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CRIMINALÍSTICA
PARA CONCURSOS
2022
Pedro Henrique Canezin
75
CAPÍTULO II
LOCAL DE CRIME
NOÇÕES INTRODUTÓRIAS
Para se introduzir o que vem a ser local de crime, primeira-
mente é importante compreender o conceito de crime. O Direito 
Penal, ramo autônomo do direito público responsável por tutelar 
os bens jurídicos mais valiosos aos seres humanos (dentre eles a 
vida, o patrimônio, a dignidade sexual, etc.), por se tratar de uma 
ciência autônoma, tem como objeto de estudo a infração penal. 
Para a doutrina majoritária brasileira, entre eles Guilherme de 
Souza Nucci (2016) e Rogério Greco (2017), o Brasil adota a teoria 
dicotômica ou dualista, vale dizer, considera-se infração penal gê-
nero, cujas espécies são: crime (ou delito) e contravenção. 
Os crimes podem ser conceituados de várias formas, dentre 
elas:
1) CONCEITO FORMAL: crime é um comportamento pre-
visto em uma norma penal incriminadora, sob ameaça 
de sanção penal;
2) CONCEITO MATERIAL: comportamento humano so-
cialmente reprovável que causa uma relevante lesão ou 
perigo de lesão a um bem jurídico penalmente tutelado, 
passível de sanção penal;
76
CRIMINALÍSTICA PARA CONCURSOS Pedro Henrique Canezin
3) CONCEITO ANALÍTICO: leva em conta os elementos do 
crime, dependendo da teoria adotada. Existem várias 
teorias que versam a respeito do crime, mas aquela de 
maior repercussão a nível criminal no Brasil é a TEORIA 
FINALISTA TRIPARTITE, a qual afirma que o crime é um 
fato típico (previsto na legislação como crime), antijurí-
dico (reprovável socialmente) e culpável. Essa é a verten-
te de conceito de crime mais aceita hoje. 
Assim, finalmente é possível conceituar o que vem a ser um 
local de crime, o que pode ser feito de várias formas, a depender 
do autor, visto que o Código de Processo Penal não o fez. Para 
Eraldo Rabello (1968), local de crime “é a porção do espaço com-
preendida num raio que, tendo por origem o ponto no qual é 
constatado o fato, se estenda de modo a abranger todos os lu-
gares em que, aparente, necessária ou presumivelmente, hajam 
sido praticados, pelo criminoso, os atos materiais, preliminares 
ou posteriores à consumação do delito, e com este diretamente 
relacionados”. 
Segundo Alberi Espíndula (2014), local de crime pode ser de-
finido, genericamente, como sendo “uma área física onde ocorreu 
um fato – não esclarecido até então – que apresente característi-
cas e/ou configurações de um delito”. 
Já Jesus Antônio Velho (2017), perito criminal federal, concei-
tua local de crime como sendo “o palco principal onde, em geral, 
inicia-se o trabalho da perícia criminal, representa o berço de ge-
ração dos vestígios produzidos no fato em apuração”. 
O conceito de local de crime adotada por nós é mais amplo. 
Considera-se local de crime todo local que apresente configura-
ções mínimas de um delito, sendo caracterizado pela existência 
de vestígios. A existência de vestígios é o que caracteriza um local 
como local de crime. Ora, não há local de crime sem vestígios, ain-
da que sejam transitórios ou imperceptíveis. Segundo o princípio 
da troca, se houver alguma interação com o local, há resquícios de 
configuração de um delito. 
Após os diversos conceitos trabalhados pela doutrina brasi-
leira, é possível se estabelecer primeiramente uma análise física, 
77
CAPÍTULO II • LOCAL DE CRIME
visto que a abordagem do local tem a ver com território em que 
foi praticado a conduta criminosa. No entanto, para Jesus Antônio 
Velho (2017), os crimes atuais não apresentam necessariamente 
um local físico, podendo também acontecer em meio virtual (cri-
mes cibernéticos). 
Um segundo critério a ser levado em conta é a existência de 
vários tipos de vestígios, os quais norteiam também uma classifi-
cação de acordo com Código Penal. Assim, é possível encontrar 
nos principais locais de crimes vestígios de origem biológica, en-
tomológica, morfológica, químicos, físicos e microvestígios.
