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COLEÇÃO 
sinopses 25 
PARA CONCURSOS 
Coordenação 
Leonardo Garcia 
André Santa Crus 
DIREITO 
EMPRESARIAL 
INCLUI 
• Questões de concursos 
• 9,uadros com tópicos importantes 
selecionados pelo autor 
• Jurisprudência do STF e STJ 
• Súmulas do STF e do STJ relacionadas à 
matéria 
• Enunciados das Jornadas de Direito Ciuil e 
Comercial 
Atualizado 
f com a reforma da 
lei de FALÊNCIA 
e RECUPERAÇÃO 
de EMPRESAS 
CONFORME 
• Código Civil de 2002 
• Lei 11.101/2005 — Lei de Falência e 
Recuperação Judicial 
• Lei 9.279/1996 — Lei de Propriedade Industrial 
• Lei 8.934/1994 — Lei de Registro de Empresas 
• LC 123/2006 — Lei Geral das ME e EPP 
• Lei 9.492/1997 — Lei de Protesto de Títulos 
• Lei 6.404/1976 — Lei das Sociedades por Ações 
• Decreto 57.663/1966 — Lei Uniforme de Genebra 
4 edição 
_ • 
Revisto otuolwoda 
e ompliodo 
fiTIcoTi§'I'vRit 
www.editorajuspodnim.com br 
André Santa Crus 
Procurador Federal. 
Bacharel e Mestre em Direito Processual 
Civil pela UFPE. 
Pás-graduado em Direito da Economia e 
da Empresa pela FGV-RJ. 
Pás-graduado em Direito da Concorrência 
pela FGV-SP. 
Doutor em Direito Empresarial pela 
PUC-SP. 
Professor de Direito Empresarial do 
Centro Universitário IESB-DF. 
E-mail: alscramos@hotmail.com 
Instagram: @prof.andresantacrus 
DIREITO 
EMPRESARIAL 
kespeite u tfirtqu 
0' COLEÇÃO • 
sinopses 
PARA CONCURSOS 
Coordenação 
Leonardo Garcia 
André Santa Cru3 
DIREITO 
EMPRESARIAL 
40 edição 
Revisto, atuotisado 
e amplioda 
2021 
1#j EDITORA 
I I JusPODIVM 
www.editorajuspodivm.com.br 
1#1 
www.editorajuspodivm.com,br 
EDITORA 
,kPODIVM 
Rua Canuto Saraiva, 131 - Mooca - CEP: 03113-010 - São Paulo - São Paulo 
Tel: (11) 3582.5757 
• Contato: https://www.editorajuspodivm.com.br/sac 
Copyright: Edições JusPODIVM 
Conselho Editorial: Eduardo Viana Portela Neves, Dirley da Cunha Jr., Leonardo de Medeiros Garcia, Fredie 
Didier Jr., José Henrique Mouta, José Marcelo Vigliar, Marcos Ehrhardt Junior, Nestor Távora, Robério Nunes 
Filho, Roberval Rocha Ferreira Filho, Rodolfo Pamplona Filho, Rodrigo Reis Mazzei e Rogério Sanches Cunha. 
Diagramação: Luiz Fernando Romeu (Ifnando_38@hotmall.com) 
Capa: Ana Caquetti 
ISBN: 978-65-5680-315-9 
Todos os direitos desta edição reservados a EdiçõesJusPODIVM. 
É terminantemente proibida a reprodução total ou parcial desta obra, por qualquer meio ou processo, sem 
a expressa autorização do autor e das Edições JusPODIVM. A violação dos direitos autorais caracteriza crime 
descrito na legislação em vigor, sem prejuízo das sanções civis cabíveis. 
4.. 4d., 2.° tic: mar/2021; 3.° rir.: jul./2021. 
Coleção Sinopses 
para Concursos 
A Coleção Sinopses porn Concursos tem por finalidade a preparação para con-
cursos públicos de modo prático, sistematizado e objetivo. 
Foram separadas as principais matérias constantes nos editais, e chamados 
professores especializados em preparação de concursos a fim de elaborar, de 
forma didática, o material necessário para a aprovação em concursos. 
Diferentemente de outras sinopses/resumos, preocupamo-nos em apresentar 
ao leitor o entendimento do STF e do STj sobre os principais pontos, além de abor-
dar temas tratados em manuais e livros mais densos. Assim, ao mesmo tempo que 
o leitor encontrará um livro sistematizado e objetivo, também terá acesso a temas 
atuais e entendimentos jurisprudenciais. 
Dentro da metodologia que entendemos ser a mais apropriada para a prepa-
ração nas provas, demos destaques (ern outra cor) às palavras-chave, de modo a 
facilitar não somente a visualização, mas sobretudo a compreensão do que é mais 
importante dentro de cada matéria. 
Quadros sinóticos, tabelas comparativas, esquemas e gráficos são uma cons-
tante da coleção, aumentando a compreensão e a memorização do leitor. 
Contemplamos também questões das principais organizadoras de concursos 
do país, como forma de mostrar ao leitor como o assunto foi cobrado em provas. 
Atualmente, essa "casadinha" é fundamental: conhecimento sistematizado da ma-
téria e como foi sua abordagem nos concursos. 
Esperamos que goste de mais esta inovação que a Editora juspodivm apresenta. 
Nosso objetivo é sempre o mesmo: otimizar o estudo para que você consiga a 
aprovação desejada. 
Bons estudos! 
Leonardo Garcia 
leonardo@leonardogarcia.com.br 
www.leonardogarcia.com.br 
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00 44t+wilz.3e049F,•, 
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3,4'41*-;k4:11:gr: Õ P7rt• • 
1! `5‹ 
tÉtiS,Shic01,-: 
Guia de leitura 
da Coleção 
A Coleção foi elaborada com a metodologia que entendemos ser a mais apro-
priada para a preparação de concursos. 
Nesse contexto, a Coleção contempla: 
• Doutrina otimizada para concursos 
Além de cada autor abordar, de maneira sistematizada, os assuntos triviais sobre 
cada matéria, são contemplados temas atuais, de suma importância para uma boa 
preparação para as provas. 
Muitos dos conceitos do nosso Direito Administrativo foram 
concebidos ainda no período do Estado Liberal. Outra parte des-
se ramo jurídico foi concebida durante o Estado Social. A con-
cepção democrática, hoje pretendida, exige a acomodação dos 
conceitos e normas tradicionais ao novo paradigma constitucional 
(Estado Democrático de Direito), impondo uma "outra qualidade 
de Estado". 
Perceber essa mutação no direito administrativo é um diferen-
cial que auxilia no estudo da matéria e no desenvolvimento do ju-
rista, sendo importante para a compreensão de algumas questões 
objetivas, além de essencial para questões suscitadas em provas 
subjetivas e orais, pelas melhores bancas. 
• Entendimentos do STF e STJ sobre os principais pontos 
Segundo precedente do sir, é compatível com o princípio da im-
pessoalidade, dispositivo de Constituição Estadual que vede ao Esta-
do e aos Municípios atribuir nome de pessoa viva a avenida, praça, 
rua, logradouro, ponte, reservatório de água, viaduto, praça de es-
porte, biblioteca, hospital, maternidade, edifício público, auditórios, 
cidades e salas de aula (STF, ADI 3o7/CE, rel. Min. Eros Grau, 13.2.2008). 
• PALAVRAS-CHAVESEMOUTRA COR 
As palavras mais importantes (palavras-chaves) são colocadas em outra cor 
para que o leitor consiga visualizá-las e memorizá-las mais facilmente. 
8 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Cargo é o local criado por lei dentro do serviço público que 
possui atribuições, nomenclatura e remuneração próprias. 
O cargo público, por sua vez, subdivide-se em cargo efetivo e 
em comissão. 
• QUADROS, TABELAS COMPARATIVAS, ESQUEMAS E DESENHOS 
Com esta técnica, o leitor sintetiza e memoriza mais facilmente os principais 
assuntos tratados no livro. 
Entes de 
cooperação 
Serviços socials 
autônomos 
Entidades de ' 
apoio j 
Terceiro Setor 
— org. sociais 
OSCIP 
- UPF 
- CEBAS 
— 
• QUESTÕES DE CONCURSOS NO DECORRER DO TEXTO 
Por meio da seção "Como esse assunto foi cobrado em concurso?" é apresentado 
ao leitor como as principais organizadoras de concurso do país cobram o assunto 
nas provas. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
No concurso para provimento do cargo de Procurador do Estado do 
Ceará-2008, foi considerada incorreta a seguinte assertiva: Ao criar uma 
autarquia, a administração pública apenas transfere a ela a execução de 
determinado serviço público, permanecendo corn a titularidade desse 
serviço. 
Sumário 
Capítulo 1 > TEORIA GERAL DO DIREITO EMPRESARIAL 17 
Li. Conceito e nomenclatura 17 
1.2. Origem: o Direito Mercantil 17 
1.3. Evolução histórica: do Direito Comercial ao Direito Empresarial 19 
1.3.1. Teoria dos atos de comércio 19 
1.3.1.1. Problemas da teoria dos atos de comércio 20 
1.3.2. Teoria da empresa 21 
1.3.2.1. Conceitos de empresa e empresário 22 
1.3.3. Unificação do Direito Privado 24 
1.4. Características do Direito Empresarial 25 
1.5. Princípios do Direito Empresarial 26 
1.5.1. Função social da empresa 26 
1.5.2. Livre-iniciativa 27 
1.5.3. Livre concorrência29 
1.5.3.1. 0 Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência 29 
1.5.4. Tratamento favorecido das ME e EPP 32 
1.6. Fontes do direito empresarial brasileiro 35 
Capítulo 2 I ESPÉCIES DE EMPRESÁRIO 
2.1. Empresário individual 
39 
41 
2.1.1. Profissionais intelectuais 44 
2.1.2. A inscrição do empresário individual 45 
2.1.3. Tratamento especial do empresário rural 47 
2.1.4. Impedimentos legais ao exercício de empresa 49 
2.1.5. Empresário individual incapaz 50
2.1.6. Empresário individual casado 54 
2.1.7. Prepostos do empresário 57 
2.1.7.1. Gerente 58 
2.1.7.2. Responsabilidade pelos atos dos prepostos 58 
2.2. Sociedade empresária 60 
2.3. EIRELI 60 
2.3.1. Exigência de capital mínimo para constituição de EIRELI 61 
2.3.2. Natureza jurídica da EIRELI 63 
2.3.3. Nome empresarial da EIRELI 63 
2.3.4. 0 veto ao § 40 do art. 98o-A do Código Civil 64 
2.3.5. Constituição de EIRELI por pessoa jurídica 65 
10 Direito Empresarial - vol. 25 • André Santa Cruz 
2.3.6. Constituição de mais de uma EIRELI pelo mesmo titular 65 
2.3.7. Aplicação subsidiária das regras da sociedade limitada 67 
2.4. ME (microempresa) e EPP (empresa de pequeno porte) 68 
2.5. MEI (microempreendedor individual) 69 
Capítulo 3 I REGISTRO EMPRESARIAL 71 
3.1. Introdução 71 
3.2. Legislação específica 72 
3.3. Juntas Comerciais 73 
3.3.1. Atos de registro 75 
Capítulo 4 I ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL 79 
4.1. Conceito de estabelecimento empresarial 79 
4.2. Natureza jurídica do estabelecimento empresarial 80 
4.3. Trespasse do estabelecimento empresarial 82 
4.3.1. Efeitos obrigacionais do trespasse 84 
4-3.z. Cláusula de não concorrência 87 
4-3.3. Aviamento e clientela 89 
Capítulo 5 I NOME EMPRESARIAL 93 
5.1. Conceito de nome empresarial 93 
5.2. Proteção legal do nome empresarial 93 
5.3. Outros elementos de identificação dos empresários 95 
5.4. Espécies de nome empresarial 97 
Capítulo 6 I ESCRITURAÇÃO EMPRESARIAL 103 
6.1. Obrigação legal de escrituração 103 
6.2. Formalidades da escrituração 104 
6.3. Proteção legal dos livros empresariais 105 
6.4. Eficácia probatória dos livros empresariais 106 
Capítulo 7 P DIREITOS INDUSTRIAIS 109 
7.1. Propriedade intelectual 109 
7.2. Legislação específica 109 
7.3. Patentes 112 
7.3.1. Requisitos de patentabilidade 115 
7.3.2. Titularidade da patente 116 
7.3.3. Prazo de vigência da patente 118 
7.3.4. Licença da patente 119 
7.3.5. Patentes pipeline e patentes mailbox 121 
7.4. Registro de desenho industrial 123 
Sumário 11 
7.4.1. Requisitos de registrabilidade do desenho industrial 124 
7.4.2. Prazo de vigência do desenho industrial 125 
7.5. Registro de marca 125 
7.5.1. Distintividade da marca 126 
7.5.2. Espécies de marca 128 
7.5.3. Âmbito de proteção da marca 131 
7-5.4. Vigência do registro de marca 133 
7.6. Indicações geográficas 134 
7.7. Trade dress (conjunto-imagem do produto) 135 
Capítulo 8 I TEORIA GERAL DO DIREITO SOCIETÁRIO 137 
8.1. Sociedade: conceito e características 137 
8.2. Classificações das sociedades 139 
8.3. Tipos societários 142 
8.4. Sociedade exploradora de atividade rural 143 
8.5. Personalização jurídica das sociedades 144 
8.5.1. Desconsideração da personalidade jurídica 145 
8.5.1.1. Teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica 147 
8.5.1.2. Teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica 148 
8.5.1.3. Efeitos da desconsideração da personalidade jurídica 151 
8.5.1.4. A desconsideração inversa da personalidade jurídica 153 
8.5.1.5. Incidente de desconsideração da personalidade jurídica 154 
8.6. Sociedades dependentes de autorização 157 
8.7. Sociedade nacional 158 
8.8. Sociedade estrangeira 158 
8.9. Sociedade entre cônjuges 159 
8.1o. Sociedade cooperativa 160 
8.11. Operações societárias 163 
8.11.1. Transformação 163 
8.11.2. Incorporação 165 
8.11.3. Fusão 167 
8.11.4. Cisão 167 
8.11.5. Coligação 169 
Capítulo 9 I SOCIEDADES NÃO PERSONIFICADAS 171 
9.1. Observação prévia 171 
9.2. Sociedade em comum 171 
9.3. Sociedade em conta de participação 175 
Capítulo lo I SOCIEDADES CONTRATUAIS 181 
io.i. Introdução 181 
12 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
10.2. Natureza jurídica do contrato social 181 
10.3. Formalidades do contrato social 182 
10.4. Registro do contrato social 182 
10.5. Cláusulas gerais do contrato social 184 
10.5.1. Qualificação dos sócios 184 
10.5.2. Qualificação da sociedade 185 
10.5.3. Capital social 185 
10.5.4. Subscrição e integralização das quotas 186 
10.5.4.1. Sócio remisso 187 
10.5.5. Administração da sociedade 189 
10.5.5.1. Responsabilidade pelos atos dos administradores 191 
10.5.6. Participação nos resultados sociais 193 
10.5.7. Responsabilidade dos sócios pelas dívidas sociais 194 
10.6. Deliberações sociais 195 
10.7. Modificação do contrato social 197 
10.8. Morte de sócio 198 
10.9. Cessão de quotas 199 
io.io. direito de retirada 200 
tom. Exclusão de sócio 201 
10.12. Sociedade em nome coletivo 203 
10.13. Sociedade em comandita simples 205 
10.14. Sociedade limitada 206 
10.14.1. Legislação aplicável à sociedade limitada 208 
10.14.2. Quotas sociais na sociedade limitada 209 
10.14.2.1. Cessão de quotas na sociedade limitada 211 
10.14.2.2. Sócio remisso na sociedade limitada 213 
10.14.2.3. Aquisição de quotas pela própria sociedade limitada 214 
10.14.2.4. Quotas preferenciais na sociedade limitada 215 
io.14.3.Administração da sociedade limitada 216 
10.14.4. Conselho fiscal na sociedade limitada 220 
10.14.5. Deliberações socials na sociedade limitada 222 
10.14.6. Alteração do capital social da sociedade limitada 226 
10.14.7. Exclusão extrajudicial de sócio por justa causa na sociedade limitada 228 
10.15. Procedimento dissolutório das sociedades contratuais 230 
10.15.1. Dissolução parcial das sociedades contratuais 234 
10.15.1.1. Efeitos da dissolução parcial das sociedades contratuais 236 
Capítulo 22 I SOCIEDADE ANÔNIMA 239 
11.1. Introdução 239 
11.2. Legislação aplicável à sociedade anônima 239 
Sumário 13 
11.3. Características importantes da sociedade anônima 240 
11.4. Classificação das sociedades anônimas 241 
11.4.1. Bolsas de valores e mercado de balcão 242 
11.4.2. Mercado de capitais primário e mercado de capitais secundário 243 
11.5. Constituição da sociedade anônima 244 
11.5.1. Requisitos preliminares de constituição da sociedade anônima 244 
11.5.1.1. Constituição por subscrição pública 244 
11.5.1.2. Constituição por subscrição particular 246 
11.5.1.3. Algumas regras gerais sobre a subscrição das ações 247 
11.5.2. Formalidades complementares à constituição de sociedade anônima 248 
11.6. Capital social da sociedade anônima 249 
11.6.1. Acionista remisso 251 
11.6.2. Ações 252 
11.6.2.1. Classificações das ações 252 
11.6.2.2. Valor da ação 256 
11.6.2.3. Direitos essenciais dos acionistas 256 
11.7. Valores mobiliários 257 
11.8. Assembleia geral da sociedade anônima 259 
11.8.1. Assembleia Geral Ordinária e Assembleia Geral Extraordinária 262 
11.9. Administração da sociedade anônima 263 
11.9.1. Conselho de administração 263 
11.9.2. Diretoria 266 
11.9.3. Normas comuns aos conselheiros e diretores 267 
11.9.4. Deveres dos administradores 268 
11.9.5. Responsabilidade dos administradores 271 
11.1o. Conselho fiscal na sociedade anônima 274 
11.11. Controle acionário 276 
11.11.1. Espécies de poder de controle 278 
11.11.2. Governança corporativa 279 
11.11.3.Alienação de controle 280 
11.11.3.1. Oferta pública de aquisição (OPA) 281 
11.11.4•Acordo de acionistas 282 
11.12. Procedimento dissolutório da sociedade anônima 283 
11.12.1. Dissolução parcial da sociedade anônima 285 
11.13. Sociedade em comandita por ações 286 
Capítulo 12 > TEORIA GERAL DO DIREITO FALIMENTAR 289 
12.1. Introdução 289 
12.2. Legislaçãoaplicável 289 
12.3. Sujeição legal 290 
14 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
12.3.1. Empresas públicas e sociedades de economia mista 291 
12.3.2. Sociedades empresárias submetidas a liquidação extrajudicial 292 
12.4. Foro competente 293 
12.5. Participação do MP 295 
12.6. Aplicação subsidiária do CPC 296 
12.7. Administrador judicial 298 
12.8. Comitê de credores 301 
12.9. Assembleia geral de credores 303 
Capítulo 13 I RECUPERAÇÃO JUDICIAL 309 
13.1. Princípio da preservação da empresa 309 
13.2. Requisitos legais para o pedido de recuperação judicial 309 
13.3. Formalidades da petição inicial do pedido de recuperação judicial 314 
13.4. CONSTATAÇÃO PRÉVIA NA RECUPERAÇÃO JUDICIAL 315 
13.5. Deferimento do processamento do pedido 317 
13.5.1. Verificação e habilitação de créditos na recuperação judicial 320 
13.5.2. Suspensão das ações e execuções individuais na recuperação judicial 324 
13.6. Plano de recuperação judicial 331 
13.6.1. Meios de recuperação 333 
13.6.2. Objeções dos credores 334 
13.6.3. Deliberação dos credores 335 
13.7. Necessidade de apresentação de CND pelo devedor 339 
13.8. Concessão da recuperação judicial 341 
13.9. Convolação da recuperação judicial em falência 343 
13.10. Encerramento da recuperação judicial 345 
13.11. Plano especial de recuperação judicial para ME e EPP 346 
13.12. Conciliação e mediação na recuperação judicial 349 
Capítulo 14 I RECUPERAÇÃO EXTRAJUDICIAL 351 
14.1. Introdução 351 
14.2. Requisitos legais da recuperação extrajudicial 351 
14.3. Plano de recuperação extrajudicial 352 
14.4. Credores submetidos ao plano de recuperação extrajudicial 352 
14.5. 0 pedido de homologação do art. 162 da LRE 354 
14.6. 0 pedido de homologação do art. 163 da LRE 354 
14.7. Procedimento de homologação do plano de recuperação extrajudicial 356 
14.8. Efeitos da homologação do plano de recuperação extrajudicial 358 
Capítulo 15 I FALÊNCIA 359 
15.1. Introdução 359 
15.2. Legitimidade ativa 360 
Sumário 15 
15.3. Fundamento do pedido 361 
15.4. Resposta do devedor 364 
15.5. Denegação da falência 365 
15.6. Decretação da falência 366 
15.6.1. Efeitos da decretação da falência 369 
15.7. Arrecadação dos bens do falido 371 
15.7.1. Arrecadação de bens dos sócios de sociedade falida 373 
15.7.2. Investigação de atos anteriores à falência 375 
15.7.3. Pedidos de restituição 379 
15.8. Realização do ativo 381 
15.9. Verificação e habilitação de créditos da falência 383 
15.10. Pagamento dos credores 386 
15.10.1. Créditos concursais 389 
15.11. Encerramento do processo falimentar 395 
15.12. Extinção das obrigações do falido 396 
Capítulo 16 I TÍTULOS DE CRÉDITO 399 
16.1. Introdução aos títulos de crédito 399 
16.2. Conceito de título de crédito 399 
16.2.1. Princípios dos títulos de crédito 400 
16.2.2. Características dos títulos de crédito 401 
16.3. Evolução histórica dos títulos de crédito 402 
16.4. Classificações dos títulos de crédito 403 
16.5. Legislação aplicável aos títulos de crédito No Brasil 405 
16.5.1. Títulos de crédito no Código Civil 407 
16.5.1.1. Autonomia e omissão de requisito legal 407 
16.5.1.2. Conteúdo e forma dos títulos de crédito 408 
16.5.1.3. A desmaterialização dos títulos de crédito 408 
16.5.1.4. Cláusulas proibidas nos títulos de crédito 409 
16.5.1.5. Títulos de crédito em branco ou incompletos 409 
16.5.1.6. Obrigação cambial de representante/mandatário 410 
16.5.1.7. Títulos representativos 411 
16.5.1.8. Nascimento da obrigação cambial (teoria da criação versus 
teoria da emissão) 411 
16.5.1.9. Os títulos ao portador 412 
16.6. Principais institutos cambiários 413 
16.6.1. Endosso 413 
16.6.1.1. Endosso em branco e endosso em preto 414 
16.6.1.2. Endosso impróprio 415 
16 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
16.6.1.3. Endosso póstumo ou tardio 416 
16.6.1.4. Endosso x cessão civil de crédito 417 
16.6.2. Aval 417 
16.6.2.1. Aval x fiança 420 
16.6.2.2. Necessidade de outorga conjugal em aval prestado por pessoa 
casada 420 
16.6.3. Protesto 421 
16.7. Principais espécies de títulos de crédito típicos/nominados 424 
16.7.1. Letra de câmbio 424 
16.7.2. Nota promissória 428 
16.7.3. Cheque 430 
16.7.4. Duplicata 438 
16.7.4.1. Duplicata escritural 444 
Capítulo 17 I TEORIA GERAL DOS CONTRATOS EMPRESARIAIS 447 
Capítulo 18 > CONTRATOS DE COLABORAÇÃO EMPRESARIAL 453 
18.i. Subordinação empresarial nos contratos de colaboração 453 
18.2. As cláusulas de exclusividade nos contratos de colaboração 455 
18.3. Comissão mercantil 456 
18.4. Representação comercial 460 
18.5. Concessão mercantil 467 
18.6. Franquia (franchising) 469 
Capítulo 19 I OUTRAS ESPÉCIES DE CONTRATOS EMPRESARIAIS 473 
19.1. Contratos bancários 473 
19.1.2. Depósito bancário 474 
19.1.3. Mi.Ituo bancário 475 
19.1.4. Desconto bancário 476 
19.1.5. Abertura de crédito 477 
19.2. Alienação fiduciária em garantia 477 
19.2.1. Alienação fiduciária de bens imóveis 478 
19.2.2. Bens móveis 479 
19.3. Arrendamento mercantil (leasing) 483 
19.3.1. A cobrança antecipada do valor residual (VRC) 484 
19.4. Fomento mercantil (factoring) 486 
19.4.1. Características do factoring 487 
BIBLIOGRAFIA 489 
e
Capítulo 
Teoria Geral do Direito Empresarial 
1.1. CONCEITO E NOMENCLATURA 
Conforme veremos com mais detalhes no tópico seguinte, na origem o 
que se tinha era o chamado Direito Mercantil: um direito consuetudinário 
(os usos e costumes eram compilados nos estatutos das Corporações de 
Ofício) que possuía um caráter subjetivista/corporativista, pois sua jurisdi-
ção privada (juízos e Tribunais Consulares das próprias corporações, cujos 
cônsules eram eleitos pelos próprios associados) só se aplicava a quem 
estava devidamente matriculado nas respectivas associações. 
Posteriormente, tem-se o Direito Comercial: um direito que deixou de 
ser consuetudinário, ganhou legislações codificadas editadas pelo Estado 
(o Código Comercial francês de 1808 foi pioneiro nesse sentido), passou 
a ter jurisdição estatal aplicável a todos - independentemente de filiação 
às corporações -, consolidou-se como um regime jurídico autônomo em 
relação ao Direito Civil e foi orientado pela "teoria dos atos de comércio". 
Atualmente, temos o Direito Empresarial: um direito que se "descodi-
ficou" (no Brasil, a matéria nuclear - direito de empresa - está no Código 
Civil de 2002, mas há vários microssistemas legislativos específicos, como a 
Lei de Falência e Recuperação, a Lei das Sociedades Anônimas, a Lei de Pro-
priedade Industrial etc.), deixou de regular apenas os "atos de comércio" 
e adotou a "teoria da empresa", passando a ser um regime jurídico que 
disciplina toda e qualquer atividade econômica organizada para produção 
ou circulação de bens ou serviços. 
Assim, hodiernamente se pode definir o Direito Empresarial, de maneira 
bem simples e sucinta, como o ramo do Direito Privado que regula toda e 
qualquer atividade econômica organizada (empresa) e aqueles (pessoas 
físicas ou jurídicas) que as exercem profissionalmente (empresários). 
1.2. ORIGEM: O DIREITO MERCANTIL 
Durante muito tempo, as normas que regulavam as atividades econô-
micas e aqueles que as exerciam de modo profissional eram poucas e 
18 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
esparsas, fazendo parte do Direito comum. Assim, na Idade Antiga e em 
boa parte da Idade Média não se podia falar na existência de um Direito 
Empresarial, entendido este como um regime jurídico específico de regras 
e princípios destinados a disciplinar o mercado e seus agentes. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/PROMOTOR/MPAC/09-03-2014) Considerando a evolução histórica do di-
reito empresarial, julgue: 
O direito romano apresentou um corpo sistematizado de normas sobre ativi-
dade comercial. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
O surgimentodo Direito Empresarial, portanto, é um acontecimen-
to histórico que começa a ser verificado da metade para o final da 
Idade Média, período em que o modo de produção feudal entrou em 
declínio e passou a ser substituído pelo mercantilismo. Foi nessa época 
que começaram a se desenvolver normas e institutos jurídicos especiais 
para a disciplina das atividades econômicas, em função do incremen-
to do comércio propiciado pelo período denominado de Renascimento 
Mercantil. 
Em razão da descentralização política existente nesse período prévio à 
formação dos Estados Nacionais modernos, a tarefa de criar e aplicar esse 
novo Direito coube a entidades privadas, as famosas Corporações de Ofício 
medievais (guildas), que eram associações de profissionais de uma deter-
minada área, com destaque para os comerciantes (mercadores). 
Cada corporação tinha suas próprias regras, que correspondiam aos 
usos e costumes mercantis de cada localidade, os quais eram compilados 
e reunidos no respectivo estatuto. Para aplicação dessas regras, havia 
zos ou Tribunais consulares: os próprios membros da corporação elegiam 
cônsules, que funcionavam como árbitros nos eventuais litígios entre asso-
ciados de uma mesma entidade. Tratava-se, pois, de um direito consuetu-
dinário e corporativista. 
Nessa primeira fase do Direito Empresarial, podemos citar o surgi-
mento de normas e institutos jurídicos específicos que até hoje integram 
esse regime jurídico: títulos de crédito (letra de câmbio e nota promissó-
ria), sociedades (podem ser destacadas as comendas medievais, que são 
consideradas o embrião das sociedades em comandita, ainda existentes 
em nosso ordenamento jurídico), algumas espécies pioneiras de contrato 
Cap. i • Teoria Geral do Direito Empresarial 19 
(contratos de seguro, por exemplo), instrumentos de escrituração (sistema 
de partidas dobradas, muito conhecido pelos profissionais de contabilida-
de), proteção jurídica de sinais distintivos (marcas, por exemplo) etc. 
1.3. EVOLUÇÃO HISTÓRICA: DO DIREITO COMERCIAL AO DIREITO EMPRESARIAL 
Após esse período inaugural do Direito Mercantil, o comércio se intensi-
ficou progressivamente, sobretudo em função das feiras e dos navegado-
res. O sistema de jurisdição especial mencionado no tópico antecedente, 
surgido e desenvolvido principalmente nas cidades marítimas italianas, 
difundiu-se por toda a Europa. 
Com a formação dos Estados Nacionais monárquicos, as Corporações 
de Ofício vão perdendo poder político, e a jurisdição privada antes por 
elas exercida vai dando lugar a uma jurisdição estatal: deixa-se de ter um 
Direito consuetudinário e corporativista e passa-se a ter um Direito posto e 
aplicado pelo Estado a todos os cidadãos, independentemente de filiação 
a uma entidade associativa. 
Esse período é marcado principalmente pela edição das grandes co-
dificações, merecendo destaque, nesse contexto, a edição da Codificação 
Napoleônica, na França: o Código Civil de 1803/4 e o Código Comercial de 
1807/8. 0 Direito Comercial ingressava na sua segunda fase evolutiva e se 
consolidava como um regime jurídico especial de Direito Privado, regime 
esse que era autônomo, independente e separado do Direito Civil. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/PROMOTOR/MPAC/o9-03-2014) Considerando a evolução histórica do di-
reito empresarial, julgue: 
A edição do Código Francês de 1807 é considerada o marco inicial do direito 
comercial no mundo. 
*A afirmativa foi considerada ERRADA. 
1.3.1. Teoria dos atos de comércio 
Essa divisão do Direito Privado, com dois grandes códigos legais a reger 
as relações jurídicas entre particulares, criou a necessidade de estabeleci-
mento de um critério que delimitasse a incidência de cada um desses regi-
mes jurídicos. Mais precisamente, era preciso criar um critério que delimi-
tasse o âmbito de incidência das regras do Código Comercial, já que estas 
20 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
configuravam um regime jurídico especial, contraposto ao regime jurídico 
geral composto pelas regras do Código Civil. 
Formulou-se, então, a teoria dos atos de comércio, que atribuía a quem 
praticasse esses atos, com habitualidade, a qualidade de comerciante, o 
que era pressuposto para a aplicação das normas do Código Comercial. Em 
suma: o Código Comercial regulava as relações jurídicas que envolvessem 
a prática de alguns atos definidos em lei como atos de comércio. Caso, to-
davia, a relação jurídica não envolvesse a prática de desses atos, ela não 
seria considerada uma relação mercantil e, portanto, seria regida pelas 
normas do Código Civil. 
> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/PROMOTOR/MPAC/o9-03-2014) Considerando a evolução histórica do di-
reito empresarial, julgue: 
A teoria dos atos de comércio foi adotada, inicialmente, nas feiras medievais 
da Europa pelas corporações de comerciantes que então se formaram. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
A definição dos atos de comércio coube ao próprio legislador, o qual 
optava ou por descrever as suas características básicas - como fizeram o 
Código de Comércio português de 1833 e o Código Comercial espanhol de 
1885 - ou por enumerar, num rol de condutas típicas, que atos seriam con-
siderados de mercancia - como fez o legislador brasileiro no já revogado 
Regulamento 737/1850. 
Nessa segunda fase do Direito Comercial, portanto, pode-se perceber 
uma importante mudança: a mercantilidade de uma determinada relação 
jurídica, antes definida pela qualidade dos seus sujeitos (o Direito Mercan-
til era o Direito aplicável aos membros das Corporações de Ofício), passa 
a ser definida pelo seu objeto (o Direito Comercial passa ser aplicável 
sempre que uma determinada relação envolver a prática de um ato de 
comércio, conforme definido pela legislação). 
1.3.1.1. Problemas da teoria dos atos de comércio 
Adotando-se a concepção predominante do jurista italiano Alfredo Roc-
co, costumavam-se definir os atos de comércio como aqueles que pos-
suíam a função comum de intermediação na efetivação da troca: os atos 
de comércio seriam aqueles que ou realizavam diretamente a referida 
Cap. 1 • Teoria Geral do Direito Empresarial 21 
intermediação (atos de comércio por natureza, fundamental ou constitu-
tivo) ou facilitavam a sua execução (atos de comércio acessórios ou por 
conexão). 
Por mais abrangente que fosse tal definição, porém, o fato é que uma 
série de outras atividades econômicas, tão importantes quanto a mercan-
cia (os atos de comércio), não se enquadravam nela. Historicamente, a 
prestação de serviços e as atividades rurais, por exemplo, não foram con-
sideradas como atos de comércio, o que acarretava uma disciplina não 
isonômica do mercado: certos agentes eram considerados comerciantes, 
submetendo-se às normas do Código Comercial, enquanto outros ficavam 
excluídos desse regime jurídico. 
1.3.2. Teoria da empresa 
Com o passar dos anos, as atividades econômicas foram tornando-se 
cada vez mais complexas, e a teoria dos atos de comércio, consequente-
mente, mostrou-se incapaz de continuar norteando a disciplina jurídica do 
mercado. Isso porque aquela noção de Direito Comercial centrada no con-
ceito de ato de comércio e na figura do comerciante estava ultrapassada 
diante da nova realidade econômica. 
Foi necessário, então, que se criasse um novo critério para delimitar a 
abrangência do regime jurídico comercial. Dito de outra forma, foi preciso 
desenvolver uma nova teoria para nortear a disciplina jurídica das ativi-
dades econômicas, as quais, dada a sua complexidade, não eram devi-
damente abrangidas pela teoria dos atos de comércio, que se restringia, 
conforme visto, às atividades de mercancia (o comércio propriamente dito 
e outras atividades afins). 
Ademais, a divisão do Direito Privado provocada pela codificação napo-
leônica, que contrapôs dois códigos de leis para a disciplina das atividades 
civis e comerciais, respectivamente, passou a ser criticadapor parte da 
doutrina privatista, que pregava a necessidade de unificação. 
Foi nesse contexto, então, que o Direito Empresarial passou por uma 
reformulação, e o marco histórico identificador dessa mudança foi a edi-
ção do Código Civil italiano de 1942, que adotou uma nova teoria para a 
disciplina jurídica das atividades econômicas: a teoria da empresa. À luz 
dessa teoria, o Direito Empresarial desvia seu foco do binômio ato de co-
mércio/comerciante para o binômio empresa/empresário. 
22 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/PROMOTOR/MPAC/o9-03-2014) Considerando a evolução histórica do di-
reito empresarial, julgue: 
É de origem francesa a teoria da empresa, adotada pelo atual Código Civil 
brasileiro. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
Com efeito, com a adoção da teoria da empresa, o Direito Empresarial 
deixa de lado aquela ideia de um regime jurídico voltado exclusiva ou pre-
ponderantemente para a mercancia (comércio e outras atividades afins), 
que não abrangia uma série de atividades não compreendidas na noção 
de ato de comércio, e passa a disciplinar toda e qualquer atividade econô-
mica, desde que organizada para a produção ou circulação de bens ou de 
serviços e exercida com profissionalismo. 
O mais importante, portanto, com a edição do Código Civil italiano e a 
formulação da teoria da empresa é que o Direito Empresarial deixou de 
ser, como tradicionalmente o foi, o Direito do comerciante (período subje-
tivo das Corporações de Ofício) ou o Direito dos atos de comércio (período 
objetivo da codificação napoleônica), para tornar-se o Direito da empresa 
(qualquer atividade econômica organizada) e alcançar, assim, uma maior 
gama de relações jurídicas. 
O Direito Empresarial entrou, enfim, na terceira fase de sua etapa evo-
, superando o conceito de mercantilidade para definir as relações 
sob a sua disciplina e adotando, conforme visto, o critério da empresaria-
lidade como forma de delimitar o âmbito de incidência das suas normas. 
Em síntese, o norte desse novo Direito Empresarial deixa de ser o ato de 
comércio (que era o norte do antigo Direito Comercial) e passa a ser a 
empresa. 
1.3.2.1. Conceitos de empresa e empresdrio 
Conforme dito, não se concebe mais a ideia de um Direito Comercial 
como regime jurídico especial para a disciplina das atividades mercan-
tis (atos de comércio) e de seus praticantes habituais (comerciantes). Ho-
diernamente, prevalece a ideia de um Direito Empresarial, regime jurídico 
especial voltado para disciplina de toda e qualquer atividade econômica 
organizada (empresa) e daqueles que exercem tais atividades profissional-
mente (empresários). 
• Teoria Geral do Direito Empresarial 23 
Feita essa observação, pode-se então concluir que empresa é uma 
atividade, enquanto empresário é quem exerce essa atividade de modo 
profissional. 
Importante! 
A definição do conceito jurídico de empresa é até hoje um problema para os 
doutrinadores do direito empresarial. Isso se dá porque empresa, como bem 
lembrou Asquini, é um fenômeno econômico que compreende a organização 
dos chamados fatores de produção: natureza, capital, trabalho e tecnologia. 
Transposto o fenômeno econômico para o universo jurídico, a empresa aca-
ba não adquirindo um sentido unitário, mas diversas acepções distintas. Daí 
porque o referido jurista italiano observou a empresa como um fenômeno 
econômico poliédrico, com quatro perfis distintos quando transposto para o 
Direito: a) o perfil subjetivo, pelo qual a empresa seria uma pessoa (física ou 
jurídica, é preciso ressaltar), ou seja, o empresário; b) o perfil funcional, pelo 
qual a empresa seria uma "particular força em movimento que é a atividade 
empresarial dirigida a um determinado escopo produtivo", ou seja, uma ati-
vidade econômica organizada; c) o perfil objetivo (ou patrimonial), pelo qual 
a empresa seria um conjunto de bens afetados ao exercício da atividade eco-
nômica desempenhada, ou seja, o estabelecimento empresarial; e d) o perfil 
corporativo, pelo qual a empresa seria uma comunidade laboral, uma institui-
ção que reúne o empresário e seus auxiliares ou colaboradores, ou seja, "um 
núcleo social organizado em função de um fim econômico comum". 
ASQUINI, Alberto. "Perfis da empresa". Tradução de Fábio Konder Compara-
to. In: Revista de Direito Mercantil, Industrial, Econômico e Financeiro, no 104, 
outubro-dezembro de 1996, pp. log-126. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CONSOLPLAN - CARTÓRIOS - REMOÇÃO - TJ - MG/2017) O Código Civil brasileiro 
adotou, de forma indireta, uma definição para o termo jurídico "empresa". 
Levando em conta, esta definição, amplamente aceita e adotada pela doutrina 
pátria, a palavra-chave que está presente nesta definição é 
A) atividade. 
B) pessoa. 
C) coisa. 
D) instituição. 
Gabarito: A. 
Empresa é uma atividade econômica (realizada com intuito de lucro) 
organizada (realizada com articulação dos diversos fatores de produção: 
24 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
capital, mão de obra, insumos e tecnologia), voltada para a produção ou 
a circulação de bens ou de serviços (veja-se que a expressão empresa 
não se restringe a algumas atividades específicas, como acontecia com 
a expressão ato de comércio, que tinha seu conceito restrito ao comér-
cio e algumas atividades afins: empresa é qualquer atividade econômica, 
podendo ser voltada para a produção de bens ou de serviços ou para a 
circulação de bens ou de serviços). 
Empresário, por sua vez, é quem exerce empresa (isto é, quem exerce 
uma atividade econômica organizada) e o faz de modo profissional, ou 
seja, com habitualidade (o exercício de atividade econômica de forma es-
porádica, pois, não caracteriza ninguém como empresário) e pessoalidade 
(assumindo os riscos do negócio que empreende: o empresário sabe que 
empreender pode lhe render bons lucros, mas sabe também que essa ati-
vidade pode lhe trazer sérios prejuízos). 
Empresa 
Empresário 
atividade econômica organizada 
pessoa física ou jurídica que exerce empresa profissionalmente 
1.3.3. Unificação do Direito Privado 
Além de ter adotado a teoria da empresa, o Código Civil italiano de 
1942 rompeu com a tradição de dividir o Direito Privado em dois grandes 
códigos de leis - o Código Civil e o Código Comercial - e promoveu uma 
tentativa de unificação do Direito Privado, disciplinando as relações civis e 
empresariais num único diploma legislativo. 
Note-se, porém, que essa unificação provocada no Direito Privado pela 
codificação italiana foi meramente formal, uma vez que o Direito Empresa-
rial, a despeito de não possuir mais um diploma legislativo próprio, con-
servou sua autonomia didático-científica. 
Afinal, como bem destaca a doutrina majoritária a respeito do assunto, 
o que define um determinado ramo do Direito como autônomo e indepen-
dente não é a existência de um código próprio contendo suas regras, e 
sim o fato de esse ramo do Direito constituir um regime jurídico específi-
co, com institutos jurídicos típicos, características específicas e princípios 
próprios que possam identificá-lo e diferenciá-lo dos demais. E isso, sem 
sombra de dúvidas, o Direito Empresarial possui, desde a sua origem até 
a presente data. 
Cap. 1 • Teoria Geral do Direito Empresarial 25 
FASE (Direito Mercantil) 
- Corporações de Ofício 
- Direito consuetudinário 
- Caráter corporativista/subjetivista 
2. FASE (Direito Comercial) 
- Codificação Napoleônica 
- Divisão do Direito Privado 
- Teoria dos atos de comércio 
3. FASE (Direito Empresarial) 
- Código Civil italiano de 1942 
- Unificação formal do Direito Privado 
- Teoria da empresa 
1.4. CARACTERÍSTICAS DO DIREITO EMPRESARIAL 
O Direito Empresarial, como regime jurídico específico que disciplina 
toda e qualquer atividade econômica organizada (empresa) e aqueles que 
as exercem profissionalmente (empresários), conserva uma série de carac-
terísticas que o distinguemdas demais disciplinas jurídicas. 
São características fundamentais do Direito Empresarial, que o dife-
renciam sobremaneira do Direito Civil: a) o cosmopolitismo, uma vez que 
o comércio, historicamente, foi fator fundamental de integração entre os 
povos, razão pela qual o seu desenvolvimento propicia, até os dias de 
hoje, uma intensa inter-relação entre os países (note-se que em maté-
ria de Direito Empresarial há diversos acordos internacionais em vigor, 
muitos dos quais o Brasil é signatário, tais como a Convenção de Ge-
nebra, que criou uma legislação uniforme sobre títulos de crédito, e a 
Convenção da União de Paris, que estabelece preceitos uniformes sobre 
propriedade industrial); b) a onerosidade, dado o caráter econômico e 
especulativo das atividades mercantis, que faz com que o intuito de lucro 
seja algo intrínseco ao exercício da atividade empresarial; c) o infor-
malismo, em função do dinamismo da atividade empresarial, que exige 
meios ágeis e flexíveis para a realização e a difusão das práticas mer-
cantis; d) o fragmentarismo, pelo fato de o Direito Empresarial possuir 
uma série de sub-ramos com características específicas (direito falimen-
tar, direito cambiário, direito societário, direito de propriedade industrial 
etc.); e e) a elasticidade, o Direito Empresarial permanece em constan-
te processo de mudança, para melhor se adequar ao dinamismo das 
atividades econômicas. 
26 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(JUIZ - MG - 2009) Marque a opção INCORRETA. 
As características principais do Direito Empresarial são as seguintes: 
A) Informalismo. 
Fragmentário. 
C) Cosmopolita. 
D) Sistema jurídico harmônico. 
Gabarito: D. 
PRINCÍPIOS DO DIREITO EMPRESARIAL 
A Constituição Federal de 1988, em seu art. 170, elenca os princípios ge-
rais da atividade econômica em nosso ordenamento jurídico, merecendo 
destaque alguns deles para o Direito Empresarial. 
Importante! 
Além dos princípios constitucionais que vamos detalhar a seguir, vale mencio-
nar a edição da Lei 13.874/2019, conhecida como Lei da Liberdade Econômica, 
que assim dispõe em seu art. 20. 
Art. 20. São princípios que norteiam o disposto nesta Lei: 
I - a liberdade como uma garantia no exercício de atividades econômicas; 
II - a boa-fé do particular perante o poder público; 
III - a intervenção subsidiária e excepcional do Estado sobre o exercício 
de atividades econômicas; e 
IV - o reconhecimento da vulnerabilidade do particular perante o Estado. 
Parágrafo único. Regulamento disporá sobre os critérios de aferição 
para afastamento do inciso IV do caput deste artigo, limitados a ques-
tões de má-fé, hipersuficiência ou reincidência. 
Trata-se de importantes princípios que passam a reger as relações dos empre-
sários com o Estado. 
1.5.1. Função social da empresa 
Obviamente, o mencionado art. 170 da Constituição Federal prevê a pro-
priedade privada como um dos princípios gerais da atividade econômi-
ca (inciso II). Afinal, sem propriedade privada, especialmente quanto aos 
chamados bens de produção, não existe mercado. O mesmo dispositivo 
Cap. i • Teoria Geral do Direito Empresarial 27 
constitucional, no entanto, também prevê a função social da propriedade 
como princípio geral da atividade econômica (inciso III). 
É dessa combinação de princípios - propriedade privada e função social 
da propriedade - que decorre outro princípio muito importante para o 
Direito Empresarial: a função social da empresa. 
O estudo desse princípio, no Brasil, remonta a um conhecido ensaio in-
titulado "função social de propriedade dos bens de produção", de autoria 
de Fábio Konder Comparato. 
Conforme visto, empresa é uma atividade econômica organizada para 
produção ou circulação de bens ou serviços, e empresário é a pessoa, 
física ou jurídica, que exerce profissionalmente uma empresa. Ademais, 
conforme veremos adiante, estabelecimento empresarial é o conjunto 
organizado de bens, materiais ou imateriais, usados pelo empresário no 
exercício de uma empresa. 
Assim, quando se fala em função social da empresa faz-se referência à 
atividade empresarial em si, que decorre do uso, pelos empresários, dos 
bens que compõem o estabelecimento empresarial. Como a propriedade 
desses bens está sujeita ao cumprimento de uma função social, nos termos 
da CF/88, o exercício da empresa (atividade econômica organizada) tam-
bém deve cumprir uma função social específica. 
Enfim, a empresa não deve, segundo os defensores desse princípio, ape-
nas atender os interesses individuais do empresário individual, do titular da 
EIRELI ou dos sócios da sociedade empresária, mas também os interesses 
difusos e coletivos de todos aqueles que são afetados pelo exercício dela 
(trabalhadores, contribuintes, vizinhos, concorrentes, consumidores etc.). 
Exemplo de regra legal que consagra o princípio da função social da 
empresa é o art. 116, parágrafo Colic° da Lei 6.404/1976: "o acionista con-
trolador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu 
objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades 
para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para 
com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente 
respeitar e atender". 
1.5.2. Livre-iniciativa 
A livre-iniciativa é o princípio fundamental do Direito Empresarial. Em-
bora não elencada nos incisos do art. 170 da CF/88, que dispõe sobre os 
28 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
princípios gerais da atividade econômica, está expressamente destacada 
no caput do referido dispositivo constitucional: "a ordem econômica, fun-
dada na valorização do trabalho humano e na livre-iniciativa, tem por fim 
assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, 
observados os seguintes princípios". 
O parágrafo único do art. 170 também garante a livre-iniciativa, ao esta-
belecer que "é assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade 
econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo 
nos casos previstos em lei". 
Outros dispositivos constitucionais também tratam, direta ou indireta-
mente, da livre-iniciativa, com destaque para o art. 10, que a consagra 
expressamente como fundamento da República (inciso IV), e para o art. 50, 
que afirma ser "livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão, 
atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer" (inciso XIII). 
É importante ressalvar, porém, que embora a nossa Constituição asse-
gure, em mais de um dispositivo, a livre-iniciativa, ela própria restringe 
esse princípio, de modo considerável, ao condicioná-lo ao atendimento de 
qualificações profissionais (art. 50, inciso XIII) ou ao submetê-lo excepcio-
nalmente à necessidade de autorização prévia de órgãos públicos (art. i/o, 
parágrafo único). 
Quanto ao primeiro caso - condicionamento da livre-iniciativa ao aten-
dimento de qualificações profissionais - o entendimento predominante, 
tanto do Poder Executivo Federal quanto do Supremo Tribunal Federal, é 
o de que a imposição de restrições, como a exigência de diploma ou de 
filiação compulsória a um órgão regulamentador, só é legítima quando há 
potencial lesivo no exercício de certa atividade, isto é, quando houver a 
possibilidade de ocorrer dano à sociedade. 
