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02/04/2023, 16:31 UNINTER
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FUNDAMENTOS DE FILOSOFIA
AULA 1
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Rui Valese
02/04/2023, 16:31 UNINTER
https://univirtus.uninter.com/ava/web/roa/ 2/23
CONVERSA INICIAL
Seja bem-vindo à disciplina de Fundamentos de Filosofia!
Nela, estudaremos algumas das principais ideias sobre o surgimento da Filosofia e sua relação
com o nosso cotidiano. Iniciaremos pelo estudo de vários conceitos de Filosofia produzidos por
diferentes filósofos. Da mesma forma, discutiremos se a Filosofia é um evento grego ou se outros
povos também foram criadores de pensamento filosófico. Em seguida, trataremos do mito e de como
a sua superação, para o povo grego, significou a criação de uma nova forma de pensar. Finalizaremos
tratando das diferentes formas de conhecimento e de que maneira a Filosofia está relacionada ao
nosso cotidiano.
Está preparado?
Iniciemos nossos estudos conhecendo o professor Rui Valese e entendendo, com a videoaula
disponível no material on-line, como ele organizou o conteúdo desta disciplina!
CONTEXTUALIZANDO
Qual a utilidade da Filosofia?
Quase sempre que se inicia uma aula de Filosofia no primeiro dia de aula de uma turma de
Ensino Médio, alguns alunos costumam fazer essa pergunta ao professor. Em alguns cursos de
graduação, a pergunta também costuma aparecer. Assim, o problema proposto para esse início de
aula é “a Filosofia tem ou não alguma utilidade?”.
No final da aula voltamos a conversar sobre isso, certo? Enquanto isso, acesse o material on-line
para assistir a mais uma videoaula!
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Bons estudos!
PESQUISE
CONCEITO DE FILOSOFIA
Nosso objetivo, nesta aula, é compreender o conceito de Filosofia, num sentido geral para,
depois, em diferentes períodos da história da Filosofia, compreender o sentido dado por diferentes
filósofos e as possíveis implicações.
Inicialmente, vejamos o seu sentido etimológico:
Desta forma, Filosofia significa “amor à sabedoria”. Portanto, o filósofo, que é o praticante da
Filosofia, é aquele que ama a sabedoria, a busca pelo conhecimento.
O sentido foi pela primeira vez utilizado por Pitágoras que viveu no século VI a.C. Segundo
Pitágoras, três tipos de pessoas costumavam frequentar os jogos olímpicos da antiguidade:
Os competidores
Seus objetivos eram disputar as provas e sagrarem-se campeões. Isso porque, quem saía
vencedor, era recebido como herói pelos seus concidadãos. Algumas provas eram apenas de
demonstração. Mas, também tinham igual valor.
Os comerciantes
Aqueles que iam para comerciar ou fechar acordos comerciais. O objetivo desses, nos
jogos olímpicos, não era com as competições, mas, como outros comerciantes e o público em
geral, potenciais compradores de suas mercadorias.
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O público
Aqueles que iam para incentivar e apoiar os competidores. Também fazia parte desse
terceiro grupo, os juízes: aqueles que iam julgar os competidores e determinar quem era
vencedor.
Para Pitágoras, o público se assemelha aos filósofos, pois não tratam o conhecimento como
mercadoria, a partir do qual se podem obter vantagens (como os mercadores faziam) nem como uma
disputa (como faziam os competidores). Como o público em geral – e os juízes em particular, que
iam aos jogos para apreciar e julgar os competidores – o filósofo não vê o conhecimento como algo
para ser disputado, muito menos comerciado, mas, para ser apreciado e julgado.
Ao longo da História da Filosofia, vários pensadores definiram a Filosofia, a partir de como os
mesmos desenvolviam seu pensamento filosófico. O primeiro que iremos refletir é o de Sócrates
(século V a. C.). Vamos conhecê-lo?
SÓCRATES
Para ele, a função da Filosofia é descobrir a verdade, por meio de um método chamado
maiêutica, combinada com a ironia.
O método consistia no seguinte: diante de alguém que afirmasse categoricamente a verdade de
algo, Sócrates fingia ignorar tal verdade (momento da ironia) e passava questionar seu interlocutor.
Iniciava-se assim o segundo momento (maiêutica), por meio da qual, num encadeamento lógico de
perguntas, acabava por colocar seu oponente em situação de admitir que suas “verdades” eram
frágeis.
Sócrates acreditava que, de posse da verdade, as pessoas agiriam corretamente.
Os diálogos socráticos foram escritos por seu discípulo Platão, mas nem sempre ambos
terminavam com alguma solução para o problema inicial apresentado. A maiêutica significa “parto de
ideias” e o termo foi retirado da profissão da mãe de Sócrates, que era parteira. Por essa prática,
Sócrates incomodava boa parte da população ateniense. Por essa razão, foi acusado de corromper os
jovens, não acreditar nos deuses e criar uma nova divindade.
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Sua defesa está descrita no diálogo Apologia de Sócrates. Como se sabe, Sócrates foi condenado
à morte e, apesar dos apelos de alguns de seus amigos para que confessasse culpa para escapar da
morte, ou mesmo que fugisse, preferiu a morte para manter-se coerente com suas ideias.
