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149
Se lançarmos nosso olhar para a relação dos jovens com o mundo do trabalho, podemos perceber, 
ainda, outros cenários possíveis.
Existem jovens que precisam trabalhar para ajudar nas despesas da família enquanto ainda estão 
cursando o Ensino Médio, uma fase da vida em que nem sequer concluíram sua formação básica. Para 
eles, geralmente há poucas escolhas: não tendo formação necessária, precisam aceitar qualquer tipo 
de trabalho por se tratar de uma questão de sobrevivência. Muitas vezes, essa situação leva ao aban-
dono da vida escolar, o que a médio e a longo prazo afeta de maneira significativa suas possibilidades 
de construir uma carreira profissional com a qual realmente se identificam.
Há também jovens que trabalham, mas que não são tão responsáveis pelo orçamento familiar. Nes-
se caso, a renda obtida por eles pode ser destinada aos seus projetos e desejos pessoais. O trabalho, 
nesse caso, é uma opção e, em geral, não é realizado em período integral, não ocupando, necessaria-
mente, o tempo que precisa ser dedicado aos estudos.
É com você
1 1 Levando em conta sua situação de vida e a de sua família, qual é sua relação com o mundo do 
trabalho atualmente? Você trabalha (mesmo que fazendo bicos ou em atividades inconstantes) ou 
não? Se sim, você contribui para o orçamento doméstico ou não há essa necessidade em sua casa?
2 2 Pensando nos próximos dois anos, como você gostaria que fosse sua vida em relação ao trabalho?
Um ponto importante para considerarmos em relação ao trabalho como elemento que constitui 
nossa identidade é a questão do seu propósito.
Se pensarmos que o trabalho é o impacto que produzimos sobre o mundo por meio de nossas ações, 
cabe pensarmos em como cada um de nós quer impactar o mundo. Em outras palavras, é preciso saber 
claramente quais são os propósitos e as motivações por trás das nossas escolhas e opções.
Assim, pensar em uma escolha profissional ou em um projeto de vida envolve pensar nos fenôme-
nos do mundo aos quais queremos nos dedicar.
Converse com os colegas sobre as questões abaixo.
1 1 Você já trabalhou de alguma forma, sendo remunerado ou não? Compartilhe as experiências que já 
teve.
2 2 Na sua percepção, é fácil um jovem conseguir o primeiro emprego? Se não for, quais são os moti-
vos, em sua opinião, para que isso aconteça?
Trocando ideias
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N‹o escreva em seu livro
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Leia a seguir alguns trechos de uma entrevista com Euzébio Jorge Silveira de Souza, economista e 
presidente do Centro de Estudos e Memória da Juventude.
[...] é importante saber que, no Brasil, a juventude já tem uma taxa de participação muito 
alta. Taxa de participação é a quantidade de pessoas em idade de trabalhar que está traba-
lhando ou procurando emprego. No caso dos jovens de 15 a 29 anos, o Brasil é o segundo com 
a maior taxa, só perde para o Paraguai na América Latina. Quando se tem uma taxa de partici-
pação muito alta, quer dizer que nessa economia existe um número muito elevado de pessoas 
pressionando para ingressar no mercado de trabalho. O que eu quero dizer com isso é que no 
Brasil o jovem precisa trabalhar, ele não tem a opção de não procurar emprego. A gente não 
quer que os jovens de 15 a 18 anos estejam trabalhando nem procurando emprego, o ideal seria 
que eles estivessem ampliando a sua escolarização. Só que no Brasil não é possível fazer isso. 
Porque nós temos um tipo de mercado de trabalho em que, na maioria das vezes, a renda des-
ses jovens é fundamental para compor a renda familiar. Quanto mais pobres as famílias, mais 
esses jovens contribuem para ingressar precocemente no mercado de trabalho. E isso reproduz 
a desigualdade, porque os jovens que puderem ingressar depois [no mercado de trabalho] po-
derão ampliar sua escolarização e alçar ocupações de melhor qualidade, com melhor projeção 
na carreira, salários maiores. 
[...]
Segundo dados da OCDE [Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico], 
no Brasil os adultos graduados recebem em média 149% a mais do que aqueles que pararam 
no ensino médio. Existem dados que comprovem essa relação?
Se você cruzar, vai conseguir uma correlação positiva entre nível de escolarização e taxa de 
emprego e nível de salário, sobretudo. Em alguns momentos a gente ficou com um desemprego 
maior entre pessoas com escolarização maior. Isso varia de acordo com cada ciclo econômico. 
Mas eu acho que o mais importante de se constatar é que deveríamos enxergar a educação 
como um elemento de constituição da nossa humanidade. Eu acho, de verdade, que estabele-
cer essa correlação direta [da empregabilidade] com a educação é um equívoco porque inverte 
causa e efeito. A nossa desigualdade aparece antes de o sujeito ingressar no mercado de traba-
lho e na escolarização. 
