Prévia do material em texto
Prezado (a) leitor (a), Nós nos sentimos honrados e alegres pelo privilégio de chegarmos até você, por meio dos Estudos Bíblicos DIDAQUÊ. Durante todos esses anos de caminhada, temos nos esforçado em oferecer à igreja evangélica brasileira uma opção diferenciada em termos de estudos bíblicos para a Escola Dominical. É com base nesse propósito que fazemos chegar às suas mãos mais um exemplar de nossas publicações. A produção editorial da DIDAQUÊ tem marcas já consolidadas, a saber: Reflexões produzidas por pastores que vivem o dia a dia das comunidades, exercendo o pastorado e conhecendo, por dentro, as necessidades e desafios da igreja; Linha teológica genuinamente reformada; Temas relevantes para a igreja dos nossos dias, abordados de forma contextualizada; Profundidade bíblica, equilibrada com a exposição em linguagem simples e acessível a todas as pessoas; Penetração nas mais diferentes denominações evangélicas do Brasil; Qualidade editorial e preços atraentes e compensadores. Consciente de sua responsabilidade, a DIDAQUÊ reafirma o seu compromisso de dar continuidade à sua relevante e reconhecida contribuição à educação cristã em nosso país, procurando sempre fazer o melhor. Conte conosco! Enildes R. Queiroz Andrade Gerente Comercial ENCONTROS COM JESUS A experiência de personagens do Novo Testamento impactados pelo encontro com Jesus Os Evangelhos relatam inúmeros episódios acerca do fascínio exercido por Jesus naqueles que se aproximaram dele. Ele sempre esteve rodeado de multidões. De alguma forma, todos foram impactados pela presença do Mestre. Desde o seu nascimento até à sua morte, atraiu a si as mais diferentes pessoas, sendo alvo de controvérsias: foi amado e odiado, aclamado e rejeitado, defendido e condenado. Uma coisa, porém, é certa: todos aqueles que se encontraram com Jesus nunca mais foram os mesmos! Alguns tiveram o privilégio de experimentar o seu poder e graça, sendo libertados, curados, alimentados e transformados. Outros tiveram ainda um privilégio incomparavelmente mais sublime: ser escolhidos para desenvolver juntamente com ele a sua missão. Os encontros entre Jesus e as mais diferentes pessoas, nas mais diversas circunstâncias, estão repletos de lições. São lições que irradiam a beleza e a sublimidade do encontro com Cristo! De fato, o encontro com Jesus produz um profundo impacto na vida das pessoas, gerando transformações que se tornam evidentes. Na condição de homens e mulheres encontrados por Jesus, precisamos evidenciar a todo tempo o que ele fez em nossas vidas. É impossível, após o encontro com Jesus, permanecer a mesma pessoa. Ao buscarmos as cenas dos encontros de Jesus narrados nos Evangelhos, com certeza, descobrimos ricas e preciosas lições, as quais inspiram e nos desafiam a expressar o que ele fez em nossas vidas. Este é o primeiro volume da Série ENSINOS DE JESUS. Rev. Eneziel Peixoto de Andrade Editor ÍNDICE 01. O encontro com os Magos do Oriente 02. O encontro com Filipe e Natanael 03. O encontro com os Pescadores 04. O encontro com os Discípulos numa caminhada 05. O encontro com os Discípulos no Mar 06. O encontro com uma Pecadora 07. O encontro com as Crianças 08. O encontro com Maria e Marta 09. O encontro com os Adoradores na entrada triunfal em Jerusalém 10. O encontro com Jerusalém por ocasião da Páscoa 11. O encontro com os Discípulos na celebração da Páscoa 12. O encontro com os Malfeitores na Cruz 13. O encontro com Tomé após a Ressurreição 01 – O encontro com os Magos do Oriente Mateus 2.1 a 12 LEITURA DIÁRIA Segunda: Levítico 23 Terça: I Crônicas 29.10-22 Quarta: Salmo 148 Quinta: Isaías 12 Sexta: Daniel 3 Sábado: Lucas 2.36-38 Domingo: Romanos 11.33-36 Joseph P. Dulany disse que “o mais rude dos cenários torna-se um lugar legítimo de adoração quando as pessoas se reúnem e o nome de Deus é elevado com fé.” Foi precisamente isso que aconteceu naquela humilde estrebaria, quando os Magos se encontraram com o recém-nascido menino Jesus e seus pais. Eles já haviam declarado explicitamente o motivo de sua visita: “Onde está o recém-nascido Rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo.” (v.2). Jesus é digno de receber adoração, reverência, honra e glória pelos séculos dos séculos! E como deve ser essa adoração? Isso é o que veremos no presente estudo. BÍBLIA & OPINIÃO 1. Como Noé expressou gratidão a Deus após o livramento que ele e seus familiares receberam? (Gn 8.20). Hoje, como devemos expressar nossa gratidão a Deus? 2. De que maneira Miriã e as mulheres expressaram sua adoração, após a travessia do Mar Vermelho? (Êx 15.20,21). A partir desse episódio, que lições podemos extrair sobre a adoração? 3. De acordo com as passagens a seguir indicadas, que ordem foi dada aos israelitas? (Dt 16.16,17; I Cr 16.29). Qual o valor dessas orientações para nós, hoje? 4. Com base no Salmo 150, que afirmações podem ser feitas sobre o louvor a Deus? 5. O que foi denunciado pelo profeta Isaias no culto que o povo estava prestando e o que foi exigido dos adoradores? (Is 1.10-17). Há alguma questão apresentada nesse texto que a sua igreja precisa considerar? OBSERVAÇÕES AO TEXTO A visita dos reis magos, narrada apenas pelo evangelista Mateus, começa falando sobre o nascimento de Jesus em Belém. Herodes, O Grande, era o governador da Judeia naquela época. Ele era um rei cruel e sanguinário; assassinou líderes judeus, sacerdotes, a própria esposa, dentre outros. Porém, mesmo assim, conseguiu manter a paz na Palestina e ajudou na reconstrução do templo em Jerusalém. Os Magos eram estudiosos dos astros; eram versados em filosofia, medicina e ciências naturais. Relata o texto que uma estrela os guiou até Jesus. Essa estrela, conforme a opinião do astrônomo Johannes Kepler, era a conjunção dos planetas Júpiter e Saturno. Os Magos tinham fé, pois creram em Jesus antes mesmo de vê-lo. As visitas a soberanos eram acompanhadas de presentes; por isso, os Magos levaram ouro, incenso e mirra para Jesus (v.11). Receando perder o trono para o anunciado rei dos judeus, Herodes armou um plano maldoso para acabar com a vida de Jesus: decretou a matança dos meninos de dois anos para baixo (2.16). A informação dada a Herodes sobre o local do nascimento do menino Jesus confere com a profecia de Miqueias 5.2. LIÇÕES DO TEXTO Segundo W. Barclay, nessa narrativa verificam-se três diferentes reações quanto ao nascimento de Jesus: 1ª) A reação do rei Herodes: ódio e hostilidade; 2ª) A reação dos escribas e sacerdotes: total indiferença; 3ª) A reação dos Magos: reverência e adoração. Aqui, abordaremos aspectos dessa terceira reação, que nos traz oportunas e preciosas lições sobre a verdadeira adoração. 1. A verdadeira adoração supera barreiras Barreiras geográficas – Os Magos vieram do Oriente, seguindo uma estrela. O Oriente era, por excelência, a região dos sábios e astrólogos. É possível que eles fossem da Arábia, Pérsia ou Caldeia. A viagem até Belém foi longa, cansativa, mas compensadora. Isso nos ensina que a distância não é obstáculo para a adoração. São comuns em algumas regiões as viagens longas e difíceis de cristãos até aos locais de congregação do povo de Deus para a adoração. Por outro lado, há muitos que estão perto dos locais de culto, mas negligenciam o privilégio e o dever da adoração. A verdadeira adoração não é limitada por barreiras geográficas (Jo.4.19-24); Barreira racial – Os Magos eram gentios, mas vieram adorar na Judeia. Nas grandes conferências internacionais, é emocionante verificar povos de todas as raças e línguas adorando ao Senhor. Por ocasião daquele Pentecoste histórico mencionado em Atos 2, povos de várias regiões se reuniram e presenciaram a descida do Espírito Santo (At 2.5-11). Muitos foram abençoados e se uniram à família da fé para adorar ao Senhor; Barreira sociocultural – José e Maria eram pessoas humildes. Os pastores eram homens pacatos. Os Magos eram homens instruídos, possuíamvasto conhecimento geral. Portanto, a verdadeira adoração independe do grau de instrução ou condição social do adorador. Nos dias do Novo Testamento, o crescimento do cristianismo alcançou judeus e gentios, pessoas ilustres e pessoas marginalizadas, pessoas cultas e pessoas incultas, escravos, e altos funcionários do império. Hoje também, nos mais diferentes lugares, pessoas de todas as camadas sociais e estilos são redimidas por Cristo e se entregam a uma adoração que suplanta as diferenças culturais; Barreira econômica – Os estudiosos presumem que os Magos eram ricos; José e Maria eram pobres; porém, mesmo assim, adoraram juntos. Deus não faz acepção de pessoas. O que ele deseja é uma adoração sincera, independentemente da condição socioeconômica dos adoradores. Quando Jesus observou o ato de adoração por meio das contribuições de pessoas com recursos variados, exaltou a oferta da viúva pobre (Mc 12.41-44); Barreira política – Herodes, O Grande, se tornou inimigo do Rei dos reis. Demonstrou uma falsa intenção de adorar a Jesus, pois, logo em seguida, decretou a matança dos meninos de dois anos para baixo. Sua intenção era eliminar o menino Jesus, impossibilitando, assim, a adoração a ele. Herodes temia que, no futuro, Jesus viesse a se tornar uma ameaça política. Quantos são os inimigos daqueles que desejam adorar ao Senhor?! Como vencê-los? Os Magos, divinamente orientados, livraram-se de Herodes e chegaram até Jesus. Hoje há uma forte pressão contra a adoração a Deus, mas a verdadeira adoração não sucumbe a nada (At 16.25). 2. A verdadeira adoração caracteriza-se pela coerência É dirigida à Pessoa certa – Toda a narrativa desse texto conduz até Jesus. Os vv. 2, 8 e 11 falam sobre adoração. Segundo a Bíblia, a adoração coerente é prestada somente ao Deus Triuno. No Decálogo, Deus deixa claro que somente ele é digno de adoração (Êx 20.1-7). A adoração dos Magos era o cumprimento de profecias messiânicas a respeito da homenagem que as nações prestariam ao Messias (Nm 24.17; Sl 72.10-15; Is 49.23; 60.5,6); É expressa de forma reverente – Quando do nascimento de Jesus, os anjos o louvaram e o honraram com cânticos (Lc 2.8- 14). Ao encontrarem o menino, os Magos prostraram-se e o adoraram (v.11). Prostrar-se para reverenciar era um costume usado pelos orientais diante de pessoas importantes. Jesus é digno de receber a nossa adoração. Isso indica que uma adoração coerente se expressa de forma reverente (Êx 3.4-6; Hc 2.20); É acompanhada de ações concretas – Os Magos fizeram doações valiosas e significativas para o recém-nascido rei de Israel. O ouro simbolizava um presente para quem é rei, apontando para a realeza de Jesus. O incenso, que era uma goma obtida de árvores da Arábia, era usado nas unções sacerdotais; possuía um aroma agradável quando queimado e era utilizado em atos de culto; simbolizava a dádiva para sacerdotes. A mirra, também extraída de uma árvore da Arábia, era uma substância aromática que, juntada ao óleo, servia para ungir, perfumar e até embalsamar; simbolizava uma oferta para quem haveria de morrer. A Bíblia nos chama a adorar e servir ao Senhor com os nossos recursos (Pv 3.9; II Co 9.10-15); É prestada com sinceridade – Herodes declarou o desejo de adorar o menino Jesus, mas escondia más intenções no coração: seu desejo era eliminá-lo. Os Magos, porém, venceram vários obstáculos e, sendo movidos por um desejo verdadeiro, conseguiram expressar uma autêntica adoração. A adoração sincera brota do profundo da alma. Não basta adorar: é preciso adorar em espírito e em verdade, como ensinou o próprio Senhor Jesus! (Jo 4.23,24). DISCUSSÃO 1. Qual deve ser a motivação correta para se adorar? 2. A adoração dos Magos teve expressões materiais: ouro, incenso e mirra. Como deve ser entendida a relação entre adoração e contribuição? 3. A adoração prestada por sua igreja tem as características abordadas neste estudo? O que precisa ser corrigido? 02 – O encontro com Filipe e Natanael João 1.43 a 51 LEITURA DIÁRIA Segunda: Marcos 1.14-20 Terça: Marcos 2.1-12 Quarta: Lucas 7.18-23 Quinta: João 1.35-42 Sexta: Atos 8.26-40 Sábado: Romanos 10.1-15 Domingo: I Coríntios 9.16-27 Conta-se que um grupo de estudantes foi visitar um laboratório. Lá estava um renomado cientista fazendo importantes pesquisas. Certo aluno se aproximou do sábio mestre e lhe perguntou: “Quando o senhor descobrir o remédio para curar essa enfermidade, o que fará?” Ele respondeu: “Vou anunciar ao mundo inteiro.” Assim precisa ser a disposição de todo aquele que se encontra com Cristo. É preciso ter a consciência da responsabilidade de transmitir a mensagem da redenção ao mundo inteiro. Na igreja, é comum existir pessoas que desejam apenas receber benefícios espirituais e materiais. Muitos estão atrás de bênçãos, recompensas, cargos, elogios, títulos, etc. Entretanto, a igreja não é um lugar de privilégios somente, mas, de responsabilidades; e uma das responsabilidades que diz respeito a cada membro da igreja, é levar novas pessoas a Cristo. BÍBLIA & OPINIÃO 1. Como a Bíblia descreve o ganhador de almas? (Pv 11.30). Você tem se empenhado em ganhar almas para Cristo? 2. Como Paulo lidava com o evangelho? (Rm 1.16). A sua igreja tem revelado a mesma compreensão de Paulo? 3. Quem motivou Filipe a proclamar a Jesus e como ele cumpriu sua tarefa? (At 8.29-40). Que lições se podem extrair desse episódio? 4. Que desafios é possível enfrentar na pregação do evangelho e como devemos reagir? (II Tm 4.1-5). No contexto em que você vive, a realidade é semelhante à descrita por Paulo? Como a igreja tem cumprido sua missão? 