PLATÃO
Platão (século V/IV a.C.) partilhava das ideias de seu mestre. No Livro X, de A República, onde
narra o Mito de Er, Platão atribui dois sentidos complementares à Filosofia: o primeiro é de servir de
antídoto a toda forma de mímesis. Para Platão, as artes miméticas impediriam as pessoas de
chegarem até a verdade, que são conceitos puros que se encontram no Mundo das Ideias.
Por exemplo: um marceneiro, que constrói uma mesa, realiza uma arte mimética. Isso porque,
por mais que ele consiga construir uma mesa perfeita, essa mesa não será o conceito perfeito de
mesa que se encontra no Mundo das Ideias, será apenas uma representação dela. A Filosofia é que
permite distinguir a “mesa-representação” da “mesa-conceito”.
O segundo sentido está expresso já no final do Mito de Er, quando Platão afirma que a Filosofia
é a única maneira que o indivíduo tem de saber qual seu destino, para cumpri-lo de acordo ou evitar
que o destino que talvez não seja tão bom assim se cumpra.
ARISTÓTELES
O terceiro filósofo que abordaremos é Aristóteles (séc. III a.C.). Sua concepção está expressa na
obra Metafísica. Para o estagirita, filosofar é algo próprio dos seres humanos, pois aspiramos ao
conhecimento. Essa aspiração nasce do espanto, que em grego se diz tó thaumázein. Esse espanto,
no entanto, não é o mesmo de medo, pavor, mas de admiração: de querer saber aquilo que não se
sabe.
Movido por esse espanto original, o ser humano começa a investigar, a querer saber o porquê
de cada uma das coisas.
SÉCULO XIX – KARL MARX
Como nosso objetivo não é recensear todos os conceitos de Filosofia, daremos um salto até o
século XIX e conheceremos um dos pensadores que mais contribuíram para o pensamento social:
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Karl Marx. No texto Teses sobre Feuerbach (filósofo alemão e seu contemporâneo), escrito em 1845,
Marx afirma: “Os filósofos têm apenas interpretado o mundo de maneiras diferentes; a questão,
porém, é transformá-lo”.
Essa frase já foi interpretada por muitos como uma condenação à especulação filosófica e um
convite ao ativismo. Porém, a crítica de Marx é a um determinado tipo de Filosofia que se resume a
investigar o mundo das ideias e não se compromete com a transformação do real. Marx não fala
contra o momento especulativo e investigativo. Até porque ele dedicou grande parte de sua vida a
entender e fazer entender como o sistema capitalista funcionava. Porém, não se contentava em
apenas explicar seu funcionamento, mas, lutava por sua transformação. Como consequência de suas
convicções, foi expulso de vários países europeus e foi impedido de entrar em outros tantos.
SÉCULO XX
No século XX, tomemos como referência quatro pensadores: Merleau-Ponty,Adorno, Heller e
Dussel. O primeiro deles cunhou a seguinte definição:
“A verdadeira Filosofia é reaprender a ver o mundo”.
Merleau-Ponty, de certa forma, retoma o sentido original do tó thaumázein, que é espantar-se
com aquilo que vê todo dia como se fosse algo completamente novo, original. É estranhar-se em
relação à vida cotidiana. Suspeitar daquilo que se tornou corriqueiro.
O segundo, Adorno, afirma que “Quem pensa, opõe resistência”. Assim, pensar é uma forma de
opor resistência a toda e qualquer forma de alienação, de ideologia, de enganação. Quem pensa,
reage. Quem não pensa, aceita as coisas como se fossem inevitáveis.
Já a filósofa Agnes Heller nos diz que, com a Filosofia, devemos aprender a pensar, viver e agir.
Destaca ela três dimensões de nossa existência, entendendo que as três são complementares:
Dimensão epistemológica: aprender a pensar
Dimensão ética: aprender a viver
Dimensão política: aprender a agir
É certo que podemos viver apenas uma delas. Porém, afirma ela, a recepção total da Filosofia
implica nas três dimensões.
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Enrique Dussel, filósofo argentino radicado no México, não chega a elaborar um conceito de
Filosofia. Porém, ele elabora um sistema filosófico completo, explica a função da mesma: a Filosofia
da Libertação. Juntamente com outros pensadores latino-americanos, entende que a Filosofia deve
cumprir um papel de libertação dos excluídos do centro. Não deve ser meramente uma reprodução
do pensamento de centro, mas deve, a partir de sua própria realidade, pensar seus problemas.
Assim, um filósofo latino-americano que se torne especialista em Marx, por exemplo, é chamado
de um filósofo inautêntico. Dussel não nega a importância do pensamento marxista. Porém,
argumenta que precisamos pensar a nossa realidade a partir de nossos problemas.
Como nos propomos a discorrer, neste tema, sobre o conceito de “Filosofia”, nada melhor que
consultarmos um dicionário, não é mesmo? Afinal, lá consta o significado para vários conceitos que
possamos vir a empregar em nosso dia a dia. Então, que tal consultar um dicionário on-line para ver
qual é a definição de “Filosofia” que ele apresenta?
<http://www.significados.com.br/Filosofia/>
Vejamos, no vídeo a seguir, qual o conceito de Filosofia adotado pelo Prof. Dr. Marcos
Spagnuolo Souza!
