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CAROL COELHO TXV 
 
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TATO E PROPRIOCEPÇÃO 
Somestesia: refere-se aos nossos sentidos que podem estimular receptores na superfície externa do 
corpo ou na parte interna do corpo, já que a somestesia é dividida em submodalidades: tato, temperatura, 
dor, propriocepção e nocicepção. A propriocepção refere-se à noção do nosso corpo no espaço e para isso 
dependemos da ativação de mecanorreceptores que estão distribuídos no musculo e articulações. 
Quando a gente escuta sensações somestesicas precisamos relacionar com receptores que estão 
distribuídos na superfície externa do nosso corpo e que são na maioria das vezes mecanorreceptores que 
geram uma percepção a partir da entrada de fibras de neurônios primários pela raiz dorsal da medula. Quando 
tem a ativação de receptores externos a informação adentra a medula pela raiz dorsal e ascende por dois 
sistemas distintos dependendo do estimulo carregado: lemniscal ou anterolateral. Essa via mantem uma 
somatotopia até atingir o córtex somatossensorial, isto é, a via sempre vai ser a mesma, adentrando por uma 
localização exata na medula e ascendendo em direção ao córtex somatossensorial atingindo sempre a mesma 
região, isso é chamado de somatotopia – a distribuição exata da atenção até atingir o córtex somatossensorial. 
Começamos ter essa divisão exata e essa somatotopia a partir da origem dos dermátomos. 
Toda vez que temos um estimulo que vai ativar um determinado receptor, essa informação vai 
adentrar na medula por neurônios primários a partir de regiões distintas na medula chamado de dermátomos. 
O dermátomo refere-se a uma quantidade de receptores da localização do corpo externa e adentra por uma 
região específica da raiz dorsal na medula espinal. Isso faz com que quando a pessoa tenha lesão em algum 
nível da medula ela passe a ter dificuldade de sensibilidade em alguma região do corpo e isso facilita com que 
o médico saiba onde foi a lesão. Esses dermátomos podem se sobrepor parcialmente um ao outro, mas tem 
uma divisão de acordo com a entrada do neurônio primário pela raiz dorsal da medula, então é possível 
distinguir esse dermátomo a partir dos receptores que estão sendo ativados, tem uma sobreposição mas a 
divisão existe. Cada uma dessas fibras que são ativadas entram pela raiz dorsal na medula e transportam a 
informação, fisiologicamente, por dois sistemas distintos: lemniscal e anterolateral. 
 
 
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Esses dois sistemas conseguem distinguir as funções que eles transportam com relação a sua 
informação. O sistema lemniscal refere-se ao transporte de informações que precisam ser discriminativas 
(propriocepção e tato discriminativo) que precisamos diferenciar a localização exata do estímulo; já o 
anterolateral refere-se ao transporte de informações que não precisam ser tão discriminativas, onde não 
precisamos ter uma noção exata da localização que aquilo está acontecendo (temperatura, dor e tato 
grosseiro). Essas duas vias se diferem na localização da sinapse com neurônios primários e secundários mas 
também se diferem nas fibras que transportam essa informação – quanto mais grossa a fibra, mais veloz o 
potencial de ação, e quando tem bainha de mielina na fibra mas veloz também é o potencial de ação. 
 
Se o sistema lemniscal precisa ter descriminação, significa que precisa de uma fibra rápida, e aí 
estamos falando principalmente da fibra Abeta que é uma fibra grossa e mielinizada. Quando falamos da 
transmissão do impulso de propriocepção, principalmente de receptores articulares, que vamos ter 
consciência desse movimento, estamos falando de fibras Aalfa que são fibras mais grossas e mielinizadas – 
então, o sistema lemniscal transporta informação principalmente por fibras Abeta e em alguns casos por fibras 
Aalfa. Já o sistema anterolateral que transporta informação que precisa ser menos discriminativas não 
precisamos de fibras muito rápidas, portanto quem transporta a informação é a fibra Adelta que é mais fina e 
mielinizada, mas quando falamos de temperatura/dor difusa falamos de fibra C que é uma fibra fina e 
amielinica, já que não precisa de uma velocidade muito grande para o potencial de ação. 
 
