesquisa em Educação: subsídios. Rio de Janeiro: ANPEd, 2019. OLIVEIRA, Anna Augusta Sampaio de; OLIVEIRA, Jáima Pinheiro de. Os desafios para a constituição de uma escola inclusiva: em cena a formação de professores. In: OLIVEIRA, Anna Augusta Sampaio de; FONSECA, Kátia; REIS, Márcia Regina. (Org.). Formação de professores e práticas educacionais inclusivas. 1 ed. Curitiba: Editora CRV, 2018, p. 13-28. SEBASTIÁN-HEREDERO, Eladio. Diretrizes para o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA). Revista Brasileira de Educação Especial, Bauru, v. 26, n. 4, p. 733- 768, out./dez. 2020. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-65382009000200011 http://dx.doi.org/10.1590/S1413-65382009000200011 http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/diretrizes.pdf PRÁTICAS PEDAGÓGICAS AUXILIADORASPARA O PROCESSO DE INCLUSÃO DE ALUNOS COM TEA Eixo Temático: Gestão Inclusiva, formação de professores e formação continuada Ângela Karina Martins1 Daniela Leal2 INTRODUÇÃO O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento, presente desde o início da infância, afetando o desenvolvimento da comunicação, interação social e comportamento. Sua prevalência tem aumentado significativamente nas ultimas décadas, sendo estimado que o Brasil tenha cerca de 4,84 milhões de pessoas com o Transtorno do Espectro Autista. É preciso reconhecer que a criança com TEA é única em suas habilidades, desafios e necessidades. Portanto, é fundamental adotar abordagens individualizadas e centradas na criança acometida por este transtorno, reconhecendo suas capacidades e respeitando suas diferenças. A inclusão de crianças com TEA nas escolas regulares é um desafio importante e necessário para garantir igualdade de oportunidades educacionais. As práticas pedagógicas e a formação de professores desempenham um papel fundamental na promoção de uma educação inclusiva e de qualidade para esses alunos, visando o seu pleno desenvolvimento escolar, social e emocional. 1 Mestranda em Educação do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Comunitária da Região de Chapecó. E-mail: angela.martins@unochapeco.edu.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2174164982187901. 2 Doutora em Educação: Psicologia da Educação. Professora Titular do Programa de Pós-graduação Stricto Sensu em Educação da Universidade Comunitária da Região de Chapecó. E-mail: daniela.leal@unochapeco.edu.br ou dannylegal@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9613384135531044. mailto:angela.martins@unochapeco.edu.br http://lattes.cnpq.br/2174164982187901 mailto:daniela.leal@unochapeco.edu.br mailto:dannylegal@gmail.com http://lattes.cnpq.br/9613384135531044 Diante da complexidade do TEA e da necessidade de promover a inclusão de alunos acometidos por este transtorno no ambiente escolar, surge o problema central desta pesquisa: Como as práticas pedagógicas podem promover a inclusão e o desenvolvimento pleno de alunos Transtorno com do Espectro Autista (TEA) no contexto educacional, considerando a formação de professores como elemento chave nesse processo? A inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) nas escolas regulares é um direito fundamental e uma necessidade educacional urgente. No entanto, é fundamental reconhecer que a inclusão efetiva requer a implementação de práticas pedagógicas adaptadas e estratégias individualizadas para atender às necessidades específicas desses alunos. Por conseguinte, a realização de uma pesquisa sobre práticas pedagógicas auxiliares para a inclusão de alunos com TEA é de extrema importância, pois fornece embasamento e orientação para as ações educacionais. Nesse contexto, o objetivo desta pesquisa é investigar as práticas pedagógicas auxiliares no processo de inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). METODOLOGIA Por se tratar de uma pesquisa de mestrado em andamento, o recorte a ser apresentado neste resumo abarca a primeira etapa de pesquisa, estado do conhecimento ou revisão de literatura, por meio da pesquisa bibliográfica referente ao tema. Para tanto, inicialmente foram selecionados 38 trabalhos relevantes que abordavam o assunto em questão. A partir dessa seleção inicial, foram escolhidos 8 trabalhos que apresentavam maior proximidade e pertinência com a temática da pesquisa. Esses estudos foram considerados como base inicial para a construção do embasamento teórico e fundamentação das práticas pedagógicas auxiliares no contexto da inclusão de alunos com TEA. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A análise dos estudos selecionados revela a importância da adoção de práticas pedagógicas adequadas para promover a inclusão de alunos com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Diferentes abordagens foram abordadas, destacando a importância da interação e da conversa na construção do conhecimento, a utilização de tecnologias digitais como mediadoras de aprendizagem e comunicação, e a necessidade de uma atuação integradora entre escola, família e equipe multidisciplinar. Pereira (2018) e Bacaro (2020), por exemplo, enfatizam a importância da palavra como mediadora da relação pedagógica, destacando a transformação e o desenvolvimento tanto do aluno quanto do professor por meio da linguagem. O estudo de Pereira (2018) destaca a importância da abordagem Histórico-Cultural na aprendizagem de alunos com TEA. Através da interação e da conversa entre o aluno e o professor, são explorados aspectos como a projeção do pensamento, a elaboração do conhecimento e a transformação dos modos de agir. Essa abordagem promove o desenvolvimento tanto do aluno quanto do professor, criando um espaço de transformação e conversação mútuas. Além disso, essa abordagem favorece a constituição das funções psíquicas superiores no aluno com TEA. Enquanto Pereira (2018) enfatiza a importância da palavra como mediadora da relação pedagógica na educação de alunos com TEA. Kliemann (2018), em contrapartida, destaca o papel da tecnologia como mediadora de aprendizagem e comunicação para esses alunos. Ambos os estudos apontam para a eficácia das abordagens mediadas na promoção de uma educação inclusiva e de qualidade. A abordagem Histórico-Cultural de Pereira mostra a importância da interação e da conversa na construção do conhecimento, enquanto o estudo de Kliemann ressalta o uso da Tecnologia de Comunicação Digital (TCD) para auxiliar na aquisição de conhecimentos curriculares, na interação e comunicação, e no desenvolvimento cognitivo dos alunos autistas. Seguindo a mesma linha de pensamento de Kliemann, Souza (2019) e Moura (2019) ressaltam a contribuição das tecnologias digitais educacionais para a aprendizagem de matemática e inclusão de estudantes com TEA, bem como a importância das práticas pedagógicas colaborativas e experiências escolares, terapêuticas e familiares no processo inclusivo. Uma vez que, a combinação de uma abordagem pedagógica mediada com o uso de tecnologias assistivas tem se mostrado uma estratégia valiosa para aprimorar a educação de alunos com TEA. Os estudos de Souza (2019) e Moura (2019) destacaram a contribuição significativa das tecnologias digitais educacionais e práticas pedagógicas colaborativas na inclusão escolar de alunos com TEA. Ambos os estudos destacam a importância da mediação do professor, da orientação das estratégias de ensino e da formação continuada dos professores para o sucesso da escolarização desses alunos. Além disso, foi identificado que as experiências escolares, terapêuticas e familiares desempenham um papel crucial no processo inclusivo. Dambros (2019), para além das questões tecnológicas, destaca a importância da atuação integrada entre escola, família e equipe multidisciplinar, enfatizando a necessidade de estratégias pedagógicas que atendam às necessidades específicas dos alunos com TEA promovendo sua inclusão escolar. Além disso, o estudo enfatizou o papel dos professores nas salas regulares de ensino como potenciais espaços para a escolarização e desenvolvimento desses alunos, contudo, para que isto se efetive é essencial que os professores estejam capacitados e preparados para lidar com as particularidades e especificidades dos alunos com TEA, contando com acesso a materiais e recursos pedagógicos que os auxiliem nesse processo. Caminhando nessa mesma direção, os estudos de Mourão Junior (2021) e Souza (2019) ressaltam a importância do aperfeiçoamento profissional contínuo dos professores que trabalham com alunos com TEA, destacando a necessidade da formação continuada dos professores para a consolidação de práticas pedagógicas mais efetivas e capacitadoras, que efetivamentecontribuem para o desenvolvimento da criança com TEA. CONSIDERAÇÕES FINAIS Fica evidente a importância da interação, da conversa e da mediação no processo de construção do conhecimento, como destacado nos estudos de Pereira (2018) e Bacaro (2020). Além disso, o papel das tecnologias digitais como mediadoras de aprendizagem e comunicação, conforme exatamente por Kliemann (2018), apresenta-se como uma estratégia relevante para o desenvolvimento dos alunos com TEA. A atuação integrada entre escola, família e equipe multidisciplinar também se mostra fundamental, como evidenciado nos estudos de Dambros (2019) e Mourão Junior (2021). A necessidade de práticas pedagógicas colaborativas, experiências escolares e terapêuticas adaptadas são aspectos relevantes para a inclusão e o desenvolvimento dos alunos com TEA, conforme apontado nos estudos de Souza (2019) e Moura (2019). Por fim, destaca-se a importância do aperfeiçoamento profissional contínuo dos professores que trabalham com alunos com TEA, a fim de estabelecer práticas pedagógicas mais efetivas e capacitadoras, como mencionado nos estudos de Mourão Junior (2021) e Souza (2019). Diante dessas considerações iniciais, percebe-se a necessidade de avançar nas pesquisas sobre práticas pedagógicas auxiliares para o processo de inclusão de alunos com TEA, buscando desenvolver abordagens pedagógicas mais efetivas, utilizar recursos tecnológicos de forma adequada e promover a integração de todos os envolvidos no envolvimento processo educacional. Essa pesquisa busca contribuir nesse sentido, oferecendo recompensas para a formação de professores e aprimoramento das práticas inclusivas para alunos com TEA. REFERÊNCIAS BACARO, Paula Edicleia Franca. Transtorno do espectro do autismo e integração sensorial: o processo de aquisição da leitura e escrita em uma abordagem responsiva de aprendizagem. 2020. 152f. Tese (Doutorado em Educação) – Instituição de Ensino, Universidade Estadual de Maringá, 2020. Disponível em: http://www.ppe.uem.br/teses/2020/2020%20- %20Paula%20Edicleia%20Franca%20Bacaro. .pdf . Acesso em: 14 dez. 2022. DAMBROS, Aline Roberta Tacon. Inclusão de alunos com transtorno do espectro autista: um estudo em contexto de escolarização no estado de São Paulo. Doutorado em Educação Instituição de Ensino: Universidade Estadual e Maringá, Maringá Biblioteca Depositária: BCE - Biblioteca Central da UEM, 2018. Disponível em: https://pt.scribd.com/document/455722205/2018-Aline-Tacon-pdf. Acesso em: 24 de mai. 2023. KLIEMANN, Marciana Pelin. Autismo, tecnologia e aprendência: de ritornelo e de polifonia. Doutorado em Letras Instituição de Ensino: Universidade Estadual do Oeste do Paraná, Cascavel Biblioteca Depositária: Campus Cascavel, 2018. Disponível em: https://tede.unioeste.br/handle/tede/3671?mode=full. Acesso em: 25 de mai. 2023. MOURA, Katia Maria de. 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Acesso em: 25 de mai. 2023. https://repositorio.ufrn.br/jspui/handle/123456789/28254 PROPOSTA DE EPISÓDIOS PARA CONTEXTOS DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES SOBRE INCLUSÃO ESCOLAR Eixo Temático: Gestão inclusiva, formação de professores e formação continuada Rodiney Marcelo Braga dos Santos1 Tatiana Cristina Vasconcelos2 INTRODUÇÃO Este trabalho constitui-se como um recorte da pesquisa de dissertação do Mestrado, em andamento, vinculado ao programa de Pós-Graduação em Educação Inclusiva (Profei), que tem como tema central, as contribuições resultantes da aplicação de uma proposta de design formativo para licenciandos em matemática, em uma instituição de educação básica, técnica e tecnológica, no alto sertão paraibano, com base nos princípios do Desenho Universal para Aprendizagem (DUA) em interface com a Educação Matemática Inclusiva (EMI). Sendo que apresentamos aqui, o planejamento da etapa de ambientação, intitulada “Notas introdutórias sobre educação especial na perspectiva da educação inclusiva através da mediação pedagógica e o uso das TDIC”. Sobre a formação de professores, o tema tem sido tratado nas últimas décadas como alvo de atenção nacional e internacional (MANRIQUE; ANDRÉ, 2006). A formação de professores e a organização do ensino têm assumido papel relevante para a agenda da educação numa perspectiva inclusiva. Destarte, apontamos o DUA como uma abordagem de ensino inclusivo e que se seus pressupostos teóricos e metodológicos forem contemplados durante o percurso formativo do professor, esses ampliarão possibilidades adequadas de incluir os estudantes no espaço escolar. 1Doutor em Logística (BIONORTE/UFRR). Docente do Instituto Federal da Paraíba (IFPB). E-mail: rodiney.santos@ifpb.edu.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5342932489671373. 2 Doutora em Educação (UERJ). Docente da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB). E-mail: tatianavasconcelos@servidor.uepb.edu.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/2042671665043024. METODOLOGIA A tipologia da pesquisa de caráter qualitativa é do tipo pesquisa-ação. Conforme Thiollent (2011) a pesquisa-ação é uma linha de pesquisa associada a diversas formas de ação coletiva que supõe uma forma de ação participativa planejada, voltada para a descrição, intervenção ou ação orientada em função da resolução de problemas práticos. Para tanto, definimos como locus do referido estudo o curso de Licenciatura em Matemática, ofertado pelo Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba, Campus Cajazeiras,campo de atuação profissional do primeiro autor, e participantium os licenciandos matriculados no componente curricular obrigatório “Metodologia Aplicada à Educação Matemática na Educação Inclusiva”. Como procedimentos destacam-se os “episódios” que se caracterizam por “frases escritas ou faladas, gestos ou ações que constituem cenas que podem revelar interdependência entre os elementos de uma ação formadora”, onde seus dados devem ser interpretados examinando a complexidade da prática pedagógica e organizados em sua totalidade, sendo que sua apresentação deve sumarizar os principais elementos para a prática formativa (MOURA, 2004, p. 267). FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A formação de professores para a inclusão anuncia novos desafios frente a diversidade originada pela democratização do acesso à educação, sendo condição para que seja potencializado o desenvolvimento das práticas escolares inclusivas. Neste sentido, destaca-se o DUA como uma das descobertas mais disseminadas na pesquisa educacional (SEBASTIAN-HEDERO, 2020). Conforme Zerbato (2018), a escola inclusiva se constitui num processo de construção e visa atender uma diversidade de alunos que apresentam características e ritmos de aprendizagem diferenciados. Assim sendo, para a autora, o DUA surge como um repertório que “auxilia os educadores e demais profissionais na adoção de objetivos de aprendizagem adequados, escolhendo e desenvolvendo materiais e métodos eficientes para a elaboração de formas mais justas e aprimoradas de avaliar o progresso de todos os estudantes” (ZERBATO, 2018, p. 56). Pereira (2020) acrescenta que pensar na educação inclusiva é considerar a formação de professores, na perspectiva do reconhecimento e valorização da diversidade humana e que o DUA “traz elementos substanciais para a construção de práticas pedagógicas inclusivas [...] aponta, portanto, para a necessidade de flexibilizar o