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23/08/2022 17:26 UNINTER
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DESENVOLVIMENTO HUMANO
AULA 6
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Prof. Cassio Gonçalves de Azevedo
CONVERSA INICIAL
Vimos, anteriormente, algumas perspectivas de como o desenvolvimento infantil ocorre, e das
implicações que dele decorrem para o desenvolvimento subsequente.
Nesta aula, abordaremos uma importante corrente teórica do desenvolvimento humano,
proposta por Erik Erikson, que também dispõe o desenvolvimento numa sequência de fases, mas o
faz ao longo de todo o ciclo vital, do nascimento à morte, do berço ao túmulo, e o propõe de um
paradigma diferente.
A Teoria do Desenvolvimento Psicossocial reposiciona o desenvolvimento humano para além da
infância, atribuindo preponderância aos aspectos sociais que demandam dos sujeitos habilidades
específicas. Ao final, na sessão Na prática, apresentaremos um caso concreto em que o aparato
teórico e metodológico produzido pela teoria do Psicossocial de Erikson é de grande valia.
TEMA 1 – A TEORIA PSICOSSOCIAL DE ERIK ERIKSON
Erik Homburger Erikson nasceu em Frankfurt, Alemanha, em 1902, e passou a fazer parte do
círculo íntimo de Freud desde 1927, em Viena. Com a ameaça nazista, fugiu para os Estados Unidos
em 1933, onde desenvolveu seus estudos e sua teoria do Desenvolvimento Psicossocial.
Erikson concordava com Freud quanto à influência da infância para o desenvolvimento humano,
porém discordava em alguns pontos. Por exemplo, defendia que a constituição subjetiva, que
chamou de identidade, continuava seu percurso de desenvolvimento, mesmo após a infância e
adolescência.
Sua ênfase não foi a pulsão sexual, como fora a força motriz da concepção freudiana de
desenvolvimento, mas as demandas sociais e culturais que a sociedade impunha aos sujeitos desde
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tenra idade até o final da vida.
Ele teceu críticas à psicanálise justamente por ela, ao seu ver, deixar a desejar quanto a
explicação sobre as interações dos ser humano com seu meio ambiente, além de enfatizar os
aspectos patológicos, defensivos e regressivos da personalidade.
Não obstante, Erikson também concebe que a organização dos estágios do ciclo vital completo
se dá em torno das crises de identidade ou personalidade.
Cada estágio envolve uma "crise" na personalidade - uma questão de desenvolvimento que é
particularmente importante naquele momento e que continuará tendo alguma importância durante
toda a vida. (Papalia et al., 2006, p. 71)
TEMA 2 – FORMAÇÃO E CRISE DA IDENTIDADE
A constituição de uma identidade implica na definição de quem a pessoa é, quais são seus
valores, as metas com que se compromete, quais os caminhos que deseja trilhar na vida (Schoen-
Ferreira et al., 2008, p. 326).
De acordo com a teoria Psicossocial de Erikson (1972, 1998), existem dois polos na formação da
identidade, resultantes do confronto de forças antagônicas: identidade do ego – polo positivo – e
difusão de identidade – polo negativo. O polo positivo – identidade – acontece quando os jovens
escolhem os valores aos quais serão fiéis, tornando-se, então, conscientes de sua uniformidade e
continuidade no tempo e no espaço, e percebendo que suas realizações possuem reconhecimento
e significado em sua cultura (Erikson, 1979). (Schoen-Ferreira et al., 2008, p. 326)
Já a difusão de identidade é tanto “o início do processo de construção da identidade ou a
resultante negativa no desenvolvimento” (Schoen-Ferreira et al., 2008, p. 326). Acontece como
disparador da construção da identidade, quando o sujeito tem dificuldades de apreender seu
entorno e a ele responder com o repertório e suas características pessoais desenvolvidas até então. O
sujeito experimenta um descompasso entre si e seu meio, e diante disso, pode desenvolver a
identidade de seu ego como um mecanismo de autorregulação, ou estagnar e até regredir,
recalcitrando o desenvolvimento subsequente. A crise é, portanto, estruturante:
A crise de identidade é social, porque essa identidade deve ser encontrada dentro da comunidade
à qual o indivíduo pertence e depende durante toda a vida do suporte de modelos sociais. [...] Ele
aponta que a formação de identidade pelo aspecto normativo também tem seu lado negativo, que
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pode permanecer como uma parte rebelde revolucionária de toda a identidade pela vida inteira.