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➢ SISTEMA LEMNISCAL 
Transporta informações de tato fino e propriocepção, ele tem função discriminativa, e por isso 
precisamos de fibras Aalfa e Abeta, grossas e mielinizadas. O sistema lemniscal acontece da seguinte maneira: 
os neurônios primários (neurônios de primeira ordem) adentram a medula pela raiz dorsal e aí se dividem em 
fibras: fascículos grácil e cuneiforme. Quando temos a entrada em regiões sacral, lombar e torácica tem 
ativação do fascículo grácil; quando a informação entra pela região torácica alta e cervical, temos fascículo 
cuneiforme, que mandam a informação lateralmente e medialmente até o bulbo em núcleos homônimos 
chamados de núcleo grácil e cuneiforme. No bulbo esse neurônio de primeira ordem faz sinapse com neurônio 
de segunda ordem que passa a ser chamado de lemnisco medial. Esse lemnisco medial cruza a linha média e 
ascende para o tálamo aonde as informações chegam no núcleo ventro posterolateral do tálamo, que manda 
a informação para o córtex somatossensorial (3,2,1 de Brodmann). 
 
 
 
 
 
 
 
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➢ SISTEMA ANTEROLATERAL 
Quando estamos falando de temperatura, dor, tato protopático estamos falando principalmente das 
fibras Adelta e C. Fibras que transportam potencial de ação em uma velocidade menor, essa informação não 
precisa ser tão discriminativa. Nesse caso, os neurônios primários adentram a raiz dorsal da medula e já fazem 
sinapse com neurônios secundários (neurônios de segunda ordem), cruzam a linha média e ascendem 
diretamente ao tálamo, atingindo núcleo ventro posterolateral do tálamo, ás vezes até parte do núcleo ventro 
posteromedial do tálamo e também núcleos intralaminares, então temos uma informação mais distribuída 
dessa via. No núcleo ventro posterolateral do tálamo nós temos a sinapse com neurônio de terceira ordem e 
a informação é mandada para o córtex somatossensorial. 
 
 
 
 
 
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Como que está distribuída a informação pelo córtex somatossensorial? O córtex cerebral, 
funcionalmente, é dividido em mais de 50 áreas distintas (áreas de Brodmann), áreas onde cada uma 
representa uma região específica para percepção de um determinado estimulo, por exemplo: região occipital 
-> visão. O córtex somatossensorial, para algumas referências, é dividido em córtex somatossensorial I e II. O 
córtex somatossensorial I é muito maior, muito mais discriminativo, muito mais importante do que o córtex 
somatossensorial II. O córtex somatossensorial II trabalha através da recepção de aferencias vinda do córtex 
somatossensorial I, ou seja, não é possível ter percepção de sensações se tiver uma lesão no córtex 
somatossensorial I, então significa que tem uma dependência do córtex somatossensorial I. O córtex 
somatossensorial I representa cada área que está sensível ou não no nosso corpo, onde a partir do córtex 
somatossensorial foi feita uma figura distorcida, a partir de estimulação de determinadas partes desse córtex, 
entendendo como cada uma respondia ao estimulo do nosso corpo, originando uma figura distorcida que é o 
homúnculo – demonstra que o polegar, os lábios, a face e a boca como um todo, representa uma região de 
muita sensibilidade no nosso corpo, de muita capacidade discriminativa do nosso corpo, e por isso é grande 
na figura distorcida. No córtex somatossensorial os lábios são representados por uma região em que temos 
lábio superior, lábio como um todo e lábio inferior, então uma grande região que consegue discriminar 
exatamente de onde está vindo o estimulo, diferente por exemplo de regiões que são menores na imagem, 
como por exemplo a perna, que tem uma região menor para discriminar os efeitos que vem dali. 
 
 
 
 
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A informação vai sempre atingir o núcleo ventro posterolateral do tálamo que vai fazer sinapse com o 
neurônio de terceira ordem e chegar no córtex somatossensorial. O córtex somatossensorial é dividido em 
regiões distintas: 3A, 3B, 1 e 2. Cada uma dessas regiões respondem a um determinado tipo de ativação desses 
receptores. A região 3A é uma região que responde muito bem a ativação de fusos musculares, como os 
proprioceptores localizados entre as nossas fibras extrafusais nos nossos músculos, já a região 3B refere-se à 
ativação de receptores mais superficiais da pele. A área 1 refere-se também a ativação de receptores, 
principalmente subcutâneos, um pouco mais profundos, enquanto a área 2 representa aferencias profundas: 
pressão, onde tem uma capacidade mais vibratória de discriminação. E aí conseguimos identificar a região que 
está sendo estimulada e principalmente a partir de uma distribuição de onde está vindo a ativação do receptor. 
 
