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Condições dolorosas e geniturinárias Prescrever Roteiro da aula o Dor e inflamação Fisiopatologia e sinais cardinais da inflamação AINEs Corticoides Dor de cabeça Dor lombar o Condições Geniturinárias Cistite Dismenorreia Candidíase vaginal o Contraceptivos hormonais Dor e inflamação DOR “Uma experiência sensorial e emocional desagradável associada a um dano real ou potencial de tecidos ou descrita em termos de tal dano” MERSKEY; BOGDUK, 2006 Dor Aguda Dura curto período de tempo, associada a persistência de estímulo doloroso (p.ex. cicatrização) Dor Crônica Persiste mesmo depois que o estímulo desaparece, como uma memória – Dura >3 meses (p.ex. dor neuropática) Estímulo lesivo (físico, químico ou biológico) Lesão celular e liberação de enzimas intracelulares Ativação do sistema complemento Liberação: histamina, cininas, prostaglandinas, leucotrienos Reação Inflamatória Aguda INFLAMAÇÃO| Fisiopatologia INFLAMAÇÃO| Fisiopatologia Estímulo lesivo que resulta em uma série de eventos relacionados, entre os quais: ↑ fluxo sanguíneo Maior permeabilidade vascular Formação de exsudato Acúmulo de leucócitos e proteínas plasmáticas Essas alterações resultam em sinais e sintomas característicos da inflamação Sinais Cardinais Calor: ↑ fluxo sanguíneo e ↑ metabolismo celular Rubor: Hiperemia e vasodilatação Edema: ↑ permeabilidade vascular Dor: pela liberação de sinalizadores químicos nas terminações nervosas e pela compressão mecânica (edema) dos nervos Perda da função: consequência dos 4 sinais anteriores INFLAMAÇÃO | Sinais cardinais CALORRUBOR EDEMA DOR PERDA DE FUNÇÃO AINEs EICOSANOIDES o Compostos potentes e com amplo espectro de atividades biológicas Justifica o amplo potencial terapêutico dos eicosanoides, antagonistas de seus receptores, seus inibidores enzimáticos, além de precursores presentes em plantas e óleo de peixe. o O ácido araquidônico é o maior precursor de eicosanoides Eicosanoides: -Prostaglandinas -Tromboxanos -Leucotrienos Fosfolipídeos Fosfolipase A2 Ácido Araquidônico Ciclooxigenases COX-1 COX-2 PGG2 PGH2 PGI2 Tromboxano Sintetase TXA2 Peroxidase Prostaciclina Sintetase PGF2αPGE2 PGD2 LTA4 5-lipooxigenase LTB4 LTC4 LTD4 LTE4 Lipoxinas A e B 12-HETE 15-lipooxigenase 12-lipooxigenase Eicosanoides: -Prostaglandinas -Tromboxanos -Leucotrienos Cascata da Inflamação 12-HETE Fosfolipídeos Fosfolipase A2 Ácido Araquidônico Ciclooxigenases COX-1 COX-2 PGG2 PGH2 PGI2 Tromboxano Sintetase TXA2 Peroxidase Prostaciclina Sintetase PGF2αPGE2 PGD2 LTA4 5-lipooxigenase LTB4 LTC4 LTD 4 LTE 4 Lipoxinas A e B 15-lipooxigenase 12-lipooxigenase ANTIINFLAMATÓRIOS NÃO-ESTEROIDAIS X Cascata da Inflamação Eicosanoides: -Prostaglandinas -Tromboxanos -Leucotrienos Ações farmacológicas dos AINES Efeito anti- inflamatório Efeito antipirétic o Efeito analgésico Ácido araquidônico COX-1 É constitutiva Prostaglandinas Citoproteção GI Agregação plaquetária Função renal COX-2 É induzível Prostaglandinas Inflamação Dor Febre Classificação química Inibidores não-seletivos da COX • Ácido acetilsalicílico • Indometacina • Cetorolaco • Ibuprofeno • Naproxeno • Cetoprofeno • Fenoprofeno • Piroxicam • Ácido mefenâmico • Fenilbutazona Inibidores seletivos da COX-2 • Celecoxibe, etoricoxibe, lumiracoxibe • Etodolaco • Diclofenaco • Nimesulida • Meloxicam, tenoxicam Funções das PGs e efeitos dos AINES PGs Função Efeitos dos AINES PGE2 PGI2 Sensibilização das terminações nervosas das fibras nociceptoras; vasodilatação PGI2: antiagregação Analgésico Agregação plaquetária PGE2 Centro termo-regulador (febre) Antipirético TXA2 Potente agregante plaquetário e vasocontritor Anti-agregante plaquetário PGI2 na mucosa gástrica Citoprotetor da mucosa gastrointestinal Diminui secreção de HCl e aumenta a secreção de muco Epigastralgia, náuseas, gastrite, sangramento GI, úlceras pépticas PGE2 renal Vasodilatação Inibe reabsorção de Na/H20 Retenção de sódio/fluidos (edema). Diminuição da TGF PGE2 e PGF2a – útero Gravidez: contrações Não-grávida: dismenorreia Prolongamento da gestação Broncoconstrição Caso Clínico • Paulo, 66 anos. Foi à farmácia comprar um medicamento para dor muscular. - Qual você indicaria? Caso clínico • Perguntas que devem ser feitas pelo farmacêutico: 1) Onde dói? Dói a região lombar 2) Quais são os fatores que pioram a dor? Quando caminho 3) Há sintomas associados? Quais? Não 4) Com que frequência e há quanto tempo? Começou nesta semana. Piora quando levanto 5) Faz uso de algum medicamento? O que usa quando esta dor aparece? Melhora? Uso enalapril, anlodipino, sinvastatina, metformina e aspirina. Tenho hipertensão e diabetes, por isso tenho medo de tomar outros medicamentos. Caso clínico • Perguntas que devem ser feitas pelo farmacêutico: 1) Onde dói? Dói a região lombar 2) Quais são os fatores que pioram a dor? Quando caminho 3) Há sintomas associados? Quais? Não 4) Com que frequência e há quanto tempo? Começou nesta semana. Piora quando levanto 5) Faz uso de algum medicamento? O que usa quando esta dor aparece? Melhora? Tomo aspirina e sinvastatina. Tenho o colesterol alto só. Por enquanto só tomei uma vez o paracetamol e não melhorou muito... Caso clínico • Perguntas que devem ser feitas pelo farmacêutico: 1) Onde dói? Dói a região lombar 2) Quais são os fatores que pioram a dor? Quando caminho 3) Há sintomas associados? Quais? Não 4) Com que frequência e há quanto tempo? Começou nesta semana. Piora quando levanto 5) Faz uso de algum medicamento? O que usa quando esta dor aparece? Melhora? Utilizo Seretide® e Aerolin® quando tenho crise de asma. Ainda não tomei nada para esta dor. Efeitos indesejáveis dos AINEs não seletivos Maiores riscos com o uso em doses altas e por um período prolongado, mas pode ocorrer no início da terapia Distúrbios gastrointestinais: • Inibição de síntese de PGE2 que atenua a síntese de ácido gástrico e possui ação protetora da mucosa (secretora de muco) • Cerca de 40 % dos pacientes que fazem uso crônico de inibidores não seletivos da COX apresentam: dispepsias, náuseas, vômitos, sangramento gástrico e ulceração Efeitos indesejáveis dos AINEs não seletivos • O risco gastrointestinal é aumentado pela presença de um ou mais dos seguintes fatores: • História anterior de um evento gastrointestinal (úlcera, hemorragia) • Idade> 60 • Dose alta de um AINE • Uso concomitante de glicocorticoides e o uso concomitante de agentes antiplaquetários (ex: AAS, clopidogrel) e anticoagulantes (por exemplo, antagonistas da vitamina K, heparina, inibidores diretos da trombina e inibidores diretos do fator Xa) • Uso crônico, em oposição ao uso de curto prazo • Infecção por Helicobacter pylori não tratada • Uso de inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS) Efeitos indesejáveis dos AINEs não seletivos Alto risco para problemas gastrointestinais História de úlcera prévia complicada Mais de 2 fatores de risco abaixo Moderado risco (1-2 fatores de risco) Idade ≥65 anos Alta dose de AINE História de úlcera não complicado Uso concomitante de AAS (mesmo em dose baixa), glicocorticoides ou anticoagulantes Critérios para proteção gástrica Efeitos indesejáveis dos AINEs não seletivos Efeitos renais: • Doses terapêuticas de AINEs para pacientes sadios oferece baixo risco para a função renal • Pacientes susceptíveis (pacientes idosos, crianças, doença cardiovascular): reversível com a suspensão do tratamento com AINEs. • Inibição da síntese de PGs (PGE2 e PGI2) • Pacientes com TGF < 30ml/min 🡪 todos os AINES devem ser evitados/contraindicados • Maiores riscos associados aos coxibes Efeitos indesejáveis dos AINEs não seletivos Diuréticos + IECA/BRA + AINE aumento de IRA em 31% (Lapi, 2013) Efeitos indesejáveis dos AINEs não seletivos Efeitos indesejáveisdos AINEs não seletivos • Efeitos cardiovasculares - Dose-dependente - Aumento da PA e exacerbação do ICC: fenômeno dose-dependente e envolve a inibição de COX-2 nos rins reduz a excreção de Na+ retenção de líquidos e edema - Aspirina na dose antiplaquetária não interfere na PA/ICC - Os riscos de IAM, AVC e morte CV são pequenos em tratamentos curtos - Pacientes recém hospitalizados por IAM e ICC não devem utilizar AINES - Risco de tromboembolismo aumenta em quase 2x Efeitos indesejáveis dos AINEs não seletivos • Efeitos cardiovasculares Efeitos indesejáveis dos AINEs não seletivos O mecanismo pelo qual os anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) levam a um aumento nos eventos cardiovasculares, como isquemia miocárdica e acidente vascular cerebral, está provavelmente relacionado ao seu impacto na inibição da ciclooxigenase 2 (COX-2), que está associada à redução da prostaglandina I2 (PGI2 ou prostaciclina). A redução relativamente seletiva da atividade da prostaciclina pode predispor à lesão endotelial e agregação plaquetária. • Pacientes de alto risco cardiovascular: - DAC - AVC - DAOP - Diabetes - DRC (TGF <60ml/min) Calcular o risco Efeitos indesejáveis dos AINEs não seletivos • Efeito cardiovascular (ICC, SCA e mortalidade): - Coxibes estão associados à maiores riscos (*rofecoxibe) - Diclofenaco (praticamente semelhante aos coxibes) - Ibuprofeno (porém maior risco de AVC) Opção mais seguras (efeitos vasculares): naproxeno Paracetamol/dipirona quando o efeito anti-inflamatório não é necessário Em julho de 2015 o FDA reforçou a necessidade de alerta advertindo que os AINEs podem aumentar o risco de IAM ou AVC. Além disso, a FDA alegou que não existem informações suficientes para determinar se o risco é mais elevado ou mais baixo entre os diferentes AINEs. Efeitos indesejáveis dos AINEs não seletivos Reações cutâneas (hipersensibilidade) ⮚Erupções cutâneas, urticária e reações de fotossensibilidade frequente (10%) com o uso do ácido mefenânico e AAS Outros efeitos menos comuns: Efeitos no SNC (disfunção cognitiva, psicose) Distúrbios na medula óssea Alterações hepáticas Ação anti-plaquetária: Broncoespasmo em indivíduos asmáticos – aspirina / cetorolaco Gravidez: retardo no trabalho