Prévia do material em texto
Indaial – 2022 Hoteleira Prof.ª Sandra Dalila Corbari 1a Edição administração Elaboração: Prof.ª Sandra Dalila Corbari Copyright © UNIASSELVI 2022 Revisão, Diagramação e Produção: Equipe Desenvolvimento de Conteúdos EdTech Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI Ficha catalográfica elaborada pela equipe Conteúdos EdTech UNIASSELVI Impresso por: C789a Corbari, Sandra Dalila Administração hoteleira. / Sandra Dalila Corbari – Indaial: UNIASSELVI, 2022. 230 p.; il. ISBN 978-65-5663-780-8 ISBN Digital 978-65-5663-781-5 1. Empresa hoteleira. - Brasil. II. Centro Universitário Leonardo da Vinci. CDD 647.94 Acadêmico, você está iniciando a leitura do livro “Administração hoteleira”. Este livro trará conteúdos importantes para o conhecimento sobre a gestão, o planejamento e o cotidiano de uma empresa hoteleira. O livro está dividido em três unidades que se complementam e irão dar subsídio para seus estudos sobre a administração hoteleira. Na Unidade 1, o foco será no gerenciamento hoteleiro. Para isso, abordaremos o conceito e a importância do capital humano e sua relação com a qualidade de serviços. Dando prosseguimento, adentraremos no gerenciamento de qualidade de serviços na hotelaria, abordando o conceito a as características da qualidade de serviços, sua aplicação no setor hoteleiro e mecanismos/processos de controle de qualidade. Para finalizar a Unidade 1, falaremos da administração de serviços hoteleiros, iniciando com uma abordagem sobre os serviços e suas características, para depois falarmos do planejamento e gestão de serviços e, por fim, da estrutura organizacional de empresas hoteleiras em suas variadas tipologias e tamanhos. Em seguida, na Unidade 2, estudaremos a operacionalidade de uma empresa hoteleira. Para isso, iniciaremos apresentando as áreas de reservas, recepção, governança e portaria social. Nesse sentido, além de caracterizar essas áreas (que podem ser departamentos ou não), destacaremos suas atribuições e responsabilidades. Em seguida, adentraremos no tema do lazer em meios de hospedagem. Sobre isso, primeiramente teremos a apresentação do conceito e características do lazer para, em seguida, abordarmos os equipamentos, instalações e serviços de lazer em meios de hospedagem. Para fechar a Unidade 2, versaremos sobre os sistemas de gestão hoteleira, sejam eles sistemas informatizados ou sistemas convencionais. Nesse sentido, não poderemos deixar de falar das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e sua aplicação na hotelaria, com destaque para as Property Management Systems (PMS). Por fim, na Unidade 3, o foco será no setor de Alimentos e Bebidas (A & B). Nessa Unidade, aprenderemos sobre a gerência de Alimentos e Bebidas, destacando as características, os serviços, os cargos e funções dessa área que é essencial para o setor hoteleiro. Em seguida, apresentaremos os espaços e mobiliária referente ao setor que estão presentes em meios de hospedagem, tais como: restaurante, salão de café da manhã, bar e copa. Para finalizar a Unidade e o livro, abordaremos os serviços de copa e de bar. Assim, por meio dos conteúdos deste livro, você terá uma visão ampla sobre administração hoteleira, com foco no planejamento e na gestão dos setores front office, ou seja, os que mantêm contato direto com o cliente/hóspede. Bom estudo! Sandra Dalila Corbari APRESENTAÇÃO Olá, acadêmico! Para melhorar a qualidade dos materiais ofertados a você – e dinamizar, ainda mais, os seus estudos –, nós disponibilizamos uma diversidade de QR Codes completamente gratuitos e que nunca expiram. O QR Code é um código que permite que você acesse um conteúdo interativo relacionado ao tema que você está estudando. Para utilizar essa ferramenta, acesse as lojas de aplicativos e baixe um leitor de QR Code. Depois, é só aproveitar essa facilidade para aprimorar os seus estudos. GIO QR CODE Olá, eu sou a Gio! No livro didático, você encontrará blocos com informações adicionais – muitas vezes essenciais para o seu entendimento acadêmico como um todo. Eu ajudarei você a entender melhor o que são essas informações adicionais e por que você poderá se beneficiar ao fazer a leitura dessas informações durante o estudo do livro. Ela trará informações adicionais e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto estudado em questão. Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é o material-base da disciplina. A partir de 2021, além de nossos livros estarem com um novo visual – com um formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura –, prepare-se para uma jornada também digital, em que você pode acompanhar os recursos adicionais disponibilizados através dos QR Codes ao longo deste livro. O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com uma nova diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página – o que também contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo. Preocupados com o impacto de ações sobre o meio ambiente, apresentamos também este livro no formato digital. Portanto, acadêmico, agora você tem a possibilidade de estudar com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador. Preparamos também um novo layout. Diante disso, você verá frequentemente o novo visual adquirido. Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa continuar os seus estudos com um material atualizado e de qualidade. ENADE LEMBRETE Olá, acadêmico! Iniciamos agora mais uma disciplina e com ela um novo conhecimento. Com o objetivo de enriquecer seu conheci- mento, construímos, além do livro que está em suas mãos, uma rica trilha de aprendizagem, por meio dela você terá contato com o vídeo da disciplina, o objeto de aprendizagem, materiais complementa- res, entre outros, todos pensados e construídos na intenção de auxiliar seu crescimento. Acesse o QR Code, que levará ao AVA, e veja as novidades que preparamos para seu estudo. Conte conosco, estaremos juntos nesta caminhada! Acadêmico, você sabe o que é o ENADE? O Enade é um dos meios avaliativos dos cursos superiores no sistema federal de educação superior. Todos os estudantes estão habilitados a participar do ENADE (ingressantes e concluintes das áreas e cursos a serem avaliados). Diante disso, preparamos um conteúdo simples e objetivo para complementar a sua compreensão acerca do ENADE. Confi ra, acessando o QR Code a seguir. Boa leitura! SUMÁRIO UNIDADE 1 - GERENCIAMENTO ..............................................................................1 TÓPICO 1 - CAPITAL HUMANO ............................................................................... 3 1 INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 3 2 CONCEITO DE CAPITAL HUMANO ....................................................................... 3 2.1 O CAPITAL HUMANO ............................................................................................................3 2.1.1 O capital humano e fatores relacionados ..............................................................3 2.1.2 Valorização e desenvolvimento do capital humano ...........................................5 2.1.3 Perda de capital humano e turnover ......................................................................6 3 A IMPORTÂNCIA DO CAPITAL HUMANO PARA A HOTELARIA .......................... 9 3.1. O CAPITAL HUMANO PARA A HOTELARIA .....................................................................9 3.2. DISFUNÇÕES ORGANIZACIONAIS NA HOTELARIA, CAUSAS E SOLUÇÕES ........11 4 RELAÇÃO ENTRE CAPITAL HUMANO E QUALIDADE ....................................... 13 4.1 DETERMINANTES DA QUALIDADE DE SERVIÇOS.......................................................13 RESUMO DO TÓPICO 1 ...........................................................................................17 AUTOATIVIDADE ................................................................................................... 18 TÓPICO 2 - GERENCIAMENTO DE QUALIDADE NA HOTELARIA ........................ 21 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 21 2 CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DA QUALIDADE DE SERVIÇOS .................. 21 2.1 DEFINIÇÃO DE QUALIDADE .............................................................................................21 3 QUALIDADE DE SERVIÇOS NA HOTELARIA .....................................................23 3.1 QUALIDADE DE SERVIÇOS NA HOTELARIA ................................................................. 23 3.2 CONTROLE DE QUALIDADE APLICADO À HOTELARIA ............................................ 25 3.2.1 Análise SWOT ............................................................................................................. 26 3.2.2 Pesquisa de satisfação e pesquisa de mercado .............................................28 3.2.3 Autoavaliação ...........................................................................................................28 3.2.4 Padrões ISO ............................................................................................................... 29 3.2.5 Procedimentos Operacionais Padrão (POP) .....................................................30 RESUMO DO TÓPICO 2 .......................................................................................... 31 AUTOATIVIDADE ...................................................................................................32 TÓPICO 3 - ADMINISTRAÇÃO DE SERVIÇOS HOTELEIROS ...............................35 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................35 2 OS SERVIÇOS E SUAS CARACTERÍSTICAS .....................................................35 2.1 CONCEITO E DEFINIÇÕES DE SERVIÇO ........................................................................ 35 2.2 CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS DOS SERVIÇOS ................................................... 37 2.2.1 Intangibilidade ........................................................................................................... 37 2.2.2 Inseparabilidade .......................................................................................................38 2.2.3 Variabilidade ou heterogeneidade ..................................................................... 39 2.2.4 Perecibilidade ...........................................................................................................40 2.2.5 Participação do cliente no serviço .......................................................................41 3 PLANEJAMENTO E GESTÃO DE SERVIÇOS ......................................................43 3.1 PLANEJAMENTO E GESTÃO HOTELEIRA .....................................................................43 3.1.1 Planejamento estratégico de gestão de pessoas com base em competências ...........................................................................................................46 3.2 PLANEJAMENTO E GESTÃO DE QUALIDADE DE SERVIÇOS ..................................48 4 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL E DEPARTAMENTALIZAÇÃO NA HOTELARIA ........................................................................................................52 4.1 FUNÇÕES ESSENCIAIS DE UMA EMPRESA ................................................................. 52 4.2 FLEXIBILIDADE NA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL ............................................... 53 4.3 CARGOS .............................................................................................................................. 56 4.4 ORGANOGRAMAS .............................................................................................................60 4.4.1 Estabelecimentos hoteleiros – microempresas e empresas de pequeno porte .............................................................................................................................60 4.4.2 Empreendimento de médio e grande porte ......................................................61 LEITURA COMPLEMENTAR ..................................................................................64 RESUMO DO TÓPICO 3 ..........................................................................................69 AUTOATIVIDADE ...................................................................................................70 REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 73 UNIDADE 2 — OPERACIONALIDADE .................................................................... 77 TÓPICO 1 — RESERVAS, RECEPÇÃO, GOVERNANÇA E PORTARIA SOCIAL ....... 79 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 79 2 RESERVAS, RECEPÇÃO, GOVERNANÇA E PORTARIA SOCIAL ....................... 79 2.1 RESERVAS: ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES .................................................80 2.1.1 Características gerais do setor de reservas .......................................................80 2.2 CARGOS E FUNÇÕES DAS RESERVAS ........................................................................83 2.3 RECEPÇÃO: ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES ...............................................86 2.3.1 Cargos e funções do setor de recepção ............................................................88 2.4 GOVERNANÇA: ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES ......................................... 93 2.4.1 Cargos e funções do setor de governança ........................................................ 94 2.5 PORTARIA SOCIAL: ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES ................................ 102 2.5.1 Cargos e funções da portaria social .................................................................. 102 RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................ 107 AUTOATIVIDADE .................................................................................................108 TÓPICO 2 - LAZER: EQUIPAMENTOS, INSTALAÇÕES E SERVIÇOS .................. 111 1 INTRODUÇÃO ..................................................................................................... 111 2 CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DO LAZER .................................................. 111 3 SERVIÇOS DE LAZER EM MEIOS DE HOSPEDAGEM ...................................... 113 3.1 CARGOS E FUNÇÕES DO SETOR DE LAZER ............................................................. 114 3.1.1 Gerente de área de lazer......................................................................................... 115 3.1.2 Atendente de área de ginástica e lazer ............................................................ 116 4 INSTALAÇÕES DE LAZER EM MEIOS DE HOSPEDAGEM ............................... 116 4.1 TIPOLOGIAS DE HOTEL DE LAZER .................................................................................117 4.1.1 Resort ...........................................................................................................................117 4.1.2 Hotel fazenda ........................................................................................................... 118 4.1.3 Hotel de cura ............................................................................................................ 119 4.1.4 Hotéis ecológicos ................................................................................................... 120 5 EQUIPAMENTOS DE LAZER EM MEIOS DE HOSPEDAGEM ............................ 122 RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................124 AUTOATIVIDADE .................................................................................................125 TÓPICO 3 - SISTEMAS DE GESTÃO HOTELEIRA ............................................... 127 1 INTRODUÇÃO .................................................................................................... 127 2 USO DE TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) NA HOTELARIA ......................................................................................................... 127 2.1 TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) .......................................127 2.2 TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) NA HOTELARIA ........129 2.2.1 Histórico das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na hotelaria .................................................................................................................... 130 2.2.2 Tipos de TIC aplicadas à hotelaria ...................................................................... 131 3 SISTEMA INFORMATIZADO E SISTEMA CONVENCIONAL ............................. 137 3.1.1 Sistema informatizado ............................................................................................137 3.1.2 Sistema convencional ........................................................................................... 139 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................140 RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................142 AUTOATIVIDADE .................................................................................................143 REFERÊNCIAS .....................................................................................................145 UNIDADE 3 — ALIMENTOS E BEBIDAS (A&B) ....................................................149 TÓPICO 1 — GERÊNCIA DE ALIMENTOS E BEBIDAS ...........................................151 1 INTRODUÇÃO .....................................................................................................151 2 O SETOR DE ALIMENTOS E BEBIDAS (A&B) ....................................................151 2.1 TIPOLOGIA DA RESTAURAÇÃO .....................................................................................152 2.1.1 Restaurante tradicional ........................................................................................ 153 2.1.2 Restaurante internacional .................................................................................... 153 2.1.3 Restaurante de especialidades .......................................................................... 153 2.1.4 Café ............................................................................................................................ 154 3 SERVIÇOS DE A&B EM MEIOS DE HOSPEDAGEM .........................................154 3.1 SERVIÇOS DE A&B SEGUNDO O SBCLASS ............................................................... 155 3.2 PONTOS DE VENDA (PDV) .............................................................................................157 3.2.1 Minibar ........................................................................................................................157 3.2.2 Serviço de banquetes ...........................................................................................157 3.2.3 Room service .......................................................................................................... 158 3.2.4 Café da manhã no apartamento ....................................................................... 159 3.2.5 Máquinas de venda .............................................................................................. 160 4 CARGOS E FUNÇÕES DE A&B NA HOTELARIA ...............................................160 4.1 CARGOS GERAIS .............................................................................................................. 162 4.1.1 Gerente de restaurante .......................................................................................... 163 4.1.2 Supervisor de restaurante ................................................................................... 164 4.1.3 Assistente executivo de gerência de A & B .................................................... 164 4.1.4 Gerente de compras .............................................................................................. 166 4.1.5 Almoxarife .................................................................................................................167 4.1.6 Supervisor de banquetes ..................................................................................... 168 4.2 BRIGADA DA COZINHA .................................................................................................. 169 4.2.1 Chefe de cozinha (chef) ......................................................................................... 169 4.2.2 Subchefe (sous-chef) ............................................................................................171 4.2.3 Outros cargos da brigada da cozinha ...............................................................172 4.3 BRIGADA DO SALÃO........................................................................................................172 4.3.1 Maitre ..........................................................................................................................173 4.3.2 Hostess .....................................................................................................................173 4.3.3 Garçom e commis ..................................................................................................174 4.3.4 Caixa ..........................................................................................................................175 4.3.5 Supervisor de refeitório ........................................................................................176 4.4 TIPOS DE SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO..................................................................... 177 4.5 MISE EN PLACE ................................................................................................................178 RESUMO DO TÓPICO 1 ........................................................................................180 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 181 TÓPICO 2 - ESPAÇO E MOBILIÁRIO ...................................................................183 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................183 2 ESPAÇO E MOBILIÁRIO DO RESTAURANTE ...................................................183 3 ESPAÇO E MOBILIÁRIO DO SALÃO DE CAFÉ DA MANHÃ .............................188 4 ESPAÇO E MOBILIÁRIO DO BAR ...................................................................... 192 5 ESPAÇO E MOBILIÁRIO DA COPA E COZINHA ................................................ 193 RESUMO DO TÓPICO 2 ........................................................................................ 197 AUTOATIVIDADE .................................................................................................198 TÓPICO 3 - SERVIÇO DE COPA E BAR ................................................................201 1 INTRODUÇÃO ....................................................................................................201 2 SERVIÇOS DA COPA ........................................................................................201 2.1 COPA CENTRAL ............................................................................................................... 201 2.2 CARGOS E FUNÇÕES DA COPA ...................................................................................202 2.2.1 Cozinheiro da copa (copeiro) ...............................................................................202 2.2.2 Cozinheiro do café da manhã ............................................................................202 3 SERVIÇO DO BAR ............................................................................................203 3.1 TIPOLOGIAS DE BAR .......................................................................................................204 3.2 CARGOS E FUNÇÕES DO BAR .................................................................................... 208 3.2.1 Chefe de bar ........................................................................................................... 208 3.2.2 Barman .....................................................................................................................209 LEITURA COMPLEMENTAR ................................................................................ 211 RESUMO DO TÓPICO 3 ........................................................................................ 216 AUTOATIVIDADE ................................................................................................. 217 REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 219 1 UNIDADE 1 - GERENCIAMENTO OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • reconhecer o signifi cado e a importância do capital humano para as organizações, com ênfase nas organizações hoteleiras; • relatar mecanismos de valorização e desenvolvimento do capital humano, com ênfase no setor da hotelaria; • pautar impactos da perda de capital humano para as organizações, com ênfase nas organizações hoteleiras; • identifi car disfunções organizacionais na hotelaria, bem como suas possíveis causas e soluções; • correlacionar o capital humano com o alcance da qualidade de serviços; • citar metodologias de controle de qualidade efi cientes para os serviços hoteleiros; • distinguir os serviços dos produtos, ressaltando sua complexidade; • analisar a efi ciência dos processos de planejamento e gestão de serviços hoteleiros; • diferenciar estruturas organizacionais hoteleiras conforme especifi cidades das empresas. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – CAPITAL HUMANO TÓPICO 2 – GERENCIAMENTO DE QUALIDADE NA HOTELARIA TÓPICO 3 – ADMINISTRAÇÃO DE SERVIÇOS HOTELEIROS Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 2 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 1! Acesse o QR Code abaixo: 3 CAPITAL HUMANO 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1, abordaremos o capital humano, iniciando sobre o conceito de capital humano e os fatores relacionados a ele. Em seguida, adentraremos na importância da valorização e desenvolvimento do capital humano pelas organizações e as implicações da perda de capital humano, com ênfase no fenômeno do turnover, ou rotatividade. Após essa abordagem mais ampla, o tema será orientado à hotelaria, ou seja, à importância do capital humano para o setor da hotelaria. Neste tópico, também abordaremos as disfunções organizacionais, que podem levar ao turnover, explicando suas possíveis causas e soluções. Além disso, conheceremos a relação entre capital humano e qualidade, com foco na qualidade de serviços. Assim, identificaremos determinantes na qualidade de serviços na hotelaria e como potencializá-la por meio do investimento em gestão de equipe e valorização do capital humano. 2 CONCEITO DE CAPITAL HUMANO Neste subtópico, nós iremos compreender o que é o capital humano e sua importância para as organizações. 2.1 O CAPITAL HUMANO O capital humano é um fator de grande importância para as organizações, sejam elas privadas, públicas ou do terceiro setor. Mas, afinal, o que é o capital humano? Como as organizações podem valorizá-los? Vamos descobrir a seguir. 