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Modelagem de Processos com BPMN_ Dácio de Castro 2022 2 SUMÁRIO Capítulo 1. Introdução ao Módulo de Modelagem de Processos com BPMN...................... .................................................................................................................. 6 O que é BPM ................................................................................................................................... 6 A ABPMP ........................................................................................................................................... 7 O que é negócio? .......................................................................................................................... 7 O que é instância? ....................................................................................................................... 7 Os tipos de processos ................................................................................................................ 8 As visões BPM ................................................................................................................................ 8 O gerenciamento do negócio ................................................................................................. 9 Capítulo 2. Conceitos Notação BPMN .................................................................. 12 O que é BPMN? ........................................................................................................................... 12 Quem é a OMG?.......................................................................................................................... 12 Especificações de uso ............................................................................................................. 13 Outras notações ........................................................................................................................ 14 UML .................................................................................................................................................. 14 EPC – Event-driven Process Chain ................................................................................... 15 Value Stream Mapping ........................................................................................................... 16 IDEF – Integrated Definition Language ........................................................................ 17 Fluxograma .................................................................................................................................. 18 Por que BPMN? .......................................................................................................................... 19 Capítulo 3. Modelagem de Processos .................................................................. 21 O que é modelagem? ............................................................................................................... 21 Diagrama, mapa e modelo ..................................................................................................... 21 Níveis de modelagem .............................................................................................................. 23 Modelagem descritiva ............................................................................................................. 23 Modelagem analítica ............................................................................................................... 24 3 Modelagem de execução ....................................................................................................... 24 Abordagens de modelagem ................................................................................................. 24 Abordagem Bottom-Up .......................................................................................................... 24 Abordagem Top-Down ............................................................................................................ 25 Técnicas para modelagem .................................................................................................... 25 Abordagens especializadas .................................................................................................. 25 Cadeia de valor ........................................................................................................................... 25 SIPOC ............................................................................................................................................. 26 System Dynamics ...................................................................................................................... 27 Problemas com a modelagem ............................................................................................. 28 Ferramentas para modelagem ............................................................................................ 28 Plataformas BPMS .................................................................................................................... 29 Bizagi Modeler ............................................................................................................................ 29 Plataforma Heflo ....................................................................................................................... 29 Capítulo 4. Elementos BPMN ................................................................................... 32 As Piscinas (Pool) ...................................................................................................................... 32 As Raias (Lanes)......................................................................................................................... 33 Eventos (Início) .......................................................................................................................... 33 Eventos (Fim) .............................................................................................................................. 34 Eventos (Intermediários) ...................................................................................................... 35 Sequência do fluxo ................................................................................................................... 36 Atividades ..................................................................................................................................... 38 Os desvios (Gateways) ............................................................................................................ 39 Artefatos ....................................................................................................................................... 41 Capítulo 5. As Regras de Negócio .......................................................................... 44 Conceitos ...................................................................................................................................... 