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Sumário Introdução ............................................................................................................................................ 3 Psicossociologia do contrato de trabalho .......................................................................... 4 Disciplina e saber operário ..................................................................................................... 11 Motivação, satisfação e alienação ....................................................................................... 19 1 – Motivação ............................................................................................................................... 19 1.1 – Teorias X e Y – Douglas McGregor .................................................................. 22 1.2 – Teoria da Hierarquia das Necessidades ........................................................ 23 1.3 – Teoria Bifatorial ou dos Dois Fatores ............................................................. 23 1.4 – Teoria ERC .......................................................................................................... 25 1.5 – Teoria do Estabelecimento de Objetivos ..................................................... 26 1.6 – Teoria das Necessidades Adquiridas ............................................................. 26 2 – Satisfação .............................................................................................................................. 32 2.1 – Diferença entre satisfação e motivação ....................................................... 33 3 – Alienação ............................................................................................................................... 40 Saúde do Trabalhador .............................................................................................................. 47 1 – Psicodinâmica do Trabalho ............................................................................................. 47 2 – Saúde do Trabalhador ...................................................................................................... 48 2.1 – Atuação dos profissionais de RH junto às equipes multi e interdisciplinares voltadas para a saúde do trabalhador .................................. 50 2.2 – Prevenção da saúde do trabalhador nas organizações ............................ 52 3 – Ergonomia da atividade .................................................................................................. 54 3.1 – Ergonomia física ................................................................................................ 54 3.2 – Ergonomia organizacional ............................................................................. 55 3.3 – Ergonomia cognitiva ....................................................................................... 55 4 – Relação entre trabalho, processos de subjetivação e processos de saúde . 57 5 – Atuação da Psicologia na interface saúde /trabalho/educação ....................... 58 6 – Estresse do Trabalho ......................................................................................................... 59 6.1 – Principais Teorias do Estresse ........................................................................ 61 6.1.1 – Teoria da luta ou fuga - Cannon .................................................................. 61 6.1.2 – Síndrome de Adaptação Geral (SGA) - Selye ............................................ 62 6.1.3 – Modelo Transacional - Lazarus .................................................................... 65 6.1.3 – Modelo da diátese ao estresse .................................................................... 66 6.1.4 – Teoria do Buscar Apoio ................................................................................. 67 6.1.5 – Psiconeuroimunologia .................................................................................. 67 7– Burnout ................................................................................................................................... 68 MAIS QUESTÕES COMENTADAS ........................................................................................................ 77 LISTA DE QUESTÕES .......................................................................................................................... 93 GABARITO ........................................................................................................................................ 137 RESUMO ........................................................................................................................................... 138 INTRODUÇÃO Olá, coruja! Enfim, chegamos à nossa última aula. Hoje iremos abordar os seguintes temas: o Psicossociologia do contrato de trabalho; o Disciplina e saber operário.; o Trabalho, motivação, satisfação e alienação; o Tópico extra: Saúde do Trabalhador. Qualquer dúvida, não hesitem em me acionar em um dos meus canais de comunicação (e-mail ou Instagram). Bons estudos! Vamos lá? Prof. Thayse Duarte PSICOSSOCIOLOGIA DO CONTRATO DE TRABALHO A psicossociologia é uma disciplina que combina elementos da psicologia social e da sociologia, com o objetivo de compreender as interações entre o indivíduo e a sociedade. Ela explora como fatores sociais influenciam o pensamento, o comportamento e o desenvolvimento psicológico dos indivíduos. Ao examinar temas como normas sociais, papéis sociais, identidade, poder, comunicação e dinâmicas de grupo, a psicossociologia busca integrar os princípios da psicologia e da sociologia para uma compreensão mais abrangente do comportamento humano no contexto social. Essa abordagem interdisciplinar permite analisar como as variáveis sociais impactam a cognição, as emoções e as relações interpessoais, contribuindo para uma visão mais completa das complexidades da experiência humana dentro de contextos sociais diversos. A psicossociologia do trabalho é um campo de estudo que se debruça sobre as relações entre o indivíduo e o trabalho, considerando não apenas o aspecto individual, mas também os contextos sociais e organizacionais. Seguem alguns aspectos desse tema: Fundamentos da Psicossociologia do Trabalho à a psicossociologia do trabalho não se limita a ser uma aplicação da psicossociologia ao ambiente de trabalho. Ela envolve uma reavaliação teórica e metodológica, considerando conceitos como atividade, ação e práxis. O objetivo não é romper com os antecedentes da psicossociologia, mas sim revisitá- los e desenvolvê-los. Essa abordagem busca compreender como o trabalho está na base da construção do sujeito e das unidades sociais. Desafios Conceituais do Trabalho ü Processos de Humanização e Subjetivação: explora a experiência dos limites no trabalho, considerando como ele afeta a humanização e subjetivação dos indivíduos. ü Trabalho como Instituição e Organização: analisa o trabalho não apenas como uma atividade individual, mas também como uma instituição e parte de uma organização. ü Construção do Sentido do Trabalho: examina como o significado do trabalho está relacionado à cultura e à experiência pessoal. jeffs Destacar jeffs Destacar jeffs Destacar A psicossociologia do contrato de trabalho envolve a combinação de elementos da psicologia social e da sociologia para analisar as dimensões psicológicas e sociais presentes nas relações laborais, especialmente no contexto dos contratos de trabalho. Essa perspectiva não se limita apenas aos aspectos formais e legais do contrato, mas também considera os fatores psicossociais que influenciam a experiência e as percepções dos indivíduos no ambiente de trabalho. Na psicossociologia do contrato de trabalho, os pesquisadores investigam as expectativas, motivações, atitudes e satisfação dos trabalhadores em relação aos termos contratuais.Isso envolve a análise das dinâmicas sociais dentro das organizações, bem como as relações interpessoais no ambiente de trabalho e o impacto psicossocial das condições de trabalho. Aspectos como confiança, justiça organizacional, comprometimento, e apercepção de equidade nas relações de trabalho são áreas de interesse na psicossociologia do contrato de trabalho. Essa abordagem visa compreender como fatores psicossociais afetam a eficácia organizacional, a produtividade e o bem-estar dos trabalhadores. A partir de uma perspectiva compreensiva das inter-relações entre determinismos psíquicos e sociais, as intervenções em psicossociologia representam alternativas profícuas no trabalho de exploração das relações entre os conflitos vividos no espaço laboral e as contradições das organizações. A singularidade dessa abordagem se manifesta na sua dedicação em articular de forma dinâmica os processos organizacionais (procedimentos, regras, normas, instrumentos e práticas de gestão), os aspectos mentais (discursos, representações e percepções) e os elementos psíquicos (projeções, identificações e idealizações). A interseção entre a psicossociologia, o processo de escuta e a construção coletiva reside na compreensão das dinâmicas sociais, emocionais e interativas que emergem nos grupos. A psicossociologia, disciplina que amalgama elementos da psicologia social e da sociologia, busca desvendar como os indivíduos se relacionam em contextos sociais específicos. O ato de escutar, nesse contexto, é uma ferramenta essencial, permitindo a coleta de informações, a compreensão das necessidades individuais e grupais, e a promoção de um ambiente participativo. Na construção coletiva, a psicossociologia e o processo de escuta desempenham papéis cruciais. A escuta ativa e empática é fundamental para jeffs Destacar jeffs Destacar jeffs Destacar identificar as emoções, preocupações e expectativas dos membros do grupo. Ao analisar as interações sociais, a psicossociologia contribui para a compreensão mais profunda das dinâmicas que moldam a construção coletiva. A escuta eficaz na não se limita apenas à transmissão de informações, mas também envolve a compreensão das nuances emocionais e das relações interpessoais. A construção coletiva, por sua vez, refere-se à colaboração ativa dos membros do grupo na definição de metas, tomada de decisões e resolução de problemas. Esse tópico é bastante amplo e complexo, são vários teóricos e disciplinas que falam sobre a psicossociologia. Por isso, vamos focar no aprendizado por meio das questões. 1. (QUADRIX – 2022 – CFP) Sobre a Psicologia Social, jugue o item a seguir. A Psicossociologia é uma corrente de origem francesa, que surge no pós-guerra e que visa atuar nos processos sociais a partir da pesquisa-ação com base no marxismo e na psicanálise. Comentários: Corroborando o que traz o item Braz & Cols. (2020) citam o seguinte concernente a respeito da origem da Psicossociologia: “A psicossociologia remete a um campo de escuta, implicação e mudança. Ao enfatizar as histórias de vida e trajetórias sociais, busca-se atuar no nível das emoções e dos processos sociais, com base em uma escuta clínica do social, favorecedora da construção coletiva de sentido. Desenvolvida na França, sob a égide da pesquisa-ação a psicossociologia surgiu no pós-guerra, em um contexto intelectual marcado pelo marxismo e pela psicanálise.” Gabarito: Certo. jeffs Destacar 2. (FCM – 2022 – CEFET/MG) Preencha corretamente as lacunas do texto a seguir sobre as clínicas do trabalho. No artigo sobre as clínicas do trabalho Bendassolli e Soboll (2011, p. 69) afirmam que há, no Brasil, tradições de pesquisa e intervenção no trabalho já consolidadas e que se configuram a partir de outras influências, especialmente da tradição francesa de análise do trabalho – como a ____________, a ergonomia, a ____________, a psicopatologia, a ____________ e a ____________. A sequência que preenche corretamente as lacunas do texto é a) teoria sistêmica / teoria comportamental / teoria dos traços / teoria de Herzberg b) psicologia / antropologia / sociologia / ciências sociais c) psicossociologia / ergologia / psicodinâmica do trabalho / clínica da atividade d) teoria da hierarquia das necessidades / teoria de dois fatores / teoria ERC / teoria das necessidades adquiridas e) psicanálise / fenomenologia / psicologia comportamental / análise junguiana Comentários: “De outro lado, há também no Brasil tradições de pesquisa e intervenção no trabalho já consolidadas e que se configuram a partir de outras influências, especialmente da tradição francesa de análise do trabalho – como a psicossociologia (Araújo & Carreteiro, 2001; Freitas & Motta, 2000), a ergologia (Athayde & Brito, 2007), a ergonomia (Sznelwar & Mascia, 2007), a psicopatologia (Lima, 2006), a psicodinâmica do trabalho (Lancman & Sznelwar, 2008; Merlo & Mendes, 2009) e, mais recentemente, a clínica da atividade (Botechia & Athayde, 2008; Lima, 2007; Osorio da Silva, 2007). Não podemos deixar de mencionar também as abordagens que se aproximam das ciências que estudam mais diretamente a saúde do trabalhador, seja em uma perspectiva epidemiológica (Codo et al., 2004) ou baseada nas práticas e nos processos de construção de sentidos (Sato et al., 2008). Comparado ao primeiro, este lado do campo apresenta uma complexidade maior no sentido de filiações paradigmáticas, formas de engajamento, postura do psicólogo e, notadamente, áreas de atuação. Um ponto que talvez seja comum entre essas abordagens é seu reconhecimento de que o sofrimento no trabalho, além de possuir várias formas de manifestação, enraíza-se em questões de cunho social, econômico e cultural amplos.” Fonte: Bendassolli, Pedro Fernando, & Soboll, Lis Andrea Pereira. (2011). Clínicas do trabalho: filiações, premissas e desafios. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 14(1), 59-72. Gabarito: C 3. (FUMARC – 2023 – AL/MG) O argumento “ambas são construídas por meio de escuta e análise de demandas de ajuda, entrevistas, análises de discursos, interpretações, devoluções, observação, reflexões, criação coletiva de conceitos e de articulações teóricas que, por sua vez, atuam sobre novas escutas, observações, intervenções, teorizações” (MATA MACHADO, 2010, p. 176) se refere às noções de: a) Intervenção psicossociológica e Serviço Social. b) Psicossociologia e intervenção psicossociológica. c) Psicossociologia e práticas sociais interventivas. d) Sociologia prática e intervenção do Serviço Social. Comentários: A questão foi retirada do artigo “Intervenção psicossociológica, método clínico, de pesquisa e de construção teórica”, e fala sobre a Psicossociologia e a intervenção psicossociológica: “O que é, afinal, psicossociologia? E intervenção psicossociológica? Uma resposta, um tanto esquemática, mas elucidativa, para a primeira questão é que se trata da psicologia social com fundamentação na psicanálise, ou seja, uma disciplina científica que espelha, teórica e metodologicamente, as disciplinas mães, sendo, portanto, simultaneamente, clínica do social, processo de pesquisa e de construção teórica. Nesse sentido, é quase sinônimo, também, de intervenção psicossociológica, as duas noções se distinguindo apenas pela ênfase maior que cabe à prática no momento em que a intervenção é feita. Ambas são construídas por meio de escuta e análise de demandas de ajuda, entrevistas, análises de discursos, interpretações, devoluções, observação, reflexões, criação coletiva de conceitos e de articulações teóricas que, por sua vez, atuam sobre novas escutas, observações, intervenções, teorizações.” Fonte: Mata Machado, M. N. (2010). Intervenção Psicossociológica, método clínico, de pesquisa e de construção teórica. Pesquisas e Práticas Psicossociais, 5(2), 175-181. Gabarito: B 4. (PM/MG – 2023 – PM/MG) Em relação às Clínicas do Trabalho (BENDASSOLLI;SOBOLL, 2011), correlacione as teorias às suas características: 1) Psicodinâmica do Trabalho 2) Clínica da Atividade 3) Psicossociologia 4) Ergologia ( ) Busca investigar as reciprocidades entre o individual e o coletivo, o psíquico e o social, assim como a compreensão dos processos grupais. ( ) Reconhece que o coletivo regula a ação individual e que o trabalho permeia, simultaneamente, a dimensão da história singular e a história de um ofício. ( ) Considera que os jogos de reconhecimento são capazes de transformar o sofrimento em prazer nas atividades de trabalho. ( ) Entende a atividade como direcionada por um universo instável de valores e normas, constantemente reformulados e transgredidos. A sequência CORRETA na ordem de cima para baixo é: a) 3, 1, 2, 4. b) 1, 2, 4, 3. c) 4, 3, 1, 2. d) 3, 2, 1, 4. Comentários: ( 3 ) Busca investigar as reciprocidades entre o individual e o coletivo, o psíquico e o social, assim como a compreensão dos processos grupais. Esse conceito diz respeito à psicossociologia: “A psicossociologia (também denominada de psicologia social clínica ou sociologia clínica – ver Gaulejac, Hanique & Roche, 2007) recobre um amplo leque de abordagens, cuja análise completa fugiria do escopo deste artigo. Retemos desse quadro tão somente algumas observações pontuais. A primeira refere-se a uma questão-chave dessa abordagem, a interrogação sobre a dupla constituição do sujeito – de um lado, um sujeito crivado por elementos intrapsíquicos singulares, especialmente de natureza inconsciente; de outro, um sujeito inscrito num universo social (Barus-Michel, 1987; Giust-Desprairies, 2009). A psicossociologia busca, dessa forma, investigar as reciprocidades entre o individual e o coletivo, o psíquico e o social, sendo também essa uma característica importante das abordagens clínicas do trabalho.” ( 2 ) Reconhece que o coletivo regula a ação individual e que o trabalho permeia, simultaneamente, a dimensão da história singular e a história de um ofício. Esse conceito diz respeito à clínica da atividade. “A clínica da atividade fundamenta-se, em grande medida, na teoria de Vygotsky, Leontiev e Bakhtin e teve sua origem a partir de 1990. Destacam-se como propositores desta teoria Yves Clot e Daniel Falta, sendo o primeiro a principal referência nesta perspectiva até hoje. A ênfase da clínica da atividade está na busca de instrumentos que viabilizem a compreensão da situação de trabalho real para aumentar "o poder de agir sobre o mundo e sobre si mesmo, coletivamente e individualmente" (CLOT, Capítulo 3 deste livro). Considera o trabalho como uma atividade permanente de recriação de novas formas de viver, e não apenas conlO tarefa, mas como atividade dirigida, histórica e processual. Nessa perspectiva, entende-se que a subjetividade é constituída pela e na atividade. Reconhece que o coletivo regula a açáo individual, de modo que o trabal ho permeia, simultaneamente, a dimensão da história singular e da história de ente um ofício (de construção coletiva de um gênero). O reconhecimento, diferentem da compreensão da psicodinâmica do trabalho, não se refere ao olhar do aca outro -se mas à capacidade do sujeito em reconhecer a si mesmo na atividade.” ( 1 ) Considera que os jogos de reconhecimento são capazes de transformar o sofrimento em prazer nas atividades de trabalho. É a psicodinâmica do trabalho que faz essa consideração. “Nas clínicas do trabalho, o sujeito é alvo de teorizações mais matizadas. Por exemplo, na psicodinâmica do trabalho trata-se de um sujeito dividido por conflitos intrapsíquicos, mas que também não pode se constituir fora da relação ao outro, em jogos de reconhecimento pelos quais o sofrimento nas atividades de trabalho é transformado em prazer e também contra o qual o sujeito afirma seus desejos (Dejours & Molinier, 1989). Já na clínica da atividade o sujeito é atravessado por forças sócio-históricas, por gêneros discursivos, no contexto dos quais ele faz uma apropriação subjetivizante (singularizante e personalizante). Por meio da atividade, no seu confronto com o real, o sujeito se desenvolve e se afirma (Clot, 1998).” ( 4 ) Entende a atividade como direcionada por um universo instável de valores e normas, constantemente reformulados e transgredidos. Quem entende a atividade dessa forma é a ergologia. “Com efeito, a abordagem ergológica visa interrogar o trabalho de uma maneira diferente: por meio da atividade humana. Da mesma forma como pressupõe a ergonomia da atividade, a ergologia considera que a atividade se localiza na distância, sempre existente, entre o que foi prescrito para a realização do trabalho e o que foi concretamente efetivado. Explicam Bendassolli e Soboll (2011, p.12) que, para a ergologia, “a atividade é a matriz da história humana e deve ser estudada no fluxo das situações concretas. Concebe a atividade como orientada por um universo instável de valores e normas, constantemente reformulados e transgredidos diante de diferentes variabilidades.” Gabarito: D DISCIPLINA E SABER OPERÁRIO A disciplina e o saber operário dizem respeito à apreciação do conhecimento e da habilidade prática que os trabalhadores, especialmente aqueles em ambientes industriais e de produção, adquirem ao longo de suas experiências profissionais. Essa perspectiva reconhece que os trabalhadores acumulam um conhecimento prático valioso sobre suas tarefas e processos de trabalho, frequentemente desenvolvendo habilidades específicas que não são formalmente reconhecidas como “saberes acadêmicos”. Em um contexto laboral, disciplina diz respeito à habilidade dos trabalhadores de aderir a procedimentos, regulamentos e regras específicas em suas atividades. Essa aderência enfatiza a relevância da ordem e organização na execução das tarefas, contribuindo para a eficiência e produtividade no ambiente de trabalho. O saber operário diz respeito ao conhecimento prático e experiencial que os trabalhadores desenvolvem ao desempenhar suas funções. Isso inclui a compreensão intuitiva de processos, a solução de problemas cotidianos no trabalho e a aplicação eficiente de habilidades específicas relacionadas à sua função. O saber operário é fundamental no contexto da psicossociologia do trabalho. Ele abrange dois tipos de conhecimento essenciais para os trabalhadores: jeffs Destacar jeffs Destacar A comunicação horizontal e o estímulo ao saber operário são cruciais para a análise de riscos e a prevenção de acidentes. Conversar com os trabalhadores, entender suas experiências e considerar seus conhecimentos práticos são passos importantes para a segurança e o bem-estar no ambiente de trabalho. A valorização da disciplina e saber operário reconhece que os trabalhadores não apenas seguem instruções, mas também contribuem ativamente para a eficácia e sucesso das operações. Essa perspectiva ressalta a importância de respeitar e incorporar o conhecimento prático dos trabalhadores na gestão e tomada de decisões organizacionais, reconhecendo a riqueza dos saberes desenvolvidos no contexto laboral. No contexto da psicossociologia, a interação entre disciplina e o saber operário revela nuances cruciais nas dinâmicas laborais. A disciplina, compreendida como a capacidade de seguir normas, regras e procedimentos, está intrinsecamente ligada às relações sociais no ambiente de trabalho. A psicossociologia, que combina elementos da psicologia social e sociologia, busca desvendar as complexidades dessas interações. Ao SABERES DE OFÍCIO • Referem-se à competência prática e habilidades necessárias para realizar o trabalho com eficiência. É o conhecimento relacionado ao “saber fazer” e à produção do trabalho. SABERES DE PRUDÊNCIA • São voltados para a cautela e prevenção de acidentes e perdas no sistema. Incluem ações prudentes e medidas de segurança que os trabalhadores adotam paraevitar riscos. jeffs Destacar jeffs Destacar considerar a disciplina, a análise se estende para além da simples conformidade às normas, abordando a qualidade das relações interpessoais, a influência da hierarquia organizacional e as implicações psicológicas desses processos. Por outro lado, o saber operário representa o conhecimento prático adquirido pelos trabalhadores ao longo de suas experiências laborais. Essa expertise muitas vezes não é formalmente reconhecida, mas desempenha um papel crucial na eficiência operacional. A psicossociologia destaca a importância de valorizar e incorporar esses saberes na gestão organizacional, reconhecendo a riqueza do conhecimento prático dos trabalhadores. A interação entre disciplina e o saber operário destaca a necessidade de abordagens que considerem não apenas os aspectos formais do trabalho, mas também as dinâmicas sociais e psicológicas que moldam a experiência laboral. Isso contribui para um entendimento mais abrangente das relações no ambiente de trabalho, promovendo práticas organizacionais mais eficazes e colaborativas. A associação entre o tema disciplina e saber operário com o ideal do eu, proposto por Sigmund Freud na psicanálise, revela-se interessante ao explorar as dimensões psicológicas da experiência no trabalho. O ideal do eu, na teoria freudiana, refere-se a um componente mental que busca atender às expectativas e padrões socialmente aceitos, muitas vezes internalizados durante o processo de socialização. Ao relacionar isso com a disciplina no ambiente de trabalho, percebemos uma conexão com a busca por conformidade às normas e regras organizacionais como parte da busca por esse ideal. A compreensão do saber operário pode ser interpretada à luz do conceito freudiano de conhecimento prático internalizado, que se acumula ao longo das experiências e molda a identidade do indivíduo. Nesse contexto, o saber operário representa uma manifestação concreta das habilidades e conhecimentos que o eu ideal aspira alcançar, sendo uma expressão tangível das demandas sociais e profissionais. A disciplina no trabalho, quando vista sob a lente do ideal do eu, reflete a internalização de normas e expectativas sociais no esforço de alcançar um padrão idealizado de desempenho. As interações laborais, as hierarquias organizacionais e as dinâmicas sociais contribuem para a formação desse ideal do eu no contexto profissional. O conhecimento prático dos trabalhadores (ou saber operário) desempenha um papel essencial no contexto das organizações. Ele representa uma valiosa fonte de experiência e conhecimento acumulado ao longo das atividades laborais. Embora muitas vezes seja informal e contextual, esse tipo de conhecimento é crucial para o funcionamento eficiente e a inovação dentro das organizações. Em primeiro lugar, o saber operário não costuma ser formalmente documentado. Ele abrange habilidades específicas, soluções práticas para desafios jeffs Destacar cotidianos e compreensões profundas dos processos operacionais. Quando reconhecido e aproveitado, esse conhecimento prático pode significativamente melhorar a eficiência operacional e contribuir para a resolução ágil de problemas. Além disso, o saber operário está intrinsecamente ligado à motivação e ao engajamento dos colaboradores. Quando as organizações reconhecem e valorizam esse conhecimento, criam um ambiente que promove a participação ativa e o comprometimento. Os trabalhadores se sentem mais valorizados e percebem a relevância de suas contribuições para o sucesso da empresa. A promoção do saber operário também está associada à inovação. Trabalhadores que possuem um entendimento profundo dos processos e desafios diários frequentemente se tornam fontes de ideias inovadoras para a melhoria contínua. Ao integrar o saber operário nos processos de tomada de decisão e no desenvolvimento de novas práticas, as organizações podem se tornar mais adaptáveis e competitivas. A relevância do saber operário para as organizações está na riqueza de conhecimento que eles trazem para o ambiente de trabalho. Ao reconhecer e incorporar esse saber, as organizações não apenas promovem um ambiente mais motivador e engajador, mas também aproveitam uma fonte valiosa de inovação e eficiência operacional. 5. (Instituto AOCP – 2018 – TRT1) Nascida na década de 1930, a psicossociologia do trabalho constitui um campo de conhecimento cujos recursos contribuem para a investigação e a ação, por meio da articulação entre campo social, condutas humanas e vida psíquica. Tem como objetos privilegiados o grupo, a organização e a instituição, tendo sido elaborada a partir da influência de vários autores. Em relação à psicossociologia do trabalho, assinale a alternativa correta. a) A psicossociologia atribuiu um lugar central ao trabalho, às atividades do sujeito sobre e no mundo e às práticas concretas. b) O ideal do eu, como lembra Freud, tem um caráter social: da mesma forma, reúne uma família, uma classe, uma nação, mas também uma profissão, um coletivo de trabalho. São ideais sociais do eu que se originam em valores sociais elaborados na ação. c) Erving Goffman, considerado um dos fundadores da sociologia do trabalho, elaborou esquema de análise sobre os danos que a especialização e o parcelamento de tarefas impõem ao homem, o que o acabou tornando um estranho ao seu trabalho e a si mesmo. d) Para Gérard Mendel, a experiência subjetiva do trabalho não está vinculada ao grau de poder que o sujeito detém. e) As regras (Molinier), o tipo do ofício (Clot) e os valores do coletivo de trabalho podem limitar o sentido do trabalho e seu reconhecimento. Comentários: A respeito da psicossociologia do trabalho, Lhuilier (2014, p. 5) destaca: “A psicossociologia do trabalho não pode ser uma psicossociologia aplicada à cena do trabalho entendido somente como um segmento da vida social. Ela implica uma reavaliação do quadro teórico e metodológico da psicossociologia, na óptica dos conceitos de atividade, ação e práxis. Para isso, no entanto, ela não se propõe a romper com os antecedentes da psicossociologia, mas sim a revisitá-los, a fim de desenvolvê-los.” Letra A: Errada. A psicossociologia não atribuiu um lugar central necessariamente ao trabalho, às atividades do sujeito sobre e no mundo, nem mesmo às práticas concretas, de modo que a “análise das práticas”, como método, está mais centrada nas dimensões relacionais das experiências profissionais. Letra B: Certa. Segundo Lhuilier, 2014, pp. 12-13: “O ideal do eu é a voz da prescrição. Ela diz o que é preciso fazer para se conformar ao modelo. E a distância desse ideal alimenta sentimentos de inferioridade ou até mesmo de vergonha. Esse ideal não tem apenas um caráter individual, função da história singular, dos modelos parentais. Como lembra Freud, ele tem um caráter social: é o ideal que reúne uma família, uma classe, uma nação; mas também uma profissão, um coletivo de trabalho. E esses ideais sociais do eu não são somente transmitidos: em nossa perspectiva, eles são engendrados a partir de valores sociais elaborados na ação.” Letra C: Errada. De acordo com Lhuilier 2014, p. 8 “Devemos ainda evocar Georges Friedmann, considerado um dos fundadores da sociologia do trabalho, mas que sempre ficará profundamente atrelado à exigência da pluridisciplinaridade. Ele constrói um esquema de análise do trabalho em torno de três dimensões: técnica, psicológica e sociológica (1950), explorando os danos que a especialização e o parcelamento de tarefas impõem ao homem (que acabou tornando- se “estranho” ao seu trabalho e a si mesmo) (1956). Ele também aborda a questão do desenvolvimento do trabalho e de seus impedimentos: as múltiplas potencialidades de que o ser humano dispõe podem ser estimuladas por situações novas, ou, ao contrário, podem atrofiar-se caso não sejam solicitadas.” Letra D: Errada. Na psicossociologia do trabalho, as obrasde Gérard Mendel (1998, 1999), seus conceitos de ato-poder e de movimento de apropriação do ato, reconhecem essa “triangulação” operada pelo fato de se considerar a realidade nas relações interpessoais e sociais. O conceito de ato-poder integra dois significados: o poder do ato como poder de transformação da realidade; e o poder sobre o ato, do qual seu autor dispõe. A experiência subjetiva do trabalho depende do grau de poder de que o sujeito dispõe. Letra E: Errada. Lhuilier 2014, p. 15: “Nem as regras do ofício (Molinier, 2006), nem o tipo de ofício (Clot, 2008) e nem mesmo as regras e os valores do coletivo de trabalho podem limitar a questão do sentido do trabalho e de seu reconhecimento. Nossas análises as consideram como referências indispensáveis, é claro, mas elas também são produções sociais ancoradas na divisão técnica e social do trabalho. Cada uma dessas divisões constitui uma segmentação das representações do que se tem de fazer, do que é essencial fazer, do que é um trabalho bem feito, à luz de pontos de referência próprios ao lugar ocupado nessas divisões e das atividades a elas associadas.” Gabarito: B 6. (CEBRASPE – 2013 – SERPRO) De acordo com a psicossociologia, julgue o item seguinte, relativo a poder nas organizações. Sedução e fascinação são indissociáveis e elementos importantes para a compreensão dos complexos jogos de poder e de desejo nas organizações. Comentários: A sedução é uma ferramenta importante de ser compreendida nos jogos de poder e desejo nas organizações, através dela, o poder é perpetrado pelos indivíduos envolvidos no contexto. Veja: “Há sempre um seduzido que se permite a participar do jogo, que está disposto a servir voluntariamente na perspectiva de ter seus desejos atendidos e seus sonhos transformados em realidade. (...) Em termos gerais, o indivíduo deve se inserir no que propõe a cultura organizacional, e por outro lado, a empresa buscará a formalização do comportamento do indivíduo como forma de se diminuir a sua variabilidade e dessa maneira inviabilizar qualquer possibilidade de o indivíduo agir de maneira contrária ao que a empresa deseja. Esta capacidade da empresa de cooptação dos sujeitos pode ser colocada em prática por meio de técnicas como a manipulação e a sedução, que estudaremos posteriormente, ou simplesmente por meio da ordem clara e objetiva: “ou faz ou vai para a rua – escolha”. Agora, esse processo de dominação só pode existir com a cooperação intensa do indivíduo, por meio da autopersuasão. De acordo com PAGÈS (1987), os indivíduos participam do processo de dominação, devido ao fato de participarem direta ou indiretamente da ideologia da empresa, compartilhando-a posteriormente. Esta ideologia compartilhada, e reforçada pelo contexto mais amplo fortalece o processo de dominação dos trabalhadores por parte das empresas. (...) De acordo com ENRIQUEZ (1997), as empresas são o lugar privilegiado de jogos de poder e de desejo, pelo fato delas não serem apenas uma organização, mas uma das principais instituições sociais a partir da qual o indivíduo estrutura a sua vida. “a empresa é uma realidade viva onde os sujeitos humanos vivem seus desejos de afiliação, visam realizar um certo número de seus projetos e se apegam a seus trabalhos de maneira exclusiva” (ENRIQUEZ,1997, p.10, tradução nossa). A empresa torna-se, assim, para o indivíduo o lugar “perfeito” para alcançar seus objetivos, mesmo que ele venha a descaracterizar sua identidade e perder a orientação da condução de sua própria vida. A empresa dá sentido à sua vida. (...) Não obstante, muitas vezes, o poder se aproxima do amor: “o poder utiliza-se da máscara do amor (admiravelmente) para permitir à morte de triunfar” (ENRIQUEZ, 1991, p.73, tradução nossa). Observando bem, a utilização do amor pelo detentor do poder abre uma nova perspectiva de domínio e de repressão na sociedade, de maneira geral, e nas organizações de modo mais específico. As relações de trabalho vão estar sempre permeadas dos jogos de amor, em que o mais habilidoso em fascinar, seduzir e manipular os indivíduos pode provocar tanto paixões quanto comoções, de modo a atender a seus desejos e alcançar seus objetivos. A empresa não quer buscar apenas o corpo e a mente dos seus empregados, ela quer também corações: “É necessário ganhar os corações, fazer da empresa uma comunidade entusiasta e fraterna”. (LE GOFF, 1995, p.57, tradução nossa). (...) É possível identificar, no controle pelo amor, tanto a fascinação quanto a sedução, que acabam por criar um ambiente altamente propício para o domínio do outro. Pois, quando o indivíduo está hipnotizado por alguma figura, ele se torna presa mais fácil da manipulação, isto é, dos alvos dos desejos das empresas. Gabarito: Certo. 