2.1.1 O capital humano e fatores relacionados O conceito de capital humano surgiu entre as décadas de 1940 e 1950, sendo amplamente difundido no Brasil em meados de 1960 (PAIVA, 2001). Ele tem relação com a capacidade, o comportamento e a energia dos trabalhadores de determinada TÓPICO 1 - UNIDADE 1 4 organização (DAVENPORT, 2001), ou seja, compreende todos os ativos intangíveis que as pessoas trazem para seus empregos (DAVENPORT, 2000). Assim, é um patrimônio inestimável de uma organização. Davenport (2000) indicou que há quatro fatores relacionados ao capital humano: conhecimento, habilidade, talento e comportamento. Vamos conhecer o significado desses fatores no quadro a seguir. FATORES SIGNIFICADOS Conhecimento Controle de um conjunto de fatos requeridos para executar um trabalho. Habilidade Facilidade, desenvolvida através da prática, com os meios e métodos para realizar uma tarefa. Talento Facilidade inata para realizar uma tarefa. Comportamento Formas observáveis de agir que contribuem para a execução de uma tarefa. QUADRO 1 – FATORES RELACIONADOS AO CAPITAL HUMANO E SEUS SIGNIFICADOS FONTE: Adaptado de Davenport (2000) Já para Chiavenato (2014), o capital humano é reforçado por dois aspectos principais: talentos e contexto organizacional. • Talentos: as pessoas são dotadas de conhecimentos, habilidades e competências que são constantemente reforçados, atualizados e recompensados. No entanto, os talentos precisam existir e coexistir em um contexto que permita liberdade, autonomia e retaguarda, para poder se expandir. • Contexto organizacional: é o ambiente interno adequado para que os talentos floresçam e cresçam. Sem o ambiente adequado o talento “foge”. O contexto organizacional é determinado por aspectos como arquitetura organizacional com desenho flexível e integrador, cultura organizacional democrática e participativa, estilo de gestão baseado na descentralização do poder, delegação e empowerment. Empowerment: “a palavra está em inglês, mas seu significado é universal. Trata- se de dar poder, autoridade e responsabilidade às pessoas para torná-las mais ativas e proativas dentro da organização. Trata-se de uma mudança cultural, uma transformação no comportamento das pessoas, que passam a ter mais autonomia e iniciativa pessoal nas atividades, ao contrário das tradicionais regras e regulamentos que inibem e impedem a plena realização das pessoas” (CHIAVENATO, 2014, p. 168). NOTA 5 Cabe ressaltar, que as pessoas obtêm seu capital humano por diversos meios. Dentre eles está a educação formal, o treinamento, a aprendizagem no cotidiano da empresa e, também, pelo próprio DNA (DAVENPORT, 2000). Assim como destacado por Davenport (2000), os trabalhadores são donos e investidores de seu capital humano, disponibilizando-os onde houver maior retorno, especialmente o financeiro. É esse o principal motivo para que as empresas valorizem e desenvolvam o capital humano de seus funcionários. 2.1.2 Valorização e desenvolvimento do capital humano Chiavenato (2014) destaca que as organizações estão mudando conceitos e alterando as práticas gerenciais, investindo cada vez mais em pessoas que entendem de serviços e produtos e que sabem como criá-los, desenvolvê-los, produzi-los e melhorá- los; e em pessoas que sabem atender, satisfazer e encantar os clientes, ou seja, o foco está em investir no capital humano, pois ele traz o retorno à empresa. Assim, “não basta ter talentos para possuir capital humano. É preciso ter talentos que estejam integrados em um contexto organizacional realmente acolhedor e impulsionador” (CHIAVENATO, 2014, p. 48). Esse autor salienta que, ao conceber as pessoas como capital humano, as organizações preconizam que elas são o principal ativo organizacional, que agrega inteligência ao negócio. Assim como destacado por esse autor, é preciso visualizar as pessoas como parceiras das organizações. Como tais, elas seriam fornecedoras de conhecimentos, habilidades, competências e, sobretudo, o mais importante aporte para as organizações: a inteligência que proporciona decisões racionais e que imprime significado e rumo aos objetivos do negócio. Nesse sentido, as pessoas constituemo capital humano e intelectual da organização. Organizações bem-sucedidas tratam seus colaboradores como parceiros do negócio e fornecedores de competências, não como simples empregados contratados (CHIAVENATO, 2014, p. 3). As pessoas querem trabalhar em organizações que as valorizem integralmente, onde elas possam exercitar todas as suas potencialidades. Por outro lado, a sociedade valorizará as organizações que dão valor às pessoas. Em relação ao desenvolvimento do capital humano, Werneck (2013) aponta que, para isso, os gestores de empresas devem mudar a concepção do funcionário de operacional para trabalhador do conhecimento. Os valores individuais dos funcionários também são importantes e devem ser avaliadas, para além da mera função desempenhada. Segundo a autora citada, os valores são difíceis de serem substituídos. Além disso, não pode ser desconsiderado na busca pela vantagem competitiva de uma empresa (DAVENPORT, 2001). Podemos tomar como exemplo os funcionários que têm uma característica excepcional, como facilidade de diálogo e de amenizar conflitos internos, corroborando 6 para a manutenção de um ambiente de trabalho agradável. Ou então, os funcionários que têm a destreza de resolver problemas de forma autônoma e com proatividade. Muitos outros casos podem ser explicitados, em todos eles, os indivíduos não apenas desempenham uma função definida no contrato de trabalho, mas o fazem compartilhando seus valores e habilidades. 2.1.3 Perda de capital humano e turnover O capital intelectual, atrelado ao capital humano, relaciona-se com os saberes individuais e as formas de relacionamento interpessoais. Caso esse conhecimento não seja compartilhado, é passível de ser perdido caso o funcionário saia da empresa, a qual perde capital humano (WERNECK, 2013). Veja mais informações sobre o turnover e aprenda a calcular o índice de turnover de uma empresa no vídeo “Turnover – O que é e como calcular?”, do Canal do Youtube “RH Academy”. Acesse em: h t t p s : / / w w w . y o u t u b e . c o m / w a t c h ? v = Q z u q E M 2 W 0 G A & a b _ channel=RHAcademy. Turnover ou rotatividade, diz respeito à saída voluntária de funcionários. Constitui a fase final de um processo, mediante o qual os colaboradores desenvolvem um conjunto de ações planejadas para criar determinado afastamento físico ou psicológico em relação à organização para a qual trabalham (MOBLEY, 1992 apud COBÊRO; GONÇALVES, 2016). DICA NOTA A perda de capital humano é um problema para as empresas em geral, no entanto, alguns setores possuem um turnover mais alto, como é o caso do setor hoteleiro (WERNECK, 2013). Cabe destacar que o turnover pode ser resultado de disfunções organizacionais, ou seja, problemas que geram ou agravam situações negativas. Por exemplo, o prolongado estado de estresse causado por conflitos internos, desmotivação, cansaço físico ou emocional, pode desencadear um colapso psíquico, chamado Síndrome de Burnout (HAN, 2017). 7 Vamos conhecer melhor essa síndrome. O Inventário de Burnout de Maslach categoriza o Burnout em três componentes: exaustão emocional, despersonalização e realização pessoal reduzida. FIGURA 1 – COMPONENTES DO BURNOUT SEGUNDO O INVENTÁRIO DE BURNOUT DE MASLACH FONTE: Adaptada de Cheng e Yang (2018) Conforme Robbins (2005), a insatisfação pode gerar quatro respostas: I- Saída: comportamento dirigido ao abandono da empresa, incluindo a busca de um novo emprego e demissão. II- Comunicação: tentativa ativa e construtiva de melhorar as condições de trabalho, incluindo sugestão de melhorias. III- Lealdade: espera passiva e otimista de que as condições melhorem. IV- Negligência: encontrar artifícios de deixar as coisas piorarem, como absenteísmo, redução de desempenho e aumento de erros. O desengajamento e a exaustão podem trazer efeitos negativos para a organização, incluindo, mas não se limitando ao aumento dos custos organizacionais, redução da produtividade e aumento de impactos negativos para a família do funcionário (KASA; HASSAN, 2017). 8 A decisão de desligar-se depende de duas percepções. A primeira é o nível de insatisfação do funcionário com o trabalho. A segunda é o número de alternativas atrativas que ele visualiza fora da organização, isto é, no mercado de trabalho. O funcionário pode estar insatisfeito com o trabalho em si, com o ambiente de trabalho ou com ambos (CHIAVENATO, 2014, p. 82). IMPORTANTE Como nós vimos anteriormente, o turnover tem relação direta com essas ações, que visam ao afastamento físico e mental do problema ou da empresa. Além dos problemas internos, as condições de mercado, oportunidades no emprego (por exemplo, chances de conseguir uma progressão salarial ou promoção) são aspectos importantes para a decisão de pedir demissão de um emprego (COBÊRO; GONÇALVES, 2016). Contudo, se o preenchimento de uma vaga de trabalho “abandonada” é algo complexo, isso se agrava se pensarmos que a empresa perde capital humano, incluindo a dedicação em qualifi cação profi ssional. Cobêro e Gonçalves (2016) destacam que a saída de funcionários leais e experientes pode ser muito prejudicial para as instituições. Cobêro e Gonçalves (2016) apontam algumas razões para a rotatividade que podem ser evitadas: insatisfação com salários, problemas de relacionamento com a gerência e outros membros da equipe de trabalho, falta de treinamento, ritmo do trabalho e estresse, carga horária do trabalho, entre outros. A rotatividade não é uma causa, mas o efeito de algumas variáveis externas e internas (CHIAVENATO, 2014). ATENÇÃO Mas como diminuir a rotatividade de funcionários e valorizar o capital humano? Uma das formas que podemos citar é a qualifi cação profi ssional. Não basta dar informações para que os funcionários aprendam novos conteúdos e técnicas, desenvolvam novas habilidades e se tornem mais efi cientes em suas funções. Deve ser assegurado ao ser humano a oportunidade de ele ser aquele que pode ser, a partir de suas potencialidades (PAIXÃO, 2006). 9 Outra forma de valorizar o capital humano é dando autonomia e responsabilidades para os funcionários. Conforme destaca Bühler (2009, p. 40): Todos os gestores e colaboradores devem se sentir responsáveis para contribuir e assegurar que os serviços sejam desempenhados com qualidade. Na economia dos serviços todos os funcionários são o espelho da empresa, desde o gerente até a faxineira. Todos devem manter um contato direto e participativo nas ações e processos de melhorias. Portanto, a empresa deve valorizar seus funcionários e incentivá-los à melhoria contínua de seus serviços, seja por meio de aumento da remuneração, concessão de benefícios extras, cursos de qualificação, prêmios, além de manter um ambiente de trabalho saudável e criar boas condições de trabalho. Cobêro e Gonçalves (2016, p. 17) aponta que [...] a rotatividade de funcionários nas organizações precisa ser mais bem compreendida, e que os funcionários não sejam vistos apenas como custos e, sim, como o capital intelectual, que participa dos processos e agrega valor à empresa. Sendo assim, a gestão de pessoas precisa estar presente de forma estratégica, tendo um papel decisório na intermediação das necessidades dos funcionários e da organização. 3 A IMPORTÂNCIA DO CAPITAL HUMANO PARA A HOTELARIA Anteriormente, nós abordamos o capital humano, como valorizá-lo e desenvolvê- lo e as consequências negativas da não valorização. E no setor da hotelaria, o capital humano é realmente importante? Vamos descobrir neste subtópico. 3.1. O CAPITAL HUMANO PARA A HOTELARIA No setor de prestação de serviços – onde a hotelaria se enquadra – há uma dependência forte do capital humano (DIAS; PIMENTA, 2005; COBÊRO; GONÇALVES, 2016). Mais adiante, nós abordaremos as características do setor de serviços e poderemos entender melhor essa dependência. Os trabalhadores do setor de serviços desempenham um papel crucial na criação de uma experiência agradável para os clientes.O trabalho do funcionário de hospitalidade é frequentemente caracterizado por níveis consideráveis de interação humana. O setor de hospitalidade exige que os funcionários prestem serviços superiores, personalizados para atender às necessidades de vários clientes (CHENG; YANG, 2018). 10 É por isso que o fator humano, o capital humano é a dimensão mais importante da hospitalidade, especialmente porque a hospitalidade é uma dádiva que circula entre pessoas. Cabe ressaltar que, além das pessoas serem as executantes das funções em uma empresa, na hotelaria elas desempenham um papel ainda mais relevante e delicado: o atendimento ao cliente de forma direta. Assim, vale mencionar o que Petrocchi (2007, p. 42) aponta: “[...] não são as paredes, os móveis ou a decoração do hotel que atenderão o hóspede, mas a equipe que opera o hotel”. Embora essa citação pareça algo óbvio, ela nos traz duas refl exões: há empresas hoteleiras que hipervalorizam a infraestrutura e a quantidade de serviços disponibilizados, mas negligenciam a importância da equipe; e, há empresas que, além de negligenciar, não valorizam os funcionários enquanto pessoas, trabalhadores que também devem ser considerados. FIGURA 2 – IMPORTÂNCIA DO CAPITAL HUMANO NA HOTELARIA FONTE: A autora A gestão de recursos humanos é um grande desafi o para as empresas e quanto maior o porte, mais complicada se torna a gestão. Engloba-se nisso a gestão de confl itos (PETROCCHI, 2007), afi nal “as interações com hóspedes hostis e relacionamentos confl ituosos com pares são causas frequentes de mal-estar que diminuem a satisfação com o trabalho” (SANT’ANNA; CARNEIRO; LESCURA, 2021, p. 55). 11 No caso de hotéis que funcionam na alta temporada do turismo – algo comum na zona costeira do Brasil, por exemplo – a gestão de equipe se torna mais complexa, devido a rotatividade alta (cada temporada é um novo processo de contratação) e o pouco tempo de relação, tornando a relação humana fragilizada. Outros problemas enfrentados pela gestão é garantir o trabalho decente, considerando a promoção dos direitos trabalhistas, a geração de empregos produtivos e de qualidade, a geração de renda suficiente para manutenção econômica, a extensão da proteção social e o fortalecimento do diálogo social, a segurança física e mental dos trabalhadores (SANT’ANNA; CARNEIRO; LESCURA, 2021), além de manter um ambiente de trabalho saudável. Essas condições podem minimizar a existência de disfunções organizacionais. É preciso ter em mente que um elevado índice de turnover em um estabelecimento hoteleiro pode significar uma heterogeneidade no serviço prestado, com pouca previsibilidade sobre seus resultados (DIAS; PIMENTA, 2005). 3.2. DISFUNÇÕES ORGANIZACIONAIS NA HOTELARIA, CAUSAS E SOLUÇÕES Assim como apresentado anteriormente, as disfunções organizacionais também estão presentes na hotelaria. Tais disfunções levam a um quadro de turnover recorrente. Os hotéis, em geral, apresentam alto índice de substituição de funcionários, em decorrência de fatores como esforço físico, más condições de trabalho, carga horária de trabalho e baixa remuneração (COBÊRO; GONÇALVES, 2016). De fato, atuar na área da hospitalidade, embora seja algo prazeroso e interessante, gera inúmeros desafios que vão desde a característica do setor até a ausência de políticas públicas efetivas para os profissionais. Mas esse é assunto para outro momento. Por esses motivos e outros, os trabalhadores de serviços tendem a apresentar níveis mais elevados de desgaste do trabalho (CHENG; YANG, 2018). Para se ter uma ideia, Kasa e Hassan (2017) desenvolveram um estudo a 233 trabalhadores hoteleiros da Malásia, no qual analisaram a relação entre a exaustão e o conflito trabalho-família concluindo que efetivamente, existe uma relação direta entre esses dois elementos. Isso também é apontado por Sant’Anna, Carneiro e Lescura (2021). Já Kim, Shin e Umbreit (2007) apontaram em seu estudo que os funcionários jovens do setor da hospitalidade abandonam seu emprego por conta de: carga horária do trabalho (incluindo noites, feriados e fins de semana), baixos salários e estresse de tarefas exigentes e supervisores. 12 Sant’Anna, Carneiro e Lescura (2021) destacam algumas condições desfavoráveis aos trabalhadores da hotelaria: a ergonomia da atividade, as extensivas jornadas de trabalho, o alto nível de exigências, a ausência de controle sobre o trabalho, a ausência de suporte social e a discriminação. Verifi ca-se, então, um desafi o dos gestores para amenizar o quadro de turnover e as disfunções organizacionais. A ação proativa das instituições pode eliminar ou, pelo menos, minimizar a probabilidade de ocorrência de burnout e, consequentemente, turnover, por fornecer suporte adequado para o bem-estar social, mental e físico dos funcionários do hotel (KASA; HASSAN, 2017). Kasa e Hassan (2017) apontam algumas formas de suporte ao funcionário: aprimoramento da relação entre funcionário-supervisor ou entre funcionários, afi rmação positiva constante (reconhecimento) e descanso adequado para que possam conviver com a família e amigos. Posteriormente, a situação harmônica acabará por melhorar a reputação do hotel e serviço. Conforme Kim, Shin e Umbreit (2007), os funcionários com mais autonomia têm menos probabilidade de sofrer estresse no trabalho (menos exaustão), de tratar os clientes de forma mais pessoal (falta de cinismo) e sentir orgulho de seu trabalho (efi cácia profi ssional). Portanto, os hoteleiros devem fornecer treinamento para que seus funcionários usem sua autonomia de forma adequada, de forma que possam maximizar a satisfação do cliente. FIGURA 3 – IMPACTOS POSITIVOS DA AUTONOMIA PARA OS FUNCIONÁRIOS FONTE: Adaptada de Kim, Shin e Umbreit (2007) 13 Por isso, os gestores dos meios de hospedagem devem considerar a implementação de estratégias de gerenciamento de talentos humanos em nível de função que ofereçam aos funcionários de serviço maior autonomia. Eles devem garantir que as condições de trabalho criem um ambiente de trabalho favorável, que seja sensível às preferências dos funcionários para o planejamento e a programação de tarefas (CHENG; YANG, 2018). A gestão deve, também, ser participativa, de modo a possibilitar a escuta atenta aos funcionários. Mas isso, como destaca Petrocchi (2007), tem relação direta com o estilo de liderança. Além disso, podem ser oferecidos programas de treinamento que, em consequência, podem aumentar a satisfação no trabalho (CHENG; YANG, 2018). Por sua vez, ao trabalhar com satisfação, a equipe oferecerá um serviço de maior qualidade, agregando valor à estadia (PETROCCHI, 2007). Mais adiante, nesta Unidade, nós iremos abordar o conceito de qualidade e sua aplicação no setor hoteleiro. ESTUDOS FUTUROS 4 RELAÇÃO ENTRE CAPITAL HUMANO E QUALIDADE Acadêmico, neste subtópico, nós verifi caremos a relação entre o capital humano e a noção de qualidade de serviços. 4.1 DETERMINANTES DA QUALIDADE DE SERVIÇOS A qualidade do atendimento é fator determinante na satisfação e, em consequência, para a fi delização do cliente. Assim como explicam Dias e Pimenta (2005, p. 90): “O atendimento deve ser visto como essencial para a satisfação do cliente. É por meio dele que recepcionistas, camareiras, mensageiros, garçons, maitres podem entender os desejos e as necessidades do hóspede e procurar atendê-los, demonstrando a importância dada a ele e a sua satisfação”. A qualidade do atendimento envolve vários determinantes. Um deles é a aparência e a apresentação do funcionário: “higiene corporal, cuidado com a indumentária, tom de voz agradável, dicção correta são componentes básicos e indispensáveis da apresentação” (DIAS; PIMENTA, 2005, p. 90). 14 Além disso, o modo de falar e olhar, os gestos e palavras proferidas, a atitude do atendente em relação ao hóspede são elementos subjetivos que compõem a qualidade percebida (DIAS; PIMENTA, 2005). Não é à toa que, a técnica de avaliação “ClienteOculto” costuma analisar esses aspectos também. Essa técnica consiste na contratação de terceiros por proprietários ou gestores de empresas para avaliação da qualidade do empreendimento. O contratado, uma pessoa capacitada, fi nge ser um consumidor qualquer ao mesmo tempo em que avalia toda a estrutura e os serviços da empresa. Ao fi nal da visita, o cliente oculto elabora um relatório minucioso com as informações solicitadas pelo contratante. E há também os casos de empreendedores que contratam os clientes ocultos para avaliarem a concorrência (SEBRAE, 2019). IMPORTANTE A qualidade depende do envolvimento e da integração entre as pessoas, portanto, um ambiente com clima organizacional favorável é determinante (DIAS, PIMENTA, 2005). As pessoas devem se sentir confortáveis para expressar seus pontos de vista, críticas e sugestões. Além disso, devem ter autonomia de decisão em situações inesperadas (DIAS; PIMENTA, 2005), como dar cortesia, conceder desconto, entre diversas outras situações que podem surgir no cotidiano hoteleiro. Nós já abordamos o conceito de empowerment aqui nesta unidade. Ele é de extrema importância para o envolvimento dos colaboradores. Contudo, os gestores devem lembrar que é preciso delegar responsabilidade pelos resultados e não pelas funções exercidas (PETROCCHI, 2007). 15 FIGURA 4 – AS BASES PARA O EMPOWERMENT FONTE: Adaptada de Petrocchi (2007) Uma forma de corroborar com isso é a realização de reuniões frequentes com os supervisores, gerência ou mesmo proprietários do empreendimento hoteleiro. Nessas reuniões, podem ser colocados em pauta os problemas e sugestões para a melhoria do funcionamento da empresa (DIAS; PIMENTA, 2005). No entanto, o primeiro passo a ser tomado é de responsabilidade dos responsáveis pelo recrutamento e seleção de pessoal, que devem se ater ao perfil adequado para lidar com o público, especialmente um público diverso, com uma variedade de costumes, sexualidade, religiões, características temperamentais, entre diversos outros aspectos que constituem o ser humano e suas culturas. Assim como destacado por Petrocchi (2007, p. 130), “prover serviços diretamente aos hóspedes envolve aspectos emocionais. Os funcionários que lidam com os hóspedes podem vivenciar conflitos, exaustão ou equívocos, caso não estejam motivados e treinados”. É preciso lembrar que a equipe é fator decisivo para o sucesso de um negócio. A empresa deve valorizar o capital humano e as pessoas, incentivá-las à melhoria contínua, seja por meio de aumento da remuneração, concessão de benefícios extras, cursos de qualificação, prêmios, além de manter um ambiente de trabalho saudável e criar boas condições de trabalho. Ao trabalhar com satisfação, a equipe oferecerá um serviço de maior qualidade, agregando valor à estadia, conforme destaca Petrocchi (2007). 16 No próximo tópico nós iremos abordar com mais profundidade a gestão da qualidade. Até lá! Há um documentário que se chama “Bastidores da hotelaria”, lançado em 2010. No Brasil, o documentário, dirigido por Peter Cordenonsi e realizado pela Integral Filmes, mostra um pouco da vida na hotelaria, trazendo o depoimento de diversos trabalhadores. Você pode visualizar uma prévia no Canal da Integral Filmes no Youtube. Acesse em: h t t p s : / / w w w . y o u t u b e . c o m / w a t c h ? v = 5 o j l 7 o a j R M M & a b _ channel=IntegralFilmes. DICA 17 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • O capital humano tem relação com o conhecimento, as habilidades, o talento, o comportamento, o empenho e o tempo dispendido por uma pessoa em seu trabalho. O capital humano deve ser valorizado e desenvolvido pelas empresas, primeiramente por seu valor para a organização e, em segundo lugar, porque a perda de capital humano é um problema. • O turnover pode ser resultado da falta de valorização das pessoas e de seu capital humano. Situações como insatisfação com salários, problemas de relacionamento com a gerência e outros membros da equipe de trabalho, falta de treinamento, ritmo do trabalho, estresse e exaustiva carga horária de trabalho podem gerar disfunções organizacionais ou a alta rotatividade na empresa. • Na hotelaria, os trabalhadores desempenham um papel crucial, especialmente por terem níveis consideráveis de interação com os clientes. Assim, os empreendimentos hoteleiros precisam do capital humano para alcançar a excelência e a qualidade total. Por isso, devem encontrar estratégias para garantir a satisfação dos funcionários, como aumento da remuneração, concessão de benefícios, qualificação profissional, prêmios, manutenção de ambiente de trabalho agradável e boas condições de trabalho. • A qualidade do atendimento é fator determinante na satisfação dos clientes e, consequentemente, em sua fidelização, mas ela envolve diversos aspectos: higiene corporal, cuidados com as vestimentas e acessórios, tom de voz agradável, dicção correta e gestos e palavras proferidas são alguns deles. RESUMO DO TÓPICO 1 18 1 O capital humano é um conceito amplamente difundido nos estudos sobre gestão organizacional. Ele foi disseminado no Brasil após a década de 1960 e diz respeito a um ativo de grande importância para os negócios, sendo considerado um patrimônio inestimável das organizações. Sobre esse conceito, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) O capital humano diz respeito aos custos fixos anuais com remuneração de pessoal com ensino superior. b) ( ) O contexto organizacional é importante para o desenvolvimento do capital humano, incluindo a arquitetura organizacional. c) ( ) O capital humano está relacionado somente com o conhecimento e o talento dos funcionários. d) ( ) Quando ocorre a demissão de um funcionário, o capital humano fica retido na organização. 2 Thomas Davenport é um dos principais estudiosos sobre a teoria do capital humano. Esse autor indicou que há quatro fatores relacionados ao capital humano. Com base nos fatores apontados por Davenport, classifique com V as alternativas verdadeiras e com F as alternativas falsas. ( ) Conhecimento, habilidade, comportamento e status sociais são quatro fatores primordiais para a existência de capital humano. ( ) A habilidade diz respeito ao controle de um conjunto de fatos requeridos para executar um trabalho. ( ) O comportamento é um dos fatores relacionados ao capital humano e relaciona-se às formas observáveis de agir. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – V. b) ( ) F – V – F. c) ( ) V – V – F. d) ( ) F – F – V. 3 As pessoas e seu capital humano são fatores determinantes na satisfação do cliente, especialmente em áreas como a hotelaria, onde há um nível elevado de contato humano entre os trabalhadores e os consumidores. A qualidade no atendimento – um dos elementos da qualidade percebida – depende de diversos fatores. Com base nesses fatores, analise as sentenças a seguir: AUTOATIVIDADE 19 I- Apenas a formalidade utilizada pelo funcionário é fator determinante da qualidade do atendimento, sendo os demais fatores dispensáveis. II- O cuidado com a aparência e a apresentação não são determinantes da qualidade do atendimento. III- O tom da voz, os gestos e as palavras proferidas pelo funcionário também são relevantes para a concepção de qualidade no atendimento. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença I está correta. c) ( ) As sentenças II e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 4 O termo turnover pode ser traduzido como rotatividade e diz respeito à saída voluntária de funcionários. Algumas empresas possuem uma taxa de turnover alta, o que pode ser resultado da falta de valorização e desenvolvimento do capital humano. Nesse contexto, disserte sobre fatores que podem levar à demissão voluntária de funcionários e fatores que podem agravar o quadro de turnover da empresa. 5 O empoderamento (empowerment)faz parte do contexto organizacional e é uma forma de os gestores reforçarem o capital humano. Nesse contexto, com base em Chiavenato (2014), disserte sobre o que é o empowerment e as bases necessárias a sua existência. 