currículo para atender as necessidades e especificidades dos estudantes” (PEREIRA, 2020, p. 19). Ademais, Oliveira (2021) reforça que o planejamento na perspectiva do DUA é uma etapa de extrema relevância, “pois é a partir dele que se inicia a pensar um currículo mais acessível e estabelecer quais estratégias deverão ser usadas para atingir o objetivo” (OLIVEIRA, 2021, p. 38) e Prais (2020) corrobora com a tese de que um processo formativo tendo como subsídio teórico o DUA pode proporcionar aos professores uma formação comprometida com o processo de inclusão dos alunos. RESULTADOS PRELIMINARES A priori, a proposição formativa está ordenada em dois momentos, nomeadamente: a ambientação que tem como propósito apresentar repertório que contemple os principais fundamentos sobre a educação especial e inclusiva e a imersão que deve favorecer a proximidade com o exercício da profissão docente através do ato de planejar, sendo orientado pelos princípios e diretrizes do DUA. Nesta seção apresentamos três episódios através da mediação pedagógica e o uso das TDIC, com acessibilidade. O primeiro episódio busca responder “O que é inclusão escolar?” e apresenta como objetivo: contextualizar e discutir a evolução histórica da educação especial, inclusiva e os conceitos construídos ao longo do tempo, pautando-se em quatro “momentos” históricos: exclusão, segregação, integração e inclusão. Neste episódio, propusemos o uso do “Pechakucha”, do termo japonês [ぺちゃくちゃ] significa “bate-papo”. É um gênero discursivo multissemiótico em plena expansão em diferentes países do mundo e já com alguma inserção no Brasil, que consiste em uma apresentação dinâmica e objetiva por meio de desenho, fotografia, número, cor, movimento, palavras-chave, ou seja, em geral, não apresentam textos escritos longos (MEDEIROS, 2021). O segundo episódio busca responder “Por quê inclusão escolar?” e apresenta como objetivo: conhecer a legislação e políticas relativas à inclusão e à acessibilidade e os principais conceitos que envolvem a educação especial e inclusiva. Neste episódio, propusemos o uso da “Infografia” como uma nova forma de integrar texto e imagem, ou seja, consiste na adequação da informação textual aliada à iconicidade, à estética e à tipografia. A linguagem infográfica potencializa o pensamento crítico e criativo, o que reflete na participação ativa e no exercício de competências cognitivas, relacionais e produtivas (ALVAREZ, 2012). O terceiro episódio busca responder “Como fazer inclusão escolar?” e apresenta como objetivo: compreender as especificidades da construção de práticas pedagógicas inclusivas e suas inter-relações com o currículo no contexto da classe comum. Neste episódio, propusemos o uso do “Podcast” como ferramenta de auxílio ao processo formativo com metodologia ativa. Suas principais características como recurso educacional são a interação, a linguagem, o conteúdo e a temporalidade. Fez- se uso da taxonomia de Carvalho, Aguiar e Maciel (2008). CONSIDERAÇÕES FINAIS A promoção de espaços formativos na perspectiva inclusiva potencializa a feitura de processos reflexivos comprometidos com um olhar sensível às diferentes demandas de aprendizagem. Logo, na etapa de imersão busca-se investigar a EMI em interface com o DUA. Neste último episódio, faremos uso dos princípios orientadores do DUA como instrumental de referência para a ação do planejamento curricular que minimize barreiras e otimize as dimensões de acessibilidade. REFERÊNCIAS ALVAREZ, A. M. T. A infografia na educação: contribuições para o pensar crítico e criativo. Tese (Doutorado em Educação) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2012. CARVALHO, A. A.; et al. Taxonomia de Podcasts: da criação à utilização em contexto educativo. Actas do Encontro sobre Podcasts. Braga: CIEd, p. 96-109, 2009. MANRIQUE, A. L.; ANDRÉ, M. E. D. A. Relações com saberes na formação de professores. In: NACARATO, A. M.; PAIVA, M. A. V. (Orgs.). A formação do professor que ensina matemática: perspectivas e pesquisa. Belo Horizonte: Autêntica, p. 133-1488, 2006. MEDEIROS, P. K. S. de. Pechakucha: gênero discursivo multissemiótico. Dissertação (Mestrado em Estudos da Linguagem) – Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes, Universidade Federal do Rio Grande Do Norte, Natal, 2021. MOURA, M. O. de. Pesquisa colaborativa: um foco na ação formativa. In: BARBOSA, R. L. L. (Org.). Trajetórias e perspectivas da formação de educadores. São Paulo: Unesp, p. 257-284, 2004. OLIVEIRA, A. R. P. Desenho Universal para Aprendizagem na educação física: contribuições de uma formação continuada sob a ótica reflexiva. Tese (Doutorado em Educação Especial) – Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2021. PEREIRA, D. S. S. O Desenho Universal para Aprendizagem como estratégia na construção de práticas pedagógicas inclusivas. Tese (Mestrado Profissional em Educação Científica, Inclusão e Diversidade) – Centro de Ciência e Tecnologia, Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Feira de Santana, 2021. PRAIS, J. L. S. Formação de professores para o desenvolvimento de práxis inclusivas baseadas no Desenho Universal para a Aprendizagem: uma pesquisa colaborativa. Tese (Doutorado em Educação) – Centro de Educação, Comunicação e Artes, Universidade Estadual de Londrina, Londrina, 2020. SEBASTIÁN-HEREDERO, E. Diretrizes para o Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA): Universal Desing Learning Guidelines. Revisão de Literatura. Rev. Bras. Ed. Esp., Bauru, v. 26, n. 4, p.733-768, out.-dez., 2020. THIOLLENT, M. Metodologia da pesquisa-ação. 18. ed. São Paulo: Cortez, 2011. ZERBATO, A. P. Desenho Universal para Aprendizagem na perspectiva da inclusão escolar: potencialidades e limites de uma formação colaborativa. Tese (Doutorado em Educação Especial) – Centro de Educação e Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos, SãoCarlos, 2018. EIXO 4 PRÁTICAS INCLUSIVAS NA EDUCAÇÃO BÁSICA E ENSINO SUPERIOR A GAMIFICAÇÃO COMO FERRAMENTA METODOLÓGICA PARA APRIMORAMENTO DAS HABILIDADES LINGUÍSTICAS DE CRIANÇAS ATÍPICAS Eixo Temática: 4- Práticas Inclusivas na Educação Básica e Ensino Superior ANA PAULA DA SILVA 11 ROSENEIDE MARIA BATISTA CIRINO 22 INTRODUÇÃO A presente pesquisa trata-se de uma proposta de estudo em andamento de mestrado Profissional de Educação Inclusiva- Profei que se refere à fragilidade das práticas pedagógicas da sala de aula, no aspecto comunicação/linguagem e interação pela criança com Transtorno do Espectro Autista- TEA. Com base no excerto acima a pesquisa tem como problemática ponderar sobre estratégias pedagógicas que utilizam a gamificação como recurso metodológico para o desenvolvimento da linguagem e interação da criança com Transtorno do Espectro Autista- TEA, considerando que um dos aspectos, conforme DSM-5 — Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais é interação social, comunicação o que pode se constituir em barreira para a aprendizagem. Na sala de aula, as demandas do aluno com TEA podem requerer metodologias ativas por se configurar estratégias que oportunizam a interação e comunicação estimulando a efetiva participação do estudante. Com o intuito de responder a problemática de pesquisa tem-se o objetivo neste relato relacionado à pesquisa em andamento, discorrer sobre as contribuições da gamificação no desenvolvimento das habilidades que, por vezes, para a criança com TEA em sala de aula com vários alunos nem sempre é atendida. 1Ana Paula da Silva. Mestranda- Mestrado Profissional em Educação Inclusiva- PROFEI/ Unespar- Campus Paranaguá. E-mail:anapaula.silva@edu.umuarama.pr.gov.br Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4258445783216058 2Roseneide Maria Batista Cirino. Doutora em Educação- UEPG/ é Professora Adjunto D Colegiado de Pedagogia, Atualmente ocupa a função de Chefe da Divisão de Ensino de Graduação Campus Paranaguá e coordena o Mestrado Profissional em Educação Inclusiva (UNESPAR).E- mail:roseduc@yahoo.com.br Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4251118936692913 mailto:anapaula.silva@edu.umuarama.pr.gov.br http://lattes.cnpq.br/4258445783216058 mailto:roseduc@yahoo.com.br http://lattes.cnpq.br/4251118936692913 Para isso, o estudo se dará por meio da metodologia de pesquisa, neste relato é a revisão integrativa de literatura destacando que, na pesquisa de mestrado, será realizada também a pesquisa de campo com o uso do experimento didático. METODOLOGIA Neste relato o tipo de pesquisa é a revisão integrativa de literatura a qual de acordo com Santos (2022) trata-se de um instrumento de Práticas Baseadas em Evidências (PBE) com investigação no estudo de literaturas que abordam a mesma temática. Para tanto, definimos como critério de inclusão: artigos, teses e dissertações publicados até 5 anos, na plataforma de periódicos Capes, na área da educação inclusiva e gamificação. Para a exclusão foram considerados os itens que não atendem a busca de dados mencionados nos critérios de inclusão. QUADRO 1- Artigos, dissertações e teses selecionados DESCRITORES ANO DE PUBLICAÇÃO TÍTULO AUTOR Inclusão 2021 A inclusão de alunos com TEA no ensino fundamental: uma análise a partir da prática pedagógica na perspectiva do afeto CARDOZO, Paloma Rodrigues. Prática pedagógica 2019 A abrangência das pesquisas brasileiras sobre práticas pedagógicas e práticas de ensino: considerações e posicionamentos teóricos GIRALDI, Luciana Ponce Bellido; PEREZ, Cristina A. Autismo 2021 O transtorno do espectro autista e os desafios na compreensão do sujeito: contribuições da teoria da subjetividade. SILVA, Karla Fernanda Wunder da Gamificação 2023 A educação e a gamificação: Possibilidades nas aulas remotas. RABELO, J.; SILVA, I. da; FONTENELE, L. Fonte: Sistematização da autora com base nos periódicos da Capes (2023) FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA De acordo com a Organização Mundial da Saúde, (OMS, 2022), uma em cada 160 crianças tem Transtorno do Espectro Autista (TEA), diante dessa realidade é preciso pensar como as escolas públicas, em especial, as escolas municipais de Umuarama- PR, estão se preparando e buscando utilizar a Inovação Tecnológica e Tecnologia Assistiva como prática docente na inclusão de estudantes com TEA. Nesta Galvão Filho destaca que, O uso das TIC na educação tem aberto diferentes alternativas, caminhos e estratégias pedagógicas para a transformação da escola tradicional, em direção a uma escola mais sintonizada com as mudanças que ocorrem na sociedade, uma escola dialógica, aprendente e inclusiva (GALVÃO FILHO, 2009, p.2) Diante deste cenário a gamificação surge assumindo um papel de destaque na sociedade contemporânea, em sua essência, envolve o uso de processos e práticas dos jogos na resolução de problemas e engajamento de pessoas. Minho e Diniz complementam que: compreendemos espaços de aprendizagem como distintos cenários escolares e não escolares que potencializam o desenvolvimento de habilidades cognitivas (planejamento, memória, atenção, entre outros), habilidades sociais (comunicação, assertividade, resolução de conflitos interpessoais, entre outros) (ALVES; MINHO; DINIZ, 2014, p. 76) De acordo com os autores, Alves; Minho; Diniz (2014), quando a prática docente é realizada por meios tecnológicos, como por exemplo a gamificação, os estudantes conseguem desenvolver-se de forma ampla. Nesse sentido, a pesquisa tem como fundamento os seguintes autores e documentos a teoria histórico-cultural de Vygotsky (1998 e 2001) discorre sobre a importância das relações sociais para o desenvolvimento da linguagem e do pensamento cognitivo. De acordo com Galvão (2016) as tecnologias surgem no contexto educacional como importantes ferramentas para o conhecimento e superação de obstáculos, sejam eles físicos, intelectuais ou de linguagem e interação. Ainda sobre a gamificação, Morán (2015) destaca as mudanças que as metodologias ativas estão promovendo na educação formal e a necessidade de rever os currículos e práticas pedagógicas que versem e dialoguem com a diversidade em sala de aula. RESULTADO E DISCUSSÕES O estudo encontra-se em andamento, até o momento por meios de referenciais teóricos o que se conclui é que a pesquisa é relevante por tratar de um tema contemporâneo que demanda urgência e tem relevância social. Cardozo (2021) relaciona a aprendizagem da escrita e linguagem da criança com TEA a algo que seja prazeroso e destaca alguns recursos que podem ser utilizados de forma colaborativa para o processo de aprendizagem. Silva (2021) ressalta a importância da mediação como sendo fundamental para que haja uma relação de confiança entre professor e aluno resultando em aprendizagem. Diante disso, Giraldi e Perez (2019) discorrem sobre as práticas pedagógicas e em seus resultados constatam que é preciso repensar em práticas pedagógicas mais envolventes que contextualizem com as vivências dos estudantes. Nesse sentido, Rabelo, Silva e Fontenele (2021) apresentam considerações acerca da gamificação, sendo está uma ferramenta capaz de ampliar possibilidades de ensino e aprendizagem, sistematizar o conhecimento e potencializar o protagonismo. CONSIDERAÇÕES FINAIS Por meio do estudo realizado até aqui observa-se que a gamificação é uma metodologia ativa que de fato colabora para práticas pedagógicas mais engajadoras e contextualizadas e com o desenvolvimento das habilidades linguísticas de crianças com TEA. As leituras me levam a repensar as práticas realizadas em sala de aula e o modo como enxergo a inclusão, como professora da educação básica anos iniciaisvejo a importância de vivenciar esse processo reflexivo crítico para que as mudanças aconteçam. REFERÊNCIAS ALVES, Lynn Rosalina Gama; MINHO, Marcelle Rose da Silva; DINIZ, Marcelo Vera Cruz. Gamificação: diálogos com a educação. In: FADEL, Luciane Maria et al.(Org.). Gamificação na educação. São Paulo: Pimenta Cultural, 2014, p. 74-97. CARDOZO, Paloma Rodrigues. A inclusão de alunos com TEA no ensino fundamental: uma análise a partir da prática pedagógica na perspectiva do afeto. Periódico Capes, 2021. Disponível em: https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9567 Acesso: 17/05/2023. GALVÃO Filho, T. Deficiência intelectual e tecnologias no contexto da escola inclusiva. In: GOMES, Cristina (Org.). Discriminação e racismo nas Américas: um problema de justiça, equidade e direitos humanos. Curitiba: CRV, 2016, p. 305-321. ISBN: 978-85-444-1214-5. GIRALDI, L. P. B. PEREZ, M. C. A. (2019). A Abrangência das Pesquisas Brasileiras sobre Práticas Pedagógicas e Práticas de Ensino: considerações e posicionamentos teóricos. Educação Em Revista, 2001, 25–38. Período Capes, 2019. Disponível em: https://doi.org/10.36311/2236-5192.2019.v20n1.03.p25 Acesso: 17/05/2023. MORÁN, J.M. Mudando a educação com metodologias ativas. Coleção de mídias contemporâneas.Disponível em: http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2013/12/mudando_moran.pdf Acesso em: 09/02/2023. RABELO, J.; SILVA, I. da; FONTENELE, L. A educação e a gamificação: Possibilidades nas aulas remotas. Ambiente: Gestão e Desenvolvimento, [S. l.], v. 14, n. 3, p. 22–28, 2022. DOI: 10.24979/ambiente. v14i3.1055. Periódico Capes. Disponível em: https://periodicos.uerr.edu.br/index.php/ambiente/article/view/1055. Acesso em: 17 maio. 2023. SANTOS, Aline Félix Nascimento. Formação de professores naa promoção da inclusão na educação básica em tempos de pandemia do covid-19: uma revisão integrativa. TCC de graduação em Pedagogia, Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa,2022. SILVA, Karla Fernanda Wunder da. O transtorno do espectro autista e os desafios na compreensão do sujeito: contribuições da teoria da subjetividade. Periódico Capes, 2021. Disponível em: https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9736 Acesso: 17/05/2023. VYGOTSKY, L.S. A formação social da mente. São Paulo: Martins Fontes, 1998. VYGOTSKY, L.S. A construção do pensamento e da linguagem. São Paulo: Martins Fontes, 2001. https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9567 https://doi.org/10.36311/2236-5192.2019.v20n1.03.p25 http://www2.eca.usp.br/moran/wp-content/uploads/2013/12/mudando_moran.pdf https://periodicos.uerr.edu.br/index.php/ambiente/article/view/1055 https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/9736 A INVISIBILIDADE DO POTENCIAL SUPERIOR E A INCLUSÃO SOCIAL DE PESSOAS COM ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO Eixo Temático: Práticas Inclusivas na Educação Básica e Ensino Superior Débora Thalita Santos do Amor Divino1 Thelma Helena Costa Chahini2 INTRODUÇÃO Ao longo da história humana, o potencial cognitivo acima da média tem despertado grande fascínio nas mais diferentes sociedades, tendo em vista que o produto desse potencial beneficia a humanidade como um todo ou o contexto social mais próximo da pessoa talentosa. No entanto, pesquisas mais recentes têm revelado o alto índice de desperdício de talentos no Brasil (COSTA; MASSUDA; RANGNI, 2016; ROITMAN, 2017), tendo em vista que apesar de propostas relativamente boas em relação a identificação e desenvolvimento dos talentosos no país, os instrumentos e ações ainda são incipientes, de forma que ainda há uma grande dificuldade de identificar, desenvolver e assegurar que essas pessoas permaneçam em território nacional. Nesse pressuposto, questiona-se como a falta de conhecimento acerca das altas habilidades/superdotação3 colabora para a formação de percepções equivocadas sobre as pessoas com potencial acima da média, para a invisibilidade desse público e interfere no processo de inclusão das pessoas talentosas? Assim, o objetivo desta pesquisa é investigar as percepções acerca das altas habilidades/superdotação de um grupo de docentes em potencial, formados em áreas 1 Mestre em Cultura e Sociedade (PGCult/UFMA); Graduada em Letras/Espanhol (UFMA); Pesquisadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Especial e Inclusão (GEPEEI). UFMA. E-mail: deborathalita2011@hotmail.com. