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Tecnologias Inovadoras - Aula 1

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AULA 1 
TECNOLOGIAS INOVADORAS 
Profª Joice Martins Diaz 
 
 
2 
TEMA 1 – TECNOLOGIA: CONCEITO E CARACTERÍSTICAS 
A inovação, assunto muito discutido na atualidade, vem se expandido de 
maneira considerável no Brasil e no mundo. Muitas vezes, a inovação é vista 
somente como a aplicação de melhores soluções, para atender a novos requisitos 
ou necessidades de mercado existentes. Para ser considerada inovação, uma 
ideia deve ser replicável a um custo econômico e satisfazer uma necessidade 
específica. A inovação envolve a aplicação deliberada de informações, 
imaginação e iniciativa na obtenção de valores maiores ou diferentes dos 
recursos, e inclui todos os processos pelos quais novas ideias são geradas e 
convertidas em produtos úteis. 
Nesta aula abordaremos sobre tecnologia, seu conceito e características, 
assim como sobre inovação. Neste contexto, será importante falar sobre a 
Revolução Industrial e suas fases, que se resumem da seguinte forma: a primeira 
usou água e vapor para mecanizar a produção, a segunda usou energia elétrica 
para criar produção em massa e a terceira usou eletrônica e tecnologia da 
informação para automatizar a produção. Atualmente, uma quarta Revolução 
Industrial está em andamento e se baseia na terceira Revolução e na Revolução 
Digital que vem ocorrendo desde meados do século passado. 
Outro assunto abordado é sobre ciência e Tecnologia e os impactos na 
sociedade, que influenciam também os interesses sociais, políticos, econômicos, 
culturais e éticos. Por fim, veremos alguns exemplos de tecnologias inovadoras 
atuais e previstas para o futuro. 
A palavra tecnologia, que tem origem comum na palavra grega techné, 
deve ser compreendida além da concepção etimológica ou do senso comum do 
termo, sendo necessário entendê-la como prática social, tendo como sentido e 
significado a questão econômica, política, cultural bem como educacional frente 
ao atual contexto histórico do capitalismo. 
 A tecnologia é o resultado da aplicação dos conhecimentos, que, por sua 
vez, são frutos da revolução científica, com início na Idade Moderna, com Newton1 
e Galileu2. A tecnologia “envolve um conjunto organizado e sistematizado de 
 
1 Isaac Newton – físico, matemático e astrônomo inglês, um dos cientistas mais importantes da 
história da Ciência. Suas contribuições abrangeram as áreas da Física, Matemática, Astronomia, 
entre outras. 
2 Físico e astrônomo, considerado um dos fundadores do método experimental e da ciência 
moderna. Suas principais contribuições à física dizem respeito ao movimento dos corpos e à teoria 
da cinemática. 
 
 
3 
diferentes conhecimentos, científicos, empíricos e até intuitivos voltados para um 
processo de aplicação na produção e na comercialização de bens e serviços” 
(Grinspun, 2009, p. 72). 
Para Feenberg, a ciência e a tecnologia 
partem do mesmo tipo de pensamento racional baseado na observação 
empírica e no conhecimento da causalidade natural, porém a tecnologia 
não está preocupada com a verdade, mas sim com a utilidade. Onde a 
ciência busca o saber, a tecnologia busca o controle. Não obstante, há 
algo mais nessa história do que esse simples contraste. (Feenberg, 
2003, p. 1) 
Para Feenberg, “a Filosofia da Tecnologia pertence à autoconsciência de 
uma sociedade como a nossa. Nos ensina a refletir sobre o que tomamos como 
certo, especificamente a modernidade racional. A importância dessa perspectiva 
não pode ser subestimada” (Feenberg, 2003, p. 2). 
É comum existirem dúvidas entre a definição de Ciência e de Tecnologia. 
Apresentamos, no quadro a seguir, um resumo das principais características de 
cada área. 
Quadro 1 – Diferenças entre Ciência e Tecnologia 
CIÊNCIA TECNOLOGIA 
Entende o fenômeno natural Determina a necessidade 
Descreve o problema Descreve a necessidade 
Sugere hipóteses Formula ideias 
Seleciona hipóteses Seleciona ideias 
Experimenta Faz o produto 
Encaixa hipóteses/dados Prova o produto 
Explica o natural Fabrica o artificial 
Analítica Sintética 
Simplifica o fenômeno Aceita a complexidade da necessidade 
Conhecimento generalizável Objeto particular 
Fonte: (Gilbert,1995; Veraszto et al. 2003a) 
A tecnologia faz uso de métodos para fins de investigação de modo muito 
parecido com os métodos da ciência, assim como os conceitos da ciência também 
são utilizados na tecnologia, mas somente após a redução do nível de abstração 
de conceitos individuais. 
É importante lembrar que a história da tecnologia teve início a partir do 
momento que o homem descobriu que era possível realizar mudanças na 
natureza para melhorar suas condições de vida. Sendo assim, não podemos 
 
