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CIÊNCIAS POLÍTICAS 
 
 
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Sumário 
1 DEFINIÇÃO ................................................................................................ 5 
1.1 Conflito e Consenso ........................................................................... 11 
1.2 Poder, poder político .......................................................................... 20 
2 PRINCIPAIS CORRENTES TEÓRICAS ................................................... 29 
2.1 Introdução à Política ........................................................................... 29 
2.2 Relação Interdisciplinar com a Sociologia e as Ciências Jurídicas .... 32 
2.3 A Ciência Política e as demais Ciências Sociais ................................ 33 
3 O ESTADO MODERNO ............................................................................ 35 
3.1 Origem do estado ............................................................................... 35 
3.2 Evolução do Estado ........................................................................... 37 
3.3 Estado Moderno ................................................................................. 45 
4 ESTADO BUROCRÁTICO ........................................................................ 49 
4.1 Burocracia - Max Weber ..................................................................... 49 
4.2 Burocracia Estatal e na Administração Pública .................................. 50 
4.3 Burocracia no Brasil ........................................................................... 50 
5 O ESTADO CAPITALISTA ........................................................................ 51 
6 CONCEITO DE IDEOLOGIA .................................................................... 53 
6.1 Significado positivo de ideologia ........................................................ 53 
6.2 Significado negativo de ideologia ....................................................... 53 
7 DOUTRINAS POLÍTICAS, FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO ........ 55 
7.1 Socialismo .......................................................................................... 55 
7.1.1 A socialização dos meios de produção ........................................ 55 
7.1.2 Economia planificada ................................................................... 55 
7.1.3 Valores ......................................................................................... 55 
7.1.4 Economia ..................................................................................... 56 
7.1.5 Campo social ................................................................................ 56 
7.1.6 Objetivo ........................................................................................ 56 
7.1.7 Exemplos ...................................................................................... 56 
 
 
3 
7.2 Social Democracia ............................................................................. 56 
7.2.1 Política .......................................................................................... 57 
7.2.2 Economia ..................................................................................... 57 
7.2.3 Campo social ................................................................................ 57 
7.2.4 Objetivo ........................................................................................ 57 
7.2.5 Exemplos ...................................................................................... 58 
7.3 Liberalismo ......................................................................................... 58 
7.3.1 Valores ......................................................................................... 58 
7.3.2 Política .......................................................................................... 58 
7.3.3 Economia reconhecimento da propriedade privada ..................... 59 
7.3.4 Livre mercado ............................................................................... 59 
7.3.5 Campo social ................................................................................ 59 
7.4 Formas de Governo............................................................................ 59 
7.4.1 Estado .......................................................................................... 60 
7.4.2 Política .......................................................................................... 60 
7.4.3 Monarquia constitucional .............................................................. 60 
7.5 República ........................................................................................... 60 
7.5.1 Estado .......................................................................................... 60 
7.5.2 Política .......................................................................................... 61 
7.5.3 Repúblicas presidencialistas ........................................................ 61 
7.6 Parlamentarismo ................................................................................ 61 
7.6.1 Estado .......................................................................................... 61 
7.6.2 Política .......................................................................................... 62 
7.7 Presidencialismo ................................................................................ 62 
7.7.1 Estado .......................................................................................... 62 
7.7.2 Política .......................................................................................... 62 
7.7.3 Exemplos ...................................................................................... 63 
7.8 Conclusões ......................................................................................... 63 
7.8.1 Socialismo .................................................................................... 63 
7.8.2 Social democracia ........................................................................ 63 
 
 
4 
7.8.3 Liberalismo ................................................................................... 63 
7.8.4 Monarquia .................................................................................... 64 
7.8.5 República ..................................................................................... 64 
7.8.6 Parlamentarismo .......................................................................... 64 
7.8.7 Presidencialismo .......................................................................... 65 
7.9 Princípios ............................................................................................ 65 
7.10 Direita X Esquerda .......................................................................... 65 
8 GRUPOS, INTERESSES E REPRESENTAÇÃO POLÍTICA .................... 66 
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS .......................................................... 68 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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1 DEFINIÇÃO 
A Ciência Política é a ciência que estuda a política, os sistemas políticos, as 
instituições, os processos e os comportamentos políticos. Busca conhecer e explicar 
a estrutura (e as mudanças de estrutura) e os processos de governo de qualquer 
sistema equivalente de organização humana que tente prover segurança, justiça e 
direitos a uma população. Essa definição sugere que o objeto de estudo da Ciência 
Política é o Estado. Contudo, para a maioria dos cientistas políticos o foco seria muito 
mais amplo, compreendendo as relações de poder, na sua totalidade e não apenas 
aquelas que têm lugar no âmbito do Estado. 
A Ciência Política abrange diversos campos, como a teoria política, os sistemas 
políticos e ideológicos, a economia política, a geopolítica, a análise de políticas 
públicas, a política comparada, as relações internacionais, as instituições políticas, os 
processos políticos (como o processo
legislativo, o processo de tomada de decisões, 
os processos de mudança política, etc.) e os comportamentos políticos (como o 
comportamento eleitoral, os movimentos sociais, etc.). 
Para melhor compreender o que é Ciência Política, é importante entender o 
significado de política. Inicialmente, vale lembrar que é uma palavra cuja origem é a 
palavra grega “polis”, que se refere às cidades gregas da antiguidade. Polis designa 
especialmente a cidade-Estado grega, organizada conforme um modo de vida no qual 
a liberdade era um atributo dos cidadãos, tanto quanto a igualdade e a diversidade. 
Na cultura grega entendia-se que somente esse ambiente permitiria ao homem 
desenvolver plenamente suas capacidades, sendo esse o significado da frase: - o 
homem é um animal político. A “polis” era a comunidade de iguais que visam a uma 
vida que é, potencialmente, melhor. Iguais, no sentido de que a vida pública não era 
caracterizada pela dominação, pois todos eram cidadãos. E a possibilidade de uma 
vida melhor era dada, justamente pela diferenciação. Esse modelo de organização 
social tornou-se a base da civilização ocidental. 
Um dos elementos centrais na definição da vida na polis é a diversidade, a 
diferenciação. Essa característica tornou-se o principal atributo das sociedades 
modernas. Isto significa que nelas os membros não apenas possuem características 
diferenciadas (idade, sexo, religião, estado civil, escolaridade, renda, setor de atuação 
profissional, trajetória pessoal, etc.), como também possuem ideias, valores, 
 
 
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interesses e aspirações diferentes e desempenham papéis diferentes no decorrer da 
sua existência. 
Tudo isso faz com que a vida em sociedade seja complexa e, frequentemente, 
envolva conflito: de opinião, de interesses, de valores, etc., entretanto, para que a 
sociedade possa sobreviver e progredir, o conflito deve ser mantido dentro de limites 
administráveis. Para isto, existem apenas dois meios: a coerção pura e simples e a 
política. O problema com o uso da coerção é que, quanto mais é utilizada, mais 
reduzido se torna o seu impacto e mais elevado se torna o seu custo. 
A administração do conflito depende, então, da política. Essa envolve coerção 
principalmente como possibilidade - mas que não se limita a ela. Cabe indagar, então, 
o que é a política. Uma definição bastante simples é oferecida por P. Schmitter: política 
é a resolução pacífica de conflitos. Entretanto, este conceito é demasiado amplo, 
abrangendo toda ordem de conflitos, todo tipo de sujeitos e todos os objetos de 
conflito, além de omitir as questões relativas ao poder envolvido nos conflitos. 
De fato, nem todos os conflitos, como os conflitos de personalidade, dos nossos 
conflitos íntimos do ponto de vista das nossas relações íntimas, dos nossos conflitos 
amorosos, dos nossos conflitos entre pais e filhos, enfim esses conflitos na esfera 
mais íntima da pessoa certamente não são objeto da política. Então não é todo tipo 
de conflito, são somente os conflitos relacionados a bens públicos, são conflitos que 
envolvem aquilo que autores como Locke chamam o interesse coletivo, ou seja: tudo 
o que diz respeito aos interesses comuns, mas somente a eles. Esses conflitos é que 
são objeto de resolução pacífica mediante a política. 
Portanto, é recomendável e possível delimitar um pouco mais o conceito e 
estabelecer que a política é ―o conjunto de procedimentos formais e informais que 
expressam relações de poder e que se destinam à resolução pacífica dos conflitos 
quanto a bens públicos. 
A política diz respeito à resolução pacífica dos conflitos envolvendo os 
interesses de uma coletividade qualquer, que pode não necessariamente ser um país, 
pode ser uma comunidade, pode ser um grupo, etc. Nessa definição, bem público 
consiste apenas naquilo que afeta os interesses de uma coletividade, que não se 
restringe à esfera das questões íntimas e privadas. Por exemplo, decidir praticar uma 
religião ou outra: política não tem a ver com isso. Se alguém escolhe viver uma vida 
de pobreza ou se vai ter um projeto de vida de prosperidade, é uma coisa privada, não 
 
 
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tem a ver com uma coletividade. E até mesmo os nossos conflitos de personalidade, 
e os nossos dilemas pessoais na escolha entre alternativas igualmente desejáveis. A 
política não incide sobre nada disso. 
 
Fonte: salesianos.com.br 
A política incide sobre questões privadas de interesse coletivo, por exemplo, 
regulamentações de atividades econômicas, que se dão na esfera do mercado, e até 
mesmo regulamentação na esfera da família. Por exemplo, tudo que tem a ver com 
violência doméstica e tratamento indigno de vulneráveis no ambiente doméstico – 
mesmo sendo um espaço privado - é objeto da política, e é tratado enquanto bem 
público porque diz respeito a uma coletividade, requer o exercício do papel de 
proteção da integridade física dos indivíduos, que é um dever do Estado em relação 
à coletividade. 
Portanto, lembrando a definição acima, política consiste no conjunto de 
procedimentos formais e informais que expressam relações de poder e que se 
destinam à resolução pacífica dos conflitos quanto a bens públicos. Ao dizer isso, é 
possível perceber que a política, em si, é apenas meio, não tem finalidades próprias, 
é toda instrumental. De fato, nenhuma definição de política refere-se a fins, porque a 
política sempre diz respeito aos meios: arranjo federativo, relações entre poderes 
executivo/legislativo, sistemas de escolha de representantes, tudo isso são meios. 
Na definição de política e nos seus objetos de estudo, nada se refere a 
finalidades, porque essas pertencem aos homens e às nações e são infinitos. Hoje, 
uma sociedade qualquer pode ter uma determinada finalidade e daqui a 20 anos essa 
finalidade ser outra, muito diferente, até mesmo oposta. Isso porque existe mudança 
 
 
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de todo tipo, mudança demográfica, mudança tecnológica, econômica, social, etc. Por 
isso a política não trata dos fins, porque os fins são intangíveis, contingenciais e não 
é possível sequer imaginar o que poderá vir a ser uma finalidade no futuro distante. 
Já os meios, podem ser adaptados e usados em qualquer tempo e qualquer lugar, 
dependendo inclusive do sistema político que uma sociedade escolher para si. 
Os indivíduos, os grupos sociais e as organizações têm interesses e 
finalidades, escolhem seus objetivos, as lideranças dos países podem ter seus 
projetos nacionais, algumas têm, outras não. Mas todas as finalidades, objetivos e 
projetos são, em princípio, igualmente legítimos. Por isso, a política nunca vai tratar 
das finalidades. A definição das finalidades é que pode ser feita - e certamente será 
feita - usando os mecanismos da política. A grande questão é: quais serão os meios 
que levarão a uma dada finalidade? Por exemplo, o terrorismo, já não é política, a 
guerra não é política, a política sempre tem essa característica de resolução pacífica 
de conflitos, sem isso não é política, é qualquer outra coisa. 
Em sua obra, Da Guerra C. Clausewitz sustenta que: A guerra é a continuação 
da política por outros meios. Mas, por lógica, se a política é meio, e a guerra é outro 
meio, então a guerra não é a mesma coisa que a política. 
Até aqui a política foi tratada enquanto atividades ou procedimentos. Esses são 
os objetos de estudo sistemático da Ciência Política. O que isso quer dizer? Para 
responder a essa pergunta é útil refletir sobre o que é ciência. Primeiramente, vale 
lembrar que a ciência moderna se desenvolve a partir do século XVI, com o advento 
do racionalismo cartesiano e da sua crítica pelo empirismo. Todavia, muito antes disso 
os homens já pensavam sobre o mundo, suas regularidades e seus problemas. Hoje, 
sabemos que a maior parte das ciências surgiram e se desenvolveram a partir das 
necessidades práticas da vida cotidiana: a geometria surgiu a partir
de problemas de 
medição dos campos, a mecânica a partir de problemas suscitados pelas artes 
arquitetônicas e militares, a biologia a partir de problemas da saúde humana e da 
criação de animais, a química a partir de problemas no tratamento das tintas e dos 
metais, a economia a partir de problemas de gestão doméstica e de organização 
política, etc. Por isso, muitas pessoas ficam impressionados pela continuidade 
histórica entre as convicções do senso comum e as conclusões científicas, e muitos 
acreditam que, para diferenciar ciência e senso comum, baste considerar as ciências 
simplesmente o senso comum "organizado" ou "classificado" , mas isso não basta. 
 
 
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Ernest Nagel, um dos grandes pensadores que se dedicaram à filosofia da 
ciência no século XX, escreveu, entre muitos outros, um texto muito esclarecedor 
intitulado “A ciência e o senso comum”. Ali ele sustenta que a aquisição de 
conhecimentos sobre vários aspectos do mundo não começou exatamente com a 
ciência moderna. E indaga: Se o conhecimento é tal que se pode conquistá-lo, 
mediante o exercício perspicaz dos dotes naturais e do senso comum, que excelência 
especial possuem as ciências e em que contribuem suas ferramentas intelectuais e 
físicas para a aquisição de conhecimentos? Seis pontos. 
A ciência busca encontrar explicações que sejam ao mesmo tempo 
sistemáticas e controláveis, e organiza e classifica o conhecimento sobre a base de 
princípios explicativos. A ciência procura delimitar o âmbito de aplicação válido de 
suas proposições. A ciência deve apresentar consistência: enquanto o senso-comum 
pode ser bastante contraditório, a ciência buscaria sistemas unificados de explicação, 
diminuindo as contradições. 
As crenças do senso-comum podem sobreviver por muito tempo, justamente 
porque são crenças, enquanto muito produto da ciência tem vida curta. Isso porque 
os termos da linguagem comum são vagos e não específicos, enquanto os conceitos 
da ciência têm que ser precisos e específicos. Havendo contradição e não havendo 
precisão, não há como realizar o controle experimental das crenças do senso comum. 
Por isso elas acabam sobrevivendo por séculos. Os enunciados da ciência, por sua 
vez, se tornam mais suscetíveis a serem submetidos a críticas e refutações. 
O senso-comum se interessa necessariamente por questões mais próximas do 
cotidiano. Já a ciência, ao invés de se subordinar às necessidades mais imediatas da 
sociedade, muitas vezes as deixa de lado questões aparentemente sem nenhuma 
utilidade prática, parecendo estar distante dos acontecimentos da vida cotidiana. Essa 
aparente distância da vida real seria um aspecto inevitável da busca por explicações 
sistemáticas e de longo alcance. 
Por último, as conclusões da ciência, diferentemente do senso comum, são 
produto de um método científico. Isso não assegura a verdade de toda conclusão a 
que chega a ciência. O que o método científico permite é a crítica de argumentações, 
tanto no julgamento da confiabilidade dos procedimentos, como na avaliação da força 
demonstrativa dos elementos sobre os quais se baseiam as conclusões. Já as crenças 
do senso comum são aceitas habitualmente sem uma crítica sistemática. 
 