7. (CEBRASPE – 2013 – SERPRO) De acordo com a psicossociologia, julgue o item seguinte, relativo a poder nas organizações. A servidão voluntária é uma modalidade de controle nas organizações, sendo fundamental para manter a produtividade dos empregados. Comentários: A servidão voluntária é uma modalidade de controle muito eficaz, uma vez que o próprio indivíduo que a aplica, e através dela a produtividade se mantém. “Por fim, concluímos este estudo, levantando uma última modalidade de violência que talvez seja uma das mais perversas no mundo do trabalho: a auto-violência, ou seja, a servidão voluntária.(...) É necessário repensar as relações de trabalho, do ponto de vista do desamparo do indivíduo e dos seus medos, inclusive da solidão. O indivíduo se permite a uma infinidade de situações grotescas, nas organizações, em virtude do medo do desamparo, de não ser amado e descartado pelo mundo do trabalho. Dessa forma, surge uma situação de masoquismo, não em virtude do prazer em sofrer, mas o de preferir a servidão do que o abandono. A auto-violência ou a servidão voluntária acaba-se por constituir-se, então, como sendo uma das principais formas de sofrimento do indivíduo não apenas nas organizações, mas em seu convívio social. O desejo de servir se relaciona estreitamente com o medo da perda, da dificuldade em se abrir mão de algo, para se manter a liberdade. O desamparo torna-se figura central enquanto construção subjetiva no contexto das diversas modalidades de violência que assolam a humanidade. Tal apego e o medo da solidão fazem com que o indivíduo se submeta voluntariamente, no que se refere ao mundo do trabalho e, de forma mais abrangente, no contexto social. Dessa forma, estamos falando em uma servidão voluntária, termo cunhado por La Boétie no século XVI. O homem se submete porque ele deseja, como nos coloca Birman (1999:08), ou seja, “somos servos e assujeitados porque queremos, por algo decidido pela deliberação humana, já que é da servidão voluntária que se fala agora”, não existindo mais a onipotência humana, e sim a preponderância do discurso da ciência e da autonomia individual.” “A administração do medo pode ser um método de gestão propulsor de aumento da produtividade. O medo do desemprego. O medo da incompetência, do fracasso etc. Há, também, uma pressão para se trabalhar mal, aquela causada por uma discrepância entre os valores éticos e morais do cidadão trabalhador, que se vê pressionado a aderir valores e sistemas desumanos (ou que imputa risco ao coletivo), em nome de ajustes à produtividade (DEJOURS, 2006).” Fontes: o SIQUEIRA, M. V. S. Violência no trabalho e o homem descartável: um estudo de aproximação entre a sociologia clínica e a psicodinâmica do trabalho. Curitiba: EnGPR, 2009; o VIEIRA, F. O. “Ruim com ele, pior sem ele – servidão (in)voluntária que reforça o trabalho escravo contemporâneo: apontamentos à luz da Psicodinâmica do trabalho”. CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS ORGANIZACIONAIS, IV, Outubro, 2016. Gabarito: Certo. MOTIVAÇÃO, SATISFAÇÃO E ALIENAÇÃO 1 – Motivação A motivação é uma força ou impulso que leva à ação. Segundo Daft, a motivaçãoestá relacionada às forças internas ou externas que fazem uma pessoa se entusiasmar e persistir na busca de um objetivo. Como a motivação afeta a produtividade, a organização deve canalizar a motivação para os objetivos organizacionais. Robbins afirma que, no contexto organizacional, a motivação é a vontade de exercer altos níveis de esforço para alcançar os objetivos organizacionais. Porém, as pessoas são diferentes, então, o que poderia motivar uma pessoa, não necessariamente motivaria outra. Portanto, a motivação é um processo INDIVIDUAL, e não coletivo. Existe uma diversidade de teorias motivacionais, mas em geral os autores abordam dois tipos de fatores, os extrínsecos (de fora da pessoa) e os intrínsecos (de dentro da pessoa). De acordo com Bergamini, “No primeiro caso, pressupõe-se que a força que conduz o comportamento motivado está fora da pessoa, quer dizer, nasce de fatores extrínsecos que são, de certa forma, soberanos e alheios à sua vontade. No segundo caso, subjaz a crença de que as ações humanas são espontâneas e gratuitas, uma vez que têm suas origens nas impulsões interiores; assim sendo, o próprio ser humano traz em si seu potencial e a fonte de origem do seu comportamento motivacional.” Quando uma instituição oferece um prêmio para o colaborador que bater uma meta está se baseando nos fatores externos (você não teria vontade de bater a meta, mas como existe um estímulo externo –o prêmio – você se esforça para isso). Já quando você deseja fazer um trabalho de excelência, pois acha seu trabalho interessante e importante, está se baseando em fatores internos (sua preocupação com os outros ou seu orgulho de fazer um trabalho bem feito). Motivação externa (extrínseca) à geradas por reforços e punições Motivação interna (intrínseca) à necessidades e motivos pessoais jeffs Destacar jeffs Destacar jeffs Destacar Há três características inerentes à motivação, são elas: 1) Intensidade – refere-se ao tamanho da força que o leva a agir, à amplitude da ação empregada; 2) Direção – é a escolha de qual projeto realizar, o que se quer fazer, qual comportamento realizar; 3) Persistência ou Permanência – duração de tempo em direção àquele objetivo. Assim, no processo motivacional, existe uma força que proporciona intensidade, direção e persistência para o alcance dos objetivos. É sentir-se bem fazendo aquilo que deve ser feito no trabalho, sendo um processo contínuo que nasce das necessidades de cada indivíduo e que se renova e se altera continuamente. A motivação pode ser definida como um alto grau de disposição para a realização das atividades. Mas como a motivação começa? E como ela acontece? Conforme ilustrado no ciclo motivacional, primeiramente, parte de um de um estado de equilíbrio em que estamos satisfeitos com a situação em que nos encontramos. Por algum motivo, algo nos estimula ou incentiva a criarmos uma necessidade dentro de nós que antes não existia. Ao criar a necessidade, entramos em um estado de tensão que nos leva a agir na busca de sua satisfação. Ao estabelecermos um comportamento, guiado pelo objetivo, obtemos um certo desempenho que, se satisfatório, trará a satisfação da necessidade, ou ainda, se insatisfatório, a frustração. Dessa forma, a tensão se esvai e voltamos ao estado de equilíbrio inicial. No caso da compensação, a necessidade inicial não é satisfeita, mas acabamos por adquirir uma forma diversa de recompensa ou solução jeffs Retângulo jeffs Destacar alternativa, a qual acaba sanando a tensão. Alguns autores defendem que a motivação está mais ligada ao desejo ou expectativa de satisfação da necessidade do que à própria satisfação. Como exposto, existem diversas teorias da motivação. Elas podem ser classificadas entre teorias de processo e teorias de conteúdo. As teorias de conteúdo se concentram nas razões que levam uma pessoa a ficar motivada (seria O QUE motiva alguém). As teorias que são classificadas como de conteúdo são aquelas que explicam o que motiva o indivíduo, ou seja, expõem as necessidades que o levam a agir em busca de seu objetivo. As teorias que se preocupam com as necessidades que nos “impulsionam” são as teorias de conteúdo. Já as teorias de processo se concentram no modo em que o comportamento é motivado (seria COMO esta motivação ocorre). Explicam quais os fatores cognitivos, de percepção da realidade, que motivam o indivíduo a mudá-la. Ou seja, seu enfoque está em como o processo de motivação se dá, como o indivíduo percebe e tenta mudar a situação em que se encontra. Os teóricos que trabalham com estas teorias acreditam que as pessoas são mais propensas a se comportar com “motivação” se três condições aconteçam: 1) as pessoas creem que as ações atingirão o desempenho desejado; 2) que esse desempenho levará ao resultado buscado e 3) o resultado é realmente desejado por elas. TEORIAS DE PROCESSO TEORIAS DE CONTEÚDO Teoria da Equidade - Adams Teoria bifatorial ou dos dois fatores - Herzberg Teoria da Expectativa - Vroom Teoria ERC - Alderfer Teoria do Reforço - Skinner Teoria da Hierarquia das Necessidades - Maslow Teoria do Estabelecimento de Objetivos (Autoeficácia) Teoria das Necessidades Adquiridas - McClelland Teoria do Campo - Lewin Teorias X e Y – Douglas McGregor As teorias mais usualmente cobradas em concurso são: Teorias X e Y, Teoria da Hierarquia das Necessidades, Teoria Bifatorial, Teoria do Estabelecimento de Objetivos, Teoria das Necessidades Adquiridas e Teoria da Expectância. Vejamos cada uma delas. jeffs Destacar 1.1 – Teorias X e Y – Douglas McGregor McGregor pregou a ideia de que há duas “maneiras” de perceber as pessoas. Estas visões seriam opostas e antagônicas. Uma teria uma visão mais positiva e moderna (a teoria Y, baseada na confiança nos indivíduos), e a outra seria negativa e antiquada (teoria X, baseada na desconfiança). Pela teoria X, as pessoas seriam naturalmente preguiçosas, pouco ambiciosas e sem iniciativa própria. A ideia é a de que o ser humano não gosta de trabalhar e nunca irá se esforçar o suficiente. Se o gestor tem esta visão negativa das pessoas, ele tende a ser mais fiscalizador e controlador, pois acredita que, quando não estiver presente, o trabalhador parará de trabalhar. Ele irá tratar os subordinados de modo mais rígido e terá um perfil autocrático, pois acha que o empregado não gosta de assumir responsabilidades e não consegue tomar decisões. Não delegará responsabilidades, porque acha que os funcionários são dependentes. Esta visão seria mais “antiga”, e adequada a uma organização em um ambiente estável e com um modelo burocrático de gestão. A teoria Y, por sua vez, se baseia na relação de confiança nas pessoas. Nesta situação, o gestor acredita que seus funcionários são ambiciosos, gostam de trabalhar, têm capacidade de decidir e de ter iniciativa. A ideia é a de que as pessoas buscam assumir responsabilidades e desafios. Desse modo, o próprio empregado se controla, não havendo a necessidade de coerção. Como o administrador acredita no potencial de seus subordinados, ele incentiva a participação deles, delega poderes para que eles assumam responsabilidades e cria um ambiente mais democrático e empreendedor no trabalho. Esta teoria seria mais adequada a uma organização que esteja em um ambiente instável e dinâmico e que busque a inovação nos processos de trabalho. É a visão mais adequada. Resumindo as duas visões de homem nessa teoria: HOMEM X: apático, indolente, trabalha forçado somente pela retribuição financeira, entende que o homem médio vê o trabalho como um grande esforço, necessitando de uma supervisão constante e autoritária para que possa realizar as suas atividades de forma satisfatória. ÊNFASE NO CONTROLE. CONCEPÇÃO NEGATIVA. HOMEM Y: para ele o trabalho é tão natural e prazeroso quanto o descanso, é autodirigido, autorresponsável, automotivado e criativo, necessitando de um líder participativo,que forneça os meios para que atinja jeffs Destacar jeffs Destacar jeffs Destacar jeffs Destacar jeffs Destacar os objetivos organizacionais. ÊNFASE NA PESSOA. CONCEPÇÃO POSITIVA. 1.2 – Teoria da Hierarquia das Necessidades Maslow afirma que as necessidades humanas estão arranjadas em uma pirâmide de importância no comportamento humano. Na base da pirâmide estão as necessidades mais básicas e recorrentes (necessidades primárias), e no topo as mais sofisticadas (necessidades secundárias). A hipótese central desta teoria é a existência de uma hierarquia das necessidades humanas, constituída pela diversidade de fatores que constituem o ser humano: biológicos, psicológicos e sociais. Maslow separa-os, isolando um dos outros, não considerando a interação desses fatores e a consequência de um sobre os outros. Somente à medida que as necessidades inferiores da hierarquia são satisfeitas, pelo menos em parte, é que surgirão as necessidades superiores da hierarquia. Figura – Pirâmide das Necessidades de Maslow. Fonte: Wikkipedia. As necessidades fisiológicas e de segurança classificam-se como NECESSIDADES PRIMÁRIAS e as necessidades sociais, de estima e de realização pessoal classificam-se como NECESSIDADES SECUNDÁRIAS. 1.3 – Teoria Bifatorial ou dos Dois Fatores Herzberg realizou pesquisas em que perguntava a funcionários que eventos ocorridos no trabalho os levaram à extrema satisfação ou extrema insatisfação. A partir dos resultados, identificou que os fatores envolvidos na produção da satisfação no trabalho são distintos dos que levam à insatisfação. Os primeiros, que chamou de motivadores, são fatores de jeffs Destacar jeffs Destacar crescimento e relacionam-se ao trabalho em si. Os últimos, chamados fatores de higiene são externos à atividade. Esses fatores (de higiene) são fatores de manutenção, que não trazem necessariamente satisfação, mas que provocam insatisfação e desmotivação quando não presentes. Assim, os fatores motivacionais seriam os relacionados com necessidades do mais alto nível, como o reconhecimento das pessoas, o conteúdo do trabalho, a possibilidade de crescimento profissional e de aprendizagem e o exercício da responsabilidade. Já os fatores higiênicos influenciam a insatisfação, ou seja, podem gerar insatisfação se forem negativos, mas não geram satisfação se forem positivos. Dentre estes fatores estão relacionados: condições de trabalho, remuneração, segurança, relações pessoais, políticas da empresa e supervisão. Atenção! Salário e relacionamento interpessoal NÃO são fatores motivacionais! Os fatores higiênicos não motivam e, por isso, não basta retribuir financeiramente um indivíduo para que ele se sinta motivado. É necessário que ele possua condições de trabalho favoráveis (fatores higiênicos para que não fique desmotivado), mas que possua tarefas desafiadoras nas suas atividades laborais (fatores motivadores). Dessa forma, as empresas necessitam se utilizar de uma ferramenta muito importante: o enriquecimento do trabalho ou enriquecimento de tarefas. O enriquecimento de tarefas pode ser vertical ou horizontal, da forma que segue abaixo: ENRIQUECIMENTO DE TAREFAS HORIZONTAL à agregar mais atividades e tarefas de mesmo nível de complexidade ao funcionário. Necessita de maior rapidez. ENRIQUECIMENTO DE TAREFAS VERTICAL à ir, aos poucos, aumentando a complexidade e responsabilidade das tarefas exercidas pelo colaborador. Necessita de maior experiência. jeffs Destacar jeffs Destacar Figura: Teoria Bifatorial de Herzberg. Fonte: gestaodesegurancaprivada.com.br 1.4 – Teoria ERC A Teoria ERC – existência, relacionamento e crescimento (ou ERG, no inglês existence, relatedness, growth) – foi desenvolvida por Clayton Alderfer. Essa teoria concorda que a motivação do trabalhador pode ser medida seguindo uma hierarquia de necessidades, porém diverge da teoria de Maslow em alguns pontos. Nessa teoria existem três níveis de necessidades que são organizadas em continuum, e não em hierarquia: o Necessidade Existencial à corresponde às necessidades básicas de Maslow (necessidades de sobrevivência); o Necessidades de Relacionamento à necessidade de relacionamentos interpessoais e sociabilidade. o Necessidades de Crescimento à necessidade de criar, sugerir, participar, se desenvolver etc. Quando o indivíduo tem suas necessidades supridas e sobe para um próximo nível, há o fenômeno da PROGRESSÃO, que causa satisfação. Já quando vai deixando de satisfazer suas necessidades, voltando a um nível inferior, temos a REGRESSÃO, que causa frustração. Então, para Alderfer, caso uma necessidade superior tenha sido reprimida, jeffs Destacar haverá o fenômeno da frustração-regressão, no qual o indivíduo irá desejar compensar em uma necessidade de nível inferior. 1.5 – Teoria do Estabelecimento de Objetivos Segundo Locke, a intenção de atingir um objetivo é um grande fator motivador. Se temos uma meta em mente, e aceitamos essa meta, tendemos a conseguir resultados melhores do que quando apenas “tentamos o nosso melhor”. Além disso, quanto mais difícil a meta, melhor será o nosso desempenho (desde que, obviamente, aceitemos a meta, ou seja, realmente tentemos atingi-la). Outro fator importante é a retroação. Se soubermos como estamos nos saindo, diz a teoria, tenderemos a obter melhores resultados. Assim, a retroação afetaria o desempenho. Locke também cita como um fator motivador a Autoeficácia. De acordo com o autor, essa característica seria a habilidade que as pessoas podem ter de acreditar que serão capazes de atingir os resultados de uma atividade. Se realmente acreditamos em nossa habilidade de realizar uma tarefa, tenderemos a nos motivar e conseguir melhores resultados. Indivíduos com um alto nível de Autoeficácia tenderão a ter resultados melhores do que pessoas com baixo nível de Autoeficácia. Assim, são algumas conclusões importantes sobre esta teoria: o Objetivos específicos são mais eficazes que objetivos genéricos; o Metas difíceis, porém alcançáveis, são mais motivadoras do comportamento (quando aceitas pelo funcionário); o O autofeedback promove maior desempenho que o feedback externo; o Objetivos estabelecidos pela própria pessoa funcionam muito melhor que quando ditado por um terceiro, pois aumenta o comprometimento com o resultado; o A publicidade dos objetivos (torná-los de conhecimento de todos) e a mensuração dos resultados (controle) está diretamente relacionada com o grau de sucesso do método; o As metas devem ser claras e aceitas para funcionarem. 1.6 – Teoria das Necessidades Adquiridas Segundo McClelland, a motivação é relacionada com a satisfação de certas necessidades adquiridas dos indivíduos. São elas: o Necessidade de afiliação – desejo de ter bons relacionamentos e amizades; o Necessidade de poder – controle e a influência de outras pessoas e em relação aos destinos da organização, e; o Necessidade de realização – desejo de sucesso, de fazer bem algum trabalho, de se diferenciar dos outros. Estas necessidades seriam geradas por meio da própria experiência das pessoas, de suas vivências. Indivíduos com uma alta necessidade de realização deveriam trabalhar com tarefas em que não necessitassem do trabalho dos outros. Além disso, são melhor aproveitadas em áreas em que as tarefas são difíceis o bastante para motivá-las, mas não tanto que as façam perceber que o sucesso depende de “sorte” ou de ajuda de outros. Logo, estas pessoas não costumam ser bons gestores. Já as pessoas com uma alta necessidade de poder se adequam melhor às posições de gestores. De acordo com McClelland, pesquisas comprovam que a grande maioria dos ocupantes de cargos altos têm alta necessidade de poder e baixa necessidade de afiliação. Na pegada do estudo reverso, vamos ver mais uma teoria por meio de uma questão? 8. (CEBRASPE – 2022 – TCE/SC) Relativamente à motivação, um dos assuntos mais pesquisadosno estudo do comportamento das pessoas no contexto das organizações, julgue o próximo item. Proposta por Victor Vroom, a teoria da expectativa sustenta que o processo motivacional se baseia na relação que o indivíduo estabelece entre o esforço que o levará a determinado desempenho, o seu nível de expectativa de que esse desempenho proporcione o recebimento de alguma recompensa e a associação positiva dessa recompensa às suas metas pessoais. COMENTÁRIOS: A Teoria da Expectância do comportamento humano é baseada em resultados, ou seja, é realizar um esforço para que haja reconhecimento e que este leve a uma recompensa que atenda sua necessidade. O modelo de Victor Vroom consiste em demostrar que o nível de produtividade depende de três forças básicas em cada indivíduo: Expectativas: são os objetivos individuais, que podem incluir dinheiro, segurança no cargo, aceitação social, reconhecimento e uma infinidade de combinações de objetivos. Recompensas: é a relação percebida entre produtividade e alcance dos objetivos individuais. Relações entre expectativas e recompensas: é a capacidade percebida de aumentar a produtividade para satisfazer suas expectativas com as recompensas. Gabarito: Certo. 9. (Instituto AOCP – 2019 – UFPB) Assinale a alternativa que apresenta todos os diferentes motivos que compõem a motivação do tipo intrínseca. a) Motivos emocionais e cognitivos. b) Motivos emocionais e ambientais. c) Motivos biológicos e ambientais. d) Motivos biológicos e cognitivos. e) Motivos emocionais, cognitivos e hereditários. COMENTÁRIOS: Segundo Tadeucci (2009), os motivos que compõem a motivação intrínseca podem ter origens diferentes, ou seja, podem ser emocionais, cognitivos e biológicos. Os motivos emocionais estão relacionados às necessidades de afeto, estima, equilíbrio psicológico, raiva, medo, ansiedade, entre outros. As emoções, portanto podem ser positivas ou negativas, podem também ser internalizadas ou não. Por exemplo, eu sinto raiva de algum colega mais não demonstro essa raiva porque sei que não seria adequado. Os motivos cognitivos são baseados no conhecimento, nas opiniões ou crenças de uma pessoa. Sou motivado a votar em um determinado candidato nas eleições de minha cidade por questões baseadas em minhas crenças e/ou conhecimento sobre ele. Os motivos biológicos e/ou hereditários características físicas que levam as pessoas a terem motivos diferentes das outras. Gabarito: E 10. (Instituto AOCP – 2015 – EBSERH) As organizações atualmente possuem uma grande preocupação em motivar seus colaboradores. Considerando o tema motivação, pode-se afirmar que a) a organização deve se preocupar com a remuneração do colaborador, pois o dinheiro proporciona um aumento na motivação das pessoas, conforme a teoria de Frederick Herzberg. b) a necessidade de bem-estar fisiológico deve ser satisfeita para surgir a necessidade de satisfazer os relacionamentos interpessoais, conforme a teoria AEG de Clayton Alderf . c) McClelland refere que os trabalhadores podem ficar motivados por meio da satisfação de suas necessidades, que são inatas em cada sujeito. d) trabalhadores satisfeitos estão sempre motivados, pois possuem o mesmo comportamento no envolvimento com o trabalho. e) deve-se enfatizar a importância de elogiar os colaboradores, pois os elogios estarão satisfazendo a necessidade das pessoas de serem valorizadas, correspondendo à necessidade de status e estima propostas por Maslow. COMENTÁRIOS: Vamos analisar as assertivas. Letra A: Errada. Os fatores higiênicos, extrínsecos ao indivíduo, compreendem salário, benefícios recebidos, segurança no cargo, relações interpessoais no trabalho. No caso de insuficiência, provocariam insatisfação. Porém, atendidos, eles não despertariam a motivação (a energia interior) do indivíduo. Letra B: Errada. - A pessoa está em constante fluxo de satisfação das suas três dimensões (não importando a ordem). Letra C: Errada. Um dos seus pressupostos é a ideia de que os motivos não são herdados, mas sim aprendidos. Letra D: Errada. Satisfação não é sinônimo de motivação. Letra E: Certa. Segundo a Teoria das pirâmides de necessidades de Maslow: 1 - Necessidades Fisiológicas; 2 - Necessidades de Segurança; 3 - Necessidades Sociais; 4 - Necessidades de Reconhecimento (ou de estima/status); 5 - Realização Pessoal Gabarito: E 11. (Instituto AOCP – 2018 – TRT1) A teoria da expectativa (ou expectância) para a motivação constitui uma das mais reconhecidas formulações sobre a motivação humana. Em essência, a teoria da expectativa sugere que a intensidade do esforço para a ação de uma pessoa está diretamente relacionada à sua expectativa em relação ao resultado decorrente dessa ação e da atratividade desse resultado por ela percebida. Essa teoria foi desenvolvida por a) Victor Vroom. b) Abraham Maslow. c) Frederik Herzberg. d) David McClelland. e) Douglas McGregor. COMENTÁRIOS: Para a teoria da expectativa/expectância desenvolvida pelo psicólogo Victor Vroom, o comportamento humano é sempre orientado para resultados, ou seja, as pessoas fazem coisas esperando sempre outras em troca. 1. EXPECTATIVA: é a relação ESFORÇO e está ligada à probabilidade atribuída pelo indivíduo. 2. INSTRUMENTALIDADE é a relação DESEMPENHO e está ligado ao grau que o indivíduo acredita que determinado desempenho levará ao resultado desejado. 3. VALÊNCIA é o valor atribuído ao RESULTADO e está ligada à ATRAÇÃO. O esforço levará a um desempenho (EXPECTATIVA) + O desempenho levará a uma recompensa (INSTRUMENTALIDADE) + O valor atribuído à recompensa (VALÊNCIA). = MOTIVAÇÃO Letra B: Errada. Refere-se à Teoria da hierarquia das necessidades humanas (Abraham Maslow). Letra C: Errada. Refere-se à Teoria dos dois fatores ou bifatorial (Frederik Herzberg). Letra D: Errada. Refere-se à Teoria da motivação pelo medo/êxito ou teoria das necessidades adquiridas (David McClelland) Letra E: Errada. Refere-se à Teoria X e a teoria Y (Douglas McGregor). Gabarito: A 12. (Instituto AOCP – 2019 – UFPB) Assinale a alternativa que descreve o absenteísmo do tipo compulsório. a) Ausência no trabalho por motivos particulares não justificados por doença. b) Ausências no trabalho por doença ou por procedimento médico, excetuando-se os infortúnios profissionais. c) Ausências no trabalho por acidente de trabalho ou doença profissional. d) Faltas no serviço amparadas por leis, tais como gestação, nojo, gala, doação de sangue e serviço militar. e) Impedimento ao trabalho por suspensão imposta pelo patrão, por prisão ou por outro impedimento que não permita ao trabalhador chegar ao local de trabalho. COMENTÁRIOS: O absenteísmo pode ser um indicador de motivação utilizado pela Gestão de Pessoas, que representa as ausências dos colaboradores no ambiente de trabalho e as horas de trabalho perdidas, seja por faltas, saídas ou atrasos, de maneira justificada ou não, por parte dos funcionários. A maneira mais usada atualmente para calculá-lo é seguindo estes três passos: 1) Calcular as horas de trabalho no período de um mês que toda sua equipe deve cumprir; 2) Somar os atrasos, faltas e saídas antecipadas da equipe, transformando o resultado final em horas; 3) Dividir o número de horas perdidas pelo número de horas trabalhadas e multiplique por 100. Existem alguns tipos de absenteísmo: a) Absenteísmo voluntário: é quando o empregado se ausenta de forma voluntária do trabalho, sejam por motivos particulares, considerada como ausência do trabalho sem amparo legal; b) Absenteísmo por doença: refere-se a todas as ausências por doença ou procedimento médico, exceto os infortúnios profissionais; c) Absenteísmo por patologia profissional: relaciona-se as ausências por acidente de trabalho ou doença profissional; d) Absenteísmo legal: são as ausências ao trabalho amparadas por lei, como gestação, serviço militar,doação de sangue e outras; e) Absenteísmo compulsório: é quando empregado é impedido de ir ao trabalho, mesmo que não seja da vontade do trabalhador, seja por suspensão que o patrão aplicou, prisão, são exemplos desse tipo de absenteísmo. Gabarito: E 2 – Satisfação A avaliação de um sistema de trabalho está relacionada à capacidade de adaptação do trabalho ao indivíduo e vice-versa. Um fator que influencia essa capacidade de adaptação é a satisfação no trabalho. De acordo com Rohmert, a satisfação no trabalho envolve aspectos como integração, autonomia, motivação, envolvimento e utilização das capacidades físicas e mentais. Por sua vez, Locke define a satisfação no trabalho como o resultado da avaliação que o trabalhador faz de seu próprio trabalho ou da realização de seus valores por meio dessa atividade. Essa satisfação é uma emoção positiva de bem- estar. É importante destacar que Locke diferencia necessidades (que são inatas e comuns a todos, relacionadas à sobrevivência e bem-estar) de valores (que variam de pessoa para pessoa, baseados no que cada indivíduo deseja ou percebe como benéfico). A satisfação no trabalho é um estado emocional, podendo manifestar-se como alegria (satisfação) ou sofrimento (insatisfação). Apesar das observações de Locke (1969, 1976) sobre a satisfação no trabalho ser um fenômeno individual, ele destaca que os fatores correlacionados podem ser agrupados em duas categorias principais: eventos e condições do trabalho (como o próprio trabalho, pagamento, promoção, reconhecimento, ambiente de trabalho) e agentes do trabalho (colegas, supervisores, empresa/organização). Locke enfatiza que esses fatores causais devem ser analisados em suas inter-relações. Além disso, Locke ressalta que a satisfação no trabalho pode ter consequências significativas tanto para o indivíduo quanto para a organização. Ela afeta aspectos comportamentais e a saúde física e mental do trabalhador. jeffs Destacar Por outro lado, Harris (1989) considera a satisfação no trabalho como um sentimento resultante da situação global do trabalho. Já Fraser (1996) descreve a satisfação no trabalho como um estado pessoal, subjetivo, dinâmico e sujeito a mudanças, influenciado por fatores intrínsecos e extrínsecos relacionados ao trabalho e ao trabalhador. 2.1 – Diferença entre satisfação e motivação A satisfação no trabalho e a motivação são conceitos distintos, embora ambos se relacionem com o ambiente profissional. Motivação no Trabalho à é o impulso que engaja os profissionais a buscarem um bom desempenho. Ela é frequentemente estimulada por fatores como feedback positivo, bônus ou promoções. Quando um colaborador trabalha com o objetivo de alcançar uma recompensa ou reconhecimento, ele está motivado. Em resumo, a motivação está relacionada ao esforço e ao desejo de atingir metas e resultados. Satisfação no Trabalho à refere-se ao contentamento e bem-estar que um profissional percebe em relação ao seu trabalho. Envolve a percepção do que o colaborador espera do trabalho e o que ele recebe em troca. Aspectos como ambiente de trabalho positivo, saúde mental, salário compatível, benefícios e outros influenciam a satisfação. Em suma, a satisfação está relacionada à valorização percebida pelo profissional. Diferença Fundamental: A motivação depende mais do profissional, sendo impulsionada por suas próprias metas e recompensas. A satisfação, por outro lado, é a percepção causada pela empresa, baseada na valorização e no ambiente proporcionado. Quando um colaborador se questiona se a empresa o valoriza, está refletindo sobre sua satisfação. jeffs Destacar jeffs Destacar A satisfação no trabalho possui grande influência na determinação dos níveis de estresse e na qualidade de vida do trabalhador, sendo que o trabalho, quando possui fatores estressantes e de insatisfação, frequentemente se torna uma verdadeira prisão em decorrência das más condições em que é executado; e quando ele é associado a programas de prevenção e promoção da saúde, pode e deve ser fonte de satisfação e de realização. A satisfação no trabalho conduz à melhor saúde física e mental, relatando que ocorre uma menor incidência de doenças em trabalhadores satisfeitos e, consequentemente, uma melhor qualidade de vida desses. Já seu antônimo, a insatisfação no trabalho, contribui para o estresse ocupacional e ambos contribuem para um efeito negativo à saúde, além de outros comportamentos indesejáveis como absenteísmo, rotatividade, atrasos ou pausas prolongadas e/ou não autorizadas, queda da produtividade, protestos ou greves e insatisfação com a vida de acordo com a importância que o trabalho possui na vida do indivíduo. Conforme Sena (2014) são consideradas variáveis resultantes da satisfação ou insatisfação no trabalho: 1. Absenteísmo: a ausência dos empregados provoca certas distorções quando se referem ao volume e disponibilidade da força de trabalho, e consequentemente trás prejuízo à empresa. Por isso, é muito importante que a organização consiga diminuir o alto índice de absenteísmo e isso através de programas de controle da ausência, onde os funcionários assíduos são recompensados. 