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CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIFACVEST CURSO DE BIOMEDICINA LEONARDO GABRIEL DE SOUZA VARELA INCIDÊNCIA DE MENINGITE NO ESTADO DE SANTA CATARINA ENTRE OS ANOS DE 2017 A 2021 LAGES - SC 2022 CURSO DE BIOMEDICINA LEONARDO GABRIEL DE SOUZA VARELA INCIDÊNCIA DE MENINGITE NO ESTADO DE SANTA CATARINA ENTRE OS ANOS DE 2017 A 2021 Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário UNIFACVEST como parte dos requisitos para obtenção do grau de Bacharel em Biomedicina. Aluno: Leonardo Gabriel de Souza Varela Orientador: Jader Betsch Ruchel LAGES - SC 2022 LEONARDO GABRIEL DE SOUZA VARELA INCIDÊNCIA DE MENINGITE NO ESTADO DE SANTA CATARINA ENTRE OS ANOS DE 2017 A 2021 Trabalho de conclusão de curso apresentado ao Centro Universitário UNIFACVEST como parte dos requisitos para obtenção do grau de Bacharel em Biomedicina. Aluno: Leonardo Gabriel de Souza Varela Orientador: Jader Betsch Ruchel Lages, SC __/__/2022. Nota ____ ________________________ (data de aprovação) (assinatura do orientador do trabalho) _______________________________________ (coordenador do curso de graduação, nome e assinatura) INCIDÊNCIA DE MENINGITE NO ESTADO DE SANTA CATARINA ENTRE OS ANOS DE 2017 A 2021 Leonardo Gabriel de Souza Varela ¹ Jader Betsch Ruchel ² RESUMO A meningite é uma inflamação que acomete as meninges, a presença de patógenos podem resultar em infecção. Sendo uma enfermidade de grande periculosidade e mortalidade, é de grande importância para a saúde pública. Objetivo: Levantar a incidência de meningite nos anos de 2017 a 2021 no estado de Santa Catarina. Metodologia: foi um estudo retrospectivo, de delineamento transversal, de abordagem quantitativa, em que se analisou os dados disponibilizados na plataforma SINAN sobre a meningite em pacientes acometidos pela doença no estado de Santa Catarina, entre os anos de 2017 a 2021. Resultados: Entre as etiologias da doença, a com maior incidência foram a viral 48%, seguida da bacteriana 30%. Em relação a faixa etária, as mais acometidas foram as populações de 20 a 39 (21,9%), seguido da população de 40 a 59 (17,6%), 1 a 4 (16,5%) e <1 (14,9%). Precauções devem ser tomadas especialmente nas populações mais acometidas pela doença e aos menores de cinco anos de idade, contendo sobretudo, suas causas mais comuns e seus canais de transmissão, para que, assim, haja a diminuição desta patologia que preocupa a saúde pública nacional. Intensificar as campanhas de vacinação é crucial. Palavras-chave: Epidemiologia. Meningite. Saúde Pública. ABSTRACT Meningitis is an inflammation that affects the meninges, and the presence of pathogens can result in infection. As a highly dangerous and deadly disease, it is of great importance to public health. Objective: To survey the incidence of meningitis in the years 2017 to 2021 in the state of Santa Catarina. Methodology: This was a retrospective, cross- sectional study with a quantitative approach that analyzed the data available on the SINAN platform about meningitis in patients affected by the disease in the state of Santa Catarina, between the years 2017 and 2021. Results: Among the etiologies of the disease, the one with the highest incidence was viral 48%, followed by bacterial 30%. Regarding the age range, the most affected were the populations 20 to 39 (21.9%), followed by the population 40 to 59 (17.6%), 1 to 4 (16.5%) and <1 (14.9%). Precautions must be taken especially in the populations most affected by the disease and to minors under five years of age, containing especially, its most common causes and its transmission channels, so that, thus, there is the decrease of this pathology that concerns the national public health. Intensifying vaccination campaigns is crucial. Keywords: Epidemiology. Meningitis. Public Health. ________________________________ ¹ Graduando em Biomedicina pelo Centro Universitário Unifacvest. ² Graduado em Biomedicina pelo Centro Universitário Franciscano (UNIFRA), Mestre e Doutor em Ciências Biológicas (Bioquímica Toxicológica) pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). 