(Noack, 2007, p. 136)
Erikson concebe a identidade como psíquica, e a crise de identidade como social (Noack, 2007,
p. 136).
TEMA 3 – ESTÁGIOS PSICOSSOCIAIS – INFÂNCIA
Depois dos desenvolvimentos que a psicanálise sofrera, principalmente por conta das
elaborações de Anna Freud, o ego – que na teoria freudiana clássica era triplamente limitado pelos
“três senhores”, como referiu Freud, que impunham ao ego suas demandas, o isso, o supereu e o
mundo exterior – passou, depois do avanço da escola inglesa e norte americana, por uma redefinição
conceitual em que lhe foi conferida maior autonomia. Fortalecer o ego, nessa concepção,
possibilitaria que o sujeito obtivesse maior controle sobre si mesmo e sobre as situações de sua vida.
Erikson pertence a essa vertente da chamada “psicologia do ego”. Sua concepção de fases de
desenvolvimento é evolutiva, ou seja, progressiva. Cada estágio do ego passa por uma crise, que dá
nome ao estágio. O atravessamento dessa crise pode levar a um desfecho positivo ou negativo. A
resolução positiva da crise leva ao enriquecimento do ego, que se torna mais forte, enquanto, de
uma resolução negativa, sobrevém um ego mais frágil. A cada crise, portanto, a personalidade vai se
reestruturando e se reformulando de acordo com as experiências vividas, enquanto o ego vai se
adaptando a seus sucessos e fracasso.
Entretanto,
O êxito na resolução de cada uma das oito crises exige que um traço positivo seja equilibrado por
um traço negativo correspondente. Embora a qualidade positiva deva predominar, alguma medida
do traço negativo é igualmente necessária, uma vez que o êxito na resolução de cada crise é o
desenvolvimento de uma determinada virtude ou força e para isso tem-se que experienciar tanto
os aspectos positivos, que devem prevalecer, quanto os aspectos negativos. (Chiuzi et al., 2011, p.
584)
3.1 CONFIANÇA BÁSICA X DESCONFIANÇA BÁSICA – 0 AOS 12 OU 18 MESES
O primeiro estágio teorizado por Erik Erikson chama-se Confiança Básica x Desconfiança Básica,
e consiste nas primeiras experiências de satisfação de necessidades.
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Vimos já algumas vezes que o bebê humano nasce extremamente desamparado do ponto de
vista biológico e que um adulto deve providenciar para que suas necessidades básicas de
sobrevivência sejam atendidas. Basicamente, dessa relação se dará ou não o estabelecimento da
confiança básica que a criança terá no mundo.
Nesta idade, a criança vai aprender o que é ter ou não confiança a partir de sua relação com a mãe
ou principal cuidador. A confiança básica é demonstrada pelo bebê na capacidade de dormir de
forma pacífica, alimentar-se tranquilamente e excretar de forma relaxada. Devido à confiança do
bebê e à familiaridade com a mãe ou principal cuidador, que é adquirida a partir de situações de
conforto e acolhimento por ela proporcionadas, atinge uma realização social, que consiste na
aceitação de que a mãe pode se ausentar, na certeza de que retornará. A partir do contato com os
adultos, o bebê aprende a confiar e a depender deles, bem como confiar em si mesmo (Hall,
Lindzey & Campbell, 1998). Segundo Bee (1997), “para que ocorra uma finalização bem sucedida
desta tarefa, o genitor precisa amar com consistência e reagir de maneira previsível e confiante com
a criança. Aqueles bebês cujos cuidados iniciais foram erráticos ou severos podem desenvolverdesconfiança” (p 63). (Chiuzi et al., 2011, p. 584)
Vejamos, portanto, as semelhanças com a teoria do apego, em que a segurança é adquirida
justamente a partir dessas relações primárias, onde a criança aprende a confiar no mundo que lhe
rodeia como receptivo e responsivo. Quando bem-sucedida, a “virtude” adquirida pela criança nessa
fase do desenvolvimento, segundo Erikson, é a esperança.
