Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Prévia do material em texto

EDUCAÇÃO PSICOMOTORA DINÂMICAS, 
JOGOS E SIMULAÇÕES 
 
2 
 
 
 
 
Sumário 
EDUCAÇÃO PSICOMOTORA DINÂMICAS, JOGOS E SIMULAÇÕES ......... 1 
NOSSA HISTÓRIA .......................................................................................... 3 
1. EDUCAÇÃO PSICOMOTORA ............................................................... 4 
2. PSICOMOTRICIDADE: DEFINIÇÃO, APLICAÇÕES, IMPORTÂNCIA 
NA EDUCAÇÃO FÍSICA ............................................................................................ 6 
2.1 A Psicomotricidade nas aulas de educação física escolar: uma 
ferramenta de auxilio na aprendizagem .................................................................. 6 
2.2 Psicomotricidade na Educação Infantil .................................................. 7 
3. JOGOS E BRINCADEIRAS NO ENSINO INFANTIL ............................ 13 
3.1 Propósitos do Jogo .............................................................................. 13 
3.1.1 Classificando Jogos ....................................................................... 14 
3.1.2 Brincadeira e Jogos ....................................................................... 14 
4. O JOGO NA VIDA DA CRIANÇA ......................................................... 15 
4.1 O jogo e sua importância para o desenvolvimento da criança
 16 
4.2 O Jogo e a aprendizagem .................................................................... 17 
4.3 A Brincadeira o Movimento e o Jogo Como Forma e Desenvolvimento 
da Aprendizagem.................................................................................................. 19 
5. PSICOMOTRICIDADE INFANTIL: A ARTE DE BRINCAR E 
APRENDER ATRAVÉS DO LÚDICO ....................................................................... 21 
5.1 Compreendendo a Psicomotricidade ................................................... 22 
5.2 O corpo e a mente ............................................................................... 25 
5.3 A importância da psicomotricidade e da ludicidade ............................. 26 
6. REFERÊNCIAS: ................................................................................... 28 
 
 
 
 
file:///C:/Users/Usuário/Documents/APOSTILAS/10-EDUCAÇÃO%20PSICOMOTORA%20DINAMICAS%20JOGOS%20E%20SIMULAÇÕES.docx%23_Toc164329603
3 
 
 
 
 
 
 
NOSSA HISTÓRIA 
 
 
A nossa história inicia-se com a ideia visionária e da realização do sonho de 
um grupo de empresários na busca de atender à crescente demanda de cursos de 
Graduação e Pós-Graduação. E assim foi criado o Instituto, como uma entidade 
capaz de oferecer serviços educacionais em nível superior. 
O Instituto tem como objetivo formar cidadão nas diferentes áreas de 
conhecimento, aptos para a inserção em diversos setores profissionais e para a 
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e assim, colaborar na sua 
formação continuada. Também promover a divulgação de conhecimentos 
científicos, técnicos e culturais, que constituem patrimônio da humanidade, 
transmitindo e propagando os saberes através do ensino, utilizando-se de 
publicações e/ou outras normas de comunicação. 
Tem como missão oferecer qualidade de ensino, conhecimento e cultura, de 
forma confiável e eficiente, para que o aluno tenha oportunidade de construir uma 
base profissional e ética, primando sempre pela inovação tecnológica, excelência no 
atendimento e valor do serviço oferecido. E dessa forma, conquistar o espaço de 
uma das instituições modelo no país na oferta de cursos de qualidade. 
 
 
 
 
 
4 
 
 
 
1. EDUCAÇÃO PSICOMOTORA 
 
 
Figura: 01 
 
Ao considerarmos a escola como um espaço de aprendizagem, entendemos 
que o jogo utilizado como metodologia no ambiente escolar poderá contribuir 
consideravelmente, no processo de aprendizagem da leitura e escrita, além de 
influenciar nas relações sociais. Pode-se dizer que a motricidade humana está 
ligada a toda significação de nossa existência, com isso existindo uma relação com 
o que somos, acreditamos, pensamos e sentimos. O corpo então é um corpo de 
expressões e movimentos e é através da Educação Psicomotora que a criança 
descobre suas possibilidades cinestésicas, expressando-se com seu corpo e em 
seu corpo, com os movimentos iguais aos que fazem com a escrita e a leitura. 
De acordo com Piaget (1977), a ação psicomotora é considerada como 
precursora do pensamento representativo e do desenvolvimento cognitivo, e afirma 
que a interação da criança em ações motoras, visuais, táteis e auditivas sobre os 
objetivos do seu meio é essencial para o desenvolvimento integral. A atividade 
sensório-motora é importante para o desenvolvimento de conceitos espaciais e na 
5 
 
 
 
habilidade de utilizar termos linguísticos. Contudo o jogo tem papel fundamental 
para o desenvolvimento fisio-motor, devendo ser aproveitado num trabalho 
integrado com outras áreas do desenvolvimento. Assim pode-se dizer que o 
desenvolvimento motor não acontece pela padronização das ações, mas sim: pela 
complexidade, diversidade, variabilidade, Constância e consistência dos jogos a 
serem trabalhados. 
 
Figura: 02 
 
Os argumentos usados para justificar a educação psicomotora na educação 
colocam em evidencia seu papel na prevenção das dificuldades escolares. Mas 
antes de tudo deve ser uma experiência ativa de confrontamento com o meio. 
Portanto os exercícios corporais e as atividades despertadoras visam especialmente 
assegurar o desenvolvimento harmonioso dos componentes corporais, afetivo e 
intelectual, objetivando a conquista de uma relativa autonomia. A conscientização e 
domínio do corpo, a apropriação do esquema corporal, a coordenação psicomotora, 
as noções de tempo-espaço são objetivos importantes que precisam ser 
trabalhados antes do aprendizado da escrita e leitura. Após a fixação das bases 
motoras e o domínio dos gestos da escrita é que devemos ensinar a criança a 
dominar o lápis. Compreende-se então, que a atividade de escrita implica num 
movimento com direção definida, além disso, a criança deve também ser capaz de 
6 
 
 
 
identificar e compreender o significado simbólico da palavra antes mesmo da 
escrita. Entretanto o trabalho psicomotor, tal como conhecemos, resulta numa 
melhora da aptidão para aprendizagem, respeitando as fases de desenvolvimento 
de cada criança, sendo que neste tipo de aprendizagem não apenas a meta a ser 
atingida e fixada, mas o esquema de ação é importante, dentro do processo ensino 
aprendizagem do movimento humano. Assim à medida que a criança cresce e se 
desenvolve surgem novos interesses, novos aprendizados proporcionando uma 
estreita relação entre maturação, crescimento, desenvolvimento e aprendizagem 
escolar. 
 