20 21 GERENCIAMENTO DE QUALIDADE NA HOTELARIA 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 2, nós trabalharemos com a ideia de qualidade de serviços. Para isso, partiremos de uma definição mais geral, abordando o conceito e as características da qualidade de serviços, destacando a definição de qualidade e de qualidade total, suas dimensões e determinantes. Em seguida, aplicaremos a noção de qualidade de serviços à hotelaria, apontando mecanismos e processos que garantem essa qualidade. Atrelado a isso, ressalta-se a importância da qualidade de serviços para o setor hoteleiro. Para finalizar este tópico, adentraremos no tema do controle de qualidade, com foco na hotelaria. Nesse sentido, identificaremos processos e mecanismos que podem ser aplicados a uma empresa e que colaboram para a implantação de um sistema de qualidade e para o processo de controle de qualidade. 2 CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DA QUALIDADE DE SERVIÇOS No subtópico anterior nós já abordamos a qualidade. Neste subtópico, nós iremos retomar a definição de qualidade, esmiuçando suas características. 2.1 DEFINIÇÃO DE QUALIDADE A qualidade do serviço ou produto é uma virtude esperada pelos consumidores, sendo que sua fidelização enquanto cliente está intrinsicamente relacionada à percepção de qualidade. Mas, afinal, o que é qualidade? Pode-se dizer que há dois tipos de qualidade: a qualidade (voltada ao serviço em si) e a qualidade total. Vamos à explicação. Assim como destacado por Petrocchi (2007), a qualidade total tem duas dimensões: o que e como. “O que” diz respeito ao produto ou serviço oferecido e o “como” é a maneira como aquele produto ou serviço é oferecido. Por exemplo, um meio de hospedagem pode ofertar um serviço de massagem para seus hóspedes. Isso é UNIDADE 1 TÓPICO 2 - 22 um diferencial e denota status. No entanto, caso o encarregado pelas massagens não seja um profi ssional qualifi cado, o serviço pode não apenas não ser de qualidade, mas gerar complicações à saúde dos hóspedes. Portanto, não basta ofertar algo, mas que o serviço/produto seja de qualidade. O autor apresenta as cinco dimensões da qualidade total, a saber: • Qualidade intrínseca: aspectos das instalações em geral. • Custo: precisa ser compatível com o nível do serviço oferecido, ou seja, empreendimentos que têm uma diária de alto valor, devem oferecer diferenciais que justifi quem o preço. • Atendimento: está diretamente relacionado à concepção de hospitalidade. De nada adianta instalações sofi sticadas, opções de serviço diferenciados ou amenidades cortesia caso o atendimento não seja de qualidade. Fatores como atenção, disponibilidade, cortesia, compromisso, simpatia e outras qualidades são elementos subjetivos perceptíveis pelos hóspedes, conforme destaca Petrocchi (2007). • Moral: tem relação com o ambiente correto e o respeito às pessoas e à legislação vigente. Portanto, diz respeito à ética e à responsabilidade social e ambiental da empresa. • Segurança: compreende a segurança física das instalações, dos hóspedes e funcionários, seguindo os padrões determinados pelas normas legais, como Vigilância Sanitária e Corpo de Bombeiros. Kotler (2000), por sua vez, traçou cinco determinantes da qualidade de um serviço: • Confi abilidade: habilidade de desempenhar o serviço como prometido. • Atenção: disposição em ajudar e fornecer serviço dentro do prazo estipulado. • Segurança: o conhecimento e a cortesia dos funcionários e sua habilidade em inspirar confi ança e segurança. • Empatia: atenção individualizada aos consumidores. • Itens tangíveis: aparência das instalações, dos equipamentos, dos funcionários e do material de comunicação. É importante entender que satisfação e qualidade são coisas diferentes. Satisfação tem um sentido mais amplo: ela é mais inclusiva e é infl uenciada pelas percepções da qualidade do serviço ou produto, pelo preço, por fatores pessoais, entre outros. FONTE: <https://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/ conheca-fatores-que-determinam-a-satisfacao-do-seu-cliente,21a46f65 a8f3a410VgnVCM2000003c74010aRCRD>. Acesso em: 26 jan. 2022. ATENÇÃO 23 Fitzsimmons e Fitzsimmons (2011) apontam que, no setor de serviços, a avaliação da qualidade acompanha todo o processo de prestação do serviço. Esses autores apontam que “cada contato com um cliente é referido como um momento de verdade, uma oportunidade de satisfazer ou não ao cliente”. Entenda o que são os “momentos da verdade” e sua relação com a qualidade de serviços no vídeo “Momentos da Verdade na Experiência do Cliente” do Canal do Youtube “Claudia Vale - Customer Experience”. Acesse: h t t p s : / / w w w . y o u t u b e . c o m / w a t c h ? v = _ n B R H U L t 2 g Q & a b _ channel=ClaudiaVale-CustomerExperience. DICAS 3 QUALIDADE DE SERVIÇOS NA HOTELARIA Neste subtópico, nós iremos aprender sobre qualidade de serviços na hotelaria, sua importância e possibilidades de metodologias para controle da qualidade. 3.1 QUALIDADE DE SERVIÇOS NA HOTELARIA Até pouco tempo atrás, o setor de hospitalidade do Brasil atuava em um mercado com grande demanda e pouca oferta, o que gerava despreocupação dos gestores em relação à qualidade dos serviços prestados. No entanto, a entrada das redes multinacionais, a partir da década de 1990, tornou o mercado competitivo e exigiu que empresas familiares buscassem melhorias contínuas (DIAS; PIMENTA, 2005). Com isso, a qualidade dos serviços prestados passou a ser um diferencial, uma vez que a oferta se expandiu consideravelmente em muitos municípios. Aqui cabe ressaltar que, assim como exposto por Petrocchi (2007, p. 47), “qualidade não significa luxo”. Em outras palavras, não tem relação direta com sofisticação, pois mesmo empreendimento mais modestos podem oferecer um serviço de elevada qualidade, dentro do nicho de mercado em que atua. Equipe treinada, procedimentos padronizados, cortesia, disponibilidade, cuidados na limpeza, arrumação, segurança, manutenção e reparado adequados e ágeis, fornecimento de cortesias/brindes, qualidade nos serviços de alimentação, lazer, entre outros elementos são cruciais para a qualidade percebida pelo hóspede (PETROCCHI, 2007). Não basta que um serviço seja prestado, ele deve ser efetuado de forma eficiente e eficaz. Por exemplo, não basta um estabelecimento hoteleiro https://www.youtube.com/channel/UCh98hLCwq1_rkatJZPCQPUw 24 possuir uma copa e serviço de lanche no período da noite, se a entrega dos pratos é excessivamente demorada. A demora pode desagradar os hóspedes de forma mais intensa que se não tivesse. A satisfação do hóspede tem relação com a qualidade percebida. E a sobrevivência da empresa está ligada à satisfação do cliente. Dessa forma, um cliente potencial (aquele que pode utilizar o serviço ou produto, mas ainda não o fez por alguma razão) pode se transformar em cliente real (aquele que consome o produto ou serviço). Já o cliente real pode se fi delizar, deixando de utilizar outros fornecedores/prestadores de serviço. Cabe destacar que essas atitudes precisam permear todos os setores do estabelecimento hoteleiro, mesmo aqueles que têm menos interação com o hóspede, pois uma organização é formada pelo conjunto de pessoas que atuam conjuntamente, ou seja, é um sistema, com subsistemas interligados e interdependente. Se há um ruído, uma falha em um setor, isso irá prejudicar os demais, e, consequentemente, a empresa como um todo. A qualidade precisa ser incorporada em todos os ciclos de serviço que compõem a experiência de hospedagem. Por exemplo, o ciclo da reserva, o ciclo do check-in, o ciclo do check-out, o ciclo da alimentação, entre diversos outros possíveis. FIGURA 5 – EXEMPLO DE CICLO DE SERVIÇO – CICLO DO CHECK-IN FONTE: Adaptada de Petrocchi(2007) 25 Como vimos anteriormente, há que se destacar a qualidade total, que engloba os aspectos intrínsecos de um hotel, como a infraestrutura, os equipamentos, o grau de informatização, a acessibilidade, o conforto das Unidades Habitacionais (UH) e dos leitos, entre diversos outros aspectos cruciais para que um estabelecimento hoteleiro seja entendido como “bom”. Não basta disponibilizar algo, mas também que este serviço, espaço, produto seja bom e satisfaça as necessidades do cliente. Podemos citar o exemplo de um meio de hospedagem que conta com uma academia de ginástica, utilizando esse espaço como um atributo positivo para sua comercialização. O fato de que esse meio de hospedagem tenha uma academia de ginástica dá vantagem competitiva em relação a outros estabelecimentos que não tenham. No entanto, caso o espaço não tenha boa infraestrutura, tenha equipamentos defasados ou esteja em manutenção, o grau de qualidade percebida pelo hóspede irá diminuir, ou seja, não basta ter uma academia de ginástica, mas que essa esteja em boas condições e disponível para usufruto do hóspede. Petrocchi (2007) destaca, ainda, outros benefícios da qualidade total: diminuição de custos, diminuição de desperdícios, melhora do desempenho dos equipamentos, elimina horas improdutivas, entre diversos outros. Portanto, beneficia a todos os envolvidos no ciclo do serviço. Inclusive, podemos destacar que a qualidade dos serviços se constituiu como um fator de diferenciação da empresa (PETROCCHI, 2007). Portanto, atua em favor da vantagem competitiva. Os hotéis têm se destacado justamente pela ênfase na prestação de serviços. “Embora a marca adotada pelo hotel seja importante, não constitui fator determinante para seu sucesso [...] Os hotéis bem-sucedidos utilizam estratégias eficazes para prestar, regularmente, serviços de boa qualidade aos hóspedes” (HAYES; NINEMEIER, 2005, p. 19-20). 3.2 CONTROLE DE QUALIDADE APLICADO À HOTELARIA Um empreendimento hoteleiro é um sistema que é constituído por subsistemas (setores, cargos, departamentos) que funcionam de forma inter-relacionada e interdependente. Por isso, pensar em garantir a qualidade em todos os processos e subserviços prestados torna-se uma missão complexa. Desse modo, a implantação de um sistema de qualidade representa uma oportunidade de realizar essa missão de forma eficiente e eficaz. A partir da implantação de um sistema de qualidade, a equipe incorpora à sua forma de trabalhar a necessidade de planejamento, de definição de objetivos e estratégias, de definir resultados (DIAS, PIMENTA, 2005), e, assim, tornam-se mais resilientes frente a ameaças externas, que podem ser em relação à concorrência, a uma crise financeira, uma crise de saúde pública, entre diversos outros fatores que podem impactar a rotina do meio de hospedagem. 26 Os sistemas de qualidade também contribuem para uma “visão de futuro” da equipe. Ou seja, os funcionários necessitam usar a criatividade e ousadia para aplicar novos procedimentos na empresa (DIAS; PIMENTA, 2005). Cabe relembrar, que a qualidade (total) não está relacionada apenas à satisfação do cliente, mas também à redução de custos, a melhoria da produtividade e da eficiência (DIAS; PIMENTA, 2005). Além disso, com a implantação de procedimentos e regras, diminuem-se os ruídos que podem ocorrer entre um setor e outro ou entre um cargo e outro. Assim, contribui-se para um ambiente de trabalho saudável e, consequentemente, para a responsabilidade social da empresa. Dias e Pimenta (2005) destacam que há três abordagens a respeito da gestão de qualidade, que podem ser aplicadas individualmente ou de forma complementar. São elas: • Abordagem americana: considera a qualidade o resultado da intenção e medidas adequadas. Baseia-se na trilogia de Joseph Juran: planejamento, controle e aperfeiçoamento. • Abordagem japonesa: baseada nos princípios de Edwards Deming, utiliza métodos estatísticos e valoriza o ser humano. • Abordagem europeia: baseia-se na certificação de empresas e na padronização de processos (como é o caso das normas ISO). Por onde começar a implantação de um sistema de qualidade? Pode-se dizer que a construção de um sistema de qualidade deve iniciar com um diagnóstico da empresa, pelo qual será possível verificar as fragilidades. A seguir, veremos algumas possibilidades de metodologias e estratégias, seja para diagnóstico, seja para o controle da qualidade. 3.2.1 Análise SWOT Uma boa metodologia para isso é a Matriz SWOT (Strengths, Weaknesses, Opportunities e Threats). Essa técnica de análise surgiu na década de 1960 e é amplamente utilizada para o planejamento estratégico de empresas. 27 FIGURA 6 – FATORES ANALISADOS PELA MATRIZ SWOT FONTE: A autora Assim como destacado por Oliveira (2007), a análise pela Matriz SWOT se dá com base nos seguintes elementos: • Pontos fortes (Strengths): é uma variável controlável e diz respeito à diferenciação conseguida pela empresa, que lhe proporciona uma vantagem no ambiente empresarial. • Pontos Fracos (Weaknesses): é uma variável controlável e diz respeito à situação inadequada da empresa que lhe proporciona uma desvantagem no ambiente empresarial. • Oportunidades (Opportunities): é uma variável não controlável e representa a força ambiental externa, que pode favorecer sua ação estratégica, desde que conhecida e aproveitada. • Ameaças (Threats): é uma variável não controlável e refere-se à força ambiental externa que cria obstáculos à ação estratégica da empresa, mas que pode ser evitada, desde que reconhecida em tempo hábil. Na hotelaria, podemos exemplifi car da seguinte forma: ponto forte – conforto e qualidade das instalações do meio de hospedagem; ponto fraco – disparidade do atendimento na recepção, demandando treinamento para homogeneizar os processos; oportunidades – evento de grande porte que será sediado na localidade, oportunizando um plano de tarifas estratégico ou o fechamento de acordo com a organização do evento; ameaça – fechamento de empresa que gerava fl uxo de hóspedes para o meio de hospedagem, demandando estratégias de captação de novos clientes-chave. 28 Utilizando a Matriz SWOT, os gestores poderão ter uma visão ampla dos fatores internos e externos à organização, que podem ser usados a favor de seu negócio ou aqueles que merecem atenção por representarem ameaças. É essencial reconhecer esses aspectos para traçar planos estratégicos eficazes. 3.2.2 Pesquisa de satisfação e pesquisa de mercado Outro método importante é a pesquisa de satisfação ou pesquisa de mercado, verificando o que os clientes reais pensam sobre o hotel e o que os clientes potenciais buscam em um hotel. Fazer o cruzamento entre as falhas e os pontos fortes e as oportunidades é uma ótima estratégia para se pensar no sistema de qualidade. Fitzsimmons e Fitzsimmons (2011, p. 44) destacam que “é impraticável monitorar a produção de cada empregado, por isso os clientes desempenham um papel no controle da qualidade emitindo suas opiniões. O contato direto entre cliente e empregado também tem implicações para as relações de serviços”. Sobre isso, Petrocchi (2007) destaca que há empresas voltadas à prestação de serviços que são prejudicadas por ignorarem a atividade-fim da organização, que é o atendimento ao cliente. No entanto, deve-se destacar que apenas coletar a opinião pós-hospedagem não é suficiente. Essas informações precisam ser analisadas e serem transformadas em ações práticas. O feedback pode ocorrer via e-mail, opiniões em agências on-line, formulário de avaliação disponível da recepção e mesmo oralmente no ato do check-out. 3.2.3 Autoavaliação Obter o feedback dos funcionários é uma estratégia eficiente que os gestores podem adotar. Ninguém melhor para informar quais são os pontos fortes e fracos, as dificuldades, as melhorias necessárias, entre outros aspectos. Além disso, ao ouvir a opinião da equipe, o gestor demonstra respeito e consideração pelo trabalhoe conhecimento dos trabalhadores. Por outro lado, se o feedback for considerado, isso se constitui um estímulo para o funcionário. Sobre a autoavaliação, Dias e Pimenta (2005) ressaltam que é preciso garantir a objetividade das respostas e, para isso, se faz importante a confiança entre a gerência e os demais funcionários e, também, a certeza de que o objetivo é a melhoria dos serviços e não a punição. 29 A autocrítica também é fundamental. É imprescindível que os gestores, os funcionários e os proprietários dos empreendimentos hoteleiros tenham autocrítica, reconhecendo as suas fragilidades e pontos a melhorar. Ao reconhecer esses aspectos, é possível avançar em relação à qualidade. 3.2.4 Padrões ISO A ISO (International Standardization Organization) é uma organização internacional não governamental independente, criada em 1946. Desde então, se empenha na elaboração de normas internacionais voluntárias, baseadas em consenso e relevantes para o mercado (ISO, s.d.). As normas ISO 9001: 2015, por exemplo, dizem respeito aos requisitos do sistema de gestão de qualidade, especificadas quando uma organização: a) precisam demonstrar sua capacidade de fornecer produtos e serviços de forma consistente, que atendam ao cliente e aos requisitos legais e regulamentares aplicáveis, e b) visam aumentar a satisfação do cliente através da aplicação eficaz do sistema, incluindo processos de melhoria do sistema e a garantia da conformidade com o cliente e os requisitos legais e regulamentares aplicáveis (ISO, s.d.). PRINCÍPIOS ESPECIFICIDADES Foco no cliente Compreende as necessidades atuais e futuras de clientes. Procura exceder as expectativas e torna-se primordial para a sobrevivência organizacional. Liderança Cria e mantém um ambiente que permita que colaboradores estejam completamente envolvidos com os objetivos organizacionais. Para tanto, as figuras de liderança estabelecem uma unidade de propósito para que esses objetivos sejam concretizados. Envolvimento das pessoas Em síntese, mostra-se como essência para o sucesso organizacional. O total envolvimento torna possível que as habilidades sejam utilizadas em prol da organização. Abordagem de processos Possibilita que o resultado desejado seja alcançado mais eficientemente, alocando atividades e recursos de maneira mais adequada. Abordagem de sistema para gestão Compreende, identifica e gerencia processos de forma interligada e indissociável. Enxerga a existência de efeitos dominós entre os departamentos de uma empresa hoteleira, percebendo uma interconectividade de resultados. QUADRO 2 – PRINCÍPIOS DA ISO 9001 30 Abordagem factual para tomadas de decisões Baseia decisões em dados concretos e pertinentes à realidade organizacional. Relacionamento com fornecedores Estabelece uma relação de benefícios mútuos, agregando valor a ambos os lados. FONTE: Adaptado de Santos e Silva (2018) Cabe ressaltar que todos os requisitos da ISO 9001: 2015 são genéricos e são passíveis de serem aplicados em qualquer organização, independentemente do seu tipo ou porte, ou dos produtos e serviços que oferecem (ISO, s.d.). 3.2.5 Procedimentos Operacionais Padrão (POP) Os Procedimentos Operacionais Padrão (POP) são procedimentos adotados pelas organizações a fim de fazer com que um determinado processo possa ser realizado sempre da mesma forma, independentemente do número de pessoas que o realizam. Busca, portanto, uma uniformidade da rotina operacional, seja na produção, seja na prestação de serviços (LOUSANA, 2005). Os POPs podem ser elaborados e aplicados a qualquer processo. Dentro de um meio de hospedagem, pode-se pensar em POP para atividades mais complexas até as mais simples. É possível elaborar um POP para efetivação de reservas, outro para o procedimento de check-in e check-out, mais um para elaboração de pratos no restaurante ou copa, outro para limpeza das UH, outro para manipulação de alimentos e assim por diante. FIGURA 7 – POP PARA HIGIENIZAÇÃO DAS MÃOS FONTE: <https://www.nutrimixassessoria.com.br/pop-de-higienizacao-das-maos/>. Acesso em: 21 jan. 2022. 31 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A qualidade dos serviços tem cinco determinantes principais: a confiabilidade (habilidade de desempenhar o serviço como prometido), a atenção (disposição em ajudar e fornecer serviço dentro do prazo estipulado), a segurança (o conhecimento e a cortesia dos funcionários e sua habilidade em inspirar confiança e segurança), a empatia (atenção individualizada aos consumidores) e os itens tangíveis (aparência das instalações, dos equipamentos, dos funcionários e do material de comunicação). • A satisfação do hóspede tem relação com a qualidade percebida. E a sobrevivência da empresa está ligada à satisfação do cliente. Dessa forma, um cliente potencial (aquele que pode utilizar o serviço ou produto, mas ainda não o fez por alguma razão) pode se transformar em cliente real (aquele que consome o produto ou serviço). Já o cliente real pode se fidelizar, deixando de utilizar outros fornecedores/prestadores de serviço. • A qualidade total proporciona diminuição de custos, diminuição de desperdícios, melhora do desempenho dos equipamentos, elimina horas improdutivas, entre diversos outros benefícios. Inclusive, podemos destacar que a qualidade dos serviços se constituiu como um fator de diferenciação da empresa, ou seja, uma vantagem competitiva. • A partir da implantação de um sistema de qualidade, a equipe incorpora à sua forma de trabalhar à necessidade de planejamento, de definição de objetivos e estratégias, de definir resultados e, assim, tornam-se mais resilientes frente a ameaças externas, que pode ser em relação à concorrência, a uma crise financeira, uma crise de saúde pública, entre diversos outros fatores que podem impactar a rotina do meio de hospedagem. • A implantação de um sistema de qualidade e o controle de qualidade podem ser realizados utilizando algumas metodologias e técnicas, como a análise pela Matriz SWOT, a pesquisa de satisfação, a pesquisa de mercado, a autoavaliação e autocrítica, o uso dos padrões ISO 9001 e a adoção de Procedimentos Operacionais Padrão (POP). 32 1 Uma das metodologias que podem ser utilizadas para a implementação de um sistema de qualidade em uma organização é a análise pela Matriz SWOT. Essa técnica de análise surgiu na década de 1960 e é amplamente utilizada para o planejamento estratégico de empresas, estando baseada em quatro fatores controláveis ou não controláveis. Sobre os fatores contemplados pela Matriz SWOT, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As oportunidades e as ameaças são variáveis não controláveis, pois referem-se a forças ambientais externas à organização. b) ( ) Os pontos fracos e pontos fortes são variáveis controláveis por serem elementos controlados pelas políticas econômicas do Estado. c) ( ) As ameaças representam um risco ou obstáculo real que não pode ser evitado nem mesmo pelos gestores. d) ( ) As oportunidades dizem respeito à diferenciação conseguida pela empresa e proporciona uma vantagem no ambiente empresarial. 2 Kotler (2000) nos apresenta cinco determinantes da qualidade de um serviço. Com base nas determinantes apresentadas pelo autor, analise as sentenças a seguir: FONTE: KOTLER, P. Administração de Marketing. 10. ed. Tradução Bazán Tecnologia e Linguística. São Paulo: Prentice Hall, 2000. I- O preço não é uma determinante da qualidade de um serviço, conforme Kotler (2000). II- As cinco determinantes da qualidade de um serviço são conhecidas como “5 P”, são elas: preço, praça, produto, promoção e praticidade. III- Habilidade, disposição, conhecimento, cortesia, atenção e aparência dos bens tangíveis conformam a qualidade de um serviço. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença I está correta. c) ( ) As sentenças II e III estão corretas. d) ( ) As sentençasI e III estão corretas. 3 Após a entrada de redes hoteleiras internacionais no Brasil, a qualidade dos serviços prestados passou a ser um diferencial, uma vez que a oferta se expandiu consideravelmente em muitos municípios, especialmente nas grandes cidades e nas localidades turísticas. Sobre a qualidade de serviços na hotelaria, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 33 ( ) As atitudes em relação à qualidade de serviços devem estar concentradas nas funções de contato direto com o hóspede, como recepção. As funções que têm contato indireto ou não mantêm contato com o hóspede não precisam adotar as medidas. ( ) A qualidade tem relação direta com o luxo. Um serviço não pode ser considerado de qualidade se não disponibiliza os insumos mais sofisticados. ( ) Cuidados com a limpeza e arrumação das Unidades Habitacionais e manutenção e reparo adequados e ágeis são fundamentais para a qualidade percebida pelo hóspede. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – F – F. b) ( ) F – F – V. c) ( ) V – F – F. d) ( ) F – V – F. 4 Petrocchi (2007) apresenta cinco dimensões da qualidade total (qualidade intrínseca, custo, atendimento, moral e segurança), enquanto Kotler (2000) destaca cinco dimensões determinantes da qualidade de serviço (confiabilidade, atenção, segurança, empatia e itens tangíveis). Com base nisso, disserte sobre a convergência das dimensões apresentadas pelos dois autores, ou seja, como elas dialogam. FONTE: PETROCCHI, M. Hotelaria: planejamento e gestão. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. 5 A autoavaliação e a autocrítica estão entre as metodologias que podem ser adotadas pelos gestores dos empreendimentos hoteleiros, ao buscarem implantar um sistema de qualidade, ou mesmo realizar o controle da qualidade. Nesse contexto, disserte sobre a importância da autoavaliação e da escuta aos funcionários para o reconhecimento dos pontos fortes e fracos da empresa. 34 35 TÓPICO 3 - ADMINISTRAÇÃO DE SERVIÇOS HOTELEIROS 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, neste tópico, nós discutiremos a administração de serviços hoteleiros. Para isso, iniciaremos com a conceituação e caracterização dos serviços, demonstrando suas diferenças em relação aos produtos através de dimensões específicas. Nesse sentido, exemplificaremos a aplicabilidade das dimensões dos serviços na hotelaria. Na sequência, adentraremos no planejamento e gestão de serviços, ressaltando a importância do planejamento e de uma gestão eficiente para a qualidade do “entregável”, ou seja, do serviço hoteleiro. Para finalizarmos, apresentaremos as possibilidades de estrutura organizacional, ressaltando as funções essenciais de uma empresa, a diferença entre cargos e funções e a possibilidade de departamentalização da empresa hoteleira. Ademais, apresentaremos possíveis organogramas para diferentes tipologias de meio de hospedagem. 2 OS SERVIÇOS E SUAS CARACTERÍSTICAS Neste subtópico, nós conheceremos o conceito e as definições de serviço, bem como as características que diferem dos produtos. 2.1 CONCEITO E DEFINIÇÕES DE SERVIÇO Sabe-se que os serviços diferem dos produtos em alguns aspectos. Mas você sabe quais são as características específicas dos serviços? Conforme Lovelock e Wright (2007, p. 5), o serviço seria “um ato ou desempenho que cria benefícios para clientes por meio de uma mudança desejada [...]”