5. Apolo era um evangelista apaixonado (At 18.24-28). Por que, muitas vezes, não conseguimos contagiar as pessoas com a mensagem do evangelho? OBSERVAÇÕES AO TEXTO Após ter sido chamado por Jesus, Filipe se encontrou com Natanael e o levou até o Mestre. Filipe era de Betsaida, de onde eram também André, Pedro, Tiago e João. Assim, os cinco primeiros discípulos de Jesus eram todos da mesma cidade. O nome Natanael significa “dom de Deus”. Natanael era de Caná da Galileia. Era um homem sincero, piedoso, conhecedor das Escrituras e que esperava, ansioso, a vinda do Messias. Foi considerado por Jesus um "israelita sem dolo”, isto é, sem fingimento, de coração puro. Ele interrogou: “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” A cidade de Nazaré possuía péssima fama. Ser nazareno era estar sujeito ao desprezo (Jo 7.52). Para Morgan, Nazaré era um lugar de grande corrupção. Daí, Filipe convidar a Natanael para ir até Jesus: “Vem e vê” (v.46). A ordem não é ver para crer, mas crer para ver (Jo 6.30 e 11.40). Jesus, demonstrando seu conhecimento, disse a Natanael que o havia visto debaixo da figueira. O conhecimento sobrenatural acerca dos homens e dos acontecimentos é uma característica de Cristo no Evangelho de João. A tradição rabínica cita que um assento posto debaixo de uma figueira é o lugar certo para se ler a Torá (para os judeus, a Lei do Senhor). Isso indica que Natanael examinava as Escrituras. No versículo 51, há uma referência à visão de Jacó, em Betel, o qual vira uma escada que ligava o céu à terra, e anjos que desciam e subiam por ela (Gn 28.10-17). LIÇÕES DO TEXTO Nesse episódio apresentado no texto básico deste estudo, é importante observar que aquele que se encontra com Cristo tem o desejo e se sente no dever de conduzir outros até ele. Assim, se cumpre a ordem de Cristo: “Ide, portanto, fazei discípulos...” (Mt 28.18). Com base no texto, aprendamos algumas lições a respeito da tarefa de levar pessoas a Cristo. 1. Conduzir alguém a Cristo é tarefa que requer pessoas habilitadas É preciso ser chamado por Cristo – Filipe atendeu ao chamado de Jesus: “Segue-me.” (v.43). Ser chamado por Cristo e atendê-lo é prova desse credenciamento. Deus utiliza os elementos pessoais quando o indivíduo tem uma experiência real com Jesus. É preciso estar cheio de Cristo e da força do Espírito Santo para levar alguém a Cristo. Ser de Cristo, permanecer em Cristo e estar cheio do Espírito Santosão qualificações indispensáveis na vida de um evangelista (Jo 17.18; 15.4,5; At 1.8; 4.31); É preciso ser conhecedor das Escrituras – Filipe conhecia as Escrituras, pois, no v. 45 fez referência à lei mosaica e aos profetas. Conhecer a Palavra mediante a iluminação do Espírito Santo é condição básica para se transmiti-la com propriedade e autoridade. A Bíblia faz menção a um oficial da rainha dos etíopes que estava lendo a Palavra de Deus, mas não a entendia. O Espírito Santo providenciou um evangelista, também chamado Filipe, conhecedor da Escritura, o qual foi até onde estava aquele homem, a fim de explicar-lhe a passagem que lia. Assim, Filipe o levou ao encontro pessoal com Cristo (At 8.26-40); É preciso ser prudente no falar – Quando Natanael questionou a Filipe se de Nazaré poderia sair alguma coisa boa, Filipe simplesmente disse: “Vem e vê.” Ele não discutiu e nem se alterou com Natanael. Para ganhar pessoas para Cristo, não se deve agredir com palavras, mas falar com prudência e sabedoria (Fp 1.15-18; II Tm 2.23,24; Tg 3.18). Falar com amor, sem ofender as pessoas, é uma atitude que qualifica o ganhador de almas (Cl 4.5,6; I Pe 3.15,16). 2. Conduzir alguém a Cristo é tarefa que requer urgência É notória a rapidez com que o conhecimento de Cristo foi se espalhando. Pelo testemunho de João Batista, dois indivíduos seguiram a Jesus; estes dois foram chamar cada um a seu respectivo irmão. Jesus mesmo chamou a Filipe; e Filipe chamou a Natanael. Assim, dentro de pouco tempo, pelo menos seis homens foram conduzidos a Jesus. “Uma vela acesa serve para acender outra” – assim disse Godete. Ao nos empenharmos na divulgação de Cristo, com paixão e dinamismo, estaremos cumprindo o ensino bíblico. A igreja precisa se despertar para a urgência da missão. Enquanto não se semeia a boa semente (trigo), o maligno vai espalhando a má semente (joio), e isso com muita rapidez. O tempo para a salvação é hoje (Hb 3.7,8,15). Jesus declarou que os campos estão brancos para a ceifa e, por isso, é necessário agir depressa (Jo 4.35). Os apóstolos, mesmo diante de ameaças e perseguições, demonstraram fé, coragem e total convicção quanto à urgência da proclamação do evangelho (At 4.20). Como sua comunidade está cumprindo essa tarefa intransferível, neste mundo de tantas e rápidas transformações? 3. Conduzir alguém a Cristo é tarefa que produz resultados positivos Natanael demonstrou muita dúvida quanto à pessoa de Cristo, por ser ele de Nazaré. Mas, Filipe sabia que um encontro pessoal com Cristo seria suficiente para convencê-lo. Assim sendo, ao se encontrar com Cristo, Natanael declarou: “Tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel.” (v.49). Nessa confissão de fé, Natanael revelou sua aceitação de Cristo e declarou sua total submissão ao seu senhorio. Outro fato que comprova o resultado positivo desse encontro com Jesus foi a promessa que lhe fez Jesus de uma visão da glória do Messias. Isso é comprovado, pois Natanael figura entre aqueles que viram a Jesus depois que ressuscitou, ao aparecer às margens do Mar da Galileia (Jo 21.1,2). Não há dúvida de que os resultados da evangelização pertencem a Deus. Ele é quem convence o pecador do seu pecado, através da atuação do Espírito Santo (Jo 16.8-11). Nós somos tão somente instrumentos. Na igreja primitiva, os resultados foram surpreendentes, mesmo diante de perseguições e sem os recursos dos nossos dias (At 2.41-47; 4.4; 8.6; 14.1; 17.4). É triste verificar o enfraquecimento do espírito missionário em várias denominações, nos concílios, nas igrejas locais e nos próprios cristãos individualmente. Em muitas comunidades, poucos resultados positivos podem ser encontrados. Se esse é o caso da sua igreja, o que está errado? O que pode ser feito? O Rev. Wilson de Souza Lopes dizia: “A consciência missionária tem que ser redescoberta em muitos de nós, de modo que nossa geração assuma sua tarefa, que está mais inacabada do que pensamos.” Entretanto, é alentador verificar em algumas regiões ações e resultados tão animadores! DISCUSSÃO 1. No desenvolvimento da missão proclamadora, o que é mais importante: métodos ou indivíduos? 2. O que pode ser feito para agilizar e tornar mais eficaz o programa de evangelização de sua igreja? 3. A sua igreja tem consciência do valor do discipulado? O que tem sido feito a respeito? O que pode ser melhorado? 03 – O encontro com os Pescadores Mateus 4.18 a 22 LEITURA DIÁRIA Segunda: Êxodo 3.1-22 Terça: Josué 1.1-9 Quarta: Isaías 6.1-8 Quinta: Lucas 5.1-11 Sexta: Lucas 10.1-12 Sábado: Atos 9.1-19 Domingo: Romanos 10.1-15 Sadu Sundar Sing, procedente de uma família rica e proeminente da Índia, ficou conhecido como “O Apóstolo dos Pés Sangrentos”. Após sua conversão a Cristo, ao ser chamado para realizar uma grande obra missionária, ainda muito jovem, teve que escolher entre o conforto proporcionado pelas riquezas e glórias terrenas e a sublimidade da missão evangelizadora. Ele optou por responder ao chamado missionário, dispondo-se a enfrentar inúmeros sacrifícios no trabalho do Senhor. O estudo de hoje pretende nos levar a uma tomada de posição diante da realidade do nosso encontro com Cristo, visto que ele nos convoca para uma missão no mundo. BÍBLIA & OPINIÃO 1. Qual é o ensino de Samuel quanto à obediência? (I Sm 15.22). O povo de Deus, hoje, demonstra compreender essa afirmação de Samuel? 2. Como Isaías reagiu diante do chamado de Deus? (Is 6.1-8). Que lições esse episódio nos apresenta sobre a preparação para servir ao Senhor? 3. Que exigência faz Jesus àqueles que decidem segui-lo? (Mt 16.24,25). É fácil pagar esse preço do discipulado? 4. Que implicações tem o chamado de Cristo em nossas vidas? (Jo 15.16). O que confirma que você tem atendido a esse chamado? 5. Qual a extensão da obra confiada por Jesus aos seus discípulos? (Mt 28.18-20). A igreja tem cumprido sua missão hoje? OBSERVAÇÕES AO TEXTO A chamada dos primeiros discípulos está narrada nos três Evangelhos sinóticos, com pequenas variantes entre uma e outra narrativa, o que não enfraquece a veracidade dos fatos. O importante a ser destacado é o encontro de Jesus com esses pescadores e o seu chamado para que se tornassem pescadores de homens. Pedro e André já conheciam a Jesus (Jo 1.35-42). Provavelmente, João e Tiago também o conhecessem, pois há textos que revelam que Jesus sempre se fez acompanhar de discípulos antes de convocá-los oficialmente para se tornarem pescadores de homens (Jo 2.2,12,17,22; 3.22; 4.1,2,8). O encontro focalizado neste estudo aconteceu no Mar da Galileia, onde tantos eventos marcaram a vida e o ministério de Jesus. Jesus convocou esses homens rudes e simples para que se tornassem seus auxiliares. Eles foram convocados para um serviço muito especial; e suas vidas nunca mais foram as mesmas. LIÇÕES DO TEXTO A partir da narrativa de Mateus 4.18 a 22, podemos aprender as seguintes lições: 1. A percepção que Jesus tem de nós possibilita o encontro com ele Jesus é um grande observador. Assim, caminhando junto ao Mar da Galileia, observou aqueles pescadores envolvidos com o seu trabalho. Como já foi mencionado, destes quatro pescadores, Simão e André já tinham se encontrado com Jesus. Quanto a Tiago e João, não se pode afirmar com certeza, ainda que alguns autores defendam um encontro anterior. Mas é possível que eles já tivessem acompanhado Jesus em outras ocasiões. Vendo-os ocupados em seu trabalho, Jesus os chamou para serem seus discípulos. Jesus vê as pessoas com sensibilidade. Não as vê como nós, muitas vezes, as vemos. Ele viu naqueles homens mais do que pescadores incultos e iletrados: viu discípulos em potencial, apóstolos, pessoas que seriam da máxima importância em seu ministério. Jesus observou aqueles homens da mesma forma que observou a Natanael debaixo da figueira (Jo 1.48). A visão que Jesus tem de nós é o que possibilita o nosso encontro com ele. Ele nos vê e nos conhece pelo nome; sabe quem somos e o que se passa em nossos corações. Ele vê a nossa condição e se identifica conosco. Nós oamamos porque ele nos amou primeiro (I Jo 4.19). Paulo entendeu que o Senhor o conheceu e decidiu chamá-lo antes mesmo do seu nascimento: “Quando, porém, ao que me separou antes de eu nascer e me chamou pela sua graça, aprouve revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, sem detença, não consultei carne e sangue, nem subi a Jerusalém para os que já eram apóstolos antes de mim, mas parti para as regiões da Arábia e voltei, outra vez, para Damasco.” (Gl 1.15-17). É pelo fato de sermos vistos por Jesus que tivemos a oportunidade de nos encontrarmos com ele. Na verdade, foi ele quem se encontrou conosco e nos chamou: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça; a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.” (Jo 15.16). 2. O chamado que Jesus tem para cada um de nós se confirma no encontro com ele Jesus não apenas viu aqueles homens, mas os convocou para serem seus auxiliares. O encontro possibilitado pela visão de Jesus foi confirmado pelo chamado feito a eles (v.19). O encontro com Cristo não é infrutífero; há sempre um propósito definido; e todos aqueles que com ele se encontram são designados para alguma tarefa no seu reino. Não há encontro sem chamado. Entre tantos exemplos bíblicos, podemos aqui destacar: O encontro com Abraão, o qual foi chamado para iniciar a peregrinação até à terra que o Senhor lhe mostraria (Gn 12.1,2); O encontro do Senhor com Moisés, na sarça ardente. Deus se encontrou com ele e o convocou para uma missão libertadora (Êx 3); O encontro com Isaías, o qual foi chamado para pregar contra os pecados de Israel (Is 6.8); O encontro com Paulo no caminho de Damasco, a quem foi revelado o chamado para ser instrumento de Deus para levar o evangelho aos gentios (At 9.15). 3. A proposta que Jesus nos faz valoriza o encontro com ele Jesus propôs àqueles pescadores um novo tipo de pescaria. Um mar diferente, com isca diferente e peixes diferentes: “eu vos farei pescadores de homens”. A proposta de Jesus foi para que eles se tornassem pescadores de seres humanos que precisavam ser resgatados do mar da perdição. Aqueles homens, que estavam acostumados a pescar peixes no mar, agora iriam pescar homens no mundo. Deveriam lançar redes para reunir homens de todos os tipos para o reino de Deus. A proposta de Jesus valorizou aquele encontro. Eles eram homens humildes, envolvidos com o seu trabalho humilde; porém, Jesus elevou a posição deles, convocando-os para uma obra sublime, de resultados eternos. Sobre a sublimidade dessa obra, a Palavra de Deus declara: “Quão formosos são os pés dos que anunciam cousas boas!” (Is 52.7; Rm 10.15). Trazer pessoas para o reino de Deus é um incomparável privilégio. Aqueles pescadores tinham os seus lucros com a venda dos peixes, mas a recompensa oferecida por Cristo seria muito maior. Não é lucro financeiro, mas o que ele oferece aos ganhadores de almas é uma recompensa eterna nos céus: “a tua recompensa, porém, tu a receberás na ressurreição dos justos.” (Lc 14.12-14). Todos nós somos chamados pelo Senhor e designados como pescadores de homens, fazedores de discípulos. Somos chamados não apenas para sermos salvos, mas para sermos instrumentos de salvação. É importante lembrar que nem mesmo a anjos foi concedido tamanho privilégio! (I Pe 1.10-12). 4. A obediência incondicional reflete a autenticidade do nosso encontro com Jesus O texto declara que imediatamente aqueles pescadores deixaram tudo e seguiram a Jesus. Foram obedientes e deram prioridade ao chamado do Mestre. A pronta obediência de André e Simão é justificada pelo fato de que eles já tinham se encontrado com Jesus e convivido com ele durante algum tempo. É importante ressaltar que, imediatamente, eles seguiram a Jesus. Cristo passou a ocupar o primeiro lugar na vida desses homens. Eles não fizeram exigências nem perguntas, simplesmente obedeceram ao chamado do Senhor Jesus. Aqueles homens estavam trabalhando para ganhar o pão de cada dia, mas entenderam que o trabalho que Cristo oferecia era urgente e não podia ser adiado. Essa compreensão fez com que obedecessem incondicionalmente a Cristo. Obediência é o que se espera de todos quantos já tiveram um encontro com Cristo. DISCUSSÃO 1. Como discernir o chamado de Deus hoje? Para se ouvir a voz de Cristo há a necessidade de alguma revelação especial? 2. Jesus chamou pessoas ocupadas. Atualmente, as ocupações têm sido empecilho para se responder ao chamado de Cristo? 