Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

details

Libere esse material sem enrolação!

Craque NetoCraque Neto

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

PRESIDENTE
Silas Malafaia Copyright © 2024 por Central Gospel Editora.
Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP)
(Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil)
Malafaia, Elizete
Agraciadas: aprendendo a enxergar a beleza do servir / Elizete
Malafaia. -- Rio de Janeiro: Central Gospel, 2024.
ISBN 978-65-5760-078-8
1. Devoção a Deus 2. Fé (Cristianismo) 3. Jesus Cristo -
Ensinamentos 4. Mulheres - Aspectos religiosos - Cristianismo 5.
Mulheres - Vida cristã I. Título
24-195795
CDD-248.843
Índices para catálogo sistemático:
1. Mulheres: Vida cristã: Cristianismo 248.843
Aline Graziele Benitez - Bibliotecária - CRB-1/3129
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução total ou
parcial do texto deste livro por quaisquer meios (mecânicos,
eletrônicos, xerográ�cos, fotográ�cos etc.), a não ser em citações
breves, com indicação da fonte bibliográ�ca.
As citações bíblicas utilizadas nesta revista foram extraídas das
versões NVI e NVT, Sociedade Bíblica do Brasil, salvo indicação
especí�ca, e visam incentivar a leitura das Sagradas Escrituras.
Esta revista está de acordo com as mudanças propostas pelo novo
Acordo Ortográ�co, em vigor desde janeiro de 2009.
1ª Edição: março/2024
Central Gospel Editora Ltda.
Estrada do Guerenguê, 1851 - Taquara
Cep: 22.713-001 Rio de Janeiro – RJ
TEL: (21) 2598-2019
editoracentralgospel.com
VICE-PRESIDENTE
Talita Malafaia
CEO CENTRAL GOSPEL
EDITORA
Elba Alencar
DIRETORA DE MARKETING
Sarah Lole
EDITORA-CHEFE
Marcella Passos
CONSULTOR EDITORIAL
Gilmar Vieira Chaves
COORDENADORA
EDITORIAL
Michelle Candida Caetano
Preparação do texto
Marcella Passos
REVISÃO
Natália Ramos Martim
Maria José Marinho
CAPA, PROJETO GRÁFICO E
DIAGRAMAÇÃO
Raquel Frazão
ILUSTRAÇÕES
Raquel Frazão
CONVERSÃO E-BOOK
Brazil Deluxe Ltda
http://editoracentralgospel.com/
http://www.brazildeluxe.com.br/
À minha amada Mãe, Maria Santos (in memoriam).
À minha sogra, Albertina Malafaia.
Às minhas filhas, Talita e Taisa; e à minha nora, Rachel.
Às minhas netas, Maria Clara, Hadassah e Helena.
E a todas as mulheres que descobriram a beleza e o privilégio de
servir ao Reino de Deus com excelência, e estão deixando um
legado para as próximas gerações!
D
Agradecimentos
edico minha profunda gratidão a Deus, que nos serviu com o Seu
melhor, doando-nos Seu amado Filho, Jesus Cristo. Este veio ao
mundo para nos servir com excelência, proporcionando Sua graça,
amor, perdão e salvação.
Aos meus pais, que foram um grande exemplo de amor e prazer em servir à
nossa família e ao Reino de Deus.
Ao meu amado esposo, assim como aos meus �lhos, à minha nora, aos
meus genros e netos, aos quais tenho o prazer de servir constantemente, pois
sei que serei recompensada por Deus em todo o meu serviço.
A todo o povo abençoado da ADVEC, juntos vamos crescer, servindo com
alegria ao nosso próximo.
A toda a equipe da Editora Central Gospel, que me serviu, em um curto
espaço de tempo, com o seu melhor na preparação deste livro.
Por �m, a você, leitor, que acaba de adquirir esta obra e irá multiplicar o
que aprender aqui.
Que Deus nos abençoe sempre!
Elizete Malafaia
PREFÁCIO
ENTENDENDO MELHOR ESTE LIVRO
INTRODUÇÃO
CAPÍTULO 1
MARIA, MÃE DE JESUS
CAPÍTULO 2
MULHER SAMARITANA
CAPÍTULO 3
ISABEL
CAPÍTULO 4
ANA, A PROFETISA
CAPÍTULO 5
PRISCILA
Í
CAPÍTULO 6
MARIA DE BETÂNIA
CAPÍTULO 7
AS MULHERES QUE MARCARAM MINHA VIDA
Prefácio
Por Eyshila Santos
Quero falar de uma mulher agraciada…
Quando a vi pela primeira vez, há mais de trinta anos, ela era mãe de três
crianças, casada com um evangelista famoso e respeitado pela sua unção,
eloquência e autoridade na Palavra. Ela não o acompanhava em todas as suas
viagens porque, segundo o seu irmão Odilon — naquela época, meu
namorado —, sua prioridade absoluta era cuidar de seus �lhos, atividade que
pude testemunhar de perto ao ver em sua casa vários bilhetes pregados nas
portas dos armários com versículos bíblicos e palavras proféticas direcionadas
a cada um deles. Mas o seu cuidado não se limitava à sua própria família. Ela
tinha tanto amor que transbordava para fora dos limites do seu lar.
Houve uma ocasião em que eu a vi de longe com algumas mulheres da
igreja — ela sempre amou trabalhar com mulheres —, caminhando na Rua
Honório Bicalho, antigo endereço da sede da igreja Assembleia de Deus da
Penha, hoje Assembleia de Deus Vitória em Cristo. Perguntei ao meu marido
aonde ela estava indo com aquelas irmãs em um dia tão ensolarado e quente
como aquele, ao que ele me disse: “Ah, você não tem ideia do quanto a minha
irmã ama servir a Deus e ao próximo. É impossível que ela perceba a
necessidade de alguém sem ser impelida a ajudar”. Naquele dia, eu pensei:
“Quero ser como essa mulher”.
Quanta generosidade! Quanta entrega ao Reino e ao propósito de Deus
para sua vida! Ela capturou minha atenção com a sua dedicação ao Senhor. Eu
tinha dezessete anos, estava apenas chegando à família, e não tinha ideia do
quanto ainda seria in�uenciada e transformada pelo seu estilo de vida. Embora
nem imaginasse, estava diante da minha futura pastora, uma mulher agraciada
por Deus — a mesma graça que a capacita a viver o impossível, ver o invisível
e suportar o insuportável, como ela mesma declara em suas ministrações. A
Pastora Elizete já era uma in�uenciadora naquele tempo, mesmo sem saber, e,
por meio da sua dedicação ao Rei e ao Seu Reino, tocou profundamente o meu
coração.
Uma mulher agraciada não é apenas agradável ao próximo, mas ao próprio
Deus. Ela se importa com a opinião do Espírito Santo a respeito de suas
decisões e pauta a sua vida no querer d’Aquele que a agraciou com a Sua doce
presença. Não tem a pretensão de usar Deus para atender aos seus interesses
pessoais, mas deixa-se ser usada por Ele, a �m de que o Seu Reino seja
estabelecido nos corações daqueles que passam pela sua vida.
Foi naquele mesmo tempo que eu a vi reunida com um pequeno grupo de
mulheres na igreja. Aquela foi a primeira rede de apoio emocional da qual eu
participei, na qual aprendemos a dar nome às nossas dores, e a ouvimos falar
sobre cura física, emocional e espiritual. Somente ali, aprendi que depressão
não é demônio, mas uma doença como outra qualquer, que não pode ser
negligenciada e precisa ser tratada, assim como todas as outras.
A Pastora Elizete recebeu graça para tocar em assuntos que, em muitas
igrejas, ainda eram tabus ou abordados com muitas reservas, devido à sua
complexidade. Mas ela não aprendeu sobre cura emocional apenas na teoria
dos livros acadêmicos. Sua maior escola não foi a faculdade de Psicologia, mas,
sim, a escola de uma vida rica em experiências pessoais submetidas a Deus e
superadas em Sua presença.
Com sua ousadia e vulnerabilidade, ela me ensinou que nossas dores não
precisam ser silenciadas, mas que devemos discernir onde, quando e para
quem abrimos o nosso coração. Foi também minha professora da Escola
Bíblica Dominical na classe de moças. Ela havia começado o seu ministério
muito cedo, tinha muita experiência, e por isso Deus já a usava tão
poderosamente. Enquanto o seu marido, Pastor Silas Malafaia, estava
cumprindo o seu chamado evangelístico e profético em rede nacional, por
meio dos programas em TV aberta, ela estava preparando a mim e a mais
dezenas de jovens, que futuramente também tocariam multidões a partir do
legado que ela nos passaria.
Também não posso deixar de mencionar o quanto ela abençoou a minha
casa. Quando eu e o Odilon, irmão da Pastora Elizete, marcamos a data do
nosso casamento, ainda não tínhamos onde morar. Naquele mesmo período,
houve uma ocasião em que Deus me tocou para que eu entregasse à vida de
um missionário que havia pregado em uma das �liais da nossa igreja todo o
valor que havia recebido por determinado trabalho. Era tudo o que eu tinha
na bolsa! Logo em seguida, Deus usou uma mulher em profecia para nos dizer
que ela via uma casa completamente mobiliada com tudo de melhor que
poderia existir, e nós agarramos aquela palavra com toda a fé do nosso
coração. Alguns dias depois,o Pastor Silas chamou o Odilon para conversar e
deu a ele a seguinte notícia: “Estamos nos mudando do nosso apartamento
para outro maior e vamos deixar este aqui com todos os móveis para você
começar a sua vida com a Eyshila. Não precisam nos pagar aluguel. Fiquem
aqui pelo tempo que precisarem, este é o nosso presente de casamento para
vocês”.
Como essa notícia nos alegrou! Foi a con�rmação de que estávamos no
caminho certo, embora essa bênção não tenha nos livrado das tempestades que
enfrentaríamos no decorrer da nossa vida em família. Naquele tempo de
batalha espiritual que eu travei com as trevas pela libertação completa do meu
marido, aquela casa, que tinha uma história de oração e lágrimas no altar, foi o
meu refúgio de oração.
Cada vez que eu me movia pelos cômodos daquele apartamento, orando
pelo Odilon, eu me lembrava de que as minhas orações não eram as únicas que
ecoavam naquele lugar. Por ali havia passado outra mulher de oração, mulher
quebrantada, totalmente dedicada a Jesus e agraciada pela Sua presença.
Naquele tempo, o meu marido não estava liberto das drogas, portanto ele
di�cilmente frequentava a igreja comigo. Aquele apartamento se tornou a
minha plataforma de pregação. Tive de aprender a pregar sem palavras, amar
sem reservas, abrir mão da minha razão e colocar Jesus no centro da minha
vida, acima do meu marido e acima dos meus sonhos e projetos pessoais. Ali,
naquele apartamento, eu fui ensinada pelo próprio Espírito Santo que uma
mulher agraciada não é aquela que tem tudo aquilo com que sonhou, mas
aquela que abraça os sonhos de Deus. Decidi que jamais deixaria que as
decisões dos outros, por mais que eu os amasse, afetassem o meu
relacionamento pessoal com Jesus. Tudo começou ali, naquele apartamento da
Rua Fernandes Pinheiro, no bairro da Penha, emprestado a nós pelos nossos
pastores, Silas e Elizete Malafaia. Foi uma semente que durou sete anos.
Durante aquele tempo, eu nunca deixei de ir à igreja, mesmo sem a
presença do meu marido, mas tive de aprender a fazer da minha casa um
pedaço do Céu. Uma casa com memória, com história e com marcas, mesmo
que invisíveis, das lágrimas da Pastora Elizete diante do Senhor. Foi ali que
vivi um dos maiores milagres da minha história: a libertação do meu marido.
Aquele que não queria ir para a igreja, um dia, se ajoelhou aos pés da nossa
cama — que herdamos dos nossos pastores — e entregou a sua vida a Jesus em
uma madrugada do ano de 1997. Aquela foi a última madrugada em que o meu
marido se drogou, para a glória de Deus. Hoje, ele é um pastor totalmente
dedicado à obra do Senhor e ao Seu chamado.
A Pastora Elizete teve um papel essencial na minha vida nesse período tão
difícil, com seu exemplo, sua intercessão e sua generosidade. Até hoje, ela
participa de cada momento desa�ador que eu tenho enfrentado. As
experiências continuam, e já estamos na expectativa daquilo que o Senhor vai
fazer nos próximos capítulos da nossa existência. O nosso Deus não mudou.
Ele continua no controle de tudo!
Cada vez que me deparo com um grande desa�o, eu me lembro do que pedi
a Deus: “Senhor, dá-me a graça dessa mulher para Te servir”. Sou cunhada da
Pastora Elizete há quase trinta anos, e uma das maiores marcas do seu
ministério tem sido amar e servir às pessoas. Apesar de sua formação ser em
Psicologia, eu descon�o que a sua maior escola foi a vida da sua mãe, Maria
Leal Santos, que também tive o privilégio de ter como sogra. Que mulher
agraciada! Outra mulher que, certamente marcou sua vida foi sua sogra,
Pastora Albertina Malafaia. Deus sabia o que estava fazendo quando plantou
Elizete no ventre da irmã Maria e, depois, deu-lhe uma sogra como a Pastora
Albertina. Ela não recebeu apenas a teoria, mas viveu na prática o ofício de
servir apesar de suas limitações, perseguições e adversidades.
Pastora Elizete foi treinada na escola da dor. Sua humanidade jamais foi
camu�ada por um discurso triunfalista. Ela é vitoriosa, SIM, não por causa dos
diplomas e homenagens que recebeu, mas pelas dores insuportáveis que
enfrentou. Ela tem me ensinado a ser imperturbável, resiliente, guardiã do
meu lar e pastora. Sim, ela tem sido mentora de um exército de pastoras e
esposas de pastores que a admiram profundamente. Ela tem um rebanho
enorme de mulheres que, de perto ou de longe, a amam e a admiram.
Ela foi agraciada com uma autoridade que jamais foi imposta, mas
conquistada. Ela é uma líder que exerce autoridade sem ser autoritária. Eu faço
parte desse exército de mulheres que abraçou sua visão por amor, e não por
imposição. Ela convoca sem obrigar, mostra o caminho e arrasta multidões
com seu jeito carinhoso — porém �rme — de ser. Ela é, sem dúvida, uma das
pessoas mais amadas que conheço, mas isso só é possível porque escolheu
amar as pessoas incondicionalmente, e esse é o segredo da força que carrega.
Ser agraciada é ser dotada de capacitação para atender a um propósito
maior do que nós mesmas. Se ela tem defeitos? Claro que sim! E fala deles com
muita graça. Sua humanidade e vulnerabilidade em se revelar e se expor sem
reservas para curar nossas feridas tem sido outra marca do seu ministério.
Hoje, ela não é apenas a esposa do Pastor Silas Malafaia, o que já seria um
grande chamado, devido à relevância do ministério dele, mas ela é também a
pastora, a evangelista, a palestrante, a escritora e a mentora de multidões.
Aquela jovem senhora que começou mentoreando um grupo pequeno de
mulheres hoje inspira milhares e milhares de pessoas. Aprouve a Deus que,
em tempo oportuno, essa mulher agraciada ultrapassasse as fronteiras da sua
casa e da sua igreja local e invadisse o mundo com a simplicidade e, ao mesmo
tempo, a profundidade da sua pregação totalmente pautada na Palavra de
Deus.
Nestes trinta anos de convivência, também já presenciei muitas de suas
dores, mas nenhuma delas foi usada como desculpa para desistir. Creio que
esta também é uma das características na vida de uma mulher agraciada como
a minha amada pastora: não se curvar diante das catástrofes da vida,
entendendo que todo caos que vivemos carrega em si o potencial de nos fazer
viver mais um milagre.
Minha amada Pastora Elizete Malafaia, muito obrigada pelo seu sim. Falo
não somente em meu nome, mas também em nome de todas as mulheres que
têm sido tocadas pela sua vida. Tenho certeza de que estamos diante de um
material literário gerado debaixo de oração, estudo bíblico, pesquisa e
experiências pessoais profundas. A�nal, uma mulher agraciada não se acha em
qualquer esquina da vida; ela é como um vaso nas mãos do oleiro. Às vezes
lindo e perfeito, outras vezes quebrado e moído, reconstruído e moldado no
fogo, mas nunca descartado ou destruído. Mulher agraciada não é aquela que
tem mais sorte, mas aquela que teve a sua sorte mudada pela presença gloriosa
de Jesus, porque escolheu andar com Ele.
Quero incentivar você, leitora, a ler cada capítulo deste livro sabendo que
estas páginas carregam mais do que teoria: carregam vida. A vida de uma
mulher agraciada. Peça a Deus que lhe apresente amigas agraciadas por Ele.
Peça a Deus que faça de você uma mulher também agraciada, a ponto de fazer
com que outras desejem aquilo que carrega: a presença de Deus. Tenho certeza
de que este livro será uma ferramenta poderosa nas mãos do Senhor para fazer
de você uma mulher cada dia mais parecida com Jesus, assim como a minha
amada Pastora Elizete Malafaia.
O milagre é ser agraciada!
Que ela receba a recompensa merecida, e as suas obras sejam elogiadas à porta da cidade.
(Provérbios 31.31)
A
Entendendo melhor este livro
lém de caminhar pelas histórias de mulheres que serviram ao Reino
com suas vidas, meu desejo é que você construa suas próprias re�exões
enquanto lê, caminhando também para uma transformação completa
em sua vida. Por isso, há alguns recursos ao longo dos capítulos que tornarão
sua leitura ainda mais prática e efetiva, com a ajuda do Espírito Santo.
FRUTO DO ESPÍRITO
A Palavra de Deus a�rma:
Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, �delidade,mansidão e
domínio próprio. Contra essas coisas não há lei. (Gálatas 5.22-23)
Cada uma das mulheres apresentadas neste livro teve sua existência
impactada pelo Senhor. E mesmo que a maioria tenha vivido antes do
derramar do Espírito Santo, podemos ver em suas vidas virtudes do
fruto do Espírito. Assim, em cada capítulo, destacaremos essas
características, a �m de aprendermos com elas.
AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES
Eu aprendi, desde muito nova, que, em qualquer ação que formos
executar, precisamos nos perguntar:
A quem estou servindo?
Por que estou servindo?
Com que intenção estou servindo?
Isso fará toda a diferença para que você não desista diante de qualquer
di�culdade, mas, sim, persevere no servir. Capítulo a capítulo, você
poderá re�etir a respeito dessas perguntas na vida de cada mulher em
destaque e pensar sobre o que isso nos ensina.
UM COMPROMISSO COM DEUS
Há muitos anos, tenho o costume de registrar minhas orações e creio
que isso faz muita diferença no nosso tempo com Deus. Por isso, além
de deixar uma oração feita por mim em cada capítulo, também reservei
um espaço para que você escreva sua própria oração, comprometendo-
se com o Pai a buscar mais d’Ele e a se aperfeiçoar naquele tema
especí�co.
SEU MOMENTO DE CRIATIVIDADE
Esta obra é preenchida com lindas ilustrações, pinturas que revelam
muita sensibilidade e que tiveram a Bíblia como inspiração. Para que
você também possa se expressar artisticamente, entendendo o papel
terapêutico da pintura, reservamos um espaço, ao �nal do livro, em
que você será a artista. Aproveite esse tempo para também cuidar de
sua mente e desacelerar a rotina pesada, o ritmo cotidiano e o uso das
redes sociais. O descanso é uma obra de Deus!