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/2911886643807975. 2 Doutora em Educação com Pós-Doutorado em Educação Especial. UFMA. E-mail: thelmachahini@hotmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4061880434989954. 3 Nesta pesquisa, optou-se pelo uso da terminologia Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) oficializada pelo Ministério de Educação e pela Política de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008), como dois termos sinônimos. Com o mesmo fim, utilizou-se outras terminologias como talento ou talentosos, superdotação, potencial ou habilidade cognitiva acima da média. diversas no ensino superior, e a partir disso, analisar como essas diferentes perspectivas refletem a ausência ou não de conhecimento sobre a temática e se isso colabora ou não para a invisibilidade e inclusão das pessoas talentosas. Infere-se que os dados coletados demonstram a relevância da pesquisa, pois explicitam a ausência de conhecimento adequado sobre a temática, o que prejudica a trajetória social da pessoa talentosa, mas também evidenciam o reconhecimento da necessidade e urgência de obter informações/conhecimento para que o direito de todos seja respeitado. Além de acentuar que a produção do conhecimento se tornaria ainda mais significante tendo em vista a potencialização que cada pessoa com altas habilidades/superdotação poderia realizar em sociedade. METODOLOGIA Foi realizada uma pesquisa exploratória, descritiva com abordagem qualitativa. Para o levantamento das percepções dos participantes, esta pesquisa foi construída com a colaboração de 20 profissionais de áreas variadas (20 e 50 anos), discentes de um programa de pós-graduação (mestrado interdisciplinar) em uma instituição de ensino superior pública, localizada na capital do estado do Maranhão. A coleta de dados foi realizada mediante uma conversa prévia e aplicação de um questionário, composto por oito perguntas, enviado via e-mail pelo Google forms e também pelo aplicativo WhatsApp. A análise de dados foi realizada por meio de leitura crítica das informações coletadas, pontuando os aspectos de maior relevância. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA É evidente a complexidade que envolve a definição de um conceito completo e fechado sobre as altas habilidades/superdotação, pois esse segmento social é marcado por uma intensa heterogeneidade, na qual há grande variação nas habilidades cognitivas, na personalidade e no nível de desempenho de cada pessoa com potencial superior. No entanto, a dificuldade em agrupar e padronizar os traços característicos desse segmento, não é uma justificativa plausível para a rejeição social e a invisibilidade dessas pessoas na sociedade, apesar de ser um continuum inerente aos que fogem do padrão de “normalidade”. Na atual conjuntura, percebe-se uma atenção maior para o desenvolvimento das pessoas identificadas ou com indicativos de capacidade acima da média, independentemente de qual seja a inteligência e a área do conhecimento, visto que hoje, os pesquisadores e a legislação brasileira (BRASIL, 2008) destacam a necessidade da identificação com propósito explícito, realizada mediante um processo de longo prazo e não mais diagnosticada somente por escores elevados de QI (os famosos testes de inteligência). Compreende-se que a pesquisa na área das altas habilidades/superdotação é um desafio que não pode se tornar um obstáculo para a busca e promoção de conhecimento especializado para profissionais da área da educação, famílias e acomunidade em geral, tendo em vista a invisibilidade premente, a rejeição social e a ausência de inclusão na prática, devido à ausência de reconhecimento das potencialidades dessas pessoas, o que inviabiliza o acesso aos benefícios e direitos legais desse público em específico. Sem oportunidades de conhecer as especificidades desse público, suas características, necessidades e possibilidades de desenvolvimento, o processo de identificação se torna inviável, principalmente no seio das instituições educacionais e organizacionais, que são consideradas por Ribeiro e Galvão (2018), o lócus por excelência do desenvolvimento e expressão das potencialidades humanas. RESULTADOS E DISCUSSÕES Os dados coletados revelam que a maioria dos participantes (95%) indica ter certo nível de conhecimento sobre altas habilidades/superdotação, adquirido por meio do contexto acadêmico, ambiente de trabalho, mídias de comunicação e informação e por meio de experiência profissional de familiar próximo. Apenas um participante revelou contato com a temática no ambiente da escola. No entanto, estes classificam seu nível de conhecimento como pouco ou até mesmo afirmam não ser de fato significativo, pelas lacunas de informações e explicações sobre a temática. Ainda que com poucas informações a respeito, os participantes conseguiram elencar características de comportamento das pessoas com superdotação (inteligência, genialidade, ser extrovertido, motivação acima da média, criatividade, ansiedade, dificuldade de socialização etc.). O que é um dado positivo e negativo, porque o apontamento da genialidade ou inteligência acima da média se tornou traço reducionista para a pessoa talentosa, ou seja, apenas esse estereótipo é o padrão do “verdadeiro” talento. Os dados obtidos sobre as características timidez e dificuldade de socialização, alto nível de criatividade e a existência de ansiedade refletem também um relativo avanço na percepção da pessoa talentosa, pois sinalizam que uma parte, mesmo que mínima, dos participantes considera traços para além da capacidade cognitiva acima da média. Além disso, foi constatado que 45% dos participantes não reconhece a necessidade do oferecimento do Atendimento Educacional Especializado (AEE) para pessoas com altas habilidades/superdotação; mas a maioria reconhece que essas pessoas precisam estar incluídas na Política de Educação Especial, ainda que 35% tenha registrado a necessidade somente em casos de deficiências/transtornos. Destaca-se ainda, como dado positivo, o percentual de 55% que reconheceu a própria necessidade de orientação especializada sobre a temática, a fim de uma convivência que respeita as diferenças. CONSIDERAÇÕES FINAIS A partir da análise dos dados, percebe-se que as percepções sobre as pessoas com altas habilidades/superdotação refletem certa fragilidade no que diz respeito a compreensão, características e direitos legais desse público, pois, apesar de evidenciarem relativo nível de conhecimento, esse se revelou significativamente reduzido, o que origina a primeira condição da invisibilidade das pessoas talentosas: a ausência de conhecimento desde a base educacional. Entende-se que essa condição é um dos fatores responsáveis por tornar o processo de inclusão mais lento, limitado e reducionista, pois as pessoas não são ensinadas a reconhecer, valorizar e conviver com a diferença, mas a aceita-la de qualquer maneira, o que ocasiona em teoria o processo de inclusão e na prática a integração, segunda razão para a invisibilidade das pessoas com potencial acima da média e fato que deturpa o processo de inclusão. Vale ressaltar que todos os vinte participantes desta pesquisa são discentes de um programa de mestrado interdisciplinar e que ao fim dessa formação, poderão ingressar como docentes no ensino superior. O que atenua ainda mais a análise dos dados, pois são docentes em potencial que necessitam de um olhar mais sensível aos seus futuros discentes. Ratifica-se então o problema na base educacional, reconhecido por 55% dos participantes que determinou a existência de necessidade de orientação especializada. Portanto, os dados analisados tornam perceptíveis a necessidade de oportunidades de aprendizagem, não apenas para a pessoa com potencial elevado, mas para a comunidade que a cerca, pois é preciso sensibilizar o olhar da sociedade para esses talentos, para as suas necessidades específicas (cognitivas, emocionais, sociais), a fim de que sejam reconhecidos, valorizados e tenham seus direitos resguardados e respeitados. REFERÊNCIAS BRASIL. Ministério de Educação. Secretaria de Educação Especial. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília, DF, 2008. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf. Acesso em: 28 jan. 2020. COSTA, Maria da Piedade Resende da. MASSUDA, Mayra Berto. RANGNI, Rosemeire de Araújo. Altas de Habilidades/Superdotação: Pesquisas e experiências para educadores. Rio de Janeiro: Wak Editora, 2016. 200p. ROITMAN, Isaac. Não podemos desperdiçar nossos talentos. Pensar a Educação, Belo Horizonte, 22 ago 2017. Disponível em: https://pensaraeducacao.com.br/pensaraeducacaoempauta/nao-podemos- desperdicar-nossos-talentos-exclusivo/. Acesso em: 20 abr. 2023. AQUISIÇÃO DA LÍNGUA DE SINAIS POR UM ALUNO SURDO E AUTISTA NA SALA DE RECURSOS MULTIFUNCIONAIS Eixo Temático: 4 – Práticas inclusivas na Educação Básica e no Ensino Superior Graziele Perpétua Fernandes Mello1 Eduardo José Manzini2 INTRODUÇÃO E CONTEXTO O Atendimento Educacional Especializado (AEE) ofertado na Sala de Recursos Multifuncionais (SRM) é destinado a estudantes caraterizados com deficiência (auditiva, visual, física ou intelectual), Transtorno do Espectro Autista (TEA) ou Altas Habilidades/Superdotação. Esses estudantes devem estar matriculados na rede regular de ensino e no contra turno frequentar a Sala de Recursos. Este estudo aconteceu na Sala de Recursos de um município do interior paulista, com um estudante surdo e autista, inserido na II Etapa da Educação Infantil, sem contato anterior com a Língua de Sinais, sem resíduo auditivo e com padrão de movimentos repetitivos e estereotipados. Dessa forma nos questionamos sobre, como poderíamos iniciar a aquisição da língua de sinais para que a comunicação pudesse ser construída? Sendo assim, optamos por iniciar o processo de inserção da Língua de Sinais, procedimento que será descrito neste manuscrito. METODOLOGIA O estudo foi conduzido em uma Sala de Recursos Multifuncionais de um Centro de Educação Multidisciplinar, localizado numa cidade do interior de São Paulo. Sob a responsabilidade da Rede Municipal de Ensino, conta com 6 Salas de Recursos 1 Doutoranda em Educação pelo Programa de Pós-Graduação em Educação da Unesp, Marília. E-mail: graziele_mello@yahoo.com.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6052394802600137. 2 Doutor em Psicologia, docente do Programa de Pós-Graduação em Educação da Unesp, Marília. E-mail: eduardo.manzini@unesp.br. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/9155295594995876. Multifuncionais e 7 Salas de Complementação Pedagógica, e atende atualmente 180 alunos. A Sala de Recursos onde o estudo aconteceu é regida pela pesquisadora, que atua na área há 13 anos. O participante, é um aluno surdo e autista, possui laudos médicos das duas condições, e faz acompanhamento semestral com neuropediatra. Com o diagnóstico da surdez e a consequente dificuldade na linguagem oral, a língua de sinais passou a ser a opção mais viável para que o aluno pudesse se comunicar com segurança. Ao identificar a limitação linguística do aluno, foi elaborado um material composto por fichas separadas por campo semântico que continham imagemdo objeto, representação em Libras e em Língua Portuguesa. As fichas contemplavam grupos de palavras, como frutas, animais, cores, alfabeto em Português, alfabeto em Libras e os números e quantidades até 10. As imagens coloridas foram retiradas da internet, impressas em meia folha de sulfite e plastificadas. Esse material foi também apresentado à família como volante, ou seja, ficaria dentro da mochila escolar para ser utilizado em casa, na escola regular e na sala de recursos. Na Sala de Recursos, sentávamos à mesa e o aluno escolhia as fichas que gostaria de sinalizar. Depois disso, explorávamos as características físicas do objeto, como cor, posição, partes e o que mais pudesse ser relacionado. Em seguida, retirávamos outra ficha e seguíamos sinalizando. Quando aquele grupo semântico fosse terminado, a professora sinalizava determinadas características de uma ficha, para que o aluno a identificasse. Utilizamos também jogos online e materiais com texturas diversas para relacionar o que havíamos trabalhado com as fichas, dentro de outro contexto, como forma de conceituação. Além dos dois atendimentos semanais ofertados ao aluno, a mãe também foi atendida durante 40 minutos, às sextas feiras, por um semestre, sendo orientada quanto à Libras e ao uso do material elaborado. Do mesmo modo, a professora da sala regular também foi orientada sobre a utilização do material para facilitar a comunicação e a criação do vínculo afetivo. Para contribuir com a aprendizagem e também com a acessibilidade nos espaços escolares, sinalizamos os ambientes com imagens do próprio aluno. REFERENCIAL TEÓRICO Ao recebermos um aluno na Sala de Recursos, iniciamos um processo de avaliação, para que sejam identificadas as habilidades que precisam ser trabalhadas. Com isso, um plano de intervenção é traçado, com características do aluno, objetivos, recursos que serão utilizados, metodologia e avaliação, e são elaborados os recursos necessários em relação à acessibilidade (BRASIL, 2008). No caso de um aluno surdo, as formas de comunicação e sinalização são as primeiras habilidades a serem avaliadas, e com isso é traçado um plano de atendimento para esse aluno (BRASIL, 2008, p. 16). Essa dificuldade na comunicação já é esperada, pois de acordo com Sacks (2010), cerca de 95% das crianças surdas nascem em famílias ouvintes, o que gera incertezas e tentativas frustradas para que a comunicação seja efetivada. Com isso, nota-se que o ambiente escolar ganha também a função de inserir o aluno em um contexto linguístico, assim como orientar a família durante o processo de escolarização. Nesse cenário, outro tipo de estudante que também pode apresentar dificuldades na comunicação, é aquele com TEA. O Transtorno do Espectro Autista traz como características, dificuldades de interação social, comunicação e linguagem, comportamento restrito e repetitivo (APA, 2013). Essas