2. PSICOMOTRICIDADE: DEFINIÇÃO, APLICAÇÕES, 
IMPORTÂNCIA NA EDUCAÇÃO FÍSICA 
 
O fracasso ao desenvolver e aperfeiçoar habilidades motoras fundamentais e 
especializadas durante os anos cruciais da educação infantil e ensino fundamental, 
geralmente leva as crianças á frustração e ao fracasso durante a adolescência e a 
fase adulta. O insucesso ao desenvolver padrões maduros em lançar, pegar e 
rebater, por exemplo, faz com que seja difícil que as crianças tenham êxito ou até 
mesmo apreciem um jogo. 
 
2.1 A Psicomotricidade nas aulas de educação física escolar: uma 
ferramenta de auxilio na aprendizagem 
 
Educação física é o conhecimento da psicomotricidade nas aulas abrangem a 
relação desenvolvimento motor e intelectual da criança. Compreendendo que os 
estudos atuais ultrapassam os problemas motores, pesquisam-se as ligações com 
as áreas psicomotoras: coordenação motora fina e global, estruturação espacial, 
orientação temporal, lateralidade, estruturação corporal e as relações com a 
aprendizagem no contexto escolar. Segundo Barretos (2000) o desenvolvimento 
psicomotor é importante na prevenção de problemas de aprendizagem. 
7 
 
 
 
Portanto, a psicomotricidadenas aulas de educação física pode auxiliar na 
aprendizagem escolar, contribuindo para um fenômeno cultural que consiste de 
ações psicomotoras exercidas sobre o ser humano de maneira a favorecer 
comportamentos e transformações. 
É, sobretudo, visando à possibilidade de compreensão da importância de se 
inserir conhecimentos da Psicomotricidade nas aulas de educação física com o 
intuito de auxiliar na aprendizagem global dos alunos. 
 
2.2 Psicomotricidade na Educação Infantil 
 
 
Figura: 03 
 
Psicomotricidade é uma ciência que estuda o indivíduo e suas relações com 
o corpo, consiste em desenvolver os fatores inerentes ao desenvolvimento, 
favorecendo e ajudando sua expressividade plena, seu principal objetivo é incentivar 
a pratica do movimento em todas as etapas da vida de uma criança. Esta 
abordagem da psicomotricidade na educação infantil irá permitir que a criança tenha 
consciência do seu corpo e a possibilidade de se expressar por meio deste. 
8 
 
 
 
De acordo com Defontaine apud Oliveira (2001, p.28) a psicomotricidade tem 
como objetivo desenvolver o aspecto comunicativo do corpo, o que equivale a dar 
ao indivíduo a possibilidade de dominar seu corpo, de economizar sua energia, de 
pensar seus gestos a fim de aumentar-lhes a eficácia e a estética, de completar e 
aperfeiçoar seu equilíbrio. 
A psicomotricidade oportuna às crianças condições de desenvolver 
capacidades básicas, aumentando seu potencial motor, utilizando movimento para 
atingir aquisições mais elaboradas, com as intelectuais, ajudaria a sanar essas 
dificuldades. Segundo Mello (2002, p.37), existe três formas de utilização dessas 
abordagens entre a psicomotricidade e a educação física e podem apresentar 
bastantes semelhanças. 
Na primeira abordagem há os que dizem que não é possível diminuir o 
impacto entre o conflito da psicomotricidade com a educação física, por que há uma 
ligação dessas com o modo próprio de ver o mundo, portanto o educador deve 
utilizar apenas uma delas. A psicomotricidade se conceitua como ciência da saúde e 
da educação, pois indiferente das diversas escolas, psicológicas, condutistas, 
evolutistas, genéticas, etc. ela visa a representação e a expressão motora, através 
da utilização psíquica e mental do indivíduo (Mello). 
A psicomotricidade é a ciência de síntese, que com a pluralidade de seus 
enfoques, procura elucidar os problemas, que afetam as interrelações 
harmônicas, que constituem a unidade do ser humano e suas convivências 
com os demais. (Mello, 2002). A psicomotricidade está relacionada a 
afetividade e a personalidade, por que o indivíduo utiliza seu corpo para 
mostrar o que sente, segundo Barreto (2000, p.36), “O desenvolvimento 
psicomotor é de suma importância na prevenção de problemas da 
aprendizagem e na reeducação do tônus, da postura, da direcional idade, da 
lateralidade e do ritmo”. (Fonseca, 1988, p.133). 
 
 
A psicomotricidade é atualmente concebida com a integração superior da 
motricidade, produto de uma relação inteligível entre a criança e o meio (Lima, 
Barbosa, 2007). A psicomotricidade contribui de maneira expressiva para a 
formação e estruturação do esquema corporal e tem como objetivo principal 
incentivar a pratica do movimento em todas as etapas da vida de uma criança. Por 
meio das atividades, as crianças, além de se divertirem, criam, interpretam e se 
relacionam com o mundo em que vive. Por isso, cada vez mais os educadores 
9 
 
 
 
recomendam que os jogos e brincadeira ocupem um lugar de destaca no programa 
escolar desde a educação infantil. (Lima, Barbosa, 2007). 
Conforme referencial curricular nacional para educação infantil (RCNEI) foi 
desenvolvido para servir de guia de reflexão sobre conteúdos, objetivos e 
orientações didáticas escolares. O documento visa a melhoria da qualidade, do 
cuidado e a educação para as crianças de e ainda contribuir para o aperfeiçoamento 
e qualificação dos seus educadores. Nos objetivos gerais que o referencial curricular 
nacional para educação infantil estabelece, não há uma referencial explicita a 
educação física, mais sim referencias que dizem respeito ao “corpo“ e ao 
“movimento”, tais como: 
Descobrir e conhecer progressivamente seu próprio corpo, suas 
potencialidades e seus limites, desenvolvendo e valorizando hábitos de cuidados 
com a própria saúde bem-estar; Brincar, expressando emoções, sentimento, 
pensamento, desejo e necessidades, utilizar as diferentes linguagens (corporal, 
musical, plásticas, oral e escrita) ajustadas as deferentes intenção e situações de 
comunicação, de forma a compreender e ser compreendido, expressar suas ideias, 
sentimentos, necessidades e desejo e avançar no seu processo de construção de 
significados enriquecendo cada vez mais sua capacidade expressiva (RCNEF, 
volume 1, p.63). 
Segundo Barreto (2000, p.49), “O desenvolvimento psicomotor é de suma 
importância na prevenção de problemas da aprendizagem e na reeducação do 
tônus, da postura, da direcional idade, da lateralidade e do ritmo”. A criança ao 
explorar o ambiente, passa por experiências concretas, indispensáveis ao seu 
desenvolvimento intelectual, e é capaz de tomar consciência de si mesma e do 
mundo que a cerca. E a educação psicomotora para ser trabalhada necessita que 
sejam utilizadas as funções motoras, perceptivas, afetivas e sócias motoras. 
E para com isso as atividades físicas de caráter recreativo, são as que 
favorecem a consolidação de hábitos, o desenvolvimento corporal e mental, a 
melhoria da aptidão física, a socialização, a criatividade; tudo isso visando á 
formação da sua personalidade. É de suma importância salientar que o movimento 
é a primeira manifestação na vida do ser humano, pois desde a vida intrauterina 
10 
 
