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Uma Voz Dedicada a Deus - Léo Ranzolin

Livro de memórias/biografia do pastor Roberto Rabello: inclui dedicatória, prefácio de Henry Feyerabend com recordações de sua voz e ministério, e introdução com memórias do autor sobre o Colégio Adventista Brasileiro (1949).

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Atendimento	ao	cliente:	(15)	3205-8888
www.cpb.com.br
1ª	edição	neste	formato
Versão	1.0
2017
Editoração:	Marcos	De	Benedicto,	Abigail	R.	Liedke	e	Neila	D.	Oliveira	
Programação	Visual:	Jônatas	L.	de	Queiroz
Designer	Developer:	Taffarel	Toso
Projeto	Gráfico:	Jônatas	L.	de	Queiroz	e	Vera	Diniz	
Fotos	de	Capa:	AFC,	Tom	Jackson	e	Pawel	K./SXC	
Fotos	Internas:	Arquivo	Pessoal	do	Autor
http://www.cpb.com.br
Todos	os	direitos	reservados.	Proibida	a	reprodução	total	ou	parcial,	por	qualquer	meio,
sem	prévia	autorização	escrita	do	autor	e	da	Editora.
35984/16280
Dedicatória
À	minha	querida	esposa	e	companheira	de	51	anos	de	alegrias	e	felicidade,
Lucila,	filha	e	“menina	dos	olhos”	do	pastor	Roberto	Rabello.
S
Prefácio
Henry	Feyerabend
omente	os	membros	da	família	do	pastor	Roberto	Rabello	poderiam	tê-lo
conhecido	tão	intimamente	como	os	associados	que	trabalharam	com	ele.
Cantando	no	quarteto	da	Voz	da	Profecia	durante	cinco	anos	(de	1962	a	1967),
tive	esse	privilégio	dado	por	Deus.	Esses	anos	resultaram	em	algumas	das	mais
preciosas	experiências	de	minha	vida.
Viajamos	juntos	pela	maior	parte	do	grande	território	do	Brasil.	Muitas	vezes
nos	hospedamos	no	mesmo	quarto	e	comemos	à	mesma	mesa.	Gastamos	longas
horas	percorrendo	as	estradas	do	Brasil,	de	norte	a	sul,	de	este	a	oeste.	Nunca	foi
enfadonho	viajar	com	ele.	Era	um	profundo	pensador	e	um	sólido	teólogo.	Ele
jamais	se	envolvia	em	frivolidades.	Discutia	idéias	que	ampliavam	nosso
pensamento,	como	se	estivéssemos	numa	sala	de	aula.	Muitas	vezes	me	senti
como	um	anãozinho	ao	discutir	profundas	verdades	com	esse	gigante	espiritual.
Era	comum	o	quarteto	ouvi-lo	pregar	três	vezes	por	dia.	Seus	sermões	eram
sempre	importantes	e	valiosos.	Não	havia	falsas	teorias	contaminando	o
alimento	espiritual	por	ele	apresentado.	Não	era	ostentoso	ou	exagerado	em	suas
apresentações.	Seu	poder	estava	no	conteúdo	sublime	de	suas	mensagens,	que
eram	sempre	apresentadas	de	maneira	calma	e	branda.
O	pastor	Rabello	foi	um	verdadeiro	pioneiro.	O	sucesso	da	Voz	da	Profecia	foi,
em	grande	parte,	o	sucesso	de	um	homem.	Totalmente	dedicado	à	pregação,	era
altamente	respeitado	pelos	adventistas	do	sétimo	dia,	pelos	membros	de	outras
igrejas	e	até	mesmo	por	pessoas	que	não	tinham	o	compromisso	cristão.	Por
onde	quer	que	viajasse,	ansiosas	multidões	formavam	fila	com	o	único	propósito
de	conhecê-lo	e	apertar-lhe	mão.	Apesar	de	sua	incrível	popularidade,	nunca
ficou	envaidecido	ou	orgulhoso.	Sua	personalidade	calma	e	serena	infundia
confiança	em	todos	que	encontrava.
Sua	extraordinária	e	rara	voz,	uma	marca	registrada	dele,	era	cobiçada	pelos
radialistas	de	todo	o	país.	Descrita	como	uma	voz	aveludada,	não	somente	era
maravilhosa	de	ser	ouvida,	mas	produzia	um	efeito	calmante	no	auditório,
adicionando	autoridade	às	palavras	que	falava.	Durante	os	anos	em	que
trabalhamos	juntos,	era	simplesmente	um	prazer	gravar	voz	tão	ideal	para	o
microfone.	O	pastor	Rabello	soube	bem	usar	a	voz	poderosa	que	lhe	foi	dada.
Conhecido	por	sua	perfeita	dicção	e	gramática	impecável,	não	tinha	problema
em	atrair	os	intelectuais,	que	ouviam	com	prazer	seus	sermões.
Ele	sabia	como	obter	o	máximo	dos	talentos	de	seus	companheiros	de	equipe.
A	música	do	quarteto	não	era	apenas	um	acessório;	ela	permeava	sua	mensagem.
Em	todas	as	reuniões	públicas,	ele	nunca	deixou	de	partilhar	boa	parte	de	seu
tempo	com	a	equipe	da	música.
Um	dos	grandes	privilégios	de	minha	vida	foi	estar	ombro	a	ombro	com
indivíduos	talentosos	e	dedicados	a	Deus.	Ao	contemplar	meu	passado	e	meu
ministério,	sou	agradecido	a	Deus	por	aqueles	cuja	influência	moldou	minha
vida	de	maneira	tão	marcante.	O	pastor	Rabello	ocupa	elevada	posição	nos
corredores	de	minha	mente	como	um	líder,	conselheiro	e	amigo.
Henry	Feyerabend,	falecido	em	dezembro	de	2006,	foi	cantor	dos	Arautos	do	Rei	e	orador	do
programa	Está	Escrito,	no	Canadá
E
Introdução
stão	gravados	indelevelmente	em	minha	mente	meus	primeiros	momentos
no	antigo	Colégio	Adventista	Brasileiro	(CAB),	hoje	Unasp,	com	campi
em	Engenheiro	Coelho,	Hortolândia	e	São	Paulo.
Era	o	ano	de	1949	e	toda	a	nossa	família	abraçara	a	mensagem	adventista.
Meus	pais	queriam	voltar	para	Lajes,	SC,	e	implantar	uma	nova	igreja	na	cidade.
Eu	ficaria	em	São	Paulo,	estudando.	Havia	terminado	o	curso	ginasial	no
Colégio	Fernão	Dias,	no	Tatuapé,	em	São	Paulo,	e	necessitava	de	um	novo
colégio	para	continuar	os	estudos	secundários.	Ouvindo	uma	vibrante	promoção
pelos	pastores	S.	Kümpel	e	Jerônimo	Garcia	na	Igreja	Central	de	São	Paulo
sobre	o	CAB,	resolvi	fazer	uma	visita	àquela	linda	instituição.
Ao	chegar,	o	primeiro	contato	foi	com	o	amável	diretor	–	o	pastor	Dario
Garcia.	Cordialmente,	abriu	as	portas	para	um	estudante	pobre,	cheio	de
entusiasmo	e	amor	pela	nova	igreja	e	a	nova	fé	que	vibrava	no	âmago	de	seu	ser.
Meus	pais	partiram	para	o	sul	do	Brasil	e	fiquei	no	dormitório	dos	rapazes.
Depois	de	alojar-me	e	familiarizar-me	com	todos	os	regulamentos,	li	no	quadro
de	anúncios	a	lista	de	estudantes.	Chamou-me	atenção	o	número	de	jovens	com
sobrenome	Rabello.	Lá	estavam:	João,	Plínio,	Walter,	Cláudio.	Mais	tarde,
chegou	Lucival	Rabello.
Recém-convertido,	eu	tinha	imensa	admiração	pelo	orador	da	Voz	da	Profecia,
o	pastor	Roberto	M.	Rabello.	Em	nosso	lar,	não	perdíamos	a	oportunidade	de
sintonizar	e	ouvir	através	do	rádio	as	lindas	mensagens	de	ânimo,	fé	e	esperança
que	eram	apresentadas	nesse	programa	tão	inspirador,	que	anunciava	a	breve
volta	do	Senhor	e	Salvador	Jesus	Cristo.	As	músicas	e	as	palestras	me
fascinavam,	assim	como	fascinavam	milhares	de	ouvintes	em	todo	o	Brasil.
Eu	não	poderia	imaginar,	naquela	ocasião,	que	um	dia	estaria	casado	com
Lucila	Braun	Rabello,	a	filha	do	orador	do	programa!	Não	poderia	compreender
os	desígnios	do	Senhor	no	momento	em	que	o	pastor	Dario	Garcia,	cunhado	do
pastor	Roberto	M.	Rabello,	me	deu	oportunidade	para	realizar	meus	sonhos.
Antes	de	meu	sogro	falecer,	instei	com	ele	para	que	escrevesse	algumas	linhas
sobre	sua	vida	e	trabalho.	Na	verdade,	gostaria	que	ele	mesmo	tivesse	escrito	sua
biografia,	o	que	seria	uma	grande	inspiração	para	o	público	brasileiro.	Muitas
vezes,	o	pastor	Enoch	de	Oliveira,	que	era	seu	primo-irmão,	e	eu	o	incentivamos
a	escrever	um	livro.	Também	pedi	que	gravasse	toda	a	Bíblia	em	cassete	para
que	pudesse	ser	ouvida	através	da	mídia	e	inspirar	milhões	de	pessoas.	Mas	o
sonho	dele	era	ver	o	número	de	estações	da	Voz	da	Profecia	crescer	em	todo	o
Brasil.	Mesmo	assim,	conseguimos	algumas	páginas	escritas	por	ele	mesmo,
relatando	momentos	e	experiências	inesquecíveis	de	sua	vida	e	ministério.
Alguns	fatos	relacionados	à	sua	vida	foram	mencionados	num	artigo	publicado
na	Revista	Adventista	em	novembro	de	1996,	por	ocasião	de	seu	funeral.	Repito
alguns	pensamentos:
Em	16	de	agosto	de	1996,	foi	silenciada	uma	das	vozes	mais	famosas	do
Brasil.	Durante	a	cerimônia	funeral	realizada	no	IAE,	em	São	Paulo,	no	dia
17,	membros	do	quarteto	da	Voz	da	Profecia	cantaram	o	hino	oficial	da	Voz
da	Profecia,	“Breve	Virá”.	As	pessoas	presentes	ouviram,	naquele	momento,
as	palavras	memoráveis	pronunciadas	pelo	orador:	“Esta	é	a	Voz	da	Profecia.
Uma	mensagem	de	fé	e	esperança	que	anuncia	a	volta	do	Senhor.”
Naquele	sábado	à	tarde,	com	a	presença	de	líderes	da	igreja,	irmãos	e
estudantes,	houve	um	vazio	muito	grande,	um	vazio	de	tristeza	e	dor.	Mas,
como	disseram	os	pastores	Ruy	Nagel,	presidente	da	Divisão	Sul-Americana,
e	Rodolpho	Gorski,	presidente	da	União	Sul	Brasileira:	“Este	é	um	momento
de	júbilo	e	alegria,	não	de	dor	e	tristeza,	pelo	ministério	do	pastor	Rabello.”
A	Voz,	no	Brasil,	era	a	Voz	da	Profecia.	Mas	tinha	igualmente	um	duplo
significado,	pois	aquela	“Voz”	era	a	voz	suave,	penetrante,	que	cativou
adventistas	e	evangélicos	por	quase	50	anos.	Uma	voz	anunciando	no	deserto
a	vinda	de	Cristo,	uma	voz	de	admoestação	e	confiança	para	os	ouvintes
atribulados,uma	voz	de	advertência	para	aqueles	que	estão	longe	de	Deus	–
uma	voz	totalmente	dedicada	a	Deus.
Naquele	artigo,	mencionei	o	comentário	de	um	jornal	de	Recife,	PE,	que	ilustra
a	influência	e	impacto	da	Voz	da	Profecia	não	somente	no	mundo	adventista,
mas	também	entre	ouvintes	de	todas	as	crenças.	Em	matéria	de	capa,	a	Folha	da
Semana,	de	novembro-dezembro	de	1976,	fazia	grandes	elogios	à	figura	do
orador	da	Voz	da	Profecia:
A	Folha	da	Semana,	neste	número	especial	de	seu	aniversário,	tem	a	honra	e	a
satisfação	de	focalizar	em	sua	capa	a	figura	dignificante	do	pastor	Roberto
Rabelo,	pregador	da	Voz	da	Profecia	no	Brasil,	programa	de	evangelização	das
massas,	de	cunho	cristianizante	de	primeira	grandeza	e	de	extraordinária
dimensão	evangelizadora,	que	há	trinta	anos	vem	atuando	em	obediência	aos
mandamentos	bíblicos	consubstanciados	no	livro	do	Apocalipse,	em	seu	capítulo
14,	com	todas	as	conotações	da	tríplice	mensagem	angelical,	onde	se	lê	a
afirmação	dos	três	anjos	proclamando	os	juízos	de	Deus,	para	conscientização
dos	homens	que	ainda	vivem	distanciados	das	verdades	bíblicas	conclamantes	da
segunda	vinda	de	nosso	amorável	Salvador	Jesus	Cristo,	o	Filho	de	Deus.
O	pastor	Roberto	Mendes	Rabello	é	inegavelmente	o	servo	fiel	e	consciente	de
sua	alta	responsabilidade	perante	Deus	em	proclamar	as	santas	verdades.
Trezentas	e	tantas	emissoras	de	rádio	em	todo	o	território	brasileiro	irradiam	a
sublime	Voz	da	Profecia	e	milhares	de	homens	e	senhoras	de	todas	as	idades,
profissão	e	credo	religioso,	têm	observado	e	assimilado,	através	da	palavra
mansa	e	edificante	do	pastor	Roberto	Rabello,	esse	admirável	programa
evangelístico.	[...]	Aconselharíamos	aos	nossos	leitores,	para	seu	benefício	e
crescimento	espiritual,	ouvirem	cuidadosamente	essas	irradiações	e	convocarem
seus	amigos	para	igualmente	ouvirem.
Voltando	ao	nosso	focalizado,	esclarecemos	tratar-se	de	homem	inteiramente
devotado	à	causa	de	Deus	aqui	em	nossa	pátria,	ainda	tão	carente	dos	sãos
ensinamentos	bíblicos.	O	número	de	conversos	pela	Voz	da	Profecia	nestes	trinta
e	três	anos	de	eficiente	e	santificadora	atuação	é	estimado	na	casa	dos	23.000.
[...]
A	Folha	da	Semana,	que	tem	na	pessoa	do	pastor	Roberto	Mendes	Rabello	um
admirável	servo	de	Deus	e	um	amigo	a	toda	prova,	saúda-o	efusivamente	pelo
seu	magnífico	e	eficiente	trabalho,	formulando-lhe	os	mais	ardentes	votos	de
ainda	muitos	anos	de	existência	para	o	desenvolvimento	do	Reino	de	Deus	na
Terra;	votos	estes	coadjuvados	pelos	dos	prestimosos	atuais	diretores	da	grande
Missão	Nordeste	sediada	em	Recife,	Estado	de	Pernambuco.
Lamento	que	essa	voz	tenha	sido	silenciada	pela	morte,	mas	fica	a	influência
de	sua	vida	e	de	seu	ministério.	Espero	que	este	livro	nos	leve	a	uma
compreensão	melhor	desse	grande	pioneiro	da	Igreja	Adventista	no	Brasil.	O
capítulo	1,	escrito	pelo	próprio	pastor	Rabello,	é	uma	boa	maneira	de	ter	uma
visão	inicial	dele	e	de	seu	trabalho	na	Voz	da	Profecia.
N
Minha	História
Roberto	M.	Rabelo
asci	na	colônia	alemã	de	Rolante,	município	de	Santo	Antônio	da
Patrulha,	Estado	do	Rio	Grande	do	Sul,	em	15	de	novembro	de	1909.	Meu
pai	era	professor	primário	e	dirigia	uma	escola	que	funcionava	em	ampla	sala	da
casa	em	que	morávamos.	O	método	de	aprender	a	ler	era	o	da	soletração.	As
letras	eram	pronunciadas	separadamente;	depois,	eram	juntadas	em	sílabas.	Isso
muito	me	atraía.	Quando	eu	era	ainda	bem	pequeno,	me	introduzia	entre	os
meninos	da	escola	e	ouvia	com	vivo	interesse	a	soletração	das	palavras.	Como
resultado,	aprendi	a	ler	antes	de	atingir	a	idade	escolar.
Ao	chegar	à	idade	própria,	fui	matriculado	e	tornei-me	um	dos	mais	aplicados
alunos	de	meu	pai.	Fiz	rápido	progresso	nos	estudos.	Talvez	houvesse	um	pouco
de	parcialidade	do	professor	para	com	o	filho,	e	disso	foi	meu	pai	acusado	por
pelo	menos	um	dos	alunos	mais	adiantados.
Meu	prazer	era	brincar	com	os	colegas	na	hora	do	recreio.	Também	era	meu
prazer	brigar	com	qualquer	deles	que	se	dispusesse	a	uma	luta	corporal.	Um	dia,
porém,	refleti:	“Tu	és	o	filho	do	professor	e	deves	ser	um	exemplo	de	bom
relacionamento	com	os	colegas.”	Daquele	dia	em	diante,	tornei-me	um	dos	mais
pacíficos	alunos.
Certa	ocasião,	lá	pelos	onze	anos,	andando	a	cavalo,	a	caminho	da	casa	de
parentes,	membros	da	Igreja	Adventista	de	Rolante,	fui	alcançado	por	dois
homens,	também	montando	cavalos:	o	secretário	de	Obras	Públicas	do	Estado	e
um	ajudante.	Emparelhando	o	seu	cavalo	com	o	meu,	o	secretário	começou	a	me
fazer	perguntas,	inclusive	sobre	a	situação	política	do	estado,	pois	notou	que	eu
lia	o	Correio	do	Povo,	então	o	principal	diário	de	Porto	Alegre.
A	certa	altura,	ele	disse:
–	Vou	submeter-te	a	um	exame.	–	E	começou:	–	Dois	e	dois,	quantos	são?
Respondi:	–	Xô,	mico!
Ao	que	ele	atalhou:	–	Não	digas	asneira.
Colaborando,	comecei:	–	Dois	e	dois	são	quatro.
–	E	quatro	e	quatro?	–	continuou.
E	assim	foi	dobrando	os	números	até	chegar	a	128.	Depois,	fez	perguntas	sobre
a	geografia	do	Rio	Grande	do	Sul	e	do	Brasil.	Também	algumas	sobre	a	situação
política	do	estado.	O	governo	do	Rio	Grande	era	então	disputado	pelo	Dr.	Borges
de	Medeiros	e	pelo	Dr.	Assis	Brasil.	Ao	chegar	ao	meu	destino,	despedi-me	do
bondoso	viajante,	que	me	disse:
–	Quando	fores	a	Porto	Alegre,	procura-me	no	palácio	e	te	levarei	a	passear	de
automóvel.
Interesse	pelo	inglês
Por	esse	mesmo	tempo,	meu	pai	me	levou	a	Porto	Alegre	para	assistir	a	uma
reunião	dos	adventistas.	Alguns	pregadores	norte-americanos	falavam	em	inglês
e	seus	sermões	eram	traduzidos	para	o	português.	Interessei-me	vivamente	pelo
inglês,	e	duas	palavras,	constantemente	repetidas,	me	ficaram	gravadas	na
memória:	The	people	(o	povo,	a	gente).	De	volta	para	casa,	à	sombra	de	uma
grande	laranjeira	que	havia	em	frente	dela,	o	rapazinho	assumia	uma	pose
especial,	como	se	fosse	um	pregador,	e	trovejava:	“Tu-glu-ju,	to-glo-jo,	da	pipo”
(the	people).	Essa	última	“palavra”	era	pronunciada	em	alta	voz	e	longamente:
“da	piiiipooo”.	Ainda	bem	que	só	as	vacas	do	pasto	ouviam	a	violência	feita	ao
inglês!
Com	cerca	de	doze	anos,	aprendi	a	tocar	flauta	e	meu	pai	me	colocou	em	uma
pequena	orquestra	que	ele	dirigia.	As	músicas	eram,	na	maioria,	valsas	e
marchas	obtidas	de	maestros	de	origem	alemã	residentes	na	pequena	cidade	de
Rolante.	Um	dos	membros	da	orquestra	era	filho	do	principal	comerciante	da
área	e,	com	freqüência,	dávamos	concerto,	à	noite,	na	loja	do	pai	dele.
Certa	vez,	um	amigo	de	meu	pai,	também	comerciante,	celebrando	o	seu
aniversário,	pediu	que	a	orquestra	fosse	tocar	em	sua	casa.	Depois	de
apresentarmos	várias	músicas,	ele	levou	à	sala	uma	bandeja	com	pequenos
cálices	contendo	bebida.	Suspeitando	que	fosse	bebida	alcoólica,	retive	na	boca
o	primeiro	gole.	Senti	que	o	líquido	“queimava”	a	boca	e	concluí	que	continha
álcool.	Disfarçadamente,	fui	para	fora	da	casa	e	cuspi	o	que	estava	na	boca.
Como	menino	de	oito	anos,	eu	assinara	um	voto	de	temperança,	prometendo	não
fumar	nem	beber.	Graças	a	Deus	pela	fé	cristã	que	meus	pais	já	tinham	quando
nasci!	Em	toda	a	minha	vida,	nunca	fumei	nem	fiz	uso	de	bebidas	alcoólicas.
Quando	eu	tinha	uns	13	anos,	o	diretor	do	Colégio	Adventista,	em	São	Paulo,
visitou	a	Igreja	Adventista	de	Campestre,	da	qual	os	meus	pais	eram	membros,	e
convidou-me	para	ir	estudar	no	referido	colégio.	O	convite,	aprovado	pelos	meus
pais,	criou	em	mim	forte	desejo	de	freqüentar	o	colégio.	A	princípio,	meu	pai
não	concordou.	Era	muito	longe	e	eu	era	muito	jovem.	Minha	mãe	tomou	o	lado
de	meu	pai.	Fiquei	decepcionado.	Meu	sonho	era	ir	para	o	colégio.	Tinha	visto
fotos	e	lido	sobre	a	instituição.	O	colégio	apresentava-se	como	algo	irresistível
para	mim.
Aos	14	anos	de	idade,	meu	pai	me	confiou	o	cuidado	de	nosso	pequeno	sítio.
Eu	tinha	que	trabalhar	quase	todo	o	tempo,	cultivando	o	solo,	semeando	milho,
feijão,	trigo,	batatas	e	vegetais.	Restava-me	pouco	tempo	para	os	estudos.	Mas
lia	avidamente	os	livros	que	meu	pai	possuía	em	sua	pequena	biblioteca.
Devorava	os	jornais,	lendo	até	as	propagandas.
Alguns	meses	se	passaram	desde	o	convite	para	ir	para	o	colégio.Um	dia,	meu
tio	José	foi	nos	visitar.	Havia	estado	no	colégio	e	ia	regressar.	Falando	com	meu
pai,	disse:
–	Seu	filho	tem	que	ir	para	o	colégio	agora.
Novamente,	meu	pai	se	opôs	à	idéia.
–	Mais	um	ano	em	casa	–	ele	disse.
Mas	tio	José	era	perseverante.	Suas	resoluções	eram	firmes.	As	pessoas	o
chamavam	de	“José	de	Ferro”	por	essa	qualidade	de	caráter.
–	Vim	aqui	–	prosseguiu	ele	–	para	levar	seu	filho	para	o	colégio.	Assumo	toda
a	responsabilidade	de	levá-lo.	Você	tem	que	concordar.
Finalmente,	meu	pai	foi	convencido	e,	virando-se	para	mim,	disse:
–	Você	quer	ir?
–	Sim!	–	respondi.
–	Então,	prepare-se	–	concluiu	ele.
Na	hora	de	partir	e	deixar	o	lar,	foi	uma	luta	tremenda.	Minha	mãe	estava
consciente	da	longa	distância	que	a	separaria	do	filho.	Montei	meu	cavalo	e	saí
para	a	estação	ferroviária.	Chorei	como	uma	criança	durante	os	primeiros
quilômetros.	Era	meio-dia	e	eu	não	havia	comido	nada	em	casa.	Era	impossível
fazê-lo	naquele	dia.	De	repente,	parei	de	chorar,	peguei	meu	lanche	e	comi	como
se	nada	tivesse	acontecido.
Os	preparativos	tinham	sido	feitos	e,	com	quase	15	anos,	viajei	para	São	Paulo
na	companhia	de	tios	e	outros	parentes.	Viajamos	de	navio,	partindo	de	Porto
Alegre,	parando	nos	portos	de	Pelotas,	Rio	Grande,	Paranaguá	e	finalmente
Santos.	Durante	o	percurso,	fui	acometido	de	paratifo	e	minha	condição	se
agravou	a	ponto	de	o	médico	de	bordo	pensar	seriamente	em	me	deixar	num
hospital	em	Paranaguá.	Felizmente,	ele	não	o	fez.	Desembarcamos	em	Santos	e,
com	certo	sacrifício,	suportei	a	viagem	até	o	colégio.	Lá,	graças	a	Deus,	recebi
tratamento	e	sarei.
Após	recuperar	as	forças,	fui,	juntamente	com	outros	alunos,	limpar	uma	área
da	fazenda	do	colégio,	onde	a	mata	fora	derrubada.	O	trabalho	era	duro,	e	o
salário:	650	réis	por	metro	quadrado	limpo	de	tocos.	Onde	havia	tocos	de	árvores
grandes,	gastávamos	longas	horas	para	remover	um	só	toco	–	e	ganhar...	650
réis!	Porém,	onde	antes	havia	sido	uma	capoeira,	limpava-se	boa	área	num	dia.
Lembro-me	de	que	ganhei	cerca	de	25	mil	réis	num	dia,	o	que	era	muito	dinheiro
na	época.	Informei	meu	pai	acerca	dessa	“proeza”,	e	ele	respondeu:
–	Vejo	que	está	ficando	um	gigante	em	ganhar	a	vida!
Durante	os	primeiros	seis	meses	no	colégio,	chorei	cada	dia	de	saudades	de
minha	mãe.	Naquela	ocasião,	seria	impossível	pensar	que	o	menino	tão	agarrado
com	seus	pais,	através	das	experiências	da	vida,	se	sentiria	cômodo	em	qualquer
parte	do	mundo.
Meu	progresso	como	estudante	foi	satisfatório.	Tirei	boas	notas.	Meu
comportamento	foi	reconhecido	como	excelente.	Apesar	do	programa	intenso	de
estudos,	fiz	algumas	amizades	e	envolvi-me	em	pequenas	travessuras,	típicas	de
estudantes	do	colégio.	Por	exemplo,	algumas	camas	apareciam	viradas.	Alguns
colegas	fizeram	um	buraco	embaixo	do	piso	do	órgão	e,	colocando	uma
cordinha,	tocavam	o	instrumento	a	partir	do	subsolo,	impressionando	alunos	e
professores	com	um	órgão	que	era	tocado	sem	mãos!	Foi	então	que	alguém	teve
a	idéia	de	remover	o	órgão,	e	os	autores	da	façanha	tiveram	que	desaparecer
rapidamente	do	subsolo	antes	de	serem	descobertos!
Experiência	na	colportagem
Após	algum	tempo	de	estudos,	fui	colportar	no	interior	de	São	Paulo,
juntamente	com	um	tio.	Na	opinião	dos	líderes	de	colportagem,	eu	era	muito
jovem	para	sair	com	outro	colega.	Começamos	o	trabalho	em	Mococa,	então
cidade	de	fazendeiros.	Vender	livros	ali	foi	muito	difícil.	Os	fazendeiros	não
tinham	interesse	em	adquiri-los.	O	livro	que	vendíamos,	O	Conflito	dos	Séculos,
não	apelava	ao	povo,	e	a	pouca	idade	do	vendedor	(16	anos)	não	o	ajudava	a
conseguir	atenção.
Passei	depois	à	cidade	de	São	José	do	Rio	Pardo,	onde	trabalhei	com	o	livro
Vida	de	Jesus.	As	vendas	também	foram	fracas.	Casa	Branca	foi	a	cidade
seguinte,	mas	o	pouco	êxito	continuou.	Não	foi	possível	conseguir	o	necessário
para	voltar	aos	estudos.	Nessa	conjuntura,	tendo	até	dívida	na	Associação,	meus
pais	me	socorreram,	provendo	o	dinheiro	para	algum	tempo	de	estudo.
Enquanto	trabalhava	em	Mococa,	visitei	um	médico,	a	quem	me	apresentei
como	estudante	em	São	Paulo.	Ofereci-lhe	o	livro	O	Conflito	dos	Séculos	e	ele,
meio	zombeteiramente,	disse:
–	Então	você	anda	por	aí	revolucionando	os	séculos!
Não	encomendou	o	livro,	mas	tomou	tempo	para	tentar	dissuadir-me	de	me
preparar	para	trabalhos	da	área	religiosa.
–	O	que	você	deve	fazer	–	disse	–	é	estudar	medicina	ou	advocacia.	Isso	lhe
dará	futuro.	Mas,	com	trabalhos	de	igreja,	o	que	poderá	vir	a	ser?
Ouvi	o	médico	em	silêncio	e,	terminando	ele	a	sua	argumentação,	respondi:
–	Doutor,	eu	sei	o	que	quero.	O	trabalho	que	planejo	realizar	é	o	mais	elevado
da	vida.	–	Isso	encerrou	a	conversa.
Em	Casa	Branca,	visitei	um	professor	da	Escola	Normal	e	ofereci-lhe	o	livro
Vida	de	Jesus.	Ele	me	ouviu	atentamente	e,	quando	terminei	a	oferta,	perguntou:
–	Seu	livro	é	protestante?
Pelo	modo	como	fez	a	pergunta,	compreendi	que	o	professor	era	católico.	Se
respondesse	que	o	livro	era	protestante,	perderia	a	oferta.	Mas	só	havia	uma
saída,	fosse	qual	fosse	a	conseqüência:	dizer	a	verdade.	Respondi:
–	O	livro	é	protestante.	–	Para	surpresa	minha,	ele	disse:
–	Traga-me	o	livro.	–	E	acrescentou:	–	Não	estou	interessado	nele,	porque	sou
católico,	mas	vou	comprá-lo	para	incentivar	você	a	ser	sempre	honesto,	como	foi
agora.	Eu	vi	que	você	compreendeu	que,	dizendo	a	verdade,	perderia	sua	oferta.
Muito	bem,	meu	rapaz!	Seja	sempre	honesto	como	você	foi	agora!
Que	sábio	conselho!	Espero	que	Deus	tenha	recompensado	o	bom	professor
pelo	que	fez	por	mim.
O	trabalho	na	tesouraria
Ao	iniciar	os	estudos	no	colégio,	propus-me	a	completar	o	curso	Comercial,
que	preparava	a	pessoa	para	trabalhos	de	escritório,	incluindo	tesouraria.	Depois
de	estudar	contabilidade,	fui	convidado	a	trabalhar	no	escritório	do	tesoureiro,	à
tarde.	Uma	colega	de	estudos	e	eu	fazíamos	todos	os	lançamentos	no	Diário	e,
então,	passávamos	as	informações	para	o	Razão.	A	colega	lia	os	dados
registrados	no	Diário	e	eu	os	inscrevia	no	Razão.	Isso	continuou	por	meses	e,
durante	esses	meses,	desenvolvi	forte	afeição	pela	colega.	Mas,	temendo	não	ser
correspondido,	ocultei	meus	sentimentos.
Veio,	então,	um	convite	para	eu	ir	trabalhar	como	auxiliar	de	escritório	na	sede
da	Missão	Paraná-Santa	Catarina,	em	Curitiba.	Pouco	depois,	um	telegrama
solicitava	que	eu	seguisse	para	lá	sem	demora.	Arrumei	a	mala.	E	chegou	o
doloroso	momento	de	me	despedir	da	colega	de	trabalho	(Hedwig	Braun),	que
não	me	deu	base	alguma	para	crer	que	era	correspondido	no	meu	amor.	Estendi-
lhe	a	mão	e	ela	estendeu-me	a	sua.	Apertei-lhe	a	mão	um	pouco	mais	do	que
seria	próprio	numa	despedida	comum.	Ao	fazê-lo,	senti	que	ela	apertou	um
pouco	mais	a	minha	mão.	Isso	me	levou	a	apertar	mais	a	dela	e,	por	sua	vez,	ela
apertou	mais	a	minha.	A	essa	altura,	com	as	mãos	já	“estalando”,	os	dois	olhares
se	encontraram	e	completaram	a	revelação.	Não	havia	mais	dúvida.	O	meu	amor
era	plenamente	correspondido.
Quão	ingrata	era	a	idéia	de	me	ausentar	por	um	ano,	sabendo	agora	que	a
amizade	era	mútua,	sem	ter	tempo	para	cultivá-la!	Mas	uma	surpresa	me
aguardava:	chegando	a	Santo	Amaro,	na	leiteria	lá	mantida	pelo	colégio,
encontrei	um	telegrama	do	tesoureiro	da	Missão	com	os	dizeres:	“Não	venha
agora.	Aguarde	novas	instruções!”	Isso	foi	como	um	presente	do	Céu.	Permaneci
no	colégio,	trabalhando	na	tesouraria,	por	mais	umas	três	semanas.	Tive	tempo
para	consolidar	um	romance	que,	cerca	de	três	anos	mais	tarde,	resultou	no	meu
casamento	com	a	colega	de	trabalho	–	Hedwig	Braun.	O	lar	que	formamos	teve	a
bênção	de	Deus	e	foi,	por	38	anos,	até	o	falecimento	dessa	preciosa	esposa,	um
verdadeiro	Céu	na	Terra!
Em	Curitiba,	eu	trabalhei	como	auxiliar	de	escritório	durante	o	ano	de	1929.
Buscar	a	correspondência,	fazer	pacotes	com	livros	para	os	colportores	e
membros	da	igreja	e	datilografar	as	faturas	eram	o	meu	trabalho.	Na	igreja,
deram-me	o	cargo	de	diretor	dos	jovens	e	foi	um	prazer	conduzir	as	atividades
daqueles	dedicados	moços	e	moças.
Desafio	para	o	ministério
Na	segunda	metade	do	ano,	o	presidente	da	Missão,	o	pastorGermano
Streithorst,	numa	paternal	conversa	comigo,	disse-me:
–	Você	deve	se	preparar	para	ser	um	pastor,	um	pregador	do	evangelho,	e	não
um	homem	de	escritório.
Ponderei	que	já	estava	adiantado	nos	estudos	do	Comercial.	Faltava	apenas	um
ano	para	concluí-lo.	Seria	difícil	uma	mudança.
–	Isso	não	é	problema	–	disse	ele.	–	Se	quiser	se	preparar	para	ser	um	pregador,
eu	farei	arranjos	com	o	colégio	[ele	era	membro	da	comissão	diretora	da
instituição]	para	que	eles	permitam	que	você	estude	todas	as	matérias	possíveis
sobre	a	Bíblia.	E,	se	fizerem	isso,	nós	o	chamaremos	para	nosso	campo,	no	fim
do	ano,	para	trabalhar	na	obra	bíblica.
Aceitei	o	conselho	amigo	do	presidente.	E,	retornando	ao	colégio,	no	começo
de	1930,	encontrei	preparado	um	programa	que	me	possibilitava	estudar	temas
bíblicos	praticamente	desde	o	nascimento	do	sol	até	à	noite.
Ao	se	aproximar	a	formatura,	fui,	por	bondade	dos	colegas,	eleito	presidente	da
classe	de	graduandos,	mas	o	corpo	docente	não	aprovou	a	decisão	da	classe.
Motivo:	com	freqüência,	eu	era	visto	conversando	com	a	moça	que	fora	minha
colega	de	trabalho	na	tesouraria	e	que	já	era	minha	noiva!	Consentiram,	porém,
que	eu	fosse	tesoureiro	da	turma.
Após	a	formatura,	em	fins	de	1930,	recebi	um	chamado	da	Missão	Paraná-
Santa	Catarina	para	trabalhar	em	Florianópolis.	Viajei	de	navio.	O	encarregado
do	trabalho	na	capital	catarinense	era	o	pastor	Alfredo	Süssmann,	nascido	e
educado	na	Alemanha.	Dispondo	de	uma	casa	ampla,	o	pastor	Süssmann
bondosamente	me	convidou	para	ocupar	um	dos	cômodos.	Ele	foi	um	excelente
instrutor	no	que	diz	respeito	ao	trabalho	em	prol	da	salvação	de	pessoas.	Deu-me
também	aulas	de	alemão,	língua	especialmente	útil	em	Santa	Catarina.
Passados	alguns	meses,	o	pastor	Süssmann	alugou	um	amplo	terreno,	em	lugar
estratégico,	e	nele	foi	armado	um	pavilhão	de	lona	para	a	realização	de	uma	série
de	conferências	religiosas.	Fui	convidado	a	proferir	várias	palestras.	Bom
número	de	pessoas	foi	levado	a	aceitar	a	Cristo	como	Salvador.	Essa	série
evangelística	foi	a	primeira	em	que	tomei	parte.
Após	as	conferências,	fui	incumbido	de	visitar	os	moradores	de	Florianópolis,
entregando	de	casa	em	casa	um	folheto	sobre	a	segunda	vinda	de	Cristo.	Em
seguida,	entreguei	outro	folheto,	sobre	o	dia	de	repouso.	Assim,	todas	as	famílias
de	Florianópolis	receberam	uma	breve	mensagem	sobre	esses	dois	importantes
temas	bíblicos.
De	Florianópolis,	fui	chamado	para	auxiliar	num	projeto	evangelístico	dirigido
pelo	pastor	Henrique	Stoehr,	nas	cidades	de	Rio	Negro	e	Mafra.	Como	sabemos,
elas	são	separadas	pelo	Rio	Iguaçu,	que	em	grande	extensão	divide	os	Estados
do	Paraná	e	Santa	Catarina.	Muitas	pessoas	assistiram	às	conferências,	e	o
trabalho	com	elas	muito	contribuiu	para	o	meu	treino.
Ministério	do	novo	casal
Após	esse	trabalho,	tomei	um	navio	e	viajei	ao	Rio	de	Janeiro.	De	lá,	fui	de
trem	para	Juiz	de	Fora,	MG,	a	fim	de	realizar	um	grande	sonho:	o	meu
casamento!	O	pai	de	minha	noiva,	pastor	Luiz	Braun,	fora	transferido	para
aquela	cidade.	Para	celebrar	a	cerimônia	religiosa,	minha	noiva,	Hedwig	Braun,
e	eu	convidamos	o	pastor	H.	B.	Westcott,	que	fora	nosso	professor	de	Bíblia	no
Colégio	Adventista,	em	São	Paulo.	Na	época,	ele	era	presidente	da	União	Este
Brasileira.
Depois	do	casamento,	viajamos	para	o	Rio.	Soubemos	que,	ao	retornar	para
casa	após	o	nosso	embarque,	meu	sogro	andou	de	um	lado	para	outro	da	casa,
chorando	alto	por	causa	da	partida	da	filha.	Quem	tem	filha	compreende	isso.	Do
Rio,	prosseguimos	viagem	de	navio	para	Paranaguá,	de	onde	fomos	para
Curitiba.	Lá	passamos	alguns	dias	na	casa	de	amigos.
Agora,	com	alguma	experiência	na	atividade	pastoral	e	já	casado,	eu	deveria
começar	a	trabalhar	sozinho.	Fomos	enviados	para	Cambará,	no	norte	do	Paraná.
Eram	os	dias	da	revolução	de	1932,	e	tropas	do	governo	federal	ocupavam	a
região,	enfrentando	as	forças	paulistas	ao	longo	do	rio	Paranapanema.	No	trem
em	que	viajamos,	encontramos	a	esposa	do	comandante	da	praça,	em	Cambará,	e
minha	esposa	fez	amizade	com	ela.	Chegando	àquela	cidade,	ela	nos	apresentou
ao	marido.	Ele	bondosamente	assegurou-nos	que	estávamos	sob	sua	proteção	e
colocou-se	à	nossa	disposição	para	nos	ajudar	no	que	precisássemos.	Isso	era
uma	coisa	valiosa,	pois	Cambará	parecia	uma	praça	de	guerra,	com	todas	as
saídas	bloqueadas	por	pequenas	trincheiras	ocupadas	por	soldados,	dia	e	noite.
Nesse	tenso	ambiente,	alugamos	uma	casa	e	começamos	a	trabalhar.	Sabendo
que	eu	era	um	jovem	pastor,	o	comandante	me	deu	um	salvo-conduto,
autorizando-me	a	viajar	pelas	estradas	do	município.	Um	dia,	indo	visitar	uma
família,	cuja	casa	era	a	última	de	uma	determinada	rua	e	a	qual	ficava	a	uns
cinqüenta	metros	do	lado	de	dentro	da	trincheira,	um	guarda,	embriagado,
encontrou-nos	perto	da	trincheira,	em	plena	área	urbana.	Deu-me	voz	de	prisão.
Ele	disse	para	minha	esposa	voltar	e	ordenou	que	eu	o	seguisse	para	a	trincheira.
Enquanto	andávamos,	sem	nenhum	motivo,	sacou	a	baioneta	e	me	deu	dois
golpes,	de	prancha.
Chegamos	à	vala	da	trincheira,	junto	da	qual	estava	outro	soldado,	um	bom	e
sóbrio	rapaz.	O	soldado	que	me	prendera	começou	a	vociferar	contra	mim	e	a
me	ameaçar:
–	Paulista	desgraçado!	–	ele	dizia.	–	Não	sei	por	que	não	te	mato!
Uma	ou	duas	vezes,	ele	chegou	a	levantar	o	fuzil,	como	se	fosse	atirar.	Falei
com	o	companheiro	dele	e	expliquei	que	eu	não	tinha	nada	a	ver	com	a
revolução,	que	era	pastor	e	havia	ido	àquela	área	para	visitar	uma	família.	Por
sinal,	a	família,	aflita	em	frente	da	casa,	observava	o	que	acontecia.	O	moço
assegurou-me:
–	Não	se	preocupe.	Ele	ameaça,	mas	não	faz	nada.
Nisso,	chegou	um	automóvel	com	alguns	oficiais	e	um	caminhão	com
soldados.	Saindo	do	automóvel,	um	dos	oficiais	dirigiu-se	a	mim	e	perguntou-
me:
–	O	que	aconteceu?
Expliquei-lhe	que	era	pastor	e	ia	visitar	a	família	vizinha,	mas	o	soldado	havia
me	encontrado	e	me	prendido	a	quase	cem	metros	do	lado	de	dentro	da	cidade.
–	Entre	no	automóvel	–	disse	ele	(ambos	éramos	bem	moços)	–	e	o	levaremos
ao	comandante.
Chegando	lá,	o	comandante	indagou:
–	Quer	que	mandemos	um	soldado	para	proteger	você	e	sua	esposa?
No	momento	em	que	fui	preso,	minha	esposa	havia	ido	diretamente	para	o
comando.
–	Obrigado,	comandante,	mas	isso	não	é	necessário.	Iremos	sozinhos.
A	propósito,	o	soldado	que	me	prendeu	era	oriundo	do	Rio	Grande	do	Sul.	Não
havia	vindo	do	Exército	nem	da	Brigada	Militar.	Era	um	trabalhador	de	fazenda,
que	se	associara	às	forças	regulares	como	voluntário.	Pouco	depois,	ele	atacou
um	homem	pacato	que	passava	em	frente	da	pequena	casa	ocupada	por	ele	e
alguns	companheiros.	Encostou	o	fuzil	engatilhado	no	peito	do	homem.
Contando-me	o	ocorrido,	o	comandante	disse:
–	Mandei	“a	fera”	para	a	área	de	combates.	Espero	que	os	paulistas	o	matem.
Após	vários	meses	de	trabalho	em	Cambará,	fui	transferido	para	Jaguariaíva,
onde	permaneci	por	aproximadamente	um	ano.	Ali	realizei	uma	série	de
conferências	públicas	no	principal	cinema	da	cidade,	e	construímos	uma	igreja.
Então,	fui	transferido	para	Ponta	Grossa,	a	Princesa	dos	Campos,	com	a
incumbência	de	fazer	rebocar	e	pintar	o	bonito	templo	que	tínhamos	ali,	bem
como	pagar	a	dívida	da	construção	do	edifício.	Ao	mesmo	tempo,	fui
encarregado	de	pastorear	todos	os	grupos	e	pequenas	igrejas	ao	longo	da	estrada
de	ferro	São	Paulo–Rio	Grande,	desde	Itararé	(então	parte	da	Missão	Paraná-
Santa	Catarina)	até	as	cidades	de	União	da	Vitória	e	Porto	União.
Enquanto	eu	estava	em	Ponta	Grossa,	dois	homens	da	União	foram	me	ajudar
em	duas	campanhas	de	recolta	de	donativos.	O	pastor	J.	L.	Brown	foi	um	deles.
Visitamos	o	gerente	de	uma	cervejaria.	Ao	pedir-lhe	um	donativo,	o	pastor
Brown,	numa	atitude	hábil,	visando	prevenir	alguma	possível	reação	contrária,
observou:
–	O	senhor	sabe	que	os	adventistas	falam	contra	as	bebidas	alcoólicas.	Mas,
quanto	mais	eles	falam,	mais	o	povo	bebe.
O	gerente	deu-nos	vinte	mil-réis,	o	que	era	um	bom	donativo.
Em	outra	campanha,	tive	a	ajuda	do	pastor	Manoel	Margarido	(sogro	do	pastor
João	Linhares).	Ao	entrarmos	em	uma	fina	loja,coube	a	mim	a	apresentação	da
obra	filantrópica	adventista	e	fazer	o	pedido	de	um	donativo.	O	dono	da	loja
tirou	da	gaveta	uma	moeda	de	dois	mil-réis	e	me	deu.	Tão	logo	saímos,	o
companheiro	de	trabalho	começou	a	ironizar:
–	Um	formado	do	Colégio	Adventista	faz	uma	apresentação	toda	pomposa,
pede	ajuda	e	recebe	uma	moeda	de	dois	mil-réis.	Que	vergonha!
Suportei	a	zombaria	calado.	O	apelo	seguinte	era	dele.	Entramos	em	outra	loja.
O	relatório	das	atividades	filantrópicas	foi	feito	com	entusiasmo	e	de	modo
calculado	a	impressionar.	Então	veio	o	apelo.	O	negociante	pôs	sobre	o	balcão	a
sua	ajuda:	uma	moeda	de	dois	mil-réis!
Saímos	à	rua	e	o	jovem	obreiro	começou:
–	Incrível!	O	diretor	de	colportagem	da	União,	vindo	especialmente	de	São
Paulo	para	este	trabalho,	com	toda	a	sua	experiência	e	pose,	faz	forte	apelo	por
ajuda.	E	recebe	dois	mil-réis!	Praticamente	uma	esmola!
–	Cale	a	boca,	rapaz!	–	atalhou	ele,	num	misto	de	quem	brincava	e	falava	sério.
Em	Ponta	Grossa,	nasceu	nosso	primeiro	filho,	Cláudio,	que	foi	um	encanto
para	o	lar	paterno!	Casou-se	em	1956	com	uma	colega	de	estudos,	Eunice
Alvarenga,	e	tiveram	três	filhos:	Leila,	Leilanie	Susie	e	Bob	Rabello.
A	mudança	para	Curitiba
Chegou	o	tempo	para	uma	nova	mudança.	Dessa	vez,	era	para	Curitiba.	Ali
acabava	de	ser	construído	um	bonito	e	espaçoso	templo.	O	nome	de	pagador	de
dívidas	vinha	sendo	aplicado	ao	jovem	pastor.	E	fui	chamado	para	lá	a	fim	de
pastorear	a	principal	igreja	adventista	da	cidade	e	pagar	cinqüenta	contos	de	réis,
saldo	das	despesas	com	a	construção	do	novo	templo,	situado	à	Rua	Ermelino	de
Leão,	170.
Permanecemos	dois	anos	nessa	boa	cidade.	Ali,	em	1936,	fui	ordenado	pastor.
Também	realizei	com	êxito,	graças	ao	Senhor,	três	séries	de	conferências	–	uma
na	igreja	e	duas	em	pavilhão	de	lona.	Tive	a	eficiente	ajuda	de	um	colega	e
amigo,	o	pastor	Waldemar	Ehlers.
Incidentemente,	enquanto	estava	em	andamento	uma	das	séries	de	conferências
realizadas	na	grande	tenda,	falei	uma	noite	sobre	a	luta	entre	o	capital	e	o
trabalho,	apresentando-a	como	um	sinal	de	que	vivemos	nos	últimos	dias	e	a
volta	de	Cristo	está	próxima.	No	dia	seguinte,	um	funcionário	da	polícia	foi	à
tenda	e	me	informou	que	o	delegado	pedia	minha	presença	no	seu	gabinete.
Dirigi-me	para	lá	imediatamente	e	fui	introduzido	à	presença	da	autoridade.
Enquanto	alguns	policiais	se	postavam	junto	de	mim,	o	delegado	puxou	um
exemplar	do	convite	em	que	eu	havia	anunciado	o	tema.
–	Foi	o	senhor	quem	imprimiu	e	distribuiu	este	convite	e	ontem	abordou	este
tema?	–	indagou,	apontando	para	o	título:	“O	Conflito	Entre	o	Capital	e	o
Trabalho”.
Respondi	afirmativamente.
–	Explique-nos	o	que	quer	dizer	com	este	tema	–	prosseguiu	o	delegado.
Expliquei-lhe	o	significado	do	assunto	e,	para	comprovar	que	tudo	era	de
caráter	religioso,	chamei-lhe	a	atenção	para	o	tema	seguinte,	sobre	o	reino
celestial,	creio	que	intitulado	“A	Glória	do	Reino	de	Deus”.
–	Qual	é	a	sua	igreja!	–	perguntou.
–	Igreja	Adventista	do	Sétimo	Dia.	Sou	pastor.
Evidentemente,	o	delegado	conhecia	os	adventistas.	E,	a	essa	altura,	concluiu:
–	Está	bem.	Pode	se	retirar.
Por	que	a	preocupação	do	delegado?	Na	mesma	noite	em	que	abordei	aquele
tema,	houve	no	Rio	de	Janeiro	a	Intentona	Comunista,	que	visou	implantar	no
Brasil	o	regime	“vermelho”.	Infeliz	coincidência!
Muitos	membros	da	Igreja	de	Curitiba,	como	da	população	em	geral,	eram	de
origem	alemã	e	preferiam	expressar-se	em	alemão.	O	pouco	do	alemão	que	eu
aprendera	em	Florianópolis	foi-me	muito	útil	no	trabalho.	“Guten	Morgen”,
“Wie	geht	es	Ihnen”	e	muitas	outras	expressões	tinham	de	ser	usadas	com
freqüência.	Com	efeito,	um	moço	da	igreja	disse-me	um	dia,	exagerando:	“Aqui
em	Curitiba,	quem	não	fala	alemão	não	tem	cotação!”
Finalmente,	mencionarei	que	em	Curitiba	nasceu	nossa	filha,	Lucila,	que	seria
íntima	amiga	da	mãe	e	é	até	hoje	o	“ídolo”	do	pai.	Com	cerca	de	20	anos,	ela	se
casou	com	o	jovem	Léo	Ranzolin,	que	fora	seu	colega	de	estudos	no	Colégio
Adventista,	em	São	Paulo,	e	é	hoje	um	dos	secretários	associados	da	Associação
Geral	dos	Adventistas	do	Sétimo	Dia,	com	sede	em	Washington,	DC,	Estados
Unidos.	[Mais	tarde,	Léo	se	tornaria	vice-presidente	da	organização,	função	que
exerceu	por	13	anos,	até	sua	aposentadoria	em	julho	de	2003.	Agora,	a	família
Ranzolin	reside	na	Flórida.]
Mudança	para	a	Cidade	Maravilhosa
Chegou	o	tempo	de	dizer	adeus	à	Cidade	Sorriso.	Após	dois	anos	de	trabalho
em	Curitiba,	fui	chamado	para	o	Rio	de	Janeiro,	onde	deveria	assumir	o
pastorado	da	nova	Igreja	Central,	que	acabava	de	ser	construída,	e	mais	três
congregações	(a	de	Olaria,	a	de	Niterói	e	a	de	Petrópolis).	Na	Cidade
Maravilhosa,	permaneci	por	três	anos.	Cuidar	de	quatro	congregações,	visitando
cada	membro	duas	vezes	por	ano	e	realizando	ainda	algumas	campanhas
evangelísticas,	não	foi	tarefa	leve.	Mas	foi	executada	com	prazer	e	entusiasmo.
Passados	três	anos,	fui	chamado	para	Campos,	interior	do	Rio	de	Janeiro.
Como	homem	do	Sul,	apegado	às	coisas	do	sul	do	país,	eu	preferia	retornar	aos
estados	em	que	antes	trabalhara.	Falei	sobre	isso	com	o	pastor	N.	P.	Neilsen,
então	presidente	da	Divisão	Sul-Americana.	Expressei-lhe	o	desejo	de	voltar
para	o	Sul	e	disse-lhe	que	me	sentiria	derrotado	se	não	pudesse	voltar.	Ele	ouviu
minhas	razões;	então,	com	firmeza	e	bondade,	disse:
–	A	comissão	votou	que	o	irmão	vá	trabalhar	em	Campos.	Seu	lugar	agora	é
em	Campos.	Se	o	irmão	não	for	para	lá,	aí	é	que	vai	ficar	derrotado.
Sempre	procurei	ser	obediente	às	decisões	das	comissões	diretoras.	Ouvindo
isso	do	pastor	Neilsen,	eu	me	apressei	em	dizer-lhe:
–	Se	a	comissão	me	manda	para	Campos,	para	Campos	irei.	O	assunto	está
encerrado.
Essa	conversa	ocorreu	à	sombra	de	uma	árvore	do	campus	do	Colégio
Adventista	Brasileiro,	em	São	Paulo.
Voltando	ao	Rio,	engradei	mais	uma	vez	os	meus	poucos	móveis,	para	mais
uma	mudança.	As	mudanças	já	haviam	sido	tantas	que	minha	esposa	nos
comparava	a	um	badalo	de	sino	–	ora	estávamos	aqui,	ora	lá.
Abrindo	um	parêntesis,	no	decorrer	dos	anos	em	que	trabalhei	no	Rio	de
Janeiro,	expressei	a	um	e	outro	líder	da	igreja	meu	intenso	desejo	de	estudar	num
dos	nossos	colégios	nos	Estados	Unidos.	Pouco	antes,	dois	ou	três	colegas
haviam	sido	enviados	para	estudar	no	Pacific	Union	College,	na	Califórnia.	Eu
tinha	grande	esperança	de	que	tal	privilégio	me	fosse	dado	também.	Nas
palavras	do	pastor	Neilsen	(“Se	o	irmão	não	for	para	Campos,	aí	é	que	vai	ficar
derrotado”),	eu	quis	ver	uma	velada	promessa	de	que	o	almejado	privilégio	me
seria	estendido.	Fui	para	Campos	porque	procurava	ser	obediente,	mas	também
porque	nutria	essa	esperança.
Campos,	capital	da	área	açucareira	do	Estado	do	Rio,	era	a	sede	de	um	distrito
das	atividades	da	Igreja	Adventista	que	se	estendia	de	Magé,	não	longe	de
Niterói,	até	a	divisa	com	o	Estado	do	Espírito	Santo.	Além	da	boa	igreja	que
existia	na	sede	(Campos	tem	hoje	um	dos	maiores	templos	adventistas	do
Brasil),	havia	grupos	e	até	membros	isolados	por	toda	parte	do	vasto	distrito.
Porém,	em	harmonia	com	o	modo	de	agir	que	eu	havia	cultivado,	visitei	cada
família	duas	vezes	no	decorrer	do	primeiro	ano	de	atividades.
Grande	parte	do	distrito	era	constituída	da	Baixada	Fluminense,	que	àquele
tempo	não	havia	sido	completamente	saneada,	e	corria-se	nela	o	perigo	de
contrair	malária.	Para	me	proteger	da	perigosa	doença,	eu	levava	comigo	um
mosquiteiro,	que	armava	sobre	a	cama.
Certa	vez,	visitando	uma	localidade	em	que	havia	malária,	após	pregar	à	noite
ao	grupo	de	membros,	fui	convidado	a	ocupar	um	quarto	da	casa.	Armei	o
mosquiteiro	e	me	preparava	para	deitar	quando	o	dono	da	casa	bateu	à	porta	e
entrou	no	quarto.
–	Para	que	isso,	irmão?–	indagou,	olhando	para	o	mosquiteiro.	Expliquei-lhe
que	era	para	me	proteger	dos	mosquitos	da	malária.
–	Nada	disso,	irmão	–	observou.	–	A	malária	não	vem	de	mosquito,	vem	do
pantano.	–	Ou	seja,	pântano	pronunciado	à	maneira	de	meu	bom	anfitrião.
Insisti	com	ele	que	a	doença	vem	de	uma	variedade	de	mosquito	que	contrai	a
doença	e,	ao	picar	uma	pessoa,	injeta	nela	os	germescausadores	da	malária.
–	Os	cientistas	estudaram	o	assunto	e	constataram	isso	–	argumentei.	–	É	coisa
provada.
–	Qual	nada,	irmão!	–	atalhou	ele.	–	Cientista	lá	entende	dessas	coisas?	Nós
aqui	é	que	entendemos.	Nós	é	que	sabemos	de	onde	vem	a	malária.
A	convicção	dele	era	absoluta.	E	encerramos	o	assunto.
A	grande	notícia
Poucos	meses	após	iniciar	minhas	atividades	em	Campos,	recebi	a	grande
notícia	de	que	fora	indicado	para	estudar	nos	Estados	Unidos,	no	já	referido
Pacific	Union	College.	[Léo	Jr.,	neto	do	pastor	Rabello,	estudou	nesse	colégio	e
hoje	é	professor	e	diretor	do	curso	de	Teologia	ali.]	Minha	satisfação	foi	imensa.
E,	com	muito	mais	dedicação	e	alegria,	continuei	atendendo	os	irmãos	do	distrito
e	trabalhando	para	a	conquista	de	novos	conversos.	Porém,	foi	com	tristeza	que,
menos	de	um	ano	mais	tarde,	minha	família	e	eu	nos	despedimos	dos	irmãos
campistas,	a	quem	aprendemos	a	amar.
Para	a	viagem	aos	Estados	Unidos,	devíamos	tomar	um	dos	três	navios	da
chamada	Frota	(norte-americana)	da	Boa	Vizinhança,	respectivamente	chamados
Brasil,	Uruguai	e	Argentina.	E	quem	viajaria	conosco?	Os	pastores	N.	P.	Neilsen
e	J.	L.	Brown,	que	iam	assistir	à	sessão	quadrienal	da	Igreja	Adventista,	a
realizar-se	em	San	Francisco,	Califórnia.
A	viagem	ocorreu	na	primeira	metade	de	1941,	quando	a	Segunda	Grande
Guerra	estava	em	pleno	desenvolvimento.	E	de	ambos	os	lados	do	navio	havia
sido	pintada	uma	bandeira	americana,	iluminada	a	noite	inteira.	Os	Estados
Unidos	ainda	não	tinham	entrado	na	guerra.
Após	onze	ou	doze	dias	de	agradável	viagem,	desembarcamos	em	Nova	York,
de	onde	prosseguimos	para	Washington.	Na	Associação	Geral,	o	pastor	Neilsen
apresentou-nos	aos	encarregados	da	hospedagem	de	visitantes	e	fomos
instalados	num	apartamento	do	Hospital	Adventista	de	Takoma	Park,	cidade
satélite	de	Washington.	No	hospital,	ao	perguntarem	quem	pagaria	as	despesas
do	apartamento	e	as	refeições,	a	resposta	de	quem	nos	levou	foi:	“They	are
General	Conference	guests”	(eles	são	hóspedes	da	Associação	Geral).
Além	desse	gesto	de	bondade,	providenciou-se	para	que	a	esposa	de	um	dos
líderes	da	igreja	nos	conduzisse	de	automóvel	a	lugares	de	grande	interesse
turístico	da	capital	dos	Estados	Unidos,	como	os	monumentos	a	Washington,	a
Lincoln	e	a	Jefferson.	Enquanto	visitávamos	esses	locais,	minha	esposa	e	eu,
usando	o	pouco	de	inglês	aprendido	no	colégio,	fizemos	comentários	a	respeito
de	diversos	personagens	da	história	e	da	política	do	país.	Isso	causou	admiração
à	senhora	que	nos	conduzia.
–	Como	vocês	conhecem	esses	homens?	–	indagou	ela.
–	Os	Estados	Unidos	estão	na	liderança	do	mundo	e	os	nossos	jornais	com
freqüência	escrevem	sobre	seus	dirigentes	–	respondemos.
Para	a	viagem	transcontinental	de	trem,	tivemos	de	novo	o	prazer	da
companhia	do	pastor	Neilsen,	que	foi	para	nós	qual	solícito	pai.	A	duração	da
viagem	foi	de	mais	ou	menos	quatro	dias	e	quatro	noites,	mas	fizemos	o
percurso	em	carro	leito,	por	causa	dos	filhos	ainda	pequenos.
Entre	as	curiosidades	da	viagem,	posso	destacar	as	vastas	plantações	de	trigo	e
outros	cereais,	principalmente	na	parte	central	do	país,	o	Centro-Oeste.	O	grande
número	de	automóveis	nas	cidades	e	estradas	(por	sinal,	muito	bem
pavimentadas)	levou	o	visitante	a	cunhar	a	expressão	“plagued	country”	(país
vítima	de	praga).	Hoje,	o	Brasil	apresenta	quadro	semelhante.	No	Estado	de
Utah,	tivemos	a	atenção	voltada	para	as	muitas	casas	com	duas	chaminés.
–	Por	que	isso?	–	perguntamos	ao	pastor	Neilsen.
–	Porque	o	morador	tem	duas	esposas.	E	cada	uma	tem	a	sua	própria	cozinha	–
ele	explicou.
Utah	é	o	estado	em	que	há	muitos	mórmons	e	eles,	a	princípio,	eram
polígamos.
O	professor	Dario	Garcia,	que	lá	estudara	e	depois	seria	diretor	do	Colégio
Adventista	Brasileiro,	em	São	Paulo,	havia	terminado	os	estudos	e	estava	para
retornar	ao	Brasil	com	a	família.	Combinamos	que	eu	ficaria	com	a	casa	em	que
moravam.	Como	éramos	concunhados	(nossas	esposas	eram	irmãs),	instalamo-
nos	na	casa	antes	deles	viajarem.