3. Jesus viu em simples pescadores, em homens rudes e incultos, discípulos em potencial. Como vemos as pessoas hoje? A igreja tem se preocupado em preparar as pessoas para que o seu potencial seja posto em evidência? 04 – O encontro com os Discípulos numa caminhada Marcos 9.14 a 41 LEITURA DIÁRIA Segunda: I Coríntios 3.1-9 Terça: Gálatas 5.16-26 Quarta: Colossenses 3.12-17 Quinta: I Tessalonicenses 1 Sexta: I Tessalonicenses 3.1-10 Sábado: Hebreus 5.11-14 Domingo: Tiago 2.14-26 O Brasil é, ainda hoje, um país que tem sérios problemas em relação a saneamento básico e a nutrição do seu povo. Um número elevado de crianças ainda morre ou tem o seu desenvolvimento prejudicado, em consequência da desnutrição e as precárias condições de saneamento em que vivem. Muitas pessoas contraem enfermidades por causa da alimentação inadequada e, em alguns casos, escassa. Constata-se, portanto, que a deficiência nas áreas de saneamento e alimentação traz sérios problemas para a saúde, podendo culminar com a morte. Neste estudo pretende-se alertar para o fato de que existe outro tipo de deficiência: a deficiência espiritual. É um problema que atinge a vida cristã, produzindo tristes consequências entre o povo de Deus. BÍBLIA & OPINIÃO 1. Que problemas a deficiência na vida cristã pode trazer para a igreja? (I Co 3.1-3). Esses sintomas de infantilidade espiritual são verificados em sua igreja? 2. O que comprova que os cristãos hebreus estavam deficientes na vida cristã? (Hb 5.11-14). Sua igreja tem se alimentado de leite, ou de alimento sólido? 3. Como corrigir as deficiências da vida cristã? (I Pe 2.1,2). Os membros de sua igreja demonstram desejar o crescimento espiritual? 4. O que se espera de cada cristão, no que diz respeito à vida cristã? (II Pe 3.17,18). Quais são as maiores ameaças hoje? 5. Que sinais podem ser vistos na vida cristã, que comprovam sua autenticidade? (Gl 5.22-26). Como produzir esses frutos? OBSERVAÇÕES AO TEXTO Apesar de haver certa sequência no texto básico (Mc 9.14-41), as situações narradas aconteceram em três localidades diferentes (Mc 9.30-33; Lc 9.37). Esse foi um encontro que se estendeu por uma longa caminhada. Os discípulos estavam deixando a desejar no que diz respeito ao exercício da fé. Estavam um tanto deficientes na vida cristã. A passagem correlata (Mt 17.19,20) é mais explícita em mostrar a deficiência dos discípulos quanto ao exercício da fé. Eles foram pressionados pela multidão e censurados por Jesus; porém, ao mesmo tempo, foram orientados quanto aos aspectos da vida cristã relacionados à fé. A deficiência na vida cristã compromete profundamente o ministério cristão, produzindo crentes fracos e situações negativas. Como cristãos, somos desafiados, continuamente, a desenvolver uma vida cristã autêntica e cheia de fé, pois, “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11.6). LIÇÕES DO TEXTO A deficiência na vida cristã, evidenciada pelos discípulos, é uma triste realidade, muitas vezes verificada na igreja. À luz do texto, destacamos as seguintes lições para a nossa vida: 1. A deficiência na vida cristã resulta em inoperância A primeira parte do texto (vv.14-29) apresenta um fato agradável: a cura de um menino que experimentava um terrível sofrimento, pois era vítima de um espírito mudo. Entretanto, o processo que envolveu essa cura produziu uma situação desagradável, pois os discípulos se mostraram despreparados ante aquele desafio. Não conseguiramresolver o problema, demonstrando inoperância. A inoperância possui uma causa espiritual. E Jesus apresenta como causa da inoperância a incredulidade, a falta de fé (v.19). No v.23, Jesus afirma ao pai daquele menino que tudo é possível para o que tem fé. Os discípulos ficaram impressionados ao ver Jesus se sair tão bem diante daquela desafiante situação, libertando o menino física e espiritualmente. Quando chegaram em casa, em particular, perguntaram a Jesus: “Por que não pudemos expulsar aquele espírito?” No v.29, Jesus apresenta uma resposta que indica que eles não estavam se exercitando na fé como deveriam. Quando nos falta a fé, além de cairmos no desagrado de Deus, nos tornamos inoperantes e incapazes de fazer alguma coisa. A deficiência na vida cristã pela falta de fé resulta em inoperância espiritual. 2. A deficiência na vida cristã promove a ignorância Esse fato pode ser verificado nos vv.30 a 32. Sobre a morte e ressurreição do Senhor Jesus, os discípulos estavam um tanto alheios. Não é à toa que Marcos faz esse arranjo textual. Anteriormente, Jesus havia censurado os discípulos pela falta de fé. Mas, esse segundo episódio evidencia outra consequência da deficiência na vida cristã: a ignorância acerca das questões espirituais. Jesus já havia falado várias vezes sobre sua morte e ressurreição; “eles, contudo, não compreendiam isto” (v.32). Naturalmente, a compreensão e aceitação desse fato exige fé; e essa é a razão pela qual, muitas pessoas, ainda hoje, têm dificuldade em crer na morte e ressurreição de Cristo (I Co 2.14). Falando sobre a forte experiência de Abraão, o Patriarca da Fé, quando estava para sacrificar seu filho Isaque, o escritor da Carta aos Hebreus afirma que a fé de Abraão lhe possibilitou crer que Deus seria capaz de reaver seu filho pela ressurreição (Hb 11.17-19). Faltou aos discípulos essa experiência de fé para que pudessem ter outra visão da morte e ressurreição de Cristo. A deficiência na vida cristã gera ignorância espiritual. Segundo a Bíblia, “nem olhos viram, nem ouvidos ouviram, nem jamais penetrou no coração humano o que Deus tem preparado para aqueles que o amam.” (I Co 2.9). A deficiência na vida cristã, ao promover a ignorância espiritual, impede ao homem vislumbrar essas coisas. 3. A deficiência na vida cristã se traduz em arrogância A atitude dos discípulos narrada nos vv. 33 e 34 revelou arrogância. O orgulho e a mania de grandeza estão sempre presentes no coração humano; e, frequentemente, ele dá vazão a esses desejos carnais. Os discípulos estavam discutindo entre si sobre qual deles era o maior, o mais importante. Rapidamente se esqueceram do constrangimento que sofreram ao ouvirem o pai daquele menino dizer: “Roguei aos discípulos que expelissem o espírito, mas eles não puderam.” (v.18). Apesar disso, julgavam-se na condição de disputar uma posição de grandeza! Essa atitude mesquinha não decorre da fé. Pela fé, Abel ofereceu a Deus mais excelente sacrifício do que Caim. Caim, deficiente na fé, portou-se com arrogância e foi rejeitado (Gn 4.4,5; Hb 11.4). Aqueles que se julgam melhores, mais santos, mais espirituais do que os outros, na verdade revelam através dessa atitude deficiência na vida cristã. O indivíduo cuja experiência de fé é desenvolvida e cuja vida cristã é autêntica, é capaz de considerar os outros superiores a si mesmo (Rm 12.16; Fp 2.3). 4. A deficiência na vida cristã fomenta a intolerância G. Hendriksen, em seu comentário ao Evangelho de Marcos, afirma que, à primeira vista, parecia que entre o parágrafo precedente (vv.33-37) e o seguinte (vv.38-41) não há conexão de pensamento. Entretanto, afirma ainda o referido comentarista, tem sido sugerido que o apóstolo João, envergonhado pela repreensão que ele e os demais dos Doze haviam recebido, mencionou o sucesso concernente a um exorcista, somente para trocar de assunto. Não é fácil dizer com certeza se há ou não uma conexão entre os dois textos. Um fato inegável, porém, é que esse último texto se identifica com o anterior, ao mostrar uma atitude dos discípulos que, como as anteriores, revela deficiência na vida cristã. Essa atitude narrada nos vv. 38 a 41 é a intolerância religiosa. João disse a Jesus que certo homem expelia demônios em seu nome, mas fora impedido pelos discípulos de continuar, pois tal homem não fazia parte do grupo dos Doze (v.38). Eles se mostraram intolerantes; e foram repreendidos pelo Senhor (vv.39,40). A intolerância é algo comum na vida religiosa. Há muitos crentes que não aceitam e nem ao menos respeitam os pontos de vista contrários aos seus ou as ações de outros grupos religiosos. Tornam os “donos da verdade”, transformando-se em adversários dos próprios irmãos. Mas, conforme o ensino bíblico, devemos ser mais sensatos e cristãos na maneira como vemos, analisamos e tratamos as pessoas, bem como a obra do Senhor (Mc 9.40; Rm 12.16; Cl 3.12-17). DISCUSSÃO 1. O que comprova que você e seus irmãos têm lutado para superar a deficiência na vida cristã? 2. A partir do ensino e prática de Jesus, como podemos desenvolver uma vida cristã forte e saudável? 3. Quais são algumas evidências de uma vida cristã que já superou as deficiências apontadas neste estudo? 05 – O encontro com os Discípulos no Mar Mateus 14.22 a 33 LEITURA DIÁRIA Segunda: Salmo 27 Terça: Salmo 62 Quarta: Salmo 125 Quinta: Marcos 4.35-41 Sexta: Hebreus 11.1-22 Sábado: Hebreus 12.1-3 Domingo: I João 5.1-12 Vivemos em uma época de intensa religiosidade, mas pouca espiritualidade. Por outro lado, o ateísmo também cresce assustadoramente. Por exemplo: na Dinamarca, 80% da população se declaram ateus; no Vietnã, 81% e, na Suécia, 85%. Em meio ao grande progresso do mundo, o homem corre o risco de perder a consciência de Deus em sua vida. É por isso que se fala tanto em religião e fé, mas a maioria vive em meio a constantes dúvidas. Jesus se deparou com corações incrédulos, mesmo em meio aos discípulos; não que alguns deles fossem ateus, mas, em determinados momentos, mostraram-se cheios de dúvidas e confusos. No Mar da Galileia, fé e medo se misturaram às águas agitadas e açoitadas por ventos contrários. Naquele ambiente tumultuado, Jesus se dispôs a assistir os discípulos com sua presença e ação. BÍBLIA & OPINIÃO 1. De que maneira Abraão demonstrou sua fé em Deus? (Hb 11.8-10). Viver pela fé é fácil ou difícil? 2. Por que os discípulos de Jesus não conseguiram expulsar o demônio do jovem possesso? (Mt 17.18-21). Você tem alguma experiência que comprova o poder da fé? 3. Por que muitas pessoas não aproveitam as boas-novas? (Hb 4.2). Devemos parar de pregar para aqueles que não aceitam? 4. Na experiência dos tessalonicenses, que virtudes operavam juntamente com a fé? (I Ts 1.2,3; II Ts 1.3-5). É possível tornar-se forte na fé, mesmo não exercitando as outras virtudes? 5. O que a fé nos garante em relação ao mundo? (I Jo 5.4). O que comprova que a sua igreja tem experimentado a vitória que decorre da fé? OBSERVAÇÕES AO TEXTO O caminhar de Jesus sobre as águas é descrito com muitas semelhanças pelos evangelistas Mateus, Marcos e João. No entanto, só o primeiro destes narra a aventura de Pedro. Esse episódio se situa logo após a multiplicação dos pães, quando, comprimidos pela multidão, Jesus e os discípulos se retiraram para cultivar momentos a sós. Enquanto Jesus se recolheu ao monte para orar, os discípulos obedeceram à ordem de navegar para a outra margem do Mar da Galileia, no sentido sul para o norte, a caminho de Betsaida. O Mar da Galileia, também chamado “Tiberíades”, “Genesaré” ou “Grande Lago”, apresenta surpresas mesmo para aqueles que o conhecem, com ondas agitadas e ventos contrários. Por isso, pela madrugada, quando os discípulos navegaram uns 5 ou 6 km, Jesus se apresentou para assisti-los, pois se encontravam cansados; e o mar estava bastante agitado (Mc 6.48). Jesus apareceu andando sobre o mar. Diante desse fato, eles se assustaram e pensaram que era um fantasma (v.27). Pedro se dispôs a ir até ele, mas, temendo a fúria do mar, começoua afundar. Clamando por socorro, Jesus o salvou. Estando todos no barco, o vento cessou, o mar se acalmou e os discípulos ficaram maravilhados. Desse episódio, várias lições podem ser tiradas. Então vejamos: LIÇÕES DO TEXTO 1. A necessidade do recolhimento Após o atendimento à multidão faminta, Jesus sentiu necessidade de recolhimento. Por isso, “compeliu” os discípulos e todos se retiraram. Motivos semelhantes devem nos levar a promover, periodicamente, retiradas estratégicas. Pelo menos quatro razões são verificadas nesse texto para justificar o recolhimento: A recomposição emocional – A notícia da morte trágica de João Batista, primo de Jesus e seu precursor, impôs ao Mestre a retirada para um lugar deserto (Mt 14.12,13). Jesus procurou refúgio, pois o poderio de Herodes o ameaçava. Todos nós enfrentamos situações que nos desgastam emocionalmente. A vida hoje é muito agitada; somos pressionados o tempo todo. Para evitarmos o desequilíbrio emocional, é importante de tempo em tempo procurarmos refúgio, entregando-nos à meditação, à oração, ao descanso e ao lazer; O descanso físico – Nosso organismo é exigido constantemente. Por isso, o descanso físico é necessário para se alcançar melhores resultados. Muitos se desgastam em função do trabalho excessivo. Mesmo no ambiente eclesiástico é comum as pessoas se entregarem ao ativismo. Alguns até se envaidecem disso, esquecendo-se de que o descanso é uma recomendação divina, observada até mesmo por Jesus (Mc 6.31,32); Avaliação das motivações – O milagre da multiplicação dos pães poderia levar os discípulos ao envaidecimento. O recolhimento foi necessário para evitar uma supervalorização de sua imagem diante do povo. O sucesso nas realizações pode nos impulsionar de tal forma, levando-nos a perder o foco. Eclesiastes 6.11 adverte: “É certo que há muitas coisas que só aumentam a vaidade, mas que aproveita isto ao homem?” As nossas motivações podem nos impulsionar tanto ao sucesso quanto à autodestruição. Por outro lado, o recolhimento nos permite analisar, refletir e purificar nossas motivações; Prática da oração – Jesus gostava de orar a sós. Ensinou aos discípulos a prática da oração particular como um precioso método de comunhão com Deus (Mt 6.5,6). Diante da vida tão corrida dos nossos dias, com certeza, o recolhimento se faz mais e mais necessário para que nos exercitemos nas questões aqui alistadas. 