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FISIOPATOLOGIA DA REPRODUÇÃO ANIMAL • PATOLOGIAS/ALTERAÇÕES DE POSIÇÃO • HÉRNIA UTERINA - Ocorre quando um dos segmentos do útero, seja o corpo ou seja os cornos (mais comumente os cornos) atravessam a barreira abdominal, mantendo o peritôneo e a pele íntegros. - Na maioria das vezes, como é difícil atravessar a musculatura abdominal, os segmentos uterinos acabam invadindo o canal inguinal (na imagem abaixo, um segmento do corno uterino está preso dentro do canal inguinal) - Quando o corno invade o canal inguinal é ruim pois o canal inguinal pode comprimir o corno e fechar a circulação dele, deixando-o necrosar e para resolver, apenas com cirurgia - O corno que está herniado pode ficar gestante, e aí a cria se desenvolve dentro dele, sendo uma complicação maior, uma emergência obstétrica. Se ele não for removido, além da morte do filhote a região pode evoluir para uma piometra e se não tratado leva a sepse • TORÇÃO UTERINA - Pode acometer fêmeas de qualquer espécie, mas de longe a mais comumente afetada é a vaca - As vacas são mais afetadas pois possuem um útero bicornual (2 cornos), o ligamento largo e os outros ligamentos que suportam o útero, os ovários e os ovidutos são mais frouxos (mais elástico e mais comprido) do que das outras espécies e elas têm gestação unicornual - Como as vacas possuem uma gestação unicornual, a medida que a gestação procede, há um desequilíbrio do útero, ou seja, fica um pedaço muito grande e pesado de um lado e do outro fica um pedaço muito pequeno e leve do outro - Entre o meio e o final da gestação, isso é, 1/3 final da gestação, o útero se desloca da sua posição pélvica para a posição abdominal, mais para baixo. Isso gera um desequilíbrio pois o útero acaba ficando “torto”, com um lado em baixo e o outro mais para cima preso no ligamento largo - Com o útero “torto”, ele fica pendular (como uma rede) e muitas vezes nisso ele acaba ficando comprido demais e da um giro, ou seja, ocorre uma torção (como torcer uma toalha) - Essa torção causa uma compressão da vasculatura e da inervação, deixando a região torcida isquêmica e gera cólicas (devido ao aumento do tônus muscular pela compressão da inervação) - Geralmente, na maioria dos casos, a correção é cirúrgica - Se der só meia volta, até 45ode torção, às vezes consegue-se desfazer a torção por meio de uma manobra obstétrica, sem cirurgia • RUPTURA UTERINA - Muitas vezes, a torção pode ser tão intensa que gera a ruptura do útero, ou seja, é como se rasgasse a parede do útero. Esse caso pode ocorrer em decorrência de sobrecarga de filhotes (muitos filhotes ou filhotes muito pesados), em casos de edema, auxílio inadequado ao parto (manobra obstétrica inadequada, rasgando o útero e causando sangramento), lavagem do útero pós parto com uma quantidade maior de líquido do que o útero é capaz de suportar etc. - Se a ruptura do útero for muito grande, a fêmea morre de hemorragia • PROLAPSO UTERINO - É uma eversão do útero na direção da vulva, geralmente saindo junto com a vagina (mas nem sempre) - Normalmente, o mais comum é ocorrer no período pós-parto, no período puerperal das vacas, no período de involução uterina pós-parto - Pode acometer outras espécies, mas é mais comum em 1o lugar em vacas e em 2o lugar em cadelas - A causa se dá pela atonia do útero e da musculatura ao redor, ou seja, pela perda do tônus muscular no útero e na vagina. O miométrio é a camada que mantém a forma e a localização do útero, então ele tem um tônus intermediário quando está vazio, e esse tônus é o que mantém o útero no lugar e da a sua forma - Outro músculo que perde o tônus é o músculo constritor da vagina. Esse músculo fica na entrada da vagina, logo após a vulva, ele fecha e mantém a vulva fechada, para evitar a saída das vísceras. - Essa perda do tônus aumenta a abertura e facilita os prolapsos tanto vaginais quanto uterinos - Qualquer coisa que leve a perda ou redução do tônus muscular pode predispor a ocorrência de prolapso uterino - CAUSAS MAIS COMUNS → 1. Manobra obstétrica, pois fadiga a musculatura do útero irritando-a, levando a sua perda do tônus 2. Retenção de placenta, que já está associada a uma atonia uterina (se o útero tiver um tônus normal, ele consegue continuar contraindo após o parto e expulsar os anexos). Isso gera uma inflamação, uma endometrite 3. Hipocalcemia pós-parto, que é mais comum em animais de alta produção de leite que foram alimentados de forma inadequada* *pode acontecer em qualquer fêmea mal alimentada durante o terço final da gestação, já que nessa época a fêmea possui uma demanda maior de nutrientes (de cálcio principalmente) *Animais com hipocalcemia pós parto geralmente terão → retenção de placenta, prolapso uterino e desenvolverão paresia puerperal (fraqueza muscular, muitas vezes caracterizada pela incapacidade do animal de ficar em pé) - O prolapso é ruim pois o útero é um ambiente estéril, ele é exposto a um ambiente externo, que é contaminado e agressivo e que pode levar a uma lesão endometrial. Envolvendo congestão uterina, edema e necrose do endométrio - Essa condição tem que ser corrigida o mais rápido possível - Muitas vezes, as fortes contrações do parto levam a um esgotamento uterino, resultando na atonia pós-parto e essa atonia associada a frouxidão dos ligamentos uterinos (ligamento largo em particular) da vaca favorecem o surgimento do prolapso - TRATAMENTO → ocitocina, pois ela estimula a contração, mas nem sempre ela responde pois e houver uma hipocalcemia ela não funciona. Quando a ocitocina não resolve (na maior parte dos casos) ou quando o animal tem recidivas (repetições), se recorre ao tratamento cirúrgico - Para colocar o útero de volta no local, lava com soro, coloca gelo (que diminui a dor,causa vasoconstrição, reduz a congestão e facilita a reposição do útero) e associa com a ocitocina, que auxilia mantendo no campo - Como na maioria das vezes há recidiva, o tratamento mais eficaz é a correção cirúrgica, coloca no local de volta e sutura parte da vulva (mais ou menos metade, para o animal poder urinar). Na cirurgia não precisa da ocitocina - Nas vacas, o prolapso é mais sério pois a placenta tem uma ligação maior com o útero tem uma penetração maior na parede uterina e por isso ocorre um sangramento maior - A correção tem que ser feita o mais rápido possível pois pode haver morte do animal por hemorragia • ALTERAÇÕES CIRCULATÓRIAS • HEMORRAGIAS - Podem ser normais (fisiológicas) ou não (patológicas) - FISIOLÓGICA → 1. cadelas em proestro e início estro (fase pré-ovulatória), onde há um sangramento parte vaginal e parte uterino decorrente de um estímulo exagerado do estradiol que causa aumento de pequenos vasos sanguíneos que muitas vezes aumentam até se romperem 2. vacas no metaestro (fase pós ovulatória), ocorre um pequeno sangramento que nem sempre é percebido e geralmente está misturado com um muco cervical - PATOLÓGICA → podem ser pequenas ou graves, os casos mais comuns são de: - tumor/neoplasia uterino, geralmente um leiomioma (tumor benigno no miométrio) ou um adenocarcinoma de útero, que pode levar a um comprometimento dos vasos sanguíneos. Tratar o tumor com quimioterapia, radioterapia ou com cirurgia - traumatismo associado a um parto distócico, manobras feitas de forma inadequada que podem resultar em ferimento no útero. Tratar corrigindo a lesão, suturando-a - erliquiose, pois em alguns casos a erliquiose baixa tanto as plaquetas e fragiliza tanto os vasos que pode resultar em sangramento uterino. Tratar a erliquiose, suplementação com vitamina K também ajuda - Na maioria dos casos, acomete animais mais velhos • SUBINVOLUÇÃO DOS SÍTIOS PLACENTÁRIOS (SISP) - O útero após o parto deve involuir, voltar ao normal para a próxima gestação. Esse processo consiste em fagocitose das regiões