Cerca	de	duas	semanas	depois,	descemos	a	San	Francisco	para	assistir	à
assembléia	da	Associação	Geral,	pois	o	professor	Garcia	e	eu	havíamos	sido
eleitos	delegados	à	mesma.	Que	festa	espiritual!	Por	vários	dias,	ouvimos
consagrados	pregadores	e	relatórios	que	descreviam	o	avanço	do	evangelho.	Que
agradável	experiência	encontrar	delegados	de	quase	todos	os	países,	pessoas	de
cores	e	trajes	diferentes	e	falando	línguas	diferentes!	Na	verdade,	o	plano	do	Céu
é	que	o	evangelho	seja	levado	a	“cada	nação,	e	tribo,	e	língua,	e	povo”	(Ap
14:6).	Nesse	encontro,	como	em	todas	as	sessões	gerais,	foram	eleitos	os
dirigentes	da	igreja	para	o	quadriênio	[hoje	qüinqüênio]	seguinte.
A	família	no	Pacific	Union	College
De	San	Francisco,	retornamos	ao	colégio.	Poucas	semanas	depois,	iniciou-se	o
ano	escolar.	Eu	dispunha	de	apenas	dois	anos	para	os	estudos,	e	era	o	meu
objetivo	completar	o	curso	teológico	naquela	instituição	(os	estudos	do	Brasil
deram-me	cerca	de	metade	dos	créditos	necessários).	Assim,	assumi	uma	intensa
carga	de	estudos.	Isso	significava	longas	horas	diárias	debruçado	sobre	os	livros.
Havia	também	o	problema	da	compreensão	do	inglês.	O	que	eu	tinha
aprendido	com	professores	americanos	no	colégio	em	São	Paulo	era	pouco;	e	o
que	tinha	aprendido	pela	leitura	dos	livros	em	inglês,	depois	do	trabalho,	não	era
de	grande	ajuda.	Eu	conhecia	o	sentido	das	palavras	escritas,	mas	não	a	sua
correta	pronúncia.	Por	isso,	era	necessário	prestar	total	atenção	ao	que	o
professor	dizia,	especialmente	nos	primeiros	seis	meses	de	aulas.	Tudo	isso
implicava	grande	esforço.
Se,	por	um	lado,	a	carga	de	estudos	requeria	longas	horas	diárias	de	preparação
das	matérias,	por	outro	lado,	a	escassez	dos	recursos	financeiros	impunha	a
necessidade	de	trabalhar	o	quanto	desse.	A	ajuda	mensal	recebida	do	Brasil	era
de	apenas	65	dólares.	Por	isso,	o	subgerente	do	colégio	disse	um	dia:	“It	is	not
enough	even	for	the	groceries”	(não	dá	nem	para	os	comestíveis).	Minha	esposa,
gracejando,	dizia:	“Não	dá	nem	para	as	grosserias.”	As	obrigações	que	eu	tinha:
pagar	os	estudos	(50%	do	custo),	adquirir	livros	e	sustentar	a	família.	Era
imperativo	reforçar	essa	pequena	soma	com	dinheiro	ganho	pelo	trabalho	à	tarde
e	aos	domingos.
Começamos	trabalhando	no	setor	que	cuidava	da	instalação	de	água,	esgotos	e
gás	nas	casas.	Eu	fazia	o	melhor,	juntamente	com	outros	estudantes,	cavando
valas	e	trabalhando	nas	casas,	como	um	profissional.	A	diligência	e	o	esmero
com	que	fazia	o	trabalho	conquistaram	a	confiança	e	a	boa	vontade	do	chefe
daquele	departamento.
No	início	de	um	período	de	férias	de	verão,	ele	reuniu	todos	os	que	planejavam
permanecer	no	colégio	para	trabalhar	e	anunciou:
–	Neste	verão,	elevaremos	o	máximo	do	salário	de	25	para	35	centavos	de
dólar	por	hora.	–	Então	acrescentou,	para	surpresa	de	todos:	–	Quando
produzirem	muito	e	fizerem	trabalho	bem-feito,	como	o	Rabello	faz,	receberão	o
máximo.
Ouvindo	isso,	pensei	que	havia	compreendido	mal	o	boss	(chefe).	Porém,	ao
sairmos	da	reunião,	os	colegas	me	cercaram,	dizendo:	–	Então	você	é	o	nosso
modelo	de	trabalho!	–	A	consideração	que	me	dispensava	o	chefe	foi	uma
surpresa	para	mim,	mas	foi	também	um	estímulo	para	eu	fazer	o	melhor	que
podia.
No	decorrer	do	primeiro	ano	de	estudos,	os	fiscais	do	governo	constataram	que
minha	esposa	não	estava	estudando	o	mínimo	requerido	dos	estudantes
estrangeiros.	Foram	ao	colégio	e	pediram	que	eu	a	chamasse	para	ser	interrogada
na	sala	do	professor	encarregado	do	controle	de	alunos	de	outros	países.	A
ameaça	foi:	“Ela	corre	o	perigo	de	ser	deportada.”
Comparecemos	juntos	à	presença	dos	dois	oficiais,	um	deles	escrivão.	Várias
perguntas	foram	feitas	e	as	respostas	anotadas.	Um	dos	pontos	registrados	pelo
escrivão	foi	que	tínhamos	dois	filhos	pequenos	e	o	cuidado	deles	requeria	muito
tempo	da	mãe.	Ao	se	retirarem,	acompanhei-os	até	perto	do	seu	automóvel	e
apelei	para	que	não	deportassem	minha	esposa.
–	Não	se	preocupe	–	responderam.	–	Dê-nos	uns	dias	para	agirmos.	Nós
entendemos	o	seu	problema.
Cerca	de	vinte	diasdepois,	minha	esposa	recebeu	um	documento	do	Ministério
da	Justiça	mudando	o	seu	status	de	estudante	para	o	de	residente	permanente.
Algum	tempo	depois,	fui	designado	para	trabalhar	na	horta	e	numa	área	maior
em	que	havia	plantações	diversas.	Foi	mandado	para	lá	um	grupo	de	rapazes	de
aproximadamente	15	anos.	Parte	da	minha	responsabilidade	era	mantê-los
ocupados.	É	fácil	imaginar	que	a	preferência	deles	era	conversar	e	brincar.	Os
esforços	do	“chefe”	para	fazê-los	trabalhar	eram	encarados	como	estranhos	e,	em
geral,	resistidos.	Como	forma	de	zombar	do	“chefe”,	o	apelidaram	de	Sanka,
nome	de	certa	marca	de	café	descafeinado.	O	sentido	era	que	o	“chefe”	havia
perdido	98%	da	razão,	assim	como	98%	da	cafeína	tinham	sido	removidos	do
café.
O	início	da	Voz	da	Profecia	no	Brasil
Numa	tarde,	enquanto	eu	trabalhava	na	horta	do	colégio,	um	auxiliar	da
administração	me	disse:	–	O	gerente	pede	que	você	vá	ao	escritório	dele.	–	Fui
até	lá	e	ouvi	o	seguinte:	–	A	Associação	Geral	pede-lhe	que	vá	a	Glendale
[cidade	satélite	de	Los	Angeles]	e	apresente-se	à	direção	da	Voz	da	Profecia.	É
plano	da	Associação	Geral	estender	a	Voz	da	Profecia	à	América	Latina,	e	a	sua
ida	a	Glendale	deve	ter	relação	com	isso.	Aqui	está	uma	quantia	em	dinheiro
para	as	despesas	de	viagem.
Chegando	a	Glendale,	fui	à	sede	da	Voz	da	Profecia	e	me	foi	revelado	que	a
minha	voz	e	a	de	outro	brasileiro,	o	pastor	João	Linhares,	seriam	testadas	para	a
escolha	de	um	responsável	pela	preparação	de	programas	de	rádio	para	o	Brasil.
O	teste	foi	feito	e	a	escolha,	por	bondade	dos	encarregados	do	teste,	recaiu	sobre
mim.
Para	coordenar	os	trabalhos	de	produção	de	programas,	achava-se	em	Glendale
o	pastor	W.	P.	Bradley,	secretário	associado	da	Associação	Geral.	Ele	explicou	os
detalhes	do	plano:
–	Deverão	ser	preparados	52	programas	por	ano.	Serão	programas	de	meia
hora,	um	para	cada	semana.	A	princípio,	os	programas	serão	traduzidos	dos
programas	em	inglês.	Você	deverá	vir	a	Glendale	a	cada	dois	ou	três	meses	e
ficar	aqui	duas	semanas,	traduzindo	e	gravando	programas.	O	colégio	não	vai
puni-lo	pelas	ausências	de	15	dias,	mas	você	terá	de	fazer	tudo	o	que	os	demais
alunos	fazem,	bem	como	prestar	todos	os	exames	semestrais.
Isso	significaria	trabalhar	muito	de	dia	e	estudar	muito	à	noite.	Era	uma	carga
pesada.
Sem	a	menor	demora,	coloquei	mãos	à	obra,	traduzindo	sermões	do	pastor	H.
M.	S.	Richards,	orador	da	Voz	da	Profecia	nos	Estados	Unidos.	Os	cânticos	a
serem	usados	nos	programas	deveriam	ser	gravados	pelo	quarteto	do	pastor
Richards,	constituído,	naturalmente,	de	norte-americanos.	Exigia-se	muito
trabalho	para	levar	o	grupo	a	pronunciar	aceitavelmente	as	palavras	em
português,	língua	de	que	nenhum	deles	tinha	a	menor	noção!	A	gravação	de	um
cântico	requeria	horas	de	treino	da	pronúncia.
Por	vezes,	havia	comentários	zombeteiros	sobre	as	“estranhas”	pronúncias	das
palavras.	Certa	vez,	um	dos	moços	observou,	num	misto	de	queixa	e	zombaria:
–	Este	português!	Eles	escrevem	de	um	modo	e	pronunciam	de	outro!	Não	dá
para	entender.
Procurando	desarmar	o	rapaz,	chamei	sua	atenção	para	algumas	peculiaridades
do	inglês.	Eu	observei	que,	no	caso	do	verbo	to	read	(ler),	o	presente	e	o	passado
têm	a	mesma	grafia,	como	sabem	os	que	conhecem	o	inglês:	I	read	(eu	leio,	no
presente)	e	I	read	(eu	li,	no	passado).	Mas	a	pronúncia	da	palavra	read	é
diferente:	no	presente	é	rid,	no	passado	é	réd!	Consciente	dessa	discrepância	da
sua	língua	materna,	o	rapaz	deixou	a	crítica	de	lado	e	continuou	se	esforçando
por	aprender	a	pronúncia	das	palavras	em	português.
Dentro	de	aproximadamente	um	ano,	foram	preparados	e	gravados	52
programas,	com	cânticos	bastante	aceitáveis	apresentados	pelo	quarteto.	Muitos
discos	foram	prensados	e	enviados	para	o	Brasil.	E,	em	23	de	setembro	de	1943,
dezessete	emissoras	das	principais	cidades	do	país	começaram	a	irradiar	a	Voz
da	Profecia!
Em	meados	de	1943,	formei-me	no	Pacific	Union	College,	tendo	participado
de	uma	classe	de	83	graduandos.	Alguns	dias	antes	da	formatura,	o	professor
Milton	E.	Kern,	diretor	do	Seminário	Teológico	Adventista,	em	Washington,
visitou	o	colégio	e	me	convidou	para	freqüentar	aquela	instituição.	Uns	quatro
anos	depois,	os	dirigentes	da	igreja	na	América	do	Sul	me	permitiram	fazê-lo.
Duas	vezes	me	foi	concedido	estudar	no	seminário,	seis	meses	de	cada	vez.
Após	a	formatura	no	Pacific	Union	College,	fui	solicitado	a	permanecer	em
Glendale	por	um	ano,	a	fim	de	preparar	mais	programas	para	o	Brasil.	Aluguei
casa,	matriculei	ambos	os	filhos	na	escola	e	minha	esposa	recebeu	trabalho	na
sede	da	Voz	da	Profecia.	E	eu	dediquei	meu	tempo	integral	às	traduções	dos
programas.	Com	a	experiência	que	eu	adquirira	na	preparação	das	duas	primeiras
séries	de	programas,	o	pastor	Bradley	me	informou:	–	Agora,	sinta-se	livre	para
preparar	seus	próprios	programas.
Retorno	à	pátria
Chegou	o	dia	de	retornarmos	ao	Brasil.	Foi	com	pesar	que	nos	despedimos	da
“família	da	Voz	da	Profecia”,	constituída	então	de	umas	cem	pessoas.	A	Segunda
Grande	Guerra	ainda	assolava	o	mundo.	Não	havia	navios	de	passageiros	que
nos	trouxessem	ao	Brasil.	A	costa	atlântica	das	Américas	era	considerada	zona
de	operação	de	guerra,	e	o	governo	norte-americano	não	permitia	que	aviões
com	famílias	fizessem	esse	percurso.	A	solução	era	viajar	em	algum	avião	que
voasse	pela	costa	do	Pacífico.
Fomos	de	trem	para	a	cidade	de	Nova	Orleans,	onde	esperamos	um	avião	para
nos	levar	à	capital	do	Panamá.	Após	dois	dias	ali,	prosseguimos	até	Lima.	Na
capital	peruana,	permanecemos	seis	dias,	e	lá,	como	no	Panamá,	fomos	alvo	da
bondade	dos	nossos	irmãos,	que	nos	dispensaram	toda	a	atenção	possível.	De
Lima	voamos	para	La	Paz.	Para	transpor	a	Cordilheira	dos	Andes,	o	avião	subiu
muito	e	todos	nos	sentimos	mal	pela	rarefação	do	ar.	Ao	descermos	em	La	Paz,
cuja	altitude	é	de	mais	de	3.600	metros,	estávamos	pálidos	e	praticamente	sem
forças.
Voando	dali	para	Santa	Cruz	de	La	Sierra,	na	baixada	boliviana,	o	piloto
convidou	nossos	filhos	para	irem	à	cabine	de	comando.	Após	cerca	de	20
minutos,	ele	os	levou	de	volta	até	nós.	Ao	entregar-nos	as	crianças,	me
perguntou:
–	O	senhor	acha	que	vai	gostar	do	Brasil?
Respondi:	–	Como	não,	se	sou	brasileiro?!
–	O	senhor	é	brasileiro?	Como	se	explica,	então,	que	seus	filhos	falam	inglês
com	perfeição?	–	O	avião	e	a	tripulação	eram	americanos.
Informei-lhe	que	havíamos	vivido	cerca	de	três	anos	no	seu	país.	E	crianças
aprendem	uma	língua	estrangeira	depressa.
Após	deixarmos	Santa	Cruz,	notei	que	minha	esposa	estava	com	a	fisionomia
alterada,	expressando	grande	preocupação.	Perguntei-lhe:
–	O	que	há	com	você?
–	Tenho	medo	de	que,	ao	chegar	ao	Brasil,	serei	presa	e	mandada	não	sei	para
onde.
A	razão	de	seu	medo	era	o	fato	de	ser	cidadã	da	Alemanha,	país	em	guerra	com
o	Brasil.	O	passaporte,	embora	brasileiro,	declarava	ser	ela	alemã.	Procurei
animá-la,	lembrando	de	que	o	passaporte	dizia	também	que	era	casada	com	o
cidadão	brasileiro	Roberto	M.	Rabello.	Ela	era	esposa	de	um	brasileiro	e	mãe	de
dois	filhos	brasileiros.	Assegurei-lhe:
–	Eles	não	vão	prender	você.	E,	se	a	prenderem,	irei	com	você	aonde	quer	que
for.	Estarei	ao	seu	lado	o	tempo	todo.	Mas	nada	de	mal	vai	acontecer.	As
autoridades	brasileiras	não	seriam	capazes	de	praticar	tal	violência.
Ao	chegar	a	Corumbá,	dirigimo-nos	ao	local	de	inspeção	dos	passaportes.
Entreguei	os	dois	passaportes	ao	inspetor.	Ele	os	examinou	e	chamou	primeiro
minha	esposa.	Logo	carimbou	o	passaporte	dela	e,	entregando-lhe,	disse:	–	Bem-
vinda	ao	Brasil,	Sra.	Rabello!	–	Devido	às	circunstâncias,	seria	difícil	uma
recepção	mais	agradável.
De	Corumbá	voamos	para	São	Paulo	num	pequeno	avião,	com	capacidade	para
uns	doze	passageiros.	Na	capital	paulista,	chegava	ao	fim	nossa	longa	viagem	–
longa	quanto	à	distância	e	ao	tempo.	Dezenove	dias	haviam	se	passado	desde
que	partimos	de	Los	Angeles	até	chegarmos	a	São	Paulo.
Tomando	um	táxi	em	São	Paulo,	juntamente	com	a	família,	perguntei	ao
motorista	se	ele	era	ouvinte	do	programa	A	Voz	da	Profecia.
–	Sim	–	ele	respondeu.	E	acrescentou:–	A	impressão	que	se	tem	é	que	o	orador
do	programa	é	um	americano	que	viveu	muito	tempo	no	Brasil,	ou	um	brasileiro
que	viveu	muito	tempo	nos	Estados	Unidos.
Sabe-se	que,	imperceptivelmente,	a	entonação	da	voz	é	afetada	pelo	modo	de
falar	de	um	povo	com	o	qual	se	convive	por	algum	tempo.	Mas	que	eu	próprio
houvesse	sofrido	tão	grande	influência	do	meio	americano,	foi-me	não	pequena
surpresa.
Visita	aos	familiares
De	São	Paulo,	fomos	para	a	casa	em	que	residia	meu	sogro,	o	pastor	Luiz
Braun,	numa	chácara	junto	ao	Colégio	Adventista	Brasileiro.	Ao	transpormos	o
portão,	fomos	vistos	pelo	idoso	servo	do	Senhor,	que,	acompanhado	da	esposa,
saiu	ao	nosso	encontro	com	os	braços	erguidos	e	exclamando:	–	Kinder!	Kinder!
[Crianças!	Crianças!]	–	Era	uma	referência	aos	netos,	que	iam	à	frente	e	aos
quais	abraçaram	emocionados.
Abraçaram	também,	com	muito	afeto,	a	filha	e	o	genro.	Foi	um	feliz
reencontro	para	todos.
[Lucila	relata	que,	quando	seus	pais	voltaram	para	o	Brasil,	ela	ganhou	uma
enorme	boneca.	Logo	ao	chegarem,	foram	à	casa	do	pastor	Domingos	Peixoto	da
Silva,	e	sua	tia	Emília,	a	mais	velha	das	Braun,	embrulhou	a	boneca.	A	Sra.	Ana
Braun	pensou	que	sua	filha	tivera	mais	um	bebê.	Foi	correndo	ao	quarto,	abriu	o
embrulho	e,	para	sua	surpresa,	encontrou	a	linda	boneca.	Foi	uma	gargalhada
geral.]
Os	primeiros	anos	da	Voz
Para	tomar	conta	da	correspondência	dos	ouvintes	e	das	lições	dos	alunos	da
Escola	Radiopostal	da	Voz	da	Profecia,	fora	instalado	um	escritório	em	Niterói,
Estado	do	Rio.	A	irmã	Ilka	Reis	era	a	pessoa	encarregada	do	escritório,	ou	seja,	a
primeira	instrutora	da	Escola	Radiopostal.	Assim,	fomos	para	Niterói	e	alugamos
uma	casa.	Isso	foi	em	1945.
O	trabalho	cresceu	rapidamente.	Dentro	de	vinte	anos,	o	número	de	emissoras
subiu	para	mais	de	300.	O	volume	da	correspondência	aumentou	muito.
Alugamos,	então,	uma	espaçosa	casa	de	dois	andares	em	Niterói.	Ali	instalamos
o	escritório	e	a	Escola	Radiopostal.	A	casa	também	serviu	de	residência	para
minha	família	e	para	alguns	obreiros	da	instituição.
Depois	de	algum	tempo,	começamos	a	sonhar	com	uma	sede	própria.	A
Divisão	Sul-Americana,	sede	administrativa	da	Igreja	Adventista	para	a	América
do	Sul,	aprovou	o	plano	e	passamos	a	angariar	fundos	para	financiar	o
empreendimento.	Embora	gostássemos	de	Niterói,	compreendemos	que	a	cidade
do	Rio	de	Janeiro	era	o	centro	ideal	para	a	nova	sede.
Cerca	de	50	terrenos	da	então	Capital	Federal	foram	vistos	e	considerados.	Por
fim,	optamos	por	um	no	bairro	do	Botafogo,	onde	erigimos	o	prédio,	com	a
generosa	ajuda	financeira	da	Divisão	Sul-Americana.	Em	1962,	o	edifício	foi
inaugurado,	numa	cerimônia	que	contou	com	a	honrosa	presença	do	presidente
da	República,	Dr.	Juscelino	Kubitscheck.	A	vasta	dependência	desse	prédio,	que
constituiu	o	Auditório	Guanabara,	destinava-se	a	servir	como	centro
evangelístico	da	Voz	da	Profecia.
A	Voz	da	Profecia	foi	o	primeiro	programa	religioso	de	âmbito	nacional
transmitido	pelo	rádio.	Isso	contribuiu	para	seu	forte	impacto.	Milhares
tornaram-se	assíduos	ouvintes	do	mesmo.	Sendo	que	poucas	pessoas	possuíam
rádio	naquele	tempo,	alguns	amigos	do	programa	instalaram	alto-falantes	nas
fachadas	de	suas	casas	para	que	os	vizinhos	pudessem	ouvi-lo.	Na	Bahia,	uma
família	inteira	de	certa	área	rural	se	dirigia	uma	vez	por	semana	a	uma	cidade
próxima,	à	noite,	para	ouvir	o	programa	irradiado	de	Salvador.	Mais	tarde,	um
membro	da	família	me	informou	que	todos	se	tornaram	adventistas.	Ao	longo
dos	anos,	não	poucos	ouvintes	nos	têm	escrito	informando	que	ouvem	as
mensagens	da	Voz	da	Profecia	ajoelhados	junto	ao	rádio!
Ouvintes	influentes
Pessoas	cultas	e	de	elevada	posição	social	tornaram-se	apreciadoras	dos
programas.	Após	uma	reunião	religiosa	realizada	em	Belo	Horizonte,	a	que
esteve	presente	o	então	governador	de	Minas	Gerais,	Dr.	Magalhães	Pinto,	fui
apresentado	a	ele	como	o	orador	da	Voz	da	Profecia.	O	governador	surpreendeu-
me	com	as	palavras:	–	Eu	ouço	o	programa	todos	os	domingos.
Anos	mais	tarde,	quando	eleito	presidente	do	Brasil,	o	Dr.	Tancredo	Neves
disse	ao	administrador	da	Voz	da	Profecia:	–	Eu	sou	fã	do	programa!
Após	uma	conferência	que	proferi	em	Mirassol	d´Oeste,	Mato	Grosso,	quatro
pessoas	relativamente	jovens	–	dois	homens	e	duas	mulheres	–	se	apresentaram	a
mim.	Um	dos	homens	se	identificou	como	membro	da	Assembléia	Legislativa
do	Estado	e	apresentou-me	o	companheiro	como	sendo	o	secretário	da
Assembléia.	As	duas	mulheres,	dando-me	os	respectivos	nomes,	eram	esposas
de	deputados	estaduais.	Todos	ouviam	a	Voz	da	Profecia.	Calorosamente,
cumprimentei	os	distintos	visitantes,	tomando	nota	de	seus	nomes	para	enviar
cópias	de	nossas	palestras.
Uma	senhora	que	residia	em	Brasília	e	era	funcionária	do	Ministério	do
Exterior	tornou-se	assídua	ouvinte	da	Voz	da	Profecia.Tendo	perdido	contato
com	o	programa	durante	três	anos,	casualmente	o	localizou	um	dia.	Pouco
depois,	nos	disse:	–	Confesso	que,	ao	encontrar	de	novo	o	programa,	chorei	de
alegria!
Houve	um	caso	de	particular	interesse.	Uma	pessoa	residente	em	São	Paulo
buscava	o	caminho	da	salvação.	Orou	ao	Senhor	pedindo	orientação	divina.	Teve
então	um	sonho	em	que	lhe	foi	dito:	“Se	quer	encontrar	o	caminho	para	o	Céu,
ouça	o	programa	radiofônico	A	Voz	da	Profecia.”	Nosso	amigo	fez	isso	e	se
tornou	membro	da	Igreja	Adventista.
Uma	firme	orientação	da	Voz	da	Profecia	tem	sido	evitar	ataques	a	outras
igrejas,	nos	seus	programas	de	rádio.	Cremos	que	Deus	tem	filhos	em	todas	as
ramificações	da	cristandade	e	que,	se	lhes	pregarmos	a	verdade,	os	erros	que
houver	entre	eles	cairão	por	si	mesmos.	Como	resultado	dessa	orientação,	temos
sinceros	amigos	entre	os	líderes	de	outras	igrejas.
Um	padre	de	Juiz	de	Fora	recomendou	a	um	amigo	ouvir	a	Voz	da	Profecia,
assegurando-lhe:	–	Você	não	poderá	encontrar	nada	mais	bíblico.	–	A	irmã
superiora	de	um	convento	de	Santo	Antônio,	Rio	Grande	do	Sul,	concedeu-nos	o
auditório	do	convento	para	a	apresentação	de	uma	palestra	religiosa.	Ela	própria
assentou-se	conosco	à	plataforma.	Em	Joinville,	Santa	Catarina,	o	padre
encarregado	da	matriz	católica	da	cidade	cedeu	a	igreja	para	a	realização	de	um
programa	pelo	orador	da	Voz	da	Profecia	e	o	nosso	quarteto	vocal.
Muitos	pastores	evangélicos	são	amigos	do	nosso	programa.	Num	encontro	de
radioevangelistas	ocorrido	em	São	Paulo	e	no	qual	foi	constatado	que	sou	o
decano	da	classe,	os	pastores	presentes	referiram-se	à	Voz	da	Profecia	e	a	mim
com	singular	carinho	e	consideração.
É	desnecessário	dizer	que	devemos	esses	triunfos	do	programa	ao	fato	de	que	a
mensagem	pregada	é	a	mensagem	do	Céu	e	de	que	a	bênção	de	Deus	tem
acompanhado	o	trabalho	da	Voz	da	Profecia.
Novo	quarteto	e	novo	estúdio
Durante	cerca	de	vinte	anos,	a	gravação	dos	nossos	programas	foi	feita	nos
estúdios	da	Voz	da	Profecia	nos	Estados	Unidos.	Os	cânticos	usados	eram	do
quarteto	americano	e	de	Del	Delker,	solista	do	programa	em	inglês.	Naquele
país,	eram	também	prensados	os	discos	para	uso	no	Brasil.	Isso	requeria	que	eu
anualmente	viajasse	aos	Estados	Unidos.	A	minha	esposa	me	acompanhava
nessas	viagens,	pois	ela	era	minha	secretária.
Mas,	pouco	depois	da	inauguração	da	nossa	sede	própria,	instalamos	nela	um
bem	equipado	estúdio	de	gravação.	E	organizamos	um	quarteto	brasileiro.	Os
primeiros	integrantes	foram:	Henry	Feyerabend,	Luiz	Mota,	Joel	Sarli	e	Samuel
Campos.	Dessa	época	em	diante,	os	programas	passaram	a	ser	gravados	em
nosso	próprio	estúdio,	com	música	cantada	pelo	nosso	quarteto.	Os	discos	eram
prensados	no	Rio	de	Janeiro.
Promoção	e	datas	especiais
Pouco	depois	do	início	das	irradiações,	viu-se	a	conveniência	de	estabelecer
contato	pessoal	com	os	ouvintes	do	programa.	Comecei,	então,	a	viajar	pelo	país
realizando	reuniões	de	cidade	em	cidade.	A	princípio,	tive	a	companhia	do
diretor	das	atividades	do	rádio	da	respectiva	Associação	ou	Missão.
Em	1963,	tivemos	a	visita	do	quarteto	norte-americano,	que	se	apresentou	em
reuniões	realizadas	nas	principais	cidades	da	costa	brasileira,	desde	Belém	até
Porto	Alegre,	para	celebração	dos	40	anosdo	programa.	No	Rio	de	Janeiro,	eles
cantaram	no	Maracanãzinho,	perante	uma	multidão	de	mais	de	30	mil	pessoas.
Calcula-se	que,	em	toda	a	viagem,	eles	foram	ouvidos	por	meio	milhão	de
pessoas.	Ao	completarmos	25	anos,	em	1968,	tivemos	a	honrosa	visita	do
fundador	da	Voz	da	Profecia	nos	Estados	Unidos,	pastor	H.	M.	S.	Richards,	que
se	fez	acompanhar	da	esposa,	do	organista	Bradford	Braley	e	esposa,	e	da
cantora	Del	Delker.
Esses	visitantes	também	se	apresentaram	nas	principais	cidades	do	país	e
foram	igualmente	muito	apreciados.	A	essa	altura,	já	tínhamos	nosso	próprio
quarteto,	que	anualmente	nos	tem	acompanhado	nas	viagens,	ora	pelo	norte,	ora
pelo	centro,	ora	pelo	sul	do	Brasil.	No	decorrer	dos	anos,	mais	de	duas	centenas
de	cidades,	grandes	e	pequenas,	foram	visitadas,	várias	delas	muitas	vezes.	Falei
em	lugares	famosos,	como	o	Teatro	Amazonas,	em	Manaus;	o	auditório	da
Secretaria	de	Saúde,	em	Belo	Horizonte;	o	Teatro	Santa	Isabel,	em	Recife;	o
Teatro	da	Paz,	em	Belém;	o	Teatro	Municipal	de	São	Paulo;	o	Teatro	Guaíra,	em
Curitiba;	e	o	Teatro	São	Pedro,	em	Porto	Alegre.
Visitamos	Macapá,	onde	fomos	ver	o	marco	edificado	sobre	a	linha	do
equador.	Junto	desse	marco,	pudemos	colocar	um	pé	no	hemisfério	sul	e	outro
no	hemisfério	norte.	Uma	curiosidade:	a	Igreja	Adventista	de	Macapá	acha-se
edificada	sobre	a	linha	do	equador	e	tem	o	púlpito	no	hemisfério	norte	e	a	nave
no	hemisfério	sul.
Um	grande	sonho	realizado
Em	1966,	tive	o	privilégio	de	visitar	a	Europa	e	as	terras	bíblicas.	A	viagem	foi
feita	na	companhia	de	diversos	pastores,	alguns	acompanhados	das	respectivas
esposas.	Gastamos	longas	horas	no	Museu	Britânico,	em	Londres,	e	no	Museu
do	Louvre,	em	Paris.	Em	Roma,	um	verdadeiro	museu	de	antiguidades,	vimos	as
catacumbas	–	túneis	subterrâneos	de	centenas	de	quilômetros	de	comprimento,
abertos	por	exploradores	de	pedreira.	Nelas,	os	cristãos	sepultavam	seus	mortos
e	se	abrigavam	quando	perseguidos.
Vimos,	na	Basílica	de	São	Pedro,	a	estátua	de	Moisés,	esculpida	por
Michelangelo.	Essa	estátua	tem	acabamento	tão	perfeito	que	parece	faltar-lhe
apenas	vida.	Há	uma	pequena	marca	junto	a	um	dos	joelhos	da	estátua	e,
explicando	a	origem	dela,	nosso	guia	disse:	“Ao	completar	sua	obra,	o	artista,
impressionado	com	a	perfeição	da	mesma,	gritou	‘Parla!’	[fala!]	e	bateu	com	o
martelo	onde	está	a	marca”.	Na	Capela	Sistina,	vimos	o	grande	quadro	do	Juízo
Final,	pintado	por	Michelangelo.
Visitamos	a	Prisão	Marmetina,	masmorra	em	que,	segundo	a	tradição,	o
apóstolo	Paulo	foi	lançado,	na	sua	segunda	prisão.	Igualmente	segundo	a
tradição,	ele	teria	sido	decapitado	naquele	local,	num	ponto	junto	da	Via	Óstia,
ao	sul	de	Roma.
Da	capital	italiana,	seguimos	para	Atenas,	onde	apreciamos	o	Partenon	e	um
pouco	da	glória	da	inigualável	arte	da	antiga	Grécia.	Então,	voamos	à	cidade	do
Cairo,	onde	vimos	as	pirâmides,	a	Esfinge	e	o	Nilo.	Para	mim,	o	Egito	lembra	o
antigo	Israel,	em	particular	Moisés.	O	museu	do	Cairo,	com	suas	relíquias	do
antigo	Egito,	em	particular	as	do	reino	de	Tutankâmon,	mereceu	também	longas
horas	do	nosso	tempo.
Do	Cairo,	fomos	para	o	Sinai,	onde	Deus	pronunciou	os	Dez	Mandamentos	–
santos	princípios	do	Seu	reino.	Na	manhã	de	um	sábado,	subimos,	com	emoção,
ao	cume	do	monte	e,	na	pequena	capela	lá	construída,	realizamos	um	culto	ao
Senhor.
Do	Egito,	seguimos	para	Beirute.	Próximo	dessa	cidade,	visitamos	a	área	em
que	crescem	os	famosos	cedros	do	Líbano.	Prosseguindo	de	Beirute	junto	com
alguns	companheiros	de	viagem,	fomos	ao	sítio	da	antiga	Babilônia,	onde	é
agora	o	Iraque.	A	despeito	dos	1.800	anos	em	que	ela	tem	estado	deserta,	suas
ruínas	testificam	que	Babilônia	foi	de	fato	“a	jóia	dos	reinos”	(Is	13:19).
Reunindo-nos	aos	demais	companheiros	em	Beirute,	seguimos	depois	para	a
Palestina.	De	caminho,	detivemo-nos	em	Damasco,	onde	visitamos	a	Rua
Direita,	em	que	Paulo	passou	algum	tempo	após	sua	conversão.	Também
visitamos	o	ponto	do	muro	da	cidade	em	que	o	apóstolo	foi	descido	num	cesto,
ao	fugir	dos	que	tentavam	matá-lo	(At	9:11,	19,	25).
Chegamos,	por	fim,	ao	que	seria	o	ponto	alto	da	viagem:	o	território	que	é
agora	o	Estado	de	Israel,	a	terra	em	que	Jesus	nasceu	e	realizou	a	Sua	obra
maravilhosa	em	prol	da	humanidade.	Na	Igreja	da	Natividade,	em	Belém,
visitamos	o	lugar	onde	Ele	nasceu.	No	pavimento	de	uma	sala,	no	subsolo,	há
uma	área	elevada,	com	os	dizeres	em	latim:	“Aqui	nasceu	Jesus	Cristo,	da
Virgem	Maria.”
Visitamos	Nazaré,	onde	Jesus	cresceu.	Na	ida	para	lá,	bebemos	água	do
famoso	Poço	de	Jacó,	em	Samaria,	lembrando	que	o	próprio	Senhor	certa	vez
bebeu	água	do	mesmo.	Visitamos	o	Mar	ou	Lago	da	Galiléia,	cujas	águas
revoltas,	numa	tempestade,	Jesus	acalmou.	Descemos	também	ao	Mar	Morto,
que	está	a	cerca	de	400	metros	abaixo	do	nível	do	mar.	Vimos	pessoas	boiando
nas	águas	supersalgadas	do	mar,	permanecendo	à	tona	sem	fazer	esforço.
Visitamos	o	Jardim	do	Getsêmani,	onde	o	Salvador	Se	angustiou	ao	tomar
definitivamente	a	decisão	de	assumir	os	pecados	da	raça	culpada	e	morrer	em
nosso	lugar.	Foi	com	reverência	que	pisei	aquele	pedaço	de	terra	em	que,	num
sentido,	decidiu-se	a	luta	entre	o	bem	e	o	mal.	Vimos	igualmente	a	colina	do
Gólgota,	onde	Jesus	foi	crucificado.	Também	o	lugar	da	sepultura,	de	onde	Ele
Se	ergueu	ao	terceiro	dia.	Senti	profunda	emoção	ao	contemplar	esses	lugares
em	que	o	Filho	de	Deus	sofreu	por	nós	e,	assim,	abriu-nos	as	portas	da	salvação.
De	Israel,	voamos	para	Atenas,	onde	deixamos	os	dois	automóveis	alugados	na
França.	Prosseguindo	viagem,	passamos	por	Tessalônica	e	entramos	na
Iugoslávia	(hoje	dividida	em	diversos	países).	Depois	seguimos	para	a
Alemanha,	via	Itália	e	Suíça.	Com	mais	quatro	do	grupo,	fui	até	Berlim	com	o
objetivo	especial	de	ver	o	museu	daquela	cidade,	onde	estão	muitos	valiosos
documentos	e	objetos	levados	das	ruínas	de	Babilônia	pelo	arqueólogo	Robert
Koldewey.
Na	viagem	de	retorno	a	Paris,	passamos	pela	Holanda	e	Bélgica,	pernoitando
ao	sul	de	Bruxelas,	em	Waterloo,	o	local	da	batalha	em	que	Napoleão	foi
derrotado	e	teve	a	carreira	encerrada.	Usando	a	imaginação,	podíamos	ouvir	o
troar	dos	canhões	da	grande	batalha.
Em	Paris,	tomamos	o	avião	de	regresso	ao	Brasil,	passando	por	Madri	e
Lisboa.	Ao	todo,	a	viagem	durou	cerca	de	um	mês.	Para	mim,	do	ponto	de	vista
cultural,	foi	comparável	a	um	ano	de	estudos	numa	instituição	de	nível	superior.
Mas	a	inspiração	que	recebi	ao	visitar	os	lugares	relacionados	com	a	presença	de
Jesus	em	nosso	planeta	foi	de	valor	inestimável.
Os	anos	da	aposentadoria
Aposentei-me	em	1976,	mas	continuo	dedicando	tempo	integral	ao	trabalho	da
Voz	da	Profecia.	Muitos	pregadores	continuam	trabalhando	após	a	jubilação.
Eles	amam	a	obra	do	evangelho,	e	Deus	aprecia	abençoar	seus	esforços.	Por
falar	nisso,	lembro-me	de	uma	afirmação	que	ouvi	do	pastor	H.	M.	S.	Richards,
fundador	da	Voz	da	Profecia	nos	Estados	Unidos,	por	ocasião	de	uma	visita	que
lhe	fiz,	estando	nós	dois	aposentados.	Aquele	fiel	servo	de	Deus	tinha	então
quase	90	anos	de	idade	e	me	perguntou	se,	como	aposentado,	eu	continuava
trabalhando.	Respondi	que	sim,	e	ele	disse:
–	Não	há	um	texto	na	Bíblia	que	diga	que	você	deve	parar	de	trabalhar	para	o
Senhor.
Por	muitos	anos,	mesmo	aposentado,	continuei	ajudando	a	preparar	os
programas	da	Voz	da	Profecia,	além	de	viajar	para	fazer	conferências.	Era	o	meu
prazer	participar	da	obra	do	Senhor.
Em	1984,	após	14	anos	de	viuvez,	contraí	núpcias	com	Hedwig	Edith	Anniehs,
que,	por	sinal,	tinha	o	mesmo	nome	de	minha	primeira	esposa.	Deus	me	deu	uma
esposa	cristã,	muito	afetuosa	e	excelente	dona	de	casa.
[Mais	detalhes	sobre	essa	fase	serão	apresentados	em	outro	capítulo.]
U
Primeiro	Amor
O	pedido	de	casamento	e	a	vida	ao	lado	da	esposa
ma	ajudadora.	Essas	palavras	se	enquadram	perfeitamente	na	vida	da
esposa	do	pastor	Roberto	Rabello	–	a	Sra.	Hetty,	como	era	chamada	por
ele	e	pelos	amigos.	Ela	foi	uma	grande	ajudadora	na	vida	e	ministério	do	pastor
Rabello.	Esposa	dedicada,	mãe	amorosa	e	fiel	obreira	do	Senhor,	ela	era	filha	do
pastor	Luiz	e	Anna	Braun.	Seu	nome	completo	antes	de	casar-seera	Hedwig
Braun.	Nascida	na	cidade	de	Dusseldorf,	Alemanha,	em	26	de	janeiro	de	1911,
chegou	ao	Brasil	com	dois	anos	de	idade.	Sua	irmã	mais	velha,	Emília	Braun,
nunca	se	casou.	Mais	tarde,	veio	ao	lar	do	pastor	Braun	sua	terceira	e	última
filha,	Ida	Braun,	nascida	em	Curitiba,	e	que	se	tornou	esposa	do	falecido	pastor
Dario	Garcia.
O	pastor	Braun	chegou	ao	Brasil	em	1913,	pouco	antes	da	Primeira	Guerra
Mundial.	A	vida	não	estava	fácil	para	o	Sr.	Luiz	Braun.	Ao	aceitar	a	mensagem
do	advento,	sua	esposa	foi	rejeitada	pelos	familiares,	e	ele	tinha	muita
dificuldade	em	conseguir	trabalho,	devido	à	sua	fé	em	Cristo.	Assim,	os	dois
decidiram	vir	para	o	Brasil,	na	esperança	de	conseguir	alguma	terra	e	iniciar	uma
nova	vida.
Estabeleceram	residência	no	interior	do	Paraná,	em	1913.	Logo	depois,	por	ser
um	bom	pregador,	Luiz	Braun	foi	convidado	a	trabalhar	na	Igreja	Adventista
como	obreiro.	Trabalhou	no	Paraná	e	no	Rio	Grande	do	Sul	(Porto	Alegre	e
Pelotas).	Depois	foi	chamado	para	São	Paulo,	tendo	sido	pastor	em	São	João	da
Boa	Vista	e	Jaú.
Algo	interessante	ocorreu	em	Jaú,	pois	ele	foi	o	instrumento	para	levar	a
família	Sarli	aos	pés	de	Cristo.	A	família	Sarli	deu	ao	Brasil	quatro	pastores	e
uma	professora:	Wilson,	Tércio,	Joel,	Paulo	e	Ester	Sarli,	que	muito
contribuíram	para	a	obra	no	Brasil.	Wilson	foi	presidente	de	Associação	e
administrador	da	Casa	Publicadora	Brasileira;	Tércio	foi	presidente	de
Associação	e	da	União	Central	Brasileira;	Joel	foi	um	dos	membros	do	primeiro
quarteto	da	Voz	da	Profecia	e	diretor	associado	da	Associação	Ministerial	da
Associação	Geral;	Paulo	foi	pastor	e	orador	associado	da	Voz	da	Profecia;	e
Ester	foi	professora	no	IAE.
O	pastor	Braun	foi	conhecido	no	Brasil	como	um	homem	destemido	e	de	muito
poder	espiritual.	Sua	filha	Hedwig	recordava	muitas	experiências	dele,
especialmente	com	endemoninhados,	que	diziam:	“Não	chamem	o	pastor	Braun,
não	chamem	o	pastor	Braun!”	Ele	ia	e	enfrentava	os	demônios,	expulsando-os
com	o	poder	da	Palavra	de	Deus.	Dona	Hetty	recordava	seu	pai	dizer	que	o
Senhor	tinha	sido	muito	misericordioso	com	ele,	pois	havia	sido	muito	ousado
com	o	inimigo.
Relato	esse	fato	para	destacar	que	a	Sra.	Hetty	viveu	o	ministério	de	seu	pai.
Estava	acostumada	com	as	viagens,	as	lutas	contra	o	inimigo	e	as	mudanças.
Nunca	imaginou	que	ela,	sua	irmã	Ida	e	a	filha	Lucila	enfrentariam	os	mesmos
problemas,	ou	seja,	que	seriam	esposas	valorosas	ao	lado	de	seus	companheiros
pastores!	Elas	partilhavam	das	lutas,	dos	desafios,	dos	dissabores	e	das	vitórias!
Merecem	ser	reconhecidas	pelos	seus	esforços	e	dedicação.
Dona	Ida	Garcia	(que,	na	época	em	que	este	livro	foi	escrito,	estava	com	90
anos	e	residia	na	Pensilvânia)	nos	contou	que	o	pastor	Braun	dirigia	um	vasto
distrito	em	Juiz	de	Fora.	Ele	era	o	único	obreiro	da	região	e	tinha	que	viajar
muito	para	chegar	aos	grupos	e	visitar	os	irmãos.	Quando	lembramos	quão
difícil	era	o	transporte	naqueles	dias,	podemos	ter	um	pequeno	vislumbre	do
pioneirismo	desses	obreiros	do	passado!
Livramento	espetacular
Ao	iniciar	uma	igreja	no	interior	de	São	Paulo,	o	pastor	Braun	foi	perseguido
por	muitos	que	eram	contra	as	igrejas	protestantes.	Dona	Emília	contou-nos	a
história	a	seguir,	que	escrevi	para	uma	revista	dirigida	aos	jovens	nos	Estados
Unidos,	a	Guide.	Realmente,	é	uma	experiência	maravilhosa	vivida	pela	jovem
Hetty	e	sua	família:
–	Olhe,	olhe,	papai!	Venha	depressa,	mamãe!
O	pastor	e	a	senhora	Braun	foram	correndo	para	a	janela.	O	sol	estava
baixando	no	horizonte,	as	sombras	se	estendiam	em	seu	jardim,	e	eles
puderam	contemplar	quatro,	cinco,	seis,	sete	–	sim,	sete	enormes	cachorros
que	circulavam	em	volta	da	casa,	um	após	o	outro.	Mas	por	quê?	As	duas
meninas	nunca	haviam	visto	algo	semelhante!
–	Creio	que	esses	cachorros	devem	estar	com	fome	–	disse	a	mãe.	–	Que	tal
se	vocês,	meninas,	encontrassem	algo	para	eles	comerem?
Emília	e	Hedwig	correram	para	ver	se	encontravam	algum	resto	de
comida.	Enquanto	procuravam	a	comida,	temos	que	rever	alguns	eventos	que
nos	ajudarão	a	compreender	esse	mistério.
O	pastor	Braun	e	a	família	eram	missionários	no	Brasil.	O	pastor	Braun
havia	deixado	a	Alemanha,	com	a	esposa	Anna	e	as	duas	filhas,	com	um
grande	desejo	de	pregar	o	evangelho.	As	meninas	aprenderam	o	português
com	muita	rapidez	e	estavam	se	divertindo	no	novo	país.	Havia	muitas	coisas
para	apreciarem,	apesar	das	dificuldades	que	enfrentavam.
O	pastor	Braun	foi	enviado	para	a	pequena	cidade	de	Teixeira	Soares,	na
parte	sul	do	Brasil.	Pediram-lhe	que	dirigisse	uma	série	de	conferências
numa	pequena	igreja	no	centro	da	cidade.
As	meninas	gostavam	de	ouvir	o	pai	pregar	e	contar	histórias.	Mas
estavam	temerosas	porque	haviam	ouvido	que	muitos	naquela	cidade	não
apreciavam	os	alemães.	Não	se	deram	conta	de	que	isso	ocorria	em	1917	e
que	o	povo	alemão	estava	envolvido	numa	guerra	terrível!	O	outro	problema
era	que	muitos	brasileiros	daquela	época	não	gostavam	de	protestantes.
Porém,	as	meninas	confiavam	no	Senhor.	Sabiam	que	o	pai	não	tinha	medo,
pois	era	um	homem	de	Deus.
Um	dia,	o	delegado	da	cidade	foi	à	sua	casa	e	disse:
–	Sr.	Braun,	aqui	estou	para	comunicar-lhe	que	o	senhor	está	proibido	de
pregar	aos	domingos	na	igreja	da	praça	central.	O	povo	vai	matá-lo!	Não
tenho	poder	para	evitá-lo!
–	Senhor	delegado	–	respondeu	o	pastor	–,	Deus	tem	me	protegido	muitas
vezes	e	estou	certo	de	que	o	fará	novamente.	Falarei	ao	povo.	Não	posso
decepcioná-lo.	Se	quiser	me	prender,	nada	posso	fazer.	Lá	estarei	domingo	à
noite!
O	pastor	Braun	não	se	intimidava	por	qualquer	coisa,	e	não	podia	parar
de	pregar.	Havia	60	pessoas	interessadas	na	mensagem	do	evangelho.	Trinta
estariam	prontas	para	o	batismo	em	mais	ou	menos	duas	semanas.
Nos	dias	seguintes,	Emília	e	Hedwig	ficaram	preocupadas!	Ouviram	que	o
delegado	saíra	da	cidade	e	imaginaram	o	que	iria	ocorrer.	O	delegado
gostava	de	seu	pai,	mas	havia	decidido	deixar	o	pastor	enfrentar	o	perigo
sozinho.
Na	sexta-feira,	o	pastor	Braun	ficou	muito	doente.	Não	conseguia	nem
ficar	de	pé!	A	Sra.	Braun	e	as	filhas	fizeram	de	tudo	para	ajudá-lo,	mas	ele
passou	o	sábado	de	cama.	Como	as	garotas	oraram	pelo	pai!	Mas	o	pastor
não	melhorou.	No	domingo	pela	manhã,	ele	ainda	se	sentia	mal.	Passou	o
dia	inteiro	em	oração,	pois	sabia	que	a	força	vem	somente	do	Senhor.	Ele
resolveu	que	iria	pregar	para	os	interessados	naquela	noite,	mesmo	que
fosse	a	última	reunião	de	sua	vida.
Enviou	uma	mensagem	a	dois	jovens	da	igreja	para	que	fossem	à	sua	casa
e	o	ajudassem	a	ir	à	igreja.	Os	rapazes	tiveram	que	ajudá-lo	a	se	vestir,	pois
ele	estava	muito	fraco	para	colocar	suas	roupas.
Antes	de	sair,	ele	chamou	a	esposa	e	as	duas	filhas	e	disse:
–	Eu	não	sei	o	que	irá	acontecer.	Tenham	fé	em	Deus!	Ele	me	protegerá.
Anna,	cuide	bem	das	crianças.	Se	você	não	conseguir	viver	neste	país,	pegue
a	Emília	e	a	Hedwig	e	voltem	para	a	Alemanha!
As	meninas	se	abraçaram	à	mãe	e	olharam	o	pai	capengando	entre	os	dois
fortes	jovens!	Será	que	iriam	rever	o	pai?	Tudo	que	podiam	fazer	era	orar,
pois	não	poderiam	ir	à	reunião	com	ele.
Depois	de	uma	caminhada	de	meia	hora	pela	mata,	os	três	homens
chegaram	ao	centro	da	praça.	A	igreja	estava	superlotada	de	pessoas,	dentro
e	fora,	pois	não	queriam	perder	aquela	reunião.
Com	muita	dificuldade,	o	pastor	alcançou	o	púlpito.	As	pessoas	estavam
bem	apertadas	nas	cadeiras.	Queriam	ouvir	a	Palavra	de	Deus	e	ouvir	esse
missionário	alemão	que	não	tinha	medo	de	ninguém!
Logo	após	o	primeiro	hino,	o	pastor	Braun	ergueu	a	voz	em	oração.	O
povo	notava	que	ele	estava	pálido	e	fraco.	As	pessoas	imaginavam	que	ele
iria	desmaiar	a	qualquer	momento!	De	repente,	o	pastor	parou	por	alguns
instantes	e	silenciosamente	orou:	“Senhor,	dá-me	forças	para	pregar
novamente	para	estas	pessoas.	Por	favor,	Senhor,	ajude-me.”	Imediatamente,
após	esse	silêncio,	aqueles	que	estavam	perto	dele	notaram	que	sua	cor
voltava	e	que	sua	voz	se	fortalecia	ao	ir	terminando	a	oração.	Daquele
momento	em	diante,	ele	pregou	por	uma	hora	e	meia	para	uma	multidão	que
ouvia	em	silêncio.	O	Espírito	de	Deus	falouatravés	dele	e	a	reunião	foi	um
grande	sucesso!
Para	voltar	para	casa,	após	a	reunião,	o	pastor	Braun	tinha	que	passar
novamente	pela	mata.	Ouvira	falar	que	seus	inimigos	estariam	escondidos
ali	para	matá-lo,	mas	nada	aconteceu.	Os	anjos	do	Senhor	o	cobriram	com
suas	asas.
Poucas	noites	depois,	os	Braun	se	preparavam	para	dormir	quando
ouviram	muito	ruído	lá	fora.	Ainda	não	eram	os	cachorros.	Chegaremos	lá
mais	tarde.	O	pastor	Braun	convocou	a	família	à	oração.	Hedwig	orou:
“Senhor,	cuida	de	nós.	Estamos	com	medo.	Ajuda-nos,	Senhor!”
Ao	terminar	de	orar,	ouviram	homens	batendo	violentamente	na	porta	e
nas	janelas,	gritando:
–	Abra,	abra	a	porta,	seu	pregador!
O	pastor	Braun	dirigiu-se	até	a	porta.	Com	sua	voz	poderosa,	disse:
–	Vocês	podem	entrar,	mas	sinto	muito	pelos	primeiros	que	entrarem!
Os	homens	retrocederam.	O	que	significava	aquilo?	Será	que	o	pastor
estava	armado?	Eles	não	sabiam,	mas	a	coragem	deles	sumiu.	Foram
intimidados	por	um	pregador!	Sim,	aquele	pregador	estava	armado	com	a
Palavra	de	Deus!
Enquanto	eles	iam	embora,	murmurando	e	xingando,	Emília	disse:
–	O	Senhor	nos	ajudou!	Os	homens	foram	embora!
Pois	bem,	alguns	dias	mais	tarde,	os	sete	cachorros	caminhavam	em	volta
da	casa.	De	onde	será	que	tinham	vindo?	Quando	as	meninas	voltaram	com
um	pouco	de	comida,	a	Sra.	Braun	a	colocou	nos	degraus	da	porta	da	frente.
Mas	os	cachorros	nem	provaram	a	comida!
–	Que	coisa	curiosa	–	disse	a	Sra.	Braun.
–	Não	querem	comer.	Provavelmente,	eles	gostam	de	nossa	casa	–	sugeriu
Hedwig.
A	família	havia	ouvido	sobre	um	adventista	chamado	Felisbino,	que
morava	a	mais	de	um	quilômetro	e	meio	de	sua	casa,	que	possuía	sete
cachorros	e	os	usava	para	caçar.	Eram	muito	bons	e	dóceis	e	nunca
morderam	ninguém.	Mas	o	que	estariam	fazendo	naquela	ocasião	na	casa
dos	Braun?	As	meninas	pensaram	sobre	esse	mistério	ao	fazer	o	culto	e	ir
para	cama.	Na	realidade,	deram	uma	espiada	pela	janela	duas	ou	três	vezes
para	ver	se	os	cachorros	ainda	estavam	lá.
–	Olha	–	cochichou	Emília.	–	Lá	estão!	Creio	que	vão	andar	em	volta	da
casa	a	noite	inteira!
No	meio	da	noite,	a	família	foi	despertada	por	barulhos	esquisitos.	Podiam
ouvir	à	distância	o	que	parecia	um	grupo	grande	de	homens	que	se
aproximava	da	casa.
Uma	multidão	de	homens	enraivecidos	tinha	planejado	atacar	a	casa	e
matar	o	pregador.	Mas,	que	recepção	eles	tiveram!	Ao	tentarem	chegar	perto
da	casa,	aqueles	sete	amigáveis	e	dóceis	cachorros	se	tornaram	ferozes.
Soavam	como	onças	rosnando.	Quando	os	homens	davam	um	passo	em
direção	à	casa,	agiam	como	lobos	selvagens.
Um	dos	cachorros	saiu	em	perseguição	a	um	homem	que	procurava	entrar
por	trás	da	casa.	Finalmente,	a	multidão	se	dispersou,	e	Hedwig	e	Emília
foram	dormir,	sabendo	que	fora	o	Senhor	quem	enviara	os	cachorros.
Os	cachorros	voltaram	duas	vezes	mais	e,	em	ambas	as	noites,	os	homens
irados	haviam	retornado	à	casa	dos	Braun.	A	família	não	tinha	a	menor
idéia	de	quando	os	homens	iriam,	mas	os	cachorros	sabiam!	Cada	vez,	a
família	prostrava-se	em	oração,	sabendo	que	vinham	problemas.	Os	sete
cachorros	obedeceram	fielmente	às	ordens	do	Senhor!
Como	resultado	das	reuniões	do	pastor	Braun	naquela	cidade,	60	pessoas
foram	batizadas.	Que	maneira	maravilhosa	de	terminar	uma	história	sobre	a
proteção	e	o	cuidado	de	Deus	pelos	Seus	servos.	Emília	(já	falecida),	que
residia	no	Brasil,	gostava	de	contá-la.	E	meus	filhos,	cuja	mãe	é	filha	de
Hedwig,	adoram	ouvi-la.
Quantas	vezes	tive	o	privilégio	de	contar	essa	e	outras	histórias	para	os	meus
filhos,	netos,	desbravadores	e	jovens	de	nossa	igreja!	Hedwig	tinha	bastante
experiência	como	filha	de	pastor,	e	assim	foi	um	sustentáculo	na	vida	do	seu
esposo,	o	pastor	Rabello.
O	pastor	Luiz	Braun	tinha	problemas	cardíacos	que	o	levaram	a	aposentar-se	e
mudar	para	uma	chácara	perto	do	Colégio	Adventista,	em	São	Paulo.	Ali	teve	a
oportunidade,	como	aposentado,	de	ser	o	capelão	da	Casa	de	Saúde	Liberdade
(depois,	Hospital	Adventista	de	São	Paulo).	Ele	faleceu	em	agosto	de	1949.
Nunca	me	esqueço	de	que,	voltando	das	férias	de	julho,	depois	de	ter	viajado
com	meu	pai,	ao	chegar	ao	colégio,	notei	que	a	bandeira	estava	a	meio-pau.
Perguntei	a	razão	disso,	e	disseram:	“Faleceu	o	pastor	Luiz	Braun.”	Como
poderia	imaginar	o	entrelaçamento	de	sua	vida	com	a	minha	e	com	os	seus
descendentes	naquela	ocasião?	Sinto	não	ter	tido	o	privilégio	de	conhecer	o	pai
da	Sra.	Hetty.
Pedido	de	casamento
Com	14	anos,	Hetty	foi	para	o	Colégio	Adventista,	em	São	Paulo.	Ali	fez	os
cursos	Ginasial	e	Comercial,	pois	queria	ser	secretária.	Ficou	famosa	por
declamar	poesias.	Ida	Garcia,	sua	irmã,	conta	que,	no	dia	da	formatura,	ela
(Hetty)	declamou	uma	poesia	de	meia	hora.	Foi	nessa	época	que	conheceu	o
Roberto,	como	o	chamava,	pois	trabalhavam	juntos	no	escritório	da	tesouraria.
Em	uma	carta	que	recebi	de	Carlos	Rentfro,	missionário	e	professor	no	colégio
na	década	de	1920,	ele	diz	que	os	dois	eram	excelentes	obreiros,	firmes	e
dedicados.
Ali	desabrochou	um	amor	que	durou	quase	40	anos.	Os	dois	se	amavam
realmente.	No	dia	3	de	junho	de	1930,	o	pastor	Rabello	escreveu	uma	carta	ao
pastor	Braun,	que	morava	na	cidade	de	Jaú,	Estado	de	São	Paulo,	em	que,	entre
outras	coisas,	dizia:
Prezado	irmão	Braun:
Creio	que	o	irmão	achará	natural	que	os	meus	sentimentos	de	estima	para
com	a	vossa	prendada	filha	Edwirges	[nome	brasileiro	dela]	aumentem
sempre	e	que,	alimentando-os	eu	com	boas	intenções,	seja	levado	a	pedir-vos
maiores	concessões	quanto	a	ela.	Bem	compreendo	a	significação	do	que
desejo	e	sei	que	talvez	vos	pareça	impensada	a	minha	ação,	por	ser
praticada	já.
O	que	desejo,	e	respeitosamente	vos	comunico,	é	que	me	concedas	a	mão
da	Edwirges	em	casamento.	A	este	respeito	falei	com	ela	e	tenho	o	seu
consentimento.	Apresento-vos	agora	este	pedido,	compenetrado	da	alta	e
santa	significação	do	passo	que	dou	e	rogo-vos	que	vos	digneis	responder-
me,	fazendo-me	saber	da	vossa	resolução	sobre	isto.
Não	tenho	outro	motivo	por	vez,	pedindo-vos	que	desculpes	a	minha
maneira,	talvez	imprópria,	de	apresentar-vos	este	caso,	subscrevo-me	com	a
mais	alta	estima	cristã!
R.	M.	Rabello
A	resposta	à	carta	do	pastor	Rabello	foi	encontrada	numa	caixa	de
correspondência	muito	especial	do	pastor	Rabello.	O	pastor	Braun	estava
viajando	pelo	interior	de	São	Paulo	e,	não	tendo	selos	ou	papel	de	carta,	rabiscou
uma	notinha	para	o	seu	futuro	genro,	que	se	tornou	famosa	na	família.	Lucila,	a
filha,	recorda	através	dos	anos	os	comentários	feitos	em	volta	desse	pequeno
bilhete	–	uma	enorme	aprovação	aos	desejos	dos	enamorados	Roberto	e	Hetty.
Pastor	Braun,	sendo	de	origem	alemã,	respondeu	à	sua	maneira:
Catanduva,	5/3/1930
Prezado	irmão	Roberto:
Saudações	no	Senhor!
Recebi	a	sua	carta	do	dia	28	de	fevereiro	e,	estando	em	viagem	e	não	tendo
selos,	respondo	neste	cartão.
Por	hoje,	neste	momento,	não	tenho	absolutamente	nada	contrário	a	esta
causa.	Peço,	em	caso	de	Revolução,	OLHAR	PARA	HETTY!	[Cuidar	da
Hetty!]
Sou,	com	as	mais	cordeais	saudações,	seu	irmão	em	Jesus,
Luiz	Braun
Nesse	bilhete	está	a	frase	que	se	tornou	uma	expressão	de	carinho	e	afeto	entre
o	casal.	Muitas	vezes,	sentados	à	mesa,	o	pastor	Rabello	ficava	olhando	para	sua
esposa	e	dizia:	“O	faço	por	ordem	de	seu	pai,	que	pediu	que	eu	sempre
‘OLHASSE	PARA	A	HETTY’	.”	Minha	esposa	comenta	que	já	sabia	de	cor	os
dizeres	daquele	famoso	cartão	que	aprovava	o	enlace	de	dois	jovens	que	muito
se	amaram	através	dos	anos.
A	carta	do	pastor	Rabello	foi	redigida	na	ortografia	antiga	do	português	do
Brasil,	mas	o	importante	é	a	respeitosa	maneira	de	um	noivo	dirigir-se	ao	sogro.
Por	falar	no	assunto,	peço	licença	para	relatar	aqui	que,	em	meados	de	1954,
coube	ao	pastor	Rabello	ouvir	o	pedido	de	casamento	de	sua	filha	por	um	jovem
que,	em	vez	de	escrever,	dirigiu-se	diretamente	ao	casal.	Desejo	salientar	que	foi
a	Sra.	Hedwig,	nessa	ocasião,	que	ajudou	muito	o	pobre	moço.
Eu	já	havia	consultado	a	filha	do	pastor	Rabello,	Lucila,	mas	agora	havia
chegado	o	momento	de	enfrentar	o	casal.	Como	você	pode	imaginar,	pedir	em
casamento	a	filha	dopastor	Roberto	Rabello	não	foi	fácil!	Ao	visitar	o	casal,
conversamos	sobre	muitas	coisas,	até	que	chegou	o	momento	fatal.
Naturalmente,	eles	sabiam	de	nosso	namoro.	Para	encurtar	a	história,	fui
rodeando	a	cidade	de	Jericó	e	nunca	conseguia	chegar	ao	ponto.	Foi	aí	que	a	Sra.
