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Tripanossomatídeos
Gênero Leishmania 
 As leishmanioses 
(tegumentar 
e visceral)
Prof. Maria Jania Teixeira
DPML/FAMED/UFC 
Os tripanossomatídeos
Monoxenos / Heteroxenos
Crithidia Phytomonas
Leptomonas Endotrypanum
Herpetomonas Leishmania*
Blastocrithidia Sauroleishmania
Rhynchoidomonas Trypanosoma* 
*contêm espécies patogênicas para o homem
G
ên
er
os
Distribuição global das leishmanioses
Akhoundi M. et al., Mol. Aspects of Med., 2017
Espalhadas globalmente em mais de 102 países: em grande áreas
dos trópicos, subtrópicos e bacia do mediterrâneo
OMS = 350 milhões de pessoas vivem sob risco:
com grande impacto global!
São conhecidas 53 espécies de Leishmania
20 são patogênicas para o homem
Brasil = co-ocorrência de 8 espécies
Ciclo de transmissão das leishmanioses
ØA leishmaniose tegumentar tem ciclo silvestre, 
interior ou proximidades com a mata.
ØA leishmaniose visceral, que tinha focos 
clássicos de transmissão em ambientes rurais, está 
agora também com ciclo urbano, tendo o cachorro 
como um importante reservatório.
Novos fatores
complicantes
• Expansão e Urbanização (LV):
– Endemia rural (até década de 60) 
– Anos 80: expansão para centros urbanos – Teresina 
(1981), Natal, Fortaleza, Campo Grande, Porto Alegre, etc.
• Coinfecção: Leishmania/HIV
- Aumenta susceptibilidade
2016: 10% de co-infectados no Brasil
• Resistência ao tratamento com antimonial (LT/LV) 
- Tratamento de 1a. escolha
Agente etiológico 
das leishmanioses
Leishmania
Protozoário intracelular obrigatório
• Supergrupo: Excavata
• Grupo: Euglenozoa (presença de 
flagelo)
• Subgrupo: Kinetoplastea (presença
do cinetoplasto)
• Gênero: Leishmania
Cinetoplasto: parte diferenciada da 
mitocôndria, provida de DNA 
conservado (kDNA).
* Classificação – baseada na ultra-estrutura, 
genética e biologia molecular (Adl et al., 
2005) 
Amastigotas de Leishmania spp. dentro do vacúolo 
parasitóforo de macrófago (célula hospedeira)
Formas evolutivas de Leishmania spp.
A. Amastigota – intracelular
(hospedeiro vertebrado)
B. Promastigota – extracelular
(hospedeiro invertebrado e meio
de cultura)
A
B
Flagelo
Flagelo
Cinetoplasto
Núcleo
Aspectos morfológicos - Promastigota
F
N
K
Rey, Parasitologia, 2008
Mede de 15 a 20 µm
Forma alongada (fusiforme)
Núcleo grande e central (N)
Cinetoplasto (K) próximo à extremidade
anterior e a base do flagelo
Flagelo exteriorizado - região anterior (F)
núcleo
cinetoplasto
flagelo
Habitam o 
aparelho digestivo 
dos insetos 
vetores (HI)
Promastigotas
Foto: M.J. Teixeira
Aspectos morfológicos - Amastigota
v Mede 2 a 5 µm
v Formas arredondadas/ovaladas
v Sem flagelo externo (F)
v Núcleo volumoso e excêntrico (N)
v Cinetoplasto bem visível (K) 
F
K
N
Rey, Parasitologia, 2008
Amastigotas
núcleo cinetoplasto
Foto: M.J. Teixeira
Intracelulares, 
habitam 
células do 
SFM dos HV
Macrófago
Leishmanias e tropismo
Principal tropismo Viscerotrópica Dermotrópica Dermotrópica Mucotrópica 
Américas
Subgênero
*Li e Lc são geneticamente idênticas
Velho Mundo
= sinônimo de L. chagasi 
na América do Sul
Vetores - flebotomíneos
- Insetos dípteros, pequenos, gostam de 
ambientes sombreados, com temperatura 
entre 20 e 30oC
Ordem: Diptera
Família: Psychodidae
Subfamília: Phlebotominae
Gêneros:
Plebotomus (VM)
Lutzomyia (Américas)
Leishmaniose tegumentar: 
Lutzomyia intermedia, Lu. whitmani,
Lu. wellcomei, Lu. migonei
Leishmaniose visceral:
Lu. longipalpis e Lu. cruzi (Mato grosso)
Pernas:
longas e finas
♀≠♂
Pilosidade
Antenas: 14 flagelômeros
cilíndricos
Palpos
Maxilares
(artículos)
Cibário
Abdome
Comprimento: 2 a 4 mm
Reservatórios
Reservatórios: mamíferos
§ Leishmaniose tegumentar – Brasil:
roedores, edentados (tatu, tamanduá), 
marsupiais (gambá), e outros (depende espécie causadora)
§ Leishmaniose visceral - Brasil:
canídeos (cão, raposa)
Bolomys spp. Rattus rattus 
Mecanismos de transmissão
• Vetorial: através da picada de 
fêmeas de flebotomíneos. 