onde se localizava a placenta, redução de volume celular, descamação da camada epitelial mais superficial, contração da musculatura lisa parareduzir o tamanho e reepitelização (reconstrução do epitélio uterino/mucosa do endométrio) - É caracterizado pelo atraso ou a forma muito lenta da regressão do útero, do endométrio pós parto. Quando isso acontece, geralmente ocorre de forma incompleta - Acomete principalmente cadelas jovens (< 3 anos) - Pode resultar em sangramentos na região onde ficava os sítios placentários - Normalmente é caracterizada por uma hemorragia recorrente (que dura > 7 semanas), pois a região onde havia os vasos sanguíneos placentários não regrediu então o animal continua perdendo sangue (era para o local cicatrizar depois da placenta sair) - No US é observado pequenas massas esféricas, que são as regiões onde a placenta estava presa ao útero - TRATAMENTO → 1. A maioria dos casos não requer tratamento, fica por 2 a 3 meses e depois se auto-resolve. Auto cura 2. Metilergometrina – Methergin (nome comercial) → utilizado quando não se auto resolve. Se após 2 meses não se auto curar, utiliza esse agonista adrenérgico (alcaloide) que promove vasoconstrição e aumento do tônus muscular do miométrio. Então, promove retração e constrição do vaso (evita o sangramento) e aumenta o tônus muscular do miométrio (fazendo com que o útero regrida ao seu tamanho normal) 3. Se nenhuma opção resolver, a solução é a castração (OSH) pois o animal vai ficar sangrando direto, não vai gestar de novo e tem o risco de desenvolver piometra • ALTERAÇÕES REGRESSIVAS • HIPOTROFIA ENDOMETRIAL - É a perda da função trófica do ovário, ou seja, é a perda do tecido endometrial, o endométrio fica bem pequeno - Para o endométrio funcionar, precisa do estímulo ovariano. O ovário estimula o endométrio via produção de estradiol e progesterona e o endométrio influencia o ovário, via produção de PGF2-α, promovendo a luteólise - Se o útero sofrer uma lesão muito grande no endométrio, ele perde a capacidade de produzir PGF2-α. Se ele perder essa capacidade, o ovário fica preso com um CL persistente (não consegue fazer a luteólise) e esse cisto folicular persistente causa um hipercrescimento endometrial, gerando muitas vezes a presença de cistos no endométrio (por culpa do ovário) - No ciclo ovariano, os folículos vão crescendo e depois de crescer produzem estradiol, que afeta o oviduto e o útero, estimulando a multiplicação celular e a mitose. Nesse caso, o endométrio cresce e as glândulas endometriais uterinas se desenvolvem, esperando o embrião chegar, o qual depende da atividade dessas glândulas uterinas para nutrí-lo e sustentar seu crescimento até que se implante e forme a placenta - Para as glândulas produzirem, precisam de estímulo hormonal. No final do crescimento folicular, o folículo ovula, o embrião chega e no lugar do folículo ficará um CL, que produz progesterona e modifica o comportamento do endométrio, fazendo com que as glândulas endometriais comecem a sair da fase proliferativa (multiplicação celular) e entrem na fase secretória (produção da secreção chamada de “leite uterino”*) *o leite uterino é uma secreção rica em muco e mucina, glicose ~~~~ - Na ausência de um embrião, a mucosa do útero produz PGF2-α, que produz a luteólise, baixa na progesterona e reiniciando o crescimento folicular - Se houver uma lesão no ovário, como um cisto folicular, o animal entra em um quadro de ninfomania (cio persistente), o endométrio será superestimulado pelo estradiol (estará em quantidades muito altas) e esse superestímulo muitas vezes faz com que as glândulas cresçam tanto que começam a ficar tortuosas e a secreção que era para nutrir o embrião fica presa dentro da glândula e começa a se acumular, aparecendo vários cistos dentro do útero, dentro do endométrio. Essa condição é chamada de hiperplasia endometrial cística (o endométrio fica cheio de cistos