de parto Efeitos indesejáveis dos AINEs não seletivos Diclofenaco sódico x potássico • Não apresentam diferenças farmacodinâmicas nem farmacocinéticas significativas, haja visto ambos serem administrados na mesma dose e absorvidos na forma ácida; ademais, a porção da molécula que apresenta ação é o diclofenaco, comum a ambos; • Porém, podem diferir quanto ao tempo de início e biodisponibilidade; • O aumento da PA envolve a diminuição de PG renais... Considerações dos AINES não-seletivos • Efetivos no tratamento da dor aguda e crônica • Eficácia dos AINES parece ser similar, porém a resposta individual é altamente variável • Todos os AINES devem ser utilizados na menor dose eficaz e no menor tempo possível • AINES tópicos representam boas opções para uma ação anti-inflamatória local, além de possuírem menores ações sistêmicas • Riscos de eventos gástricos são dose e idade-dependentes • Piora da função renal • Evitar em pacientes: com ClCr <60ml/min, sangramento G.I; disfunção plaquetária; redução do débito cardíaco; hipertensão descontrolada; hipovolemia; asma; cirrose • Tem fraca atividade anti-inflamatória (não é considerado AINE), mas apresenta atividade analgésica e antipirética; • Efetivo para dor de origem não inflamatória; • Baixa incidência de efeitos gástricos; • Hepatotóxica; • Não altera função plaquetária... Dose usual: • 500-750mg a cada 6 horas Dose máxima: • 3000mg • 2000mg em pacientes com risco de hepatotoxicidade • 4000mg em casos selecionados (por curto tempo) Paracetamol Qual é o problema do paracetamol e álcool? Paracetamol Inibidores preferenciais da COX-2 • Meloxicam • Nimesulida • Etodolaco Inibidores seletivos da COX-2 • Celecoxib (Celebra): VO • Etoricoxib (Arcoxia): VO • Parecoxib (Bextra): IM, EV Ação anti-inflamatória “perfeita”: inibe COX-2 (↓ inflamação) sem afetar a COX-1 (↓toxicidade) Ação anti-inflamatória e analgésica comparável aos AINES não seletivos • Cefaléia, tonturas, rashes cutâneos e edema periférico (retenção hídrica) • Alterações cardiovasculares e AVCs: - pequenas mas relevantes para pacientes susceptíveis - expressão elevada de COX-2 em artérias ateroscleróticas - inibidores específicos da COX-2 suprimem a produção de PGI2 pelas células endoteliais (ação vasodilatadora e anti-agregante) - Retenção de sódio e água - Dose-dependente Efeitos adversos dos inibidores seletivos da COX-2 EVITAR em pacientes com doença renal crônica, depleção de volume, insuficiência hepática, doença CV Riscos AINE Risco GI Risco CV Diclofenaco ++ +++ Ibuprofeno +++ ++ Naproxeno ++++ + Celecoxibe + +++ Etoricoxibe + ++++ Fenitoína: AINES promovem deslocamento da ligação de proteínas plasmáticas 🡪 aumenta concentração de fenitoína livre 🡪 aumenta sua toxicidade Diminuição da eficácia anti- hipertensiva (*diuréticos; iECA/BRA) Varfarina: AINES promovem deslocamento da ligação de proteínas plasmáticas 🡪 aumenta concentração de varfarina livre 🡪 favorece o sangramento Antiplaquetários / Anticoagulantes: Aumento do risco de sangramento Glicocorticóides: O risco de toxicidade gástrica aumenta significativamente Metrotexato / ciclosporina: AINES diminuem a eliminação renal da droga 🡪 aumenta a toxicidade Interações medicamentosas Considerações para a escolha • Considerar a real necessidade de um anti-inflamatório, pois há condições em que somente um analgésico é necessário (paracetamol/dipirona) • Pacientes que apresentam indicação formal de um anti-inflamatório e que possuem alto risco para distúrbios gástricos devem ser tratados com inibidores seletivos da COX-2 ou AINES não específicos em associação à protetores gástricos. Considerações para a escolha • Para a escolha do AINE deve-se considerar os fatores de risco para toxicidade de cada paciente: - AINES com meia vida longa (celecoxibe, meloxicam, piroxicam) = geração de metabólitos ativos + maior risco de RAM em idosos. Preferir AINES de meia vida curta (ibuprofeno, diclofenaco, cetoprofeno). Porém, todos os AINES devem ser evitados, por apresentarem um potencial risco para esta população. Considerações para escolha - Analgésicos na menor dose possível - Preferir tratamento tópico; evitar AINEs - Primeira linha: paracetamol 2g; outros estudos: coxibes - Monitorar RAM: constipação, sedação e encefalopatia hepática - AINES não são indicados devido à predisposição de dano renal e sangramento gastrointestinal nesta população - Cuidar com opioides 🡪 aumento do risco de encefalopatia hepática. Tramadol e metadona representam uma opções mais seguras. Revisão, 2014 Corticoides CRH: hormônio de liberação de Corticotropina ACTH: Hormônio adrenocorticotrópico ou corticotropina Eixo hipotalâmico-hipófise-suprarenal Elevada [cortisol] pela manhã Baixa [cortisol] à noite Ciclo Circadiano Ação dos glicocorticoides • Metabolismo de carboidratos e proteínas • Metabolismo de lipídeos • Equilíbrio hidroeletrolítico • Sistema cardiovascular • Musculatura esquelética • Ação anti-inflamatória e imunossupressora Reações adversas são dose- dependente e tempo- dependente Metabolismo de carboidratos e proteínas • Aumenta a degradação e diminui a síntese de proteínas atrofia muscular • Estimula produção de glicose pelo fígado (gliconeogênese) HIPERGLICEMIA • Diminui captação de glicose pelas células HIPERGLICEMIA Metabolismo de lipídeos • Aumenta a lipólise • Aumento de ácidos graxos livres • Redistribuição da gordura • Síndrome de Cushing ou hipercorticolismo Outros efeitos Gastrointestinais - diminuição da produção da barreira de muco no estômago - aumenta a produção de ácido clorídrico e pepsinaMetabolismo do Cálcio - ↓absorção e ↑excreção Ca++ - Interfere na síntese de vitamina D - Predisposição à osteoporose Redução da atividade dos neutrófilos, macrófagos e linfócitos e citocinas Anti- inflamatório Redução da função dos fibroblastos Menor cicatrização ↓da atividade dos osteoblastos e ↑ da atividade dos osteoclastos Osteoporose Redução da secreção de ACTH e CRH Atrofia da adrenal Demais efeitos Efeitos em longo prazo • Equilíbrio hidroeletrolítico • Reabsorção de Na+ • ↑ excreção de K+ e H+ • Efeito cardiovascular • Hipertensão • Aterosclerose • AVC • Musculatura esquelética • Atrofia • Retardo crescimento • ↓K+ Cascata de inflamação Fosfolipídeos Fosfolipase A2 Ácido Araquidônico Ciclooxigenases COX-1 COX-2 PGG2 PGH2 PGI2 Tromboxano Sintetase TXA2 Peroxidase Prostaciclina Sintetase PGF2αPGE2 PGD2 LTA4 5-lipooxigenase LTB4 LTC4 LTD 4 LTE 4 Lipoxinas A e B12-HETE 15-lipooxigenase 12-lipooxigenase Eicosanóides: -Prostaglandinas -Tromboxanos -Leucotrienos Ação anti-inflamatória Fosfolipídeos Fosfolipase A2 Ácido Araquidônico Ciclooxigenases COX-1 COX-2 PGG2 PGH2 PGI2 Tromboxano Sintetase TXA2 Peroxidase Prostaciclina Sintetase PGF2αPGE2 PGD2 LTA4 5-lipooxigenase LTB4 LTC4 LTD 4 LTE 4 Lipoxinas A e B12-HETE 15-lipooxigenase 12-lipooxigenase X X GLICOCORTICOIDES Eicosanóides: -Prostaglandinas -Tromboxanos -Leucotrienos Efeito dos corticoides Indicações • Terapia de reposição para pacientes com insuficiência supra-renal • Transplante de órgãos • Doenças neoplásicas (leucemias) • Edema cerebral em pacientes com tumores cerebrais • Terapia anti-inflamatória imunossupressora (asma) • Reações alérgicas • Doenças autoimunes: (Lúpus eritematoso, Anemia hemolítica, artrite reumatoide) Indicações • Prednisona, prednisolona e metilprednisolona - Primeira escolha para tratamentos anti-inflamatórios e imunossupressores a longo prazo • Betametasona e dexametasona - Usados em terapias anti-inflamatórias agudas (choque séptico e edema cerebral) Desmame de corticoide • Retirada lenta e gradativa do corticoide para que ocorra a readaptação da glândula supra renal • Indicado para terapias ≥ 3 semanas • Não há recomendações formais quanto o modo de desmame Dose inicial Prednisona ou equivalente Redução 40mg ou mais 5-10mg/d a cada 1-2 semanas 40-20mg 5mg/d a cada 1-2 semanas 20-10mg 2,5mg/d a cada 2-3 semanas 10-5mg 1mg/d a cada 2-4 semanas 5mg ou menos 0,5mg a cada 2-4 semanas Efeitos dos corticoides Segurança Maiores RAM: Osteoporose; cardiovascular (DAC, hipertensão); infecção (exposições longas) Caso clínico • Luiza, 59 anos, foi à farmácia pedir um medicamento para dor, pois o medicamento que toma não funciona mais direito. Relata tomar Tylex® como automedicação há 2 meses. O que você faria? Caso clínico • Perguntas que devem ser feitas pelo farmacêutico: 1) Onde dói? Dói tudo, mas principalmente mãos e pés 2) Quais são os fatores que pioram a dor? Nenhum 3) Há sintomas associados? Quais? Sinto um formigamento na mão também 4) Com que frequência e há quanto tempo? Sinto isso há um ano mais ou menos. Melhora um pouco com o Tylex que minha colega arranjou pra mim 5) Faz uso de algum medicamento? O que usa quando esta dor aparece? Melhora? Uso insulina, sinvastatina e AAS há 10 anos. Caso clínico • Perguntas que devem ser feitas pelo farmacêutico: 1) Onde dói? Eu estou todo dolorido; sinto como se estivesse gripado o tempo todo 2) Quais são os fatores que pioram a dor? Nenhum 3) Há sintomas associados? Quais? Sinto uma dormência no corpo e também não durmo direito 4) Com que frequência e há quanto tempo? Sinto isso há um ano mais ou menos. Melhora um pouco com o Tylex que minha colega arranjou pra mim 5) Faz uso de algum medicamento? O que usa quando esta dor aparece? Melhora? Uso citalopram 20mg de manhã para ansiedade Caso Clínico Maria Fernanda, 25 anos, procurou a farmácia no fim da tarde trazida por uma colega de trabalho. Se queixa de dor de cabeça. Tomou um comprimido de Tylenol 750mg há duas horas, porém não melhorou. • O que você faria? Caso clínico PERGUNTAS QUE DEVEM SER FEITAS PELO FARMACÊUTICO: 1) Onde dói? Dói tudo, mas principalmente o lado direito da cabeça 2) Quais são os fatores que pioram a dor? Lux, barulho e cigarro incomodam. 3) Há sintomas associados? Quais? Náuseas 4) Com que frequência e há quanto tempo? Começou há dois meses, geralmente próximo à menstruação. 