44 Algumas considerações ......................................................................................................... 45 4 Capítulo 6. As Boas Práticas em BPMN ............................................................... 48 Alguns cuidados ........................................................................................................................ 48 Algumas regras .......................................................................................................................... 48 Sobre os desvios ........................................................................................................................ 49 O caminho Default .................................................................................................................... 50 O Looping ......................................................................................................................................50 Capítulo 7. Melhorias nos Processos de Negócio ........................................... 53 Coletando informações .......................................................................................................... 53 Capítulo 8. Indicadores de Desempenho ........................................................... 58 Medida e métrica ....................................................................................................................... 58 Dimensões de métrica ............................................................................................................ 58 Característica SMART dos Indicadores .......................................................................... 59 Tipos de Indicadores ............................................................................................................... 59 Outras características ............................................................................................................. 60 Registrando os indicadores .................................................................................................. 60 Painéis de Controle - Dashboards ..................................................................................... 61 Capítulo 9. Estudo de Caso ....................................................................................... 64 O enunciado ................................................................................................................................. 64 Diretrizes para o redesenho ................................................................................................. 64 Descrição do processo ............................................................................................................ 64 Oportunidades de melhoria .................................................................................................. 65 Matriz GUT .................................................................................................................................... 66 Indicador de desempenho .................................................................................................... 66 Confecção do Mapa To-Be .................................................................................................... 66 Referências………… ............................................................................................................. 67 1 6 Capítulo 1. Introdução ao Módulo de Modelagem de Processos com BPMN Neste capítulo, serão apresentados os conceitos fundamentais da disciplina BPM e as premissas necessárias à compreensão de suas diretrizes. O que é BPM BPM é a sigla para Business Process Menagement (Gerenciamento de Processos de Negócio), uma disciplina gerencial que traz uma quebra de paradigma na maneira da organização enxergar seus processos de trabalho, indo além das estruturas funcionais tradicionais. Figura 1 – Capa do livro CBOK Fonte: ABPMP – BPM CBOK Apesar de já haver ocorrido o lançamento da versão 4 em português do CBOK, ainda não se encontra disponível seu download para os associados no site da ABPMP internacional (mas já está disponível para compra nas livrarias virtuais). Diversas referências foram usadas nesta apostila utilizando a versão 3 do CBOK e todas elas foram mantidas, uma vez que os conceitos e premissas fundamentais da disciplina se mantêm os mesmos. 7 A ABPMP A instituição formal que coordena os esforços de divulgação e manutenção da disciplina BPM é a ABPMP, que possui seus capítulos em diversos países (no Brasil, temos a ABPMP Brasil) e em cada país sua descentralização em diversas regionais. Informações sobre filiação, certificação e aquisição do CBOK podem ser encontradas no endereço abaixo: https://www.abpmp-br.org/. Figura 2 – Logo ABPMP Fonte: https://www.abpmp-br.org/ O que é negócio? Negócio abrange todos os tipos de organizações, de produtos ou serviços, públicas ou privadas, com ou sem fins lucrativos de qualquer porte e segmento. Uma organização é composta de pessoas que se organizam para realizar atividades que vão entregar valor a seus clientes e produzir o retorno esperado aos seus responsáveis. O que é instância? Do Guia da ABPMP (CBOK – 2013): “Instância de processo é cada execução de um processo”. Por exemplo, um processo que permita que uma pessoa consulte o prazo de entrega de um produto. Cada consulta feita é uma instância de processo. https://www.abpmp-br.org/ https://www.abpmp-br.org/ 8 Os tipos de processos Existem basicamente três tipos de processos em uma organização, e a compreensão de suas características é fundamental para uma boa gestão. Processos primários: Conjunto de atividades interfuncionais ponta a ponta que entrega valor diretamente ao cliente. Processos de suporte: Provê suporte aos processos primários ou a outros processos de suporte ou gerenciamento. Processos de gerenciamento: Possuem o propósito de medir, monitorar, controlar e administrar o estado atual e futuro do negócio. As visões BPM A visão ponta a ponta: A visão do trabalho ponta a ponta interfuncional é a chave da gestão por processos, pois visualiza da demanda à entrega, atravessando todas as áreas funcionais necessárias para entregar o valor esperado a seus clientes. A visão do cliente: Mais do que a percepção da organização daquilo que o cliente espera como resultado, ou seja, a visão NO cliente, procura-se ter a percepção DO cliente como um valor percebido entregue. A visão horizontal: Uma vez que o foco está na entrega, deixa de fazer sentido a visão departamental (vertical) e passa-se a adotar uma visão horizontal da organização, onde os setores e departamentos passam a serem vistos como unidade de negócio com funções de negócio definidas. 