porque o ovário parou pela superestimulação) - Uma lesão no endométrio, que no caso é uma hipotrofia, onde o endométrio atrofia de tamanho reduz e perde a atividade, afeta o ovário - Se o endométrio estiver lesionado, ele não produz a PGF2-α, e sem ela depois da ovulação o CL não é destruído (deveria ser), ficando um CL persistente (cisto de corpo lúteo) e o ovário acaba não funcionando por causa do útero e vice versa - A sintomatologia do CL persistente é o anestro do animal, que não emprenha pois não entra no cio e não é coberta - Sempre que o endométrio atrofia, está relacionado a falta de estimulação ovariana. Sempre que o ovário deixa de estimular o endométrio, há hipotrofia endometrial - ETIOLOIGA → O ovário não consegue estimular o endométrio quando: 1. Castração (ovariectomia) → ele não existe, pois foi retirado 2. Hipopituitarismo → redução da hipófise, o ovário não é estimulado pela hipófise. Há uma lesão da hipófise (hipopituitarismo), onde as gonadotrofinas (FSH e LH) não são produzidas e sem o estímulo hipofisário não há crescimento dos folículos e falta estradiol para estimular o endométrio 3. Inanição crônica e doenças crônicas caquetizantes→ o animal está passando fome, anoréxico. Quando o animal está caquético, a atividade ovariana é cessada (hipotrofia ovariana) pois toda a energia e nutrientes do animal são priorizadas para a sua sobrevivência e como não há estímulo hormonal ovariano no endométrio, o endométrio acaba atrofiando. As doenças caquequizantes podem ser: diabetes, neoplasias, hiperparasitismo, hiperadrenocorticismo, hipertireoidismo etc. - CARACTERÍSTICAS → 1. O endométrio perde a sua característica de ter a mucosa crescida e ondulada, fica liso, sem crescimento, bem fino (delgado) e muitas vezes fica quase transparente. Perde sua coloração rosada normal saudável e fica acinzentada 2. As glândulas endometriais são todas destruídas - TRATAMENTO → - Se for em decorrência de uma castração, foi por um procedimento inadequado pois é raro tirar só o ovário e deixar o útero, pois isso predispõe a uma piometra - Se for em caso de hipopituitarismo, resolve se houver solução, como por exemplo um tumor de hipófise (se for possível remover) - Se for por uma doença crônica tem que tratar essa doença - Se for por inanição, trata alimentando o animal de forma adequada - É reversível até certo ponto pois se essa hipotrofia permanecer por um período muito prolongado, se torna irreversível • MUCOMETRA E HIDROMETRA - O muco ou líquido que deveria ser drenado para fora do corpo não é drenado e acaba havendo um acúmulo de um ou outro dentro do útero - Em outras palavras, os dois são “a mesma coisa”, ou seja, é o acúmulo de secreção mucosa (mucina) no interior do útero - O que diferencia a muco da hidrometra é a viscosidade, a proporção de água dentro do muco (gl da mucosa) → I. MUCOmetra → ↓ água, viscoso, mucina⭡ ⭡ II. HIDROmetra → água, ↓ viscoso, ↓mucina⭡ - É popularmente conhecida como “gravidez psicológica”, mas não é gravidez (gestação) e nem é psicológica, mas sim uma patologia uterina, física - Se não for tratada, pode haver contaminação bacteriana, seja ela ascendente ou hematógena, levando a um quadro de metrite - TRATAMENTO → puncionar, esvaziar - Nesse caso, a causa muitas vezes está no ovário (CL persistente). No CL persistente, a progesterona está alta e a cérvice está fechada. Como a progesterona estimula a secreção das glândulas, há uma hipersecreção e a cérvice estará fechada, havendo um acúmulo de secreção e consequente aumento do útero, parecendo uma gestação. É confundido com uma gestação também pois como a progesterona está alta, o animal desenvolve o comportamento de habilidade materna, estimula as glândulas mamárias (os alvéolos) etc. *o que estimula o crescimento dos ductos é o estradiol - Se houver uma contaminação bacteriana pode virar uma piometra pois é um material nutritivo, rico em açúcar (para