Por fim, nota-se que, pelos conceitos doutrinários, há que se 
levar em conta um terceiro critério de ordem temporal, ou seja, 
levando em conta o iter criminis, que consiste no caminho percor-
rido pelo crime. Primeiramente existe a cogitação, que trabalha 
com a fase interna do crime, em que o agente imagina e toma a 
iniciativa de cometer ou não o crime. Em segundo lugar, parte-se 
para a preparação, a qual ainda não marca a existência de um cri-
me, salvo se constituir crime autônomo. Logo após, há o início da 
conduta criminosa, que pode se dar por ação ou omissão, aden-
trando assim a esfera da punibilidade. Havendo a consumação, di-
z-se que se cumpriu todas as fases do crime. Do contrário, fala-se 
em tentativa, em que o crime não se consuma por circunstâncias 
alheias à vontade do agente. 
Cogitação Preparação Execução Consumação
Se o crime não se consumar por circunstâncias 
alheias à vontade do agente tem-se o crime tentado
Ainda NÃO HOUVE cometimento de crime.
Esquema mostrando o iter criminis
Diante disso, local de crime também abarca o local em que 
houve a fase preparatória, como no caso do local das reuniões da 
associação criminosa para cometer um furto a banco, assim como 
próprio local em que ocorreram os fatos principais. Com isso, o 
próprio Código Penal (CP) adotou a teoria da ubiquidade, a qual 
afirma que se considera local de crime tanto o local da ação ou 
78
CRIMINALÍSTICA PARA CONCURSOS Pedro Henrique Canezin
omissão criminosa quanto o local em que se produziu ou que de-
veria ter sido produzido o resultado (Art. 6º, CP).
CLASSIFICAÇÃO DE LOCAIS DE CRIME
Como se percebe, os conceitos trazidos pela doutrina sobre 
local de crime são extremamente amplos. Nessa vertente, é pos-
sível classificar os locais de crime de acordo com vários critérios. 
Uma primeira forma de se classificar o local vem a ser de acor-
do com os tipos de vestígios encontrados (de acordo com VELHO 
– 2017 – e STUMVOLL – 2019). Por isso, é comum que se estabe-
leça uma classificação de local de crime de acordo com o TIPO 
PENAL (ou critério legal) ou QUANTO À NATUREZA DO FATO 
idealizado pelo Código Penal, sendo os principais:
 Local de crimes contra a pessoa (Ex.: homicídio, infanticí-
dio, aborto);
 Local de crime contra o patrimônio (Ex.: roubo, furto);
 Local de crime contra a fé pública (Ex.: falsificação de docu-
mento, falsidade ideológica);
 Local de crime contra a dignidade sexual (Ex.: estupro, assé-
dio sexual);
 Local de crime contra a incolumidade pública (Ex.: explo-
são, desmoronamento);
 Local de crime contra honra (Ex.: calúnia, difamação, injú-
ria), entre outros. 
Por outro lado, entrando em uma vertente mais específica, 
como a cena de crime também aborda o conceito físico, os locais 
podem ser classificados quanto à REGIÃO DE OCORRÊNCIA em:
– Local imediato: é aquele abrangido pelo corpo de deli-
to e o seu entorno, local em que estão também a maioria 
dos vestígios materiais. Em geral, todos os vestígios que 
servirão de base para os peritos esclarecerem os fatos 
concentram-se no local imediato. 
79
CAPÍTULO II • LOCAL DE CRIME
– Local mediato: É a área adjacente ao local imediato. 
Trata-se de toda a região espacialmente próxima ao lo-
cal imediato e a ele geograficamente ligada, passível de 
conter vestígios relacionados com a perícia em execu-
ção. 
– Local relacionado: É todo e qualquer lugar sem liga-
ção geográfica direta com o local do crime e que possa 
conter algum vestígio ou informação que propicie ser 
relacionado, ou venha a auxiliar no contexto do exame 
pericial. 
Local Imediato
Local Mediato
Ilustração de local de crime imediato e mediato.
Jesus Antônio Velho ainda sugere mais uma classificação do 
local, mas agora quanto à ARQUITETURA ou área:
– Local Interno: é aquele coberto, com ou sem área con-
finada por paredes, protegidos contra a ação de agentes 
atmosféricos. Exemplos são as casas comerciais, tendas 
etc.;
– Local Externo: é aquele situado fora das habitações ou 
sujeito a fatores climáticos, por exemplo, terrenos bal-
dios,quintais, áreas abertas em via pública;
80
CRIMINALÍSTICA PARA CONCURSOS Pedro Henrique Canezin
– Local Virtual: é aquele em que não há relação direta en-
tre determinado espaço físico e a presença de vestígios 
a serem periciados (ex.: crimes cibernéticos).
  ATENÇÃO!
Perceba que local de crime não é apenas o local onde se encontra, 
por exemplo, um cadáver. O local de preparo do crime também 
será considerado, nessa circunstância, local de crime. 