 
4 
pensar que tecnologia estará presente somente nos produtos mais sofisticados e 
atuais. 
Segundo Veraszto: 
Na medida em que muda padrões, a tecnologia também cria novas rotas 
de desenvolvimento. Portanto, trabalhar com tecnologia é trabalhar com 
algo dinâmico. O que hoje é ponta, amanhã é obsoleto, exigindo novos 
procedimentos, conceitos e atitudes para inovar. A tecnologia faz parte 
do acervo cultural de um povo, por isso existe na forma de conhecimento 
acumulado, e por essa mesma razão está em contínua produção. A 
tecnologia em si constitui-se, portanto, como uma forma de 
conhecimento e todas as tecnologias são produtos de todas as formas 
de conhecimento humano produzidas ao longo da história. (Veraszto et 
al., 2008) 
Neste contexto, a tecnologia se torna um conjunto de saberes que emerge 
do desenvolvimento e da concepção dos instrumentos (artefatos, sistemas, 
processos e ambientes) criados pelo homem por meio da história, com a intenção 
de satisfazer suas necessidades pessoais e coletivas. 
TEMA 2 – INOVAÇÃO: CONCEITO E CARACTERÍSTICAS 
Inovação é a exploração com sucesso de novas ideias. 
(Nick Balding) 
 
Segundo o Dicionário Michaelis (S.d.), a palavra inovar, innovare, no latim, 
significa “produzir ou tornar algo novo, renovar, restaurar”. Segundo Conceição, 
“é a inovação que permeia e modela essa nova constituição, devendo, por isso 
mesmo, ser entendida como um processo cumulativo e articulado, que interage 
com a invenção e a difusão” (Conceição, 2000, p. 59). 
É importante saber que melhoria contínua não tem a ver com inovação, 
pois não tem a capacidade de criar vantagens consideradas competitivas, de 
médio a longo prazo. Para ser considerada inovação, é necessário que cause um 
impacto significativo, agregando valores ao produto, mesmo que por período 
determinado. 
Quando se pratica inovação, um dos reflexos é o aumento da concorrência. 
A empresa que pensa em inovação sempre estará à frente as demais que não 
investem nesta questão, que demanda tempo e investimento, porém o retorno 
relacionado à receita, ao espaço no mercado e ao reconhecimento da marca são 
exemplos das consequências positivas trazidas pela inovação. 
 