T
Introdução
Todas as pessoas podem ser grandes porque todas podem servir. Não é
preciso ter um diploma universitário para servir. Não é preciso fazer concordar
o sujeito e o verbo para servir. Basta um coração cheio de graça. Uma alma
gerada pelo amor.
Martin Luther King
Trecho extraído de seu sermão intitulado “The Drum Major Instinct”
odas nós fomos criadas por Deus com um desígnio. A marca do
amor do Criador por nós está em todo o nosso ser, e as características
que temos vão sempre re�etir nosso propósito. Isso signi�ca dizer que você,
mulher, tem os atributos exatos necessários para solucionar problemas e
trazer luz a situações que outras não poderiam gerenciar — alguém nesta
Terra precisa das qualidades que o Senhor designou a você. Mas, em um
mundo tão individualista, como caminhar na direção oposta e viver para
servir a um propósito maior? É diante desse questionamento que o livro
Agraciadas: aprendendo a enxergar a beleza do servir surgiu.
A palavra agraciada signi�ca “favorecida, aquela que tem a bênção e o favor
de Deus”, mas nós não recebemos essa graça e esse favor apenas para satisfação
própria, e sim para servir. Este é o nosso maior propósito: dar ao Reino e ao
Rei nossos talentos, nossas habilidades e nossos dons. Nós não os merecíamos!
Mas foi Deus que nos amou, escolheu e enviou a este mundo exatamente no
tempo e no lugar em que estamos, agraciando-nos com vida, saúde, força e
sabedoria. É Ele que renova nossas forças todos os dias para que possamos
cumprir o propósito para o qual nos gerou, e cuida de nós em cada detalhe.
Lembre-se do que diz a Palavra:
Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com todas as bênçãos
espirituais nas regiões celestiais em Cristo. Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo,
para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos
adotados como �lhos por meio de Jesus Cristo, conforme o bom propósito da sua vontade, para o
louvor da sua gloriosa graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado. (Efésios 1.3-6)
Pensar como servo é difícil, eu sei, pois somos egoístas por natureza.
Pensamos demais em nós mesmos, por esse motivo a humildade é uma luta
diária. Mas o verdadeiro servo não tenta usar Deus para propósitos
próprios — deixa que Deus o use para os propósitos DELE.
Eu não sei qual é a sua história, mas quero que saiba que você também foi
agraciada pelo Senhor, foi escolhida! Portanto, foi alvo da atenção d’Ele, como
a jovem Maria quando recebeu a visita do anjo e descobriu que seria a mãe do
Salvador, recebendo as seguintes palavras:
O anjo, aproximando-se dela, disse: “Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!”. (Lucas 1.28 –
grifo nosso)
Ela recebeu a honra de servir a uma missão muito maior do que poderia
imaginar, e foi abençoada pelo Senhor para dar conta dessa jornada. Hoje,
vejo muitas mulheres que não se sentem agraciadas por Deus, não se
consideram dignas de cumprir seu chamado ou até de desfrutar das bênçãos
que o Senhor reservou para elas. Muitas são marcadas pela culpa, por traumas
não resolvidos ou por palavras de maldição que receberam, e se isolam em sua
própria dor. Mas essa não é a vontade de Deus para elas. Essa não é a vontade
de Deus para você! E eu creio que esta leitura virá como uma resposta para
que muitas amadas do Senhor se levantem e troquem as mentiras que o
Inimigo tem dito a elas pela verdade do Pai.
Neste livro, vamos passear pelas histórias de algumas mulheres que
enfrentaram problemas reais — que continuam fazendo parte da realidade das
�lhas de Deus ainda neste tempo. Assim como nós, elas passaram por todo
tipo de a�ição, perda de �lhos, crises �nanceiras, términos de relacionamento,
frustrações, rejeição etc. Mas, quando entenderam a graça, o favor e o amor de
Deus em suas vidas, elas mudaram a história! Além disso, cada uma delas foi
usada pelo Senhor para servir em uma área especí�ca e foi habilitada com
dons, talentos e habilidades necessários para cumprir sua missão, solucionar
problemas e abençoar vidas. Quando uma mulher entende que é alvo da graça
e do amor do Pai, ninguém mais pode pará-la.
No momento em que escrevo este livro, o tema do ano na igreja em que
sou pastora, Assembleia de Deus Vitória em Cristo, é O Ano do Servir, e,
enquanto conversava com o meu marido sobre isso, em casa, falávamos sobre
como o primeiro e maior exemplo de servir está no próprio Deus. O Pai nos
serviu, desde a fundação do mundo, ao decidir enviar Seu �lho para morrer
por nós e salvar toda a humanidade (cf. Apocalipse 11.8). O Filho nos serviu ao
decidir abrir mão de Sua glória e assumir a forma de servo, enfrentando e
vencendo a morte por amor a nós (cf. Filipenses 2.7). Deus nos ofereceu o que
havia de melhor! Fomos agraciadas com a vida eterna e abundante n’Ele, e
quanta beleza há em ser parecida com o Mestre, servindo como Ele serviu!
Hoje, quando olho para a minha vida e para a de outras mulheres que
caminham comigo no Reino, entendo que todas fomos agraciadas pelo
Criador, mesmo diante de tantos desa�os. Assim como o Senhor usou as
mulheres do passado, que ousaram crer, con�ar e obedecer, Ele continua nos
usando, e fazendo-nos alvo do Seu favor. Deus não as escolheu porque eram
especiais, pelo contrário! Elas se tornaram especiais porque foram escolhidas e
agraciadas por Deus para desempenharem papéis especí�cos como servas d’Ele
no Reino.
Acredito, assim, que toda mulher que é alvo da graça de Deus é cheia do
amor, do perdão e da bondade d’Ele, e também repetirá essa graça para o seu
próximo. Ela terá o poder de Deus para abençoar outras pessoas e, assim como
as mulheres deste livro, enxergará a beleza do servir e deixará um legado para
as gerações, fazendo história por onde passar.
Chegou a sua vez! Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!
E
CAPÍTULO 1
Maria, mãe de Jesus
Servindo na maternidade por um propósito maior
No sexto mês Deus enviou o anjo Gabriel a Nazaré, cidade da Galileia, a uma virgem prometida em
casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria. O anjo,
aproximando-se dela, disse: “Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!” (Lucas 1.26-28 – grifo
nosso)
muito improvável que você nunca tenha ouvido falar de Maria como
a mãe do Salvador. No entanto, quandorecebeu a visita do anjo Gabriel,
ela era apenas uma menina. Uma menina simples, que temia ao Senhor,
conhecia a Torá (a Lei de Moisés), obedecia aos seus pais, era boa para ouvir e
observava atentamente os valores de sua cultura. Uma menina que, embora
tão jovem, teve um discernimento para entender a grandeza do momento que
estava vivenciando, sendo muito sensível à voz de Deus, reconhecendo que
havia sido escolhida para viver algo diferente nesta Terra.
Ao ouvir as palavras do anjo, chamando-a de agraciada, bendita, e
apresentando sua missão, de pronto o questionou: “[...] Como acontecerá isso,
se sou virgem?” (v. 34). A verdade é que ela se deparou com a sua própria
vulnerabilidade, sua di�culdade, sua limitação diante de uma tão grande
missão. Como poderia viver isso sendo uma jovem virgem e prometida em
casamento? Mas a sua disposição em obedecer, apesar de todos os empecilhos,
mostra que ela se lembrou de Isaías 7.14.
Por isso o Senhor mesmo lhes dará um sinal: a virgem �cará grávida e dará à luz um �lho, e o
chamará Emanuel.
No momento em que ela se lembrou disso, respondeu: “[...] Aqui está a
serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a tua palavra [...]” (Lucas
1.38 – ARA – grifo nosso). Ela estava disposta a cumprir a vontade de Deus, e
não a dela! Estava disposta a servir por um propósito muito maior que ela!
Essa costuma ser a nossa grande di�culdade. Quando nos colocamos à
disposição do Senhor para servir aos Seus planos, até queremos que o desejo
d’Ele se estabeleça na nossa vida. Porém, quando a vontade do Pai não é aquilo
que nós esperamos, muitas vezes declinamos, tendo coragem de dizer “não” ao
Eterno e de fugir dos propósitos d’Ele.
SERVIR ENVOLVERÁ RENÚNCIA
Em todos esses anos ouvindo a história de Maria, você já parou para pensar
em tudo de que ela teve de abrir mão para ser a mãe do Messias? O sonho de
toda menina daquela época envolvia o casamento — a preparação da noiva, a
festa, o cuidado com o enxoval. Apesar disso, Maria precisou, certamente,
acelerar todo o processo, viver algo que não havia planejado, antes que a
barriga crescesse. Ao se submeter ao plano de Deus e dispor-se a ser a mãe do
Salvador, ela foi corajosa a ponto de, inclusive, assumir o risco de ser
apedrejada até a morte, caso José a delatasse (cf. Deuteronômio 22.24). Como
é bela e desa�adora a decisão de renunciar aos próprios sonhos para viver os
sonhos de Deus!
Eu acredito que, para entregar a ela uma responsabilidade tão grandiosa, o
Senhor não a viu apenas como uma menina. Certamente, Maria demonstrou
ter preparo espiritual e emocional, maturidade e um coração aberto a correr
riscos pelo Reino, pois não seria qualquer mulher que suportaria passar pelo
que ela passou desde a visita do anjo até a vida adulta do Mestre.
Até mesmo nos dias de hoje, a maternidade em si traz inúmeros medos e
desa�os. Como pastora, eu costumo me deparar com muitas mulheres que, no
início da gestação, �cam angustiadas ao pensar no plano de saúde, na
maternidade certa, no acompanhamento médico, nos exames, no tipo de parto
etc. Outras decidem até mesmo não ter �lhos, diante de tanta preocupação
com o processo da gestação e tudo o que ele envolve. Imagine, então, a
situação de Maria! Quando entrou em trabalho de parto, não tinha nem
mesmo um lugar confortável para �car (cf. Lucas 2.7).
Sempre que vejo os desa�os pelos quais, ainda menina, Maria passou,
percebo que ela foi escolhida para servir a um tão grande propósito porque
Deus viu qualidades únicas nela, que a habilitavam como alguém que amava o
Senhor acima de todas as coisas, e poderia suportar todo o processo,
independentemente de sua idade.
Além disso, algo importante que a mãe de Jesus nos ensina por meio de
suas renúncias é que, quando Deus nos chama para um propósito, Ele mesmo
supre todas as nossas necessidades. Assim como aconteceu com ela, pessoas
falharão conosco — seu marido pode falhar, seus pais podem falhar, seus
amigos podem falhar —, e as circunstâncias nem sempre serão favoráveis, mas
o Senhor nunca nos deixará desamparadas.
Maria foi agraciada para cumprir um propósito e não fugiu disso.
O FRUTO DO ESPÍRITO
A mansidão é a virtude do fruto do Espírito que se destaca na vida de
Maria. Ela demonstra controle de si para lidar com todos os processos
pelos quais passou, como a rejeição, por exemplo. Com mansidão, ela
sabia se posicionar na hora certa, submeter-se, observar as situações e
tomar as melhores decisões. Essa é uma qualidade daquele que é
temente a Deus e se submete à Sua Palavra em tudo (cf. Tiago 1.21), e
todas nós devemos buscá-la se quisermos nos tornar semelhantes a
Cristo, pois foi Ele mesmo quem declarou, em Mateus 11.29: “Tomem
sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde
de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas”. Ser
manso e humilde não signi�ca fraqueza, mas, sim, bondade e
amabilidade, mostrando força, serenidade, amor-próprio e
autocontrole. Lembre-se: os que exercem a mansidão herdarão a terra
e reinarão com Cristo (cf. Mateus 5.5).
SERVINDO COM O ÚTERO
Maria acreditou tanto nas promessas de Deus para Israel que decidiu doar o
que tinha de mais precioso — seu útero. Mesmo sem ter toda a dimensão do
que viveria, ela não duvidou do que o anjo lhe disse e creu que o que dela
nasceria era tão precioso que mudaria a história de toda a humanidade.
Qualquer outra mulher em sua situação poderia ter se desesperado, ou se
revoltado contra a ideia de gerar um �lho de forma tão incomum. Maria
poderia ter implorado para que Deus abortasse Seu plano ou escolhesse outra
pessoa. Mas não foi isso o que ela fez.
Infelizmente, hoje, muitas mulheres têm seguido um caminho oposto.
Vivemos claramente em uma batalha cultural, na qual o inimigo tem
disseminado a ideia de que tornar-se mãe é um prejuízo.
“Não vale a pena...”
“Filho dá trabalho!”
“Ter �lho é muito caro.”
“Você vai mutilar seu corpo!”
“Você vai se prejudicar!”
Você com certeza já ouviu — ou repetiu — algumas dessas frases. Mas
vamos falar a verdade? O fato é que hoje muitas coisas têm sido colocadas no
lugar dos �lhos. Esse discurso, fortalecido pelo egoísmo que domina os valores
deste mundo, leva a mulher a pensar que gerar será um empecilho à sua
carreira, à sua vida acadêmica, à sua beleza. Ter �lhos não precisa impedir
você de viver nada disso! Porém, sabemos que há uma cultura maligna, em
que o ódio de Satanás à humanidade, na sede de impedir a multiplicação dos
salvos, tem in�uenciado muitos casais a desistirem de ter �lhos, sem a
orientação de Deus — até mesmo dentro da igreja.
Enquanto isso, uma pesquisa conduzida pelo Pew Research Center, centro
de pesquisas localizado nos Estados Unidos e dedicado ao estudo de diversos
temas de impacto regional e global, chegou à conclusão de que, até o �m do
século, muçulmanos irão superar os cristãos como o maior grupo religioso do
planeta. Um dos principais fatores, segundo eles, é a taxa de fertilidade, que é a
estimativa da quantidade de �lhos que uma mulher tem até o �m do seu
período fértil. Como a igreja terá continuidade saudável se aderirmos à cultura
egoísta do mundo no âmbito familiar? Como deixaremos um legado às
próximas gerações?
MATERNIDADE COM PROPÓSITO
Na primeira carta de Paulo a Timóteo, o apóstolo a�rmou:
Mas as mulheres serão salvas dando à luz �lhos, desde que continuem a viver na fé, no amor e na
santidade, com discrição. (1 Timóteo 2.15)
É importante �car claro que esse texto não precisa ser aplicado apenas à
geração de �lhos biológicos — muitas nunca terão �lhos em seu ventre —,
mas, sim, à maternidade em geral. Ela pode ser exercida quando uma mulher
gera um �lho espiritual, quando gera por adoção, e até quando acolhe alguém
como �lho de alguma forma — �nanceiramente ou emocionalmente. Quantas
poderiam vestir uma menina que não tem condições, pagar os estudos para
uma criança carente, investir na educação de um órfão... O problema é que
muitas vezes não há espaço para pensar no outro neste mundo egoísta.
Eu sei que estamos falando sobre Maria,mas, neste tema, preciso abrir um
espaço para comentar sobre Ana. A Bíblia é clara ao dizer que foi Deus que
fechou a sua madre por um tempo (cf. 1 Samuel 1.5). Ela estava buscando
apenas um �lho, mas a intenção do Senhor era que o seu ventre gerasse um
profeta que seria bênção para a nação. O sacerdote Eli já estava em idade
avançada, seus �lhos estavam corrompidos, não tinham caráter ou
integridade, e não parecia haver um futuro no cenário profético de Israel.
Observe comigo um ponto muito importante dessa história.
E porque o Senhor a tinha deixado estéril, sua rival a provocava continuamente, a �m de irritá-la.
Isso acontecia ano após ano. Sempre que Ana subia à casa do Senhor, sua rival a provocava e ela
chorava e não comia. (1 Samuel 1.6-7)
Ana não estava sofrendo apenas porque não tinha �lhos — mas porque sua
rival os tinha. Isso é muito sério! Enquanto o desejo de Ana era que seu ventre
fosse preenchido para competir com Penina, nada aconteceu. Porém, tudo
mudou quando Ana ofertou seu útero aos propósitos de Deus, antes mesmo de
gerar seu milagre.
E fez um voto, dizendo: “Ó Senhor dos Exércitos, se tu deres atenção à humilhação de tua serva, te
lembrares de mim e não te esqueceres de tua serva, mas lhe deres um �lho, então eu o dedicarei ao
Senhor por todos os dias de sua vida, e o seu cabelo e a sua barba nunca serão cortados”. (1 Samuel
1.11)
Não espere que Deus lhe dê algo apenas para estimular sua competição com
alguém. O Pai tem um plano singular, especí�co, reservado especialmente
para você, como teve para Maria e Ana. Quando esta entendeu que seu �lho
não seria uma simples resposta à sua competição, mas, sim, um homem
dedicado ao Senhor, derramando-se diante do altar, ela recebeu muito mais do
que buscava.
Assim Ana engravidou e, no devido tempo, deu à luz um �lho. E deu-lhe o nome de Samuel, dizendo:
“Eu o pedi ao Senhor”. (1 Samuel 1.20)
Pode ser um �lho, um projeto, um sonho que você tenha para sua vida.
Qual é a sua intenção nisso? Qual é o seu propósito? Ao escolher ser uma
mulher que gera com propósito, sua madre é aberta, e você vive coisas
maiores do que poderia pensar ou pedir. Ana não recebeu um �lho apenas
para agradar ao próprio ego, mas para a glória de Deus!
Àquele que é capaz de fazer in�nitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo
com o seu poder que atua em nós, a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as
gerações, para todo o sempre! Amém! (Efésios 3.20-21 – NVI)
O DILEMA DE MUITAS MÃES
Como o início deste capítulo já diz, Maria foi capaz de renunciar a muitos
sonhos e projetos — que não eram errados e até pareciam grandiosos — para
viver algo ainda maior reservado a ela: ser a mãe do Salvador da humanidade.
No entanto, precisamos admitir que, no contexto em que vivemos, de
desvalorização da maternidade, nem sempre será fácil para uma mulher se
lembrar de que está servindo a Deus enquanto troca uma fralda ou enquanto
prepara uma mamadeira no meio da madrugada. Certamente, ela sentirá
saudade do tempo em que podia frequentar todas as conferências, organizar
eventos, passar o dia na igreja e até participar de vigílias ou acampamentos,
sem qualquer restrição.
Isso é muito comum no pensamento de várias mães que atendo. “Elizete, eu
queria tanto estar servindo a Deus!”, “Queria tanto trabalhar mais na igreja!”,
ou até “Eu não estou fazendo nada para o Senhor...”. Quanto engano há nessa
visão! Mulher, se está cuidando de �lhos pequenos, acredite: você está
servindo ao Reino, está preparando pessoas para viverem os propósitos
de Deus; sua responsabilidade é extraordinária, e seu valor é
imensurável!
Minha mãe foi uma grande referência nisso e marcou muitas vidas além da
minha e de meus irmãos — falarei um pouco mais sobre isso no último
capítulo. Entenda que há um tempo determinado para todas as coisas (cf.