Hetty	salvou	a	situação.	Ela	me	interrompeu	e	disse:
–	Eu	já	sei	o	que	você	quer:	noivar	com	nossa	filha!
Que	alívio!	Foi	uma	ótima	ajuda	que	recebi	daquela	que	seria	uma	sogra
maravilhosa.
Voltando	a	Hetty,	ela	se	tornou	uma	verdadeira	ajudadora	para	o	seu	esposo	e
futuro	obreiro,	Roberto	Rabello.	Casaram	em	25	de	julho	de	1932,	na	cidade	de
Juiz	de	Fora,	MG.	A	cerimônia	foi	oficiada	pelo	pastor	H.	B.	Westcott,	ex-
professor	de	Bíblia	dos	noivos	e	então	presidente	da	União	Este	Brasileira.	O
casal	sempre	teve	grande	estima	pelos	Westcott.	O	pastor	Braun	não	tivera	forças
para	oficiar	o	casamento	da	filha.	O	mesmo	sucedeu	com	o	pastor	Rabello,	que
pediu	ao	primo	Enoque	de	Oliveira	que	oficiasse	o	casamento	da	filha.
Esposa,	mãe	e	profissional	dedicada
Em	1934,	a	Sra.	Hetty	deu	à	luz	seu	primeiro	filho,	Cláudio,	na	cidade	de
Ponta	Grossa.	Foi	um	parto	dificílimo	e	ela	quase	perdeu	a	vida.	Cláudio	havia
crescido	muito	em	seu	ventre	e,	além	disso,	não	nasceu	na	posição	correta.	A
parteira	gritou	para	que	chamassem	um	médico,	pois	a	mãe	ia	morrer.	Ela	havia
perdido	muito	sangue	e	foi	realmente	um	milagre	conseguir	vencer	essa	luta.	O
filho	nasceu	com	um	problema	no	pescoço,	o	que	lhe	acarretou	complicações	em
seu	crescimento	e	em	seu	convívio	escolar.	Foi	um	complexo	difícil	que	fazia
doer	o	coração	da	mãe.
A	última	filha	do	casal,	minha	esposa	Lucila,	nasceu	em	Curitiba	em	1936.	As
duas,	mãe	e	filha,	se	tornaram	grandes	amigas	e	partilhavam	sonhos	e	ideais.	A
Sra.	Hetty	teve	a	alegria	também,	naquele	ano,	de	presenciar	a	ordenação	de	seu
esposo	ao	ministério.	A	filha,	mais	tarde,	assistiu	à	ordenação	do	marido	na
mesma	cidade,	em	1968.	Que	privilégio	para	a	Sra.	Hetty:	a	filha	era	neta	de
pastor,	filha	de	pastor,	esposa	de	pastor	e	tornou-se	mãe	de	um	pastor!
Quando	a	família	foi	para	os	Estados	Unidos,	a	Sra.	Hetty	estudou	algumas
matérias	no	ramo	de	educação.	Lucila	recorda	que	tinha	que	ir	para	as	classes
com	a	mãe,	pois	não	podia	ser	deixada	só	em	casa.
Hetty	lutou	lado	a	lado	com	o	esposo	e,	quando	ele	foi	chamado	para	trabalhar
na	Voz	da	Profecia,	ela	ainda	não	havia	terminado	os	estudos.	O	marido	ficou
doente,	vítima	do	excesso	de	trabalho.	A	esposa	o	ajudava	na	tradução	dos
sermões	e	os	datilografava	para	que	pudessem	ser	irradiados	–	algo	que	fez	para
o	resto	da	vida,	ombro	a	ombro	com	o	pastor	Rabello.
Os	anos	passados	na	sede	da	Voz	da	Profecia	em	Niterói	e,	depois,	no	Rio	de
Janeiro	foram	de	muitas	atividades.	Já	não	era	necessário	traduzir	os	sermões	do
pastor	H.	M.	S.	Richards,	mas	Hetty	pesquisava,	lia	livros,	procurava	hinos,
poesias	e	ilustrações	que	pudessem	realçar	e	melhorar	as	palestras	preparadas
por	seu	esposo.	Ficava	até	altas	horas	da	noite	manuseando,	escrevendo	e
datilografando	essas	palestras.	Era	uma	mulher	incansável,	que	merece	todo	o
mérito,	pois,	como	seu	esposo,	queria	chegar	ao	coração	dos	ouvintes	com	uma
mensagem	de	amor	e	de	esperança.
Naturalmente,	sendo	uma	excelente	declamadora,	tinha	um	gosto	pelas
poesias.	Estou	certo	de	que	apreciava	as	palestras	do	pastor	Richards,	pois	ele
sempre	as	terminava	com	pequenos	versos.
Ela	era	muito	amorosa	para	com	os	familiares	e	amigos	da	Voz	da	Profecia.
Sempre	procurava	ajudar	os	filhos	e	os	tratava	com	muito	carinho	e	amor.	Por
ocasião	de	seu	25°	aniversário	de	casamento,	o	esposo	escreveu	as	seguintes
linhas,	que	expressam	muito	das	qualidades	da	esposa:
Hetty:
A	união	de	tua	vida	à	minha	há	25	anos	foi-me	qual	sorridente	aurora.	E	a
luz	desta	aurora	tem	brilhado	mais	e	mais	durante	estes	anos.	Neles	te
mostraste	uma	grande	esposa	–	no	afeto,	na	fidelidade,	na	prudência,	na
industriosidade.	Dou	graças	a	Deus	por	ti,	e	nesta	nossa	grande	data	peço
ao	Senhor	que	nos	abençoe;	e	me	conceda	ter-te	ao	meu	lado	todos	os	dias
de	minha	vida!	Um	apertado	e	longo	abraço	do	Roberto.
Hetty	era	também	muito	amorosa	para	com	os	ouvintes	e	amigos	da	Voz.
Numa	carta	ao	seu	esposo,	que	estava	nos	Estados	Unidos,	em	29	de	agosto	de
1952,	ela	escreveu:
Aquela	moça	do	sanatório	de	tuberculosos	de	Fonseca,	que	pediu	a	tua
visita,	faleceu	esta	semana.	Fui	visitá-la	um	dia	antes	de	morrer.	Pobrezinha,
era	só	pele	e	osso!	Chamamos	o	pastor	Adams	[missionário	americano]	e
ele	a	visitou	e	a	confortou.	No	fim	do	estudo,	ela	disse:	“Agora	o	Senhor
pode	me	levar.	Já	falei	com	o	pastor!”	E	de	manhã	cedo,	ela	morreu.	Creio
que	estava	preparada.	De	manhã,	no	dia	anterior	à	morte,	ainda	ouviu	o
programa.	Quando	estive	lá	nesse	dia,	ela	disse	que	queria	tanto	conhecer-
te.
Que	ministério	maravilhoso	de	esposo	e	esposa!	Não	há	dúvida	de	que	a	Sra.
Hetty	se	compadecia	e	amava	os	ouvintes	da	Voz	da	Profecia!
Lucila	costuma	dizer	que	a	mãe	carregava	o	mundo	nas	costas,	sempre	disposta
a	ajudar	os	outros.	Sua	prestatividade	era	inigualável,	fato	comprovado	por	todos
aqueles	que	trabalhavam	ao	seu	lado.	Foi	essa	compreensão	que	a	levou	a	cuidar
dos	netos	enquanto	viajamos	para	o	Congresso	Mundial	de	Jovens	em	Zurique,
na	Suíça,	em	julho	de	1969.	Estava	muito	doente	e	fraca,	mas	instou	para	que	a
filha	viajasse	para	a	Europa	com	o	marido.	Ela	compreendia	como	é	importante,
na	vida	de	um	casal,	sair	juntos,	passear	e	aprofundar	os	laços	de	amor.
Não	quis	que	a	filha	a	visse	antes	da	viagem,	pois,	caso	contrário,	não	viajaria
com	o	marido.	Sua	saúde	estava	se	deteriorando	rapidamente.	Pediu	à	sua	irmã
mais	velha,	Emília,	que	ficasse	com	nossos	filhos,	por	uma	semana,	até	que
viajasse	do	Rio	para	São	Paulo	para	cuidar	dos	netos.	Meus	filhos	recordavam
como	lhes	ensinava	versículos	da	Bíblia	e,	com	paciência	e	carinho,
demonstrava	sua	compreensão	em	meio	às	travessuras	das	crianças.
O	drama	de	muitos	filhos	é	que	os	pais	não	tomam	tempo	para	orar,	dialogar	e
conversar	com	eles.	Há	muitos	filhos	que	se	casam,	mas	nunca	receberam
conselho	da	mãe	ou	do	pai	para	saber	como	agir	no	casamento,	como	tratar	o
esposo	ou	esposa,	como	enfrentar	os	dramas	e	os	desafios	da	vida	conjugal.
Hetty	dedicava	tempo	à	filha	e	a	orientou	em	todas	as	áreas,	especialmente	na
parte	da	sexualidade,	hoje	tão	negligenciada	e	malcompreendida	pelos	jovens.
Durante	um	seminário	sobre	o	casamento	em	Exeter,	na	Inglaterra,	num
congresso	de	jovens,	enfatizei	a	importância	dos	pais	como	modelos	para	os
filhos.	À	saída,	um	jovem	me	procurou	e	disse	que	sentia	muito,	mas	não	via
casais	modelos	em	sua	igreja.	Que	triste	realidade!	Podemos	afirmar	com	toda
segurança	que	Roberto	e	Hetty	foram	um	casal	modelo	para	os	filhos.
De	Ontário,	no	Canadá,	Iracy	Botelho	Bravo,	organista	e	pianista	da	Voz
durante	um	bom	tempo,	deu	um	depoimento	sobre	o	seu	primeiro	encontro	com
a	Sra.	Hetty,	que	lhe	foi	como	mãe:
Ao	chegar	no	Rio	de	Janeiro,	em	1°	de	janeiro	de	1967,	para	fazer	parte	da
equipe	da	Voz,	ao	me	apresentar	no	estúdio	para	trabalhar,	a	Sra.	Hetty	me
esperava	e	disse	que	precisava	falar	comigo.	Era	meu	primeiro	encontro	com
a	Sra.	Rabello,	uma	senhora	muito	bem	vestida,	elegante	e	que	impunha
respeito.	“Mas	o	que	será	que	ela	tem	para	me	dizer?”,	pensei.
Com	um	sorriso	nos	lábios,	muito	carinho	e	discrição,	ela	me	levou	para	o
escritório,	fechou	a	porta	e	passou	a	me	aconselhar.	Nunca	havíamos	nos
encontrado	e,	diante	de	uma	jovem	com	tão	pouca	idade	como	eu,	longe	da
família	(meus	pais	moravam	em	São	Paulo),	ela	passou	a	falar	como	se	em
realidade	fosse	minha	própria	mãe.
Falou-me	dos	perigos	de	viver	numa	cidade	como	o	Rio	de	Janeiro,	o	tipo
de	amigos	que	eu	deveria	ter,	a	importância	do	ministério	da	Voz	da
Profecia,	quão	importante	era	o	meu	exemplo,	e	muita	coisa	mais...	Foi
exatamente	o	tipo	de	conversa	de	mãe	para	filha,	a	quem	ama	muito.
Tudo	isso	teve	um	grande	impacto	na	minha	vida,	pois,	como	jovem	criada
junto	com	os	pais,	senti,	apesar	de	longe	da	família,	que	havia	pessoas	que
se	preocupavamcomigo	e	estavam	desejosas	de	me	ajudar	e	proteger.	Senti-
me	então	em	casa.	Com	todo	o	apoio	que	recebi	da	Voz	da	Profecia,	olho
para	trás	e	sinto	que	Deus	usou	pessoas	como	o	casal	Rabello	para	me
apoiar	no	início	de	minha	carreira	no	trabalho	para	Ele.
Hoje	já	se	passaram	39	anos	e	continuo	trabalhando	para	Deus.	Sempre
tenho	em	mente	a	influência	positiva	que	o	casal	Rabello	teve	em	minha	vida.
Sou	grata	a	Deus	por	ter	colocado	em	minha	vida	essas	pessoas	cristãs	e
amigas.
Hetty	era	muito	inteligente	e	trabalhadora.	Além	de	falar	alemão	e	português,
aprendeu	inglês	nos	Estados	Unidos,	o	que	ajudou	muito	seu	companheiro	nas
traduções	e	preparo	das	palestras	da	Voz	da	Profecia.	Trabalhava	até	altas	horas
da	noite	para	terminar	os	artigos	e	palestras.	Terminou	o	curso	Comercial	no
Brasil	e	estudou	educação	nos	Estados	Unidos.
Na	época	em	que	as	gravações	eram	feitas	nos	Estados	Unidos,	o	casal	passava
meses	longe	um	do	outro.	Durante	essas	temporadas,	as	cartas	se	cruzavam	pelo
Atlântico	e	pelo	Pacífico.	Muitos	não	sabiam	do	drama	e	das	lutas	dessa
separação.	A	Sra.	Hetty	tinha	que	atender	muitas	coisas	na	sede	da	Voz,	em
Niterói,	e	ao	mesmo	tempo	cuidar	dos	filhos.	Havia	muitas	responsabilidades
caseiras,	devido	às	pessoas	que	apareciam	para	ir	à	praia	ou	se	hospedavam	no
casarão	da	Voz.
Numa	carta	redigida	enquanto	o	pastor	Rabello	estava	nos	Estados	Unidos,	ela
diz:
Querido	Roberto:
Saudades!	Ainda	faltam	14	dias	para	a	tua	volta.	O	tempo	está	custando	a
passar...	Mas	o	trabalho	é	tanto	que	fica-se	sempre	bem	ocupada.	Já
mimeografei	a	maior	parte	das	palestras.	Faltam	só	umas	três.	Farei	isto	no
domingo,	se	Deus	quiser.	Logo	ficarei	em	dia	com	todos	os	trabalhos.	Ainda
não	fiz	o	relatório	da	Divisão	de	agosto	e	nem	aquele	que	é	para	mandar
para	a	GC	[General	Conference,	isto	é,	Associação	Geral].
As	instrutoras	estão	em	dia.	O	fichário	também.	A	expedição	está	um
pouco	atrapalhada,	mas	vou	pedir	para	Eunice	ajudar,	pois	vou	esta	semana
mandar	os	livros	do	mês	e	isto	vai	dar	muito	trabalho	e	é	preciso	que	saiam
depressa.	Tudo	vai	indo	bem.	Em	breve	teremos	mais	um	secretário	ou
secretária	para	a	Voz...	O	papel	do	mimeógrafo	já	chegou.	Tudo	OK!	Qual	a
conferência	que	devem	receber	os	da	ABI	do	Rio	e	Fortaleza?	“O	Século	da
Ciência”,	ou	qual?	Ao	saíres,	me	disseste	que	ias	escrever	a	palestra	“O
Plano	de	Deus”	e	me	mandar	para	mimeografar	e	até	agora	não	recebi.
Isso	ilustra	as	atividades	da	Voz	no	Brasil	enquanto	o	pastor	Rabello	gravava
as	palestras	nos	Estados	Unidos.	Graças	à	sua	valorosa	esposa	e	uma	boa	equipe,
Deus	dirigia	os	trabalhos.
Infatigável,	Hetty	procurava	sempre	ter	sua	casa	limpa	e	em	ordem	para	a
chegada	do	sábado.	Há	mulheres	que	negligenciam	a	aparência	pessoal	depois
do	casamento.	Hetty	vestia-se	sempre	com	muita	elegância,	embora	com
simplicidade.	Estou	certo	de	que	seu	esposo	tinha	prazer	em	estar	ao	seu	lado	ao
retornar	de	suas	viagens	e	encontrar	uma	esposa	que	se	esmerava	em	estar	bem
vestida	e	esbelta	para	o	companheiro.
É	difícil	encontrar	uma	mãe	que	não	ame	seus	filhos.	A	Sra.	Hetty	tinha,	no
entanto,	uma	preocupação	especial	pelo	filho	Cláudio,	especialmente	quando	ele
se	afastou	da	igreja.	Ela	sofria	muito	com	a	situação.	Isso	ajudou	a	levá-la
prematuramente	à	sepultura,	com	apenas	59	anos	de	idade,	no	dia	5	de	novembro
de	1970,	vítima	de	câncer.	Foi	muito	triste	contemplar	aquela	mulher	bela	e
simpática	sendo	dizimada	por	essa	doença	tão	cruel.
Felizmente,	essa	mesma	mulher	que	vivia	preocupada	porque	o	filho	saíra	da
igreja	terá	a	felicidade	de	encontrá-lo	no	dia	da	ressurreição.	Ele	morreu	em
Cristo	10	anos	mais	tarde,	em	julho	de	1980.	Aquele	filho,	um	tanto	rebelde,
superinteligente,	descansou	em	Cristo.	Sua	sepultura	está	no	Estado	de	Ohio,
perto	da	casa	de	sua	segunda	esposa,	Carolyn,	que	ficou	ao	seu	lado	durante
todos	aqueles	últimos	momentos	de	vida.	O	filho	pródigo	voltou	ao	lar	e	será
recebido	de	braços	abertos	por	aquela	mãe	que	o	amava	tanto.	Será	um	dia	de
vitória	e	regozijo	para	a	família.
Despedida	dolorosa
Nos	últimos	dias	de	vida,	a	Sra.	Hetty	estava	muito	contente	porque	seu	genro
e	filha	haviam	sido	chamados	para	trabalhar	na	Associação	Geral.	O	estado
físico	dela	definhava	com	rapidez.	Lucila	permaneceu	ao	lado	da	mãe,	que	se
preocupava	por	achar	que	estava	sendo	um	fardo	e	um	empecilho	para	a
mudança	da	filha	para	os	Estados	Unidos.
Dissemos	a	ela	que	estávamos	esperando	o	visto.	Recebemos	o	visto	dentro	de
um	mês,	pois	na	época	era	muito	mais	fácil.	Mas	ela	nunca	soube	disso.	Foram
mais	de	três	meses	de	espera,	e	os	líderes	do	Departamento	de	Jovens	da
Associação	Geral	foram	muito	compreensivos,	pois	sabiam	que	não	poderíamos
abandoná-la	e	ir	para	os	Estados	Unidos.
O	pastor	Rabello	insistiu	com	Deus	para	que	a	morte	não	ceifasse	sua	amada	e
querida	esposa.	Ele	já	fazia	planos	para	mudar	de	casa	e	tinha	certeza	de	que
Deus	iria	curá-la.	Foi	um	choque	terrível	para	aquele	fiel	servo	do	Senhor,	que
anun-
ciava	através	do	rádio	mensagens	de	esperança	e	conforto	já	por	quase	30	anos.
Voltando	no	tempo	a	5	de	novembro	de	1970,	recordo	o	carinho	de	nossos
irmãos,	as	mensagens,	os	abraços,	as	palavras	confortantes	e	a	promessa	de	que
iriam	orar	pelo	esposo	e	sua	família.	Que	bênção	pertencer	à	família	do	Senhor
nessas	horas	de	crise!
Há	dois	momentos	que	ficaram	gravados	em	minha	mente.	O	primeiro	foi	no
cemitério,	no	dia	seguinte.	Enquanto	o	pastor	Rabello	meditava,	olhando	para
aquele	monte	de	terra	e	flores	murchas,	ouviu	o	choro	de	uma	senhora,	não
muito	distante	da	sepultura	da	esposa.	Deixou	por	alguns	instantes	aquele	lugar	e
foi	perguntar-lhe	por	que	ela	chorava.	A	mulher	disse	que	o	marido	havia
falecido	dois	anos	antes	e	que	ela	praticamente	todas	as	semanas	visitava	a
sepultura.	Estava	inconsolável.	Naquele	instante,	o	pastor	Rabello,	esquecendo-
se	da	dolorosa	ferida	que	lhe	angustiava	o	coração,	dirigiu	palavras	de	conforto
àquela	senhora,	procurando	ajudá-la	a	enfrentar	a	perda	do	esposo.
Que	experiência	inesquecível!	O	pastor	Rabello	havia	perdido	a	esposa	dois
dias	antes	e	estava	consolando	uma	mulher	que	havia	perdido	o	esposo	havia
dois	anos!	Qual	a	diferença	entre	os	dois	casos?	A	esperança	que	temos
entronizada	no	coração	faz	a	diferença,	pois	um	dia	iremos	rever	nossos
queridos.	Essa	foi	a	mensagem	do	orador	da	Voz	da	Profecia,	em	seu	dia	de	dor,
a	uma	mulher	que	não	tinha	esperança.
O	pastor	H.	M.	S.	Richards,	fundador	da	Voz	da	Profecia,	e	a	esposa	enviaram
uma	linda	carta	para	o	pastor	Rabello,	datada	de	20	de	novembro	de	1970.	Um
trecho	dizia:
Mabel	e	eu	estamos	entristecidos	por	sua	grande	perda!	Não	quisemos
escrever	em	seguida	ao	ocorrido.	Esperamos	um	pouco	até	que	pudéssemos
pensar	e	orar.	Esta	é	uma	mensagem	que	vem	de	nós	mesmos,	pois	o
consideramos	como	um	dos	mais	apreciados	amigos.	Recordamos	os	dias
quando	o	irmão	e	a	irmã	Rabello	estiveram	aqui	em	Glendale	conosco.
Foram	dias	felizes	juntos.	Fomos,	então,	ao	Brasil	e	vocês	se	mostraram
muito	amáveis	e	bondosos	conosco.	Amigos	maravilhosos,	cuidando	de	nós
com	muito	esmero	e	carinho.	Como	gostaríamos	de	estar	com	você	em	sua
hora	de	dor,	mas	estamos	tão	longe!
A	essa	altura	da	carta,	o	grande	pregador	e	criador	da	Voz	da	Profecia
introduziu	uma	mensagem	para	que	o	pastor	Rabello	se	lembrasse	de	que	a
morte	não	é	o	fim,	pois	aguardamos	a	volta	de	Jesus.	Será	que	o	pastor	Rabello
não	já	sabia	disso?	Será	que	seria	necessário	recordar	ao	orador	e	fundador	da
Voz	no	Brasil	que	temos	uma	esperança?
Não	importa	nossa	posição	ou	o	que	somos,	quando	a	morte	cruel	nos	acomete,
como	todo	ser	humano,	necessitamos	ouvir	uma	mensagem	de	esperança	e	paz
que	nos	transporte	e	nos	eleve	às	alturas,	para	que	não	esqueçamos	que	este	não
é	o	nosso	lar.
O	pastor	Rabello	ficou	conosco	por	algum	tempo	e,	durante	essa	estada,
respondeu	ao	pastor	Richards,	de	Washington:
Querido	pastor	Richards:
Muito	obrigado	por	sua	bondosa	carta	de	20	de	novembro.	As
condolências	e	as	mensagens	de	esperança	que	o	senhor	incluiu	têm	um
grande	significado	para	mimdurante	esta	amarga	experiência	da	perda	de
minha	querida	companheira.	Às	vezes,	a	realidade	bruta	e	inexorável	–	o
fato	que	ela	não	está	mais	aqui	–	parece	insuportável!	A	esperança	da
ressurreição	é	o	nosso	consolo!
A	pequena	mensagem	de	duas	irmãs	admiradoras	de	Hetty	refletem	o
sentimento	de	muitos	que	a	conheceram:
Pastor	Rabello:
Desoladas,	viemos	trazer-lhe	o	nosso	emocionado	abraço	pelo	falecimento
de	sua	tão	amada	e	preciosa	esposa	Hetty,	a	quem	dedicamos	grande	estima,
considerando-a	uma	verdadeira	serva	do	Senhor,	pelo	lindo	testemunho	de
sua	vida	cristã	e	pelo	devotamento	consagrado	à	causa	da	verdade.	Esposa
perfeita,	amiga	sincera,	ela	é	digna	de	nossa	saudade	e	admiração.	Sentidos
abraços	de	Lita	e	Dina	Coelho	Netto.
O	pastor	Rabello	recebeu	mensagens	de	condolências	de	muitas	pessoas.	Harry
e	Myrtie	Wescott,	ex-missionários	no	Brasil,	eram	amicíssimos	do	casal	Rabello.
Enviaram,	de	Santa	Cruz,	na	Califórnia,	uma	linda	e	confortante	carta.	No	último
parágrafo,	a	Sra	Myrtie	dizia:
Querido	Roberto,	ao	ler	esta	carta,	minha	mente	se	remontou	à	última	vez
que	você	e	Hetty	estiveram	em	nossa	casa.	Tiramos	uma	foto	de	vocês!	Ao
olharmos	no	álbum,	quando	pensaríamos	que	seria	a	última	vez!	Mas	a
notícia	maravilhosa	é	que	para	nós	não	haverá	jamais	uma	última	vez!
O	filho	Cláudio,	que	tanto	preocupava	a	Sra.	Hetty,	pois	não	estava	andando
nos	caminhos	do	Senhor,	escreveu	uma	linda	mensagem	ao	pai:
Querido	pai:
Creio	que	algo	como	a	morte	de	uma	mãe	é	chocante,	mesmo	sabendo	mais
de	um	ano	antes	que	isso	iria	acontecer.	Cada	dia	eu	receava	que	as	notícias
viriam...	Mas	quando	vieram,	eu	ainda	não	estava	preparado.
Creio	que	deve	ter	sido	muito	duro	para	o	senhor,	porque	eram	tão	unidos
e	se	davam	maravilhosamente	bem,	por	tanto	tempo!	Agora,	ela	já	se	foi...
Para	mim,	a	excelência	de	uma	mãe	se	tornou	ainda	mais	vívida.	Foi	uma
grande	perda!
No	Botafogo	(Rio	de	Janeiro),	o	pastor	Rabello	teve	oportunidade	de	refletir
sobre	sua	enorme	perda.	Nós	o	convidamos	para	passar	uma	temporada	conosco
em	Takoma	Park,	Estados	Unidos,	então	sede	da	Associação	Geral,	para	onde
estávamos	mudando.
Tive	que	partir	no	dia	19	de	novembro,	e	um	mês	depois	minha	esposa	e	filhos
chegaram.	Foi	um	grande	privilégio	ter	o	pastor	Rabello	conosco,	pois	nossos
filhos	sempre	apreciavam	a	visita	do	vovô.	De	maneira	marcante,	eles
apreciavam	sua	presença.	Mas	havia	agora	um	vazio	no	coração	de	todos	nós.	A
“vovó”,	a	“mamãe”,	a	“Binha”,	a	“Quiança”,	termos	carinhosos	entre	o	casal,
não	estava	mais	ali.	Um	dia,	felizmente,	nos	encontraremos	com	os	nossos
queridos.	Que	momento	glorioso	será	aquele!
Na	correspondência	do	pastor	Rabello,	encontramos	muitas	cartas	que
circulavam	de	norte	a	sul,	enquanto	ele	gravava	as	palestras	em	Glendale,	na
Califórnia.	Aqui	está	um	parágrafo	que	me	chamou	a	atenção,	pois	a	Sra.
Rabello	já	poderia	ter	perdido	a	vida	em	1949:
Esqueci	de	te	contar	da	penúltima	vez	que	fui	ao	Sr.	Matos.	Quando
atravessei	a	Getúlio	Vargas,	o	sinal	abriu	enquanto	eu	estava	no	meio	da
avenida.	Eu	corri,	mas	um	caminhão	me	alcançou	e	escapei	por	um	triz	e,
quando	escapo	do	caminhão,	um	ônibus	veio	em	cima	de	mim	e,	não	sei	dizer
como,	mas	ele	só	me	raspou	pela	roupa.	Senti	uma	coisa	me	esfregando	por
trás.	Só	porque	Deus	não	quis,	não	morri	naquele	dia.	Quando	cheguei	do
outro	lado,	disse	de	mim	para	mim:	“A	morte	está	me	rondando	hoje.”	Mas,
mal	saí	dali	e	fui	atravessar	a	Uruguaiana,	um	carro	que	vinha	de	outra	rua
e	entrou	na	Uruguaiana,	por	um	triz	que	me	pega.	Não	sei,	nunca	me
aconteceu	tal	coisa.	E	naquele	dia	aconteceu	por	três	vezes.	Quando	cheguei
em	casa,	fiquei	contente,	pois	me	parecia	ter	ressuscitado.	Tenho	cuidado
mais	desde	aquele	dia.
No	futuro,	a	Sra.	Hetty	e	milhões	de	outras	pessoas	terão	um	relatório
completo	do	cuidado	do	Senhor	por	elas	na	Terra.	Ela	verá	seu	querido	esposo,
pois	ambos	estão	enterrados	em	Santo	Amaro,	com	o	casal	Braun	e	Emília
Braun.	Deus	salvou	a	vida	da	Sra.	Rabello	naquele	dia	fatídico	e	perigoso,	nas
ruas	do	Rio	de	Janeiro.	Ela	necessitava	contribuir	por	muitos	anos	mais	no
ministério	de	seu	esposo.
E
Tudo	em	Família
Os	laços	familiares	e	o	relacionamento	com	os	filhos
m	1989,	enquanto	eu	trabalhava	como	secretário	associado	da	Associação
Geral,	sendo	responsável	por	todos	os	trâmites	de	missionários	para	a
América	Latina,	recebi	um	convite	do	pastor	João	Wolff	para	um	encontro	de
líderes	na	linda	cidade	de	Gramado,	no	Rio	Grande	do	Sul.	Como	não	estávamos
muito	longe	de	Rolante,	fizemos	uma	visita,	no	sábado	à	tarde,	à	igreja
adventista	local.	Ao	lado	da	igreja,	há	um	cemitério	onde	estão	sepultados
muitos	parentes	do	pastor	Rabello,	inclusive	o	primeiro	pastor	ordenado	no
Brasil,	José	Amador	dos	Reis.
Foi	um	momento	emocionante	visitar	a	sepultura	de	muitos	homens	e	mulheres
que	dedicaram	a	vida	à	causa	do	Mestre.	Os	pais	do	pastor	Rabello	–	Oliveiros	e
Izabel	Mendes	Rabello	–	lá	estão	aguardando	a	vinda	de	nosso	Senhor	e
Salvador	Jesus	Cristo.	Oliveiros	era	professor	e,	já	naquele	tempo,	a	Igreja	de
Rolante	apoiava	a	educação	cristã.
Muitas	pessoas	no	Brasil	ficam	admiradas	com	o	grande	número	de	pastores	e
obreiros	que	procederam	daquela	região	do	Rio	Grande	do	Sul.	Ao	falar	numa
programação	na	capela	do	Instituto	Adventista	de	Ensino,	o	professor	Pedro
Apolinário	(falecido	em	2006)	disse	que	esse	fenômeno	é	resultado	da	educação
cristã.	Mesmo	irmãos	que	não	tinham	filhos	ajudavam	a	encaminhar	jovens	da
igreja	às	nossas	instituições.
Quando	estávamos	para	encerrar	o	lindo	dia	de	sábado,	o	pastor	Wolff	pediu
que	eu	dissesse	algumas	palavras	aos	nossos	irmãos	reunidos	para	o	culto	de	pôr-
do-sol.	Comecei	com	a	seguinte	pergunta:	“Quantos	dos	irmãos	aqui	são
parentes	do	meu	sogro,	o	pastor	Roberto	M.	Rabello?	Levantem	a	mão,	por
favor.”	Foi	algo	simplesmente	incrível	e	motivo	de	riso	geral.	Praticamente	todos
levantaram	a	mão!
Isso	é	muito	fácil	de	compreender	ao	examinarmos	um	diagrama	genealógico
preparado	pelo	Dr.	Gideon	de	Oliveira	sobre	a	origem	da	família	Rabello	e
muitas	outras	daquela	região	do	Rio	Grande	do	Sul.	Tudo	começou	com	uma
mulher	chamada	Felicita	Thompson,	que	veio	da	Inglaterra	para	o	Brasil	no
século	19,	com	três	filhos:	James,	John	e	Mary	Thompson.	Mary	casou-se	com
José	Lorenzo	Mendes,	que	veio	da	Espanha	com	14	anos	de	idade.	O	casal	teve
quatro	filhas:	Ludovina,	que	se	casou	com	Rodrigo	dos	Reis	e	dessa	união
nasceu	mais	tarde	o	pastor	José	Amador	dos	Reis;	Maria,	que	se	casou	com
Manoel	Cardoso;	Sofia,	que	se	casou	com	Bernardo	Amador	dos	Reis;	e	Maria
José	Thompson	Mendes,	que	se	casou	com	Saturnino	Rabello	de	Oliveira.
Maria	e	Saturnino	tiveram	nove	filhos,	sendo	um	deles	o	pai	do	pastor	Rabello:
Oliveiros	Mendes	Rabello,	casado	com	Izabel	Dama	de	Souza.	Eis	os	nomes	dos
12	filhos:	Casimiro,	Roberto	(orador	da	Voz	da	Profecia),	Albertina	(casada	com
Lauro),	Cecília,	Alzira,	Waldemar	(professor	em	Taquara,	casado	com	Edy),
João	(casado	com	a	professora	Maria	do	Carmo),	Leonor,	Plínio	(pastor	e
advogado,	casado	com	Sigrid),	Walter	(professor	de	inglês,	casado	com	a
professora	Marta),	Nelson	e	Lucival	(advogado,	casado	com	Marisa).
Saturnino	Mendes	de	Oliveira	era	irmão	de	Oliveiros	Mendes	Rabello.	Na
realidade,	seu	nome	deveria	ser	Saturnino	Mendes	Rabello,	mas,	devido	a	um
erro	do	cartório,	ficou	com	o	nome	de	Oliveira	em	vez	de	Rabello.	Ele	se	casou
com	a	Sra.	Jerônima	Cerro	e	foi	o	pai	do	Dr.	Gideon,	pastor	Enoque,	Ruth	e
Rubem.	Portanto,	o	pastor	Roberto	M.	Rabello	e	o	pastor	Enoque	de	Oliveira
eram	primos,	pois	seus	pais	eram	irmãos,	mas	com	sobrenomes	diferentes.
Coisas	daqueles	velhos	tempos!	Dois	primos	e	expoentes	da	Igreja	Adventista	no
Brasil.
Apresento	esses	detalhes	da	genealogia	do	pastor	Rabello	por	duas	razões.
Primeiro,	para	que	saibamos	o	parentesco	tão	extenso	que	existe	entre	as	pessoas
da	região	de	Campestre,	Rolante	e	Santo	Antonio,	entre	outras	cidades	gaúchas.
Os	nomes	de	Mendes,	Reis,	Azevedo,	Passos,	Souza,	Rosas,	Rabello,	Oliveira	e
muitos	outros	estão	entrelaçados	pela	ligação	coma	Sra.	Felicita	Thompson	e
também	pelos	casamentos	entre	as	famílias.	Em	segundo	lugar,	para
compreendermos	melhor	a	maneira	de	falar	e	agir	do	pastor	Rabello.	Para	mim,
ele	sempre	foi	um	britânico.	Seu	porte,	pontualidade	e	maneirismos	retratavam
sua	genealogia	e	grande	interesse	pela	língua	inglesa.	Os	irmãos	Walter	e	Plínio
também	dominavam	o	idioma	de	Shakespeare.
Infelizmente,	poucos	dias	antes	do	lançamento	de	A	Voz	da	Profecia	no	Brasil,
o	Sr.	Oliveiros	faleceu,	com	apenas	56	anos,	provocando	grande	problema	para	a
família.	João	e	Plínio	estavam	estudando	no	colégio	de	Taquara	e,	naturalmente,
não	podiam	ajudar	a	mãe,	então	viúva	com	três	filhos	adolescentes.	Eles	tinham
que	colportar	para	se	manter	nos	estudos	e	foram	sempre	bem-sucedidos.	Da
colportagem	veio	o	apoio	financeiro	do	pastor	Rabello	à	sua	mãe	e	aos	irmãos
menores.
Uma	carta	de	fevereiro	de	2006,	redigida	pelo	Dr.	Plínio	Rabello,	com	a
participação	de	seu	irmão	João	Rabello,	ao	irmão	Walter	Rabello,	professor	de
inglês	em	Campinas,	diz	o	seguinte:
O	Roberto	sempre	foi	muito	econômico,	mas	também	era	muito
humanitário.	Quando	papai	morreu,	eu	e	você,	Walter,	estávamos
enfrentando	uma	fase	muito	difícil.	Estávamos	estudando	no	ginásio	em
Taquara	porque	Waldemar	nos	havia	acolhido.	Em	decorrência	da	morte	de
papai,	o	Roberto,	então	residindo	em	Niterói,	Rio	de	Janeiro,	foi	até	Taquara
e	comprou	uma	chácara	com	casa,	onde	a	mãe	e	todos	nós	menores	fomos
morar	e	continuar	estudando	no	ginásio.	Em	apoio	ao	Roberto,	à	nossa
querida	mãe	Izabel	e	a	todos	nós	como	irmãos,	nosso	mano	João	deixou	de
exercer	o	magistério	paroquial	e	foi	morar	conosco	na	chácara,	e	voltando
também	a	continuar	seus	estudos	em	Taquara.
Essa	chácara	comprada	pelo	pastor	Rabello	para	ajudar	a	mãe	e	os	irmãos	foi
simplesmente	maravilhosa.	Walter	Rabello,	residente	em	Campinas,	SP,	dá	mais
alguns	detalhes	sobre	ela:
Com	referência	à	maravilhosa	chácara	que	o	Beto	(assim	era	chamado
pelos	irmãos)	comprou	para	morarmos,	desejo	fazer	um	acréscimo	ao	que
Plínio	e	João	escreveram:
A	chácara	foi	comprada	do	Sr.	Muller.	Com	um	pouco	mais	de	seis	hectares
de	terra	muito	fértil,	possuía	um	pasto	muito	bom.	Tínhamos	várias	vacas
leiteiras.	Levantávamos	às	4h	da	manhã,	tirávamos	o	leite,	deixando	o
suficiente	para	os	quatro	bezerrinhos	durante	o	dia.	O	restante	do	leite,	nós
levávamos	para	o	Sr.	Braun,	que	media	tudo	de	maneira	muito	paternal	e
semanalmente	nos	pagava.	A	casa	tinha	dois	quartos,	sala,	cozinha,
despensa,	área	coberta,	um	poço	de	água	muito	boa,	um	forno	de	tijolos	(eu
era	o	padeiro-chefe),	um	pomar	com	muitas	árvores	frutíferas	e	uma	horta
(que	o	João	fez)	com	muita	verdura.	Numa	das	vezes	que	o	Beto	conseguiu
algum	tempo	livre,	ele	ficou	na	casa	do	professor	Dario	Garcia	(há	mais	ou
menos	1,5	quilômetro	de	distância),	e	de	lá	ele	ia	ficar	conosco.
Fomos	a	uma	casa	que	vendia	árvores	frutíferas,	onde	o	Beto	comprou
mais	uma	dúzia	de	árvores	bem	novinhas:	laranja,	mexerica	(bergamota),
limão	e	vários	pés	de	caqui.	A	chácara	possuía	ainda	um	estábulo	onde
guardávamos	alimento	para	o	gado.	Além	da	chácara,	o	Beto	mandava	para
nós,	por	meio	da	igreja,	150	mil-réis,	quantia	suficiente	para	pagarmos	pelas
compras	que	fazíamos	na	mercearia	do	ginásio.
Nunca	ficamos	devendo	um	tostão	a	ninguém,	graças	ao	querido	mano
Beto.	A	chácara	foi	como	uma	ponte	que	nos	permitiu	atravessar	um	tempo
que	teria	sido	muitíssimo	mais	difícil	para	uma	mãe	viúva	com	três
adolescentes.	Há	mais	ou	menos	dois	anos,	o	Lucival	e	eu	fomos	ver	a	velha
chácara	e,	com	algumas	lágrimas	nos	olhos,	voltamos	para	a	casa	do
Waldemar	(em	Taquara).	Pensando	bem,	em	realidade,	o	Beto	foi	um	pai
para	seus	irmãos	mais	novos,	além	dos	filhos,	Cláudio	e	Lucila.
No	sábado	11	de	fevereiro	de	2006,	fomos,	com	alguns	membros	da	nossa
igreja	de	Sta.	Genebra	(onde	o	Léo	pregou	sobre	a	justiça	humana),	ouvir	o
velho	quarteto	Arautos	do	Rei.	Foi	tão	bom	vê-los	e	ouvi-los	ainda	cantando
afinados.	O	pastor	Feyerabend	esteve	lá	também	(estava	fazendo	um
tratamento	em	nossa	clínica).	Foi	uma	reunião	muito	bonita,	em	que	o	nome
do	pastor	Rabello	foi	mencionado	muitas	vezes.
Isso	confirma	o	que	Walter	escrevera	ao	seu	irmão	em	8	de	janeiro	de	1946,
dando	notícias	“de	sua	fazenda	e	também	de	nós”:
Graças	a	Deus,	estamos	com	boa	saúde	e	gozando	paz.	Sua	fazenda	está
em	bom	estado.	Há	nela	milho,	aipim,	batata,	tomate,	maçã,	pêra,	etc.	Nossa
horta	já	está	decrepitando,	mas	ainda	há	diversas	espécies	de	verdura.
Temos	um	lindo	viveiro	de	mudas	de	eucalipto,	o	qual	tem	perto	de	mil
mudas.	Nós	as	plantaremos	de	março	em	diante,	se	correr	tudo	bem.
Que	história	maravilhosa	do	carinho	do	pastor	Rabello	por	sua	mãe	e	irmãos!
Que	lugar	aprazível	para	aqueles	jovens	adolescentes	aprenderem	a	trabalhar	e
preparar-se	para	a	vida!
Em	correspondência	encontrada	nos	arquivos	do	pastor	Rabello,	deparamos
com	uma	carta	dirigida	à	sua	mãe	no	dia	15	de	novembro	de	1944	(dia	do
aniversário	dele)	para	que	procurassem	uma	chácara	para	plantar	aipim,	batatas,
uma	horta,	um	pomar	e	mesmo	um	pequeno	pasto	para	possuir	uma	vaca	leiteira.
Esse	sonho	foi	realizado,	como	prova	uma	carta	de	seu	irmão	Waldemar,
professor	no	colégio	em	Taquara	durante	muitos	anos,	dizendo	que	a	escritura
havia	sido	feita	no	dia	31	de	dezembro	de	1945.
Tudo	isso	trouxe	muita	alegria	e	paz	à	Sra.	Izabel,	pois	a	mãe	lhe	escreveu
dizendo:	“Agora,	estamos	gastando	muito	menos,	pois	já	temos	batata-doce,
aipim,	milho	verde,	bastante	leite,	abóbora,	moranga,	chuchu,	pêra,	maçã,
pêssego.	Temos	tudo	isso	aqui	no	teu	terreno!”	Podemos	imaginar	que
maravilhoso	era	o	plano	de	Deus	para	os	Seus	filhos.	Nada	melhor	que	viver	a
vida	do	campo	para	educá-los	e	prepará-los	para	a	eternidade!
Carinho	para	com	os	filhos
Se	o	casal	Rabello	era	carinhoso	com	os	familiares,	podemos	imaginar	seu
desvelo	para	com	os	próprios	filhos.
Cláudio	Rabello,	o	primeiro	filho,	nasceu	em	Ponta	Grossa	em	1934.	Conheci
muito	bem	esse	talentoso	jovem.	Fomos	colegas	de	quarto	no	então	CAB,	e
recordo	que	a	sua	biblioteca	estava	repleta	de	livros	de	biologia.	Creio	que,
apesar	de	toda	a	aflição	que	passaram	com	esse	filho,	a	maior	preocupação	do
pastor	Rabello	e	de	sua	esposa	era	que	ele	se	envolvesse	com	teorias	sobre	a
evolução	e	abandonasse	a	igreja.
Todos	nós	falhamos	como	pais	e	gostaríamos	de	ter	outra	oportunidade	para,
com	mais	sabedoria,	nortear	a	vida	de	nossos	filhos.	Creio	que	foi	um	erro	da
parte	de	meu	sogro	não	deixar	o	filho	seguir	carreira	na	área	de	biologia	ou
ciência,	pois	aí	estava	o	seu	talento.	Podemos	compreender	o	temor	que	tinham,
mas,	quando	olhamos	a	vida	de	professores	como	Orlando	Ritter	e	Nevil	Gorski,
vemos	que	o	Cláudio	também	poderia	alcançar	seus	ideais	nessa	área.
Quando	ele	foi	para	o	CAB,	em	1949,	o	pastor	Rabello	lhe	escreveu	a	seguinte
carta	no	dia	5	de	março:
Querido	Cláudio:
Já	temos	saudades	de	ti.	Certas	coisas	más	que	aconteciam	em	casa	não
acontecem	mais.	Não	obstante,	o	autor	dessas	coisas	faz	grande	falta.	Na
noite	de	tua	saída,	mamãe	chorou	por	meia	hora,	às	vezes	em	alta	voz.
Ninguém	estava	alegre	na	casa,	vazia	do	filho.	Parecia	que	alguém	havia
morrido.
Estou	certo	de	que	farás	todo	o	possível	para	ser	um	bom	filho.	E	também
para	ser	um	bom	aluno	aí	no	colégio.	Os	teus	pais	estão	cortando	despesas
aqui	e	ali	para	te	poder	manter	no	colégio.	Faze	também	a	tua	parte:
comporta-te	bem,	estuda	muito	e	trabalha	com	todo	coração.	Não	te
esqueças,	meu	filho,	da	obediência	aos	professores	e	do	respeito	aos	mais
velhos.	Papai	já	te	aconselhou	quanto	à	necessidade	de	evitar	as	más
companhias.	Quando	vires	que	um	moço	não	teme	a	Deus	nem	respeita	aos
homens	e	mulheres,	deixa	a	sua	companhia.
Há	quase	25	anos,	o	papai	e	a	mamãe	começaram	os	estudos	nesse	mesmo
lugar	e	mais	ou	menos	com	a	tua	idade;	e	hoje	ao	ver-te	iniciares	o	mesmo
caminho,	o	papai	resume	os	seus	conselhos	a	ti	no	seguinte:	segue	de
coração	o	ensino	da	Santa	Bíblia	e	jamais	terás	de	que	te	envergonhares	ou
de	que	te	arrependeres.
Que	conselhos	maravilhosos	de	um	paipara	com	seu	filho	ao	sair	de	casa	pela
primeira	vez!	Seria	maravilhoso	se	os	filhos	ouvissem	a	voz	sábia	de	seus	pais.
Mas	parece	que	os	filhos	têm	que	aprender	muitas	coisas	quebrando	cabeça	e
tropeçando.	É	o	ciclo	da	vida,	e	a	história	se	repete	em	muitos	lares.	Cláudio
terminou	seu	curso	no	CAB,	casou-se	em	1956	com	Eunice	Alvarenga	e	foi,
mais	tarde,	para	os	Estados	Unidos.
Quando	estudávamos	juntos	no	La	Sierra	College,	na	Califórnia,	em	1957	e
1958,	tivemos	que	cursar	pelo	menos	mais	um	ano	e	meio	porque	nosso	colégio
ainda	não	tinha	o	nível	de	faculdade,	sendo	considerado	Junior	College.	Cláudio
e	sua	esposa,	Eunice,	trabalhavam	na	fábrica	de	alimentos	do	Hospital	de	Loma
Linda.	Minha	esposa,	Lucila,	trabalhava	no	Hospital	de	Loma	Linda	e	eu
trabalhava	como	torneiro	mecânico	na	fábrica	Ace	Drill	Bushings,	que	ficava	ao
lado	de	nosso	apartamento.	Cláudio	e	eu	tivemos	que	estudar	matérias
suplementares	como	biologia,	história	da	América,	literatura	e	inglês	para
completar	nosso	curso,	antes	de	ir	para	o	seminário.	Hoje,	nossas	instituições	de
ensino	no	Brasil	estão	niveladas	com	as	faculdades	dos	Estados	Unidos.
Recordo	que	o	Cláudio	cursou	uma	classe	de	biologia	e,	como	sempre,	não	se
incomodava	muito	com	as	notas,	pois	sabia	a	matéria.	Além	disso,	colocava	o
professor	na	parede	com	suas	perguntas	astutas,	no	estilo	de	nosso	querido
professor	S.	Kümpel.	Ao	chegar	ao	fim	do	semestre,	sua	nota	era	C.
Observemos,	no	entanto,	a	nobreza	do	professor.	Ele	disse	ao	Cláudio:
–	Sendo	que	você	tirou	notas	baixas	nas	provas	e	não	fez	muitos	dos	trabalhos,
sua	nota	deve	ser	C.	Mas,	sendo	que	você	é	o	aluno	que	mais	conhece	biologia
nesta	classe,	vou	dar-lhe	um	A.
Cláudio	terminou	seu	curso	de	Teologia	e	fomos	juntos	para	o	seminário	em
Washington	e,	depois,	para	a	Universidade	Andrews.	Cláudio	e	Eunice	tiveram
duas	filhas	(Leila	e	Leilanie	Susie)	e,	mais	tarde,	um	filho	(Bob	Rabello).	Meu
primeiro	filho	Léo	Jr.	nasceu	em	Glendale,	e	Luís	Roberto	no	Michigan.	Mais
tarde,	nasceu	o	último	neto	do	pastor	Rabello,	Larry,	também	em	Glendale,
Califórnia.
Enquanto	terminava	seus	estudos	na	Andrews,	Cláudio	começou	a	trabalhar
como	tradutor	e	intérprete	para	o	Departamento	Estadual.	Daí	em	diante,	os
problemas	no	lar	extrapolaram,	e	o	casal	se	separou.	Mais	tarde,	Eunice	casou-se
com	Dennis	Fletcher,	e	Cláudio	casou-se	com	Carolina	Van	Vickle.	Diga-se	de
passagem,	Cláudio,	tempos	depois,	serviu	de	instrumento	para	levar	sua	segunda
esposa	para	a	igreja.
Durante	as	décadas	de	1970	e	1980,	enquanto	eu	trabalhava	na	Associação
Geral	como	diretor	associado	de	jovens,	recebemos,	muitas	vezes,	a	visita	de
Cláudio	e	de	meu	sogro.	Foram	momentos	inesquecíveis,	que	lembramos	com
muita	saudade.
Infelizmente,	a	princípio,	havia	um	pouco	de	discussão	sobre	religião	e	isso
não	era	salutar.	Conversando	com	minha	esposa,	eu	disse:
–	Meu	bem,	não	adianta	discutir	religião	com	Cláudio.	Ele	sabe	tudo.	Tem
cursos	da	Andrews.	É	tudo	uma	fachada.	Interiormente,	ele	crê	nessa	mensagem.
Assim,	resolvemos	tratá-lo	amigavelmente,	sem	tocarmos	em	religião.
Notamos	que	ele	gostava	de	ouvir	o	“Messias”	de	Handel	e	de	sair	aos	sábados	à
tarde	para	passeios	pelos	parques	e	jardins,	a	fim	de	estar	em	contato	com	a
natureza.
Certa	ocasião,	minha	esposa,	conversando	com	ele,	disse:
–	Barão	[assim	os	dois	se	tratavam],	estou	orando	para	que	você	perca	esse
trabalho	no	Departamento	do	Estado	e	volte	para	a	igreja.
Imediatamente,	ele	retrucou:	–	Não	faça	isso,	baroa.	Pare	de	orar.
Minha	esposa	respondeu:
–	Mas	você	disse	que	não	crê	mais	em	oração.	Portanto,	qual	é	sua
preocupação?
Eu	não	estava	em	casa	e	minha	esposa	me	contou	o	olhar	dele	de	quem	havia
caído	em	uma	arapuca!
Em	outubro	de	1977,	recebemos	um	telefonema	do	Cláudio,	pedindo	orações,
pois	seus	rins	haviam	parado	de	funcionar.	Ligamos	imediatamente	para	a	Voz
da	Profecia	no	Brasil	e	nos	Estados	Unidos.	Pedimos	orações	na	Associação
Geral.	Poucos	dias	depois,	Lucila	e	eu	partimos	para	a	Carolina	do	Norte,	onde
ele	residia.	Ao	chegarmos	ao	hospital,	notamos	a	Bíblia	ao	lado	da	cama.	Os	rins
estavam	funcionando	novamente	e	o	Senhor	dava	um	pouco	mais	de	tempo	para
o	filho	pródigo	voltar	ao	lar.
Encontrei	na	correspondência	do	pastor	Rabello	uma	carta	preciosa	do	filho	a
seu	pai,	datada	de	16	de	novembro	de	1977,	um	dia	depois	do	aniversário	do
pastor	Rabello.	O	meu	sogro	escreveu	em	cima	do	envelope,	em	letras	garrafais,
a	seguinte	frase:	“As	melhores	notícias	que	já	recebi,	desde	que	meu	filho	saiu
da	igreja.”	A	carta	dizia:
Querido	pai	[em	inglês]:
Desde	que	saí	do	hospital,	nestas	últimas	semanas,	recebi	três	cartas	do
senhor.	Elas	foram	muito	encorajadoras	e	ajudaram	a	levantar	o	meu
espírito!	Estive	muito	deprimido	com	todas	estas	más	notícias	sobre	a	minha
saúde	e	foi	muito	boa	a	sua	correspondência.	Especialmente,	agradeço	sua
chamada	telefônica.	Isso	ajudou	muito!	Léo	e	Lucila	estiveram	aqui	também
e	me	ajudaram	a	me	sentir	melhor!	O	[tio]	Walter	ligou	diversas	vezes.	Tudo
isso	me	animou	muito.
Em	outros	parágrafos,	Cláudio	relata	o	drama	de	sua	doença	(diabetes)	e
menciona	tudo	que	tem	que	fazer	para	controlá-la.	Usa	uma	frase	interessante:
“Sinto-me	razoavelmente	bem	(milagrosamente	os	rins	continuaram	a
funcionar),	pelo	menos	até	a	próxima	crise.	[...]	Sei	que	Deus	pode	ajudar	a
estabilizar	minha	saúde,	mas	não	estou	seguro	se	realmente	deseja	fazê-lo!	Bem,
está	tudo	em	Suas	mãos!”	Dois	anos	e	meio	mais	tarde,	ele	faleceria.
Cláudio	menciona	o	aniversário	do	pai	e	o	cumprimenta	por	mais	um	ano	de
vida.	No	entanto,	a	parte	mais	dramática	dessa	carta	é	o	último	parágrafo.
Cláudio	estava	tentando	voltar	para	a	igreja,	mas	não	sabia	como	fazê-lo.	Muitas
vezes,	não	compreendemos	quão	difícil	é	o	retorno	para	alguém	que	abandonou
os	princípios	e	deseja	voltar.	A	pessoa	encontra	enorme	barreira,	adversidade	e
incompreensão	da	parte	de	irmãos	e,	na	realidade,	não	sabe	como	fazê-lo.
Muitos,	envergonhados,	pedem	ajuda	a	um	amigo,	pastor	ou	conselheiro.	Foi	o
que	Cláudio	fez.	Eis	o	parágrafo	mais	significativo	e	que	proporcionou	muita
alegria	ao	pai:
Qualquer	desses	domingos,	irei	até	a	fronteira	do	Estado	de	Carolina	para
consultar	Wittschiebe,	que	mora	naquela	área,	sobre	como	voltar	para	a
igreja.	Chamei-o	pelo	telefone	(foi	meu	professor	na	Andrews)	e	ele	me	disse
que	teria	imenso	prazer	em	conversar	comigo.	Tenho	que	desemaranhar
algumas	coisas	em	minha	mente.	Deus	é	muito	paciente	com	minha	falta	de
fé.	Tenho	certeza	de	que	me	ajudará	a	pôr	minha	vida	em	ordem!
Podemos	imaginar	a	alegria	do	pastor	Rabello	ao	receber	essa	carta	de	seu
querido	filho.	Lamento	que	minha	sogra	não	estivesse	viva	para	ver	o	filho	de
volta	à	igreja.	Que	alegria	será	encontrá-lo	no	reino	dos	Céus!	O	filho	pródigo
voltava	ao	lar!	Por	isso,	como	pais	e	professores,	temos	de	ter	paciência	com	os
jovens	e	aqueles	que	deixam	a	igreja.	Sejamos	amáveis	e	compreensivos,	pois
um	dia	eles	ouvirão	a	voz	do	Espírito	Santo	batendo	à	porta	do	coração.
Não	podemos	explicar	todos	os	detalhes	e	a	razão	desses	acontecimentos	que
tanto	nos	entristecem.	Entretanto,	a	paciência	e	o	carinho	do	pai	ajudaram	o	filho
pródigo	a	voltar	para	a	igreja.	Cláudio	foi	um	grande	talento	desperdiçado.
Poderia	ter	sido	o	substituto	do	pai,	pois	tinha	boa	voz	(cantou	baixo	em
quartetos	no	colégio,	e	Eunice	tinha	um	excelente	contralto)	e	talento	para	que
pudesse	fizer	parte	da	equipe	da	Voz	da	Profecia.
Minha	esposa	e	eu	lemos	muitas	cartas	de	professores	e	parentes	sobre	o
comportamento	de	meu	cunhado.	Ele	almejava	algo	que,	na	realidade,	nunca
alcançou.	Mas	deixou	um	rastro	luminoso,	apesar	de	todas	as	suas	peripécias.
Morreu	em	Cristo	e	um	dia	estará	ao	lado	dos	pais	que	o	amavam	tanto.
Lucila,	a	única	filha	do	casal	Rabello,	nasceu	em	Curitiba,	onde	o	pai	foi	pastor
da	Igreja	Central.	De	acordo	com	os	familiares,	ela	quase	nasceu	na	igreja,	pois
estavam	em	comissão	quando	minha	sogra,	sentindo	as	dores	de	parto,	foi
caminhando	para	casa,	com	muita	pressa,	e	a	filha	nasceu.	Lucila	foi	sempre
muito	queridapelos	pais.	Era	dócil,	quieta	e	compenetrada.	Com	quatro	anos	de
idade,	foi	para	os	Estados	Unidos	com	os	pais.	Tanto	ela	como	Cláudio	se
beneficiaram	dessa	permanência	naquele	país	e	aprenderam	a	falar	fluentemente
o	inglês.
Quando	os	pais	voltaram	dos	Estados	Unidos,	em	1944,	moraram	no	Rio	de
Janeiro.	Lucila	estudou	no	Colégio	Batista,	onde	fez	amizade	com	Marlene,	filha
do	famoso	poeta	Mário	Barreto	França.	Até	hoje,	as	duas	amigas	se	comunicam,
relembrando	os	momentos	felizes	da	infância	em	Niterói.
Uma	inconveniência	das	viagens	aos	Estados	Unidos,	quando	o	pai	tinha	que
gravar	os	programas	da	Voz	da	Profecia	e	a	mãe	precisava	trabalhar	como
secretária	dele,	era	não	ter	com	quem	deixar	a	filha	no	Rio	de	Janeiro.	Enquanto
os	filhos	eram	pequenos,	a	mãe	ficava	com	eles,	sofrendo	longos	meses	de
separação	do	esposo.
Foi	nessa	época	que	Lucila,	com	apenas	14	anos	de	idade,	teve	que	deixar	o
Rio	de	Janeiro	e	ir	estudar	no	Colégio	Adventista	Brasileiro,	em	São	Paulo.	Foi
lá	que	a	conheci.	Os	pais	dela	tinham	o	apoio	dos	avós	Braun,	que	moravam
numa	chácara	ao	lado	do	colégio.	A	chácara	era	o	refúgio	dos	netos,	que,	com
freqüência,	desciam	a	colina	rumo	ao	Capão	Redondo	e	passavam	momentos
agradáveis	com	os	avós.
No	depoimento	a	seguir,	vemos	o	sentimento	e	a	afeição	de	Lucila	pelo	pai	que
ela	tanto	amava:
Nunca	esquecerei	a	carta	que	recebi	de	meu	pai	quando	fui	para	o	internato
do	antigo	e	querido	CAB.	Eu	tinha	apenas	14	anos	de	idade	e	foi	tão	difícil
sair	de	casa	pela	primeira	vez!	Era	muito	protegida	pelos	meus	pais	e
especialmente	por	papai.	Sempre	senti	um	carinho	todo	especial,	quem	sabe
por	ser	a	única	filha!	Naqueles	momentos	difíceis	em	que	necessitava	de
conforto	espiritual	e	afirmação,	ele	escreveu-me	o	seguinte:
Meu	querido	Meuschen	[meu	ratinho,	expressão	carinhosa	em	alemão]:
Escrevo	esta	para	te	dar	os	parabéns	pelo	teu	aniversário	depois	de
amanhã,	dia	16.	Aqui	em	casa	vamos	pensar	em	ti	e	talvez	a	mamãe	faça	um
bolo	à	saúde	dos	teus	anos.	Não	podemos	agora	mandar	um	presente,	mas
penso	que	considerarás	o	relógio	como	o	presente	deste	aniversário.	E	ao
completares	l4	anos,	minha	filha,	deves	pensar	em	Deus,	que	te	deu	estes
anos,	e	agradecer-Lhe	as	bênçãos	dEle	recebidas.	Deves	também	consagrar-
Lhe	a	tua	vida,	pedindo-Lhe	que	te	ajude	a	ser	uma	menina	cristã,	fiel	aos
Seus	santos	mandamentos.	O	papai	espera	que	te	batizes	este	ano.
Aqui	vamos	bem,	graças	ao	Senhor.	A	casa	está	muito	solitária	sem	o	nosso
Meuschen.	O	piano	não	produz	mais	aquelas	bonitas	músicas.	Mas	isto
passará	e	logo	havemos	de	ver-te	outra	vez.	Estamos	preparando	as	malas
para	a	viagem	aos	States.	Provavelmente,	partiremos	no	dia	5	de	abril.
Guardo	essa	carta	com	muito	carinho.	Para	alegria	de	meu	pai,	no	verão	de
1951,	fui	batizada	por	ele	nas	águas	da	Baía	de	Guanabara.	Mas	nunca
esquecerei	aquelas	longas	viagens	e	a	ausência	de	meus	pais.	Quem	sabe,	o
Senhor	estava	me	preparando	para	aquele	dia	em	que	eu	e	meus	filhos	tivemos
que	enfrentar	longas	separações	de	meu	esposo,	que,	ao	trabalhar	na	Associação
Geral,	ausentava-se	da	família	por	longas	semanas!
Há	muitas	coisas	que	eu	poderia	dizer	sobre	minha	infância	e	acerca	do	carinho
de	meus	pais.	Não	quero	repetir	muito	do	que	foi	dito.	Porém,	há	algo	que
sempre	ficou	gravado	indelevelmente	em	minha	vida	–	a	paciência	de	meus	pais
para	com	meu	irmão	e	comigo.	Eu	ficava	admirada	de	seu	trato,	de	sua	bondade.
Um	dia,	quando	meu	esposo	e	eu	viajávamos	de	férias	para	o	Brasil,	resolvi
fazer	a	pergunta:
–	Papai,	nunca	vi	o	senhor	perder	a	paciência,	seu	controle	próprio	ou	erguer	a
voz	com	a	mamãe	e	conosco,	seus	filhos,	desde	que	o	conheço!	Pode	me
explicar	como	conseguiu	alcançar	essa	vitória	em	sua	vida?