 
5 
É importante lembrar que a inovação não está relacionada somente a 
ambientes empresariais. Os países que pensam em inovação geram mais 
empregos e aumento de renda para a população. 
O sistema responsável pela inovação é composto de grandes empresas, 
que geralmente procuram parcerias com agências de fomento, universidades, 
investidores, centros de pesquisas, governo e outros parceiros que colaboram 
com esse processo. 
A Lei do Bem (Lei n. 11.196/2005) é considerada um grande estímulo para 
investir em inovação e desenvolvimento. 
Em seu capítulo III, que trata dos incentivos à inovação tecnológica, art. 17, 
relata que a pessoa jurídica pode usufruir dos seguintes incentivos fiscais: 
I. dedução, para efeito de apuração do lucro líquido, de valor 
correspondente à soma dos dispêndios realizados no período de 
apuração com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação 
tecnológica classificáveis como despesas operacionais pela legislação 
do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ oucomo 
pagamento na forma prevista no § 2º deste artigo; 
II. redução de 50% (cinquenta por cento) do Imposto sobre Produtos 
Industrializados - IPI incidente sobre equipamentos, máquinas, 
aparelhos e instrumentos, bem como os acessórios sobressalentes e 
ferramentas que acompanhem esses bens, destinados à pesquisa e ao 
desenvolvimento tecnológico; [...] 
III. depreciação integral, no próprio ano da aquisição, de máquinas, 
equipamentos, aparelhos e instrumentos, novos, destinados à utilização 
nas atividades de pesquisa tecnológica e desenvolvimento de inovação 
tecnológica, para efeito de apuração do IRPJ e da CSLL; (Redação dada 
pela Lei nº 11.774, de 2008) 
IV. amortização acelerada, mediante dedução como custo ou despesa 
operacional, no período de apuração em que forem efetuados, dos 
dispêndios relativos à aquisição de bens intangíveis, vinculados 
exclusivamente às atividades de pesquisa tecnológica e 
desenvolvimento de inovação tecnológica, classificáveis no ativo diferido 
do beneficiário, para efeito de apuração do IRPJ; (Brasil, 2005) 
Nesta Lei, em seu parágrafo I, considera-se inovação tecnológica: 
a concepção de novo produto ou processo de fabricação, bem como a 
agregação de novas funcionalidades ou características ao produto ou 
processo que implique melhorias incrementais e efetivo ganho de 
qualidade ou produtividade, resultando maior competitividade no 
mercado. § 2º O disposto no inciso I do caput deste artigo aplica-se 
também aos dispêndios com pesquisa tecnológica e desenvolvimento de 
inovação tecnológica contratados no País com universidade, instituição 
de pesquisa ou inventor independente de que trata o inciso IX do art. 2º 
da Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, desde que a pessoa jurídica 
que efetuou o dispêndio fique com a responsabilidade, o risco 
empresarial, a gestão e o controle da utilização dos resultados dos 
dispêndios (Brasil, 2005). 
Existem diferentes maneiras de inovar, conforme exposto no quadro a 
seguir. 
 
 
6 
Quadro 2 – Diferentes maneiras de inovar 
TIPO DE 
INOVAÇÃO 
CARACTERÍSTICA PRINCIPAL EXEMPLO 
Inovação de 
produto 
Alteração na mudança como o consumidor 
percebe o produto 
Automóvel com câmbio manual 
em comparado ao câmbio 
automático 
Inovação de 
processo 
Consiste na alteração do processo de 
fabricação/produção do produto, podendo não 
trazer um grande impacto no produto, mas 
traz benefícios como aumento de 
produtividade bem como redução de custos 
Produção feita por humanos 
comparada a produção feita por 
robôs 
Inovação de 
modelo de 
negócio 
Mudança na forma de como o serviço é 
levado ao mercado 
Planos de linha telefônica: 
quando você adquire um plano 
pós pago, geralmente as 
operadoras oferecem 
benefícios como troca anual do 
modelo do aparelho com custo 
reduzido, bônus em minutos, 
mais gigas, entre outros 
benefícios, Já o plano pré-pago 
não oferece todos os esses 
benefícios 
Inovação 
incremental 
O consumidor percebe poucos avanços, não 
alterando a forma de consumo do produto 
Venda do CD duplo, sendo 
possível gravar um número 
maior de músicas, comparado 
a venda do CD comum. 
Inovação 
radical 
Grandes mudanças relacionadas ao consumo 
do produto, modificando o modelo vigente no 
mercado 
Arquivos digitais (MP3) 
comparado ao CD 
Fonte: Adaptado de Fontanini; Carvalho, 2005. 
Com base em Conceição, “o conceito de inovação está ligado à noção de 
tecnologia, que pode ser sintetizada como conhecimento técnico associado à 
produção de bens e serviços” (2000, p.60). É importante lembrar que as inovações 
tecnológicas provocam mudanças estruturais no desenvolvimento econômico. 
Isso explica por que a maioria das novas tecnologias surge nas economias 
avançadas. 
TEMA 3 – REVOLUÇÃO INDUSTRIAL 
A Revolução Industrial consiste em uma série de mudanças que 
aconteceram na Europa nos séculos XVIII e XIX. A principal característica dessa 
revolução foi a manufatura substituída pela maquinofatura, ou seja, a substituição 
do trabalho manual pelo uso de máquinas. Diversos bens que antes eram 
produzidos cuidadosamente à mão começaram a ser produzidos por máquinas e 
 