Nesse sentido, podem ser citados alguns vetos do Poder Executivo Fe-
deral a certos dispositivos legais. A lei que regulamentou a profissão de 
designer, por exemplo, foi integralmente vetada, porque previa que so-
mente os titulares de curso superior ou pessoas com experiência mínima 
de três anos até a data de sua publicação poderiam exercer a profissão, o 
que se considerou uma violação da livre-iniciativa, já que não há potencial 
lesivo na atividade regulamentada, de modo que o seu livre exercício não 
possibilita a ocorrência de dano à sociedade. 
No mesmo sentido, podem ser citados também alguns julgados doSTF: 
no julgamento do RE 511.961, a Corte dispensou até mesmo a exigência de 
Cap. i • Teoria Geral do Direito Empresarial 29 
diploma universitário para o exercício da profissão de jornalista; no julga-
mento do RE 414.426, a Corte afastou a obrigatoriedade de os músicos se 
filiarem à Ordem dos Músicos para poderem exercer a sua atividade; já no 
julgamento do RE 603.583, a Corte reconheceu a constitucionalidade Exame 
de Ordem e da consequente necessidade de filiação obrigatória à OAB para 
exercício da profissão de advogado. 
Em suma: não havendo potencial lesivo na atividade nem risco de dano 
para a sociedade (casos das profissões de designer, músico e jornalista), a 
livre-iniciativa foi plenamente assegurada. 
1.5.3. Livre concorrência 
A livre concorrência está expressamente elencada no art. 170 da CF/88 
como princípio geral da atividade econômica (inciso IV), e existem basica-
mente duas formas pelas quais o Estado se propõe a concretizar esse prin-
cípio: coibição das práticas de concorrência desleal, inclusive tipificando-as 
como crimes, e repressão ao abuso de poder econômico, caracterizando-
-os como infração contra a ordem econômica. 
No primeiro caso, as sanções estão previstas nos arts. 183 e seguintes da 
Lei 9.279/1996, e o objeto da punição estatal são condutas que atingem um 
concorrente in concreto (por exemplo: contrafação de marca). No segundo 
caso, por sua vez, as sanções estão previstas no art. 36 da Lei 12.529/2011, 
e o objeto da punição estatal são condutas que atingem a concorrência in 
abstrato, isto é, o próprio ambiente concorrencial (por exemplo: formação 
de cartel). 
1.5.3.1. 0 Sistema Brasileiro de Defesa da Concorrência 
Em princípio, a defesa da livre concorrência poderia significar apenas 
um não fazer estatal, deixando o mercado funcionar livremente, ou no má-
ximo poderia significar uma atuação estatal mínima, coibindo as práticas 
de concorrência desleal mencionadas acima. 
No entanto, há algum tempo o entendimento predominante é o de que 
a livre concorrência pode ser restringida ou eliminada por práticas unila-
terais ou colusivas dos próprios agentes econômicos privados, o que exige 
uma intervenção estatal para prevenir e reprimir essas condutas. Nesse 
sentido, pode ser citado o art. 173, § 4. da CF/88, que assim dispõe: "a lei 
reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mer-
cados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros". 
30 Direito Empresarial - Vol 25 • André Santa Cruz 
Atualmente, a lei a que se refere o dispositivo constitucional em ques-
tão é a Lei 12.529/2011, que disciplina o chamado Direito Antitruste ou Di-
reito Concorrencial. 
Nos termos do seu art. 10, "esta Lei estrutura o Sistema Brasileiro de Defe-
sa da Concorrência - SBDC e dispõe sobre a prevenção e a repressão às in-
frações contra a ordem econômica, orientada pelos ditames constitucionais 
de liberdade de iniciativa, livre concorrência, função social da propriedade, 
defesa dos consumidores e repressão ao abuso do poder econômico". 
O SBDC está atualmente estruturado da seguinte forma: (i) CADE (Con-
selho Administrativo de Defesa Econômica), autarquia federal, com status 
de agência reguladora, subdividida em Tribunal Administrativo, Superin-
tendência Geral e Departamento de Estudos Econômicos, responsável pela 
prevenção e repressão das infrações contra a ordem econômica; e (ii) 
SEAE (Secretaria de Acompanhamento Econômico), órgão do Ministério da 
Fazenda, responsável por exercer a advocacia da concorrência. 
A prevenção de infrações contra a ordem econômica é exercida pelo 
CADE, principalmente, por meio do controle prévio de atos de concentração 
empresarial (fusões, incorporações etc.). De acordo com o art. 88 da Lei 
12.529/2011, "serão submetidos ao CADE pelas partes envolvidas na opera-
ção os atos de concentração econômica em que, cumulativamente: I - pelo 
menos um dos grupos envolvidos na operação tenha registrado, no último 
balanço, faturamento bruto anual ou volume de negócios total no País, no 
ano anterior à operação, equivalente ou superior a RS 750.000.000,00 (sete-
centos e cinquenta milhões de reais); e ll - pelo menos um outro grupo en-
volvido na operação tenha registrado, no último balanço, faturamento bruto 
anual ou volume de negócios total no País, no ano anterior à operação, equi-
valente ou superior a RS 75.000.000,00 (setenta e cinco milhões de reais)".1
Sendo assim, qualquer ato de concentração empresarial (que pode com-
preender desde uma operação societária, como uma fusão ou incorporação, 
até um contrato associativo ou uma aquisição de ativos, sejam eles materiais 
ou imateriais) que tenha, cumulativamente, (i) participação de agente eco-
nômico com faturamento bruto anual ou volume de negócios no Brasil igual 
ou superior a RS 750 milhões (setecentos e cinquenta milhões de reais) e (ii) 
participação de outro agente econômico com faturamento bruto anual ou 
1. Os valores foram atualizados por Portaria Interministerial, nos termos do § 10 do 
próprio art. 88 da Lei 12.529/2011. 
• Teoria Geral do Direito Empresarial 31 
volume de negócios no Brasil igual ou superior a RS 75.000.000,00 (setenta e 
cinco milhões de reais) deverá ser previamente apresentado para análise 
do CADE, que poderá aprová-lo (com ou sem restrições) ou reprová-lo. 
Por outro lado, a repressão de infrações contra a ordem econômica 
é realizada pelo CADE, principalmente, por meio da investigação e puni-
ção das infrações contra a ordem econômica, tanto unilaterais (exemplo: 
precificação predatória) quanto colusivas (exemplo: formação de cartéis). 
De acordo com o art. 36 da Lei 12.529/2011, "constituem infração da or-
dem econômica, independentemente de culpa, os atos sob qualquer forma 
manifestados, que tenham por objeto ou possam produzir os seguintes 
efeitos, ainda que não sejam alcançados: I - limitar; falsear ou de qual-
quer forma prejudicar a livre concorrência ou a livre iniciativa; II - dominar 
mercado relevante de bens ou serviços; III - aumentar arbitrariamente os 
lucros; e IV - exercer de forma abusiva posição dominante". 
O § 30 do referido dispositivo legal o complementa, trazendo um rol exem-
plificativo de condutas unilaterais e colusivas que podem caracterizar o ilí-
cito previsto no caput. Citem-se, por exemplo, as seguintes condutas: "acor-
dar, combinar, manipular ou ajustar com concorrente, sob qualquer forma, 
os preços de bens ou serviços ofertados individualmente" (cartel); "vender 
mercadoria ou prestar serviços injustificadamente abaixo do preço de custo" 
(precificação predatória); "subordinar a venda de um bem à aquisição de 
outro ou à utilização de um serviço, ou subordinar a prestação de um serviço 
à utilização de outro ou à aquisição de um bem" (venda casada); etc. 
Finalmente, a advocacia da concorrência é realizada pela SEAE por 
meio da promoção de uma cultura da concorrência tanto perante o Po-
der Público quanto perante a sociedade civil. De acordo com o art. 19 da 
Lei 12.529/2011, "compete à Secretaria de Acompanhamento Econômico 
promover a concorrência em órgãos de governo e perante a sociedade 
cabendo-lhe, especialmente, o seguinte: I - opinar; nos aspectos referen-
tes à promoção da concorrência, sobre propostas de alterações de atos 
normativos de interesse geral dos agentes econômicos, de consumidores 
ou usuários dos serviços prestados submetidos a consulta pública pelas 
agências reguladoras e, quando entender pertinente, sobre os pedidos 
de revisão de tarifas e as minutas; II - opinar; quando considerar perti-
nente, sobre minutas de atos normativos elaborados por qualquer en-
tidade pública ou privada submetidos à consulta pública, nos aspectos 
referentes à promoção da concorrência; III - opinar; quando considerar 
pertinente, sobre proposições legislativas em tramitação no Congresso 
32 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Nacional, nos aspectos referentes à promoção da concorrência; IV - ela-borar estudos avaliando a situação concorrencial de setores específicos 
da atividade econômica nacional, de ofício ou quando solicitada pelo 
Cade, pela Câmara de Comércio Exterior ou pelo Departamento de Pro-
teção e Defesa do Consumidor do Ministério da justiça ou órgão que vier 
a sucedê-lo; V - elaborar estudos setoriais que sirvam de insumo para a 
participação do Ministério da Fazenda na formulação de políticas públicas 
setoriais nos fóruns em que este Ministério tem assento; VI - propor a 
revisão de leis, regulamentos e outros atos normativos da administração 
pública federal, estadual, municipal e do Distrito Federal que afetem ou 
possam afetar a concorrência nos diversos setores econômicos do País; 
VII - manifestar-se, de ofício ou quando solicitada, a respeito do impacto 
concorrencial de medidas em discussão no âmbito de fóruns negociado-
res relativos às atividades de alteração tarifária, ao acesso a mercados e 
à defesa comercial, ressalvadas as competências dos órgãos envolvidos; 
VIII - encaminhar ao órgão competente representação para que este, a 
seu critério, adote as medidas legais cabíveis, sempre que for identifica-
do ato normativo que tenha caráter anticompetitivo". 
É assim, pois, por meio do controle prévio de atos de concentração 
empresarial, da investigação e punição de infrações contra a ordem eco-
nômica e da promoção de uma cultura da concorrência na sociedade que 
o SBDC se propõe a concretizar o princípio da livre concorrência em nosso 
ordenamento jurídico. 
1.5.4. Tratamento favorecido das ME e EPP 
O art. 170, inciso IX da CF/88 também prevê como princípio geral da 
atividade econômica o "tratamento favorecido para as empresas de pe-
queno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e 
administração no País". 
O art. 179 da CF/88, por sua vez, foi ainda mais direto e específico, deter-
minando que "a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios dispen-
sarão às microempresas e às empresas de pequeno porte, assim definidas 
em lei, tratamento jurídico diferenciado, visando a incentivá-las pela sim-
plificação de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias e 
creditícias, ou pela eliminação ou redução destas por meio de lei". 
Esse tratamento favorecido para as microempresas e empresas de pe-
queno porte era feito por leis ordinárias de cada ente federativo. No âm-
bito federal, havia a Lei 9.317/1996, que tratava do tratamento tributário 
Cap. 1 • Teoria Geral do Direito Empresarial 33 
favorecido, e a Lei 9.841/1999, que tratava dos demais tratamentos favore-
cidos (administrativo, creditício etc.). 
Ocorre que Emenda Constitucional 42/2003 incluiu a alínea d e o parágra-
fo único ao art. 146 da CF/88, exigindo que o tratamento tributário diferen-
ciado e favorecido para as ME e EPP fossem feitos por lei complementar. 
Em obediência ao atual texto constitucional, foi editada a Lei Comple-
mentar 123/2006, que reuniu todos os tratamentos favorecidos para as 
ME e EPP num único diploma legislativo, principalmente o tratamento tri-
butário, que passou a ser feito por um sistema único e integrado, o qual 
engloba tributos municipais, estaduais e federais. 
De acordo com o art. 3. da LC 123/2006, "consideram-se microempresas 
ou empresas de pequeno porte, a sociedade empresária, a sociedade sim-
ples, a empresa individual de responsabilidade limitada e o empresário a 
que se refere o art. 966 da Lei no 10.406, de io de janeiro de 2002 (Código 
Civil), devidamente registrados no Registro de Empresas Mercantis ou no 
Registro Civil de Pessoas jurídicas, conforme o caso, desde que: I - no caso 
da microempresa, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta igual ou 
inferior a RS 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais); e II - no caso da 
empresa de pequeno porte, aufira, em cada ano-calendário, receita bruta 
superior a RS 360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais) e igual ou inferior 
a RS 4.800.000,00 (quatro milhões e oitocentos mil reais)". 
> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(IESES - Cartório - Provimento -11 - CE/2018) Analise a alternativa correta de 
acordo com o que dispõe a legislação vigente. São requisitos para que uma 
sociedade, regularmente registrada, seja considerada microempresa: 
a) Tenha no máximo um único estabelecimento e, cumulativamente, no máxi-
mo dois sócios. 
b) Tenha no máximo um único estabelecimento e, cumulativamente, aufira, em 
cada ano calendário, receita bruta anual igual ou inferior a RS 360.000,00 
(trezentos e sessenta mil reais). 
c) Tenha no máximo um único estabelecimento. 
d) Aufira, em cada ano calendário, receita bruta anual igual ou inferior a RS 
360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais). 
Gabarito: D 
O § 40 do art. 30, porém, estabelece algumas vedações ao gozo dos tra-
tamentos favorecidos previstos na lei, ainda que os requisitos dos incisos I 
34 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
e II, acima transcritos, estejam preenchidos. Diz a norma em questão: "não 
poderá se beneficiar do tratamento jurídico diferenciado previsto nesta Lei 
Complementar, incluído o regime de que trata o art. 12 desta Lei Complemen-
tar, para nenhum efeito legal, a pessoa jurídica: I - de cujo capital participe 
outra pessoa jurídica; II - que seja filial, sucursal, agência ou representação, 
no País, de pessoa jurídica com sede no exterior; Ill - de cujo capital parti-
cipe pessoa física que seja inscrita como empresário ou seja sócia de outra 
empresa que receba tratamento jurídico diferenciado nos termos desta Lei 
Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que 
trata o inciso II do caput deste artigo; IV - cujo titular ou sócio participe com 
mais de 10% (dez por cento) do capital de outra empresa não beneficiada 
por esta Lei Complementar, desde que a receita bruta global ultrapasse o li-
mite de que trata o inciso II do caput deste artigo; V- cujo sócio ou titular seja 
administrador ou equiparado de outra pessoa jurídica com fins lucrativos, 
desde que a receita bruta global ultrapasse o limite de que trata o inciso II 
do caput deste artigo; VI - constituída sob a forma de cooperativas, salvo as 
de consumo; VII - que participe do capital de outra pessoa jurídica; VIII - que 
exerça atividade de banco comercial, de investimentos e de desenvolvimen-
to, de caixa econômica, de sociedade de crédito, financiamento e investi-
mento ou de crédito imobiliário, de corretora ou de distribuidora de títulos, 
valores mobiliários e câmbio, de empresa de arrendamento mercantil, de 
seguros privados e de capitalização ou de previdência complementar; IX - 
resultante ou remanescente de cisão ou qualquer outra forma de desmem-
bramento de pessoa jurídica que tenha ocorrido em um dos 5 (cinco) anos-
-calendário anteriores; X - constituída sob a forma de sociedade por ações; 
e XI - cujos titulares ou sócios guardem, cumulativamente, com o contratante 
do serviço, relação de pessoalidade, subordinação e habitualidade". 
Finalmente, frise-se que o tratamento favorecido para as ME e EPP não 
se restringe ao aspecto tributário. De acordo com o art. io da LC 123/2006, 
os agentes econômicos (empresários individuais, EIRELI, sociedades em-
presárias e sociedades simples) que optarem pela qualificação como ME 
ou [PP gozam dos seguintes benefícios: "I - à apuração e recolhimento dos 
impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos 
Municípios, mediante regime único de arrecadação, inclusive obrigações 
acessórias; II - ao cumprimento de obrigações trabalhistas e previdenciá-
rias, inclusive obrigações acessórias; Ill - ao acesso a crédito e ao mercado, 
inclusive quanto à preferência nas aquisições de bens e serviços pelos 
Poderes Públicos, à tecnologia, ao associativismo e às regras de inclusão; e 
Cap. i • Teoria Geral do Direito Empresarial 35 
IV - ao cadastro nacional único de contribuintes a que se refere o inciso IV 
do parágrafoúnico do art. 146, in fine, da Constituição Federal". 
Quanto ao inciso I, tem-se o SIMPLES NACIONAL (arts. 12 e seguintes), 
regime tributário simplificado pelo qual as ME e EPP podem optar e que 
lhes assegura, pelo menos em tese, carga tributária reduzida e menos exi-
gências burocráticas. 
Quanto ao inciso li, podem ser citadas, por exemplo, as regras do art. 
51, que dispensa as ME e EPP do cumprimento de algumas obrigações tra-
balhistas, e do art. 55, que determina que a fiscalização das ME e EPP seja 
prioritariamente orientadora, estabelecendo-se ainda o critério da dupla 
visita para lavratura de autos de infração. 
Quanto ao inciso Ill, podem ser citadas as regras que asseguram trata-
mento favorecido às ME e EPP em certames licitatórios (por exemplo, o art. 
44 da LC 123/2006, o qual prevê que "nas licitações será assegurada, como 
critério de desempate, preferência de contratação para as microempresas 
e empresas de pequeno porte".). Pode ser citada também a regra que lhe 
permite acesso a linhas de crédito especiais em bancos públicos (art. 58 
da LC 123/2006). 
1 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FCC - JUIZ DE DIREITO - SC/2°17) As microempresas e empresas de pequeno 
porte, nas licitações públicas, 
A) são dispensadas, em qualquer fase, da apresentação de documento com-
probatório de regularidade fiscal. 
B) terão assegurada preferência de contratação, como critério de desempate. 
C) não gozarão de qualquer vantagem em relação às demais empresas parti-
cipantes do certame. 
D) terão assegurada preferência como critério de desempate, somente na mo-
dalidade de pregão. 
E) só poderão participar do certame se os demais licitantes também forem 
aderentes ao Simples Nacional. 
Gabarito: B. 
1.6. FONTES DO DIREITO EMPRESARIAL BRASILEIRO 
O Brasil seguiu inicialmente a inspiração francesa de divisão do Direito 
Privado em dois grandes códigos distintos. Assim, durante muito tempo o 
36 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
regime jurídico comercial brasileiro estava, em linhas gerais, estabelecido 
no Código Comercial de 1850, que era inspirado no Código Comercial fran-
cês de 1808 e orientado pela teoria dos atos de comércio. Estes, por sua 
vez, foram elencados, exemplificativamente, no Regulamento 737/1850. 
CCom/1850 Regulamento 737/1850 
Teoria dos atos de comércio Enumeração dos atos de comércio 
Há alguns anos, porém, houve uma importante mudança: foi editado 
o Código Civil de 2002, que se inspirou no Código Civil italiano de 1942 e, 
por conseguinte, orientou-se na teoria da empresa, abandonando a teoria 
dos atos de comércio. Ademais, o Código Civil de 2002 tentou a unificação 
formal do Direito Privado brasileiro, revogando boa parte do Código Co-
mercial de 1850 e passando a disciplinar, em seu próprio corpo normativo, 
as regras gerais cio Direito Empresarial. 
Parte I parte geral do Direito Comercial (revogada pelo CC/2002) 
Parte II comércio marítimo (ainda em vigor) 
Parte III 
direito falimentar (revogada há bastante tempo; matéria hoje dis-
ciplinada na Lei 11.101/2005) 
1 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(VUNESP/Ti/MG/JUIZ/zoi2) Com a vigência do Novo Código Civil, à luz do artigo 
966, é correto afirmar que o Direito brasileiro concluiu a transição para a: 
a) "teoria da empresa", de matriz francesa. 
b) "teoria da empresa", de matriz italiana. 
c) "teoria dos atos de comércio", de matriz francesa. 
d) "teoria dos atos de comércio", de matriz italiana. 
Gabarito: B. 
Pode-se afirmar, pois, que as principais fontes do Direito Empresarial bra-
sileiro atualmente são as seguintes: (i) o Código Civil de 2002, principalmente 
na parte em que trata do Direito de Empresa, nos arts. 966 a 1.195; (ii) o 
Código Comercial de 1850, que ainda está em vigor na parte que disciplina 
o comércio marítimo; (iii) a legislação esparsa, que cuida de matérias espe-
cíficas como o Direito Falimentar (Lei n.101/2005), o Direito Societário (Lei 
6.404/1976, que regula as sociedades por ações), o Direito Cambiário (Lei Uni-
forme de Genebra, que regula as letras de câmbio e as notas promissórias; 
Lei 7.357/1985, que regula os cheques; Lei 5.474/1968, que regula as duplicatas 
Cap. 1 • Teoria Geral do Direito Empresarial 37 
etc.), o Direito de Propriedade Industrial (Lei 9.279/1996, a chamada de LPI, 
que regula as patentes de invenção e modelo de utilidade e os registros de 
desenho industrial e marca) etc.; (iv) os Tratados e Convenções Internacio-
nais que tratam de matéria relacionada ao Direito Empresarial (Convenção 
da União de Paris, por exemplo, que trata sobre propriedade intelectual), em 
razão do já mencionado cosmopolitismo desse regime jurídico; e (v) os usos 
e costumes mercantis, sobretudo porque o Direito Empresarial, como visto, 
surgiu como um direito consuetudinário, baseado nas práticas mercantis que 
foram surgindo e se desenvolvendo pela própria dinâmica do mercado. 
> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(OAB UNIFICADA - 2007.2) Considerando o atual estágio do direito comercial (ou 
empresarial) brasileiro, assinale a opção correta. 
a) O Código Civil de 2002, assim como o Código Comercial de 1850, adotou a 
teoria da empresa. 
b) O Código Civil de 2002 não revogou a antiga legislação sobre sociedades por 
quotas de responsabilidade limitada. 
c) O Código Civil de 2002 revogou totalmente o Código Comercial de 1850. 
d) A Constituição da República estabelece a competência privativa da União 
para legislar sobre direito comercial (ou empresarial). 
Gabarito: D. 
, •••.-
Capítulo 
Espécies de Empresário 
a 
O conceito de empresário em nosso ordenamento jurídico está descrito 
no art. 966 do Código Civil, que assim dispõe: "considera-se empresário 
quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a 
produção ou a circulação de bens ou de serviços". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CONSULPLAN - CARTÓRIOS - PROVIMENTO - TJ - MG/2017) Segundo o Código Civil, 
considera-se Empresário, 
A) quem exerce profissionalmente atividade com fins lucrativos, independen-
temente da atividade. 
B) quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a 
produção ou a circulação de bens ou de serviços. 
C) quem seja sócio controlador de Sociedades Anônimas. 
ID) quem exerce, ainda que não profissionalmente, atividade com fins lucrati-
vos, organizada, para a execução de serviços, produção de produtos indus-
trializados ou participando da cadeia de circulação destes produtos. 
Gabarito: B. 
(VUNESP/TUMS/CARTÓRIOShoo9) No que concerne à conceituação de empresá-
rio, é correto afirmar que se trata: 
a) do intermediário de serviços e produtos. 
b) do comerciante. 
c) do sujeito de direito que exerce a produção ou a circulação de bens ou de 
serviços, mediante a organização dos fatores de produção, com ou sem fins 
lucrativos. 
d) do sujeito de direito que explora profissionalmente atividade econômica 
organizada para a produção ou circulação de bens ou de serviços. 
e) daquele que combina a aplicação de seus recursos com a finalidade de 
divisão dos frutos ou lucros. 
Gabarito: D. 
40 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
(FCC/ JUIZ/ TJ-AP/ 2009) Considera-se empresário 
A) o profissional da área científica, literária ou artística, desde que se trate de 
atividade habitual, como regra. 
B) quem exerce atividade econômica, habitualmente ou não, desde que desti-
ne a produção de seus bens à venda no mercado. 
C) quem organiza a produção de certa mercadoria, ainda que episodicamente, 
destinando-a à venda no mercado. 
D) quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a 
produção ou a circulação de bens ou de serviços. 
E) quem exerce habitualmente qualquer atividade, econômica ou intelectual, 
para prestação de serviços diretos na comunidade. 
Gabarito: D. 
(FGV/FISCAL RJ/zoio) Segundo o art. 966 do Código Civil, é considerado empre-
sário: 
A) quem é sócio de sociedade empresária dotadade personalidade jurídica. 
B) quem é titular do controle de sociedade empresária dotada de personali-
dade jurídica. 
C) quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a 
produção ou a circulação de bens ou serviços. 
D) quem exerce profissão intelectual de natureza científica, literária ou artística. 
E) quem assume a função de administrador em sociedade limitada ou socie-
dade anônima. 
Gabarito: C. 
(Vunesp - Cartório - Remoção - TJ - SP/2018) Para o Código Civil, o empresário é 
(A) equiparado à pessoa jurídica que pratica a atividade econômica organizada 
para a produção de bens e serviços. 
(B) um indivíduo a quem a lei atribui responsabilidade limitada se tiver integra-
lizado o capital social empregado na produção. 
(C) o sócio de qualquer sociedade empresária, desde que exerça o cargo de 
administrador. 
(D) o agente que exerce profissionalmente atividade econômica organizada 
para a produção e circulação de bens e serviços. 
Gabarito: D 
Cap. 2 • Espécies de Empresário 41 
Vale ressaltar que o empresário pode ser tanto uma pessoa física (ou 
pessoa natural, como preferem alguns) quanto uma pessoa jurídica. No 
primeiro caso, tem-se o empresário individual. No segundo caso, tem-se 
uma EIRELI (empresa individual de responsabilidade limitada) ou uma so-
ciedade empresária (que pode adotar um dos seguintes tipos societários: 
sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita simples, sociedade 
limitada, sociedade em comandita por ações ou sociedade anônima). 
Portanto, aqueles que desejam exercer uma atividade empresarial no 
Brasil devem optar por uma dessas três opções que o ordenamento jurídi-
co empresarial brasileiro lhes oferece: ser empresário individual, constituir 
uma EIRELI ou constituir uma sociedade empresária. 
2.1. EMPRESÁRIO INDIVIDUAL 
Conforme dito, empresário individual é a pessoa física que exerce indi-
vidualmente uma atividade econômica organizada para a produção ou a 
circulação de bens ou de serviços. 
Importante! 
Nesse ponto, é preciso fazer um alerta importante: o fato de o empresário in-
dividual possuir o chamado CNPI (Cadastro Nacional das Pessoas jurídicas) não 
significa que ele é uma pessoa jurídica. Trata-se apenas de um cadastro fiscal, 
que equipara o empresário individual a pessoas jurídicas para fins tributários. 
As pessoas jurídicas de direito privado estão listadas no art. 44 do Código Civil, 
e nesse rol não se encontra o empresário individual. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso 
(Esaf/RFB/AFRF/2oo9) A respeito do empresário individual no âmbito do direito 
comercial, marque a opção correta. 
a) O empresário individual atua sob a forma de pessoa jurídica. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
(VUNESP/WMG/JUIZhot2) No que diz respeito ao empresário individual, assina-
le a alternativa correta: 
a) Não é pessoa jurídica e pode ingressar em juízo em nome próprio. 
b) É pessoa jurídica e não pode ingressar em juízo em nome próprio. 
c) Não é pessoa jurídica e pode ingressar em juízo em nome próprio, mas, 
para tanto, exige-se que tenha CPF (Cadastro de Pessoas Físicas) e não CNPJ 
(Cadastro Nacional de Pessoas jurídicas). 
42 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
d) É pessoa híbrida e, para que ingresse em juízo, é necessário que outorgue 
duas procurações, uma em nome da pessoa física e outra em nome da em-
presa. 
Gabarito: A. 
(VunespITJ/SP/Cartórios/ingresso/2014) Assinale a alternativa correta: 
a) O empresário individual não é considerado pessoa jurídica mesmo após o 
registro de comércio competente. 
*A alternativa foi considerada CORRETA. 
A grande vantagem de constituir uma pessoa jurídica para exercício de 
uma atividade empresarial é que a pessoa jurídica (EIRELI ou sociedade 
empresária) tem personalidade e patrimônio próprios, distintos da per-
sonalidade e do patrimônio dos que a constituíram (titular da EIRELI ou 
sócios da sociedade empresária). Assim, os bens particulares do titular de 
uma EIRELI ou dos sócios de uma sociedade empresária, em princípio, não 
podem ser executados por dívidas da respectiva pessoa jurídica, senão 
depois de executados os bens dela (nesse sentido, confira-se o disposto 
no art. 1.024 do Código Civil). 
O empresário individual, por ser pessoa física, não goza dessa separa-
ção patrimonial, respondendo com todos os seus bens, inclusive os pes-
soais, pelo risco do empreendimento. Sendo assim, pode-se concluir que, 
enquanto a responsabilidade do titular de uma EIRELI e dos sócios de uma 
sociedade empresária é subsidiária (já que primeiro devem ser executa-
dos os bens da própria pessoa jurídica), a responsabilidade cio empresá-
rio individual é direta, já que não existe um patrimônio separado e autô-
nomo a ser executado previamente. 
I Importante! 
A respeito do assunto, confira-se o Enunciado 5 das jornadas de Direito Comer-
cial do CJF: "quanto às obrigações decorrentes de sua atividade, o empresário 
individual tipificado no art. 966 do Código Civil responderá primeiramente com 
os bens vinculados à exploração de sua atividade econômica, nos termos do 
art. 1.024 do Código Civil". Eu até acho justo esse entendimento, mas não há 
como negar que ele decorre de uma interpretação muito extensiva do art. 1.024 
do Código Civil, que é uma regra específica das sociedades. 
Cap. 2 • Espécies de Empresário 43 
Ademais, a responsabilidade do titular de uma EIRELI e dos sócios de 
algumas sociedades empresárias (sociedade limitada e sociedade anôni-
ma, por exemplo), além de ser subsidiária, é limitada. Na EIRELI e nessas 
sociedades, o titular/sócio se compromete a contribuir com determinada 
quantia para a formação do capital da pessoa jurídica, e sua responsa-
bilidade fica adstrita, em princípio, a esse valor. Integralizado o capital, 
os bens particulares do titular da EIRELI e dos sócios dessas sociedades 
não podem ser executados por dívidas da pessoa jurídica, mesmo que os 
bens dela não sejam suficientes para pagamento das dívidas. Devem ser 
ressalvadas, obviamente, as hipóteses excepcionais de responsabilização 
pessoal e direta do titular da EIRELI e dos sócios dessas sociedades pela 
prática de atos ilícitos, bem como a possibilidade de desconsideração da 
personalidade jurídica desses entes (art. 50 do Código Civil). 
Já o empresário individual, em nosso ordenamento jurídico, além de 
responder diretamente com todos os seus bens pelas dívidas contraídas 
no exercício de atividade econômica (inclusive seus bens pessoais), não 
goza da prerrogativa de limitação de responsabilidade. 
Portanto, enquanto a responsabilidade do empresário individual é 
direta e ilimitada, a responsabilidade do titular de uma EIRELI ou do 
sócio de uma sociedade empresária é subsidiária (seus bens só podem 
ser executados após a execução dos bens sociais) e limitada (quanto às 
sociedades, essa limitação de responsabilidade vai depender do tipo 
societário utilizado). 
Importante! 
Algumas sociedades empresárias, a despeito de assegurarem a responsabi-
lidade subsidiária aos seus sócios, nos termos do art. 1.024 do Código Civil, 
não asseguram a prerrogativa extra da limitação de responsabilidade. É o que 
ocorre, por exemplo, com todos os sócios de uma sociedade em nome coletivo 
(art. 1.039 do Código Civil) e com os sócios comanditados de uma sociedade em 
comandita simples (art. 1.045 do Código Civil). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(VUNESP/TUSP/CARTÓRIOS/INGRESSO/2014) Assinale a alternativa correta: 
c) O empresário individual tem sua responsabilidade limitada ao total do ca-
pital social. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
44 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Do que se expôs acima, fica fácil entender porque, no Brasil, o exercício 
de atividade empresarial por meio da constituição de uma pessoa jurídica 
(EIRELI ou sociedade empresária) é mais atrativo do que o exercício de 
atividade empresarial como pessoa física (empresário individual). A cons-tituição de uma pessoa jurídica para exploração de atividade econômica 
permite um melhor cálculo do risco empresarial, resguardando os bens 
pessoais do empreendedor em caso de insucesso do empreendimento. 
2.1.1. Profissionais intelectuais 
Existem pessoas que, a despeito de exercerem atividade econômica 
profissionalmente, não são consideradas como empresários pela legisla-
ção brasileira. Trata-se dos profissionais intelectuais (ou profissionais li-
berais), cuja situação legal específica está prevista no art. 966, parágrafo 
único do Código Civil, que possui a seguinte redação: "não se considera 
empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, lite-
rária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, 
salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa". 
Em princípio, portanto, os profissionais intelectuais (advogados, médi-
cos, professores etc.) não são considerados empresários, salvo se o exer-
cício da profissão constituir elemento de empresa, isto é, salvo se a ex-
ploração de suas respectivas profissões intelectuais adquirir uma forma 
empresarial. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(vuNEsP/Tj/sP/cARTóRios/2011) Leia as afirmações e assinale a alternativa in-
correta. 
d) Pode ser considerado empresário aquele que exerce profissão artística, 
conquanto o exercício da profissão constitua elemento de empresa. 
* A alternativa foi considerada CORRETA. 
Assim, enquanto o profissional intelectual apenas exerce sua respec-
tiva profissão pessoal e diretamente, ainda que com o intuito de lucro e 
mesmo contratando alguns auxiliares, ele não é considerado empresário 
para os efeitos legais. No entanto, a partir do momento em que ele dá 
uma forma empresarial ao exercício de sua profissão intelectual, será 
considerado empresário e passará a ser regido pelas normas do Direito 
Empresarial. 
Cap. 2 • Espécies de Empresário 45 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/TABELIÃO/TJSE/20-07-2014) Em relação à atividade empresarial, julgue: 
Se um profissional intelectual contratar auxiliares para o desempenho de sua 
atividade, essa atividade passa a ser considerada atividade empresarial. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
Quando, por exemplo, o exercício de sua profissão intelectual se tornar 
impessoal, e os serviços não estiverem mais ligados à pessoa do profissional 
em si, mas a uma organização empresarial específica da qual aquele profis-
sional se tornou um agente organizador, será ele considerado empresário. 
Exemplificando: se um determinado professor vive da sua profissão in-
telectual, ministrando aulas particulares nas residências dos seus alunos, 
ele não é considerado empresário. Mesmo se ele aluga uma sala comer-
cial, contrata uma secretária e passa a ministrar aulas a grupos de alunos 
regularmente, isso não é suficiente, em princípio, para caracterizá-lo como 
empresário à luz do art. 966, parágrafo único do Código Civil. Entretanto, 
se ele é o dono de uma instituição de ensino (uma escola ou uma faculda-
de) na qual não só ele atua como professor, mas diversas outras pessoas 
por ele contratadas, percebe-se que o exercício de sua profissão intelec-
tual (ministrar aulas pessoalmente) deixou de ser a atividade preponde-
rante, passando a ser apenas uma das atividades desempenhadas (geren-
ciar toda a administração da escola, por exemplo), ou seja, o exercício de 
sua profissão intelectual passou a ser um mero "elemento de empresa", 
nos termos do dispositivo legal e questão. 
A propósito, confiram-se os enunciados 193, 194 e 195 das Jornadas 
de Direito Civil do CIF sobre o assunto: "o exercício das atividades de na-
tureza exclusivamente intelectual está excluído do conceito de empresa"; 
"os profissionais liberais não são considerados empresários, salvo se a 
organização dos fatores de produção for mais importante que a atividade 
pessoal desenvolvida"; e "a expressão 'elemento de empresa' demanda 
interpretação econômica, devendo ser analisada sob a égide da absorção 
da atividade intelectual, de natureza científica, literária ou artística, como 
um dos fatores da organização empresarial". 
2.1.2. A inscrição do empresário individual 
O empresário individual deve registrar-se no órgão competente, que é 
a Junta Comercial da sua respectiva unidade federativa, antes de iniciar 
46 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
o exercício de suas atividades. É o que determina o art. 967 do Código 
Civil: "é obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Em-
presas Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade" 
(essa obrigação legal é extensiva, obviamente, à EIRELI e à sociedade 
empresária). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(Consulplan - Titular de serviços de notas e registros - TJMG - 2010 Segundo o 
art. 966 do Código Civil, considera-se empresário quem exerce profissionalmen-
te atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens 
ou de serviços. À luz do Código Civil, a respeito da atividade de empresário, 
analise as afirmativas a seguir. 
I. Antes do início de sua atividade, é obrigatória a inscrição do empresário no 
Registro Público de Empresas Mercantis da respectiva sede. 
* A afirmativa foi considerada correta. 
Vale salientar; porém, que o registro na Junta Comercial tem caráter 
declaratório, e não constitutivo, ou seja, não é o registro que caracte-
riza alguém como empresário, e sim o efetivo de exercício de atividade 
econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de 
serviços. 
Se alguém exerce empresa sem o prévio registro na Junta, isso não 
significa que ele não é empresário, mas apenas que está irregular. Nesse 
sentido, confiram-se os enunciados 198 e 199 das Jornadas de Direito 
Civil do CJF: "a inscrição do empresário na Junta Comercial não é requisi-
to para a sua caracterização, admitindo-se o exercício da empresa sem 
tal providência. O empresário irregular reúne os requisitos do art. 966, 
sujeitando-se às normas do Código Civil e da legislação comercial, salvo 
naquilo em que forem incompatíveis com a sua condição ou diante de 
expressa disposição em contrário"; e "a inscrição do empresário ou so-
ciedade empresária é requisito delineador de sua regularidade, e não da 
sua caracterização". 
A irregularidade no exercício de atividade empresarial acarreta algu-
mas consequências negativas, como a impossibilidade de requerimento 
de recuperação judicial em caso de crise (o art. 48 da Lei 11.101/zoos 
exige que o empresário esteja exercendo atividade empresarial regular-
mente por mais de dois anos para que possa requerer o benefício da 
recuperação judicial). 
Cap. 2 • Espécies de Empresário 47 
1 Importante! 
Caso o empresário individual preencha os requisitos para enquadramento 
como Microempreendedor Individual - MEI (art. 18-A, § io da Lei Complementar 
123/2006), seu procedimento de inscrição (registro) é mais simplificado, sendo 
realizado de forma eletrônica no portal do empreendedor (www.portaldoem-
preendedorgov.br), em obediência ao disposto no art. 968, § 4Q do Código Civil. 
2.1.3. Tratamento especial do empresário rural 
O Código Civil deu tratamento especial às pessoas que exercem ativida-
de econômica rural, excluindo-as da obrigatoriedade de registro na Junta 
Comercial prevista no art. 967. 
Conforme vimos, todo empresário, antes de iniciar o exercício da ativi-
dade empresarial, tem que se registrar na Junta Comercial. Para aqueles 
que exercem atividade econômica rural, todavia, o Código Civil conce-
deu a faculdade de registro perante a Junta Comercial da sua unidade 
federativa. 
Assim, se aquele que exerce atividade econômica rural não se registrar 
na Junta Comercial, não será considerado empresário para os efeitos le-
gais (por exemplo, não se submeterá ao regime jurídico da Lei 11.101/2005, 
que trata da falência e da recuperação judicial e extrajudicial). Em contra-
partida, se eleoptar por se registrar, será considerado empresário para 
todos os efeitos legais. 
Confira-se, a propósito, a regra em questão, prevista no art. 971 do 
Código Civil: "o empresário, cuja atividade rural constitua sua principal 
profissão, pode, observadas as formalidades de que tratam o art. 968 
e seus parágrafos, requerer inscrição no Registro Público de Empresas 
Mercantis da respectiva sede, caso em que, depois de inscrito, ficará 
equiparado, para todos os efeitos, ao empresário sujeito a registro". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(ESAF/RFB/AFRFhoo9) A respeito do empresário individual no âmbito do direito 
comercial, marque a opção correta. 
d) O empresário, cuja atividade principal seja a rural, não pode registrar-se no 
Registro Público de Empresas. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
48 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
(Cespe - Juiz de Direito - TJ - PR/2019) Conforme o Código Civil, equipara-se à 
condição de pessoa empresária 
A) um grupo de pessoas que pretenda constituir uma cooperativa para inter-
mediar a venda de produtos fabricados em determinada comunidade. 
B) um casal que resolva criar um instituto exclusivamente para difundir infor-
mações sobre determinada causa social. 
C) um empresário rural cuja principal atividade seja a agricultura e que esteja 
devidamente inscrito no Registro Público de Empresas Mercantis. 
D) um artista plástico famoso que angarie grandes valores com a venda de 
obras plásticas por ele confeccionadas. 
Gabarito: C. 
Conclui-se, pois, que para quem exerce atividade econômica rural o 
registro na Junta Comercial tem natureza constitutiva, e não meramente 
declaratória. Com efeito, o registro não é requisito para que alguém seja 
considerado empresário, mas apenas uma obrigação legal imposta aos 
praticantes de atividade econômica. Quanto ao exercente de atividade 
econômica rural, essa regra é excepcionada, sendo o registro na Junta 
condição indispensável para sua caracterização como empresário e con-
sequente submissão ao regime jurídico empresarial. 
Ressalte-se que regra idêntica à do art. 971 foi prevista para a socie-
dade que tem por objeto social a exploração de atividade econômica 
rural (art. 984 do Código Civil: "a sociedade que tenha por objeto o 
exercício de atividade própria de empresário rural e seja constituída, 
ou transformada, de acordo com um dos tipos de sociedade empre-
sária, pode, com as formalidades do art. 968, requerer inscrição no 
Registro Público de Empresas Mercantis da sua sede, caso em que, de-
pois de inscrita, ficará equiparada, para todos os efeitos, à sociedade 
empresária"). 
Sobre os arts. 971 e 984 do Código Civil, os enunciados 201 e 202 das 
Jornadas de Direito Civil do CIF e o enunciado 62 das Jornadas de Direito 
Comercial do CJF dispõem o seguinte, respectivamente: "o empresário 
rural e a sociedade empresária rural, inscritos no registro público de em-
presas mercantis, estão sujeitos à falência e podem requerer concordata" 
[leia-se recuperação judicial ou extrajudicial]; "o registro do empresário 
ou sociedade rural na Junta Comercial é facultativo e de natureza cons-
titutiva, sujeitando-o ao regime jurídico empresarial. É inaplicável esse 
Cap. 2 • Espécies de Empresário 49 
regime ao empresário ou sociedade rural que não exercer tal opção"; e 
"o produtor rural, nas condições mencionadas no art. 971 do Código Civil, 
pode constituir EIRELI". 
Registro dos empresários em geral: 
- Obrigação imposta pela lei (art. 967 do CC) 
- Efeito meramente declaratório 
Registro dos que exercem atividade econômica rural: 
- Faculdade conferida pela lei (art. 971 do CC) 
- Efeito constitutivo 
2.1.4. Impedimentos legais ao exercício de empresa 
De acordo com o art. 972 do Código Civil, "podem exercer a ativi-
dade de empresário os que estiverem em pleno gozo da capacidade 
civil e não forem legalmente impedidos". Da leitura desse dispositivo 
legal pode-se afirmar, pois, que a pessoa física que queira exercer 
atividade econômica na qualidade de empresário individual precisa 
preencher dois requisitos: capacidade civil e ausência de impedimen-
to legal. 
> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(ESAF/RFB/AFRF/2oo9) A respeito do empresário individual no âmbito do direito 
comercial, marque a opção correta. 
c) O analfabeto não pode registrar-se como empresário individual. 
*A alternativa foi considerada ERRADA, porque o analfabeto não é incapaz nem 
impedido. 
Tratemos, por ora, da situação dos impedidos, deixando a situação dos 
incapazes para o tópico seguinte. 
Normalmente, os impedimentos legais ao exercício de empresa estão 
em normas de direito público e visam a proteger a coletividade, evitando 
que esta negocie com determinadas pessoas em virtude de sua função 
ou condição ser incompatível com o exercício de atividade empresarial. 
Podem ser citados os seguintes exemplos: art. 117, X, da Lei 8.112/199o, 
relativo aos servidores públicos federais; art. 36, I, da LC 35/1979 - Lei Or-
gânica da Magistratura Nacional -, relativo aos magistrados; art. 44, III, da 
Lei 8.625/1993, relativo aos membros do Ministério Público; art. 29 da Lei 
6.880/1980, relativo aos militares. 
50 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPEAUIZMDFT/14-12-2014) Em relação ao empresário e à sociedade empresária 
Promotor de justiça que seja sucessor de empresário regularmente estabeleci-
do pode registrar-se como empresário. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
Importante! 
É preciso ressaltar que esses impedimentos legais se referem ao exercício in-
dividual de empresa, não sendo vedado, em princípio, que alguns impedidos 
sejam titulares de EIRELI ou sócios de sociedades empresárias, uma vez que, 
nesses casos, quem exerce a atividade empresarial é a própria pessoa jurídi-
ca. Os impedidos não podem, porém, possuir responsabilidade ilimitada nem 
exercer poderes de administração. 
Em suma: havendo impedimento legal, como no caso dos servidores públicos 
(art. 117, inciso X da Lei 8.112/1990), a pessoa não pode se registrar como em-
presário individual, não pode ser sócio de responsabilidade ilimitada (sócio 
comanditado de uma sociedade em comandita simples, por exemplo) nem 
pode ser sócio administrador (nesse caso pouco importa o tipo societário). 
Por fim, o art. 973 do Código Civil deixa claro que as obrigações contraí-
das por um empresário impedido não são nulas. Ao contrário, elas terão 
plena validade em relação a terceiros de boa-fé que com ele contratarem. 
Assim, "a pessoa legalmente impedida de exercer atividade própria de 
empresário, se a exercer, responderá pelas obrigações contraídas". 
2.1.5. Empresário individual incapaz 
Embora o art. 972 do Código Civil estabeleça que, como regra, o incapaz 
não pode ser empresário individual, o art. 974 do Código Civil abre duas ex-
ceções, permitindo o exercício de empresa por incapaz quando (i) a incapaci-
dade for superveniente ou (ii) ele herde a atividade empresarial de alguém. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(3° CONCURSO DEFENSORIA PÚBLICA/SP - FCC) Assinale a alternativa correta. 
(B) No ordenamento brasileiro, o incapaz não pode exercer a atividade de 
empresário, pois sobre os seus bens não podem recair os resultados negativos 
da empresa. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
Cap. 2 • Espécies de Empresário 51 
(Consulplan - Titular de serviços de notas e registros - TJMG - 2019) Segundo o 
art 966 do Código Civil, considera-se empresário quem exerce profissionalmen-
te atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens 
ou de serviços. À luz do Código Civil, a respeito da atividade de empresário, 
analise as afirmativas a seguir. 
II. Desde que esteja devidamente representado ou assistido, a incapacidade 
superveniente não impede o empresário de dar continuidade à empresa. 
* A afirmativa foi considerada correta. 
Em primeiro lugar,destaque-se que o caput do art. 974 do Código Civil 
também se refere ao exercício individual de empresa. Trata-se, pois, de 
casos em que o incapaz será autorizado a explorar atividade empresarial 
individualmente, ou seja, na qualidade de empresário individual (pessoa 
física). A possibilidade de o incapaz ser sócio de uma sociedade empre-
sária configura situação totalmente distinta, já que o sócio de uma socie-
dade não é empresário (a propósito, ver art. 974, § 30 do Código Civil). 
Outra observação a ser feita sobre o artigo em comento é que as duas 
situações excepcionais em que se admite o exercício de empresa por in-
capaz são para que ele continue a exercer uma empresa, mas nunca para 
que ele inicie o exercício de uma atividade empresarial. 
Essa continuação do exercício de atividade empresarial por incapaz 
ocorrerá nos casos em que (i) ele mesmo já exercia a atividade empresa-
rial, sendo a incapacidade, portanto, superveniente; ou (ii) a atividade em-
presarial era exercida por outrem, de quem o incapaz adquire a titularida-
de do seu exercício por sucessão causa mortis. Nesse sentido, confira-se o 
enunciado 203 das jornadas de Direito Civil do CJF: "o exercício de empresa 
por empresário incapaz, representado ou assistido, somente é possível 
nos casos de incapacidade superveniente ou incapacidade do sucessor na 
sucessão por morte". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(Cespe - Delegado de Polícia - PC - SE/2018) A respeito das condições para o 
exercício de atividade comercial, julgue os itens subsequentes. 
O incapaz é impedido de iniciar atividade empresarial individual, mas poderá, 
excepcionalmente, ser autorizado a dar continuidade a atividade empresária 
preexistente. 
*A afirmativa foi considerada CORRETA. 
52 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
A autorização para que o incapaz continue o exercício da empresa 
será dada pelo juiz, em procedimento de jurisdição voluntária e após a 
oitiva do Ministério Público, conforme determina o art. 178, inciso II, do 
novo CPC. O magistrado, em ambos os casos, observará a conveniência de 
o incapaz exercer a atividade, segundo dispõe o art. 974, § 10, do Código 
Civil: "nos casos deste artigo, precederá autorização judicial, após exame 
das circunstâncias e dos riscos da empresa, bem como da conveniência 
em continuá-la, podendo a autorização ser revogada pelo juiz, ouvidos 
os pais, tutores ou representantes legais do menor ou do interdito, sem 
prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros". 