5) Faz uso de algum medicamento? O que usa quando esta dor aparece? Melhora? Elani® há 4 anos; uso paracetamol e melhora um pouco Caso clínico PERGUNTAS QUE DEVEM SER FEITAS PELO FARMACÊUTICO: 1) Onde dói? Dói principalmente na testa, dos dois lados 2) Quais são os fatores que pioram a dor? O trabalho 3) Há sintomas associados? Quais? Não sinto mais nada 4) Com que frequência e há quanto tempo? Começou há dois meses; tenho umas três crises de uns dois dias no mês 5) Faz uso de algum medicamento? O que usa quando esta dor aparece? Melhora? Não utilizo nenhum medicamento contínuo. Uso o paracetamol mesmo. Até melhora, mas gostaria de ver outra opção Caso clínico PERGUNTAS QUE DEVEM SER FEITAS PELO FARMACÊUTICO: 1) Onde dói? Dói principalmente na testa e ao redor dos olhos 2) Quais são os fatores que pioram a dor? Nenhum 3) Há sintomas associados? Quais? Estou com a rinite atacada; nariz escorrendo e espirrando um pouco 4) Com que frequência e há quanto tempo? Quando muda este tempo fico assim 5) Faz uso de algum medicamento? O que usa quando esta dor aparece? Melhora? Não utilizo nenhum medicamento contínuo. Uso o paracetamol mesmo, mas não melhora muito Caso clínico PERGUNTAS QUE DEVEM SER FEITAS PELO FARMACÊUTICO: 1) Onde dói? Dói na região da têmpora. Parece que o coração está batendo ali. É dos dois lados 2) Quais são os fatores que pioram a dor? Meu trabalho e a claridade 3) Há sintomas associados? Quais? Sinto às vezes um desconforto no estômago, mas não chego a vomitar 4) Com que frequência e há quanto tempo? Faz mais ou menos uns 8 meses que começou. Mas tenho estas crises toda semana, pelo menos 1 vez 5) Faz uso de algum medicamento? O que usa quando esta dor aparece? Melhora? Não utilizo nenhum medicamento contínuo. Hoje usei o paracetamol, mas geralmente uso o ibuprofeno e melhora um pouco. DOR DE CABEÇA TRANSTORNOS RELACIONADOS À DOR DE CABEÇA CEFALEIA PRIMÁRIA CEFALEIA SECUNDÁRIA ENXAQUECA CEFALEIA DO TIPO TENSIONAL CEFALEIA EM SALVAS CAUSA ORGÂNICA Dor de cabeça • Uma das queixas mais comuns nos estabelecimentos de saúde. Maior prevalência em mulheres. • Primárias • Não há outra condição que causa a dor • 90% dos casos podem ser classificados em três tipos principais • Enxaqueca • Tensional • Em salvas • Dor de cabeça diária crônica • Secundárias • Cefaleia atribuída à outra condição clínica CLASSIFICAÇÃO ENXAQUECA TENSIONAL EM SALVAS Localização Unilateral em 60 a 70% dos casos; bifrontal ou global em 30%. Bilateral Sempre unilateral, geralmente começa em torno do olho. Característica Gradual no início, padrão crescente; pulsante; intensidade moderada a grave; agravada por atividade física rotineira Pressão ou tensão (sensação de aperto na cabeça) A dor começa rapidamente, atinge padrão crescente dentro de minutos; a dor é contínua, profunda, insuportável, e explosiva. Aspecto do paciente Paciente prefere descansar em um quarto escuro e silencioso. O paciente pode permanecer ativo ou pode necessitar de descanso. Paciente permanece ativo Duração 4 – 72h Variável 30 min – 3h Sintomas associados Náuseas, vômitos, fotofobia, fonofobia; pode ter aura (geralmente visual, mas pode envolver outros sentidos ou causar déficits motores e na fala). Nenhum Lacrimejamento e vermelhidão nos olhos; nariz entupido; rinorréia; palidez; sudorese; sintomasneurológicos focais raros; sensibilidade ao álcool. FATORES DESENCADEANTES Dieta Estímulos sensoriais Mudanças ambientais ou de hábitos ∙ Álcool ∙ Luzes fortes ou oscilantes ∙ Clima ∙ Chocolate ∙ Odores ∙ Viagem com fusos diferentes ∙ Queijos maturados ∙ Sons e barulhos ∙ Estações ∙ Glutamato monossódico ∙ Dieta ∙ Altitude ∙ Cafeína Stress ∙ Mudança de horários ∙ Aspartame ∙ Períodos depressivos ∙ Mudança no padrão do sono ∙ Oleaginosas ∙ Atividade intensa ∙ Dieta ∙ Nitritos e nitratos ∙ Vivência de perdas ou mudanças drásticas ∙ Pular refeições Hormonal ∙ Mudanças ∙ Atividade física irregular ∙ Menstruação ∙ Crises ∙ Ovulação ∙ Terapia de reposição hormonal (progesterona) O QUE INVESTIGAR? Idade Ausência ou presença de aura Frequência, intensidade e duração dos episódios Número de dias com episódios ao mês Tempo e forma de início Qualidade, local e irradiação da dor Sintomas associados e anormalidades História familiar de enxaqueca Fatores precipitantes e de alívio Efeito de atividades na dor Relação com comida e álcool O QUE INVESTIGAR? Resposta a tratamentos prévios Alterações recentes na visão Associação com trauma recente Mudanças recentes no sono, exercícios, peso, ou dieta Estado geral de saúde Alterações que afetam o trabalho ou estilo de vida Mudança do anticoncepcional Possíveis associações com fatores ambientais Efeitos do ciclo mesntrual ou hormônios exógenos Iniciou algum tratamento recentemente Hemorragia subaracnóide; trombose venosa cerebral; diversos quadros neurológicos CARACTERÍSTICAS Dor de início súbito com intensidade máxima em pouco tempo (segundos a três minutos) POSSIBILIDADE Dor após trauma Hemorragia intracraniana Mudança no padrão da dor Malignidade de doença basal Infecção local ou sistêmicaAssociada a febre Dor facial, congestão nasal, rinorréia, lacrimejamento Sinusite Diagnóstico Diferencial O QUE PODEMOS FAZER? • Tratamento da dor de cabeça tensional • Tratamento de crises de enxaqueca • Avaliação das terapias em uso • Orientações EPISÓDIOS AGUDOS • CRISES LEVES • Analgésicos • Aspirina • AINEs • Paracetamol • CRISES MODERADAS A GRAVES • Analgésicos + Cafeína • Mais efetivo que analgésicos isolados Mais efetivos! Primeira escolha para gestantes TERAPIA ABORTIVA Melhora após 2-4 horas Tratamento Cefaleia tensional e Enxaqueca Tratamento Ibuprofeno Comprimido - 200 mg: 1-2 cp, 4-6 x/dia. Não exceder dose máxima de 6 cp/dia Aspirina Comprimido 500mg: 2 cp em dose única. Se necessário repetir a cada 4-8 horas, não excedendo 8cp/d Paracetamol Comprimido 500mg: 1-2 cp, 3 a 4 x/dia. Comprimido 750 mg: 1 cp, 3-5 x/dia CRISES LEVES Tratamento Naproxeno Comprimido 250 mg e 500 mg Dor de cabeça tensional: 500 mg administrados inicialmente seguidos de 250 mg a intervalos de 6-8h Crise enxaqueca leve-moderada: - 750 mg ao primeiro sintoma de crise - 250-500 mg adicionais podem ser administrados no decorrer do dia, se necessário, mas não antes de meia hora da dose inicial. A dose diária de 1250 mg não deve ser excedida. Cetoprofeno Cápsula 50 mg: 200 mg em dose única 48 h de tratamento DOR MODERADA Mucato de Isometepteno + Dipirona Sódica + Cafeína Anidra (Neosaldina®) Comprimido (30 mg + 300 mg + 30 mg): 1 a 2 drágeas, 3 a 4 vezes ao dia Ácido acetilsalicilico + cafeína (Cafiaspirina®) Comprimido (650mg + 65 mg): 1- 2 cp a cada 6-8 h, não excedendo 5 cp/dia Paracetamol + cafeína (Tylenol DC® / Sonridor Caf®) 2 comprimidos de 6/6h enquanto persistirem os sintomas. Não ingerir mais de 8 cp/d Tratamento • Antieméticos - Terapia antiemética adjuvante é útil para combater náusea e vômitos que acompanham a enxaqueca e os medicamentos usados para tratar ataques agudos (ex. ergotamina) - Uma única dose de um antiemético, como a metoclopramida administrada 15 a 30 minutos antes da ingestão de medicamentos abortivos orais para a enxaqueca é frequentemente suficiente Tratamento Terapias abortivas específicas para enxaqueca • Alcaloides vasoconstritores (prescrição médica) • Tartarato de ergotamina e diidroergotamina são úteis e podem ser considerados para o tratamento de crises de enxaqueca moderada a graves • Estas drogas são agonistas não seletivos do receptor 5-HT1 que constringem os vasos sanguíneos intracranianos e inibem o desenvolvimento da inflamação neurogênica no sistema trigêminovascular central TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA ENXAQUECA • As preparações orais contêm cafeína para aumentar a absorção e potencializar a analgesia • A ergotamina é mais eficaz quando administrada no início do ataque de enxaqueca • Triptanos e alcaloides vasoconstritores não devem ser utilizada dentro de 24 horas um do outro 1-2 comprimidos inicialmente caso não haja melhora ingerir 1 cp a cada 30 min (máximo 6 cp/d) TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA ENXAQUECA • Agonistas do Receptor de Serotonina (triptanos) - prescrição médica Alívio da enxaqueca é o resultado de três ações principais: • Normalização de artérias intracranianas dilatados através do aumento da vasoconstrição • Inibição neuronal periférica • Inibição da transmissão através de neurônios do complexo trigêminocervical Revisão sistemática (Roberto G et al, 2014): triptano x ergotamina: - Triptanos parecem ser mais seguros do ponto de vista cardiovascular TRATAMENTO FARMACOLÓGICO DA ENXAQUECA • Os triptanos são a terapia de primeira linha apropriada para pacientes com enxaqueca moderada a grave e são usados para terapia de resgate quando os medicamentos não-específicos são ineficazes Posologia: 50 – 100mg na crise caso não melhore repetir a dose após 2 horas (não ultrapassar 200mg em 24h) Contra-indicações triptanos e ergot: - Uso como profliaxia - HAS não controlada - IAM - DAOP - Hx de convulsões - AVC - Uso concomitante TERAPIA NÃO FARMACOLÓGICA DA ENXAQUECA • Aplicação de gelo na cabeça e períodos de descanso ou sono, geralmente em um ambiente escuro, silencioso • Identificação e prevenção de fatores que consistentemente provocam ataques de enxaqueca em indivíduos suscetíveis • Um diário de dor que registra a frequência, gravidade e duração das crises pode facilitar a identificação de gatilhos da enxaqueca • Sono regular, exercício físico e hábitos alimentares, ingestão limitada de cafeína e diminuir ou cessar o consumo de cigarros • Intervenções comportamentais, tais como terapia de relaxamento e terapia cognitiva Quando encaminhar? • Dor de cabeça associada com lesão / trauma • Forte dor de cabeça de mais de 4 h de duração • Reação adversa ao medicamento suspeito • Sintomas persistem por mais de 24 horas ou quando não houve resposta ao tratamento • Dor de cabeça em crianças menores de 12 anos • Cefaleia occipital • Sonolência, instabilidade, distúrbios visuais ou vômitos associado • Rigidez de nuca • Enxaquecas