 
7 
em grandes quantidades, tudo isso graças à introdução de novas máquinas e 
técnicas em têxteis, fabricação de ferro e outras indústrias. 
Movido pelo uso revolucionário da energia a vapor, esse período foi 
considerado a primeira Revolução Industrial, que abrange desde o final do século 
XVIII até o início do século XIX. Cenário do surgimento da mecanização, que 
significa o processo que substituiu a agricultura pela indústria. A extração em 
massa do carvão, juntamente da invenção do motor a vapor, criou um tipo de 
energia que impulsionou todos os processos em decorrência do desenvolvimento 
das ferrovias e da aceleração das trocas econômicas, humanas e materiais. 
No final do século XIX, novos avanços tecnológicos dão início ao 
surgimento de uma nova fonte de energia: eletricidade, gás e petróleo. Este 
período, segundo historiadores, é chamado de segunda Revolução Industrial. Os 
motores de combustão passam a usar esses novos recursos em todo o processo. 
Neste período, houve também crescimento e desenvolvimento exponencial do 
aço. Síntese química também desenvolvida para nos trazer tecidos sintéticos, 
corantes e fertilizantes. 
Esse período também foi marcado pelas mudanças significativas nos 
métodos de comunicação, com a invenção do telégrafo e do telefone, assim como 
dos métodos de transporte, com o surgimento do automóvel e do avião no início 
do século XX. Essas invenções foram possíveis graças à centralização da 
pesquisa e do capital estruturado em torno de um modelo econômico e industrial 
baseado em novas “grandes fábricas” e nos modelos organizacionais de 
produção, como previsto por Taylor e Ford. 
Surge, então, uma terceira Revolução Industrial, na segunda metade do 
século XX, com o surgimento de um tipo de energia cujo potencial superava seus 
antecessores: a energia nuclear. Nesse período, a ascensão da eletrônica, com o 
transistor e o microprocessador, e das telecomunicações e dos computadores, 
levou à produção de material miniaturizado que abriria portas, principalmente para 
pesquisa espacial e biotecnologia. Para a indústria, essa revolução deu origem à 
era da automação de alto nível na produção graças a duas grandes invenções: 
autômatos – controladores lógicos programáveis (PLCs) – e robôs. 
Baseada na terceira Revolução Industrial, chega a quarta Revolução 
Industrial, mudando toda a produção, gestão e sistemas de governança. Com o 
surgimento da internet, esta revolução é enraizada em um novo fenômeno 
tecnológico – o digital –, e não no surgimento de um novo tipo de energia, 
 
 
8 
permitindo construir um novo mundo virtual. A indústria atual tem como objetivo 
conectar todos os meios de produção para possibilitar sua interação em tempo 
real. 
No entanto, a quarta Revolução Industrial pode ser considerada a primeira 
a se desvincular do uso excessivo da energética – em termos de recursos não 
renováveis –, pois estamos integrando mais e mais possibilidades para 
potencializar nossos processos de produção com recursos alternativos. 
A figura abaixo nos mostra, de maneira resumida, o contexto dos quatro 
períodos da Revolução Industrial. 
Figura 1 – As quatro revoluções industriais 
 
Fonte: Magalhães; Vendramini, 2018. 
Podemos concluir então que a primeira Revolução Industrial usou água e 
vapor para mecanizar a produção, a segunda usou energia elétrica para criar 
produção em massa e a terceira usou eletrônica e tecnologia da informação para 
automatizar a produção. Atualmente, uma quarta Revolução Industrial está em 
andamento, baseada na terceira revolução e na Revolução Digital, que vem 
ocorrendo desde meados do século passado. 
Vários avanços consideráveis aconteceram ao longo destes períodos. Para 
Magalhães e Vendramini: 
Pouco mais de 200 anos desde a primeira Revolução Industrial,significativos avanços tecnológicos vêm alterando a organização 
econômica, política e social das sociedades ao redor do globo. A quarta 
Revolução Industrial – com progressões de tal ordem que impactarão a 
escala, o escopo e a complexidade dos negócios – soma-se às pressões 
por sustentabilidade, alterando profundamente os drivers de 
competitividade dos negócios no século XXI. (Magalhães; Vendramini, 
2018, p. 41) 
Todos esses avanços significativos resultam em diversos benefícios, como: 
redução de erros e de custos, customização de produtos, otimização de processos 
e aumento de segurança, transparência em dados entre outros que resultam na 
 
 
9 
então conhecida Indústria 4.0, que provocou um impacto exponencial, 
caracterizada por tecnologias que permitem a fusão do mundo físico, digital e 
biológico. 
A Figura 2 representa toda essa fusão. 
Figura 2 – Indústria 4.0 
 
