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973o BIMESTRE Observe a imagem acima. Reflita sobre o gesto, os objetos, a postura e a ação realizada pelo artista. O que isso pode representar? Nino Cais (1969-), um artista contemporâneo brasileiro, escolhe uma opção não convencional em seus autorretratos: ele não mostra o rosto. Em muitos de seus autorretratos, a face dele está oculta por algum objeto do cotidiano ou por uma máscara, que ele usa na composição juntamente com a sua imagem. 3 Resposta pessoal. CAIS, Nino. Décor. 2009. Fotografia, 110 cm # 90 cm. N IN O C A IS • Conheça mais sobre autorretratos nas artes visuais no livro: CANTON, Katia. Espelho de artista [autorretrato]. São Paulo: Cosac Naify, 2013. 97 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Orientações A partir da observação das ima- gens da Cueva de las Manos e de Décor, de Nino Cais, o estudante terá condições de apreciar e ana- lisar duas formas distintas de re- presentação, ampliando sua ex- periência com diferentes práticas artístico-visuais e sua capacidade de contextualização – de acordo com as habilidades (EF69AR01) e (EF69AR02) da BNCC. Apro- veite a leitura das imagens para dialogar com a turma sobre as diferentes necessidades das pes- soas de se expressarem, de dei- xarem registros de sua presença no mundo e sua capacidade de produzir símbolos. Atividade complementar Para trabalhar com grupos com deficiência visual, você pode “montar” a cena da obra, com a ajuda de um estudante que representará o artista, e provi- denciar flores para que o autor- retrato fique completo. Procure recompor a fotografia de modo próximo ao que se apresenta na imagem, para que os estudantes cegos ou com baixa visão possam tocar e perceber o enquadra- mento da cena retratada pelo artista. É uma oportunidade para que todos percebam as escolhas de enquadramento do artista. Sobre as atividades 3. Solicite aos estudantes que observem a fotografia e reflitam sobre o que está oculto na imagem. Você também pode perguntar aos estudantes o que pode ter levado o artista a esconder o próprio rosto. O rosto coberto pode instigar a curiosidade de quem o observa, despersona- lizar o retratado, personalizá-lo por meio de um objeto, entre outras leituras possíveis. Chame a atenção para as flores, em forma de buquê. O que elas podem simbolizar? Essas são apenas algumas possibilidades de reflexão para iniciar a mediação. Com um diálogo aprofundado, instigando a curiosidade da turma, você pro- vavelmente verá muitas interpretações surgirem. 98 Autorretratos na pintura Observe os autorretratos nesta página e na seguinte. Quais são as principais diferenças e semelhanças que você percebe entre eles? Resposta pessoal. O que você diria sobre a expressão dos artistas em cada um dos autorretratos? E a postura deles? Respostas pessoais. Ao longo da história da arte, muitos artis- tas registraram sua própria imagem das mais variadas formas e com diferentes técnicas. O retrato, e por consequência o autorretrato, é uma das mais antigas formas de represen- tação. Nesta página e na seguinte você pode apreciar trabalhos de quatro artistas de épo- cas diferentes, que se tornaram referência para muitos que surgiram depois: o alemão Albrecht Dürer (1471-1528), os holandeses Rembrandt van Rijn (1606-1669) e Vincent van Gogh (1853-1890) e o espanhol Pablo Picasso (1881-1973). Ajudado pela sua formação matemática, Albrecht Dürer era muito cuidadoso com as- pectos técnicos de suas composições, como a proporção, a simetria e a perspectiva. O autor- retrato acima à esquerda ficou famoso pela precisão com que ele se retratou, com grande riqueza de detalhes. Observe como os cabelos e a barba são pintados, as dobras de tecido