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FISIOPATOLOGIA DA REPRODUÇÃO
• PATOLOGIAS DOS OVIDUTOS
- é semelhante às patologias do epidídimo, pois assim como o testículo está 
para o ovário, o oviduto está para o epidídimo
• TUBA UTERINA ACESSÓRIA 
- é uma tuba uterina extra
- geralmente é decorrente de uma duplicação das tubas, então muitas vezes é 
bilateral
- elas (as tubas duplicadas) geralmente encistam, então há cistos nas mucosas 
delas → quando os cistos crescem exageradamente podem causar obstrução 
delas
- ÉGUAS → as tubas uterinas acessórias podem levar à subfertilidade e à 
infertilidade pois elas levam à obstrução tanto delas mesmas quanto das tubas 
verdadeiras (que não são as acessórias, que funcionam)
- podem ocorrer também em vacas e porcas
- geralmente são decorrentes de alteração no desenvolvimento dos ductos de 
Muller
- quase sempre haverá a formação de cistos
• AGENESIA DE TUBA UTERINA 
- Uma das patologias mais difíceis de diagnosticar se não fizer a palpação ou 
US → só de forma clínica é inexplicável, o animal fica repetindo o cio e não se
sabe a causa
- Ausência da formação da tuba uterina
- Pode ser total ou uma aplasia segmentar, quando se forma só uma parte dela
- Acomete todas as espécies
- O animal nunca vai emprenhar → o espermatozoide nunca vai conseguir 
chegar até o óvulo devido à ausência de uma passagem para que eles se 
encontrem, que também é o local onde ocorre a fecundação
- É muito mais comum nos animais intersexos → Freemartin, pseudo-
hermafrodita, hermafrodita verdadeiro
- É genético → prognóstico: descarte para a reprodução, seja qual for a 
espécie
- Sintomatologia → infertilidade
• APLASIA SEGMENTAR 
- É semelhante à agenesia, diferindo em ser a falta de apenas um segmento da 
tuba, enquanto a aplasia é uma ausência total
- É mais comum em bovinos
- Está relacionada a problemas no desenvolvimento dos ductos de Muller
- É a principal malformação congênita da tuba
- SINTOMATOLOGIA → Pode ser UNI ou Bilateral
1. UNI → animal subfértil; repetição de cio pois todas as vezes em que a fêmea 
ovular do lado em que é aplásico, não haverá fertilização resultando na 
repetição de cio
2. BI→ animal infértil 
- Hidrossalpinge → acúmulo de líquidos aquosos na tuba aplásica. Os líquidos 
serão produzidos pela parede da tuba, que é constituída por um epitélio ciliar 
com abundante secreção líquida rica em nutrientes. A função desses cílios é 
movimentar os gametas e viabilizar a fecundação, quando o estradiol/estrógeno
está predominando o batimento ciliar se dá na direção do útero para o ovário e 
quando a progesterona está predominando, os cílios batem na direção do ovário
para o útero (movimentar o óvulo recém ovulado em direção ao útero).
A secreção do oviduto tem a função de sustentar metabolicamente o embrião 
pois ele está cercado pela zona pelúcida, que impermeabiliza a célula, 
protegendo-a contra infecções mas ao mesmo tempo impedindo o fluxo de 
substâncias para dentro e para fora da célula. Então, essa secreção serve para 
sustentar o óvulo até ele chegar ao útero, se implantar e formar a placenta (que 
o sustenta até o final da gestação).
Em uma fêmea saudável, o líquido é continuamente drenado da tuba para o 
útero, do útero para a vagina e da vagina para o meio externo.
Se o animal tiver uma aplasia segmentar, o líquido não consegue ser drenado e 
se acumula, condição essa conhecida como HIDROSSALPINGE
- DIAGNÓSTICO → palpação retal (mais barato) ou ultrassonografia (caso 
não se tenha segurança na palpação)
- em animais de pequeno porte como ovelhas e cabras, se percebe quando vai 
fazer IA. Nessas espécies, na ovelha principalmente, é feita por via 
laporoscópica, pois a cérvice da ovelha possui anéis alternados o que faz com 
que a IA por via cervical tenha baixa eficiência
- PROGNÓSTICO → pela causa ser genética e por isso transmissível, é 
RUIM. Nas espécies que não possuem valor afetivo, faz-se o descarte (para 
abate ou trabalho) e nos animais que têm valor afetivo, recomenda-se fazer a 
castração (ovariossalpingo-histerectomia)
• H IDROSSALPINGE 
- É uma das complicações comuns da aplasia segmentar
- É o acúmulo de secreção líquida aquosa, portanto de natureza seromucosa 
(mais sero do que mucosa) dentro da tuba uterina
- ORIGEM → na maioria das vezes é pela má formação congênita associada à 
aplasia segmentar. Algumas vezes, pode ser em decorrência de uma sequela, 
processo inflamatório, como inflamação por agente infecciosos associados a 
piometra, metrites, ou decorrentes da produção de embriões (manipulação na 
laparoscopia causa inflamação)*
*no processo da inflamação, há o tumor (edema/não canceroso). Esse edema 
geralmente está relacionado com o aumento da permeabilidade vascular e 
exsudato fibrinoso. A fibrina, do mesmo jeito que ela causa coagulação 
sanguínea em um processo normal, ela também causa aderência nos tecidos, 
como se fosse um coágulo semelhante a uma massa grudenta, levando a muitas
vezes o útero a aderir na alça intestinal. Quando começa a aderir vísceras, o 
animal tem que ser descartado, pois inviabiliza a manipulação do útero.