Fonte: Indústria 4.0. 
Segundo levantamento feito pela ABDI, os impactos da Indústria 4.0 
apontam para uma grande transformação nas plantas fabris3. Com base na 
mudança da indústria para o conceito 4.0, estima-se uma redução de custos 
industriais no Brasil de, no mínimo, R$ 73 bilhões/ano. 
TEMA 4 – CIÊNCIA, TECNOLOGIA E SOCIEDADE (CTS) 
Em meados da década de 1970, as relações entre Ciência, Tecnologia e 
Sociedade passaram a ser vistas por uma nova óptica, na qual os avanços 
científicos e tecnológicos foram, de maneira intrínseca, ligados com a sociedade 
e vice e versa. Sendo assim, da mesma forma que a Ciência e a Tecnologia geram 
impactos na sociedade, influenciam também os interesses sociais, políticos, 
econômicos, culturais e éticos. 
Os estudos sobre Ciência, Tecnologia e Sociedade, identificados pela sigla 
CTS, têm como objetivo compreender e realizar uma análise crítica interdisciplinar 
 
3 [Economia] Diz-se da indústria que transforma a matéria-prima em produtos manufaturados: 
indústria fabril. Disponível em: <https://www.dicio.com.br/fabris/>. Acesso em: 7 nov. 2019. 
 
 
10 
dos aspectos sobre o fenômeno científico-tecnológico, tendo como foco principal 
a explicação e análise da ciência e da tecnologia como construções sociais 
complexas com influências societárias decorrentes de questões epistemológicas, 
políticas e éticas. 
A CTS (Ciência, Tecnologia e Sociedade) tem como objetivo principal 
promover a educação tecnológica e científica para auxiliar na construção de 
conhecimentos, valores e habilidades necessários, que possibilite uma tomada de 
decisão responsável a respeito das ciências e as tecnologias na sociedade e 
atuando na resolução de problemas. 
Nessa perspectiva, o enfoque da CTS segundo Pinheiro é entendido como: 
um campo de trabalho que se volta tanto para a investigação acadêmica 
como para as políticas públicas. Baseia-se em novas correntes de 
investigação em filosofia e sociologia da ciência, podendo aparecer 
como forma de reivindicação da população para atingir uma participação 
mais democrática nas decisões que envolvem o contexto científico-
tecnológico ao qual pertence. Para tanto, o enfoque CTS busca entender 
os aspectos sociais do desenvolvimento tecnocientífico, tanto nos 
benefícios que esse desenvolvimento possa estar trazendo, como 
também as consequências sociais e ambientais que poderá causar. 
(Pinheiro, 2009, p. 2) 
Ainda segundo o autor, o enfoque CTS “visa ressaltar a importância social 
da ciência e da tecnologia, de forma que se enfatize a necessidade de avaliações 
críticas e análises reflexivas sobre a relação científico-tecnológica e a sociedade” 
(Pinheiro, 2007, p. 87). 
A CTS tem como um dos seus objetivos a resolução de problemas sociais, 
por meio da análise histórica e do contexto social, portanto carregada de valores, 
sempre abordados e entendidos cognitivamente. Essa visão não nega as 
restrições impostas pela natureza sobre a realidade física dos artefatos 
tecnológicos, mas sustenta que o conhecimento e a compreensão da natureza, 
da ciência e da tecnologia são processos socialmente mediados. 
TEMA 5 – TECNOLOGIAS INOVADORAS – INTRODUÇÃO 
Tecnologia e inovação consistem na implementação bem-sucedida (no 
comércio, na educação ou na gestão) de uma ideia técnica nova para a instituição 
que as cria. As inovações são diferenciadas de invenções, tecnologia e pesquisa, 
mas podem surgir de qualquer uma dessas, sendo úteis no desenvolvimento de 
políticas públicas para estimular inovações, bem como para gerenciar sua criação. 
Observe, no Quadro 3, as principais tecnologias atuais. 
 