2. Rotatividade: o baixo nível de satisfação no trabalho está associado a taxas mais altas de rotatividade de pessoal, em consequência desta insatisfação, os empregados tendem a buscar novas alternativas e deixam seus empregadores. Além dos custos elevados, a reputação da empresa pode ser afetada diante da sociedade. jeffs Destacar jeffs Destacar 3. Diminuição do desempenho e da produtividade: o funcionário desmotivado e insatisfeito apresenta comportamentos indesejáveis, principalmente em relação ao seu desempenho. Os objetivos da organização deixam de ser prioridade, ele perde qualidade na execução de suas atividades e sua produtividade diminui consideravelmente. Essas atitudes podem gerar grandes impactos negativos na organização, principalmente, quando esse funcionário lida diretamente com o cliente. A tendência é que ele se acomode e não se preocupe em gerar resultados para organização. Apesar de haver teóricos que correlacionam a rotatividade e o absenteísmo à satisfação no trabalho, existem outros que não entendem dessa forma (esse é o “drama” de resolver questões de Psicologia, há autores “aleatórios” ou que se contradizem, rsrs). Vamos esclarecer isso nas questões a seguir: 13. (FEPESE – 2022 – CASAN) São consideradas variáveis resultantes da satisfação ou insatisfação no trabalho: 1. Desempenho no trabalho. 2. Rotatividade. 3. Absenteísmo. Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas. a) É correta apenas a afirmativa 1. b) É correta apenas a afirmativa 2. c) São corretas apenas as afirmativas 1 e 2. d) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3. e) São corretas as afirmativas 1, 2 e 3. jeffs Destacar Comentários: Conforme Sena (2014), todas essas variáveis são resultantes da satisfação e insatisfação no trabalho. Gabarito: E 14. (IADES – 2019 – AL/GO) A satisfação no trabalho é considerada uma expressão de emoção e afeto no trabalho. Um diagnóstico acerca da satisfação no trabalho é um termômetro a) da salubridade do ambiente de trabalho, pois, quanto maior a satisfação, mais o ambiente de trabalho está saudável. b) da rotatividade do ambiente de trabalho, pois, quanto maior a satisfação, maior é a rotatividade na organização. c) do absenteísmo organizacional, uma vez que, quanto maior for a satisfação, maior é o grau de confiança para faltar ao trabalho. d) tanto da saúde no ambiente de trabalho quanto da rotatividade, pois ambos são elementos associados entre si e com a satisfação. e) da saúde organizacional, da rotatividade e também do absenteísmo, pois um elemento explica o outro. Comentários: O gabarito é a letra A, mas talvez você tenha marcado a letra D. Vou explicar: segundo Robbins(2013), parece haver uma relação moderadamente inversa entre a satisfação e a rotatividade de pessoal. A alta satisfação no trabalho parece ajudar a manter a baixa rotatividade de pessoal, mas não vai, por si só, mantê-la baixa. Se, por outro lado, houver alta insatisfação no trabalho, a rotatividade de pessoal tem probabilidade de ser elevada. A razão dessa relação moderada entre satisfação e rotatividade é o fato de outros fatores (por exemplo, a situação econômica) exercerem um papel na decisão de um empregado em permanecer ou não no emprego. Há uma relação inversa entre satisfação e absenteísmo. Ou seja, quando os empregados estão muito satisfeitos, eles tendem a se ausentar menos do trabalho; quando estão altamente insatisfeitos, tendem a se ausentar mais do trabalho. Mais uma vez, existem outros fatores que influenciam essa relação. Um desses fatores poderia ser o grau em que um empregado sente que seu trabalho é importante. Se uma pessoa sente que seu trabalho é importante, terá menos probabilidade de se ausentar. Gabarito: A 15. (FCC – 2022 – TRT1) Os estudos metanalíticos em que se relacionaram satisfação no cargo e absenteísmo a) não foram conclusivos. b) encontraram forte correlação entre esses dois fatores. c) não encontraram forte correlação ou não acharam correlação nenhuma entre esses dois fatores. d) encontraram correlação quando esses fatores estavam associados a baixa remuneração. e) encontraram correlação quando esses fatores estavam associados a baixa motivação. Comentários: A questão pode ser respondida com o seguinte texto: "A principal abordagem para entender as razões do absenteísmo tem se concentrado no abandono como uma reação a trabalhos condições de trabalho insatisfatórias. O absenteísmo e a satisfação no emprego são relacionados, mas pesquisas têm verificado níveis bastante baixos de correlação entre eles. Como observamos no Capítulo 9, a metanálise de Bowling e Hammond (2008) constatou uma correlação de -0,10 entre o absenteísmo e a satisfação no trabalho. Farrell e Stamm (1988) conduziram uma metanálise de 72 estudos sobre absenteísmo e observaram que os dois melhores fatores preditivos são o histórico prévio de absenteísmo e a política de absenteísmo da organização, e não a satisfação no trabalho. As pessoas que se ausentaram com frequência no passado tendem a se ausentar no futuro. As organizações que possuem políticas elaboradas para controlar o absenteísmo recompensando a assiduidade ou punindo o absenteísmo sofrem menos de ausência dos funcionários. Apesar de parecer óbvio que o absenteísmo pode resultar de doenças do funcionário ou falta de motivação de ir ao trabalho, responsabilidades familiares também podem constituir um importante fator." Fonte: "Psicologia nas Organizações" (Spector). Gabarito: C 16. (UFRJ – 2023 – UFRJ) A satisfação no trabalho pode ser concebida como um estado emocional prazeroso ou positivo resultante da avaliação sobe o próprio trabalho. São fatores que impactam a satisfação no trabalho, EXCETO: a) condições de trabalho. b) recompensa econômica. c) presenteísmo. d) expectativas pessoais. e) relações interpessoais no trabalho. Comentários: O presenteísmo é uma forma de ausência do colaborador. Apesar de ele estar presente fisicamente na empresa (ou nos canais de comunicação), a pessoa não executa as suas tarefas conforme o alinhado com as lideranças, além de não se dedicar a entregar um trabalho de qualidade. Gabarito: C 17. (CEBRASPE – 2019 – TJAM) Em relação à cultura organizacional, à motivação e à satisfação no trabalho, julgue o item que se segue. Uma forma de diminuir a quantidade de faltas e aumentar a produtividade dos trabalhadores é manipular a satisfação dos indivíduos no trabalho a partir de políticas e práticas que forneçam suporte organizacional a eles. Comentários: A palavra "manipular" pode gerar confusão por parecer pejorativa, mas, no contexto da questão, percebe-se que a "manipulação" realizada é no sentido de construir um ambiente favorável ao trabalhador. Vamos ver alguns sentidos que podemos empregar a palavra “manipular” de um modo não negativo: 1) Preparar, dar forma, tocar, segurar ou transportar com as mãos; 2) Fazer funcionar com eficácia, manejar; 3) Influenciar ou controlar um ou mais indivíduos de maneira ilegítima e de acordo com os próprios interesses; sugestionar. Aqui a palavra manipular foi empregada no mesmo sentido que é usada na teoria comportamental: como manejo de condições que propiciem a aparição e manutenção de comportamentos/sentimentos saudáveis (socialmente e individualmente). Essa é uma das funções dos gestores. Gabarito: Certo. 18. (CESGRANRIO – 2012 – Petrobras) As pesquisas sobre satisfação com o trabalho indicam uma queda sensível na satisfação do trabalhador se comparados os resultados atuais com os resultados da década de 90. Os estudos sobre a satisfação com o trabalho permitem concluir que a satisfação a) com o trabalho não está relacionada aos comportamentos que indicam uma cidadania organizacional alta. b) com o trabalho é proporcional ao absenteísmo do trabalhador c) com o trabalho é proporcional à rotatividade do trabalhador d) do trabalhador com seu trabalho o faz um trabalhador mais produtivo. e) do trabalhador que lida com o cliente é proporcional à avaliação positiva do cliente Comentários: Letra A: Errada. Pelo contrário, a satisfação influencia a cidadania organizacional por meio da percepção de justiça, que engloba os conceitos de resultados, tratamento e procedimentos justos no trabalho. Letra B: Errada. O absenteísmo e a satisfação no emprego são relacionados, mas pesquisas têm verificado níveis bastante baixos de correlação entre eles. Letra C: Errada. A satisfação com o trabalho está negativamente relacionada a rotatividade, ou seja, quanto mais satisfação, menos rotatividade. Letra D: Errada. Trabalhadores felizes não são, necessariamente, mais produtivos. No nível individual, as evidências sugerem o contrário - que a produtividade é que conduz a satisfação. Letra E: Certa. No que diz respeito aos funcionários da linha de atendimento que mantém contato constante com os clientes, pode-se dizer que a avaliação positiva destes influencia na satisfação daqueles. Gabarito: E 3 – Alienação A insatisfação no mercado de trabalho frequentemente está relacionada ao conceito de trabalho alienado, uma ideia associada ao filósofo Karl Marx. O trabalho alienado refere-se à separação entre o trabalhador e os produtos de seu trabalho, bem como à alienação dos próprios trabalhadores do processo de produção. Essa alienação pode se manifestar de várias maneiras, incluindo a perda de controle sobre o próprio trabalho, a falta de significado no que é produzido e a desconexão emocional com as tarefas laborais. No cenário atual do mercado de trabalho, a alienação frequentemente contribui para a insatisfação. Quando os trabalhadores se sentem desconectados do propósito de seu trabalho, sem a oportunidade de influenciar ou compreender completamente o processo produtivo, isso pode gerar uma sensação de descontentamento. A falta de autonomia, a falta de significado e a falta de identificação com as tarefas diárias podem levar à insatisfação no trabalho, afetando negativamente o bem-estar e a motivação dos trabalhadores. A relação entre a insatisfação no mercado de trabalho e o trabalho alienado destaca a importância de abordagens que busquem promover a participação ativa dos trabalhadores no processo de produção, proporcionar condições que deem significado ao trabalho e reconhecer a importância do envolvimento emocional no ambiente de trabalho. Essas abordagens têm o potencial não apenas de reduzir a insatisfação, mas também de mitigar os efeitos do trabalho alienado, criando um ambiente de trabalho mais saudável e envolvente. Segundo KarlMarx, o capital e o trabalho apresentam um movimento composto por três momentos fundamentais: 1) Unidade imediata e mediata de ambos: Inicialmente, capital e trabalho estão unidos, mas depois se separam e se tornam estranhos um ao outro. No entanto, eles sustentam-se reciprocamente e promovem-se mutuamente como condições positivas. 2) Oposição de ambos: Capital e trabalho excluem-se reciprocamente. O operário percebe o capitalista como a negação de sua própria existência, e vice-versa. 3) Oposição de cada um contra si mesmo: O capital é simultaneamente ele próprio e seu oposto contraditório, representando o trabalho acumulado. Por outro lado, o trabalho também é ele próprio e seu oposto contraditório, sendo a mercadoria, ou seja, o capital. Já a alienação ou estranhamento é descrita por Marx sob quatro aspectos: jeffs Destacar jeffs Destacar jeffs Destacar 1) O trabalhador é estranho ao produto de sua atividade, que pertence a outro. Isto tem como consequência que o produto se consolida, perante o trabalhador, como um “poder independente”, e que, “quanto mais o operário se esgota no trabalho, tanto mais poderoso se torna o mundo estranho, objetivo, que ele cria perante si, mais ele se torna pobre e menos o mundo interior lhe pertence”; 2) A alienação do trabalhador relativamente ao produto da sua atividade surge, ao mesmo tempo, vista do lado da atividade do trabalhador, como alienação da atividade produtiva. Esta deixa de ser uma manifestação essencial do homem, para ser um “trabalho forçado”, não voluntário, mas determinado pela necessidade externa. Por isso, o trabalho deixa de ser a “satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio para satisfazer necessidades externas a ele”. O trabalho não é uma feliz confirmação de si e desenvolvimento de uma livre energia física e espiritual, mas antes sacrifício de si e mortificação. A consequência é uma profunda degeneração dos modos do comportamento humano;" 3) Com a alienação da atividade produtiva, o trabalhador aliena-se também do gênero humano. A perversão que separa as funções animais do resto da atividade humana e faz delas a finalidade da vida, implica a perda completa da humanidade. A livre atividade consciente é o caráter específico do homem; a vida produtiva é vida “genérica”. Mas a própria vida surge no trabalho alienado apenas como meio de vida. Além disso, a vantagem do homem sobre o animal – isto é, o fato de o homem poder fazer de toda natureza extra-humana o seu “corpo inorgânico” – transforma- se, devido a esta alienação, numa desvantagem, uma vez que escapa cada vez mais ao homem, ao operário, o seu “corpo inorgânico”, quer como alimento do trabalho, quer como alimento imediato, físico; 4) A consequência imediata desta alienação do trabalhador da vida genérica, da humanidade, é a alienação do homem pelo homem. “Em geral, a proposição de que o homem se tornou estranho ao seu ser, enquanto pertencente a um gênero, significa que um homem permaneceu estranho a outro homem e que, igualmente, cada um deles se tornou estranho ao ser do homem”. Esta alienação recíproca dos homens tem a manifestação mais tangível na relação operário-capitalista. É dessa forma, portanto, que se relacionam capital, trabalho e alienação, promovendo a coisificação ou reificação do mundo, isto é, tornando-o objetivo, sendo que suas regras jeffs Destacar jeffs Destacar jeffs Destacar jeffs Destacar devem ser seguidas passivamente pelos seus componentes. A tomada de consciência de classe e a revolução são as únicas formas para a transformação social." Marx define 4 TIPOS DE ALIENAÇÃO DO TRABALHO: 1) Alienação em Relação ao produto à o trabalhador não tem controle sobre os produtos que fabrica, os produtos são dos empregadores e deles é o lucro. 2) Alienação do processo de produção à devido a especialização e divisão dos trabalhadores na produção, ele não tem a visão geral do processo de produção, portanto perder o controle sobre o destino final. 3) Alienação do gênero do indivíduo à para Marx, como o trabalhador não detém o controle sobre seu próprio trabalho perdeu a sua essência de inovar, criar, a sua liberdade de trabalhar, desse modo o trabalhador passa a ser apenas um indivíduo solitário. 4) Alienação das relações sociais / outros indivíduos- sobre outros indivíduos à Karl Marx entende que o trabalhador no processo de produção vê os outros indivíduos como seus concorrentes, perdendo a relação social e o sentido de cooperação. Nesse caso a alienação é marcada pela competitividade entres os trabalhadores. jeffs Destacar 19. (FUNDEP – 2023 - Pref. Lavras/MG) O capitalismo e seu fundamento, a realidade privada, seriam a causa de uma contradição: o trabalho inverte seu papel e, de meio para a realização do indivíduo como ser humano, passa a negar e a impedir o desenvolvimento de sua natureza. É nesse sentido que o capitalismo aliena o homem de sua própria essência, que é o trabalho. De acordo com as ideias contidas nesse texto, a alienação humana ocorre segundo diferentes processos e dimensões. Nesse contexto, numere a COLUNA II de acordo com a COLUNA I, estabelecendo a relação entre elas: COLUNA I 1. Alienação de sua própria natureza humana 2. Alienação do processo de produção 3. Alienação do homem de sua própria espécie 4. Alienação do produto do seu próprio trabalho COLUNA II ( ) Aquilo que o trabalhador produz no capitalismo não pertence a ele. Pertence ao proprietário capitalista, ao dono dos meios de produção. Aqui o homem aliena, ou seja, perde o controle daquilo que ele mesmo produz, quer dizer, do objeto do trabalho. ( ) Na economia capitalista, o trabalhador também não controla a atividade de produzir. Essa capacidade é vendida por ele ao proprietário. No processo de produção, o trabalhador também aliena sua atividade. Ela não lhe pertence e é controlada por outra pessoa. ( ) A principal consequência da propriedade privada e do capitalismo é que o homem está alienado de si mesmo, ou seja, de sua natureza como ser humano, de seu ser genérico. Isso acontece porque o trabalho – que é o elemento que o diferencia das outras espécies – não está mais a serviço da hominização e humanização. A realidade se inverte. O trabalho não está a serviço do homem, pois ambos estão submetidos à lógica do capital. ( ) A alienação atinge a relação dos homens entre si, pois, na forma capitalista, as relações passam a ser mediadas e controladas pelo capital, seja pela relação empregador e empregado, seja pela mercantilização das demais relações sociais. O homem está alienado de seus semelhantes. Assinale a sequência correta. a) 4 2 1 3 b) 2 1 3 4 c) 1 2 4 3 d) 4 1 2 3 Comentários: (4) “Aquilo que o trabalhador produz no capitalismo não pertence a ele. Pertence ao proprietário capitalista, ao dono dos meios de produção. Aqui o homem aliena, ou seja, perde o controle daquilo que ele mesmo produz, quer dizer, do objeto do trabalho” à Essa é a alienação do produto do seu próprio trabalho (ou alienação em relação ao produto), pois o trabalhador não tem controle sobre os produtos que fabrica, os produtos são dos empregadores e deles é o lucro. (2) “Na economia capitalista, o trabalhador também não controla a atividade de produzir. Essa capacidade é vendida por ele ao proprietário. No processo de produção, o trabalhador também aliena sua atividade. Ela não lhe pertence e é controlada por outra pessoa” à Essa é a alienação do processo de produção na qual, devido a especialização e divisão dos trabalhadores na produção, ele não tem a visão geral desse processo (de produção), portanto perde o controle sobre o destino final. (1) A principal consequência da propriedade privada e do capitalismo é que o homem está alienado de si mesmo, ou seja, de sua natureza como ser humano, de seu ser genérico. Isso acontece porque o trabalho – que é o elemento que o diferenciadas outras espécies – não está mais a serviço da hominização e humanização. A realidade se inverte. O trabalho não está a serviço do homem, pois ambos estão submetidos à lógica do capital à Essa é a alienação da própria natureza humana (ou do gênero do indivíduo). Como o trabalhador não detém o controle sobre seu próprio trabalho, perdeu a sua essência de inovar, criar, a sua liberdade de trabalhar, desse modo o trabalhador passa a ser apenas um indivíduo solitário. (3) A alienação atinge a relação dos homens entre si, pois, na forma capitalista, as relações passam a ser mediadas e controladas pelo capital, seja pela relação empregador e empregado, seja pela mercantilização das demais relações sociais. O homem está alienado de seus semelhantes à Essa é a alienação do homem de sua própria espécie (das relações sociais / outros indivíduos- sobre outros indivíduos), na qual o trabalhador no processo de produção vê os outros indivíduos como seus concorrentes, perdendo a relação social e o sentido de cooperação. A sequência fica 4 – 2 – 1 -3 Gabarito: A 20. (VUNESP – 2019 – PM/SP) O Brasil possui uma das dez maiores diferenças salariais do mundo entre o nível operacional e o alto escalão das empresas, de acordo com um estudo da consultoria Mercer, que analisou salários em 75 países. No Brasil, um profissional com um cargo de liderança, como gerência ou diretoria de departamento, recebe quase 14 vezes o salário de um funcionário de nível operacional, como operadores de máquinas. Isso faz do Brasil o décimo país com a maior diferença entre um nível e outro. (Acessível em https://economia.uol.com.br/noticias/valor-online/2013/05/28/ brasil- tem-uma-das-maiores-diferencas-salariais-entre-a-base-e-o-topo.htm) Considerando os dados e as informações do texto, selecione a alternativa correta. a) Os dados da notícia justificam a concepção de solidariedade orgânica, sustentando a divisão do trabalho, de acordo com Émile Durkheim. b) A ditadura do proletariado defende a divisão do trabalho entre atividades operacionais e de liderança, inspirada em Karl Marx. c) As diferenças salariais entre atividades operacionais e de liderança promovem a justiça social, conforme Max Weber. d) As diferenças salariais extremas na remuneração do trabalho estão de acordo com a ética protestante, segundo Émile Durkheim. e) A divisão do trabalho entre atividades operacionais e de liderança constitui instrumento de alienação, na perspectiva de Karl Marx. Comentários: A questão traz uma notícia que trata sobre a disparidade entre os salários dos trabalhadores no Brasil. Considerando o texto, vamos analisar as opções: Letra A: Errada. Na concepção de solidariedade orgânica de Durkheim, a divisão do trabalho é complexa e presente em sociedades contemporâneas. No entanto, a notícia não justifica tal concepção nem sustenta a divisão do trabalho, ela apenas apresenta dados sobre a desigualdade, sem tomar posicionamento. Letra B: Errada. Isso não está presente dessa forma no pensamento marxista. Letra C: Errada. Para Weber, essas diferenças não produzem a justiça social, pelo contrário, fazem parte da manutenção das desigualdades. Letra D: Errada. Quem explora essa temática é Max Weber, não Durkheim. Letra E: Certa. A divisão do trabalho entre atividades operacionais e liderança, segundo o pensamento de Karl Marx, faz parte da lógica de alienação do processo produtivo. De uma forma geral, a alienação faz com que o trabalhador seja estranho ao produto de sua atividade. Dessa forma, o operário pode participar todos os dias da montagem de um carro que ele nunca vai poder comprar, por exemplo. Gabarito: E Agora, na parte final da aula, vamos destacar alguns tópicos sobre Saúde do Trabalhador, os quais eu acredito que possam ser cobrados de forma transversal, junto aos temas que vimos até agora sobre Psicologia Social e do Trabalho. SAÚDE DO TRABALHADOR 1 – Psicodinâmica do Trabalho A Psicodinâmica do Trabalho nasceu da Psicopatologia do Trabalho e é uma abordagem que tem como objetivo compreender as estratégias que o trabalhador recorre para manter-se saudável, apesar de certos modos de organização do trabalho patologizantes. O ponto de partida de suas pesquisas passa a ser não mais o que adoece o trabalhador, mas como ele continua sadio apesar das adversidades. Suas principais concepções são: PSICODINÂMICA DO TRABALHO CONCEPÇÃO DE HOMEM CONCEPÇÃO DE TRABALHO CONCEPÇÃO DE “DOENÇA MENTAL” E TRABALHO O QUE É UM TRABALHO SADIO? O homem organiza-se a partir de suas experiências na primeira infância. A sexualidade (libido) é sua maior força motriz. O trabalho é portador de sofrimento e afasta o homem do prazer; o melhor trabalho é o que permite sublimar o sofrimento. Quando há sublimação, não Não pode existir doença mental produzida pelo trabalho; esta é o produto inconsciente de rupturas ocorridas nos afetos primários. Admite-se a descompensação, O trabalho deve permitir a sublimação. jeffs Destacar há desprazer no trabalho. que depende da estrutura já definida a partir da primeira infância. Todos somos neuróticos, o sofrimento ocorre quando não se encontram saídas institucionais. Segundo Dejours, o trabalho não cria doenças mentais específicas. Não existem psicoses nem neuroses do trabalho. As descompensações psicóticas e neuróticas dependem, em última instância, da estrutura das personalidades, adquirida antes do engajamento na produção. A estrutura da personalidade pode explicar a forma sob a qual aparece a descompensação e seu conteúdo, mas é insuficiente para explicar o momento “escolhido”. A psicodinâmica do trabalho investiga a saúde no trabalho e analisa o sofrimento e as estratégias de mediação utilizadas pelos trabalhadores para ressignificar e superar o sofrimento, com vistas à transformação do contexto de trabalho em um lugar de prazer (Ferreira & Mendes, 2003). Alderson (2004) enumera três premissas utilizadas pela psicodinâmica do trabalho: 1 - sujeito em busca de auto realização: todo indivíduo é habitado pelo desejo de realização; 2- existência de um hiato entre o que é prescrito e o trabalho real. Ao interpelar a inteligência prática do sujeito e ao solicitar sua criatividade, o trabalho que deixa uma margem de autonomia; 3- desejo de julgamento do outro, mais especificamente, trata do reconhecimento. Em relação à metodologia, Castro (2018) afirma que a psicodinâmica do trabalho entende que os fatos devem ser extraídos das falas dos trabalhadores. Assim, pode-se realizar entrevistas para investigar aspectos relacionados à subjetividade do trabalhador, ligados à organização do trabalho (responsabilidade, hierarquia, controle sobre o trabalho e etc). 2 – Saúde do Trabalhador Segundo o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e o Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP): jeffs Destacar jeffs Destacar jeffs Destacar A Saúde do Trabalhador configura um campo do saber e de práticas que demandam da Psicologia uma atuação sobre o trabalho e sobre as estruturas e os processos que o organizam, a partir do locus dos serviços públicos de saúde. A conformação desse campo, no Brasil, dá-se num contexto histórico específico – o do momento de abertura política no final da década de 1970 – quando os movimentos sociais retomam a cena pública e interferem na construção da agenda que definirá as políticas públicas de corte social, culminando com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e, posteriormente, com a lei do Sistema Único de Saúde – SUS. No caso específico da Saúde do Trabalhador, o movimento sindical e o movimento sanitário tiveram importante participação na sua incorporação como política de saúde, concebendo o adulto em sua condição de trabalhador, o que implica conhecer a situação de trabalho, ou seja, não apenas o processo de produção em si mastambém o processo de produção e (re)produção das relações sociais de produção. A Lei Orgânica da Saúde (Lei nº 8080/90) afirma que “a saúde tem como fatores determinantes e condicionantes, entre outros, o trabalho.” Segundo essa lei, a Saúde do Trabalhador envolve atividades que se destinam, através de ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho (BRASÍLIA, 2008). Assim, envolve: I - assistência ao trabalhador vítima de acidentes de trabalho ou portador de doença profissional e do trabalho; II - participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde, em estudos, pesquisas, avaliação e controle dos riscos e agravos potenciais à saúde existentes no processo de trabalho; III - participação, no âmbito de competência do Sistema Único de Saúde, da normatização, fiscalização e controle das condições de produção, extração, armazenamento, transporte, distribuição e manuseio de substâncias, de produtos, de máquinas e de equipamentos que apresentam riscos à saúde do trabalhador; IV - avaliação do impacto que as tecnologias provocam na saúde; V - informação ao trabalhador e à sua respectiva entidade sindical e às empresas sobre os riscos de acidentes de trabalho, doença profissional e do trabalho bem como sobre os resultados de fiscalizações, avaliações ambientais e exames de saúde, de admissão, periódicos e de demissão, respeitados os preceitos da ética profissional; VI - participação na normatização, fiscalização e controle dos serviços de Saúde do Trabalhador nas instituições e empresas públicas e privadas; VII - revisão periódica da listagem oficial de doenças originadas no processo de trabalho, tendo na sua elaboração a colaboração das entidades sindicais; e VIII - a garantia ao sindicato dos trabalhadores de requerer ao órgão competente a interdição de máquina, de setor de serviço ou de todo ambiente de trabalho, quando houver exposição a risco iminente para a vida ou saúde dos trabalhadores. 2.1 – Atuação dos profissionais de RH junto às equipes multi e interdisciplinares voltadas para a saúde do trabalhador O que são equipes multiprofissionais e interdisciplinares? Segundo Bruscato (2004), o trabalho da equipe multidisciplinar visa avaliar o indivíduo de maneira independente e executando seus planos de tratamento como uma “camada adicional” de serviços. Logo, não há um trabalho coordenado por parte dessa equipe e uma identidade grupal. O médico, em geral, é responsável pela decisão do tratamento, e os outros profissionais vão se adequar a demanda do paciente e as decisões do médico referente a este. Já a interdisciplinaridade é uma abordagem em equipe que deve ser comum a toda a assistência à saúde. Isso porque o principal aspecto positivo da atuação em equipe interdisciplinar é a possibilidade de colaboração de várias especialidades que denotam conhecimentos e qualificações distintas. Assim, a integração da equipe de saúde é imprescindível para que o atendimento e o cuidado alcancem a amplitude do ser humano, transcendendo a noção de conceito de saúde. (Campos,1995). jeffs Destacar jeffs Destacar Existe um conceito ainda mais amplo, que evoluiu da interdisciplinaridade, que é a transdisciplinaridade: ela se refere a uma interação entre as disciplinas, promove um diálogo entre diferentes áreas do conhecimento e seus dispositivos, visa cooperação entre as diferentes áreas, contato entre essas disciplinas. Considerando a estreita relação entre saúde e trabalho, podemos dizer que o estado de saúde dos trabalhadores não é independente de sua atividade laboral. Mas para que o trabalhador possa gozar de saúde, é necessário compreender os condicionantes sociais, econômicos, tecnológicos e organizacionais responsáveis pelas condições de vida bem como os fatores de riscos ocupacionais - físicos, químicos, biológicos, mecânicos e aqueles decorrentes da organização laboral - presentes nos processos de trabalho. Assim, as ações de promoção da saúde e da qualidade de vida do trabalhador têm como foco as mudanças nos processos de trabalho que contemplem as relações trabalho-saúde em toda a sua complexidade. Como a qualidade de vida no trabalho tem relação direta com as finanças e produtividade da organização, intervir e agir no ambiente de forma a aplicar o ciclo de ações voltadas à melhoria das condições de trabalho e promoção da saúde, contribui para a prática da responsabilidade social e da sustentabilidade na organização, como um processo contínuo e interativo que visa manter uma organização como um conjunto apropriadamente integrado a seu ambiente de forma estratégica, visando vantagem competitiva sustentável (Benaglia & Padua, 2013). O Ministério da Saúde (2001), confirma que as condições de trabalho (sejam elas físicas, químicas e biológicas) vinculadas à execução do trabalho e a sua organização (estruturação, hierarquia, divisão de tarefa, jornada, ritmo, trabalho em turno, intensidade, monotonia, repetitividade e responsabilidade excessiva) favorecem o aparecimento das doenças ocupacionais. Para não contribuir com tais circunstâncias, o ambiente de trabalho deve oferecer condições adequadas para as atividades laborais, evitando dessa forma o processo de adoecimento e preservando a qualidade de vida do trabalhador; pois o estado de saúde precário significa não somente fracasso para conseguir a produtividade ideal, como também sangria de riquezas e recursos. jeffs Destacar 2.2 – Prevenção da saúde do trabalhador nas organizações Ações de promoção e proteção de saúde devem ser praticadas pelas organizações e colaboradores. Essas ações – de natureza preventiva - objetivam reduzir os fatores de risco que ameaçam a saúde física e mental das pessoas. No campo da promoção, são exemplos de ações: educação em saúde, bons padrões de alimentação e nutrição, adoção de estilos de vida saudáveis, desenvolvimento de aptidões e capacidades, campanhas de conscientização (exemplos: Outubro Rosa, Novembro Azul), aconselhamentos específicos, como os de prevenção de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis). No campo da proteção, são exemplos de ações: vigilância epidemiológica, vacinações, saneamento básico, vigilância sanitária, exames médicos e odontológicos periódicos, entre outros. Há também as ações de recuperação, que envolvem o diagnóstico e o tratamento de doenças, acidentes e danos de toda natureza, a limitação da invalidez e a reabilitação. O diagnóstico deve ser feito o mais precocemente possível, assim como o tratamento deve ter início imediato, de modo a deter a progressão da doença. PROMOÇÃO • Educação em saúde, bons padrões de alimentação e nutrição, adoção de estilos de vida saudáveis, desenvolvimento de aptidões e capacidades, campanhas de conscientização (exemplos: Outubro Rosa, Novembro Azul), aconselhamentos específicos, como os de prevenção de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis). PROTEÇÃO • Vigilância epidemiológica, vacinações, saneamento básico, vigilância sanitária, exames médicos e odontológicos periódicos, entre outros. RECUPERAÇÃO • Diagnóstico e o tratamento de doenças, acidentes e danos de toda natureza, a limitação da invalidez e a reabilitação. jeffs Destacar Os riscos decorrentes dos locais e da forma de organização do trabalho são assim classificados: Agentes físicos Agentes químicos Agentes biológicos Ergonômicos e Psicossociais Mecânicos e de acidentes Ruído, vibrações, temperatura, umidade, ventilação, iluminação natural e artificial, pressões anormais e radiações e etc. Substâncias químicas presentes nos processos de trabalho como: pós/poeiras, fumaças, gases, vapores, pastas ou líquidos. Relacionados com qualquer organismo animalou vegetal que esteja presente no ambiente de trabalho, como: vírus, bactérias, fungos, parasitas e fibras vegetais. Ergonômicos: esforço físico e visual, movimentos exigidos pela tarefa, espaço de trabalho disponível, posições de execução. Psicossociais: prolongação e intensificação da jornada, turnos noturnos e rotativos, ritmo e intensidade do trabalho, atenção/responsabilidade exigidas, grau de controle e iniciativa na execução, a intercomunicação dos trabalhadores durante a jornada, o caráter da supervisão, a consciência do risco que a tarefa implica, assim como o risco de perder o emprego. Derivadas da tecnologia de trabalho (na operação ou manutenção), aos materiais soltos no ambiente, às condições de instalação e manutenção dos meios de produção, a proteção das máquinas, arranjo físico, ordem e limpeza do ambiente de trabalho, sinalização, rotulagem de produtos e outros que podem levar aos acidentes de trabalho. 