Ainda existem várias outras classificações para supostos lo-
cais de crime de acordo com Stumvoll (2019), sendo eles:
• Ermos: locais desabitados, afastados de centros urbanos;
• Concorridos: frequentados ou habitados;
• Abertos: recinto ao ar livre;
• Fechados: recinto fechado;
• Mistos: a conduta delitiva se prolata em locais fechados e 
abertos;
• Móveis: interior de veículos, embarcações ou aeronaves;
• Imóveis: locais físicos, tais quais residências ou comércios;
• Isolados: não compartilham divisórias físicas com adja-
cências (inclui vias);
• Contíguos: compartilham divisórias com as adjacências, 
como apartamentos.
Em última análise, cabe classificar o local de crime de acordo 
com a preservação do local em:
• Local idôneo ou não violado: é aquele que não sofreu a 
influência de terceiros, antes da chegada dos peritos, ou 
seja, mantiveram-se íntegros após a prática da infração 
penal;
• Local inidôneo ou violado: neste local houve intervenção 
de terceiros, alterando-se o estado de conservação das coi-
sas. 
81
CAPÍTULO II • LOCAL DE CRIME
ISOLAMENTO E PRESERVAÇÃO DO LOCAL DE CRIME
Um dos grandes e graves problemas das perícias em locais 
onde ocorrem crimes é a quase inexistente preocupação das au-
toridades em isolar e preservar adequadamente um local de in-
fração penal, de maneira a garantir as condições de se realizar um 
exame pericial da melhor forma possível. Por isso, há que se dife-
renciar isolamento de preservação. Veja:
• ISOLAMENTO: consiste na individualização de determina-
do local, restringindo-se o acesso somente a pessoas auto-
rizadas;
• PRESERVAÇÃO: diz respeito ao estado de conservação das 
coisas, o qual deverá ser mantido até a chegada dos peritos 
criminais.
No Brasil, a doutrina entende que, infelizmente, não há uma 
cultura e nem mesmo preocupação sistemática com esse impor-
tante fator, que é o correto isolamento do local do crime e respec-
tiva preservação dos vestígios naquele ambiente. Essa problemá-
tica abrange três fases distintas. 
  1ª Fase
Em um local de crime convencional, é comum que as auto-
ridades emergenciais cheguem primeiro, como no caso de bom-
beiros e médicos socorristas. Essas pessoas, por formação técnica, 
devem ter noções de isolamento e preservação do local do crime, 
visto que já existe, em tese, um desmantelamento do local, fazen-
do com que muitas vezes se percam vestígios importantes para a 
elucidação do crime. 
Neste sentido, a chegada do primeiro policial (geralmente 
Policial Militar) no local do crime é um ponto crucial para o suces-
so da manutenção da ordem do local, inclusive na preservação de 
vestígios. A doutrina recomenda alguns procedimentos de segu-
rança a partir da chegada do primeiro policial:
82
CRIMINALÍSTICA PARA CONCURSOS Pedro Henrique Canezin
1. Manter o controle da situação como um todo, solicitando 
muitas vezes apoio operacional de outros membros de po-
lícia.
2. Garantir o controle do isolamento, estabelecendo um perí-
metro de segurança;
3. Assegurar que não há risco no local, identificando pessoas 
suspeitas e garantindo a segurança das vítimas;
4. Avisar a autoridade policial da existência do crime e solici-
tar apoio pericial se julgar necessário. 
Portanto, a primeira fase compreende o período entre a ocor-
rência do crime até a chegada do primeiro policial, normalmente 
um policial militar. Esse período é o mais sensível de todos, pois 
ocorrem diversos problemas em função da curiosidade natural 
das pessoas em verificar de perto o ocorrido, além do total desco-
nhecimento (por parte das pessoas) do dano que estão causando 
pelo fato de estarem se deslocando na cena do crime. Por isso, 
muitas vezes essa fase é crítica para a preservação dos vestígios. 
  2ª Fase
A segunda fase compreende o período desde a chegada do 
primeiro policial até o comparecimento do DELEGADO DE PO-
LÍCIA. Esta fase, apesar de menos grave que a anterior, também 
apresenta muitos problemas em razão da falta de conhecimento 
técnico dos policiais para a importância que representa um local 
de crime bem isolado e adequadamente preservado. Em razão 
disso, em muitas situações, deixam de observar regras primárias 
que poderiam colaborar decisivamente para o sucesso de uma 
perícia bem-feita. 
O primeiro policial a chegar ao local deve averiguar se de fato 
existe a ocorrência que lhe foi comunicada. Para tanto, deve o po-
licial penetrar no local do crime e dirigir-se até o corpo de delito. A 
entrada no local imediato ou mediato ao corpo de delito deve ser 
feita pelo ponto acessível mais próximo a este, de tal forma que a 
trajetória até o mesmo seja uma reta. 