4 1. INTRODUÇÃO O Sistema nervoso central (SNC) é formado pelo cérebro e a medula espinal, dos quais, estão envoltos por três membranas, pia-máter, dura-máter e aracnoide. Entre as membranas, está o líquor. Alguns agentes patogênicos, através das vias respiratórias entram no nosso organismo, e após alojamento em nosso corpo, podem chegar à corrente sanguínea e consequentemente encontrar o SNC, se proliferando no líquor encontrado nessa região (BRASIL, 2021). A meningite é uma inflamação que acomete as meninges (superfície que protege a medula espinal e o cérebro), e a presença de patógenos podem resultar em infecção, sendo eles, fungos, parasitas, vírus e bactérias, ou por outros processos que não derivam de uma infecção (BRASIL, 2022). São sintomas comuns: febre, cefaleia, dificuldade respiratória, dores articulares e musculares, letargia, náuseas e vômitos, irritabilidade e recusa alimentar (BRASIL, 2021). No Brasil, em média 40% dos casos registrados são causados pela meningite viral (MV), porém, a que traz maior preocupação devido à sua taxa de mortalidade é a meningite bacteriana (MB), sendo, então, a que necessita de maior acompanhamento epidemiológico. As principais bactérias causadoras da meningite são os Pneumococos e Meningococos (RODRIGUES e MILAGRES, 2015). Possui incidência aproximada de dois casos para cada 100 mil pessoas, acometendo em grande parte as crianças, dessas, em maior número com idade inferior a 5 anos e em período neonatal (SILVA e MEZAROBBA, 2018). Dados obtidos entre os anos de 2003 a 2018 no Brasil, apresentaram 50% dos casos notificados sendo em crianças na faixa etária citada acima (BRASIL, 2019). Em Santa Catarina, a taxa de incidência da meningite é menor comparada a média nacional, porém a população mais acometida também são crianças abaixo dos 5 anos de idade (BRASIL, 2017). Dentre as meningites, a viral é a forma mais frequente, sua transmissão se dá por via fecal-oral ou respiratória. Os principais sintomas são febres, cefaleia, vômitos, irritação meníngorradicular (sinais de Kernig, Laségue, Brudzinski, fotofobia e rigidez nucal), menos frequente artralgia, mialgia, letargia (GONÇALVES, BACELAR e SILVA, 2022). Sendo uma enfermidade de grande periculosidade e mortalidade, é de grande importância para a saúde pública, atentar-se a população mais susceptível e aos patógenos 5 que causam maior acometimento, para que, assim, possíveis medidas sejam tomadas para o controle e tratamento da meningite. 1.1 OBJETIVO GERAL Levantar a incidência de meningite nos anos de 2017 a 2021 no estado de Santa Catarina. 1.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS - Averiguar a incidência de meningite por faixa etária da população, no Estado de Santa Catarina; - Analisar quais os principais patógenos que causam a meningite no Estado de Santa Catarina; - Relacionar as medidas de precauções para o Sars-CoV-2 com o número de casos de meningite. 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA 2.1 MENINGITE A meningite é uma doença de proporção mundial com incidência diferenciada dependendo do local. Tem relação com o clima, características socioeconômicas, formação de aglomerados e propagação de agente etiológico no ambiente (MARTINS et al., 2021). A interesse da Saúde Pública, as meningites infecciosas mais significativas são as transmitidas por vírus e bactérias, devido à grandeza de sua ocorrência e o quão alta é a probabilidade de produzir surtos letais. A meningite é considerada endêmica no Brasil, portanto, são esperados casos da doença aolongo do ano, com surtos e epidemias pontuais. Em 2014, a incidência estadual de meningite geral (excluindo meningocócica) foi de 11,25 casos por 100.000 pessoas (BERTOLINI, MORENO e PICCOLI, 2019). A nível mundial, são divulgados 1,2 milhão de casos de meningite bacteriana, afetando 2 a cada 100 mil pessoas. O número de mortes é relativo, dependendo do país, região, faixa etária e agente etiológico. Pesquisas mostram que para a sua erradicação, tal 6 como seus casos infecciosos mais graves é pertinente somente a imunização (FRASSON et al., 2021). A Portaria de Consolidação nº 4 de 28 de setembro de 2017 estabelece que as a periodicidade de notificação para a doença meningocócica e outras meningites deve ser imediata tendo a Secretaria Municipal de Saúde (SMS) e a Secretária Estadual de Saúde (SES) até 24 horas para comunicar a Vigilância Epidemiológica, assim, acionando medidas