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11 Releia o trecho a seguir. 
Traduziu-me em linguagem de cozinha diversas expressões literárias. Animei-me a parolar. Sim, 
realmente havia alguma coisa no livro, mas era difícil conhecer tudo.
Alinhavei o resto do capítulo, diligenciando penetrar o sentido da prosa confusa, aventurando-
-me às vezes a inquirir. E uma luzinha quase imperceptível surgia longe, apagava-se ressurgia, 
vacilante, nas trevas do meu espírito.
a. Apesar da dificuldade do menino durante a leitura, o pai deseja saber se ele entendeu a 
história. Que expressão o narrador utiliza para mostrar o auxílio dado pelo pai? Explique.
b. Que mudança em relação ao livro e à leitura é possível perceber no narrador? Justifique 
com um trecho do texto.
12 Releia outro trecho: 
Nunca experimentei decepção tão grande. Era como se tivesse descoberto uma coisa muito 
preciosa e de repente a maravilha se quebrasse. E o homem que a reduziu a cacos, depois de 
ter me ajudado a encontrá-la, não imaginou a minha desgraça. A princípio foi desespero, sen-
sação de perda e ruína, em seguida, uma longa covardia, a certeza de que as horas de encanto 
eram boas demais para mim e não podiam durar.
a. Esse é o momento em que o pai deixa de ouvir a leitura do filho, no dia em que o me-
nino pegou o livro espontaneamente. Observe que o narrador usa algumas palavras na 
tentativa de expressar a frustração que sentiu. Comente essa afirmação, destacando 
quais são esses vocábulos e expressões. Há um encaminhamento de resposta nas Orientações específicas 
deste Manual.
 
b. Em uma narrativa autobiográfica, existe um distanciamento no tempo, que auxilia na análise 
dos fatos já vividos. É possível notar isso na descrição de sentimentos? Justifique com trechos 
do texto.
13 A prima Emília o encoraja a ler sozinho, fazendo uma analogia com os astrônomos. Ao ouvir 
a relação, o narrador busca entender:
Matutei na lembrança de Emília. Eu, os astrônomos que doidice! Ler as coisas do céu, quem 
havia de supor? E tomei coragem, fui esconder-me no quintal, com os lobos, o homem, a mulher, 
os pequenos, a tempestade na floresta, a cabana do lenhador. Reli as folhas já percorridas. E as 
partes que se esclareciam derramavam escassa luz sobre os pontos obscuros.
Ao narrar uma história, o narrador pode optar pelo discurso direto, no qual os personagens fa-
lam por si, ou pode utilizar o discurso indireto, quando o narrador fala pelos personagens. Um 
exemplo disso são as marcas indicativas, como: “Emília combateu minha convicção, falou-me 
dos astrônomos”. Além disso, há também o discurso indireto livre, em que a voz do narrador 
se mistura com a do personagem, ou seja, não há uma clara separação entre as vozes. Essa 
mistura pode trazer a junção de planos do narrador e da história lida por ele.
a. É possível reconhecer isso no trecho citado? Justifique.
b. Há novamente a menção de uma luz que iluminava pontos obscuros. O que você acha que 
pode significar essa luz?
14 O narrador fecha o texto afirmando que os astrônomos eram formidáveis, pois haviam des-
vendado os mistérios do céu, mas que ele estava preso à terra e se sensibilizaria com histórias 
tristes, em que haveria escuridão. Com esse desfecho, vemos a entrada do narrador adulto e 
escritor. Dessa forma, com a lembrança da infância, o narrador traz também o momento de 
início de sua relação com a escrita. Faça uma pesquisa sobre outras obras de Graciliano 
 Ramos. Que temáticas aparecem? Resposta pessoal.
 “Traduziu-me 
em linguagem de cozinha”: por meio desta expressão, é possível reconhecer a ação do pai de ajudar o menino a decifrar aquele mundo desconhecido das letras.
 É possível perceber que o narrador se aproxima mais desse universo antes desconhecido, quando 
passa a chamar o “objeto antipático” de livro, aventurando-se a questionar até que se acende “uma luzinha” em seu espírito.
 É possível notar uma reflexão sobre os aspectos vividos, já que ele explica que no princípio houve desespero e depois covardia, 
e que horas de encantamento não podiam durar para ele. Ao afirmar isso, não parece se referir apenas a essa situação.