3.2 AUTONOMIA X VERGONHA E DÚVIDA – 18 MESES AOS 3 ANOS
O segundo estágio do desenvolvimento psicossocial desenvolvido por Erikson tem na sensação
de autonomia sua crise de identidade precipitadora, e ocorre durante o segundo ano de vida. Nessa
idade, como vimos, a criança passa a ter controle sobre suas atividades fisiológicas e a maneira com
que é demandada e estimulada para isso faz toda a diferença. Situações de exposição como quando,
por exemplo, a criança tem dificuldades para controlar seus esfíncteres podem gerar nela o
sentimento de vergonha.
O progressivo desenvolvimento psicomotor proporcionará as experiências de autonomia que
serão refreadas pelos adultos. As proibições, contudo, podem ser extremadas ou se expressarem por
meio de críticas e ridicularizações, que acabarão por restringir a autonomia que está sendo
desenvolvida pela criança.
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O segundo estágio descrito é denominado autonomia versus vergonha e dúvida. Durante esse
estágio, a criança vai aprender quais os seus privilégios, obrigações e limitações. Há uma
necessidade de autocontrole e de aceitação do controle por parte das outras pessoas,
desenvolvendo assim o senso de autonomia. Para que isso aconteça, é fundamental que o estágio
anterior tenha sido elaborado satisfatoriamente, para que a criança tenha confiança em si própria e
no mundo que a rodeia, permitindo-se assim ter uma opinião e fazer escolhas. É importante que
seus pais ou cuidadores permitam que ela ande com seus próprios pés incentivando assim a
autoconfiança. A vergonha e dúvida acontecem quando os pais fazem uso de humilhações e
situações que causem embaraço à criança para repreenderem sua teimosia, expondo-a e fazendo
com que perca o senso de autocontrole. (Erikson, 1976) (Chiuzi et al., 2011, p. 585)
A virtude que Erikson propõe como resultante desse processo, quando bem-sucedido, é a da
vontade.
3.3 INICIATIVA X CULPA – 3 AOS 6 ANOS
O terceiro estágio é o da Iniciativa X culpa, e a autonomia e curiosidade, bem como a ação
dirigida, se intensificam nessa fase. A criança desenvolve um senso de poder e controle através das
brincadeiras e interações sociais.
O terceiro estágio é chamado iniciativa versus culpa e é caracterizado por uma crescente destreza e
senso de responsabilidade. Nesta fase, a criança encontra-se nitidamente mais avançada mais
organizada tanto em nível físico como mental. É introduzida neste estágio ao passo que inicia seu
planejamento de tarefas e metas, tornando-se assim efetivamente autônoma. Neste estágio,
Erikson realçava também os perigos existentes, pois a criança busca exaustivamente e de forma
entusiasmada atingir suas metas, podendo fazer uso de meios agressivos e manipulativos para
alcançá-las (Erikson, 1956). (Chiuzi et al., 2011, p. 585)
A atitude do ego que se consolida através de uma fase de iniciativa e culpa bem-sucedida é o
propósito, a ação dirigida, intencional, levada a cabo pela segurança adquirida na sua própria ação
autoconfiante.
Importante, contudo, não perder de vista que o traço positivo, ainda que prepondere, segundo o
próprio Erikson, deve ser equilibrado com um correspondente negativo, ou seja, neste caso, o
sentimento de culpa também é importante para a socialização, na medida em que baliza as infrações
morais.
3.4 DILIGÊNCIA X INFERIORIDADE - 5 AOS 13 ANOS
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Uma vez adquirido um senso de estímulo à iniciativa, a criança irá ampliá-lo para além de suas
brincadeiras e imaginação. A virtude a ser desenvolvida nessa fase é a da competência, da
habilidade. As tarefas vão se tornando mais complexas e a criança vive a tensão entre dominar novas
aptidões e o sentimento de incompetência.
