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Recursos expressivos Nesta unidade você pôde apreciar poemas e letras de canção e observar vários recursos expressivos que enriquecem os sentidos dos textos: recursos sonoros, recursos para alterar o sentido de palavras e expressões e até recursos visuais. Nesta seção, vamos estudar um pouco mais os recursos sonoros e de sentido que produzem efeitos diversos nos textos. Sonoridade Ritmo, rimas, jogos de palavras com escolhas sonoras podem produzir diferentes efeitos de sentido, especialmente em textos poéticos. Vejamos esses recursos. Ritmo e rimas 1 Leia um trecho do poema a seguir, de Guilherme de Almeida. ⓿ Prepare-se para ler em voz alta, com bastante expressividade, pronunciando bem as palavras e observando qual será a melhor cadência com pausas e ênfases, isto é, o ritmo para ler esse poema. ⓿ Não se esqueça de, ao dizer o poema em voz alta, dirigir o olhar para seu público em alguns momen- tos. Isso dará mais expressividade ao que está sendo lido. A rua das rimas Guilherme de Almeida A rua que eu imagino, desde menino, para o meu destino pequenino uma rua de poeta, reta, quieta, discreta, direita, estreita, bem-feita, perfeita, com pregões matinais de jornais, aventais nos portais, animais e varais nos quintais; e acácias paralelas, todas elas belas, singelas, amarelas, douradas, descabeladas, debruçadas como namoradas para as calçadas; e um passo, de espaço a espaço, no mormaço de aço, baço e lasso; e algum piano provinciano, quotidiano, desumano, mas brando e brando, soltando, de vez em quando, na luz rala de opala de uma sala uma escala clara que embala; e, no ar de uma tarde que arde, o alarde das crianças do arrabalde; e de noite, no ócio capadócio, junto aos lampiões espiões, os bordões dos violões; [...] e depois o silêncio, o denso, o intenso, o imenso silêncio… [...] ALMEIDA, Guilherme de. A rua das rimas. In: VOGT, Carlos (Seleção). Os melhores poemas de Guilherme de Almeida. 3. ed. São Paulo: Global, 2004. p. 60. baço: sem brilho, embaçado. lasso: frouxo; que causa cansaço. provinciano: da província, sem muita sofisticação. arrabalde: parte da cidade mais afastada do centro; subúrbio. ócio: folga, repouso. capadócio: quem canta à noite na janela da namorada. Língua: usos e reflexãoL N ik N e v e s /A rq u iv o d a e d it o ra NÃO ESCREVA NO LIVRO. 33 33 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. Língua: usos e reflexão Habilidades da BNCC: EF69LP48, EF69LP54, EF67LP32, EF67LP34, EF67LP35, EF67LP38, EF07LP03 Recursos expressivos Habilidades da BNCC: EF69LP48, EF69LP54, EF67LP38 Os recursos expressivos devem ser trabalhados pro- gressivamente ao longo da coleção. Neste volume se- rão enfatizados recursos sonoros (ritmo, rima, alitera- ção, assonância, jogos de palavras) e alguns recursos semânticos (comparação, metáfora, metonímia, perso- nificação, hipérbole). Atividade preparat—ria Sugere-se que, se possível, os estudantes possam ir à biblioteca, consultem livros da biblioteca da sala de aula, se houver, ou consultem livros trazidos por eles ou pelo profes- sor, com poemas diversos para lerem e comentarem. Se for conveniente, pedir-lhes que tentem se lembrar de letras de canção de que gostem, pois, embora devam ser acompanhadas de instrumentos musicais ou cantadas, têm estrutura similar à dos poemas. É importante, nessas leituras, que se chame a atenção para uma leitura ritmada, com arti- culação clara e, na medida do possível, expressiva. Sonoridade Uma das características que mar- cam os poemas é a sonoridade, que pode ser produzida por recursos como ritmo, rimas e alguns jogos de palavras. Sugere-se conversar com os estudan- tes sobre a musicalidade que esses re- cursos podem conferir aos poemas. Importante também lembrar que, embora seja muito comum poemas apresentarem rimas, eles podem ser construídos também sem elas. A leitura individual ou compartilha- da, em voz alta, é fundamental, pois a percepção da sonoridade ocorre du- rante essas leituras. Ritmo e rimas As sugestões visam contribuir não apenas para o desenvolvimento da fluência em leitura oral, como também para o desenvolvimento de elementos paralinguísticos que enriquecem es- sa forma de leitura. Ressaltar que as rimas internas e a pontuação (como as vírgulas na enumeração) ajudam a marcar as pausas e a cadência, o rit- mo da leitura. Orientar a preparação da leitura oral de trechos dos poemas enfatizando a necessidade de articular as palavras com clareza, imprimindo entonação expressiva que enriquecerá a produ- ção de efeitos de sentido, relaciona- dos, inclusive, à emoção de quem lê. Além disso, pode-se aproveitar o mo- mento para ressaltar alguns elementos paralinguísticos, como postura corpo- ral, tom de voz e olhar para os ouvintes, no momento da leitura (EF69LP54). Os momentos de leitura em voz al- ta são circunstâncias favoráveis para a observação dos avanços na leitura pe- los estudantes, para uma avaliação processual/formativa. Nesse caso, sugere-se que haja um registro estru- turado por estudante (em planilha ou caderno). Na página corresponden- te, serão registradas de forma sintéti- ca as observações significativas sobre cada estudante. Esse registro deve ser ampliado ao longo do ano, para que o professor tenha uma visão mais abran- gente da progressão e/ou das dificul- dades apresentadas pelos estudantes. Observar se há estudantes que ain- da apresentam dificuldades na fluên- cia, na decodificação de palavras, no ritmo de leitura, na compreensão de sentidos mais imediatos do texto. Ao longo do ano, devem ser observa- dos também quais os avanços que eles podem ter tido em relação aos elemen- tos paralinguísticos e cinésicos (ento- nação expressiva, tom de voz, postura corporal, maior ou menor grau de se- gurança ao ler em público). 