Se o juiz entender conveniente a continuação do exercício da empresa 
pelo incapaz, concederá um alvará autorizando-o a tanto, por meio de 
representante ou assistente, conforme o grau de sua incapacidade. Se o 
assistente ou representante for impedido, haverá a nomeação de um ou 
mais gerentes, com aprovação cio juiz (art. 975 do Código Civil). Do mesmo 
modo será nomeado gerente em todos os casos em que o juiz entender 
ser conveniente (§ 10), e a aprovação do juiz não exime o representante ou 
assistente do menor ou do interdito da responsabilidade pelos atos dos 
gerentes nomeados (§ 20). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO - PR/2017) Com relação a empresário e atividade de 
empresa, assinale a opção correta. 
C) A continuidade do exercício de empresa por quem era capaz e deixou de 
sê-lo prescinde de autorização judicial. 
*A alternativa foi considerada ERRADA. 
(CESPE/JUIZÍTJDFT/14-12-2014) Em relação ao empresário e à sociedade empre-
sária: 
Considere que Cícero, juiz de direito, seja representante legal de Jonas, em-
presário de vinte e oito anos de idade recentemente interditado judicialmente. 
Nessa situação hipotética, admite-se a continuidade da atividade empresarial 
pelo interditado, desde que Cícero seja nomeado para gerenciar a empresa. 
*A afirmativa foi considerada ERRADA. 
É preciso atentar, nesse ponto, para a interessante previsão contida no 
art. 974, § 2° do Código Civil: "não ficam sujeitos ao resultado da empresa 
os bens que o incapaz já possuía, ao tempo da sucessão ou da interdição, 
Cap. 2 • Espécies de Empresário 53 
desde que estranhos ao acervo daquela, devendo tais fatos constar do 
alvará que conceder a autorização". 
Assim, no alvará em que se autorizará a continuação do exercício da em-
presa, o juiz deverá relacionar os bens que o incapaz já possuía antes da 
sucessão ou interdição, bens estes que não se sujeitarão ao resultado da 
empresa, ou seja, que não poderão ser executados por dívidas contraídas, a 
partir daquela data, em decorrência do exercício da atividade empresarial. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(VUNESPMSP/JUIZ/2o13) O Juiz que autorizar o incapaz, por meio de seu repre-
sentante, continuar a empresa antes exercida por seus pais poderá: 
a) limitar a responsabilidade do incapaz pelas dívidas da empresa autorizada. 
b) eximir o representante do incapaz pelos atos do gerente nomeado. 
c) especificar, segundo seu livre convencimento, quais os bens que ficarão 
sujeitos ao resultado da empresa. 
d) ordenar e aprovar a nomeação de gerente em todos os casos em que en-
tender conveniente. 
Gabarito: D. 
(FCC - Auditor Fiscal da Receita Estadual - SEFAZ - SC/2018) Poderá o incapaz, 
por meio de representante ou devidamente assistido, continuar a empresa an-
tes exercida por ele enquanto capaz, por seus pais ou pelo autor de herança. 
Nessa hipótese, 
(A) precederá autorização judicial, após exame das circunstâncias e dos riscos da 
empresa, bem como da conveniência em continuá-la, podendo a autorização 
ser revogada pelo juiz, ouvidos os pais, tutores ou representantes legais do 
menor ou do interdito, sem prejuízo dos direitos adquiridos por terceiros. 
(B) não há necessidade de autorização judicial, bastando a representação ou 
assistência regular, por conta e risco do representante legal do incapaz no 
tocante às relações jurídicas da empresa com terceiros e em face dos de-
mais sócios. 
(C) há necessidade de autorização judicial, que uma vez concedida será irrevo-
gável, após exame das circunstâncias e dos riscos da empresa em continuá-
-la, ouvidos os representantes legais do incapaz e sem prejuízo dos direitos 
de terceiros. 
(D) precederá autorização judicial, passível de revogação eventual, após exa-
me das circunstâncias, conveniência e riscos da continuação da empresa, 
ouvidos os representantes legais do incapaz e com prejuízo dos direitos 
adquiridos por terceiros. 
54 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
(E) em regra, não haverá necessidade de autorização judicial, salvo se tercei-
ros a pleitearem, bastando a administração da empresa pelos representan-
tes legais do incapaz, com ratificação oportuna de seus atos pelos demais 
diretores e sócios da empresa. 
Gabarito: A. 
Empresário individual incapaz: 
- Art. 974, caput do CC 
- Apenas para continuar atividade empresarial 
- Somente em casos de incapacidade superveniente ou sucessão causa mortis 
- Necessidade de autorização judicial 
Sócio incapaz: 
- Aft. 974, § 3. do CC 
- Pode constituir sociedade ou ingressar em sociedade já existente 
- Em qualquer situação 
- Desnecessidade de autorização judicial 
2.1.6. Empresário individual casado 
O Código Civil também trouxe algumas regras especiais aplicáveis ao 
empresário casado, regras que se aplicam, por óbvio, ao empresário in-
dividual, já que na sociedade empresária, repita-se, quem é o titular da 
empresa é a própria pessoa jurídica. 
De acordo com o art. 978 do Código Civil, "o empresário casado pode, 
sem necessidade de outorga conjugal, qualquer que seja o regime de bens, 
alienar os imóveis que integrem o patrimônio da empresa ou gravá-los de 
ônus real". Sobre esse dispositivo legal, foi aprovado o Enunciado 58 das 
Jornadas de Direito Comercial do CJF, com o seguinte teor: "o empresário 
individual casado é o destinatário da norma do art. 978 do CCB e não de-
pende da outorga conjugal para alienar ou gravar de ônus real o imóvelutilizado no exercício da empresa, desde que exista prévia averbação de 
autorização conjugal à conferência do imóvel ao patrimônio empresarial 
no cartório de registro de imóveis, com a consequente averbação do ato à 
margem de sua inscrição no registro público de empresas mercantis". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO - PR/2(w) Com relação a empresário e atividade de 
empresa, assinale a opção correta. 
B) A empresária casada sob o regime de comunhão universal não precisa da 
outorga conjugal para alienar os imóveis que integrem o patrimônio da 
empresa. 
* A alternativa foi considerada CORRETA. 
Cap. 2 • Espécies de Empresário 55 
(Vunesp/TJ/SP/Cartórioshon) Leia as afirmações e assinale a alternativa incorreta. 
a) O empresário casado, exceto no caso de regime de separação de bens, 
não pode alienar bens imóveis que integram o patrimônio da empresa sem 
autorização do cônjuge. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
(CESPE-PGM-NATAL/2008) Heitor, empresário, casado com Luciana sob o regime 
de comunhão parcial de bens, vendo-se em situação financeira delicada, haja 
vista que não possuía dinheiro suficiente para pagar seus fornecedores, de-
cidiu vender um dos imóveis do patrimônio da empresa. A partir da situação 
hipotética apresentada e de acordo com o disposto no Código Civil acerca do 
direito de empresa, assinale a opção correta. 
A) Heitor necessitará de outorga conjugal para promover a venda do bem, por 
que o negócio envolverá a alienação de imóvel. 
B) Heitor somente poderia alienar o imóvel sem necessidade de outorga con-
jugal se fosse casado no regime da separação de bens. 
C) Independentemente do regime de bens do casamento, Heitor pode promo-
ver a alienação do imóvel da empresa sem outorga judicial. 
D) Caso fique provado que a alienação do imóvel será realizada em benefício 
do casal, a eventual discordância da esposa de Heitor com relação à venda 
do referido imóvel preserva a este a possibilidade de requerer o suprimen-
to judicial da outorga. 
Gabarito: C. 
(Vunesp - Cartório - Remoção - Ti - SP/2o113) Segundo o Código Civil, é correto 
afirmar que 
(A) o empresário individual casado só precisa de anuência do cônjuge para 
alienar bens imóveis empregados na atividade empresarial, caso o capital 
não esteja integralizado. 
(B) é necessário examinar o contrato social para verificar se o empresário indi-
vidual casado necessita de anuência do cônjuge para alienar bens integran-
tes do ativo imobilizado. 
(C) o empresário individual casado pode alienar bens imóveis que integrem o 
patrimônio da empresa sem outorga conjugal. 
(D) o empresário individual casado só precisa de anuência do cônjuge para 
alienar bens móveis empregados na atividade empresarial se o regime for 
de comunhão. 
Gabarito: C 
56 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
(Consulplan - Titular de serviços de notas e registros - TJMG - 2019) Segundo o 
art. 966 do Código Civil, considera-se empresário quem exerce profissionalmen-
te atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens 
ou de serviços. À luz do Código Civil, a respeito da atividade de empresário, 
analise as afirmativas a seguir. 
Ill. A outorga conjugal não é condição para que o empresário casado possa 
alienar imóveis que integram o patrimônio da empresa. 
* A afirmativa foi considerada correta. 
(Cespe - Defensor Público - DPE- DF/2o19) Amélia, casada sob o regime de comu-
nhão universal de bens, exerce empresa na qualidade de empresária individual. 
Ela pretende formalizar a colaboração de seu filho, maior de idade, que a ajuda 
informalmente, tornando-o sócio. Uma vez em sociedade, pretende instituir filial 
em cidade vizinha sujeita à jurisdição de outro registro público de empresas 
mercantis. Para tanto, planeja vender um imóvel que integra o patrimônio da em-
presa. Contudo, Amélia desconhece os requisitos legais para essas providências. 
Considerando essa situação hipotética, julgue os seguintes itens. 
Amélia não necessita de prévia outorga conjugal para vender o imóvel perten-
cente à empresa. 
*A afirmativa foi considerada CERTA. 
Já 0 art. 979 do Código Civil, por sua vez, determina que, "além de 
no Registro Civil, serão arquivados e averbados, no Registro Público de 
Empresas Mercantis, os pactos e declarações antenupciais do empre-
sário, o título de doação, herança, ou legado, de bens clausulados de 
incomunicabilidade ou inalienabilidade". Assim, se estes atos não forem 
devidamente registrados na Junta Comercial, o empresário não poderá 
opô-los contra terceiros. 
Por fim, no mesmo sentido da regra acima comentada, o art. 980 do 
Código Civil prevê o seguinte: "a sentença que decretar ou homologar a 
separação judicial do empresário e o ato de reconciliação não podem ser 
opostos a terceiros, antes de arquivados e averbados no Registro Público 
de Empresas Mercantis". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(Consulplan - Titular de serviços de notas e registros - TJMG - 2019) 
Segundo o art. 966 do Código Civil, considera-se empresário quem exerce pro-
fissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circula-
ção de bens ou de serviços. À luz do Código Civil, a respeito da atividade de 
empresário, analise as afirmativas a seguir. 
Cap. 2 • Espécies de Empresário 57 
IV. A sentença que decreta ou homologa a separação judicial do empresário 
não pode ser oposta a terceiros antes de arquivada e averbada no Registro 
Público de Empresas Mercantis. 
* A afirmativa foi considerada correta. 
2.1.7. Prepostos do empresário 
O empresário individual, conforme já dito, é uma pessoa física que exer-
ce individualmente uma empresa (atividade econômica organizada para 
produção ou circulação de bens ou serviços), de modo profissional. isso 
significa que essa pessoa física é a única titular da atividade empresarial 
que explora, assumindo pessoalmente os riscos do empreendimento. Não 
significa, entretanto, que essa pessoa atue isoladamente, sem o auxílio de 
quaisquer outras pessoas. 
Os auxiliares do empresário individual são disciplinados pelo Código 
Civil como prepostos, dando-se especial atenção ao gerente. 
De acordo com o art. 1.169 do Código Civil, "o preposto não pode, sem 
autorização escrita, fazer-se substituir no desempenho da preposição, sob 
pena de responder pessoalmente pelos atos do substituto e pelas obriga-
ções por ele contraídas". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - AM/2016) No que se refere às espécies de 
empresário, seus auxiliares e colaboradores e aos nomes e livros empresa-
riais, assinale a opção correta. 
A) É suficiente autorização verbal do empresário para que seu preposto possa 
fazer-se substituir no desempenho da preposição. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
O art. 1.170 do Código Civil, por sua vez, estabelece o seguinte: "o pre-
posto, salvo autorização expressa, não pode negociar por conta própria 
ou de terceiro, nem participar, embora indiretamente, de operação do 
mesmo gênero da que lhe foi cometida, sob pena de responder por per-
das e danos e de serem retidos pelo preponente os lucros da operação". 
Por fim, o art. Lip. do Código Civil determina que "considera-se per-
feita a entrega de papéis, bens ou valores ao preposto, encarregado pelo 
58 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
preponente, se os recebeu sem protesto, salvo nos casos em que haja 
prazo para reclamação". 
2.1.7.1. Gerente 
Segundo o art. 1.172 do Código Civil, "considera-se gerente o preposto 
permanente no exercício da empresa, na sede desta, ou em sucursal, filial 
ou agência". Como o gerente é o preposto ao qual se atribuem funções 
de chefia, dispõe o art. 1.173 do Código Civil que, "quando a lei não exigir 
poderes especiais, considera-se o gerente autorizado a praticar todos os 
atos necessários ao exercício dos poderes que lhe foram outorgados". Se 
o empresário possuir mais de um gerente,consideram-se solidários os po-
deres a eles conferidos, salvo se houver alguma estipulação expressa em 
sentido diverso (art. 1.173, parágrafo único). 
Destaque-se ainda que os poderes conferidos pela gerência são am-
pios, podendo o gerente até mesmo figurar em juízo em nome do prepo-
nente, desde que as ações versem sobre obrigações assumidas em virtude 
do exercício da função gerencial (art. 1.176 do Código Civil). 
Não obstante os poderes do gerente sejam amplos, pode o empresá-
rio limitá-los. Nesse caso, para que a limitação de poderes do gerente 
produza efeitos perante terceiros, deverá o empresário (1) registrá-la 
na Junta Comercial, por meio de averbação junto ao ato constitutivo lá 
arquivado, ou (ii) provar que a limitação de poderes era conhecida por 
aquele que contratou com o gerente (art. 1.174 do Código Civil). Nessas 
situações, portanto, caso o gerente atue com excesso de poder, o em-
presário não responderá pelas obrigações contraídas perante terceiros, 
cabendo a eles voltar-se diretamente contra o gerente. Essa regra é se-
melhante à regra do art. 1.015, parágrafo único do Código Civil, relativa 
à responsabilidade da sociedade pelos atos dos seus administradores. 
Por fim, registre-se ainda que o gerente pode atuar, eventualmente, em 
seu nome, mas por conta do preponente empresário. Nesse caso, dispõe 
o art. 1.175 do Código Civil que "o preponente responde com o gerente 
pelos atos que este pratique em seu próprio nome, mas à conta daquele". 
2.1.7.2. Responsabilidade pelos atos dos prepostos 
O Código Civil também não se esqueceu de estabelecer, em seu 
art. 1.178, caput, que "os preponentes são responsáveis pelos atos de 
Cap. z • Espécies de Empresário 59 
quaisquer prepostos, praticados nos seus estabelecimentos e relativos 
à atividade da empresa, ainda que não autorizados por escrito". A re-
gra é, no nosso entender, uma manifestação da aplicação da teoria da 
aparência, tanto que, no parágrafo único do artigo em questão, o legis-
lador fez uma importante ressalva à sua aplicação, determinando que 
"quando tais atos forem praticados fora do estabelecimento, somente 
obrigarão o preponente nos limites dos poderes conferidos por escrito, 
cujo instrumento pode ser suprido pela certidão ou cópia autêntica do 
seu teor". 
Por fim, como não poderia deixar de ser, resta claro que, não obs-
tante os empresários preponentes respondam perante terceiros pelos 
atos praticados pelos seus prepostos, podem voltar-se contra estes, 
caso tenham agido com culpa. Por outro lado, caso sua atuação tenha 
sido dolosa, os prepostos assumem responsabilidade solidária com seus 
preponentes, podendo os terceiros exigir o cumprimento da obrigação 
contra qualquer deles. É o que diz o parágrafo único do art. 1.177 do 
Código Civil, que assim dispõe: "no exercício de suas funções, os prepos-
tos são pessoalmente responsáveis, perante os preponentes, pelos atos 
culposos; e, perante terceiros, solidariamente com o preponente, pelos 
atos dolosos". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(ESAF/MTE/AUDITOR/2olo) Sobre a disciplina dos prepostos no Livro do Direito 
de Empresa do Código Civil, assinale a opção incorreta. 
a) Considera-se o gerente autorizado a praticar todos os atos necessários ao 
exercício dos poderes que lhe foram outorgados, mesmo quando a lei exigir 
poderes especiais. 
b) Em regra, considera-se perfeita a entrega de papéis, bens ou valores ao 
preposto, encarregado pelo preponente, se os recebeu sem protesto. 
c) O preposto não pode, sem autorização escrita, fazer-se substituir no de-
sempenho da preposição, sob pena de responder, pessoalmente, pelos 
atos do substituto e pelas obrigações por ele contraídas. 
d) O gerente pode estar em juízo em nome do preponente, pelas obrigações 
resultantes do exercício da sua função. 
e) Na falta de estipulação diversa, consideram-se solidários os poderes confe-
ridos a dois ou mais gerentes. 
Gabarito: A. 
60 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
2.2. SOCIEDADE EMPRESÁRIA 
Conforme visto, o empresário pode ser uma pessoa física (empresário 
individual) ou uma pessoa jurídica (EIRELI ou sociedade empresária). A so-
ciedade empresária é, pois, a pessoa jurídica de direito privado (art. 44, 
inciso II do Código Civil), constituída sob a forma de sociedade (art. 981 do 
Código Civil), cujo objeto social é a exploração de uma atividade econômica 
organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços (art. 
982 do Código Civil). 
Quando se está diante de uma sociedade empresária, é importante re-
lembrar o fato de que os seus sócios não são empresários: o empresário, 
nesse caso, é a própria sociedade, ente ao qual o ordenamento jurídico 
confere personalidade própria e, consequentemente, capacidade para ad-
quirir direitos e contrair obrigações. 
1 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(VUNESP/11/SP/CARTÓRIOS/INGRESS0/2o14) Assinale a alternativa correta: 
b) Os sócios de sociedades empresariais são sempre considerados empresá-
rios para os efeitos legais. 
*A alternativa foi considerada ERRADA. 
Estudaremos a sociedade empresária com mais detalhes adiante, quan-
do tratarmos do direito societário. 
2.3. EIRELI 
Até bem pouco tempo atrás, aquele que queria exercer atividade eco-
nômica profissionalmente no Brasil só tinha duas opções, cada uma com 
suas vantagens e desvantagens: (i) ser empresário individual ou (ii) cons-
tituir uma sociedade empresária. No primeiro caso, a pessoa não precisa 
de sócios, mas assume responsabilidade direta e ilimitada pelas obri-
gações contraídas. No segundo caso, a pessoa assume responsabilidade 
subsidiária e limitada (a depender do tipo societário escolhido) pelas 
obrigações da sociedade, mas precisa de sócios. 
Como muitas vezes o empreendedor quer unir as duas vantagens aci-
ma mencionadas - desnecessidade de sócios e limitação de responsabi-
lidade -, tornou-se muito comum a constituição de sociedades limitadas 
em que um sócio, que era o verdadeiro titular da atividade empresarial, 
possuía 99% do capital social, enquanto outro "sócio", que normalmente 
sequer participava realmente do negócio, possuía apenas 1%. Apesar de 
Cap. 2 • Espécies de Empresário 61 
não haver ilegalidade nessa prática, é inegável que nesses casos se estava 
diante de um empresário individual disfarçado de sociedade empresária. 
Atualmente, essa situação foi resolvida. A Lei 12.441/2011 criou a EIRELI 
(empresa individual de responsabilidade limitada), que alterou alguns 
dispositivos do Código Civil e acrescentou outros, especialmente o art. 
98o-A, que tem o seguinte teor: "a empresa individual de responsabilida-
de limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade 
do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a loo 
(cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no País". 
Agora, é possível constituir uma pessoa jurídica sem a necessidade 
de sócios e, assim, assumir responsabilidade subsidiária e limitada pelas 
obrigações empresariais contraídas. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FCC - JUIZ DE DIREITO - SC/2o3.7) A empresa individual de responsabilidade li-
mitada 
A) não é pessoa jurídica, porque instituída por uma única pessoa titular da 
totalidade do capital social, não se admitindo que o sujeito possua mais de 
um patrimônio. 
B) é pessoa jurídica constituída por uma única pessoa titular da totalidade 
do capital social, devidamente integralizado, inferior a cem vezes o maior 
salário mínimo vigente no país. 
C) é pessoa jurídica constituída por uma única pessoa, titular da totalidade do 
capital social, devidamente integralizado, não inferior a cem vezes o maior 
salário mínimo vigente no país. 
D) é pessoa jurídica resultante exclusivamente da resolução parcial de uma 
sociedade, quando remanescer apenas um sócio. 
E) é pessoa jurídica constituída por uma única pessoa, titular da totalidade do 
capital social devidamente integralizado de qualquer valor, aplicando-lhesubsidiariamente as regras previstas para as sociedades simples. 
Gabarito: C. 
2.3.1. Exigência de capital mínimo para constituição de EIRELI 
De acordo com o caput do art. 98o-A do Código Civil, exige-se capital mí-
nimo equivalente a cem salários mínimos para a constituição de uma EIRELI. 
62 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Essa exigência foi questionada na ADI 4.637, sob a alegação de violação do 
princípio da livre-iniciativa, mas o STF julgou improcedente o pedido. 
Vale destacar, porém, que essa exigência é feita apenas no ato de cons-
tituição da EIRELI. Caso o salário mínimo aumente posteriormente, fazendo 
com que o capital integralizado se torne inferior a cem vezes o seu valor, 
não será necessária nenhuma providência. Nesse sentido, foi editado o 
enunciado 4 das Jornadas de Direito Comercial: "uma vez subscrito e efe-
tivamente integralizado, o capital da empresa individual de responsabi-
lidade limitada não sofrerá nenhuma influência decorrente de ulteriores 
alterações no salário mínimo". 
1 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - DF/2o16) A respeito da empresa individual 
de responsabilidade limitada, assinale a opção correta. 
D) O capital social desse tipo de empresa não pode ser superior a cem vezes 
o maior salário mínimo vigente no país. 
*A alternativa foi considerada ERRADA. 
(CONSULPLAN - CARTÓRIOS - PROVIMENTO - TJ - MG/2017) O Capital Social mínimo 
exigido para o registro de uma EIRELI (Empresa Individual de Responsabilidade 
Limitada) é, em salários mínimos: 
A) 30. 
B) 50. 
C) loo. 
D) 120. 
Gabarito: C. 
(CESPE/TABELiÃO/TJBA/29-06-2014) No que diz respeito à empresa e ao estabe-
lecimento, julgue: 
O capital da empresa individual de responsabilidade limitada subscrito e efe-
tivamente integralizado sujeita-se à influência decorrente de ulteriores altera-
ções no salário mínimo. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
(Vunesp -Cartório - Provimento - TJ - SP/2018) A empresa individual de respon-
sabilidade limitada será constituída por uma única pessoa titular da totalidade 
do capital social, devidamente integralizado, que não será inferior a 
(A) io (dez) vezes o maior salário-mínimo vigente no país. 
• Espécies de Empresário 63 
(B) 40 (quarenta) vezes o maior salário-mínimo vigente no país. 
(C) loo (cem) vezes o maior salário-mínimo vigente no país. 
(D) 20 (vinte) vezes o maior salário-mínimo vigente no país. 
Gabarito: C 
2.3.2. Natureza jurídica da EIRELI 
Segundo o entendimento majoritário da doutrina, a EIRELI não é um 
empresário individual nem uma sociedade empresária: trata-se de uma 
nova espécie de pessoa jurídica de direito privado, que se junta às outras 
já existentes (sociedades, associações, fundações, partidos políticos e or-
ganizações religiosas). 
Nesse sentido, cite-se o enunciado 3 das jornadas de Direito Comercial 
do CJF, com o seguinte teor: "a Empresa Individual de Responsabilidade 
Limitada - EIRELI não é sociedade unipessoal, mas um novo ente, distinto 
da pessoa do empresário e da sociedade empresária". No mesmo sentido, 
cite-se também o enunciado 469 das Jornadas de Direito Civil: "a empresa 
individual de responsabilidade limitada (EIRELI) não é sociedade, mas novo 
ente jurídico personificado". 
2.3.3. Nome empresarial da EIRELI 
A empresa individual de responsabilidade limitada pode usar tanto fir-
ma quanto denominação (assunto que abordaremos com mais detalhes 
adiante), e a expressão EIRELI deve constar obrigatoriamente do nome 
empresarial, ao final dele. É o que determina o art. 98o-A, § do Código 
Civil: "o nome empresarial deverá ser formado pela inclusão da expressão 
'EIRELI' após a firma ou a denominação social da empresa individual de 
responsabilidade limitada". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - DF/2o16) A respeito da empresa individual 
de responsabilidade limitada, assinale a opção correta. 
C) A expressão "EIRELI" deve compor o nome empresarial, devendo constar 
após a firma ou denominação social da empresa. 
* A alternativa foi considerada CORRETA. 
64 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santo Cruz 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - AM/2o16) No que se refere às espécies de 
empresário, seus auxiliares e colaboradores e aos nomes e livros empresa-
riais, assinale a opção correta. 
O) A empresa individual de responsabilidade limitada será constituída por 
uma única pessoa e seu nome empresarial será necessariamente a firma 
seguida da sigla EIRELI. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
(CESPE/TABELIÃO/TISE/2o-07-2014) Com relação à EIRELI, às sociedades empresá-
rias e aos atos pertinentes a juntas comerciais, julgue: 
O nome empresarial de uma EIRELI pode ser formado pela firma da empresa 
seguida pela expressão EIRELI, mas o uso da denominação social na formação 
desse nome é vedado por lei. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
2.3.4. 0 veto ao § 4° do art. 98o-A do Código Civil 
O § 40 do art. 98o-A do Código Civil tinha a seguinte redação: "somen-
te o patrimônio social da empresa responderá pelas dívidas da empresa 
individual de responsabilidade limitada, não se confundindo em qualquer 
situação com o patrimônio da pessoa natural que a constitui, conforme 
descrito em sua declaração anual de bens entregue ao órgão competente". 
O dispositivo, porém, foi vetado sob a seguinte justificativa: "não obstante 
o mérito da proposta, o dispositivo traz a expressão 'em qualquer situação', 
que pode gerar divergências quanto à aplicação das hipóteses gerais de 
desconsideração da personalidade jurídica, previstas no art. 5o do Código 
Civil. Assim, e por força do § 6.0 do projeto de lei, aplicar-se-á à EIRELI as 
regras da sociedade limitada, inclusive quanto à separação do patrimônio". 
A propósito, confira-se o enunciado 470 das Jornadas de Direito Civil 
do CJF: "o patrimônio da empresa individual de responsabilidade limitada 
responderá pelas dívidas da pessoa jurídica, não se confundindo com o 
patrimônio da pessoa natural que a constitui, sem prejuízo da aplicação do 
instituto da desconsideração da personalidade jurídica". 
Esse entendimento deve ser revisto, em razão de a Lei 13.874/2019 (Lei 
da Liberdade Econômica) ter acrescentado o § 7° ao art. 98o-A do Código Ci-
vil, o qual praticamente ressuscitou o § 40 que fora vetado. Com efeito, diz 
a nova regra: "somente o patrimônio social da empresa responderá pelas 
dívidas da empresa individual de responsabilidade limitada, hipótese em 
Cap. 2 • Espécies de Empresário 65 
que não se confundirá, em qualquer situação, com o patrimônio do titular 
que a constitui, ressalvados os casos de fraude". Parece-nos que o objetivo 
da regra é estabelecer uma contrapartida à exigência de capital mínimo 
para a constituição de EIRELI: há o ônus de ter que integralizar um capital 
mínimo de pelo menos cem salários mínimos, mas há o bônus de maior 
proteção patrimonial do titular, cujos bens só responderão por dívidas da 
EIRELI em caso de fraude, o que, em tese, é mais difícil de se caracterizar 
do que o abuso de personalidade jurídica (art. 5o). 
2.3.5. Constituição de EIRELI por pessoa jurídica 
Inicialmente, o entendimento que prevaleceu na doutrina foi o de que o 
titular da EIRELI tinha que ser uma pessoa física. Nesse sentido, confira-se o 
enunciado 468 das Jornadas de Direito Civil: "a empresa individual de res-
ponsabilidade limitada só poderá ser constituída por pessoa natural". Esse 
também foi o entendimento adotado inicialmente pelas Juntas Comerciais, 
em obediência a uma orientação do DREI. 
Tal orientação, entretanto, foi alterada no início de 2017, de modo que 
atualmente é permitido que o titular da EIRELI seja uma pessoa física ou 
uma pessoa jurídica, pessoa jurídica essa que pode ser, inclusive, uma 
sociedade estrangeira. 
Vale destacar que, caso o titular da EIRELI seja pessoa jurídica, não in-
cide a vedação do ar. 98o-A, § 2°, de modo que a pessoajurídica pode ser 
titular de mais de uma EIRELI. 
2.3.6. Constituição de mais de uma EIRELI pelo mesmo titular 
De acordo com o § 2° do art. 98o-A do Código Civil, "a pessoa natural 
que constituir empresa individual de responsabilidade limitada somente 
poderá figurar em uma única empresa dessa modalidade". 
Conforme já dito, a leitura dessa regra permite concluir que ela só se 
aplica quando o titular da EIRELI for pessoa natural. Assim, quando o titular 
da EIRELI é uma pessoa jurídica, é admitida a constituição de mais de uma 
EIRELI pelo mesmo titular. 
Portanto, a pessoa natural titular de EIRELI só pode constituir uma única 
Mal, mas a pessoa jurídica titular de EIRELI pode constituir mais de uma 
EIRELI. Nesse sentido, confira-se o enunciado 92 das jornadas de Direito Co-
mercia do CJF: "a Empresa Individual de Responsabilidade Limitada (EIRELI) 
poderá ser constituída por pessoa natural ou por pessoa jurídica, nacional 
66 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
ou estrangeira, sendo a limitação para figurar em uma única EIRELI apenas 
para pessoa natural". 
Por fim, é importante mencionar que o DREI definiu, no segundo semes-
tre de 2018, que "não pode constituir EIRELI o incapaz, mesmo representa-
do ou assistido". No entanto, meses depois o DREI alterou seu entendimen-
to. Segundo o departamento, considerando que a EIRELI não se confunde 
com a figura do empresário individual, que ela é regida subsidiariamente 
pelas regras da sociedade limitada (art. 98o-A, § 60), que é legalmente ad-
mitido que incapaz seja sócio de sociedade limitada (art. 974, § 30), que na 
EIRELI permite-se que o titular nomeie terceiro como administrador e que 
não há vedação legal expressa, o incapaz pode constituir EIRELI, bastando 
que esteja devidamente representado ou assistido e que não exerça a ad-
ministração da pessoa jurídica, delegando-a a um terceiro não impedido. 
1 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - DF/2016) A respeito da empresa individual 
de responsabilidade limitada, assinale a opção correta. 
13) A pessoa natural que constituir empresa individual de responsabilidade 
limitada pode figurar em outras pessoas dessa espécie. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
(CESPE/TABELIÃO/TJDF/o6-05-2014) A respeito do empresário e das sociedades 
empresárias, julgue: 
Não há óbice a que uma pessoa natural constitua mais de uma empresa 
individual de responsabilidade limitada, pois essa modalidade de pessoa 
jurídica foi criada para incentivar a formalização da atividade econômica 
no Brasil. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
(FCC - Juiz - TJAL - 2019) Fernando constituiu, regularmente, empresa individual 
de responsabilidade limitada (EIRELI) destinada à prestação de serviços educa-
cionais. Nesse caso, de acordo com o Código Civil, Fernando 
a) não poderá figurar, simultaneamente, em outra empresa dessa mesma mo-
dalidade. 
b) poderá figurar, simultaneamente, em outra empresa dessa mesma modali-
dade, desde que a primeira esteja em atividade há pelo menos cinco anos. 
c) poderá figurar, simultaneamente, em outra empresa dessa mesma modali-
dade, desde que se destine a outro ramo de negócio. 
Cap. 2 • Espécies de Empresário 67 
d) poderá figurar, simultaneamente, em outra empresa dessa mesma mo-
dalidade, desde que o capital social da primeira esteja totalmente inte-
gralizado. 
e) poderá figurar, simultaneamente, em outra empresa dessa mesma modali-
dade, desde que seja rigorosamente respeitada a separação entre os pa-
trimônios de cada empresa. 
Gabarito: A 
2.3.7. Aplicação subsidiária das regras da sociedade limitada 
De acordo com o art. 98o-A, § 6. do Código Civil, "aplicam-se à empresa 
individual de responsabilidade limitada, no que couber, as regras previstas 
para as sociedades limitadas". 
Diante dessa previsão legal, admite-se a possibilidade de constituição de 
EIRELI por incapaz, da mesma forma que se admite que incapaz seja sócio 
de sociedade limitada, desde que respeitados os requisitos do art. 974, § 3. 
do Código Civil: "I - o sócio incapaz não pode exercer a administração da 
sociedade; II - o capital social deve ser totalmente integralizado; Ill - o sócio 
relativamente incapaz deve ser assistido e o absolutamente incapaz deve 
ser representado por seus representantes legais". 
Assim, um incapaz pode ser titular de uma EIRELI, desde que seja re-
presentado ou assistido e nomeie um terceiro como administrador (IN DREI 
55/2019). 
> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(Cespe - juiz de Direito - TJ - SC/2019) À luz do Código Civil, assinale a opção cor-
reta a respeito das empresas individuais de responsabilidade limitada (EIRELI). 
A) O nome empresarial deverá ser formado com o uso do termo limitada após 
a firma ou a denominação social. 
B) A participação do empresário em outra EIRELI é permitida, sendo a ele, 
entretanto, vedada a participação em outras espécies societárias. 
C) A formação dessas empresas poderá ser resultado da concentração de 
quotas de outra modalidade societária na pessoa de um único sócio. 
D) As regras previstas para as sociedades em comandita simples serão aplica-
das às EIRELI, no que couber. 
E) A constituição de tais empresas exige um capital social integralizado, com 
valor máximo de quarenta salários mínimos. 
Gabarito: C. 
68 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
(FCC - Auditor Fiscal da Receita Estadual - SEFAZ - SC/2°18) Em relação à empre-
sa individual de responsabilidade limitada, é correto afirmar: 
(A) Não lhe poderá ser atribuída, se constituída para a prestação de serviços 
de qualquer natureza, a remuneração decorrente da cessão de direitos 
patrimoniais de autor ou de imagem, nome, marca ou voz de que seja 
detentor o titular da pessoa jurídica, desde que vinculados à atividade 
profissional. 
(B) A pessoa natural que a constituir é livre para figurar em outras empresas 
dessa modalidade, passíveis no entanto de confusão patrimonial. 
(C) Essa modalidade de empresa não poderá resultar da concentração das 
quotas de outra espécie societária em um único sócio, salvo motivação a 
fundamentá-la. 
(D) O patrimônio da empresa individual de responsabilidade limitada respon-
derá pelas dívidas da pessoa jurídica, não se confundindo com o patrimô-
nio da pessoa natural que a constitui, sem prejuízo da aplicação do instituto 
da desconsideração da personalidade jurídica. 
(E) Aplicam-se subsidiariamente a essa modalidade de empresa as regras pre-
vistas para as cooperativas, no tocante à responsabilização de seus sócios 
e diretores. 
Gabarito: D. 
2.4. ME (MICROEMPRESA) E EPP (EMPRESA DE PEQUENO PORTE) 
ME e EPP são siglas que significam, respectivamente, microempresa e 
empresa de pequeno porte. Não se trata de espécies de empresário dis-
tintas das já analisadas acima (empresário individual, sociedade empresá-
ria e EIRELI), mas apenas de qualificações jurídicas atribuídas a essas espé-
cies de empresário já mencionadas, em função do faturamento bruto anual 
delas, com o objetivo de lhes permitir o acesso a certos tratamentos favo-
recidos previstos na Lei Complementar 123/2006, conforme já destacamos. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/TABELIÃO/TjDF/o6-05-2014) Com base nos aspectos gerais do direito de 
empresa, julgue: 
Os conceitos de empresário individual e de microempresário são equivalentes. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
Portanto, a qualificação de ME ou EPP pode ser atribuída a um em-
presário individual, a uma sociedade empresária ou a uma EIRELI, 
Cap. 2 • Espécies de Empresário 69 
desde que possuam faturamento bruto anual dentro dos limites da lei (até 
RS 360.000,00 para ME e de RS 360.000,00 a RS 4.800.000,00 para EPP) e não 
incidam em nenhuma vedação legal. 
Uma vez qualificados como ME ou EPP, o empresário individual, a socie-
dade empresária ou a EIRELI poderão gozar dos benefícios legais previstos 
na LC 123/2006, dentreos quais se destaca o tratamento tributário diferen-
ciado (SIMPLES NACIONAL). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(IESES - Cartório - Provimento -11 - CE/2o18) Analise a alternativa correta de 
acordo com o que dispõe a legislação vigente. São requisitos para que uma 
sociedade, regularmente registrada, seja considerada microempresa: 
a) Tenha no máximo um único estabelecimento e, cumulativamente, no máxi-
mo dois sócios. 
b) Tenha no máximo um único estabelecimento e, cumulativamente, aufira, em 
cada ano calendário, receita bruta anual igual ou inferior a RS 360.000,00 
(trezentos e sessenta mil reais). 
c) Tenha no máximo um único estabelecimento. 
d) Aufira, em cada ano calendário, receita bruta anual igual ou inferior a RS 
360.000,00 (trezentos e sessenta mil reais). 
Gabarito: D 
2.5. MEI (MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL) 
Além das qualificações jurídicas ME e EPP, analisadas no tópico anterior, 
há também a qualificação jurídica MEI, sigla que significa microempreende-
dor individual. 
De acordo com o art. 18-A da LC 123/2006, "considera-se MEI o empre-
sário individual que se enquadre na definição do art. 966 da Lei no 10.406, 
de lo de janeiro de 2002 — Código Civil, ou o empreendedor que exerça as 
atividades de industrialização, comercialização e prestação de serviços no 
âmbito rural, que tenha auferido receita bruta, no ano-calendário anterior, 
de até RS 8L000,00 (oitenta e um mil reais), que seja optante pelo Simples 
Nacional e que não esteja impedido de optar pela sistemática prevista 
neste artigo". Como o faturamento bruto anual exigido para a qualificação 
como MEI é muito baixo, seu tratamento legal é ainda mais favorecido, em 
alguns aspectos, que o das ME e EPP. 
70 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Finalmente, o Código Civil ainda trata do pequeno empresário (art. 
970), assim definido pelo art. 68 da LC 123/2006: "considera-se pequeno 
empresário, para efeito de aplicação do disposto nos arts. 970 e 1.179 da 
Lei n. 10.406, de io de janeiro de 2002 (Código Civil), o empresário indivi-
dual caracterizado como microempresa na forma desta Lei Complementar 
que aufira receita bruta anual até o limite previsto no § 1° do art. 18-A". 
o pequeno empresário, portanto, é exclusivamente o empresário indivi-
dual que, caracterizado como ME, aufira renda bruta anual ínfima, também 
não excedente a RS 81.000,00. Esse pequeno empresário, além de se be-
neficiar de todas as regras especiais previstas para as ME e EPP, receberá 
ainda, em algumas situações, um tratamento ainda mais especial. Basta 
citar, por exemplo, a regra do art. 1.179, § 2°, do Código Civil, que o isenta 
de qualquer obrigação escritural. 
Empresário individual 
- Pessoa física 
- Responsabilidade direta e ilimitada 
Sociedade empresária 
- Pessoa jurídica 
- Responsabilidade subsidiária dos sócios 
- Limitação de responsabilidade dos sócios a depender do tipo societário 
EIRELI 
- Pessoa jurídica 
- Responsabilidade subsidiária do titular 
- Limitação de responsabilidade do titular 
* ME e EPP: qualificação jurídica atribuída a empresários individuais, EIRELI e certos tipos societários 
de acordo com o respectivo faturamento bruto anual 
* MEI: qualificação jurídica atribuída apenas a empresários individuais de acordo com o fatura-
mento bruto anual 
Capítu lo 
Registro Empresarial 
a 
3.1. INTRODUÇÃO 
O registro na Junta Comercial antes de iniciar a atividade é obrigação 
legal imposta a todo e qualquer empresário (empresário individual, EIRELI 
ou sociedade empresária), sob pena de exercício irregular da atividade 
empresarial. Nesse sentido, relembre-se o teor do art. 967 do Código Civil 
"é obrigatória a inscrição do empresário no Registro Público de Empresas 
Mercantis da respectiva sede, antes do início de sua atividade". 
Vale salientar também que o registro, embora seja uma formalidade 
legal imposta pela lei a todo e qualquer empresário - com exceção dos 
que exercem atividade econômica rural -, não é requisito para a caracte-
rização do empresário e sua consequente submissão ao regime jurídico-
-empresarial. Nesse sentido, relembre-se também o enunciado 199 das 
Jornadas de Direito Civil do CJF: "a inscrição do empresário ou sociedade 
empresária é requisito delineador de sua regularidade, e não de sua 
caracterização". 
Portanto, se alguém começa a exercer profissionalmente atividade 
econômica organizada de produção ou circulação de bens ou serviços, 
mas não se registra na junta Comercial, será considerado empresário e 
se submeterá às regras do regime jurídico-empresarial, embora esteja 
irregular, sofrendo, por isso, algumas consequências, como a impossibi-
lidade de requerer recuperação judicial, por exemplo (art. 48 da Lei no 
11.101/05). 
> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(30 CONCURSO DEFENSORIA PÚBLICA/SP - FCC) Assinale a alternativa correta. 
A) Para que uma pessoa possa ser reputada empresária tem-se que verificar 
sua inscrição perante o Registro Público de Empresas Mercantis. 
*A alternativa foi considerada ERRADA. 
72 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
(CESPE/TABELIÃO/TJDF/o6-05-2014) Com base nos aspectos gerais do direito de 
empresa, julgue: 
O arquivamento dos atos constitutivos da firma individual ou da sociedade na 
junta comercial tem efeito constitutivo da qualidade de empresário. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
3.2. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA 
O Registro Público de Empresas Mercantis está disciplinado numa lei 
específica, a Lei 8.934/1994, embora o Código Civil também tenha algumas 
regras sobre o assunto (arts. 1.150 a 1.154). 
Em seu art. 30, a Lei 8.934/1994 criou o SINREM (Sistema Nacional de 
Registro de Empresas Mercantis), o qual é estruturado da seguinte forma: 
(1) há o DREI (Departamento de Registro Empresarial e Integração), órgão 
central, de âmbito federal, que possui funções supervisora, orientadora, 
coordenadora e normativa, no plano técnico, e função supletiva, no plano 
administrativo; e (ii) há as juntas Comerciais, que são órgãos locais, de 
âmbito estadual, que possuem funções executora e administradora dos 
serviços de registro. 
Importante! 
Na redação original da Lei 8.934/1994 não havia referências ao DREI, mas ao 
DNRC (Departamento Nacional de Registro de Comércio). Ocorre que Decreto 
8.001/2013 extinguiu o DNRC e o substituiu pelo DREI. Apesar das críticas de 
alguns juristas, a substituição acabou sendo consolidada posteriormente pela 
Medida Provisória 861/2018, convertida na Lei 13.833/2019. 
A principal função do DREI é a de normatização do registro empresarial, 
no plano técnico. Suas instruções normativas orientam a atuação das Juntas 
Comerciais. Já a principal função das juntas Comerciais é a de executar e 
administrar os atos e serviços de registro relacionados aos empresários, 
sendo importante destacar que cada estado possui sua própria Junta Co-
mercial, "com sede na capital e jurisdição na área da circunscrição territo-
rial respectiva" (art. 50 da Lei 8.934/1994). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPEtTABELIÃO/TJBA/29-06-2014) De acordo com a lei que regula o registro pú-
blico de empresas. 
Cap. 3 • Registro Empresarial 73 
Entre as atribuições das juntas comerciais, inclui-se, além da precípua função 
de executar o registro do comércio, a de solucionar dúvidas decorrentes da 
interpretação de leis, regulamentos e demais normas relacionadas com o regis-
tro de empresas mercantis, por meio de instruções específicas. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
3.3. JUNTAS COMERCIAIS 
Apesar de as juntas Comerciais fazerem parte da estrutura administra-
tiva dos Estados (órgãos estaduais), elas se sujeitam, no plano técnico, às 
normas e diretrizes baixadas pelo DREI, ente integrante da estrutura admi-
nistrativa da União (órgão federal). Pode-se dizer, portanto, que as Juntas 
são órgãos estaduais que exercem uma função federal, que é a função de 
executar e administrar os atos deregistro dos empresários. 
Assim, as Juntas Comerciais possuem uma subordinação hierárquica 
híbrida: no plano técnico, as juntas se submetem ao DREI; no âmbito 
administrativo, as juntas se submetem à administração estadual. A única 
exceção era a Junta Comercial do Distrito Federal, que se subordinava nos 
pianos administrativo e técnico ao DREI. No entanto, a já mencionada Me-
dida Provisória 861/2018, posteriormente convertida na Lei 13.833/2019, 
alterou essa situação, modificando o caput do art. 6. da Lei 8.934/1994, 
que agora tem a seguinte redação: "as juntas comerciais subordinam-se 
administrativamente ao governo do respectivo ente federativo e, tecnica-
mente, ao Departamento Nacional de Registro Empresarial e Integração, 
nos termos desta Lei". Como o parágrafo único desse dispositivo legal foi 
revogado, pode-se concluir que todas as juntas Comerciais, inclusive a do 
Distrito Federal, possuem subordinação hierárquica híbrida. 
Em razão desse caráter híbrido de subordinação das juntas Comerciais, 
o Superior Tribunal de justiça entende que há uma divisão de competência 
para apreciar ações judiciais em que a Junta Comercial é parte: tratando-se 
de matéria administrativa, a competência para processar e julgar as ações 
é da Justiça comum estadual; em contrapartida, tratando-se de matéria 
técnica, relativa ao registro de empresa, a competência passa a ser da Jus-
tiça Federal, em virtude do interesse do DREI na causa, conforme preceitua 
o art. 109, inciso I, da Constituição Federal. 
Assim, por exemplo, se a Junta Comercial indeferir um pedido de arqui-
vamento de contrato social de uma determinada sociedade limitada, com 
74 Direito Empresarial - vol. 25 • André Santa Cruz 
base em uma Instrução Normativa do DREI, e essa sociedade resolver im-
petrar mandado de segurança contra tal decisão, deverá fazê-lo na justiça 
Federal, porque nesse caso se está diante de matéria técnica, em que a 
Junta agiu sob orientação de um ente federal, o DREI. Conforme já decidiu 
o STJ, "as juntas comerciais estão, administrativamente, subordinadas aos 
Estados, mas as funções por elas exercidas são de natureza federal" (CC 
43.225/PR; no mesmo sentido: CC 15.575/BA e CC 31.357/MG). 
No entanto, quando se tratar de demanda que envolve apenas ques-
tões particulares, como conflitos societários, a competência será da Justiça 
Estadual, ainda que no processo esteja sendo discutido um ato ou registro 
praticado pela junta Comercial. Isso ocorre porque, segundo o 51-J, "em 
casos em que particulares litigam acerca de registros de alterações socie-
tárias perante a Junta Comercial, (...) uma eventual decisão judicial de anu-
lação dos registros societários, almejada pelos sócios litigantes, produziria 
apenas efeitos secundários para a Junta Comercial do Estado, fato que ob-
viamente não revela questão afeta à validade do ato administrativo e que, 
portanto, afastaria o interesse da Administração e, consequentemente, a 
competência da Justiça Federal para julgamento da causa" (REsp 678.405/RJ; 
no mesmo sentido: AgRg no CC loi.o6o/R0 e CC 9o.338/R0). 
Enfim, a competência só será da Justiça Federal quando a Junta Comer-
cial estiver agindo no exercício de delegação de função pública federal, 
referente aos atos de registro previstos na Lei 8.934/1994. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE-TRF5/2oo7) julgue os itens seguintes, acerca da disciplina do direito em-
presarial. 
Se alguns acionistas de uma sociedade anônima ajuizarem mandado de segu-
rança com vistas a obter provimento jurisdicional obstativo de arquivamento 
de ata de assembléia geral extraordinária perante a respectiva junta comercial, 
nessa situação, competirá à justiça comum estadual o julgamento do menciona-
do mandado de segurança. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
(TRF 2 - JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO 2' REGIÃO/2017) Sociedade empresária impetra 
mandado de segurança em face de ato do Presidente da junta Comercial do 
Estado do Rio de janeiro, que nega o arquivamento de alteração contratual. 