 
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As crenças do senso comum não estão invariavelmente erradas, nem negam 
quaisquer fundamentos em fatos empiricamente verificáveis. Apenas não são sujeitas 
a testes sistemáticos realizados à luz de dados obtidos para determinar se são 
fidedignas e qual é o alcance da sua validade. Já os dados considerados relevantes 
na ciência necessariamente devem ser obtidos através de procedimentos instituídos 
com o objetivo de controlar as fontes de erro conhecidas e viabilizar o teste de suas 
hipóteses. 
Para a disciplina Ciência Política, Nagel faz uma outra importante contribuição 
ao sustentar que as ciências sociais possuem o mesmo caráter ―científico das 
demais ciências, compartilhando todas as características acima, portanto, não se 
confundindo com o senso comum. De acordo com Gerárd Fourez, o raciocínio 
científico é uma maneira socialmente reconhecida e eficaz de compreender o mundo, 
sem significar, com isso, que a ciência encontre a verdade última das coisas, e nem 
que seja neutra. Na realidade, a moderna ciência rejeita a ideia de que exista uma 
verdade acabada, preferindo entender que o conhecimento está sempre em processo 
de construção e que, num dado momento, algumas teorias são mais plausíveis do que 
outras. Como diria Popper: Nesta situação, parece-nos mais interessante representar 
o mundo desta maneira. Por outro lado, como assinala Fourez, reconhecer que a 
ciência é historicamente condicionada não significa negar seu valor e eficácia, nem a 
tornas equivalente ao senso comum. 
Por tudo isso, ao discutir as características da ciência moderna, Fourez a 
qualifica como experimental. Isso não significa que todas as ciências tenham que se 
valer estritamente do método experimental. Em lugar disso, quer dizer que só poderá 
ser aceito como discurso científico aquele que para o qual seja possível 
eventualmente identificar uma situação em que o modelo poderia não funcionar. É o 
critério de falseabilidade, definido por Popper como o critério demarcatório entre a 
ciência e as demais formas de conhecimento. O termo falseável se refere não a algo 
falso em si, mas a algo que se pode dizer que não é automaticamente verdadeiro, 
podendo ser submetido a teste e se revelar como falso. 
O pensamento humano se baseia em conceitos. Um conceito é uma 
representação mental de um objeto qualquer, mediante suas características gerais, 
diretamente observáveis. Objeto é tudo o que é perceptível por qualquer um dos 
sentidos, que é apreendido mediante o conhecimento, mas não é sujeito do 
 
 
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conhecimento. Para que os objetos possam ser referidos e utilizados na construção 
de ideias eles precisam ser denominados e definidos (como conceitos). As 
denominações usualmente baseiam-se na observação empírica e nem sempre são 
elaboradas de maneira precisa. A linguagem científica requer definições racionais, 
objetivas, precisas e excludentes dos objetos com os quais lida aquela ciência. A 
linguagem científica opera preferencialmente com definições denominadas 
constructos, que são abstrações de nível mais elevado que os conceitos e destinadas 
a sumarizar fatos, interpretar dados, propor explicações e elaborar teorias. 
A construção de teorias é uma tarefa essencial da ciência. Teoria vem do grego 
theoria, que significava contemplar, olhar, especular ou examinar". Na ciência, Teoria" 
é o nome dado a um sistema organizado de ideias e conceitos não contraditórios entre 
si, que pretendem explica um conjunto de fenômenos. Uma teoria é composta de fatos 
e de hipóteses testáveis e testadas, representa o maior grau de aceitação que uma 
hipótese poderá alcançar, sendo considerada o conhecimento mais seguro sobre um 
problema científico, no estágio atual do conhecimento. As teorias causais dão origem 
às leis científicas e possibilitam a previsão científica. 
1.1 Conflito e Consenso 
Como foi visto acima, a política objeto de estudo da Ciência Política refere-se 
à resolução de conflitos. Por que é que existem conflitos? O que é conflito? Qual a 
diferença entre competição, conflito, confronto? 
Existem diversas formas de interação social. O conflito é uma delas, a 
competição é outra, a cooperação é uma terceira, e assim por diante. A cooperação 
ocorre quando indivíduos se unem para alcançar um objetivo comum ou objetivos 
diferentes, porém compatíveis. 
A competição consiste em uma situação na qual as pessoas disputam algum 
bem escasso segundo regras previamente determinadas e aceitas. Os jogos são o 
melhor exemplo de competição: existem regras para cada tipo de jogo e todos os 
jogadores tem que estar de acordo com as regras antes dos jogos se iniciarem. 
Inclusive têm que estar de
acordo com as penalidades estabelecidas para o caso de 
haver violação das próprias regras. Se assim não for, o jogo não se inicia, ou pode ser 
interrompido e até suspenso ou, até mesmo se um dos competidores ―vencer 
violando as regras, essa vitória será aparente, não terá valor. A competição tem essas 
 
 
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características, é uma disputa por qualquer objeto escasso, seja um título, um prêmio, 
uma vantagem no mercado, que necessariamente deve obedecer a regras específicas 
previamente determinadas. Muitas vezes essas são regras tácitas, os competidores 
sabem o limite e o respeitam; outras vezes não bastam regras tácitas: a lei é que 
estabelece quais são as regras e as sanções cabíveis no caso de sua não 
observância. É importante observar que a competição não envolve antagonismo entre 
as partes concorrentes e exige uma certa dose preliminar de cooperação em termos 
de obediência às regras. 
O conflito é bastante diferente, pois é uma forma de interação de natureza 
antagônica. Não é uma situação de uma mera competição onde as partes estão 
disputando a partir de um acordo comum sobre as regras. O conflito possui uma 
natureza desagregadora: as posições são inconciliáveis. O conflito pode levar a 
choques envolvendo, ou não, a violência. Quando a violência se faz presente, tem-se 
o confronto. Existem várias formas de confronto; a guerra é uma delas, quaisquer tipos 
de lutas, com enfrentamento físico, etc. 
A diferença entre o conflito e a competição é o antagonismo entre as partes. 
Como foi dito acima, o melhor exemplo de competição são os jogos, sejamos jogos 
no sentido de lúdico como o xadrez, damas, baralho ou esportivo ou jogo de futebol 
que também é lúdico. Mas não somente isso, incluindo outros tipos de jogos. Por 
exemplo o jogo de concorrência entre empresas a gente pode aplicar esse conceito. 
O que faz com que a competição seja diferente do conflito? 
Primeiro, toda competição se rege por um acordo inicial quanto às regras. Esse 
é um ponto fundamental. No conflito isso pode ocorrer ou não. Muito frequentemente 
não ocorre, ou, mesmo que existam regras, as partes tentam passar por cima delas 
para favorecer seus interesses. Por exemplo, uma das grandes questões das relações 
internacionais é como limitar a guerra. Antes da Primeira Guerra Mundial a luta 
envolvia exclusivamente os exércitos, mas, desde então, começaram os ataques a 
alvos civis, e a população civil deixou de estar protegida. Na Primeira Guerra já se 
começou a usar armas químicas, na Segunda Guerra inaugurou-se o uso de armas 
nucleares e hoje existe um grande temor a respeito das armas nucleares que não 
estão sob o controle de Estado e de armas biológicas. Hoje, o mundo conta com um 
tratado de não proliferação de armas nucleares, tentando colocar limites ao perigo de 
um conflito nuclear, mas o tempo todo se vê atores que tentam burlar esse controle e 
 
 
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que não estão de acordo, não ratificam esses tratados. E também há um grande temor 
ao terrorismo, porque o que caracteriza o terror é justamente a completa ausência de 
regras e de alvos específicos. 
O acordo fundamental quanto às regras, que é essencial para validar o 
resultado da competição, não existe no conflito, pois nele a razão está com o 
vencedor. E, mesmo que ele tenha vencido por meios ilícitos, é o vencedor que conta 
a história. Então, no conflito, as regras previamente estabelecidas ou não existem ou 
são violadas e o que acaba valendo ao final é aquilo que caracteriza o vitorioso. 
Do ponto de vista da política, é relevante observar que no conflito se tem 
inimigos e, como apontou Maquiavel, em O Príncipe e também AnatolRapoport, a 
lógica das lutas recomenda que os inimigos sejam exterminados, para que não voltem 
a ameaçar. E por quê? Porque se as partes estão em conflito inconciliável, cada uma 
impede a outra de realizar seus objetivos, todas vão se exasperando até o ponto em 
que entram em confronto. Se uma das partes vence a contenda, não pode esperar 
que o vencido aceite a derrota; isso significa que, no futuro, o vencedor possivelmente 
terá que enfrentar aquela ameaça de novo e suas chances de vitória podem não ser 
tão favoráveis quanto no presente. É esse conjunto de ameaças que torna as partes 
de um conflito inimigas, e não apenas concorrentes ou adversárias, como ocorre na 
competição. 
O conflito pode ter origens diversas. Evidentemente, numa sociedade 
capitalista, grande parte dos conflitos é de origem econômica, mas não estritamente. 
Pode-se ter, por exemplo, conflitos raciais, conflitos religiosos, conflitos 
intergeracionais, conflitos territoriais, etc. sendo inúmeros os motivos que podem dar 
origem ao conflito. 
Geralmente o conflito envolve o acesso, controle e distribuição de recursos que 
são escassos. Pode ser riqueza? Sim, mas não somente isso. Prestígio, 
reconhecimento, respeito social, poder como capacidade de influir ou de decidir 
questões, cargos, territórios. Muito possivelmente o conflito do futuro será em torno 
da água e das fontes de energia. Em uma sociedade capitalista, tudo o que é escasso 
se torna fonte de riqueza. Por exemplo, quando a água se tornar muito escassa, irá 
se tornar objeto de negócios, mercadoria e fonte de riqueza. E quem tiver o controle 
sobre as fontes de água vai ter poder e riqueza. 
 
 
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O conflito normalmente está relacionado com interesses. O interesse é 
qualquer coisa que seja valorizada e seja tomada como objetivo por uma pessoa ou 
por um grupo. Esse conceito é muito importante porque ele está na base de toda a 
discussão da política e também da política pública. Quando se fala de conflito na 
Ciência Política, é conflito de interesses. 
O interesse é alguma coisa que tem valor e que mobiliza a ação; pode ter uma 
natureza material ou ideal e pode ser objetivo ou subjetivo. O interesse material, como 
o nome bem diz, é o interesse relacionado a bens materiais. Pode ser a terra, petróleo, 
água, enfim aquilo que seja um bem de natureza material, que tem existência material 
ou que gere benefícios outros de natureza material, dinheiro, etc., mas o interesse 
pode ser também de natureza ideal, ou seja: pode referir-se ao domínio das ideias, às 
concepções que as pessoas desenvolvem. Por exemplo, o conflito religioso originasse 
de interesses ideais. 
Um conflito religioso como, por exemplo, o que existe contemporaneamente 
entre o Islã e o mundo ocidental, é um conflito que envolve interesses ideais. Ideal é 
simplesmente aquilo que se situa no campo das ideias. Sejam crenças religiosas, 
filosóficas, posições como a defesa da descriminalização do uso da maconha até 
determinadas convicções de natureza tradicional ou cultural, etc. O fato de um 
interesse ser de natureza ideal não exclui a possibilidade de que esteja associado a 
um interesse material. 
Os interesses podem ser também subjetivos e/ou objetivos. Os interesses 
subjetivos são aqueles que nascem das características próprias do indivíduo, da sua 
personalidade, da sua experiência, do seu caráter, das suas preferências íntimas 
pessoais, das suas identidades. Tem a ver com a subjetividade de cada um. 
 Os interesses objetivos, por sua vez, não resultam das nossas escolhas 
pessoais. Os subjetivos sim, os objetivos não. Por exemplo, uma pessoa que tem uma 
vida profissional, suponha-se, na saúde ou na segurança pública, pode ter um 
entendimento próprio, uma opinião pessoal de que não se deve fazer greve porque 
pessoas podem perder a vida pela paralização desses serviços. Porém, o seu 
sindicato diz assim: Os interesses da categoria implicam melhor valorização do 
trabalho, melhoria das condições de serviço. Esses são os interesses da categoria 
profissional daquela pessoa. O sindicato defende os interesses da categoria, mas o 
interesse subjetivo daquela pessoa é completamente diferente disso. O interesse 
 
 
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subjetivo resulta das
crenças pessoais, sentimentos, análises que cada um faz, etc., 
mas o sindicato defende o que são interesses objetivos da categoria (remuneração, 
jornada de trabalho, equipamento, capacitação, etc.), que aquela pessoa, 
subjetivamente, pode abraçar ou não. 
Os interesses objetivos têm existência anterior e externa à pessoa, à 
subjetividade de cada um. Eles atingem amplas categorias sociais, podem ser classes, 
podem ser categorias profissionais, podem ser comunidades territoriais, podem ser 
unidades étnicas. Eles nunca de originam de pessoas específicas, e existem mesmo 
que um ou vários membros de tais categorias ou classes, em nível pessoal, não os 
abracem. Além disso, enquanto os interesses objetivos são permanentes, os 
interesses subjetivos vão mudando, tem a ver com projetos de vida até com as 
circunstâncias. É importante que se saiba que interesses objetivos e subjetivos não 
necessariamente coincidem, mas também não são obrigatoriamente dicotômicos – 
nenhum deles é objetivo ou é subjetivo, exclusivamente - pode haver momentos em 
que um interesse subjetivo e um objetivo coincidem. 
O debate sobre conflito é - assim como a discussão sobre o conceito de poder 
um dos grandes focos de controvérsias na Ciência Política. Existem várias teorias que 
tratam do conflito, que usualmente são agregados em dois conjuntos: as teorias que 
tratam o conflito como uma perturbação do equilíbrio e as teorias que tratam o conflito 
como o elemento desencadeador da mudança. 
Discute-se, na Sociologia e na Ciência Política, o que é a natureza humana e o 
que é a vida coletiva. E surge uma pergunta aparentemente simples: vivendo em 
coletividade, sem controle algum externo a si próprio, o que o homem fará? Uma 
resposta é: Se for deixado à sua própria conta, vivendo em coletividade, o homem irá 
cooperar, se acomodar, coexistir pacificamente. Essa ideia está na base das 
concepções de que a natureza humana é potencialmente pacífica, integrada, 
cooperativa, funcional. São suposições que levam às teorias do equilíbrio e da ordem. 
É possível pensar, alternativamente, que se for deixado à sua própria conta, 
vivendo em coletividade, o homem entrará em conflito com seus iguais até um 
determinado ponto onde pode se destruir a própria vida em comum. Essas 
concepções da natureza humana como potencialmente destrutiva levam às teorias de 
conflito e mudança. 
 
 
16 
Para as teorias do equilíbrio e da harmonia, o conflito será sempre uma 
anomalia, uma perturbação, uma disfunção. Essas são, geralmente, teorias 
organicistas ou sistêmicas, que veem a sociedade e a vida social a partir de analogias 
com um organismo em funcionamento ou com um sistema em operação. Em um 
organismo em funcionamento, as partes têm que operar todas de forma integrada e 
sem nenhuma aresta, sem nenhuma divergência, porque senão o organismo morre. 
Do mesmo modo. As teorias funcionalistas ou sistêmicas dizem que cada parte da 
sociedade tem uma função a cumprir e quando essa função é cumprida 
adequadamente a sociedade opera em Estado de equilíbrio, quando alguma função 
deixa de ser cumprida, ocorre um desequilíbrio, ocorre uma distorção. Essas diversas 
teorias têm um importante ponto em comum: todas elas pensam a sociedade como 
uma situação de equilíbrio. Quando ocorre o conflito, ou é uma ruptura ou então uma 
situação de desequilíbrio. Essas teorias inclusive, trabalham com a ideia de que o 
sistema provê mecanismos para restaurar o equilíbrio. Algumas recorrem à ideia de 
homeostase: um mecanismo pelo qual o sistema opera para reconstituir a situação de 
equilíbrio quando esse é alterado por algum fator ambiental. 
Resumindo: por definição, a sociedade operaria em situação de equilíbrio. 
Quando ocorre o conflito é porque esse equilíbrio foi rompido e a dinâmica da vida 
social vai buscar o seu restabelecimento; se isso não acontecer a sociedade se 
desintegra. Os maiores expoentes dessa vertente teórica foram Adam Smith, Augusto 
Comte, Émile Durkheim, Vilfredo Pareto, Talcott Parsons e Robert Merton. 
Para as teorias do movimento e da mudança, ao contrário, o que é considerado 
normal, por vários motivos, é o conflito. A dinâmica da vida social baseia-se em 
conflitos de toda natureza: territorial, étnica, religiosa, de gênero, de orientação sexual, 
de disputa por bens econômicos, etc. Isso é característico da vida social. Só não 
haverá conflito se o homem estiver sozinho, portanto, fora do convívio social. Se 
houver vida em sociedade, haverá conflito. Portanto, o conflito é próprio da condição 
humana e da vida em sociedade. As situações aparentemente não conflituosas só 
ocorrem porque, mediante determinados mecanismos, o conflito pode ser mantido 
dentro de limites administráveis. 
As teorias do movimento e da mudança, sustentam que o conflito é um 
elemento intrínseco à vida em sociedade, e é o grande fator de mudança social. Seus 
principais expoentes são Karl Marx (e todos os marxistas), John Stuart Mill, Ralph 
 
 
17 
Dahrendorf e Alain Touraine, entre muitos outros, por exemplo, Marx sustenta que é 
o conflito de classes que é o motor da história, ou seja, o elemento que desencadeia 
a mudança social. 
Já Dahrendorf apresentou uma teoria na qual propôs que o fator explicativo do 
conflito social seriam as relações de poder e de autoridade, e não as relações 
econômicas de classe. O autor procurava explicar as causas pelas quais, apesar do 
conflito, a vida em sociedade se mantinha, e apresentou a Teoria da coerção da 
integração social. O autor argumentava que toda sociedade é uma estrutura 
contraditória e explosiva; toda sociedade está sujeita à mudança; todo elemento de 
uma sociedade pode contribuir para a mudança; a sociedade se conserva, porém, 
devido à coerção de uns membros sobre os demais. 
Hoje a corrente dominante na Ciência Política entende que o conflito é 
intrínseco à vida em sociedade e que é impossível eliminá-los, mas é possível reprimi-
los ou administrá-los. Como se reprime? Pela aplicação dos instrumentos de coerção, 
ou seja, todos os instrumentos que façam com que se induza, se pressione, se 
constranja ou se oprima um grupo, um indivíduo, uma coletividade pela força ou pela 
ameaça do uso da força. Não se trata somente da aplicação real e efetiva da força, é 
também a simples possibilidade de que venha a ser aplicada, a sua ameaça, que pode 
ser explícita ou implícita, tudo isso vai estar no âmbito da coerção, que é o principal 
mecanismo para reprimir o conflito. 
Na Ciência Política isso é tratado sob uma perspectiva institucional, ou seja, da 
coerção aplicada com base na lei e por agentes legalmente investidos do poder para 
isso. O que pode ser feito, além disso, é administrar os conflitos, ou seja: fazer política, 
no sentido de negociação, composição de acordos, de alianças, de construção de 
alternativas ao conflito. A política, é na verdade o conjunto de instrumentos e 
procedimentos pelos quais, ao invés de se tentar resolver as coisas pela violência, 
pela coerção, se resolve pela negociação. 
A ideia de procedimentos remete a outro conceito: consenso. Na Ciência 
Política especificamente, consenso tem um significado muito próprio: é um método de 
tomada de decisão. Essa palavra, entretanto, é muito usada com outras conotações. 
Por exemplo, numa questão de concurso passado, o examinador abriu a questão com 
um caput dizendo assim O consenso é um acordo generalizado existente na 
sociedade em torno de alguma coisa. Em uma outra questão, o examinador afirmou 
 