➢ RECEPTORES 
Mecanorreceptores, que estão relacionados com as sensações táteis, já que dependemos de uma 
deformação mecânica para estimular os receptores de tato. Termorreceptores que detectam variações de 
temperatura, para frio e para calor, e nociceptores que detectam/conseguem ter a percepção da dor, que é 
muito subjetiva, é muito individual, mas depende da ativação de nociceptores. 
• RECEPTORES TÁTEIS 
São mecanorreceptores, e precisam ter a sua estrutura deformada para serem ativados, isto é, para 
terem a abertura de canais iônicos. Quando falamos de mecanorreceptores falamos da detecção de três 
sensibilidades através desses receptores táteis: sensibilidade tátil (deformação de receptores que estão 
localizados logo abaixo da pele), sensibilidade da pressão (ativação de receptores que estão mais profundos 
no nosso corpo) e ainda a sensação de vibração (ocorrência da ativação de receptores que são fásicos e que 
são estimulados repetidamente e rapidamente). Todos eles são mecanorreceptores onde variam desde 
terminações nervosas livres até terminações nervosas encapsuladas, quando falamos por exemplo do 
corpúsculo de Pacini. 
 
 
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Temos pelo menos 5 tipos de receptores táteis: receptores de terminações nervosas livres, como por 
exemplo as raízes dos pelos, onde esses receptores detectam rapidamente a alteração do movimento desse 
pelo, e ainda temos mais específicos que são chamados de: Meissner, Merkel, Pacini e Rufini. 
O corpúsculo de Meissner e o disco de Merkel são receptores superficiais mas o corpúsculo de 
Meissner está muito presente na nossa pele onde não temos pelos (pele glabra – lábios, pontas dos dedos), 
que nos garante uma grande sensibilidade, pois tem campo receptivo pequeno, que significa que a ativação 
de um neurônio primário vai fazer uma comunicação direta com o secundário, quanto menor o campo 
receptivo maior a capacidade de discriminação da localização do estimulo. Quando temos grandes campos 
receptivos diferentes neurônios primários vão sofrer convergência para o mesmo neurônio secundário, 
diminuindo a capacidade de discriminação da localização do estímulo. Então, esse corpúsculo de Meissner é 
um receptor superficial que está na pele glabra, que tem um campo receptivo pequeno e por isso altamente 
discriminativo mas que se adapta rapidamente ao estimulo, ou seja, são fásicos que não são homeostático, 
não perdem tempo com funções do corpo: respondem uma ativação e param de responder rapidamente. O 
disco de Merkel é um receptor superficial mas que pode ser encontrado na pele glabra e na pele com pelos, é 
um receptor que tem um campo receptivo pequeno com boa capacidade discriminatória mas é um receptor 
que demora para se adaptar pois esse disco de Merkel forma uma protusão externa que faz com que ele 
mantenha uma resposta por mais tempo frente a ativação por um determinado estímulo, isso faz com que ele 
tenha uma adaptação tônica, já que a cúpula de IGO favorece essa protusão externa que o torna mais sensível 
a presença daquele estimulo. 
Temos também o corpúsculo de Pacini e as terminações de Rufini. O corpúsculo de Pacini é o maior 
receptor tátil do nosso corpo, é um receptor profundo, que está localizado na derme/fáscias dos músculos e 
apresenta um grande campo receptivo, ou seja, uma baixa capacidade discriminatória de localização, e esse 
receptor ainda se adapta rapidamente, então ele é um bom receptor para distinção de estímulos vibratórios. 
Diferente das terminações de Rufini que são profundos, apresentam campos receptivos muito grande e por 
isso muito difícil de discriminar localização mas que demoram para se adaptar, são receptores que 
permanecem com uma resposta mais prolongada quando estimulados por mais tempo. 
Então Meissner e Merkel são superficiais, com campo receptivo pequeno -> Meissner é fásicos e 
Merkel é tônico – é possível diferenciar porque Merkel faz protusão externa, só ele faz isso. Pacini e Rufini -> 
Pacini é profundo, pouco discriminativo e muito associado a vibração, por isso se adapta rapidamente 
enquanto que Rufini não, é tônico. 
 
