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Rita de Cassia Bomfim Leitão Higa (organizadora) Amanda Gea Del Trejo | Ana Carolina Ruiz de Lima Beatriz Bech Carvalho | Fabiana Quelho Witzler Ribeiro Fernanda Lopes de Carvalho | Gabrielly Del Valle Martins Ribeiro Nickson Robert de Sousa | Tainah Samecima Alvarenga Vitoria Pelegrin Dias Rantin Rita de Cassia Bomfim Leitão Higa (organizadora) Amanda Gea Del Trejo Ana Carolina Ruiz de Lima Beatriz Bech Carvalho Fabiana Quelho Witzler Ribeiro Fernanda Lopes de Carvalho Gabrielly Del Valle Martins Ribeiro Nickson Robert de Sousa Tainah Samecima Alvarenga Vitoria Pelegrin Dias Rantin 1ª. Edição Como citar: HIGA, R. C. B. L. (org.). Da pergunta ao aprendizado em Medicina LegalDa pergunta ao aprendizado em Medicina Legal. Presidente Prudente: Unoeste – Universidade do Oeste Paulista, 2021. 268 p. ISBN. 978-65-88185-09-4 Presidente Prudente-SP Unoeste – Universidade do Oeste Paulista 2021 Da pergunta ao aprendizado em Medicina Legal [recurso eletrônico] ISBN: 978-65-88185-09-4 Capa (criação/arte) | Dennis Pereira | Departamento de Marketing Unoeste Diagramação | Adalberto Camargo | Adalbacom (www.adalba.com.br) Revisores Dr. João Roberto Oba Dr. Luís Antônio Gilberti Panucci Catalogação na Publicação D111p Da pergunta ao aprendizado em Medicina Legal / organização Rita de Cassia Bom im Leitão Higa. -- 1.ed. – Presidente Prudente: Unoeste – Universidade do Oeste Paulista, 2021. 232 p.: il. color. Vários colaboradores. ISBN: 978-65-88185-09-4 1. Medicina Legal. 2. Ensino - aprendizagem. 3. Medicina Forense. 4. Universidade do Oeste Paulista. I. Higa, Rita de Cassia Bom im Leitão, organização. II. Del Trejo, Amanda Gea. III. Lima, Ana Carolina Ruiz de. IV. Carvalho, Beatriz Bech. V. Ribeiro, Fabiana Quelho Witzler. VI. Carvalho, Fernanda Lopes de. VII. Ribeiro, Gabrielly Del Valle Martins. VII. Sousa, Nickson Robert de. VIII. Alvarenga, Tainah Samecima. IX. Rantin, Vitoria Pelegrin Dias. X. Título. CDD 340.7 /23ª ed. Bibliotecária: Jakeline Queiroz Ortega – CRB 8/6246 DIREITOS DESSA PUBLICAÇÃO RESERVADOS PARA: Universidade do Oeste Paulista – Unoeste Rua: José Bongiovani, 700 – Cidade Universitária 19050-680 – Presidente Prudente – SP Telefone: (0xx18) 3229-1000 /2000 http://www.adalba.com.br APOIO Associação dos Médicos Legistas do Estado de São Paulo Celso Domene PRESIDENTE João Roberto Oba VICE-PRESIDENTE Marcus Vinicius Baptista Primeiro Secretário Luiz Frederico Hoppe Segundo Secretário Hideaki Kawata Primeiro Tesoureiro Nilton José Soares Segundo Tesoureiro Rita de Cássia Gava Diretor Social e Cientí ico Rita de Cassia Bom im Leitão Higa Diretor Representante do Interior TITULARES DO CONSELHO FISCAL Ricardo Kirche Cristo i José Claudio Sartorelli Diogo Crevatin Sheldon SUPLENTES DO CONSELHO FISCAL Carlos Alberto de Souza Coelho Antonio Carlos de Pádua Milagres Arnaldo Teixeira Ribeiro APRESENTAÇÃO DOS COLABORADORES Rita de Cassia Bom im Leitão Higa (organizadora) https://orcid.org/0000-0002-7960-4119 Graduada em Medicina pela Universidade Estadual de Londrina (UEL). Residência Médica em Medicina Preventiva e Social (UEL). Especialista em Medicina do Trabalho, Medicina Legal e Perícias Médicas. Pós-Graduação em Toxicologia Forense pela FEEVALE e University of Florida. Doutorado em Ciências – Área de Concentração: Patologia – Universidade de São Paulo (USP). Delegada do Conselho Regional de Medicina de São Paulo – período: 2008-2010. Membro da Câmara Técnica de Medicina Legal – período: 2007-2018. Delegada superintendente da Delegacia regional de Presidente Prudente da Associação Brasileira de Medicina Legal – período: 2015-2017. Médica Legista aposentada do IML de Presidente Prudente. Professora Responsável de Medicina Legal e Toxicologia da Faculdade de Medicina da Unoeste. Coordenadora do Centro de Assistência Toxicológica de Presidente Prudente. Diretora do Interior da Associação dos Médicos Legistas de Presidente Prudente. Amanda Gea Del Trejo https://orcid.org/0000-0002-9141-2566 Acadêmica da Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), Presidente Prudente. Tesoureira da Liga Acadêmica de Medicina Legal e Toxicologia Forense. Formada em Engenharia Química e com Pós- Graduação MBA em Gestão Empresarial. Ana Carolina Ruiz de Lima https://orcid.org/0000-0003-0466-0981 Acadêmica da Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista, Presidente Prudente. Diretora de Atividades práticas da Liga Acadêmica de Medicina Legal e Toxicologia Forense. Beatriz Bech Carvalho https://orcid.org/0000-0001-6799-7982 Acadêmica da Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista, Presidente Prudente. Membro da Liga Acadêmica de Medicina Legal e Toxicologia Forense. Fabiana Quelho Witzler Ribeiro https://orcid.org/0000-0002-6833-7502 Acadêmica da Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista, Presidente Prudente. Vice-presidente da Liga Acadêmica de Medicina Legal e Toxicologia Forense. Advogada graduada em Direito pela Unesp, campus de Franca-SP. Fernanda Lopes de Carvalho https://orcid.org/0000-0001-9109-6260 Acadêmica da Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista, Presidente Prudente. Secretária da Liga Acadêmica de Medicina Legal e Toxicologia Forense. Gabrielly Del Valle Martins Ribeiro https://orcid.org/0000-0003-2145-7723 Acadêmica da Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista, Presidente Prudente. Diretora de Atividades Práticas da Liga Acadêmica de Medicina Legal e Toxicologia Forense. Nickson Robert de Sousa https://orcid.org/0000-0002-2996-7886 Acadêmico da Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista, Presidente Prudente. Diretor Cientí ico da Liga Acadêmica de Medicina Legal e Toxicologia Forense. Tainah Samecima Alvarenga https://orcid.org/0000-0001-8212-4004 Acadêmica da Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista, Presidente Prudente. Presidente da Liga Acadêmica de Medicina Legal e Toxicologia Forense. Vitoria Pelegrin Dias Rantin https://orcid.org/0000-0002-7569-6765 Acadêmica da Faculdade de Medicina da Universidade do Oeste Paulista, Presidente Prudente. Membro da Liga Acadêmica de Medicina Legal e Toxicologia Forense. REVISORES Dr. João Roberto Oba https://orcid.org/0000-0002-336-2822 Graduado em Medicina pela Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (1990). Especialista em Medicina Legal e Perícias Médicas pela Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícias Médicas. MBA em Gestão Empresarial pela Fundação Getulio Vargas (FGV) do Rio de Janeiro. Médico Concursado do Instituto Médico- Legal de São Paulo e do Serviço de Veri icação de Óbito de Diadema-SP. Médico-Chefe do Instituto Médico- Legal de Diadema e do Serviço de Veri icação de Óbito de Diadema-SP. Professor da Faculdade de Direito de Diadema. Professor da Faculdade de Medicina Santa Marcelina. Ex-Membro da Câmara Técnica de Medicina Legal do CREMESP. Ex-Membro da Câmara Técnica de Assédio Sexual do CREMESP. Ex-Delegado do CREMESP Vila Mariana. Vice-Presidente da Associação dos Médicos Legistas do Estado de São Paulo. Tesoureiro da Associação Brasileira de Medicina Legal e Perícias Médicas (subseção São Paulo). Tesoureiro da Rede de Professores de Bioética. Dr. Luís Antônio Gilberti Panucci https://orcid.org/0000-0002-3539-7189 Graduado em Medicina pela Faculdade de Medicina de Vassouras (1995). Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pelo Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros-SP (2 anos de residência reconhecida pelo MEC), e 1 ano de especialização em Patologia Cervical e Mastologia pelo Hospital Brigadeiro-SP. Especialista em Ginecologia e Obstetrícia em 1998 (TEGO 373/98). Atua em Presidente Prudente-SP, em clínica privada, serviço público estadual e leciona na Unoeste (Universidade do Oeste Paulista), Presidente Prudente, curso de Medicina, disciplina de Ginecologia e Obstetrícia, desde 2005. Desde 2016 atua como Médico-Legista no IML doEstado de São Paulo. DEDICATÓRIA Aos peritos, médicos-legistas entre outros, que, todos os dias, por meio de seu trabalho honram a arte da Medicina Legal, aos professores desta disciplina e aos estudantes que com suas perguntas estimulam a renovação dessa ciência. AGRADECIMENTOS O momento de agradecer é o mais di ícil. Como expressar gratidão pelas pessoas que tornaram possível a realização desta obra? Não há como traduzir apenas em palavras esse sentimento, portanto esse espaço é insu iciente para este propósito. Agradeço à Universidade do Oeste Paulista, em especial à Faculdade de Medicina, que, por meio de sua direção e coordenação, sempre ofertou todas as condições estruturais e o apoio completo às atividades de ensino, pesquisa e extensão. Registramos o nosso mais profundo agradecimento ao ex-diretor Prof. Dr. Gabriel de Oliveira Lima Carapeba e ao atual diretor, Dr. Murilo de Oliveira Lima Carapeba, assim como aos coordenadores Dra. Nilva Galli, Prof. Dr. Fernando Antônio Mourão Valejo e Dra. Ilza Martha de Souza. À Profa. Dra. Claudia Alvares Calvo Alessi, coordenadora de extensão da FAMEPP, sempre presente em todas as atividades. Ao Dr. João Roberto Oba e ao Dr. Luís Antônio Gilberti Panucci, que disponibilizaram tempo e conhecimento para a revisão deste trabalho. Ao Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero pela gentil cessão de imagens de seu arquivo para a ilustração. À Associação dos Médicos Legistas do Estado de São Paulo (AMLESP) pelo seu usual apoio às iniciativas de propagação da Medicina Legal. À bibliotecária Jakeline Queiroz Ortega, que trabalhou arduamente em cada etapa deste livro para organizá-lo e editá-lo, tornando possível sua inalização. Ao Dennis Luiz Gomes Pereira e sua equipe do Departamento de Marketing da Unoeste pela criatividade e realização da arte da capa. Por im, é importante agradecer aos acadêmicos da LAMELT - Liga Acadêmica de Medicina Legal e Toxicologia Forense da Unoeste que aceitaram o grande desa io de escrever esta obra. Sua dedicação e esmero na busca das respostas, assim como sua resiliência em vencer as di iculdades de cada fase foi fundamental para a conclusão desta obra. Este é um livro feito por estudantes para estudantes da ciência que ilumina a justiça: a Medicina Legal. Com imensa alegria manifesto profunda gratidão a todos, reiterando meu respeito e admiração. A organizadora “As pessoas que não fazem perguntas permanecem ignorantes para o resto de suas vidas.” (Neil deGrasse Tyson) APRESENTAÇÃO É com imensa felicidade que vemos mais um projeto da Faculdade de Medicina de Presidente Prudente da Unoeste tomando forma. Que esse livro sobre Medicina Legal possa abrilhantar os estudos de pro issionais de saúde e do Direito com seus capítulos recheados de conteúdos atuais e essenciais para formação e atuação na área. Que seu conhecimento cresça a cada página virada. Que sua fome pelo saber aumente a cada novo desa io vencido. Prof. Dr. Gabriel de Oliveira Lima Carapeba NOTA A Faculdade de Medicina de Presidente Prudente-SP da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) prima por um ensino médico de qualidade e apoia sua pesquisa e seus projetos de extensão, além de oferecer incentivo ao docente em suas criações. Portanto, parabenizo a Profa. Dra. Rita de Cassia Bom im Leitão Higa pelo seu excelente trabalho: um livro de Medicina Legal que muito contribuirá para o ensino dos nossos discentes. Dra. Nilva Galli Coordenadora do Curso de Medicina, Presidente Prudente-SP Universidade do Oeste Paulista (Unoeste) PREFÁCIO Todos os pro issionais que trabalham no âmbito da atividade médico-legal sabem: que esta área envolve o contato quase diário com situações dramáticas e implica tocar nos corpos de existências subitamente interrompidas e o contatar com pessoas que carregam com elas os traumas de uma vida afetada pela tragédia e pelo infortúnio, por vezes até com o cheiro da morte colado ao corpo; e que ser especialista em Medicina Legal signi ica saber “escutar” o que um corpo tem para contar e ouvir as vozes das vítimas e das suas famílias, quantas vezes feita de gritos mudos de desespero e angústia, de dor e raiva. Com a sua intervenção, quem trabalha nesta área assegura que a Medicina Legal continue a atuar como ciência guardiã da justiça, a constituir um elemento fundamental para uma melhor e mais adequada aplicação desta, a ser elemento essencial na defesa de valores tão fundamentais quanto a honra, o bom nome, a liberdade e a dignidade da pessoa humana. O especialista em Medicina Legal esforça-se diariamente por ajudar, por não desistir deste mundo que nos coube. Trabalhar no âmbito da Medicina Legal exige um esforço constante de revisão e atualização do conhecimento. Essa é uma área do saber em permanente evolução, uma área na qual todo progresso – cientí ico, tecnológico, social, legislativo ou qualquer outro – tem sempre repercussões. É uma área com a qual os futuros pro issionais de saúde e do direito devem contatar logo na sua fase de formação pré-graduada para que entendam o seu alcance e as suas limitações, para que comecem a interiorizar e a absorver o que dela vão inevitavelmente precisar de dominar, independentemente da área de especialidade e de exercício pro issional pela qual venham a optar. Daí a necessidade: de livros de estudo e consulta elaborados a pensar essencialmente nos estudantes, a pensar naqueles que estão a dar os primeiros passos na descoberta do fascinante universo médico-legal; de obras que sejam simples e claras, com a leveza que um conhecimento inicial exige, mas simultaneamente com o rigor e a seriedade de que não podem transigir. Este livro é, indiscutivelmente, uma dessas obras e tem a vantagem de ser proporcionado em acesso aberto, garantindo a todos a possibilidade de o consultarem. Estamos perante obra que, por meio da resposta de um amplo leque de perguntas, nos proporciona uma viagem pela Medicina Legal, partindo da sua história e evolução para chegar à realidade prática pericial quotidiana, nas diversas áreas de atuação desta ciência guardiã da justiça, que sempre foi – e que sempre será – essencial para a aplicação desta, para a defesa de valores tão fundamentais quanto a honra, o bom nome, a liberdade e a dignidade da pessoa humana. Proporciona, assim, uma introdução ao conhecimento médico-legal, oferecendo diálogos entre a teoria e a realidade, entre o pensamento e a ação, entre o saber e a dúvida, sabendo estimular o debate produtivo de ideias e a re lexão individual. Podemos não concordar com algumas das perspectivas e re lexões expostas, mas é seguramente um proveitoso ensaio de inventividade e criatividade, muito útil para o estudante, com um enorme potencial como elemento de estímulo para uma iniciação devidamente fundamentada na atividade médico-legal e na sua realidade. Para além do conhecimento teórico, este livro oferece ainda ao leitor um interessante acervo de imagens da realidade prática médico-legal. Ora, a Medicina Legal é uma das áreas médicas em que a imagem tem uma particular relevância, até porque contextos traumáticos similares podem proporcionar aspectos por vezes bastante diversos. Daí a enorme importância também dos atlas de Medicina Legal como elementos essenciais para a difusão e consolidação do conhecimento cientí ico neste domínio. Atlas estes que decisões judiciais relativamente recentes terão posto genericamente em causa no Brasil, sem que tal faça qualquer sentido, desde que devidamente assegurados os princípios éticos e legais que devem nortear a publicação de imagens (e desde logo o anonimato relativamente à sua proveniência), como sucede com as publicadas nesta obra. Elaborado por um jovem grupo de entusiastas e dinâmicos acadêmicos da LAMELT (Liga de Medicina Legal e Toxicologia Forense) da Universidade do Oeste Paulista (Unoeste), atuando sob a organização e coordenação atenta de uma pro issional médico- legal muitoexperiente e competente, a Professora Rita Higa, e concretizado com o apoio da Associação dos Médicos Legistas do Estado de São Paulo, este livro honra a Medicina Legal de São Paulo e do Brasil, testemunhando o trabalho empenhado, dedicado e sério desenvolvido no seio da universidade brasileira. Assegura-nos que a Medicina Legal deste país está a saber concretizar a renovação necessária, que lhe permitirá continuar a olhar o futuro com otimismo e con iança. Trata-se de um livro que, como se refere no seu prefácio, foi feito por estudantes e para estudantes, mas cujas análise e leitura serão também relevantes para os pro issionais experientes, permitindo nomeadamente rever conceitos, comparar situações práticas, assim como ampliar ou consolidar conhecimentos e perspectivas. Este é um livro cuja qualidade surge também assegurada pela atenta revisão de dois respeitados pro issionais e docentes, os Professores João Roberto Oba e Luís Antônio Panucci, e que se distingue ainda pela forma abrangente e completa da abordagem dos temas, pelo didatismo que o caracteriza, pela visão fresca que proporciona, pela acessibilidade que oferece. É um livro cuja leitura nos apraz recomendar, na certeza de que nele encontrará o estudante elementos fundamentais para iniciar o conhecimento das múltiplas problemáticas inerentes à atividade médico-legal, para iniciar uma aprendizagem médico- legal concretizada com sensibilidade e bom senso, correta, e icaz e humanizada. Coimbra, Outubro de 2020. Duarte Nuno Vieira Professor catedrático da Faculdade de Medicina de Coimbra e Diretor do Coimbra University Centre for Humanitarian and Human Rights Forensic Research and Training. Presidente do Conselho Cientí ico Consultivo do Procurador do Tribunal Penal Internacional e da Rede Ibero-americana de Instituições de Medicina Legal e Ciências Forenses e Vice-Presidente da Confederação Europeia de Especialistas em Avaliação e Reparação do Dano Corporal. Presidiu a Academia Internacional de Medicina Legal, a Associação Internacional de Ciências Forenses, a Associação Mundial de Médicos de Polícia, a Academia Mediterrânea de Ciências Forenses, o Conselho Europeu de Medicina Legal, a Associação Latino- Americana de Direito Médico, a Thematic Federation on Legal and Forensic Medicine da União Europeia de Médicos Especialistas, a Associação Portuguesa de Avaliação do Dano Corporal, entre outras. Tem exercido funções como Consultor Forense Temporário no âmbito do Alto Comissariado dos Direitos Humanos das Nações Unidas e é membro do grupo internacional de peritos do Comitê Internacional da Cruz Vermelha e do Conselho Internacional de Reabilitação de Vítimas de Tortura, tendo participado em dezenas de missões internacionais. Foi Diretor do Instituto de Medicina Legal de Coimbra, Presidente do Instituto Nacional de Medicina Legal e Ciências Forenses, do Conselho Médico-Legal, do Conselho Superior de Medicina Legal e do Colégio da Especialidade de Medicina Legal e Diretor da Faculdade de Medicina de Coimbra, entre numerosas outras funções. Publicou mais de 300 artigos cientí icos e é autor ou coautor de 13 livros. É Editor-Chefe da revista Forensic Science Research e integra os conselhos editoriais de revistas cientí icas de 18 países europeus, asiáticos, africanos e americanos. Recebeu 15 prêmios cientí icos, entre eles a Douglas Medal Award (em 2014), o Clyde Snow e o Milton Helpern Awards (em 2020), da Academia Americana de Ciências Forenses, assim como 18 distinções honorí icas de diferentes governos, municípios, universidades e sociedades cientí icas. Exerce também atualmente funções como professor visitante das Universidades de Belgrado (Sérvia), Xi’an Jiaotong (China) e Kasturba Medical College (Índia). LISTA DE IMAGENS Imagem 1 – Ilustração do pai da Medicina Legal – Ambroise Paré . . . . . . . . . . . . 24 Imagem 2 – Ilustração de cena de crime . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 Imagem 3 – Ilustração de Cena de Crime . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31 Imagem 4 – Modelos das diferentes fases (masculino e feminino) da extremidade esternal da costela, segundo Işcan, Loth e Wright (1993) – France Casting – Determinação de faixa etária . . . . . . . . . 49 Imagem 5 – Modelos de sín ise pubiana masculina Suchey-Brooks para determinação de faixa etária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 Imagem 6 – Modelos de sín ise pubiana feminina Suchey-Brooks para determinação de faixa etária . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 50 Imagem 7 – Tatuagem pode ser útil na identi icação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52 Imagem 8 – Desenho digital – conjunto de cristas e sulcos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 53 Imagem 9 – Impressão digital – presilha interna – presença de núcleo e delta à direita . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 54 Imagem 10 – Esqueletização – Fenômeno transformativo destrutivo . . . . . . . . . . 65 Imagem 11 – Mumi icação – fenômeno transformativo conservador . . . . . . . . . . 67 Imagem 12 – Tecnologia genética . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74 Imagem 13 – Fratura de íbula com grampos cirúrgicos e equimose – instrumento contundente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 80 Imagem 14 – Escoriação terceiro dia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 81 Imagem 15 – Ferida contusa com sutura – instrumento contundente . . . . . . . . . . 81 Imagem 16 – Radiogra ia – fratura completa de quinto metacarpo – instrumento contundente . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 82 Imagem 17 – Lesão por ação contundente (martelo) na calota craniana . . . . . . . 82 Imagem 18 – Ferimento por ação contundente – martelo . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 Imagem 19 – Hemorragia intraventricular . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 83 Imagem 20 – Equimose – ferida por instrumento contundente . . . . . . . . . . . . . . . . 85 Imagem 21 – Precipitação – caso 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86 Imagem 22 – Lesão por precipitação – caso 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 86 Imagem 23 – Lesão por precipitação – caso 1 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 Imagem 24 – Precipitação – caso 2 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 87 Imagem 25 – Impressão do pavimento – precipitação – caso 2 . . . . . . . . . . . . . . . . 88 Imagem 26 – Lesão por atropelamento ferroviário . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 88 Imagem 27 – Instrumento cortante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 89 Imagem 28A – Ferida incisa com sutura – instrumento com ação cortante . . . . . 90 Imagem 28B – Cicatriz de ferida incisa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 90 Imagem 29 – Instrumento perfurante – atua por pressão ou percussão . . . . . . . 92 Imagem 30 – Revólver . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 Imagem 31 – Pistola . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 Imagem 32 – Fuzil . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 93 Imagem 33 – Projétil de arma de fogo (PAF) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 Imagem 34 – Radiogra ia – PAF1 . . . . . . . . . . . . . . . . .. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 94 Imagem 35 – Radiogra ia – PAF2. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 95 Imagem 36 – Ferimento de entrada – tiro a distância . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 97 Imagem 37 – Instrumento perfurocortante – instrumento de ponta e gume . . 98 Imagem 38 – Instrumento perfurocortante – instrumento de ponta e gume . . 99 Imagem 39 – Ferimento por ação perfurocortante . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 100 Imagem 40 – Instrumento cortocontundente. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 101 Imagem 41 – Aspiração . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108 Imagem 42 – Edema pulmonar . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 108 Imagem 43 – Ilustração – Enforcado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 111 Imagem 44 – Enforcamento . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 112 Imagem 45 – Enforcado - sinal de Friedberg . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113 Imagem 46 – Sinal de Friedberg . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113 Imagem 47 – Corrente – enforcamento atípico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113 Imagem 48 – Enforcamento atípico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114 Imagem 49 – Enforcamento atípico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 114 Imagem 50 – Ilustração de amputação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 123 Imagem 51A – Ilustração de feto com 7 semanas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151 Imagem 51B – Ilustração de feto com 10 semanas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 151 Imagem 51C – Ilustração de feto com 12 semanas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152 Imagem 51D – Ilustração de fetos com 7 a 12 semanas . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 152 Imagem 52 – Toxicologia – intoxicação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 163 Imagem 53 – Depressores do SNC . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 164 Imagem 54 – Intoxicação por benzodiazepínicos – cavidade oral . . . . . . . . . . . . 165 Imagem 55 – Intoxicação por benzodiazepínicos – conteúdo gástrico . . . . . . . . 165 Imagem 56 – Intoxicação por benzodiazepínicos – cianose ungueal . . . . . . . . . . 165 Imagem 57 – Droga Psicoléptica – Ópio . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166 Imagem 58 – Cigarro . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 166 Imagem 59 – Droga Psicoanaléptica – Cocaína . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 Imagem 60 – Bolsas contendo cocaína – body packer . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 167 Imagem 61 – Maconha . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 168 Imagem 62 – Droga psicodisléptica – Psilocybe cubensis . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 168 Imagem 63 – Ilustração de bebida com álcool etílico . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 169 SUMÁRIO APRESENTAÇÃO | Gabriel de Oliveira Lima Carapeba NOTA | Nilva Galli PREFÁCIO | Duarte Nuno Vieira INTRODUÇÃO | Rita de Cassia Bom im Leitão Higa . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 20 CAPÍTULO I | EXÓRDIO AO ESTUDO DE MEDICINA LEGAL . . . . . . . . . . . . . . . 22 CAPÍTULO II | VESTÍGIOS, CORPO DE DELITO, PERITOS E PERÍCIAS . . . . .29 CAPÍTULO III | DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 37 CAPÍTULO IV | ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 42 CAPÍTULO V | TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 57 CAPÍTULO VI | GENÉTICA FORENSE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 73 CAPÍTULO VII | TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 78 CAPÍTULO VIII | SEXOLOGIA FORENSE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 129 CAPÍTULO IX | TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 141 CAPÍTULO X | ABORTO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .150 CAPÍTULO XI | INFANTICÍDIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .156 CAPÍTULO XII | TOXICOLOGIA FORENSE . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .162 CAPÍTULO XIII | IMPUTABILIDADE PENAL . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .172 POSFÁCIO | José L. Prieto . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .177 REFERÊNCIAS . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .180 INTRODUÇÃO 20 INTRODUÇÃO Os encontros da LAMELT Liga Acadêmica de Medicina Legal e Toxicologia Forense da Faculdade de Medicina da Unoeste são momentos de re lexão e aprendizado da Medicina Legal. Dessa maneira, muitas atividades são desenhadas a im de propagar o ensino, a pesquisa e a extensão nesta área. Em um desses eventos, no inal de 2019, a ideia de construir um livro baseado em perguntas foi aclamada pelos participantes. O processo de construção do livro foi organizado em etapas. O primeiro passo foi a elaboração das perguntas e envio delas aos acadêmicos. O segundo passo foi a pesquisa e a elaboração das respostas por parte dos acadêmicos, que, ao terminarem, enviaram esse material à organizadora, que o distribuiu também para os revisores interno e externo. O terceiro passo foi a análise da organizadora e dos revisores. Dependendo da situação, o texto voltou ao acadêmico para que ele izesse alterações, assim como houve inserções, exclusões e implantação de novos textos pela organizadora e revisores. O quarto passo foi encaminhar o livro para a bibliotecária, que organizou as citações e remeteu à avaliação e correção da organizadora. Os últimos passos incluíram as revisões ortográ ica, referencial e diagramação da obra, que inalmente disponibilizaram o conteúdo deste exemplar em 13 capítulos. O capítulo I, Exórdio ao Estudo de Medicina Legal, apresenta uma introdução à Medicina Legal, sua história e os cientistas que tiveram atuações internacional e nacional destacadas. O capítulo II, Vestígios, Corpo de Delito, Peritos e Perícias, demonstra esses elementos e sua importância para a elucidação dos eventos. INTRODUÇÃO 21 O capítulo III, Documentos Médico-Legais, descreve os documentos e suas peculiaridades. O capítulo IV, Antropologia Médico-Legal, visa discorrer sobre as técnicas de identi icação do vivo e do morto. O capítulo V, Tanatologia Médico-Legal, Tafonomia e Taxonomia Forenses, de ine, respectivamente, a morte, os tipos de morte e aspectos técnicos da cronotanatognose; estuda a ação externa na evolução cadavérica de interesse médico-legal; e avalia os pontos de conservação e destruição do cadáver que se distinguem do rito tanatológico. O capítulo VI, Genética Forense, apresenta os conhecimentos das técnicas moleculares na identi icação humana. O capítulo VII, Traumatologia Médico-Legal, é o capítulo mais extenso. Nele são descritos os diferentes tipos de lesões causadas por energias de ordens mecânica, ísica, química, ísico-química, bioquímica, biodinâmica e mista. O capítulo VIII, Sexologia Forense, traz uma abordagem aos crimessexuais. O capítulo IX, Transtornos da Sexualidade, expõe as alterações qualitativas ou quantitativas da sexualidade: as para ilias. O capítulo X, Aborto, apresenta a de inição, tipos, complicações e outros aspectos médico-legais sobre o tema. O capítulo XI, Infanticídio, aborda o crime, objetivos da perícia, provas de vida extrauterinas e demais tópicos a ins. O capítulo XII, Toxicologia Forense, discorre sobre drogas, conceituação, classi icação e visão médico-legal sobre o tema. O capítulo XIII, Imputabilidade Penal, de ine o termo, apresenta os respectivos modi icadores, conceitua capacidade civil e apresenta as leis e tópicos referentes ao tema, inalizando o conteúdo desta obra. Estamos cônscios de que, apesar de todo o esforço para buscar informações atualizadas, um livro sempre será uma obra em construção. Dessa forma, o livro apresenta imperfeições, posto que resulta de ação humana. No entanto, esperamos que seja uma fonte de informações relevantes para os estudos de estudantes e pro issionais que pretendam prestar concursos e procurem uma revisão sumarizada. Rita de Cassia Bom im Leitão Higa Organizadora CAPÍTULO I – EXÓRDIO AO ESTUDO DE MEDICINA LEGAL CAPÍTULO I – EXÓRDIO AO ESTUDO DE MEDICINA LEGAL 23 CAPÍTULO I EXÓRDIO AO ESTUDO DE MEDICINA LEGAL 1 | Conceituar Medicina Legal. RESPOSTA: Medicina Legal é a ciência que utiliza os saberes médicos em prol da Justiça. Fundamenta a elaboração de leis, que é uma atividade da administração judiciária, e consolida a doutrina, com o intuito de resguardar os direitos e interesses do homem e da sociedade (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012; HERCULES, 2011). 2 | Citar as disciplinas da Medicina Legal. RESPOSTA: Antropologia forense, Traumatologia médico-legal, Sexologia forense, Tanatologia forense, Toxicologia forense, As ixiologia médico-legal, Psicologia forense, Psiquiatria forense, Genética forense, Criminalística, Criminologia, Infortunística e Vitimologia (FRANÇA, 2017). 3 | Listar exemplos de professores renomados de Medicina Forense. RESPOSTA: Ambroise Paré (1517-1590), reputado como o pai da Medicina Legal; Alphonse Devergie (1798-1879) foi um dos pioneiros da Medicina Forense na França; Júlio Afrânio Peixoto (1876-1947) e sua grande importância na história do IML do Rio de Janeiro; Agostinho José de Souza Lima (1842-1921) foi um professor da cadeira de Medicina Legal e Toxicologia na Faculdade de Medicina CAPÍTULO I – EXÓRDIO AO ESTUDO DE MEDICINA LEGAL 24 e de Direito do Rio de Janeiro; Oscar Freire de Carvalho (1882-1923) foi discípulo de Nina Rodrigues; Flamínio Fávero (1895-1982) foi professor catedrático de Medicina Legal na Universidade de São Paulo; entre outros (FRANKLIN, 2019). Imagem 1 – Ilustração do pai da Medicina Legal – Ambroise Paré Foto de Chantal Mure | Fonte: Pixabay. Disponível em: https://pixabay.com/pt/photos/m%C3%A9dico-idade-m%C3%A9dia-ambroise- par%C3%A9-1242603/. Acesso em: 7 ago. 2020. CAPÍTULO I – EXÓRDIO AO ESTUDO DE MEDICINA LEGAL 25 4 | Apresentar a divisão histórica da Medicina Legal. RESPOSTA: A história da Medicina Legal se apresenta dividida em: “Antiga, Romana, Média, Canônica e Moderna ou Cientí ica” (FRANKLIN, 2019 p. 4-5). 5 | Descrever o período histórico Antigo da Medicina Legal. RESPOSTA: Já nos tempos de Hipócrates e Aristóteles havia anotações sobre prematuridade e a vida do feto. O Código Penal mais antigo foi o Código de Hamurabi, do século XVIII a.C. A prática de embalsamento de corpos também era utilizada no Egito Antigo. No Código de Manu, do século V a.C., e na Lei das XII Tábuas, no Império Romano de 449 a.C., já se dispunha sobre as testemunhas. Parece que a primeira noti icação de um trabalho médico-legal foi o Hsi Yuan Lu, escrito na China, no qual foi abordado o exame após a morte. O trabalho abordava os venenos e os antídotos, como também as orientações acerca da respiração arti icial (FRANKLIN, 2019; HERCULES, 2011; PEREIRA; GUSMÃO, 2001; RIVAS, [201?]). 6 | Descrever o período histórico Romano da Medicina Legal. RESPOSTA: O período histórico Romano é dividido em duas fases: Pré-Reforma de Justiniano e Pós-Reforma de Justiniano. A Lex Regia (por Numa Pompílio) foi a referência histórica da primeira fase, que determinava a histerotomia quando ocorria a morte de mulheres grávidas. Nesse período, também houve a implantação do exame externo dos corpos com o objetivo de examinar os ferimentos letais, já que as necropsias não eram permitidas. Houve, na reforma justiniana, a determinação de que não deveria haver testemunho, mas, sim, ajuizamento. Por im, o Digesto determina a intervenção de parteiras para examinação de gravidez e a Lei Aquila dispõe sobre a letalidade dos ferimentos (FRANKLIN, 2019; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 7 | Descrever o período histórico Médio da Medicina Legal. RESPOSTA: Esse intervalo de tempo foi aquele no qual a contribuição foi mais objetiva do médico à Justiça por meio do parecer médico CAPÍTULO I – EXÓRDIO AO ESTUDO DE MEDICINA LEGAL 26 em alguns julgamentos (CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012; PEREIRA; GUSMÃO, 2001). 8 | Descrever o período histórico Canônico da Medicina Legal. RESPOSTA: O período histórico Canônico foi marcado pela proclamação do Código Criminal de Carlos V e durou por volta de 400 anos (1200-1600 d.C.). Durante esse período foi restabelecida a obrigatoriedade das perícias médico-legais, que deveriam ser apresentadas antes das deliberações judiciais, em casos de gravidez, aborto, partos na clandestinidade, lesões ou assassinatos (CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012; PEREIRA; GUSMÃO, 2001). 9 | Descrever o período histórico Científico da Medicina Legal. RESPOSTA: O período histórico Cientí ico da Medicina Legal teve seu início no ano de 1602 com o lançamento do livro De Relationibus Libri Quatuor in Quibus et Omnia quae in Forensibus ac Publicis Causis Medici Preferre Solent Plenissime Traduntur, de Fortunatus Fidelis. Esse foi o primeiro tratado que discorria sobre Medicina Legal de uma maneira vasta e íntegra. No mesmo período histórico, Paolo Zacchias publicou a obra Quaestiones Medico-Legales Opus Jurisperitis Maxime Necessarium Medicis Perutilis, em que não relacionou a Medicina Legal à Saúde Pública, como fazia a maioria dos autores da época. Zacchias foi considerado por alguns o pai da Medicina Legal. O desenvolvimento da Medicina Legal continuou no século XVIII, no entanto, na metade inicial do século XIX foi que aconteceu a sua consolidação. Nesse período, foi lançada na Alemanha a primeira magazine especializada em Medicina Legal e criado o primeiro Instituto Médico Legal em Viena. Na segunda parte do século XIX, a Medicina Legal foi con irmada como ciência e passou a ser estudada em diferentes universidades na Europa, América e no Brasil (FRANÇA, 2017; COÊLHO, 2010). CAPÍTULO I – EXÓRDIO AO ESTUDO DE MEDICINA LEGAL 27 10 | Descrever sucintamente as fases históricas da Medicina Legal no Brasil. RESPOSTA: A fase inicial da Medicina Legal brasileira ocorreu ainda durante a época colonial. Nessa época, a Medicina Legal teve in luência francesa e um pouco menos italiana e alemã, tendo o foco na área da Toxicologia. A segunda fase ocorreu no século XIX, quando surgiu Agostinho de Souza Lima (1842-1921), responsável por dar início à instrução prática da Medicina Forense e desenvolver ensaios laboratoriais ligadas à Toxicologia. Nesse período, também houve uma tentativa leiga de interpretação e comentários médico-legais sobre as leis brasileiras. Já a terceira fase se iniciou com a criação de uma escola especializada em Medicina Legal na Bahia por Raymundo Nina Rodrigues, determinando a expansão do ensino e estímulo à fundação de novos institutos no país (CROCE; CROCE JÚNIOR, 2011; PEREIRA; GUSMÃO, 2001). 11 | Classificar a Medicina Legal com relação ao aspecto histórico. RESPOSTA: A Medicina Legal é classi icada, no aspecto histórico, em suas fases de evolução: “Pericial, Legislativa,Doutrinária e Filosó ica” (FRANÇA, 2017, p. 7). 12 | Classificar a Medicina Legal com relação ao aspecto profissional. RESPOSTA: A Medicina Legal, no aspecto pro issional, divide-se em: “Pericial, Criminalística e Antropologia Médico-Legal” (FRANÇA, 2017, p. 7). 13 | Classificar a Medicina Legal com relação ao aspecto doutrinário. RESPOSTA: A Medicina Legal, no aspecto doutrinário, divide-se em: “Penal, Civil, Canônica, Trabalhista e Administrativa” (FRANÇA, 2017, p. 8). CAPÍTULO I – EXÓRDIO AO ESTUDO DE MEDICINA LEGAL 28 14 | Classificar a Medicina Legal da perspectiva didática. RESPOSTA: A Medicina Legal, da perspectiva didática, segundo França (2017), é dividida em: Geral e Especial. A Medicinal Legal Geral, denominada de Jurisprudência Médica, diz respeito às obrigações e deveres e aos direitos dos médicos, referentes à deontologia e à diceologia, respectivamente. Elenca tópicos que norteiam o médico em seu exercício pro issional, como Ética Médica, Sigilo Pro issional, Honorários, entre outros. A Medicina Legal Especial apresenta em sua divisão as seguintes disciplinas: Antropologia médico-legal, Traumatologia médico-legal, Toxicologia forense, Tanatologia médico-legal, As ixiologia médico- legal, Sexologia forense, Psiquiatria forense, Psicologia forense, Infortunística, Criminalística, Criminologia, Vitimologia, Genética forense e Medicina Desportiva (FRANÇA, 2017). REFERÊNCIAS – CAPÍTULO I COÊLHO, B. F. Histórico da Medicina Legal. R. Fac. Dir. Univ. SP, v. 105, p. 355-362, jan./dez. 2010. CROCE, D.; CROCE JÚNIOR, D. Manual de Medicina Legal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. FRANKLIN, R. Medicina Forense aplicada. Rio de Janeiro: Rubio, 2019. HERCULES, H. C. Medicina Legal: texto e atlas. São Paulo: Atheneu, 2011. PEREIRA, G. O.; GUSMÃO, L. C. B. Medicina Legal. 2001. Disponível em: http://www.malthus.com.br/rw/forense/Medicina_Legal_2004_ gerson.pdf. Acesso em: 5 jun. 2020. RIVAS, C. Elementos Históricos da Medicina Legal. Jusbrasil, [201?] Disponível em: https://caiorivas.jusbrasil.com.br/artigos/529824770/ elementos-historicos-da-medicina-legal. Acesso em: 17 ago. 2020. CAPÍTULO II – VESTÍGIOS, CORPO DE DELITO, PERITOS E PERÍCIAS CAPÍTULO II – VESTÍGIOS, CORPO DE DELITO, PERITOS E PERÍCIAS 30 CAPÍTULO II VESTÍGIOS, CORPO DE DELITO, PERITOS E PERÍCIAS 15 | Citar o artigo 6º. do Código de Processo Penal. RESPOSTA: “Art. 6º Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade policial deverá: I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais; II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos peritos criminais; III - colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas circunstâncias; IV - ouvir o ofendido; V - ouvir o indiciado, com observância, no que for aplicável, do disposto no Capítulo III do Título VII, [...], devendo o respectivo termo ser assinado por duas testemunhas que lhe tenham ouvido a leitura; VI - proceder a reconhecimento de pessoas e coisas e a acareações; VII - determinar, se for caso, que se proceda a exame de corpo de delito e a quaisquer outras perícias; VIII - ordenar a identi icação do indiciado pelo processo datiloscópico, se possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes; IX - averiguar a vida pregressa do indiciado, sob o ponto de vista individual, familiar e social, sua condição econômica, sua atitude e estado de ânimo antes e depois do crime e durante ele, e quaisquer outros elementos que contribuírem para a apreciação do seu temperamento e caráter; CAPÍTULO II – VESTÍGIOS, CORPO DE DELITO, PERITOS E PERÍCIAS 31 X - colher informações sobre a existência de ilhos, respectivas idades e se possuem alguma de iciência e o nome e o contato de eventual responsável pelos cuidados dos ilhos, indicado pela pessoa presa” (BRASIL, 1941). Imagem 2 – Ilustração de cena de crime Fonte: Designed by freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/vetores-gratis/cena-do-crime- local-do-crime-com- ita-amarela-da policia_6362807.htm#page=1&query=cena%20de%20crime%20 &position=40. Acesso em: 29 mar. 2021. Imagem 3 – Ilustração de Cena de Crime Fonte: Disponível em: https://br.freepik.com/vetores-gratis/ilustracao-de-estilo-simples-de-cena- de-crime_4278189.htm#query=crime%20scene%20ambul%C3%A2ncia&position=0. Acesso em: 29 mar. 2021. CAPÍTULO II – VESTÍGIOS, CORPO DE DELITO, PERITOS E PERÍCIAS 32 16 | Definir prova. RESPOSTA: Prova é o componente que comprova o fato, e a perícia busca a obtenção da prova (FRANÇA, 2017). 17 | Definir corpo de delito, corpo de delito direto e indireto. RESPOSTA: O corpo de delito fornece tipicidade e materialidade ao crime, sendo, portanto, o elenco de marcas ou sinais restados pelo delito, materiais ou não. O corpo de delito pode ser: direto ou indireto. Corpo de delito direto é o grupo de vestígios materiais que podem ser comprovados pelos peritos, como em lesões corporais e homicídios. Entende-se como corpo de delito indireto quando essas provas não são materiais, sendo então substituídas por prova testemunhal, como nos casos de injúria, desacato, e/ou prova documental. A ausência da análise do corpo de delito pode levar à anulação processual (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 18 | Definir, listar e descrever as modalidades de peritos. RESPOSTA: Peritos são pro issionais habilitados pelo tribunal e autoridades competentes a esclarecerem argumentos em um processo. Podem ser: perito judicial, perito o icial de âmbito criminal, perito criminal não o icial (Ad hoc) e perito arbitral. O perito judicial é o experto que tem inscrição em seu Conselho de classe, integrante da área de atuação e mantido pelo próprio tribunal. O perito o icial na área criminal é um servidor público com titularidade acadêmica, concursado em exame público. O perito criminal não o icial (Ad hoc) é nomeado quando há falta de perito criminal o icial, podendo ser os policiais civis que estão no local, pro issionais liberais, servidores públicos de outros órgãos, professores universitários, entre outros, desde que atendam aos requisitos necessários. O perito arbitral é o pro issional liberal designado pelo juiz, devendo estar inscrito em seu Conselho de classe e com o objetivo de esclarecer as questões duvidosas que prescindem da apreciação do experto (CAMARA E SILVA, 2018; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). CAPÍTULO II – VESTÍGIOS, CORPO DE DELITO, PERITOS E PERÍCIAS 33 19 | Diferenciar a atuação do médico assistente da atuação do médico perito. RESPOSTA: O médico assistente trata o paciente. Dessa maneira, está impedido de atuar como perito de processo do qual este faça parte. O médico assistente deve preservar o sigilo médico. Assim as atividades de médico assistente são incompatíveis com as atividades periciais envolvendo seu paciente. Resumindo, o médico assistente atende o paciente, enquanto o médico perito ao periciando (ZARZUELA, 1993). 20 | Definir assistente técnico. RESPOSTA: É facultado ao assistente técnico pela lei processual civil o acompanhamento do pro issional na elaboração de provas, icando responsável por supervisioná-las e descrevê-las em um documento, assim como as suas conclusões após o perito realizar a entrega do laudo pericial (FRANÇA, 2017). 21 | Citar o artigo 156 do CPP. RESPOSTA: “Art. 156. A prova da alegação incumbirá a quem a izer, sendo, porém, facultado ao juiz de o ício: I – ordenar, mesmo antes de iniciada a ação penal, a produção antecipada de provas consideradas urgentes e relevantes, observando a necessidade, adequação e proporcionalidade da medida; II – determinar, no curso da instrução, ou antes de proferir sentença, a realização de diligências para dirimir dúvida sobre ponto relevante” (BRASIL, 1941). 22 | Citar o artigo 158 do CPP.RESPOSTA: “Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a con issão do acusado. Parágrafo único. Dar-se-á prioridade à realização do exame de corpo de delito quando se tratar de crime que envolva: I - violência doméstica e familiar contra mulher; CAPÍTULO II – VESTÍGIOS, CORPO DE DELITO, PERITOS E PERÍCIAS 34 II - violência contra criança, adolescente, idoso ou pessoa com de iciência” (BRASIL, 1941). 23 | Citar o artigo 159 do CPP. RESPOSTA: “Art. 159. O exame de corpo de delito e outras perícias serão realizados por perito o icial, portador de diploma de curso superior. § 1º Na falta de perito o icial, o exame será realizado por 2 (duas) pessoas idôneas, portadoras de diploma de curso superior preferencialmente na área especí ica, dentre as que tiverem habilitação técnica relacionada com a natureza do exame. § 2º Os peritos não o iciais prestarão o compromisso de bem e ielmente desempenhar o encargo. § 3º Serão facultadas ao Ministério Público, ao assistente de acusação, ao ofendido, ao querelante e ao acusado a formulação de quesitos e indicação de assistente técnico. § 4º O assistente técnico atuará a partir de sua admissão pelo juiz e após a conclusão dos exames e elaboração do laudo pelos peritos o iciais, sendo as partes intimadas desta decisão. § 5º Durante o curso do processo judicial, é permitido às partes, quanto à perícia: I – requerer a oitiva dos peritos para esclarecerem a prova ou para responderem a quesitos, desde que o mandado de intimação e os quesitos ou questões a serem esclarecidas sejam encaminhados com antecedência mínima de 10 (dez) dias, podendo apresentar as respostas em laudo complementar; II – indicar assistentes técnicos que poderão apresentar pareceres em prazo a ser ixado pelo juiz ou ser inquiridos em audiência. § 6º Havendo requerimento das partes, o material probatório que serviu de base à perícia será disponibilizado no ambiente do órgão o icial, que manterá sempre sua guarda, e na presença de perito o icial, para exame pelos assistentes, salvo se for impossível a sua conservação. § 7º Tratando-se de perícia complexa que abranja mais de uma área de conhecimento especializado, poder-se-á designar a atuação de mais de um perito o icial, e a parte indicar mais de um assistente técnico” (BRASIL, 1941). CAPÍTULO II – VESTÍGIOS, CORPO DE DELITO, PERITOS E PERÍCIAS 35 24 | Listar os quesitos oficiais da lesão corporal. RESPOSTA: “PRIMEIRO – Se há ofensa à integridade corporal ou à saúde do paciente; SEGUNDO – Qual o instrumento ou meio que produziu a ofensa?; TERCEIRO – Se resultou incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias; QUARTO – Se resultou perigo de morte; QUINTO – Se resultou debilidade permanente de membro, sentido ou função; SEXTO – Se resultou aceleração do parto; SÉTIMO – Se resultou perda ou inutilização do membro, sentido ou função; OITAVO – Se resultou incapacidade permanente para o trabalho, ou enfermidade incurável; NONO – Se resultou deformidade permanente; DÉCIMO – Se resultou aborto” (FRANÇA, 2017, p. 40). 25 | Listar os quesitos de aborto. RESPOSTA: Os quesitos o iciais de aborto são: “Primeiro – Houve aborto? Segundo – Foi ele provocado? Terceiro – Qual foi o meio de provocação? Quarto – Em consequência do aborto ou do meio empregado para provocá-lo, sofreu a gestante: incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias, perigo de morte, debilidade permanente de membro, sentido ou função, incapacidade permanente para o trabalho, enfermidade incurável, perda ou inutilização de membro, sentido ou função ou deformidade permanente? Quinto – Era a provocação do aborto o único meio de salvar a vida da gestante? Sexto – A gestante é alienada ou débil mental?” (RIBEIRO; ALENCAR JÚNIOR, 2013; COELHO; JORGE JÚNIOR, 2008; LEOPOLDO E SILVA; 2008). 26 | Listar os quesitos de exame necroscópico. RESPOSTA: “1) Se houve morte; 2) Qual a causa da morte; 3) Qual o instrumento ou meio que produziu a morte; 4) Se foi produzida por meio de veneno, fogo, explosivo, as ixia ou tortura, ou por outro meio insidioso ou cruel” (FRANÇA, 2017, p. 41). CAPÍTULO II – VESTÍGIOS, CORPO DE DELITO, PERITOS E PERÍCIAS 36 REFERÊNCIAS – CAPÍTULO II BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Decreto-Lei nº 3.689, de 3 de outubro de 1941. Diário O icial da União, Brasília, DF, 13 out. 1941. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto-lei/del3689.htm. Acesso em: 10 jul. 2020. CAMARA E SILVA, E. S. Direito Processual Civil. Revista Âmbito Jurídico, 170, ano XXI, mar. 2018. Disponível em: https:// ambitojuridico.com.br/cadernos/direito-processual-civil/a- atuacao-pro issional-na-pericia/. Acesso em: 22 jul. 2020. COELHO, C. A. S.; JORGE JÚNIOR, J. J. Manual técnico-operacional para os Médicos-Legistas do Estado de São Paulo. São Paulo: CREMESP, 2008. CROCE, D.; CROCE JÚNIOR, D. Manual de Medicina Legal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. LEOPOLDO E SILVA, Fernando Duarte. Fundamentos médicos e jurídicos do atendimento ao aborto. 2008. Monogra ia (Especialização) – Escola Paulista de Direito, SP, 2008. RIBEIRO, G. G.; ALENCAR JÚNIOR, C. A. Abortamento [Internet]. 2013. Disponível em: http://www.meac.ufc.br/arquivos/ biblioteca_cienti ica/File/PROTOCOLOS%20OBSTETRICIA/ obstetriciaabril2013/obstetriciacap1.pdf. Acesso em: 2 set. 2020. ZARZUELA, J. L. Medicina Legal. São Paulo: Angelotti, 1993. CAPÍTULO III – DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS CAPÍTULO III – DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS 38 CAPÍTULO III DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS 27 | Definir e listar os documentos médico-legais. RESPOSTA: Os documentos médico-legais são as assertivas irmadas pela atuação médica que podem ter propósito legal. Estes documentos são, tradicionalmente, classi icados em três tipos: relatórios, pareceres e atestados (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012; HERCULES, 2011). 28 | Definir relatório médico-legal. RESPOSTA: O relatório médico-legal, sempre requisitado por autoridade competente, seja judicial, seja policial, é um relato detalhado e criterioso de uma ocorrência factual médica, bem como de suas consequências em relação ao inquérito (peritia percipiendi) (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012; HERCULES, 2011). 29 | Descrever a diferença entre auto e laudo. RESPOSTA: O auto é executado conforme o perito dita ao escrivão. Quando redigido pelo próprio perito, o documento é denominado laudo (FRANÇA, 2017). 30 | Listar as partes que constituem o relatório médico-legal. RESPOSTA: As partes que constituem um relatório médico-legal são: CAPÍTULO III – DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS 39 1- Preâmbulo: contém a quali icação do perito, do examinando e das autoridades requerentes; dados referentes à realização da perícia como dia, horário e local; assim como o objetivo dela. 2- Quesitos: formulados por advogados das partes, autoridade judicial ou policial. 3- Histórico: motivação da perícia ou esclarecimentos norteadores para a orientação pericial. 4- Descrição: contém o detalhamento da descrição de forma clara, minuciosa e com metodologia, apresentando todos os fatos veri icados diretamente pelo perito. É considerada a parte primordial do documento, em que se realiza o visum et repertum. 5- Discussão: distingue-se pela análise criteriosa do material obtido pelo exame e consignado na descrição e histórico. 6- Conclusão: considera-se a síntese de todos os elementos objetivos analisados e debatidos pelo perito. 7- Resposta aos Quesitos: no inal dão-se as respostas dos quesitos de forma clara, direta e sucinta (FRANÇA, 2017; HERCULES, 2011). 31 | Definir parecer médico-legal. RESPOSTA: Trata-se de resposta documentada pelas partes realizada por autoridade médica, comissão de pro issionais ou por uma sociedade cientí ica objetivando esclarecer questionamentos oriundos da interpretaçãoda perícia para esclarecer questões de interesse jurídico (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012; HERCULES, 2011). 32 | Definir atestado. RESPOSTA: O atestado é uma declaração por escrito que irma a veracidade de uma ocorrência médica e de suas possíveis consequências, resumindo de forma simples o resultado do exame de um paciente, seu estado de sanidade ou de doença (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012; HERCULES, 2011). 33 | Apresentar a classificação dos atestados. RESPOSTA: Os atestados podem ser classi icados em: o iciosos (solicitados por pacientes para atender a interesses particulares); administrativos (requeridos por autoridade administrativa para ins CAPÍTULO III – DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS 40 de licença, aposentadoria, vacinação e declaração de sanidade ísica e mental para acesso a repartições públicas e escolas); e judiciários (solicitados por órgão judicante, justi icando a ausência de um jurado no Tribunal do Júri). Outra possível classi icação considera o fato médico a ser irmado. Esses atestados são classi icados em três tipos: sanidade, enfermidade e óbito (FRANÇA, 2017). 34 | Definir prontuário. RESPOSTA: O prontuário é de inido pela totalidade dos documentos com os respectivos registros do exame clínico do paciente, dos cuidados e da assistência prestada, incluindo: as ichas de ocorrência; prescrições terapêuticas; registros dos demais pro issionais, como enfermeiros e anestesistas; dados da cirurgia; e o registro do laudo de exames complementares (FRANÇA, 2017; VASCONCELLOS; GRIBEL; MORAES, 2008). 35 | Definir notificação. RESPOSTA: As noti icações são informes compulsórios às devidas autoridades sobre um evento médico, devido a causas de cunho social ou sanitário. É importante ressaltar que em sua omissão ocorre a transgressão do Art. 269 do Código Penal – “Deixar o médico de denunciar à autoridade pública doença cuja noti icação é compulsória”. Não podem ser esquecidas as violências sexuais, domésticas, contra a criança e contra o idoso (BRASIL, 1940; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012; LAGUARDIA et al., 2004). 36 | Definir depoimento oral. RESPOSTA: É a elucidação pericial oral de um relatório anteriormente apresentado. O objetivo é expor as respostas às perguntas formuladas e os aspectos cientí icos do assunto, em tribunais ou audiências de fatos não compreendidos ou con litantes. É vedado ao perito participar como testemunha (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012; HERCULES, 2011). CAPÍTULO III – DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS 41 REFERÊNCIAS – CAPÍTULO III CROCE, D.; CROCE JÚNIOR, D. Manual de Medicina Legal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. HERCULES, H. C. Medicina Legal: texto e atlas. São Paulo: Atheneu, 2011. LAGUARDIA, J. et al. Sistema de informação de agravos de noti icação em saúde (Sinan): desa ios no desenvolvimento de um sistema de informação em saúde. Epidemiol. Serv. Saúde, Brasília, v. 13, n. 3, p. 135-146, set. 2004. Disponível em: http://scielo.iec.gov.br/scielo. php?script=sci_arttext&pid=S1679-49742004000300002&lng=pt& nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: 8 maio 2020. VASCONCELLOS, M. M.; GRIBEL, E. B.; MORAES, I. H. S. Registros em saúde: avaliação da qualidade do prontuário do paciente na atenção básica, Rio de Janeiro, Brasil. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 24, (supl. 1), p. s173-s182, 2008. Disponível em: https://www.scielo. br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X2008001300021 &lng=en&nrm=iso&tlng=pt. Acesso em: 8 maio 2020. CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 43 CAPÍTULO IV ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 37 | Conceituar identidade. RESPOSTA: É o conjunto de atributos como: marcas, sinais, presença ou ausência de elementos que diferenciam uma pessoa ou coisa, individualizando-a das outras. É de grande valor tanto no foro civil quanto no criminal (FRANÇA, 2017; CROCE, CROCE JÚNIOR; 2012; HERCULES, 2011). 38 | Conceituar identificação. RESPOSTA: É a de inição da identidade mediante um elenco de caracteres: sinais ísicos e aspectos funcionais e/ou psíquicos que tornam um indivíduo diferente dos demais. Necessita de métodos claros e concretos que resistam a interpretações controversas (FRANÇA, 2017; CROCE, CROCE JÚNIOR, 2012; HERCULES, 2011). 39 | Listar os fundamentos técnicos e biológicos necessários à metodologia de identificação. RESPOSTA: Na metodologia de identi icação, os fundamentos técnicos e biológicos são: unicidade, imutabilidade, perenidade, praticabilidade e classi icabilidade (FRANÇA, 2017; CROCE, CROCE JÚNIOR, 2012). CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 44 40 | Definir unicidade. RESPOSTA: É a qualidade de ser único, de apresentar elementos que, isolados ou em conjunto, individualizam e distinguem um indivíduo dos outros (FRANÇA, 2017; CROCE, CROCE JÚNIOR, 2012). 