83
CAPÍTULO II • LOCAL DE CRIME
Constatado o delito, o policial deverá retornar para a periferia 
do local do crime, percorrendo a mesma trajetória que o levou até 
o corpo de delito no sentido inverso (figura abaixo). O percurso 
deverá ser memorizado pelo policial, visto que posteriormente 
deverá ser comunicado aos peritos. Toda a movimentação dos 
policiais para averiguar o ocorrido deve ser meticulosa e abso-
lutamente nada deve ser removido das posições que ocupavam 
quando da configuração final do crime.
Constatada a existência da ocorrência, deverá o policial 
comunicá-la à autoridade competente para o devido encami-
nhamento. A função do primeiro policial, entretanto, ainda não 
acabou. Ele deverá tomar as primeiras providências para o isola-
mento do local de crime com a finalidade de preservar os vestí-
gios lá existentes. Portanto, não permitirá que ninguém adentre 
ao local da cena do crime e aguardará até a chegada de outros 
policiais que o substituam nesta tarefa. Observa-se que a respon-
sabilidade dos policiais pela preservação dos vestígios existentes 
no local estende-se até a chegada da autoridade policial (leia-se: 
delegados de polícia).
Esquema ilustrativo mostrando o deslocamento do policial na cena do crime para 
verificar se a vítima está com vida, utilizando a mesma rota de entrada e saída (fonte: 
adaptado de ESPÍNDULA et al., 2007)
Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, 
a autoridade policial deverá dirigir-se ao local, providenciando 
para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a 
chegada dos peritos criminais, além de apreender os objetos que 
tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais 
(Art. 6º, I e II do CPP). Portanto, a autoridade policial, constatando 
a existência do fato criminoso, nada mais fará a não ser isolar a 
84
CRIMINALÍSTICA PARA CONCURSOS Pedro Henrique Canezin
área e preservar os vestígios do local do crime, a fim de que os pe-
ritos possam examinar todo o conjunto de vestígios ali dispostos. 
  3ª Fase
Por fim, a terceira fase, é aquela desde o momento que a 
autoridade policial já está no local, até a chegada dos PERITOS 
CRIMINAIS. Também nessa fase ocorrem diversas falhas, em fun-
ção da pouca atenção e da falta de percepção ‐ em muitos casos 
‐ daquela autoridade quanto à importância que representa para 
ele um local bem preservado, o que irá contribuir para o conjunto 
final das investigações, da qual a autoridade é responsável geral 
como presidente do inquérito.
Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a 
infração, a autoridade policial providenciará imediatamente para 
que não se altere o estado das coisas até a chegada dos peritos, 
que poderão instruir seus laudos com fotografias, desenhos ou 
esquemas elucidativos (Art. 169, CPP). Os peritos registrarão, no 
laudo, as alterações do estado das coisas e discutirão,no relatório, 
as consequências dessas alterações na dinâmica dos fatos.
O correto isolamento do local do crime pode ser crucial para 
a elucidação do crime. Não consiste apenas no local em que hou-
ve o crime, mas também os arredores, como as marcas de frena-
gem de um veículo, o local pelo qual capotou e a posição final.
  ATENÇÃO!
Entende-se por isolamento a proteção do local do crime, a fim de 
que o local permaneça sem alteração, possibilitando, consequen-
temente, um levantamento pericial eficaz.
  Preservação do local de crime
A preservação do local do crime consiste em um conjunto 
de medidas a fim de resguardar a idoneidade do local. Busca-
-se manter o estado de conservação das coisas de forma que os 
vestígios não sofram qualquer alteração capaz de impossibilitar 
85
CAPÍTULO II • LOCAL DE CRIME
a elucidação da dinâmica criminosa ou que possa inviabilizar a 
identificação do autor do crime.
Nas palavras de BARACAT (2008):
“[...] a preservação dos vestígios deixados pelo fato, 
em tese delituosa, exige a conscientização dos profis-
sionais da segurança pública e de toda a sociedade de 
que a alteração no estado das coisas sem a devida au-
torização legal do responsável pela coordenação dos 
trabalhos no local pode prejudicar a investigação poli-
cial e, con sequentemente, a realização da justiça, visto 
que os peritos criminais analisam e interpretam os in-
dícios materiais na forma como foram encontrados no 
local da ocorrência”.
É claro que, a partir do correto isolamento e preservação, o 
registro da cena de crime atualmente pode ser feito por meio de 
mapeamento 3D, por meio de drones, entre outros recursos tec-
nológicos disponíveis, sempre na expectativa de tornar mais fide-
digna o local de crime para pessoas alheias, como o juiz.