dificuldades variam na extensão de uma pessoa para outra, podendo ser visíveis ou até mesmo imperceptíveis. RESULTADOS E DISCUSSÕES O processo de apresentação das fichas contendo imagem, sinal em Libras e palavra em português, foi feito em etapas. Partimos dos objetos e situações mais concretos ou possíveis de exemplificação, como água, banheiro e algumas frutas. Nossa intenção era que o aluno pudesse nos indicar nesse primeiro momento quando quisesse utilizar outro ambiente da escola, já que sua comunicação era primitiva, sendo feita apenas por apontamentos. Kelman (2016, p. 04) aponta que a comunicação é parte indispensável no desenvolvimento humano, para a formação do pensamento e da cognição. A cada ficha que era mostrada, indicávamos o que ela representava. Por exemplo, na ficha da água, fomos até o bebedouro e molhamos nossa mão. O sinal de água foi feito pela professora e repetido pelo aluno. Isso aconteceu diversas vezes, até que ele pode por si só, sinalizar que gostaria de água. Esse movimento de sinalização e repetição visava ampliar a forma de comunicação e possibilitar aprendizagem significativa (WALTER; NUNES, 2013). Também seguimos o mesmo procedimento para a utilização do banheiro, onde o aluno deveria sinalizar para que pudesse sair da sala. Após esse primeiro momento, passamos para as fichas de frutas e animais. Paralelamente, usamos o celular e o computador para reforçar a representação das fichas, com vídeos ou imagens mais realistas. Assim como fizemos com as frutas, utilizamos também fichas de animais, cores, letras em português e em Libras, e números e quantidades. Apesar de não haver nesse momento nenhum interesse restrito, as fichas coloridas chamavam a atenção do aluno, o que facilitava o contato visual e a manutenção do foco (OLIVEIRA, 2013). A cada atendimento, as fichas eram escolhidas e exploradas, usando a descrição das imagens, sinalização das letras, comparação com os objetos do contexto. Isso resultou em facilidade no início dos diálogos, crescimento do repertório linguístico, aquisição dos sinais que possibilitou trocas entre professora e aluno, estreitando os vínculos afetivos e a mediação. Quando conseguimos estabelecer uma quantidade satisfatória de vocabulário e informações, iniciamos o processo de escrita, que nesse momento se resumia a pareamento das letras com cópia ou grifos. Contudo, tivemos que percorrer um longo caminho, já que nos deparamos com uma hipersensibilidade tátil, que dificultava o uso do lápis de escrever ou do giz de cera. Com a exploração de diversas texturas, conseguimos trazer o lápis de escrever para o uso diário, facilitando o processo de escrita. Com isso, mesmo não estando ainda alfabetizado, o contato com os instrumentos necessários para o registro escrito, passaram a fazer parte do contexto diário. CONSIDERAÇÕES FINAIS Durante os atendimentos, notamos a evolução linguística do aluno, se posicionando dentro dos diálogos, expondo vontades, questionando ações, interagindo mais espontaneamente e buscando referência do material elaborado para outros temas. O uso constante dos materiais possibilitou mudança comportamental e aprendizagem. A falta de pares coetâneos também é um ponto que precisa ser elencado. A presença de outros estudantes poderia ter sido um elemento facilitador na aquisição e na elaboração de contextos de troca, já que a identificação faz parte do processo de desenvolvimento. Com este estudo, pretendeu-se ampliar as possibilidades de aprendizagem do aluno surdo, ilustrando como a utilização de materiais de fácil acesso pode ser determinante para que a aprendizagem ocorra de forma satisfatória. Qualquer professor, responsável ou interessado, pode oferecer materiais como os aqui utilizados e possibilitar que a Língua de Sinais atinja o maior número de pessoas possível. REFERÊNCIAS AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION. APA. Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-V). Arlington, VA: American Psychiatric Association, 2013. BRASIL. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. Brasília:MEC/SEESP, 2008. Disponível em: http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf. Acesso em: 01de mai. de 2023. KELMAN, C. A. Letramento do aluno surdo: considerações sobre compreensão e escrita em L2. Rio de Janeiro: Prefeitura Cidade do Rio de Janeiro, 2016. Disponível em: https://ihainforma.files.wordpress.com/2011/10/celeste-azulay-kelman-letramento-do-aluno- surdo.pdf . Acesso em: 02 de mai. de 2023. OLIVEIRA, W, M, M, de. A importância das metodologias no ensino de jovens e adultos surdos. In: XII Congresso Internacional e XVIII Seminário Nacional do INES Educação de Surdos em Países de Língua Portuguesa Rio de Janeiro: INES, Departamento de Desenvolvimento Humano, Científico e Tecnológico, 2013. (p. 483-496). SACKS, O. Vendo vozes: Uma viagem ao mundo dos surdos. São Paulo: Companhia dasLetras, 2010. WALTER, C. C. de F. ; NUNES, L. R. O. de P. Comunicação alternativa para alunos com Autismo no ensino regular. Revista Educação Especial, v. 26, n. 47, p. 587-602, set./dez. 2013, Santa Maria. http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/politicaeducespecial.pdf https://ihainforma.files.wordpress.com/2011/10/celeste-azulay-kelman-letramento-do-aluno-surdo.pdf https://ihainforma.files.wordpress.com/2011/10/celeste-azulay-kelman-letramento-do-aluno-surdo.pdf Aquisição de Linguagem: Atuação do Instrutor Surdo com Estudantes Surdos no Ensino Bilíngue Eixo Temático: Práticas Inclusivas na Educação Básica e Ensino Superior Ester Chaves Pessoa1 Lara Ferreira dos Santos2 INTRODUÇÃO A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (BRASIL, 2008) defende a educação inclusiva aos alunos com deficiência. A população surda, parte do público alvo da educação especial (PAEE) manteve-se alinhada a este discurso durante décadas. Entretanto, a partir das lutas da comunidade surda e de achados científicos destacando a necessidade de um olhar diferenciado a esta parcela do PAEE, iniciou-se um movimento visando legislação específica que garantisse o direito de uso da Língua Brasileira de Sinais (Libras) (BRASIL, 2002; 2005). Sobre o contexto educacional de alunos surdos, com base a atualização de 2021 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional - LDB (BRASIL, 2021), garante-se o direito à educação bilíngue de surdos como modalidade educacional, e com isso a presença de educadores surdos, responsáveis pelo ensino da Libras e de aspectos identitários e culturais. Objetiva-se, assim, investigar como se dá o trabalho de um instrutor surdo, figura recente no espaço escolar, mediante o que a legislação propõe, buscando compreender seu papel na construção identitária da criança surda e também na valorização de sua língua e cultura. METODOLOGIA 2 Doutora em Educação Especial pelo Programa de Pós-Graduação em Educação Especial (PPGEEs) da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). Professora Adjunta do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). E-mail: lfsantos@ufscar.br Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7312070448044165 1 Graduação em andamento na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar). E-mail: esterpessoa@estudante.ufscar.br Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5122490848642863 mailto:esterpessoa@estudante.ufscar.br Este trabalho, ainda em andamento3, configura-se como uma pesquisa qualitativa, mais especificamente um estudo de caso. Tem-se como participante um Instrutor Surdo que atua em uma escola de ensino fundamental com Programa de Educação Bilíngue para surdos, em um município de médio porte do Estado de São Paulo, junto a crianças surdas. Os critérios de inclusão do participante foram: ser surdo; ser fluente em Libras; atuar como Instrutor surdo em escola com educação bilíngue; ministrar aula para crianças surdas. Foram realizadas três visitas às salas de aula onde o Instrutor Surdo atua durante o primeiro semestre de 2023, e como instrumento para coleta de dados realizou-se a observação simples com registro em diário de campo, para posterior análise, com embasamento teórico nos estudos sobre desenvolvimento de linguagem e identidade surda. Os dados aqui apresentados, discutidos e analisados versam sobre um episódio de interesse, recortado e apresentado a partir das anotações feitas em diário de campo. Os registros serão apresentados dentro de quadros e com letra diminuída na sessão de análises. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA De acordo com Vygotsky (1989), o desenvolvimento humano não ocorre simplesmente com a relação direta do sujeito com o objeto, mas a partir de uma relação mediada, portanto, uma criança precisa de um sujeito mais experiente que ela, que faça essa mediação entre a criança e o mundo o qual a cerca. O autor destaca a importância da linguagem no desenvolvimento humano; é nela e por ela que nos tornamos seres humanos capazes de pensar, nos expor e nos relacionar com as pessoas e com o conhecimento. Assim sendo, para que haja desenvolvimento pleno das capacidades da criança, é necessário que, além de oportunidades e vivências, lhe seja proporcionado um ambiente linguístico acessível, o que nem sempre é possível para a criança surda. Segundo Moura (2013) mais de noventa por cento das pessoas surdas que nascem no Brasil são de famílias ouvintes. Portanto, a comunicação no âmbito familiar é escassa e normalmente feita por gestos caseiros, o que limita a comunicação para apenas necessidades básicas, excluindo a presença de elementos subjetivos e a 3 Esta pesquisa tem apoio e financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Processo 2022/13091-3). estruturação da fala tanto em língua de sinais quanto na língua oral, uma vez que surdos e ouvintes se expressam de maneira distinta. Quando uma criança surda tem contato desde o período pré-linguístico com um sujeito adulto surdo, ela poderá adquirir uma língua que permita seu desenvolvimento cognitivo, compreensão desses elementos subjetivos, em sua língua de conforto (SANTIAGO; ANDRADE, 2013). O instrutor surdo é exatamente este adulto, que além de ensinar a língua de sinais para a criança transmite sua cultura por meio de suas vivências como pessoa surda, dentro da comunidade surda. Santos (2007) já apontava em sua pesquisa a relevância deste profissional para o desenvolvimento de crianças surdas. Com enfoque nos anos iniciais do ensino fundamental, a pesquisa retrata a atuação do Instrutor Surdo em Oficinas de Libras, um espaço destinado ao ensino de Libras como primeira língua, mas com características distintas do ensino formal em sala de aula, haja vista sua responsabilidade em cumprir uma função caberia à família, estimular o desenvolvimento de linguagem. Além da escassez de trabalhos na atualidade que abordam a presença e relevância do trabalho do instrutor surdo no espaço educacional, soma-se a nova orientação presente na Lei nº 14.191 (BRASIL, 2021) que prevê que a educação bilíngue para surdos deve conter, dentre as propostas de ensino, “a recuperação de suas memórias históricas, a reafirmação de suas identidades e a valorização de sua língua e cultura.” RESULTADOS E DISCUSSÕES O recorte apresentado a seguir trata da observação e registro de uma ação do Instrutor Surdo em sala de aula realizada na data de 20/05/2023. Neste dia apenas um aluno surdo participou da aula, onde foi proposta uma brincadeira, com um jogo chamado “Cai Não Cai”. Trata-se de um jogo de varetas, em que o instrutor parecia ter como interesse o ensino das cores, de números, regras de jogos e a interação/diálogo. A proposta do jogo era primeiramente que cada pessoa escolhesse um número, depois palitos nas cores amarelo e vermelho eram introduzidos em um tubo de plástico nas cores verde e laranja, com uma base azul com números de um à quatro. Primeiramente o instrutor surdo mostrou os números que apareciam na base do brinquedo apontando com o dedo, com o intuito de estimular a criança a contar os números. Logo depois de escolher um número, o instrutor pegou uma vareta na cor vermelha e uma amarela e perguntou qual a cor de ambas, incentivando a criança a fazer o sinal da cor correspondente a vareta que ele apontava. Perguntou também se tinha alguma outra cor, como por exemplo a cor azul, na tentativa de saber se a criança estava de fato sabendo o sinal de cada cor e prestando atenção na brincadeira. Depois de colocar todas as varetas no tubo, eles colocaram várias bolinhas por cima delas e então um de cada vez tirava um palito, na tentativa de que as bolinhas não fossem derrubadas. Para além das palavras/sinais que são trabalhadas, ensinadas e dialogadas, algumas outras questões também puderam ser percebidas, como por exemplo, ensinar as regras do jogo em que um ganha e o outro perde. Então o Instrutor aparentava estar ansioso, criando um ambiente de competição quando o oponente iria tirar umavareta, torcendo para que as bolinhas caíssem na base do aluno, ou quando o aluno conseguia tirar a vareta sem derrubar, mostrar decepção, organizando os sentimentos a partir de cada evento presente na brincadeira. Nota-se que, para além do ensino da língua de sinais, o Instrutor Surdo promove o desenvolvimento global das crianças, possibilitando, a partir da Libras, que os conhecimentos que circulam na escola lhe sejam acessíveis. Neste episódio percebe-se que o Instrutor Surdo se faz modelo, referência de língua e aquele que medeia o conhecimento, atuando não apenas na construção da subjetividade, mas também na organização do pensamento da criança - funções de suma relevância para o desenvolvimento da linguagem da criança (VYGOTSKY, 1989). Além disso, ele o faz por meio da exploração da visualidade da própria língua de sinais, valorizando aspectos de sua cultura. CONSIDERAÇÕES FINAIS Compreendendo a função que cabe ao profissional Instrutor Surdo, por seu envolvimento na comunidade surda e formação, este trabalho buscou compreender seu papel na construção identitária da criança surda e também na valorização de sua língua e cultura. O episódio analisado neste estudo demonstra que crianças surdas aprendem a língua da mesma forma que as ouvintes: brincando e na interação com o outro mais experiente. Assim, foi possível perceber, por meio das análises, que o Instrutor Surdo tem papel fundamental na escola, e que sua atuação não consiste apenas no trabalho relacionado à identidade e cultura, mas também à constituição da criança, por meio de um trabalho realizado pela e na linguagem. REFERÊNCIAS BRASIL. Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005. Regulamenta a Lei no 10.436, de 24 de abril de 2002, que dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras, e o art. 18 da Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000. Diário Oficial da União, Brasília, 23 dez. 2005. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm Acesso em: 5 jul. 2022. BRASIL. Lei de Diretrizes e Bases da Educação: Lei nº 9.394/96 – 24 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília, 1996. Disponível em http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm Acesso em: 5 jul. 2022. BRASIL. Lei de diretrizes e bases da educação: Lei nº 14191 – 03 de agosto de 2021. Altera a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), para dispor sobre a modalidade de educação bilíngue de surdos. Brasília, 2021. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14191.htm>. Acesso em: 3 jul. 2022. MOURA, M. C.. Surdez e Linguagem. In: LACERDA, C. B. F.; SANTOS, L. F.. Tenho um aluno surdo, e agora? Introdução à Libras e educação de surdos. – São Carlos: EdUFSCar, 2013. SANTIAGO, V. de A. A.; ANDRADE, C. E. de. Surdez e sociedade: questões sobre conforto linguístico e participação social. In: ALBRES, N. de A. Libras em estudo: política linguística. 2013. SANTOS, L.F.dos. O instrutor surdo em uma escola inclusiva bilíngue: sua atuação junto aos alunos surdos no espaço da oficina de Língua brasileira de sinais. 