e até mesmo as unhas sob as luvas. Alguns pes- quisadores apontam que ele quis se retratar como uma pessoa nobre nessa pintura. Analisando detalhadamente o autorretrato de Dürer você diria que ele era nobre? Quais recursos o artista usou para indicar essa condição? Respostas pessoais. O holandês Rembrandt pintou mais de 90 autorretratos ao longo de sua vida. Ele se re- presentou em diferentes idades, com diversas expressões faciais e apoiando-se em técnicas variadas. O autorretrato era um recurso de que ele – assim como tantos outros artistas – 4 5 6 DÜRER, Albrecht. Autorretrato. 1498. Óleo sobre painel, 52 cm # 41 cm. Museu do Prado, Madri, Espanha. RIJN, Rembrandt van. Autorretrato como o apóstolo Paulo. 1661. Óleo sobre tela, 91 cm # 77 cm. Rijksmuseum, Amsterdã, Holanda. M U S E U D O P R A D O , M A D R I R IJ K S M U S E U M , A M S TE R D Ã 98 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Sobre as imagens Esta série de retratos fornece a oportunidade de pesquisar, apreciar e analisar produções artísticas de diferentes épocas e estilos, contemplando as habili- dades (EF69AR01) e (EF69AR02) da BNCC. Os quatro artistas apresenta- dos nesta página e na página seguinte (Dürer, Rembrandt, Van Gogh e Picasso) são impor- tantes representantes da histó- ria da arte ocidental. Muito da história da arte brasileira, tanto a acadêmica como a moderna e a contemporânea, teve influ- ência ou dialogou com esses padrões. Você pode aproveitar a oportunidade para proble- matizar a questão da grande difusão de padrões europeus em detrimento de referências de outras matrizes culturais – prática tradicionalmente adota- da no ensino de Arte no Brasil – contemplando adicionalmen- te a habilidade (EF69AR33) da BNCC. Proponha à turma uma refle- xão sobre outras referências ar- tísticas que eles possuem, tanto de arte brasileira de matrizes europeias (acadêmica, moderna ou contemporânea) quanto de outras matrizes estéticas e cul- turais, como as produções dos povos indígenas, as afro-bra- sileiras, as da cultura popular, entre outras. Sobre as atividades 4. e 5. Você pode conduzir uma leitura comparativa entre as imagens. Chame a atenção dos estudantes também para o modo como a luz está represen- tada em cada uma das pinturas. A iluminação e as cores, mais próximas da realidade nas pinturas de Dürer e Rembrandt; as cores mais expressivas e pin- celadas mais marcadas nas pinturas de Van Gogh e Picasso. 6. Além da vestimenta de Dürer, em especial as luvas, chame a atenção da turma para a postura austera com que ele se retrata. Incentive os estudantes a refletir sobre o quanto uma imagem de si mesmo pode ser construída in- tencionalmente, como um modo de se autovalorizar. 993o BIMESTRE dispunha para desenvolver seu trabalho, sem necessitar de outra pessoa para posar como modelo. Por meio dos autorretratos, ele es- tudava como pintar as sombras de modo in- tenso (técnica do claro-escuro), característica comum em pinturas de sua época e que ele dominava como poucos. Você consegue perceber, no autorretrato de Rembrandt, na página anterior, as áreas de luz e de sombra na pintura? É provável que você já tenha ouvido falar do também holandês Vincent van Gogh. Ele fez muitos autorretratos usando cores e tons contrastantes por meio de fortes pinceladas. Quando observadas no conjunto, essas pince- ladas geram uma intensa vibração visual. A his- tória de vida de Van Gogh é bastante conhe- cida: ele era um homem de poucos amigos, teve amores não correspondidos e tinha uma forte relação de afeto com seu irmão Theo, que muito o ajudou financeiramente, já que sua obra só foi reconhecida após sua morte. Observe o autorretrato de Van Gogh acima à direita. Você consegue perceber o