É instintivo que as pessoas queiram observar a cena de um 
crime, quase sempre prejudicando o trabalho de investigação po-
licial ao circular pela área, manipular objetos, etc. O único caso 
que justifica a presença de pessoa estranha num local de crime 
é no caso de crime contra a vida, na prestação de socorro às víti-
mas ainda com vida. A população deve colaborar com os Órgãos 
de Segurança Pública, informando a ocorrência de um fato de-
lituoso, fornecendo informações corretas, mantendo-se afastada 
desses locais e evitando a locomoção na área do crime. De igual 
modo, a imprensa também pode prejudicar o trabalho policial, na 
expectativa de obter informações a respeito do ocorrido (INSTI-
TUTO GERAL DE PERÍCIAS-SC, 2017).
O legislador brasileiro se preocupou com o fato de popula-
res alterarem dolosamente o local de crime, tipificando como cri-
me de “Fraude Processual”, um crime contra a Administração da 
Justiça, conforme descrito no artigo 347 e seu parágrafo único, 
do Código Penal. Com o advento da Lei 13.964/19, ratificou-se a 
incidência de tal crime por expressa previsão no CPP, em seu art. 
158-C, parágrafo 2º, in verbis:
86
CRIMINALÍSTICA PARA CONCURSOS Pedro Henrique Canezin
Art. 158-C, § 2º É PROIBIDA A ENTRADA em locais iso-
lados bem como a remoção de quaisquer vestígios de 
locais de crime antes da liberação por parte do perito 
responsável, sendo tipificada como FRAUDE PROCES-
SUAL A SUA REALIZAÇÃO.
Art. 347 – Inovar artificiosamente, na pendência de pro-
cesso civil ou administrativo, o estado de lugar, de coisa 
ou de pessoa, com o fim de induzir a erro o juiz ou o 
perito:
Pena – detenção, de três meses a dois anos, e multa.
Parágrafo único – Se a inovação se destina a produzir 
efeito em processo penal, ainda que não iniciado, as pe-
nas aplicam-se EM DOBRO.
Em se tratando de local de acidente de trânsito com vítima, o 
CTB também prevê a conduta de “Fraude Processual” (Art. 312 da 
lei 9.503/97 – CTB). Veja:
Art. 312. Inovar artificiosamente, em caso de acidente 
automobilístico com vítima, na pendência do respec-
tivo procedimento policial preparatório, inquérito po-
licial ou processo penal, o estado de lugar, de coisa ou 
de pessoa, a fim de induzir a erro o agente policial, o 
perito, ou juiz:
Penas – detenção, de seis meses a um ano, ou multa.
Parágrafo único. Aplica-se o disposto neste artigo, ainda 
que não iniciados, quando da inovação, o procedimen-
to preparatório, o inquérito ou o processo aos quais se 
refere.
FINALIDADES DOS LEVANTAMENTOS DE LOCAIS DE 
CRIMES
Diz o Art. 158 do CPP que “quando a infração deixar vestígios, 
será obrigatória a realização do corpo de delito”. Assim, Galdino 
Siqueira define que corpo de delito é “o conjunto de elementos 
exteriores ou da materialidade de uma infração”. Pensando nis-
so, o corpo de delito pode ser entendido como o conjunto de to-
dos os vestígios materiais diretamente relacionados com o fato 
115
CAPÍTULO II I
PROVAS, INDÍCIOS 
E VESTÍGIOS
PROVA
Antes de adentrar o conceito de vestígios e indícios, é im-
portante contextualizar a elaboração da prova técnica pericial. 
O perito criminal, ao atuar frente à investigação criminal, funciona 
como um filtro que, a partir do método científico, detecta o nexo 
entre os vestígios e os sinais do crime, contextualizando-os com 
elementos de interesse da justiça. Portanto, os vestígios são ver-
dadeiros meios de prova, capazes de convencer o juiz de um fato 
criminoso quando devidamente analisados e legitimados, nos 
termos da lei.
É bem verdade que algumas doutrinas, notadamente Jesus 
Antônio Velho, cita ainda a questão de evidências. Para alguns, 
evidência significa aquilo que é claro, objetivo ou cristalino. Com 
todo respeito à doutrina penal, processual penal e de criminalísti-
ca brasileira, não se mostra razoável a adoção dessa nomenclatu-
ra no Brasil. É fato que a criminalística brasileira foi intensamente 
influenciada pela doutrina europeia e norte americana, sendo 
que não se costuma utilizar essa nomenclatura na prática. A pa-
lavra “evidence” é muito comum na doutrina norte americana, 
116
CRIMINALÍSTICA PARA CONCURSOS Pedro Henrique Canezin
havendo todo um significado nos E.U.A, o qual não é pertinente 
ao Brasil. Não obstante, para a doutrina de criminalística, evidên-
cia significa qualquer material, objeto ou informação que esteja 
claramente relacionado com a ocorrência do delito no campo da 
materialidade.
