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AN02FREV001/REV 4.0 48 PROGRAMA DE EDUCAÇÃO CONTINUADA A DISTÂNCIA Portal Educação CURSO DE SEXOLOGIA NA EDUCAÇÃO Aluno: EaD - Educação a Distância Portal Educação AN02FREV001/REV 4.0 49 CURSO DE SEXOLOGIA NA EDUCAÇÃO MÓDULO III Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização ou distribuição do mesmo sem a autorização expressa do Portal Educação. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos nas Referências Bibliográficas. AN02FREV001/REV 4.0 50 MÓDULO III 3 SEXUALIDADE NA ADOLESCÊNCIA FIGURA 21 - DÚVIDAS FONTE: Disponível em: <www.pescm.blogspot.com.br>. Acesso em: 05 out. 2012. 3.1 PUBERDADE: MUDANÇA DE CORPO 3.1.1 Definições A puberdade são mudanças físicas profundas, que vêm acompanhadas de alterações de humor, instabilidade emocional e muitos questionamentos e conflitos. (GTPOS, 1994). Além disso, é um fenômeno biológico e comportamental. É um período de transição da infância para a adolescência. Ou seja, mudanças comportamentais, morfológicas e fisiológicas, que se refletem no modo de pensar, sentir e se comportar, irão acontecer. É a fase do aparecimento das características sexuais secundárias, de acordo com o gênero. Os principais caracteres sexuais secundários são: AN02FREV001/REV 4.0 51 Nos Meninos: - surgimento de pelos nas regiões axilares (axila), inguinais (pubianos) e torácicos (peito), faciais (barba); - aumento em volume dos testículos e tamanho do pênis; - oscilação da entonação da voz; - alargamento dos ombros; - desenvolvimento da massa muscular e aumento de peso e estatura; - início da produção de espermatozoides; - início da polução noturna (é a ejaculação involuntária que acontece durante o sono, caso o menino/homem tenha sonhos eróticos. É resultado da excitação física genital. Começa na puberdade, com o início da produção de espermatozoides e o desenvolvimento psicossexual – desejo). Nas Meninas: - princípio do ciclo menstrual (menarca – primeira menstruação); - alargamento da bacia, podendo desenvolver depósito de gordura nas nádegas, nos quadris e nas coxas; - surgimento de pelos nas regiões axilares (axila) e inguinais (pubianos); - desenvolvimento das mamas. É a partir da puberdade que meninos e meninas se tornam fisicamente capazes de gerar filhos, caso tenham relações sexuais desprotegidas. Por isso, vemos na mídia meninas de 10 anos gestantes e meninos de 13 anos sendo pais. 3.1.2 Corpo de Menina – Mulher Nas meninas, os primeiros sinais de puberdade são: aparecimento das mamas, crescimento dos pelos pubianos e a menarca (primeira menstruação). AN02FREV001/REV 4.0 52 FIGURA 22 - PUBERDADE FONTE: Disponível em: <www.projetopuberdade.blogspot.com>. Acesso em: 22 out. 2012. Órgãos Genitais Femininos Órgãos Genitais Externos: FIGURA 23 – ÓRGÃO SEXUAL FEMININO FONTE: Disponível em: <www.gineco.com.br>. Acesso em: 22 out. 2012. AN02FREV001/REV 4.0 53 Monte de Vênus: onde se localizam a maior parte dos pelos, que recobrem o osso pubiano. Clitóris: órgão pequeno e arredondado que fica acima da entrada da uretra. É muito sensível. Responsável também pelo prazer da mulher. Uretra: orifício, abaixo do clitóris e acima da entrada vaginal, por onde sai a urina. Entrada da vagina: abertura alongada por onde saem o sangue da menstruação e o bebê (no parto normal). É por onde ocorre também a penetração, na relação sexual. Essa entrada é recoberta por uma membrana chamada Hímen, que é rompida na primeira relação sexual. A chamada virgindade é a preservação desse hímen intacto. Grandes Lábios: camada de pele mais externa da vulva. Recoberto de pelos. Pequenos Lábios: temos de afastar os grandes lábios para visualizá-los. Sem pelos. Seios: Desenvolvidos na puberdade. Sensível ao toque na relação sexual. Armazena o leite durante a gravidez e amamentação. Órgãos Genitais Internos: FIGURA 24 – ÓRGÃOS SEXUAIS INTERNOS FONTE: Disponível em: <www.esec-tondela.rcts.pt>. Acesso em: 22 out. 2012. AN02FREV001/REV 4.0 54 Útero: local onde fica o feto na gravidez (músculos – aumenta e diminui de tamanho). Trompas de Falópio: duas tubas por onde os óvulos passam. Ovários: também dois. Local onde armazenam e desenvolvem os óvulos (célula reprodutora feminina). Os ovários também produzem o hormônio feminino estrogênio. Vagina: Canal que liga a vulva ao útero. Local por onde o pênis fica na hora da relação sexual, por onde sai a menstruação e o bebê, no parto normal. 3.1.3 Corpo de Menino – Homem O primeiro sinal de puberdade nos meninos é o aumento dos testículos (as bolas) e do escroto (saco escrotal). FIGURA 25 - PUBERDADE FONTE: Disponível em: <www.brasilescola.com>. Acesso em: 22 out. 2012. AN02FREV001/REV 4.0 55 Órgão Genitais Masculinos FIGURA 26 – APARELHO REPRODUTOR MASCULINO FONTE: Disponível em: <www.brasilescola.com>. Acesso em: 22 out. 2012. Órgãos Genitais Externos: Pênis: Membro que enrijece na excitação. Local por onde sai o esperma (sêmen) na hora da ejaculação (função reprodutora) e a urina (função urinária). Prepúcio: pele que cobre a ponta do pênis (glande). Glande: “cabeça” do pênis. É muito sensível à estimulação. Saco Escrotal: duas bolsas que guardam os testículos (bolas). Órgãos Genitais Internos: Testículos: glândulas sexuais masculinas. São responsáveis pela produção dos espermatozoides e dos hormônios masculinos. Uretra: Canal por onde sai urina e esperma (ejaculação). Epidídimo: local onde ficam os espermatozoides até serem expelidos na ejaculação Canais Deferentes: canais por onde passam os espermatozoides até chegar à próstata. AN02FREV001/REV 4.0 56 Vesícula seminal e Próstata: glândulas que produzem o líquido que junto do espermatozoide formam o sêmen. O líquido ajuda os espermatozoides se locomoverem (“nadarem”). 