<https://www.youtube.com/watch?v=dhb86DtgsEA>
Agora, vamos ver o que o Prof. Rui Valese tem a dizer sobre o assunto deste tema? Vamos à
videoaula que está no material on-line!
ORIGEM DA FILOSOFIA
Há o consenso entre os historiadores da Filosofia de que sua origem é grega, pelo menos em
seu pensar racional, sistemático e de conjunto. Para que eles pudessem desenvolver esse tipo de
conhecimento, concorreu a contribuição dos vários povos e culturas que entraram em contato com
os gregos, bem como dos conhecimentos apropriados por filósofos gregos que viajavam por essas
regiões, em particular o Egito que, 4.500 anos atrás já havia construído as pirâmides – obra de
engenharia que até hoje desafia as mentes a buscarem uma explicação sobre como foram feitas.
Há, até mesmo, aqueles que, não conseguindo imaginar e muito menos aceitar que aqueles
povos já tivessem conhecimento suficiente para tal empreendimento, atribuem as construções a
http://www.significados.com.br/Filosofia/
https://www.youtube.com/watch?v=dhb86DtgsEA
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extraterrestres. Porém, o pensar filosófico não é exclusividade grega. Neste tema, nosso objetivo é
compreender a origem grega da Filosofia e, ao mesmo tempo, buscar outros pensamentos também
filosóficos desenvolvidos por outros povos.
A origem da Filosofia já chegou a ser considerada um milagre grego, no sentido de que os
gregos, de maneira autóctone e original, desenvolveram uma forma de pensar que nenhum
outro povo antes havia desenvolvido. Além disso, não contaram com a colaboração de nenhuma
outra cultura!
No entanto, a origem da palavra Filosofia, por exemplo, tem a contribuição de uma língua falada
no Egito em 2.052 a. C. e que está escrita no túmulo de Antef: seba, que significa “o sábio”. De onde
se originou “Sebo” em copta e “Sophia”, em grego. Assim, o mais coerente e lógico é entendermos
que a Filosofia é um tipo de conhecimento, até certo ponto, criado pelos gregos, mas com a
colaboração e participação – ainda que não reconhecida – de muitos outros povos e culturas.
Vejamos como ela apareceu na Grécia Antiga.
Até o século VII a. C., predominava na Grécia Antiga a explicação mitológica para os
acontecimentos. Tudo que acontecia era por vontade dos deuses que, desde o Olimpo, comandavam
tudo: desde os fenômenos naturais, até os conflitos e sentimentos humanos.
Assim, se duas cidades-estados gregas guerreavam entre si, era por conta de seus deuses
protetores estarem em conflito. A passagem do tempo era vista como uma atividade do deus Cronos,
que conduzia o Sol numa carruagem, puxada por cavalos belos e fortes, todos os dias. À noite,
Cronos descansava, como também seus animais para, no dia seguinte, cumprir a mesma tarefa.
Da mesma forma, a Via Láctea era o leite da deusa Hera, derramado quando Hércules (que
significa “glória de Hera”), filho de Zeus com a mortal Alcmena, tentava roubá-lo. Quando Hera
descobre que seu leite, que garantiria a Hércules a imortalidade, estava sendo roubado, empurra
violentamente o jarro, derramando-o nos céus e dando origem a um caminho de estrelas: a Via
Láctea.
Ainda, acreditavam que as terras desconhecidas eram habitadas por seres gigantes, com um
olho só na testa, chamados Ciclopes; que as tempestades em alto mar eram resultado da ira e da
força de Poseidon e muitas outras crenças.
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Diante desse mundo mágico e misterioso, é fácil compreender o porquê de as explicações
míticas terem perdurado tanto tempo!
No entanto, a partir do século VIII a. C., um conjunto de mudanças contribuirá para o
aparecimento da Filosofia. Vale lembrar que a Filosofia primeiro surgirá nas colônias gregas da atual
Ásia Menor (antiga Jônia), no sul da Itália, para depois chegarem aos centros urbanos, comerciais e
políticos gregos.
Mais adiante, você conhecerá os fatores que contribuíram para o surgimento da Filosofia.
SURGIMENTO DA ESCRITA
As concepções míticas predominam entre os povos e culturas de tradição oral. No entanto, com
o aparecimento da escrita cuneiforme entre os sumérios e com o aparecimento da escrita hieróglifa
(que significa “sinais divinos” no Egito Antigo e estava reservada aos sacerdotes, reis, ministros e
auxiliares) essa tradição oral começa a perder força. Consequentemente, os mitos também perderam
sua credibilidade.
Ao mesmo tempo, com a passagem da tradição oral para a escrita, primeiramente cuneiforme e
hieróglifa e depois alfabética (com os fenícios) outro fenômeno ocorrerá: se na tradição oral é
privilegiada a memória, a superstição e a magia, com o aparecimento da escrita inicia-se um
processo de substituição da palavra por imagens e, por fim, das palavras por conjunto de signos que,
combinados, formam as palavras. Esse processo ampliará a capacidade de abstração daqueles que
dominarão a escrita.
CRIAÇÃO DA MOEDA
O crescimento comercial e marítimo em razão da expansão dos domínios gregos, ocorrido entre
os séculos VIII e VI a. C. promoverá, também, o aparecimento e desenvolvimento de duas
tecnologias: a moeda e o aperfeiçoamento das embarcações.