Como positivado pela ampla doutrina processual penal, 
PROVA é um conjunto de meios idôneos que visam afirmar a exis-
tência ou não de um fato, destinado a contribuir com a convicção 
do juiz. A doutrina processualista em geral traça um sentido ge-
nérico do que vem a ser prova, sendo “todo elemento trazido à 
presença do juiz na expectativa de convencê-lo ou não dos fatos”. 
Por outro lado, numa visão mais aguçada, Guilherme Nucci 
explica que de nada vale apresentar elementos de convicção ao 
juiz que não sejam capazes de culminar em convencimento. Se 
um objeto é levado ao juízo, mas não se prova que ele tem rela-
ção com o fato, naturalmente não poderá ser considerado uma 
prova, até porque não tem capacidade de contribuir com a razão 
do juiz. De todo modo, para explicar o sentido de prova, Nucci as-
severa haver três sentidos para a palavra prova, os quais deverão 
ser perpetrados ao longo do processo, e que devem resultar no 
convencimento do juiz. São eles:
a) ATO DE PROVAR: é o processo pelo qual se verifica a 
exatidão ou a verdade do fato alegado pela parte no 
processo (ex.: fase probatória); 
b) MEIO: trata-se do instrumento ou pessoa pelo qual se 
demonstra a verdade de algo (ex.: prova testemunhal); 
c) RESULTADO DA AÇÃO DE PROVAR: é o produto extraí-
do da análise dos instrumentos de prova oferecidos, de-
monstrando a verdade sobre um fato. Esse é o momento 
em que o elemento cria a convicção do juiz, e o conven-
ce. 
No processo penal, a prova deve ser revestida de LEGITIMI-
DADE (cumprimento das formalidades processuais) e LEGALIDA-
DE (produzida dentro da lei). São critérios norteadores da legiti-
midade da prova:
117
CAPÍTULO III • PROVAS, INDÍCIOS E VESTÍGIOS
• JUDICIALIDADE: a prova deve ser produzida perante o 
juiz;
• OBSERVÂNCIAAO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFE-
SA: a prova deve ser submetida às partes para a oportuni-
zação do contraditório e ampla defesa, além de ser produ-
zida no momento adequado do processo; 
• LICITUDE: Por outro lado, diz respeito à legalidade da pro-
va a sua produção de acordo com o ordenamento jurídico 
brasileiro, sem coação física ou moral, e sem o emprego de 
meios fraudulentos. 
Diante dos requisitos acima expostos, é claro notar a diferen-
ça entre prova e vestígios ou evidências. Tanto um quanto outro 
não podem ser considerados prova, visto que não preenchem os 
requisitos fundamentais legais e constitucionais, já que sequer 
chegaram ao processo. Enquanto periciados, esses elementos se 
encontram na posse dos peritos, o qual prepara o vestígio, tor-
nando-o evidência (se houver relação com os fatos), para que 
posteriormente seja submetido ao juiz. 
INDÍCIOS
Primeiramente, a doutrina processualista aponta uma distin-
ção importante: não se pode confundir presunção com indícios. 
PRESUNÇÃO é todo juízo de opinião emanado por pessoa me-
dianamente informada dos fatos sociais. Um exemplo seria a pre-
sunção de que uma mulher casada grávida está nessa condição 
por ato do marido. Por isso, não se confunde com indícios.
INDÍCIOS, de praxe, está conceituado no artigo 239 do CPP, 
sendo toda circunstância CONHECIDA E PROVADA, que permita, 
por indução, presumir a existências de outros fatos relacionados 
ao crime. Há que se falar na classificação dos indícios lastreado na 
relação com o crime, sendo ela:
• Indícios próximos: diretamente relacionados com o crime 
(Ex.: instrumentos do crime);
118
CRIMINALÍSTICA PARA CONCURSOS Pedro Henrique Canezin
• Indícios manifestos: são os que resultam da própria natu-
reza do crime (Ex.: solicitação de propina);
• Indícios distantes ou remotos: são aqueles que possuem 
uma relação com o crime aceitável (Ex.: antecedentes, más 
companhias);
Outra classificação apontada pela doutrina envolve duas ca-
tegorias: indícios propositais, que consistem em indícios autên-
ticos ou falsos; e indícios acidentais, os quais se produzem inde-
pendentemente da vontade do agente (Ex.: manchas de sangue).