modo como ele usa o pincel para pintar seu autorretrato? Resposta pessoal. Por fim, o espanhol Pablo Picasso foi um artista prolífico que fez pinturas, esculturas, desenhos, cenários, além de ter escrito peças teatrais e poemas. Há muitas histórias sobre sua vida, masdestacamos aqui o fato de que ele era apaixonado por seu trabalho, pois pro- duzia muito e de forma constante. Com uma produção tão intensa e extensa, ele passou por diversas fases, sempre buscando novas formas de expressão, como no autorretrato à direita, em que apresenta um estilo artístico praticado no início do século XX, do qual ele foi um dos criadores: o Cubismo. Na pintura de Picasso, à direita, que partes do rosto você consegue identificar? O que há de diferente nesse modo de construir a imagem? Respostas pessoais. 7 8 9 GOGH, Vincent van. Autorretrato com chapéu de feltro. 1887. Óleo sobre tela, 44,5 cm # 37,2 cm. Museu Van Gogh, Amsterdã, Holanda. PICASSO, Pablo. Buste d’homme écrivant (Autoportrait) [Busto de homem escrevendo (Autorretrato), em tradução livre]. 1971. Óleo sobre tela, 115,5 cm # 88,9 cm. Coleção particular. M U S E U V A N G O G H , A M S TE R D Ã C H R IS TI E ’S IM A G E S /B R ID G E M A N IM A G E S /K E Y S TO N E B R A S IL . © S U C C E S S IO N P A B LO P IC A S S O / A U TV IS , B R A S IL , 2 01 8 – C O LE Ç Ã O P A R TI C U LA R Resposta pessoal. 99 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Sobre as atividades 7. Na época do Barroco holan- dês em que Rembrandt pintou esse autorretrato, não havia energia elétrica e o contraste entre claro e escuro era explo- rado ao extremo. Nessa pin- tura, a luz parece vir do canto superior esquerdo, atravessan- do em diagonal o quadro, ilu- minando o rosto até incindir no que o retratado tem nas mãos. 8. Van Gogh se inspirou nos im- pressionistas e desenvolveu um estilo próprio de pintar. Incenti- ve os estudantes a refletir sobre os resultados expressivos desse tipo de pintura, que não busca representar fielmente o real e intensifica as cores da obra. 9. O Cubismo consiste em re- presentar o mundo por meio de formas geométricas, pintando várias faces de um objeto ou de um rosto em um único plano. 100 Observe a pintura abaixo. Quais sensações ela desperta em você? E o que parece revelar? Você acha possível identificar o que uma pessoa está sentindo apenas observando seu rosto? Respostas pessoais. Perceba como o artista pintou o rosto, os braços e as roupas e repare nas áreas claras e escuras da imagem. A partir da sua observação, que elementos trazem expressividade para essa pintura? Resposta pessoal. 10 11 COURBET, Gustave. Le Désespéré [O homem desesperado (Autorretrato)]. 1843-1845. Óleo sobre tela, 45 cm # 54 cm. Coleção particular. C O LE Ç Ã O P A R TI C U LA R O pintor francês Gustave Courbet (1819-1877), autor do autorretrato acima, procurava não enquadrar sua obra no es- tilo de arte produzido por artistas de épocas anteriores à dele. Ele foi um pintor realista, que retratou o seu mundo e o seu tempo, com seus costumes e sua aparência, com o compromis- so de representar o que era, para ele, a realidade. 100 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Atividade complementar Antes de iniciar a leitura da imagem e a observação dos traços de expressão facial, pro- postos na atividade 10, sugeri- mos que você convide a turma para uma atividade prática de expressão facial. Sorteie sen- timentos e sensações entre alguns voluntários e peça que tentem expressá-los apenas com a face. Veja se os estu- dantes que estão observando conseguem adivinhar qual sen- sação ou sentimento foi sortea- do. Estudantes com deficiência visual podem participar fazen- do as expressões ou tocando o rosto de quem está