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1. Como explicar/investigar o sangramento uterino anormal da Paciente? O Sangramento Uterino Anormal pode estar associado a perda menstrual anormal em duração, regularidade, volume e frequência. A Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia (FIGO) propôs uma padronização da classificação do SUA para auxiliar no diagnóstico. A classificação PALM-COEIN, acrônimo refletindo as potenciais causas estruturais (PALM) e não estruturais (COEIN) do SUA, constitui uma tentativa de sistematização do diagnóstico e tratamento dessa condição. Os padrões de normalidade mudam um pouco segundo a fonte, para o ministério da saúde, o ciclo é geralmente de 21 a 35 dias, com 4 a 5 dias de fluxo de cerca de 20 a 80ml, a seguir estão duas tabelas sobre isso, a primeira retirada de um livro de ginecologia e a segunda determinada pela FIGO, Federação Internacional de Ginecologia e Obstetrícia. Figura1. Berek e Novak, 2015 Figura2. FILHO, Agnaldo L. S. at al A seguir uma tabela para avaliar o volume menstrual. Figura 3. Representação do pictograma menstrual com a perda de sangue equivalente. Além disso, recentemente tenta-se abandonar os termos derivados do latim para avaliar a menstruação, tornando mais simples a classificação, a seguir uma tabela com os novos padrões de avaliação e outra comparando com os antigos. Figura 4. BEREK; NOVAK; 2015 Figura 5. BEREK; NOVAK; 2015 O termo hemorragia uterina disfuncional (DUB) é usado para descrever sangramento anormal para o qual nenhuma causa específica foi encontrada. É usado como um diagnóstico e não como um sintoma; também há uma recomendação de que seja abandonado. Embora não haja acordo sobre um termo mais simples para substituir a frase, sangramento idiopático pesado, regular, sangramento idiopático pesado, irregular, e hemorragia irregular prolongada idiopática foram sugeridos. No caso de SUA a primeira abordagem é avaliar como ocorre o sangramento e o impacto na vida da paciente. Depois, deve-se realizar uma investigação da possibilidade de gravidez e descartado isso, tentar avaliar os fatores de risco das principais causas da doença e colher a história clínica completa. Deve-se realizar o exame físico, incluindo ginecológico e pedir o hemograma para avaliar possibilidade de anemia devido a perda de sangue. Se a patologia não puder ser diagnosticada pela anmnese pode-se usar exames de imagem, caso não se ache a causa pode-se realizar o tratamento farmacológico e continuar a investigação. A seguir estão alguns fluxogramas desse processo. Figura 6. PINTO, B. at al, 2017. Figura 7. PINTO, B. at al, 2017. Figura 8. FILHO, A. L. S. at al, 2013. Para a investigação utiliza-se como referência na anamnese e exames as causas da doença e principalmente o PALM COEIN que está mais explicado nas duas imagens a seguir. Figura 9. MUNRO , M. G. at al, 2013. Figura 10. FILHO, A. L. S. at al, 2013. Deve-se também avaliar a idade da paciente, pois as é um fator importante para as causa, um exemplo dessa relação está no quadro a seguir. Figura 11. ROBBINS, 2017. A mais frequente causa de sangramento irregular na faixa etária reprodutiva é hormonal, como dito, deve-se afastar também a gravidez (aborto espontâneo, gravidez ectópica). A maioria dos sangramentos anovulatórios é resultado do que é chamado de avanço do estrogênio. Na falta de ovulação e produção de progesterona, o endométrio responde à estimulação estrogênica com proliferação. Este crescimento endometrial sem derramamento periódico resulta em uma ruptura do tecido endometrial frágil. Níveis relativamente baixos de estimulação de estrogênio resultarão em sangramento irregular e prolongado, enquanto níveis sustentados mais altos resultam em episódios de amenorréia, seguidos de sangramento agudo e intenso. Sangramento irregular pode também resultar do uso inconsistente de hormônios exógenos, recomendando-se a essas pacientes o uso de métodos que não sejam de uso diário. Uso de métodos exclusivamente de progestágenos - incluindo o AMPD, pílulas só de progestágenos, o implante contraceptivo, IUS de levonorgestrel está associado a taxas relativamente altas de irregularidade inicial e