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CONTRAÇÃO MUSCULAR NO MÚSCULO LISO E NO MÚSCULO ESQUELÉTICO Autora: Rafaela Spertine Moreira Neves As fibras musculares esqueléticas são inervadas por fibras nervosas mielinizadas. Cada terminação nervosa faz uma junção muscular com a fibra muscular. O complexo formado pelos terminais nervosos da junção neuromuscular é chamado de placa motora. A membrana invaginada é chamada de goteira sináptica e as dobras da membrana muscular de fendas subneurais. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA ESQUELÉTICA Quando um impulso nervoso atinge a junção neuromuscular através dos motoneurônios são liberadas vesículas contendo acetilcolina na fenda sináptica. A superfície interna da membrana neural possui barras densas que ficam rodeadas por canais de cálcio voltagem-dependentes dos dois lados. Quando o potencial de ação se propaga para o terminal esses canais se abrem e permitem que os íons cálcio se difundam para o terminal nervoso. Os íons cálcio ativam a proteína sinaptotagmina, que, por sua vez, ativa o complexo SNARE (sinaptobrevina, sintaxina e SNAP-25) que ancoram as vesículas de acetilcolina no citoesqueleto do terminal sináptico e permitem a liberação de acetilcolina. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA ESQUELÉTICA A excitação dos receptores nicotínicos na placa motora provoca a abertura dos canais de sódio voltagem-dependentes, permitindo a entrada desse íon. Isso provoca a alteração do potencial de ação da placa motora, iniciando um potencial de ação que se propaga ao longo da membrana muscular. Para causar o máximo de contração muscular o potencial de ação penetra nas fibras por meio dos túbulos transversos (túbulos T). Assim, eles provocam a entrada de cálcio com posterior contração. Esse processo é chamado acoplamento excitação-contração. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA ESQUELÉTICA CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA ESQUELÉTICA O veneno curare é um antagonista nicotínico e bloqueia o efeito da acetilcolina sob os seus receptores. Enquanto a toxina botulínica, um veneno bacteriano, diminui a quantidade de acetilcolina liberada pelo terminal nervoso por destruir as proteínas do complexo SNARE. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA ESQUELÉTICA A miastenia grave é uma doença autoimune na qual os pacientes desenvolvem anticorpos que bloqueiam ou destroem os receptores para a acetilcolina. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA ESQUELÉTICA Os retículos sarcoplasmáticos das fibras musculares esqueléticas possuem grandes quantidades de íons cálcio. Quando o potencial de ação progride pelo túbulo T os receptores de di- idropiridina presentes na membrana que são ligados aos canais de rinodina das cisternas do retículo sarcoplasmático desencadeiam a liberação dos íons cálcio presentes no interior dessa estrutura. O cálcio se liga à troponina (impede a ligação da actina e miosina) que afasta a tropomiosina e possibilita que a actina e a miosina se liguem por meio da quebra de um ATP, encurtando o sarcômero. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA ESQUELÉTICA Depois que a contração muscular ocorre o cálcio é bombeado de volta para o retículo sarcoplasmático por meio do gasto de ATP. Além disso, dentro da organela existe uma proteína chama calsequestrina que quela esse íon e possibilita o seu acúmulo em maior quantidade. As fibras musculares podem ser: Tipo I: muitas mitocôndrias, seu metabolismo é aeróbico e conseguem manter o processo de concentração por um longo período. Mais utilizadas em maratonas, são as fibras de contração lenta. Estão mais expressas em nadadores. 1. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA ESQUELÉTICA 2. Tipo II: poucas mitocôndrias e poucos vasos sanguíneos, são maiores, atuam em processos de contração rápida, fazem uma via anaeróbica e lática de contração. São as fibras de resistência. Estão mais expressas em adultos homens de tamanho médio, levantadores de peso, velocistas e saltadores. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA LISA O músculo liso pode ser dividido em dois tipos: Multiunitário: composto por fibras musculares separadas e discretas. Cada fibra opera independente das outras e é inervada por uma só terminação nervosa, como ocorre com as fibras esqueléticas. Ex.: músculos piloeretores e músculo da íris. Unitário: também chamado de músculo liso visceral ou sincicial. As fibras estão dispostas em folhetos ou feixes e se contraem ao mesmo tempo, como uma unidade. É encontrado na maioria das vísceras do corpo, incluindo TGI, útero e vasos sanguíneos. O músculo liso não tem a mesma disposição estriada dos filamentos de actina e miosina encontrada no músculo esquelético. Aqui eles são organizados ligados aos corpos densos, que podem estar ligados à membrana celular ou dispersos no interior da célula. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA LISA O músculo liso também possui como estímulo inicial para a contração o aumento intracelular dos íons cálcio, mas ele não possui a troponina. Ela é substituída pela proteína reguladora calmodulina. A concentração de cálcio aumenta.1. Os íons cálcio se ligam à calmodulina de forma reversível.2. O complexo calmodulina-cálcio ativa a miosina-quinase, enzima fosfolativa. 3. Uma das cadeias leves da miosina, chamada cadeia reguladora, é fosforilada pela miosina-quinase. 4. A miosina se liga à actina e ocorre a contração.5. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA LISA A fonte de íons cálcio no músculo liso é diferente, visto que o retículo sarcoplasmático está pouco desenvolvido na musculatura lisa e a principal fonte desses íons é o meio extracelular. Para induzir o relaxamento do músculo liso depois da contração é preciso extrair os íons cálcio do MIC. Isso é feito por meio de uma bomba de cálcio que leva esses íons de volta para fora da fibra ou para o retículo sarcoplasmático, caso ele esteja presente. Esse processo envolve o gasto de ATP e possui ação lenta. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA LISA Quando a concentração de íons cálcio intracelular diminui após a contração todo o processo é revertido, mas a enzima que retira o fosfato da cadeia reguladora da miosina é a miosina fosfatase. Dessa forma, o ciclo se interrompe e a contração cessa. O músculo liso não possui junções neuromusculares, ele é inervado pelas fibras nervosas autônomas que geralmente se ramificam na extremidade superior do folheto. Na maioria dos casos, essas fibras não fazem contato direto com a membrana celular das fibras musculares lisas, mas formam junções difusas que secretam a substância transmissora na matriz que recobre o músculo. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA LISA Os potenciais de ação do músculo liso visceral ocorrem de duas formas: Potenciais em Ponta: são típicos, como observados no músculo esquelético e ocorrem na maior parte dos tipos de músculo unitário. Potenciais com Platôs: o início desse potencial é semelhante ao do potencial em ponta, mas em vez da rápida repolarização da membrana da fibra muscular a repolarização é retardada. Sua importância se deve ao fato dele poder estar associado à contração prolongada, que ocorre em alguns tipos de músculo liso, como o uterino e o vascular. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA LISA Alguns músculos lisos são autoexcitatórios, isto é, os potenciais de ação se originam nas próprias células musculares lisas sem estímulo extrínseco. A causa do ritmo em onda lenta é abertura de canais de Na+ apenas. Enquanto as espículas decorrem de um estímulo que induz a abertua de canais de Ca+ também. A importância das ondas lentas é que quando elas têm amplitude suficiente podem iniciar potenciais de ação. Essas sequências repetitivas de potenciais de ação desencadeiam a contração rítmica da massa muscular lisa. Assim, as ondas lentas são chamadas de ondas marca-passo. CONTRAÇÃO NA MUSCULATURA LISA OBRIGADA!