O ato aponta a inviabilidade do nome empresarial, diante de similitude para 
com outro já existente, de diversa sociedade. Em relação ao tema, analise as 
assertivas abaixo e, depois, marque a opção correta: 
Cap. 3 • Registro Empresarial 75 
I - Em relação ao mandado de segurança impetrado, a competência é da Justiça 
Estadual, já que o ato foi praticado por autoridade estadual. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
Justiça Federal Justiça Estadual 
Matéria técnica 
Discussão sobre a lisura do ato da Junta 
Matéria administrativa 
Disputas societárias entre particulares 
3.3.1. Atos de registro 
Os atos de registro praticados pelas juntas Comerciais são os seguintes: 
matrícula, arquivamento e autenticação. A propósito, confira-se a redação 
do art. 32 da Lei 8.934/1994: "o registro compreende: I - a matrícula e seu 
cancelamento: dos leiloeiros, tradutores públicos e intérpretes comerciais, 
trapicheiros e administradores de armazéns-gerais; II - O arquivamento: a) 
dos documentos relativos à constituição, alteração, dissolução e extinção 
de firmas mercantis individuais, sociedades mercantis e cooperativas; b) 
dos atos relativos a consórcio e grupo de sociedade de que trata a Lei 
6.404/1976; c) dos atos concernentes a empresas mercantis estrangeiras 
autorizadas a funcionar no Brasil; d) das declarações de microempresa; 
e) de atos ou documentos que, por determinação legal, sejam atribuídos 
ao Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins ou daqueles 
que possam interessar ao empresário e às empresas mercantis; Ill - a 
autenticação dos instrumentos de escrituração das empresas mercantis 
registradas e dos agentes auxiliares do comércio, na forma de lei própria". 
Portanto, a matrícula é o registro de alguns profissionais específicos, 
tradicionalmente chamados de auxiliares do comércio: leiloeiros, traduto-
res públicos, intérpretes, trapicheiros e administradores de armazéns-ge-
rais. Nesse caso, a junta funciona, grosso modo, como órgão regulador da 
profissão: para exercerem suas respectivas atividades, esses profissionais 
precisam estar matriculados na Junta Comercial. 
O arquivamento, por sua vez, é o ato de registro que diz respeito, 
basicamente, aos atos constitutivos do empresário individual, da EIRELI 
e da sociedade empresária, bem como suas respectivas alterações. Após 
o arquivamento do ato constitutivo, caso haja alguma alteração esta será 
feita por meio de averbação, que constitui, assim, uma anotação referente 
à nova situação registral, realizada à margem do ato constitutivo originário. 
76 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Por fim, a autenticação é ato de registro que se refere aos instrumentos 
de escrituração contábil do empresário (livros empresariais) e dos agentes 
auxiliares do comércio. A autenticação é um requisito extrínseco de regu-
laridade na escrituração. Sem autenticação da junta, pois, os livros não 
estarão corretamente escriturados. 
Sobre os atos de registro praticados pelas juntas comerciais, há três 
regras muito importantes: (i) as juntas Comerciais, na análise dos atos 
de registro a ela submetidos, devem ater-se ao exame do cumprimento 
das formalidades legais previstas (art. 40 da Lei 8.934/1994 e art. 1.153, 
parágrafo único do Código Civil), não adentrando no mérito do ato pra-
ticado (se algum interessado quiser discutir o mérito do ato, como, por 
exemplo, a existência ou não de falta grave para excluir um quotista de 
uma sociedade limitada, deve acionar o Poder judiciário); (ii) segundo 
o art. 29 da Lei 8.934/1994, "qualquer pessoa, sem necessidade de pro-
var interesse, poderá consultar os assentamentos existentes nas juntas 
comerciais e obter certidões, mediante pagamento do preço devido", 
uma vez que as juntas Comerciais, como órgãos públicos de registro dos 
empresários, possuem justamente a função de dar publicidade aos atos 
relativos a esses agentes econômicos, daí porqueos assentamentos fei-
tos na junta Comercial são públicos, e não secretos, podendo a eles ter 
acesso qualquer pessoa, sem que para tanto precise justificar ou mostrar 
a existência de algum interesse pertinente; (iii) por fim, segundo o art. 
36 da Lei 8.934/1994, "os documentos referidos no inciso II do art. 32 
[isto é, documentos sujeitos a arquivamento, como atos constitutivos e suas 
alterações] deverão ser apresentados a arquivamento na Junta, dentro 
de 30 (trinta) dias contados de sua assinatura, a cuja data retroagirão 
os efeitos do arquivamento; fora desse prazo, o arquivamento só terá 
eficácia a partir do despacho que o conceder" (art. 1.151, §§ e 2-, do 
Código Civil). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/TABELIÃO/TJBA/29-o6-2014) De acordo com a lei que regula o registro pú-
blico de empresas. 
o registro mercantil é público e qualquer pessoa tem o direito de consultar os 
seus assentamentos desde que comprove o seu interesse e efetue o pagamen-
to dos emolumentos devidos. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
Cap. 3 • Registro Empresarial 77 
(CESPE/TABELIÃO/T1SE/20-07-2014) Com relação à EIRELI, às sociedades empresá-
rias e aos atos pertinentes a juntas comerciais, julgue: 
Qualquer pessoa, sem precisar justificar interesse, tem direito de consultar os 
registros de uma junta comercial e requerer a expedição de certidões median-
te pagamento do preço devido. 
*A afirmativa foi considerada CORRETA. 
(CONSULPLAN/Titular de Serviços de Notas e de Registros/ TJ-MG/zoi8) "João e 
Maria criaram a empresa de prestação de serviços 'A Bruxa Doce', porém não 
levaram os atos constitutivos a registro no prazo previsto em lei." Diante dessa 
situação hipotética, assinale a alternativa correta. 
a) Passado o prazo de 30 (trinta) dias, o registro somente produzirá efeito a 
partir da data de sua concessão. 
b) Passado o prazo de 90 (noventa) dias, o registro somente produzirá efeito 
a partir da data de sua concessão. 
c) Passado o prazo de 60 (sessenta) dias, o registro somente produzirá efeito 
a partir da data de sua concessão. 
d) Passado o prazo de 45 (quarenta e cinco) dias, o registro somente produzi-
rá efeito a partir da data de sua concessão. 
Gabarito: A (art. 998 do Código Civil c/c art. 36 da Lei 8.934/1994) 
Importante! 
A regra do art. 36 da Lei 8.934/1994 é muito relevante na prática. Uma alte-
ração do contrato social, por exemplo, deve ser levada a registro na Junta 
dentro de 30 (trinta) dias, contados da sua efetiva realização, uma vez que, 
se isso não for feito, a referida alteração contratual só será considerada 
eficaz perante terceiros após o deferimento do registro pela Junta (efeitos 
ex nunc). Caso, porém, o registro seja feito dentro do prazo legal, a altera-
ção contratual, quando deferida, considerar-se-á produzindo efeitos desde 
a data em que foi decidida pelos sócios (efeitos ex tunc). Em resumo: se o 
ato é levado a arquivamento dentro do prazo legal de trinta dias, o regis-
tro opera efeitos ex tunc, retroagindo à data da sua efetiva realização. Em 
contrapartida, se o ato é levado a arquivamento fora do prazo legal de 
trinta dias, produz efeitos ex nunc, ou seja, só se torna eficaz a partir do 
seu deferimento. 
Os membros das Juntas Comerciais são chamados de vogais, e em regra 
as decisões sobre os atos de registro submetidos à apreciação da Junta são 
decisões singulares, sendo proferidas por seu Presidente ou "por vogal ou 
78 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
servidor que possua comprovados conhecimentos de Direito Comercial e 
de Registro de Empresas Mercantis", conforme determina o art. 42 da Lei 
8.934/1994 ("os vogais e servidores habilitados a proferir decisões singu-
lares serão designados pelo presidente da junta comercial": art. 42, § 
Todavia, alguns atos de registro específicos, por serem mais comple-
xos, se submetem a um regime de decisão colegiada (Turma ou Plenário). 
A matéria está disciplinada no art. 41 da Lei 8.934/1994: "estão sujeitos 
ao regime de decisão colegiada pelas juntas comerciais, na forma desta 
lei: I - o arquivamento: a) dos atos de constituição de sociedades anôni-
mas; b) dos atos referentes à transformação, incorporação, fusão e cisão 
de empresas mercantis; c) dos atos de constituição e alterações de con-
sórcio e de grupo de sociedades, conforme previsto na Lei no 6.404, de 
15 de dezembro de 1976; II - o julgamento do recurso previsto nesta lei". 
PROCESSO DECISÓRIO NAS JUNTAS COMERCIAIS: 
Decisão singular 
- Presidente ou vogal/servidor designados pelo presidente 
- Atos de registro em geral 
Decisão colegiada 
- Turmas ou plenário 
- Arquivamentos relativos a constituição de S.A., operações societárias, consórcios e grupos 
- Recursos 
Finalmente, registre-se que o STJ tem considerado ilegal a exigência de 
certidão de regularidade fiscal para o registro de alteração contratual, 
porque essa exigência não está prevista na Lei 8.934/1994, nem em seu 
decreto federal regulamentar (Decreto 1.800/1996). Nesse sentido: REsp 
724.oi5/PE, REsp 1393724/PR e AgInt no REsp 1256469/PE). 
Capítulo 
Estabelecimento 
Empresarial 
4.1. CONCEITO DE ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL 
É comum associar a expressão estabelecimento empresarial, num pri-
meiro momento, ao local onde é exercida a atividade econômica, mas 
o conceito jurídico de estabelecimento empresarial é mais complexo. De 
acordo com o art. 1.142 do Código Civil, "considera-se estabelecimento 
todo complexo de bens organizado, para exercício da empresa, por em-
presário, ou por sociedade empresária". Assim, o estabelecimento é, na 
verdade, um conjunto de bens, materiais ou imateriais, que o empresário 
organiza e utiliza no exercício da sua atividade. 
Conforme já decidiu o STJ, "o 'estabelecimento comercial' é composto 
por patrimônio material e imaterial, constituindo exemplos do primeiro 
os bens corpóreos essenciais à exploração comercial, como mobiliários, 
utensílios e automóveis, e, do segundo, os bens e direitos industriais, como 
patente, nome empresarial, marca registrada, desenho industrial e o pon-
to" (REsp 633.179-MT). 
Portanto, o local onde o empresário exerce suas atividades é apenas 
um dos elementos que compõem o estabelecimento empresarial (ponto 
empresarial ou ponto de negócio), o qual é composto também de outros 
bens materiais (equipamentos, máquinas etc.) e até mesmo bens imate-
riais (marca, patente de invenção etc.). Sobre o assunto, o enunciado 95 
das jornadas de Direito Comercial diz que "os perfis em redes sociais, 
quando explorados com finalidade empresarial, podem se caracterizar 
como elemento imaterial do estabelecimento empresarial". 
Importante! 
Tanto o estabelecimento empresarial (complexo de bens organizado para exer-
cício de empresa) quanto o ponto empresarial (local onde se exerce a ativida-
de econômica organizada) são penhoráveis. No primeiro caso, aplica-se a regra 
do art. 862 do novo CPC. 
80 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - AM/2016) Acerca da teoria do estabeleci-
mento comercial, assinale a opção correta. 
C) O estabelecimento empresarial, por ser o local onde o empresário exerce 
sua atividade empresarial, é impenhorável. 
*A alternativa foi considerada ERRADA. 
(IESES - Cartório - Remoção - Ti - AM/2o18) O complexo de bens organizado, 
para exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária é 
chamado de: 
a) Estabelecimento. 
b) Estoque. 
c) Empresário. 
d) Empresa. 
Gabarito: A 
(CESPE - Procurador TCE-RO - 2019) 0 estabelecimento comercial é todo o complexo de 
bens, materiais e imateriais, organizado para o exercício da empresa. Os bens mate-
riais do estabelecimento comercial incluem 
a) o ponto comercial. 
b) marcas e patentes. 
c) os contratos. 
d) o nome empresarial. 
e) as mercadorias. 
Gabarito: E 
Também não se deve confundir o estabelecimento empresarial com o 
patrimôniodo empresário. Este é todo o conjunto de bens, direitos, ações, 
posse e tudo o mais que pertença a uma pessoa física ou jurídica e seja 
suscetível de apreciação econômica. Assim, nem todos os bens que com-
põem o patrimônio do empresário compõem, necessariamente, o seu es-
tabelecimento empresarial, uma vez que, para tanto, será imprescindível 
que o bem, seja ele material ou imaterial, guarde um liame com o exercício 
da atividade-fim do empresário. 
4.2. NATUREZA JURÍDICA DO ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL 
Prevalecem na doutrina as teorias universalistas sobre a natureza ju-
rídica do estabelecimento empresarial. Assim, considera-se o estabeleci-
mento empresarial como uma universalidade de bens. 
Cap. 4 • Estabelecimento Empresarial 81 
As universalidades podem ser de fato ou de direito. De acordo com o art. 
90 do Código Civil, "constitui universalidade de fato a pluralidade de bens 
singulares que, pertinentes à mesma pessoa, tenham destinação unitária". 
O art. 91, por sua vez, prevê que "constitui universalidade de direito o com-
plexo de relações jurídicas, de uma pessoa, dotadas de valor econômico". 
Majoritariamente, os juristas consideram o estabelecimento empresa-
rial como uma universalidade de fato, seguindo o entendimento de Oscar 
Barreto Filho, autor de obra clássica sobre o tema. Com efeito, a definição 
de estabelecimento prevista no art. 1.142 do Código Civil deixa claro que 
ele é uma pluralidade de bens singulares (conjunto organizado de bens 
materiais e/ou imateriais), pertence a uma mesma pessoa (o empresário, a 
EIRELI ou a sociedade empresária) e possui destinação específica (exercício 
de uma atividade empresarial). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(ESAFPGFN/PROCURADORhoo7) O estabelecimento, como universalidade de 
fato, constitui: 
a) um conjunto de bens materiais que não pode ser desmembrado. 
b) um conjunto de bens materiais e imateriais que serve ao exercício de ativi-
dades econômicas. 
c) complexo de relações jurídicas ativas e passivas derivadas do exercício da 
empresa. 
d) uma criação do direito para promover a organização da empresa. 
e) um mecanismo instrumental necessário para o desenvolvimento da em-
presa. 
Gabarito: B. 
Vale lembrar que, como universalidade de fato, o estabelecimento em-
presarial "pode ser objeto unitário de direitos e de negócios jurídicos, 
translativos ou constitutivos, que sejam compatíveis com a sua natureza" 
(art. 1.143 do Código Civil), isto é, o estabelecimento empresarial pode ser 
negociado como um todo. 
Isso não impede, é óbvio, que os bens singulares que compõem o es-
tabelecimento empresarial possam ser negociados isoladamente. Afinal, 
o art. 90, parágrafo único do Código Civil deixa claro que "os bens que 
formam a universalidade de fato podem ser objeto de relações jurídicas 
próprias". Assim, um equipamento que compõe o estabelecimento pode 
ser vendido, uma patente de invenção que integra o estabelecimento pode 
ser licenciada etc. 
82 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
É possível, porém, que o próprio estabelecimento empresarial, como 
universalidade de fato que é (conjunto organizado de bens materiais e/ 
ou imateriais usados para exercício de uma atividade empresarial), seja 
negociado, conforme prevê o já citado art. 1.143 do Código Civil. 
4.3. TRESPASSE DO ESTABELECIMENTO EMPRESARIAL 
A negociação mencionada no tópico anterior - que envolve o estabeleci-
mento empresarial como um todo, isto é, como universalidade de bens - é 
chamada de trespasse (negócio jurídico que envolve a transferência do 
estabelecimento empresarial de um empresário para outro), e a legislação 
prevê algumas formalidades específicas para que produza efeitos perante 
terceiros (condições de eficácia). 
De acordo com o disposto no art. 1.144 do Código Civil, "o contrato 
que tenha por objeto a alienação, o usufruto ou arrendamento do esta-
belecimento, só produzirá efeitos quanto a terceiros depois de averbado 
à margem da inscrição do empresário, ou da sociedade empresária, no 
Registro Público de Empresas Mercantis, e de publicado na imprensa ofi-
cial". Vê-se, pois, que é condição de eficácia perante terceiros o registro 
do contrato de trespasse na Junta Comercial e a sua posterior publicação. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FAURGS - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - RS/2o16) Assinale a alternativa correta 
sobre estabelecimento empresarial no Código Civil. 
D) O contrato que tenha por objeto a alienação do estabelecimento só produz 
efeitos quanto a terceiros depois de averbado no Registro Civil das Pessoas 
jurídicas. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - AM/2016) Acerca da teoria do estabeleci-
mento comercial, assinale a opção correta. 
D) É condição de eficácia perante terceiros o registro do contrato de trespasse 
na junta comercial e sua posterior publicação. 
* A alternativa foi considerada CORRETA. 
Ainda sobre o trespasse, o art. 1.145 do Código Civil determina que, 
"se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, 
a eficácia da alienação do estabelecimento depende do pagamento de 
todos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou 
Cap. 4 • Estabelecimento Empresarial 83 
tácito, em trinta dias a partir de sua notificação". Sendo assim, o empresá-
rio que quer vender o estabelecimento empresarial deve ter uma cautela 
importante: ou conserva bens suficientes para pagar todas as suas dívidas 
perante seus credores, ou deverá obter o consentimento destes, o qual 
poderá ser expresso ou tácito: o empresário deverá notificar seus credo-
res para que se manifestem em 30 dias acerca da sua intenção de alienar 
o estabelecimento. Uma vez transcorrido tal prazo sem que nenhum cre-
dor se manifeste, o consentimento dos credores será tácito. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FAURGS - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - RS/203.6) Assinale a alternativa correta 
sobre estabelecimento empresarial no Código Civil. 
A) O pagamento ou o consentimento de todos os credores é imprescindível 
para validade e eficácia da alienação do estabelecimento. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
(FCC/ JUIZ/ TJ-MS/ zoio) Sobre a alienação de estabelecimento comercial, é cor-
reto afirmar que 
A) a sua validade está sujeita a prévia e expressa concordância de todos os 
credores do vendedor. 
B) o adquirente responde por todas as dívidas do alienante, relativas ao esta-
belecimento, ainda que não contabilizadas. 
C) se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a 
eficácia da alienação do estabelecimento dependerá do pagamento de to-
dos os credores, ou do consentimento destes, de modo expresso ou tácito, 
em trinta dias a partir de sua notificação. 
D) se ao alienante não restarem bens suficientes para solver o seu passivo, a 
alienação do estabelecimento é passível de anulação por qualquer credor 
interessado. 
E) o alienante fica legalmente coobrigado ao pagamento de todas as dívidas 
assumidas pelo adquirente nos dois primeiros anos seguintes à celebração 
do contrato. 
Gabarito: C. 
(MPE - SP - Promotor de Justiça - MPE - SP/2019) Assinale a alternativa correta. 
(A) Se o alienante não permanecer com bens suficientes para pagamento dos 
credores, a eficácia do trespasse dependerá do pagamento dos credores 
ou do consentimento de todos eles de forma expressa. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
84 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
43.1. Efeitos obrigacionais do trespasse 
Realizado o trespasse de maneira regular, ou seja, respeitadas as de-
terminações legais acima analisadas (arts. 1.144 e 1.145 do Código Civil), 
resta-nos analisar como o Código Civil disciplinou os efeitos do trespasse 
quanto às obrigações empresariais existentes na data do negócio. 
O art. 1.146 do Código Civil trata da chamada sucessão empresarial, 
estabelecendo que "o adquirente do estabelecimentoresponde pelo 
pagamento dos débitos anteriores à transferência, desde que regular-
mente contabilizados, continuando o devedor primitivo solidariamente 
obrigado pelo prazo de um ano, a partir, quanto aos créditos vencidos, 
da publicação, e, quanto aos outros, da data do vencimento". 
Portanto, somente as dívidas contabilizadas - isto é, constantes da 
escrituração regular do empresário alienante - são assumidas pelo em-
presário adquirente, mas este não se livra de tais dívidas, já que perma-
nece solidariamente responsável por elas durante o prazo de um ano. Tal 
prazo será contado de maneiras distintas, a depender do vencimento da 
dívida em questão: tratando-se de dívida já vencida, conta-se um ano a 
partir da publicação do contrato de trespasse (vide art. 1.144); tratando-
-se, em contrapartida, de dívida vincenda, conta-se um ano a partir do 
dia de seu vencimento. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - AM/2016) Acerca da teoria do estabeleci-
mento comercial, assinale a opção correta. 
E) O adquirente do estabelecimento comercial é responsável pelos débitos an-
teriores à transferência que não estejam contabilizados, pois estes seguem 
a coisa (in propter rem). 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
(FAURGS - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - RS/2o1.6) Assinale a alternativa correta 
sobre estabelecimento empresarial no Código Civil. 
(B) O adquirente do estabelecimento não responde pelo pagamento dos débi-
tos anteriores à transferência, desde que regularmente contabilizados. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
Cap. 4 • Estabelecimento Empresarial 85 
(CONSULPLAN - CARTÓRIOS - REMOÇÃO - Tj - MG/2o17) O adquirente do estabeleci-
mento empresarial responde pelo pagamento dos débitos anteriores à trans-
ferência, desde que regularmente contabilizados. Por qual prazo continua o 
devedor primitivo solidariamente obrigado quanto aos créditos vencidos e os 
por vencer? 
A) 2 anos da publicação ou do vencimento. 
B) 3 anos da publicação ou do vencimento. 
C) 1 ano da publicação ou do vencimento. 
D) 5 anos da publicação ou do vencimento. 
Gabarito: C. 
Importante! 
Essa sistemática de sucessão obrigacional prevista no art. 1.146 do Código Civil 
só se aplica às dívidas negociais do empresário (por exemplo, dívidas com 
fornecedores ou financiamentos bancários). Em se tratando, todavia, de dí-
vidas tributárias ou dívidas trabalhistas, aplicam-se os regimes próprios de 
sucessão previstos na legislação específica (arts. 133 do CTN e art. 448 da CLT, 
respectiva mente). 
Ademais, o enunciado 59 das Jornadas de Direito Comercial do CJF diz o se-
guinte: "a mera instalação de um novo estabelecimento, em lugar antes ocu-
pado por outro, ainda que no mesmo ramo de atividade, não implica respon-
sabilidade por sucessão prevista no art. 1.146 do Código Civil". 
Ainda sobre o trespasse e seus efeitos obrigacionais, o art. 1.148 do 
Código Civil determina que, "salvo disposição em contrário, a transferên-
cia [do estabelecimento empresarial] importa a sub-rogação do adquirente 
nos contratos estipulados para exploração do estabelecimento, se não 
tiverem caráter pessoal, podendo os terceiros rescindir o contrato em 
noventa dias a contar da publicação da transferência, se ocorrer justa 
causa, ressalvada, neste caso, a responsabilidade do alienante". Assim, 
todos os contratos relacionados à exploração da atividade empresarial 
que o empresário alienante mantinha serão continuados pelo empre-
sário adquirente, salvo aqueles que possuem caráter pessoal (intuitu 
personae). 
86 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
I Importante! 
Existe uma discussão a respeito da aplicação dessa regra ao contrato de loca-
ção, em virtude de haver divergência sobre a natureza pessoal dessa espécie 
contratual. O entendimento que tem prevalecido na doutrina, porém, é pela 
interpretação extensiva do art. 1.148 do Código Civil, afirmando-se que em 
eventual contrato de locação firmado pelo empresário alienante haverá, sim, 
a sub-rogação do empresário adquirente. Nesse sentido, confira-se o teor do 
enunciado 8 das Jornadas de Direito Comercial do CJF: "a sub-rogação do ad-
quirente nos contratos de exploração atinentes ao estabelecimento adquirido, 
desde que não possuam caráter pessoal, é a regra geral, incluindo o contrato 
de locação". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/TABELIÃO/TJBA/29-06-2014) No que diz respeito à empresa e ao estabe-
lecimento, julgue: 
A sub-rogação do adquirente, corn caráter pessoal, nos contratos de explora-
ção atinentes ao estabelecimento adquirido, incluído o contrato de locação, é 
a regra geral. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
Por fim, ainda sobre o trespasse e seus efeitos obrigacionais, o art. 
1.149 do Código Civil prevê que "a cessão dos créditos referentes ao esta-
belecimento transferido produzirá efeito em relação aos respectivos deve-
dores, desde o momento da publicação da transferência, mas o devedor 
ficará exonerado se de boa-fé pagar ao cedente". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FAURGS - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - RS/2o16) Assinale a alternativa correta 
sobre estabelecimento empresarial no Código Civil. 
E) A cessão dos créditos referentes ao estabelecimento transferido produz 
efeito em relação aos respectivos devedores, independentemente de pu-
blicação da transferência e da boa-fé do devedor que pagar ao cedente. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
Vê-se, pois, que da mesma forma que o empresário adquirente assume 
as dívidas contabilizadas do empresário alienante (art. 1.146 do Código Ci-
vil), ele assume também todo o ativo contabilizado. Sendo assim, efetuada 
a transferência, a partir do registro no órgão competente (junta Comercial), 
Cap. 4 • Estabelecimento Empresarial 87 
conforme determinado pelo art. 1.044 do Código Civil, cabe aos devedo-
res pagar ao empresário adquirente do estabelecimento. Caso, entretanto, 
esses devedores paguem, de boa-fé, ao antigo titular do estabelecimento 
- ou seja, ao empresário alienante - ficarão livres de responsabilidade 
pela dívida, cabendo ao adquirente, nesse caso, cobrar do alienante, que 
recebeu os valores de forma indevida, uma vez que já havia transferido 
seus créditos quando da efetivação do trespasse. 
4.3.2. Cláusula de não concorrência 
É comum que nos contratos de trespasse as partes pactuem expressa-
mente uma cláusula de não concorrência, na qual se estabelece a obriga-
ção do empresário alienante de não concorrer com o empresário adqui-
rente por um certo período de tempo. 
O objetivo dessa cláusula é evitar o desvio de clientela. Com efeito, o 
empresário adquirente do estabelecimento empresarial espera "herdar" 
a clientela do empresário alienante, e o restabelecimento deste - em igual 
ramo de atividade, na mesma área geográfica e num curto espaço de tem-
po - pode frustrar essa legítima expectativa. 
Mesmo que essa cláusula não seja pactuada, porém, a obrigação do 
empresário alienante de não concorrer com o empresário adquirente 
existirá, nos termos art. 1.147 do Código Civil, que assim dispõe: "não 
havendo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não 
pode fazer concorrência ao adquirente, nos cinco anos subsequentes à 
transferência". 
Portanto, considera-se implícita a cláusula de não concorrência nos con-
tratos de trespasse, ressalvando-se, porém, a possibilidade de as partes 
pactuarem essa questão em outros termos. Assim, é possível que se permi-
ta o imediato restabelecimento do empresário alienante ou que, sem senti-
do oposto, determine-se que a obrigação de não concorrência se estenda 
por mais de cinco anos. 
Importante! 
Sobre a possibilidade de pactuação de cláusula de não concorrência em prazo 
superior ao legal (5 anos), confira-se o enunciado 489 das jornadas de Direito 
Civil do CIF: "a ampliação do prazo de 5 anos de proibição de concorrência pelo 
alienante ao adquirentedo estabelecimento, ainda que convencionada no exer-
cício da autonomia da vontade, pode ser revista judicialmente, se abusiva". 
88 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Sobre essa possibilidade de revisão judicial da cláusula de não concorrência, o 
STJ já decidiu que ela não pode ser pactuada sem prazo: "mostra-se abusiva a 
vigência por prazo indeterminado da cláusula de 'não restabelecimento', pois 
o ordenamento jurídico pátrio, salvo expressas exceções, não se coaduna com 
a ausência de limitações temporais em cláusulas restritivas ou de vedação do 
exercício de direitos. Assim, deve-se afastar a limitação por tempo indetermina-
do, fixando-se o limite temporal de vigência por cinco anos contados da data do 
contrato, critério razoável adotado no art. 1.147 do CC/2002" (REsp 680.815/PR). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FAURGS - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - R5/21316) Assinale a alternativa correta 
sobre estabelecimento empresarial no Código Civil. 
C) O alienante do estabelecimento, não havendo autorização expressa, não 
pode fazer concorrência ao adquirente nos cinco anos subsequentes à 
transferência. 
* A alternativa foi considerada CORRETA. 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - AM/2o16) Acerca da teoria do estabeleci-
mento comercial, assinale a opção correta. 
A) Se não houver vedação expressa no contrato de trespasse, o alienante po-
derá constituir nova sociedade para explorar o mesmo ramo de atividade 
imediatamente após a alienação do estabelecimento. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
(ESAF/PGFN/PROCURADOR/2oo6) Com o trespasse, o aliènante não pode fazer con-
corrência ao adquirente pelo prazo de três anos subsequentes à transferência. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
Questões gerais sobre estabelecimento empresarial: 
(FGV/FISCAL 12J/2oto) A respeito do trespasse do estabelecimento empresarial, 
analise as afirmativas a seguir. 
I. O contrato de trespasse de estabelecimento empresarial produzirá efeitos 
quanto a terceiros só depois de averbado à margem da inscrição do em-
presário, ou da sociedade empresária, no Registro Público de Empresas 
Mercantis e de publicado na imprensa oficial. 
II. Com relação aos créditos de natureza civil vencidos antes da celebração 
do contrato de trespasse, o vendedor do estabelecimento continuará por 
eles solidariamente obrigado, pelo prazo de um ano contado a partir da 
publicação do contrato de trespasse na imprensa oficial. 
Cap. 4 • Estabelecimento Empresarial 89 
Ill. Não se admite, mesmo por convenção expressa entre os contratantes, o 
imediato restabelecimento do vendedor do estabelecimento no mesmo 
ramo de atividades e na mesma zona geográfica. 
Assinale: 
A) se somente a afirmativa I estiver correta. 
B) se somente a afirmativa II estiver correta. 
C) se somente as afirmativas I e II estiverem corretas. 
D) se somente as afirmativas I e III estiverem corretas. 
E) se somente as afirmativas II e Ill estiverem corretas. 
Gabarito: C. 
(DEFENSORIA PÚBLICA/PA - FCC/2009) Quanto ao estabelecimento, atente às três 
postulações seguintes: 
I. O adquirente do estabelecimento não responde pelo pagamento dos dé-
bitos anteriores à transferência, contabilizados ou não, exceção feita aos 
débitos fiscais. 
II. Seu conceito é o de tratar-se de todo complexo de bens organizado para 
exercício da empresa, por empresário, ou por sociedade empresária. 
Ill. Salvo autorização expressa, o alienante do estabelecimento não pode fazer 
concorrência ao adquirente, nos cinco anos subsequentes à transferência. É 
correto afirmar que SOMENTE 
A) o item I é verdadeiro. 
B) o item III é verdadeiro. 
C) os itens I e II são verdadeiros. 
D) os itens I e Ill são verdadeiros. 
E) os itens II e III são verdadeiros. 
Gabarito: E. 
4.3.3. Aviamento e clientela 
Aviamento é expressão que significa, em síntese, a aptidão que um 
determinado estabelecimento possui para gerar lucros ao exercente da 
empresa. Embora não se confunda com a clientela, está a ela intrinseca-
mente relacionado. Trata-se, enfim, de uma qualidade ou atributo do es-
tabelecimento, que vai influir sobremaneira na sua valoração econômica. 
A doutrina ainda costuma subdividir o aviamento em objetivo (ou 
real), quando derivado de condições objetivas, como o local do ponto, e 
90 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
subjetivo (ou pessoal), quando derivado de condições subjetivas, ligadas 
às qualidades pessoais do empresário. 
É em função do aviamento, sobretudo, que se calcula o valor de um 
estabelecimento empresarial. É por isso que muitas vezes um determi-
nado estabelecimento é vendido por preço muito superior ao seu valor 
patrimonial, o qual representa apenas uma mera soma dos bens que o 
compõem. 
A clientela, por sua vez, é o conjunto de pessoas que mantém com o 
empresário ou sociedade empresária relações jurídicas constantes. Alguns 
também usam a expressão freguesia, embora tecnicamente as expressões 
tenham significados distintos. A clientela é uma manifestação externa do 
aviamento, significando todo o conjunto de pessoas que se relacionam 
constantemente com o empresário. Sua proteção jurídica é determinada 
pelas normas do direito concorrencial e pelos diversos institutos técnico-
-jurídicos que viabilizam a livre-iniciativa e a livre concorrência. Portanto, a 
clientela, a exemplo do aviamento, também não é um elemento do estabe-
lecimento, mas apenas uma qualidade ou um atributo dele. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - DELEGADO DE POLÍCIA - PE/2o16) A respeito de estabelecimento empre-
sarial, aviamento e clientela, assinale a opção correta. 
A) Estabelecimento empresarial corresponde a um complexo de bens corpó-
reos organizados ao exercício de determinada empresa. 
B) O estabelecimento empresarial não é suscetível de avaliação econômica e, 
por consequência, não pode ser alienado. 
C) Aviamento refere-se à aptidão que determinado estabelecimento empresa-
rial possui para gerar lucros. 
D) De acordo com a doutrina, aviamento e clientela são sinônimos. 
E) Na legislação vigente, não há mecanismos de proteção legal à clientela. 
Gabarito: C. 
(CESPE-111)1/2oo7) Acerca da disciplina jurídica do estabelecimento empresarial, 
julgue os itens que se seguem. 
D) Constitui o aviamento, ou goodwill of a trade, a mais valia do conjunto de 
bens do empresário em relação à soma dos valores individuais, relaciona-
do à expectativa de lucros futuros. 
O trespasse implica a transferência dos bens que compõem o estabeleci-
mento empresarial e, por conseguinte, a transferência do aviamento. 
Cap. 4 • Estabelecimento Empresarial 91 
Ill. A clientela, produto da melhor organização da atividade empresarial, não 
se inclui entre os elementos que compõem o estabelecimento. 
IV. No caso de alienação de estabelecimento empresarial, o alienante não 
pode, sem expressa autorização, fazer concorrência ao adquirente nos cin-
co anos subsequentes à transferência. 
A quantidade de itens certos é igual a 
A) o. 
B) 1. 
C) 2. 
D) 3. 
E) 4. 
Gabarito: E. 
(Cespe - Juiz de Direito - TJ - SC/2019) Um juiz de direito substituto que conside-
rar as normas previstas no Código Civil e no Código de Processo Civil acerca de 
estabelecimento comercial procederá corretamente se 
A) decidir pela eficácia da alienação do estabelecimento, ocorrida sem anuên-
cia ou ciência dos credores, e determinar a divisão do valor, mesmo que 
insuficiente para solver o passivo do estabelecimento. 
B) indeferir pedido da defesa para nomeação de um administrador-depositá-
rio, determinando-lhe que apresente plano de administração sobre a pe-
nhora de um estabelecimento comercial. 
C) decidir que, após doze meses contados da data do negócio, o alienante 
poderá fazer concorrência ao adquirente de um estabelecimento comercial 
caso não exista disposição sobre esse ponto no contrato. 
D) reconhecer efeito da cessão dos créditos referentes ao estabelecimento 
transferido aos devedores,desde a publicação da transferência, porém o 
devedor será exonerado da obrigação se, de boa-fé, pagar ao cedente. 
E) indeferir o pedido de ineficácia dos efeitos do arrendamento do estabele-
cimento comercial quanto a terceiros, ainda que comprovado o fundamento 
do pedido sobre a falta de publicidade e do devido registro do ato de ar-
rendamento. 
Gabarito: D (quanto à letra B, trata-se de questão processual que está regulada 
no art. 862 do CPC). 
a
Capítulo 
Nome Empresarial 
5.1. CONCEITO DE NOME EMPRESARIAL 
A partir do momento em que se registra, o empresário (empresário 
individual, EIRELI ou sociedade empresária) deve adotar uma expressão 
para identificá-lo em suas relações jurídicas, que será a partir de então o 
seu nome empresarial. 
Portanto, assim como todas as pessoas possuem um nome civil, que as 
identificam como sujeitos de direitos e obrigações, todos os empresários - 
seja o empresário individual, a EIRELI ou a sociedade empresária - possuem 
um nome empresarial, que consiste, justamente, na expressão que os identi-
fica como sujeitos de direitos e obrigações nas relações jurídicas que firmam 
diariamente em decorrência do exercício da atividade empresarial. 
Em outras palavras, nome empresarial é aquele sob o qual o empresá-
rio, a empresa individual de responsabilidade limitada e a sociedade em-
presária exercem suas atividades e se obrigam nos atos a elas pertinentes 
(art. lo, caput, da IN/DREI 15/2013). 
5.2. PROTEÇÃO LEGAL DO NOME EMPRESARIAL 
O nome empresarial deve constar do ato constitutivo do empresário 
(contrato social de uma sociedade empresária, por exemplo) e, consequen-
temente, obtém proteção legal desde o momento do arquivamento desse 
ato constitutivo na Junta Comercial competente (art. 33 da Lei 8.934/1994). 
> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(TRF 2 - JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO 2a REGIÃO/2o27) Sociedade empresária impetra 
mandado de segurança em face de ato do Presidente da Junta Comercial do 
Estado do Rio de janeiro, que nega o arquivamento de alteração contratual. 
O ato aponta a inviabilidade do nome empresarial, diante de similitude para 
com outro já existente, de diversa sociedade. Em relação ao tema, analise as 
assertivas abaixo e, depois, marque a opção correta: 
94 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
II - Independentemente de tema processual, o controle de similitude de nome 
empresarial cabe ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial, e não à Junta 
Comercial. 
*A afirmativa foi considerada ERRADA. 
A escolha do nome empresarial, porém, não é totalmente livre. De acor-
do com o art. 34 da Lei 8.934/1994, "o nome empresarial obedecerá aos 
princípios da veracidade e da novidade". 
Em obediência ao princípio da veracidade, o nome empresarial não 
pode conter nenhuma informação falsa. Sendo a expressão que identifica 
o empresário em suas relações como tal, é imprescindível que o nome 
empresarial só forneça dados verdadeiros àquele que negocia com o 
empresário. Exemplo de regra que concretiza o princípio da veracidade 
é o art. 1.165 do Código Civil, que assim determina: "o nome de sócio 
que vier a falecer, for excluído ou se retirar, não pode ser conservado 
na firma social". De fato, a manutenção do nome de alguém na firma 
social induziria terceiros a pensar que ela ainda era sócia da respectiva 
sociedade. Outro exemplo é a regra do art. 1.158, § 30 do Código Civil: "a 
omissão da palavra "limitada" determina a responsabilidade solidária e 
ilimitada dos administradores que assim empregarem a firma ou a deno-
minação da sociedade". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - AM/2°16) No que se refere às espécies de 
empresário, seus auxiliares e colaboradores e aos nomes e livros empresa-
riais, assinale a opção correta. 
E) Em observância ao princípio da veracidade, o nome do sócio que falecer 
não pode ser conservado na firma social. 
*A alternativa foi considerada CORRETA. 
O princípio da novidade, por sua vez, significa a proibição de se regis-
trar um nome empresarial igual ou muito parecido com outro já registra-
do na mesma Junta Comercial. Uma regra que concretiza esse princípio é 
o art. 1.163 do Código Civil, que tem o seguinte teor: "o nome de empre-
sário deve distinguir-se de qualquer outro já inscrito no mesmo registro". 
O parágrafo único desse dispositivo prevê que "se o empresário tiver 
nome idêntico ao de outros já inscritos, deverá acrescentar designação 
que o distinga". 
Cap. 5 • Nome Empresarial 95 
1 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(TRF 2 — JUIZ FEDERAL SUBSTITUTO 2a REGIÃO/2017) Sociedade empresária impetra 
mandado de segurança em face de ato do Presidente da Junta Comercial do 
Estado do Rio de janeiro, que nega o arquivamento de alteração contratual. 
O ato aponta a inviabilidade do nome empresarial, diante de similitude para 
com outro já existente, de diversa sociedade. Em relação ao tema, analise as 
assertivas abaixo e, depois, marque a opção correta: 
Ill - A colidência de nome empresarial é matéria do interesse exclusivo de seus 
titulares, e a análise do tema, sem provocação do interessado, não cabe nem 
à Junta Comercial e nem ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial. 
* A alternativa foi considerada ERRADA, porque cabe à Junta Comercial essa 
análise. 
1 Importante! 
A proteção do nome empresarial quanto ao princípio da novidade é restrita ao 
território do Estado da Junta Comercial em que foi registrado, conforme determi-
nação do art. 1.166 do Código Civil: "a inscrição do empresário, ou dos atos cons-
titutivos das pessoas jurídicas, ou as respectivas averbações, no registro próprio, 
asseguram o uso exclusivo do nome nos limites do respectivo Estado". Caso o 
empresário queira obter proteção do seu nome empresarial em todo o território 
nacional, terá que fazer um pedido específico (art. 1.166, parágrafo único). 
5.3. OUTROS ELEMENTOS DE IDENTIFICAÇÃO DOS EMPRESÁRIOS 
Além do nome empresarial, os empresários - empresário individual, 
EIRELI e sociedade empresária - possuem outros importantes elementos de 
identificação, tais como a marca, o nome de fantasia (título de estabeleci-
mento) e o nome de domínio. 
A marca é um sinal distintivo visualmente perceptível que identifi-
ca produtos ou serviços de um determinado empresário (art. 122 da Lei 
9.279/1996). Seu registro é feito no INPI (Instituto Nacional da Propriedade 
Industrial) e sua disciplina está adstrita ao âmbito do Direito de Proprie-
dade Industrial e será oportunamente analisada. Sobre eventual conflito 
entre nome empresarial e marca, o enunciado 1 das jornadas de Direito 
Comercial do CIF dispõe que "decisão judicial que considera ser o nome 
empresarial violador do direito de marca não implica a anulação do res-
pectivo registro no órgão próprio nem lhe retira os efeitos, preservado o 
direito de o empresário alterá-lo". 
96 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
O nome de fantasia, por sua vez, é a expressão que identifica o título 
do estabelecimento, sendo normalmente - mas não necessariamente - uma 
expressão constante do próprio nome empresarial registrado na Junta Co-
mercial, mas utilizada isoladamente para facilitar a identificação do respec-
tivo empresário pelo seu público consumidor (por exemplo: Ramos Et Silva 
Comércio de Materiais de Construção Ltda. pode ser o nome empresarial 
de uma sociedade empresária que se identifica perante os seus consumi-
dores com o nome de fantasia Armazém Alvorada). 
Por fim, o nome de domínio é o endereço eletrônico que hospeda o site 
do empresário na internet. De acordo com o enunciado 7 das jornadas de 
Direito Comercial do CJF, "o nome de domínio integra o estabelecimento 
empresarial como bem incorpóreo para todos os fins de direito". 
1 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/TABELIÃO/TJBA/29-06-2014) No que diz respeito à empresa e ao estabe-
lecimento, julgue: 
O nome de domínio integra o estabelecimento empresarialcomo bem corpóreo 
para todos os fins de direito. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
1 Importante! 
Nome empresarial 
- Identifica o empresário como sujeito de direitos 
- Registrado na Junta Comercial 
- Proteção em âmbito estadual (regra) 
- Proteção em todos os ramos de atividade 
Marca 
- Identifica produtos ou serviços do empresário 
- Registrada no INPI 
- Proteção em âmbito nacional 
- Proteção apenas na classe de produto/serviço em que foi registrada (regra) 
1 Importante! 
É possível que o nome de domínio de um empresário coincida com uma mar-
ca ou nome empresarial já registrados anteriormente por outro empresário. 
Cap. 5 • Nome Empresarial 97 
Nesse caso, decidiu o STJ que não há, em regra, ilegalidade, porque o fato de 
um empresário ter registrado uma certa expressão como nome empresarial 
ou como marca não confere a ele, automaticamente, o direito de exclusivi-
dade sobre essa expressão como nome de domínio, porque este se submete 
ao princípio "first come, first served". Nada impede, porém, que o titular do 
nome empresarial ou da marca requeira o cancelamento do registro do nome 
de domínio em questão, desde que prove a má-fé de quem o registrou (REsp 
658.789/RS, Rel. Ministro RICARDO VILLAS BOAS CUEVA, TERCEIRA TURMA, julgado 
em 05/09/2013. Die 12/09/2013). 
5.4. ESPÉCIES DE NOME EMPRESARIAL 
Segundo o art. 1.155 do Código Civil, "considera-se nome empresarial 
a firma ou a denominação adotada, de conformidade com este Capítulo, 
para o exercício de empresa". O Código Civil distingue, portanto, duas es-
pécies de nome empresarial: a firma e a denominação. 
A firma tem um nome civil como núcleo, que pode ser escrito por ex-
tenso ou abreviado, e nela a indicação da atividade empresarial exer-
cida pelo respectivo titular (empresário individual, EIRELI ou sociedade 
empresária) é facultativa. A denominação, por sua vez, pode ter uma 
expressão linguística qualquer como núcleo, e quanto à indicação da 
atividade empresarial exercida pelo seu titular (no caso da denomina-
ção, só pode ser EIRELI ou sociedade empresária), há divergência entre 
o Código Civil e a Lei 8.934/1994: esta diz ser essa indicação facultativa 
(art. 35, inciso III), enquanto aquele diz ser obrigatória (arts. 1.0158, § 
20, 1.160 e 1.161)2. 
O empresário individual só pode adotar firma, que nesse caso é chama-
da de firma individual. Conforme o art. 1.156 do Código Civil, a firma indi-
vidual é constituída pelo nome civil do respectivo empresário, podendo-se 
aditar, facultativamente, uma designação mais precisa da sua pessoa ou do 
gênero de atividade. 
2. Resolvendo a referida antinomia, o DREI, em sua Instrução Normativa 81/2020, 
entendeu que prevalece a regra da Lei 8.934/1994, de modo que, na prática, a 
indicação da atividade empresarial (objeto social) na denominação passou a ser 
também facultativa. 
98 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(ESAF/RFB/AFRFhoo9) A respeito do empresário individual no âmbito do direito 
comercial, marque a opção correta. 
e) O empresário individual registra uma razão social no Registro Público de 
Empresas. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
(JUIZ - MG - 2009) É CORRETA a afirmação de que o empresário opera sob a firma: 
A) Constituída por seu nome, completo ou abreviado, aditando-lhe, se quiser, 
designação mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. 
B) Constituída por seu nome completo, aditando-lhe, se quiser, designação 
mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. 
C) Constituída por seu nome, aditando-lhe, se quiser, designação mais precisa 
da sua pessoa ou do gênero de atividade. 
D) Do seu antecessor, seguida por seu nome, aditando-lhe, se quiser, designa-
ção mais precisa da sua pessoa ou do gênero de atividade. 
Gabarito: A. 
As sociedades que possuem sócios de responsabilidade ilimitada - so-
ciedade em nome coletivo e a sociedade em comandita simples - também 
só podem adotar firma, que nesse caso é chamada de firma social. De 
acordo com o art. 1.157 do Código Civil, "a sociedade em que houver só-
cios de responsabilidade ilimitada operará sob firma, na qual somente os 
nomes daqueles poderão figurar; bastando para formá-la aditar ao nome 
de um deles a expressão 'e companhia' ou sua abreviatura". Como na 
sociedade em nome coletivo todos os sócios possuem responsabilidade 
ilimitada (art. 1.039 do Código Civil), qualquer um deles pode ter seu nome 
civil na firma social, inclusive todos (se for usado o nome civil de apenas 
um sócio, insere-se a expressão a companhia ou a cia. no final). Já na 
sociedade em comandita simples, na qual apenas os sócios comanditados 
possuem responsabilidade ilimitada (art. 1.045 do Código Civil), é vedado 
o uso do nome civil dos sócios comanditários na firma social, sob pena 
de responsabilidade solidária e ilimitada pelas obrigações contraídas (art. 
1.056, parágrafo único do Código Civil). 
A sociedade limitada pode adotar firma ou denominação social, inte-
gradas pela palavra final "limitada" ou a sua abreviatura (art. 1.158 do 
Código Civil). Se optar pelo uso da firma social, esta será composta com o 
nome civil de um ou mais sócios, desde que pessoas físicas (§ 1.), sendo 
Cap. 5 • Nome Empresarial 99 
facultativa a indicação do objeto social. Se, todavia, optar pelo uso da 
denominação social, esta deverá necessariamente designar o objeto social 
(§ 20), podendo usar como núcleo uma expressão linguística qualquer. Ve-
jam-se os seguintes exemplos: Ramos a Silva Ltda. (firma social) e Alvorada 
Serviços Educacionais Ltda. (denominação social). 
A sociedade anônima, por sua vez, só pode adotar denominação so-
cial, a qual deve designar o objeto social e ser integrada pelas expres-
sões "sociedade anônima" ou "companhia", que podem ser escritas por 
extenso ou de forma abreviada. Confira-se, a propósito, o art. 1.160 do 
Código Civil: "a sociedade anônima opera sob denominação designati-
va do objeto social, integrada pelas expressões 'sociedade anônima' ou 
'companhia', por extenso ou abreviadamente". Caso se opte pelo uso da 
expressão companhia, deve-se usá-la no início ou no meio da denomina-
ção, mas nunca no final, conforme art. 3. da Lei 6.404/1976: "a sociedade 
será designada por denominação acompanhada das expressões 'compa-
nhia' ou 'sociedade anônima', expressas por extenso ou abreviadamen-
te, mas vedada a utilização da primeira ao final". 
Embora a sociedade anônima deva usar denominação social, espécie 
de nome empresarial que normalmente é formada por uma expressão lin-
guística qualquer, e não pelo nome civil dos sócios, tanto o art. 1.16o, pará-
grafo único do Código Civil quanto o art. 3., § 1. da Lei 6.404/1976 permitem 
que o nome do fundador, de acionista ou pessoa que tenha contribuído 
para o sucesso dos negócios conste da denominação. 
Por fim, a EIRELI (art. 98o-A, § 1. do Código Civil) e a sociedade em co-
mandita por ações (art. i..161 do Código Civil) podem adotar firma ou de-
nominação, inserindo ao final, respectivamente, as expressões "EIRELI" ou 
"comandita por ações", conforme o caso. 
(AFT 2010 — ESAF) Assinale, a seguir, a sociedade que só pode adotar denomi-
nação social. 
a) Companhia. 
b) Sociedade em nome coletivo. 
c) Sociedade Limitada. 
d) Sociedade em conta de participação. 
e) Sociedade em comum. 