fazendo a expressão. Em seguida, conversem sobre os desafios de expressar-se e de adivinhar a expressão. Você pode retomar também o “Jogo da careta”, desenvolvido no capítulo anterior. Essa atividade pode ser um aquecimento para a leitura da imagem de Courbet, uma vez que promove um encontro en- tre duas linguagens, Artes vi- suais e Teatro, e propõe que o estudante experimente a ges- tualidade, expressando-se por meio de seu próprio corpo. Depois dessa atividade com- plementar, os estudantes esta- rão mais aptos a dialogar de modo reflexivo com a pintura de Courbet. Sobre as atividades 11. Note os olhos bem abertos, as sobrancelhas arqueadas, as linhas de expressão na testa, as mãos que indicam tensão, assim como o pescoço, também tenso. Tudo isso agrega expressividade à obra, do ponto de vista da re- presentação. A expressividade é reforçada pelo tratamento for- mal que o artista dá à imagem, por meio da oposição entre áre- as claras e escuras, bem como pela escolha de representar a figura em primeiro plano, ou seja, como se estivesse “saltan- do” para fora do quadro. 1013o BIMESTRE PINTORES ALÉM DE SEUS AUTORRETRATOS Você conheceu alguns importantes nomes da história da arte, mas esses artistas produziram muito mais do que autorretratos. Que tal conhecer outros de seus trabalhos e um pouco mais sobre suas histórias de vida e sobre como eles viviam em sua época? 1 Reúna-se com os colegas em um grupo de quatro a seis integrantes. 2 Cada grupo escolherá um artista para pesquisar: § Albrecht Dürer § Gustave Courbet § Pablo Picasso § Rembrandt van Rijn § Vincent van Gogh 3 Pesquise por obras desses artistas em livros de arte ou na internet. Sugerimos abaixo alguns sites confiáveis para consulta, embora não estejam em língua portuguesa. 4 Observe as características marcantes no estilo de cada um deles: Quais temas eles representaram? Como as pessoas eram retratadas? Como eles trabalhavam as cores e as formas? Atente-se também para a época em que foram produzidos e pesquise detalhes sobre a vida dos artistas. Anote as suas impressões e as informações que coletar em seu diário de bordo. 5 Cada grupo escolherá um conjunto das obras mais importantes do artista escolhido para apresentar à turma. 6 É importante que todos possam ver as obras durante a apresentação. Verifique com o professor a possibilidade de projeção ou impressão das imagens em tamanhos grandes. 7 Após as apresentações de todos, a turma pode comparar as imagens selecionadas e identificar as semelhanças e as diferenças entre elas. Reflitam sobre os motivos que tornaram esses artistas tão importantes. • Acesse o site do Museu do Prado, em Madri, na Espanha, para ver a versão original do autorretrato de Albrecht Dürer e para pesquisar outras obras do artista (em espanhol e inglês). Disponível em: <https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/self-portrait/8417d190-eb9d-4c52- 9c89-dcdcd0109b5b>. Acesso em: 15 ago. 2017. • Acesse o site do Museu D’Orsay, que fica em Paris, na França e conheça mais sobre Gustave Courbet (em inglês). Disponível em: <http://www.musee-orsay.fr/en/collections/courbet-dossier/biography.html>. Acesso em: 15 ago. 2017. • Acesse o site do Museu Picasso de Paris, na França, para visualizar a coleção de cerca de cinco mil obras desse artista (em francês). Disponível em: <https://www.navigart.fr/picassoparis/#/>. Acesso em: 15 ago. 2017. • Acesse o site do Rijksmuseum, que fica em Amsterdã, na Holanda, e veja mais obras de Rembrandt (em inglês). Disponível em: <https://www.rijksmuseum.nl/en/rijksstudio/artists/rembrandt-harmensz-van-rijn>. Acesso em: 15 ago. 2017. • Acesse o site do Museu Van Gogh, também em Amsterdã e conheça outras obras do artista. (em inglês). Disponível em: <https://www.vangoghmuseum.nl/en>. Acesso em: 15 ago. 2017. 