O quarto estágio é denominado atividade (diligência ou indústria) versus inferioridade. Fase onde a
criança necessita exercer maior controle sobre sua imaginação exuberante e dedicar mais atenção à
educação formal. Ela não somente desenvolve um senso de aplicação, mas também compreende as
recompensas obtidas pela perseverança da diligência. O prazer de brincar e o interesse, que antes
era exclusivamente voltado a seus brinquedos, são gradualmente desviados para interesses por
ações mais produtivas e ao aprendizado de habilidades sociais adequadas (Bee, 1997). O perigo
eminente neste estágio se caracteriza pelo sentimento de inferioridade, que é vivenciado
principalmente quando se mostra incapaz de dominar as tarefas que lhe são propostas por pais
professores e pares (Franz & White, 2006). (Chiuzi et al., 2011, p. 584)
A entrada da criança no mundo escolar marca essa etapa do desenvolvimento em que lhe serão
demandadas tarefas cada mais vez mais abstratas. A interação social se intensifica e a comparação e
competição se acirram, gerando sentimentos de orgulho quando as tarefas são bem desempenhadas
e de inferioridade quando não o são.
TEMA 4 – ADOLESCÊNCIA E VIDA ADULTA
4.1 IDENTIDADE X CONFUSÃO DE PAPÉIS – 13 AOS 21 ANOS
O quinto estágio proposto por Erikson é também aquele pelo qual ele mais se notabilizou, o da
adolescência. Aqui, a puberdade entra em cena, e as transformações dela oriundas levarão a uma
reavaliação da identidade da pessoa.
O quinto estágio é intitulado identidade versus confusão. É neste estágio que o adolescente
adquire senso de identidade psicossocial, isto é, compreende sua singularidade e seu papel no
mundo. Neste estágio, os indivíduos estão recheados de novas potencialidades cognitivas,
exploram e ensaiam estatutos e papéis sociais porque a sociedade fornece tal espaço de
experimentação ao adolescente. Segundo Erikson (1956), todo adolescente que quiser alcançar
uma identidade sexual madura e uma identidade ocupacional deverá reexaminar sua identidade e
os papéis que deveria ocupar. Ele deve chegar a um senso reintegrado do self, daquilo que gostaria
de fazer e ser e de seu papel sexual adequado. Ainda segundo Erikson (1959, citado por Papalia,
2006), “a identidade se forma à medida que as pessoas resolvem três questões importantes: a
escolha da ocupação, a adoção de valores nos quais acreditar e segundo os quais viver, e o
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desenvolvimento de uma identidade sexual satisfatória” (p. 343). Os adolescentes que resolvem
esta crise de maneira satisfatória desenvolvem a virtude da fidelidade – lealdade, fé ou sentimento
de pertencer a algo ou alguém que se ama, ou identificação com um conjunto de valores, uma
ideologia, um movimento político etc. (Erikson, 1998). (Chiuzi et al., 2011, p. 585)
Não são fáceis, portanto, as questões com as quais têm de se haver o jovem adolescente. Sobre
o plano ocupacional e profissional, por exemplo, incidem significações sociais de toda ordem e
pressões familiares. Já no que diz respeito aos valores segundo os quais se deverão viver, devemos
convir de que não são poucas as contradições de nossas sociedades e a pluralidade de discursos
certamente oferece um amplo espectro de possibilidades. O jovem deverá experimentar a ideologia
que melhor lhe assenta, sem, contudo, experimentar uma avaliação crítica dessa ideologia com a qual
se identificará.
A terceira questão importante, da identidade sexual satisfatória é, por si só, uma das questões
mais complexas de se resolver, como vimos, inclusive, em conteúdos anteriores, haja vista que a
sexualidade humana não é pré-determinada pela biologia, mas é atravessada por diversos
componentes, que nem sempre se harmonizam entre si.