. Essa mudança pode ser em relação ao próprio consumidor – como é o caso de uma estadia em um hotel – ou em relação a um bem de posse ou propriedade do consumidor (como de dedetização de imóveis, reparo de automóvel, jardinagem, entre diversos outros casos). Os serviços, ao contrário dos produtos, não envolvem a transferência de propriedade (FITZSIMMONS, FITZSIMMONS, 2011). Sabemos que os hóspedes não adquirem o hotel quando realizam a compra. Então, o que estão comprando? UNIDADE 1 36 Na explicação de Fitzsimmons e Fitzsimmons (2011), os hóspedes de um hotel obtém o acesso e usufruto por meio de um aluguel temporário, sendo que esse usufruto é compartilhado. Por exemplo, os hóspedes de um hotel, embora não compartilhem simultaneamente uma unidade habitacional, compartilham o salão de café da manhã, a piscina, as áreas de lazer, o hall da recepção, entre outros espaços. Esses autores copilaram algumas definições de serviços, como podemos ver no quadro a seguir. DEFINIÇÃO FONTE Serviços são atos, processos e o desempenho de ações. Zeithaml e Bitner (1996) Serviço é uma atividade ou uma série de atividades de natureza mais ou menos intangível que normalmente, mas não necessariamente, ocorre em interações entre consumidores e empregados, recursos físicos, bens ou sistemas do fornecedor do serviço, que são oferecidos como soluções para os problemas do consumidor. Gronross (1990) O setor de serviços abrange todas as atividades econômicas cujo produto não é um bem físico ou fabricado. Geralmente, ele é consumido no momento que é produzido e fornece um valor agregado em formas que representam essencialmente interesses intangíveis do seu comprador. Quinn, Baruch e Paquette (1987) Os serviços são atividades econômicas oferecidas por uma parte (fornecedor) a outra (consumidor), considerando frequentemente desempenhos com base em um período para provocar resultados desejados nos próprios usuários, em objetos ou em outros bens pelos quais os compradores são responsáveis. Em troca pelo seu dinheiro, tempo e esforço, os clientes de serviços esperam obter valor com o acesso a bens, mão de obra, capacidades profissionais, instalações, redes e sistemas; mas normalmente eles não possuem nenhum dos elementos físicos envolvidos. Lovelock e Wright (2007) Um serviço é uma experiência perecível, intangível, desenvolvida para um consumidor que desempenha o papel de coprodutor. Fitzsimmons e Fitzsimmons (2011) QUADRO 3 – DEFINIÇÕES DE SERVIÇO FONTE: Adaptado de Fitzsimmons e Fitzsimmons (2011) 37 2.2 CARACTERÍSTICAS ESPECÍFICAS DOS SERVIÇOS Com base em Kotler e Armstrong (2003), Dias e Pimenta (2005) e Fitzsimmons e Fitzsimmons (2011), podemos traçar algumas características específicas dos serviços: intangibilidade, inseparabilidade, variabilidade, perecibilidade, simultaneidade e participação do cliente. 2.2.1 Intangibilidade Os serviços, ao contrário de produtos, não podem ser tocados e levados até os clientes. Do mesmo modo, o cliente não poderá utilizar o serviço ao longo de sua vida, mas, sim, no momento de sua experiência de compra. Por exemplo, um consumidor que adquire uma geladeira, irá realizar a compra (na loja física ou virtual), receberá sua mercadoria em sua casa e utilizará seu produto ao longo de sua vida útil. Sua experiência de compra será, consequentemente, analisada ao longo dessa vida útil. Em um hotel, por sua vez, não é possível entregar o serviço em casa, o consumidor deve se locomover até o estabelecimento para usufruir de algo que não é palpável, mas, sim, uma experiência. Aqui cabe ressaltar que a existência de elementos tangíveis (como móveis e instalações em geral) não descaracteriza a intangibilidade do serviço (DIAS; PIMENTA, 2005). Assim, a experiência de compra de um serviço está fortemente relacionada ao atendimento, ao capital humano envolvido. Claro, que isso também acontece quando o consumidor compra uma geladeira, pois há um atendimento, seja do vendedor, seja do entregador. No entanto, a experiência é em relação ao bem adquirido. Conforme destacam Kotler e Armstrong (2003) e Dias e Pimenta (2005), a intangibilidade gera desafios, pois os serviços – ao contrário de produtos – não podem ser testados, analisados antes do ato da compra. Embora seja possível visualizar fotos, vídeos, comentários sobre um meio de hospedagem, ou mesmo realizar uma visita às instalações, o cliente potencial não poderá testar a hospedagem para decidir sobre sua compra. Dias e Pimenta (2005) destacam, ainda, outro desafio em relação àintangibilidade: a impossibilidade de “consertar ou trocar” o serviço. Vamos voltar ao exemplo da geladeira. Caso a geladeira adquirida tenha algum defeito, dentro do prazo de vigência do seguro, ela poderá ser trocada, ou em alguns casos, existe a possibilidade de devolução de dinheiro ou troca por mercadoria similar. Do mesmo modo, após o vencimento do seguro, o consumidor poderá contratar um profissional para realizar o conserto de sua geladeira. 38 Entretanto, isso não ocorre em uma experiência de hospedagem. Uma vez que a hospedagem não tenha satisfeito o consumidor, que a noite de sono não tenha sido boa por algum fator de responsabilidade do hotel, a hospedagem e a noite de sono não poderão ser trocadas por outra estadia ou devolvidas. Quando o hóspede solicita uma refeição e o prato não está bem-preparado, torna-se mais difícil resolver o problema ou a insatisfação. Nesse sentido, são importantes as medidas compensatórias, como desconto da diária no ato do check-out, cortesia no prato solicitado, um brinde ou uma cortesia para mitigar o dano causado ao consumidor. E, claro, na sequência é necessário identificar o problema e resolvê-lo para que não ocorra com outros clientes. Se um lote de geladeiras sai da fábrica com defeito e esse defeito é identificado, o lote é recolhido de todas as lojas onde os produtos foram distribuídos. E em relação a um serviço, como o de hospedagem, como a situação é resolvida? “O aspecto intangível do serviço hoteleiro depende fortemente do conhecimento prévio adquirido pelo cliente acerca do produto que está usufruindo. Isso mostra a importância que assume o processo de comunicação de marketing [...]” (DIAS; PIMENTA, 2005, p. 201). IMPORTANTE 2.2.2 Inseparabilidade Segundo destacado por Kotler e Armstrong (2003), a inseparabilidade é outra característica complexa dos serviços. Ela consiste no fato de que o serviço, em geral, não pode ser separado de seu fornecedor. Ao adquirir uma geladeira, o papel do fornecedor é de instruir o cliente, realizar os procedimentos de venda e providenciar a entrega. A partir disso, a experiência com o produto não envolve um fornecedor. No caso de uma hospedagem, a situação é diferente. Não é possível entregar uma hospedagem na residência do cliente. Tampouco uma refeição, ou um banho de piscina, ou uma atividade de lazer ou relaxamento. Os serviços ofertados por um estabelecimento de hospedagem devem ser consumidos na presença do fornecedor, ou seja, ele é parte do serviço. Nesse sentido, conforme destacado por Dias e Pimenta (2005, p. 194) “uma vez que o serviço envolve uma relação estabelecida de confiança e credibilidade, a figura do prestador de serviço é determinante em sua aquisição”. Além disso, a presença do cliente no processo do serviço demanda atenção às instalações também, algo que não ocorre em uma fábrica, por exemplo. “O fato de os automóveis serem produzidos em fábricas quentes, sujas e barulhentas não importa aos 39 compradores finais, pois eles veem o produto em um elegante showroom na revenda de automóveis” (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2011, p. 41). No caso de um hotel, essa afirmação parece lógica, pois os clientes utilizam os meios de hospedagem para usufruir de suas instalações. No entanto, assim mesmo, é preciso destacar que “cuidados especiais com decoração interior, mobília, leiaute, nível de ruído e até com as cores podem influenciar a percepção do serviço pelo cliente” (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2011, p. 41). 2.2.3 Variabilidade ou heterogeneidade A variabilidade tem relação com a ideia de “certeza do entregável”. Vamos à explicação: quando o cliente adquire uma geladeira, ele sabe que o produto foi produzido de forma padronizada, igual a todas as geladeiras do lote. Adiciona-se a isso o fato que há um controle de qualidade que atua na linha de produção e que tem como objetivo mitigar qualquer avaria do produto. Portanto, sua geladeira não virá com alguma característica que as demais não terão (salvo raras exceções). No caso de uma hospedagem, a “certeza do entregável”, ou seja, a certeza que o consumidor tem em relação a seu produto ser entregue da forma proposta pelo fornecedor, dependerá, principalmente, da capacidade da equipe envolvida em prestar o serviço conforme as especificações solicitadas. No entanto, como já destacamos anteriormente, os serviços têm caráter de inseparabilidade, portanto, o recepcionista é parte do serviço de recepção; a camareira é parte do serviço de alojamento; o cozinheiro e o garçom são parte do serviço de alimentação. O que queremos dizer é que o serviço tem como diferencial envolver seres humanos. E seres humanos são inconstantes em suas emoções, em seu estado físico, entre outros fatores que podem afetar a forma como o serviço é prestado. Esse aspecto é bastante relevante e muito difícil de corrigir, dada a diferença de personalidade entre as pessoas; o que se deve buscar é minimizar as diferenças, pois a padronização completa é praticamente impossível. Quanto maior é o número de pessoas envolvidas no serviço prestado, maiores são as chances de haver resultados inesperados e mesmo indesejados (DIAS; PIMENTA, 2005). Além disso, cada funcionário tem uma característica própria. Vamos a outro exemplo. Ao realizar o check-in, o hóspede verifica que o recepcionista é cortês, atencioso e preparado para prestar informações necessárias. Todavia, no outro dia, ao realizar o check-out, um outro recepcionista o atende de forma grosseira e despreparada. Tem- se, então, uma situação de variabilidade na prestação do serviço. 40 “[...] atenção pessoal cria oportunidades para a variabilidade nos serviços fornecidos. Isso não é inerentemente ruim, a não ser que os clientes percebam uma variação significativa na qualidade. Um cliente espera ser tratado de forma justa e ter o mesmo serviço que os outros recebem. O desenvolvimento de padrões e de treinamento dos empregados em procedimentos apropriados é a chave para se assegurar a coerência no serviço fornecido” (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2011, p. 44). “Consideremos uma poltrona vazia em um voo, um quarto desocupado em um hotel ou hospital [...]. Em cada um desses casos, perdeu-se uma oportunidade. Como um serviço não pode ser estocado, se não for usado, está perdido para sempre” (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2011, p. 43). IMPORTANTE IMPORTANTE Outra situação de variabilidade que pode ocorrer em um meio de hospedagem é que, em uma primeira estadia, o hóspede estaciona seu automóvel em frente ao hotel e um manobrista/mensageiro/porteiro social conduz o veículo até a garagem ou estacionamento. Contudo, em uma segunda hospedagem, o recepcionista informa ao hóspede que ele mesmo deverá manobrar o veículo. Assim, verifica-se a importância de uma equipe treinada uniformemente e que os procedimentos operacionais padrão sejam incorporados à atividade rotineira de trabalho, evitando desorganização, disparidade de atendimento e, consequentemente, uma percepção negativa por parte do hóspede. Cabe destacar novamente que a percepção da qualidade será com base na experiência como um todo, portanto, toda equipe envolvida precisa prestar um serviço com qualidade similar. 2.2.4 Perecibilidade O conceito de perecibilidade relaciona-se ao fato de que um serviço não pode ser armazenado para um consumo posterior. Uma geladeira que não foi comercializada hoje, nesta semana ou mês, poderá ficar armazenada no estoque da loja até que um consumidor interessado a adquira. Isso não ocorre com os serviços. Uma venda não realizada no dia é uma venda perdida. 41 Conheça algumas estratégias para lidar com a sazonalidade na hotelaria, no blog da Hotelflow. Acesse: https://www.hotelflow.com.br/blog/sazonalidade-no-turismo-como- contornar-desafios-que-afetam-hoteis-e-pousadas/. DICAS Em um hotel, uma UH que não é vendida hoje, significa uma perda financeira, pois o apartamento/quarto permanecerá vazio. O fato de que ela possa ser ocupada no dia seguintenão compensa a perda financeira do dia em que permaneceu vazia, apenas não agrava a situação. Essa é uma situação que foi vivenciada de forma generalizada após o ano de 2020, quando foi deflagrada a pandemia de Covid-19. Os meios de hospedagem de todo o mundo tiveram suas atividades parcial ou totalmente paralisadas. As vendas não realizadas durante esse período não poderão ser realizadas após. Esse é um desafio bastante significativo na área de hotelaria, especialmente em destinos turísticos costeiros ou destinos de inverno, onde a atratividade turística principal está diretamente relacionada ao clima. A demanda é altamente volátil (COOPER; FLETCHER; GILBERT, 2001) e o setor hoteleiro de diversas localidades do país e do mundo sofrem com o fenômeno chamado sazonalidade. Essa sazonalidade pode acontecer, também, durante uma semana, quando o hotel permanece cheio durante a semana e esvazia nos fins de semana ou vice-versa. Essas flutuações de demanda comprometem a receita mensal e anual da empresa e os gestores precisam encontrar estratégias eficazes para mitigá-las, especialmente focando na atuação dos setores ou departamentos de marketing e de vendas. 2.2.5 Participação do cliente no serviço Diferente do que ocorre com uma geladeira, que é produzida em uma fábrica, distribuída em lojas e comercializa para o uso individual de um cliente, a hospedagem é consumida ao mesmo tempo em que é produzida. Assim como destacado por Lewis e Chambers (1999 apud DIAS; PIMENTA, 2005), embora as instalações físicas de um hotel já existam, o serviço só se realiza com a presença do hóspede. Assim, a produção se dá na própria vivência da experiência. Dias e Pimenta (2005) destacam, ainda, outro fator relevante para a caracterização dos serviços e que tem relação com o exposto anteriormente: o cliente 42 tem papel fundamental e participa da “produção”, ou seja, da execução do serviço, ao contrário do que acontece na produção de uma geladeira, onde não há participação alguma do consumidor. Segundo Fitzsimmons e Fitzsimmons (2011, p. 41) “[...] para funcionar, o sistema de serviços deve interagir com os clientes no papel de participantes do processo do serviço”. Portanto, o serviço não pode ocorrer sem a presença e participação do cliente. Imagine o serviço de alimentação, como um pedido de refeição. Ele não poderia acontecer se o cliente não estivesse presente escolhendo a iguaria a ser apreciada. Ou o serviço de arrumação de apartamento, que não teria sentido se o hóspede não houvesse ocupado a unidade na noite anterior. Mesmo quando se analisa um serviço específico prestado em meio ao serviço geral do hotel, como, por exemplo, o de lavagem de roupas para os hóspedes ou o de arrumação dos quartos, ele só é possível ao ocorrer a interação entre o provedor do serviço e o próprio cliente, que percebe diretamente o valor agregado ao amplo serviço prestado pelo hotel por todos os elementos distintos” (DIAS; PIMENTA, 2005, p. 203). No entanto, é importante destacar que a presença do hóspede no momento da prestação do serviço leva ao fato de que há um limite na uniformidade do serviço. Dias e Pimenta (2005) entendem que a personalização do serviço de acordo com as características do cliente determina essa falta de uniformidade. Portanto, a participação dos hóspedes no processo interfere na variabilidade do serviço em decorrência de sua característica altamente subjetiva. Nós vimos que a variabilidade do serviço depende de cada funcionário do hotel e que fatores como cansaço físico, emoções e preocupações podem interferir na forma como o serviço é entregue. Por outro lado, a condição do hóspede no dia em que se hospeda também interfere. Se o hóspede está tendo uma boa experiência na cidade, se sua viagem é por um motivo agradável, se não houve problema durante a viagem, se está tendo um bom dia, entre diversos outros fatores são cruciais. Adiciona-se a isso o fato de que há pessoas que preferem ser atendidos com maior formalidade e pouco contato com a equipe do hotel, já outros gostam de um atendimento mais próximo, com diálogo e em um ambiente hospitaleiro que pareça “sua casa”. Devemos lembrar que a hospedagem é uma relação de alteridade, de encontro com o outro, é uma relação humana e como humanos, nós somos afetados por fatores internos e externos, e isso pode modificar o modo como tratamos outras pessoas. Portanto, o hóspede também tem responsabilidade sobre a qualidade da interação. 43 DIMENSÃO PRODUTOS SERVIÇOS Intangibilidade São tangíveis, podem ser testados e analisados antes da compra e podem ser trocados. São intangíveis (embora alguns elementos sejam tangíveis, como o mobiliário, a estrutura etc.), não podem ser testados antes da compra e não podem ser trocados (apenas compensados). Inseparabilidade e simultaneidade O produto é produzido de forma afastada do consumidor. A produção e o consumo se dão ao mesmo tempo, no hotel. Variabilidade ou heterogeneidade Há controle de qualidade que determina a uniformidade dos produtos. Não há uniformidade nos serviços, pois se trata de relações humanas, que são variáveis. Perecibilidade Os produtos podem ser estocados para venda futura. Não podem ser estocados. Uma venda não realizada no dia é uma venda perdida. Participação do cliente O cliente não participa da produção. O cliente tem papel importante na “produção” do serviço. QUADRO 4 – DIMENSÕES E RELAÇÃO COM OS PRODUTOS E COM OS SERVIÇOS FONTE: Adaptado de Dias e Pimenta (2005) e Fitzsimmons e Fitzsimmons (2011) Cabe destacar que essas características estão inter-relacionadas, influenciando umas às outras (FITZSIMMONS; FITZSIMMONS, 2011). Essas dimensões/características dos serviços são extremamente complexas, como vimos neste subtópico. Portanto, faz- se importante um planejamento e uma gestão de serviços eficiente, para garantir o sucesso da empresa e a qualidade de seus processos e de seus “entregáveis”, ou seja, os serviços. 3 PLANEJAMENTO E GESTÃO DE SERVIÇOS Neste subtópico, nós adentraremos no planejamento e gestão hoteleira, destacando os níveis de planejamento, alguns desafios enfrentados pelos gestores, especialmente no que se refere à gestão de pessoas e ao controle de qualidade. 3.1 PLANEJAMENTO E GESTÃO HOTELEIRA As organizações vivem em um contexto externo, coexistindo com outras organizações e passíveis de serem impactadas pelas mudanças no ambiente. Por isso, as ações precisam ser antecipadamente planejadas (CHIAVENATO, 2014) e, após o planejamento, as ações devem ser executadas tendo como base uma gestão eficiente. Chiavenato (2003) coloca o planejamento como: 44 • Estabelecimento de objetivos: o planejamento é um processo que começa com os objetivos e defi ne os planos para alcançá-los. A fi xação dos objetivos é a primeira coisa a ser feita: saber onde se pretende chegar e como chegar. • Desdobramento dos objetivos: os objetivos das organizações podem ser visualizados em uma hierarquia que vai desde os objetivos globais da organização até os objetivos operacionais que envolvem simples instruções. Assim, o planejamento pode ser dividido em três tipos ou níveis: estratégico, tático e operacional. Chiavenato (2014) explica cada um deles: • Planejamento estratégico: refere-se à organização como uma totalidade e indica como a estratégia global deverá ser formulada e executada. • Planejamento tático: refere-se ao meio de campo da organização para cada unidade organizacional ou departamento da empresa. • Planejamento operacional: refere-se à base da organização envolvendo cada tarefa ou atividade da empresa. FIGURA 8 – PIRÂMIDE DE HIERARQUIZAÇÃO DOS NÍVEIS DE PLANEJAMENTO FONTE: <https://scoreplan.com.br/planejamento-operacional-tatico-e-estrategico-um-guia-completo/>. Acesso em: 21 jan. 2022. Para uma melhor efi ciência dos processos, é importante aproximar o nível estratégico do nível operacional. Isso é algo mais difícil de operacionalizar em empresas comuma hierarquia de cargos complexa, onde há alto grau de hierarquização. 45 QUADRO 5 – CARACTERÍSTICAS DOS NÍVEIS DE PLANEJAMENTO E EXEMPLO NA HOTELARIA FONTE: Adaptado de Chiavenato (2014) NÍVEL DO PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO TÁTICO OPERACIONAL CARACTERÍSTICAS • Holístico e sistêmico. • Envolve toda a organização. • Seu horizonte temporal é de longo prazo. • É definido pela cúpula (alta gestão) da organização. • Indica a participação de cada unidade no planejamento global. • Refere-se a cada área ou departamento da empresa. • Seu horizonte temporal é de médio prazo (em média um ano). • É definido por cada unidade organizacional. • Indica como cada tarefa, operação ou atividade deverá contribuir para o planejamento tático da unidade. • Seu horizonte temporal é de curto prazo (em média um mês). • É definido para cada tarefa, operação ou atividade exclusivamente. EXEMPLO NA HOTELARIA • Implantação do sistema de qualidade, realizando o diagnóstico e traçando as estratégias e ações necessárias para alcançar ou garantir a qualidade de serviços. • Planejamento e execução de ações a serem desenvolvidas em cada departamento para o alcance da qualidade setorial. Exemplo: Política de treinamento de pessoal de recepção para atendimento a hóspedes deficientes. • Planejamento e execução de ações baseadas em tarefas de curto prazo para alcance da qualidade setorial. Exemplo: realização de pesquisa de satisfação pelos recepcionistas, com hóspedes deficientes para verificar melhorias possíveis. 46 3.1.1 Planejamento estratégico de gestão de pessoas com base em competências Conforme destacamos anteriormente nesta unidade, a gestão de pessoas é uma incumbência complexa. Gerir uma equipe, de forma satisfatória e eficaz é um desafio. Nesse sentido, o estilo de liderança pode ser crucial para engajar os funcionários e otimizar o serviço, criando um ambiente de trabalho agradável, ao mesmo tempo em que as metas de qualidade são alcançadas. Chiavenato (2014) apresenta o planejamento estratégico de gestão de pessoas com base em competências. Considera-se que esse tipo de planejamento pode colaborar com o alcance da qualidade de serviços e valorização do capital humano. Esse processo de planejamento é orientado pela gerência da empresa, mas com envolvimento direto e expressivo no setor de Recursos Humanos (RH). Caso a empresa não possua RH, o gerente-geral assume o protagonismo. O planejamento de gestão de pessoas com base em competências é feito a partir das seguintes etapas: I. Definição da visão de futuro e dos objetivos organizacionais a serem alcançados em função de determinado período. II. Definição das competências organizacionais necessárias para o alcance desses objetivos. III. Avaliação das competências que a organização já possui. IV. Estimativa da lacuna (gap) entre as competências requeridas e as competências possuídas pela organização. V. Desdobramento da lacuna em termos de competências organizacionais a serem criadas ou adquiridas. VI. Desdobramento da lacuna em termos de competências funcionais de cada área da organização. VII. Desdobramento da lacuna em termos de competências gerenciais ou administrativas que cada executivo ou gerente deve possuir para lidar com sua equipe. VIII. Desdobramento da lacuna em termos de competências individuais que cada pessoa da organização deve possuir. IX. Programas de recrutamento e seleção para agregar talentos. X. Avaliação constante dos resultados alcançados e retroação ao sistema. Nesse contexto, vamos lembrar que visualizar e tratar as pessoas como colaboradoras ou parceiras do negócio torna o processo de gestão mais eficiente, além de colaborar com um ambiente de trabalho agradável e produtivo. Vamos ver a seguir algumas diferenças entre as gestões que consideram as pessoas como recursos e as que consideram as pessoas como colaboradoras. 47 Pessoas como recursos Pessoas como colaboradoras ou parceiras Empregados isolados nos cargos. Horários rigidamente estabelecidos. Preocupação com normas e regras. Subordinação ao chefe. Dependência da chefia. Alienação à organização. Executoras de tarefas. Ênfase nas destrezas manuais. Mão de obra. Colaboradores agrupados em equipes. Metas negociadas e compartilhadas. Preocupação com resultados. Atendimento e satisfação do cliente. Vinculação à missão e à visão. Interdepência com colegas e equipe. Participação e comprometimento. Ênfase na ética e na responsabilidade. Fornecedoras de atividades. Ênfase no conhecimento. Inteligência e talento. FONTE: Adaptado de Chiavenato (2014) FIGURA 9 – DIFERENÇAS ENTRE GESTÃO QUE CONSIDERA PESSOAS COMO RECURSOS E PESSOAS COMO COLABORADORAS OU PARCEIRAS É importante destacar que a implantação de planos estratégicos promove o aumento da produtividade e redução de custos em geral (DIAS; PIMENTA, 2005), mas não devemos olhar apenas pelo viés financeiro. Devemos pensar que um hotel é um sistema complexo e que tem em seu âmago a responsabilidade social, portanto, pensar em um ambiente de trabalho adequado e saudável é essencial. E o planejamento corrobora para alcançar essa condição. Em Dias e Pimenta (2005) vemos que o processo de planejamento se caracteriza como um instrumento capaz de ordenar conceitos, alternativas, recursos e atividades na busca de objetivos delineados, definindo ações que corroborem para atingir um futuro desejado para a organização. Podemos encontrar exemplos de liderança e gestão em qualquer área. Bernando Rezende (o Bernardinho, ex-técnico da Seleção Brasileira de Voleibol) conta um pouco sobre isso em uma palestra no TEDxYouth, intitulada “Estabelecendo a cultura da excelência”. h t t p s : / / w w w . y o u t u b e . c o m / w a t c h ? v = j 5 e - 5 6 _ X o 0 0 & a b _ channel=TEDxTalks. DICAS 48 Agora, vamos retomar o assunto que vimos anteriormente: a qualidade de serviços. Como ela pode ser trabalhada nos diferentes níveis de planejamento? 3.2 PLANEJAMENTO E GESTÃO DE QUALIDADE DE SERVIÇOS Hayes e Ninemeier (2005) apontam que a gerência precisa focar em algumas questões: • Como demonstrar aos funcionários a necessidade de prestar serviços de qualidade aos hóspedes? • Como ter precisão na avaliação da qualidade dos serviços? • Quais são as estratégias e os procedimentos da equipe no que tange à prestação de serviços? • Como treinar os funcionários de modo a sensibilizá-los quanto aos serviços e suas estratégias? • Como reforçar as estratégias de serviços? • O que fazer para enfatizar a prestação de serviços como uma filosofia da empresa? • Como proceder com relação à avaliação de hospedagem/feedback? Algumas estratégias podem ser utilizadas pela gerência foram elencadas por Fitzsimmons e Fitzsimmons (2011): • Diferenciação: a essência dessa estratégia reside na criação de um serviço que é percebido como único. Há diferentes formas de se diferenciar, inclusive pelo preço praticado. Tudo depende de qual é o público-alvo das ações. No entanto, o que queremos chamar atenção aqui é que a qualidade de serviços pode ser um diferencial importante. • Tornar tangível o intangível: como vimos anteriormente, os serviços são intangíveis e não fornecem ao cliente uma lembrança material da compra. Reconhecendo a necessidade de reforçar o período de estadia na memória de cliente, muitos hotéis fornecem amenities contendo o nome do hotel. • Personalização do produto padrão: proporcionar um toque customizado pode aproximar a empresa de seus consumidores. Um funcionário de hotel que se dirige ao hóspede pelo nome causa uma impressão que pode traduzir-se em fidelização do cliente. • Redução do risco percebido: a falta de informação sobre a compra de um serviço cria uma impressão de risco para muitos clientes. Os clientes frequentemente acham válido pagar um preço um pouco maior para usufruírem a sensação de tranquilidade e segurança. • Qualificação profissional: os investimentosem desenvolvimento de pessoal e treinamento, que resultam em um aumento da qualidade dos serviços e representam uma vantagem competitiva, assim como vimos anteriormente. 