Recordo-me	de	que	meu	pai	ficou	quieto.	Havíamos	conversado	sobre	muitos
outros	assuntos	e	agora	estava	ponderando	a	pergunta	de	sua	filha.	Em	vez	de
responder,	apenas	levantou	as	calças	ao	nível	dos	joelhos	e	disse:	–	Aqui	está,
minha	filha,	o	segredo:	a	oração!	Esta	foi	a	única	maneira	de	controlar	o	meu
temperamento	e	ter	paciência	com	vocês,	com	mamãe	e	com	aqueles	com	quem
convivi.
Observei,	então,	que	seus	joelhos	estavam	bem	calejados!	Pude	recordar
quantas	vezes	vi	meu	pai	ajoelhado,	intercedendo	diante	do	Senhor.	Eu	sabia	que
ele	e	mamãe	carregavam	um	fardo	pesado	com	meu	irmão	e	o	comportamento
dele.	Mas	que	alegria	que	aquelas	orações	foram	atendidas,	pois	o	Cláudio,	com
a	graça	de	Deus,	estará	presente	para	abraçá-los	e	agradecer	por	aquele	homem
de	oração!
Lucila	terminou	parte	do	Normal	e	Científico	e,	em	20	de	fevereiro	de	1956,
nos	casamos	e	partimos	para	os	Estados	Unidos	para	estudos	avançados	em
nossas	universidades.	Tem	sido	sempre	uma	fiel	companheira,	mãe	de	três	filhos:
Léo	Jr.	(casado	com	Susan	Longard),	Luís	Roberto	(casado	com	Wilma	Tubies)
e	Larry.	São	três	dos	seis	netos	do	pastor	Rabello.	Meu	sogro	chegou	a	conhecer
sua	primeira	bisneta,	a	Larissa	Rachel,	que,	na	época	em	que	eu	escrevia	este
livro,	estava	com	22	anos.	Mas	não	conheceu	os	demais	bisnetos:	David	Andrew
(filho	de	Léo	Jr.	e	Susan),	Spencer	(filho	de	Leila),	Tristan	e	Valerian	Jefferson
(filhos	de	Bob	e	Benita)	e	Mason	Thomas	(filho	de	Luís	Roberto	e	Wilma).
Assim,	teve	seis	netos	e	seis	bisnetos.
Lucila	terminou	o	Normal	em	1968,	enquanto	trabalhávamos	na	União	Sul
Brasileira.	Ela	foi	professora,	seguindo	o	exemplo	de	seu	avô	e	tios.	Em	nossa
igreja	nos	Estados	Unidos,	foi	professora	especializada	e	pioneira	com	crianças
que	sofrem	dislexia.	Foi	a	primeira	em	nossa	igreja	a	ensinar	o	sistema	de	ensino
para	três	alunos	ao	mesmo	tempo,	na	Sligo	School,	em	Takoma	Park,	Estados
Unidos.	Sua	experiência	e	pioneirismo	nessa	área	estão	sendo	duplicados	no
Estado	do	Maine.
Lucila	amava	muito	o	pai	e	sempre	teve	um	lindo	relacionamento	com	ele	e	a
mãe.	Como	toda	filha	de	pastor,	passou	pelos	problemas	e	críticas,	o	sofrimento
das	longas	viagens	dos	pais	e	da	separação	dos	entes	queridos.	Mesmo	assim,
permaneceu	firme	seguindo	o	exemplo	de	sua	avó	e	sua	mãe,	desejando	o
mesmo	para	suas	noras	–	todas	esposas	de	pastor!
U
Boato	de	Arrebatamento
Características	exemplares	do	orador	da	Voz
ma	vez,	surgiu	um	boato	no	Brasil	inteiro	de	que	o	pastor	Rabello	havia
sido	trasladado	para	o	Céu.	Não	entendemos	por	que	isso	ocorreu,	uma
vez	que	tal	fato	não	se	coaduna	com	o	que	os	adventistas	crêem	e	ensinam.
Sabemos	que	a	idéia	de	um	arrebatamento	secreto	ao	Céu	não	é	bíblica.	No
entanto,	compreendemos	que,	ao	Jesus	voltar,	seremos	arrebatados	para	o
encontro	do	Senhor	nos	nuvens.	Que	momento	glorioso	para	o	povo	de	Deus	e
para	a	culminação	da	história	do	mundo!
Quando	eu	residia	em	Silver	Spring,	Estados	Unidos,	recebi	um	telefonema	de
um	pastor	brasileiro	perguntando	se	isso	era	verdade.	Ele	disse	que	queria	falar
comigo,	pois	o	genro	do	pastor	Rabello	certamente	teria	a	informação	correta.
–	Não	sei	se	ele	foi	arrebatado	ou	não,	mas	tive	o	privilégio	de	conversar	com
meu	sogro	esta	semana	e	ele	ainda	continuava	na	Terra	–	respondi.
Nessa	mesma	época,	viemos	de	férias	para	o	Brasil,	e	o	pastor	Manoel	Xavier,
então	presidente	da	Associação	Brasil	Central,	nos	acolheu	e,	com	muita	cortesia
e	bondade,	levou-nos	a	Caldas	Novas,	GO.	No	decorrer	da	pequena	viagem	de
Goiânia	a	Caldas	Novas,	ele	nos	disse	em	tom	de	brincadeira:
–	Pastor	Léo	e	irmã	Lucila,	o	pastor	Rabello	nos	tem	dado	muito	trabalho.
–	Mas	qual	é	o	problema,	meu	nobre	amigo	Manoel?
–	Vocês	não	têm	idéia	de	quantos	telefonemas	temos	recebido	de	pessoas
perguntando	se	é	verdade	que	o	pastor	Rabello	foi	trasladado.	Até	dizem	que,	no
lugar	onde	ele	estava,	só	ficou	o	chinelinho...
Ao	chegarmos	a	Curitiba,	onde	o	pastor	Rabello	residia	e	passou	os	últimos
anos	da	vida,	minha	esposa	mencionou	o	assunto.	Sua	resposta	foi:
–	Que	barbaridade,	minha	filha!
Na	época,	ele	já	estava	perdendo	a	memória,	mas	continuava	bem	lúcido
quanto	à	sua	teologia.
Lamentamos	que	tal	boato	tenha	se	espalhado.	Mas	creio	que	os	rumores
demonstraram	o	conceito	de	nossos	irmãos	em	relação	ao	valoroso	servo	do
Senhor.O	pastor	Rabello	não	era	perfeito,	pois	não	existe	ninguém	perfeito	no
mundo.	Somente	conseguiremos	alcançar	a	perfeição	através	de	Cristo,	nosso
Salvador.	Mas	o	pastor	Rabello	alcançou	alto	nível	de	consagração	e	dedicação	a
Deus.	Ele	era	homem	íntegro	e	reto,	e	procurava	andar	com	Deus.
Integridade
Roberto	Rabello	era	também	homem	de	grande	integridade	moral.	Muitos	anos
atrás,	ele	vendeu	um	carro.	Não	conhecemos	todos	os	detalhes	sobre	a	venda
desse	veículo.	Apenas	soubemos	que	alguém	dissera	que	o	pastor	Rabello	era
um	tolo,	pois	havia	vendido	o	carro	muito	barato.	“Ele	não	sabe	negociar”,	disse
o	homem.	A	realidade,	porém,	era	que	ele	nunca	se	aproveitava	dos	outros,	e
sempre	procurava	fazer	o	que	era	correto.
Além	disso,	ele	evitava	a	aparência	do	mal.	Com	freqüência,	eram	tiradas	fotos
dele	com	irmãs	e	crianças,	pessoas	que	ele	havia	batizado	ou	a	quem	havia
casado.	Algumas	mulheres	eram	admiradoras	da	Voz.	Ele	sempre	procurava
estar	afastado	quando	as	fotos	eram	tiradas,	para	não	dar	a	impressão	de	que
estava	muito	perto	dessas	irmãs.	Ele	era	muito	cuidadoso	em	relação	ao	sexo
oposto.	Durante	as	viagens,	como	disse	a	irmã	Iracy	Botelho,	ele	sempre
colocava	sua	pasta	entre	os	dois!
Podemos	comprovar	essa	atitude	de	fidelidade	através	das	muitas	cartas	que
escreveu	à	sua	esposa.	Há	obreiros	e	irmãos	que	se	descuidam,	causando	dano	e
tristeza	à	família.	Todo	o	cuidado	é	pouco,	pois	o	inimigo	está	ao	nosso	derredor
bramando	como	leão.
O	pastor	Rabello	participou	de	muitos	programas	e	congressos	de	jovens.	Na
correspondência	dele,	encontramos	inúmeras	cartas	de	agradecimento,	cartões	e
fotos	de	jovens	e	crianças.	Com	freqüência,	ele	era	convidado	para	falar	aos
jovens	e	participar	das	reuniões	JA,	casamentos,	festas	de	15	anos,	batismos,
dedicação	e	aniversários	de	crianças.
Entre	as	qualidades	dele,	destaca-se	também	a	dedicação	ao	trabalho.	Em
português,	há	a	expressão	“um	pé	de	boi	para	o	trabalho”.	Não	conheço	a	origem
dela.	E	há	um	termo	em	inglês,	workaholic,	que	quer	dizer	uma	pessoa	afeiçoada
ao	trabalho,	que	trabalha	incessantemente	e	para	quem	o	trabalho	é	uma
obssesão.	Não	creio	que	essas	duas	expressões	sejam	adequadas	para	definir	o
pastor	Rabello,	mas	eu	diria	que	ele	era	um	homem	apaixonado	por	sua	missão	e
um	obreiro	de	valor.
Ouvimos	sobre	seu	trabalho	ao	cavar	valas	no	Pacific	Union	College.	Na	carta
de	um	médico	do	Hospital	de	Santa	Helena,	descobrimos	que	o	pastor	Rabello
contraiu	tuberculose.	A	vida	era	dura	e	o	dinheiro	era	escasso	para	enfrentar	os
estudos	e	as	responsabilidades	do	trabalho.	Enquanto	ele	enfrentava	essas
vicissitudes	e	problemas	de	saúde,	recebeu	o	chamado	da	Voz	da	Profecia.
Ele	tinha	que	ficar	deitado	e	ditar	as	palestras	e	os	sermões	para	a	esposa
datilografá-los.	Necessitava	de	muito	repouso	para	restaurar	a	saúde.	Manteve
esse	padrão	de	trabalho	durante	os	anos	que	trabalhou	na	Voz	e	mesmo	depois	de
aposentado.	Era	incansável	em	sua	devoção	ao	Senhor.
Dedicado	totalmente	à	Voz	e	a	Deus,	sua	vida	se	situava	num	patamar	elevado.
Muitas	vezes,	parentes	e	amigos	contavam	piadas	e	faziam	brincadeiras	e	ele	era
o	último	a	entendê-las.	Alexandre	Reichert,	um	dos	ex-pianistas	da	Voz	da
Profecia,	contou-nos	que	ele	realmente	não	entendia	as	piadas.	Ao	ir	trabalhar	na
Voz	da	Profecia,	Alexandre	morou	por	seis	meses	no	apartamento	do	pastor
Rabello,	que	na	ocasião	era	viúvo	e	o	convidou	para	que	ficasse	com	ele	até
encontrar	um	apartamento.
Certa	ocasião,	Alexandre	perguntou:
–	Pastor	Rabello,	bicicleta	tem	acento?
Bom	conhecedor	da	gramática	da	língua	portuguesa,	o	pastor	Rabello
respondeu	que	certas	palavras	em	português	não	necessitavam	de	acento.
Depois	de	toda	a	explicação,	Alexandre	disse:
–	Mas,	pastor,	como	as	pessoas	podem	sentar-se	na	bicicleta,	se	não	tem
acento?
Depois	de	uns	15	minutos	analisando	a	piada	do	Alexandre,	o	pastor
respondeu:
–	Realmente,	você	tem	razão,	Alexandre.
Nosso	biografado	era	honesto	até	nos	centavos.	Ao	falecer,	juntamos	muito
material	dele.	Tínhamos	agora	o	mesmo	problema:	guardar	documentos,	cartas,
papéis,	artigos.	Encontramos	alguns	rascunhos	em	que	ele	havia	anotado	contas
e	pedidos	de	irmãos.	Os	detalhes	revelavam	sua	preocupação	com	a	honestidade
absoluta.
Por	ocasião	de	suas	viagens	aos	Estados	Unidos,	para	gravação	dos	programas,
ele	recebia	dezenas	de	pedidos	de	materiais	e	roupas.	Atendia,	na	medida	do
possível,	a	maioria	deles.	Ficamos	simplesmente	pasmados	com	a	variedade	de
solicitações	que	recebia.	Como	disse	uma	funcionária	da	Voz	daquele	tempo	“ele
nunca	se	aproveitou	disso	para	lucro	pessoal”.	O	preço	de	custo	da	roupa	ou	de
determinada	peça	vinda	do	exterior	era	cobrado	da	pessoa	pelo	preço	de	custo	–
até	nos	centavos!
Aqui	está	um	exemplo	de	seu	cuidado	com	o	dinheiro	do	Senhor	durante	sua
viagem	do	Rio	de	Janeiro	para	os	Estados	Unidos,	a	fim	de	gravar	os	programas
da	Voz	da	Profecia,	pois	àquela	altura	ainda	não	tinha	sua	própria	sede:
Abril
17	–	Gorjetas	no	navio	11.25
Carregador	em	Nova	York	1.00
Táxi	para	a	Missão	2.00
Subway	em	Nova	York	0.20
Livrinho	5.00
Táxi	para	a	estação	de	trem	0.75
Passagem	para	Washington	DC	6.33
Táxi	em	Washington	.1.00
18	–	Passagem	para	Los	Angeles	83.95
Carregadores	–	NY	para	LA	1.50
Transporte	da	máquina	de	escrever	5.00
Diária	(17-20)	12.00
Total	129.98
Poderíamos	anotar	as	despesas	de	objetos	trazidos	dos	Estados	Unidos	para
instituições	e	pastores,	e	encontraríamos	o	mesmo	cuidado.	Esses	fatos	falam	por
si	mesmos!	Aquele	que	é	cuidadoso	com	o	dinheiro	do	Senhor	deve	fazer	o
mesmo	com	suas	finanças	e	a	daqueles	com	quem	realiza	permutações
financeiras.
Minha	esposa	e	eu	ficamos	maravilhados	ao	vermos	o	quão	cuidadoso	ele	era
com	seus	negócios	particulares.	Cremos	que	Deus	dirigiu	sua	vida,	ao	fazer	o
curso	Comercial,	pois	isso	o	ajudou	muito	na	liderança	e	administração	do
trabalho.	Ele	menciona	que,	em	seus	primeiros	anos	de	ministério,	era
transferido	para	outras	igrejas	que	tinham	problemas	financeiros.	Os	líderes
sabiam	que	ele	era	firme	e	honesto	nas	finanças.	Nunca	ficava	endividado	e
sempre	tinha	o	suficiente	para	manter-se	e	ajudar	os	filhos.
Momento	de	crise
Uma	das	grandes	crises	do	pastor	Rabello	foi	sua	saída	da	Voz	da	Profecia,
quando	assumiu	a	presidência	da	Associação	Rio-Minas.	Muitos	obreiros
ficaram	preocupados,	pois	ouviam	falar	que	ele	era	firme	e	“pão-duro”.	Porém,
aqueles	que	o	conheciam	de	perto	sabiam	que	era	liberal	para	com	a	igreja,	a
esposa	e	familiares,	embora	não	gostasse	de	desperdiçar	dinheiro,	nem	gastá-lo
com	frivolidades.	Ele	preferia	comprar	livros	para	o	preparo	de	suas	palestras,	e
hoje	esses	livros	estão	na	biblioteca	do	Unasp.	Para	surpresa	dos	obreiros,	em
meio	à	crise	da	Associação,	o	pastor	Rabello	e	seu	fiel	tesoureiro,	Max	Furman,
aumentaram	o	salário	dos	obreiros,	que	estava	aquém	das	praxes,	e	colocaram	as
finanças	da	Associação	em	dia.
Ele	tinha	a	paciência	de	Jó.	Em	meio	à	tempestade	e	às	crises,	sempre	foi
calmo	e	paciente.	Os	filhos	e	parentes	ficavam	maravilhados	de	ver	quão
magnânimo	e	paciente	era	o	pastor	Rabello	para	com	as	crianças.	Mas	ele	perdia
a	paciência	quando	ouvia	que	um	aluno	da	Voz	da	Profecia	não	havia	sido
visitado	pelos	pastores	e	que	fora	parar	em	outra	igreja.	Apesar	disso,	não
demonstrava	nada	àqueles	que	trabalhavam	com	ele.
Era	muito	ponderado	e	controlado	ao	falar.	Com	freqüência,	surgiam	nas
comissões	problemas	e	assuntos	administrativos	polêmicos	que	elevavam	o
ânimo	dos	líderes	da	igreja.	Alguns	levantavam	e	contestavam.	Soubemos	de
líderes	que	“perdiam	as	estribeiras”.	O	pastor	Rabello	era	ponderado	e	nunca
discutia	os	assuntos	em	público.	Ia	abatido	para	casa.	Remoía	o	assunto,
procurando	a	solução	para	o	problema.	No	dia	seguinte,	ao	voltar,	podia	discutir
o	caso	com	calma	e	mais	entendimento.	Passara	uma	noite	estudando	o	assunto	e
orando,	antes	de	falar	algo	que	pudesse	ofender	alguém.
Sua	esposa	ficava	incomodada,	pois,	na	Voz	e	na	administração,	dizia-se	que
era	ela	quem	mandava	em	casa.	Como	as	pessoas	podem	ser	cruéis!	Não
compreendiama	maneira	de	ser	do	pastor	Rabello.	Era	o	seu	estilo:	ponderação,
controle	e	domínio	próprio.	Ele	necessitava	de	um	pouco	mais	de	tempo	para
refletir	e	não	proferir	palavras	mal	pensadas.	O	sol	sempre	desponta	depois	da
tempestade.
Muito	consagrado	a	Deus	e	ao	ministério,	ele	era	“um	homem	de	oração”,
como	podemos	ver	em	muitas	das	histórias	de	pessoas	que	o	conheceram	e	que
ouviram	suas	orações.	Esse	fato	foi	também	comprovado	por	sua	filha.
Ele	fazia	orações	lindas.	Há	algo,	porém,	que	até	hoje	não	podemos
compreender.	Nos	últimos	anos	de	sua	vida,	infelizmente,	sua	mente	começou	a
falhar.	Não	sabemos	se	era	mal	de	Alzheimer.	Mas	sempre	que	o	visitávamos,	ou
alguém	o	visitava,	pedíamos	que	ele	fizesse	oração.	Os	que	estavam	presentes
ficavam	simplesmente	maravilhados.	A	oração	era	perfeita,	seus	pensamentos
eram	claros	e	expressivos.	Como	era	possível	um	homem	com	o	mal	de
Alzheimer	fazer	uma	oração	tão	inspiradora	e	clara?	Ele	nunca	perdeu	seu
contato	com	Deus.
Durante	uma	semana	de	oração	que	realizei	no	Iasp,	conheci	Solange	Alves	de
Oliveira,	que	se	considerava	fruto	da	Voz.	Ela	me	relatou	a	experiência	de	uma
faxineira	de	nome	Maria,	que	limpava	a	casa	do	pastor	Rabello,	então	viúvo,
uma	vez	por	semana.	O	fato	revela	o	cuidado	dele	com	a	guarda	do	sábado.
Foi	numa	sexta-feira.	O	pastor	Rabello	havia	saído	pela	manhã	para	o
escritório	da	Voz	da	Profecia.	Era	o	dia	de	preparação	e	a	irmã	Maria	começou	a
limpar	a	casa.	Às	13h,	o	pastor	Rabello	voltou	para	o	almoço.	Chegou	e	colocou
o	dinheiro	para	o	pagamento	em	cima	da	mesa	e	disse:
–	Irmã	Maria,	aqui	está	o	seu	dinheiro.	Feliz	sábado!	A	senhora	pode	ir
embora.
Momentos	antes,	ela	havia	desligado	a	geladeira	para	limpeza.	Assim,
respondeu:
–	Não,	pastor:	ainda	preciso	limpar	a	geladeira.
Eram	quase	14h.
–	Não,	irmã	Maria,	não	dá	tempo,	eu	santifico	o	sábado.	Se	a	senhora	não	for
agora,	nós	vamos	transgredir	o	sábado,	pois	a	senhora	vai	demorar	aqui
limpando	a	geladeira	e	não	vai	conseguir	fazer	o	que	precisa	em	sua	casa	para	a
entrada	do	sábado.
Por	outro	lado,	ele	era	muito	temperante	e	cuidadoso	com	sua	saúde.	Quando
pequeno,	como	vimos,	ele	fez	um	voto	de	temperança	e	observou-o	durante	a
vida	inteira.	Nunca	teve	vícios,	e	essa	deveria	ser	a	experiência	de	todos	os
cristãos.	Exemplificava	em	sua	vida	os	princípios	expressos	nas	Sagradas
Escrituras	de	que	nosso	corpo	é	o	templo	do	Espírito	Santo.
Sua	esposa	ficava	intrigada	porque,	ao	ele	sair	de	casa	para	compras	ou
trabalhos	da	Voz	da	Profecia,	não	comia	nada	fora	de	hora:	nem	pastel,	pizza	ou
sanduíche.	Passava	o	dia	fora	e	não	comia	nada.	Não	ingeria	alimentos	que
fossem	prejudiciais	à	sua	saúde.	Ele	era	disciplinado	consigo	mesmo.	No
entanto,	apreciava	uma	boa	comida	feita	em	casa	e	sempre	teve	bom	apetite.	Eu
ficava	admirado,	às	vezes,	de	ver	meu	sogro	comendo	comida	fria,	tirada
diretamente	da	geladeira.
Ele	caminhava	todos	os	dias	da	Voz	da	Profecia	para	casa,	a	fim	de	conservar	o
corpo	em	forma.	Muitas	vezes,	saímos	juntos	para	dar	uma	boa	caminhada.
Generoso	e	caridoso,	ele	procurava	viver	dentro	do	seu	orçamento	e	das
entradas	que	o	casal	recebia.	Atualmente,	um	grande	problema	de	muitos
obreiros	é	que	se	endividam	com	cartões	de	crédito.	Não	tenho	palavras	para
agradecer	a	ajuda	financeira	que	recebemos	dele	ao	longo	dos	anos.	Sempre	que
ele	ia	nos	visitar,	deixava	um	cheque	em	cima	da	mesa	para	ajudar	nas	despesas
dos	alimentos.
Ele	foi	sempre	bondoso	para	com	os	filhos	e	netos.	Quando	os	dois	filhos	se
casaram,	seu	presente	foi	uma	geladeira	para	cada	um.	Aqueles	que	o	taxaram	de
“pão-duro”,	o	fizeram	injustamente	por	não	o	conhecerem	bem.	Por	ser
cuidadoso	com	suas	finanças,	podia	ajudar	os	filhos	e	a	igreja.
Por	sinal,	ele	era	muito	fiel	à	igreja	e	sempre	deu	seus	dízimos	e	ofertas
pontual	e	fielmente.	Estava	sempre	preocupado	em	ajudar	a	Voz	da	Profecia.
Durante	suas	viagens	de	férias	aos	Estados	Unidos	(ia	todos	os	anos	depois	de
aposentado),	ficava	ao	telefone	muitas	horas,	angariando	donativos	para	a	Voz.
Certa	ocasião,	ele	conseguiu	quatro	mil	dólares	de	um	adventista	brasileiro	que
morava	na	Califórnia.
Muitas	vezes,	o	vimos	fazendo	donativos	e	dando	esmolas	para	os	pobres.
Sabemos	que	existem	muitos	trapaceiros	que	se	aproveitam	das	pessoas.	Mesmo
assim,	ele	dizia	que	“quem	julga	é	o	Senhor”,	e	acrescentava:	“É	melhor	errar
por	dar	a	quem	não	precisa	do	que	deixar	de	dar	a	um	necessitado.”
Era	muito	organizado.	Encontramos	em	sua	papelada	uma	lista	de	“trabalhos”:
1.	Tomar	nota	da	quantidade	exata	de	lições	mandadas	para	Portugal	e	para
os	Estados	Unidos,	idem	dos	selos	gastos	e	também	do	custo	aproximado	do
papel	empregado	na	embalagem.	Guardar	as	anotações	na	pasta	de
INFORMAÇÕES	À	MÃO.	Deve	ser	mandado	o	débito	logo	que	eu	chegue
aí.
2.	Não	temos	cartão	da	Rádio	Clube	deste	ano.	O	Dr.	______	não	devolveu	o
que	lhe	demos.	Basta	apresentar-se	na	Contabilidade	e	dizer	que	se	deseja
receber	o	último	donativo	de	1.000	cruzeiros	da	quantia	de	5.000	doada	pela
Rádio	Clube	em	1947.	O	______	talvez	nos	faça	este	favor.	O	dinheiro
deveria	ser	entregue	na	Igreja	de	Niterói.	Peça	ao	Jeremias	que	vá	lá,	pois	ele
é	conhecido.
3.	Quanto	aos	dias	de	carnaval,	seria	bom	seguir	as	outras	organizações
nossas.	Se	houver	muito	trabalho,	confio	em	que	as	moças	trabalhem	ao
menos	até	meia	tarde	da	segunda-feira.	De	outra	maneira,	seriam	quatro	dias
de	inatividade.
Mande	fazer	os	cartões	para	o	Curso	Universal	na	Papelaria	América.	Peça
um	preço	especial	ao	Sr.	Coutinho.	Mande	fazer	5.000.
Há	muitas	outras	instruções,	mas	essas	são	suficientes	para	demonstrar	seu
cuidado	com	os	materiais	e	as	finanças.	Esse	tipo	de	informação	permite	olhar
através	de	uma	janela	o	mundo	da	Voz	da	Profecia	no	fim	da	década	de	1940.	A
entidade	era	uma	colméia	de	atividades	e,	graças	à	organização	e	firmeza	de	seu
líder,	o	trabalho	alcançou	milhares	de	pessoas	sedentas	do	evangelho.
Não	existe	uma	só	pessoa	que	não	tenha	passado	por	uma	crise.	Todos	nós
enfrentamos	tempestades.	Mas	é	uma	alegria	para	o	cristão	saber	que	depois	da
tormenta	vem	a	bonança,	porque	estamos	imbuídos	do	Espírito	do	Senhor,	que
nos	ajuda	a	enfrentar	as	crises	e	os	dissabores.	Em	seus	momentos	de
dificuldades,	o	pastor	Rabello	mostrava-se	calmo	e	sereno.
Naturalmente,	ele	também	teve	seus	problemas,	especialmente	na	educação	de
seu	filho	Cláudio,	como	vimos.	O	filho	necessitava	de	muita	paciência	e
compreensão	e,	graças	ao	Senhor,	valeu	a	pena,	pois	aquele	jovem	morreu	em
Cristo.	O	filho	pródigo	voltou	ao	lar	e	o	pai,	calmo	e	sereno,	ficou	ao	lado	dele
até	o	fim.	Sua	paciência	e	compreensão	renderam	dividendos.	Que	conforto	teria
sido	também	para	sua	mãe	vê-lo,	como	vimos,	passando	uma	lição	da	Escola
Sabatina!
Mas	houve	outra	crise,	não	com	os	filhos	ou	a	saúde,	que	realmente	provou	o
pastor	Rabello.	Em	1958,	ele	teve	que	abandonar	a	Voz	da	Profecia	e	assumir	a
presidência	da	Associação	Rio-Minas.	Há	muita	correspondência	referente	a	esse
vazio	na	vida	do	casal	Rabello,	mas,	com	tudo	isso,	ele	ainda	manteve	a
dignidade,	apesar	do	sofrimento	e	das	penúrias	causadas.
Não	entrarei	em	detalhes,	mas	quero	mencionar	algumas	cartas	que	mostram	o
sentimento	e	a	luta	que	o	casal	enfrentou.	Escrevendo	ao	pastor	W.	E.	Murray,
em	24	de	dezembro	de	1957,	o	pastor	Rabello	disse:
Prezado	irmão	Murray:
Depois	de	refletir	e	orar	sobre	a	minha	situação	na	Voz	da	Profecia,
cheguei	à	conclusão	de	que	é	melhor	para	mim	eu	passar	a	outra	atividade
na	obra.	Peço,	pois,	que	seja	atendida	a	solicitação	que	fiz	no	princípio	deste
ano,	de	que	eu	seja	dispensado	do	trabalho	do	rádio	em	fins	de	1957.	De
antemão,	fico-lhe	grato	por	isso.	Seu	irmão	no	Senhor,	Roberto	M.	Rabello
Ele	escreveu	cartas	também	aos	pastores	Moisés	Nigri,	R.	Wilcox,	E.	R.	Walde
(da	Associação	Geral)	e	pastor	Rodolpho	Belz,	que	era	o	presidente	da	União
Este.	No	dia	4	de	abril	de	1958,	recebeu	uma	carta	escrita	à	mão	pelo	pastor
Rodolpho	Belz,	que	dizia:
Amigo	Rabello
Saudações:
Apenas	algumas	palavras	para	lhe	comunicar	que	a	Associação	Rio-Minaso	chamou	para	ser	o	seu	presidente.	Para	mim,	é	motivo	de	alegria
comunicar	tal	fato	ao	prezado	irmão.
Não	mencionarei	as	transações	desse	chamado,	mas,	no	dia	12	de	abril,	o
pastor	Rabello	escreveu	ao	pastor	Belz	que	aceitava	o	convite.	Os	pastores	W.
Murray,	da	Divisão	Sul-Americana,	e	o	pastor	Walde,	da	Associação	Geral,
tentaram	dissuadi-lo	para	que	ficasse,	pois	muito	apreciavam	o	que	ele	havia
feito	na	Voz	da	Profecia.	Porém,	ele	estava	irredutível	em	sua	decisão.
Durante	minha	estada	no	La	Sierra	College,	fiquei	conhecendo	o	pastor	João
Boehm	e	sua	esposa	Augusta,	fundadores	do	Colégio	Adventista	Brasileiro,	em
Santo	Amaro,	em	1915,	e	grandes	amigos	do	casal	Rabello.	No	dia	11	de
dezembro	de	1958,	ele	escreveu	ao	pastor	Rabello	que	o	pastor	Richards	havia
passado	em	sua	casa	para	visitá-lo	e	“que	estava	muito	triste	que	você	não	está
mais	diretamente	envolvido	como	orador	da	Voz	da	Profecia”.	Acrescentou:	“Ele
espera	que	você	seja	chamado	de	volta	novamente.	Seja	feita	a	vontade	de	Deus
[frase	em	português].”
Há	um	ditado	que	diz	“que	Deus	escreve	direito	por	linhas	tortas”.	Não
concordo.	Deus	sempre	escreve	direito	e	nós,	infelizmente,	interpretamos	essas
linhas	erroneamente,	como	se	fossem	tortas.	Essa	experiência	serviu	para
enrijecer	o	caráter	do	pastor	Rabello	e	demonstrar	aos	líderes	da	Igreja
Adventista	na	América	do	Sul	os	talentos	dele	como	administrador	ao	dirigir	a
Associação	Rio-Minas	com	firmeza,	eficiência,	carinho	e	amor.	Foi	uma	linda
experiência.
Ao	mesmo	tempo,	ele	continuou	preparando	palestras	e	gravando	os	programas
da	Voz	da	Profecia.	Sua	voz	nunca	saiu	do	ar	e	a	Voz	da	Profecia	não	sofreu
interrupção.	Foi	uma	alegria	quando	ele	voltou	para	a	Voz	e	ali	no	Botofago,	em
1962,	foi	inaugurada	a	sede	da	Voz	da	Profecia	no	Brasil,	com	seu	primeiro
quarteto.	Os	homens	podem	mexer	e	tirar,	mas	um	dia	Deus	coloca	os	líderes	no
lugar	exato,	na	posição	onde	seus	talentos	serão	usados	em	toda	a	sua	amplitude.
Minha	esposa	conta	que	sua	mãe	não	queria	voltar	mais	para	a	Voz	da	Profecia.
Chorou	muito.	Estava	contente	na	Associação	Rio-Minas.	Mas	Deus	tinha	outro
plano	para	o	casal.	Depois	de	passarem	pela	experiência	de	Jacó,	renovaram	seu
espírito	e,	com	todo	coração,	dedicaram	os	anos	de	sua	vida	à	querida	Voz	da
Profecia.
A
Orador	Emérito
Os	anos	de	jubilação	e	a	nova	companheira
aposentadoria	não	é	fácil	para	algumas	pessoas,	especialmente	quando	o
trabalho	é	desempenhado	com	satisfação.	O	pastor	Rabello	havia
trabalhado	na	Voz	da	Profecia	como	orador	e	administrador	por	mais	de	30	anos.
Tinha	mais	de	40	anos	como	obreiro	na	causa	do	Senhor.	Em	1975,	passou	a
batuta	para	o	pastor	Roberto	Conrad	e	continuou	trabalhando	na	Voz,	ajudando	o
novo	orador.	Continuou	preparando	metade	das	palestras,	pois	o	pastor	Conrad
estava	também	empenhado	em	lançar	o	programa	pela	televisão	e	foi	para	os
Estados	Unidos	a	fim	de	cursar	mestrado	em	Divindade,	na	Universidade
Andrews.
Em	janeiro	de	1975,	a	cantora	Del	Delker	enviou	uma	carta	ao	pastor	Rabello,
pedindo	que	felicitasse	o	novo	orador	e	também	o	pastor	José	Siqueira	como
novo	administrador	da	Voz.	Um	trecho	dessa	carta	dizia:
Que	o	Senhor	o	abençoe	ao	assumir	a	bandeira	de	“orador	emérito”.
Sendo	que	tem	boa	saúde,	penso	que	ainda	terá	muitos	anos	para	servir	o
Senhor.	Deus	o	tem	usado	de	maneira	maravilhosa,	e	tenho	grande	respeito	e
admiração	pelo	irmão.	Creio	que	o	irmão	é	um	homem	que	a	irmã	White
definiria	como	alguém	“que	permaneceria	firme	pelo	que	é	reto,	ainda	que
caiam	os	céus”.	Cada	dia,	escuto	sobre	os	acontecimentos,	e	mais	me
convenço	de	que	Jesus	retornará	em	breve	para	libertar-nos	e	tornar
possível	aquela	feliz	reunião	que	o	irmão	e	todos	nós	anelamos.
O	Jornal,	da	União	Este,	publicou	um	artigo	em	junho	de	1976,	que	bem
ilustra	as	atividades	do	“orador	emérito”	da	Voz	da	Profecia:
Pastor	Rabello	visita	cidades	da	UEB
O	pastor	Roberto	Rabello,	orador	da	Voz	da	Profecia,	visitou	algumas
cidades	da	UEB	objetivando	especialmente	um	contato	pessoal	e	amigo	com
os	ouvintes	e	admiradores	do	programa,	bem	como	uma	explanação	mais
ampla	e	direta	da	mensagem	do	advento.
Acompanhado	do	pianista	Alexandre	Reichert	e	do	cantor	Eclair	da	Cruz,	o
pastor	Rabello	falou	a	mais	de	três	mil	pessoas	nas	cidades	de	Andradas,
Poços	de	Caldas,	Campestre,	Pouso	Alegre,	Campanha,	São	Lourenço,
Cataguases	e	Juiz	de	Fora.
Foram	feitas	aproximadamente	480	inscrições	para	a	Escola	Radiopostal,
cujos	endereços	ficaram	de	posse	das	respectivas	igrejas	para	posteriores
visitações.
Um	itinerário	bem	puxado	para	um	aposentado!	Esse	foi	o	início	de	muitas
viagens	por	todo	o	Brasil	durante	os	anos	de	sua	aposentadoria.
As	comunicações	com	a	sua	turma	do	Pacific	Union	College,	onde	ele	se
formou	em	1943,	revelam	detalhes	de	sua	vida	de	aposentado.	Essa	turma	era
composta	de	obreiros	que	brilharam	na	causa	do	Senhor	por	muitos	anos.	Alguns
deles:	pastor	David	Baasch,	sub-secretário	da	Associação	Geral;	Dr.	Jack
Provonsha,	catedrático	da	Universidade	de	Loma	Linda;	pastor	Elman
Folkenberg,	tesoureiro	em	muitos	lugares	e	pai	do	pastor	Robert	Folkenberg;	Dr.
Graham	Maxwell,	professor	na	Universidade	de	Loma	Linda;	Dr.	Robert	Olson,
secretário	executivo	do	Ellen	G.	White	Estate;	Dr.	Carlos	Taylor,	nascido	no
Brasil,	diretor	de	educação	da	Associação	Geral.
Essa	classe	tão	distinta	continuou	através	dos	anos	se	comunicando	através	de
um	boletim	anual	que	era	enviado	a	todos	os	colegas,	solicitando	informações
sobre	o	trabalho	e	a	família.	Em	1974,	o	redator	escreveu	o	seguinte:
Tivemos	a	agradável	visita	do	pastor	Rabello,	enquanto	visitava,	aqui	em
Washington,	sua	filha	e	família.	Léo	Ranzolin,	genro	do	pastor	Rabello,	é
diretor	associado	do	Departamento	de	Jovens	da	Associação	Geral.	O	pastor
Rabello	contou-nos	que,	agora	que	chegou	à	idade	da	aposentadoria,	continua
muito	ocupado	desde	manhã	até	a	noite	com	seus	deveres	como	orador	da
Voz	da	Profecia.	Desde	que	a	esposa	faleceu,	há	quatro	anos,	está
praticamente	casado	com	seu	trabalho.	Pastor	Rabello,	foi	uma	alegria	revê-
lo.	Estaremos	orando	pelo	irmão.
Em	10	de	janeiro	de	1979,	enquanto	o	pastor	Rabello	visitava	mais	uma	vez	a
filha,	o	genro	e	os	netos	em	Takoma	Park,	escreveu	uma	nota	informando	sobre
suas	múltiplas	atividades	como	jubilado:
O	ano	de	1978	foi	de	muita	atividade	para	mim.	Celebramos	no	Brasil	o
35°	aniversário	da	fundação	da	Voz	da	Profecia.	Grandes	reuniões	foram
realizadas	no	Rio	de	Janeiro,	São	Paulo	e	outras	cidades	do	país.	Em
outubro,	tivemos	a	visita	dos	Arautos	do	Rei	de	Los	Angeles.	Cantaram	para
mais	de	2.000	pessoas	em	Brasília,	e	numa	reunião	gigantesca	de	12.000
pessoas	em	Porto	Alegre,	capital	do	Rio	Grande	do	Sul.
Pelo	que	tudo	indica,	1979	será	outro	ano	com	muita	ocupação,	como
deveria	ser	para	um	povo	que	crê	na	iminência	do	fim	do	mundo.	Planos
estão	sendo	elaborados	para	avançar	com	a	obra	do	rádio	com	todo	vigor.
Há	um	plano	de	lançar	um	programa	nacional	de	televisão,	patrocinado	pela
Voz	da	Profecia.
Ao	saudar	meus	colegas	de	classe	através	deste	boletim,	me	vem	à	mente	o
fato	de	que	1978	marcou	o	35°	aniversário	de	nossa	classe.	Mais	de	um
terço	de	século	já	passou	desde	o	momento	que	cantamos	juntos	na
cerimônia	de	formatura	“Ó	Jesus,	prometi	servir-Te	até	o	fim!”	Que
promessa!	Que	o	Senhor	conceda	a	cada	um	de	nós	a	bênção	de	sermos	fiéis
a	esse	propósito!
Esses	comentários	e	a	comunicação	com	os	ex-colegas	nos	ajudam	a
compreender	que,	mesmo	depois	de	aposentado,	o	pastor	Rabello	dedicava-se	de
corpo	e	alma	à	Voz	da	Profecia.	Era	incansável,	como	fica	evidente	em	outras
comunicações	com	a	classe	de	1943.	Por	exemplo:
Silver	Spring,	MD,	22	de	janeiro	de	1982
Escrevo	estas	linhas	para	saudar	meus	ex-colegas.	É	meu	desejo	que	todos
estejam	com	boa	saúde	e	firmemente	estabelecidos	no	Senhor.
Quanto	a	mim,	continuo	gozando	boa	saúde,	graças	ao	Pai	celestial.
Apesar	de	aposentado,	dedico	tempo	integral	à	obra	da	pregação	da
mensagem	que	tanto	amamos.	Os	irmãos	me	pediram	que	ficasse	responsável
pela	metade	dos	programas	da	Vozda	Profecia,	de	responder	às	cartas	que
viessem	em	meu	nome	e	viajar	de	vez	em	quando	pelo	campo	com	o	quarteto
para	atender	compromissos.	Isso	me	deixa	muito	ocupado	e	feliz.
Escrevendo	novamente	de	Silver	Spring,	no	dia	15	de	janeiro	de	1984,	ele	diz:
Em	setembro	de	1983,	celebramos	o	40°	aniversário	da	Voz	da	Profecia	no
Brasil.	A	história	de	nosso	ministério	do	rádio	naquele	país,	como	também	a
história	de	outros	setores	da	obra,	é	uma	das	grandes	vitórias.	Começamos
com	17	estações	e	agora	temos	400	estações	irradiando	as	mensagens,	e	50
delas,	cinco	vezes	por	semana.	De	acordo	com	a	Divisão	Sul-Americana,
42%	de	todos	os	batismos,	atualmente,	são	de	pessoas	cujo	interesse	foi
iniciado	pela	Voz	da	Profecia.	Agradecemos	ao	Senhor	por	este	crescimento
e	pelos	seus	frutos.
A	próxima	comunicação	revela	uma	novidade.	Depois	de	14	anos	como	viúvo,
o	pastor	Rabello	encontrara	uma	companheira.	Isso	aparece	no	relatório	de	8	de
janeiro	de	1987:
Recebi	seu	cartão	ao	regressar	de	uma	viagem	pelo	Estado	do	Rio	Grande
Sul.	Fiquei	contente	com	as	notícias	e	de	saber	que	vocês	têm	seis	netos.
Esse	é	o	total	de	meus	netos,	mas	o	mais	velho	tem	agora	uma	filha,	minha
primeira	bisneta.	A	propósito,	ela	é	tão	ativa	que	minha	filha	em	uma	carta
descreveu-a	como	um	“terremotinho”.
Graças	ao	Senhor,	minha	saúde	vai	bem	e	assim	continuo	trabalhando	com
a	mesma	intensidade	que	tinha	antes	de	aposentar-me.	Continuo	preparando
metade	dos	programas	da	Voz	da	Profecia	e	viajo	bastante.	Há	tanto
interesse	despertado	pela	Voz	da	Profecia	e	tantas	oportunidades	para
ajudar	as	pessoas!	Um	exemplo:	na	cidade	de	São	Luís,	norte	do	Brasil,	um
de	nossos	evangelistas	inscreveu	10	mil	pessoas	nos	cursos	bíblicos	e	depois
as	convidou	para	assistir	às	suas	reuniões!	Mais	de	1.400	já	foram
batizadas.
Parar	de	trabalhar	sob	estas	circunstâncias	é	impossível.	E	aí	recordo	o
que	me	disse	o	pastor	H.	M.	S.	Richards	quando	o	visitei	em	sua	biblioteca,
falando	sobre	a	aposentadoria:	“Não	há	texto	bíblico	que	fale	que	devemos
parar	de	trabalhar	para	o	Senhor.”
Foi	um	grande	prazer	rever	David	Baasch	e	Carlos	Taylor,	durante	as
recentes	reuniões	do	Concílio	Anual	da	Associação	Geral,	realizadas	aqui	no
Rio	de	Janeiro	(1986).	Gostaria	que	todos	os	nossos	colegas	tivessem	vindo.
Não	devo	terminar	sem	informar	os	membros	de	minha	classe	que,	depois
de	treze	anos	sozinho,	decidi	casar-me	novamente.	Minha	nova	esposa	(Edith
Anniehs)	é	brasileira,	de	origem	alemã,	mas,	tendo	trabalhado	no	Hospital
de	Loma	Linda	por	mais	de	20	anos	como	enfermeira,	é	também	cidadã
americana.	Por	causa	disso,	ela	é	agora,	em	linguajar	familiar,	uma
brasicana.	A	todos	os	meus	colegas	envio	um	forte	abraço	brasileiro	do
calor	escaldante	do	Rio	de	janeiro.	Que	o	Senhor	lhes	conceda	um
abençoado	1987.
O	próximo	relatório	é,	provavelmente,	um	dos	últimos	dirigidos	aos	seus	ex-
colegas	de	classe,	pois	logo	depois	sua	mente	começou	a	falhar:
Depois	de	ler	a	sua	carta,	tomei	um	pouco	de	tempo	para	examinar	um
exemplar	da	“Lanterna	de	Diógenes”	de	1943	(anuário	do	colégio)	e	ver	as
fotos	de	todos	os	nossos	companheiros.	Que	pena	que	alguns	deles	já
faleceram!	Mas	é	encorajador	ver	que	muitos	continuam	ativos,	trabalhando
para	o	Senhor.
Quanto	a	mim,	meu	estado	de	saúde	continua	bom,	graças	ao	Pai	celestial.	E,
apesar	de	aposentado,	continuo	dando	tempo	integral	à	Voz	da	Profecia.
Como	muitos	de	meus	colegas	recordam,	fui	convidado	a	iniciar	os
programas	de	rádio	em	português,	enquanto	estudava	no	Pacific	Union
College	em	1942.	E	desde	então	a	Voz	da	Profecia	tem	sido	o	objeto	de	meu
amor	e	apoio	completo.
Em	setembro	de	1971,	a	Sra.	Katherine	Schneider,	viúva	do	Dr.	C.	Schneider,
fundador	do	Hospital	Silvestre,	escreveu	uma	carta	comunicando	sua	tristeza
pelo	falecimento	da	irmã	Hetty.
Naturalmente,	todos	nós	estamos	profundamente	pesarosos	porque	nossa
querida	Edwirges	descansou	no	Senhor.	Quando	perdi	meu	esposo,	pensei
que	nunca	mais	teria	um	dia	de	felicidade.	Entretanto,	descobri	através	dos
anos	que	a	Terra	não	tem	tristeza	que	o	Céu	não	possa	curar.	Devemos	olhar
para	o	futuro	com	coragem	e	determinação,	para	tirar	o	melhor	de	nosso
pesar,	e	fazer	o	sol	brilhar	com	mais	intensidade.
Espero	que	não	fique	ofendido	se	eu	fizer	uma	sugestão,	como	você	e
Edwirges	fizeram	ao	irmão	Wissner,	alguns	anos	atrás.	Tenho	uma	jovem
muito	cristã	que	mora	comigo	e	que	gostaria	de	ter	um	companheiro	e	um
novo	lar.	Ela	faria	tudo	que	é	possível	para	levar	felicidade	a	alguém.	A
Edith	é	uma	pessoa	maravilhosa	e	não	tem	medo	de	tomar	posição	pelos
princípios	da	igreja.	Estamos	morando	juntas	por	algum	tempo	e	estou	certo
de	que	sentiria	falta	dela.	Mas	onde	podemos	encontrar	uma	mulher	que	não
almeja	um	companheiro	para	partilhar	os	bons	e	os	maus	dias	da	vida?	Eu
creio	que	vocês	dois	pertencem	um	ao	outro	e	o	tenho	mencionado	para	ela
com	freqüência.	Ela	sorri	e	diz:	‘Isto	seria	muito	bom!’	Ela	não	sabe	que
estou	escrevendo	e	não	quero	que	saiba,	mas	queria	que	você	soubesse.
A	resposta	do	pastor	Rabello	foi	que	conhecia	a	família	Anniehs	por	muitos
anos	e	tinha	muita	admiração	pela	irmã	Edith.	“Mas	a	ferida	causada	pelo
falecimento	da	Hetty	ainda	está	muito	viva	para	considerar	o	que	a	irmã	sugere”,
ele	explicou.	A	Sra.	Hetty	falecera	em	5	de	novembro	de	1970.	“Aprecio	o	seu
interesse	por	minha	situação.	Não	tenho,	porém,	dúvida	de	que	a	irmã
compreende	os	meus	sentimentos,	pois	passou	também	por	este	caminho.”
A	dor	era	ainda	muito	forte,	pois	não	fazia	um	ano	que	a	esposa	havia	falecido
e	o	pastor	Rabello	não	estava	pronto	para	encontrar	uma	nova	companheira.	Na
realidade,	ficou	viúvo	por	quase	14	anos.	Sua	companheira	era	a	Voz	da	Profecia
e,	naqueles	dias	em	que	vivia	só,	percorreu	todos	os	estados	do	Brasil,
anunciando	as	boas-novas	da	volta	de	nosso	Senhor	Jesus	Cristo	e	promovendo
sua	querida	Voz	da	Profecia.
A	nova	esposa
Foi	durante	uma	das	visitas	anuais	do	pastor	Rabello	aos	Estados	Unidos	que	o
Dr.	Olson	falou	taxativa	e	categoricamente	com	seu	amigo:	“Roberto,	deixe
disso	e	arrume	uma	esposa.	Você	já	está	viúvo	há	muito	tempo.”	Por	incrível	que
pareça,	aquelas	palavras	foram	tão	convincentes	que,	naquela	mesma	noite,	ele
ligou	para	a	Srta.	Hedwig	Edith	Anniehs.	Não	sabemos	exatamente	o	teor	da
conversa,	se	ele	propôs	casamento	ou	não,	mas	sabemos	que	dali	em	diante	tudo
se	ajeitou	para	um	futuro	casamento.
Ao	longo	dos	anos,	os	dois	se	comunicaram,	trocando	idéias.	A	irmã	Edith,	que
sempre	fora	muito	generosa,	contribuía	para	a	Voz	da	Profecia,	como	fazia	com
Quiet	Hour,	nos	Estados	Unidos.	Até	hoje,	a	família	Anniehs	tem	sido	muito
bondosa	para	com	a	igreja.	Doou	a	sede	da	JAC	(Juventude	Adventista
Curitibana),	que	tem	sido	uma	bênção	para	os	jovens	da	cidade	de	Curitiba	e,
além	disso,	ofereceu	um	terreno	para	a	sede	da	Voz	da	Profecia	em	Vista	Alegre,
Curitiba.	Os	planos,	porém,	mudaram	e	a	Voz	foi	para	Nova	Friburgo,	Rio	de
Janeiro.	O	terreno	onde	se	encontra	a	sede	da	Associação	Sul-Paranaense	era	da
família	Anniehs.	A	casa	da	Sra.	Edith	Rabello	fica	ao	lado,	local	onde	o	pastor
Rabello	passou	os	últimos	anos	de	sua	vida.
A	Sra.	Olinda	Anniehs,	irmã	de	Edith	Rabello,	forneceu-nos	alguns	dados
biográficos	da	segunda	esposa	do	pastor	Rabello.	Os	avós	paternos	de	Edith
Rabello	vieram	da	Alemanha.	Seu	avô	saiu	da	Alemanha	em	1884	e	fixou-se	na
cidade	de	Joinville,	onde	se	casou	com	Ida	August	Panzer.	Desse	casamento
nasceu	o	primeiro	filho,	Alberto	Anniess	(assim	se	escrevia	seu	sobrenome),	pai
da	Sra.	Edith.
Os	avós	maternos,	também	oriundos	da	Alemanha,	radicaram-se	no	Brasil
entre	1880	e	1885.	Casaram-se	em	São	Bento,	SC,	e	se	transferiram	para
Curitiba,	onde	nasceram	todos	os	filhos.	Eles	tiveram	oito	filhos,	sendo	a	quarta
filha,	Martha,	mãe	de	Edith.	Alberto	e	Martha	se	casaram	em	Curitiba	em	11	de
janeiro	de	1913.	Eles	tiveram	seis	filhos:	Herta	(falecida),	casada	com	Crivelaro;
Arnoldo,	pastor	por	muitos	anos	em	São	Paulo;	Walter;	Gerda,	esposa	do
falecido	pastor	Burgo,	cujo	filho	Turíbio	tem	usado	seu	talento	para	a	música	em
nossoscolégios,	e	Olinda.
A	Sra.	Edith	Anniehs	Rabello	estudou	em	Curitiba,	no	Rio	de	Janeiro	e
concluiu	o	curso	de	enfermagem	na	Escola	Ana	Nery	da	Universidade	Federal
do	Rio	de	Janeiro,	em	1946.	Seguiu,	então,	para	os	Estados	Unidos	para	cursar
Fisioterapia	na	Universidade	de	Loma	Linda,	mantendo	os	estudos	através	do
trabalho	em	enfermagem	no	próprio	hospital.
Após	concluir	seu	curso	em	Loma	Linda,	foi	chamada	para	trabalhar	no
Hospital	Silvestre,	no	Rio	de	Janeiro,	onde	exerceu	atividades	em	fisioterapia	e
enfermagem	durante	alguns	anos.	O	Dr.	Góis,	especialista	em	tratamentos	a
pacientes	portadores	de	seqüelas	de	paralisia	infantil,	convidou	Edith	para
trabalhar	na	fisioterapia	de	uma	clínica	no	Botafogo.	Essa	foi	uma	área	em	que	a
irmã	Edith	se	especializou	e	prestou	um	maravilhoso	serviço	aos	seus	pacientes,
com	muita	paciência	e	amor.
A	convite	da	Sra.	Schneider,	esposa	do	fundador	do	Hospital	Silvestre,	Edith
voltou	para	os	Estados	Unidos.	As	duas	moraram	juntas	em	Loma	Linda,	e	Edith
voltou	a	trabalhar	no	Hospital	de	Loma	Linda	até	a	sua	aposentadoria,	época	em
que	disse	“sim”	ao	pastor	Rabello	e	voltou	para	o	Brasil.
O	casamento	deles	foi	realizado	no	dia	15	de	maio	de	1984,	às	19h,	na	cidade
do	Rio	de	Janeiro.	Era	o	segundo	casamento	para	o	pastor	Rabello	e	o	primeiro
para	Edith.	A	cerimônia	foi	simples	e	reuniu	um	pequeno	grupo	de	amigos	e
pastores,	sendo	oficiada	pelo	pastor	Ary	Gomes.
O	casal	viveu	a	maior	parte	do	tempo	no	Rio	de	Janeiro,	mas	durante	os	12
anos	em	que	estiveram	casados	viajaram	pelos	Estados	Unidos	e	nos	visitaram
em	Washington.	Diga-se	de	passagem,	logo	depois	do	casamento,	eles	foram
assistir	à	assembléia	da	Associação	Geral	realizada	em	Nova	Orleans,	em	1985.
Aproveitaram	para	dar	um	giro	pelos	Estados	Unidos,	visitar	amigos	e	familiares
e,	naturalmente,	angariar	fundos	para	a	Voz	da	Profecia.
O	pastor	Rabello	continuou	ativo	por	muitos	anos	até	que	sua	memória
começou	a	enfraquecer	e	o	casal	mudou-se	para	Vista	Alegre,	em	Curitiba.
Estavam	bem	assessorados	pelos	membros	da	família	Anniehs:	Sra.	Gerda
Anniehs	Burgo,	viúva	do	pastor	Burgo;	Walter	Anniehs	e	esposa;	e	as	duas
sobrinhas,	Miriam	Crivelaro,	e	Ellen,	casada	com	Charles	Kalbermatter.	A	igreja
de	Vista	Alegre	fica	bem	perto	da	casa	da	Sra.	Edith	Rabello.
Após	o	falecimento	do	pastor	Rabello,	em	1996,	Edith	continuou	residindo	na
mesma	casa.	Como	muitas	pessoas	idosas,	apesar	de	gozar	boa	saúde	física,	ela
está	ficando	esquecida.	Mas	não	se	esquece	do	esposo	e,	sempre	que	ligamos
para	ela,	reconhece	nossa	voz.	Como	nunca	teve	filhos,	suas	sobrinhas	e	demais
familiares	lhe	dão	o	apoio	que	necessita.
O	pastor	Rabello	gozou	por	muitos	anos	da	companhia	de	seus	parentes	que
também	fixaram	residência	em	Curitiba.	O	contato	com	familiares	foi	muito
salutar	para	o	casal.
E
A	Última	Canção
O	funeral	e	testemunhos	de	pastores	e	amigos
u	havia	participado	de	um	seminário	sobre	a	oração	na	cidade	de	Denver	e,
ao	voltar	para	casa,	soube	que	minha	mãe	estava	no	hospital.
Imediatamente,	fiz	preparativos	para	voar	para	lá,	pois	ela	havia	sido	internada
no	Hospital	de	Fullerton,	em	Los	Angeles,	Califórnia.	No	dia	15	de	agosto	de
1996,	embarquei	para	Los	Angeles	e,	ao	chegar,	fui	diretamente	para	o	hospital.
Meus	irmãos	estavam	presentes	e	minha	mãe	havia	sido	muito	bem	atendida.	O
idioma	inglês	era	um	problema	para	sua	comunicação	com	os	médicos	e
enfermeiras,	e	os	filhos	deram	toda	a	assistência	necessária.
No	dia	seguinte,	recebi	um	comunicado	de	minha	esposa	informando	que	meu
sogro	havia	falecido	em	Vista	Alegre,	Curitiba,	às	10h	da	manhã	(6h	da	manhã
em	Los	Angeles).	Era	sexta-feira,	dia	16.	Graças	à	ajuda	do	professor	Wilson
Ávila,	amigo	da	família,	às	3h45	da	tarde,	eu	consegui	um	vôo	para	São	Paulo.
Minha	esposa,	por	sua	vez,	partiu	com	nosso	filho,	Luís	Roberto,	para	Miami,	e
de	lá	voariam	para	São	Paulo.
O	problema	é	que,	ao	chegarem	a	Miami,	a	saída	de	nosso	filho	foi
interceptada	porque	seu	passaporte	não	estava	em	dia	e	ele	não	tinha	o	visto	para
entrar	no	país.	Pensamos	que,	em	caso	de	morte,	haveria	mais	compreensão.
Porém,	não	deu	para	fazer	nada.	Ele	queria	tanto	estar	presente	no	enterro	do
avô,	mas	não	foi	possível.	Teve	que	retornar	para	casa.	Pelo	menos	deu	apoio	à
mãe	naquela	hora	tão	difícil	que	todos	nós	enfrentávamos.
Minha	chegada	a	São	Paulo	foi	às	7h55	da	manhã,	no	sábado,	dia	17,	e	minha
esposa	chegou	às	8h30.	Sabíamos	que,	de	acordo	com	as	leis	brasileiras,	ele
deveria	ser	enterrado	24	horas	depois	da	morte.	Seus	irmãos	João	e	Plínio
Rabello	levaram	o	corpo	na	sexta-feira	à	noite	para	São	Paulo,	pois	o	túmulo	da
família	Braun	ficava	no	cemitério	de	Santo	Amaro.
O	Dr.	Jader	Rabello,	sobrinho	do	pastor	Rabello,	gentilmente	foi	nos	buscar	no
aeroporto	e	nos	levou	para	o	IAE,	onde	o	corpo	estava	sendo	velado.	O	culto	foi
realizado	na	igreja	do	colégio	e,	apesar	do	pouco	tempo	para	avisar	o	povo
adventista	de	São	Paulo,	a	igreja	do	colégio	estava	repleta.
Homenagens
A	cerimônia	fúnebre	durou	45	minutos	(das	2h10	às	2h55).	Em	seguida,	irmãos
e	irmãs	da	igreja	passaram	diante	do	corpo	do	grande	pioneiro	do	rádio	para	dar
seu	último	adeus.	Ele	descansava	no	Senhor	e,	como	sempre,	com	aparência
calma	e	serena.	A	cerimônia	contou	com	a	participação	dos	Arautos	do	Rei.	A
oração	foi	feita	pelo	pastor	Erlo	Braun,	ex-cantor	dos	Arautos	do	Rei.	O	pastor
Rodolpho	Gorski,	então	presidente	da	União	Sul	Brasileira,	apresentou	uma
pequena	biografia	do	pastor	Rabello.	O	quarteto	cantou	mais	uma	vez	e	o	pastor
da	igreja,	Narciso	Liedke	Filho,	apresentou	palavras	de	conforto	aos	familiares	e
irmãos	presentes.
Tive	o	privilégio	de	apresentar	o	tributo	da	família	e,	mais	uma	vez,	destacar	a
vida	maravilhosa	desse	homem	de	Deus	e	sua	influência	na	igreja	e	na
sociedade.	O	pastor	Ruy	Nagel,	então	presidente	da	Divisão	Sul-Americana,	fez
uma	homenagem	em	nome	da	igreja,	recordando	o	pioneirismo	e	a	dedicação
desse	servo	de	Deus.	A	oração	final	foi	pronunciada	pelo	pastor	José	Correia,
presidente	da	União	Este	Brasileira.
Às	15h30,	o	cortejo	fúnebre	partiu	rumo	à	cidade	de	Santo	Amaro.	Às	16h30,	o
pastor	Walter	Boger,	ex-cantor	dos	Arautos	e	então	diretor	do	novo	IAE	(hoje
Unasp),	apresentou	a	mensagem	diante	do	túmulo	da	família	Braun.	Suas
palavras	foram	de	grande	conforto	para	todos	os	presentes.	Ele	mesmo	não	sabia
quão	perto	estava	de	descansar	no	Senhor.	O	pastor	Alcides	Campolongo,
pioneiro	dos	programas	adventistas	de	televisão	no	Brasil	e	grande	amigo	do
pastor	Rabello,	fez	comentários	de	apreciação	pelo	ministério	pioneiro	dele.	Sua
oração	não	será	esquecida.
Temos	ouvido	muitas	histórias	sobre	a	influência	do	pastor	Rabello	e	como	as
pessoas	foram	enlevadas	por	sua	voz.	Seu	irmão	Walter	Rabello	conta	que	um
coveiro	que	estava	participando	do	enterro,	no	momento	que	baixavam	o	caixão
para	dentro	do	túmulo,	para	ser	colocado	em	prateleira	ao	lado	de	sua
inesquecível	esposa	Hetty,	perguntou-lhe	se	ele	sabia	quem	era	aquele	homem
que	estava	sendo	sepultado.	Ao	tomar	conhecimento	de	que	era	o	pastor	Rabello,
o	coveiro	ficou	simplesmente	maravilhado	e	disse:
–	Sou	ouvinte	da	Voz	da	Profecia	e	nunca	vou	esquecer	essa	voz.
Mais	tarde,	Walter	tentou	fazer	contato	com	ele,	mas	não	conseguiu.
O	carinho	da	igreja,	das	instituições,	dos	pastores	e	irmãos	foi	revelado	no
enorme	número	de	coroas	de	flores	no	colégio	e	no	cemitério.	Cartas,	telegramas
e	telefonemas	para	a	família	chegaram	de	todo	o	Brasil	e	do	exterior.	Seria
impossível	publicar	ou	reproduzir	todas	as	mensagens.	Mas	podemos	destacar
algumas.
Em	carta	datada	de	4	de	setembro	de	1996,	o	pastor	Neal	C.	Wilson,	ex-
presidente	da	Associação	Geral,	escreveu:
Estimados	Léo	e	Lucila:
Retornando	a	Washington	alguns	dias	atrás,	li	o	Communique	[órgão
interno	da	Associação	Geral]	e	me	inteirei	da	triste	notícia	de	que	o	pai	da
Lucila	havia	falecido.	Por	muitos	anos,	fiquei	impressionado	com	a	devoção
e	o	profundo	compromisso	dele	com	esta	mensagem	e	o	seu	espírito	corajoso
em	crer	nas	técnicas	do	radio	e	da	televisão.