A adolescênciaé vista como momento nevrálgico dentro desta edificação contínua que é o
desenvolvimento, pois é nela que o indivíduo reorganiza os elementos identitários da fase infantil
contrapondo-os ao mundo social encenado. Assim, busca a formação de uma identidade própria,
uma vez que já tem um eu capacitado a incorporar papéis sociais, ideológicos, morais e
profissionais (Erikson, 1956). Desta forma, no estágio da juventude os indivíduos devem posicionar-
se aparelhados para vincular sua identidade a outras pessoas e esquadrinhar relacionamentos que
abranjam intimidade e parceria verdadeira. (Chiuzi et al., 2011, p. 583)
A virtude a ser desenvolvida nesse estágio do desenvolvimento, de acordo com Erikson, é a da
fidelidade. O jovem deve ser capaz de revisar e reeditar sua identidade de modo a estabelecer um
compromisso entre seus anseios e aquilo que a sociedade lhe demanda.
Uma identidade mais coesa certamente irá se relacionar de forma mais genuína em atenção ao
próprio jovem e com as pessoas ao redor, bem como com seus próprios valores e ideias, com sua
própria conduta.
Erikson (1998) alega ainda que a identificação pessoal passar a existir neste estágio quando os
jovens escolhem os valores e as pessoas às quais serão fiéis, em vez de simplesmente aceitarem as
escolhas de seus pais (ou chefes), isto é, cargos embasados em estruturas hierárquicas
arbitrariamente definidas realmente podem não significar muito para esta população, a não ser que
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lhes sejam desvendados os méritos e conquistas obtidos por tais pessoas para que, então, o
adolescente possa avaliar, a partir de seus valores pessoais, a maneira como lidar com tais figuras
de autoridade. (Chiuzi et al., 2011, p. 586)
4.2 INTIMIDADE X ISOLAMENTO – 21 AOS 39 ANOS
Essa capacidade de estabelecer laços condizentes com uma personalidade coesa e genuína irá
subsidiar a próxima demanda social precipitadora do desenvolvimento psicossocial.
O estabelecimento de relacionamentos mais íntimos e recíprocos é o principal desafio desse
estágio:
Durante o estágio intimidade versus isolamento, Bee (1997) afirma que “o jovem adulto se constrói
sobre a base firmada na adolescência” (p.64). Por isso Erikson (1998) define a intimidade como “a
capacidade de fundir sua identidade com a de outra pessoa sem receio de que você possa perder
algo de si” (p. 45). Traz o amor como seu produto final, em uma vivência saudável. Isto pois, na
idade adulta, é o momento no qual se busca um parceiro para a edificação de uma relação sólida e
íntima, com devoção mútua entre parceiros que escolheram compartilhar suas vidas, ter filhos e
ajudar esses filhos a conquistar seu próprio desenvolvimento saudável (Waterman, 2004). Contudo,
nem todos trilham caminhos similares em direção ao mesmo desfecho acarretando no sentimento
de isolamento (em oposição ao de intimidade). Segundo Erikson (1976), a verdadeira intimidade só
acontece quando a formação da identidade está em pleno desenvolvimento. (Chiuzi et al., 2011, p.
586)
O sentimento de amar e ser amado, certamente, impulsiona o ser humano para o
desenvolvimento e confere a autoconfiança necessária para o estágio seguinte, em que a carreira
profissional e a família, na figura dos sucessores, assumem o papel central na vida do sujeito.
4.3 GENERATIVIDADE X ESTAGNAÇÃO – 40 AOS 65 ANOS
Depois de estabelecidos laços sociais íntimos tanto no campo do amor como no das amizades, e
já adentrado o campo do trabalho, o sujeito está apto a se comprometer com o mundo social mais
amplo e compreender que a vida não é só sobre si mesmo, mas com e para os outros. A transmissão
de saberes e valores, a perpetuação e o aperfeiçoamento desse mundo através de um legado
tornam-se um objetivo.
Ou seja, o sentimento de generatividade leva o sujeito a cuidar, ensinar, liderar e promover o bem-
estar da próxima geração. De acordo com McAdams e de St. Aubin (1998), a generatividade é um
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processo que vincula o desejo do indivíduo por uma imortalidade simbólica com a demanda
cultural de preocupação com as próximas gerações. Esta preocupação, reforçada pela crença na
bondade ou validade do empreendimento humano, levará o sujeito a ações generativas na busca
da construção de um legado para a posteridade. A resolução satisfatória das preocupações
generativas advém, em grande parte, da definição de qual legado será oferecido às próximas
gerações. A generatividade inclui todos os produtos e realizações que beneficiam o sistema social e
promovem sua continuidade e melhoria. Portanto, as produções resultantes da vida profissional
podem ser fundamentais para a experiência da generatividade (Erikson, 1998). (Magalhães; Gomes,
2005, n.p.)