 
18 
que o uso do termo “Consenso” em relação a uma determinada sociedade significa 
afirmar que existe um acordo mínimo entre seus membros quanto a princípios, a 
valores, a normas, a objetivos comuns e aos meios para os atingir. 
Esse entendimento do consenso como um acordo tácito, difuso, é mais próprio 
da Sociologia, sendo também bastante presente no senso comum
e na linguagem 
jornalística. No Dicionário de Política, encontra-se: Na Ciência Política, consenso é 
um método de tomada de decisão. 
Pode-se dizer que as decisões políticas, hipoteticamente, podem obedecer a 
regras de unanimidade, ou de consenso, ou de maioria. Vale enfatizar, primeiro de 
tudo: consenso não é unanimidade. 
A unanimidade significa que todos estão de pleno acordo com apenas uma das 
alternativas. A unanimidade tem uma característica numérica, significa que são todos, 
100%, sem exceção. Trata-se de algo difícil de ser alcançado em sociedades 
diversificadas. Porém, no Brasil registra-se pelo menos o caso do Conselho Nacional 
de Política Fazendária (Confaz), que decide por unanimidade. Qual o grande 
problema da regra de unanimidade? Cada um dos votantes torna-se dotado de 
enorme poder de veto, pois basta que um deles discorde para que se chegue a um 
impasse e a decisão não seja tomada. 
Justamente porque a unanimidade é tão difícil de ser obtida que se utilizam 
procedimentos de consenso ou de maioria. Enquanto método de tomada de decisão, 
o consenso resulta de uma negociação entre as partes. Mas isso não significa que 
seja um meio-termo entre as posições divergentes. 
Suponha-se que existem três diferentes propostas para a solução de um 
problema e os atores envolvidos não conseguem concordar com nenhuma delas, 
estão sempre divergindo, seja em torno de grandes questões ou de pequenos 
detalhes. A decisão pode chegar a um impasse. Então, uma vez que os atores 
interessados busquem uma solução no processo de negociação, é possível que 
apareça uma alternativa como: E se em vez de continuar insistindo nessas três 
alternativas, fosse possível pensar em uma outra possibilidade, completamente 
diferente? Essa possibilidade não é meio termo, ela resulta de uma construção que 
se fez a partir de muita negociação e ela pode representar um ponto ótimo para todos 
os atores. Ou seja: cada um dos atores, avaliando a nova proposta à luz do seu 
interesse próprio, acaba concluindo que não pode ganhar tudo, mas também não 
 
 
19 
perderá tudo, ganhará bastante, embora não seja a sua alternativa favorita. Isso é 
possível justamente porque essa nova possibilidade não é um meio termo entre as 
três anteriores, é uma nova alternativa, que foi inventada como consequência do 
processo de negociação entre as partes. Isso é construção de consenso, enquanto 
método de tomada de decisão. É por isso que se diz que A política é a arte do possível. 
Essa arte do possível não significa a arte daquilo que é possível por já estar posto, 
por já estar dado. Significa que é a arte de construir possibilidades, de modo a resolver 
divergências. 
O que é a alternativa ao consenso? É a votação, segundo uma regra de maioria. 
De fato, quando não se consegue construir um acordo, o que se faz? Põe-se as 
alternativas em votação, contam-se os votos e vence a que obtiver mais adesões. 
Quando se coloca uma decisão em votação, significa que não foi possível o consenso 
e que claramente haverá quem vai ganhar (a maioria) e quem vai perder (a minoria). 
Ou seja: não foi possível chegar a uma solução para que todos saíssem ganhando 
alguma coisa e haverá perdedores. Quem insistiu na posição que imaginava ser 
vencedora, pode não conseguir a adesão da maioria e perderá muito mais do que teria 
que ceder caso tivesse negociado uma solução consensual. 
Nas decisões por maioria é preciso definir o que será considerado maioria. Para 
isso existem diversos critérios, o que dá origem a vários tipos de maioria. Pode-se ter 
a chamada maioria simples ou maioria relativa, que significa que vence a alternativa 
que obtiver o maior número de adesões, mesmo que esse número represente uma 
fração muito pequena do todo. Numa decisão por votação, se forem muitas as 
alternativas em jogo e as preferências forem muito fragmentadas, os votos podem se 
pulverizar de tal maneira que a alternativa que obtiver o maior número de adesões 
pode representar um percentual ínfimo. 
Isso traz um grande problema político: o tamanho da minoria. O quão numerosa 
pode ser uma minoria para que os seus interesses possam ser legitimamente 
desprezados? Essa é uma grande questão na Ciência Política, e é uma grande 
questão na democracia. Se, numa votação, a alternativa vencedora tiver relativamente 
poucas adesões, dependendo do grau de conflitualidade da questão em votação, 
poderão ocorrer problemas de legitimidade porque a minoria será enorme, várias 
vezes mais numerosa que a própria maioria. 
 
 
20 
A maioria absoluta pode ser definida, grosso modo, como metade mais um. 
Finalmente, existem as maiorias qualificadas que se compõem de dois terços, três 
quintos, etc. variando em cada circunstância prevista em lei. A maioria qualificada é 
aquela que tenta se aproximar o máximo possível dessa situação de consenso, sendo 
geralmente usada em questões muito conflituosas, por exemplo, a votação de 
Ementas Constitucionais no Brasil exige maioria qualificada porque são questões 
estruturantes. Quanto mais conflituosa for questão em jogo, maior é a tendência a se 
buscar maiorias bem amplas, como forma de legitimar as decisões. 
1.2 Poder, poder político 
Além do conceito de conflito, outro conceito fundamental na Ciência Política é 
o de poder. O poder pode ser considerado uma capacidade. Como tal, vai aparecer 
em alguns teóricos da Ciência Política, principalmente nas discussões dos 
contratualistas, como ponto de partida para a construção do argumento do contrato. 
Mas não somente entre eles. Gerard Lebrun e Julien Freund falam em força como 
capacidade, por exemplo, de um sindicato para deflagrar uma greve, de um partido 
político para mobilizar eleitores, etc. 
O poder significando capacidade refere-se à possibilidade de realização de 
diversas ações destinadas a satisfazer necessidades ou atender interesses, partindo 
desde o nível dos indivíduos até as organizações. O poder como capacidade é o que 
existe no nível mais básico da existência dos indivíduos; é um pressuposto, algo 
tomado como dado, porque todo ator tem alguma capacidade. 
Mas o poder, no sentido que interessa a Ciência Política, não é uma 
capacidade, é uma relação. Mais precisamente, poder é a característica de uma 
relação entre dois ou mais sujeitos, na qual um impõe aos outros a sua vontade e 
muda o comportamento desses outros, mesmo que haja resistência. Por exemplo, se 
numa relação A tem poder, e B não tem, ou tem menos poder: B teria um 
comportamento numa determinada direção se estivesse sozinho, mas na presença de 
A, ele se comporta na outra direção, desejada por A., ou seja, existe uma relação de 
poder quando A é capaz de mudar o comportamento de B, mesmo que B não queira, 
portanto, poder inclui obediência e, ao menos potencialmente, conflito. 
Essa consideração permite entender que o poder é relacional, envolve coerção 
(e violência potencial), possui caráter hierárquico, não igualitário e não está disponível 
 
 
21 
a todos. Na realidade, o poder que um ator possui é a contrapartida do fato de que 
outro ator não o possui e, por isso, está obrigado a obedecer. 
Examinando as características do poder, é possível sustentar que o poder é: 
• Relacional, porque envolve conflito e coerção entre dois ou mais sujeitos; 
• Assimétrico, porque envolve comando e subordinação; 
• Relativo, porque depende do contexto: os sujeitos envolvidos na relação, a 
esfera de atividade e o momento em que se dá a relação; 
• Mensurável, porque sendo exercido ou omitido, produz consequências 
perceptíveis; 
• Intencional, sendo exercido com objetivos específicos; não neutro, nem na ação 
nem na omissão, expressando interesses e preferências. 
O poder implica capacidade de imposição, de mudança de comportamento e 
de obter essa mudança mesmo que haja resistência, que é o conflito. O conflito em 
relação
ao poder é visto como uma possibilidade. Ao falar de poder político, não se 
pode entender o poder político somente como coerção, mas também como influência. 
O fato de alguém ser capaz de exercer influência não é desprovido de conflito. 
A influência significa que alguém teria em uma determinada trajetória de 
comportamento, mas porque um determinado sujeito dispõe de determinados 
recursos, esse ator muda o seu comportamento, não precisa da coerção. 
Eventualmente essa mudança é de baixo teor conflitivo porque é uma mudança 
pequena. Suponha-se que A tenha mais poder, B tenha menos poder. E que exista 
um contínuo de vários graus de diferença entre o que A quer e o que B quer. Ou que 
"A" quer realizar a alternativa x e "B" quer y, que são posições antípodas. Por isso, 
muito possivelmente haverá conflito. 
Suponha-se alternativamente que ao invés de B estar numa posição antípoda 
em relação a A, esteja praticamente ao seu lado, com uma preferência ligeiramente 
distinta. Nesse caso, não deverá haver motivo de grande conflito, é só uma questão 
de aproximação, só um ajuste. Portanto, as perdas que B terá que enfrentar não são 
suficientes para leva-lo ao ponto de se confrontar com A. Porque o confronto sempre 
impõe muitas perdas. Então, os indivíduos evitam isso, eles podem divergir, mas 
evitam entrar em conflito propriamente dito porque não estão dispostos (ainda) a arcar 
com as perdas. 
 
 
22 
Agora suponha-se que as posições são mesmo antípodas, completamente 
contrárias: B quer estar em uma posição, mas A quer que ele mude radicalmente. 
Nessa situação, se B percebe que a mudança lhe trará uma grande perda, e entende 
que tem alguma possibilidade de vencer A, então, resolve resistir e lutar pela sua 
posição. Quando isso acontece, torna-se difícil uma acomodação, porque vale mais a 
pena para B enfrentar A do que se acomodar. Isso ocorre porque a acomodação 
representa uma perda certa e total para B, enquanto a resistência oferece, no mínimo, 
uma possibilidade de algum ganho, de fazer com que A retroceda um pouco e se veja 
forçado a negociar com B. Se isso acontecer, então, haverá uma acomodação. 
Apesar de toda essa discussão, tinha razão Max Weber ao sustentar que o 
conceito de poder é amorfo, porque o seu enunciado não define suas características. 
Por isso é que quando se fala em poder (substantivo) segue-se geralmente um 
adjetivo: poder ―econômico, poder ―militar, poder ―político, poder ―religioso, etc. 
Buscando entender melhor o fenômeno do poder, diversos autores elaboraram 
tipologias. 
A tipologia clássica usa duas variáveis. O foco está no fundamento do poder, 
que é de onde ele se origina, e quem se beneficia do poder. Assim, tem-se o poder 
paterno que tem como fundamento a natureza, é um poder de origem biológica e 
exercido em favor dos filhos. O poder despótico que é fundado na probabilidade de 
castigo, de punição pesada pela desobediência, na verdade o poder despótico é 
fundado no medo sendo exercido em favor do senhor, daquele que possui o poder. O 
poder político, fundado no consenso, no acordo entre as partes e exercido tanto em 
favor do governante, quando dos governados. 
Norberto Bobbio, ao discutir o conceito de poder, no Dicionário de Política, 
sustenta que essa tipologia é insatisfatória porque não contempla a especificidade do 
poder político, tratando-o como se fosse despido de conflito. 
Existem diversas objeções a essa tipologia. Primeiramente, à ideia de que o 
poder político é exercido tanto em favor do governante quanto dos governados. Para 
defender tal concepção, o poder político seria somente aquele que se observa em 
sociedades democráticas, porque o poder político beneficiaria a todos e não a um só. 
Se assim não fosse, nessa tipologia, não seria poder político, mas sim poder 
despótico. Ocorre que já se sabe que o poder político pode ser despótico também. 
Segundo essa ideia de que o poder político é baseado em consenso, em um acordo 
 
 
23 
generalizado, enquanto o poder despótico é baseado no conflito, senão não teria 
desobediência. É possível argumentar, por um lado, que esse suposto consenso não 
expressa corretamente o poder político e, por outro lado, que ficaria impossível saber 
que tipo de poder existiria nas sociedades fortemente conflituosas. 
Diante das insuficiências da tipologia clássica, Bobbio prefere uma tipologia na 
qual as variáveis são os meios de exercício do poder. Tem-se, então, o poder 
econômico que se exerce a partir do controle dos recursos materiais, mediante a 
aplicação de recursos e retribuições, em troca da obediência. O poder econômico 
pode ser exemplificado em uma relação entre patrão e empregado. O patrão tem o 
controle dos recursos produtivos e da retribuição material, que é a remuneração que 
o empregado recebe pelo cumprimento de determinadas atividades ou tarefas. 
 
Fonte: 1.bp.blogspot.com 
Tem-se, ainda, o poder ideológico, se baseia na influência das crenças, das 
ideias e dos valores associados a essas crenças e na possibilidade da aplicação de 
castigos e recompensas, mesmo que apenas simbólicos. O poder ideológico baseia-
se no que é simbólico, no que é reputacional35. Em uma sociedade não racionalizada, 
na qual os indivíduos acreditam muito no sagrado, no divino, isso pode ser uma 
ameaça terrível. Por isso se diz que é um poder ideológico, porque algumas pessoas 
vão mudar o seu comportamento em razão de uma ideia ou de uma crença. 
 Finalmente, o poder político é o que se baseia na possibilidade real e latente 
da aplicação da violência. O poder político é caracteristicamente vinculado à 
possibilidade da violência. Possibilidade significa potencial, não quer dizer 
 
 
24 
necessariamente aplicação concreta e efetiva da violência, mas não a exclui. A 
violência significa a ameaça ou aplicação efetiva de sanções físicas (privação da 
liberdade ou de imposição de tarefas a serem cumpridas, ou privação de direitos). 
Por exemplo, é óbvio que, quando um indivíduo paga o seu Imposto de Renda, 
não o faz sob a pressão de um medo pavoroso, de um pânico. Mas é claro para ele e 
para todos os demais que, se atrasar sofrerá uma multa, se ele se esquecer por um 
tempo longo, sofrerá outras sanções: não poderá ser contratado no serviço público, 
não poderá comprar moeda estrangeira, etc. 
E, se permanecer sem pagar após ter recebido uma notificação da Receita 
Federal, estará sujeito a um processo judicial e poderá até mesmo ser preso por 
sonegação de imposto. Isso é o componente da violência, que frequentemente parece 
abstrato e longínquo, mas tem uma existência muito real. Pensando de uma forma 
não tão pontual, não tão imediata, é possível perceber que lá no fundo, depois de 
todas as outras coisas, de fato está a ameaça ou a aplicação efetiva das sanções 
físicas e isso é o que caracteriza o poder político. 
Max Weber, no final do texto A Política como Vocação diz claramente: “Não 
vamos nos enganar. Pelo menos desde os Upanishades sabemos que a política e o 
poder político estão associados ao exercício da violência. ”. É importante ter isso claro, 
o poder político pode se exercer de diferentes maneiras, pela persuasão, pela 
negociação, por uma porção de mecanismos e procedimentos, mas em última 
instância está presente a possibilidade da violência. A possibilidade de recorrer à força 
distingue o poder político das outras formas de poder, isso não significa que ele será 
sempre exercido pelo uso da força, muito ao contrário, tão mais eficaz será o poder 
político, quanto menos necessidade houver de aplicar, de fato, a força. A possibilidade 
de uso da força, portanto, é uma condição necessária, mas não é suficiente para a 
existência do poder político. 
 Os indivíduos raramente se dão conta do quanto obedecem, do quanto a sua 
vida cotidiana se rege pela obediência: dirigem carros de acordo com as leis de 
trânsito, param
nas vagas onde podem estacionar, param no sinal vermelho, param 
nas faixas de pedestres, pagam impostos, etc. Obedecem sem se dar conta porque 
já internalizaram três coisas. Primeiro, é melhor ter regras do que não as ter, ou seja: 
ordem é melhor que caos. Segundo, determinadas regras de fato são boas para todo 
mundo. É essencial que haja uma convicção generalizada de que certas regras são 
 