41 | Definir imutabilidade. RESPOSTA: Consiste na qualidade de certas características não se modi icarem ao longo do tempo, mesmo por in luência de fatores como faixa etária, patologias ou outros (FRANÇA, 2017; CROCE, CROCE JÚNIOR, 2012). 42 | Definir perenidade. RESPOSTA: É a característica que certos elementos possuem de suportar a ação temporal, permanecendo inalterados durante toda a vida e/ou post mortem. Alguns exemplos são: o esqueleto e as impressões digitais (FRANÇA, 2017; CROCE, CROCE JÚNIOR, 2012). 43 | Definir praticabilidade. RESPOSTA: Refere-se a uma metodologia sem complexidade em seu registro de dados, a qual não demanda trabalho quali icado ou custoso (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 44 | Definir classificabilidade. RESPOSTA: Requisito que exige uma metodologia de arquivamento simpli icada para facilitar a pesquisa de registros (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 45 | Descrever a distinção entre ossos humanos e de animais. RESPOSTA: A diferenciação morfológica entre ossos humanos e de animais é realizada mediante a avaliação dimensional e das características de cada um e dos caracteres que os distinguem em uma abordagem inicial. Segundo França (2017, p. 62), a diferença microscópica é “dada pela análise da disposição do tamanho dos CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 45 canais de Havers, que são em menor número e mais largos no homem, com até 8 por mm2. Nos animais, são mais estreitos, redondos e mais numerosos, chegando a 40 por mm2”. Com relação à macroscopia, os animais apresentam ossos longos com conformidade cilíndrica e extremos alargados. Outrossim, a diferença no número de ossos designa diferentes espécies, podendo ser um método assessor na identi icação. Alguns ensaios biológicos também podem ser aplicados na metodologia de identi icação, como soroprecipitação, teste de ana ilaxia e ixação de complemento (SATURNINO, 2000; FRANÇA, 2017). 46 | Descrever a determinação da presença de sangue. RESPOSTA: A im de determinar se o material encontrado é sangue, pode-se utilizar a pesquisa de cristais de Teichmann. Nessa avaliação, o material é disposto sobre uma lâmina e recebe gotas de ácido acético. A lâmina então é exposta a calor ameno, induzindo uma evaporação lenta. Posteriormente, ela é levada ao microscópio e procura-se a presença de cristais rombos, longos, agrupados, dispostos em cruz, roseta, ou isolados, cor de chocolate. A metodologia mais e iciente é o processo de Uhlenhuth ou de albuminorreação ou que se baseia na reação antígeno-anticorpo. É realizado após positivação da prova de Teichmann. Nesse processo, coloca-se o material encontrado (sangue) em contato com soro aprestado de animais. À análise morfológica das células sanguíneas, observa-se que, no homem, as hemácias são anucleadas e globulares, medindo aproximadamente sete micra. Já nos demais animais, as hemácias são nucleadas e oblongas. A técnica de Adler é realizada com a aplicação de uma “solução saturada de benzidina em álcool a 96° ou em ácido acético”. A mancha é triturada “emágua destilada e 2 ml desse material deve ser colocado em tubo de ensaio. Então lhe são acrescentadas 3 gotas de água oxigenada de 12 volumes e 1 ml do reagente benzidínico”. Em caso positivo, surge uma cor azul-esverdeada que se modi ica para um intenso azul-anil. Outras reações também podem ser observadas quando o mesmo processo é realizado com reagentes diferentes. Entretanto, o CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 46 resultado dessas reações pode ser errôneo (falso-positivo), ao reagirem com outros componentes presentes no material (FRANÇA, 2017, p. 63; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 47 | Listar os tipos étnicos fundamentais. RESPOSTA: Segundo França (2017, p. 63), “Ottolenghi classi ica em cinco os tipos étnicos fundamentais. • Tipo caucásico. Pele branca ou trigueira; cabelos lisos ou crespos, louros ou castanhos; íris azuis ou castanhas; contorno craniofacial anterior ovoide ou ovoide-poligonal; per il facial ortognata e ligeiramente prognata; • Tipo mongólico. Pele amarela; cabelos lisos; face achatada de diante para trás; fronte larga e baixa; espaço interorbital largo; maxilares pequenos e mento saliente; • Tipo negroide. Pele negra; cabelos crespos, em tufos; crânio pequeno; per il facial prognata; fronte alta e saliente; íris castanhas; nariz pequeno, largo e achatado; per il côncavo e curto; narinas espessas e afastadas, visíveis de frente e circulares; • Tipo indiano. Não se a igura como um tipo racial de inido. Estatura alta; pele amarelo-trigueira, tendente ao avermelhado; cabelos pretos, lisos, espessos e luzidios; íris castanhas; crânio mesocéfalo; supercílios espessos; orelhas pequenas; nariz saliente, estreito e longo; barba escassa; fronte vertical: zigomas salientes e largos; • Tipo australoide. Estatura alta; pele trigueira; nariz curto e largo; arcadas zigomáticas largas e volumosas; prognatismo maxilar e alveolar; cinturas escapular larga e pélvica estreita; dentes fortes; mento retraído; arcadas superciliares salientes e crânio dolicocéfalo” (FRANÇA, 2017, p. 63). 48 | Listar os aspectos que podem ser avaliados na identificação da raça. RESPOSTA: Os aspectos são: “forma do crânio, índice cefálico, índice tíbio-femural, índice radioumeral, ângulo facial” (FRANKLIN, 2019, p. 105; PEREIRA; GUSMÃO, 2001). CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 47 49 | Listar os aspectos a serem avaliados na identificação do sexo em vivos. RESPOSTA: A identi icação do sexo em vivos é feita mediante inspeção das genitálias e das características sexuais secundárias (CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012; PEREIRA; GUSMÃO, 2001). 50 | Listar as características a serem avaliadas na identificação do sexo em esqueletos. RESPOSTA: Os ossos mais importantes para que se faça a diferenciação sexual em esqueletos são: crânio, mandíbula, tórax e pelve (FRANKLIN, 2019). 51 | Descrever os elementos que diferenciam o crânio masculino do feminino. RESPOSTA: Os elementos podem ser descritos: Quadro 1 – Diferenças entre crânios de homens e mulheres a) HOMEM b) MULHER - crânio maior (1.400 cm3 ou mais) e mais pesado - crânio menor (até 1.300 cm3) e mais leve - fronte mais inclinada para trás - fronte mais vertical - glabela mais pronunciada - glabela menos pronunciada (continuando c/ o per il nasal) - arcos superciliares mais salientes - arcos superciliares menos salientes - rebordos supraorbitários rombos - rebordos supraorbitários cortantes - articulação frontonasal angulada - articulação frontonasal curva - apó ises mastoides proeminentes, servindo de pontos de apoio, tornando o crânio mais estável quando colocado sobre um plano - apó ises mastoides menos desenvolvidas. Quando o crânio é colocado sobre um plano, ele apoia- se no maxilar e no occipital com menor estabilidade - côndilos occipitais longos e delgados; forma de sola de sapato; crista occipital - côndilos occipitais curtos e largos. Forma de rim. Super ície lisa, com mínima projeção - apó ises mastoides e estiloides maiores - apó ises mastoides e estiloides menores Fonte: adaptado de França (2017) e Hercules (2014). CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 48 52 | Descrever os elementos que diferenciam a mandíbula masculina da feminina. RESPOSTA: A mandíbula masculina apresenta-se robusta, com arco dental no formato triangular ou retangular, ângulo mandibular mais ocluso e áreas rugosas ásperas das insertações musculares. A feminina é mais delicada, com arco dental em formato arredondado ou triangular, com ângulo mais amplo e áreas rugosas planas ou discretas das insertações musculares (FRANÇA, 2017). 53 | Descrever os elementos que diferenciam o tórax masculino do feminino. RESPOSTA: O tórax feminino tem menor capacidade, é mais curto, tem aspecto ovoide, possui osso esterno mais curto, com margem cranial ao nível do corpo da terceira vértebra, além de apresentar apó ises transversais das vértebras torácicas que se encontram mais anteriormente. No tórax masculino, porém: há predominância da cintura escapular, com aspecto de cone invertido; a clavícula é maior e mais pesada; e o osso esterno apresenta margem caudal ao nível da segunda vértebra torácica (MOORE; DALLEY, 2019; TORTORA, 2016). 54 | Descrever os elementos que diferenciam a pelve masculina da feminina. RESPOSTA: Em uma análise qualitativa, pode-se observar que, na pelve masculina, o osso ilíaco é maior e mais pesado, a crista ilíaca é mais rugosa, a incisura isquiática é mais profunda, em forma de “V”, além de o forame obturador ser mais largo e ovalado quando comparado ao feminino. Nesse tipo de análise, observam-se três tipos de pelve: androide (tipicamente masculina), ginecoide (tipicamente feminina) e platiploide (aquela que apresenta características mistas). Já na análise morfológica, percebe-se que a pelve masculina possui seu estreito superior em formato de coração, o ângulo subpúbico mais agudo, a sín ise pubiana mais alta e o sacro mais comprido, mais estreito e côncavo em toda a sua extensão. Em uma análise quantitativa, no entanto, destaca-se que a pelve masculina tem dimensões verticais, com ângulo subpúbico de 60°, CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 49 enquanto a pelve feminina possui dimensões horizontais, com ângulo subpúbico de 90º. De modo geral, a pelve masculina possui forma alta e estreita, é menor em formato de coração, tem ângulo subpúbico e agudo em forma de “A” e crista ilíaca em forma acentuada de “S”. A feminina tem formato largo e baixo, com pelve menos larga e oval, ângulo subpúbico obtuso e arrendondado, além da crista ilíaca de formato plano (MOORE; DALLEY, 2019; TORTORA, 2016). 55 | Listar os elementos a serem considerados no estudo da idade. RESPOSTA: Devem ser considerados, no estudo da idade, os elementos morfológicos como aparência, pele, pelos, peso, estatura, olhos, dentes, órgãos genitais e ossos (PEREIRA; GUSMÃO, 2001). 56 | Citar, segundo Işcan, Loth, Wright, um osso que pode ser utilizado para a realização da análise comparativa da idade. RESPOSTA: Pode ser usada, na análise comparativa da idade, a extremidade esternal da costela, segundo os autores (IŞCAN; LOTH; WRIGHT, 1984a, 1984b, 1985, 1986, 1987). Imagem 4 – Modelos das diferentes fases (masculino e feminino) da extremidade esternal da costela, segundo Işcan, Loth e Wright (1993) – France Casting – Determinação de faixa etária Fonte: arquivo próprio. CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 50 57 | Citar o método que estima a idade baseado nos aspectos morfológicos da sínfise pubiana. RESPOSTA: Método Suchey-Brooks (SARAJLIĆ; GRADAŠČEVIĆ, 2012). Imagem 5 – Modelos de sín ise pubiana masculina Suchey-Brooks para determinação de faixa etária Foto: arquivo próprio. Imagem 6 – Modelos de sín ise pubiana feminina Suchey-Brooks para determinação de faixa etária Fonte: arquivo próprio. 58 | Listar os aspectos que devem ser avaliados na estimativa de idade no crânio. RESPOSTA: O fechamento de suturas cranianas da face externa einterna, assim como a mandíbula (VANRELL, 2002). CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 51 59 | Apresentar nos ossos outros elementos que podem ser avaliados para o estudo da idade. RESPOSTA: O fechamento das epí ises é um aspecto que deve ser avaliado. A avaliação radiológica dos ossos com o estudo dos núcleos de ossi icação e consolidação das epí ises a diá ises permite uma estimativa da idade óssea (FRANÇA, 2017). 60 | Listar os ossos que devem ser mensurados para avaliar estatura. RESPOSTA: Os ossos usados na estimativa de estatura são: fêmur, úmero e íbula. Após mensuração do comprimento desses ossos, aplicam-se os valores na fórmula de regressão de Trotter e Gleser ou em outras escalas para estimar a altura (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). 61 | Definir identificação judiciária. RESPOSTA: A identi icação judiciária ou policial se dá no âmbito civil ou criminal mediante coleta das características e informações antropométricas e antropológicas (FRANÇA, 2017; PEREIRA; GUSMÃO, 2001). 62 | Citar alguns tipos de identificação judiciária. RESPOSTA: Esses tipos são: fotogra ia simples, retrato falado, sistema de Bertillon, assinalamento sucinto e sistema datiloscópico de Vucetich (FRANKLIN, 2019; FRANÇA, 2017). 63 | Descrever o método fotografia simples. RESPOSTA: Esse método é a documentação fotográ ica, frente e per il à frente de um quadro antropométrico (FRANKLIN, 2019). 64 | Descrever o sistema de Bertillon. RESPOSTA: O sistema de Bertillon determina 11 aspectos importantes para a execução do método. São eles: “diâmetro anteroposterior da CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 52 cabeça, diâmetro transversal da cabeça, comprimento da orelha direita, diâmetro bizigomático, comprimento do pé esquerdo, comprimento do dedo médio esquerdo, comprimento do dedo mínimo, comprimento do antebraço, estatura, comprimento dos braços abertos e altura do busto” (FRANÇA, 2017, p. 94). Os dados obtidos são anotados, em milímetros, em ichas com outras características do indivíduo avaliado, como altura, cor do cabelo, da pele e dos olhos, deformidades, além de marcas, manchas, cicatrizes e amputações. O arquivamento das ichas também segue uma ordem especí ica, a qual faz uma relação entre atributos idênticos de pessoas distintas (FRANÇA, 2017; FERRARI; GALEANO, 2016). 65 | Definir o assinalamento sucinto. RESPOSTA: É o método utilizado para identi icação em que são observadas e descritos aspectos ísicos, como altura, cor de cabelos e de olhos, idade, raça e outras características que chamem a atenção e possam ser utilizadas para o reconhecimento. Um exemplo de utilização desse método de identi icação é na descrição de pessoas desaparecidas (FRANÇA, 2017). Imagem 7 – Tatuagem pode ser útil na identi icação Foto de Ligia Fascioni | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www.freeimages.com/pt/photo/ tattoo-1-1492390. Acesso em: 31 mar. 2021. CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 53 66 | Definir o sistema datiloscópico de Vucetich. RESPOSTA: Na atualidade, o sistema datiloscópico de Vucetich é utilizado para identi icação e arquivamento de impressões digitais, que são individuais, cujos desenhos são formados pelas cristas papilares dermais. É considerado decadactilar, portanto são colhidas as impressões digitais dos dez dedos de um indivíduo, as quais são registradas em icha datiloscópica. A avaliação prática das linhas papilares considera 3 sistemas na impressão digital – basilar, marginal e nuclear ou central. As linhas se organizam em torno do núcleo, formando o delta. O delta é primordial no sistema de Vucetich para identi icar os 4 tipos fundamentais (FRANÇA, 2017; SILVA, 2016; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). Imagem 8 – Desenho digital – conjunto de cristas e sulcos Foto de Eljefe79 | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www.freeimages.com/pt/photo/that-s- me-1436549. Acesso em: 31 mar. 2021. 67 | Listar os tipos fundamentais do sistema datiloscópico de Vucetich. RESPOSTA: Os tipos fundamentais são: verticilo, presilha externa, presilha interna e arco (FRANÇA, 2017). CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 54 Imagem 9 – Impressão digital – presilha interna – presença de núcleo e delta à direita Foto de Kort Kramer | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www.freeimages.com/pt/photo/ bloody-thumbprint-1151588. Acesso em: 31 mar. 2021. 68 | Descrever as características de cada tipo fundamental do sistema datiloscópico de Vucetich. RESPOSTA: • Verticilo: contém dois deltas e um núcleo no centro. • Presilha externa: o delta está à esquerda do observante; • Presilha interna: o delta está à direita do observante. • Arco: sem núcleo e delta, possui somente os sistemas de linhas marginais e basilares (FRANÇA, 2017). 69 | Listar os números atribuídos pela fórmula datiloscópica a cada tipo. RESPOSTA: No polegar, as con igurações são identi icadas por meio de letras, sendo elas: V (verticilo), E (presilha externa), I (presilha interna) e A (arco). Os outros dedos são representados por números, sendo eles: 4 (verticilo), 3 (presilha externa), 2 (presilha interna) e 1 (arco). Caso o dedo tenha sido amputado, é atribuído o número 0 (zero). Se houver cicatrizes ou defeitos que impeçam a classi icação, é atribuído um X (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). CAPÍTULO IV – ANTROPOLOGIA MÉDICO-LEGAL 55 70 | Apresentar os datilogramas das mãos referentes ao numerador e ao denominador, respectivamente, segundo a fórmula datiloscópica. RESPOSTA: Os datilogramas dos dedos da mão direita são representados no numerador. No denominador, aqueles dos dedos da mão esquerda (VANRELL, 2002). REFERÊNCIAS – CAPÍTULO IV CROCE, D.; CROCE JÚNIOR, D. Manual de Medicina Legal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. FERRARI, M. G.; GALEANO, D. Polícia, antropometria e datiloscopia: história transnacional dos sistemas de identi icação, do rio da Prata ao Brasil. Hist. Cienc. Saúde-Manguinhos, Rio de Janeiro, v. 23, (supl. 1), p. 171-194, dez. 2016. Disponível em: http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702016000900171&ln g=en&nrm=iso. Acesso em: 25 maio 2020. FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. FRANKLIN, R. Medicina Forense aplicada. Rio de Janeiro: Rubio, 2019. HERCULES, H. C. Medicina Legal: texto e atlas. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2014. HERCULES, H. C. Medicina Legal: texto e atlas. São Paulo: Atheneu, 2011. IŞCAN, M. Y.; LOTH, S. R.; WRIGHT, R. K. Racial variation in the sternal extremity of the rib and its effect on age determination. Journal of Forensic Science, v. 32, n. 2, p. 452-466, 1987. IŞCAN, M. Y.; LOTH, S. R. Determination of age from the sternal rib in white males: a test of the phase method. 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RESPOSTA: É o capítulo da Medicina Legal que trata sobre a morte, suas circunstâncias, consequências jurídicas e ocorrências a ela relacionadas (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 72 | Conceituar morte. RESPOSTA: Segundo França, morte é a extinção dos eventos vitais em decorrência de parada circulatória, respiratória e cerebral (FRANÇA, 2017). 73 | Citar os três critérios fundamentais para o diagnóstico de morte encefálica de acordo com a Resolução CFM 2173/2017. RESPOSTA: Segundo a Resolução CFM 1480/1997: “Os parâmetros clínicos a serem observados para constatação de morte encefálica são: coma aperceptivo com ausência de atividade motora supraespinal e apneia” (BRASIL, 2017). 74 | Listar, conforme a Resolução CFM 2173/2017, os sinais, critérios e pré-requisitos para que sejam iniciados os procedimentos de diagnóstico de morte encefálica. CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 59 RESPOSTA: De acordo com a Resolução CFM 2173/2017: “Os procedimentos para determinação de morte encefálica (ME) devem ser iniciados em todos os pacientes que apresentem coma não perceptivo, ausência de reatividade supraespinhal e apneia persistente, e que atendam a todos os seguintes pré-requisitos: a) presença de lesão encefálica de causa conhecida, irreversível e capaz de causar morte encefálica; b) ausência de fatores tratáveis que possam confundir o diagnóstico de morte encefálica; c) tratamento e observação em hospital pelo período mínimo de seis horas. Quando a causa primária do quadro for encefalopatia hipóxico- isquêmica, esse período de tratamento e observação deverá ser de, no mínimo, 24 horas; d) temperatura corporal (esofagiana, vesical ou retal) superior a 35°C, saturação arterial de oxigênio acima de 94% e pressão arterial sistólica maior ou igual a 100 mmHg ou pressão arterial média maior ou igual a 65mmHg para adultos, ou conforme a tabela a seguir para menores de 16 anos” (BRASIL, 2017). Pressão Arterial Idade Sistólica (mmHg) PAM (mmHg) Até 5 meses incompletos 60 43 De 5 meses a 2 anos incompletos 80 60 De 2 anos a 7 anos incompletos 85 62 De 7 a 15 anos 90 65 Fonte: Brasil (2017). 75 | Listar os procedimentos mínimos para a determinação de morte encefálica, segundo a Resolução CFM 2173/2017. RESPOSTA: Conforme a Resolução 2173/2017: “É obrigatória a realização mínima dos seguintes procedimentos para determinação da morte encefálica: a) dois exames clínicos que con irmem coma não perceptivo e ausência de função do tronco encefálico; CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 60 b) teste de apneia que con irme ausência de movimentos respiratórios após estimulação máxima dos centros respiratórios; c) exame complementar que comprove ausência de atividade encefálica” (BRASIL, 2017). 76 | Listar as condições que devem ser demonstradas de forma inequívoca no exame físico, conforme a Resolução CFM 2173/2017. RESPOSTA: Segundo a Resolução CFM 2173/2017: “Art. 3º O exame clínico deve demonstrar de forma inequívoca a existência das seguintes condições: a) coma não perceptivo; b) ausência de reatividade supraespinhal manifestada pela ausência dos re lexos fotomotor, córneo-palpebral, oculocefálico, vestíbulo- calórico e de tosse. § 1º Serão realizados dois exames clínicos, cada um deles por um médico diferente, especi icamente capacitado a realizar esses procedimentos para a determinação de morte encefálica. § 2º Serão considerados especi icamente capacitados médicos com no mínimo um ano de experiência no atendimento de pacientes em coma e que tenham acompanhado ou realizado pelo menos dez determinações de ME ou curso de capacitação para determinação em ME, conforme anexo III desta Resolução. § 3º Um dos médicos especi icamente capacitados deverá ser especialista em uma das seguintes especialidades: medicina intensiva, medicina intensiva pediátrica, neurologia, neurologia pediátrica, neurocirurgia ou medicina de emergência. Na indisponibilidade de qualquer um dos especialistas anteriormente citados, o procedimento deverá ser concluído por outro médico especi icamente capacitado. § 4º Em crianças com menos de 2 (dois) anos o intervalo mínimo de tempo entre os dois exames clínicos variará conforme a faixa etária: dos sete dias completos (recém-nato a termo) até dois meses incompletos será de 24 horas; de dois a 24 meses incompletos será de doze horas. Acima de 2 (dois) anos de idade o intervalo mínimo será de 1 (uma) hora” (BRASIL, 2017). CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 61 77 | Listar os sinais integrados ao tronco cerebral que podem ser verificados no exame físico dos pares cranianos. RESPOSTA: Os sinais são: “re lexo pupilar, re lexo corneano, re lexo vestibulocalórico e tosse” (FRANKLIN, 2019, p. 284). 78 | Listar as condições que devem ser demonstradas de forma inequívoca pelo exame complementar. RESPOSTA: Segundo a Resolução 2173/2017: “Art. 5º O exame complementar deve comprovar de forma inequívoca uma das condições: a) ausência de perfusão sanguínea encefálica ou b) ausência de atividade metabólica encefálica ou c) ausência de atividade elétrica encefálica. § 1º A escolha do exame complementar levará em consideração situação clínica e disponibilidades locais. § 2º Na realização do exame complementar escolhido deverá ser utilizada a metodologia especí ica para determinação de morte encefálica. § 3º O laudo do exame complementar deverá ser elaborado e assinado por médico especialista no método em situações de morte encefálica” (BRASIL, 2017). 79 | Listar os destinos que podem ser dados ao cadáver. RESPOSTA: Os destinos dados aos cadáveres podem ser: “Inumação simples, Inumação com necropsia, Imersão, Destruição, Cremação, Liquefação do cadáver e/ou manutenção dos cadáveres no IML” (FRANÇA, 2017, p. 444; PEREIRA; GUSMÃO, 2001). 80 | Descrever a finalidade da declaração de óbito. RESPOSTA: A inalidade da declaração de óbito é certi icar a morte, determinar a causa e atender as necessidades médica, sanitária e social (FRANÇA, 2017). CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 62 81 | Listar as partes que constituem o atestado de óbito. RESPOSTA: O atestado de óbito apresenta dois segmentos. O segmento I é composto de Causa direta, Causa antecedente intercorrente e Causa antecedente básica. O segmento II contém os outros estados signi icativos da doença que cooperaram para a morte, mas não estavam relacionados com a patologia que a estabeleceu (FRANÇA, 2017). 82 | Citar o responsável pelo preenchimento da declaração de óbito em caso de morte natural com assistência médica. RESPOSTA: No caso de morte natural em que ocorreu a assistência médica, a declaração de óbito deve ser preenchida de preferência pelo médico assistente. Nos casos de pacientes hospitalares, a declaração de óbito deve ser realizada pelo médico assistente ou, em sua ausência, pelo médico substituto da própria instituição. Nos casos de pacientes em tratamento ambulatorial, é de responsabilidade da instituição que prestava a assistência designar médico para o preenchimento. Caso contrário, a declaração de óbito será preenchida pelo médico do Serviço de Veri icação de Óbito. Se o paciente estava no domicílio,a declaração de óbito será preenchida pelo médico do programa no qual o paciente estava cadastrado ou, em casos de dúvida da causa da morte, será realizado pelo Sistema de Veri icação de Óbitos (FRANÇA, 2017). 83 | Citar o responsável pelo preenchimento da declaração de óbito em caso de morte natural sem assistência médica. RESPOSTA: Nos casos de morte natural em que não ocorreu o atendimento médico, o preenchimento da declaração será realizado pelos pro issionais médicos do Sistema de Veri icação de Óbito ou, se não houver disponibilidade desse serviço, pelos médicos designados pelo mais próximo serviço público de saúde, ou, ainda eventualmente na falta dessa condição, por um outro médico da região da ocorrência (FRANÇA, 2017). CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 63 84 | Citar o responsável pelo preenchimento da declaração de óbito em caso de morte de causa externa. RESPOSTA: As vítimas de mortes de causas externas são encaminhadas ao Instituto Médico Legal, em que o médico legista, considerado perito o icial, é o responsável pelo preenchimento do documento. Em locais em que não exista IML, a responsabilidade do preenchimento da declaração de óbito é de qualquer outro médico local ou pro issional designado pelo juiz ou por outra autoridade como a policial, para a função de médico legista Ad hoc. Se tão somente houver um médico na região, este deverá preencher a declaração de óbito. Em locais sem médicos, a solicitação da declaração deve ser feita ao Cartório do Registro Civil por um responsável do inado, que deverá estar com duas testemunhas. Finalmente, quando ainda restarem dúvidas, ica ao encargo das secretarias municipais de saúde indicarem o pro issional médico para essa atribuição (FRANÇA, 2017). 85 | Listar as causas jurídicas de morte. RESPOSTA: As causas jurídicas de morte são suicídio, homicídio, acidente ou “morte por decisão judicial”, quando houver impossibilidade de enquadrar nas primeiras 3 opções (FRANÇA, 2017). 86 | Conceituar eutanásia, distanásia e ortotanásia. RESPOSTA: Eutanásia é o ato de prematurar a morte de um paciente com doença terminal por benevolência. A ortotanásia diz respeito à interrupção da disponibilização de meios arti iciais ou medicamentosos a paciente em coma não reversível e com morte encefálica de inida. Por im, a distanásia pode ser conceituada como o prolongamento do processo da morte por meio de um tratamento fútil que prolonga a vida do paciente sem promover qualidade e dignidade (FELIX et al., 2013). CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 64 87 | Listar os fenômenos abióticos imediatos. RESPOSTA: Os fenômenos abióticos imediatos (cessação dos sinais vitais) surgem no corpo a partir da morte. São eles: “perda da consciência, perda da sensibilidade, abolição da motilidade e do tônus muscular, cessação de respiração, cessação de circulação, cessação de atividade cerebral” (FRANÇA, 2017, p. 470). 88 | Listar os fenômenos abióticos consecutivos. RESPOSTA: Com relação aos fenômenos abióticos consecutivos (ou mediatos), deve-se ressaltar que estão relacionados à instalação dos fenômenos cadavéricos, como: desidratação cadavérica; esfriamento cadavérico (algor mortis); marcas de hipóstase cutâneas (livor mortis); rigidez cadavérica; espasmo cadavérico (FRANÇA, 2017). 89 | Listar os fenômenos transformativos. RESPOSTA: Os fenômenos transformativos são: “destrutivos (autólise, putrefação e maceração) e conservadores (mumi icação, saponi icação, calci icação, cori icação, congelação, fossilização)” (FRANÇA, 2017, p. 473; BANDARRA; SEQUEIRA, 1999). 