3.2 ASPECTOS PSICOLÓGICOS, SOCIAIS E CULTURAIS A adolescência é o período do desenvolvimento no qual o indivíduo como um todo (físico e psicológico) passa por diversas transformações. É uma turbulência que exige rápida adaptação do indivíduo à sua nova condição. É o atravessar da infância para o ser adulto. O(a) adolescente deve ir deixando seus modos infantis e iniciar alguns comportamentos adultos. É uma fase de ambiguidades, pois o adolescente está no meio do caminho, em desenvolvimento. Com o desenvolvimento psicossexual em fase alta, com os hormônios “pululando” neste organismo, é nesse período que se inicia a vida sexual. A iniciação sexual é um rito de passagem. É a busca por autonomia, pelo “tornar- se homem” e “fazer-se mulher”. Para ser considerado(a) um(a) adulto(a) o(a) adolescente tem de ter desenvolvido formas de elaborar perdas e lutos decorrentes da própria adolescência. Como, por exemplo, a perda do corpo infantil, a perda da identidade infantil e da relação com os pais como era na infância. (ABERASTURY, 1998). Deve-se ter muita paciência e cuidado com os(as) adolescentes, pois, apesar da agressividade e irritabilidade inerente ao momento, são pessoas em desenvolvimento. Estão cercados(as) de dúvidas e de sentimentos de impotência diante das mudanças. AN02FREV001/REV 4.0 57 Como livros e filmes são sempre bons aliados, segue a dica de um filme. Para Reflexão! Título original: Desenrola Lançamento: 2011 (Brasil) Direção: Rosane Svartman Atores: Olivia Torres, Lucas Salles, VitorThiré, Daniel Passi. Duração: 88 min Gênero: Comédia Romântica FIGURA 27 – FILME DESENROLA FONTE: Disponível em: <http://www.desenrolaofilme.com.br>. Acesso em: 27 jul. 2011. A adolescência é um período turbulento e delicioso da vida. Hormônios pululando, meninos e meninas se encontram e se desencontram. É uma fase rica em transformações, em todos os sentidos. O filme “Desenrola” aborda de forma descontraída o rito da iniciação sexual – a perda da virgindade. Qual será a hora certa de perder a virgindade? “Desenrola” trata também temas como: gravidez na adolescência, relação com http://2.bp.blogspot.com/-QnqXVsGNbwI/TjCJjP4RmbI/AAAAAAAAAHM/788CJOVjH90/s1600/desenrola.jpg AN02FREV001/REV 4.0 58 os pais, uso da camisinha e homossexualidade. Sempre sem apelação. Um bom filme para abrir um debate sobre a Sexualidade na Adolescência. FONTE: http://cinecinemacinema.blogspot.com.br/2011/07/desenrola.html 3.2.1 Tópicos Especiais 3.2.1.1 Ficar e namorar “Namorar é sério, ficar, uma noite”. (Samantha, 15 anos) FIGURA 28 - FICAR FONTE: Disponível em: <www.portaldoprofessor.mec.gov.br>. Acesso em: 28 fev. 2013. É importante a definição e distinção entre ficar e namorar, na perspectiva dos(as) adolescentes, pois pais e professores muitas vezes desconhecem os acordos envolvidos no ficar, por exemplo. Associam o ficar à promiscuidade (ficar com vários(as)). Associam também à falta de moral, o que acaba desqualificando as relações. Muitos(as) adultos(as) sentem-se ameaçados com a quebra do modelo conhecido. Fazem, por exemplo, críticas a não fidelidade. AN02FREV001/REV 4.0 59 Tanto o namoro quanto o ficar são formas de interação afetivo-sexual dos(as) adolescentes. São formas de exercício da sexualidade, de socialização e da construção da identidade. (ABRAMOVAY et al., 2004). Então, como eles(as) diferenciam? Ficar é a reelaboração do namorar. Uma nova forma de relacionamento em que as pessoas se conhecem, interagem socialmente (não necessariamente de forma sexual) e o compromisso é flexível. É uma experiência de estar com o outro. Uma forma de trocar carícias e ter intimidade, sem compromisso (a famosa fidelidade). São descobertas e sensações sobre o corpo e sobre si mesmo. No ficar pode acontecer eventualmente uma transa. Não é regra. O limite é definido por aquele casal de ficantes. Há uma ausência de continuidade e exclusividade. O ficar pode se transformar em namoro. O namoro, geralmente, começa do “ficar ficando”. Agora, há mais exigências, os papéis são mais bem definidos. Aparece a cobrança da fidelidade, que vem do medo de ser traído(a). Relatos FIGURA 29 - CORAÇÕES FONTE: Disponível em: <www.recado.info>. Acesso em: 28 fev. 2013. “Namorar é com o pai e a mãe sabendo, todo mundo, assim, ficando em casa, aí esse é meu namorado, agora ficar não, fica na rua, fica em festa”. “Ficar é assim: você vai numa festa, fica com a menina, de repente ela termina e até vai embora, você pega fica com outra, arranja outra e fica com a outra”. 