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Universidade de Brasília Disciplina: Imunologia Professora: Ana Flávia Alves Parente Estudante/Matrícula: Matheus Antônio Martins Corrêa/190035170 Hepatite A: histórico e vacina A Hepatite A é uma infecção viral aguda, causada por um pequeno vírus de RNA, membro da família Picornaviridae e sua transmissão é por meio de via fecal-oral, além de ocorrer em todo o mundo, principalmente em países com reduzidas condições econômicas e sanitárias. Essa infecção é comumente assintomática ou branda na infância e dificilmente há casos que evoluem para falência hepática aguda ou morte. (DE BRITO; SOUTO, 2020, MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005) O histórico dessa infecção remonta o período dos Babilônios, em que há 2500 anos já haviam referências a surtos e epidemias de icterícia sobre esse povo. Além disso, Hipócrates, no século IV a.C., também descreveu quadros de icterícia, apesar de desconhecer o agente que causaria a infecção ou o que geraria a transmissão. Epidemias de icterícia aconteceram ao longo de muitos séculos, em especial em momentos de guerra ou catástrofes humanas, principalmente no período da Idade Média, quando as condições higiênicas eram bem desfavoráveis. Outro exemplo disso foi a Guerra da Secessão Americana (1861-65), quando mais de 40000 soldados dos exércitos do país sofreram com esse tipo de infecção. Ainda, outras epidemias ocorreram durante as duas Guerras Mundiais da primeira metade do Século XX, quando os casos de hepatite durante a Segunda Grande Guerra chegaram a 16 milhões. (PARANÁ; ALMEIDA, 2022) Já com relação ao Brasil, os relatos acerca da história das hepatites, antes do início do século XIX, são escassos, entretanto no museu de Porto Velho - Rondônia, ainda quando funcionava, encontrou-se uma urna funerária produzida pelo povo indígena Aruak, que habitaram essa região há mais de 500 anos. Essa urna pertencia a um dos membros da família Aruak que, do ponto de vista médico, possuía alguns sinais e estigmas de cirrose hepática, como: ascite, umbigo protuso pelo aumento do volume abdominal (hérnia umbilical), ginecomastia e aranhas vasculares, fatores que sugerem ser o primeiro registro sobre a doença de cirrose hepática de provável etiologia viral no Brasil. (DA FONSECA, 2009) Apesar desses longos períodos em que a infecção ocorreu, somente no século XVIII o termo “hepatite” foi introduzido pela primeira vez por Bianchi JB, em um trabalho científico denominado: “Historia hepatica sem Thoria et práxis omnius morborum hepatitis et bílis”, publicado em 1725. Posteriormente, em 1973, oito anos após a descoberta do VHB (Vírus da Hepatite B), Baruch Blumberg, Stephen Feinstone, Albert Kapikian e Robert Purcell visualizaram, por meio de microscopia eletrônica, partículas virais esféricas nas fezes de pacientes portadores de hepatite infecciosa ou hepatite A, na fase aguda da doença. Assim, todos os pacientes que apresentavam tais partículas nas fezes eram testados e demonstraram resposta sorológica para esse antígeno, que de acordo com os autores, esses achados sugeriam a etiologia da Hepatite A. (DA FONSECA, 2009) Dois anos após essa descoberta, reportaram com sucesso a infecção de chimpanzés, quando inoculados com concentrados de fezes pertencentes a pacientes infectados pelo Vírus da Hepatite A (VHA). Nesse período, Krugman S e Cols pesquisaram pela primeira vez anticorpos contra o VHA em amostras de soro estocadas, pertencentes a 20 pacientes com diagnóstico de hepatite aguda tipo A. Dessa forma, utilizando técnicas de imunoaderência e fixação de complemento, os resultados revelaram-se negativos para os anticorpos contra o VHA antes de se alcançar a fase aguda desses 20 pacientes. Entretanto, uma a quatro semanas após o início do quadro clínico, graus de infecção altíssimos foram observados. Após alguns meses de seguimento esse grau foi maior e cinco a dez anos depois aumentaram ainda mais, mas com algumas variações menores. Dessa maneira, a clonagem molecular e o sequenciamento do VHA somente ocorreram após 10 anos da descoberta do agente, o que serviu como o primeiro passo para a produção da vacina contra este vírus. (DA FONSECA, 2009) A partir disso, sabe-se que a primeira vacina anti-hepatite A foi aprovada na Europa em 1991 e nos Estados Unidos, em 1995, além disso, ela está presente na Lista de Medicamentos Essenciais da Organização Mundial de Saúde. Em 2005, a Argentina foi o primeiro país a utilizar uma vacina monovalente de vírus inativado contra o VHA no calendário infantil, por meio de ume esquema de dose única para crianças de 12 meses de idade. Essa alternativa foi um modo de diminuir os custos, além disso essa decisão baseou-se em estudos mostrando elevados títulos de resposta humoral após a primeira dose da vacina. A Organização Mundial da Saúde (OMS), a partir de experiências como essa, recomenda que países com menos recursos financeiros considerem adotar o esquema alternativo de dose única. Já em 2014, o Programa Nacional de Imunização (PNI), do Ministério da Saúde (MS) do Brasil, implantou um programa de vacinação contra hepatite A semelhante ao da Argentina, disponibilizando única dose da vacina monovalente de vírus inativado. Aqui no Brasil, a vacinação iniciou-se no segundo semestre de 2014, quando o alvo eram crianças entre 15 e 24 meses de vida e em 2017, o PNI ampliou a vacinação para crianças com menos de cinco anos de idade, com o objetivo de atingir as crianças que não foram vacinadas no início do programa. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2005) Portanto, a partir do exposto e de acordo com o Calendário Nacional de Vacinação do Ministério da Saúde, entende-se que a vacina contra a Hepatite A utilizada no Brasil possui composição de antígeno do VHA inativado, seu esquema básico é por meio de uma dose, sem a necessidade de reforço e para idade recomendada de 15 meses. Além disso, essa vacina possui um volume de 0,5 ml e sua via de administração é intramuscular. Referência Bibliográfica DA FONSECA, José Carlos Ferraz. Histórico das hepatites virais. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, [s. l.], 25 maio 2009. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rsbmt/a/9bHf8fzjZTdtc8pvZfYfzPv/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 16 set. 2022. DE BRITO, Wagner Izidoro; SOUTO, Francisco José Dutra. Vacinação universal contra hepatite A no Brasil: análise da cobertura vacinal e da incidência cinco anos após a implantação do programa. Revista Brasileira de Epidemiologia, [s. l.], 2020. DOI 10.1590/1980-549720200073. Disponível em: https://www.scielo.br/j/rbepid/a/KhgLqWW78SL4mzwqT3tJHLn/?format=pdf&lang=p t. Acesso em: 16 set. 2022. MINISTÉRIO DA SAÚDE (Brasil). Secretaria de Vigilância em Saúde (org.). A, B, C, D, E de Hepatites para Comunicadores. 1º. ed. [S. l.: s. n.], 2005. ISBN 85-334-1012- 3. PARANÁ, Raymundo; ALMEIDA, Delvone. HISTÓRIA DAS HEPATITES VIRAIS. Dissertação (Doutora em Medicina Interna) - Universidade Federal da Bahia, [S. l.]. Disponível em: https://sbhepatologia.org.br/pdf/historia.pdf. Acesso em: 16 set. 2022.