nutrir o embrião) e além disso, quando a progesterona está alta a imunidade está baixa, o animal fica imunossuprimido (a imunidade baixa pois o feto pode ser reconhecido como um corpo estranho) e não há a chegada de neutrófilos no útero (comonormalmente teria) - “vacina anticio” → versões sintéticas da progesterona, ao aplicar há uma liberação lenta de progesterona ao longo de 6 meses ou 1 ano (dependendo da prescrição). A consequência é que o útero da cadela é feito para lidar com a progesterona por até 60 dias (período da gestação ou diestro) e após esse tempo, por cerca de 3 meses ela fica em anestro e nesse período nada ocorre no ovário e o útero tem um período de descanso até o próximo ciclo, que ocorre em média a cada 6 meses. A progesterona sem necessidade causa uma superestimulação mamária, superestimulação das glândulas endometriais, imunidade comprometida por um período prolongado. Então, se há um acúmulo de solução nutritiva + imunidade baixa, qualquer contaminação que chegar no útero vai virar uma metrite (inflamação de 2 ou 3 camadas do útero, geralmente são o endométrio e miométrio juntos) e dependendo de qual microrganismo chegar lá, a metrite pode evoluir para uma piometrite (piometra). O contraceptivo hormonal aumenta o tempo de exposição (baixa imunidade do animal) a microrganismos. A cérvice fica fechada ou semifechada *mesmo cadelas que nunca tenham cruzado e nunca tenham feito tratamento hormonal/tomado contraceptivo podem desenvolver piometra pois se ela não cruzar, passa 60 dias vulnerável a entrada de microrganismos - Efeito da progesterona no tônus do miométrio → ↓ o tônus do útero, pois fecha a cérvice - Se a progesterona está alta, não há um fluxo de material do útero para a vagina, pois o tônus uterino está baixo e portanto a cérvice está fechada ou semi fechada. Esse fluxo, típico de estro e proestro, faz com que qualquer microrganismo que caia seja jogado para fora do útero. Com a progesterona presente, o material fica dentro do útero - “O útero tem várias defesas, mas a progesterona desarma todas elas” - Essa condição também pode ocorrer quando há uma obstrução da cérvice ou da vagina pois se alguma delas está fechada o material uterino não é drenado para fora - Também pode ocorrer em situações de cisto folicular, que gera hiperestrogenismo, que causa superestimuação das glândulas ou a persistência do hímen, pois ele reduz a drenagem de material, resultando no acúmulo desse material - TRATAMENTO → conforme a causa: 1. Se for persistência do hímen, faz a remoção do hímen 2. Se for cisto folicular, faz o animal ovular 3. Se for CL persistente, faz a luteólise - No caso acima, o animal apresentava hidrometra. Nesse caso, a causa era um CL persistente e por isso foi feito um tratamento com prostaglandina (PGF2-α), o qual destruiu o CL, os folículos voltaram a crescer e o estrógeno causou a abertura da cervice e com essa abertura o material foi drenado - PRINCIPAIS SINAIS PRECOCES (tardiamente se vê a barriga crescendo continuamente) → 1. Anestro → devido a presença do CL persistente 2. Aumento de volume uterino → devido ao acúmulo de material dentro do útero 3. Aumento da cavidade abdominal → mais pronunciada em carnívoros (cadela, gata), ovinos e caprinos (pequenos ruminantes), em animais de porte maior é menos pronunciada - DIAGNÓSTICO → histórico reprodutivo do animal, palpação para constatar a presença de um CL persistente, US para confirmar a presença ou não de fetos - PROGNÓSTICO → bom pois CL persistente é destruído facilmente com hCG. Às vezes, essa condição pode ocorrer decorrente de uma aplasia segmentar e nesse caso não tem como drenar pois como falta uma parte do caminho, termina em fundo cego (prognóstico ruim), então, nesse caso dependendo da espécie faz a castração ou descarte *cisto folicular: ninfomania. CL persistente: anestro • CISTOS ENDOMETRIAIS - Um cisto endometrial é um acúmulo de