3.2.1.2 Virgindade AN02FREV001/REV 4.0 60 A virgindade é problemática. Sempre foi. Na história ela fez com que a mulher fosse hostilizada e até castigada, caso tivesse perdido a virgindade fora do casamento. Segundo Costa (1986), muitas garotas se entregam ao namorado, que cobra uma primeira relação como prova de amor e dedicação. Há um evidente despreparo. Já Suplicy (1983) afirma que a questão fisiológica do hímen é desconhecida. Porém, resta sua função social e psicológica. Ou seja, serve de prova de honestidade da mulher e de manipulação do homem. Sim, até hoje a virgindade ainda é uma forma de escolher meninas para namorar e casar. Quanto à virgindade dos meninos, permanece a autocobrança de uma atividade sexual precoce e intensa. A pressão social mantém o discurso sobre a virilidade. Hoje, a média de idade da primeira relação sexual (ABRAMOVAY, 2004) é: meninos: 13-14 anos e meninas: 15-16 anos. Um dos indicadores da importância da educação sexual, pois os(as) adolescentes têm direitos às informações, métodos e técnicas para ter ou não filhos. A decisão deve ser de forma livre e responsável. Para tanto, é necessário ter conhecimentos e esclarecimentos sobre o corpo e seu funcionamento. Relatos FIGURA 30 - VIRGINDADE FONTE: Disponível em: <www.e-jovem.com>. Acesso em: 05 out. 2012. http://www.e-jovem.com/Virgindade.jpg AN02FREV001/REV 4.0 61 “Olha, importante não é. É uma honra você casar com uma moça e dizer eu casei com uma virgem, até para comentar com os amigos (...)”. “(...) para mim, eu quero fazer, eu quero me entregar um dia depois que eu me casar, esse é um sonho meu, eu quero entrar de véu e grinalda na igreja. Isso é vontade minha (...)”. Texto para reflexão! Respeite o meu direito de não querer Publicado em: Blog Erosdita por: Julieta Jacob Muitas adolescentes vivem a tensão pré-primeira vez. Misto de expectativa e medo. Aquela agonia! Passada a tão esperada “estreia”, elas ganham novo status na rede social da vida real: o de não virgens. E o que isso quer dizer? Tem gente que confunde com “a casa é sua, entre e fique à vontade”. Grande equívoco. Não é porque a garota não é mais virgem que ela tem um sinal verde aceso em tempo integral e para qualquer um. É verdade que a tal “primeira vez” é cercada de alguns mitos e carrega um quê de especial – herança da nossa ingrata cultura machista. Certos garotos se queixam até que isso transfere para eles um peso chato de responsabilidade por terem tirado a virgindade de alguma menina, como se o romper do hímen significasse “até que a morte nos separe”. Ou seja, se o status for virgem, pense antes de transar. Por outro lado (a vida tem sempre um lado B), se o hímen já tiver tomado a saideira e apagado a luz… “que beleza!”. Trafegar por uma estrada previamente explorada é bem mais fácil. E tranquilo. E seguro. Dá pra ir direto ao ponto sem muito arrodeio nem “nhém, nhém, nhém”. Depois de uns beijos quentes, o cara sabendo que tem em seus braços uma fêmea “não virgem”, tem a certeza de que a noite acabará em sexo (e já deixa a camisinha engatilhada – ponto para ele!). Porém (a vida também é repleta de poréns), antes mesmo de engatar a primeira e acelerar estrada adentro rumo ao prazer, ops: “Atenção, trecho interrompido!” E uma placa “PARE” em letras garrafais. Como assim, “PARE,” se o universo e a sua não virgindade conspiram para que eu “siga”? Isso mesmo, pare. Mesmo que a garota te beije gostoso e curta um “amasso” mais quente contigo, o fato dela não ser virgem não significa que vocês irão transar, como 2 e 2 são 4 e a soma do quadrado dos catetos é igual ao quadrado da hipotenusa. Ela pode até estar excitada o suficiente para transar, mas o fato de não se sentir à vontade – por exemplo e por alguma http://www.erosdita.com/categoria/blog/educacao/Julieta%20Jacob AN02FREV001/REV 4.0 62 razão – simplesmente a faz desistir. Nem adianta apelar para São Pitágoras ou Santo Antônio. Aqui não se respeitam as leis da Física. O respeito é a si próprio e ao outro. E você, menina, tenha sempre isso em mente, não se intimide. Não ser mais virgem não significa que, a partir de então, você virou um bem de domínio e usufruto público e por isso tem obrigação de transar com todos os garotos com quem você se envolver. Não existe determinação alguma, nem por lei nem por decreto. Aliás, as regras são redigidas por você. Assim como na primeira vez, a escolha de consentir (ou não) a segunda, a terceira ou a milésima transa (assim como todas as transas da sua vida) sempre será exclusivamente sua – e de mais ninguém. A estrada é uma propriedade privada e por ela só trafega quem você escolher, segundo critérios que só interessam a você. E se o garoto desistir de mim? É direito dele, oras.O que não significa que você tenha alguma culpa e que por isso tenha que transar simplesmente para não chateá-lo. Você assume a sua escolha e ele, a dele. Lembre-se que ele, assim como você, também tem o direito de não querer mais transar. Sem melodramas. E se ele insistir? Às vezes é bem gostoso jogar charme só para testar o quanto somos desejadas. Mas a insistência, por si só, não faz milagres. Você, fêmea não virgem, pode estar adorando brincar de sedução com o ser do sexo oposto e, ainda assim, achar que não é hora de transar. E você não precisa justificar a sua decisão em várias linhas de texto, como se estivesse recorrendo de uma multa de trânsito. Por mais que o camarada insista, a autonomia de colocar esse limite é inteiramente sua – e de mais ninguém. Negar uma transa a um cara insistente – não são todos, vale salientar – é tão chato quanto negar cartão de crédito a vendedor de loja de departamento. A cena que testemunhei semana passada ilustra o que quero dizer. Quinta-feira / Loja de departamentos de um shopping do Recife / Noite Na fila do caixa, a vendedora se aproxima e inicia um diálogo com a mulher que estava atrás de mim: - Oi, tudo bem? Vamos fazer o cartão da loja? - Não, obrigada. - Mulher, tu devia fazer, dá pra comprar um monte de roupa e ainda dividir o pagamento! - Não, não… eu nem trouxe documentos! (esquivando-se) - (Sorridente) Que besteira, não precisa, basta você me dizer o número do seu CPF. Você sabe o número? - Não, eu não memorizo números. (sentindo-se acuada, quase em desespero) - Ah, então liga pra sua casa e pede pra alguém ver o número no seu documento e me diz que a gente faz o cartão agorinha! (em tom impositivo) - Sem chance! Não tem ninguém na minha casa a essa hora! (A cliente sente- AN02FREV001/REV 4.0 63 se aliviada) - Ah, droga! (A funcionária se dá por vencida e sai bufando e visivelmente irritada). O exemplo serve apenas para mostrar que o mundo tá cheio de gente que não entende (ou melhor, que não quer entender) o significado de um lacônico, simples e monossilábico “não”. Mas isso não significa que essas pessoas vão despertar a sua dúvida e conseguir transformar o seu não em sim. A decisão é sempre sua. O corpo é seu. Não é não e ponto. Três letras fortes o suficiente para estabelecer o limite. Cabe ao outro respeitar o seu direito de não querer. Simples assim. FONTE: http://www.erosdita.com/categoria/blog/educacao/ 3.2.1.3 Masturbação FIGURA 31 - MASTURBAÇÃO FONTE: Disponível em: <www.acelinopontes.blogspot.com>. Acesso em: 05 out. 2012. Até o começo do século XX a masturbação era considerada um ato perigoso, um desvio que trazia sérias consequências, tais como: cegueira, surdez, debilidade mental, loucura, espinhas, entre outros. A masturbação passou a ser retirada do campo do desvio, progressivamente, e tornou-se um integrante da variação do desejo individual. Sendo, então, considerada como AN02FREV001/REV 4.0 64 uma atividade sexual que proporciona prazer, alívio de tensões e autoconhecimento. A masturbação tem frequência diferenciada durante as etapas da vida. Como homens e mulheres têm os genitais diferentes, as maneiras de se tocarem são peculiares ao seu gênero. Porém, a masturbação não deve ser genitalizada, ou seja, reduzida ao aspecto genital. É necessária a individualização de seu significado. Os significados do autoerotismo mudam de acordo com a evolução psicossocial. Para a criança a masturbação equivale à autoexploração do corpo, favorecendo a descoberta de si, a autoimagem corporal e o descobrimento do corpo como uma fonte de prazer. A sexualidade infantil é puro autoerotismo. No adolescente o ato é acompanhado de fantasia e desejo de uma relação amorosa. A frequência costuma ser alta em função da descoberta do prazer sexual, do início de desejos e fantasias sexuais e até da realização do ato sexual em si. No menino, a ejaculação espontânea (polução noturna) ou provocada (masturbação) é, biologicamente, uma exigência do organismo. A masturbação é a autoestimulação dos genitais em busca do prazer. Porém, ela pode ser uma atividade solitária ou uma atividade realizada com o (a) parceiro (a) por meio da troca de carícias, da manipulação dos genitais. Como fenômeno psíquico, o autoerotismo é desenvolvido psicoestruturalmente sobre três pilares: o ambiente familiar, escolar e social, que podem ou não propiciar segurança para o autodesenvolvimento. Há a masturbação que visa à busca de prazer, a qual gera emoções agradáveis e desperta desejos, porém há aquela que caracteriza fraqueza ou carência do objeto sexual, que pode gerar isolamento, tornando-se, assim, um obstáculo para o desenvolvimento pessoal. Nesse caso, pode provocar angústia e comportamento compulsivo. Por isso também a necessidade de esclarecer o tema masturbação. Sendo, então, a masturbação uma conduta humana baseada em autodesenvolvimento, sua avaliação deve ser feita de forma pessoal e AN02FREV001/REV 4.0 65 contextual, podendo ser considerada negativa somente neste último caso, o da compulsão, que alimenta um círculo vicioso, destruindo o prazer. Não há condenação direta e expressa contra a masturbação nas escrituras religiosas, o tradicionalismo da igreja foi que a taxou como pecado por acreditar que a única função do sexo é a procriação. A maldade, então, estaria presente na não procriação. (VIDAL, 1991). Porém, apesar de algumas religiões condenarem o ato, cada indivíduo tem sua postura perante o autoerotismo. Em alguns indivíduos a religião pode produzir um sentimento de culpa, mas não só ela. A culpa pode também se dar por uma incoerência interna. E, este sentimento deve ser anulado pela educação. O(a) educador sexual deve ter domínio do assunto, respeitar as diferenças individuais e não se omitir diante do assunto. Devem sempre informar o significado e o valor da masturbação. 3.2.1.4 Aborto Segundo, Costa (1986), o aborto não é um método anticoncepcional. É um recurso extremado para se interromper uma gravidez indesejada ou inesperada. No Brasil, apesar da legislação não permitir, o aborto é praticado no Brasil sim! Seja por mulheres de alta ou baixa classe social, por adolescentes, jovens ou adultas, em boas condições de higiene ou não. Calcula-se, na atualidade, que sejam praticados 2,5 milhões de abortos por ano, o que equivaleria a um total de 6850 abortos por dia, 285 por hora e cinco por minuto. Sabe-se que várias mortes hospitalares se dão a partir do aborto. É, então, um problema, também de saúde pública. Será o aborto consequência de um atraso cultural? Ausência de educação sexual? Assim, além de seu lado ético, moral e legal, o aborto é também uma questão social e educacional. Se houver investimento na educação sexual, visando, no caso, um planejamento AN02FREV001/REV 4.0 66 familiar, talvez haja melhores resultados. O que não pode é continuar permitir o uso do aborto como controle de natalidade, pois no aborto há riscos e este não é um método de anticoncepção. 