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Diálogos em Ciências Humanas Compreender o Mundo (92)

Capítulo didático sobre processos da consciência e do conhecimento, distinguindo interioridade e exterioridade; aborda introversão/extroversão (Jung), narcisismo (Freud), linguagem, consciência coletiva e propõe questões para reflexão.

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Processos da consciência e do conhecimento
A consciência humana é um espaço aberto para a aquisição de novos co-
nhecimentos. Em outras palavras, nossa consciência é dinâmica, ampliando-
-se em busca de respostas às constantes indagações que fazemos sobre as 
situações-problema com as quais nos deparamos. No entanto, os problemas 
e suas eventuais soluções dependem dos valores vigentes em cada cultura.
Ao longo da história, vários caminhos foram seguidos na ampliação dinâ-
mica da consciência. Em meio a essa pluralidade, é possível distinguir dois 
grandes processos:
• A interioridade: desenvolve a conexão da consciência e da linguagem 
consigo mesmo, com nossa maneira de estar no mundo, com nossos 
propósitos mais imediatos. Essa dimensão da interioridade contribui 
para a percepção do que somos e a construção da nossa identidade. A 
partir desse autoconhecimento, podemos argumentar e construir sen-
sos e consensos.
• A exterioridade: desenvolve a conexão com os outros e o mundo mais 
amplo à nossa volta. Essa dimensão contribui para o convívio plural com 
a alteridade (do latim alter, que significa “outro”). Assim, podemos nos 
sintonizar com as realidades para além de nós mesmos e nos relacionar 
com elas. Essa consciência exterior está relacionada com a escuta social, 
a empatia (compreensão da realidade alheia) e a construção de projetos 
em comunhão com os outros.
Esses dois processos da consciência são complementares, isto é, preci-
sam se desenvolver harmoniosamente. Do contrário, haverá uma deforma-
ção da consciência. Assim, por exemplo, um foco unilateral centrado em si 
mesmo conduz os indivíduos a construir relações pouco afetivas com o ou-
tro, tornando-se ególatras, podendo levá-los ao isolamento, ou ainda a outros 
transtornos psíquicos, como ao narcisismo. De outro lado, o foco centrado 
exclusivamente nos outros produz alienação (alheamento), massificação, 
moral de “rebanho”.
Uma consciência voltada para a interioridade caracteriza pessoas mais 
introvertidas, ao passo que uma consciência voltada para a exterioridade 
caracteriza pessoas mais extrovertidas. Essas expressões, introvertidas e 
extrovertidas, foram criadas pelo psiquiatra suíço 
Carl Gustav Jung (1875-1961) para caracterizar 
tipos psicológicos básicos.
Jovens praticam meditação 
em sala de aula. A meditação 
é um exercício de reflexão 
interior que auxilia na 
concentração e no alívio do 
estresse. 
kristian sekulic/E+/Getty Images
JUNG, Carl Gustav. Tipos 
Psicológicos. Tradução: 
Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: 
Editora Vozes, 1971.
Narcisismo
Na mitologia grega, Narciso foi um belo jovem que se apaixonou pela própria imagem refletida na superfície da água. 
Esse mito foi estudado por Sigmund Freud (1856-1939), que lhe conferiu um conceito próprio na teoria psicanalítica.
Freud aplicou o termo narcisismo a transtornos psíquicos em que a pessoa concentra muita energia no próprio “eu”, 
deixando de investir na compreensão dos outros sujeitos e objetos da realidade.
Conceitos
1. Você se considera 
uma pessoa mais 
introvertida ou 
extrovertida? Explique 
por quê.
2. Há profissões mais 
adequadas às pessoas 
introvertidas? Há 
trabalhos voltados 
para pessoas mais 
extrovertidas? 
Justifique sua resposta 
com exemplos da sua 
realidade.
Conversa
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Linguagens e narrativas
Janela da alma. 
Direção: João Jardim e 
Walter Carvalho. Brasil, 
2001, 73 min.
Noventa pessoas com 
problemas de visão 
discutem o modo 
como elas veem a si 
mesmas, as outras 
pessoas e o mundo ao 
seu redor.
Saber
1. Com qual tipo de linguagem você mais interage no seu dia a dia: musical, 
audiovisual, televisiva, jornalística, de podcasts, cinematográfica?
2. Comente com os colegas quais são os principais meios (redes sociais, e-mail, 
bate-papos, brincadeiras, jogos, etc.) que você utiliza para se relacionar com os 
outros.
3. Como você se relaciona consigo mesmo?
4. Você consegue descrever as principais características de sua personalidade?
Conversa
Uma pessoa pode, por meio da consciência reflexiva e da linguagem, acu-
mular saberes do seu grupo. Graças à comunicação entre os membros de 
uma sociedade, os conhecimentos de cada pessoa foram se integrando ao 
patrimônio coletivo, tornando-se disponíveis ao grupo social. Essa comuni-
cação teve como principais marcos a manifestação dos gestos, o desenvol-
vimento da fala e, bem posteriormente, a invenção da escrita.
A linguagem verbal contribuiu de forma decisiva para que os saberes e as 
práticas de uma pessoa se integrassem a uma consciência coletiva. De fato, 
há uma interação recíproca entre essas duas dimensões da consciência, a 
individual e a coletiva. Foi desse modo que sucessivas gerações humanas 
não precisaram reinventar todas as soluções já desenvolvidas anteriormen-
te pelos seus antepassados. Cada nova geração pôde assimilar e adaptar os 
conhecimentos das gerações anteriores, ficando com tempo disponível para 
realizar novas conquistas que respondessem aos problemas e desafios do 
seu momento histórico.
A linguagem é o grande instrumento dessa interação social. A todo ins-
tante, utilizamos diferentes linguagens para desenvolver narrativas sobre os 
outros, o mundo e nós mesmos.
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