 
11 
Quadro 3 – Principais tecnologias 
TECNOLOGIA O QUE FAZ 
Inteligência artificial 
(IA) 
Permite que os sistemas aprendam sem necessidade de programação. É 
usada na identificação facial e de voz, em veículos autônomos e na 
automação de processos e serviços. 
Robótica Produz robôs para automação de atividades a custos decrescentes 
Biotecnologia 
Usa organismos vivos na produção de medicamentos, nutrientes 
químicos, combustíveis e materiais diversos 
Neurotecnologia 
Implanta equipamentos eletrônicos nos organismos, com potencial de 
melhorar o monitoramento de saúde e o tratamento de doenças e de 
ampliar a capacidade cognitiva 
Blockchain 
Registra transações financeiras em um arquivo digital de forma 
distribuída, imutável, transparente e auditável. Também pode ter outros 
usos, como monitoramento de cadeias de fornecimento, de registros e 
de certificações diversas. 
Internet das coisas 
(IoT) 
Conecta máquinas, eletrodomésticos, veículos, produtos ou qualquer 
coisa, inclusive pessoas a internet. É utilizada em diversos setores, nas 
gestões das cidades e nas residências. 
Impressão em 3 
dimensões (3D) 
Permite a produção de qualquer coisa, de protótipos e peças simples a 
produtos altamente técnicos, em um sistema de pequena escala. 
Fonte: Adaptado de Magalhães e Vendramini, 2018. 
Outras tecnologias inovadoras estão previstas para até o ano de 2030 e 
são: 
 Carros autônomos representarão 10% da frota dos EUA; 
 Até 5% dos produtos serão impressos em impressoras 3D; 
 Estima-se que 50% do tráfego de internet será proveniente de dispositivos 
automatizados; 
 Órgãos impressos em 3D; 
 Pelo menos 10% das pessoas utilizarão roupas inteligentes. 
São diversas tecnologias inovadoras que já fazem parte do nosso cotidiano 
e outras que estão previstas para o nosso futuro. Em breve aprofundaremos e 
entenderemos melhor as funções de outras tecnologias. 
 
 
 
12 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. Ministério da Indústria, Comércio e Serviços. ABDI – Agência Brasileira 
de Desenvolvimento Industrial. Agenda brasileira para a Indústria 4.0: o Brasil 
preparado para os desafios do futuro. Disponível em: 
<http://www.industria40.gov.br/>. Acesso em: 6 nov. 2019. 
CONCEIÇÃO, O. A. C. A centralidade do conceito de inovação tecnológica no 
processo de mudança estrutural. Revista Ensaios FEE, Porto Alegre, v. 21, n. 2, 
p. 58-76, 2000. 
FEENBERG, A. O que é Filosofia da Tecnologia? Disponível em: 
<https://www.sfu.ca/~andrewf/Feenberg_OQueEFilosofiaDaTecnologia.pdf>. 
Acesso em: 6 nov. 2019. 
FONTANINI, J. I. C.; CARVALHO, H. G. O papel das inovações incrementais em 
processos no ambiente industrial. Revista Tecnologia e Humanismo, v.19, n. 
29, 2005. Disponível em: <https://periodicos.utfpr.edu.br/rth/article/view/6367/401
8>. Acesso em: 6 nov. 2019. 
GRINSPUN, M. P. S. Educação Tecnológica. In: GRINSPUN, M. P. S. (Org.). 
Educação Tecnológica: desafios e perspectivas. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2009. 
INOVAR. Dicionário Michaelis, [S.d.]. Disponível em: 
<http://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues-
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MAGALHÃES, R.; VENDRAMINI, A. Os impactos da quarta revolução industrial. 
GVExecutivo, v. 17, n. 1., jan./fev. 2018. Disponível em: 
<http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/gvexecutivo/article/viewFile/74093/71
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PINHEIRO, N. A. M.; SILVEIRA, R. M. C. F.; BAZZO, W. A. O contexto científico-
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enfoque. Revista Iberoamericana de Educación, v. 49, n.1, 2009. 
PINHEIRO, N. A. M. Formar cidadãos crítico-reflexivos: a contribuição da 
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VERASZTO, E. V.; SILVA, D.; MIRANDA, N. A.; SIMOM, F. O. Tecnologia: 
buscando uma definição para o conceito. Prisma.com, n. 7, 2008. Disponível em: 
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https://periodicos.utfpr.edu.br/rth/article/view/6367/4018
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http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/gvexecutivo/article/viewFile/74093/71080
http://bibliotecadigital.fgv.br/ojs/index.php/gvexecutivo/article/viewFile/74093/71080
 
 
13 
<ojs.letras.up.pt/index.php/prismacom/article/download/2078/1913>. Acesso em: 
6 nov. 2019.

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