Quase todos esses receptores, com exceção das terminações nervosas livres, transportam a 
informação via fibras Abeta, via sistema lemniscal. 
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• TERMORRECEPTORES 
Receptores de temperatura. No nosso corpo poderíamos ter apenas um tipo de termorreceptor: o 
tipo de termorreceptor que detectasse variações de graus, de movimentos das moléculas, e por isso 
conseguiria determinar a diferença de temperatura. Os termorreceptores estão divididos em dois tipos de 
receptores: receptores para frio e receptores para calor. Os dois tipos são terminações nervosas livres, isto é, 
receptores simples que dependem da ativação de uma família de receptor chamada de receptor potencial 
transiente para promover a abertura de canais iônicos. 
Temos no nosso corpo muito mais receptores para frio do que para calor, mas aí a gente pensa que 
eles vão detectar 15º e não é assim. Esses receptores detectam uma faixa ampla de temperatura, tendo uma 
ativação máxima em alguns valores específicos. Os receptores térmicos detectam uma variação de 
temperatura de 10º a 45º, abaixo de 10º temos uma inativação desse receptor – por isso que o frio é um bom 
anestésico local. Acima de 45º já passamos a ter uma lesão tecidual, e aí a ativação de receptores de 
temperatura já está relacionada com dor, nociceptores, então eles detectam a variação de 10º a 45º. Os 
receptores para frio detectam uma variação de temperatura de 10º à cerca de 33/35º, sendo que tem uma 
ativação máxima (maior abertura de canais iônicos) à 25º. Já os receptores de calor detectam uma variação 
de temperatura de 30º a 45º e temos uma ativação máxima em torno de 40º - a partir de 45º já começa a ter 
uma resposta paradoxal, os receptores de frio voltam a ser ativados, que é quando a gente arrepia de tanto 
calor que está sentindo, por que aí já é danoso, já vai passar a ter lesão nas células e já estamos desesperados 
procurando um local mais fresco para ficar, exatamente porque o corpo já está entendendo que essa 
temperatura não é ideal para sobrevivência das células, por isso que acontece essa resposta paradoxal e os 
receptores de frio voltam a ser ativados. 
Mas como funciona esses canais iônicos? Esses receptores de temperatura são terminações nervosas 
livres onde temos, para a ativação, um receptor potencial transiente. Essa família de receptores é capaz de 
ser ativada por moléculas, como por exemplo, a capsaicina (pimenta) e por isso alguns alimentos dão a 
característica de quente, e até os alimentos que nos garantem um frescor, como por exemplo menta, 
eucalipto, pois também ativa essa família de receptores. Quando temos a movimentação das moléculas temos 
a abertura de canais iônicos, principalmente a uma ativação máxima de 25º para receptores de frio e uma 
ativação máxima de 40º para receptores de calor. Os receptores de frio garantemuma área maior, já os de 
calor influenciam em uma área menor, tendo a ativação máxima em torno de 40º. 
 
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• NOCICEPTORES 
Quando falamos da sensação de dor, ou da percepção de dor, falamos de algo que é muito subjetivo 
no nosso corpo. A via que transporta a ativação de nociceptores é o sistema anterolateral, sistema esse que 
pode transmitir a informação por fibras Adelta e fibras C, mas que principalmente durante o percurso, pode 
ser modulado e ainda sofrer influências como por exemplo do nosso sistema límbico. O nosso sistema límbico, 
as nossas emoções influenciam muito na nossa sensação de dor, por isso que a dor que uma pessoa sente não 
é necessariamente a dor que a outra sente, pois isso está relacionado com o estado emocional da pessoa, é 
subjetivo. O que a gente consegue entender de dor é que a ativação de nociceptor, que é um receptor simples 
de terminação nervosa livre, pode acontecer por vários motivos diferentes – uma resposta 
química/física/mecânica isso tudo ativa nociceptores, qualquer estimulo que possa levar a uma lesão dos 
tecidos vai ativar nociceptores e isso produz diferentes tipos de dor: rápida, lenta/difusa, inflamatória 
(relacionadas a uma facilitação de vários constituintes do processo inflamatório, quando tem uma lesão 
extensa no tecido), coceira (ativação do nociceptor e liberação de histamina) e a dor crônica/neuropática que 
depende de uma ativação muito maior, de um mecanismo mais complexo. 
Como diferenciamos dor rápida e dor lenta? A dor rápida e a dor lenta é transmitida diferentemente 
pelas fibras. A dor rápida é transmitida pela fibra mais rápida, Adelta – mielinizada, e a dor lenta é transmitida 
pela fibra C que é amielinica. Quando batemos o dedinho no sofá sentimos uma dor forte/aguda que é 
transmitida pela fibra Adelta, depois começamos a sentir uma dor difusa que doí todo o pé, uma dor 
lenta/difusa e quem transmite a informação é a fibra C. 
Além disso, temos a dor inflamatória, essa é muito potencializada por todos os constituintes que o 
processo inflamatório libera em uma lesão – ativação de nociceptores associada a um processo inflamatórios 
nós temos a presença de prostaglandinas, bradicininas, histaminas, serotonina, íons, tudo que vai potencializar 
o desenvolvimento do potencial receptor. Todos os receptores primeiro formam um potencial receptor, que 
pode ser somado, consequentemente aumentamos a frequência de disparo do potencial de ação que vai 
intensificar a dor, portanto potencializamos a dor quando temos um processo inflamatório envolvendo várias 
substâncias que foram liberadas durante essa inflamação, e aí facilitamos desenvolvimento do potencial 
receptor pelos nociceptores e intensificamos a dor. 
 