necessárias para o caso (BRASIL, 2017). Quando provocada por agente com alto grau de patogenicidade, pode ser disseminada de indivíduo para indivíduo, por meio das vias respiratórias, secreções da nasofaringe e gotículas pelo ato de tossir, falar, beijar, através do contato direto ou intimo com as secreções do sistema respiratório da pessoa (MARTINS et al., 2021). Devido à utilização das vacinas Meningo C, Haemophilus influenzae tipo B (Hib) e Pneumococos, houve diminuição acentuada na incidência de casos desde o ano de 2009. Outros fatores auxiliam em um diagnóstico precoce como a quimioprofilaxia, tendem a reduzir a letalidade e prevenir surtos da doença (BRASIL, 2019). O exame que mede a proteína C reativa (PCR) e a cultura, são achados laboratoriais necessários na identificação do agente etiológico, podendo, então, escolher as formas profiláticas de acordo com o tipo de meningite e no mesmo sentido nos casos da doença meningocócica, identificar e classificar o sorotipo, relevante para detectar surtos (MAGALHÃES e SANTOS, 2018). 2.1.1 Etiologia, fisiopatologia e transmissão da meningite bacteriana A etiologia de maior frequência dentre as meningites é a viral, entretanto, a meningite bacteriana representa uma grande preocupação para os sistemas de saúde pela sua alta morbidade e mortalidade se comparado com a meningite viral. Há três principais agentes etiológicos que causam a meningite bacteriana, são eles: Neisseria meningitidis, Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae. Além da proliferação no líquor pode haver a propagação para o sangue causando então bacteremia, podendo também ocorrer a sepse (SILVA, 2018). As bactérias responsáveis pela meningite bacteriana são do tipo gram negativo e colonizam a nasofaringe e orofaringe. A fase aguda inicia após a colonização na nasofaringe, então, ocorre a replicação bacteriana no espaço subaracnóideo, liberando componentes bacterianos que atingirão a porção do endotélio cerebral desencadeando em 7 processos inflamatórios com a liberação de citocinas. Devido ao aumento da permeabilidade vascular há uma mudança na membrana hematoencefálica, ocorrendo um edema vasogênico com inflamação do espaço subaracnóideo e um aumento na resistência do fluxo liquórico. O conjunto dessas alterações causam uma pressão intracraniana, perda de autorregulação cerebrovascular e redução do fluxo cerebral (TEIXEIRA, 2018). A transmissão ocorre por contato direto com as secreções respiratórias como tosse e espirros, ações como beijo e proximidades também favorecem a contaminação, pode ocorrer de forma indireta também, através da contaminação de objetos. O período de transmissibilidade dependerá do desaparecimento do meningococo das secreções da nasofaringe (CARVALHO, 2022). 2.1.2 Etiologia, fisiopatologia e transmissão das meningites virais No Brasil, os principais agentes etiológicos da meningite viral são: enterovírus, arbovírus, vírus da caxumba, arenavírus, HIV 1 e o vírus do sarampo. Dentro os vírus pertencentes ao grupo dos enterovírus, destacam-se os vírus da família Pirconaviridae, polivírus e o coxsackírus dos grupos A e B. Os enterovírus são responsáveis pela maioria dos casos notificados no Brasil, destes, há 7 que podem infectar humanos, provocando condições como: a paralisia infantil (poliovírus), miocardite (coxsackie B3), febre (enterovírus 71, coxsackie A 16, entre outros) e doenças respiratórias que pode ser desencadeada pelos enterovírus 68 e rinovírus (DOS SANTOS, 2022). A meningite viral diferencia-se das demais pela inespecificidade dos sintomas que antecedem os sintomas meníngeos, dentre elas, manifestações gastrointestinais como o vômito e diarreia, manifestações respiratórias como tosse e faringite e ainda mialgia e erupções cutâneas. As ocorrências de meningites virais podem se manifestar por casos isolados, entretanto, não sendo raro o surgimento de surtos (BRASIL, 2019). Caracterizada pelo quadro clínico de alterações neurológicas, na maioria dos casos a meningite viral evolui de forma benigna e possuí quatro síndromes com características específicas que podem afetar o indivíduo, são eles: síndrome infecciosa, síndrome de irritação radicular com sinais meníngeos, síndrome de hipertensão intracraniana e a síndrome encefálica. A síndrome