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PRESIDENTE Silas Malafaia Copyright © 2024 por Central Gospel Editora. Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Malafaia, Elizete Agraciadas: aprendendo a enxergar a beleza do servir / Elizete Malafaia. -- Rio de Janeiro: Central Gospel, 2024. ISBN 978-65-5760-078-8 1. Devoção a Deus 2. Fé (Cristianismo) 3. Jesus Cristo - Ensinamentos 4. Mulheres - Aspectos religiosos - Cristianismo 5. Mulheres - Vida cristã I. Título 24-195795 CDD-248.843 Índices para catálogo sistemático: 1. Mulheres: Vida cristã: Cristianismo 248.843 Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129 Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou parcial do texto deste livro por quaisquer meios (mecânicos, eletrônicos, xerográ�cos, fotográ�cos etc.), a não ser em citações breves, com indicação da fonte bibliográ�ca. As citações bíblicas utilizadas nesta revista foram extraídas das versões NVI e NVT, Sociedade Bíblica do Brasil, salvo indicação especí�ca, e visam incentivar a leitura das Sagradas Escrituras. Esta revista está de acordo com as mudanças propostas pelo novo Acordo Ortográ�co, em vigor desde janeiro de 2009. 1ª Edição: março/2024 Central Gospel Editora Ltda. Estrada do Guerenguê, 1851 - Taquara Cep: 22.713-001 Rio de Janeiro – RJ TEL: (21) 2598-2019 editoracentralgospel.com VICE-PRESIDENTE Talita Malafaia CEO CENTRAL GOSPEL EDITORA Elba Alencar DIRETORA DE MARKETING Sarah Lole EDITORA-CHEFE Marcella Passos CONSULTOR EDITORIAL Gilmar Vieira Chaves COORDENADORA EDITORIAL Michelle Candida Caetano Preparação do texto Marcella Passos REVISÃO Natália Ramos Martim Maria José Marinho CAPA, PROJETO GRÁFICO E DIAGRAMAÇÃO Raquel Frazão ILUSTRAÇÕES Raquel Frazão CONVERSÃO E-BOOK Brazil Deluxe Ltda http://editoracentralgospel.com/ http://www.brazildeluxe.com.br/ À minha amada Mãe, Maria Santos (in memoriam). À minha sogra, Albertina Malafaia. Às minhas filhas, Talita e Taisa; e à minha nora, Rachel. Às minhas netas, Maria Clara, Hadassah e Helena. E a todas as mulheres que descobriram a beleza e o privilégio de servir ao Reino de Deus com excelência, e estão deixando um legado para as próximas gerações! D Agradecimentos edico minha profunda gratidão a Deus, que nos serviu com o Seu melhor, doando-nos Seu amado Filho, Jesus Cristo. Este veio ao mundo para nos servir com excelência, proporcionando Sua graça, amor, perdão e salvação. Aos meus pais, que foram um grande exemplo de amor e prazer em servir à nossa família e ao Reino de Deus. Ao meu amado esposo, assim como aos meus �lhos, à minha nora, aos meus genros e netos, aos quais tenho o prazer de servir constantemente, pois sei que serei recompensada por Deus em todo o meu serviço. A todo o povo abençoado da ADVEC, juntos vamos crescer, servindo com alegria ao nosso próximo. A toda a equipe da Editora Central Gospel, que me serviu, em um curto espaço de tempo, com o seu melhor na preparação deste livro. Por �m, a você, leitor, que acaba de adquirir esta obra e irá multiplicar o que aprender aqui. Que Deus nos abençoe sempre! Elizete Malafaia PREFÁCIO ENTENDENDO MELHOR ESTE LIVRO INTRODUÇÃO CAPÍTULO 1 MARIA, MÃE DE JESUS CAPÍTULO 2 MULHER SAMARITANA CAPÍTULO 3 ISABEL CAPÍTULO 4 ANA, A PROFETISA CAPÍTULO 5 PRISCILA Í CAPÍTULO 6 MARIA DE BETÂNIA CAPÍTULO 7 AS MULHERES QUE MARCARAM MINHA VIDA Prefácio Por Eyshila Santos Quero falar de uma mulher agraciada… Quando a vi pela primeira vez, há mais de trinta anos, ela era mãe de três crianças, casada com um evangelista famoso e respeitado pela sua unção, eloquência e autoridade na Palavra. Ela não o acompanhava em todas as suas viagens porque, segundo o seu irmão Odilon — naquela época, meu namorado —, sua prioridade absoluta era cuidar de seus �lhos, atividade que pude testemunhar de perto ao ver em sua casa vários bilhetes pregados nas portas dos armários com versículos bíblicos e palavras proféticas direcionadas a cada um deles. Mas o seu cuidado não se limitava à sua própria família. Ela tinha tanto amor que transbordava para fora dos limites do seu lar. Houve uma ocasião em que eu a vi de longe com algumas mulheres da igreja — ela sempre amou trabalhar com mulheres —, caminhando na Rua Honório Bicalho, antigo endereço da sede da igreja Assembleia de Deus da Penha, hoje Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Perguntei ao meu marido aonde ela estava indo com aquelas irmãs em um dia tão ensolarado e quente como aquele, ao que ele me disse: “Ah, você não tem ideia do quanto a minha irmã ama servir a Deus e ao próximo. É impossível que ela perceba a necessidade de alguém sem ser impelida a ajudar”. Naquele dia, eu pensei: “Quero ser como essa mulher”. Quanta generosidade! Quanta entrega ao Reino e ao propósito de Deus para sua vida! Ela capturou minha atenção com a sua dedicação ao Senhor. Eu tinha dezessete anos, estava apenas chegando à família, e não tinha ideia do quanto ainda seria in�uenciada e transformada pelo seu estilo de vida. Embora nem imaginasse, estava diante da minha futura pastora, uma mulher agraciada por Deus — a mesma graça que a capacita a viver o impossível, ver o invisível e suportar o insuportável, como ela mesma declara em suas ministrações. A Pastora Elizete já era uma in�uenciadora naquele tempo, mesmo sem saber, e, por meio da sua dedicação ao Rei e ao Seu Reino, tocou profundamente o meu coração. Uma mulher agraciada não é apenas agradável ao próximo, mas ao próprio Deus. Ela se importa com a opinião do Espírito Santo a respeito de suas decisões e pauta a sua vida no querer d’Aquele que a agraciou com a Sua doce presença. Não tem a pretensão de usar Deus para atender aos seus interesses pessoais, mas deixa-se ser usada por Ele, a �m de que o Seu Reino seja estabelecido nos corações daqueles que passam pela sua vida. Foi naquele mesmo tempo que eu a vi reunida com um pequeno grupo de mulheres na igreja. Aquela foi a primeira rede de apoio emocional da qual eu participei, na qual aprendemos a dar nome às nossas dores, e a ouvimos falar sobre cura física, emocional e espiritual. Somente ali, aprendi que depressão não é demônio, mas uma doença como outra qualquer, que não pode ser negligenciada e precisa ser tratada, assim como todas as outras. A Pastora Elizete recebeu graça para tocar em assuntos que, em muitas igrejas, ainda eram tabus ou abordados com muitas reservas, devido à sua complexidade. Mas ela não aprendeu sobre cura emocional apenas na teoria dos livros acadêmicos. Sua maior escola não foi a faculdade de Psicologia, mas, sim, a escola de uma vida rica em experiências pessoais submetidas a Deus e superadas em Sua presença. Com sua ousadia e vulnerabilidade, ela me ensinou que nossas dores não precisam ser silenciadas, mas que devemos discernir onde, quando e para quem abrimos o nosso coração. Foi também minha professora da Escola Bíblica Dominical na classe de moças. Ela havia começado o seu ministério muito cedo, tinha muita experiência, e por isso Deus já a usava tão poderosamente. Enquanto o seu marido, Pastor Silas Malafaia, estava cumprindo o seu chamado evangelístico e profético em rede nacional, por meio dos programas em TV aberta, ela estava preparando a mim e a mais dezenas de jovens, que futuramente também tocariam multidões a partir do legado que ela nos passaria. Também não posso deixar de mencionar o quanto ela abençoou a minha casa. Quando eu e o Odilon, irmão da Pastora Elizete, marcamos a data do nosso casamento, ainda não tínhamos onde morar. Naquele mesmo período, houve uma ocasião em que Deus me tocou para que eu entregasse à vida de um missionário que havia pregado em uma das �liais da nossa igreja todo o valor que havia recebido por determinado trabalho. Era tudo o que eu tinha na bolsa! Logo em seguida, Deus usou uma mulher em profecia para nos dizer que ela via uma casa completamente mobiliada com tudo de melhor que poderia existir, e nós agarramos aquela palavra com toda a fé do nosso coração. Alguns dias depois,o Pastor Silas chamou o Odilon para conversar e deu a ele a seguinte notícia: “Estamos nos mudando do nosso apartamento para outro maior e vamos deixar este aqui com todos os móveis para você começar a sua vida com a Eyshila. Não precisam nos pagar aluguel. Fiquem aqui pelo tempo que precisarem, este é o nosso presente de casamento para vocês”. Como essa notícia nos alegrou! Foi a con�rmação de que estávamos no caminho certo, embora essa bênção não tenha nos livrado das tempestades que enfrentaríamos no decorrer da nossa vida em família. Naquele tempo de batalha espiritual que eu travei com as trevas pela libertação completa do meu marido, aquela casa, que tinha uma história de oração e lágrimas no altar, foi o meu refúgio de oração. Cada vez que eu me movia pelos cômodos daquele apartamento, orando pelo Odilon, eu me lembrava de que as minhas orações não eram as únicas que ecoavam naquele lugar. Por ali havia passado outra mulher de oração, mulher quebrantada, totalmente dedicada a Jesus e agraciada pela Sua presença. Naquele tempo, o meu marido não estava liberto das drogas, portanto ele di�cilmente frequentava a igreja comigo. Aquele apartamento se tornou a minha plataforma de pregação. Tive de aprender a pregar sem palavras, amar sem reservas, abrir mão da minha razão e colocar Jesus no centro da minha vida, acima do meu marido e acima dos meus sonhos e projetos pessoais. Ali, naquele apartamento, eu fui ensinada pelo próprio Espírito Santo que uma mulher agraciada não é aquela que tem tudo aquilo com que sonhou, mas aquela que abraça os sonhos de Deus. Decidi que jamais deixaria que as decisões dos outros, por mais que eu os amasse, afetassem o meu relacionamento pessoal com Jesus. Tudo começou ali, naquele apartamento da Rua Fernandes Pinheiro, no bairro da Penha, emprestado a nós pelos nossos pastores, Silas e Elizete Malafaia. Foi uma semente que durou sete anos. Durante aquele tempo, eu nunca deixei de ir à igreja, mesmo sem a presença do meu marido, mas tive de aprender a fazer da minha casa um pedaço do Céu. Uma casa com memória, com história e com marcas, mesmo que invisíveis, das lágrimas da Pastora Elizete diante do Senhor. Foi ali que vivi um dos maiores milagres da minha história: a libertação do meu marido. Aquele que não queria ir para a igreja, um dia, se ajoelhou aos pés da nossa cama — que herdamos dos nossos pastores — e entregou a sua vida a Jesus em uma madrugada do ano de 1997. Aquela foi a última madrugada em que o meu marido se drogou, para a glória de Deus. Hoje, ele é um pastor totalmente dedicado à obra do Senhor e ao Seu chamado. A Pastora Elizete teve um papel essencial na minha vida nesse período tão difícil, com seu exemplo, sua intercessão e sua generosidade. Até hoje, ela participa de cada momento desa�ador que eu tenho enfrentado. As experiências continuam, e já estamos na expectativa daquilo que o Senhor vai fazer nos próximos capítulos da nossa existência. O nosso Deus não mudou. Ele continua no controle de tudo! Cada vez que me deparo com um grande desa�o, eu me lembro do que pedi a Deus: “Senhor, dá-me a graça dessa mulher para Te servir”. Sou cunhada da Pastora Elizete há quase trinta anos, e uma das maiores marcas do seu ministério tem sido amar e servir às pessoas. Apesar de sua formação ser em Psicologia, eu descon�o que a sua maior escola foi a vida da sua mãe, Maria Leal Santos, que também tive o privilégio de ter como sogra. Que mulher agraciada! Outra mulher que, certamente marcou sua vida foi sua sogra, Pastora Albertina Malafaia. Deus sabia o que estava fazendo quando plantou Elizete no ventre da irmã Maria e, depois, deu-lhe uma sogra como a Pastora Albertina. Ela não recebeu apenas a teoria, mas viveu na prática o ofício de servir apesar de suas limitações, perseguições e adversidades. Pastora Elizete foi treinada na escola da dor. Sua humanidade jamais foi camu�ada por um discurso triunfalista. Ela é vitoriosa, SIM, não por causa dos diplomas e homenagens que recebeu, mas pelas dores insuportáveis que enfrentou. Ela tem me ensinado a ser imperturbável, resiliente, guardiã do meu lar e pastora. Sim, ela tem sido mentora de um exército de pastoras e esposas de pastores que a admiram profundamente. Ela tem um rebanho enorme de mulheres que, de perto ou de longe, a amam e a admiram. Ela foi agraciada com uma autoridade que jamais foi imposta, mas conquistada. Ela é uma líder que exerce autoridade sem ser autoritária. Eu faço parte desse exército de mulheres que abraçou sua visão por amor, e não por imposição. Ela convoca sem obrigar, mostra o caminho e arrasta multidões com seu jeito carinhoso — porém �rme — de ser. Ela é, sem dúvida, uma das pessoas mais amadas que conheço, mas isso só é possível porque escolheu amar as pessoas incondicionalmente, e esse é o segredo da força que carrega. Ser agraciada é ser dotada de capacitação para atender a um propósito maior do que nós mesmas. Se ela tem defeitos? Claro que sim! E fala deles com muita graça. Sua humanidade e vulnerabilidade em se revelar e se expor sem reservas para curar nossas feridas tem sido outra marca do seu ministério. Hoje, ela não é apenas a esposa do Pastor Silas Malafaia, o que já seria um grande chamado, devido à relevância do ministério dele, mas ela é também a pastora, a evangelista, a palestrante, a escritora e a mentora de multidões. Aquela jovem senhora que começou mentoreando um grupo pequeno de mulheres hoje inspira milhares e milhares de pessoas. Aprouve a Deus que, em tempo oportuno, essa mulher agraciada ultrapassasse as fronteiras da sua casa e da sua igreja local e invadisse o mundo com a simplicidade e, ao mesmo tempo, a profundidade da sua pregação totalmente pautada na Palavra de Deus. Nestes trinta anos de convivência, também já presenciei muitas de suas dores, mas nenhuma delas foi usada como desculpa para desistir. Creio que esta também é uma das características na vida de uma mulher agraciada como a minha amada pastora: não se curvar diante das catástrofes da vida, entendendo que todo caos que vivemos carrega em si o potencial de nos fazer viver mais um milagre. Minha amada Pastora Elizete Malafaia, muito obrigada pelo seu sim. Falo não somente em meu nome, mas também em nome de todas as mulheres que têm sido tocadas pela sua vida. Tenho certeza de que estamos diante de um material literário gerado debaixo de oração, estudo bíblico, pesquisa e experiências pessoais profundas. A�nal, uma mulher agraciada não se acha em qualquer esquina da vida; ela é como um vaso nas mãos do oleiro. Às vezes lindo e perfeito, outras vezes quebrado e moído, reconstruído e moldado no fogo, mas nunca descartado ou destruído. Mulher agraciada não é aquela que tem mais sorte, mas aquela que teve a sua sorte mudada pela presença gloriosa de Jesus, porque escolheu andar com Ele. Quero incentivar você, leitora, a ler cada capítulo deste livro sabendo que estas páginas carregam mais do que teoria: carregam vida. A vida de uma mulher agraciada. Peça a Deus que lhe apresente amigas agraciadas por Ele. Peça a Deus que faça de você uma mulher também agraciada, a ponto de fazer com que outras desejem aquilo que carrega: a presença de Deus. Tenho certeza de que este livro será uma ferramenta poderosa nas mãos do Senhor para fazer de você uma mulher cada dia mais parecida com Jesus, assim como a minha amada Pastora Elizete Malafaia. O milagre é ser agraciada! Que ela receba a recompensa merecida, e as suas obras sejam elogiadas à porta da cidade. (Provérbios 31.31) A Entendendo melhor este livro lém de caminhar pelas histórias de mulheres que serviram ao Reino com suas vidas, meu desejo é que você construa suas próprias re�exões enquanto lê, caminhando também para uma transformação completa em sua vida. Por isso, há alguns recursos ao longo dos capítulos que tornarão sua leitura ainda mais prática e efetiva, com a ajuda do Espírito Santo. FRUTO DO ESPÍRITO A Palavra de Deus a�rma: Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, �delidade,mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. (Gálatas 5.22-23) Cada uma das mulheres apresentadas neste livro teve sua existência impactada pelo Senhor. E mesmo que a maioria tenha vivido antes do derramar do Espírito Santo, podemos ver em suas vidas virtudes do fruto do Espírito. Assim, em cada capítulo, destacaremos essas características, a �m de aprendermos com elas. AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES Eu aprendi, desde muito nova, que, em qualquer ação que formos executar, precisamos nos perguntar: A quem estou servindo? Por que estou servindo? Com que intenção estou servindo? Isso fará toda a diferença para que você não desista diante de qualquer di�culdade, mas, sim, persevere no servir. Capítulo a capítulo, você poderá re�etir a respeito dessas perguntas na vida de cada mulher em destaque e pensar sobre o que isso nos ensina. UM COMPROMISSO COM DEUS Há muitos anos, tenho o costume de registrar minhas orações e creio que isso faz muita diferença no nosso tempo com Deus. Por isso, além de deixar uma oração feita por mim em cada capítulo, também reservei um espaço para que você escreva sua própria oração, comprometendo- se com o Pai a buscar mais d’Ele e a se aperfeiçoar naquele tema especí�co. SEU MOMENTO DE CRIATIVIDADE Esta obra é preenchida com lindas ilustrações, pinturas que revelam muita sensibilidade e que tiveram a Bíblia como inspiração. Para que você também possa se expressar artisticamente, entendendo o papel terapêutico da pintura, reservamos um espaço, ao �nal do livro, em que você será a artista. Aproveite esse tempo para também cuidar de sua mente e desacelerar a rotina pesada, o ritmo cotidiano e o uso das redes sociais. O descanso é uma obra de Deus! T Introdução Todas as pessoas podem ser grandes porque todas podem servir. Não é preciso ter um diploma universitário para servir. Não é preciso fazer concordar o sujeito e o verbo para servir. Basta um coração cheio de graça. Uma alma gerada pelo amor. Martin Luther King Trecho extraído de seu sermão intitulado “The Drum Major Instinct” odas nós fomos criadas por Deus com um desígnio. A marca do amor do Criador por nós está em todo o nosso ser, e as características que temos vão sempre re�etir nosso propósito. Isso signi�ca dizer que você, mulher, tem os atributos exatos necessários para solucionar problemas e trazer luz a situações que outras não poderiam gerenciar — alguém nesta Terra precisa das qualidades que o Senhor designou a você. Mas, em um mundo tão individualista, como caminhar na direção oposta e viver para servir a um propósito maior? É diante desse questionamento que o livro Agraciadas: aprendendo a enxergar a beleza do servir surgiu. A palavra agraciada signi�ca “favorecida, aquela que tem a bênção e o favor de Deus”, mas nós não recebemos essa graça e esse favor apenas para satisfação própria, e sim para servir. Este é o nosso maior propósito: dar ao Reino e ao Rei nossos talentos, nossas habilidades e nossos dons. Nós não os merecíamos! Mas foi Deus que nos amou, escolheu e enviou a este mundo exatamente no tempo e no lugar em que estamos, agraciando-nos com vida, saúde, força e sabedoria. É Ele que renova nossas forças todos os dias para que possamos cumprir o propósito para o qual nos gerou, e cuida de nós em cada detalhe. Lembre-se do que diz a Palavra: Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como �lhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado. (Efésios 1.3-6) Pensar como servo é difícil, eu sei, pois somos egoístas por natureza. Pensamos demais em nós mesmos, por esse motivo a humildade é uma luta diária. Mas o verdadeiro servo não tenta usar Deus para propósitos próprios — deixa que Deus o use para os propósitos DELE. Eu não sei qual é a sua história, mas quero que saiba que você também foi agraciada pelo Senhor, foi escolhida! Portanto, foi alvo da atenção d’Ele, como a jovem Maria quando recebeu a visita do anjo e descobriu que seria a mãe do Salvador, recebendo as seguintes palavras: O anjo, aproximando-se dela, disse: “Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!”