frequentes que necessitam de tratamento profilático • Dores de cabeça frequentes e persistentes ENXAQUECA A educação do paciente em evitar fatores desencadeantes Avaliar a gravidade dor de cabeça e do grau de incapacidade associada considerar farmacoterapia profilático Se associada a náuseas ou vômitos, pré-tratamento com antiemético: considerar via parenteral Sintomas leves a moderados sintomas graves Analgésico simples: paracetamol, paracetamol/ aspirina / cafeína AINEs: a aspirina, ibuprofeno, naproxeno Analgésicos combinados: Paracetamol, aspirina e cafeína Resposta inadequada Resposta inadequada triptanos Diidroergotamina e tartarato de ergotamina Analgésicos combinados de opiáceos Resposta inadequada Resposta inadequada TRATAMENTO PROFILÁTICO DE EXAQUECA • Beta bloqueadores • Metoprolol • Propranolol • Antidepressivos • Amitriptilina • Venlafaxina • Anticonvulsivantes • Valproato • Topiramato Indicado quando há mais de 4 crises no mês. Tratamento por 3-6 semanas DOR LOMBAR DOR LOMBAR Aguda <4 semanas Subaguda 4-12 semanas Crônico≥12 semanas DOR LOMBAR 15% 85% Causas médicas primárias Dor lombar inespecífica <1% representam doenças sérias • Dor <4 semanas geralmente apresentam aspecto benigno, e raramente estão associadas a condições graves • Dor lombar que irradia para a virilha, em cólica, que não altera com mudanças posturais pode indicar problemas renais • Dor nas articulações pode indicar a doença articular reumatoide ou gotosa DOR LOMBAR • Intensidade da dor Investigar possíveis fatores etiológicos. Exercício físico extenuante? Mudança de colchão, travesseiro? DOR LOMBAR SINAIS DE ALERTA Infecção coluna Doença sistêmica • Histórico de câncer • Idade> 50 anos • Perda de peso inexplicada • Duração da dor >1 mês • Dor noturna • Ausência de resposta à tratamentos prévios • Déficit neurológico • Uso prolongado de corticosteroides • Uso de drogas injetáveis • Infecção bacteriana recente • Febre TRATAMENTO FARMACOLÓGICO Analgésicos comuns - Paracetamol 500mg até 4/4h - Dipirona 500mg até 6/6h AINES tópicos ou sistêmicos (cuidar com RAM) Opioides - Codeína 30mg até 6/6 h Tramadol 50-100mg até 6/6h Corticoides (??) - Prednisona 10mg/d Condições Geniturinárias Caso 1 • Beatriz Assunção, chega à farmácia queixando-se de dor ao urinar e aumento da frequência e urgência urinária. Relata ter tido o mesmo problema há 2 meses, ocasião em que foi administrado antibióticos. Nega febre, dor lombar e sangue na urina. Nega uso de cosméticos íntimos. Temperatura corporal medida na farmácia = 36,5ºC. CISTITE CISTITE • Inflamação da bexiga e uretra • Pode ocorrer sozinha ou acompanhada de pielonefrite •A maioria dos casos de cistite são causadas por bactérias •Outras causas: cistite radica (secundária à radioterapia), cistite química (origem medicamentosa) e cistite intersticial (associada ao estresse) CISTITE • Epidemiologia • Cerca de 2 milhões de mulheres por ano • 50% das mulheres têm ao menos um episódio ao longo da vida • Incomum em crianças e homens jovens CISTITE • Causas • Colonização vaginal de patógenos da flora fecal, seguido de ascensão através da uretra para a bexiga • Escherichia coli (75 a 95%), Proteus mirabilis e Klebsiella pneumoniae e Staphylococcus saprophyticus • Deficiência de estrógeno em mulheres em pós-menopausa (revestimento da vagina mais fino) • Relações sexuais / Cistite “lua de mel” • Desodorantes vaginais (dermatite de contato) CISTITE • Acomete mais mulheres que homens • A uretra feminina é muito curta (cerca de 3 cm) e por isso a transferência de microrganismos do períneo e ânus para a bexiga é facilitada • Processo facilitado através das relações sexuais • Existem evidências de que fluido prostático tem propriedades antibacterianas, proporcionando um adicional de defesa contra a infecção bacteriana em homens CISTITE • Sinais e sintomas • Início abrupto com prurido na uretra • Desejo frequente de urinar (poliúria) • Disúria – ardor ao urinar • Urina pode ficar escura e turva, com odor desagradável • Grave!!! • Pode ser acompanhada por febre (> 38º C 🡪 pielonefrite) • Pode haver dor na região suprapúbica ou na parte inferior das costas CISTITE • Sangue na urina ALERTA!! • Reação inflamatória intensa na cistite 🡪 Inflamação do revestimento da bexiga e uretra • Dor lombar e na virilha 🡪 Pedra nos rins • Hematúria sem qualquer outra sintoma associado a infecção urinária 🡪 Tumor bexiga e rim CISTITE Encaminhamento ao médico • Qualquer pessoa que se apresenta com os sintomas da cistite requer encaminhamento médico por causa da possibilidade de condições mais graves, nos rins, bexiga ou problemas de próstata. • Crianças. Infecções do trato urinário (ITU) em crianças, podem causar danos aos rins ou bexiga, em particular após infecções recorrentes. • Gestante com sintomas da cistite ou bacteriúria (presença de bactérias na urina) durante a gravidez pode levar a infecção nos rins e complicações para mãe e feto. CISTITE Encaminhamento ao hospital • Sintomas de acometimento sistêmico: febre, náuseas, vômitos, dor lombar, e sensibilidade são indicativos de infecção mais grave CISTITE • Sinais e sintomas de alarme • Homens • Crianças • Gestante • Hematúria • Corrimento vaginal anormal • Urina com pus, turvação e mal cheiro • Dor e sensibilidade lombar • Febre (moderada a alta) • Náusea e vômito • Sintomas persistentes por mais de 2 dias (falha da medicação) • Recorrência CISTITE| Tratamento • Agentes alcalinizantes • Infecções bacterianas acidificam a urina, causando irritação da bexiga (disúria) • Citrato de sódio ou de potássio ou carbonato de sódio, sachês de dose unitarizada • Oral: 2 dias, 3x/dia, em um copo grande de água • Bicarbonato de sódio (3 g – uma colher de chá) em água, a cada 2 horas, até que os sintomas desapareçam Tratamento sintomático • Contraindicações: • Sais de Sódio - Portadores de doenças cardiovasculares, diabetes, insuficiência renal ou gravidez • Sais de Potássio - Diuréticos poupadores de potássio e IECA e em pacientes com doença cardíaca ou renal (pode causar hiperpotassemia) CISTITE| Tratamento Cystex® • Acriflavina 15mg (bacteriostático) • Metenamina 250mg (bactericida similar a penicilina) • Cloreto de metiltionínio 20mg (antisséptico) • Beladona15mg (antiespasmósdico) • Indicação: antisséptico de vias urinárias utilizado em ITU agudo (Tratamento sintomático) • Ação local na urina • Posologia: 2 drágeas 8/8hrs CISTITE| Tratamento Advertências • Pacientes sensíveis a penicilina (sensibilidade cruzada) • Sobredose: bradicardia seguida de taquicardia, cefaleia, disúria e nefrite tóxica • urina poderá desenvolver coloração azul provocada pelo cloreto de metiltionínio (azul de metileno) Fenazopiridina 100mg e 200mg • Indicação: Tratamento sintomático em ITU • Adjuvante na terapia antimicrobiana • Excretada na urina e exerce um efeito analgésico tópico sobre a mucosa do trato urinário • Posologia: 200mg 3x dia após refeições • Duração máxima: 2 dias CISTITE| Tratamento Advertências • Insuficiência Renal e Hepática (toxicidade) • produz uma coloracao vermelho-alaranjada na urina e nas fezes (derivado corante) • A fenazopiridina pode causar alteração de coloração de fluídos e tecidos corpóreos como unhas, lábios, esperma, entre outros, e já foram reportadas manchas em lentes de contato. Houve relatos de alteração de coloração de dentes quando o produto foi mastigado ou mantido na boca antes da deglutição CISTITE| Tratamento Cuidado!!! • Tratamento sintomático não exclui encaminhamento médico!! • Importante orientação quanto ao não desaparecimento dos sintomas e tempo máximo de tratamento (2 dias) CISTITE| Tratamento Suco de Cramberry • tem sido recomendada como um remédio popular como uma medida preventiva para reduzir a ITU • Revisão sistemática - 300mL suco de cranberry/dia tem um efeito bacteriostático • O mecanismo é desconhecido e todas as implicações clínicas não foram elucidados • É improvável que seja eficaz no tratamento de cistite aguda • Pode ser indicado para mulheres propensas a cistite 🡪 não é prejudicial e pode ajudar CISTITE| Tratamento • Tratamento • Paracetamol ou ibuprofeno – dor e febrícula. • Antibacterianos (sob prescrição médica)- 48 hrs para início melhora • Nitrofurantoína • Sulfametoxazol+trimetoprim • Fosfomicina • Ciprofloxacino • Levofloxacino CISTITE| Tratamento • Prevenção da recorrência • Esvaziar totalmente a bexiga ao urinar • Ingerir grande quantidade de líquidos (na presença de disúria pode ser desconfortável) • Evitar o atraso para urinar • Após evacuar, limpar-se adequadamente • Quando a causa é o ato sexual, lavar a pele perianal e esvaziar a bexiga antes e após • Evitar roupas íntimas apertadas feita de materiais sintéticos e calças apertadas • Retirar totalmente o sabão da roupa, durante a lavagem • Evitar desodorantes vaginais, que podem ser irritantes CISTITE| Orientações Caso 2 • Larissa Barros, tem26 anos, pede uma orientação sua para cólica menstrual. Na anamnese você identifica que Larissa tem dor abdominal e algumas dores nas costas, que se inicia poucos dias antes da menstruação. Seu ciclo menstrual costumava ser regular, mas recentemente tem variado. A dor continua durante a menstruação e bastante intensa. Ela tentou tomar paracetamol, mas não percebeu efeito. Característica da dor? Merece encaminhamento? Posso fazer algo? DISMENORREIA DISMENORREIA • Dor pélvica provocada pela liberação de prostaglandina • Contração do útero para eliminação do endométrio (camada interna do útero que cresce para nutrir o embrião) • Presença de sangramento, durante a menstruação, quando o óvulo não foi fecundado • A cada duas mulheres uma é afetada • 50-90% das mulheres em idade reprodutiva em todo o mundo descrevem períodos menstruais dolorosos • Dismenorreia primária é descrita pela menstruação dolorosa na ausência de detectável patologia pélvica • Dismenorreia secundária tem as mesmas características, mas ocorre em mulheres com desordens subjacentes (endometriose, adenomiose, etc) DISMENORREIA • Causas da Dismenorreia