Portanto, conclui-se que indícios e presunções não se con-
fundem. Indícios, como o art. 239 deixa claro, são circunstâncias 
CONHECIDAS E PROVADAS das quais é possível concluir outras 
circunstâncias, ou seja, presumir, com segurança, algo não conhe-
cido e não provado. Trata-se de uma prova indireta. Ex.: impressão 
digital em um carro (prova que a pessoa esteve lá, não que ele 
cometeu o homicídio). Segundo a doutrina processualista (Távora 
& Alencar), os indícios podem ser: 
• POSITIVO: indica a presença de um fato ou elemento que 
se quer provar;
• NEGATIVO (CONTRAINDÍCIO): determina uma impossibi-
lidade lógica do fato alegado. É o caso do álibi.
Superado o tema de indícios, é o momento de finalmente 
adentrarmos o tema de vestígios, diferenciando-o de provas e in-
dícios. 
VESTÍGIOS
Em termos periciais, o conceito de vestígio decorre da carac-
terística abrangente do vocábulo que lhe deu origem, podendo 
ser definido como todo e qualquer sinal, marca, objeto, situação 
fática ou ente concreto sensível, potencialmente relacionado a 
uma pessoa ou a um evento de relevância penal, e/ou presente 
em um local de crime, seja este mediato ou imediato, interno ou 
externo, direta ou indiretamente relacionado ao fato delituoso. 
119
CAPÍTULO III • PROVAS, INDÍCIOS E VESTÍGIOS
O Código de Processo Penal, após o advento da lei 13.964/19, 
conceituou vestígio como “todo objeto ou material bruto, visível 
ou latente, constatado ou recolhido, que se relaciona à infração 
penal”. Perceba que há uma divergência doutrinária e o conceito 
legal de vestígio. Para a lei, vestígio está necessariamente relacio-
nado com o crime, enquanto para a doutrina não. Por isso, a título 
de provas, o posicionamento mais importante é o da lei, no art. 
158-A, parágrafo 3º do CPP. 
Assim, a doutrina costuma classificar os vestígios de acordo 
com vários critérios, sendo o primeiro deles de acordo com a re-
lação com o crime: 
1) Vestígio verdadeiro: o vestígio verdadeiro é uma de-
puração total dos elementos encontrados no local do 
crime. Somente são verdadeiros aqueles produzidos di-
retamente pelos autores da infração e, ainda, que sejam 
produtos diretos das ações do cometimento do delito 
em si;
2) Vestígio ilusório: o vestígio ilusório é todo elemento 
encontrado no local do crime que não esteja relaciona-
do às ações dos atores da infração e desde que a sua pro-
dução não tenha ocorrido de maneira intencional;
3) Vestígio forjado: por vestígio forjado entende‐se todo 
elemento encontrado no local do crime, cujo autor teve 
a intenção de produzi‐lo, com o objetivo de modificar o 
conjunto dos elementos originais produzidos pelos au-
tores da infração. 
Ainda existe uma classificação interessante abordada pela 
doutrina que diz respeito à detecção do vestígio:
1) Vestígios perceptíveis: são vestígios que podem ser 
captados diretamente pelos sentidos humanos, sem a 
utilização de qualquer artifício de detecção;
2) Vestígios latentes: são aqueles vestígios que não são 
facilmente detectados pelos sentidos humanos, tornan-
do-se necessária a utilização de agentes de detecção, 
como o luminol e pós impregnadores. 
120
CRIMINALÍSTICA PARA CONCURSOS Pedro Henrique Canezin
  ATENÇÃO!
Doutrinas pontuais citam a existência dos vestígios ABSOLUTOS, 
sendo aqueles perceptíveis e que atestam uma relação direta com 
o fato.
Por fim, mais uma classificação que diz respeito aos vestígios 
leva em conta a integridade, sendo ela:
1) Vestígios fugazes: são aqueles incapazes de durar mui-
to tempo íntegros, por isso exigem coleta rápida e ade-
quada (Ex.: frenagens, manchas de sangue);
2) Vestígios persistentes: permanecem indeléveis ao lon-
go do tempo, permitindo sua análise a posteriori (Ex..: 
manchas de sangue em tecidos, pelos, fibras);
3) Vestígios perenes: são aqueles que não desaparecem 
com o tempo, mas somente por evento incomum de 
grande intensidade (Ex.: colisão contra objetos).
  ATENÇÃO!
Vestígios de impressão são vestígios em que a impressão re-
produz a forma do autor (instrumento que a produziu).
