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Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE (2010), no Brasil, 45,6 milhões de pessoas, o que representa 23,9% da população, apresentavam pelo menos uma das deficiências investigadas (visual, auditiva, motora e mental) no Censo 2010. Desse total, 35,8 milhões possuem dificuldade de enxergar (todos aqueles que mesmo com auxílio de óculos ou lentes de contato enfrentam alguma impossibilidade em enxergar com perfeição), 6,6 milhões possuem deficiência visual severa (refere-se a pessoas com grande dificuldade de enxergar e 506,3 mil que são cegos. As diretrizes de acessibilidade e instalação de piso tátil, para elaboração de projetos e instalação, estão na Norma Brasileira da ABNT 16537:2016. Essa Norma estabelece critérios e parâmetros técnicos observados para a elaboração do projeto e instalação de sinalização tátil no piso, seja para construção ou adaptação de edificações, espaços e equipamentos urbanos às condições de acessibilidade para a pessoa com deficiência visual ou surdo-cegueira. A Emenda1, da NBR 9050, trouxe a indicação que a matéria sobre a sinalização tátil e visual no piso deve atender a ABNT NBR 16537. Historicamente, em 1965, o japonês Seiichi Miyake usou seu próprio dinheiro para inventar pisos táteis para ajudar um amigo que vinha perdendo a visão. Os pisos eram (e ainda são até hoje) de dois tipos predominantes: um com pontos e outro com barras. Os pisos com pontos alertam as pessoas com deficiência visual quando estão se aproximando do perigo e podem ser 3 CBI of Miami encontrados nas margens de faixas de pedestres e plataformas do trem e do metrô. Os pisos com linhas fornecem dicas direcionais, permitindo que os usuários saibam que estão seguindo um caminho seguro. A sinalização tátil direcional possui superfícies de relevo que orientam o percurso no ambiente em que está instalado. Assim, a pessoa com deficiência visual pode se guiar sem correr o risco de perder o caminho ou escorregar no piso. Conforme a NBR 9050 (ABNT, 2004), consiste em relevos lineares, regulares. A norma estabelece ainda que a implantação de tal sinalização deve ser feita: A. Quando houver mudança de direção entre duas ou mais linhas de sinalização tátil direcional, deve haver uma área de alerta indicando que existem alternativas de trajeto; B. Quando houver mudança de direção formando ângulo superior a 90°, a linha-guia deve ser sinalizada com piso tátil direcional; C. Nos rebaixamentos de calçadas, quando houver sinalização tátil direcional, esta deve encontrar com a sinalização tátil de alerta; D. Nas faixas de travessia, deve ser instalada a sinalização tátil de alerta no sentido perpendicular ao deslocamento, à distância de 0,50 m do meio-fio. Recomenda-se a instalação de sinalização tátil direcional no sentido do deslocamento, para que sirva de linha-guia, conectando um lado da calçada ao outro; E. Nos pontos de ônibus devem ser instalados a sinalização tátil de alerta ao longo do meio fio e o piso tátil direcional, demarcando o local de embarque e desembarque. Em rampas de acesso com inclinação igual ou superior a 5%, a instalação do piso tátil é obrigatória. Já em rampas com inclinação inferior, fica a critério do proprietário do local a instalação ou não desta solução de acessibilidade. O piso não pode ser afastado do início do declive da rampa. Em rampas com largura superior a 2,4 metros, o piso tátil direcional deve seguir a direção de cada corrimão lateral. O objetivo é ajudar a pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida a encontrar facilmente um ponto de apoio seguro. A colocação inadequada do piso tátil em diversos locais inviabiliza sua utilização pelos usuários portadores de deficiência visual, o que dificulta a 4 CBI of Miami locomoção dos usuários desta sinalização, logo, não está garantida de forma plena seu direto de ir e vir. Acessibilidade em Cidades Históricas: É um grande desafio conjugar e aplicar as legislações voltadas para a proteção e preservação do patrimônio público e para a acessibilidade da pessoa com deficiência às cidades históricas. A fiscalização quanto à preservação do patrimônio se dá pelo IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional -, autarquia federal vinculada ao Ministério do Turismo. O Instituto é responsável por resguardar