 
 
realizamos movimentos com o nosso corpo, no qual vão se estruturando e 
exercendo enormes influências no comportamento. 
Rabinovich (2007) ressalta que: A Educação infantil é a primeira etapa da 
Educação básica que visa o desenvolvimento da criança de zero a seis anos de 
idade, tanto no seu aspecto físico, psíquico, intelectual e social, estabelecendo as 
bases da personalidade humana, da inteligência, da vida emocional e da 
socialização. 
A Educação Física inserida no contexto da Educação Infantil não deve ser 
pensada em um padrão “escolarizante”, propondo de forma antecipada a 
assimilação dos conteúdos com base na preparação das crianças para o ingresso 
no ensino fundamental, mas sim, permitir que essas crianças de 0 a 6 anos 
desempenhem um papel de suma importância em seus movimentos, respeitando os 
seus interesses, capacidades, bem como, as suas necessidades. 
Os estudos de Sayão (2002, p. 59) esclarecem que: Numa perspectiva de 
Educação Infantil que considera a criança como sujeito social que possui múltiplas 
dimensões, as quais precisam ser evidenciadas nos espaços educativos voltados 
para a infância, as atividades ou os objetos de trabalho não deveriam ser 
compartimentados em funções e/ou especializações profissionais. Entretanto, a 
questão não está no fato de vários profissionais atuarem no currículo da Educação 
Infantil. 
O problema está nas concepções de trabalho pedagógico desses 
profissionais que, geralmente fragmentam as funções de uns e de outros se 
isolando em seus próprios campos. “[...] Portanto, não se trata de atribuir funções 
especificas para um ou outro profissional e designar “hora para a brincadeira”, “hora 
para a interação” e “hora para Linguagens”“. O professor de Educação Física deve 
ser mais um adulto com quem as crianças estabelecem interações na escola. 
No entanto, só se justifica a necessidade de um profissional dessa área na 
Educação infantil se as propostas educativas que dizem respeito ao corpo e ao 
movimento estiverem plenamente integradas ao projeto da instituição, de forma que 
o trabalho dos adultos envolvidos se complete e se amplie visando possibilitar cada 
vez maisexperiências inovadoras. 
11 
 
 
 
Assim, a Educação Física na educação infantil pode se configurar como um 
espaço em que a criança brinque com a linguagem corporal, com o corpo e com o 
movimento. As atividades aplicadas para a educação básica devem ter em vista, a 
dimensão lúdica como elemento essencial para a ação educativa na infância. 
Sobre o conceito de psicomotricidade, Otoni (2007, p. 1) fala que: A 
Sociedade Brasileira de Psicomotricidade a conceitua como sendo uma ciência que 
estuda o homem através do seu movimento nas diversas relações, tendo como 
objeto de estudo o corpo e a sua expressão dinâmica. A Psicomotricidade se dá a 
partir da articulação movimento/ corpo/ relação. Diante do somatório de forças que 
atuam no corpo – choros, medos, alegrias, etc. – a criança estrutura suas marcas, 
buscando qualificar seus afetos e elaborar as suas ideias. Constituindo-se como 
pessoa. 
Assim sendo, percebe-se que a psicomotricidade é uma ciência fundamental 
no desenvolvimento da criança, em que a mesma deve ser estimulada sempre para 
que se possa ter uma formação integral, uma vez que o movimento para a criança 
significa muito mais que mexer com o corpo: é uma forma de expressão e 
socialização de ideias, ou até mesmo a oportunidade de desabafar, de soltar as 
suas emoções, vivenciar sensações e descobrir o mundo. 
 
Figura: 04 
12 
 
 
 
O desenvolvimento psicomotor requer o auxílio constante do professor 
através da estimulação; portanto não é um trabalho exclusivo do professor de 
Educação Física, e sim de todos profissionais envolvidos no processo ensino- 
aprendizagem. Na educação Infantil, a função primordial do professor não é 
alfabetizar, devendo também estimular as funções psicomotoras necessárias ao 
aprendizado formal. Os principais aspectos a serem destacados são: esquema 
corporal, lateralidade, organização espacial e estruturação temporal. Além desses 
aspectos citados, é importante trabalhar as percepções e atividades pré-escritas. 
Um esquema corporal mal constituído resultará em uma criança que não 
coordena bem seus movimentos, veste-se ou despem-se com lentidão, as 
habilidades manuais lhe são difíceis, a caligrafia é feia, sua leitura é inexpressiva, 
não harmoniosa (MORAIS, 2002). Quando a lateralidade de uma criança não está 
bem estabelecida, a mesma demonstra problemas de ordem espacial, não percebe 
a diferença entre seu lado dominante e o outro, não aprende a utilizar corretamente 
os termos direita e esquerda, apresenta dificuldade em seguir a direção gráfica da 
leitura e da escrita, não consegue reconhecer a ordem em um quadro, entre outros 
transtornos (MORAIS, 2002) 
Uma criança com a estruturação temporal pouco desenvolvida pode não 
perceber intervalos de tempo, não percebe o antes e o depois, não prevê o tempo 
que gastará para realizar uma atividade, demorando muito tempo nela e deixando, 
portanto, de realizar outras. Partindo da concepção que a psicomotricidade na 
Educação Infantil é importante, devemos valoriza-la e trabalhar com as crianças no 
sentido de efetivar o seu verdadeiro significado. 
Conforme Assis, Jobim (2008), a psicomotricidade é a capacidade psíquica 
de realizar movimentos, não se tratando da relação do movimento propriamente 
dito, mas sim da atividade psíquica que transforma a imagem para a ação em 
estímulos para os procedimentos musculares adequados. 
 