[...] Nas famílias mais pobres, muitas vezes se tem uma relação subjetiva com a escolari-
zação como um obstáculo para garantir a subsistência no curto prazo. Então, é fundamental 
que se consiga ampliar a escolarização e reduzir a desigualdade, mas eu acho que não está na 
escola nem na universidade exclusivamente a redução da desigualdade. 
SOUZA, Euzebio Jorge S. de. ‘No Brasil, o jovem não tem opção de não procurar emprego’. 
Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, 2 abr. 2019. Disponível em: http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/ 
entrevista/no-brasil-o-jovem-nao-tem-opcao-de-nao-procurar-emprego. Acesso em: 9 jan. 2020.
1 1 Qual é o sentido da escola para a vida de um jovem que precisa trabalhar?
2 2 Quais são os impactos para a vida dos jovens que abandonam o Ensino Médio antes de sua conclusão?
Diz a’!
Não escreva em seu livro
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http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/entrevista/no-brasil-o-jovem-nao-tem-opcao-de-nao-procurar-emprego
http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/entrevista/no-brasil-o-jovem-nao-tem-opcao-de-nao-procurar-emprego
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Na prática
Você já parou para pensar sobre quais caminhos quer construir no mundo do trabalho? Sobre 
quais são seus propósitos e interesses? Sobre como quer influenciar o mundo?
Vamos fazer um exercício para que você reflita sobre seus interesses. A tabela abaixo apresenta 
uma lista de temas e assuntos. Pense com calma em cada um deles e analise se são assuntos aos 
quais você gostaria de se dedicar profissionalmente. Reflita sobre seu grau de interesse, de acordo 
com a classificação das colunas ao lado de cada tema.
Em seguida, crie no caderno uma lista completa com todos os temas que motivam você 
profissionalmente. Pode usar os que foram apresentados na atividade e criar outros para que seu 
levantamento fique bem completo!
O objetivo desta atividade é que você organize seus interesses e pense em novas possibilidades 
de futuro. 
Tema
Não tenho 
interesse
Tenho 
interesse
Tenho muito 
interesse
Cuidados com o meio ambiente
Criação de novos medicamentos
Escrita de roteiros para filmes e séries
Programação e desenvolvimento de aplicativos
Assistência a pessoas que moram nas ruas
Técnicas de produção agrícola
Produção de shows, exposições e eventos culturais
Vendas de produtos
Treinamento de atletas e equipes esportivas
Gerenciamento financeiro de uma empresa
Desenvolvimento de novas tecnologias para 
indústrias
Cuidados com animais de diferentes espécies
Gerenciamento de um hotel
Alfabetização de crianças
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LGG3 EM13LGG301 EM13LGG304 CHS2 EM12CHS202 CHS4 EM12CHS404
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Quando falamos sobre o mundo do trabalho e as profis-
sões que as pessoas exercem, há outro fator para pensarmos: 
Por que alguns trabalhos e ocupações são mais valorizados 
socialmente do que outros? Por que algumas profissões têm 
salários muito altos, enquanto outras têm salários bem mais 
baixos? 
Para pensarmos na questão do valor social das profissões, 
um dos pontos a ser considerado é que os trabalhos essen-
cialmente manuais e que exigem pouca ou nenhuma forma-
ção específica costumam estar entre os menos valorizados 
socialmente no Brasil. Uma das hipóteses que tenta explicar 
esse fato está relacionada com nossa herança escravocrata.
Durante muito tempo, os escravizados foram os respon-
sáveis por boa parte dos trabalhos manuais e braçais no 
Brasil. Naquele contexto, o trabalho manual não era valori-
zado, de acordo com uma longa tradição que via esse tipo de 
atividade de forma negativa, utilizando-se de argumentos 
retirados da leitura dos textos bíblicos, que equiparavam o 
trabalho a uma forma de castigo divino.
Mesmo após o final da escravidão, a pouca valorização 
dos trabalhos manuais se manteve, percebida na forma como 
a sociedade, ainda hoje, se porta diante desses trabalhadores: 
indiferença em relação às suas condições de trabalho, remu-
neração inferior à das outras profissões, inferiorização diante 
dos outros membros da sociedade, etc.
TEMA
3 
TEMA
O valor social do trabalho2
Garis e lixeiros são profissionais fundamentais 
para a manutenção da limpeza das cidades 
e, mesmo assim, costumam ser trabalhadores 
pouco valorizados socialmente, assim como os 
coveiros. Na primeira imagem, garis na cidade de 
São Sebastião, SP, em foto de 2018. Na segunda 
imagem, coveiros na cidade de São Paulo, SP, em 
foto de 2011.