 
 
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Mas a dor pode ser modulada pelas condições, pela necessidade de sobrevivência. Por exemplo: se 
uma pessoa se acidenta na estrada com uma moto e queimar a perna mas ela precisa sair do meio do asfalto 
porque senão será atropelada, a pessoa consegue levantar-se e sair. Na hora que a pessoa olhar, ver a 
queimadura que fez a pessoa vai sentir muita dor, provavelmente uma dor incapacitante, mas na hora que foi 
preciso foi possível se movimentar, por isso que a dor pode ser modulada, principalmente quando falamos de 
situações de adrenalina, onde o simpático está ativado e aí conseguimos modular essa via de dor. 
Além dessa modulação, quando falamos de sobrevivência, existe uma modulação muito mais simples 
que é a presença de um interneurônio inibitório na medula. Quem transporta a informação de dor é o sistema 
anterolateral, que é o sistema que a informação chega pelo neurônio primário e faz sinapse na medula ainda 
com neurônio secundário. Nesse momento de sinapse do neurônio primário com o secundário na medula nós 
temos a presença de um interneurônio inibitório liberando GABA, que pode ser ativado liberando a dor para 
menos. Essa é a chamada teoria do portão da dor (teoria da comporta da dor) que diz que sempre que temos 
a ativação de nociceptores e a informação está sendo transportada pelas fibras C e ao mesmo tempo 
estimulamos os receptores táteis que transportam a informação pela fibra Abeta, essa ativação da fibra Abeta 
estimula um interneurônio inibitório e modula um neurônio de segunda ordem para provocar a dor. Esse é o 
exemplo que fala de cair e ralar o joelho no asfalto: ativamos nociceptores, mas quando passamos a mão 
estimulamos receptor tátil, que transporta informação por fibras Abeta, grossas, mielinizadas, que a 
informação chega muito mais rápida e efetiva, e aí estimulamos interneurônios inibitórios que liberam GABA 
no neurônio de segunda ordem – a comunicação neurônio-neurônio no sistema nervoso acontece nesse caso, 
na maioria das vezes, por liberação de glutamato, que é um neurotransmissor excitatório, mas quando tem 
um interneurônio inibitório temos interneurônio que está liberando GABA, que é um neurotransmissor 
inibitório. Quando a informação acontece vinda de dois neurônios em um único neurônio isso é chamado de 
somação espacial, um provoca abertura de canais de cátions (excitatório) mas o outro está provocando a 
abertura de canais de cloreto (inibitório), então modulamos a informação, e o potencial receptor que geraria 
várias frequências de potenciais de ação diminui, diminuindo a frequência de potencial de ação modulando a 
dor. 
 