Ø Inoculam promastigotas 
metacíclicas durante o repasto 
sanguíneo
• Formas raras de transmissão:
- Transfusão de sangue
- Transplante de órgãos
- Uso intravenoso de drogas (HIV/AIDS)
- Acidente com seringas e agulhas 
contaminadas (sangue M.O., aspirados 
etc.) 
 
Fêmea de flebotomíneo 
fazendo repasto
sanguíneo (ingurgitada)
nFagolisossomo
nAmastigota intracelular
nRuptura
nRe-invasão
nAmastigotas
nPromastigotas procíclicas
nPromastigotas metacíclicas
nProliferação no intestino do vetor
nPicada do inseto
nInteração
nCaptação
nProlliferação
nPicada do inseto
Fonte: CHAPPUIS, 2007
Ciclo
biológico
(heteroxênico)
Flebotomíneo
Hospedeiro 
invertebrado
Hospedeiro
mamífero
Diversidade de
Formas Clínicas
(multifatorial)
Fatores 
Ambientais
Fatores do
Hospedeiro
Fatores do
Parasito
Homem - doença 
Aspectos clínico-patológicos
manifestações clínicas
• Formas tegumentares:
Espectro clínico
Cutânea (LCL)
Cutânea Difusa (LCD)
Mucocutânea (LCM)
Cutânea Disseminada (LD)
• Forma visceral:
Leishmaniose Visceral (Calazar) - LV
Leishmaniose tegumentar americana
• Cutânea localizada (LCL) 
Várias espécies de Leishmania envolvidas
Infecção localizada no local da picada do 
flebotomíneo
Úlcera típica: “aspecto de cratera lunar”, 
indolor, com bordas elevadas, fundo
necrosado, com/sem exsudação
Parasitos abundantes no início da infecção e 
escassos nas úlceras crônicas.
Pode ser autolimitada
Neves, Parasitol. Humana, 12ª ed., 2012
Leishmaniose tegumentar americana
• Mucocutânea (LMC)
(0-10% dos casos cutâneos)
Espécie envolvida: Leishmania braziliensis
Lesão secundária que atinge as mucosas
do nariz, boca e faringe
Pode surgir na vigência da lesão primária
ou tempos depois da sua “cura”
Inflamação exacerbada (ausência de 
parasitos)
Complicações respiratórias por infecções
secundárias.
Leishmaniose tegumentar americana
• Cutânea Difusa (LCD)
Espécie envolvida: L. amazonensis (40%)
Caracteriza-se por anergia do organismo
à L.a.
Lesões múltiplas, não ulceradas, 
nodulares e se disseminam pelo corpo
(grande número de parasitos)
Curso crônico, progressivo e não
responde ao tratamento
Rey, Parasitologia, 2008
Leishmaniose tegumentar americana
• Cutânea disseminada (LD)
Pode ser observada em 2% dos casos
de LTA
Espécies envolvidas: Lb e La
Múltiplas lesões papulares, maculares, 
nodulares e acneiformes (face e no 
tronco). 
Indivíduos imunossuprimidos: AIDS, 
alcoolismo, outras doenças
imunossupressoras (Lúpus, etc.)