49 Conforme Petrocchi (2007), a implantação de um processo de planejamento estratégico deve observar cinco etapas: I- Diagnóstico: análise da situação existente. O diagnóstico é a base do planejamento e visa reconhecer o panorama interno e externo à empresa (por exemplo, utilizando a matriz SWOT, já mencionada nesta Unidade). II- Estabelecimento de objetivos: situação esperada para o futuro; aonde se quer chegar. III- Estratégias: como alcançar os objetivos traçados; quais os meios, o posicionamento (proposta de serviços) e o público-alvo. IV- Planos setoriais: ações para alcance dos objetivos no nível tático e operacional. V- Controle: acompanhamento das ações e adoção de ações corretivas, caso necessário. Aqui cabem o controle de qualidade, pesquisa de mercado, pesquisa de satisfação, POP, entre outras ações já abordadas nesta Unidade. FIGURA 10 – PROCESSO DE PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO FONTE: Adaptado de Kotler (2000) Nesses processos de planejamento, não podemos esquecer as técnicas e metodologias já apresentadas nesta unidade, como a análise SWOT, a autoavaliação, a utilização dos feedbacks dos clientes, o uso de POP e outras metodologias que possibilitem ter uma visão geral da situação, traçar objetivos e metas e controlar a pós- implementação das ações. 50 Os 14 princípios de Deming (DEMING, 1990): 1º Tenha constância de propósitos para a melhoria do produto e do serviço para criar empregos, tornar-se competitivo e manter-se em atividade. 2º Adote a nova fi losofi a para o processo de transformação. 3º Não dependa de inspeções para atingir a qualidade. 4º Cesse a prática de aprovar orçamentos com base no preço. 5º Melhore constantemente o sistema de produção e de prestação de serviços, de modo a melhorar a qualidade e a produtividade e, consequentemente, reduzir de forma sistemática os custos. 6º Institua treinamento no local de trabalho. 7º Institua liderança. 8º Elimine o medo, possibilitando que todos trabalhem de modo efi caz. 9º Elimine as barreiras entre os departamentos. As pessoas devem trabalhar em equipe. 10º Elimine slogans e metas que exijam nível zero de falhas. 11º Elimine padrões de trabalho e substitua-os pela liderança. 12º Remova as barreiras que privam o funcionário de seu direito de orgulhar-se de seu desempenho. 13º Institua um forte programa de qualifi cação. 14º Engaje todos da empresa no processo de realizar a transformação. INTERESSANTE Dentro de um meio de hospedagem, pensado como um sistema, é importante ter um processo de planejamento estratégico, mas também os táticos e operacionais, que desdobram as ações dentro de cada órgão, departamento ou setor. A seguir, podemos visualizar um roteiro do processo de planejamento para um meio de hospedagem. 51 FIGURA 11 – ROTEIRO DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO FONTE: Adaptado de Petrocchi (2007) Para compreendermos os setores de uma empresa hoteleira e podermos refletir sobre a forma de implantar o planejamento dentro de cada órgão, vamos adentrar agora na estrutura organizacional e na departamentalização na hotelaria. 52 4 ESTRUTURA ORGANIZACIONAL E DEPARTAMENTALIZAÇÃO NA HOTELARIA Neste subtópico, nós abordaremos a estrutura organizacional dos empreendimentos hoteleiros, que pode variar conforme sua tipologia e tamanho. Em relação a isso, aprenderemos as funções essenciais, os cargos e a departamentalização, trazendo exemplos de organogramas. 4.1 FUNÇÕES ESSENCIAIS DE UMA EMPRESA A estrutura organizacional das empresas hoteleiras varia conforme sua tipologia (hotel, pousada, hostel, resort, entre outros), sua dimensão/porte físico e econômico (micro, pequeno, médio ou grande porte), seus equipamentos/instalações e os recursos humanos disponíveis. Essa estrutura baseia-se em funções essenciais que as empresas devem ter. Pelo viés da Teoria Clássica da Administração, ou Fayolismo, há seis funções essenciais em uma empresa (PETROCCHI, 2007): • Funções técnicas: produção dos bens e serviços. • Funções comerciais: vendas, compras e permutações. • Funções financeiras: captação e gerência de capitais. • Funções contábeis: registros, balanços, custos, estatísticas. • Funções de segurança: proteção e preservação de bens e pessoas. • Funções administrativas: integração das outras funções. No quadro a seguir podemos ver alguns exemplos dessas funções na hotelaria. FUNÇÕES TÉCNICAS FUNÇÕES COMERCIAIS FUNÇÕES ADMINISTRATIVAS Recepção Governança Reservas Alimentos e bebidas Eventos Entretenimento Lavanderia Vendas Marketing Promoção Relações públicas Propaganda Assessoria de imprensa Planejamento Recursos Humanos Compras Informática Transporte Almoxarifado Serviços gerais QUADRO 6 – FUNÇÕES ESSENCIAIS DA EMPRESA HOTELEIRA 53 FUNÇÕES FINANCEIRAS FUNÇÕES CONTÁBEIS FUNÇÕES DE SEGURANÇA Contas a pagar Contas a receber Tesouraria Fluxo de caixa Orçamentos Contabilidade Balanço patrimonial Auditoria interna Estatística Manutenção predial Manutenção de equipamentos Vigilância Prevenção de incêndios Prevenção ambiental FONTE: Adaptado de Petrocchi (2007) 4.2 FLEXIBILIDADE NA ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Ao se falar de uma estrutura organizacional devemos ter em mente que é apenas uma orientação, mas ela é adaptativa e flexível. As diversas funções necessárias em um meio de hospedagem se distribuem em cargos, departamentos, setores diferenciados, conforme o interesse e necessidade da empresa e dos hoteliers. Em uma pequena pousada, por exemplo, o proprietário precisará desempenhar várias funções essenciais; já em um hotel grande o proprietário precisará distribuir o trabalho entre uma quantidade maior de pessoas, passando a exigir uma estruturação de trabalho por meio da criação de órgãos. É uma questão de amplitude de controle (PETROCCHI, 2007, p. 52). Amplitude de controle é o número de níveis hierárquicos de uma organização ou órgão/setor, determinada pelo número de supervisores e supervisionados (GUIMARÃES; MENDES, 1998). NOTA Desse modo, podemos verificar que algumas organizações terão uma estrutura organizacional mais rígida e outras mais flexíveis, algumas terão um número menor de níveis hierárquicos, atuando de forma mais horizontal, enquanto outras privilegiarão um maior número de níveis hierárquicos, verticalizando a estrutura organizacional. Segundo Petrocchi (2007), a divisão mais racional seria aquela que considera todas as características operacionais e recursos disponíveis na empresa, tendo como foco uma maior produtividade. É comum encontrar empresas do ramo da hotelaria onde os trabalhadores – sejam funcionários, sejam proprietários – acumulam funções, especialmente em meios de hospedagem de pequeno porte. 54 É preciso lembrar que alguns tipos de meio de hospedagem (turísticos ou não) podem ser constituídos pela categoria jurídica de Microempreendedor Individual (MEI). Não obstante, essa categoria limita o faturamento anual em 81 mil reais e a empresa pode ser constituída, no máximo, pelo microempreendedor e um funcionário. No caso da atividade de aluguel de imóveis residenciais por curta temporada, que podem ser enquadrados como MEI, podemos citar a tipologia Bed and Breaksfast. Nesse caso, com uma ou duas pessoas atuando na empresa, claramente haverá um acúmulo de funções. No entanto, a situação não se limita aos MEI, estando presente em diversos portes de empresa, inclusive em grandes empresas (embora seja mais raro). O sistema Bed and Breakfast (em português “Cama e Café”) surgiu na década de 1980 e é bastante comum na Europa e nos Estados Unidos. Nessa tipologia de hospedagem, a hospedagem ocorre na casa de um morador local, que se torna um anfitrião. A experiência reúne o conforto e a privacidade de um hotel com o clima hospitaleiro e aconchegante. Além do uso do quarto, a diária inclui café da manhã. FONTE: <https://viagemeturismo.abril.com.br/materias/bed-and-breakfast/>. Acesso em: 27 jan. 2022. OTA é a sigla de On-line Travel Agency, em português, Agências de Viagens On-line. NOTA NOTA Ser responsável por funções de diferentes setores ou departamentos tem como ponto positivo o fato de proporcionar um conhecimento mais amplo da empresa. Conhecendo os detalhes de várias funções, o funcionário poderá ter mais sensibilidade e colaboração com os colegas. Por exemplo, um funcionário que atue em alguma função relativa às reservas e, concomitantemente, na recepção, saberá que a recepção precisa ter conhecimento dos check-in previstos para o dia com maior brevidade possível. Vamos pensar na situação em que o responsável pelas reservas recebe uma reserva via OTA para o mesmo dia, mas não lança no sistema hoteleiro e não informa imediatamente a recepção. O hóspede chega ao hotel e informa que possui uma reserva, mas o recepcionista não encontra no sistema hoteleiro e não tem acesso ou não tem conhecimento sobre os procedimentos para encontrar a reserva no site da OTA. 55 Caso essa situação ocorra, no mínimo haverá um desconforto por parte do hóspede, que pode pensar que a equipe é desorganizada ou o recepcionista despreparado para a função. Também gerará um desconforto no recepcionista, por não atender ao hóspede de forma precisa e rápida. E, ainda, pode gerar uma situação de conflito com o responsável pelas reservas. No entanto, se pensarmos uma situação em que o recepcionista atua também no setor de reservas, ele poderá ter maior controle sobre os check-in previstos ou poderá contornar a situação rapidamente, acessando o site da OTA e conferindo a reserva. Nesse sentido, é preciso destacar que departamentalizar ou não uma empresa hoteleira é uma questão de conveniência e escolha do modelo de gestão. Estruturas menos departamentalizadas são mais flexíveis. Por outro lado, podem levar a um desgaste maior dos funcionários. O importante é que, no processo de seleção de funcionários, os recrutadores deixem claro as funções a serem exercidas, especialmente porque o acúmulo de funções não previsto em contrato pode gerar processos trabalhistas. Consulte a Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) para entender melhor desvio ou acúmulo de funções. NOTA Petrocchi (2007) apresenta alguns critérios usados para a departamentalização, que podem ser mesclados conforme as especificidades da empresa. Segundo o autor, a estrutura hoteleira contém dois tipos de “órgãos”: de linha e de apoio. Por órgão, devemos entender um departamento, um setor, um cargo, ou seja, qualquer unidade especializada. 56 FRONT OFFICE BACK OFFICE Os órgãos de linha, ou front office, são aqueles que estão envolvidos diretamente com a prestação de serviço. Em um meio de hospedagem é a recepção, os encarregados da reserva, os garçons, a portaria social, entre outros. Os órgãos de apoio, ou back office, por sua vez, são aqueles fora do alcance do cliente, ou seja, são funções necessárias para o funcionamento da empresa, mas não estão em contato direto com o hóspede. É o caso dos encarregados pela contabilidade, finanças, recursos humanos, entre outros. QUADRO 7 – DESCRIÇÃO DOS ÓRGÃOS DE LINHA E DOS ÓRGÃOS DE APOIO FONTE: Baseado em Petrocchi (2007) Quanto menor o número de órgãos, melhor para a coordenação e comunicação interna, bem como para os custos fixos da empresa (PETROCCHI, 2007). Por isso, ser responsável por funções de diferentes órgãos se torna positivo no sentido de contribuir para a simplificação da estrutura, aproximando os processos de tomada de decisão das atividades operacionais. 4.3 CARGOS Os cargos permitem que cada funcionário se situe em relação à sua função e às dos demais funcionários. Os cargos estão inseridos no organograma, em uma relação hierárquica (superioridade, inferioridade, equivalência ou complementariedade) (DIAS; PIMENTA, 2005). Segundo comenta Chiavenato (2014), o conceito de cargo é uma decorrência da divisão do trabalho imposta pelo tradicional modelo burocrático, juntamente ao organograma. Esses, estão sendo substituídos por novos formatos organizacionais. No entanto, esse autor reconhece que muitas organizações ainda seguem o modelo de estrutura organizacional baseada em departamentos e cargos. O cargo é “uma composição de todas as atividades desempenhadas por uma pessoa – o ocupante – que pode ser englobado em um todo unificado e que figura em certa posição formal do organograma da empresa” (CHIAVENATO, 2014, p. 174). A seguir podemos visualizar alguns exemplos de cargos na hotelaria. Lembre-se: a depender da tipologia ou tamanho do meio de hospedagem, os cargos variam. 57 CARGOS NA RECEPÇÃO CARGOS NA ADMINISTRAÇÃO CARGOS EM MARKETING Gerente de recepção Supervisor de recepção Recepcionista (Sênior, Pleno, Junior) Concierge Mensageiro Capitão-porteiro Gerente de reservas Revenue Manager Gerente de reservas Assistente de reservas Guest relations Governanta executiva Supervisora da Governanta Secretária Camareira Roupeira Costureira Gerente de lavanderia Supervisor de Lavanderia Passadeira Auxiliar de lavanderia Serviços-gerais Gerente de marketing Gerente de vendas Promotor de vendas Auxiliar de marketing Executivo de vendas CARGOS EM ALIMENTOS E BEBIDAS CARGOS NA MANUTENÇÃO CARGOS EM FINANÇAS Gerente de A&B Gerente de compras Gerente de Banquetes Chef Sous chef Maître Chefe de fila Garçom Cumim Cozinheiro Barman Steward Chefe de manutenção Assistente de manutenção Funcionário de manutenção de áreas públicas Gerente em finanças Contas a pagar e a receber Auditor interno (controler) Assistente de controler Auxiliar financeiro Compras CARGOS EM RECURSOS HUMANOS CARGOS EM INFORMÁTICA CARGOS EM SEGURANÇA Gerente de Recursos Humanos Assistente de Recursos Humanos Auxiliar de pessoal Coordenador/analista de sistemas Técnico de informática Gerente de segurança Chefe de segurança Supervisor de segurança QUADRO 8 – EXEMPLOS DE CARGOS EM ESTABELECIMENTOS HOTELEIROS FONTE: Adaptado de Davies (2010) 58 Diferenças entre cargos Junior, Pleno e Sênior: • Junior: são cargos com menor complexidade e responsabilidade, sem tantas exigências de competências profi ssionais e, normalmente, sem autonomia para decisões. É aqui que começa a carreira de um profi ssional, até, geralmente, cinco anos de experiência na função. • Pleno: são cargos que exigem maior complexidade de tarefas. O profi ssional precisa ter maior maturidade e capacidade de tomar decisões. Engloba-se nesse nível os profi ssionais que têm entre cinco e dez anos de experiência na função. • Sênior: são cargos com ampla complexidade de tarefas. É esperado maturidade profi ssional e emocional, poder de decisão e capacidade de assumir funções de liderança. São profi ssionais sêniores aqueles com mais de dez anos de experiência na área ou função. FONTE: <https://www.vagas.com.br/profi ssoes/voce-e-junior- pleno-ou-senior/>. Acesso em: 27 jan. 2022. INTERESSANTE Ao ocupar determinado cargo, um funcionário terá que desempenhar certas funções. As funções, por sua vez, devem ser realizadas por meio da execução de tarefas. Para entender, vamos usar o exemplo do Assistente de Reservas. A seguir, apresenta-se um esquema que exemplifi ca a diferença entre cargos, funções e tarefas. 59 FIGURA 12 – CARGO DE ASSISTENTE DE RESERVAS E EXEMPLOS DE FUNÇÕES E TAREFAS FONTE: A autora Cabe ressaltar que, em pequenas empresas, praticamente não há desenho de cargos formalizado e as funções e tarefas são definidas sem especificações (DIAS; PIMENTA, 2005). A seguir, verificaremos também que o organograma varia conforme o tamanho das empresas (nesse caso, utilizaremos como exemplo os meios de hospedagem). 60 4.4 ORGANOGRAMAS A estrutura organizacional utiliza organogramas, em que a divisão do trabalho, cargos e funções é graficamente representada (PETROCCHI, 2007). Por meio dos organogramas é possível entender os cargos existentes em uma empresa, bem como as hierarquias. Quanto mais abaixo ocargo se encontra no organograma, menor é sua hierarquia. Aqui, verificaremos alguns exemplos de organogramas que expressam estruturas organizacionais, mas atenção: são apenas exemplos. A estrutura organizacional de uma empresa hoteleira, conforme já mencionamos antes, vai depender de uma diversidade de fatores. 4.4.1 Estabelecimentos hoteleiros – microempresas e empresas de pequeno porte Em estabelecimentos hoteleiros caracterizados como microempresas (até nove funcionários) ou empresas de pequeno porte (entre 10 e 49 funcionários), é comum encontrar o proprietário ocupando o cargo de gerente geral e sendo responsável por funções essenciais da empresa. “O proprietário atua em todas as funções: faz vendas, compras, se relaciona com agências de viagem, de cartões de crédito, bancárias etc). Em muitos casos, pessoas da família do proprietário colaboram na operação [...]” (PETROCCHI, 2007, p. 54). Muitas vezes, isso ocorre por conta da limitação financeira da empresa. No entanto, devemos levar em consideração também que, a depender da estrutura e do tipo de serviço ofertado, o número de funcionários não precisa ser elevado. Uma empresa que presta serviço de qualidade não é, necessariamente, sinônimo de empresa com vários funcionários e vice-versa. O que deve ser prezado é que o número de funcionários seja adequado para executar os serviços com qualidade. Petrocchi (2007) aponta que também é comum que algumas atividades sejam terceirizadas. Podemos citar a contabilidade, o serviço de lavanderia e o estacionamento. Além disso, é comum que os alimentos do café da manhã sejam majoritariamente comprados em panificadoras ou outras empresas do ramo alimentício. 61 FIGURA 13 – EXEMPLO DE ORGANOGRAMA DE ESTABELECIMENTO HOTELEIRO DE PEQUENO PORTE FONTE: A autora No entanto, cabe ressaltar que os estabelecimentos de pequeno porte que tem mais de quinze funcionários começam a ter uma estrutura mais robusta e, portanto, mais complexa do que o organograma anterior. 4.4.2 Empreendimento de médio e grande porte Quanto maior o empreendimento hoteleiro, mais complexo se torna sua estrutura operacional e, consequentemente, seu organograma. Nesse tipo de empreendimento torna-se mais comum que o cargo de gerente geral não seja ocupado pelo proprietário, mas sim por uma pessoa contratada e especializada. Um empreendimento hoteleiro de médio (50 a 99 funcionários) ou grande porte (mais de cem funcionários) tem sua estrutura organizacional complexa em relação aos anteriores. Além de contar com um número maior de funcionários, há uma diversidade maior de espaços e serviços ofertados. Alguns serviços são terceirizados, como é o caso do setor de Alimentos e Bebidas. É comum que os restaurantes de grandes hotéis atendam hóspedes e, também, público externo. 62 FIGURA 14 – EXEMPLO DE ORGANOGRAMA DE EMPREENDIMENTOS DE MÉDIO OU GRANDE PORTE FONTE: Adaptado de Petrocchi (2007) Cabe ressaltar que a estrutura organizacional se altera, também, quando um empreendimento é parte de uma rede ou cadeia hoteleira, que tem uma estrutura mais robusta, podendo ter centrais de reserva, setor fi nanceiro e de marketing centralizado, entre outros diferenciais. As empresas de grande porte no setor da hotelaria são, em geral, redes ou cadeias hoteleiras. Também, quanto mais requintado e maior o porte dos restaurantes, mais complexo torna-se o organograma referente à área de A & B. Na Unidade 2 deste livro didático iremos explorar alguns setores da hotelaria e poderemos compreender melhor sobre a estrutura e organograma específi cos de áreas como A & B. ESTUDOS FUTUROS 63 Na Unidade 2 deste livro didático nós iremos abordar com maior profundidade cargos e funções da área de hospedagem: reservas, recepção, governança e portaria social. Também falaremos sobre essas tecnologias mencionadas anteriormente. ESTUDOS FUTUROS Podemos citar, ainda, o caso de certos setores que estão presentes em alguns meios de hospedagem e ausentes em outros, segundo a tipologia ou tamanho. Esse é o caso do setor de lazer e recreação, presente, principalmente, em resorts; do setor ou cargos referentes à jardinagem, presentes em meios de hospedagem com amplo espaço externo; o setor de saúde e bem-estar, presente em spa hotéis, entre outros. Também vale destacar alguns setores que podem estar presentes na estrutura do hotel ou serem serviços terceirizados. Esse é o caso da lavanderia, da contabilidade e da própria área de A & B. Além disso, os cargos e funções na hotelaria estão em constante modifi cação. Isso porque novas necessidades surgem e certas funções tornam-se obsoletas. É possível que, em dez anos, nós olhemos os organogramas anteriormente apresentados e eles nos pareçam ultrapassados ou incompletos. Antigamente, antes da revolução da tecnologia da informação e comunicação, a comunicação entre clientes e os meios de hospedagem se davam por meio de cartas. Isso levava à necessidade de contratação de funcionários para datilografar e enviar a resposta da correspondência (O’CONNOR, 2001). Já a situação inversa pode ser verifi cada, a revolução da tecnologia da informação e comunicação demandou a geração de novos postos de trabalho, relacionados ao marketing digital e gestão de redes sociais. 64 HOTELARIA HOSPITALAR: UMA TENDÊNCIA PRESENTE NAS ORGANIZAÇÕES DE SAÚDE Mariana Fasolo Quevedo HOTELARIA HOSPITALAR A Organização mundial de saúde (OMS) define hospital da seguinte forma: um elemento de organização de caráter médico-social, cuja função consiste em assegurar assistência médica completa, curativa e preventiva à determinada população, e cujos serviços externos se irradiam até a célula familiar considerada em seu meio; é um centro de medicina e de pesquisa biossocial (OMS, relatório nº122, 1957 apud OLIVA; BORBA, 2004, p. 20). Ao citar a importância da qualidade nos serviços de saúde, Neto e Gastal (1997) concordam que há, atualmente, a percepção de uma série de modificações com relação ao papel dos clientes. Hoje, eles têm um papel importante na sociedade: fazem valer suas opiniões e desejam ser surpreendidos com serviços de qualidade. Também se destaca a importância da competição, da concorrência, do mercado – busca-se a sobrevivência através da melhoria contínua em serviços oferecidos aos usuários. A diferença entre hotéis e hospitais, segundo Godoi, se dá em seu público, seus objetivos, seus profissionais e seus resíduos. O hotel é um edifício onde se comercializa a hospedagem de pessoas em trânsito, ou não, com a oferta, ou não, de serviços parciais ou completos. Já o hospital é o edifício onde se comercializa os serviços de saúde e de profissionais de saúde, onde se resgata a qualidade de vida ou trata de doenças e problemas relativos à saúde (GODOI, 2004, p. 31). Nos hospitais, a hotelaria é definida, segundo Godoi, como o ato de oferecer serviços que satisfazem e encantam o cliente, visando a “humanização do atendimento e do ambiente hospitalar” (GODOI, 2004, p. 43, grifo do autor). A hospitalidade reduz o sofrimento de pacientes e clientes. As iniciativas nesse sentido têm sido desenvolvidas com sucesso, e proporciona benefícios a todos que se envolvem. O caminho encontrado é a hotelaria hospitalar, uma tendência que veio para livrar os hospitais da ‘cara de hospital’ e que traz em sua essência uma proposta de adaptação à nova realidade do mercado, modificando e introduzindo novos processos, serviços e condutas (TARABOULSI, 2003, p. 18, grifo do autor). LEITURA COMPLEMENTAR 65 Um conceito bastante simples de hotelaria hospitalar é “a reunião de todos os serviços de apoio, que, associados aos serviços específicos, oferecem aos clientes internos e externos conforto, segurança e bem-estar durante seu período de internação” (BOEGER, 2003, p. 24). Dessa forma, pode-se afirmar que a hotelaria hospitalar é o conjunto de serviços disponibilizados aos clientes internos (funcionários) e aos clientes externos (pacientes e acompanhantes).São os cuidados com o paciente e seu(s) acompanhante(s), desde a sua chegada ao hospital até a sua saída, com repasse de informações administrativas e serviços aos colaboradores. A hotelaria hospitalar tem por objetivo oferecer condições de conforto, bem-estar, assistência, segurança e qualidade no atendimento, através de cortesia, segurança, acompanhamento do cliente, responsabilidade com acomodação, roupas, ambiente, higiene, manutenção e alimentação. É a junção de todas as atividades oferecidas nos hotéis, agregadas a todas as práticas profissionais existentes nas instituições de saúde. Godoi (2004) aceita que os hotéis têm muitas semelhanças com os hospitais. Ambos têm muitos setores com funções idênticas (como lavanderia, cozinha, recepção, entre outras). Hoje, diferente de alguns anos atrás, outros serviços são oferecidos aos clientes (como lojas e restaurantes) a fim de proporcionar um maior conforto e bem- estar a eles. Sabe-se que hoje os clientes são mais exigentes do que no passado. Procuram hospitais particulares que apresentem um diferencial, que se disponham em oferecer conforto, humanização e qualidade, não guardando relação com os hospitais frios e impessoais de décadas atrás. Dessa forma, o cliente se esquece que está em um hospital – e o seu restabelecimento será mais rápido. Para Taraboulsi (2003), os hospitais estão tentando se desfazer da imagem antiga. Os gestores de hospitais estão se preocupando com os pacientes (estado físico e emocional) e acompanhantes (que precisam permanecer no hospital por muitas horas), e procuram humanizar o ambiente. A hotelaria dentro do hospital sempre existiu, sendo integrada às atividades dos profissionais de saúde. Além dos cuidados com os seus clientes, esses profissionais acumulavam mais essa função, e contavam com o auxílio de mão de obra pouco qualificada e especializada para esse serviço. A empresa hospitalar deve respeitar as regras de cada setor. Um hospital vai ter êxito se conseguir adaptar e integrar todas as suas áreas de acordo com suas normas (seja a área de hotelaria, a área médica ou a gestão). 66 DEPARTAMENTOS EXISTENTES NA HOTELARIA HOSPITALAR Na hotelaria convencional temos uma série de departamentos que podem ser transportados para um hospital. Analisando Boeger (2003) e Taraboulsi (2003), percebe- se que há total concordância com essa concepção. Desenvolvendo uma compilação dos trabalhos dos autores, temos como os mais utilizados e importantes os seguintes departamentos: DEPARTAMENTO DE HOSPEDAGEM Responsável pela orientação e coordenação das atividades operacionais de recepção, reservas, telefonia, mensageria, de acordo com a demanda da hotelaria hospitalar. Os serviços de recepção e hospedagem devem interagir com os médico- hospitalares. Pode-se solicitar, através desse setor, uma série de serviços, como compra de objetos de uso pessoal, manicuro, pedicuro, barbeiro, informações sobre saldo da conta hospitalar, tarifa de uso do telefone, alta hospitalar, pesquisa de opinião, solicitação de jornais, revistas e amenities (conveniências). É recomendado tratar o cliente com cortesia e simpatia, além de conhecê-lo (chamar pelo nome, saber algumas informações básicas). O saguão da recepção deve oferecer ao cliente uma atmosfera agradável, decoração adequada e profissionais treinados em acolhimento e humanização. É de responsabilidade do setor manter o saguão sempre limpo e organizado. Os recursos devem ser utilizados eficientemente. Os colaboradores devem ser cientes de sua importância e dos objetivos dos serviços de hotelaria. DEPARTAMENTO DE ALIMENTOS E BEBIDAS Esse é, talvez, o mais complexo dos departamentos da estrutura do hospital. Por outro lado, é o campo de maior aproveitamento na adaptação dos serviços de hotelaria em hospitais. Não é possível ignorar a diferença entre a área de nutrição, coordenada por nutricionistas que prestam serviços aos pacientes, da área de alimentos e bebidas, que tem como público-alvo os familiares, acompanhantes, visitantes, clientes de saúde sem restrições alimentares e todas as pessoas que frequentam a instituição. O entrosamento entre as duas áreas pode trazer muitos benefícios, unindo aos serviços de alimentação disponíveis a qualidade e a inovação. Nesse departamento se encontram: • Restaurante: atende o público externo, acompanhantes, visitantes. Pode ter diversos tipos de comida e serviços, apenas deve-se ter coerência com o nível do hospital. • Cozinha: espaço onde são preparadas as refeições, é comparada à cozinha de hotéis (equipamentos, instalações, métodos de trabalho). • Copa: serve de apoio a outros setores, como o coffee shop, lanchonete, restaurante, room service, café da manhã. Atende aos pedidos de lanches rápidos e bebidas para o público em geral (inclusive de eventuais eventos), prepara couvert do restaurante e alimentos para o café da manhã. 