infecciosa, caracteriza-se pela presença da febre ou hipotermia, anorexia e apatia, por sua vez, a síndrome de irritação radicular caracteriza- se pela presença de sintomas como a rigidez na nuca, sinas de Köernig, Brudzinski e Lasègue. A hipertensão intracraniana causa a cefaleia, vômitos não relacionados a 8 alimentação e fundo dos olhos com edemas papilares, e por fim, a síndrome encefalítica caracteriza-se pela sonolência, torpor, agitação e delírio e coma (BRASIL, 2006). As meningites virais são transmitidas de pessoa para pessoa através do contato oral, por gotículas ou aerossóis, por contaminação fecal, no caso dos enterovírus ou por meio de vetores como o mosquito da dengue. Isso ocorre pelo contato próximo, por espirros, tosse, má higienização das mãos após utilizar o banheiro, ao trocar fraldas sujas, entre outros (LIPHAUS, 2018). 2.1.3 Diagnóstico das meningites bacterianas e virais. O diagnóstico laboratorial da meningite bacteriana é feito através do estudo do LCR – Líquido cefalorraquidiano, exame quimiocitológico e a cultura da amostra. Para revelar características da meningite bacteriana, o líquor analisado deve estar com aspecto turvo, cor leitosa, com o índice de glicose abaixo do normal e neutrofilia. A punção lombar e a coleta de sangue para cultura devem ser realizadas antes do início do tratamento. O exame sanguíneo normalmente é realizado para avaliar o quadro geral do paciente, podendo trazer indicativos de elevação nos leucócitos e neutrófilos e a presença de linfócitos atípicos. A cultura de urina também pode trazer informações relevantes, pela visualização de bactérias, sendo efetivo para detectar o microrganismo (CARVALHO, 2022). Assim como a meningite bacteriana, o diagnóstico da meningite viral ocorre principalmente pelo estudo do LCR, onde normalmente são encontradas pleocitose linfocitária, proteínas normais ou pouco alteradas e glicose normal. Também podem ser práticas de diagnóstico das meningites virais os exames de imagem, testes sorológicos, além da realização de PCR amplificando o DNA e RNA encontrados no LCR, tornando- se um dos principais métodos de diagnósticos, principalmente tratando-se do patógeno HSV (vírus do herpes simples), pois as culturas virais podem ser negativas (FILHO, 2019). 2.1.4 Tratamentos das meningites bacteriana e viral. O tratamento das meningites deve começar de imediato, preferencialmente, logo após a punção lombar e a coleta de sangue para hemocultura. A intervenção com antibióticos precisa de associação a outros tipos de práticas terapêuticas, como a reposição de líquidos, por exemplo. O primeiro procedimento é feito deforma empírica, visto que 9 o agente etiológico ainda é desconhecido, portanto, é introduzido com base nos agentes bacterianos que apresentam prevalência nesta comunidade, juntamente com seu perfil de suscetibilidade antimicrobiana, nas mais variadas faixas etárias. Esse método é individualizado e modifica-se de acordo com o agente isolado (BRASIL, 2017). A meningite meningocócica (Neisseria meningitidis) causa grande preocupação devido a sua letalidade. Com progressão veloz, necessita de intervenção urgente utilizando fluidoterapia e antibioticoterapia (ex: ceftriaxona, cefotaxima) podendo melhorar o quadro infeccioso (BRANCO, AMORETTI e TASKER, 2007). Em adultos, por exemplo, para as meningites causadas por enterobactérias (Streptococcus pneumoniae e Haemophilus influenzae) utiliza-se o medicamento ceftriaxone, 4g ao dia, de 12 em 12 horas em um período de 7 a 14 dias, e para a meningite ocasionada por Pseudomonas Moropenem, 6g, de 8 em 8 horas, em um período de 10 a 14 dias. A meningite viral, por sua vez, utiliza-se em grande parte um tratamento de suporte, com avaliação criteriosa e o acompanhamento clínico. Tratamentos específicos são aplicados apenas nas meningites herpéticas, oriundas do HSV 1 e 2 e VZV, com a utilização de aciclovir endovenoso (BRASIL, 2017). 