Gabarito: A. 
100 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
(FGWFISCAL RJ/zoio) Com relação ao nome empresarial, assinale a afirmativa 
incorreta. 
A) "Alves a Cia. C/A" refere-se a uma sociedade em comandita por ações que 
optou pela utilização de firma social, sendo Alves um sócio diretor ou ge-
rente da sociedade. 
B) "Rocco e Irmãos Ltda. EPP" refere-se a uma sociedade limitada que optou 
pela utilização de firma social e que goza do regime diferenciado e favore-
cido dispensado às empresas de pequeno porte, sendo Rocco (e alguns de 
seus irmãos, se não todos) sócio dessa sociedade. 
C) "José da SilvaMinerações S/A" refere-se a uma sociedade anônima que tem 
como objeto a atividade mineradora, sendo José da Silva uma pessoa que 
concorreu para o sucesso dessa empresa. 
D) "José S. da Silva" refere-se a um empresário individual. 
E) "Companhia Nacional de Armarinhos" refere-se a uma sociedade limitada 
que adota as normas da sociedade anônima como lei supletiva e que tem 
como objeto a atividade de armarinhos. 
Gabarito: E. 
(IESES - Agentes de fiscalização - Prefeitura de São José-SC - 2019) Responda a 
questão a seguir de acordo com o Capítulo II (Do Nome Empresarial) do Código 
Civil Brasileiro, assinalando a assertiva INCORRETA: 
a) A sociedade cooperativa funciona sob denominação integrada pelo vocábu-
lo "cooperativa". 
b) A omissão da palavra "limitada" determina a responsabilidade solidária e 
limitada dos administradores que assim empregarem a firma ou a denomi-
nação da sociedade. 
c) A sociedade em que houver sócios de responsabilidade ilimitada operará 
sob firma, na qual somente os nomes daqueles poderão figurar, bastando 
para formá-la aditar ao nome de um deles a expressão "e companhia" ou 
sua abreviatura. 
d) Cabe ao prejudicado, a qualquer tempo, ação para anular a inscrição do 
nome empresarial feita com violação da lei ou do contrato. 
Gabarito: B 
(Cespe - Juiz de Direito - Ti - PR/2019) O nome empresarial identifica o sujeito 
de direito; a marca identifica, direta ou indiretamente, produtos ou serviços. 
A respeito desses dois institutos — nome empresarial e marca —, assinale a 
opção correta. 
Cap. 5 • Nome Empresarial 101 
A) O registro da marca no Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) 
garante, consequentemente, a proteção do nome empresarial, independen-
temente do registro deste nas juntas comerciais. 
B) A proteção conferida ao nome empresarial se exaure nos limites do estado 
federado onde fica a junta comercial na qual se fez seu registro, sendo sua 
proteção nos demais estados condicionada ao seu registro nas respectivas 
juntas comerciais. 
C) Devido ao princípio da especificidade, a proteção da marca de alto renome 
e do nome empresarial se restringe aos segmentos dos produtos ou servi-
ços passíveis de dúvidas. 
*As alternativas A e C foram consideradas erradas, e a B considerada certa. 
Importante! 
Empresário individual: só pode usar firma individual 
EIRELI: pode usar firma ou denominação 
Sociedade em nome coletivo: só pode usar firma social 
Sociedade em comandita simples: só pode usar firma social 
Sociedade limitada: pode usar firma ou denominação social 
Sociedade anônima: só pode usar denominação social 
Sociedade em comandita por ações: pode usar firma ou denominação social 
Sociedade cooperativa: só pode usar denominação social 
Sociedade em conta de participação: não pode ter nome empresarial 
Capítulo 
Escrituração Empresarial 
6.1. OBRIGAÇÃO LEGAL DE ESCRITURAÇÃO 
Além de se registrar na Junta Comercial antes de iniciar o exercício da 
atividade empresarial, outra obrigação legal imposta a todo empresário 
(empresário individual, EIRELI ou sociedade empresária) é a necessidade 
"seguir um sistema de contabilidade, mecanizado ou não, com base na 
escrituração uniforme de seus livros, em correspondência com a documen-
tação respectiva, e a levantar anualmente o balanço patrimonial e o de 
resultado econômico" (art. 1.179 do Código Civil). 
> Importante! 
Livros empresariais são apenas aqueles que o empresário escritura por força 
da legislação empresarial, não se incluindo nessa expressão os livros escritura-
dos por força da legislação trabalhista, tributária etc. 
> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - AM/2o16) No que se refere às espécies de 
empresário, seus auxiliares e colaboradores e aos nomes e livros empresa-
riais, assinale a opção correta. 
C) São livros empresariais todos os exigidos do empresário por força das le-
gislações empresarial, trabalhista, fiscal e previdenciária. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
Atualmente, o único livro obrigatório comum a todo e qualquer empre-
sário é o livro Diário, que pode ser substituído por fichas no caso de ser 
adotada escrituração mecanizada ou eletrônica (art. 1.181 do Código Civil), 
ou ser substituído pelo livro Balancetes Diários e Balanços, quando o empre-
sário adotar o sistema de fichas de lançamentos (art. 1.185 do Código Civil). 
Se o Diário é o único livro obrigatório comum, são facultativos os livros 
Caixa (no qual se controlam as entradas e saídas de dinheiro), Estoque, 
104 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Soma Cruz 
Razão (que classifica o movimento das mercadorias), Borrador (que fun-
ciona como um rascunho do diário) e Conta Corrente (que é usado para as 
contas individualizadas de fornecedores ou clientes). 
Alguns livros específicos são exigidos a certos empresários. É o caso, por 
exemplo, do livro de Registro de Duplicatas, exigido dos empresários que 
trabalham com a emissão de duplicatas mercantis (art. 19 da Lei 5.474/1968). 
Afora o Diário e esses livros obrigatórios específicos, o empresário poderá 
escriturar outros, a seu critério (art. 1.179, § 1. do Código Civil). 
É importante lembrar que o art. 1.179, § 2. do Código Civil dispensa "o 
pequeno empresário a que se refere o art. 970" do dever de escrituração. 
Esse pequeno empresário, conforme já dito, está definido no art. 68 da LC 
123/zoo6: "considera-se pequeno empresário, para efeito de aplicação do 
disposto nos arts. 970 e 1.179 da Lei no 10.406, de io de janeiro de zooz 
(Código Civil), o empresário individual caracterizado como microempresa 
na forma desta Lei Complementar que aufira receita bruta anual até o limi-
te previsto no § io do art. 18-A", limite este que atualmente corresponde a 
81.000,00 (oitenta e um mil reais). 
6.2. FORMALIDADES DA ESCRITURAÇÃO 
A escrituração empresarial é tarefa que a lei incumbe a profissional 
específico: o contabilista, o qual deve ser legalmente habilitado, ou seja, 
estar devidamente inscrito no seu órgão regulamentador da profissão (art. 
1.182 do Código Civil). O referido dispositivo legal, todavia, ressalva os 
casos em que não exista contabilista habilitado na localidade, quando a ta-
refa de escrituração poderá ser exercida por outro profissional ou mesmo 
pelo próprio empresário. 
Vale ressaltar que a regularidade da escrituração exige a obediência a 
requisitos intrínsecos e extrínsecos. Os primeiros estão previstos no art. 
1.183 do Código Civil, o qual prevê que "a escrituração será feita em idioma 
e moeda corrente nacionais e em forma contábil, por ordem cronológica 
de dia, mês e ano, sem intervalos em branco, nem entrelinhas, borrões, 
rasuras, emendas ou transportes para as margens". 
Os requisitos extrínsecos de regularidade da escrituração, por sua vez, 
são a existência de um termo de abertura e de um termo de encerramento, 
bem assim a autenticação da Junta Comercial. Vale lembrar que, conforme 
determinação do art. 32, inciso III da Lei 8.934/1994, só serão autenticados 
os livros empresariais dos empresários devidamente registrados na Junta. 
Cap. 6 • Escrituração Empresarial 105 
6.3. PROTEÇÃO LEGAL DOS LIVROS EMPRESARIAIS 
Os livros empresariais são protegidos pelo sigilo, conforme determina-
ção contida no art. 1.190 do Código Civil: "ressalvados os casos previstos 
em lei, nenhuma autoridade, juiz ou tribunal, sob qualquer pretexto, pode-
rá fazer ou ordenar diligência para verificar se o empresário ou a socieda-
de empresária observam, ou não, em seus livros e fichas, as formalidades 
prescritas em lei". 
Observe-se que o dispositivo acima transcrito ressalva, de forma clara, 
os casos previstos em lei, ou seja, a legislação poderá prever situações 
excepcionais em que o sigilo empresarial que protege os livros do empre-
sário não seja oponível. Assim, o próprio art. 1.193 do Código Civil prevê 
que as restrições ao exame da escrituração não se aplicam às autoridades 
fazendárias, quando estas estejam noexercício da fiscalização tributária. 
Deve-se destacar, porém, o que diz a Súmula 439 do STF: "estão sujeitos à 
fiscalização tributária ou previdenciária quaisquer livros comerciais, limita-
do o exame ao ponto objeto da investigação". 
O sigilo que protege os livros empresariais também pode ser afastado 
por ordem judicial, total ou parcialmente. O novo Código de Processo 
Civil trata do tema, estabelecendo, em seu art. 420, que "o juiz pode 
ordenar, a requerimento da parte, a exibição integral dos livros empre-
sariais e dos documentos do arquivo: I - na liquidação de sociedade; II 
- na sucessão por morte de sócio; III quando e como determinar a lei". 
O Código Civil também cuida do assunto, preceituando, em seu art. 1.191, 
que "o juiz só poderá autorizar a exibição integral dos livros e papéis 
de escrituração quando necessária para resolver questões relativas a 
sucessão, comunhão ou sociedade, administração ou gestão à conta de 
outrem, ou em caso de falência". Interpretando harmonicamente os dois 
dispositivos transcritos, pode-se concluir que a exibição integral dos li-
vros só pode ser determinada (i) a requerimento da parte - conforme 
determinação da norma processual - e (ii) somente nos casos expres-
samente previstos na lei (por exemplo, na liquidação da sociedade, na 
falência, entre outros). 
A exibição parcial dos livros também está disciplinada em ambos os có-
digos. O novo CPC estabelece, em seu art. 421, que "o juiz pode, de ofício, 
ordenar à parte a exibição parcial dos livros e documentos, extraindo-se 
deles a suma que interessar ao litígio, bem como reproduções autentica-
das". O Código Civil, por sua vez, preceitua, em seu art. 1.191, § 1., que 
"o juiz ou tribunal que conhecer de medida cautelar ou de ação pode, a 
106 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
requerimento ou de ofício, ordenar que os livros de qualquer das partes, 
ou de ambas, sejam examinados na presença do empresário ou da socie-
dade empresária a que pertencerem, ou de pessoas por estes nomeadas, 
para deles se extrair o que interessar à questão". A interpretação harmô-
nica desses dispositivos nos leva à conclusão de que a exibição parcial dos 
livros empresariais pode ser determinada (i) pelo julgador, a requerimento 
ou até mesmo de ofício, e (ii) em qualquer processo. 
Apenas por requerimento da parte e só nos ca-
sos previstos em lei 
Até mesmo de ofício e em qualquer processo 
6.4. EFICÁCIA PROBATÓRIA DOS LIVROS EMPRESARIAIS 
Os livros empresariais são documentos que possuem força probante, 
sendo muitas vezes fundamentais para a resolução de um determinado 
litígio. Sobre esse assunto, dispõe o art. 417 do novo CPC: "os livros em-
presariais provam contra o seu autor, sendo lícito ao empresário, todavia, 
demonstrar, por todos os meios permitidos em direito, que os lançamentos 
não correspondem à verdade dos fatos". Vê-se, pois, que a eficácia proba-
tória dos livros empresariais contra o empresário opera-se independen-
temente de os mesmos estarem corretamente escriturados. Nada impede, 
todavia, que o empresário demonstre, por outros meios de prova, que 
os lançamentos constantes daquela escrituração que lhe é desfavorável 
são equivocados. 
Em contrapartida, para que os livros façam prova a favor do empresá-
rio é preciso que os mesmos estejam regularmente escriturados, conforme 
disposição do art. 418 do novo CPC: "os livros empresariais, que preen-
cham os requisitos exigidos por lei, provam também a favor do seu autor 
no litígio entre empresários". 
Eficácia probatória dos livros empresariais 
contra o empresário 
Independe da regularidade da escrituração, mas 
o empresário pode fazer prova em contrário 
Eficácia probatória dos livros empresariais a 
favor do empresário 
Só se os livros estiverem regulamente escritura-
dos e se tratar de litígio entre empresários 
Cap. 6 • Escrituração Empresarial 107 
> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(ESAF/RFB/AUDITORhou) Sobre a disciplina escrituração empresarial prevista no 
Código Civil, assinale a opção incorreta. 
a) O empresário e a sociedade empresária são obrigados a seguir um sistema 
de contabilidade, mecanizado ou não, com base na escrituração uniforme 
de seus livros, em correspondência com a documentação respectiva, e a 
levantar anualmente o balanço patrimonial e o de resultado econômico. 
b) A escrituração será feita em idioma e moeda corrente nacionais e em for-
ma contábil, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em 
branco, nem entrelinhas, borrões, rasuras, emendas ou transportes para as 
margens, sendo permitido o uso de código de números ou de abreviaturas, 
que constem de livro próprio, regularmente autenticado. 
c) O empresário ou sociedade empresária que adotar o sistema de fichas 
de lançamentos poderá substituir o livro Diário pelo livro Balancetes Diá-
rios e Balanços, observadas as mesmas formalidades extrínsecas exigidas 
para aquele. 
d) O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa 
guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à 
sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante 
aos atos neles consignados. 
e) O juiz ou tribunal pode autorizar a exibição integral dos livros e papéis de 
escrituração empresarial quando necessária para resolver qualquer ques-
tão de caráter patrimonial. 
Gabarito: E. 
'4 
IICapítulo 
Direitos Industriais 
7.1. PROPRIEDADE INTELECTUAL 
O direito industrial (também chamado de direito de propriedade indus-
trial) é espécie do direito de propriedade intelectual, que também abrange 
o direito autoral e outros direitos sobre bens imateriais. Em suma: o direito 
de propriedade intelectual é gênero, do qual são espécies o direito indus-
trial, intrinsecamente ligado ao Direito Empresarial, e o direito autoral, 
mais ligado ao Direito Civil. 
Importante! 
Apesar de o direito industrial e o direito autoral terem algo em comum, que é 
o fato de protegerem bens imateriais resultantes da atividade criativa do gênio 
humano, possuem também muitas diferenças. Por exemplo: (i) a proteção dos 
direitos industriais depende da concessão do registro ou da patente (art. 20
da Lei 9.279/1996), ao passo que a proteção dos direitos autorais independe de 
registro (art. 18 da Lei 9.610/1998); (ii) existe um órgão estatal específico para 
concessão de registros e patentes relativos aos direitos industriais (Instituto 
Nacional da Propriedade Industrial - INPI, conforme art. 2° da Lei 5.648/1970), 
enquanto os direitos autorais são registrados, facultativamente e conforme 
a sua natureza, em órgãos variados que não foram criados especificamente 
para isso (Biblioteca Nacional, Escola de Música, Escola de Belas Artes da Uni-
versidade Federal do Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Cinema e Conselho 
Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia - CREA, conforme art. 17 da Lei 
5.988/1973); e (iii) os prazos de vigência dos direitos de propriedade industrial 
(arts. 40, 108 e 133 da Lei 9.279/1996) são distintos dos prazos de vigência dos 
direitos autorais (art. 41 da Lei 9.610/1998). 
7.2. LEGISLAÇÃO ESPECÍFICA 
A Constituição Federal de 1988 cuida dos direitos industriais na parte 
dos direitos e garantias individuais, estabelecendo em seu art. 50, inci-
so XXIX o seguinte: "a lei assegurará aos autores dos inventos industriais 
privilégio temporário para sua utilização, bem como proteção às criações 
110 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santo Cruz 
industriais, à propriedade das marcas, aos nomes de empresas e a outros 
signos distintivos, tendo em vista o interesse social e o desenvolvimento 
tecnológico e econômico do País". 
A lei a que se refere o dispositivo constitucional acima transcrito é a 
Lei 9.279/1996, conhecida como LPI (Lei de Propriedade Industrial), que 
substituiu a antiga Lei 5.772/1971 e que regula, atualmente, os direitos e 
obrigações relativos à propriedade industrial no Brasil, estabelecendo, em 
seu art. 20,o seguinte: "a proteção dos direitos relativos à propriedade 
industrial, considerado o seu interesse social e o desenvolvimento tecnoló-
gico e econômico do País, efetua-se mediante: I - concessão de patentes de 
invenção e de modelo de utilidade; II - concessão de registro de desenho 
industrial; III - concessão de registro de marca; IV - repressão às falsas 
indicações geográficas; e V - repressão à concorrência desleal". 
Patente Registro 
Invenção e modelo de utilidade Marca e desenho industrial 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(ESAFARB/ADVOGADOhoo6) O reconhecimento de direitos sobre criações intelec-
tuais, monopólio legal, visa a: 
a) estimular inovações tecnológicas. 
b) evitar concorrência predatória e preservar mercados. 
c) favorecer o esforço de reconhecimento de qualidade de produtos ou servi-
ços ligados à marca. 
d) inibir comportamentos indesejados como a reprodução de ideias inovadoras. 
e) premiar o talento do autor da criação. 
Gabarito: A. 
(IESES - Cartório - Remoção - Ti - AM/2018) Conforme dispõe a Lei n° 9.279 (re-
gula direitos e obrigações relativos à propriedade industrial), a proteção dos 
direitos relativos à propriedade industrial, considerado o seu interesse social e 
o desenvolvimento tecnológico e econômico do País, efetua-se mediante: 
I. Repressão às falsas indicações geográficas, assim como, repressão à con-
corrência. 
II. Concessão de registro de marca. 
III. Concessão de registro de desenho indústria. 
IV. Concessão de patentes de invenção e de modelo de utilidade. 
Cap. 7 • Direitos Industriais 111 
A sequência correta é: 
a) Apenas as assertivas II, Ill e IV estão corretas. 
b) Apenas as assertivas I e Ill estão incorretas. 
c) Apenas a assertiva III está incorreta. 
d) As assertivas I, II, Ill e IV estão corretas. 
Gabarito: A 
(Vunesp - Cartório - Remoção - Ti - SP/2018) Entende-se por propriedade in-
dustrial 
(A) patentes de invenção, registro de marca e de desenho industrial. 
(6) concessão de modelo de utilidade, direitos autorais do empresário e clien-
tela. 
(C) repressão à concorrência, registro de invenção e de marca notória. 
(0) clientela, patentes de invenção e desenho industrial. 
Gabarito: A 
(IADES/Analista Judiciário/APEX Brasil/2°18) São bens jurídicos protegidos pelo 
direito de propriedade industrial as (os) 
a) marcas, as invenções, o desenho industrial e os modelos de utilidade. 
b) obras literárias, os programas de computador e os micro-organismos gene-
ticamente modificados. 
c) fonogramas e as partituras musicais. 
d) obras de arte, as esculturas e as pinturas registradas na Academia de Belas 
Artes. 
e) direitos morais e patrimoniais de autor ou respectivo titular. 
Gabarito: A 
Em suma: a LPI disciplina a concessão de quatro direitos industriais 
distintos (patente de invenção, patente de modelo de utilidade, regis-
tro de desenho industrial e registro de marca) e a repressão de dois 
tipos de conduta empresarial (falsa indicação geográfica e concorrência 
desleal). 
Importante! 
Os direitos industriais mencionados são considerados como bens móveis para 
fins legais (art. 5- da IPI), e é por isso que eles podem ser negociados pelos 
seus respectivos titulares (cessão, licença etc.). 
1 1 2 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/TABELIÃO/TJBA/29-06-203.4) A respeito da Lei de Propriedade Industrial 
(Lei n.. 9.279/1996), julgue: 
Consideram-se bens imóveis os direitos de propriedade industrial. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
7.3. PATENTES 
Conforme destacamos acima, a invenção e o modelo de utilidade são 
protegidos especificamente pela concessão de patente pelo INPI, proteção 
essa instrumentalizada por meio da respectiva carta-patente. 
De acordo com o art. 8. da LPI, "é patenteável a invenção que atenda 
aos requisitos de novidade, atividade inventiva e aplicação industrial". 
O art. 9. da LPI, por sua vez, diz que "é patenteável como modelo de 
utilidade o objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação 
industrial, que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inven-
tivo, que resulte em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação". 
O modelo de utilidade é, portanto, um aprimoramento de algo já exis-
tente. Assim, além de preencher os requisitos da novidade ("nova forma 
ou disposição"), da atividade inventiva ("ato inventivo") e da aplicação 
industrial, o modelo de utilidade, para ser patenteado, precisa demonstrar 
que produz uma "melhoria funcional no uso ou na fabricação" da coisa. 
Importante! 
Quanto à expressão "objeto de uso prático" constante do art. 9. da LPI, pode-
-se dizer que ela é aplicável a qualquer invento (invenção ou modelo de utili-
dade). É por isso que a lei afirma que criações teóricas, como "regras de jogo" 
e "concepções puramente abstratas", não são consideradas como invenção ou 
modelo de utilidade. Nesse sentido, confira-se o art. Lo da LPI: "não se con-
sidera invenção nem modelo de utilidade: I - descobertas, teorias científicas 
e métodos matemáticos; II - concepções puramente abstratas; Ill - esquemas, 
pianos, princípios ou métodos comerciais, contábeis, financeiros, educativos, 
publicitários, de sorteio e de fiscalização; IV - as obras literárias, arquitetô-
nicas, artísticas e científicas ou qualquer criação estética; V - programas de 
computador em si; VI - apresentação de informações; VII - regras de jogo; VIII - 
técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos, bem como métodos terapêuticos 
ou de diagnóstico, para aplicação no corpo humano ou animal; e IX - o todo ou 
parte de seres vivos naturais e materiais biológicos encontrados na natureza, 
ou ainda que dela isolados, inclusive o genoma ou germoplasma de qualquer 
ser vivo natural e os processos biológicos naturais". 
Cap. 7 • Direitos Industriais 113 
1 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(OAB UNIFICADA - 2008.3) De acordo com as leis brasileiras, considera-se criação 
passível de ser objeto de direito de patente 
a) o método cirúrgico de transplante de coração em animais. 
b) um processo de fabricação de tinta. 
c) a pintura em que se retrata a imagem de um grupo de pessoas. 
d) o livro científico em que se descrevem aplicações de medicamentos. 
Gabarito: B. 
(VUNESP/TJ/SP/JUIZ/2on) São patenteáveis: 
I. descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos; 
II. o objeto de uso prático, ou parte deste, suscetível de aplicação industrial, 
que apresente nova forma ou disposição, envolvendo ato inventivo, que resul-
te em melhoria funcional no seu uso ou em sua fabricação; 
III. técnicas e métodos operatórios ou cirúrgicos para aplicação no corpo humano; 
IV. a invenção que atenda aos requisitos de novidade, atividade inventiva e 
aplicação industrial. 
Está correto apenas o contido em: 
a) I, ll e IV 
b) I, II e III. 
c) II, III e IV. 
d) li e IV. 
e) IV. 
Gabarito: D. 
(CESPE/JUIZMDF/12-01-2014) A respeito da propriedade industrial, julgue: 
É patenteável a invenção que atenda aos requisitos de novidade, atividade 
inventiva e aplicação industrial, como, por exemplo, um novo programa de 
computador ou um novo método cirúrgico. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
(IBFC/Juiz Federal/MN/2°18) Pedro desenvolveu uma cadeira de escritório er-
gonômica, cuja a nova forma apresenta novidade e atividade inventiva, com 
excelente melhoria funcional no seu uso. Com a alta procura para industriali-
zarem a cadeira, manifestou interesse em proteger este produto através da 
propriedade industrial. Considerando o enunciado, podemos afirmar que a 
melhor proteção jurídica para o produto será: 
114 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
a) Patente de invenção. 
b) Patente de modelo de utilidade. 
c) Desenho industrial. 
d) Patente de desenho industrial. 
e) Não é patenteável este produto. 
Gabarito: B 
Registre-se ainda que há inventos que, apesar de preencherem os 
requisitos acima listados(novidade, atividade inventiva e aplicação in-
dustrial), não podem ser objeto da concessão de patentes, em razão da 
ocorrência de algum impedimento legal específico, como contrariedade 
à segurança pública, por exemplo. Nesse sentido, confira-se o art. 18 
da LPI: "não são patenteáveis: I - o que for contrário à moral, aos bons 
costumes e à segurança, à ordem e à saúde públicas; II - as substâncias, 
matérias, misturas, elementos ou produtos de qualquer espécie, bem 
como a modificação de suas propriedades físico-químicas e os respecti-
vos processos de obtenção ou modificação, quando resultantes de trans-
formação do núcleo atômico; e III - o todo ou parte dos seres vivos, exce-
to os microorganismos transgênicos que atendam aos três requisitos de 
patenteabilidade - novidade, atividade inventiva e aplicação industrial 
- previstos no art 80 e que não sejam mera descoberta". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FCC - JUIZ DE DIREITO - SC/2017) São patenteáveis 
A) as descobertas, teorias científicas e métodos matemáticos. 
B) os microrganismos transgênicos que atendam aos requisitos de novidade, 
atividade inventiva e aplicação industrial, e que não sejam mera descoberta. 
C) as obras literárias, arquitetônicas, artísticas e científicas e qualquer criação 
estética. 
D) as técnicas cirúrgicas e métodos terapêuticos e de diagnóstico para aplica-
ção no corpo animal, mas não no corpo humano. 
E) apenas as invenções que atendam os requisitos de novidade, atividade in-
ventiva e aplicação industrial. 
Gabarito: B. 
Cap. 7 • Direitos Industriais 115 
Importante! 
Quanto aos impedimentos legais à patenteabilidade, é importante destacar 
que a LPI não mais veda a concessão de patentes na indústria farmacêutica 
(remédios/medicamentos). No entanto, inventos nessa área precisam preen-
cher um requisito a mais para serem patenteados: anuência da ANVISA. Nesse 
sentido, dispõe o art. 229-C da LPI: "a concessão de patentes para produtos e 
processos farmacêuticos dependerá da prévia anuência da Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária - ANVISA". 
7.3.1. Requisitos de patentabilidade 
o requisito da novidade se considera preenchido quando a invenção 
ou o modelo de utilidade não estão compreendidos no estado da técnica 
(art. ii da LPI), o qual, por sua vez, "é constituído por tudo aquilo tornado 
acessível ao público antes da data de depósito do pedido de patente, por 
descrição escrita ou oral, por uso ou qualquer outro meio, no Brasil ou no 
exterior, ressalvado o disposto nos arts. 12, 16 e 17" (art. 11, § 1. da LPI). Em 
síntese, o requisito da novidade estará preenchido se o invento (invenção 
ou modelo de utilidade) representa algo desconhecido de todos, mesmo 
dos cientistas ou pesquisadores especializados naquele assunto ou naque-
la área do conhecimento. 
O requisito da atividade inventiva, por sua vez, se considera preenchido 
quando, para um técnico no assunto, a invenção não decorrer de maneira 
evidente ou óbvia do estado da técnica (art. 13 da LPI), e o modelo de 
utilidade não decorrer de maneira comum ou vulgar do estado da técnica 
(art. 14 da LPI). Em suma: o inventor deverá demonstrar que chegou àquele 
resultado novo em decorrência específica de um ato de criação seu. Serve 
esse requisito, enfim, para distinguir a invenção de uma mera descoberta, 
de modo que o direito de propriedade protege o inventor, mas não o mero 
descobridor. Este, por exemplo, descobre uma jazida de metal precioso; 
aquele, por sua vez, cria um mecanismo para aproveitamento desse metal. 
Já o requisito da aplicação industrial é preenchido quando a inven-
ção ou o modelo de utilidade possam ser utilizados ou produzidos em 
qualquer tipo de indústria (art. 15 da LPI). Tem-se aqui um requisito de 
patenteabilidade ligado diretamente à exigência de que o invento seja útil 
e factível, isto é, resolva um problema técnico. Enfim, a lei não confere 
proteção a inventos inúteis. 
116 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Atividade inventiva Aplicação industrial 
O invento não está compreen-
dido no estado da técnica 
O invento não decorre de ma-
neira evidente, óbvia, comum 
ou vulgar do estado da técnica 
O invento pode ser usado ou 
produzido em algum tipo de 
indústria 
7.3.2. Titularidade da patente 
Em princípio, o pedido de concessão de patente deve ser feito ao INPI 
pelo próprio autor do invento (invenção ou modelo de utilidade), mas 
também pode ser realizado "pelos herdeiros ou sucessores do autor, pelo 
cessionário ou por aquele a quem a lei ou o contrato de trabalho ou de 
prestação de serviços determinar que pertença a titularidade" (art. 6., § 2° 
da LPI). 
Se o invento foi realizado em conjunto, o pedido de proteção poderá 
ser feito por todos os inventores, ou por qualquer deles, isoladamente, 
desde que, neste caso, sejam nomeados e qualificados os demais, para a 
ressalva dos respectivos direitos (art. 6., § 3. da LPI). 
Importante! 
Se dois ou mais autores tiverem realizado o mesmo invento, de forma inde-
pendente, o direito de obter patente será assegurado àquele que provar o 
depósito mais antigo, independentemente das datas de invenção ou criação 
(art. 7. da LPI). Vê-se, portanto, que a LPI segue o sistema first-to-file (primeiro 
a registrar), utilizado em quase todo o mundo: o que importa é quem depositou 
primeiro o pedido de patente, e não quem efetivamente inventou primeiro. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO - PR/2o17) Caso dois autores tenham realizado a mesma 
invenção de forma independente, 
A) qualquer um deles poderá requerer a patente, mediante nomeação e qua-
lificação do outro. 
B) aquele que comprovar a data de invenção mais antiga terá direito ao privi-
légio temporário para a utilização. 
C) aquele que primeiro obtiver o registro usufruirá do privilégio temporário 
para a utilização da invenção. 
D) aquele que provar o depósito mais antigo terá direito a obter a patente. 
Gabarito: D. 
Cap. 7 • Direitos Industriais 117 
(CESPE/JUIZMDF/12-01-2014) A respeito da propriedade industrial, julgue: 
Em caso de criação independente, se duas ou mais pessoas reclamarem o di-
reito à patente de determinado invento, terá prioridade a pessoa que provar 
a primazia da criação. 
*A afirmativa foi considerada ERRADA. 
(CESPE/TABELIÃO/TJBA/29-06-2014) A respeito da Lei de Propriedade Industrial 
(Lei n.. 9.279/1996), julgue: 
Se dois ou mais autores tiverem realizado a mesma invenção ou modelo de 
utilidade, de forma independente, o direito de obter patente deverá ser as-
segurado ao que primeiro provar ter inventado ou criado o produto, indepen-
dentemente da prova da data do depósito. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
Quando o invento é desenvolvido por funcionários do empresário (em-
pregados ou prestadores de serviços, por exemplo), é preciso atentar para 
as peculiaridades do caso, a fim de determinar a correta titularidade da 
patente. 
O art. 88 da LPI prevê o seguinte: "a invenção e o modelo de utilidade 
pertencem exclusivamente ao empregador quando decorrerem de con-
trato de trabalho cuja execução ocorra no Brasil e que tenha por objeto a 
pesquisa ou a atividade inventiva, ou resulte esta da natureza dos serviços 
para os quais foi o empregado contratado". Nesse caso, "salvo expressa 
disposição contratual em contrário, a retribuição pelo trabalho a que se 
refere este artigo limita-se ao salário ajustado" (§ lc). E mais: "salvo prova 
em contrário, consideram-se desenvolvidos na vigência do contrato a in-
venção ou o modelo de utilidade, cuja patente seja requerida pelo empre-
gado até i (um) ano após a extinção do vínculo empregatício" (§ 2.). Assim, 
por exemplo, um engenheiro químico contratado por uma indústria para 
desenvolver novos produtos não será o titular da patente de um invento 
desenvolvido por ele: o titular será a indústria e, em princípio, ele não terá 
direito a nada além do seu salário, salvo se o próprio contrato de trabalho,norma da empresa ou negociação específica dispuser diferentemente (art. 
89 da LPI). Ademais, se esse engenheiro, percebendo que havia inventado 
um produto inovador, resolver pedir demissão e requerer a patente por 
conta própria, a indústria poderá impugnar seu pleito, porque nesse caso 
se presume que a invenção foi feita na vigência do contrato, sendo o em-
pregador, pois, o titular da patente. 
118 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santo Cruz 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(0AB/SP 2008 - EXAME No 136) Assinale a opção correta no que diz respeito a in-
venção e modelo de utilidade realizado por empregado ou prestador de serviço. 
A) A invenção pertence exclusivamente ao empregador quando decorrer de 
contrato de trabalho cuja execução ocorra no Brasil e que tenha por objeto a 
pesquisa ou a atividade inventiva. 
B) O empregador, titular da patente, é obrigado a conceder ao empregado autor de 
invento participação nos ganhos econômicos resultantes da exploração da patente. 
C) A invenção pertence, em regra, exclusivamente ao empregador quando de-
correr de contrato de estágio cuja execução ocorra no Brasil e que tenha por 
objeto a pesquisa ou a atividade inventiva, ainda que aquela seja resultado de 
contribuição pessoal do estagiário. 
D) Considera-se desenvolvida pelo empregado, em regra, a invenção cuja pa-
tente tenha sido por ele requerida até o prazo de um ano após a extinção do 
vínculo empregatício. 
Gabarito: A. 
Se, porém, um empregado desenvolveu um invento totalmente desvincu-
lado do seu trabalho, devem-se distinguir duas situações distintas: (i) se ele 
não usou recursos, meios, dados, materiais, instalações ou equipamentos do 
empregador, a titularidade da patente será exclusivamente dele (art. 90 da 
i_PI); mas (ii) se ele usou recursos, meios, dados, materiais, instalações ou 
equipamentos do empregador, a titularidade da patente será comum, em 
partes iguais, salvo cláusula contratual em sentido contrário (art. 91 da UN). 
7.3.3. Prazo de vigência da patente 
A patente garante ao inventor o direito de exploração econômica ex-
clusiva do objeto patenteado (produto ou processo tecnológico), mas esse 
privilégio é temporário. Segundo o art. 40 da LPI, "a patente de invenção 
vigorará pelo prazo de zo (vinte) anos e a de modelo de utilidade pelo 
prazo 15 (quinze) anos contados da data de depósito". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/TABELIÃO/T113A/29-06-2014) A respeito da Lei de Propriedade Industrial 
(Lei n.o 9.279/1996), julgue: 
A patente de modelo de utilidade deve vigorar pelo prazo de vinte anos, e a 
de invenção pelo prazo quinze anos contados da data de depósito. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
Cap. 7 • Direitos Industriais 119 
O art. 40, parágrafo único da LPI, porém, ressalva a hipótese de demora 
na concessão, estabelecendo o seguinte: "o prazo de vigência não será in-
ferior a ao (dez) anos para a patente de invenção e a 7 (sete) anos para a 
patente de modelo de utilidade, a contar da data de concessão, ressalvada 
a hipótese de o INPI estar impedido de proceder ao exame de mérito do 
pedido, por pendência judicial comprovada ou por motivo de força maior". 
Assim, por exemplo, se uma patente de invenção só for concedida 12 
(doze) anos após o respectivo depósito, nesse caso ela ainda terá vigência 
por mais lo (dez) anos após a sua concessão, totalizando 22 (vinte de dois) 
anos desde o depósito. 
Sobre essa regra do art. yo, parágrafo único, o enunciado 107 das jorna-
das de Direito Comercial do CJF diz o seguinte: "o fato gerador do parágrafo 
único do art. 40 da Lei n. 9.279/96 não engloba a hipótese de mora adminis-
trativa havida em concausa ou perpetrada pelo depositante do pedido de 
patente, desde que demonstrada conduta abusiva deste". 
Patente de A partir do depósito A partir da concessão 
Invenção 20 anos No mínimo io anos 
Modelo de utilidade 15 anos No mínimo 7 anos 
Importante! 
0 prazo de vigência da patente, seja ela de invenção ou de modelo de utilida-
de, é improrrogável. Assim, expirado o prazo de vigência, a patente é extinta, 
e o seu objeto cai em domínio público (art. 78, parágrafo único da LPI). 
7.3.4. Licença da patente 
De acordo com o art. 61 da LPI, "o titular de patente ou o depositante 
poderá celebrar contrato de licença para exploração". O art. 62 da LPI, por 
sua vez, determina que "o contrato de licença deverá ser averbado no INPI 
para que produza efeitos em relação a terceiros". Nesse caso, o licenciado 
poderá explorar economicamente o objeto patenteado, e o titular recebe-
rá, em troca, a retribuição acordada voluntariamente (essa retribuição é 
usualmente chamada de royalty). 
Existe ainda a licença compulsória de patente, que não é fruto de con-
trato entre o titular e o licenciado, mas de determinação do Estado (INPI ou 
Poder Executivo Federal, a depender da situação que ensejou a licença). 
120 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Segundo o art. 68 da LPI, "o titular ficará sujeito a ter a patente licen-
ciada compulsoriamente se exercer os direitos dela decorrentes de forma 
abusiva, ou por meio dela praticar abuso de poder econômico, comprova-
do nos termos da lei, por decisão administrativa ou judicial". Por sua vez, o 
§ 10 do art. 68 afirma que "ensejam, igualmente, licença compulsória: I - a 
não exploração do objeto da patente no território brasileiro por falta de 
fabricação ou fabricação incompleta do produto, ou, ainda, a falta de uso 
integral do processo patenteado, ressalvados os casos de inviabilidade 
econômica, quando será admitida a importação; ou II - a comercialização 
que não satisfizer às necessidades do mercado". Nesses casos, a licença 
será determinada por decisão administrativa do INPI após requerimento 
de um interessado e regular processo administrativo (art. 73 da LPI). 
O art. 71 da LPI, por sua vez, tem a seguinte redação: "nos casos de 
emergência nacional ou interesse público, declarados em ato do Poder 
Executivo Federal, desde que o titular da patente ou seu licenciado não 
atenda a essa necessidade, poderá ser concedida, de ofício, licença com-
pulsória, temporária e não exclusiva, para a exploração da patente, sem 
prejuízo dos direitos do respectivo titular". Nesse caso, a licença será de-
terminada por Decreto do Presidente da República, que poderá agir de 
ofício (cite-se, por exemplo, o Decreto 6.108/2oo7, que concedeu licencia-
mento compulsório, por interesse público, de patentes referentes ao me-
dicamento Efavirenz, usado no combate à AIDS). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FISCAL DE RENDAS-RJ -2008- FGV) A respeito das patentes, é incorreto afirmar que: 
A) as regras de jogo e programas de computador em si não são consideradas 
patentes. 
B) a patente de invenção vigorará pelo prazo de vinte anos e a de modelo de 
utilidade pelo de quinze anos, contados da data do respectivo depósito. 
C) nos casos de emergência nacional ou interesse público, declarados em ato 
do Poder Executivo Federal, desde que o titular da patente ou seu licenciado 
não atendam a essa necessidade, poderá ser concedida, mediante requeri-
mento, licença compulsória, com prazo indeterminado e não exclusiva, para 
exploração da patente, sem prejuízo dos direitos do respectivo titular. 
D) a invenção pertence unicamente ao empregador quando decorrer de con-
trato de trabalho cuja execução ocorra no Brasil e que tenha por objeto a pes-
quisa ou atividade inventiva, ou resulte da natureza dos serviços para os quais 
o empregado foi contratado. 
Gabarito: C. 
Cap. 7 • Direitos Industriais 121 
7.3.5. Patentes pipeline e patentes mailbox 
As patentes pipeline (ou patentes de revalidação) estão disciplinadas 
nos arts. 230 e 231 da LPI: "poderá ser depositado pedido de patente 
relativo às substâncias, matérias ou produtos obtidos por meios ou pro-
cessos químicos e as substâncias, matérias, misturas ou produtos alimen-
tícios, químico-farmacêuticos e medicamentos de qualquer espécie,bem 
como os respectivos processos de obtenção ou modificação, por quem 
tenha proteção garantida em tratado ou convenção em vigor no Brasil, 
ficando assegurada a data do primeiro depósito no exterior, desde que 
seu objeto não tenha sido colocado em qualquer mercado, por iniciativa 
direta do titular ou por terceiro com seu consentimento, nem tenham sido 
realizados, por terceiros, no País, sérios e efetivos preparativos para a 
exploração do objeto do pedido ou da patente"; "poderá ser depositado 
pedido de patente relativo às matérias de que trata o artigo anterior, 
por nacional ou pessoa domiciliada no País, ficando assegurada a data 
de divulgação do invento, desde que seu objeto não tenha sido colocado 
em qualquer mercado, por iniciativa direta do titular ou por terceiro com 
seu consentimento, nem tenham sido realizados, por terceiros, no País, 
sérios e efetivos preparativos para a exploração do objeto do pedido". 
A previsão das patentes pipeline decorreu do fato de que a nossa 
legislação anterior (Lei 5.772/1971) não permitia a patente de produtos 
farmacêuticos e alimentícios. Como a atual LPI permite a patente desses 
produtos, aquelas pessoas que não fizeram pedidos de patente de medi-
camentos e alimentos no Brasil na vigência da lei anterior (ou fizeram esses 
pedidos no exterior) puderam fazer tais pedidos após a entrada em vigor 
da atual LPI. Aqueles que, não obstante a proibição antiga, fizeram tais 
pedidos, puderam convertê-los em pedidos de pipeline. 
O ST] já decidiu alguns casos sobre o tema, entendendo pela legitimi-
dade das regras dos arts. 230 e 231 da LPI. Nesses julgados, o ST] decidiu 
sobre o prazo de vigência das patentes pipeline: "nos termos dos artigos 40, 
caput e 230, § 4.0, da Lei n.o 9.279/96, a proteção oferecida pelo ordenamento 
jurídico brasileiro às patentes estrangeiras vigora 'pelo prazo remanescente 
de proteção no país onde foi depositado o primeiro pedido', limitado ao pe-
ríodo máximo de proteção concedido pela nossa legislação, que é de 20 anos, 
a contar da data do depósito do pedido no Brasil" (REsp 445.712/R1); "a Lei 
de Propriedade Industrial, em seu art. 230, § 4.0, c/c o art. 40, estabelece que 
a proteção oferecida às patentes estrangeiras, chamadas patentes pipeline, 
vigora 'pelo prazo remanescente de proteção no país onde foi depositado o 
122 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
primeiro pedido', até o prazo móximo de proteção concedido no Brasil - 20 
anos - a contar da data do primeiro depósito no exterior, ainda que posterior-
mente abandonado" (REsp 731.1oi/R1). 
O fato é que muitos titulares de patentes pipeline -geralmente laborató-
rios - tentam estender o prazo de vigência da respectiva patente no Brasil, 
nos casos em que tais prazos, no país de origem da patente, são mais 
longos ou prorrogados por algum motivo específico. O SI] tem rechaçado 
sistematicamente essas tentativas, conforme se vê dos acórdãos acima 
transcritos, entendendo que as patentes pipeline revalidadas no Brasil vi-
goram pelo prazo remanescente do país de origem, mas limitado ao prazo 
máximo previsto em nossa legislação (art. 40 da LPI: 20 anos para patentes 
de invenção e 15 anos para patentes de modelo de utilidade). 
Por fim, vale ressaltar que nas patentes pipeline, por ocorrer apenas 
uma revalidação, no Brasil, de uma patente já registrada no exterior, a 
sua concessão dispensa a comprovação dos requisitos da "novidade", da 
"atividade inventiva" e da "aplicação industrial", uma vez que eles já fo-
ram analisados na jurisdição de origem: "uma patente pipeline concedida 
no exterior e revalidada no Brasil não pode ser anulada ao fundamento 
de falta de um dos requisitos de mérito do art. 8.0 da Lei 9.279/1996 (Lei 
de Propriedade Industrial - 11)1), mas apenas por ausência de requisito 
especificamente aplicável a ela (como, por exemplo, por falta de paga-
mento da anuidade no Brasil) ou em razão de irregularidades formais. Da 
leitura dos arts. 230 e 231 da LPI e de acordo com doutrina especializada, 
uma vez concedida a patente pipeline por outra jurisdição, ela não pode-
rá ser anulada invocando-se a ausência de um dos requisitos de mérito 
previstos no art. 8.0 da LPI para a concessão das patentes ordinárias (no-
vidade, atividade inventiva e aplicação industrial). Precedentes citados: 
REsp 1.145.637-Ri e REsp 1.092.139-RJ" (REsp 1.201.454-R1). 
As patentes mailbox estão disciplinadas no art. 229, parágrafo único, da 
LPI: "os pedidos relativos a produtos farmacêuticos e produtos químicos 
para a agricultura, que tenham sido depositados entre 10 de janeiro de 
1995 e 14 de maio de 1997, aplicam-se os critérios de patenteabilidade des-
ta Lei, na data efetiva do depósito do pedido no Brasil ou da prioridade, 
se houver, assegurando-se a proteção a partir da data da concessão da 
patente, pelo prazo remanescente a contar do dia do depósito no Brasil, 
limitado ao prazo previsto no caput do art. 40". 
A Lei 5.772/1971 não admitia patentes de produtos farmacêuticos e quí-
micos, mas o Brasil se obrigou a concedê-las por meio do Acordo TRIPS, 
então foi necessária tal regra de transição. 
Cap. 7 • Direitos Industriais 123 
Como muitos pedidos de patentes mailbox demoraram anos em análise, 
o INPI aplicou o art. 40, parágrafo único da LPI, garantindo o prazo mínimo 
de vigência de io anos, contados da concessão da patente. Posteriormente, 
porém, o INPI reviu suas próprias decisões, reduzindo o prazo de vigência 
dessas patentes para 20 anos, contados do depósito do pedido de patente. 
A Terceira Turma do STJ considerou correta a revisão feita pelo INPI, en-
tendendo que a regra do art. 40, parágrafo único da LPI não se aplica às pa-
tentes mailbox, as quais devem sempre obedecer ao caput do art. 40, isto é, 
devem ter prazo de vigência de 20 anos, contados da concessão. Decidiu-se 
que as patentes mailbox configuraram uma situação excepcional, disciplina-
da em dispositivo legal específico que está na parte das disposições finais 
e transitórias da LPI, e como tal dispositivo legal deixa claro que o prazo de 
vigência de tais patentes deve ser "limitado ao prazo previsto no caput do 
art. 40" (20 anos, a contar do depósito), considerou-se que não seria possível 
aplicar a exceção do parágrafo único do art. 40 (io anos, a contar da conces-
são). Ver REsp 1.721.711 e REsp 1.840.910. 
> Importante! 
É preciso ter cuidado para não confundir patentes com cultivares, que também 
configuram uma espécie de direito de propriedade intelectual, mas que se 
submete a regime jurídico distinto, previsto na Lei 9.456/1997. 
Essa distinção entre patente e cultivar foi feita pela Segunda Seção do STJ no 
julgamento do 1.61o.728-RS: "a proteção da propriedade intelectual na forma 
de cultivares abrange o material de reprodução ou multiplicação vegetativa 
da planta inteira, enquanto o sistema de patentes protege, especificamente, o 
processo inventivo ou o material geneticamente modificado". 
Portanto, enquanto a patente protege o produto geneticamente modificado ou 
o processo inventivo respectivo, a cultivar protege a variedade vegetal (art. 30, 
inciso IV c/c arts. 4. e 8. da Lei 9.456/1997). Essa proteção é feita por meio da 
concessão de um Certificado de Proteção de Cultivar, emitido pelo Ministério 
da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que tem prazo de 15 ou 18 anos, 
contados a partir da concessão (art. ii da Lei 9.456/1997)-
7.4. REGISTRO DE DESENHO INDUSTRIAL 
De acordo com o art. 95 da LPI, "considera-se desenho industrial a for-
ma plástica ornamental de um objeto ou o conjunto ornamental de linhas 
e cores que possa ser aplicado a um produto, proporcionando resultado 
visual novo e original na sua configuração externa e que possa servir de 
tipo de fabricação industrial". 
124 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
O art. 94, parágrafo único da LPI dispõe que se aplicam "ao registro de 
desenho industrial, no que couber, as disposições dos artigos 6. e 7.", já 
vistosquando do estudo das patentes. Aplicam-se também aos pedidos de 
registro de desenho industrial as regras previstas na LPI sobre a titulari-
dade de patentes de inventos realizados por funcionários do empresário 
(art. 121 da LPI). 
7.4.1. Requisitos de registrabilidade do desenho industrial 
Os requisitos para o registro de um desenho industrial são os seguintes: 
novidade, originalidade e aplicação industrial. 
O requisito da novidade, assim como ocorre com as invenções e os 
modelos de utilidade, estará atendido quando o desenho industrial obje-
to do pedido de registro não estiver compreendido no estado da técnica 
(art. 96 da LPI), sendo este, repita-se, "constituído por tudo aquilo tornado 
acessível ao público antes da data de depósito do pedido, no Brasil ou no 
exterior, por uso ou qualquer outro meio, ressalvado o disposto no § 3° 
deste artigo e no art. 99" (§ 10). 