67 • Coff ee shop: também conhecido como lanchonete, é o espaço onde são servidos cafés, lanches, bebidas, refeições leves. Destinado aos públicos interno e externo. • Serviço de café da manhã: pode ser servido no apartamento ou em outro local (no próprio restaurante ou em outro local específi co). É recomendado que seja servido em outro local que não o apartamento, visto que dessa forma há uma menor demanda de equipamentos, pessoal, materiais etc. • Room service: consiste em servir as refeições para acompanhantes e visitantes nos apartamentos. A área de nutrição (também chamada de serviço de nutrição e dietética) dedica atenção especial ao room service, visto que a vasta maioria das refeições aos pacientes são servidas nos apartamentos. Essa área deve disponibilizar junto aos clientes serviços como orientação de nutricionista, opções de cardápio (conforme as preferências e limitações de cada um), solicitação de diversos materiais relacionados à área e alimentos (como café, chá, sucos, canudos, talheres etc.). DEPARTAMENTO ADMINISTRATIVO Normalmente, a administração do hospital é feita por médicos e profi ssionais de administração, e a gestão hoteleira é um dos setores mais importantes da administração hospitalar. Não se analisará com profundidade essa área, visto que não é considerada parte do objeto de estudo. DEPARTAMENTO DE EVENTOS, MARKETING E LAZER A área de marketing está situada juntamente com a área administrativa. Os eventos podem proporcionar ao hospital a captação de receitas provenientes de congressos, seminários, exposições, simpósios, palestras e outros eventos, cuja natureza tem aspectos ligados à atividade hospitalar. Eventos realizados em hospitais devem ser muito bem planejados, organizados e acompanhados para que não ocorram problemas, não apenas com o evento, mas também com toda a instituição. A disponibilização de uma estrutura de lazer e bem-estar representa a preocupação do hospital no tratamento de seus clientes. A entidade deve levar em consideração que atividades sociais contribuem positivamente na recuperação dos 68 clientes de saúde. As atividades de lazer podem ser de diversos tipos, como ginástica, cinema, jogos, brincadeiras, peças teatrais, entre outras. Outros departamentos e serviços inerentes à hotelaria hospitalar • Departamento de governança: envolve a responsabilidade da limpeza dos apartamentos e áreas sociais, os uniformes, a lavanderia, a rouparia, a costura, a destinação de materiais especiais. O setor é muito importante, pois as atividades estão presentes durante todo o tempo de permanência no hospital. O cuidado e o asseio com as instalações e com as pessoas devem ser constantes, visto que o atendimento e os serviços nos apartamentos são responsáveis pela formação de opinião dos clientes e pela boa imagem da entidade. • Departamento de manutenção: responsável pela manutenção preventiva e corretiva dos apartamentos. É necessária a elaboração de checklist com a governança, mas também deve-se atender necessidades especiais dos clientes. • Automação hoteleira:está diretamente ligada à informatização. Usa-se a tecnologia em favor dos clientes. Isso acontece em forma de controles automáticos de temperatura, fechaduras, abertura de janelas, telefones, entre outros. O cliente dispõe de serviços de pay per view, jogos de videogame, internet, além de monitoramento constante e detalhado de pacientes, e de redes de informações úteis aos profissionais e pacientes. • Assessoria de Imprensa: é responsável pela comunicação, divulgação e promoção da empresa. Além disso, divulga boletins médicos e responde pelos clientes que demandam esse tipo de serviço. • Academias de ginástica: destinadas aos acompanhantes, visitantes e público externo, principalmente. Contudo, pode dispor de serviços de fisioterapia, testes, exames e outros ligados a tratamentos de pacientes. • Lojas: são muito utilizadas não apenas pelo próprio paciente, mas também pelos acompanhantes, visitantes, colaboradores, médicos, ou seja, toda e qualquer pessoa que tenha contato com o hospital. O principal objetivo da manutenção de lojas não é a receita que pode vir a gerar, mas sim o serviço prestado ao cliente. FONTE: Adaptada de QUEVEDO, M. F. Hotelaria hospitalar: uma tendência presente nas organizações de saúde. In: SEMINÁRIO DE PESQUISA EM TURISMO DO MERCOSUL, 2., 2004. Caxias do Sul (RS). Anais [...] Caxias do Sul (RS): UCS, 2004, p. 1-11. Disponível em: https://www.ucs.br/site/midia/arquivos/57-hotelaria- -hospitalar.pdf. Acesso em: 25 nov. 2021. 69 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • O conceito de serviço relaciona-se a uma atividade econômica oferecida por uma parte (fornecedor) à outra parte (consumidor) e refere-se a um ato ou desempenho que cria benefícios para clientes por meio de uma mudança desejada, seja em relação ao próprio consumidor ou em relação a um bem de posse ou propriedade do consumidor. Os serviços da hospitalidade estão englobados no primeiro caso. • Os serviços possuem características que os diferem dos produtos e torna sua gestão complexa. Dentre as suas características, podemos citar a intangibilidade, a inseparabilidade, a variabilidade ou heterogeneidade, a perecibilidade e a participação ativa do cliente. • Frente à complexidade dos serviços, é preciso planejar as ações e os rumos das organizações. O planejamento tem relação com o estabelecimento de objetivos e o desdobramento de objetivos. Essas ações são desempenhadas em três níveis: estratégico, tático e operacional e englobam o diagnóstico, o estabelecimento de objetivos, estratégias, planos setoriais e ações de controle. • A estrutura organizacional das empresas hoteleiras varia conforme sua tipologia ou sua dimensão/tamanho, ou seja, são flexíveis. No entanto, há funções que são tidas como essenciais, como as técnicas, as comerciais, as financeiras, as contábeis, as de segurança e as administrativas. O que varia é a institucionalização de cargos, departamentos ou setores, conforme interesse e pertinência. • Os organogramas são utilizados para demonstrar a estrutura organizacional de uma empresa. Eles variam conforme essa estrutura, podendo ser mais simples ou bastante complexos, com uma variedade de níveis hierárquicos, com cargos de superioridade, inferioridade, equivalência ou complementariedade), indicando mesmo as funções terceirizadas. 70 1 O planejamento estratégico é um dos níveis de planejamento possíveis em uma organização. Ele é crucial para a implementação de um sistema de qualidade efetivo. Petrocchi (2007) elenca as cinco etapas para a execução do processo. Sobre essas etapas, assinale a alternativa que indica a sequência CORRETA: a) ( ) Estabelecimento de objetivos; Diagnóstico; Estratégias; Planos Setoriais; Controle. b) ( ) Diagnóstico; Estabelecimento de objetivos; Estratégias; Planos Setoriais; Controle. c) ( ) Estabelecimento de objetivos; Estratégias; Planos Setoriais; Diagnóstico; Controle. d) ( ) Diagnóstico; Planos Setoriais; Estabelecimento de objetivos; Estratégias; Controle. 2 Os serviços possuem características específicas, que os diferem dos produtos. Dentre essas características está a intangibilidade, a inseparabilidade, a variabilidade, a perecibilidade e simultaneidade. Com base nas definições dessas características/dimensões, analise as sentenças a seguir: I- A inseparabilidade diz respeito ao fato de que os serviços não podem ser separados do custo monetário. Portanto, só há prestação de serviço quando há uma cobrança financeira. II- A perecibilidade relaciona-se ao fato de que um serviço não pode ser estocado para uma venda futura. Assim, uma venda não realizada no dia é uma venda perdida. III- A intangibilidade diz respeito ao fato de que os serviços não podem ser testados antes da compra, pois não são bens físicos. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) Somente a sentença III está correta. d) ( ) As sentenças II e III estão corretas. 3 A estrutura organizacional de um empreendimento hoteleiro irá variar conforme sua tipologia, dimensão, equipamentos/instalações, recursos humanos disponíveis ou mesmo em decorrência dos interesses dos proprietários ou gestores. Embora a existência de departamentos ou cargos dependa de cada organização específica, há funções que são essenciais para qualquer empresa. Em relação às funções essenciais da hotelaria e com base em Petrocchi (2007), classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 71 ( ) Dentre as funções de segurança, podemos citar o balanço patrimonial, o transporte e a auditoria interna. ( ) As funções financeiras e as funções contábeis não devem ser confundidas. Entre as funções financeiras temos contas a tesouraria e entre as funções contábeis, temos o balanço patrimonial. ( ) As áreas de recepção e governança são categorizadas como funções técnicas. Enquanto os Recursos Humanos e Informática são categorizadas como funções administrativas. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – V – V. 4 Uma das características dos serviços é a participação ativa do cliente. Tendo como base a definição apresentada no texto, disserte sobre essa característica e os desafios que essa característica apresenta. 5 O planejamento é de extrema importância para as instituições, inclusive no que tange à busca pela qualidade dos serviços. É preciso traçar objetivos e, depois, encontrar formas de realizar o desdobramento dos objetivos, por meio de estratégias e ações. O planejamento pode acontecer em três diferentes níveis: estratégico, tático e operacional. Nesse contexto, disserte sobre as características desses três níveis de planejamento. 72 73 REFERÊNCIAS BÜHLER, L. V. Turnover na hotelaria: estudo de caso da rotatividade de funcionários de uma rede hoteleira de Curitiba (PR). 104 f. Dissertação (Mestrado em Turismo) – Universidade de Caxias do Sul, Caxias do Sul (RS), 2009. CHENG, J.; YANG, Y. Hotel employee job crafting, burnout, and satisfaction: The moderating role of perceived organizational support. International Journal of Hospitality Management, [s.l.], v. 72, p. 78-85, jun. 2018. CHIAVENATO, I. Gestão de pessoas: o novo papel dos recursos humanos nas organizações. 4. ed. Barueri (SP): Manole, 2014. COBÊRO, C.; GONÇALVES, W. P. Principais causas da rotatividade de colaboradores em uma empresa hoteleira do interior de São Paulo. In: SIMPÓSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 13., 2016, Resende (RJ). Anais [...] Resende (RJ): DOM BOSCO, 2016. p. 1-17. COOPER, C.; FLETCHER, J.; WANHILL, S.; GILBERT, D.; SHEPHERD, R. Turismo, princípios e prática. Tradução de Roberto Cataldo Costa. 2.ed. Porto Alegre: Bookman, 2001. DAVENPORT, T. O. Line Zine, 2000. The human capital metaphor: What’s in a name? Disponível em: http://marciaconner.com/linezine/7.2/articles/tdthcmwian.htm.Acesso em: 27 nov. 2021. DAVIES, C. A. Cargos em Hotelaria. 4 ed. Caxias do Sul (RS): Editora Educs, 2010. DEMING, E. Qualidade: a revolução da administração. Rio de Janeiro: Marques Saraiva, 1990. DIAS, R.; PIMENTA, M. A. Gestão de hotelaria e turismo. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. FITZSIMMONS, J. A; FITZSIMMONS, M. J. Administração de serviços: operações, estratégia e tecnologia da informação. Tradução Lene Belon Ribeiro. 6. ed. Porto Alegre: Bookman, 2011. GRONROSS, C. Service Management and Marketing. Lexington (EUA): Lexington Books, 1990. https://www.sciencedirect.com/science/journal/02784319 https://www.sciencedirect.com/science/journal/02784319 74 GUIMARÃES, T. A.; MENDES, P. J. V. Estrutura Organizacional: Um estudo exploratório a respeito dos componentes administrativo e de supervisão. In: ENCONTRO DA ASSOCIAÇÃO NACIONAL DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA EM ADMINISTRAÇÃO, 22., Foz do Iguaçu (PR), 1998. Anais [...] Foz do Iguaçu (PR): Enanpad, 1998. HAN, B. Sociedade do cansaço. Tradução de Enio Paulo Giachini. 2. ed. Ampliada. Petrópolis (RJ): Vozes, 2017. HAYES, D. K.; NIEMEIER, J. D. Gestão de operações hoteleiras. Tradução de Vivian Fittipaldi e Beth Honorato. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. ISO. International Standarization Organization. ISO, [s.d.]. About us. Disponível em: https://www.iso.org/about-us.html. Acesso em 21 nov. 2021. KASA, M.; HASSAN, Z. Burnout Dimensions with Work-Family Conflict Among Hotel Employees: Flow Experience as Mediating Role. Journal of Management and Marketing Review, [s.l.], v. 2, n. 2, p. 1-7, 2017. KIM, H. J.; SHIN, K. H.; UMBREIT, W. T. Hotel job burnout: The role of personality characteristics. International Journal of Hospitality Management, [s.l.], v. 26, n. 2, p. 421-434, 2007. KOTLER, P. Administração de marketing. 10. ed. Tradução Bazán Tecnologia e Linguística. São Paulo: Prentice Hall, 2000. KOTLER, P. ARMSTRONG, G. Princípios do marketing. Trad. Arlete Simille Marques; Sabrina Cairo. 9. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2003. LEWIS, R. C.; CHAMBERS, R. E. Marketing leadership in hospitality: foundations and practices. 3. ed., New York (EUA): John Wiley & Sons, 1999. LOVELOCK, C.; WRIGHT, L. Services marketing: people, technology, strategy. 6. ed. Upper Saddle River: Prentice-Hall, 2007. LOUSANA, G. Boas práticas clínicas nos centros de pesquisa. Rio de Janeiro: Revinter, 2005. OLIVEIRA, D. P. R. Planejamento estratégico: conceitos, metodologia e práticas. São Paulo: Atlas, 2007. O’CONNOR, P. Distribuição da informação eletrônica em turismo e hotelaria. Porto Alegre: Bookman, 2001. 75 PAIVA, V. Sobre o conceito de "capital humano". Temas em debate – caderno de pesquisa, São Paulo, v. 113, p. 185-191, jul. 2001. PAIXÃO, D. L. D. Empregabilidade dos recursos humanos como fator estratégico para as empresas turísticas: o caso da hotelaria na cidade de Curitiba. In: SEMINÁRIO DE PESQUISA EM TURISMO DO MERCOSUL, 4., 2006, Caxias do Sul (RS). Anais [...] Caxias do Sul, RS: UCS, 2006, p. 1-18. PETROCCHI, M. Hotelaria: planejamento e gestão. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. ROBBINS, S. R. Comportamento organizacional. Tradução Reynaldo Marcondes. 11. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. QUEVEDO, M. F. Hotelaria hospitalar: uma tendência presente nas organizações de saúde. In: SEMINÁRIO DE PESQUISA EM TURISMO DO MERCOSUL, 2, 2004. Caxias do Sul (RS). Anais [...] Caxias do Sul (RS): UCS, 2004, p. 1-11. QUINN, J. B.; BARUCH, J. J.; PAQUETTE, P. C. Technology in service. Scientific American, [s.l.], v. 257, n. 2, p. 50-58, Dec. 1987. SANTOS, R. A.; SILVA, T. R. Gestão da qualidade e o impacto da ISO 9001: um estudo de caso em um meio de hospedagem no Rio de Janeiro, Brasil. Observatório de Inovação do Turismo – Revista Acadêmica, [s.l.], v. 12, n. 2, p. 22-49, dez. 2018. SANT’ANNA, E. S.; CARNEIRO, J.; LESCURA, C. Quem acolhe aos que acolhem? Trabalho Decente como Ethos da Hospitalidade Organizacional na Hotelaria. Rosa dos Ventos, [s.l.], v. 13, n. 1, p. 50-70, 2021. SEBRAE. Serviço brasileiro de apoio às micro e pequenas empresas. Conte com o cliente oculto para avaliar seu negócio. 2019. Disponível em: https://www.sebrae. com.br/sites/PortalSebrae/artigos/avalie-sua-empresa-utilizando-o-cliente-oculto,bd 1a8fa0672f0510VgnVCM1000004c00210aRCRD. Acesso em: 21 nov. 2021. WERNECK, A. F. Gestão do capital intelectual: uma análise com profissionais de recepção hoteleira. 63 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Tecnólogo em Hotelaria) – Universidade Federal Fluminense, Niterói (RJ), 2013. ZEITHAML, V. A.; BITNER, M. J. Services marketing. New York (EUA): McGraw-Hill, 1996. 76 77 OPERACIONALIDADE UNIDADE 2 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • distinguir os diferentes cargos de Reservas, Recepção, Governança e Portaria Social a partir de suas funções; • relacionar as funções aos setores/departamentos de Reservas, Recepção, Governança e Portaria Social, tendo como base suas atribuições e características; • classifi car as instalações, equipamentos e serviços de lazer com base nos interesses específi cos; • estruturar programações de lazer para meios de hospedagem tendo como premissa a tipologia de meio de hospedagem e a inclusão de todos os públicos; • descrever as principais Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) utilizadas na hotelaria; • explicar a diferença entre os sistemas de gestão hoteleira informatizados e os convencionais. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – RESERVAS, RECEPÇÃO, GOVERNANÇA E PORTARIA SOCIAL TÓPICO 2 – LAZER: EQUIPAMENTOS, INSTALAÇÕES E SERVIÇOS TÓPICO 3 – SISTEMAS DE GESTÃO HOTELEIRA Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 78 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 2! Acesse o QR Code abaixo: 79 TÓPICO 1 — RESERVAS, RECEPÇÃO, GOVERNANÇA E PORTARIA SOCIAL UNIDADE 2 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1, abordaremos os órgãos (setores/departamentos) voltados à área da hospedagem em empreendimentos hoteleiros. Para isso, destacaremos as características e funções principais de Reservas, Recepção, Governança e Portaria Social, órgãos que representam o front office dos meios de hospedagem. Além disso, também verificaremos a função dos principais cargos desses setores/departamentos. Em Reservas, destacaremos os cargos de Gerente ou Supervisor de Reservas e de Encarregado ou Assistente de Reservas. Na Recepção, elencaremos os cargos de Gerente de Recepção, Supervisor de Recepção, Recepcionista e Auditor Noturno. No setor de Governança, abordaremos os cargos de Gerente de Governança, Camareira, Serviços Gerais, Roupeira, Supervisor de Lavanderia e Funcionário de Lavanderia. Por fim, na Portaria Social temos os cargos de Capitão-Porteiro, Mensageiro e Concierge. Além de abordarmos os cargos e suas funções, também conheceremos alguns indicadores de desempenho para esses departamentos/setores, bem como exemplos de organograma que podem ser encontrados em meios de hospedagem que possuem esses cargos em sua estrutura organizacional. 2 RESERVAS, RECEPÇÃO, GOVERNANÇA E PORTARIA SOCIAL Neste tópico, nós iremos aprender os quatro órgãos (departamentos ou setores) da área de hospedagem dos meios de hospedagem: reservas, recepção, governança e portaria social. Esses são os órgãos de front office, de contato direto com o hóspede. Iremos verificar quais são suas principais atribuições e responsabilidades e alguns dos cargos possíveis de serem encontrados na estrutura organizacional da empresa. Além disso são elencados alguns indicadores de desempenho para cada órgão. 80 2.1 RESERVAS: ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES O órgão (área) de reservas é uma das áreas que estarão presentesem todos os meios de hospedagem, sendo fundamental para seu funcionamento. Como o próprio nome diz, os encarregados das reservas têm como função atuar em todo o ciclo de serviços das reservas e pré-reservas. É por meio desses encarregados que o cliente tem o primeiro contato direto com os prestadores de serviço. Portanto, a experiência em um meio de hospedagem não inicia na chegada (check-in), mas quando a equipe de reservas é contatada. Ou, em alguns casos, a equipe de vendas. Cabe destacar, no entanto, que a depender da tipologia ou tamanho da empresa hoteleira, os cargos relacionados às reservas poderão estar alocados em um setor ou departamento específico (chamado de Setor de Reservas) ou, então, as funções ficam a cargo de um funcionário apenas ou, ainda, ficam sob responsabilidade do setor de recepção, que acaba aglutinando os dois ciclos de serviço. Essa última possibilidade é comumente encontrada em pequenos estabelecimentos hoteleiros, onde a existência de um cargo específico ou, mais, um departamento específico para reservas acaba se tornando um custo desnecessário. Isso não poderia acontecer em um hotel de grande porte, por exemplo, onde o fluxo de reservas e de hóspedes é alto, demandando pessoas específicas para tratar desses procedimentos. No entanto, independentemente da estrutura organizacional escolhida pelo proprietário ou gestor, as funções de reservas estarão sempre diretamente relacionadas a outras funções, como a de recepção, a de vendas/comercial e a de eventos (quando o meio de hospedagem contar com espaço para eventos). 2.1.1 Características gerais do setor de reservas As funções relativas às reservas hoteleiras são fundamentais para o funcionamento de um meio de hospedagem e são cargos de front office, ou seja, contato direto com o hotel, conforme vimos na Unidade 1 deste livro didático. Além disso, se enquadra na área de hospedagem, assim como nas demais áreas que veremos mais adiante. De forma geral, baseando-se em Petrocchi (2007), podemos destacar que suas atribuições são: atender clientes físicos ou jurídicos via telefone, internet (e-mail, redes sociais e aplicativos de mensagem) ou pessoalmente; prestar informações sobre o empreendimento, serviços ofertados e procedimentos para reserva; receber, registrar, alterar e cancelar pré-reservas e reservas; realizar cobrança para garantia de reserva; enviar voucher de reserva aos clientes; solicitar rooming list aos responsáveis por reserva de grupos; atualizar e controlar o mapa de reservas; fazer gestão de reservas para evitar 81 overbooking e elaborar lista de stand by; acompanhar política de tarifas e promoções do hotel; organizar calendário de eventos do empreendimento; fazer gestão dos canais de distribuição; enviar documentos para faturamento; articular-se com recepção, vendas e marketing. Voucher: cupom de serviços enviado pela agência de viagem ou operadora de viagem ao hotel ou do hotel ao hóspede, garantindo a realização da reserva e notificando as condições de pagamento. NOTA FIGURA 1 – EXEMPLO DE VOUCHER DE UM HOTEL PARA O HÓSPEDE FONTE: <http://blog.hospedin.com/voucher-de-hotel/>. Acesso em: 8 jan. 2022. 82 Rooming list: relação de nomes dos hóspedes e acomodações a serem utilizados (BRASIL, 2022), comum de ser requisitada em caso de reservas de grupos. FIGURA 2 – MODELO DE ROOMING LIST SIMPLIFICADO FONTE: A autora Overbooking: comercialização de UH em quantidade maior que a capacidade total do empreendimento número acima dos disponíveis para ocupação. Stand by: diz-se dos pedidos de reserva que são inseridos na lista de espera (BRASIL, 2022). Petrocchi (2007) aponta alguns indicadores de desempenho relacionados ao setor de reservas que estão diretamente ligados à concepção de qualidade de serviços, abordada na Unidade 1 deste livro didático: • Níveis de satisfação dos clientes. • Número de reclamações de hóspedes. • Reclamações de operadoras e agências. • Reclamações de empresas clientes. • Falhas na garantia de reservas. • Falhas nos procedimentos comerciais. • Erros na elaboração dos mapas de ocupação do hotel. 83 FONTE: Adaptada de Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 3 – FUNÇÃO DO GERENTE DE RESERVAS 2.2 CARGOS E FUNÇÕES DAS RESERVAS Agora que você já entrou em contato com as principais atribuições e responsabilidades do órgão de reservas, vamos entender alguns cargos e funções possíveis de serem encontrados na estrutura organizacional dos meios de hospedagem. • Gerente ou Supervisor de Reservas Como mencionado anteriormente, a depender do tipo ou tamanho da empresa, o meio de hospedagem terá ou não um departamento ou setor específico para reservas. No entanto, em boa parte dos empreendimentos, as funções de reservas são aglutinadas na estrutura do departamento de Recepção. Assim, o primeiro cargo aqui apresentado é do responsável por essas funções. Se houver um departamento específico, ele será um Gerente de Reservas. Se as funções estiverem aglutinadas na recepção, então haverá apenas um Supervisor de Reservas. Dentre suas principais atribuições, listamos algumas indicadas por Davies (2001): • Registrar pedidos de acomodações especiais. • Notificar a central de reservas (em caso de redes hoteleiras) sobre a posição das diárias e a disponibilidade do hotel; preparar uma previsão de chegadas para os próximos dias. • Planejar a mão de obra de acordo com a previsão de reservas, proporcionando um serviço eficiente aos hóspedes e minimizando os custos. • Certificar-se de que o departamento proporcione aos hóspedes serviço de qualidade e trabalho de equipe, satisfazendo ou superando suas expectativas, incluindo a seleção, orientação e treinamento dos funcionários. • Supervisionar meticulosamente as reservas futuras, certificando-se de que todos os pedidos especiais sejam tratados adequadamente e manter o departamento ou responsável por Vendas informado sobre a posição de bloqueio de grupos; controlar 84 e avisar sobre as restrições de tarifas e disponibilidade dos apartamentos; distribuir diariamente a lista de hóspedes importantes ou com pedidos especiais; e a previsão de chegada para os próximos dias; comunicar todas as informações sobre o hotel ao centro de reservas da rede, incluindo os planos sobre pacotes e promoções de tarifas; preparar resumo das atividades dos espações para eventos. • Trabalhar diretamente com os outros departamentos e com a gerência-geral, contribuindo para o planejamento e a coordenação das atividades internas do hotel. • Preparar relatórios, quando necessário, para desenvolver novas ações que melhorem as decisões gerenciais e a avaliação das atividades de trabalho. Além dessas incumbências, podemos citar a responsabilidade em relação ao Revenue Management, para maximizar as receitas diárias. Revenue Management: “É uma técnica de gestão comercial que ajuda a vender o produto certo, o preço certo, no momento certo, ao cliente certo e através do canal de distribuição certo” (FERREIRA, 2019, p. 17). Diz respeito à gestão do inventário e do tarifário com base na previsão de chegada e de receita que, por sua vez, é baseada em dados históricos. NOTA • Encarregado ou Assistente de Reservas Assim como no caso anterior, a depender da estrutura organizacional no meio de hospedagem, haverá um cargo de encarregado ou de assistente de reservas. Esses cargos são os subordinados diretos do Gerente ou do Supervisor de Reservas e atuam no nível operacional. FONTE: Adaptada de Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 4 – FUNÇÃO DO ENCARREGADO DE RESERVAS 85 FONTE: A autora FIGURA 5 – ORGANOGRAMA DE RESERVAS DE MEIO DE HOSPEDAGEM DE MÉDIO OU PEQUENO PORTE Dentre suas principais incumbências, baseando-se em Davies (2001), podemos apontar: • Todo procedimento relativo à pré-reserva ou reserva, incluindo: receber e processar as reservas, garantindo sua exatidão; atender ao cliente (via telefone, internetou pessoalmente), prestando informações de forma cortês e com exatidão; registrar e notifi car os outros departamentos sobre a chegada de hóspedes importantes ou com pedidos especiais; prestar informações sobre depósitos; identifi car reservas comissionadas e certifi car-se se os descontos são aplicáveis; identifi car e registrar instruções especiais sobre faturamento; arquivar todas as reservas organizadamente para facilitar a consulta. • Controle do inventário dos apartamentos, incluindo: registrar os pedidos especiais de acomodações; notifi car a central de reservas (em caso de cadeia hoteleiras) sobre a diária e disponibilidade do hotel; ajudar na preparação da previsão para os próximos dias. • Utilizar técnicas sugestivas e adequadas de venda; adotar os procedimentos de controle das diárias, baseando-se na disponibilidade e previsão de ocupação; informar o supervisor sobre potenciais datas de ocupação máxima, para que sejam tomadas medidas de restrição das tarifas. Além das incumbências listadas por Davies (2001), podemos acrescentar que o encarregado de reservas deve colaborar com o processo de Revenue Management e fazer a gestão dos canais de distribuição on-line, como as OTA, monitorando as reservas, tendo total conhecimento do mapa de reservas para evitar overbooking e para permitir fl exibilidade de diárias em momentos de baixa ocupação. Agora que já conhecemos o órgão de Reservas, podemos exemplifi car como seria a estrutura organizacional em um meio de hospedagem de médio ou pequeno porte. 