Quando se troca mercadoria por mercadoria, os problemas não são tantos. Porém, quando essa
troca é numa escala maior, há a necessidade de um terceiro elemento mediador desse processo.
Assim, se na troca de mercadoria por mercadoria, o tamanho, o peso, a utilidade e a necessidade de
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determinada coisa serviam como parâmetros para a troca, com a invenção da moedaesses critérios
precisam ser simbolizados, significados.
A moeda tem um valor expresso e, como esse valor, é possível comprar determinadas coisas,
numa determinada quantidade. Isso, por si só, também contribui para ampliar a capacidade de
abstração dos sujeitos envolvidos na troca comercial.
Já o aperfeiçoamento das embarcações e das técnicas de navegação levará os comerciantes a
terras nunca antes visitadas. Esse desenvolvimento possibilitará que os navegantes rompam com dois
mitos: a de que Poseidon governa os mares e a de que as ilhas desconhecidas sejam habitadas por
seres gigantes com um olho na testa. Os comerciantes e os navegantes não apenas perceberam que
é possível navegar em meio à tempestade (o que não significa que isso seja fácil) como também
perceberam que as ilhas eram habitadas por outros seres humanos iguais a eles.
A LEI ESCRITA E A VIDA NA PÓLIS
A partir dos séculos VII e VI a. C., os legisladores Drácon, Sólon e Clístenes realizam uma
profunda transformação nas formas de se governar. Ao invés de manterem a tradição das leis
arbitrárias impostas pelos reis ou da vontade divina na condução das ações humanas, elaboram um
código de leis que passou a reger a vida dos cidadãos na pólis.
Essas leis são o resultado de um processo de discussões e debates em praça pública, o que
necessita de pessoas que saibam argumentar em defesa ou contra alguma proposta. O fundamento
da sociedade não é mais os costumes herdados das sociedades aristocráticas, mas da vida na pólis,
da vontade do demos, isto é, da democracia.
Ainda que essa esteja restrita a um pequeno número de moradores das cidades-estados gregas
(pois mulheres, escravos, estrangeiros, crianças e jovens estavam excluídos desse processo, restando
pouco mais de 10% da população) o surgimento e consolidação da pólis se deu por meio do debate
na ágora (praça).
Assim, o surgimento da Filosofia grega está relacionado a esses três acontecimentos históricos,
bem como às viagens que alguns pensadores gregos fizeram pelas regiões próximas à Grécia. Dentre
eles pensadores destacamos: Homero, Licurgo de Esparta, Sólon de Atenas, Platão, Pitágoras de
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Samos e Eudoxos matemático, bem como Demócrito de Abdera, Tales de Mileto e Oenopides de
Chios.
Por fim, se podemos afirmar (com algumas reservas) que a Filosofia é grega, com certeza ela não
é o resultado apenas dos esforços gregos. O fato de as ilhas gregas serem um ponto de passagem e
encontros de vários povos e culturas possibilitou aos gregos o acesso a diferentes perspectivas
epistemológicas e ocasionou o rompimento da mentalidade mítica que regia os costumes e as
instituições.
Quer saber mais? Faça a leitura do texto a seguir:
<http://origem-da-Filosofia.info/>
E agora, vamos à videoaula! Acesse o material on-line!
CONCEITO DE MITO
O nascimento da Filosofia está, invariavelmente, ligado à superação da consciência mítica. Esse é
o objetivo deste tema: compreender o que é mito, qual a sua importância para as sociedades e
analisar o nascimento da Filosofia a partir da superação da consciência mítica.
A palavra mito é de origem grega – mythos, que é derivada dos verbos mytheyo e mytheo.
Ambos têm o significado de contar, narrar, falar, anunciar alguma coisa. Assim, mito é uma narrativa
pública feita por um determinado sujeito que tem autoridade para isso. Na Grécia Antiga, era o
poeta-rapsodo era quem tinha essa autoridade, porque se acreditava que ele recebia essa autoridade
dos deuses.
Aqui temos o primeiro critério para admitir um mito como sendo verdade: o argumento de
autoridade.
Da mesma forma, outra característica do mito é o fato dele trabalhar, de uma maneira inusitada,
com elementos de fantasia e de realidade. Outra característica interessante dos mitos, é o fato de
diferentes povos, em diferentes momentos históricos, construírem mitos que guardam algumas
semelhanças.
http://origem-da-filosofia.info/
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Vejamos alguns exemplos adiante:
MITOS DE CRIAÇÃO DO SER HUMANO
Segundo o mito adâmico de criação do ser humano, Deus criou o homem do pó da terra,
inspirando nele o fôlego, o ar. A palavra Adão vem de uma palavra hebraica relacionada a adamá,
solo vermelho.
Na mitologia Yorubá, Oxalá recebe de Olodumaré, criador e senhor do Universo, a missão de
criar todos os seres para que habitassem a Terra. Oxalá experimentou variados tipos de materiais e
não ficou contente com os resultados. Por fim, pediu a Nanã, a Senhora da Lama e da Terra, que lhe
cedesse material para sua tarefa. Essa lhe concede a título de empréstimo. É assim que Oxalá cria o
ser humano do barro e, para cumprir o acordo entre Oxalá e Nanã, ao morrer, o ser humano deve
voltar à terra.