Fiquei	conhecendoo	pastor	Rabello,	pela	primeira	vez,	quando	éramos
companheiros	de	estudos,	apesar	dele	ser	dez	anos	mais	velho	que	eu.	Tive	o
privilégio	de	vê-lo	muitas	vezes	na	América	do	Sul,	e	de	regozijar-me	no	tipo
de	liderança	que	ele	exerceu.	Sua	vida	foi	realmente	uma	inspiração.
Como	sabem,	quando	Elinor	ficou	seriamente	enferma,	por	ocasião	do
Concílio	Anual	realizado	no	Rio	de	Janeiro,	em	1986,	sua	[de	Lucila]
madrasta	[Edith	Rabello],	creio,	durante	diversos	dias	foi	designada	como
enfermeira	de	minha	esposa.	Seremos	sempre	muito	gratos	pela	atenção
dispensada	pelos	médicos	e	enfermeiras,	e	pela	esposa	do	pastor	Rabello,
naquele	momento	crítico	da	vida	de	minha	esposa	Elinor.
Que	consolação	maravilhosa	temos	nas	promessas	de	Deus!	Confiamos
nas	palavras	de	Jesus	em	João	11:25:	“Eu	sou	a	ressurreição	e	a	vida.	Quem
crê	em	Mim,	ainda	que	morra,	viverá.”	Falta	pouco	tempo,	e	Jesus	logo	virá.
Que	maravilha	pensar	que	há	ressurreição	e	vida	eterna!	Temos	que
confortar-nos	uns	aos	outros	e	queremos	assegurar-lhes:	Elinor	e	eu
estaremos	orando	especialmente	por	vocês	em	nossos	cultos	devocionais.
Que	o	Senhor	os	guarde,	abençoe	e	continue	usando-os	na	liderança	da
igreja	mundial!
Sinceramente,	seu	irmão
Neal	C.	Wilson
O	pastor	Lonnie	Melashenko,	orador	da	Voz	da	Profecia	nos	Estados	Unidos,
escreveu	uma	carta	ao	pastor	Erlo	Braun,	que	na	ocasião	era	diretor	da	Voz	da
Profecia	no	Brasil.	A	carta	foi	publicada	na	Revista	Adventista	de	novembro	de
1996.	Um	parágrafo	dizia:
Lamentamos	a	morte	de	um	príncipe	em	Israel,	o	pastor	Roberto	Rabello.
Em	nome	da	família	mundial	da	Voz	da	Profecia,	envio	esta	mensagem	ao
povo	do	Brasil	e	particularmente	aos	fiéis	obreiros	da	Voz	da	Profecia,	pelo
seu	falecimento.	O	irmão	Rabello	sempre	foi	bem	visto	por	H.	M.	S.	Richards
[fundador	e	orador	da	Voz	da	Profecia	nos	Estados	Unidos]	porque	teve
visão,	coragem	e	força	para	iniciar	o	ministério	do	rádio	no	Brasil.	O
“chefe”	sempre	admirou	o	pastor	Rabello	e,	na	verdade,	até	o	apoiou
financeiramente	para	que	pudesse	iniciar	seu	empreendimento.
A	Folha	de	São	Paulo,	em	seu	caderno	“Ilustrada”,	de	19	de	agosto	de	1996,
publicou	a	seguinte	nota:	“Roberto	Rabello	morre	aos	84	anos	[86	anos].	O
radialista	Roberto	Mendes	Rabello	morreu	na	última	sexta-feira,	em	Curitiba.
Rabello	ficou	conhecido	por	apresentar	A	Voz	da	Profecia,	primeiro	programa
evangélico	de	rádio	do	Brasil,	criado	em	setembro	de	1943.	O	radialista	foi
sepultado	no	sábado,	17,	em	São	Paulo.”
A	Dra.	Leona	Running	foi	secretária	do	pastor	Rabello	e	do	pastor	Braulio
Pérez	nos	primórdios	da	Voz	da	Profecia	em	Glendale.	Ao	saber,	através	da
Adventist	Review,	do	falecimento	do	pastor	Rabello,	essa	doutora	em	línguas
bíblicas	enviou-nos	a	seguinte	nota:	“Sinto-me	triste	com	a	perda	de	alguém	com
quem	trabalhei	muitos	anos	atrás.	Envio	minhas	profundas	condolências	a	você	e
aos	demais	membros	de	sua	família.	Ele	era	um	homem	bom	e,	como	o	irmão
diz,	muito	amado	pelo	povo	brasileiro.	Que	o	Senhor	conforte	e	sustente	todos
vocês!”
Testemunhos
Dos	pastores	e	líderes	que	estiveram	presentes	ao	funeral,	queremos	destacar
algumas	frases	sobre	esse	grande	mensageiro,	que,	apesar	de	tombado,	deixou
um	patrimônio	de	fé	e	esperança.	Alguns	falaram	ao	vivo,	participando	da
cerimônia,	e	outros	gravaram	seu	testemunho.	As	palavras-chaves	usadas	pelos
pastores	e	leigos	foram	“inspiração”,	“exemplo”,	“dedicação”,	“consagração”	e
“homem	de	oração”.
O	pastor	Rodolpho	Gorski,	então	presidente	da	União	Sul	Brasileira,	disse:	“O
pastor	Roberto	M.	Rabello	não	é	apenas	o	pioneiro	da	obra	radiofônica	no
Brasil,	mas	também	foi	um	símbolo	de	identificação,	amor	e	total	envolvimento
no	trabalho	da	pregação	do	evangelho.	Ele	tornou-se	para	nós	não	apenas	aquela
voz	aveludada,	mas	um	homem	cheio	e	transbordante	das	mensagens	divinas
para	o	mundo,	anunciando	que	Jesus	em	breve	voltará.”
Elias	Azevedo,	parente	do	pastor	Rabello	e	proprietário	da	GBM	(gravadora
religiosa),	afirmou:	“Para	mim,	o	pastor	Rabello	foi	uma	inspiração,	um
exemplo.	Não	tenho	palavras	para	dizer	mais	nada.”
O	pastor	Assad	Bechara,	ex-líder	de	jovens	da	Divisão	Sul-Americana,
testemunhou:	“A	vida	do	pastor	Rabello	foi	uma	voz	pregando	no	deserto,	para
apresentar	a	fonte	da	água	viva,	que	é	Jesus	Cristo.	O	servo	de	Deus	descansa
em	paz,	porque	ele	viveu	em	paz.	Mas	a	mensagem	continua,	na	esperança	do
advento	de	nosso	Senhor	Jesus	Cristo,	para	que,	em	breve,	todos	nós	estejamos
no	lar	eterno.	O	pastor	Rabello	foi	uma	inspiração,	será	uma	inspiração	na
esperança	e	na	experiência	e	na	vivência	de	uma	vida	cristã.	Seu	exemplo
continua	através	dos	registros	celestiais.”
O	pastor	José	Alfredo	Torres	Pereira,	comunicador,	disse:	“O	pastor	Rabello
foi	uma	grande	influência	na	decisão	e	experiência	para	o	meu	ministério,	nos
anos	de	1943	a	1945.	Fiz	todos	os	cursos	da	Escola	Radiopostal.	O	pastor
Rabello	era	venerado	por	minha	família,	da	qual	cerca	de	300	pessoas	se
converteram	ao	adventismo.	E,	depois,	tive	a	sorte	e	a	felicidade	de	trabalhar
com	ele	nos	escritórios	da	Voz	da	Profecia.	Fui	orador	adjunto	e	diretor	da
Escola	Radiopostal.	Aguardamos	revê-lo	na	manhã	da	ressurreição.”
O	pastor	João	Linhares,	que	lecionou	no	seminário	do	IAE,	comentou:
“Estudávamos	no	Pacific	Union	College,	quando	fomos	chamados	para	ir	até
Glendale.	Fui	o	primeiro	adjunto	do	programa.	Com	a	graça	de	Deus,	a	Voz	da
Profecia	foi	iniciada	com	o	pastor	Rabello	e	comigo,	pois	fui	o	anunciador	do
primeiro	ano.	O	trabalho	cresceu	e	progrediu,	representando	um	grande
benefício	para	a	igreja	e	o	mundo.	Ele	tinha	muita	facilidade	para	falar,	pregou	a
verdade	de	todo	o	coração	e	espero	que	o	resultado	seja	grandioso.”
Ademar	Penteado,	membro	do	quarteto,	expressou	sua	apreciação	assim:	“O
pastor	Rabello	é	o	pai	da	Voz	no	Brasil	e	foi	também	um	pai	para	mim	por	três
meses	quando	morei	com	ele	em	seu	apartamento.	O	trabalho	do	pastor	Rabello
abrangeu	todo	o	território	nacional.	Trabalhei	lado	a	lado	com	ele	e	espero	que	o
seu	trabalho	dê	muito	fruto	para	a	eternidade.”
O	pastor	Wandir	Mendes	de	Oliveira,	parente	do	pastor	Rabello	e	que	se
tornaria	presidente	da	União	Este	Brasileira,	comentou:	“A	Igreja	Adventista	no
Brasil	perdeu	um	de	seus	membros	mais	queridos,	não	só	da	nossa	família,	mas
da	família	evangélica,	que	por	mais	de	50	anos	levou	a	mensagem	de	salvação.
Queira	Deus	que	seus	conselhos	nos	ajudem	a	chegar	até	o	Céu.	Ele	estará	lá	e
nós	queremos	encontrá-lo.”
O	pastor	Walter	Boger,	então	presidente	do	novo	IAE,	no	interior	de	São
Paulo,	afirmou:	“Durante	quatro	anos,	tive	o	privilégio	de	trabalhar	e	conviver
com	o	pastor	Rabello.	Uma	coisa	que	marcou	minha	vida	foi	seu	poderoso
espírito	de	oração.	Sempre	que	iniciávamos	alguma	programação,	o	pastor
Rabello	entregava	a	equipe	nas	mãos	de	Deus.	Certamente	este	é	um	exemplo
que	deve	ser	seguido	por	todos	aqueles	que	querem	seguir	suas	pisadas.	A	igreja
perde	um	grande	obreiro,	um	grande	líder.	A	esperança	continua	e	temos	certeza
de	que	um	dia	Jesus	virá	buscar	Seus	filhos.”	O	pastor	Boger,	que	foi	o	orador	na
cerimônia	no	cemitério,	mencionou	que	estávamos	confortados	na	doce
esperança	que	o	pastor	Rabello	pregou	durante	toda	a	sua	vida	e	concluiu:	“Vale
a	pena	assistir	ao	sepultamento	de	uma	pessoa	assim.”
O	pastor	Ivalter	de	Souza,	ex-cantor	dos	Arautos	e	filho	do	falecido	irmão
Balduíno	Souza,	primo-irmão	do	pastor	Rabello,	disse:	“O	pastor	Rabello	foi
realmente	uma	bênção	para	a	Igreja	Adventista,	com	sua	preocupação	em
anunciar	a	volta	de	Jesus.	Através	de	suas	pregações,	milhares	de	pessoas
chegaram	ao	conhecimento	de	Cristo.	Ele	descansou	crendo	na	ressurreição.”
O	pastor	Eliseu	Menegusso,	então	professor	de	teologia	no	IAE,	ressaltou:	“O
pastor	Rabello	foi	um	exemplo	de	pioneirismo	e	iniciativa	para	a	Igreja
Adventista.”
O	pastor	Fernando	Iglesias,	ex-cantor	do	quarteto	e	agora	orador	do	programa
Está	Escrito,	ponderou:	“O	pastor	Rabello	foi	a	figura	mais	importante	da
atualidade	na	Igreja	Adventista	no	Brasil.	Estamos	hoje	perdendo	um	homem	de
Deus.	Sua	mensagem	foique	Cristo	irá	voltar.	Já	voltou	para	ele	e	um	dia	voltará
para	nós.”
O	pastor	Irajá	Costa	e	Silva,	que	foi	pastor	da	Igreja	Brasileira	de	Nova	York,
afirmou:	“A	Igreja	Adventista	no	Brasil	está	de	luto	e	nós	em	Nova	York
também.	Trabalhei	durante	nove	anos	na	Voz	da	Profecia,	e	o	pastor	Rabello	foi
uma	inspiração,	um	exemplo	e	um	homem	de	oração.”
O	pastor	Alcides	Campolongo,	um	dos	pioneiros	do	programa	Fé	Para	Hoje,
afirmou:	“Por	30	anos	trabalhamos	juntos.	Aprendi	da	paciência,	perseverança	e
dedicação	do	pastor	Rabello	no	trabalho	do	Senhor	Deus.	Roberto	Rabello	foi
um	homem	que	deixou	um	rastro	luminoso	na	Terra.	Um	monumento	da	igreja
no	Brasil.”
O	pastor	Erlo	Braun,	cantor	do	quarteto,	disse:	“Estamos	no	cemitério	de	Santo
Amaro,	vendo	o	pastor	Rabello	pela	última	vez.	Ele	pregou	mais	de	2.000
palestras	e	milhares	de	pessoas	tiveram	a	vida	modificada	por	este	homem	de
Deus.	Suas	palavras	cessaram,	mas	suas	obras	o	acompanharão.”
O	pastor	Josué	de	Castro,	membro	do	quarteto,	ressaltou:	“É	impossível	pensar
em	rádio	transmitindo	mensagens	sem	pensar	no	pastor	Rabello.	Ele	representa
um	patrimônio	da	igreja	e	do	país.	Ele	tinha	uma	voz	maravilhosa.	Eu	pude
aprender	do	pastor	Rabello	em	uma	de	nossas	viagens	na	cidade	de	Paranavaí,
PR,	quando	ele	nos	chamou	para	orar.	O	sucesso	do	homem	está	na	proporção	de
quanto	ele	depende	de	Deus.”
O	Dr.	Wilson	Rossi,	dentista	e	genro	do	pastor	João	Linhares,	deu	seu
testemunho:	“Hoje	é	um	dia	de	consternação.	O	Brasil	evangélico	está	de	luto.	O
pastor	Rabello	implantou	a	mensagem	do	advento.	A	igreja	perdeu	um	guerreiro.
Ele	foi	um	alicerce	da	igreja	no	Brasil.”
O	pastor	Nevil	Gorski,	que	foi	educador	e	presidente	do	Unasp,	destacou:
“Queremos	reiterar	que	a	presença	do	pastor	Rabello	no	Brasil	e	o	seu	trabalho
marcaram	época.	Graças	a	Deus	por	seu	ministério.	Seu	trabalho	foi	o
pioneirismo	para	a	comunicação	do	rádio	e	da	televisão	no	Brasil.”
O	pastor	Udolcy	Zukowski,	líder	de	jovens	na	União	Central	Brasileira,	contou
a	experiência	de	uma	mulher	que	lhe	escrevera	uma	carta	mostrando	a	influência
da	Voz	da	Profecia	e	do	pastor	Rabello	em	sua	vida.	Ela	vivia	um	inferno	em	sua
casa.	O	marido	bebia	e	a	maltratava	cruelmente.	Batia	nela	e	nos	filhos.	Um	dia,
não	agüentando	mais,	ela	fechou	as	portas	e	as	janelas	e	ligou	o	gás	para
suicidar-se.	À	medida	que	o	gás	ia	entrando,	milagrosamente,	o	rádio	estava
transmitindo	o	programa	da	Voz	da	Profecia.	O	pastor	Rabello	disse	que	havia
esperança	e	que,	apesar	das	lutas	e	dificuldades,	podemos	vencer	pelo	poder	de
Cristo.	A	mulher	ficou	tão	impressionada	que	abriu	as	janelas,	fechou	o	gás	e
escutou	todo	o	programa.	Ela	e	as	quatro	crianças	foram	salvas	por	aquela	voz
maravilhosa.	Hoje,	ela	é	membro	da	Igreja	Adventista.
O	pastor	Melchiades	Soares,	ex-cantor	do	quarteto,	expressou-se	assim:
“Trabalhei	na	Voz	da	Profecia	de	1972	a	1975.	O	pastor	Rabello	foi	um	modelo,
um	servo	de	Deus.	Não	se	queixava.	Nem	nas	viagens	longas	de	até	800
quilômetros	num	dia.	Mesmo	com	sede	e	fome,	ele	ficava	sentando	calmamente
em	sua	poltrona,	na	Kombi.”
O	pastor	Ruy	Nagel,	então	presidente	da	Igreja	Adventista	na	América	do	Sul,
agora	aposentado,	disse:	“O	sonho	do	pastor	Rabello	foi	realizado	e
transformado	no	que	agora	chamamos	Sistema	Adventista	de	Comunicação.	Que
o	espírito	com	que	ele	criou	a	Voz	da	Profecia	possa	seguir	em	frente!”
As	palavras	finais,	naquela	ocasião,	vieram	do	novo	orador	da	Voz,	o	pastor
Ronaldo	de	Oliveira.	Ele	sublinhou	que	o	pastor	Rabello	marcou	época	na	igreja.
“Falar	sobre	a	Voz	é	falar	de	Roberto	Rabello”,	disse.	“Durante	os	40	anos	da
Voz	da	Profecia,	cerca	de	200	mil	pessoas	entraram	para	a	Igreja!”	Muitas	vezes,
as	pessoas	lhe	perguntavam	se	ele	ia	substituir	o	pastor	Rabello	e	dizia:	“Não
vou	substituí-lo,	mas	vou	seguir	o	seu	exemplo	e	ajudar	a	completar	a	tarefa.”
O	último	cântico
A	última	pessoa	que	falou	com	o	pastor	Rabello	foi	o	pastor	Roberto	Conrad,
que	ficou	no	lugar	dele	na	Voz,	ao	se	aposentar	em	1975.	Conversando	pelo
telefone,	Conrad	me	contou	sobre	aquele	dia	triste	e	memorável	em	que	sentiu
no	coração	o	desejo	de	falar	com	o	pastor	Rabello.	Veja	o	relato:
Dezesseis	de	agosto	de	1996.	Um	dia	inesquecível!	Dia	de	fé	e	esperança	para
jamais	ser	esquecido.
Eu	estava	em	minha	casa,	em	Petrópolis.	Lembro-me	bem:	era	sexta-feira	e
havia	planejado	ir	ao	Horto	Municipal	comprar	verduras	e	legumes.	Estava
pronto	para	sair	quando	tive	uma	vontade	forte	de	fazer	um	telefonema.
–	Meu	bem	–	eu	disse	para	Janete,	minha	esposa	–,	estou	com	uma	vontade
muito	grande	de	telefonar	para	Curitiba,	para	o	pastor	Rabello	e	dona	Edith.
–	Por	que	você	vai	ligar	hoje,	sexta-feira,	em	horário	comercial,	se	você	liga
todo	domingo	e	fala	com	ele	durante	uma	hora?	–	respondeu	minha	esposa.
Fiz,	porém,	a	ligação,	por	volta	das	9h30	da	manhã.	A	conversa	foi	assim:
Conrad:	Alô,	quem	fala?
Rabello:	Aqui	é	Roberto	Rabello.	Ah!	É	você	Roberto?	Como	está?	E	como
está	Janete,	sua	esposa?	E	como	vão	Marcelo	e	Márcio,	seus	filhos?	Está	ligando
da	sua	casa	ou	do	Rio?
Conrad:	Estou	ligando	de	casa,	em	Petrópolis.	Aqui	todos	bem,	graças	a	Deus.
E	o	senhor,	como	vai?	Tudo	bem?	Dona	Edith	está	cuidando	bem	do	senhor?
Rabello:	Estou	bem,	graças	a	Deus.	A	Edith	sempre	cuida	muito	bem	de	mim.
Conrad:	Conte-me,	o	que	anda	fazendo	por	aí,	em	Curitiba?	Muitas	palestras
para	a	Voz	da	Profecia?
Rabello:	Ora	vejas,	Roberto,	você	sabe	que	me	aposentei	e	agora	não	produzo
mais	palestras.
Conrad:	E	o	senhor	continua	caminhando	seus	cinco	quilômetros	por	dia?	A
saúde	está	boa?
Rabello:	A	saúde	está	boa,	mas	não	tenho	mais	caminhado.	A	Edith	não	me
permite	andar	sozinho.	Sabe,	Roberto,	sofri	uma	queda	e	machuquei-me	no
joelho.	Sinto	falta	das	minhas	caminhadas.
Conrad:	Mas,	se	o	senhor	não	está	mais	caminhando	e	nem	fazendo	novas
palestras	para	a	Voz	da	Profecia,	o	que	o	senhor	faz	o	dia	todo?
Rabello:	Estudo	a	Bíblia,	oro	muito	e	canto.
Conrad:	O	quê?	O	senhor	passa	os	dias	cantando?	E	eu	trabalhei	25	anos	com	o
senhor	e	nunca	o	vi	cantar!	Que	história	é	essa?
Rabello:	Ora,	Roberto,	como	me	atreveria	a	cantar	perto	de	você?	Só	poderia
calar-me	e	ouvir	você	e	o	quarteto	com	suas	belas	vozes.	Mas	agora	estou	só	e
gosto	de	cantar.
Conrad:	E	quais	são	as	músicas	que	o	senhor	mais	gosta	de	cantar?
Rabello:	Há	várias,	Roberto.	Gosto	muito	daquela	do	padre	Zezinho,	que	o
Ademar	Penteado	gravou	para	mim:	“Amar	como	Jesus	amou,	viver	como	Jesus
viveu...”	Mas	a	que	eu	mais	gosto	mesmo	é	aquela	do	Wayne	Hooper,	“Oh!	que
esperança	vibra	em	nosso	ser!”
Conrad:	Pastor	Rabello,	posso	lhe	pedir	um	favor?	Cante	pelo	menos	uma
única	vez	para	eu	ouvir!	Por	favor!
Houve	um	silêncio	e	o	pastor	Rabello	explicou	para	dona	Edith	o	meu	pedido.
Ela,	de	longe,	dizia:	–	Canta	Roberto,	canta	para	o	pastor	Conrad!
Então,	ele	disse:	–	Cantarei,	se	comigo	cantares.	–	E	ambos	nos	pusemos	a
cantar	em	uníssono.
O	pastor	Rabello,	com	sua	voz	de	baixo,	firme	e	afinada,	cantou	todo	o	cântico
sem	nenhum	erro	de	palavras,	sem	desafinar.	Era	o	seu	cântico	preferido,	e
cantou:
Oh!	que	esperança,	vibra	em	nosso	ser,
Pois	aguardamos	o	Senhor!
Fé	possuímos,	que	Jesus	nos	dá,
Fé	na	promessa	que	nos	fez.
Eis	que	o	tempo	logo	vem,
E	as	nações	daqui	e	além,
Bem	alerta	vão	cantar:
Aleluia!	Cristo	é	Rei!
Oh!	que	esperança	vibra	em	nosso	ser,
Pois	aguardamos	o	Senhor.
Depois	de	concluir,	com	emoção,	o	cântico,	ele	perguntou:
Rabello:	Então,	Roberto,	você	gostou?	Como	eu	me	saí	no	teste?
Conrad:	Pastor	Rabello,	se	eu	soubesse	como	o	senhor	canta	tão	bem,	eu	nem
deveria	ter	ido	trabalhar	na	Voz	da	Profecia,	com	os	Arautos	do	Rei.
Rabello:	Deixe	de	bobagens.	Bem,	Roberto,	sinto-me	cansado.	Agora,	vou
banhar-me	e	depois	vou	descansar.	Fale	agora	com	a	Edith.	Ela	quer	falar-lhe	um
pouco.	Até	domingo!
A	essa	altura,	dona	Edith	deixou	o	telefone	e	insistiu	para	o	pastor	Rabello
tomar	banho	mais	tarde,	antes	do	pôr-do-sol.	Mas	ele	estava	determinado	a	fazê-
lo	naquela	hora	mesmo.	Finalmente,	concordaram,	e	ela	voltou	ao	telefone.
Após	isso,	converseimais	uns	dez	minutos	com	a	dona	Edith.	Desligamos	e
prometemos	que	iríamos	“tirar	os	atrasos”	no	domingo,	18	de	agosto.
[Não	sabemos	todos	os	detalhes,	mas,	enquanto	a	dona	Edith	conversava	com
o	pastor	Conrad,	o	pastor	Rabello	foi	ao	banheiro	e	o	auxiliar	lhe	deu	um	banho
rápido.	O	quarto	ficava	ao	lado	do	banheiro	e,	ao	retornar,	ficou	de	pé	para
deitar-se	na	cama,	e	foi	justamente	quando	teve	um	derrame	e	faleceu.]
Fui	às	compras	e	retornei	uma	hora	mais	tarde.	Minha	esposa	estava	pálida	e
disse:
–	Meu	bem,	você	precisa	ligar	urgente	para	a	dona	Edith.
Eu	respondi:
–	Mas	acabei	de	falar	com	eles	há	pouco	e	vamos	conversar	no	domingo.	É	tão
urgente?
Janete,	então,	falou	claramente:
–	O	pastor	Rabello	acaba	de	falecer.
Minhas	reações	foram	as	mais	estranhas.	Quantas	coisas	eu	gostaria	de	ter	dito
a	ele:	o	quanto	o	admirava;	a	inspiração	que	ele	foi	para	mim	e	tantos	outros;	o
quanto	o	amava...	Mas	minha	última	oportunidade	se	fora.	Não	haveria	aquela
conversa	cordial	no	domingo.	Não	haveria	mais	nenhum	telefonema	para	o
pastor	Rabello.	Aquele	tinha	sido	o	último,	o	último	de	todos.
Quando	me	recompus,	liguei	para	dona	Edith.	Falamos,	choramos	ao	telefone	e
oramos.	Falamos	sobre	o	último	cântico	do	pastor	Rabello.	Um	cântico	de	fé,	de
esperança	e	de	vitória.	Pedi	que	ela	lhe	desse	um	último	abraço	de	despedida	e
lhe	dissesse:
–	Roberto,	o	pastor	Conrad,	eu	e	todos	os	que	crêem	nesta	esperança	estaremos
em	breve	juntos	para	sempre.
Depois	de	chorar	e	orar,	agradeci	a	Deus	o	privilégio	múltiplo	de	ser	amigo
pessoal,	íntimo,	desse	homem	de	Deus,	e	de	ter	trabalhado	em	harmonia	com	ele
durante	25	anos,	sem	mágoas	ou	asperezas,	sem	desencontros	e	ressentimentos.
Foi	realmente	uma	oportunidade	rara	ter	trabalhado	sob	a	inspiração	de	um
idealista,	bandeirante	da	fé,	gigante	espiritual,	imitador	de	Cristo.	Agradeci	a
Deus	o	fato	de	ser	o	último	a	falar	com	ele	e	ouvir	o	pastor	Rabello	cantar	seu
último	cântico.
E	você	pode	cantar	com	fé	e	esperança	o	último	cântico	de	Roberto	Rabello?	A
bendita	esperança	é	também	sua	grande	coluna	de	fé?	Está	você	praticando	essa
“bendita	esperança”,	de	tal	maneira	que,	vivendo	ou	morrendo,	tem	a	segurança
da	vida	eterna?
Apelo	a	você,	leitor,	para	que	sua	vida	hoje	seja	como	o	último	cântico	de
Roberto	Rabello:	uma	vida	de	fé,	pureza,	santidade	e	confiança	em	Deus,	vida	de
preparo	para	a	eternidade,	vida	de	testemunho	em	favor	do	Cristo	crucificado,
vida	plena	nEle,	por	Ele	e	para	Ele.
Quando	Roberto	Rabello	despertar	(pois	Jesus	estará	voltando),	sobre	o	mar	de
vidro	cantará	um	cântico	novo,	o	cântico	do	Cordeiro,	que	será	o	seu	novo
cântico	na	eternidade.	Estará	você	ali,	quando	o	pastor	Roberto	Mendes	Rabello
cantar	seu	novo	solo?	Estarei	eu?	Deus	permita	que	sim!
E
Encontros	Especiais
Depoimentos	e	mensagens	de	amigos	e	colegas
este	capítulo,	vamos	apresentar	as	impressões	de	alguns	amigos	e	colegas
de	trabalho	do	pastor	Rabello.	O	primeiro	a	falar	é	o	pastor	Roberto
Conrad,	que	foi	como	um	filho	para	o	pastor	Rabello.	Eles	conviveram	e
trabalharam	juntos	por	muitos	anos.
Meu	amigo
Ex-cantor	do	quarteto	Arautos	do	Rei	e	segundo	orador	da	Voz	da	Profecia,
Conrad	conta	como	foi	seu	encontro	com	o	pastor	Rabello:
Foi	numa	tarde	de	novembro	de	1966	que	o	conheci.	Não	esperava	encontrá-lo
ou	vê-lo.	Ele	chegou	sem	avisar	e	numa	missão	que	iria	mudar	o	curso	de	minha
vida.
Eu	havia	terminado	o	curso	de	Teologia	no	antigo	IAE.	Recebera	vários
chamados,	mas	o	que	mais	me	apelou	foi	o	de	trabalhar	na	Missão	Baixo-
Amazonas,	em	Belém,	Pará.	Queria	ser	“obreiro	do	norte”,	missionário	no	meu
próprio	país.	Janete,	minha	futura	esposa	(estávamos	noivos),	iria	trabalhar	no
Instituto	Adventista	Grão-Pará.
Naquela	tarde,	meu	chefe	na	tesouraria	disse:
–	Roberto,	o	pastor	Rabello	está	aí	fora	e	deseja	falar	com	você.
O	pastor	João	Rabello	era	meu	amigo	e	havia	sido	meu	preceptor.	Pensei:	“Por
que	o	professor	Rabello,	meu	amigo,	não	entra	logo	e	fala	comigo?”
Saí	do	trabalho.	Não	era	o	pastor	João	Rabello	e	sim	o	pastor	Roberto	Rabello,
da	Voz	da	Profecia.	Veio	sem	avisar.	Veio	com	urgência.	Veio	numa	missão
importante.
Quando	me	viu,	perguntou:
–	Você	é	Roberto	Conrad	Filho?
Quando	respondi	que	sim,	ele	continuou:
–	Lá	na	Voz	da	Profecia,	ouvimos	dizer	que	você	canta	num	bom	quarteto	e
que	você	tem	uma	bela	voz	de	baixo.	–	Eu	havia	participado,	no	IAE,	de	vários
quartetos.
–	Gostaria	de	convidá-lo	a	fazer	um	teste	lá	no	Rio	de	Janeiro,	para	ver	se	você
se	encaixa	no	quarteto	Arautos	do	Rei	–	disse	ele.
–	Pastor	Rabello,	é	uma	honra	este	convite,	mas	já	dei	a	minha	palavra	para	a
União	Norte	Brasileira	–	falei	com	franqueza.	–	Vou	me	casar	logo	depois	da
formatura,	e	minha	esposa	e	eu	vamos	trabalhar	em	Belém.	Queremos	ser
missionários	lá.
Houve	uma	pausa.	Ele	ficou	corado	(sempre	ficava	assim	quando	se	sentia
tímido	ou	quando	alguém	contestava	uma	idéia	sua	que	sabia	ser	correta).	Então,
falou-me:
–	Saiba,	Roberto,	não	quero	que	mude	de	idéia,	mas	gostaria	que	considerasse
o	seguinte:	a	obra	poderá	facilmente	encontrar	outra	pessoa	para	fazer	esse
trabalho	lá	no	Norte,	mas	não	temos	ninguém	disponível	para	cantar	no	quarteto
da	Voz	da	Profecia.	Há	três	cantores	parados	lá	e	mais	uma	pianista.	Quatro
pessoas	paradas	e	todo	nosso	plano	de	evangelismo	público	e	radiofônico
também	está	interrompido.	Peço-lhe	que	considere	a	urgência	desse	apelo.	Ore
pedindo	sabedoria	a	Deus	e	ajude	a	Voz	da	Profecia	na	atual	conjuntura.
Eu	estava	entre	a	cruz	e	a	espada.	Havia	prometido	para	minha	noiva	que	não
iria	para	a	Voz	da	Profecia,	caso	fosse	chamado,	pois	ela	seria	“viúva	de	marido
vivo”	(por	causa	das	muitas	e	longas	viagens	da	equipe).
Lá	estava	o	pastor	Rabello	diante	de	mim	e	eu	diante	dele.	Constrangido,	eu
disse:
–	Pastor	Rabello,	eu	até	poderia	pensar	em	ir	fazer	o	teste,	mas	o	senhor
compreende,	já	dei	a	minha	palavra,	aceitamos	o	chamado	e	todas	as	coisas	estão
bem	planejadas.	O	senhor	compreende,	não	é?	Ficaria	muito	ruim	para	mim.
Desta	vez,	não	vai	ser	possível.
Lembro-me	de	que	ele	ficou	distante	por	um	momento.	Estava	avaliando	a
situação	da	Voz	da	Profecia,	os	planos,	as	viagens,	as	gravações,	e	tudo	sem	o
quarteto.
Então,	ele	insistiu	mais	uma	vez.	Disse	que	eu	deveria	reconsiderar	minha
posição.	Orar	fervorosamente	a	Deus.	Lembrar	que,	provavelmente,	eu	fosse	a
pessoa	certa,	na	hora	certa,	para	o	lugar	certo,	para	completar	a	equipe.	Que	ele
tinha	a	certeza	de	que	Deus	podia	resolver	tudo	para	o	bem	de	todos,	sem
prejuízo	para	Belém.
Despedimo-nos,	e	ele	voltou	para	o	Rio.	Alguns	dias	depois,	tomei	um	ônibus
e	fui	ao	Rio	para	“fazer	um	teste”	e	não	decepcionar	o	pastor	Rabello.
O	teste	foi	positivo.	Voltei	para	São	Paulo	e	o	chamado	para	a	Voz	da	Profecia
chegou	antes	que	eu	pensasse.	Houve	mudança	de	planos.	Minha	noiva	e	eu
oramos	e	decidimos	ajudar	a	Voz	da	Profecia	naquela	emergência.	Combinamos
trabalhar	lá	no	Rio	por	apenas	um	ano.	Esse	único	ano	se	estendeu	por	25	anos!
Chegando	ao	Rio	de	Janeiro,	tudo	era	estranho	e	novo,	mas	a	adaptação	foi
rápida.
Então,	comecei	a	conhecer	o	pastor	Roberto	Rabello.	O	influente	e	poderoso
pregador.	Fundador	da	Voz	da	Profecia	no	Brasil.	Grande	locutor	e	orador,	dono
de	uma	das	melhores	vozes	que	o	Brasil	já	conheceu.	Homem	de	Deus.	Homem
de	fé	e	oração	que	amava	o	seu	Senhor.	Homem	simples	e	espiritual.	Homem
culto,	mas	humilde.	Era	como	que	o	embaixador	da	Igreja	Adventista	do	Sétimo
Dia	para	o	Brasil	e	para	o	mundo.
Seus	conselhos	sobre	como	proceder	na	vida	ministerial	foram	muito	úteis	para
mim.	Como	jovem	ministro,	iniciando	o	trabalho	de	Deus,	eu	era	inexperiente.
Ele	assumiu	a	posição	de	conselheiro,	orientador,	amigo	e	pai	espiritual.	Dava
orientações	com	segurança,	baseadas	na	sua	longa	experiência	pastoral	e
ministerial.	Comunicava	confiança	em	tudo	o	que	fazia.	Vivia	o	que
recomendava.	Em	todas	as	coisas,	era	um	cristão	coerente.
Roberto	Rabello	era	um	homem	simples	e	discreto.	Não	gostava	de	se	expor	à
fama.	Multidões	afluíam	a	auditórios,	cinemas,	igrejas,	teatrose	ginásios	para
ouvi-lo.	Faziam	filas	enormes	para	contar-lhe	que	eram	ouvintes	do	programa,
para	pedir	um	autógrafo	na	Bíblia	ou	em	qualquer	objeto.	Ele	atendia	a	todos
com	carinho.	Não	tinha	pressa	de	se	retirar	para	o	descanso	pessoal.	Estava
sempre	disposto	para	mais	uma	entrevista	em	rádio	ou	televisão,	ou	preparar
nova	matéria	para	a	imprensa.	Sua	energia	e	entusiasmo	pela	obra	da	Voz	da
Profecia	pareciam	intermináveis.	Doava-se	totalmente,	sem	reservas	para
cumprir	cabalmente	o	seu	ministério.
Naquele	início,	tudo	era	rudimentar	e	simples.	Não	havia	recursos	financeiros.
Viajávamos	de	Kombi,	em	longas	jornadas,	milhares	de	quilômetros	por	dezenas
de	estradas	esburacadas,	sem	o	mínimo	conforto.	O	quarteto,	o	pianista	e	o
pastor	Rabello	íamos	apertados	na	Kombi,	que	ainda	levava	nossas	malas,	um
órgão	eletrônico	Thomas	(enorme)	e	discos	LP	que	vendíamos	após	os
programas	para	obter	alguns	recursos	para	o	trabalho	de	Deus.	Um	dia,	saímos
às	4h30	da	manhã	do	Rio	de	Janeiro.	Destino:	Mafra,	SC,	a	970	quilômetros	do
Rio,	para	realizar	reunião	à	noite.	E,	pela	graça	de	Deus,	chegamos	a	tempo.
Fazíamos	isso	para	poupar	à	Voz	da	Profecia	um	dia	de	custos,	ou	seja,	hotel	e
comida.	Eram	dias	difíceis,	diferentes	de	hoje.
Levávamos	sanduíches	para	o	primeiro	dia	de	viagem,	a	fim	de	economizar.
Lembro-me	de	que	o	lanche	do	pastor	Rabello	era	sempre	muito	simples:	um
sanduíche	de	queijo	ou	tomate	e	alguma	fruta	da	estação	(banana,	de
preferência).	Geralmente,	éramos	hospedados	em	casa	de	irmãos	amorosos	que
ofereciam	o	seu	melhor	para	nós,	sem	terem	o	que	era	essencial	para	si.	E	o
pastor	Rabello,	homem	conhecido	em	todo	o	Brasil	e	no	mundo,	aceitava	as
condições	precárias	do	trabalho	sem	jamais	reclamar	de	nada.	Fazia	o	seu
melhor	para	o	Mestre.
O	pastor	Rabello	era	um	homem	de	Deus.	E	imitava	o	Senhor	Jesus.	Como	o
Mestre	da	Galiléia,	tratava	a	todos	sem	nenhum	preconceito	ou	discriminação.
Sabia	se	portar	com	extrema	dignidade	diante	do	presidente	da	República,	de	um
governador	do	estado,	senadores,	deputados,	ou	quaisquer	dignitários.	Mas
impressionava	com	o	carinho	que	oferecia	aos	mais	humildes	e	simples	do	povo.
Operários,	lavradores	e	gente	simples	da	roça	tinham	acesso	imediato	a	ele,	sem
restrições.	Ele	respeitava	a	todos	e	todos	o	amavam.
Roberto	Rabello	era	um	homem	de	origem	simples.	Nasceu	numa	colônia,	no
interior	do	Rio	Grande	do	Sul,	região	de	agricultores.	Apesar	de	se	tornar	um
teólogo	erudito	e	de	ser	um	exímio	homem	de	letras	que	cultivava	a	língua
materna	com	probidade	e	exatidão,	não	perdeu	sua	simplicidade,	que
assombrava	a	muitos	que	o	conheceram.	Seus	métodos,	seu	procedimento,	sua
comida	e	vestuário	–	tudo	em	sua	vida	era	praticado	com	extrema	simplicidade.
Era	grande	estudioso	da	Bíblia.	Para	entendê-la	e	explicá-la	aos	outros,
dedicava	longos	períodos	ao	estudo	e	à	oração.	Analisava	o	texto	sagrado
explorando	toda	a	literatura	disponível	sobre	o	assunto:	dicionários,	comentários
bíblicos,	enciclopédias,	léxicos	e	compêndios.	Sua	sede	de	conhecer	mais	era
invejável.	E,	quando	emitia	um	parecer	sobre	a	interpretação	de	um	tema	difícil,
ele	o	fazia	com	extrema	segurança.	Era	confiável	na	sua	interpretação	do	texto
bíblico.
Muitos	o	louvavam	por	ser	o	fundador	do	programa	da	Voz	da	Profecia	e	seu
apresentador.	Ele	possuía	voz	grave,	bela	e	extraordinária.	Voz	de	locutor	AAA.
Voz	rara,	uma	das	melhores	do	Brasil	em	todos	os	tempos.	O	timbre	agradável,	a
inflexão	da	voz,	a	interpretação	do	texto,	a	comunicação	simples,	direta,	franca	e
compreensível	tornavam	sua	mensagem	extremamente	agradável	ao	ouvinte.	E	a
Voz	da	Profecia,	por	seu	formato	e	conteúdo,	e	pelas	belas	músicas	dos	Arautos
do	Rei,	era	conhecida	como	o	melhor	programa	de	rádio	do	Brasil.	O	pastor
Rabello	não	se	orgulhava	disso.	Pelo	contrário,	reconhecia	a	grande
responsabilidade	de	fazer	o	melhor,	de	oferecer	o	máximo	às	multidões.
Como	homem	de	Deus,	coerente	em	tudo,	humilde,	amigo,	conselheiro	e
confidente,	o	pastor	Rabello	era	amado	por	todos.	Sua	influência	moral	era
muito	grande.	Pessoas	comentavam	que	somente	sua	presença	transformava	e
santificava	o	ambiente	ao	redor.
Havia,	certamente,	pessoas	que	o	admiravam	ao	extremo,	fazendo	dele	um
semideus,	o	que	não	era	aceitável.	Mas	em	tudo	ele	se	conduzia	com	prudência	e
equilíbrio	baseados	no	profundo	conhecimento	que	tinha	de	Deus.
Lembro-me	bem	de	um	conceito	defendido	por	ele:	“Em	caso	de	dúvida,
quando	tiver	que	julgar	algo	ou	alguém	(se	não	tiver	certeza	da	verdade),	o
melhor	é	sempre	errar	pelo	lado	da	misericórdia.”	E	agia	dessa	forma.	Certa
ocasião,	foi	necessário	demitir	um	funcionário	por	falta	grave.	Falta	confessada	e
testemunhada.	O	que	fez	o	pastor	Rabello?	Pediu	ao	funcionário	que	se
apresentasse	ao	Departamento	de	Pessoal	para	ser	demitido.	Para	surpresa	de
todos,	o	pastor	Rabello	pediu	que	fossem	feitos	os	cálculos	concedendo	todos	os
direitos,	mais	férias,	mais	proporcional	de	13o	salário	e	a	indenização.	O	rapaz
não	podia	crer,	mas	aceitou	e	foi	embora.
Então,	nosso	pastor	falou:
–	Esse	pobre	rapaz	tem	família	e	filhos;	está	desempregado.	É	certo	que	errou,
mas	ele	vai	pensar	e	refletir	no	que	fizemos.
Mais	tarde,	encontrei	o	mesmo	rapaz,	e	ele	me	disse:
–	Vocês	salvaram	a	minha	vida;	vocês	me	deram	todos	os	direitos	e	eu	não
tinha	nenhum.	Eu	pensei	muito	nisso	e	mudei	de	vida.	Hoje	sou	outra	pessoa.
“Quando	errar”,	dizia	o	pastor	Rabello,	“erre	pelo	lado	da	misericórdia.”	Era
justo	e	misericordioso.	De	um	coração	paternalista,	perdoador.
Nos	25	anos	em	que	trabalhei	com	o	pastor	Rabello,	ele	nunca	perdeu	o
autocontrole,	mesmo	ao	ser	contestado,	confrontado	ou	afrontado.	Jamais
proferiu	alguma	palavra	dura	contra	alguém;	jamais	fez	um	comentário	negativo;
jamais	perdeu	a	paciência	com	alguém.	Nunca	ergueu	sua	voz	para	reclamar	a
autoridade	de	seu	posto.	Quando	lhe	diziam	que	o	seu	programa	estava
ultrapassado,	respondia:	“É	o	seu	ponto	de	vista	e	eu	o	respeito.	Mas	tenho	a
impressão	de	que	o	irmão	possa	estar	enganado.	As	estatísticas	e	a
correspondência	indicam	o	contrário.”	Havia	bondade	constante	em	sua	voz	e	no
modo	de	tratar	a	todos:	uma	palavra	boa,	de	estímulo	e	coragem.	Uma	nova
oportunidade	de	vitória.	Esperança!
Apesar	de	muito	sério	e	sisudo,	o	pastor	Rabello	também	possuía	senso	de
humor	e	participava	de	pequenas	brincadeiras	do	grupo.	Em	viagens,	os
membros	do	quarteto	brincavam	de	“Estou	pensando	num	personagem	bíblico
cuja	letra	inicial	é...”.	Ninguém	podia	dizer	o	nome	do	personagem,	mas
precisava	descrever	algo	sobre	ele	ou	uma	de	suas	atividades.	Vez	por	outra,	o
pastor	Rabello	afirmava	algo	profundo,	desconhecido,	com	um	detalhe	mínimo,
e	ficávamos	tentando	lembrar	do	que	ele	falava.	Isso	servia	de	motivo	e
inspiração	para	estudarmos	mais	a	Bíblia	e	adentrar-nos	em	detalhes	revelados.
Mas	o	pastor	Rabello	também	tinha	o	seu	lado	jovial.	Quando	se	espantava	de
algo,	dizia	com	ênfase	“Ui,	ui,	ui”,	ou	então	“Ora,	vejas”.	Quando	alguém	no
grupo	estava	muito	alegre	e	brincalhão,	ele	observava	cuidadosamente	e,	depois,
dizia:	“Eclair,	estás	muito	brejeiro	[alegre,	descontraído]	hoje.”	E,	quando
alguém	nos	ajudava	a	encontrar	um	caminho	mais	curto	e	rápido	para	a	viagem,
ele	comentava:	“Ele	é	vaqueano	[conhecedor	do	caminho];	por	isso,	nos
ajudou.”
Ficava	corado	(vermelho	mesmo)	quando	alguém	lhe	dava	um	elogio
exagerado,	quando	se	assustava	com	algo,	ou	quando	alguém	contava	um	fato
cabeludo	(daqueles	inacreditáveis).
Apesar	de	sua	posição,	de	sua	cultura	e	fama,	era	humilde	“concidadão	dos
santos”,	isto	é,	condescendia	conosco	nas	coisas	comuns	da	vida.
O	pastor	Rabello	era	conhecido	por	sua	voz.	Muitas	vezes	chegávamos	a
lugares	desconhecidos	e,	quando	ele	falava	ou	perguntava	algo,	as	pessoas	logo
diziam:	“O	senhor	não	é	Roberto	Rabello,	da	Voz	da	Profecia?”	Ele,	espantado,
perguntava:	“Como	me	conheces?”	E	as	pessoas	respondiam:	“Sua	voz	é
inconfundível!”
Aconteceu	na	estrada	de	Curitiba.	Era	o	último	dia	de	uma	viagem	de	40	dias.
Às	7h30	da	manhã,	o	guarda	da	Polícia	Rodoviária	Federal	pediu	que
parássemos.Pediu	os	documentos	do	carro	e	o	meu.	Examinou	com	cuidado	e
perguntou:
–	Os	senhores	estavam	indo	para	onde?
Respondi	que	estávamos	indo	para	o	Rio	de	Janeiro.	Ele	disse:
–	É,	vocês	estavam	indo...	Não	vão	mais!	O	carro	[Kombi]	está	apreendido,
porque	o	documento	está	vencido.
Olhei	para	trás	e	perguntei:
–	Pastor	Rabello,	o	tesoureiro	pagou	e	me	deu	o	documento.	–	O	pastor
Rabello	afirmou	que	sim.	Então,	eu	disse	ao	guarda:	–	Aquele	senhor	é	o	nosso
diretor	e	ele	estava	junto	quando	o	documento	do	ano	me	foi	entregue.	Pode
falar	com	ele.
O	guarda	colocou	o	rosto	dentro	do	carro	e	perguntou	sobre	o	documento.	O
pastor	Rabello	disse:
–	Eu	afirmo	ao	senhor	que	este	documento	foi	pago...
–	O	quê!!!	–	exclamou	o	guarda	ao	ouvi-lo.	–	É	Roberto	Rabello	neste	carro?
–	Sim!	–	disse	eu.	–	É	Roberto	Rabello,	da	Voz	da	Profecia,	e	nós	somos	os
Arautos	do	Rei.
Ele	saltou	para	o	lado	da	Kombi,	abriu	a	porta	lateral	e,	“arrancando”	o	pastor
Rabello	para	fora,	disse:
–	Quero	lhe	dar	um	abraço,	meu	irmão!	Eu	ouço	o	senhor	todos	os	dias	às	7h
pela	Rádio	Universo,	daqui.	Acabei	de	ouvir	o	seu	programa	agora	mesmo!	–
Então	disse:	–	Eu	sou	evangélico,	e	o	senhor	me	afirmou	que	o	documento	foi
pago,	eu	sei	que	foi	pago.	O	senhor	não	mentiria	para	mim.	Eu	vou	orar	a	Deus
para	que	nenhum	colega	peça	os	documentos	hoje	e	vocês	possam	chegar	ao	Rio
de	Janeiro	em	segurança.
Saímos	todos	do	carro,	e	o	quarteto	cantou.	O	homem	chorou.	O	pastor
Rabello	orou	por	ele,	por	sua	família	e	por	nossa	viagem.	Todos	nós	abraçamos	o
guarda	desconhecido.	Deus	ouviu	as	preces	que	o	guarda	fez	por	nós.	À	noite,
estávamos	no	Rio	de	Janeiro.	Ninguém	nos	pediu	os	documentos	do	carro.	(O
documento	devidamente	pago	estava	no	cofre.	O	velho,	vencido,	estava	comigo,
por	engano.)
Certa	ocasião,	nós	fomos	realizar	uma	série	de	conferências	em	Uruaçu,	GO.	A
cidade	fica	a	400	quilômetros	ao	norte	de	Brasília.	Foi	feita	grande	propaganda
das	conferências	da	Voz	da	Profecia.	Entre	os	ouvintes	estavam	o	Sr.	Jonas	e	a
esposa,	que	eram	de	Mara	Rosa,	60	quilômetros	mais	ao	norte.	Eles	haviam	se
hospedado	na	casa	de	um	amigo,	João	Batista.	Lá	em	Goiás,	qualquer	coisa	é
chamada	de	“trem”	e	pode	ser	um	“trem	bão”	ou	“trem	bom	demais	da	conta”.
O	Sr.	Jonas	me	contou	que	ele	e	a	esposa	estavam	ficando	velhos	e	não	tinham
decidido	sobre	religião.	Foram	a	Goiânia,	compraram	um	enorme	rádio	com
muitas	faixas	de	ondas	(longas,	médias	e	curtas)	e	adquiriram	uma	bateria	de
caminhão	para	o	rádio	funcionar	(não	havia	eletricidade	em	Maria	Rosa).
Instalado	o	rádio,	passou	a	ser	ouvido	todas	as	madrugadas,	antes	de	o	casal	ir
para	as	lides	do	gado	e	da	lavoura.
Determinado	dia,	movendo	o	cursor	(dial)	do	rádio,	eles	ouviram:	“O	Senhor	te
abençoe	e	te	guarde;	o	Senhor	faça	resplandecer	o	Seu	rosto	sobre	ti	e	tenha
misericórdia	de	ti;	o	Senhor	sobre	ti	levante	o	Seu	rosto	e	te	dê	a	paz”	(Nm	6:24-
26).
O	Sr.	Jonas	disse	para	a	esposa:
–	Minha	velha,	não	põe	a	mão	neste	“trem”	porque	amanhã	cedo	nós	vamos
ouvir	de	novo.
E	assim	foi	que,	cada	manhã,	eles	ouviam	a	Voz	da	Profecia,	transmitida	em
ondas	curtas	pela	Rádio	Universo	de	Curitiba,	Paraná.	O	Sr.	Jonas,	contando
toda	esta	história,	me	disse:
–	Quando	chega	a	hora,	minha	velha	e	eu	nos	ajoelhamos	diante	do	“trem”
[rádio],	fazemos	a	nossa	prece,	e	logo	o	Roberto	Rabello	e	os	Arautos	do	Rei
vêm	trazendo	“trem	bão”	de	Deus	para	nós.
Tive	o	privilégio	de	batizar	os	quatro!
Assim,	era	o	pastor	Rabello	que	eu	conheci:	simples,	discreto	e	prudente;
amoroso,	mediador,	conselheiro	e	perdoador;	justo	e	misericordioso;	estudioso,
erudito	e	perfeccionista;	amigo	de	Deus	e	dos	homens;	imitador	de	Jesus	Cristo.
Meu	tipo	humano	inesquecível
Carlos	Rentfro,	pastor	e	professor	já	falecido,	que	residia	na	Flórida,	relata
suas	impressões	do	aluno	Roberto	Rabello:
O	pastor	Rabello	e	Hedwig	Braun	foram	meus	alunos	desde	1927	até	sua
formatura	em	1930,	no	Colégio	Adventista	em	São	Paulo.	Na	ocasião,	eu	era
tesoureiro,	gerente	assistente	e	o	diretor	do	curso	Comercial.
Apesar	de	não	ter	nascido	no	Brasil,	eu	era	fluente	na	língua	portuguesa.	Meu
pai,	o	pastor	Clarence	E.	Rentfro,	e	minha	mãe,	a	enfermeira	Mary	Haskel
Rentfro,	foram	missionários	em	Lisboa,	Portugal.	Eu	tinha	seis	meses	de	idade
quando	chegamos	lá.	A	família	permaneceu	em	Portugal	até	1917,	quando	foi
transferida	para	o	Brasil,	trabalhando	como	missionários	até	1924.
Minha	formação	começou	no	Brasil.	Estudei	no	Colégio	Adventista	em	São
Paulo	de	1919	a	1923,	quando	me	formei.	Fui	então	para	o	Colégio	Missionário
Emanuel,	agora	Universidade	Andrews,	onde	fiquei	de	1925	a	1927.
Escolhemos	os	melhores	alunos	para	ajudar	na	tesouraria	do	colégio.	Um	deles
foi	Roberto	Rabello.	Sua	caligrafia	era	firme	e	clara,	digamos,	uma	caligrafia
esmerada.	Ele	era	dedicado	e	zeloso	em	seus	deveres	de	escritório.	Certo	dia,	em
1928,	pediu-me	um	favor.	Disse:	–	Gostaria	de	mudar	os	meus	estudos
paraTeologia.	–	Eu	apreciava	muito	o	seu	trabalho	na	tesouraria,	mas	assegurei-
lhe	que	apoiaria	sua	decisão.	Formou-se	com	a	classe	de	1930.
Em	1936,	fui	chamado	para	trabalhar	na	tesouraria	da	Associação	Geral.	Em
1941	e	1942,	fui	secretário-tesoureiro	da	Associação	Cubana	do	Leste,	quando	o
campo	foi	dividido.	De	volta	à	Associação	Geral,	trabalhei	nas	comissões	norte-
americana	e	latina	de	rádio,	incluindo	a	Voz	da	Profecia.	Como	gerente
comercial	para	essas	três	unidades,	preparava	orçamentos,	pagava	contas	e
ajudava	nas	campanhas	de	propaganda,	como	assistente	do	pastor	W.	H.
Williams,	vice-tesoureiro	da	Associação	Geral	e	tesoureiro	da	Voz	da	Profecia
sediada	em	Washington.	A	Voz	da	Profecia	de	Glendale	era	considerada	uma
filial	até	1948,	quando	tive	o	privilégio	de	ir	à	Califórnia	e	unir	o	escritório
central	e	a	filial	como	uma	só	unidade.
A	essa	altura,	entre	1942	e	1943,	começamos	a	estabelecer	centros	da	Voz	da
Profecia,	em	inglês,	na	Europa,	África,	América	Central	e	América	do	Sul,	pois
o	programa	fora	iniciado	nos	Estados	Unidos	e	Canadá,	e	em	português,
espanhol	e	alemão	em	estações	de	AM	e	ondas	curtas.
Em	1943,	entregaram-me	testes	de	palestras	de	rádio	de	dois	oradores	que
falavam	português.	Um	deles	era	o	pastor	Roberto	Rabello	e	o	outro	era	o	pastor
João	Linhares,	que	havia	sido	também	meu	aluno.	Escutei-os,	avaliando	a
clareza,	a	dicção	perfeita	em	português	brasileiro	e	o	apelo	para	ouvintes	de
rádio.
Aparentemente,	outros	membros	da	Comissão	de	Rádio	concordaram	comigo
na	escolha	do	pastor	Rabello	para	ser	o	orador	da	Voz	da	Profecia	no	Brasil.	Ele
e	a	esposa	eram	fluentes	na	língua	inglesa	e	poderiam	traduzir	as	palestras	para	o
português,	com	a	originalidade	brasileira.	Eles	iriam	cada	ano	para	a	Califórnia,
até	que	o	estúdio	fosse	estabelecido	no	Rio	de	Janeiro.	Também	tiveram	que
ajudar	os	Arautos	do	Rei	a	cantar	em	português.	Ilka	dos	Reis	assumiu	a
liderança	da	Escola	Radiopostal	em	Niterói,	RJ.	Ela	também	havia	sido	minha
aluna.
Concluí	que,	se	o	pastor	Rabello	podia	dominar	sinais	de	estúdio,	preparo	de
manuscritos	e	transmissão	pelo	rádio,	ele	seria	“o	dom	de	Deus”	para	o	Brasil,	a
fim	de	levar	pessoas	para	o	reino	do	Céu.	O	pastor	Rabello	era	meu	tipo	humano
inesquecível.
Ministério	inspirador
Henry	Feyerabend,	falecido	em	2006,	foi	cantor	dos	Arautos	do	Rei	no	Brasil	e
orador	do	programa	de	TV	Está	Escrito	no	Canadá.	Era	grande	amigo	do	pastor
Rabello.	Creio	que	a	primeira	vez	que	me	encontrei	com	o	pastor	Feyerabend	foi
numa	campal	em	Bom	Retiro,	quando	eu	estava	trabalhando	como	diretor	de
jovens	da	União	Sul	Brasileira.	Sabendo	que	eu	era	genro	do	pastor	Rabello,	nos
tornamos	grandes	amigos.	Eu	gostava	de	ouvir	suas	experiências	e	o	seu	sotaque
canadense.	Tinha	ouvido	muitas	histórias,	contadas	por	ele	mesmo,	sobre	como
aprendeu	o	português.	Os	jovens	morriam	de	rir	ao	escutar	suas	aventuras	no
idioma	de	Camões.
Meu	sogro	tinha	admiração	especial	pelo	pastor	Feyerabend,	que	não	apenas
foi	membro	do	quarteto,	mas	era	um	bom	evangelista	e	homem	dotado	de
talentos	especiais	com	equipamento	eletrônico,	tão	importante	para	oestabelecimento	do	novo	estúdio	no	Rio	de	Janeiro,	o	grande	sonho	do	pastor
Rabello	e	de	todos	os	componentes	da	Voz.
Em	seu	livro	Nascido	Para	Pregar,	ele	relata	muitas	experiências	de	seu
ministério	na	Voz	e	especialmente	quando	chegou	o	equipamento	na	alfândega
do	Rio.	Todos	nós,	como	brasileiros,	sabemos	dos	percalços	e	da	burocracia
daquele	tempo	para	retirar	materiais	eletrônicos.
O	material	havia	chegado	e	todos	pensavam	que	a	melhor	maneira	de	retirar	o
equipamento	da	alfândega	seria	através	de	um	despachante,	algo	dispendioso
naquele	tempo.	O	pastor	Rabello,	seguro	como	era	com	as	finanças,	ponderou
que	isso	sairia	muito	caro.	Por	outro	lado,	além	de	ser	difícil	e	complicado,
levaria	muito	tempo	e	a	Voz	necessitava	instalar	seu	estúdio	com	urgência.
O	pastor	Fyerabend	conversou	com	algumas	pessoas	e	estava	convencido	de
que	essa	era	a	única	saída.	No	dia	seguinte,	entrou	no	escritório	do	pastor
Rabello,	logo	após	o	culto	matutino,	munido	das	armas	necessárias	para
convencer	o	chefe	da	necessidade	imediata	de	retirar	o	equipamento	com	a	ajuda
de	um	despachante.	Foi	então	que	ouviu	uma	famosa	e	inolvidável	história	de
como	Deus	havia	dirigido	a	entrada	do	equipamento	no	Brasil.
Na	sexta-feira,	meu	sogro	visitara	o	Banco	do	Brasil	e	pedira	para	falar	com	o
chefe	alfandegário.	Essa	era	a	seção	que	resolvia	todos	os	problemas	de
materiais	e	equipamento	vindos	do	exterior.	O	cidadão	perguntou	se	o	pastor
Rabello	tinha	marcado	uma	hora	para	falar	com	o	chefe	da	alfândega.	O	pastor
Rabello	disse	que	não,	mas	reiterou	que	era	algo	muito	importante	e	que
precisava	falar	com	ele.
Naquele	instante,	ao	ouvir	aquela	voz,	um	senhor	que	trabalhava	lá	dentro	do
escritório	dirigiu-se	ao	pastor	Rabello:
–	Estou	escutando	uma	voz	muito	familiar.	O	senhor	não	é	Roberto	Rabello?
Era	o	chefe	da	alfândega	com	quem	meu	sogro	queria	conversar.	Ele	disse	que
não	perdia	um	programa	sequer	e	que	era	um	grande	privilégio	conhecê-lo
pessoalmente.
–	Pastor	Rabello,	em	que	lhe	posso	ser	útil?
Foi	essa	a	pergunta	maravilhosa	que	facilitou	a	entrada	do	equipamento	da	Voz
da	Profecia.	O	despachante	foi	a	“própria	voz	do	pastor	Rabello”,	já	tão
conhecida	no	Brasil	e	usada	pelo	Espírito	do	Senhor	para	trabalhar	nos	corações.
Naquele	mesmo	instante,	o	pastor	Rabello	saiu	do	Banco	do	Brasil	com	a
autorização	para	tirar	todo	o	equipamento	da	alfândega,	sem	nenhum	ônus	para	a
Voz	da	Profecia.
O	pastor	Feyerabend	conta	outra	experiência	muito	conhecida	pelos	membros
do	quarteto	e	pessoal	da	Voz	da	Profecia.	Além	de	inspeções	e	problemas	de
alfândega,	sabemos	que,	em	lugares	estratégicos	do	país,	os	automóveis	e
caminhões	são	inspeccionados	devido	ao	problema	de	contrabando	e	usurpações
fiscais.
Numa	viagem	do	quarteto	a	Recife,	onde	seria	realizada	uma	grande	reunião	da
Voz	da	Profecia,	a	caminho	do	ENA,	a	Kombi	defrontou-se	com	um	posto
rodoviário	e	o	policial	pediu	os	documentos.	Aparentemente,	não	sabemos	o
motivo,	havia	necessidade	de	uma	autorização	para	viajar	naquela	estrada,	algo
estranho.	Eles	teriam	que	voltar	para	Recife	e	isso	prejudicaria	o	programa	da
noite.