Eclesiastes 3), e que esse investimento na vida de seus �lhos será um recurso
precioso do qual colherá frutos eternos.
Eu sei, é claro, que muitas pessoas só conseguem enxergar o valor do
serviço de alguém se este estiver em evidência, no púlpito, com o microfone
nas mãos. Mas aquela que serve a Deus irá entender que há um chamado d’Ele
para servirmos muito além da plataforma, muito além das quatro paredes da
igreja. Quanto serviço há disponível para nós! Há tanta frustração em nosso
meio, tantas amadas do Senhor tristes e insatisfeitas, brigando com Deus,
justamente porque não conseguem discernir em que área Ele quer usá-las e
abençoá-las em cada estação. Certamente, Maria não esperava que sua forma
de obedecer e servir ao Senhor seria com seu útero, ainda mais tão nova.
Mesmo assim, ela foi sensível à voz do Criador e teve maturidade para
obedecer e se submeter a um propósito maior que ela.
AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES
Maria estava servindo:
 A quem?
 Por quê?
 Com que intenção?
 O que isso nos ensina?
TIRE O FOCO DO EU
Pensando em tudo o que falamos sobre a mãe do Salvador, talvez você
esteja lidando com suas próprias crises agora. Quem sabe, ouviu a vida inteira
que gerar �lhos ou se doar por outros era perda de tempo, atrapalharia sua
vida, seria um fardo, custaria muito — e acreditou nisso. Meu conselho é: tire
o foco do seu eu e olhe para Jesus. Como a Bíblia diz, em Hebreus 12.2:
Mantenhamos o olhar �rme em Jesus, o líder e aperfeiçoador de nossa fé. Por causa da alegria que o
esperava, ele suportou a cruz sem se importar com a vergonha. Agora ele está sentado no lugar de
honra à direita do trono de Deus.
Quando começamos a olhar �rmemente para o Senhor, entendemos a
honra que há em servir aos Seus propósitos e provamos da alegria reservada
para nós. Porém, para conseguir isso, é preciso fazer também o que está no
versículo 1 do mesmo capítulo de Hebreus.
Portanto, uma vez que estamos rodeados de tão grande multidão de testemunhas, livremo-nos de
todo peso que nos torna vagarosos e do pecado que nos atrapalha, e corramos com perseverança a
corrida que foi posta diante de nós.
Para correr a corrida que nos foi proposta, olhando para Jesus, precisamos
deixar para trás uma parte muito ruim da nossa bagagem: todo peso que nos
torna lentas, todo embaraço, todo pecado. Depois da queda, todos pecaram (cf.
Romanos 3.23), �caram desorganizados interna e externamente, e a cultura
deste mundo replica esse padrão. Sendo assim, não podemos ser norteadas por
aquilo que este mundo diz, mas, sim, pela Palavra de Deus, de modo que
nossos olhos devem estar focados não no eu, mas, sim, em Jesus e em Seus
planos para nós — que são sempre melhores que os nossos (cf. Isaías 55.8).
Assim como agiu Maria, Deus nos convida a não sermos guiadas pelas
circunstâncias, pelos medos, pelas di�culdades ou pela cultura deste mundo.
Servindo ao Senhor com nosso útero, seja físico, seja espiritual, nós O
honramos, fortalecemos nossa fé, formamos uma geração de �lhos e �lhas
saudáveis, que amam o Rei, e estamos aptas a viver o extraordinário de Deus!
MINHA ORAÇÃO
Pai querido,
Agradeço, de todo o meu coração, o privilégio de ser agraciada por Ti para vir a
este mundo cumprir um propósito especí�co e muito especial no Teu Reino na Terra.
Assim como Maria se colocou à disposição do Reino de Deus, ao declarar “cumpra-
se em mim a Tua vontade”, eu também ofereço minha vida e me coloco à disposição
para servir ao Teu Reino com os dons e talentos que me tens concedido.
Sei que a Tua vontade sempre é boa, perfeita e agradável.
Eis-me aqui, usa-me como e onde quiseres!
Que a Tua vontade sempre prevaleça na minha vida!
Capacita-me diariamente, com fé, amor, sabedoria, graça, coragem, autocontrole e
discernimento espiritual. Que eu seja sempre sensível à Tua voz e obediente à Tua
vontade.
Em nome de Jesus, amém!
M
CAPÍTULO 2
Mulher Samaritana
Servindo à missão livre de culpa
Então, deixando o seu cântaro, a mulher voltou à cidade e disse ao povo: “Venham ver um homem que
me disse tudo o que tenho feito. Será que ele não é o Cristo?” (João 4.28-29)
uitas mulheres, ao iniciarem sua caminhada com Jesus, têm
di�culdadede lidar com o próprio passado, com os erros que
cometeram quando ainda não haviam encontrado o Senhor, e
carregam um sentimento de culpa muito forte. Uma das áreas em que o Diabo
mais atua é a culpa, porque a intenção dele é exatamente esta: levar você à
tentação, persegui-la até a queda, e depois deixá-la sozinha com todo esse peso
de remorso. Ele é o acusador, dia e noite (cf. Apocalipse 12.10), então ter a
cura de sua alma é fundamental para que você viva plenamente no Senhor.
Até mesmo na igreja, há muitas �lhas de Deus ainda carregando o peso do
passado, um fardo impossível de sustentar, de modo que não desenvolvem seu
potencial e levam em si um complexo de rejeição e inferioridade,
principalmente quando cometem o erro de se compararem com outras
mulheres que têm uma história diferente. “Eu cometi muitos erros!”, “Eu �z
aborto!”, “Eu tive muitos amantes!”… Quantas são as acusações que repetem
para si mesmas! E essa era a história da mulher de quem falaremos neste
capítulo. Embora não saibamos seu nome, nós a conhecemos pela cidade em
que nasceu. A mulher samaritana nos faz conhecer muito de sua alma e de suas
dores por meio do diálogo que tem com Jesus à beira do poço, e revela um
vazio em seu interior que era claramente alimentado por culpa.
ELE SUPRE TODAS AS NECESSIDADES
Antes mesmo de falarmos da história dessa personagem tão relevante na
narrativa bíblica, precisamos nos lembrar de algo. Todas nós nascemos com
três vazios a serem preenchidos: de mãe, de pai e de Deus. Os dois primeiros
nunca serão ocupados totalmente, pois, como seres humanos que são, os pais
sempre irão falhar, não importa o quão presentes e dedicados sejam. No
entanto, quando deixamos o vazio de Deus ser preenchido por Ele, sabemos
que Ele mesmo suprirá essa ausência — falaremos um pouco mais sobre isso
no capítulo quatro).
E esse mesmo Deus que cuida de mim lhes suprirá todas as necessidades por meio das riquezas
gloriosas que nos foram dadas em Cristo Jesus. (Filipenses 4.19)
Não são apenas algumas! A Bíblia a�rma que Jesus suprirá todas as nossas
necessidades — sejam emocionais, físicas ou espirituais —, então somente Ele
nos realiza por completo, independentemente de qual seja a nossa história. É
isso que aquela mulher de Samaria vai descobrir ao se encontrar com o
Mestre.
Se você já fez a leitura do capítulo quatro do Evangelho de João, com
certeza já foi impactada pelo amor de Jesus ao encontrar-Se com uma mulher
tão ferida e rejeitada pela sociedade em que estava inserida. A relação dela com
as mulheres de sua comunidade devia ser realmente desa�adora, já que
preferiu buscar água no poço de Jacó, por volta do meio-dia — um horário
inadequado para uma região com temperaturas tão elevadas — a ter de se
encontrar com suas vizinhas. Ela já havia passado por cinco casamentos, e é
importante dizer que, ao contrário do que muitos dizem, até então ninguém
poderia julgá-la por isso, pois esse direito lhe era garantido por lei! As
mulheres que eram repudiadas por seus maridos, por diversos motivos,
tinham o direito à carta de divórcio assegurado pela Lei de Moisés, como uma
forma de proteção à �gura feminina de qualquer tipo de abuso por parte do
marido (cf. Deuteronômio 24.1-2), dando a elas a possibilidade de uma vida
justa. Divórcio nunca foi o plano original de Deus, mas é uma realidade que se
estabelece pela dureza do coração humano.
Jesus respondeu: “Moisés permitiu o divórcio apenas como concessão, pois o coração de vocês é duro,
mas não era esse o propósito original”. (Mateus 19.8)
Quem sabe o que aquela mulher viveu para ter passado por cinco
casamentos? Como poderíamos descobrir os motivos que a �zeram ser
repudiada, talvez, por seus maridos? Até então, é possível que ela estivesse
correta diante de Deus! Mas o sexto homem... Esse, ao contrário dos demais,
não era seu marido, tratava-se de uma relação ilícita.
O que aquela mulher não esperava era que o próprio Messias havia
agendado um encontro especial com ela naquela tarde, à beira do poço. Veja
como Jesus tem sempre um dia especial para Se encontrar conosco! Quem
sabe você está, em alguma área, fugindo d’Ele, do confronto, da cura! Mas Ele
a ama tanto que, neste momento e em tantos outros, vai ao seu encontro, com
a palavra exata de que você precisa. Deus é soberano, Ele conhece a hora certa
de Se encontrar com Seus �lhos, até mesmo quando estão perdidos em buscas
erradas. Quantos testemunhos impactantes sobre isso eu já ouvi ao longo
desses anos de ministério, de pessoas que foram encontradas pelo amor do Pai
nos cenários mais improváveis!
No caso dessa mulher, vale lembrar que ela era de Samaria, e os
samaritanos eram vistos pelos judeus como uma raça inferior, um povo
indigno. Isso não foi um impedimento para Jesus, pelo contrário! Enquanto os
discípulos foram em busca de comida, o Mestre decidiu �car ali, para Se
encontrar com ela.
Pouco depois, uma mulher samaritana veio tirar água, e Jesus lhe disse: “Por favor, dê-me um pouco
de água para beber”. Naquele momento, seus discípulos tinham ido ao povoado comprar comida. A
mulher �cou surpresa, pois os judeus se recusam a ter qualquer contato com os samaritanos. “Você é
judeu, e eu sou uma mulher samaritana”, disse ela a Jesus. “Como é que me pede água para beber?”
Jesus respondeu: “Se ao menos você soubesse que presente Deus tem para você e com quem está
falando, você me pediria e eu lhe daria água viva”. (João 4.7-10)
Aquela mulher �cou assustada com a aproximação de Jesus — um homem
judeu agindo de uma forma diferente da que ela provavelmente estava
habituada. Mas nosso Senhor não faz acepção de pessoas (cf. Romanos 2.11), e
mesmo que para todos ela fosse considerada uma pária social, para Ele tinha
grande valor, sendo alvo de Sua compaixão. Ele viu que ela tinha uma sede que
água nenhuma poderia saciar, um vazio existencial, e lhe ofereceu a água da
vida, ofereceu-lhe a salvação!
Essa é a grande mensagem do Evangelho, e não podemos abandonar essa
verdade. Quantas pessoas têm tudo nesta Terra, mas nunca se sentem
completas? Quantos são abastados, in�uentes, poderosos, e ainda assim tiram
a própria vida? Não adianta, o único que preenche completamente o vazio do
ser humano é Jesus. Ele é a própria água viva que ofereceu à mulher de
Samaria, e quem bebe dessa água nunca mais tem sede. Não há outro caminho,
a mensagem não mudou!
FRUTO DO ESPÍRITO
A alegria — ou gozo, em algumas versões — é a virtude do fruto do
Espírito que se destaca na vida da mulher samaritana. A palavra gozo,
usada nesse contexto, vem da mesma raiz etimológica de charis, que
signi�ca graça. Quando nós temos um encontro real com Jesus, somos
alcançados pela graça, e passamos por uma Metanoia, uma mudança
total de mente. O Espírito Santo entra em nossas vidas, e sua presença
traz a nós a alegria da salvação. É essa alegria que nós vemos invadir a
vida da samaritana. Depois que se encontrou com Jesus, aquela mulher
que vivia triste, frustrada, rejeitada e isolada teve o prazer de sair
comunicando a todos sobre o Messias. Ela não pôde conter o que
sentia e começou a espalhar seu sentimento pela cidade, sem se
importar com o que pensariam a seu respeito. Ao provar da água viva,
provou do gozo maior que existe: a alegria da salvação! Crentes alegres
no Senhor não são egoístas, e não podem resistir: precisam falar de
Jesus para todos!
O ENCONTRO MUDA TUDO
Ao se encontrar com o Filho de Deus, sendo confrontada em seu pecado e
acolhida com compaixão, aquela mulher nunca mais foi a mesma.
Disse a mulher: “Eu sei que o Messias (chamado Cristo) está para vir. Quando ele vier, explicará
tudo para nós”. Então Jesus declarou: “Eu sou o Messias! Eu, que estou falando com você”. Naquele
momento os seus discípulos voltaram e �caram surpresos ao encontrá-lo conversando com uma
mulher. Mas ninguém perguntou: “Que queres saber? “ ou: “Por que estás conversando com ela?”
Então, deixando o seu cântaro, a mulher voltou à cidade e disse ao povo: “Venham ver um homem
que me disse tudo o que tenho feito. Será que ele não é oCristo?” Então saíram da cidade e foram
para onde ele estava. (João 4.25-30 – grifo nosso)
Jesus derrubou as muralhas que impediam aquela mulher de mudar a sua
história. Ele quebrou paradigmas, mostrando que uma vida vale mais do que
regras estabelecidas por homens! Revelou-Se como o tão aguardado Messias,
oferecendo perdão, redenção e nova vida a alguém que nunca havia sido
amada com tão intenso amor. Assim que entendeu quem Jesus era, ela não foi
apenas curada, mas já saiu dali entendendo quem ela era, qual era seu
propósito, e qual missão precisava cumprir. Ela já saiu como uma
evangelista!
O interessante é que, como já disse, ela buscava água na hora mais quente
do dia, pois assim evitava se encontrar com as mulheres respeitáveis da cidade.
Certamente, tinha vergonha da própria situação e sofria com os comentários
maldosos. Porém, por mais que a sociedade daquela época a rejeitasse e
excluísse, diante do encontro com o Salvador, toda a culpa, toda a dor, todos
os traumas foram abandonados. Essa é a chave desta mensagem! No momento
em que ela deixou aquele cântaro no chão e correu em direção à sua missão,
abandonou todo o seu pecado — não havia mais motivos para se esconder. Ela
não precisava mais daquela água! Ela estava limpa!
A DOR NÃO PODE PARAR SUA MISSÃO
Eu não sei se você se identi�ca com a mulher samaritana ao olhar para trás
e sentir um peso de condenação e acusação, mas quero convidá-la a mudar
essa perspectiva agora mesmo. Não interessava o passado daquela mulher,
nem mesmo a opinião dos outros sobre ela; depois de se encontrar com Jesus,
tudo se fez novo! Ela deixou de lado tudo o que havia vivido e correu a
proclamar o nome do Senhor na sua cidade.
Mulher, de igual modo, não há motivos — nem desculpas — para que você
não desenvolva seus talentos, não sirva ao Reino ou não invista no ministério
para o qual Deus a chamou. Há uma missão reservada para você, e isso não
depende da aprovação humana, mas, sim, d’Aquele que fez o chamado. Não se
sinta culpada! Não carregue um fardo que não é mais seu! Cale a voz do
Acusador em sua mente. Acredite e declare o que a Bíblia diz:
Portanto, agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus. (Romanos 8.1)
Se confessarmos os nossos pecados, ele é �el e justo para perdoar os nossos pecados e nos puri�car de
toda injustiça. (1 João 1.9)
Quem sabe se a maior dor que você sofreu não se tornará instrumento de
cura para outras mulheres que viveram o mesmo?! Seja qual for a sua dor —
um abuso, um aborto, um divórcio, um estupro, um abandono paterno —,
você pode ser curada! Talvez seja exatamente isso que Deus usará para que
você ganhe muitas pessoas para Ele, pois não há ninguém melhor para falar
com propriedade de um trauma ou de um sofrimento do que Aquele que
sentiu na pele essa realidade e venceu.
Eu incentivo muito as mulheres que têm uma história de superação a
compartilharem seu testemunho com outras pessoas. Na minha equipe,
inclusive, há uma mulher muito amada que já fez cinco abortos antes de
conhecer a Jesus. Ela foi garota de programa, enfrentou adversidades
incontáveis, viveu uma realidade de dor, sofrimento e pecado, mas teve sua
vida transformada depois que encontrou Jesus ao ouvir um hino da harpa,
dentro do ônibus em que estava. Hoje, ela tem uma vida abundante, construiu
uma carreira e abençoa várias mulheres. Eu faço questão de lhe dar a
oportunidade de contar seu testemunho às meninas mais novas, como uma
forma de prevenção na vida delas, que sempre �cam impactadas ao verem o
que o poder do Evangelho é capaz de fazer em alguém. O que antes era motivo
de vergonha e dor agora é instrumento de cura e transformação.
Nesse sentido, você já parou para pensar no bem que a mulher samaritana
fez ao seu povo, compartilhando sobre seu encontro com Jesus? Sua atitude
também trouxe prevenção a eles, para que não vivessem mais em seus
próprios pecados e para que encontrassem o Messias. O interessante é que eles
poderiam não ter dado crédito a ela — já que aquela era uma mulher tão
rejeitada socialmente. Mas eles acreditaram! Isso, provavelmente, porque
viram quem ela era antes e foram impactados pela mudança em sua postura,
em sua alegria, em seu modo de falar sobre o Mestre. Quando lhe ofereceu a
água da vida, Ele a estava convidando para viver tudo novo: um novo
pensamento, uma nova atitude, uma nova fala e um novo comportamento. E
ela respondeu a esse convite.
Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criação. As coisas antigas já passaram; eis que surgiram
coisas novas! (2 Coríntios 5.17)
Os samaritanos creram tanto na mensagem daquela nova mulher que
foram imediatamente atrás de Jesus, para viver aquilo também. Percebe como
o Senhor agiu de forma especial naquele encontro em Samaria? Ele foi atrás de
apenas uma — rejeitada, culpada, amargurada —, e ela levou muitos outros ao
Seu encontro. Isso mesmo! Este é o registro que está no �m do capítulo quatro
de João:
Muitos samaritanos daquela cidade creram nele por causa do seguinte testemunho dado pela
mulher: “Ele me disse tudo o que tenho feito”. Assim, quando se aproximaram dele, os samaritanos
insistiram em que �casse com eles, e ele �cou dois dias. E por causa da sua palavra, muitos outros
creram. E disseram à mulher: “Agora cremos não somente por causa do que você disse, pois nós
mesmos o ouvimos e sabemos que este é realmente o Salvador do mundo”. (João 4.39-42 – grifo nosso)
Veja o poder de um testemunho! A mudança foi tão radical e instantânea
que os habitantes de sua cidade pensaram: “Precisamos disso também! Vamos
ver quem é esse homem, essa mulher não é mais a mesma!”. O resultado? Toda
a cidade ouviu a respeito do Messias.
Preste atenção nisto, minha amada leitora: não importa o que você fez.
Você pode estar sendo acusada pelo Inimigo de ter cometido o pior pecado.