2. Confiança em meio às adversidades Quando os discípulos se viram em perigo, Jesus apareceu caminhando sobre o mar para socorrê-los. Mesmo diante da escuridão, ele viu a luta dos discípulos, que já se estendia por horas seguidas, em um mar agitado. Quando Jesus os alcançou, eles ficaram muito assustados (v.26). Muitos dos que andam na escuridão cultivam um temor tal que vivem a enxergar fantasmas! Encontram-se tão assustados e alarmados com a agitação da vida, que não conseguem ver Jesus tal como ele é. Prisioneiros do medo, vivem assustados e torturados por superstições. Os discípulos conheciam o mar e sabiam da impossibilidade de alguém andar sobre as águas agitadas. Mas, cegados pelo fantasma do medo, passaram a ter medo de fantasmas. Entretanto, ao ir ao encontro dos discípulos, Jesus demonstrou: Conhecimento da situação – Ele sabia do que se passava com os discípulos; por isso, foi até eles a fim de socorrê-los. Jesus conhece nossas aflições; e a sua promessa é estar conosco todos os dias (Mt 28.20); Amor – Jesus se apresentou compassivo e encorajador, dizendo aos discípulos: “Tende bom ânimo! Sou eu. Não temais.” Mesmo diante da dúvida dos discípulos, ele demonstrou amor e paciência para com eles; Poder – O Senhor controla ventos e mares, trazendo calmaria às nossas agitações (Mt 8.27). Ele é Senhor sobre todas as coisas, agindo sempre em favor do seu povo (Rm 8.31-39). 3. Desafio a uma fé inabalável Quando apareceu andando sobre as águas, Jesus se identificou diante dos discípulos, mas não satisfez plenamente à mente questionadora e curiosa de Pedro. Numa atitude ousada e repentina, ele desejou realizar o mesmo feito de Jesus. Pediu ao Mestre que o deixasse também caminhar sobre as águas, ao que Jesus consentiu. Ele se pôs a caminhar sobre o mar, mas deixou o medo prevalecer sobre a fé; por isso começou a submergir. O desvio do olhar de Pedro para a situação ao redor o fez duvidar. A verdadeira fé não se orienta pelas circunstâncias, mas está firmada em Cristo Jesus. Quem deseja caminhar na direção de Jesus precisa olhar firmemente para ele (Hb 12.1,2). 4. Experiência do socorro do Senhor Quando Pedro começou a submergir e gritou por socorro, Jesus o socorreu. A atitude de Jesus se caracteriza pela disposição em socorrer, salvar e abençoar. Em Jesus vemos: Prontidão em socorrer – Jesus “prontamente estendeu a mão” para salvar a Pedro. Quando clamamos ao Senhor, podemos ter a certeza de que ele estende sua mão para nos socorrer; Desafio ao exercício da fé – Jesus desafiou a fé de Pedro e fez a seguinte constatação: “homem de pequena fé”. Sua intenção era desafiar Pedro a viver intensamente a sua fé. Ao entrar no barco, certamente Pedro cresceu, pois compreendeu a necessidade de se viver pela fé. Não podemos duvidar (Tg 1.6- 8); Garantia de paz e tranquilidade – Jesus trouxe paz e tranquilidade aos discípulos, acalmando o mar agitado. Diante dessa experiência tão impactante, eles consolidaram a sua fé em Cristo e o adoraram, dizendo: “Verdadeiramente és Filho de Deus!” (v.33). DISCUSSÃO 1. A dúvida faz parte da fé? 2. Por que muitas pessoas, ainda hoje, têm uma visão distorcida de Jesus? 3. Como desenvolver o recolhimento proposto por Jesus, nestes dias tão corridos e agitados em que vivemos? 06 – O encontro com uma Pecadora Lucas 7.36 a 50 LEITURA DIÁRIA Segunda: Mateus 15.21-28 Terça: João 8.1-11 Quarta: João 12.1-8 Quinta: João 13.1-20 Sexta: Romanos 5.12-21 Sábado: Tiago 2.1-13 Domingo: Tiago 2.14-26 Tornou-se muito conhecida uma coleção de figurinhas chamada “Amar é...” Cada figurinha trazia uma afirmação singela, apontando para o aspecto prático do amor. Uma delas dizia: “Amar é... dizer que você o ama.” De fato, é muito agradável ouvir uma declaração de amor espontânea e sincera. Infelizmente, por trás de muitas expressões de amor, pode estar escondida muita falsidade. É preciso entender que o amor não é apenas palavras, mas um sentimento que se manifesta por meio de atos concretos, como veremos no presente estudo. BÍBLIA & OPINIÃO 1. Segundo o ensino bíblico, qual é o valor das boas ações quando destituídas de amor? (I Co 13.1-3). Você acha que na vida cristã corremos o risco de apenas realizar coisas, sem, contudo, fazê-las com amor? 2. Como Tiago trabalha a relação entre fé e obras? (Tg 2.14-17). Você acha que os cristãos têm compreendido bem esse ensino de Tiago? 3. A partir da Parábola do Samaritano, que diferença se constata entre a religião praticada pelo sacerdote, pelo levita e pelo samaritano? (Lc 10.31-35). A prática de sua igreja está mais identificada com qual deles? 4. Conforme esse texto, quais são as provas do amor de Deus por nós? (Rm 5.5-9). Você tem dado demonstrações práticas do seu amor pelas pessoas? 5. Segundo o ensino de João, como deve ser a nossa expressão de amor? (I Jo 3.18). Os membros da sua igreja amam dessa maneira? OBSERVAÇÕES AO TEXTO Durante o seu ministério terreno, Jesus se encontrou com as mais diversas pessoas, nas mais diferentes situações. Em uma de suas passagens pela Galileia, aceitou o convite para jantar na casa de um fariseu chamado Simão. Possivelmente a preocupação do fariseu era colocar Jesus à prova, como ocorreu em outras ocasiões, embora não houvesse ainda um tratamento hostil de fariseus para com Jesus. Junto à mesa desse homem, Jesus aproveitou a oportunidade para transmitir os seus ensinamentos. Aquele foi mais do que simplesmente um momento de sociabilidade. Jesus se encontrava reclinado sobre a mesa, recostado ao lado esquerdo, com os pés para trás, conforme era o costume dos gregos, romanos e orientais. O seu posicionamento facilitoua ação de uma mulher estigmatizada por sua vida de pecado, que, de repente, invadiu a sala de jantar e prestou sua adoração ao Senhor, ungindo os seus pés com bálsamo. Na opinião de muitos autores, deve-se distinguir essa mulher de outras que se encontraram com Jesus: Maria Madalena (Lc 8.2), a Maria, irmã de Lázaro (Jo 12.1-3) e a mulher surpreendida em adultério (Jo 8.3), mesmo que haja pontos comuns na experiência de todas elas. Quando o texto fala de uma “pecadora”, certamente refere-se a uma “prostituta”, que seria inclusive conhecida da cidade por tal prática; é possível também que, naquela ocasião, já fosse uma seguidora de Jesus, apesar de não se declarar publicamente. Na verdade, não se sabe quase nada a respeito dela. Não há registro do seu nome, nem da sua origem, nem de sua experiência religiosa; e nenhuma palavra sequer foi pronunciada por essa adoradora. Mas, como observa o comentarista d’A Bíblia Vida Nova, ela manifestou um “amor sem palavras”. A partir desse quadro tão forte do encontro de Jesus com a mulher pecadora, podemos aprender preciosas lições para a vida cristã: LIÇÕES DO TEXTO 1. O verdadeiro amor se manifesta em humildade Mesmo que fosse permitida a entrada de pessoas não convidadas no horário de jantar, a atitude da mulher surpreendeu a todos porque ela expressou um amor humilde. Observemos os seus atos: ela se inclinou (atitude de sujeição e submissão própria dos súditos para com as autoridades reais), beijou-lhe os pés e enxugou-os com os próprios cabelos (ato semelhante ao lava-pés – Jo 13). Ela ignorou todos os que ali se encontravam, inclusive os que a reprovavam, prostrou-se diante do Senhor sem se preocupar com as consequências e com as opiniões das pessoas. Ela manifestou profunda humildade em sua declaração de amor. Quem ama tem a disposição de cultivar esta virtude na vida: a humildade. Jesus deixou a sua glória e, mesmo “subsistindo em forma de Deus, não julgou como usurpação o ser igual a Deus; antes, a si mesmo se esvaziou, assumindo a forma de servo, tornando-se em semelhança de homens; e, reconhecido em figura humana, a si mesmo se humilhou, tornando-se obediente até à morte e morte de cruz.” (Fp 2.6-8). Por que ele fez isso? Para provar a grandiosidade do seu amor. João Calvino ensinou: “a humildade é a principal virtude para a fé.” Com certeza, não há amor se não houver humildade. 2. O verdadeiro amor se manifesta em atos concretos Após receber da parte da mulher aquelas demonstrações de humildade e amor, Jesus afirmou: “Ela muito amou.” (v.47). Simão era um representante do grupo religioso chamado fariseus. Ao convidar Jesus para jantar em sua casa, aparentemente demonstrou amor e simpatia. Ele ofereceu a Jesus a intimidade do seu lar, participando de uma refeição em sua mesa. Mas, nem o atendimento costumeiro da hospitalidade oriental foi prestado pelo fariseu. Jesus recebeu a unção prestada pela pecadora porque foi uma expressão concreta do amor sincero. O verdadeiro amor se evidencia por meio de atos concretos: serviço, doação, sacrifício, dedicação, gestos. Quem sente amor de verdade se dispõe a promover ações objetivas que comprovem a existência de amor. Além das palavras é preciso haver expressões que comprovem tudo o que afirmamos. Infelizmente, há expressões de fingimento em todos os lugares. Daí, dizer-se por aí: “quem vê cara, não vê coração”. Mas, assim diz a Palavra: “O homem vê o exterior, porém o Senhor, o coração.” (I Sm 16.7). Muitas expressões dos nossos cultos podem carregar mentiras! Há pessoas que oram, cantam e pregam a respeito do amor, mas não compreendem que o amor é muito mais do que palavras. O apóstolo Paulo considera a possibilidade de a pessoa fazer coisas extraordinárias, até mesmo sacrifícios, mas sem a motivação do amor; e, quando é assim, tudo se torna vão (I Co 13.1-3). 3. O verdadeiro amor e a fé autêntica andam juntos Amor e fé andam tão juntos, que é possível dizer que não há amor verdadeiro se não houver fé e vice-versa. Numa leitura rápida do texto, percebe-se que amor e fé se confundem (vv. 47 a 50). Alguém já chamou a atenção para a justificação pelo amor, numa tentativa de se equilibrar a justificação pela fé e a justificação pelas obras; ou “o amor a Deus sobre todas as coisas (fé) e ao próximo como a si mesmo (obras)”. Jesus assegurou o perdão à pecadora, devido à sua fé viva, que se manifestou no verdadeiro amor. Como a cena era pública, passou a valorizar a fé da mulher em contrapartida ao questionamento de Simão (v.39). Com sua habilidade pedagógica, apresentou uma parábola que levou Simão a tirar suas próprias conclusões (vv. 40-43). Jesus mostrou a ele que não basta ser religioso (fé); é preciso demonstrar amor (obras). Fé e amor, quando genuínos, andam sempre juntos. Jesus já havia contado a Parábola do Samaritano, o qual provou a sua fé verdadeira através de uma expressão concreta de amor em favor de seu semelhante. Nessa Parábola, Jesus apresenta as duas maiores autoridades da religião judaica: o sacerdote e o levita. Eles passaram de largo. A fé que eles cultivavam era mera teoria, estéril, sem dimensão prática. A Palavra de Deus adverte: “a fé sem obras é morta” (Tg 2.15-18). A despeito da opinião de Simão (v.39) e seus convidados (v.49), Jesus despediu-se daquela mulher com a sua paz, pois, a fé e o amor por ela demonstrados abriram caminho para a experiência do perdão de seus pecados. Andar com Jesus implica em matricular-se na escola do amor. A chamada “mulher pecadora”, que deveria ser conhecida como “a mulher perdoada”, experimentou e expressou, sem palavras, fórmulas e religiosidade, a lição do verdadeiro amor. É esse amor incontestável que precisamos demonstrar como discípulos de Jesus! DISCUSSÃO 1. Como podemos nos livrar dos julgamentos precipitados, baseados apenas nas aparências das pessoas? 2. Em nossas reuniões podem entrar as mais diversas pessoas, com os mais variados estilos e comportamentos. Como a igreja deve receber tais pessoas e como deve administrar a situação? 3. A prática religiosa da igreja atual se identifica mais com a atitude da mulher pecadora, a de Simão ou a de Jesus? 07 – O encontro com as Crianças Marcos 10.13 a 16 LEITURA DIÁRIA Segunda: Êxodo 2.1-10 Terça: I Samuel 1 Quarta: Salmo 131 Quinta: Mateus 18.1-5 Sexta: Mateus 21.14-17 Sábado: Lucas 2.39-52 Domingo: II Timóteo 3.14-17 A 20 de novembro de 1959, numa tentativa de valorizar a criança e responsabilizar os adultos no cuidado delas, a Assembleia Geral da ONU aprovava por unanimidade a Declaração Universal dos Direitos da Criança. A Constituição Brasileira, promulgada a 5 de outubro de 1988, no Cap. VII, do Título VIII, a respeito da Ordem Social, faz referência à família, à criança, ao adolescente e ao idoso. No art. 227 declara: “É dever da família, da sociedade e do Estado, assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.” Visando à proteção dos menores de 18 anos, também foi elaborado o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com vigência a partir de 12 de outubro de 1990. Lamentavelmente, grande número de crianças continua sendo vítima de violência, tanto física quanto psicológica, tanto fora quanto dentro de casa. Diante dessa calamitosa realidade, é importante compreender que a atenção às crianças é um dever não só do Estado; é, acima de tudo, uma responsabilidade cristã. BÍBLIA & OPINIÃO 1. Que responsabilidade os pais têm quanto à formação espiritual dos filhos? (Dt 6.5-9; Ef 6.4). Que cuidados precisam ser tomados nessa tarefa? 2. O que acontece com crianças que ficam entregues a si mesmas? (Pv 29.15). A realidade confirma o que é dito nesse texto? 3. Que referência Jesus fez aos pequeninos quando ensinava no templo? (Mt 21.14-17). A igreja,hoje, trata bem as crianças? 4. De que maneira a Bíblia descreve o desenvolvimento do menino Jesus? (Lc 2.52). Como propiciar esse crescimento aos nossos filhos? 