líquido localizado dentro do endométrio - Pode ter 2 causas → dilatação seguida de obstrução: 1. Obstrução dos vasos linfáticos que drenam o excesso de líquido de volta para a circulação 2. Obstrução das glândulas endometriais - Causam alterações na estrutura do endométrio, pois começa a aparecer uma série de cistos - É mais comum em animais velhos → está relacionado com fibrose uterina e presença de vasos linfáticos obstruídos. Fibrose uterina está relacionada com obstrução dos vasos linfáticos. Muito observado em éguas - Animais jovens → geralmente está associado a endometrites, ocorrendo durante a endometrite ou como sequela desta - Dilatação dos vasos linfáticos → obstrução devido ao processo de cicatrização que ocorre nas fibroses com deposição de colágeno - Dilatação das glândulas endometriais → está relacionada com uma hiperestimulação estrogênica (hiperestrogenismo), que ocorre em cistos foliculares, plantas abortivas (que acumulam nas suas folhas a substância chamada fibra estrógeno, que é muito parecida com estrógeno, a ingestão é mais comum por ovelhas). - Os cistos podem ser únicos (nos casos de obstrução) ou múltiplos (nos casos de hiperestrogenismo) - Os cistos podem crescer até 20cm - Com a obstrução, os espermatozoides não conseguem passar pelo útero e chegar no oviduto ou quando conseguem, o embrião não consegue se implantar - SINTOMAS - repetição de cio → no caso do cisto folicular por não haver ovulação e nos casos sem cisto folicular, os cistos endometriais dificultam a passagem do espermatozoide, portanto reduzindo as chances de fecundação e com isso ele repete o cio (pois não vai emprenhar) ou quando há a fecundação o embrião não se implanta pois os cistos atrapalham a fixação - Aumento da parede uterina - Aumento do volume uterino - DIAGNÓSTICO → 1. Palpação retal para os cistos maiores, é comum 2. US, que é o mais eficaz, é comum 3. Biópsia, eventualmente, não é comum - PROGNÓSTICO → reservado (ruim), pois muitas vezes o cisto compromete a saúde do endométrio - TRATAMENTO → 1. Começa fazendo uma lavagem diária do útero com solução fisiológica morna (42a 45oC). Lava e drena várias vezes para melhorar a circulação sanguínea do útero e ocorrer uma regressão dos cistos 2. Se a lavagem e drenagem não funcionar, pode fazer a remoção cirúrgica dos cistos maiores ou fazer a castração ou descartar o animal • ALTERAÇÕES PROGRESSIVAS • HIPERPLASIA ENDOMETRIAL - É a alteração progressiva mais importante - Também pode ser chamada de hiperplasia endometrial cística ou endometrite hiperplásica cística - Nas cadelas, essa patologia geralmente era considerada uma só junto com a piometra, ou seja, parte da piometra. Hoje não é mais assim, são consideradas duas patologias separadas que ocorrem ao mesmo tempo - É muito comum um animal que tem piometra, antes dela desenvolver hiperplasia endometrial cística, ou seja, geralmente a hiperplasia antecede a piometra - Ocorre um espessamento excessivo e irregular do endométrio, resultante de um distúrbio hormonal - Ocorre um espessamento do endométrio e a presença de múltiplos cistos - Geralmente está associado com hiperestrogenismo - Nas cadelas, geralmente antecede a piometra - CAUSAS MAIS COMUNS DO HIPERESTROGENISMO → 1. vacas →cisto folicular 2. ovelhas → ingestão de plantas contendo fitoestrógeno 3. éguas → cisto folicular (hiperestrogenismo) 4. cadelas → piometra - CONSEQUÊNCIAS → espessamento do endométrio, encistamento de glândulas endometriais, edema do estroma, acúmulo de muco no lúmen uterino *, *podendo resultar na ocorrência de mucometra ou hidrometra, que se não tratadas podem evoluir para uma piometrite (piometra) - TRATAMENTO → depende da etiologia (causa). Se for de causa infecciosa, faz-se o uso de antibiótico e se for por hiperestrogenismo tem que combater* *se for por planta, separar o animal daquela área, mudar a dieta. Se for por cisto folicular, usa hCG ou GnRH para