. (Lucas 1.28 – grifo nosso) Ela recebeu a honra de servir a uma missão muito maior do que poderia imaginar, e foi abençoada pelo Senhor para dar conta dessa jornada. Hoje, vejo muitas mulheres que não se sentem agraciadas por Deus, não se consideram dignas de cumprir seu chamado ou até de desfrutar das bênçãos que o Senhor reservou para elas. Muitas são marcadas pela culpa, por traumas não resolvidos ou por palavras de maldição que receberam, e se isolam em sua própria dor. Mas essa não é a vontade de Deus para elas. Essa não é a vontade de Deus para você! E eu creio que esta leitura virá como uma resposta para que muitas amadas do Senhor se levantem e troquem as mentiras que o Inimigo tem dito a elas pela verdade do Pai. Neste livro, vamos passear pelas histórias de algumas mulheres que enfrentaram problemas reais — que continuam fazendo parte da realidade das �lhas de Deus ainda neste tempo. Assim como nós, elas passaram por todo tipo de a�ição, perda de �lhos, crises �nanceiras, términos de relacionamento, frustrações, rejeição etc. Mas, quando entenderam a graça, o favor e o amor de Deus em suas vidas, elas mudaram a história! Além disso, cada uma delas foi usada pelo Senhor para servir em uma área especí�ca e foi habilitada com dons, talentos e habilidades necessários para cumprir sua missão, solucionar problemas e abençoar vidas. Quando uma mulher entende que é alvo da graça e do amor do Pai, ninguém mais pode pará-la. No momento em que escrevo este livro, o tema do ano na igreja em que sou pastora, Assembleia de Deus Vitória em Cristo, é O Ano do Servir, e, enquanto conversava com o meu marido sobre isso, em casa, falávamos sobre como o primeiro e maior exemplo de servir está no próprio Deus. O Pai nos serviu, desde a fundação do mundo, ao decidir enviar Seu �lho para morrer por nós e salvar toda a humanidade (cf. Apocalipse 11.8). O Filho nos serviu ao decidir abrir mão de Sua glória e assumir a forma de servo, enfrentando e vencendo a morte por amor a nós (cf. Filipenses 2.7). Deus nos ofereceu o que havia de melhor! Fomos agraciadas com a vida eterna e abundante n’Ele, e quanta beleza há em ser parecida com o Mestre, servindo como Ele serviu! Hoje, quando olho para a minha vida e para a de outras mulheres que caminham comigo no Reino, entendo que todas fomos agraciadas pelo Criador, mesmo diante de tantos desa�os. Assim como o Senhor usou as mulheres do passado, que ousaram crer, con�ar e obedecer, Ele continua nos usando, e fazendo-nos alvo do Seu favor. Deus não as escolheu porque eram especiais, pelo contrário! Elas se tornaram especiais porque foram escolhidas e agraciadas por Deus para desempenharem papéis especí�cos como servas d’Ele no Reino. Acredito, assim, que toda mulher que é alvo da graça de Deus é cheia do amor, do perdão e da bondade d’Ele, e também repetirá essa graça para o seu próximo. Ela terá o poder de Deus para abençoar outras pessoas e, assim como as mulheres deste livro, enxergará a beleza do servir e deixará um legado para as gerações, fazendo história por onde passar. Chegou a sua vez! Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você! E CAPÍTULO 1 Maria, mãe de Jesus Servindo na maternidade por um propósito maior No sexto mês Deus enviou o anjo Gabriel a Nazaré, cidade da Galileia, a uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria. O anjo, aproximando-se dela, disse: “Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!” (Lucas 1.26-28 – grifo nosso) muito improvável que você nunca tenha ouvido falar de Maria como a mãe do Salvador. No entanto, quandorecebeu a visita do anjo Gabriel, ela era apenas uma menina. Uma menina simples, que temia ao Senhor, conhecia a Torá (a Lei de Moisés), obedecia aos seus pais, era boa para ouvir e observava atentamente os valores de sua cultura. Uma menina que, embora tão jovem, teve um discernimento para entender a grandeza do momento que estava vivenciando, sendo muito sensível à voz de Deus, reconhecendo que havia sido escolhida para viver algo diferente nesta Terra. Ao ouvir as palavras do anjo, chamando-a de agraciada, bendita, e apresentando sua missão, de pronto o questionou: “[...] Como acontecerá isso, se sou virgem?” (v. 34). A verdade é que ela se deparou com a sua própria vulnerabilidade, sua di�culdade, sua limitação diante de uma tão grande missão. Como poderia viver isso sendo uma jovem virgem e prometida em casamento? Mas a sua disposição em obedecer, apesar de todos os empecilhos, mostra que ela se lembrou de Isaías 7.14. Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem �cará grávida e dará à luz um �lho, e o chamará Emanuel. No momento em que ela se lembrou disso, respondeu: “[...] Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra [...]” (Lucas 1.38 – ARA – grifo nosso). Ela estava disposta a cumprir a vontade de Deus, e não a dela! Estava disposta a servir por um propósito muito maior que ela! Essa costuma ser a nossa grande di�culdade. Quando nos colocamos à disposição do Senhor para servir aos Seus planos, até queremos que o desejo d’Ele se estabeleça na nossa vida. Porém, quando a vontade do Pai não é aquilo que nós esperamos, muitas vezes declinamos, tendo coragem de dizer “não” ao Eterno e de fugir dos propósitos d’Ele. SERVIR ENVOLVERÁ RENÚNCIA Em todos esses anos ouvindo a história de Maria, você já parou para pensar em tudo de que ela teve de abrir mão para ser a mãe do Messias? O sonho de toda menina daquela época envolvia o casamento — a preparação da noiva, a festa, o cuidado com o enxoval. Apesar disso, Maria precisou, certamente, acelerar todo o processo, viver algo que não havia planejado, antes que a barriga crescesse. Ao se submeter ao plano de Deus e dispor-se a ser a mãe do Salvador, ela foi corajosa a ponto de, inclusive, assumir o risco de ser apedrejada até a morte, caso José a delatasse (cf. Deuteronômio 22.24). Como é bela e desa�adora a decisão de renunciar aos próprios sonhos para viver os sonhos de Deus! Eu acredito que, para entregar a ela uma responsabilidade tão grandiosa, o Senhor não a viu apenas como uma menina. Certamente, Maria demonstrou ter preparo espiritual e emocional, maturidade e um coração aberto a correr riscos pelo Reino, pois não seria qualquer mulher que suportaria passar pelo que ela passou desde a visita do anjo até a vida adulta do Mestre. Até mesmo nos dias de hoje, a maternidade em si traz inúmeros medos e desa�os. Como pastora, eu costumo me deparar com muitas mulheres que, no início da gestação, �cam angustiadas ao pensar no plano de saúde, na maternidade certa, no acompanhamento médico, nos exames, no tipo de parto etc. Outras decidem até mesmo não ter �lhos, diante de tanta preocupação com o processo da gestação e tudo o que ele envolve. Imagine, então, a situação de Maria! Quando entrou em trabalho de parto, não tinha nem mesmo um lugar confortável para �car (cf. Lucas 2.7). Sempre que vejo os desa�os pelos quais, ainda menina, Maria passou, percebo que ela foi escolhida para servir a um tão grande propósito porque Deus viu qualidades únicas nela, que a habilitavam como alguém que amava o Senhor acima de todas as coisas, e poderia suportar todo o processo, independentemente de sua idade. Além disso, algo importante que a mãe de Jesus nos ensina por meio de suas renúncias é que, quando Deus nos chama para um propósito, Ele mesmo supre todas as nossas necessidades. Assim como aconteceu com ela, pessoas falharão conosco — seu marido pode falhar, seus pais podem falhar, seus amigos podem falhar —, e as circunstâncias nem sempre serão favoráveis, mas o Senhor nunca nos deixará desamparadas. Maria foi agraciada para cumprir um propósito e não fugiu disso. O FRUTO DO ESPÍRITO A mansidão é a virtude do fruto do Espírito que se destaca na vida de Maria. Ela demonstra controle de si para lidar com todos os processos pelos quais passou, como a rejeição, por exemplo. Com mansidão, ela sabia se posicionar na hora certa, submeter-se, observar as situações e tomar as melhores decisões. Essa é uma qualidade daquele que é temente a Deus e se submete à Sua Palavra em tudo (cf. Tiago 1.21), e todas nós devemos buscá-la se quisermos nos tornar semelhantes a Cristo, pois foi Ele mesmo quem declarou, em Mateus 11.29: “Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas”. Ser manso e humilde não signi�ca fraqueza, mas, sim, bondade e amabilidade, mostrando força, serenidade, amor-próprio e autocontrole. Lembre-se: os que exercem a mansidão herdarão a terra e reinarão com Cristo (cf. Mateus 5.5). SERVINDO COM O ÚTERO Maria acreditou tanto nas promessas de Deus para Israel que decidiu doar o que tinha de mais precioso — seu útero. Mesmo sem ter toda a dimensão do que viveria, ela não duvidou do que o anjo lhe disse e creu que o que dela nasceria era tão precioso que mudaria a história de toda a humanidade. Qualquer outra mulher em sua situação poderia ter se desesperado, ou se revoltado contra a ideia de gerar um �lho de forma tão incomum. Maria poderia ter implorado para que Deus abortasse Seu plano ou escolhesse outra pessoa. Mas não foi isso o que ela fez. Infelizmente, hoje, muitas mulheres têm seguido um caminho oposto. Vivemos claramente em uma batalha cultural, na qual o inimigo tem disseminado a ideia de que tornar-se mãe é um prejuízo. “Não vale a pena...” “Filho dá trabalho!” “Ter �lho é muito caro.” “Você vai mutilar seu corpo!” “Você vai se prejudicar!” Você com certeza já ouviu — ou repetiu — algumas dessas frases. Mas vamos falar a verdade? O fato é que hoje muitas coisas têm sido colocadas no lugar dos �lhos. Esse discurso, fortalecido pelo egoísmo que domina os valores deste mundo, leva a mulher a pensar que gerar será um empecilho à sua carreira, à sua vida acadêmica, à sua beleza. Ter �lhos não precisa impedir você de viver nada disso! Porém, sabemos que há uma cultura maligna, em que o ódio de Satanás à humanidade, na sede de impedir a multiplicação dos salvos, tem in�uenciado muitos casais a desistirem de ter �lhos, sem a orientação de Deus — até mesmo dentro da igreja. Enquanto isso, uma pesquisa conduzida pelo Pew Research Center, centro de pesquisas localizado nos Estados Unidos e dedicado ao estudo de diversos temas de impacto regional e global, chegou à conclusão de que, até o �m do século, muçulmanos irão superar os cristãos como o maior grupo religioso do planeta. Um dos principais fatores, segundo eles, é a taxa de fertilidade, que é a estimativa da quantidade de �lhos que uma mulher tem até o �m do seu período fértil. Como a igreja terá continuidade saudável se aderirmos à cultura egoísta do mundo no âmbito familiar? Como deixaremos um legado às próximas gerações? MATERNIDADE COM PROPÓSITO Na primeira carta de Paulo a Timóteo, o apóstolo a�rmou: Mas as mulheres serão salvas dando à luz �lhos, desde que continuem a viver na fé, no amor e na santidade, com discrição. (1 Timóteo 2.15) É importante �car claro que esse texto não precisa ser aplicado apenas à geração de �lhos biológicos — muitas nunca terão �lhos em seu ventre —, mas, sim, à maternidade em geral. Ela pode ser exercida quando uma mulher gera um �lho espiritual, quando gera por adoção, e até quando acolhe alguém como �lho de alguma forma — �nanceiramente ou emocionalmente. Quantas poderiam vestir uma menina que não tem condições, pagar os estudos para uma criança carente, investir na educação de um órfão... O problema é que muitas vezes não há espaço para pensar no outro neste mundo egoísta. Eu sei que estamos falando sobre Maria,mas, neste tema, preciso abrir um espaço para comentar sobre Ana. A Bíblia é clara ao dizer que foi Deus que fechou a sua madre por um tempo (cf. 1 Samuel 1.5). Ela estava buscando apenas um �lho, mas a intenção do Senhor era que o seu ventre gerasse um profeta que seria bênção para a nação. O sacerdote Eli já estava em idade avançada, seus �lhos estavam corrompidos, não tinham caráter ou integridade, e não parecia haver um futuro no cenário profético de Israel. Observe comigo um ponto muito importante dessa história. E porque o Senhor a tinha deixado estéril, sua rival a provocava continuamente, a �m de irritá-la. Isso acontecia ano após ano. Sempre que Ana subia à casa do Senhor, sua rival a provocava e ela chorava e não comia. (1 Samuel 1.6-7) Ana não estava sofrendo apenas porque não tinha �lhos — mas porque sua rival os tinha. Isso é muito sério! Enquanto o desejo de Ana era que seu ventre fosse preenchido para competir com Penina, nada aconteceu. Porém, tudo mudou quando Ana ofertou seu útero aos propósitos de Deus, antes mesmo de gerar seu milagre. E fez um voto, dizendo: “Ó Senhor dos Exércitos, se tu deres atenção à humilhação de tua serva, te lembrares de mim e não te esqueceres de tua serva, mas lhe deres um �lho, então eu o dedicarei ao Senhor por todos os dias de sua vida, e o seu cabelo e a sua barba nunca serão cortados”. (1 Samuel 1.11) Não espere que Deus lhe dê algo apenas para estimular sua competição com alguém. O Pai tem um plano singular, especí�co, reservado especialmente para você, como teve para Maria e Ana. Quando esta entendeu que seu �lho não seria uma simples resposta à sua competição, mas, sim, um homem dedicado ao Senhor, derramando-se diante do altar, ela recebeu muito mais do que buscava. Assim Ana engravidou e, no devido tempo, deu à luz um �lho. E deu-lhe o nome de Samuel, dizendo: “Eu o pedi ao Senhor”. (1 Samuel 1.20) Pode ser um �lho, um projeto, um sonho que você tenha para sua vida. Qual é a sua intenção nisso? Qual é o seu propósito? Ao escolher ser uma mulher que gera com propósito, sua madre é aberta, e você vive coisas maiores do que poderia pensar ou pedir. Ana não recebeu um �lho apenas para agradar ao próprio ego, mas para a glória de Deus! Àquele que é capaz de fazer in�nitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós, a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre! Amém! (Efésios 3.20-21 – NVI) O DILEMA DE MUITAS MÃES Como o início deste capítulo já diz, Maria foi capaz de renunciar a muitos sonhos e projetos — que não eram errados e até pareciam grandiosos — para viver algo ainda maior reservado a ela: ser a mãe do Salvador da humanidade. No entanto, precisamos admitir que, no contexto em que vivemos, de desvalorização da maternidade, nem sempre será fácil para uma mulher se lembrar de que está servindo a Deus enquanto troca uma fralda ou enquanto prepara uma mamadeira no meio da madrugada. Certamente, ela sentirá saudade do tempo em que podia frequentar todas as conferências, organizar eventos, passar o dia na igreja e até participar de vigílias ou acampamentos, sem qualquer restrição. Isso é muito comum no pensamento de várias mães que atendo. “Elizete, eu queria tanto estar servindo a Deus!”, “Queria tanto trabalhar mais na igreja!”, ou até “Eu não estou fazendo nada para o Senhor...”