020-051_Telaris7_LP_MPU_U01_PNLD24.indd 33020-051_Telaris7_LP_MPU_U01_PNLD24.indd 33 8/5/22 1:15 PM8/5/22 1:15 PM a) O eu lírico cria um cenário como assunto do poema. Cada parte do cenário (a rua, o piano, etc.) tem palavras que rimam entre si. Copie no caderno três palavras que rimam. b) Converse com os colegas e o professor: Há algo diferente na formação das rimas desse poema? Alitera•‹o Além das rimas, outros recursos produzem o efeito de musicalidade. Releia os versos do poema “Haicai”, de Estela Bonini, e observe o efeito sonoro produzido pela repetição do som /p/ e do som /s/. Tempestade faz As três pás do moinho Perderem a paz Por um lado, o som /s/ (presente em tempestade, faz, as, três, pás, paz) reforça a ideia de paz, de cal- maria. Por outro, o som forte e explosivo do fonema /p/ (em tempestade, pás, perderem, paz) pode sugerir barulho, estampido, estrondo de tempestade. No haicai foi empregado um recurso sonoro: a aliteração. A aliteração é a repetição de sons de consoantes em diferentes palavras de um verso ou de uma frase para produzir efeitos de sentido. ⓿ Agora, leia em voz alta o poema de Mário Quintana e observe o efeito de sonoridade, conseguido pela repetição de consoantes. Poema Mário Quintana O grilo procura no escuro o mais puro diamante perdido. O grilo com as suas frágeis britadeiras de vidro perfura as implacáveis solidões noturnas. E se o que tanto buscas só existe em tua límpida loucura – que importa? – isso exatamente isso é o teu diamante mais puro! QUINTANA, Mário. Apontamentos de história sobrenatural. 6. ed. São Paulo: Globo, 1998. p. 35. Converse com os colegas sobre o efeito que essa sequência de sons pode provocar. 1a. Imagino, menino, destino, pequenino; matinais, jornais, aventais, portais, animais, varais, quintais; paralelas, elas, belas, singelas, amarelas; douradas, descabeladas, debruçadas, namoradas, calçadas... Todos os versos são compostos de palavras que rimam. Resposta pessoal. Sugestão: Além de as palavras se agruparem por espaços do cenário, as rimas são internas, quebrando a expectativa de que ocorremapenas em palavras no final dos versos. Sugestão: A repetição de fonemas (encontros consonantais – grilo, procura, frágeis britadeiras, vidro; som do r – procura, escuro, puro, perfura, loucura; perdido, perfura, noturnas, importa) lembra os sons, mais intensos ou mais suaves, produzidos pelos grilos. R ic a rd o J . S o u za 34 34 Reprodução do Livro do Estudante em tamanho reduzido. É importante ressaltar: há estudan- tes que, embora tenham fluência, sen- tem dificuldade em fazer leitura ou apresentações em público. É preciso respeitar essas características indivi- duais para não agravar a insegurança; esses estudantes podem fazer a leitura de forma mais isolada, sem o enfren- tamento de um público. Atividade 1 a) Nesta atividade, é fundamental re- tomar o conceito de eu lírico (eu poético) como a voz que fala no po- ema, para que não confundam com o autor. Se necessário, sugerimos a leitura de uma cantiga de amigo – trovadoresca – em que é clara a pre- sença do eu lírico feminino, mas o autor é homem. Aliteração É importante a leitura expressiva em voz alta, pois tanto a aliteração como a assonância, que será vista adiante, são recursos sonoros que serão mais bem percebidos se ouvidos. Atividade preparat—ria Apresentar alguns trava-línguas em que são explorados esses recursos sonoros: ⓿ “O rato roeu a roupa do rei de Roma.” ⓿ “Três pratos de trigo para três tigres tristes.” ⓿ “O tempo perguntou pro tempo quanto tempo o tempo tem. O tempo respondeu pro tempo que o tempo tem o tempo que o tempo tem.” Sugere-se que o professor leia em voz alta o haicai de Estela Bonini, de forma bastante expressiva, enfatizan- do a articulação das palavras para que os estudantes realizem as ativida- des posteriores. Atividade sobre o poema de Mário Quintana Destacar a reiteração dos sons dos encontros consonantais, bem como as rimas (em -ura, -uro), Sugere-se que sejam enfatizados os efeitos de senti- do produzidos pela sonoridade: o efei- to do cricrilar dos grilos, mais intenso nos encontros consonantais, e mais suave nas rimas. Os sons produzidos pelos grilos variam conforme a espécie e a época do ano. 020-051_Telaris7_LP_MPU_U01_PNLD24.indd 34020-051_Telaris7_LP_MPU_U01_PNLD24.indd 34 8/5/22 1:15 PM8/5/22 1:15 PM