Os	membros	do	quarteto	tentaram	convencer	o	policial	de	que	isso	seria	muito
difícil	e	que	perderiam	a	reunião.	Mas	não	houve	jeito.	O	policial	estava
irredutível.	Nesse	momento,	o	pastor	Rabello,	que	estava	sentado	atrás	na	Kombi
e	ouvia	tudo	em	silêncio,	perguntou	ao	policial	se	realmente	não	haveria	uma
outra	maneira	de	ajudá-los.	De	repente,	o	policial	disse:
–	Eu	reconheço	essa	voz!	Será	possível?	Só	pode	ser	o	pastor	Roberto	Rabello!
O	pastor	Rabello	confirmou	e	apresentou	ao	oficial	os	Arautos	do	Rei	e	pediu
que	cantassem	para	ele	“Hei	de	Estar	na	Alvorada”.	A	essa	altura,	já	havia	um
bom	número	de	pessoas	escutando	o	quarteto.	Ao	terminar,	o	grupo	recebeu
permissão	para	continuar	sua	jornada.	Logo	em	seguida,	os	Arautos	e	o	pastor
Rabello	pararam	à	beira	da	estrada	e	agradeceram	a	Deus	Sua	maravilhosa
intervenção.
Que	inspiração	ver	como	Deus	dirige	as	coisas.	Obrigado,	pastor	Feyerabend,
Luiz	Mota,	pastor	Joel	Sarli,	Samuel	Campos,	Iracy	Botelho	e	demais	membros
dos	Arautos	do	Rei,	pianistas	e	organistas,	por	esse	ministério	tão	inspirador.
A	primeira	cantora
Del	Delker,	cantora	emérita	da	Voz	da	Profecia,	reside	nos	Estados	Unidos.	Por
ocasião	de	minha	aposentadoria	na	Associação	Geral,	em	2003,	durante	uma
pequena	recepção	realizada	na	sala	de	reuniões	da	administração,	o	pastor	Jan
Paulsen,	presidente	mundial	da	Igreja	Adventista,	entregou-me	uma	cópia	da
biografia	de	Del	Delker.	Nunca	esquecerei	suas	palavras	e	dedicatória	do	livro:
“Quando	fazemos	uma	boa	obra,	estamos	ajudando	a	despovoar	o	lago	de	fogo;
o	censo	baixa	no	lago	de	fogo	e	sobe	no	reino	de	Deus.”
Li	essa	biografia	com	muita	avidez:	primeiro,	porque	foi	a	primeira	cantora	de
nosso	programa;	em	segundo	lugar,	porque	nos	tornamos	muito	amigos,	por
razões	óbvias	de	seu	relacionamento	com	meu	sogro	e	também	porque	nos
formamos	juntos	no	La	Sierra	College	em	1958.
Em	sua	biografia,	ela	conta	sua	experiência	de	conversão	e	como	foi	trabalhar
para	o	programa	The	Quiet	Hour,	em	que	outro	grande	orador	do	rádio,	o	pastor
J.	L.	Tucker,	foi	o	instrumento	usado	pelo	Senhor	para	trazê-la	para	a	igreja.	Em
1947,	Del	Delker	aceitou	um	chamado	para	trabalhar	na	Voz	da	Profecia	e,	lado
a	lado	com	o	quarteto	Arautos	do	Rei	e	o	pastor	H.	M.	S.	Richards,	inspirou
milhares	de	ouvintes	com	sua	linda	voz	de	contralto.
Uma	carta	do	pastor	Rabello	dirigida	à	sua	querida	“Binha”	(Hetty)	em	27	de
maio	de	1947	diz	o	seguinte:	“Temos	aqui	uma	moça	que	canta	nos	programas
do	pastor	Richards.	O	pastor	Pérez	(pioneiro	da	Voz	de	la	Esperanza)	aproveitou-
a	em	vários	dos	seus	programas	e	eu	vou	fazer	o	mesmo.	Temos	estado	treinando
e,	na	próxima	semana,	ela	deve	cantar	uns	seis	ou	sete	hinos.	A	voz	dela	é
bastante	grave.	Falando	da	Voice,	eles	deverão	logo	dar	início	à	construção	da
sua	sede,	junto	ao	sanatório.”	(A	Voz	nos	Estados	Unidos	começou	em	um
pequeno	edifício,	de	maneira	simples,	e	logo	foi	construída	a	nova	sede	em
Glendale,	na	Califórnia.)
Essa	voz	grave	e	de	um	lindo	contralto	foi	uma	bênção	para	o	programa	em
português.	Tanto	ela	como	o	quarteto	The	King’s	Heralds	gastavam	horas
estudando	e	pronunciando	as	palavras.	Na	realidade,	cantaram	em	muitas	outras
línguas.	Não	sabiam	o	que	estavam	cantando,	mas	procuravam	do	fundo	do
coração	transmitir	a	mensagem	do	hino.	Foi	um	dom	divino.	Meu	sogro	contou
que,	por	ocasião	de	uma	das	celebrações	da	Voz	da	Profecia,	depois	que	Del
Delker	cantou	em	uma	de	suas	muitas	viagens	pelo	Brasil,	um	membro	da	igreja
se	aproximou	do	pastor	Rabello	e	disse:
–	Pastor	Rabello,	gostaria	muito	de	falar	com	a	Srta.	Del	Delker.	Poderia,	por
gentileza,	apresentar-me?
–	Irmão,	lamento	muito,	mas	isso	não	será	possível	–	explicou	o	pastor
Rabello.	–Ela	não	fala	português.
–	Mas,	pastor,	ela	acabou	de	cantar	em	português.
Nosso	irmão	não	se	conformava.	Ficou	completamente	admirado	da	perfeição
com	que	ela	cantava	os	hinos.
Eu	pedi	seu	parecer	acerca	de	sua	convivência	com	o	pastor	Rabello	e	a	equipe
da	Voz	da	Profecia.	Conversamos	por	telefone	e	ela	disse	que	continua	ativa,
mas	que	sua	voz	não	é	mais	a	mesma,	o	que	é	compreensível.	Mas	suas	músicas
estão	gravadas	em	nosso	coração.	Aqui	está	sua	mensagem	enviada	no	dia	5	de
maio	de	2006:
Eu	havia	recentemente	chegado	na	sede	da	Voz	da	Profecia,	em	Glendale,
Califórnia.	Terminara	o	curso	secundário	e	era	recém-convertida.	De	repente,	um
senhor	de	porte	alto	e	digno,	com	uma	voz	grave,	apresentou-se:
–	Sou	Roberto	Rabello,	Srta.	Delker,	orador	brasileiro	da	Voz	da	Profecia.
Ouvi-a	cantar	em	inglês	e	espanhol,	e	gostaria	muito	que	considerasse	cantar	em
nosso	programa	em	português.
–	Bem,	pastor	Rabello,	tentarei.	Mas	o	senhor	terá	que	ter	muita	paciência
comigo.	Não	me	parece	ser	uma	língua	muito	fácil	para	cantar.
Assim,	tentei	e	ele	foi	muito	paciente.	Dei-lhe	alguns	dos	meus	hinos	favoritos
e	ele	os	traduziu.	Esse	foi	o	início	de	um	longo	e	prazeroso	relacionamento.
A	princípio,	cantar	em	portuguêsera	mais	difícil	do	que	cantar	em	espanhol.	O
pastor	Rabello	era	muito	exigente,	o	que	eu	queria	que	fosse.
Após	um	curto	período	de	gravações,	perguntou-me	se	estaria	disposta	a	viajar
pelo	Brasil	com	ele	e	o	grupo	da	Voz	da	Profecia.	Na	verdade,	fiquei	muito
receosa.	Já	era	um	desafio	cantar	nessa	língua,	mas	levantar-me	diante	de
pessoas	que	falavam	em	português	e	cantar?	Era	realmente	amedrontador.
Quanto	mais	conhecia	o	pastor	Rabello,	mais	eu	o	admirava.	Parecia	que	uma
aura	de	santidade	o	envolvia,	e	era	grande	prazer	trabalhar	e	viajar	com	ele.
Apesar	de	não	entender	muito	bem	o	que	estava	pregando,	cativava-me	observar
os	ouvintes	enquanto	ele	falava.	Era	óbvio	que	aquela	voz	rica	e	melodiosa
pregando	sobre	o	amor	de	Deus	e	a	volta	de	Cristo	causava	impacto	nos
ouvintes.
Os	ouvintes	ficavam	absortos	e	enlevados.	Muitos	foram	influenciados	a	tomar
decisões	para	o	reino	de	Deus.	Tive	o	privilégio	de	viajar	cinco	vezes	ao	Brasil.
Oh,	quanto	almejo	rever	novamente	meu	querido	amigo	quando	Jesus	voltar!
São	pessoas	como	Roberto	Rabello	com	quem	passaremos	a	eternidade.
Del	Delker	contou-me	que,	depois	da	terceira	viagem,	seria	impossível	voltar.
O	itinerário	foi	tão	intenso	que	o	pastor	Rabello	teve	que	prometer	que	seriam
mais	“humanos”	com	ela.	Podemos	compreender	o	desejo	da	equipe	da	Voz	de
aproveitá-la	ao	máximo	e	desfrutar	seus	talentos	em	muitos	lugares.
Ela	também	relembra	que	em	uma	das	viagens	perdeu	a	voz.	Estava	rouca	e
teria	que	cantar	no	IAE,	em	São	Paulo.	Milagrosamente,	antes	da	apresentação,
sua	voz	voltou	e,	assim,	pôde	cumprir	seu	compromisso.	Deus,	realmente,	usou
os	talentos	dessa	jovem	cantora	em	todo	o	mundo.
A	volta	do	empresário
O	Dr.	Milton	Afonso,	empresário	e	proprietário	da	Golden	Cross,	residente	no
Rio	de	Janeiro,	é	um	dos	homens	mais	conhecidos	no	Brasil	por	sua	vasta	obra
filantrópica.	Juntamente	com	sua	esposa	Arlete,	ele	foi	rebatizado	pelo	pastor
Roberto	Rabello	em	1959.	Em	sua	biografia,	escrita	pelo	Dr.	Manuel	Vásquez,
em	inglês	e	português,	pode-se	ler	sobre	esse	momento	feliz	e	auspicioso	na	vida
do	Dr.	Milton	e	sua	esposa.
Tive	o	privilégio	não	somente	de	conhecer	o	casal	e	visitá-lo	em	sua	casa	no
Rio	de	Janeiro,	como	também	de	participar	com	ele	de	muitas	reuniões
administrativas	da	igreja	e	ser	o	tradutor	da	homenagem	que	lhe	foi	prestada	em
St.	Louis,	em	julho	de	2005,	por	ocasião	da	assembléia	da	Associação	Geral.
Pedi-lhe	que	enviasse	um	depoimento	sobre	o	pastor	Rabello.	Segue-se	a
mensagem	que	preparou	sobre	o	relacionamento	com	seu	amigo:
Fui	procurado	pelo	pastor	Roberto	Rabello	no	período	em	que	me	encontrava
afastado	da	igreja.	Na	ocasião,	eu	era	um	próspero	empresário	na	área	de
comunicação,	editor	de	aproximadamente	20	revistas	das	mais	diversas
especialidades:	esporte,	política,	moda,	cinema	e	fotonovelas.
Semanalmente,	minha	editora	lançava	centenas	de	milhares	de	exemplares
através	de	assinatura	e	bancas	de	jornais.	Humildemente,	ele	me	procurava	no
escritório,	orava	comigo	e	conversava	sobre	sua	paixão:	o	evangelismo	através
do	programa	Voz	da	Profecia,	transmitido	em	centenas	de	emissoras	de	rádio
através	do	Brasil.
Suas	orações,	humildade	e	permanentes	apelos	para	que	voltasse	para	a	igreja
conquistaram	meu	coração.	Ofereci	de	imediato	meu	departamento	de	arte	e	as
páginas	de	minhas	publicações	a	serviço	do	programa	A	Voz	da	Profecia.	Um
anúncio	em	todas	as	edições	oferecia	o	seguinte:
Curso	de	história	sagrada	inteiramente	grátis.	Inscreva-se	e	receberá	um	lindo
diploma.	Caixa	Postal	1189,	Rio	de	Janeiro,	RJ,	Brasil.
Algumas	semanas	depois,	me	aparece	no	escritório	o	pastor	Rabello,
acompanhado	de	outros	diretores	do	programa,	totalmente	desorientados.
–	Dr.	Milton,	recebemos	mais	de	10	mil	inscrições	para	o	estudo	de	história
sagrada,	que	lotaram	nossa	caixa	postal	no	correio,	e	não	temos	pessoal,
orçamento	e	lições	para	atender	a	esses	milhares	de	pedidos.	Por	favor,	suspenda
tal	publicação.	Caso	contrário,	nós	ficaremos	desmoralizados.
A	publicação	do	anúncio	foi	suspensa,	mas	milhares	de	pessoas	tiveram
contato	com	a	nossa	igreja	e	muitas	se	converteram.
O	resultado	dessa	aproximação	e	amizade	com	o	pastor	Rabello	me	trouxe	de
volta	à	igreja	e	tive	a	grande	emoção	e	alegria	de	ser	rebatizado,	juntamente	com
minha	esposa	Arlete,	no	ano	de	1959.	Durante	toda	a	existência	do	pastor
Rabello,	tive	o	privilégio	de	gozar	de	sua	amizade	e	conselhos	espirituais.
Breve	Jesus	voltará
Tive	a	honra	de	estudar	e	trabalhar	com	o	pastor	João	Wolff,	ex-presidente	da
Divisão	Sul-Americana	e	que	agora	reside	em	Curitiba.	Estudamos	no	antigo
CAB	e	a	esposa	dele,	Edy,	e	Lucila	foram	colegas	de	quarto.	Ele	era	presidente
da	Associação	Paraná-Santa	Catarina	quando	dirigi	o	Departamento	de	Jovens.
Foi	também	um	grande	líder	de	nossa	igreja	e	prestou	sempre	muito	apoio	à	obra
do	rádio.	Ele	nos	enviou	a	seguinte	mensagem	no	dia	21	de	abril	de	2006:
Um	dos	grandes	eventos	da	Igreja	Adventista	no	Brasil,	em	1943,	foi	o
lançamento	do	programa	A	Voz	da	Profecia,	tendo	como	orador	o	pastor	Roberto
Rabello.
No	Rio	Grande	do	Sul,	o	programa	era	apresentado	na	Rádio	Farroupilha	aos
sábados	à	noite.	A	alegria	e	entusiasmo	eram	contagiantes	entre	os	membros	da
igreja.	O	programa	era	divulgado	por	todos	os	meios	possíveis	entre	amigos	e
vizinhos	que	não	pertenciam	à	nossa	igreja.
Minha	família	morava	no	interior,	próximo	ao	colégio,	hoje	Instituto
Adventista	Cruzeiro	do	Sul,	em	Taquara.	Lembro-me	com	emoção	que,	ainda
adolescente,	todos	os	sábados	à	noite	meus	pais,	com	seus	filhos	e	outros
membros	da	igreja,	íamos	à	casa	do	vizinho	não	adventista,	um	dos	poucos	da
região	que	possuíam	um	rádio,	para	ouvirmos	o	programa	da	Voz	da	Profecia.
Todos	nós	ficávamos	felizes	e	impressionados	com	as	mensagens	apresentadas.
Sabíamos	que	o	orador,	pastor	Rabello,	era	filho	da	família	Mendes	Rabello,	da
igreja	de	Campestre,	próxima	de	onde	morávamos,	e	isso	nos	emocionava.
Jamais	poderia	imaginar	que	um	dia	eu	teria	oportunidade	de	conviver	e
participar	das	atividades	da	Voz	da	Profecia	ao	lado	do	pastor	Rabello.	Aprendi	a
respeitar	e	a	admirar	esse	servo	do	Senhor.	Sua	dedicação	e	personalidade
peculiar	na	condução	de	seu	ministério	foram	uma	grande	inspiração	para	mim.
De	um	humilde	começo	sob	a	bênção	do	Senhor,	a	Voz	da	Profecia	tornou-se
um	grande	ministério.	O	trabalho	cresceu	e	hoje	temos	o	Sistema	Adventista	de
Comunicação,	com	toda	sua	influência	e	poder,	dando	continuidade	à	pregação
do	evangelho	ao	anunciar	nossa	bendita	esperança	de	que	breve	Jesus	voltará.
Força	para	o	bem
Meu	primeiro	contato	com	Wayne	Hooper,	cantor	e	músico	da	Voz	da	Profecia
nos	Estados	Unidos,	foi	em	1957,	ao	fazer	os	anúncios	dos	programas	da	Voz	da
Profecia	em	português.	Além	de	Wayne	Hooper,	segundo	tenor,	lá	estavam	Bob
Seamount,	barítono,	Jerry	Dill,	baixo,	e	Bob	Edwards,	primeiro	tenor,	todos
muito	solícitos	e	amáveis	durante	as	gravações.	Mais	tarde,	ao	trabalhar	na
União	Sul	Brasileira	como	líder	de	jovens	e	ajudar	o	pastor	Francisco	Siqueira
na	organização	do	2o	Congresso	Sul-Americano	em	Curitiba,	em	1970,	recebi	a
incumbência	de	achar	alguém	que	escrevesse	o	hino-tema	do	congresso.
Imediatamente,	entrei	em	contato	com	Wayne	Hooper,	que	já	havia	composto	o
famoso	cântico	“Oh!	Que	Esperança!”,	tema	oficial	da	assembléia	da	Associação
Geral	de	1962	e	que,	podemos	dizer,	é	o	hino	oficial	da	Igreja	Adventista,	e
muitos	outros	hinos.	(Hooper	ficou	muito	contente	quando	soube	que	“Oh!	Que
Esperança!”	foi	o	último	hino	que	o	pastor	Rabello	cantou	antes	de	falecer.)	Ele
atendeu	gentilmente	o	pedido	e	compôs	o	hino	“Maranata”,	com	quatro	palavras-
chaves	representando	os	quatro	“As”	iniciais	de	amar,	anunciar,	apressar	e
aguardar	a	volta	de	Cristo.	A	Sra.	Ruth	Guimarães	traduziu	o	hino	para	o
português.
Pedi	que	Hooper	fizesse	alguns	comentários	sobre	seus	contatos	com	o	pastor
Rabello,	especialmente	porque	era	ele	(o	pastor	Rabello)	quem	ensinava	os
membros	do	quarteto	The	King’s	Heralds	a	cantar	em	português,	tarefa	não
muito	fácil,	pois	não	sabiam	oque	estavam	cantando.	No	dia	18	de	março	de
2006,	ele	nos	enviou	seus	“parágrafos”,	como	disse,	sobre	Roberto	Rabello:
Minha	amizade	e	trabalhos	com	Roberto	Rabello	se	estendem	por	mais	de	50
anos.	Quando	o	conheci,	ele	se	encontrava	em	Glendale,	sede	da	Voz	da
Profecia,	para	gravar	os	programas	da	Voz	da	Profecia	para	o	Brasil.	Em	janeiro
de	1944,	cheguei	para	unir-me	aos	King’s	Heralds	e	cantei	em	português,	pela
primeira	vez,	sob	sua	orientação.	Estávamos	quase	ao	fim	da	Segunda	Guerra
Mundial	e	era	difícil	encontrar	casa	para	alugar.	O	pastor	Rabello	me	disse:
–	Por	que	você	não	considera	a	possibilidade	de	alugar	a	casa	em	que	estamos
morando,	uma	vez	que	logo	voltaremos	para	o	Brasil	e	a	casa	ficará	vazia?
Foi	exatamente	o	que	aconteceu.	Nossa	família	mudou-se	para	a	casinha	que	os
Rabello	consideravam	seu	lar.
Que	grande	privilégio	para	mim,	um	jovem	de	24	anos	de	idade,	trabalhar	com
os	três	gigantes	da	irradiação	do	evangelho	para	o	mundo:	H.	M.	S.	Richards	em
inglês,	Braulio	Pérez	em	espanhol	e	Roberto	Rabello	em	português.	Era	claro	e
evidente	que,	além	de	ter	uma	voz	baixa	e	ressonante	e	uma	esmerada
enunciação,	ali	estava	um	homem	de	Deus.	Dedicado	e	profundo	pensador,	ele
tinha	uma	única	aspiração	na	vida:	levar	a	mensagem	de	esperança	aos	milhões
do	Brasil.
Era	um	homem	quieto	e	de	poucas	palavras	enquanto	trabalhávamos	no
estúdio.	Mas,	com	paciência,	tato	e	um	“sorrisinho”,	dizia-nos:
–	Vamos	repetir	mais	uma	vez	para	ter	um	pouco	mais	de...	ou	um	pouco
menos	de...
Em	outras	palavras,	queria	que	cantássemos	o	hino	de	tal	maneira	que	os
ouvintes	recebessem	a	mensagem	das	palavras,	sem	estarem	cônscios	de	que	o
português	não	era	a	nossa	língua	materna.
De	outubro	a	novembro	de	1962,	os	King’s	Heralds	tiveram	o	privilégio	de
viajar	com	o	pastor	Rabello	para	participar	de	grandes	reuniões	por	toda	parte.
Vimos	como	o	povo	o	tinha	em	alta	estima,	escutando	cada	palavra	que	falava.	O
dia	3	de	novembro	foi	inesquecível.	Éramos	um	dos	muitos	grupos	cantando	no
Maracanãzinho,	no	Rio	de	Janeiro.	Foi	um	pandemônio.	Os	promotores
venderam	mais	bilhetes	que	lugares	para	sentar.	Umas	mil	pessoas,	iradas,
circulavam	do	lado	de	fora	do	estádio.	Somente	com	a	ajuda	de	soldados	é	que
conseguimos	entrar.	Então,	um	entusiasta	mestre	de	cerimônias	gritou:	“Os
Arautos	do	Rei”!	Fizemos	o	nosso	melhor	para	cantar	os	hinos	para	as	35	mil
pessoas,	que	ovacionavam	com	alegria,	de	pé,	como	sardinhas	enlatadas.
Temos	acompanhado	ao	longo	dos	anos	o	progresso	da	obra	do	rádio	no	Brasil.
Em	1993,	quando	o	pastor	Harold	Richards	Jr.	estava	para	aposentar-se	e	o
pastor	Lonnie	Melashenko	preparava-se	para	ser	o	orador	da	Voz	da	Profecia,
pediram	ao	quarteto	de	1962	que	os	acompanhasse	em	um	Tour	de	Encontro	no
Brasil.	Participamos	de	muitas	reuniões	de	colheita,	onde	milhares	foram
batizados.	E	ali,	novamente,	tivemos	o	privilégio	de	estar	sob	a	sombra	desse
maravilhoso	e	gentil	homem:	Roberto	Rabello.	Ele	foi	uma	força	poderosa	para
o	bem,	sendo	usado	por	Deus	para	levar	palavras	de	vida	ao	povo	do	Brasil	que
ele	tanto	amava.
O	que	Roberto	Rabello	me	ensinou
Montano	Barros,	ex-orador	da	Voz	da	Profecia,	também	tem	algo	interessante
para	falar	sobre	o	pastor	Rabello:
Eu	era	um	menino	quando	o	vi	pela	primeira	vez.	Foi	numa	programação
especial	da	Voz	da	Profecia.	Não	recordo	o	assunto	do	sermão	nem	as	músicas
cantadas.	Lembro-me	apenas	daquele	homem	de	cabelos	grisalhos,	fala	tranqüila
e	um	sorriso	discreto.	Com	aquele	jeito	simples	e	ao	mesmo	tempo	solene,
deixou	em	minha	mente	infantil	um	sentimento	de	paz	e	segurança.	Essa	foi	a
minha	primeira	impressão	de	Roberto	Rabello.
Da	outra	vez	que	o	vi,	foi	diferente.	Eu	era	um	pastor	noviço,	vivendo	minhas
primeiras	experiências	no	ministério	pastoral,	e	ele	estava	em	seus	últimos	dias
de	um	ministério	marcante.
Ele	foi	convidado	para	ser	o	orador	em	um	congresso	de	jovens	no	interior	de
Rondônia.	Aceitou	o	convite.	E	fui	encarregado	de	acompanhá-lo	em	todas	as
atividades	daquele	fim	de	semana.	Confesso	que	me	senti	orgulhoso	da	tarefa	e,
ao	mesmo	tempo,	preocupado	com	a	grande	obrigação.
Lembro-me	daquele	tranqüilo	homem	em	minha	casa,	comendo	à	nossa	mesa	e
participando	do	culto	com	minha	família.	Logo	cedo,	sexta-feira,	nós	saímos
para	o	compromisso	a	quinhentos	quilômetros	de	distância.	Ainda	me	vejo,	na
viagem,	discretamente	olhando	para	aquele	velho	pastor.	E	refletindo.	Se	você
viveu	em	um	lar	cristão,	entende	o	que	vou	dizer	agora.	A	gente	cresce	ouvindo
histórias	dos	heróis	da	Bíblia,	homens	de	Deus	no	passado	e	acha	tudo	aquilo
muito	distante	da	realidade.	Mas	o	que	aconteceu	comigo	foi	bem	real.	As
palavras,	os	gestos	e	a	voz	indicavam	que	eu	estava	ao	lado	de	um	homem	de
Deus.
Entretanto,	o	que	mais	me	impressionou	daquele	pequeno	convívio	aconteceu
no	sábado	pela	manhã.	Saíamos	do	hotel	quando	um	homem	do	campo	apareceu
e	perguntou:
–	O	senhor	é	o	pastor	Roberto	Rabello,	aquele	que	fala	no	rádio?
O	pastor	respondeu:
–	Sim,	sou	ele	mesmo,	cavalheiro.
O	homem	então	continuou:
–	Posso	apertar	sua	mão?
Sem	hesitar,	o	pastor	Rabello	educadamente	estendeu	a	mão	para	um	ligeiro
cumprimento.
Agora	vem	a	parte	interessante.	Aquele	senhor	não	soltava	a	mão	do	pastor,
criando	uma	situação	constrangedora.
Então,	o	homem	simples	concluiu:
–	Agora	eu	posso	morrer.
Num	relance,	o	experiente	pastor	puxou	sua	mão	e	respondeu	firme:
–	Não,	meu	amigo.	Você	está	equivocado.	Eu	sou	um	mortal.	Apegue-se	a
Cristo.
Eu	sei	que	Roberto	Rabello	recebeu	honras	e	elogios	por	suas	mensagens	em
mais	de	40	anos	dedicados	à	pregação	através	do	rádio.	É	comum	para	um
homem	de	vida	pública	ter	os	holofotes	voltados	para	si.	Contudo,	esse	homem
não	permitiu	que	o	foco	fosse	desviado	de	seu	verdadeiro	alvo:	Jesus	Cristo.
Faz	muito	tempo	que	tudo	isso	aconteceu,	mas	ainda	posso	ouvir	claramente
aquelas	palavras	soando	em	meus	ouvidos:	“Sou	um	mortal.	Apegue-se	a
Cristo!”
Hoje,	sentado	em	minha	escrivaninha,	enquanto	coloco	aqui	estas	poucas
linhas,	digo	que	foi	um	privilégio	especial	conhecê-lo.	Podemos	aprender	muito
das	palavras	de	um	pregador.	Contudo,	aprendemos	muito	mais	de	sua	própria
vida.
H
Companheiros	de	Trabalho
Depoimentos	de	pessoas	que	conviveram	com	o	pastor	Rabello
á	muitas	pessoas,	incluindo	pastores	e	obreiros,	que	conviveram	com	o
pastor	Rabello	e	lutaram	com	ele,	ombro	a	ombro,	para	que	a	Voz	da
Profecia	chegasse	ao	coração	do	povo	brasileiro.	Neste	capítulo,	algumas	delas
apresentam	sua	visão	sobre	esse	ministério.
Grande	privilégio
Lóide	Rodrigues	Arouca	(Lóide	Pessoa	Rodrigues),	ex-responsável	pela	Escola
Radiopostal,	também	tem	grande	apreço	pelo	pastor	Rabello.	Aqui	ela	descreve
um	pouco	do	pioneirismo	e	das	condições	que	ela	e	seus	colegas	enfrentaram
nos	primeiros	anos	da	Voz	da	Profecia:
Transcorria	o	mês	de	dezembro	de	1945.	Em	Niterói,	eu	gozava	férias	do	curso
de	Teologia	do	antigo	Colégio	Adventista	Brasileiro,	quando	recebi	o	convite
para	trabalhar	na	Escola	Radiopostal	da	Voz	da	Profecia.	Admiradora	do
programa	e	convicta	da	importância	do	ministério	do	rádio,	senti-me	privilegiada
com	esse	convite.	Deixando	de	lado	as	poucas	matérias	que	me	faltavam	para
concluir	o	curso,	aceitei-o	prontamente.	Dada	a	urgência	do	chamado,	iniciei
minhas	atividades	no	mesmo	dia	em	que	recebi	o	convite,	permanecendo	como
instrutora	bíblica	da	escola	durante	oito	abençoados	anos.	E,	anos	mais	tarde,
morando	em	Belém	do	Pará,	fiquei	responsável	pela	filial	da	Escola	Radiopostal
inaugurada	lá	na	ocasião.
Voltando	a	dezembro	de	1945,	a	Voz	da	Profecia	estava	nos	seus	primórdios	no
Brasil.	Na	Rua	Moreira	César,	334,	em	Niterói,	um	velho	e	agradável	casarão
abrigava	os	escritórios	da	Voz	da	Profecia,	servindo	ainda	de	residência	para	o
pastor	Roberto	Mendes	Rabello	e	sua	família.	Residiam	ainda	no	casarão	as
funcionárias	Catarina	Graby	e	Irene	Langensttrassen.	Mais	tarde,	passei	a	residir
no	mesmo	prédio.
A	Voz	da	Profecia,	na	época,	era	um	trabalho	pioneiro	no	Brasil.	Não
contávamos	com	muitos	recursos	financeiros,	as	salas	detrabalho	continham
apenas	o	indispensável	para	o	funcionamento	de	suas	atividades:	mesas,
cadeiras,	duas	ou	três	máquinas	de	escrever,	um	mimeógrafo	e	prateleiras
rústicas,	feitas	de	madeira,	sem	verniz,	onde	eram	guardados	papéis,
envelopes,	Bíblias,	livros	e	lições	dos	três	cursos	que	a	escola	oferecia
(juvenil,	universal	e	avançado).	Como	as	estantes	não	tinham	portas,
confeccionamos	cortinas	simples	para	proteger	da	poeira	o	nosso	precioso
material.	Nesse	ambiente	rústico	e	simples,	vivíamos	como	uma	grande
família.	Quando	o	trabalho	se	avolumava,	muitas	e	muitas	vezes,	fazíamos,
voluntariamente,	horas	extras	em	domingos,	feriados	ou	mesmo	à	noite.	O
pastor	Rabello	nos	proporcionava,	a	cada	dia,	um	exemplo	de	dedicação
plena	e	amor	à	causa,	o	que	nos	contagiava.
Naquele	tempo,	os	programas	radiofônicos	eram	preparados	por	ele	no
Brasil,	sendo	levados	anualmente	para	as	gravações	nos	Estados	Unidos.
Nunca,	que	me	recorde,	a	irmã	Hedwig	pôde	acompanhá-lo.	Permanecia	em
casa	cuidando	dos	filhos,	das	tarefas	domésticas	e	trabalhando	no	escritório.
Ela	e	o	pastor	Rabello	formavam	um	casal	muito	harmonioso	e	feliz.	Quando
nos	Estados	Unidos,	ele	escrevia	para	a	esposa	e	filhos	com	freqüência	e
enviava	nas	cartas	pequenas	flores,	muitas	vezes	colhidas	nos	caminhos	que
percorria,	e	outros	pequenos	mimos.
Naquela	época,	os	Estados	Unidos	despertavam	em	muitos	grandes	interesses
financeiros.	Porém,	nas	suas	viagens	anuais,	o	pastor	Rabello	nunca	se
aproveitou	para	tirar	qualquer	vantagem	ou	lucro	financeiro	em	benefício
próprio.	Era	austero	consigo	mesmo.	Sua	experiência	e	profunda	consagração
a	Deus	transpareciam	no	seu	viver	diário,	no	seu	ardor	pelo	trabalho,	na
autodisciplina,	na	integridade	moral,	na	fidelidade	aos	princípios	eternos,	no
zelo,	na	humildade	e	até	mesmo	no	tom	de	voz,	que	Deus	usou	para
transmitir	mensagens	de	fé,	esperança	e	paz	ao	vasto	rebanho	de	ouvintes.
Foi	um	homem	feito	e	burilado	por	Deus	para	o	trabalho	que	realizou.	Jamais
demonstrou	vaidade	ao	receber	elogios	e,	discretamente,	procurava	esquivar-
se	de	manifestações	de	grande	admiração	de	ouvintes	ou	alunos.	Entretanto,
nunca	deixou	sem	uma	palavra	de	conforto,	simpatia	e	orientação	aqueles
que	o	procuravam,	mantendo	sempre	uma	postura	digna	de	um	fiel	filho	de
Deus	a	serviço	de	seu	Pai.	Inúmeras	vezes,	contrito,	ele	viu	acontecerem
milagres	que	se	revelavam	a	cada	semana	na	grande	quantidade	de	cartas	que
nos	chegavam	de	todas	as	partes	do	país:	decisões,	transformação	de	vidas,
comoventes	testemunhos,	batismos...
Iniciei	o	trabalho	na	Voz	da	Profecia	sentindo-me	privilegiada	e,	ao	sair,
senti-me	galardoada,	pelo	muito	que	aprendi	nesse	trabalho	inspirador	e
gratificante,	pela	rica	experiência	cristã	recebida	na	convivência	com
pastores	fiéis	e	verdadeiros,	como	foi	o	pastor	Roberto	Rabello.	Ao	soar	o
clarim	da	esplêndida	alvorada,	certamente	ele	verá,	em	plenitude,	os
abundantes	frutos	do	seu	labor.	Que	alegria	será!
Manhã	radiosa
Eclair	Cruz,	ex-cantor	do	quarteto	Arautos	do	Rei,	foi	muito	estimado	pelo
pastor	Rabello,	como	todos	os	demais	cantores	que	passaram	pela	Voz	da
Profecia.	O	pastor	Rabello	sempre	teve	admiração	especial	por	ele,	devido	à	sua
humildade	e	ao	seu	talento,	e	pelo	fato	de	ter	trabalhado	na	Voz	da	Profecia	por
22	anos.	De	São	Luís,	no	Maranhão,	ele	relatou	alguns	detalhes	de	sua	última
visita	ao	pastor	Rabello:
Já	no	fim	de	1995,	minha	esposa	me	disse:
–	Vamos	visitar	o	pastor	Rabello.
Partimos,	sem	titubear,	pois	nossa	alma	ansiava	rever	o	nobre	casal.	Lá
chegando,	a	irmã	Edith,	sua	esposa,	ao	abrir	a	porta,	saudou-nos	dizendo:
–	Salve!	Que	bom	vê-los!	Quanta	saudade!	Entrem,	por	favor,	e	assentem-se.
–	Irmã	Edith,	sentíamos	imensa	saudade	e	nosso	coração	pedia	para	vê-los	o
mais	breve	possível	e,	por	isso,	aqui	estamos	–	disse	minha	esposa.
–	Sinto-me	muito	feliz	com	a	visita	de	vocês	–	respondeu	ela.	–	Meu	esposo
está	deitado,	descansando	da	caminhada	do	dia.	Ele	está	bem,	mas	sua	memória
está	muito	enfraquecida	e	não	se	surpreendam	se	não	os	reconhecer.	Vou	avisá-lo
que	temos	visitas.	Mas	faça	o	seguinte,	Eclair:	cante	a	música	do	coração	dele.
Comecei	a	cantar:	“Espero	a	manhã	radiosa,	o	bendito	alvorecer…”,	melodia
cantada	inúmeras	vezes	em	seus	sermões,	ao	viajarmos	pelo	Brasil.	Ao	concluir,
ele	estava	diante	de	mim	e	disse:
–	Eclair,	você	veio	me	visitar!	–	Ele	não	havia	esquecido	seu	velho	amigo!
Que	emoção	conversarmos	por	uns	40	minutos,	rememorando	os	22	anos
juntos	na	Voz	da	Profecia!	Foram	momentos	simplesmente	inesquecíveis.
Um	ano	mais	tarde,	no	dia	de	meu	aniversário,	em	1996,	minha	mãe	me	disse:
–	Acabei	de	ouvir	pelo	rádio	a	notícia	de	que	o	pastor	Rabello	faleceu.
Não	foi	possível	conter	as	lágrimas.	Isso	ocorre	ainda	hoje	ao	me	lembrar
desse	grande,	nobre	e	incansável	servo	do	Senhor.
Não	fui	ao	seu	funeral	porque	senti	que	o	meu	coração	não	suportaria	a	dor.
Mas	espero	vê-lo	naquela	manhã	radiosa.
Lição	de	relacionamento
Durante	quatro	anos,	Wilson	Almeida	cantou	nos	Arautos	do	Rei.	Nesse
período,	ele	teve	o	privilégio	de	conviver	quase	diariamente	com	a	figura	do
pastor	Roberto	Rabello.	Aqui	estão	suas	recordações:
O	pastor	Rabello	sempre	tratava	com	muito	carinho	os	“rapazes	do	quarteto”.
Jamais	o	vi	usando	qualquer	palavra	áspera,	mesmo	quando	tinha	que	nos
chamar	a	atenção.	Com	voz	pausada	e	melodiosa,	ele	tinha	uma	característica
marcante	em	sua	linguagem:	usava	preferencialmente	o	tratamento	na	segunda
pessoa,	mesmo	em	conversas	informais.	Também	tinha	duas	expressões	muito
peculiares	que	usava	quase	como	marca	registrada:	“Ora,	veja”	e	“Pois”.
Certa	ocasião,	voltávamos	de	uma	apresentação	no	Hospital	Silvestre	e	eu
estava,	pela	primeira	vez,	dirigindo	o	carro	da	Voz	da	Profecia,	uma	Veraneio
que	havia	acabado	de	substituir	a	velha	Kombi.
Entusiasmado	com	um	motor	possante	que	respondia	prontamente	ao
acelerador	(principalmente	para	quem	estava	acostumado	a	dirigir	um	Fusca),
confesso	que	abusei	um	pouco	da	velocidade	numa	das	grandes	avenidas	do	Rio
de	Janeiro.
Ao	ter	de	passar	num	semáforo,	descobri	que	era	preciso	mais	tempo	e	espaço
para	frear	aquele	veículo	de	grande	porte.	Assim,	foi	com	grande	dificuldade	que
parei	a	tempo	de	não	bater	na	traseira	do	táxi	que	estava	bem	à	nossa	frente.
Quando	olhei	pelo	retrovisor	interno,	vi	o	pastor	Rabello	assentado	no	seu
costumeiro	lugar,	junto	à	porta	traseira	direita	do	carro,	esboçando	uma	reação
não	muito	intensa,	mas	perceptível,	de	seu	desagrado	com	o	“quase	acidente”.
Todos	sabíamos	o	quanto	ele	valorizava	a	segurança,	mas	não	disse	uma	única
palavra	naquele	momento;	apenas	deu	um	leve	suspiro	de	alívio.
Fiquei	mais	esperto	ao	dirigir	a	Veraneio	e	chegamos	ao	escritório	sem	maiores
contratempos.
Mais	tarde,	em	particular,	ele	me	procurou:
–	Ora,	veja...	Wilson,	certamente,	diriges	muito	bem.	Demonstraste	grande
habilidade	para	frear	nosso	veículo	a	tempo	de	não	bateres	naquele	pobre	táxi.
Mas,	quem	sabe,	dirijas	um	pouco	mais	devagar	daqui	por	diante	e	todos	nos
sentiremos	mais	seguros...
Essa	foi	uma	dentre	as	muitas	lições	que	aprendi	com	o	pastor	Rabello	sobre	o
relacionamento	cristão.
Atitude	cautelosa
Iracy	Botelho	Bravo,	ex-pianista	da	Voz	da	Profecia	e	que,	na	época	do
depoimento,	trabalhava	no	programa	canadense	Está	Escrito,	relembra	fatos
curiosos	que	revelam	traços	da	personalidade	do	nosso	biografado:
Num	domingo	de	manhã,	alguém	bateu	à	porta	de	minha	casa,	na	cidade	de
São	Paulo.	Espantada	e	um	tanto	desconcertada,	reconheci	a	figura	admirável	e
respeitável	do	pastor	Roberto	Rabello.
–	Você	gostaria	de	trabalhar	para	a	Voz	da	Profecia?	Estamos	necessitando	de
uma	organista	para	acompanhar	os	Arautos	do	Rei	e	fomos	informados	de	que
você	é	formada	em	piano	e	tem	capacidade	para	preencher	essa	função.
–	Mas	que	privilégio!	Sempre	sonhei	em	trabalhar	para	Deus	na	área	de
música.	É	claro	que	aceito	o	convite.
No	dia	1º	de	janeiro	de	1967,	eu	viajava	para	o	Rio	de	Janeiro	para	agregar-me
ao	time	da	Voz.
Trabalhei	com	pastor	Rabello	durante	os	próximos	anos	e	foramos	mais	felizes
de	minha	vida.	Além	da	função	de	organista	e	pianista	da	Voz,	acompanhando	e
gravando	com	os	Arautos	do	Rei,	tive	o	privilégio	de,	por	algum	tempo,	ser
secretária	do	pastor	Rabello.	Que	inspiração	trabalhar	com	alguém	de	caráter	tão
íntegro,	disposição	sempre	otimista	e	alegre,	apesar	de	sua	peculiar	seriedade!
Por	trás	de	sua	fisionomia	séria	e	um	tanto	grave,	reconhecíamos	alguém	com
um	senso	de	humor	sempre	presente	e	bem	interessante.	Ele	sabia	nos	fazer	rir,
quando	o	momento	era	propício.
Passávamos	seis	meses	por	ano	viajando	através	do	Brasil	em	uma	Kombi	com
o	pastor	Rabello	e	os	Arautos	do	Rei,	apresentando	congressos	da	Voz	e	séries	de
conferências.
Geralmente,	eu	me	sentava	ao	lado	do	pastor	Rabello	nas	viagens	e	era	curioso
vê-lo	colocar	infalivelmente	sua	pasta	de	material	entre	nós	dois.	Eu	não	podia
deixar	de	sorrir	diante	de	sua	atitude	cautelosa.
Eu	era	muito	jovem	e	ele	se	preocupava	com	meu	bem-estar	e	eu	sempre	sentia
a	sua	proteção,	como	se	fosse	um	pai.
O	pastor	Rabello	foi	uma	pessoa	digna	de	confiança	e	sempre	lembrarei	dele
com	respeito,	admiração	e	saudade.
Homem	de	Deus
Alexandre	Reichert	foi	pianista	da	Voz	da	Profecia	durante	vários	anos.	Hoje,
ele	vive	nos	Estados	Unidos.	É	muito	requisitado	na	área	de	Los	Angeles	para
concertos,	congressos	e	campais	pelo	seu	talento	musical.	Ele	ainda	guarda	boas
lembranças	do	tempo	em	que	trabalhou	junto	com	o	pastor	Rabello:
Já	faz	tempo	que	estou	querendo	contar	esta	história,	mas	o	tempo	vai
passando	e	só	agora,	com	a	ajuda	do	pastor	Léo	Ranzolin,	posso	fazê-lo.	É	uma
simples	homenagem	que	quero	prestar	a	uma	pessoa	com	quem	tive	o	prazer	de
conviver	por	quase	dez	anos	e	que	foi	uma	inspiração	para	minha	vida,	um	pai,
um	amigo	e	um	irmão:	pastor	Roberto	Rabello.	Tive	o	prazer	de	viver	na	casa
dele	por	quase	seis	meses.
O	pastor	Rabello	sempre	foi	um	homem	estudioso.	Qualquer	tempo	disponível
que	tinha,	lá	estava	ele	estudando,	lendo,	escrevendo.	Estava	sempre	em	dia	com
tudo	que	se	passava	no	mundo.	Era	realmente	um	homem	bem	preparado,	e	foi
usado	como	poucos	no	serviço	do	Senhor.
Em	1973,	tive	o	prazer	de	ser	chamado	para	trabalhar	na	Voz	da	Profecia,	onde
atuei	por	nove	anos	como	diretor	musical,	arranjador	e	pianista	do	quarteto
Arautos	do	Rei.	Foi	nessa	época	que	pude	conviver	com	o	pastor	Roberto
Rabello	e	comprovar	que	ele	era	realmente	um	homem	de	Deus.	Nunca	o	vi
discutindo	com	alguém,	nunca	o	vi	de	mau	humor,	nunca	ouvi	uma	frase	que
fosse	contra	a	reputação	de	qualquer	pessoa.	Pelo	contrário,	quando	alguns,	com
ciúme	do	carisma	que	ele	possuía	e	do	carinho	que	recebia	do	público,	quiseram
tomar	o	seu	posto,	nem	nessa	hora	se	abalou.	Ele	sabia	que	Deus	estava	do	seu
lado	e,	realmente,	nada	aconteceu.
Ele	gostava	muito	de	música	e	dizia	que	os	membros	do	quarteto	eram	seus
filhos.	Muita	coisa	cômica	acontecia	em	nossas	viagens.	Uma	vez,	em	um
programa,	uma	senhora	bem	idosa,	vestida	com	um	pijama,	subiu	até	o	púlpito,
no	meio	do	sermão,	para	cumprimentá-lo.	Outros	lhe	diziam:	“Faz	30	anos	que
eu	ovo	seu	programa.”
Alexandre	conta	também	a	mesma	experiência	relatada	pelo	pastor
Feyerabend,	quando	a	Kombi	da	Voz	foi	interceptada	a	caminho	do	ENA,	e	o
policial,	ao	ouvir	a	voz	do	pastor	Rabello,	deixou-a	passar,	pois	era	ouvinte	da
Voz	da	Profecia	por	muitos	anos.	Alexandre	apresenta	em	seu	website	um
histórico	da	Voz	da	Profecia,	com	fotos	dessa	organização	e	de	seus
componentes	ao	longo	dos	anos.
Influência	no	ministério
O	pastor	Joel	Sarli	foi	membro	do	primeiro	quarteto	dos	Arautos	do	Rei.	Ele	e
eu	tivemos	o	privilégio	de	trabalhar	juntos	no	Paraná	e,	mais	tarde,	na
Associação	Geral.	Tinha	uma	vasta	experiência	pastoral.	Foi	membro	do
primeiro	quarteto	da	Voz	da	Profecia,	em	1963,	e	diretor	do	curso	de	Teologia	no
IAE.	Mais	tarde,	radicou-se	no	Canadá	e	Estados	Unidos	como	pastor	de	igrejas
portuguesas	e	brasileiras.
Durante	minha	gestão	como	vice-presidente	da	Associação	Geral,	fui
conselheiro	do	Departamento	Ministerial.	Com	a	saída	de	um	dos	associados,	o
pastor	Robert	Folkenberg	pediu-me	que	organizasse	uma	lista	de	candidatos
promissores.	Surgiram	muitos	nomes,	mas	tudo	em	vão.	Assim,	ao	apresentar	o
nome	do	pastor	Sarli	à	comissão	de	nomeações,	ele	foi	eleito	secretário
ministerial	associado	da	Associação	Geral.	Convivemos	juntos	e	nos
aposentamos	na	mesma	época.
Solicitei	sua	mensagem	como	membro	do	primeiro	quarteto	Arautos	do	Rei,
famoso	pelo	lindo	cântico	“Hei	de	Estar	na	Alvorada”.	Seu	depoimento:
Meu	primeiro	contato	com	a	voz	do	pastor	Rabello	se	deu	quando	eu	tinha	9
anos	de	idade.	Vivíamos	numa	região	rural	chamada	Barra	Mansa,	no	município
de	Jaú,	no	interior	de	São	Paulo.	O	Sr.	Marra,	um	italiano	que	morava	a	uns	200
metros	de	nossa	casa,	nos	deu	a	oportunidade	de	ouvir	a	Voz	da	Profecia,
irradiada	pela	Rádio	Difusora	de	Araraquara.
Nós	nos	assentávamos	ao	redor	do	rádio	e,	com	um	sentimento	misto	de
respeito	e	orgulho,	ouvíamos	cada	palavra	que	o	orador	falava.	Era	o	programa
radiofônico	de	nossa	igreja!	Isso	significava	muito	para	nós,	que	vivíamos
cercados	por	vizinhos	católicos.
Os	anos	se	passaram	e,	no	meu	tempo	de	colégio,	me	envolvi	em	atividades
musicais,	mas	principalmente	com	a	formação	de	quartetos	masculinos.
Ouvíamos	com	admiração	cada	hino	cantado	pelo	quarteto	americano	Arautos
do	Rei.
Então	aconteceu	meu	segundo	contato	com	o	pastor	Rabello.	A	grande
surpresa	para	mim,	em	agosto	de	1962,	foi	ser	chamado	para	uma	entrevista	com
o	pastor	Rabello,	que	procurava	um	barítono	para	integrar	o	novo	quarteto
Arautos	do	Rei	que	seria	formado	no	Brasil.
A	partir	daí,	tive	o	privilégio	de	conviver	de	forma	regular	com	o	pastor,	o
homem,	o	conselheiro	e	o	amigo	Roberto	Mendes	Rabello.	Embora	a	sua	voz
sonora	sempre	me	causasse	admiração,	ao	conviver	com	esse	servo	do	Senhor,	o
que	mais	me	impressionava	era	a	sua	sobriedade	e	prudência	ao	emitir	sua
opinião	sobre	qualquer	assunto	que	surgisse	em	nossas	longas	viagens
promocionais	da	Voz	da	Profecia.
O	pastor	Rabello	era	um	ministro	de	Deus,	cuja	credibililidade	nunca	foi
questionada.	Respeitava	as	pessoas,	vivia	para	a	salvação	delas,	amava	a	sua
igreja	e	servia	com	lealdade	incondicional	ao	Senhor.
Era	um	homem	de	ação,	mas	não	de	improviso.	Gostava	de	estar	seguro	de	que
qualquer	decisão	tomada	serviria	para	fazer	a	causa	de	Deus	prosperar	e	avançar
na	direção	certa.	Jamais	vi	o	pastor	Rabello	tomar	uma	decisão	precipitada.
Qualquer	situação	que	enfrentava	o	levava	a	consultar	a	vontade	de	seu	Senhor.
Sua	postura	em	relação	às	tradições,	doutrinas	e	ética	adventistas	era
absolutamente	confiável	e	equilibrada.
Em	qualquer	lugar	que	nos	apresentávamos,	o	pastor	Rabello	era
inquestionavelmente	a	estrela	que	atraía	meninos	e	meninas,	jovens,	pessoas	de
meia-idade	e	idosos.	Multidões	queriam	ouvi-lo	apresentando	a	mensagem	de
Jesus.
De	norte	a	sul	do	Brasil,	irmãos	juntavam	suas	economias	para	entregar	ao
pastor	Rabello	a	fim	de	que	o	ministério	da	Voz	da	Profecia	avançasse.	Ele	era
respeitado	e	amado	por	sua	igreja.	Nunca	o	uso	dos	meios	enviados	à	Voz	da
Profecia	foi	questionado	pelos	irmãos.	Havia	absoluta	confiança	no	homem	que
conduzia	os	destinos	de	A	Voz	da	Profecia.
Embora	fosse	firme,	não	era	arbitrário.	Sabia	enfrentar	oposição	sem	perder	o
equilíbrio.	Não	misturava	interesses	pessoais	com	os	negócios	da	igreja.
A	memória	dele	ainda	traz	um	sentimento	de	respeito	e	admiração	no	meu
coração.	Dou	graças	a	Deus	por	ter	tido,	no	começo	de	meu	ministério,	o
privilégio	de	me	abrigar	à	sombra	desse	homem	de	fé	e	visão	e	ter	trabalhado
sob	a	orientação	de	tal	servo	de	Deus.
Sua	vida	de	fé,	sua	firmeza,	sua	convicção	e	sua	postura	como	pastor	serviram
de	diretriz	na	estrutura	de	meu	ministério.	Querido	pastor	Rabello,	o	senhor
ainda	vive	na	minha	memória,	influenciando	minha	maneira	de	servir	ao	Senhor.
Primeiro	quarteto
Samuel	Dias	de	Campos	e	sua	esposa	Domnina	trabalharam	juntos	na	Voz	da
Profecia.	Ele	foi	membro	do	primeiro	quarteto	Arautos	do	Rei,	famoso	pela	linda
música	“Hei	de	Estar	naAlvorada”,	que	foi	sua	marca	registrada.	Trabalhou	por
dois	anos	como	membro	do	quarteto	e,	por	fim,	como	instrutor	da	Escola
Radiopostal,	respondendo	a	perguntas	teológicas.	Sua	esposa	trabalhou	como
secretária	do	pastor	Rabello,	realizando	um	excelente	trabalho.	Enviada	de
Hortolândia,	aqui	está	sua	mensagem	sobre	a	convivência	com	o	pastor	Rabello
na	Voz:
Ainda	ressoam	pelo	ar	as	palavras	tantas	vezes	transmitidas	pelo	rádio,	na	voz
clara	e	sonora	do	orador,	expressivamente	entoada	ao	apresentar	o	programa	de
fé	e	esperança	que	anuncia	a	volta	do	Senhor.	Voz	que	sempre	despertava	em
seus	ouvintes	o	interesse	por	suas	palestras	primorosamente	elaboradas.
Não	é	necessário	dizer	que	me	refiro	ao	orador	do	programa	da	Voz	da	Profecia
que	marcou	época:	o	pastor	Roberto	Rabello.	Com	seu	dom	peculiar,	nunca	pôde
sequer	ser	imitado,	quanto	menos	igualado.
É	do	conhecimento	de	todos	que	dirigir	o	programa	de	rádio	da	Voz	da
Profecia	era	apenas	uma	parte	do	trabalho	do	pastor	Rabello;	ele	foi	o	diretor
geral	da	instituição	e	dirigia	com	maestria	aquela	entidade.	O	programa	de	rádio,
entretanto,	era	a	menina	de	seus	olhos,	pois	era	a	ponta	de	lança	do	seu	trabalho
em	favor	de	pessoas	sinceras.	Daí	dependia	o	despertar	do	interesse	das	pessoas
pelo	estudo	da	Palavra	de	Deus	através	da	Escola	Radiopostal.
Era	zeloso	em	sua	atividade,	cioso	do	seu	dever,	íntegro	nas	atitudes	e	cordial
nos	relacionamentos.	Notávamos	seu	empenho	em	aproximar-se	da	excelência,
especialmente	do	viver	cristão.	Ele	transparecia	consagração;	inspirava
santificação	e	apropriação	da	graça	salvadora.
Certo	dia,	antes	de	nosso	chamado	para	a	Voz	da	Profecia,	minha	esposa	assim
se	expressou:
–	Se	a	sua	mãe	e	o	pastor	Rabello	não	forem	para	o	Céu,	não	sei	quem	poderá
ir.
Assim	foi	o	homem:	talhado	por	Deus	para	o	serviço.
Eu	gostaria	de	ter	ficado	mais	tempo	na	Voz,	mas	os	caminhos	de	Deus	foram
diferentes.	Porém,	sempre	fico	emocionado	ao	pensar	nos	dias	felizes	que
passamos	naquela	instituição.
O	pastor	Rabello,	de	saudosa	memória,	foi	realmente	uma	pessoa	exemplar,
que	imprimiu	a	influência	e	a	marca	de	uma	personalidade	íntegra	e	cristã.	Deus
seja	louvado	pelo	grande	privilégio	de	ter	ombreado	com	ele	na	missão	de
evangelizar	as	pessoas	sinceras.
Ao	pé	do	rádio
Em	novembro	de	1996,	por	ocasião	da	morte	do	pastor	Rabello,	a	Revista
Adventista	publicou	um	testemunho	de	Williams	Costa	Jr.,	ex-pianista	da	Voz	da
Profecia	e	do	Está	Escrito,	o	qual	vale	a	pena	ser	repetido	aqui:
Todo	domingo,	às	6h	da	tarde,	esperava	a	Voz	da	Profecia.	Quando	chegava,	eu
estava	ao	“pé	do	rádio”,	na	casa	do	irmão	Justino.	Ele,	a	esposa,	os	filhos	e	eu
sempre	estávamos	juntos	para	ouvir	o	programa.
O	irmão	Justino	e	sua	família	moravam	em	Aerolândia,	subúrbio	da	cidade	de
Fortaleza,	Ceará.	Quando	o	quarteto	Arautos	do	Rei	cantava	“Servos	de	Deus,	a
buzina	tocai”,	os	olhos	de	todos	brilhavam.	Quando	o	pastor	Rabello	pregava,
todos	nós	ouvíamos	com	atenção.	Quando	orava,	fechávamos	os	olhos	com
reverência.	Quando	se	despedia,	nos	despedíamos	dele.	Quando	o	programa
acabava,	estávamos	felizes	pelo	que	tínhamos	ouvido	e	tristes	porque	havia	sido
tão	curto.	A	semana	passava	e,	no	domingo	seguinte,	às	6h	da	tarde,	estávamos
novamente	“ao	pé	do	rádio”.	Naquela	época,	eu	tinha	10	anos	e	era	recém-
batizado.
Um	dia,	ouvi	falar	que	o	pastor	Rabello	e	os	Arautos	do	Rei	estavam	se
dirigindo	a	Fortaleza.	Já	haviam	passado	por	Recife,	João	Pessoa	e,	na	semana
seguinte,	estariam	em	Natal.	Eu	mal	podia	esperar	que	a	semana	subseqüente
chegasse,	porque,	pela	minha	lógica,	eles	estariam	em	Fortaleza.	Qual	não	foi	a
minha	tristeza	e	desapontamento	quando	descobri	que	a	viagem	acabara	no
Estado	do	Rio	Grande	do	Norte.	Tentaram	me	explicar	que	“a	viagem	era
somente	pelo	território	da	União	Este”	e	que	“o	Estado	do	Ceará	fazia	parte	da
União	Norte”.	Ainda	tentei	argumentar:	“Mas	eles	estão	tão	perto,	por	que	têm
que	voltar	de	Natal?”	Naquela	época,	descobri	que	o	Estado	do	Ceará,	tão	perto
do	Rio	Grande	do	Norte,	deixava	longe	meu	sonho	de	conhecer	pessoalmente	o
pastor	Roberto	Rabello	e	os	Arautos	do	Rei.
Alguns	anos	depois,	para	minha	felicidade,	eles	foram	a	Fortaleza.	O	auditório
da	Faculdade	de	Direito	estava	superlotado.	Os	membros	da	igreja	de	Aerolândia
compareceram	em	peso.	Papai,	mamãe,	minhas	irmãs,	o	irmão	Justino	e	sua
família...	Ninguém	podia	perder	uma	reunião	como	aquela.	O	programa	foi	um
sonho:	os	Arautos	cantaram,	o	pastor	Rabello	pregou	e	os	presentes	fizeram	fila
para	cumprimentá-lo	em	frente	do	palco.	Entrei	na	fila	e	esperei	mais	de	uma
hora	até	chegar	a	minha	vez.	Lembro-me	até	hoje	de	sua	amabilidade	e	do	seu
aperto	de	mão.
Saí	da	reunião	com	o	coração	cheio	de	entusiasmo	e	inspiração.	Queria	fazer
alguma	coisa	parecida	com	o	que	o	pastor	Rabello	fazia.	Alguns	meses	depois,
realizei	uma	série	de	conferências	aos	domingos	à	noite,	na	igreja	de	Aerolândia.
Os	temas	foram	tirados	da	série	A	Voz	da	Mocidade.	Naquela	época,	eu	tinha	13
anos.	Tivemos	cinco	interessados	e	um	batismo.
No	ano	seguinte,	a	comissão	da	igreja	votou	que	eu	dirigisse	a	minifilial	da
Escola	Radiopostal.	Havia	dois	alunos.	Arrumei	em	casa	todas	as	lições	dos
cursos	Juvenil,	Universal	e	Avançado.	Assim,	os	interessados	não	tinham	que
esperar	para	receber	novas	lições	e	ver	corrigidas	suas	provas.	Nós	corrigíamos
na	igreja,	tão	logo	os	interessados	dessem	a	resposta.	Isso	envolvia	membros	da
igreja,	personalizava	o	atendimento	e	agilizava	o	processo.	Em	1965,	chegamos
a	ter	107	alunos.	A	igreja	de	Aerolândia	tinha	40	membros.	Nossa	vida	era	a
igreja.	Vivíamos	felizes	e	envolvidos	com	o	trabalho	missionário.
Eu	quis	ser	músico	para	cantar	no	quarteto	Arautos	do	Rei.	Era	um	sonho.	Aos
14	anos,	no	ENA,	fui	barítono	do	quarteto	Arautos	do	Nordeste,	visível
influência	dos	Arautos	do	Rei.	Comecei	a	escrever	letras	de	hinos	tentando
traduzir	as	músicas	do	quarteto	Arautos	americano.	Meus	primeiros	trabalhos	de
criação	musical	foram	arranjos	de	músicas	para	quarteto	masculino.
O	pastor	Rabello	descansa	no	Senhor,	mas	sua	mensagem	e	sua	voz	continuam
vivas	no	meu	coração:	“O	Senhor	te	abençoe	e	te	guarde;	o	Senhor	faça
resplandecer	o	Seu	rosto	sobre	ti,	e	tenha	misericórdia	de	ti;	o	Senhor	sobre	ti
levante	o	Seu	rosto	e	te	dê	a	paz.”
Durma	em	paz,	pastor	Rabello,	o	senhor	cumpriu	sua	missão.	Sua	vida	e	sua
mensagem	ajudaram	a	confirmar	minha	fé	e	meu	sonho	de	servir	a	Deus.
Jorimilson,	filho	do	irmão	Justino,	hoje	é	pastor	e	eu	estou	servindo	à	causa	de
Deus	como	obreiro	há	quase	25	anos.
O	pastor	Rabello	não	pôde	imaginar	o	impacto	que	causou	em	minha	vida
enquanto	gravava	nos	estúdios	“uma	mensagem	de	fé	e	de	esperança	que
anuncia	a	volta	de	Jesus”.	Agradeço	a	Deus	a	sua	vida.	Agora	que	descansa	no
Senhor,	espero	reencontrá-lo	pessoalmente	na	manhã	da	ressurreição,	para
vivermos	juntos	com	Jesus	eternamente.
Colega	de	trabalho
O	pastor	Ademar	Quint	e	eu	fomos	colegas	de	quarto	no	CAB,	colegas	no
curso	de	Teologia,	colegas	de	formatura	(1954),	colegas	de	colportagem	e,
finalmente,	companheiros	de	ministério.	Ele	é	de	Bom	Retiro,	SC,	e	eu	nasci	em
Vacaria,	RS,	me	criei	em	Lajes,	SC,	e	fomos,	portanto,	membros	da	mesma
Associação	Paraná-Santa	Catarina.
O	pastor	Ademar	teve	grande	influência	no	ministério	JA	(MV),	pois	foi	o
pioneiro	do	famoso	Batismo	da	Primavera,	que,	durante	meus	anos	de	trabalho
na	Associação	Geral,	consegui	colocar	no	calendário	mundial	da	Igreja
Adventista.	Além	disso,	trabalhou	por	muitos	anos	como	instrutor	da	Escola
Radiopostal	da	Voz	da	Profecia	(dezembro	de	1956	a	março	de	1962).	De	1959	a
1961,	ele	escreveu	pequenos	artigos	para	a	Revista	Adventista	intitulados	“O
Cantinho	da	Voz”.	Aqui	seguem	seus	pensamentos	sobre	sua	vida	na	Voz	da
Profecia:
A	igreja	de	Bom	Retiro	era	uma	das	grandes	e	valorosas	igrejas	na	Associação
Paraná-Santa	Catarina,	nas	décadas	de	1930	e	1940.