Na mitologia tupi-guarani, homem e mulher foram criados por Tupã, a partir de estátuas de
argila e diferentes elementos da natureza, às quais soprou nelas a vida.
Observe que três culturas distantes geograficamente, compõem mitos basicamente iguais para
explicar o mesmo fenômeno, a partir de elementos que estão presentes na natureza.
A ORIGEM DOS MALES
Também esse acontecimento tem mitos narrativos que têm semelhanças.
Mito adâmico
No mito adâmico, por exemplo, o mal é resultado da desobediência de Adão e Eva, que
habitavam o jardim do Éden e de lá foram expulsos por Deus, sendo obrigados a viver do suor de
seus rostos e, especificamente Eva, a sofrer com as dores do parto. Da mesma forma, Eva, no mito
adâmico é culpada pela expulsão do paraíso.
Mito grego
Para os gregos, a origem dos males está relacionada ao roubo do fogo dos deuses por parte do
titã Prometeu que, amigo dos seres humanos, trouxe-o como presente, por ver que eles passavam
frio, comiam comidas cruas e frias e tinham enormes dificuldades para trabalhar. Assim, o fogo, além
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de aquecer e cozinhar o alimento, também serviu como tecnologia para transformar a natureza e
facilitar o trabalho humano.
No entanto, o gesto provocou a ira dos deuses, que resolveram castigar os seres humanos,
enviando uma linda mulher com uma caixa recheada de males, com a recomendação expressa de não
abrir a caixa até chegar à Terra. Pandora, a enviada, acaba abrindo a caixa por curiosidade, deixando
escapar toda sorte de males, desgraças, doenças, pestes, guerras e morte, restando apenas a
esperança.
Essas narrativas guardam muitas semelhanças em seu desenrolar e nos elementos presentes em
cada uma, apesar de serem assíncronas.
No entanto, o que diferencia a narrativa mítica da reflexão filosófica, que é o que nos interessa
nesse momento, é como esses elementos estão justapostos. Na narrativa mítica, além do argumento
de autoridade, que é problematizado pela Filosofia, há uma combinação de elementos que, fora de
contexto, perdem sentido.
No mito criado pelos gregos para explicar a passagem de dia para noite, segundo o qual Cronos
carrega o Sol numa carruagem puxada por cavalos, essa narrativa só é aceitável porque se trata de
um mito que intenta mostrar a interferência de um deus no curso natural dos acontecimentos. Pois
imaginar que realmente exista uma carruagem e animais que suportem as altíssimas temperaturas do
Sol e que possam transportá-lo, foge a qualquer compreensão racional.
Já a Filosofia trabalha com uma explicação argumentativa, que independe de quem argumenta.
Pois, a veracidade do que se argumenta, está nos próprios argumentos; se os mesmos são válidos e
coerentes.
A Filosofia, diferente da mitologia, realiza uma reflexão sistemática, isto é, os enunciados que
produz são precisos e rigorosos. Da mesma forma, esses enunciados estão organizados de maneira
lógica, fundamentados racionalmente e apresentam provas a partir das quais os conceitos e ideias
surgem.
Assim, não se trata de um “eu acho” ou “ouvi dizer”, de dóxa (opinião) como diziam os gregos,
mas, de um“eu penso”, de episteme, conhecimento verdadeiro, científico. Como afirma a filósofa
brasileira Marilena Chauí:
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“A atividade filosófica é, portanto, uma análise, uma reflexão e uma crítica […] para que essas três
atividades se realizem, é preciso que a Filosofia se defina como busca do fundamento (princípios,
causas e condições) e do sentido (significação e finalidade) da realidade em suas múltiplas formas”.
Que tal, agora, assistirmos à videoaula referente a este tema para sanarmos quaisquer dúvidas
que tenham surgido? Acesse-a no material on-line!
ESFERAS DE CONHECIMENTO
No livro Metafísica, Aristóteles afirma que todo ser humano aspira ao conhecimento. Porém,
a questão é: como os seres humanos fazem para solucionar suas dúvidas com relação ao que
são as coisas.
Neste tema buscaremos refletir sobre os diferentes níveis de conhecimento elaborado pelo ser
humano, para satisfazer sua necessidade de compreender e explicar as coisas.
SENSO COMUM
Nós chamamos o nível de conhecimento mais básico do ser humano de senso comum. Como
afirmam os gregos: é o nível da doxa; do “eu acho”. Trata-se de um conhecimento que é produzido
por meio das experiências e vivências do cotidiano e que vai se acumulando de geração a geração,
até se cristalizarem como saberes transmitidos quase sempre pelos mais velhos. Não se trata de
saberes produzidos por especulações ou investigações, mas, sim, de conhecimentos produzidos por
meio da memória e da associação.
Memória:
Se caracteriza pelo acúmulo de experiências realizadas a partir de hábitos estabelecidos.
Por exemplo: a mãe ou avó que receita chá de camomila para acalmar o bebê ou chá de erva
doce, se ele estiver com cólicas. A memória está dividida em cinco elementos:
Fixação das lembranças
Conservação
Recuperação
Reconhecimento
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Localização
Associação:
A associação de ideias permite inferir certos conhecimentos a partir de experiências que se
repetem. Se moro em ambiente próximo ou na natureza, num sítio, por exemplo, observo que
as folhas das árvores, numa determinada épica do ano, costumam cair. É a chegada do outono.