 
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A dor referida refere-se a uma percepção de dor na superfície externa do corpo mas que na verdade 
a ativação de nociceptores está acontecendo em um órgão do nosso corpo internamente. Ex: a pessoa que 
está tendo um infarto agudo relata doer o braço esquerdo pois os neurônios primários, tanto de receptores 
do ombro e do braço esquerdo, mandam informação para o mesmo neurônio secundário que recebem 
informação do órgão, então os neurônios primários sofrem convergência para o mesmo neurônio secundário 
e aí o neurônio secundário segue a somatotopia atingindo o córtex somatossensorial fazendo com que a gente 
perceba que quem está doendo é a superfície externa do corpo, mas o problema está em um órgão. Então o 
neurônio primário da pele e o neurônio primário do órgão sofrem convergência para um mesmo neurônio 
secundário na medula – quem ativou nociceptor foi o do órgão, mas como sofrem convergência para o mesmo 
neurônio secundário o córtex somatossensorial indica como localização a superfície do corpo, isso é chamado 
de dor referida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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➢ PROPRIOCEPÇÃO 
Refere-se a ativação de receptores que estão localizados nos nossos músculos e nas nossas 
articulações e que nos dão garantia da posição do nosso corpo no espaço. Os proprioceptores podem provocar 
sensações conscientes ou, na maioria das vezes, inconscientes a partir de reflexos medulares. Quando falamos 
de sensações conscientes falamos da via de transdução sistema lemniscal, provocado por fibras Aalfa, 
extremamente grossas e rápidas, para ter a percepção exata da musculatura no espaço quando necessário. 
Mas na maioria das vezes os proprioceptores provocam estímulos inconscientes, variando de acordo com a 
sua localização para detecção de comprimento do musculo, força de contração voluntaria ou movimento das 
articulações. Quando falamos de proprioceptores nós falamos de três tipos: fusos musculares, órgãos 
tendinosos de golgi e receptores articulares. 
• FUSO MUSCULAR 
É um proprioceptor que fica localizado dentro do musculo, dentro das fibras extrafusais. O musculo 
para contrair as fibras extrafusais tem a ativação de neurônios motores alfa. O fuso muscular é composto por 
fibras modificadas, que são chamadas de fibras intrafusais, estas fibras que podem ser do tipo I ou II são 
envoltas por uma capsula de tecido conjuntivo e apresentam uma extremidade contrátil inervada por 
neurônios motores gama e um centro que não tem miofibrilas, não écontrátil, é onde tem a presença de 
receptores chamados de anuloespirais. 
O fuso muscular detecta alteração do comprimento do musculo/estiramento do musculo. Quando o 
musculo está no seu comprimento normal ele mantem uma resposta tônica, então os receptores anuloespirais 
disparam potencial de ação nas fibras, mandam informação para medula e a medula ativa neurônios motores 
alfa que inervam as fibras extrafusais mantendo o musculo tonicamente ativo. Quando o musculo estira, 
quando alteramos comprimento desse musculo é quando temos maior efetividade dos músculos, o fuso 
muscular está ali para detectar estiramento, se o musculo estirou, aumenta disparos de potenciais de ação na 
medula, aumenta a ativação de neurônios motores alfa e promove a contração do músculo para ele voltar ao 
tamanho normal e evitar uma lesão. 
 