sangramento imprevisível. Diabetes mellitus pode estar associado à anovulação, obesidade, resistência à insulina e andrógeno excesso. Os distúrbios androgênicos são muito comuns entre as mulheres em idade reprodutiva e devem ser avaliados e geridos em conformidade. A SOP está presente em 5% a 8% das mulheres adultas e não diagnosticada em muitos deles Tanto o hipotireoidismo como o hipertireoidismo podem estar associados a sangramento anormal. Outras causas de anovulação incluem disfunção hipotalâmica, hiperprolactinemia, falha do ovário preatura e doença hipofisária primária. A história de ciclos irregulares ou sintomas de distúrbios tireoidianos orientam para a necessidade de dosar prolactina, tiroxina livre ou hormônio estimulador da tireoide Coagulopatias e outras doenças hematológicas são importantes causas de SUA em mulheres em idade reprodutiva. Mulheres com cervicite, particularmente cervicite por clamídia, também podem experimentar sangramento irregular e manchas pós-coito. Outra causa possível é o câncer cervical invasivo, sendo o SUA o seu sintoma mais frequente. Algumas medicações também podem causar esse sintoma. O uso de medicamentos como anticoagulantes ou hormônios exógenos pode causar hemorragia uterina, mas nem sempre a paciente faz esta associação. Por esta razão, se deve questioná-la sobre o uso destes medicamentos. Quanto aos métodos anticoncepcionais, o uso de dispositivo intrauterino (DIU) de cobre ou outros materiais não liberadores hormonais, podem provocar SUA, principalmente próximo à menopausa, pela atrofia ou hipotrofia do endométrio, características desta fase. Usuárias de contraceptivos orais combinados (COCs) ou, mais frequentemente, progestógenos isolados, em especial em início de tratamento, podem cursar com sangramento uterino irregular. Hemorragias de longa duração tendem a indicar distúrbios de coagulação, causas anatômicas ou hormonais, enquanto em causas agudas é obrigatório descartar-se complicações da gravidez, como gestações, tópicas ou ectópicas, ameaça de aborto ou abortos em curso, corpos estranhos ou administraçãode hormônios exógenos. In the initial clinical propedeutics, discard vaginal, cervical, and uterine lesions. The first two can be diagnosed already in the speculum exam. The most complementary test that provides data for the conduction of AUB cases is the ultrassonografia transvaginal (USTV). Deve ser realizado se não houver resposta ao tratamento ou causa provável pela história clínica. It has excellent sensitivity (96%), but low specificity (13.8%) for endometrial injuries in general A amostragem endometrial deve ser realizada para avaliar o sangramento anormal em mulheres que tem risco de patologia endometrial, incluindo pólipos, hiperplasia ou carcinoma. Essa amostragem é obrigatória na avaliação de sangramento anovulatório em mulheres com mais de 35 a 40 anos de idade, em mulheres mais jovens que são obesas, e naquelas que não respondem à terapia médica ou àquelas com uma história de anovulação prolongada. Leiomiomas uterinos e pólipos endometriais são condições comuns que na maioria das vezes são assintomáticas; no entanto, continuam sendo causas importantes de sangramento anormal submucoso, sendo a principal no caso de proliferações, tem um sistema de subclassificação dependendo de sua localização, como pode-se ver na figura 9. Os pólipos endometriais são uma causa de hemorragia intermenstrual, sangramento menstrual de leve a até intenso, sangramento irregular e sangramento pós-menopausa. A adenomiose, por sua vez causa um sangramento mais intenso e dor, muito possivelmente por hiperestimulação de receptores de ocitocinas. Sangramento anormal, seja intermenstrual ou pós-coital, pode ser causado ainda por lesões cervicais. Essas lesões podem ser por atrito, acidente ou até mesmo infecciosas, como condiloma. Procedimentos especiais – Os exames laboratoriaissão de uso limitado na avaliaçã o de pacientes com dor pélvica. Deve-se realizar um teste sérico ou urin ário de gravidez. No caso de pacientes com sangramento, uma dosagem de Hb ou Ht identifica uma anemia. Um exame da VHS ou da proteína C-reativa pode ajudar a identificar um processo inflam atório