3.3 MATERNIDADE E PATERNIDADE NA ADOLESCÊNCIA O Brasil figura no Relatório Mundial sobre População da ONU como um dos países que apresentam taxas acima da média mundial de gravidez na adolescência, que é de 50 nascimentos por mil mulheres. A taxa brasileira é maior do que a de alguns países pobres, como Sudão, Iraque e Índia. (ABRAMOVAY et al., 2004, p. 133). A gravidez na adolescência é cercada de mitos, expectativas, projetos e realidades. Um dos mitos a serem quebrados é que os meninos não ficam limitados pela paternidade da mesma forma que as meninas pela maternidade. Mas eles também devem ser conscientizados que serão pais e terão suas responsabilidades, independente da relação entre o casal. Vários discursos rodeiam a questão gravidez na adolescência. Culpa- se os(as) adolescentes porterem informação e não a utilizarem. Os pais, principalmente as mães, por não passarem informações sobre sexualidade e métodos anticoncepcionais. A falta de diálogo em casa. Porém, hoje com o tema amplamente difundido, sabe-se que não é falta de informação, é falta de conscientização. Por isso, é dever da educação sexual relacional promover o envolvimento dos(as) adolescentes na reflexão do tema, para torná-los(as) conscientes e autônomos, pois nem toda gravidez na adolescência é indesejada. Assim, a gravidez na adolescência é uma problemática na trajetória de vida dos(as) jovens. É também um problema de saúde pública e da educação. Voltamos, assim, à ratificação da necessidade de educação sexual. Para tanto, voltamos aos direitos sexuais e reprodutivos dos(as) adolescentes: Os(as) adolescentes e os(as) jovens têm direito de ter acesso a informações e educação em saúde sexual e saúde reprodutiva e de ter acesso a meios e métodos que os auxiliem a evitar uma gravidez AN02FREV001/REV 4.0 67 não planejada e a prevenir-se contra as doenças sexualmente transmissíveis / HIV / Aids, respeitando-se a liberdade de escolha. (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2006, p. 6). 3.3.1 Planejamento Familiar “Os filhos não devem ser frutos do instinto ou da irresponsabilidade, mas do amor maduro e responsável das pessoas”. (VIDAL, 1991, p. 397). Qual a idade certa para engravidar? Quantos filhos ter? Qual será o intervalo entre eles? Um bom planejamento familiar define quando e quantos filhos e o momento adequado. O casal tem o direito de escolher o momento para formar sua família. Para isso, o primeiro passo a ser dado é: pensar na própria vida. Essa reflexão pode ser iniciada junto aos(às) adolescentes na escola e em casa. Dando a eles(as) a oportunidade de serem protagonistas de suas próprias histórias de vida. Segundo a Lei nº 9.263, de 12 de janeiro de 1996, que regula o parágrafo 7º da Constituição Federal, “o planejamento familiar é direito de todo cidadão”. Conceitua o planejamento familiar como sendo “o conjunto de ações de regulação da fecundidade que garanta direitos iguais de constituição, limitação ou aumento da prole pela mulher, pelo homem ou pelo casal.” Sendo, então, o exercício responsável da fecundidade. Um dos Direitos Sexuais. (Brasil, 1996). A lei também define quando permitir a esterilização voluntária, já que é um dos métodos mais utilizados por falta de conhecimento de outros e o que gera mais arrependimento. Caso não sejam respeitadas as normas há as penalidades a serem aplicadas aos médicos. (BRASIL, 1996). O planejamento consiste, também, em proteção para não engravidar indesejadamente. E, para isto, o casal deve adequar um método anticoncepcional ao seu estilo de vida, sua crença e sua vida econômica, percebendo as vantagens e desvantagens de cada método e as novas tecnologias. AN02FREV001/REV 4.0 68 Perceba que sempre falo em casal, em planejamento familiar. Devemos educar tanto os meninos quanto as meninas para a prevenção e reprodução. Para esclarecer e educar é importante você ter conhecimento sobre o tema. Vamos lá! 3.3.1.1 Métodos de planejamento familiar (anticoncepção) Lembre-se que não existem métodos bons ou ruins, mas sim adequados! Métodos interceptivos (impedem a nidação do óvulo fecundado, acarretando sua destruição). - DIU: O Dispositivo Intrauterino é um aparelho em forma de T, revestido por filamentos de cobre, que pode ser inserido apenas por profissionais capacitados, na cavidade uterina, a qualquer momento durante o ciclo menstrual. Não há idade mínima ou máxima para seu uso, porém é indicado para mulheres que querem um método em longo prazo. Atualmente existe, também, o DIU hormonal, que ao invés de liberar pequenas quantidades de cobre, libera pequenas quantidades de hormônio. - Pílula do dia seguinte: deve ser utilizada após a relação sexual desprotegida – quando não foi utilizado nenhum método de anticoncepção, ruptura de camisinha, se o diafragma tiver saído do lugar, erro na tabelinha, erro no coito interrompido, não ter tomado corretamente a pílula e em caso de estupro. Lembrando que é um método de emergência e seu