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Unid 2- A Importancia da Filosofia

Aula de Filosofia Geral sobre a importância da filosofia. Expõe três utilidades: a importância dos problemas (alma, Deus, liberdade, dever), a influência intelectual e moral e o impacto social; traz citações de Lamy, Bossuet, Montaigne e Lucrécio.

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FILOSOFIA GERAL 
AULA 2 
III - A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA 
Vimos e estudamos os serviços que a Filosofia deve prestar ao sábio, qualquer que seja 
a sua especialidade. Agora queremos explorar a utilidade que tem para o homem em 
geral, qualquer que seja a sua condição. Esta utilidade é simultaneamente especulativa 
e prática; e deriva: 
1.° - Da importância das questões que trata a Filosofia; 
2.° - Da influência intelectual e moral que exerce sobre os indivíduos; 
3.° - Do seu influxo sobre a vida e prosperidade das Nações. 
1. Importância dos problemas filosóficos. 
A Filosofia é a ciência da alma e de Deus; e, como tal, agita as questões mais vitais e 
humanas que se podem conceber: 
A alma; é imortal ou morre junto com o corpo? 
O universo será eterno? Se não for, é obra da inteligência ou do acaso? 
Quem é Deus, e qual a sua ação no mundo? 
Nós, somos livres ou escravos da fatalidade? 
A lei do dever será ilusão ou realidade, invenção dos homens ou expressão da vontade 
divina? 
Na realidade, haverá algo que mais nos deva apaixonar que a solução destes problemas? 
E será porventura razoável abalançar-se a outros, sem primeiro tomarmos a seu respeito 
uma atitude definitiva? Porque, enfim, o nosso grande negócio somos nós e o que nos 
espera. Ser ou não ser, é negócio de extrema gravidade; prescindiremos mais 
facilmente, se tanto for necessário, da química e da geometria, que deste estudo e das 
esperanças que dele brotam. “A maior desgraça do homem não é a pobreza, nem a 
doença, nem a morte; é a infelicidade de ignorar para que nasce, sofre e morre” (E. 
Lamy). 
Conversando com Shakespeare | Ser ou não ser, eis a questão. 
https://www.youtube.com/watch?v=EYoW_BQtjKw 
G. K. Chesterton — Conheça a vida e obra de um dos grandes escritores do século XX 
https://www.brasilparalelo.com.br/artigos/g-k-chesterton 
 
 
https://www.youtube.com/watch?v=EYoW_BQtjKw
https://www.brasilparalelo.com.br/artigos/g-k-chesterton
 
 
 