Primária • Aumento da atividade uterina • Superprodução de prostaglandinas • Aumento da sensibilidade do endométrio • Aumento da produção de vasopressina • Causas da Dismenorreia Secundária • Endometriose • Doença inflamatória pélvica (DIP) • Dispositivos intrauterinos • Fibromiomas DISMENORREIA • Fatores de Risco • A maioria das mulheres não tem qualquer fator de risco • idade <30 anos, o índice de massa corporal <20 kg/m2 • tabagismo • menarca antes dos 12 anos • ciclos menstruais com maior duração de sangramento • fluxo menstrual irregular ou intenso • história de violência sexual DISMENORREIA • Patogênese • As prostaglandinas liberadas para descamação do endométrio no início da menstruação desempenhar um papel importante induzindo contrações • Essas contrações são não ritmadas ou incoordenada, ocorrem em alta frequência (mais de 4 ou 5 por 10 minutos) • Começam a partir de uma pressão basal (mais de 10 mmHg), e pode resultar em elevadas pressões intra-uterinos (150 a 180 mmHg , por vezes, superior a 400 mmHg) • Quando a pressão do útero excede a pressão arterial, isquemia uterina tende ao acúmulo de metabólitos 🡪 resultando em dismenorreia DISMENORREIA • Idade Primária - O pico de incidência ocorre em mulheres de 17 e 25 anos Secundária - é mais comum em mulheres com idade superior a 30 anos e é raro em mulheres com idade inferior a 25 anos DISMENORREIA • História menstrual prévia O farmacêutico deve identificar se o ciclo menstrual é regular e a relação temporal entre as dores e a menstruação DISMENORREIA •Natureza das dores e relação com o ciclo •Dismenorreia primária Dor do tipo cólica na região abdominal que incia antes do primeiro dia de sangramento. A dor vai ficando mais suave após o início da menstruação e termina após o primeiro ou segundo dia de sangramento DISMENORREIA •Natureza das dores e relação com o ciclo •dismenorreia secundária Ocorre durante qualquer fase do ciclo menstrual Dor constante ao invés de espasmódica A dor pode agravar-se com a relação sexual Pode ter a presença de corrimento •ENCAMINHAMENTO PARA O MÉDICO DISMENORREIA •ENDOMETRIOSE •Endometriose é uma afecção inflamatória provocada por células do endométrio que, em vez de serem expelidas, migram no sentido oposto e caem nos ovários ou na cavidade abdominal, onde voltam a multiplicar-se e a sangrar DISMENORREIA •Natureza das dores e relação com o ciclo •ENDOMETRIOSE A dor geralmente começa até 1 semana antes menstruação A dor pode ser não-cíclico e pode ocorrer com a relação sexual (dispareunia) A endometriose pode causar infertilidade DISMENORREIA •Natureza das dores e relação com o ciclo •DOENÇA INFLAMATÓRIA PÉLVICA A doença inflamatória pélvica (DIP) pode ser causada por várias bactérias que atingem os órgãos sexuais internos da mulher, como útero, trompas e ovários, causando inflamações Geralmente, há dor, febre e secreção vaginal A dor é na parte inferior do abdômen e pode estar relacionado com a menstruação. Pode ser confundida com apendicite. DISMENORREIA Característica Dismenorreia primária Dismenorreia secundária Idade Abaixo de 25 anos Acima de 25-30 anos Natureza da dor Cólica, na parte inferior do abdome; pode irradiar para a parte de trás das pernas ou parte inferior das costas Dor abdominal difusa, contínua, incômoda Início da dor Um ou dois dias antes do início do sangramento, até um ou dois dias depois Muitos dias antes do início do sangramento e continua por muitos dias após Padrão menstrual Geralmente regular sem alteração no padrão Geralmente irregular com alteração no padrão Relação com gestação prévia Antes do nascimento do primeiro filho Depois do nascimento do primeiro filho Corrimento vaginal Ausente Presente Sintomas associados Náusea, vômito, desconforto gastrointestinal, constipação, dor de cabeça, dor nas costas, fadiga, desmaio, tontura Dor nas costas, fadiga, menorragia, dor associada à relação sexual Sinais e sintomas de alarme • Mulher acima de 30 anos • Sangramento anormal • Corrimento vaginal anormal • Febre • Dor que se estende por mais de 48 horas do início da menstruação • Dor que piora depois do início da menstruação • Dor com atraso do ciclo (gravidez ectópica) • Alteração padrão do ciclo menstrual • Dor não responsiva a tratamento DISMENORREIA| Tratamento • Meta terapêutica: diminuição da dor Primeira linha: AINES e anticoncepcionais DISMENORREIA |Tratamento com Analgésicos • Aspirina • Ibuprofeno • Ácido mefenâmico • Naproxeno • Diclofenaco • O tratamento baseia-se na inibição da produção de protaglandinas já que estas estão aumentadas e causam dor na dismenorreia Não existem dados suficientes sobre a qual basear uma recomendação para uma classe de agentes ou de outro 1ª escolha 2ª escolha DISMENORREIA |Tratamento com Analgésicos Não recomendado por conta dos efeitos adversos como cardiovasculares Inibidores seletivos da COX 2 Porém pode ser útil em mulheres com sintomas gastrointestinais Efeito negativo sobre a ovulação - Como as prostaglandinas desempenham um papel importante na ovulação, os AINEs, em particular os inibidores da COX-2, pode prevenir ou retardar este processo DISMENORREIA| Tratamento • Cuidados!!! Alergias Sintomas gastrointestinais Intolerância prévia a nível renal e hepático DISMENORREIA| Tratamento - Segurança • Aspirina • Irritação e sangramento gástrico • Reações de hipersensibilidade (asma, urticária e angioedema) • Ibuprofeno • Efeitos gastrointestinais, menos frequentes e graves que aspirina • Reações de hipersenbilidade • Mais eficaz que o aas (número necessário para tratar de 2,4 x 10 pessoas) DISMENORREIA| Tratamento - Segurança • Escopolamina 10mg • Antiespasmódico anticolinérgico 🡪 MENOS EFICAZ NA DISMENORREIA • Local de ação: musculatura lisa do trato gastrintestinal, das vias biliares e geniturinárias • Dose: 10-20mg - 3 a 5 x dia • Reações adversas: reações na pele, urticária, prurido ; taquicardia; boca seca; disidrose (alteração na produção de suor) DISMENORREIA| Tratamento Suprimem a ovulação e tornam o endométrio mais fino ao longo do tempo O endométrio fino contém quantidades relativamente pequenas de ácido araquidônio, o substrato para a maioria da síntese de prostaglandina Contracepção hormonal Resultado: redução do fluxo menstrual e contrações uterinas na menstruação, diminuindo assim a dismenorréia DISMENORREIA| Tratamento Mulheres que desejam anticoncepção NA PRÁTICA Encaminhamento médico Mulheres que não desejam anticoncepção ou já fazem uso AINES DISMENORREIA| Tratamento não medicamentoso • Calor • Em dois estudos randomizados, aplicação de calor para a parte inferior do abdômen foi eficaz para alívio da dismenorréia • O calor era tão eficaz como o ibuprofeno e mais eficazdo que o paracetamol • Depende da preferência e comodidade para a paciente DISMENORREIA| Tratamento não medicamentoso • Exercícios e atividade sexual - Há evidências que suportam a hipótese de que exercícios e atividade sexual reduzem os sintomas menstruais • Dieta - As evidências são pouco consistentes • Dietas vegetarianas, produtos lácteos, vitamina E, vitamina D • Omega 3 – Evidência de algum efeito • Cafeína - Potencializador do efeito analgésico em uso associado com outro AINE DISMENORREIA • Encaminhamento para o médico Não melhora dos sintomas após dois a três ciclos de tratamento DISMENORREIA • Orientação importante!! Iniciar o tratamento analgésico no início das dores ou um dia antes do dia previsto para início da dor Duração do tratamento geralmente é de 2 a 3 dias Orientar dose máxima de tratamento Caso 3 • Carina Santos, chega a farmácia e em conversa particular com o você (farmacêutico) conta que está com problemas nas partes íntimas. Diz que o pior sintoma é a coceira, que foi particularmente grave na noite passada. Carina tem notado um pouco de corrimento cor creme, sem cheiro. A pele da vulva está dolorida e vermelha. Diz ainda que, a vizinha orientou a utilizar iogurte com lactobacilos para passar diretamente na vagina e que só conseguirá ir ao médico na semana seguinte. Questiona a sua orientação sobre o caso dela. CANDIDÍASE VAGINAL CANDIDÍASE VAGINAL • Epidemiologia • a prevalência de candidíase vulvovaginal é maior entre as mulheres em seus anos reprodutivos: • 55% por das mulheres com 25 anos relatam ter tido pelo menos um episódio diagnosticado por médico • 29 a 49 % das mulheres na pré-menopausa relatam ter tido ao menos um episódio durante a vida • 9 % das mulheres relatam ter tido quatro ou mais infecções em um período de 12 meses (candidíase vulvovaginal recorrente) • Em mulheres com uma infecção inicial, a probabilidade de recorrência foi de 10% até 25 anos de idade, e 25% até 50 anos de idade CANDIDÍASE VAGINAL • Fisiopatologia • Fungo (Candida albicans), migra através do reto a vagina através da região perianal. Menos comum é o contágio sexual ou recidiva por reservatórios vaginais. • A vagina abriga uma extensa microbiota de bactérias e fungos • Em mulheres de idade fértil, estrogênio promove a produção de glicogênio no epitélio vaginal 🡪 o glicogênio decompõe a glicose e ↓ o pH vaginal, promovendo um ambiente favorável para o crescimento da Cândida CANDIDÍASE VAGINAL • Fisiopatologia • Doença sintomática está associada a um crescimento excessivo do organismo e a penetração nas células epiteliais superficiais • O mecanismo pelo qual as espécies de Candida passam a forma invasiva causando doença vulvovaginal sintomática é complexa, envolvendo: • resposta inflamatória do hospedeiro e fatores de virulência de levedura CANDIDÍASE VAGINAL • Fatores predisponentes • Condições onde o estrogênio está aumentado (Gravidez, anticoncepcional, terapia hormonal) • Mulheres em idade fértil • Diabetes • Antibióticos de amplo espectro • Comprometimento Imune • Fármacos imunossupressores • Desodorantes vaginais e preparações para prurido vulvar contendo anestésicos locais • Roupas íntimas de tecido sintético CANDIDÍASE VAGINAL • Antibióticos de amplo espectro • Cerca de 25 a 33% das mulheres desenvolvem a doença durante ou após a