90 | Apresentar os fenômenos transformativos destrutivos. RESPOSTA: Os fenômenos transformativos destrutivos são: autólise, putrefação e maceração. A autólise é um evento de destruição celular decorrente de fermentação anaeróbia. Essa fase acontece em duas etapas: latente (comprometimento do citoplasma) e necrótica (comprometimento nuclear). A putrefação está relacionada à transformação do material orgânico pela ação fermentativa de microrganismos que ultrapassam a parede do intestino, chegando aos vasos e tecidos, ocasionando uma produção de gases, pressão e outros demais eventos. O curso putrefativo apresenta quatro fases: período cromático ou de coloração; período gasoso ou en isematoso; período coliquativo ou de liquefação; período de esqueletização. De outro modo, a maceração é um processo transformativo sofrido pelo feto morto ainda no útero materno no último trimestre da gestação. Nesse processo há a soltura dos ossos dos tecidos e a perda da CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 65 contextura corporal com achatamento do abdome (FRANÇA, 2017; BANDARRA; SEQUEIRA, 1999). Imagem 10 – Esqueletização – Fenômeno transformativo destrutivo Imagem de Felipe Hueb | Fonte: Pexels. Disponível em: https://www.pexels.com/pt-br/foto/pilha- de-cranios-humanos-2747893/. Acesso em: 29 mar. 2021. 91 | Listar e descrever os métodos de determinação de acidez dos tecidos para diagnosticar a morte. RESPOSTA: Sinal de Labord: coloca-se uma agulha polida de aço no tecido e aguarda-se 30 minutos para retirá-la; após a retirada, se seu brilho permanecer, é con irmada a morte. Sinal de Brissemoret e Ambard: coletam-se fragmentos hepáticos e esplênicos através de um trocarte para analisar o pH do tecido com auxílio do papel de tornassol; o pH é ácido em mortos e alcalino em vivos. Sinal de Lecha-Marzo: coloca-se o papel de tornassol azul no globo ocular e aguarda-se de 2 a 3 minutos; depois retira-se o papel é observa-se a mudança da coloração, que adquire uma tonalidade vermelha em mortos devido à acidez. Sinal de De-Dominices: é o mesmo processo realizado no sinal de Lecha-Marzo, porém coloca-se o papel na escari icação da região abdominal, local em que a acidez aparece mais antecipadamente. Sinal de Silvio Rebelo: é o sinal adquirido pela colocação de uma CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 66 agulha corada em azul de tornassol entre um dobra de pele do indivíduo; se a região do tecido que estiver em contato com a agulha adquirir uma coloração amarelada, é comprovada a acidi icação devido à morte. Sinal de Forcipressão química de Icard: ao pinçar a pele, observa- se a saída de uma serosidade que com o papel de tornassol é possível identi icar a acidez; o papel adquire uma cor avermelhada em mortos (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 92 | Apresentar os fenômenos transformativos conservadores. RESPOSTA: Os fenômenos transformativos conservadores são: “mumi icação, saponi icação ou adipocera, calci icação, cori icação, congelação e fossilização” (FRANÇA, 2017, p. 473). O processo de mumi icação pode ser realizado de forma natural, arti icial ou mista. A forma arti icial era uma prática comumente realizada por egípcios, enquanto a mumi icação natural acontece devido a algumas particularidades, como: pessoas do sexo feminino, recém-nascidos e algumas causas de morte, como desidratação ou hemorragias. Porém, os fatores mais importantes são as condições climáticas nas quais o cadáver se encontra, sendo necessário um ambiente bem arejado, seco e quente, pois dessa maneira a água evapora do corpo, causando um ressecamento e impedindo a ação microbiana, o que provoca uma diminuição do peso e conservação dos traços ísicos, mas com pele dura, seca, enrugada e um enegrecimento da tonalidade. A saponi icação, também denominada adipocera, ocorre após estágios mais avançados de putrefação e, ao contrário da mumi icação, é favorecido por ambientes com pouca entrada de oxigênio e úmido, que aceleram a ação microbiana que hidrolisa os triglicerídeos, liberando os ácidos graxos, que dão o aspecto amarelo-escuro, mole, quebradiço, untuoso, com odor rançoso e com aparência de sabão ao corpo. Esse processo pode ser encontrado em algumas áreas do corpo, principalmentenas que possuem mais gordura, sendo rara a presença dessa característica no cadáver inteiro. A calci icação é comumente encontrada em fetos mortos retidos no útero. O corpo adquire uma aparência pétrea. CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 67 A congelação é o processo decorrente da submissão do cadáver a temperaturas muito baixas por muito tempo, fazendo com que o corpo seja conservado. Isso facilita a identi icação do indivíduo e preserva espermatozoides, ossos e tecidos. A fossilização é um fenômeno muito raro, uma vez que precisa de muitos anos para acontecer. É caracterizado pela conservação da forma do indivíduo, mas sem componentes orgânicos. A cori icação é a conservação do corpo em urnas fechadas de metal, inibindo o processo de decomposição. Também é um processo muito raro. Quando o corpo é encontrado dessa forma, possui o aspecto de couro curtido, tem abdome achatado e musculatura, tecido subcutâneo e órgãos preservados. O processo di iculta a aproximação do tempo de morte, contudo auxilia a identi icar a causa (FRANÇA, 2017, p. 473; HERCULES, 2014; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). Imagem 11 – Mumi icação – fenômeno transformativo conservador Imagem de Owe Sleman | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www.freeimages.com/pt/ photo/moe-the-mummy-1526274. Acesso em: 29 mar. 2021. 93 | Conceituar Cronotanatognose. RESPOSTA: Cronotanatognose é de inida como o intervalo temporal observado nas diversas etapas do cadáver em relação ao momento que se veri icou a morte (FRANÇA, 2017; HERCULES, 2014; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 68 94 | Descrever os aspectos importantes na estimativa de morte considerando o esfriamento do cadáver. RESPOSTA: O esfriamento do cadáver é um dos fatores mais importantes para a identi icação do tempo de morte quando analisado nas horas iniciais. Sem a ação metabólica, o organismo começa a perder calor para o meio externo, igualando a temperatura do corpo à do ambiente. Após as 3 horas iniciais depois da morte ocorre uma perda de 0,5ºC por hora; depois desse tempo, 1°C por hora, até a temperatura se igualar à externa, contudo, devido às condições que o cadáver se encontra, pode acontecer erro até no limite de 2 horas. Por isso, aplica-se uma fórmula para uma precisão maior: 5n x 2cH = 1,5 N: temperatura retal normal (37,2°C) C: temperatura atual. Porém, essa fórmula só se aplica até as primeiras 15 horas post mortem (FRANÇA, 2017; HERCULES, 2014). 95 | Descrever os aspectos importantes na estimativa de morte considerando a perda de peso. RESPOSTA: A perda de peso de um cadáver tem valor relativo para estimar o tempo de morte por sofrer inúmeras in luências, sendo necessário saber com exatidão o peso do indivíduo no momento da morte. A perda de peso em cadáveres de crianças e recém-natos é em torno de 8g/kg de peso/dia nas 24 horas iniciais após a morte (FRANÇA, 2017). 96 | Descrever os aspectos importantes na estimativa de morte considerando a rigidez cadavérica. RESPOSTA: A rigidez do cadáver é um processo que surge, após a morte, em diferentes momentos e partes do corpo: iniciando- se após a morte com distribuição pela sequência craniocaudal: nuca e mandíbula (1 a 2 horas); membros superiores (2 a 4 horas); tórax e abdome (4 a 6 horas); e membros inferiores (6 a 8 horas). CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 69 É importante ressaltar que a manipulação do cadáver pode levar à perda permanente da rigidez. Já a lacidez muscular surge na mesma sequência após 36 a 48 horas da morte, mas em recém-nascidos é mais precoce (FRANÇA, 2017; COSTA, 1998). 97 | Descrever os aspectos importantes na estimativa de morte considerando os livores hipostásticos. RESPOSTA: Os livores hipostáticos surgem pela ação da gravidade no sangue, levando-o a se depositar nas regiões de declive. Entretanto, esse fenômeno pode sofrer diversas interferências, como no caso de desnutrição, de anemia aguda ou de mudança da posição do cadáver. De forma geral, as manchas surgem após 2 a 3 horas da morte, tornando-se permanentes depois de 12 horas (FRANÇA, 2017; PORTO; MIZIARA, 2019; COSTA, 1998). 98 | Descrever os aspectos importantes na estimativa de morte considerando a mancha verde abdominal. RESPOSTA: A mancha verde abdominal surge na fossa ilíaca de 18 a 36 horas após a morte, de acordo com a temperatura do ambiente; nos lugares de clima mais quente, ela aparece precocemente. A mancha é estendida às demais regiões corporais entre 3 e 5 dias (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 99 | Descrever os aspectos importantes na estimativa de morte considerando o conteúdo gástrico. RESPOSTA: Se houver alimentos passíveis de reconhecimento no estômago, podemos a irmar que a vítima morreu em torno de 1 a 2 horas após sua última refeição. Se os alimentos estiverem digeridos em uma fase adiantada, pode-se apontar que o falecimento ocorreu entre 4 e 7 horas após sua última refeição. Se a digestão estiver completa, a morte ocorreu após 7 horas ou mais da última alimentação. O uso de drogas, álcool ou medicamentos, além da presença de úlceras CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 70 pépticas, diabetes ou outras condições, pode modi icar o tempo médio de esvaziamento gástrico. Os dados do conteúdo estomacal combinados com outros fenômenos podem auxiliar a avaliação do tempo de morte (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 100 | Descrever os aspectos importantes na estimativa de morte considerando o conteúdo vesical. RESPOSTA: Nos casos de mortes ocorridas durante a noite, a avaliação de conteúdo vesical pode ser utilizada; isso quando se pode imaginar a hora na qual o indivíduo foi dormir. Dessa forma, se a bexiga estiver vazia, estima-se que a morte ocorreu até 2 horas antes. Se estiver repleta, a morte pode ter acontecido no período de 4 a 8 horas antes. Se houver repleção vesical, deve-se averiguar a possibilidade de intoxicações determinadas por drogas que deprimem o SNC e coma (FRANÇA, 2017). 101 | Definir comoriência e premoriência. RESPOSTA: A comoriência é de inida pela morte de dois ou mais indivíduos no mesmo instante, sem que se possa de inir se a morte acometeu algum anteriormente aos demais. Caso haja a viabilidade de estabelecer que um deles faleceu antes, a essa condição se dá o nome de premoriência, podendo haver a sucessão de bens do primeiro falecido para o segundo (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 102 | Conceituar Tafonomia Forense. RESPOSTA: Tafonomia Forense é a ciência que estuda a ação externa na transformação cadavérica de interesse médico-legal (FRANKLIN, 2019). 103 | Citar o objetivo da Taxonomia Forense. RESPOSTA: A Taxonomia Forense objetiva avaliar as regiões de conservação e destruição do cadáver que se distinguem do rito CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 71 tanatológico para a de inição do ambiente do óbito e o tempo decorrido dele e possibilitar a reconstituição de situações pre e post mortem para orientar os peritos (FRANKLIN, 2019). 104 | Listar os tipos de ações externas avaliadas pela Taxonomia Forense. RESPOSTA: As ações externas podem ser ísicas, biológicas, climáticas e geológicas (FRANKLIN, 2019). REFERÊNCIAS – CAPÍTULO V BANDARRA, E. P.; SEQUEIRA, J. L. Tanatologia: fenômenos cadavéricos transformativos. Rev. Educ. Cont. Vet. Med. CRMV-SP, v. 2, n. 3, p. 72-76, 1999. BRASIL. Conselho Federal de Medicina. Resolução CFM nº 2173, de 23 de novembro de 2017. De ine os critérios do diagnóstico de morte encefálica. Diário O icial da União, Brasília, DF, 15 dez. 2017, p. 274- 276. COSTA, L. R. S. Estimativa do tempo decorrido de morte através da análise do Esfriamento corporal. 1998. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual de Campinas, Faculdade de Odontologia de Piracicaba,Piracicaba, SP, 1998. CROCE, D.; CROCE JÚNIOR, D. Manual de Medicina Legal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. FELIX, Z. C. et al. Eutanásia, distanásia e ortotanásia: revisão integrativa da literatura. Ciência & Saúde Coletiva, v. 18, p. 2733- 2746, 2013. Disponível em: https://www.scielosp.org/article/ csc/2013.v18n9/2733-2746/. Acesso em: 5 ago. 2020. FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. FRANKLIN, R. Medicina Forense aplicada. Rio de Janiero: Rubio, 2019. HERCULES, H. C. Medicina Legal: texto e atlas. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2014. CAPÍTULO V – TANATOLOGIA MÉDICO-LEGAL, TAFONOMIA E TAXONOMIA FORENSES 72 PEREIRA, G. O.; GUSMÃO, L. C. B. Medicina Legal. 2001. Disponível em: http://www.malthus.com.br/rw/forense/Medicina_Legal_2004_ gerson.pdf. Acesso em: 5 jun. 2020. PORTO, A. C. A. R. S.; MIZIARA, I. D. Di iculdades diagnósticas da causa mortis em cadáveres decompostos. Saúde, Ética & Justiça, v. 24, n. 2, p. 57-66, 2019. Disponível em: http://dx.doi.org/10.11606/ issn.2317-2770.v24i2p57-66. Acesso em: 8 ago. 2020. CAPÍTULO VI – GENÉTICA FORENSE CAPÍTULO VI – GENÉTICA FORENSE 74 CAPÍTULO VI GENÉTICA FORENSE Imagem 12 – Tecnologia genética Fonte: Designed by Creativeart / Freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/fotos-gratis/doutor- concentrado-que-trabalha-com-uma-tela-virtual_973636.htm#page=1&query=Tecnologia%20 gen%C3%A9tica&position=1. Acesso em: 29 mar. 2021. 105 | Citar o principal objetivo da Genética Forense. RESPOSTA: A Genética Forense tem por objetivo estudar o material biológico analisando os marcadores genéticos a im de realizar a identi icação, especialmente em restos cadavéricos, além de investigação de parentesco e criminalística biológica (PINHEIRO, 2015). CAPÍTULO VI – GENÉTICA FORENSE 75 106 | No processo de análise de DNA, apesar da disponibilidade de muitos protocolos laboratoriais efetivos, outras etapas merecem atenção e cuidado. Listar essas etapas. RESPOSTA: As etapas são: coleta da amostra; preservação; transporte; armazenamento; cadeia de custódia; dispositivos laboratoriais seguros; protocolo de melhores práticas; extração do DNA; interpretação dos resultados; automação; uso de software para seguimento da amostra e manejo da informação (NATIONAL INSTITUTE OF JUSTICE, 2006). 107 | Citar os tipos de DNA nas células nucleadas humanas. RESPOSTA: As células humanas com núcleo apresentam o DNA mitocondrial (DNAmt) e o DNA nuclear (DNAnu) (PINHEIRO; 2015). 108 | Descrever a organização do DNA no núcleo das células. RESPOSTA: O DNA nuclear encontra-se organizado em cromossomos e ica compactado e protegido por proteínas, histonas. Cerca de 3.200 milhões de pares de bases (pb) estão presentes em uma cópia do genoma humano, em que cada célula somática possui “22 pares de autossomas e dois cromossomos sexuais (XY homem e XX mulher)” (PINHEIRO, 2015, p. 44). Portanto, cada célula somática humana sem alteração possui 46 cromossomos (23 pares de cromossomos), tendo a designação de diploide. As células germinais ou gametas (ovócitos e espermatozoides) apresentam-se na forma haploide, por terem somente um conjunto de 23 cromossomos (PINHEIRO, 2015). 109 | Citar a base da identificação genética das amostras biológicas. RESPOSTA: A identi icação genética das amostras biológicas fundamenta-se na caracterização dos polimor ismos de DNA ou marcadores genéticos das regiões não codi icantes do genoma humano (PINHEIRO, 2015). 110 | Citar os tipos de DNA para conclusão nas perícias forenses. RESPOSTA: Os tipos de DNA são preferencialmente o DNA nuclear (DNAnu) e, em algumas circunstâncias especiais, o DNA mitocondrial (DNAmt) (PINHEIRO, 2015). CAPÍTULO VI – GENÉTICA FORENSE 76 111 | Citar as formas de herança do DNAnu e do DNAmt RESPOSTA: O DNAnu é herdado dos pais. Já o DNAmt é herdado apenas da mãe (PINHEIRO, 2015). 112 | Listar os marcadores mais utilizados nas rotinas forenses. RESPOSTA: Os STRs (Short Tandem Repeats) são marcadores usados na perícia forense. Os STRs são: cromossomo X (X-STRs) e cromossomo Y (Y-STRs). Os X-STRs têm sido aplicados nos ensaios de identi icação humana (MARTINS, 2008). 113 | Definir STRs. RESPOSTA: STRs (Short Tandem Repeats) são as regiões microssatélites do genoma que constituem o fundamento da identi icação genética (MARTINS, 2008). 114 | Definir PCR. RESPOSTA: PCR é a técnica de reação da polimerase por meio da qual é feito o estudo dos marcadores STRs (BONACCORSO, 2010). 115 | Citar a importância do estudo dos STRs autossômicos. RESPOSTA: O estudo dos STRs autossômicos pode ser realizado na resolução das mais variadas perícias em Genética médico-legal, ou quando há escasso material genético ou apresenta-se em degradação, não havendo a possibilidade de alcançar resultados (PINHEIRO, 2015). 116 | Definir CODIS. RESPOSTA: CODIS é o Sistema de Dados de DNA do FBI norte- americano (Combined DNA Index System) (CODIS). 117 | Definir Sistema Fênix. RESPOSTA: Fênix é o sistema europeu que contém o per il genético de milhares de desaparecidos (CASTRO, 2013). CAPÍTULO VI – GENÉTICA FORENSE 77 REFERÊNCIAS – CAPÍTULO VI BONACCORSO, N. S. Aspectos técnicos, éticos e jurídicos relacionados com a criação de bancos de dados criminais de DNA no Brasil. 2010. Tese (Doutorado em Direito Penal) – Faculdade de Direito, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2010. Disponível em: https://pdfs.semanticscholar.org/f2d0/ b3aa4dc7140bab074d0091fa493d6904ad6e.pdf. Acesso em: 28 out. 2020. CASTRO, S. G. Estudo de frequências alélicas de 15 STRs autossômicos na população paraibana. 2013. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal da Paraíba, João Pessoa, 2013. Disponível em: https://repositorio.ufpb.br/jspui/bitstream/ tede/3657/1/arquivototal.pdf. Acesso em: 2 ago. 2020. CODIS. Disponível em: https://www. bi.gov/services/laboratory/ biometric-analysis/codis. Acesso em: 8 ago. 2020. MARTINS, J. A. Estudo de frequências alélicas de STRs do cromossomo X na população brasileira de Araraquara-SP. 2008. 122 f. Dissertação (Mestrado) – Universidade Estadual Paulista, Faculdade de Ciências Farmacêuticas, 2008. Disponível em: http:// hdl.handle.net/11449/87821. Acesso em: 8 ago. 2020. NATIONAL INSTITUTE OF JUSTICE. Lessons Learned from 9/11: DNA Identi ication in Mass Fatalaty Incidents. 2006. Disponível em: https://www.ncjrs.gov/pdf iles1/nij/214781.pdf. Acesso em: 12 ago. 2020. PINHEIRO, M. F. Criminalística biológica. In: CORTE-REAL, F.; VIEIRA, D. N. (coord.). Princípios de Genética Forense. Coimbra: [s. n.], 2015. Disponível em: https://https://digitalis-dsp.uc.pt/ bitstream/10316.2/38492/3/Princ%C3%ADpios%20de%20 Gen%C3%A9tica%20Forense.preview.pdf Acesso em: 12 ago. 2020. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 79 CAPÍTULO VII TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 118 | Definir Traumatologia Médico-Legal. RESPOSTA: A Traumatologia Médico-Legal visa estudar as lesões resultantes de ações violentas, suas respectivas energias causadoras, além dos impactos legais e socioeconômicos resultantes (FRANÇA, 2017). 119 | Listar os tipos de energia que podem causar lesões ao corpo. RESPOSTA: Os tipos de energia que podem causar lesões ao corpo são de ordem: “mecânica, ísica, química, ísico-química, bioquímica, biodinâmica, e mista” (FRANÇA, 2017, p. 101). 120 | Definir as energias de ordem mecânica. RESPOSTA: As energias de ordem mecânica causam lesões internas e externas, que são resultado do impacto entre o objeto e o corpo humano. Esse impacto pode acontecer em uma ação mista (movimento do corpo e instrumento), em meio ativo (apenas o movimento do instrumento) e meio passivo (o instrumento em repouso, mas o corpo em movimento). Tais energias são resultantes de “pressão, explosão, deslizamento, percussão, compressão, descompressão, distensão, torção, fricção, por contragolpe ou de forma mista” (FRANÇA, 2017, p. 106). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIAMÉDICO-LEGAL 80 121 | Listar os meios ou instrumentos mecânicos que podem causar lesões corporais. RESPOSTA: Os meios ou instrumentos mecânicos são divididos em: “perfurantes, cortantes, contundentes, perfurocortantes, perfurocontundentes e cortocontundentes” (FRANÇA, 2017, p. 101). 122 | Listar os tipos de lesões causadas por instrumentos mecânicos. RESPOSTA: Os agentes mecânicos podem causar lesões contusas, incisas ou cortantes, punctórias ou puntiformes, perfurocontusas, perfurocortantes e cortocontusas (FRANÇA, 2017). Imagem 13 – Fratura de íbula com grampos cirúrgicos e equimose – instrumento contundente Imagem de Stan Chavez | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www.freeimages.com/pt/ photo/compound-fracture-1-1557281. Acesso em: 29 mar. 2021. 123 | Descrever o mecanismo de ação do instrumento contundente. RESPOSTA: Os instrumentos contundentes possuem volume e forma precisos, e são capazes de ocasionar lesão por meio da transferência de energia cinética para uma super ície corporal (HERCULES, 2014). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 81 Imagem 14 – Escoriação terceiro dia Fonte: arquivo próprio. Imagem 15 – Ferida contusa com sutura – instrumento contundente Imagem de Skarlyt | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www.freeimages.com/pt/photo/ cut-2-1549635. Acesso em: 29 mar. 2021. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 82 Imagem 16 – Radiogra ia – fratura completa de quinto metacarpo – instrumento contundente Imagem de Nick Campnell | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www.freeimages.com/pt/ photo/ouch-1554339. Acesso em: 29 mar. 2021. Imagem 17 – Lesão por ação contundente (martelo) na calota craniana Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 83 Imagem 18 – Ferimento por ação contundente – martelo Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. Imagem 19 – Hemorragia intraventricular Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 84 124 | Citar exemplos de instrumentos contundentes. RESPOSTA: Há um grande número de instrumentos considerados contundentes e que, quando ocorre movimento ativo sobre o corpo, podem determinar lesões, como: punhos fechados, pneus de automóveis, ivelas de cintos, cassetete, soco inglês, bengala, explosões, desabamentos, entre outros. Ademais, algumas lesões podem ser causadas de forma passiva como resultado do corpo indo de encontro ao solo ou pavimento (FRANÇA, 2017; RODRIGUES, 2015). 125 | Descrever o espectro equimótico de Legrand du Saulle. RESPOSTA: O espectro equimótico de Legrand du Saulle é baseado no processo de fagocitação das hemácias extravasadas no tecido que inicialmente apresenta-se de cor avermelhada. Os macrófagos degradam a parte heme da hemoglobina, em que o ferro liberado faz um complexo com a ferritina e forma a hemossiderina, também transformam o heme em biliverdina e posteriormente em bilirrubina, dando o aspecto esverdeado e amarelado consecutivamente. O decorrer do processo pode ser variado, dependendo da equimose. Em geral, demora cerca de 15 a 20 dias para que a pele volte à sua coloração normal. Uma exceção da formação do espectro equimótico é a conjuntiva ocular, que permanecerá vermelha do início ao im, devido à oxigenação da hemoglobina nesta região (FRANÇA, 2017; HERCULES, 2014). Quadro 2 – Evolução do espectro equimótico DIAS COLORAÇÃO 1º dia Vermelha 2º e 3º dias Violácea 4º a 6º dia Azul 7º a 10º dia Verde 11º a 15º dia Amarela 15º a 20º dia pele normal Fonte: França (2017). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 85 Imagem 20 – Equimose – ferida por instrumento contundente Imagem de Cottonbro | Fonte: Pexels. Disponível em: https://www.pexels.com/pt-br/foto/adulto- conselhos-orientacoes-assistencia-4100481/. Acesso em: 29 mar. 2021. 126 | Definir empalamento. RESPOSTA: Empalamento é o ato de penetrar um instrumento de grande eixo longitudinal na região anal ou perianal (FRANÇA, 2017; GRECO; DOUGLAS, 2016; SILVEIRA, 2015). 127 | Definir encravamento. RESPOSTA: Encravamento é o ato de penetrar um instrumento agudo, com io e espesso em qualquer região corporal, geralmente de forma acidental (FRANÇA, 2017; GRECO; DOUGLAS, 2016). 128 | Definir lesões por precipitação. RESPOSTA: As lesões por precipitação são descritas por Leon Thoinot como aquelas que apresentam “pele intacta ou pouco afetada, rupturas internas e graves das vísceras maciças e fraturas ósseas de características variáveis” (FRANÇA, 2017, p. 116). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 86 Imagem 21 – Precipitação – caso 1 Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. Imagem 22 – Lesão por precipitação – caso 1 Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 87 Imagem 23 – Lesão por precipitação – caso 1 Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. Imagem 24 – Precipitação – caso 2 Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 88 Imagem 25 – Impressão do pavimento – precipitação – caso 2 Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. 129 | Descrever as lesões por atropelamento ferroviário. RESPOSTA: O atropelamento ferroviário pode reduzir o corpo a pedaços de tamanhos variados e irregulares. A perícia deverá considerar outras possibilidades, que podem ser desde acidente, homicídio, suicídio a um atropelamento ferroviário para a dissimulação de outras causas, como homicídio e morte natural (FRANÇA, 2017). Imagem 26 – Lesão por atropelamento ferroviário Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 89 130 | Descrever o mecanismo de ação do instrumento cortante. RESPOSTA: Esse mecanismo de ação acontece por deslizamento e pressão em um sentido linear realizado por um objeto com gume, produzindo secção uniforme dos tecidos (FRANÇA, 2017; HERCULES, 2011; PEREIRA; GUSMÃO, 2001). 131 | Citar exemplos de instrumentos cortantes. RESPOSTA: Exemplos de instrumentos cortantes são: navalha, lâmina, bisturi, canivete, cacos de vidros e pedaços de folhas metálicas (FRANÇA, 2017; HERCULES, 2011; PEREIRA; GUSMÃO, 2001). Imagem 27 – Instrumento cortante Imagem de Raven3k | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www.freeimages.com/pt/photo/ scalpel-1442573. Acesso em: 29 mar. 2021. 132 | Descrever as lesões causadas por ação dos instrumentos cortantes. RESPOSTA: As feridas ocasionadas por instrumentos cortantes são geradas por meio de um gume que desliza sobre a super ície corporal separando as bordas do tecido. Essas lesões apresentam como características: lineares, regularidade do fundo e de suas bordas, ausência de sinais traumáticos, hemorragia geralmente abundante, estando, no término da ação, a cauda de escoriação. Se o corte é oblíquo, apresenta a área central da lesão mais profunda que as extremidade (FRANÇA, 2017; FRÓES, 2015). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 90 Imagem 28A – Ferida incisa com sutura – instrumento com ação cortante Foto de Sharon Mccutcheon | Fonte: Unsplash. Disponível em https://images.unsplash.com/photo- 1552328371-831062d07ba1?ixlib=rb-1.2.1&ixid=eyJhcHBfaWQiOjEyMDd9&auto=format& it=crop& w=634&q=80. Acesso em: 29 mar. 2021. Imagem 28B – Cicatriz de ferida incisa Foto de Shane | Fonte: Unsplash. Disponível em: https://images.unsplash.com/photo-1583966821154-ba58ea660f69?ixlib=rb-1.2.1&auto=format& it =crop&w=750&q=80. Acesso em: 29 mar. 2021. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 91 133 | Definir esgorjamento. RESPOSTA: Esgorjamento é a ação que seciona a parte “anterior, lateral, anterolateral ou laterolateral do pescoço” por instrumento cortante (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012, p. 301; FRANÇA, 2011; DEL-CAMPO, 2009; PEREIRA; GUSMÃO, 2001). 134 | Definir decapitação. RESPOSTA:Decapitação é a ação que separa totalmente a cabeça do corpo. Pode ser realizada por meio de ação cortante, entre outras (FRANÇA, 2017; DEL-CAMPO, 2009). 135 | Definir esquartejamento. RESPOSTA: Esquartejamento é a ação que seciona o corpo em partes (FRANÇA, 2017). 136 | Descrever o mecanismo de ação do instrumento perfurante. RESPOSTA: O ferimento por instrumento perfurante segue a Lei de Filhos e Langer: as ibras elásticas ou musculares do local atingido, ao serem afastadas pela passagem do instrumento, dão lugar a um desenho fusiforme, e este afastamento fusiforme se dá, em cada local, conforme a direção que essas ibras tomam nessa área; se a esse nível há a possibilidade de cruzamento ou entrelaçamento de ibras, o aspecto fusiforme pode ser substituído por um desenho em seta, em triângulo, etc. O mecanismo de ação do instrumento perfurante ocorre por pressão. Há uma transferência da energia cinética do instrumento para a ponta, que penetra a super ície e leva ao afastamento do tecido (FRANÇA, 2017; HERCULES, 2014; PEREIRA; GUSMÃO, 2001; CARVALHO, 1992). 137 | Citar exemplos de instrumentos perfurantes. RESPOSTA: Exemplos de instrumentos perfurantes são: agulha, espinhos, prego, estilete, al inete, sovela, lorete e furador de gelo (FRANÇA, 2017; HERCULES, 2014; PEREIRA; GUSMÃO, 2001). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 92 Imagem 29 – Instrumento perfurante – atua por pressão ou percussão Imagem de Hannah Chapman | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www.freeimages.com/ pt/photo/pins-and-needles-1185236. Acesso em: 29 mar. 2021. 138 | Descrever as lesões causadas por ação do instrumento perfurante. RESPOSTA: Os instrumentos perfurantes produzem lesões punctórias ou puntiformes. Elas apresentam como características típicas: abertura reduzida, sangramento raro, pouco dano na super ície, podendo, em algumas ocasiões, pela profundidade, resultar em lesões graves apesar de na super ície demonstrar uma abertura menor que o instrumento utilizado, já que a pele é retrátil e elástica (FRANÇA, 2017; PEREIRA; GUSMÃO, 2001). 