. Quanto engano há nessa visão! Mulher, se está cuidando de �lhos pequenos, acredite: você está servindo ao Reino, está preparando pessoas para viverem os propósitos de Deus; sua responsabilidade é extraordinária, e seu valor é imensurável! Minha mãe foi uma grande referência nisso e marcou muitas vidas além da minha e de meus irmãos — falarei um pouco mais sobre isso no último capítulo. Entenda que há um tempo determinado para todas as coisas (cf. Eclesiastes 3), e que esse investimento na vida de seus �lhos será um recurso precioso do qual colherá frutos eternos. Eu sei, é claro, que muitas pessoas só conseguem enxergar o valor do serviço de alguém se este estiver em evidência, no púlpito, com o microfone nas mãos. Mas aquela que serve a Deus irá entender que há um chamado d’Ele para servirmos muito além da plataforma, muito além das quatro paredes da igreja. Quanto serviço há disponível para nós! Há tanta frustração em nosso meio, tantas amadas do Senhor tristes e insatisfeitas, brigando com Deus, justamente porque não conseguem discernir em que área Ele quer usá-las e abençoá-las em cada estação. Certamente, Maria não esperava que sua forma de obedecer e servir ao Senhor seria com seu útero, ainda mais tão nova. Mesmo assim, ela foi sensível à voz do Criador e teve maturidade para obedecer e se submeter a um propósito maior que ela. AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES Maria estava servindo: A quem? Por quê? Com que intenção? O que isso nos ensina? TIRE O FOCO DO EU Pensando em tudo o que falamos sobre a mãe do Salvador, talvez você esteja lidando com suas próprias crises agora. Quem sabe, ouviu a vida inteira que gerar �lhos ou se doar por outros era perda de tempo, atrapalharia sua vida, seria um fardo, custaria muito — e acreditou nisso. Meu conselho é: tire o foco do seu eu e olhe para Jesus. Como a Bíblia diz, em Hebreus 12.2: Mantenhamos o olhar �rme em Jesus, o líder e aperfeiçoador de nossa fé. Por causa da alegria que o esperava, ele suportou a cruz sem se importar com a vergonha. Agora ele está sentado no lugar de honra à direita do trono de Deus. Quando começamos a olhar �rmemente para o Senhor, entendemos a honra que há em servir aos Seus propósitos e provamos da alegria reservada para nós. Porém, para conseguir isso, é preciso fazer também o que está no versículo 1 do mesmo capítulo de Hebreus. Portanto, uma vez que estamos rodeados de tão grande multidão de testemunhas, livremo-nos de todo peso que nos torna vagarosos e do pecado que nos atrapalha, e corramos com perseverança a corrida que foi posta diante de nós. Para correr a corrida que nos foi proposta, olhando para Jesus, precisamos deixar para trás uma parte muito ruim da nossa bagagem: todo peso que nos torna lentas, todo embaraço, todo pecado. Depois da queda, todos pecaram (cf. Romanos 3.23), �caram desorganizados interna e externamente, e a cultura deste mundo replica esse padrão. Sendo assim, não podemos ser norteadas por aquilo que este mundo diz, mas, sim, pela Palavra de Deus, de modo que nossos olhos devem estar focados não no eu, mas, sim, em Jesus e em Seus planos para nós — que são sempre melhores que os nossos (cf. Isaías 55.8). Assim como agiu Maria, Deus nos convida a não sermos guiadas pelas circunstâncias, pelos medos, pelas di�culdades ou pela cultura deste mundo. Servindo ao Senhor com nosso útero, seja físico, seja espiritual, nós O honramos, fortalecemos nossa fé, formamos uma geração de �lhos e �lhas saudáveis, que amam o Rei, e estamos aptas a viver o extraordinário de Deus! MINHA ORAÇÃO Pai querido, Agradeço, de todo o meu coração, o privilégio de ser agraciada por Ti para vir a este mundo cumprir um propósito especí�co e muito especial no Teu Reino na Terra. Assim como Maria se colocou à disposição do Reino de Deus, ao declarar “cumpra- se em mim a Tua vontade”, eu também ofereço minha vida e me coloco à disposição para servir ao Teu Reino com os dons e talentos que me tens concedido. Sei que a Tua vontade sempre é boa, perfeita e agradável. Eis-me aqui, usa-me como e onde quiseres! Que a Tua vontade sempre prevaleça na minha vida! Capacita-me diariamente, com fé, amor, sabedoria, graça, coragem, autocontrole e discernimento espiritual. Que eu seja sempre sensível à Tua voz e obediente à Tua vontade. Em nome de Jesus, amém! M CAPÍTULO 2 Mulher Samaritana Servindo à missão livre de culpa Então, deixando o seu cântaro, a mulher voltou à cidade e disse ao povo: “Venham ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. Será que ele não é o Cristo?” (João 4.28-29) uitas mulheres, ao iniciarem sua caminhada com Jesus, têm di�culdadede lidar com o próprio passado, com os erros que cometeram quando ainda não haviam encontrado o Senhor, e carregam um sentimento de culpa muito forte. Uma das áreas em que o Diabo mais atua é a culpa, porque a intenção dele é exatamente esta: levar você à tentação, persegui-la até a queda, e depois deixá-la sozinha com todo esse peso de remorso. Ele é o acusador, dia e noite (cf. Apocalipse 12.10), então ter a cura de sua alma é fundamental para que você viva plenamente no Senhor. Até mesmo na igreja, há muitas �lhas de Deus ainda carregando o peso do passado, um fardo impossível de sustentar, de modo que não desenvolvem seu potencial e levam em si um complexo de rejeição e inferioridade, principalmente quando cometem o erro de se compararem com outras mulheres que têm uma história diferente. “Eu cometi muitos erros!”, “Eu �z aborto!”, “Eu tive muitos amantes!”… Quantas são as acusações que repetem para si mesmas! E essa era a história da mulher de quem falaremos neste capítulo. Embora não saibamos seu nome, nós a conhecemos pela cidade em que nasceu. A mulher samaritana nos faz conhecer muito de sua alma e de suas dores por meio do diálogo que tem com Jesus à beira do poço, e revela um vazio em seu interior que era claramente alimentado por culpa. ELE SUPRE TODAS AS NECESSIDADES Antes mesmo de falarmos da história dessa personagem tão relevante na narrativa bíblica, precisamos nos lembrar de algo. Todas nós nascemos com três vazios a serem preenchidos: de mãe, de pai e de Deus. Os dois primeiros nunca serão ocupados totalmente, pois, como seres humanos que são, os pais sempre irão falhar, não importa o quão presentes e dedicados sejam. No entanto, quando deixamos o vazio de Deus ser preenchido por Ele, sabemos que Ele mesmo suprirá essa ausência — falaremos um pouco mais sobre isso no capítulo quatro). E esse mesmo Deus que cuida de mim lhes suprirá todas as necessidades por meio das riquezas gloriosas que nos foram dadas em Cristo Jesus. (Filipenses 4.19) Não são apenas algumas! A Bíblia a�rma que Jesus suprirá todas as nossas necessidades — sejam emocionais, físicas ou espirituais —, então somente Ele nos realiza por completo, independentemente de qual seja a nossa história. É isso que aquela mulher de Samaria vai descobrir ao se encontrar com o Mestre. Se você já fez a leitura do capítulo quatro do Evangelho de João, com certeza já foi impactada pelo amor de Jesus ao encontrar-Se com uma mulher tão ferida e rejeitada pela sociedade em que estava inserida. A relação dela com as mulheres de sua comunidade devia ser realmente desa�adora, já que preferiu buscar água no poço de Jacó, por volta do meio-dia — um horário inadequado para uma região com temperaturas tão elevadas — a ter de se encontrar com suas vizinhas. Ela já havia passado por cinco casamentos, e é importante dizer que, ao contrário do que muitos dizem, até então ninguém poderia julgá-la por isso, pois esse direito lhe era garantido por lei! As mulheres que eram repudiadas por seus maridos, por diversos motivos, tinham o direito à carta de divórcio assegurado pela Lei de Moisés, como uma forma de proteção à �gura feminina de qualquer tipo de abuso por parte do marido (cf. Deuteronômio 24.1-2), dando a elas a possibilidade de uma vida justa. Divórcio nunca foi o plano original de Deus, mas é uma realidade que se estabelece pela dureza do coração humano. Jesus respondeu: “Moisés permitiu o divórcio apenas como concessão, pois o coração de vocês é duro, mas não era esse o propósito original”. (Mateus 19.8) Quem sabe o que aquela mulher viveu para ter passado por cinco casamentos? Como poderíamos descobrir os motivos que a �zeram ser repudiada, talvez, por seus maridos? Até então, é possível que ela estivesse correta diante de Deus! Mas o sexto homem... Esse, ao contrário dos demais, não era seu marido, tratava-se de uma relação ilícita. O que aquela mulher não esperava era que o próprio Messias havia agendado um encontro especial com ela naquela tarde, à beira do poço. Veja como Jesus tem sempre um dia especial para Se encontrar conosco! Quem sabe você está, em alguma área, fugindo d’Ele, do confronto, da cura! Mas Ele a ama tanto que, neste momento e em tantos outros, vai ao seu encontro, com a palavra exata de que você precisa. Deus é soberano, Ele conhece a hora certa de Se encontrar com Seus �lhos, até mesmo quando estão perdidos em buscas erradas. Quantos testemunhos impactantes sobre isso eu já ouvi ao longo desses anos de ministério, de pessoas que foram encontradas pelo amor do Pai nos cenários mais improváveis! No caso dessa mulher, vale lembrar que ela era de Samaria, e os samaritanos eram vistos pelos judeus como uma raça inferior, um povo indigno. Isso não foi um impedimento para Jesus, pelo contrário! Enquanto os discípulos foram em busca de comida, o Mestre decidiu �car ali, para Se encontrar com ela. Pouco depois, uma mulher samaritana veio tirar água, e Jesus lhe disse: “Por favor, dê-me um pouco de água para beber”. Naquele momento, seus discípulos tinham ido ao povoado comprar comida. A mulher �cou surpresa, pois os judeus se recusam a ter qualquer contato com os samaritanos. “Você é judeu, e eu sou uma mulher samaritana”, disse ela a Jesus. “Como é que me pede água para beber?” Jesus respondeu: “Se ao menos você soubesse que presente Deus tem para você e com quem está falando, você me pediria e eu lhe daria água viva”. (João 4.7-10) Aquela mulher �cou assustada com a aproximação de Jesus — um homem judeu agindo de uma forma diferente da que ela provavelmente estava habituada. Mas nosso Senhor não faz acepção de pessoas (cf. Romanos 2.11), e mesmo que para todos ela fosse considerada uma pária social, para Ele tinha grande valor, sendo alvo de Sua compaixão. Ele viu que ela tinha uma sede que água nenhuma poderia saciar, um vazio existencial, e lhe ofereceu a água da vida, ofereceu-lhe a salvação! Essa é a grande mensagem do Evangelho, e não podemos abandonar essa verdade. Quantas pessoas têm tudo nesta Terra, mas nunca se sentem completas? Quantos são abastados, in�uentes, poderosos, e ainda assim tiram a própria vida? Não adianta, o único que preenche completamente o vazio do ser humano é Jesus. Ele é a própria água viva que ofereceu à mulher de Samaria, e quem bebe dessa água nunca mais tem sede. Não há outro caminho, a mensagem não mudou! FRUTO DO ESPÍRITO A alegria — ou gozo, em algumas versões — é a virtude do fruto do Espírito que se destaca na vida da mulher samaritana. A palavra gozo, usada nesse contexto, vem da mesma raiz etimológica de charis, que signi�ca graça. Quando nós temos um encontro real com Jesus, somos alcançados pela graça, e passamos por uma Metanoia, uma mudança total de mente. O Espírito Santo entra em nossas vidas, e sua presença traz a nós a alegria da salvação. É essa alegria que nós vemos invadir a vida da samaritana. Depois que se encontrou com Jesus, aquela mulher que vivia triste, frustrada, rejeitada e isolada teve o prazer de sair comunicando a todos sobre o Messias. Ela não pôde conter o que sentia e começou a espalhar seu sentimento pela cidade, sem se importar com o que pensariam a seu respeito. Ao provar da água viva, provou do gozo maior que existe: a alegria da salvação! Crentes alegres no Senhor não são egoístas, e não podem resistir: precisam falar de Jesus para todos! O ENCONTRO MUDA TUDO Ao se encontrar com o Filho de Deus, sendo confrontada em seu pecado e acolhida com compaixão, aquela mulher nunca mais foi a mesma. Disse a mulher: “Eu sei que o Messias (chamado Cristo) está para vir. Quando ele vier, explicará tudo para nós”. Então Jesus declarou: “Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você”. Naquele momento os seus discípulos voltaram e �caram surpresos ao encontrá-lo conversando com uma mulher. Mas ninguém perguntou: “Que queres saber? “ ou: “Por que estás conversando com ela?” Então, deixando o seu cântaro, a mulher voltou à cidade e disse ao povo: “Venham ver um homem que me disse tudo o que tenho feito. Será que ele não é oCristo?” Então saíram da cidade e foram para onde ele estava. (João 4.25-30 – grifo nosso) Jesus derrubou as muralhas que impediam aquela mulher de mudar a sua história. Ele quebrou paradigmas, mostrando que uma vida vale mais do que regras estabelecidas por homens! Revelou-Se como o tão aguardado Messias, oferecendo perdão, redenção e nova vida a alguém que nunca havia sido amada com tão intenso amor. Assim que entendeu quem Jesus era, ela não foi apenas curada, mas já saiu dali entendendo quem ela era, qual era seu propósito, e qual missão precisava cumprir. Ela já saiu como uma evangelista! O interessante é que, como já disse, ela buscava água na hora mais quente do dia, pois assim evitava se encontrar com as mulheres respeitáveis da cidade. Certamente, tinha vergonha da própria situação e sofria com os comentários maldosos. Porém, por mais que a sociedade daquela época a rejeitasse e excluísse, diante do encontro com o Salvador, toda a culpa, toda a dor, todos os traumas foram abandonados. Essa é a chave desta mensagem! No momento em que ela deixou aquele cântaro no chão e correu em direção à sua missão, abandonou todo o seu pecado — não havia mais motivos para se esconder. Ela não precisava mais daquela água! Ela estava limpa! A DOR NÃO PODE PARAR SUA MISSÃO Eu não sei se você se identi�ca com a mulher samaritana ao olhar para trás e sentir um peso de condenação e acusação, mas quero convidá-la a mudar essa perspectiva agora mesmo. Não interessava o passado daquela mulher, nem mesmo a opinião dos outros sobre ela; depois de se encontrar com Jesus, tudo se fez novo! Ela deixou de lado tudo o que havia vivido e correu a proclamar o nome do Senhor na sua cidade. Mulher, de igual modo, não há motivos — nem desculpas — para que você não desenvolva seus talentos, não sirva ao Reino ou não invista no ministério para o qual Deus a chamou. Há uma missão reservada para você, e isso não depende da aprovação humana, mas, sim, d’Aquele que fez o chamado. Não se sinta culpada! Não carregue um fardo que não é mais seu! Cale a voz do Acusador em sua mente. Acredite e declare o que a Bíblia diz: Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus. (Romanos 8.1) Se confessarmos os nossos pecados, ele é �el e justo para perdoar os nossos pecados e nos puri�car de toda injustiça. (1 João 1.9) Quem sabe se a maior dor que você sofreu não se tornará instrumento de cura para outras mulheres que viveram o mesmo?! Seja qual for a sua dor — um abuso, um aborto, um divórcio, um estupro, um abandono paterno —, você pode ser curada! Talvez seja exatamente isso que Deus usará para que você ganhe muitas pessoas para Ele, pois não há ninguém melhor para falar com propriedade de um trauma ou de um sofrimento do que Aquele que sentiu na pele essa realidade e venceu. Eu incentivo muito as mulheres que têm uma história de superação a compartilharem seu testemunho com outras pessoas. Na minha equipe, inclusive, há uma mulher muito amada que já fez cinco abortos antes de conhecer a Jesus. Ela foi garota de programa, enfrentou adversidades incontáveis, viveu uma realidade de dor, sofrimento e pecado, mas teve sua vida transformada depois que encontrou Jesus ao ouvir um hino da harpa, dentro do ônibus em que estava. Hoje, ela tem uma vida abundante, construiu uma carreira e abençoa várias mulheres. Eu faço questão de lhe dar a oportunidade de contar seu testemunho às meninas mais novas, como uma forma de prevenção na vida delas, que sempre �cam impactadas ao verem o que o poder do Evangelho é capaz de fazer em alguém. O que antes era motivo de vergonha e dor agora é instrumento de cura e transformação. Nesse sentido, você já parou para pensar no bem que a mulher samaritana fez ao seu povo, compartilhando sobre seu encontro com Jesus? Sua atitude também trouxe prevenção a eles, para que não vivessem mais em seus próprios pecados e para que encontrassem o Messias. O interessante é que eles poderiam não ter dado crédito a ela — já que aquela era uma mulher tão rejeitada socialmente. Mas eles acreditaram! Isso, provavelmente, porque viram quem ela era antes e foram impactados pela mudança em sua postura, em sua alegria, em seu modo de falar sobre o Mestre. Quando lhe ofereceu a água da vida, Ele a estava convidando para viver tudo novo: um novo pensamento, uma nova atitude, uma nova fala e um novo comportamento. E ela respondeu a esse convite. Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram coisas novas! (2 Coríntios 5.17) Os samaritanos creram tanto na mensagem daquela nova mulher que foram imediatamente atrás de Jesus, para viver aquilo também. Percebe como o Senhor agiu de forma especial naquele encontro em Samaria? Ele foi atrás de apenas uma — rejeitada, culpada, amargurada —, e ela levou muitos outros ao Seu encontro. Isso mesmo! Este é o registro que está no �m do capítulo quatro de João: Muitos samaritanos daquela cidade creram nele por causa do seguinte testemunho dado pela mulher: “Ele me disse tudo o que tenho feito”. Assim, quando se aproximaram dele, os samaritanos insistiram em que �casse com eles, e ele �cou dois dias. E por causa da sua palavra, muitos outros creram. E disseram à mulher: “Agora cremos não somente por causa do que você disse, pois nós mesmos o ouvimos e sabemos que este é realmente o Salvador do mundo”. (João 4.39-42 – grifo nosso) Veja o poder de um testemunho! A mudança foi tão radical e instantânea que os habitantes de sua cidade pensaram: “Precisamos disso também! Vamos ver quem é esse homem, essa mulher não é mais a mesma!”