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Sistema circulatório 
Visão geral 
O sistema circulatório é um sistema orgânico que tem 
como função primordial suprir a demanda metabólica 
de todos os tecidos corporais de nutrientes, excretas, 
hormônios e fatores do sistema imunológico por todo o 
organismo 
Sistema circulatório aberto e fechado 
• Aberto: sistema em que o sangue se espalha 
pelos tecidos circulando fora dos vasos 
• Fechado: sistema no qual o sangue circula 
dentro de vasos, não se comunicando 
diretamente com os tecidos 
O sistema circulatório humano é fechado, altamente 
complexo que apresenta: um órgão propulsor muscular 
(coração), com a função de manter em movimento 
uma solução aquosa complexa (sangue), que circula 
através de uma rede tubular (vasos) 
Observação: o sistema circulatório fechado possibilita 
maior eficiência na distribuição de oxigênio e nutrientes 
para os tecidos 
Funções do sistema circulatório 
1- Distribuição de oxigênio e nutrientes para os 
tecidos 
2- Regulação do equilíbrio acidobásico pelas 
soluções-tampão presentes no sangue 
3- Regulação funcional dos órgãos pelo transporte 
de hormônios 
4- Termorregulação pelas trocas de calor (uma 
vez que o grande transportador de calor no 
organismo é o sangue) 
A estabilidade físico-químico do meio interno possibilitou 
um grande avanço evolutivo para os mamíferos- a 
conquista da independência. Agora, com a criação de 
um modo de controlar o meio interno possibilitou que o 
desenvolvimento de um órgão muito importante, o 
cérebro. 
Essa evolução, que criou e desenvolveu um sistema 
cada vez mais complexo e fundamental, impôs ao 
organismo uma nova necessidade: estabelecer 
mecanismo para a regulação do sistema circulatório, 
com o proposito de assegurar o suprimento adequado 
 
de oxigênio e nutrientes a cada célula, mediante ajuste 
do fluxo sanguíneo as necessidades de cada tecido, a 
cada instante. Os componentes do sistema circulatório 
(sangue, vasos e coração) são regulados por quatro 
tipos de processos: 
• Controle intrínseco: relacionado com as 
propriedades físicas do próprio sistema 
• Controle local: resultante de variações físico-
químicas do meio interno 
• Controle nervoso: regulação pelo sistema 
nervoso autônomo 
• Controle humoral: realizado pelas glândulas 
endócrinas, por meio de hormônios 
A roda de energia 
O trabalho do coração está longe de ser facilidade: o 
coração é mais exigido que os outros órgãos, 
comportando-se como o elo mais frágil da corrente. 
Por exemplo, uma pequena área de necrose no 
miocárdio ocasionada por um infarto é capaz de matar 
mais de 40.000 pessoas por dia no mundo. 
• Isso mostra que o coração trabalha no limite, 
enquanto os outros órgãos operam com uma 
boa margem de segurança, ou seja, 
apresentam boa reserva funcional (capacidade 
de um determinado órgão suportar uma 
sobrecarga de trabalho a ele imposta) 
Por que o coração é diferente dos outros órgãos? 
Cada órgão trabalha para realizar somente suas 
funções, isto é o fígado não gasta energia fazendo 
papel dos rins, os pulmões não gastam energia fazendo 
papel do intestino delgado e assim por diante. Já o 
coração tem que trabalhar para entregar os nutrientes 
na porta de cada uma das células do corpo. Além disso, 
a plasticidade do coração é muito restrita. 
Isso facilita entender por que nos cansamos tão 
facilmente quando estamos sedentários e vamos dar 
uma pequena corrida. Parece que o folego desaparece, 
surge a sensação de falta de ar (dispneia) Como 
ficamos sufocados, acreditamos que o fator limitante é a 
incapacidade dos pulmões de captar oxigênio de modo 
adequado. Entretanto, não é isso que acontece (os 
pulmões têm uma reversa funcional muito grande), 
Sistema circulatório 
quem limita nossa corrida é o coração, que não 
consegue enviar o tempo todo para os músculos 
esqueléticos o oxigênio captado pelos pulmões. Por isso 
cardiopatas apresentam fadiga 
 