 
25 
boas para todo mundo. Terceiro, os indivíduos internalizam a ideia de que se não 
obedecerem, o custo a ser pago será muito elevado, ou seja, tem punição. 
Outro aspecto a levar em conta é que o poder político não é só o poder do 
Estado. Existe o poder do Estado e existe o poder político. Podem se encontrar ou 
não. Por exemplo, em uma sociedade democrática o poder político está muito mais 
concentrado na sociedade, nos atores da sociedade do que estritamente no Estado. 
Além disso, o poder político não é homogêneo. Os atores políticos são 
inúmeros e cada ator político pode exibir lógicas próprias de comportamento, 
interesses próprios e recursos de poder próprios, além de ter diferentes habilidades 
no uso desses recursos. Na realidade, tudo depende dos elementos de exercício do 
poder. Quais são eles? Os recursos de poder, as habilidades no exercício do poder, 
os modos de exercício e finalmente as atitudes em relação ao poder. 
Os recursos de poder são um conceito muito importante porque 
frequentemente se imagina que, em certas situações, os atores seriam 
desempoderados; ou que haveria imensas assimetrias no exercício do poder...e a 
análise das situações de fato mostram realidades bastante diferentes. É 
especialmente tentadora a suposição de que o principal poder é o econômico ou que 
é um poder baseado nos instrumentos de uso da força, o poder armado, o poder 
militar, o poder policial. De fato, esses são importantes recursos de poder, mas 
existem outros: informação (quem tem informação pode mais numa relação de poder 
do que quem não tem); conhecimento é recurso de poder, prestígio é recurso de poder 
e nós vemos muito claramente como o prestígio é recurso de poder, popularidade é 
recurso de poder, pertencimento a redes sociais, reputação, etc. 
Os recursos de poder são definidos por Silva (2013, não paginado) como ―a 
forma pela qual os diferentes grupos políticos – estatais ou societais – usam sua 
capacidade política de ação e uma gama diferenciada de recursos para influenciar a 
formação da agenda do Estado e para participar das arenas decisórias (...), de modo 
a viabilizar a concretização de seus interesses políticos, econômicos e sociais”. 
Compreendem recursos financeiros, posições de autoridade, capacidade de 
mobilização política, reputação, vínculos com outros atores relevantes, habilidades 
estratégicas, conhecimento, informação, etc. 
Silva sustenta, ainda, que os recursos de poder dos atores políticos podem ser 
analisados a partir de três dimensões: 
 
 
26 
Áreas específicas em que atuam, considerando especialmente suas 
características setoriais sob uma perspectiva que ultrapassa aspectos meramente 
administrativos. As áreas setoriais possuem dinâmicas e agendas próprias e 
envolvem atores com recursos completamente diferenciados. Essas áreas de atuação 
definem a forma predominante de organização dos interesses e os objetivos dos 
atores. 
Capacidade de ação, definida pelo tipo e pela importância dos recursos de que 
cada ator dispõe e que podem estar associados a indivíduos, grupos ou organizações, 
como: recursos institucionais, tecnológicos, gerenciais, financeiros, ideológicos e 
midiáticos. Essa capacidade deve ser analisada no âmbito de cada arena setorial do 
complexo estatal e de suas interligações com a sociedade. 
Direção da ação dos atores na arena decisória, que descreve as formas de 
interação possíveis entre os atores participantes de cada arena setorial sempre que 
uma determinada questão de política pública é objeto de disputa. 
 
Fonte: portal.metodista.br 
Portanto, o recurso de poder é tudo aquilo que qualquer ator seja individual, 
seja coletivo é capaz de utilizar como elemento de pressão para que seus interesses 
sejam atendidos. Ou seja, os recursos de poder não se limitam à riqueza, dinheiro, 
bens materiais, ou algo do gênero. A possibilidade de impedir, de causar dano, tudo 
isso representa recurso de poder. 
Outro importante elemento são as habilidades no uso dos recursos de poder. 
Isso é essencial, pois tem determinados atores que têm recursos de poder 
aparentemente muito limitados, mas que são dotados de tal habilidade estratégica que 
 
 
27 
fazem com que aquilo leve ao que lhes interessa. Tem outros atores que têm grandes 
recursos de poder, mas que são muito inábeis. E sem habilidade no uso dos recursos 
de poder, esses recursos se perdem. 
Os modos de exercício do poder também importam. Pode-se exercer o poder 
de diferentes maneiras, não necessariamente pela aplicação da força, da violência 
física. Uma delas é a persuasão, no sentido argumentativo, baseando-se na 
capacidade de convencer os outros atores de que um determinado ponto de vista ou 
proposta é o melhor e que deve ser abraçado por todos. Outra forma de persuasão 
pode ser observada nos arranjos clientelistas, quando se favorece as pessoas de tal 
maneira que elas ficam devedoras, ficam propensas a aderir a uma proposta ou uma 
ideia seja pela simpatia, pela identificação, ou pelo receio de perder benesses. 
A manipulação é uma outra forma de exercício do poder, ocorrendo quando um 
ator, tendo conhecimento dos interesses, dos desejos e das aversões dos outros 
atores, é capaz de jogar com isso, inclusive jogando os atores uns contra os outros. 
Getúlio Vargas frequentemente usava essa forma de exercício do poder: jogava as 
forças políticas uma contra as outras de tal maneira que elas se fragilizassem e ele 
obtivesse aquilo que queria. 
Promessas são literalmente promessas, algo como: faça o que eu quero e em 
troca atenderei o seu pedido. A ameaça também é uma promessa, só que é uma 
promessa negativa, de prejudicar alguém caso não concorde ou apoie quem tem o 
poder. Portanto, promessas e ameaças têm natureza semelhante: ambas se referem 
a alguma coisa que pode ser feita positiva ou negativamente no momento futuro em 
troca da adesão, da obediência. 
As atitudes dos subordinados ou dos comandados são o elemento central das 
relações de poder, pelo fato simples de que alguém só obedece quando reconhece a 
capacidade de mando de quem ordena. Seja pela manipulação, persuasão, 
promessas e ameaças, se a ordem dada por A não impressiona B, o primeiro será 
ignorado. 
Ou seja: é essencial que aqueles que são comandados tenham certo 
reconhecimento da capacidade e dos recursos de poder de quem comanda; que 
tenham percepções a respeito do que faz e do que pode fazer aquele que ordena; que 
formem expectativas e sejam capazes de prever: Se nós não fizermos o que foi 
 
 
28 
ordenado, o que A poderá fazer? É a partir da previsão das consequências de 
obedecer ou desobedecer que os comandados decidem como se comportarão. 
Finalmente a conflitualidade do poder: até que ponto se pode dizer que o 
exercício de todo poder político é conflituoso? Norberto Bobbio afirma que: O conflito 
é intrínseco ao exercício do poder. A definição do poder como a capacidade de impor 
a obediência, a despeito de eventuais resistências indica que potencialmente o conflito 
está presente, já que alguém pode resistir e negar-se a obedecer. Isso não quer dizer 
que a todo tempo o exercício do poder será acompanhado pelo conflito. 
O que é que afeta a presença do conflito nas relações de poder? Primeiro, 
depende dos modos específicos pelos quais o poder é exercido. A manifestação do 
conflito depende primeiramente do modo de seu exercício: se o poder é exercido com 
imperatividade ou com persuasão, como negociação.
Segundo, depende do 
antagonismo das vontades, que pode ser definido como a distância entre o que foi 
ordenado por quem comanda e o que é preferido por quem deve obediência. Quanto 
maior a distância, maior a conflitualidade do poder, quanto menor a distância, mais se 
torna possível haver acomodação, etc. O terceiro fator de conflitualidade do poder é o 
ressentimento resultante da desigualdade de recursos. É ressentimento mesmo, 
porque quando as posições de quem nada e de quem obedece são desiguais demais, 
o subordinado percebe sua posição como vulnerável e reage ao fato de não ter 
alternativa devido à sua vulnerabilidade. 
Para Norberto Bobbio, existem diferentes níveis de consolidação do poder 
político. Não são tipos, mas propriamente níveis de consolidação. O poder potencial 
seria a capacidade de um sujeito influir e determinar o comportamento de outros. Esta 
capacidade depende de uma combinação adequada entre os recursos de poder, as 
habilidades no seu uso as possibilidades de dispor dos modos de exercício do poder 
e as atitudes dos subordinados. 
O nível seguinte define-se como poder estabilizado, que ocorre quando um 
sujeito (A) executa continuamente ações de poder sobre um ou mais sujeitos (B) tendo 
como resultado constante a realização dos comportamentos pretendidos por (A). 
Expressa-se como uma relação duradoura de comando e obediência. Finalmente, 
existe o poder institucionalizado, que ocorre quando o poder estabilizado se articula 
em uma pluralidade de funções claramente definidas e estavelmente coordenadas 
entre si: governo, administração pública, etc. 
 
 
29 
2 PRINCIPAIS CORRENTES TEÓRICAS 
2.1 Introdução à Política 
Desde os filósofos e pensadores gregos os fatos relativos ao governo da 
sociedade humana vêm sendo objeto de estudos exercendo influência profunda e 
duradoura na cultura ocidental. Etimologicamente política vem do grego: politéia 
(πολιτεία), politiké (política em geral) e politikós (relativo aos cidadãos) e estava 
relacionado à organização das polis, as cidades-estados gregas – uma nova forma de 
organização política e social que ocorreu na Grécia Antiga. Desde então, a política 
passou a denominar a arte ou ciência da organização, direção e administração de 
nações ou Estados. “O que a política grega acrescenta aos outros Estados é a 
referência à cidade, ao coletivo da polis, ao discurso, à cidadania, à soberania, à lei” 
(MAAR, 1994, p. 30). 
Os dois primeiros grandes sistematizadores do pensamento político, Platão e 
Aristóteles, entendiam a política referente ao estudo da polis, suas estruturas, 
instituições, constituição. É de Aristóteles a ideia de que a política é a ciência “maior”, 
ou a mais importante do seu tempo, preocupado com um governo capaz de garantir o 
bem-estar geral (o bom governo) da sociedade. 
Contudo, foi só no Renascimento que a política começou a adquirir, de fato, 
contornos de uma ciência. A ciência política moderna é uma disciplina relativamente 
nova, da qual alguns autores datam seu surgimento (ao menos no que concerne a 
ciência política moderna) no século XVI, com Nicolau Maquiavel. De Aristóteles até a 
Revolução Científica Moderna não se faz atenta discriminação entre os conceitos de 
ciência e filosofia. A filosofia, segundo Aristóteles, era a “ciência da verdade”. E esta 
ou aquela, metafisicamente falando, tinham por objeto de estudo os princípios e as 
causas. Na modernidade, Maquiavel foi um dos principais responsáveis por dar à 
política uma certa autonomia, sendo considerado por isso como o pai da ciência 
política, procurando estudar e conhecer a verdade efetiva dos fatos, adotando um 
referencial mais compatível com as exigências atuais que os de Aristóteles. 
Muitos pesquisadores colocam que a ciência política difere da filosofia política 
e seu surgimento ocorreria, de forma embrionária, no século dezenove, época do 
surgimento das ciências humanas, tal como a sociologia, a antropologia, a 
historiografia, entre outras. Mas o estudo da ciência política contemporânea, em certo 
 
 
30 
sentido, ainda é o mesmo daquele de Aristóteles, só que levando em consideração 
toda a complexidade das organizações político-sociais contemporâneas e 
pressupondo uma orientação metodológica e objetividade de pesquisa compatíveis 
com as exigências da ciência atual (sobre a questão metodológica e de pesquisa na 
área das Ciências Sociais e, por conseguinte, da Ciência Política, veja a seção: 
Pesquisa Social e Epistemologia). De modo geral podemos dizer que a ciência política 
é a teoria e prática da política e a descrição e análise dos sistemas políticos, das 
organizações e dos processos políticos e do comportamento político. Envolve o 
estudo da estrutura (e das mudanças de estrutura) e dos processos de governo. A 
ciência política abrange diversos campos, como a Filosofia Política, os sistemas 
políticos, o Estado, partidos políticos, Ideologia, Economia Política, análise de 
Políticas Públicas, o estudo da Administração Pública e do governo, das diferentes 
formas de governo como a democracia, o processo eleitoral, a soberania e divisão de 
poderes (executivo, legislativo e judiciário) e muitos outros. 
 
Fonte: conscienciapolitica.webnode.pt.com.br 
 
A abordagem científica da política busca analisar e refletir sobre os fatos 
políticos a partir da observação empírica, o que não significa dizer que a ciência 
política seja meramente experimental. É possível falar de uma dimensão teórica da 
reflexão política (quando se busca, por exemplo, definir o conceito de poder: o que é 
 
 
31 
o poder?), uma dimensão normativa ou ética (quando se busca responder qual a 
melhor forma de exercer o poder ou a melhor forma de organização política: de que 
forma deve ser exercido o poder?), mas estas duas questões estão de alguma forma 
ligadas a dimensão empírica e prática do estudo da política (de que modo o poder 
está distribuído na sociedade e nas instituições políticas, ou seja, quem exerce o 
poder?). Para tentar responder essas perguntas a Ciência Política procura se utilizar 
de todo um método adequado e relativo às ciências sociais (novamente remetemos o 
leitor para a seção Pesquisa Social e Epistemologia). 
De certa forma podemos dizer que tudo aquilo que nos é dado socialmente, 
culturalmente e historicamente pode ser objeto de estudo da Ciência Política. E este 
é o objetivo desta seção (e de modo geral deste website): debruçar-se sobre diferentes 
temáticas no campo da Ciência Política que possam nos ajudar a entender a 
complexidade das relações humanas e suas relações com o poder. “Afinal, a ‘política’ 
serve para se atingir o poder? Ou então seria a ‘política’ simplesmente a própria 
atividade exercida no plano deste poder? ” (MAAR, 1994, p. 9). 
Finalmente, devemos considerar que o estudo da realidade política não é tarefa 
que caiba apenas a uma área do conhecimento. Por suas raízes históricas, 
comprovadamente filosófica, sociológica e jurídica, podemos falar de uma vinculação 
direta entre a Ciência Política e a Filosofia, a Sociologia, a Ciência do Direito, a própria 
História, e as demais ciências sociais (teóricas e aplicadas). Para a compreensão dos 
fatos e fenômenos políticos, não podemos prescindir de uma abordagem 
interdisciplinar e transdisciplinar da realidade. Vejamos agora brevemente a relação 
interdisciplinar que a Ciência Política apresenta com diferentes áreas, como a 
Filosofia, Sociologia, Economia e muitas outras. 
 
 
32 
 
Fonte: conscienciapolitica.webnode.pt.com 
 
A seção Filosofia Política é destinada a expor as ideias e pensamentos dos 
diferentes Filósofos que se dedicaram desde a antiguidade a refletir sobre o 
pensamento Político e Social. 
2.2 Relação Interdisciplinar com a Sociologia e as Ciências Jurídicas 
Uma dimensão importantíssima que toma a Ciência Política é a de caráter 
sociológico.
O fenômeno político é um fato social por excelência, segundo a definição 
durkheimiana. Desta forma, o fato político vai ser o núcleo de uma sociologia especial, 
a Sociologia Política. A aplicação de critérios rigorosamente sociológicos para a 
análise dos fenômenos que se prendem à realidade política fez surgir uma disciplina 
chamada Sociologia Política. Há uma esfera comum de estudo e pesquisa entre a 
Ciência Política e a Sociologia Política: grupos, classes sociais, instituições, opinião 
pública, os regimes políticos, as ideologias, as utopias etc. 
Além disso, o estudo do Estado e do fenômeno político constitui um dos pontos 
altos e culminantes da obra de Max Weber. Em Weber encontramos estudos sobre as 
bases sociais em que o poder repousa, investiga-se o regime político e a organização 
dos partidos, interrogam-se as formas de legitimidade da autoridade. 
[...] na sociologia política de Max Weber, abre-se o capítulo de fecundos 
estudos pertinentes à política científica, à racionalização do poder, à 
legitimação das bases sociais em que o poder repousa: inquire-se ali da 
influência e da natureza do aparelho burocrático; investiga-se o regime 
político, a essência dos partidos, sua organização, sua técnica de combate e 
proselitismo, sua liderança, seus programas; interrogam-se as formas 
legítimas de autoridade, como autoridade legal, tradicional e carismática; 
 
 
33 
indaga-se da administração pública, como nela influem os atos legislativos, 
ou como a força dos parlamentos, sob a égide de grupos socioeconômicos 
poderosíssimos, empresta à democracia algumas de suas peculiaridades 
mais flagrantes (BONAVIDES, 2000, p. 44-45). 
Por outro lado, em uma tendência de cunho exclusivamente jurídico, Kelsen 
constrói uma Teoria Geral do Estado, fundando em bases de feições jurídicas uma 
teoria que assimilou o Estado ao Direito. Sob esta perspectiva, o Estado se explica 
pela unidade das normas de direito de determinado sistema de modo que, quem 
elucidar o direito como norma, elucidará o Estado. Situando Direito e Estado em 
relação de identidade, esta teoria faz de todo Estado, Estado de Direito. 
Uma perspectiva menos radical faz da Teoria Geral do Estado um apêndice ou 
introdução ao Direito Público e Constitucional, sem, no entanto, reduzir o Estado a 
considerações exclusivamente jurídicas. Nesta linha estão “os publicistas célebres da 
França, no século XX [...] mais preocupados com o aspecto jurídico da Ciência Política 
do que propriamente com as suas raízes na filosofia e nos estudos sociais” 
(BONAVIDES, 2000, p. 48). 
Sob uma perspectiva não reducionista, podemos falar de uma tríplice análise 
do Estado: o Estado como ideia (prisma filosófico), como fato social (prisma 
sociológico) e fenômeno jurídico (prisma jurídico). 
 
