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ORIENTAÇÕES NUTRICIONAIS PARA A ENXAQUECA A enxaqueca é caracterizada como uma intensa dor de cabeça proveniente de alterações neurológicas, gastrointestinais e variações autônomas. Cerca de 240 milhões de pessoas possuem enxaqueca, afetando 18% das mulheres e 6% dos homens em todo o mundo. Alguns pacientes com enxaqueca afirmam que seus ataques de dor de cabeça começam sem qualquer motivo, mas estudos mostram que existe uma grande relação da enxaqueca com os alimentos consumidos. Essa relação entre nutrição e enxaqueca é bem complexa, visto que os alimentos podem afetar as vias nervosas, que produz dor através das propriedades vasoconstritoras ou vasodilatadoras de seus ingredientes. Estudos mostram que as mulheres são os indivíduos mais sensíveis a gatilhos de alimentos, pois as regiões do cérebro afetadas por disparadores de enxaquecas podem variar entre os sexos, sendo por causa das diferentes concentrações de neurotransmissores, sensibilidade em receptores ou interações hormonais. Entretanto, existem outros causadores da enxaqueca como alterações hormonais; fatores relacionado ao tempo (umidade, vento, pressão atmosférica); odores (perfume ou químicas com odores afiados); estresse do dia-a-dia; menstruação, desnutrição ou excesso de peso; omitir refeições; fazer jejum; luzes brilhantes; fumaça de cigarro; altitude elevada; tosse; além de fatores ambientais; problemas pessoais; doenças crônicas; síndrome pré-menstrual; gravidez; hipertensão e obesidade também podem ser as causas da patologia. Alguns pesquisadores postulam que a disfunção mitocondrial e o comprometimento do status antioxidante podem causar enxaqueca. Além disso, um grande número de estudos bioquímicos tem destacado a ocorrência de metabolismo mitocondrial prejudicado em pacientes com enxaqueca, caracterizado por níveis anormais de lactato e piruvato no sangue e líquido cefalorraquidiano e atividade reduzida de várias enzimas mitocondriais. Adicionalmente, o aumento no nível de homocisteína por deficiência de algumas vitaminas do complexo B ou polimorfismos da enzima de metilação do ácido fólico pode levar a ataques de enxaqueca. ORIENTAÇÕES NUTRICIONAIS PARA A ENXAQUECA ALIMENTOS RELACIONADOS À ENXAQUECA: FITOTERÁPICOS E SUPLEMENTOS NA ENXAQUECA: Salix alba e Tanacetum parthenium: O uso destes fitoterápicos tem sido tradicionalmente aplicado para tratar a enxaqueca. Um estudo realizado com pacientes com diagnóstico de enxaqueca, avaliou o tratamento com S. alba e T. parthenium e concluiu que houve redução da frequência de episódios de enxaqueca, além de diminuir a duração da dor (SHRIVASTAVA et al., 2006). Cabe salientar que o Tanacetum parthenium está registrado para prescrição médica. Dose: Salix Alba (extrato seco padronizado a 1,5% salicina) -300mg a 500 mg/dia Hexanicotinato de Inositol/Niacina: A niacina é considerada um vasodilatador periférico. Durante o processo da enxaqueca há ativação do complexo trigeminovascular (neurônios no nervo trigêmeo que inervam os vasos sanguíneos cerebrais), que leva à vasoconstrição intracraniana onde causa a cefaleia e sintomas como a aura de enxaqueca. Isso se dá devido à vasodilatação dos vasos extracranianos e à ativação dos nervos nociceptivos perivasculares. A administração intravenosa e oral de niacina pode prevenir os sintomas da enxaqueca, dilatando os vasos intracranianos e as contrações subsequentes dos vasos extracranianos. De acordo