86 2.3 RECEPÇÃO: ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES O setor de recepção é o “coração” de um meio de hospedagem. Embora um meio de hospedagem é um sistema formado por diversos subsistemas que são interdependentes, portanto, um não pode existir sem o outro, é no setor de recepção que o contato com os clientes acontece de forma mais intensa. Também é esse setor que direciona a maior parte das ações que acontecem em outros setores. Por exemplo, é pela abertura e fechamento de contas na recepção que o setor financeiro emitirá as faturas e notas fiscais para clientes. É a partir da liberação de apartamentos, após o check-out dos hóspedes que a governança irá atuar na limpeza e higienização nas UH. Assim, baseado em Petrocchi (2007), podemos destacar que, dentre as principais responsabilidades dos encarregados da recepção, estão: registrar e controlar entrada e saída dos hóspedes (check-in e check-out); vender sem reservas (walk in); elaborar lista diária de hóspedes; controlar o caixa de recepção; elaborar relatórios noturnos (auditoria noturna); controlar os cofres dos apartamentos; controlar as chaves/cartões/ senhas de acesso aos apartamentos; controlar itens emprestados; receber e entregar correspondências e objetos para os hóspedes; anotar mensagens para os hóspedes; realizar o serviço de despertar hóspedes; lançar comandas; emitir faturas; cadastrar hóspedes no sistema; fotocopiar documentos pessoais; realizar as cobranças; fornecer informações gerais aos hóspedes; repassar ligações aos apartamentos. Você sabe qual é a diferença entre check-in e walk in? Descubra essa diferença e a importância do bom atendimento da recepção na motelaria: https://bitzsoftwares.com.br/entenda-a-diferenca-entre-walk-in-e-check- in-em-motelaria/. DICA Para avaliar o desempenho do setor, os gestores podem utilizar como padrão alguns aspectos elencados por Petrocchi (2007): • Indicadores de desempenho. • Nível de satisfação dos hóspedes. • Número de reclamações de hóspedes. • Erros nos preenchimentos de Ficha Nacional de Registro de Hóspedes (FRNH). • Erros nos procedimentos de check-in e check-out. • Tempos médios para atendimentos de check-in e check-out. • Ocorrência de anomalias no faturamento. • Anomalias nos relatórios de ocupação das UH. 87 FNRH – Ficha Nacional de Registro de Hóspedes, instituída pela Embratur e, em seguida, pelo Ministério do Turismo. É um padrão de ficha cadastral, com informações que devem ser encaminhadas ao órgão por meio do Sistema Nacional de Registro de Hóspedes – SNRHo. Veja o modelo do Ministério do Turismo. NOTA FIGURA 6 – MODELO OFICIAL DE FNRH DO MINISTÉRIO DO TURISMO FONTE: Ministério do Turismo (BRASIL, 2012) 88 2.3.1 Cargos e funções do setor de recepção Após compreendermos as atribuições e responsabilidades gerais do órgão de recepção, vamos conhecer alguns dos cargos que podem ser encontrados na estrutura organizacional dos meios de hospedagem. Portanto, lembre-se: são apenas exemplos que podem ser alterados conforme conveniência dos tomadores de decisão. • Gerente de Recepção Também conhecido como Chefe de recepção, esse é o cargo responsável pela coordenação das atividades da recepção. Em hotéis de maior porte eles são assessorados pelos supervisores de recepção, cargo que será apresentado na sequência. FONTE: Adaptada de Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 7 – FUNÇÃO DO GERENTE DE RECEPÇÃO Dentre as responsabilidades do Gerente de Recepção, Davies (2001) aponta: • Supervisionar as operações da recepção, garantindo a satisfação do hóspede e atingindo as metas de receita dos apartamentos, incluindo a verificação diária de apartamentos em manutenção, VIP e as solicitações de acomodações especiais. • Consultar as previsões de reservas para planejar a mão de obra, certificando-se de que a recepção fique equipada adequadamente; supervisionar e participar de maneira eficiente e cortês no check-in e check-out; coordenar as chegadas e saídas de grupos. • Controlar reservas confirmadas e pré-reservas, disponibilidade e condições dos apartamentos. • Responder a perguntas ou resolver problemas relativos às acomodações e tarifas dos apartamentos e responder às apreciações favoráveis e desfavoráveis nos comentários dos hóspedes e desenvolver estratégias para melhorar os feedbacks. • Reunir-se com os clientes individuais ou representantes de convenções, ajudando no planejamento de reuniões e eventos especiais. • Garantir a segurança dos apartamentos, providenciando controle eficiente dos cartões/chaves/senhas e participando de assuntos relacionados a essa segurança. 89 • Certificar-se de que a correspondência e as mensagens para os hóspedes sejam entregues imediatamente, supervisionado essa atividade. • Certificar-se de que o departamento proporciona aos hóspedes serviços de qualidade e trabalho em equipe, satisfazendo ou superando as expectativas deles. • Preparar relatórios, quando necessário, para desenvolver novas informações que melhorem as decisões a serem tomadas, e certificar-se de que o departamento opere dentro do orçamento aprovado e ajudar na preparação do relatório anual. • Checar e revisar o relatório do funcionário da noite (auditoria noturna). • Coordenar o envio das contas com o departamento de contabilidade. • Manter estatísticas de apartamentos e reservas, chegadas e saídas, tarifas médias de ocupação e informações relacionadas ao assunto e acompanhar ou fazer previsões que ajudem nas decisões gerenciais. • Utilizar as qualidades de liderança e técnicas de motivação para maximizar a produtividade dos funcionários e a apreciação dos comentários dos hóspedes, incluindo a seleção, orientação e treinamento dos funcionários. • Planejar e coordenar as atividades de alojamento com os dirigentes do empreendimento, trabalhando em conjunto com outros departamentos. • Supervisionar detalhadamente a listagem das futuras reservas para garantir a ocupação máxima dos apartamentos; bloquear com antecedência todas as solicitações especiais e grupos; maximizar a receita dos apartamentos, realizando um esforço eficiente de vendas na recepção; agir como contato nas reservas para os outros hotéis da rede/cadeia. • Orientar vistorias diárias, garantindo as condições de limpeza e ordem na área de recepção. • Verificar periodicamente as máquinas e equipamentos da recepção; manter em dia o estoque da recepção. Embora a gerência de recepçãoseja importante, cabe destacar que em meios de hospedagem de menor porte, o cargo pode não existir, sendo suas funções exercidas parte pelos encarregados da recepção, parte pelo Gerente Geral do estabelecimento. • Supervisor de Recepção Destacamos anteriormente que em meios de hospedagem de maior porte é comum o cargo de supervisor de recepção, dando o apoio à gerência da área. Na inexistência de um gerente de recepção, o supervisor responde diretamente ao gerente geral. 90 FONTE: Adaptada de Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 8 – FUNÇÃO DO SUPERVISOR DE RECEPÇÃO Para esse importante cargo, Davies (2001) lista as seguintes funções: • Atender às solicitações dos hóspedes com rapidez, eficiência e cortesia, durante o registro, o pagamento, as reservas, os telefonemas e as informações, proporcionando um serviço diferenciado. • Rever todas as chegadas, os registros e bloqueios prévios, VIP, especiais, pacotes, grupos reservados e pré-reservados; certificar-se de que os procedimentos de check-in e check-out sejam feitos com rapidez e cortesia; atender aos hóspedes em suas solicitações de informação sobre o hotel e o bairro; trabalhar em conjunto com a equipe de mensageiros, a governança, com reservas e serviço de quarto, providenciando para que as solicitações dos hóspedes sejam atendidas. • Manter em dia as contas do hotel e processá-las com exatidão e assegurar a eficiência do setor de Recepção; checar a disponibilidade dos apartamentos e as condições do hotel; Verificar com o setor de reservas as noites com lotação esgotada ou quase esgotada; comunicar-se com a governança para garantir a disponibilidade dos apartamentos e as mudanças nas reservas do hotel; certificar-se de que a distribuição de apartamentos seja feita adequadamente, para proporcionar aos hóspedes a melhor experiência possível; garantir uma transição ordenada na mudança de turnos e passar todas as informações pertinentes ao supervisor que irá revezá-lo. • Atender às queixas dos hóspedes e encaminhá-la, quando necessário, ao gerente da recepção. • Garantir que os serviços financeiros sejam realizados com exatidão; verificar descontos, reduções de tarifas e concessões solicitadas na ausência do gerente de recepção; encaminhar os problemas especiais de crédito à gerência; Supervisionar os procedimentos dos depósitos adiantados. • Ajudar a preparar relatórios, quando necessário, para desenvolver novas informações a serem aplicadas nas tomadas de decisões; manter estatísticas dos apartamentos e das reservas, das chegadas e saídas de hóspedes, das tarifas médias de ocupação; ajudar na preparação do orçamento anual e certificar-se de que o departamento opere dentro do orçamento aprovado; checar e revisar o relatório do funcionário da noite (auditoria noturna); coordenar, com o Departamento de Contabilidade, o envio de faturas. 91 FONTE: Adaptada de Brasil (2022); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 9 – FUNÇÃO DO RECEPCIONISTA Novamente é preciso ressaltar que o cargo de supervisão é mais comum de ser encontrado em meios de hospedagem de maior porte, cuja estrutura organizacional da recepção é mais robusta. • Recepcionista O cargo de recepcionista é de extrema importância para o empreendimento hoteleiro. Em meios de hospedagem de menor porte, é comum que esses cargos concentrem as funções relativas às reservas também. A função do Recepcionista é executar as atividades da recepção. Assim, podemos destacar as seguintes tarefas: • Realizar check-in e check-out com agilidade e exatidão; realizar atendimento e walk in. • Arquivar e manter em dia o registro de hóspedes. • Operar o computador e o sistema de gestão hoteleira. • Abrir e fechar os registros de hospedes e faturas. • Fazer lançamento de comandas. • Atendimento telefônico, transferência de chamadas, anotação de mensagens. • Comunicar à supervisora ou gerente de recepção sobre os no show; comunicar sobre eventuais problemas ou questões atípicas. No show são as reservas que não chegam, mas que não foram canceladas previamente. NOTA 92 Embora o cargo de recepcionista pareça menos importante, devemos salientar que ele é um dos mais importantes para os meios de hospedagem. É o recepcionista que terá mais contato com os hóspedes, portanto, será a figura-chave para a percepção do cliente sobre a empresa. O recepcionista não é importante apenas para a empresa, mas para o próprio viajante, pois tende a recorrer a essa figura em caso de dúvidas e necessidades sobre o destino turístico onde se encontra. • Auditor noturno Outra função essencial no setor de recepção é o de auditor noturno. Empreendimentos de maior porte costumam ter em seu quadro de funcionários alguém específico para a função, mas empreendimentos menores a delegam ao recepcionista do turno da madrugada. FONTE: Adaptada da Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 10 – FUNÇÃO DO AUDITOR NOTURNO Em relação ao cargo de auditor noturno, Davies (2001) destaca as seguintes funções: • Organizar um relatório para ser apresentado ao supervisor, mantendo-o devidamente informado de todos os problemas e assuntos relevantes. • Conferir procedimentos, documentos, contas dos hóspedes e pagamentos processados diariamente, realizando os ajustes necessários. • Elaborar balancete do movimento de vendas do dia. • Informar ao supervisor os problemas com lançamentos ou cobranças que não puderam ser resolvidos durante a auditoria noturna. • Desempenhar funções de recepcionista quando necessário. • Dialogar com demais departamentos para sanar dúvidas ou resolver incongruências. 93 FIGURA 11 – EXEMPLO DE ORGANOGRAMA DA RECEPÇÃO FONTE: A autora Gostaria de entender melhor a função e as características necessárias para atuar na auditoria noturna? Acesse em: https://siteantigo.portaleducacao. com.br/conteudo/artigos/turismo-e-hotelaria/caracteristicas-da-auditoria- noturna/18726. DICA Com base nos cargos aqui elencados, podemos traçar um exemplo de organograma do órgão de Recepção. 2.4 GOVERNANÇA: ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES Agora que conhecemos os setores de Reservas e Recepção, vamos adentrar no órgão de governança. O órgão de governança irá diferir de um tipo de meio de hospedagem a outro, dadas suas especifi cidades. A estrutura organizacional da governança de um hotel cinco estrelas e de um camping irá diferir, o mesmo ocorre entre um hotel de pequeno porte e um de grande porte, como destacam Dias e Pimenta (2005). No entanto, de forma geral, as atribuições básicas da governança são, conforme Petrocchi (2007): limpeza geral e arrumação das UH, com troca de roupas de cama e banho, bem como cuidados com as roupas dos hóspedes; limpeza e arrumação das áreas sociais, de circulação e de serviços; manutenção das peças de decoração, arranjos de fl ores e jardins; administração da rouparia; controle de estoques e manuseio de materiais de consumo; administração da lavanderia; realização de relatórios diários sobre ocupação e situação das UH; registro de consumo do minibar; atendimento das necessidades ou solicitações especiais dos hóspedes; verifi cação do correto 94 funcionamento dos equipamentos das UH, articulando-se com a manutenção; e cuidar dos objetos esquecidos pelos hóspedes. Em relação aos indicadores de desempenho desse departamento/setor, podemos citar, com base em Petrocchi (2007): • Nível de satisfação dos hóspedes. • Número de reclamações de hóspedes. • Anomalias nas UH indicadas pelos hóspedes. • Erros na elaboração dos relatórios de ocupação das UH. • Erros na indicação de consumos no minibar. • Anomalias na rouparia. • Anomalias na lavanderia • Anomalias na limpeza e arrumação das áreas sociais. A atividade de governança não é somente arrumar os quartos, como fazem as camareiras, mas de cuidar da limpeza do hotel como um todo. Apesar de vital importância na estrutura do hotel, a governança é uma atividade que só é percebida quandoocorrem falhas. É necessário, para a atividade ser cada vez mais notada e valorizada pelos clientes externos e internos (VIDAL; SIMONETTI, 2010, p. 121). NOTA 2.4.1 Cargos e funções do setor de governança Agora vamos conhecer alguns dos cargos e funções que compõem o órgão da governança, abarcando a limpeza e organização de áreas privativas e áreas comuns, a lavanderia e a rouparia. • Gerente de governança A Gerente de Governança, também conhecida como “Governanta” é a profissional da hotelaria, responsável pelo bom funcionamento do setor de alojamento no que se refere a limpeza, higiene, arrumação dos quartos e áreas públicas, decoração e supervisão do trabalho dos empregados de andares ou camareiras e arrumadeiras, Ministério do Turismo (BRASIL, 2022). 95 EPI – Equipamento de Proteção Individual. A Portaria nº 25/2001 conceitua EPI como todo dispositivo ou produto, de uso individual pelo trabalhador, destinado a sua proteção, de sua segurança e saúde (BRASIL, 2001). Podemos citar como exemplo de EPI na hotelaria as luvas descartáveis, máscaras de proteção, avental, calçados especiais e roupas antichamas. POP – Nós já abordamos esse termo na Unidade 1 deste livro, mas vamos relembrar. Os Procedimentos Operacionais Padrão (POP) são procedimentos adotados pelas organizações a fim de fazer com que um determinado processo possa ser realizado sempre da mesma forma, independentemente do número de pessoas que o realizam. Busca, portanto, uma uniformidade da rotina operacional, seja na produção, seja na prestação de serviços (LOUSANA, 2005). NOTA FONTE: Adaptada da Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 12 – FUNÇÃO DO GERENTE DE GOVERNANÇA A partir de Davies (2001) destacamos as seguintes responsabilidades: º Supervisionar as camareiras; certificar-se de que todos os apartamentos tenham sido limpados e arrumados e notificar a Recepção; fiscalizar os pedidos de última hora de troca de apartamentos para que sejam atendidos; realizar inspeção em todos os apartamentos limpos no dia para certificar-se de que estão de acordo com os padrões do hotel; º Notificar o supervisor sobre a requisição de troca ou reparo da mobília ou acessórios dos apartamentos. º Checar diariamente os armários da rouparia, verificando limpeza e estoque adequado. º Ajudar no inventário da rouparia (cama, mesa e banho). º Certificar-se da manutenção da ordem dos carrinhos e outros equipamentos; º Cuidar adequadamente dos objetos achados e perdidos; º Garantir o uso dos EPI e dos POP. 96 Há diversos EPI obrigatórios em um meio de hospedagem. Um exemplo são as máscaras de proteção facial, que devem ser usadas por todos em casos de epidemias ou pandemias virais. Além da máscara facial, você saberia citar outros EPI essenciais para as camareiras? Descubra quais são no vídeo “EPI: Sua camareira corre PERIGO! | Governança Hoteleira” do Canal do Youtube Maria José Dantas. https://www.youtube.com/watch?v=NqOEeMg4D0I&ab_ channel=MariaJos%C3%A9Dantas • Supervisionar o rendimento do serviço e a limpeza das áreas públicas. • Selecionar, orientar e treinar os funcionários qualifi cados. • Recomendar a compra dos produtos mantendo-se dentro do orçamento. Esse cargo pode ser suprimido em meios de hospedagem de menor porte, sendo que a supervisão da governança pode fi car a cargo do gerente ou subgerente da propriedade. INTERESSANTE • Camareira As camareiras são as funcionárias responsáveis pelas condições de arrumação, limpeza, higiene e asseio dos apartamentos e zonas adjacentes, subordinada à governanta (BRASIL, 2022). FONTE: Adaptada da Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 13 – FUNÇÃO DA CAMAREIRA Davies (2001) aponta as seguintes funções essenciais do cargo de camareira: º Limpar diariamente os apartamentos, de acordo com a política e padrões operacionais do hotel, garantindo a satisfação dos hóspedes; Repor material promocional e folhetos; Repor os amenities da UH; Reportar à Governança todos os avisos de “Não perturbe” nas portas trancadas dos apartamentos e a hora em que foram verifi cados. 97 Amenities: itens ou atos cujo principal propósito é trazer prazer aos outros. Por exemplo, uma cesta com sabonetes, xampu, sais de banho, colônia, entre outros itens disponibilizados no banheiro dos hóspedes pode trazer uma satisfação adicional, Ministério do Turismo (BRASIL, 2022). Na Unidade 3 deste livro didático, nós iremos estudar a brigada da cozinha, seus cargos e funções. NOTA ESTUDOS FUTUROS º Relatar à Governança circunstâncias incomuns; Transmitir à Manutenção os pedidos de serviço e de reposições; Entregar à Governança os objetos deixados nos quartos para que sejam entregues à seção "Achados e Perdidos”. º Organizar e limpar os armários da rouparia, verifi cando a qualidade e a quantidade de roupa branca guardada; Checar o estoque diariamente e notifi car imediatamente à Governança se verifi car a falta de algum item no estoque; Retirar do apartamento qualquer roupa branca danifi cada ou gasta pelas lavagens e devolvê-la à Governança. Assim, verifi camos que o cargo de camareira é um dos mais importantes para um meio de hospedagem, por isso, estão presentes em todos os estabelecimentos, independentemente de seu porte ou tipologia. • Serviços gerais Se as camareiras são responsáveis pelas áreas privadas (UH), qual profi ssional é responsável pelas áreas públicas dos meios de hospedagem? O funcionário de serviços gerais. Não obstante, em empreendimentos de menor porte, a função de limpeza e arrumação das áreas de uso coletivo é delegada às camareiras ou a alguém da brigada da cozinha. 98 FONTE: Adaptada da Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 14 – FUNÇÃO DOS SERVIÇOS GERAIS Com relação às funções do cargo, Davies (2001) lista as seguintes: º Realizar diariamente e de forma meticulosa a limpeza geral de todas as áreas comuns do hotel que lhe são atribuídas (corredores, elevadores, lobby, áreas de serviço, áreas embaixo das escadas e de ginástica e lazer). º Garantir rápido conserto ou manutenção do equipamento do hotel, apresentando todos os pedidos de manutenção de maneira eficiente e em tempo hábil. º Devolver à seção “Achados e Perdidos” todos os objetos encontrados nas áreas comuns do hotel. Esse cargo pode ser suprimido em alguns tipos de meio de hospedagem. A depender especialmente do porte, a limpeza das áreas comuns pode ficar sob responsabilidade de outros cargos, como camareiras (limpeza de corredores e escadas) e encarregado pela copa/cozinha (limpeza do salão de café da manhã e cozinha), por exemplo. • Roupeira O cargo de roupeira está presente em hotéis de maior porte, pois em meios de hospedagem de menor porte, as funções são desempenhadas pelas camareiras. FONTE: Adaptada da Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 15 – FUNÇÃO DA ROUPEIRA 99 FONTE: Adaptada da Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 16 – FUNÇÃO DO GERENTE DE LAVANDERIA Sobre as funções do cargo, Davies (2001) destaca: º Manter um inventário médio dos suprimentos e da rouparia que estão nos armários da rouparia; Retirar a roupa avariada ou gasta pelas lavagens e levá-la de volta para a lavanderia. º Entregar nos apartamentos os pedidos dos hóspedes relacionados ao seu departamento. º Entregar berços, mesas, ferros e tábuas de passar, quando solicitados. º Retirar todas as bandejas de serviço ou outros objetos do chão e levá-las para a cozinha. • Supervisor de lavanderia O cargo de supervisor de lavanderia é uma posição geralmente ocupada por pessoas com experiência gerencial. Como supervisor, uma de suas atribuições mais importantes é supervisionar as ações e o desempenho de outros funcionários da lavanderia. No entanto, as tarefas exatas com que esses funcionários lidam podem variar de empreendimento para empreendimento, embora geralmente envolvam garantir que osfuncionários executem as tarefas da lavanderia de maneira adequada e oportuna (NETINBAG, 2022). Agora, vamos verificar com mais detalhes as atribuições do supervisor de lavanderia, conforme Davies (2001): º Supervisionar, treinar e dirigir os funcionários da lavanderia, operando produtivamente para que a roupa branca seja lavada e passada de maneira profissional; planejar a mão de obra com base na previsão de ocupação dos apartamentos. º Ajudar nas operações da lavanderia e no seu rendimento durante os momentos de maior movimento e na ausência dos operadores das máquinas. º Estar ciente das trocas na ocupação dos apartamentos e antecipar as estratégias para solucionar quaisquer variações surgidas nessas trocas. 100 º Certificar-se de que as roupas manchadas sejam limpas de maneira adequada e em tempo hábil; certificar-se de que se use produtos químicos adequados nas máquinas de lavar e de que haja um estoque suficiente desses produtos na lavanderia. º Manter o equipamento da lavanderia em condições adequadas, fazendo pequenos consertos, quando necessário; advertir a gerência da Governança sobre qualquer problema incomum ou relevante em relação ao equipamento da lavanderia; notificar a Manutenção sobre outras medidas a serem tomadas; fazer relatórios de manutenção referentes à substituição ou ao conserto das peças das máquinas da lavanderia. º Coordenar os inventários da roupa branca e recomendar as compras; Inventariar, organizar e fiscalizar os uniformes dos funcionários; conservar e consertar a roupa branca, supervisionando suas condições e renovando-a, quando necessário, para que se mantenha dentro dos padrões do hotel. Manter uma lavanderia representa um custo alto para os meios de hospedagem. Mão de obra, compra de maquinário e manutenção são alguns dos aspectos que devem ser levados em consideração na hora de decidir se o serviço de lavanderia será próprio ou terceirizado. Muitos empreendimentos têm preferido terceirizar esse serviço. No organograma dessas empresas não constam os cargos relativos à lavanderia. IMPORTANTE º Utilizar as qualidades de liderança e técnicas de motivação para maximizar a produtividade dos funcionários e a apreciação nos comentários dos hóspedes, incluindo a seleção, orientação e treinamento dos funcionários. º Apresentar relatórios escritos e orais, necessários para manter a gerência da Governança informada sobre a situação das operações na lavanderia e reportar os problemas incomuns ou relevantes. º Entender as funções básicas e a manutenção do equipamento da lavanderia; fazer relatórios de manutenção referentes à substituição ou ao conserto das peças das máquinas; notificar a Manutenção sobre outras medidas a serem tomadas. Mesmo em meios de hospedagem que possuam lavanderia própria, é possível que o cargo de supervisor de lavanderia seja suprimido, existindo apenas o funcionário de lavanderia, que se responsabiliza pela manutenção e funcionamento da área. • Funcionário de lavanderia O funcionário de lavanderia responde diretamente ao Supervisor de Lavanderia. Baseando-se em Davies (2001), podemos destacar as principais atribuições do funcionário de lavanderia, que pode ser denominado também de lavadeira ou passadeira, dependendo de suas atribuições. 