2.2 SINAN Uma vez que o Sistema Único de Saúde foi estabelecido, tivemos a elaboração de variadas ferramentas para o auxílio da saúde pública, que necessita do levantamento de dados de vários sistemas informativos para sua estruturação. Por meio do Decreto 100 de 16/04/1991 elaborou-se a ferramenta mais importante, o DATASUS, em que seus dados servem de apoio para uma sequência de políticas públicas na saúde (LIMA et al., 2015). Foi elaborado em meados dos anos 90, o Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) que apresentou como proposito a coleta e o processo de informações referente a agravos de notificação, abrangendo dados em todo o país, que auxiliarão o poder público a nível federal, estadual e municipal a tomar medidas contra comorbidades que afetam a população (AGUIAR et al., 2022). É maleável aos níveis governamentais, permitindo que cada um acrescente os agravos e doenças que possuem importância regional. As notificações são realizadas por profissionais que atuam nos diversos níveis do sistema de saúde, do Ministério da Saúde as unidades básicas de saúde (UBS), permitindo o acompanhamento de ocorrências de relevância como o seu período de distribuição (ROCHA e PINHEIRO, 2020). 10 Para a tabulação dos dados procedentes do SUS em um método simples e eficaz, criou-se em formato Data Base file (DBF) tabuladores de arquivos utilizados em múltiplos programas que utilizam bancos de dados, permitindo escolher o programa ideal para cada banco elaborado, facilitando cruzar essas informações, tendo uma melhor análise do local avaliado e, consequentemente, ações mais competentes podem ser ministradas (MORAES e COSTA, 2014). Para contemplar este objetivo, criou-se o TabNet, um tabulador online que produz tabelas e fornece mapas e gráficos através do local de cobertura e período. Qualquer indivíduo pode acessar as informações contidas nessa ferramenta, através das bases de dados do Sinan-TB e de outros agravos e doenças (ROCHA e PINHEIRO, 2020). 2.3 SANTA CATARINA O Estado de Santa Catarina é uma das 27 unidades federativas do Brasil, situado na região Sul, fazendo divisa com os Estados do Paraná ao norte, Rio Grande do Sul ao sul, fronteira com a Argentina ao Oeste e 450 km de costa oceânica com o atlântico. Possui 295 municípios distribuídos em sua extensão de 95.730,921 km². Dados do IBGE no ano de 2018, estimou uma população de 7.075.494, destes, 84% residentes de áreas urbanas (SANTA CATARINA, 2019). A Figura 1 apresenta a população Catarinense segundo a idade e sexo. Pode-se observar um estreitamento da base, mostrando um aumento na quantidade de pessoas com idades mais avançadas, seguindo projeção da pirâmide nacional. Figura 1. Distribuição da população por sexo, segundo os grupos de idade de Santa Catarina no ano de 2018. Fonte: IBGE, 2018. 11 3. MATERIAL E MÉTODOS É um estudo retrospectivo, de delineamento transversal, de abordagem quantitativa, em que analisará os dados disponibilizados na plataforma SINAN sobre a meningite em pacientes acometidos pela doença no estado de Santa Catarina, entre os anos de 2017 a 2021. Referencial bibliográfico com base em estudos disponíveis nas plataformas digitais PubMed, SciELO e Google Acadêmico, utilizando as palavras DATASUS, meningite, perfil epidemiológico, entre os anos de 2012 a 2022, e tabulação de dados da Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE). Por se tratar de dados públicos, com acesso através da plataforma SINAN, não houve a necessidade de apresentação ao comitê de ética, por não haver envolvimento direto com nenhuma pessoa. 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO Entre os anos de 2017 a 2021 no estado de Santa Catarina, foram notificados 3.609 casos de meningite. Dentre os anos abordados, o de 2017 demonstrou a maior incidência de casos, com 1.009 casos, representando aproximadamente 28% dos casos notificados para o período selecionado. Já o ano com o menor número de notificações foi o de 2021 com cerca de 351 casos ou 9,69% do total de casos. A seguir, a Tabela 1 informando o número total de casos de meningite por ano. Tabela 1. Número total de casos de meningite no estudo de Santa Catarina de 2017 a 2021. Ano Total de casos 2017 1009 2018 891 2019 977 2020 381 2021 351 Fonte: Adaptado de BRASIL, 2022. Nos anos de 2020 e 2021, notou-se significante queda no número de diagnósticos de meningite em relação aos anos anteriores, esse fato pode estar relacionado a pandemia de coronavírus. A pandemia levou a uma série de restrições para conter a circulação da 12 população e consequentemente, do vírus Sars-CoV-2. Partindo do princípio da alta transmissibilidade da doença, do grande