O narrador mistura os planos, o da leitura e o de sua história, 
já que ele se esconde no quintal com os lobos, a mulher, etc. 
esses são personagens da obra que ele está lendo e é essa a 
forma como o narrador nos mostra a junção desses planos.
Resposta pessoal. Espera-se que o estudante relacione essa luz à descoberta do mundo das letras. O 
narrador usa esse acesso à leitura como uma luz capaz de tirá-lo da escuridão. 
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O texto “Os astrônomos” é capítulo de um livro autobiográfico de Graciliano Ramos chamado 
Infância, publicado em 1945. Esse romance revisita as memórias do autor sobre a própria infância 
no interior nordestino, onde morou com a família.
Ao falar sobre o livro, o autor contava que, quando a memória falhava, ele inventava alguns 
trechos, mas que ainda assim as cenas eram muito vivas e presentes na memória dele. Esse espa-
ço entre a realidade dos fatos e a forma como os relembramos abre margem para o preenchimen-
to das lacunas com a ficção.
O escritor integrou o período literário conhecido como “prosa de 30” ou “segunda geração mo-
dernista”. As autobiografias e as memórias foram gêneros bastante presentes entre os autores dessa 
fase da literatura brasileira, que esteve voltada para uma temática social, de denúncia. Além de Gra-
ciliano Ramos, nomes como Rachel de Queiroz (1910-2003), José Lins do Rego (1901-1957) e Jorge 
Amado (1912-2001) são exemplos de autores que exploraram essas temáticas da memória. 
O gênero autobiografia, além da junção narrador-personagem-protagonista, marcada pelo foco 
narrativo em primeira pessoa, busca manter, segundo o autor francês Philippe Lejeune (1938-), um 
pacto firmado entre autor e leitor, ou seja, entendendo o gênero autobiográfico tanto como modo 
de escritura quanto de leitura.
No romance Infância, existe um narrador-personagem retratando sua história vivida no passa-
do para um leitor que se encontra no tempo presente, havendo um pacto entre eles para que essa 
narrativa seja possível. Nesse sentido, sabe-se que não foi possível ao escritor recuperar todos os 
fatos vividos, por causa do tempo transcorrido entre esses eventos e seu registro. Haverá, então, 
nesse trabalho de rememoração, “lapsos, omissões, acréscimos”.
NÃO ESCREVA 
NESTE LIVRO.
PARA IR MAIS LONGE
SEGUNDA FASE DO MODERNISMO BRASILEIRO
A segunda fase do Modernismo brasileiro esteve voltada 
para os problemas do país. Em especial, a prosa entre 
1930 e 1945 buscou retratar as realidades do Brasil, 
trazendo uma literatura nomeada por alguns teóricos 
como neorrealista. O marco inicial desse período foi 
a publicação da obra A bagaceira, do paraibano José 
Américo de Almeida (1887-1980), que se passa no 
Nordeste brasileiro, em um contexto de seca.
O Nordeste também foi tema de obras de Jorge Amado, 
Graciliano Ramos, Rachel de Queiroz e José Lins do 
Rego. Já o gaúcho Érico Veríssimo (1905-1975) abordou 
os Pampas gaúchos nesse mesmo período.
 Graciliano Ramos. 
Disponível em 
http://graciliano.
com.br/site/. 
Acesso em: 20 jul. 
2020.
Acesse o site oficial 
de Graciliano Ramos 
para saber mais 
sobre o escritor.
FICA A DICA
Dessa forma, a autobiografia parece não se distanciar da autoficção, 
gênero que mistura a autobiografia (um relato que busca, em certa me-
dida, ser fiel aos fatos) com a ficção (que traz elementos imaginados). A 
seguir, você verá como isso se dá, com a leitura de “Nós chorámos pelo 
Cão Tinhoso”, do angolano Ondjaki (1977-).
Graciliano Ramos, um dos principais autores do 
Modernismo brasileiro, nasceu em Quebrângulo (AL). O 
escritor publicou seu primeiro conto em 1904, no jornal 
do internato onde estudou. Esse foi o início de suas 
publicações em periódicos, pois, futuramente,o escritor 
se dedicou ao jornalismo e à publicidade, atuando nos 
jornais Correio da Manhã e A Tarde. 
Graciliano também morou em Palmeira dos Índios (AL), 
onde chegou a ser prefeito. Ele sempre se mostrou 
preocupado com os problemas da educação no país. 
Em Infância, retratou várias cenas da escola, mostrando 
um lugar que não dava condições de aprendizagem 
às crianças. 
A
cervo Iconographia/Reminiscê
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