2007. Tese de Doutorado. Dissertação de Mestrado em Educação. Universidade Metodista de Piracicaba, Piracicaba. VYGOTSKY, L. S. Pensamento e Linguagem. São Paulo. Martins Fontes, 1989. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2005/decreto/d5626.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/Lei/L14191.htm AS HISTÓRIAS EM QUADRINHOS NA PERSPECTIVA INCLUSIVA Eixo Temático: 4 – Práticas Inclusivas na Educação Básica e Ensino Superior Charlene Tugne Pinheiro1 José Fabiano Costa Justus2 INTRODUÇÃO O cenário educacional brasileiro foi influenciado pelo movimento internacional que trata dos ideais de inclusão aplicados ao contexto educacional. Levando em consideração o movimento pela educação inclusiva, surge o questionamento acerca da aquisição da leitura, uma vez que essa é uma importante habilidade e que vai embasar todo o processo de aprendizagem. A Base Nacional Comum Curricular caracteriza essa habilidade como ampla (BNCC, 2018) e orienta quanto à mobilização da capacidade leitora em interação com os diversos tipos de textos e os gêneros textuais que circulam nos meios digitais. Nessa direção, surge a seguinte reflexão: Qual prática pedagógica pode minimizar as dificuldades presentes na aquisição da leitura? Uma vez que, as Tecnologias digitais da Informação e Comunicação estão presentes na sociedade e provocam mudanças em diversos aspectos da sociedade, este estudo apresenta um relato de pesquisa bibliográfica com o objetivo de explorar as contribuições que as histórias em quadrinhos (HQs), produzidas em ambiente digital, trazem ao processo de aquisição leitora. METODOLOGIA Neste estudo baseado em pesquisa bibliográfica, optou-se por utilizar diversas bases de pesquisa, a saber: a Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações 2 Professor Doutor, vinculado ao Programa de Mestrado Profissional em Educação Inclusiva e Departamento de Biologia Geral da Universidade Estadual de Ponta Grossa. E-mail: jfcjustus@uepg.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0671384296127040 1 Mestranda do Programa de Mestrado Profissional em Educação Inclusiva - PROFEI/UEPG. E-mail: 1100122006027@uepg.br. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/6538215675955597 https://lattes.cnpq.br/6538215675955597 (BDTD), Google Acadêmico, repositórios e revistas, por serem plataformas virtuais de livre acesso, onde estão publicadas obras científicas de diversas Instituições de ensino e pesquisa. Ao realizar a pesquisa na plataforma BDTD utilizou-se os descritores: “História em quadrinhos” ou “anos iniciais” ou "tecnologias digitais ou leitura" e ou “inclusão”, o recorte temporal estabelecido entre o ano de 2018 a 2023, ao aplicar os critérios de seleção, o resultado foi demasiadamente extenso, e ao aplicar um último filtro baseado no assunto: os resultados foram insuficientes para realizar uma pesquisa. No Google Acadêmico a pesquisa realizada com o descritor: “a leitura por meio das histórias em quadrinho nos anos iniciais” retornou apenas com um trabalho de conclusão de curso. Diante dessa questão, optou-se por centralizar a pesquisa em revistas e repositórios das Universidades brasileiras. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A PRÁTICA LEITORA EM UMA PERSPECTIVA INCLUSIVA A temática inclusão chega ao Brasil por meio de uma agência internacional onde o país é signatário. O movimento pela inclusão foi impulsionado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura (UNESCO), promoveu importantes Conferências para a educação realizadas na Tailândia e Salamanca na década de 1990. Na Conferência de Salamanca, o Brasil e os demais países assumem o compromisso de desenvolver e/ou criar, adotar políticas públicas de educação inclusiva, nas instituições de ensino promover o desenvolvimento de práticas pedagógicas inclusivas com a finalidade de ofertar educação para todos pautada na qualidade, com o objetivo de erradicar a exclusão e minimizar as desigualdades sociais (ÁRIAS, 2020). O conceito de inclusão adotado nesta pesquisa segue a perspectiva proposta por Scavoni “a escola inclusiva não enfoca a condição da deficiência, mas preza pelo ensino de qualidade para todos” (SCAVONI, 2016, p. 67). Quando se discute a inclusão na contemporaneidade, as habilidades relacionadas à leitura e a escrita estão presentes, uma vez que são essenciais para o desenvolvimento humano e social, pois são elas que vão subsidiar toda a trajetória educacional do ser humano (BONNER, GONÇALVES, SOUZA, 2021). Dessa maneira, estas habilidades podem ser compreendidas em uma perspectiva inclusiva, uma vez que, proporcionam ao estudante a oportunidade de construir novas experiências, e a participação na sociedade de forma crítica e criativa. No contexto da educação básica dos anos iniciaisdo ensino fundamental a Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018), considera a leitura a partir de uma perspectiva ampla, visto que a criança precisa apropriar-se da prática leitora, em interação com os diversos tipos de textos e em diversos suportes, conseguindo estabelecer uma relação com os gêneros textuais que estão presentes na sociedade, que circulam nos meios digitais, através das Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação-TDIC (BNCC, 2018). No cenário educacional brasileiro a leitura enquanto habilidade de conhecimento, é um tema muito discutido nas pesquisas científicas, devido ao grande potencial cognitivo que pode promover no desenvolvimento humano. É por meio da leitura que o indivíduo tem acesso ao conhecimento historicamente produzido pela humanidade. A Tecnologia Digital da Informação e Comunicação (TDIC) provoca diversas mudanças na sociedade, influencia os costumes, as comunicações, as relações sociais e a forma como o ser humano tem se relacionado com o conhecimento. Esse fato tem gerado grandes desafios para a sociedade e para a educação, porém “a tecnologia pode ser considerada uma aliada da educação, por disponibilizar diversas ferramentas digitais que podem ser adotadas no processo de ensino e aprendizagem” (BONNER, GONÇALVES, SOUZA, 2021). Os recursos digitais podem ser utilizados nas práticas pedagógicas para ampliar as oportunidades de aprendizagem e por considerar a diversidade humana no processo de escolarização. Entretanto, a atuação do professor é crucial ao planejar atividades que estejam em consonância com os princípios do Desenho Universal para Aprendizagem (DUA), que sejam experiências significativas para o estudante, e o considere como protagonista do aprendizado. O DUA é uma proposta inclusiva que tem como premissa ofertar a educação para todos, baseada na qualidade do ensino, que retira barreiras que possam limitar o acesso dos indivíduos à aprendizagem (PAPIM et al, 2018). Nessa perspectiva, o gênero textual histórias em quadrinhos (HQs), pode potencializar a aprendizagem da leitura, uma vez que, é um tipo de narrativa que envolve a união da linguagem verbal e a linguagem visual. Esse formato de leitura desperta o interesse e a curiosidade da criança, e a considera como uma prática positiva no processo de alfabetização (SILVA; PITANGUI; OLIVEIRA, 2020) RESULTADOS E DISCUSSÕES Durante a revisão de literatura nas bases de publicações científicas, ao pesquisar “A utilização de ferramentas digitais para criar histórias em quadrinhos, a fim de minimizar as dificuldades relacionadas à habilidade leitora”, encontrou-se o gênero textual aplicado aos diversos níveis educacionais, com os mais variados objetivos. O desenvolvimento de pesquisas em que o objetivo é explorar a contribuição das HQs no processo de aquisição da leitura, alcançou resultados relevantes para a área em estudo. No entanto, em relação aos recursos digitais, os mais encontrados são: software Hagáquê, Software Pixton, Software Toondoo, Software ComicLife3 e Software GoAnimate. O levantamento nas obras científicas indicaram que alguns projetos fazem uso de HQs autorais publicadas em revistas, jornais e internet e a maior parte das pesquisas estão centradas na produção de HQs com software destinado a esse fim. Diante do exposto, há a necessidade de haver mais pesquisas em relação às ferramentas digitais, apresentar novos e diferentes recursos digitais que tenham como finalidade fomentar e enriquecer as práticas pedagógicas. REFERÊNCIAS ARIAS, L.G. Trabajo colaborativo y codocencia: una aproximación a la inclusióneducativa. Revista de Estudios Teóricos y Epistemológicos en Política Educativa, V.5, e2015321, p. 1-14, 2020. Disponível em:https://revistas.uepg.br/index.php/retepe/article/view/15321. Acesso em: 12 fev.2023 BONNER, I. S; GONÇALVES, M.; SOUZA P, V.V. Tecnologia e revistas em quadrinhos no trabalho da inclusão. Humanidades & Inovação. V. 8 n. 35 (2021): Política de Saúde e Lutas Sociais em tempos de Pandemia da Covid-19.Disponível em:https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/5579.Acesso em: 05 maio.2023 https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/issue/view/106 https://revista.unitins.br/index.php/humanidadeseinovacao/article/view/5579 BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília, 2018. Disponível em http://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#fundamental/lingua-portuguesa. Acesso em:20 maio. 2023 PAPIM, A, A P; ARAUJO: M, A, de; PAIXÃO; K de M.Graça; SILVA, Glacielma de Fátima da (Orgs.). Inclusão Escolar: perspectivas e práticas pedagógicas contemporâneas. [recurso eletrônico]-- Porto Alegre, RS: Editora Fi, 2018. Disponível em: https://proinclusao.ufc.br/wp- Acesso em: 9 mar.2023 SCAVONI, Mariana Paula Pereira. Representações sociais de professores sobre inclusão e o projeto político pedagógico: a escola em movimento. 2016. Dissertação (Mestrado em Educação) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Filosofia e Ciências, 2016. 195fls.Disponível em: https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/136268/scavoni_mpp_me_mar.pdf?se quence=3. Acesso em 09 fev. 2023 SILVA, F, M; PITANGUI, C; OLIVEIRA, T, R. As Potencialidades dos softwares educacionais no processo de alfabetização. VI Congresso Internacional de Educação Superior a Distância. CIESUD, Goiânia-Go,2020. Disponível em: https://esud2020.ciar.ufg.br/wp-content/anais-esud/210351.pdf. Acesso em: 15 maio. 2023 https://proinclusao.ufc.br/wp- https://repositorio.unesp.br/bitstream/handle/11449/136268/scavoni_mpp_me_mar.pdf?sequence=3 https://esud2020.ciar.ufg.br/wp-content/anais-esud/210351.pdf https://esud2020.ciar.ufg.br/wp-content/anais-esud/210351.pdf.Acesso AUTISMO: ASPERGER, KANNER, LOVAES, RUTTER... E A ESCOLA PÚBLICA Eixo Temático: Práticas Inclusivas na Educação Básica e Ensino Superior SILVANA AZEVEDO BASTOS1 INTRODUÇÃO O Relato de Experiência nas Práticas Inclusivas na Educação Básica se estabelece em torno da temática do Transtorno do Espectro Autista-TEA. As Práticas para a Educação Inclusiva voltada para o TEA, pode ser iniciada com alguns momentos históricos, pois já no final do século XIX e início do século XX, já havia estudos referentes, como os de Eugen Bleuler e Howard Potter médicos psiquiatras (Sales, pag. 40, 2020). Porém foi somente no período da II Guerra Mundial, nos campos de concentração nazistas que os estudos foram aprofundados e denominados, sendo o psiquiatra mais conhecido Hans Asperger, neste período como descreve a obra de Sheffer, 2019. Leo Kanner, (1894-1981), médico psiquiatra austríaco, que estudou na Alemanha e se radicou nos Estados Unidos, havia publicado, em 1943, a obra “Distúrbios Autísticos do Contato Afetivo”, segundo Orrú, pag.18, 2012. Uma tese parcialmente antiga é a que afirmava que pais poucos carinhosos, que não estimulavam ativamente seus bebês, poderiam contribuir para o desenvolvimento do autismo. Entretanto essa tese foi questionada pelo psicólogo alemão, radicado nos Estados Unidos Eric Schopler, (1927-2006), pois os demais filhos desses mesmos casais não apresentavam o mesmo detalhe peculiar, o autismo, lembra Olivier. O autismo para muitos especialistas é visível aos 36 meses de vida. Entretanto, Cancino (2015), os sinais de alerta podem aparecer de 0 a 3 meses, como hipotonia, letargia (baixo tônus muscular e pouco movimento geral ou 1 Orientadora Educacional da Prefeitura de São Gonçalo, Técnica em Assuntos Educacionais da UFRJ. E-mail: silvana.nutes@gmail.com. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4586921440313075 excessiva tranquilidade; Inrritabilidade (ao ser tocados, carregados ou diante de estímulos acústicos ou visuais); coloração estranha (muito amarelos, vermelhosou cianóticos, sendo azulados); Odor especial na urina (odores muito doces como de açúcar queimado ou parecido com a cetona); Dificuldade para sustentar a cabeça quando sentados ou carregados, entre outras evidências mais conhecidas que envolvem o sono e a alimentação. A missão do Educador, principalmente do Orientador Educacional é ser um facilitador entre a escola e a família do autista e da família com outras instituições. METODOLOGIA O nosso lócus e foco do Relato de Pesquisa será a Escola Municipal Prefeito Nicanor Ferreira Nunes, o Nicanor, situado no Jardim Catarina, São Gonçalo. Um dos principais momentos para esclarecermos, tirar as duvidas ou analisar uma probabilidade de haver um caso de Transtorno do Espectro Autista-TEA, principalmente em comunidades carentes, é na hora da entrevista com os pais. Geralmente o Serviço de Orientação Educacional-SOE da unidade escolar chama a família mediante fatos relatados pelos docentes. As principais escalas e questionários voltados para o TEA são CARS, ABC, M- chat. A entrevista deve ser feita preferencialmente pelo Orientador Educacional-OE, sempre acompanhado por pelo menos mais um funcionário, sendo melhor, o próprio docente da turma ou Inspetor de turma, sendo estes que ficaram/ficarão a maior parte do tempo em contato como o aluno peculiar. Nas escolas públicas, onde comporta a população mais carente o diagnóstico chega tardiamente por diversos contratempos. Período que já passou a estimulação precoce e os métodos mais viáveis como o Denver. Os Métodos para aprimorar o trabalho com Autistas mais conhecidos são o TEACCH, Padovan, Miller, Floortime, SCERTS, Programa Son-Rise, sendo o Método PECS e a Metodologia ABA os mais populares. O autismo vem sendo melhor estudado, temos vários graus, pois há leve moderado e grave, além da Sindrome de Asperger, o Transtorno Globais do Desenvolvimento - TGD cada vez mais comum nas escolas. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Considerando a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (13.146/15), que cria o Estatuto da Pessoa com Deficiência, aumenta a proteção aos portadores do TEA. A Lei Berenice Piana, Lei 12.764/2012, que instituiu a Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com o TEA. A psiquiatra inglesa Lorna Wing (1928-2014) em 1981, desenvolve o conceito de autismo, seu trabalho revolucionou a forma como o autismo era considerado, e sua influência foi sentida em todo o mundo. O psicólogo norueguês radicado nos Estados Unidos Ivar Lovaas (1927-2010) publica um estudo sobre a análise do comportamento, demonstrando os benefícios da terapia comportamental intensiva. Durante os anos 1980 e 1990, a terapia comportamental e os ambientes de aprendizagem altamente controlados emergem como os principais tratamentos para o autismo e condições relacionadas. Foi o grande idealizador em aplicar os princípios da metodologia ABA, sendo o método mais conhecido no que se refere ao tratamento do TEA. Entretanto quem faz a diferença na Escola Nicanor e a nossa Equipe Pedagógica aliada ao Pessoal de Apoio, no nosso cotidiano com o aluno TEA. Tabela I - Alunos analisados e pesquisados na escola Nicanor sexo Idade Série/Ano Matricula Situação masculino 7anos 1ºano 2023 Autismo grave masculino 12 anos 2ºano 2021 Autismo com TGD masculino 9 anos 2ºano 2021 Sem laudo médico masculino 10 anos 2ºano 2021 Autista e TOD masculino 11 anos 4ºano 2019 Autismo masculino 8 anos 3ºano 2021 Autismo masculino 13 anos 7ºano 2019 TGD masculino 12 anos 3ºano 2022 Em processo de fechamento masculino 12 anos 6ºano 2019 Autismo masculino 13 anos 4ºano 2019 TGD masculino 11 anos 3ºano 2021 Em processo de fechamento masculino 15 anos 8ºano 2021 Autismo masculino 9 anos 3ºano 2021 Autismo feminino 15 anos 6ºano 2019 Autismo e dislexia feminino 11 anos 5ºano 2021 Autismo e esquizofrenia feminino 9 anos 3ºano 2021 Autismo RESULTADOS E DISCUSSÕES As descoberta na II Guerra, os estudos de Michael Rutter, Marion Leboyer Entre outros como do psicólogo inglês Simon Baron-Cohen, estudos e investimentos, mas para quem chega o benefício da pesquisa. Todos teriam o acesso equivalentemente, independente da classe social, em São Gonçalo? Quando se fala em benefício não é apenas o LOAS2 e a legislação pertinente3 é sim termos bons psiquiatras e neurologistas especialidades médicas indispensáveis, quando a questão é o TEA. Mas o autista tem comorbidades, os mais comuns são as doenças respiratórias, cardíacas, ortopédicas, mas ainda há casos de esquizofrenia e TDAH4. O autista não pode viver somente de remédios receitados pelos médicos, necessitam de terapias constantes com fonoaudiólogos, para desenvolver principalmente a linguagem; psicólogos, para o convívio social, entre outras questões; terapeutas ocupacionais - TO, para as atividades cotidianas físicas e mentais; fisioterapeutas para a postura e outras afins. Entretanto o Sistema Único de Saúde não oferece essa oportunidade, poucos profissionais citados conhecem os medos ABA e PECs sendo os mais comuns. Raramente vamos encontrar na rede pública de Saúde um fonoaudiólogo que domine as técnicas para o autismo da linguagem. Improvável que haja um Programa de TO que façam equoterapia ou Treino do Toalete. Há Inexistência de clínicas fisioterapêutica, que envolva natação voltada para o TEA no sistema público. Em outras palavras estamos começando, iniciando, aprendendo a termos o autista na sociedade, em São Gonçalo, no Estado do Rio, no Brasil. CONSIDERAÇÕES FINAIS O autismo não é algo recente, mas não é antigo, pois as primeiras iniciativas para o atendimento específico do TEA, no país sucederam nos anos 80 e a primeira Clínica-escola foi fundada no município de Itaboraí, em 2014. Em São Gonçalo há 2 Lei Orgânicas da Assistência Social 3 Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência, nº13.146/2015 e a Lei dos Portadores do TEA, nº 12.764/2012 4 Transtorno e Déficit de Atenção e Hiperatividade duas inauguradas em 2019 e em 2022, respectivamente no Gradim e no Centro, porém longe do Jardim Catarina. Mas seria somente uma nação emergente, latina americana com problemas em atender os autistas, essa condição também não estaria presente em outros países? Ao avaliarmos dois filmes de grande importância Mais que Especiais (2021) produção francesa e Uma viagem inesperada, Missão Especia,l (2017), produção americana. O primeiro filme exibe autistas adultos, alguns no mercado de trabalho. O segundo demostra um caso, que está cada vez sendo menos raro nas escolas brasileiras. É a evidência de dois filhos autistas, onde é demostrado a higiene pessoal, a dificuldade em se adaptar em uma sala de aula regular, a luta da mãe, através das leis americanas conseguir um professor domiciliar. Coincidência?! REFERÊNCIAS BRASIL. CONGRESSO NACIONAL. Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista-TEA. Lei 12.764 de 11 de dezembro de 2021. _______. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência. Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015. CANCINO, Miguel Higuera. “Transtornos do Desenvolvimento e da Comunicação- Autismo – estratégias e soluções práticas”. 2ºedição. Rio de Janeiro: Editora Wak, 2015. OLIVIER, Lou de. “Distúrbios de aprendizagem e de comportamento”. Rio de Janeiro: Editora wak, 2018. ORRÚ, Silvia Ester. “Autismo, Linguagem e Educação- Interação social no cotidiano”. Rio de Janeiro: Editora Wak, 2012. SALES, Valéria. “Transtorno do EspectroAutista – Oficina Multissensoriais”. Rio de Janeiro: editora Wak, 2020. SHEFFER, Edith. “Crianças de Asperger: As origens do Autismo na Viena Nazista”. São Paulo: Editora Record, 2019. VARGAS, Rosanita Moschini. “Austismo e Sindrome de Asperger: caminhos possíveis’’. in “Transtornos e Dificuldades de Aprendizagem – Entendendo Melhor os Alunos com Necessidades Educativas Especiais”, Simaia Sampaio, Ivana Braga de Freitas (org.). Rio de Janeiro: Editora wak, 2014. BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA E A AFILIAÇÃO DE ESTUDANTES COM DEFICIÊNCIA Eixo Temático: Práticas Inclusivas na Educação Básica e Ensino Superior Fabiana de Jesus Cerqueira1 Theresinha Guimarães Miranda2 INTRODUÇÃO A biblioteca universitária enquanto instituição social com função educativa é uma aliada no processo de consolidação da Educação Especial pela perspectiva inclusiva, a qual constitui-se um paradigma de política pública fundamentado nos direitos humanos, cujo propósito é assegurar o acesso à educação de grupos historicamente excluídos, sendo que nesse conjunto estão as pessoas com deficiência. A luta pelos direitos desse público procede de uma demanda social antiga. Por isso, as políticas inclusivas configuram-se como ferramentas de reparação histórica (PLETSCH; SOUZA, 2021). Neste contexto, faz-se necessário ressaltar que o ingresso ao ensino superior, legitimado pelas diretrizes inclusivas, não se constitui o ponto final, antes, é necessário discutir questões que ultrapassam o acesso, que abordam as condições ofertadas pela universidade para a permanência. Diante disso, a presente comunicação de cunho bibliográfico com análise qualitativa da literatura objetiva investigar os elementos constitutivos da mediação da informação que tendem a contribuir para a construção da afiliação de estudantes com deficiência no âmbito da biblioteca universitária. Para isso, apresentam-se os conceitos de mediação da informação cotejando com as considerações a respeito da afiliação estudantil. 1 Mestrado em Ciência da Informação/UFBA. E-mail: fabianacerqueira@ufrb.edu.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/7586453828994299. 2 Pós-doutorado em Umeå University/UFBA. E-mail: tmiranda@ufba.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8564192925828018. No ensino superior as políticas inclusivas possibilitaram uma expansão quantitativa de matrículas desse público, as quais totalizam 59.001 estudantes com deficiência em instituições públicas e privadas. Embora representem menos de 1% do total das matrículas, na perspectiva do acesso houve progresso (INEP, 2022). Entretanto, o acesso ao ensino superior é insuficiente se não for acompanhado por um processo de afiliação, processo o qual vai além da adaptação, trata-se da aprendizagem da autonomia pela participação ativa em uma tarefa coletiva (COULON, 2008), aspecto que torna esta temática relevante na conjuntura atual. METODOLOGIA Trata-se de um estudo bibliográfico com análise qualitativa da literatura que aborda a mediação da informação no campo da Ciência da Informação, destacadamente as abordagens conceituais de Gomes (2020) e Almeida Júnior (2009, 2017), e as abordagens da afiliação, especialmente de Coulon (2008) e Sampaio e Santos (2015). A partir das discussões dos teóricos citados realizamos uma reflexão sobre aspectos da mediação que contribuem para a construção da afiliação de estudantes com deficiência. AFILIAÇÃO VERSUS MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO A questão da afiliação à condição de estudante universitário emerge como questão central na construção do sucesso acadêmico, o qual impacta diretamente na reversão de índices de evasão e retenção (COULON, 2008). As discussões referentes à afiliação ocupam-se em compreender as variáveis que intervêm na adaptação do aluno à universidade. Para se filiar o aluno recém ingresso na universidade precisa empreender um significativo esforço na apreensão dos códigos do ensino superior e na assimilação da rotina acadêmica (SAMPAIO; SANTOS, 2015). A entrada na vida universitária é uma passagem do estatuto de aluno para estudante. Aprender o ofício de estudante envolve passar pelos três tempos identificados por Coulon (2008): 1)Tempo de estranhamento: o aluno depara-se com um universo desconhecido distante de seus referenciais familiares; 2) Tempo da aprendizagem: o aluno se adapta de forma progressiva e consegue produzir certa acomodação; 3) Tempo da afiliação: é quando o aluno passa a ser estudante e consegue jogar e “desjogar” com as regras da instituição. Dada as dificuldades que acompanham a construção da afiliação tal processo assemelha-se à aprendizagem de um ofício - o ofício de estudante, no qual o estudante precisa aprender a cultura universitária para se tornar um deles e evitar a eliminação ou desistência. A consolidação da profissão temporária é fundamental para a manutenção da condição de estudante (COULON, 2008). Na abordagem de Coulon (2008), as adversidades vivenciadas pelos estudantes não devem se constituir um problema particular do aluno, sua proposta integra a pedagogia da afiliação, a qual a instituição auxilia com atividades que promovem a afiliação. Compete à instituição auxiliar na trajetória da afiliação e a BU ocupa posição estratégica no processo da afiliação de estudantes. Dessa forma, a mediação da informação, ou seja, a ação de interferência realizada pelo bibliotecário de forma consciente ou inconsciente visando satisfazer as necessidades informacionais do estudante (ALMEIDA JÚNIOR, 2017), precisa edificar na construção da afiliação. Longe de ser uma mera prática ou processo, a mediação constitui-se “um fundamento orientador das ações que se dão a partir do movimento dos sujeitos em torno da informação, tanto no que diz respeito à sua organização, preservação e acessibilidade, quanto ao seu uso e apropriação para transformar uma realidade” (GOMES, 2020, p. 196). Quanto a sua tipologia a mediação pode ser implícita ou explícita, a primeira compreende as ações desenvolvidas de maneira consciente com base nos conhecimentos que dominamos, relaciona-se às atividades meio, como o processo técnico, formação e desenvolvimento de coleções, conservação e restauração. Já a mediação explícita corresponde as ações que evidenciam um conhecimento inconsciente, o qual se imbrica com os conhecimentos conscientes, compreende às atividades fins, tais como o Serviço de Informação e Referência (ALMEIDA JÚNIOR, 2009). DISCUSSÕES A mediação está voltada para os sujeitos, no respeito à singularidade e se posiciona a favor dos valores e princípios inclusivos e de justiça social, uma vez que se realiza com base na consciência das especificidades de cada sujeito social. A afiliação à biblioteca embora seja uma temática de grande relevância no atual cenário ainda é pouca abordada pela comunidade acadêmica, trata-se de uma competência particular que compõe um conjunto mais amplo. Neste cenário, com respeito a mediação explícita, a qual compreende o contato direto com os estudantes, é essencial o atendimento de qualidade ao estudante com deficiência, dado que, um atendimento inadequado por parte da equipe da biblioteca pode colocar em risco a utilização e o manejo da biblioteca, condições que impactam diretamente na construção da afiliação. Por isso, defende-se a necessidade de capacitação de toda a equipe da biblioteca, visando tornar o ambiente acolhedor, desprendido da discriminação, e do preconceito. No âmbito das atividades de planejamento, as quais compreendem a mediação implícita, por entendermos que a biblioteca representa a ligação entre a informação e o usuário que dela necessita, na construção da afiliação é preciso desenvolver estratégias para subsidiar a informação acessível como condição de acolhimento da diversidade. Os acervos acessíveis incluem: livros em braille,em tinta e braille, audiolivros, livros digitais e outros, que se constituem como aliados nesse âmbito. Ao aproximarmos os estudos da afiliação do fenômeno da deficiência, no âmbito da biblioteca, confrontamos esta instituição social com o desafio de desenvolver estratégias de mediação, a qual compreende todo o fazer do bibliotecário, tanto as atividades meio como as atividades fins, comprometidas com a inclusão de estudantes com deficiência. A tarefa é árdua, contudo, dado o histórico de exclusão desse público é urgente a necessidade de reparação desta dívida histórica. CONSIDERAÇÕES Em tempos de discursos inclusivos é urgente que a biblioteca universitária atue e se reconheça como um dispositivo de afiliação, aspecto que atravessa uma ação mediadora voltada para o acolhimento da diversidade, a qual respeita as diferenças. Entende-se que esta postura não se trata de um opção, constitui-se uma responsabilidade social inadiável- mediar a informação sem parcialidade e com equidade. REFERÊNCIAS ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo F. de. Ação cultural e protagnismo social. In: GOMES, Henriette Ferreira Gomes; NOVO, Hildenise Ferreira (Org.). Informação e protagonismo social. Salvador: EDUFBA, 2017. ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo F. de. Mediação da informação e múltiplas linguagens. Pesq. Bras. Ci. Inf., Brasília, DF, v.2, n.1, p.89-103, jan./dez. 2009. COULON, Alain. A condição de estudante: a entrada na vida universitária. Salvador: EDUFBA, 2008. GOMES, Henriette Ferreira. Mediação da informação como contributo da ciência da informação ao desenvolvimento do protagonismo social. In: Souza, Jacqueline Aparecida de; TANUS, Gabrielli Francine de Souza (Org.) Informação na sociedade contemporânea. Florianópolis: Rocha Gráfica e Editora, 2020. p. 195- 212 INEP. Resumo técnico do Censo da Educação Superior 2020 [recurso eletrônico]. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2022. Disponível em: https://download.inep.gov.br/publicacoes/institucionais/estatisticas_e_indicadores/resumo _tecnico_censo_da_educacao_superior_2020.pdf . Acesso em: 09 ago. 2022. PLETSCH, M. D; SOUZA, F.F. de. Educação Comum ou especial? Análise das diretrizes políticas de educação especial brasileiras. Revista Ibero Americana de Estudos em Educação, Araraquara, v.16, n. esp. 2, p. 1286-1306, maio, 2021. SAMPAIO, Sônia Maria Rocha; SANTOS, Georgina Gonçalves dos. A teoria da afiliação: notas para pensar a adaptação de novos públicos ao ensino superior. Atos de Pesquisa em Educação, Blumenau, v. 10, n.1, p.202-214, jan./abr. 2015. CARACTERIZAÇÃO DAS ATIVIDADES DE AVALIAÇÃO DE ALTAS HABILIDADES/SUPERDOTAÇÃO DE UM PROJETO DE EXTENSÃO NO PERÍODO DE 2018-2022 Eixo Temático 4: Práticas Inclusivas na Educação Básica e Ensino Superior Michele Aparecida de Almeida Teles de Ataíde1 Taís Chiodelli2 Vera Lucia Messias Fialho Capellini3 INTRODUÇÃO A Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva (PNEEPEI, 2008) prevê que estudantes com Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) recebam atendimento, orientando os sistemas de ensino para garantir: acesso ao ensino regular, com participação, aprendizagem e continuidade nos níveis mais elevados do ensino. Nakano (2021, p. 17) enfatiza que “Estudos atuais realizados em diferentes países têm apontado a importância de se compreenderem diferentes componentes relacionados às altas habilidades/superdotação”. Reconhecer esses estudantes como parte da educação especial se faz necessário, portanto, com direito a inclusão nas escolas e a receber atendimento diferenciado para que suas especificidades sejam desenvolvidas e respeitadas (MARTINS;CHACON, 2012). O presente estudo tem como objetivo descrever e caracterizar a identificação de crianças e adolescentes com habilidades superiores e queixas escolares realizada pelo projeto de extensão “Da identificação de estudantes com indicadores de Altas 1 Mestra em Docência para Educação Básica, Programa de Pós-Graduação em Psicologia do Desenvolvimento Aprendizagem Unesp Bauru. E-mail: michelle.ataide@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/0671280218785810. 2 Doutora em Psicologia do Desenvolvimento e Aprendizagem, Departamento de Psicologia, Unesp Bauru. E- mail: tais.chiodelli@unesp.