5. Que influência os pais podem exercer na vida de seus filhos? (I Co 7.14). Você conhece casos que confirmam isso? OBSERVAÇÕES AO TEXTO Provavelmente, o encontro de Jesus com as crianças, relatado por Marcos, ocorreu numa casa na Pereia (região localizada a leste do Mar Morto, subindo pelo Rio Jordão no sentido Norte), quando Jesus seguia para Jerusalém. Esse texto é uma resposta à questão sobre quem herdará o reino dos céus. Os judeus acreditavam que, quando um pai abençoava um filho, transmitia uma bênção espiritual genuína. Assim sendo, aqueles que levaram as crianças até Jesus criam que o toque do Mestre poderia transmitir força espiritual. Era muito natural que as mães judias quisessem que seus filhos fossem abençoados por um Mestre famoso. É significativo registrar que Jesus achou tempo para se ocupar com as crianças, mesmo estando a caminho de Jerusalém. Ele ficou indignado por causa da intransigência dos discípulos diante da dignidade das crianças. Para F. W. Grant, a bênção foi maior do que se esperava: “Pediram-lhe que tocasse nos meninos, e ele, tomando-os nos braços, impondo-lhes as mãos os abençoou.” Entretanto, deve-se considerar, ainda, a discriminação que existia contra mulheres e crianças, o que provavelmente influenciou a atitude dos discípulos, imaginando que não valeria a pena gastar tempo com as crianças. LIÇÕES DO TEXTO Nesse encontro de Jesus com as crianças, as seguintes lições podem ser destacadas: 1. O modelo das crianças Jesus afirmou que é preciso receber o reino de Deus como uma criança. Isso indica que as crianças são modelo para quem deseja entrar no reino, pelas seguintes atitudes: Humildade – O caminho até Jesus está aberto à pessoa humilde e às crianças. Essa humildade requerida como condição para se pertencer ao reino é expressa por meio da simplicidade. O relato de Lucas 9.46 a 48 confirma isso: “Levantou-se entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior. Mas Jesus, sabendo o que se lhes passava no coração, tomou uma criança, colocou-a junto a si e lhes disse: Quem receber esta criança em meu nome a mim me recebe; e quem receber a mim recebe aquele que me enviou; porque aquele que entre vós for o menor de todos, esse é que é grande.” A criança é símbolo de humildade e simplicidade. Essas qualidades são próprias do Senhor Jesus, que declarou: “sou manso e humilde de coração.” (Mt 11.29); Dependência – A criança depende intensamente de seus pais. Ela carece de atenção e depende de todo cuidado, pois é frágil e indefesa. O Senhor Jesus declara que somos inteiramente dependentes dele: (Jo 15.5). Somos dependentes da graça e das misericórdias do Senhor, da ação vivificadora que somente ele pode operar (Ef. 2.1-10). Deus está pronto a suprir necessidades, resolver problemas, confortar corações e amparar em situações adversas. O salmista compreendeu isso, pelo que disse: “Quanto a mim, bom é estar junto a Deus; no Senhor Deus ponho o meu refúgio, para proclamar todos os seus feitos.” (Sl 73.28); Confiança – As crianças confiam plenamente em seus pais. O que elas sentem em relação a seus pais, todos nós devemos sentir em relação a Deus. A confiança em Deus está recomendada em vários textos bíblicos (Sl 37.5; Jr 17.7). Quantos confiam apenas na posição social e política, na estabilidade material, no dinheiro, nas crendices, nos amuletos, etc.! Entretanto, o reino de Deus está reservado àqueles que confiam no Senhor (Sl 125.1); Proximidade – Aquelas crianças foram levadas por seus pais à presença de Jesus. Houve relacionamento pessoal com o Mestre, o qual as tomou nos braços e as abençoou. Nosso relacionamento pessoal com Jesus é importantíssimo para nossas vidas. Portanto, é necessário que estejamos bem arraigados à pessoa de Cristo, em íntima comunhão com ele (Jo 15.1-5; 17.24). A igreja tem a missão de ir ao encontro dos que estão longe, a fim de buscá-los e conduzi-los aos braços do Senhor (Mt 28.18-20). 2. O problema da rejeição às crianças No contexto social da época, as crianças eram discriminadas. Por exemplo, na cena da multiplicação dos pães e peixes, elas nem foram contadas (Mt 14.21). Os discípulos tentaram impedir que várias crianças se achegassem ao Mestre. Há pessoas que consideram as crianças como indesejáveis. Acha que elas só trazem aborrecimentos com suas travessuras. Na igreja, essa atitude de rejeição é comum, pois, muitas vezes, são repreendidas indevidamente ou indelicadamente pelos adultos. Às vezes, exige-se delas comportamento de adultos, violando assim a sua condição. Em muitas igrejas, tudo é realizado na perspectiva dos adultos, não havendo nenhuma preocupação em adequar o espaço e os programas às crianças. O problema é mais gritante, porém, lá fora. É fácil observar, especialmente nas grandes cidades, crianças vivendo nas ruas e envolvidas com drogas e prostituição; crianças sem acesso a educação, saúde, lazer, etc. Muitas delas foram rejeitadas pela família (ou nem têm família); foram vítimas de agressão e abuso sexual; foram expostas a uma condição de vulnerabilidade. Rejeitar as crianças é contrariar o ensino do Mestre, conforme Mateus 25.40. 3. A valorização das crianças Jesus valorizou as crianças, acolhendo-as junto de si. A Bíblia apresenta variados exemplos de servos que foram chamados quando eram crianças. Eis alguns nomes: Samuel, Josias, Jeremias e outros. Na igreja, as crianças precisam ocupar um lugar digno, isto é, semelhante ao dos adultos. Elas devem ser contempladas, tanto no que se refere a espaços decentes quanto a programações adequadas à sua faixa etária. Quantas propriedades da igreja permanecem ociosas no meio da semana, as quais poderiam ser transformadas em locais de atendimento a crianças! Alguém declarou, com grande sabedoria que, “se educarmos as crianças não será preciso punir os homens.” Muitas igrejas mantêm escolas de artes para atender às crianças da região. Algumas delas têm firmado convênios com a Prefeitura para desenvolver programas que visam à promoção da infância, nas áreas de saúde, esporte, lazer e educação. O que a sua igreja tem feito? DISCUSSÃO 1. Jesus encontrou tempo para as crianças. Que tempo ou espaço elas têm encontrado em sua igreja? 2. Você acha que é satisfatório o que a sua igreja tem propiciado às crianças? O que mais pode ser feito? 3. Que contribuição as crianças têm dado aos trabalhos de sua igreja? 08 – O encontro com Marta e Maria Lucas 10.38 a 42 LEITURA DIÁRIA Segunda: Deuteronômio 6.1-9 Terça: João 11.1-46 Quarta: João 12.1-8 Quinta: Atos 17.10-15 Sexta: II Timóteo 3.14-17 Sábado: Filipenses 2.5-18 Domingo: Apocalipse 1.1-3 Todos nós temos nossas aspirações e desejos. Alguns deles podem ser justos e santos, mas, outros, pecaminosos ou inconvenientes. Estes devem ser rechaçados, enquanto aqueles devem ser alimentados no coração. O texto bíblico focalizado mostra quais eram os desejos dos envolvidos naquele encontro com Jesus. São três desejos respaldados pela Palavra de Deus, a qual é viva e eficaz para nos ensinar. BÍBLIA & OPINIÃO 1. Qual é o propósito da vinda de Jesus ao mundo? (Jo 3.16). O que confirma que esse propósito já se cumpriu em sua vida? 2. Que distinção caracteriza o ensino de Jesus? (Mt 7.28,29). O ensino promovido por sua igreja segue esse padrão? 3. Com que propósitos a Bíblia foi escrita? (Jo 20.30,31; Rm 15.4; II Tm 3.16,17). Você pode apresentar exemplos que confirmam essa eficácia da Bíblia? 4. Que exemplo notável se pode ver na cristã chamada Febe? (Rm 16.1,2). Em sua igreja há muitas pessoas semelhantes a ela? 5. De que maneira Cornélio expressou sua devoção a Deus e qual foi o proveito disso? (At 10.1-4). Em que sentido o exemplo dele desafia a você? OBSERVAÇÕES AO TEXTO Apenas Lucas registra esse encontro de Jesus com Maria e Marta. Marta, Maria e Lázaro eram três irmãos que residiam em Betânia (Jo 11.1- 30; 12.1-11). Betâniaficava a pouco mais de 2 km de Jerusalém, no outro lado do Monte das Oliveiras. Essa família sempre hospedava a Jesus e era- lhe muito querida, como se observa nas passagens acima referidas. Em João 12.1 a 3, há o registro da unção de Jesus em Betânia, onde encontramos Marta envolvida com o serviço, e Maria preocupada com a adoração, através de seu gesto de ungir Jesus para a sepultura. As duas irmãs tinham temperamentos diferentes: Marta era dinâmica, enquanto que Maria era mais contemplativa. LIÇÕES DO TEXTO Pelo texto, vê-se que esse encontro caracteriza-se por alguns desejos: 1. O desejo de aprender Maria assentou-se aos pés de Jesus para ouvir-lhe os ensinamentos (v.39). Ela se colocou diante do Mestre, aproveitando a presença dele em sua casa, para aprender e crescer. Maria se mostra mais voltada para a meditação, a reflexão e a adoração. Jesus afirmou que Maria escolheu a boa parte e que ela não seria impedida do privilégio de aprender com ele (v.42). Aprender de Jesus é uma necessidade. O cristão precisa dedicar tempo à leitura da Bíblia, à oração, à comunhão pessoal com Deus. As muitas atividades e preocupações do dia a dia não podem furtar aquele tempo que deve ser reservado para a devoção. É fundamental que haja em cada um de nós o sincero e ardente desejo de aprender, crescer, amadurecer e aprofundar o conhecimento e a experiência com o Senhor Jesus. Podemos deduzir que Maria, ao ungir a Jesus numa outra ocasião, conforme João 12.1 a 8, já sabia do que deveria acontecer com o seu Mestre. Nas conversas com Jesus, ela aprendeu que seu ministério incluía a crucificação e a morte. Se ela fosse alguém que não possuísse desejo de aprender, talvez não tivesse derramado o bálsamo como um gesto de amor e preparação para a sepultura. O cristão que não tem desejo de aprender leva uma vida aniquilada e enfraquecida, sem saber explicar a razão de sua fé. Pedro declara que precisamos saber responder aos que nos pedem explicações sobre a esperança que há em nós (I Pe 3.15). Há igrejas que são muito ativas e fazem muitas programações, mas não têm paciência para se reunir e colocar-se aos pés de Jesus para aprender sua Palavra. 2. Desejo de ensinar O interesse não era apenas de Maria em aprender. Jesus tem um grande interesse em ensinar. Por isso, respondeu a Marta que não podia tirar de Maria aquele privilégio (v.42). Havia nele satisfação em passar aqueles momentos discipulando a Maria e ensinando-lhe a respeito do reino de Deus. Havia propósito naquela visita ao lar de Betânia. Ele foi até lá não para ser servido, mas para servir, para ensinar, para abençoar. Mateus assinala que “Jesus, vendo as multidões, subiu ao monte, e como se assentasse, aproximaram-se os seus discípulos e ele passou a ensiná-los.” (Mt 5.1,2). Ao ver as multidões, Jesus sentiu desejo de ensiná- las. Isso aconteceu, não porque alguém solicitou, mas porque Jesus tinha consciência de seu ministério. Ele via as multidões como ovelhas sem pastor, completamente desorientadas, precisando de orientação para a caminhada (Mc 6.34). São vários os relatos nos Evangelhos, nos quais encontramos Jesus ensinando às pessoas. Seu ministério não era apenas de curas, milagres e exorcismos, mas, principalmente, de ensino (Mt 4.23). Muitos líderes evangélicos estão negligenciando o ministério do ensino na igreja. A educação cristã nem sempre recebe a ênfase que se dá a outros ministérios. Alguns não estão alimentando as ovelhas com a Palavra e com um ensino autêntico das Escrituras Sagradas, tanto no púlpito quanto no sistema de educação religiosa da igreja. Às vezes se limitam a promover adoração e louvor, enquanto outros só falam de milagres e prosperidade material. Em consequência, os crentes permanecem imaturos, desnutridos, legalistas, manipuláveis, etc. Para termos igrejas fortes e saudáveis, é indispensável haver um forte ministério de ensino. Os líderes precisam atentar para essa necessidade vital. Muitos novos convertidos abandonam a igreja por não serem bem discipulados e orientados em sua nova vida com Cristo. Até mesmo em casa, muitos pais não revelam aquele ardente desejo de se assentar com os filhos para ensiná-los na vida espiritual. Inspirados em Jesus, devemos manifestar o máximo interesse em ensinar as coisas de Deus (Mt 28.19,20). 3. Desejo de servir Enquanto Jesus estava desejoso de ensinar e Maria desejosa de ouvir, Marta se mostrava desejosa em servir. O texto revela que ela estava ocupada e agitada com o serviço da casa (v.40). Provavelmente, Marta era a dona da casa e estava preocupada em agradar a Jesus e recebê-lo da melhor maneira possível em seu lar. Ela mostrou-se uma dona de casa muito dinâmica, com muitas responsabilidades e grande interesse de servir. Muitas vezes, somos levados a criticar destrutivamente o comportamento dessa mulher, como se a tarefa doméstica e a preocupação com a casa não tivessem a menor importância. Somos até impiedosos com ela porque não teve a mesma atitude de Maria. Porém, o seu serviço era importante para que Jesus tivesse o melhor em sua casa. Ela não estava fazendo nada que viesse aborrecer ao Senhor Jesus. Somente depois que ela se dirigiu a Jesus, pedindo-lhe que ordenasse a Maria que fosse ajudá-la, é que o Mestre disse que ela estava muito distraída e agitada com o serviço. Não era justo tirar Maria de perto de Jesus para se envolver com as tarefas domésticas, porque aquela conversa não era inútil e nem podia ser adiada. Jesus não fez nenhuma objeção ao seu trabalho, apenas não achou justo que ela interrompesse o aprendizado de Maria. Há muitas pessoas que não sabem dividir o seu tempo entre a contemplação e a ação. Maria não era preguiçosa nem negligente com suas responsabilidades; queria aproveitar a presença de Jesus e receber seus ensinamentos. Marta, da mesma forma, não estava apenas envolvida com o serviço; tinha, por certo, seus momentos de adoração e meditação. Em João 11.21 a 27, ela declara a sua fé em Cristo porque o conhecia e aprendeu com ele. Portanto, é necessário haver um equilíbrio entre essas duas coisas. A maravilhosa experiência da transfiguração fez com que Pedro, João e Tiago desejassem passar mais tempo no monte, contemplando o Cristo transfigurado ao lado de Elias e Moisés. Mas, Jesus mostrou-lhes que lá embaixo havia muito que fazer. Quando desceram, o diabo estava oprimindo a um jovem e havia uma multidão carente (Mt 17.1-21). A igreja precisa de Maria e precisa de Marta. Só pode servir bem, aquele que aprende com Jesus, a seus pés. Só pode dizer que houve aprendizado aquele que traduz isso no serviço de cada dia. A igreja é um lugar de adoração e serviço. DISCUSSÃO 1. Sendo o ensino na igreja algo tão importante, por que muitos não têm prazer em ir às reuniões de estudo bíblico, à Escola Dominical, etc.? 2. Você acha que o ativismo na igreja é sempre sinal de igreja viva? 3. O que sua igreja tem valorizado mais: o ministério de ensino ou o serviço? Ela está correta agindo assim? 