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2. Influência intelectual e moral da Filosofia. 
1. Independentemente dos conhecimentos positivos que nos faz adquirir, o estudo 
da Filosofia exerce sobre a inteligência um dos mais salutares influxos. 
E em primeiro lugar, este convívio habitual com as realidades invisíveis combate 
eficazmente a tendência, que nos leva naturalmente a deixar-nos absorver pelas coisas 
materiais e sensíveis, e a ligar demasiada importância ao que se vê e apalpa. 
Depois, esta investigação das causas primeiras faz-nos contrair o hábito de penetrar até 
ao fundo das coisas e de tomar as questões pelo aspecto mais importante. Desenvolvem 
em nós todas as qualidades superiores, que constituem o espírito filosófico: o horror ao 
vácuo e à superficialidade, o gosto pelas grandes generalizações e a visão sintética, que 
abarca vastos conjuntos. 
2. A importância da Filosofia não é menos decisiva no nosso procedimento. De fato, 
a nossa vida não é um reflexo das nossas ideias, e o homem procederá de maneira muito 
diversa, segundo estiver persuadido que a alma perece com o corpo, ou que lhe 
sobrevive; que a moral é preconceito, ou mandamento divino; que o prazer é o bem 
supremo, ou que, pelo contrário, tudo se deve sacrificar ao dever. 
É conhecido o ditado: Primeiro viver, depois filosofar. Muitas vezes nos dispensamos de 
pensar sob o pretexto de viver. Seria mais justo dizer primeiro filosofar e depois viver. 
Porque não se pode viver racionalmente, senão por meio de uma Filosofia explícita ou 
implícita. Completa Bossuet: Acreditar bem é a base de viver bem. 
3. Sem razão acusam a Filosofia de estancar as fontes da imaginação, secar o sentimento 
e tornar o homem triste, sem sabor e infeliz. Ao contrário, a Filosofia desenvolve a 
disciplina dando à imaginação um objeto digno dela. Não é de se estranhar que grandes 
filósofos foram muitas vezes grandes poetas, como Platão, Malebranche e tantos 
outros. 
A Filosofia, assim como a virtude não torna o homem triste. O filósofo não tem 
necessariamente seco o coração por ter sã a cabeça. Assegura Montaigne “A Filosofia é 
alegre, não tem aspecto triste e transido. Os raciocínios da Filosofia costumam alegrar 
e regozijar os que deles se ocupam, e não torná-los tristes e sorumbáticos”. E como 
poderia ser de outra forma? A sabedoria é a saúde do espírito e do coração; por este 
título deve causar felicidade e alegria. 
“Feliz de quem pôde conhecer as causas das coisas”, dizia o poeta Lucrécio. 
3 Influência social da Filosofia. 
1. Quais forem as ideias, tais serão os costumes; se isto é verdadeiro nos indivíduos, 
mais verdadeiro é ainda nas sociedades; porque os indivíduos podem ser mais ou menos 
inconsequentes, mas as massas levam sempre os princípios até às últimas 
consequências. Na realidade, as ideias não são somente reflexos, como se tem dito; são, 
sobretudo, forças que tendem a realizar-se, a traduzir-se em atos. Negue a existência de 
 
 
 
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Deus, o livre arbítrio, a autoridade e a propriedade, e vereis onde a sociedade vai parar. 
Daí a inconsequência dos políticos, que permitem ensinar tudo e, por outra parte, 
restringem a liberdade de ação. 
2. Ouve-se às vezes: o que importam os sonhos de alguns pensadores? 
A multidão não se preocupa com isso. - Engano! A Filosofia dirige o mundo, ainda que o 
mundo o ignore. O conflito dos interesses e das paixões pode vendar nossos olhos diante 
da marcha das ideias, mas nem por isso deixarão estas de prosseguir na sua obra. Sem 
dúvida a ideia, na sua forma abstrata, não é facilmente contagiosa; mas não para aí. Por 
meio do romance, da poesia, dos discursos e artigos de jornais, desce das altas esferas 
onde se elabora a ciência, para se vulgarizar e para penetrar até ao mais profundo das 
multidões e dar frutos de vida ou de morte. 
Em suma, os fatos e os acontecimentos mais notáveis não são outra coisa senão 
pensamentos em ação. «É necessário repetir muitas vezes, pois nunca nos 
persuadiremos bastante, que tudo provém das doutrinas: os costumes, a literatura, as 
constituições, as leis, a felicidade, dos Estados e as suas calamidades, a civilização, a 
barbárie e as crises terríveis que destroem os povos ou os renovam». 
3. Por isso mesmo a Filosofia é o facho da história. Se queremos compreender a 
civilização de um povo ou de uma época, examinemos as suas ideias sobre o direito, a 
autoridade, a liberdade, etc. 
Na Filosofia de Sócrates, de Platão, de Aristóteles é que devemos ir buscar a 
compreensão da história grega nos séculos quarto e terceiro antes de Jesus Cristo, como 
nas teorias de Epicuro, a chave da corrupção e decadência que se seguiram. O glorioso 
século treze coincide com a grande época da Filosofia escolástica. O espiritualismo 
cristão de Descartes, Bossuet, Malebranche, Leibniz e tantos outros criou o século de 
Luís XIV. É impossível compreender a Revolução Francesa e os princípios que a 
inspiraram, sem conhecer a filosofia do século XVIII. Neste sentido pode afirmar-se que 
a história do mundo não é senão a história das suas ideias. 
IV MÉTODO DA FILOSOFIA 
Definimos a Filosofia: A Ciência das primeiras causas e dos primeiros princípios, ou sob 
uma forma concreta: a Ciência da Alma e de Deus. Mas que ordem devemos seguir neste 
estudo? Devemos começar pelo estudo da alma ou pelo de Deus? Devemos proceder a 
priori, isto é, partindo das causas e princípios, e descendo por via de dedução aos efeitos 
e consequências; ou devemos pelo contrário preferir o método a posteriorí, que sobe 
dos efeitos e consequências, por indução, até às causas e princípios? Ambos os métodos 
têm partidários. 
 