Porém, a partir do momento em que se arrependeu e se encontrou com
Cristo, uma página em branco se iniciou na sua trajetória. Por meio das suas
dores, Deus vai usá-la para alcançar muitas vidas, ajudá-las a alcançar
libertação ou, até, impedi-las de trilhar os caminhos tortuosos que você já
trilhou.
O que mais atendo no dia a dia pastoral são mulheres com complexos de
culpa e de inferioridade, presas àquilo que viveram no passado, e que se
sentem até mesmo impuras. O que eu digo a elas, direi também a você: não se
sinta impura! Você agora é �lha do Deus altíssimo! O sangue de Jesus a
puri�cou de todo pecado (cf. 1 João 1.7), e sua dor não pode mais parar sua
missão. Con�e no Senhor, viva o processo de santi�cação, dia após dia, e creia
no que a Palavra diz.
Tenho certeza de que aquele que começou a boa obra em vocês irá completá-la até o dia em que
Cristo Jesus voltar. (Filipenses 1.6)
AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES
A mulher samaritana estava servindo:
 A quem?
 Por quê?
 Com que intenção?
 O que isso nos ensina?
UM ALERTA IMPORTANTE
Não há como �nalizar este capítulo sem abordar o tema a partir de um
outro ponto de vista. Precisamos falar sobre o problema do preconceito entre
mulheres dentro da igreja.
Certa vez, ao conversar com uma ovelha querida que havia se convertido
há algum tempo — uma mulher muito bonita, alegre, simpática e cheia de
vida —, perguntei por que ela havia mudado de �lial, ao que me respondeu:
“Elizete, como sofri rejeição na igreja em que estava! As irmãs me olhavam
como se eu fosse uma ameaça, como se quisesse roubar os seus maridos”. Não
posso deixar de dizer que há muita insegurança e inveja em mulheres que
agem assim diante de novas na fé. Não é raro ver recém-convertidas passando
por isso, tratadas como se não fossem bem-vindas na igreja, sendo rejeitadas
por aquelas que já deveriam ter maturidade na fé.
Eu imagino que a mulher samaritana também tenha vivido algo parecido,
guardadas as devidas proporções. Por que acha que ela preferia buscar água em
um horário no qual o poço estava vazio? Imagine as pérolas que devia ouvir!
Talvez ouvisse algo como “Cuidado, essa aí já teve cinco! O próximo que ela
vai roubar é o seu marido!” ou ainda “Fiquem longedela, é perigosa!” — que
burburinho devia ser... O ser humano tem essa tendência de colocar rótulos
nos demais, mesmo sem conhecer a história toda, e isso ainda é uma realidade
atualmente.
O preconceito afasta as pessoas, e não é disso que elas precisam na igreja do
Senhor. Se uma mulher viveu longe dos caminhos de Deus, em uma vida de
pecado — se foi amante de alguém, se cometeu o crime do aborto, se teve
relacionamentos homossexuais ou se praticou qualquer atividade ilícita —, ao
vir para Cristo, ela é perdoada e precisa de uma coisa: mudança. E quem vai
ajudá-la nesse processo? As mulheres que já estão na igreja! É para isso que
nós fomos chamadas!
Além disso, é importante lembrar sempre que todos pecaram! Todas
dependemos de Cristo para sermos salvas!
Pois todos pecaram e não alcançam o padrão da glória de Deus, mas ele, em sua graça, nos declara
justos por meio de Cristo Jesus, que nos resgatou do castigo por nossos pecados. (Romanos 3.23-24)
O amor do Pai nos alcançou quando ainda éramos pecadoras (cf. Romanos
5.8) — todas nós, não apenas algumas. Não à toa, Jesus deixou clara essa
realidade no episódio em que Lhe trouxeram uma mulher adúltera para que
fosse apedrejada.
“Mestre, esta mulher foi pega no ato de adultério”, disseram eles a Jesus. “A lei de Moisés ordena que
ela seja apedrejada. O que o senhor diz?” Procuravam apanhá-lo numa armadilha, ao fazê-lo dizer
algo que pudessem usar contra ele. Jesus, porém, apenas se inclinou e começou a escrever com o dedo
na terra. Eles continuaram a exigir uma resposta, de modo que ele se levantou e disse: “Aquele de
vocês que nunca pecou atire a primeira pedra”. Então inclinou-se novamente e voltou a escrever na
terra. Quando ouviram isso, foram saindo, um de cada vez, começando pelos mais velhos, até que só
restaram Jesus e a mulher no meio da multidão. Então Jesus se levantou de novo e disse à mulher:
“Onde estão seus acusadores? Nenhum deles a condenou?”. “Não, Senhor”, respondeu ela. E Jesus
disse: “Eu também não a condeno. Vá e não peque mais”. (João 8.4-11)
Naquela época, os mestres da Lei e os fariseus se achavam infalíveis,
inculpáveis (como muitos, nos dias de hoje). Mas a ação de Jesus os
constrangeu de tal modo que nem eles puderam negar seus próprios pecados.
Além de tudo isso, é interessante observarmos que houve um erro grande na
condução desse julgamento. A Lei de Moisés exigia que o homem e a mulher
pegos em relação ilícita fossem apedrejados (cf. Deuteronômio 22.22-24). Mas
onde estava o homem? Consegue ver como os próprios homens se protegeram
e trataram aquela mulher como a única culpada? O �lho de Deus, então, acaba
com essa injustiça de forma assertiva e tranquila. Inclusive, não sei o que Ele
escreveu no chão naquele dia, mas deve ter sido algo importante! Enquanto o
Mestre escrevia, as pedras foram caindo ao chão e os acusadores se retiraram.
Nós não podemos estar sempre com pedras na mão para lançar em alguém!
Para Deus não existe, como costumamos dizer na igreja, pecadinho ou pecadão.
As consequências são diferentes, mas pecado é sempre pecado. Pecar é sair do
alvo! É sair do objetivo do Senhor para nossa vida. Todos pecamos e
precisamos de redenção, e, quando o Pai nos olha, Ele nos vê através do
Sangue do Seu �lho Jesus.
CURADAS PARA SERVIR
Assim, há uma nova vida para todas que, como a mulher samaritana, à
beira daquele poço, encontram-se com o Salvador e mudam de rota. Há uma
graça disponível para você, que gostaria de servir ao Reino e viver uma vida
abundante, plena, resgatada pelo seu Senhor! Não fuja dos planos de Deus por
causa da culpa. Não desista dos sonhos que Ele compartilhou com você e não
�que presa ao passado! Você já foi agraciada! Seja curada para servir,
permita-se ser um instrumento para transformar vidas, e creia:
[...] Onde abundou o pecado, superabundou a graça. (Romanos 5.20 – ARA)
MINHA ORAÇÃO
Pai querido,
Sou eternamente grata por ter sido alcançada por Teu amor eterno e leal.
Usa-me como um sistema de alarme nesta terra, para a libertação, restauração e
salvação de vidas.
Que outras �lhas de Deus sejam encontradas através de mim, assim como fui
alcançada, liberta e curada por Teu amor e perdão.
Em nome de Jesus, amém!
S
CAPÍTULO 3
Isabel
Servindo a outras gerações
Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê agitou-se em seu ventre, e Isabel �cou cheia do
Espírito Santo. Em alta voz exclamou: “Bendita é você entre as mulheres, e bendito é o �lho que você
dará à luz!”. (Lucas 1.41-42)
empre acho muito bonito quando um casal resolve abdicar de muitas
coisas para ser �el a Deus. Esse era o caso de Isabel e Zacarias, que
serviam ao Senhor independentemente de terem seu desejo atendido, o
desejo de ter �lhos. A Bíblia diz que eram ambos justos diante de Deus, sendo
irrepreensíveis em todos os mandamentos e preceitos do Senhor. Sua
integridade como esposa e serva não se limitava apenas a seguir o trilho
espiritual do seu marido; ela própria tinha sua vida espiritual e era respeitada
por sua intimidade pessoal com Deus.
O TEMPO E O PROPÓSITO DO MILAGRE
Que mulher não sonhava em ter �lhos naquele tempo? Como o povo
aguardava ansiosamente a vinda do Messias, muitas jovens esperavam,
inclusive, que pudessem gerar o Salvador. Isabel e Zacarias certamente
mantiveram durante longos anos a chama desse sonho acesa em seus corações.
Eu acredito, particularmente, que Isabel, mesmo idosa, nunca tenha desistido!
Ela acreditava em milagres, mesmo depois de muito tempo! Não à toa, o
signi�cado de seu nome é “Deus é meu juramento” ou “meu Deus prometeu”.
Há pessoas que só acreditam que o Senhor pode fazer um milagre até certo
período. Depois de um tempo, quando passa esse limite de espera que foi
estabelecido, pensam: “Ah, agora não vai mais acontecer, acabou”. Preciso
insistir nesta tecla com você que está lendo este livro: é Deus quem sabe a
hora certa do milagre na sua vida, não você. Não �que estipulando data ou
limite para o seu milagre! Sua visão do futuro é muito limitada, a do Criador
não.
Eu acredito que Isabel tinha uma certeza em seu coração: “Eu estou idosa,
meu marido também, mas não abro mão de continuar crendo, pois eu sei que
Deus tem uma bênção para servir à nação por meio da nossa vida!”. Digo isso,
pois há algo que considero muito bonito na cosmovisão das mulheres do povo
judeu. Naquela época, geralmente, elas não queriam ter �lhos apenas para
satisfazer seu próprio desejo, mas, sim, para abençoar a nação. Sendo assim,
algumas perguntas importantes a serem feitas antes de ter �lhos é: você quer
ter �lhos para quê? Para abençoar o Reino de Deus? Para cumprir um
protocolo? Ou para alisar seu próprio ego? Não é raro encontrarmos mães que
tratam os �lhos como uma posse, como algo que é exclusivamente seu: têm de
ser o que ela quiser, ter a pro�ssão com que ela sonhou, ter a personalidade
que planejou, viver em função dela. Muitas vezes, os �lhos se tornam deuses
para aquelas que os geraram. Isso é sério demais!
Isabel entendia que sua vida era para servir ao Reino, para a glória de Deus.
E nós? Será que estamos seguindo essa visão, realmente? Ou será que, mesmo
já conhecendo Cristo, continuamos vivendo em função do nosso ego e da
nossa própria satisfação? Quantas mulheres não estão vivendo insatisfeitas por
não alcançarem esse auge de satisfação própria e por viverem se comparando à
realidade fake das redes sociais alheias?! Aquilo que elas têm já não parece
su�ciente, percebe? Com a mãe de João Batista aprendemos a importância de
caminhar em uma visão oposta, servindo com alegria e esperança aos planos
de Deus para nós.
A ARMA SECRETA DE DEUS
Naquela família, quem era o sacerdote? Zacarias. Quem deveria, portanto,
pela lógica humana, ter acreditado imediatamente na palavra que recebeu do
anjo? Não seria também Zacarias? Porém, depois de tantos anos de espera e
diante de tamanha impossibilidade, ele duvidou.
Então um anjo do Senhor apareceu a Zacarias, à direita do altar do incenso. Quando Zacarias o
viu, perturbou-se e foi dominado pelo medo. Mas o anjolhe disse: “Não tenha medo, Zacarias; sua
oração foi ouvida. Isabel, sua mulher, lhe dará um �lho, e você lhe dará o nome de João. Ele será
motivo de prazer e de alegria para você, e muitos se alegrarão por causa do nascimento dele, pois
será grande aos olhos do Senhor. Ele nunca tomará vinho nem bebida fermentada, e será cheio do
Espírito Santo desde antes do seu nascimento. Fará retornar muitos dentre o povo de Israel ao
Senhor, o seu Deus. E irá adiante do Senhor, no espírito e no poder de Elias, para fazer voltar o
coração dos pais a seus �lhos e os desobedientes à sabedoria dos justos, para deixar um povo
preparado para o Senhor”. Zacarias perguntou ao anjo: “Como posso ter certeza disso? Sou velho, e
minha mulher é de idade avançada”. O anjo respondeu: “Sou Gabriel, o que está sempre na presença
de Deus. Fui enviado para lhe transmitir estas boas novas. Agora você �cará mudo. Não poderá falar
até o dia em que isso acontecer, porque não acreditou em minhas palavras, que se cumprirão no
tempo oportuno”. (Lucas 1.11-20 – grifo nosso)
Pela função de sacerdote, esperava-se que ele fosse o de maior fé naquela
relação, mas fé não depende de posição. Por isso eu digo que a mulher precisa
ser ainda mais espiritual que seu marido. Não podemos nos esquecer do erro
de Eva, e do peso da palavra que o Senhor liberou sobre a serpente após a
Queda.
Porei inimizade entre você [a serpente] e a mulher, entre a sua descendência e o descendente dela;
este lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar. (Gênesis 3.15 – acréscimo nosso)
Satanás nos odeia. A mulher é a arma secreta de Deus nesta Terra! Ah,
se nós entendêssemos isso… Tenho para mim que nós temos um poder de
in�uência, uma capacidade multifocal e um sexto sentido — uma sensibilidade
maior, uma espécie de antena parabólica — que o homem não tem. A vida e a
postura de Isabel diante da espera são bons exemplos disso, e eu vejo que Deus
preparou e treinou Isabel e Zacarias para o milagre que viveriam.
Nossa vida é um tempo de preparo, como um deserto que nos treina e
habilita para entrarmos em Canaã, a terra prometida. Todo deserto tem
provação, pois é isso que nos faz amadurecer; e toda provação tem um tempo.
Ninguém é aprovado em um dia, percebe? E eu vejo que os pais de João
Batista foram provados no tempo. Os dois já tinham uma idade avançada, não
poderiam ter �lhos, e ainda assim o sacerdote não buscou outra mulher. Ele
tinha direito, pela Lei! Era o que os outros homens costumavam fazer. Mas os
dois permaneceram juntinhos, mesmo idosos, fazendo a obra do Senhor,
servindo a Ele.
Eu creio que Deus estava preparando um casal maduro, com intimidade, e
com habilidade espiritual, emocional e física para criar o precursor de Jesus.
João Batista não seria um �lho qualquer, mas um �lho diferente! Você pode
ver que Zacarias entendeu isso logo após o nascimento da criança, quando
declarou:
E você, menino, será chamado profeta do Altíssimo, pois irá adiante do Senhor, para lhe preparar o
caminho, para dar ao seu povo o conhecimento da salvação, mediante o perdão dos seus pecados, por
causa das ternas misericórdias de nosso Deus, pelas quais do alto nos visitará o sol nascente para
brilhar sobre aqueles que estão vivendo nas trevas e na sombra da morte, e guiar nossos pés no
caminho da paz. (Lucas 1.76-79)
FRUTO DO ESPÍRITO
A paciência é a virtude do fruto do Espírito que mais se destaca na
vida de Isabel. Ela sonhava em ter �lhos, mas a demora em ter seu
desejo atendido não extinguiu sua fé, pelo contrário! Sendo de uma
linhagem sacerdotal, ela conhecia muito bem a Palavra, e cria no Deus
de Israel e nos milagres que Ele poderia operar. Isso foi fundamental
para que ela manifestasse essa paciência, e perseverasse até o �m,
sendo �el ao Senhor. O resultado dessa espera em �delidade foi viver o
milagre: gerar aquele que prepararia o caminho do Messias.
O PODER DA CONEXÃO GERACIONAL
Um ponto muito marcante da história de Isabel está entre a descoberta da
gravidez e o nascimento de João: o encontro com sua prima Maria. Agora,
imagine comigo. Uma senhora, já com idade avançada, no sexto mês de
gravidez, não poderia estar temerosa diante de todas as demandas que a reta
�nal da gestação traria a ela — o desconforto, as noites sem dormir, as
mudanças no corpo, a organização da casa? Mas veja como Deus opera! Ele
manda Maria ao seu encontro.
São essas as conexões que o Senhor faz, mesmo que na hora muitos não
entendam. Ele colocou uma mulher mais nova para ajudar a mais madura
nesse período desa�ador da maternidade, e, ao mesmo tempo, colocou a
mulher mais madura para ajudar a mais nova a se preparar para uma gravidez
precoce, ensinando-a com sua experiência e fé. Que período precioso deve ter
sido esse! Duas mulheres, de gerações diferentes, servindo uma à outra com
amor! Duas mulheres sendo preparadas, juntas, para viverem experiências
únicas com o Senhor, cada uma em seu propósito!
Entenda uma coisa: Deus vai dar a você experiências únicas que vão
prepará-la para o futuro. Ele vai gerar conexões na sua vida em que você verá
sinais claros do Senhor para habilitá-la a viver as coisas grandes que virão.
Esteja disponível a isso! Esteja com seus ouvidos espirituais atentos e com sua
visão espiritual aberta para enxergar a beleza do servir que o Senhor está
colocando diante de você. Senão, você corre o risco de perder conexões que
são oportunidades enviadas pelo Pai. Maria e Isabel entenderam isso, e quero
destacar duas coisas importantes sobre o encontro delas. Vejamos, primeiro, o
texto.
Naqueles dias, Maria preparou-se e foi depressa para a uma cidade da região montanhosa da Judeia,
onde entrou na casa de Zacarias e saudou Isabel. Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, o bebê
agitou-se em seu ventre, e Isabel �cou cheia do Espírito Santo. Em alta voz exclamou: “Bendita é
você entre as mulheres, e bendito é o �lho que você dará à luz! Mas por que sou tão agraciada, a
ponto de me visitar a mãe do meu Senhor? Logo que a sua saudação chegou aos meus ouvidos, o bebê
que está em meu ventre agitou-se de alegria. Feliz é aquela que creu que se cumprirá aquilo que o
Senhor lhe disse!” (Lucas 1.39-45)
1. CONEXÕES REVELAM O MOVER DE DEUS
A ligação entre as duas foi tão forte que, só por ouvir a saudação de Maria,
Isabel sentiu o bebê mexer em seu ventre e foi cheia do Espírito Santo. Da
mesma forma, há momentos em que, ao se aproximar de outra mulher, você
verá nitidamente o mover sobrenatural de Deus. Não é algo humanamente
fácil de se explicar, mas é preciso discernir espiritualmente, e estar sensível ao
mover do Espírito. Não permita que qualquer diferença — idade, status,
�nanças, nível intelectual — impeça você de se conectar com alguém que Deus
lhe apresentou com um propósito. O Senhor vai usar vocês para coisas
grandes, e essa conexão é parte fundamental nisso!
2. CONEXÕES CONFIRMAM PROPÓSITOS
Quando recebeu a visita do anjo Gabriel, Maria foi avisada de que Isabel
estava grávida. No entanto, Isabel não sabia da gravidez da jovem. Quando
elas se encontraram, e Isabel, cheia do Espírito Santo, recebeu a revelação de
que Maria era a mãe do Messias — con�rmando em alta voz a própria
gravidez —, aquilo não foi aleatório. Foi um sinal para a mãe de Jesus! O
Senhor estava usando a boca de Isabel para dar à sua parente a con�rmação de
que ela precisava para ter certeza de que tudo era um plano divino, e para
trazer uma palavra de bênção e de revelação do propósito que estava diante
delas. Isabel teve um olhar profético!
A experiência que a esposa de Zacarias estava tendo com Deus, de carregar
há seis meses um milagre em seu ventre, foi muito importante para que ela
fosse usada profeticamente e declarasse a bênção do Senhor sobre Maria,
impulsionando-a a crer no milagre que também estava carregando.