09 – O encontro com os Adoradores na entrada triunfal em Jerusalém Lucas 19.28 a 40 LEITURA DIÁRIA Segunda: Isaías 61 Terça: Ezequiel 33.1.20 Quarta: Mateus 21.1-11 Quinta: Lucas 2.8-20 Sexta: Atos 18.24-28 Sábado: Romanos 10.9-15 Domingo: I Coríntios 1.18-25 Toda vez em que atletas participam de grandes competições e voltam para casa como vencedores, são recebidos pelos compatriotas e aclamados efusivamente. O povo se reúne para festejar: com sorrisos, gritos, fogos, música e muita festa. Os atletas são aclamados como os campeões do mundo, os melhores! O estudo de hoje focaliza o grande entusiasmo com que Jesus foi recebido pelo povo, ao entrar em Jerusalém por ocasião da festa da Páscoa. De maneira efusiva, eles glorificaram e aclamaram a Jesus como o rei bendito, que vem em nome do Senhor. Um clima de alegria envolveu a todos; e o evento teve grande impacto sobre a cidade. BÍBLIA & OPINIÃO 1. Nas lembranças do salmista, como é que o povo se dirigia ao templo para cultuar ao Senhor? (Sl 42.1-4). Sua igreja manifesta essa alegria quandose reúne para adorar? 2. Quando os anjos anunciaram aos pastores o nascimento de Jesus, como qualificaram o recém-nascido? (Lc 2.9-14). O que se espera daqueles que reconhecem a Cristo como Salvador e Senhor? 3. Que ordem foi dada por Jesus ao jovem geraseno, após sua libertação espiritual, e como ele a cumpriu? (Mc 5.18-20). Você tem o costume de anunciar o que Cristo fez em sua vida? 4. Quando foram proibidos pelo Sinédrio de anunciar a Cristo, o que disseram Pedro e João? (At 4.19,20). A igreja tem revelado hoje essa mesma determinação em anunciar o nome de Cristo? 5. Qual é o conteúdo da pregação de Paulo? (I Co 1.22-24). Esse conteúdo tem sido a ênfase da mensagem anunciada pela igreja hoje? OBSERVAÇÕES AO TEXTO O episódio descrito no texto básico do presente estudo é comumente denominado: “A entrada triunfal de Jesus em Jerusalém”. Nessa narrativa, daquela que seria a última viagem de Jesus a Jerusalém, o Senhor deixou claro como deseja ser rei: manso e humilde. A profecia messiânica de Zacarias dizia: “Alegra-te muito, ó filha de Sião; exulta, ó filha de Jerusalém: eis aí te vem o teu Rei, justo e salvador, humilde, montado em jumento, num jumentinho, cria de jumenta.” (Zc 9.9). Jesus não escolheu um cavalo branco – símbolo do triunfo militar – para ser conduzido até Jerusalém. Ele não era um Messias político; estava consciente de que a sua arma de guerra seria a cruz. Por isso, entrou humildemente na cidade, montando um jumentinho e sendo ruidosamente aclamado rei por uma numerosa multidão. Eles estenderam vestes e ramos que haviam cortado nos campos, clamaram jubilosamente: “Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas!” (v.38). Esse importante acontecimento se deu por ocasião da Páscoa, a importante festa judaica que reunia em Jerusalém, todos os anos, milhares de pessoas. Ao aproximar-se de Betfagé e de Betânia, perto do Monte das Oliveiras, Jesus enviou dois de seus discípulos para buscar um jumentinho. Betfagé era uma aldeia que ficava a leste do Monte das Oliveiras, cerca de 1,5 km de Jerusalém; Betânia ficava no sopé desse monte, cerca de 3 km, a sudeste da cidade de Jerusalém. LIÇÕES DO TEXTO Tomando por base a manifestação da multidão, as seguintes lições podem ser destacadas a respeito da aclamação que se espera dos súditos do reino de Deus em todas as épocas: 1. Uma aclamação Cristocêntrica A proclamação da multidão naquele dia centralizou-se na Pessoa de Cristo. Os vv. 37 e 38 revelam que a atenção do povo estava voltada para Cristo, apesar da maneira humilde e despretensiosa com que ele entrou n cidade: “E, quando se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz, por todos os milagres que tinham visto, dizendo: Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas!” Jesus não estava montando um cavalo de montaria real; nem estava acompanhado com a pompa que envolvia o cerimonial de entrada de um rei numa cidade. As atenções não estavam voltadas para um espetáculo real, mas para a pessoa de Jesus que, com seu carisma, despertava a simpatia e admiração do povo. A proclamação individual do cristão, bem como a coletiva da igreja, não pode centralizar-se no nome da igreja, nos projetos ministeriais que ela realiza, na tradição eclesiástica de que é herdeira, na Constituição, nos planos e metas da igreja, etc. É imperativo que Cristo seja o centro da proclamação! O compromisso cristão não é simplesmente com um ideal, com uma doutrina, com um corpo de ideias, mas com o sublime evangelho de Deus encarnado na Pessoa de Cristo. Paulo afirma com veemência que o conteúdo da sua pregação era Cristo (I Co 1.23 a 2.5). O apóstolo João foi exilado na ilha de Patmos por causa do testemunho de Jesus, e não por causa de uma ideia ou filosofia (Ap 1.9). Jesus é o rei do reino! O reino inexiste sem a pessoa de Jesus: “Porque dele e por meio dele e para ele são todas as coisas. A ele, pois, a glória eternamente. Amém.” (Rm 11.36). 2. Uma aclamação fervorosa O texto ressalta que Jesus foi aclamado de maneira fervorosa. Eles estendiam pelo caminho as suas vestes; e, quando Jesus chegou, “toda a multidão dos discípulos passou, jubilosa, a louvar a Deus em alta voz (...) dizendo: Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas!” (vv.36-38). Essa cena tão emocionante mostra uma multidão tomada de entusiasmo e fervor, louvando a Jesus e impactando a cidade, sem se importar com o julgamento dos que assistiam àquele cortejo e que reprovavam tal adoração. A proclamação da igreja, hoje, deve se dar com essa mesma empolgação; afinal, somos movidos pelo Espírito Santo a proclamar as grandezas de Deus e a obra da salvação em Cristo: “recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo, e sereis minhas testemunhas tanto em Jerusalém como em toda a Judéia e Samaria e até aos confins da terra.” (At 1.8). O Novo Testamento fala de Apolo, que anunciava com eloquência e fervor de espírito (At 18.24,25). Paulo recomendou aos cristãos de Roma que fossem fervorosos de espírito (Rm 12.11). O que temos para anunciar é por demais precioso e sublime; portanto, devemos anunciar com todo entusiasmo. A atitude de frieza, acomodação e desânimo precisa ceder lugar ao fervor. Evidentemente, isso não quer dizer que gritar ou utilizar uma boa aparelhagem de som seja sinal de entusiasmo. Estamos falando é de um coração inflamado, que inevitavelmente contagia aos que estão à volta. Atos 4.33 relata: “Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e em todos eles havia abundante graça.” 3. Uma aclamação inevitável É interessante observar que alguns dos fariseus tentaram reprimir aquela manifestação popular de proclamação, pedindo a Jesus que repreendesse os discípulos. Entretanto, ele respondeu: “Asseguro-vos que, se eles se calarem, as próprias pedras clamarão.” (v. 40). Com essas palavras, Jesus estava demonstrando que não há como deter ou sufocar a proclamação. Antes de subir aos céus, Jesus reuniu seus discípulos e lhes deu uma ordem muito clara: “ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura.” (Mc 16.15). A ordem de Jesus reflete a importância e a necessidade da proclamação. Pedro e João, apóstolos de Cristo, quando foram intimidados pelo Sinédrio, que queria proibi-los de pregar o evangelho, declararam: “Julgai se é justo diante de Deus ouvir-vos antes a vós outros do que a Deus; pois nós não podemos deixar de falar das coisas que vimos e ouvimos.” (At 4.19,20). Paulo estava tomado da consciência de que a pregação do evangelho é algo que não pode ser dispensado. Ele declara: “Se anuncio o evangelho não tenho de que me gloriar, pois sobre mim pesa essa obrigação, porque ai de mim se não pregar o evangelho.” (I Co 9.16). A igreja pode e deve se ocupar de outras atividades, tais, como: educação, ação social, construções, encontros fraternos, etc.; entretanto, jamais pode dispensar ou menosprezar o ministério da proclamação do evangelho. Nós somos chamados e enviados ao mundo para proclamarmos as virtudes daquele que os chamou das trevas para a sua maravilhosa luz (I Pe 2.9). DISCUSSÃO 1. A proclamação feita por sua igreja é fervorosa? 2. Qual tem sido o conteúdo da proclamação de sua igreja? 3. A concorrência entre as denominações é compatível com uma proclamação Cristocêntrica? 10 – O encontro com Jerusalém por ocasião da Páscoa Lucas 19.41 a 44 LEITURA DIÁRIA Segunda: Neemias 1.1-11; 2.1-10 Terça: Salmo 122 Quarta: Salmo 137 Quinta: Mateus 23.37-39 Sexta: Mateus 24.1-14 Sábado: Lucas 13.22-35 Domingo: Lucas 23.27-32 A maioria da população mundial vive nas grandes cidades – cidades enormes, superpopulosas, afetadas por desemprego, fome, doenças e criminalidade; cidades onde os serviços básicos como a eletricidade, o abastecimento de água, a rede sanitária e a coleta de lixo estão muito aquém do desejável ou até mesmo do necessário. É nesse cenário dramáticoque a igreja pode e deve fazer diferença, na condição de agência de transformação social. Jesus preocupou-se com a cidade. Seu exemplo deve nos inspirar. O estudo de hoje propõe uma abordagem em torno dessa preocupação que levou o Senhor a chorar diante de Jerusalém quando para lá se dirigiu a fim de participar daquela que seria sua última Páscoa. BÍBLIA & OPINIÃO 1. Que responsabilidade tem o povo de Deus em relação à sua cidade? (Jr 29.7). Sua igreja tem cumprido essa responsabilidade? 2. Qual foi a reação da cidade de Nínive ao ouvir a proclamação da mensagem do Senhor? (Jn 3.5,6). Como tem sido a reação de sua cidade à pregação do evangelho? 3. Considerando o que ocorreu com Sodoma e Gomorra, que consequências sobrevirão aos que rejeitarem a vontade de Deus? (Lc 17.28,29; II Pe 2.6). Os cristãos demonstram crer no juízo divino? 4. Que exemplo se vê em Neemias, diante das aflições que atingem a cidade? (Ne 1.3,4; 2.17,18). Você já participou de ações para socorrer sua cidade em tempos de calamidade? 5. Em seu lamento sobre Jerusalém, que denúncia Jesus apresenta contra a cidade? (Lc 13.34). Sua igreja tem demonstrado essa mesma preocupação em relação à salvação da sua cidade? OBSERVAÇÕES AO TEXTO O texto tomado por base para o estudo de hoje faz parte do relato acerca da Paixão de Cristo. Percebe-se que o texto em pauta forma um grande contraste com o anterior. O anterior (Lc 19.28-40) apresenta um cenário de júbilo e alegria em virtude da entrada triunfal de Jesus em Jerusalém. Porém, ao se aproximar de Jerusalém, Jesus chorou. Nos vv. 41 a 44, Lucas apresenta as motivações que levaram Jesus a irromper em pranto. O lamento diante da cidade de Jerusalém pode ser considerado o prelúdio do sofrimento de Cristo nesta fase derradeira de sua vida terrena. A partir da sua entrada em Jerusalém, mais uma página trágica começava a ser escrita na história daquela cidade. Um evento dramático tomaria conta da cidade: o Filho de Deus haveria de ser crucificado e Jerusalém seria o palco dos acontecimentos. LIÇÕES DO TEXTO Diz o v. 41 que Jesus, “quando ia chegando, vendo a cidade, chorou.” Analisando a narrativa de Lucas, é possível verificar as razões que motivaram as lágrimas que traduzem a compaixão de Cristo. 1. Jesus chorou porque contemplou uma cidade sem conhecimento Jerusalém era uma cidade insensível e não conhecia o que era devido à paz (v.42). Nas palavras de Leon Morris, devemos entender essa paz referida, como “a paz com Deus, o relacionamento correto entre a criatura e o Criador, o que é o ingrediente para a paz verdadeira.” Mas, Jerusalém não conhecia isso; estava próxima ao templo do Senhor, mas longe do Senhor do templo. Na última vez em que havia visitado a cidade, Jesus exclamara: “Jerusalém! Jerusalém! Que matas os profetas e apedrejas os que te foram enviados!” (Mt 23.37-39). Essa atitude da cidade revela seu desconhecimento das coisas que diziam respeito à paz. Ao contemplar, com seu olhar de misericórdia, essa cidade insensível e destituída de conhecimento, Jesus não resistiu: chorou lágrimas de compaixão. Nas palavras de Martin Weingaertner “Jesus deseja que Jerusalém reconheça, que aceite o que (serve) para a paz. De maneira indireta Jesus convida para a fé no príncipe da paz, pois não é isto ou aquilo que serve para a paz, mas é o próprio Jesus, o portador da paz abrangente e plena.” Ao considerarmos a atitude de Jerusalém, não podemos nos esquecer de que estamos em um mundo que também demonstra desconhecer o que é devido à paz, por causa do seu distanciamento de Deus. Quando não há conhecimento de Deus, a miséria e o caos se estabelecem. O profeta Oseias diz que o Senhor tem uma contenda com os habitantes da terra “porque nela não há verdade, nem amor, nem o conhecimento de Deus.” Deus diz através do profeta: “O meu povo está sendo destruído porque lhe falta o conhecimento.” (Os 4.1-6a). Mais de 400 anos se passaram depois que Oseias proferiu essas palavras; e, quando Jesus chegou a Jerusalém, a cidade continuava sem conhecimento. Hoje, cerca de 2000 anos depois, o mundo continua a evidenciar falta de conhecimento. Contemplando essa triste situação e alarmado diante dela, um poeta cristão escreveu: “Há muitos que, perdidos, Pro fim caminham, sem saber Vão, sem ouvir da paz! Sem conhecer a paz. Será que não nos pesa Deixar que morram sem saber, Que só Jesus é paz? Que só em Cristo há paz?” Jesus haverá de voltar, não apenas para Jerusalém, pois todo olho o verá. Só que, desta vez, ele virá não para chorar, não para ter compaixão, mas para julgar o mundo. 2. Jesus chorou porque contemplou uma cidade que seria destruída De acordo com os vv. 43 e 44, um triste futuro estava reservado a Jerusalém. A cidade haveria de ser destruída, como Jesus profetizara (Mt 23.38; 24-1,2). De fato, isso aconteceu pouco tempo depois, no ano 70, quando o exército romano, comandado pelo general Tito, a invadiu. Ao contemplar aquela cidade tão cheia de si, injusta e insensível, Jesus chorou. Ele sabia que a destruição fatalmente viria. No caminho para o Calvário, Jesus voltou a exortar a cidade, dirigindo-se às mulheres que lamentavam o seu sofrimento (Lc 23.28-30). Mas, a maioria da cidade permaneceu como estava, não dando ouvidos às palavras de Jesus. Jesus contempla, ainda hoje, um mundo que caminha para a destruição; e o seu olhar misericordioso paira sobre este mundo. O registro sagrado fala sobre a destruição iminente (II Pe 3.7). Diante disso, devemos proceder diferentemente dos habitantes de Jerusalém, dando ouvidos às palavras de Jesus e alertando o mundo quanto ao juízo que Deus trará sobre a Terra. 