uso não deve ser constante. Deve ser administrado no período de 72 horas após a relação sexual. AN02FREV001/REV 4.0 69 O que é contracepção de emergência? Como é um método que vem sendo amplamente e erroneamente utilizado, vamos esmiuçá-lo um pouco mais FIGURA 32 - CORPO FONTE: Disponível em: <www.portaltudoaqui.com.br/>. Acesso em: 28 out. 2012. A contracepção de emergência não é um método novo, pois até pouco tempo era realizada por intermédio da administração de pílulas anticoncepcionais convencionais em altas doses. Hoje, dispomos de produtos específicos para isto. Se a camisinha estourou, você teve relação sexual e não usou nenhum método anticoncepcional, sofreu violência sexual, o diafragma saiu do lugar, a tabelinha ou o coito interrompido falhou, esqueceu-se de tomar a pílula, o método que pode ser utilizado pelas mulheres para evitar a gravidez indesejada é a contracepção de emergência, comumente conhecida como a pílula do dia seguinte. A contracepção de emergência consiste em duas pílulas, sendo que a primeira deve ser ingerida até 72 horas após a relação sexual e a segunda deve ser ingerida 12 horas após a primeira. Para aumentar a AN02FREV001/REV 4.0 70 eficácia do método deve-se tomar a primeira pílula nas primeiras 24 horas após a relação sexual. Veja, como todos os métodos disponíveis para se evitar uma gravidez a contracepção de emergência não é 100% eficaz, porém se você tomar a primeira dose nas primeiras 24 horas sua eficácia é de 95%, se você tomar a primeira dose entre as primeiras 25 horas e 48 horas sua eficácia é de 85% e se você tomar a primeira dose entre 49 horas e 72 horas sua eficácia se reduz a 58%, lembrando sempre de tomar a segunda dose 12 horas após a primeira pílula. Num primeiro momento a combinação das duas pílulas age inibindo ou retardando a ovulação e caso a concepção já tenha ocorrido, impede a implantação do óvulo fecundado no útero. Hoje já existe também em uma única dose, que deve ser tomada como a primeira. Porém, é um método contraindicado em caso de gravidez confirmada, doenças do fígado e câncer ginecológico. Quanto às reações adversas, a mulher pode apresentar náuseas e vômitos. Caso ocorra vômito a dose deve ser repetida. Ainda estão sendo avaliados os riscos de complicações vasculares e produção de malformações no feto. Assim, a contracepção de emergência não deve ser usada continuamente, muitos são seus efeitos colaterais são desconhecidos. É importante que os profissionais da educação e da saúde prezem pela orientação e informação, pois só assim o casal tem condições de evitar uma gravidez indesejada, lembrando, sempre, que a pílula do dia seguinte não protege contra a AIDS e contra as doenças sexualmente transmissíveis. FONTE: Carolina Freitas Métodos esterilizantes (cirúrgico) (sua reversibilidade é mínima, porém a eficácia é alta) - Ligadura de trompas (laqueadura): cirurgia na qual as trompas são cortadas ou amarradas de forma a impedir o encontro do óvulo com o espermatozoide. É um método de difícil reversão. AN02FREV001/REV 4.0 71 - Vasectomia: cirurgia que impede que os espermatozoides saiam na ejaculação. É um método de difícil reversão. Métodos de Barreira - Camisinha Masculina: é uma capa de borracha fina que deve ser colocada logo após a ereção e antes do contato genital/anal. Logo após a ejaculação o pênis deve ser retirado da vagina. Não deve ser reutilizada. Alguns cremes vaginais, espermicidas vaginais e lubrificantes sexuais à base de óleo são prejudiciais à camisinha, podendo provocar sua ruptura. Já oslubrificantes à base de água não são prejudiciais. - Camisinha feminina: é um saquinho plástico fino que é colocado na vagina antes de qualquer contato do pênis com a vagina. Não deve ser reutilizada nem ser utilizada com a camisinha masculina. - Diafragma: é uma capa de borracha macia e flexível introduzida pela própria mulher no fundo da vagina, impedindo a entrada de espermatozoides no útero. Só deve ser retirado oito horas após a relação sexual. Seu uso deve ser feito junto de cremes espermicidas. Método espermicida - Espermicida: é um bloqueio químico, que tem a função de matar os espermatozoides, impedindo assim a fertilização do óvulo. Deve ser colocado na vagina antes da penetração. Recomenda-se não ser utilizado isoladamente. Métodos hormonais AN02FREV001/REV 4.0 72 - Pílulas: são comprimidos feitos com hormônios artificiais semelhantes aos produzidos pela mulher. É um dos métodos mais utilizados, pela sua eficácia. Deve ser prescrito pelo médico, sendo incorreta a indicação em balcões de farmácias e até mesmo a automedicação. - Injeções: são aplicados, mensal ou trimestralmente, hormônios que impedem a ovulação. Planejamento familiar natural Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o planejamento familiar natural consiste nos “métodos para planejar e evitar a gravidez pela observação de sinais e sintomas que ocorrem naturalmente nas fases férteis e inférteis do ciclo menstrual, com a restrição de relações sexuais durante a fase fértil se a gravidez deve ser evitada”. É um método que requer compromisso do casal. Estes métodos não são aconselháveis para mulheres que têm o ciclo menstrual irregular e não têm a intenção de engravidar. - Tabelinha: o ciclo mensal feminino é de aproximadamente vinte e oito dias. Por volta do décimo quarto dia (metade do ciclo) a mulher está em