Fonte: A.Q. de Sousa, 2006
www.bjid.com.br
230 BJID 2006; 10 (June)
Disseminated Cutaneous Leishmaniasis: A Patient with 749 Lesions
A 46 year-old man, agriculturist, presented with an eight-month
history of skin lesions all over his body. Patient did not refer
systemic symptoms; however he was a heavy alcoholic drinker
until three months after the beginning of disease, when he
stopped drinking. Physical exam was inconspicuous except
for multiples skin lesions (papular, crusted or ulcerated) on
face, trunk (Panels A and B), scalp, arms, legs, genitalia and
nasal mucosa. Complete blood count, liver and renal tests,
glucose as well as chest x-ray were normal. Tuberculin (PPD)
test was 5mm, Montenegro test (leishmanin) was non reactive,
VDRL and anti-HIV test were negative. Three 2mm punch
skin biopsies were done: for imprint, leishmania culture (NNN)
and histopathology. Imprint showed amastigotes in many
fields (100X) (Panels C, D and E - Arrows). Culture grew
Leishmania. Histopathology showed moderate infiltrate of
vacuolated macrophages with few lymphocytes, no
granulomas were seen. Amastigotes were present in some
macrophages. Patient was treated with intravenous
pentavalent antimony (Glucantime®) 850mg per day for 30
days and all lesions healed. Leishmanin skin test at end of
treatment was 8mm. Disseminated Cutaneous Leishmaniasis
is seen in a small percentageof patients with cutaneous
leishmaniasis in all endemic areas of Ceará State, northeastern
Brazil. This patient was from one of these areas. Even though
the Leishmania species was not characterized, the parasite in
this case was probably Leishmania (Viannia) braziliensis,
because this is the only species identified so far causing
cutaneous leishmaniasis in Ceará.
Key Words: Cutaneous leishmaniasis, disseminated leishmaniasis.
Anastácio Q. Sousa, Margarida M.L. Pompeu, F.R.Neves Sólon,
Mércia S. Frutuoso, M. Jania Teixeira and Terezinha M.J. Silva
Hospital São José and Núcleo de Medicina Tropical, Federal
University of Ceará, Fortaleza, Ceará, Brazil.
Email: aqsousa@gmail.com
Leishmaniose Visceral – apresentação clínica
Febre insidiosa, perda de peso
- Esplenomegalia: mais marcante (pode complicar: infarto ou
sangramento subcapsular)
- Hepatomegalia: disfunção hepatica
Invasão de amastigotas na Medula Óssea:
-Pancitopenia (anemia, leucopenia e plaquetopenia)
**Plaquetopenia: causa sangramentos - nariz, gengiva, etc.
-Imunossupressão: causa infecções oportunistas (otite média, 
pneumonia, infecções gastro-intestinalis etc.)
Hipoalbuminemia e hipergamaglobulinemia Þ inversão no 
proteinograma – retenção de líquidos (edema)
Emagrecimento progressivo com ascite, e caquexia (em uma fase
crônica mais avançada)
90% de mortalidade nos casos não tratados
Leishmaniose Visceral • Formas Clínicas:
• Inaparente (maioria): pode
evoluir para cura espontânea
ou para formas sintomáticas
• Aguda: evolução em 20-40 
dias, crianças até 2 anos
(quando subnutridas)
• Sub-aguda: evolução em 5 
meses a 1 ano, mais frequente
em crianças
• Crônica: evolução lenta, de até
alguns anos, em crianças
maiores e adultosFase crônica
Fase aguda inicial e estabelecida
Diagnóstico 
das 
leishmanioses
Deve-se basear em:
v Achados clínicos 
v Aspectos 
epidemiológicos
v Exames laboratoriais
Diagnóstico 
epidemiólogico
Relato de presença de 
reservatórios.
Relato de contato com vetores;
Presença do homem em áreas de 
transmissão; fatores humanos 
como idade e atividades;
Diagnóstico Clínico
LTA:
• Características da lesão, 
linfadenopatia
• Diagnóstico diferencial com 
outras dermatoses 
(tuberculose cutânea, 
hanseníase, infecções por 
fungos: - blastomicose e 
esporotricose - neoplasias). 
LV:
• Evolução insidiosa:
• Febre baixa recorrente, 
• Fraqueza, 
• Anemia, 
• Grande hepato-
esplenomegalia,
• Sangramentos espontâneos,
• Magreza progressiva,
• Ascite e caquexia.
Diagnóstico Laboratorial
Parasitológico:
– Exame direto
• Biópsia (pequeno pedaço da borda) da lesão (LT) 
• Aspirado M.O (LV); Aspirado de Linfonodo (LV e LT)
Obtenção de material de lesão cutânea Confecções de lâminas coradas
(Amastigotas intracelulares)
Parasitológico:
– Exame indireto
Isolamento do parasito em meio de cultura (in vitro)
§ Material de biopsia (LT) ou aspirado de M.O (LV)
§ Meio de cultura específico e cultivo de 23-25oC
§ 7-14 dias (Amastigota mudam p/ Promastigota)
Diagnóstico Laboratorial
Video: Raquel Pinheiro
Formas 
promastigotas 
de Leishmania 
spp.