com resultados e alguns estudos, a niacina pode ser considerada um vasodilatador periférico, no entanto, seu impacto nos principais mecanismos centrais envolvidos na enxaqueca não foi completamente investigado (NATTAGH-ESHTIVANI et al., 2018). Dose: 200 mg/dia Magnésio A deficiência de magnésio pode ocorrer em pacientes com enxaqueca devido a um defeito genético na reabsorção de magnésio, perda de magnésio a partir de rins, esvaziamento dos estoques de magnésio devido ao estresse, baixo consumo alimentar, ou algumas outras razões. Essa deficiência pode aumentar a sensibilidade da neuro-inflamação da enxaqueca, do canal de cálcio e do FITOTERÁPICOS E SUPLEMENTOS NA ENXAQUECA: bloqueio do receptor N-metil-D-aspartato (NMDA), da atividade do glutamato e óxido nítrico, da afinidade do receptor de serotonina e da regulação hormonal endógena. A suplementação do magnésio neutraliza o vasoespasmo, regula o receptor de NMDA, inibindo o acúmulo de plaquetas, estabilizando as membranas celulares e diminuindo a formação de mediadores inflamatórios. O magnésio pode visar beneficamente diferentes aspectos da inflamação neurogênica que ocorre durante a enxaqueca e eventualmente melhorar a fosforilação oxidativa mitocondrial, a neurotransmissão 5-HT e o sistema Óxido Nítrico (OZTURAN; SANLIER; COSKUN, 2016; NATTAGH-ESHTIVANI et al., 2018). Dose: 650 mg/dia Riboflavina – B2 A enxaqueca foi definida como um defeito no metabolismo oxidativo no cérebro. Nesse sentido, a riboflavina é um importante cofator no metabolismo oxidativo e na produção de energia mitocondrial. A disfunção mitocondrial na enxaqueca está relacionada com baixos níveis de riboflavina mitocondrial(OZTURAN; SANLIER; COSKUN, 2016). Suas propriedades antioxidantes também são as responsáveis pela melhora na enxaqueca (MARCHIS et al., 2018). Dose: 50 mg/dia Coenzima Q10 A CoQ10 desempenha um papel central no transporte de elétrons e no metabolismo energético. Considerando sua função crítica na mitocôndria, seu papel protetor na estabilização da função endotelial que estimula a liberação de lipoproteínas e o NO, a CoQ10 pode ser importante na fisiopatologia da enxaqueca porque tem um papel no processamento de informação neural. O nível elevado de MMP-9 está associado à disfunção da barreira hematoencefálica (BHE) e a inflamação dos nervos exacerba os ataques de enxaqueca. A CoQ10 é um dos antioxidantes mais importantes que reduz a expressão de citocinas e MMPs (NATTAGH-ESHTIVANI et al., 2018). Portanto, FITOTERÁPICOS E SUPLEMENTOS NA ENXAQUECA: a CoQ10 pode ser terapeuticamente importante na enxaqueca (OZTURAN; SANLIER; COSKUN, 2016). Dose: 150 a 300 mg/dia ou Ubiquinol: 50 a 100 mg/dia Calciferol - Vitamina D Estudos relatam a diminuição da enxaqueca após suplementação de vitamina D. O mecanismo exato não está claro, mas relata-se a sua relação com os baixos níveis de magnésio, visto que a absorção intestinal do magnésio é dependente dessa vitamina. Com isso a deficiência dessa vitamina, causando a má absorção do magnésio pode gerar a dor de cabeça. Outro mecanismo associado é a presença de receptores de vitamina D, 1-hidroxilase (a enzima responsável pela formação da forma ativa da vitamina D), proteína de ligação da vitamina D no cérebro e, particularmente, hipotálamo. (NATTAGH-ESHTIVANI et al., 2018) Dose: 2000 UI/dia Cobalamina – B12 A vitamina B12 circulante está presente como hidroxicobalamina e estudos demonstraram que ela tem ação sequestradora