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APRENDER COMO AUTOR
Aprendizagem é o exercício permanente de Autoria, expectativa que se avivou ainda mais nos últimos tempos com as constantes transformações oriundas do processo de modernização e inclusive da tecnologia e seus avanços. Estas transformações, por sua vez, não vieram a inventar, criar novas teorias da aprendizagem, mas sim reconfiguram constantemente como sendo palcos de autoria individual e coletiva, enfatizando as diferenças entre a aprendizagem intrínseca e a aprendizagem onde há a promoção da autonomia do estudante capaz de autodirecionar seu estudo sob orientação docente.
Voltando o foco da aprendizagem e o que vem a ser o sentido real de aprender, Paulo Freire aborda que aprender é um ato dialógico, em que professor e aluno caminham juntos, descobrem juntos e aprendem juntos, ou seja, ela deve ser democrática e dialógica. Não significa o desprezo pelo conteúdo, e sim não ensinar o conteúdo apenas pelo conteúdo. 
O ato de aprender envolve a construção e a reconstrução constante do objeto de conhecimento, num movimento que considera a experiência, a autonomia, a reflexão, o diálogo, a construção coletiva, a criatividade e a abertura ao novo.
Se faz importante abordarmos sobre a questão de dois tipos de autoria: a emocional e a intelectual, onde, autoria emocional significa a capacidade de conduzir, até onde possível, a vida sentimental, a convivência social, o desenvolvimento como ser humano no plano emocional, a arquitetura dos valores existenciais abertos e solidários. 
A autoria intelectual abrange a competência de produzir e utilizar conhecimentos cientificamente adequados, bem como outros conhecimentos importantes para a condição humana, participar do projeto científico da sociedade em que se vive de forma crítica e autocrítica, para continuar aprendendo sempre.
Não percebemos bem as diferenças entre as duas autorias supracitadas porque vivemos em uma realidade onde nossa percepção é ainda mais ampla quanto ao mundo a nossa volta. Voltando esse contexto supracitado ao contexto escolar e sobre como os alunos devem ser vistos em seu processo de aprendizado, 
Pedro Demo traz em seu ponto de vista sobre aprender como autor, que o professor deve levar em consideração as mais diversas formas de ensino e aprendizagem dentro do contexto científico. O mesmo aborda também que aprender de forma a aliar a ciência a aprendizagem tem como uma das grandes atividades formar professores, ação estratégica e importante para melhoria do ensino, e defendeu a ideia de aprender como autor focada na pesquisa, onde se cultiva a essência do aluno pesquisar, não somente para fazer ciência, como também para aprender. 
O que ele chama de “educação científica”. Destacou ainda que aprendizagem, a qual deve ser desenvolvida pelo estudante e conduzi-lo à autoria, só se resolve com atividades de aprendizagem, entre elas, ler, escrever, elaborar, pesquisar, fundamentar e discutir. 
Avaliando o que o estudante produz, podemos conhecê-lo mais intensa e interiormente, anotando virtudes e falhas que podemos, a seguir, trabalhar, com o sentido de assegurar a cada qual o direito de aprender como autor. A meta maior é fazer de cada estudante um autor, cientista, pesquisador, porque os tempos assim pedem, não só por questão de mercado, mas sobretudo por questão de formação integral. 
Esta, como consta na BNCC, carece adotar, para além do burilamento do intelecto ou da razão, o desenvolvimento socioemocional, levando a escola a aceitar-se como casa de cuidado igualmente. A escola, então, se responsabiliza tanto pelo desenvolvimento científico e intelectual do estudante, quanto por sua qualidade de vida, sem separar os desafios: o melhor modo de os curtir, é integrar. 
Falar em aprendizagem nos remete também a reflexões sobre as Teorias da Aprendizagem e voltarmos nossas reflexões quanto ao quão importante elas se sintetizam na autoria também, pois estas de alguma forma dão embasamento teórico e prático para a compreensão da aprendizagem, seja por parte de professores, seja por parte de alunos. As teorias da aprendizagem são uma área da psicologia e da pedagogia que estuda o processo de aprender. São várias as teorias da aprendizagem, como: Gestalt, Behaviorismo, Construtivismo e Aprendizagem Significativa (uma das teorias decorrentes do Construtivismo).
É importante salientarmos que a aprendizagem não condiz apenas de um processo de aquisição de conhecimento, mas também de troca do mesmo e tem como percepção diferenciada entre autores teóricos que abordam quanto a aprendizagem em seus amplos contextos significativos, como podemos citar os teóricos da teoria da aprendizagem em relação Teoria Behaviorista ou Comportamental: Ivan Pavlov; John Watson; Edward Thorndike; B.F. Skinner; Bruner; Albert Bandura; Robert Gagne; David Ausubel; Jean Piaget. Com relação a Teoria Sócio-cultural: Lev Vigotsky; Teoria Humanista: Carl Rogers; Teorias das Inteligências Múltiplas: Howard Gardner.
As teorias da aprendizagem são uma área da psicologia e da pedagogia que estuda o processo de aprender. São várias as teorias da aprendizagem, como: Gestalt, Behaviorismo, Construtivismo e Aprendizagem Significativa (uma das teorias decorrentes do Construtivismo). Para a teoria Cognitiva ou Gestalt a aprendizagem é um processo através do qual uma pessoa adquire novos insights, estruturas cognitivas ou mudança em antigas estruturas. 