3 – Ergonomia da atividade Segundo a ABERGO (Associação Brasileira de Ergonomia), a ergonomia (ou Fatores Humanos) é uma disciplina científica relacionada ao entendimento das interações entre os seres humanos e outros elementos ou sistemas, e à aplicação de teorias, princípios, dados e métodos a projetos a fim de otimizar o bem-estar humano e o desempenho global do sistema. Pode-se pensar em Ergonomia em termos de efetividade, para auxiliar na alimentação de uma cultura de segurança e até mesmo numa perspectiva de sustentabilidade (identificar manobras poluentes, degradantes ou desperdiçadoras de recursos mais escassos). O objetivo da ergonomia é estabelecer parâmetros que permitam a adaptação das condições de trabalho a características psicofisiológicas dos trabalhadores, de modo a proporcionar um máximo de conforto, segurança e desempenho eficiente. Existem três tipos de ergonomia, vejamos (Oliveira, 2021): 3.1 – Ergonomia física Trata da relação entre as atividades físicas executadas e as características da anatômicas, fisiologia, antropometria e biomecânica. Os principais tópicos analisados nesse tipo são: o a postura no trabalho; o a forma como os materiais são manuseados; o a presença de movimentos repetitivos; o a projeção dos postos de trabalho; o os possíveis distúrbios musculoesqueléticos; o a segurança e a saúde do trabalhador. A fim de obter o melhor desempenho humano na realização de suas tarefas, a ergonomia física ocupa-se com a realização de estudos antropométricos, que consistem em analisar as medidas do corpo humano. A intenção é classificar biotipos e, a partir deles, dimensionar equipamentos, máquinas e ferramentas de trabalho. Dessa forma, encontram- se equipamentos que se adaptam às capacidades do ser humano de operá-los, levando em conta fatores fisiológicos e psicológicos. A ergonomia física avalia se a cadeira utilizada por um trabalhador favorece que ele se mantenha em uma postura correta, além de analisar se a movimentação realizada para manipular e levantar determinado objeto é adequada ou prejudicial. https://beecorp.com.br/blog/produtos-ergonomicos-saude-funcionarios/ É importante destacar que, mais do que avaliar, a ergonomia física tem o papel de conscientizar e orientar, a fim de buscar a preservação da saúde física do trabalhador. 3.2 – Ergonomia organizacional Trata da otimização dos sistemas sociotécnicos – ou seja, que incluem pessoas como partes inerentes do sistema – e suas estruturas organizacionais, de processos e políticas. Os tópicos mais relevantes nesse tipo de ergonomia são: o as comunicações; o o trabalho realizado em grupo; o os projetos participativos; o o trabalho cooperativo; o a organização em rede; o a cultura organizacional; o a organização temporal do trabalho; o a gestão da qualidade. Essa área da ergonomia, então, se propõe a estudar e intervir na cultura e no clima organizacional. Seu objetivo é adaptar as condições da empresa para preservar a saúde e o bem-estar do trabalhador. Esse tipo de ergonomia pode orientar mudanças no modo de liderança executado, apontando melhorias na forma de gestão. Visto que considera as pessoas como parte do sistema, um exemplo de aplicação é a consideração do feedback da equipe para propor novas formas de trabalho, políticas ou outras mudanças. Há também a adoção de canais de comunicação mais eficazes, programas para promover maior interação entre equipes e setores e a organização lógica da produção. 3.3 – Ergonomia cognitiva Trata dos processos mentais utilizados pelo ser humano na realização de suas atividades e como eles afetam suas interações com outros elementos de um sistema. Entre esses processos, destacam-se raciocínio, resposta motora, percepção e memória. Os principais aspectos avaliados por esse tipo de ergonomia são: o o estudo da carga mental exigida pelo trabalho; o os processos de tomada de decisão; o o desempenho especializado em determinadas áreas; o a forma como ocorre a interação entre homem e máquinas; o a confiabilidade humana; o o estresse de origem profissional; o a formação da concepção de pessoa-sistema; o o treinamento concernente aos projetos que envolvem seres humanos e sistemas. A ergonomia cognitiva se propõe a avaliar e intervir nas questões que podem influenciar no nível mental dos trabalhadores. Seu principal objetivo é buscar medidas que diminuirão os fatores de estresse no ambiente de trabalho. As intervenções desse tipo de ergonomia envolvem as ações de treinamento e desenvolvimento dos funcionários. O intuito é oferecer a eles o conhecimento necessário para desempenhar as suas tarefas de forma mais prática, minimizando o esforço e a carga mental. Também envolve programas e ações que visam a melhoria nas relações entre colegas e líderes. Aqui estão inclusas as iniciativas de boa convivência que tiram o foco do trabalho, além de políticas que visam o bem-estar e a saúde mental do trabalhador. Atualmente, tem-se estudado também o conceito de ergonomia da atividade. Segundo Ferreira e Mendes (2012), a ergonomia da atividade investiga a relação entre os indivíduos e o contexto de produção de bens e serviços. Analisa as contradições que surgem e as estratégias operatórias individuais e coletivas de mediação que são forjadas para responder à diversidade de exigências das situações de trabalho. Vejam o que Sticca (2017), diz sobre o tema: A ergonomia da atividade está centrada na atividade humana, e mais concretamente, na atividade situada na ação. Os ergonomistas se apropriaram do conceito desenvolvido pela Teoria da Análise da Atividade, mas o situaram na ação, o que possibilitou um novo olhar sobre a atividade de trabalho. Ao utilizar o termo “atividade de trabalho” a ergonomia refere-se ao individuo que trabalha com uma série de habilidades e saber prático, baseado em suas experiências no trabalho, que o capacitam a controlar, regular e coordenar, e construir sua ação para alcançar determinado objetivo. Tal atividade é situada em um determinado contexto, composto por componentes materiais, sociais e históricos, que fornecem recursos, mas também apresentam constrangimentos. Simultaneamente, tal contexto é afetado pela experiência de vida subjetiva do individuo, e assim, é constantemente revisada e atualizada. O conhecimento gerado é obtido por meio da análise ergonômica do trabalho (AET) que tem como fio condutor a atividade de trabalho e a busca pelo entendimento das ações humanas situadas em determinado contexto. A AET procura identificar determinantes de cada atividade, por meio da análise dos objetivos estabelecidos pela pessoa; características dos materiais e das ferramentas utilizadas; características próprias das pessoas e do contexto de uso. A realização da AET se faz por etapas, numa perspectiva progressiva e integrativa. As principais etapas são: Análise da demanda, que visa reformular e hierarquizar os diferentes problemasapresentados, articulá-los e até mesmo evidenciar novas questões; Análise das tarefas, que compreende a identificação e compreensão do trabalho prescrito (“o que a organização espera do profissional”), que inclui o levantamento de informações sobre o ambiente físico (layout, mobiliário, equipamentos e espaços de trabalho), requisitos físicos e mentais da tarefa, Análise da atividade, que contempla revelar o trabalho efetivamente realizado (“o que o trabalhador faz para dar conta da tarefa”), e por fim a fase de Diagnóstico e Recomendações. 4 – Relação entre trabalho, processos de subjetivação e processos de saúde Segundo Araújo (2011), a relação entre saúde mental e trabalho considera a influência direta do trabalho na constituição da subjetividade e, nesse sentido, propõe o estudo de aspectos relacionados ao trabalho nos processos de adoecimento psíquico. Compreende, portanto, a análise articulada das categorias saúde mental e trabalho e sua repercussão na saúde dos trabalhadores. De acordo com Oliveira & Bastos (2014), enquanto campo de conhecimento, a saúde do trabalhador pode ser compreendida como "um corpo de práticas teóricas interdisciplinares – técnicas, sociais, humanas – e institucionais, desenvolvidas por diversos atores situados em lugares sociais distintos e informados por uma perspectiva comum." (Minayo-Gomez & Thedim-Costa, 1997). A partir da abordagem da Saúde Coletiva, a jeffs Destacar categoria trabalho associa-se ao conceito de processos de trabalho, o que amplia o foco de análise para além dos agentes tradicionais fundamentados na observação do ambiente e das condições de trabalho. Torna-se, então, possível a adoção de uma perspectiva de análise que considera a relação entre trabalho e subjetividade (Minayo-Gomez & Thedim- Costa, 1997; Sato, Lacaz & Bernardo, 2006). A área denominada saúde mental e trabalho surge então dessa perspectiva onde a subjetividade é analisada em articulação com o trabalho. Nessa perspectiva, compreende-se saúde mental como um campo complexo que busca superar os modelos paradigmáticos reducionistas da medicina clássica e que passa a considerar a primazia das condições e possibilidades da existência humana na constituição da subjetividade (Amarante, 2007; Codo, 2004; Delgalarrondo, 2008; Lima, 2006). O trabalho é tomado enquanto elemento que assume uma centralidade na composição dos modos de vida nas diversas formas de organização social. Compreendido enquanto elemento constituinte da subjetividade, ação humana de intervenção e transformação sobre a natureza, o trabalho reverte-se em ação de intervenção e transformação na cultura, na relação com o outro e, consequentemente, na autotransformação de si (Antunes, 2004, 2011; Arendt, 2007; Clot, 2007; Lukács, 2012; Vieira, Barros & Lima, 2007). 5 – Atuação da Psicologia na interface saúde /trabalho/educação De acordo com a publicação “Saúde do Trabalhador no âmbito da Saúde Pública: referências para a atuação do(a) psicólogo(a)” (2008) do CFP, como atividades de educação em saúde pode-se destacar o desenvolvimento de cursos, seminários e estágios para técnicos, gestores e trabalhadores, com a finalidade de capacitar técnicos integrantes das instâncias de controle social e trabalhadores em geral, além de servir de modelo para as instâncias municipais e regionais do SUS. Refere-se, ainda, à produção de conhecimento, ou seja, à publicação de manuais, elaboração de artigos, organização de livros, apostilas e audiovisuais técnicos. A(O) psicóloga(o), assim como os demais profissionais, pode contribuir para a identificação de problemas de saúde e de outras questões relacionadas ao trabalho que necessitam ser investigadas ou estudadas, de modo a produzir conhecimento especializado, divulgar os dados, estabelecer cooperação técnica e subsidiar a formulação e a implementação de políticas na área. No âmbito da educação permanente dos profissionais, incluída a atualização técnico-científica, a(o) psicóloga(o) pode atuar na formação e gestão do trabalho em saúde, estimulando as discussões relativas às mudanças nas relações e nos processos de trabalho e o trabalho em equipe. Mas, além dessas dimensões, outro importante papel da(o) psicóloga(o) é o de promover o fortalecimento dos trabalhadores e trabalhadoras, contribuindo para elucidar e superar os mecanismos que sustentam a postura fatalista comum entre os oprimidos (Martin-Baró, 1986). Assumindo o papel de agente de transformação social, é fundamental que a(o) psicóloga(o) atue junto com outros agentes sociais no desvelamento da dominação simbólica (Bourdieu, 2012) que jeffs Destacar permeia o mundo do trabalho. Para tal, deve realizar atividades que possibilitem que os trabalhadores tomem consciência das características e os interesses presentes nas relações de trabalho, que não são naturais, mas estabelecidas socialmente em um contexto desigual. Podem ser promovidas ações diversas, como eventos voltados para a discussão de problemáticas relacionadas ao trabalho, grupos com trabalhadores nos serviços de saúde ou em espaços sociais de modo a favorecer “a formação de coletivos para atuação organizada em direção a mudanças nos contextos de trabalho” (Bernardo, Pereira, 2017, p. 151). Esse tipo de atuação torna-se especialmente importante no contexto da redução e perda de direitos dos trabalhadores. 6 – Estresse do Trabalho Segundo Robbins (2005), existem três categorias de estresse potencial: ambiental, organizacional e individual. Os fatores de estresse são um fenômeno cumulativo. Cada fator novo e persistente faz crescer o nível de estresse do indivíduo. Assim, um determinado fator pode ser de pouca importância quando observado isoladamente, mas pode se tornar “a gota d’água” quando somado a um nível de estresse agudo. Figura - Modelo de Estresse (Robbins, 2005) jeffs Retângulo De acordo com Baker e Karasek (2000), são fontes de estresse profissional: o Exigências de tempo, estrutura temporal do trabalho e ritmo: horas extras, trabalho em turnos, trabalho ao ritmo da máquina, pagamento por produção; o Estruturas das tarefas: falta de controle, subutilização de capacidades; o Condições físicas: desagradáveis, ameaça de risco físico ou tóxicos, riscos orgânicos; o Organização do trabalho: ambiguidade de papel, conflito de papel, competição e rivalidade; o Extraorganizacional: fatores relacionados à comunidade, insegurança no emprego, preocupações com a carreira; o Fontes extratrabalho: pessoais, familiares, sociais. França e Rodrigues (2009) também apontam fatores estressantes como: liderança autoritária, execução de tarefas sob repressão, falta de conhecimento no processo de avaliação de desempenho e de promoção, carência de autoridade e de orientação, excesso de trabalho e grau de interferência na vida particular do trabalhador. Apontam ainda indicadores de situações estressantes detectados no indivíduo, nos grupos e nas organizações. Individuais à queda da eficiência, ausências repetidas, insegurança nas decisões, protelação na tomada de decisão, sobrecarga voluntária de trabalho, uso abusivo de medicamentos, irritabilidade constante, explosão emocional fácil, grande nível de tensão, frustração, impotência, desconfiança, eclosão e agravamento de doenças. Grupos à competição não saudável, politicagem, hostilidade, perda de tempo com discussões inúteis, pouca contribuição ao trabalho, isolamento, insegurança, alta dependência do líder. Organizações à greves, atrasos constantes nos prazos, ociosidade, morosidade, sabotagem e absenteísmo, alta rotatividade, altas taxas de adoecimento, baixo nível de esforço, vínculos empobrecidos, relacionamento entre os funcionários caracterizados por: rivalidade, desconfiança, desrespeito, desqualificação. jeffs Destacar 6.1 – Principais Teorias do Estresse O estresse é uma reação natural do organismo que ocorre quando vivenciamos situações de perigo ou ameaça. Essemecanismo nos coloca em estado de alerta ou alarme, provocando alterações físicas e emocionais. Ele tem sido responsável pela maioria dos males que acometem a vida dos indivíduos e assume um papel importante na área da saúde e de como esses indivíduos lidam, direta ou indiretamente, com experiências e eventos considerados estressores, que determinam a vulnerabilidade do organismo à ocorrência de doenças físicas e psicológicas (Silva, 2017). O estresse pode ser originado tanto de fontes estressoras internas quanto externas. As primeiras são desencadeadas pelo próprio indivíduo de acordo com sua personalidade, estilo de vida e características pessoais que dificultam sua relação com o outro e sua expressividade. As segundas – externas - variam de acordo com as reações do sujeito frente às circunstâncias do ambiente, como emprego, acidentes, entre outros. A partir dessas situações estressantes, os reflexos são observados tanto no indivíduo quanto em suas relações sociais e na vida como um todo. O estresse, compreendido como o estado de tensão do organismo, surge mediante alterações das atividades normais do indivíduo, afetando a sua vida psíquica e o seu comportamento social. O aprofundamento nas diferentes teorias do estresse indica que, antes de serem concorrentes, são complementares e baseiam-se umas nas outras. 6.1.1 – Teoria da luta ou fuga - Cannon A primeira teoria do estresse, apresentada pelo fisiologista Walter Cannon em 1914, não abarcava o sentido atual e foi chamada "teoria da luta ou fuga" (fight-or-flight). Segundo essa teoria, em situações de emergência o organismo se prepara para lutar ou fugir, dependendo do caso. Lipp (2006) complementa que é possível diferenciar as reações corporais de acordo com a situação estressora, ou seja, a fuga gera um aumento de adrenalina, a luta gera um aumento de noradrenalina e testosterona e a depressão (perda de controle, submissão) gera um aumento de cortisol e uma diminuição de testosterona. O organismo prepara-se para lutar ou fugir, gerando um estado de prontidão caracterizado por taquicardia, alteração da pressão arterial, sudorese, boca seca, mãos e pés frios, jeffs Destacar jeffs Destacar jeffs Destacar mudanças de apetite, diarreia passageira, entre outros. Esse tipo de reação foi observado em animais e em humanos. Estudos empíricos puderam acompanhar outro tipo de reação chamada "busca de apoio" (tend-and-befriend), observado pela primeira vez em mulheres. Essa outra reação ao estresse caracteriza-se pela busca de apoio, de proteção e de amizade em grupos. Quando grandes porções do sistema nervoso simpático são estimuladas e descarregam ao mesmo tempo, ou seja, quando ocorre uma descarga em massa, há um aumento da capacidade do corpo para desempenhar uma atividade muscular intensa. Isso pode ocorrer de várias maneiras, dentre as quais destacam-se reações fisiológicas: 1. midríase (dilatação das pupilas); 2. vasoconstrição periférica; 3. vasodilatação muscular, necessidade de atividade motora rápida; 4. diminuição da circulação sanguínea para órgãos como os do trato gastrointestinal e os rins, uma vez que esses não são importantes para uma atividade motora rápida; 5. taquicardia (aumento da frequência cardíaca) e broncodilatação; 6. taquipnéia (aumento da frequência respiratória); 7. aumento da biodisponibilidade de glicose no sangue, concomitantemente ao aumento da glicólise no fígado e no músculo; 8. atividade mental aumentada; 9. aumento da velocidade de coagulação; 10. diminuição da resposta excitatória sexual; 11. aumento da pressão arterial; 12. aumento da intensidade do metabolismo celular por todo o corpo. Tais alterações no organismo ocorrem pelo fato de que, em uma situação de perigo, o indivíduo deve estar preparado para a luta ou para a fuga. Desse modo, o organismo se mobiliza e concentra o gasto energético em processos que o auxiliarão a ter uma resposta motora eficiente. 6.1.2 – Síndrome de Adaptação Geral (SGA) - Selye O médico austríaco Selye, um dos pioneiros nos estudos sobre o estresse, denominou Síndrome de Adaptação Geral / Síndrome Geral de Adaptação (SGA) para nomear os sintomas comuns de diferentes doenças que estavam relacionados à condição geral de enfermidade. Sob estresse, o corpo entra em um estágio de alarme durante a qual a resistência ao estresse é temporariamente suprimida. A partir daí, ele se recupera, passando a uma fase de maior resistência ao estresse. Essa resistência do corpo dura um tempo determinado. Frente ao estresse prolongado, o estágio de exaustão pode ser atingido. Ao longo dessa etapa final, o indivíduo se tornam mais vulneráveis a uma variedade de problemas de saúde. Lipp (2006) também descreveu as fases do estresse, as quais se iniciam com a fase de alerta, que acontece ao se deparar com uma situação estressora. Na segunda fase, a de resistência, o organismo tenta reestabelecer o equilíbrio jeffs Destacar jeffs Destacar interno utilizando toda a energia adaptativa, seguindo com a fase de pré-exaustão que é caracterizada pelo início do processo de adoecimento, pois há um enfraquecimento do sistema imunológico e as defesas do organismo começam a ceder, dando início à quarta fase do estresse: a exaustão. Esta última é considerada a mais patológica, pois há uma quebra total da resistência, ocasionando exaustão psicológica em forma de depressão, exaustão física e doenças como úlceras, aumento da pressão arterial, problemas cardíacos, dermatológicos, sexuais, câncer e ainda pode levar o indivíduo à morte. Selye descreveu a SGA “como o conjunto de todas as reações gerais do organismo que acompanham a exposição prolongada ao estressor”, contribuindo para o estudo das fases ou estágios, ensinando que a primeira fase, conceituada de Reação de Alarme, deriva- se da liberação de variadas substâncias, como hormônios e corticoides, a partir de uma situação estressora, de modo a alterar significativamente a função fisiológica do organismo. O segundo estágio (Fase da Resiliência) acontece a partir do prolongamento do organismo para uma maior adaptação, exigindo dele maior consumo de energia e, aos poucos, é assimilado pelo organismo. A última fase, a Fase da Exaustão, ocorre quando a ação do estressor permanece por um longo período, esgotando a energia de adaptação do organismo. Nesse momento, o indivíduo pode ter seu organismo afetado tanto no plano psicológico quanto no plano físico, desencadeando, de indivíduo para indivíduo, sintomas e doenças de acordo com os recursos psicológicos utilizados para lidar com a situação estressora. Depois de toda tensão, deve seguir um estado de relaxamento, pois apenas com descanso suficiente o organismo é capaz de manter o equilíbrio entre relaxamento e excitação necessário para a manutenção da saúde. Assim, se o organismo continuar sendo exposto a mais estressores, não poderá retornar ao estágio de relaxamento inicial o que, em longo prazo, pode gerar problemas de saúde. Na fase de reação de alarme, a glândula hipófise secreta maior quantidade do hormônio adrenocorticotrófico, que age sobre as glândulas suprarrenais. Estas passam a secretar mais hormônios glicocorticoides, como o cortisol. Este, por sua vez, inibe a síntese proteica e aumenta a quebra de proteínas nos músculos, ossos e tecidos linfáticos. Todo esse processo provoca um aumento do nível de aminoácidos no sangue que servem ao fígado para a produção de glucose, aumentando assim o nível de açúcar no sangue – a excessiva produção de açúcar poder levar a um choque corporal. Outra consequência da inibição da síntese de proteínas é a inibição do sistema imunológico. Assim, pode-se apresentar cansaço injustificado, problemas com a memória, sensação de desgaste e irritabilidade. Todas as respostas corporais entram em estado de prontidão geral, ou seja, todo organismo é mobilizado sem envolvimento específico ou exclusivo de algum órgão em particular. É um estado de alerta geral,tal como se fosse um susto. A fase de adaptação ou resistência é caracterizada pela secreção de somatotrofina e de corticoides. Gera, com o tempo, um aumento das reações infecciosas. Acontece quando a tensão se repete: nesta fase, o corpo começa a se acostumar aos estímulos causadores do estresse e entra num estado de resistência, ou de adaptação, para suportar o estresse por um tempo, podendo canalizar para um órgão específico ou para um determinado sistema, seja o sistema cardiológico, a pele, o sistema muscular ou o aparelho jeffs Destacar digestivo. Na fase de exaustão ou esgotamento, uma vez que a fonte de estresse não cesse, as glândulas suprarrenais se deformam. Doenças de adaptação podem aparecer e a maioria dos sintomas somáticos e psicossomáticos fica mais aparente nessa fase. Assim, observa-se queda acentuada da capacidade adaptativa, pois os mecanismos de adaptação começam a falhar, aumentando o déficit das reservas de energia. Essa fase é grave, podendo levar à morte do organismo. Vejam as figuras 1 e 2, que representam a SGA: Figura: SGA. Fonte: Filgueiras, 1991. Figura SGA. Fonte: Filgueiras, 1991. A fase de pré-exaustão se encontra na parte LARANJA da curva, entre as cores amarela e vermelha. 6.1.3 – Modelo Transacional - Lazarus O Modelo Transacional de Lazarus, também chamado de modelo cognitivo ou modelo relacional, sublinha a importância de processos mentais de juízo para o estresse: segundo ele, as reações de estresse resultam da relação entre exigência e meios disponíveis. Essa relação é, no entanto, mediada por processos cognitivos (juízos de valor e outros). Assim, não apenas fatores externos podem agir como estressores, mas também fatores internos, como valores e objetivos. O modelo prevê dois processos de avaliação/julgamento do indivíduo mediante uma situação estressora: Avaliação primária: determinação inicial sobre o significado de um evento como irrelevante, positivo ou ameaçador. Se os acontecimentos são considerados irrelevantes ou positivos, não ocorre nenhuma reação de estresse; reações de adaptação são típicas de situações julgadas negativas, nocivas ou ameaçadoras; Avaliação secundária: determinação que alguém faz sobre seus próprios recursos e capacidades, verificando se são suficientes para cumprir com as demandas de um evento avaliado como potencialmente ameaçador ou desafiador. Após a decisão sobre a necessidade de adaptação, ocorre um julgamento dos meios disponíveis (recursos para essa adaptação) para a solução do problema. Se a relação entre exigências e meios for equilibrada, então a situação é tomada por um desafio – o que corresponde ao conceito de eustresse (estresse positivo); se os estressores forem tomados por um dano ou perda, o jeffs Destacar jeffs Destacar indivíduo experimenta emoções de tristeza e de diminuição da autoestima ou de raiva; se os estressores forem considerados uma ameaça à emoção ocorre medo – ambos os casos correspondem ao “distresse”. Nem sempre o estresse é ruim, sendo um recurso importante para se enfrentar as diferentes situações da vida cotidiana, ou seja, esse pensamento vai ao encontro do modelo transacional e aos processos de julgamento, pois “existem situações estressantes que podem ser muito agradáveis, como por exemplo, se apaixonar, planejar uma festa, o nascimento de um filho, uma viagem, torcer pelo seu time de futebol, entendidas como “eustresse”. Importante salientar que o eustresse pode se transformar em distresse, caso aquela euforia se torna disfuncional a ponto de causar prejuízos na vida. Distresse = estresse ruim Eustresse = estresse bom Como recurso mnemônico, para lembrar qual o estresse bom ou ruim, lembre-se da palavra DIStância (que tem o mesmo prefixo “dis”) para lembrar do DISTRESS. Afinal, desse tipo de estresse, todos queremos distância, não é mesmo? J Por fim, o modelo transacional enfatiza a natureza contínua do processo de avaliação à medida que a nova informação se torna disponível. Com a reavaliação cognitiva (processo pelo qual os eventos potencialmente estressantes são sempre reavaliados), atualizamos constantemente nossa percepção de sucesso ou fracasso diante de um desafio o ameaça. 6.1.3 – Modelo da diátese ao estresse Este modelo propõe que dois fatores que interagem determinam a suscetibilidade do indivíduo ao estresse e à doença: fatores predisponentes à pessoa (genéticos, por exemplo) e fatores precipitantes do ambiente (exemplo: experiências traumáticas). Na maior parte dos casos, não se acredita que os fatores ambientais (estresse) sejam específicos para a determinada condição de saúde, enquanto os fatores genéticos (diátese) são. Por exemplo, alguns indivíduos são mais vulneráveis a doenças porque seus sistemas biológicos apresentam maior reatividade (reação fisiológica ao estresse, que varia com o indivíduo e jeffs Destacar jeffs Destacar afeta a vulnerabilidade a doenças), ou seja, reagem com mais intensidade a determinados gatilhos ambientais. 6.1.4 – Teoria do Buscar Apoio Propõe que mulheres têm mais probabilidade do que os homens de responder aos mesmos estressores com comportamentos de buscar apoio (estratégia comportamental ao estresse que se concentra em proteger os filhos (zelar) e procurar outros indivíduos para a defesa mútua (agrupar) que: • Acalmam, estimulam e cuidam dos filos para protegê-los (zelar); • Estabelecem e mantém redes sociais para protegê-los do perigo. 6.1.5 – Psiconeuroimunologia A psiconeuroimunologia enfatiza a interação entre processos psicológicos, neurais e imunológicos no estresse e na doença. É um campo de pesquisa multidisciplinar que trata das interações entre o comportamento e o sistema nervoso, o sistema endócrino e o sistema imunológico. Baseia-se em duas hipóteses: Hipótese do efeito indireto: retardos na cura induzidos por estresse podem ocorrer porque os processos imunológicos são alterados indiretamente, encorajando comportamentos mal-adaptativos que perturbam o funcionamento imunológico. Exemplo: considerando que o sono profundo está associado à secreção de hormônio do crescimento (o qual facilita a cura de ferimentos, pois ativa os macrófagos para matar bactérias no local da ferida). A falta de sono ou o sono fragmentado resulta na redução da secreção desse hormônio, causando retardo na cura; Hipótese do efeito direto: a imunossupressão é parte da resposta natural do corpo ao estresse. Assim, o estresse pode afetar o sistema imunológico de forma direta, por meio da ativação de mecanismos neuroendócrinos que liberam o cortisol, epinefrina e outros hormônios e neurotransmissores capazes de reduzir as defesas do corpo contra infecções e doenças. jeffs Destacar jeffs Destacar 7– Burnout O Burnout é a resposta emocional a situações de estresse crônico em função de relações intensas, em situação de trabalho, com outras pessoas ou de profissionais que apresentam grandes expectativas em relação a seus desenvolvimentos profissionais e dedicação à profissão; no entanto, em função de diferentes obstáculos, não alcançaram o retorno esperado. Segundo Maslach & Jackson, a Síndrome de Burnout supõe sintomas específicos e compreende três fatores: EXAUSTÃO EMOCIONAL – DESPERSONALIZAÇÃO – SENTIMENTO DE BAIXA REALIZAÇÃO PESSOAL E PROFISSIONAL O Burnout é considerado o resultado de um contexto laboral desfavorável, de características individuais, do tipo de enfrentamento utilizado, assim como da relação entre esses elementos. A definição mais aceita atualmente sobre a Síndrome de Burnout fundamenta-se na perspectiva psicossocial, que a considera como uma reação à tensão emocional crônica causada por se lidar excessivamente com pessoas. De acordo com essa perspectiva, existem três dimensões interdependentes que contribuem para o desenvolvimento da doença: a exaustão emocional, caracterizada pela faltaou carência de energia e entusiasmo e sentimento de esgotamento de recursos, podendo vir acompanhada de sentimentos de frustração e tensão; a despersonalização, podendo até desenvolver certa insensibilidade emocional; e a baixa realização pessoal no trabalho, com um declínio do sentimento de competência e êxito, bem como de sua capacidade de interagir com os outros. O modelo de controle-demanda, também conhecido como modelo de tensão no trabalho, foi proposto por Robert Karasek em 1979. Esse modelo é amplamente utilizado para avaliar o estresse de natureza psicossocial no ambiente laboral. Vamos explorar os principais conceitos desse modelo: jeffs Destacar jeffs Destacar jeffs Destacar 1) Demanda Psicológica (Demand): Refere-se à quantidade de pressão e exigência mental que o trabalho impõe ao indivíduo. Quanto maior a demanda, mais intensa é a carga psicológica; 2) Controle (Control): Representa o grau de autonomia e influência que o trabalhador tem sobre seu próprio trabalho. Quanto maior o controle, mais liberdade o indivíduo tem para tomar decisões e gerenciar suas tarefas. Tipos de Experiências no Trabalho: ü Trabalho de Alta Exigência (Job Strain): Ocorre quando há alta demanda psicológica e baixo controle sobre o processo de trabalho. Isso pode levar a reações adversas à saúde. ü Trabalho Ativo: Envolve alta demanda psicológica, mas também alto controle. Nesse caso, o estresse pode ter um efeito positivo, promovendo satisfação e motivação. ü Trabalho Passivo: Caracteriza-se pela baixa demanda psicológica e baixo controle. Pode levar à desmotivação e perda gradual de habilidades. ü Trabalho com Baixa Exigência: Aqui, há baixa demanda e alto controle. Essa combinação também pode ser prejudicial, pois pode resultar em monotonia e falta de desafio. • Refere-se ao grau de exigências, pressão, concentração e atenção naquela atividade. Demanda psicológica • Refere-se ao uso de habilidades, influência e poder de decisãoControle laboral jeffs Destacar jeffs Destacar A Síndrome de Burnout ou síndrome do esgotamento é uma doença psicológica crônica que surge possui por influência direta das condições no trabalho. Logo, ela está intimamente ligada às condições de trabalho, tais como ambiente inseguro, cobrança exageradas de metas e prazos, sobrecarga de trabalho, desgaste, resposta ao estresse laboral crônico, espécie de trabalho, contato direto com pessoas que necessitam de cuidados e etc. Essa síndrome possui três dimensões: 1) Exaustão emocional: que refletem o esgotamento físico e mental; 2) Despersonalização: o profissional apresenta atitudes negativas em relação ao seu trabalho e preza pelo distanciamento. 