seu período fértil. Neste dia e 72 horas antes e depois se deve evitar o ato sexual. - Muco cervical: por meio do próprio ciclo a mulher observa as mudanças da secreção vaginal, um muco branco que no inicio do ciclo é esbranquiçado, turvo e pegajoso que vai tornando-se elástico e lubrificante. - Temperatura corporal basal: o hormônio progesterona provoca aumento ou diminuição da temperatura corporal da mulher. Por intermédio da auto-observação a mulher percebe se está ovulando, através da diminuição da temperatura corporal. AN02FREV001/REV 4.0 73 Atenção! O Coito interrompido não é considerado um método anticoncepcional, pois a relação sexual é interrompida com a retirada do pênis da vagina antes da ejaculação. É necessário autocontrole. Porém, sua eficácia é baixa, pois o líquido pré-ejaculatório pode conter espermatozoides passíveis de serem fecundados. A obrigação ética do profissional de educação e de saúde é informar corretamente ao(à) paciente sobre todos os métodos de planejamento familiar. A decisão do(a) paciente deve ser acatada pelo profissional mesmo que este não o ache o mais adequado. É uma questão de autonomia e liberdade de escolha. Lembrando, sempre, que não existem métodos bons e/ou ruins, mas sim adequados e que nenhum é totalmente seguro. 3.3.1.2 Como usar a camisinha Falando, ainda, sobre anticoncepção é essencial reforçar a importância da camisinha. Os(as) adolescentes devem ter consciência de que o uso da camisinha é respeitar o próprio corpo e o do outro. Uma dúvida frequente dos(as) adolescente é como colocar a camisinha. Então vamos lá! Como usar a Camisinha Masculina Abra a embalagem com cuidado. Nunca com os dentes, para não furar a camisinha. Coloque a camisinha somente quando o pênis estiver ereto. AN02FREV001/REV 4.0 74 Aperte a ponta para retirar o ar. Desenrole a camisinha até a base do pênis. Só use lubrificantes à base de água. Evite vaselina e outros lubrificantes à base de óleo. Eles podem romper a camisinha. Após a ejaculação, retire a camisinha com o pênis ainda duro, fechando com a mão a abertura para evitar que o esperma vaze da camisinha. Dê um nó no meio da camisinha e jogue-a no lixo. Nunca use a camisinha mais de uma vez. Usar a camisinha duas vezes não previne contra doenças e gravidez. Nem mais de uma ao mesmo tempo. Pode romper. Cuidados Necessários: Colocar a camisinha desde o começo do contato entre o pênis e a vagina. Tirar a camisinha com o pênis ainda duro, logo depois da ejaculação. Apertar a ponta da camisinha enquanto ela é desenrolada para tirar o ar. Se o reservatório destinado ao sêmen estiver cheio de ar, a camisinha pode AN02FREV001/REV 4.0 75 estourar. Usar somente lubrificantes à base d'água. A vaselina e outros lubrificantes à base de petróleo não devem ser usados, já que causam rachaduras na camisinha, acabando com a capacidade dele de proteger contra doenças e gravidez. Transar uma única vez com cada camisinha. Usar a camisinha mais de uma vez não previne contra as DST e gravidez. Guardar a camisinha em locais frescos e secos. Nunca abra a camisinha com os dentes ou outros objetos que possam danificá- la. Em caso de irritação genital, procure o médico. Procure o selo do INMETRO, na embalagem do seu preservativo FONTE: Disponível em: <http://www.aids.gov.br>. Acesso em: dia/mês/ano. Como Usar a Camisinha Feminina Para colocar a camisinha feminina encontre uma posição confortável. Pode ser em pé com um pé em cima de uma cadeira; sentada com os joelhos afastados; agachada ou deitada. Segure a argola menor com o polegar e o indicador. Aperte a argola e introduza na vagina com o dedo indicador. AN02FREV001/REV 4.0 76 Empurre-a com o dedo indicador. A argola maior fica para fora da vagina, isso aumenta a proteção. Depois da relação, retire a camisinha feminina torcendo a argola de fora para que o esperma não escorra e jogue-a no lixo. Nunca use a camisinha feminina mais de uma vez. Cuidados Necessários: Usar a camisinha feminina desde o começo do contato entre o pênis e a vagina. Transar uma única vez com cada camisinha feminina. Usar a camisinha feminina mais de uma vez não previne contra as DST e gravidez. Guardar a camisinha feminina em locais frescos e secos. Nunca abra a camisinha feminina com os dentes ou outros objetos que possam danificá-la. Em caso de irritação genital, procure o médico. Procure o selo do INMETRO, na embalagem do seu preservativo. FONTE: Disponível em: <http://www.aids.gov.br>. Acesso em: dia/mês/ano. 3.4 HOMOSSEXUALIDADE EM SALA DE AULA AN02FREV001/REV 4.0 77 Ainda que nem sempre possamos entender o que a outra pessoa está vivendo, o simples fato de aceitar e poder respeitar que essa é a sua realidade já é o suficiente. (RIESENFELD, 2002, p. 31). FIGURA 33 - DIVERSIDADE FONTE: Disponível em: <www.diariodamanha.com>. Acesso em: 28 fev. 2013. 