Fonte: conscienciapolitica.webnode.pt.com.br 
2.3 A Ciência Política e as demais Ciências Sociais 
 
 
34 
Neste ponto cumpre enfatizar a relação que a Ciência Política possui com as 
mais variadas áreas das Ciências Sociais, entre elas a Economia, a História, a 
Psicologia. 
 
Fonte: sabedoriapolitica.com.br 
O conhecimento dos aspectos econômicos em que se baseia a estrutura social 
são fundamentais para a compreensão dos fenômenos políticos e das instituições 
pelas quais uma sociedade se governa. Neste sentido, Marx estava certo em 
reconhecer na Economia a base da estrutura social, ou seja, um aspecto fundamental 
de politização da sociedade. 
A Economia corresponde, no pensamento marxista, a infraestrutura da 
sociedade, que dá base e sustentação a sua superestrutura, todas as instituições 
sociais e políticas, sendo, portanto, determinante, embora não exclusiva, de toda 
sociedade. Não é sem razão que a disciplina Economia Política tem uma importância 
fundamental no âmbito da Ciência Política. Veja em nosso site a seção Economia 
Política para aprofundar o tema. 
 A importância do conhecimento dos aspectos econômicos em que se baseia a 
estrutura social é tal que, segundo Bonavides (2000, p. 54), sem o seu conhecimento: 
“Dificilmente se poderia chegar à compreensão dos fenômenos políticos e das 
instituições pelas quais uma sociedade se governa”. Além disso, todo governo precisa 
de uma política econômica em seu programa de ação que determine, entre outras 
coisas, as metas econômicas a serem atingidas (previsão do PIB, por exemplo), um 
programa para lidar com a inflação, taxas de juros, política cambial etc. 
 A História, e também o Historiador, têm uma contribuição assaz importante 
para oferecer à Ciência Política, na medida em que nos ajuda a entender a origem 
dos sistemas, das ideias e das doutrinas políticas do passado, ao longo de toda 
tradição Ocidental-Oriental. A importância dos estudos históricos, da História das 
Ideias Políticas, é por demais clara para que precise de maior justificativa e 
argumentatividade para demonstrar sua relevância. A História do pensamento político 
 
 
35 
deve abranger a história dos acontecimentos políticos. Ao lado da história dos 
acontecimentos políticos, há também o estudo da história das instituições e, ainda, a 
história das ideias políticas. 
Não tão clara pode parecer a relação entre a Ciência Política e a Psicologia, 
mais especificamente a Psicologia Social, que parte do princípio de que, fora das 
motivações psicológicas, não é possível ter uma compreensão satisfatória dos fatos 
sociais e, por concomitantemente, do processo político. O que está na base dos 
fenômenos políticos, para a Psicologia Social, é que os fundamentos do poder e da 
obediência são de natureza psicológica. Além disso, já existe uma disciplina 
específica no campo da psicologia para abordar questões relativas ao fenômeno do 
poder e da política, a Psicologia Política, objeto de análise na seção Psicologia e 
Política. 
3 O ESTADO MODERNO 
Os conceitos de Estado são variados e possuem, cada qual, diversidades 
referentes às correntes doutrinárias ou ao ideário teórico dos que os propõe, bem 
como o momento histórico da concepção, entre outros fatores. Além disto, o Estado é 
um ente dotado de complexidade extrema, podendo ser analisado sob inúmeros 
enfoques, como político, jurídico, sociológico, etc. Neste trabalho pretende-se 
apresentar noções teóricas e históricas de várias correntes, de vários pensadores 
sobre o tema Estado, sem tentar fechar a possibilidade de futuras e maiores 
discussões sobre o tema. 
3.1 Origem do estado 
O termo Estado provém do latim status significando, de forma literal, estar firme. 
Segundo definição de Fernando de Azevedo, o referido termo pode ser definido como 
“Fixo, imóvel, decidido, regular e constante”, empregado para designar uma condição 
geral de estado, de ser, como, por exemplo, status libertatis. 
O Estado, hodiernamente concebido, significa uma situação durável de 
convivência de uma sociedade politicamente organizada, ou ainda, citando o conceito 
da doutrina tradicional, o “Estado é a Nação politicamente organizada”. O conceito de 
Estado mais difundido, segundo Manuel Gonçalves Ferreira Filho é o que estabelece 
 
 
36 
ser ele “uma associação humana (povo), radicada em base espacial (território), que 
vive sob o comando de uma autoridade (poder) não sujeita a qualquer outra 
(soberania) ”. Nesta noção se encontram presentes os elementos do Estado, quais 
sejam, povo, território, poder e soberania. 
Salienta Giorgio Del Vecchio que o Estado é “a unidade de um sistema jurídico 
que tem em si mesmo o próprio centro autônomo e que é possuidor da suprema 
qualidade de pessoa”. Hely Lopes Meirelles compila várias noções de Estado, 
afirmando, com fundamento em vários doutrinadores, que o Estado pode ser 
conceituado, analisando-se aspectos sociológicos, políticos, jurídicos, entre outros. 
Sob o aspecto sociológico, Estado pode ser definido como “corporação 
territorial dotada de um poder
de mando originário (Jellinek)”; sob o prisma político, o 
Estado “é comunidade de homens, fixada sobre um território, com potestade superior 
de ação, de mando e de coerção (Malberg)”; constitucionalmente, o Estado “é pessoa 
jurídica territorial soberana (Biscaretti di Ruffia)”. 
Para Geörg Jellinek, “o Estado, enquanto ser social é uma realidade histórico-
cultural; enquanto objeto do Direito, ser jurídico, é uma abstração ideal”, isto é, o 
Estado possui uma personalidade social e uma personalidade jurídica. Hans Kelsen, 
por sua vez, nega a realidade social, analisando o Estado sob a ótica de realidade 
jurídica, considerando-o “uma pessoa jurídica, ou seja, como uma corporação”; de 
igual forma, Duguit conceitua o Estado como “criação exclusiva da ordem jurídica e 
representa uma organização da força a serviço do direito”. 
Ao conceituar o Estado, Alexandre Groppali assim se manifesta: “O Estado, 
inegavelmente, significa o domínio dos mais fortes e organiza os serviços públicos, 
mas seria revelar um conceito unilateral da realidade, o de não se admitir que é no 
interesse da coletividade também que esse domínio é exercido e que o Estado, além 
dos serviços públicos, deve visar outros fins mais altos, de natureza ética e social, que 
perduram no tempo, se não quer transformar-se, degradando-se, em um mero órgão 
técnico de administração”. 
Desta forma, o Estado é um organismo dotado de multiplicidade, e como tal, 
deve ser conceituado sob vários aspectos: em razão de seus elementos constitutivos, 
em razão de sua forma, ordenação e relações com outros sujeitos de direito e, 
finalmente, como sujeito de direito. Em relação aos elementos constitutivos, Alexandre 
Groppali salienta que o Estado “é um ente social constituído „de um povo organizado 
 
 
37 
sobre um território sob o comando de um poder supremo, para fins de defesa, ordem, 
bem-estar e elevação‟”. Os elementos constitutivos do Estado estão todos inseridos 
no conceito: povo – território – poder de mando – fim. 
Do ponto de vista de sua forma, ordenação e relações, Alexandre Groppali 
define o Estado como “uma ordenação jurídica, na qual um complexo de normas 
gerais e coercitivas regulam os órgãos e os poderes do Estado bem como as relações 
dos cidadãos entre si e as deles com o mesmo Estado”, aqui o Estado atua como 
limitador das liberdades individuais e da própria atuação, impondo normas coercitivas, 
logo, obrigatórias. Como sujeito de direito, o autor define o Estado “como uma 
corporação territorial ou como uma instituição territorial, conforme os cidadãos sejam 
ou não admitidos na sua administração e governo”. 
Assim, Estado pode ser conceituado em razão do momento, jurídico, histórico 
e social. Pelas teorias monárquicas, como objeto de direito; pela teoria monista 
expressão de direito e, ainda, segundo as teorias democráticas, como pessoa jurídica 
sujeito de direitos. Assim, inúmeras outras definições existem, mas em síntese, o 
Estado é ordem jurídica, dotada de poder soberano, tem como objetivo o bem comum 
de um povo situado em determinado território. 
Além do conceito, importante ressaltar que, desde o princípio tem se entendido 
que o Estado é uma unidade que compreende pluralidade de funções. “Aristóteles, p. 
ex., descreveu a diversidade das funções do poder estatal nas várias magistraturas‟, 
antecipando a moderna teoria da separação dos poderes, que foi traçada por Locke e 
desenvolvida por Montesquieu”, essa teoria visava fins liberais. Com a teoria da 
separação dos poderes, pela primeira vez na história dos Estados organizados houve 
uma cisão entre a atividade administrativa e a atividade judiciária e legislativa. 
3.2 Evolução do Estado 
Localizar o ponto inicial, ou o momento de origem do Estado, a exemplo de 
traçar a conceituação mais precisa, é tarefa das mais árduas, tendo em vista o 
anacronismo encontrado entre as mais diversas obras e teóricos do Estado. Não 
obstante as diferenças encontradas nas obras relativas ao tema, a concepção de 
Estado e sua evolução é vital ao desenvolvimento do tema proposto, tendo em vista 
que a Administração é corolário da organização estatal. 
 
 
38 
O Estado, como hoje entendido, é formação política recente, que sofre 
evoluções constantes, tendo em vista seu caráter dinâmico, “ele, porém não se move 
em uma órbita própria e autônoma, mas faz parte de todo aquele complicado sistema 
de forças que agita e solicita a sociedade em sua evolução”16, a significar que a 
evolução do Estado é caracterizada por fenômenos históricos, sociais, culturais, 
econômicos, religiosos, entre outros, que se manifestam na sociedade. Pinto Ferreira 
sintetiza em cinco as fases de evolução socioculturais do Estado: “a) o Estado latente, 
em potencial, na organização tribal; b) o Estado primitivo de conquistadores; c) o 
Estado feudal; d) o Estado absoluto; e) e o Estado democrático e constitucional”. 
 As primeiras noções que se tem do Estado, são de cunho histórico, e 
remontam à polis grega e à civitas romana, contudo. Na Grécia antiga, a Estado 
cidade era denominado polis, e caracterizava-se como monarquia patriarcal. No 
século VIII a.C., o surgimento da moeda cunhada. Fortalece o comércio, acabando 
com o isolamento das aldeias, iniciando-se, assim, a dissolução das linhagens tribais, 
a sociedade passa a ser mais complexa. O comércio passa a ser exercido em praça 
pública, assim como as discussões sobre a vida e a defesa da cidade é feita pelos 
cidadãos (homens, adultos, nacionais e livres). Os assuntos públicos deixam de ser 
monopólios de pequenos grupos e a religião torna-se acessível a todos, gerando, 
todos estes fatos, uma revolução política e do próprio pensamento humano, causando 
uma evolução da polis, que passa a ser uma associação política, limitada pela 
intervenção do povo (demos) nos assuntos de interesse estatal e aplicação da justiça. 
A polis tem como principal característica a prevalência do logos, isto é, da 
razão, da palavra e do poder de convencimento dos oradores. O conceito de civitas, 
por sua vez, não é muito diferente do conceito da polis grega. “Civitas, átis, s. f. cidade; 
povo da cidade; direito de cidadão; estado; pátria; nação”. O Estado romano tem como 
núcleo original a família, na qual o poder é exercido pelo pater família. O elemento 
constitutivo da sociedade era a gens (associação de patrícios, gentes regime da 
sociedade), constituída por um grupo de pessoas unidas por vínculos de parentesco 
e práticas religiosas. 
Cumpre ressaltar, inicialmente, que cidade e urbe não designava, para os 
romanos, a mesma coisa. “A cidade era a associação religiosa e política das famílias 
e das tribos; a urbe, o lugar de reunião, o domicílio e sobretudo, o santuário dessa 
sociedade”. Groppali rechaça as teorias patriarcal e matriarcalista, afirmando que “o 
 
 
39 
Estado não surgiu com o aparecimento de nenhuma das agregações sociais por elas 
respectivamente indicadas, mas sim resultou da fusão dessas agregações em uma 
unidade superior. Para que o Estado possa surgir como essa autoridade superior, é 
indispensável a pluralidade dos grupos heterogêneos que, por necessidades mais 
elevadas, saem do seu estado de isolamento, para formar uma agregação mais 
vasta”. 
Ainda segundo Groppali, esta agregação mais vasta, tem como ponto de 
partida fatores vários, entre eles, o aumento do número de componentes do clã, 
fazendo com que se dividissem e partissem em busca de novos territórios, mantendo, 
contudo, os laços familiares e as práticas e sentimentos religiosos, formando-se, 
assim, “aquele agregado mais vasto que se chama tribo”. Salienta, ainda, o autor, que 
fator que ensejou o surgimento do Estado foi a guerra e a necessidade de manutenção 
da paz. “A necessidade de defesa, sobretudo, levou os grupos primitivos a associar-
se e a submeter-se a uma autoridade unitária, tendo sido a determinante
do 
aparecimento do Estado”. 
Dalmo Dallari afirma que o termo Estado a significar “uma situação permanente 
de convivência e ligada à sociedade política, aparece pela primeira vez em O Príncipe, 
de Maquiavel, escrito em 1513”. Clóvis de Carvalho Júnior, contudo, ressalta, quanto 
à origem do Estado, que, “embora possamos rastreá-lo em sua origem, dando como 
marco inicial o Império Romano à época dos Antoninos, sua disseminação deu-se, em 
termos europeus, a partir dos Tratados de Westphalia datados de 1648”. 
A maior parte da doutrina afirma que as teorias sobre a origem do Estado, tal 
como hoje é concebido, têm sua origem na Idade Média. A palavra stato surgiu na 
Itália, durante a Idade Média, contudo, seu significado era vago. A expressão Estado, 
com o significado de ordem pública constituída, passou a ser utilizado na Inglaterra, 
no século XV e na França e Alemanha, no século XVII. Como já salientado, Maquiavel 
(1469 – 1527) utilizou o termo Estado, de forma científica, pela primeira vez, ao 
escrever “O Príncipe”, em 1513. Afirmava, o autor, que Estado seria todo domínio que 
exerce império sobre o homem, ressaltando, ainda, que seria justificável a utilização 
de todo e qualquer meio com o fim de manter, o príncipe, seu Estado. 
Uma das teorias mais remotas sobre a origem do Estado é a denominada teoria 
da origem familiar que situa o surgimento do Estado no desenvolvimento e 
crescimento da família, contudo, esta teoria é de aceitação limitada, tendo em conta 
 
 
40 
que confunde a origem do Estado com a própria origem e evolução da humanidade, 
segundo ensinamentos de Darcy Azambuja26, tese sustentada de forma semelhante 
por Groppali. 
Outra teoria, também remota, é a da origem violenta do Estado, a sugerir que 
o Estado nasce, sempre, da submissão dos mais fracos pelos mais fortes, Bodin, 
“admitia que o Estado ou nasce da convenção ou da violência dos mais fortes”. A 
inspiração desta teoria é darwiniana (a sobrevivência o mais forte), pelo que, era 
comparada ao maquiavelismo. Hobbes foi “o principal sintetizador dessa doutrina no 
começo dos tempos modernos”, para o autor, o Estado se apresentava em duas 
categorias distintas, o Estado real e o Estado Racional, o primeiro se forma por 
imposição da força e o segundo provém da razão. 
Said Maluf aponta, ainda, as teorias teológicas ou religiosas, pelas quais os 
Estado e seu fundamento encontram-se no direito divino, traduzido como a vontade 
de Deus. A teoria com maior número de adeptos é a teoria da origem contratual do 
Estado, denominadas também, de teoria racionalista ou pactista. Sustentavam os 
defensores da teoria contratual, que o Estado surgia através de um acordo de 
vontades, isto é, através de um contrato social. Atreves deste contrato, os homens 
abririam mão de uma gama de direitos em prol do bem comum. São exponentes desta 
teoria, entre outros, Hobbes (1588 – 1679), Spinoza (1632 – 1677), Grotius 
(15831647), Kant (1724 – 1804), Locke (1632 – 1704) e Rousseau (1712 – 1778). 
Os ingleses Hobbes e Locke são considerados precursores da Teoria Clássica 
da concepção de Estado. De acordo com esta teoria, o Estado se originou de um 
acordo entre os indivíduos, que ameaçados pela desagregação, buscaram uma forma 
de manterem-se seguros, assim como a suas propriedades considerados, como hoje, 
direitos essenciais à subsistência da vida em sociedade. Thomas Hobbes, em sua 
obra mais importante, Leviatã, distingue duas categorias de Estado – O Estado 
racional, originário da razão humana e o Estado real, baseado nas razões da força. O 
poder absoluto do Estado justificava-se a partir da assertiva de que o homem não é 
naturalmente sociável, ao contrário, o homem é o maior inimigo do homem – homo 
homini lupus. 
John Locke, também contratualista, introduzia à Teoria do Estado um novo 
conceito, o de ideal da liberdade burguesa, daí porque é considerado o precursor do 
liberalismo na Inglaterra. Caberia ao Estado, tão somente, regular as relações da vida 
 