Assim, associo a queda das folhas das árvores à estação do ano.
Se é verdade que alguns conhecimentos produzidos e reproduzidos pelo senso comum são
carregados de preconceitos, superstições e crendices, por outro lado, foi o conhecimento produzido
pelo senso comum que permitiu à humanidade viver e sobreviver por milhares de anos. Assim, não
podemos tratar o conhecimento do senso comum simplesmente como infantil: devemos
contextualizá-lo!
Dois exemplos de preconceitos produzidos pelo senso comum:
A mulher é intelectualmente inferior ao homem.
A raça branca é superior às outras raças (um preconceito que tomou tão grandes
proporções que, durante os séculos XVIII e XIX, foram produzidos discursos “científicos”
para defender tal teoria).
CONHECIMENTO TEOLÓGICO
A sabedoria popular também é produtora de crenças que ultrapassam as religiões
institucionalizadas. Um mesmo fiel pode frequentar diferentes manifestações religiosas, num
sincretismo religioso no qual ele não vê contradição nenhuma.
Preconceituosamente, acreditava-se que as crenças eram manifestações das pessoas que se
situavam nas classes sociais mais baixas e com menor grau de acesso aos saberes formalmente
constituídos. No entanto, as simpatias, rezas, feitiços etc. fazem parte de todas as classes sociais.
Essas crenças costumam brotar a religiosidade popular.
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A lavagem das escadarias da Igreja do Senhor do Bom Fim, o Sírio de Nazaré, as procissões de
Nossa Senhora dos Navegantes, as festas do Divino, dentre outras, são exemplos de festas populares
com caráter religioso. Dessas manifestações religiosas, costumam surgir conhecimentos e práticas
que, na ausência de outros esquemas de conhecimento, dão conta de satisfazer certas necessidades
das pessoas.
É o caso, por exemplo, das benzedeiras e benzedores, que além das rezas e bênçãos que
costumam fazer, também são bons conselheiros para os mais diferentes assuntos e problemas –
desde problemas de relacionamento familiar até situações de crises existenciais.
Outra característica das crenças populares é a mistura do sagrado com o profano.
A partir do momento em que as crenças religiosas se institucionalizam, fazendo surgir as
religiões, surge também, por vezes, uma teologia, que seria, por assim dizer, a justificativa teórica
para essas crenças.
O fundamento da teologia, assim como do senso comum, é a crença. Nesta última, porém,
existe um discurso que justifica e legitima as mesmas, diferentemente do senso comum, em que a
crença é obtida a partir da reprodução de uma geração a outra.
Algumas religiões também costumam ter livros que são considerados sagrados e nos quais estão
inscritos seu código moral, que os fiéis deverão observar não apenas nos momentos de práticas
religiosas, mas também no seu dia a dia.
É o caso, por exemplo, de religiões que proíbem que se trabalhe em determinados dias da
semana, que se consuma determinados tipos de alimento, que se use determinados tipos de roupa
ou corte de cabelo e assim por diante. Esse tipo de conhecimento não é resultado de nenhuma
investigação científica, mas é, por vezes, fruto da especulação de alguns especialistas. Assim, as
verdades pregadas devem ser fruto do acordo com as escrituras (quando houverem) e do esforço
intelectual de certas pessoas autorizadas a realizar a exegese das escrituras ou reproduzir verdades
que deverão ser seguidas pelos fiéis praticantes daquela religião.
SABER CIENTÍFICO
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Já o saber científico, nosso terceiro nível de conhecimento, tem que atender dois pré-requisitos:
Delimitar e caracterizar o assunto de que vai tratar.
Ter um método próprio de investigação.
Da mesma forma, as verdades científicas não estão baseadas nem na crença, nem em argumento
de autoridade, como é característico dos conhecimentos produzidos pelo senso comum e pelo
teológico. Para a ciência, ao se afirmar alguma coisa, é preciso apresentar provas que sustentem tal
afirmação. Tais provas precisam ser submetidas ao rigor de reprodução e verificação, para saber se
resistem aos procedimentos.
Assim, não basta um cientista afirmar algo para se torne uma verdade – é necessário que outros
cientistas realizem os mesmos procedimentos e cheguem às mesmas conclusões. Caso contrário, a
“verdade” será rejeitada pela comunidade científica.
O problema do conhecimento científico ocorre quando ele passa a ser utilizado para justificar e
legitimar ideologias, como ocorreu nos séculos XVII, XVIII e XIX, quando serviu para propagar a
“superioridade” racial branca e europeia sobre os demais povos que estavam sendo colonizados. O
mesmo fenômeno se observa quando a ciência se torna um novo mito, colocando-se acima de
quaisquer questionamentos e críticas.
SABER FILOSÓFICO
Já o conhecimento filosófico é um discurso racional e lógico, que defende uma tese a partir de
argumentos sistemática e logicamente organizados, que devem ser coerentes.
O conhecimento filosófico trabalha com conceitos. A partir de determinados conceitos
procuramos explicar o que são as coisas.
Diferentemente do discurso científico, em que é necessário haver concordância para uma
verdade científica se estabeleça – o que, às vezes, não é possível – com o discurso filosófico isso
não é uma premissa.