promover a ovulação do cisto • ALTERAÇÕES INFLAMATÓRIAS - ÚTERO NORMAL → possui grande resistência a infecções, a susceptibilidade está relacionada a fase do ciclo estral 1. Fase estrogênica → a) atividade do sistema imune: presença de infiltrados neutrofílicos. É comum que quando se faz citologia vaginal ou coleta de materialuterino na fase do estro ou proestro, encontre a presença de neutrófilos b) tônus uterino: empurra o material em direção a vagina, criando um fluxo de material facilitando a eliminação de microrganismos - presença de quantidades significativas de imunoglobulinas (IgA, que são anticorpos de mucosa) 2. Fase progesterônica → a) A progesterona causa uma remoção de receptores de ocitocina, então há uma diminuição da contratilidade uterina b) Reduz a imunidade, ou seja, a atividade leucocitária pois tem efeito imunossupressor (imunossupressor durante a gestação) c) Menor fluxo sanguíneo no útero d) A queda da imunidade é uma junção de todos esses fatores, o que aumenta a susceptibilidade a infecções e) Todos esses efeitos são promovidos também pela “vacina anticio” por até anos - As infecções uterinas são mais comuns no período pós-parto, pois nesse período a cérvice está aberta para o feto passar. É comum a entrada de microrganismos, mas como a carga bacteriana é baixa, o sistema imune consegue combater, recuperação espontânea → 1. Éguas → normalmente a infecção se dá por Streptococcus, de 1 a 3 dias pós- parto 2. Vacas → por Corynebacterium (arcanobacter) pyogenes e E. Coli - Se o sistema imune está comprometido (progesterona alta) e a carga bacteriana for mais alta, é mais difícil para o sistema imune combater - FATORES PREDISPONENTES → 1. Microrganismos de patogenicidade e quantidade/carga alta 2. Retardamento da involução uterina 3. Redução do tônus muscular, pois sem ele o útero demora a voltar e o epitélio não se reconstrói. O período normal da involução uterina normal após o parto é de: a) Égua → 9 dias b) Cadela → 9 a 12 semanas (2 a 3 meses) c) Porca → 20 dias d) Vaca → 50 dias • CLASSIFICAÇÃO DAS INFLAMAÇÕES - podem variar quanto a localização → 1. Endometrite → acomete o endométrio 2. Miometrite → acomete o miometro 3. Perimetrite → acomete o perimétrio 4. Metrite → acomete 2 ou mais camadas 5. Cervicite → acomete a cérvice - também pode variar quanto ao curso → 1. Agudo → carga bacteriana alta 2. Crônico - CAUSAS/ETIOLOGIA/AGENTES → pode ser de origem infecciosa, que é uma das mais comuns, como por bactérias, vírus, protozoários e fungos. Essa causa infecciosa pode ser secundária a 1. Lesão por calor (físico)→ lavagem com soro que era pra ser morno e está muito quente e acaba queimando o endométrio 2. Produtos químicos → como permanganato de potássio, iodo ou outras soluções irritantes dentro do útero, causando uma irritação do endométrio 3. Traumáticos → geralmente ocorrem durante as manobras obstétricas durante o parto distócico - QUANTO AO EXSUDATO RESULTANTE DA INFLAMAÇÃO → 1. Seroso → quando é mais proteico 2. Fibrinoso → quando contém fibrina (relacionado a cascata de coagulação) 3. Serofibrinoso → uma mistura de seroso e fibrinoso 4. Purulento → que se tem na piometra 5. Necrótico → quando se tem um odor de células mortas - QUANTO A VIA DE CONTAMINAÇÃO/INFECÇÃO DO ÚTERO → 1. Ascendente → a partir da vagina 2. Hematógena → a partir da corrente sanguínea • METRITE INFECCIOSA EQUINA - É um quadro mais comum de acometer éguas - Há acometimento do miométrio e do endométrio - O tipo de corrimento pode variar → seroso, aquoso, serofibrinoso, fibrinoso ou sanguinolento - TRATAMENTO → antibióticoterapia e anti-inflamatórios (não pode ser a base de dexametasona pois tem efeito imunossupressor por ser corticoide*). O melhor anti-inflamatório é o BANAMINE (flunixin meglumine). Em casos mais graves, fazer a castração *NUNCA utilizar corticoide sozinho em um quadro infeccioso, pois sem o antibiótico piora o quadro