101 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Orientações Na leitura comparativa das ima- gens (etapa 7 da atividade), o objetivo é estimular a percep- ção dos estudantes para o fato de que existem particularidades em cada estilo de produção. Não cabe aqui a ideiade “me- lhor” e “pior”, dado que os cri- térios de valoração são sempre relativos, em função de contex- tos específicos. A atividade propõe que o es- tudante investigue de forma autônoma algumas produções artísticas de estilos distintos que abordam a temática da au- torrepresentação, contemplan- do as habilidades (EF69AR01) e (EF69AR02) da BNCC. São fornecidas nesta página al- gumas fontes de pesquisa; no entanto, você pode incentivar os grupos a expandir a pes- quisa, buscando outras fontes. Oriente os estudantes sobre a escolha dessas fontes: o ideal é que concentrem as pesquisas em livros, revistas científicas ou sites oficiais. Você também pode propor aos estudantes que pesquisem artistas brasileiros que realiza- ram autorretratos, como Alber- to da Veiga Guignard (1896- -1962), Djanira Motta e Silva (1914-1979), Ismael Nery (1900- -1934), entre outros. Ou trazer a referência da pintora italiana Sofonisba Anguissola (1532- -1625) e da mexicana Frida Kahlo (1907-1954), que tam- bém produziram autorretratos. Além disso, busque artistas de sua região (cidade e/ou estado) que tenham desenvolvido uma produção com esse tema, valo- rizando desse modo a cultura local. https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/self-portrait/8417d190-eb9d-4c52-9c89-dcdcd0109b5b https://www.museodelprado.es/en/the-collection/art-work/self-portrait/8417d190-eb9d-4c52-9c89-dcdcd0109b5b http://www.musee-orsay.fr/en/collections/courbet-dossier/biography.html https://www.navigart.fr/picassoparis/#/ https://www.rijksmuseum.nl/en/rijksstudio/artists/rembrandt-harmensz-van-rijn https://www.vangoghmuseum.nl/en 102 BARROS, Lenora de. Procuro-me. 2001. Papel jornal. Quatro cartazes lambe-lambe, 28,5 cm # 24 cm cada. Edição ilimitada. Desde o século XIX, a preocupação com a realidade é uma questão central na obra de muitos artistas. Provocar reflexões é um modo que vários deles encontraram para explorar essa questão. Observe a imagem acima, da artista plástica e poeta Lenora de Barros (1953-). Nessa obra, Lenora brinca com a ideia de procurar a si mesma manipulando a sua imagem para obter diferentes autorre tratos. Você já sentiu a necessidade de procurar a si mesmo? Por que motivo? O que muda em cada um dos autorretratos? No seu ponto de vista, por que a artista escolheu retratar-se assim e se representar tantas vezes em um mesmo cartaz? A que tipo de cartaz essa obra remete? Resposta pessoal. Lenora também faz uma performance com essa obra: ela vai a locais públicos com uma mala cheia de cartazes e cola-os em muros, portas e em locais de passagem. Enquanto procura a si mes ma, ela desperta a curiosidade do público. O que você imagina que seria possível encontrar em uma busca de si mesmo? 12 13 14 15 C O R TE S IA G A LE R IA M IL LA N Em busca de si mesmo Performance Modalidade artística na qual o principal meio expressivo é o próprio corpo do artista, que é chamado de performer. O performer se comunica pela ação corporal mas, diferente do que acontece no teatro, não ensaia ou representa um personagem, ele segue um plano. A performance pode misturar música, dança, artes visuais e ação teatral, tudo isso numa mesma situação. Respostas pessoais. Respostas pessoais. Resposta pessoal. 