A coerência e a lógica de um determinado raciocínio filosófico devem ser procuradas dentro do
próprio raciocínio. Não devemos avaliar uma reflexão filosófica que se fundamenta no empirismo, a
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partir de critérios idealistas!
É claro que os filósofos desenvolvem suas reflexões a partirdas reflexões de seus antecessores, o
que lhes permitirá incorporar ou buscar sua superação, conservando algumas ideias. É o caso, por
exemplo, de Aristóteles, que busca superar Platão, seu mestre, mas conserva algumas características
de seu mestre.
O objetivo da Filosofia não é encontrar uma solução final para os problemas. É, antes de
tudo, uma ferramenta para poder inquirir e compreender o real.
Agora, para finaliza este tema, assista ao vídeo sobre tipos de conhecimento...
<https://www.youtube.com/watch?v=A3IaCmw20jk>
... e assista à videoaula do professor Rui Valese no material on-line!
FILOSOFIA E CONHECIMENTO
No Caderno 11 de Memórias do Cárcere, escreve Gramsci:
“É preciso destruir o preconceito, muito difundido, de que a Filosofia é algo muito difícil pelo fato
de ser a atividade intelectual própria de uma determinada categoria de cientistas especializados ou
de filósofos profissionais e sistemáticos. É preciso, portanto, demonstrar preliminarmente que todos
os homens são ‘filósofos’, definindo os limites e as características desta ‘Filosofia espontânea’,
peculiar a ‘todo o mundo’, isto é, da Filosofia que está contida”.
Nosso objetivo nessa unidade é refletir sobre a relação entre Filosofia e cotidiano e, assim,
argumentar em defesa de que a Filosofia não é privilégio de especialistas, pois o cidadão comum
também tem atitudes filosóficas.
Todos nós em algum, ou alguns momentos da vida, levantamos questionamentos que são
filosóficos:
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Essas e muitas outras perguntas costumamos fazer e, podemos dizer, nos acompanham durante
muito tempo em nossa vida. Algumas das respostas para essas perguntas as encontramos nas
religiões. Outras, na biologia. Pode ser que nos contentemos, até mesmo, com aquelas repostas
dadas pelo senso comum. Porém, conforme formos vivendo, muito provavelmente queiramos
respostas mais complexas ou completas.
Quando não nos conformamos com as respostas que recebemos, segundo Marilena Chauí,
desenvolvemos a atitude filosófica, que consiste na “decisão de não aceitar como óbvias e evidentes
as coisas, as ideias, os fatos, as situações, os valores, os comportamentos de nossa existência
cotidiana; jamais aceitá-las sem antes havê-los investigado e compreendido”.
Ou seja, passamos a desenvolver uma atitude crítica diante da vida e das coisas. Essa atitude
crítica se desenvolve em dois movimentos. Num primeiro movimento, essa crítica é negativa, no
sentido de negar o que o senso comum admite passivamente como verdade, rejeitando os pré-
conceitos, os pré-juízos, o preestabelecido.
Essa atitude negativa foi expressa por Descartes na primeira regra do seu método: não aceitar
nada como evidente sem antes verificar se assim o é. Porém, esse momento negativo não é
suficiente: se não o superarmos, o mais provável é que fiquemos num ceticismo estéril!
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Precisamos realizar um processo de superação desse momento negativo e chegar ao
momento positivo, que é quando começamos a nos interrogar sobre as coisas e os sentidos das
mesmas. Isto é, se negamos as respostas que nos foram dadas até então, precisamos encontrar
outras respostas que sejam satisfatórias, consistentes.
Precisamos adotar uma atitude de espanto diante da vida. Como diziam os gregos, “tó
thaumázein”: espanto, admiração. Porém, não o espanto do medo, nem a admiração no sentido de
veneração ou, até mesmo, de adoração: espantar-se e admirar-se para buscar compreender as coisas.
Pois, como afirma Sócrates: “O que você não sabe por conta própria, simplesmente não sabe”. E é
contra essa atitude conformista, preguiçosa e covarde, como afirma Kant, que devemos nos voltar.
“A preguiça e a covardia são as causas pelas quais uma tão grande parte dos homens, depois que a
natureza de há muito os libertou de uma direção estranha, continuem, no entanto de bom grado
menores durante toda a vida”.
Se aqueles que controlam a sociedade pelos mais variados meios querem nos manter na
mediocridade (porque é do interesse deles que não reajamos) também nossa condição é, em parte,
explicada pela covardia e preguiça em fazer uso do próprio intelecto para saber como as coisas são.
Como afirma o próprio Kant: “É tão cômodo ser menor”, afinal, não precisamos nem pensar, nem
correr riscos.
Assim, o momento positivo começa quando começamos a indagar por que as coisas são como
são.
É claro que podemos, também, participar do pessimismo do filósofo espanhol Gregório Marañón
y Posadillo, que afirma que: “A Filosofia é uma coisa com a qual e sem a qual o mundo continua tal e
qual”.
No entanto, se assim o fosse, por que alguns filósofos sofreram perseguições ou até mesmo
pagaram com a própria vida por conta do seu exercício de filosofar? Anaxágoras foi o primeiro caso
de perseguição; Sócrates foi condenado a matar-se ingerindo cicuta; Platão chegou a ser vendido
como escravo; Aristóteles foge de Atenas para não ter o mesmo destino de Sócrates; Giordano
Bruno, na Idade Média, não tem a mesma sorte: morre na fogueira condenado pela Inquisição
Católica; Marx é obrigado a mudar constantemente de país pelos seus posicionamentos e
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envolvimentos políticos e sindicais; Enrique Dussel, perseguido pelos militares argentinos que, em
1973, colocaram uma bomba em sua casa, apenas para citar alguns casos.