. O resultado? Toda a cidade ouviu a respeito do Messias. Preste atenção nisto, minha amada leitora: não importa o que você fez. Você pode estar sendo acusada pelo Inimigo de ter cometido o pior pecado. Porém, a partir do momento em que se arrependeu e se encontrou com Cristo, uma página em branco se iniciou na sua trajetória. Por meio das suas dores, Deus vai usá-la para alcançar muitas vidas, ajudá-las a alcançar libertação ou, até, impedi-las de trilhar os caminhos tortuosos que você já trilhou. O que mais atendo no dia a dia pastoral são mulheres com complexos de culpa e de inferioridade, presas àquilo que viveram no passado, e que se sentem até mesmo impuras. O que eu digo a elas, direi também a você: não se sinta impura! Você agora é �lha do Deus altíssimo! O sangue de Jesus a puri�cou de todo pecado (cf. 1 João 1.7), e sua dor não pode mais parar sua missão. Con�e no Senhor, viva o processo de santi�cação, dia após dia, e creia no que a Palavra diz. Tenho certeza de que aquele que começou a boa obra em vocês irá completá-la até o dia em que Cristo Jesus voltar. (Filipenses 1.6) AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES A mulher samaritana estava servindo: A quem? Por quê? Com que intenção? O que isso nos ensina? UM ALERTA IMPORTANTE Não há como �nalizar este capítulo sem abordar o tema a partir de um outro ponto de vista. Precisamos falar sobre o problema do preconceito entre mulheres dentro da igreja. Certa vez, ao conversar com uma ovelha querida que havia se convertido há algum tempo — uma mulher muito bonita, alegre, simpática e cheia de vida —, perguntei por que ela havia mudado de �lial, ao que me respondeu: “Elizete, como sofri rejeição na igreja em que estava! As irmãs me olhavam como se eu fosse uma ameaça, como se quisesse roubar os seus maridos”. Não posso deixar de dizer que há muita insegurança e inveja em mulheres que agem assim diante de novas na fé. Não é raro ver recém-convertidas passando por isso, tratadas como se não fossem bem-vindas na igreja, sendo rejeitadas por aquelas que já deveriam ter maturidade na fé. Eu imagino que a mulher samaritana também tenha vivido algo parecido, guardadas as devidas proporções. Por que acha que ela preferia buscar água em um horário no qual o poço estava vazio? Imagine as pérolas que devia ouvir! Talvez ouvisse algo como “Cuidado, essa aí já teve cinco! O próximo que ela vai roubar é o seu marido!” ou ainda “Fiquem longedela, é perigosa!” — que burburinho devia ser... O ser humano tem essa tendência de colocar rótulos nos demais, mesmo sem conhecer a história toda, e isso ainda é uma realidade atualmente. O preconceito afasta as pessoas, e não é disso que elas precisam na igreja do Senhor. Se uma mulher viveu longe dos caminhos de Deus, em uma vida de pecado — se foi amante de alguém, se cometeu o crime do aborto, se teve relacionamentos homossexuais ou se praticou qualquer atividade ilícita —, ao vir para Cristo, ela é perdoada e precisa de uma coisa: mudança. E quem vai ajudá-la nesse processo? As mulheres que já estão na igreja! É para isso que nós fomos chamadas! Além disso, é importante lembrar sempre que todos pecaram! Todas dependemos de Cristo para sermos salvas! Pois todos pecaram e não alcançam o padrão da glória de Deus, mas ele, em sua graça, nos declara justos por meio de Cristo Jesus, que nos resgatou do castigo por nossos pecados. (Romanos 3.23-24) O amor do Pai nos alcançou quando ainda éramos pecadoras (cf. Romanos 5.8) — todas nós, não apenas algumas. Não à toa, Jesus deixou clara essa realidade no episódio em que Lhe trouxeram uma mulher adúltera para que fosse apedrejada. “Mestre, esta mulher foi pega no ato de adultério”, disseram eles a Jesus. “A lei de Moisés ordena que ela seja apedrejada. O que o senhor diz?” Procuravam apanhá-lo numa armadilha, ao fazê-lo dizer algo que pudessem usar contra ele. Jesus, porém, apenas se inclinou e começou a escrever com o dedo na terra. Eles continuaram a exigir uma resposta, de modo que ele se levantou e disse: “Aquele de vocês que nunca pecou atire a primeira pedra”. Então inclinou-se novamente e voltou a escrever na terra. Quando ouviram isso, foram saindo, um de cada vez, começando pelos mais velhos, até que só restaram Jesus e a mulher no meio da multidão. Então Jesus se levantou de novo e disse à mulher: “Onde estão seus acusadores? Nenhum deles a condenou?”. “Não, Senhor”, respondeu ela. E Jesus disse: “Eu também não a condeno. Vá e não peque mais”. (João 8.4-11) Naquela época, os mestres da Lei e os fariseus se achavam infalíveis, inculpáveis (como muitos, nos dias de hoje). Mas a ação de Jesus os constrangeu de tal modo que nem eles puderam negar seus próprios pecados. Além de tudo isso, é interessante observarmos que houve um erro grande na condução desse julgamento. A Lei de Moisés exigia que o homem e a mulher pegos em relação ilícita fossem apedrejados (cf. Deuteronômio 22.22-24). Mas onde estava o homem? Consegue ver como os próprios homens se protegeram e trataram aquela mulher como a única culpada? O �lho de Deus, então, acaba com essa injustiça de forma assertiva e tranquila. Inclusive, não sei o que Ele escreveu no chão naquele dia, mas deve ter sido algo importante! Enquanto o Mestre escrevia, as pedras foram caindo ao chão e os acusadores se retiraram. Nós não podemos estar sempre com pedras na mão para lançar em alguém! Para Deus não existe, como costumamos dizer na igreja, pecadinho ou pecadão. As consequências são diferentes, mas pecado é sempre pecado. Pecar é sair do alvo! É sair do objetivo do Senhor para nossa vida. Todos pecamos e precisamos de redenção, e, quando o Pai nos olha, Ele nos vê através do Sangue do Seu �lho Jesus. CURADAS PARA SERVIR Assim, há uma nova vida para todas que, como a mulher samaritana, à beira daquele poço, encontram-se com o Salvador e mudam de rota. Há uma graça disponível para você, que gostaria de servir ao Reino e viver uma vida abundante, plena, resgatada pelo seu Senhor! Não fuja dos planos de Deus por causa da culpa. Não desista dos sonhos que Ele compartilhou com você e não �que presa ao passado! Você já foi agraciada! Seja curada para servir, permita-se ser um instrumento para transformar vidas, e creia: [...] Onde abundou o pecado, superabundou a graça. (Romanos 5.20 – ARA) MINHA ORAÇÃO Pai querido, Sou eternamente grata por ter sido alcançada por Teu amor eterno e leal. Usa-me como um sistema de alarme nesta terra, para a libertação, restauração e salvação de vidas. Que outras �lhas de Deus sejam encontradas através de mim, assim como fui alcançada, liberta e curada por Teu amor e perdão. Em nome de Jesus, amém! S CAPÍTULO 3 Isabel Servindo a outras gerações Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê agitou-se em seu ventre, e Isabel �cou cheia do Espírito Santo. Em alta voz exclamou: “Bendita é você entre as mulheres, e bendito é o �lho que você dará à luz!”. (Lucas 1.41-42) empre acho muito bonito quando um casal resolve abdicar de muitas coisas para ser �el a Deus. Esse era o caso de Isabel e Zacarias, que serviam ao Senhor independentemente de terem seu desejo atendido, o desejo de ter �lhos. A Bíblia diz que eram ambos justos diante de Deus, sendo irrepreensíveis em todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Sua integridade como esposa e serva não se limitava apenas a seguir o trilho espiritual do seu marido; ela própria tinha sua vida espiritual e era respeitada por sua intimidade pessoal com Deus. O TEMPO E O PROPÓSITO DO MILAGRE Que mulher não sonhava em ter �lhos naquele tempo? Como o povo aguardava ansiosamente a vinda do Messias, muitas jovens esperavam, inclusive, que pudessem gerar o Salvador. Isabel e Zacarias certamente mantiveram durante longos anos a chama desse sonho acesa em seus corações. Eu acredito, particularmente, que Isabel, mesmo idosa, nunca tenha desistido! Ela acreditava em milagres, mesmo depois de muito tempo! Não à toa, o signi�cado de seu nome é “Deus é meu juramento” ou “meu Deus prometeu”. Há pessoas que só acreditam que o Senhor pode fazer um milagre até certo período. Depois de um tempo, quando passa esse limite de espera que foi estabelecido, pensam: “Ah, agora não vai mais acontecer, acabou”. Preciso insistir nesta tecla com você que está lendo este livro: é Deus quem sabe a hora certa do milagre na sua vida, não você. Não �que estipulando data ou limite para o seu milagre! Sua visão do futuro é muito limitada, a do Criador não. Eu acredito que Isabel tinha uma certeza em seu coração: “Eu estou idosa, meu marido também, mas não abro mão de continuar crendo, pois eu sei que Deus tem uma bênção para servir à nação por meio da nossa vida!”. Digo isso, pois há algo que considero muito bonito na cosmovisão das mulheres do povo judeu. Naquela época, geralmente, elas não queriam ter �lhos apenas para satisfazer seu próprio desejo, mas, sim, para abençoar a nação. Sendo assim, algumas perguntas importantes a serem feitas antes de ter �lhos é: você quer ter �lhos para quê? Para abençoar o Reino de Deus? Para cumprir um protocolo? Ou para alisar seu próprio ego? Não é raro encontrarmos mães que tratam os �lhos como uma posse, como algo que é exclusivamente seu: têm de ser o que ela quiser, ter a pro�ssão com que ela sonhou, ter a personalidade que planejou, viver em função dela. Muitas vezes, os �lhos se tornam deuses para aquelas que os geraram. Isso é sério demais! Isabel entendia que sua vida era para servir ao Reino, para a glória de Deus. E nós? Será que estamos seguindo essa visão, realmente? Ou será que, mesmo já conhecendo Cristo, continuamos vivendo em função do nosso ego e da nossa própria satisfação? Quantas mulheres não estão vivendo insatisfeitas por não alcançarem esse auge de satisfação própria e por viverem se comparando à realidade fake das redes sociais alheias?! Aquilo que elas têm já não parece su�ciente, percebe? Com a mãe de João Batista aprendemos a importância de caminhar em uma visão oposta, servindo com alegria e esperança aos planos de Deus para nós. A ARMA SECRETA DE DEUS Naquela família, quem era o sacerdote? Zacarias. Quem deveria, portanto, pela lógica humana, ter acreditado imediatamente na palavra que recebeu do anjo? Não seria também Zacarias? Porém, depois de tantos anos de espera e diante de tamanha impossibilidade, ele duvidou. Então um anjo do Senhor apareceu a Zacarias, à direita do altar do incenso. Quando Zacarias o viu, perturbou-se e foi dominado pelo medo. Mas o anjolhe disse: “Não tenha medo, Zacarias; sua oração foi ouvida. Isabel, sua mulher, lhe dará um �lho, e você lhe dará o nome de João. Ele será motivo de prazer e de alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele, pois será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do Espírito Santo desde antes do seu nascimento. Fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao Senhor, o seu Deus. E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o coração dos pais a seus �lhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo preparado para o Senhor”. Zacarias perguntou ao anjo: “Como posso ter certeza disso? Sou velho, e minha mulher é de idade avançada”. O anjo respondeu: “Sou Gabriel, o que está sempre na presença de Deus. Fui enviado para lhe transmitir estas boas novas. Agora você �cará mudo. Não poderá falar até o dia em que isso acontecer, porque não acreditou em minhas palavras, que se cumprirão no tempo oportuno”. (Lucas 1.11-20 – grifo nosso) Pela função de sacerdote, esperava-se que ele fosse o de maior fé naquela relação, mas fé não depende de posição. Por isso eu digo que a mulher precisa ser ainda mais espiritual que seu marido. Não podemos nos esquecer do erro de Eva, e do peso da palavra que o Senhor liberou sobre a serpente após a Queda. Porei inimizade entre você [a serpente] e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela; este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar. (Gênesis 3.15 – acréscimo nosso) Satanás nos odeia. A mulher é a arma secreta de Deus nesta Terra! Ah, se nós entendêssemos isso… Tenho para mim que nós temos um poder de in�uência, uma capacidade multifocal e um sexto sentido — uma sensibilidade maior, uma espécie de antena parabólica — que o homem não tem. A vida e a postura de Isabel diante da espera são bons exemplos disso, e eu vejo que Deus preparou e treinou Isabel e Zacarias para o milagre que viveriam. Nossa vida é um tempo de preparo, como um deserto que nos treina e habilita para entrarmos em Canaã, a terra prometida. Todo deserto tem provação, pois é isso que nos faz amadurecer; e toda provação tem um tempo. Ninguém é aprovado em um dia, percebe? E eu vejo que os pais de João Batista foram provados no tempo. Os dois já tinham uma idade avançada, não poderiam ter �lhos, e ainda assim o sacerdote não buscou outra mulher. Ele tinha direito, pela Lei! Era o que os outros homens costumavam fazer. Mas os dois permaneceram juntinhos, mesmo idosos, fazendo a obra do Senhor, servindo a Ele. Eu creio que Deus estava preparando um casal maduro, com intimidade, e com habilidade espiritual, emocional e física para criar o precursor de Jesus. João Batista não seria um �lho qualquer, mas um �lho diferente! Você pode ver que Zacarias entendeu isso logo após o nascimento da criança, quando declarou: E você, menino, será chamado profeta do Altíssimo, pois irá adiante do Senhor, para lhe preparar o caminho, para dar ao seu povo o conhecimento da salvação, mediante o perdão dos seus pecados, por causa das ternas misericórdias de nosso Deus, pelas quais do alto nos visitará o sol nascente para brilhar sobre aqueles que estão vivendo nas trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no caminho da paz. (Lucas 1.76-79) FRUTO DO ESPÍRITO A paciência é a virtude do fruto do Espírito que mais se destaca na vida de Isabel. Ela sonhava em ter �lhos, mas a demora em ter seu desejo atendido não extinguiu sua fé, pelo contrário! Sendo de uma linhagem sacerdotal, ela conhecia muito bem a Palavra, e cria no Deus de Israel e nos milagres que Ele poderia operar. Isso foi fundamental para que ela manifestasse essa paciência, e perseverasse até o �m, sendo �el ao Senhor. O resultado dessa espera em �delidade foi viver o milagre: gerar aquele que prepararia o caminho do Messias. O PODER DA CONEXÃO GERACIONAL Um ponto muito marcante da história de Isabel está entre a descoberta da gravidez e o nascimento de João: o encontro com sua prima Maria. Agora, imagine comigo. Uma senhora, já com idade avançada, no sexto mês de gravidez, não poderia estar temerosa diante de todas as demandas que a reta �nal da gestação traria a ela — o desconforto, as noites sem dormir, as mudanças no corpo, a organização da casa? Mas veja como Deus opera! Ele manda Maria ao seu encontro. São essas as conexões que o Senhor faz, mesmo que na hora muitos não entendam. Ele colocou uma mulher mais nova para ajudar a mais madura nesse período desa�ador da maternidade, e, ao mesmo tempo, colocou a mulher mais madura para ajudar a mais nova a se preparar para uma gravidez precoce, ensinando-a com sua experiência e fé. Que período precioso deve ter sido esse! Duas mulheres, de gerações diferentes, servindo uma à outra com amor! Duas mulheres sendo preparadas, juntas, para viverem experiências únicas com o Senhor, cada uma em seu propósito! Entenda uma coisa: Deus vai dar a você experiências únicas que vão prepará-la para o futuro. Ele vai gerar conexões na sua vida em que você verá sinais claros do Senhor para habilitá-la a viver as coisas grandes que virão. Esteja disponível a isso! Esteja com seus ouvidos espirituais atentos e com sua visão espiritual aberta para enxergar a beleza do servir que o Senhor está colocando diante de você. Senão, você corre o risco de perder conexões que são oportunidades enviadas pelo Pai. Maria e Isabel entenderam isso, e quero destacar duas coisas importantes sobre o encontro delas. Vejamos, primeiro, o texto. Naqueles dias, Maria preparou-se e foi depressa para a uma cidade da região montanhosa da Judeia, onde entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê agitou-se em seu ventre, e Isabel �cou cheia do Espírito Santo. Em alta voz exclamou: “Bendita é você entre as mulheres, e bendito é o �lho que você dará à luz! Mas por que sou tão agraciada, a ponto de me visitar a mãe do meu Senhor? Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, o bebê que está em meu ventre agitou-se de alegria. Feliz é aquela que creu que se cumprirá aquilo que o Senhor lhe disse!” (Lucas 1.39-45) 1. CONEXÕES REVELAM O MOVER DE DEUS A ligação entre as duas foi tão forte que, só por ouvir a saudação de Maria, Isabel sentiu o bebê mexer em seu ventre e foi cheia do Espírito Santo. Da mesma forma, há momentos em que, ao se aproximar de outra mulher, você verá nitidamente o mover sobrenatural de Deus. Não é algo humanamente fácil de se explicar, mas é preciso discernir espiritualmente, e estar sensível ao mover do Espírito. Não permita que qualquer diferença — idade, status, �nanças, nível intelectual — impeça você de se conectar com alguém que Deus lhe apresentou com um propósito. O Senhor vai usar vocês para coisas grandes, e essa conexão é parte fundamental nisso! 