139 | Descrever o mecanismo de ação dos instrumentos perfurocontundentes. RESPOSTA: A ação dos instrumentos perfurocontundentes depende do tipo de instrumento utilizado e da intensidade de sua pressão nos tecidos por ação de sua ponta. As lesões resultantes são causadas por mecanismo composto, que no mesmo momento perfura e contunde. Essas são causadas por: projéteis de arma de fogo, ponta de guarda- chuva e chave de fenda (TOCCHETTO, 2013). 140 | Citar exemplos de instrumentos perfurocontundentes. RESPOSTA: Os instrumentos considerados perfurocontundentes quase sempre são os projéteis de arma de fogo, mas podem ser incluídos neste grupo também a chave de fenda e a ponta do guarda- chuva (TOCCHETTO, 2013). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 93 Imagem 30 – Revólver Imagem de Pixabay | Fonte: Pexels. Disponível em: https://www.pexels.com/pt-br/foto/ revolver-cinza-53351/. Acesso em: 29 mar. 2021. Imagem 31 – Pistola Imagem de Steve Woods | Fonte: Unsplash. Disponível em: https://unsplash.com/photos/ cD2eM-TkE68. Acesso em: 29 mar. 2021. magem 32 – Fuzil Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 94 Imagem 33 – Projétil de arma de fogo (PAF) Imagem de Bexar Arms | Fonte: Unsplash. Disponível em: https://unsplash.com/photos/ EhhJ5ptNp7k. Acesso em: 29 mar. 2021. Imagem 34 – Radiogra ia – PAF1 Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 95 Imagem 35 – Radiogra ia – PAF2 Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. 141 | Citar as lesões causadas por instrumentos perfuro- contundentes. RESPOSTA: As lesões produzidas por instrumentos perfurocontundentes são: ferimento de entrada, trajeto e ferimento de saída (FRANÇA, 2017). 142 | Descrever a ferida de entrada de tiro encostado. RESPOSTA: O conceito de tiro encostado é: ação de disparo que acontece quando a boca do cano da arma dispõe-se recostada no alvo. A lesão é caracterizada por um ori ício de entrada assimétrico, irregular e maior do que a amplitude do projétil. Quando existe plano ósseo adjacente, os gases alinhados ao projétil volvem, determinando mina de Hoffman. Ainda pode ser encontrada, quando a super ície óssea é plana, uma área ao redor do ferimento de entrada, com crepitação devido ao acúmulo de gases proveniente do cano encostado. Não há presença de orla de esfumaçamento e de tatuagem (TOCCHETTO, 2013). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 96 143 | Citar a denominação dada em tiros encostados na fronte em que há a presença de crepitação gasosa na tela subcutânea. RESPOSTA: Esse sinal é denominado câmara de mina de Hoffmann (FRANÇA, 2017). 144 | Citar o sinal em que existe a presença de fuligem no halo na camada externa do osso quando o tiro é dado no crânio, escápula ou costela, especialmente quando a arma está sobre a pele. RESPOSTA: Esse sinal denomina-se sinal de Benassi (FRANÇA, 2017). 145 | Citar o sinal nos tiros encostados em que a marca do cano fica impresso na pele. RESPOSTA: Esse sinal denomina-se sinal de Werkgaertner (FRANÇA, 2017). 146 | Descrever a ferida de entrada de tiro a curta distância. RESPOSTA: A ferida de entrada do tiro a curta distância apresenta formato arredondado ou ovalar; margens invertidas, orla escoriativa pela retirada da epiderme durante a penetração giratória na fase anterior do projétil; halo de enxugo determinado pela passagem do projétil pelos tecidos; zona de tatuagem resultado da in iltração de partículas incombustas de pólvora; orla de esfumaçamento da fuligem circundando a ferida de entrada; zona de queimadura; orla equimótica pelo rompimento de vasos de pequeno calibre; e área de compressão de gases pela atuação mecânica desses (FRANÇA, 2017; TOCCHETTO, 2013). 147 | Citar outras denominações dadas à orla de escoriação. RESPOSTA: Outras denominações da orla de escoriação são: zona de contusão de Thoinot, orla desepitelizada de França, zona in lamatória de Hoffmann, entre outras (FRANÇA, 2017). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 97 148 | Descrever a ferida de entrada de tiro a distância. RESPOSTA: A ferida de entrada de tiro a distância apresenta: formato arredondado, podendo também ser ovalar; presença de orla de escoriação, orla equimótica; halo de enxugo; ori ício menor que a amplitude do projétil; e bordas invertidas e ausência dos efeitos acessórios do disparo. A orla de contusão em conjunto com o enxugo leva o nome de anel de Fisch (FRANÇA, 2017). Imagem 36 – Ferimento de entrada – tiro a distância Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. 149 | Descrever o sinal de funil de Bonnet. RESPOSTA: O sinal de funil de Bonnet ou cone truncado de Pousold oportuniza a veri icação do ferimento de entrada ou saída na região óssea. Na área externa do ferimento de entrada, apresenta-se circular, regular e com formato de “saca bocado”. De outro modo, na área interna, o ferimento apresenta contornos irregulares e possui maior diâmetro que o da porção externa, levando à formação de um funil. No ferimento de saída, por outro lado, o funil está posicionado de forma invertida (FRANÇA, 2017). 150 | Descrever a diferença entre trajeto e trajetória. RESPOSTA: A de inição de trajeto é o percurso feito pelo projétil no corpo. Já a trajetória se refere ao percurso percorrido pelo projétil desde o momento que deixou a arma até o local da parada inal (FRANÇA, 2017). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 98 151 | Descrever o ferimento de saída. RESPOSTA: O ferimento de saída não apresenta sinais de pólvora, enxugo ou orla de escoriação. Apresenta bordas evertidas com formato irregular, às vezes com aspecto estrelado, geralmente de dimensão maior que o ori ício de entrada e maior sangramento (FRANÇA, 2017; DI MAIO, 1999). 152 | Descrevero mecanismo de ação do instrumento perfurocortante. RESPOSTA: Os instrumentos perfurocortantes detêm ponta e gume com corte e atuam por pressão e secção. Eles penetram com a ponta e seccionam com o gume a iado a área corporal super icial e profunda (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 153 | Citar exemplos de instrumentos perfurocortantes. RESPOSTA: Alguns exemplos de instrumentos perfurocortantes são: faca-peixeira, canivete, espada, punhal, lima, baioneta, lorete, estile (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). Imagem 37 – Instrumento perfurocortante – instrumento de ponta e gume Imagem de Lynn Lopez | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www. freeimages.com/pt/photo/knife-1417852. Acesso em: 29 mar. 2021. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 99 Imagem 38 – Instrumento perfurocortante – instrumento de ponta e gume Imagem de Mario Alberto Magallanes Trejo | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www. freeimages.com/pt/photo/knife-in-hand-2-1314424. Acesso em: 29 mar. 2021. 154 | Descrever as lesões causadas por ação dos instrumentos perfurocortantes. RESPOSTA: Essas lesões são resultado da ação de instrumentos perfurocortantes que têm ponta e gume, cuja atuação mista se faz por perfuração e secção das camadas super iciais e profundas. Geralmente, instrumentos perfurocortantes que apresentam apenas um gume provocam ferimento em forma de sulco lineal e uniforme, com uma angulação aguda e outra arredondada (forma de botoeira). Os instrumentos com dois gumes determinam ferimento com ângulos agudos e bordas iguais. As feridas produzidas por instrumentos de três gumes apresentam um formato triangular ou estrelado (FRANÇA, 2017). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 100 Imagem 39 – Ferimento por ação perfurocortante Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. 155 | Descrever as lesões causadas por instrumentos cortocontundentes. RESPOSTA: As lesões cortocontusas causadas por instrumentos cortocontundentes geralmente são mais graves, com comprimentos menores e de maior profundidade, não apresentam cauda de abrasão, além de possuírem bordas irregulares e poderem apresentar fraturas (FRANÇA, 2017; RODRIGUES, 2015). 156 | Descrever o mecanismo de ação do instrumento cortocontundente. RESPOSTA: O mecanismo de ação dos instrumentos cortocontundentes – mesmo tendo gume – sofre a in luência do peso, força, pressão do próprio objeto ou externa, além do deslocamento e percussão do objeto utilizado (CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012; FRANÇA, 2017). 157 | Citar exemplos de instrumentos cortocontundentes. RESPOSTA: Exemplos de instrumentos cortucontundentes são: as rodas de um trem, a foice, o facão, a guilhotina, o machado, os dentes, entre outros (CROCE JÚNIOR; CROCE, 2012; FRANÇA, 2017). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 101 Imagem 40 – Instrumento cortocontundente Foto de Tania Matvienko | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www.freeimages.com/pt/ photo/axe-and- irefoods-1408708 Acesso em: 29 mar. 2021. 158 | Citar o tipo de lesão da mordedura humana. RESPOSTA: A mordedura humana provoca uma lesão cortocontudente (FRANÇA, 2017). 159 | Citar as energias de ordem física mais comuns. RESPOSTA: “As energias de ordem ísica mais comuns são temperatura, pressão atmosférica, eletricidade, radioatividade, luz e som” (FRANÇA, 2017, p. 135). 160 | Descrever a classificação em graus das geladuras. RESPOSTA: As geladuras, determinadas pelo frio, são distribuídas em 3 graus. As consideradas de primeiro grau são representadas pelos eritemas com presença de prurido, hipossensibilidade, dor e pele com aspecto de pele anserina. No segundo grau, podem-se observar as lictenas de conteúdo claro ou mesmo hemorrágico. Gangrena e necrose estão presentes em geladuras de terceiro grau e são resultantes da morte tecidual por coagulação nos capilares (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 102 161 | Definir insolação. RESPOSTA: A insolação provém do calor do ambiente nos locais abertos ou excepcionalmente em ambientes con inados. Os elementos contribuintes para essa ocorrência são a atuação dos raios solares, temperaturas elevadas, falta de renovamento do ar e elevada umidade relativa (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 162 | Determinar em quais locais pode ocorrer a intermação. RESPOSTA: A intermação ocorre em ambientes fechados, abertos ou mal ventilados, o que provoca o aumento da radiação presente (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 163 | Descrever a graduação das queimaduras. RESPOSTA: As queimaduras de primeiro grau apresentam um eritema simples, ocorrendo uma vasodilatação fugaz sem dano dérmico (sinal de Christinson). A presença de lictenas de conteúdo amarelo- claro, além do eritema (sinal de Chambert), caracteriza uma lesão de segundo grau. Nesse caso, as queimaduras podem ser um pouco mais profundas e apenas partes da derme podem ser conservadas, já sendo necessário um tratamento mais especí ico. Naquelas de terceiro grau, há a morte de toda a camada da pele, o que explica o porquê de serem menos dolorosas (há também a morte dos nervos) e o motivo do surgimento de escaras. A cicatrização é ainda mais lenta e pode levar ao surgimento de queloides, cicatrizes retrateis ou de tecido de granulação não elástico. As queimaduras de quarto grau apresentam também carbonização, inclusive óssea, de modo que geralmente são letais (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 164 | Descrever as perturbações definidas como mal das montanhas. RESPOSTA: O mal das montanhas está relacionado à diminuição da pressão parcial de oxigênio que acontece com o aumento da altitude local. Ocorre então uma diminuição da hematose, e o paciente passa a apresentar sintomas como fadiga, cefaleia, escotomas, náuseas, anorexia e insônia. Esse quadro é ampliado quando é concomitante ao esforço ísico e é proporcional ao aumento da altitude. A reversão do CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 103 quadro acontece após alguns dias, quando o indivíduo, já aclimatado, passa a produzir mais hemácias, proporcionando um incremento da oxigenação (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 165 | Descrever a patologia de compressão. RESPOSTA: Essa patologia, também denominada “doença dos caixões”, é determinada pelo aumento da pressão atmosférica. Ela acontece por uma intoxicação por oxigênio, nitrogênio e gás carbônico, podendo causar dor, perfuração timpânica, hipoacusia, etc. Essa situação pode ser resultante tanto da compressão quanto da descompressão (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). 166 | Citar os tipos de eletricidade que podem causar dano e/ ou morte. RESPOSTA: Os tipos de eletricidade que podem causar dano e/ou morte são: a eletricidade natural (raios), a eletricidade arti icial e a eletricidade biológica (proveniente de alguns tipos de peixes) (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). 167 | Definir fulminação. RESPOSTA: A eletricidade natural pode determinar dano ao corpo que resulta em morte de inido por fulminação (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). 168 | Definir fulguração. RESPOSTA: A fulguração é a presença de lesões arborizantes localizadas e não letais produzidas quando a eletricidade natural age sobre o homem, caracterizando o sinal de Lichtenberg (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). 169 | Definir sinal de Lichtenberg. RESPOSTA: O sinal de Lichtenberg, também referido como marcas queraunográ icas, tem uma apresentação arboriforme que pode ser arroxeada ou avermelhada decorrente de ações vasomotoras ocasionadas pela fulguração. A marca surge em média uma hora CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 104 após o evento e desaparece gradualmente nas 24 horas seguintes aproximadamente (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). 170 | Definir eletroplessão. RESPOSTA: De ine-se eletroplessão como os efeitos provocados por descarga elétrica não natural, podendo ser letais ou não (FRANÇA, 2017). 171 | Listar aslesões causadas por efeito da radioatividade. RESPOSTA: A radiação pode provocar lesões locais (radiodermites) ou gerais (acometendo órgãos profundos – gônadas). As radiodermites são as mais incidentes e podem se apresentar nas formas aguda ou crônica. Os achados na pele têm variações distintas, como eritema e prurido, descamação, podendo chegar ao estágio de necrose do tecido. Ademais, pode apresentar dor, aumento da sensibilidade tópica e maior exposição a infecções secundárias (FRANÇA, 2017; LENHANI et al., 2014; BLECHA; GUEDES, 2006; VANRELL, 2002). 172 | Apresentar a classificação das radiodermites agudas considerando o grau de acometimento. RESPOSTA: As radiodermites agudas podem manifestar-se durante o tratamento ou até 3 meses após o término. São classi icadas em: • 1º grau: temporária, apresenta-se como uma “lesão eritematosa ou depilatória”, apresentando um eritema leve e uma descamação seca que dura cerca de dois meses e deixa no local uma mancha escurecida que sumirá gradativamente; • 2º grau “papuloeritematosa: ulceração muito dolorosa e revestida por crosta seropurulenta”, com descamação localizada e moderado edema, di ícil cicatrização, restando no local uma lâmina de pele atípica áspera com tonalidade alva; • 3º grau “ulcerosa ou úlceras de Röentgen”: áreas necróticas podem surgir em trabalhadores que manipulam equipamentos de raio-X sem equipamento de segurança adequado (FRANÇA, 2017, p. 141; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 105 173 | Listar os tipos de lesões crônicas causadas por radioatividade. RESPOSTA: As lesões crônicas resultantes de ação radioativa manifestam-se depois de um período do tratamento que pode levar meses ou anos. São lesões locais de forma “úlcero-atró ica, telangiectásicas ou neoplásicas” (epitelioma pavimentoso). Podem exibir isquemia, espessamento e ibrose. Além disso, algumas síndromes podem se desenvolver, como: “digestivas, cardíacas, oculares – úlcera de córnea e cataratas –, ginecológicas, esterilizantes, cancerígenas, sanguíneas e mortes precoces” (FRANÇA, 2017, p. 141). 174 | Listar os danos corporais que podem ser causados pela energia física luz. RESPOSTA: Quando fachos de luzes com grande intensidade incidem em órgãos vulneráveis, como a córnea e o cristalino dos globos oculares, pode levar a perturbações neurossensoriais – defeitos de refração, di iculdade ou incapacidade de acomodação do cristalino, disfunções da retina, perda irreparável da visão e cegueira total. As radiações de infravermelho e de ultravioleta também podem desencadear lesões no cristalino e nas conjuntivas. O raio laser também apresenta efeitos fotoquímico e fototérmico muito superiores, ocasionando danos mais intensos (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 175 | Listar os danos corporais que podem ser causados pela energia física som. RESPOSTA: A perda auditiva permanente pode ser paulatinamente instalada e desencadeada pela exposição contínua a muito ruído. Apresenta-se, predominantemente, em ambos os lados, perene, de modo lento e progressivo (perda auditiva variando de 3000-6000 Hz em um período de 10-15 anos). A PAIR (Perda Auditiva Induzida pelo Ruído) começa com distúrbios discretos no audiograma, levando à perda da discriminação da fala, di icultando o estabelecimento do nível da voz e criando obstáculos à comunicação. Ruídos crônicos (geralmente decorrentes do CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 106 trabalho, como os atendentes de telemarketing) podem levar ao desenvolvimento de hipoacusia e evoluir para a surdez, podendo ainda apresentar alterações psíquicas e comportamentais, inclusive alterando a qualidade do sono. Já os intensos e contínuos podem produzir neurastenia, emagrecimento, hipotensão arterial, alterações e danos no ouvido interno e acometimento do sistema nervoso. A exposição a ruídos moderadamente acentuados com uma larga série de frequência pode produzir vasoconstrição cutânea, comprometimento da visão, além de afetar o sistema metabólico aumentando a atividade das suprarrenais (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 176 | Descrever as lesões causadas por cáusticos e citar os respectivos agentes. RESPOSTA: As lesões causadas por cáusticos podem produzir duas ações: coagulantes ou liquefacientes. As lesões por ação coagulante são descritas como escaras endurecidas com diversas graduações de cores, a depender do agente. Já as lesões por ação liquefaciente são descritas como escaras úmidas, amolecidas e hialinas. Exemplos de agentes coagulantes: acetato de cobre e nitrato de prata. Os liquefacientes: soda cáustica e amônia (FRANÇA, 2017; SILVEIRA, 2015; DEL-CAMPO, 2009). 177 | Listar os sinais externos das asfixias. RESPOSTA: A compressão torácica di iculta o retorno venoso, principalmente da veia cava superior. Dessa forma, o sangue passa a se acumular no sistema venoso, gerando vários pontos equimóticos tão próximos que deixam a face e o pescoço da vítima com coloração roxo-escura, denominada máscara equimótica de Morestin. A pressão aumentada pelo sangue acumulado pode determinar entumescimento de língua, lábios, olhos e gengivorragias (MEDRADO, 2015; HERCULES, 2014). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 107 178 | Listar os sinais internos das asfixias. RESPOSTA: Devido ao processo de as ixia, é possível encontrar sinais de congestão e distensão pulmonar, petéquias de Tardieu na pleura, e o sangue é escuro e líquido. Nessa congestão polivisceral, o ígado apresenta-se pletórico (FRANÇA, 2017; MEDRADO, 2015; HERCULES, 2014). 179 | Apresentar a divisão das asfixias mecânicas. RESPOSTA: As as ixias mecânicas se dividem em puras, complexas e mistas (FRANÇA, 2017). 180 | Apresentar as causas e a divisão das asfixias puras. RESPOSTA: As causas das as ixias puras são hipercapnia e anoxemia. Essas são classi icadas em: • As ixias em decorrência de gases não respiráveis, como em con inamentos, presença de monóxido de carbono ou outros vícios de ambiente; • As ixia por obstáculos que impeçam a penetração adequada do oxigênio pelo sistema respiratório. Esse grupo é subdividido em: Sufocação direta: obstrução das vias superiores (como tampar com a mão ou um travesseiro o nariz e a boca) ou das vias inferiores; Sufocação indireta: pode decorrer de constrição do tórax que impeça a adequada expansão torácica no momento da respiração ou por uma substituição do meio gasoso por um meio líquido (afogamento) ou por um meio sólido (soterramento) (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 108 Imagem 41 – Aspiração Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. Imagem 42 – Edema pulmonar Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. 181 | Apresentar as causas de asfixias complexas. RESPOSTA: As ixia complexa ocorre quando há uma contrição do pescoço da vítima, impedindo-a de respirar e di icultando a circulação cerebral, gerando anoxemia e hipercapnia, seja ela por enforcamento (de forma ativa utilizando o peso corporal), seja por estrangulamento (de forma ativa utilizando a força muscular) (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 109 182 | Citar os eventos envolvidos nas asfixias mistas. RESPOSTA: Os eventos respiratórios, circulatórios e nervosos estão envolvidos nas as ixias mistas (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 183 | Citar as asfixias em espécie. RESPOSTA: As as ixias em espécies são classi icadas em: • Afogamento; • Con inamento; • Enforcamento; • Esganadura; • Estrangulamento; • Soterramento; • Sufocação; • Monóxido de Carbono (FRANÇA, 2017; MEDRADO, 2015). 184 | Definir afogamento. RESPOSTA: Afogamento é um modo de as ixia mecânica determinado quando acontece a penetração de líquidos ou semilíquidos na árvore respiratória, impedindo a passagem livre do ar aos pulmões e a adequada hematose (FRANÇA, 2017). 185 | Citar as fasesdo mecanismo de morte por afogamento. RESPOSTA: A morte por afogamento é constituída de 3 (três) fases. A primeira compreende surpresa e dispneia. Na segunda, ocorre parada dos movimentos respiratórios por defesa do organismo. Já a terceira é caracterizada pela perda da resistência devido à exaustão, iniciando-se um modo de as ixia que determina inconsciência e perda da sensibilidade, culminando na morte (FRANÇA, 2017). 186 | Relatar os sinais cadavéricos externos do afogado. RESPOSTA: Os principais sinais externos encontrados em um afogado são: pele fria com aspecto anserino; maceração da epiderme, CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 110 especialmente das mãos e pés; cogumelo de espuma de coloração branca a rósea que se estende do nariz-boca até a traqueia; retração do sacro escrotal, pênis e mamilo; livores cadavéricos mais claros; presença de corpos estranhos, como areia sob as unhas; erosão dos dedos; equimose da face das conjuntivas; a localização da mancha verde na região cervical inferior; possíveis ferimentos ocasionados por animais; alteração do processo de rigidez e de desidratação pelo encharcamento do cadáver; dentes e unhas róseos (FRANÇA, 2017). 187 | Relatar os sinais cadavéricos internos do afogado. RESPOSTA: Entre os sinais internos encontrados nas vítimas de afogamento, podemos citar: presença de líquidos e elementos estranhos no sistema respiratório; lesões pulmonares (en isema aquoso subpleural ou sinal de Brouardel, equimoses subpleurais ou manchas de Tardieu e manchas de Paltaulf); aumento do peso e do tamanho dos pulmões; marcas das costelas nos pulmões; hiperaeria ou sinal de Casper; diluição do sangue; líquidos presentes nas cavidades pleurais, ouvido médio, sistema digestório; aumento cardíaco; sangramentos musculares; congestão de vísceras torácicas, abdominais etc. Além desses sinais, podemos citar outros, como congestão das vísceras e presença de equimoses na região cervical e torácica (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). 188 | Definir soterramento. RESPOSTA: Um dos tipos de as ixia mecânica é o soterramento, no qual ocorre oclusão das vias respiratórias por terra ou poeiras, na maior parte dos casos devido a acidentes. O diagnóstico é baseado na análise dos fatos, do local e da presença de substâncias sólidas dentro das vias respiratórias e digestivas (FRANÇA, 2017). 189 | Definir confinamento. RESPOSTA: O con inamento é o enclausuramento de um indivíduo em um ambiente sem a possibilidade de renovação dos gases, o que faz com que o estoque de oxigênio se esgote lentamente, com consequente acúmulo de gás carbônico (FRANÇA, 2017). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 111 190 | Definir sufocação. RESPOSTA: Sufocação é uma as ixia mecânica que impede o livre trânsito do ar nas vias respiratórias de maneira direta, por obstrução das vias aéreas, ou indireta, quando há constrição torácica e sufocação por posicionamento (FRANÇA, 2017). 191 | Definir enforcamento. RESPOSTA: O enforcamento é uma forma de as ixia mecânica causada pela compressão cervical por um laço em um ponto ixo, com a força atuante sendo ocasionada pelo peso da própria vítima. O enforcamento típico é a as ixia decorrente do posicionamento do nó na região occipital, enquanto o enforcamento atípico é aquele que há as ixia e o local do nó pode estar em qualquer outra posição, exceto na região occipital (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). 192 | Listar as modalidades de enforcamento. RESPOSTA: As modalidades de enforcamento são: típico, atípico, completo e incompleto (ZARZUELA, 1993). Imagem 43 – Ilustração – Enforcado Fonte: Pixabay. Disponível em: https://pixabay.com/pt/vectors/execu%C3%A7%C3%A3o-enforcado- mortos-silhueta-29644/#_=. Acesso em: 15 set. 2020. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 112 193 | Citar os fenômenos apresentados no enforcamento. RESPOSTA: Os fenômenos do enforcamento apresentam três fases: a primeira ocorre logo após a compressão cervical, levando a uma percepção de calor, escotomas luminosos, zumbidos, inconsciência por ausência de oxigenação no cérebro; na fase subsequente, a presença de ação excitatória corporal e convulsões devido à hipoxemia e hipercapnia, provocadas pela impossibilidade de trocas e compressão do nervo vago; na terceira e última, ocorre a morte de fato, com a parada cardiorrespiratória (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). 194 | Descrever o aspecto geral do morto por enforcamento. RESPOSTA: Quando há morte por enforcamento, a cabeça da vítima estará voltada para o lado contrário ao nó e a face encontra-se com coloração alva ou violácea devido à intensidade de constrição dos vasos, e com presença de secreção ou espuma com aspecto sanguinolento nas vias aéreas. A língua estará cianótica e projetada para fora das arcadas dentárias e olhos exoftálmicos. Nos casos de enforcamento completo, a vítima apresentará os membros inferiores suspendidos e os superiores adjuntos ao corpo; no incompleto, os membros adquirirão posições variadas. O corpo apresentará a rigidez cadavérica tardiamente e as hipóstases estarão localizadas mais intensamente nos extremos dos membros superiores e inferiores, apresentando púrpuras hipostáticas na região devido ao tempo de suspensão. Cadáveres com um grande tempo de suspensão apresentarão putrefação úmida na parte inferior do corpo e putrefação seca na parte superior (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). Imagem 44 – Enforcamento Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 113 Imagem 45 – Enforcado - sinal de Friedberg Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. Imagem 46 – Sinal de Friedberg Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrer. Imagem 47 – Corrente – enforcamento atípico Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 114 Imagem 48 – Enforcamento atípico Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. Imagem 49 – Enforcamento atípico Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. 195 | Descrever os sinais externos do enforcado. RESPOSTA: O sulco é o elemento mais signi icativo do enforcamento. Na maioria dos casos ele está presente, exceto quando o tempo de enforcamento é muito curto ou quando os laços são bem macios ou se for colocado um elemento macio no espaço entre o laço e a região cervical. Se o material utilizado para o laço for ino e/ou duro, a marca será profunda, diferentemente de outros, que deixam sulcos menos profundos e de menor intensidade. O sulco estará posicionado de forma oblíqua, da região inferior para a superior e da alça para o nó. Caso o nó esteja muito apertado, o sulco pode apresentar-se contínuo. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 115 Os sinais de reação vital são importantes para determinar se a vítima morreu devido ao enforcamento ou se foi pendurada após a morte. Podemos ter: sinal de Ponsold (livores em placas acima e abaixo da margem do sulco), sinal de Thoinot (área arroxeada nas margens do sulco), sinal de Azevedo-Neves (livores no formato de pontos acima e abaixo da margem do sulco), sinal de Ambroise Paré (base do sulco com pele rugosa e escoriada), sinal de Neyding (base do sulco com in iltração hemorrágica puntiforme), sinal de Bonnet (sinal deixado pela textura do laço), sinal de Schuz (margem cranial do sulco protuberante e violácea) e sinal de Lesser (fundo do sulco com pequenas bolhas hemorrágicas) (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). 