Como você pode observar, não são apenas os fanáticos que perseguiam os filósofos, mas,
também, aos homens de letras, exatamente por compreenderem o alcance dessa ciência.
Voltaire dizia:
“Os filósofos sempre foram perseguidos por fanáticos. Será possível, no entanto, que os homens de
letras se imiscuam também e eles próprios aticem contra os seus confrades as armas com que
todos são trespassados, uns após outros?”
Mas afinal, para que Filosofia?
Essa questão normalmente vem imbuída de uma outra não declarada, mas implícita: qual a
utilidade da Filosofia? Essa pergunta, claro, faz sentido numa sociedade utilitário pragmatista, na qual
as coisas somente têm valor pela sua utilidade prática e imediata – o que não ocorre com a Filosofia,
pois ela mais tem mais perguntas a fazer do que respostas a dar.
Respostas como “a arte de viver”, conhecimento do real, conhecimento da nossa capacidade de
conhecer são insuficientes para responder por sua utilidade. A resposta, talvez a encontremos em
Agnes Heller, na obra Filosofia Radical. Nessa obra, Heller argumenta que a função da Filosofia é nos
fazer pensar, fazer viver e fazer agir. E isso o especialista precisa tanto quanto o cidadão comum.
Vamos a mais uma videoaula? Acesse o material on-line!
TROCANDO IDEIAS
Durante a Ditadura Militar no Brasil, de 1964 a 1985, várias foram as medidas adotadas para
impedir a formação de um pensamento crítico dos brasileiros: desde a censura de jornais, revistas,
televisões, rádios, tetro, cinema, até reformas educacionais que visavam um currículo mais técnico.
Dentre as medidas adotadas na área da educação, uma delas foi a retirada de disciplinas como
Filosofia e Sociologia do currículo de Ensino Médio, a união de História e Geografia em Estudos
Sociais e a inserção de disciplinas como Organização Social e Política Brasileira (OSPB) e Educação
Moral e Cívica.
Diante desse quadro, pergunta-se: por que as ditaduras têm medo da Filosofia?
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NA PRÁTICA
A alegoria da caverna, de Platão, serve para compreendermos o que significa ficar preso aos
costumes e às tradições. Para compreendê-la mais facilmente, uma estratégia é relacioná-la pelo
menos com dois filmes: Matrix (1999) e Show de Truman (1998).
Nesse caso, ficar preso às tradições equivale a permanecer no interior da caverna e não querer
romper com o comodismo. É não perceber que, diariamente, podemos estarsendo manipulados. E
isso é facilmente compreendido a partir dos dois filmes.
Você pode obter mais informações sobre o filme “Matrix” a seguir: <http://www.adorocinema.co
m/filmes/filme-19776/>
O mesmo vale se você quiser saber mais sobre o filme “O Show de Truman”: <http://www.adoroc
inema.com/filmes/filme-18671/>
SÍNTESE
Nosso estudo começou buscando compreender e conhecer o conceito de Filosofia. Vimos que
não há apenas um conceito de Filosofia, mas, sim, vários conceitos. Dessa forma, o mais correto é
falarmos de Filosofias (até porque, cada filósofo, de acordo com os seus princípios, acaba criando um
conceito de Filosofia, vimos alguns deles e suas implicações).
Em seguida, buscamos compreender a origem da Filosofia. Fazendo o percurso dos principais
acontecimentos que levaram ao surgimento da Filosofia grega e nos dando conta de que a Grécia
não é o único lugar do mundo que desenvolveu um pensamento racional.
Para compreender a origem da Filosofia, foi necessário compreender o conceito de Mito e de
que maneira do Mito passou-se à reflexão filosófica. Os mitos são narrativas que ultrapassam o
tempo e o espaço. Interessante observar que, para as mesmas dúvidas, povos diferentes encontraram
mitos muito parecidos.
Em seguida, para situar a importância da reflexão filosófica, refletimos sobre os diferentes níveis
de conhecimento, apontando suas possibilidades e limites. E, por fim, procuramos refletir sobre as
possíveis relações entre Filosofia e cotidiano e como a reflexão filosófica nos possibilita compreender
e intervir sobre o real.
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-19776/
http://www.adorocinema.com/filmes/filme-18671/
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REFERÊNCIAS
ARANHA, M. L. A. Filosofando: introdução à Filosofia. São Paulo: Editora Moderna, 2000.
BUBER, M. Eu e tu. São Paulo: Editora Cortez, 1979.
CHAUI, M. Convite à Filosofia. São Paulo: Ática, 1999.
CUNHA, J. A. Filosofia: iniciação à investigação filosófica. São Paulo: ATUAL, 1992.
NIELSEN NETO, H. Filosofia básica. São Paulo: Atual, 1986.
PRADO JR., C. O que é Filosofia. São Paulo: Brasiliense, 1998.
REALE, G. História da Filosofia. São Paulo: Paulus, 2003.

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