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8885579336896513. 3 Doutora em Educação Especial, Departamento de Educação, Unesp Bauru. E-mail: vera.capellini@unesp.br Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/9928758732344366. Habilidades/Superdotação e suas áreas de interesses ao enriquecimento curricular: uma proposta interdisciplinar” nos últimos cinco anos (2018-2022). METODOLOGIA Trata-se de um estudo retrospectivo e descritivo com consulta ao banco de dados do referido projeto de extensão considerando os últimos cinco anos (2018 – 2022). Participaram do estudo crianças e adolescentes que apresentavam indicativos de AH/SD, suas famílias e professores residentes no município de Bauru/SP e região. Os participantes chegaram ao projeto de extensão a partir de demanda espontânea da família, encaminhamento das escolas ou profissionais de saúde. Para a avaliação das crianças e dos adolescentes foram utilizados instrumentos psicológicos e pedagógicos. A avaliação foi multimodal, uma vez que um mesmo conjunto de habilidades foram avaliadas por mais de um instrumento e com múltiplos informantes, ou seja, os dados foram obtidos por meio de instrumentos aplicados com a criança, com seus pais e seus professores. Os instrumentos utilizados nas avaliações foram: 1) Termo de Consentimento Livre e Esclarecido versão para responsáveis e professores e Termo de Assentimento Livre e Esclarecido versão criança ou adolescente (até 18 anos completos); 2) Entrevista de anamnese; 3) Questionário de Capacidades e Dificuldades (SDQ) versões para pais, professores e criança; 4) Checklist de Características Associadas à Superdotação (CCAS); 5) Questionário para identificação de indicadores de altas habilidades/superdotação (QIIAHSD) versões para os pais, os professores e a criança e considerando o nível de escolaridade infantil; 6) Entrevista com a criança; 7) Escala de Depressão, Ansiedade e Estresse – 21 (DASS-21) versão para 12 a 18 anos; 8) Teste de Desempenho Escolar (TDE – II) – 1º ao 9º ano; 9) Escala Wechsler de Inteligência para Crianças (WISC-IV); 10) Teste das Matrizes Progressivas Coloridas de Raven (CPM-RAVEN); 11) Escala para a avaliação das características comportamentais de alunos com habilidades superiores (SRBCSS-P), e 12)Lista Base de Indicadores de Superdotação (DELOU). Os dados foram coletados nas dependências do Centro de Psicologia Aplicada – CPA, da Unesp Bauru, sendo adaptado para o formato remoto durante a pandemia de Covid-19. O processo de identificação era realizado por uma equipe multidisciplinar composta por docentes especializados, estudantes da graduação e da pós-graduação de Psicologia e Pedagogia. Os atendimentos eram realizados em duplas, semanalmente. Os testes psicológicos eram aplicados por estudantes de psicologia supervisionados e psicólogos já formados. Para análise dos dados foi utilizada estatística descritiva e calculada a frequência absoluta e relativa das informações: número de crianças e adolescentes avaliadas no período e identificadas com AH/SD, tipo de escola e distribuição das avaliações por ano. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA O processo de reconhecimento, identificação e atendimento ao aluno AH/SD é algo ainda visto pela comunidade escolar de forma muito intrincada, repleta de barreiras e permeada de mitos. No campo educacional, essas concepções equivocadas inviabilizam a intervenção pedagógica, a construção do conhecimento por meio de experiências adequadas, assim, permanecendo esse público sem reconhecimentoe sem atendimento às suas necessidades durante sua escolarização. A proposta de identificação e atendimento para alunos com AH/SD fundamenta-se nas políticas públicas e na legislação que envolvem esses estudantes elegíveis ao serviço da Educação Especial. Em se tratando dos estudantes com AH/SD, esse é tema que merece atenção em meio aos debates sobre identificação e as práticas educacionais, uma vez que quando se retoma a discussão sobre os direitos educacionais desses sujeitos, percebe-se o quanto é necessários avanços na área (ARANTES-BRERO, 2019). Virgolim (2007, p. 37), ressalta que se o estudante encontra um ambiente onde “lhe for dada a oportunidade de fazer escolhas significativas sobre sua própria aprendizagem, de explorar livremente, manipular uma ampla variedade de materiais e receber estímulos variados, terá uma aprendizagem muito mais efetiva”. Neste sentido, Martins e Chacón (2012, p. 10) reforçam que “estudantes com características de AH/SD necessitam de apoio para desenvolver suas potencialidades, o que exige o oferecimento de oportunidades para expressar e aprimorar as habilidades”. Considerando a relevância da temática, a importância da identificação, do conhecimento de suas áreas de interesses e do papel do projeto de extensão frente a essa população, em consonância com a Perspectiva da Educação Inclusiva, poderá assumir suas responsabilidades de prover uma complementação/suplementação cada vez mais responsiva e colaborativa aos indivíduos com indicativos com AH/SD. RESULTADOS E DISCUSSÕES O projeto de extensão “Da identificação de estudantes com indicadores de superdotação e suas áreas de interesses ao enriquecimento curricular: uma proposta interdisciplinar” teve início no ano de 2012 e encontra-se vinculado às ações do Laboratório de Tecnologias para o Desenvolvimento e Inclusão de Pessoas (LaTeDIP), coordenado pela professora Vera Lúcia Messias Fialho Capellini. Durante os 11 anos de projeto, as professoras do departamento de Psicologia da Unesp Bauru, Olga Maria Piazentin Rolim Rodrigues, Sandra Leal Calais e Taís Chiodelli, também contribuíram com o projeto, especialmente, nas atividades de identificação das crianças e adolescentes. As solicitações de avaliação são realizadas por e-mail pelos pais ou pela escola e, na sequência, é agendada uma entrevista inicial com os pais para coleta de informações iniciais da criança – dados sociodemográficos e questões para identificação da demanda. Após este momento, a criança ou adolescente entra na lista de espera sendo chamada(o) para avaliação na medida em que há voluntários disponíveis para tal. As avaliações iniciam-se pela coleta de informações e aplicação de instrumentos com os pais, depois com a criança. Os professores participam de forma remota. Um relatório é gerado ao final das avaliações e compartilhado com os pais e a escola, no qual são apontados: resultados gerais dos instrumentos aplicados, as habilidades potenciais da criança e os encaminhamentos possíveis para o estudante identificado com AH/SD. A equipe recomenda a reavaliação do estudante após um ano de participação em programas de enriquecimento e atendimento educacional especializado. As orientações gerais dadas aos pais e à comunidade escolar são norteadas pelas diretrizes operacionais instituídas pela Resolução n. 4, Art. 7 (BRASIL 2009), com ênfase para a participação em enriquecimento curricular. Uma sessão de devolutiva também é realizada com a criança/adolescente avaliado. Nos últimos cinco anos (2018 a 2022) foram avaliadas 87 crianças e adolescentes, destes 48 finalizaram todas as avaliações, os demais desistiram, tiveram seus casos arquivados ou encontram-se em processo de finalização da avaliação. Das 48 crianças e adolescentes, 21 (43,7%) foram avaliadas em 2018, 5 (10,4%) em 2019, 9 (18,7%) em 2020, 12 (25%) em 2021 e, em 2022, uma (2,3%) finalizou o acompanhamento. Destaca- se que no ano de 2023 14 crianças estão em acompanhamento e 25 em processo de finalização e elaboração de relatório. Quanto aos resultados das avaliações, das 48 crianças e adolescentes, 35 (72,9%) confirmaram a identificação de AH/SD, 9 (18,7%) não confirmaram, e 4 (8,3%) apresentaram resultado indefinido com recomendação de nova avaliação, especialmente para identificação de dupla excepcionalidade, como autismo e AH/SD. Trinta e uma crianças e adolescentes (64,5%) disponibilizaram informações sobre a escola, destas 14 (45,2%) estudavam em escola pública da rede municipal ou estadual de ensino, e 17 (54,8%) estudavam na rede particular de ensino. No período de 2018 a 2022, 31 voluntários estiveram envolvidos na avaliação. CONSIDERAÇÕES FINAIS A identificação/confirmação de crianças e adolescentes com AH/SD possibilita a inserção do estudante em programas de enriquecimento curricular e a garantia de seus direitos ao atendimento especializado. Além disso, possibilita que as famílias sejam orientadas e atendidas em suas necessidades, constituindo-se, também, como uma oportunidade para que estudantes da graduação e pós-graduação aprendam e desenvolvam habilidades direcionadas ao acompanhamento deste público. REFERÊNCIAS ARANTES-BRERO, D. R. B.; BERGAMIN, A. C. CUNHA, A. M. T.; VIVIANI, R.; CUNHA, V. A. B.; CAPELLINI, V. L. M. F. Família e gestão democrática no contexto de uma educação especial inclusiva. InFor – Inovação e Formação, v. 5, p. 102- 118, 2019. BRASIL. Diretrizes Operacionais para o Atendimento Educacional Especializado na Educação Básica, modalidade Educação Especial. Brasília: CNE/CEB, 2009. MARTINS, B. A.; CHACON, M. Identificação de características de altas habilidades/superdotação apresentadas por alunos matriculados em escolas de ensino regular. Trabalho apresentado no IX ANPED Sul. Caxias do Sul, UCS, 2012. Disponível em: . Acesso em: 30 mai. 2023. NAKANO, Tatiana de Cássia. Tiah/s - Triagem de Indicadores de Altas Habilidades/Superdotação. São Paulo: Vetor. 2021. VIRGOLIM, A. M. R. Altas Habilidades/Superdotação: encorajando potenciais. Brasília, DF: MEC, SEESP, 2007. CARTOGRAFIA DAS PRODUÇÕES SUBJETIVAS SURDAS NA EDUCAÇÃO INCLUSIVA E SUAS CONTRA-CONDUTAS Eixo Temático 4: Práticas Inclusivas na Educação Básica e Ensino Superior Luísa Leôncio Monti1 Vanessa Regina de Oliveira Martins2 INTRODUÇÃO A inclusão como imperativo de um Estado neoliberal opera sob um viés de perversidade, uma vez que democratiza o espaço da escola, mas não oferece a possibilidade de que diferentes sujeitos nela permaneçam. Portanto, nomeamo-la de in/exclusão – como a definição concebida por Lopes (2007) – para pensar as várias formas de inclusão, no qual inclusão e exclusão são efeitos de consequências desta racionalidade neoliberal. Dada a atual conjuntura da inclusão no país e os déficits na implementação dos direitos educacionais dos surdos (CARNEIRO, 2016; PLETSCH, 2009), vemos funcionar ações cotidianas que se colocam como violências contra esses sujeitos no ambiente escolar, constituindo de forma particular marcas em seus processos de subjetivação. Os encontros com os signos de violência que atravessam as vidas surdas e as constituem de forma particular são experiências que os atravessam como ser surdo3 e (de)formam suas experiências escolares. O modo de ser estar surdo no mundo é constituído também na escola, assim como seus movimentos sociais. Mas, devido à falta de práticas educativas e adaptações necessárias ao atendimento 1 Mestra em Educação Escolar pela UNESP/FCLAr e doutoranda em Educação Especial pela UFSCar. Pesquisadora bolsista com financiamento da CAPES. E-mail: luisamonti@gmail.com. Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/3519999475085077. 2 Pós-doutoranda em Educação pela Universidade do Vale do Rio dos Sinos (UNISINOS). Doutora em Educação UNICAMP. Docente e pesquisadora da Universidade Federal de SãoCarlos (UFSCar). E- mail: vanessamartins@ufscar.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/4768682330164550. Pesquisa de pós-doutorado com financiamento do CNPQ, Processo n° 101801/2022-0. 3 Ser surdo é um termo desenvolvido por Lopes e Veiga-Neto (2006), no sentido de ser compreendido como língua, relação de visualidade, noção de luta, arte, e poesia, entre outros marcadores culturais surdos, fundados na alteridade de ser surdo. mailto:luisamonti@gmail.com https://wwws.cnpq.br/cvlattesweb/PKG_MENU.menu?f_cod=DDF2E4FEFE8598A2E9CC74921FF8A857 mailto:vanessamartins@ufscar.br http://lattes.cnpq.br/4768682330164550 mínimo e humano – além do que se está como direito em lei – ao aluno surdo, este se subjetiva por meio de violências cotidianas. Para compreender esta violência, utilizamos o termo microfascismos (GALLO, 2009), que seriam violências moleculares que se estendem rizomaticamente pela teia social e estão cristalizadas nas relações de casal, irmãos, pais e filhos, nas relações pedagógicas, entre outras, podendo ser entendidas como relações compulsórias e agressivas sobre o outro e seu modo de vida. A relevância deste estudo se encontra na representatividade desses jovens surdos, dando importância às suas escolaridades, possibilitando a construção de políticas públicas que aprimorem a perspectiva da inclusão de surdos no ensino público comum com base em suas diferenças. Nesta perspectiva, tem-se a tese: as violências simbólicas são manifestadas nas políticas inclusivas, pela lógica normativa acionada na classificação e categorização dos corpos deficientes e de seus afetos. O objetivo do projeto se delineia em cartografar as práticas de violência simbólica em contexto inclusivo com alunos/corpos surdos e os impactos dela na constituição subjetiva e no ethos4 surdo, marcando nele as ações das linhas de fuga produzidas por práticas de resistências5. Tem-se como objetivos específicos: a) Analisar e construir o conceito de violência, a partir da analítica da filosofia da diferença; b) Produzir uma analítica cartográfica sobre as práticas de inclusão e os processos da díade inclusão e exclusão e c) Analisar as práticas escolares por meio das narrativas e vivências de sujeitos surdos, observando as violências simbólicas (de diferentes ethos surdos) e identificando modos de resistência. METODOLOGIA O procedimento metodológico adotado foi o cartográfico, pensado por Gilles Deleuze e Félix Guattari (1995; 1975). A coleta de dados no método cartográfico requer a imersão em um território a partir de anotações, movimentos, consultas 4 Ethos denota o pertencimento de um sujeito de acordo com sua maneira de pensar e agir em grupo. Certa maneira de se apresentar perante os outros. 5 O termo resistência em Foucault carrega a noção de um indivíduo que conseguiu, de maneira singular, “escapar” aos dispositivos de classificação e normalização do discurso, mas sempre atrelado à transgressão (REVEL, 2005). bibliográficas e outros. Envolve a movimentação no campo de estudo e a experimentação estética e política. O exercício do pesquisador cartógrafo é acompanhar o traçado de forças (linhas) que compõem “agenciamentos singulares” que marcam os processos subjetivos: uso do conhecimento do espaço para pensar as linhas de territorialização dos sujeitos. Participam da pesquisa dois alunos, dos quais vamos nos referir como vidas- poema. Com o intuito de preservar suas identidades, forma nomeados A e G. A primeira vida, ‘A’, é menina, tem 16 anos e está no 1º ano do Ensino Médio. Por conta de uma doença degenerativa não especificada, ela já perdeu a audição completa do ouvido esquerdo e tem audição parcial do ouvido direito, no qual ela utiliza aparelho auditivo. Ela não tem domínio da libras; não sinaliza, se comunica em português. Seus pais são ouvintes e não sabem libras. ‘G’, um menino de 20 anos, está no 2º ano do Ensino Médio. É surdo profundo, tem nanismo e uma má formação dos membros superiores e inferiores – é cadeirante –, o que dificulta o pleno uso da Libras, ainda que tenha fluência na língua. Sua mãe sabe libras, enquanto seu irmão e irmã sabem muito pouco. A coleta de dados aconteceu em duas frentes: observações na escola, com entradas em um diário de campo e uma entrevista semiestruturada. Para a observação do campo, foi realizado o levantamento de elementos visuais, discursivos e o registro das experiências. As observações das salas de aula dos participantes aconteceram em 10 dias/sessões. Enquanto as entrevistas foram realizadas em duas sessões individuais, uma com cada vida-poema. Para a análise de dados, serão analisadas as relações entre as ‘palavras e as coisas’, os enunciados discursivos e seus efeitos práticos nas relações de saber e poder que produzem modos de subjetivação dos sujeitos entrevistados. E, por fim, compreender, finalmente, de que forma as escolhas e experiências sobre suas escolarizações afetam/afetaram a constituição de suas subjetividades. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA No que tange “o modo de fazer”, nosso ensejo é o de cartografar o território surdo circunscrito na escola regular. Para tanto, o método cartográfico imaginado por Sueli Rolnik, Félix Guattari e Gilles Deleuze nos ajuda a detectar a paisagem, seus acidentes e, sincronicamente, criar vias de passagem por meio deles. Sobre delineamento dos processos de subjetivação, compusemo-los numa perspectiva da filosofia da diferença, com base na afirmação da ontologia da surdez (compreendendo-a como composição de um sujeito que se produz dentro da relação de visualidade). Alguns dos autores que nos ajudam a fazer este movimento, principalmente no que diz respeito aos processos de subjetivação são Michel Foucault, Félix Guattari e Gilles Deleuze. Nos apoiamos também nos escritos de Pedro Pagni, sobretudo em seus estudos acerca da ontologia da deficiência, constituição do ethos deficiente e da sujeição pela deficiência. Para construir o conceito de signos de violência nos processos de subjetivação – as marcas produzidas no ethos – e os signos que são potentes à formação do ser, pensamos com ajuda de Gilles Deleuze e Félix Guattari. RESULTADOS E DISCUSSÕES A ideia é produzir, a partir da cartografia, mapas que os ajudem a olhar o movimento destas vidas na escola, tensionando o movimento da inclusão, tanto na produção deste ethos surdo e, ao mesmo tempo, observando como este ethos age e produz, consequentemente, ações de resistência. Além disto, espero ser possível observar marcas de outras violências e a produção de ethos únicos. Como por meio do ser mulher, ser preto, ser pobre, ser lgbtqiapn+, entre outros. Nossa hipótese para este ponto é a de que não somente o ethos surdo constitui estes sujeitos na diferença. Talvez, outras marcas ou características os violentem de maneira mais importante. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esperamos ser possível perceber as relações de saber/poder no campo educacional inclusivo, por meio das produções de verdades e as práticas de constituição dos sujeitos surdos. Para avançarmos nas discussões sobre os modos de fazer a educação pelas diferenças é importante compreender qual a realidade que os discursos vigentes no contexto escolar têm produzido e como isso impacta e produz as relações subjetivas. Pretende-se encontrar as linhas molares, moleculares e as linhas de fuga que compõem o território surdo na educação da escola inclusiva, no ensino comum. REFERÊNCIAS CARNEIRO, Relma Urel Carbone. Educação Especial e a inclusão escolar: desafios da escola contemporânea. Cadernos de Pesquisa em Educação, n. 43, p. 72-87, 2016. Disponível em: https://doi.org/10.22535/cpe.v0i43.14309 Acesso em: 08 nov. 2019. DELEUZE, Gilles.; GUATTARI, Félix. Kafka, pour une littérature mineure. Paris: Les Éditions de minuit, 1975. DELEUZE, Gilles.; GUATTARI, Félix. Mil Platôs: Capitalismoe esquizofrenia. v. 1. Rio de Janeiro: Editora 34 Letras, 1995. GALLO, Silvio. Uma apresentação: diferenças e educação; governamento e resistência. In: LOPES, Maura Corcini; HATTGE, Morgana Domêninca. (Orgs.). Inclusão Escolar: Conjunto de práticas que governam. Belo Horizonte: Autêntica, 2009, p. 7-12. LOPES, Maura Corcini Inclusão escolar: currículo, diferença e identidade. In: LOPES, Maura Corcini; DAL’IGNA, Maria Cláudia. (Org.). In/Exclusão nas tramas da escola. Canoas: ULBRA, 2007, p. 11-34. LOPES, Maura Corcini; VEIGA-NETO, Alfredo. Marcadores culturais surdos: quando eles se constituem no espaço escolar. Perspectiva, Florianópolis, v. 24, n. especial, Jul./Dez., p. 81-100, 2006. Disponível em: https://doi.org/10.5007/%25x Acesso em: 06 de dez. 2022. PLETSCH, Márcia Denise. A formação de professores para a educação inclusiva: legislação, diretrizes políticas e resultados de pesquisas. Educar, Curitiba, n. 33, p. 143-156, 2009. Disponível em: https://doi.org/10.1590/S0104-40602009000100010 Acesso em: 08 nov. 2019. REVEL, Judith. Michel Foucault: conceitos essenciais. Trad. Maria do Rosário Gregolin, Nilton Milanez, Carlos Piovesani. São Carlos: Claraluz, 2005. https://doi.org/10.5007/%25x DESENHANDO EMOÇÕES: UMA INVESTIGAÇÃO DO DESENHO COMO FERRAMENTA DE APRENDIZAGEM DE ESTUDANTES DENTRO DO TRANSTORNO DO ESPECTRO AUTISTA. Eixo Temático: Eixo 4 - Práticas Inclusivas na Educação Básica e Ensino Superior Roberta Guimarães Busemeyer Lise 1 Elizabeth Regina Streisky de Farias 2 INTRODUÇÃO Este trabalho aborda a inclusão de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) na escola, usando a cultura visual e o desenho como ferramentas facilitadoras. Destaca-se a necessidade de uma prática docente dinâmica e reflexiva, juntamente com formação continuada compartilhada entre gestão, equipe escolar, família e serviços de apoio. É importante superar a visão estereotipada do autismo e aplicar conhecimentos interdisciplinares. A abordagem DIR/Floortime enfatiza a individualização das terapias, considerando as necessidades e interesses únicos de cada criança. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência promove práticas pedagógicas inclusivas e interdisciplinares. A cultura visual e o ensino da arte contribuem para uma aprendizagem significativa, enquanto a escola desempenha um papel fundamental na promoção do contato social para alunos autistas. METODOLOGIA A respectiva pesquisa descreve uma pesquisa qualitativa que visa facilitar a inclusão de estudantes com Transtorno do Espectro Autista (TEA) por meio de uma ferramenta pedagógica. A seleção dos participantes será intencional, focando em 1 Pós Graduada em TEA por RHEMA Educação/ Mestranda UNESPAR. E-mail: roberta.lise@estudante.unespar.edu.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/6871257801551909 2 Doutorado em Educação pela Universidade Estadual de Ponta Grossa/ Docente do Mestrado Profissional em Educação Inclusiva – PROFEI. E-mail: elizabeth.farias@ies.unespar.edu.br . Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/8009305295212594 turmas de 6º ano com maior incidência de alunos com TEA. A pesquisa consiste em uma intervenção pedagógica que envolve a implementação de mudanças no processo de aprendizagem dos participantes. A abordagem utilizada se baseia em desenhos narrativos feitos por aproximadamente seis participantes com TEA. A coleta de dados inclui desenhos narrativos dos estudantes, nos quais compartilham suas histórias, e rodas de conversa para obter relatos personalizados. Além disso, a pesquisa utiliza revisão bibliográfica sobre práticas pedagógicas, cultura visual, TEA, inclusão escolar e ensino-aprendizagem. Para validar a pesquisa, utiliza-se a pesquisa-ação, na qual o pesquisador participa ativamente da ação, trabalhando colaborativamente com os participantes. A pesquisa será realizada em um colégio estadual em Araucária- Pr, região metropolitana de Curitiba. A sequência didática proposta visa a regulação emocional dos alunos com TEA em sala de aula, por meio de atividades lúdicas, como rodas de conversa e desenhos. A coleta de dados ocorrerá por meio do registro escrito do comportamento dos estudantes, comentários orais e expressões faciais e corporais. Espera-se que essa pesquisa contribua para o desenvolvimento de propostas pedagógicas mais inclusivas e interdisciplinares, melhorando a regulação emocional e as respostas dos alunos frente a desafios e estímulos sensoriais. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA Costa e Campos (2003) criticam a atuação dos professores no Ensino Fundamental e Médio, argumentando que é necessário refletir e buscar melhorias contínuas na prática docente. No caso do ensino de alunos com TEA, é importante incluí-los, compreendê-los e motivá-los para garantir uma aprendizagem significativa. A formação contínua dos professores deve ser compartilhada com a gestão, equipe escolar, família e serviços de apoio. A pesquisa explora o uso do desenho e da cultura visual como ferramentas facilitadoras para a inclusão de estudantes com TEA no contexto escolar. Reconhecer a individualidade e os desejos dessas crianças é crucial, evitando generalizações baseadas em comportamentos e sintomas. A abordagem DIR/Floortime destaca a individualização nas terapias do TEA, considerando o perfil único de desenvolvimento de cada criança. A Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência promove práticas pedagógicas inclusivas e interdisciplinares, visando acomodações que facilitem a inclusão escolar, social e familiar. O uso de imagens no ensino de arte contribui para uma aprendizagem significativa e multidisciplinar. A escola desempenha um papel fundamental na socialização das crianças com TEA. Ensinar alunos autistas que não dominam a linguagem oral e escrita requer modificações no processo de ensino, e o desenho pode ser uma ferramenta eficaz para o autoconhecimento, a expressão de sentimentos e a comunicação. O estudo conclui que a abordagem multidisciplinar, aliada ao ensino da arte, pode facilitar o acesso a uma aprendizagem significativa. A inclusão de crianças com TEA no contexto escolar é essencial para promover a igualdade de oportunidades e a socialização de todos os alunos. RESULTADOS E DISCUSSÕES Esta pesquisa busca compreender o uso do desenho como ferramenta para o desenvolvimento de estudantes com TEA no ambiente escolar. A proposta é utilizar o desenho para expressar emoções, especialmente para alunos com dificuldades na linguagem escrita. Com base no Projeto Político Pedagógico da escola, serão criadas estratégias para a regulação emocional e uma melhor aprendizagem dos estudantes. Será desenvolvido um e-book como produto educacional, contendo as principais estratégias, e cada aluno do sexto ano da Escola Estadual Cecília Meireles, em Araucária - PR, será incentivado a visualmente expressar suas emoções. O e-book será utilizado como uma ferramenta facilitadora da inclusão de estudantes com TEA, promovendo o diálogo e colaboração entre os professores. O uso do desenho como linguagem visual permitirá identificar desconfortos sensoriais, frustrações ou imprevisibilidades que possam dificultar a rotina escolar. Essa abordagem auxiliará no desenvolvimento de habilidades de elaboração de ideias e autocontrole comportamental, contribuindo para a resolução de problemas e adaptando-se às necessidades emocionais e cognitivas dos alunos no espectro autista. CONSIDERAÇÕES FINAIS Esta pesquisa busca compreender o uso do desenho como ferramenta para o desenvolvimento de estudantes com TEA no ambiente escolar. A proposta é utilizar cores para expressar estados emocionais, especialmente para alunos com dificuldades na linguagem escrita. Com base no Projeto Político Pedagógico da escola, serão criadas estratégiaspara a regulação emocional e melhor aprendizagem dos estudantes. Será desenvolvido um e-book como produto educacional, contendo as principais estratégias, e cada aluno dos sextos anos da escola será incentivado a visualmente expressar suas emoções. O e-book será utilizado como uma ferramenta facilitadora da inclusão de estudantes com TEA, promovendo o diálogo e colaboração entre os professores. O uso do desenho como linguagem visual permitirá expressar sentimentos e desejos por meio de imagens, ajudando a identificar desconfortos sensoriais, frustrações ou imprevisibilidades que possam dificultar a rotina escolar. Essa abordagem auxiliará no desenvolvimento de habilidades de elaboração de ideias e autocontrole comportamental, contribuindo para a resolução de problemas. Para crianças no espectro autista, que enfrentam desafios na execução de ações planejadas e organizadas, essas habilidades são especialmente difíceis e podem requerer adaptações considerando níveis emocionais e cognitivos adequados. REFERÊNCIAS AINSCOW, M.; PORTER, G.; WANG, M.. Caminhos para as escolas Inclusivas. Lisboa: Instituto de Inovação Educacional, 1997. ARAUCÁRIA. Secretaria Municipal de Educação. Diretrizes Municipais de Educação. Araucária, 2012. COSTA, Fabíola C. B.; CAMPOS, Neide P. Artes visuais e escola: para aprender e ensinar com imagens. Florianópolis; NUP/CED/UFSC, 2003. CRESWELL, John W.. Projeto de pesquisa: métodos qualitativo, quantitativo e misto. Porto Alegre: Artmed, 2007. FERRAZ, Maria Heloísa C. de P.; FUSARI, Maria Felisminda de Rezende e. Arte na educação escolar. São Paulo: Cortez, 1992. (Coleção Magistério 2° grau. Série formação geral). FERRAZ, Maria Heloisa C. de T. e FUSARI, M F R. Metodologia do ensino de arte. São Paulo: Cortez. 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As pesquisas têm apontado a importância do estudo sobre o desenvolvimento moral de escolares com altas capacidades, principalmente, baseando-se no pressuposto de que a moral fica na intersecção entre a cognição e a ação, sendo seu desenvolvimento positivo essencial para o equilíbrio e o bem-estar pessoal e coletivo (ANDREANI; PAGNIN, 1993). O objetivo, nesta etapa da investigação, foi identificar as intervenções usadas para promover o desenvolvimento moral e a inclusão de crianças com altas capacidades. Para 1 Este estudo faz parte do projeto de pesquisa Desenvolvimento moral em crianças com altas capacidades: estado de conhecimento de 2010 a 2021, financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia- FAPESB, Edital nº 01/2022/PRPGI/IFBA de 09 de março de 2022. 2 Graduando em Engenharia Elétrica do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia- IFBA, Bolsista PIBIC FAPESB/2022. E-mail: roneibce@hotmail.com.Currículo Lattes: https://lattes.cnpq.br/9229312904244722. 3 Doutora em Educação Especial e docente do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia- IFBA- campus Vitória da Conquista. E-mail: josilenesantos@ifba.edu.br. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq.br/5147978033348152. 4 Neste estudo, utiliza-se o termo altas capacidades como equivalente aos termos altas habilidades/ superdotação. A opção pelo uso deste termo deve-se à tradução da expressão High Ability, tal como utilizada em estudos internacionais. mailto:roneibce@hotmail.com https://lattes.cnpq.br/9229312904244722 mailto:josilenesantos@ifba.edu.br http://lattes.cnpq.br/5147978033348152 tanto, realizou-se uma revisão integrativa da literatura, em cinco bases de dados (Periódicos CAPES, Sage Journal, Eric, PsycInfo e a LILACS). Sabe-se que o mapeamento da literatura científica sobre as intervenções utilizadas visando às práticas inclusivas de escolares com altas capacidades não tem só relevância científica, mas também social, uma vez que pode levar a realização de novas investigações científicas e ainda proporcionar a elaboração de programas de desenvolvimento socioemocional para os educandos com altas capacidades. METODOLOGIA Utilizou-se como procedimento metodológico a revisão integrativa da literatura. Este método consiste em uma síntese do conhecimento que reúne a aplicabilidade de resultados de estudos significativos na prática (DE SOUZA; DA SILVA; DE CARVALHO, 2010). A busca foi realizada em cinco bases eletrônicas no recorte temporal 2002 a 2022. A estratégia de busca foi a avançada com o operador booleano AND, palavras-chave e suas respectivas traduções (inglês, espanhol): superdotação/altas habilidades/dotação/talento; desenvolvimento moral; crianças superdotadas/talentosas. Foram selecionados artigos com base em critérios de inclusão (periódico revisado por pares; idioma inglês, espanhol e português; disponibilidade integral do texto; investigações empíricas) e exclusão (não abordam o tema; indisponibilidade do texto integral; duplicidade de publicações; artigos teóricos). Os dados foram analisados por meio de estatística descritiva e pela análise temática (BARDIN, 2017). FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA A moral deve ser vista como um conjunto de diretrizes básicas para determinar