número de contaminados, altas taxas de mortalidade relacionadas ao então desconhecimento do vírus, a população tornou-se receosa em procurar os serviços de atendimento médico, com medo de uma possível contaminação e pelo fato dos serviços de saúde estarem em situação caótica. Portanto, além da diminuição da procura por atendimento, levando a uma redução no número de diagnósticos, o isolamento social que tinha por objetivo frear a propagação do vírus causador da Covid-19 acabou impactando na propagação da meningite (PSCHICHHOLZ, 2022). Cabe ressaltar também a importância da vacinação para meningite meningocócica ACWY, através do Programa Nacional de Imunizações (PNI), disponível para adolescentes desde de 2017, incluída no calendário de vacinação no ano de 2020, para adolescentes de 11 e 12 anos, colaborando para redução de possíveis agravos da patologia, sendo fator decisivo para redução dos casos (AGUIAR, 2022; BRASIL, 2022). A vacinação é um fator crucial ao se falar em prevenção. O PNI fornece a população algumas vacinas para tipos específicos de meningites (Pneumocócica, Meningo C, Haemophilus B, BCG). Para a doença meningocócica, está disponível com indicação de três doses, para crianças a partir dos três meses de idade até menores de cinco anos, a vacina conjugada meningocócica C, estando a mesma disponível até fevereiro de 2023 para trabalhadores da saúde e crianças e adolescentes não vacinados até os 10 anos de idade (BRASIL, 2022). Analisando o número de casos por ano segundo a etiologia, dos 3609 casos, 9 não tiveram a sua etiologia notificada. Percebe-se uma estabilidade entre os anos de 2017 a 2019 em todas as etiologias, havendo queda evidente nos anos sequentes (2020 e 2021). O percentual médio de cada meningite para os cinco anos estudados indicou a viral com o total de 48% (n=1722),bacteriana 30% (n=1076), não especificada 15% (n=546) e de outra etiologia com 7% (n=256). Em todos os anos observados neste estudo, a meningite viral se mostrou predominante atingindo seu pico no ano de 2019 com 53% dos casos confirmados (n=518), a meningite bacteriana se manteve como segunda maior causa de casos em todos estes anos, alcançando seu pico em 2017 com 32% dos casos (n=323), seguidas da meningite não especificada tendo seu ápice no ano de 2017 com 16% (n=171), e por fim as meningites de outra etiologia com maior número de casos no ano de 2019 de 6% (n=62), como mostra a Figura 2. 13 Figura 2. Casos de meningite segundo a etiologia nos anos de 2017 a 2021. Fonte: Adaptado de SINAN, 2022. O estudo realizado por Aguiar e colabores (2022), que verificou o perfil epidemiológico da meningite a nível nacional nos anos de 2021 e 2022, indicou a meningite viral com 42% dos casos, a bacteriana com 31%, a não especificada com 21% e a de outras etiologias com 5%, valores bem similares com os apresentados neste estudo. O perfil epidemiológico mensurado por Mendes (2022) e colaboradores analisou de 2010 a 2020 a meningite no estado do Paraná, onde apresentou 54% dos casos de meningite viral, 31% de bacteriana, 10% de não especificada e 5% de outras etiologias. Comparando o presente estudo, observa-se similaridade na ordem de incidência, com oscilação de 6% na meningite viral para mais no estudo de Mendes e 5% a menos na meningite não especificada. Em comparação com outro estado do sul do Brasil, o Rio Grande do Sul, a pesquisa realizada por Santos (2019) que abrange os anos de 2007 a 2019, mostrou como principal agente etiológico, a meningite não especificada com 33%, seguida da meningite viral com 32% dos casos, bacteriana com 28% dos casos e pôr fim a de outras etiologias com 7% dos casos relatados, mostrando resultados similares ao presente estudo e estudos supracitados em que revelam a viral como principal agente etiológico. Comparando com um estado de outra região do Brasil o Piauí nos anos de 2011 a 2020, a pesquisa de Silva e colaboradores (2022) mostrou também a viral como principal causa com 43,66%, seguida da não especificada 27,47%, bacteriana 22% e de outras etiologias com 7% dos casos. Estudo do qual, mostrou-se similaridade com os resultados apresentados neste estudo. 