Essa é, dentre as fases eriksonianas, a mais longa e tem se tornado cada vez maior com o
aumento da expectativa de vida. As pessoas que a atravessam com sucesso desenvolvem um senso
de consideração, de orgulho de si próprias e dos seus feitos, daquilo que produziu, do sentido que
deu a sua vida. No caso de não ter sido bem-sucedido através dessa fase, o sujeito experimentará a
sensação de estagnação, de inércia e fracasso.
TEMA 5 – VELHICE
5.1 INTEGRIDADE DO EGO X DESESPERO
O último estágio proposto por Erikson é o da integridade x desespero, e nos remete ao final da
vida e a avaliação que o sujeito fará sobre ela. As experiências, as realizações, os erros, todo o ciclo
vital, serão avaliados e o sujeito deverá se reconhecer ali ou não.
Diante da finitude iminente, o sujeito irá sopesar sua trajetória e, reconhecendo nela um
percurso que valeu a pena ser vivido, apesar das adversidades do mundo e de suas próprias
incoerências, irá experimentar um sentimento de integridade e otimizar seus últimos dias, com uma
postura de gratidão diante da vida e da morte.
Erikson fala de duas principais possibilidades: procurar novas formas de estruturar o tempo e
utilizar sua experiência de vida em prol de viver bem os últimos anos ou estagnar diante “do terrível
fim”, quando desaparecem pouco a pouco todas as fontes de carícia se vão e o desespero toma
conta da pessoa. (Rabello; Passos, 2007, n.p.)
No caso de uma avaliação negativa, o sentimento de desespero irá se impor frente a conclusão
de que não há oportunidade de reparo, pelo menos não quanto a trajetória que o sujeito percorreu
ao escrever a estória de sua vida.
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NA PRÁTICA
Muitos são os casos em que as pessoas experimentam a sensação de que não foram
protagonistas na construção de sua própria história. Sentimentos de despersonalização ou de uma
“vida de plástico”, sem grandes intimidades consigo próprio, de insatisfação com suas carreiras ou
relações não são tão raros, por exemplo, na atividade clínica.
Em que momentos do desenvolvimento psicossocial podemos situar o descompasso entre o
sujeito e seus próprios desejos? A teoria do desenvolvimento psicossocial nos fornece algumas
ferramentas para identificar os dilemas que podem desencaminhar os sujeitos na constituição de sua
própria identidade.
FINALIZANDO
Vimos que Erik Erikson partiu das concepções psicanalíticas para, a partir delas, construir uma
teoria própria e diferente sobre o desenvolvimento humano. Uma das principais críticas que Erikson
fez aos pressupostos freudianos, foi que o desenvolvimento é mais aberto aos desdobramentos
ulteriores à infância, e que o ego, uma vez fortalecido, pode propiciar o desenvolvimento de posturas
e habilidades mais positivas. Sua ênfase recaiu sobre as demandas sociais e culturais impostas aos
sujeitos em desenvolvimento e, a partir dessas demandas, propôs a organização das fases do
desenvolvimento referenciadas às crises que o sujeito passa na sua inserção e reconhecimento social.
Definiu dois polos na formação da identidade, resultantes do confronto de forças antagônicas: o
polo positivo,da identidade do ego, e o polo negativo, da difusão de identidade. No polo positivo, o
ego se enriquece e se fortifica com o atravessamento positivo dos estágios, angariando novas
habilidades integrativas que o capacitarão ao atravessamento das novas demandas sociais com maior
coesão identitária. Quando essa coesão vacila, diante de novas e diferentes demandas, em que as
habilidades até então adquiridas não são mais suficientes, o polo negativo se insinua, e uma nova
crise se instaura. O polo positivo pode também resultar de uma fase mal atravessada, e preponderar.
