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Práticas de Linguagens Projetos de Vida e Sociedade (14)

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Você já parou para observar como se dá a representação do corpo de mulheres atletas na 
mídia? Os esportes femininos são menos abordados na mídia e, quando são, acabam reforçando 
estereótipos de beleza. As atletas muitas vezes são chamadas de musas, e seus atributos físicos 
são mais comentados do que suas habilidades esportivas. A mulher parece ser tratada como um 
objeto, e seu corpo, controlado pelos “fiscais” da beleza. 
2 Observe a manchete de uma matéria sobre a tenista russa Maria Sharapova (1987-), publica-
da em 2009 em um veículo de mídia esportiva. 
FOTO: em Roland Garros, nem a musa Maria Sharapova escapa das celulites
Russa vence na quadra, mas não consegue driblar os fotógrafos
FOTO: em Roland Garros, nem a musa Maria Sharapova escapa das celulites. Globoesporte.com, 25 maio 2009. Disponível em: 
http://globoesporte.globo.com/Esportes/Noticias/Tenis/0,,MUL1166644-15090,00-FOTO+EM+ROLAND+GARROS+NEM+A+MUSA
+MARIA+SHARAPOVA+ESCAPA+DAS+CELULITES.html. Acesso em: 23 jul. 2020.
Em sua opinião, o que a manchete revela sobre como a mídia retrata o corpo de uma mulher 
atleta? Responda oralmente e discuta a questão com o professor e os colegas. 
Como você percebeu, a mídia muitas vezes associa a imagem das atletas femininas aos padrões 
de beleza impostos socialmente, reforçando a ideia de um “corpo ideal” e da prática esportiva como 
fonte de beleza. A reportagem, ao reforçar a celulite como algo do qual as mulheres devem se enver-
gonhar, propaga discursos estereotipados acerca do corpo feminino. Dados apurados em 2019, pela 
revista Exame, mostram que o mercado de tratamentos estéticos cresceu 567% no Brasil nos últimos 
cinco anos. 
Zygmunt Bauman (1925-2017), sociólogo polonês, tem influenciado discussões acerca de di-
versos temas sociais contemporâneos. Com seu conceito “modernidade líquida”, adverte que 
passamos da sociedade de produção (típica da “modernidade sólida”) para a sociedade de con-
sumo (típica da “modernidade líquida”). Consumir se tornou parte de nossa identidade. “Ter” se 
tornou mais distintivo do que “ser”, e todos os campos sociais tratam de produzir mecanismos 
que criam necessidades de consumo, geradas pela insatisfação.
No caso da indústria da beleza, isso se verifica no constante estímulo ao desejo de alcançar 
uma forma corporal idealizada. Tudo isso gera insatisfação e uma sensação de vazio que é preen-
chida pelo consumo de informação e de produtos que vendem soluções “milagrosas”. 
Na sociedade do consumo, da modernidade líquida, segundo Bauman, o sujeito consome 
para se tornar consumível. O corpo se transforma em mercadoria que pauta o status social, o 
valor atribuído ao sujeito. Se o corpo não se ajusta ao padrão, o sujeito de sente excluído. O 
sentimento de exclusão gera a necessidade de consumir para se sentir mais vendável. Por isso, 
segundo o sociólogo, nas sociedades de consumo, ser vendável se transformou no maior moti-
vo para o consumo. O corpo funciona como um emblema que nos classifica e nos diferencia, 
como se estivéssemos em uma grande prateleira, vendendo nossa aparência.
Ainda no campo da sociologia, Pierre Bourdieu (1930-2002) adverte que os padrões de be-
leza ditados para o corpo feminino funcionam como violência simbólica implícita na tradicional 
dominação masculina presente nas culturas ocidentais. As mulheres conquistaram direitos e 
espaços sociais, mas seus corpos continuam sob o domínio de valores masculinos. Ao percebe-
rem seus corpos pela lógica masculina, as mulheres vivem o conflito entre o corpo idealizado e 
o corpo real e, buscando se adequar aos padrões sociais, perpetuam a dominação. Para o autor, 
o discurso sobre a forma corporal feminina expõe as mulheres à violência simbólica da socieda-
de patriarcal, e a resposta em busca de aceitação são as dietas, ginásticas, cirurgias plásticas, 
entre outros procedimentos. Para o sociólogo, as mulheres que questionam os padrões estéti-
cos sofrem preconceito e exclusão.