Se a aderência ocorrer dentro do oviduto, causa obstrução (mesma situação da 
aplasia segmentar, o líquido se acumula e gera hidrossalpinge)
- SINTOMATOLOGIA → 
1. UNIlateral → não se vêm muita complicação pois no ovário contralateral 
continua havendo ovulação, continua havendo ciclo e será observado algumas 
vezes repetição de cio. Quando o ovário que está obstruído ovular, repete o cio 
e no ciclo seguinte, ovula no outro ovário (que não está obstruído) e emprenha,
acaba que passa desapercebido o ovário obstruído
2. BIlateral → a repetição de cio irá ocorrer sempre, constantemente, persistente 
pois os dois lados estarão obstruídos. Repete o cio dos dois lados, e não só em 
1 como na unilateral
- PROGNÓSTICO
1. Ruim → bilateral é ainda pior pois não emprenha. Unilateral consegue 
emprenhar, mas não é recomendado pois não se sabe se a causa é genética ou 
inflamatória, por isso é importante saber o histórico do animal, pois se o 
animal já tiver emprenhado antes e de repente começa a alternar, a causa é 
inflamatória, então pode utilizar o animal pois não vai transmitir 
2. Sugestivo de descarte, em função de questões hereditárias, caso não se tenha 
como distinguir
• CISTOS
- Cistos da mucosa → geralmente são decorrentes de processos inflamatórios, 
associados a inflamação. Alteram a superfície do oviducto, os cílios morrem, a 
natureza da secreção vira inflamatória e isso compromete a fertilização. Tem 
que tratar de forma que regrida a infecção, regredindo assim as estruturas 
císticas. Se forem muito grandes, podem obstruir os ovidutos. O processo 
inflamatório é qualquer um que vier do útero ou via hematógena, como 
escherichia, leptospira, clamídia, brucelose, tuberculose etc.
- Cistos intra-epiteliais → estão associados, geralmente, a atividade hormonal. 
Na maior parte das vezes são pequenos e assintomáticos. Geralmente estão 
associados com o uso excessivo de OCITOCINA.
• METAPLASIA ESCAMOSA
- Há um epitélio predominantemente mucoso, composto por células mucosas, 
geralmente cúbico/colunar e esse epitélio perde as células mucosas, as células 
deixam de ser cúbicas/colunares e se tornam achatadas
- Muitas vezes (mas nem sempre) é uma alteração pré-cancerosa
- Também pode ter causa nutricional ou por toxina
- É mais comum acometer porcas que estão no puerpério
- Principais causas → deficiência de vitamina A ou ingestão de alimento 
contaminado com a Micotoxina Zearalenone F-2, produzida pelo fungo 
Fusarium*
*micotoxina Zearalenone F-2 (Fusarium) → tem ação/efeito hormonal, 
tornando uma superestimulação da mucosa. O alimento é contaminado 
geralmente quando é armazenado de forma inadequada por um período 
prolongado, o fungo cresce e produz a toxina, que é o problema (mesmo que o 
fungo morra, a toxina fica e se acumula no organismo). Essa toxina tem ação 
de estrógeno, ocorrendo uma superestimulação do endométrio (muitas 
vezes se formam cistos endometriais),na cérvice, na vagina e na glândula 
mamária.