 
 
 
 
 
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1. Método ontológico ou a priori. 
§ 1. — Natureza. 
O método a priori é o de Parmênides e da Escola eleatense (600-500 a. C.), e entre os 
modernos, de Espinoza e de Hegel. Chama-se ontológico, por começar pelo estudo do 
ser absoluto. 
Estes filósofos estabelecem em princípio,que a ciência deve ser a reprodução exata da 
realidade, e por isso, estudar os seres segundo a ordem da existência. Ora, 
ontologicamente a causa precede necessariamente o efeito: logo, também logicamente, 
é necessário começar pelo estudo da causa primeira. 
 
§ 2. - Vício deste método. 
1. Em primeiro lugar, é falso que a ordem do conhecimento coincida necessariamente 
com a ordem da existência; assim, ontologicamente, a causa preexiste ao efeito, mas, 
logicamente, o conhecimento do efeito conduz ao conhecimento da causa. 
Pretender elevar-se dum salto até ao primeiro princípio, segundo Descartes, é querer 
subir ao alto do edifício sem passar pela escada que lá conduz. 
2. Daí, as consequências absurdas a que induz fatalmente o método a priori. 
Com efeito, de uma noção abstrata não se pode extrair senão o que ela contém, noções 
abstratas e ideais; é impossível deduzir da ideia de ser ou de substância a existência do 
real ou do concreto. Não há alternativa: idealismo ou panteísmo; porque todo o método 
que parte do absoluto, ou nega o contingente, ou o ignora. 
O verdadeiro método filosófico não consiste em descer do princípio às coisas, mas pelo 
contrário em subir das coisas ao seu princípio; por conseguinte, o verdadeiro ponto de 
partida não pode ser Deus, mas a alma. 
2. Método psicológico ou a posteriori. 
Já dissemos, que o grande progresso realizado por Sócrates foi ter colocado a psicologia 
na base das ciências filosóficas, e partir do conhecimento de si mesmo para remontar-
se ao conhecimento de Deus. 
1. Com efeito, se não podemos conhecer a causa primeira senão nas suas obras, é 
evidente que devemos estudá-la, sobretudo na sua obra-prima, por nela se refletirem 
mais fielmente as perfeições do Criador. “Nada aproveita tanto à alma para se elevar 
até ao seu autor, como o conhecimento de si mesma e das suas operações sublimes” 
(Bossuet). 
2. O conhecimento de nós mesmos ajuda-nos também a compreender o mundo e todas 
as realidades que encerra; porque o homem, sendo a criatura sensível mais perfeita, 
reúne em síntese todas as perfeições dos seres inferiores: a vida da planta, a 
 
 
 
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sensibilidade do animal, e, duma forma genérica, todas as formas de atividade criada. 
Além disso, no estudo da alma é que ele adquire as ideias de causa, de fim, de força e 
de duração, e todas as noções sem as quais o mundo externo não seria inteligível. Por 
isso um filósofo moderno disse com razão: É preciso explicar as coisas pelo homem e 
não o homem pelas coisas. (Saint-Martin). 
3. É claro, por outra parte, que certo conhecimento da Psicologia é a condição necessária 
das outras ciências filosóficas, e que não se pode compreender a lógica e a moral, sem 
prévios conhecimentos da alma e das suas faculdades. Conclusão: Se Deus é o termo da 
Ciência, o estudo da alma deve ser o ponto de partida e, por conseguinte, que o método 
da Filosofia é essencialmente psicológico.

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