9 Figura 3 – Funções do negócio Função Recurso Gerenciado Suprimentos Materiais e insumos Recursos Humanos Profissionais Patrimônio Bens Jurídico Leis O gerenciamento do negócio Os processos de uma organização precisam ser gerenciados de forma cíclica para garantir sua integridade e sua transformação. É baseado no mesmo ciclo PDCA, onde P = Planejamento, D = Fazer, C = Checar e A = Ajustar. Figura 4 – Ciclo da Gestão por Processos 10 Na correspondência com o PDCA, o P = Planejamento, Análise e Desenho, o D = Implementação, o C = Monitoramento e Controle e o A = Refinamento. Dentro desse ciclo da Gestão de Processo, deve ser garantido que um processo é: Definido. Controlado. Passível de repetição. Gerenciado. 2 12 Capítulo 2. Conceitos Notação BPMN Neste capítulo, será apresentada uma breve história do surgimento da notação BPMN, assim como o órgão que a mantém e o consórcio de empresas que participaram de sua criação e desenvolvimento, além de outras notações que podem ser utilizadas na modelagem de um processo. O que é BPMN? BPMN é a sigla para Business Process Model and Notation (Notação e Modelagem de Processos de Negócio), desenvolvido pela OMG ® (Object Management Group) como um padrão para a representação do fluxo de atividades de um processo. É uma especificação que define uma notação gráfica para representar processos de negócios em diagramas de processos e um metamodelo, que forma a base para representar o fluxo de atividades de um negócio em arquivos legíveis por máquina. O principal uso desses diagramas gráficos é a compreensão pelos profissionais do negócio, enquanto o principal uso de modelos legíveis por máquina (ou seja, arquivos) é a automação do processo. Quem é a OMG? A Object Management Group® (OMG®) foi fundada em 1989 e é um consórcio internacional de padrões de tecnologia sem fins lucrativos, de associação aberta, fundada em 1989. Os padrões OMG são orientados por fornecedores, usuáriosfinais, instituições acadêmicas e agências governamentais. A OMG desenvolve padrões de integração empresarial para uma ampla gama de tecnologias e uma gama ainda mais ampla de setores. Os padrões de modelagem da OMG podem ser vistos na próxima figura. 13 Figura 5 – Notações mantidas pela OMG Fonte: https://www.omg.org/about/index.htm O consórcio das empresas que participaram do desenvolvimento da notação BPMN, incluindo a OMG, permite a livre distribuição e cópia da documentação incluindo modificações. Permite, também, a criação e a distribuição de softwares que foram desenvolvidos baseados nas especificações apresentadas na documentação. A documentação BPMN pode ser encontrada no endereço abaixo: https://www.omg.org/spec/BPMN/2.0.2/PDF. Especificações de uso Uma parte que cabe ressaltar sobre a notação BPMN e pode ser vista nos Termos, Condições e Notas do documento, é que: “(...) não representa um compromisso de implementar qualquer parte desta especificação em produtos de qualquer empresa”. Em outras palavras, significa que pode ser verificado diferenças de implementação de determinadas representações em diferentes ferramentas. https://www.omg.org/about/index.htm https://www.omg.org/spec/BPMN/2.0.2/PDF 14 A notação BPMN é um padrão ISO, o ISO/IEC 19510:2013 - Information technology – Object Management Group Business - Process Model and Notation (BPMN). Ele representa uma versão ISO do BPMN e é idêntico ao BPMN 2.0.1 da OMG, cuja documentação foi citada anteriormente. Foi lançado em 15 de julho de 2013. Outras notações Apesar da notação BPMN ser a mais aderente à disciplina BPM, outras notações podem ser utilizadas de maneira complementar em diversas situações. De acordo com o Guia da ABPMP (CBOK – 2013), “Notação é um conjunto padronizado de símbolos e regras que determinam o significado desses símbolos”. A seguir alguns padrões de notação que podem também ser utilizados na modelagem de processos. UML Mantido também pela OMG, a UML é um padrão de símbolos técnicos para diagramação, que procura descrever requisitos dos sistemas de informação. Quando utilizar: Desenvolvimento de casos de uso. Captura ou desenho de estruturas de dados. Para descrever requisitos de sistemas de informação. Para representar fluxos de atividades de negócio em níveis mais detalhados. 15 Figura 6 – Exemplo de uso da notação UML Fonte: https://support.bizzdesign.com/display/knowledge/Modeling+with+UML EPC – Event-driven Process Chain Foi criado para ser parte da estrutura de representação ARIS, utiliza eventos como gatilhos ou resultados em uma porção de fluxos de atividades. Muito utilizado para a representação de processos complexos. Quando utilizar: Para modelar processos para importação para sistemas ERP. Para construir modelos de simples entendimento de forma rápida. Modelagem de conjuntos complexos de processos, com várias interfaces. Para descrever detalhes do fluxo de atividades. https://support.bizzdesign.com/display/knowledge/Modeling+with+UML 16 Figura 7 – Exemplo de uso da notação EPC Fonte: https://www.visual- paradigm.com/support/documents/vpuserguide/285/2144/56976_creatingepcd.ht ml Value Stream Mapping São utilizados símbolos não padronizados, de maneira intuitiva, para apresentar a eficácia de processos representando a utilização de recursos e figuras de tempo. Quando utilizar: Para ajudar na autoidentificação de oportunidades para otimização do processo. Para engajar os executores na fase de análise. Quando não obrigar o uso de ambientes de modelagem completos. Em ambientes onde os custos e requisitos são facilmente identificados. https://www.visual-paradigm.com/support/documents/vpuserguide/285/2144/56976_creatingepcd.html https://www.visual-paradigm.com/support/documents/vpuserguide/285/2144/56976_creatingepcd.html https://www.visual-paradigm.com/support/documents/vpuserguide/285/2144/56976_creatingepcd.html 17 Figura 8 – Exemplo de uso da notação VSM Fonte: ABPMP – CBOK IDEF – Integrated Definition Language Ponto de partida para uma visão corporativa da organização. De acordo com o Guia da ABPMP (CBOK – 2013), destaca as “...entradas, saídas, mecanismos, controles de processo e relação dos níveis de detalhe do processo superior e inferior. Quando utilizar: Para qualquer nível de modelagem de atividades. Em Manufatura Integrada Auxiliada por Computador (ICAM). É o padrão da Federal Information Processing Standard dos EUA”. 