 
 
13 
 
 
 
3. JOGOS E BRINCADEIRAS NO ENSINO INFANTIL 
 
 
Figura: 05 
 
O que é jogo? Jogos têm sido definidos como “atividades nas quais uma ou 
mais crianças se envolvem em uma brincadeira cooperativa, colaborativa ou 
competitiva, com ou sem um objeto, dentro da estrutura de certas regras e limites” 
(Alisson e Barreto, 2000, p-84). Jogos dão as crianças uma oportunidade de utilizar 
combinações de habilidades motoras independentes ou combinações entre 
habilidades motoras (estabilidade locomotoras e manipulativas) e conceitos de 
movimento (consciência de espaço- mudança de direção; consciência de esforço- 
mudanças de velocidade, e consciência de relacionamento- em relação a objetos, 
alvos, limites, outros jogadores, com intuito de atingir uma meta). 
3.1 Propósitos do Jogo 
A inclusão de jogos na aula de educação física começa, em geral, durante a 
educação infantil e os anos iniciais do ensino fundamental, professores usam jogos 
como uma ferramenta educacional. Cada jogo realizado deve ser escolhido por 
razões especificas que dependem da natureza da aula. Estas razões podem ir 
desde a prática de habilidades motoras especificas e o aprimoramento de vários 
14 
 
 
 
componentes da boa forma física, até a promoção de aprendizagem social ou 
desenvolvimento de conceitos acadêmicos. 
3.1.1 Classificando Jogos 
Um jogo possui 5 componentes críticos que são estes: limites, regras, uso de 
habilidades motoras e conceitos de movimento, estratégias e papeis do jogador. Há 
quatro abordagens básicas para classificar jogos: a abordagem das categorias do 
jogo, a abordagem de jogos para compreensão, a abordagem do conteúdo central e 
a abordagem dos jogos desenvolvimentista. 
O jogo pode ser definido como uma atividade ou ocupação voluntaria, o real e 
a fantasia se encontram que possuem característica competitiva, ocorrem no 
espaço físico e de tempos determinados, desenvolve- se sobre regras aceitas pelo 
grupo de participantes, e são, em geral, habilidade física, o desempenho individual 
diante das situações de jogo, e às vezes a sorte, os componentes responsáveis pela 
determinação dos seus resultados. Com frequência, sua pratica se dá num clima de 
tensão e expectativa, principalmente face ao desconhecido antecipado do resultado 
final. 
Entende – se brincadeira como uma categoria mais abrangente, que inclui os 
jogos e também outras ações, como as correrias nos pátios, o mexer com areia ou 
com a água, a tentativa de saltar um grande número de degraus ou procurar 
alcançar um objeto num nível elevado como um galho de arvore ou um cordão e etc. 
Educadores e outros pesquisadores da educação incentiva a pratica do jogo 
como forma de aperfeiçoar o desenvolvimento infantil. Pode se afirmar que os jogos 
estão adquirindo gradualmente uma nova dimensão. Vistos sob o enfoque de 
integração aos currículos das escolas, deixam de ser consideradas atividades 
secundárias e passaram a ser pedagogicamente como partes dos conteúdos. 
3.1.2 Brincadeira e Jogos 
A brincadeira, para Kishimoto (2003), é a descrição de uma conduta 
estruturada, abrangendo regras e jogo infantil, com o intuito de possibilitar o 
envolvimento das crianças durante um determinado tempo. 
Segundo Kishimoto (2003), essa pouca seriedade está relacionada ao cômico 
e ao riso; a criança, ao brincar, se distancia da vida cotidiana, ou seja, encontra-se 
15 
 
 
 
no mundo imaginário; o jogo só é jogo quando apenas pensam em brincar. Contudo, 
para a autora, muitas vezes o jogo engajado no processo educativo desvirtua esse 
critério ao priorizar a aprendizagem de noções e habilidades durante as aulas; além 
do mais, o professor, ao trabalhar com o jogo de forma coercitiva, impossibilitando a 
liberdade de expressão das crianças, faz com que predomine um ensino 
direcionado por ele. 
 
4. O JOGO NA VIDA DA CRIANÇA 
 
 
Figura: 06 
As atividades lúdicas, desde muitos séculos, integram-se ao quotidiano das 
pessoas sob várias formas, sejam elas individuais, sejam elas coletivas, sempre 
obedecendo ao espírito e à necessidade cultural de cada época. E assim podemos 
evidenciar que dentro das atividades de lazer, vivenciadas especialmente na idade 
infantil, o jogo toma um aspecto muito significativo no momento em que ele se 
desvincula de ser meio para atingir a um fim qualquer. 
Revendo a história, certificamo-nos de que sua importância foi percebida em 
todos os tempos, principalmente quando se apresentava como fator essencial na 
construção da personalidadeda criança. Com o passar dos tempos, na era cristã, 
várias concepções foram se formulando em torno do jogo. Umas de maneira muito 
significativa, outras discriminando a criança e seu interesse pelas atividades lúdicas. 
16 
 
 
 
4.1 O jogo e sua importância para o desenvolvimento 
da criança 
 
 
Figura: 07 
 
Segundo Ferreira (2004) “jogo é uma atividade física ou mental fundada em 
um sistema de regras que definem a perda ou o ganho” (p. 438). Já para Huizinga 
apud Ayoub (2005) jogo é uma atividade própria do ser humano, que só pode ser 
assim denominado caso não esteja sujeito a ordens e seja voluntária. Partindo 
dessas ideias é possível identificar o quão complexa é a definição de jogo, porém 
indo de encontro ao princípio de que iremos abordar a respeito de suas implicações 
na aprendizagem, nada mais justo do que aceitar a definição de Huizinga, pois a 
criança só será capaz de retirar algo significativo do jogo caso este lhe traga 
possibilidades de remodelar seu pensar, seu agir e criar, podendo assim transformar 
uma imaginação em ação para posterior aprendizagem. 
Diante das infinitas possibilidades de aprendizagem por via do jogo, é válido 
ressaltar sua importância pedagógica. No processo de aquisição de conhecimentos 
a criança expõe características as quais são apuradas por meio deste, dando 
possibilidade de através do mundo imaginário auxiliado pela coletividade formular 
um conceito, uma ideia. 
17 
 
 
 
Sobre isso se destaca: 
Todos conhecemos o grande papel que os jogos da criança desempenha a 
imitação, com muita frequência estes jogos são apenas um eco do que as 
crianças viram e escutaram aos adultos, não obstante estes elementos da 
sua experiência anterior nunca se reproduzem no jogo de forma 
absolutamente igual e como acontecem na realidade. “O jogo da criança não 
é uma recordação simples do vivido, mas sim a transformação criadora das 
impressões para a formação de uma nova realidade que responda às 
exigências e inclinações da própria criança”. (VYGOTSKI, 1979, p.12). 
 