3. Jesus chorou porque contemplou uma cidade que desperdiçou a oportunidade de salvação O v.44 evidencia esse triste fato. Jerusalém foi palco dos grandes acontecimentos da história da redenção: antes, durante e depois do ministério de Cristo. Era a cidade das promessas feitas por Deus. Foi o ponto de partida para a cristianização do mundo. Em Jerusalém, a igreja foi fundada no dia de Pentecostes. De fato, Jerusalém ocupava um lugar importante na história sagrada. Mas, até hoje, ela continua a desperdiçar a oportunidade de salvação por não reconhecer a Jesus como o Messias, o Filho de Deus, o Salvador do mundo. Conforme a declaração de Jesus, registrada pelo evangelista Mateus, Jerusalém teve muitas oportunidades (Mt 23.37). A insensibilidade da cidade, que fez Jesus verter lágrimas de compaixão e pesar, retrata muito bem a maneira como o mundo de hoje encara a oportunidade de salvação. As pessoas, muitas vezes, se mostram mais interessadas em seus negócios, em sua profissão, em seus estudos, em seus amigos, no templo, na religiosidade legalista, tal qual aqueles que crucificaram a Jesus. Muita gente está mais preocupada com o que dizem as autoridades políticas, religiosas e outras, do que com as palavras que procedem da boca de Deus. Estamos vivendo um período de graça, em que a salvação é extensiva a todos: Deus “deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.” (I Tm 2.3,4). Porém, muitos não querem saber disso e estão desperdiçando a oportunidade de salvação. Mas o “Dia do Senhor” virá! (II Pe 3.10). Diante disso, somos exortados a não receber em vão a graça de Deus: “eis agora o tempo sobremodo oportuno, eis agora o dia da salvação.” (II Co 6.2). Conforme Robert Linthicum, “para os pobres e oprimidos da cidade, para os perdidos e não evangelizados da cidade, para os ricos e os da classe média ‘beneficiados’ e seduzidos pelos sistemas de suas cidades, para os sistemas e estruturas em si mesmas, possuídas por um demônio que abusa dessa cidade, Cristo e sua igreja são a única esperança.” DISCUSSÃO 1. Sua igreja tem se mostrado relevante em sua cidade? 2. Qual tem sido a reação de sua cidade em resposta à missão da igreja? 3. O que significa chorar pela cidade? 11 – O encontro com os Discípulos na celebração da Páscoa João 13.1 a 20 LEITURA DIÁRIA Segunda: Salmo 138 Terça: Marcos 9.33-37 Quarta: Marcos 10.35-45Quinta: Lucas 18.9-14 Sexta: João 1.15-31 Sábado: João 15 Domingo: Colossenses 3.12-17 Em seu livro O Capitão Amado, Donald Hankey descreve a existência de um servo: “Todos os soldados sabiam que o Capitão era o chefe, um homem de caráter forte. Ele foi humilde sem perder a dignidade. Nenhum problema dos soldados era insignificante para ele. Quando havia marchas, os pés dos soldados ficavam feridos e doloridos. Depois de cada marcha havia uma fiscalização de pés. Isso era rotineiro, mas, para o Capitão, não era uma simples rotina. Ele entrava nos alojamentos e, se alguém tinha um pé ferido, ajoelhava-se e cuidava dele como se fosse médico, indicando algum remédio. Ele fiscalizava a aplicação do medicamento. Não havia nada de artificial em sua atitude. Não pretendia causar nenhuma impressão. Somente sentia que os pés dos soldados eram importantes. Para os soldados, havia algo quase que religioso nesse cuidado com os pés. Parecia haver no Capitão algo de Cristo e, por isso, ele era muito respeitado e obedecido.” Neste estudo aprenderemos a respeito da humildade e da vida de servo que devem caracterizar o cristão. BÍBLIA & OPINIÃO 1. Quais são algumas das condições exigidas por Deus para abençoar o seu povo? (II Cr 7.14-16). Você acha que somos privados de bênçãos por causa da inobservância dessas exigências? 2. Que tratamento Deus destina aos soberbos? (Pv 16.18; I Pe 5.1). Você já lidou com pessoas soberbas? Se já lidou, como agiu? 3. Que recompensas estão reservadas aos humildes? (Pv 29.23; Mt 5.3; Lc 14.11). A fé nessas promessas tem feito diferença em sua maneira de viver? 4. Que atitudes devem ser cultivadas no relacionamento entre os irmãos em Cristo? (Rm 12.9-21). Em sua comunidade as pessoas agem dessa maneira? 5. O que aprendemos da atitude de Cristo descrita em Filipenses 2.5 a 11? Você tem conseguido seguir o exemplo de Cristo? OBSERVAÇÕES AO TEXTO Apenas o evangelista João narra a cena do lava-pés. O cerimonial da Páscoa, que comemorava a libertação do cativeiro egípcio (Êx 12), estava para ser realizado. Jesus tomou uma toalha e se cingiu (atar em volta de si); com a água na bacia, passou a lavar os pés dos discípulos. Lavar os pés era um ato comum na Palestina, cujas estradas eram poeirentas. As pessoas usavam sandálias de correias e os pés ficavam empoeirados. O hospedeiro sempre oferecia, na entrada da casa, água, bacia e toalha aos hóspedes. Lá no cenáculo, onde estava reunido com os discípulos, Jesus fez um serviço que era dos escravos, dos criados, dos humildes, o que causou admiração a Pedro. A água é símbolo de purificação ou regeneração (Jo 3.5). Daí, o lava- pés ser um meio pelo qual os discípulos teriam parte com Jesus (v.8). Jesus deu um autêntico exemplo de humildade e recomendou que o imitassem (v.15). De acordo com McNair, Jesus praticou esse ato pelas seguintes razões: 1º) Em vista de sua partida para o Pai; 2º) Como prova do seu amor; 3º) O pleno reconhecimento de todo o seu poder divinal; 4º) O cumprimento de sua missão. LIÇÕES DO TEXTO A partir da cena do lava-pés, podemos aprender, dentre outros, os seguintes ensinamentos para uma boa vivência cristã: 1. O amor deve ser incondicional No versículo 1, Jesus demonstra um verdadeiro amor pelos discípulos. Apesar de saber que sua hora era chegada e que aqueles discípulos eram fracos e imperfeitos, manifestou-lhes seu profundo e inalterável amor. Os defeitos daqueles homens não esgotaram a paciência do Mestre. Nada pode alterar o amor de Cristo para conosco (Rm 8.38,39). Durante o ministério de Jesus percebem-se ações concretas de um verdadeiro amor, através do socorro aos atribulados, da cura dos enfermos, da salvação dos pecadores, etc. O amor de Jesus se estende a toda a humanidade. Ele não poupou sacrifícios para provar esse amor. A maior prova desse amor incondicional está no fato de termos sido amados primeiro (I Jo 4.19). Éramos pecadores e estávamos distantes do Pai, mas fomos alcançados pelo seu perfeito amor. Vale a pena recordar o amor demonstrado pelo pai ao seu filho pródigo que, mesmo depois da desobediência do filho, o acolheu de coração e braços abertos (Lc 15.11- 24). Salomão, o grande sábio, recomendou amor em todo tempo; Jesus foi além, dizendo que devemos amar até mesmo os inimigos (Pv 17.17; Lc 6.27). Hoje se fala muito em amor, mas há pouca manifestação do verdadeiro amor. Alguns se amam em determinadas ocasiões ou circunstâncias, mas, logo a desavença toma lugar. O amor legítimo é incondicional; é preciso amar mesmo sem ser amado. 2. A humildade deve ser comprovada Jesus comprovou sua perfeita humildade através daquele ato concreto de lavar os pés de seus discípulos. O evangelho ensina e exige humildade, não a humildade aparente dos que se orgulham de ser humildes, mas a humildade real e despretensiosa dos que julgam os outros superiores a si mesmos. Pascal declarou: “A falsa humildade é puro orgulho.” Está claro, na Bíblia, que Jesus viveu uma vida de humildade desde o seu nascimento até a sua morte (Fp 2.5-8). Ele declarou: “Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração.” (Mt 11.28). A soberba da vida é um dos princípios pecaminosos que operam no mundo. Todo orgulho é contrário à natureza divina; e toda soberba se opõe aos modelos do evangelho. Devemos nos humilhar sob a poderosa mão de Deus, na certeza de que, no tempo oportuno, ele nos exaltará (I Pe 5.5,6). Todo orgulho ou soberba leva a resultados desastrosos (II Sm 22.28; Pv 11.2; 16.18). É lamentável o fato de que em determinadas igrejas existam aqueles que desejam assumir a liderança por causa de honra, posição, elogios e sede de poder. Conflitos, discórdias e desentendimentos são gerados pela falta da humildade. Diante disso, vale a pena observar a recomendação paulina (Rm 12.3). 3. A purificação deve ser completa Segundo o texto, até mesmo dentre os que acompanhavam a Jesus, nem todos tinham sido purificados dos seus pecados (v.10). A lavagem dos pés aponta a necessidade da confissão diária dos pecados para se manter a comunhão com Cristo. Os pés é que estão em contato com a terra e, naturalmente, ficam sujos. Nós já estamos limpos pelo sangue de Cristo; mas, estando ainda sobre a terra, em contato com o mal, podemos sujar os pés, praticar pecados e, se Cristo não nos lavar desses pecados, não poderemos ter parte com ele. É imprescindível ser alcançado pelo lavar regenerador do Espírito Santo (Tt 3.5). Jesus ensina que, para termos comunhão com ele, é necessária a purificação da contaminação do pecado. Somente os limpos de coração verão a Deus (Is 1.16; Mt 5.8). Uma vida de purificação completa é uma vida santificada. Ser santo, isto é, puro, separado e consagrado é a exigência bíblica (I Pe 1.16). É bom lembrar que o sangue de Jesus nos purifica (I Jo 1.7-9). Portanto, devemos eliminar toda espécie de maldade ou impurezas, tais como: ódio, ciúme, avareza, ira, vícios, etc., pois, assim comprovaremos que já fomos regenerados em Cristo Jesus. 4. O serviço deve ser uma expressão de amor e dedicação O propósito de Jesus com essa lição de humildade é nos ensinar a servir uns aos outros. A palavra “servo”, no grego, é doulos, que significa “escravo”. Jesus exemplifica a escravatura em “serviço ao Pai”. É preciso seguir as pegadas de Jesus (I Pe 2.21; I Jo 2.6). Ele declarou com muita propriedade: “Não vim para ser servido, mas para servir.” (Mt 20.28; Lc 22.27). Sua recomendação é clara: “eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.” (v.15). Para muitos, o lava-pés era uma atitude tão inferior que era quase impossível ser praticada. Porém, na lição dada por Jesus, o ato de lavar os pés indica um serviço humilde e dedicado. Não existe serviço, por mais humilde ou modesto que seja, do qual devamos nos envergonhar; especialmente se resultar em benefício de nossos irmãos e concorrer para a glória de Deus. Aqui, Jesus está ensinando a respeito do novo mandamento que é o amor, o qual deve ser comprovado através de um serviço humilde. Comodiscípulos de Jesus, somos chamados a servir. Ele prestou um serviço modesto para nos ensinar que o nosso alvo deve ser uma vida dedicada a servir. Aprendamos com Jesus! DISCUSSÃO 1. É fácil identificar a genuína humildade? 2. Você acha que há algum trabalho lícito que seja humilhante? 3. A sua igreja serve a comunidade onde está inserida? Como ela é vista pela sociedade? 12 – O encontro com os Malfeitores na Cruz Lucas 23.33 a 43 LEITURA DIÁRIA Segunda: Isaías 6.1-8 Terça: Isaías 38.1-8 Quarta: Isaías 53 Quinta: Mateus 25.31-46 Sexta: I Tessalonicenses 4.13-18 Sábado: Hebreus 2.5-18 Domingo: Apocalipse 20.11-15 Em São Paulo, mais exatamente na Praça da Sé, onde está a confluência das linhas do metrô paulistano, nota-se em meio à grande agitação do lugar, uma mulher bem vestida, acabrunhada e tensa, como que a procurar algo importantíssimo. Essa mulher, aparentemente bem ajustada, traz em seu coração o desespero, a angústia, a dor, a solidão de uma vida marcada pelos problemas e desencontros da vida. Ali estava ela a procurar por alguém que, no corre-corre do dia, pudesse auxiliá-la, aconselhá-la, ou oferecer-lhe consolo. Abordando um senhor que passava, chorando ela abre o seu coração expressando toda a sua aflição. O homem, apressadamente, responde à mulher: “Minha senhora, a vida é assim mesmo, todo mundo tem problemas”. Em seguida, ele vira as costas e se vai. Ao retornar, encontra outro quadro: uma multidão perplexa, parada diante do corpo daquela mulher que se atirara, desesperada, do segundo andar da estação metroviária. Aquele foi um encontro final. Esse fato trágico pode nos dar ideia da responsabilidade que temos quando encontramos algumas pessoas, mesmo que sejam estranhas a nós. Aquela pode ser a última oportunidade. BÍBLIA & OPINIÃO 1. O que este texto bíblico ensina sobre a atenção que se deve dar à Palavra de Deus? (Hb 3.7,8 e 15). Você conhece pessoas de coração endurecido? O que se pode fazer por tais pessoas? 2. De alguma forma, todos se encontrarão com Cristo um dia. O que acontecerá nesse encontro final? (II Co 5.10). O cristão precisa temer esse encontro? Por quê? 3. Diante da realidade da morte, que conselho dado ao rei Ezequias devemos tomar também para nós? (Is 38.1). Você está preparado para morrer? 4. Segundo Jesus, que surpresa haverá por ocasião da sua vinda? (Mt 7.21-23). Diante disso, que cuidados devem ser tomados? 5. O que Paulo pensava sobre viver e morrer? (Fp 1.21). E você, o que pensa sobre isso? OBSERVAÇÕES AO TEXTO O texto tomado por base para o presente estudo encontra-se no Evangelho de Lucas, que teologicamente, visa apresentar a Pessoa de Jesus como o Filho do homem. Por isso, o evangelista (que também era médico, conhecedor profundo da realidade física humana) se detém às descrições pormenorizadas sobre os sofrimentos, angústias e necessidades humanas de Jesus. U. Wegner observa que o relato contido nesse texto “é a história de dois malfeitores crucificados com Jesus, um à sua direita, outro à sua esquerda. Marcos e Mateus não apresentam narrativas sobre essas duas pessoas, apenas duas curtas referências no início e no final da narrativa sobre a crucificação: ‘E os mesmos impropérios lhe diziam também os ladrões que haviam sido crucificados com ele’ (Mt 27.38,44); ‘...Também os (ladrões) que com ele foram crucificados o insultavam’ (Mc 15.27,32). A grande particularidade de Lucas frente aos relatos de Mateus e Marcos é que, segundo a sua tradição, apenas um dos malfeitores insultou Jesus. O segundo defendeu-o das críticas, assumiu-se como culpado pelo castigo e implorou para que Jesus não o esquecesse quando da vinda de seu reino.” Esse texto relata parte do período derradeiro da vida e ministério de Jesus. Ele pregou o amor e recebeu como pagamento o ódio; proclamou o perdão e recebeu a condenação; buscou a dignidade do ser humano e foi condenado junto com dois malfeitores. LIÇÕES DO TEXTO Nesse encontro de Jesus com os malfeitores, podem-se destacar as seguintes lições: 1. Diante de Cristo o homem tem a visão real de si mesmo É diante do Cristo crucificado, somente diante dele, que o homem pode se ver como realmente é. É diante do Cristo da cruz que a nossa verdade, a verdade vivencial daquilo que realmente somos, aflora inegavelmente. O texto nos mostra que, na cruz, pendurado no madeiro, abre-se diante de Jesus um momento de reflexão pessoal. Os malfeitores olham para ele e, um deles, mesmo com seus deboches e desespero de incredulidade, deixa saltar de seus lábios esta palavra: “Não és tu o Cristo?”