ou infeccioso. A ultra-sonografia pode ajudar se o exame físico for difícil (por exemplo, se a paciente apresentar dor) ou caso haja suspeita de uma massa anexial. No entanto, resultados ultra-sonográficos inconclusivos podem confundir ainda mai s o diagnóstico, resultando em testes adicionais e/ou cirurgia desnecessária. A ultrassonografia tran svaginal é apropriada para identificar e avaliar as massas pélvicas e determinar a origem da massa como • uterina • anexo • associado à bexiga • gastrointestinal A ultrassonografia transvaginal pode ser útil para diagnosticar endometriomas ovarianos Pode ser útil para diagnosticar adenomiose. A ressonância magnética é tão eficaz quanto a ultrassonografia transvaginal para o diagnóstico de adenomiose Laparoscopia diagnóstica – É apropriada, caso a paciente apresente dor intensa e o diagnóstico permaneça obscuro, havendo suspeita de patologia com base na an amnese e no exame físico, ou se a paciente não responder ou responder mal a uma terapia clín ica (por exemplo, contraceptivos orais, DAINE). A laparoscopia pode confirmar o diagnóstico e proporcionar uma comprovação histológica. Também pode confirmar q ue não existe nenhuma anormalidade anatômica nos ó rg ãos pélvicos ou abdominais. Deve-se considerar a avaliação laparoscópica nas mulheres com dor incapacit ante pré- menstrual e/ou menstrual que não responde ao tratamento com AINE ou cont raceptivos hormonais. A laparoscopia diagnóstica tornou-se um procedimento-padrão na avaliação de pacientes com dor pélvica acíclica crônica; entretanto, a laparoscopia geralmente deve aguardar até a exclusão de outras causas somáticas ou viscerais não ginecoló gicas de dor. 3. Qual a conduta mais adequada à paciente? O melhor tratamento para a dismenorreia primária consi ste em AINEs ou contraceptivos orais. A dismenorreia secundária que não r esponde aos AINEs e sugere patologia pélvica como a endometriose. As infecç ões devem ser tratadas com antibióticos apropriados. Os sintomas de TPM podem mel horar com inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). Pode-se co nsiderar também opióides para reduzir a dor em último caso. Na maioria dos casos, a gravidez ectópica nã o rota é tratada com metotrexato, que tem uma taxa de sucesso de 85 a 95%. A cirurgia pode ser necessária para as anormalidades estr uturais. Droga (s) de escolha • Antiinflamatórios não esteróides e narcóticos opióides ( resultados adversos e eficácia limitada associada a longo prazo). • Medicamentos neuromoduladores (por exemplo, antidepr essivos tricíclicos, inibidores de recaptação de neurotransmissores, neurolépt icos), psicológicos adjuvantes (por exemplo, terapia cognitivo-comportame ntal, psicoterapia da dor, aconselhamento sexual). A duloxetina e a desvenlafaxin a podem ser úteis. • Neurolépticos como gabapentina, pregabalina e lamotr igina são geralmente empregada quando os sintomas são neuropáticos por nat ureza. Drogas Alternativas • Contraceptivos orais combinados são eficazes na redução d a dismenorreia e sintomas cíclicos associados à endometriose. • Antidepressivos tricíclicos, como amitriptilina, nortrip tilina e desipramine tem um longo histórico de ser eficaz no tratamento de dor crô nica. • Injeção do ponto de gatilho (1 a 5 mL de lidocaína a 1% ou 0,25% a 0,5% bupivacaína) para nervos segmentares aprisionados (por exemplo, ilioinguinal) ou ponto de disparo da parede abdominal. Recomendações da Sociedade de Obstetras e Ginecologistas do Canadá (SOGC) para o tratamento cirúrgico da dor pélvica crôni ca: 1.considerar a destruição cirúrgica laparoscópica para les ões de endometriose 2.tratamentos cirúrgicos adjuvantes para dismenorreia e e ndometriose incluem: -Neurectomia pré-sacral (PSN) -Ablação do nervo uterino laparoscópico (LUNA) 3.considerar a histerectomia para: -Sintomas graves refratários a outros tratamentos em m ulheres que tenham completado a gravidez -Mulheres com endometriose ou adenomiose (histerectomia com conservaçã o ovariana é uma opção em pacientes conscientes do pote ncial para síndrome do ov ário residual, dor persistente e reativação da endomet riose 4.Para manejo da síndrome de congestão pélvica. O tratamento de