A roda de energia mostra como se dá a distribuição de 
oxigênio para os músculos. Repare o sentido em que 
gira cada catraca e observe que a catraca do meio é o 
ponto crítico do sistema, pois, ao aumentarmos o giro 
da catraca do músculo, se as outras estiverem com 
reserva, elas irão girar acompanhando a velocidade de 
consumo do musculo. No entanto, se a catraca do meio 
emperrar, for faltar de reserva funcional, todo o sistema 
trava. Como os pulmões tem muita reserva, a catraca 
pulmonar não emperra facilmente 
• Agora é possível entender o que significa 
condicionamento físico aeróbico, esse tipo de 
condicionamento físico ocorre quando o 
coração se adapta ao esforço, conseguindo 
ejetar mais sangue por unidade de tempo. 
Circulação dupla 
O coração dos mamíferos é o motor da chamada 
circulação dupla. O sangue, para fazer o trajeto 
completo e retornar ao ponto de partida, tem que 
passar duas vezes pelo coração. 
O coração é formado por 4 câmaras (dois átrios e dois 
ventrículos) e pode se dizer que é composto por 2 
bombas separadas: 
• O coração direito que bombeia sangue para o 
pulmão 
• O coração esquerdo que bombeia sangue para 
corpo 
Átrio: a função do átrio é receber e armazenar o 
sangue que chega ao coração. Os átrios apresentam 
uma contração fraca, responsável apenas por facilitar o 
deslocamento de sangue até o ventrículo. 
Ventrículo: o ventrículo, por sua vez, apresenta grande 
capacidade de contração, possibilitando a ejeção do 
sangue até seu destino. 
Circulação sistêmica 
Ela é responsável pela irrigação de todos os órgãos e 
tecidos do corpo. Esses órgãos tem exigências 
metabólicas diferentes e estão situados em diferentes 
regiões. 
O ventrículo esquerdo precisa vencer a força da 
gravidade para manter o fluxo sanguíneo e a pressão 
adequada para região cefálica, além de todas as outras 
regiões do corpo. Por isso, deve operar em regime de 
alta pressão, essencial para superar eventuais desníveis. 
(seu controle é fundamental para a homeostase) 
Circulação pulmonar 
Ela irriga somente o pulmão. Por situar-se a uma 
pequena distância do coração e no mesmo nível desse 
órgão em termos de gravidade, o fluxo sanguíneo 
pulmonar é regulado pela própria função cardíaca, sem 
a necessidade de intervenção de controle neurais e 
humorais mais sofisticados, como ocorre na circulação 
sistêmica. 
 