. Diante do Cristo crucificado, a verdade de Deus nos desnuda, assim como permeou a consciência do outro malfeitor que bradou: “Nem ao menos temes a Deus, estando sob igual sentença? Nós, na verdade, com justiça, porque recebemos o castigo que os nossos atos merecem; mas este nenhum mal fez. E acrescentou: Jesus, lembra-te de mim quando vieres no teu reino.” (vv.40-42). Diante de Jesus, ninguém poderá dizer ou tentar se justificar, pois a Palavra declara: “todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3.21); e mais: “o salário do pecado é a morte” (Rm 6.23). Ninguém se achará digno, diante de Deus, que possa abrir o livro; ninguém nos céus e na terra poderá fazê-lo, a não ser o Cristo de Deus, o Leão da Tribo de Judá (Ap 5.3-5). Ele é digno, pois a verdade revelada na cruz é que somente ele reuniu as condições para satisfazer a justiça de Deus, entregando-se em sacrifício. Como afirma Paulo, “Aquele que não conheceu pecado, ele o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.” (II Co 5.21). 2. A extensão da misericórdia de Deus Mesmo conhecendo a injustiça humana; e ainda que pudesse se livrar de tão grande sofrimento, Jesus não hesitou, pois tinha consciência de sua missão (Mt 26.53,54). Assim, “ele foi oprimido e humilhado, mas não abriu a boca; como cordeiro foi levado ao matadouro; e, como ovelha muda perante os seus tosquiadores, ele não abriu a boca.” (Is 53.7). Jesus “derramou a sua alma na morte; foi contado com os transgressores; contudo, levou sobre si o pecado de muitos e pelos transgressores intercedeu.” (Is 53.12). Foi ultrajado, mas manifestou misericórdia; misericórdia que alcançou o malfeitor contrito, produzindo salvação, ainda que às portas da morte. Isso, porque o nosso Deus é Deus de misericórdia. Segundo o apóstolo Paulo, “Deus prova o seu próprio amor para conosco pelo fato de ter Cristo morrido por nós, sendo nós ainda pecadores.” (Rm 5.8). A misericórdia de Deus é proclamada através da mensagem de João 3.16: “Porque Deus amou ao mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” 3. O descortinar da realidade futura Se aqueles dois malfeitores durante a vida inteira pensaram igual, agiram de igual forma e produziram os mesmos frutos, a partir daquele encontro final que tiveram com Jesus os caminhos deles se tornaram diferentes. Um deles optou pelo caminho do endurecimento e rejeição, enquanto o outro abraçou o caminho do arrependimento e da rendição a Cristo. É interessante observar que, ali mesmo, as reações deles já se mostraram diferentes. Um demonstrou desesperada indignação, enquanto o outro demonstrou serenidade e esperança. Para o malfeitor insolente, que extravasou sua incredulidade e para todos os que hoje rejeitam a Cristo, o desespero presente é um sinal da realidade futura que os aguarda (Lc 13.28). Para o malfeitor contrito, que na sua condenação reconheceu o justo merecimento de seus atos; que reconheceu em Jesus o próprio Deus inocente (vv.40,41); que reconheceu a majestade de Cristo e do seu reino (v.42); que conseguiu ver além da morte que chegava, o consolo presente que marcou esse encontro é o sinal da esperança na vida que transcende a morte. Felizes aqueles que, ao adormecer, podem ouvir Cristo sussurrando aos seus ouvidos: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso.” Na análise de U. Wegner, ao malfeitor arrependido “Jesus lhe prometeu: participação no paraíso,como lugar reservado para os eleitos e eleitas de Deus; sua presença salvífica (‘estarás comigo...’) e a vigência imediata dessa promessa: ‘Hoje!’ Jesus é filho de seu tempo e expressa aqui uma convicção judaica amplamente difundida na época, segundo a qual imediatamente após a morte os eleitos de Deus iriam ao paraíso para o aguardo da ressurreição final e da vinda do Reino de Deus (Gourgues, p.26- 30)”. Aí estão, portanto, duas realidades distintas, podendo, uma delas, envolver a cada um de nós, diante do encontro com Jesus. DISCUSSÃO 1. Diante da cruz de Cristo, pergunta-se: a) Que visão você tem de si? b) Que visão os outros têm de você? c) Que visão você acha que Deus tem de você? 2. Há alguma diferença entre aceitar a Cristo cedo ou na última hora? 3. É possível ao crente ter certeza de sua salvação? 13 – O encontro com Tomé após a Ressurreição João 20.19 a 29 LEITURA DIÁRIA Segunda: Gênesis 6 Terça: Gênesis 22.1-19 Quarta: Mateus 13.53-58 Quinta: Marcos 9.14-29 Sexta: Romanos 4.18-25 Sábado: Romanos 11.11-24 Domingo: Hebreus 3.7-19 O nome “Tomé” ficou definitivamente associado à dúvida. A origem disso tem a ver com a atitude questionadora do discípulo de Jesus que expressou a necessidade de tocar com as próprias mãos no corpo de Jesus para que pudesse crer na sua ressurreição. Mesmo diante do testemunho de seus companheiros, Tomé estabeleceu como condição “ver para crer”. Ao longo dos séculos, a atitude de Tomé tem sido imitada por muitas pessoas, no tocante à fé. Fala-se da vida de fé, mas vive-se como se Deus estivesse morto. Muitos se recusam a crer, por não disporem de provas experimentais e científicas. Como Jesus reage diante da incredulidade daqueles que querem ver para crer? O que aprendemos desse encontro? BÍBLIA & OPINIÃO 1. Segundo a definição da Carta aos Hebreus, o que é fé? (Hb 11.1). Exercitar a fé é fácil ou difícil? 2. O que ensina Hebreus 12.6 a respeito da fé? O que devemos fazer quando não conseguimos acreditar que Deus irá agir em determinada situação? 3. Que atitude teve Jesus em relação aos que não creram na notícia de sua ressurreição? (Mc 16.14). Como lidar com as pessoas que, hoje, não creem na morte e ressurreição de Cristo? 4. Segundo o ensino de Judas, qual é a nossa responsabilidade em relação aos que têm dúvida? (Jd 22 e 23). A sua igreja tem ajudado pessoas nessa situação? 5. O que é dito por Paulo a respeito do dom da fé? (Tt 1.1-4). Segundo o texto, que atitudes acompanham a verdadeira fé? OBSERVAÇÕES AO TEXTO Esse episódio do encontro de Jesus com Tomé situa-se entre os quadros das aparições do Cristo Ressuscitado, o qual se fez realidade visível e palpável para centenas de seguidores (I Co 15.3-8). A comunidade de discípulos, reunida no 1º domingo da ressurreição, que adotou a partir de então o hábito de se encontrar regularmente no 1º dia da semana, recebeu a visita de Jesus. Maria Madalena comunicou aos discípulos a tão importante notícia! (Jo 20.18). Ao cair da tarde daquele dia, os discípulos estavam reunidos. Entretanto, Tomé, também chamado Dídimo ou Gêmeo (Jo 11.16), por algum motivo, não comparecera à reunião dos discípulos naquele dia. Ele já tinha ouvido Jesus falar reiteradamente sobre o propósito de sua missão, bem como a maneira como os fatos iriam se desenrolar. Juntamente com os Doze, recebera as instruções concernentes à morte e ressurreição de Jesus (Jo 6.51-56). Foi ele mesmo quem se ofereceu para morrer com Jesus (Jo 11.16). Também foi Tomé quem indagou de Jesus o caminho para o céu (Jo 14.4-6). Porém, mesmo ouvindo o testemunho dos seus companheiros, os quais afirmaram: “vimos o Senhor”, Tomé exigiu uma confirmação palpável (v.25). Não crer na ressurreição é o mesmo que não crer no próprio Cristo. A ressurreição é o centro da fé cristã. Foi por isso que Jesus se apresentou visivelmente àqueles que creram (vv.19-22). Tomé desejou ter um contato pessoal com Jesus para conferir a notícia recebida. O que se pode aprender desse encontro entre Jesus e Tomé? LIÇÕES DO TEXTO 1. Jesus corrige a incredulidade No 2º domingo após a ressurreição, Jesus se apresentou outra vez aos discípulos reunidos. Ele atravessou as portas trancadas (v.26) e transmitiu a mesma saudação anterior, estando Tomé, desta vez, reunido com os demais discípulos. Encontraram-se face a face: Jesus e Tomé. E agora? A pergunta de Jesus foi direta. Todos testemunhavam aquele encontro, assim como testemunharam a incredulidade de Tomé. As expressões de Jesus tornaram- se objetivas, confrontando a incredulidade de Tomé: “não sejas incrédulo, mas crente”. Disse-lhe ainda Jesus: “Porque me viste, creste? Bem- aventurados os que não viram e creram.” Jesus manifestou sua reprovação à atitude incrédula de Tomé. Em outras ocasiões, ele já havia reprovado a incredulidade dos discípulos (Mt 17.17; Mc 16.14). A palavra de Jesus pretende não apenas reprovar a incredulidade, mas, também corrigi-la: “não sejas incrédulo, mas crente”. Só se vence a incredulidade com a atitude de fidelidade. Não basta dizer que não é incrédulo: é necessário cultivar a fé. Segundo a Bíblia, Deus prometeu um filho a Abraão; e, mesmo que, aos olhos humanos, já não dispusesse mais de condições físicas para tal, “não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas pela fé se fortaleceu dando glória a Deus, estando plenamente convicto de que ele era poderoso para cumprir o que prometera.” (Rm 4.20-21). 2. Jesus permite a experiência da fé Tomé manifestou o desejo de tocar no Cristo ressurreto; e, diante dos demais discípulos, Jesus tomou a iniciativa e o convidou a que o tocasse. Jesus aceitou o desafio de Tomé e permitiu o seu toque comprovador. Ele conhecia a fraqueza de Tomé, aceitou o seu questionamento e permitiu-lhe a experiência de comparação. Segundo os professores Juan Mateus e Juan Barreto, “a experiência de Tomé não é modelo”; contudo, “todo discípulo, de qualquer época, tem que ver o Senhor e essa visão realiza-se ao experimentar-se a vida que ele comunica (Jo 14.19)... é a comunicação do Espírito que produz essa espécie de visão.” Nesse aspecto, cada pessoa precisa conhecer de perto a Jesus, mediante uma experiência pessoal. Há muitos “crentes” por aí que se declaram seguidores de Jesus, mas vivem a duvidar do poder do Deus vivo. Será que Tomé precisou tocar em Jesus? Comenta C. H. Dodd que, no texto, “não se diz que Tomé tenha de fato tocado o corpo do Senhor, nem podemos deduzir... mas, certamente se sugere que Tomé poderia tê-lo tocado, embora já não sentisse mais necessidade de fazê-lo; e pode ter deixado de tocá-lo por reverência.” Mas, diz o texto que Jesus se colocou à disposição de Tomé; e a reação dele foi: “Senhor meu e Deus meu!” (v.28). Percebe-se que ele passou do questionamento para a submissão, reverenciando a Jesus e reafirmando sua pertença a ele. Essa é uma atitude que retrata a aceitação pessoal do plano divino. Na vida cristã, vezes sem conta, nos assemelhamos a Tomé: queremos ver para crer. E, para chegarmos a assumir uma postura de fé incondicional, somos levados a questionar os planos de Deus. É nesse sentido que, segundo Paul Tillich, “a dúvida faz parte da fé.” Tomé estava na companhia dos discípulos, cheio de dúvida; mas, ao se encontrar com Jesus, brotou em seu coração uma fé reverente e submissa ao Senhor. Diz o pastor Lindolfo Weingärtner que Tomé “levou suas dúvidas ao único lugar em que tinha chances de livrar-se delas; o lugar em que o próprio Jesus estava presente em meio aos seus discípulos... Ele tem uma resposta para nós.” O grande problema da dúvida é quando a dúvida nos empurra para uma direção oposta a Cristo. 3. Jesus identifica a verdadeira fé Diante da oportunidade, Jesus aproveitou para ensinar o verdadeiro sentido da fé, que é muito mais do que ver, sentir, apalpar. Ensina Jesus: “Bem-aventurados os que não viram e creram.” (v.29). Felizes são aqueles que vivem pela fé, na perspectiva do ensino de Hebreus 11.1. Aqui está o verdadeiro sentido da fé, que não depende de algo palpável para se manifestar.Não se pretende, absolutamente, dizer que a fé seja “um pulo no escuro”; ou que seja uma aventura irracional. O que se pretende ressaltar é que a fé não depende de circunstâncias especiais (Rm 8.23-25). Atualmente, muitos grupos religiosos só fazem propagandas de “milagres”, desafiando as pessoas a ver para crer. Porém, Jesus afirma que felizes são os que não viram e creram. S. Kierkgaard, o famoso filósofo existencialista dinamarquês, afirma que, do ponto de vista da lógica, de todas as religiões, o Cristianismo é a mais absurda, pois fala em crer para depois ver. De fato, como afirma Paulo, “nós pregamos a Cristo crucificado, escândalo para os judeus, loucura para os gentios” (I Co 1.23). O ensino de Jesus propõe “crer para ver”. A conclusão do encontro de Jesus com Tomé abre uma porta do evangelho para os que virão a crer. Em nossa fraqueza, devemos orar como o pai do menino liberto por Jesus: “eu creio, ajuda-me na minha incredulidade.” (Mc 9.24 – A Bíblia de Jerusalém). Segundo a Escritura, “sem fé é impossível agradar a Deus.” (Hb 11.6); e mais: “o meu justo viverá pela fé.” (Hb 10.38). DISCUSSÃO 1. O que o grupo pensa da atitude de “fazer prova de Deus?” 2. Você acha que a fé é a causa do milagre? 3. Fé e razão. Você acha que uma coisa exclui a outra? Autores dos Estudos: Rev. Dionei Faria (Estudos 01 e 07) Rev. Anderson Sathler (Estudos 02, 09 e 11) Rev. Sérgio Pereira Tavares (Estudos 03 e 08) Rev. Eneziel Peixoto de Andrade (Estudos 04 e 10) Rev. Wilson Emerick de Souza (Estudos 05, 06 e 13) Rev. Carlos de Oliveira Orlandi Jr. (Estudo 12) Your gateway to knowledge and culture. Accessible for everyone. z-library.se singlelogin.re go-to-zlibrary.se single-login.ru Official Telegram channel Z-Access https://wikipedia.org/wiki/Z-Library This file was downloaded from Z-Library project https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://z-library.se https://singlelogin.re https://go-to-zlibrary.se https://single-login.ru https://t.me/zlibrary_official https://go-to-zlibrary.se https://wikipedia.org/wiki/Z-Library