196 | Descrever os sinais internos locais do enforcado. RESPOSTA: Entre os sinais internos locais no enforcamento, observamos áreas lesivas na região dérmica profunda e do tecido celular subcutâneo com sufusões hemorrágicas; lesões dos vasos; nas carótidas, pode haver secção transversal da camada externa (sinal de Etienne-Martin) e/ou camada interna (sinal de Amussat); já nas veias jugulares, pode ocorrer o descolamento da camada íntima (sinal de Otto); lesõesda laringe, rupturas das cartilagens cricoide, tireoide e do osso hioide são frequentes, além de fraturas, luxações e/ou ruptura de ligamentos da coluna vertebral (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). 197 | Relatar os sinais apresentados dos planos profundos do pescoço do enforcado. RESPOSTA: 1 - Nos músculos, são denominados de: sinal de Hoffmann- Haberda, quando ocorre in iltração hemorrágica no músculo cervical; sinal de Lesser, quando há rotura transversal e hemorragia no músculo tireo-hióideo; 2 - Nas cartilagens e ossos: sinal de Morgagni-Valsalva-Or ila- Röemmer, na rotura do corpo do hioide; 3 - Na tireoide: sinal de Hoffmann (fraturas das apó ises superiores) e sinal de Helwig (fratura do corpo da tireoide); 4 - Na cricoide: sinal de Morgagni-Valsava-Deprez (fratura do corpo); CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 116 5 - Nos ligamentos: sinal de Bonnet, quando ocorre ruptura ligamentar crocóideo e tireóideo; 6 - Nos vasos: sinal de Amussat-Divergie-Hoffmann (solução de continuidade da camada interna da carótida comum, próximo a sua divisão); sinal de Friedberg (in iltração hemorrágica de túnica adventícia das carótidas internas e externas); sinal de Lesser (rotura das camadas adventícias das carótidas internas e externas); sinal de Ziemke (rotura da camada interna das jugulares interna e externa) (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 198 | Descrever os sinais diferenciais do sulco, segundo Bonnet, no estrangulamento e enforcamento. RESPOSTA: Os sinais diferenciais do sulco no enforcamento e estrangulamento são: no enforcamento, o sulco é oblíquo ascendente, variável, dependendo da região cervical, apresentando interrupção ao nível do nó, em geral único, estando acima da cartilagem tireóidea com profundidade e coloração variáveis; no estrangulamento, o sulco está horizontalizado, homogêneo em toda a área cervical e é frequentemente múltiplo e localizado abaixo da cartilagem tireóidea (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 199 | Descrever o mecanismo de morte por enforcamento. RESPOSTA: O mecanismo de morte por enforcamento apresenta três causas: morte por bloqueio da circulação, especialmente pelo impedimento do acesso de sangue arterial pelas carótidas; morte por as ixia mecânica decorrente da obstrução da passagem de ar para a região pulmonar pela presença do laço no pescoço; morte por inibição resultante da compressão dos nervos cervicais (FRANÇA, 2017). 200 | Definir estrangulamento. RESPOSTA: O estrangulamento é de inido pela pressão feita no pescoço por ação externa podendo ser gerada por dispositivo como um cinto em conjunto com a força utilizada pelo agente. Esse golpe é popularmente conhecido como mata-leão (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 117 201 | Relatar os sinais externos do estrangulamento. RESPOSTA: Os sinais externos do estrangulamento são: face intumescida e arroxeada determinada pela compressão venosa e arterial; lábios e orelhas violáceos, apresentando ou não secreção espumosa sanguinolenta ou rósea expelida pela boca e narinas; já com a língua ocorre o tensionamento e posicionamento mais à frente das arcadas dentárias, que icam bem escuras; o sulco apresenta- se horizontalizado, único ou múltiplo, com profundidade uniforme preservando a continuidade e localizado descensionalmente a cartilagem da tireoide. Não é raro o achado de rastros e estrias ungueais próximos ao sulco (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 202 | Relatar os sinais internos do estrangulamento. RESPOSTA: Ao se avaliar a região cervical profunda, podem-se observar alguns sinais, entre eles: infusões de sangue no subcutâneo e da musculatura cervical; lesões da cartilagem tireóidea, cricóidea e do osso hioide; sinal de Friedberg (presença de infusões hemorrágicas da camada adventícia das carótidas); sinal de Amussat (roturas transversais abaixo das bifurcações) (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 203 | Descrever a fisiopatologia da morte por estrangulamento. RESPOSTA: A as ixia e ação compressiva de nervos e vasos são os principais fatores determinantes de morte no estrangulamento. O bloqueio da traqueia impede o transporte de ar aos pulmões, e esse consequente processo as íxico determina a rápida perda da consciência. A circulação sanguínea nas veias jugulares e artérias carótidas é di icultada, de modo que não ocorre irrigação do segmento cefálico, levando à morte. A compressão nervosa ainda provoca inibição do sistema nervoso central, colaborando para uma evolução letal (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 204 | Definir esganadura. RESPOSTA: Esganadura é a constrição do pescoço que provoque um processo mecânico de as ixia, impedindo a passagem de ar até CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 118 os pulmões, sendo esse um ato homicida (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 205 | Relatar os sinais externos da esganadura. RESPOSTA: Esses sinais são palidez/cianose da face, “pontilhado escarlatiniforme de Lacassagne” (CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012, p. 403) em face e pescoço e congestão conjuntiva. A vítima pode apresentar ainda espuma com presença de sangue nas narinas, otorragia, quando houver lesão de tímpano, e equimoses elípticas causadas pela pressão das polpas digitais do agressor. Escoriações causadas, por exemplo, pelas unhas do ofensor podem estar ausentes quando a constrição for realizada em cima de tecidos (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 206 | Relatar os sinais locais profundos da esganadura. RESPOSTA: Na esganadura, esses sinais são: in iltrados hemorrágicos nas áreas profundas do pescoço; lesões da laringe; fraturas dos ossos hioide e estiloide e das cartilagens cricóidea e tireóidea. Lesões nos vasos cervicais, no entanto, não são comuns (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 207 | Descrever a fisiopatologia da morte por esganadura. RESPOSTA: Esse tipo de morte apresenta 3 mecanismos: as ixia, compressão dos nervos cervicais e, em menor relevância, a obstrução vascular do pescoço. No primeiro, há oclusão da traqueia e da fenda glótica, impedindo a passagem de oxigênio para os pulmões, levando a anóxia e perda de consciência. No segundo, ocorre inibição re lexa devido à compressão dos nervos carotídeos. Por último, há comprometimento encefálico por falta de sangue arterial, já que há obliteração das artérias vertebrais e carótidas comuns (CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 208 | Citar as energias de ordem bioquímica. RESPOSTA: As energias de ordem bioquímica se apresentam como uma combinação entre as ações química e biológica, que atuam CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 119 nocivamente sobre a saúde. Como exemplos podem ser referidos: distúrbios nutricionais e infecções (FRANÇA, 2017). 209 | Citar e descrever as energias de ordem biodinâmica. RESPOSTA: As energias de ordem biodinâmica são ocorrências oriundas externa ou internamente que culminam em respostas orgânicas isiopatológicas e altamente fatais, como choque, coagulopatia de consumo ou coagulação intravascular disseminada e síndrome de disfunção de múltiplos órgãos; • A coagulação intravascular disseminada é de inida por um distúrbio, tipo trombo-hemorrágico, com antecedentes de patologias do sistema hematológico e desenvolvida consequente a distúrbios posteriores; • A síndrome de disfunção de múltiplos órgãos caracteriza-se pela dani icação progressiva das funções de diferentes órgãos nos indivíduos que estão com quadro de gravidade; • O choque é a resposta do organismo a uma agressão de um agente e se manifesta por meio de uma modalidade de defesa dos efeitos nocivos do trauma. Entre os tipos de choque estão: cardiogênico, obstrutivo, hipovolêmico e periférico (FRANÇA, 2017). 210 | Citar as energias de ordem mista. RESPOSTA: “As energias de ordem mista compreendem: síndrome da alienação parental, síndrome da criança maltratada, síndrome do ancião maltratado, violência contra a mulher,tortura, fadiga e doenças por parasitas” (FRANÇA, 2017, p. 172-173). 211 | Definir a síndrome de alienação parental. RESPOSTA: A síndrome de alienação parental é um transtorno psiquiátrico infantil caracterizado por acometer especialmente crianças envolvidas em situações de litígio da guarda entre os progenitores. Há uma programação do menor para que odeie o outro genitor sem justi icativa (FRANÇA, 2017; SOUSA; BRITO, 2011). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 120 212 | Definir síndrome de Munchausen. RESPOSTA: A síndrome de Munchausen é um transtorno mental no qual a pessoa busca simular patologias ou mesmo causá-las com o objetivo de obter diligências médicas ou auxiliares. Pode ocorrer por transferência, como no caso de mães que submetem seus ilhos a esse quadro, no qual as crianças são submetidas a diversas consultas e hospitalizações desnecessárias, além de apresentar incoerência anatomopatológica e resposta terapêutica ine icaz (FRANÇA, 2017). 213 | Citar a divisão das lesões corporais dolosas. RESPOSTA: As lesões corporais dolosas se classi icam em leves, graves e gravíssimas. 214 | Definir lesão corporal leve. RESPOSTA: Lesão corporal leve são lesões super iciais que comprometem pele, tecido subcutâneo e vasos sanguíneos pequenos. São lesões de pouco impacto orgânico e de restauração rápida, sendo seu conceito estabelecido pela exclusão do que está tipi icado nos parágrafos 1o e 2o do Art. 129 do Código Penal (FRANÇA, 2017; SILVEIRA, 2015; MONTEIRO, 2001). 215 | Definir lesão corporal grave. RESPOSTA: Lesão corporal grave são lesões dolosas que apresentam um dos eventos: “incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias, perigo de vida, debilidade permanente de membro, sentido ou função e aceleração do parto” (FRANÇA, 2017, p. 198). 216 | Definir a condição “incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30 dias”. RESPOSTA: A incapacidade para as ocupações por mais de 30 dias consiste na perda da habilidade da vítima de executar as ocupações que executava antes do ocorrido, não necessariamente de forma total, mas também parcialmente, causando risco ou prejuízo no período de 30 dias. Essas ocupações não estão limitadas às de natureza CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 121 trabalhista ou lucrativa, mas envolvem todas as atividades habituais realizadas pelo indivíduo, sendo elas ísicas ou mentais. Após 30 dias, é feita a reavaliação do indivíduo com exame complementar para veri icação de melhora ou não da sua condição, sendo importante ressaltar que o retorno às atividades habituais não necessariamente indica a cura total. O término da incapacidade acontece quando a pessoa está capacitada ao retorno das atividades de maneira razoável e segura, uma vez que a cura é funcional, não anatômica. Nessa avaliação, caso o indivíduo seja considerado inapto a retomar suas ocupações habituais, a lesão é considerada lesão corporal grave, de acordo com o Art. 129 do Código Penal (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 217 | Definir a condição “perigo de vida”. RESPOSTA: O perigo de vida é considerado de fato uma ameaça real de morte decorrente de uma lesão em até 30 dias. Não deve estar correlacionado a prognósticos, mas a eventos do presente ou do passado. É uma série de eventos que podem levar a vítima a óbito, se ela não receber atendimento imediato para reversão do quadro, como em casos de hemorragia abundante de vaso calibroso, traumatismo cranioencefálico, pneumotórax, queimaduras extensas, etc. Para a existência de perigo de vida, o grau de gravidade deve realmente ameaçar a vida e sinalizar a possibilidade da ocorrência de morte (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 218 | Definir a condição “debilidade permanente de membro, sentido ou função”. RESPOSTA: A debilidade permanente de membro, sentido ou função inclui a diminuição/enfraquecimento permanente da aptidão do uso, sentido ou função de um membro. Para tal, faz-se primordial uma perícia com critérios de avalição do membro, do sentido e da função bem de inidos, os quais avaliam a capacidade isiológica, não anatômica. A saber, para tal, “membros são os quatro apêndices do corpo, os superiores e os inferiores; sentido é a faculdade pela qual percebemos as manifestações da vida de relação; e função, o mecanismo de atuação dos órgãos, aparelhos e sistemas” (FRANÇA, 2017, p. 200). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 122 Algumas lesões são tão acentuadas que se equiparam à perda ou inutilização e são classi icadas como lesões gravíssimas. Exemplo: perda do primeiro quirodáctilo. Devido ao fato de ser o único dedo que se opõe aos demais dedos da mão, sua perda pode ser considerada como inutilização do membro superior, haja vista que a função de pinça não existirá mais (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 219 | Definir a condição “aceleração do parto”. RESPOSTA: Aceleração do parto é um termo usado na Medicina forense para referir-se à expulsão antecipada do feto com vida, de forma precoce ao termo da gestação em decorrência de agressão ísica ou psíquica à mãe. É uma conduta de di ícil perícia, tendo em vista que, se o bebê estiver vivo e bem, não haverá dano con igurado da prematuridade, porém, dependendo da maturação, ainda que o bebê tenha nascido vivo e continuado a viver, pode constituir lesão grave. Se óbito fetal pode representar lesão corporal seguida de aborto, entre outras situações que poderiam ser cogitadas diante de outros desfechos (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 220 | Definir e exemplificar lesão corporal gravíssima. RESPOSTA: Uma lesão corporal gravíssima é caracterizada por um dano irreparável a uma estrutura ísica ou à saúde do indivíduo, sendo uma perturbação para a qual não há restauração ou cura, podendo levar assim à perda permanente da função (CAPEZ, 2007). 221 | Definir a condição “incapacidade permanente para o trabalho”. RESPOSTA: Trata-se da inabilitação para desenvolver atividade laborativa, em caso de lesões gravíssimas em que não há condições de recuperação e retorno ao trabalho de forma permanente (MIRABETE, 2012). 222 | Definir a condição “enfermidade incurável”. RESPOSTA: A enfermidade incurável é uma condição grave e de caráter incurável tendo uma ou mais funções com seu exercício CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 123 incompleto ou defeituoso. Usualmente ocorre devido a ato doloso e requer manejo especial. Para que a doença seja considerada incurável, são necessários documentos que comprovem a impossibilidade de cura. As enfermidades que têm cura, mas cujo processo seria muito longo ou impossibilitado pela falta de recursos da vítima, também podem ser consideradas incuráveis (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 223 | Exemplificar a condição “perda ou inutilização de membro, sentido ou função”. RESPOSTA: As vítimas que sofreram amputação ou perda de função de mais de 80% de algum órgão ou membro se enquadram no conceito de perda ou inutilização. A cegueira ou a paralisia de um membro como consequência de um processo de agressão podem ser considerados exemplos deste conceito (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). Imagem 50 – Ilustração de amputação Imagem de Miguel Henriques | Fonte: Disponível em: https://images.unsplash.com/ photo-1544531664-12a4ea82b7d4?ixlib=rb- -1.2.1&ixid=eyJhcHBfaWQiOjEyMDd9&auto= format& it=crop&w=750&q=80. Acesso em: 10 set. 2020. CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 124 224 | Definir a condição “deformidade permanente”. RESPOSTA: A avaliação das deformidades permanentes é discutida até os dias de hoje, pois ainda não há um consenso médico-legal para de inir essas lesões. Essas são consideradas como todas as deformidades que causarem incômodo e constrangimento à pessoa afetada, podendo estar localizada em qualquer região do corpo, não só na face, e que tenha caráter permanente ou que não desapareça com algum artefato, levando a uma desarmonia estética.Os fatores como idade, sexo, pro issão ou meio social não podem de inir a caracterização da deformidade, nem mesmo o olhar que a vítima tem de si própria, mas exclusivamente a desarmonia da lesão e o seu poder de despertar repúdio ao outro (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 225 | Definir lesões corporais seguidas de morte. RESPOSTA: A lesão corporal seguida de morte, também conhecida como homicídio preterintencional, caracteriza-se quando o autor do crime causa um dano ísico a outrem sem a intenção de provocar-lhe a morte, mas a morte acontece. Dessa forma, nesses casos, o desfecho fatal é um resultado inesperado, portanto a morte é quali icada como uma ação culposa, e o ato em si, doloso (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 226 | Definir lesões corporais culposas. RESPOSTA: As lesões corporais são classi icadas em culposas quando são causadas por imperícia, imprudência ou negligência, cabendo ao legista observar e descrever as lesões e tentar estabelecer a relação de causalidade, seja pela realização de uma ação, seja pela sua omissão, e a previsibilidade dos possíveis danos decorrentes. Não compete ao perito médico legista realizar a apreciação sobre negligência, imperícia ou imprudência médica, sendo essa pertencente aos Conselhos de Medicina e juízes (FRANÇA, 2017). 227 | Definir Infortunística. RESPOSTA: A Infortunística é a área da Medicina Legal que se dedica CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 125 aos estudos das doenças vinculadas ao trabalho, dos acidentes laborais e patologias ocupacionais. É, portanto, o estudo dos danos causados ao trabalhador que ocasionem uma lesão corporal ou perturbação funcional desencadeada pelo exercício do trabalho (FRANÇA, 2017). 228 | Definir acidente de trabalho. RESPOSTA: É o acidente ocorrido no período da atividade laboral autônoma ou empresarial, podendo causar dano, morte, distúrbio funcional e perda ou redução – de forma provisória ou de initiva – da capacidade de trabalhar. Podem ainda ser consideradas acidentes de trabalho as doenças ocupacionais vinculadas ao ato laboral, além dos acidentes que podem ocorrer no percurso que a pessoa faz da residência ao trabalho e do trabalho para a residência (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). 229 | Citar os constituintes que caracterizam o acidente do trabalho. RESPOSTA: Esses são: presença de lesão pessoal, incapacidade laboral, nexo de causalidade e algumas condições temporais e locais (FRANÇA, 2017). 230 | Definir doença profissional. RESPOSTA: As doenças pro issionais são aquelas adquiridas devido ao desempenho de certa atividade laboral, sendo comuns em trabalhadores com a mesma função e sem a presença de um fator conhecido. Elas estão descritas em ato do Ministério da Previdência Social (FRANÇA, 2017; VANRELL, 2002). 231 | Definir simulação. RESPOSTA: Simulação é o ato de mentir propositalmente sobre a existência de sintomas ísicos e/ou psíquicos, como manifestações subjetivas (dores, cegueira, anestesias, etc.) e objetivas sem coerência de causa e efeito (hérnias, tumores, traumatismos por acidentes, etc.), na busca de grati icação ou fuga do dever (RODRIGUES et al., 2016; DURÃO; LUCAS, 2015). CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 126 232 | Definir metassimulação. RESPOSTA: O indivíduo possui ou possuiu uma lesão ou doença, porém relata os sintomas de maneira supervalorizada em comparação com a realidade (FRANÇA, 2017; RODRIGUES et al., 2016; DURÃO; LUCAS, 2015). 233 | Definir dissimulação. RESPOSTA: Dissimulação é o ato de ocultar um dano corporal, alteração na função ou a existência de patologia (FRANÇA, 2017; BRUNO, 1941). REFERÊNCIAS – CAPÍTULO VII BLECHA, F. P.; GUEDES, M. T. S. Tratamento de radiodermatite no cliente oncológico: subsídios para intervenções de enfermagem. Revista Brasileira de Cancerologia, v. 2, ed. 52, p. 151-163, 2006. Disponível em: https://rbc.inca.gov.br/site/arquivos/n_52/v02/pdf/ revisao1.pdf. Acesso em: 3 jun. 2020. BRUNO, A. M. L. A perícia médica nos casos de simulação em infortunística. Revista de Medicina, v. 25, n. 90, p. 9-22, jun. 1941. CAPEZ, F. Curso de Direito Penal – Parte Especial. São Paulo: Saraiva, 2007. v. 2. CARVALHO, H. V. Compêndio de Medicina Legal. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 1992. CROCE, D.; CROCE JÚNIOR, D. Manual de Medicina Legal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. DEL-CAMPO, E. R. A. Medicina Legal. 6. ed. São Paulo: Saraiva, 2009. DI MAIO, V. J. M. Gunshot wounds: practical aspects of irearms, ballistics and forensic techniques. 2nd ed. New York: CRC, 1999. Available from: https://www.e-reading-lib.com/bookreader. php/135302/gunshot-wounds-practical-aspects-of- irearms- ballistics-and.pdf. Acesso em: 2 jul. 2020. DURÃO, C. H.; LUCAS, F. Simulação, dissimulação e exagero: desa ios da perícia médica em ortopedia e traumatologia. Revista Brasileira de Criminalística, v. 4, n. 1, p. 26-32, mar. 2015. Disponível em: http:// CAPÍTULO VII – TRAUMATOLOGIA MÉDICO-LEGAL 127 rbc.org.br/ojs/index.php/rbc/article/view/86. Acesso em: 6 jul. 2020. FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. FRANÇA, G. V. A perícia do erro médico. Revista Acta Medica Misericordiæ, 3 set. 2011. Disponível em: http://www.actamedica. org.br/publico/noticia.php?codigo=280&cod_menu=280. Acesso em: 4 jul. 2020. FRÓES, M. Medicina Forense. JusBrasil, 2015. 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SILVEIRA, P. R. Fundamentos da Medicina Legal. 2. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2015. SOUSA, A. M.; BRITO, L. M. T. Síndrome de alienação parental: da teoria Norte-Americana à nova lei brasileira. Psicol. Cienc. Prof., Brasília, v. 31, n. 2, p. 268-283, 2011. Disponível em: http://www.scielo.br/ scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1414-98932011000200006&ln g=pt&nrm=iso. Acesso em: 3 ago. 2020. TOCCHETTO, D. Balística Forense: aspectos técnicos e jurídicos. 7. ed. Campinas: Millennium, 2013. VANRELL, J. P. Odontologia Legal e Antropologia Forense. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2002. ZARZUELA, J. L. MedicinaLegal. São Paulo: Angelotti, 1993. CAPÍTULO VIII – SEXOLOGIA FORENSE CAPÍTULO VIII – SEXOLOGIA FORENSE 130 CAPÍTULO VIII SEXOLOGIA FORENSE 234 | Definir Sexologia forense. RESPOSTA: Sexologia forense é a área que estuda os assuntos médico-legais e periciais que envolvem o comportamento sexual, e as implicações legais quando ultrajadas a liberdade e a dignidade no âmbito sexual (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 235 | Citar os artigos do Código Penal que versam sobre os crimes sexuais (dos crimes contra a liberdade sexual). RESPOSTA: “CAPÍTULO I (dos crimes contra a liberdade sexual) Estupro Art. 213. Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso. Pena - reclusão, de 6 (seis) a 10 (dez) anos. § 1o Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave ou se a vítima é menor de 18 (dezoito) ou maior de 14 (catorze) anos: Pena - reclusão, de 8 (oito) a 12 (doze) anos. § 2o Se da conduta resulta morte: Pena - reclusão de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. Violação sexual mediante fraude Art. 215. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com alguém, mediante fraude ou outro meio que impeça ou di iculte a CAPÍTULO VIII – SEXOLOGIA FORENSE 131 livre manifestação de vontade da vítima: Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos. Parágrafo único. Se o crime é cometido com o im de obter vantagem econômica, aplica-se também multa. Importunação sexual Art. 215-A. Praticar contra alguém e sem a sua anuência ato libidinoso com o objetivo de satisfazer a própria lascívia ou a de terceiro: Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, se o ato não constitui crime mais grave. Assédio sexual Art. 216-A. Constranger alguém com o intuito de obter vantagem ou favorecimento sexual, prevalecendo-se o agente da sua condição de superior hierárquico ou ascendência inerentes ao exercício de emprego, cargo ou função. Pena - detenção, de 1 (um) a 2 (dois) anos. § 2o A pena é aumentada em até um terço se a vítima é menor de 18 (dezoito) anos. CAPÍTULO I-A (da exposição da intimidade sexual) Registro não autorizado da intimidade sexual Art. 216-B. Produzir, fotografar, ilmar ou registrar, por qualquer meio, conteúdo com cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo e privado sem autorização dos participantes: Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 1 (um) ano, e multa. Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem realiza montagem em fotogra ia, vídeo, áudio ou qualquer outro registro com o im de incluir pessoa em cena de nudez ou ato sexual ou libidinoso de caráter íntimo” (BRASIL, 1940). 236 | Citar o artigo 217-A do Código Penal. RESPOSTA: “Art. 217-A. Ter conjunção carnal ou praticar outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) Pena - reclusão, de 8 (oito) a 15 (quinze) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) CAPÍTULO VIII – SEXOLOGIA FORENSE 132 § 1º Incorre na mesma pena quem pratica as ações descritas no caput com alguém que, por enfermidade ou de iciência mental, não tem o necessário discernimento para a prática do ato, ou que, por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) § 2º (VETADO) (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) § 3º Se da conduta resulta lesão corporal de natureza grave: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) Pena - reclusão, de 10 (dez) a 20 (vinte) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) § 4º Se da conduta resulta morte: (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) Pena - reclusão, de 12 (doze) a 30 (trinta) anos. (Incluído pela Lei nº 12.015, de 2009) § 5º As penas previstas no caput e nos §§ 1º, 3º e 4º deste artigo aplicam-se independentemente do consentimento da vítima ou do fato de ela ter mantido relações sexuais anteriormente ao crime. (Incluído pela Lei nº 13.718, de 2018)” (BRASIL, 1940; BRASIL, 2009). 237 | Definir ato libidinoso. RESPOSTA: Atos libidinosos são de inidos por outras práticas distintas da conjunção carnal que têm como objetivo alcançar satisfação sexual completamente ou incompletamente. Nessas estão englobadas ações como: carícias e/ou tocamento nas mamas, vagina e nádegas (FRANÇA, 2017; SILVEIRA, 2015; PEREIRA; GUSMÃO, 2001). 238 | Definir conjunção carnal. RESPOSTA: “Conjunção carnal consiste na introdução completa ou incompleta do pênis na cavidade vaginal, ocorrendo ou não ejaculação” (FRANÇA, 2017, p. 277; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 239 | Definir estupro. RESPOSTA: De acordo com o artigo 213 do Código Penal, estupro é o ato de “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a CAPÍTULO VIII – SEXOLOGIA FORENSE 133 ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”. Não se faz mais distinção do gênero da vítima ou do autor do crime (BRASIL, 2009; FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 240 | Definir violência efetiva. RESPOSTA: Violência efetiva é a utilização de diferentes meios, incluindo a força ísica, que impeçam ou debilitem a reação, defesa e o entendimento da vítima. Pode ser ísica e psíquica, podendo ser essa última resultado do uso de drogas que causem a alteração do estado psíquico da vítima (FRANÇA, 2017). 241 | Definir violência presumida. RESPOSTA: A violência presumida é a violência praticada contra aqueles que não têm discernimento legal, cível e mental para responder pelos seus atos, como: “menores de 14 anos, alienados ou débeis mentais e por outra causa qualquer que impeça a vítima de resistir” (FRANÇA, 2017, p. 278). Esse crime seria tipi icado pelo estupro de vulnerável, previsto no art. 217-A do Código Penal (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 242 | Comentar sobre as violências efetivas física e psíquica. RESPOSTA: A violência efetiva ísica é a conduta que deixa marcas corporais, como hematomas, contusões, equimoses, escoriações, etc. Já a violência psíquica não há como ser provada isicamente. Seriam atitudes de manipulação, chantagem, ameaça, constrangimento, humilhação, exploração, isolamento ou qualquer outra que determine a perturbação das emoções, autoestima e comportamentos (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 243 | Definir a importância do hímen nas perícias sexológicas. RESPOSTA: A importância do hímen nas perícias sexológicas é oferecer elementos para perceber a conjunção carnal pela inserção do pênis ereto na vagina a im de veri icar possível estupro. Contudo, para a irmar ou negar a cópula, a perícia médico-legal CAPÍTULO VIII – SEXOLOGIA FORENSE 134 deve avaliar desde a completude do hímen, roturas, positividade para espermatozoides no canal vaginal e/ou constatação de glicoproteína P30, antígeno prostático especí ico (PSA), fosfatase ácida, além da existência de possível patologia venérea (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 244 | Citar os principais tipos de himens, segundo a classificação de Afrânio Peixoto. RESPOSTA: Segundo a classi icação de Afrânio Peixoto, existem 3 grupos de himens: Quadro 3 – Grupos de himens, segundo Afrânio Peixoto Hímen acomissurado Hímen comissurado Hímen atípico Imperfurado Bilabiados Fenestrados Anulares Trilabiados Com apêndices Semilunares Quadrilabiados salientes Helicoidais Multilabiados Com apêndices Septados pendentes Cribriformes Fonte: França (2017) e Croce e Croce Júnior (2012). 