2. CONEXÕES CONFIRMAM PROPÓSITOS Quando recebeu a visita do anjo Gabriel, Maria foi avisada de que Isabel estava grávida. No entanto, Isabel não sabia da gravidez da jovem. Quando elas se encontraram, e Isabel, cheia do Espírito Santo, recebeu a revelação de que Maria era a mãe do Messias — con�rmando em alta voz a própria gravidez —, aquilo não foi aleatório. Foi um sinal para a mãe de Jesus! O Senhor estava usando a boca de Isabel para dar à sua parente a con�rmação de que ela precisava para ter certeza de que tudo era um plano divino, e para trazer uma palavra de bênção e de revelação do propósito que estava diante delas. Isabel teve um olhar profético! A experiência que a esposa de Zacarias estava tendo com Deus, de carregar há seis meses um milagre em seu ventre, foi muito importante para que ela fosse usada profeticamente e declarasse a bênção do Senhor sobre Maria, impulsionando-a a crer no milagre que também estava carregando. Eu imagino como foram as conversas entre elas durante os três meses que passaram juntas (cf. Lucas 1.56). A Bíblia não entra em detalhes, mas eu penso que elas falaram muito sobre o futuro! Que riqueza deve ter surgido da comunhão entre duas mulheresde fé, de gerações muito diferentes, com experiências distintas, mas unidas por um propósito maior! Esse é o poder da conexão geracional. AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES Isabel estava servindo: A quem? Por quê? Com que intenção? O que isso nos ensina? MÃES ESPECIAIS A conexão entre Isabel e Maria também nos mostra outro ponto que têm em comum: as duas seriam mães de crianças muito diferentes das demais. João Batista seria Nazireu, e nem toda mãe poderia dar conta dessa missão. Ela teria de criá-lo com várias restrições alimentares, orientá-lo a nunca tocar em nada que estivesse morto e nem mesmo cortar o cabelo, além de garantir que se mantivesse longe do vinho. A educação dele precisaria ser completamente pautada na Palavra de Deus, a�nal João teria a mesma autoridade que um dia esteve sobre o profeta Elias e prepararia o caminho do Messias. Enquanto isso, Maria teria a responsabilidade de criar o �lho de Deus. Ele seria rejeitado, inclusive dentro de casa pelos seus próprios irmãos (cf. João 7), e precisaria ser instruído e protegido com zelo e dedicação. A mensagem que pregaria seria revolucionária entre os Seus, e Maria teria de suportar assistir a todo o sofrimento de seu �lho. De�nitivamente, essas mulheres eram mães com missões muito importantes. Talvez você não entenda qual é o propósito de ser mãe de um �lho com alguma necessidade especial. Vejo mulheres que se sentem sobrecarregadas, inferiorizadas, nessa jornada materna muitas vezes solitária e penosa. Se você é uma delas, e tem se questionado sobre o propósito disso tudo, eu quero me dirigir a você agora. Há um milagre de Deus em suas mãos, e você não está sozinha! Ele faz coisas que, às vezes, não entendemos, mas sempre há um propósito e uma bênção para aquelas que escolhem amar a Sua vontade. João Batista não era compreendido por muitos, mas Isabel o entendia como ninguém. Jesus não era compreendido por muitos, mas Maria o entendia como ninguém. Os outros poderiam não entender, mas elas creram no propósito de Deus para seus �lhos, independentemente do que a sociedade da época pensava sobre eles. Talvez, as pessoas não compreendam seu �lho, como não compreenderam Jesus e João. Mas você, como mãe, precisa continuar crendo que o Senhor tem um plano especí�co em tê-lo criado, ele não veio a esta Terra em vão, mas, sim, para cumprir um propósito. Deus a escolheu para cuidar desse �lho, para que você seja bênção na vida dele, e ele seja bênção na sua vida e na de muitas outras pessoas. UM SÓ SENTIMENTO Em qualquer era, sempre há uma rejeição ao novo. Isso é muito comum, até mesmo por mudanças culturais que vão ocorrendo. Eu mesma passei por isso com mulheres mais velhas que eu, quando era jovem. O que precisa prevalecer nessa relação entre as gerações é a empatia. As mais jovens precisam aprender a entender as mais antigas, o que elas já viveram, suas histórias, suas dores. Ao mesmo tempo, as mais maduras precisam se abrir para a realidade das mais novas também. Eu não vou dizer que todas agirão com essa empatia, é claro. Mas, se encontrar uma mulher assim, de outra geração, disposta a entender sua realidade e dividir algo com você, aproveite essa oportunidade, pois isso trará crescimento para as duas. No contexto ministerial, essa conexão entre o novo e o antigo é muito importante para a passagem geracional ser bem-feita e ter a bênção de Deus, e justamente por isso há uma batalha espiritual, principalmente na igreja, para que os grupos de diferentes idades entrem em uma competição para de�nir o que é o melhor, em vez de somar forças no Reino. “Ah, o culto devia voltar a ser como antigamente”, “Era muito melhor quando cantávamos os hinos da harpa”, ou ainda “É um absurdo ter essa parede preta na igreja!”… Quantas reclamações assim você já deve ter ouvido — ou feito! Porém, se a mulher mais idosa tiver uma cabeça aberta ao novo, àquilo que tem relação com a passagem do tempo, e se a mulher mais jovem souber ouvir e aprender com a experiência e os princípios da mais velha, a conexão será proveitosa, como a de Isabel e Maria. Em minha própria experiência, trabalhando com mulheres de diversas gerações em meu ministério, percebo que tudo é uma questão de olhar para o que será bom para o Reino, e não apenas para o que eu mesma pre�ro. Elas me agregam conhecimento, eu agrego o que sei a elas. Há coisas da cultura delas que assimilo, e há coisas da minha cultura que elas assimilam, e que bênção é ver mulheres de diversas idades servindo juntas! Deus nos chamou para isso! Sendo assim, o que importa não é que tenhamos a mesma opinião sobre tudo, isso seria impossível. O que importa é que tenhamos o mesmo sentimento, como Paulo disse a respeito de Evódia e Síntique, duas mulheres que pareciam estar lidando com divergências no contexto da igreja primitiva. Rogo a Evódia, e rogo a Síntique, que sintam o mesmo no Senhor. (Filipenses 4.2 – ARC) Elas eram bênção no ministério, mas suas divergências estavam causando problemas, de modo que Paulo foi enfático ao dizer que elas deveriam sentir o mesmo. Entenda isto: nós podemos, e iremos, divergir em ideias. É muito natural, a�nal, somos seres diferentes, com opiniões, temperamentos, gostos pessoais muito particulares. Porém, em relação a sentimento não podemos divergir. O amor tem de prevalecer! Se o amor prevalece, os planos dão certo, a convivência se torna mais agradável e o Reino cresce. É como lemos na Palavra de Deus: O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. (1 Coríntios 13.4-7 – ARC) Como é desagradável ver con�itos surgindo entre mulheres, na igreja, muitas vezes por assuntos tão pequenos — até mesmo a cor a ser usada em uma conferência pode virar assunto de discussão e causar o �m de amizades. Não há problema em discordar, como eu já disse, mas o amor precisa sempre prevalecer, em qualquer decisão. Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor. (1 Coríntios 13.13 – ARC) Mulher, se quisermos cumprir nosso propósito, e ser de fato a arma secreta de Deus nesta Terra, precisamos aprender a amar nossas irmãs e a servir àquelas que estão ao nosso lado, sejam mais velhas, sejam mais novas. Esta é a mensagem que quero reforçar no �nal deste capítulo: As Isabéis desta geração precisam aprender a amar e servir às Marias, e as Marias desta geração precisam aprender a amar e servir às Isabéis. Estamos em guerra e, por amor ao Reino e ao Rei, nós nos unimos nesta batalha! MINHA ORAÇÃO Senhor Jesus, Eu agradeço por ser agraciada e escolhida para cumprir a Tua vontade na Terra. Capacita-me a cada dia com sabedoria e discernimento espiritual. Usa-me diariamente como canal de bênção na vida de outras mulheres. Que meus relacionamentos sejam para a glória do Teu nome e para o crescimento do Teu Reino! Em nome de Jesus, amém. N CAPÍTULO 4 Ana, a profetisa Servindo quando os planos não dão certo E então permanecera viúva até a idade de oitenta e quatro anos. Nunca deixava o templo: adorava a Deus jejuando e orando dia e noite. (Lucas 2.37) este capítulo, abordaremos a história de uma mulher de quem pouco se fala, alguém que entendeu o segredo de servir a Deus com o seu melhor, até mesmo renunciando a seus sonhos. O relato da sua vida aparece em apenas três versículos: Estava ali a profetisa Ana, �lha de Fanuel, da tribo de Aser. Era muito idosa; havia vivido com seu marido sete anos depois de se casar e então permanecera viúva até a idade de oitenta e quatro anos. Nunca deixava o templo: adorava a Deus jejuando e orando dia e noite. Tendo chegado ali naquele exato momento, deu graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém. (Lucas 2.36-38) É interessante observarmos que o Evangelho de Lucas deixa claro que ela era umamulher idosa, mais especi�camente de 84 anos, em cuja história carregava a marca de ter �cado viúva após sete anos de casada. Você deve saber que, naquela época, as meninas casavam-se bem novas, muitas vezes por volta dos 14 anos, e, antes disso, preparavam-se com muita dedicação para a vida matrimonial. Além disso, como já vimos no capítulo sobre Isabel, o povo de Deus aguardava ansiosamente pela vinda do Messias, de modo que era natural que as mais jovens sonhassem com a possibilidade de serem a abençoada mãe do Resgatador de Israel. Então, olhando para a vida de Ana, posso imaginar seus sonhos de juventude. “Eu já me casei, quero ter meus �lhos, construir minha família e, quem sabe, até ser a mãe do Messias”. Mas se passaram sete anos. Ela não teve �lhos. Ela �cou viúva. Pare para pensar nessa tragédia e coloque-se no lugar de Ana, naquele contexto. Até mesmo hoje, quantas vivem situações de dor e perda como a dela?! E quando uma menina se prepara, namora, �ca noiva, organiza seu casamento e, seja por qual for o motivo, não chega a se casar?! E quando uma mulher já casada espera engravidar e ouve, em um consultório médico, que não pode ter �lhos?! E quando uma jovem se dedica a vida toda a um sonho pro�ssional ou acadêmico, e, no �m de tudo, não consegue alcançar o que planejou?! Qual seria a reação delas? MEUS SONHOS X SONHOS DE DEUS Eu me atrevo a me dirigir a você, leitora, com essa mesma pergunta. Qual é a sua reação? Talvez você esteja, neste exato momento da sua vida, lidando com a frustração diante de um sonho não realizado. Quem sabe, você tem perguntado a Deus o porquê do “não” que recebeu, repetindo questionamentos muito comuns como “Onde foi que eu errei?”, “Por que eu não posso viver o que planejei?”, ou até “Por que só não acontece comigo?”. A sensação de desilusão pode levá-la a reclamar, como uma menina insatisfeita que grita: “Eu quero isso, Deus! Eu preciso disso!”. Não sei qual é o seu sonho, mas aprendo com Ana a entender que os sonhos do Pai são sempre melhores que os nossos. Ana manteve-se �el ao Senhor, mesmo tendo vivido a ruína de seus próprios planos. Não realizou o sonho de ser mãe, e nem mesmo o de gerar o Messias. Porém, ela pôde realizar o sonho que Deus havia planejado. Ela viu o Salvador! Além disso, mesmo estando em idade avançada, já no auge de seus 84 anos, saiu a proclamar a mensagem do Reino, dizendo a todos que a Redenção de Israel havia chegado! Pode ser que você não alcance aquilo que tanto tem pedido a Deus ou que as coisas não aconteçam da forma e no tempo que imaginou. Ainda assim, não abandone sua fé nem deixe de sonhar, mas creia que, mesmo sendo de uma maneira totalmente diferente, Deus realizará algo grandioso por meio da sua vida! E será, certamente, maior do que aquilo que você mesma poderia idealizar. Àquele que é capaz de fazer in�nitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós, a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre! Amém! (Efésios 3.20-21) É natural do ser humano querer que as coisas aconteçam do seu próprio jeito, com as próprias métricas, as pessoas especí�cas envolvidas, sem qualquer surpresa. Mas é Deus que tem a melhor forma de cumprir Seus planos grandiosos em nossas vidas, entende? Ele guiará você pelo caminho perfeito, e todas as situações adversas com as quais tiver de lidar irão, na verdade, prepará-la para viver o melhor de Deus, ainda que no momento nada pareça fazer sentido. É como a Palavra diz: E sabemos que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são chamados de acordo com seu propósito. (Romanos 8.28) Ana tinha sonhos, é claro. Mas o que percebo em sua vida é que seu maior sonho, era, na verdade, ser uma serva do Deus vivo, ter uma visão da eternidade, e cumprir a missão de transmitir essa visão a todas as pessoas com quem ela convivia no templo. Seu papel foi ser uma intercessora — jejuava e orava continuamente durante todos os anos de sua viuvez. Como viúva, sem �lhos, poderia ter buscado muitas ocupações para seu tempo, que envolveriam pensar em si, mas escolheu pensar no Reino. Seu papel social era ser viúva, o que signi�cava ser uma párea social, rejeitada por muitos, desprezada. Mas sua função era ser uma intercessora, e, rejeitando qualquer sentença, ela não permitiu que nada a limitasse nessa missão, nem mesmo a pressão social sobre ela. O que importava não era o que os outros diriam ou pensariam, mas o que Deus havia reservado para ela, e foi a isso que se dedicou, vivendo os propósitos d’Ele. Você crê na bondade do Pai? Está disposta a entregar seus sonhos para Ele? Então prepare-se, pois você viverá os grandiosos sonhos d’Ele para a sua vida. FRUTO DO ESPÍRITO A �delidade é a virtude do fruto do Espírito que se destaca na vida da profetisa Ana. Sua história é um exemplo de que permanecer �el ao Senhor sempre vale a pena, até mesmo quando as coisas não acontecem da forma como planejamos. Mesmo tendo enfrentado o luto — de seu casamento e de seus sonhos —, Ana manteve-se em plena intimidade com Deus e nunca deixou de adorá-lO e buscá-lO. A Bíblia diz que ela jejuava e orava dia e noite. Sua adoração não dependia da circunstância, nem mesmo de ver o Senhor atendendo aos seus pedidos. Como resultado disso, ela experimentou a graça de viver os sonhos de Deus e contemplou o menino Jesus no templo. O VAZIO QUE SÓ DEUS OCUPA Como vimos no capítulo dois, todo ser humano tem um vazio existencial, um espaço que só pode ser preenchido por Deus. Muitas mulheres, até mesmo na igreja, ainda não tiveram esse vazio ocupado de fato, dedicando-se apenas a uma vida de religiosidade e engano. Isso é muito sério, pois não há nada capaz de preencher esse espaço — nem o marido, nem os �lhos, nem a carreira, nem o ministério —, apenas o Criador. Enquanto a alma não é preenchida da forma certa e há pendências a serem resolvidas, a tendência natural é que você canalize isso para compulsões, seja a compras, a vícios, à comida, ou até à internet. Tenho constatado uma realidade muito preocupante nos últimos anos: as redes sociais têm se tornado um canal para que mulheres, de todas as idades, envolvam-se em relacionamentos ilícitos por causa desse vazio não preenchido. Quantas agraciadas do Senhor se deixam enganar por mensagens carinhosas, promessas vazias, imagens atraentes, e acabam em ruínas! Por vezes, são mulheres que começaram bem suas vidas, dedicaram-se ao Senhor, casaram-se da forma correta, mas, diante de frustrações não resolvidas, acreditam em discursos de ilusão e terminam ludibriadas, feridas e abandonadas. O importante, no entanto, não é apenas começar bem, mas, sim, terminar bem (cf. Eclesiastes 7.8), como aprendemos com o exemplo de Ana. Sua história teve um início complicado, não tendo �lhos, vivendo o luto precoce… Porém, por ter escolhido entregar sua frustração diante do Senhor, seu �m foi glorioso: com o menino Jesus diante dela, Ana pôde contemplar o cumprimento da profecia do Resgate de Israel. Como você quer que seja o seu �m? Precisamos aprender a lidar com as perdas e frustrações, abandonando a precipitação e a ansiedade. Depois da Queda, o pecado fez com que os seres humanos se tornassem ansiosos, inquietos e imediatistas, e isso só nos trouxe prejuízos! Veja o exemplo de Abraão e Sara (quando ainda se chamavam Abrão e Sarai). Mesmo que o Pai da fé já tivesse recebido de Deus a promessa de que teria um �lho (cf. Gênesis 15.4), sua esposa deu uma sugestão para que não precisassem mais lidar com a espera e com a frustração de não terem uma descendência, oferecendo sua serva Hagar para que Abraão tivesse um �lho com ela (cf. Gênesis 16.2). Sua atitude trouxe consequências a todos os envolvidos e é um exemplo de precipitação diante da frustração. Diferentemente dela, Ana soube esperar no Senhor, conseguiu enxergar a beleza que havia em servir aos propósitos eternos, dedicando sua vida a estar no templo em plena intimidade com seu Amado Deus. Mesmo diante da dor,da perda, do caos, ela não correu para tentar satisfazer aos seus próprios desejos ou ocupar aquele vazio com qualquer coisa ou pessoa, mas, sim, viveu um dia de cada vez, entregando sua juventude para contemplar algo muito maior. Desfrutar todos os dias da presença de Deus me parece ser justamente o que trouxe a ela equilíbrio e maturidade espiritual e emocional. Como disse o salmista: Como é agradável o lugar de tua habitação, ó Senhor dos Exércitos! Sinto desejo profundo, sim, morro de vontade de entrar nos pátios do Senhor. Com todo o meu coração e todo o meu ser, aclamarei ao Deus vivo. Até o pardal encontra um lar, e a andorinha faz um ninho e cria seus �lhotes perto do teu altar, ó Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus! Como são felizes os que habitam em tua casa, sempre cantando louvores a ti! Como são felizes os que de ti recebem forças, os que decidem percorrer os teus caminhos. Quando passarem pelo vale do Choro, ele se transformará num lugar de fontes revigorantes; as primeiras chuvas o cobrirão de bênçãos. Eles continuarão a se fortalecer, e cada um deles se apresentará diante de Deus, em Sião. [...] Um só dia em teus pátios é melhor que mil dias em qualquer outro lugar. Pre�ro ser porteiro da casa de meu Deus a viver na morada dos perversos. (Salmos 84.1-7,10) Se você está em uma situação semelhante ou conhece alguém que esteja enfrentando esse luto, não me entenda mal. Você pode, sim, recomeçar sua jornada, construir um relacionamento novo, viver em família novamente! O ponto aqui está em não se precipitar, dar lugar à inquietação e acabar caindo nos braços de alguém que só lhe trará problemas, na tentativa de ocupar um lugar vazio. Tenha o cuidado de discernir em Deus qual é a vontade d’Ele para esta estação da sua vida, e, assim como Ana, ouse servir a Ele, mesmo que seus planos iniciais não tenham dado certo. Se estiver solitária, seja solidária, ocupe seu tempo servindo a outras pessoas, cuidando dos interesses do Reino, investindo em você mesma, mas não caia em armadilhas. É Deus quem faz com que o solitário habite em família! Pai dos órfãos, defensor das viúvas, esse é Deus, cuja habitação é santa. Deus dá uma família aos que vivem sós; liberta os presos e os faz prosperar. Os rebeldes, porém, ele faz morar em terra árida. (Salmos 68.5-6) A melhor escolha que podemos fazer é estar no centro da vontade do Pai. Isso se aplica aos três tempos que existem na vida: passado, presente e futuro. Em cada um deles, Deus está no controle! Lembrem-se do que �z no passado, pois somente eu sou Deus; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim. Só eu posso lhes anunciar, desde já, o que acontecerá no futuro. Todos os meus planos se cumprirão, pois faço tudo que desejo. (Isaías 46.9-10 – grifo nosso) Entenda que Deus já conhece nosso �m e tem o melhor para nós! Mesmo que passemos por perdas, desertos, privações, Ele permanece conosco, então con�e n’Ele para direcioná-la e cuidar do seu futuro — não há ninguém mais con�ável. AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES Ana estava servindo: A quem? Por quê? Com que intenção? O que isso nos ensina? NÃO DESISTA Em todos os cenários, Deus está com você! O Senhor não perdeu o controle da sua vida, minha amada. O seu redentor é o seu sustendo e irá capacitá-la com graça, sabedoria, discernimento, revelação, autoridade e unção, para que você possa cumprir, com excelência, o propósito para o qual foi designada, e contemplar a beleza de ter escolhido servir apesar da dor. Ana não desistiu de cumprir a missão de Deus nesta Terra, como mulher, como profetisa e como proclamadora da redenção de Israel. E é curioso observar a diferença entre a sua reação e a reação de outro personagem dessa história, que também contemplou o menino Jesus aquele dia no templo. Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão, que era justo e piedoso, e que esperava a consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que ele não morreria antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, ele foi ao templo. Quando os pais trouxeram o menino Jesus para lhe fazer conforme requeria o costume da lei, Simeão o tomou nos braços e louvou a Deus, dizendo: “Ó Soberano, como prometeste, agora podes despedir em paz o teu servo. Pois os meus olhos já viram a tua salvação, que preparaste à vista de todos os povos: luz para revelação aos gentios e para a glória de Israel, teu povo”. (Lucas 2.25-32 – grifo nosso) Assim que viu Jesus, a profecia encarnada, Simeão já se sentiu satisfeito e declarou sua missão cumprida, dizendo-se pronto para ir ao céu. Ana não. Ela saiu a proclamar a todos o que havia visto! É como se dissesse: “Não, não posso parar! Eu posso alcançar mais pessoas! Ainda existe alguém nesta geração que posso abençoar! Ainda existe alguém na minha família que a redenção pode alcançar! Eu não posso morrer ainda!”. Nós, mulheres, temos esta marca: não basta termos alcançado algo, queremos dividir com os que amamos! Nosso desejo é ver mais e mais pessoas sendo abençoadas, e fomos agraciadas por Deus para declararmos a bênção sobre os nossos. Você também é uma profetisa. Ana foi chamada, em seu tempo, para anunciar a chegada do Messias; você foi chamada, neste tempo, para anunciar o retorno do Rei! Eu quero profetizar que você não permitirá que as adversidades, as lutas, as frustrações calem a sua boca, nem perderá a sensibilidade à presença e à voz do seu Amado. Você não parará de proclamar: Jesus vem! Família, Jesus vem! Marido, Jesus vem! Filhos, Jesus vem! Vizinhos, Jesus vem! Mulheres, Jesus vem! Nestes dias tão difíceis, que sejamos mulheres dispostas a encorajar todos ao nosso redor, conclamando-os a continuarem se preparando, avançando, perseverando, mesmo diante de a�ições, crises e batalhas. Mulher, nós não nos calaremos! Somos profetisas deste tempo e clamaremos pelos vales e pelos montes: o Reino vem, o Messias voltará, e nós reinaremos com Ele em glória eternamente! MINHA ORAÇÃO Pai amado, Agradeço o privilégio de ser sua �lha, agraciada e ungida para um chamado especí�co. Eu quero viver os sonhos que Tu tens para mim. Aumenta, a cada dia, minha fé e faz com que o meu querer esteja constantemente alinhado à Tua vontade. Que o meu coração seja sempre movido pela eternidade, na certeza de Tua volta. Em nome de Jesus, amém. M CAPÍTULO 5 Priscila Servindo no ministério em família Ali encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, que havia chegado recentemente da Itália com sua esposa, Priscila, depois que Cláudio César expulsou todos os judeus de Roma. (Atos 18.2) eu marido e eu estamos casados há 44 anos e servimos juntos à igreja do Senhor. Porém, essa parceria no Reino começou antes mesmo do nosso casamento. Quando éramos namorados, ainda adolescentes, nós costumávamos ter longas conversas a respeito do ministério, do Reino e de todos os sonhos que o Silas tinha em seu coração. Como crescemos na igreja, nossos assuntos sempre a envolviam, e todos os nossos sonhos se relacionavam com o Reino de Deus. Naquela época, o Silas já mobilizava grandes evangelismos, e tenho memórias de experiências marcantes dos dias em que evangelizávamos de madrugada em Copacabana (RJ), por exemplo — embora eu e as outras meninas não pudéssemos ir sempre, por conta do horário. Quantas vidas foram libertas naquele calçadão! Quantos perdidos foram encontrados pelo amor do Pai! Eu me lembro, especialmente, de uma jovem que estava tocando violão com um grupo secular quando nos ouviu cantando um hino. A música que cantávamos alcançou o coração dela, de modo que começou a cantar conosco também. Em seguida, chorando, ela nos contou que era �lha de pastor, e que estava longe dos caminhos do Senhor, mas Deus a resgatou naquele dia. Mesmo ainda muito novos, se tem uma coisa de que eu e Silas gostávamos era falar de Jesus. Todos os domingos, fazíamos evangelismos com outros jovens nas redondezas da igreja — passávamos pelas ruas Aurora, Santiago, Nicarágua, e tantas outras no bairro da Penha. Além disso, eu tinhaum costume: evangelizar com folhetos. Quando estava no ginásio (hoje, ensino fundamental), ia caminhando até a escola, e passava todo o trajeto de Honório Bicalho ao IAPI da Penha entregando esses folhetos e colocando cartas evangelísticas, que eu mesma escrevia, nas caixas de correio. Era rotineiro também realizarmos cultos ao ar livre e evangelismos em vários lugares e de diversas formas, o que só con�rma que o Silas sempre gostou de levar o Evangelho para fora das quatro paredes da igreja, e a todo momento estive ao lado dele nessas ações. Diante de uma vida inteira dedicada ao ministério, é claro que muitos desa�os surgiram, e é importante entendermos como servir em família ao Reino fará a diferença no resultado e na amplitude daquilo que produzimos. Na Bíblia, Priscila e Áquila são um grande exemplo disso. UM CASAL NO MINISTÉRIO Foi na cidade de Corinto que Paulo conheceu um judeu cristão chamado Áquila e sua esposa, Priscila, os quais, pouco tempo antes, haviam sido expulsos de Roma pelas atividades antissemitas do império naquele tempo. Algum tempo depois, Paulo deixou Atenas e foi para Corinto. Ali encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, que havia chegado recentemente da Itália com sua esposa, Priscila, depois que Cláudio César expulsou todos os judeus de Roma. Paulo foi morar e trabalhar com eles, pois eram fabricantes de tendas, como ele. (Atos 18.1-3) Esse notável casal é mencionado seis vezes no Novo Testamento, e para a alegria de Paulo, eles também eram construtores de tenda. A verdade é que se tornaram grandes amigos do apóstolo, e, em todas as passagens em que são citados, vê-se que esse casal hospitaleiro foi de grande ajuda para as jovens igrejas. Um ponto importante que precisamos considerar ao falar do ministério deles é que, em quatro das seis vezes em que o nome deles aparece, Priscila é mencionada primeiro. Isso é muito incomum para os registros da época, já que na maioria das referências a casais na Bíblia o nome do homem aparece em primeiro lugar. Como eu creio que nada na Palavra foi posto ali à toa, acredito que ela era uma mulher que exercia uma liderança ministerial. Ela realmente foi levantada por Deus com um destaque, e tinha seu talento reconhecido, o que não muda o fato de que o casal permaneceu atuando em unidade e exercendo com excelência o que foi chamado para fazer — inclusive, o nome dos dois sempre aparece lado a lado, não há nenhuma menção em que apenas um apareça. Antes mesmo de desenvolvermos mais a respeito do que a vida de Priscila nos ensina, é importante falarmos do papel de Áquila. Mesmo sendo o cabeça de sua casa, o líder de sua família, penso que ele soube estar em segundo plano no ministério. Conheço muitas mulheres que tinham um chamado, mas se casaram com homens que não tinham essa visão, maridos que eram dominados por ciúmes, inveja, entrando em uma competição, impedindo-as de exercer o ministério. Entenda: o fato de uma mulher ter uma habilidade ou um alcance ministerial de maior destaque em relação a seu esposo não o desquali�ca como o homem da casa. Ele continua sendo o sacerdote de seu lar, e a mulher sábia saberá deixar isso claro, respeitando o plano original de Deus para o casamento. Na igreja, ela pode ser uma líder, mas, na sua casa, seu marido ocupa esse papel de autoridade. Infelizmente, muitos homens não entendem isso e deixam que a insegurança os transforme em pedra de tropeço na vida de suas esposas. Deus os cobrará por isso. Na contramão dessa postura, o que vejo nesse casal de amigos de Paulo é que homem e mulher tinham harmonia em sua missão. É muito bonito vê-los servindo ao Reino em família, pois é notório que tiveram grande in�uência no crescimento da igreja, abençoando o ministério de muitos apóstolos. A Bíblia deixa claro, inclusive, que eles chegaram a arriscar a própria vida para proteger Paulo. Saúdem Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus. Arriscaram a vida por mim. Sou grato a eles; não apenas eu, mas todas as igrejas dos gentios. (Romanos 16.3-4 – grifo nosso) Outro ponto é que, mesmo servindo de forma tão íntegra e intensa, eles não eram pesados ao Reino, pelo contrário. Trabalhavam como construtores de tendas, junto a Paulo, para dar suporte ao ministério. Quantas pessoas hoje, lamentavelmente, querem se utilizar do Reino para serem bem-sucedidas, não é mesmo? Não eles. Priscila e Áquila eram, na verdade, bem-sucedidos para abençoar o Reino! FRUTO DO ESPÍRITO O domínio próprio é a virtude do fruto do Espírito que mais se destaca na vida de Priscila. Diante dos inúmeros papéis que ela exercia, dos desa�os que certamente se apresentavam na vida ministerial ao lado de seu marido, era necessário ter muita clareza mental, para agir com sabedoria e ousadia em cada situação, sem ceder ao desespero. Uma mulher que se destacou tanto ministerialmente, tornando-se uma �gura honrada na igreja primitiva, certamente sabia dominar seu próprio temperamento e suas emoções, obedecendo a Deus, o que a habilitava para ensinar aos outros com autoridade. Se ela fosse uma mulher descontrolada, agressiva, impulsiva, não teria crédito ou espaço em um cenário tão importante. A BELEZA DO MINISTÉRIO DE ENSINO Há um episódio muito interessante que também mostra o empenho desse casal no Reino. Enquanto isso, um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, chegou a Éfeso. Ele era homem culto e tinha grande conhecimento das Escrituras. Fora instruído no caminho do Senhor e com grande fervor falava e ensinava com exatidão acerca de Jesus, embora conhecesse apenas o batismo de João. Logo começou a falar corajosamente na sinagoga. Quando Priscila e Áquila o ouviram, convidaram-no para ir à sua casa e lhe explicaram com mais exatidão o caminho de Deus. (Atos 18.24-26) Eles viram Apolo pregando e perceberam que ainda era imaturo na fé, que tinha um conhecimento limitado a respeito do Evangelho, por ter conhecido apenas o batismo de João. No entanto, observaram nele o potencial, viram o seu ímpeto em falar do Cristo, e decidiram ensiná-lo aquilo que ainda não sabia. Veja que percepção linda! O ensinar é um grande serviço. Muitas pessoas pensam que estão fazendo algo de menor valor quando se dedicam a ensinar, mas a verdade é que não têm noção da semente preciosa que estão lançando sobre outras vidas. Você sabe quantas vezes Apolo é mencionado no Novo Testamento? Dez vezes. Pelos relatos que a Bíblia traz de sua vida, ele se tornou um dos pregadores mais talentosos da igreja primitiva (cf. Atos 18.27-28). Seu alcance foi imensurável. Mas veja: quem ensinou a ele os fundamentos? Um simples casal, que se sacri�cou e renunciou a muitas coisas para servir ao Reino, investindo em pessoas. Priscila e Áquila se posicionaram como uma plataforma, de modo que o ministério de Apolo teve muito mais projeção que o deles. A preocupação não foi estar em evidência, receber elogios ou ser honrado, mas, sim, fazer o Reino crescer — investir tempo ensinando àquele jovem pregador era exatamente o que os alegrava. Isso nos deixa um alerta muito importante. Quantas mulheres, hoje, sentem-se inferiores por atuarem nos bastidores?! Ao mesmo tempo, outras pessoas que foram ensinadas por elas ganharam destaque e se tornaram grandes homens e mulheres de Deus. Não confunda a projeção de um ministério com o seu real valor para o Senhor. Você foi agraciada para ensinar a cada vida preciosa que vier até você! Um exemplo é o que vemos na história de conversão de Billy Graham, que é amplamente conhecida e documentada em diversas fontes, incluindo em sua autobiogra�a — Billy Graham, Just As I Am. Nascido em 1918, Graham cresceu em uma família cristã na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, e sua fé foi in�uenciada principalmente pela vida religiosa de seus pais. No entanto, sua própria jornada com Cristo teve um ponto de virada signi�cativo durante um evento de avivamento em 1934, quando ele tinha apenas 16 anos. Ao ouvir o sermão do Evangelista Mordecai Ham, sentiu-se profundamente tocado pela mensagem do Reino e tomou a decisãode se entregar a Cristo e se comprometer com uma vida de fé e serviço cristão. Agora, pense comigo: quem se tornou mais conhecido em todo o mundo? Mordecai Ham ou Billy Graham? Este último, é claro. Ele é considerado um dos evangelistas cristãos mais proeminentes do século XX — estima-se que tenha pregado pessoalmente para mais de 200 milhões de pessoas, o que pode ser encontrado também em sua biogra�a. Perceba, então, que a pregação de um só evangelista alcançou um jovem que, no futuro, se tornaria um importante agente do Reino de Deus para várias nações. Por trás de tantos ministros do Evangelho que estão em destaque, há grandes homens e mulheres de Deus que plantaram uma semente, sem que seus nomes se tornassem conhecidos. Você, mulher, que atua como intercessora, professora de EBD, discipuladora, não faz ideia dos tesouros que estão passando por suas mãos. Seu galardão é garantido pelo Senhor! Nunca se esqueça de que, ao servir ao Reino com zelo e excelência, é o próprio Rei que garante sua recompensa. Tudo o que �zerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo. (Colossenses 3.23-24) Meu marido costuma repetir isso em suas mensagens. Quantas pessoas estão enganadas a respeito de como o Reino funciona! Ele sempre diz que, embora muitos pensem que o galardão dele será maior por estar pregando e profetizando a tantas pessoas, há irmãs cuidando dos pequeninos, nos bastidores, que receberão recompensa bem maior que a dele. Não é sobre título, posição, nem mesmo sobre quantidade de seguidores. O servir é muito abençoador quando não servimos para sermos vistas, mas, sim, para obedecer ao chamado de Deus nas nossas vidas, seja ele qual for. A FALTA DE REFERÊNCIAS Hoje, há uma demanda muito grande na igreja por famílias que estejam dispostas a seguir o exemplo de Priscila e Áquila, dispondo-se a cuidar de quem precisa. Levar um casal mais jovem para sua casa, promover um almoço em um domingo, reservar um tempo para aconselhá-lo são coisas que até podem parecer simples ou de pouco valor. Porém, quantos jovens não têm uma referência de família bem estruturada e, por vezes, são �lhos de pais que foram negligentes em sua criação, ou até mesmo que os abandonaram?! Quando se casam, começam a enfrentar problemas em seu casamento, sem que alguém se disponha a ajudar. Mulher, quantas são as meninas que não têm uma referência feminina e precisam que você se posicione por amor a elas?! Não é o tipo de serviço que ganha evidência ou elogios, você não estará com o microfone na mão ou ministrando em um grande evento de mulheres. Mas a verdade é que a mudança que pode gerar na vida de uma só jovem, dedicando seu tempo, seu amor e sua experiência a ela, assentando-se à mesa para ensinar — como Jesus fazia —, pode gerar um tesouro na eternidade ainda maior do que se estivesse à frente de uma grande conferência. Sua casa pode e deve ser um lugar de cura para muitas! Assim foi a casa de Priscila: um local de tratamento, libertação, restauração e