A aprendizagem ocorre quando o indivíduo busca em seus conhecimentos antigos suportes para aprender novos conhecimentos que passam gerar mudanças na estrutura cognitiva existente ou desenvolve novas estruturas. De acordo com a Teoria de Piaget, o conhecimento é resultado de interações entre o sujeito e o objeto e pela assimilação dos objetos aos esquemas do indivíduo - O conhecimento, além de ser construído pela associação entre objeto, é também dado pela assimilação dos objetos aos esquemas do indivíduo. 
Para Bruner, a aprendizagem mais significativa é a desenvolvida por métodos de descoberta orientada, que implicam proporcionar aos estudantes oportunidades de manipulação de objetos em forma ativa para transformá-los pela ação direta, assim como por atividades que os animem a procurar, explorar, analisar ou processar, de alguma outra maneira, a informação que recebem, em vez de somente respondê-la.
Já para David Ausubel, o principal objetivo no processo de ensino é que a aprendizagem obtida seja significativa. Ausubel destaca que, ao se aprender o significado de uma proposição verbal, por exemplo, aprendemos primeiramente o significado de cada um dos termos componentes. Esse tipo de aprendizagem pode atingir formas mais complexas de aprendizagem significativa. Nesse caso, a tarefa é aprender o significado que está além da soma dos significados das palavras e dos conceitos que compõem a proposição.
Criados por Joseph D. Novak, os mapas conceituais baseiam-se na teoria construtivista de Piaget e na aprendizagem significativa de Ausubel e representam relações significativas entre os conceitos na forma de proposições. - É um recurso de representação esquemática, semelhantes a diagramas, através de uma estrutura bidimensional de proposições, de significados conceptuais. Para Gagné a aprendizagem é um processo (interno) visível de mudança nas capacidades do indivíduo e ocorre principalmente na interação do sujeito com seu meio (físico, social, psicológico).
Segundo Albert Bandura, a aprendizagem por imitação e observação: - O aluno adquire e modifica pautas complexas de ação social, mecanismos cognitivos, regras abstratas, conceitos, estratégias de seleção e processamento de informação, capacidade de elaborar predições ou expectativas, sistemas de auto-regulação, auto-avaliação e auto-recompensa.
Os diversos autores organizam em suas teorias de aprendizagem que tentam explicar as formas com as quais os sujeitos disponibilizam o conhecimento da realidade e dos conteúdos da escola; As diferentes teorias: auxiliam aos professores na organizaçãodos recursos escolares para que a aprendizagem seja eficaz, eficiente e efetiva em nosso ambiente escolar. Escolas e sala de aula: processos de cognição que envolvem os conteúdos e as formas psíquicas de conhecimento da realidade do mundo.
A autoria é então um termo que podemos citar como sendo algo histórico. A autoria está relacionada também a autonomia, a libertação do aprendizado em seus diversos contextos. As atividades exercidas com os alunos devem levar em consideração não apenas questões comportamentais que levam eles ao entendimento das atividades a serem executadas, mas também devem ser considerados os diferentes níveis de entendimento e autonomia destes para a realização das atividades propostas. 
É válido ressaltarmos que o professor é peça fundamental nesse processo, pois se o professor não souber como orientar e ensinar seus alunos das mais diversas formas e utilizando-se dos mais amplos contextos educacionais, a aprendizagem pode não alcançar os objetivos que de fato lhes pressupõe.
Ressaltamos inclusive que os alunos devem possuir autonomia. Frente a esse sentido, Paulo Freire cita a questão da opressão, onde o professor deve atentar-se também ao fato de que em determinados momentos, os alunos deverão expressar seus pensamentos e libertar suas ideias, enfatizando que estes devem possuir a sua própria autoria enquanto meio de aquisição e construção de conhecimento. Segundo Freire, a maior opressão possível é ter o destino preso às mãos dos outros, porque implica esperar do opressor a libertação. Enquanto isso ocorrer, não haverá emancipação. 
Esta se torna possível se o oprimido, num gesto de crítica autocrítica, descobrir que, se solução houver, depende de sua autoria, acima de tudo. Precisa da ajuda de todos, mas a melhor ajuda será aquela que, de tão bem feita, se anula, ou seja, aquela que transforma o ajudado em autor. Autoria não deve virar modismo. Mas é referência das mais elegantes do que esperamos de um estudante, em especial de um professor.
O importante é abrir condições para o desenvolvimento da autoria de cada estudante, estudando cooperativamente. O aluno é a razão de ser da escola; por isso não pode sair do centro. Mas o professor não é periférico. Após analisar e refletir quanto ao fato da autoria, é importante abordarmos quanto a mudanças no meio de realizar as atividades em sala de aula. É preciso que o professor saia da rotina e instigue os alunos a despertarem seu conhecimento.
Mudar isso implica rever a formação e condição docente por completo, em todos os sentidos (pedagógica e socioeconomicamente), solicitando do professor que seja autor, cientista, pesquisador. Nenhuma teoria, sozinha, responde a tudo; todas são importantes e insuficientes. Ao final, é o professor que precisa ter qualidade suficiente para decidir seu estilo de cuidado que vai ter com os estudantes na escola.
Certamente, escola é fenômeno muito complexo, que não podemos linearizar em dimensões simplórias. Muitos fatores interferem, como o neoliberalismo, governos ineptos ou frontalmente destrutivos, politicagens atávicas, conservadorismos de muitos tipos etc., que precisamos sempre levar em conta. Mas, como mostram municípios do Ceará que conseguem Ideb muito elevado.
Nossos sistemas educacionais, porém, tendem a privilegiar o ensino, oferecendo aos alunos atalhos, encurtamentos, fórmulas prontas, ao invés de atividades autorais de aprendizagem. Sem professores autores, não haverá alunos autores.

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