18 Figura 9 – Exemplo de uso da notação VSM Fonte: https://www.researchgate.net/figure/News-production-hierarchy-level-1-of- IDeF-notation_fig1_280316638 Fluxograma Sua utilização facilita o entendimento rápido do fluxo de atividades em um processo. Utiliza um agrupamento simples de símbolos com pouca padronização. Quando usar: Para representar rapidamente um fluxo de processos, sem se ater na documentação de seus detalhes. Quando ainda não está definido qual será a ferramenta tecnológica que será utilizada em um projeto, ou não existe recursos para a utilização de uma. Em diagramas detalhados para o uso em codificação tradicional de sistemas. https://www.researchgate.net/figure/News-production-hierarchy-level-1-of-IDeF-notation_fig1_280316638 https://www.researchgate.net/figure/News-production-hierarchy-level-1-of-IDeF-notation_fig1_280316638 19 Figura 10 – Exemplo de uso da notação fluxograma Fonte: https://www.visual-paradigm.com/tutorials/flowchart-tutorial/ Por que BPMN? A notação BPMN é hoje adotada como a representação gráfica que mais se aproxima das boas práticas da Gestão de Processos de Negócio. De fácil leitura tanto pelo mundo dos negócios quanto pelos profissionais da TI, e com símbolos padronizados e reconhecidos por grandes empresas do mundo da tecnologia e dos negócios (Gartner), conseguiu encurtar a distância entre esses dois universos. Mas atenção, pois um mapa de processo elaborado na notação BPMN responde às perguntas QUEM faz O QUE, e deixa sem respostas diversas outras questões, como ONDE, QUANDO, POR QUE, COMO etc. Por isso, modelar um processo usando somente uma notação, ou sem documentos complementares que respondam às demais questões do processo, é um fator de risco para seu entendimento. https://www.visual-paradigm.com/tutorials/flowchart-tutorial/ 3 21 Capítulo 3. Modelagem de Processos Neste capítulo, serão apresentados os conceitos de modelagem de processos, suas características e níveis de modelagem que devem ser considerados ao se representar processos de negócio. Serão vistas as possíveis abordagens e técnicas para a modelagem, assim como os cuidados que devem ser observados para seu sucesso. Será visto, também, o tipo de ferramenta utilizada para dar suporte à modelagem de processos. O que é modelagem? De acordo com o Guia da ABPMP (CBOK – 2013): “Modelagem de processos de negócio é o conjunto de atividades envolvidas na criação de representações de processos de negócio existentes ou propostos”. Diagrama, mapa e modelo Apesar de muitas vezes serem usados como sinônimos, diagramas, mapas e modelos possuem diferentes propostas de aplicações e propósitos. Em termos práticos, diagramas, mapas e modelos correspondem a diferentes estágios do desenvolvimento, apresentando níveis de detalhamentos à medida que se evolui na modelagem para o entendimento, análise e desenho de processos. Diagrama: Representa os elementos-chave de um fluxo de atividades, porém não apresenta os detalhes de entendimento dos fluxos de trabalho, ajudando a rapidamente identificar e entender as principais atividades do processo. 22 Figura 11 – Exemplo de diagrama. Fonte: https://blog.iprocess.com.br/2014/02/modelagem-de-processos-de-negocio-diferencas-entre-diagrama-mapa-e-modelo-de-processos/. Mapa: um mapa irá apresentar um maior número de detalhamento que o diagrama, se valendo de elementos da notação como gateways, atores e eventos intermediários. Figura 12 – Exemplo de mapa. Fonte: https://blog.iprocess.com.br/2014/02/modelagem-de-processos-de-negocio- diferencas-entre-diagrama-mapa-e-modelo-de-processos/. Modelo: um modelo apresenta um determinado estado do negócio, atual (também chamado de As-Is) ou futuro (conhecido como To-Be). https://blog.iprocess.com.br/2014/02/modelagem-de-processos-de-negocio-diferencas-entre-diagrama-mapa-e-modelo-de-processos/ https://blog.iprocess.com.br/2014/02/modelagem-de-processos-de-negocio-diferencas-entre-diagrama-mapa-e-modelo-de-processos/ https://blog.iprocess.com.br/2014/02/modelagem-de-processos-de-negocio-diferencas-entre-diagrama-mapa-e-modelo-de-processos/ https://blog.iprocess.com.br/2014/02/modelagem-de-processos-de-negocio-diferencas-entre-diagrama-mapa-e-modelo-de-processos/ 23 Precisa de mais dados sobre o processo e das questões que afetam seu comportamento, pois representa com mais detalhes o processo modelado. Figura 13 – Exemplo de modelo Fonte: https://blog.iprocess.com.br/2014/02/modelagem-de-processos-de-negocio- diferencas-entre-diagrama-mapa-e-modelo-de-processos/ Níveis de modelagem O critério para o nível de detalhamento na modelagem é um dos problemas comuns que ocorrem nesta atividade. Uma modelagem com muito detalhes ou com escassez de informações podem levar à criação de modelos que impedirão uma análise adequada do processo. Modelagem descritiva É o nível mais comum usado pelos consultores. Neste nível, são ignoradas todas as regras de validação do diagrama BPMN. O objetivo é apresentar o processo em seu mais alto nível. Também chamada de nível estratégico, normalmente são usados diagramas para este nível de modelagem, com subprocessos representando os conjuntos de atividades de cada ator. https://blog.iprocess.com.br/2014/02/modelagem-de-processos-de-negocio-diferencas-entre-diagrama-mapa-e-modelo-de-processos/ https://blog.iprocess.com.br/2014/02/modelagem-de-processos-de-negocio-diferencas-entre-diagrama-mapa-e-modelo-de-processos/ 24 Modelagem analítica É mais detalhada, apresentando os passos, incluindo os caminhos de exceção necessários tanto para a realização de simulação quanto para criar alguns detalhes de requerimentos para a implementação de TI. É também chamada de nível tático, e normalmente são usados mapas para esse nível de modelagem com os símbolos de eventos intermediários e gateways da notação BPMN. Modelagem de execução Neste nível de modelagem, o BPMN é parte da implementação do processo executável, o que torna esta capacidade do BPMN a maior razão de sua adoção. É o nível necessário para a automação do processo. É também chamado de nível operacional e são usados modelos para a representação dos processos nesse nível de detalhamento. Aqui, entram também as regras de negócio e as expressões que determinam os caminhos alternativos do fluxo do processo. Abordagens de modelagem Para definir a abordagem correta em uma modelagem de processo, é fundamental definir seu propósito e, então, aplicar a melhor estratégia para atingi-lo. Uma vez que a abordagem é definida, podem ser utilizadas mais de uma estratégia para a comparação de resultados. Abordagem Bottom-Up As abordagens de baixo para cima, focada no fluxo das atividades, geram bons resultados se o desejo é identificar como funcionam as áreas da organização, buscando um maior detalhamento de suas operações. 25 Abordagem Top-Down Uma abordagem de cima para baixo pode ser indicada em projetos de transformação que são iniciados já com o estado futuro do processo, e posteriormente identificar o que precisará ser feito para implementar este modelo. Técnicas para modelagem Para realizar a modelagem de um processo, é necessário colher todas as informações necessárias para representá-lo graficamente no nível de detalhamento definido, e para colher essas informações, diversas técnicas podem ser utilizadas, incluindo combinações delas para registrar o funcionamento de um processo de negócio. Das diversas técnicas para capturar as informações para a modelagem, podemos citar: Observação direta. Entrevistas individuais. Reuniões estruturadas. Questionários. Videoconferência. Outras técnicas combinadas. Abordagens especializadas O guia CBOK apresenta três abordagens especializadas de processos. Cada uma dessas abordagens especializadas proporciona uma análise de perspectiva organizacional. Cadeia de valor 26 Criada por Michael Porter em 1985, a Cadeia de Valor apresenta o conjunto de processos que entrega valor ao cliente, considerando os elos primários, de suporte e em diversos casos de monitoramento. Quando utilizar: Na identificação de