 
41 
social, reservando ao homem os direitos inerentes à personalidade humana, as 
liberdades fundamentais e o direito à vida, direitos estes, por definição, anteriores e 
superiores ao próprio Estado. 
Spinoza sustentou as ideias de Hobbes, chegando, porém, a conclusão 
diversa, qual seja, os homens abrem mão de uma parcela de seus direitos para que o 
Estado alcance objetivos almejados por todos, quais sejam, a manutenção da paz e 
da justiça, caso o Estado não consiga manter ou alcançar estas metas, deve ser 
dissolvido, posto que originário de um contrato, sendo necessário, desta forma, a 
formação de um novo Estado. 
Para Hugo Grotius o Estado é “uma sociedade perfeita de homens livres que 
tem por finalidade a regulamentação do direito e a consecução do bem-estar coletivo”. 
Rousseau, igualmente contratualista, afirmava que o Estado era fruto da vontade 
geral, consubstanciada na soma da vontade da maioria dos indivíduos, o que se 
sobrepunha à vontade do rei. O governo era instituído com o fim de promover o bem 
comum e era suportável enquanto fosse justo. Rousseau não reconhecia a existência 
da separação dos poderes, teoria desenvolvida por Montesquieu (legislativo, 
executivo e judiciário), posto que colocava, acima de todo poder, o poder da 
assembleia (aqui entendida como a vontade geral). 
Said Maluf enumera, ainda, a Escola Histórica, segundo a qual o estado não é 
fruto de um contrato, e sim produto da evolução histórica de uma determinada 
sociedade, tem em Edmundo Burke o principal expoente. Além da escola Histórica, 
Maluf enumera ainda a Teoria de Leon Duguit (1859 –1928), segundo a qual o Estado 
origina-se na diferenciação entre governantes e governados, segundo a qual os 
governantes impõem sua vontade aos governados através da força. 
A Revolução Francesa (1798) teve como pano de fundo as ideias dos 
liberalistas do século XVIII e traçou as seguintes máximas: “todo governo que não 
provém da vontade nacional é tirania; a nação é soberana e sua soberania é una, 
indivisível, inalienável e imprescritível; o Estado é uma organização artificial, precária, 
resultante de um pacto nacional voluntário, sendo o seu destino o de servir ao homem; 
o pacto social se rompe quando uma parte lhe viola as cláusulas; não há governo 
legítimo sem o consentimento popular; a Assembleia Nacional representa a vontade 
da maioria que equivale à vontade geral; a lei é a expressão da vontade geral; o 
homem é livre, podendo fazer ou deixar de fazer o que quiser, contanto eu sua ação 
 
 
42 
ou omissão não seja legalmente definida como crime; a liberdade de cada um limita-
se pela liberdade dos outros indivíduos; todos os homens são iguais perante a lei; o 
governo destina-se à manutenção da ordem jurídica e não intervirá no campo das 
relações privadas; o governo é limitado por uma Constituição escrita, tendo esta como 
partes essenciais a tripartição do poder estatal e a declaração dos direitos 
fundamentais do homem etc.”. Segundo o autor, “instituía-se, assim, o Estado liberal, 
baseado na concepção individualista”. 
O Estado liberal é marcado pelas conquistas e ideais da Revolução Francesa, 
quais sejam, liberdade, igualdade, legalidade, entre outros. Assim, o ideal do Estado 
liberal é a menor intervenção na economia, com a adoção de políticas de câmbio-livre 
no comércio externo, bem como as garantias individuais, e observância da legalidade, 
com fulcro a limitar o poder do Estado sobre a esfera privada, afirmando-se, assim, o 
Estado liberal, como Estado de Direito. 
Adam Smith (1723 - 1790), pai do liberalismo econômico, revendo as 
proposições de Locke, preconizava a necessidade de manter no Estado, o sentido 
ético, isto é, admite um Estado voltado para a realização do bem-estar coletivo, mas 
sob o auspício de outros fundamentos. Smith considera que a harmonia social só 
podia ser obtida através
do egoísmo, entendido como o interesse pessoal de cada 
homem, salientando que o Estado não pode intervir na economia de mercado. 
Concorrência passa a ser expressão corrente, a assegurar o equilíbrio entre o 
mercado, estimulando o progresso, resumindo o papel do Estado ao estabelecimento 
da justiça, à manutenção das instituições não lucrativas e ao controle de emissão de 
moedas, o economista condenava a política mercantilista e a intervenção estatal na 
economia e no câmbio. 
Sieyés (1748 – 1836), visou desenvolver um processo representativo restrito, 
com fincas a adaptar as concepções liberais econômicas de Adam Smith, que 
propunha que a “solução dos conflitos sociais se encontravam na livre concorrência 
de mercado” conciliando-as com a realidade francesa dos pós Revolução. Sua 
proposta pugnava pela igualdade do Terceiro Estado em relação ao clero e à nobreza, 
ordens privilegiadas (que, por exemplo, eram excluídas da política fiscal), 
“estruturando sua perspectiva jurídico-política de caráter unitário de nação”. 
Para Sieyés cabia à Nação “uma autoridade anterior de estabelecer a ordem 
jurídica”, contudo, o autor esbarrou na contradição existente entre o trabalho e as 
 
 
43 
funções públicas, que até então eram atributos exclusivos da aristocracia. Hegel (1770 
- 1831), por sua vez, introduz na Teoria do Estado, uma visão liberal tecnocrática. 
Para o doutrinador, o Estado se sobrepõe aos interesses particulares, colocando a 
salvo o que há de essencial em cada interesse, isoladamente considerado, impondo 
princípios de racionalidade à sociedade. 
Para Hegel, “não são a família e a sociedade civil que são condição de 
existência do Estado, mas é o Estado, enquanto ideia da comunidade moral, que se 
divide em duas esferas, as quais deságuam nos indivíduos”. A família e a sociedade, 
em Hegel, condicionam-se à ideia de Estado. Opõe-se ao pensamento de Hegel, 
Marx, com sua crítica marxista, que levaram a uma nova e revolucionária concepção 
de Estado, que pode ser entendida, como uma teoria econômica da origem do Estado, 
apoiada, ainda, por Engels e Lenine. 
A teoria marxista, sinteticamente analisada, parte da constatação de que a 
sociedade, que compõe o Estado, encontra-se dividida em duas classes sociais – a 
dos capitalistas e a dos operários -, sendo o Estado, o elemento de dominação de 
uma classe sobre a outra, isto é, para Marx, “O Estado apenas representa o 
instrumento de dominação de uma classe sobre a outra, é um simples meio de 
exploração das classes dominantes sobre as classes dominadas, surgindo à medida 
em que se estrutura o regime da propriedade privada”. 
Karl Marx contestava o Estado Liberal, que se tornara incapaz para resolver os 
conflitos de classes – capitalistas e operários. Caberia ao Estado buscar, além da 
igualdade jurídica, a igualdade econômica. Ou seja, o Estado era um “mal necessário”, 
pelo que, deveria ser transitório, isto é, deveria ser extinto como governo de pessoas, 
para dar lugar a um sistema de administração de coisas comuns. Além de contestar, 
Marx critica o Estado burguês, afirmando que ele “surge como elemento catalisador” 
do conjunto produção humana e divisão do trabalho, “o que se exterioriza por 
intermédio da força organizada (as forças armadas, a polícia) e o monopólio da 
administração racional (a burocracia e justiça) ”. 
Esse confronto, segundo Carvalho Júnior, “gerou uma série de guerras 
menores que desaguaram na 1ª Grande Guerra Mundial e levaram o Estado burguês 
de Direito ao colapso, marcado pelas crises públicas e as revoluções dos anos entre 
1910 e 1930”. No final do século XVIII, mercantilismo e absolutismo entram em crise, 
que eclodiu com a Era das Revoluções, que abrange o período compreendido entre o 
 
 
44 
final do século XVIII e o início do século XIX, neste período ocorreram a Revolução 
Francesa, a Revolução Americana, a Guerra de Independência hispano-americana. 
Estes movimentos revolucionários fundamentavam-se na ideia de Estado-Nação e 
soberania popular, que tem suas origens em Rousseau, fulminando nas noções de 
nacionalismo e centralização. 
Além dos fatos relacionados com as revoluções Francesa, Americana e de 
Independência hispano-americana, a Revolução Industrial, iniciada em 1770, na 
Inglaterra, gerou uma nova realidade social. Produziu não só o operário, mas 
principalmente, o desemprego, transformando, desta forma, o trabalho humano em 
mercadoria, e como tal, sujeita às leis de mercado, sobretudo, à lei da oferta e procura. 
Em razão do desemprego crescente, os salários tornaram-se ínfimos e homens e 
mulheres foram relegados a situações de miséria, passando a depender da “caridade 
pública”. O Estado liberal não estava apto a lidar com tais situações, posto que seu 
objetivo era manter a ordem pública, assegurando aos homens a paz social, a 
liberdade e a igualdade de direitos. 
 
Fonte: gestaoeducacional.com.br 
A situação fática levou à reação da Igreja, através da Encíclica Rerum 
Novarum, de Leão XIII, de 15 de maio de 1891, descrevendo a situação vivida pela 
sociedade, bem como analisando suas causas e orientando o Estado sobre como 
deveria agir em relação aos problemas sociais que dominavam toda a Europa. A partir 
da Encíclica Rerum Novarum o Estado liberal passou a intervir na economia. 
Preleciona, ainda, Maluf, que onde o Estado liberal mostrou-se frágil ante os 
problemas sociais, ocorreram revoluções violentas, como na Rússia, na Itália, na 
 
 
45 
Alemanha, na Polônia e em outros países. Quando o Estado liberal atuou, 
transformou-se, “de maneira pacífica evoluindo para a forma social-democrática, 
através de reformas constitucionais e medidas legislativas. Tornou-se evolucionista, 
intervindo na ordem econômica, colocando-se como árbitro nos conflitos entre o 
capital e o trabalho, superintendendo a produção, a distribuição e o consumo.”. 
3.3 Estado Moderno 
Considera-se que a fase inicial do Estado Moderno correspondia ao 
absolutismo monárquico, intimamente relacionado com o mercantilismo. O Estado 
liberal é considerado, um segundo estágio do Estado Moderno, passando-se, 
posteriormente aos chamados Estados Constitucionais e Sociais. 
Rogério Medeiros Garcia Lima, sobre esta evolução salienta que “O Estado 
moderno é o tipo histórico de Estado característico da Idade Moderna e 
Contemporânea (séculos XVI ao XX), definindo-se pelo aparecimento do próprio 
conceito de Estado na acepção hoje adotada. Costuma-se dividi-lo em subtipos, a 
saber, Estado Corporativo, Estado Absoluto, Estado liberal e Estado constitucional do 
século XX”. Segundo Lima, o crescimento do Estado corporativo levou ao fim o 
feudalismo no plano político; o Estado absoluto (séculos XVII – XVIII), quedou no pós 
Revolução Francesa, moldando-se, na sequência, os aspectos do Estado Liberal; o 
Estado liberal é um subtipo do Estado Moderno, com início no século XVIII, apogeu 
durante o século XIX e declínio na primeira metade do século XX; de igual forma, o 
Estado constitucional é um subtipo do Estado Moderno. 
O Estado Moderno implica “centralização do poder”, fundado no “princípio da 
territorialidade, da obrigação política” e da “progressiva aquisição da impessoalidade 
do comando político”, pode ser conceituado como “forma de poder historicamente 
determinada e, enquanto tal, caracterizada por conotações que a tornam peculiar e 
diversa de outras formas, historicamente também determinadas e interiormente 
homogêneas, de organização de poder”. 
Weber (1864 – 1920), ao discorrer sobre o fenômeno da centralização do poder, 
afirma ser o mesmo “monopólio da força legítima”. Segundo o autor, o surgimento do 
Estado Moderno se confunde com a história da tensão existente entre a 
descentralização do poder, ou policentrismo do feudalismo e a centralização do poder 
do Estado territorial “concentrado e unitário”, ou ainda, com a ampliação do
espaço 
 
 
46 
público, em detrimento do privado. A passagem do sistema feudal – policentrismo – 
para o Estado moderno – centralizado e unitário – decorreu, inicialmente, da cisão 
entre a Igreja e a política, ou seja, decorreu da ruptura da unidade político-religiosa 
que vigia na época pré-moderna, que pode ser situada entre os séculos XIII e XVI. 
Contudo, a própria Igreja fortaleceu o sistema político centralizado, pois com o 
fim de fortalecer o primado religioso, a Igreja, corporificada na pessoa do papa, 
reconhecia a autonomia da política, oferecendo terreno onde essa organização 
política podia sediar-se e fortalecer-se econômica e socialmente. Essa realidade 
confrontava-se com a realidade dos feudos, qual seja, propriedade delimitada de 
propriedade dos senhores feudais, fundadas na economia de subsistência do próprio 
feudo, consistente em atividades agrícolas e, no máximo, de troca, de organização 
social rígida e estática. Esse reconhecimento da autonomia política levou à passagem 
do “Estado para associações pessoais ao Estado territorial institucional”. Após a 
transformação gradual do Estado de associações para o Estado institucional seguiu-
se a passagem do senhorio terreno à soberania territorial. 
O poder passa a ser político e o Estado adquire atributos inerentes a esta nova 
condição, “mundaneidade, finalidade e racionalidade” com o fim de adquirir “a imagem 
moderna de única e unitária estrutura organizativa formal da vida associada, de 
autêntico aparelho de poder, operacional em processos cada vez mais próprios e 
definidos, em função de um escopo concreto: a paz interna do país, a eliminação do 
conflito social, a normalização das relações de força, através do exercício 
monopolístico do poder por parte do monarca, definido como souverain enquanto é 
capaz de estabelecer, nos casos controversos, de que parte está o direito, ou, como 
se disse, de decidir em casos de emergência”. 
O Estado passa a ser considerado como a “organização das relações sociais 
(poder) através de procedimentos técnicos preestabelecidos (instituições, 
administração), úteis para a prevenção e neutralização dos casos de conflito e para o 
alcance dos fins terrenos que as forças dominadoras na estrutura social reconhecem 
como próprias e impõem como gerais a todo o país”. 
Todo poder demanda de um aparelho administrativo, a fim de que suas 
determinações sejam executadas. Para Weber, o Estado moderno tem como 
característica primordial o fato de constituir-se de um sistema de administração e de 
leis, modificáveis somente através de legislação específica, o que direciona as 
 
 
47 
atividades coletivas de um quadro executivo, aqui considerado como centro de 
autoridade sobre toda e qualquer atividade exercida no território sobre o qual se 
exerce dominação, entendida como probabilidade de obediência a um determinado 
mandato. Dominação, em Weber, pode ter como fundamento diferentes causas de 
submissão, entre elas os costumes, reunião de interesses comuns, entre outras, 
contudo, para ser legítima, a dominação deve fundamentar-se em bases jurídicas, 
dividida, assim, em três espécies básicas: a dominação legal, decorrente de lei, ou de 
estatuto, através do qual os direitos podem ser criados ou modificados, caracteriza a 
denominada dominação burocrática, pela qual existe uma regra, que estatui um 
quadro administrativo de funcionários, com formação profissional, a dominação 
burocrática ou legal tem base do funcionamento técnico a disciplina do serviço; a 
dominação tradicional, que advém da crença na santidade das ordenações e no poder 
dos senhorios, é denominada dominação patriarcal e, finalmente, a dominação 
carismática, que decorre de devoção afetiva a pessoa de dotes sobrenaturais, com 
revelações de poder intelectual, heroísmo ou oratória, por exemplo. 
 