Eu imagino como foram as conversas entre elas durante os três meses que
passaram juntas (cf. Lucas 1.56). A Bíblia não entra em detalhes, mas eu penso
que elas falaram muito sobre o futuro! Que riqueza deve ter surgido da
comunhão entre duas mulheresde fé, de gerações muito diferentes, com
experiências distintas, mas unidas por um propósito maior! Esse é o poder da
conexão geracional.
AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES
Isabel estava servindo:
 A quem?
 Por quê?
 Com que intenção?
 O que isso nos ensina?
MÃES ESPECIAIS
A conexão entre Isabel e Maria também nos mostra outro ponto que têm
em comum: as duas seriam mães de crianças muito diferentes das demais.
João Batista seria Nazireu, e nem toda mãe poderia dar conta dessa missão.
Ela teria de criá-lo com várias restrições alimentares, orientá-lo a nunca tocar
em nada que estivesse morto e nem mesmo cortar o cabelo, além de garantir
que se mantivesse longe do vinho. A educação dele precisaria ser
completamente pautada na Palavra de Deus, a�nal João teria a mesma
autoridade que um dia esteve sobre o profeta Elias e prepararia o caminho do
Messias.
Enquanto isso, Maria teria a responsabilidade de criar o �lho de Deus. Ele
seria rejeitado, inclusive dentro de casa pelos seus próprios irmãos (cf. João 7),
e precisaria ser instruído e protegido com zelo e dedicação. A mensagem que
pregaria seria revolucionária entre os Seus, e Maria teria de suportar assistir a
todo o sofrimento de seu �lho. De�nitivamente, essas mulheres eram mães
com missões muito importantes.
Talvez você não entenda qual é o propósito de ser mãe de um �lho com
alguma necessidade especial. Vejo mulheres que se sentem sobrecarregadas,
inferiorizadas, nessa jornada materna muitas vezes solitária e penosa. Se você
é uma delas, e tem se questionado sobre o propósito disso tudo, eu quero me
dirigir a você agora. Há um milagre de Deus em suas mãos, e você não está
sozinha! Ele faz coisas que, às vezes, não entendemos, mas sempre há um
propósito e uma bênção para aquelas que escolhem amar a Sua vontade.
João Batista não era compreendido por muitos, mas Isabel o entendia como
ninguém. Jesus não era compreendido por muitos, mas Maria o entendia
como ninguém. Os outros poderiam não entender, mas elas creram no
propósito de Deus para seus �lhos, independentemente do que a sociedade da
época pensava sobre eles.
Talvez, as pessoas não compreendam seu �lho, como não compreenderam
Jesus e João. Mas você, como mãe, precisa continuar crendo que o Senhor tem
um plano especí�co em tê-lo criado, ele não veio a esta Terra em vão, mas,
sim, para cumprir um propósito. Deus a escolheu para cuidar desse �lho, para
que você seja bênção na vida dele, e ele seja bênção na sua vida e na de muitas
outras pessoas.
UM SÓ SENTIMENTO
Em qualquer era, sempre há uma rejeição ao novo. Isso é muito comum,
até mesmo por mudanças culturais que vão ocorrendo. Eu mesma passei por
isso com mulheres mais velhas que eu, quando era jovem. O que precisa
prevalecer nessa relação entre as gerações é a empatia. As mais jovens
precisam aprender a entender as mais antigas, o que elas já viveram, suas
histórias, suas dores. Ao mesmo tempo, as mais maduras precisam se abrir
para a realidade das mais novas também. Eu não vou dizer que todas agirão
com essa empatia, é claro. Mas, se encontrar uma mulher assim, de outra
geração, disposta a entender sua realidade e dividir algo com você, aproveite
essa oportunidade, pois isso trará crescimento para as duas.
No contexto ministerial, essa conexão entre o novo e o antigo é muito
importante para a passagem geracional ser bem-feita e ter a bênção de Deus, e
justamente por isso há uma batalha espiritual, principalmente na igreja, para
que os grupos de diferentes idades entrem em uma competição para de�nir o
que é o melhor, em vez de somar forças no Reino. “Ah, o culto devia voltar a
ser como antigamente”, “Era muito melhor quando cantávamos os hinos da
harpa”, ou ainda “É um absurdo ter essa parede preta na igreja!”… Quantas
reclamações assim você já deve ter ouvido — ou feito! Porém, se a mulher
mais idosa tiver uma cabeça aberta ao novo, àquilo que tem relação com a
passagem do tempo, e se a mulher mais jovem souber ouvir e aprender com a
experiência e os princípios da mais velha, a conexão será proveitosa, como a
de Isabel e Maria.
Em minha própria experiência, trabalhando com mulheres de diversas
gerações em meu ministério, percebo que tudo é uma questão de olhar para o
que será bom para o Reino, e não apenas para o que eu mesma pre�ro. Elas
me agregam conhecimento, eu agrego o que sei a elas. Há coisas da cultura
delas que assimilo, e há coisas da minha cultura que elas assimilam, e que
bênção é ver mulheres de diversas idades servindo juntas! Deus nos chamou
para isso! Sendo assim, o que importa não é que tenhamos a mesma opinião
sobre tudo, isso seria impossível. O que importa é que tenhamos o mesmo
sentimento, como Paulo disse a respeito de Evódia e Síntique, duas mulheres
que pareciam estar lidando com divergências no contexto da igreja primitiva.
Rogo a Evódia, e rogo a Síntique, que sintam o mesmo no Senhor. (Filipenses 4.2 – ARC)
Elas eram bênção no ministério, mas suas divergências estavam causando
problemas, de modo que Paulo foi enfático ao dizer que elas deveriam sentir o
mesmo. Entenda isto: nós podemos, e iremos, divergir em ideias. É muito
natural, a�nal, somos seres diferentes, com opiniões, temperamentos, gostos
pessoais muito particulares. Porém, em relação a sentimento não podemos
divergir. O amor tem de prevalecer!
Se o amor prevalece, os planos dão certo, a convivência se torna mais
agradável e o Reino cresce. É como lemos na Palavra de Deus:
O amor é sofredor, é benigno; o amor não é invejoso; o amor não trata com leviandade, não se
ensoberbece. Não se porta com indecência, não busca os seus interesses, não se irrita, não suspeita
mal; não folga com a injustiça, mas folga com a verdade; tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo
suporta. (1 Coríntios 13.4-7 – ARC)
Como é desagradável ver con�itos surgindo entre mulheres, na igreja,
muitas vezes por assuntos tão pequenos — até mesmo a cor a ser usada em
uma conferência pode virar assunto de discussão e causar o �m de amizades.
Não há problema em discordar, como eu já disse, mas o amor precisa sempre
prevalecer, em qualquer decisão.
Agora, pois, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três, mas o maior destes é o amor. (1
Coríntios 13.13 – ARC)
Mulher, se quisermos cumprir nosso propósito, e ser de fato a arma secreta
de Deus nesta Terra, precisamos aprender a amar nossas irmãs e a servir
àquelas que estão ao nosso lado, sejam mais velhas, sejam mais novas. Esta é a
mensagem que quero reforçar no �nal deste capítulo: As Isabéis desta geração
precisam aprender a amar e servir às Marias, e as Marias desta geração
precisam aprender a amar e servir às Isabéis.
Estamos em guerra e, por amor ao Reino e ao Rei, nós nos unimos
nesta batalha!
MINHA ORAÇÃO
Senhor Jesus,
Eu agradeço por ser agraciada e escolhida para cumprir a Tua vontade na Terra.
Capacita-me a cada dia com sabedoria e discernimento espiritual.
Usa-me diariamente como canal de bênção na vida de outras mulheres.
Que meus relacionamentos sejam para a glória do Teu nome e para o crescimento
do Teu Reino!
Em nome de Jesus, amém.
N
CAPÍTULO 4
Ana, a profetisa
Servindo quando os planos não dão certo
E então permanecera viúva até a idade de oitenta e quatro anos. Nunca deixava o templo: adorava a
Deus jejuando e orando dia e noite. (Lucas 2.37)
este capítulo, abordaremos a história de uma mulher de quem
pouco se fala, alguém que entendeu o segredo de servir a Deus com o
seu melhor, até mesmo renunciando a seus sonhos. O relato da sua
vida aparece em apenas três versículos:
Estava ali a profetisa Ana, �lha de Fanuel, da tribo de Aser. Era muito idosa; havia vivido com seu
marido sete anos depois de se casar e então permanecera viúva até a idade de oitenta e quatro anos.
Nunca deixava o templo: adorava a Deus jejuando e orando dia e noite. Tendo chegado ali naquele
exato momento, deu graças a Deus e falava a respeito do menino a todos os que esperavam a
redenção de Jerusalém. (Lucas 2.36-38)
É interessante observarmos que o Evangelho de Lucas deixa claro que ela
era umamulher idosa, mais especi�camente de 84 anos, em cuja história
carregava a marca de ter �cado viúva após sete anos de casada. Você deve
saber que, naquela época, as meninas casavam-se bem novas, muitas vezes por
volta dos 14 anos, e, antes disso, preparavam-se com muita dedicação para a
vida matrimonial. Além disso, como já vimos no capítulo sobre Isabel, o povo
de Deus aguardava ansiosamente pela vinda do Messias, de modo que era
natural que as mais jovens sonhassem com a possibilidade de serem a
abençoada mãe do Resgatador de Israel.
Então, olhando para a vida de Ana, posso imaginar seus sonhos de
juventude. “Eu já me casei, quero ter meus �lhos, construir minha família e,
quem sabe, até ser a mãe do Messias”. Mas se passaram sete anos. Ela não
teve �lhos. Ela �cou viúva. Pare para pensar nessa tragédia e coloque-se no
lugar de Ana, naquele contexto.
Até mesmo hoje, quantas vivem situações de dor e perda como a dela?! E
quando uma menina se prepara, namora, �ca noiva, organiza seu casamento e,
seja por qual for o motivo, não chega a se casar?! E quando uma mulher já
casada espera engravidar e ouve, em um consultório médico, que não pode ter
�lhos?! E quando uma jovem se dedica a vida toda a um sonho pro�ssional ou
acadêmico, e, no �m de tudo, não consegue alcançar o que planejou?! Qual
seria a reação delas?
MEUS SONHOS X SONHOS DE DEUS
Eu me atrevo a me dirigir a você, leitora, com essa mesma pergunta. Qual é
a sua reação? Talvez você esteja, neste exato momento da sua vida, lidando
com a frustração diante de um sonho não realizado. Quem sabe, você tem
perguntado a Deus o porquê do “não” que recebeu, repetindo
questionamentos muito comuns como “Onde foi que eu errei?”, “Por que eu
não posso viver o que planejei?”, ou até “Por que só não acontece comigo?”. A
sensação de desilusão pode levá-la a reclamar, como uma menina insatisfeita
que grita: “Eu quero isso, Deus! Eu preciso disso!”. Não sei qual é o seu sonho,
mas aprendo com Ana a entender que os sonhos do Pai são sempre melhores
que os nossos.
Ana manteve-se �el ao Senhor, mesmo tendo vivido a ruína de seus
próprios planos. Não realizou o sonho de ser mãe, e nem mesmo o de gerar o
Messias. Porém, ela pôde realizar o sonho que Deus havia planejado. Ela viu
o Salvador! Além disso, mesmo estando em idade avançada, já no auge de
seus 84 anos, saiu a proclamar a mensagem do Reino, dizendo a todos que a
Redenção de Israel havia chegado!
Pode ser que você não alcance aquilo que tanto tem pedido a Deus ou que
as coisas não aconteçam da forma e no tempo que imaginou. Ainda assim, não
abandone sua fé nem deixe de sonhar, mas creia que, mesmo sendo de uma
maneira totalmente diferente, Deus realizará algo grandioso por meio da sua
vida! E será, certamente, maior do que aquilo que você mesma poderia
idealizar.
Àquele que é capaz de fazer in�nitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo
com o seu poder que atua em nós, a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as
gerações, para todo o sempre! Amém! (Efésios 3.20-21)
É natural do ser humano querer que as coisas aconteçam do seu próprio
jeito, com as próprias métricas, as pessoas especí�cas envolvidas, sem
qualquer surpresa. Mas é Deus que tem a melhor forma de cumprir Seus
planos grandiosos em nossas vidas, entende? Ele guiará você pelo caminho
perfeito, e todas as situações adversas com as quais tiver de lidar irão, na
verdade, prepará-la para viver o melhor de Deus, ainda que no momento nada
pareça fazer sentido. É como a Palavra diz:
E sabemos que Deus faz todas as coisas cooperarem para o bem daqueles que o amam e que são
chamados de acordo com seu propósito. (Romanos 8.28)
Ana tinha sonhos, é claro. Mas o que percebo em sua vida é que seu maior
sonho, era, na verdade, ser uma serva do Deus vivo, ter uma visão da
eternidade, e cumprir a missão de transmitir essa visão a todas as pessoas com
quem ela convivia no templo. Seu papel foi ser uma intercessora — jejuava e
orava continuamente durante todos os anos de sua viuvez. Como viúva, sem
�lhos, poderia ter buscado muitas ocupações para seu tempo, que envolveriam
pensar em si, mas escolheu pensar no Reino. Seu papel social era ser viúva, o
que signi�cava ser uma párea social, rejeitada por muitos, desprezada. Mas sua
função era ser uma intercessora, e, rejeitando qualquer sentença, ela não
permitiu que nada a limitasse nessa missão, nem mesmo a pressão social sobre
ela. O que importava não era o que os outros diriam ou pensariam, mas o que
Deus havia reservado para ela, e foi a isso que se dedicou, vivendo os
propósitos d’Ele.
Você crê na bondade do Pai? Está disposta a entregar seus sonhos para Ele?
Então prepare-se, pois você viverá os grandiosos sonhos d’Ele para a sua vida.
FRUTO DO ESPÍRITO
A �delidade é a virtude do fruto do Espírito que se destaca na vida da
profetisa Ana. Sua história é um exemplo de que permanecer �el ao
Senhor sempre vale a pena, até mesmo quando as coisas não
acontecem da forma como planejamos. Mesmo tendo enfrentado o
luto — de seu casamento e de seus sonhos —, Ana manteve-se em
plena intimidade com Deus e nunca deixou de adorá-lO e buscá-lO. A
Bíblia diz que ela jejuava e orava dia e noite. Sua adoração não
dependia da circunstância, nem mesmo de ver o Senhor atendendo aos
seus pedidos. Como resultado disso, ela experimentou a graça de viver
os sonhos de Deus e contemplou o menino Jesus no templo.
O VAZIO QUE SÓ DEUS OCUPA
Como vimos no capítulo dois, todo ser humano tem um vazio existencial,
um espaço que só pode ser preenchido por Deus. Muitas mulheres, até mesmo
na igreja, ainda não tiveram esse vazio ocupado de fato, dedicando-se apenas a
uma vida de religiosidade e engano. Isso é muito sério, pois não há nada capaz
de preencher esse espaço — nem o marido, nem os �lhos, nem a carreira, nem
o ministério —, apenas o Criador. Enquanto a alma não é preenchida da
forma certa e há pendências a serem resolvidas, a tendência natural é que você
canalize isso para compulsões, seja a compras, a vícios, à comida, ou até à
internet.
Tenho constatado uma realidade muito preocupante nos últimos anos: as
redes sociais têm se tornado um canal para que mulheres, de todas as idades,
envolvam-se em relacionamentos ilícitos por causa desse vazio não
preenchido. Quantas agraciadas do Senhor se deixam enganar por mensagens
carinhosas, promessas vazias, imagens atraentes, e acabam em ruínas! Por
vezes, são mulheres que começaram bem suas vidas, dedicaram-se ao Senhor,
casaram-se da forma correta, mas, diante de frustrações não resolvidas,
acreditam em discursos de ilusão e terminam ludibriadas, feridas e
abandonadas.
O importante, no entanto, não é apenas começar bem, mas, sim, terminar
bem (cf. Eclesiastes 7.8), como aprendemos com o exemplo de Ana. Sua
história teve um início complicado, não tendo �lhos, vivendo o luto precoce…
Porém, por ter escolhido entregar sua frustração diante do Senhor, seu �m foi
glorioso: com o menino Jesus diante dela, Ana pôde contemplar o
cumprimento da profecia do Resgate de Israel. Como você quer que seja o seu
�m?
Precisamos aprender a lidar com as perdas e frustrações, abandonando a
precipitação e a ansiedade. Depois da Queda, o pecado fez com que os seres
humanos se tornassem ansiosos, inquietos e imediatistas, e isso só nos trouxe
prejuízos! Veja o exemplo de Abraão e Sara (quando ainda se chamavam
Abrão e Sarai). Mesmo que o Pai da fé já tivesse recebido de Deus a promessa
de que teria um �lho (cf. Gênesis 15.4), sua esposa deu uma sugestão para que
não precisassem mais lidar com a espera e com a frustração de não terem uma
descendência, oferecendo sua serva Hagar para que Abraão tivesse um �lho
com ela (cf. Gênesis 16.2). Sua atitude trouxe consequências a todos os
envolvidos e é um exemplo de precipitação diante da frustração.
Diferentemente dela, Ana soube esperar no Senhor, conseguiu enxergar a
beleza que havia em servir aos propósitos eternos, dedicando sua vida a estar
no templo em plena intimidade com seu Amado Deus. Mesmo diante da dor,da perda, do caos, ela não correu para tentar satisfazer aos seus próprios
desejos ou ocupar aquele vazio com qualquer coisa ou pessoa, mas, sim, viveu
um dia de cada vez, entregando sua juventude para contemplar algo muito
maior. Desfrutar todos os dias da presença de Deus me parece ser justamente
o que trouxe a ela equilíbrio e maturidade espiritual e emocional. Como disse
o salmista:
Como é agradável o lugar de tua habitação, ó Senhor dos Exércitos! Sinto desejo profundo, sim,
morro de vontade de entrar nos pátios do Senhor. Com todo o meu coração e todo o meu ser,
aclamarei ao Deus vivo. Até o pardal encontra um lar, e a andorinha faz um ninho e cria seus
�lhotes perto do teu altar, ó Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus! Como são felizes os que
habitam em tua casa, sempre cantando louvores a ti! Como são felizes os que de ti recebem forças, os
que decidem percorrer os teus caminhos. Quando passarem pelo vale do Choro, ele se transformará
num lugar de fontes revigorantes; as primeiras chuvas o cobrirão de bênçãos. Eles continuarão a se
fortalecer, e cada um deles se apresentará diante de Deus, em Sião. [...] Um só dia em teus pátios é
melhor que mil dias em qualquer outro lugar. Pre�ro ser porteiro da casa de meu Deus a viver na
morada dos perversos. (Salmos 84.1-7,10)
Se você está em uma situação semelhante ou conhece alguém que esteja
enfrentando esse luto, não me entenda mal. Você pode, sim, recomeçar sua
jornada, construir um relacionamento novo, viver em família novamente! O
ponto aqui está em não se precipitar, dar lugar à inquietação e acabar caindo
nos braços de alguém que só lhe trará problemas, na tentativa de ocupar um
lugar vazio.