 
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Mas o fuso muscular é o receptor de propriocepção que precisa ser ativado em todos os movimentos 
do músculo. Então, quando esse musculo contrai esse fuso muscular também precisa se manter ativo, e ele 
só consegue se manter ativo pois as extremidades da fibra muscular são contrateis, da fibra intrafusal, e aí 
ocorre o que chamamos de coativação alfa-gama. Quando o neurônio motor alfa está muito ativado e o 
músculo está contraído o fuso muscular, para manter a ativação, estimula neurônios motores gama que pega 
as extremidades da fibra intrafusal e estira, então o musculo está contraído mas as fibras intrafusais do fuso 
muscular estão estiradas, favorecendo desenvolvimento de potenciais de ação a partir de receptores 
anuloespirais. 
Fuso muscular é um receptor que está entremeado, misturado, nas fibras extrafusais. O fuso muscular 
é um proprioceptor que detecta estiramento do musculo, alteração de comprimento. Para ele conseguir 
exercer a sua função ele é composto de fibras intrafusais que são divididas e modificam a resposta dinâmica 
ou estática, e essas fibras apresentam na sua extremidade miofibrilas que são contrateis, que são estimuladas 
por neurônios motores gamas. Já o centro dessa fibra apresenta receptores anuloespirais – receptores de 
sensibilidade, qualquer movimento dele o potencial de ação é desenvolvido. Quando o musculo está em seu 
comprimento normal, isso é, sem estar estirado, ele precisa manter uma tonicidade, para isso os 
proprioceptores, fuso muscular, manda potencial de ação constantemente para a medula que ativa 
constantemente o neurônio motor alfa mantendo uma tonicidade. Quando o musculo estira ativamos mais 
receptores anuloespirais, mais potenciais de ação são feitos, mais ativamos o neurônio motor alfa, mais 
contração vai ter, o musculo está estirado, é preciso se contrair. Podemos pensar erroneamente que se o 
musculo contrai a gente inativa o fuso muscular, mas isso não é verdade, temos a coativação alfa-gama. O 
fuso muscular é um receptor de sensibilidade, então não podemos inativa-lo, e não inativamos ele porque 
quando o musculo contrai, isso é, quando o neurônio motor alfa está muito ativo, o neurônio motor gama é 
ativado estirando as fibras intrafusais, mantendo os receptores anuloespirais desencadeando potenciais 
tonicamente. Então o musculo está em seu comprimento normal, mantemos um estado tônico dos receptores 
anuloespirais, quando estiramos esse musculo precisamos fazer contração desse musculo. O musculo 
contraído nós ativamos neurônios motores gama que estiram as fibras intrafusais dos fusos musculares, 
fazendo com que a gente mantenha uma ativação tônica dos receptores anuloespirais. Em todos os níveis de 
comprimento do musculo temos uma ativação dos receptores anuloespirais. 
 
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• ÓRGÃO TENDÍNEO DE GOLGI 
É um receptor localizado entre o tendão e o musculo. Detecta força de contração do musculo, detecta 
tensão deste musculo. É um receptor constituído por fibras do tipo 1-beta que ficam entremeadas, misturadas, 
com fibras de colágeno entre o tendão e o musculo, envoltas também por uma capsula de tecido conjuntivo. 
Quando o musculo sofre uma contração maior do que deveria e precisa obrigatoriamente relaxar, a fibra 1-
beta manda informação para a medula, que ativa um interneurônio inibitório e inibe o funcionamento do 
neurônio motor alfa e o musculo relaxa. Ex: coloca um livro em cima da mão, vai pender mas tem força para 
segurar, isso gera contração no musculo, mas se colocar mais 3 livros em cima da mão ela acaba caindo, pois 
não tem força suficiente para segurar isso, pois tivemos a ativação do órgão tendinoso de golgi que detectou 
uma força de contração maior do que o suportado antes de ter lesão no musculo e aí ativa potenciais de ação 
via fibras 1-beta, manda informação para a medula, ativa um interneurônio inibitório e inibe o neurônio motor 
alfa. O musculo que estava sendo contraído pelo neurônio motor alfa é relaxado – varia da capacidade 
muscular de cada um, do quanto o musculo é estimulado ou não para uma determinada tarefa. 
 
O fuso muscular é um receptor que fica localizado entre as fibras extrafusais, o órgão tendinoso de 
golgi é um receptor que fica localizado entre musculo e tendão. O fuso muscular detecta alteração de 
comprimento do musculo e o órgão tendinoso de golgi detecta alteração de força de contração, de tensão do 
musculo. O fuso muscular manda informação para a medula e estimula neurônios motores alfa a contraírem 
quando tem um estiramento do musculo, ou quando o musculo está contraído o fuso muscular ativa neurônios 
motores gama, que estiram suas fibras para que ele continue a responder. O órgão tendinoso de golgi é um 
receptor que estimula via fibra 1-beta a medula e ativa interneurônio inibitório que inibe neurônio motor alfa, 
quando a força de contração do musculo é maior que o tolerado. 
 
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• RECEPTORES ARTICULARES 
São mecanorreceptores, são receptores que são informados de acordo com a movimentação da 
articulação, onde temos mecanorreceptores de adaptação rápida, fásicos, que são sensíveis a aceleração da 
articulação e receptores de adaptação lenta, tônicos, que são sensíveis a posição da articulação. A ativação 
dos receptores da articulação leva a informação consciente da maioria das fibras via sistema lemniscal e aí 
conseguimos localizar a informação através do córtex somatossensorial. Então são mecanorreceptores que 
são deformados estruturalmente, e por isso detectam aceleração e posição da articulação, não tem 
características tão especificas como fuso muscular e órgão tendineo de golgi.

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