Para tanto, após toda uma discussão pautada no significado e importância do 
jogo, temos uma pequena ideia de quão ampla são as suas possibilidades, 
principalmente no que diz respeito a construção de uma identidade infantil, em uma 
sociedade tão desgastada, nada mais justo do que propiciar a seus futuros adultos 
convivências pautadas na imaginação, na construção do saber coletivo por meio da 
invenção da realidade. Como já dizia Huizinga apud Kishimoto (2008), o jogo vem 
da satisfação, e um indivíduo satisfeito torna-se estimulado e adentra num processo 
de busca pelo desconhecido, de criação de infinitas possibilidades que norteiem a 
quebra de barreiras e obstáculos no percurso da vida. 
4.2 O Jogo e a aprendizagem 
Durante muito tempo se confundiu ensinar com transmitir, onde o aluno era 
considerado um agente passivo e o professor um transmissor do conhecimento, e o 
que é pior, o aprender ocorria pela repetição, sendo que o aluno que não sabia era 
responsável por essa deficiência e era “castigado”. 
Atualmente essa ideia não é mais cabível, pois se sabe que não existe 
aprendizagem, se esta não acontecer através de uma construção de saberes, sendo 
o professor um facilitador do processo em busca do conhecimento. 
Partindo do pressuposto que o interesse dos alunos passou a ser a força que 
comanda a seu aprendizado, sendo que o professor passa a ser um gerador de 
situações estimulantes e eficazes, dentro deste contexto o jogo ganha seu espaço e 
passa a ser ferramenta ideal para aprendizagem, ajudando o aluno a continuar suas 
descobertas e enriquecer sua personalidade. 
Assim, à medida que a criança cresce e se desenvolve, surgem novos 
interesses, novas situações de troca, novos aprendizados e consequentemente os 
jogos vão se modificando, proporcionando uma estreita relação entre os processos 
18 
 
 
 
de maturação, crescimento e desenvolvimento (afetivo, cognitivo e social) bem 
como o aparecimento de novos interesses e objetivos. Para que este 
desenvolvimento ocorra tem que haver uma organização desses jogos por meio da 
estrutura da própria inteligência da criança. Desta forma quando a criança joga, 
opera com significado o movimento e suas ações, tomando assim conhecimento 
das suas escolhas e decisões, por isso o jogo apresenta-se como elemento básico 
no processo educacional, proporcionado mudanças em relação a aquele que 
aprende. 
 
Figura: 08 
 
O jogo como recurso pedagógico proporciona à criança um aprendizado mais 
prazeroso, possibilitando oferecer um conjunto de novas propostas dentro das aulas 
de Educação Psicomotora ou Física. Dentro deste contexto o jogo deixa de ser 
somente lúdico e se torna também educacional, não perdendo é claro suas 
características já mencionadas, pois a aprendizagem através do movimento envolve 
relações entre o corpo e a mente. 
19 
 
 
 
A ideia de aplicar o jogo a educação partiu do principio que, toda criança tem 
a necessidade de uma educação integral, assegurada pelo desenvolvimento de 
habilidades, movimentos e atitudes através da Educação Psicomotora. Por isso 
pode-se dizer que a criança quando joga se expressa, assimila e constrói sua 
realidade. 
A participação em jogos contribui para formação de atitudes como respeito 
mútuo, solidariedade, cooperação, obediência às regras, responsabilidade, sendo 
que jogando a criança aprende o valor do grupo e seu próprio valor. O jogo nas 
mãos do educador será usado como uma importante força educativa e não somente 
o jogo pelo jogo, pois este proporcionará a criança reproduzir suas vivencias, 
transformando o real de acordo com seus desejos e interesses, assim expressando 
e construindo a sua realidade. 
4.3 A Brincadeira o Movimento e o Jogo Como Forma e 
Desenvolvimento da Aprendizagem 
Brincar é o melhor caminho para uma educação integral. Segundo o Plano 
Nacional de Educação Infantil (2010, p. 53): 
Quando uma criança brinca, ela entra em contato com suas fantasias, 
desejos e sentimentos, conhece a força e os limites do próprio corpo e 
estabelece relações de confiança com o outro. No momento em que está 
descobrindo o mundo, ao brincar testa suas habilidades e competências, 
aprende regras de convivência com outras crianças e com os adultos, 
desenvolve diversas linguagens e formas de expressão e amplia sua visão 
sobre o ambiente que a cerca. 
Este pensamento é de vital importância para o entendimento de que a criança 
só se realiza plenamente no mundo através do brincar, seja este livre ou 
sistematizado. A brincadeira permite que esta criança que assim o faz, crie 
mecanismos de aprendizagem, em consequência disso, vê-se o seu 
desenvolvimento global vir à tona. 
Quando se fala em desenvolvimento global, refere-se aos aspectos 
cognitivos, afetivo, sociais, físico-motores e linguísticos, que se englobam para criar 
um processo de aprendizagem pleno. 
A ação motora é um fator de grande importância no desenvolvimento infantil. 
Sabe-se que o sujeito se constrói na sua interação com o meio, e o movimento é 
uma das formas que a criança encontra para interagir com esse meio. Essa 
20 
 