contra o Óxido Nítrico (NO). O NO está envolvido na transmissão da dor crônica, inflamação, sensibilização central e principalmente a via dependente monofosfato de guanosina (Mg) (NATTAGH-ESHTIVANI et al., 2018). A sua suplementação também regula os níveis de homocisteína (MARCHIS et al., 2018). Dose: 500 mcg a 1 mg* Suplementar quando níveis séricos abaixo de 350 pg/ml e/ou homocisteína elevada (>12 micromol/L) Ácido alfa-lipóico – ALA O ácido alfa-lipóico (ALA) é uma coenzima nutricional envolvida no metabolismo energético de proteínas, carboidratos e gorduras, que tem funções fisiológicas FITOTERÁPICOS E SUPLEMENTOS NA ENXAQUECA: na eliminação de glicose no sangue e é capaz de eliminar vários radicais livres. O ALA também aumenta o metabolismo mitocondrial de oxigênio e produção de ATP (NATTAGH-ESHTIVANI et al., 2018). Dose: 100 a 200 mg/dia Ácido fólico e Piridoxina Quando associados, podem diminuir a dor e a frequência das enxaquecas. O mecanismo não está totalmente elucidado, mas estudos relatam que as deficiênciasdesses compostos estão presentes nos indivíduos que possuem enxaqueca e ao consumir essa suplementação causam melhora na deficiência e, por consequência, nos sintomas da dor. Outro motivo seria a redução nos níveis de homocisteína, considerando que a homocisteína elevada está associada à presença de enxaqueca e que a enxaqueca está associada a mutações pontuais no gene da MTHFR e a literatura aponta que a ingestão de ácido fólico e piridoxina em doses elevadas reduz os efeitos desta mutação (ASKARI et al., 2017). Ácido fólico: 1 mg/dia Piridoxina: 25 a 80 mg/dia Capsaicina A capsaicina e vários compostos relacionados chamados capsaicinoides são componentes ativos das pimentas. Esse composto é um agonista do TRPV1 (faz parte dos canais de Potencial receptor transiente (TRP)) e foi encontrado para ser eficaz no tratamento da enxaqueca. A ativação do receptor TRPV1 induz a despolarização de neurônios sensoriais e um estado refratário de fibras nociceptivas, com a liberação subsequente de CGRP, substância P e outros neuropeptídeos ativos (MARCHIS et al., 2018). Dose: 5 mg/dia REFERÊNCIAS: ASKARI, Gholamreza et al. The effects of folic acid and pyridoxine supplementation on characteristics of migraine attacks in migraine patients with aura: A double-blind, randomized placebo-controlled, clinical trial. Nutrition, [s.l.], v. 38, p.74-79, jun. 2017. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.nut.2017.01.007. MARCHIS, Maria Laura de et al. Genetic bases of the nutritional approach to migraine. Critical Reviews In Food Science And Nutrition, [s.l.], p.1-13, 8 mar. 2018. Informa UK Limited. http://dx.doi.org/10.1080/10408398.2018.1450215. NATTAGH-ESHTIVANI, E. et al. The role of nutrients in the pathogenesis and treatment of migraine headaches: review. Biomed Pharmacother. v. 102, p. 317- 325, 2018. NATTAGH-ESHTIVANI, Elyas et al. The role of nutrients in the pathogenesis and treatment of migraine headaches: Review. Biomedicine & Pharmacotherapy, [s.l.], v. 102, p.317-325, jun. 2018. Elsevier BV. http://dx.doi.org/10.1016/j.biopha.2018.03.059. ÖZTURAN, Ayçıl; ŞANLIER, Nevin; COŞKUN, Özlem. The Relationship Between Migraine and Nutrition. Turkish Journal of Neurology/Turk Noroloji Dergisi, v. 22, n. 2, 2016. SHRIVASTAVA, R.; PECHADRE, J.C.; JOHN, G.W. Tanacetum parthenium and Salix alba (Mig-RL®) Combination in Migraine Prophylaxis. Clinical Drug Investigation. v. 26, n. 5, p. 287-296, 2006.