- Como há cistos e todo um problema no trato reprodutivo, o animal terá 
problemas de fertilização
• SALPINGITE
- São inflamações da tuba uterina de origem infecciosa, na maioria das vezes
- Os microrganismos na maior parte das vezes vêm por via ascendente → do 
útero ou da vagina
- Normalmente estão associados a processos inflamatórios e eventualmente 
pode vir por via hematógena
- Geralmente são bilaterais, pois esse tipo de infecção geralmente não se limita 
a uma tuba, acometendo também o útero e portanto a outra tuba
- Pode ocorrer secundariamente a hemorragias ovarianas
- Agentes mais comuns causadores de infecção → Streptococcus, 
Staphylococcus, Campylobacter*, Brucella abortus, Mycobacterium 
tuberculosis e Tritrichomonas foetus (tricomonose)
*Muito comum de dar problema em ovidutos, as campilobacterioses possuem 
alto risco de transmissão zoonótica
- A gravidade dos sinais clínicos depende do agente causador, se for mais ou 
menos patogênicos
- SINAIS CLÍNICOS MAIS GRAVES → nos casos de brucelose, tuberculose 
e campilobacteriose
- DIAGNÓSTICO →
1. palpação retal → principal via, mais prática e rápida. Permite sentir a 
consistência e a sensibilidade da estrutura. É percebido: aumento do volume, 
sinais da inflamação, edema, dor aderência (devido ao exsudato fibrinoso)
2. exame de imagem → principalmente em animais que não da para fazer a 
palpação, como em cadelas
- PROGNÓSTICO → reservado a ruim, pois os casos de inflamação de tuba 
leva a uma destruição do epitélio e muitas vezes o órgão fica comprometido
- TRATAMENTO → 
- formas leves → tratamento para catarro genital, que é antibioticoterapia de 
largo espectro e anti-inflamatório (o que da a melhor resposta é o flunixin 
meglumina)
- formas mais graves → o oviduto já está completamente comprometido, já 
perdeu todo o epitélio ciliar e as glândulas, então não dá parra reverter, pois já 
ficou todo fibrosado e um oviduto fibrosado significa um animal infértil. 
Descarte
*sempre que se resolver não descartar o animal e sim tratá-lo, usa-se a 
flunixina, comercialmente conhecido como banamina
- Sempre acompanhar a fêmea, pois nem sempre ela vai responder
• NEOPLASIAS DE OVIDUTO
- São muito raras (provavelmente não cairá na prova, devido a raridade)
- TIPOS→ adenoma, carcinoma e adenocarcinoma. O que difere um do 
outro é o tipo de tecido envolvido, se é parênquima ou mesênquima. 
Consequentemente, se muda o tecido, muda a chance e a intensidade do 
pleomorfismo, das variações, da malignidade, das chances de metástase etc.
- Geralmente, os tumores que aparecem no oviduto, não se originam no 
oviduto, mas sim em outros órgãos. Na maioria das vezes → fígado, e trato 
respiratório.
- Ou seja, as neoplasias de oviduto são metástase de outro tumor principal (que
geralmente são originados ou no fígado ou no trato respiratório)
• PATOLOGIAS DO ÚTERO
- Anéis cervicais (no interior da cérvice) → possuem a função de selecionar o 
fluxo para dentro e para fora do útero, permitindo a passagem de gametas e 
fluido e limitando a passagem de microrganismos. São oriundos de pregas 
(pregas cervicais) que variam dependendo da espécie, em algumas elas são 
circulares e coincidentes, em outras são circulares e não coincidentes
- Nem todo útero é córneo → a maior parte das espécies domésticas tem, 
apenas os primatas (incluindo humanas) não têm (aves não têm pois não 
possuem útero)
- O útero é mantido no lugar sustentado pelo ligamento largo, que se ramifica e
origina o ligamento intercornual (entre os cornos)
- O que separa o corpo uterino dos corpos uterinos é o septo intercornual
- Quando a fêmea tem piometra, ela acomete tanto o corpo quanto os cornos 
uterinos 
- O útero começa na cérvice, que é a fronteira entre a vagina e o útero 
propriamente dito. Depois vem o corpo uterino, que será maior ou menor, 
dependendo da espécie. Seguindo de forma ascendente, vêm os cornos 
uterinos, que se iniciam no septo intercornual
- A cérvice uterina filtra a passagem do que vier, que geralmente são gametas, 
muco e microrganismos entre o útero (ambiente tecnicamente estéril) e a 
vagina (ambiente microbiologicamente colonizado, que possui uma flora 
normal), evitando que os microrganismos passem para o ambiente estéril (que 
geralmente possui menos defesa que a estrutura colonizada, que seria a vagina)
e prosperem lá, causando problemas
- VANTAGENS DAS PREGAS CERVICAIS → quando o animal ejacula, elas 
selecionam os espermatozoides móveis dos imóveis, ou seja, os 