Fonte: todoestudo.com.br 
Weber dimensionou o fenômeno administrativo ao afirmar que a burocracia 
supera as demais formas de administração. Definia a burocracia, grosso modo, como 
uma forma de organização humana, baseada na racionalidade, entendida como 
adequação dos meios aos objetivos e fins pretendidos, a fim de garantir a máxima 
eficiência possível. A burocracia é tida, ante estes conceitos, como forma de poder. 
Importante ressaltar que nesta fase a diferenciação entre fins e competências do 
Estado passou a ser primordial, considerando, Ataliba Nogueira, que “o Estado é um 
simples instrumento, é um simples meio de aperfeiçoamento físico-moral e intelectual 
do homem, o Estado é um instrumento do progresso humano e não um fim em si 
 
 
48 
mesmo”. Assim, os fins do Estado são permanentes, enquanto a competência é 
efêmera e extremamente “variável de acordo com a situação social, o grau de 
desenvolvimento econômico e cultural da sociedade”. 
Darcy Azambuja esclarece a celeuma sobre fins e competência do Estado ao 
afirmar que é “a atividade do Estado no que diz respeito aos negócios e às pessoas 
sobre os quais ele exerce o seu poder” e o fim do Estado “é o objetivo que ele visa 
atingir quando exerce o poder”. Para a realização de seus fins o Estado tem, 
necessariamente, que se valer da Administração Pública e, por conseguinte, dos 
serviços públicos, observando as suas competências, as necessidades sociais e o 
aumento da dependência da sociedade em relação às atividades desenvolvidas pelo 
Estado. Segundo Clóvis de Carvalho Júnior, “a legitimação burocrática qualificava o 
Estado de Direito como momento maior de racionalidade do exercício do Poder. Essa 
racionalidade, baseada em regras fixas de conduta, conflita com a “racionalidade dos 
resultados” que se obriga a compor as demandas e necessidades do meio-ambiente 
imutável com a lógica do sistema legal existente”. 
Assim, as necessidades sociais clamam que a administração, aqui 
compreendida em sentindo amplo, rompa com a racionalidade burocrática, passando 
a ser dinâmica, a fim e acompanhar os anseios do novo Estado Social e as 
peculiaridades da população. Ainda segundo Clóvis de Carvalho Júnior, a crise do 
Estado Social de Direito, ou seja, do Estado atual, tem como fonte justamente os 
conflitos “entre as aspirações, interesses e necessidade de liberdade de pessoa de 
um lado e a necessidade de racionalizar a produção e, por consequência, criar uma 
rede de vigilância e controle que além de custos muito altos oprime os indivíduos, as 
pessoas, levando-as a contestar a legitimação de qualquer governo que se instale no 
Estado”. 
O Estado Social de Direitos pode ser definido, de forma simplista, com um 
Estado que assegure aos seus cidadãos, alimentação, saúde, educação, habitação, 
trabalho e renda, proteção contra a violência, enfim, uma série de direitos sociais e 
políticos, que oneram os cofres públicos. O Estado Social de Direito trás, em si, a 
ideologia social democrata, que pode ser traduzida como um compromisso com a 
democracia, fundada em bases políticas liberais e no livre mercado, visando a 
ascensão e a organização das classes sociais menos favorecidas, que constituem a 
maioria da população. A pedra fundamental da social democracia é a proteção e a 
 
 
49 
valorização do cidadão, o que reclama a intervenção do Estado. Para a manutenção 
destes direitos garantidos, em geral, por Constituições, o Estado necessita de 
aparatos, serviços, funcionários, etc. 
O Estado contemporâneo, neoliberal ou social democrata, encontra-se em crise 
justamente por sua incapacidade de mediar os conflitos existentes entre a sociedade 
e o próprio Estado e ante sua incapacidade de suprir às demandas sociais. Além das 
insuficiências do Estado, o ideal democrático foi consumido pelo capitalismo, que não 
tem ideologia alguma e funciona por si. 
4 ESTADO BUROCRÁTICO 
Burocracia é um termo oriundo do latim e do francês que significa escritório. 
Burocracia significava todas as repartições públicas, na França
do século XVIII e 
também o poder e ação dos funcionários nos escritórios e qualquer outro ambiente de 
trabalho. 
Burocracia é um conceito relativo ao predomínio desproporcionado do aparelho 
administrativo no conjunto da vida pública ou dos negócios privados. Consiste num 
governo exercido por funcionários, apodado de "tirania do funcionário", carente de 
imaginação. Considera o público como uma massa amorfa, susceptível de ser 
transformada em números e expedientes. A sua razão de existência baseia-se num 
esquematismo "correto", meticuloso e fora da realidade. Caracteriza-se especialmente 
pela sua impossibilidade de se afastar das normas e instruções "seguras" e ortodoxas, 
já conhecidas e experimentadas. 
Burocracia também é empregada de maneira pejorativa, quando diz sobre os 
trâmites de um processo, por exemplo, para se abrir uma empresa, para levar um 
processo para a justiça, para emitir documentos originais etc. Muitos pensadores 
afirmam que essa forma de ver a burocracia é característica dos leigos, e indicam que 
a burocracia moderna é o modo mais eficiente de administração, tanto no domínio 
privado (numa empresa capitalista, por exemplo) quanto na administração pública. 
4.1 Burocracia - Max Weber 
Burocracia também faz parte dos estudos do economista alemão Max Weber, 
que criou a Teoria da Burocracia, para explicar a forma que as empresas se 
 
 
50 
organizam. Weber definiu burocracia como uma organização baseada em regras e 
procedimentos regulares, onde cada indivíduo possui sua especialidade, 
responsabilidade e divisão de tarefas. 
Weber disse que na burocracia está também concentrado a impessoalidade, a 
administração, as diferenças de nível social e econômico entre as pessoas e um nível 
de hierarquia. Max Weber baseou sua teoria em sete princípios: formalização das 
regras, divisão do trabalho, hierarquia, impessoalidade, competência técnica, 
separação entre propriedades e previsibilidade de cada funcionário. 
De acordo com Weber, as principais particularidades de um sistema burocrático 
são: 
• Funcionários que ocupam cargos burocráticos são considerados servidores 
públicos; 
• Funcionários são contratados de acordo com a sua competência técnica e 
qualificações específicas; 
• Funcionários cumprem tarefas que são de acordo com regras e regulamentos 
escritos; 
• A remuneração é baseada em salários estipulados em dinheiro; 
• Funcionários devem cumprir regras hierárquicas e códigos disciplinares que 
fundamentam as relações de autoridade. 
4.2 Burocracia Estatal e na Administração Pública 
Em uma das suas obras, Ludwig von Mises (economista e sociólogo austríaco) 
deu a entender que na burocracia estatal, não há apreço pela realidade. De um ponto 
de vista burocrático, um Estado grande e poderoso representa uma vantagem 
inquestionável. Contudo, segurança e confiabilidade na ação do Estado não 
necessariamente significam burocracia, que muitas vezes é sinônimo de falta de 
uniformidade nos procedimentos, lentidão no atendimento e exigências não previstas 
nos textos regulatórios. 
Uma característica distintiva da administração pública burocrática é que há uma 
clara diferenciação entre o público e o privado, havendo separação entre o político e 
o administrador público. 
4.3 Burocracia no Brasil 
 
 
51 
O sistema político em vigor no Brasil está intimamente ligado com o conceito 
de burocracia apresentado por Weber, tendo em conta que tem em vista um sistema 
ideal para a regulamentação do Estado, como é previsto no sistema “legal-racional”. 
No Brasil, a burocracia muitas vezes faz com que muitos processos não sejam 
concluídos corretamente. 
A burocratização, no contexto do estado brasileiro, está relacionada com 
importantes transformações na estrutura e a forma como a sociedade está organizada. 
A burocratização no Brasil originou a criação de novas funções e órgão de 
administração, e dessa forma o mecanismo público sofreu uma transformação muito 
rápida, tornando-se em um organismo de elevada complexidade. Contudo, o que 
talvez tenha sido conquistado em eficiência administrativa, tenha sido perdido em 
termos de eficácia política. 
5 O ESTADO CAPITALISTA 
O Capitalismo de Estado inicialmente era uma ideia associada à organização 
econômica de Estados socialistas, tal como a União das Repúblicas Socialistas 
Soviéticas (URSS). Hoje, o conceito está ligado também a países que não são 
completamente socialistas, mas onde o Estado interventor opera arduamente na área 
econômica. É o arranjo econômico mais próximo ao Socialismo, pois os governos 
usam o mercado para promover seus próprios interesses. Pode ser exercido tanto 
através de regulamentações e benefícios do Estado sobre o meio econômico de um 
país, tanto como em sua participação ativa gerenciando empresas (empresas 
estatais), entre outras ações. 
Os governos utilizam diversos tipos de empresas privadas para gerenciar a 
exploração e produção de recursos que consideram estratégicos, para criar e manter 
uma quantidade grande de empregos. Mas por haver essa aliança e domínio do 
Estado com empresas privadas, a riqueza gerada no mercado pode ser direcionada 
de acordo com os interesses das autoridades. O cientista político Ian Bremmer avalia 
que desta forma o objetivo final é político e não econômico, para maximizar o poder 
do Estado e a capacidade de sobrevivência da liderança dos políticos, o que ameaça 
à democracia. No Capitalismo de Estado, escândalos de corrupção entre os 
governantes e empresas privadas são mais fáceis de ocorrer. 
 
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52 
O Brasil é reconhecido como um país de sistema econômico de Capitalismo de 
Estado. As ações governamentais na economia incluem regulamentações que vão 
desde o estabelecimento de um salário mínimo nacional (que não leva em 
consideração a função exercida por cada trabalhador e a economia local de cada 
estado e cidade), até a sustentação de diversas empresas estatais, as quais vão 
desde a área postal, como os Correios, até a de energia e combustíveis, como a 
Petrobrás. Outras ações do governo brasileiro incluem o beneficiamento de empresas 
por meio de concessão de crédito através do Banco Nacional de Desenvolvimento 
Econômico e Social (BNDES), ou o financiamento no mercado de produções artísticas 
e culturais (que movimenta milhões de reais) via Lei Rouanet. 
Para muitos, o Capitalismo de Estado é uma economia mista de unificação 
entre Socialismo e Capitalismo. Para o PhD em Ciências Econômicas, Antony Mueller, 
esse sistema econômico vai muito além disso, e seria uma simbiose, que na Biologia 
é a unificação de dois organismos diferentes em uma ligação íntima, seja ela benéfica 
ou não, sendo um organismo hospedeiro de outro, como no caso dos fungos que se 
abrigam nas raízes das orquídeas. De modo semelhante, o estado pode fazer do 
mercado seu hospedeiro, alegando estabelecer o bem-estar e a justiça social. 
Quando o estado distribui favores, tarifas especiais e crédito subsidiado para 
empresas, a justificativa seria de aquecer a economia e favorecer a nação. Mas o 
favorecimento real vai para as empresas que o recebem, possibilitando o 
estabelecimento de monopólios (a empresa favorecida acaba tendo mais força ante 
seus concorrentes); além de que quando o governo empresta para uma empresa, em 
caso de rombo nas contas do governo, o prejuízo sempre pode ser repassado para 
os pagadores de impostos, os quais compõem a sociedade como um todo. 
Esse sistema econômico inevitavelmente se afoga em dívidas, déficits, e 
contínuos aumentos de tributos; assim como disputas entre grupos políticos, os quais 
costumam se dividir entre aqueles que lutam por mais ações do Estado na economia 
e aqueles que buscam a diminuição de tais ações, configurando em combates 
ideológicos internos dentro do país. 
 
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53 
6 CONCEITO DE IDEOLOGIA 
O termo ideologia vem da junção das palavras gregas “idea” mais “logos”, e 
quer dizer, literalmente, “doutrina das ideias”. Podemos considerar dois diferentes 
significados principais de ideologia, sendo um positivo e o outro negativo. 
6.1 Significado positivo de ideologia 
O primeiro significado de ideologia é um conjunto de ideias que pretende 
explicar a realidade e as transformações sociais. Neste sentido, é sinônimo de 
doutrina ou ideário em geral e tem a função de orientar a ação social de indivíduos e 
de grupos. Aqui, a ideologia tem um caráter descritivo (ela explica como as coisas 
são) e também normativo (como deveriam ser). Seu uso levou a uma sensação 
positiva de ideologia como qualquer visão de mundo ou corpo de pensamento 
filosófico. Por este ponto de vista, a ideologia abrange toda a esfera da cultura, 
incluindo a ciência, e pode ser vista como um intermediário necessário entre os 
indivíduos e o mundo. 
6.2 Significado negativo de ideologia 
Uma segunda concepção vem do pensamento marxista. Na obra de Karl Marx, 
a ideologia aparece como algo necessariamente negativo e pejorativo: trata-se da 
distorção do pensamento que nasce das contradições sociais e que serve justamente 
para ocultar ou disfarçar tais contradições. 
Em uma concepção filosófica, a palavra é utilizada no título do livro “A Ideologia 
Alemã” de Marx e Engels. Nesta obra, os autores defendem o materialismo e criticam 
os filósofos alemães por separarem a produção de ideias da produção das condições 
sociais. Assim, os componentes ideológicos da superestrutura seriam formados por 
julgamentos necessariamente enganadores através da distorção da compreensão da 
realidade social. 
Neste sentido, a ideologia funciona politicamente como um elemento específico 
da superestrutura da sociedade. Lembremos que, no pensamento marxista, a 
superestrutura deriva do conflito de interesses das diferentes classes que fazem parte 
da base econômica de determinada sociedade. A superestrutura compreende os 
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modos de pensar, as visões de mundo e demais componentes ideológicos de uma 
classe e tem como função manter as relações econômicas que constituem a 
infraestrutura, reforçando assim os interesses coletivos da classe dominante, através 
da força persuasiva dos seus componentes ideológicos. 
Para Marx, ideologia é um instrumento de dominação que age através do 
convencimento (e não pela força física), alienando a consciência dos trabalhadores 
da sua condição de explorado. De acordo com Marx, os mecanismos ideológicos 
transformam as ideias particulares da classe dominante em ideias universais para a 
sociedade como um todo, de modo que a classe que domina no plano econômico, 
social e político também domina no plano das ideias. Em outras palavras, a ideologia 
é o meio usado pela classe dominante para exercer sua dominação, fazendo com que 
esta não seja percebida como tal pelos dominados. Logo, quanto maior for sua 
capacidade de ocultar a luta de classes, mais eficaz é a ideologia. 
Deste ponto de vista, a ideologia funciona como uma falsa consciência, inibindo 
o desenvolvimento de uma consciência de classe de fato. Esta visão crítica do 
conceito de ideologia trazida por Marx condiz com o objetivo principal da sua obra, 
que, através do seu materialismo histórico, busca desmascarar a ideologia dominante, 
mostrando que ela é na verdade resultado da luta de classes. 
 
Fonte: gestaoeducacional.com.br 
 
https://www.infoescola.com/sociologia/luta-de-classes/
https://www.infoescola.com/sociologia/luta-de-classes/
https://www.infoescola.com/sociologia/luta-de-classes/
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55 
7 DOUTRINAS POLÍTICAS, FORMAS E SISTEMAS DE GOVERNO 
7.1 Socialismo 
Características: No socialismo utópico, apesar da apresentação de ideais que 
prezem por uma sociedade mais justa e igualitária, não há instrumentos e métodos 
para que esses objetivos sejam atingidos. O socialismo utópico não defende o fim do 
sistema capitalista como um passo necessário para se atingir uma sociedade mais 
justa e igualitária. 
O socialismo científico (marxismo) é incompatível com o Capitalismo e visa 
promover a reforma integral do sistema político, defende aspectos como: 
 
7.1.1 A socialização dos meios de produção 
Todas as formas de produção, como as indústrias por exemplo, passam a 
pertencer à sociedade e são controladas pelo Estado. Com isso, a riqueza deixa de 
ser concentrada nas mãos de uma minoria privilegiada. 
 
7.1.2 Economia planificada 
Todos os setores econômicos passam a ser controlados e dirigidos pelo 
Estado, que determinará os preços, os salários e a regulação do mercado como um 
todo. 
 
7.1.3 Valores 
Idealização de uma sociedade mais justa e igualitária (por meio da eliminação 
da divisão das classes “donos dos meios de produção x massa de assalariados sem 
posse” através da distribuição equilibrada de riquezas e propriedades). 
 
POLÍTICA 
Defende os direitos civis (esquerda). 
 
 
 
56 
7.1.4 Economia 
Eliminação das empresas e meios de produção privados (através da 
estatização do setor industrial). 
 
7.1.5 Campo social 
Garantir a igualdade entre os indivíduos da sociedade através da distribuição 
equilibrada de riquezas e propriedades. 
 
7.1.6 Objetivo 
Manutenção da ordem social vigente (Socialismo). Fixação de um salário 
mínimo para os trabalhadores; Estabelecimento do ensino gratuito para todos, bem 
como do ensino noturno; Redução da jornada de trabalho; Autogestão nas fábricas, 
tornando os operários responsáveis pela organização; Declaração da igualdade entre 
homens e mulheres; Criação do Estado Laico, através da separação entre Igreja e 
Estado. 
 
7.1.7 Exemplos 
• República Socialista do Vietnã, República Soviética da China, Alemanha. 
• Oriental e a antiga URSS (União das Repúblicas Socialistas Soviéticas), Coreia 
do Norte, China. 
7.2 Social Democracia 
Características: Teoria política e social que aceita o Capitalismo e utiliza-se 
de intervenções econômicas e sociais, promovendo reformas parciais do sistema ao 
invés de substitui-lo por inteiro, para mitigar os efeitos considerados adversos do 
sistema Capitalista por meio da política. 
 
VALORES 
Igualdade e Liberdade. 
 
 
57 
7.2.1 Política 
Pensamento político centro-esquerda (ou seja, parte do ponto neutro, entre 
direita e esquerda, e tende à esquerda, levando em consideração referência proposta 
pelo espectro político). Defende as liberdades civis, os direitos de propriedade e a 
democracia representativa (na qual os cidadãos escolhem os rumos do governo por 
meio de eleições regulares com partidos políticos que competem entre si). 
 