245 | Explicar a importância do hímen complacente em Medicina Legal. RESPOSTA: O hímen complacente é um tema muito discutido na Medicina Legal, pois cada perito tem uma visão diferente sobre isso devido ao óstio ter um diâmetro amplo e alta complacência, o que possibilita que a mulher tenha penetração vaginal sem rompê-lo. Caso o perito que realizará o exame da genitália consiga identi icar que a mulher realmente tinha um hímen complacente e que não havia outras provas que comprovassem a conjugação carnal, deverá concluir que não é possível a irmar se houveou não penetração, declarando o motivo (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). CAPÍTULO VIII – SEXOLOGIA FORENSE 135 246 | Descrever as alterações que podem ser encontradas no hímen nas perícias sexológicas, tanto as normais como as anormais. RESPOSTA: No exame ginecológico realizado pelo perito, é possível observar diversas alterações. As mulheres podem ter características consideradas normais, como seu tipo de hímen, ruptura e cicatrização, além de carúnculas mirtiformes de himens rotos. Elas podem ainda ter alterações anormais, como criptas, presença de ninhos e divertículos, sulcos na face vestibular himenal, união de pequenos lábios com aparência de hímen imperfurado, entre outras diversas anomalias (FRANÇA, 2017). 247 | Descrever os aspectos a serem observados no processo de rotura/cicatrização himenal. RESPOSTA: A cicatrização acontece, em média, em 20 dias. Há os períodos de sangramento, que dura em torno de 3 dias; de equimose e presença de gotículas sanguinolentas, com duração de 2 a 6 dias; de margens supuradas ou exsudadas e esbranquiçadas, de 6 a 12 dias; e cicatriz rósea recente, de 10 a 20 dias. As margens das roturas com mais de 20 dias estão completamente cicatrizadas (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 248 | Comentar sobre o exame, os testes e demais complementares solicitados nas perícias sexológicas. RESPOSTA: A perícia investiga para con irmar ou negar a conjunção carnal. Para isso, veri ica a presença de roturas himenais, espermatozoides no canal vaginal, além de glicoproteína P30, fosfatase ácida e outros vestígios de atos libidinosos e de doenças venéreas. A fosfatase e o PSA são importantes quando o agente é vasectomizado. A pesquisa de MHS-5, anticorpo monoclonal, também tem importância. Outros exames laboratoriais utilizados são: coleta de sangue para análise de DNA, dosagem alcoólica, realização de beta HCG para mulheres em idade fértil; coleta de urina para análise toxicológica; swab para pesquisa de sangue, espermatozoide e PSA nas seguintes CAPÍTULO VIII – SEXOLOGIA FORENSE 136 regiões: boca, vulva, vagina, anus e pênis, podendo ser realizado em outras super ícies corporais, conforme o relato de agressão. As reações microquímicas são importantes no caso de indivíduos azoospérmicos: Reação de Florence (positividade no achado de cristais romboédricos castanho-avermelhados); Reação Barbério (positividade com achado de cristais de morfologia variadas, como agulhas, cones unidos pela base, agrupados ou não); Reação de Baecchi depois da Reação de Florence pela periferia com aparecimento de cristais arredondados de tonalidade mais escura; Cristais de Bokarius (presença de cristais semilunares após tratamento com fosfotunguístico) (FRANKLIN, 2019; FRANÇA, 2017). 249 | Descrever a utilidade da lâmpada de Wood. RESPOSTA: A lâmpada de Wood é utilizada para distinguir rotura e entalhe himenal, bem como para identi icar a presença de sêmen devido a sua ação luorescente, podendo ser utilizada até 72 horas após o ato de violência (FRANÇA, 2017). 250 | Listar os testes utilizados para pesquisa de estupro quando o agressor é vasectomizado. RESPOSTA: No caso de ofensor vasectomizado, “a ejaculação é constatada no luido vaginal através da dosagem de fosfatase ácida (acima de 200 UI) ou pela presença de glicoproteína P30” (FRANÇA, 2017, p. 281). 251 | Listar os quesitos que poderão ser respondidos pelo perito médico-legal nas perícias de conjunção carnal. RESPOSTA: Um guia de modelo de quesitos pode ser exempli icado pelo SSP-SPTC do Maranhão: “1º Houve conjunção carnal que possa ser relacionada ao delito em apuração? 2º Houve outro ato libidinoso que possa ser relacionado ao delito em apuração? 3º Houve violência para esta prática? 4º Qual o meio dessa violência? CAPÍTULO VIII – SEXOLOGIA FORENSE 137 5º Resultou incapacidade para ocupações habituais por mais de trinta dias, perigo de vida, debilidade permanente de membro, sentido ou função, ou aceleração do parto, ou incapacidade permanente para o trabalho, ou enfermidade incurável, ou perda ou inutilização de membro, sentido ou função, ou deformidade permanente ou aborto? 6º Tem o(a) periciando(a) idade menor de 18 anos e maior de 14 anos? 7º É o(a) periciando(a) menor de 14 anos? 8º Tem o(a) periciando(a) enfermidade ou de iciência mental? 9º O(A) periciando(a), por qualquer outra causa, não pode oferecer resistência? 10º Da conduta resultou gravidez? 11º O agente transmitiu para o(a) periciando(a) doença sexualmente transmissível?” (GUIA DE QUESITOS DA PERÍCIA OFICIAL, 2017). 252 | Definir vítima vulnerável. RESPOSTA: Vítimas vulneráveis, segundo o Código de Processo Penal, são aquelas que: “têm menos de 14 anos, enfermidades ou de iciência mental que impeçam o discernimento para a prática do ato libidinoso ou que por qualquer outro motivo não ofereçam resistência ao agressor” (BRASIL, 2009; FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2011). 253 | Citar os quadrantes himenais em que as roturas ocorrem comumente. RESPOSTA: As roturas completas ou incompletas ocorrem mais frequentemente nos quadrantes posteriores do hímen (COSTA FILHO, 2015). 254 | Citar o tempo de cicatrização completa após a ruptura himenal. RESPOSTA: O tempo de cicatrização completa após ruptura himenal varia de autor para autor, podendo ir de 6 a 20 dias. Quando totalmente cicatrizada, é considerada uma ruptura antiga (ANDRADE; PAVIONE, 2013; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). CAPÍTULO VIII – SEXOLOGIA FORENSE 138 255 | Definir ato libidinoso diverso de conjunção carnal. RESPOSTA: Ato libidinoso é caracterizado quando o contato ísico promove prazer para a vítima. Já conjunção carnal é o próprio ato de penetração do pênis na vagina (CAPEZ; PRADO, 2012; NUCCI, 2010). 256 | Descrever o sinal de Wilson Johnston. RESPOSTA: O sinal de Wilson Johnston está presente em vítimas de coito anal violento, sendo de inido pela “ruptura triangular com base na margem do ânus, e vértice no períneo ao nível da união dos quadrantes inferiores” (FRANÇA, 2017, p. 287). 257 | Diferenciar rágades de fissuras anais. RESPOSTA: As rágades não têm local preferencial, são lineares, de disposição radial, agudas, resultantes de processos traumáticos. As issuras anais, no entanto, são lesões únicas e crônicas cujas causas são desconhecidas (FRANÇA, 2017; HERCULES, 2008). 258 | Definir violência sexual mediante fraude. RESPOSTA: A violência sexual mediante fraude deve conter os seguintes elementos: presença de conjunção carnal ou ato libidinoso, fraude (maneira de condução ao erro ou enganar alguém) ou mecanismo “que impeça ou di iculte a livre manifestação de vontade da vítima” (PASSOS et al., 2018; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012; BRASIL, 2009). 259 | Definir assédio sexual. RESPOSTA: Assédio sexual é caracterizado por atos realizados por indivíduos que estão em situação de superioridade, ou seja, na condição de intimidar a vítima, que podem ser expressos por palavras ou atos com o objetivo de vantagem sexual (FRANÇA, 2017; SILVEIRA, 2015). CAPÍTULO VIII – SEXOLOGIA FORENSE 139 REFERÊNCIAS – CAPÍTULO VIII ANDRADE, F. C. M.; PAVIONE, L. S. (coord.). Delegado de Polícia Civil: questões comentadas. São Paulo: Saraiva, 2013. BRASIL. Palácio do Planalto. Casa Civil. Lei nº 12.015, de 7 de agosto de 2009. Altera o Título VI da Parte Especial do Decreto-Lei no 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal... Diário O icial da União, Brasília, DF, 10 ago. 2009. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2009/Lei/L12015.htm#art3. Acesso em: 8 ago. 2020. BRASIL. Palácio do Planalto. Casa Civil. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Diário O icial da União, Brasília, DF, 31 dez. 1940. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 8 ago. 2020. CAPEZ, F.; PRADO, S. Código penal comentado. 3. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. COSTA FILHO, P. E. G. Medicina Legale Criminalística. 2. ed. revista. São Paulo: Alumnus, 2015. CROCE, D.; CROCE JÚNIOR, D. Manual de Medicina Legal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. FRANKLIN, R. Medicina Forense aplicada. Rio de Janeiro: Rubio, 2019. GUIA DE QUESITOS DA PERÍCIA OFICIAL – 2017 SSP - SPTC – MA. 2017. Disponível em: http://www.mpce.mp.br/wp-content/uploads/ 2016/03/INFORMATIVO-GUIA-DE-QUESITOS-DA-PER%C3%8DCIA- OFICIAL_v2.pdf. Acesso em: 8 ago. 2020. HERCULES, H. C. Medicina Legal: texto e atlas. São Paulo: Atheneu, 2008. NUCCI, G. S. Crimes contra a dignidade sexual: de acordo com a Lei 12.015/2009. 2. ed. rev. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2010. PASSOS, A. I. M. et al. Per il do atendimento de vítimas de violência sexual em Campinas. Rev. Bioét., Brasília, v. 26, n. 1, p. 67-76, jan. 2018. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S1983-80422018000100067&lng=pt&tlng=pt. Acesso em: 25 jul. 2020. CAPÍTULO VIII – SEXOLOGIA FORENSE 140 PEREIRA, G. O.; GUSMÃO, L. C. B. Medicina Legal. 2001. Disponível em: http://www.malthus.com.br/rw/forense/Medicina_Legal_2004_ gerson.pdf. Acesso em: 5 jun. 2020. SILVEIRA, P. R. Fundamentos da Medicina Legal. 2. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2015. CAPÍTULO IX – TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE CAPÍTULO IX – TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE 142 CAPÍTULO IX TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE Estudo da sexualidade no âmbito médico-legal 260 | Listar as modalidades sexuais. RESPOSTA: As modalidades sexuais são: sexo genético, sexo gonadal, sexo endócrino, sexo morfológico, sexo psicológico e sexo jurídico (ZARZUELA, 1993; FRANKLIN, 2019). 261 | Citar os tipos de sexo genético. RESPOSTA: Os tipos de sexo genético são: sexo cromatínico e sexo cromossômico (ZARZUELA, 1993). 262 | Descrever o sexo cromossômico normal do homem e da mulher. RESPOSTA: No homem, 22 pares de cromossomos homólogos denominados de autossomos e um par de cromossomo sexual (XY), e, na mulher, 22 pares de autossomos e um par de cromossomo sexual (XX) (FRANÇA, 2017; SANDRI, 2017). 263 | Listar exemplos de anomalias do sexo cromossômico. RESPOSTA: Exemplos de anomalias são: Síndrome de Klinefelter (47XXY) e Síndrome de Turner (45X) (SOUZA et al., 2010). CAPÍTULO IX – TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE 143 264 | Definir sexo cromatínico. RESPOSTA: Sexo cromatínico se refere à presença de corpúsculos de Barr ou cromatina sexual. A presença desses corpúsculos é um critério relativo na avaliação do sexo, em que acontece em porcentagem menor que 5% dos homens e em mais de 50% das mulheres (ZARZUELA, 1993). 265 | Definir sexo gonadal e sexo endócrino. RESPOSTA: Conjunto formado pelo sexo gonádico (formado pelas gônadas masculinas e femininas – testículos e ovários) e extragonádico, em que o sexo endócrino se relaciona à produção de testosterona e estrógenos (ZARZUELA, 1993). 266 | Definir sexo morfológico. RESPOSTA: Sexo morfológico se refere ao fenótipo, à genitália externa (FRANKLIN, 2019). 267 | Definir sexo psicológico. RESPOSTA: Sexo psicológico é a forma como o indivíduo percebe a si mesmo, a identidade subjetiva (FRANKLIN, 2019). 268 | Definir sexo jurídico. RESPOSTA: Sexo jurídico é o sexo registrado no Cartório de Registro Civil (FRANKLIN, 2019). 269 | Definir caracteres sexuais primários. RESPOSTA: Esses são referentes aos órgãos concernentes à reprodução, envolvendo as genitálias externas masculina e feminina, assim como as gônadas – nos homens os testículos e nas mulheres os ovários (MARIEB; WILHELM; MALLATT, 2014; DUARTE, 1993). 270 | Definir caracteres sexuais secundários. RESPOSTA: Os caracteres sexuais secundários estão relacionados ao CAPÍTULO IX – TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE 144 desenvolvimento sexual externo, ou seja, ao crescimento das mamas no sexo feminino e do pênis no sexo masculino, além do aparecimento da pilosidade pubiana em ambos os sexos (LOURENÇO; QUEIROZ, 2010; DUARTE, 1993). 271 | Definir erotomania. RESPOSTA: Erotomania é um delírio de amor, uma paixão platônica na qual o indivíduo (na maioria das vezes casto e virgem) ica obcecado pelo amante. Não existe desejo sexual, mas uma adoração à alma querida. Às vezes somente uma breve interatividade, seja um olhar, seja um gesto de aceno, pode desencadear o delírio, na forma de paixão descontrolada (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 272 | Definir anafrodisia. RESPOSTA: Anafrodisia é “a redução do instinto sexual em homens resultante de uma patologia glandular ou nervosa ou de um sintoma da pré-impotência, podendo atingir jovens aparentemente sadios” (FRANÇA, 2017, p. 294). 273 | Definir autoerotismo. RESPOSTA: Autoerotismo diz respeito ao gozo sexual, independentemente da presença de parceiro ou de toque (estimulação). Pode se manifestar pela simples contemplação de uma foto ou imaginação de atos eróticos. É conhecido como coito psíquico de Hammond (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 274 | Definir fetichismo. RESPOSTA: Fetichismo é um transtorno que pode ter caráter homo ou heterossexual. A pessoa desenvolve um apego sexual por determinada parte do corpo, função ou emanação orgânica ou até mesmo por algum objeto pertencente à pessoa, que passa a ser fundamental para que a pessoa obtenha um estágio de excitação (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). CAPÍTULO IX – TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE 145 275 | Definir mixoscopia. RESPOSTA: A mixoscopia, também conhecida como escopto ilia, é um transtorno de inido pelo prazer sexual do indivíduo em observar a cópula de outras pessoas, porém não é de tamanha signi icância na Medicina Legal, a não ser que afete a pessoa que esteja sendo observada (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 276 | Definir dolismo. RESPOSTA: Dolismo é a atração sexual por bonecas ou manequins, admirando-as e até mesmo buscando ter relações sexuais com elas (FRANÇA, 2017). 277 | Definir gerontofilia. RESPOSTA: Geronto ilia é a inclinação sexual e/ou romântica jovens por parceiros bem mais velhos que elas (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 278 | Definir coprofilia. RESPOSTA: Copro ilia, chamada também de escato ilia, é o desvio sexual em que o prazer está ligado à defecação ou ao contato com as fezes de outros ou as próprias (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 279 | Definir urolagnia. RESPOSTA: Urolagnia refere-se ao prazer sexual decorrente da interação com a micção, ou seja, o desejo do indivíduo é despertado ao ver urina, ao ver alguém urinando, ao ouvir o ruído do jato da micção ou da micção sobre o parceiro ou de um parceiro sobre o outro (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012) 280 | Definir riparofilia. RESPOSTA: Riparo ilia é a atração por pessoas sem asseio, sujas, que não possuem muita higiene. É um tipo de perversão mais comum no sexo masculino. Alguns homens preferem ter relações sexuais com mulheres em seu período menstrual (FRANÇA, 2017). CAPÍTULO IX – TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE 146 281 | Definir coprolalia. RESPOSTA: Coprolalia é a pronúncia de palavras obscenas a im de excitar alguém. Esta ação pode ocorrer antes do coito, com o objetivo de estimulação sexual, ou durante, para que ocorra o orgasmo (FRANÇA, 2017). 282 | Definir clismafilia. RESPOSTA: Clisma ilia é o prazer sexual em decorrência de inserir líquidos no reto, por enema, lavagem ou clister (FRANÇA, 2017). 283 | Definir onanismo. RESPOSTA: Onanismo é o ato oriundo da estimulação dos órgãos sexuais com o intuito de provocar prazer a si mesmo (comum na puberdade), de inido, assim, como masturbação (MICHAELIS, 2020; FRANÇA, 2017). 284 | Definir sadismo. RESPOSTA: Sadismo é o prazer sexual alcançado por meio da percepção da outra pessoa em estado de sofrimento ísico ou mental ou em condição humilhante (MICHAELIS, 2020; FRANÇA, 2017). 285 | Definir masoquismo. RESPOSTA: Masoquismo é o prazer sexual obtido por meio do sofrimento moral ou ísico. Nesse caso,o masoquista obtém excitação quando é humilhado ou quando recebe golpes doloridos no corpo (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 286 | Definir vampirismo. RESPOSTA: O vampirismo é o prazer sexual relacionado à presença de sangue durante o ato sexual e muitas vezes o indivíduo ingere o sangue do parceiro sexual (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). CAPÍTULO IX – TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE 147 287 | Definir necrofilia. RESPOSTA: Necro ilia é a obsessão sexual por cadáveres, seja para copular, seja para praticar atos libidinosos (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 288 | Definir zoofilismo. RESPOSTA: Zoo ilismo, também chamado de bestialismo, consiste na realização sexual com animais (galinhas, cavalos, vacas, cabras, etc.), tanto atos libidinosos como a relação sexual em si (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 289 | Definir edipismo. RESPOSTA: Edipismo é uma tendência ao incesto, ou seja, o desejo sexual por parentes próximos (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 290 | Definir pedofilia. RESPOSTA: Pedo ilia é um transtorno sexual no qual o indivíduo prefere se relacionar sexualmente com crianças e pré-púberes, caracterizando-se desde atos libidinosos e podendo chegar ao estupro. É ainda acompanhada por distúrbios morais e mentais dos envolvidos, geralmente do sexo masculino e portadores de comprometimento grave na relação sexual (FRANÇA, 2017). 291 | Definir homossexualismo masculino e feminino. RESPOSTA: Homossexualidade masculina: é uma característica inata do indivíduo que desenvolve atração por pessoas do mesmo sexo. Homossexualidade feminina: também chamada de lesbianismo, é caracterizada pela atração da mulher por pessoas do mesmo sexo. Assim como no homem, possui graus que variam desde a masculinização até as que se mostram mais delicadas. São consideradas como orientação sexual, não “opção sexual”, pois não cabe à pessoa essa escolha. CAPÍTULO IX – TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE 148 Ambas as homossexualidades, masculina e feminina, admitem as formas ativa e passiva (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 292 | Definir transexualismo. RESPOSTA: Transexualismo é a rejeição ao sexo de origem, ou seja, o indivíduo não concilia sua identidade psicossocial e os órgãos sexuais com os quais nasceu (FRANÇA, 2017; CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA, 2020). 293 | Definir transtorno de desejo por aversão sexual. RESPOSTA: O transtorno de desejo por aversão sexual é “a aversão à prática sexual” (FRANKLIN, 2019, p. 81). 294 | Definir transtorno de orgasmo. RESPOSTA: Transtorno de orgasmo é a “alteração ou ausência do pico orgástico” (FRANKLIN, 2019, p. 81). 295 | Definir transtorno de excitação sexual. RESPOSTA: Transtorno de excitação sexual é “a diminuição ou a incapacidade de alcançar ou manter o desempenho sexual” (FRANKLIN, 2019, p. 81). 296 | Definir transtorno de desejo sexual hipoativo. RESPOSTA: Transtorno de desejo sexual hipoativo é a “diminuição do interesse pela atividade sexual” (FRANKLIN, 2019, p. 81). 297 | Listar exemplos de substâncias que podem provocar disfunção sexual. RESPOSTA: Exemplos de substâncias que podem provocar disfunção sexual: “álcool etílico, anticonvulsivantes, antidepressivos tricíclicos, etc.” (FRANKLIN, 2019, p. 81). CAPÍTULO IX – TRANSTORNOS DA SEXUALIDADE 149 REFERÊNCIAS – CAPÍTULO IX CONSELHO FEDERAL DE MEDICINA. CFM atualiza regras para aperfeiçoar o atendimento médico às pessoas com incongruência de gênero. 9 jan. 2020. Disponível em: http://portal.cfm.org.br/ index.php?option=com_content&view=article&id=28561:2020-01- 09-15-52-08&catid=3. Acesso em: 8 ago. 2020. CROCE, D.; CROCE JÚNIOR, D. Manual de Medicina Legal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. DUARTE, M. F. S. Maturação ísica: uma revisão da literatura, com especial atenção à criança brasileira. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 9, supl. 1, p. S71-S84, 1993. Disponível em: http://www. scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-311X199300050 0008&lng=en&nrm=iso. Acesso em: 22 ago. 2020. FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. FRANKLIN, R. Medicina Forense aplicada. Rio de Janiero: Rubio, 2019. LOURENÇO, B.; QUEIROZ, L. Crescimento e desenvolvimento puberal na adolescência. Revista de Medicina, v. 89, n. 2, p. 70-75, jun. 2010. MARIEB, E.; WILHELM, P.; MALLATT, J. Anatomia humana. 7. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2014. MICHAELIS, Dicionário Brasileiro da Língua Portuguesa. São Paulo: Melhoramentos, 2020. SANDRI, R. M. C. S. Introdução à genética humana. Bauru: Secretaria de Educação de Bauru, 2017. SOUZA, J. C. M. Síndromes cromossômicas: uma revisão. Cadernos da Escola de Saúde, v. 1, n. 3, p. 1-12, 2010. Disponível em: https:// portaldeperiodicos.unibrasil.com.br/index.php/cadernossaude/ article/view/2296. Acesso em: 31 mar. 2021. ZARZUELA, J. L. Medicina Legal. São Paulo: Angelotti, 1993. CAPÍTULO X – ABORTO CAPÍTULO X – ABORTO 151 CAPÍTULO X ABORTO 298 | De inir aborto. RESPOSTA: Segundo França (2017), “a codi icação penal ao incriminar o aborto não distingue entre ovo, embrião ou feto. Sempre que ocorrer intencionalmente a morte do concepto ou sua expulsão violenta seguida de morte está con igurado o crime de aborto” (FRANÇA, 2017, p. 25). Imagem 51A – Ilustração de feto com 7 semanas Imagem de Bill Davenport | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www. freeimages.com/pt/photo/life-7-weeks-1439883. Acesso em: 31 mar. 2021. Imagem 51B – Ilustração de feto com 10 semanas Imagem de Bill Davenport | Fonte: Freeimages. Disponível em: https:// www.freeimages.com/pt/photo/life-10- weeks-1439841. Acesso em: 31 mar. 2021. CAPÍTULO X – ABORTO 152 299 | Citar o artigo 124 do Código Penal. RESPOSTA: “Art. 124 - Provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lho provoque: Pena - detenção, de um a três anos” (BRASIL, 1940). 300 | Citar o artigo 125 do Código Penal. RESPOSTA: “Art. 125 - Provocar aborto, sem o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de três a dez anos” (BRASIL, 1940). 301 | Citar o artigo 126 do Código Penal. RESPOSTA: “Art. 126 - Provocar aborto com o consentimento da gestante: Pena - reclusão, de um a quatro anos. Parágrafo único. Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é maior de quatorze anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência” (BRASIL, 1940). 302 | Citar o artigo 128 do Código Penal. RESPOSTA: “Art. 128. Não se pune o aborto praticado por médico: Aborto necessário I - se não há outro meio de salvar a vida da gestante; Imagem 51C – Ilustração de feto com 12 semanas Imagem de Bill Davnport | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www.freeimages.com/pt/ photo/life-12-weeks-1439836. Acesso em: 31 mar. 2021. Imagem 51D – Ilustração de fetos com 7 a 12 semanas Imagem de Bill Davenport | Fonte: Freeimages. Disponível em: https://www.freeimages.com/pt/ photo/life-7-to-12-weeks-1316897. Acesso em: 31 mar. 2021. CAPÍTULO X – ABORTO 153 Aborto no caso de gravidez resultante de estupro II - se a gravidez resulta de estupro e o aborto é precedido de consentimento da gestante ou, quando incapaz, de seu representante legal” (BRASIL, 1940). 303 | Destacar as condições em que o médico não é punido se praticar o aborto. RESPOSTA: O artigo 128 declara que não há punibilidade do médico que praticar o aborto nos casos de perigo de vida da gestante ou em gravidez resultado de estupro. Em casos em que existe risco à vida da mãe, o consentimento materno para a prática do aborto é desnecessário, mas, no caso de estupro, há necessidade do assentimento da gestante. Nos dois casos, o médico deve realizar um relatório do procedimento (BRASIL, 1940). Nos casos de gravidez resultante de feto anencéfalo, pode ocorrer a interrupção da gravidez, também chamada de “Antecipação Terapêutica do Parto (ATP)”. A gestante que tiver o diagnóstico de feto anencéfalo poderádecidir se dará continuidade à gestação ou interromperá a gravidez por meio da ATP, não havendo a necessidade de autorização judicial. Nesse caso, não há aborto, já que, no caso dos anencéfalos, não se considera a existência de vida com potencial, sendo assim não culmina em crime. O aborto continua permitido apenas nos casos de estupro e de risco de vida da gestante (FRANÇA, 2017, p. 338; ITO; ITO, 2017; HERCULES, 2014). 304 | Definir, segundo França, abortos terapêutico e sentimental. RESPOSTA: O terapêutico objetiva preservar a vida da gestante quando ela se encontra em risco iminente. Para que se possa realizar esse tipo de aborto, deve-se observar se a gestante se apresenta em perigo e se tal situação é resultado direto da gravidez. O aborto pode ser conduzido quando se conclui que esse método é o único modo de salvar a vida da gestante. Deve-se obter a concordância de outros dois médicos, porque, em momentos de emergência, a autorização da gestante não é necessária. O aborto é considerado sentimental quando realizado em grávidas por consequência de estupro (FRANÇA, 2017). CAPÍTULO X – ABORTO 154 305 | Citar exemplos de meios abortivos. RESPOSTA: Podemos citar entre os vários meios abortivos: os de ações tóxicas, como chás de ervas, medicamentos, hormônios e ocitócicos; e os de ações mecânicas: lesões traumáticas no colo uterino, colo uterino dilatado, curetagem (PEREIRA; GUSMÃO, 2001; SILVEIRA, 2015; FRANÇA, 2017). 306 | Listar exemplos de complicações de aborto provocado. RESPOSTA: As complicações do aborto dependem do meio utilizado para provocá-lo. Exemplos são: no caso de utilização de produtos químicos para provocação do aborto, resultando em intoxicação exógena da gestante, além de outros, como embolias, ferimentos na região vaginal e uterina, podendo haver perfurações do útero e das alças intestinais, com infecções secundárias, peritonite, septicemia e podendo culminar em esterilidade (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 307 | Listar os possíveis vestígios em pessoa viva na perícia de aborto criminoso. RESPOSTA: Na perícia de aborto criminoso de mulher viva, os possíveis vestígios analisados são distintos no caso de aborto considerado recente ou antigo. No recente, analisam-se a mucosa uterina (vilosidades coriais); seios (pigmentação da aréola, presença de secreção, tubérculos de Montgomery, rede venosa de Haller); linha nigra; cloasma; genitálias (escurecimento vulvar, pequenos e grandes lábios edemaciados, presença de lóquios); pode haver traumatismos no períneo e/ou colo uterino, bem como a presença do objeto usado. A histopatologia examina restos ovulares e membranosos. Quanto ao aborto antigo, os vestígios são di icilmente encontrados. A avaliação morfológica e anatomopatológica das lesões é necessária para a realização de um diagnóstico diferencial. Pode ocorrer infecções como salpingites, endometrite e complicações como septicemia e embolias (FRANÇA, 2017; ABRAHÃO, 2014). 308 | Citar os fatores que devem ser considerados na suspeita de morte precedida pela provocação de aborto. CAPÍTULO X – ABORTO 155 RESPOSTA: Devem ser consideradas a presença de prenhez anterior e a indicação de intervenção delituosa. Nos casos de: • Aborto recente: avaliar a presença de lesões, formato e tamanho do colo do útero, assim como o tamanho e formato do corpo do útero e da cavidade uterina; • Aborto antigo: di ícil de veri icar porque os achados não evidenciam um diagnóstico de certeza; pode-se lançar mão do prontuário médico, se ocorreu atendimento médico (FRANÇA, 2017). REFERÊNCIAS – CAPÍTULO X ABRAHÃO, P. J. A perícia no aborto criminoso. Conteúdo Jurídico, 2014. Disponível em: https://conteudojuridico.com.br/consulta/ artigos/41677/a-pericia-no-aborto-criminoso. Acesso em: 1 ago. 2020. BRASIL. Palácio do Planalto. Casa Civil. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Diário O icial da União, Brasília, DF, 31 dez. 1940. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 8 ago. 2020. CROCE, D.; CROCE JÚNIOR, D. Manual de Medicina Legal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. HERCULES, H. C. Medicina Legal: texto e atlas. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2014. ITO, M.; ITO, L. C. Do aborto de anencéfalo. Jus.com.br, 2017. Disponível em: https://jus.com.br/artigos/59864/do-aborto-de- anencefalo. Acesso em: 8 ago. 2020. PEREIRA, G. O.; GUSMÃO, L. C. B. Medicina Legal. 2001. Disponível em: http://www.malthus.com.br/rw/forense/Medicina_Legal_2004_ gerson.pdf. Acesso em: 5 jun. 2020. SILVEIRA, P. R. Fundamentos da Medicina Legal. 2. ed. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2015. CAPÍTULO X – ABORTO 156 CAPÍTULO XI – INFANTICÍDIO CAPÍTULO XI – INFANTICÍDIO 157 CAPÍTULO XI INFANTICÍDIO 309 | Definir natimorto. RESPOSTA: Natimorto é um feto morto no período perinatal, com início na 22ª semana gestacional completa, quando já havia capacidade vital extrauterina, podendo a morte ter causas natural ou violenta (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 310 | Definir feticídio. RESPOSTA: Feticídio é uma modalidade de crime com morte que ocorre no estágio de feto. “O feto nascente apresenta todas as características do infante nascido, menos a faculdade de ter respirado” (FRANÇA, 2017, p. 362). 311 | Definir e apresentar as características do infante nascido. RESPOSTA: O infante nascido é o recém-nato a termo que não apresenta sinais de ter recebido qualquer tipo de cuidado e apresenta as seguintes características: presença de sangue no corpo, vérnix caseoso presente principalmente em pescoço, pregas inguinais, poplíteas e axilas, caput succedaneum, saliência de cor violácea presente no couro cabeludo por ação pressora do colo uterino durante o parto que desaparece, em geral, até 36 horas após o parto; cordão umbilical com cerca de 50 cm e tonalidade branco-azulada e brilhante, apresentando tendência para secar e cair por volta CAPÍTULO XI – INFANTICÍDIO 158 do sétimo dia, mecônio presente nos intestinos delgado e grosso de tonalidade verde-escura, o qual pode ser liberado em casos de sofrimento fetal e respiração autônoma (FRANÇA, 2017). 312 | Definir recém-nascido. RESPOSTA: A denominação de recém-nascido se refere ao tempo que inicia na natividade até completar os 7 dias de vida, sendo característico o fato de que ainda não tenha ocorrido a total cicatrização da ferida umbilical. A Pediatria estabelece um período diferente por estender esse tempo até o trigésimo dia de vida (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 313 | Definir docimásia. RESPOSTA: As docimásias são provas que avaliam a existência da respiração e seus efeitos. Ao respirar pela primeira vez ao sair do útero da mãe, o corpo do bebê isiologicamente sofre algumas alterações pulmonares e extrapulmonares que são capazes de serem identi icadas por exames e testes periciais (FRANÇA, 2017; HERCULES, 2014). 314 | Descrever a docimásia hidrostática pulmonar de Galeno. RESPOSTA: A docimásia hidrostática pulmonar de Galeno é a prova que se baseia na consistência pulmonar daquele que respirou ativamente ou daquele que não apresentou respiração. O pulmão fetal apresenta consistência maior que a água, porém, quando há respiração ativa, ocorre um aumento do seu volume e, como há conservação do peso do órgão, consequentemente ocorre uma diminuição da sua densidade, ou seja, o pulmão do feto ou do recém- nascido que não respirou apresenta uma densidade maior que o recém-nato que apresentou uma respiração dinâmica. A prova utiliza um reservatório cilíndrico de boca larga e profundo. Coloca-se, em 2/3 da capacidade do reservatório, água em temperatura do ambiente. A partir daí, o procedimento é feito em 4 etapas: 1ª etapa – deposita-se no frasco o sistema respiratório (pulmões, CAPÍTULO XI – INFANTICÍDIO 159 traqueia e laringe), incluindo a língua, o coração eo timo. Caso o conjunto lutue totalmente ou à meia-água, considera-se a fase positiva e inaliza-se o teste. Caso não, segue-se para a próxima etapa. 2ª etapa – mantendo o conjunto submerso, apartam-se os pulmões por meio da região hilar das outras vísceras. Caso os pulmões permaneçam no fundo, há o prosseguimento para a próxima etapa; se lutuarem, encerra-se o teste. 3ª etapa – mantendo os pulmões submersos, seccionam-se pequenos fragmentos deles e veri ica-se seu comportamento. Caso todos permaneçam no fundo, segue-se para a próxima etapa. Caso alguns desses fragmentos venham à super ície, a etapa é considerada positiva e inaliza-se o teste. 4ª etapa – nessa última etapa, os fragmentos que permaneceram no fundo do reservatório devem ser comprimidos contra a parede de próprio reservatório. No caso de liberação de bolhas gasosas, a fase é considerada positiva. Caso contrário, é considerada negativa. Considerações: em casos de positivação da primeira etapa, considera- se respiração ativa abundante; quando positivas as etapas 2 e 3, signi ica que a respiração foi de icitária; e, inalmente, se a quarta etapa se mostrar positiva, deve ser considerada a prova duvidosa ou questionar a probabilidade de raros movimentos respiratórios. Se as quatro fases forem negativas, isso indica que não ocorreu a respiração, ou seja, não houve a existência de vida autônoma. É importante considerar que esse teste tem valor apenas nas primeiras 24 horas após a morte do infante, pois, depois desse período, pode haver formação de gases resultantes dos fenômenos transformativos de putrefação. É necessário considerar as possíveis tentativas de reanimação (FRANÇA, 2017; HERCULES, 2014). 315 | Apresentar as docimásias hidrostáticas de Icard. RESPOSTA: Para complementar a docimásia hidrostática de Galeno quando apenas a 4ª fase positivou ou em casos duvidosos. Pode ser feita por aspiração ou por submersão em água aquecida. Na docimásia por aspiração é utilizada água fria, que completa a capacidade do CAPÍTULO XI – INFANTICÍDIO 160 reservatório tampado com uma rolha de borracha na qual está adaptada a cânula de uma seringa de metal; dessa forma, ao se puxar o êmbolo da seringa, ocorre a diminuição da pressão interna, proporcionando o incremento de volume pulmonar e diminuição da consistência, de modo que o pulmão sobrenada. Com isso, resta evidente que houve respiração. Já para a imersão em água quente, utiliza-se o pedaço do pulmão que não lutuou, e, após algum tempo nesse reservatório, pela dilatação do ar pelo calor, se o fragmento sobrenadar, indicará respiração autônoma (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 316 | Descrever a docimásia histológica de Balthazard e comentar a sua importância. RESPOSTA: A docimásia histológica de Balthazar consiste no estudo dos tecidos pulmonares feitos por meio de cortes histológicos e sua observação, sendo considerada a prova mais perfeita, já que pode ser realizada inclusive em pulmões putrefeitos. Ela determina se o feto respirou após o nascimento ou não e se houve putrefação dos pulmões. No feto que respirou, pode-se observar uma dilatação alveolar uniforme, achatamento de células epiteliais, desdobramentos dos ramos brônquicos e volume capilar aumentado; porém, no pulmão que não apresentou respiração se observa o colabamento alveolar. Na fase de putrefação, no interstício se identi icam a presença de bolhas gasosas e os alvéolos colabados; no caso de destruição dos alvéolos, deverá ser utilizado o método de Weigert para a avaliação das ibras elásticas ou, na impossibilidade, fazer uma impregnação do retículo ibrilar aplicando a metodologia de Levi-Bielschowsky (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 317 | Conceituar a docimásia gastrointestinal de Breslau. RESPOSTA: Essa docimásia baseia-se na presença de ar no tubo digestório, uma vez que ocorre a penetração do ar nos primeiros movimentos respiratórios. Retira-se o aparelho gastrointestinal, do esôfago abdominal ao reto, com ligaduras duplas nas extremidades e região inal do intestino delgado e do piloro. Depois, depositam-se esses elementos em compartimento com água para que seja possível CAPÍTULO XI – INFANTICÍDIO 161 observar se lutuam ou afundam. Depois disso, corta-se entre as duas ligaduras e, em seguida, as várias porções do tubo digestório; caso lutuem, é considerada positiva. O resultado deve ser avaliado com critério, devendo o ensaio ser realizado somente se for disponível o abdome do infante (FRANÇA, 2017; SILVEIRA, 2009). 318 | Listar alguns outros exemplos de docimásias. RESPOSTA: Outros exemplos de docimásias são: óptica de Bouchut; diafragmática de Plocquet; radiológica de Bordas; epimicroscópica pneumoarquitetônica de Hilário Veiga de Carvalho; química de Icard; táctil de Nerio Rojas; auricular de Vreden-Wendt-Gelé; hematopneumo-hepática de Severi; plêurica de Placzek, etc. (FRANÇA, 2017; HERCULES, 2014). REFERÊNCIAS – CAPÍTULO XI CROCE, D.; CROCE JÚNIOR, D. Manual de Medicina Legal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. HERCULES, H. C. Medicina Legal: texto e atlas. 2. ed. São Paulo: Atheneu, 2014. SILVEIRA, P. R. Fundamentos da Medicina Legal. Rio de Janeiro: Recanto das Letras, 2009. CAPÍTULO XII – TOXICOLOGIA FORENSE CAPÍTULO XII – TOXICOLOGIA FORENSE 163 CAPÍTULO XII TOXICOLOGIA FORENSE 319 | Definir xenobiótico. RESPOSTA: Xenobióticos são substâncias desconhecidas ao organismo (CEBRID, 2012). Imagem 52 – Toxicologia – intoxicação Fonte: Freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/fotos-gratis/mao-de-mulher-derrama-as- pilulas-de-medicamento-fora-da-garrafa_5096873.htm#page=1&query=p%C3%ADlulas&positi on=15. Acesso em: 31 mar. 2021. 320 | Indicar as fases do percurso do xenobiótico no corpo. RESPOSTA: As fases do percurso do xenobiótico são: entrada, absorção, distribuição, transformação e excreção (FRANÇA, 2017). CAPÍTULO XII – TOXICOLOGIA FORENSE 164 321 | Citar as vias de penetração de um xenobiótico. RESPOSTA: Vias de penetração: “oral, gástrica, inalatória, cutânea, subcutânea, intramuscular, intraperitoneal, intravenosa, intra- arterial e intratecal” (FRANÇA, 2017, p. 143). 322 | Definir droga psicotrópica. RESPOSTA: Os psicotrópicos são substâncias químicas que atuam no Sistema Nervoso Central provocando alterações no psiquismo do usuário. Podem ser divididas em três grupos: depressores do Sistema Nervoso Central (SNC) ou psicolépticos; estimulantes do SNC ou psicoanalépticos, noanalépticos, timolépticos, etc.; perturbadores do SNC ou psicoticomiméticos, psicodislépticos, psicodélicos, alucinógenos, etc. (CEBRID, 2012). 323 | Definir drogas psicolépticas e citar exemplos. RESPOSTA: As drogas psicolépticas são as drogas depressoras da atividade do SNC, deixando a pessoa mais lenta. Exemplos de drogas psicolépticas: álcool, barbitúricos, benzodiazepínicos (Diazepam, lorazepam), opiáceos (mor ina, codeína), solventes (colas, tintas, removedores) (CEBRID, 2012). Imagem 53 – Depressores do SNC Imagem de Freestocks.org | Fonte: Pexels. Disponível em: https://www.pexels.com/pt-br/foto/ abstrato-resumo-abstrair-negocio-140123/. Acesso em: 31 mar. 2021. CAPÍTULO XII – TOXICOLOGIA FORENSE 165 Imagem 54 – Intoxicação por benzodiazepínicos – cavidade oral Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. Imagem 55 – Intoxicação por benzodiazepínicos – conteúdo gástrico Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. Imagem 56 – Intoxicação por benzodiazepínicos – cianose ungueal Fonte: arquivo do Prof. Dr. Jose Luis Prieto Carrero. CAPÍTULO XII – TOXICOLOGIA FORENSE 166 Imagem 57 – Droga Psicoléptica – Ópio Foto de Iva Balk | Fonte: Pixabay. Disponível em: https://pixabay.com/pt/photos/poppyhead- campo-da-papoila- lora%C3%A7%C3%A3o-2654518/. Acesso em 29 mar. 2021. 324 | Definir drogas psicoanalépticas e citar exemplos. RESPOSTA: As drogas psicoanalépticassão drogas estimulantes do SNC, aumentando sua atividade. Exemplos: anorexígenos (principalmente as anfetaminas) e cocaína (CEBRID, 2012). Imagem 58 – Cigarro Imagem de Cottonbro | Fonte: Pexels. Disponível em: https://www.pexels.com/pt-br/foto/ anonimo-borrao-mancha-nevoa-5932301/. Acesso em: 31 mar. 2021. CAPÍTULO XII – TOXICOLOGIA FORENSE 167 Imagem 59 – Droga Psicoanaléptica – Cocaína Foto de Stevepb | Fonte: Pixabay. Disponível em: https://pixabay.com/pt/photos/drogas- coca%C3%ADna-usu%C3%A1rio-v%C3%ADcio-908533/. Acesso em: 29 mar. 2021. Imagem 60 – Bolsas contendo cocaína – body packer Fonte: arquivo próprio. 325 | Definir drogas psicodislépticas e citar exemplos. RESPOSTA: As drogas psicodislépticas apresentam uma ação perturbadora das atividades do Sistema Nervoso Central (SNC), que modi ica a qualidade da atividade cerebral, não quantitativamente, como as drogas anteriores (que aumentam e diminuem a atividade). Exemplos: THC (maconha), mescalina, LSD-25, êxtase e anticolinérgicos (CEBRID, 2012). CAPÍTULO XII – TOXICOLOGIA FORENSE 168 Imagem 61 – Maconha Fonte: Freepik. Disponível em: https://br.freepik.com/fotos-gratis/brotos-de-maconha-com-juntas- de-maconha-e-oleo-de-cannabis_7365453.htm#page=1&query=maconha&position=1. Acesso em: 31 mar. 2021. Imagem 62 – Droga psicodisléptica – Psilocybe cubensis Imagem de Pretty drugthings | Fonte: Unsplash. Disponível em: https://images.unsplash.com/ photo-1590487586575-9295d720cad2?ixlib=rb-1.2.1&ixid=eyJhcHBfaWQiOjEyMDd9&auto=format&f it=crop&w=746&q=80. Acesso em: 29 mar. 2021. 326 | Com relação ao consumo de drogas, definir tolerância. RESPOSTA: Tolerância diz respeito à necessidade de aumentar as doses para se alcançar determinado efeito em razão de exposição prévia (FRANÇA, 2017; KLAASSEN, 2012; FIDALGO; PAN NETO; SILVEIRA, [2012]). 327 | Definir dependência. RESPOSTA: Dependência diz respeito à interação entre o consumo de determinada droga e o metabolismo dependente desse efeito. Ou CAPÍTULO XII – TOXICOLOGIA FORENSE 169 seja, o indivíduo deseja tanto o efeito de certa substância química que acaba por ter seu comportamento e estado psíquico alterados com o ito de evitar o desconforto da privação (FRANÇA, 2017; FIDALGO; PAN NETO; SILVEIRA, [2012]). 328 | Definir crise de abstinência. RESPOSTA: A abstinência é uma síndrome com sinais e sintomas decorrentes da ausência de determinada interação entre indivíduo e substância que é aliviada com o consumo (FRANÇA, 2017; FIDALGO; PAN NETO; SILVEIRA, [2012]). 329 | Citar e descrever as fases da embriaguez. RESPOSTA: A embriaguez, na maioria doutrinária, apresenta três fases: excitação, confusão e sono. Na primeira, o indivíduo está na fase eufórica, em que ica mais animado, humorado, podendo passar a impressão de capacidade intelectual aumentada. Na fase de confusão (pode ser chamada fase médico-legal), o indivíduo passa da fase eufórica e começa a apresentar di iculdades neurológicas e psíquicas, além de alteração da marcha. Na última, como o nome mesmo diz, o indivíduo mergulha em sono profundo. Teorias que aceitam outras fases (cinco) admitem que a embriaguez se inicia na fase subclínica (leve excitação decorrente do pequeno teor de álcool) e pode terminar em morte (FRANÇA, 2017). Imagem 63 – Ilustração de bebida com álcool etílico Imagem de Picography | Fonte: Pexels. Disponível em: https://www.pexels.com/pt-br/foto/alcool- aperitivo-balada-bar-4784/. Acesso em: 31 mar. 2021. CAPÍTULO XII – TOXICOLOGIA FORENSE 170 330 | Citar e descrever as formas de embriaguez. RESPOSTA: As formas de embriaguez são: culposa – negligência ou imprudência por falta de conhecimento dos efeitos do álcool; preterdolosa – indivíduo não deseja o resultado, mas detém o conhecimento de que ao estar embriagado pode vir a produzi-lo; fortuita – ocasional decorrente de erro compreensível e não de conduta imprudente, podendo isentar pena; acidental – indivíduo bebe alguma bebida alcoólica sem saber que é alcoólica (pode ter o bene ício de isenção de responsabilidade); por força maior – incapaz de um ser humano prever ou resistir (pode reduzir pena); preordenada – indivíduo busca se embriagar com o objetivo de cometer delitos (agravante de pena); habitual – indivíduos que estão sob efeito etílico cotidianamente, patológica – desproporção entre pequenas doses e intensidade de efeitos (FRANÇA, 2017; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). 331 | Listar as matrizes biológicas para as análises toxicológicas. RESPOSTA: As amostras coletadas in vivo são: sangue, urina, cabelo e conteúdo gástrico. Já nos casos post mortem, podem-se coletar: sangue cardíaco e femoral, urina, material gástrico, humor vítreo e amostras de: ígado, rim, pulmão, cérebro, baço, músculo esquelético (PROENÇA, [2019?]). 332 | Avaliar se nos cadáveres putrefeitos o resultado da análise de etanol pode estar prejudicada. RESPOSTA: Sim. Nos corpos putrefeitos, ocorre a produção de etanol no fenômeno transformativo destrutivo do corpo (FRANÇA, 2017). 333 | Comentar sobre a síndrome “Body Packer”. RESPOSTA: A síndrome Body Packer refere-se àqueles indivíduos que trabalham como “mula”, ou seja, transportam drogas ilícitas no interior de ser organismo (estômago e intestino). Diverge do “body pusher”, que são aqueles indivíduos “que transportam pequenas quantidades de droga nos ori ícios naturais (ânus e vagina)” (FRANÇA, 2017, p. 144; CAMPOLINA, 2010). CAPÍTULO XII – TOXICOLOGIA FORENSE 171 REFERÊNCIAS – CAPÍTULO XII CAMPOLINA, D. et al. Diagnóstico por imagem de Body Packers: relato de caso. Rev. Med. Minas Gerais, v. 20, n. 3, (supl. 4), p. S50-S54, 2010. Disponível em: http://rmmg.org/artigo/detalhes/981. Acesso em: 3 jul. 2020. CEBRID - CENTRO BRASILEIRO DE INFROMAÇÕES SOBRE DROGAS PSICOTRÓPICAS. Livreto informativo sobre Drogas psicotrópicas. 2012. Disponível em: https://www.cebrid.com.br/ wp-content/uploads/2012/12/Livreto-Informativo-sobre-Drogas- Psicotr%C3%B3picas.pdf. Acesso em: 3 jul. 2020. CROCE, D.; CROCE JÚNIOR, D. Manual de Medicina Legal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. FIDALGO, T. M.; PAN NETO, P. M.; SILVEIRA, D. X. Abordagem da dependência química. São Paulo: UNA-SUS, [2012]. Disponível em: https://www.unasus.unifesp.br/biblioteca_virtual/pab/4/ unidades_casos_complexos/unidade20/unidade20_ft_dependencia. pdf. Acesso em: 3 jul. 2020. FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. KLAASSEN, C. D. Fundamentos em toxicologia de Casarett e Doull. 2. ed. Porto Alegre: AMGH, 2012. PROENÇA, V. Toxicologia Forense: detecção de drogas em amostras biológicas. [S. l.]: IBRAP, [2019?]. Disponível em: https://ibapcursos. com.br/toxicologia-forense-deteccao-de-drogas-em-amostras- biologicas/. Acesso em: 2 jun. 2020. CAPÍTULO XIII – IMPUTABILIDADE PENAL CAPÍTULO XIII – IMPUTABILIDADE PENAL 173 CAPÍTULO XIII IMPUTABILIDADE PENAL 334 | Conceituar imputabilidade. RESPOSTA: Imputabilidade é “a capacidade de entender o caráter ilícito do fato e de determinar-se de acordo com esse entendimento” (CAPEZ, 2004 apud CLARA, [2018]). 335 | Definir capacidade civil. RESPOSTA: Capacidade civil é a propriedade que o indivíduo possui de exercer seus direitos que legalmente lhe são atribuídos, bem como usufruir deles (GAGLIANO; PAMPLONA FILHO, 2017). 336 | Listar os modificadores de imputabilidade biológicos. RESPOSTA: Os modi icadores de imputabilidade biológicos são: “idade, sexo, emoção, paixão e agonia” (FRANKLIN, 2019, p. 40). 337 | Citar exemplos de modificadores de imputabilidade mesológicos. RESPOSTA: Exemplos de modi icadores de imputabilidade mesológicos são: “silvícolas e multidões” (FRANKLIN, 2019, p. 40). 338 | Listar os modificadores de imputabilidade biopsicológicos. RESPOSTA: Os modi icadores de imputabilidade biopsicológicos são: CAPÍTULO XIII – IMPUTABILIDADE PENAL 174 embriaguez, afasia, sonambulismo, surdo-mudez, etc. (FRANKLIN, 2019). 339 | Listar osmodificadores de imputabilidade psiquiátricos. RESPOSTA: Os modi icadores de imputabilidade psiquiátricos são: doenças mentais, epilepsia, drogadição, etc. (FRANKLIN, 2019). 340 | Citar os modificadores de imputabilidade legais. RESPOSTA: Os modi icadores de imputabilidade legais são as “causas circunstanciais do crime” (FRANKLIN, 2019, p. 40). 341 | Citar o artigo 26 do Código Penal. RESPOSTA: Segundo o Código Penal (CP) – Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940: “Art. 26 - É isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). Redução de pena Parágrafo único - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, em virtude de perturbação de saúde mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não era inteiramente capaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)” (BRASIL, 1940). 342 | Conceituar desenvolvimento mental incompleto. RESPOSTA: Desenvolvimento mental incompleto é o estado de indivíduos que ainda não obtiveram a maturidade psíquica, como: crianças e adolescentes; ou àqueles que de forma congênita ou resultante de algum processo (trauma, doença, fatores psicossociais) tiveram uma parada no processo do desenvolvimento mental (ZAFFARONI, 2015; CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). CAPÍTULO XIII – IMPUTABILIDADE PENAL 175 343 | Citar o artigo 27 do Código Penal. RESPOSTA: “Art. 27 - Os menores de 18 (dezoito) anos são penalmente inimputáveis, icando sujeitos às normas estabelecidas na legislação especial. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)” (BRASIL, 1940). 344 | Citar o artigo 28 do Código Penal. RESPOSTA: “Art. 28 - Não excluem a imputabilidade penal: (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) I - a emoção ou a paixão; (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) Embriaguez II - a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos análogos. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984) § 1º - É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984). § 2º - A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por embriaguez, proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía, ao tempo da ação ou da omissão, a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento. (Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)” (BRASIL, 1940). 345 | Conceituar Criminologia RESPOSTA: Segundo Gonzaga (2020), “Criminologia é uma ciência autônoma que estuda o criminoso, o crime, a vítima, os controles sociais formais e informais que atuam na sociedade, bem como a forma de prevenção da criminalidade” (GONZAGA, 2020, p. 12). 346 | Conceituar Vitimologia. RESPOSTA: Vitimologia é o estudo da vítima como integrante na geração e na causa do delito (CROCE; CROCE JÚNIOR, 2012). Observa a vítima como elo que não se desprende da ocorrência e dos motivos delituosos (FRANÇA, 2017). CAPÍTULO XIII – IMPUTABILIDADE PENAL 176 347 | Definir os elementos para que ocorra a configuração de crime. RESPOSTA: Há a necessidade do fenômeno tripartide para a existência do crime, a saber: fato tipi icado, contrário à ordenação jurídica e culpável (FRANKLIN, 2019). REFERÊNCIAS – CAPÍTULO XIII BRASIL. Palácio do Planalto. Casa Civil. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal. Diário O icial da União, Brasília, DF, 31 dez. 1940. Disponível em: http://www.planalto.gov. br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm. Acesso em: 8 ago. 2020. CLARA, T. A de inição da imputabilidade no Direito Penal Brasileiro. JusBrasil, [2018]. Disponível em: https://thaysclara.jusbrasil. com.br/artigos/537150848/a-de inicao-da-imputabilidade-no- direito-penal-brasileiro#:~:text=Para%20Capez%20(2013)%20 a%20imputabilidade,est%C3%A1%20realizando%20um%20 il%C3%ADcito%20penal. Acesso em: 8 ago. 2020. CROCE, D.; CROCE JÚNIOR, D. Manual de Medicina Legal. 8. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 11. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2017. FRANKLIN, R. Medicina Forense aplicada. Rio de Janiero: Rubio, 2019. GAGLIANO, P. S.; PAMPLONA FILHO, R. Manual de Direito Civil. São Paulo: Saraiva, 2017. GONZAGA, C. Manual de criminologia. 2. ed. São Paulo: Saraiva Educação, 2020. 344 p. ZAFFARONI, E. R. et al. Inimputabilidade e semi-imputabilidade por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado. Rev. Epos, Rio de Janeiro, v. 6, n. 2, p. 141-154, dez. 2015. Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_ arttext&pid=S2178-700X2015000200008&lng=pt&nrm=iso. Acesso em: 8 ago. 2020. POSFÁCIO 177 POSFÁCIO Me complace extraordinariamente el encargo de redactar el epílogo de esta obra de mi buena amiga y colega, la Profesora Rita Higa, obra que no necesita de ningún elogio por mi parte, porque los estudiantes de medicina a quienes va dirigida encontrarán al leerla sobrados motivos para reconocer el mérito de saber combinar de una forma original, sencilla y directa el enfoque didáctico con el rigor cientí ico al acometer los temas principales de la Medicina Legal, lo que con seguridad despertará el interés del alumno por esta especialidad. El acertado título, ‘de la pregunta al aprendizaje en Medicina Legal’ nos indica claramente la doble aspiración de este texto creado por y para estudiantes bajo la coordinación y revisión de prestigiosos profesores. El de la necesidad de preguntar y de preguntarse para aprender, para adquirir conocimientos - en palabras del escritor Haruki Murakami ‘preguntar es vergüenza de un día, pero no preguntar es vergüenza de una vida’ – y el de resaltar la propia función de la Medicina Legal en su papel de dar respuesta a los numerosos interrogantes que desde la aplicación del Derecho se le plantean a la ciencia médica. Los primeros dos capítulos recogen los aspectos relativos a la de inición y evolución histórica de la Medicina Legal a partir de sus profesionales más destacados, así como un repaso de los elementos básicos de prueba, incluyendo el examen de la escena, y de la propia actividad pericial. A continuación, el capítulo tres desarrolla un tema que considero esencial en la formación de los futuros médicos, los documentos médico-legales que todo profesional debe conocer con detalle y POSFÁCIO 178 saber cumplimentar, ya que formarán parte de su tarea cotidiana en la actividad clínica. A partir de aquí, el texto se va dirigiendo hacia aspectos más especí icos de la Medicina Legal, aunque siempre conservando la perspectiva que cualquier médico debe tener, independientemente de su especialidad, tanto en relación con el cadáver, como con el vivo. Los capítulos cuatro a seis se centran en la evolución cadavérica, los problemas relativos a la data de la muerte y las técnicas de identi icación, incluyendo conceptos básicos de la dactiloscopia, la antropología y la genética forense. El amplio territorio de la Traumatología forense se expone en el capítulo siete. Los tipos de lesiones, su origen, evolución y mecanismo de producción, así como las características de la caída y precipitación, el atropello ferroviario, las lesiones por arma blanca y por arma de fuego, as ixias y lesiones por agentes ísicos todo ello acompañado de documentación grá ica esencial para su adecuada comprensión. Los capítulos ocho a once desarrollan los aspectos relativos a la sexología forense, incluyendo la violencia sexual, para ilias, aborto e infanticidio. El capítulo doceintroduce al estudiante en otro tema de especial interés para todo médico, la Toxicología referida a la problemática médico legal de las drogas de abuso y los conceptos de dependencia, abstinencia y embriaguez. Finalmente, el capítulo trece afronta la temática de los elementos modi icadores de la imputabilidad y la capacidad, ambas de extraordinario interés legal en las respectivas jurisdicciones penal y civil. No es habitual, al menos es España, que los libros cientí icos cuenten con un epílogo. El epílogo de una obra narrativa trata de cerrar el relato, describiendo hechos producidos tras el desenlace de la trama principal, como el destino de los protagonistas. En este caso, el destino de esta obra, como el de la propia Medicina Legal es, sin embargo, un destino abierto que seguirá necesitado de nuevas preguntas lo que, con certeza, demandará nuevas y ampliadas ediciones del presente libro. Dr. José L. Prieto Médico Forense POSFÁCIO 179 Médico e Odontólogo Especialista em Medicina Legal e Forense Membro do Corpo Nacional de Médicos Forenses de Espanha, com mais de 30 anos de experiência como médico forense atuando no IML de Madri Professor do Departamento de Medicina Legal da Universidade Complutense de Madri há mais de 20 anos. REFERÊNCIAS 180 REFERÊNCIAS ABRAHÃO, P. J. A perícia no aborto criminoso. Conteúdo Jurídico, 2014. Disponível em: https://conteudojuridico.com.br/consulta/ artigos/41677/a-pericia-no-aborto-criminoso. Acesso em: 1 ago. 2020. ANDRADE, F. C. 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Este livro foi composto em tipos Cambria e Zurich, na versão digital para dispositivos eletrônicos por Adalbacom em maio de 2021. “Estamos perante uma obra que, por meio da resposta de um amplo leque de perguntas, nos proporciona uma viagem pela Medicina Legal, partindo da sua história e evolução para chegar à realidade prática pericial quotidiana, nas diversas áreas de atuação desta ciência guardiã da justiça, que sempre foi – e que sempre será – essencial para a aplicação desta, para a defesa de valores tão fundamentais quanto a honra, o bom nome, a liberdade e a dignidade da pessoa humana [...]”. “Este é um livro que se distingue pela forma abrangente e completa da abordagem dos temas, pelo didatismo que o caracteriza, pela visão fresca que proporciona, pela acessibilidade que oferece [...]”. Prof. Dr. Duarte Nuno Vieira.