102 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Orientações Incentive uma comparação en- tre a obra de Lenora de Barros e a pintura de Gustave Courbet. Caso surja alguma leitura ou co- mentário sexista, problematize com a turma os estereótipos comumente associados à repre- sentação (e à autorrepresenta- ção) das mulheres (e homens). Promova uma conversa sobre a imagem da mulher na atualida- de: como a identidade feminina dialoga com a influência da mí- dia e o quanto ela tem se trans- formado com os movimentos contemporâneos de empodera- mento feminino. A abordagem de Lenora de Bar- ros sobre a representação da mulher convida o estudante a um diálogo crítico e aprofun- dado sobre o assunto, relacio- nando a prática artística às dife- rentes dimensões da vida social, contemplando a habilidade (EF69AR31) da BNCC. Aproveite para descrever e ana- lisar a integração, na obra da artista, entre as artes visuais e a linguagem gráfica, contem- plando a habilidade (EF69AR03) da BNCC. Sobre as atividades 12. Aproveite para dialogar com a turma sobre questões relacionadas à identidade que podem surgir nessa faixa etária. 13. A expressão dos retratos é a mesma, mas a caracterização muda. A mudança pode ser mais que estética, simboli- zando estados de espírito de uma pessoa. Ou, então, trata-se de um modo de representar muitas mulheres, através da própria imagem da artista. Incentive os estudantes a seguir caminhos diversos de interpretação. 14. Remete ao estereótipo de cartazes policiais em filmes e desenhos animados. 1033o BIMESTRE Representar a si para representar as outras FELINTO, Renata. Noiva turca. 2012. Guache, acrílica, apliques, lápis de cor e pastel oleoso sobre papel, 100 cm # 73 cm. Pintura da série Afro Retratos. A C E R V O D A A R TI S TA Observe a imagem acima. Que objetos ou cores podem remeter a imagens ou características de outras culturas? Resposta pessoal. O trabalho da artista Renata Felinto (1978-) nos instiga a pen- sar em como somos influenciados por nossas origens, pelo local onde crescemos e pelas pessoas com quem convivemos. A obra Noiva turca, feita a partir de uma selfie, integra a série “Afro retratos – fase europeia”, na qual cada exemplar traz ele- mentos de uma cultura que se mescla à da artista. A artista diz que, em seus autorretratos, ela se representa também como mu- lheres de diferentes povos. Você considera que esse autorretrato pode repre- sentar a outras mulheres? Por quê? Respostas pessoais. 16 17 103 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Sobre as imagens O autorretrato – por ser uma representação que um(a) artis- ta faz de si mesmo(a) – pode ser interpretado, de modo re- ducionista, apenas como uma abordagem individualista ou mesmo egocêntrica por parte de seu produtor. Porém, uma abordagem menos restrita deve propor uma reflexão sobre o quanto de um coletivo pode ser representado por uma(a) artista a partir do uso de sua própria imagem. Esse aspecto aproxima as obras abordadas, de Lenora de Bar- ros e Renata Felinto. A refle- xão proposta pela comparação entre os diversos autorretratos apresentados neste Sobrevoo, ao apreciar e analisar formas distintas das artes visuais, em obras de artistas brasileiros e estrangeiros, contempla a habi- lidade (EF69AR01) da BNCC. Em relação à obra de Lenora de Barros – junto ao uso bem- -humorado de uma expressão facial bastante caricata –, a mu- dança de caracterização pode remeter à diversidade de mu- lheres representadas nas muta- ções da imagem da artista. Por sua parte, Renata Felinto, ao autorretratar-se, busca abordar aspectos estéticos e étnicos – e também éticos – de mulheres de culturas diversas. Sobre as atividades 16. Cores intensas e um ornamento típico na cabeça correspondem à “Noiva Turca” que nomeia a obra. Já a palavra escrita “Otrosmano” pode remeter à história da Turquia, região que séculos atrás constituía o Império Otomano. Felinto soma às referências à cultura turca suas próprias referências, como a estética do grafite, presente na história da artista, que cresceu em um bairro da periferia de São Paulo (SP). Isso também dá margem a uma interpretação da palavra escrita como uma adaptação de “outros manos”, com termos co- muns na gíria local. Pergunte aos estudantes se a obra condiz com as ideias que eles têm da imagem de uma noiva. Proponha uma conversa sobre a exis- tência de diferentes padrões culturais. 