Já o requisito da originalidade, por sua vez, considera-se cumprido 
quando do desenho industrial resultar "uma configuração visual distintiva, 
em relação a outros objetos anteriores" (art. 97 da LPI). Cumpre destacar, 
ainda, que esse resultado original "poderá ser decorrente da combinação 
de elementos conhecidos" (parágrafo único). Se não se conseguir dar ao 
produto uma configuração distintiva, isto é, que possa distingui-lo dos de-
mais, não se estará diante de um desenho industrial registrável. Afinal, sua 
função é justamente distinguir aquele produto dos demais. 
A lei não definiu expressamente quando o desenho industrial preenche 
o requisito da aplicação industrial, mas preocupou-se em afirmar que "não 
se considera desenho industrial qualquer obra de caráter puramente ar-
tístico" (art. 98 da LPI), deixando de fora do âmbito de proteção legal dos 
desenhos industriais as obras de arte. Afinal, estas possuem uma proteção 
jurídica específica, conferida pelo Direito Autoral. 
> Importante! 
Existe uma diferença fundamental entre o desenho industrial e o modelo de 
utilidade. Este, conforme visto, deve acarretar necessariamente uma melhora 
funcional no produto. Aquele, porém, não guarda nenhuma relação com a fun-
cionalidade do bem, tendo função meramente estética. 
Cap. 7 • Direitos Industriais 125 
A lei também se preocupou em estabelecer - a exemplo do que fez no 
art. 18 com relação às patentes - casos de desenhos industriais não regis-
tráveis, em razão de impedimentos legais. Assim, dispõe o art. loo da LPI 
que "não é registrável como desenho industrial: I - o que for contrário a 
moral e aos bons costumes ou que ofenda a honra ou imagem de pessoas, 
ou atente contra liberdade de consciência, crença, culto religioso ou ideia e 
sentimentos dignos de respeito e veneração; II - a forma necessária comum 
ou vulgar do objeto ou, ainda, aquela determinada essencialmente por 
considerações técnicas ou funcionais". 
7.4.2. Prazo de vigência do desenho industrial 
O prazo de vigência do registro de desenho industrial é de io (dez) 
anos, contados da data do depósito, mas a lei permite a prorrogação 
desse prazo por 3 (três) períodos sucessivos de 5 (cinco) anos cada (art. 
108 da LPI). Esse pedido de prorrogação deve ser feito no último ano da 
vigência do registro (art. 108, § 10). 
Assim, ao contrário do que ocorre com o prazo de vigência das pa-
tentes, o prazo de vigência do registro de desenho industrial pode ser 
prorrogado. 
7.5. REGISTRO DE MARCA 
Outro direito industrial protegido mediante a concessão de registro é a 
marca, que a lei define como sendo "o sinal distintivo visualmente percep-
tível, não compreendido nas proibições legais" (art. 122 da LPI). 
Da leitura dessa definição de marca dada pela lei, percebe-se que o 
Brasil, ao contrário de outros países, não previu a possibilidade de registro 
de marca sonora, olfativa ou gustativa, haja vista a exigência legal de que 
o sinal distintivo seja visualmente perceptível. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/TABELIÃO/MEho-07-2014) Acerca de propriedade industrial: 
A criação de marcas comerciais olfativo-aromáticas é amparada pela lei brasi-
leira, o que viabiliza o registro de fragrâncias que identifiquem estabelecimen-
tos comerciais. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
126 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
(CESPE/ANALISTA/INP1/14-12-2014) Com relação à registrabilidade de marcas, julgue: 
É admissível no Brasil o registro de sinal sonoro como marca distintiva de de-
terminado produto ou serviço. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
(IBFC/Juiz Federal/TRF2/2oi8) Um empresário manifestou interesse em deposi-
tar no INPI - Instituto Nacional de Propriedade Industrial, um pedido de marca 
para uma bicicleta híbrida (elétrica e com força muscular). Conhecedor da con-
corrência no seguimento explorado, procurou proteger algumas peculiaridades 
do produto através da proteção da marca. Analise as proposições abaixo, que 
estejam em conformidade com o ordenamento jurídico brasileiro e marque a 
opção correta: 
I - A bicicleta faz um som característico, que individualiza o produto, de modo 
que o empresário incluiu na proteção da marca o sinal sonoro; 
II - A bicicleta emprega material de fibra de carbono, onde foi acrescentado 
uma substância olfativa capaz de individualizar o produto, e consta no pe-
dido da marca a proteção olfativa da bicicleta; 
III - A bicicleta com características de sustentabilidade ambiental, levou o em-
presário a utilizar no depósito da sua marca, um elemento figurativo de 
uma folha verde. 
a) Apenas as assertivas I e II estão corretas. 
b) Apenas as assertivas II e III estão corretas. 
c) Apenas as assertivas I e Ill estão corretas. 
d) Todas as assertivas estão corretas. 
e) Apenas a assertiva Ill está correta. 
Gabarito: E 
7.5.1. Distintividade da marca 
A marca, assim como o desenho industrial, possui a finalidade de iden-
tificar determinado produto ou serviço do empresário, distinguindo-o dos 
demais. A marca deve ser, portanto, individualizadora do produto ou ser-
viço que identifica. É por isso que a lei não admite (art. 124 da LPI) o re-
gistro como marca de "letra, algarismo e data, isoladamente, salvo quan-
do revestidos de suficiente forma distintiva" (inciso II), "sinal de caráter 
genérico, necessário, comum, vulgar ou simplesmente descritivo" (inciso 
VI), "reprodução ou imitação de elemento característico ou diferenciador 
de título de estabelecimento ou nome de empresa de terceiros, suscetível 
de causar confusão ou associação com estes sinais distintivos" (inciso V), 
"cores e suas denominações, salvo se dispostas ou combinadas de modo 
Cap. 7 • Direitos industriais 127 
peculiar e distintivo" (inciso VIII) etc. (o art. 124 da LPI traz um rol extenso 
de sinais não registráveis como marca). 
Sobre a regra do inciso V, o enunciado 2 das jornadas de Direito Co-
mercial do CJF dispõe o seguinte: "a vedação de registro de marca que 
reproduza ou imite elemento característico ou diferenciador de nome em-
presarial de terceiros, suscetível de causar confusão ou associação (art. 
124, V. da Lei n. 9.279/1996), deve ser interpretada restritivamente e em 
consonância com o art. 1.166 do Código Civil". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(OAB/SP 2008 - EXAME N. 135) São registráveis como marca: 
A) letra, algarismo e data, ainda que isoladamente, quando revestidos de sufi-
ciente forma distintiva. 
B) termos técnicos que, usados na indústria, na ciência e na arte, tenham rela-
ção com o produto ou serviço a distinguir. 
C) bandeira pública ou oficial, nacional, estrangeira ou internacional, bem como 
a respectiva designação, figura ou imitação. 
D) sinais ou expressões empregados apenas como meio de propaganda. 
Gabarito: A 
Importante! 
O STJ entende que as marcas evocativas - aquelas nas quais, pela própria 
evolução do mercado, os termos empregados se tornaram genéricos (mas não 
eram ao tempo do registro, por isso foram registradas) - podem ter sua ex-
clusividade mitigada,pois "ainda que já tenha sido registrada no INPI, a marca 
que constitui vocábulo de uso comum no segmento mercadológico em que se 
insere - associado ao produto ou serviço que se pretende assinalar - pode ser 
utilizada por terceiros de boa-fé" (REsp 1.315.621-SP; no mesmo sentido: AgRg 
no AREsp ioo.976/SP, REsp 1315621/SP e Agint no REsp 1338834/SP. 
Há que se ressalvar, entretanto, eventual caso de distintividade adquirida (acqui-
red distinctiveness) ou significação secundária (secondary meaning), que "ocorre 
em relação a algum signo de caráter comum, descritivo ou evocativo que, dada 
a perspectiva criada no consumidor ao longo de um largo tempo de uso, passa a 
adquirir eficácia distintiva suficiente" (REsp 1.773.244-RJ). Em outras palavras: "um 
sinal fraco (como os de caráter genérico, descritivo ou até evocativo) adquire 
eficácia distintiva (originariamente inexistente) pelo uso continuado e massivo do 
produto ou do serviço. A distinguibilidade nasce da perspectiva psicológica do 
consumidor em relação ao produto e sua marca, cujo conteúdo semântico passa 
a predominar sobre o sentido genérico originário" (REsp 1688.243-RD. 
128 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
I Importante! 
"A contagem do prazo prescricional da pretensão de abstenção de uso de mar-
ca se inicia a partir do conhecimento da violação (teoria da actio nata)". Esse 
entendimento foi reafirmado pelo ST] no julgamento do REsp 1.719.131. Nesse 
mesmo julgamento, decidiu-se também que "a empresa que comercializa res-
ponde solidariamente com o fabricante de produtos contrafeitos pelos danos 
causados pelo uso indevido de marca". 
7.5.2. Espécies de marca 
O art. 123 da LPI descreve três espécies de marca: (i) marca de pro-
duto ou serviço, que é aquela usada para distinguir produto ou serviço 
de outro idêntico, semelhante ou afim, de origem diversa; (ii) marca de 
certificação, que é aquela usada para atestar a conformidade de um 
produto ou serviço com determinadas normas ou especificações técnicas, 
notadamente quanto à qualidade, natureza, material utilizado e metodo-
logia empregada; e (iii) marca coletiva, que é aquela usada para identifi-
car produtos ou serviços provenientes de membros de uma determinada 
entidade. 
A marca de produto ou serviço representa a noção geral de marca que 
todos nós possuímos, ou seja, os sinais que são usados pelos empresários 
para identificar os produtos ou serviços que comercializam ou produzem. 
Quem registra essa marca é o próprio empresário que vai usá-la, valendo 
destacar que ele precisa declarar que exerce a atividade à qual se relacio-
na a marca "efetiva e licitamente, de modo direto ou através de empresas 
que controlem direta ou indiretamente" (art. 128, § 10 da LPI). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPEMNALISTA/INP1/14-12-2014) Acerca do requerimento de registro de mar-
cas, julgue: 
O exercício do direito de requerer o registro de marcas, no caso de empresas 
privadas, está associado à efetividade e licitude da atividade por elas exercidas. 
* A afirmativa foi considerada CORRETA. 
A marca de certificação, por sua vez, é aquela que atesta a qualidade de 
determinado produto ou serviço conforme normas técnicas estabelecidas por 
institutos especializados, os quais podem ser de natureza governamental ou 
apenas credenciados pelos órgãos oficiais competentes. Quem registra essa 
Cap. 7 • Direitos industriais 129 
marca é a própria certificadora, "pessoa sem interesse comercial ou indus-
trial direto no produto ou serviço atestado" (art. 128, § 2.), e os empresários 
que atenderem seus requisitos poderão utilizá-la (exemplo: certificados ISO). 
> Como esse assunto foi cobrado ern concurso? 
(VUNESP/TURI/JUIZ/zoi4) A marca usada para atestar a conformidade de um 
produto ou serviço com determinadas normas e especificações técnicas, nota-
damente quanto à qualidade, natureza, material utilizado e metodologia em-
pregada, nos termos da lei, é considerada marca: 
a) de certificação. 
b) de conformidade. 
c) coletiva. 
d) de produto ou serviço. 
Gabarito: A. 
(CESPE/ANALISTA/INPI/14-12-2014) Acerca do requerimento de registro de mar-
cas, julgue: 
0 requerimento de marca de certificação deve ser feito por entidade profis-
sional competente que tenha relação direta com a fiscalização do produto ou 
serviço atestado. 
*A afirmativa foi considerada ERRADA. 
Por fim, a marca coletiva é aquela que atesta a proveniência de deter-
minado produto ou serviço. Ela indica ao consumidor, por exemplo, que 
os empresários que a utilizam são membros de determinada associação, 
e que seus produtos ou serviços estão em conformidade com as regula-
mentações técnicas dessa entidade. Quem registra essa marca é a própria 
entidade, "pessoa jurídica representativa de coletividade, a qual poderá 
exercer atividade distinta da de seus membros" (art. 128, § 3. da LPI), e es-
tes poderão usar a marca nos termos do regulamento (exemplo: AMORAN-
GO, que atesta que o produtor é membro da Associação dos Agricultores 
Familiares Produtores de Morango de Nova Friburgo). 
I Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(VUNESP/UNICAMP/PROCURADOR/2014) São suscetíveis de registro como marca 
os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não compreendidos nas proibi-
ções legais. A marca usada para identificar produtos ou serviços provindos de 
membros de uma determinada entidade é, nos termos da lei, marca: 
130 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
a) de produto ou serviço. 
b) coletiva. 
c) especial. 
d) de certificação. 
e) unipessoal. 
Gabarito: B. 
(CESPE/ANALISTA/INPI/14-12-2014) Acerca do requerimento de registro de mar-
cas, julgue: 
No caso de marcas coletivas, o requerimento pode ser efetuado por pessoa 
física, desde que comprovado o caráter filantrópico do mesmo, em razão do 
manifesto desinteresse comercial ou industrial a ser declarado no ato do re-
querimento, sob as penas da lei. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
Existe ainda outro critério importante de classificação das marcas, que 
leva em conta a sua forma de apresentação. Nesse sentido, as marcas po-
dem ser nominativas, figurativas, mistas ou tridimensionais. 
As marcas nominativas são as criadas a partir de palavras e/ou nú-
meros ou combinação de palavras e números, sem nenhum elemento 
figurativo, podendo ser expressões já existentes ou criações originais 
(exemplo: yang). 
As marcas figurativas, por seu turno, são aquelas constituídas por dese-
nhos, símbolos ou figuras que apresentam configuração gráfica decorativa, 
incomum, não usual (exemplo: a estrela da Mercedes). 
As marcas mistas, como o nome já indica, são as que se constituem por 
meio da combinação das duas espécies de marcas acima mencionadas 
(exemplo: Coca-Cola, que usa uma escrita bem diferente). 
Por fim, as marcas tridimensionais são aquelas constituídas pela for-
ma plástica do produto, ou seja, sua configuração física, com capacidade 
distintiva e dissociada de efeitos técnicos (exemplo: a embalagem do cho-
colate Toblerone). Como a distinção entre a marca figurativa e o desenho 
industrial nem sempre é fácil, muitas vezes o que determina o tipo de 
registro feito (desenho ou marca) é a escolha do empresário. 
Cap. 7 • Direitos Industriais 131 
> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(VUNESP/TJ/MT/JUIZ/2oo9) A marca 
a) identifica diretamente o empresário e a sociedade empresária. 
b) uma vez registrada, garante o uso exclusivo ao titular por 05 anos. 
c) independe de registro para garantir o uso exclusivo ao seu criador. 
d) pode ser licenciada contratualmente, mas não cedida a terceiros. 
e) pode ser tridimensional. 
Gabarito: E. 
7.5.3. Âmbito de proteção da marca 
Em princípio, a marca só é protegida na respectiva classe de produtos ou 
serviços em que foi registrada. Assim, uma mesma expressão pode, em prin-
cípio, ser registrada como marca por dois diferentes empresários, caso eles 
atuem em ramos distintos. Assim, diz-seque a proteção conferida à marca 
registrada se submete ao princípio da especialidade ou especificidade. 
Entretanto, quando a marca for considerada de alto renome pelo INPI, 
terá proteção especial, em todos os ramos de atividade (art. 125 da LPI: 
"à marca registrada no Brasil considerada de alto renome será assegurada 
proteção especial, em todos os ramos de atividade"). 
> Importante! 
Quem decide se uma marca é de alto renome ou não é o INPI, e até 2013 a 
autarquia entendia que essa análise só podia ser feita incidentalmente, como 
matéria de defesa, quando da apresentação de oposição a pedido de registro 
de marca de terceiro ou no processo administrativo de nulidade de registro de 
marca de terceiro. 
No entanto, o STJ decidiu que, embora caiba realmente ao INPI decidir se uma 
marca é de alto renome ou não, a autarquia deve, caso o titular da marca re-
queira, fazer isso não apenas num de forma incidental, como matéria de defesa, 
mas também de forma autônoma e abstrata, sempre que houver requerimen-
to de um interessado. "Cuida-se de um direito do titular, inerente ao direito 
constitucional de proteção integral da marca" (REsp 1162281/RJ). 
132 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Além da marca de alto renome, há também a marca notoriamente 
conhecida, assim disciplinada no art. 126 da LPI: "a marca notoriamente 
conhecida em seu ramo de atividade nos termos do art. 6. bis (I), da 
Convenção da União de Paris para Proteção da Propriedade Industrial, 
goza de proteção especial, independentemente de estar previamente 
depositada ou registrada no Brasil". Complementando, a lei diz que "o 
INPI poderá indeferir de ofício pedido de registro de marca que repro-
duza ou imite, no todo ou em parte, marca notoriamente conhecida" 
(§ 2.). 
Não se deve confundir, portanto, a marca de alto renome com a mar-
ca notoriamente conhecida: aquela é protegida se estiver devidamente 
registrada no INPI, e essa proteção abrange todos os ramos de atividade; 
esta é protegida independentemente de registro no INPI, e essa proteção 
é restrita ao seu ramo de atividade. 
Marca de alto renome Marca notoriamente conhecida 
(art. 125) (art. 126) 
E registrada no INPI e goza de proteção em todos 
os ramos de atividade 
Não está registrada no INPI, mas tem proteção 
no seu ramo de atividade 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(OAB UNIFICADA - 2008.4 Segundo o art. 122 da Lei n.o 9.279/1996, são suscetí-
veis de registro como marca os sinais distintivos visualmente perceptíveis, não 
compreendidos nas proibições legais. Com base no regime jurídico das marcas, 
previsto nessa lei, assinale a opção correta. 
a) À marca de produto ou serviço será concedida proteção para distinguir pro-
duto ou serviço de outro, idêntico, semelhante ou afim, de origem diversa. 
b) À marca notoriamente conhecida, desde que registrada no Brasil, será con-
cedida proteção em todos os ramos de atividade. 
c) À marca de alto renome será concedida proteção em seu ramo de ativida-
de, independentemente de estar registrada no Brasil. 
d) À marca coletiva, se devidamente registrada no Brasil, será concedida pro-
teção para ser utilizada por todos os que atuarem no correspondente ramo 
de atividade. 
Gabarito: A. 
(CESPE/TABELIÃO/TJDF/o6-05-2014) Considerando a proteção conferida na legisla-
ção brasileira a propriedade industrial e aos direitos autorais, julgue: 
Cap. 7 • Direitos industriais 133 
Os princípios da especialidade e da territorialidade, aplicáveis a proteção das 
marcas, são relativizados, respectivamente, nos casos de marcas de alto reno-
me, que obtém proteção em todos os ramos de atividade, e de marcas noto-
riamente conhecidas, que gozam de proteção independentemente de estarem 
previamente depositadas ou registradas no Brasil. 
* A afirmativa foi considerada CORRETA. 
(CESPE/TABELIÃO/TJSE/2o-07-203.4) Acerca da propriedade industrial e do Instituto 
Nacional da Propriedade Industrial (INPI). 
A lei impede que o INPI indefira de ofício pedido de registro de marca que re-
produza ou imite, no todo ou em parte, marca notoriamente conhecida. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
(Cespe - Juiz de Direito - TJ - CE/2o18) Marca notoriamente conhecida em seu 
ramo de atividade goza de proteção 
A) do direito industrial brasileiro, desde que registrada no INPI. 
B) exclusivamente em seu ramo de atuação, independentemente de estar pre-
viamente depositada ou registrada no Brasil. 
C) para preservar seu titular de usurpação, não sendo relevante nessa seara 
a proteção ao consumidor. 
D) em todos os ramos possíveis de atuação, sendo definida em lei como marca 
de alto renome registrada no Brasil. 
E) em todos os ramos da indústria, independentemente de registro no Brasil. 
Gabarito: B 
7-5.4. Vigência do registro de marca 
O prazo de vigência do registro de marca é de io (dez) anos, contado da 
data de concessão, podendo ser prorrogado por períodos iguais e sucessi-
vos, nos termos do art. 133 da LPI, que assim dispõe: "o registro da marca 
vigorará pelo prazo de io (dez) anos, contados da data da concessão do 
registro, prorrogável por períodos iguais e sucessivos". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FAURGS - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - RS/2°16) O prazo de vigência para o regis-
tro de marca, segundo disposto na Lei n° 9.279/96, é de 
A) 5 (cinco) anos, improrrogável. 
B) 5 (cinco) anos, prorrogável por 3 (três) períodos sucessivos de 5 (cinco) 
anos cada. 
134 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
C) lo (dez) anos, improrrogável. 
D) lo (dez) anos, prorrogável por períodos iguais e sucessivos. 
E) 70 (setenta) anos, improrrogável. 
Gabarito: D. 
(Cespe - Juiz de Direito - Ti - PR/2019) O nome empresarial identifica o sujeito 
de direito; a marca identifica, direta ou indiretamente, produtos ou serviços. 
A respeito desses dois institutos — nome empresarial e marca —, assinale a 
opção correta. 
D) O direito de utilização exclusiva de marca se extingue em vinte anos, poden-
do ser prorrogado, ao passo que o do nome empresarial vigora por prazo 
indeterminado. 
*A alternativa foi considerada ERRADA. 
Assim, ao contrário do que ocorre com o prazo de vigência das paten-
tes, o prazo de vigência do registro de marca pode ser prorrogado. Ade-
mais, ao contrário do que ocorre com a prorrogação do prazo de vigência 
do registro do desenho industrial, a prorrogação do prazo de vigência do 
registro de marca não tem limite. 
7.6. Indicações geográficas 
Como já mencionamos no início deste capítulo, a LPI, além de disciplinar 
a concessão dos direitos industriais, também disciplina a repressão à con-
corrência desleal e às falsas chamadas indicações geográficas. 
De acordo com o art. 176 da LPI, "constitui indicação geográfica a indi-
cação de procedência ou a denominação de origem". 
A indicação de procedência está disciplinada no art. 177 da LPI, que as-
sim dispõe: "considera-se indicação de procedência o nome geográfico de 
país, cidade, região ou localidade de seu território, que se tenha tornado 
conhecido como centro de extração, produção ou fabricação de determi-
nado produto ou de prestação de determinado serviço". 
A denominação de origem, por sua vez, está disciplinada no art. 178 da 
LPI, que assim prescreve: "considera-se denominação de origem o nome 
geográfico de país, cidade, região ou localidade de seu território, que de-
signe produto ou serviço cujas qualidades ou características se devam ex-
clusiva ou essencialmente ao meio geográfico, incluídos fatores naturais e 
humanos". 
Cap. 7 • Direitos Industriais 135 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPEtTABELIÃO/TJSE/2o-07-2014) Acerca de propriedade industrial: 
Constituem espécies de indicação de procedência a indicação geográfica e a 
denominação de origem. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
A cidade de Franca, no estado de São Paulo, ficou muito famosa pela 
produção de calçados, razão pela qual foi reconhecida pelo INPIcomo indi-
cação de procedência no que se refere a esse produto específico. 
Já a região do Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul (municípios de 
Bento Gonçalves, Garibaldi e São Bento do Sul), tem características geo-
gráficas muito propícias para a produção de vinhos, razão pela qual foi 
reconhecida pelo INPI denominação de origem. 
Quando uma indicação geográfica é reconhecida pelo INPI, só podem 
usá-la aqueles produtores ou prestadores de serviços que (i) sejam esta-
belecidos no local e (ii) atendam requisitos de qualidade para tanto. É o 
que determina o art. 182 da LPI: "o uso da indicação geográfica é restrito 
aos produtores e prestadores de serviço estabelecidos no local, exigindo-
-se, ainda, em relação às denominações de origem, o atendimento de re-
quisitos de qualidade". 
Como a indicação geográfica se refere a uma localidade (país, estado, 
cidade etc.), o pedido de reconhecimento ao INPI geralmente é feito por 
uma entidade que congrega os interesses dos produtores ou prestadores 
de serviço ali estabelecidos (sindicato, associação, cooperativa etc.). Por 
exemplo, no caso do Vale dos Vinhedos, o registro foi obtido pela Aprovale, 
a associação de produtores de vinho da região. 
7.7. TRADE DRESS (CONJUNTO-IMAGEM DO PRODUTO) 
A expressão trade dress é muito conhecida no âmbito do Direito Indus-
trial. Traduzida ao pé da letra, significa algo como "roupagem do negócio". 
No Brasil, é comum se referir ao trade dress como o conjunto-imagem
de um produto ou serviço: "o coniunto-imagem (trade dress) é a soma de 
elementos visuais e sensitivos que traduzem uma forma peculiar e suficien-
temente distintiva, vinculando-se à sua identidade visual, de apresentação 
do bem no mercado consumidor" (REsp 1.353.451/MG). 
136 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Os tribunais brasileiros têm decidido que o trade dress, a despeito de não 
ter expressa previsão legal e não se confundir com outros direitos industriais 
(marca, desenho industrial e patentes), merece proteção jurídica quando a 
utilização indevida do conjunto-imagem puder causar confusão entre con-
sumidores, caracterizando ato de concorrência desleal (REsp 1.677.787/SC). 
Em resumo: ocorre a violação do trade dress quando um concorrente 
não copia exatamente a marca ou o desenho industrial de outro empresá-
rio, mas imita sutilmente uma série de características de um produto ou o 
modus operandi da prestação de um serviço. 
Para a caracterização da violação do trade dress, o STJ tem entendido 
ser imprescindível a produção de prova técnica: "é necessária a produção 
de prova técnica para se concluir pela existência de concorrência desleal 
decorrente da utilização indevida do conjunto-imagem (trade dress) de 
produto" (REsp 1.778.91o/SP). 
Capítulo 
Teoria Geral do 
Direito Societário 
8.1. SOCIEDADE: CONCEITO E CARACTERÍSTICAS 
Diz o art. 981 do Código Civil: "celebram contrato de sociedade as 
pessoas que reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou ser-
viços, para o exercício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos 
resultados". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(VUNESIVTJ/MS/CARTÓRIOS/2oo9) No que se refere ao contrato de sociedade, de 
acordo com o Código Civil, pode-se afirmar que celebram contrato de socieda-
de as pessoas que 
a) desejam abrir uma empresa. 
b) desejam constituir uma pessoa jurídica sem fins lucrativos. 
c) reciprocamente se obrigam a contribuir, com bens ou serviços, para o exer-
cício de atividade econômica e a partilha, entre si, dos resultados. 
d) constituem uma firma. 
e) registram empresas, para compatibilizar o atual regi- me à sistemática da 
inscrição pelo novo Código Civil de 2002. 
Gabarito: C. 
Assim, pode-se definir sociedade como a pessoa jurídica de direito pri-
vado (art. 44 do Código Civil), decorrente da união de pessoas (universitas 
personarum), que possui fins econômicos, ou seja, é constituída com a fina-
lidade de exploração de uma atividade econômica e repartição dos lucros 
entre seus membros. 
São justamente a finalidade econômica e o intuito lucrativo as caracterís-
ticas que diferenciam as sociedades das associações. Com efeito, ambas são 
pessoas jurídicas de direito privado decorrentes da união de pessoas, mas o 
138 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
traço diferencial entre elas é o fato de que a sociedade exerce atividade eco-
nômica e visa à partilha de lucros entre seus sócios (art. 981 do Código Civil), 
enquanto a associação não possui fins econômicos e, consequentemente, 
não distribui lucros entre seus associados (art. 53 do Código Civil). 
Importante! 
A expressão "pessoas" constante do caput do art. 981 do Código Civil abrange 
tanto as pessoas físicas quanto as pessoas jurídicas, de modo que uma socie-
dade pode ter como sócio uma outra sociedade (holding). Quando o objeto 
social da sociedade é apenas participar de outras sociedades, tem-se uma 
holding pura; quando, além da participação em outras sociedades, o objeto 
social também envolve o exercício de uma atividade econômica, tem-se uma 
holding mista. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FCC - JUIZ DE DIREITO - SC/2o17) As holdings se definem como sociedades 
A) não operacionais, cujo patrimônio é constituído de participações em outras 
sociedades, podendo ter por objeto o exercício nestas do poder de contro-
le ou participação relevante. 
B) coligadas de fato, sendo modalidade de concentração empresarial. 
C) nas quais a investidora tem influência significativa, qualquer que seja seu 
objeto ou finalidade. 
D) coligadas de cujo capital outras sociedades participam com 10% (dez por 
cento) ou mais. 
E) financeiras de investimento, sem objetivo de controle ou participação por 
coligação. 
Gabarito: A. 
A expressão "pessoas" também deixa claro que as sociedades pres-
supõem a pluralidade de sócios, isto é, para sua constituição é preciso 
haver dois ou mais sócios. Há três exceções (sociedades unipessoais): a 
subsidiária integral, sociedade anônima que tem como único acionista uma 
sociedade brasileira (art. 251 da Lei 6.404/1976); a sociedade unipessoal de 
advocacia (art. 15 da Lei 8.906/1994); e a sociedade limitada unipessoal, 
que passou a ser admitida após a edição da Lei da Liberdade Econômica 
(Lei 13.874/2019), que incluiu dois parágrafos no art. 1.052 do Código Civil. 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 139 
I> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(VUNESPill/MT/JUIV2oo9) A companhia que pode ser constituída, mediante escri-
tura pública, tendo como único acionista sociedade brasileira, é denominada de 
a) coligada. 
b) controlada. 
c) holding. 
d) subsidiária integral. 
e) companhia pública de economia mista. 
Gabarito: D. 
Embora o coput do art. 981 do Código Civil mencione a possibilidade 
de os sócios contribuírem com bens ou serviços para a constituição da 
sociedade, deve-se ressalvar que certos tipos societários não admitem 
a contribuição em serviços, como ocorre, por exemplo, com a sociedade 
limitada (art. 1.055, § 2. do Código Civil) e com a sociedade anônima (art. 
7. da Lei 6.404/1976). 
Por fim, o parágrafo único do art. 981 do Código Civil prevê a possibili-
dade de uma sociedade ter por objeto a realização de um ou mais negó-
cios determinados, caso em que ela pode, por exemplo, ter prazo determi-
nado de duração (exemplo: sociedades de propósito específico - SPE; essa 
nomenclatura não constitui um tipo societário, mas apenas denota uma 
característica de uma sociedade determinada sociedade). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(ILINESP/TJ/SP/CARTÓRIOS/INGRESS0/2024) Assinale a alternativa correta: 
b) A chamada sociedade de propósito específico não é um tipo societário 
definido no Código Civil, assim ela pode tomar qualquer das formas das 
sociedades regulares ali previstas. 
* A alternativa foi considerada CORRETA. 
8.2. CLASSIFICAÇÕES DAS SOCIEDADES 
A principal classificação das sociedadesé a que leva em conta o seu 
objeto social. A propósito, confira-se o disposto no art. 982 do Código Civil: 
"salvo as exceções expressas, considera-se empresária a sociedade que 
tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a 
registro (art. 967); e, simples, as demais". 
140 Direito Empresarial - Vol 25 • André Santa Cruz 
Assim, o traço distintivo entre as sociedades simples e as sociedades 
empresárias é o objeto social delas: na sociedade empresária, o objeto é 
o exercício de uma empresa (atividade econômica organizada para pro-
dução ou circulação de bens ou serviços); na sociedade simples, uma ati-
vidade econômica não empresarial (por exemplo, o exercício de profissão 
intelectual dos sócios que a integram). 
Se uma sociedade tem por objeto a comercialização de roupas e aces-
sórios de vestuário, trata-se de uma sociedade empresária; se, no entanto, 
tem por objeto a prestação de serviços médicos, por meio dos seus pró-
prios sócios, trata-se de uma sociedade simples (salvo se o exercício da 
profissão constituir elemento de empresa, conforme explicado nos comen-
tários ao art. 966, parágrafo único, do Código Civil). 
Sociedade empresária 
Sociedade que tem por objeto social o exercí-
cio de empresa (atividade econômica organi-
zada para produção ou circulação de bens ou 
serviços) 
" Registro na junta Comercial 
Sociedade simples 
Sociedade que tem por objeto social o exercício 
de atividade econômica não empresarial (ex.: 
profissão intelectual dos respectivos sócios) 
Registro no Cartório 
Importante! 
Algumas sociedades são simples ou empresárias independentemente do seu 
objeto social, conforme previsto no art. 982, parágrafo único do Código Ci-
vil: "independentemente do objeto, considera-se empresária a sociedade por 
ações; e, simples, a cooperativa". Portanto, uma sociedade por ações (socie-
dade anônima, por exemplo) será sempre uma sociedade empresária, mesmo 
que seu objeto social não seja a exploração de uma empresa. Em contrapar-
tida, a sociedade cooperativa será sempre uma sociedade simples, mesmo 
que tenha por objeto a exploração de atividade empresarial. Nos demais tipos 
societários, todavia, é o objeto social que vai definir a natureza empresarial 
ou não empresarial (simples) de uma sociedade: uma sociedade limitada, por 
exemplo, pode ser simples ou empresária, a depender do seu objeto. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - DELEGADO DE POLÍCIA - PE/2o16) Assinale a opção que apresenta, res-
pectivamente, as espécies societárias que somente podem ser consideradas, a 
primeira, como sociedade empresária e, a segunda, como sociedade simples, 
em razão de expressa imposição legal. 
A) sociedade comandita por ações / sociedade comandita simples 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 141 
B) sociedade anônima / sociedade cooperativa 
C) sociedades estatais / associações 
D) sociedade anônima / sociedade limitada 
E) sociedade em nome coletivo / sociedade limitada 
Gabarito: B. 
(VUNESP/Tj/SP/CART612105/2on) Assinale a alternativa incorreta. 
b) A cooperativa que tenha por objeto a construção e alienação de imóveis aos 
seus cooperados é sociedade empresária. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
(UEG/Delegado de Polícia/PC-G0/2018) Quanto à sociedade limitada: 
c) Seus atos constitutivos podem ser registrados em junta comercial ou em 
registro civil de pessoas jurídicas, a depender do objeto social. 
* A alternativa foi considerada CORRETA. 
Há outras três classificações importantes para as sociedades empresá-
rias. A primeira delas leva em conta a responsabilidade dos sócios. Segundo 
esse critério classificatório, as sociedades podem ser de responsabilidade 
ilimitada (por exemplo, a sociedade em nome coletivo), de responsabili-
dade limitada (por exemplo, a sociedade anônima e a sociedade limitada) 
ou mistas (por exemplo, a sociedade em comandita simples e a sociedade 
em comandita por ações). 
Quanto ao regime de constituição e dissolução, as sociedades podem 
ser contratuais (por exemplo, a sociedade limitada), que são constituídas 
por um contrato social e dissolvidas segundo as regras previstas no Código 
Civil; ou institucionais (por exemplo, a sociedade anônima), que são consti-
tuídas por um ato institucional ou estatutário (estatuto social) e dissolvidas 
segundo as regras previstas na Lei 6.404/1976. 
Por fim, quanto à composição (ou quanto às condições de alienação 
da participação societária, como preferem alguns doutrinadores), as so-
ciedades podem ser de pessoas (intuitu personae) ou de capital (intuitu 
pecuniae). Nas sociedades de pessoas, é marcante a presença da affectio 
societatis, de modo que as características pessoais dos sócios são deter-
minantes para a formação do vínculo societário, sendo a entrada de es-
tranhos no quadro social dependente da anuência dos demais. Por outro 
142 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
lado, nas sociedades de capital, as características pessoais dos sócios são 
irrelevantes para a formação do vínculo societário, sendo livre a entrada 
de estranhos no quadro social. 
8.3. TIPOS SOCIETÁRIOS 
De acordo com o art. 983 do Código Civil, "a sociedade empresária deve 
constituir-se segundo um dos tipos regulados nos arts. 1.039 a 1.092; a so-
ciedade simples pode constituir-se de conformidade com um desses tipos, 
e, não o fazendo, subordina-se às normas que lhe são próprias". 
As expressões sociedade empresária e sociedade simples, conforme 
visto, não designam tipos societários, mas a natureza da sociedade, que 
variará, em regra, conforme o seu objeto social. 
Para as sociedades empresárias, o legislador criou cinco tipos societá-
rios específicos, cada qual com seu regime jurídico próprio: (i) sociedade 
em nome coletivo (arts. 1.039 a 1.044 do Código Civil), (ii) sociedade em 
comandita simples (arts. 1.045 a 1.051 do Código civil), (iii) sociedade limi-
tada (art. 1.052 a 1.087 do Código Civil), (iv) sociedade anônima (arts. 1.088 
e 1.089 do Código Civil e Lei 6.404/1976) e (v) sociedade em comandita por 
ações (arts. 1.090 a 1.092 do Código Civil e Lei 6.404/1976). 
Os sócios que quiserem constituir uma sociedade empresária terão, 
obrigatoriamente, que escolher um desses cinco tipos, não lhes sendo per-
mitido constituir uma sociedade empresária atípica, isto é, que não se 
enquadre em nenhum dos tipos mencionados. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(VUNESP/Ti/SP/CARTóRIOs/REMOÇÃOhoi4) As sociedades empresariais regulares, 
no Direito Brasileiro, podem adotar os seguintes tipos: 
a) sociedade simples, sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita 
simples e por ações, sociedade limitada, sociedade por ações. 
b) sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita simples e comandita 
por ações, sociedade limitada, sociedade por ações. 
c) sociedade em nome coletivo, sociedade em comum, sociedade cooperati-
va, sociedade limitada, sociedade por ações. 
d) sociedade em nome coletivo, sociedade em comandita por ações, socieda-
de limitada, sociedade de propósito específico, sociedade por ações. 
Gabarito: B. 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 143 
Para as sociedades simples, o legislador fez o oposto: não criou nenhum 
tipo societário específico, permitindo a constituição de uma sociedade sim-
ples atípica (arts. 997 a 1.038 do Código Civil), que a praxe empresarial 
costuma chamar de sociedade simples "pura" (sociedade simples que não 
adota um tipo societário específico). Entretanto, o legislador permitiu tam-
bém que a sociedade simples use "emprestado" um dos tipos societários 
previstos para as sociedades empresárias (com exceção das sociedades 
por ações, já que estas são sempre empresárias, nos termos do art. 982, 
parágrafo único, do Código Civil). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - DELEGADO DE POLÍCIA - GO/2o17) Assinale a opção correta no que se 
refere ao direito societário. 
E) Os tipos societários previstos no Código Civil sãoexemplificativos, podendo 
as sociedades organizar-se de formas distintas das expressamente listadas. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
O parágrafo único do art. 983 do Código Civil ressalva os casos da so-
ciedade em conta de participação (que na verdade não é uma sociedade, 
mas um contrato especial de investimento), da sociedade cooperativa (que 
é uma sociedade simples, independentemente do objeto social, e é regida 
por lei própria, a Lei 5.764/1971) e das sociedades que devem adotar um 
determinado tipo societário por determinação legal (caso das instituições 
financeiras, por exemplo, que devem adotar a forma de sociedade anôni-
ma, nos termos do art. 25 da Lei 4.595/1964). 
8.4. SOCIEDADE EXPLORADORA DE ATIVIDADE RURAL 
O art. 984 do Código Civil prevê o seguinte: "a sociedade que tenha 
por objeto o exercício de atividade própria de empresário rural e seja 
constituída, ou transformada, de acordo com um dos tipos de sociedade 
empresária, pode, com as formalidades do art. 968, requerer inscrição 
no Registro Público de Empresas Mercantis da sua sede, caso em que, 
depois de inscrita, ficará equiparada, para todos os efeitos, à sociedade 
empresária". 
Essa regra está para as sociedades empresárias assim como a regra do 
art. 971 do Código Civil está para os empresários individuais: se o objeto 
da sociedade for o exercício de atividade rural, ela tem a faculdade de se 
144 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
registrar na Junta Comercial, só sendo considerada uma sociedade empre-
sária, para os efeitos legais, se optar por esse registro. 
8.5. PERSONALIZAÇÃO JURÍDICA DAS SOCIEDADES 
Ao contrário do que ocorre com as pessoas naturais, cujo reconheci-
mento da personalidade independe de registro, já que "a personalidade 
civil começa do nascimento com vida" (art. 30 do Código Civil), as socieda-
des só adquirem personalidade a partir do registro no órgão competente 
(Cartório, se for uma sociedade simples, ou junta Comercial, se for uma 
sociedade empresária), conforme previsão do art. 985 do Código Civil: "a 
sociedade adquire personalidade jurídica com a inscrição, no registro pró-
prio e na forma da lei, dos seus atos constitutivos". 
Importante! 
As sociedades de advogados são sociedades simples, mas seu registro não 
feito em Cartório, e sim no Conselho Seccional da OAB em cuja base territorial 
tiver sede (art. 15, § da Lei 8.906/1994). Já as sociedades cooperativas são 
sociedades simples, independentemente do objeto social, mas que se regis-
tram na Junta Comercial (art. 32, inciso II, alínea 'a' da Lei 8-934/1994 e art. 18 
da Lei 5.764/1971). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CONSULPLAN - CARTÓRIOS - PROVIMENTO - TJ - MG/2o17) Devem, por regra, fazer 
o registro de seus atos constitutivos no Cartório de Registro Civil de Pessoas 
Jurídicas, EXCETO: 
A) Sociedades Empresárias cujo objeto for serviços. 
8) Associações, inclusive esportivas. 
C) Fundações privadas, inclusive educacionais. 
D) Sociedades simples, não se aplicando a sociedades advocatícias, cujo regis-
tro é junto à OAB. 
Gabarito: A. 
(FUNRIO/AL-RR/Procurador/2018) Sabe-se que o termo pessoa jurídica expressa 
um ente detentor de direitos e obrigações. 
Sendo assim, em relação ao nascimento da personalidade jurídica de uma so-
ciedade é CORRETO afirmar que, para adquirir personalidade jurídica, ela deve 
ter seu ato constitutivo, 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 145 
a) (sempre contrato social), arquivado na Junta Comercial, se sociedade em-
presária. 
b) (estatuto social), arquivado no Registro Civil das Pessoas jurídicas, se socie-
dade simples. 
c) (contrato social), registrado no Registro Civil das Pessoas jurídicas, se socie-
dade simples. 
d) (contrato social ou estatuto social), arquivado no Cartório de Títulos e Docu-
mentos, se sociedade empresária. 
Gabarito: C 
(MPE - SP - Promotor de Justiça - MPE - SP/2019) No tocante às sociedades em-
presárias, assinale a alternativa correta. 
(E) A inscrição do contrato social no órgão competente não confere personali-
dade jurídica às sociedades, exceto às sociedades em conta de participa-
ção. 
*A alternativa foi considerada ERRADA. 
Enquanto não houver o respectivo registro do ato constitutivo da so-
ciedade, o ordenamento jurídico brasileiro até reconhece a sua existência 
(sociedade em comum), mas não lhe confere personalidade jurídica. 
Se o início da personalidade jurídica da sociedade se dá com o seu 
registro, o término se dá com a sua dissolução e consequentes liquidação 
e extinção. 
8.5.1. Desconsideração da personalidade jurídica 
De acordo com o art. 1.024 do Código Civil, "os bens particulares dos 
sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão depois 
de executados os bens sociais". Essa regra trata da autonomia patrimonial 
das sociedades, estabelecendo a responsabilidade subsidiária dos sócios 
pelas obrigações sociais, responsabilidade essa que pode também ser li-
mitada, a depender do tipo societário. 
A autonomia patrimonial das pessoas jurídicas foi reforçada pela Lei 
13.874/2019 (Lei da Liberdade Econômica), que acrescentou o art. 49-A ao 
Código Civil, com a seguinte redação: "a pessoa jurídica não se confunde 
com os seus sócios, associados, instituidores ou administradores". O pará-
grafo único ainda complementa, afirmando que "a autonomia patrimonial 
146 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
das pessoas jurídicas é um instrumento lícito de alocação e segregação de 
riscos, estabelecido pela lei com a finalidade de estimular empreendimen-
tos, para a geração de empregos, tributo, renda e inovação em benefício 
de todos". 
Portanto, enquanto a sociedade possuir bens, são esses bens que de-
vem responder pelas dívidas sociais, o que assegura aos sócios o conhe-
cido benefício de ordem. Caso, entretanto, a sociedade não possua mais 
bens, deve-se verificar o tipo de responsabilidade dos sócios: se for ilimi-
tada (como ocorre na sociedade em nome coletivo, por exemplo), seus 
bens particulares poderão ser executados; se for limitada (como ocorre 
na sociedade limitada e na sociedade anônima, por exemplo), seus bens 
particulares não poderão, em princípio, ser executados. 
A situação acima descrita muda, no entanto, caso se verifique o uso 
abusivo da personalidade jurídica da sociedade em detrimento dos cre-
dores. Configurada essa hipótese, poderá ser determinada a desconsi-
deração da personalidade jurídica, o que permitirá a execução dos bens 
pessoais dos sócios mesmo que se trate de uma sociedade limitada, 
por exemplo. 
A teoria da desconsideração da personalidade jurídica (disregard doc-
trine) já é conhecida há bastante tempo, mas só foi positivada em nosso 
ordenamento jurídico em 1990, com a edição do Código de Defesa do Con-
sumidor (Lei 8.078/1990), cujo art. 28 tem a seguinte redação: "o juiz poderá 
desconsiderar a personalidade jurídica da sociedade quando, em detri-
mento do consumidor, houver abuso de direito, excesso de poder, infração 
da lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social. A des-
consideração também será efetivada quando houver falência, estado de 
insolvência, encerramento ou inatividade da pessoa jurídica provocados 
por má administração". O § 5° desse dispositivo o complementa, prevendo 
que "também poderá ser desconsiderada a pessoa jurídica sempre que 
sua personalidade for, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento de 
prejuízos causados aos consumidores". 
Posteriormente, outros diplomas legislativos específicos também tra-
taram do tema (Lei Antitruste e Lei de Crimes Ambientais), praticamente 
repetindo a redação do caput e do § 5° do art. 28 do CDC. Faltava, porém, 
uma regra geral sobre o assunto. 
Essa regra geral acabou sendo prevista no art. 50 do Código Civil, 
que tem o seguinte teor: "em caso de abuso da personalidade jurídica, 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 147 
caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pelaconfusão patrimonial, 
pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público 
quando lhe couber intervir no processo, desconsiderá-la para que os efei-
tos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos 
aos bens particulares de administradores ou de sócios da pessoa jurídica 
beneficiados direta ou indiretamente pelo abuso". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(ESAF/PGFN/PROCURADORhoo6) Assinale a opção correta. 
a) A teoria da desconsideração da personalidade jurídica, positivada pela pri-
meira vez no direito brasileiro pelo Código Civil de 2002, permite que, preen-
chidos os requisitos legais, os efeitos de certas e determinadas obrigações 
sociais sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios 
da pessoa jurídica. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
8.5.1.1. Teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica 
Seguindo uma nomenclatura inicialmente proposta por Fábio Ulhoa Coe-
lho (mas hoje abandonada pelo próprio autor), costuma-se usar a expres-
são teoria menor da desconsideração da personalidade jurídica para os 
casos em que se admite a desconsideração quando há o mero prejuízo do 
credor, ou seja, a simples insolvência da pessoa jurídica. 
É o que ocorre, por exemplo, nas relações de consumo, por aplicação 
da regra específica do art. 28, § 5. do CDC. Nesse sentido, o ST) já decidiu 
que "é possível, em linha de princípio, em se tratando de vínculo de índole 
consumerista, a utilização da chamada teoria menor da desconsideração da 
personalidade jurídica, a qual se contenta com o estado de insolvência do 
fornecedor, somado à má administração da empresa, ou, ainda, com o fato 
de a personalidade jurídica representar um 'obstáculo ao ressarcimento 
de prejuízos causados aos consumidores' (art. 28 e seu § 50, do Código de 
Defesa do Consumidor)" (REsp Lin.i.53/Rj). Em outro julgado, o ST] afirmou, 
no mesmo sentido, que "é possível a desconsideração da personalidade 
jurídica com base no artigo 28, § 5., do CDC, na hipótese em que comprova-
da a insolvência da empresa, pois tal providência dispensa a presença dos 
requisitos contidos no caput do artigo 28, isto é, abuso de poder, infração da 
lei, fato ou ato ilícito ou violação dos estatutos ou contrato social, encerra-
mento ou inatividade da pessoa jurídica, sendo aplicável a teoria menor da 
desconsideração, subordinada apenas à prova de que a mera existência da 
148 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
pessoa jurídica pode causar, de alguma forma, obstáculo ao ressarcimento 
de prejuízos causados aos consumidores" (AgRg no Ag 1.342.443/PR). Enfim, 
"tratando-se de relação consumerista, é possível a desconsideração da 
personalidade jurídica da sociedade empresária ante sua insolvência para 
o pagamento de suas obrigações, independentemente da existência de des-
vio de finalidade ou de confusão patrimonial" (AgRg no AREsp 511.744/SP; no 
mesmo sentido: AgRg no REsp 1.1o6.072/MS e REsp 737.000/MG). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FAURGS - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - RS/2016) A desconsideração da persona-
lidade jurídica 
C) exige a prova do desvio de finalidade, mesmo quando se trate de relações 
de consumo. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
8.5.1.2. Teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica 
Seguindo a mesma nomenclatura inicialmente proposta por Fábio Ulhoa 
Coelho (mas já abandonada por ele, frise-se), costuma-se usar a expressão 
teoria maior da desconsideração da personalidade jurídica para os casos 
em que só se admite a desconsideração quando há abuso no uso da pes-
soa jurídica, o qual pode ser caracterizado pelo desvio de finalidade ou 
pela confusão patrimonial. 