a legislação, que é bastante rígida. Não obstante, a acessibilidade deve estar a salvo. A fim de que se alcançar soluções específicas, úteis e adequadas capazes de “compatibilizar a mobilidade e a acessibilidade com a preservação de áreas de interesse cultural”, reconhece o IPHAN que “Acessibilidade urbana e patrimônio cultural são temas complexos que exigem um tratamento cuidadoso, não existindo receitas prontas a serem aplicadas”. Afirma ainda que “não é possível desenvolver uma teoria que possa ser aplicada a todos os espaços consagrados patrimônio cultural”. Nesse mesmo sentido, Gehl afirma que, “embora os problemas das cidades não sejam todos iguais nas várias partes do mundo e em diferentes níveis de desenvolvimento econômico, são mínimas as diferenças envolvidas na inclusão da dimensão humana no planejamento urbano”. E diz, ainda “a dimensão humana foi seriamente negligenciada em sua relação com o desenvolvimento urbano”. (GEHL, 2013, p. 229) Entendendo que a adaptação é obrigatória nas cidades históricas, a Instrução Normativa número 1, de 25 de novembro de 2003, item 1.1, b, pontua que os critérios serão observados caso a caso. Outros embasamentos legais para a acessibilidade também ser observadas em cidades históricas: A Convenção Internacional sobre os Direitos da Pessoa com Deficiência, em seu Artigo 5, que diz: 5 CBI of Miami Artigo 5 Igualdade e não-discriminação 1.Os Estados Partes reconhecem que todas as pessoas são iguais perante e sob a lei e que fazem jus, sem qualquer discriminação, a igual proteção e igual benefício da lei. 2.Os Estados Partes proibirão qualquer discriminação baseada na deficiência e garantirão às pessoas com deficiência igual e efetiva proteção legal contra a discriminação por qualquer motivo. 3.A fim de promover a igualdade e eliminar a discriminação, os Estados Partes adotarão todas as medidas apropriadas para garantir que a adaptação razoável seja oferecida. 4.Nos termos da presente Convenção, as medidas específicas que forem necessárias para acelerar ou alcançar a efetiva igualdade das pessoas com deficiência não serão consideradas discriminatórias. O mesmo instrumento internacional dirime o que vem a ser adaptação razoável, sendo replicado integralmente na Lei 13.146/2015, em seu artigo 3º, VI. Diz que: “Adaptação razoável” significa as modificações e os ajustes necessários e adequados que não acarretem ônus desproporcional ou indevido, quando requeridos em cada caso, a fim de assegurar que as pessoas com deficiência possam gozar ou exercer, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos humanos e liberdades fundamentais; (BRASIL, 2008). Importante ressaltar o conceito de desenhouniversal, presente na Convenção e na LBI (artigo 3º, II): desenho universal: concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem usados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou de projeto específico, incluindo os recursos de tecnologia assistiva (BRASIL, 2015). Para a garantia da acessibilidade nas cidades históricas, o desenho universal deve ser aplicado e, no que ainda não for suficiente, as adaptações razoáveis podem suprir, corrigir e atender às particularidades. Como exemplo, pode-se citar a cidade de Pompéia, na Itália, situada a 22 km (vinte e dois quilômetros) de Nápoles. Um vasto sítio arqueológico a céu aberto. A cidade foi devastada pelo vulcão Vesúvio, no ano de 79 d.C. Inscrita na 21º Sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Nápoles, em dezembro de 1997, como Patrimônio Mundial da UNESCO. A cidade possui inúmeras instrumentos de adaptações razoáveis com o fim de atender à acessibilidade do local. Sobre a acessibilidade em transportes, observa-se a necessidade de oferecer instrumentos que avaliem a acessibilidade de forma a diagnosticar o 6 CBI of Miami nível de atendimento aos usuários pelos diferentes modos de transporte e a avaliar a necessidade de melhorias e investimentos em transporte em cidades de médio e grande porte. A acessibilidade deve ser observada tanto na zona urbana como na zona rural. Ex: Campus de universidades em zona rural precisam atender às normas; condomínio residencial. Os três pilares da acessibilidade são: a autonomia, o conforto e a segurança na utilização dos ambientes e dos seus equipamentos. Um forte abraço, Professora Danielly. 7 CBI of Miami