No	fim	de	1943,	nos	meus	14	anos,	o	programa	da	Voz	da	Profecia	dava	o
auspicioso	início.	A	igreja	se	reunia	aos	sábados,	ao	pôr-do-sol,	para	ouvir	pelo
rádio	do	irmãoPaulo	Kuntze,	alimentado	por	bateria,	a	voz	do	pastor	Roberto
Rabello.	Era	uma	emoção!	A	voz	inconfundível	e	penetrante,	por	algumas
décadas,	tomou	cativos	para	Cristo	todos	que	a	ouviam.
Jamais	sonhara	então	que,	treze	anos	mais	tarde,	estaria	no	escritório	da	Voz	da
Profecia	em	Niterói,	RJ,	participando	na	orientação	doutrinária	dos	cursos
bíblicos	por	correspondência.	A	Escola	Radiopostal	atendeu	a	milhares	de
interessados	em	todo	o	Brasil.	Quanta	recordação	feliz	desses	alunos!
O	que	dizer	do	casal	Rabello	que	conhecemos?	Ele	vivia	o	que	falava.	Esse	é	o
princípio	da	autenticidade	que	pudemos	observar	e	comprovar	do	convívio,	do
trabalho	e	do	conceito	sobre	o	pastor	Rabello	e	dona	Hetty,	por	dois	períodos
singulares	ou	até	três.
No	primeiro	período,	as	impressões	me	chegaram	através	de	meu	sogro,
Celestino	da	Silva	Barra.	Antes	de	o	pastor	Rabello	se	mudar	para	os	Estados
Unidos,	com	o	propósito	de	ampliar	seus	estudos,	era	pastor	da	Igreja	Central	do
Rio	de	Janeiro.	A	par	da	amizade	familiar	entre	as	crianças	das	duas	famílias,
meu	sogro	dizia	que	recebeu	do	pastor	Rabello	ajuda	e	estímulos	para	as
atividades	missionárias	que	o	acompanharam	por	quase	50	anos	como	fundador
de	novas	congregações	que	se	tornaram	igrejas	(igreja	de	Botafogo,	Teresópolis,
Magé	e	outros	grupos	na	Baixada).	Detacava-se	a	conduta	cavalheiresca	e
educada	como	tratava	os	membros	da	igreja.
No	segundo	período,	quando	eu	o	conheci	mais	pessoalmente,	foi	no	escritório
da	Voz	da	Profecia.	Ainda	solteiro	e	com	planos	para	casamento,	fui	chamado
um	dia	pelo	pastor	Rabello	e	dona	Hetty:
–	Como	nós	conhecemos	a	sua	noiva	desde	menina,	a	Dina,	temos	uma
proposta	–disse	dona	Hetty.	–	O	Roberto	precisa	ir	novamente	aos	Estados
Unidos	para	fazer	as	gravações	da	nova	série	de	palestras	para	mais	um	ano	e	eu
sempre	vou	junto.	Lucila	e	Léo,	recém-casados,	estão	lá,	e	ficarei	morando	com
eles.	Assim,	você	se	casa	e	fica	cuidando	do	nosso	apartamento	por	um	ano.
Uma	proposta	de	pai	para	filho.
E	assim	foi	feito	o	trato.	No	dia	18	de	abril	de	1957,	um	jovem	casal	foi	morar
numa	residência	totalmente	montada,	só	para	cuidar	e	guardar,	sem	mais	gastos
de	aluguel	no	orçamento	da	Voz	por	um	ano.	Nesse	período,	o	pastor	Rabello
regressou	para	as	atividades	no	Brasil	e,	na	sua	própria	casa,	ele	se	conduzia
cavalheirescamente	como	um	hóspede	e	não	como	dono	da	casa.	Participava	das
refeições	como	convidado	e	não	como	dono	da	situação.
Passado	o	período	de	um	ano,	dona	Hetty	voltou	e	continuou	sua	tarefa	de
datilografar	as	novas	palestras.	O	que	me	impressionava	nesse	trabalho	era	a
ausência	de	vaidade.	Quando	em	dúvida	sobre	a	colocação	de	uma	frase	ou	de
palavras	dentro	de	uma	frase,	sem	o	menor	complexo,	ela	chegava	à	minha	mesa
de	trabalho	para	consultar	a	opinião	que	se	ajustasse	melhor.
Num	terceiro	período,	quando	o	pastor	Rabello	estava	de	volta	na
administração	da	Voz	(porque	ele	teve	um	período	na	presidência	da	Associação
Rio-Minas),	pediu	a	cooperação	do	irmão	Celestino	Barra	para	encontrar	uma
área	adequada	onde	pudesse	ser	construída	a	nova	sede	da	Voz	da	Profecia.	Meu
sogro	achou	e	indicou	o	terreno	da	Rua	da	Matriz,	16.	O	terreno	foi	comprado	e,
até	se	tornar	inadequada,	a	construção	serviu	para	a	Voz	da	Profecia	e	para	a
igreja	do	Botafogo.
Fazendo	referência	ao	casal	Rabello,	meu	sogro	dizia:
–	Aquele	que	pede	e	aceita	conselhos	humildemente	é,	na	maioria	das	vezes,
superior	a	quem	dá	os	conselhos.
A	Voz	da	Profecia	começou	a	ser	irradiada	no	Brasil	em	26	de	setembro	de
1943,	pela	Rádio	América	de	São	Paulo,	e	dessa	data	em	diante	o	programa	se
popularizou	e	desenvolveu-se	como	uma	força	para	ajudar	na	pregação	do
evangelho.	O	pastor	Rabello	foi	um	poderoso	instrumento	de	Deus.
Calma	na	tempestade
O	pastor	Sesóstris	César,	de	Hortolândia,	SP,	também	conta	sobre	sua
experiência	com	o	pastor	Rabello:
Por	muitos	anos,	conheci	o	pastor	Roberto	Rabello.	Eu	era	departamental	da
Voz	da	Profecia	no	Rio	Grande	do	Sul,	e	fizemos	planos	para	levar	o	grupo	da
Voz	a	Porto	Alegre.
Todos	os	planos	foram	feitos	para	termos	um	lindo	programa	na	Igreja	Central.
Chegou	a	hora	do	programa	começar.	O	templo	estava	superlotado.	Era	domingo
à	noite.	Tudo	estava	preparado.	O	quarteto,	porém,	não	chegava.	Havia	grande
ansiedade.	A	visita	do	quarteto	era	sempre	um	acontecimento	fora	do	comum.
Quase	em	cima	da	hora,	a	perua	da	Voz	da	Profecia	chegou	com	o	grupo.	Que
alegria!	Imediatamente,	os	equipamentos	de	som	foram	levados	para	dentro,	e
tudo	foi	montado	com	a	máxima	rapidez.
A	euforia	era	grande,	e	todo	mundo	entrou	na	igreja	para	assistir	ao	programa.
Ninguém	se	lembrara	de	cuidar	da	perua,	lá	fora,	carregada	com	a	bagagem	do
pessoal.	O	programa	foi	lindo,	mas	o	fim	não	foi	tão	feliz.	Quando	terminou	o
programa	e	saímos	da	igreja,	a	surpresa	foi	enorme:	a	perua	havia	sido
arrombada	e	os	assaltantes	tinham	levado	tudo.	Ela	estava	vazia.	Malas	e	objetos
do	grupo	foram	levados.	O	quarteto	ficou	sem	nada.
Reinou	o	desespero.	Os	membros	do	quarteto	corriam	de	um	lado	para	outro,
desesperados.	Então,	de	quem	seria	a	culpa?	Do	motorista	que	não	fechara	o
carro?	Do	pastor	que	não	tomara	providência?	Bem,	não	adiantava	chorar	pelo
leite	derramado.
Diante	da	confusão	que	se	criou,	uma	cena	ficou	em	minha	memória:	lá	em
cima	da	calçada	da	igreja	estava	de	pé	um	homem	alto,	imóvel,	com	os	braços
cruzados,	tranqüilo,	calado,	contemplando	tudo,	em	silêncio.	Ele	também	havia
sido	roubado.	Seu	domínio	próprio	era	impressionante.	O	nome	daquele	homem?
Roberto	Rabello.
Saudade	dos	primeiros	anos
A	Dra.	Leona	Glidden	Running,	ex-professora	na	Andrews	University,	foi
nossa	professora	de	hebraico	e	“torturou”	muitos	futuros	pastores,	não	por	ser
indelicada,	mas	sim	pelo	seu	magistral	domínio	das	línguas	bíblicas.	Como
resultado,	fiquei	encantado	com	o	hebraico	e	com	ela.	Foi	também	uma	das
primeiras	secretárias	do	pastor	Rabello,	na	sede	da	Voz,	em	Glendale,	Califórnia.
Em	janeiro	de	1994,	ela	escreveu	uma	carta	ao	pastor	Rabello,	felicitando-o
pelos	50	anos	da	Voz	da	Profecia.	Nessa	carta,	ela	comenta	quão	feliz	se	sentiu
ao	ver	as	fotos	e	ler	o	histórico	do	início	da	Voz	da	Profecia	no	Brasil.	Ficou
contente	ao	ver	a	foto	do	pastor	Rabelo,	mas	notou	que	ele	estava	usando	uma
bengala.	Esperava	que	ele	se	mantivesse	bem	de	saúde	por	muitos	anos.	A	Dra.
Leona	revela	então,	com	nostalgia,	os	primeiros	anos	da	Voz	em	1943:
Lembro-me,	com	saudade,	dos	primeiros	quatro	anos	em	que	trabalhei	com	o
irmão,	o	pastor	Braulio	Pérez	e	o	pastor	Stoehr	naquele	pequeno	prédio,	no
centro	de	Glendale.	Aprendi	a	ler	em	português,	ao	datilografar	as	primeiras
páginas	de	um	manuscrito	que	me	deram,	pois	batia	à	máquina	os	manuscritos
em	espanhol.	Fiquei	muito	contente	que	ambos	me	deixaram	usar	minha	cabeça
e	que,	se	algo	parecia	estranho,	podia	perceber	que	o	irmão	não	tinha	entendido
muito	bem	algumas	expressões	idiomáticas	do	inglês	do	pastor	Richards.	Eu
podia	explicar	para	o	irmão	e	para	o	pastor	Pérez,	e	vocês	aprendiam	a
idiossincrasia	da	língua.	Eu	sugeria	um	palavreado	que	era	aceito,	sem	problema.
Aquilo,	realmente,	me	empolgava.
Então,	ela	comentou	o	curso	de	sua	vida	depois	de	sair	da	Voz	da	Profecia:
trabalhou	na	Pacific	Press,	foi	secretária,	foi	redatora	da	revista	Ministry,	quando
teve	o	privilégio	de	estudar	na	Universidade	Johns	Hopkins	(a	mesma	escola
onde	o	Dr.	S.	Schwantes	se	graduou	em	línguas	bíblicas)	e	lecionar	na
Universidade	Andrews.	Formou-se	em	1965	e,	por	dois	anos,	assessorou	o
famoso	arqueólogo	Dr.	William	F.	Albright	em	suas	publicações,	até	a	morte
dele	em	1971.	Depois,	ela	escreveu	a	biografia	do	arqueólogo.
Que	privilégio	para	o	pastor	Rabello	foi	ter	essa	famosa	mulher	como
secretária	no	início	da	Voz	da	Profecia.	Trata-se	de	uma	fantástica	e	exímia
professora	que	inspirou	milhares	de	pastores	e	que	o	ajudou	na	infância	da	Voz
da	Profecia.
A
Milagres	e	Conversões
Como	a	Voz	alcançou	os	corações	e	mudou	vidas
pós	o	falecimento	do	pastor	Rabello,	recebi	muitas	cartas	de	irmãos	de
todo	o	Brasil,	relatando	suasexperiências	e	contato	com	ele.	Agora	você
pode	conhecer	algumas	dessas	experiências.
Não	conseguiu	fugir	dos	adventistas
O	irmão	Oscar	W.	Ritter,	de	Porto	Alegre,	contou-nos	que	teve	a	alegria	de
hospedar	o	pastor	Rabello	em	sua	casa	por	mais	de	uma	semana,	na	cidade	de
Torres.	Ele	relata	o	vazio	da	vida	de	seu	pai,	Willy	Ritter	(primo	do	falecido
pastor	Germano	Ritter),	que	procurou	muitas	religiões,	mas	nada	o	satisfazia.
Por	volta	de	1943,	mesmo	sendo	pobre,	trabalhando	numa	loja	no	centro	de
Porto	Alegre,	ele	comprou	um	aparelho	de	rádio	em	prestações.	Numa	sexta-
feira	à	tarde,	seu	pai	ligou	o	rádio	e	ouviu	o	programa	da	Voz	da	Profecia.	Dali
em	diante,	tornou-se	um	assíduo	ouvinte	do	programa,	comprou	uma	Bíblia	e
escreveu	para	a	Voz	da	Profecia	para	que	fundassem	um	grupo	dos	adeptos	da
Voz	da	Profecia.
Certa	vez,	enquanto	trabalhava	numa	garagem	no	centro	de	Porto	Alegre,	o	Sr.
Ritter	percebeu	que	um	jovem	havia	recebido	o	salário	e	saíra.	Então,	ele
perguntou:
–	Por	que	esse	jovem	está	recebendo	o	salário	hoje,	quando	todos	os	outros
empregados	só	recebem	amanhã?
O	caixa	respondeu	que	era	por	causa	de	uma	religião	estranha	que	ele	tinha,
mas,	por	ser	bom	empregado,	os	patrões	o	toleravam.
–	Ele	é	adventista	e	não	trabalha	no	sábado	–	acrescentou.
O	Sr.	Ritter	sabia	que	aquele	jovem	não	conhecia	a	Voz	da	Profecia.
–	Quando	ele	voltar	na	segunda-feira,	vou	dizer-lhe	que	escute	esse
maravilhoso	programa	–	ele	decidiu.
Na	segunda-feira,	lá	estava	seu	pai	esperando	o	mecânico,	Paulo	Alcântara.
–	Bom	dia!	O	senhor	é	adventista?
–	Sim,	há	muito	tempo	–	respondeu	o	irmão	Paulo.
–	Mas...	É	porque	o	senhor	não	conhece	a	Voz	da	Profecia	–	contestou	o	Sr.
Ritter.
–	Sim,	eu	sei,	esse	é	um	dos	programas	nossos	e	vou	lhe	passar	às	mãos	um
folheto	com	todas	as	estações	que	o	irradiam.
O	irmão	Oscar	diz	que	seu	pai	“caiu	do	cavalo”	e	não	sabia	o	que	responder.
Pensou:	“Fugi	tanto	dos	adventistas	e	agora	estou	bem	dentro.	Amo	tanto	esse
programa	e	já	estou	tão	habituado	a	ouvi-lo	que	nunca	mais	voltarei	atrás.”
Nesse	ínterim,	chegou	a	resposta	da	carta	dele	à	Voz	da	Profecia,	orientando-o
para	que	visitasse	a	igreja	adventista	de	Porto	Alegre	e	procurasse	o	pastor	e	Dr.
S.	Hoffmann.	Seu	pai	tornou-se	um	fiel	adventista	e	hoje	dorme	no	Senhor,
“graças	a	Deus	e	àquela	voz	grave	e	melodiosa,	sublime	e	confortante	cujo
silêncio	nos	emociona”.
O	irmão	Ritter	foi	um	fruto	direto	da	Voz	da	Profecia.	Ajudou	a	fundar	a	igreja
da	Floresta,	do	Sarandi,	de	Cachoeirinha	e	de	Sta.	Rosa.	Foi	também	um	dos
idealizadores	e	fundadores	da	Federação	Adventista	da	Mocidade	Gaúcha
(FAMG)	e,	muitas	vezes,	seu	presidente.	Tivemos	o	privilégio,	junto	com	o
pastor	Homero	Reis,	de	participar	de	um	acampamento	na	Rondinha,	quando	eu
era	diretor	de	jovens	da	União	Sul	Brasileira,	dirigido	pelo	irmão	Ritter.	Como	o
Senhor	atua	nos	corações	e	trabalha	através	da	Voz	e	de	outras	agencias	da	igreja
para	levar	pessoas	preciosas	a	Cristo!
As	aflições	são	degraus
Harry	e	Myrtie	Westcott	foram	missionários	no	Brasil.	Encontramos	muita
correspondência	dos	Rabello	com	a	família	Westcott.	O	pastor	Westcott	era
muito	carinhoso	e,	como	sabemos,	realizou	a	cerimônia	de	casamento	do	casal
Rabello.	Os	Westcott	escreviam	expressando	saudade	do	Brasil	e	dos	anos	que
haviam	passado	em	nosso	país.
Em	13	de	janeiro	de	1959,	escreveram	(em	inglês):	“Estamos	sentados
confortavelmente	junto	à	nossa	lareira.	O	brilho	do	carvão	é	lindo.	Olhando	ao
fundo,	podemos	ver	o	Rio	e	Niterói	e	os	lindos	lugares	que	os	circundam.
Gostaríamos	de	voltar	e	ver	as	coisas	como	eram	no	passado.	Mas	isso	só	é
possível	em	pensamento.	Há	muitas	novas	faces	desde	1935.”
Nessa	carta	carinhosa,	os	irmãos	Westcott	dizem	que	o	trabalho	do	rádio	não
estava	terminado	e	que	pastor	Rabello	deveria	voltar,	pois,	nessa	data,	ele	era
presidente	da	Associação	Rio-Minas.	Eles	acrescentavam	que,	com	a	experiência
em	administração	combinada	com	a	experiência	do	rádio,	o	pastor	Rabelo	faria
melhor	trabalho	que	antes.	E	disseram:	“Se	usarmos	nossas	aflições	como
degraus	e	não	permitirmos	que	elas	nos	destruam,	poderemos	realizar	uma
melhor	obra	por	termos	sofrido	lutas	e	dificuldades.	A	oração	transforma	as
coisas,	não	é	verdade?	Senhor,	dá-nos	mais	fé!”
Esse	casal	teve	uma	influência	sadia	e	benéfica	na	vida	de	um	homem	que
lutava,	na	ocasião,	para	saber	qual	era	a	direção	que	o	Senhor	havia	pautado	para
sua	vida.
Em	carta	escrita	ao	irmão	Westcott	em	9	de	outubro	de	1972,	o	pastor	Rabello
deu	o	seguinte	relatório:
Este	ano	já	visitamos	60	cidades,	começando	em	Minas	e	Espírito	Santo	e
indo	até	o	Rio	Grande	do	Sul.	Falamos	a	uns	60	mil	ouvintes	da	Voz	da
Profecia.	Mais	de	10	mil	pessoas	foram	inscritas	nos	nossos	cursos	bíblicos	e
estão	sendo	atendidas	pelos	pastores	e	igrejas	locais.	Deus	tem	abençoado	a
pregação	da	mensagem	pelo	rádio,	irmão	Westcott.	O	povo	tem	confiança	em
nós.	Em	alguns	lugares,	temos	tido	multidões	de	2	mil	e	até	3	mil	pessoas
presentes.	Vários	dos	nossos	evangelistas	seguem	o	plano	de	trabalhar	com
ouvintes	da	Voz	da	Profecia	e	dizem	que	não	há	nada	mais	frutífero.	O	povo
tem	confiança	no	pregador,	se	ele	se	apresenta	como	representante	do	nosso
programa	de	rádio;	e	os	que	assistem	já	conhecem	muito	da	verdade.
Em	junho	de	1973,	enquanto	fazia	preparativos	para	o	30o	aniversário	da	Voz
da	Profecia	no	Brasil,	o	pastor	Rabello	disse	o	seguinte:	“Recentemente	ouvimos
que,	segundo	uma	pesquisa	feita	por	uma	organização	especializada,	cerca	de
50%	dos	que	sintonizam	programas	religiosos	no	Brasil	ouvem	a	Voz	da
Profecia.	O	alvo	de	batismos	que	temos	para	este	ano	é	de	9.100	para	todo	o
território	nacional.	Peço	aos	irmãos	que	orem	para	que	Deus	nos	conceda
alcançar	este	elevado	alvo.”
Em	junho	de	1975,	já	com	86	anos	de	idade,	numa	de	suas	últimas	cartas	ao
pastor	Rabello,	Westcott	continua,	como	um	pai	e	conselheiro	amoroso,	dizendo
que	o	pastor	Rabello	fez	bem	em	deixar	a	administração	da	Voz	e	dedicar-se
totalmente	às	mensagens.
Em	julho	de	1975,	o	pastor	Rabello	escreveu	ao	pastor	Westcott,	informando
que	fora	escolhido	um	novo	orador	(Roberto	Conrad)	para	a	Voz	da	Profecia.	O
novo	orador	deveria	ir	aos	Estados	Unidos	para	estudar.	Isso	indicava	que	o
pastor	Rabello	continuaria	trabalhando	arduamente	na	preparação	das	palestras.
Essa	foi	a	última	carta	do	pastor	Rabello	àquele	valoroso	missionário	em	nossas
terras.
Vale	a	pena	mencionar	que	esses	misssionários	muitas	vezes	enviaram
donativos	para	a	Voz	da	Profecia	e	o	trabalho	no	Brasil.	O	pastor	Rabello,	em
suas	viagens	aos	Estados	Unidos,	angariou	milhares	de	dólares	de	amigos,	ex-
missionários	e	brasileiros.	Ele	não	tinha	receio	de	pedir	para	a	obra	do	Senhor.
Como	disse	o	pastor	N.	P.	Neilsen,	missionário	do	passado:	“Meu	coração	parece
estar	na	América	do	Sul.”	Essa	era	a	razão	por	que	esses	missionários	doavam	à
obra	na	América	do	Sul.
Correspondência	entre	amigas
A	irmã	Catarina	Schneider,	esposa	do	falecido	Dr.	Schneider,	fundador	do
Hospital	Silvestre,	foi	uma	grande	amiga	da	Sra.	Hetty	e	do	pastor	Rabello.
Numa	carta	escrita	pela	Sra.	Hetty	em	23	de	abril	de	1959,	ela	conta	à	sua	amiga
sobre	sua	enfermidade	e	diz	que,	graças	a	Deus,	havia	se	recuperado.	Há	uma
nota	interessante	na	carta:
O	Roberto	está	muito	contente	com	seu	novo	trabalho	(presidente	da
Associação	Rio-Minas).	Deus	está	abençoando	e	esperamos	que	a	situação
financeira	do	campo	logo	melhore.	[...]	A	Divisão	pediu	ao	Roberto	que	volte
para	a	Voz	da	Profecia,	mas	sob	as	mesmas	condições.	De	maneira	que,
depois	de	pensar	e	orar	muito,	tivemos	que	responder	que	infelizmente
Roberto	prefere	ficar	onde	está	agora.	Deus	sabe	quão	dura	foi	a	prova	lá,
no	passado.
O	problema	tinha	que	ver	com	a	relação	entre	orador-diretor	e	gerente.	O
pastor	Rabello	queria	que	a	Divisão	usasse	o	modelo	da	Voz	da	Profecia	nos
Estados	Unidos	e,	quando	retornou	à	Voz,	a	administração	da	Divisão
concordou.	Era	mais	eficaz	ter	um	gerente	administrativo	interno,	mas	o	orador
era	o	diretor	da	Voz	da	Profecia,	facilitando	o	relacionamentoentre	os	dois.
Além	de	ser	uma	grande	amiga	do	casal,	a	irmã	Schneider	contribuiu	muito,
financeiramente,	para	ajudar	a	obra	no	Brasil.	Na	carta	mencionada,	a	Sra.	Hetty
pedia	que	ela	enviasse	uma	ajuda	para	terminar	a	construção	da	igreja	de	Olaria.
Os	irmãos	estavam	expostos	às	intempéries	e	precisavam	terminar	a	igreja.
Transmitia	notícias	sobre	o	Hospital	Silvestre,	fundado	pelo	seu	falecido	esposo,
e	informava	que	a	Escola	de	Enfermagem	já	estava	funcionando.
Poder	sobre	o	inimigo
Certa	ocasião,	o	irmão	Nélio,	do	Bairro	de	Acari,	Rio	de	Janeiro,	e	familiares
foram	convidados	a	visitar	uma	mulher	e	seus	filhos.	A	mulher	ficava	o	dia	todo
em	um	sofá,	entregue	a	um	terrível	desânimo.	Seu	marido	trabalhava	em	um
lugar	distante	e	só	voltava	nos	fins	de	semana.	Nossos	irmãos	fizeram	uma
faxina	completa	na	casa	e,	durante	essa	limpeza,	encontraram	debaixo	das	camas
muitos	objetos	em	miniatura	de	feitiçaria	e	macumba.	Colocaram	todos	os
objetos	dentro	de	uma	sacola	para	queimá-los.
Voltaram,	dias	depois,	e	se	reuniram	cantando	hinos	de	louvor	ao	Senhor.
Começaram	a	ler	o	Salmo	91	e,	ao	chegarem	ao	verso	10,	a	mulher	deu	um	grito
e	uma	gargalhada.	Com	voz	de	homem,	disse	que	os	irmãos	estavam
atrapalhando	seu	trabalho	e	que	todos	aqueles	objetos	encontrados	na	casa
pertenciam	a	ele.	Enquanto	alguns	irmãos	oravam	e	lutavam	com	o	inimigo,
outro	irmão	saiu	com	a	sacola,	derramou	uma	porção	de	álcool	e	colocou	fogo.
Notou	que,	apesar	do	fogo,	a	sacola	não	se	consumia.
Ele	voltou	ao	quarto	e	ouviu	a	voz	dizer	que,	enquanto	ele	estivesse	ali,	a
sacola	não	se	consumiria.	Assim,	o	irmão	saiu	em	busca	de	ajuda.	Telefonou
para	a	Voz	da	Profecia,	no	Botafogo,	RJ,	solicitando	urgentemente	falar	com	o
pastor	Rabello,	que	o	atendeu	prontamente	e	ouviu	toda	a	história.	O	pastor
Rabello	disse	para	ele	retornar	ao	lugar	onde	os	irmãos	estavam.	Enquanto	isso,
ele	estaria	orando	pelo	grupo,	pedindo	o	auxílio	divino	em	favor	da	libertação	da
mulher.
Ao	voltar,	o	irmão	encontrou	a	senhora	muito	agitada	e	foi	aí	que	o	inimigo
disse:
–	Foi	pedir	ajuda,	hein?	Você	procurou	a	pessoa	certa.	Está	bem.	Não	fico	mais
aqui.	Vou	embora,	pois	aquele	homem	do	rádio	está	lá	pedindo	ajuda	de	cima.
Ele	tem	muita	fé.	É	muito	forte,	e	seu	pedido	está	sendo	atendido.
Com	um	grito	e	um	uivo,	o	espírito	satânico	saiu,	como	se	estivesse	vendo	um
anjo	com	a	espada	desembainhada.	Naquele	mesmo	momento,	a	sacola	foi
consumida	pelo	fogo.	Nossos	irmãos	glorificaram	ao	Senhor,	expressando
gratidão	pela	grande	vitória	sobre	o	inimigo.	A	mulher,	voltando	a	si	e	chorando
muito,	perguntou	o	que	havia	acontecido.	Não	se	recordava	de	nada.	Depois	de
um	banho,	seu	aspecto	era	completamente	diferente.
Ela	recebeu	estudos	bíblicos,	fez	os	cursos	da	Voz	da	Profecia	e,	na	ocasião	de
sua	formatura,	os	certificados	foram	entregues	pelo	próprio	pastor	Rabello.	Hoje,
para	a	honra	e	glória	de	Deus,	aquela	senhora,	o	esposo	e	os	filhos	pertencem	à
família	de	Deus.
Oração	pela	mãe
A	irmã	Esther	Reis	Pereira,	residente	em	Loma	Linda,	Califórnia,	trabalhou
por	10	anos	na	Voz	da	Profecia.	Durante	aquele	período,	ela	nunca	viu	o	pastor
Rabello	aborrecido	ou	brigando	com	alguém.	Ele	resolvia	tudo	com	paz	e
tranqüilidade.	O	pastor	Rabello	a	batizou	e	realizou	seu	casamento.
Em	1986,	a	mãe	da	irmã	Esther	ficou	muito	doente.	Tinha	uma	dor
insuportável	na	barriga,	e	os	médicos	não	encontravam	nada	de	anormal.	O
ventre	ficava	inchado	e	ninguém	conseguia	explicar	a	razão.
A	mãe	de	Esther	pediu	que	o	pastor	Rabello	fosse	chamado	para	ungi-la.	Ao
chegar,	ele	notou	que	a	mulher	estava	com	uma	sonda	e	tubos	no	nariz.	Não
parecia	o	lugar	ideal	para	a	unção.	O	caso	dela	era	tão	grave	que	os	médicos
queriam	operá-la	imediamente,	mas	estavam	preocupados	com	sua	idade	–	80
anos.
Mas	a	mulher,	com	muita	fé,	não	desistiu.	Pediu	que	a	Bíblia	fosse	colocada
sobre	seu	ventre	e	que	o	pastor	Rabello	orasse	por	ela.	Terminada	a	cerimônia,
todos	foram	embora.	No	dia	seguinte,	outra	filha	foi	ver	a	mãe	e	a	encontrou
muito	bem,	sentada,	balançando	as	pernas,	conversando	e	sorrindo,	sem	soro	e
sem	sonda.	A	barriga	estava	normal.	A	filha	ficou	tão	surpresa	que	começou	a
entoar	hinos	de	louvor.
Os	médicos	não	conseguiam	explicar	o	ocorrido	e	não	queriam	lhe	dar	alta.
Mas	ela	estava	bem	e,	depois	de	mais	alguns	dias,	voltou	para	casa.	A	imã	Esther
ligou	para	o	pastor	Rabello,	o	qual	ficou	muito	feliz	e	louvou	a	Deus.	Quando
este	livro	foi	escrito,	a	mãe	de	Esther	estava	com	93	anos	e	nunca	mais	teve
problemas	com	sua	barriga.
A	voz	do	disco
Otávio	Peixoto	de	Melo,	escrevendo	de	Cachoeirinha,	RS,	conta	que,	certo	dia
de	agosto	de	1969,	ele	e	sua	esposa	resolveram	ouvir	um	programa	radiofônico
que	era	irradiado	aos	domingos,	às	9h	da	manhã.	Ouvir	o	programa	seria	uma
afronta	ao	padre	local,	pois	eles	eram	católicos.	Por	isso,	procuraram	ouvi-lo
bem	baixinho,	para	que	os	vizinhos	não	percebessem.
Sintonizaram	a	freqüência	e	ouviram:	“Esta	é	a	Voz	da	Profecia.	Uma
mensagem	de	fé	e	esperança	que	anuncia	a	volta	do	Senhor.”	Eles	ficaram
encantados	com	a	voz,	que	parecia	vir	do	Céu	diretamente	ao	coração	deles.	Os
dois	estavam	sem	rumo	na	vida,	peregrinando	por	igrejas	diferentes,	e	haviam
perdido	quase	todos	os	seus	bens.
No	domingo	seguinte,	resolveram	comparecer	pessoalmente	à	rádio	para
conhecer	o	dono	daquela	voz.	Para	sua	decepção,	viram	um	simples	LP	rodando.
Mas	descobriram	que	o	pastor	Edson	Gomes	era	quem	fornecia	os	discos	para	a
estação.
Mais	tarde,	o	dono	daquela	voz	apareceu	na	cidade	e	Otávio	foi	visitá-lo	no
hotel.	Otávio	contou-lhe	a	história	e	recebeu	a	incumbência	de	ser	o	gerente	do
programa	local,	alimentando	a	rádio,	e	depois	poderia	ficar	com	os	discos.	Foi
uma	grande	alegria	para	a	família.	Em	1971,	ele,	a	esposa	e	a	filha	desceram	às
aguas	batismais.
O	exemplo	das	mulheres
Adelino	Dionísio	Tavano,	de	Bauru,	SP,	relatou	que,	em	1947,	era	comerciante
em	Dourado,	São	Paulo.	Vendia	bebidas	alcoólicas	e	tudo	que	prejudicava	os
semelhantes.	Certo	dia,	ele	recebeu	a	visita	do	pastor	Hélio	Pereira,	que	estava
recoltando	naquela	cidade,	e	o	convidou	para	almoçar	em	sua	casa.	O	pastor
Hélio	o	inscreveu	nos	cursos	da	Voz	da	Profecia.	Isso	foi	o	começo	de	uma	vida
melhor.	Ele	respondia	às	lições	e	ouvia	a	Voz	da	Profecia	como	um	programa
que	vinha	do	Céu.	Ainda	tem	as	cópias	das	palestras,	hoje	encadernadas	e	com	a
foto	do	pastor	Rabello	na	capa.
Ele	terminou	o	curso,	mas	ninguém	apareceu	para	levá-lo	à	decisão.	Pensava:
“A	igreja	sabe	semear,	mas	não	sabe	colher.”	Convidado	pelos	metodistas,	fez
parte	dessa	igreja	por	muitos	anos.	Um	dia,	sendo	convidado	a	pregar,	falou
sobre	a	sepultura	de	Jesus.	Chegou	um	momento	em	que	leu	os	últimos	versos
de	Lucas	23,	onde	é	dito	que,	na	sexta-feira,	as	mulheres	fizeram	preparação
para	o	sábado	e	descansaram,	conforme	o	mandamento.	Nesse	momento,	ele
parou	e	não	sabia	como	prosseguir.	O	sábado	calou	profundamente	em	seu
coração.
Em	1957,	ouvindo	o	pastor	Nigri,	a	esposa	e	filhas	de	Adelino	decidiram	se
tornar	adventistas.	As	filhas	foram	estudar	no	IAE	e	no	Iasp.	Finalmente,	os
filhos	também	foram	para	o	Iasp.
Quando	ele	nos	contou	sua	história,	todos	os	filhos,	genros,	netos,	netas	e	dois
bisnetos	eram	adventistas.	Aos	81	anos	de	idade,	recordava	a	voz	do	pastor
Rabello	como	vinda	do	Céu.	Ele	nasceu	em	15	de	novembro,	dia	do	aniversário
do	pastor	Rabello.
Nosso	irmão	relata	um	encontro	com	o	pastor	Rabello,	no	grande	Congresso
Sul-Americano	realizado	no	Quitandinha,	RJ,	em	julho	de	1956.	Em	outra
ocasião,	viajaram	juntos	para	Bauru	e	Lençóis	Paulista.	Eles	entraram	na	casa	de
um	irmão	chamado	Francisco	Toniolo.	Ao	entrarem,	Francisco	ouvia	a	Voz	da
Profecia.	Ele	quis	desligar	para	atender	as	visitas,	e	o	pastor	Rabello	disse:
–	Por	favor,	não	desligue,	queremos	ouvir	também.
Ao	terminar	o	programa,	Adelino	perguntou	a	Francisco	se	ele	conhecia	o
orador	que	havia	apresentado	aquela	palestra.	Ele	respondeu	que	não.
–	Ele	está	aqui	conosco	e	é	o	mesmo	que	acaba	de	falar	em	seu	radinho.
Francisco	começou	a	chorar	e,abraçando	o	pastor	Rabello,	disse:
–	Não	sou	digno	de	que	venha	em	minha	casa.
O	pastor	Roberto	disse	humildemente:
–	Somos	irmãos.	Para	mim,	é	um	grande	presente	encontrá-lo	ouvindo	o	nosso
programa.
Francisco	tinha	mais	de	50	discos	da	Voz	da	Profecia	para	emprestar	aos	seus
amigos	e	vizinhos.	Sua	maior	alegria	era	dar	estudos	e	preparar	as	pessoas	para	o
encontro	com	o	Mestre.
A	Voz	em	Fortaleza
Durante	os	anos	em	que	trabalhei	na	Associação	Geral,	tive	o	privilégio	de
corresponder-me	com	muitos	irmãos	do	Brasil	e	de	outras	partes	do	mundo.	Um
deles	foi	o	irmão	Francisco	de	Freitas,	um	fiel	e	amorável	cristão	de	Fortaleza.
Trocamos	cartas	durante	anos.	Vindo	ao	Brasil	de	férias	com	minha	esposa,
paramos	em	Fortaleza,	porque	eu	queria	que	ela	conhecesse	essa	linda	cidade	e
suas	praias	encantadoras.	Pedi	a	um	líder	local	que,	por	gentileza,	nos	levasse	à
casa	do	irmão	Francisco.
Foi	uma	surpresa	para	ele	quando	soube	que	a	Lucila	era	filha	do	pastor
Rabello.	Nosso	irmão	e	seus	familiares	ficaram	tão	emocionados	que	nos
abraçamos	e	choramos	de	alegria.	O	irmão	Francisco	está	gravado	para	sempre
em	minha	mente	por	sua	fidelidade	e	dedicação	à	mensagem	adventista.	Por
ocasião	do	falecimento	de	meu	sogro,	ele	nos	enviou	uma	bela	história.
Contou-nos	que	teve	o	privilégio	de	distribuir	os	primeiros	convites	para	as
pessoas	assistirem	à	Voz	da	Profecia	na	Rádio	Clube	de	Fortaleza.	O	pastor
Rabello,	diversas	vezes,	foi	homenageado	pelo	diretor	da	rádio.	Nosso	irmão
viajou	com	ele	por	São	Luís	e	Teresina.	Durante	um	encontro	no	Hotel	Piauí,
fizeram	um	culto	de	pôr-do-sol	junto	com	a	equipe	da	Voz	e	os	Arautos	do	Rei.
Ele	disse	que	encontrara	muitas	pessoas	convertidas	como	resultado	do
trabalho	da	Voz	da	Profecia.	Deus	seja	louvado	pelas	pessoas	dedicadas	e	fiéis
como	o	irmão	Franscisco,	que	não	mediram	esforços	e	sacrifícios	para	que	a
mensagem	do	rádio	chegasse	ao	coração	do	povo.
O	perfume	de	Cristo
Ernesto	G.	Bussacarini,	de	Hortolândia,	SP,	também	conta	uma	história
interessante.	Eu	o	conheci	em	Montemor	por	ocasião	de	um	curso	para	deixar	de
fumar	que	o	pastor	Rodolpho	Gorski	e	eu	realizamos	naquela	pequena	cidade.
Ele	foi	inscrito	na	Escola	Radiopostal	pelo	irmão	José	Ladeira,	quando	residia
no	interior	de	São	Paulo.	Quando	estava	na	4ª	lição,	seu	banco	o	transferiu	para	a
cidade	de	São	Paulo.	Ao	chegar	à	18ª	lição,	ficou	conhecendo	o	pastor	Rabello,
na	Igreja	Central	de	São	Paulo.	Nunca	mais	ele	saiu	da	igreja.	Em	1962,	no	1º
grande	batismo	do	Pacaembu,	desceu	às	aguas	batismais.
Entusiasmado	com	a	nova	fé	que	abraçara,	começou	a	visitar	um	irmão
chamado	José	e	sua	esposa,	Luiza.	José	trabalhava	em	uma	loja	da	Rua	Direita,
em	São	Paulo,	e	um	dia	notou	que	um	senhor	entrou	na	loja,	pediu	licença	e
começou	a	gotejar	no	dorso	da	mão	de	cada	indivíduo	um	perfume.	Todos
gostavam	do	odor	do	perfume	e	o	elogiavam.
O	homem	(que,	conforme	souberam	depois,	era	da	Igreja	Adventista	do	Brás,
em	São	Paulo)	dizia	então:
–	Assim	como	vocês	gostaram	desse	perfume,	vocês	vão	gostar	deste
programa.	–	E	deixava	com	as	pessoas	um	panfleto	com	o	dia,	a	hora	e	o	nome
da	rádio	que	transmitia	o	programa	da	Voz	da	Profecia.
Surpreso,	o	Sr.	José,	ao	chegar	à	sua	casa,	contou	à	esposa	sobre	o	programa,	e
ambos	sintonizaram	o	rádio	no	programa	e	se	tornaram	ouvintes	assíduos.	O
casal	estava	estudando	também	com	as	testemunhas	de	Jeová.	Mais	tarde,
quando	houve	um	debate	de	duas	horas,	eles	se	decidiram	pela	Igreja	Adventista
e	foram	batizados	poucos	meses	depois.	Imbuídos	do	amor	de	Cristo,	levaram	a
mensagem	aos	pais	de	Luiza	em	Guaxupé,	MG,	que	também	se	batizaram.
–	Tudo	isso	por	causa	de	um	perfume,	vindo	de	Jesus,	que	inebriou	essas
famílias	–	conclui	Ernesto.
Tocado	pela	Voz
Emenegildo	Ângelo	Ferracini,	de	Videira,	SC,	revela	como	foi	sua	conversão.
Ele	gostava	muito	de	escutar	os	jogos	de	futebol	pela	Rádio	Tupi	de	São	Paulo.
Criado	no	campo,	saía	para	pescar	aos	sábados	e	domingos.	Mas,	num	domingo
pela	manhã,	ficou	em	casa	e	ligou	o	rádio	às	8h,	justamente	na	hora	que	estava
sendo	introduzido	o	programa	da	Voz	da	Profecia.	Ao	ouvir	o	quarteto	Arautos
do	Rei	e	a	mensagem	do	pastor	Rabello,	foi	tocado	profundamente	e	de	tal
maneira	que	não	perdeu	mais	nenhum	programa.
Entrou	em	contato	com	a	Igreja	Adventista	de	Piracicaba	e,	em	1965,	foi
batizado	pelo	pastor	Roberto	Ferrari.	Mais	tarde,	mudou-se	para	Botucatu,	onde
conheceu	o	pastor	Rabello	durante	uma	série	de	conferências	dos	pastores
Geraldo	de	Oliveira	e	Arthur	Marski.	Foi	um	dos	pioneiros	do	trabalho	naquela
cidade.	Depois,	ele	foi	para	Videira	a	serviço	da	Superbom.
Contatos	com	a	Voz
Um	dos	grandes	problemas	da	Voz	da	Profecia	no	Brasil	foi	o	atendimento	aos
alunos.	Eunice	Soares	Oelminger,	de	Guaimbê,	SP,	minha	colega	de	estudos	no
colégio,	conta	que	seu	pai,	que	era	pastor,	havia	recebido	alguns	endereços	da
Voz	da	Profecia	para	que	entrasse	em	contato	com	as	pessoas.	Um	senhor	bem
idoso,	que	estava	muito	doente,	recebeu	a	visita	do	pastor	e	teve	a	oportunidade
de	estudar	a	Bíblia	por	muitas	horas,	mas	veio	a	falecer.
No	meio	da	semana,	seu	pai	visitou	a	família	e	fez	o	convite	para	uma	“missa
de	sétimo	dia”,	na	Igreja	Adventista,	às	10h	da	manhã.	O	pastor	Soares
aproveitou	a	oportunidade	para	falar	sobre	a	morte,	a	ressurreição	e	a	vida
eterna.	Nunca	mais	aquelas	pessoas	deixaram	de	ir	à	igreja.
Na	semana	seguinte,	chegou	uma	carta	da	Voz	da	Profecia	endereçada	ao
homem	que	morrera.	O	filho	dele	respondeu	dizendo	que,	infelizmente,	o	pai
falecera	e	não	poderia	continuar	o	curso.
O	filho	recebeu	uma	bela	e	confortante	carta,	sugerindo	que	fizesse	o	curso	no
lugar	do	pai.	Ele	aceitou	o	desafio,	fez	as	lições	e	arrumou	mais	75	alunos	para	a
Voz	da	Profecia,	quase	todos	parentes	dele!
Quando	as	pessoas	tomaram	a	decisão	para	o	batismo,	surgiu	um	grave
problema:	à	entrada	da	casa,	havia	um	corredor	cheio	de	todo	tipo	de	imagens,
desde	o	chão	até	o	teto.	O	pastor	Soares	não	sabia	como	abordar	o	assunto.
Movido	pelo	Espírito	Santo,	discutiu	sabiamente	o	problema	e	os	irmãos
disseram:
–	Pastor,	isso	nunca	vai	impedir	o	nosso	batismo.
Os	pastores	e	pessoas	que	saíram	em	busca	dos	ouvintes	do	programa	foram
instrumentos	importantes	para	a	transformação	das	pessoas.
Nas	alturas
Nelly	Von	Hoohnholtz,	de	São	Francisco	do	Sul,	SC,	é	oriunda	da	pequena
cidade	de	Bossoroca,	no	interior	do	Rio	Grande	do	Sul.	O	pai	era	hoteleiro,	e	um
dia	foi	visitado	por	um	colportor	que	lhe	deixou	literatura	e	uma	Bíblia.	Ela	e	a
irmã	ficaram	muito	interessadas	e	estudavam	sozinhas,	mas	sempre	com	desejo
de	receber	mais	alimento	espiritual.
Visitando	uma	amiga,	as	irmãs	ouviram	a	Voz	da	Profecia	e	ficaram	tão
empolgadas	que	pediram	licença	para	ouvir	todos	os	programas	em	casa.	As
mensagens	e	músicas	apresentadas	lhes	tocavam	o	coração.
–	Aquela	voz	penetrante	nos	elevava	às	alturas	–	comenta	Nelly.
No	ano	seguinte,	elas	entraram	em	contato	com	os	adventistas	da	cidade	mais
próxima,	Santiago	do	Boqueirão,	e	foram	convidados	para	assistir	às	Bienais	em
Taquara,	RS.	Lá	foram	batizadas,	e	sua	irmã,	professora,	foi	convidada	para
lecionar	na	escola	de	Santa	Maria.	Nelly	estudou	no	IACS	e	levou	outros	alunos
das	fazendas	para	a	escola,	porque	os	pais,	confiando	nela,	queriam	inculcar	uma
boa	formação	moral	em	seus	filhos.
Mais	tarde,	Nelly	mudou-se	para	Santo	Ângelo	e	fez	amizade	com	uma
senhora	muito	católica.	Como	eram	boas	amigas,	Nelly	lhe	entregou	um	folheto
da	Voz	da	Profecia.	A	mulher	matriculou-se	na	Escola	Radiopostal	e	passou	a	ser
uma	assídua	ouvinte	do	programa.
Um	dia,	a	amiga	apareceu	na	casa	de	nossa	irmã	e	lhe	pediu	que	a	levasse	à	sua
igreja.	Havia	tomado	a	decisão	e	desejava	que	o	pastor	Rabello	fizesse	seu
batismo.	Mas,	como	o	pastor	Rabello	morava	no	Rio	de	Janeiro,	ela	concordou
em	ser	batizada	pelo	pastor	local	e	se	tornou	uma	fervorosa	adventista.	Como	é
maravilhoso	ver	que	aqueles	que	foram	frutos	da	Voz	da	Profecia	conduziram
outros	pelo	mesmo	caminho!
A	voz	que	não	saía	do	pensamento
Durante	uma	semana	de	oração	que	dirigino	IABC,	a	irmã	Maria	da	Glória
Santos,	de	Ouvidor,	GO,	me	entregou	uma	carta	contando	sua	experiência	com	a
Voz	da	Profecia	e	sua	conversão.	Ela	vivia	numa	pequena	cidade	no	interior	de
Pernambuco	e,	ao	visitar	a	oficina	de	seu	tio,	ouviu	através	do	rádio	uma	voz
“diferente”.	Vivia	com	muita	ansiedade,	pois	sua	irmã	estava	enferma	e	aquela
voz	não	lhe	saía	do	pensamento.
Essa	voz	tirou-lhe	a	paz	durante	dois	anos.	Um	dia,	ao	conversar	com	uma
senhora,	a	mulher	lhe	disse	que	sabia	o	que	ela	estava	procurando	e	indicou-lhe	a
estação	de	rádio	e	o	horário	do	programa	Voz	da	Profecia.	Foi	uma	surpresa	para
Glória.	Ao	ligar	o	rádio,	ouviu	a	mesma	voz	do	passado.
Dali	por	diante,	foi	uma	assídua	ouvinte	durante	doze	anos.	Fez	o	curso	bíblico
e,	em	1971,	ficou	conhecendo	o	pastor	Rabello	a	convite	do	pastor	da	Igreja
Presbiteriana.	Foi	realizada	uma	conferência	num	cinema,	que	ficou	superlotado.
Ela	ficou	emocionada	ao	ver	o	pastor	Rabello	se	dirigir	ao	palco.	O	pastor
Rabello	era	muito	apreciado	nessa	cidade.
Glória	mudou-se	para	Brasília	e	encontrou	ali	um	casal	que	pertencia	à	sua
família	e	que	se	preparava	para	o	batismo.	Começou	a	freqüentar	a	igreja	em
1973,	na	cidade-satélite	do	Gama.	Ela	se	tornou	uma	obreira	voluntária	por	mais
de	dez	anos	e	muitos	dos	seus	familiares	se	tornaram	adventistas.
Saindo	das	trevas
Em	1989,	tive	o	privilégio	de	realizar	uma	série	de	conferências	na	Igreja
Central	de	Belo	Horizonte,	MG.	Conversando	com	meu	sogro,	pastor	Rabello,
ele	se	prontificou	a	ajudar-nos,	juntamente	com	o	quarteto	Arautos	do	Rei.
Foram	noites	inesquecíveis	e	ficamos	simplesmente	maravilhados	de	ver	o
impacto	da	Voz	da	Profecia	e	do	pastor	Rabello	no	meio	protestante.	Ficamos	na
casa	do	coronel	Paulo	Valério,	falecido	recentemente.	Por	ocasião	do
falecimento	do	pastor	Rabello,	em	1996,	a	Sra.	Marta	Valério,	esposa	do	coronel,
escreveu:
Lendo	a	Revista	Adventista,	soubemos,	com	pesar	e	tristeza,	do	falecimento
do	pastor	Roberto	M.	Rabello.	Sentimos	muito.	Nossa	igreja	perde	um
grande	líder.	E	o	Brasil	perde	um	grande	evangelista,	que,	com	seus	tão	bem
elaborados	programas	e	mensagens	e	seu	timbre	de	voz	tão	peculiar	e
inesquecível,	tocava	e	convertia	tantos	corações,	inclusive	o	nosso.
Fico	recordando	esse	tempo	com	o	coração	agradecido,	pois	o	pastor
Roberto	Rabello	muito	nos	ajudou	a	deixar	tão	densas	trevas.	Ele	ajudou
também	à	minha	mãe,	que	se	converteu	e	se	batizou	com	87	anos.
Encantada	pela	voz
Em	1989,	durante	essa	mesma	série	de	conferências	em	Belo	Horizonte,	a	irmã
Maria	Fausta,	única	adventista	em	sua	família,	entregou	a	vida	a	Cristo.	Sabendo
que	minha	esposa	era	filha	do	pastor	Rabello,	escreveu-me	em	1989,	após	as
conferências,	o	seguinte:
Por	falar	nela	(a	filha	do	pastor	Rabello),	o	irmão	certamente	não	se
esqueceu	de	contar-lhe	que	seu	pai	foi	o	responsável	indireto	pela	minha	ida
para	a	Igreja	Adventista.	Há	muitos	anos	eu	era	ouvinte	da	Voz	da	Profecia.
Era	encantada	pela	voz	do	pastor	Roberto	Rabello.	Um	dia,	ouvindo	o
programa,	fizeram	um	convite	para	participar	do	curso	Revelações	do
Apocalipse.	Eu,	que	não	conhecia	a	igreja,	na	mesma	hora	liguei	solicitando
minha	inscrição,	com	a	finalidade	de	conhecer	pessoalmente	o	pastor
Rabello.	Não	tinha	a	menor	idéia	de	que	aquele	passo	seria	o	início	de	um
novo	rumo	para	minha	vida.	Conheci	o	pastor	Rabello,	fiz	o	curso	e	não
faltei	mais	a	nenhuma	reunião	da	igreja.
Que	testemunho	maravilhoso!	A	irmã	Fausta	conheceu	o	pastor	Rabello	e	o
quarteto	Arautos	do	Rei,	pois	eles	foram	até	Belo	Horizonte	para	ajudar	durante
um	mês	na	série	de	conferências.	Cristãos	de	todas	as	denominações	que	eram
ouvintes	da	Voz	da	Profecia	estiveram	presentes	ali.
Tesouros	da	fé
Levy	Nascimento,	de	Manaus,	teve	a	alegria	de	conhecer	pessoalmente	o
pastor	Rabello	por	ocasião	de	suas	visitas	à	capital	amazonense.	Os	membros	da
família	do	irmão	Levy	eram	ouvintes	assíduos	dos	programas	da	Voz	da
Profecia,	transmitidos	por	um	rádio	antigo.	A	palestra	favorita	deles	era	sobre	a
justificação	pela	fé.
Em	1987,	um	adventista	que	trabalhava	com	ele	numa	fábrica	solicitou	sua
ajuda	para	auxiliar	outro	irmão	da	cidade	de	São	José	que	estava	enfrentando
problemas	sérios	com	outro	programa	de	rádio	de	Cajual.	Os	adventistas	eram
até	ameaçados	de	ser	espancados.	O	amigo	de	Levy	disse	que	não	deixaria	o
irmão	na	fé	apanhar	sozinho	e	se	prontificou	a	apresentar	A	Voz	da	Profecia.
Estava	confiante	de	que,	levando	a	voz	do	pastor	Rabello	e	o	programa	da	Voz
da	Profecia,	as	coisas	iriam	mudar.	Como	resultado,	muitas	crianças	e	adultos
fizeram	os	cursos	bíblicos	da	Voz	da	Profecia	e	surgiu	um	grupo	em	Cajual.	Com
a	participação	pioneira	do	pastor	Rabello	e	a	disposição	dos	irmãos,	mais	dois
grupos	pioneiros	surgiram,	usando	o	audiovisual	dos	Tesouros	da	Fé.
Seminarista	admirador
Osmar	Pires	Maciel,	de	Luziânia,	GO,	ficou	muito	triste	ao	saber	do
falecimento	do	pastor	Rabello,	a	quem	considerava	um	grande	batalhador	da
verdade.	Tornou-se	um	grande	admirador	do	orador	da	Voz	da	Profecia	e	diz	que
entrou	na	família	adventista	por	intermédio	dele.
Ele	entrou	para	um	seminário	católico	com	o	desejo	de	ingressar	na	carreira
sacerdotal.	Um	ano	antes,	ele	havia	recebido	de	um	colportor	um	curso	bíblico
da	Voz	da	Profecia.	Não	se	interessou	muito.	Mais	tarde,	foi-lhe	concedida	a
oportunidade	de	fazer	o	curso	A	Bíblia	Fala.	Depois	do	curso,	ele	decidiu	ser
adventista.	Fez	mais	quatro	cursos	oferecidos	pela	Escola	Radiopostal,	tornando-
se	um	valoroso	leigo	e	ajudando	outros	a	conhecer	a	Cristo.
Segundo	ele,	outras	entidades	religiosas	admiravam	o	pastor	Roberto	Rabello	e
os	Arautos	do	Rei.	Osmar	fala	de	um	senhor	batista	que	também	admirava	o
exemplo	e	a	dignidade	dos	componentes	da	Voz	da	Profecia	e	seu	orador,	e	que
se	tornou	adventista.
Visita	do	pastor
Foi	uma	experiência	inesquecível.	Minha	esposa	e	eu	estávamos	noivos.	Isso
foi	há	50	anos,	um	pouco	antes	de	nosso	casamento	no	dia	20	de	fevereiro	de
1956.	Fazíamos	os	preparativos	para	o	casamento	e	meus	futuros	sogros	–	o
pastor	Rabello	e	sua	esposa	–	nos	convidaram	para	visitar	um	aluno	da	Escola
Radiopostal.	Ainda	recordo	a	casa	simples	daquele	aluno,	o	pai	da	irmã	Vanice
Silva	Gavina,	de	Araruama,	RJ.	Ela	conta	como	sua	família	chegou	ao
conhecimento	da	mensagem	adventista:
Que	privilégio:	receber	o	orador	da	Voz	da	Profecia	em	nossa	humilde	casa!
Pois	é,	o	pastor	Rabello	foi	visitar	um	aluno	da	Escola	Radiopostal	–	José
Manoel	da	Silva,	meu	pai,	hoje	falecido	(faleceu	em	1985,	aos	94	anos).	Ele	já
tinha	algum	conhecimento	do	evangelho	de	Cristo,	mas	tudo	veio	a	tomar	vulto	a
partir	do	dia	em	que	meu	pai	adquiriu	um	rádio	a	pilhas,	uma	novidade	na	época,
lá	no	interior.
Conseguimos	sintonizar	o	programa	da	Voz	da	Profecia,	não	me	recordo	bem	a
data,	pois	eu	tinha	menos	de	10	anos	de	idade.	Lembro-me	de	que	o	programa
era	ansiosamente	aguardado.	Quando	chegava	a	hora,	reuníamos	todos	–	meu
pai,	minha	mãe,	os	nove	filhos	e,	às	vezes,	vizinhos.	Não	se	ouvia	um	só	ruído.
Silêncio	absoluto.	Ninguém	falava.	Então,	ouvíamos	o	tradicional	“Servos	de
Deus,	a	buzina	tocai”	e,	em	seguida,	a	palestra	do	pastor	Rabello.	Só	saíamos	da
sala	quando	acabávamos	de	ouvir:	“O	Senhor	te	abençoe	e	te	guarde.	O	Senhor
faça	resplandecer	o	Seu	rosto	sobre	ti	e	te	dê	a	paz.”
Meu	pai	se	inscreveu	no	curso	da	Escola	Radiopostal	e,	em	1949,	concluiu	o
curso	e	recebeu	o	diploma	(guardo	esse	diploma	até	hoje).	Meus	irmãos
também	concluíram	o	curso.	Aí	se	iniciou	o	primeiro	grupo	de	adventistas	de
Ponte	dos	Leites.	Mais	tarde,	estendeu-se	aos	vizinhos.	A	mensagem
adventista	foi	se	espalhando	e	hoje	pertencemos	à	Igreja	Adventista	do
Sétimo	Dia	de	Araruama,	com	mais	de	150	membros	batizados.	É	uma	igreja
muito	bonita.	Deus	seja	louvado!	O	pastor	Rabello	foi	muito	importante	em
nossa	vida.
Ouvinte	do	armazém
Gessi	Lorena	Beck	Leitão,	de	Belo	Horizonte,	MG,	conta	que,	durante	14	anos,
ela	foi	uma	ouvinte	entusiasmada	da	Voz	da	Profecia.	Acompanhe	o	relato:
Desde	bem	nova,	na	casa	de	meus	pais,	lá	em	Taquara,	RS,	eu	me	trancavano
armazém	para	ouvir	o	programa	A	Voz	da	Profecia,	todos	os	domingos,	às	8h,
pela	Rádio	Farroupilha	de	Porto	Alegre.
É	interessante	que	uma	prima	que	até	hoje	não	é	adventista	foi	quem	nos
chamou	a	atenção	para	o	programa	e	para	o	cântico	dos	Arautos	do	Rei.
Estávamos	indo	para	São	Francisco	de	Paula	e	o	esposo	dela,	João,	sintonizou	a
Rádio	Farroupilha,	justamente	no	horário	do	programa.	Ele	disse:
–	Vejam	como	eles	cantam	com	perfeição!
Fiz	o	curso	da	Voz	da	Profecia	e	fui	batizada	na	Igreja	Central	de	Taquara,	em
5	de	dezembro	de	1965,	pelo	agora	falecido	pastor	Henrique	Ruhe,	sogro	do
pastor	Manoel	Porto.	Continuei	ouvindo	o	programa	até	que	me	casei,	aos	30
anos,	com	um	pastor	adventista,	em	1967.
Um	dia,	indo	passear	a	pé	com	minha	irmã	e	outra	prima,	passamos	em	frente
do	IACS,	onde	eu	havia	terminado	o	ginásio,	em	1962,	e	contabilidade,	em
1965.	Era	sábado	à	tarde	e	o	alto-falante	transmitia	as	músicas	dos	Arautos
do	Rei.	Fiquei	com	vontade	de	interromper	o	passeio,	entrar	pelo	portão	e
ficar	lá	dentro	escutando.
Fui	a	primeira	adventista	da	família,	seguida	de	minha	mãe,	meu	pai,	minha
primeira	sobrinha	Maria	Helena,	o	pai	dela	(meu	irmão	Gérson),	a	esposa
dele	e	a	outra	filha,	Raquel.	Meus	antepassados	até	a	sexta	geração	vieram	da
Alemanha,	por	volta	de	1800,	e	eram	todos	luteranos.
Devo	muito	ao	colégio	e	ao	professor	Waldemar	Rabello	(irmão	do	pastor
Roberto	Rabello).	Foi	ele	quem	encaminhou	a	mim	e	ao	meu	irmão	para	o
IACS.
Essas	histórias	nos	dão	um	pequeno	vislumbre	do	grande	ministério	do	pastor
Rabello,	da	Voz	da	Profecia,	da	Escola	Radiopostal,	dos	Arautos	do	Rei	e	de
todos	os	obreiros	que	trabalhavam	na	sede	do	Botafogo.
Muitas	dessas	experiências	foram	escritas	após	o	falecimento	do	pastor
Rabello,	mas	servem	para	exemplificar	a	dedicação	desse	homem	totalmente
consagrado	à	causa	do	Mestre.	Há	milhares	de	adventistas	espalhados	por	todo	o
Brasil	que	poderiam	contar	experiências	semelhantes.
Hoje,	a	igreja	tem	muitos	outros	instrumentos	e	agências	para	chegar	ao
coração	do	povo.	Mas,	apesar	de	toda	a	força	da	mídia	através	da	TV,	do	rádio	e
da	literatura,	faz-se	necessário	o	contato	pessoal	com	as	pessoas	que	anseiam	por
uma	vida	melhor.	Você	pode	não	ter	uma	voz	igual	à	do	pastor	Rabello,	mas
pode	ser	um	canal	do	amor	de	Deus.
O
Mensagens	que	chegavam	aos	corações
A	voz	do	pastor	Rabello	e	a	preparação	das	palestras	da	Voz	da	Profecia
pastor	Henry	Feyerabend	e	muitos	dos	que	trabalharam	com	o	pastor
Rabello	reconheceram	que	ele	tinha	algo	incomum,	pois	era	dotado	de
uma	voz	maravilhosa,	dádiva	do	Senhor	para	a	Voz	da	Profecia	no	Brasil.	Com
freqüência,	ouvíamos	pessoas	se	referirem	a	essa	voz	maviosa	que	penetrava	os
corações.
Mas	não	era	somente	a	sua	voz	que	penetrava	corações.	Uma	consagração	total
fluía	de	seu	ser,	levando	conforto	às	pessoas	e	famílias	que	viviam	com
ansiedade.	Muitas	pessoas	que	queriam	se	suicidar	abandonaram	seus	planos	ao
ouvir	aquela	voz	usada	pelo	Senhor	para	levar	alívio	às	almas	aflitas	e
angustiadas.