 
 
construção com o meio é uma forma de apropriação da cultura, seja para dominar 
os diferentes instrumentos da cultura, seja para participar das atividades lúdicas 
(jogos, brincadeiras, danças, esportes). O movimento também contribui para o 
domínio das habilidades motoras que a criança desenvolve ao longo da infância 
(andar, correr, pular, saltar, etc). Piaget (1992) em sua teoria sobre o 
desenvolvimento infantil já afirmava sobre uma inteligência motora, que é prática, 
sendo os movimentos reflexos, e a partir do contato com o ambiente a criança vai 
construindo um movimento intencional. Todas essas ações fazem com que a 
criança desenvolva habilidades para a aprendizagem, uma vez que está favorecida 
pelos estímulos adequados. Essesestímulos, oferecidos pelo ambiente e pelo 
professor, fazem com que a criança adquira gradativamente uma maior autonomia 
nos seus esquemas motores, adquirindo novas habilidades. A criança inicia seus 
movimentos partindo do mais simples ao mais complexo. 
O jogo também é um grande aliado do desenvolvimento cognitivo. Além de 
ser diversão, o jogo permitem que a criança esteja em contato com a realidade, 
confrontes ideias e busque soluções. 
Piaget (apud La TAILLE, 1992, p.49), afirma que: os jogos de regras são 
paradigmáticos para a moralidade humana. Em primeiro lugar, representam uma 
atividade interindividual necessariamente regulada por certas normas que, embora 
geralmente herdadas das gerações anteriores, podem ser modificadas pelos 
membros de cada grupo de jogadores. (...) Em segundo lugar, embora tais normas 
não tenham em si caráter moral, o respeito a elas devido, é ele sim, moral (...). 
Finalmente, tal respeito provém de mútuos acordos entre jogadores e não da mera 
aceitação de normas impostas por autoridades estranhas a comunidade de 
jogadores. 
Para Piaget (1992), muito mais do que estimular o cognitivo, o jogo também 
permite a consciência da regra, ou seja, existe a aceitação do outro, da perda e dos 
deveres que essa criança acompanhará até a vida adulta. Quando uma criança joga 
um jogo tradicional (por exemplo, a amarelinha), ela está mantendo uma cultura 
infantil que ultrapassa gerações, além de, é claro, aprender outras habilidades como 
sequência numérica, destreza, atenção, etc. Os jogos também permitem que a 
21 
 
 
 
criança aprenda com bastante facilidade os conceitos de alguns conteúdos 
trabalhados. 
Mas o professor tem de levar em consideração se o mesmo é pedagógico, se 
estimula o desenvolvimento intelectual e afetivo, se ele está adequado à faixa etária 
e se ele possui desafios que levem o aluno a refletir sobre o que está sendo jogado 
e como aquele jogo pode interferir de forma positiva na sua aprendizagem. 
 
5. PSICOMOTRICIDADE INFANTIL: A ARTE DE 
BRINCAR E APRENDER ATRAVÉS DO LÚDICO 
 
 
Figura: 09 
 
Há evidência, cada vez maior, da importância do desenvolvimento psicomotor 
nos processos que envolvem o aprendizado, voltado para a sistematização de 
certos conteúdos curriculares, mais especificamente os que se relacionam à 
alfabetização. Estudos atuais conduzem para o interesse crescente pelas práticas 
psicomotoras em decorrência de sua dupla função, preventiva e terapêutica, 
levando-se em consideração que, em torno da ação psicomotora, giram as 
22 
 
 
 
possibilidades de atuação, por meio do corpo, sobre o psiquismo e as funções 
instrumentais de adaptação ao meio. 
Oportunidades anteriores a este estudo, de estar em contato com escolas, 
despertaram o interesse pelo tema e por investigar a importância do lúdico e da 
psicomotricidade no contexto escolar. Segundo Fonseca (2004) a psicomotricidade 
esta presente em todas as atividades que desenvolvem a motricidade das crianças, 
contribuindo para o conhecimento e domínio do seu próprio corpo. Sendo assim, 
buscaremos compreender a importância do lúdico no contexto escolar. 
Le Boulch (1987) afirma que o trabalho psicomotor com crianças prevê a 
formação de uma base indispensável tanto em seu desenvolvimento motor quanto 
psicológico e afetivo, através dessas atividades lúdicas a criança desenvolve suas 
aptidões perceptivas como meio de ajustamento do comportamento psicomotor. 
O tema do presente artigo visa oferecer material para pesquisas futuras que 
possam surgir a cerca deste tema, assim como colaborar para esclarecer aos 
profissionais das áreas afins sobre a importância do lúdico e da psicomotricidade no 
desenvolvimento de crianças nas séries iniciais. Também vem com o intuito de 
contribuir para incitar a reflexão sobre a educação psicomotora da criança como 
parte integrante e indispensável ao processo educativo, a fim de promover aos 
educandos um desenvolvimento psicomotor satisfatório e ao mesmo tempo 
contribuir para uma evolução psicossocial e o sucesso escolar dos mesmos. 
5.1 Compreendendo a Psicomotricidade 
"Dentre tantos que vieram enriquecer a escola em seu processo e 
construir o novo sujeito para o mundo novo e com um novo paradigma 
de educação, a psicomotricidade contribuiu com o seu “saber” para 
melhorar e transformar o homem, até suas mais profundas raízes. 
Trata-se, portanto de uma educação pelo movimento”. (PAROLIN, 
2007, p. 142) 
 
 
Segundo Galvão (1995) a psicomotricidade, em sua ação educativa, pretende 
atingir a organização psicomotora da noção do corpo como marco espaço temporal 
do “eu” (entendido como unidade psicossomática). Esse marco é fundamental ao 
processo de conduta ou de aprendizagem, pois, busca conhecer o corpo nas suas 
múltiplas relações: perceptiva, simbólica e conceitual, que constituem um esquema 
23 
 
 
 
representacional e uma vivência indispensável à integração, à elaboração e à 
expressão de qualquer ato ou gesto intencional. 
Ainda para Galvão (1995) a psicomotricidade pode ser vista como a ciência 
que estabelece a relação do homem com o meio interno e externo: Psicomotricidade 
é a ciência que tem como objeto de estudo o homem através do seu corpo em 
movimento e em relação ao seu mundo interno e externo. 
Está relacionada ao processo de maturação, onde o corpo é a origem das 
aquisições cognitivas, afetivas e orgânicas. È sustentada por três 
conhecimentos básicos: o movimento, o intelecto e o cognitivo. (GALVÃO, 
1995, p. 10). 
 