3) Diminuição de realização pessoal: sensação de insatisfação e de incompetência. 21. (FGV – 2019 – Prefeitura de Salvador/BA) Quando uma organização, por meio de seus gestores, promove boas condições de higiene, saúde e segurança para seus servidores, ela contribui para a satisfação das pessoas, com repercussões positivas nos resultados organizacionais. Sobre o quadro conhecido como Síndrome de Burnout, muitas vezes identificado em profissionais da área de saúde, assinale a opção que apresenta seus fatores característicos. a) A despersonalização, caracterizada por ideação de natureza maníaca, e o isolamento social. b) A diminuição do absenteísmo, em decorrência do desinteresse e irritabilidade com as demandas do trabalho. c) O sentimento de esgotamento físico e emocional, com redução da capacidade de produção e de vigor no trabalho. d) As práticas de assédio moral descendente entre colegas de trabalho sem relação de subordinação. e) O aumento da resiliência como resposta ao estresse crônico decorrente das cobranças de desempenho. jeffs Destacar Comentários: A Síndrome de Burnout é uma reação à tensão emocional crônica causada por se lidar excessivamente com pessoas. De acordo com essa perspectiva, existem três dimensões interdependentes que contribuem para o desenvolvimento da doença: a exaustão emocional, caracterizada pela falta ou carência de energia e entusiasmo e sentimento de esgotamento de recursos, podendo vir acompanhada de sentimentos de frustração e tensão; a despersonalização, podendo até desenvolver certa insensibilidade emocional; e a baixa realização pessoal no trabalho, com um declínio do sentimento de competência e êxito, bem como de sua capacidade de interagir com os outros. Letra A: Errada. Despersonalização é o resultado do desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas, por vezes cínicas em torno das pessoas que entram em contato direto com o profissional, que são sua demanda ou objeto de trabalho (endurecimento afetivo, coisificação das relações). Letra B: Errada. O aumento do absenteísmo. Letra C: Certa. Conforme explanação. Letra D: Errada. Práticas de assédio moral descendente pressupõem uma subordinação. Letra E: Errada. Diminuição da resiliência. Gabarito: C 22. (FGV – 2018 – AL/RO) O portador da Síndrome de Burnout apresenta a) fadiga persistente, falta de energia e condutas irritáveis no trabalho, dentre outros comportamentos. b) motivação intrínseca, entusiasmo na realização da tarefa, concentração, dentre outras características. c) vocalizações repetidas, tiques comportamentais e coprolalalia, dentre outros sintomas. d) dificuldades no relacionamento social, comportamentos repetitivos e rituais incomuns, dentre outros sinais. e) estabilidade emocional, pensamentos suicidas e tendência em assumir riscos, dentre outros comportamentos. Comentários: O Burnout (ou Síndrome do Esgotamento Profissional) é um estado físico, emocional e mental de esgotamento, resultado do acúmulo excessivo em situações de trabalho que são emocionalmente exigentes ou estressantes. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho. Esta síndrome é comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes, como profissionais da área da saúde, educação e segurança. Letra A: Certa. Conforme explanação. Letra B: Errada. Motivação e entusiasmo não têm nada a ver com Burnout! Letra C: Errada. Esses sintomas dizem respeito à Síndrome de Tourette. Letra D: Errada. Esses sintomas dizem respeito ao TOC. Letra E: Errada. Estabilidade emocional diz respeito ao Burnout. Os outros sintomas podem ser indicativos de Transtorno de Personalidade Borderline. Gabarito: A 23. (FGV – 2021 – FUNDSAÚDE/CE) O investimento em políticas de proteção e segurança no trabalho é muito importante e no Brasil ainda são elevadas as taxas de trabalhadores afastados por acidentes de trabalho. Com relação aos benefícios trazidos pela segurança no trabalho, analise as afirmativas a seguir. a) Diminui os riscos de acidentes no trabalho. b) Aumenta a produtividade. c) Eleva os custos. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) II e III, apenas. Comentários: Lima (2003) demonstrou pela análise dos custos realizada na empresa Japan Industrial Safety and Association, que os investimentos na segurança são pagos pela redução dos acidentes, e pelos seguintes retornos: a) melhor eficiência e produtividade; b) maior motivação dos trabalhadores; c) menor absentismo; d) menor rotação de trabalhadores; e) melhor qualidade do trabalho; f) menor gasto com despesas médicas. I – Certo. O investimento em proteção e segurança diminui os riscos de acidentes de trabalho. II – Certo. O investimento em segurança aumenta a motivação, que tem impacto direto na produtividade. III – Errado. os custos dos acidentes de trabalho ou custos da não segurança estão relacionados ao acidente ocorrido, aos prejuízos econômicos e despesas que ele ocasiona como custos de atendimento médico, perdas de máquinas, perdas de tempo, de motivação, queda na produtividade, entre outros. Gabarito:D 24. (FGV – 2018 – AL/RO) Um programa de prevenção do uso de entorpecentes no ambiente laboral deve trabalhar no sentido de diminuir os fatores de risco e promover os fatores de proteção. Dentre os fatores de risco para o uso de drogas pelos funcionários, identifica-se a) a higidez do meio ambiente do trabalho. b) o vínculo positivo com colegas e com a empresa. c) a pressão para cumprir metas de produtividade. d) a oferta de informações sobre drogas e seus efeitos. e) a existência de espaços de descontração para os funcionários. Letra A: Errada. Higidez é característica da pessoa saudável, de quem se apresenta em bom estado de saúde (físico ou mental) e não se adoece facilmente. Letra B: Errada. Vínculo positivo é fator de proteção, não de risco. Letra C: Certa. Pressão para cumprir metas é um fator de risco para a saúde mental do trabalhador e pode levar ao uso de entorpecentes. Letra D: Errada. A educação é fator de proteção! Letra E: Errada. Fator de proteção! Gabarito: C 25. (CEBRASPE – 2022 – DP/DF) Considerando abordagens teóricas sobre saúde e adoecimento no trabalho, julgue o item seguinte. A implantação de novas tecnologias, de acordo com a ergonomia, prescinde da análise das demandas cognitivas dos trabalhadores. COMENTÁRIOS: Prescinde significa não precisar. A implantação de novas tecnologias está relacionada à ergonomia cognitiva, que se refere aos processos mentais, linhas de raciocínio, respostas motoras, interagindo com o ambiente macro (sociedade, família, escola) e principalmente na organização. Com isso, há a necessidade homem estar em harmonia com o sistema no qual ele está inserido. Gabarito: Errado. 26. (CESPE – 2014 – TC/DF) No que se refere ao estresse e às suas consequências, julgue os próximos itens. De acordo com a teoria do estresse proposta por Selye, o manejo do estresse pode ser feito pela remoção de estressores desnecessários à vida e por meio de evitação ou fuga das condições adversas que o causam. COMENTÁRIOS: Pra começar, nem sempre temos esse “poder” de evitar ou fugir das condições adversas que causam o estresse. Selye afirma que podemos lidar com situações estressantes de diferentes formas, como a partir da remoção dos estressores desnecessários à vida; evitando-se que eventos neutros se tornem estressores; desenvolvendo habilidades de enfrentamento a condições adversas; por meio de relaxamento e distração. Gabarito: Errado. 27. (CESPE – 2016 – TCE/PA) Adulto, Luís sofreu um grave acidente automobilístico e teve de amputar o braço esquerdo. Um mês após a amputação e a alta médica, ele foi levado ao hospital por ter sofrido um colapso: isolado da família, havia passado dias bebendo, sem se alimentar adequadamente, e com comportamento violento. Na semana anterior ao colapso, Luís havia se queixado de forte dor no membro amputado, tendo-a descrito como paralisante, aguda e ardente. Como Luís sentia fortes dores no braço desde a infância, em decorrência de outro acidente, e como estava constantemente embriagado desde a amputação, sua família não deu importância a sua queixa, tendo acreditado que ela poderia ser uma memória do acidente ocorrido na infância. Considerando as teorias do manejo e enfrentamento da dor e do estresse, julgue o item a seguir, acerca da situação hipotética apresentada. É possível que Luís esteja vivenciando a terceira etapa da síndrome geral de adaptação. Essa etapa é denominada reação de alarme e ocorre quando as reservas de energia do corpo já estão exauridas. COMENTÁRIOS: A reação de alarme/alerta é a primeira da SGA, a última (terceira) é chamada de EXAUSTÃO. Gabarito: Errado. 28. (CESPE – 2016 – TRT 8ª Região) A respeito das teorias e dos manejos do estresse, assinale a opção correta. a) A reatividade não se associa à vulnerabilidade nem à predisposição do indivíduo a doenças, embora seja uma reação fisiológica ao estresse, própria de cada indivíduo. b) Segundo o modelo transacional, o estresse pode ser compreendido ao se avaliar, separadamente, os eventos ambientais e as respostas do indivíduo. c) As transações entre os indivíduos e os ambientes por eles ocupados são motivadas pela avaliação reativa dos estressores potenciais. d) De acordo com o modelo da diátese do estresse, os fatores de predisposição e os fatores de precipitação do ambiente atuam conjunta e dinamicamente na suscetibilidade do indivíduo ao estresse e, consequentemente, a doenças. e) A avaliação primária do estresse compreende tanto a reação do indivíduo a um evento considerado ameaçador ao seu bem-estar como o processo de determinação dos recursos disponíveis e das estratégias eficazes para enfrentá-lo. COMENTÁRIOS: Vamos analisar cada item. A alternativa A está incorreta. A reatividade é uma reação fisiológica ao estresse, que varia com o indivíduo e afeta a vulnerabilidade a doenças. Ela é uma combinação de fatores genéticos e ambientais. A alternativa B está incorreta. No modelo transacional, avaliam-se conjuntamente os fatores ambientais e as respostas do indivíduo, que é entendido como um ser biopsicossocial. A alternativa C está incorreta. A assertiva está falando do modelo transacional. A avaliação feita é COGNITIVA, não reativa, como diz o item. A alternativa D está correta. O modelo de diátese do estresse propõe que dois fatores que interagem determinam a suscetibilidade do indivíduo ao estresse e à doença: fatores predisponentes à pessoa (genéticos, por exemplo) e fatores precipitantes do ambiente (exemplo: experiências traumáticas). A alternativa E está incorreta. A avaliação primária é a determinação inicial que alguém faz do significado de um evento - se o evento é irrelevante, benigno (positivo), ou ameaçador. A assertiva trouxe o conceito de avaliação secundária. Gabarito: D 29. (FCC – 2018 – TRT 14ª Região) Nos estudos sobre estresse, a Síndrome Geral de Adaptação (Hans Selye) caracteriza-se por fases de: a) somatização, fadiga e depressão. b) alarme, resistência e exaustão. c) sensações, distúrbios e doença. d) diminuição da libido, desgaste físico e eustress. e) distress, eustress e estresse. COMENTÁRIOS: Selye descreveu a SGA “como o conjunto de todas as reações gerais do organismo que acompanham a exposição prolongada ao estressor”, contribuindo para o estudo das fases ou estágios, ensinando que a primeira fase, conceituada de Reação de Alarme, deriva-se da liberação de variadas substâncias, como hormônios e corticoides, a partir de uma situação estressora, de modo a alterar significativamente a função fisiológica do organismo. O segundo estágio (Fase da Resiliência) acontece a partir do prolongamento do organismo para uma maior adaptação, exigindo dele maior consumo de energia e, aos poucos, é assimilado pelo organismo. A última fase, a Fase da Exaustão, ocorre quando a ação do estressor permanece por um longo período, esgotando a energia de adaptação do organismo. Relembrem a figura: Gabarito: B MAIS QUESTÕES COMENTADAS 30. (FCC – 2018 – TRT 14ª Região) O objetivo da abordagem psicodinâmica do trabalho é a compreensão a) da relação do indivíduo com os fatores organizacionais como gerador de estresse. b) da ocorrência do estresse como a necessidade de adaptação ou ajustamento do sujeito frente às pressões do trabalho. c) das estratégias às quais o trabalhador recorre para manter-se saudável, apesar de certos modos de organização do trabalho patologizantes. d) do processo de saúde para planejar ações de prevenção de doenças. e) da cultura organizacional, perfil das categorias profissionais e sofrimento no trabalho. COMENTÁRIOS: A Psicodinâmica do Trabalho possibilita uma compreensão contemporânea sobre a subjetividade do trabalho e tem como foco o sofrimento psíquico e as estratégias de enfrentamento utilizadas pelos trabalhadores para a superação e a transformação de trabalho em fonte de prazer. Proporciona a criaçãode espaços de discussão nos quais os trabalhadores possam expressar os sentimentos e as contradições do contexto de trabalho que respondem pela maioria das causas geradoras de prazer e de sofrimento. A alternativa A está incorreta. Relação dos mecanismos de defesa com o trabalho como gerador de sofrimento psíquico. A alternativa B está incorreta. A assertiva tem mais relação com as teorias do estresse e enfrentamento. A alternativa C está correta. Conforme explanação acima. A alternativa D está incorreta. Essa é uma ação da QVT (Qualidade de Vida no Trabalho). A alternativa E está incorreta. Função da Psicologia Organizacional e Recursos Humanos. Gabarito: C 31. (FCC – 2018 – TRT 14ª Região) Um dos fatores organizacionais associados a índices elevados da síndrome de Burnout corresponde a) ao baixo nível de controle, falta de conhecimento para realizar o trabalho e falta de estímulo para se trabalhar. b) à falta de suporte social, falta de estrutura de trabalho e de apoio familiar. c) ao tipo de ocupação, suporte familiar e estrutura de trabalho. d) à falta de confiança, de respeito e de consideração entre os membros de uma equipe. e) ao trabalho por turnos, falta de autoconfiança e falta de equipamentos de segurança. COMENTÁRIOS: Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico e mental resultante de situações de trabalho desgastantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. Uma das principais causas da doença é o excesso de trabalho. A síndrome é comum a profissionais que atuam diariamente sob pressão e responsabilidades constantes, como médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas e etc. Segundo Alves (2017), a falta de confiança, respeito e consideração entre os membros de uma equipe provocam um clima social prejudicial. E o clima, como veremos nos tópicos a seguir, é um fator organizacional desencadeador do Burnout. Fatores Desencadeadores da Síndrome de Burnout 1- Fatores Ocupacionais: o Tipo de ocupação; o Tempo de profissão; o Tempo na instituição; o Trabalhos por turno ou noturnos; o Sobrecarga; o Relações profissional-cliente; o Tipo de cliente; o Relacionamento entre colegas; o Conflito de papéis; o Ambiguidade de papéis; o Suporte organizacional; o Satisfação no trabalho; o Controle; o Responsabilidade; o Pressão no trabalho; o Possibilidade de progresso; o Percepção de inequidade; o Conflitos com valores pessoais; o Falta de feedback. 2- Fatores Organizacionais o Ambiente Físico; o Mudanças organizacionais; o Normas institucionais; o Clima organizacional; o Burocracia; o Comunicação; o Autonomia; o Recompensa; o Segurança. 3- Fatores Sociais o Suporte social/familiar; o Cultura; o Prestígio Social. A alternativa A está incorreta. Correspondem a fatores ocupacionais, e não organizacionais. A alternativa B está incorreta. Suporte social e apoio familiar são fatores sociais. A alternativa C está incorreta. Suporte familiar é um fator social. A alternativa D está correta. Todos os elementos correspondem ao clima, que é um fator organizacional. A alternativa E está incorreta. Correspondem a fatores ocupacionais. Gabarito: D 32. (FCC – 2018 – TRT 15ª Região) Por se tratar de um ramo complexo a Ergonomia possui subdivisões. A Ergonomia cognitiva refere-se aos processos mentais, que inclui itens de a) estrutura organizacional, processos de trabalho, programação do trabalho, manipulação de materiais e arranjo físico das estações de trabalho. b) movimentos repetitivos, postura, demandas do trabalho, estrutura organizacional, e trabalhos em turno. c) programação do trabalho, carga física e psicológica, ruído, supervisão e trabalho a distância. d) tomada de decisão, desempenho de habilidades, interação humano-computador, conflitos e treinamento. e) políticas de trabalho, fatores de repetição, trabalho manual, satisfação no trabalho, trabalho presencial e normas éticas. COMENTÁRIOS: A Ergonomia é uma área que estuda a relação entre os seres humanos e seu ambiente de trabalho. Tem como objetivo melhorar a maneira que o profissional executa suas tarefas dentro da organização em que trabalha, sendo dividida em três domínios básicos de especialização: física, organizacional e cognitiva. Vejamos cada uma delas: Ergonomia Física: refere-se a respostas do corpo humano à carga física e psicológica. Incluem manipulação de objetos, arranjo físico de estações de trabalho, demandas do trabalho e fatores tais como repetição, vibração, força e postura estática, relacionadas a lesões músculo-esqueléticas. Ergonomia Cognitiva: também conhecida engenharia psicológica, refere- se aos processos mentais, tais como percepção, atenção, cognição, controle motor e armazenamento e recuperação de memória, como eles afetam as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. Tópicos relevantes incluem carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, erro humano, interação humano-computador e treinamento. Ergonomia Organizacional: ou macroergonomia, relacionada com a otimização dos sistemas sócio-técnicos, incluindo sua estrutura organizacional, políticas e processos. Tópicos relevantes incluem trabalho em turnos, programação de trabalho, satisfação no trabalho, teoria motivacional, supervisão, trabalho em equipe, trabalho à distância e ética. A alternativa A está incorreta. O item refere-se à ergonomia física. A alternativa B está incorreta. O item refere-se à ergonomia física A alternativa C está incorreta. O item mistura ergonomias física e organizacional. A alternativa D está correta. Todo o item faz referência à ergonomia cognitiva. A alternativa E está incorreta. Ergonomia organizacional. Gabarito: D 33. (FCC – 2018 – TRT 15ª Região) É importante distinguir análise da atividade e análise ergonômica do trabalho. A análise da atividade é um método para a abordagem do comportamento humano, visando conhecê-lo e produzir conhecimentos sobre a) os equipamentos de segurança. b) os recursos de trabalho presentes. c) o ambiente de trabalho. d) o sujeito em ação. e) as fontes de necessidades motivacionais dos trabalhadores. COMENTÁRIOS: Podemos matar esta questão com base na eliminação das alternativas. Vamos relembrar a tabelinha dos tipos de ergonomia? Ergonomia Física: refere-se a respostas do corpo humano à carga física e psicológica. Incluem manipulação de objetos, arranjo físico de estações de trabalho, demandas do trabalho e fatores tais como repetição, vibração, força e postura estática, relacionadas a lesões músculo-esqueléticas. Ergonomia Cognitiva: também conhecida engenharia psicológica, refere- se aos processos mentais, tais como percepção, atenção, cognição, controle motor e armazenamento e recuperação de memória, como eles afetam as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. Tópicos relevantes incluem carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, erro humano, interação humano-computador e treinamento. Ergonomia Organizacional: ou macroergonomia, relacionada com a otimização dos sistemas sócio-técnicos, incluindo sua estrutura organizacional, políticas e processos. Tópicos relevantes incluem trabalho em turnos, programação de trabalho, satisfação no trabalho, teoria motivacional, supervisão, trabalho em equipe, trabalho à distância e ética. A alternativa A está incorreta. O item refere-se à ergonomia física. A alternativa B está incorreta. O item refere-se à ergonomia física. A alternativa C está incorreta. O item refere-se à ergonomia física. A alternativa D está correta. Vamos pensar em atividade como ação. ATIVIDADE = AÇÃO. E quem pratica a ação? O sujeito! Logo, a análise da atividade é um método para a abordagem do comportamentohumano, visando conhecê-lo e produzir conhecimentos sobre o sujeito em ação. A alternativa E está incorreta. O item refere-se à ergonomia organizacional. Gabarito: D 34. (FCC - 2018 – TRT 2ª Região) A definição de Burnout mais aceita atualmente fundamenta-se na perspectiva a) ergonômica. b) médica. c) psicossocial. d) econômica. e) integrativa. COMENTÁRIOS: A definição mais aceita atualmente sobre a síndrome de Burnout fundamenta-se na perspectiva psicossocial, que a considera como uma reação à tensão emocional crônica causada por se lidar excessivamente com pessoas. De acordo com essa perspectiva, há três dimensões que contribuem para o desenvolvimento da doença: 1) a exaustão emocional, caracterizada pela falta ou carência de energia e entusiasmo e sentimento de esgotamento de recursos, podendo vir acompanhada de sentimentos de frustração e tensão; 2) a despersonalização, podendo até desenvolver certa insensibilidade emocional; e 3) a baixa realização pessoal no trabalho, com um declínio do sentimento de competência e êxito, bem como de sua capacidade de interagir com os outros. A alternativa A está incorreta. A ergonomia tem a ver com a execução das tarefas no ambiente de trabalho a partir de diferentes perspectivas. A síndrome de Burnout pode até perpassar pela ergonomia em algum aspecto, mas não se fundamenta nela. A alternativa B está incorreta. A síndrome de Burnout tem também uma perspectiva médica, mas vai além dela. A alternativa C está correta. Conforme explanação. A alternativa D está incorreta. Vai além de uma perspectiva econômica. A alternativa E está incorreta. Há a proposição de modelo integrativo para o estudo e pesquisa da síndrome de Burnout, porém é um modelo de estudo, e não a perspectiva da síndrome em si. Gabarito: C 35. (FCC – TRT – 2ª Região) Uma das teorias de motivação, a Teoria do Controle apoia-se sobre a teoria de fixação de metas, focalizando a forma como a) o desempenho está ligado a obtenção de recompensas financeiras. b) a relação com o líder mediato afeta o esforço rumo às metas. c) o progresso do colaborador depende de acompanhamento direto. d) o feedback afeta a motivação para manter esforço rumo às metas. e) a comparação do desempenho entre os colaboradores mantém esforço rumo às metas. COMENTÁRIOS: A teoria do controle foi proposta por Howard J. Klein em 1989 e se baseia na teoria da determinação de metas concentrando-se em como o feedback afeta a motivação para manter o empenho no atingimento das metas. As metas podem ser definidas pelo próprio indivíduo ou por outrem, contanto que a pessoa as aceite e acredite que são alcançáveis. Conforme se trabalha para atingir as metas, recebe-se feedback sobre o desempenho e pode-se comparar o progresso atual com algum padrão interno ou resultado esperado. Se o resultado for insuficiente, a pessoa será motivada a tomar providências, o que pode incluir a reavaliação e a modificação das metas ou a adoção de novas estratégias para melhorar o desempenho. A alternativa A está incorreta. Isso teria mais a ver com um reforço positivo e não com a teoria da fixação das metas. A alternativa B está incorreta. A teoria do controle se utiliza do feedback, não fala, necessariamente, sobre a relação com o líder imediato. A alternativa C está incorreta. Não! Mesmo porque o colaborador também tem autonomia para definir e reavaliar as estratégias de alcance das metas. A alternativa D está correta. De acordo com a Teoria. A alternativa E está incorreta. Não é baseada em comparações. Gabarito: D 36. (FCC – TRT – 2ª Região) Quando o líder apoia sua influência em seu conhecimento e na percepção desses conhecimentos pelos demais, ele está fazendo uso do poder de a) hierarquia. b) especialista. c) coação. d) recompensa. e) motivação. COMENTÁRIOS: Lembram o estilo de liderança especialista? Esse estilo se origina do reconhecimento de que uma pessoa detém um know-how, que o diferencia dos demais em algum tema. Esta competência técnica em uma área específica gera uma “obediência” por parte dos outros, quando o assunto for ligado a estratégia. A alternativa A está incorreta. Esse estilo é derivado da posição hierárquica e estrutura formal da organização. É o tipo de poder que os superiores hierárquicos detêm. A alternativa B está correta. Conforme comentários. A alternativa C está incorreta. O estilo coercitivo (ou de coação) é aquele que pune através de sanções, de penas e de castigos. Assim, o comportamento das pessoas pode ser moldado pelo medo. A alternativa D está incorreta. O estilo de recompensa se exprime pelo incentivo por meio de salários, de bônus e de prêmios. Assim, ele pode alterar o comportamento das pessoas com o reforçamento positivo. A alternativa E está incorreta. O estilo motivacional (ou de referência) baseia-se na submissão a alguém por identificação com esta pessoa, por esta possuir trações desejáveis. Gabarito: B 37. (FCC – 2018 – TRT 2ª Região) O modelo de liderança Vroom-Yetton apresenta um modelo prescritivo que indica o método de supervisão que se espera seja o mais eficaz a) ao tomar decisões numa determinada situação. b) ao motivar os funcionários para a tarefa. c) para elevar a qualidade do relacionamento líder-colaborador. d) manter a equipe focada na obtenção de resultados. e) para criar uma relação líder-colaborador. COMENTÁRIOS: O modelo de liderança Vroom-Yetton enfatiza a importância do grau de participação dos subordinados nos processos de tomada de decisão por parte dos líderes, a depender das características da situação. Concentra-se na tomada de decisão dentre os aspectos do comportamento de liderança, e postula que as decisões do líder desempenham papel fundamental no julgamento de quão eficaz ele é. Enfatiza a importância do grau de participação dos subordinados nos processos de tomada de decisão por parte dos líderes, a depender das características da situação. Baseia-se em programa de computador em que a decisão do estilo ocorre a partir das respostas a perguntas-chave, consideradas como variáveis contingenciais do modelo. Perguntas aplicadas para decidir o tipo de liderança aplicável o Importância da qualidade técnica da decisão; o Suficiência das informações para tomar uma decisão de qualidade; o Estruturação do problema de forma a permitir ao líder saber que informações são necessárias para resolvê-lo e como obtê-las; o Importância da aceitação dos subordinados para a eficácia da decisão; o Motivação dos subordinados para alcançar as metas da organização; o Possibilidade de a decisão final gerar conflito entre os subordinados. Métodos de tomada de decisão possíveis (após aplicação das perguntas-chave) o Líder AI (Autocrático I) – toma a decisão sozinho, utilizando apenas a informação que tem disponível; o Líder AII (Autocrático II) – solicita informação adicional aos subordinados e, em seguida, toma a decisão sozinho; o Líder CI (Consultivo I) – partilha o problema com os subordinados, pede-lhes informações e sugestões, individualmente, e toma sozinho a decisão; o Líder CII (Consultivo II) – reúne- -se com os subordinados em grupo para discutir o problema, mas toma a decisão sozinho; o Líder GII (Grupo) – reúne-se com os subordinados para discutir o problema. O líder concentra-se e direciona a discussão, mas não impõe sua vontade e o grupo toma a decisão final. A alternativa A está correta. O modelo de Vroom-Yetton é prescritivo e indica a abordagem de liderança que supostamente seria a mais eficaz em uma determinada situação de um processo decisório. A alternativa B está incorreta. O modelo de Vroom-Yetton se baseia no processo decisório, não em motivação. A alternativa C está incorreta. O modelo de Vroom-Yetton se baseia no processo decisório, não em relacionamento. A alternativa D está incorreta. O modelo de Vroom-Yetton se baseia no processo decisório, não em resultados. A alternativaE está incorreta. Vide letra C. Gabarito: A 38. (FCC – 2018 – TRT 2ª Região) O estudo do comportamento organizacional explora uma ampla gama de temas que incluem: I. Fenômenos baseados no indivíduo, como percepção e personalidade. II. Processos interpessoais e de grupos de trabalho, como poder e liderança. III. Movimentos do mercado, como necessidade dos clientes e estratégias de branding. IV. Fenômenos da sociedade moderna, como depressão e violência social. Está correto o que consta APENAS em a) I e IV. b) III e IV. c) II e III. d) I e III. e) I e II. COMENTÁRIOS: De acordo com Robbins (2005), o comportamento organizacional é o ramo que investiga o impacto que indivíduos, grupos e a estrutura têm sobre o comportamento dentro das organizações com o propósito de utilizar este conhecimento para melhorar a eficácia organizacional, partindo do entendimento de que os executivos realizam trabalhos por meio do trabalho de outras pessoas. Explora temas como a motivação, comportamento e poder de liderança, comunicação interpessoal, estrutura e processos de grupo, aprendizado, desenvolvimento de atitudes e percepção, processos de mudanças, conflitos, planejamento do trabalho e estresse no trabalho. I. Fenômenos baseados no indivíduo, como percepção e personalidade à Correto. O comportamento organizacional estuda fenômenos baseados no indivíduo, como a percepção e personalidade. II. Processos interpessoais e de grupos de trabalho, como poder e liderança à Correto. O comportamento organizacional também estuda esses fenômenos. III. Movimentos do mercado, como necessidade dos clientes e estratégias de branding à Errado. Esses fenômenos estão relacionados a Marketing. IV. Fenômenos da sociedade moderna, como depressão e violência social à Errado. Fenômenos estudados pela Psicologia Clínica e Social. Gabarito: E 39. (CESGRANRIO – 2018 – Banco da Amazônia) As mudanças ocorridas no mundo do trabalho, nas últimas décadas, resultaram em riscos emergenciais para a saúde dos trabalhadores. Nesse contexto, surgem os chamados riscos psicossociais, que seriam a raiz do quadro de exaustão emocional, desumanização e reduzida realização pessoal no trabalho, que configuram a Síndrome de Burnout. Avaliando-se o grau de demanda psicológica e o grau de controle sobre a atividade laboral, qual situação representa um risco maior para o surgimento dessa síndrome? a) Baixa demanda psicológica e alto controle laboral b) Baixa demanda psicológica e baixo controle laboral c) Alta demanda psicológica e alto controle laboral d) Alta demanda psicológica e baixo controle laboral e) Demanda psicológica, apenas Comentários: Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho. Esta síndrome é comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes. A Síndrome de Burnout também pode acontecer quando o profissional planeja ou é pautado para objetivos de trabalho muito difíceis, situações em que a pessoa possa achar, por algum motivo, não ter capacidades suficientes para os cumprir. Essa síndrome pode resultar em estado de depressão profunda e por isso é essencial procurar apoio profissional no surgimento dos primeiros sintomas. 