Diagnóstico laboratorial
visualização do parasito em cultura in vivo
Diagnóstico laboratorial
imunológico
LEISHMANIOSE VISCERAL:
§ Ativação policlonal de linfócitos B -
↑ produção de anticorpos
(Não protetores –
imunocomplexos circulantes -
glomerulonefrite) 
§ Sorologia
(RIFI, ELISA, k39)
apresenta bons resultados
LEISHMANIOSE TEGUMENTAR:
§ Testes sorológicos são pouco
eficientes
§ IDRM (Intradermorreação de 
Montenegro) - avalia resposta
imune celular contra o parasito
Diagnóstico
laboratorial
Exames complementares: 
-Exames hematológicos (pancitopenia, anemia)
-Marcadores hepáticos e renais
-Eletroforese de proteínas (inversão da relação
albumina/gamaglobulinas)
Normal Alterada
Tratamento
• Drogas de Primeira Escolha:
Antimoniais pentavalentes (Sb+5)
§ Glucantime® (Brasil)
§ Pentostam® (não
comercializado no BR)
• Inconveniências: via de aplicação I.M. 
ou E.V.; administração diária (20-40 
doses), cepas resistentes às drogas.
• Efeitos colaterais: toxicidade cardíaca 
e hepática, teratogênica, artralgias, 
mialgias, náuseas, vômitos, etc.
Glucantime
Pentostam
Tratamento
• Drogas de Segunda Escolha:
Anfotericina B lipossomal: 
Desoxicolato de Anfotericina B
Pentamidina: Isotionato ou
Mesilato de pentamidina
 Inconveniências: Efeitos 
colaterais (Isuf. renal, alterações 
cardíacas, etc), via de aplicação 
I.M ou E.V., alto custo
• Outras drogas utilizadas 
(Brasil): 
 Mitelfosina (oral) e Fluconazol (oral)
Anfotericina B
Profilaxia e controle
Medidas cabíveis:
1. Prevenção do contato com o vetor - uso de 
repelentes, mosquiteiros e telas em portas e 
janelas; construção de casas a uma distância
mínima da mata (500m).
2. Combate aos insetos adultos - uso de 
inseticidas (piretroides) em áreas de 
transmissão (domicílio e peridomicilio)
3. Controle dos reservatórios - uso de coleiras 
(com deltametrina), tratamento ou eutanásia 
de cães doentes em áreas de transmissão 
urbana e periurbana
4. Notificação e tratamento precoce dos 
casos de infecção humana: a) Diminui a 
morbidade da infecção; b) Permite a busca 
ativa em áreas de alta incidência ou de difícil 
acesso
Ponto de vista epidemiológico:
ü Parasitismo cutâneo intenso: fonte de infecção para o 
vetor
ü Principal elo na cadeia de transmissão doméstica.
o Cães infectados podem desenvolver ambas as formas: 
cutânea e visceral
o Apesar da natureza viscerotrópica da L. infantum as 
manifestações de pele são as mais frequentes
o Imunossupressão: doenças oportunistas
o Tratamento: Cura clínica transitória, mas sem cura
parasitológica (recidiva)
o Não há ainda vacina com ótima eficácia comprovada
Controle dos reservatórios (cão)
Coleira impregnada com 
deltametrina (repelente
preconizado para 
flebotomíneos)
A fabricação e a venda da única vacina 
contra a leishmaniose visceral canina que 
estava em comercialização no Brasil, foi 
suspensa pelo Ministério da Agricultura e 
Pecuária (MAPA).
Bibliografia
• AMATO-NETO, V., GRYSCHEK, C.B., AMATO, V.B. & TUON, F.F., Parasitologia – 
Uma Abordagem Clínica, 1ªed., Editora Elsevier, 2008.
• REY, L., “Parasitologia”, 4ª ed., Editora Guanabara Koogan, 2008.
 
• NEVES, D.P., “Parasitologia humana”, 13ª ed., São Paulo: Editora Atheneu, 2016.
 
• FERREIRA, M.U., FORONDA, A.S. & SCHUMAKER, T.T.S., “Fundamentos Biológicos 
da Parasitologia Humana”, 1ª ed., Editora Manole, 2003.
• FERREIRA, M.U., “Parasitologia Contemporânea, 1ª ed., Ed. Guanabara Koogan, 
2012.

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