Para Vayer (1986), a educação psicomotora é uma ação pedagógica e 
psicológica que utiliza os meios da educação física com o fim de normalizar ou 
melhorar o comportamento da criança. 
Para Alves (2008) a psicomotricidade favorece a aprendizagem quando 
reconhece que diferentes fatores de ordem física, psíquica e sociocultural atuam em 
conjunto para que se dê a aprendizagem. Trabalhando no ser humano, cada uma 
das etapas, possibilitando trabalhar a consciência corporal, a consciência do mundo 
que o cerca, o relacionamento deste com o seu corpo e com o que está ao seu 
redor. Proporcionar ao indivíduo a capacidade de ser, ter, aprender a fazer e a 
fazer, na medida em que se reconhece por inteiro, alcançando a organização e o 
equilíbrio das relações com os diferentes meios e a sua distinção. Relacionam-se 
com o mundo de forma equilibrada. 
Le Boulch (1987) define Psicomotricidade como uma ciência que estuda as 
condutas motoras por expressão do amadurecimento e desenvolvimento da 
totalidade psicofísica do homem, procurando fazer com que os indivíduos 
descubram o seu corpo através de uma relação do mundo interno com o externo e a 
sua capacidade de movimento e ação. E dessa forma, permitir tanto ao adulto como 
à criança expressar as suas ações e movimentos de forma harmoniosa, utilizando o 
seu corpo. 
Segundo Alves (2003) a psicomotricidade envolve toda a ação realizada pelo 
indivíduo, que represente suas necessidades e permitem a relação com os demais. 
É a integração psiquismo motricidade. A motricidade é o resultado da ação do 
sistema nervoso sobre a musculatura, como resposta a estimulação sensorial. O 
24 
 
 
 
psiquismo seria considerado como o conjunto de sensações, percepções, imagens, 
pensamentos, afeto, etc. Portanto a função psicomotora é a unidade onde se 
integram a incitação, a preparação, a organização temporal, a memória, a 
motivação, a atenção, etc. O mundo psicomotor surge também na escola onde o 
aluno busca um espaço para seu corpo, vivendo intensamente cada momento. 
A educação psicomotora deve ser considerada uma educação de base na 
escola primária. Ela acondiciona todos os aprendizados pré-escolares 
levando a criança a tomar consciência de seu corpo, da lateralidade, a situar-
se no espaço, a dominar o seu tempo, adquirir habilmente a coordenação de 
seus gestos e movimentos. A educação psicomotora deve ser praticada 
desdetenra idade; conduzida com perseverança permite prevenir 
inadaptações difíceis de corrigir quando já estruturadas. (LE BOUCH, 1986, 
p. 15). 
 
A educação psicomotora de Le Boulch (1983) justifica sua ação pedagógica 
colocando em evidência a prevenção das dificuldades pedagógicas, dando 
importância a uma educação do corpo que busque um desenvolvimento total da 
pessoa, tendo como principal papel na escola preparar seus educandos para a vida. 
Utiliza métodos pedagógicos renovados, procurando ajudar a criança a se 
desenvolver da melhor maneira possível, contribuindo dessa forma para uma boa 
formação da vida social dos educandos. Para atingir esse objetivo, a educação 
psicomotora procura trabalhar como foi descrito acima, na prevenção de problemas 
de dificuldades escolares de várias origens, como: afetividade, leitura e escrita, 
atenção, lateralidade e dominância lateral, matemática e funções cognitivas, 
socialização e trabalho em grupo. 
A educação psicomotora no ensino fundamental segundo ele tem três 
objetivos principais que são: 
 Enfatizar a aquisição de certo número de conhecimentos e de 
habilidades, através de uma transmissão cultural; 
 Manter e desenvolver as possibilidades de descoberta, criação e 
imaginação da criança; 
 Trabalhar no modo de aquisição, desenvolvendo as possibilidades 
funcionais da criança tanto no plano físico como no intelectual. 
A partir desses três objetivos, há uma busca no desenvolvimento 
psicoafetivo, funcional metódico, e aquisições instrumentais e de conhecimentos. 
25 
 
 
 
Onde no primeiro são trabalhados os jogos e expressões motoras espontâneas, e 
atividades artísticas, no segundo, a educação psicomotora metódica utiliza 
atividades despertadoras; e no último é trabalhado a escrita, leitura, cálculo e 
matemática, habilidades motoras utilizadas nos esportes e o conjunto dos 
conhecimentos escolares. 
De acordo com Gonçalves (2011) a Psicomotricidade tem o objetivo de 
enxergar o ser humano em sua totalidade, nunca separando o corpo (sinestésico), o 
sujeito (relacional) e a afetividade. Sendo assim, ela busca, por meio da ação 
motora, estabelecer o equilíbrio desse ser, dando lhe possibilidades de encontrar 
seu espaço e de se identificar com o meio do qual faz parte. 
5.2 O corpo e a mente 
Segundo Assunção e Coelho (1997) a psicomotricidade é a “educação do 
movimento com atuação sobre o intelecto, numa relação entre pensamento e ação, 
englobando funções neurofisiológicas e psíquicas”. Além disso, possui uma dupla 
finalidade: “assegurar o desenvolvimento funcional, tendo em conta as 
possibilidades da criança, e ajudar sua afetividade a se expandir e equilibrar-se, 
através do intercâmbio com o ambiente humano”. 
Assunção e Coelho (1997) ainda trazem que a psicomotricidade integra 
várias técnicas com as quais se pode trabalhar o corpo (todas as suas partes), 
relacionando-o com a afetividade, o pensamento e o nível de inteligência. Ela 
enfoca a unidade da educação dos movimentos, ao mesmo tempo que põe em jogo 
as funções intelectuais. As primeiras evidências de um desenvolvimento mental 
normal são manifestações puramente motoras. Diante desta visão, as atividades 
motoras desempenham na vida da criança um papel importantíssimo, em muitas 
das suas primeiras iniciativas intelectuais. Enquanto explora o mundo que a rodeia 
com todos os órgãos dos sentidos, ela percebe também os meios como quais fará 
grande parte dos seus contatos sociais. A psicomotricidade precisa ser vista com 
bons olhos pelo profissional da educação, pois ela vem auxiliar o desenvolvimento 
motor e intelectual do aluno, sendo que o corpo e a mente são elementos integrados 
da sua formação. 
“Todas as experiências da criança (o prazer, a dor, o sucesso ou fracasso) 
são sempre vividos corporalmente. Se acrescentarmos valores sociais que o 
meio dá ao corpo e as cerção de suas partes, este corpo termina por ser 
26 
 
 
 
investido de significações, de sentimentos e de valores muito particulares e 
absolutamente pessoais.” (VAYER, 1984, p.89). 
 