0 100 200 300 400 500 600 2017 2018 2019 2020 2021 N º d e ca so s Viral Bacteriana Não específicada Outra etiologia 14 A meningite viral se propaga rapidamente devido ao seu meio de contagio ser as vias respiratórias, o que consequentemente torna sua taxa de transmissão maior que a bacteriana, tendo então um número maior de casos da etiologia viral (SILVA e MEZAROBBA, 2018). Do percentual total dos casos, 15% são de meningite não especificada, sendo um número expressivo. Podem ser relacionados de subnotificação, de quadros de meningite que não foram lançados no SINAN ou assim que lançados, indicados de forma inconclusiva ou incompreensiva pelo profissional da saúde, que desconhece a necessidade e os métodos fundamentais para informar a notificação (BRASIL, 2022). A meningite é classificada como não especificada na impossibilidade de conclusão do possível patógeno (viral ou bacteriano) ainda que se tenha o valor do quimiocitológico do líquor. As manifestações clínicas sugestivas de meningite e/ou apenas celularidade modificada (no entanto, abaixo de 4.000 células) sem análise do quimiocitológico como: a quantia de glicose e proteína e o percentual de células (BRASIL, 2001). As meningites de outras etiologias são ocasionadas por protozoários, fungos e outras causas (BRASIL, 2017). Destaca-se os protozoários: Angiostrongylus, Cysticercus, Schistosoma e Toxocara, como principais patógenos das meningites eosinofílicas. O Angyostrongylus cantonensis são parasitas detectados habitualmente em roedores, tendo as larvas liberadas através das fezes, estas consumidas pelo Caramujo Africano Gigante transmitindo aos seres humanos através do consumo ou contato com o muco infectado destes moluscos gastrópodes (CUNHA et al., 2017). Os principais patógenos da meningite fúngica são: Cryptococcus neofarmans, Coccidioides immitis, Aspergillus spp, Candida albicans, Blatomyces, Mucor spp. e Histoplasma capsulatum. Geralmente surge através de contaminação oportunista ou ocorrer em pessoas imunocomprometidos. Sua contaminação se deve a inalação de formas leveduriformes presentes em matéria orgânica com concentração estável, proveniente de aves, poeira, madeiras em decomposição dentre outros (BRASIL, 2021). Destaca-se a alta letalidade das meningites bacterianas comparadas as virais, sobretudo a meningite meningocócica com letalidade média de 20% no estado de Santa Catarina. Em relação as meningites virais, a média é de 2% (BRASIL, 2022). Com relação a faixa etária, o maior número de casos para o ano de 2017 foi de crianças entre 1 a 4 anos de idade com percentual de 22% (n=222), seguido pelos adultos jovens 21,3% (n=215), a menor prevalência de casos ocorreu com a população idosa com 15 idade superior aos 60 anos de idade, com 6,9% dos casos (n=70). Nos anos de 2018, 2019 e 2021 a população mais acometida foi a de faixa etária entre 20 a 39 com 21,7% dos casos (n=194), 21% (n=206) e 28,2% (n=99) respectivamente e por fim no ano de 2020 a população mais acometida foi a crianças abaixo de 1 ano de idade com porcentagem de 22,8% (n=87). Obtendo a média dos cinco anos, o maior percentual continua com a população de idade entre 20 a 39 com 21,9% (n=793), seguido da faixa etária de 40 a 59 anos 17,6% (n=637), de 1 a 4 anos 16,48% (n=595), menores de um ano de idade com 14,9% (n=541), 5 a 9 anos com 10,4% (n=376), população acima dos 60 anos com 9,33% (n=337) e por fim 9,14% dos casos entre as pessoas de 10 a 19 anos(n=330). Figura 3. Casos de meningite segundo a faixa etária nos anos de 2017 a 2021. Fonte: Adaptado de SINAN, 2022. Estudos realizados em diferentes locais do país, indicam a faixa etária de 20 a 39 anos sendo a mais acometida pela meningite, sendo eles o estudo realizado por Silva Filho, Rodrigues e Brasileiro (2020) no estado de Goiás com 25,1% entre 2010 a 2019 e Silva e colaboradores indicando 27,8% dos casos no estado do Piauí nos anos de 2011 a 2020, Nunes et al. de 2010 a 2020 no estado do Pará. O estudo realizado a nível nacional nos anos de pandemia do vírus da SARS-CoV-2 realizado por Aguiar et al. (2022) mostrou esta mesma população sendo a mais acometida com 22,3% dos casos seguido pelos indivíduos com faixa etária inferior a um ano de idade 22,2% dos casos. Para Rodrigues (2015) e Brito (2019), o número maior de casos confirmados na população adulta deve ser elucidado pela razão de que a vacinação para a meningite acontece na infância da população, tendo o seu fim de imunização no início da fase adulta. 