Era	uma	voz	aveludada.	Nas	palavras	do	pastor	Feyerabend,	ela	produzia	um
efeito	que	acalmava	as	pessoas.	Apesar	do	pastor	Rabello	não	ser	um	pregador
eloqüente	e	entusiasta,	suas	mensagens	eram	ouvidas	com	atenção,	pois	estavam
revestidas	por	essa	voz	rara	e	extraordinária.	Ele	usava	o	talento	que	recebera	do
Senhor.
O	Jornal	do	Município	de	Tanabi,	de	1°	de	maio	de	1977,	descrevendo	a	visita
da	equipe	da	Voz	da	Profecia	na	cidade	de	Votuporanga,	destacou:
Desta	feita,	acontecem	conferências	a	cargo	do	grande	orador	sacro
pertencente	ao	programa	a	Voz	da	Profecia,	pastor	Roberto	Mendes	Rabello.
Todos,	temos	certeza,	já	ouvimos,	pelo	menos	uma	vez,	a	voz	dolente	e
fraternal	de	Roberto	Rabello	através	de	nossas	emissoras	de	rádio.
Incansável,	distribui	entre	os	homens	de	boa	vontade	a	Palavra	do	Mestre,
do	Criador	Uno	e	Perfeito.	É	um	magistério,	uma	devoção,	uma	missão	de
alto	valor,	pouco	entendido	às	vezes,	mas	necessário	para	todos	nós.
É	interessante	observar	a	descrição	feita	por	esse	jornal	sobre	a	voz	do	pastor
Rabello.	Era	uma	voz	especial	para	o	microfone.	Esse	fato	foi	confirmado	pelo
pastor	Carlos	Rentfro,	que,	ao	analisar	o	teste	do	pastor	Rabello	na	Califórnia,
sugeriu	que	ele	fosse	escolhido.
O	pastor	Rabello	tinha	excelente	dicção.	Ao	iniciar	meus	estudos	em	nosso
colégio	de	La	Sierra,	fui	convidado	para	fazer	os	anúncios	da	Voz	da	Profecia
por	dois	anos	(1957	e	1958).	Minha	voz	não	era	perfeita	e	não	tinha	o	som
mavioso	do	orador	do	programa,	mas	fui	escolhido	por	ter	um	bom	contraste
com	a	voz	dele	e,	ao	mesmo	tempo,	por	já	estar	residindo	perto	de	Glendale,	o
que	seria	uma	economia	para	a	Voz	da	Profecia.
Durante	os	testes	e	apresentações,	compreendi	que	falar	no	rádio	não	era	uma
tarefa	fácil.	Exigia	muita	atenção	e	uma	excelente	dicção.	Meu	sogro	notou	que
eu	não	estava	pronunciando	corretamente	as	palavras,	em	especial	“Escrituras”.
A	palavra	soava	como	“esquituras”.	O	curioso	é	que	nunca	tinha	percebido	isso,
pois	falar	em	público	é	muito	diferente	de	falar	no	rádio.	Os	membros	do
quarteto	eram	muito	pacientes	e	voltavam	atrás	para	que	eu	pudesse	ouvir	e
repetir	a	frase	mal	pronunciada.
Foi	uma	experiência	valiosa	para	o	meu	ministério,	pois	aprendi	com	alguém
que	era	um	perito	em	dicção	e	pronúncia	das	palavras.	Nunca	me	esqueço	de
quantas	vezes	eu	repetia	a	pronúncia	das	palavras	(especialmente	Escrituras),
para	que	saíssem	claras	e	distintas.
Desde	os	dias	em	que	o	pastor	Rabello	estudava	no	colégio,	seus	professores	o
admiravam	por	sua	caligrafia	e	boa	dicção	das	palavras.	Não	é	de	admirar	que,
nas	primeiras	décadas	da	Voz	da	Profecia,	locutores	através	do	Brasil	ligavam	o
rádio	não	somente	para	ouvir	a	mensagem,	mas	também	para	aprender	a	arte	da
dicção	com	o	orador	do	programa.
Sua	gramática	era	quase	impecável.	Esse	fato	é	confirmado	por	um	livreto	que
encontramos	em	sua	caixa	de	papéis	e	manuscritos	–	O	Colegial.	Ele	foi	o
diretor	dessa	publicação	em	1930,	ano	de	sua	formatura,	e	Durval	Stockler,	o
redator.	Deus	já	estava	preparando	aquele	jovem	que	se	formaria	no	fim	do	ano.
Parece	que	estamos	lendo	e	ouvindo	suas	frases	e	pensamentos	através	das
publicações	da	Voz	da	Profecia	e	da	Revista	Adventista	ao	longo	dos	anos.
Encontrei	nos	arquivos	do	pastor	Rabello	uma	carta	escrita	pelo	pastor	Luiz
Waldvogel,	o	querido	e	inesquecível	redator	da	Casa	Publicadora	Brasileira,	e
datada	de	16	de	outubro	de	1942.	O	redator	já	sabia	que	Rabello	havia	sido
escolhido	para	fazer	as	conferências	pelo	rádio,	“mas	ignorava	que	o
empreendimento	fosse	de	tão	vastas	proporções”.	O	pastor	Rabello	escrevera
pedindo	dicionários	de	todos	os	tipos	para	as	traduções	das	palestras	para	o
português.	O	novo	orador	disse	que	ia	apresentar	um	“Curso	Sobre	as	Santas
Escrituras”,	mas	o	pastor	Waldvogel	sugeriu	uma	mudança	para	“Curso	Sobre	as
Sagradas	Escrituras”.
Essa	experiência	é	notável,	pois	revela	que	o	pastor	Rabello,	ao	assumir	o	seu
cargo,	recorreu	a	um	dos	grandes	redatores	de	nossa	igreja,	pedindo	material	e
sugestões	para	o	seu	novo	ministério.	Há	sabedoria	em	pedir	ajuda	aos	peritos	e
entendidos.	Por	falar	nisso,	de	acordo	com	o	pastor	Rabello,	a	Sra.	Isolina
Waldvogel	foi	uma	das	melhores	tradutoras	de	hinos	e	poesias	usados	nos
programas	da	Voz	da	Profecia.
As	palestras
Não	é	fácil	preparar	uma	palestra	para	um	programa	de	rádio.	Ela	tem	que	ser
cronometrada	e	redigida	de	maneira	concisa	e	direta	para	transmitir	o	tema	e	a
mensagem.	Tudo	isso	exigia	muita	pesquisa,	e	o	pastor	Rabello	contava	com	a
ajuda	de	sua	fiel	companheira	para	encontrar	ilustrações,	fatos	históricos,
experiências	e	poesias	que	pudessem	elucidar	o	assunto.
Ele	possuía	uma	vasta	biblioteca	em	português	e	inglês,	incluindo	livros	em
alemão,	língua	materna	de	sua	esposa.	Sendo	um	profundo	pesquisador,	sabia
alinhavar	seus	pensamentos	para	que	chegassem	ao	coração	do	povo	brasileiro.
Tinha	uma	voz	especial	e	penetrante,	excelente	português,	dicção	perfeita	e,
além	disso,	havia	sido	pastor	por	muitos	anos.	Aliando	tudo	isso	aosseus
estudos	avançados	nos	Estados	Unidos,	ele	estava	capacitado	para	alcançar
pessoas	de	todos	os	níveis.
Suas	mensagens	chegavam	ao	mais	simples	e	humilde	camponês,	ao	lutador	e
trabalhador	e	às	classes	altas.	Ele	tinha	realmente	o	dom	da	comunicação.	Sabia
chegar	às	pessoas	onde	estavam	e	ia	ao	encontro	de	suas	necessidades	e
aspirações	pessoais.	Suas	mensagens	serviam	de	alento	e	conforto	e,	ao	mesmo
tempo,	eram	desafiantes,	instando	com	as	pessoas	para	que	deixassem	seus
caminhos	e	seguissem	o	Salvador.
Sermões	simples	e	profundos
Examinei	centenas	de	sermões	e	palestras	do	pastor	Rabello.	Algo	que	me
impressiona	é	como	ele	pegava	qualquer	papel	que	estivesse	ao	seu	dispor	para
fazer	o	esboço	do	sermão.	Preferia	ter	os	assuntos	escritos	com	seu	próprio
punho,	especialmente	depois	que	perdeu	sua	primeira	companheira.	As	palestras
eram	datilografadas	pelas	secretárias	da	Voz.
Durante	um	encontro	da	parentela	em	Taquara,	RS,	no	dia	2	de	janeiro	de
1983,	ele	preparou	o	seguinte	sermão:
A	Alvorada	de	Deus
1.	Desejei	este	encontro	para	rever	familiares,	parentes	chegados	e	distantes,
amigos	de	infância	e	juventude	e	conhecidos.	Foi	grande	prazer	encontrá-los,
também	aos	irmãos	que	estão	conosco:	colegas	de	ministério,	membros	da
família	de	Deus	neste	estado.
2.	Símbolo	do	maior	dos	encontros.
A.	A	alegria	deste	encontro	faz-me	pensar	na	alegria	de	um	outro	encontro
infinitivamente	mais	importante	e	mais	feliz	–	lembrá-lo	e	também	desejá-lo:	a
alegria	de	ver	os	meus	familiares	–	a	minha	não	pequena	parentela	–	os	meus
amigos	de	infância,	os	meus	irmãos	na	fé	na	grande	reunião	que	Deus	vai
promover	quando	Jesus	voltar.	Sim,	a	grande	reunião	da	alvorada	de	Deus.
B.	Desde	a	entrada	do	pecado,	o	mundo	está	mergulhado	numa	já	longa	noite
de	males.	Enfrentamos	doenças,	dores,	sofrimento,	injustiças,	perda	de	entes
queridos.	Condições	do	mundo	se	agravam	com	o	passar	dos	dias.
C.	Mas	vem	vindo	uma	alvorada.	O	apóstolo	Pedro	disse:	“Até	que	o	dia
clareie.”	Esta	é	a	mui	firme	promessa	de	Deus.	O	mal	teve	princípio	e	terá	fim.
Até	o	zoroastrismo	crê	no	fim	do	mal.	Ensinava	o	dualismo,	a	existência	de	dois
poderes:	Ahura	Mazda,	a	divindade	do	bem;	e	Angra	Mainyu,	a	do	mal.	Sempre
existiram.	Mas	por	fim	a	do	bem	triunfará	sobre	a	do	mal.
D.	O	reiterado	anúncio	das	Escrituras:	Caminhamos	para	o	fim	do	mal	e	para	o
alvorecer	de	um	novo	dia.	Três	pontos	altos:	Paraíso	perdido	e	Paraíso
restaurado,	com	a	cruz	no	meio.
E.	Esperança	baseada	na	firme	palavra	dos	profetas.	Daniel,	nas	suas	profecias
apocalípticas	(que	revelam	os	mistérios	do	futuro,	culminando	com	o	triunfo	de
Cristo),	anunciava	essa	alvorada.	Apresentou	quatro	cadeias	proféticas,	todas
apontando	para	o	reino	de	Deus	(Dn	2:44):	estabelecimento	do	reino	(7:13,	14);
Filho	do	homem	recebendo	domínio	(8:25);	oposição	ao	Príncipe	dos	príncipes
será	quebrada	(8:25);	Miguel	se	levantará	para	livrar	o	povo	de	Deus	(12:1).
Jesus	pregou	o	evangelho	do	Reino	(Mt	14:23);	mandou	pregar	ao	mundo	(Lc
9:2,	60);	mandou	orar	para	que	venha	(Mt	6:10);	prometeu	voltar	para	o
estabelecer	(Mt	24:14).
Apóstolo	Pedro:	É	necessário	que	o	“Céu	receba	[Jesus]	até	aos	tempos	da
restauração	de	todas	as	coisas”	(At	3:21).
Paulo:	Dar	ênfase	à	esperança	do	reino	(1Ts	19:10;	2:12;	4:14-17).
João:	Quatro	principais	divisões:	sete	igrejas	(Ap	1-3);	sete	selos	(Ap	4-8);	sete
trombetas	(Ap	8-11);	desfecho	da	grande	controvérsia	(Ap	12-22).
Com	a	vitória	de	Cristo	sobre	Satanás,	mais	clara	e	convincente	(Dn	2).
F.	Já	agora	próximo,	às	portas.	O	Grande	Desapontamento	–	1a	metade	do
século	19.	Hoje:	mui	grave	situação	do	mundo:	política,	econômica,	social-
religiosa;	permissividade	desenfreada.
H.	Kissinger:	“Como	um	historiador	tereis	agora	de	predizer	que	a	nossa
espécie	de	sociedade	muito	provavelmente	não	durará	muito	tempo.”
Norman	Brown:	“Hoje,	até	a	sobrevivência	da	humanidade	é	uma	esperança
utópica.”
G.	Logo	Jesus	virá	com	poder	e	glória	(Jo	14:1-3;	Mt	24:30,	31;	1Ts	4:13,	16,
17).
Naquela	reunião	maravilhosa	estarão:	Adão	e	Eva;	Noé,	herói	do	dilúvio	e
segundo	pai	da	raça;	Abraão,	o	pai	de	todos	os	que	crêem;	Moisés,	o	grande
legislador	hebreu;	os	apóstolos	Paulo	e	Pedro;	os	mártires	de	todos	os	tempos;	os
nossos	queridos	que	morreram	em	Cristo;	o	nosso	pai	e	a	nossa	mãe;
encontraremos	também	Jesus	(Ap	22:4).
O	Universo	inteiro	fremirá	de	júbilo,	como	nunca	antes,	sem	dúvida,	porque
pela	primeira	vez	parte	da	família	de	Deus	terá	sido	arrancada	das	garras	do	mal.
Vocês	e	eu	devemos	estar	lá.	Como	poderíamos	estar	ausentes?
Cântico:	“Hei	de	Estar	na	Alvorada.”
Como	assegurar	essa	bênção?	Recebendo	pela	fé	Aquele	que	pode	salvar	do
pecado	–	Jesus	Cristo	(Jo	1:12).	Cristo	merece	o	nosso	amor,	pois	por	nos	amar
deu	por	nós	a	Sua	vida	(Rm	5:8;	2Co	5:14,	15;	Is	55:6,	7).
Esse	era	apenas	um	esboço	típico	de	muitos	dos	sermões	após	sua	jubilação.
Ele	procurava	chegar	ao	coração	dos	ouvintes	e,	auxiliado	pelo	quarteto	da	Voz
da	Profecia,	levava	às	pessoas	uma	mensagem	de	esperança	fundamentada	nas
Escrituras	Sagradas.
O	pastor	Rabello	não	somente	produziu	palestras	para	os	programas	da	Voz	da
Profecia	(mais	de	2	mil,	ao	que	consta),	mas	também	pregou	milhares	de
sermões	nas	igrejas,	fez	sermões	de	casamentos,	funerais	e	discursos	para
ocasiões	especiais.
O
O	Impacto	da	Voz
Como	a	Voz	da	Profecia	alcançou	corações
professor	Roberto	César	de	Azevedo,	na	época	diretor	de	Educação	da
Divisão	Sul-Americana,	fez	uma	dissertação	para	seu	mestrado	na
Universidade	de	São	Paulo	(USP)	intitulada:	“Voz	da	Profecia	e	Conversão	no
Estado	de	São	Paulo”.	Foi	um	excelente	trabalho,	que	demonstra	o	grande
impacto	das	mensagens	do	pastor	Rabello	e	do	ministério	da	Voz	da	Profecia,
que	inclui	o	quarteto	Arautos	do	Rei,	a	Escola	Radiopostal,	as	visitas	e,	acima	de
tudo,	a	obra	de	acompanhamento	dos	pastores	para	completar	o	trabalho.
Apresenta	também	uma	estatística	das	conversões	através	dos	anos	no	Estado	de
São	Paulo.
É	interessante	observar	que,	por	incrível	que	pareça,	houve	resistência	a
princípio	de	estabelecer	um	programa	de	rádio	no	Brasil.	Vinte	anos	depois,
Azevedo	menciona	uma	frase	escrita	pelo	pastor	Rabello:	“Houve	também
ceticismo	em	nosso	próprio	arraial.	Muitos,	até	mesmo	dos	nossos	obreiros,	não
criam	na	eficácia	do	rádio	como	meio	de	evangelização.”
O	impacto	do	programa	foi	tão	grande	que	uma	revista	católica	publicou	um
artigo	alertando:	“Os	sabatistas	ou	adventistas	do	sétimo	dia	constituem	uma	das
seitas	mais	perigosas	destes	últimos	tempos.	Com	uma	organização	modelar	e
dispondo	de	uma	fortuna	verdadeiramente	colossal	pela	contribuição	dos
dízimos	de	todos	os	seus	adeptos,	estão,	agora,	irradiando	todas	as	semanas	o	seu
programa	A	VOZ	DA	PROFECIA	por	mais	de	400	estações	em	todos	os	países	e
ilhas	das	três	Américas.”
Em	1943,	somente	três	estações	irradiavam	a	Voz	da	Profecia	no	Estado	de	São
Paulo,	de	acordo	com	a	pesquisa	do	professor	Roberto	Azevedo.	Em	1975,	elas
totalizavam	93.	Surgiram	programas	em	alemão	e	japonês.
É	difícil	saber	quais	foram	os	primeiros	conversos	como	resultado	do	programa
A	Voz	da	Profecia.	Sendo	que	as	primeiras	irradiações	se	iniciaram	em	setembro
de	1943,	não	foi	possível	constatar	nada	positivo	até	o	fim	da	década	de	40.	De
acordo	com	Azevedo,	o	primeiro	caso	é	o	mencionado	na	Revista	Adventista	de
setembro	de	1949,	sob	o	título:	“Como	me	Tornei	Adventista.”	Azevedo	escreve
(com	pequenas	mudanças	editoriais):
Escolhemos	esta	conversão	como	sendo	a	primeira	do	fruto	direto	da	Voz	da
Profecia	pelas	seguintes	razões:	(a)	o	próprio	converso	é	que	escreveu,	portanto,
é	uma	informação	de	primeira	mão;	(b)	o	converso	não	pertencia	à	Igreja
Adventista	e,	pelo	que	consta	do	relato,	não	conhecia	as	doutrinas	adventistas
(ele	era	da	Igreja	Ortodoxa);	(c)	o	programa	A	Voz	da	Profecia	influiu
diretamente	na	sua	conversão	–	‘o	orador	apelava	aos	ouvintes	para	que	se
entregassem	a	Cristo,	e	eu	decidi	fazer	a	minha	entrega’;	(d)	define	o	estado	e	a
Igreja	Adventista	a	que	se	dirigiu	(Central	de	São	Paulo);	(e)	define	quefoi
batizada	na	Igreja	Adventista	–	‘consegui	o	endereço	da	Igreja	Central	de	São
Paulo,	recebi	estudos	bíblicos	e	FINALMENTE	FUI	BATIZADA’;	(f)	o	relato
aparece	na	Revista	Adventista,	que	é	o	órgão	oficial	da	Igreja	Adventista	no
Brasil.
Portanto,	esse	relato	de	conversão	pode	ser	tomado	como	sendo	a	primeira
conversão	da	Voz	da	Profecia	no	Brasil	e,	por	coincidência,	no	Estado	de	São
Paulo.	É	bom	recordar	que,	antes	dessa	conversão,	realmente	outra	ou	outras
poderão	ter	ocorrido.	Porém,	como	este	é	o	relatório	mais	seguro,	foi	tomado
como	sendo	o	primeiro	resultado	de	conversão	da	Voz	da	Profecia.
Assim,	o	tempo	máximo	que	o	rádio	no	Brasil	levou	para	converter	alguém	foi
de	1943-1949,	ou	seja,	seis	anos.	É	bom	recordar	agora	que	o	tempo	máximo
que	a	comunicação	impressa	levou	para	possibilitar	a	conversão	de	uma	pessoa
ao	adventismo	no	Brasil	foi	de	17	anos.	Em	outras	palavras,	podemos	afirmar
que	a	velocidade	para	conversão	é	acelerada	três	vezes	mais	ao	ser	usado	o	rádio
em	vez	da	imprensa.
É	muito	difícil	saber	quantas	pessoas	entraram	para	a	igreja	como	resultado
direto	da	Voz	da	Profecia.	Recordo,	por	exemplo,	a	conversão	de	nossa	família.
A	irmã	Bassi	(mãe	do	falecido	pastor	Ermano	Bassi)	foi	a	primeira	a	visitar
nosso	lar,	dando-nos	a	primeira	Bíblia.	A	seguir,	o	trabalho	foi	seguido	pelo
irmão	João	Zillo,	da	Igreja	do	Brás,	em	São	Paulo.	A	irmã	Wanda	Apolinário	deu
os	primeiros	estudos	bíblicos	para	nossa	família.	Escutávamos	os	programas	da
Voz	da	Profecia.	Finalmente,	meus	pais	foram	batizados	na	Igreja	do	Brás.	Quem
merece	as	estrelas	na	coroa?
O	importante	é	pregar	o	evangelho	e	deixar	que	o	Espírito	Santo	opere	nos
corações.	O	rádio	serviu	como	um	veículo	para	levar	as	pessoas	a	Cristo,	a	fim
de	buscarem	ajuda,	informação,	mais	contato	com	Deus	e	a	igreja.
O	professor	Azevedo	termina	sua	tese	com	esta	frase:	“O	programa	A	Voz	da
Profecia	é,	portanto,	um	agente	de	conversão	para	a	Igreja	Adventista	tanto	no
Brasil	como	nos	Estados	Unidos.”
O	mesmo	pode	ser	dito	sobre	o	Está	Escrito,	Fé	para	Hoje,	Quiet	Hour,
Amazing	Facts,	sem	contar	as	escolas,	hospitais,	sociedades	de	jovens,	Clube	de
Desbravadores,	Escola	Sabatina,	séries	de	conferências,	enfim,	a	lista	é	grande.
Todos	são	agentes	e	meios	usados	para	encaminhar	as	pessoas	a	Cristo.
Grande	batismo
O	pastor	Roberto	Azevedo,	diretor	de	Rádio	e	Comunicação	da	União	Sul
Brasileira	e	um	dos	grandes	pioneiros	na	área	de	comunicação	no	Brasil,	relata
os	esforços	da	igreja,	em	1960,	nas	principais	cidades	do	sul	do	país,	para
promover	o	programa	da	Voz	da	Profecia.
“Milhares	de	convites,	anúncios	e	cartazes	foram	levados	ao	público	através	de
jornais,	rádios,	veículos,	aviões	e	pelos	corajosos	obreiros	e	membros	das
igrejas,	nas	ruas,	fábricas,	nos	aglomerados	do	povo	e	em	especial	nos	lares,
alertando	a	todos	a	ouvirem	a	mensagem	do	rádio.”
Em	São	Paulo,	foram	distribuídos	pelas	sessenta	igrejas	e	grupos	da	capital	e
arredores	500	mil	convites	convidando	o	povo	a	ouvir	o	programa.	O	pastor
Alcides	Campolongo	realizou	uma	série	de	conferências	na	Casa	Verde,	que
despertou	grande	interesse.	Os	evangelistas	eram	muito	cuidadosos	naquele
tempo	para	não	revelar	ao	povo	a	origem	do	programa.	Na	décima	conferência,	o
pastor	Rabello	falou	ao	povo.	Só	então	é	que	as	conferências	foram	identificadas
com	a	Voz	da	Profecia.
Quando	o	pastor	Rabello	perguntou	quantos	eram	ouvintes	da	Voz	da	Profecia,
quase	a	totalidade	ergueu	a	mão.	Pelo	menos	80%	a	90%	eram	ouvintes.	Em
outras	séries,	o	povo	ficava	em	suspense	sem	saber	a	procedência	das
conferências.	Obreiros	e	irmãos	trabalharam	incessantemente	para	alcançar	as
pessoas.
O	pastor	Roberto	Azevedo	menciona	que	135	pessoas	foram	batizadas	no	dia	8
de	abril	de	1961	e	que	esse	foi	o	maior	batismo	de	uma	série	registrado	no	Brasil
até	então.	Mais	de	40	pessoas	aguardavam	o	batismo	seguinte.	Mais	de	1.200
pessoas	lotaram	o	templo	da	Igreja	Central	de	São	Paulo	para	assistir	a	essa
grande	festa	batismal.	Líderes	da	igreja	como	o	pastor	Moisés	Nigri,	o	pastor
Oswaldo	Azevedo,	o	professor	S.	Kumpel	e	o	pastor	João	Linhares	estiveram
presentes.
Esse	evento	mostra	que,	nas	primeiras	décadas	do	programa	da	Voz	da
Profecia,	os	pastores	sabiamente	usaram	essa	agência	para	alcançar	as	pessoas.
M
Celebrações	Especiais
Comemorações	da	Voz	da	Profecia
uitas	celebrações	foram	realizadas	através	do	pastor	Rabello	e	a	equipe
da	Voz	da	Profecia	ao	longo	dos	anos	em	todo	o	Brasil.	O	pastor	Roberto
Conrad,	eleito	orador	e	diretor	em	1976,	foi	também	um	instrumento	para	levar
ao	povo	brasileiro	essa	mensagem	de	fé	e	de	esperança.	O	pastor	Rabello
trabalhou	lado	a	lado	com	ele	e	o	quarteto	Arautos	do	Rei.	Nos	anos	seguintes,	a
mensagem	foi	ao	ar	pela	voz	de	outros	oradores	importantes	para	o	sucesso	do
programa.
Jubileu	de	prata
Os	primeiros	25	anos	da	Voz	da	Profecia	foram	comemorados,	em	1968,	com
uma	grande	celebração	marcada	com	a	presença	do	líder	mundial	da	Voz,	o
pastor	H.	M.	S.	Richards,	em	sua	primeira	visita	ao	Brasil.	Ele	estava
acompanhado	da	Srta.	Del	Delker	(cantora)	e	do	casal	Brad	e	Olive	Braley,
organistas	do	programa.	O	pastor	Rabello	e	os	Arautos	do	Rei	(composto	de
Malton	Braff,	Eclair	Cruz,	Roberto	Conrad	e	Wesley	Blevins)	viajaram	pelo	país
com	os	visitantes.	O	programa	no	Teatro	da	Paz,	no	dia	9	de	novembro	de	1968,
incluiu	muitas	músicas	e	foi	planejado	para	durar	73	minutos.
30	anos	de	bênçãos
O	Jornal	de	Hoje,	em	sua	edição	nacional	evangélica	de	maio	de	1973,	deu
grande	destaque	ao	30º	aniversário	da	Voz	da	Profecia	no	Brasil,	com	fotos	dos
pastores	Rabello	e	Campolongo,	dos	Arautos	do	Rei	e	do	encontro	de	22	de	abril
no	Cine	Piratininga	em	São	Paulo.	Um	trecho	dizia:
Na	ocasião,	o	pastor	Roberto	Rabello	discorreu	sobre	a	ressurreição	de	nosso
Senhor	Jesus	Cristo.	A	sua	conferência	foi	abrilhantada	e	enriquecida	com
sublimes	cânticos	espirituais	do	quarteto	vocal	masculino	Arautos	do	Rei,	da
cidade	do	Rio	de	Janeiro	e	do	Coral	Carlos	Gomes,	do	Instituto	Adventista	de
Ensino,	de	Santo	Amaro.	Nesses	dois	monumentais	encontros,	houve	muita
alegria,	muita	música	espiritual	e	palavras	de	apreço	ao	programa	A	VOZ	DA
PROFECIA,	bem	como	ao	seu	orador,	pastor	Roberto	Rabello.
35	anos
A	Adventist	Review,	de	5	de	abril	de	1979,	anunciou	o	35º	aniversário	da	Voz
da	Profecia	no	Brasil.	Mencionou	que	10	mil	pessoas	participaram	do	grande
evento	de	celebração	em	Porto	Alegre,	no	ano	anterior.	A	equipe	da	Voz	dos
Estados	Unidos	participou	dos	eventos	com	programações	realizadas	em	São
Paulo,	Brasília	e	Rio	de	Janeiro.	A	revista	destacou	que	a	Voz	da	Profecia
contava	com	três	escolas	radiopostais	e	era	responsável	por	ao	menos	2	mil
batismos	por	mês	no	Brasil.
Em	1978,	o	jornal	da	Voz	da	Profecia	dos	Estados	Unidos	fez	uma	reportagem
maravilhosa	sobre	a	obra	do	rádio	no	Brasil	e	a	comemoração	dos	35	anos.	O
jovem	pianista	Jim	Teel,	que	acompanhou	a	solista	Del	Delker,	contou	uma
experiência	que	ficara	gravada	em	sua	mente	na	visita	a	Recife:
Chegamos	bem	cedo	a	Recife	e	entramos	numa	Kombi,	como	chamam	no
Brasil	esse	veículo,	e	nos	levaram	por	três	horas	por	estradas	empoeiradas	e
escabrosas	até	o	colégio	(ENA),	mais	ou	menos	160	quilômetros	de	distância.
Ao	chegar,	não	somente	apresentamos	o	nosso	programa	regular,	mas	tivemos
que	fazer	um	segundo	programa	para	aqueles	que	não	tinham	conseguido	entrar
na	igreja	para	o	primeiro	programa.	Fomos	tarde	para	cama,	levantamos	bem
cedo	no	dia	seguinte	e	viajamos	pela	mesma	estrada.	Chegamos	justo	na	hora	de
iniciar	o	programa	em	Recife.	Depois,	tivemos	um	almoço	rápido	e	logo
voltamos	para	a	programação	musical	da	tarde,	que	durou	várias	horas.
A	essa	altura,	Del	e	eu	estávamos	exaustos	e	ainda	tínhamos	outro	programa
naquela	noite.	Para	complicar	a	situação,	ao	chegarmos	à	pequena	igreja,	não
havia	piano	–	somente	um	pequeno	órgão	de	pedalar,	muito	antigo.	Justamente
quando	parecia	que	tudo	ia	piorar,	algo	maravilhoso	ocorreu.	Os	primeiros
bancos	da	igreja	superlotada	estavam	cheios	de	crianças,	muitas	das	quais
receberiam	diplomasdos	cursos	da	Escola	Radiopostal	–	uma	prática	comum	no
Brasil.
Enquanto	olhávamos,	alguém	projetou	uma	imagem	na	tela,	bem	em	frente	da
sala,	e	ouvimos	músicas	oriundas	de	um	gravador.	De	repente,	o	rosto	de	todas
as	crianças	se	iluminou	e	a	sala	encheu-se	com	o	som	das	vozes	cantando	em
português:	“Servos	de	Deus,	a	buzina	tocai:	breve	Jesus	voltará.”	Olhei	para	Del
e	ela	olhou	para	mim	e,	de	repente,	não	estávamos	mais	cansados.
Pensei	comigo	mesmo:	“Se	a	Voz	da	Profecia	não	estiver	fazendo	nada	mais	do
que	colocar	as	sementes	do	amor	de	Deus	e	da	breve	volta	de	Jesus	no	coração
destas	crianças,	então	os	dólares,	o	tempo	e	as	orações	dedicados	estão	sendo
muito	bem	investidos.”
40	anos
“A	Voz	da	Profecia:	40	Anos	de	Evangelismo	Radiofônico”.	Esse	foi	o	título
do	artigo	da	Revista	Adventista,	em	setembro	de	1983,	por	ocasião	da
comemoração	dos	40	anos	de	atividades	da	Voz	da	Profecia	no	Brasil.	“Um
saldo	de	42%	de	todas	as	conversões	qualifica	a	importância	do	rádio	na
disseminação	da	mensagem”,	dizia	o	texto.	E	sobre	o	pastor	Rabello:	“Sua	voz
tornou-se	marca	registrada	do	programa.”	De	acordo	com	o	pastor	José	Bellesi,
administrador	da	Voz	na	época,	410	emissoras	transmitiam	o	programa.
Na	ocasião,	o	pastor	Neal	Wilson,	então	presidente	da	Associação	Geral,
felicitou	o	pastor	Rabello	pelos	seus	50	anos	de	ministério	e	40	anos	como
orador	da	Voz	da	Profecia.	No	dia	2	de	fevereiro	de	1982,	o	presidente	escreveu
uma	carta	destacando	o	trabalho	do	pioneiro	dos	programas	evangélicos	de	rádio
no	Brasil.	“Por	todos	os	relatórios	que	temos	ouvido	e	pelas	visitas	pessoais	à
America	do	Sul,	estou	convencido	de	que	seu	trabalho	pioneiro	através	do	rádio
lançou	a	semente	para	a	grande	colheita	que	estamos	agora	ceifando”,	comentou.
A	revista	Veja,	em	sua	edição	de	23	de	novembro	de	1983,	publicou	um
excelente	artigo	intitulado:	“A	Cadeia	de	Fé”.	O	texto	afirmava:
Às	12h30	em	ponto,	a	Rádio	Equatorial	de	Macapá,	no	Amapá,	começa	a
transmitir	o	programa	religioso	A	Voz	da	Profecia.	No	mesmo	horário,	o	quarteto
vocal	Arautos	do	Rei,	que	tradicionalmente	abre	esse	programa	com	um	cântico
sacro,	também	gorjeia	pelas	ondas	da	Rádio	Clube	de	Pouso	Alegre,	em	Minas
Gerais,	e	da	Rádio	Cultura	de	Canguçu,	no	Rio	Grande	do	Sul	–	duas	outras
pontas-de-lança	de	uma	impressionante	malha	de	340	estações	de	rádio	e	vinte
de	televisão,	que	leva	diariamente	a	mensagem	da	Igreja	Adventista	do	Sétimo
Dia	a	4	mil	municípios	brasileiros.	Basicamente,	o	recado	espalhado	pelos
quatro	cantos	do	país	é	um	só:	as	pessoas,	diz	a	Voz	da	Profecia,	devem	estar
preparadas	para	a	iminente	segunda	vinda	de	Jesus	Cristo	à	Terra,	para	premiar
os	bons	e	punir	os	maus.
O	artigo	mencionou	que	a	Voz	da	Profecia	é	a	mais	antiga	cadeia	radiofônica
do	país,	com	40	anos	de	existência,	recebendo	19	mil	cartas	por	mês.	Na	ocasião,
o	pastor	Rabello	disse	que	“o	segredo	de	nosso	programa	é	que	ele	é	uma	linha
direta	com	as	palavras	de	Jesus	Cristo”.	O	artigo	apresentou	um	pequeno
histórico	da	Igreja	Adventista	e	da	Voz	da	Profecia.	Mencionou	que,	além	dos
adventistas,	havia	milhares	de	ouvintes	de	outras	crenças.	Citou	o	Sr.	Agenor
Raposo	(vizinho	e	amigo	do	pastor	Rabello),	metodista,	que	nunca	perdia	um
programa	da	Voz.
45	anos
O	pastor	João	Wolff,	então	presidente	da	Divisão	Sul-Americana,	em	sua
mensagem	na	Revista	Adventista,	no	mês	de	setembro	de	1988,	quando	a	Voz	da
Profecia	celebrava	45	anos	de	programação,	escreveu:	“Era	1943,	tempo	da
Segunda	Guerra	Mundial,	vivíamos	no	interior	do	Rio	Grande	do	Sul.	Aos
sábados	à	noite,	íamos	à	casa	de	um	dos	vizinhos	não-adventistas	para	ouvir	as
notícias	da	guerra,	e	também	o	programa	A	Voz	da	Profecia,	que	estava
começando	no	Brasil.	As	notícias	do	conflito	bélico	nos	atormentavam.	As
mensagens	‘Jesus	em	breve	virá’	e	‘Servos	de	Deus	a	buzina	tocai’	enchiam-nos
de	fé	e	esperança.”
Ele	relatou	que,	na	época,	o	Brasil	era	o	único	país	que	mantinha	uma	equipe
de	obreiros,	de	tempo	integral,	dedicada	à	pregação	do	evangelho	através	do
rádio	e	da	televisão.	Mencionou	que,	a	cada	ano,	mais	de	42	mil	programas	de
rádio	e	6	mil	de	televisão	eram	apresentados	no	país,	e	cerca	de	100	mil	alunos
concluíam	os	cursos	oferecidos	pela	Voz	da	Profecia.
Em	um	artigo	referente	ao	aniversário	dos	45	anos,	o	pastor	Rabello	relembrou
que	o	primeiro	tema	irradiado	em	22	de	setembro	de	1943,	através	de	17
estações,	intitulava-se:	“Nosso	Século	de	Maravilhas”.	As	primeiras	palavras
proferidas	pelo	orador	foram:	“Deveras	vivemos	num	século	de	maravilhas.
Fazemos	num	ano	o	trabalho	de	séculos.”	Quais	seriam	os	temas	na	era
eletrônica	em	que	vivemos?
50	anos
O	pastor	Darcy	Reis,	então	diretor	da	Voz	da	Profecia,	intitulou	seu	artigo
comemorando	os	50	anos	do	programa	no	Brasil	assim:	“50	Anos	nos
Contemplam	–	Uma	força,	Ainda	não	Superada,	no	Processo	de	Evangelização.”
Escreveu:	“Foi	no	dia	22	de	setembro	de	1943,	através	da	onda	da	Rádio
Mayrinck	Veiga,	do	Rio	de	Janeiro,	a	veiculação	do	primeiro	programa	de	rádio
da	Voz	da	Profecia.	Temos,	hoje,	uma	história	de	meio	século	para	ser	contada.
Somos	o	mais	antigo	programa	evangélico	do	rádio	brasileiro.”
Em	1993,	segundo	ele,	estimava-se	que	mais	de	200	mil	pessoas	haviam	sido
agregadas	à	igreja	como	fruto	direto	do	trabalho	do	rádio.	Ele	e	muitos	líderes
dessa	época	estavam	convencidos	do	impacto	do	rádio	sobre	o	povo	brasileiro.
Nessa	efusiva	data,	o	novo	orador,	pastor	Ronaldo	Oliveira,	conclamava	a	igreja
para	não	perder	de	vista	a	influência	do	rádio	na	vida	das	pessoas.
O	pastor	João	Wolff,	presidente	da	Divisão	Sul-Americana,	disse:	“A	Voz	da
Profecia,	com	esta	tão	sagrada	missão	de	advertir	o	mundo	quanto	ao	breve
regresso	de	Jesus,	deve	merecer	certa	prioridade.	Não	pode	ser	uma	instituição
em	crise,	em	retrocesso,	deficitária.	Este	jubileu	de	ouro	de	A	Voz	da	Profecia
deve	nos	conscientizar	disso.”
Por	ocasião	dos	50	anos	de	existência	do	programa,	o	Jornal	da	Voz	da
Profecia,	em	sua	edição	de	maio-junho	de	1993,	transmitiu	um	“Recado	do
Pastor	Rabello”:
Foi	para	mim	um	privilégio	trabalhar	na	Voz	da	Profecia.	Sou	grato	a	Deus
pelas	alegrias	e	vitórias	neste	ministério.	Gostaria	de	solicitar	aos	meus	bons
irmãos	que	continuem	colaborando	com	a	Voz	da	Profecia	inscrevendo	pessoas
nos	cursos	bíblicos,	visitando	os	interessados,	patrocinando	programas	em	novas
emissoras,	apoiando	financeiramente,	orando	para	que	este	ministério	seja
fortalecido	com	o	poder	do	Espírito	Santo,	para	que	Jesus	logo	possa	voltar.
O	jubileu	de	ouro	da	Voz	da	Profecia	foi	comemorado	com	a	presença	do
pastor	Lonnie	Melashenko,	orador	da	Voz	da	Profecia	nos	Estados	Unidos,
pastor	H.	M.	S.	Richards	Jr.,	orador	emérito	do	mesmo	programa,	Del	Delker,
cantora,	e	outros	líderes.	Acompanhados	do	quarteto	americano	(John	Thurber,
Bob	Edwards,	W.	Hooper	e	Jerry	Dill)	e	os	Arautos	do	Rei	do	Brasil	(Fernando
Iglesias,	Josué	de	Castro,	Erlo	Braun	e	Dermival	dos	Reis),	esses	líderes
realizaram	uma	maratona	evangelística	através	do	Brasil.	O	roteiro	incluiu
Salvador,	Recife,	Belo	Horizonte,	Vitória,	São	Luís,	Londrina,	Curitiba,	Belém,
Porto	Alegre,	Manaus,	São	Paulo	e	Rio	de	Janeiro.	O	clímax	ocorreu	no
Maracanãzinho,	com	a	participação	dos	Arautos	do	Rei	de	todas	as	épocas,	um
público	de	mais	de	30	mil	pessoas	e	a	participação	do	casal	Rabello.	Como
resultado	da	campanha	Brasil	93,	um	milhão	de	pessoas	se	inscreveram	nos
cursos	da	Voz	da	Profecia,	o	que	resultou	em	20	mil	batismos.
De	todos	os	relatórios	e	celebrações,	chamou-me	a	atenção	um	“ponto	de
vista”	da	jovem	Patrícia	Stabenow,	de	apenas	22	anos,	formada	em	jornalismo:
Cinqüenta	anos	da	Voz	da	Profecia.	Nessa	longa	estrada,	muita	coisa	mudou.	A
tecnologia	conseguiu	muitas	proezas	em	termos	de	aparelhos	de	áudio	e	vídeo.
Hoje,	temos	muito	mais	chances	de	fazermos	um	programa	de	acordo	com	a
nossa	criatividade.	Porém,	certos	detalhes	parecem	que	nunca	vão	se	resolver.
Há	dez	anos,	quando	a	VP	comemorava	seus	quarenta	anos,	falava-se	muito
numa	mudança	de	sede,	mas	o	tempo	não	conseguiu	resolver	esse	problema.
Continuamosno	mesmo	lugar.	As	necessidades	são	crescentes,	precisamos	nos
expandir,	não	só	fisicamente,	mas	espiritualmente.	Temos	tudo	para	sermos	uma
chama	ardente	e	forte	do	ministério,	mas	a	falta	de	visão	da	igreja	para	a
comunicação	tem	extinguido	essa	chama	vibrante.
Precisamos	acordar	para	o	fato	de	que,	se	quisermos	pregar	a	mensagem	ao
mundo,	devemos	usar	as	armas	mais	eficazes	que	já	foram	criadas	no	planeta:	os
meios	de	comunicação.	O	advento	do	rádio	e	da	televisão	transformou	o	mundo
numa	aldeia	global,	onde,	ao	apertarmos	um	botão,	temos	acesso	ao	que
acontece	do	outro	lado	da	Terra.	Ora,	de	posse	desses	meios	tão	poderosos,	o	que
estamos	esperando?	Temos	máquinas,	aparelhos	e,	principalmente,	pessoas
capacitadas	para	realizar	essa	tarefa.	Por	que,	então,	as	coisas	não	engrenam?	O
que	está	faltando?	Sabem,	o	que	falta	é	algo	escasso	nas	pessoas	–	a
conscientização.	Somente	através	dela	poderemos	sair	desse	marasmo	espiritual
em	que	nos	encontramos.
Que	palavras	desafiadoras	de	uma	jovem	jornalista!	Ainda	bem	que	a	igreja,
embora	às	vezes	com	atraso,	tem	ouvido	o	desafio	daqueles	que,	com	visão,
quiseram	levar	avante	a	obra	do	Senhor.	Daqueles	momentos	difíceis	em	Niterói,
a	Voz	mudou-se	para	o	Botafogo,	no	Rio	de	Janeiro,	e	inaugurou	sua	primeira
sede	no	Brasil	em	1962,	com	estúdios,	escola	e	quarteto.	Foi	algo	inédito.	Em
1995,	graças	ao	apoio	do	Dr.	Milton	Afonso	e	sua	generosa	doação,	foi	feita
outra	mudança	para	Nova	Friburgo,	RJ,	unindo	os	ministérios	de	rádio	e	TV.	Em
2005,	o	sistema	mudou-se	para	Jacareí,	SP.	As	palavras	da	jovem	Patrícia	não
caíram	em	ouvidos	moucos.
A	música	exerce	uma	influência	muito	grande	na	apresentação	da	mensagem.
Durante	o	jubileu	de	ouro	da	Voz	da	Profecia,	os	quartetos	Arautos	do	Rei	e
King’s	Heralds	trabalharam	unidos.	Foi	notável	a	experiência	relatada	por	um
dos	membros	do	quarteto	brasileiro,	Juan	Salazar	Riovelme,	chileno	que
substituiu	Erlo	Braun	como	baixo	dos	Arautos.
Em	1962,	Juan	ouviu	que	o	quarteto	americano	iria	cantar	em	Chillan,	sua
cidade	natal	no	Chile.	Mesmo	não	sendo	membro	da	Igreja	Adventista,	ele
resolveu	assistir,	pois	já	conhecia	o	programa	Voz	de	la	Esperanza.	Ficou
completamente	inspirado	naquela	noite,	um	momento-chave	em	sua	vida,	pois
mais	tarde	aceitou	a	Cristo	e	foi	batizado.	Estudou	em	um	colégio	adventista	do
Chile	e	depois	foi	para	a	Argentina,	onde	terminou	seus	cursos	avançados	em
Teologia.	Ali,	ele	cantou	como	barítono	em	um	coral	masculino.
Resumindo	a	história,	Juan	foi	convidado	para	ser	o	baixo	dos	Arautos	do	Rei
no	Brasil.	Podemos	imaginar	a	alegria	dos	cantores	americanos	que	cantaram
naquela	noite	em	1962,	na	cidade	de	Chillan.	Jamais	imaginaram	que,	31	anos
depois,	encontrariam	não	somente	um	fruto	de	seu	ministério,	mas	um	colega	de
quarteto	e	música	sacra.	Que	linda	colheita!	Juan,	além	de	cantor	e
administrador,	era	também	especialista	em	computação	e	engenharia	eletrônica,
talentos	usados	para	o	avanço	da	Voz	da	Profecia	no	Brasil.
60	anos	evangelizando	o	Brasil
Em	janeiro	de	2004,	por	ocasião	dos	60	anos	do	programa,	a	Revista
Adventista	registrou:
A	Voz	da	Profecia,	o	mais	antigo	programa	evangélico	de	rádio	do	Brasil,
está	presente	em	todas	as	regiões	brasileiras,	e	completou,	em	2003,	60	anos
de	existência.	São	mais	de	mil	emissoras	cadastradas	na	Escola	Bíblica,	e
cerca	de	2,5	mil	correspondências	são	atendidas	por	mês.	No	ano	passado,	a
equipe	da	Voz	viajou	por	todo	o	território	nacional,	realizando	mais	de	100
apresentações	em	pequenas	e	grandes	igrejas,	campais	e	auditórios.	Essa	foi	a
forma	escolhida	para	comemorar	suas	bodas	de	diamante:	participar	da	vida
cotidiana	das	igrejas.
Lamentamos	que	aquela	voz	que	entrou	no	ar	em	1943	não	pôde	participar
desse	grande	evento.	O	pastor	Rabello	descansa	agora	em	Cristo	Jesus.	Mas	a
Voz	continua	falando	aos	corações	de	milhões	de	brasileiros	através	de	outros
oradores.
S
Homenagens
Algumas	honras	conferidas	ao	pastor	Roberto	Rabello
eria	impossível	mencionar	todas	as	credenciais,	palestras	especiais	e
homenagens	recebidas	pelo	pastor	Rabello.	Isso	sem	contar	as	placas
recebidas	em	congressos	de	jovens	e	outras	grandes	concentrações	da	igreja,	e	a
oportunidade	de	ser	delegado	em	várias	assembléias	da	Associação	Geral.
Vamos	destacar	apenas	algumas	homenagens:
Associação	Brasileira	de	Comunicadores	Cristãos
Homenagem	ao	PIONEIRO	da	Comunicação	Evangélica	no	Rádio	e	na
Televisão	no	Brasil
Quem	é	Personalidade	no	Brasil
Câmara	do	Comércio	e	Indústria	do	Estado	de	São	Paulo
Cidadão	do	Estado	do	Rio	de	Janeiro
Assembléia	Legislativa	do	Estado	do	Rio	de	Janeiro
Associação	Geral	da	Igreja	Adventista	Sétimo	Dia
Homenagem	da	Igreja	Adventista,	em	sua	sede	mundial	em	Takoma	Park
(agora	Silver	Spring),	no	dia	2	de	fevereiro	de	1982
Medalha	Anchieta
Condecoração	com	a	Medalha	Anchieta	pela	cidade	de	São	Paulo
Sem	dúvida,	a	homenagem	mais	importante	ao	pastor	Rabello	será	prestada
por	nosso	Pai	celestial.	Todos	recebem	talentos,	e	o	maior	talento	dele	foi	sua
voz	excepcional,	usada	para	levar	aos	corações	sedentos	uma	mensagem	de
conforto,	alegria	e	esperança.
A
Datas	e	Fatos
Cronologia	da	vida	do	pastor	Rabello	e	da	Voz	da	Profecia
qui	estão	apenas	alguns	fatos	principais.	Para	ver	todas	as	formações	do
quarteto	Arautos	do	Rei	e	a	discografia	completa,	acesse:
www.vozdaprofecia.org.br/arautos.asp
1909
Roberto	Mendes	Rabello	nasce	no	dia	15	de	novembro,	em	Rolante,	RS.
1924
Vai	para	o	Colégio	Adventista,	em	São	Paulo.
1928
Termina	o	curso	Comercial.
1930
Forma-se	em	Teologia	pelo	Colégio	Adventista.
1932
Casa-se	com	Hedwig	Braun,	filha	do	pastor	Luiz	Braun,	em	Juiz	de	Fora,	MG.
Trabalha	em	Cambará	e	Jaguariaíva,	PR.
1933
É	transferido	para	Ponta	Grossa,	PR.
Nasce	seu	primeiro	filho,	Cláudio.
1934
Muda-se	para	Curitiba.
É	ordenado	ao	ministério.
1936
A	filha	Lucila	nasce	em	Curitiba.
1937
É	transferido	para	o	Rio	de	Janeiro,	onde	se	torna	pastor	das	igrejas	Central,	de	Olaria,	Niterói	e
Petrópolis.
1940
É	chamado	para	Campos,	RJ.
1941
Viaja	para	o	Pacific	Union	College,	nos	Estados	Unidos.
1943
Forma-se	no	Pacific	Union	College.
É	escolhido	para	ser	orador	da	Voz	da	Profecia.
No	dia	23	de	setembro,	inicia	o	programa	no	Brasil,	com	17	emissoras,	tendo	como	locutor
auxiliar	o	pastor	João	Linhares.
1944
Retorna	com	a	família	para	o	Brasil.
1945
Niterói,	RJ,	é	escolhida	como	sede	da	Voz	da	Profecia.
1956
Cláudio	Rabello	casa-se	com	Eunice	Alvarenga.
Lucila	Braun	Rabello	casa-se	com	Léo	Santos	Ranzolin.
1959
O	pastor	Rabello	torna-se	presidente	da	Associação	Rio-Minas,	além	de	orador	da	Voz	da
Profecia.
1962
Nova	sede	da	Voz	da	Profecia	é	inaugurada	no	dia	21	de	outubro,	no	Botafogo,	Rio	de	Janeiro.
1963
Formação	do	1º	quarteto	Arautos	do	Rei	(junho	de	1963	a	junho	de	1965):	1º	tenor,	Henry
Feyerabend;	2º	tenor,	Luiz	Mota;	barítono,	Joel	Sarli;	baixo,	Samuel	Campos.	Pianistas:	Robert
Benfield,	Leni	Azevedo,	Ênio	Monteiro,	Genoveva	Bergold	e	Cibele	Botelho.
Gravação	de	Hei	de	Estar	na	Alvorada.
20º	aniversário	da	Voz	da	Profecia	no	Brasil,	celebrado	com	a	visita	do	quarteto	The	King’s
Heralds.
1964
Gravação	de	O	Rapaz	Davi	e	Música	Celeste.
1966
Viagem	do	pastor	Rabello	à	Terra	Santa	e	Europa.
1967
O	pastor	José	Alfredo	Torres	Pereira	é	nomeado	diretor	da	Escola	Radiopostal	e	orador	auxiliar
da	Voz	da	Profecia.
1968
Aniversário	de	prata.	Vinda	ao	Brasil	do	pastor	H.	M.	S.	Richards	e	da	cantora	Del	Delker.
1970
No	dia	5	de	novembro,	Hedwig	Braun	Rabello	falece,	com	59	anos,	na	Casa	de	Saúde	Liberdade,
em	São	Paulo.
1972
6a	formação	do	quarteto	Arautos	do	Rei	(1972-1975):	1º	tenor,	Eclair	Cruz;	2º	tenor,	Melchiades
Soares;	barítono,	Wilson	Almeida;	baixo,	Roberto	Conrad	Filho.	Pianista:	Alexandre	Reichert.
1973
30	anos	da	Voz	da	Profecia.
1975
Lançamento	do	programa	Uma	Luz	no	Caminho,	sendo	o	pastor	Paulo	Sarli	o	produtor	e
apresentador.
Gravação	de	Aqui	Chegamos	Pela	Fé.
1976
Aposentadoria	do	pastor	Roberto	Rabello.	Continua	como	orador	emérito.
Roberto	Conrad	Filho	é	escolhidocomo	novo	orador	e	diretor	da	Voz	da	Profecia.
1979
Gravação	de	Não	Desistir.
1983
40	anos	da	Voz	da	Profecia,	que	é	irradiado	em	340	estações.
Revista	Veja	destaca	os	40	anos	da	Voz.
1984
José	Bellesi	torna-se	administrador	da	Voz	da	Profecia.
O	pastor	Rabello	contrai	núpcias	com	a	Srta.	H.	Edith	Anniehs.
1985
O	pastor	Rabello	e	a	esposa,	Edith,	participam	da	assembléia	da	Associação	Geral	de	Nova
Orleans.
1990
Hélio	Carnassale	torna-se	orador	da	Voz	da	Profecia.
1992
Ronaldo	de	Oliveira	torna-se	orador	da	Voz	da	Profecia.
1993
Mudança	do	casal	Rabello	para	Curitiba.
Comemoração	dos	50	anos	da	Voz	da	Profecia,	com	a	vinda	de	Lonnie	Melashenko,	H.	M.	S.
Richards	Jr.,	Del	Delker	e	do	antigo	quarteto	americano	The	King’s	Heralds.	Eles	percorrem	as
principais	cidades	do	Brasil.
1996
O	pastor	Rabello	falece	em	Curitiba,	no	dia	16	de	agosto.
17a	formação	do	quarteto	Arautos	do	Rei:	1º	tenor,	Dênio	Abreu;	2º	tenor,	Társis	Iraídes;
barítono,	Jeferson	Tavares;	baixo,	Ronaldo	Fagundes.	Pianista:	Jader	Dornelles	dos	Santos.
1997
Gravação	de	Se	Ele	Não	For	o	Primeiro.
Neumoel	Stina	é	escolhido	como	orador	da	Voz	da	Profecia.
1999
Gravação	de	Eu	Não	Sou	Mais	Eu.
2001
Gravação	em	espanhol.
2002
Gravação	de	Por	que,	ó	Pai?
2003
Montano	de	Barros	torna-se	orador	da	Voz	da	Profecia.
Celebração	dos	60	anos	da	Voz	da	Profecia.
2005
Mudança	da	sede	da	Voz,	de	Nova	Friburgo,	RJ,	para	Jacareí,	SP.
2007
Fernando	Iglesias	(do	Está	Escrito)	assume	a	função	de	orador	da	Voz	da	Profecia.
22a	formação	do	quarteto	Arautos	do	Rei:	1º	tenor,	Everson	Fuckner;	2º	tenor,	Felipe	Valente;
barítono,	Elson	Gollub;	baixo,	Milton	Andrade.	Pianista:	Ricardo	Martins.
N
Galeria	de	Fotos
A	história	do	pastor	Rabello	em	imagens
este	álbum	histórico,	você	poderá	ver	alguns	momentos	marcantes	do
pastor	Rabello,	sua	família	e	sua	obra.
Pastor	Roberto	Mendes	Rabello,	fundador	e	orador	da	Voz	da	Profecia
no	Brasil
Oliveiros	e	Izabel	Mendes	Rabello,	pais	do	pastor	Rabello
O	jovem	Roberto	(ao	centro)	e	seu	pai	tocando	na	pequena	banda	da
cidade
Hedwig	estudando	Secretariado	no	Colégio	Adventista	Brasileiro
Alice	Zorub,	Alida	Nigri	e	Hedwig	Braun	Rabello:	colegas	de	colégio
Alunos	do	Colégio	Adventista,	em	São	Paulo,	em	1929
Formatura	de	Roberto	Rabello	e	Hedwig	Braun	Rabello
A	família	do	pastor	Luiz	e	Hanna	Braun,	em	1944.	A	partir	da
esquerda	(atrás	do	casal),	Ida,	Emília	e	Hedwig
Pastores	Dario	Garcia	(cunhado	do	pastor	Rabello)	e	Luiz	Braun
(sogro)
Casamento	de	Roberto	e	Hedwig	Rabello,	em	1932
Casal	Rabello	com	os	filhos	Cláudio	e	Lucila,	em	1936
Despedida	dos	filhos	para	a	escola	na	Rua	Moreira	César,	Niterói,
sede	da	Voz	
O	início	da	Voz,	em	1943,	nos	Estados	Unidos.
À	direita	do	pastor	Rabello	(de	terno	escuro)	está	o	pastor	João
Linhares,	orador	associado
Roberto	Rabello,	orador	da	Voz	da	Profecia
Pastores	Roberto	Rabello	e	José	Siqueira
	 Casal	Rabello
Quarteto	Th	e	King’s	Heralds	realizando	gravações	junto	com	os
oradores	e	organizadores	do	programa
O	estúdio	das	gravações	dos	programas	em	português
Primeira	sede	da	Voz	da	Profecia	no	Brasil,	à	Rua	Moreira	César,	em
Niterói
Pastor	James	Aitken,	presidente	da	Divisão	Sul-Americana,
falando	no	lançamento	da	pedra	fundamental	do	prédio	da	Voz	da
Profecia
Inauguração	da	nova	sede	da	Voz	da	Profecia.
Na	frente,	da	esquerda	para	a	direita:	pastor	Joel	Camacho,	Magalhães
Pinto	(governador	de	Minas	Gerais)
e	pastores	Domingos	Peixoto,	Cláudio	Belz	e	Roberto	Rabello
O	primeiro	quarteto	da	Voz	da	Profecia	e	o	pessoal	do	escritório	em
frente	ao	novo
Auditório	Guanabara,	na	sede	da	Voz	da	Profecia,	no	Botafogo
Primeiro	quarteto	Arautos	do	Rei:	
Samuel	Campos,	Joel	Sarli,	Henry	Feyerabend	e	Luiz	Mota.	Ao	piano,
Genoveva	Bergold
Em	destaque,	Pastor	Rabello	(ao	centro)	e	Arautos	do	Rei
Arautos	do	Rei:	harmonia	era	sua	marca	registrada
Th	e	King’s	Heralds
Del	Delker,	cantora	americana
Três	pioneiros	da	Voz	da	Profecia:
Pastores	Braulio	Pérez	(orador	do	programa	em	espanhol),	H.	M.	S.
Richards	(em	inglês)	e	Roberto	Rabello	(em	português)
Em	foto	de	1947,	H.	Stoehr,	Roberto	Rabello	e	Braulio	Pérez.
Ao	centro,	Leona	Running,	uma	das	primeiras	secretárias	do	pastor
Rabello
e,	mais	tarde,	doutora	em	línguas	bíblicas	e	professora	na	Andrews
University
O	pastor	H.	M.	S.	Richards	cumprimenta	oradores	da	Voz	da	Profecia
de	outros	países
Roberto	Rabello	e	seu	irmão	Walter,	um	dos	anunciadores	do
programa,
estudam	um	mapa	do	Brasil,	identificando	as	cidades	onde	
a	Voz	da	Profecia	era	irradiada	em	nosso	país
O	pastor	Rabello	falou	a	milhares	de	ouvintes	da	Voz	da	Profecia
O	pastor	Rabello	cumprimenta	um	aluno	da	Escola	Radiopostal	por
ocasião	de	uma	formatura
Pastor	Rabello	traduzindo	o	pastor	H.	M.	S.	Richards	por	ocasião	de
sua	visita	ao	Brasil,	em	1968,
para	celebrar	os	25	anos	da	Voz	da	Profecia	no	país
Concentração	no	Ibirapuera,	durante	a	celebração	dos	25	anos.
De	pé,	a	partir	da	esquerda:	Iracy	Botelho,	Roberto	Azevedo,	casal
Bradley,
pastor	Rabello,	pastor	Richards	e	esposa,	Del	Delker,	pastor
Campolongo	e	Arautos	do	Rei
As	famílias	de	Cláudio	e	Eunice	Rabello	e	de	Léo	e	Lucila	Ranzolin
por	ocasião	da	visita	dos	pais	em	1961,	enquanto	estudavam	na
Andrews	University
Casal	Rabello	no	Hospital	Silvestre,	em	1965
Netos	ajudam	a	encontrar	o	automóvel	debaixo	da	neve
Léo	e	Lucila	Ranzolin	com	os	fi	lhos	Léo	Jr.,	Luís	Roberto	e	Larry
Nelson
Pastor	Rabello	recebendo	o	Disco	de	Ouro	dos	pastores	José	Bellesi	e
Roberto	Conrad
Homenagem	ao	pastor	Rabello	
pela	Associação	Brasileira	de	Comunicadores	Evangélicos
Membros	da	família	Rabello	em	visita	ao	casal	João	e	Maria	do
Carmo	Rabello,	no	IAE
Reunião	da	família	Rabello	em	Vancouver	(Canadá)	por	ocasião	do
casamento	de	Bob	e	Benita.
Da	esquerda	para	a	direita:	Léo	Jr.	e	esposa	Susan,	Léo	e	Lucila
Ranzolin,	Shirley	(irmã	de	Eunice),
Dennis	Fletcher,	os	noivos,	Eunice	Fletcher,	Edith	Rabello,	Roberto
Rabello,	Leila	(neta	do	pastor	Rabello),
Angela	Dorpowski	(neta	de	Dario	e	Ida	Garcia)	e	esposo.	Sentados:
Spencer	e	David,
bisnetos	do	pastor	Rabello.	De	pé:	Larissa	Rachel,	fi	lha	de	Léo	Jr.	e
Susan
Bodas	de	ouro	da	Voz	da	Profecia:	pastor	H.	M.	S.	Richards	Jr.,
Edith	Rabello,	Roberto	Rabello,	Ronaldo	de	Oliveira	e	o	casal
Melashenko
Plínio,	João,	Walter	e	Lucival	Rabello
Uma	das	últimas	visitas	à	fi	lha,	Lucila,	em	1991
Pastor	Rabello	e	sua	segunda	esposa,	Edith	Anniehs	Rabello,
estudando	a	Palavra	de	Deus	em	sua	casa,	em	Curitiba
https://www.cpb.com.br/classificacao/index/173/17/livros-digitais/
	Capa
	Rosto
	Expediente
	Dedicatória
	Prefácio
	Introdução
	01 :: Minha História
	02 :: Primeiro Amor
	03 :: Tudo em Família
	04 :: Boato de Arrebatamento
	05 :: Orador Emérito
	06 :: A Última Canção
	07 :: Encontros Especiais
	08 :: Companheiros de Trabalho
	09 :: Milagres e Conversões
	01 :: Apêndice
	02 :: Apêndice
	03 :: Apêndice
	04 :: Apêndice
	05 :: Apêndice
	Fotos

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