3.4.1 Pensando a Homossexualidade O tema homossexualidade é cheio de preconceitos e dificuldades. Para trabalhá-lo em sala de aula é preciso conhecer o tema. Assim, vamos a alguns esclarecimentos e dicas de leituras e filmes, pois qualquer desconforto e insegurança quanto ao assunto você terá a oportunidade de repensar neste curso. A sexualidade possui orientações (matizes), as quais norteiam o desejo sexual do indivíduo. O desejo sexual são sentimentos desenvolvidos a partir de fatores ambientais (local onde o indivíduo se desenvolve – família, escola), cognitivos (fenômenos psicológicos – imagens, representações, pensamento) e biológicos (corpo, físico – masculino, feminino), formando o conjunto das expressões naturais da pessoa sexuada, levando em consideração seus desejos e fantasias (resposta erótica da pessoa). O desejo sexual se apresenta detrês maneiras: pode ser heterossexual (desejo por indivíduo do sexo oposto), homossexual (desejo por AN02FREV001/REV 4.0 78 indivíduo do mesmo sexo) ou bissexual (desejo por indivíduos do mesmo sexo e do sexo oposto). Reforçando, por homossexualidade entende-se a manifestação do desejo sexual por pessoas do mesmo sexo. O termo foi introduzido no século XIX por um médico húngaro e engloba aspectos biológicos, emotivos e relacionais. Para que ocorra desenvolvimento pessoal e sexual saudável do(a) homossexual, deve haver aceitação e respeito pela pessoa, com amor e carinho. Aqui entra também o acolhimento da escola e de seus funcionários. Isto não ocorrendo, o desenvolvimento pode se dar de forma desestruturada. Podendo, assim, gerar desequilíbrio e promiscuidade. A dificuldade em ser homossexual não está no desejo em si, mas sim na rejeição pessoal e social. O que contribuiu para a diminuição do preconceito social foi a homossexualidade deixar de ser vista como doença no meio profissional. Hoje os conselhos federais de Medicina e Psicologia não podem mais catalogar a homossexualidade como doença, não tendo, assim, como haver tratamento terapêutico. É terminantemente vedada, por resoluções dos mencionados conselhos, a promessa de “cura”. Deve-se educar para diminuir o preconceito! AN02FREV001/REV 4.0 79 Reforçando! Matizes da Sexualidade FIGURA 34 – OPÇÕES SEXUAIS FONTE: Disponível em: <www.dolado.com.br>. Acesso em: 28 fev. 2013. Heterossexual: Desejo por indivíduo do sexo oposto. Homossexual: Desejo por indivíduo do mesmo sexo. Bissexual: Desejo por indivíduos do mesmo sexo e do sexo oposto. 3.4.2 Homofobia FIGURA 35 - HOMOFOBIA FONTE: Disponível em: <www.portaldacidadaniagay.blogspot.com>. Acesso em: 28 out. 2012. “É um jeito de ser que não pode ser de outro jeito” Marta Suplicy Um levantamento da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO, 2000 in ABRAMOVAY et al., 2004) AN02FREV001/REV 4.0 80 relata que 27% dos(as) estudantes não gostariam de ter um(a) colega de classe homossexual. Sessenta por cento dos(as) professores(as) não sabem como abordar a questão em sala de aula. Trinta e cinco por cento dos pais e mães não apoiam que seus filhos(as) estudem no mesmo local que gays e lésbicas. Esse retrato assustador mostra a importância de se pensar e estudar a homossexualidade humana, pois muitas vezes os próprios pais e professores(as) reproduzem a homofobia, seja no silêncio ou na reprodução da violência. A palavra homofobia deriva de homo = igual e fobia = medo. É definida como o ódio, aversão ou discriminação de uma pessoa diante da homossexualidade e de homossexuais. Muitas vezes é utilizada violência física e/ou verbal. Porém, sua manifestação pode ser por meio do silêncio constrangedor ou por injúrias, gestos e ironia no convívio social. Não há prevenção sem educação e conscientização! Deve-se educar para diminuir o preconceito. Sendo um espaço também de construção da linguagem, é importante a escola ter em mente que o sentimento de atração por uma pessoa do mesmo sexo ou do sexo oposto não é opção nem escolha, para usar de forma correta e não preconceituosa os termos. Neste caso, orientação sexual no lugar de opção sexual. Medidas neste sentido também educam e favorecem a diminuição do preconceito. Finalizando, o que devo fazer para que ocorra desenvolvimento pessoal e sexual saudável e protegido do(a) homossexual? Respeito pela pessoa. Uma das maiores dificuldades do(a) homossexual é a rejeição social. Você sabia? Dia 17 de Maio – Dia Mundial de Combate à Homofobia Você Sabia? Disque 100 – O Disque Direitos Humanos. AN02FREV001/REV 4.0 81 FIGURA 36 - DISQUE 100 FONTE: Disponível em: <www.grupodignidade.org.br>. Acesso em: 28 out. 2012. Serviço de utilidade pública da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. Recebe, dentre outras demandas, denúncias relativas a violações de Direitos Humanos. O serviço funciona 24 horas, todos os dias da semana, inclusive domingos e feriados. A ligação é gratuita e atende ligações de todo o território nacional. Curiosidades: FIGURA 37 – DIA DO ORGULHO GAY FONTE: Disponível em: <www.agenciaaids.com.br>. Acesso em: 28 out. 2012. - Dia do Orgulho Gay O dia 28 de junho foi estabelecido como sendo Dia do Orgulho Gay devido à vitória dos homossexuais à “Batalha de Stonewall”. A batalha foi uma briga ocorrida entre homossexuais e policiais em um bar em Nova York no ano de 1969. Desde então, o mundo comemora esta data por todo mundo no último domingo de junho. http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.agenciaaids.com.br/news_imagens/gayflag.jpg&imgrefurl=http://www.agenciaaids.com.br/Noticias.asp?pagina=94&h=225&w=300&sz=7&tbnid=dSl4svXPNcLOlM:&tbnh=83&tbnw=111&hl=pt-BR&start=41&prev=/images?q=homossexual&start=40&svnum=10&hl=pt-BR&lr=&sa=N AN02FREV001/REV 4.0 82 - Bandeira do Arco-Íris Foi criada em 1978, pelo artista norte-americano Gilbert Baker e possui seis cores: vermelho (vida), laranja (poder), amarelo (sol), verde (natureza), azul (arte), violeta (espírito). FIM DO MÓDULO III