1) Demanda Psicológica (Demand): Refere-se à quantidade de pressão e exigência mental que o trabalho impõe ao indivíduo. Quanto maior a demanda, mais intensa é a carga psicológica; 2) Controle (Control): Representa o grau de autonomia e influência que o trabalhador tem sobre seu próprio trabalho. Quanto maior o controle, mais liberdade o indivíduo tem para tomar decisões e gerenciar suas tarefas. Gabarito: D 40. (CESGRANRIO – 2023 – Transpetro) Uma enfermeira, que atuava há cinco anos numa enfermaria com índice elevado de mortes, solicitou à sua chefia que fosse remanejada para outra enfermaria ou ambulatório que tivesse risco menor ou nulo de mortalidade, pois estava com exaustão emocional, falta de envolvimento com o trabalho e despersonalização. De acordo com essa descrição, a enfermeira desenvolveu a) estresse ocupacional b) síndrome de burnout c) síndrome da servidão voluntária d) estresse pós-traumático e) ansiedade patológica Comentários: Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho. Lembrando a tridimensionalidade do Burnout que é composta por: exaustão emocional, despersonalização e reduzida realização pessoal no trabalho. Gabarito: B 41. (CESGRANRIO – 2024 – UNEMAT) Diversas características e condições específicas de trabalho já foram identificadas como potenciais provocadoras de estresse decorrente do trabalho. São exemplos de condições ambientais e de condições relacionadas à organização do trabalho, respectivamente, a) poluição, ruído e ventilação inadequados; incentivo à autonomia, delegação de responsabilidades e avaliação de desempenho 360º b) atividades monótonas, repetitivas e fragmentadas; incentivo à competitividade e metas individuais de desempenho c) ruído, temperatura e vibração inadequados; atividades monótonas, repetitivas e fragmentadas e ambiguidade de papéis d) trabalho remoto e metas de desempenho por equipe; incentivo à autonomia e delegação de responsabilidades e) trabalho em contraturno e ponto eletrônico; poluição, ruído e ventilação inadequados Comentários: A única assertiva que traz exemplos de condições ambientais (ruído, temperatura e vibração) e relacionadas à organização (atividades monótonas, repetitivas e fragmentadas e ambiguidade de papéis) de forma respectiva é a letra C. Vamos relembrar a tabelinha: Agentes físicos Agentes químicos Agentes biológicos Ergonômicos e Psicossociais Mecânicos e de acidentes Ruído, vibrações, temperatura, umidade, ventilação, iluminação natural e artificial, pressões anormais e radiações e etc. Substâncias químicas presentes nos processos de trabalho como: pós/poeiras, fumaças, gases, vapores, pastas ou líquidos. Relacionados com qualquer organismo animal ou vegetal que esteja presente no ambiente de trabalho, como: vírus, bactérias, fungos, parasitas e fibras vegetais. Ergonômicos: esforço físico e visual, movimentos exigidos pela tarefa, espaço de trabalho disponível, posições de execução. Psicossociais: prolongação e intensificação da jornada, turnos noturnos e rotativos, ritmo e intensidade do trabalho, atenção/responsabilidade exigidas, grau de controle e iniciativa na execução, a intercomunicação dos trabalhadores durante a jornada, o caráter da supervisão, a consciência do risco que a tarefa implica, assim como o risco de perder o emprego. Derivadas da tecnologia de trabalho (na operação ou manutenção), aos materiais soltos no ambiente, às condições de instalação e manutenção dos meios de produção, a proteção das máquinas, arranjo físico, ordem e limpeza do ambiente de trabalho, sinalização, rotulagem de produtos e outros que podem levar aos acidentes de trabalho. Gabarito: C 42. (CESBRASBE – 2023 – TJ/ES) Com referência aos aspectos de ergonomia da atividade e psicopatologia do trabalho e de saúde e bem-estar no contexto das organizações, julgue o item a seguir. Absenteísmo e rotatividade são exemplos de problemas psicológicos que se manifestam no contexto organizacional insalubre. Comentários: Absenteísmo e rotatividade não são problemas psicológicos! Elespodem ser fatores/indicadores de problemas no contexto organizacional, que podem desencadear comportamentos que impactam a saúde, qualidade de vida dos trabalhadores. Gabarito: Errado. Fim de aula! Agradeço e parabenizo a todas(os) que chegaram até aqui! Um abraço, Prof. Thayse Duarte LISTA DE QUESTÕES 1. (QUADRIX – 2022 – CFP) Sobre a Psicologia Social, jugue o item a seguir. A Psicossociologia é uma corrente de origem francesa, que surge no pós-guerra e que visa atuar nos processos sociais a partir da pesquisa-ação com base no marxismo e na psicanálise. Comentários: Corroborando o que traz o item Braz & Cols. (2020) citam o seguinte concernente a respeito da origem da Psicossociologia: “A psicossociologia remete a um campo de escuta, implicação e mudança. Ao enfatizar as histórias de vida e trajetórias sociais, busca-se atuar no nível das emoções e dos processos sociais, com base em uma escuta clínica do social, favorecedora da construção coletiva de sentido. Desenvolvida na França, sob a égide da pesquisa-ação a psicossociologia surgiu no pós-guerra, em um contexto intelectual marcado pelo marxismo e pela psicanálise.” Gabarito: Certo. 2. (FCM – 2022 – CEFET/MG) Preencha corretamente as lacunas do texto a seguir sobre as clínicas do trabalho. No artigo sobre as clínicas do trabalho Bendassolli e Soboll (2011, p. 69) afirmam que há, no Brasil, tradições de pesquisa e intervenção no trabalho já consolidadas e que se configuram a partir de outras influências, especialmente da tradição francesa de análise do trabalho – como a ____________, a ergonomia, a ____________, a psicopatologia, a ____________ e a ____________. A sequência que preenche corretamente as lacunas do texto é a) teoria sistêmica / teoria comportamental / teoria dos traços / teoria de Herzberg b) psicologia / antropologia / sociologia / ciências sociais c) psicossociologia / ergologia / psicodinâmica do trabalho / clínica da atividade d) teoria da hierarquia das necessidades / teoria de dois fatores / teoria ERC / teoria das necessidades adquiridas e) psicanálise / fenomenologia / psicologia comportamental / análise junguiana Comentários: “De outro lado, há também no Brasil tradições de pesquisa e intervenção no trabalho já consolidadas e que se configuram a partir de outras influências, especialmente da tradição francesa de análise do trabalho – como a psicossociologia (Araújo & Carreteiro, 2001; Freitas & Motta, 2000), a ergologia (Athayde & Brito, 2007), a ergonomia (Sznelwar & Mascia, 2007), a psicopatologia (Lima, 2006), a psicodinâmica do trabalho (Lancman & Sznelwar, 2008; Merlo & Mendes, 2009) e, mais recentemente, a clínica da atividade (Botechia & Athayde, 2008; Lima, 2007; Osorio da Silva, 2007). Não podemos deixar de mencionar também as abordagens que se aproximam das ciências que estudam mais diretamente a saúde do trabalhador, seja em uma perspectiva epidemiológica (Codo et al., 2004) ou baseada nas práticas e nos processos de construção de sentidos (Sato et al., 2008). Comparado ao primeiro, este lado do campo apresenta uma complexidade maior no sentido de filiações paradigmáticas, formas de engajamento, postura do psicólogo e, notadamente, áreas de atuação. Um ponto que talvez seja comum entre essas abordagens é seu reconhecimento de que o sofrimento no trabalho, além de possuir várias formas de manifestação, enraíza-se em questões de cunho social, econômico e cultural amplos.” Fonte: Bendassolli, Pedro Fernando, & Soboll, Lis Andrea Pereira. (2011). Clínicas do trabalho: filiações, premissas e desafios. Cadernos de Psicologia Social do Trabalho, 14(1), 59-72. Gabarito: C 3. (FUMARC – 2023 – AL/MG) O argumento “ambas são construídas por meio de escuta e análise de demandas de ajuda, entrevistas, análises de discursos, interpretações, devoluções, observação, reflexões, criação coletiva de conceitos e de articulações teóricas que, por sua vez, atuam sobre novas escutas, observações, intervenções, teorizações” (MATA MACHADO, 2010, p. 176) se refere às noções de: a) Intervenção psicossociológica e Serviço Social. b) Psicossociologia e intervenção psicossociológica. c) Psicossociologia e práticas sociais interventivas. d) Sociologia prática e intervenção do Serviço Social. Comentários: A questão foi retirada do artigo “Intervenção psicossociológica, método clínico, de pesquisa e de construção teórica”, e fala sobre a Psicossociologia e a intervenção psicossociológica: “O que é, afinal, psicossociologia? E intervenção psicossociológica? Uma resposta, um tanto esquemática, mas elucidativa, para a primeira questão é que se trata da psicologia social com fundamentação na psicanálise, ou seja, uma disciplina científica que espelha, teórica e metodologicamente, as disciplinas mães, sendo, portanto, simultaneamente, clínica do social, processo de pesquisa e de construção teórica. Nesse sentido, é quase sinônimo, também, de intervenção psicossociológica, as duas noções se distinguindo apenas pela ênfase maior que cabe à prática no momento em que a intervenção é feita. Ambas são construídas por meio de escuta e análise de demandas de ajuda, entrevistas, análises de discursos, interpretações, devoluções, observação, reflexões, criação coletiva de conceitos e de articulações teóricas que, por sua vez, atuam sobre novas escutas, observações, intervenções, teorizações.” Fonte: Mata Machado, M. N. (2010). Intervenção Psicossociológica, método clínico, de pesquisa e de construção teórica. Pesquisas e Práticas Psicossociais, 5(2), 175-181. Gabarito: B 4. (PM/MG – 2023 – PM/MG) Em relação às Clínicas do Trabalho (BENDASSOLLI; SOBOLL, 2011), correlacione as teorias às suas características: 1) Psicodinâmica do Trabalho 2) Clínica da Atividade 3) Psicossociologia 4) Ergologia ( ) Busca investigar as reciprocidades entre o individual e o coletivo, o psíquico e o social, assim como a compreensão dos processos grupais. ( ) Reconhece que o coletivo regula a ação individual e que o trabalho permeia, simultaneamente, a dimensão da história singular e a história de um ofício. ( ) Considera que os jogos de reconhecimento são capazes de transformar o sofrimento em prazer nas atividades de trabalho. ( ) Entende a atividade como direcionada por um universo instável de valores e normas, constantemente reformulados e transgredidos. A sequência CORRETA na ordem de cima para baixo é: a) 3, 1, 2, 4. b) 1, 2, 4, 3. c) 4, 3, 1, 2. d) 3, 2, 1, 4. Comentários: ( 3 ) Busca investigar as reciprocidades entre o individual e o coletivo, o psíquico e o social, assim como a compreensão dos processos grupais. Esse conceito diz respeito à psicossociologia: “A psicossociologia (também denominada de psicologia social clínica ou sociologia clínica – ver Gaulejac, Hanique & Roche, 2007) recobre um amplo leque de abordagens, cuja análise completa fugiria do escopo deste artigo. Retemos desse quadro tão somente algumas observações pontuais. A primeira refere-se a uma questão-chave dessa abordagem, a interrogação sobre a dupla constituição do sujeito – de um lado, um sujeito crivado por elementos intrapsíquicos singulares, especialmente de natureza inconsciente; de outro, um sujeito inscrito num universo social (Barus-Michel, 1987; Giust-Desprairies, 2009). A psicossociologia busca, dessa forma, investigar as reciprocidades entre o individual e o coletivo, o psíquico e o social, sendo também essa uma característica importante das abordagens clínicas do trabalho.” ( 2 ) Reconhece que o coletivo regula a ação individual e que o trabalho permeia, simultaneamente, a dimensão da história singular e a história de um ofício. Esse conceito diz respeito à clínica da atividade. “A clínica da atividade fundamenta-se, em grande medida, na teoria de Vygotsky, Leontiev e Bakhtin e teve sua origem a partir de 1990. Destacam-secomo propositores desta teoria Yves Clot e Daniel Falta, sendo o primeiro a principal referência nesta perspectiva até hoje. A ênfase da clínica da atividade está na busca de instrumentos que viabilizem a compreensão da situação de trabalho real para aumentar "o poder de agir sobre o mundo e sobre si mesmo, coletivamente e individualmente" (CLOT, Capítulo 3 deste livro). Considera o trabalho como uma atividade permanente de recriação de novas formas de viver, e não apenas conlO tarefa, mas como atividade dirigida, histórica e processual. Nessa perspectiva, entende-se que a subjetividade é constituída pela e na atividade. Reconhece que o coletivo regula a açáo individual, de modo que o trabal ho permeia, simultaneamente, a dimensão da história singular e da história de ente um ofício (de construção coletiva de um gênero). O reconhecimento, diferentem da compreensão da psicodinâmica do trabalho, não se refere ao olhar do aca outro -se mas à capacidade do sujeito em reconhecer a si mesmo na atividade.” ( 1 ) Considera que os jogos de reconhecimento são capazes de transformar o sofrimento em prazer nas atividades de trabalho. É a psicodinâmica do trabalho que faz essa consideração. “Nas clínicas do trabalho, o sujeito é alvo de teorizações mais matizadas. Por exemplo, na psicodinâmica do trabalho trata-se de um sujeito dividido por conflitos intrapsíquicos, mas que também não pode se constituir fora da relação ao outro, em jogos de reconhecimento pelos quais o sofrimento nas atividades de trabalho é transformado em prazer e também contra o qual o sujeito afirma seus desejos (Dejours & Molinier, 1989). Já na clínica da atividade o sujeito é atravessado por forças sócio-históricas, por gêneros discursivos, no contexto dos quais ele faz uma apropriação subjetivizante (singularizante e personalizante). Por meio da atividade, no seu confronto com o real, o sujeito se desenvolve e se afirma (Clot, 1998).” ( 4 ) Entende a atividade como direcionada por um universo instável de valores e normas, constantemente reformulados e transgredidos. Quem entende a atividade dessa forma é a ergologia. “Com efeito, a abordagem ergológica visa interrogar o trabalho de uma maneira diferente: por meio da atividade humana. Da mesma forma como pressupõe a ergonomia da atividade, a ergologia considera que a atividade se localiza na distância, sempre existente, entre o que foi prescrito para a realização do trabalho e o que foi concretamente efetivado. Explicam Bendassolli e Soboll (2011, p.12) que, para a ergologia, “a atividade é a matriz da história humana e deve ser estudada no fluxo das situações concretas. Concebe a atividade como orientada por um universo instável de valores e normas, constantemente reformulados e transgredidos diante de diferentes variabilidades.” Gabarito: D 5. (Instituto AOCP – 2018 – TRT1) Nascida na década de 1930, a psicossociologia do trabalho constitui um campo de conhecimento cujos recursos contribuem para a investigação e a ação, por meio da articulação entre campo social, condutas humanas e vida psíquica. Tem como objetos privilegiados o grupo, a organização e a instituição, tendo sido elaborada a partir da influência de vários autores. Em relação à psicossociologia do trabalho, assinale a alternativa correta. a) A psicossociologia atribuiu um lugar central ao trabalho, às atividades do sujeito sobre e no mundo e às práticas concretas. b) O ideal do eu, como lembra Freud, tem um caráter social: da mesma forma, reúne uma família, uma classe, uma nação, mas também uma profissão, um coletivo de trabalho. São ideais sociais do eu que se originam em valores sociais elaborados na ação. c) Erving Goffman, considerado um dos fundadores da sociologia do trabalho, elaborou esquema de análise sobre os danos que a especialização e o parcelamento de tarefas impõem ao homem, o que o acabou tornando um estranho ao seu trabalho e a si mesmo. d) Para Gérard Mendel, a experiência subjetiva do trabalho não está vinculada ao grau de poder que o sujeito detém. e) As regras (Molinier), o tipo do ofício (Clot) e os valores do coletivo de trabalho podem limitar o sentido do trabalho e seu reconhecimento. Comentários: A respeito da psicossociologia do trabalho, Lhuilier (2014, p. 5) destaca: “A psicossociologia do trabalho não pode ser uma psicossociologia aplicada à cena do trabalho entendido somente como um segmento da vida social. Ela implica uma reavaliação do quadro teórico e metodológico da psicossociologia, na óptica dos conceitos de atividade, ação e práxis. Para isso, no entanto, ela não se propõe a romper com os antecedentes da psicossociologia, mas sim a revisitá-los, a fim de desenvolvê-los.” Letra A: Errada. A psicossociologia não atribuiu um lugar central necessariamente ao trabalho, às atividades do sujeito sobre e no mundo, nem mesmo às práticas concretas, de modo que a “análise das práticas”, como método, está mais centrada nas dimensões relacionais das experiências profissionais. Letra B: Certa. Segundo Lhuilier, 2014, pp. 12-13: “O ideal do eu é a voz da prescrição. Ela diz o que é preciso fazer para se conformar ao modelo. E a distância desse ideal alimenta sentimentos de inferioridade ou até mesmo de vergonha. Esse ideal não tem apenas um caráter individual, função da história singular, dos modelos parentais. Como lembra Freud, ele tem um caráter social: é o ideal que reúne uma família, uma classe, uma nação; mas também uma profissão, um coletivo de trabalho. E esses ideais sociais do eu não são somente transmitidos: em nossa perspectiva, eles são engendrados a partir de valores sociais elaborados na ação.” Letra C: Errada. De acordo com Lhuilier 2014, p. 8 “Devemos ainda evocar Georges Friedmann, considerado um dos fundadores da sociologia do trabalho, mas que sempre ficará profundamente atrelado à exigência da pluridisciplinaridade. Ele constrói um esquema de análise do trabalho em torno de três dimensões: técnica, psicológica e sociológica (1950), explorando os danos que a especialização e o parcelamento de tarefas impõem ao homem (que acabou tornando- se “estranho” ao seu trabalho e a si mesmo) (1956). Ele também aborda a questão do desenvolvimento do trabalho e de seus impedimentos: as múltiplas potencialidades de que o ser humano dispõe podem ser estimuladas por situações novas, ou, ao contrário, podem atrofiar-se caso não sejam solicitadas.” Letra D: Errada. Na psicossociologia do trabalho, as obras de Gérard Mendel (1998, 1999), seus conceitos de ato-poder e de movimento de apropriação do ato, reconhecem essa “triangulação” operada pelo fato de se considerar a realidade nas relações interpessoais e sociais. O conceito de ato-poder integra dois significados: o poder do ato como poder de transformação da realidade; e o poder sobre o ato, do qual seu autor dispõe. A experiência subjetiva do trabalho depende do grau de poder de que o sujeito dispõe. Letra E: Errada. Lhuilier 2014, p. 15: “Nem as regras do ofício (Molinier, 2006), nem o tipo de ofício (Clot, 2008) e nem mesmo as regras e os valores do coletivo de trabalho podem limitar a questão do sentido do trabalho e de seu reconhecimento. Nossas análises as consideram como referências indispensáveis, é claro, mas elas também são produções sociais ancoradas na divisão técnica e social do trabalho. Cada uma dessas divisões constitui uma segmentação das representações do que se tem de fazer, do que é essencial fazer, do que é um trabalho bem feito, à luz de pontos de referência próprios ao lugar ocupado nessas divisões e das atividades a elas associadas.” Gabarito: B 6. (CEBRASPE – 2013 – SERPRO) De acordo com a psicossociologia, julgue o item seguinte, relativo a poder nas organizações. Sedução e fascinação são indissociáveis e elementos importantes para a compreensão dos complexos jogos de poder e de desejo nas organizações. Comentários: A sedução é uma ferramenta importantede ser compreendida nos jogos de poder e desejo nas organizações, através dela, o poder é perpetrado pelos indivíduos envolvidos no contexto. Veja: “Há sempre um seduzido que se permite a participar do jogo, que está disposto a servir voluntariamente na perspectiva de ter seus desejos atendidos e seus sonhos transformados em realidade. (...) Em termos gerais, o indivíduo deve se inserir no que propõe a cultura organizacional, e por outro lado, a empresa buscará a formalização do comportamento do indivíduo como forma de se diminuir a sua variabilidade e dessa maneira inviabilizar qualquer possibilidade de o indivíduo agir de maneira contrária ao que a empresa deseja. Esta capacidade da empresa de cooptação dos sujeitos pode ser colocada em prática por meio de técnicas como a manipulação e a sedução, que estudaremos posteriormente, ou simplesmente por meio da ordem clara e objetiva: “ou faz ou vai para a rua – escolha”. Agora, esse processo de dominação só pode existir com a cooperação intensa do indivíduo, por meio da autopersuasão. De acordo com PAGÈS (1987), os indivíduos participam do processo de dominação, devido ao fato de participarem direta ou indiretamente da ideologia da empresa, compartilhando-a posteriormente. Esta ideologia compartilhada, e reforçada pelo contexto mais amplo fortalece o processo de dominação dos trabalhadores por parte das empresas. (...) De acordo com ENRIQUEZ (1997), as empresas são o lugar privilegiado de jogos de poder e de desejo, pelo fato delas não serem apenas uma organização, mas uma das principais instituições sociais a partir da qual o indivíduo estrutura a sua vida. “a empresa é uma realidade viva onde os sujeitos humanos vivem seus desejos de afiliação, visam realizar um certo número de seus projetos e se apegam a seus trabalhos de maneira exclusiva” (ENRIQUEZ,1997, p.10, tradução nossa). A empresa torna-se, assim, para o indivíduo o lugar “perfeito” para alcançar seus objetivos, mesmo que ele venha a descaracterizar sua identidade e perder a orientação da condução de sua própria vida. A empresa dá sentido à sua vida. (...) Não obstante, muitas vezes, o poder se aproxima do amor: “o poder utiliza-se da máscara do amor (admiravelmente) para permitir à morte de triunfar” (ENRIQUEZ, 1991, p.73, tradução nossa). Observando bem, a utilização do amor pelo detentor do poder abre uma nova perspectiva de domínio e de repressão na sociedade, de maneira geral, e nas organizações de modo mais específico. As relações de trabalho vão estar sempre permeadas dos jogos de amor, em que o mais habilidoso em fascinar, seduzir e manipular os indivíduos pode provocar tanto paixões quanto comoções, de modo a atender a seus desejos e alcançar seus objetivos. A empresa não quer buscar apenas o corpo e a mente dos seus empregados, ela quer também corações: “É necessário ganhar os corações, fazer da empresa uma comunidade entusiasta e fraterna”. (LE GOFF, 1995, p.57, tradução nossa). (...) É possível identificar, no controle pelo amor, tanto a fascinação quanto a sedução, que acabam por criar um ambiente altamente propício para o domínio do outro. Pois, quando o indivíduo está hipnotizado por alguma figura, ele se torna presa mais fácil da manipulação, isto é, dos alvos dos desejos das empresas. Gabarito: Certo. 7. (CEBRASPE – 2013 – SERPRO) De acordo com a psicossociologia, julgue o item seguinte, relativo a poder nas organizações. A servidão voluntária é uma modalidade de controle nas organizações, sendo fundamental para manter a produtividade dos empregados. Comentários: A servidão voluntária é uma modalidade de controle muito eficaz, uma vez que o próprio indivíduo que a aplica, e através dela a produtividade se mantém. “Por fim, concluímos este estudo, levantando uma última modalidade de violência que talvez seja uma das mais perversas no mundo do trabalho: a auto-violência, ou seja, a servidão voluntária.(...) É necessário repensar as relações de trabalho, do ponto de vista do desamparo do indivíduo e dos seus medos, inclusive da solidão. O indivíduo se permite a uma infinidade de situações grotescas, nas organizações, em virtude do medo do desamparo, de não ser amado e descartado pelo mundo do trabalho. Dessa forma, surge uma situação de masoquismo, não em virtude do prazer em sofrer, mas o de preferir a servidão do que o abandono. A auto-violência ou a servidão voluntária acaba-se por constituir-se, então, como sendo uma das principais formas de sofrimento do indivíduo não apenas nas organizações, mas em seu convívio social. O desejo de servir se relaciona estreitamente com o medo da perda, da dificuldade em se abrir mão de algo, para se manter a liberdade. O desamparo torna-se figura central enquanto construção subjetiva no contexto das diversas modalidades de violência que assolam a humanidade. Tal apego e o medo da solidão fazem com que o indivíduo se submeta voluntariamente, no que se refere ao mundo do trabalho e, de forma mais abrangente, no contexto social. Dessa forma, estamos falando em uma servidão voluntária, termo cunhado por La Boétie no século XVI. O homem se submete porque ele deseja, como nos coloca Birman (1999:08), ou seja, “somos servos e assujeitados porque queremos, por algo decidido pela deliberação humana, já que é da servidão voluntária que se fala agora”, não existindo mais a onipotência humana, e sim a preponderância do discurso da ciência e da autonomia individual.” “A administração do medo pode ser um método de gestão propulsor de aumento da produtividade. O medo do desemprego. O medo da incompetência, do fracasso etc. Há, também, uma pressão para se trabalhar mal, aquela causada por uma discrepância entre os valores éticos e morais do cidadão trabalhador, que se vê pressionado a aderir valores e sistemas desumanos (ou que imputa risco ao coletivo), em nome de ajustes à produtividade (DEJOURS, 2006).” Fontes: o SIQUEIRA, M. V. S. Violência no trabalho e o homem descartável: um estudo de aproximação entre a sociologia clínica e a psicodinâmica do trabalho. Curitiba: EnGPR, 2009; o VIEIRA, F. O. “Ruim com ele, pior sem ele – servidão (in)voluntária que reforça o trabalho escravo contemporâneo: apontamentos à luz da Psicodinâmica do trabalho”. CONGRESSO BRASILEIRO DE ESTUDOS ORGANIZACIONAIS, IV, Outubro, 2016. Gabarito: Certo. 8. (CEBRASPE – 2022 – TCE/SC) Relativamente à motivação, um dos assuntos mais pesquisados no estudo do comportamento das pessoas no contexto das organizações, julgue o próximo item. Proposta por Victor Vroom, a teoria da expectativa sustenta que o processo motivacional se baseia na relação que o indivíduo estabelece entre o esforço que o levará a determinado desempenho, o seu nível de expectativa de que esse desempenho proporcione o recebimento de alguma recompensa e a associação positiva dessa recompensa às suas metas pessoais. COMENTÁRIOS: A Teoria da Expectância do comportamento humano é baseada em resultados, ou seja, é realizar um esforço para que haja reconhecimento e que este leve a uma recompensa que atenda sua necessidade. O modelo de Victor Vroom consiste em demostrar que o nível de produtividade depende de três forças básicas em cada indivíduo: Expectativas: são os objetivos individuais, que podem incluir dinheiro, segurança no cargo, aceitação social, reconhecimento e uma infinidade de combinações de objetivos. Recompensas: é a relação percebida entre produtividade e alcance dos objetivos individuais. Relações entre expectativas e recompensas: é a capacidade percebida de aumentar a produtividade para satisfazer suas expectativas com as recompensas. Gabarito: Certo. 9. (Instituto AOCP – 2019 – UFPB) Assinale a alternativa que apresenta todos os diferentes motivos que compõem a motivação do tipo intrínseca. a) Motivos emocionais e cognitivos. b) Motivos emocionais e ambientais. c) Motivos biológicos e ambientais. d) Motivos biológicose cognitivos. e) Motivos emocionais, cognitivos e hereditários. COMENTÁRIOS: Segundo Tadeucci (2009), os motivos que compõem a motivação intrínseca podem ter origens diferentes, ou seja, podem ser emocionais, cognitivos e biológicos. Os motivos emocionais estão relacionados às necessidades de afeto, estima, equilíbrio psicológico, raiva, medo, ansiedade, entre outros. As emoções, portanto podem ser positivas ou negativas, podem também ser internalizadas ou não. Por exemplo, eu sinto raiva de algum colega mais não demonstro essa raiva porque sei que não seria adequado. Os motivos cognitivos são baseados no conhecimento, nas opiniões ou crenças de uma pessoa. Sou motivado a votar em um determinado candidato nas eleições de minha cidade por questões baseadas em minhas crenças e/ou conhecimento sobre ele. Os motivos biológicos e/ou hereditários características físicas que levam as pessoas a terem motivos diferentes das outras. Gabarito: E 10. (Instituto AOCP – 2015 – EBSERH) As organizações atualmente possuem uma grande preocupação em motivar seus colaboradores. Considerando o tema motivação, pode-se afirmar que a) a organização deve se preocupar com a remuneração do colaborador, pois o dinheiro proporciona um aumento na motivação das pessoas, conforme a teoria de Frederick Herzberg. b) a necessidade de bem-estar fisiológico deve ser satisfeita para surgir a necessidade de satisfazer os relacionamentos interpessoais, conforme a teoria AEG de Clayton Alderf . c) McClelland refere que os trabalhadores podem ficar motivados por meio da satisfação de suas necessidades, que são inatas em cada sujeito. d) trabalhadores satisfeitos estão sempre motivados, pois possuem o mesmo comportamento no envolvimento com o trabalho. e) deve-se enfatizar a importância de elogiar os colaboradores, pois os elogios estarão satisfazendo a necessidade das pessoas de serem valorizadas, correspondendo à necessidade de status e estima propostas por Maslow. COMENTÁRIOS: Vamos analisar as assertivas. Letra A: Errada. Os fatores higiênicos, extrínsecos ao indivíduo, compreendem salário, benefícios recebidos, segurança no cargo, relações interpessoais no trabalho. No caso de insuficiência, provocariam insatisfação. Porém, atendidos, eles não despertariam a motivação (a energia interior) do indivíduo. Letra B: Errada. - A pessoa está em constante fluxo de satisfação das suas três dimensões (não importando a ordem). Letra C: Errada. Um dos seus pressupostos é a ideia de que os motivos não são herdados, mas sim aprendidos. Letra D: Errada. Satisfação não é sinônimo de motivação. Letra E: Certa. Segundo a Teoria das pirâmides de necessidades de Maslow: 1 - Necessidades Fisiológicas; 2 - Necessidades de Segurança; 3 - Necessidades Sociais; 4 - Necessidades de Reconhecimento (ou de estima/status); 5 - Realização Pessoal Gabarito: E 11. (Instituto AOCP – 2018 – TRT1) A teoria da expectativa (ou expectância) para a motivação constitui uma das mais reconhecidas formulações sobre a motivação humana. Em essência, a teoria da expectativa sugere que a intensidade do esforço para a ação de uma pessoa está diretamente relacionada à sua expectativa em relação ao resultado decorrente dessa ação e da atratividade desse resultado por ela percebida. Essa teoria foi desenvolvida por a) Victor Vroom. b) Abraham Maslow. c) Frederik Herzberg. d) David McClelland. e) Douglas McGregor. COMENTÁRIOS: Para a teoria da expectativa/expectância desenvolvida pelo psicólogo Victor Vroom, o comportamento humano é sempre orientado para resultados, ou seja, as pessoas fazem coisas esperando sempre outras em troca. 4. EXPECTATIVA: é a relação ESFORÇO e está ligada à probabilidade atribuída pelo indivíduo. 5. INSTRUMENTALIDADE é a relação DESEMPENHO e está ligado ao grau que o indivíduo acredita que determinado desempenho levará ao resultado desejado. 6. VALÊNCIA é o valor atribuído ao RESULTADO e está ligada à ATRAÇÃO. O esforço levará a um desempenho (EXPECTATIVA) + O desempenho levará a uma recompensa (INSTRUMENTALIDADE) + O valor atribuído à recompensa (VALÊNCIA). = MOTIVAÇÃO Letra B: Errada. Refere-se à Teoria da hierarquia das necessidades humanas (Abraham Maslow). Letra C: Errada. Refere-se à Teoria dos dois fatores ou bifatorial (Frederik Herzberg). Letra D: Errada. Refere-se à Teoria da motivação pelo medo/êxito ou teoria das necessidades adquiridas (David McClelland) Letra E: Errada. Refere-se à Teoria X e a teoria Y (Douglas McGregor). Gabarito: A 12. (Instituto AOCP – 2019 – UFPB) Assinale a alternativa que descreve o absenteísmo do tipo compulsório. a) Ausência no trabalho por motivos particulares não justificados por doença. b) Ausências no trabalho por doença ou por procedimento médico, excetuando-se os infortúnios profissionais. c) Ausências no trabalho por acidente de trabalho ou doença profissional. d) Faltas no serviço amparadas por leis, tais como gestação, nojo, gala, doação de sangue e serviço militar. e) Impedimento ao trabalho por suspensão imposta pelo patrão, por prisão ou por outro impedimento que não permita ao trabalhador chegar ao local de trabalho. COMENTÁRIOS: O absenteísmo pode ser um indicador de motivação utilizado pela Gestão de Pessoas, que representa as ausências dos colaboradores no ambiente de trabalho e as horas de trabalho perdidas, seja por faltas, saídas ou atrasos, de maneira justificada ou não, por parte dos funcionários. A maneira mais usada atualmente para calculá-lo é seguindo estes três passos: 1) Calcular as horas de trabalho no período de um mês que toda sua equipe deve cumprir; 2) Somar os atrasos, faltas e saídas antecipadas da equipe, transformando o resultado final em horas; 3) Dividir o número de horas perdidas pelo número de horas trabalhadas e multiplique por 100. Existem alguns tipos de absenteísmo: a) Absenteísmo voluntário: é quando o empregado se ausenta de forma voluntária do trabalho, sejam por motivos particulares, considerada como ausência do trabalho sem amparo legal; b) Absenteísmo por doença: refere-se a todas as ausências por doença ou procedimento médico, exceto os infortúnios profissionais; c) Absenteísmo por patologia profissional: relaciona-se as ausências por acidente de trabalho ou doença profissional; d) Absenteísmo legal: são as ausências ao trabalho amparadas por lei, como gestação, serviço militar, doação de sangue e outras; e) Absenteísmo compulsório: é quando empregado é impedido de ir ao trabalho, mesmo que não seja da vontade do trabalhador, seja por suspensão que o patrão aplicou, prisão, são exemplos desse tipo de absenteísmo. Gabarito: E 13. (FEPESE – 2022 – CASAN) São consideradas variáveis resultantes da satisfação ou insatisfação no trabalho: 1. Desempenho no trabalho. 