Segundo Fonseca (1988) é na Educação Infantil e nas Séries Iniciais, que a 
criança busca experiências em seu próprio corpo, formando conceitos e 
organizando o esquema corporal. A abordagem da Psicomotricidade irá permitir a 
compreensão da forma como a criança toma consciência do seu corpo e das 
possibilidades de se expressar por meio desse corpo, localizando-se no tempo e no 
espaço. O movimento humano é construído em função de um objetivo. A partir de 
uma intenção como expressividade íntima, o movimento transforma-se em 
comportamento significante. É necessário que toda criança passe por todas as 
etapas em seu desenvolvimento. 
Conforme Araújo (1999) a imagem do corpo representa uma forma de 
equilíbrio que, como núcleo central da personalidade, se organiza em um contexto 
de relações mútuas do organismo e do meio. Portanto, a educação psicomotora na 
idade escolar deve ser antes de tudo uma experiência ativa, onde a criança se 
confronta com o meio. 
5.3 A importância da psicomotricidade e da ludicidade 
Conforme Santos (2009) durante muito tempo e ainda hoje, prevalece a 
indiferença, de muitos ao ambiente escolar, pelo uso do lúdico no ensino das 
crianças. O brincar era e é tratado como uma atividade não séria que não se 
enquadra nos padrões de ensino, já que, o mesmo autor ainda traz que a escola 
prioriza a disciplina e o silêncio, assim como criança precisa ser obediente ao 
professor, passiva e imóvel em sala de aula, para que não haja bagunça. Isso 
contraria os objetivos que muitos educadores pregam em que se valoriza a criança 
como um ser ativo. 
De acordo com Oliveira (2008) ao brincar, afeto, motricidade, linguagem, 
percepção, representação, memória e outras funções cognitivas estão 
profundamente interligados. A brincadeira favorece o equilíbrio afetivo da criança e 
contribui para a apropriação dos signos sociais. 
Segundo Luckesi (2000) o lúdico tem sua origem na palavra latina "ludus" 
que quer dizer "jogo". Se se achasse confinado a sua origem, o termo lúdico estaria 
se referindo apenas ao jogar, ao brincar, ao movimento espontâneo. 
27 
 
 
 
Como bem observa Fortuna (2001), em uma sala de aula ludicamente 
inspirada, convive-se com a aleatoriedade, com o imponderável, o professor 
renuncia à centralização, à onisciência e ao controle onipotente e reconhece a 
importância de que o aluno tenha uma postura ativa nas situações de ensino, sendo 
sujeito de sua aprendizagem, a espontaneidade e a criatividade são constantemente 
estimuladas. 
Ainda de acordo com Fortuna (2001) uma proposta lúdica educativa torna-se 
um desafio à prática do professor, pois além de selecionar, preparar, planejar e 
aplicar os jogos precisa participar no decorrer do jogo, se necessário jogar, brincar 
com as crianças, mas sempre observando, no desenrolar, as interações e trocas de 
saberes entre eles, “brincar e aprender ensinam ao professor, por meio de sua 
ação, observação e reflexão, incessantemente renovadas, como e o que o aluno 
conhece”. 
Ainda, segundo Dohme (2005), além de o jogo ser uma atividade 
interessante, ela transmite conteúdos na qual: 
(...) podem colaborar na formação do indivíduo de forma ampla, 
proporcionando o desenvolvimento em outros aspectos, como físico, 
intelectual, social, afetivo, ético, artístico. Este desenvolvimento pode ser 
obtido através de situações comuns decorrentes da aplicação de jogos como 
o exercício da vivência em equipe, da criatividade, imaginação, 
oportunidades de autoconhecimento, de descobertas de potencialidade, 
formação da autoestima e exercícios de relacionamento social. 
 
Le Bouch (1987) ressalta que “é partindo de um desenvolvimento funcional 
metódico que facilitaremos as aprendizagens específicas”. Neste desenvolvimento 
funcional, a educação psicomotora desempenha um papel central já que ela termina 
no ingresso a uma imagemdo corpo operatório, condição da disponibilidade pessoal 
em relação ao meio material e humano. Ressalta ainda, que a educação 
psicomotora nas escolas deveria desenvolver nas crianças, uma postura correta 
frente a aprendizagem de caráter preventivo do desenvolvimento integral do 
indivíduo, frente a várias etapas de crescimento. 
 
28 
 
 
 
6. REFERÊNCIAS: 
 
ALVES, Fátima. Psicomotricidade: corpo, ação e emoção. Rio de Janeiro: 
Walk, 2003. 
ARAUJO, V. C. de O Jogo No Contexto Da Educação Psicomotora São Paulo 
Editora: Cortez Editora Ano 1992. 
BARRETO, Sidirley de Jesus. Psicomotricidade: Educação e Reeducação. 
Blumenau: Odorizzi, 2000. 
EFDeportes.com, Revista Digital. Buenos Aires, Año 18, Nº 190, Marzo de 
2014. 
FERREIRA, N. Motricidade E Jogo Na Infância Rio de Janeiro, Editora Sprint 
1995. 
GALLAHUE, D. - Educação Física Desenvolvimentista Para Todas As 
Crianças - 4º Edição – São Paulo, 2008. 
GALVÃO, Isabel. Henri Wallon: uma concepção dialética do desenvolvimento 
inf antil. Petrópolis: Vozes, 1995. 
JOCIAN, M. B. Psicomotricidade Teoria E Pratica, Estimulação, Educação E 
Reeducação Psicomotora Com Atividades Aquáticas São Paulo Lovise 1998. 
KISHIMOTO, Tizuko M. O jogo e a Educação Infantil. São Paulo: Pioneira, 
2003. 
La TAILLE, Yves de (et al). Piaget, Vygotsky, Wallon: teorias psicogenéticas 
em discussão. São Paulo: Summus, 1992. 
LE BOULCH, Jean. A Educação Psicomotora: Psicocinética na Idade Escolar. 
Tradução: WOLF, Jeni. Porto Alegre: Artes Médicas, 1987. 
MELLO, A. M. de - Psicomotricidade Educação Física E Jogos Infantis São 
Paulo Editora Ibrasa 1989. 
MELLO, Alexandre Moraes de. Psicomotricidade: Educação Física: Jogos 
Infantis. 4ª edição. Ibrasa, 2002. 
29 
 
 
 
MONTEIRO, V. A. - A Psicomotricidade Nas Aulas De Educação Física 
Escolar: Uma Ferramenta De Auxilio Na Aprendizagem Buenos Aires Revista 
Digital, Buenos Aires Ano 1- Nº Pág.: 1, 2, 3/6 – Novembro De 2007. 
OLIVEIRA, A. C. de; SILVA, K. C. da - Ludicidade e Psicomotricidade São 
Paulo, Editora Inter Saberes. 2017 - Pag 70, 75,76,77. 
OLIVEIRA, Zilma Ramos de. Educação Infantil; Fundamentos e Métodos. São 
Paulo: Cortez, 2008. 
TUBINO, M. J. G.; MACEDO, C. de - Psicomotricidade, Educação Física e 
Jogos Infantis. São Paulo Editora Ibrasa 1969 Páginas: 23, 24, 31, 31. 1989.

Mais conteúdos dessa disciplina