Tenha o cuidado de discernir em Deus qual é a vontade d’Ele para esta
estação da sua vida, e, assim como Ana, ouse servir a Ele, mesmo que seus
planos iniciais não tenham dado certo. Se estiver solitária, seja solidária, ocupe
seu tempo servindo a outras pessoas, cuidando dos interesses do Reino,
investindo em você mesma, mas não caia em armadilhas. É Deus quem faz
com que o solitário habite em família!
Pai dos órfãos, defensor das viúvas, esse é Deus, cuja habitação é santa. Deus dá uma família aos que
vivem sós; liberta os presos e os faz prosperar. Os rebeldes, porém, ele faz morar em terra árida.
(Salmos 68.5-6)
A melhor escolha que podemos fazer é estar no centro da vontade do Pai.
Isso se aplica aos três tempos que existem na vida: passado, presente e futuro.
Em cada um deles, Deus está no controle!
Lembrem-se do que �z no passado, pois somente eu sou Deus; eu sou Deus, e não há outro semelhante
a mim. Só eu posso lhes anunciar, desde já, o que acontecerá no futuro. Todos os meus planos se
cumprirão, pois faço tudo que desejo. (Isaías 46.9-10 – grifo nosso)
Entenda que Deus já conhece nosso �m e tem o melhor para nós! Mesmo
que passemos por perdas, desertos, privações, Ele permanece conosco, então
con�e n’Ele para direcioná-la e cuidar do seu futuro — não há ninguém mais
con�ável.
AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES
Ana estava servindo:
 A quem?
 Por quê?
 Com que intenção?
 O que isso nos ensina?
NÃO DESISTA
Em todos os cenários, Deus está com você! O Senhor não perdeu o
controle da sua vida, minha amada. O seu redentor é o seu sustendo e irá
capacitá-la com graça, sabedoria, discernimento, revelação, autoridade e
unção, para que você possa cumprir, com excelência, o propósito para o qual
foi designada, e contemplar a beleza de ter escolhido servir apesar da dor.
Ana não desistiu de cumprir a missão de Deus nesta Terra, como mulher,
como profetisa e como proclamadora da redenção de Israel. E é curioso
observar a diferença entre a sua reação e a reação de outro personagem dessa
história, que também contemplou o menino Jesus aquele dia no templo.
Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão, que era justo e piedoso, e que esperava a
consolação de Israel; e o Espírito Santo estava sobre ele. Fora-lhe revelado pelo Espírito Santo que ele
não morreria antes de ver o Cristo do Senhor. Movido pelo Espírito, ele foi ao templo. Quando os
pais trouxeram o menino Jesus para lhe fazer conforme requeria o costume da lei, Simeão o tomou
nos braços e louvou a Deus, dizendo: “Ó Soberano, como prometeste, agora podes despedir em paz o
teu servo. Pois os meus olhos já viram a tua salvação, que preparaste à vista de todos os povos: luz
para revelação aos gentios e para a glória de Israel, teu povo”. (Lucas 2.25-32 – grifo nosso)
Assim que viu Jesus, a profecia encarnada, Simeão já se sentiu satisfeito e
declarou sua missão cumprida, dizendo-se pronto para ir ao céu. Ana não. Ela
saiu a proclamar a todos o que havia visto! É como se dissesse: “Não, não
posso parar! Eu posso alcançar mais pessoas! Ainda existe alguém nesta
geração que posso abençoar! Ainda existe alguém na minha família que a
redenção pode alcançar! Eu não posso morrer ainda!”. Nós, mulheres, temos
esta marca: não basta termos alcançado algo, queremos dividir com os que
amamos! Nosso desejo é ver mais e mais pessoas sendo abençoadas, e fomos
agraciadas por Deus para declararmos a bênção sobre os nossos.
Você também é uma profetisa. Ana foi chamada, em seu tempo, para
anunciar a chegada do Messias; você foi chamada, neste tempo, para anunciar
o retorno do Rei! Eu quero profetizar que você não permitirá que as
adversidades, as lutas, as frustrações calem a sua boca, nem perderá a
sensibilidade à presença e à voz do seu Amado. Você não parará de proclamar:
Jesus vem!
Família, Jesus vem!
Marido, Jesus vem!
Filhos, Jesus vem!
Vizinhos, Jesus vem!
Mulheres, Jesus vem!
Nestes dias tão difíceis, que sejamos mulheres dispostas a encorajar todos
ao nosso redor, conclamando-os a continuarem se preparando, avançando,
perseverando, mesmo diante de a�ições, crises e batalhas. Mulher, nós não
nos calaremos! Somos profetisas deste tempo e clamaremos pelos vales e pelos
montes: o Reino vem, o Messias voltará, e nós reinaremos com Ele em glória
eternamente!
MINHA ORAÇÃO
Pai amado,
Agradeço o privilégio de ser sua �lha, agraciada e ungida para um chamado
especí�co.
Eu quero viver os sonhos que Tu tens para mim.
Aumenta, a cada dia, minha fé e faz com que o meu querer esteja constantemente
alinhado à Tua vontade.
Que o meu coração seja sempre movido pela eternidade, na certeza de Tua volta.
Em nome de Jesus, amém.
M
CAPÍTULO 5
Priscila
Servindo no ministério em família
Ali encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, que havia chegado recentemente da Itália
com sua esposa, Priscila, depois que Cláudio César expulsou todos os judeus de Roma. (Atos 18.2)
eu marido e eu estamos casados há 44 anos e servimos juntos à
igreja do Senhor. Porém, essa parceria no Reino começou antes
mesmo do nosso casamento. Quando éramos namorados, ainda
adolescentes, nós costumávamos ter longas conversas a respeito do ministério,
do Reino e de todos os sonhos que o Silas tinha em seu coração. Como
crescemos na igreja, nossos assuntos sempre a envolviam, e todos os nossos
sonhos se relacionavam com o Reino de Deus.
Naquela época, o Silas já mobilizava grandes evangelismos, e tenho
memórias de experiências marcantes dos dias em que evangelizávamos de
madrugada em Copacabana (RJ), por exemplo — embora eu e as outras
meninas não pudéssemos ir sempre, por conta do horário. Quantas vidas
foram libertas naquele calçadão! Quantos perdidos foram encontrados pelo
amor do Pai! Eu me lembro, especialmente, de uma jovem que estava tocando
violão com um grupo secular quando nos ouviu cantando um hino. A música
que cantávamos alcançou o coração dela, de modo que começou a cantar
conosco também. Em seguida, chorando, ela nos contou que era �lha de
pastor, e que estava longe dos caminhos do Senhor, mas Deus a resgatou
naquele dia.
Mesmo ainda muito novos, se tem uma coisa de que eu e Silas gostávamos
era falar de Jesus. Todos os domingos, fazíamos evangelismos com outros
jovens nas redondezas da igreja — passávamos pelas ruas Aurora, Santiago,
Nicarágua, e tantas outras no bairro da Penha. Além disso, eu tinhaum
costume: evangelizar com folhetos. Quando estava no ginásio (hoje, ensino
fundamental), ia caminhando até a escola, e passava todo o trajeto de Honório
Bicalho ao IAPI da Penha entregando esses folhetos e colocando cartas
evangelísticas, que eu mesma escrevia, nas caixas de correio. Era rotineiro
também realizarmos cultos ao ar livre e evangelismos em vários lugares e de
diversas formas, o que só con�rma que o Silas sempre gostou de levar o
Evangelho para fora das quatro paredes da igreja, e a todo momento estive ao
lado dele nessas ações.
Diante de uma vida inteira dedicada ao ministério, é claro que muitos
desa�os surgiram, e é importante entendermos como servir em família ao
Reino fará a diferença no resultado e na amplitude daquilo que produzimos.
Na Bíblia, Priscila e Áquila são um grande exemplo disso.
UM CASAL NO MINISTÉRIO
Foi na cidade de Corinto que Paulo conheceu um judeu cristão chamado
Áquila e sua esposa, Priscila, os quais, pouco tempo antes, haviam sido
expulsos de Roma pelas atividades antissemitas do império naquele tempo.
Algum tempo depois, Paulo deixou Atenas e foi para Corinto. Ali encontrou um judeu chamado
Áquila, natural do Ponto, que havia chegado recentemente da Itália com sua esposa, Priscila, depois
que Cláudio César expulsou todos os judeus de Roma. Paulo foi morar e trabalhar com eles, pois
eram fabricantes de tendas, como ele. (Atos 18.1-3)
Esse notável casal é mencionado seis vezes no Novo Testamento, e para a
alegria de Paulo, eles também eram construtores de tenda. A verdade é que se
tornaram grandes amigos do apóstolo, e, em todas as passagens em que são
citados, vê-se que esse casal hospitaleiro foi de grande ajuda para as jovens
igrejas.
Um ponto importante que precisamos considerar ao falar do ministério
deles é que, em quatro das seis vezes em que o nome deles aparece, Priscila é
mencionada primeiro. Isso é muito incomum para os registros da época, já
que na maioria das referências a casais na Bíblia o nome do homem aparece
em primeiro lugar. Como eu creio que nada na Palavra foi posto ali à toa,
acredito que ela era uma mulher que exercia uma liderança ministerial. Ela
realmente foi levantada por Deus com um destaque, e tinha seu talento
reconhecido, o que não muda o fato de que o casal permaneceu atuando em
unidade e exercendo com excelência o que foi chamado para fazer —
inclusive, o nome dos dois sempre aparece lado a lado, não há nenhuma
menção em que apenas um apareça.
Antes mesmo de desenvolvermos mais a respeito do que a vida de Priscila
nos ensina, é importante falarmos do papel de Áquila. Mesmo sendo o cabeça
de sua casa, o líder de sua família, penso que ele soube estar em segundo plano
no ministério. Conheço muitas mulheres que tinham um chamado, mas se
casaram com homens que não tinham essa visão, maridos que eram
dominados por ciúmes, inveja, entrando em uma competição, impedindo-as
de exercer o ministério. Entenda: o fato de uma mulher ter uma habilidade ou
um alcance ministerial de maior destaque em relação a seu esposo não o
desquali�ca como o homem da casa. Ele continua sendo o sacerdote de seu lar,
e a mulher sábia saberá deixar isso claro, respeitando o plano original de Deus
para o casamento. Na igreja, ela pode ser uma líder, mas, na sua casa, seu
marido ocupa esse papel de autoridade. Infelizmente, muitos homens não
entendem isso e deixam que a insegurança os transforme em pedra de tropeço
na vida de suas esposas. Deus os cobrará por isso.
Na contramão dessa postura, o que vejo nesse casal de amigos de Paulo é
que homem e mulher tinham harmonia em sua missão. É muito bonito vê-los
servindo ao Reino em família, pois é notório que tiveram grande in�uência
no crescimento da igreja, abençoando o ministério de muitos apóstolos. A
Bíblia deixa claro, inclusive, que eles chegaram a arriscar a própria vida para
proteger Paulo.
Saúdem Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus. Arriscaram a vida por mim. Sou
grato a eles; não apenas eu, mas todas as igrejas dos gentios. (Romanos 16.3-4 – grifo nosso)
Outro ponto é que, mesmo servindo de forma tão íntegra e intensa, eles
não eram pesados ao Reino, pelo contrário. Trabalhavam como construtores
de tendas, junto a Paulo, para dar suporte ao ministério. Quantas pessoas hoje,
lamentavelmente, querem se utilizar do Reino para serem bem-sucedidas, não
é mesmo? Não eles. Priscila e Áquila eram, na verdade, bem-sucedidos para
abençoar o Reino!
FRUTO DO ESPÍRITO
O domínio próprio é a virtude do fruto do Espírito que mais se
destaca na vida de Priscila. Diante dos inúmeros papéis que ela exercia,
dos desa�os que certamente se apresentavam na vida ministerial ao
lado de seu marido, era necessário ter muita clareza mental, para agir
com sabedoria e ousadia em cada situação, sem ceder ao desespero.
Uma mulher que se destacou tanto ministerialmente, tornando-se uma
�gura honrada na igreja primitiva, certamente sabia dominar seu
próprio temperamento e suas emoções, obedecendo a Deus, o que a
habilitava para ensinar aos outros com autoridade. Se ela fosse uma
mulher descontrolada, agressiva, impulsiva, não teria crédito ou
espaço em um cenário tão importante.
A BELEZA DO MINISTÉRIO DE ENSINO
Há um episódio muito interessante que também mostra o empenho desse
casal no Reino.
Enquanto isso, um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, chegou a Éfeso. Ele era homem
culto e tinha grande conhecimento das Escrituras. Fora instruído no caminho do Senhor e com
grande fervor falava e ensinava com exatidão acerca de Jesus, embora conhecesse apenas o batismo
de João. Logo começou a falar corajosamente na sinagoga. Quando Priscila e Áquila o ouviram,
convidaram-no para ir à sua casa e lhe explicaram com mais exatidão o caminho de Deus. (Atos
18.24-26)
Eles viram Apolo pregando e perceberam que ainda era imaturo na fé, que
tinha um conhecimento limitado a respeito do Evangelho, por ter conhecido
apenas o batismo de João. No entanto, observaram nele o potencial, viram o
seu ímpeto em falar do Cristo, e decidiram ensiná-lo aquilo que ainda não
sabia. Veja que percepção linda!
O ensinar é um grande serviço. Muitas pessoas pensam que estão fazendo
algo de menor valor quando se dedicam a ensinar, mas a verdade é que não
têm noção da semente preciosa que estão lançando sobre outras vidas. Você
sabe quantas vezes Apolo é mencionado no Novo Testamento? Dez vezes.
Pelos relatos que a Bíblia traz de sua vida, ele se tornou um dos pregadores
mais talentosos da igreja primitiva (cf. Atos 18.27-28). Seu alcance foi
imensurável. Mas veja: quem ensinou a ele os fundamentos? Um simples casal,
que se sacri�cou e renunciou a muitas coisas para servir ao Reino, investindo
em pessoas.
Priscila e Áquila se posicionaram como uma plataforma, de modo que o
ministério de Apolo teve muito mais projeção que o deles. A preocupação não
foi estar em evidência, receber elogios ou ser honrado, mas, sim, fazer o Reino
crescer — investir tempo ensinando àquele jovem pregador era exatamente o
que os alegrava.
Isso nos deixa um alerta muito importante. Quantas mulheres, hoje,
sentem-se inferiores por atuarem nos bastidores?! Ao mesmo tempo, outras
pessoas que foram ensinadas por elas ganharam destaque e se tornaram
grandes homens e mulheres de Deus. Não confunda a projeção de um
ministério com o seu real valor para o Senhor. Você foi agraciada para ensinar
a cada vida preciosa que vier até você!
Um exemplo é o que vemos na história de conversão de Billy Graham, que
é amplamente conhecida e documentada em diversas fontes, incluindo em sua
autobiogra�a — Billy Graham, Just As I Am. Nascido em 1918, Graham cresceu
em uma família cristã na Carolina do Norte, nos Estados Unidos, e sua fé foi
in�uenciada principalmente pela vida religiosa de seus pais. No entanto, sua
própria jornada com Cristo teve um ponto de virada signi�cativo durante um
evento de avivamento em 1934, quando ele tinha apenas 16 anos. Ao ouvir o
sermão do Evangelista Mordecai Ham, sentiu-se profundamente tocado pela
mensagem do Reino e tomou a decisãode se entregar a Cristo e se
comprometer com uma vida de fé e serviço cristão.
Agora, pense comigo: quem se tornou mais conhecido em todo o mundo?
Mordecai Ham ou Billy Graham? Este último, é claro. Ele é considerado um
dos evangelistas cristãos mais proeminentes do século XX — estima-se que
tenha pregado pessoalmente para mais de 200 milhões de pessoas, o que pode
ser encontrado também em sua biogra�a. Perceba, então, que a pregação de
um só evangelista alcançou um jovem que, no futuro, se tornaria um
importante agente do Reino de Deus para várias nações.
Por trás de tantos ministros do Evangelho que estão em destaque, há
grandes homens e mulheres de Deus que plantaram uma semente, sem que
seus nomes se tornassem conhecidos. Você, mulher, que atua como
intercessora, professora de EBD, discipuladora, não faz ideia dos tesouros que
estão passando por suas mãos. Seu galardão é garantido pelo Senhor! Nunca se
esqueça de que, ao servir ao Reino com zelo e excelência, é o próprio Rei que
garante sua recompensa.
Tudo o que �zerem, façam de todo o coração, como para o Senhor, e não para os homens, sabendo
que receberão do Senhor a recompensa da herança. É a Cristo, o Senhor, que vocês estão servindo.
(Colossenses 3.23-24)
Meu marido costuma repetir isso em suas mensagens. Quantas pessoas
estão enganadas a respeito de como o Reino funciona! Ele sempre diz que,
embora muitos pensem que o galardão dele será maior por estar pregando e
profetizando a tantas pessoas, há irmãs cuidando dos pequeninos, nos
bastidores, que receberão recompensa bem maior que a dele. Não é sobre
título, posição, nem mesmo sobre quantidade de seguidores. O servir é muito
abençoador quando não servimos para sermos vistas, mas, sim, para obedecer
ao chamado de Deus nas nossas vidas, seja ele qual for.
A FALTA DE REFERÊNCIAS
Hoje, há uma demanda muito grande na igreja por famílias que estejam
dispostas a seguir o exemplo de Priscila e Áquila, dispondo-se a cuidar de
quem precisa. Levar um casal mais jovem para sua casa, promover um almoço
em um domingo, reservar um tempo para aconselhá-lo são coisas que até
podem parecer simples ou de pouco valor. Porém, quantos jovens não têm
uma referência de família bem estruturada e, por vezes, são �lhos de pais que
foram negligentes em sua criação, ou até mesmo que os abandonaram?!
Quando se casam, começam a enfrentar problemas em seu casamento, sem
que alguém se disponha a ajudar.
Mulher, quantas são as meninas que não têm uma referência feminina e
precisam que você se posicione por amor a elas?! Não é o tipo de serviço que
ganha evidência ou elogios, você não estará com o microfone na mão ou
ministrando em um grande evento de mulheres. Mas a verdade é que a
mudança que pode gerar na vida de uma só jovem, dedicando seu tempo, seu
amor e sua experiência a ela, assentando-se à mesa para ensinar — como Jesus
fazia —, pode gerar um tesouro na eternidade ainda maior do que se estivesse
à frente de uma grande conferência.
Sua casa pode e deve ser um lugar de cura para muitas! Assim foi a
casa de Priscila: um local de tratamento, libertação, restauração e crescimento
emocional, espiritual e físico. Permita que o Senhor encha o seu coração de
amor pelos mais jovens, assim como Ele fez com aquela grande mulher de
Deus, e creia que você colherá frutos valiosos, aqui e na eternidade.
AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES
Priscila estava servindo:
 A quem?
 Por quê?
 Com que intenção?
 O que isso nos ensina?
OS DESAFIOS DE CADA PAPEL
Em qualquer função que estejamos dispostas a assumir na vida, haverá
di�culdades. Mas é preciso destacar que os desa�os que se apresentam para a
mulher que atua no ministério como líder, pastora ou esposa de pastor são
muito grandes. Perder, em certo nível, a privacidade em sua própria casa, por
exemplo, é uma das consequências que observamos na vida de Priscila. Já
vimos, neste capítulo, que Paulo morou por um tempo na casa de Áquila, e
que Apolo, em outro momento, também foi levado até lá para aprender —
isso é apenas o que está registrado, já que um casal com uma visão familiar de
Reino tão intensa pode ter servido a muitas outras vidas com o próprio lar.