tipos e níveis de processos. Para permitir o desdobramento dos elos em macroprocessos e processos para apresentar aqueles que estão diretamente ligados à entrega de valor para o cliente. Figura 14 – Cadeia de Valor de Porter Fonte: https://www.portal-gestao.com/artigos/6991-o-modelo-de-cadeia-de-valor- de-michael-porter.html SIPOC Sigla para Supplier, Process, Output and Customer (Fornecedor, Entrada, Processo, Saída e Consumidor). Um estilo de documentação de processos usado na metodologia Lean Six Sigma representando as entradas e as saídas do fluxo de atividades de um processo. https://www.portal-gestao.com/artigos/6991-o-modelo-de-cadeia-de-valor-de-michael-porter.html https://www.portal-gestao.com/artigos/6991-o-modelo-de-cadeia-de-valor-de-michael-porter.html 27 Quando utilizar: Quando é preciso analisar o volume de entradas e saídas do processo, permitindo identificar gargalos e valor agregado ao próximo processo. Em projetos de melhoria de processos. Pode ser utilizado como um documento que antecede a modelagem mais detalhada em outra notação (como a BPMN, por exemplo). Para facilitar a conclusão sobre o escopo da modelagem. Figura 15 – SIPOC System Dynamics A Dinâmica de Sistemas representa uma percepção do negócio de maneira dinâmica, e é bastante útil no desenvolvimento de modelos dinâmicos para representar o desempenho geral de sistemas. Quando utilizar: Na representação de um nível macro de detalhamento, onde irá simular o desempenho organizacional de uma maneira geral. Na comparação de possíveis impactos quando houver mudanças em diversas variáveis de um processo. 28 Problemas com a modelagem A seguir, serão apresentados diversos problemas que ocorrem na atividade de modelagem de processos de negócio: Problemas de comunicação: as informações transmitidas precisam ser plenamente compreendidas pelas partes interessadas, do contrário, poderão gerar registros incorretos de dados. Modelar sem objetivo: ao modelar sem um objetivo claro, a falta de definição de um propósito leva a modelos sem conexão com as diretrizes e prioridades da organização. Comunicação de processos: antes de representar as atividades de um processo, é necessário conhecer seus propósitos e objetivos para identificar seu contexto de comunicação. Nível de detalhamento: a modelagem realizada com um detalhamento inadequado faz com que a análise fique comprometida, seja por excesso de informações desnecessárias ou pela ausência de dados importantes. Entendimento x Padronização: modelar um processo não significa que suas atividades passarão a estar todas padronizadas. Modela-se um processo para obter-se o conhecimento de seu funcionamento, e não para definir um padrão de trabalho. Ferramentas para modelagem Para se modelar o processo, pode ser usado desde flip-chart, post- its, quadros brancos até ferramentas tecnológicasavançadas. Uma prática comum é capturar as informações em dinâmicas, usando quadro branco, canvas e post-its, e posteriormente transcrever os resultados para uma ferramenta de modelagem, como um BPMS (Business Process Management Suite), por exemplo. 29 Plataformas BPMS Business Process Management Suite permite modelar o fluxo de trabalho, definir as regras do negócio, simular as operações de negócio, automatizar os processos e acompanhar, monitorar e controlar suas atividades. Existem diversas BPMS no mercado. Proprietários, de código aberto gratuitos, como plataformas web, desktops e como os mais diversos recursos e funcionalidades. A escolha de um BPMS pela organização deve atender a seus propósitos, infraestrutura e recursos, não só para sua aquisição, mas para mantê-lo operacional. Para este módulo, foram sugeridas duas opções: uma para instalação e outra para uso direto na web. Bizagi Modeler A versão Modeler do Bizagi é uma das que integra o pacote studio, composto ainda pelas versões Studio e Engine, que torna o Bizagi uma solução completa para apoiar todo o ciclo de gerenciamento de processos. A versão Modeler permite realizar uma modelagem abrangente do processo, possuindo recursos colaborativos, gerador de documentação, simulação, publicação dos mapas e está completamente integrado às outras versões do pacote studio. Seu download pode ser feito no seguinte endereço: https://www.bizagi.com/pt/plataforma/modeler. Plataforma Heflo Com o HEFLO, não é necessário a instalação de nenhum aplicativo, todos os seus diagramas de processos são armazenados na nuvem. Você acessa de qualquer lugar, a qualquer momento. Tudo o que necessita é um navegador e conexão internet, sendo que ele gera uma https://www.bizagi.com/pt/plataforma/modeler 30 documentação do processo, permite o download do fluxo como figura, exportação e controle de versões. É possível criar uma conta gratuita em seu endereço: https://www.heflo.com/pt-br/ https://www.heflo.com/pt-br/ 4 32 Capítulo 4. Elementos BPMN Neste capítulo, serão apresentados os elementos que compõem a notação BPM, as boas práticas de sua utilização e os cuidados que devem ser tomados na representação gráfica de um processo. As Piscinas (Pool) Uma piscina representa um processo e é composta por um conjunto de raias, onde são localizadas as atividades realizadas no processo. Um mapa de processo pode conter mais de uma piscina para facilitar a análise quando um processo comunicar com outro processo externo à organização. Figura 16 – Piscinas Piscinas 33 As Raias (Lanes) As raias são utilizadas para organizar as atividades e definir os papéis (roles) dos executores dessas atividades. Uma raia é um título ou uma função executada por um participante do processo. Por exemplo, uma raia pode ser nomeada como Supervisor ou Administrador Financeiro. As raias são linhas horizontais, onde todo o fluxo dos objetos do processo está posicionado. Figura 17 – Raias Eventos (Início) Os eventos de Início são objetos de fluxo BPMN, que definem o ponto de início de um processo. Existem diferentes tipos de eventos Início, que determinam como as instâncias dos processos são criadas. Início (Start): É usado quando nenhum acionamento de instância é definido. São sempre usados para definir o início de um subprocesso. 34 Figura 18 – Evento de início Start Fonte: Bizagi Modeler Os demais eventos de início são usados quando um evento específico inicia o fluxo de um processo. Fluxo de processos automatizados utilizam muitos os eventos Temporizador (Timer) e Mensagem (Message) para iniciar processos. Figura 19 – Evento de início Start Fonte: Bizagi Modeler Eventos (Fim) Os eventos de Fim são usados para marcar o fim de um caminho do processo. Se não existirem outros símbolos de evento fim, a instância está completa. É usado quando o processo não requer a execução de nenhuma ação após ser finalizado. Fim (End): é usado para finalizar o processo do fluxo principal. Fim (Terminate): é usado para finalizar um caminho alternativo do processo. 