Vasos sanguíneos 
A rede vascular tem características variáveis e é muito 
externa (cerca de 100.000 km). Quatro tipo de tecidos 
formam os vasos, combinando-se de diferentes 
maneiras: 
Sistema circulatório 
• Endotélio: reveste a parede interna dos vasos, 
formando uma camada unicelular 
• Tecido conjuntivo: responsável pela rigidez 
• Tecido elástico: responsável pela elasticidade 
• Musculatura lisa: garante o controle do calibre 
dos vasos 
Os vasos estão ligados, partindo da saída do coração, 
de acordo com a seguinte disposição: artérias, 
arteríolas, capilares, vênulas e veias. 
• As grandes artérias têm grande quantidade de 
tecido elástico. 
• Da aorta em direção as arteríolas, decresce a 
quantidade de tecido elástico e aumenta a de 
musculatura lisa. 
• Os capilares, região de troca, apresentam 
apenas endotélio e membrana basal 
• As vênulas e as veias tem parede delgada com 
quantidade semelhante de colágeno e tecido 
muscular 
Sistema arterial: em virtude de características 
histológicas, o sistema arterial trabalha sob pressão, a 
qual é necessária para o adequado enchimento capilar. 
A rede capilar é formada por endotélio fenestrado, 
possibilitando a troca com os tecidos, denominada 
perfusão tecidual (troca de nutrientes entre vasos e 
tecidos) 
Sistema venoso: o sistema venoso é um sistema que 
funciona como reservatório de sangue, já que, por ter 
paredes finas, é capaz de aumentar muito seu volume, 
ou seja, apresenta alta complacência (capacidade de se 
distender e acomodar grandes volumes). Cerca de 70% 
de nosso sangue situam-se no leito venoso. 
Assim, o sistema cardiovascular é formadopor três 
componentes principais 
1- O coração, como bomba 
2- O sistema arterial de resistência 
3- O sistema venoso de capacitância 
Atividade elétrica do coração 
O cardiomiócito (fibra muscular cardíaca), assim como o 
neurônio e a fibras muscular esquelética, é uma célula 
dotada de uma propriedade chamada de excitabilidade 
(batmotropismo), que é a capacidade de produzir 
potenciais de ação quando devidamente estimulada por 
potenciais graduados. 
Musculo neurorregulado 
Um musculo neurorregulado é um musculo que não 
depende do SN para produzir potenciais de ação, 
apesar de a frequência desses potenciais de ação 
poder ser regulada pelo sistema nervoso. 
O musculo cardíaco é neurorregulado, ou seja, é 
dotado de automatismo. Entretanto, apesar de cada 
célula cardíaca ser autoexcitável, a fim de otimizar seu 
trabalho o coração é dotado de um sistema 
especialmente concebido para gerar e conduzir 
estimulo- o sistema excitocondutor (tecido muscular 
especializado em gerar e conduzir potenciais de ação) 
Sistema excitocondutor 
O sistema excitocondutor é formado por células 
musculares especializadas, e não por células nervosas. 
Essas células musculares quase não têm filamentos 
contrateis. 
• Geração do estimulo: para poder gerar 
estímulos, essas células são muito permeáveis 
a cátions (Na+ e Ca+) em repouso, o que lhes 
confere um potencial instável. 
• Condução do estimulo: a capacidade das células 
do sistema excitocondutor de conduzir os 
estímulos deve-se a existência de muitas 
junções gap (junções comunicantes que 
existem em células adjacentes), tal como 
ocorre nas sinapses elétricas. 
Componentes do sistema excitocondutor 
Os elementos do sistema excitocondutor são: 
1- Nó sinusal (próximo a desembocadura da veia 
cava superior) 
2- Feixes intermodais. 
3- Nó atrioventricular (localiza-se na porção 
superior do septo interventricular) 
4- Feixe de His (que se divide em ramos direito e 
esquerdo) 
5- Plexo subendocárdico de fibras de Purkinje. 
Sistema circulatório 
 
Todos esses elementos tem capacidade de gerar 
estímulos, comportando-se como marca-passos 
latentes. Entretanto, a permeabilidade de cátions varia 
entre os elementos, sendo o mais permeável o nó 
sinusal. 
1- Nó sinusal despolariza em uma frequência de 
70 a 80 bpm 
2- Nó AV despolariza a uma frequência de 40 a 
60 bpm 
3- Fibras de Purkinje despolariza a uma frequência 
de 10 a 40 bpm 
Marca-passo natural: como o nó sinusal se despolariza 
mais rapidamente, ele sobrepuja os outros elementos e 
assume o controle da frequência cardíaca, constituindo 
o marca-passo natural do coração. 
Caminho do estimulo 
Assim que o nó SA produz o estimulo, ele começa a 
propagar-se pelos átrios. Ao mesmo tempo, o estimulo 
passa pelos feixes internodais anterior, médio e 
posterior (ligam o nó SA ao nó AV), chegando ao nó 
AV. 
Observação: o estimulo não consegue passar 
diretamente dos átrios para os ventrículos sem passar 
pelo nó AV por que átrios e ventrículos estão 
separados pelo esqueleto fibroso do coração, cuja alta 
resistência elétrica funciona como isolante. 
No nó AV, o estimulo sofre um retardo fisiológico (faz 
com que os átrios e ventrículos não se contraem 
juntos). Em seguida, o estimulo chega ao feixe de His, 
que se bifurca formando as fibras de Purkinje. 
Retardo do estimulo: o retardo que o estimulo sofre do 
nó AV é de fundamental importância fisiológica. Ele 
ocorre para que os átrios e os ventrículos se contraiam 
em tempos diferentes, primeiro os átrios e depois os 
ventrículos. 
Visto que o que determina a velocidade da condução 
do estimulo é a densidade de junções do tipo gap 
presentes na estrutura. Como no nó AV tem menos 
quantidades dessas junções comunicantes em 
comparação com os outros elementos, ocorre o 
retardo 
 