Erikson propôs oito fases consecutivas e interdependentes, em que a fase anterior influencia
decisivamente na qualidade da vivência a ser experimentada na próxima.
Vimos que, na primeira delas, da confiança básica x desconfiança básica, a partir da
responsividade dos cuidadores, da qualidade dos cuidados dedicados à criança, se estabelecerá um
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sentimento de confiança da criança de que o mundo pode prover aquilo de que precisará, ou não.
No polo positivo, a criança, mesmo na ausência da mãe ou cuidador, desenvolve a esperança de que
eles voltarão e não a deixarão desamparada.
Uma confiança satisfatoriamente estabelecida irá facilitar o segundo estágio, denominado de
autonomia x vergonha e dúvida. Aqui, o sentimento de que se é capaz de caminhar em direção à
autonomia está relacionado ao ambiente criado pelos pais, que pode ser estimulador ou
excessivamente restritivo. Se restritivo, a criança não irá desenvolver a vontade subjacente a
exploração do mundo.
O estágio seguinte, portanto, é o da iniciativa x culpa, em que a atitude do ego que se
consolida é a do propósito, da ação dirigida, planejada e intencional, levada a cabo pela segurança
adquirida nas fases anteriores (confiança e autonomia).
O quarto estágio do desenvolvimento eriksoniano é o da diligência x inferioridade, em que a
virtude a ser desenvolvida é a da competência, da habilidade. As tarefas vão se tornando mais
complexas e a criança vive a tensão entre dominar novas aptidões e o sentimento de incompetência.
A adolescência é o próximo estágio e o conflito entre identidade e confusão de papéis é o
fator precipitante. O jovem deverá rever suas acomodações identitárias anteriores numa reedição que
o levará a definir três dimensões fundamentais da vida: a ocupação profissional, os valores morais e
éticos que nortearão suas vidas e sua identidade sexual. No caso de um desfecho positivo, integrador
do ponto de vista do ego, a atitude resultante é a de fidelidade para consigo, com seu conjunto de
crenças e valores e consequente para com os outros.
Seguindo a proposição eriksoniana de desenvolvimento progressivo, essa atitude de fidelidade
irá auxiliar o agora jovem adulto na sua fase nova de intimidade x isolamento. Nessa fase, a
capacidade de estabelecer laços íntimos e recíprocos, condizentes com uma personalidade coesa e
será a demanda social precipitadora do desenvolvimento psicossocial. O amor é o principal atributo
que pode ser incorporado ao ego e o sentimento de amar e ser amado irá contribuir para a tarefa da
maior das fases que se seguirá, em termos temporais, a da generatividade x estagnação.
Nesse estágio o sujeito se volta para a vida mais ampla, para além de si próprio, e direciona suas
habilidades e capacidade de criação para a transmissão e aperfeiçoamento de gerações futuras e a
sociedade mais ampla. Atividades mais altruístas visarão a construção de um legado, que tem numa
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espécie de imortalidade simbólica seu feito mais exitoso. No caso positivo, a pessoa experimentará o
sentimento de orgulho e produtividade e, no caso negativo, um sentimento de estagnação e falta de
sentido.
Por fim, o último estágio será o de avaliação dessa trajetória de vida, em que o sujeito se
defrontará com a iminência da morte e, nessa condição, deverá concluir se sua vida valeu a pena, se
sua trajetória foi de fato sua, e, parafraseando o poeta, se ele fez algo com o que fizeram dele. No
caso positivo, o sentimento de satisfação irá lhe conferir um certo grau de sabedoria, enquanto no
caso negativo, o desespero. 
REFERÊNCIAS
CHIUZI, R. M.; PEIXOTO, B. R. G.; FUSARI, G. L. Conflito de Gerações nas Organizações: um
fenômeno social interpretado a partir da teoria de Erik Erikson. Temas em Psicologia. Sociedade
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MAGALHÃES, M. O.; GOMES, W. B. Personalidades vocacionais, generatividade e carreira na vida
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23/08/2022 17:26 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 14/14

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