Há ainda a classificação em vestígios materiais e imateriais. De 
um lado, os vestígios psíquicos ou imateriais, consubstanciados 
em determinados tipos de comportamentos associados à prática 
de ilícitos criminais, adentra o campo dos perfis criminais, os quais 
representam um sistema no qual os comportamentos e/ou ações 
manifestadas em um crime são avaliados e interpretados, a fim de 
compor as previsões relativas às características do provável autor 
do crime. As características previstas são muitas vezes referidas 
como um perfil criminal, cuja finalidade é ajudar os investigadores 
na identificação e, portanto, a detenção de criminosos. 
Do outro lado, um conjunto de alterações materiais (sinais, 
traços, manchas) relacionadas com um acontecimento criminal e 
que podem contribuir para o seu esclarecimento, está relacionado 
com a área da atuação da criminalística. Essas alterações, deixadas 
pelo autor no local do crime, permitem ao pessoal especializado, 
por meio de fontes técnicas e metodologia científica específica, a 
identificação dos autores e das circunstâncias envolvidas.
121
CAPÍTULO III • PROVAS, INDÍCIOS E VESTÍGIOS
As alterações materiais (vestígios materiais) desdobram-se 
em diversos tipos de vestígios, que, a depender da doutrina se-
guida, pode variar. Assim, alguns autores, dentre eles, José Brás e 
Jesus Antônio Velho, propõem a seguinte classificação:
Vestígios
Materiais
Orgânicos ou Biológicos
Inorgânicos ou Não 
Biológicos
Químicos
Físicos
Morfológicos
Entomológicos
Imateriais
1. Vestígios orgânicos ou biológicos (sangue, saliva, pelos, ca-
belos, sêmen etc.);
2. Vestígios inorgânicos ou não biológicos (poeiras, solos, tin-
tas, explosivos, drogas);
3. Vestígios morfológicos (vestígios lofoscópicos, pegadas,rastos, marcas de objetos);
4. Vestígios entomológicos (análise de larvas, insetos adultos, 
putrefação, etc.);
5. Vestígios imateriais não são objeto de análise da crimi-
nalística, mas é enquadrado com área de estudo da psi-
cologia criminal e psiquiatria forense. Aqui o exemplo é o 
próprio local de crime, que pode apontar características do 
perfil do criminoso.
  Resumindo
VESTÍGIO INDÍCIO EVIDÊNCIA
Todo objeto ou material 
bruto constatado e/ou 
recolhido em local de 
crime ou presente em 
uma situação a ser peri-
ciada e que será analisa-
do posteriormente.
Circunstância conhe-
cida e provada, que, 
tendo relação com o 
fato, autorize, por in-
dução, concluir-se a 
existência de outra ou 
outras circunstâncias.
É o vestígio que, após 
as devidas análises, 
tem constatada, técni-
ca e cientificamente, 
sua relação com o fato 
periciado.
122
CRIMINALÍSTICA PARA CONCURSOS Pedro Henrique Canezin
VESTÍGIOS EM LOCAL DE CRIME CONTRA A VIDA
Os crimes contra a vida, assim definidos no Código Penal 
Brasileiro, envolvem os crimes de homicídio, infanticídio, induzi-
mento, instigação e auxílio ao suicídio e as formas de aborto. Por 
se tratar de crimes que envolvem a retirada da vida, é comum a 
presença de diversos tipos de vestígios morfológicos e biológicos. 
No entanto, é possível também que existam vestígios químicos 
(Ex.: medicamentos ou produtos de limpeza, indicando suicídio) 
ou físicos (Ex.: frenagens no asfalto).
De acordo com a Secretaria das Nações Unidas de Crimes e 
Drogas (2009), juntamente com a doutrina brasileira, os vestígios 
mais encontrados em locais de crimes contra a vida são: 
VESTÍGIO VALOR FORENSE LOCAIS ASSOCIADOS
Impressões 
papiloscópicas
Permite a identificação 
dos envolvidos no crime, 
reconstrução e dinâmica 
dos fatos.
Potencialmente em to-
dos os locais de crime.
Marcas 
pneumáticas
Permite a determinação 
da marca e modelo do 
veículo, estimação de 
tempo e distância per-
corrida, além da recons-
trução do acidente de 
trânsito.
Acidentes de trânsito, 
atropelamentos, homi-
cídios, suicídios.
Vestígios 
Biológicos:
 Saliva
 Sangue
 Cabelos e pelos
 Urina
Permitem a detecção da 
autoria e reconstrução da 
dinâmica e materialidade 
do crime.
Potencialmente encon-
trados em todos os lo-
cais de crime, em espe-
cial em morte violenta.
Mordidas
Permite a identificação do 
autor pelo padrão odon-
tológico e também por 
DNA
Homicídio qualificado 
(feminicídio)

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