Há exemplos de eventos esportivos criados para a exibição de corpos femininos. É o caso 
dos lingerie fighting championships (campeonatos de luta em lingerie), lutas livres nas quais as 
lutadoras usam roupas íntimas, de forma que seus corpos são expostos para atrair plateias 
Para conhecer melhor a pesquisa citada, visite o site da revista: https://exame.com/negocios/dino_old/mercado-de-estetica-e-
beleza-no-brasil-segue-em-crescimento/. Acesso em: 23 jul. 2020. 
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predominantemente masculinas. Esses eventos reproduzem o tratamento do corpo feminino 
como objeto de exploração e controle masculino. Muitas lutadoras acabam participando, pois 
precisam de espaço e de recursos para continuar seus treinamentos. 
Ao mesmo tempo, quando atletas femininas têm sucesso no esporte, seus atributos são com-
parados aos atributos masculinos. É comum verificar o uso de expressões como “joga como um 
homem”, “corre como um homem”, “luta como um homem”. 
A pressão para conquistar o padrão de beleza magro e musculoso leva muitas mulheres a buscar 
práticas de ginásticas de condicionamento físico sem respeitar seus próprios corpos ou a recorrer a 
procedi mentos estéticos, como lipoaspiração e aplicação de injeções, que muitas vezes, por serem 
realizados sem o devido acompanhamento médico, podem levar à morte. 
Entretanto, nos últimos anos, campanhas publicitárias de grandes marcas voltadas para o pú-
blico feminino começaram a promover o empoderamento feminino, buscando romper estereóti-
pos e padrões de beleza e comportamento associados às mulheres. A objetificação e o controle 
social do corpo feminino também têm levado ativistas e artistas a produzir intervenções, campa-
nhas e manifestações críticas à imposição de padrões de beleza. Observe, a seguir, a foto de um 
trabalho da artista espanhola Yolanda Dominguez (1977-). 
 Zygmunt Bauman: pensamentos profundos num mundo líquido, de Thales de Menezes, publicado em 
Superinteressante. Disponível em: https://super.abril.com.br/cultura/zygmunt-bauman-pensamentos-profundos-
num-mundo-liquido/. Acesso em: 23 jul. 2020. 
Leia a matéria para saber mais sobre o pensamento de Zygmunt Bauman.
 O conceito de gênero por Pierre Bourdieu: a dominação masculina, publicado em Portal GeledŽs. Disponível 
em: https://www.geledes.org.br/o-conceito-de-genero-por-pierre-bourdieu-a-dominacao-masculina/. 
Acesso em: 23 jul. 2020
Conheça mais das ideias de Pierre Bourdieu com a leitura desse texto.
 Yolanda Dominguez. Disponível em: https://yolandadominguez.com/en/portfolio/no-soy-solo-un-cuerpo/. 
Acesso em: 23 jul. 2020.
Acesse o site da artista para ver mais imagens e um vídeo da ação Eu não sou apenas um corpo.
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3 O que a frase “eu não sou apenas um corpo” significa para as mulheres? 
4 Essa frase teria outros sentidos se fosse associada aos homens? 
Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes percebam que os padrões de beleza corporal afetam as mulheres e que a frase busca ampliar 
a visão que a sociedade tem sobre o potencial das mulheres. 
Resposta pessoal. Espera-se que os estudantes discutam os diferentes sentidos que a frase teria para um homem. 
Eu não sou apenas 
um corpo, de Yolanda 
Dominguez. Intervenção 
realizada em praia da 
Flórida, Estados 
Unidos, 2014.
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NESTE LIVRO.
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