Para além disso, parte da igreja também se reunia na casa deles.
As igrejas da província da Ásia enviam-lhes saudações. Áquila e Priscila os saúdam afetuosamente
no Senhor, e também a igreja que se reúne na casa deles. (1 Coríntios 16.19)
Com certeza, esses períodos em que recebiam pessoas em casa, para morar
por um tempo ou para participar de pequenas reuniões, exigiam um esforço
maior da parte dela. Organizar tudo, ser uma boa an�triã, garantir a
alimentação da casa e ainda ter tempo para exercer seu ministério de ensino:
um verdadeiro malabarismo com o qual lidamos constantemente, como
mulheres.
Nesse sentido, o maior desa�o que quero destacar é o de conseguir
conciliar todos os papéis. Vamos exempli�car isso, observando a vida de
Priscila.
Mesmo que não tenhamos tanta informação a respeito, eu suponho
que Priscila cuidava bem de seu papel de esposa, caso contrário,
di�cilmente ela e o marido conseguiriam manter um ministério tão
frutífero e harmonioso, sendo citados sempre em unidade na Bíblia. A
a�nidade deles era indiscutível, e isso impedia que qualquer brecha
fosse aberta em seu ministério.
A Bíblia não fala se ela teve �lhos biológicos, e é até provável que não
tenha tido, pela sua total disponibilidade ao Reino. De uma forma ou
de outra, Priscila sabia administrar o papel de mãe, fosse cuidando
dos seus �lhos enquanto servia ao seu chamado, fosse gerando �lhos
espirituais, como Apolo.
Seu papel de pro�ssional também não foi negligenciado, já que a
Palavra deixa claro que ela e o marido trabalhavam como construtores
de tenda — os dois, não apenas ele (cf. Atos 18.3), de modo que ela
serviu à expansão da igreja também com suas �nanças.
Ao ser citada tantas vezes no Novo Testamento, Priscila se destacou,
de fato, como uma mulher relevante para a igreja primitiva. Isso deixa
claro, portanto, que não se omitiu de seu papel de líder ministerial,
cumprindo com excelência a missão que Deus havia con�ado a ela e
deixando um legado para gerações.
Certamente, não é fácil ou simples para nós, mulheres, conduzirmos tantas
áreas diferentes em nosso dia a dia. Mas nossa atenção não pode estar
direcionada à facilidade da jornada, e sim ao poder do Deus que nos chamou e
nos capacita.
Como já foi dito em outros capítulos deste livro, precisamos ter clareza do
propósito para o qual fomos chamadas, isso é muito importante! Enxergando
�rmemente o nosso objetivo, temos uma certeza: o mesmo Deus que nos
convocou e nos habilitou com dons e talentos já nos proveu a capacidade de
administração (cf. Mateus 25.15). Ele renova nossas forças, dá-nos sabedoria,
estratégia e encorajamento. Não estamos nessa missão sozinhas!
“ONDE VOCÊ ESTÁ?”
É muito importante para a mulher, no ministério, não negligenciar seu
papel de esposa. Aprendi algo com minha sogra, Pastora Albertina, e quero
dividir esse ensinamento com você.
Minha sogra é muito observadora e já esteve em muitas igrejas ao longo de
seu ministério. Algo que ela observava é que as esposas dos pastores, em várias
dessas ocasiões, frequentemente estavam em segundo plano, longe de seus
maridos. Fosse na cantina, escondida, buscando até mesmo uma aprovação da
igreja — que por vezes é cruel na cobrança de perfeição —, fosse nos
bastidores de uma sala de recepção, o padrão era que a esposa do pastor local
estivesse sempre distante de seu marido. Enquanto isso, ao lado dele,
costumava haver uma diaconisa supertalentosa e prestativa, ou uma secretária
muito bonita, bem-disposta — “Alisando sua gravata, entregando cafezinho
fresco”, como diz minha sogra. Diante disso, a Pastora Albertina perguntava às
esposas de pastores, a quem palestrava: “Minha irmã, onde você está? Seu
marido pode ter uma secretária, uma diaconisa auxiliar, ou qualquer outra
ajuda, mas o papel de esposa ninguém pode ocupar, só você!”.
Você é insubstituível nesse lugar, mulher! Seja a esposa, a amiga,a amante,
a auxiliadora, a encorajadora! Viva a plenitude com seu marido em sua vida
sexual, invista no relacionamento de vocês. Esteja, de fato, ao lado dele. Não
permita que ninguém desempenhe esse papel em seu lugar. Você pode ser
substituída como líder, como obreira, como pro�ssional, como estudante…
mas, nesse papel, você é insubstituível! Sua família é sua prioridade.
Além disso, como pastora, vejo que são numerosos os casos em que
mulheres não estão cumprindo a função que seu papel envolve — sim, há uma
diferença entre esses dois termos. Muitas vezes, uma mulher é esposa no
papel, mas não cumpre as funções que isso inclui há tempos. Em outras, uma
mulher tem o papel de mãe, mas também não age como deveria agir em tão
relevante ocupação. Até mesmo no ministério, muitas têm um papel pastoral,
mas não reservam tempo para cuidar, de fato, das ovelhas que estão sob sua
responsabilidade.
Não adianta ter o papel de mulher cristã, e não construir sua vida de acordo
com esses fundamentos. Na igreja, ser uma bênção, gentil, amada pelos
irmãos. Em casa, ser agressiva, insatisfeita, amarga com os �lhos e com o
marido. Geralmente, em casamentos pastorais, a primeira área que Satanás
ataca para frear o ministério é justamente a sexualidade. Casais que estão
juntos apenas no papel, que cumprem suas funções na igreja, são espirituais,
cheios de talentos, mas vivem como “amigos” dentro de casa estão correndo
sério risco. Alguns dormem até mesmo em quartos separados! Que tamanha
abertura para a ação do Inimigo isso é. Não se permita viver assim! Deus tem
mais para você! Posicione-se em seu papel, e cumpra sua função. Assim foi o
exemplo de Priscila, caso contrário, ela e o marido não teriam sido tão
frutíferos em seu ministério. Lembre-se do que diz a Palavra:
Do mesmo modo vocês, maridos, sejam sábios no convívio com suas mulheres e tratem-nas com
honra, como parte mais frágil e coerdeiras do dom da graça da vida, de forma que não sejam
interrompidas as suas orações. (1 Pedro 3.7)
UMA PALAVRA DE BÊNÇÃO
Quando falo sobre viver o ministério em família, falo do que vivi — com o
lindo exemplo dos meus pais, que durante toda a sua vida serviram juntos à
noiva do Cordeiro — e do que ainda vivo ao lado do meu marido. Meus pais
amaram o ministério, honraram o ministério, renunciaram a muitas coisas
por amor, mas nunca deixaram de cuidar da família e de ser referência para os
seus. O exemplo deles ecoa na igreja brasileira, e seus frutos são incontáveis.
De igual modo, eu quero declarar uma palavra de bênção para você,
mulher, que foi agraciada pelo Senhor com a honra de servir à sua igreja. Nós
não fomos chamadas a construir um império, que acaba diante de con�itos
internos e �ca em ruínas. Nós fomos chamadas a viver um Reino que continua
até mesmo depois de nós e que não terá �m! Acredite no poder do Deus que a
chamou.
Você deixará um legado!
Você deixará sucessores!
Você marcará vidas!
A sua entrega in�uenciará gerações!
MINHA ORAÇÃO
Senhor Jesus,
Sou eternamente grata por me conceder o privilégio de ser uma cooperadora do
Teu Reino na Terra.
Que eu seja sempre temente e obediente à Tua vontade.
Meu desejo é estar pronta para realizar a Tua obra aonde me enviares.
Capacita-me com fé, coragem, ousadia e sabedoria para levar o conhecimento da
Tua Palavra aos que estão cegos espiritualmente e para fazer novos discípulos onde o
Senhor me plantar.
Eis-me aqui. Usa-me!
Em nome de Jesus, amém!
CAPÍTULO 6
Maria de Betânia
Servindo em adoração
Então Maria pegou um frasco de nardo puro, que era um perfume caro, derramou-o sobre os pés de
Jesus e os enxugou com os seus cabelos. E a casa encheu-se com a fragrância do perfume. (João 12.3)
Amulher de quem falaremos neste capítulo fazia parte de uma família muito
especial para Jesus. Ela é a mesma que, na passagem descrita no capítulo dez
do Evangelho de Lucas, assenta-se para ouvir os ensinamentos do Mestre,
ignorando todas as formalidades exigidas à �gura feminina naquela época —
seria ela, talvez, a primeira aluna do seminário teológico de Jesus. Vamos
rever essa passagem:
Caminhando Jesus e os seus discípulos, chegaram a um povoado, onde certa mulher chamada Marta
o recebeu em sua casa. Maria, sua irmã, �cou sentada aos pés do Senhor, ouvindo-lhe a palavra.
Marta, porém, estava ocupada com muito serviço. E, aproximando-se dele, perguntou: “Senhor, não
te importas que minha irmã tenha me deixado sozinha com o serviço? Dize-lhe que me ajude!”.
Respondeu o Senhor: “Marta! Marta! Você está preocupada e inquieta com muitas coisas; todavia
apenas uma é necessária. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”. (Lucas 10.38-42)
A Bíblia nos aponta que Maria “[…] �cou sentada aos pés do Senhor” (v.
39), lugar de proximidade que era reservado apenas aos discípulos do Mestre.
Ainda assim, Ele não a censurou ou pediu que se retirasse. Pelo contrário!
Disse com carinho à sua irmã, Marta, que aquela oportunidade não seria
tirada de Maria. Como Jesus quebrou paradigmas, não é?! Ali, �ca claro o
nível de intimidade e a admiração que Maria tinha por Ele. Eu imagino que os
homens do local possam ter �cado perplexos, até mesmo incomodados. O que
uma mulher estava fazendo ali? Por que não estava na cozinha?
Muitas coisas aconteceram depois disso, ao longo do ministério de Jesus,
incluindo a morte e ressurreição de seu amado amigo Lázaro, irmão de Maria
(cf. João 11). E a ocasião que destacaremos, na vida dessa mulher tão ousada,
ocorreu após esse grande milagre operado por Jesus.
Seis dias antes da Páscoa, num lugar de nome Betânia — conhecido como o
local onde o Mestre havia ressuscitado seu amigo dos mortos —, era oferecido
um jantar para Jesus (cf. João 12.1-2). Marta servia à mesa, Lázaro estava ao
lado de Cristo, e Maria… Maria parecia estar admirada! Penso que olhava o
tempo todo para o Filho de Deus. Ela estava maravilhada, deslumbrada com a
presença daquele amigo tão poderoso, capaz de trazer vida aos mortos. O seu
coração estava cheio de amor!
Imagino que ela deva ter pensado no que fazer para expressar tudo o que
estava no seu interior! Palavras eram insu�cientes. O que teria ela para
oferecer a Jesus, o Senhor? De que modo poderia servir a Ele? Como o
salmista, também se perguntava: “Que posso oferecer ao Senhor por tudo que
ele me tem feito?” (Salmos 116.12).
Maria se lembrou, então, da única coisa de verdadeiro valor que possuía:
um frasco de nardo puro, um perfume muito caro — que, segundo Judas,
custava cerca de trezentos denários (cf. João 12.5). Para que você entenda o
quão valioso era, apenas um denário equivalia a um dia de trabalho de um
trabalhador braçal. Sendo assim, aquele perfume custava aproximadamente
um ano de salário.
Logo, Maria saiu da sala sem que ninguém reparasse e buscou o frasco
cheio de nardo puro. Provavelmente, ninguém a viu sair ou voltar, mas todos
notaram a sua presença quando ouviram o barulho do recipiente de perfume
sendo quebrado.
Ela se aproximou de Jesus, derramando o perfume da cabeça aos pés d’Ele, e
enchendo a casa com um aroma maravilhoso. Sem pensar nas críticas, ela
estava decidida a expressar o seu amor ao Senhor. Soltou os cabelos, abaixou-
se e se pôs a enxugar os pés do Mestre, sem falar nada. Era como se Maria
estivesse dizendo: “Jesus, por onde o Senhor andar, sinta este cheiro e saiba
que existe alguém aqui que O ama”.
Silêncio total, enquanto todos tentavam entender o que estava
acontecendo. Não tinha lógica, não fazia sentido, não era sensato, não era
prático! Na visão dos que estavam ali, era extravagante, até mesmo um
desperdício.
Mas um dos seus discípulos, Judas Iscariotes, que mais tarde iria traí-lo, fez uma objeção: “Por que
este perfume não foi vendido, e o dinheiro dado aos pobres? Seriam trezentos denários”. (João 12.4-5)
Jesus, mais uma vez, não a censurou. Em vez disso, respondeu algo que traz
ainda mais signi�cado ao ato de sua amiga.
Jesus respondeu: Deixe-a em paz. Ela fez isto como preparação para meu sepultamento. (João 12.7)
O discernimento espiritual deMaria, aquela que se assentava aos pés de seu
Mestre, foi tão aguçado que ela teve uma percepção muito maior do que a dos
discípulos. Eles não sabiam, mas faltavam poucos dias para a morte de Jesus, e
o ato de Maria era uma preparação para esse momento. Ela foi agraciada pelo
Senhor com uma revelação, para que O servisse com o seu melhor naquele
ponto tão difícil do ministério do Cristo.
A unção era o primeiro passo do embalsamento (cf. João 19.39). Sabendo
ou não, Maria estava ungindo o corpo de Jesus para esse momento de
sofrimento, enquanto Ele ainda estava vivo. Que coisa grandiosa! Eu creio
que, à medida que Cristo passava pela via dolorosa, levando sobre si os nossos
pecados, aquele perfume se espalhava por toda a parte. Enquanto Ele estava na
cruz, o cheiro da adoração de Maria estava lá.
FRUTO DO ESPÍRITO
O amor é a virtude do fruto do Espírito que se destaca na vida de
Maria. Essa mulher entregou aquilo que era mais valioso para
expressar o tamanho de sua devoção ao seu amigo Jesus. Ela correu
riscos por isso! Foi julgada, certamente tratada como inconveniente,
mas não permitiu que isso a impedisse. O amor a Jesus, assim como
sua gratidão diante do milagre operado na vida de Lázaro, prevaleceu,
e todos tiveram de contemplar a adoração extravagante daquela
mulher.
O PODER DA ADORAÇÃO
O ato de Maria foi uma expressão de profunda adoração e devoção ao seu
Senhor. Adorar a Deus é uma das coisas mais poderosas que o ser humano
pode fazer, por isso mesmo o Inimigo busca constantemente roubar essa
atitude de nós. Diante do próprio Jesus, ele disse:
Depois, o diabo o levou a um monte muito alto e mostrou-lhe todos os reinos do mundo e o seu
esplendor. E lhe disse: “Tudo isto lhe darei, se você se prostrar e me adorar”. Jesus lhe disse: “Retire-se,
Satanás! Pois está escrito: ‘Adore o Senhor, o seu Deus e só a ele preste culto’”. (Mateus 4.8-10)
A importância da adoração é tão grande que, embora todos os povos
procurem, de alguma forma, deuses, lemos na Bíblia que a única classe de
pessoas que o próprio Deus procura é esta: a dos verdadeiros adoradores, que
adoram o Pai em espírito e em verdade (cf. João 4.23). Parece claro para mim
que Maria entendia isso. Ela era uma mulher sensível à voz de Deus, e não se
preocupou com a oposição ou com a opinião alheia a respeito dela. A�nal,
sempre que uma adoradora se levanta, há oposição. Mulher, nem todos
entenderão o seu gesto — assim como Judas, carregado de inveja, não
entendeu o dela, mas o Senhor sabia de sua real motivação, e isso era tudo o
que importava.
Eu nasci em uma família de adoradores. Meu pai doou sua vida ao Reino,
amava fazer a obra de Deus com todo o seu coração. Minha mãe era também
uma grande adoradora, o amor era a sua marca. Mas eu me lembro,
especialmente, de como minha avó, Nery Leal, era um exemplo de vida de
adoração para mim. Quantas vezes ela dormia em minha casa, e eu podia ouvir
suas orações do quarto. Em alta voz, ela declarava: “Deus de Abraão, Deus de
Isaque, Deus de Jacó, eu declaro sobre a minha geração que todos eles entrarão
no Céu comigo!”.
Era tão lindo ouvi-la! Em qualquer que fosse a circunstância, ela se
ajoelhava para orar pelo menos três vezes ao dia. Mesmo que minha casa
estivesse cheia, como era um costume, ela sempre encontrava um cantinho
para falar com o Pai. Toda oração precisa começar com adoração, e assim ela o
fazia. Declarava que o Senhor é grande, maravilhoso, glorioso, poderoso!
O PREÇO DA ADORAÇÃO
Toda adoração tem um preço. Servir a Deus com aquilo que nos sobra — o
tempo, o recurso, o talento — é muito confortável, mas não é o que o Pai
espera de nós. O amor de Maria por Jesus era tão grande, assim como sua
gratidão, que ela se moveu em um ato de adoração extravagante, derramando
sobre o Mestre algo tão valioso, que poderia garantir seu sustento por um
bom tempo. E esse é o padrão do Reino. Onde houver uma adoradora, haverá
uma entrega de excelência, pois ela dará sempre o que possuir de melhor. Ela
entende que sua maior riqueza não é material, mas, sim, eterna!
Mulheres realmente gratas ao Senhor desejarão dar a Ele a honra, a glória,
o louvor e a majestade. Faça como Maria, que demonstrou seu amor a Jesus de
maneira extravagante, criativa e desembaraçada! Jesus merece o seu melhor!
Quer ser adoradora? Viva a lei do desapego. Tenha como se não tivesse.
Lembre-se, o tempo todo, de que nada é seu, tudo que temos vem de Deus!
Um dos primeiros testes de uma adoradora será justamente a capacidade de se
desapegar das coisas desta vida. Por isso, Jesus a�rmou:
Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu �lho ou sua
�lha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno
de mim. Quem acha a sua vida a perderá, e quem perde a sua vida por minha causa a encontrará.
(Mateus 10.37-39)
O primeiro lugar da sua vida não pode ser ocupado por nada além de Deus.
Nem seus �lhos, nem seus pais, nem seu marido podem ocupar esse lugar.
Quando penso, nesse sentido, no que é servir em adoração, com excelência,
lembro-me de minha tia Tânia. Por muitos anos, ela esperou por uma vitória
na justiça, da qual muitos duvidavam. Enquanto aguardava, ela permanecia
dedicada à obra do Senhor, tinha um grande zelo pela igreja, limpava os
bancos, organizava tudo, crendo que Deus cuidaria de cada detalhe. Depois de
muitos anos, quando aquela vitória parecia impossível, a justiça foi favorável,
e ela pôde usufruir do que era seu por direito, vivendo com tranquilidade. Ela
tratou a obra como prioridade, entregou seu melhor em algo que muitos
consideravam inferior, e por isso viveu o melhor de Deus!