2. Rotatividade. 3. Absenteísmo. Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas. a) É correta apenas a afirmativa 1. b) É correta apenas a afirmativa 2. c) São corretas apenas as afirmativas 1 e 2. d) São corretas apenas as afirmativas 2 e 3. e) São corretas as afirmativas 1, 2 e 3. Comentários: Conforme Sena (2014), todas essas variáveis são resultantes da satisfação e insatisfação no trabalho. Gabarito: E 14. (IADES – 2019 – AL/GO) A satisfação no trabalho é considerada uma expressão de emoção e afeto no trabalho. Um diagnóstico acerca da satisfação no trabalho é um termômetro a) da salubridade do ambiente de trabalho, pois, quanto maior a satisfação, mais o ambiente de trabalho está saudável. b) da rotatividade do ambiente de trabalho, pois, quanto maior a satisfação, maior é a rotatividade na organização. c) do absenteísmo organizacional, uma vez que, quanto maior for a satisfação, maior é o grau de confiança para faltar ao trabalho. d) tanto da saúde no ambiente de trabalho quanto da rotatividade, pois ambos são elementos associados entresi e com a satisfação. e) da saúde organizacional, da rotatividade e também do absenteísmo, pois um elemento explica o outro. Comentários: O gabarito é a letra A, mas talvez você tenha marcado a letra D. Vou explicar: segundo Robbins (2013), parece haver uma relação moderadamente inversa entre a satisfação e a rotatividade de pessoal. A alta satisfação no trabalho parece ajudar a manter a baixa rotatividade de pessoal, mas não vai, por si só, mantê-la baixa. Se, por outro lado, houver alta insatisfação no trabalho, a rotatividade de pessoal tem probabilidade de ser elevada. A razão dessa relação moderada entre satisfação e rotatividade é o fato de outros fatores (por exemplo, a situação econômica) exercerem um papel na decisão de um empregado em permanecer ou não no emprego. Há uma relação inversa entre satisfação e absenteísmo. Ou seja, quando os empregados estão muito satisfeitos, eles tendem a se ausentar menos do trabalho; quando estão altamente insatisfeitos, tendem a se ausentar mais do trabalho. Mais uma vez, existem outros fatores que influenciam essa relação. Um desses fatores poderia ser o grau em que um empregado sente que seu trabalho é importante. Se uma pessoa sente que seu trabalho é importante, terá menos probabilidade de se ausentar. Gabarito: A 15. (FCC – 2022 – TRT1) Os estudos metanalíticos em que se relacionaram satisfação no cargo e absenteísmo a) não foram conclusivos. b) encontraram forte correlação entre esses dois fatores. c) não encontraram forte correlação ou não acharam correlação nenhuma entre esses dois fatores. d) encontraram correlação quando esses fatores estavam associados a baixa remuneração. e) encontraram correlação quando esses fatores estavam associados a baixa motivação. Comentários: A questão pode ser respondida com o seguinte texto: "A principal abordagem para entender as razões do absenteísmo tem se concentrado no abandono como uma reação a trabalhos condições de trabalho insatisfatórias. O absenteísmo e a satisfação no emprego são relacionados, mas pesquisas têm verificado níveis bastante baixos de correlação entre eles. Como observamos no Capítulo 9, a metanálise de Bowling e Hammond (2008) constatou uma correlação de -0,10 entre o absenteísmo e a satisfação no trabalho. Farrell e Stamm (1988) conduziram uma metanálise de 72 estudos sobre absenteísmo e observaram que os dois melhores fatores preditivos são o histórico prévio de absenteísmo e a política de absenteísmo da organização, e não a satisfação no trabalho. As pessoas que se ausentaram com frequência no passado tendem a se ausentar no futuro. As organizações que possuem políticas elaboradas para controlar o absenteísmo recompensando a assiduidade ou punindo o absenteísmo sofrem menos de ausência dos funcionários. Apesar de parecer óbvio que o absenteísmo pode resultar de doenças do funcionário ou falta de motivação de ir ao trabalho, responsabilidades familiares também podem constituir um importante fator." Fonte: "Psicologia nas Organizações" (Spector). Gabarito: C 16. (UFRJ – 2023 – UFRJ) A satisfação no trabalho pode ser concebida como um estado emocional prazeroso ou positivo resultante da avaliação sobe o próprio trabalho. São fatores que impactam a satisfação no trabalho, EXCETO: a) condições de trabalho. b) recompensa econômica. c) presenteísmo. d) expectativas pessoais. e) relações interpessoais no trabalho. Comentários: O presenteísmo é uma forma de ausência do colaborador. Apesar de ele estar presente fisicamente na empresa (ou nos canais de comunicação), a pessoa não executa as suas tarefas conforme o alinhado com as lideranças, além de não se dedicar a entregar um trabalho de qualidade. Gabarito: C 17. (CEBRASPE – 2019 – TJAM) Em relação à cultura organizacional, à motivação e à satisfação no trabalho, julgue o item que se segue. Uma forma de diminuir a quantidade de faltas e aumentar a produtividade dos trabalhadores é manipular a satisfação dos indivíduos no trabalho a partir de políticas e práticas que forneçam suporte organizacional a eles. Comentários: A palavra "manipular" pode gerar confusão por parecer pejorativa, mas, no contexto da questão, percebe-se que a "manipulação" realizada é no sentido de construir um ambiente favorável ao trabalhador. Vamos ver alguns sentidos que podemos empregar a palavra “manipular” de um modo não negativo: 1) Preparar, dar forma, tocar, segurar ou transportar com as mãos; 2) Fazer funcionar com eficácia, manejar; 3) Influenciar ou controlar um ou mais indivíduos de maneira ilegítima e de acordo com os próprios interesses; sugestionar. Aqui a palavra manipular foi empregada no mesmo sentido que é usada na teoria comportamental: como manejo de condições que propiciem a aparição e manutenção de comportamentos/sentimentos saudáveis (socialmente e individualmente). Essa é uma das funções dos gestores. Gabarito: Certo. 18. (CESGRANRIO – 2012 – Petrobras) As pesquisas sobre satisfação com o trabalho indicam uma queda sensível na satisfação do trabalhador se comparados os resultados atuais com os resultados da década de 90. Os estudos sobre a satisfação com o trabalho permitem concluir que a satisfação a) com o trabalho não está relacionada aos comportamentos que indicam uma cidadania organizacional alta. b) com o trabalho é proporcional ao absenteísmo do trabalhador c) com o trabalho é proporcional à rotatividade do trabalhador d) do trabalhador com seu trabalho o faz um trabalhador mais produtivo. e) do trabalhador que lida com o cliente é proporcional à avaliação positiva do cliente Comentários: Letra A: Errada. Pelo contrário, a satisfação influencia a cidadania organizacional por meio da percepção de justiça, que engloba os conceitos de resultados, tratamento e procedimentos justos no trabalho. Letra B: Errada. O absenteísmo e a satisfação no emprego são relacionados, mas pesquisas têm verificado níveis bastante baixos de correlação entre eles. Letra C: Errada. A satisfação com o trabalho está negativamente relacionada a rotatividade, ou seja, quanto mais satisfação, menos rotatividade. Letra D: Errada. Trabalhadores felizes não são, necessariamente, mais produtivos. No nível individual, as evidências sugerem o contrário - que a produtividade é que conduz a satisfação. Letra E: Certa. No que diz respeito aos funcionários da linha de atendimento que mantém contato constante com os clientes, pode-se dizer que a avaliação positiva destes influencia na satisfação daqueles. Gabarito: E 19. (FUNDEP – 2023 - Pref. Lavras/MG) O capitalismo e seu fundamento, a realidade privada, seriam a causa de uma contradição: o trabalho inverte seu papel e, de meio para a realização do indivíduo como ser humano, passa a negar e a impedir o desenvolvimento de sua natureza. É nesse sentido que o capitalismo aliena o homem de sua própria essência, que é o trabalho. De acordo com as ideias contidas nesse texto, a alienação humana ocorre segundo diferentes processos e dimensões. Nesse contexto, numere a COLUNA II de acordo com a COLUNA I, estabelecendo a relação entre elas: COLUNA I 1. Alienação de sua própria natureza humana 2. Alienação do processo de produção 3. Alienação do homem de sua própria espécie 4. Alienação do produto do seu próprio trabalho COLUNA II ( ) Aquilo que o trabalhador produz no capitalismo não pertence a ele. Pertence ao proprietário capitalista, ao dono dos meios de produção. Aqui o homem aliena, ou seja, perde o controle daquilo que ele mesmo produz, quer dizer, do objeto do trabalho. ( ) Na economia capitalista, o trabalhador também não controla a atividade de produzir. Essa capacidade é vendida por ele ao proprietário. No processo de produção, o trabalhador também aliena sua atividade. Ela não lhe pertence e é controlada por outra pessoa. ( ) A principal consequência da propriedadeprivada e do capitalismo é que o homem está alienado de si mesmo, ou seja, de sua natureza como ser humano, de seu ser genérico. Isso acontece porque o trabalho – que é o elemento que o diferencia das outras espécies – não está mais a serviço da hominização e humanização. A realidade se inverte. O trabalho não está a serviço do homem, pois ambos estão submetidos à lógica do capital. ( ) A alienação atinge a relação dos homens entre si, pois, na forma capitalista, as relações passam a ser mediadas e controladas pelo capital, seja pela relação empregador e empregado, seja pela mercantilização das demais relações sociais. O homem está alienado de seus semelhantes. Assinale a sequência correta. a) 4 2 1 3 b) 2 1 3 4 c) 1 2 4 3 d) 4 1 2 3 Comentários: (4) “Aquilo que o trabalhador produz no capitalismo não pertence a ele. Pertence ao proprietário capitalista, ao dono dos meios de produção. Aqui o homem aliena, ou seja, perde o controle daquilo que ele mesmo produz, quer dizer, do objeto do trabalho” à Essa é a alienação do produto do seu próprio trabalho (ou alienação em relação ao produto), pois o trabalhador não tem controle sobre os produtos que fabrica, os produtos são dos empregadores e deles é o lucro. (2) “Na economia capitalista, o trabalhador também não controla a atividade de produzir. Essa capacidade é vendida por ele ao proprietário. No processo de produção, o trabalhador também aliena sua atividade. Ela não lhe pertence e é controlada por outra pessoa” à Essa é a alienação do processo de produção na qual, devido a especialização e divisão dos trabalhadores na produção, ele não tem a visão geral desse processo (de produção), portanto perde o controle sobre o destino final. (1) A principal consequência da propriedade privada e do capitalismo é que o homem está alienado de si mesmo, ou seja, de sua natureza como ser humano, de seu ser genérico. Isso acontece porque o trabalho – que é o elemento que o diferencia das outras espécies – não está mais a serviço da hominização e humanização. A realidade se inverte. O trabalho não está a serviço do homem, pois ambos estão submetidos à lógica do capital à Essa é a alienação da própria natureza humana (ou do gênero do indivíduo). Como o trabalhador não detém o controle sobre seu próprio trabalho, perdeu a sua essência de inovar, criar, a sua liberdade de trabalhar, desse modo o trabalhador passa a ser apenas um indivíduo solitário. (3) A alienação atinge a relação dos homens entre si, pois, na forma capitalista, as relações passam a ser mediadas e controladas pelo capital, seja pela relação empregador e empregado, seja pela mercantilização das demais relações sociais. O homem está alienado de seus semelhantes à Essa é a alienação do homem de sua própria espécie (das relações sociais / outros indivíduos- sobre outros indivíduos), na qual o trabalhador no processo de produção vê os outros indivíduos como seus concorrentes, perdendo a relação social e o sentido de cooperação. A sequência fica 4 – 2 – 1 -3 Gabarito: A 20. (VUNESP – 2019 – PM/SP) O Brasil possui uma das dez maiores diferenças salariais do mundo entre o nível operacional e o alto escalão das empresas, de acordo com um estudo da consultoria Mercer, que analisou salários em 75 países. No Brasil, um profissional com um cargo de liderança, como gerência ou diretoria de departamento, recebe quase 14 vezes o salário de um funcionário de nível operacional, como operadores de máquinas. Isso faz do Brasil o décimo país com a maior diferença entre um nível e outro. (Acessível em https://economia.uol.com.br/noticias/valor-online/2013/05/28/ brasil- tem-uma-das-maiores-diferencas-salariais-entre-a-base-e-o-topo.htm) Considerando os dados e as informações do texto, selecione a alternativa correta. a) Os dados da notícia justificam a concepção de solidariedade orgânica, sustentando a divisão do trabalho, de acordo com Émile Durkheim. b) A ditadura do proletariado defende a divisão do trabalho entre atividades operacionais e de liderança, inspirada em Karl Marx. c) As diferenças salariais entre atividades operacionais e de liderança promovem a justiça social, conforme Max Weber. d) As diferenças salariais extremas na remuneração do trabalho estão de acordo com a ética protestante, segundo Émile Durkheim. e) A divisão do trabalho entre atividades operacionais e de liderança constitui instrumento de alienação, na perspectiva de Karl Marx. Comentários: A questão traz uma notícia que trata sobre a disparidade entre os salários dos trabalhadores no Brasil. Considerando o texto, vamos analisar as opções: Letra A: Errada. Na concepção de solidariedade orgânica de Durkheim, a divisão do trabalho é complexa e presente em sociedades contemporâneas. No entanto, a notícia não justifica tal concepção nem sustenta a divisão do trabalho, ela apenas apresenta dados sobre a desigualdade, sem tomar posicionamento. Letra B: Errada. Isso não está presente dessa forma no pensamento marxista. Letra C: Errada. Para Weber, essas diferenças não produzem a justiça social, pelo contrário, fazem parte da manutenção das desigualdades. Letra D: Errada. Quem explora essa temática é Max Weber, não Durkheim. Letra E: Certa. A divisão do trabalho entre atividades operacionais e liderança, segundo o pensamento de Karl Marx, faz parte da lógica de alienação do processo produtivo. De uma forma geral, a alienação faz com que o trabalhador seja estranho ao produto de sua atividade. Dessa forma, o operário pode participar todos os dias da montagem de um carro que ele nunca vai poder comprar, por exemplo. Gabarito: E 21. (FGV – 2019 – Prefeitura de Salvador/BA) Quando uma organização, por meio de seus gestores, promove boas condições de higiene, saúde e segurança para seus servidores, ela contribui para a satisfação das pessoas, com repercussões positivas nos resultados organizacionais. Sobre o quadro conhecido como Síndrome de Burnout, muitas vezes identificado em profissionais da área de saúde, assinale a opção que apresenta seus fatores característicos. a) A despersonalização, caracterizada por ideação de natureza maníaca, e o isolamento social. b) A diminuição do absenteísmo, em decorrência do desinteresse e irritabilidade com as demandas do trabalho. c) O sentimento de esgotamento físico e emocional, com redução da capacidade de produção e de vigor no trabalho. d) As práticas de assédio moral descendente entre colegas de trabalho sem relação de subordinação. e) O aumento da resiliência como resposta ao estresse crônico decorrente das cobranças de desempenho. Comentários: A Síndrome de Burnout é uma reação à tensão emocional crônica causada por se lidar excessivamente com pessoas. De acordo com essa perspectiva, existem três dimensões interdependentes que contribuem para o desenvolvimento da doença: a exaustão emocional, caracterizada pela falta ou carência de energia e entusiasmo e sentimento de esgotamento de recursos, podendo vir acompanhada de sentimentos de frustração e tensão; a despersonalização, podendo até desenvolver certa insensibilidade emocional; e a baixa realização pessoal no trabalho, com um declínio do sentimento de competência e êxito, bem como de sua capacidade de interagir com os outros. Letra A: Errada. Despersonalização é o resultado do desenvolvimento de sentimentos e atitudes negativas, por vezes cínicas em torno das pessoas que entram em contato direto com o profissional, que são sua demanda ou objeto de trabalho (endurecimento afetivo, coisificação das relações). Letra B: Errada. O aumento do absenteísmo. Letra C: Certa. Conforme explanação. Letra D: Errada. Práticas de assédio moral descendente pressupõem uma subordinação. Letra E: Errada. Diminuição da resiliência. Gabarito: C 22. (FGV – 2018 – AL/RO) O portador da Síndrome de Burnout apresenta a) fadiga persistente, falta de energia e condutasirritáveis no trabalho, dentre outros comportamentos. b) motivação intrínseca, entusiasmo na realização da tarefa, concentração, dentre outras características. c) vocalizações repetidas, tiques comportamentais e coprolalalia, dentre outros sintomas. d) dificuldades no relacionamento social, comportamentos repetitivos e rituais incomuns, dentre outros sinais. e) estabilidade emocional, pensamentos suicidas e tendência em assumir riscos, dentre outros comportamentos. Comentários: O Burnout (ou Síndrome do Esgotamento Profissional) é um estado físico, emocional e mental de esgotamento, resultado do acúmulo excessivo em situações de trabalho que são emocionalmente exigentes ou estressantes. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho. Esta síndrome é comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes, como profissionais da área da saúde, educação e segurança. Letra A: Certa. Conforme explanação. Letra B: Errada. Motivação e entusiasmo não têm nada a ver com Burnout! Letra C: Errada. Esses sintomas dizem respeito à Síndrome de Tourette. Letra D: Errada. Esses sintomas dizem respeito ao TOC. Letra E: Errada. Estabilidade emocional diz respeito ao Burnout. Os outros sintomas podem ser indicativos de Transtorno de Personalidade Borderline. Gabarito: A 23. (FGV – 2021 – FUNDSAÚDE/CE) O investimento em políticas de proteção e segurança no trabalho é muito importante e no Brasil ainda são elevadas as taxas de trabalhadores afastados por acidentes de trabalho. Com relação aos benefícios trazidos pela segurança no trabalho, analise as afirmativas a seguir. I. Diminui os riscos de acidentes no trabalho. II. Aumenta a produtividade. III. Eleva os custos. Está correto o que se afirma em a) I, apenas. b) II, apenas. c) III, apenas. d) I e II, apenas. e) II e III, apenas. Comentários: Lima (2003) demonstrou pela análise dos custos realizada na empresa Japan Industrial Safety and Association, que os investimentos na segurança são pagos pela redução dos acidentes, e pelos seguintes retornos: a) melhor eficiência e produtividade; b) maior motivação dos trabalhadores; c) menor absentismo; d) menor rotação de trabalhadores; e) melhor qualidade do trabalho; f) menor gasto com despesas médicas. I – Certo. O investimento em proteção e segurança diminui os riscos de acidentes de trabalho. II – Certo. O investimento em segurança aumenta a motivação, que tem impacto direto na produtividade. III – Errado. os custos dos acidentes de trabalho ou custos da não segurança estão relacionados ao acidente ocorrido, aos prejuízos econômicos e despesas que ele ocasiona como custos de atendimento médico, perdas de máquinas, perdas de tempo, de motivação, queda na produtividade, entre outros. Gabarito: D 24. (FGV – 2018 – AL/RO) Um programa de prevenção do uso de entorpecentes no ambiente laboral deve trabalhar no sentido de diminuir os fatores de risco e promover os fatores de proteção. Dentre os fatores de risco para o uso de drogas pelos funcionários, identifica-se a) a higidez do meio ambiente do trabalho. b) o vínculo positivo com colegas e com a empresa. c) a pressão para cumprir metas de produtividade. d) a oferta de informações sobre drogas e seus efeitos. e) a existência de espaços de descontração para os funcionários. Letra A: Errada. Higidez é característica da pessoa saudável, de quem se apresenta em bom estado de saúde (físico ou mental) e não se adoece facilmente. Letra B: Errada. Vínculo positivo é fator de proteção, não de risco. Letra C: Certa. Pressão para cumprir metas é um fator de risco para a saúde mental do trabalhador e pode levar ao uso de entorpecentes. Letra D: Errada. A educação é fator de proteção! Letra E: Errada. Fator de proteção! Gabarito: C 25. (CEBRASPE – 2022 – DP/DF) Considerando abordagens teóricas sobre saúde e adoecimento no trabalho, julgue o item seguinte. A implantação de novas tecnologias, de acordo com a ergonomia, prescinde da análise das demandas cognitivas dos trabalhadores. COMENTÁRIOS: Prescinde significa não precisar. A implantação de novas tecnologias está relacionada à ergonomia cognitiva, que se refere aos processos mentais, linhas de raciocínio, respostas motoras, interagindo com o ambiente macro (sociedade, família, escola) e principalmente na organização. Com isso, há a necessidade homem estar em harmonia com o sistema no qual ele está inserido. Gabarito: Errado. 26. (CESPE – 2014 – TC/DF) No que se refere ao estresse e às suas consequências, julgue os próximos itens. De acordo com a teoria do estresse proposta por Selye, o manejo do estresse pode ser feito pela remoção de estressores desnecessários à vida e por meio de evitação ou fuga das condições adversas que o causam. COMENTÁRIOS: Pra começar, nem sempre temos esse “poder” de evitar ou fugir das condições adversas que causam o estresse. Selye afirma que podemos lidar com situações estressantes de diferentes formas, como a partir da remoção dos estressores desnecessários à vida; evitando-se que eventos neutros se tornem estressores; desenvolvendo habilidades de enfrentamento a condições adversas; por meio de relaxamento e distração. Gabarito: Errado. 27. (CESPE – 2016 – TCE/PA) Adulto, Luís sofreu um grave acidente automobilístico e teve de amputar o braço esquerdo. Um mês após a amputação e a alta médica, ele foi levado ao hospital por ter sofrido um colapso: isolado da família, havia passado dias bebendo, sem se alimentar adequadamente, e com comportamento violento. Na semana anterior ao colapso, Luís havia se queixado de forte dor no membro amputado, tendo-a descrito como paralisante, aguda e ardente. Como Luís sentia fortes dores no braço desde a infância, em decorrência de outro acidente, e como estava constantemente embriagado desde a amputação, sua família não deu importância a sua queixa, tendo acreditado que ela poderia ser uma memória do acidente ocorrido na infância. Considerando as teorias do manejo e enfrentamento da dor e do estresse, julgue o item a seguir, acerca da situação hipotética apresentada. É possível que Luís esteja vivenciando a terceira etapa da síndrome geral de adaptação. Essa etapa é denominada reação de alarme e ocorre quando as reservas de energia do corpo já estão exauridas. COMENTÁRIOS: A reação de alarme/alerta é a primeira da SGA, a última (terceira) é chamada de EXAUSTÃO. Gabarito: Errado. 28. (CESPE – 2016 – TRT 8ª Região) A respeito das teorias e dos manejos do estresse, assinale a opção correta. a) A reatividade não se associa à vulnerabilidade nem à predisposição do indivíduo a doenças, embora seja uma reação fisiológica ao estresse, própria de cada indivíduo. b) Segundo o modelo transacional, o estresse pode ser compreendido ao se avaliar, separadamente, os eventos ambientais e as respostas do indivíduo. c) As transações entre os indivíduos e os ambientes por eles ocupados são motivadas pela avaliação reativa dos estressores potenciais. d) De acordo com o modelo da diátese do estresse, os fatores de predisposição e os fatores de precipitação do ambiente atuam conjunta e dinamicamente na suscetibilidade do indivíduo ao estresse e, consequentemente, a doenças. e) A avaliação primária do estresse compreende tanto a reação do indivíduo a um evento considerado ameaçador ao seu bem-estar como o processo de determinação dos recursos disponíveis e das estratégias eficazes para enfrentá-lo. COMENTÁRIOS: Vamos analisar cada item. A alternativa A está incorreta. A reatividade é uma reação fisiológica ao estresse, que varia com o indivíduo e afeta a vulnerabilidade a doenças. Ela é uma combinação de fatores genéticos e ambientais. A alternativa B está incorreta. No modelo transacional, avaliam-se conjuntamente os fatores ambientais e as respostas do indivíduo, que é entendido como um serbiopsicossocial. A alternativa C está incorreta. A assertiva está falando do modelo transacional. A avaliação feita é COGNITIVA, não reativa, como diz o item. A alternativa D está correta. O modelo de diátese do estresse propõe que dois fatores que interagem determinam a suscetibilidade do indivíduo ao estresse e à doença: fatores predisponentes à pessoa (genéticos, por exemplo) e fatores precipitantes do ambiente (exemplo: experiências traumáticas). A alternativa E está incorreta. A avaliação primária é a determinação inicial que alguém faz do significado de um evento - se o evento é irrelevante, benigno (positivo), ou ameaçador. A assertiva trouxe o conceito de avaliação secundária. Gabarito: D 29. (FCC – 2018 – TRT 14ª Região) Nos estudos sobre estresse, a Síndrome Geral de Adaptação (Hans Selye) caracteriza-se por fases de: a) somatização, fadiga e depressão. b) alarme, resistência e exaustão. c) sensações, distúrbios e doença. d) diminuição da libido, desgaste físico e eustress. e) distress, eustress e estresse. COMENTÁRIOS: Selye descreveu a SGA “como o conjunto de todas as reações gerais do organismo que acompanham a exposição prolongada ao estressor”, contribuindo para o estudo das fases ou estágios, ensinando que a primeira fase, conceituada de Reação de Alarme, deriva-se da liberação de variadas substâncias, como hormônios e corticoides, a partir de uma situação estressora, de modo a alterar significativamente a função fisiológica do organismo. O segundo estágio (Fase da Resiliência) acontece a partir do prolongamento do organismo para uma maior adaptação, exigindo dele maior consumo de energia e, aos poucos, é assimilado pelo organismo. A última fase, a Fase da Exaustão, ocorre quando a ação do estressor permanece por um longo período, esgotando a energia de adaptação do organismo. Relembrem a figura: Gabarito: B 30. (FCC – 2018 – TRT 14ª Região) O objetivo da abordagem psicodinâmica do trabalho é a compreensão a) da relação do indivíduo com os fatores organizacionais como gerador de estresse. b) da ocorrência do estresse como a necessidade de adaptação ou ajustamento do sujeito frente às pressões do trabalho. c) das estratégias às quais o trabalhador recorre para manter-se saudável, apesar de certos modos de organização do trabalho patologizantes. d) do processo de saúde para planejar ações de prevenção de doenças. e) da cultura organizacional, perfil das categorias profissionais e sofrimento no trabalho. COMENTÁRIOS: A Psicodinâmica do Trabalho possibilita uma compreensão contemporânea sobre a subjetividade do trabalho e tem como foco o sofrimento psíquico e as estratégias de enfrentamento utilizadas pelos trabalhadores para a superação e a transformação de trabalho em fonte de prazer. Proporciona a criação de espaços de discussão nos quais os trabalhadores possam expressar os sentimentos e as contradições do contexto de trabalho que respondem pela maioria das causas geradoras de prazer e de sofrimento. A alternativa A está incorreta. Relação dos mecanismos de defesa com o trabalho como gerador de sofrimento psíquico. A alternativa B está incorreta. A assertiva tem mais relação com as teorias do estresse e enfrentamento. A alternativa C está correta. Conforme explanação acima. A alternativa D está incorreta. Essa é uma ação da QVT (Qualidade de Vida no Trabalho). A alternativa E está incorreta. Função da Psicologia Organizacional e Recursos Humanos. Gabarito: C 31. (FCC – 2018 – TRT 14ª Região) Um dos fatores organizacionais associados a índices elevados da síndrome de Burnout corresponde a) ao baixo nível de controle, falta de conhecimento para realizar o trabalho e falta de estímulo para se trabalhar. b) à falta de suporte social, falta de estrutura de trabalho e de apoio familiar. c) ao tipo de ocupação, suporte familiar e estrutura de trabalho. d) à falta de confiança, de respeito e de consideração entre os membros de uma equipe. e) ao trabalho por turnos, falta de autoconfiança e falta de equipamentos de segurança. COMENTÁRIOS: Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico e mental resultante de situações de trabalho desgastantes, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. Uma das principais causas da doença é o excesso de trabalho. A síndrome é comum a profissionais que atuam diariamente sob pressão e responsabilidades constantes, como médicos, enfermeiros, professores, policiais, jornalistas e etc. Segundo Alves (2017), a falta de confiança, respeito e consideração entre os membros de uma equipe provocam um clima social prejudicial. E o clima, como veremos nos tópicos a seguir, é um fator organizacional desencadeador do Burnout. Fatores Desencadeadores da Síndrome de Burnout 1- Fatores Ocupacionais: o Tipo de ocupação; o Tempo de profissão; o Tempo na instituição; o Trabalhos por turno ou noturnos; o Sobrecarga; o Relações profissional-cliente; o Tipo de cliente; o Relacionamento entre colegas; o Conflito de papéis; o Ambiguidade de papéis; o Suporte organizacional; o Satisfação no trabalho; o Controle; o Responsabilidade; o Pressão no trabalho; o Possibilidade de progresso; o Percepção de inequidade; o Conflitos com valores pessoais; o Falta de feedback. 2- Fatores Organizacionais o Ambiente Físico; o Mudanças organizacionais; o Normas institucionais; o Clima organizacional; o Burocracia; o Comunicação; o Autonomia; o Recompensa; o Segurança. 