crescimento emocional, espiritual e físico. Permita que o Senhor encha o seu coração de amor pelos mais jovens, assim como Ele fez com aquela grande mulher de Deus, e creia que você colherá frutos valiosos, aqui e na eternidade. AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES Priscila estava servindo: A quem? Por quê? Com que intenção? O que isso nos ensina? OS DESAFIOS DE CADA PAPEL Em qualquer função que estejamos dispostas a assumir na vida, haverá di�culdades. Mas é preciso destacar que os desa�os que se apresentam para a mulher que atua no ministério como líder, pastora ou esposa de pastor são muito grandes. Perder, em certo nível, a privacidade em sua própria casa, por exemplo, é uma das consequências que observamos na vida de Priscila. Já vimos, neste capítulo, que Paulo morou por um tempo na casa de Áquila, e que Apolo, em outro momento, também foi levado até lá para aprender — isso é apenas o que está registrado, já que um casal com uma visão familiar de Reino tão intensa pode ter servido a muitas outras vidas com o próprio lar. Para além disso, parte da igreja também se reunia na casa deles. As igrejas da província da Ásia enviam-lhes saudações. Áquila e Priscila os saúdam afetuosamente no Senhor, e também a igreja que se reúne na casa deles. (1 Coríntios 16.19) Com certeza, esses períodos em que recebiam pessoas em casa, para morar por um tempo ou para participar de pequenas reuniões, exigiam um esforço maior da parte dela. Organizar tudo, ser uma boa an�triã, garantir a alimentação da casa e ainda ter tempo para exercer seu ministério de ensino: um verdadeiro malabarismo com o qual lidamos constantemente, como mulheres. Nesse sentido, o maior desa�o que quero destacar é o de conseguir conciliar todos os papéis. Vamos exempli�car isso, observando a vida de Priscila. Mesmo que não tenhamos tanta informação a respeito, eu suponho que Priscila cuidava bem de seu papel de esposa, caso contrário, di�cilmente ela e o marido conseguiriam manter um ministério tão frutífero e harmonioso, sendo citados sempre em unidade na Bíblia. A a�nidade deles era indiscutível, e isso impedia que qualquer brecha fosse aberta em seu ministério. A Bíblia não fala se ela teve �lhos biológicos, e é até provável que não tenha tido, pela sua total disponibilidade ao Reino. De uma forma ou de outra, Priscila sabia administrar o papel de mãe, fosse cuidando dos seus �lhos enquanto servia ao seu chamado, fosse gerando �lhos espirituais, como Apolo. Seu papel de pro�ssional também não foi negligenciado, já que a Palavra deixa claro que ela e o marido trabalhavam como construtores de tenda — os dois, não apenas ele (cf. Atos 18.3), de modo que ela serviu à expansão da igreja também com suas �nanças. Ao ser citada tantas vezes no Novo Testamento, Priscila se destacou, de fato, como uma mulher relevante para a igreja primitiva. Isso deixa claro, portanto, que não se omitiu de seu papel de líder ministerial, cumprindo com excelência a missão que Deus havia con�ado a ela e deixando um legado para gerações. Certamente, não é fácil ou simples para nós, mulheres, conduzirmos tantas áreas diferentes em nosso dia a dia. Mas nossa atenção não pode estar direcionada à facilidade da jornada, e sim ao poder do Deus que nos chamou e nos capacita. Como já foi dito em outros capítulos deste livro, precisamos ter clareza do propósito para o qual fomos chamadas, isso é muito importante! Enxergando �rmemente o nosso objetivo, temos uma certeza: o mesmo Deus que nos convocou e nos habilitou com dons e talentos já nos proveu a capacidade de administração (cf. Mateus 25.15). Ele renova nossas forças, dá-nos sabedoria, estratégia e encorajamento. Não estamos nessa missão sozinhas! “ONDE VOCÊ ESTÁ?” É muito importante para a mulher, no ministério, não negligenciar seu papel de esposa. Aprendi algo com minha sogra, Pastora Albertina, e quero dividir esse ensinamento com você. Minha sogra é muito observadora e já esteve em muitas igrejas ao longo de seu ministério. Algo que ela observava é que as esposas dos pastores, em várias dessas ocasiões, frequentemente estavam em segundo plano, longe de seus maridos. Fosse na cantina, escondida, buscando até mesmo uma aprovação da igreja — que por vezes é cruel na cobrança de perfeição —, fosse nos bastidores de uma sala de recepção, o padrão era que a esposa do pastor local estivesse sempre distante de seu marido. Enquanto isso, ao lado dele, costumava haver uma diaconisa supertalentosa e prestativa, ou uma secretária muito bonita, bem-disposta — “Alisando sua gravata, entregando cafezinho fresco”, como diz minha sogra. Diante disso, a Pastora Albertina perguntava às esposas de pastores, a quem palestrava: “Minha irmã, onde você está? Seu marido pode ter uma secretária, uma diaconisa auxiliar, ou qualquer outra ajuda, mas o papel de esposa ninguém pode ocupar, só você!”. Você é insubstituível nesse lugar, mulher! Seja a esposa, a amiga,a amante, a auxiliadora, a encorajadora! Viva a plenitude com seu marido em sua vida sexual, invista no relacionamento de vocês. Esteja, de fato, ao lado dele. Não permita que ninguém desempenhe esse papel em seu lugar. Você pode ser substituída como líder, como obreira, como pro�ssional, como estudante… mas, nesse papel, você é insubstituível! Sua família é sua prioridade. Além disso, como pastora, vejo que são numerosos os casos em que mulheres não estão cumprindo a função que seu papel envolve — sim, há uma diferença entre esses dois termos. Muitas vezes, uma mulher é esposa no papel, mas não cumpre as funções que isso inclui há tempos. Em outras, uma mulher tem o papel de mãe, mas também não age como deveria agir em tão relevante ocupação. Até mesmo no ministério, muitas têm um papel pastoral, mas não reservam tempo para cuidar, de fato, das ovelhas que estão sob sua responsabilidade. Não adianta ter o papel de mulher cristã, e não construir sua vida de acordo com esses fundamentos. Na igreja, ser uma bênção, gentil, amada pelos irmãos. Em casa, ser agressiva, insatisfeita, amarga com os �lhos e com o marido. Geralmente, em casamentos pastorais, a primeira área que Satanás ataca para frear o ministério é justamente a sexualidade. Casais que estão juntos apenas no papel, que cumprem suas funções na igreja, são espirituais, cheios de talentos, mas vivem como “amigos” dentro de casa estão correndo sério risco. Alguns dormem até mesmo em quartos separados! Que tamanha abertura para a ação do Inimigo isso é. Não se permita viver assim! Deus tem mais para você! Posicione-se em seu papel, e cumpra sua função. Assim foi o exemplo de Priscila, caso contrário, ela e o marido não teriam sido tão frutíferos em seu ministério. Lembre-se do que diz a Palavra: Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com honra, como parte mais frágil e coerdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam interrompidas as suas orações. (1 Pedro 3.7) UMA PALAVRA DE BÊNÇÃO Quando falo sobre viver o ministério em família, falo do que vivi — com o lindo exemplo dos meus pais, que durante toda a sua vida serviram juntos à noiva do Cordeiro — e do que ainda vivo ao lado do meu marido. Meus pais amaram o ministério, honraram o ministério, renunciaram a muitas coisas por amor, mas nunca deixaram de cuidar da família e de ser referência para os seus. O exemplo deles ecoa na igreja brasileira, e seus frutos são incontáveis. De igual modo, eu quero declarar uma palavra de bênção para você, mulher, que foi agraciada pelo Senhor com a honra de servir à sua igreja. Nós não fomos chamadas a construir um império, que acaba diante de con�itos internos e �ca em ruínas. Nós fomos chamadas a viver um Reino que continua até mesmo depois de nós e que não terá �m! Acredite no poder do Deus que a chamou. Você deixará um legado! Você deixará sucessores! Você marcará vidas! A sua entrega in�uenciará gerações! MINHA ORAÇÃO Senhor Jesus, Sou eternamente grata por me conceder o privilégio de ser uma cooperadora do Teu Reino na Terra. Que eu seja sempre temente e obediente à Tua vontade. Meu desejo é estar pronta para realizar a Tua obra aonde me enviares. Capacita-me com fé, coragem, ousadia e sabedoria para levar o conhecimento da Tua Palavra aos que estão cegos espiritualmente e para fazer novos discípulos onde o Senhor me plantar. Eis-me aqui. Usa-me! Em nome de Jesus, amém! CAPÍTULO 6 Maria de Betânia Servindo em adoração Então Maria pegou um frasco de nardo puro, que era um perfume caro, derramou-o sobre os pés de Jesus e os enxugou com os seus cabelos. E a casa encheu-se com a fragrância do perfume. (João 12.3) Amulher de quem falaremos neste capítulo fazia parte de uma família muito especial para Jesus. Ela é a mesma que, na passagem descrita no capítulo dez do Evangelho de Lucas, assenta-se para ouvir os ensinamentos do Mestre, ignorando todas as formalidades exigidas à �gura feminina naquela época — seria ela, talvez, a primeira aluna do seminário teológico de Jesus. Vamos rever essa passagem: Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado, onde certa mulher chamada Marta o recebeu em sua casa. Maria, sua irmã, �cou sentada aos pés do Senhor, ouvindo-lhe a palavra. Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: “Senhor, não te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude!”. Respondeu o Senhor: “Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”. (Lucas 10.38-42) A Bíblia nos aponta que Maria “[…] �cou sentada aos pés do Senhor” (v. 39), lugar de proximidade que era reservado apenas aos discípulos do Mestre. Ainda assim, Ele não a censurou ou pediu que se retirasse. Pelo contrário! Disse com carinho à sua irmã, Marta, que aquela oportunidade não seria tirada de Maria. Como Jesus quebrou paradigmas, não é?! Ali, �ca claro o nível de intimidade e a admiração que Maria tinha por Ele. Eu imagino que os homens do local possam ter �cado perplexos, até mesmo incomodados. O que uma mulher estava fazendo ali? Por que não estava na cozinha? Muitas coisas aconteceram depois disso, ao longo do ministério de Jesus, incluindo a morte e ressurreição de seu amado amigo Lázaro, irmão de Maria (cf. João 11). E a ocasião que destacaremos, na vida dessa mulher tão ousada, ocorreu após esse grande milagre operado por Jesus. Seis dias antes da Páscoa, num lugar de nome Betânia — conhecido como o local onde o Mestre havia ressuscitado seu amigo dos mortos —, era oferecido um jantar para Jesus (cf. João 12.1-2). Marta servia à mesa, Lázaro estava ao lado de Cristo, e Maria… Maria parecia estar admirada! Penso que olhava o tempo todo para o Filho de Deus. Ela estava maravilhada, deslumbrada com a presença daquele amigo tão poderoso, capaz de trazer vida aos mortos. O seu coração estava cheio de amor! Imagino que ela deva ter pensado no que fazer para expressar tudo o que estava no seu interior! Palavras eram insu�cientes. O que teria ela para oferecer a Jesus, o Senhor? De que modo poderia servir a Ele? Como o salmista, também se perguntava: “Que posso oferecer ao Senhor por tudo que ele me tem feito?” (Salmos 116.12). Maria se lembrou, então, da única coisa de verdadeiro valor que possuía: um frasco de nardo puro, um perfume muito caro — que, segundo Judas, custava cerca de trezentos denários (cf. João 12.5). Para que você entenda o quão valioso era, apenas um denário equivalia a um dia de trabalho de um trabalhador braçal. Sendo assim, aquele perfume custava aproximadamente um ano de salário. Logo, Maria saiu da sala sem que ninguém reparasse e buscou o frasco cheio de nardo puro. Provavelmente, ninguém a viu sair ou voltar, mas todos notaram a sua presença quando ouviram o barulho do recipiente de perfume sendo quebrado. Ela se aproximou de Jesus, derramando o perfume da cabeça aos pés d’Ele, e enchendo a casa com um aroma maravilhoso. Sem pensar nas críticas, ela estava decidida a expressar o seu amor ao Senhor. Soltou os cabelos, abaixou- se e se pôs a enxugar os pés do Mestre, sem falar nada. Era como se Maria estivesse dizendo: “Jesus, por onde o Senhor andar, sinta este cheiro e saiba que existe alguém aqui que O ama”. Silêncio total, enquanto todos tentavam entender o que estava acontecendo. Não tinha lógica, não fazia sentido, não era sensato, não era prático! Na visão dos que estavam ali, era extravagante, até mesmo um desperdício. Mas um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, que mais tarde iria traí-lo, fez uma objeção: “Por que este perfume não foi vendido, e o dinheiro dado aos pobres? Seriam trezentos denários”. (João 12.4-5) Jesus, mais uma vez, não a censurou. Em vez disso, respondeu algo que traz ainda mais signi�cado ao ato de sua amiga. Jesus respondeu: Deixe-a em paz. Ela fez isto como preparação para meu sepultamento. (João 12.7) O discernimento espiritual deMaria, aquela que se assentava aos pés de seu Mestre, foi tão aguçado que ela teve uma percepção muito maior do que a dos discípulos. Eles não sabiam, mas faltavam poucos dias para a morte de Jesus, e o ato de Maria era uma preparação para esse momento. Ela foi agraciada pelo Senhor com uma revelação, para que O servisse com o seu melhor naquele ponto tão difícil do ministério do Cristo. A unção era o primeiro passo do embalsamento (cf. João 19.39). Sabendo ou não, Maria estava ungindo o corpo de Jesus para esse momento de sofrimento, enquanto Ele ainda estava vivo. Que coisa grandiosa! Eu creio que, à medida que Cristo passava pela via dolorosa, levando sobre si os nossos pecados, aquele perfume se espalhava por toda a parte. Enquanto Ele estava na cruz, o cheiro da adoração de Maria estava lá. FRUTO DO ESPÍRITO O amor é a virtude do fruto do Espírito que se destaca na vida de Maria. Essa mulher entregou aquilo que era mais valioso para expressar o tamanho de sua devoção ao seu amigo Jesus. Ela correu riscos por isso! Foi julgada, certamente tratada como inconveniente, mas não permitiu que isso a impedisse. O amor a Jesus, assim como sua gratidão diante do milagre operado na vida de Lázaro, prevaleceu, e todos tiveram de contemplar a adoração extravagante daquela mulher. O PODER DA ADORAÇÃO O ato de Maria foi uma expressão de profunda adoração e devoção ao seu Senhor. Adorar a Deus é uma das coisas mais poderosas que o ser humano pode fazer, por isso mesmo o Inimigo busca constantemente roubar essa atitude de nós. Diante do próprio Jesus, ele disse: Depois, o diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu esplendor. E lhe disse: “Tudo isto lhe darei, se você se prostrar e me adorar”. Jesus lhe disse: “Retire-se, Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto’”. (Mateus 4.8-10) A importância da adoração é tão grande que, embora todos os povos procurem, de alguma forma, deuses, lemos na Bíblia que a única classe de pessoas que o próprio Deus procura é esta: a dos verdadeiros adoradores, que adoram o Pai em espírito e em verdade (cf. João 4.23). Parece claro para mim que Maria entendia isso. Ela era uma mulher sensível à voz de Deus, e não se preocupou com a oposição ou com a opinião alheia a respeito dela. A�nal, sempre que uma adoradora se levanta, há oposição. Mulher, nem todos entenderão o seu gesto — assim como Judas, carregado de inveja, não entendeu o dela, mas o Senhor sabia de sua real motivação, e isso era tudo o que importava. Eu nasci em uma família de adoradores. Meu pai doou sua vida ao Reino, amava fazer a obra de Deus com todo o seu coração. Minha mãe era também uma grande adoradora, o amor era a sua marca. Mas eu me lembro, especialmente, de como minha avó, Nery Leal, era um exemplo de vida de adoração para mim. Quantas vezes ela dormia em minha casa, e eu podia ouvir suas orações do quarto. Em alta voz, ela declarava: “Deus de Abraão, Deus de Isaque, Deus de Jacó, eu declaro sobre a minha geração que todos eles entrarão no Céu comigo!”. Era tão lindo ouvi-la! Em qualquer que fosse a circunstância, ela se ajoelhava para orar pelo menos três vezes ao dia. Mesmo que minha casa estivesse cheia, como era um costume, ela sempre encontrava um cantinho para falar com o Pai. Toda oração precisa começar com adoração, e assim ela o fazia. Declarava que o Senhor é grande, maravilhoso, glorioso, poderoso! O PREÇO DA ADORAÇÃO Toda adoração tem um preço. Servir a Deus com aquilo que nos sobra — o tempo, o recurso, o talento — é muito confortável, mas não é o que o Pai espera de nós. O amor de Maria por Jesus era tão grande, assim como sua gratidão, que ela se moveu em um ato de adoração extravagante, derramando sobre o Mestre algo tão valioso, que poderia garantir seu sustento por um bom tempo. E esse é o padrão do Reino. Onde houver uma adoradora, haverá uma entrega de excelência, pois ela dará sempre o que possuir de melhor. Ela entende que sua maior riqueza não é material, mas, sim, eterna! Mulheres realmente gratas ao Senhor desejarão dar a Ele a honra, a glória, o louvor e a majestade. Faça como Maria, que demonstrou seu amor a Jesus de maneira extravagante, criativa e desembaraçada! Jesus merece o seu melhor! Quer ser adoradora? Viva a lei do desapego. Tenha como se não tivesse. Lembre-se, o tempo todo, de que nada é seu, tudo que temos vem de Deus! Um dos primeiros testes de uma adoradora será justamente a capacidade de se desapegar das coisas desta vida. Por isso, Jesus a�rmou: Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu �lho ou sua �lha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim. Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará. (Mateus 10.37-39) O primeiro lugar da sua vida não pode ser ocupado por nada além de Deus. Nem seus �lhos, nem seus pais, nem seu marido podem ocupar esse lugar. Quando penso, nesse sentido, no que é servir em adoração, com excelência, lembro-me de minha tia Tânia. Por muitos anos, ela esperou por uma vitória na justiça, da qual muitos duvidavam. Enquanto aguardava, ela permanecia dedicada à obra do Senhor, tinha um grande zelo pela igreja, limpava os bancos, organizava tudo, crendo que Deus cuidaria de cada detalhe. Depois de muitos anos, quando aquela vitória parecia impossível, a justiça foi favorável, e ela pôde usufruir do que era seu por direito, vivendo com tranquilidade. Ela tratou a obra como prioridade, entregou seu melhor em algo que muitos consideravam inferior, e por isso viveu o melhor de Deus! AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES Maria de Betânia estava servindo: A quem? Por quê? Com que intenção? O que isso nos ensina? ADORAÇÃO E FÉ Porém, para conseguir caminhar com essa perspectiva, você precisará ser uma mulher de fé. Esse é um elemento fundamental para uma vida de adoração. Você se lembra da primeira vez que há uma menção à adoração na Bíblia? Disse ele a seus servos: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de adorarmos, voltaremos”. (Gênesis 22.5 – grifo nosso) Você certamente conhece a história de Abraão. Deus faz uma promessa a ele, de que teria um �lho e seria pai de multidões (cf. Gênesis 17). Após uma longa jornada, que culmina com o nascimento de Isaque, o Senhor pede a ele que entregue seu �lho em sacrifício (cf. Gênesis 22). É nesse contexto de provação da fé que a palavra “adorar” aparece pela primeira vez nas Escrituras. Perceba o tamanho da fé do patriarca. Ele estava a caminho do monte para obedecer a Deus, sacri�cando seu �lho amado, o �lho da promessa, seu Isaque… Ainda assim, manteve-se como um adorador. Pela fé, ele continuou caminhando, mesmo que seu coração estivesse a�ito, e creu que o Senhor poderia intervir — como, de fato, aconteceu. A Bíblia nos mostra ainda outra característica importante na vida do pai da fé. Em nenhum momento a fé de Abraão na promessa de Deus vacilou. Na verdade, ela se fortaleceu e, com isso, ele deu glória a Deus. (Romanos 4.20 – grifo nosso) Assim como Abraão, eu e você precisamos fortalecer nossa fé. Como adoradoras, nossa conduta é servir dando glória a Deus. Glória a Deus quando acordamos, glória a Deus quando vamos dormir, glória a Deus dia e noite! Minha mãe era um exemplo nisso. Eu a via dando glória a Deus ao cuidar de crianças e ao cozinhar, quando chegavam visitas inesperadas e quando aconselhava pessoas. Precisamos admitir isto. Dar glória a Deus na igreja é confortável, agradável, cômodo. Mas se lembrar de glori�car o Senhor em nosso cotidiano, nas demandas mais triviais, não é fácil. Mulher, ajuste seu olhar, ignore as críticas e as vozes que querem paralisar a sua missão, e honre o Senhor com o seu melhor, espalhando o perfume da sua adoração por onde você passar. Lembre-se de que a adoração e a gratidão de Maria a tornaram inesquecível. Eu lhes asseguro que onde quer que este evangelho for anunciado, em todo o mundo, tambémo que ela fez será contado, em sua memória. (Mateus 26.13) MINHA ORAÇÃO Senhor Jesus, És o amado da minha alma! Não consigo mais viver sem a Tua presença. Eu Te adoro, exalto, glori�co a Tua majestade e a beleza da Tua santidade. Recebe minha adoração!! Que ela chegue diante de Ti como um perfume suave e agradável. Sou eternamente grata por Teu amor, bondade e misericórdia, que se renovam todas as manhãs em meu favor. Em nome de Jesus, amém! S As mulheres que marcaram minha vida ou grata a Deus, e me sinto agraciada por Ele, por ter me concedido o grande privilégio de ter como referência de amor e serviço ao Reino duas grandes mulheres que marcaram a minha trajetória de vida. É claro que tive e tenho outros exemplos, mas minha mãe — a irmã Maria Leal Santos — e minha sogra — a Pastora Albertina Lima Malafaia — foram e são minhas maiores referências. Por meio de sua vida e exemplo, ensinaram-me muito e são responsáveis por boa parte do que sou hoje. Minha mãe já dorme no Senhor, enquanto minha sogra está viva, com 93 anos, e até hoje tem sido uma mulher cheia de sonhos e amor pelo Reino de Deus. Sempre que estamos juntas, ela tem prazer em falar sobre o seu amor ao Rei e ao Reino. A PASTORA ALBERTINA Minha amada sogra, Pastora Albertina Malafaia, surpreende-me até hoje com o seu amor pelo Reino de Deus. É uma mulher que ama a sua família, a igreja, e sempre prioriza o Reino. Ela é mãe de cinco �lhos, avó de dezesseis netos, vinte bisnetos e uma tataraneta. Algo que sempre admirei é a sua constante dedicação na área da educação cristã. Ela soube administrar os seus vários papéis e funções, exercendo-os com muita sabedoria, amor, discernimento espiritual, empenho e alegria no serviço a Deus. Em 1960, junto ao seu esposo — meu saudoso sogro, Pastor Gilberto Malafaia — e ao Pastor Lauwence Olson, fundou o Instituto Bíblico Pentecostal, onde lecionou por mais de 40 anos. Serviu também, diligentemente, na igreja Assembleia de Deus de Jacarepaguá (RJ), ao lado do Pastor Gilberto Malafaia, por mais de 40 anos, e manteve-se sempre ativa — principalmente no departamento infantil. AMOR PELAS CRIANÇAS Minha sogra também fazia questão de ser sempre atuante em cantatas de Natal — e como ela amava fazer isso! Eu admirava sua disposição em produzir as roupas dos personagens, ensaiar as peças de teatro. Com sua criatividade singular, a cada ano ela inovava com apresentações especiais e diferentes. Com amor, dedicava-se durante um bom tempo, mantendo-se sempre pronta e ativa no seu serviço a Deus. Curiosamente, quando eu tinha apenas seis anos de idade, participei de uma peça de Natal que ela dirigiu. Meu personagem foi o anjo Gabriel, anunciando que Maria seria mãe do Salvador. Como eu era tímida! Ainda assim, não me esqueço de como ela me incentivou, ajudou-me a decorar o texto, e repetiu para mim a cada ensaio: “Vai, você consegue!”. Sim, ela exalava paixão pelo Reino, especialmente pelas crianças, e sabia encorajar os pequeninos como ninguém! Estava sempre com um sorriso no rosto, e animada para inovar na área da educação religiosa. Eu sempre admirei sua disposição, disciplina, foco, empenho e dedicação, mesmo diante das di�culdades. E até hoje, no auge de seus 93 anos, sempre que nos encontramos, ela tem algo novo, uma ideia, um projeto. Como sua mente é produtiva e voltada para a educação e o estudo da Palavra de Deus! UMA EDUCADORA Aprendi muito com minha sogra sobre como administrar bem todos os papéis da vida de uma mulher cristã, e hoje nós, familiares, vemos os frutos do seu serviço de amor ao Reino de Deus. Sua preocupação com o estudo da Palavra fez com que ela sempre estivesse pronta para servir às pessoas com instruções sábias acerca da Bíblia. Minha sogra é uma educadora nata! Fui, inclusive, sua aluna no curso do CAPED (curso de aperfeiçoamento de professores da escola dominical). Ela sempre foi, para mim, um grande exemplo de dedicação, coragem e esforço na proclamação do Evangelho. Aprendi e ainda aprendo muito com sua vida e suas experiências. Inclusive, foi por meio das suas cativantes aulas de Psicologia no seminário — as quais eu e os demais alunos amávamos — que passei a me interessar pelo curso. Seu interesse pelo conhecimento nunca parou de me surpreender. Estava sempre começando um curso novo e, depois, aplicando o que aprendia ali, investindo o conhecimento no crescimento do Reino de Deus. Um exemplo disso foi a pós-graduação em Terapia Familiar que �zemos juntas. Que honra! Até hoje, em algumas igrejas por onde passo, encontro pessoas que foram suas alunas, e todas falam o quanto foram abençoadas pelas aulas ministradas pela ilustre Professora Albertina. Admiro ainda o amor, a coragem, disciplina, dedicação e disposição que teve ao quebrar paradigmas — principalmente por atuar em uma época em que pouquíssimas mulheres usavam o púlpito. Quantas vezes tive o prazer de ouvi-la contar as experiências pelas quais passou pelo Brasil afora, enquanto dava várias palestras e cursos na preparação de professores da Escola Bíblica Dominical! Seu amor em servir ao Reino era tão grande que não media esforços, e mantinha-se alegre e animada, mesmo quando as viagens eram a lugares de difícil acesso, levando-a a enfrentar horas e horas de viagens de ônibus pelo interior do Brasil. Fato é que a Pastora Albertina e seus companheiros educadores — como Pastor Gilberto Malafaia, Pastor Antônio Gilberto, irmã Helena, e outros — deixaram um grande legado na educação religiosa no Brasil. A IRMà MARIA Minha mãe, a irmã Maria, foi um grande exemplo de mulher temente a Deus, uma esposa amorosa, carinhosa, e uma forte auxiliadora no ministério do meu pai. Uma mãe que se dedicava a cuidar dos �lhos e ainda dava conta de ajudar a outros irmãos que precisavam de socorro. Era uma exímia conselheira, sempre disponível para servir ao Reino, abençoando cada vida que passava por nossa casa. Nesse sentido, há uma grande virtude que sempre admirei em minha mãe: o seu autocontrole. Além de ser equilibrada emocionalmente, possuía maturidade espiritual e uma sabedoria de vida incrível — a�nal, criou onze �lhos, fora os adotivos que chegavam à nossa casa e aqueles que moraram conosco. Como meu pai sempre gostou de morar ao lado da igreja, na casa pastoral, nosso lar vivia cheio, e havia movimento o tempo todo. Hoje, nossa família é bem numerosa. Dona Maria teve seis noras, cinco genros, vinte e seis netos e trinta e quatro bisnetos. Mas vamos voltar um pouco mais nessa história… QUANDO TUDO COMEÇOU Minha mãe se casou ainda muito jovem, aos dezesseis anos. Pouco tempo após o casamento, meu pai foi consagrado a pastor da Assembleia de Deus, e logo foi enviado para a cidade de Carangola (MG). A igreja começou na sala de sua casa! Imagine o quão desa�ador foi para ela. Mesmo assim, sempre que contava suas histórias de como começou, ao lado do meu pai, a servir no ministério, minha mãe tinha um sorriso no rosto, e seus relatos eram cheios de alegria, deixando claro como aqueles foram bons tempos. Ela falava com amor sobre como andavam quilômetros a pé para irem a um culto, e sobre as visitas que faziam aos irmãos da congregação. Ela contava que, às vezes, quando iam visitar outras igrejas mais distantes, precisava tirar seus sapatos e andar um bom percurso descalça para não gastar a sola — pois só tinha um par. Ao chegar ao seu destino, lavava os pés e colocava o calçado. Eu me lembro bem de ouvir do meu pai que uma das maiores alegrias da vida deles foi quando ganharam uma bicicleta. Assim, poderiam deixar de andar grandes distâncias a pé. São muitas histórias inspiradoras, e todas elas me lembram de que minha mãe foi uma mulher que, desde cedo, entendeu o seu propósito e o chamado de Deus em sua vida. Quando tinha apenas oito anos de idade, entregou sua vida a Jesus, a convite de sua tia Alice. A partir daquele dia, ela soube que o Pai tinha algo especí�co para sua existência, e foi por meio dela que toda a sua família veio para Cristo! Ela tinha prazer de servir a Deus, à suafamília e à Igreja, com alegria, amor, entusiasmo e dedicação. Certa vez, meu amado pai — que era �lho único — nos contou que, antes de se casar, falou para ela que queria ter dez �lhos, e quando foi pedir minha mãe em casamento repetiu esse desejo. Na mesma hora, segundo ele, minha mãe aceitou, e ainda disse: “Sem problema!”. Esse relato reforça outro motivo de minha grande admiração: meus pais nunca viram os �lhos como um peso. Pelo contrário! Minha mãe amava crianças. Lembro-me de um dia em que meu pai apenas comentou com ela: “Se você pudesse, teria mais �lhos!” Ela sorriu. Então, como Deus é bom e sempre acrescenta mais, aos 43 anos minha mãe teve o décimo primeiro �lho. Isso mesmo! Fechou o time, com onze! HOSPITALIDADE Era muito interessante observar como minha mãe tinha facilidade em se relacionar bem com os vizinhos e os irmãos, onde quer que estivesse. Meus pais deixaram vários amigos lá em Carangola, onde ele pastoreou por onze anos, fundando a Assembleia de Deus local que existe até hoje. Quando esses amigos vinham ao Rio de Janeiro, faziam questão de passar em nossa casa para vê-los, e minha mãe recebia cada convidado com satisfação. O dom da hospitalidade era nítido em sua vida, e sua capacidade de doação era admirável — algo que não é tão comum nos dias de hoje. A irmã Maria serviu à igreja ao lado do meu pai durante 59 anos — o que inclui o período em que ele esteve à frente da Igreja da Penha (hoje, Assembleia de Deus Vitória em Cristo). Tenho memórias muito vivas da minha adolescência, aos domingos, em conferências ou programações especiais da igreja, da alegria da minha mãe em receber e servir aos irmãos. Sempre com disposição. Sempre pronta para servir. O seu amor em servir às pessoas era tão especial e nítido, que muitos irmãos gostavam de fazer visitas lá em casa, nem que fosse apenas para conversar, aconselhar-se ou tomar um café. Aos domingos, principalmente, a casa era uma grande festa, porque os �lhos, netos, genros e noras estavam lá. E quando alguém faltava, ela se preocupava e fazia questão de perguntar o porquê de não ter ido. Havia ainda algo especial que sempre admirei no que se refere ao prazer em servir de minha mãe: ela não fazia acepção de pessoas. Por isso, eu pude ver vários milagres na vida de incontáveis irmãos que frequentavam a casa. Vi algumas mulheres com problemas mentais serem curadas, meninas adolescentes serem abençoadas por meio do cuidado e da atenção da minha mãe. Além de servir sempre um cafezinho e um pastel, que ela amava fazer, sua alegria era dedicar tempo para conversar com os irmãos. Como tinha muitos afazeres e não conseguia estar todos os dias na igreja, alguns costumavam ir até ela, apenas para ouvir bons conselhos. EQUILIBRANDO TODOS OS PAPÉIS Eu entendi algo com clareza em sua vida: o púlpito da minha mãe foi a sua casa, principalmente a sua cozinha. Ela exerceu um grande ministério, servindo a todos com o seu melhor, e o mais importante, nunca a vi reclamando por ter de servir às pessoas. Ela nunca se sentiu inferior enquanto se doava ao próximo. Pelo contrário! Estava sempre pronta para doar algo que alguém precisasse, e, algumas vezes, deixava de comer o que gostava para dar a outras pessoas que estavam em sua casa. Se tem um milagre que cresci vendo acontecer na minha casa, foi o da multiplicação. Seja do arroz, do macarrão, do frango… Principalmente aos domingos, quando, como eu disse, vários irmãos chegavam sem aviso prévio. Isso acontecia porque, além de tudo, minha mãe tinha uma mão abençoada! Quando pensávamos que iria faltar, sempre sobrava. Com certeza ela preparava tudo em oração, crendo no poder da multiplicação. Esse seu prazer em servir e a sua hospitalidade marcaram a vida de muitos membros da igreja e até mesmo de vizinhos. Por onde meus pais passaram, exalaram o bom perfume de Cristo. Minha mãe marcou a vida de muitas pessoas, por vezes com sua simplicidade em gestos de amor, carinho e dedicação ao servir ao Reino de Deus com excelência. Ela sabia cativar as pessoas com seu sorriso e sua plena atenção. SERVINDO EM TODAS AS ESTAÇÕES Quando os �lhos cresceram, minha mãe passou a ter mais tempo para servir ao Reino fora de casa e começou a fazer visitas aos irmãos mais idosos e a alguns que estavam afastados da igreja. Todas as quintas-feiras, ela saía com um grupo de irmãs para fazer visitas. Assim que comecei a dirigir, passei a ir com elas, e lembro-me de como fui abençoada e cresci espiritualmente ao ouvir as histórias de vida dos irmãos e ver o poder do Espírito Santo, que agia por meio do simples fato de irmos à casa de uma pessoa orar e levar uma palavra da parte de Deus. Ela conseguia alcançar o coração das pessoas, com seu prazer em servir ao Senhor. Era uma excelente ouvinte. Tinha um coração perdoador e nunca se envolvia em confusão, ao contrário, era uma grande paci�cadora — com um espírito amoroso, terno, gentil e humilde. Foi uma grande serva de Deus e nos deixou um enorme legado de amor ao Senhor e ao Seu Reino! Como eu fui agraciada por Deus ao ser �lha da irmã Maria… Portanto, é motivo de muita gratidão ter tido a honra de aprender com essas duas mentoras especiais, que desenvolveram papéis e funções especí�cas no Reino de Deus, cada uma com sua singularidade. Elas desenvolveram os seus talentos com amor, fé, alegria, graça, sabedoria, unção e autoridade do Pai, cumprindo o ide de Jesus e investindo no Reino que nunca terá �m. Declaração da mulher agraciada Eu sou uma mulher agraciada. Sou o foco do amor de Deus, e mesmo antes da fundação do mundo eu já fui o alvo de Sua atenção. Fui agraciada pelo Espírito Santo com amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, �delidade, mansidão e domínio próprio. Independentemente das circunstâncias e dos desa�os que eu viva, eu sei que sou amada, e que fui escolhida para deixar um legado da graça de Deus nesta terra por onde eu passar. Eu sou uma mulher de fé, e por isso serei capaz de ver o invisível, crer no incrível e receber o impossível. Consigo enxergar a beleza do servir a Deus e ao próximo, e não serei enganada pelo inimigo para desvalorizar aquilo que o Senhor con�ou a mim. A marca do amor do Criador está em todo o meu ser, e eu fui favorecida com os atributos necessários para cumprir minha missão neste mundo, para o louvor da glória de Deus! Chegou a minha vez! Eu me alegrarei, pois sou agraciada. O Senhor está comigo! Disponível também no formato ebook https://linklist.bio/devocionaldamulhervitoriosa4 Folha de Rosto Página de Créditos Agradecimentos Sumário PREFÁCIO ENTENDENDO MELHOR ESTE LIVRO INTRODUÇÃO CAPÍTULO 1 MARIA, MÃE DE JESUS CAPÍTULO 2 MULHER SAMARITANA CAPÍTULO 3 ISABEL CAPÍTULO 4 ANA, A PROFETISA CAPÍTULO 5 PRISCILA CAPÍTULO 6 MARIA DE BETÂNIA CAPÍTULO 7 AS MULHERES QUE MARCARAM MINHA VIDA