AS PERGUNTAS MAIS IMPORTANTES
Maria de Betânia estava servindo:
 A quem?
 Por quê?
 Com que intenção?
 O que isso nos ensina?
ADORAÇÃO E FÉ
Porém, para conseguir caminhar com essa perspectiva, você precisará ser
uma mulher de fé. Esse é um elemento fundamental para uma vida de
adoração. Você se lembra da primeira vez que há uma menção à adoração na
Bíblia?
Disse ele a seus servos: “Fiquem aqui com o jumento enquanto eu e o rapaz vamos até lá. Depois de
adorarmos, voltaremos”. (Gênesis 22.5 – grifo nosso)
Você certamente conhece a história de Abraão. Deus faz uma promessa a
ele, de que teria um �lho e seria pai de multidões (cf. Gênesis 17). Após uma
longa jornada, que culmina com o nascimento de Isaque, o Senhor pede a ele
que entregue seu �lho em sacrifício (cf. Gênesis 22). É nesse contexto de
provação da fé que a palavra “adorar” aparece pela primeira vez nas Escrituras.
Perceba o tamanho da fé do patriarca. Ele estava a caminho do monte para
obedecer a Deus, sacri�cando seu �lho amado, o �lho da promessa, seu
Isaque… Ainda assim, manteve-se como um adorador. Pela fé, ele continuou
caminhando, mesmo que seu coração estivesse a�ito, e creu que o Senhor
poderia intervir — como, de fato, aconteceu.
A Bíblia nos mostra ainda outra característica importante na vida do pai da
fé.
Em nenhum momento a fé de Abraão na promessa de Deus vacilou. Na verdade, ela se fortaleceu e,
com isso, ele deu glória a Deus. (Romanos 4.20 – grifo nosso)
Assim como Abraão, eu e você precisamos fortalecer nossa fé. Como
adoradoras, nossa conduta é servir dando glória a Deus. Glória a Deus quando
acordamos, glória a Deus quando vamos dormir, glória a Deus dia e noite!
Minha mãe era um exemplo nisso. Eu a via dando glória a Deus ao cuidar de
crianças e ao cozinhar, quando chegavam visitas inesperadas e quando
aconselhava pessoas. Precisamos admitir isto. Dar glória a Deus na igreja é
confortável, agradável, cômodo. Mas se lembrar de glori�car o Senhor em
nosso cotidiano, nas demandas mais triviais, não é fácil. Mulher, ajuste seu
olhar, ignore as críticas e as vozes que querem paralisar a sua missão, e honre
o Senhor com o seu melhor, espalhando o perfume da sua adoração por onde
você passar. Lembre-se de que a adoração e a gratidão de Maria a tornaram
inesquecível.
Eu lhes asseguro que onde quer que este evangelho for anunciado, em todo o mundo, tambémo que
ela fez será contado, em sua memória. (Mateus 26.13)
MINHA ORAÇÃO
Senhor Jesus,
És o amado da minha alma!
Não consigo mais viver sem a Tua presença.
Eu Te adoro, exalto, glori�co a Tua majestade e a beleza da Tua santidade.
Recebe minha adoração!! Que ela chegue diante de Ti como um perfume suave e
agradável.
Sou eternamente grata por Teu amor, bondade e misericórdia, que se renovam
todas as manhãs em meu favor.
Em nome de Jesus, amém!
S
As mulheres que marcaram minha vida
ou grata a Deus, e me sinto agraciada por Ele, por ter me concedido
o grande privilégio de ter como referência de amor e serviço ao Reino
duas grandes mulheres que marcaram a minha trajetória de vida. É
claro que tive e tenho outros exemplos, mas minha mãe — a irmã Maria Leal
Santos — e minha sogra — a Pastora Albertina Lima Malafaia — foram e são
minhas maiores referências. Por meio de sua vida e exemplo, ensinaram-me
muito e são responsáveis por boa parte do que sou hoje.
Minha mãe já dorme no Senhor, enquanto minha sogra está viva, com 93
anos, e até hoje tem sido uma mulher cheia de sonhos e amor pelo Reino de
Deus. Sempre que estamos juntas, ela tem prazer em falar sobre o seu amor ao
Rei e ao Reino.
A PASTORA ALBERTINA
Minha amada sogra, Pastora Albertina Malafaia, surpreende-me até hoje
com o seu amor pelo Reino de Deus. É uma mulher que ama a sua família, a
igreja, e sempre prioriza o Reino. Ela é mãe de cinco �lhos, avó de dezesseis
netos, vinte bisnetos e uma tataraneta.
Algo que sempre admirei é a sua constante dedicação na área da educação
cristã. Ela soube administrar os seus vários papéis e funções, exercendo-os
com muita sabedoria, amor, discernimento espiritual, empenho e alegria no
serviço a Deus.
Em 1960, junto ao seu esposo — meu saudoso sogro, Pastor Gilberto
Malafaia — e ao Pastor Lauwence Olson, fundou o Instituto Bíblico
Pentecostal, onde lecionou por mais de 40 anos. Serviu também,
diligentemente, na igreja Assembleia de Deus de Jacarepaguá (RJ), ao lado do
Pastor Gilberto Malafaia, por mais de 40 anos, e manteve-se sempre ativa —
principalmente no departamento infantil.
AMOR PELAS CRIANÇAS
Minha sogra também fazia questão de ser sempre atuante em cantatas de
Natal — e como ela amava fazer isso! Eu admirava sua disposição em produzir
as roupas dos personagens, ensaiar as peças de teatro. Com sua criatividade
singular, a cada ano ela inovava com apresentações especiais e diferentes. Com
amor, dedicava-se durante um bom tempo, mantendo-se sempre pronta e
ativa no seu serviço a Deus.
Curiosamente, quando eu tinha apenas seis anos de idade, participei de
uma peça de Natal que ela dirigiu. Meu personagem foi o anjo Gabriel,
anunciando que Maria seria mãe do Salvador. Como eu era tímida! Ainda
assim, não me esqueço de como ela me incentivou, ajudou-me a decorar o
texto, e repetiu para mim a cada ensaio: “Vai, você consegue!”.
Sim, ela exalava paixão pelo Reino, especialmente pelas crianças, e sabia
encorajar os pequeninos como ninguém! Estava sempre com um sorriso no
rosto, e animada para inovar na área da educação religiosa.
Eu sempre admirei sua disposição, disciplina, foco, empenho e dedicação,
mesmo diante das di�culdades. E até hoje, no auge de seus 93 anos, sempre
que nos encontramos, ela tem algo novo, uma ideia, um projeto. Como sua
mente é produtiva e voltada para a educação e o estudo da Palavra de Deus!
UMA EDUCADORA
Aprendi muito com minha sogra sobre como administrar bem todos os
papéis da vida de uma mulher cristã, e hoje nós, familiares, vemos os frutos do
seu serviço de amor ao Reino de Deus. Sua preocupação com o estudo da
Palavra fez com que ela sempre estivesse pronta para servir às pessoas com
instruções sábias acerca da Bíblia.
Minha sogra é uma educadora nata! Fui, inclusive, sua aluna no curso do
CAPED (curso de aperfeiçoamento de professores da escola dominical). Ela
sempre foi, para mim, um grande exemplo de dedicação, coragem e esforço na
proclamação do Evangelho. Aprendi e ainda aprendo muito com sua vida e
suas experiências. Inclusive, foi por meio das suas cativantes aulas de
Psicologia no seminário — as quais eu e os demais alunos amávamos — que
passei a me interessar pelo curso.
Seu interesse pelo conhecimento nunca parou de me surpreender. Estava
sempre começando um curso novo e, depois, aplicando o que aprendia ali,
investindo o conhecimento no crescimento do Reino de Deus. Um exemplo
disso foi a pós-graduação em Terapia Familiar que �zemos juntas. Que honra!
Até hoje, em algumas igrejas por onde passo, encontro pessoas que foram
suas alunas, e todas falam o quanto foram abençoadas pelas aulas ministradas
pela ilustre Professora Albertina.
Admiro ainda o amor, a coragem, disciplina, dedicação e disposição que
teve ao quebrar paradigmas — principalmente por atuar em uma época em
que pouquíssimas mulheres usavam o púlpito. Quantas vezes tive o prazer de
ouvi-la contar as experiências pelas quais passou pelo Brasil afora, enquanto
dava várias palestras e cursos na preparação de professores da Escola Bíblica
Dominical! Seu amor em servir ao Reino era tão grande que não media
esforços, e mantinha-se alegre e animada, mesmo quando as viagens eram a
lugares de difícil acesso, levando-a a enfrentar horas e horas de viagens de
ônibus pelo interior do Brasil.
Fato é que a Pastora Albertina e seus companheiros educadores — como
Pastor Gilberto Malafaia, Pastor Antônio Gilberto, irmã Helena, e outros —
deixaram um grande legado na educação religiosa no Brasil.
A IRMÃ MARIA
Minha mãe, a irmã Maria, foi um grande exemplo de mulher temente a
Deus, uma esposa amorosa, carinhosa, e uma forte auxiliadora no ministério
do meu pai. Uma mãe que se dedicava a cuidar dos �lhos e ainda dava conta de
ajudar a outros irmãos que precisavam de socorro. Era uma exímia
conselheira, sempre disponível para servir ao Reino, abençoando cada vida
que passava por nossa casa.
Nesse sentido, há uma grande virtude que sempre admirei em minha mãe:
o seu autocontrole. Além de ser equilibrada emocionalmente, possuía
maturidade espiritual e uma sabedoria de vida incrível — a�nal, criou onze
�lhos, fora os adotivos que chegavam à nossa casa e aqueles que moraram
conosco. Como meu pai sempre gostou de morar ao lado da igreja, na casa
pastoral, nosso lar vivia cheio, e havia movimento o tempo todo. Hoje, nossa
família é bem numerosa. Dona Maria teve seis noras, cinco genros, vinte e seis
netos e trinta e quatro bisnetos. Mas vamos voltar um pouco mais nessa
história…
QUANDO TUDO COMEÇOU
Minha mãe se casou ainda muito jovem, aos dezesseis anos. Pouco tempo
após o casamento, meu pai foi consagrado a pastor da Assembleia de Deus, e
logo foi enviado para a cidade de Carangola (MG). A igreja começou na sala
de sua casa! Imagine o quão desa�ador foi para ela. Mesmo assim, sempre que
contava suas histórias de como começou, ao lado do meu pai, a servir no
ministério, minha mãe tinha um sorriso no rosto, e seus relatos eram cheios
de alegria, deixando claro como aqueles foram bons tempos.
Ela falava com amor sobre como andavam quilômetros a pé para irem a um
culto, e sobre as visitas que faziam aos irmãos da congregação. Ela contava
que, às vezes, quando iam visitar outras igrejas mais distantes, precisava tirar
seus sapatos e andar um bom percurso descalça para não gastar a sola — pois
só tinha um par. Ao chegar ao seu destino, lavava os pés e colocava o calçado.
Eu me lembro bem de ouvir do meu pai que uma das maiores alegrias da
vida deles foi quando ganharam uma bicicleta. Assim, poderiam deixar de
andar grandes distâncias a pé.
São muitas histórias inspiradoras, e todas elas me lembram de que minha
mãe foi uma mulher que, desde cedo, entendeu o seu propósito e o chamado
de Deus em sua vida. Quando tinha apenas oito anos de idade, entregou sua
vida a Jesus, a convite de sua tia Alice. A partir daquele dia, ela soube que o Pai
tinha algo especí�co para sua existência, e foi por meio dela que toda a sua
família veio para Cristo! Ela tinha prazer de servir a Deus, à suafamília e à
Igreja, com alegria, amor, entusiasmo e dedicação.
Certa vez, meu amado pai — que era �lho único — nos contou que, antes
de se casar, falou para ela que queria ter dez �lhos, e quando foi pedir minha
mãe em casamento repetiu esse desejo. Na mesma hora, segundo ele, minha
mãe aceitou, e ainda disse: “Sem problema!”.
Esse relato reforça outro motivo de minha grande admiração: meus pais
nunca viram os �lhos como um peso. Pelo contrário! Minha mãe amava
crianças. Lembro-me de um dia em que meu pai apenas comentou com ela:
“Se você pudesse, teria mais �lhos!”
Ela sorriu.
Então, como Deus é bom e sempre acrescenta mais, aos 43 anos minha mãe
teve o décimo primeiro �lho. Isso mesmo! Fechou o time, com onze!
HOSPITALIDADE
Era muito interessante observar como minha mãe tinha facilidade em se
relacionar bem com os vizinhos e os irmãos, onde quer que estivesse. Meus
pais deixaram vários amigos lá em Carangola, onde ele pastoreou por onze
anos, fundando a Assembleia de Deus local que existe até hoje. Quando esses
amigos vinham ao Rio de Janeiro, faziam questão de passar em nossa casa para
vê-los, e minha mãe recebia cada convidado com satisfação. O dom da
hospitalidade era nítido em sua vida, e sua capacidade de doação era admirável
— algo que não é tão comum nos dias de hoje.
A irmã Maria serviu à igreja ao lado do meu pai durante 59 anos — o que
inclui o período em que ele esteve à frente da Igreja da Penha (hoje,
Assembleia de Deus Vitória em Cristo). Tenho memórias muito vivas da
minha adolescência, aos domingos, em conferências ou programações
especiais da igreja, da alegria da minha mãe em receber e servir aos irmãos.
Sempre com disposição. Sempre pronta para servir.
O seu amor em servir às pessoas era tão especial e nítido, que muitos
irmãos gostavam de fazer visitas lá em casa, nem que fosse apenas para
conversar, aconselhar-se ou tomar um café. Aos domingos, principalmente, a
casa era uma grande festa, porque os �lhos, netos, genros e noras estavam lá. E
quando alguém faltava, ela se preocupava e fazia questão de perguntar o
porquê de não ter ido.
Havia ainda algo especial que sempre admirei no que se refere ao prazer em
servir de minha mãe: ela não fazia acepção de pessoas. Por isso, eu pude ver
vários milagres na vida de incontáveis irmãos que frequentavam a casa. Vi
algumas mulheres com problemas mentais serem curadas, meninas
adolescentes serem abençoadas por meio do cuidado e da atenção da minha
mãe.
Além de servir sempre um cafezinho e um pastel, que ela amava fazer, sua
alegria era dedicar tempo para conversar com os irmãos. Como tinha muitos
afazeres e não conseguia estar todos os dias na igreja, alguns costumavam ir
até ela, apenas para ouvir bons conselhos.
EQUILIBRANDO TODOS OS PAPÉIS
Eu entendi algo com clareza em sua vida: o púlpito da minha mãe foi a
sua casa, principalmente a sua cozinha. Ela exerceu um grande ministério,
servindo a todos com o seu melhor, e o mais importante, nunca a vi
reclamando por ter de servir às pessoas. Ela nunca se sentiu inferior enquanto
se doava ao próximo. Pelo contrário! Estava sempre pronta para doar algo que
alguém precisasse, e, algumas vezes, deixava de comer o que gostava para dar a
outras pessoas que estavam em sua casa.
Se tem um milagre que cresci vendo acontecer na minha casa, foi o da
multiplicação. Seja do arroz, do macarrão, do frango… Principalmente aos
domingos, quando, como eu disse, vários irmãos chegavam sem aviso prévio.
Isso acontecia porque, além de tudo, minha mãe tinha uma mão abençoada!
Quando pensávamos que iria faltar, sempre sobrava. Com certeza ela
preparava tudo em oração, crendo no poder da multiplicação.
Esse seu prazer em servir e a sua hospitalidade marcaram a vida de muitos
membros da igreja e até mesmo de vizinhos. Por onde meus pais passaram,
exalaram o bom perfume de Cristo. Minha mãe marcou a vida de muitas
pessoas, por vezes com sua simplicidade em gestos de amor, carinho e
dedicação ao servir ao Reino de Deus com excelência. Ela sabia cativar as
pessoas com seu sorriso e sua plena atenção.
SERVINDO EM TODAS AS ESTAÇÕES
Quando os �lhos cresceram, minha mãe passou a ter mais tempo para
servir ao Reino fora de casa e começou a fazer visitas aos irmãos mais idosos e
a alguns que estavam afastados da igreja. Todas as quintas-feiras, ela saía com
um grupo de irmãs para fazer visitas.
Assim que comecei a dirigir, passei a ir com elas, e lembro-me de como fui
abençoada e cresci espiritualmente ao ouvir as histórias de vida dos irmãos e
ver o poder do Espírito Santo, que agia por meio do simples fato de irmos à
casa de uma pessoa orar e levar uma palavra da parte de Deus.
Ela conseguia alcançar o coração das pessoas, com seu prazer em servir ao
Senhor. Era uma excelente ouvinte. Tinha um coração perdoador e nunca se
envolvia em confusão, ao contrário, era uma grande paci�cadora — com um
espírito amoroso, terno, gentil e humilde.
Foi uma grande serva de Deus e nos deixou um enorme legado de amor ao
Senhor e ao Seu Reino!
Como eu fui agraciada por Deus ao ser �lha da irmã Maria…
Portanto, é motivo de muita gratidão ter tido a honra de aprender com
essas duas mentoras especiais, que desenvolveram papéis e funções especí�cas
no Reino de Deus, cada uma com sua singularidade. Elas desenvolveram os
seus talentos com amor, fé, alegria, graça, sabedoria, unção e autoridade do
Pai, cumprindo o ide de Jesus e investindo no Reino que nunca terá �m.
Declaração da mulher agraciada
Eu sou uma mulher agraciada. Sou o foco do amor de Deus, e mesmo antes
da fundação do mundo eu já fui o alvo de Sua atenção.
Fui agraciada pelo Espírito Santo com amor, alegria, paz, paciência,
amabilidade, bondade, �delidade, mansidão e domínio próprio.
Independentemente das circunstâncias e dos desa�os que eu viva, eu sei
que sou amada, e que fui escolhida para deixar um legado da graça de Deus
nesta terra por onde eu passar.
Eu sou uma mulher de fé, e por isso serei capaz de ver o invisível, crer no
incrível e receber o impossível.
Consigo enxergar a beleza do servir a Deus e ao próximo, e não serei
enganada pelo inimigo para desvalorizar aquilo que o Senhor con�ou a mim.
A marca do amor do Criador está em todo o meu ser, e eu fui favorecida
com os atributos necessários para cumprir minha missão neste mundo, para o
louvor da glória de Deus!
Chegou a minha vez! Eu me alegrarei, pois sou agraciada. O Senhor está
comigo!
Disponível também no formato ebook
https://linklist.bio/devocionaldamulhervitoriosa4
	Folha de Rosto
	Página de Créditos
	Agradecimentos
	Sumário
	PREFÁCIO
	ENTENDENDO MELHOR ESTE LIVRO
	INTRODUÇÃO
	CAPÍTULO 1 MARIA, MÃE DE JESUS
	CAPÍTULO 2 MULHER SAMARITANA
	CAPÍTULO 3 ISABEL
	CAPÍTULO 4 ANA, A PROFETISA
	CAPÍTULO 5 PRISCILA
	CAPÍTULO 6 MARIA DE BETÂNIA
	CAPÍTULO 7 AS MULHERES QUE MARCARAM MINHA VIDA

Mais conteúdos dessa disciplina