35 Figura 20 – Eventos de Fim Fonte: Bizagi Modeler Outro evento muito usado é o de Mensagem (Message), para envio de mensagens de um processo para outro ao fim de um caminho alternativo do processo. Demais eventos de fim podem ser vistos na imagem abaixo: Figura 21 – Eventos de Fim Fonte: Bizagi Modeler Eventos (Intermediários) Os eventos intermediários são objetos de fluxo BPMN, que definem que algo aconteceu em algum lugar entre o início e o fim do processo. Eles afetam o fluxo, mas não iniciam (diretamente) ou finalizam o processo. Temporizador (Timer): Permite controlar o fluxo do processo usando a condição de tempo. Muito usado para configurar um prazo para uma atividade. End Terminate 36 Figura 22 – Eventos de Fim Fonte: Bizagi Modeler Outro evento muito usado é o de Mensagem (Message), para envio de mensagens de um processo para outro. Demais eventos intermediários podem ser vistos na próxima imagem. Figura 23 – Eventos Intermediários Fonte: Bizagi Modeler Sequência do fluxo Transição Define a ordem ou a sequência em que as atividades são executadas dentro de um processo. Transição conecta os objetos dentro do processo e determina o caminho que uma instância de processo deve seguir através do processo. Com exceção dos eventos Start e End, todos os objetos possuem dois fluxos de transição, um de entrada e um de saída. 37 Figura 24 – Fluxo de Transição Mensagem É usado para apresentar o fluxo de Mensagens entre duas entidades, que estão preparadas para enviá-las e recebê-las. Em BPMN, duas piscinas separadas no diagrama representam duas entidades. Figura 25 – Fluxo de Mensagem 38 Figura 26 – Exemplos de Fluxos de Sequência Atividades O símbolo de atividade da notação BPM representa uma tarefa atômica (não é divisível) incluída dentro de um processo. Genericamente, é realizada por um usuário ou um sistema/aplicação. Atividade abstrata (None task): É usada nos primeiros mapeamentos. Atividade Interativa do Usuário (User Task) : É usada quando o usuário utiliza uma ferramenta de sistema para realizar a atividade. Atividade do Sistema (Service Task): É usada quando o sistema realiza a atividade. Permite a comunicação com outros processos e serviços. 39 Atividade Manual (Manual Task): A atividade manual representa uma tarefa executada por um participante que não é gerenciada pelo mecanismo de execução do BIZAGI (assim como a abstrata). Figura 27 – Exemplos de fluxos de sequência Subprocessos: são atividades que representam um conjunto de atividades. Muito usado no primeiro mapeamento de nível Estratégico, ou quando se deseja agrupar um conjunto de atividades que será detalhado/analisado posteriormente. O símbolo subprocesso representa, então, um conjunto de atividades realizadas por um determinado ator. Figura 28 – Exemplos de fluxos de sequência Fonte: Bizagi Modeler Os desvios (Gateways) Os gateways, ou desvios, são utilizados para controlar como o fluxo de sequência interage quando converge ou diverge no processo. Se o fluxo não precisa ser controlado, um desvio (gateway) não é necessário. Existem diversos gateways e suas implementações podem ser diferentes dependendo da ferramenta que está utilizando. Atividade Abstrata Atividade Interativa do Usuário Atividade do Sistema Atividade Manual 40 Figura 29 – Exemplos de fluxos de sequência Fonte: Bizagi Modeler Desvio exclusivo (Exclusive Gateway): Permite que você divida o fluxo de seu processo em dois ou mais caminhos. Contudo, o processo somente continuará em um desses caminhos. Figura 30 – Exemplo de desvio exclusivo Desvio Inclusivo (Inclusive Gateway): Permite que você divida o fluxo de seu processo em dois ou mais caminhos. Contudo, diferentemente do Desvio Exclusivo, a instância pode seguir um ou mais desses caminhos. 41 Figura 31 – Exemplo de desvio inclusivo Desvio Paralelo (Parallel Gateway): Permite que o fluxo do processo seja dividido em dois ou mais caminhos quando se deseja que esse fluxo percorra todos os caminhos simultaneamente. Figura 32 – Exemplo de desvio paralelo Artefatos Algumas ferramentas possuem artefatos disponíveis para inserir informações adicionais no mapa do processo. No BIZAGI, podem ser informados os recursos de sistemas e documentos gerados através dos componentes de Dados (Data) que são conectados às atividades envolvidas através de linha pontilhada. 42 Não se deve representar um sistema como um ator do processo – para isso, usa-se o objeto de dados. Objeto de Dados (Data Object): Usado para representar documentos criados. Armazenamento de Dados (Data Storage): Usado para representar qual o sistema utilizado para armazenar o resultado da atividade. Figura 33 – Artefatos. Fonte: Bizagi Modeler Figura 34 – Artefatos: exemplo de utilização. Data Object Data Storage 5 44 Capítulo 5. As Regras de Negócio Neste capítulo, serão apresentados os conceitos das regras de negócio, suas características e importância na modelagem de um processo. Conceitos De acordo com o Guia da ABPMP (CBOK – 2013): “Regras de negócio impõem restrições e direcionam decisões que impactam a natureza e o desempenho do processo. Frequentemente, as regras de negócio são criadas sem suficiente compreensão dos cenários que a organização pode encontrar”. As organizações entregam valor a seus clientes por meio de seus processos e a forma como esses processos funcionam são determinados pelas regras de negócio. Figura 35 – As regras e as atividades É comum que as expressões criadas para definir qual caminho alternativo uma instância deve seguir sejam chamadas, também, de regras do negócio. Porém, o correto seria tratá-las como condições que fazem com que uma instância deva seguir por um ou outro desvio encontrado no processo. Uma condição usada em um desvio é algo parecido com a expressão abaixo: 45 If Valor >5.000,00 is equal to true. Algumas considerações Ao analisar as regras de negócio do processo, algumas considerações devem ser feitas: As regras estão condizentes com os objetivos organizacionais? As regras que existem nos processos da organização estão sendo obedecidas? Existem pontos contraditórios nas regras de negócio dos processos? Processos que são dependentes ou interrelacionados a outros processos são regidos por regras consistentes? O que aconteceria se fossem eliminadas determinadas regras de negócio? Existem regras ausentes que garantem a conformidade do processo? Existe processo para fazer o gerenciamento da mudança de regras? Regras de negócio em sistemas Os aplicativos informatizados incorporam, implícita ou explicitamente, as regras de negócio em suas organizações ou algoritmos codificados. Nas organizações que não atingiram maturidade da documentação do processo e controle de mudanças, o conhecimento das regras está nas pessoas e será perdido quando forem substituídas. Restarão somente as regras existentes em códigos de sistemas. 