primeira linha para endometriose é u ma prova com AINE com ou sem formulações de estrogênio-progestágeno comb inadas. Os CO combinados cíclicos e contínuos podem ser usados com igual e ficácia. A maioria dos estudos usou CO com baixa dose de estrogênio e progest ágenos mais androgê nicos; no entanto, os progestágenos da nova geração tamb ém são eficazes. Nas mulheres que continuam apresentando dismenorreia após o uso cíclico de contraceptivos hormonais, pode-se tentar seu uso contínu o, sem interrupção ou com menstruação a cada 3 meses (ciclo estendido). O tratamen to clínico de segunda linha é feito com altas doses de progestágenos ou análo gos do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH). Pode ser iniciado em caso de sintomas refratários ou de pacientes com contraindicação ao uso de estrogênio. Os pr ogestágenos isolados estão associados a poucas alterações metabó li cas e são opções seguras e de baixo custo à intervenção cirúrgica. Os progestágenos isolados ou associados ao estrogê nio controlam, de maneira efetiva, os sintomas de dor em cerca de três quartos das mulheres com endometriose. Altas doses de acetato de medroxiprogesterona ou de acetato de noretindrona têm a mesma eficácia que os análogos do GnRH. A dose de progestágeno deve ser suficiente para produzir amenorreia e, depois, pode ser reduzida aos poucos para controlar os sint omas. Um estudo controlado randomizado que comparou o sistema intrauter ino liberador de levonorgestrel (SIL-LNG) ao GnRH de depósito no tratamento da dor cr ônica relacionada com a endometriose constatou que os dois tr atamentos eram eficazes. Acredita-se que hormônios androgênicos como o danazol i nibam o pico de hormônio luteinizante e a esteroidogênese e possam ter efeitos a nti-inflamatórios. Tais medicamentos aumentam a testosterona livre, resultando em possíveis efeitos colaterais, como mudança da voz (torna-se mais grave), ganho de peso, acne e hirsutismo. O danazol vaginal em doses menores pode ser eficaz. O agonista do GnRH e o tratamento de acréscimo (add back , em que doses baixas de estrogênios são usadas para se diminuírem os efeit os colaterias do análogo) podem ser usados como tratamentos farmacológicos da end ometriose. Um estudo controlado randomizado de terapia com agonista do GnRH durante 6 meses em casos de endometriose confirmada mostrou diminuição do t amanho das lesões endometrióticas e dos sintomas de dor. Os efeitos colatera is estão relacionados com oestado hipoestrogênico e incluem sintomas vasomotores, oscilações do humor, ressecamento vaginal, diminuição da libido, mialgia e , por fim, perda óssea. Esses efeitos colaterais podem ser reduzidos com cálcio suplemen tar e terapia de add back com 2 a 5 mg de acetato de noretindrona por dia, com ou sem estrogênio em baixas doses (0,625 mg de estrogênios conjugados ou 1 mg de 17 β -estradiol).58 Em vista dos efeitos colaterais, os agonistas do GnRH ger almente não são usados por mais de 8 a 12 meses, mas, com o acréscimo de hormôn ios e/ou bisfosfonato, pode-se considerar a terapia com GnRH por mais de 1 an o. A recorrência de sintomas após interrupção do agonista do GnRH varia de 36 a 70% 5 anos após a conclusão do tratamento. Acredita-se que haja participação das vias da aromatase p-450 e prostaglandina E2 (PgE2) na gênese de implantes endome trióticos. A aromatase exerce papel importante na biossíntese de estrogênio, pois catalisa a conversão de androstenediona e testosterona em estrona e estradiol. Embora a atividade da aromatase não seja detectável no endométrio normal, é encontrada em lesões endometrióticas. Assim, os inibidores da aromatase (IA) s ão usados atualmente como auxiliares dos tratamentos clínicos em casos refratário s. Uma revisão de oito estudos em 2008 avaliou o uso dos IA no tratamento da endometriose e constatou que os IA combinados com progestágenos ou CO ou análog os do GnRH diminuíram as pontuações médias de dor e o tamanho da lesão, além de melhorarem a qualidade de vida. No único estudo controlado random izado (97 mulheres) avaliado nessa metanálise, o inibidor da aromatase (anastrozol) combinado ao agonista do GnRH proporcionou alívio considerável da dor (P