Velocidade da condução 
 
Nas fibras de Purkinje, a velocidade de condução é 
máxima (80x maior que no nó AV) para que os 
ventrículos se contraiam rapidamente. A contração 
ventricular se inicia no ápice do coração, avançando 
rapidamente para a base, o que possibilita que os 
ventrículos, ao se contraírem, acelerem a coluna de 
sangue em direção as artérias aorta e pulmonar. 
Fenômeno de platô: as células ventriculares se 
despolarizam, produzindo um potencial de ação em 
platô. Ele é originado por uma entrada lenta de Ca+ na 
célula na fase de repolarização, produzindo um período 
refratário longo, na qual possibilita que uma nova 
Nó sinusal 
Feixes internodais 
Nó atrioventricular
Retardo do estimulo 
Feixe de His
Fibras de Purkinje
Sistema circulatório 
contração só ocorra após um enchimento diastólico 
adequando, 
Frequência cardíaca 
O sistema excitocondutor tem autonomia para gerar 
seu próprio estimulo, porem o ritmo de disparo pode 
ser regula pelo SNA, motivo pela qual se diz que esse 
sistema é neurorregulado. 
Sistema simpático: o SN simpático, por meio da 
norepinefrina, tem o poder de aumentar o ritmo do nó 
sinusal, aumentando a frequência cardíaca e também de 
acelerar a velocidade de condução no nó AV 
• Esse efeito deve-se ao fato de sistema 
nervoso simpático aumentar o influxo de Ca+ 
para as fibras, causando também aumento da 
contratilidade cardíaca, 
Sistema parassimpático: o SN parassimpático por meio 
do nervo vago e da acetilcolina, faz contrário: diminui a 
velocidade de condução, provocando redução da 
frequência. 
Efeitos 
1- Efeito cronotrópico positivo: aumento da 
frequência cardíaca 
2- Efeito inotrópico positivo: aumento da 
contratilidade miocárdica 
3- Efeito dromotropico positivo: aumento da 
velocidade de condução no nó AV 
Observação: a norepinefrina tem efeitos cronotrópico, 
dromotropico e inotrópico positivos. 
• A acetilcolina provoca cronotroptia, dromotopia 
e inotropia negativas 
A atividade dos elementos que compõe o sistema 
excitocondutor pode ser registrado por eletrodos sobre 
a pele, o que é utilizado para produzir o ECG 
• Alterações: quando ocorre alguma alteração na 
geração ou na condução do estimulo no 
sistema excitocondutor, estamos diante de uma 
arritmia cardíaca. 
Atividade mecânica do coração 
Anatomia do coração 
Devemos ter em mente que o coração nada mais é 
que uma bomba de dois tempos: admissão e ejeção 
(compartimento que recebe um determinado fluido, 
ejetando-o para adiante) 
Caminho do sangue 
O sangue que acabou de ser oxigenado nos pulmões 
(sangue arterial) chega ao átrio esquerdo pelas veias 
pulmonares e é aspirado para o ventrículo esquerdo, 
passando pela valva mitral. 
O sangue contido no VE é ejetado para artéria aorta, 
passando pela valva aórtica. Da artéria aorta o sangue 
flui pelas artérias e pelas arteríolas e chega até a rede 
capilar. 
Na rede capilar o oxigênio e os nutrientes de difundem 
para os tecidos e o CO2 formado no metabolismo 
celular se difunde para os capilares. Nesse momento, o 
sangue que era arterial (oxigenado) torna-se venoso até 
chegar as veias cavas superior e inferior, que 
desembocam no AD. 
Do AD o sangue venoso é aspirado pelo VD, passando 
pela valva tricúspide, e do VD o sangue venoso é 
ejetado para as artérias pulmonares, passando pela 
valva pulmonar. 
Daí o sangue venoso chega aos capilares do pulmão, 
onde o CO2 se difunde para os alvéolos e o O2 dos 
alvéolos se difunde para os capilares pulmonares, 
transformando sangue venoso em arterial (hematose). 
Em seguida, o sangue arterial ganha as veias 
pulmonares, dirigindo-se ao AE e o ciclo se fecha. E 
tudo começa novamente.

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