Tem-se, aqui, aplicação da regra geral do art. 50 do Código Civil, que 
tem incidência, predominantemente, no âmbito das relações civis e empre-
sariais, em que as regras de responsabilidade subsidiária e limitada dos 
sócios devem ser respeitadas, sendo desconsideradas apenas em situa-
ções excepcionais. Assim, quando "se trata de relações jurídicas de nature-
za civil-empresarial, o legislador pátrio, no art. 5o do CC de 2002, adotou a 
teoria maior da desconsideração, que exige a demonstração da ocorrência 
de elemento objetivo relativo a qualquer um dos requisitos previstos na 
norma, caracterizadores de abuso da personalidade jurídica, como exces-
so de mandato, demonstração do desvio de finalidade (ato intencional dos 
sócios em fraudar terceiros com o uso abusivo da personalidade jurídica) 
ou a demonstração de confusão patrimonial (caracterizada pela inexistên-
cia, no campo dos fatos, de separação patrimonial entre o patrimônio da 
pessoa jurídica e dos sócios ou, ainda, dos haveres de diversas pessoas 
jurídicas)" (AgInt no AREsp 589.840-RS). Em suma: "conforme entendimento 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 149 
reiterado pelas Turmas que compõem a Segunda Seção do ST], acerca dos 
pressupostos para da desconsideração de pessoa jurídica, a partir da in-
terpretação do art. 50 do CC/02, deve ser adotada a teoria maior da des-
consideração. Assim, exige-se a demonstração de desvio de finalidade, 
demonstração de confusão patrimonial, ou a configuração do abuso de 
personalidade jurídica. (...) A mera demonstração de estar a pessoa jurí-
dica insolvente para o cumprimento de suas obrigações (...) não constitui 
motivo suficiente para a desconsideração da personalidade jurídica" (REsp 
1.635.630-MG). No mesmo sentido: "nas causas em que a relação jurídica 
subjacente ao processo for cível-empresarial, a desconsideração da perso-
nalidade da pessoa jurídica será regulada pelo art. so do Código Civil, nos 
casos de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de 
finalidade, ou pela confusão patrimonial" (REsp 1.729.554-SP). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(ESAF/PGFN/PROCURADORhoo6) Assinale a opção correta. 
d) Consoante entendimento dominante na jurisprudência pátria, havendo dívida 
líquida não paga pela pessoa jurídica, é possível ao credor ajuizar execução 
diretamente contra os sócios da pessoa jurídica, requerendo a desconsidera-
ção da pessoa jurídica, presumindo-se o abuso da personalidade jurídica. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
A exigência de demonstração do abuso é tamanha, quando se trata da 
aplicação do art. 50 do Código Civil, que nem mesmo nos casos de mera 
dissolução irregular da sociedade o ST] tem admitido a desconsideração 
da personalidade jurídica (REsp 1.526.287-SP) 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FAURGS - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - RS/2016) A desconsideração da persona-
lidade jurídica 
A) é consequência necessária da ausência de arquivamento dos atos constitu-
tivos da sociedade limitada. 
* A Alternativa foi considerada ERRADA. 
Sobre a distinção entre o art. so do Código Civil e as demais regras le-
gais que tratam da desconsideração da personalidade jurídica, confira-se 
também o enunciado 9 das Jornadas de Direito Comercial do CJF: "quando 
aplicado às relações jurídicas empresariais, o art. 5o do Código Civil não 
150 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
pode ser interpretado analogamente ao art. 28, § 5., do CDC ou ao art. 2., 
§ 2°, da CLT". 
No que diz respeito à caracterização do abuso de personalidade jurí-
dica, a redação original do art. 50 do Código Civil apenas dizia que ela se 
daria quando houvesse desvio de finalidade ou confusão patrimonial, sem, 
contudo, definir tais conceitos. A fim de conferir mais segurança jurídica à 
aplicação da teoria da desconsideração da personalidade jurídica, a Lei 
13.874/2019 (Lei da Liberdade Econômica) inseriu parágrafos no art. 50 do 
Código Civil com tais definições. 
De acordo com o § 1., "desvio de finalidade é a utilização da pessoa ju-
rídica com o propósito de lesar credores e para a prática de atos ilícitos de 
qualquer natureza". Parece-nos que o objetivo, nesse ponto, foi deixar cla-
ro que a caracterização do abuso com base emdesvio de finalidade exige 
a comprovação do dolo, isto é, da intenção de lesar credores ou praticar 
ilícitos. Essa interpretação ganha força quando lemos o § 5., segundo o qual 
"não constitui desvio de finalidade a mera expansão ou a alteração da 
finalidade original da atividade econômica específica da pessoa jurídica". 
Quanto à confusão patrimonial, o § 2° estabelece o seguinte: "Entende-
-se por confusão patrimonial a ausência de separação de fato entre os 
patrimônios, caracterizada por: I - cumprimento repetitivo pela sociedade 
de obrigações do sócio ou do administrador ou vice-versa; II - transferência 
de ativos ou de passivos sem efetivas contraprestações, exceto os de valor 
proporcionalmente insignificante; e Ill - outros atos de descumprimento 
da autonomia patrimonial". Nesse caso, parece-me que se adotou uma 
concepção objetivista, que dispensa a comprovação de dolo: demonstrada 
a ocorrência de algumas dessas situações, o abuso estará caracterizado. 
No que se refere a grupos econômicos, o § 40 assim dispõe, na linha do 
que já vinha decidindo o STJ: "a mera existência de grupo econômico sem 
a presença dos requisitos de que trata o caput deste artigo não autoriza a 
desconsideração da personalidade da pessoa jurídica". No mesmo sentido, 
vale lembrar o que dispõem os enunciados 22 e 91 das jornadas de Direito 
Comercial do Cif: "não se presume solidariedade passiva (art. 265 do Códi-
go Civil) pelo simples fato de duas ou mais pessoas jurídicas integrarem o 
mesmo grupo econômico" e "a desconsideração da personalidade jurídica 
de sociedades integrantes de mesmo grupo societário (de fato ou de direi-
to) exige a comprovação dos requisitos do art. 50 do Código Civil por meio 
do incidente de desconsideração da personalidade jurídica ou na forma do 
art. 134, § 2., do Código de Processo Civil". 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 151 
Importante! 
Na IV jornada de Direito Civil, eu propus um enunciado afirmando que "a aplica-
ção da teoria da desconsideração, descrita no art. 5o do Código Civil, prescinde 
da demonstração de insolvência da pessoa jurídica. O enunciado foi aprovado, 
recebendo o número 281. 
A Quarta Turma do STJ seguiu esse entendimento, confirmando que é prescindível 
demonstrar a insolvência da pessoa jurídica para aplicar a teoria da desconside-
ração e que, obviamente, também é prescindível essa demonstração para reque-
rer a sua aplicação: "a inexistência ou não localização de bens da pessoa jurídica 
não é condição para a instauração do procedimento que objetiva a desconside-
ração, por não ser sequer requisito para aquela declaração" (REsp 1729554/SP). 
8.5.1.3. Efeitos da desconsideração da personalidade jurídica 
Outro ponto importante a ser destacado no estudo da disregard doctrine 
é o relativo aos seus efeitos. A desconsideração da personalidade jurídica, 
ao contrário do que se possa imaginar, não acarreta o fim da pessoa jurí-
dica, ou seja, esta não será dissolvida nem liquidada. 
Assim, a desconsideração da personalidade jurídica tem os seus efeitos 
adstritos ao caso concreto em que foi requerida, continuando a socieda-
de - ainda que "desconsiderada" naquele caso - a existir normalmente e a 
ter os efeitos da sua personalização respeitados em todas as demais rela-
ções jurídicas em que figurar. Nesse sentido, já decidiu o STJ que "a descon-
sideração não importa em dissolução da pessoa jurídica, mas se constitui 
apenas em um ato de efeito provisório, decretado para determinado caso 
concreto e objetivo, dispondo, ainda, os sócios incluídos no polo passivo 
da demanda, de meios processuais para impugná-la" (REsp 1.169.175/DO. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(MAGISTRATURA DO TRABALHO - TRT 21a REGIÃO/2010) De acordo com o Código Civil, 
a desconsideração da personalidade jurídica consiste em: 
A) não considerar os efeitos da personificação para atingir a responsabilidade 
dos sócios; 
B) declarar nula, de pleno direito, a personificação; 
C) tornar a personalidade jurídica ineficaz para todos os atos praticados pela 
sociedade; 
D) na extinção da personalidade jurídica por via judicial; 
E) todas as alternativas estão incorretas. 
Gabarito: A. 
152 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Da mesma forma, a aplicação da teoria da desconsideração não signifi-
ca a possibilidade de execução de todos os sócios e/ou administradores da 
sociedade, indistintamente. Somente serão atingidos aqueles sócios que se 
beneficiaram do uso abusivo da pessoa jurídica. Nesse sentido, também já 
decidiu o SI] que, "nos termos do art. 50 do CC, o decreto de desconside-
ração da personalidade jurídica de uma sociedade somente pode atingir o 
patrimônio dos sócios e administradores que dela se utilizaram indevida-
mente, por meio de desvio de finalidade ou confusão patrimonial" (REsp 
1.412.997/SP; no mesmo sentido: AgRg no AREsp 621.926/R1). 
Quando se trata de sociedade anônima, existe precedente do STJ res-
tringindo a aplicação da desconsideração a administradores e acionistas 
controladores (Aglnt no AREsp 331.644-SP), mas quando se trata de so-
ciedade limitada, "para os efeitos da desconsideração da personalidade 
jurídica, não há fazer distinção entre os sócios (...). Sejam eles gerentes, 
administradores ou quotistas minoritários, todos serão alcançados pela 
referida desconsideração" (REsp 1.250.582-MG). Para entender melhor esse 
julgado, é preciso esclarecer o que ele quer dizer: abstratamente, qualquer 
sócio de uma sociedade limitada pode ser atingido por uma medida de 
desconsideração da personalidade jurídica da sociedade limitada, mas no 
caso concreto, vale lembrar; a medida só deve atingir aqueles que deram 
causa ao abuso ou dele se beneficiaram. 
Essa interpretação ganhou reforço após a edição da Lei 13.874/2019 (Lei 
da Liberdade Econômica), que alterou a redação do caput do art. 50 do 
Código Civil para deixar claro que a desconsideração da personalidade 
jurídica só pode atingir os administradores ou sócios "beneficiados direta 
ou indiretamente pelo abuso". Nesse sentido, vale destacar que o STJ já 
decidiu que mesmo em se tratando de aplicação da "teoria menor", "o 
§ 5. do art. 28 do CDC não dá margem para admitir a responsabilização 
pessoal de quem jamais atuou como gestor da empresa". No caso, tentava-
-se a desconsideração da personalidade jurídica para atingir membros do 
conselho fiscal de uma cooperativa, o que não se admitiu: "a desconside-
ração da personalidade jurídica de uma sociedade cooperativa, ainda que 
com fundamento no art. 28, § 50, do CDC (Teoria Menor), não pode atingir 
o patrimônio pessoal de membros do Conselho Fiscal sem que que haja a 
mínima presença de indícios de que estes contribuíram, ao menos culposa-
mente, e com desvio de função, para a prática de atos de administração". 
Em suma: a desconsideração da personalidade jurídica, seja qual for o seu 
fundamento, só pode atingir aqueles sócios e/ou administradores que de-
ram causa ao abuso ou dele se beneficiaram. 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 153 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(ESAF/PGFN/PROCURADORhoo6) Assinale a opção correta. 
e) O entendimento predominante na jurisprudência pátria é no sentido de 
que, sendo deferida a desconsideração da personalidade jurídica, a execu-
ção pode atingir a todos os sócios indistintamente, tenham ou não partici-
pado da gestão da sociedade. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
(VUNESPiTJ-SP/JUIZ/2018) A desconsideração da personalidade jurídica em socie-
dade limitada abrange 
(A) apenas os sócios administradores. 
(B) todos os sócios. 
(C) apenas os administradores. 
(D) apenas os sócios controladores. 
Gabarito: B. 
(VUNESPill-SP/JUIZ/vm8) A utilização abusiva de sociedade anônima não implica 
na responsabilização dos 
(A) administradores. 
(B) acionistas partícipes do bloco de controle. 
(C) acionistas minoritários. 
(D) acionistas proprietários da maioria do capital social. 
Gabarito: C. 
8.5.1.4. A desconsideraçãoinversa da personalidade jurídica 
A teoria da desconsideração surgiu e foi aplicada, historicamente, com 
a finalidade de permitir a execução de bens particulares dos sócios e/ou 
administradores por dívidas da sociedade. Mas também se pode fazer o 
caminho inverso: desconsiderar a pessoa jurídica para executar bens so-
ciais por dívidas pessoais de um de seus sócios. 
A desconsideração inversa consiste, pois, em aplicar os fundamen-
tos da disregard doctrine para permitir que a pessoa jurídica responda 
por obrigações pessoais de um ou mais sócios, conforme já decidiu o 
STJ: "considerando-se que a finalidade da disregard doctrine é combater 
a utilização indevida do ente societário por seus sócios, o que pode 
ocorrer também nos casos em que o sócio controlador esvazia o seu 
154 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
patrimônio pessoal e o integraliza na pessoa jurídica, conclui-se, de 
uma interpretação teleológica do art. 50 do CC/2002, ser possível a 
desconsideração inversa da personalidade jurídica, de modo a atingir 
bens da sociedade em razão de dívidas contraídas pelo sócio controla-
dor, conquanto preenchidos os requisitos previstos na norma" (ST], REsp 
948.117/MS). 
I> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FAURGS - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - RS/2016) A desconsideração da persona-
lidade jurídica 
B) é admitida também para a responsabilização da sociedade por dívidas 
pessoais dos sócios. 
* A alternativa foi considerada CORRETA. 
É comum a aplicação da desconsideração inversa em questões relati-
vas ao direito de família, quando se constata que um dos cônjuges, por 
exemplo, cria uma pessoa jurídica para ocultação de patrimônio, a fim de 
afastá-los da partilha ou frustrar a cobrança de pensão alimentícia. Sobre o 
assunto, o STj já decidiu o seguinte: "é possível a desconsideração inversa 
da personalidade jurídica sempre que o cônjuge ou companheiro empresá-
rio valer-se de pessoa jurídica por ele controlada, ou de interposta pessoa 
física, a fim de subtrair do outro cônjuge ou companheiro direitos oriundos 
da sociedade afetiva" (REsp 1.236.916/RS). 
Ainda sobre o assunto, confira-se o enunciado 283 das jornadas de 
Direito Civil do CJF: "é cabível a desconsideração da personalidade jurí-
dica denominada 'inversa' para alcançar bens de sócio que se valeu da 
pessoa jurídica para ocultar ou desviar bens pessoais, com prejuízo a 
terceiros". 
Por fim, vale destacar que, desde a edição da Lei 13.874/2019 (Lei da 
Liberdade Econômica), a desconsideração inversa está expressamente au-
torizada pelo Código Civil (art. 50, § 3.). 
8.5.1.5. Incidente de desconsideração da personalidade jurídica 
O art. 50 do Código Civil trata dos requisitos materiais para a aplica-
ção da desconsideração da personalidade jurídica, mas nada dispõe, ob-
viamente, sobre seu procedimento, afirmando apenas que ela deve ser 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 155 
requerida pela parte ou pelo Ministério Público (o que afasta, em princípio, 
sua aplicação de ofício pelo juiz). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(ESAF/PCFN/PROCURADOR/2oo6) Assinale a opção correta. 
b; A decisão pela desconsideração da personalidade jurídica é faculdade do 
juiz nos termos do Código Civil, e mediante requerimento da parte ou do 
Ministério Público quando lhe couber intervir, não sendo possível a conces-
são de ofício. 
*A alternativa foi considerada CORRETA. 
O procedimento a ser seguido está previsto nos arts. 133 a 137 do 
novo CPC, que disciplinam o incidente de desconsideração da personali-
dade jurídica. 
De acordo com o art. 133, "o incidente de desconsideração da persona-
lidade jurídica será instaurado a pedido da parte ou do Ministério Público, 
quando lhe couber intervir no processo". O § 10 dispõe que "o pedido 
observará os pressupostos previstos em lei", e o § 2° determina expressa-
mente que o procedimento também se aplica "à hipótese de desconside-
ração inversa da personalidade jurídica". 
Perceba-se que o novo CPC não criou nova hipótese de desconsideração, 
mas apenas disciplinou o seu procedimento. Em caso de litígios empresa-
riais, os "pressupostos previstos em lei" a que se refere o art. 133, § pi, são 
aqueles do art. 50 do CC: abuso de personalidade jurídica, caracterizado pelo 
desvio de finalidade ou pela confusão patrimonial. Em litígios consumeristas, 
"os pressupostos previstos em lei" serão os do art. 28 do CDC, e assim por 
diante. Nesse sentido: "os pressupostos da desconsideração da personali-
dade jurídica continuam a ser estabelecidos por normas de direito material, 
cuidando o diploma processual tão somente da disciplina do procedimento. 
Assim, os requisitos da desconsideração variarão de acordo com a natureza 
da causa, seguindo-se, entretanto, em todos os casos, o rito procedimental 
proposto pelo diploma processual" (REsp 1729554/SP). 
Antes do novo CPC, o STJ entendia que a desconsideração podia ser 
decretada nos próprios autos, sem necessidade de citação, de modo que 
o sócio atingido pela medida só podia defender-se após já realizada a 
constrição de seus bens pessoais (nesse sentido: REsp Lo96.604/DF e AgRg 
no REsp 1.459.784/MS). 
156 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(ESAF/PGFN/PROCURADOR/2oo6) Assinale a opção correta. 
c) De acordo com o entendimento dominante no Superior Tribunal de justiça, 
é necessária ação judicial autônoma para a desconsideração da pessoa 
jurídica. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
A partir da vigência do novo CPC, porém, parece-nos que essa jurispru-
dência terá de ser revista, uma vez que será preciso instaurar um incidente 
processual específico, com a imprescindível citação do sócio ou da pessoa 
jurídica. Confira-se, a propósito, o que diz o art. 135: "instaurado o inciden-
te, o sócio ou a pessoa jurídica será citado para manifestar-se e requerer 
as provas cabíveis no prazo de 15 (quinze) dias". 
Com a instauração do incidente, o processo será suspenso (art. 134, 
§ 3.) e, "concluída a instrução, se necessária, o incidente será resolvido 
por decisão interlocutória" (art. 136), contra a qual, obviamente, poderá 
ser interposto agravo de instrumento. 
O art. 134 do novo CPC, por sua vez, deixa claro que "o incidente de des-
consideração é cabível em todas as fases do processo de conhecimento, 
no cumprimento de sentença e na execução fundada em título executivo 
extrajudicial". O § 2° desse dispositivo traz regra interessante: "dispensa-se 
a instauração do incidente se a desconsideração da personalidade jurídica 
for requerida na petição inicial, hipótese em que será citado o sócio ou a 
pessoa jurídica". Nesse caso, além de não haver a instauração do inciden-
te, o processo, obviamente, não será suspenso. 
Por fim, cumpre destacar que o STJ tem entendimento consolidado no 
sentido do não cabimento de condenação ao pagamento de honorários 
advocatícios sucumbenciais no incidente de desconsideração da personali-
dade jurídica (REsp 1.845.536). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(PROVA PROCURADOR TCM-Ri 2008) Em relação à teoria da desconsideração da 
personalidade jurídica das sociedades, analise as afirmativas a seguir: 
I. Implica a anulação ou desfazimento do ato constitutivo da sociedade. 
II. É aplicada quando comprovado o desvio de finalidade praticado pelo ad-
ministrador de sociedade em comum. 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 157 
O Código Civil permite que o juiz estenda os efeitos de certas e determina-
das relações de obrigações aos bens particulares dos sócios nos casos de 
desvio de finalidade ou confusão patrimonial. 
IV. A desconsideração da personalidade jurídica prescinde do encerramento 
da liquidação da pessoa jurídica. 
Assinale: 
(A) se apenas as assertivas Ill e IV estiverem corretas. 
(B) se apenas as assertivas II e iv estiverem corretas. 
(C) se apenas as assertivas II e III estiverem corretas. 
(D) se apenas as assertivas I e IIIestiverem corretas. 
(E) se apenas a assertiva III estiver correta. 
Gabarito: A. 
8.6. SOCIEDADES DEPENDENTES DE AUTORIZAÇÃO 
Os arts. 1.123 a 1.141 do Código Civil tratam das sociedades dependen-
tes de autorização, deixando claro que essa matéria é de competência do 
Poder Executivo Federal (art. 1.123, parágrafo único). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - DELEGADO DE POLÍCIA - GO/2017) Assinale a opção correta no que se 
refere ao direito societário. 
A) Compete ao poder público municipal do local da sede autorizar o funciona-
mento de sociedades cujo funcionamento dependa de autorização do Poder 
Executivo. 
*A alternativa foi considerada ERRADA. 
Em princípio, a sociedade que depende de autorização para funcionar 
tem o prazo de 12 (doze) meses para entrar em funcionamento, contados 
da publicação da lei ou do ato administrativo autorizador, salvo se nesses 
foi estipulado prazo distinto (art. 1.124 do Código Civil). 
Concedida a autorização, nada impede ela seja cassada pelo poder 
concedente. Isso ocorrerá se a sociedade "infringir disposição de ordem 
pública ou praticar atos contrários aos fins declarados no seu estatuto" 
(art. 1.125 do Código Civil). 
158 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
8.7. SOCIEDADE NACIONAL 
O critério para a definição da nacionalidade de uma sociedade adota-
do pelo direito brasileiro não é o da nacionalidade dos sócios nem o da 
origem do seu capital social. De acordo com o art. 1.126 do Código Civil, "é 
nacional a sociedade organizada de conformidade com a lei brasileira e 
que tenha no País a sede de sua administração". Se essa sociedade resol-
ver mudar a sua nacionalidade, será necessário o consentimento unânime 
dos seus sócios (art. 1.127 do Código Civil). 
Sendo assim, pouco importa a nacionalidade dos sócios, o local de resi-
dência deles ou a origem do capital empregado para aferição da nacionali-
dade da sociedade que eles constituíram. Se essa sociedade foi constituída 
no Brasil, segundo as leis brasileiras e possui sede no país, trata-se de uma 
sociedade nacional. 
8.8. SOCIEDADE ESTRANGEIRA 
Se a sociedade não preenche os requisitos mencionados no art. 1.126 
do Código Civil - sede no Brasil e organização de conformidade com as 
leis brasileiras - será considerada uma sociedade estrangeira, necessitan-
do, pois, de autorização governamental para entrar em funcionamento no 
nosso País. Poderá ser, todavia, acionista de sociedade anônima brasileira, 
sem que para tanto precise de autorização (art. 1.134 do Código Civil). 
Depois de autorizada, deve a sociedade proceder ao respectivo regis-
tro na Junta Comercial do Estado em que vá desenvolver suas atividades, 
antes do que não poderá iniciá-las (art. 1.136). Cumpridas as formalidades 
do registro e iniciadas as suas atividades, ela se submete às leis e aos 
tribunais brasileiros, quanto aos atos e operações praticados no território 
nacional (art. 1.137). Para tanto, deverá funcionar com o nome que tiver 
em seu país de origem - "podendo acrescentar as palavras 'do Brasil' 
ou 'para o Brasil- (art. 1.137, parágrafo único) -, está "obrigada a ter, 
permanentemente, representante no Brasil, com poderes para resolver 
quaisquer questões e receber citação judicial pela sociedade" (art. 1.138), 
representante este que deverá, para poder atuar em nome da sociedade 
estrangeira perante terceiros, averbar o instrumento de sua nomeação 
junto aos atos constitutivos da sociedade na Junta Comercial (art. 1.138, 
parágrafo único). 
Por fim, registre-se que a sociedade estrangeira autorizada a funcionar no 
Brasil pode obter autorização do Poder Executivo Federal para nacionalizar-
se, transferindo sua sede para o território de nosso País (art. 1.141). 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 159 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - Procurador TCE-RO - 2019) Para funcionar no Brasil, sociedade estran-
geira deve 
a) registrar seu ato constitutivo no prazo de até sessenta dias após o início de 
suas atividades. 
b) utilizar nome idêntico àquele empregado no país de origem, podendo 
acrescentar as palavras "do Brasil" ou "para o Brasil". 
c) designar representante no país de origem, com poderes limitados a rece-
ber citação judicial em nome da sociedade. 
d) sujeitar-se às leis e aos tratados internacionais, quanto aos atos ou opera-
ções praticados no Brasil. 
e) transferir sua sede para o Brasil. 
Gabarito: B 
8.9. SOCIEDADE ENTRE CÔNJUGES 
Segundo o art. 977 do Código Civil, "faculta-se aos cônjuges contratar 
sociedade entre si ou com terceiros, desde que não tenham casado no 
regime da comunhão universal de bens, ou no da separação obrigatória". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CONSULPLAN - CARTÓRIOS - PROVIMENTO - TJ - MG/2c017) Os cônjuges podem con-
tratar entre si sociedade, 
A) independentemente do regime de casamento adotado. 
B) desde que não tenham casado no regime de separação de bens, seja este 
obrigatório ou voluntário. 
C) em nenhum caso, independentemente do regime de casamento adotado. 
D) desde que não tenham casado no regime de comunhão universal de bens 
ou no de separação obrigatória. 
Gabarito: D. 
(VUNESP/TI/SP/CAIZTóRIOS/2on) A sociedade entre cônjuges é 
a) válida em qualquer regime de bens, ressalvada aos terceiros a possibilida-
de de demonstrar a simulação do ato. 
b) juridicamente impossível. 
c) válida se o regime de bens for comunhão universal. 
d) válida se o regime de casamento for comunhão parcial. 
Gabarito: D. 
160 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
A regra vale tanto para sociedades empresárias quanto para socieda-
des simples, conforme já decidiu o Si]: "as restrições previstas no art. 977 
do cc/02 impossibilitam que os cônjuges casados sob os regimes de bens 
ali previstos contratem entre si tanto sociedades empresárias quanto so-
ciedades simples" (REsp i.o58.165-RS). No entanto, não são todas as socie-
dades empresárias que se sujeitam a tal regra: "a vedação da sociedade 
entre cônjuges contida no art. 977 do Código Civil não se aplica às socieda-
des anônimas, em comandita por ações e cooperativa" (enunciado 95 das 
Jornadas de Direito Comercial do CJF). 
Vale destacar que o objetivo da regra é impedir que cônjuges casados 
sob tais regimes de bens (comunhão universal ou separação obrigatória) 
façam parte de uma mesma sociedade, nada impedindo, pois, que alguém 
casado sob o regime de comunhão universal ou de separação obrigató-
ria contrate, sozinho, sociedade com terceiro. Nesse sentido, confira-se o 
enunciado 205(1) das jornadas de Direito Civil do CJF: "a vedação à parti-
cipação dos cônjuges casados nas condições previstas no artigo refere-se 
unicamente a uma mesma sociedade". 
Importante registrar também que a vedação em questão só se aplica 
a sociedades constituídas após a vigência do Código Civil, em respeito à 
regra constitucional que protege o ato jurídico perfeito contra a retroativi-
dade da lei (art. 50, inciso XXXVI CF/88). Nesse sentido, confira-se o enun-
ciado 204 das Jornadas de Direito Civil do CJF: "a proibição de contratação 
de sociedade entre pessoas casadas sob o regime da comunhão universal 
ou da separação obrigatória só atinge as sociedades constituídas após a 
vigência do Código Civil de 2002". 
Por fim, registre-se que o art. 977 do Código Civil "abrange tanto a 
participação originária (na constituição da sociedade) quanto a derivada, 
isto é, fica vedado o ingresso de sócio casado em sociedade de que já 
participa o outro cônjuge" (enunciado 205 das Jornadas de Direito Civil 
do CJF). 
8.1o. SOCIEDADE COOPERATIVA 
A Lei 5.764/1971 define a Política Nacional de Cooperativismo e institui 
o regime jurídico das sociedades cooperativas no Brasil. As cooperativas 
também estão previstas no art. 50, inciso XVIII da Constituição Federal de 
1988, que permitiu a sua criação independentemente de autorização e ve-
dou a interferência estatal noseu funcionamento. 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 161 
O Código Civil, ressalvando as disposições específicas da Lei 5.764/1971, 
também disciplinou as cooperativas, estabelecendo que elas são sempre so-
ciedades simples, independentemente do seu objeto social (art. 982, pará-
grafo único), e detalhando suas principais características no art. 1.094: "são 
características da sociedade cooperativa: I - variabilidade, ou dispensa do 
capital social; II - concurso de sócios em número mínimo necessário a com-
por a administração da sociedade, sem limitação de número máximo; III - li-
mitação do valor da soma de quotas do capital social que cada sócio poderá 
tomar; IV - intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos 
à sociedade, ainda que por herança; V - quórum, para a assembleia geral 
funcionar e deliberar, fundado no número de sócios presentes à reunião, e 
não no capital social representado; VI - direito de cada sócio a um só voto 
nas deliberações, tenha ou não capital a sociedade, e qualquer que seja o 
valor de sua participação; VII - distribuição dos resultados, proporcionalmen-
te ao valor das operações efetuadas pelo sócio com a sociedade, podendo 
ser atribuído juro fixo ao capital realizado; VIII - indivisibilidade do fundo de 
reserva entre os sócios, ainda que em caso de dissolução da sociedade". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(VUNESP/MP/ES/PROMOTOR/2o13) Assinale a alternativa correta acerca da socie-
dade cooperativa. 
a) Dentre suas características, figura a variabilidade ou a dispensa do capital 
social. 
b) O quorum para a assembleia geral funcionar e deliberar é fundado no capi-
tal social representado. 
Independentemente de seu objeto, é considerada empresária por força de lei. 
d) A transferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade 
ocorrerá, exclusivamente, por herança. 
e) A responsabilidade dos sócios somente é admitida na forma limitada. 
Gabarito: A. 
(VUNESP/Ti/MT/JUIZ/2009) É característica da sociedade cooperativa 
a) a transferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade. 
b) a variabilidade, ou dispensa do capital social. 
c) a responsabilidade sempre ilimitada dos cooperados. 
d) a divisibilidade do fundo de reserva entre os sócios. 
e) o direito de voto correspondente a sua participação no capital social. 
Gabarito: B. 
162 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
(ESAF/PGDF/PROCURADOR/2oo7) Desde Rochdale, na Inglaterra, as cooperativas 
singulares difundiram-se como um importante instrumento catalisador das con-
dições econômicas e sociais de seus associados. A respeito dos aspectos socie-
tários das cooperativas no atual estágio do ordenamento brasileiro, assinale 
a opção correta. 
a) Para a constituição de uma cooperativa, é indispensável a participação de, 
no mínimo, 30 (trinta) associados. 
b) Nas cooperativas, cada sócio tem direito a um só voto, qualquer que seja o 
valor de sua participação. 
c) Conforme seu objeto, a sociedade cooperativa poderá ser empresária ou 
simples. 
d) Assim como as sociedades em geral, as cooperativas orientam-se pelo prin-
cípio da intangibilidade do capital social. 
e) O regime das cooperativas admite amplamente a alienação das participa-
ções dos associados. 
Gabarito: B. 
(MPE - PR - Promotor de Justiça - MPE - PR/2o19) Não é característica da socie-
dade cooperativa: 
a) Variabilidade ou dispensa do capital social. 
b) Não limitação de número máximo de sócios. 
c) Limitação do valor da soma de quotas do capital social que cada sócio po-
derá tomar. 
d) Intransferibilidade das quotas do capital a terceiros estranhos à sociedade, 
salvo por herança. 
e) Indivisibilidade do fundo de reserva entre os sócios, ainda que em caso de 
dissolução da sociedade. 
Gabarito: D. 
Quanto à responsabilidade dos sócios, estabeleceu o art. 1.095 do Có-
digo Civil que "na sociedade cooperativa, a responsabilidade dos sócios 
pode ser limitada ou ilimitada". É limitada a responsabilidade na coo-
perativa em que o sócio responde somente pelo valor de suas quotas e 
pelo prejuízo verificado nas operações sociais, guardada a proporção de 
sua participação nas mesmas operações (§ 10). Por outro lado, é ilimitada 
a responsabilidade na cooperativa em que o sócio responde solidária e 
ilimitadamente pelas obrigações sociais (§ 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 163 
1 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - DELEGADO DE POLÍCIA - PE/2016) Considerando a legislação em vigor a 
respeito da responsabilidade dos sócios nos diversos tipos societários, assina-
le a opção correta. 
A) Nas sociedades cooperativas, o contrato social deverá prever, necessaria-
mente, a responsabilidade ilimitada aos sócios. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
Por fim, o art. 1.096 do Código Civil dispõe o seguinte: "no que a lei for 
omissa, aplicam-se as disposições referentes à sociedade simples, resguar-
dadas as características estabelecidas no art. 1-094". 
8.11. OPERAÇÕES SOCIETÁRIAS 
A matéria está disciplinada tanto na Lei 6.404/1976 (LSA) quanto no Códi-
go Civil. Assim, se numa determinada operação societária há a participação 
de uma sociedade anônima, aplicam-se as regras previstas na LSA, em 
razão da especialidade desse diploma legislativo. Todavia, se a operação 
não conta com a participação de uma sociedade anônima, aplicam-se as 
regras do Código Civil. 
Sobre o assunto, dispõe o enunciado 70 das Jornadas de Direito Civil 
do CJF: "as disposições sobre incorporação, fusão e cisão previstas no Có-
digo Civil não se aplicam às sociedades anônimas. As disposições da Lei n. 
6.404/76, sobre essa matéria aplicam-se, por analogia, às demais socieda-
des naquilo em que o Código Civil for omisso". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO - PR/2o17) No que se refere a direito societário, assinale 
a opção correta. 
A) O Código Civil regula a fusão e a incorporação de sociedades, mas não se 
aplica às sociedades anônimas nesse particular. 
* A alternativa foi considerada CORRETA. 
8.11.1. Transformação 
De acordo com o art. 220 da LSA, "a transformação é a operação pela 
qual a sociedade passa, independentemente de dissolução e liquidação, 
de um tipo para outro". No mesmo sentido, dispõe o art. 1.113 do Código 
Civil: "o ato de transformação independe de dissolução ou liquidação da 
164 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
sociedade, e obedecerá aos preceitos reguladores da constituição e inscri-
ção próprios do tipo em que vai converter-se". 
A transformação é, pois, a mera mudança no tipo societário, que ocor-
re, por exemplo, quando uma sociedade limitada se transforma em uma 
sociedade anônima, e vice-versa. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(VUNESP/MP/ESPROMOTOR/2013) A operação pela qual a sociedade passa, inde-
pendentemente de dissolução e liquidação, de um tipo para outro, é a 
a) cisão total. 
b) incorporação. 
c) cisão parcial. 
d) fusão. 
e) transformação. 
Gabarito: E. 
(ESAF/RFB/AFRF/2oo9) Sobre a transformação, assinale a opção incorreta. 
a) A passagem de uma companhia fechada para uma aberta constitui transfor-
mação societária. 
b) O ato de transformação independe da prévia dissolução ou baixa da forma 
empresarial originária. 
c) Na hipótese de concentração de todas as cotas da sociedade limitada sob 
titularidade de um único sócio, este pode requerer ao Registro Público de Em-
presas a transformação do registro da sociedade para empresário individual. 
d) Admite-se a transformação de uma sociedade em nome coletivo para uma 
sociedade limitada. 
e) caso venha a admitir sócios, o empresário individual poderá solicitar ao Re-
gistro Público de Empresas a transformação de seu registro de empresário 
para registro de sociedade empresária. 
Gabarito: A. 
Importante! 
A deliberação acerca da transformação exige, em regra, votação unânime, salvo 
nos casos em que o ato constitutivo (contratosocial ou estatuto) da sociedade já 
contenha expressa disposição autorizando a operação. Nesse caso, aprovando-
-se a transformação por maioria, permite a lei que o sócio dissidente se reti-
re da sociedade, salvo se tiver renunciado a esse direito no contrato ou esta-
tuto (art. 221 da LSA). No mesmo sentido, dispõe o art. 1.114 do Código Civil: 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 165 
"a transformação depende do consentimento de todos os sócios, salvo se pre-
vista no ato constitutivo, caso em que o dissidente poderá retirar-se da socie-
dade, aplicando-se, no silêncio do estatuto ou do contrato social, o disposto no 
art. 1.031". 
I Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - DELEGADO DE POLÍCIA - GO/2o17) Depende do consentimento de todos os 
sócios ou acionistas — salvo em caso de previsão no ato constitutivo, hipótese 
em que o dissidente poderá retirar-se da sociedade — a operação societária 
denominada 
A) incorporação. 
B) fusão. 
C) cisão. 
D) liquidação. 
E) transformação. 
Gabarito: E. 
O art. 222 da LSA determina que "a transformação não prejudicará, em 
caso algum, os direitos dos credores, que continuarão, até o pagamento 
integral dos seus créditos, com as mesmas garantias que o tipo anterior 
de sociedade lhes oferecia". Isso porque, conforme já dito acima, a trans-
formação é a mera mudança de tipo societário, sem que haja liquidação 
ou dissolução da pessoa jurídica. Não há razão alguma, pois, para que os 
direitos dos credores da sociedade sejam atingidos. No mesmo sentido, o 
art. 1.115 do Código Civil estabelece que "a transformação não modificará 
nem prejudicará, em qualquer caso, os direitos dos credores". 
8.11.2. Incorporação 
De acordo com o art. 227 da LSA, "a incorporação é a operação pela 
qual uma ou mais sociedades são absorvidas por outra, que lhes sucede 
em todos os direitos e obrigações". No mesmo sentido, dispõe o art. 1.116 
do Código Civil: "na incorporação, uma ou várias sociedades são absorvi-
das por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações, devendo 
todas aprová-la, na forma estabelecida para os respectivos tipos". 
Na incorporação, portanto, haverá a extinção da(s) sociedade(s) 
incorporada(s), mas não surgirá uma nova sociedade. Apenas a so-
ciedade incorporada desaparecerá, e será sucedida em todos os seus 
166 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
direitos e obrigações pela sociedade incorporadora. Assim, dispõe o 
art. 227, g 3. da LSA que "aprovados pela assembleia-geral da incorpo-
radora o laudo de avaliação e a incorporação, extingue-se a incorpo-
rada, competindo à primeira promover o arquivamento e a publicação 
dos atos da incorporação". No mesmo sentido é a regra do art. 1.118 
do Código Civil: "aprovados os atos da incorporação, a incorporadora 
declarará extinta a incorporada, e promoverá a respectiva averbação 
no registro próprio". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CONSULPLAN/CFC/Contadorhoi8) A reorganização societária é uma realidade 
presente no mundo empresarial por diversos motivos, dentre os quais podem 
ser citados: a otimização de recursos, a redução legal de carga tributária e a bus-
ca de sinergias. A operação pela qual uma ou mais sociedades são absorvidas 
por outra, que lhes sucede em todos os direitos e obrigações é denominada: 
a) Cisão. 
b) Fusão. 
c) Reconvenção. 
d) Incorporação. 
Gabarito: D. 
(VUNESP Agente fiscal - Prefeitura de Campinas-SP - 2019) A sociedade "A" foi 
incorporada pela sociedade "B" no ano de 2018. A sociedade "B", por sua vez, 
foi incorporada pela sociedade "C" no ano de 2019. A sociedade "A" possuía 
dívidas na data que foi incorporada pela sociedade "B". A sociedade "B", na 
data em que foi incorporada por "C", possuía dívidas anteriores e posteriores 
à incorporação de "A". Acerca do caso relatado, pode-se afirmar corretamente 
que a sociedade "C" 
a) somente responderá pelas dívidas da sociedade "B" posteriores à incorpo-
ração de "A". 
não responderá por quaisquer dívidas das sociedades "A" e "B". 
c) somente responderá pelas dívidas da sociedade "B", mas não da socieda-
de "A". 
d) somente responderá pelas dívidas da sociedade "A" se estas tiverem sido 
expressamente assumidas pela sociedade "B" no ato de incorporação 
daquela. 
e) responderá pela totalidade das dívidas das sociedades "A" e "B". 
Gabarito: E 
Cap. 8 • Teoria Geral cio Direito Societário 167 
8.11.3. Fusão 
De acordo com o art. 228 da LSA, "a fusão é a operação pela qual se 
unem duas ou mais sociedades para formar sociedade nova, que lhes su-
cederá em todos os direitos e obrigações". No mesmo sentido, prevê o art. 
1.119 do Código Civil que "a fusão determina a extinção das sociedades 
que se unem, para formar sociedade nova, que a elas sucederá nos direi-
tos e obrigações". 
Vê-se, pois, que enquanto na incorporação não há o surgimento de uma 
nova sociedade, na fusão há o surgimento, sim, de uma nova sociedade, 
resultado da união das sociedades fundidas. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(IESES - Cartório - Remoção - Ti - CE/2018) O ato que determina a extinção das 
sociedades que se unem, para formar sociedade nova, que a elas sucederá nos 
direitos e obrigações é definido pelo Código Civil como: 
a) Transformação. 
b) Cisão. 
c) Fusão. 
d) Incorporação. 
Gabarito: C. 
(CESPE - Procurador TCE-RO - 2019) A operação pela qual duas ou mais socieda-
des se unem para formar uma sociedade nova, que lhes sucederá em todos os 
direitos e obrigações, é denominada 
a) aquisição. 
b) incorporação. 
c) cisão. 
d) joint venture. 
e) fusão. 
Gabarito: E 
8.11.4. Cisão 
De acordo com o disposto no art. 229 da LSA, "a cisão é a operação 
pela qual a companhia transfere parcelas do seu patrimônio para uma ou 
mais sociedades, constituídas para esse fim ou já existentes, extinguindo-
-se a companhia cindida, se houver versão de todo o seu patrimônio, ou 
dividindo-se o seu capital, se parcial a versão". 
168 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
Vê-se, pois, que a cisão pode ser definida, sucintamente, como trans-
ferência de patrimônio de uma sociedade para outra. Se se transferem 
apenas alguns bens da sociedade cindida, há uma cisão parcial. Por outro 
lado, havendo a transferência de todos os bens da sociedade cindida, há 
uma cisão total, e nesse caso a sociedade cindida se extingue. 
No que se refere à sucessão nos direitos e obrigações, dispõe o art. 229, 
§ 1. da LSA que "sem prejuízo do disposto no artigo 233, a sociedade que 
absorver parcela do patrimônio da companhia cindida sucede a esta nos 
direitos e obrigações relacionados no ato da cisão; no caso de cisão com 
extinção, as sociedades que absorverem parcelas do patrimônio da com-
panhia cindida sucederão a esta, na proporção dos patrimônios líquidos 
transferidos, nos direitos e obrigações não relacionados". 
Por fim, destaque-se que a(s) sociedade(s) que recebe(m) os bens da 
sociedade cindida pode(m) ser sociedade(s) já existente(s) ou sociedade(s) 
constituída(s) especificamente para tal operação. Tratando-se de sociedade(s) 
já existente(s), determina o art. 229, § 3. da LSA que "a cisão com versão de 
parcela de patrimônio em sociedade já existente obedecerá às disposições 
sobre incorporação (artigo 227)". 
Transformação: mera mudança de tipo societário 
* Não há dissolução/liquidação da sociedade transformada 
Incorporação: absorção de uma ou mais sociedades por outra 
* Não surge uma nova sociedade 
Fusão: união de duas ou mais sociedades 
*Surge urna nova sociedade 
Cisão: transferência de patrimônio de uma sociedade para outra(s) 
*A transferência pode ser feita para sociedade nova ou já existente 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(Cespe - Procurador do Estado - PGE - PE/2018) A respeito das operações so-
cietárias, julgue os itens a seguir. 
I Na fusão há um ato desconstitutivo de duas sociedades e um ato constituti-
vo de uma nova sociedade, a qual pode, inclusive, ser de um tipo diferente.II A transformação não acarreta a dissolução da sociedade, mas apenas muda 
a disciplina legal. 
Ill A incorporação cria nova sociedade, com o mesmo tipo societário, a qual 
assumirá todos os direitos e obrigações das incorporadas. 
IV Será nula de pleno direito a cisão em que apenas parte do patrimônio de 
uma sociedade seja transferida à outra. 
Cap. 8 • Teoria Geral do Direito Societário 169 
Estão certos apenas os itens 
A) I e II. 
13) I e IV. 
C) li e III. 
D) I, Ill e IV. 
E) II, III e IV. 
Gabarito: A. 
8.11.5. Coligação 
A LSA disciplinou as coligações entre sociedades nos seus arts. 243 e 
seguintes. O Código Civil também tratou expressamente da coligação de 
sociedades, disciplinando-a em seus arts. 1.097 a idol. Os dispositivos, 
em geral, têm a mesma redação. Assim, havendo a participação de uma 
sociedade anônima, aplicam-se as regras da LSA, mas não havendo a par-
ticipação de uma sociedade anônima, aplicam-se as regras do Código Civil, 
podendo haver ainda a aplicação analógica das regras da LSA quando o 
Código Civil for omisso. 
De acordo com o art. 1.097 do Código Civil, existe coligação de socieda-
des quando uma é controlada pela outra, quando uma é filiada a outra ou 
quando uma apenas participa da outra. 
O controle acionário direto de uma sociedade por outra se caracteriza, 
de acordo com o art. 1.098, inciso I do Código Civil, quando uma delas 
possui a maioria dos votos nas deliberações da outra e o poder de eleger 
a maioria dos seus administradores. No mesmo sentido, dispõe o art. 243, 
§ 2° da LSA: "considera-se controlada a sociedade na qual a controladora, 
diretamente ou através de outras controladas, é titular de direitos de sócio 
que lhe assegurem, de modo permanente, preponderância nas delibera-
ções sociais e o poder de eleger a maioria dos administradores". 
O art. 1.098, inciso II do Código Civil trata do controle societário indire-
to, que ocorre quando uma sociedade está "em poder de outra, median-
te ações ou quotas possuídas por sociedades ou sociedades por esta já 
controladas". 
Já o art. 1.099 do Código Civil trata das sociedades filiadas/coligadas: 
existe filiação/coligação quando uma sociedade não controla a outra, mas 
participa com dez por cento ou mais do capital da outra. Até 2009, 0 art. 243, 
170 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
§ 1. da LSA tinha regra praticamente idêntica: "são coligadas as sociedades 
quando uma participa, com 10% (dez por cento) ou mais, do capital da outra, 
sem controlá-la". No entanto, este dispositivo legal foi alterado, e a LSA pas-
sou a adotar o conceito de influência significativa para definir a sociedade 
coligada (filiada). A nova redação do dispositivo dispõe que "são coligadas 
as sociedades nas quais a investidora tenha influência significativa". 
Considera-se que há influência significativa quando a investidora detém 
ou exerce o poder de participar nas decisões das políticas financeira ou 
operacional da investida, sem controlá-la (§ 4°). 
Por outro lado, presume-se influência significativa quando a investidora 
for titular de 20% (vinte por cento) ou mais do capital votante da investida, 
sem controlá-la (§ 50). 
Por fim, o art. Lioo do Código Civil disciplina a simples participação, 
que ocorre quando uma sociedade possui menos de dez por cento do ca-
pital com direito de voto de outra sociedade. 
Capítulo 
Sociedades Não 
Personificadas 
OBSERVAÇÃO PRÉVIA 
A expressão "sociedade não personificada" é contraditória. Sendo a 
sociedade uma espécie de pessoa jurídica de direito privado (art. 44, inci-
so I, do Código Civil), é equivocado falar numa sociedade que não possui 
personalidade jurídica. Talvez fosse melhor o legislador usar a expressão 
"ente não personificado", por exemplo. 
Registre-se também que essas sociedades não personificadas, embo-
ra estejam disciplinadas na parte do Código Civil referente às sociedades 
empresárias, podem eventualmente desenvolver atividades civis (não em-
presariais), caso em que serão qualificadas como sociedades simples (art. 
982 do Código Civil). A propósito, confira-se o enunciado 208 das jornadas 
de Direito Civil do CJF: "as normas do Código Civil para as sociedades em 
comum e em conta de participação são aplicáveis independentemente de 
a atividade dos sócios, ou do sócio ostensivo, ser ou não própria de em-
presário sujeito a registro (distinção feita pelo art. 982 do Código Civil entre 
sociedade simples e empresária)". 
9.2. SOCIEDADE EM COMUM 
O art. 986 do Código Civil tem a seguinte redação: "enquanto não ins-
critos os atos constitutivos, reger-se-á a sociedade, exceto por ações em 
organização, pelo disposto neste Capítulo, observadas, subsidiariamente e 
no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade simples". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(VUNESP/TVIZUJUIZ/2o14) Tratando-se de sociedade em comum, enquanto não 
inscritos os atos constitutivos, exceto por ações em organização, a sociedade 
172 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
será regida pelas disposições constantes do Código Civil, observadas, subsidia-
riamente e no que com ele forem compatíveis, as normas da sociedade: 
a) anônima. 
b) em comandita simples. 
c) em nome coletivo. 
d) simples. 
Gabarito: D. 
Sociedade em comum, portanto, é aquela que ainda não inscreveu seus 
atos constitutivos no órgão competente, que pode ser a junta Comercial 
(caso o objeto social seja o exercício de uma atividade econômica organiza-
da para a produção ou a circulação de bens ou de serviços) ou o Cartório 
de Registro Civil de Pessoas jurídicas (caso o objeto social seja o exercício 
de uma atividade econômica não empresarial, como o exercício de profis-
são intelectual, de natureza literária, artística ou científica). 