administração destes antibióticos porque a inibição da flora bacteriana normal favorece o crescimento de fungos patogênicos potenciais, como Cândida. • A administração de lactobacilos (oral ou vaginal) durante e quatro dias após a antibioticoterapia não impede vulvovaginitis pós-antibiótico • O médico pode prescrever um antifúngico, ao mesmo tempo que o antibiótico em tais casos CANDIDÍASE VAGINAL| Sinais e sintomas • Irritação ou coceira na região vulvovaginal, muitas vezes intensa e ardente • Pele pode ficar escoreada • Verificar uso de produtos cosméticos para higiene íntima (dermatite) • Corrimento vaginal, coloração de creme e de aparência espessa, sem odor • Não há dor ou aumento da frequência ou urgência de micção • Vulva pode ficar avermelhada e inchada • Dor nas relações sexuais SINAIS E SINTOMAS DE ALARME • Mulheres < 16 ou > 60 anos • Gestantes ou lactantes • Sangramento vaginal anormal ou irregular • Corrimento vaginal contendo sangue • Falha terapêutica em 7 dias CANDIDÍASE VAGINAL Para o tratamento é importante observar: Não complicada Complicada Episódios esporádicos (≤3 episódios/ano) Episódios recorrente (≥4 / ano) Sintomas leves a moderados Outras espécias que não C. albicans (C. glabrata) prováveis infecção Candida albicans gravidez, diabetes mal controlada, imunossupressão, debilitação Saudável/ não grávida CANDIDÍASE VAGINAL Não complicada Complicada Tratamento tópico Clotrimazol 1 – 2% (1 aplicação/dia 3 dias) Miconazol Vantagens: melhora rápida, (90% de eficácia) sem reações adversas do tto oral Tratamento sistêmico Fluconazol 150mg a cada 72 hrs (3 doses) + Manutenção 1 x semana por 6 meses Tratamento sistêmico Fluconazol 150mg DU Vantagens: melhora rápida, (90% de eficácia), mais comodidade na administração Tratamento sistêmico + tópico Itraconazol ou tratamento tópico (10 a 14 dias) + Manutenção tratamento tópico 2x semana (6 meses) CANDIDÍASE VAGINAL| Tratamento • Iogurte (Lactobacillus vivos) por via oral • Não há nenhuma evidência de que as mulheres com candidíase vulvovaginal recorrente tem flora vaginal deficiente em lactobacilos, e, portanto, não se recomenda o uso de lactobacilos probióticos • Estudos que mostraram algum resultado tinham pequeno número de pessoas e deficiência na qualidade metodológica • A qualidade dos probióticos varia em todo o mundo CANDIDÍASE VAGINAL| Tratamento • Violeta de Genciana • Muito utilizada antes do surgimento das formulações antifúngicas tópicas • Caiu no desuso por antifúngicos tópicos são mais potentes • É útil como um anti-prurido vulvar e em casos refratários ocasionais de candidíase vaginal, especialmente os que demonstram resistência aos azoles • Aplicado nas áreas afetadas da vulva e da vagina diariamente durante 10 a 14 dias CANDIDÍASE VAGINAL| Tratamento IMPORTANTE ORIENTAÇÃO DE COMO UTILIZAR CREMES VAGINAIS CANDIDÍASE VAGINAL • Orientações • Após evacuar, limpar-se adequadamente • Manter a região vulvovaginal arejada e seca por meio de higiene cuidadosa, preferindo roupas íntimas de algodão • Evitar o uso de banhos de espuma, duchas e desodorantes vaginais (retiram proteção natural) • Privacidade - Constrangimento dos pacientes CONTRACEPTIVOS Gravidez Indesejada • Problema de saúde pública → perfil socioeconômico, etilismo e tabagismo • Nos EUA, 45% das gestações no mundo são indesejadas, com altas taxas ocorrendo em mulheres de 20 a 24 anos → desigualdade de acesso a direitos • Conhecer o perfil de segurança e efetividade dos contraceptivos hormonais a fim de prestar orientações adequadas quanto à escolha terapêutica e uso. (MARINHO; HOMEM., 2019; BEARAK et al., 2018) POR QUE FALAR DE CONTRACEPÇÃO? http://ues-epn.blogspot.com/2010/01/metodos-reversiveis-e- irreversiveis.html https://www.taniagewehr.com.br/metodos-anticoncepcionais-o-que-sao-e-quais-sao-eles/ MÉTODOS CONTRACEPTIVOS HORMONAIS Hormônios femininos FSH: (hormônio folículo estimulante): • Estimula o desenvolvimento ovariano • Estimula a produção de estrógeno LH: hormônio luteinizante • Estimula a ovulação e a formação do corpo lúteo Estrógeno • Aumenta a proliferação endometrial Progesterona • Aumenta a vascularização do endométrio (prepara-o para receber o óvulo) Ciclo menstrual Ciclo menstrual Contracepção hormonal • Consiste na utilização de um progestágeno, associado ou não à um estrógeno, com a finalidade de impedir a concepção Métodos contraceptivos Tratamento Vantagens Desvantagens Contraceptivos orais combinados Diminui fluxo; redução de menorragia, dismenorreia Aumento do risco deTEV; sangramento de escape; deve ser tomado diariamente Pílulas com progestágeno Útil na contraindicação ao estrogênio; redução de menorragia, dismenorreia Sangramento irregular; deve ser tomado diariamente Adesivos Semanal; redução de menorragia, dismenorreia Aumento do risco de TEV (↑ orais) Anel Mensal; diminui o fluxo; redução de menorragia, dismenorreia Risco de TEV; dificuldade de manuseio Injetáveis (medroxiprogestero na) Aplicação trimestral; redução de menorragia, dismenorreia Ganho de peso; pode diminuir a densidade óssea DIU de cobre Altamente efetivo; método de longa duração (10 anos); sem exposição hormonal Pode levar à perfuração uterina, aumento do risco de infecção pélvica nos primeiros 20 dias; pode aumentar o fluxo menstrual DIU com levonorgestrel Altamente efetivo; redução de menorragia, dismenorreia, método de longa duração (5 anos) Pode levar à perfuração uterina, aumento do risco de infecção pélvica nos primeiros 20 dias Progestágeno • Diminuição de LH >> inibe a ovulação • Torna o endométrio menos adequado para a implantação (exposição prolongada pode levar à atrofia tecidual) • Altera o muco cervical, tornando- o menos permeável à penetração do esperma • Comprometimento da motilidade tubária Doses capazes de inibir a ovulação Contraceptivos combinados Hormônio estrogênico + progestágeno - Supressão do GnRH, FSH e LH - Efeito mais importante: inibição do LH 🡪 a ovulação não ocorre - Redução do transporte ovular nas trompas - Alteram o endométrio e dificultam a nidação - Espessamento do muco cervical - Redução da foliculogênese ovariana (redução do FSH) Progestógenos injetáveis • Ação prolongada: intervalo de 12-13 semanas (máximo 91 dias) • Primeira injeção: Nos 5 primeiros dias do ciclo menstrual; ou nos 5 primeiros dias após o parto (porém, se a mulher amamenta: iniciar a partir da 6ª semana pós parto) • Pode ocorrer sangramentos irregulares no início do tratamento -> melhora até chegar à amenorreia Medroxiprogesterona IM 150mg Progestógenos injetáveis • Após a interrupção do tratamento, a gestação pode ocorrer 10 meses após (4-31 meses), não estando relacionado ao tempo de uso • Redução da densidade mineral óssea mais frequente com o uso prolongado (5 anos) -> recuperação total em adolescentes (1-4 anos) e parcial em adultas após a interrupção Progestógenos injetáveis • FDA, 2004 Mulheres que utilizam medroxiprogesterona injetável podem apresentar perda significante da densidade mineral óssea. Essa perda é aumentada com a duração de uso e pode não ser completamente reversível. Este medicamento pode ser utilizado por um longo período (mais de 2 anos), caso outros métodos contraceptivos sejam inadequados Progestógenos injetáveis Injetáveis combinados • Os injetáveis combinados disponíveis são: • Preg-Less® – Enantato de estradiol - 10 mg + acetofenido de algestona (dihidroxiprogesterona) – 150 mg -> 1x/mês • Mesigyna® e Noregyna® – Valerato de estradiol - 5 mg + enantato de noretisterona - 50 mg -> 1x/mês • Cyclofemina® – Cipionato de estradiol - 5mg + acetato de medroxiprogesterona - 25mg 1x/mês Injetáveis combinados • Essas formulações devem ser usadas em injeções mensais. • A primeira injeção deve ser feita até o 5º dia do ciclo e as seguintes, a cada 30 dias. • Em geral, as menstruações ocorrem na metade do tempo entre duas injeções. • Apresenta alta eficácia. • RAM: irregularidades menstruais (principal efeito colateral desses contraceptivos); cefaleias, tonturas e aumento de peso. • Após a suspensão do uso, o retorno à fertilidade é de aproximadamente 60 dias após a última injeção. Contraceptivos orais • Minipílula • Combinados - Monofásico - Bifásico - Trifásico • Emergência Minipílulas • Progestágenos sintéticos Minipílula • Úteis para mulheres que possuem contraindicações para o uso de estrógeno (migrânea com aura, fumantes ≥35 anos, câncer de mama, HAS, LES, menos de 3 semanas de pós-parto, hipertrigliceridemia, DAC, ICC, doença cerobrovascular e durante a amamentação). Entretanto não estão isentos de risco! • Adesão: dia e horário Minipílula Desogestrel 75mcg • Progestágeno de 3ª geração • 28-84 comprimidos • Benefícios: diminuem as cólicas, os sangramentos, melhora a anemia. Adequado para o uso na amamentação e para mulheres que não podem/querem utilizar estrógeno • Estudos epidemiológicos: maior incidência de TEV • Eventos adversos: sangramento irregular, oligomenorreia ou amenorreia, acne, mastalgia, náuseas, aumento de peso, alterações do humor e diminuição da libido. Minipílula • Modo de uso: - Iniciar no 1º dia do ciclo-> administração ininterrupta - Em casos de troca do Anticoncepcional combinado, adesivo ou anel para o desogestrel: - Iniciar no dia seguinte da tomada do último comprimido ativo ou no dia da retirada do anel ou adesivo. Caso utilizar após o período de placebo destes métodos, utilizar outro método contraceptivo nos sete primeiros dias do desogestrel Minipílula • Modo de uso: - Em casos de troca do injetável (só progestágeno): iniciar no dia em que deveria tomar a próxima injeção. - DIU: iniciar no dia da retirada - Pós gestação: iniciar nos 21-28 dias após o parto - Esquecimento: tomar assim que lembrar e utilizar outro método de contracepção nos próximos 7 dias - Vômitos após 4 horas da administração: usar outros métodos Tipos de progestágenos • Contraceptivo hormonal • 1º geração → norestirenona, linestrol e noretinodel (Norestin® e Mesigyna®) • 2º geração → levonorgestrel (Ciclo21®) • 3º geração → gestodeno, desogestrel (Tamisa®, Microdiol®) • Sem classificação: dienogeste, nestorone, nomegestrol, trimegestone e drospirenona Estrógenos Estrogênio Natural Sintético (etinilestradiol) Estrogênio ETINILESTRADIOL Angiotensinogênio Angiotensina I e II Aldosterona RETENÇÃO DE SÓDIO E ÁGUA: • Aumento do volume plasmático • Aumento leve da PA • Retenção hídrica Temos progestágenos sintéticos que inibem esta ação (drospirenona e gestodeno) Atividade biológica dos progestágenos Progestágeno Efeito Prog. Efeito And. Efeito Anti- And. Efeito GC Efeito Anti- Miner. Ciproterona + - +++ + ± Medroxiprogesterona + ± - + - Drospirenona + - + - + Noretisterona + ± - - - Levonorgestrel + + - - - Desogestrel + ± - - - Gestodeno + ± - + + Dienogeste + - + - - Legenda: Prog: progestogênico/ And: androgênico/Anti-And: antiandrogênico/GC: glicocorticóide/Anti-Miner: antimineralocorticóide Caso Clínico Heloísa, 22 anos, foi comprar seu primeiro anticoncepcional (Mercilon®). Alega não saber quando iniciar a administração, mas pretende iniciar hoje (está no 10º dia do ciclo). Quais seriam as suas orientações? Contraceptivos combinados • Início do tratamento - Recomenda-se iniciar no primeiro dia da menstruação - Não é necessária contracepção de apoio nos primeiros 7 dias, a não ser que o tratamento se inicie em outro dia que não o 1ª da menstruação - Menores doses estão associados a menos riscos (10-20mcg), porém os escapes são mais frequentes - Iniciar no 21-28º dia após o parto (se posterior: utilizar outro método de contracepção) - Procurar manter aproximadamente o mesmo horário Contraceptivos combinados • Continuação do tratamento - Pode ser utilizado até a menopausa (~55 anos) em mulheres saudáveis e não fumantes - Fumantes: até 35 anos Caso Clínico Helena, 30 anos, utilizava um medicamento anticoncepcional injetável (Depoprovera®), mas por conta do ganho de peso, a médica lhe prescreveu Tamisa 20®. Quando é deve começar a tomar? Caso Clínico Maria, 25 anos, foi à farmácia comprar seu adesivo anticoncepcional. Ela utiliza Elani®, mas a médica resolveu trocar pelo adesivo. Quando ela realizará a troca dos anticoncepcionais? Contraceptivos combinados • Troca de tratamento - Mudança de um ACO combinado para outro: iniciar no dia posterior ao término da cartela anterior, SEM FAZER A PAUSA. - Mudançade anel, adesivo ou DIU para um anticoncepcional oral: iniciar no dia da retirada - Mudança de um anticoncepcional injetável (*progestágeno) para um ACO combinado: iniciar no dia que seria a próxima injeção - Mudança de uma minipílula (progestágeno) para um ACO combinado: iniciar no dia posterior e utilizar outros métodos contraceptivos nos 7 primeiros dias Troca de contraceptivos Pílula Adesivo Anel Injetável Pílula Sem pausa (emendar a cartela) Iniciar um dia antes de parar a pílula Sem pausa (iniciar no dia seguinte ao término da cartela) Primeira injeção 7 dias antes de parar a pílula Adesivo Iniciar a pílula no dia da retirada ou 1 dia antes Iniciar no mesmo dia da retirada Primeira injeção 7 dias antes de parar o adesivo PARA De Troca de contraceptivos Pílula Adesivo Anel Injetável Anel Iniciar um dia antes de retirar o anel Iniciar dois dias antes de retirar o anel Primeira injeção 7 dias antes de retirar o anel Injetável Iniciar no dia em que seria a próxima injeção Iniciar no dia em que seria a próxima injeção Iniciar no dia em que seria a próxima injeção PARA De Caso Clínico Amanda, 30 anos, relata que esqueceu de tomar seu medicamento anticoncepcional ontem. Ela está na segunda semana do seu ciclo. O que você orientaria, considerando que: - o atraso é de 10 horas? Contraceptivos orais combinados • Perdeu a dose! - Tomar assim que lembrar, mesmo se houver necessidade de tomar 2 comprimidos concomitantemente - Eficácia “mantida” se até 12 horas de atraso - Período superior à 12 horas: utilizar outros métodos contraceptivos, principalmente nos próximos 7 dias - Mais de duas pílulas perdidas: utilizar outro método contraceptivo - Vômitos e diarreia intensa após 3-4 h da administração: usar outro método contraceptivo Mulheres obesas: além de terem maiores chances de TEV apresentam eficácia diminuída com relação à contracepção (orientar adesão) Contraceptivos orais combinados • Decidiu parar de tomar o anticoncepcional! - Usual: menstruação voltar 30 dias após a interrupção do medicamento - Algumas mulheres levam 90 dias para voltar a menstruar (*regimes prolongados e contínuos)-> encaminhar ao médico para avaliação de amenorreia - Em algumas mulheres, o ciclo ovulatório natural é reestabelecido depois de semanas ou meses (1-2 semanas, porém em até 6 meses) Contraceptivos orais combinados • O que significa anticoncepcional de baixa dosagem? - Baseado na dose de estrogênio sintético: - < 35mcg são pílulas de baixa dosagem - Preparações antigas continham 80-100mcg de etinilestradiol - Risco de trombose é dose-dependente Contraceptivos orais combinados • Anticoncepcional de baixa dosagem - Meta-análises demonstraram não haver diferença de eficácia entre anticoncepcionais com <20mcg de etinilestradiol e com dosagens maiores - Associação com sangramentos irregulares e spotting - Úteis para mulheres na perimenopausa (diminuição de sintomas vasomotores): exceto fumantes e obesas Contraceptivos orais combinados • Intervalos - 7 dias (21 dias de pílula): menstruações mais previsíveis - 4 dias (24 dias de pílula) - 2 dias (26 dias de pílula) Contraceptivos orais combinados • Sem intervalo: - Endometriose - Síndrome pré-menstrual - Hiperandrogenismo - Fluxo menstrual intenso * Segurança a longo prazo ainda não estabelecida RAM dos anticoncepcionais Efeitos colaterais Relacionados ao progestágeno Estado depressivo, alteração do perfil lipídico e glicemia Pele oleosa, acne, ganho de peso Relacionados ao estrogênio Náusea, sensibilidade mamária, cloasma, sangramento de escape, cefaleia DOSE- DEPENDENTE Caso Clínico Luiza, 18 anos, pede ajuda ao farmacêutico pois está apresentando sangramentos esporádicos e está preocupada. Utiliza Femiane® desde julho deste ano. Quais as orientações e condutas farmacêuticas para este caso? RAM dos anticoncepcionais • Sangramento de “escape” - RAM mais comum - Não significa diminuição de eficácia - Reflete uma adaptação do endométrio - Mais comum com anticoncepcionais de baixa dosagem - Frequente quando doses são perdidas - Sangramentos de escape, independente da dose dos medicamentos, pode acontecer nos 3 primeiros meses - Tendem a desaparecer após 3 meses RAM dos anticoncepcionais • Amenorreia - Desejado com regimes contínuos - Não significa problema endócrino ou redução de eficácia - Recomenda-se trocar de anticoncepcional RAM dos anticoncepcionais • Doença arterial coronariana - Risco aumentado em fumantes com 35 anos ou mais (independente da dosagem) - Risco baixíssimo em mulheres saudáveis (20-40mcg) • Hipertensão arterial sistêmica - 5% nas preparações com pelo menos 50mcg de estrogênio RAM dos anticoncepcionais • Acidente vascular cerebral - Raro - Associado mais ao estrógeno sintético (doses > 50mcg) - Mais comum com o anel vaginal: estudos demonstraram aumento de AVC isquêmico (~3x) RAM dos anticoncepcionais • Metabolismo de lipídeos - Estrógeno sintético aumenta TG, HDL e diminui LDL - Progestágeno aumenta LDL e diminui HDL, especialmente os que apresentam efeitos androgênicos (levonorgestrel, norgestrel) - Progestágenos mais novos, como o desogestrel, aumentam HDL e diminuem LDL Há pouca evidência RAM dos anticoncepcionais • Dor de cabeça - Umas das RAM mais comuns - Poucos estudos, porém suas conclusões: cefaleia presente mais frequentemente no primeiro mês, com tendência de melhora; cuidar com mulheres com histórico de enxaqueca; não há relação entre tipo e dose de progestágeno e estrogênio RAM dos anticoncepcionais • Enxaqueca - Ocorre geralmente na pausa do medicamento - Acomete mais frequentemente mulheres que já apresentam enxaqueca - Alguns estudos mostraram maiores riscos de AVC isquêmico em mulheres com enxaqueca (especialmente na população com aura) Risco de câncer - Mama (*dados conflitantes) - Estudos epidemiológicos não demonstraram associação (*meta-análises) - Antes de 1975 a incidência aumentava em mulheres com histórico de câncer de mama na família (*mãe) Royal College of General Practitioners‘ coorte: 50.000 mulheres por 24 anos: menor incidência de câncer colorretal, uterino e ovariano no grupo que utilizava anticoncepcionais. Risco de câncer de mama foi similar nos grupos Outros estudos demonstram diminuição da incidência de câncer endometrial e aumento da incidência de câncer de colo de útero em pacientes fumantes e com HPV Redução da libido • Estrógeno aumentam a síntese de globulinas de ligação aos hormônios sexuais • Progestágeno sintético faz supressão de LH, diminuindo também os níveis de testosterona • Não existem relações entre as formulações e doses Anticoncepcional engorda? • Revisão sistemática com meta-análise de 49 ECR (2014): - Maioria dos ECR utilizaram etinilestradiol 20-50mcg - As evidências disponíveis não foram suficientes para estabelecer uma relação, mas nenhum efeito considerável foi observado RAM dos anticoncepcionais • Tromboembolismo venoso - Risco de 2-4 vezes maior em relação às mulheres não usuárias - Ocorrência rara: <0,1%. Risco maior no primeiro ano de uso - Preocupações maiores em relação ao estrogênio (dose-dependente) - Obesas apresentam 2-24 vezes mais risco que não obesas - Injetáveis não parecem estar associados a riscos RAM dos anticoncepcionais • Tromboembolismo venoso • Recentes estudos epidemiológicos demonstraram que os progestágenos mais recentes estão associados à maiores riscos que os de primeira geração (ciproterona, drospirenona X levonorgestrel) RAM dos anticoncepcionais • Tromboembolismo venoso - Os anticoncepcionais associados à menores riscos: levonorgestrel + etinilestradiol 20mcg • FDA (2012: risco de tromboembolismo com drospirenona 3x maior em relação ao levonorgestrel) • Gestodeno, desogestrel, ciproterona, drospirenona (+ etinilestradiol 35mcg): 50-80% maior o risco se comparado ao levonorgestrel (De Bastos, 2014 – Revisão sistemática)• Porém, o risco absoluto ainda foi baixo Riscos trombóticos Modificação no metabolismo hepático Alteração nos fatores de coagulação ↑ coagulação (fatores II, VII, VIII) ↓ anticoagulantes (proteína C, Antitrombina III) Riscos trombóticos • Risco aumenta na presença das seguintes condições: - Idade - Obesidade (>30kg/m2) - História familiar positiva - Tabagismo - Hipertensão - Valvopatia - Fibrilação atrial - Enxaqueca Contraceptivos orais combinados • Contraindicações - Fumantes ≥ 35 anos ( ≥15 cigarros/d) - Múltiplos fatores de risco cardiovasculares (diabetes e hipertensão) - PAS ≥ 160 ou PAD ≥ 100mmHg - Histórico de tromboembolismo venoso - Histórico de AVC - Doenças cardiovasculares isquêmicas e valvares (fibrilação atrial, hipertensão pulmonar) Contraceptivos orais combinados • Contraindicações - Migrânea com aura* - Lúpus eritematoso sistêmico - Câncer de mama - Cirrose - Adenoma hepatocelular Ciproterona Ciproterona 2mg + 0,035mg de etinilestradiol • 21 drágeas/comprimidos • Ciproterona: efeito anti-androgênico importante -> usado para acne, hirsutismo, síndrome do ovário policístico • Reservado para mulheres necessitam de tto para condições andrógeno-dependentes (somente por contracepção: pensar em outros medicamentos) Ciproterona • Após 4-12 meses de tratamento, os sintomas são na maioria das vezes solucionados. Recomenda-se trocar de anticoncepcional • Estrógeno: associado à risco de TEV • Ciproterona : associado à maiores riscos de TEV em relação aos progestágenos mais antigos Avaliações quanto a segurança OMS (2004) Avaliações quanto a segurança OMS (2004) Avaliações quanto a segurança OMS (2004) Particularidades OMS (2004) Monofásicas Nome Comercial Componente Dose Apresentação Artemidis 35®, Diane 35®, Selene® EE + Acetato de Ciproterona 35 μg + 2 mg 21 comp Aixa®, Belara®, Liberfem® EE + Clormadinona 30 μg + 2 mg 21 comp Femina®, Mercilon®, Primera 20® EE + Desogestrel 20 μg + 150 μg 21 comp Monofásicas Nome Comercial Componente Dose Apresentação Microdiol®, Primera 30® EE + Desogestrel 30 μg + 150 μg 21 comp Elani®, Yasmin® EE + Drospirenona 30 μg + 3 mg 21 comp Yaz®, Iumi® EE + Drospirenona 20 μg + 3 mg 24 comp Monofásicas Nome Comercial Componente Dose Apresentação Tâmisa 15® EE + Gestodeno 15 μg + 60 μg 21 comp + 4 comp placebo Femiane®, Allestra 20®, Diminut® EE + Gestodeno 20 μg + 75 μg 21 comp Allestra 30®, Tâmisa 30® EE + Gestodeno 30 μg + 75 μg 21 comp Ciclo 21®, Gestrelan®, Microvlar®, Nociclin®, Nordette® EE + Levonorgestrel 30 μg + 150 μg 21 comp Monofásicas Nome Comercial Componente Dose Apresentação Evanor®, Neovlar® EE + Levonorgestrel 50 μg + 250 μg 21 comp Microvlar® EE + Levonorgestrel 30 μg + 150 μg 21 comp Iziz®, Stezza® Estradiol + Nomegestrol a) 1,5 mg + 2,5mg b) Placebo a) 24 comp b) 4 comp Bifásicas Nome Comercial Componente Dose Apresentação Gracial® EE + Desogestrel a) 40 μg + 25 μg b) 30 μg + 125μg a) 7 comp b) 15 comp Trifásicas Nome Comercial Componente Dose Apresentação Triquilar® EE + Levonorgestrel a) 30 μg + 50 μg b) 40 μg + 75 μg c) 30 μg + 125 μg a) 6 comp b) 5 comp c) 10 comp Quadrifásico Nome Comercial Componente Dose Apresentação Qlaira® Dienogeste Valerato de estradiol a) 3 mg + 0 mg b) 2 mg + 2 mg c) 2 mg + 3 mg d) 1 mg + 0 mg e) Placebo a) 2 comp b) 5 comp c) 17 comp d) 2 comp e) 2 comp. Interações Medicamentosas • Indutores enzimáticos (CYP): - Fenobarbital - Fenitoína - Rifampicina - Carbamazepina - Topiramato - Oxcarbacepina - Hypericum perforatum Efeito anticoncepcional reduzido Alguns anticoncepcionais combinados diminuem a eliminação de lamotrigina (↑45-60% a concentração sérica) Interações Medicamentosas • Antibióticos: - Rifampicina: diminui a concentração sérica de estrógeno e progestágeno (oral, anel, adesivo) - Possibilidades farmacológicas de outros antibióticos, porém sem comprovação! Contracepção de emergência • Não há contraindicações absolutas para a contracepção de emergência, além da gravidez. • O sangramento uterino costuma ocorrer em 98% das mulheres dentro de 21 dias do uso do método. Se tal não acontecer, indica-se o teste de gravidez. Contracepção de emergência Contracepção de emergência • O método mais adequado para a anticoncepção de emergência é o levonorgestrel isolalado Efeitos colaterais são sensivelmente reduzidos Menor interação com outros medicamentos Confere maior efetividade Contracepção de emergência Mecanismo de ação Levonorgestrel 1,5mg • Se utilizado antes da ovulação: previne ovulação por atrasar ou inibir a liberação do óvulo do ovário • Se utilizado depois da ovulação: previne a fertilização por afetar a motilidade das tubas uterinas e prevenir o encontro do espermatozóide com o óvulo • Além disso, modifica o muco cervical e interfere na mobilidade dos espermatozoides Contracepção de emergência EFICÁCIA - 95% de efetividade se a primeira dose é tomada em menos de 24 horas - 85% de efetividade se a primeira dose é tomada de 24-48 horas - 58% de efetividade se a primeira dose é tomada de 48-72 horas Reações adversas • Dor abdominal, dor de cabeça, tontura, fadiga e sensibilidade nos seios • Náusea (≈25%), vômito (≈5%) – o que fazer em casos de vômitos após a dose? • Quando acontecer vômitos nas duas primeiras horas após a administração do levonorgestrel, é recomendável que a dose seja repetida. • A anticoncepção hormonal de emergência com Levonorgestrel não provoca sangramento nem altera significativamente o ciclo menstrual. Contracepção de emergência Prescrição farmacêutica (ACOs) – Exemplo UFPB → Desde outubro/2019 Figura 1. Acordo de colaboração farmácia escola / CRAS UFPB HISTÓRICO PESSOAL DA PACIENTE Quando foi seu último ciclo menstrual? É possível estar grávida no momento? Já fez uso de contraceptivo hormonal alguma vez? Se sim, qual? Sentiu alguma reação adversa com o uso do contraceptivo anterior? Se sim, qual? Tabela 1. Questionário para avaliação de risco no uso de contraceptivos hormonais Melo, 2020 Prescrição farmacêutica (ACOs) – Exemplo UFPB AVALIAÇÃO DOS FATORES DE RISCO Deu à luz nas últimas 4 semanas? Possui diabetes? Quais os valores mais recentes de HbA1C e de glicemia capilar? Tem enxaqueca? Sua enxaqueca é acompanhada de alterações visuais? Possui hipertensão arterial? Quais os valores de PA durante a consulta? Possui dislipidemia? Quais os valores de CT e frações, TG? Algum distúrbio sanguíneo como hemofilia? É tabagista? Se sim, qual a quantidade de cigarros por dia? Prescrição farmacêutica (ACOs) – Exemplo UFPB Questionário para avaliação de risco Melo, 2020 HISTÓRICO DE DOENÇAS E PROCEDIMENTOS Já sofreu IAM ou alguma intercorrência cardiovascular? Tem histórico de TEV ou TP? Já realizou cirurgia de redução de estômago? Pretende realizar ou realizou uma cirurgia de grande porte nas últimas 4 semanas? Prescrição farmacêutica (ACOs) – Exemplo UFPB Questionário para avaliação de risco Critérios de elegibilidade 1 O anticoncepcional pode ser utilizado pela paciente e prescrito por um farmacêutico habilitado, com especialização em farmácia clínica e acordo de cooperação com outro serviço de saúde. Os benefícios superam os riscos. 2 O anticoncepcional pode ser utilizado pela paciente e prescrito por um farmacêutico habilitado. Considerar a existência de riscos. 3 Os riscos podem ser maiores que os benefícios. Aconselhar o paciente para o uso de outros métodos contraceptivos ou encaminhar ao médico para análise de risco/benefício. 4 O contraceptivo deve ser evitado. Os riscos superam os benefícios. https://www.spdm.org.br/saude/galeria-de-videos/clinica- geral/item/3027-voce-sabe-o-que-e-seguranca-do-paciente AUTOR, 2020 Prescrição farmacêutica (ACOs) – Exemplo UFPB AUTOR, 2020 Contraceptivos orais • Formulações com dose de etinilestradiol (20 a 30mcg) • Formulações com valeratode estradiol • Pílulas monofásicas Opções de Primeira Escolha AUTOR, 2020 Contraceptivos injetáveis • Injetáveis mensais > trimestrais (medroxiprogesterona) • Acetato de medroxiprogesterona 25mg + cipionato de estradiol 5mg → Cyclofemina® • Enantato de norestisterona 50mg + valerato de estradiol 5mg → Mesigyna® Primeira Escolha - Opções O uso diário de contraceptivo é um empecilho? Seguir fluxograma II NãoSim Sim Usar progestina isolada Forma farmacêutica comprimido Forma farmacêutica injetável Risco de diminuição de DMO ou RAM prévia a progestina isolada? Usar combinado (mensal) Não Fluxograma I: esquematização de escolha da forma farmacêutica para prescrição de contraceptivos hormonais Escolha Sim Não Uso prévio de CH? Inicie tratamento de 1º escolha e avalie a cada ciclo RAM por + de 3 meses? Sim A RAM está relacionada ao estrógeno ou à progesterona? Consulte fluxograma IIb. Mantenha o contraceptivo anterior, se indicação correta Não Fluxograma IIa. esquematização de escolha da forma farmacêutica para prescrição de contraceptivos hormonais Escolha RAM estrogênica? Sangramento de escape Melasma Náusea e dores de cabeça Aumente a dose do estrógeno. Se não houver resposta em 3 meses, modifique para quadrifásico Reduza a dose do estrógeno ou substitua o componente estrogênico por um natural, como valerato de estradiol Reduza a dose do estrógeno e indique filtro solar com FPS ≥ 30. Se levonorgestrel, troque Fluxograma IIb. esquematização de escolha da forma farmacêutica para prescrição de contraceptivos hormonais Escolha RAM do progestágeno? Piora ou aparecimento de espinha? Diminuição de libido? Maior retenção de líquido? Modique o progestágeno, utilize os com melhor efeito antiandrogênico, como drospirenona e clormadinona Preferência aos progestágenos com efeito antimineralocorticoide como gestodeno e drospirenona Preferência para prescrição de levonorgestrel. Se já está em uso, reduza dose do estrógeno ou troque a progestina por clormadinona Fluxograma IIc. esquematização de escolha da forma farmacêutica para prescrição de contraceptivos hormonais Escolha CASOS CLÍNICOS Prescrever