104 URTIGA, Luciana. ad infinitum#4.2013. Fotografia. Observe o autorretrato acima, de Luciana Urtiga. Quais sensações são desper- tadas em você ao observar essa imagem que leva ao infinito? Resposta pessoal. As novas tecnologias trouxeram diferentes formas de dis- torcer e fazer intervenções em imagens. Existem aplicativos que permitem brincar das mais variadas maneiras com as sel- fies: transformá-las, incorporar elementos a elas e alterá-las vi- sualmente. Há também softwares que possibilitam montagens arrojadas. 19 LU C IA N A U R TI G A Recriando a própria imagem Você já reparou no efeito que surge quando colocamos um espelho diante do outro? Resposta pessoal. 18 104 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Atividades complementares Luciana Urtiga manipula as imagens pelo computador, mas há outras formas de distorcer imagens, que não dependem dos recursos tecnológicos. Soli- cite aos estudantes que levem para a aula objetos cujo mate- rial lhes possibilite ver imagens refletidas. Pode ser um objeto cromado, colheres, travessas, papel la- minado, um CD, entre outros. Peça que interajam com esses objetos de modo a buscar di- ferentes resultados de reflexos. Se possível, registrem o reflexo, produzindo um autorretrato. Em seguida, conversem sobre a experiência: “Houve dificul- dade em encontrar tal super- fície?”; “Como foi a interação com os objetos?”; “Como esses autorretratos poderiam ser pro- duzidos através da manipula- ção digital?”. 1053o BIMESTRE INTERVENÇÃO SOBRE UM AUTORRETRATO 1 Com o auxílio do professor, imprima um autorretrato fotográfico feito por você em uma folha de papel formato A4 ou desenhe seu autorretrato em uma folha desse tamanho. 2 Faça intervenções na imagem. Você pode utilizar, por exemplo, tintas e canetas coloridas. Também pode fazer recortes ou colar papéis e aplicar objetos sobre a imagem. 3 Sinta-se livre para fazer muitas alterações ou simplesmente aplicar algum detalhe. 4 Durante o processo, reflita sobre o que representa você, o que gosta e o que quer mostrar aos outros. 5 Para concluir, exponha seu autorretrato para a turma e converse com os colegas e com o professor sobre o que motivou as suas escolhas. Reflita sobre as seguintes questões e compartilhe suas respostas com os colegas e com o professor. 1 Você identificou algo em comum nos diversos autorretratos apresentados neste Sobrevoo? 2 Com qual dos autorretratos você mais se identificou? Por quê? 3 Se você tivesse de escolher objetos para compor um autorretrato, quais seriam? Justifique sua escolha. Respostas pessoais. Luciana Urtiga (1987-), fotógrafa de João Pessoa (PB), produz muitos autorretratos usando manipulação de fotografias, o que resulta em imagens que parecem irreais ou retiradas de sonhos e que provocam o olhar do espectador. No autorretrato ad infinitum#4, a artista utiliza o recurso da repetição e brinca com o olhar de quem vê a imagem, que parece não ter fim. A N D R EA E B ER T 105 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Orientações: Para experimentar Auxilie na execução da ativida- de orientando os estudantes na escolha dos diferentes materiais e formas de expressão artística a serem experimentados (tinta, pedaços de tecidos, pequenos objetos), contemplando a ha- bilidade (EF69AR05) da BNCC. Avalie com eles a melhor ma- neira de desenvolver seus pro- cessos de criação, fazendo uso de recursos convencionais e al- ternativos, contemplando a ha- bilidade (EF69AR06) da BNCC. Estudantes com deficiência vi- sual podem realizar a atividade com seu auxílio ou com o dos colegas para a fixação dos ob- jetos. Orientações: Para refletir As respostas para essa seção são pessoais e é o momento de retomar o que foi estudado ao longo do Sobrevoo. Para isso, procure dispor no centro da sala todas as produ- ções artísticas que foram anali- sadas. Você pode usar os livros de vários estudantes ou repro- duzir as imagens em escala am- pliada e expor nas paredes ou outra superfície em que seja permitido. Com o auxílio dos estudantes, escreva na lousa algumas pos- sibilidades de agrupamento das imagens e peça que eles esco- lham as obras. Por exemplo: “Quais trabalham a mesma téc- nica?”; “Quais são brasileiras?”; “Quais são produzidas por mu- lheres?”; “Quais mostram o ros- to?” etc. 106 MAIER, Vivian. Autorretrato. 1955. Fotografia. Observe a imagem acima. O que estava acontecendo no momento em que Vivian Maier fez a fotografia? Teria sido uma surpresa para ela? E para as outras pes- soas da foto? O que se vê no espelho, além do reflexo da fotógrafa? 1 Respostas pessoais. Vivian Maier em... E S TA TE O F V IV IA N M A IE R /M A LO O F C O LL E C TI O N , C O U R TE S Y H O W A R D G R E E N B E R G G A LL E R Y, N E W Y O R K 106 R ep ro du çã o pr oi bi da . A rt. 1 84 d o C ód ig o P en al e L ei 9 .6 10 d e 19 d e fe ve re iro d e 19 98 . Esta seção traz alguns aprofun- damentos e ampliações dos as- suntos debatidos no Sobrevoo, partindo da obra da fotógrafa Vivian Maier, que foi apresenta- da na abertura deste capítulo. Unidades temáticas da BNCC: Artes visuais; Artes integradas. Objetos de conhecimento: Contextos e práticas; Elementos da linguagem; Materialidades; Processos de criação. Habilidades em foco nesta seção: (EF69AR01) Pesquisar, apre- ciar e analisar formas distintas das artes visuais tradicionais e contemporâneas, em obras de artistas brasileiros e estrangei- ros de diferentes épocas e em diferentes matrizes estéticas e culturais, de modo a ampliar a experiência com diferentes con- textos e práticas artístico-visuais e cultivar a percepção, o imagi- nário, a capacidade de simboli- zar e o repertório imagético. (EF69AR04) Analisar os ele- mentos constitutivos das artes visuais (ponto, linha, forma, di- reção, cor, tom, escala, dimen- são, espaço, movimento etc.) na apreciação de diferentes produ- ções artísticas. (EF69AR05) Experimentar e analisar diferentes formas de expressão artística (desenho, pintura, colagem, quadrinhos, dobradura, escultura, modela- gem, instalação, vídeo, fotogra- fia, performance etc.). (EF69AR06) Desenvolver proces- sos de criação em artes visuais, com base em temas ou interes- ses artísticos, de modo indivi- dual, coletivo e colaborativo, fazendo uso de materiais, ins- trumentos e recursos conven- cionais, alternativos e digitais. (EF69AR31) Relacionar as prá- ticas artísticas às diferentes di- mensões da vida social, cultural, política, histórica, econômica, estética e ética. Sobre a atividade 1. Solicite aos estudantes que apreciem a fotografia, analisando todos os elementos presentes nela: objetos, uma mu- lher subindo as escadas, um homem segurando um espelho, os prédios ao fundo. Conduza a mediação convidando-os a imaginar o contexto dessa cena. Chame a atenção para o fato de ser uma situa- ção cotidiana sobre a qual, todavia, a fotógrafa teve um olhar suficientemente atento para encontrar a sua imagem refletida.