espermatozoides defeituosos ficam retidos na cérvice, não conseguem 
atravessar os anéis, apenas os viáveis
- Internamente, a parede do útero é formado por 3 camadas, de dentro para 
fora, onde há a luz do útero (da cavidade do útero para dentro) →
1. endométrio (mucosa uterina)
2. miométrio (parte muscular)
3. perimétrio (parte serosa)
- Quando há uma infecção uterina, não obrigatoriamente ela irá acometer o 
útero todo → 
1. endometrites → quando a infecção acomete só o endométrio (as outras 
camadas estão íntegras)
2. miometrites
3. perimetrites
4. metrite → + de 1 camada, sem acúmulo de secreção purulenta
5. piometrite (piometra)→ infecção com acúmulo de secreção purulenta
- endometrite ≠ metrite → endometrite acomete só o endométrio e a metrite 
acomete mais de uma camada
- Tudo o que acontece durante o cio e a gestação ocorre no endométrio
- O miométrio só se desenvolve ativamente → um pouco no metaestro ou no 
diestro e no parto
- O miométrio geralmente é a camada mais desenvolvida
- O útero sob influência da progesterona está na fase proliferativa
- Na fase secretória, as glândulas endometriais aumentam de tamanho, então o 
endométrio fica maior e cheio delas 
- Fase proliferativa → crescimento celular e glândulas pequenas
Fase secretória → as glândulas ocupam todo o endométrio e são 
“encaracoladas”
- Glândulas secretórias → produzem uma secreção nutritiva que possui a 
função de sustentar os conceptos até que a placenta se forme. O corpo lúteo 
sustenta a atividade dessas glândulas, o estradiol que vem da fase folicular faz 
essas células se multiplicarem, para na fase secretória a progesterona fazê-la 
funcionar
• ALTERAÇÕES CONGÊNITAS 
- ÚTERO DUPLO
- É um útero só, mas como se fossem 2
- Falha na divisão do ducto de Muller → na hora da formação do septo 
intercornual, ele invade a cérvice e a divide ao meio, então fica como se 
fossem 2 cérvices, uma para cada corno, totalmente separadas uma da outra
- Se é congênito, então é genético, decorrente de uma má formação 
embrionária
- Em 1 espécie é normal, os lagomorfos
- CONSEQUÊNCIA → o animal no cio, ovula de um lado e o ejaculado vai 
para o outro lado, e acaba que não há fecundação
- Em suínos e equinos, há uma etapa na gestação que é o processo de migração 
dos conceptos → depois da fertilização, os embriões chegam no útero (nos 
suínos coletivamente e nos equinos unitariamente) e antes de se fixar no útero 
para gerar a placenta e a gestação, eles migram por todo o útero por cerca de 2 
a 3 dias. Essa migração ocorre para haver o reconhecimento materno da 
gestação, pois há a sensibilização do útero (ele produz a gonadotrofina 
coriônica, silenciando o útero para não produzir PG) para que a fêmea perceba 
que ela está prenha e sustente a gestação. Se o concepto não fizer isso, as 
regiões do útero pelas quais ele não passou, irão produzir PGF2-α, que faz 
luteólise e aborto*
*não chega a ser aborto pois não virou feto, é uma perda embrionária
- APLASIA SEGMENTAR
- O segmento do útero não se forma → geralmente é um dos cornos que não se 
forma adequadamente
- Antes de receber esse nome, era chamado vulgarmente como “Doença da 
Novilha branca” pois essa condição foi diagnosticada pela 1a vez em novilhas 
brancas da raça Hereford, os animais vermelhos eram normais e os brancos 
(homozigotos) eram aplásicos. Shorthorn: gene recessivo ligado a pelagem
- É caracterizada por uma ginatresia do útero (do canal útero-vaginal)- Pode ocorrer nas novilhas brancas e também nos suínos
- DIAGNÓSTICO → palpação e US
- PROGNÓSTICO → por ser genético, sugere-se o descarte
- Aplasia total → chama-se de útero unicorno
Aplasia parcial → falta apenas uma parte do corno
- Geralmente ocorre próximo da região do segmento intercornual 
- Geralmente no corno incompleto, ocorre mucometra, ou seja, um acúmulo de 
secreção mucosa no útero que é visível no US
- Um animal com essa condição pode emprenhar, mas não deve
- CARACTERÍSTICA MAIS MARCANTE → anestro prolongado
*Exemplo de questão → explique por que animais portadores de aplasia 
segmentar do útero apresentam normalmente uma condição de anestro 
prolongado
- SINTOMATOLOGIA → pouco evidente, corpo lúteo persistente e anestro 
prolongado, redução de fertilidade, se houver gestação será pelo corno oposto 
ao acometido
- DIAGNÓSTICO → história do animal (cor da pele, raça), palpação, inspeção
e US (observa-se mucometra, ou seja, um acúmulo de muco, que é uma 
secreção líquida (não tanto quanto a serosa) no útero
- PROGNÓSTICO → ruim/descarte