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responsável por processar sensações de recompensa, como prazer e satisfação. No entanto, quando a equipe revelava a marca, a maioria dos participantes dizia que a Coca-Cola era melhor. Nesse caso, a atividade cerebral também se alterava. Agora, em vez da região cerebral responsável por processar sensações de recompensa, era ativada a parte do cérebro que responde por altos níveis de poder cognitivo, como a memória. Esse resultado revelou um paradoxo. Na realidade, os participantes preferiam o sabor da Pepsi, mas sua relação com a marca Coca-Cola os influenciava a negar sua preferência gustativa. Quando as pessoas não sabiam a marca do refrigerante, eram obrigadas a tomar uma decisão racional. Elas tinham de pensar para escolher. Não havia nenhuma convicção formada sobre as bebidas. Nessas circunstâncias, elas optavam pela Pepsi. Quando sabiam a marca, o mecanismo cerebral passava a agir por conta própria. Suas convicções entravam em ação. Era quando elas optavam pela Coca-Cola, pois já sabiam, por convicção, que a Coca-Cola era melhor. Nessas circunstâncias, a escolha era feita de forma automática. É difícil pensar sobre esse estudo e não se dar conta do lado perverso desse mecanismo cerebral. E ele confirma tudo o que eu disse até aqui. Muitas vezes, somos iludidos por fatores alheios à nossa vontade. Mesmo conscientes do erro, acabamos repetindo-o constantemente, sem saber por que razão o fazemos. Tornamo-nos vítimas de convicções esquecidas, mas que permanecem ativas e se manifestam em nossas atividades. Assim como nos exemplos da reação do público a Joshua Bell e a Marshall e Warren, funcionamos no piloto automático na maior parte do tempo, sem ter consciência do que realmente define nossas ações. Isso nos desperta para uma questão crucial: se nossas convicções não estão alinhadas com nosso propósito, bloquearão nosso sucesso, mesmo que tenhamos todo o potencial, o