3- Fatores Sociais o Suporte social/familiar; o Cultura; o Prestígio Social. A alternativa A está incorreta. Correspondem a fatores ocupacionais, e não organizacionais. A alternativa B está incorreta. Suporte social e apoio familiar são fatores sociais. A alternativa C está incorreta. Suporte familiar é um fator social. A alternativa D está correta. Todos os elementos correspondem ao clima, que é um fator organizacional. A alternativa E está incorreta. Correspondem a fatores ocupacionais. Gabarito: D 32. (FCC – 2018 – TRT 15ª Região) Por se tratar de um ramo complexo a Ergonomia possui subdivisões. A Ergonomia cognitiva refere-se aos processos mentais, que inclui itens de a) estrutura organizacional, processos de trabalho, programação do trabalho, manipulação de materiais e arranjo físico das estações de trabalho. b) movimentos repetitivos, postura, demandas do trabalho, estrutura organizacional, e trabalhos em turno. c) programação do trabalho, carga física e psicológica, ruído, supervisão e trabalho a distância. d) tomada de decisão, desempenho de habilidades, interação humano-computador, conflitos e treinamento. e) políticas de trabalho, fatores de repetição, trabalho manual, satisfação no trabalho, trabalho presencial e normas éticas. COMENTÁRIOS: A Ergonomia é uma área que estuda a relação entre os seres humanos e seu ambiente de trabalho. Tem como objetivo melhorar a maneira que o profissional executa suas tarefas dentro da organização em que trabalha, sendo dividida em três domínios básicos de especialização: física, organizacional e cognitiva. Vejamos cada uma delas: Ergonomia Física: refere-se a respostas do corpo humano à carga física e psicológica. Incluem manipulação de objetos, arranjo físico de estações de trabalho, demandas do trabalho e fatores tais como repetição, vibração, força e postura estática, relacionadas a lesões músculo-esqueléticas. Ergonomia Cognitiva: também conhecida engenharia psicológica, refere- se aos processos mentais, tais como percepção, atenção, cognição, controle motor e armazenamento e recuperação de memória, como eles afetam as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. Tópicos relevantes incluem carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, erro humano, interação humano-computadore treinamento. Ergonomia Organizacional: ou macroergonomia, relacionada com a otimização dos sistemas sócio-técnicos, incluindo sua estrutura organizacional, políticas e processos. Tópicos relevantes incluem trabalho em turnos, programação de trabalho, satisfação no trabalho, teoria motivacional, supervisão, trabalho em equipe, trabalho à distância e ética. A alternativa A está incorreta. O item refere-se à ergonomia física. A alternativa B está incorreta. O item refere-se à ergonomia física A alternativa C está incorreta. O item mistura ergonomias física e organizacional. A alternativa D está correta. Todo o item faz referência à ergonomia cognitiva. A alternativa E está incorreta. Ergonomia organizacional. Gabarito: D 33. (FCC – 2018 – TRT 15ª Região) É importante distinguir análise da atividade e análise ergonômica do trabalho. A análise da atividade é um método para a abordagem do comportamento humano, visando conhecê-lo e produzir conhecimentos sobre a) os equipamentos de segurança. b) os recursos de trabalho presentes. c) o ambiente de trabalho. d) o sujeito em ação. e) as fontes de necessidades motivacionais dos trabalhadores. COMENTÁRIOS: Podemos matar esta questão com base na eliminação das alternativas. Vamos relembrar a tabelinha dos tipos de ergonomia? Ergonomia Física: refere-se a respostas do corpo humano à carga física e psicológica. Incluem manipulação de objetos, arranjo físico de estações de trabalho, demandas do trabalho e fatores tais como repetição, vibração, força e postura estática, relacionadas a lesões músculo-esqueléticas. Ergonomia Cognitiva: também conhecida engenharia psicológica, refere- se aos processos mentais, tais como percepção, atenção, cognição, controle motor e armazenamento e recuperação de memória, como eles afetam as interações entre seres humanos e outros elementos de um sistema. Tópicos relevantes incluem carga mental de trabalho, vigilância, tomada de decisão, desempenho de habilidades, erro humano, interação humano-computador e treinamento. Ergonomia Organizacional: ou macroergonomia, relacionada com a otimização dos sistemas sócio-técnicos, incluindo sua estrutura organizacional, políticas e processos. Tópicos relevantes incluem trabalho em turnos, programação de trabalho, satisfação no trabalho, teoria motivacional, supervisão, trabalho em equipe, trabalho à distância e ética. A alternativa A está incorreta. O item refere-se à ergonomia física. A alternativa B está incorreta. O item refere-se à ergonomia física. A alternativa C está incorreta. O item refere-se à ergonomia física. A alternativa D está correta. Vamos pensar em atividade como ação. ATIVIDADE = AÇÃO. E quem pratica a ação? O sujeito! Logo, a análise da atividade é um método para a abordagem do comportamento humano, visando conhecê-lo e produzir conhecimentos sobre o sujeito em ação. A alternativa E está incorreta. O item refere-se à ergonomia organizacional. Gabarito: D 34. (FCC - 2018 – TRT 2ª Região) A definição de Burnout mais aceita atualmente fundamenta-se na perspectiva a) ergonômica. b) médica. c) psicossocial. d) econômica. e) integrativa. COMENTÁRIOS: A definição mais aceita atualmente sobre a síndrome de Burnout fundamenta-se na perspectiva psicossocial, que a considera como uma reação à tensão emocional crônica causada por se lidar excessivamente com pessoas. De acordo com essa perspectiva, há três dimensões que contribuem para o desenvolvimento da doença: 1) a exaustão emocional, caracterizada pela falta ou carência de energia e entusiasmo e sentimento de esgotamento de recursos, podendo vir acompanhada de sentimentos de frustração e tensão; 2) a despersonalização, podendo até desenvolver certa insensibilidade emocional; e 3) a baixa realização pessoal no trabalho, com um declínio do sentimento de competência e êxito, bem como de sua capacidade de interagir com os outros. A alternativa A está incorreta. A ergonomia tem a ver com a execução das tarefas no ambiente de trabalho a partir de diferentes perspectivas. A síndrome de Burnout pode até perpassar pela ergonomia em algum aspecto, mas não se fundamenta nela. A alternativa B está incorreta. A síndrome de Burnout tem também uma perspectiva médica, mas vai além dela. A alternativa C está correta. Conforme explanação. A alternativa D está incorreta. Vai além de uma perspectiva econômica. A alternativa E está incorreta. Há a proposição de modelo integrativo para o estudo e pesquisa da síndrome de Burnout, porém é um modelo de estudo, e não a perspectiva da síndrome em si. Gabarito: C 35. (FCC – TRT – 2ª Região) Uma das teorias de motivação, a Teoria do Controle apoia-se sobre a teoria de fixação de metas, focalizando a forma como a) o desempenho está ligado a obtenção de recompensas financeiras. b) a relação com o líder mediato afeta o esforço rumo às metas. c) o progresso do colaborador depende de acompanhamento direto. d) o feedback afeta a motivação para manter esforço rumo às metas. e) a comparação do desempenho entre os colaboradores mantém esforço rumo às metas. COMENTÁRIOS: A teoria do controle foi proposta por Howard J. Klein em 1989 e se baseia na teoria da determinação de metas concentrando-se em como o feedback afeta a motivação para manter o empenho no atingimento das metas. As metas podem ser definidas pelo próprio indivíduo ou por outrem, contanto que a pessoa as aceite e acredite que são alcançáveis. Conforme se trabalha para atingir as metas, recebe-se feedback sobre o desempenho e pode-se comparar o progresso atual com algum padrão interno ou resultado esperado. Se o resultado for insuficiente, a pessoa será motivada a tomar providências, o que pode incluir a reavaliação e a modificação das metas ou a adoção de novas estratégias para melhorar o desempenho. A alternativa A está incorreta. Isso teria mais a ver com um reforço positivo e não com a teoria da fixação das metas. A alternativa B está incorreta. A teoria do controle se utiliza do feedback, não fala, necessariamente, sobre a relação com o líder imediato. A alternativa C está incorreta. Não! Mesmo porque o colaborador também tem autonomia para definir e reavaliar as estratégias de alcance das metas. A alternativa D está correta. De acordo com a Teoria. A alternativa E está incorreta. Não é baseada em comparações. Gabarito: D 36. (FCC – TRT – 2ª Região) Quando o líder apoia sua influência em seu conhecimento e na percepção desses conhecimentos pelos demais, ele está fazendo uso do poder de a) hierarquia. b) especialista. c) coação. d) recompensa. e) motivação. COMENTÁRIOS: Lembram o estilo de liderança especialista? Esse estilo se origina do reconhecimento de que uma pessoa detém um know-how, que o diferencia dos demais em algum tema. Esta competência técnica em uma área específica gera uma “obediência” por parte dos outros, quando o assunto for ligado a estratégia. A alternativa A está incorreta. Esse estilo é derivado da posição hierárquica e estrutura formal da organização. É o tipo de poder que os superiores hierárquicos detêm. A alternativa B está correta. Conforme comentários. A alternativa C está incorreta. O estilo coercitivo (ou de coação) é aquele que pune através de sanções, de penas e de castigos. Assim, o comportamento das pessoas pode ser moldado pelo medo. A alternativa D está incorreta. O estilo de recompensa se exprime pelo incentivo por meio de salários, de bônus e de prêmios. Assim, ele pode alterar o comportamento das pessoas com o reforçamento positivo. A alternativa E está incorreta. O estilo motivacional (ou de referência) baseia-se na submissão a alguém por identificação com esta pessoa, por esta possuir trações desejáveis. Gabarito: B 37. (FCC – 2018 – TRT 2ª Região) O modelo de liderança Vroom-Yetton apresenta um modelo prescritivo que indica o método de supervisão que se espera seja o mais eficaz a) ao tomar decisõesnuma determinada situação. b) ao motivar os funcionários para a tarefa. c) para elevar a qualidade do relacionamento líder-colaborador. d) manter a equipe focada na obtenção de resultados. e) para criar uma relação líder-colaborador. COMENTÁRIOS: O modelo de liderança Vroom-Yetton enfatiza a importância do grau de participação dos subordinados nos processos de tomada de decisão por parte dos líderes, a depender das características da situação. Concentra-se na tomada de decisão dentre os aspectos do comportamento de liderança, e postula que as decisões do líder desempenham papel fundamental no julgamento de quão eficaz ele é. Enfatiza a importância do grau de participação dos subordinados nos processos de tomada de decisão por parte dos líderes, a depender das características da situação. Baseia-se em programa de computador em que a decisão do estilo ocorre a partir das respostas a perguntas-chave, consideradas como variáveis contingenciais do modelo. Perguntas aplicadas para decidir o tipo de liderança aplicável o Importância da qualidade técnica da decisão; o Suficiência das informações para tomar uma decisão de qualidade; o Estruturação do problema de forma a permitir ao líder saber que informações são necessárias para resolvê-lo e como obtê-las; o Importância da aceitação dos subordinados para a eficácia da decisão; o Motivação dos subordinados para alcançar as metas da organização; o Possibilidade de a decisão final gerar conflito entre os subordinados. Métodos de tomada de decisão possíveis (após aplicação das perguntas-chave) o Líder AI (Autocrático I) – toma a decisão sozinho, utilizando apenas a informação que tem disponível; o Líder AII (Autocrático II) – solicita informação adicional aos subordinados e, em seguida, toma a decisão sozinho; o Líder CI (Consultivo I) – partilha o problema com os subordinados, pede-lhes informações e sugestões, individualmente, e toma sozinho a decisão; o Líder CII (Consultivo II) – reúne- -se com os subordinados em grupo para discutir o problema, mas toma a decisão sozinho; o Líder GII (Grupo) – reúne-se com os subordinados para discutir o problema. O líder concentra-se e direciona a discussão, mas não impõe sua vontade e o grupo toma a decisão final. A alternativa A está correta. O modelo de Vroom-Yetton é prescritivo e indica a abordagem de liderança que supostamente seria a mais eficaz em uma determinada situação de um processo decisório. A alternativa B está incorreta. O modelo de Vroom-Yetton se baseia no processo decisório, não em motivação. A alternativa C está incorreta. O modelo de Vroom-Yetton se baseia no processo decisório, não em relacionamento. A alternativa D está incorreta. O modelo de Vroom-Yetton se baseia no processo decisório, não em resultados. A alternativa E está incorreta. Vide letra C. Gabarito: A 38. (FCC – 2018 – TRT 2ª Região) O estudo do comportamento organizacional explora uma ampla gama de temas que incluem: I. Fenômenos baseados no indivíduo, como percepção e personalidade. II. Processos interpessoais e de grupos de trabalho, como poder e liderança. III. Movimentos do mercado, como necessidade dos clientes e estratégias de branding. IV. Fenômenos da sociedade moderna, como depressão e violência social. Está correto o que consta APENAS em a) I e IV. b) III e IV. c) II e III. d) I e III. e) I e II. COMENTÁRIOS: De acordo com Robbins (2005), o comportamento organizacional é o ramo que investiga o impacto que indivíduos, grupos e a estrutura têm sobre o comportamento dentro das organizações com o propósito de utilizar este conhecimento para melhorar a eficácia organizacional, partindo do entendimento de que os executivos realizam trabalhos por meio do trabalho de outras pessoas. Explora temas como a motivação, comportamento e poder de liderança, comunicação interpessoal, estrutura e processos de grupo, aprendizado, desenvolvimento de atitudes e percepção, processos de mudanças, conflitos, planejamento do trabalho e estresse no trabalho. I. Fenômenos baseados no indivíduo, como percepção e personalidade à Correto. O comportamento organizacional estuda fenômenos baseados no indivíduo, como a percepção e personalidade. II. Processos interpessoais e de grupos de trabalho, como poder e liderança à Correto. O comportamento organizacional também estuda esses fenômenos. III. Movimentos do mercado, como necessidade dos clientes e estratégias de branding à Errado. Esses fenômenos estão relacionados a Marketing. IV. Fenômenos da sociedade moderna, como depressão e violência social à Errado. Fenômenos estudados pela Psicologia Clínica e Social. Gabarito: E 39. (CESGRANRIO – 2018 – Banco da Amazônia) As mudanças ocorridas no mundo do trabalho, nas últimas décadas, resultaram em riscos emergenciais para a saúde dos trabalhadores. Nesse contexto, surgem os chamados riscos psicossociais, que seriam a raiz do quadro de exaustão emocional, desumanização e reduzida realização pessoal no trabalho, que configuram a Síndrome de Burnout. Avaliando-se o grau de demanda psicológica e o grau de controle sobre a atividade laboral, qual situação representa um risco maior para o surgimento dessa síndrome? a) Baixa demanda psicológica e alto controle laboral b) Baixa demanda psicológica e baixo controle laboral c) Alta demanda psicológica e alto controle laboral d) Alta demanda psicológica e baixo controle laboral e) Demanda psicológica, apenas Comentários: Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho. Esta síndrome é comum em profissionais que atuam diariamente sob pressão e com responsabilidades constantes. A Síndrome de Burnout também pode acontecer quando o profissional planeja ou é pautado para objetivos de trabalho muito difíceis, situações em que a pessoa possa achar, por algum motivo, não ter capacidades suficientes para os cumprir. Essa síndrome pode resultar em estado de depressão profunda e por isso é essencial procurar apoio profissional no surgimento dos primeiros sintomas. 1) Demanda Psicológica (Demand): Refere-se à quantidade de pressão e exigência mental que o trabalho impõe ao indivíduo. Quanto maior a demanda, mais intensa é a carga psicológica; 2) Controle (Control): Representa o grau de autonomia e influência que o trabalhador tem sobre seu próprio trabalho. Quanto maior o controle, mais liberdade o indivíduo tem para tomar decisões e gerenciar suas tarefas. Gabarito: D 40. (CESGRANRIO – 2023 – Transpetro) Uma enfermeira, que atuava há cinco anos numa enfermaria com índice elevado de mortes, solicitou à sua chefia que fosse remanejada para outra enfermaria ou ambulatório que tivesse risco menor ou nulo de mortalidade, pois estava com exaustão emocional, falta de envolvimento com o trabalho e despersonalização. De acordo com essa descrição, a enfermeira desenvolveu a) estresse ocupacional b) síndrome de burnout c) síndrome da servidão voluntária d) estresse pós-traumático e) ansiedade patológica Comentários: Síndrome de Burnout ou Síndrome do Esgotamento Profissional é um distúrbio emocional com sintomas de exaustão extrema, estresse e esgotamento físico resultante de situações de trabalho desgastante, que demandam muita competitividade ou responsabilidade. A principal causa da doença é justamente o excesso de trabalho. Lembrando a tridimensionalidade do Burnout que é composta por: exaustão emocional, despersonalização e reduzida realização pessoal no trabalho. Gabarito: B 41. (CESGRANRIO – 2024 – UNEMAT) Diversas características e condições específicas de trabalho já foram identificadas como potenciais provocadoras de estresse decorrente do trabalho.São exemplos de condições ambientais e de condições relacionadas à organização do trabalho, respectivamente, a) poluição, ruído e ventilação inadequados; incentivo à autonomia, delegação de responsabilidades e avaliação de desempenho 360º b) atividades monótonas, repetitivas e fragmentadas; incentivo à competitividade e metas individuais de desempenho c) ruído, temperatura e vibração inadequados; atividades monótonas, repetitivas e fragmentadas e ambiguidade de papéis d) trabalho remoto e metas de desempenho por equipe; incentivo à autonomia e delegação de responsabilidades e) trabalho em contraturno e ponto eletrônico; poluição, ruído e ventilação inadequados Comentários: A única assertiva que traz exemplos de condições ambientais (ruído, temperatura e vibração) e relacionadas à organização (atividades monótonas, repetitivas e fragmentadas e ambiguidade de papéis) de forma respectiva é a letra C. Vamos relembrar a tabelinha: Agentes físicos Agentes químicos Agentes biológicos Ergonômicos e Psicossociais Mecânicos e de acidentes Ruído, vibrações, Substâncias químicas Relacionados com qualquer Ergonômicos: esforço físico e visual, Derivadas da tecnologia de temperatura, umidade, ventilação, iluminação natural e artificial, pressões anormais e radiações e etc. presentes nos processos de trabalho como: pós/poeiras, fumaças, gases, vapores, pastas ou líquidos. organismo animal ou vegetal que esteja presente no ambiente de trabalho, como: vírus, bactérias, fungos, parasitas e fibras vegetais. movimentos exigidos pela tarefa, espaço de trabalho disponível, posições de execução. Psicossociais: prolongação e intensificação da jornada, turnos noturnos e rotativos, ritmo e intensidade do trabalho, atenção/responsabilidade exigidas, grau de controle e iniciativa na execução, a intercomunicação dos trabalhadores durante a jornada, o caráter da supervisão, a consciência do risco que a tarefa implica, assim como o risco de perder o emprego. trabalho (na operação ou manutenção), aos materiais soltos no ambiente, às condições de instalação e manutenção dos meios de produção, a proteção das máquinas, arranjo físico, ordem e limpeza do ambiente de trabalho, sinalização, rotulagem de produtos e outros que podem levar aos acidentes de trabalho. Gabarito: C 42. (CESBRASBE – 2023 – TJ/ES) Com referência aos aspectos de ergonomia da atividade e psicopatologia do trabalho e de saúde e bem-estar no contexto das organizações, julgue o item a seguir. Absenteísmo e rotatividade são exemplos de problemas psicológicos que se manifestam no contexto organizacional insalubre. Comentários: Absenteísmo e rotatividade não são problemas psicológicos! Eles podem ser fatores/indicadores de problemas no contexto organizacional, que podem desencadear comportamentos que impactam a saúde, qualidade de vida dos trabalhadores. Gabarito: Errado. GABARITO 1. CERTO 11. A 21. C 31. D 41. C 2. C 12. E 22. A 32. D 42. ERRADO 3. B 13. E 23. D 33. D 4. D 14. A 24. C 34. C 5. B 15. C 25. ERRADO 35. D 6. CERTO 16. C 26. ERRADO 36. B 7. CERTO 17. CERTO 27. ERRADO 37. A 8. CERTO 18. E 28. D 38. E 9. E 19. A 29. B 39. D 10. E 20. E 30. C 40. B RESUMO A psicossociologia do trabalho é um campo de estudo que se debruça sobre as relações entre o indivíduo e o trabalho, considerando não apenas o aspecto individual, mas também os contextos sociais e organizacionais. Seguem alguns aspectos desse tema: Fundamentos da Psicossociologia do Trabalho à a psicossociologia do trabalho não se limita a ser uma aplicação da psicossociologia ao ambiente de trabalho. Ela envolve uma reavaliação teórica e metodológica, considerando conceitos como atividade, ação e práxis. O objetivo não é romper com os antecedentes da psicossociologia, mas sim revisitá- los e desenvolvê-los. Essa abordagem busca compreender como o trabalho está na base da construção do sujeito e das unidades sociais. Desafios Conceituais do Trabalho ü Processos de Humanização e Subjetivação: explora a experiência dos limites no trabalho, considerando como ele afeta a humanização e subjetivação dos indivíduos. ü Trabalho como Instituição e Organização: analisa o trabalho não apenas como uma atividade individual, mas também como uma instituição e parte de uma organização. ü Construção do Sentido do Trabalho: examina como o significado do trabalho está relacionado à cultura e à experiência pessoal. A comunicação horizontal e o estímulo ao saber operário são cruciais para a análise de riscos e a prevenção de acidentes. Conversar com os trabalhadores, entender suas experiências e considerar seus conhecimentos práticos são passos importantes para a segurança e o bem-estar no ambiente de trabalho. SABERES DE OFÍCIO • Referem-se à competência prática e habilidades necessárias para realizar o trabalho com eficiência. É o conhecimento relacionado ao “saber fazer” e à produção do trabalho. SABERES DE PRUDÊNCIA • São voltados para a cautela e prevenção de acidentes e perdas no sistema. Incluem ações prudentes e medidas de segurança que os trabalhadores adotam para evitar riscos. Motivação externa (extrínseca) à geradas por reforços e punições Motivação interna (intrínseca) à necessidades e motivos pessoais Há três características inerentes à motivação, são elas: 4) Intensidade – refere-se ao tamanho da força que o leva a agir, à amplitude da ação empregada; 5) Direção – é a escolha de qual projeto realizar, o que se quer fazer, qual comportamento realizar; 6) Persistência ou Permanência – duração de tempo em direção àquele objetivo. TEORIAS DE PROCESSO TEORIAS DE CONTEÚDO Teoria da Equidade - Adams Teoria bifatorial ou dos dois fatores - Herzberg Teoria da Expectativa - Vroom Teoria ERC - Alderfer Teoria do Reforço - Skinner Teoria da Hierarquia das Necessidades - Maslow Teoria do Estabelecimento de Objetivos (Autoeficácia) Teoria das Necessidades Adquiridas - McClelland Teoria do Campo - Lewin Teorias X e Y – Douglas McGregor Teorias X e Y HOMEM X: apático, indolente, trabalha forçado somente pela retribuição financeira, entende que o homem médio vê o trabalho como um grande esforço, necessitando de uma supervisão constante e autoritária para que possa realizar as suas atividades de forma satisfatória. ÊNFASE NO CONTROLE. CONCEPÇÃO NEGATIVA. HOMEM Y: para ele o trabalho é tão natural e prazeroso quanto o descanso, é autodirigido, autorresponsável, automotivado e criativo, necessitando de um líder participativo, que forneça os meios para que atinja os objetivos organizacionais. ÊNFASE NA PESSOA. CONCEPÇÃO POSITIVA. Teoria da Hierarquia das Necessidades Figura – Pirâmide das Necessidades de Maslow. Fonte: Wikkipedia. Teoria Bifatorial ou dos Dois Fatores Atenção! Salário e relacionamento interpessoal NÃO são fatores motivacionais! ENRIQUECIMENTO DE TAREFAS HORIZONTAL à agregar mais atividades e tarefas de mesmo nível de complexidade ao funcionário. Necessita de maior rapidez. ENRIQUECIMENTO DE TAREFAS VERTICAL à ir, aos poucos, aumentando a complexidade e responsabilidade das tarefas exercidas pelo colaborador. Necessita de maior experiência. Figura: Teoria Bifatorial de Herzberg. Fonte: gestaodesegurancaprivada.com.br Teoria ERC A Teoria ERC – existência, relacionamento e crescimento (ou ERG, no inglês existence, relatedness, growth) – foi desenvolvida por Clayton Alderfer. Essa teoria concorda que a motivação do trabalhador pode ser medida seguindo uma hierarquia de necessidades, porém diverge da teoria de Maslow em alguns pontos. Nessa teoria existem três níveis de necessidades que são organizadasem continuum, e não em hierarquia: o Necessidade Existencial à corresponde às necessidades básicas de Maslow (necessidades de sobrevivência); o Necessidades de Relacionamento à necessidade de relacionamentos interpessoais e sociabilidade. o Necessidades de Crescimento à necessidade de criar, sugerir, participar, se desenvolver etc. Teoria do Estabelecimento de Objetivos Segundo Locke, a intenção de atingir um objetivo é um grande fator motivador. Se temos uma meta em mente, e aceitamos essa meta, tendemos a conseguir resultados melhores do que quando apenas “tentamos o nosso melhor”. Além disso, quanto mais difícil a meta, melhor será o nosso desempenho (desde que, obviamente, aceitemos a meta, ou seja, realmente tentemos atingi-la). Outro fator importante é a retroação. Se soubermos como estamos nos saindo, diz a teoria, tenderemos a obter melhores resultados. Assim, a retroação afetaria o desempenho. Locke também cita como um fator motivador a Autoeficácia. De acordo com o autor, essa característica seria a habilidade que as pessoas podem ter de acreditar que serão capazes de atingir os resultados de uma atividade. Se realmente acreditamos em nossa habilidade de realizar uma tarefa, tenderemos a nos motivar e conseguir melhores resultados. Indivíduos com um alto nível de Autoeficácia tenderão a ter resultados melhores do que pessoas com baixo nível de Autoeficácia. Assim, são algumas conclusões importantes sobre esta teoria: o Objetivos específicos são mais eficazes que objetivos genéricos; o Metas difíceis, porém alcançáveis, são mais motivadoras do comportamento (quando aceitas pelo funcionário); o O autofeedback promove maior desempenho que o feedback externo; o Objetivos estabelecidos pela própria pessoa funcionam muito melhor que quando ditado por um terceiro, pois aumenta o comprometimento com o resultado; o A publicidade dos objetivos (torná-los de conhecimento de todos) e a mensuração dos resultados (controle) está diretamente relacionada com o grau de sucesso do método; o As metas devem ser claras e aceitas para funcionarem. Teoria das Necessidades Adquiridas Segundo McClelland, a motivação é relacionada com a satisfação de certas necessidades adquiridas dos indivíduos. São elas: o Necessidade de afiliação – desejo de ter bons relacionamentos e amizades; o Necessidade de poder – controle e a influência de outras pessoas e em relação aos destinos da organização, e; o Necessidade de realização – desejo de sucesso, de fazer bem algum trabalho, de se diferenciar dos outros. Estas necessidades seriam geradas por meio da própria experiência das pessoas, de suas vivências. Indivíduos com uma alta necessidade de realização deveriam trabalhar com tarefas em que não necessitassem do trabalho dos outros. Além disso, são melhor aproveitadas em áreas em que as tarefas são difíceis o bastante para motivá-las, mas não tanto que as façam perceber que o sucesso depende de “sorte” ou de ajuda de outros. Logo, estas pessoas não costumam ser bons gestores. Já as pessoas com uma alta necessidade de poder se adequam melhor às posições de gestores. De acordo com McClelland, pesquisas comprovam que a grande maioria dos ocupantes de cargos altos têm alta necessidade de poder e baixa necessidade de afiliação. Teoria da Expectância É baseada em resultados, ou seja, é realizar um esforço para que haja reconhecimento e que este leve a uma recompensa que atenda sua necessidade. O modelo de Victor Vroom consiste em demostrar que o nível de produtividade depende de três forças básicas em cada indivíduo: Expectativas: são os objetivos individuais, que podem incluir dinheiro, segurança no cargo, aceitação social, reconhecimento e uma infinidade de combinações de objetivos. Recompensas: é a relação percebida entre produtividade e alcance dos objetivos individuais. Relações entre expectativas e recompensas: é a capacidade percebida de aumentar a produtividade para satisfazer suas expectativas com as recompensas. Motivação no Trabalho à é o impulso que engaja os profissionais a buscarem um bom desempenho. Ela é frequentemente estimulada por fatores como feedback positivo, bônus ou promoções. Quando um colaborador trabalha com o objetivo de alcançar uma recompensa ou reconhecimento, ele está motivado. Em resumo, a motivação está relacionada ao esforço e ao desejo de atingir metas e resultados. Satisfação no Trabalho à refere-se ao contentamento e bem-estar que um profissional percebe em relação ao seu trabalho. Envolve a percepção do que o colaborador espera do trabalho e o que ele recebe em troca. Aspectos como ambiente de trabalho positivo, saúde mental, salário compatível, benefícios e outros influenciam a satisfação. Em suma, a satisfação está relacionada à valorização percebida pelo profissional. Marx define 4 TIPOS DE ALIENAÇÃO DO TRABALHO: 1) Alienação em Relação ao produto à o trabalhador não tem controle sobre os produtos que fabrica, os produtos são dos empregadores e deles é o lucro. 2) Alienação do processo de produção à devido a especialização e divisão dos trabalhadores na produção, ele não tem a visão geral do processo de produção, portanto perder o controle sobre o destino final. 3) Alienação do gênero do indivíduo à para Marx, como o trabalhador não detém o controle sobre seu próprio trabalho perdeu a sua essência de inovar, criar, a sua liberdade de trabalhar, desse modo o trabalhador passa a ser apenas um indivíduo solitário. 4) Alienação das relações sociais / outros indivíduos- sobre outros indivíduos à Karl Marx entende que o trabalhador no processo de produção vê os outros indivíduos como seus concorrentes, perdendo a relação social e o sentido de cooperação. Nesse caso a alienação é marcada pela competitividade entres os trabalhadores. PSICODINÂMICA DO TRABALHO CONCEPÇÃO DE HOMEM CONCEPÇÃO DE TRABALHO CONCEPÇÃO DE “DOENÇA MENTAL” E TRABALHO O QUE É UM TRABALHO SADIO? O homem organiza-se a partir de suas experiências na primeira infância. A sexualidade (libido) é sua maior força motriz. O trabalho é portador de sofrimento e afasta o homem do prazer; o melhor trabalho é o que permite sublimar o sofrimento. Quando há sublimação, não há desprazer no trabalho. Não pode existir doença mental produzida pelo trabalho; esta é o produto inconsciente de rupturas ocorridas nos afetos primários. Admite-se a descompensação, que depende da estrutura já definida a partir da primeira infância. Todos somos neuróticos, o sofrimento ocorre quando não se encontram saídas institucionais. O trabalho deve permitir a sublimação. A psicodinâmica do trabalho investiga a saúde no trabalho e analisa o sofrimento e as estratégias de mediação utilizadas pelos trabalhadores para ressignificar e superar o sofrimento, com vistas à transformação do contexto de trabalho em um lugar de prazer (Ferreira & Mendes, 2003). Alderson (2004) enumera três premissas utilizadas pela psicodinâmica do trabalho: 1 - sujeito em busca de auto realização: todo indivíduo é habitado pelo desejo de realização; 2- existência de um hiato entre o que é prescrito e o trabalho real. Ao interpelar a inteligência prática do sujeito e ao solicitar sua criatividade, o trabalho que deixa uma margem de autonomia; 3- desejo de julgamento do outro, mais especificamente, trata do reconhecimento. Segundo o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e o Centro de Referência Técnica em Psicologia e Políticas Públicas (CREPOP): A Saúde do Trabalhador configura um campo do saber e de práticas que demandam da Psicologia uma atuação sobre o trabalho e sobre as estruturas e os processos que o organizam, a partir do locus dos serviços públicos de saúde. A conformação desse campo, no Brasil, dá-se num contexto histórico específico – o do momento de abertura política no final da década de 1970 –quando os movimentos sociais retomam a cena pública e interferem na construção da agenda que definirá as políticas públicas de corte social, culminando com a promulgação da Constituição Federal de 1988 e, posteriormente, com a lei do Sistema Único de Saúde – SUS. No caso específico da Saúde do Trabalhador, o movimento sindical e o movimento sanitário tiveram importante participação na sua incorporação como política de saúde, concebendo o adulto em sua condição de trabalhador, o que implica conhecer a situação de trabalho, ou seja, não apenas o processo de produção em si mas também o processo de produção e (re)produção das relações sociais de produção. Os riscos decorrentes dos locais e da forma de organização do trabalho são assim classificados: Agentes físicos Agentes químicos Agentes biológicos Ergonômicos e Psicossociais Mecânicos e de acidentes Ruído, vibrações, temperatura, umidade, ventilação, iluminação natural e artificial, pressões anormais e Substâncias químicas presentes nos processos de trabalho como: pós/poeiras, fumaças, gases, Relacionados com qualquer organismo animal ou vegetal que esteja presente no ambiente de trabalho, como: vírus, Ergonômicos: esforço físico e visual, movimentos exigidos pela tarefa, espaço de trabalho disponível, posições de execução. Psicossociais: prolongação e intensificação da jornada, Derivadas da tecnologia de trabalho (na operação ou manutenção), aos materiais soltos no ambiente, às condições de instalação e PROMOÇÃO • Educação em saúde, bons padrões de alimentação e nutrição, adoção de estilos de vida saudáveis, desenvolvimento de aptidões e capacidades, campanhas de conscientização (exemplos: Outubro Rosa, Novembro Azul), aconselhamentos específicos, como os de prevenção de ISTs (infecções sexualmente transmissíveis). PROTEÇÃO • Vigilância epidemiológica, vacinações, saneamento básico, vigilância sanitária, exames médicos e odontológicos periódicos, entre outros. RECUPERAÇÃO • Diagnóstico e o tratamento de doenças, acidentes e danos de toda natureza, a limitação da invalidez e a reabilitação. radiações e etc. vapores, pastas ou líquidos. bactérias, fungos, parasitas e fibras vegetais. turnos noturnos e rotativos, ritmo e intensidade do trabalho, atenção/responsabilidade exigidas, grau de controle e iniciativa na execução, a intercomunicação dos trabalhadores durante a jornada, o caráter da supervisão, a consciência do risco que a tarefa implica, assim como o risco de perder o emprego. manutenção dos meios de produção, a proteção das máquinas, arranjo físico, ordem e limpeza do ambiente de trabalho, sinalização, rotulagem de produtos e outros que podem levar aos acidentes de trabalho.