7.2.2 Economia 
O Estado tem um papel central na organização econômica, visando promover 
o progresso social e criar redes de segurança aos cidadãos. O Estado passa a ter 
função de evitar ou amenizar as crises econômicas com intervenções anticíclicas na 
economia, que visam aumentar a demanda interna e reaquecer a economia 
(paradigma keynesiano) com a manutenção de um regime de pleno emprego e o 
aumento da renda dos trabalhadores, que resultaria em aumento da demanda interna, 
crescimento econômico e melhora das condições sociais. 
Há empresas e meios de produção privados. O Estado intervém na economia 
e oferece serviços públicos abrangentes. 
 
7.2.3 Campo social 
Buscando garantir o Bem-Estar Social e o padrão mínimo de vida (seguridade 
social), o Estado também participa de atividades econômicas que são consideradas 
necessárias ao desenvolvimento do país, mas que poderiam não ser atendidas 
adequadamente pela iniciativa privada. 
 
7.2.4 Objetivo 
Adaptar-se às ideias progressistas (onde o progresso, entendido como avanço 
científico, tecnológico, econômico e social, é vital para o aperfeiçoamento da condição 
humana.) No campo social. 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Espectro_pol%C3%ADtico
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_keynesiana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_keynesiana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_keynesiana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_keynesiana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_keynesiana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_keynesiana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_keynesiana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_keynesiana
https://pt.wikipedia.org/wiki/Escola_keynesiana
 
 
58 
7.2.5 Exemplos 
Alemanha, Suécia, Holanda, França, Grã-Bretanha, Bélgica e países 
escandinavos. 
7.3 Liberalismo 
Características: Teoria política e social que defende as iniciativas (direitos, 
liberdade, igualdade, segurança, felicidade e liberdade religiosa) individuais limitando 
a intervenção do Estado na vida econômica, social e cultural. 
 
7.3.1 Valores 
Direitos inerentes ao ser humano (como a liberdade individual, os direitos 
individuais, a igualdade perante a lei, a segurança, a felicidade, a liberdade religiosa, 
a liberdade de imprensa, entre outros). 
 
7.3.2 Política 
• Defesa das liberdades e direitos individuais. O liberalismo não reconhece 
direitos coletivos porque considera que o indivíduo é o agente das relações 
jurídico sociais e detém direitos individuais e não coletivos. 
• Liberdade de imprensa, de associação, de reunião, de religião. 
• Estado Mínimo (o Estado tem a sua atuação limitada “mínimo” ao plano legal, 
através das leis, e no plano individual/privado em razão desse conjunto de 
direitos). 
• Igualdade perante a lei: através da instituição do Estado de Direito. Todos 
seriam iguais perante a lei, e tratados como iguais pelo Estado. Não existem 
privilégios. 
• Governos representativos e constitucionais. 
 
 
 
59 
7.3.3 Economia reconhecimento da propriedade privada 
O bem pode ser utilizado exclusivamente por quem o adquiriu. Não há espaço 
para o instituto da função social da propriedade, ou seja, não há utilização ou 
obrigação de objetivos sociais para a propriedade privada. 
 
7.3.4 Livre mercado 
A economia se fundamenta na lei da oferta e da demanda. O Estado não pode 
intervir em nenhuma esfera da economia, não pode intervir nos preços, nos salários 
ou nas trocas comerciais, tampouco corrigindo as falhas ou disparidades sociais 
causadas pela economia. 
 
TRIBUTAÇÃO MÍNIMA 
Principalmente no que concerne à carga tributária das empresas. 
7.3.5 Campo social 
Garantir a proteção das liberdades individuais (reconhecimento do mérito) 
através de leis (como afirmou John Locke) que são regulamentadas 
constitucionalmente (ou seja, por meio da Constituição) pelo Estado. 
 
OBJETIVO 
Proteção das liberdades individuais através de leis constitucionais. 
 
EXEMPLOS 
Austrália, Canadá e a Nova Zelândia. 
7.4 Formas de Governo 
Características: Sistema político em que o Chefe do estado é um monarca 
(podendo ser um rei/rainha, imperador/imperatriz, dentre outros títulos) que exerce o 
seu cargo de forma hereditária e vitalícia (ou até a sua abdicação em alguns casos). 
 
https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke
https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke
https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke
https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke
https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke
https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke
https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke
https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke
https://pt.wikipedia.org/wiki/John_Locke
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
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60 
7.4.1 Estado 
O monarca pode ter poder absoluto (Monarquia Absolutista), limitado (pelo 
Poder Legislativo) pela constituição (Monarquia Constitucional) ou vitalício (com 
direito de renunciar) por meio de votação (Monarquia Eletiva). 
 
7.4.2 Política 
O monarca exerce o seu poder no Estado ou em cargo ou função, de forma 
direta ou indireta, vitalícia ou pré-determinada (a cargo de um conselho hereditário). 
 
EXEMPLOS 
 
MONARQUIA ABSOLUTISTA 
Arábia Saudita, Brunei, Omã. 
 
7.4.3 Monarquia constitucional 
Reino Unido, Espanha, Jamaica, Austrália, entre outros (Sucessão hereditária 
regulamentada pela Constituição). 
 
MONARQUIA ELETIVA 
Vaticano – O Sumo Pontífice, o Papa e Malásia – Rei Yang di-Pertuan Agong. 
7.5 República 
Características: A república pode ser presidencialista ou parlamentarista e é 
uma forma de governo que elege o Chefe de Estado de forma democrática. 
 
7.5.1 Estado 
A República (do latim res pública, “coisa pública”) representa o ideal 
democrático do povo e o poder do Estado está dividido entre o Poder Executivo, Poder 
Legislativo e o Poder Judiciário. 
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
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61 
7.5.2 Política 
A concentração do poder está no povo e é delegada através do voto. A 
prevalência sobre a vontade da maioria é uma característica própria desse sistema 
político. O Chefe de Estado costuma governar por um período bem definido e não 
transfere o poder que foi investido através do povo para familiares. 
EXEMPLOS 
 
7.5.3 Repúblicas presidencialistas 
Brasil, Argentina, Estados Unidos da América, Uruguai, Paraguai, Venezuela, 
Bolívia, Colômbia, México. 
 
REPÚBLICAS PARLAMENTARISTAS 
África do Sul, Suriname, Botswana. 
7.6 Parlamentarismo 
Características: Sistema político em que o Chefe de Estado, primeiro-ministro 
(chanceler), detentor do Poder Executivo está subordinado direta ou indiretamente ao 
Poder Legislativo para exercer o governo. Todos os projetos, leis e outras decisões 
do governo são submetidos a votação do parlamento. 
 
7.6.1 Estado 
O sistema parlamentarista é flexível, possibilitando, com eficiência, no caso de 
crise política, por exemplo, a troca do primeiro-ministro e a destituição do parlamento. 
Afastando os riscos de estagnação econômica e insatisfação social generalizada no 
país. 
 
 
 
 
62 
7.6.2 Política 
O primeiro-ministro é escolhido pelo parlamento,
por meio da maioria dos votos 
internos (Poder Legislativo). Ele também pode ser escolhido pelo Chefe de Estado. 
 
EXEMPLOS 
Canadá, Inglaterra, Suécia, Itália, Alemanha e Portugal. 
7.7 Presidencialismo 
Características: Sistema político em que o Chefe de Estado (geralmente o 
presidente) é escolhido pelo povo através de eleições (sufrágio universal). O poder do 
Estado está dividido entre: Executivo e Legislativo, que são exercidos pelo presidente 
(como executor dos planos de governo) e os representantes do povo (deputados e 
senadores), e o Poder Judiciário (que é responsável por julgar ações ou situações que 
não se enquadram com as leis criadas pelo Poder Legislativo e aprovadas pelo 
Poder Executivo, ou com as regras da Constituição do país). 
 
7.7.1 Estado 
O presidente é o Chefe de Estado e responsável pela escolha dos ministros. O 
seu mandato dura 4 anos, com possibilidade de uma reeleição. Os poderes do Estado 
(executivo, legislativo e judiciário) possuem atuação independente e harmônica entre 
si. 
 
7.7.2 Política 
O presidente é escolhido por meio do voto direto e secreto do povo e pode 
acumular as funções de Chefe de Estado (como uma figura protocolar sem poderes 
administrativos) e Chefe de Governo (como responsável por atos administrativos). 
 
 
63 
7.7.3 Exemplos 
Brasil, Argentina, Estados Unidos da América, Uruguai, Paraguai, Venezuela, 
Bolívia, Colômbia, México. 
 
7.8 Conclusões 
7.8.1 Socialismo 
Apesar da doutrina socialista idealizar uma sociedade mais justa e igualitária, 
no socialismo utópico, não houve a demonstração de instrumentos e métodos 
necessários para que esses objetivos fossem atingidos. 
No socialismo científico, mesmo com as iniciativas anticapitalistas que acabam 
concedendo ao Estado o monopólio do poder político, os objetivos de uma sociedade 
mais justa e igualitária não foram alcançados, haja vista que, o Estado tutela 
prioritariamente os interesses da minoria (no alto escalão do governo) em relação às 
necessidades básicas (educação, saúde, saneamento e outros) da maioria 
(assalariados sem posses). 
 
7.8.2 Social democracia 
A social democracia embora preze por uma iniciativa coletivista em assuntos 
econômicos é individualista nas questões de ordem social e moral. Não se preocupa 
com a manutenção da ordem social ou com a defesa dos comportamentos tradicionais 
vigentes porque possui conduta flexível (híbrida) ante as reformas propostas no seu 
sistema político, razão pela qual não exige a inexistência do sistema Capitalismo e 
adapta-se às ideias progressistas no campo social visando o Bem-Estar Social e 
consolidando-se, portanto, no espectro político como centro-esquerda. 
 
7.8.3 Liberalismo 
O Estado deve atuar politicamente de forma limitada (por meio das regras 
constitucionais do país) na vida econômica, social e cultural da sociedade. Os 
 
 
64 
governos devem ser representativos (ou seja, o povo deve eleger os seus 
representantes) e as leis devem tutelar os direitos inerentes ao ser humano (como a 
liberdade individual, os direitos individuais, a igualdade perante a lei, a segurança, a 
felicidade, a liberdade religiosa, a liberdade de imprensa, entre outros) favorecendo a 
igualdade entre todos perante a lei. 
 
7.8.4 Monarquia 
O Chefe de Estado monarca mantém a atuação do seu poder de diferentes 
formas, são elas: Forma Absolutista (hereditária e vitalícia); Forma Constitucional 
(hereditária e vitalícia, mas com poderes limitados pela constituição e controlados pelo 
parlamento) ou; Forma Eletiva (por período determinado ou vitalícia, até renúncia). 
 
7.8.5 República 
A república pode ser presidencialista ou parlamentarista e é uma forma de 
governo que elege o Chefe de Estado de forma democrática. O presidente, na 
República Presidencialista, é escolhido através do voto popular para um mandato 
regular e acumula as funções de Chefe de Estado e Chefe de Governo. 
Na República Parlamentarista, o presidente, responde à chefia de Estado, 
estando a chefia de governo atribuída a um representante escolhido de forma indireta 
pelo Poder Legislativo, normalmente chamado de “primeiro-ministro” (chanceler). 
 
7.8.6 Parlamentarismo 
O Chefe de Estado (primeiro-ministro) possui atuação diferente em relação ao 
Chefe do Governo (parlamento). Sendo assim, todos os projetos, leis e outras 
decisões do Chefe de Estado são submetidos à votação do parlamento, basicamente, 
os partidos políticos elaboram uma lista com os candidatos à eleição parlamentar e o 
primeiro nome dessa lista, caso seja o mais votado, será alçado à condição de 
primeiro ministro. 
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
http://www.jusbrasil.com.br/legislacao/188546065/constitui%C3%A7%C3%A3o-federal-constitui%C3%A7%C3%A3o-da-republica-federativa-do-brasil-1988
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65 
7.8.7 Presidencialismo 
O Estado possui o seu poder distribuído (Poder Executivo, “Atos 
administrativos.”, Poder Legislativo, “Fiscalização.” E Poder Judiciário, “Função 
jurisdicional, aplicação da lei. ”) E o Chefe de Estado (presidente) também é o Chefe 
do Governo (Poder Executivo). 
7.9 Princípios 
 
Fonte: fredsrocha.jusbrasil.com.br 
7.10 Direita X Esquerda 
A direita aceita a hierarquia social ou desigualdade social (classes sociais) 
como inevitável, normal ou desejável com base no direito natural (da expressão latina 
“ius naturale” ou jusnaturalista – Busca fundamentar o direito no bom senso, na 
equidade e no pragmatismo. Avalia as opções humanas com o propósito de agir de 
modo razoável e bom. Através da fundamentação de determinados princípios do 
direito natural que são considerados bens humanos evidentes em si mesmos) e na 
tradição (como a continuidade ou permanência de uma doutrina, visão de mundo, 
costumes e valores de um grupo social ou escola de pensamento). 
A esquerda se caracteriza pela defesa da igualdade social, onde cidadãos 
considerados em desvantagem em relação aos outros (classes sociais), vivem uma 
desigualdade injustificada que deve ser reduzida ou abolida. 
 
 
 
 
66 
 
 
 
8 GRUPOS, INTERESSES E REPRESENTAÇÃO POLÍTICA 
O Brasil está fundado no Estado Democrático de Direito, o que significa dizer 
que tem na participação popular um dos eixos de transformação e de consolidação de 
sua institucionalidade política. Os principais instrumentos de representação social na 
democracia são os partidos políticos e os grupos de pressão. Ambos constituem 
categorias interpostas entre o cidadão e o Estado, representando e defendendo os 
interesses de seus representados nas esferas decisórias. 
Por sociedade civil entendem-se os movimentos, organizações e associações 
que captam as demandas sociais que ressoam nas esferas privadas, consolidando as 
para representa-las perante a esfera pública política. O núcleo da sociedade civil 
organizada institucionaliza os discursos capazes de solucionar problemas, 
transformando-os em questões de interesse geral no âmbito da atuação pública. 
Nesse sentido os grupos de pressão são
a forma organizada que a sociedade civil se 
organiza em torno de problemas e interesses comuns para influenciar as políticas 
públicas. 
Os grupos de pressão são uma característica importante dos sistemas políticos 
modernos. Grupos de pressão são grupos não participam diretamente no processo 
eleitoral e, por isso, não objetivam gerir o poder político, mas sim influenciar nas 
decisões sobre a distribuição dos recursos numa sociedade. Contribuem para os 
partidos políticos endossando candidatos e subsidiam a sociedade e o Estado com 
informações técnicas. A influência desses setores organizados da sociedade é 
observada nas atividades cotidianas de todos setores do governo. 
Mesmo a literatura de desenvolvimento econômico considera os grupos de 
pressão não apenas desejáveis, mas essenciais para o desenvolvimento dos países. 
Os grupos de pressão permitem que os cidadãos monitorem seus governos, 
contribuindo para práticas mais transparentes do mercado, eficiência dos governos e 
equidade social. 
 
 
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Os grupos de pressão, contudo, não se confundem com os partidos políticos. 
Os grupos trabalham numa pretensão definida. Não buscam alterar estruturas de 
poder, tanto que seus objetivos devem ser consistentes com a agenda governamental. 
Os partidos têm caráter associativo e sua ação é orientada à conquista do poder 
político dentro de uma comunidade. Os partidos constituem sujeitos de ação política 
delegados para agir no sistema a fim de conquistar o poder e governar. Pode-se 
identificar ao menos três funções desenvolvidas pelos partidos políticos, mas não 
pelos grupos de pressão: a disputa eleitoral, a gestão direta do poder e (talvez) a 
expressão democrática. 
Apesar das atividades de ambos serem próximas e inter-relacionadas, os 
partidos objetivam exercer o poder por meio de arranjos políticos. Os grupos de 
pressão não buscam governar. Eles pleiteiam mudanças específicas na política em 
prol de seus interesses. 
A participação da sociedade civil no processo de definição de políticas públicas 
representa o pleno exercício de democracia, com a participação social direta na 
condução da atividade do Estado. Os diferentes interesses representados na 
participação social são muitas vezes divergentes ou conflitantes. A administração 
desses interesses incumbe ao Estado, acarretando reflexos para o Estado, na 
governabilidade, e para a sociedade, na representação de seus interesses. 
 
 
9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 
BELLAMY. R. Liberalismo e Sociedade Moderna. São Paulo: UNESP, 1994. 
 
BOBBIO, N. A Teoria das Formas de Governo. 5.ª edição. Brasília: UnB, 1989. 
 
SADER, Emir. Estado e Política em Marx. São Paulo: Cortez, 1993. 
 
AZAMBUJA, Darcy. Introdução à Ciência política. Editora Globo, 2005. 
 
BOLIVAR, S. Ideário Político. Ed. Paz e Terra, 1985. 
 
CARNOY, M. Estado e Teoria Política. São Paulo: Papirus, 1994. 
 
CHARLOT, J. Partidos Políticos. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 1982. 
 
WEBER, Max. Ciência e Política – Duas Vocações. Martin Claret, 2013. 
 
 
 
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