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Processos da consciência e do conhecimento A consciência humana é um espaço aberto para a aquisição de novos co- nhecimentos. Em outras palavras, nossa consciência é dinâmica, ampliando- -se em busca de respostas às constantes indagações que fazemos sobre as situações-problema com as quais nos deparamos. No entanto, os problemas e suas eventuais soluções dependem dos valores vigentes em cada cultura. Ao longo da história, vários caminhos foram seguidos na ampliação dinâ- mica da consciência. Em meio a essa pluralidade, é possível distinguir dois grandes processos: • A interioridade: desenvolve a conexão da consciência e da linguagem consigo mesmo, com nossa maneira de estar no mundo, com nossos propósitos mais imediatos. Essa dimensão da interioridade contribui para a percepção do que somos e a construção da nossa identidade. A partir desse autoconhecimento, podemos argumentar e construir sen- sos e consensos. • A exterioridade: desenvolve a conexão com os outros e o mundo mais amplo à nossa volta. Essa dimensão contribui para o convívio plural com a alteridade (do latim alter, que significa “outro”). Assim, podemos nos sintonizar com as realidades para além de nós mesmos e nos relacionar com elas. Essa consciência exterior está relacionada com a escuta social, a empatia (compreensão da realidade alheia) e a construção de projetos em comunhão com os outros. Esses dois processos da consciência são complementares, isto é, preci- sam se desenvolver harmoniosamente. Do contrário, haverá uma deforma- ção da consciência. Assim, por exemplo, um foco unilateral centrado em si mesmo conduz os indivíduos a construir relações pouco afetivas com o ou- tro, tornando-se ególatras, podendo levá-los ao isolamento, ou ainda a outros transtornos psíquicos, como ao narcisismo. De outro lado, o foco centrado exclusivamente nos outros produz alienação (alheamento), massificação, moral de “rebanho”. Uma consciência voltada para a interioridade caracteriza pessoas mais introvertidas, ao passo que uma consciência voltada para a exterioridade caracteriza pessoas mais extrovertidas. Essas expressões, introvertidas e extrovertidas, foram criadas pelo psiquiatra suíço Carl Gustav Jung (1875-1961) para caracterizar tipos psicológicos básicos. Jovens praticam meditação em sala de aula. A meditação é um exercício de reflexão interior que auxilia na concentração e no alívio do estresse. kristian sekulic/E+/Getty Images JUNG, Carl Gustav. Tipos Psicológicos. Tradução: Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Editora Vozes, 1971. Narcisismo Na mitologia grega, Narciso foi um belo jovem que se apaixonou pela própria imagem refletida na superfície da água. Esse mito foi estudado por Sigmund Freud (1856-1939), que lhe conferiu um conceito próprio na teoria psicanalítica. Freud aplicou o termo narcisismo a transtornos psíquicos em que a pessoa concentra muita energia no próprio “eu”, deixando de investir na compreensão dos outros sujeitos e objetos da realidade. Conceitos 1. Você se considera uma pessoa mais introvertida ou extrovertida? Explique por quê. 2. Há profissões mais adequadas às pessoas introvertidas? Há trabalhos voltados para pessoas mais extrovertidas? Justifique sua resposta com exemplos da sua realidade. Conversa 21 V1_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap1_016a043.indd 21V1_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap1_016a043.indd 21 9/14/20 6:10 PM9/14/20 6:10 PM Linguagens e narrativas Janela da alma. Direção: João Jardim e Walter Carvalho. Brasil, 2001, 73 min. Noventa pessoas com problemas de visão discutem o modo como elas veem a si mesmas, as outras pessoas e o mundo ao seu redor. Saber 1. Com qual tipo de linguagem você mais interage no seu dia a dia: musical, audiovisual, televisiva, jornalística, de podcasts, cinematográfica? 2. Comente com os colegas quais são os principais meios (redes sociais, e-mail, bate-papos, brincadeiras, jogos, etc.) que você utiliza para se relacionar com os outros. 3. Como você se relaciona consigo mesmo? 4. Você consegue descrever as principais características de sua personalidade? Conversa Uma pessoa pode, por meio da consciência reflexiva e da linguagem, acu- mular saberes do seu grupo. Graças à comunicação entre os membros de uma sociedade, os conhecimentos de cada pessoa foram se integrando ao patrimônio coletivo, tornando-se disponíveis ao grupo social. Essa comuni- cação teve como principais marcos a manifestação dos gestos, o desenvol- vimento da fala e, bem posteriormente, a invenção da escrita. A linguagem verbal contribuiu de forma decisiva para que os saberes e as práticas de uma pessoa se integrassem a uma consciência coletiva. De fato, há uma interação recíproca entre essas duas dimensões da consciência, a individual e a coletiva. Foi desse modo que sucessivas gerações humanas não precisaram reinventar todas as soluções já desenvolvidas anteriormen- te pelos seus antepassados. Cada nova geração pôde assimilar e adaptar os conhecimentos das gerações anteriores, ficando com tempo disponível para realizar novas conquistas que respondessem aos problemas e desafios do seu momento histórico. A linguagem é o grande instrumento dessa interação social. A todo ins- tante, utilizamos diferentes linguagens para desenvolver narrativas sobre os outros, o mundo e nós mesmos. R a w p ix e l. c o m /S h u tt e rs to ck R e p ro d u • ‹ o /C o p a c a b a n a F ilm e s 22 V1_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap1_016a043.indd 22V1_CIE_HUM_Claudio_g21Sa_Cap1_016a043.indd 22 9/14/20 6:10 PM9/14/20 6:10 PM