Como é o registro que confere personalidade jurídica às sociedades 
(art. 985 do Código Civil), a sociedade em comum não possui personalida-
de jurídica, obviamente. Trata-se, na verdade, de uma sociedade em pro-
cesso de constituição: como uma sociedade não é constituída de imediato, 
existe um lapso temporal entre o momento em que os sócios se decidem 
pela constituição e o momento em que ela é efetivamente constituída (re-
gistro no órgão competente). 
1 Importante! 
Apenas as sociedades contratuais em constituição podem ser qualificadas 
como sociedades em comum, já que o art. 986 do Código Civil faz expressa 
ressalva às "sociedades por ações em organização", as quais possuem trata-
mento específico na Lei 6.404/1976. Assim, uma sociedade em comum pode ser 
uma sociedade limitada em organização, por exemplo. 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/TABELIÃO/TJDF/o6-05-2014) A respeito do empresário e das sociedades 
empresárias, julgue: 
Enquanto não registrado seu estatuto social, a sociedade por ações rege-se pe-
las regras do Código Civil aplicáveis à sociedade em comum e, subsidiariamen-
te, no que com elas forem compatíveis, pelas normas da sociedade simples. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
Cap. 9 • Sociedades No Personificadas 173 
É importante distinguir a sociedade em comum da sociedade de fato 
e da sociedade irregular, embora alguns autores não o façam. Sociedade 
de fato é a sociedade que não possui sequer contrato escrito e já está 
exercendo suas atividades, sem nenhum indício de que seus sócios este-
jam tomando as providências necessárias à sua regularização. Sociedade 
irregular, por sua vez, é a sociedade com contrato escrito e registrado, 
que já iniciou suas atividades normais, mas que apresenta irregularida-
de superveniente ao registro (por exemplo: não averbou alterações do 
contrato social). 
Nada impede, todavia, que eventualmente se apliquem as normas da 
sociedade em comum (arts. 986 a 990 do Código Civil) às sociedades de 
fato e às sociedades irregulares, por analogia. Nesse sentido, confira-se o 
enunciado 383 das Jornadas de Direito Civil do CJF: "a falta de registro do 
contrato social (irregularidade originária- art. 998) ou de alteração con-
tratual versando sobre matéria referida no art. 997 (irregularidade super-
veniente - art. 999, parágrafo único) conduzem à aplicação das regras da 
sociedade em comum (art. 986)". 
De acordo com o art. 987 do Código Civil, "os sócios, nas relações entre 
si ou com terceiros, somente por escrito podem provar a existência da 
sociedade, mas os terceiros podem prová-la de qualquer modo". Assim, 
os terceiros que eventualmente necessitarem propor uma ação contra a 
sociedade em comum, podem provar a existência dela por qualquer meio 
de prova. Em contrapartida, se quem necessita provar a existência da 
sociedade são os seus próprios sócios, só se admite a prova por escrito. 
Sobre esse dispositivo, o STJ já decidiu que a prova documental é o 
único meio apto a demonstrar a existência da sociedade de fato entre os 
sócios (Informativo 656): "a prova escrita constitui requisito indispensável 
para a configuração da sociedade de fato perante os sócios entre si" (REsp 
1.706.812-DF). 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/TABELIÃO/TJDF/o6-05-2014) A respeito do empresário e das sociedades 
empresárias, julgue: 
A existência da sociedade irregular pode ser comprovada por qualquer modo 
lícito de prova, seja por terceiros que negociarem com a sociedade, seja pelos 
sócios, no âmbito de suas relações recíprocas ou com terceiros. 
* A afirmativa foi considerada ERRADA. 
1 74 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
(CESPE - DPE-DF - Defensor Público - 2019) Três amigos — Domingos, Gustavo 
e Pedro — formaram uma sociedade para exercer atividade empresarial de 
floricultura. Redigiram um contrato social, mas não providenciaram a inscrição 
no registro próprio. A atividade não foi bem e vários clientes, sentindo-se pre-
judicados, procuraram a Defensoria Pública, pretendendo ser ressarcidos de 
valores que pagaram antecipadamente por contratos inadimplidos. Conforme 
relato dos clientes, os contratos eram firmados pelo sócio Domingos, em nome 
da floricultura. A defensoria ajuizou as ações cabíveis. 
Com relação a essa situação hipotética, julgue o item a seguir. 
Como o contrato social da floricultura não foi inscrito no registro próprio, Do-
mingos não poderá usá-lo como prova de responsabilidade dos demais sócios. 
* A afirmativa foi considerada errada. 
Como a sociedade em comum não tem registro e, consequentemente, 
não tem personalidade jurídica, ela também não possui um "patrimônio 
próprio" que possa ser formalmente identificado (não possui bens em seu 
nome), de modo que o "patrimônio social", na verdade, é formado por bens 
e direitos titularizados por cada um de seus sócios, mas que estão afetados 
ao objeto social, conforme previsão cio art. 988 do Código Civil: "os bens e 
dívidas sociais constituem patrimônio especial, do qual os sócios são titula-
res em comum". Nesse sentido, confira-se o enunciado 210 das jornadas de 
Direito Civil do CJF: "o patrimônio especial a que se refere o art. 988 é aquele 
afetado ao exercício da atividade, garantidor de terceiro, e de titularidade 
dos sócios em comum, em face da ausência de personalidade jurídica". 
Uma vez que o "patrimônio social" da sociedade em comum é formado 
pelos bens dos sócios que estão afetados ao objeto social, é contra esses 
bens que os credores sociais devem se voltar em caso de eventual execução, 
aplicando-se aos sócios o benefício de ordem previsto no art. 1.024 do Có-
digo Civil, isto é, os credores devem primeiro executar esses "bens sociais" 
antes de executar bens pessoais dos sócios. O único sócio que não poderá 
gozar do benefício de ordem é aquele contratou pela sociedade, conforme 
previsão expressa do art. 990 do Código Civil: "todos os sócios respondem 
solidária e ilimitadamente pelas obrigações sociais, excluído do benefício de 
ordem, previsto no art. 1.024, aquele que contratou pela sociedade". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE/PC-SE/Delegado/2018) Determinada sociedade por quotas de responsa-
bilidade limitada compra peças de uma sociedade em comum e as utiliza na 
montagem do produto que revende. 
Cap. 9 • Sociedades Não Personificadas 175 
Considerando essa situação, julgue o item a seguir, com base no Código de De-
fesa do Consumidor (CDC) e nas normas de direito civil e empresarial. 
A sociedade que vende as peças funciona sem registro na junta comercial e, 
assim, seus sócios responderão ilimitadamente pelas obrigações sociais. 
* A afirmativa foi considerada CORRETA. 
(Cespe - Juiz de Direito - TJ - PR/2o19) Tendo como referência as disposições do 
Código Civil de 2002 relativas ao direito societário, assinale a opção correta. 
C) Na sociedade em comum, todos os sócios respondem solidária e ilimita-
damente, e o sócio que contratar com terceiro pela sociedade perderá o 
benefício de ordem dos bens da sociedade sobre seus particulares. 
*A alternativa foi considerada CERTA. 
9.3. SOCIEDADE EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO 
Essa sociedade está definida no art. 991 do Código Civil, que assim 
dispõe: "na sociedade em conta de participação, a atividade constitutiva 
do objeto social é exercida unicamente pelo sócio ostensivo, em seu nome 
individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, participando os 
demais dos resultados correspondentes". 
Trata-se, na verdade, não de uma sociedade propriamente dita, mas 
de um contrato especial de investimento que o sócio ostensivo (geralmen-
te um empresário individual ou sociedade empresária) faz com os sócios 
participantes (podem ser empresários ou não), a fim de desenvolver de-
terminado negócio específico. 
É o sócio ostensivo (uma sociedade limitada, por exemplo) que vai colocar 
em prática o negócio em questão, praticando todos os atos necessários para 
tanto (contratar com terceiros, por exemplo). Perceba-se que os terceiros 
não contratarão com a sociedade em conta de participação, mas com o pró-
prio sócio ostensivo, e é por isso que a responsabilidade decorrente desse 
negócio é apenas do sócio ostensivo, e não da sociedade, muito menos dos 
participantes (estes, aliás, sequer devem aparecer nas relações do ostensivo 
com terceiros). A propósito, diz o art. 991, parágrafo único do Código Civil: 
"obriga-se perante terceiro tão-somente o sócio ostensivo; e, exclusivamente 
perante este, o sócio participante, nos termos do contrato social". 
De acordo com o art. 992 do Código Civil, "a constituição da socieda-
de em conta de participação independe de qualquer formalidade e pode 
176 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
provar-se por todos os meios de direito". Esse dispositivo apenas deixa 
claro que a conta de participação é uma "sociedade" extremamente infor-
mal, que sequer precisa ter um contrato escrito, e sua existência pode ser 
provada por qualquer meio. 
O art. 993 do Código Civil prevê que "o contrato social produz efeito so-
mente entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qual-
quer registro não confere personalidade jurídica à sociedade". Caso exista 
contrato escrito - o qual, vale lembrar, não é obrigatório - ele não precisa 
ser registrado em nenhum local para que produza efeitos entre as partes. 
E, ainda que exista contrato e ainda que ele seja eventualmente registrado 
em algum local (Cartório de Títulos e Documentos, por exemplo), isso não 
confere personalidade jurídica à sociedade em conta de participação. Ela 
será sempre, pois, uma sociedade não personificada. 
> Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CONSULPLAN - CARTÓRIOS - PROVIMENTO - 1) - MG/2o17) É uma forma societária 
não personificada: 
A) Sociedade em conta de participação. 
B) Sociedade simples. 
C) Sociedade em comandita simples. 
D) Sociedade em nome coletivo. 
Gabarito: A. 
O art. 993, parágrafo único do Código Civil dispõe o seguinte: "sem pre-
juízo do direito de fiscalizar a gestão dos negócios sociais, o sócio partici-
pante não pode tomar parte nas relações do sócio ostensivo com terceiros, 
sob pena de respondersolidariamente com este pelas obrigações em que 
intervier". A regra apenas ressalta que não é a sociedade em conta de 
participação quem negocia com terceiros, mas o próprio sócio ostensivo. 
Os sócios participantes também não devem negociar com terceiros, mas, 
caso o façam, excepcionalmente, responderão solidariamente com o sócio 
ostensivo nos negócios em que apareceram. 
A sociedade em conta de participação, por não ser propriamente uma 
sociedade, não tem bens e dívidas em seu nome, portanto não tem um 
patrimônio próprio. O que o legislador fez foi criar um patrimônio espe-
cial, que compreende as contribuições que os sócios ostensivos e par-
ticipantes deram para a constituição da "sociedade". Nesse sentido: "a 
Cap. 9 • Sociedades Não Personificadas 177 
contribuição do sócio participante constitui, com a do sócio ostensivo, 
patrimônio especial, objeto da conta de participação relativa aos negó-
cios sociais" (art. 994 do Código Civil). 
Esse patrimônio especial, porém, não impacta nos terceiros, já que estes, 
como visto, não negociam com a "sociedade" em conta de participação, mas 
com o próprio sócio ostensivo. Esse patrimônio especial, pois, produz efeitos 
somente entre os sócios. Nesse sentido: "a especialização patrimonial so-
mente produz efeitos em relação aos sócios" (art. 994, § 1. do Código Civil). 
Se o sócio ostensivo falir; a conta de participação será dissolvida, e even-
tual crédito que o sócio participante tenha para receber será habilitado nos 
autos da falência, na classe dos credores quirografários (art. 994, § 2° do Códi-
go Civil). Em contrapartida, se o sócio participante falir, não haverá dissolução 
automática da conta de participação: caberá ao administrador judicial, nos 
termos do art. 117 da Lei 11.1o1/2oo5, decidir se mantém a vigência do contrato 
de conta de participação ou se o rescinde (art. 994, § 3. do Código Civil). 
Conforme o art. 995 do Código Civil, "salvo estipulação em contrário, o só-
cio ostensivo não pode admitir novo sócio sem o consentimento expresso dos 
demais". O dispositivo é autoexplicativo: caso exista, por exemplo, um contra-
to formal para constituição da conta de participação - algo que, como visto, 
não é obrigatório - pode haver cláusula autorizando o sócio ostensivo a ad-
mitir outros sócios participantes. Não havendo essa autorização, ele só pode 
admitir novos sócios participantes se os demais permitirem expressamente. 
Por fim, a parte inicial do art. 996 do Código Civil determina que "aplica-se 
à sociedade em conta de participação, subsidiariamente e no que com ela 
for compatível, o disposto para a sociedade simples". Porém, como a conta 
e participação não se trata de uma sociedade propriamente dita, sua liqui-
dação não segue o mesmo rito da liquidação das demais sociedades, mas 
sim o rito da ação de prestação de contas, nos termos da parte final do dis-
positivo legal em questão: "sua liquidação Ida conta de participação] rege-se 
pelas normas relativas à prestação de contas, na forma da lei processual". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - DF/2016) Com relação às sociedades em 
conta de participação, assinale a opção correta à luz do Código Civil. 
A) Em caso de falência do sócio participante, ocorrerá a dissolução da socie-
dade e a liquidação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quiro-
grafário. 
178 Direito Empresarial - Vol 25 • André Santo Cruz 
B) O sócio ostensivo tem a faculdade de admitir novo sócio, independentemen-
te de consentimento expresso dos demais. 
C) O contrato social produz efeito somente entre os sócios apenas até eventual 
inscrição de seu instrumento em qualquer registro, momento em que a socie-
dade passará a possuir personalidade jurídica. 
D) A liquidação da sociedade em conta de participação, se rege pelas normas 
relativas à prestação de contas, na forma da lei processual. 
E) Os bens sociais respondem por ato de gestão apenas do sócio ostensivo. 
Gabarito: D. 
(ESAF/RFB/AUDITOR/2o12) A propósito da sociedade em conta de participação, 
assinale a opção incorreta. 
a) O contrato da sociedade em conta de participação produz efeito somente 
entre os sócios, e a eventual inscrição de seu instrumento em qualquer 
registro não confere personalidade jurídica à sociedade. 
b) A contribuição do sócio participante constitui, com a do sócio ostensivo, 
patrimônio especial, objeto da conta de participação relativa aos negócios 
sociais. 
c) A falência do sócio ostensivo acarreta a dissolução da sociedade e a liqui-
dação da respectiva conta, cujo saldo constituirá crédito quirografário. 
d) Salvo estipulação em contrário, o sócio ostensivo não pode admitir novo 
sócio sem o consentimento expresso dos demais. 
e) Os sócios, nas relações entre si ou com terceiros, somente por escrito po-
dem provar a existência da sociedade em conta de participação, mas os 
terceiros podem prová-la de qualquer modo. 
Gabarito: E. 
(lBES - Cartório - Remoção - TJ - CE/2018) Modalidade de sociedade na qual a 
atividade constitutiva do objeto social é exercida unicamente pelo sócio osten-
sivo, em seu nome individual e sob sua própria e exclusiva responsabilidade, 
participando os demais dos resultados correspondentes. A este tipo de socie-
dade se dá o nome de: 
a) Sociedade em conta de participação. 
b) Sociedade em comum. 
c) Sociedade personificada. 
d) Empresa individual de responsabilidade limitada. 
Gabarito: A 
Cap. 9 • Sociedades No Personificadas 179 
(Cespe - Juiz de Direito -11- PR/2019) Tendo como referência as disposições do 
Código Civil de 2002 relativas ao direito societário, assinale a opção correta. 
D) Na sociedade em conta de participação, o sócio ostensivo responde ilimita-
damente, e o oculto responde subsidiariamente perante terceiros. 
* A alternativa foi considerada ERRADA. 
(Cespe - Auditor Fiscal da Receita Estadual - SEFAZ - RS/2019) Para estabelecer 
e registrar uma sociedade não personificada em que investidores participem 
diretamente da divisão de seus frutos e na qual seja assegurado o sigilo em 
relação às pessoas dos sócios, o interessado deverá constituir uma sociedade 
A) em nome coletivo. 
B) em conta de participação. 
C) em comandita simples. 
D) em comandita por ações. 
E) anônima. 
Gabarito: B. 
• 
Capítulo 
Sociedades 
Contratuais 
10.1. INTRODUÇÃO 
As sociedades contratuais correspondem aos seguintes tipos societários 
previstos no Código Civil: sociedade simples "pura" (arts. 997 a 1.038), so-
ciedade em nome coletivo (arts. 1.039 a 1.044), sociedade em comandita 
simples (arts. 1.045 a 1.051) e sociedade limitada (arts. 1.052 a 1.087). 
O ato constitutivo dessas sociedades é um contrato social, e elas estão 
disciplinadas no Código Civil. 
10.2. NATUREZA JURÍDICA DO CONTRATO SOCIAL 
As especificidades do contrato social fizeram com que, há muito tempo, 
a doutrina debatesse acerca da sua natureza jurídica, chegando a formar-
-se corrente doutrinária em defesa da tese de que o contrato social não 
teria natureza contratual propriamente dita. Podem-se apontar, por exem-
plo, as teses de que o contrato social seria um ato complexo ou um ato de 
fundação. 
Todavia, a teoria que prevaleceu foi a contratualista, mais precisamente 
a do jurista italiano Tullio Ascarelli, segundo a qual o contrato social possui, 
sim, natureza jurídica contratual, sendo, porém, um contrato sul generis, 
diferente dos contratos bilaterais que conhecemos. O contrato social, se-
gundo essa teoria, é um contrato plurilateral. 
As principais características desse contrato plurilateral são (i) o fato 
de que várias pessoas podem tomar parte dele e (ii) a affectio societatis 
(união de esforços em torno de um objetivo comum). Ademais, note-se que 
as partes do contrato social possuem direitos e deveres não apenas em 
relação a uma outra pessoa, mas em relação a todas as outras pessoas 
que compõem a sociedade, daí a sua plurilateralidade. 
182 Direito Empresarial - Vol. 25 •André Santa Cruz 
10.3. FORMALIDADES DO CONTRATO SOCIAL 
O art. 997 do Código Civil estabelece que "a sociedade constitui-se me-
diante contrato escrito, particular ou público (...)". 
O contrato social deve ser feito por escrito porque deverá ser registra-
do no órgão competente: Cartório, quando se tratar de sociedade simples; 
Junta Comercial, quando se tratar de sociedade empresária (art. 1.3.50 do 
Código Civil: "o empresário e a sociedade empresária vinculam-se ao Re-
gistro Público de Empresas Mercantis a cargo das Juntas Comerciais, e a 
sociedade simples ao Registro Civil das Pessoas Jurídicas, o qual deverá 
obedecer às normas fixadas para aquele registro, se a sociedade simples 
adotar um dos tipos de sociedade empresária"). 
Importante! 
Em regra, o contrato social é feito por instrumento particular, mas o caput do 
art. 997 do Código Civil deixa claro que o contrato social também pode ser 
formalizado por instrumento público. Vale destacar, porém, que se o contrato 
social for feito por instrumento público, futuras alterações contratuais não pre-
cisarão ser feitas por instrumento público também. 
I Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FUNRIO/AL-RR/Procurador/20113) Sabe-se que o termo pessoa jurídica expressa 
um ente detentor de direitos e obrigações. 
Sendo assim, em relação ao nascimento da personalidade jurídica de uma so-
ciedade é CORRETO afirmar que, para adquirir personalidade jurídica, ela deve 
ter seu ato constitutivo, 
a) (sempre contrato social), arquivado na junta comercial, se sociedade em-
presária. 
b) (estatuto social), arquivado no Registro Civil das Pessoas jurídicas, se socie-
dade simples. 
(contrato social), registrado no Registro Civil das Pessoas jurídicas, se socie-
dade simples. 
d) (contrato social ou estatuto social), arquivado no Cartório de Títulos e Docu-
mentos, se sociedade empresária. 
Gabarito: C 
10.4. REGISTRO DO CONTRATO SOCIAL 
Constituída a sociedade pela formalização e assinatura do contrato so-
cial, devem os sócios proceder ao registro do ato constitutivo da sociedade 
Cap. ia • Sociedades Contratuais 183 
no órgão competente (Cartório ou junta, a depender do objeto social), 
para que ela adquira personalidade jurídica (art. 985 do Código Civil) e 
possa dar início às suas atividades (art. 967 do Código Civil). 
De acordo com o art. 998 do Código Civil, o prazo para a efetivação do re-
gistro do ato constitutivo da sociedade é de 30 (Uinta) dias: "nos trinta dias 
subsequentes à sua constituição, a sociedade deverá requerer a inscrição do 
contrato social no Registro Civil das Pessoas jurídicas do local de sua sede". 
Complementando a regra acima transcrita, dispõem seus parágrafos: 
"o pedido de inscrição será acompanhado do instrumento autenticado do 
contrato, e, se algum sócio nele houver sido representado por procura-
dor, o da respectiva procuração, bem como, se for o caso, da prova de 
autorização da autoridade competente" (§ lo); e "com todas as indicações 
enumeradas no artigo antecedente, será a inscrição tomada por termo no 
livro de registro próprio, e obedecerá a número de ordem contínua para 
todas as sociedades inscritas" (§ 20). 
1 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CONSULPLAN - CARTÓRIOS - REMOÇÃO - TJ - MG/2o17) A Sociedade Simples deverá 
requerer a inscrição do contrato social no Registro Civil das Pessoas Jurídicas, 
no local de sua sede, no prazo máximo de quantos dias da sua constituição? 
a) lo 
b) 15 
c) 30 
d) 6o 
Gabarito: C. 
(CONSULPLAN/TJ-MG/Titular de Serviços de Notas e Registros/2018) "João e Maria 
criaram a empresa de prestação de serviços 'A Bruxa Doce', porém não leva-
ram os atos constitutivos a registro no prazo previsto em lei." Diante dessa 
situação hipotética, assinale a alternativa correta. 
a) Passado o prazo de 30 (trinta) dias, o registro somente produzirá efeito a 
partir da data de sua concessão. 
b) Passado o prazo de 90 (noventa) dias, o registro somente produzirá efeito a 
partir da data de sua concessão. 
c) Passado o prazo de 6o (sessenta) dias, o registro somente produzirá efeito 
a partir da data de sua concessão. 
d) Passado o prazo de 45 (quarenta e cinco) dias, o registro somente produzirá 
efeito a partir da data de sua concessão. 
Gabarito: A (art. 998 do Código Civil c/c art. 36 da Lei 8.934/1994) 
184 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
10.5. CLÁUSULAS GERAIS DO CONTRATO SOCIAL 
O art. 997 do Código Civil prevê que o contrato social, "além de cláusu-
las estipuladas pelas partes, mencionará: I - nome, nacionalidade, estado 
civil, profissão e residência dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a 
denominação, nacionalidade e sede dos sócios, se jurídicas; II - denomina-
ção, objeto, sede e prazo da sociedade; Ill - capital da sociedade, expresso 
em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie de bens, 
suscetíveis de avaliação pecuniária; IV - a quota de cada sócio no capital 
social, e o modo de realizá-la; V - as prestações a que se obriga o sócio, 
cuja contribuição consista em serviços; VI - as pessoas naturais incumbi-
das da administração da sociedade, e seus poderes e atribuições; VII - a 
participação de cada sócio nos lucros e nas perdas; VIII - se os sócios res-
pondem, ou não, subsidiariamente, pelas obrigações sociais". Por fim, seu 
parágrafo único determina que "é ineficaz em relação a terceiros qualquer 
pacto separado, contrário ao disposto no instrumento do contrato". 
Esse rol de cláusulas previsto no art. 997 do Código Civil, destaque-se, 
não é exaustivo, aplicando-se também outras exigências contidas na legis-
lação pertinente para fins de registro. Foi esse o entendimento firmado no 
enunciado 214 das jornadas de Direito Civil do CjF. 
10.5.1. Qualificação dos sócios 
De acordo com o inciso I do art. 997 do Código Civil, o contrato social 
deve mencionar "nome, nacionalidade, estado civil, profissão e residência 
dos sócios, se pessoas naturais, e a firma ou a denominação, nacionalida-
de e sede dos sócios, se jurídicas". 
Percebe-se logo que as sociedades contratuais podem, em princípio, ter 
como sócios tanto pessoas físicas (pessoas naturais) quanto pessoas jurídi-
cas (outra sociedade, por exemplo). Isso não ocorre, porém, com a socieda-
de em nome coletivo, que só pode ter sócios pessoas físicas (art. 1.039 do 
Código Civil). Quanto à sociedade em comandita simples, somente os sócios 
comanditários podem ser pessoas jurídicas (art. 1.045 do Código Civil). 
A qualificação dos sócios é importante porque permite a verificação, 
pelo órgão de registro, da existência de eventuais impedimentos legais à 
participação na sociedade. Tratando-se de servidor público, por exemplo, 
ele não pode ser sócio de sociedade em nome coletivo nem sócio coman-
ditado em sociedade em comandita simples (nos demais casos, embora 
possa ser sócio, não pode exercer poderes de administração). 
Cap. 10 • Sociedades Contratuais 185 
10.5.2. Qualificação da sociedade 
Após a qualificação dos sócios, deve o contrato qualificar a própria so-
ciedade, conforme previsão do inciso II do art. 997 do Código Civil. Assim, 
o contrato social deve mencionar "II - denominação, objeto, sede e prazo 
da sociedade". 
Em vez denominação, o dispositivo legal deveria ter usado a expres-
são nome empresarial, que é genérica e engloba também a firma. Com 
efeito, existem sociedades que só podem usar firma, como as sociedades 
em nome coletivo e as sociedades em comandita simples (art. 1.157 do 
Código Civil). 
Quanto ao objeto social, ele será determinante para definir a natureza 
da sociedade (simples ou empresária, conforme art. 982 do Código Civil), 
bem como o respectivo órgão de registro (Cartório, quando o objeto for 
a exploração de atividade não empresarial; ou Junta Comercial, quando o 
objeto for a exploração de empresa, isto é, atividade econômica organi-
zada para produção ou circulação de bens ou serviços). 
A sede definirá o Cartório ou a Junta Comercial onde será feito o regis-tro do contrato social, já que a competência desses órgãos é local (uma 
sociedade empresária sediada em Recife, por exemplo, deverá registrar-
-se na Junta Comercial do Estado de Pernambuco). 
O prazo definirá o período de duração da sociedade, lembrando-
-se apenas de que, em regra, as sociedades são constituídas por prazo 
indeterminado. 
10.5.3. Capital social 
Outro dado que o contrato social deve necessariamente mencionar, 
segundo o art. 997, inciso Ill do Código Civil é o "capital da sociedade, 
expresso em moeda corrente, podendo compreender qualquer espécie 
de bens, suscetíveis de avaliação pecuniária". 
Capital social é o montante de contribuições dos sócios para a socie-
dade, a fim de que ela possa cumprir seu objeto social. 
O capital social deve ser sempre expresso em moeda corrente nacio-
nal, e pode compreender dinheiro ou quaisquer outros bens (bens mó-
veis, imóveis ou semoventes; materiais ou imateriais), desde que sejam 
suscetíveis de avaliação pecuniária. 
186 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
10.5.4. Subscrição e integralização das quotas 
Definido o capital social da sociedade, deve o contrato social mencio-
nar ainda "a quota de cada sócio no capital social, e o modo de realizá-la" 
(art. 997, inciso IV do Código Civil). 
Todos os sócios têm o dever de subscrição e de integralização de quo-
tas. Em outras palavras, todos os sócios têm o dever de adquirir quotas 
da sociedade e de pagar por essas respectivas quotas, contribuindo para 
a formação do capital social, ainda que essa contribuição seja ínfima. As-
sim, efetivar a contribuição prometida no tempo e na forma previstos no 
contrato social é o principal dever de qualquer sócio. 
A contribuição do sócio, ou seja, o modo de integralizar suas quotas, 
pode ser feita de diversas formas: com bens - móveis ou imóveis, mate-
riais ou imateriais -, dinheiro etc. Admite-se até mesmo a contribuição em 
serviços, conforme previsão expressa do art. 997, inciso V do Código Civil. 
Na sociedade limitada, porém, a contribuição em serviços é expressamen-
te vedada, conforme já mencionamos (art. 1.055, § 2. do Código Civil). 
I Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(FAURGS - JUIZ DE DIREITO SUBSTITUTO - RS/2016) A respeito da disciplina da socie-
dade limitada no Código Civil, assinale a alternativa correta. 
B) A contribuição que consista em prestação de serviços é permitida pela dis-
ciplina da sociedade limitada. 
*A alternativa foi considerada ERRADA. 
Se o sócio integralizar sua quota com transferência de bens para a 
sociedade, estes devem ser suscetíveis de avaliação pecuniária. Ademais, 
nesse caso o sócio responde pela evicção. 
Tratando-se de bens imóveis, deve-se atentar para a regra do art. 35, VII, 
'a' da Lei 8.934/1994: o contrato social deve conter "a descrição e identifica-
ção do imóvel, sua área, dados relativos à sua titulação, bem como o número 
da matrícula no registro imobiliário". E vale salientar que o arquivamento, na 
Junta Comercial, de contrato social com essa estipulação não é suficiente para 
transferir a propriedade do imóvel do sócio para a sociedade. Nesses casos 
de integralização de capital com bens imóveis, os interessados devem obser-
var a regra do art. 64 da Lei 8.934/1994: "a certidão dos atos de constituição 
e de alteração de sociedades mercantis, passada pelas juntas comerciais 
em que foram arquivados, será o documento hábil para a transferência, por 
Cap. io • Sociedades Contratuais 187 
transcrição no registro público competente, dos bens com que o subscritor 
tiver contribuído para a formação ou aumento do capital social". Assim, após 
fazer o arquivamento do contrato social, pega-se a certidão da Junta Comer-
cial para que ela seja levada a registro no cartório de imóveis, e é isso o que 
operará a transferência de titularidade do bem. Nesse sentido: "o registro 
do título translativo no Registro de imóveis, como condição imprescindível à 
transferência de propriedade de bem imóvel entre vivos, propugnada pela 
lei civil, não se confunde, tampouco pode ser substituído para esse efeito, 
pelo registro do contrato social na junta Comercial. (...) o contrato social, que 
estabelece a integralização do capital social por meio de imóvel indicado 
pelo sócio, devidamente inscrito no Registro Público de Empresas Mercantis, 
não promove a incorporação do bem à sociedade; constitui, sim, título trans-
ativo hábil para proceder à transferência da propriedade, mediante regis-
tro, perante o Cartório de Registro de Imóveis em que se encontra registrada 
a matrícula do imóvel" (REsp 1.743.088-PR). 
Se, todavia, o sócio integralizar sua quota com a transferência de cré-
ditos de sua titularidade para a sociedade, responderá pela solvência do 
devedor. É o que dispõe o art. 1.005 do Código Civil: "o sócio que, a título 
de quota social, transmitir domínio, posse ou uso, responde pela evicção; 
e pela solvência do devedor, aquele que transferir crédito". 
Por outro lado, se o sócio integralizar sua quota através da prestação 
de serviços (lembrando que isso é vedado na sociedade limitada), deve 
estar atento à regra do art. 1.006 do Código Civil: "o sócio, cuja contri-
buição consista em serviços, não pode, salvo convenção em contrário, 
empregar-se em atividade estranha à sociedade, sob pena de ser privado 
de seus lucros e dela excluído". 
Por fim, independentemente da forma pela qual os sócios vão integralizar 
suas respectivas quotas, eles "são obrigados, na forma e prazo previstos, às 
contribuições estabelecidas no contrato social, e aquele que deixar de fazê-
-lo, nos trinta dias seguintes ao da notificação pela sociedade, responderá 
perante esta pelo dano emergente da mora" (art. 1.004 do Código Civil). 
10.5.4.1. Sócio remisso 
Ao sócio que está em mora quanto à integralização de suas quotas, nos 
termos do art. Low, do Código Civil, dá-se o nome de sócio remisso, po-
dendo os demais sócios, conforme previsto na regra em comento, cobrar 
188 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
dele uma indenização por eventuais prejuízos que sua mora tenha cau-
sado à sociedade. Mas essa não é a única medida que os demais sócios 
podem tomar contra o remisso. Nos termos do parágrafo único do art. 
1.004, "verificada a mora, poderá a maioria dos demais sócios preferir, à 
indenização, a exclusão do sócio remisso, ou reduzir-lhe a quota ao mon-
tante já realizado, aplicando-se, em ambos os casos, o disposto no § lc, do 
art. 1.031". Assim, o sócio remisso pode ter sua participação na sociedade 
reduzida ao número de quotas que ele efetivamente já integralizou, ou 
ainda ser excluído da sociedade, por deliberação da maioria restante (ou 
seja, a exclusão é extrajudicial, sem necessidade de recurso ao judiciário). 
Tratando-se de sociedade limitada, há regra especial sobre o sócio remis-
so, prevista no art. 1.058 do Código Civil: "não integralizada a quota de sócio 
remisso, os outros sócios podem, sem prejuízo do disposto no art. Loot, e 
seu parágrafo único, tomá-la para si ou transferi-la a terceiros, excluindo o 
primitivo titular e devolvendo-lhe o que houver pago, deduzidos os juros da 
mora, as prestações estabelecidas no contrato mais as despesas". 
Sobre a exclusão do sócio remisso, o enunciado 62 das Jornadas de 
Direito Civil do CJF diz que "com a exclusão do sócio remisso, a forma de 
reembolso das suas quotas, em regra, deve-se dar com base em balanço 
especial, realizado na data da exclusão". 
Por fim, entende-se que o quorum exigido para a exclusão do sócio 
remisso, bem como para a redução do valor de sua quota ao montante já 
integralizado, é de maioria absoluta (enunciado 216 das jornadas de Direi-
to Civil do CIF: "o quorum de deliberação previsto no art. 1.004, parágrafo 
único, e no art. 1.030 é de maioria absoluta do capital representado pelas 
quotas dos demais sócios, consoante a regra geral fixada no art. 999 para 
as deliberações na sociedade simples. Esse entendimento aplica-se ao art. 
1.058em caso de exclusão de sócio remisso ou redução do valor de sua 
quota ao montante já integralizado"). 
1 Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - DELEGADO DE POLICIA - GO/2o17) Assinale a opção correta no que se 
refere ao direito societário. 
ID) o sócio remisso pode ser excluído da sociedade pelos demais, caso em que 
deve ser-lhe devolvido, com os abatimentos cabíveis, o montante com o qual 
tenha contribuído para o capital social. 
* A alternativa foi considerada CORRETA. 
Cap. to • Sociedades Contratuais 189 
(Consulplan - Titulas de serviços de notas e registros - TJMG - 2019) A respeito 
das sociedades por cotas de responsabilidade limitada, analise as proposições 
a seguir. 
I. A exclusão de sócio remisso depende de previsão em cláusula resolutória do 
contrato social. 
* A afirmativa foi considerada errada. 
10.5.5. Administração da sociedade 
De acordo com o art. 997, inciso VI do Código Civil, o contrato social tam-
bém deve mencionar "as pessoas naturais incumbidas da administração da 
sociedade, e seus poderes e atribuições". 
De início, percebe-se que a sociedade contratual, independentemente 
do seu tipo (simples "pura", nome coletivo, comandita simples ou limita-
da), não pode ser administrada por pessoa jurídica, já que o dispositivo 
usa a expressão pessoas naturais para se referir aos administradores. 
Também não podem administrar a sociedade as pessoas mencionadas 
no art. Lon, § do Código Civil: "não podem ser administradores, além 
das pessoas impedidas por lei especial [servidores públicos, por exemplo], 
os condenados a pena que vede, ainda que temporariamente, o acesso a 
cargos públicos; ou por crime falimentar, de prevaricação, peita ou subor-
no, concussão, peculato; ou contra a economia popular, contra o sistema 
financeiro nacional, contra as normas de defesa da concorrência, contra as 
relações de consumo, a fé pública ou a propriedade, enquanto perdura-
rem os efeitos da condenação". 
Caso o contrato social não designe expressamente seus administrado-
res, aplica-se o art. 1.013 do Código Civil: "a administração da sociedade, 
nada dispondo o contrato social, compete separadamente a cada um dos 
sócios". Complementando a regra, dispõem seus parágrafos: "se a ad-
ministração competir separadamente a vários administradores, cada um 
pode impugnar operação pretendida por outro, cabendo a decisão aos só-
cios, por maioria de votos" (§ la); "responde por perdas e danos perante 
a sociedade o administrador que realizar operações, sabendo ou devendo 
saber que estava agindo em desacordo com a maioria" (§ 2.). E o art. 
1.014 do Código Civil ainda prevê que "nos atos de competência conjunta 
190 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
de vários administradores, torna-se necessário o concurso de todos, salvo 
nos casos urgentes, em que a omissão ou retardo das providências possa 
ocasionar dano irreparável ou grave". 
Ademais, nada impede que os sócios, embora não tenham designado o 
administrador no próprio contrato social, façam-no em ato separado pos-
teriormente. Nesse caso, deve-se atentar apenas para a im prescindibilida-
de de averbação do ato no órgão de registro da sociedade, em obediência 
ao art. 1.012 do Código Civil: "o administrador, nomeado por instrumento 
em separado, deve averbá-lo à margem da inscrição da sociedade, e, pe-
los atos que praticar, antes de requerer a averbação, responde pessoal e 
solidariamente com a sociedade". 
A grande diferença entre o administrador nomeado no contrato social 
e o administrador nomeado em ato separado reside no fato de que os 
poderes daquele, caso seja sócio, são, em princípio, irrevogáveis, salvo 
por decisão judicial que reconheça a ocorrência de justa causa para a 
revogação. Em contrapartida, os poderes de administrador não sócio ou 
de administrador designado em ato separado, ainda que sócio, são revo-
gáveis a qualquer tempo pela vontade dos demais. É o que dispõe o art. 
1.019 do Código Civil: "são irrevogáveis os poderes do sócio investido na 
administração por cláusula expressa do contrato social, salvo justa causa, 
reconhecida judicialmente, a pedido de qualquer dos sócios. Parágrafo 
único. São revogáveis, a qualquer tempo, os poderes conferidos a sócio 
por ato separado, ou a quem não seja sócio". 
Ressalte-se que a atividade do administrador é personalíssima, não po-
dendo outrem exercer suas funções. O máximo que se permite é a delega-
ção de certas atividades a mandatários, nos termos do art. 1.018 do Código 
Civil: "ao administrador é vedado fazer-se substituir no exercício de suas 
funções, sendo-lhe facultado, nos limites de seus poderes, constituir man-
datários da sociedade, especificados no instrumento os atos e operações 
que poderão praticar". 
Importante! 
Em se tratando de sociedade em nome coletivo, "a administração da socie-
dade compete exclusivamente a sócios, sendo o uso da firma, nos limites do 
contrato, privativo dos que tenham os necessários poderes" (art. 1.042 do 
Código Civil). 
Cap. io • Sociedades Contratuais 191 
Na sociedade em comandita simples, a administração compete aos sócios co-
manditados, sendo vedado aos sócios comanditários, "sem prejuízo da facul-
dade de participar das deliberações da sociedade e de lhe fiscalizar as opera-
ções, (...) praticar qualquer ato de gestão, nem ter o nome na firma social, sob 
pena de ficar sujeito às responsabilidades de sócio comanditado" (art. 1.047 
do Código Civil). O máximo que pode ocorrer é "o comanditário ser constituído 
procurador da sociedade, para negócio determinado e com poderes espe-
ciais" (parágrafo único). 
Na sociedade limitada, por sua vez, há permissão expressa de administrador 
não sócio, devendo-se apenas observar um quórum qualificado para a sua 
designação: "unanimidade dos sócios, enquanto o capital não estiver integra-
lizado, e 2/3 (dois terços), no mínimo, após a integralização" (art. Lo61 do 
Código Civil). 
10.5.5.1. Responsabilidade pelos atos dos administradores 
Se o contrato social silenciar acerca dos poderes e atribuições dos seus 
administradores, entende-se que estes podem praticar todos e quaisquer 
atos pertinentes à gestão da sociedade, salvo oneração ou alienação de 
bens imóveis, o que só poderão fazer se tais atos constituírem o próprio 
objeto social. É o que dispõe o art. 1.015 do Código Civil: "no silêncio do 
contrato, os administradores podem praticar todos os atos pertinentes 
à gestão da sociedade; não constituindo objeto social, a oneração ou a 
venda de bens imóveis depende do que a maioria dos sócios decidir". 
Assim, nada dispondo o contrato social, reconhece-se aos administrado-
res um poder geral de administração. No mesmo sentido é a regra do art. 
1.022 do Código Civil: "a sociedade adquire direitos, assume obrigações 
e procede judicialmente, por meio de administradores com poderes es-
peciais, ou, não os havendo, por intermédio de qualquer administrador". 
Em contrapartida, caso o contrato social estabeleça expressamente os 
poderes e atribuições dos administradores, é preciso analisar que efei-
tos para a sociedade produzirão os atos de gestão que extrapolarem os 
limites estabelecidos. Afinal, não obstante se espere do administrador 
atuação diligente e honesta, nos termos do art. Lon do Código Civil ("o 
administrador da sociedade deverá ter, no exercício de suas funções, o 
cuidado e a diligência que todo homem ativo e probo costuma empregar 
na administração de seus próprios negócios"), é sempre possível que ele 
não atenda a essa expectativa. 
192 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santo Cruz 
Ora, sendo o administrador órgão da pessoa jurídica que externa sua 
própria vontade, em princípio a sociedade deveria responder por todos os 
atos de seus administradores, inclusive pelos atos com excesso de poderes 
(teoria da aparência). O art. 1.015, parágrafo único do Código Civil, porém, 
afirma o seguinte: "o excesso por parte dos administradores somente pode 
ser oposto a terceirose ocorrer pelo menos uma das seguintes hipóteses: I 
- se a limitação de poderes estiver inscrita ou averbada no registro próprio 
da sociedade; II - provando-se que era conhecida do terceiro; III - tratando-
-se de operação evidentemente estranha aos negócios da sociedade". 
Importante! 
A regra do art. 1.015, parágrafo único do Código Civil consagra a aplicação da 
teoria dos atos ultra vires, segundo a qual a sociedade não deve responder 
pelos atos com excesso de poderes praticados pelos seus administradores. 
Muitos juristas criticam a adoção dessa teoria pelo Código Civil. Nesse sentido, 
confira-se o enunciado 219 das Jornadas de Direito Civil do CJF: "a) o ato ultra 
vires não produz efeito apenas em relação à sociedade; b) sem embargo, a 
sociedade poderá, por meio de seu órgão deliberativo, ratificá-lo; c) o Código 
Civil amenizou o rigor da teoria ultra vires, admitindo os poderes implícitos dos 
administradores para realizar negócios acessórios ou conexos ao objeto social, 
os quais não constituem operações evidentemente estranhas aos negócios da 
sociedade; d) não se aplica o art. 1.015 às sociedades por ações, em virtude 
da existência de regra especial de responsabilidade dos administradores (art. 
158, II, Lei n. 6.404/1976)". 
No mesmo sentido, confira-se também o enunciado 11 das Jornadas de Direito 
Comercial do CJF: "a regra do art. 1.015, parágrafo único, do Código Civil deve 
ser aplicada à luz da teoria da aparência e do primado da boa-fé objetiva, de 
modo a prestigiar a segurança do tráfego negocial. As sociedades se obrigam 
perante terceiros de boa-fé". 
No mesmo sentido desse enunciado, o STJ já decidiu que a boa-fé do credor da 
sociedade deve ser protegida, aplicando-se a teoria da aparência, especialmente 
quando o ato ultra vires do administrador acarretou proveito aos demais sócios: 
"não se pode invocar a restrição do contrato social quando as garantias presta-
das pelo sócio, muito embora extravasando os limites de gestão previstos contra-
tualmente, retornaram, direta ou indiretamente, em proveito dos demais sócios 
da sociedade fiadora, não podendo estes, em absoluta afronta à boa-fé, reivin-
dicar a ineficácia dos atos outrora praticados pelo gerente" (REsp 704.546-DF). 
Nos casos em que o administrador agir com culpa no desempenho de 
suas atribuições, seja praticando ato regular de gestão ou ato com excesso 
Cap. to • Sociedades Contratuais 193 
de poderes, ele responderá tanto perante terceiros quanto perante a socie-
dade, nos termos do art. 1.016 do Código Civil: "os administradores respon-
dem solidariamente perante a sociedade e os terceiros prejudicados, por 
culpa no desempenho de suas funções". Assim, nessas situações, poderão 
os terceiros cobrar a obrigação diretamente do administrador. Caso, porém, 
os terceiros cobrem a obrigação da sociedade, ela poderá agir em regresso 
contra o administrador faltoso. 
Ainda se referindo a possíveis atuações faltosas do administrador, es-
tabelece o art. 1.017 do Código Civil que "o administrador que, sem con-
sentimento escrito dos sócios, aplicar créditos ou bens sociais em proveito 
próprio ou de terceiros, terá de restituí-los à sociedade, ou pagar o equi-
valente, com todos os lucros resultantes, e, se houver prejuízo, por ele 
também responderá". Complementando, o parágrafo único desse dispo-
sitivo legal ainda prevê que "fica sujeito às sanções o administrador que, 
tendo em qualquer operação interesse contrário ao da sociedade, tome 
parte na correspondente deliberação". 
Por fim, registre-se que "os administradores são obrigados a prestar aos 
sócios contas justificadas de sua administração, e apresentar-lhes o inventá-
rio anualmente, bem como o balanço patrimonial e o de resultado econômi-
co" (art. 1.020 do Código Civil). O levantamento anual destes dois balanços, 
aliás, é de suma importância para a sociedade, porque configura dever legal 
de escrituração, nos termos do art. 1.179 do Código Civil. Assim, para que os 
sócios possam fiscalizar o cumprimento desse e de outros deveres dos ad-
ministradores, determina o art. 1.021 do Código Civil que "salvo estipulação 
que determine época própria, o sócio pode, a qualquer tempo, examinar os 
livros e documentos, e o estado da caixa e da carteira da sociedade". 
lo.5.6. Participação nos resultados sociais 
Da mesma forma que todos os sócios devem contribuir para a formação 
do capital social, é também requisito especial de validade do contrato so-
cial a garantia de que todos eles participem dos resultados sociais (lucros 
ou prejuízos), cabendo-lhes disciplinar a matéria no ato constitutivo (art. 
997, inciso VII do Código Civil). 
Em princípio, a participação dos sócios é proporcional às suas respecti-
vas quotas, mas o contrato social pode dispor de forma diversa, determi-
nando uma participação desproporcional: "salvo estipulação em contrário, 
o sócio participa dos lucros e das perdas, na proporção das respectivas 
194 Direito Empresarial - Vol. 25 • André Santa Cruz 
quotas, mas aquele, cuja contribuição consiste em serviços, somente par-
ticipa dos lucros na proporção da média do valor das quotas" (art. 1.007 
do Código Civil). 
É vedada, porém, a chamada "cláusula leonina", que exclui um sócio do 
direito de participação nos lucros ou do dever de participação nas perdas: 
o art. 1.008 do Código Civil determina que "é nula a estipulação contratual 
que exclua qualquer sócio de participar dos lucros e das perdas". 
Como esse assunto foi cobrado em concurso? 
(CESPE - DELEGADO DE POLICIA - GO/2017) Assinale a opção correta no que se 
refere ao direito societário. 
B) É nulo todo o contrato social de sociedade limitada que contenha cláusula 
que exclua qualquer sócio da participação nos lucros e nas perdas. 
*A alternativa foi considerada ERRADA, porque apenas a cláusula é nula. 
Por fim, prevê o art. 1.009 do Código Civil que "a distribuição de lucros 
ilícitos ou fictícios acarreta responsabilidade solidária dos administradores 
que a realizarem e dos sócios que os receberem, conhecendo ou devendo 
conhecer-lhes a ilegitimidade". Em se tratando de sociedade em comandita 
simples, porém, deve-se atentar para a regra do art. 1.049 do Código Civil: 
"o sócio comanditário não é obrigado à reposição de lucros recebidos de 
boa-fé e de acordo com o balanço". 
10.5.7. Responsabilidade dos sócios pelas dívidas sociais 
Conforme já dissemos, a responsabilidade dos sócios pelas obrigações 
sociais, seja qual for o tipo societário, é sempre subsidiária em relação à 
sociedade, nos termos do art. 1.024 do Código Civil: "os bens particulares 
dos sócios não podem ser executados por dívidas da sociedade, senão de-
pois de executados os bens sociais". Assim, enquanto a sociedade possuir 
bens, são esses bens que devem responder por suas dívidas, garantindo-
-se aos sócios o benefício de ordem. 
Não havendo mais bens sociais a serem executados, a responsabili-
dade dos sócios pelas dívidas sociais remanescentes será determinada 
pelo tipo societário escolhido: na sociedade em nome coletivo, todos 
responderão de forma ilimitada e solidária (art. 1.039 do Código Civil); na 
sociedade em comandita simples, apenas os comanditados responderão 
de forma ilimitada e solidária (art. 1.045 do Código Civil); e na sociedade 
Cap. lo • Sociedades Contratuais 195 
limitada, nenhum sócio responderá, salvo se o capital não estiver integra-
lizado, caso em que todos responderão solidariamente pelo que faltar a 
integralizar (art. 1.052 do Código Civil). 
Em se tratando de sociedade simples "pura", a responsabilidade, em 
princípio, é ilimitada, mas não solidária, conforme previsão do art. 1.023 
do Código Civil: "se os bens da sociedade não lhe cobrirem as dívidas, 
respondem os sócios pelo saldo, na proporção em que participem das 
perdas sociais, salvo cláusula de responsabilidade solidária". 
Destaque-se, porém, que a parte final do dispositivo legal em questão 
ressalva a possibilidade de pactuação

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