0 50 100 150 200 250 <1 1 a 4 5 a 9 10 a 19 20-39 40-59 60+ N º d e ca so s 2017 2018 2019 2020 2021 16 Brito e colaboradores (2019) ressalta também que devido à população com idade entre 20 e 39 estarem mais susceptíveis a exposição do que a população infantil e idoso, seja por meio do ambiente de trabalho, transportes públicos e vida social mais ativa, estão propensas a infecção. Em contraparte um estudo realizado no estado do Paraná por Mendes (2022) apontou como faixa etária mais acometida de 1 a 4 anos de idade com o total de 20,4% do número total de casos em um período de 10 anos. Seguindo a mesma situação Dazzi et al. (2014) e Pobb et al. (2015), apontam a população supracitada como a mais acometida pela infecção em crianças com idade inferior a um ano de idade. A meningite tem probabilidade de acometer com maior frequência a população mais jovem (crianças abaixo dos 5 anos de idade), constituindo esta suscetibilidade da patologia a imunidade biológica,pois, posteriormente a amamentação materna, é normal que a imunidade que passa da mãe ao filho diminui, comprometendo a capacidade do corpo de sinalizar a patologias infectocontagiosa em tempo adequado e com mais veemência (CRUZ et al., 2020). As condições imunológicas podem ser consideradas um dos fatores facilitadores para o acometimento da meningite. Neste sentido, destaca-se maior predisposição para crianças menores de cinco anos de idade, idosos com idade superior aos 60 anos e pacientes imunocomprometidos (MAGALHAES, 2018). Com relação ao quadro clínico, sobretudo em pacientes pediátricos, afirma-se espectro inespecífico, o que compromete o diagnóstico precoce e preciso. Os tratamentos ineficazes pelo não reconhecimento da causa e natureza da doença podem favorecer agravos como abscessos, convulsões, aumento da pressão intracraniana, paralisia de pares de nervos cranianos, herniação cerebral ou cerebelar, ataxia, trombose de seio venoso, e consequentemente o óbito (AGUIAR, 2022). 5. CONSIDERAÇÕES FINAIS De acordo com os dados obtidos pelo SINAN, pode-se observar que a população mais acometida pela meningite no estado de Santa Catarina no período analisado são os adultos jovens com idade entre 20 e 39 anos. Podemos levar em consideração o modo de vida desta população, idade em que o trabalho, estudos, vida social, aglomerações são 17 frequentes, tendo então uma maior suscetibilidade de contrair um agente etiológico causador da meningite. A forma viral da doença é mais comum estando de acordo com estudos de outras regiões do país, destacando a sua forma de contaminação, e a transmissão por via respiratória. Observa-se também a relevância do distanciamento social, utilização de máscaras e utilização do álcool, medidas de precaução para o COVID-19 que auxiliaram na diminuição do número de casos de meningite no estado nos últimos dois anos. Neste sentido, devido ao cenário enfrentado pela pandemia, ocorreram diversos impactos nos serviços básicos de saúde, como campanhas de vacinação e o tratamento de diversas doenças, não sendo possível avaliar a eficácia das Políticas Públicas no período do estudo. Intensificar as campanhas de vacinação é uma das ações para enfrentar o problema de saúde na recuperação desses serviços. O presente trabalho é de suma importância para análise da população acometida pela patologia no estado, pois precauções devem ser tomadas especialmente as populações mais acometidas pela doença, contendo sobretudo, suas causas mais comuns e seus canais de transmissão, para que, assim, haja cada vez mais a diminuição desta patologia que preocupa a saúde pública nacional. 6. REFERÊNCIAS AGUIAR, T. S.; FONSECA, M. C.; SANTOS, M. C. dos.; NICOLETTI, G. P.; ALCOFORADO, D. S. G.; SANTOS, S. C. D. dos.; PONTES, M. de L.; SOARES, T. F. R.; MARCOS, G. C.; TEIXEIRA, S. C. M.; MACEDO, B. M. de.; MEDEIROS, L. N. B. de.; BRANDAO, G. H. A.; CÂMARA, A. G.; AMORIM, I. G.; MACÊDO JÚNIOR, A. M. de. Epidemiological profile of meningitis in Brazil, based on data from DATASUS in the years 2020 and 2021. Research, Society and Development. [S. l.], v. 11, n. 3, p. e50811327016, 2022. BERTOLINI PAIM, A. C.; MORENO, G. M.; PICCOLI, G. S. 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