46 A análise de Conformidade Legal Tem por objetivo padronizar a prática de modelagem dos procedimentos necessários para que os requisitos legais do processo sejam cumpridos. Essa compreensão é fundamental para identificar as necessidades de se gerenciar os requisitos legais e as regras de negócio que regem as atividades do processo. Resposta às perguntas da modelagem: O Guia da ABPMP (CBOK – 2013) diz que: “Se os dados são o sangue que dá vida à operação, flui e mantém tudo vivo, regras de negócio, são o cérebro do grupo”. E ainda: “As regras definem o que será feito, quando será feito, onde será feito, por que será feito, como será feito e como tudo será gerenciado e governado”. O que mostra a importância das regras de negócio nas atividades de um processo. 6 48 Capítulo 6. As Boas Práticas em BPMN Neste capítulo, serão apresentados diversos cuidados, regras e boas práticas na utilização dos símbolos em BPMN que devem ser observados para estar de acordo com o que está definido no padrão mantido pela OMG. Alguns cuidados Evite o cruzamento ou sobreposição de linhas no mapa. Não numerar as atividades para não gerar retrabalho em atualizações posteriores. Evitar nomes de atividade compridos. Evitar a utilização de mais de dois verbos dentro da mesma ação. A posição dos objetos no mapa será sempre abaixo/acima à direita, após o objeto anterior, com a linha de fluxo saindo da lateral direita do objeto e entrando na lateral esquerda do próximo objeto. Iniciar com letra maiúscula. Usar nomes de resultados e/ou documentos também em maiúsculas. Algumas regras Utilizar verbo sempre no infinitivo para nomear as atividades. Não use verbos que não expressem ações, tais como “aguardar”, “esperar” etc. Cada atividade deve estar relacionada na raia referente ao seu executor. A raia do evento Início deve ser a primeira. 49 Para as demais raias, a recomendação é que sigamos a ordem que o processo acontece. Sobre os desvios A boa prática na utilização dos desvios é representar bem a atividade que precede o símbolo do desvio. É seu resultado que determinará por qual caminho do processo a instância deverá seguir. Ao desenhar um gateway, a notação BPMN recomenda uma atividade anterior que indique a ação do desvio, permitindo que se escreva uma resposta em cada fluxo de saída. É recomendável que usemos este padrão e não uma pergunta com sim e não como resposta. Ao combinar dois ou mais caminhos alternativos em um único, deve- se usar a representação indicada pela OMG. Veja na figura: Figura 36 – As regras e as atividades. Fonte: OMG. Ao dividir um fluxo principal com o desvio paralelo, “juntar” os fluxos de caminhos criados em outro desvio paralelo. 50 Figura 37 – As regras e as atividades. Fonte: OMG. O caminho Default Para os desvios Exclusivos e Inclusivos, um tipo de transição é o fluxo de condição padrão. Esse fluxo será usado apenas se todos os outros fluxos condicionais não forem verdadeiros no tempo de execução do processo. Esses fluxos de sequência padrão terão uma barra diagonal que será adicionada ao início do conector. Figura 38 – O caminho padrão. Figura 39 – Exemplos de uso do caminho padrão. Fonte: OMG. O Looping Os loops podem ser criados conectando um fluxo de sequência a um objeto “upstream”. 51 Um objeto é considerado upstream quando possui um fluxo de sequência de saída que leva a uma série de outros fluxos de sequência em que o último é um fluxo sequência de entrada para o objeto original. Figura 40 – Exemplos de uso do looping. Fonte: OMG. Uma outra maneira de representar os loopings é através de atividades com suas propriedades alteradas de acordo com o tipo de resultado que se deseja. Figura 41 – Exemplos de uso do looping. Fonte: BIZAGI. 7 53 Capítulo 7. Melhorias nos Processos de Negócio Neste capítulo, será apresentada uma sequência de documentos que podem ser utilizados na modelagem de um processo. Serão vistos os documentos Diretrizes para Redesenho, Mapa de Contexto, Oportunidades de Melhoria e Matriz GUT. Coletando informações Diretrizes para o Redesenho Em diversos momentos, chamou-se atenção para a importância dos objetivos, propósitos e diretrizes da organização que devem orientar diversas decisõesna modelagem. Um documento que permite agrupar a visão do futuro, as premissas para o redesenho e o resultado esperado de um projeto de transformação de processos é o Diretrizes para o Redesenho. Na imagem abaixo, em cada coluna está um texto em azul com a explicação do preenchimento de cada coluna e abaixo dois exemplos de preenchimento. Figura 42 – Diretrizes para o Redesenho 54 Mapa de contexto O Mapa ou Diagrama de Contexto é um excelente documento para iniciar o entendimento do processo que será modelado e, até mesmo, para ter um entendimento simplificado de uma organização. Em uma dinâmica rápida, é possível finalizar com essa compreensão colhida e registrada de forma visual. Figura 43 – Mapa de Contexto As Oportunidades de Melhoria Como já foi dito, modelar um processo é representá-lo para tomar conhecimento de seu estado atual ou futuro, e isso é feito para que possam ser identificados os problemas, gargalos, atividades desnecessárias e todas as oportunidades de melhoria do processo, sempre associada à visão de futuro e premissas definidas pela organização. Com isso, o registro dessas oportunidades deve ser feito de forma organizada que facilite sua análise e priorização. 55 Seu preenchimento é praticamente autoexplicativo e pode ser visto na imagem abaixo: Figura 44 – Mapa de contexto A Matriz GUT É muito usual, no registro das oportunidades de melhorias, serem identificados diversos problemas originados das mais diversas causas e não é incomum se perder registrando problemas que não estão associados às diretrizes dadas. Por isso, classificar as demandas encontradas não só é importante para colocá-las em ordem de prioridades para a implantação, mas também para identificar aquelas que não necessitam ser implementadas no atual projeto. Para isso, a Matriz GUT permite atribuir uma pontuação para cada um dos três itens (gravidade, urgência e tendência), e aquele que possuir maior pontuação terá prioridade em sua implantação. 56 Figura 45 – Matriz GUT 8 58 Capítulo 8. Indicadores de Desempenho De acordo com o Guia da ABPMP (CBOK – 2013), indicadores de desempenho são “uma representação de forma simples ou intuitiva de uma métrica ou medida para facilitar sua interpretação quando comparada a uma referência ou alvo”. A informação resultante de um indicador pode tratar da qualidade ou da produtividade de um processo. Medida e métrica Segundo o Guia da ABPMP (CBOK – 2013): “Medida é a avaliação de uma grandeza por meio da comparação com outra grandeza da mesma espécie tomada como unidade. Quando se mede o comprimento de um material ou peça, por exemplo, pode-se utilizar o metro como unidade, isto é, o objeto medido é representado como uma fração (ou múltiplo) do metro”. Medida representa um dado. Métrica, segundo o mesmo Guia (CBOK – 2013): “é uma extrapolação de medidas, isto é, uma conclusão com base em dados finitos”. Assim, métrica pode ser conceituada como uma relação entre duas grandezas iguais ou diferentes. Um exemplo seria o número de defeitos identificados em um lote de produtos finalizados. Exemplo: (defeitos [número] / total do lote [número]) Métrica representa uma informação. Dimensões de métrica Extraído do Guia da ABPMP (CBOK – 2013): 59 “Tempo de ciclo: mede o tempo que leva entre o início e o fim do processo. Custo: métrica do valor monetário associado a um processo. Custo de recurso: métrica de valor monetário associado com os recursos necessários para completar um processo. Custo de oportunidade: é o valor que é perdido pelo fato de um processo não produzir o resultado esperado. Capacidade: é o montante ou volume de uma saída, produto ou serviço viável associado a um processo. Qualidade: geralmente expressa um percentual do real em relação ao ótimo ou máximo em termos de processo”. Característica SMART dos Indicadores Specific (Específicos): Devem ser claramente definidos e compreendidos. Measurable (Mensuráveis): Devem ser quantificáveis e passíveis de documentação. Achievable (Alcançáveis): Devem ser alcançáveis, considerando as restrições existentes. Relevant (Relevantes): Devem agregar valor e estar alinhados à estratégia. Time-bound (Atrelado a Prazo): Devem indicar uma janela temporal para o alcance das metas. Tipos de Indicadores Indicadores podem ser divididos em dois tipos: 60 Direcionadores - drivers: Fazem um monitoramento do processo em tempo real permitindo que sejam feitos ajustes para garantir o resultado esperado. De resultado - outcome: Fazem um monitoramento após o resultado, não permitindo que nada seja feito para modificá-lo. Outras características Para que se estabeleçam indicadores de desempenho, estes precisam ter outras características fundamentais. De acordo com o Guia da ABPMP (CBOK – 2013), eles devem ser: “Simples com facilidade de entendimento. Sólidos e com confiabilidade. Comparáveis com referências adequadas. Baixo custo de implementação. Sistematizáveis para coleta de dados. Rastreáveis, permitindo registro e recuperação de dados atualizados. Importantes para o negócio da organização. Baseados nos requisitos das partes interessadas”. Registrando os indicadores Ao criar os indicadores de desempenho, é importante estar atento a alguns detalhes que precisam ser apontados e registrados: Em qual processo ele será inserido. De que tipo será o indicador (qualidade ou produtividade). 61 Qual será o nome utilizado (ex.: “prazo médio de entrega”). A utilização de uma sigla para o indicador. Descrever seu objetivo de forma clara. Qual a frequência em que ele será coletado, calculado e analisado. Qual será a fórmula utilizada para a criação do indicador. Veja abaixo o exemplo de uma tabela de registro dos dados de um indicador: Indicador do Processo Processo Processo de atendimento de chamadas Tipologia Produtividade Nome do indicador Capacidade Média de Chamadas por Hora Sigla do Indicador CMCH Objetivo Apresentar a quantidade média de atendimento por hora ao fim de cada mês Periodicidade Coleta mensal, cálculo e análise a cada 1º dia útil de cada mês (outcome) Fórmula do Indicador Número de atendimentos / Horas trabalhadas Painéis de Controle - Dashboards Os Painéis de Controle, ou dashboards, são recursos visuais alimentados pelas informações obtidas pelos indicadores de desempenho e devem ser elaborados somente com as informações necessárias para as tomadas de decisão e da maneira mais adequada ao público-alvo de destino. 62 Figura 46 – Exemplos de Dashboards. 9 64 Capítulo 9. Estudo de Caso Neste capítulo, será replicado o Estudo de Caso apresentado nas aulas gravadas para facilitar a sua prática e a elaboração de seu resultado. Se desejar, pode substituir o processo de exemplo do enunciado por um processo de sua organização ou outro de sua escolha, desde que as diretrizes estejam claras e consiga obter as informações quanto ao fluxo de atividades. O enunciado Imagine que uma organização possui um processo de Pedido de Férias, cujo escopo é o controle das solicitações de férias da organização desde a solicitação inicial até sua aprovação ou rejeição. O objetivo deste exercício é pôr em prática o ciclo visto na modelagem de processos com o propósito de sua melhoria/transformação. Diretrizes para o redesenho A diretriz definida pela organização possui a visão de ter todas as suas atividades dentro das regulamentações vigentes, de que o processo seja automatizado e que reduza seu tempo de aprovação. Com base nisso, produza o documento Diretrizes para o Redesenho. Descrição do processo Com a descrição do processo em mãos, já é possível construir oMapa de Contexto e elaborar o Mapa As-Is. Uma organização deseja implementar melhorias (ou transformação) em seu processo de Pedido de Férias, que possui a descrição dada abaixo: 65 O processo de solicitação de férias começa quando um funcionário da organização preenche de próprio punho, com redação própria, uma solicitação de férias. Uma vez que a solicitação é registrada, o pedido é recebido pelo supervisor imediato. O supervisor deve aprovar ou rejeitar a solicitação e informar ao Recursos Humanos de sua decisão. Se a solicitação for rejeitada, o pedido é devolvido ao funcionário, com carimbo e assinatura do supervisor, que pode rever os motivos da rejeição. Se a solicitação for aprovada, o RH irá confirmar a disponibilidade dos dias em seu sistema e será gerada uma notificação ao representante de Recursos Humanos, que deverá preencher os respectivos procedimentos administrativos. Claro que existirá uma série de pontos que poderão trazer dúvidas sobre como a atividade é feita, mas lembrem-se que isso é um exercício, então, poderão preencher estas lacunas da maneira como acharem mais coerente. Ao elaborarem o Mapa As-Is, procurem já identificar, a cada atividade representada (e desvio, se existir), uma oportunidade de melhoria que atenda às diretrizes dadas. Oportunidades de melhoria Na documentação sobre Oportunidades de Melhoria, apontem ao menos 3 pontos que podem ser melhorados no processo, preenchendo todas as colunas apresentadas na tabela vista neste módulo. 66 Matriz GUT Na documentação da Matriz GUT, vocês serão responsáveis por identificar a gravidade, a urgência e a tendência para pontuar e colocar em ordem de prioridade as melhorias que serão implementadas. Indicador de desempenho Crie um indicador de desempenho que colete o tempo médio de cada atividade do processo informando seu resultado total no vigésimo dia do início do processo, de forma que permita fazer o ajuste necessário para cumprir o prazo estabelecido. Confecção do Mapa To-Be Ao desenhar o Mapa To-Be, represente todas as oportunidades de melhoria identificadas modificando-o para representar como o processo passará a funcionar. 67 10 Referências ABPMP – Association of Business Process Management Professionals. BPM CBOK: Guia para o Gerenciamento de Processos de Negócio Corpo Comum de Conhecimento. Versão 3. ed. 1. Brasil: ABPMP, 2013. CAPOTE, Gart. Guia Para Formação de Analistas de Processos. Business Process Management. 1. ed. 1. v. Rio de Janeiro. 2011. OMG – Object Management Group. Business Process Model and Notation (BPMN). Version 2.0. OMG. 2011. Disponível em: https://www.omg.org/spec/BPMN/2.0. Acesso em: 17 ago. 2021. https://www.omg.org/spec/BPMN/2.0