A imagem que temos das profissões marca nossa relação com elas. Temos admiração por algumas e 
desconhecemos outras. Você tem clareza sobre as que admira ou desconhece? Copie a tabela abaixo no 
caderno e faça uma lista de exemplos de profissões valorizadas e desvalorizadas socialmente.
Profissões valorizadas Profissões desvalorizadas
Em seguida, compare a sua lista com a de seus colegas e veja se marcaram profissões em comum em 
ambas as colunas da tabela. Discutam os motivos pelos quais as profissões apontadas são valorizadas 
ou desvalorizadas.
Trocando ideias
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EM13LGG301 CHS2 EM12CHS202 CHS4 EM12CHS401 EM12CHS404
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Os trechos abaixo são de uma entrevista feita com Mats Björnborg, que trabalha como lixeiro na 
Suécia. Reflita sobre as diferenças culturais e sociais existentes entre a Suécia e o Brasil e perceba 
como no país europeu a profissão tem outro lugar social.
Como vive um lixeiro na SuŽcia
[...]
Filho de um mecânico de automóveis e uma secretária, Mats tem 55 anos de idade e há 35 
trabalha em um dos caminhões de coleta de lixo na capital sueca. “Muitas pessoas não plane-
jam exatamente suas vidas, e acabam parando em algum lugar na sociedade”, ele diz, entre 
lentos goles de café.
“No meu caso, eu tinha acabado de cumprir o serviço militar e procurava emprego, quando 
encontrei um amigo que fazia serviço temporário numa empresa de coleta de lixo. Minha ideia 
era trabalhar lá durante o verão. Mas acabei ficando.”
É um bom emprego, como diz Mats. O salário é de 34 mil coroas suecas, o equivalente a 
cerca de 11,7 mil reais por mês [em 2015]. É pouco menos do que ganha a sua mulher, que 
recebe 40 mil coroas suecas como médica veterinária. Juntos, os dois dividem todas as contas 
– incluindo o aluguel do apartamento na cidade, no valor de 6,7 mil coroas suecas, e os paga-
mentos do financiamento da casa.
No dia seguinte, reencontro Mats para fazer a ronda do fim do expediente. Na cabine do 
caminhão de lixo, ele está acompanhado pelo colega Niklas, um másculo cidadão que trabalha 
de saias e blazer.
No primeiro prédio em que entramos para o recolhimento das caçambas, Mats diz: “Eu ga-
nho mais para entrar aqui, porque o lixo fica do outro lado do pátio”.
Como assim?
“Porque eu tenho que caminhar mais, então ganho mais para isso.”
Como assim?
“A minha empresa tem uma lista detalhada de todos os locais por onde passamos, que 
inclui informações sobre as distâncias que temos que percorrer desde a porta do prédio até o 
local onde recolhemos o lixo”, diz Mats, que é funcionário de uma das empresas privadas que 
fazem a coleta de lixo na cidade.
“Em Estocolmo, não é permitido depositar caçambas ou sacos de lixo nas calçadas. Então, em 
alguns prédios preciso dar 15 passos para chegar até o depósito de lixo. Em outros, 20 passos. Está 
tudo documentado. E se em alguns lugares eu precisar abrir alguma porta trancada a chave para 
recolher o lixo, ganho 40 öre (centavos) extras”, acrescenta ele, destacando a força dos sindicatos 
suecos. De volta à cabine do caminhão, vejo centenas de chaves, e desisto do cálculo mental.
WALLIN, Claudia. Como vive um lixeiro na Suécia. Di‡rio do Centro do Mundo, 8 mar. 2015. Disponível em: 
https://www.diariodocentrodomundo.com.br/como-vive-um-lixeiro-na-suecia/. Acesso em: 10 jan. 2020.
1 1 Quais parecem ser as principais diferenças entre o trabalho e a vida de um lixeiro na Suécia e no Brasil?
2 2 De que forma seria possível reduzir as diferenças salariais existentes no Brasil? Debata com os 
colegas essa questão.
Fica a dica
Drauzio Varella. Carcereiros. São Paulo: Companhia das Letras, 2012.
Como é a rotina dos carcereiros, profissionais responsáveis pela organização dos presídios? No 
livro Carcereiros, o médico e comunicador Drauzio Varella (1943-) narra histórias que ouviu desses 
trabalhadores em diferentes situações. Ler o livro é uma forma de entender o cotidiano dessas pes-
soas, o trabalho dentro do sistema prisional e os desafios que existem no convívio cotidiano com 
homens e mulheres presos pelos mais diversos motivos.
Diz a’!
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EM13LGG301 EM13LGG302 CHS4 EM12CHS404
N‹o escreva em seu livro
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