101 FONTE: Adaptada da Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 17 – FUNÇÃO DO FUNCIONÁRIO DE LAVANDERIA Vamos verifi car quais são suas principais responsabilidades, segundo Davies (2001): º Garantir o máximo de efi ciência, realizando os procedimentos com zelo e atenção; retirar a roupa danifi cada ou manchada, informando à governanta e à gerência de lavanderia. º Garantir a efi ciência das máquinas, economizando energia e otimizando a lavagem. º Operar, fazer a manutenção e limpar a lavanderia e os equipamentos de acordo com os padrões do hotel; informar o supervisor ou gerente de qualquer falha mecânica ou diminuição no estoque, para que possam ser tomadas medidas corretivas. º Passar e dobrar toda a roupa de cama, mesa e banho, uniformes e outras peças necessárias; guardar a roupa nos armários e nas áreas de estocagem da lavanderia. Agora que já conhecemos o órgão de Governança, vamos ver um exemplo de organograma de um meio de hospedagem que possui lavanderia. FONTE: A autora FIGURA 18 – EXEMPLO DE ORGANOGRAMA DA GOVERNANÇA 102 2.5 PORTARIA SOCIAL: ATRIBUIÇÕES E RESPONSABILIDADES A portaria social é parte do setor/departamento de Recepção, sendo que os encarregados da portaria social são os primeiros e últimos funcionários a terem contato com o hóspede no ambiente do hotel. Dentre suas principais funções, Petrocchi (2007) destaca: controlar o lobby do hotel; atender ao hóspede na entrada e saída do hotel; auxiliar o hóspede quanto à bagagem; encaminhar o hóspede a seus apartamentos; controlar entradas e saídas de bagagens; providenciar táxi ou outros veículos aos hóspedes; controlar o estacionamento de veículos; disponibilizar jornais/revistas no lobby; e atender a visitantes. Em relação aos indicadores de desempenho, o autor supracitado não desassocia a equipe da portaria-social do restante do órgão de recepção, portanto, são aplicáveis os mesmos indicadores. As funções mais comuns nos meios de hospedagem, relacionadas à portaria social são o capital-porteiro, o mensageiro e o concierge. Vamos conhecer um pouco dessas funções. 2.5.1 Cargos e funções da portaria social Agora, vamos conhecer um pouco mais das funções da portaria social, por meio dos cargos que poderão ser encontrados na estrutura organizacional dos meios de hospedagem. Lembre-se de que a existência ou não dos cargos na empresa depende de vários fatores, como tipologia, porte, proposta da empresa, existência de recursos financeiros, entre diversos outros. • Capitão-porteiro O capitão-porteiro pode ser caracterizado como o anfitrião do empreendimento hoteleiro. É ele que dará as boas-vindas aos hóspedes, portanto, para esse cargo, a gentileza, prestatividade e bom humor são essenciais. FONTE: Adaptada da Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 19 – FUNÇÃO DO CAPITÃO-PORTEIRO 103 FONTE: Adaptada da Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 20 – FUNÇÃO DO MENSAGEIRO Dentre as principais responsabilidades do capitão-porteiro, segundo Davies (2001), está: º Supervisionar, coordenar e dirigir a equipe de mensageiros, incluindo o planejamento dos horários da equipe, realizar reuniões semanais com funcionários para comunicar a programação dos eventos e as tarefas especiais. º Promover aos hóspedes os restaurantes, outros serviços e recursos, respondendo às perguntas dos hóspedes sobre o meio de hospedagem, os recursos internos e as informações sobre a localidade onde o empreendimento de encontra. º Responsabilizar-se pela manutenção e aparência da entrada e lobby do hotel, acionando o setor de governança sempre que necessário. º Supervisionar o serviço de vallet/ estacionamento. º Utilizar as qualidades de liderança e técnicas de motivação para maximizar a produtividade dos funcionários, incluindo a seleção, orientação e treinamento dos funcionários. º Contribuir para a segurança geral do hotel, relatando qualquer ocorrência incomum, demonstrando conhecimento de todos os procedimentos de emergência do hotel e controlando o acesso dos visitantes. Cabe ressaltar que o Capitão Porteiro é um cargo que está presente em meios de hospedagem com maior grau de sofisticação (quatro estrelas ou mais). Por isso, as funções elencadas anteriormente ficam, em geral, sob responsabilidade do mensageiro de hotel. • Mensageiro O mensageiro, também conhecido como bellboy, dá assistência aos hóspedes sob comando principal do capitão-porteiro. Diferente do capitão-porteiro, é um cargo bastante comum na hotelaria, embora não faça parte do quadro de funcionários dos hotéis, por exemplo. 104 Dentre suas principais responsabilidades, Davies (2001) elenca:º Tratar os hóspedes cortesmente, de acordo com os padrões do hotel, dando as boas- vindas e acompanhando-os em sua chegada, encaminhando até a Recepção e auxiliando com a bagagem. º Acompanhar os hóspedes e levar as bagagens até seus apartamentos, verificando se a UH está bem arrumada e em bom funcionamento e explicando aos hóspedes o funcionamento de equipamentos como ar-condicionado, acesso ao apartamento (cartão ou senha) e demais itens e informando as amenidades disponíveis. º Promover os restaurantes, outros serviços e recursos do hotel, motivando os hóspedes para a busca desses serviços. º Quando solicitado pelo gerente de Recepção, realizar outras tarefas para os hóspedes e o hotel. º Responsabilizar-se pela manutenção e aparência da entrada e do lobby, acionando o setor de governança quando necessário. º Contribuir para a segurança geral do hotel, informando quaisquer ocorrências incomuns à gerência ou equipe de segurança. º Realizar os serviços do valet estacionamento, como manobrar, estacionar ou retirar automóveis, manter as entradas desimpedidas de carros e solicitar táxi para os hóspedes quando necessário. Caso queira conhecer mais do cargo de Mensageiro, de uma forma bem- humorada, assista ao filme O Grande Hotel Budapeste, que se passa em um hotel e tem como personagens principais o gerente geral e o mensageiro do empreendimento. Acesso através das plataformas streaming disponíveis, como exemplo no link a seguir: https://play.google.com/store/movies/details/O_Grande_Hotel_Budapeste_ Legendado?id=2WKcKihx5IE&hl=pt_BR&gl=US. DICAS O mensageiro é um cargo de extrema importância nos meios de hospedagem, embora algumas empresas hoteleiras sejam adeptas a um tipo de serviço onde o hóspede tem maior autonomia e responsabilidade sob os processos, como carregamento de bagagens e manobra de veículos. Nesses casos, o mensageiro pode não figurar na estrutura organizacional. Esse é o caso dos meios de hospedagem caracterizados como hostel. • Concierge O cargo de concierge é comum apenas em hotéis mais sofisticados e se confunde com o cargo de guest relation, embora esse esteja mais voltado às relações públicas do hotel. 105 FONTE: Adaptada da Davies (2001); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. FIGURA 21 – FUNÇÃO DO CONCIERGE Dentre as atribuições do concierge, pode-se apontar: º É o responsável pelas boas-vindas aos hóspedes, seja pessoalmente ou por telefone; informar os hóspedes sobre os serviços disponíveis e ajudar a obtê-los; maximizar a satisfação dos hóspedes e a utilização dos recursos do hotel, promovendo seus restaurantes e demais serviços. º Manter um suprimento de folhetos do hotel, menus dos restaurantes e demais serviços; prestar informações sobre entretenimentos locais, tours, eventos e outras atrações. º Fazer um acompanhamento de todas as demandas e observações dos hóspedes. º Garantir o controle de qualidade das acomodações, principalmente para hóspedes especiais, inspecionando pessoalmente os serviços. A palavra concierge tem origem do latim “conservus”, que signifi ca “serviçal amigo” e do termo francês do Século XII, “compté de eierges”, que signifi ca o “guardador de velas e de chaves”. Eles eram encarregados de iluminar o caminho e abrir as portas para os nobres em visita aos palácios. Ainda hoje, o concierge é identifi cado em todo o mundo por um broche com duas chaves de ouro – Ministério do Turismo (BRASIL, 2022). INTERESSANTE Para fechar este tópico, vamos conhecer um organograma possível para a Portaria Social. 106 FONTE: A autora FIGURA 22 – EXEMPLO DE ORGANOGRAMA PARA A PORTARIA SOCIAL Cabe relembrar que esses cargos costumam ser parte do órgão de Recepção, portanto, estão sob liderança do Gerente de Recepção ou Supervisor de Recepção. 107 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Os órgãos de Reservas, Recepção, Governança e Portaria Social são órgãos de front office, ou seja, estão em contato direto com o hóspede. Assim, a depender de fatores como tipologia e porte do meio de hospedagem, o organograma dessas áreas será mais ou menos complexa. • O órgão de Reservas está presente em todos os meios de hospedagem, no entanto, a depender da tipologia ou porte da empresa, os cargos relacionados às reservas poderão estar alocados em um setor ou departamento ou, então, as funções ficam a cargo de um funcionário apenas. É por meio de seus encarregados que os hóspedes têm o primeiro contato direto com os prestadores de serviço. • O setor de Recepção também é flexível, podendo diferir entre um meio de hospedagem e outro. É esse órgão que se responsabiliza pela entrada e saída dos hóspedes, cobrança e controle de caixa, controle de acesso, entre diversas outras funções essenciais. • O setor de Governança é o mais diverso dos apresentados, contando com uma variedade de cargos e funções relativas à limpeza, arrumação, higienização de áreas privativas e de uso comum, além de ser responsável pela rouparia, quando esse serviço não é terceirizado. • A Portaria Social costuma estar englobada no setor de Recepção, sendo que seus encarregados são os primeiros e últimos funcionários a terem contato com o hóspede no ambiente do hotel. 108 1 No cotidiano hoteleiro é comum o uso de termos na língua inglesa. Esses termos dizem respeito a ações, processos ou situações que ocorrem em diferentes setores dos meios de hospedagem e devem ser dominados pelos profissionais da área, uma vez que são termos globais e utilizados amplamente no setor. Com relação aos termos hoteleiros, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) “No show” é um termo utilizado por hotéis de lazer para indicar os dias onde não haverá apresentação musical na programação. b) ( ) “Amenities” refere-se a todo as despesas extras que os hóspedes tiveram no período da hospedagem, que não são faturáveis. c) ( ) “Global Distribution Systems” refere-se ao conjunto de Agências de Viagens On- line (OTA). d) ( ) O termo “stand by” é utilizado para os pedidos de reserva que são inseridos na lista de espera. 2 Certas funções podem ser desempenhadas por um encarregado ou mais, estando concentrada em um departamento ou setor específico ou não. A estrutura organizacional irá depender de vários fatores, como recursos financeiros disponíveis para contratação de pessoal, porte do empreendimento, tipologia do empreendimento e proposta de serviço. Por exemplo, um hotel de luxo dispõe de um número maior de funcionários por hóspede que um hotel de três estrelas, por exemplo. Com relação aos cargos da área de hospedagem, analise as sentenças a seguir: I- O cargo de Mensageiro faz parte do setor administrativo, pois sua função principal é envio de correspondência a empresas parceiras e pagamento de contas em instituições bancárias. II- O cargo de Gerente de Reservas existe em todos os tipos de meios de hospedagem, pois em todos há um departamento específico de Reservas, separado da Recepção. III- A função principal da Governanta é supervisionar, dirigir e coordenar o serviço de limpeza e arrumação, de acordo com os padrões do hotel. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. AUTOATIVIDADE 109 3 O órgão de Governança é essencial para os meios de hospedagem, uma vez que seus encarregados são responsáveis pela manutenção das boas condições de uso das áreas privativas e áreas sociais. Sem pessoal para realizar essas funções, não é possível dar continuidade às atividades. De acordo com as atribuições e responsabilidades do órgão de governança e seus encarregados, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) As funções relativas aos serviços gerais estão relacionadas ao órgão de Governança, pois referem-se à limpeza de áreas sociais, ou seja, as áreas de uso comum dos meios de hospedagem.( ) A lavanderia é um órgão à parte da governança, por estar diretamente relacionada à rouparia, portanto, ao inventário dos meios de hospedagem. Assim, está ligada ao setor administrativo. ( ) O controle de estoques e manuseio de materiais de consumo e o registro de consumo do minibar não são atribuições do setor de Governança. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 A estrutura organizacional dos meios de hospedagem difere conforme uma diversidade de fatores, como porte e características da oferta. Petrocchi (2007, p. 99) apontou que “uma pousada, com pequeno volume de serviços, requer uma estrutura o mais simples possível. Na outra ponta, um hotel de grande porte, requer a criação de órgãos e postos de trabalho, com responsabilidades e dimensões correspondentes a um volume expressivo de serviços”. Com base nessa afirmação, disserte sobre dois cargos (e suas funções) apresentadas neste tópico que são comuns apenas em hotéis de classificação superior. FONTE: PETROCCHI, M. Hotelaria: planejamento e gestão. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. 5 Embora a estrutura organizacional difira de um meio de hospedagem a outro, o setor de hospedagem tem sempre a mesma função. Assim como destacado por Petrocchi (2007), a hospedagem é a atividade central de um meio de hospedagem. Nesta Unidade, nós apresentamos a área de hospedagem dividindo-a em quatro órgãos. Disserte sobre esses órgãos e suas funções principais. FONTE: PETROCCHI, M. Hotelaria: planejamento e gestão. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. 110 111 LAZER: EQUIPAMENTOS, INSTALAÇÕES E SERVIÇOS 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 2, abordaremos as instalações, os equipamentos e os serviços de lazer em meios de hospedagem. Embora nem todos os meios de hospedagem tenham espaços e equipamentos de lazer, é comum encontrá-los. Inclusive, há tipologias de meio de hospedagem que pressupõem a existência de espaços e atividades de lazer e recreação. Neste tópico, nós vamos entender esses aspectos. Para isso, inicialmente, adentraremos no conceito e características do lazer e suas diferenças de entretenimento e de recreação. Em seguida, adentraremos no lazer em meios de hospedagem, abordando as tipologias de meios de hospedagem considerados “hotéis de lazer”. Além disso, abordaremos as instalações, os equipamentos e os serviços de lazer na hotelaria, incluindo exemplos de programação de lazer. Ademais, destacaremos os cargos que podem ser encontrados na estrutura organizacional desses meios de hospedagem e suas respectivas funções. 2 CONCEITO E CARACTERÍSTICAS DO LAZER Em primeiro lugar, precisamos destacar a diferença entre lazer, recreação e entretenimento. Começando pelo lazer, esse termo diz respeito ao tempo livre entre o trabalho (remunerado ou não) e o repouso, ou seja, o tempo sem obrigações diárias. Isso inclui, os feriados e as férias anuais. Portanto, tem um conceito muito mais amplo que recreação (MORENO; MARCELLINO, 2006). UNIDADE 2 TÓPICO 2 - O direito ao lazer está previsto na Constituição Federal de 1988 e é um direito fundamental do cidadão, assim como o direito à alimentação, à educação, à saúde, à moradia e outros. IMPORTANTE 112 Para o sociólogo francês Joffre Dumazedier (1980), grande estudioso do tema, a necessidade humana pelo lazer sempre existiu, no entanto, a ideia de lazer e recreação como conhecemos atualmente é oriunda da sociedade urbano-industrial moderna. Já a recreação sempre pressupõe atividades realizadas no tempo de lazer, de forma deliberada, ou seja, consciente e interessada (MORENO; MARCELLINO, 2006). O entretenimento, por sua vez, é uma ação, evento ou atividade com o fim de entreter uma audiência. Assim, tanto a recreação quanto o entretenimento estão inseridos na concepção de lazer. E o entretenimento pode ser utilizado em atividades de recreação. LAZER RECREAÇÃO ENTRETENIMENTO Tempo livre das obrigações diárias, sem incluir o tempo de repouso. Atividades realizadas no tempo de lazer, de forma consciente e interessada. Ação, evento ou atividade realizada para entreter uma audiência. FONTE: A autora QUADRO 1 – DIFERENÇA CONCEITUAL ENTRE LAZER, RECREAÇÃO E ENTRETENIMENTO Dumazedier (1980) classificou o lazer em seis áreas específicas de interesse: artístico, intelectual, físico, manual, turístico e social. Vamos conhecer um pouco sobre elas. • Interesse artístico: trata-se das emoções e sentimentos dos envolvidos, com conteúdo estético em busca do simbólico e do encantamento, englobando qualquer manifestação artística, como teatro, sarau de poesias, dança, música, folclore, entre outros. • Interesse intelectual: diz respeito às manifestações voltadas ao intelecto e à disseminação da cultura. Envolve as gincanas, jogos de tabuleiro, leitura, rodas de conversa e discussão, entre outros. • Interesse físico-esportivo: envolve as atividades físicas, esportivas, lúdicas ou qualquer ação envolvendo o movimento e habilidades motoras. Engloba os jogos, brincadeiras, atividades esportivas individuais ou coletivas, esportes de aventura, entre outros. • Interesse manual: engloba as atividades relacionadas à capacidade de manipulação e transformação de objetos e ações. Pode envolver artesanato, mas também cuidados com a natureza. Podemos exemplificar esse caráter pelas atividades de cultivo de horta, trato de animais, confecção de artesanato, colheita de frutos, entre outros. • Interesse turístico: compõem a quebra de rotina temporal e espacial, em busca de novas culturas e costumes, exemplificados pelas viagens. 113 • Interesse social: considera-se que o interesse do lazer é o social, buscando o convívio social. Podemos citar as festas, os passeios em grupos e demais atividades de interação. No caso da hotelaria, há determinadas tipologias de meios de hospedagem que pressupõem a existência e disponibilidade de espaços, equipamentos e atividades de lazer e recreação. • Interesse artístico: ateliê; teatro; auditório. • Interesse intelectual: salão de jogos; biblioteca; sala de leitura. • Interesse físico-esportivo: quadras esportivas; sauna; bicicletário/ciclovia; equipamentos náuticos (vela, motor, pedalinho, stand up, entre outros); cavalos; academia de ginástica. • Interesse manual: horta, minifazenda, pomar. • Interesse turístico: trilhas, cachoeiras; lagos; charretes; veículos off Road; barcos. • Interesse social: academia de ginástica; salão de danças; cinemas; salão de jogos; piscina. Vamos conhecer, a seguir, mais dos serviços, instalações e equipamentos de lazer em meios de hospedagem. 3 SERVIÇOS DE LAZER EM MEIOS DE HOSPEDAGEM Para a disponibilização de serviços de lazer em meios de hospedagem, devemos ter em mente que eles não precisam ser exclusivos de determinada tipologia de empreendimento. Sobre isso, Cândido e Vieira (2003, p. 630) destacam que: “Muitos executivos hospedados sentem a necessidade de relaxar, de se distrair e de praticar algum tipo de jogo, esporte e/ou alguma atividade de lazer ou descontração no final de seu dia tenso ou no final de semana durante o qual necessite permanecer preso em um hotel”. Portanto, as atividades e espaços de lazer não são exclusividade dos hotéis voltados ao lazer, como os resorts. Meios de hospedagem voltados ao fluxo de turistas de negócio podem oferecer esses espaços, como academias de ginástica, sauna, piscina ou área zen, por exemplo. Também podem oferecer uma programação de lazer, com prática de yoga, aula de exercícios aeróbicos, tours noturnos e outras atividades que podem ser inseridas na agenda dos hóspedes. É importante que seja elaborada uma programação de atividades de lazer, com a finalidade de informar aos hóspedes sobre as alterativas disponíveis, buscar a participação dos hóspedes e visitantes, facilitar e ampliar a comunicação, criar um clima lúdico, descompromissado de juízos de valor e permitir uma avaliaçãopermanente dos serviços (NEGRINE; BRADCZ; CARVALHO, 2001). 114 A programação deve ser planejada de forma a contemplar diferentes interesses e que não exclua nenhum perfi l de hóspede ou visitante, ou seja, precisa ser inclusiva e variada. Além disso, Ribeiro, Queiroz e Souza (2004) destacam que vários aspectos culturais locais podem ser englobados na programação, como folclore, gastronomia, artesanato, costumes e festividades. A seguir tem-se um exemplo de programação diária em resort e um hotel fazenda. FIGURA 23 – EXEMPLOS DE PROGRAMAÇÃO DIÁRIA DE RESORT E HOTEL FAZENDA FONTE: A autora 3.1 CARGOS E FUNÇÕES DO SETOR DE LAZER O órgão responsável por essas atividades é o setor de lazer e recreação, que pode ser um setor perene ou sazonal, ou seja, pode estar presente na estrutura organizacional do empreendimento hoteleiro durante todo ano ou apenas em determinados momentos, como fi ns de semana, feriados, ou na alta temporada do turismo (RIBEIRO; QUEIROZ; SOUZA, 2004). Por esse motivo, é comum que os encarregados das atividades de lazer e recreação sejam freelancer ou com contrato temporário. 115 Davies (2001) apresenta dois cargos de suma importância para a execução das atividades: o gerente de ginástica e lazer e o atendente da área de ginástica e lazer. Vamos conhecer melhor esses cargos. 3.1.1 Gerente de área de lazer A função básica do cargo, conforme Davies (2001), é dirigir as atividades da área de ginástica e lazer e maximizar a satisfação dos hóspedes. Assim, suas principais responsabilidades são: • Certificar-se de que o departamento proporcione aos hóspedes serviço de qualidade e trabalho de equipe, satisfazendo ou superando as expectativas dos clientes. • Certificar-se de que todos os hóspedes estejam recebendo um serviço eficiente e cortês na área de ginástica e lazer. Para isso, poderá desenvolver e implementar estratégias para atingir os objetivos de serviços aos hóspedes e acompanhar periodicamente os hóspedes e frequentadores da área de ginástica e lazer para verificar o nível de satisfação deles. • Garantir a satisfação dos hóspedes e frequentadores da área de ginástica e lazer mantendo-a limpa e segura. • Formular folhetos com exercícios rotineiros e padronizados e distribuí-los aos hóspedes do hotel e frequentadores da ginástica e do lazer. • Utilizar as qualidades de liderança e técnicas de motivação para maximizar a produtividade dos funcionários e a apreciação nos comentários dos hóspedes, incluindo aqui a seleção, orientação e treinamento dos funcionários. • Supervisionar o uso do equipamento e sua depreciação, recomendando a compra de novos equipamentos e peças. • Estabelecer e supervisionar as regras e os regulamentos da área de ginástica e lazer. • Supervisionar as atividades de venda destinadas aos frequentadores da área de ginástica e lazer. • Estar a par do funcionamento do hotel e de seus recursos internos para responder às perguntas dos hóspedes quando necessário. Assim, verifica-se que é o gerente da área de lazer que se responsabiliza por seu funcionamento e manutenção. No entanto, em meios de hospedagem onde os espaços e equipamento de lazer são limitados, esse cargo pode não existir. É o caso de meios de hospedagem que possuem apenas uma sala de ginástica ou piscina. 116 3.1.2 Atendente de área de ginástica e lazer O atendente da área de ginástica e lazer reporta-se diretamente ao gerente de área e possui como função básica proporcionar um serviço imediato, eficiente e cortês, maximizando a satisfação dos hóspedes do hotel e de todos os frequentadores da área de ginástica e lazer (DAVIES, 2010). Davies (2001) destaca que, dentre suas principais responsabilidades está: • Certificar-se de que o departamento proporcione aos hóspedes serviço de qualidade e trabalho de equipe, satisfazendo ou superando suas expectativas. • Proporcionar a todos os hóspedes e aos frequentadores da área lazer um serviço eficiente e cortês, saudando e entregando os objetos necessários, como toalhas, por exemplo; apresentando a área e os serviços; e demonstrando o uso adequado e seguro dos equipamentos. • Manter toda a área limpa e segura, garantindo a satisfação dos hóspedes, acionando o setor de governança quando necessário. • Colaborar na eficiência das operações da área de ginástica e lazer, atendendo prontamente ao telefone, mantendo um arquivo dos frequentadores da área, registrando a participação dos hóspedes e frequentadores. • Colaborar com novas ideias e promoções, recomendando mudanças de programas quando necessário. • Manter em dia o alvará de licença, os treinamentos obrigatórios e as normas da Cipa. CIPA – Comissão Interna de Prevenção de Acidentes – tem como objetivo a prevenção de acidentes e doenças relacionadas no trabalho, busca harmonizar o trabalho e a prevenção da vida e saúde dos trabalhadores (BRASIL, 2021). NOTA Aqui, voltamos a ressaltar que, há casos de meios de hospedagem com ampla área de lazer que terceirizam as funções relativas ao setor. Desse modo, há outros cargos importantes, como recreacionista, salva-vidas, monitor e outros. 4 INSTALAÇÕES DE LAZER EM MEIOS DE HOSPEDAGEM Para falarmos das instalações necessárias para a prática de lazer em meios de hospedagem, devemos, primeiramente, caracterizar esses empreendimentos: os hotéis de lazer. 117 Os hotéis de lazer são aqueles que estão direcionados aos turistas de lazer, ou seja, aqueles viajantes que não realizam as viagens a negócios. Por isso, contam com espaços, equipamentos e até mesmo atividades que contribuem para o relaxamento, contemplação, divertimento, saúde física e mental dos hóspedes. O Ministério do Turismo conceitua hotéis de lazer como aquele “que possui áreas, instalações, serviços e equipamentos próprios para o lazer. Localizado em áreas rurais ou fora do centro urbano (aqui incluem-se os empreendimentos denominados resorts)” (BRASIL, 2022). A maior parte desses meios de hospedagem contam com uma equipe de profissionais com diversificadas formações para desenvolver programações de lazer a um público diverso: crianças, adultos, terceira idade, entre outros (RIBEIRO, 2004). Normalmente, esses hotéis possuem um profissional contratado, que é o coordenador de lazer do hotel, e os animadores terceirizados ou freelances. A programação de lazer desses hotéis é, muitas vezes, o grande diferencial. 4.1 TIPOLOGIAS DE HOTEL DE LAZER Cabe ressaltar que esses meios de hospedagem podem estar localizados em qualquer lugar: em áreas urbanas, rurais, localidades turísticas, montanhas, florestas, praias ou qualquer espaço. Isso se deve ao fato que o que mais atrai o hóspede para esses empreendimentos é a existência de áreas de lazer esportivo e social que, por vezes, levam a que o turista nem mesmo saia das dependências do hotel ou outro estabelecimento. Podemos citar: resorts, hotéis fazenda, hotéis ecológicos e hotéis de cura. Agora, vamos conhecer um pouco melhor dessas tipologias. 4.1.1 Resort Os resorts possuem infraestrutura de entretenimento e lazer superior à dos empreendimentos similares e são classificados como categorias de luxo ou luxo- superior (quatro ou cinco estrelas). Segundo a Portaria nº 100/2011, do Ministério do Turismo, é considerado resort um “hotel com infraestrutura de lazer e entretenimento que disponha de serviços de estética, atividades físicas, recreação e convívio com a natureza no próprio empreendimento” (BRASIL, 2011). Nesses meios de hospedagem, os hóspedes não precisam procurar serviços fora do hotel. Inclusive, muitos resorts utilizam o sistema “all inclusive” (RIBEIRO; QUEIROZ; SOUZA, 2004). No Brasil, a maior parte dos resorts se encontram na região nordeste, nas localidades da zona costeira. 118 FONTE: <https://bit.ly/3H1ZniW>. Acesso em: 22 jan. 2022. FIGURA 24 – IMAGEM DA ÁREA DE PISCINA DE UM RESORT All inclusive: São planos de hotel nos quais são incluídos, além do pernoite e refeições, todos os extras – lavagem de roupas, bebidasalcóolicas, atrações, passeios, entre outros – Ministério do Turismo (BRASIL, 2022). NOTA 4.1.2 Hotel fazenda Conforme a Portaria nº 100/2011 (BRASIL, 2011), um hotel fazenda é aquele “localizado em ambiente rural, dotado de exploração agropecuária, que ofereça entretenimento e vivência do campo”. Diferente dos resorts, os hotéis fazendas podem se enquadrar em diversas classificações – de uma a cinco estrelas. 119 FONTE: <https://www.pexels.com/pt-br/foto/white-concrete-inn-perto-de-green-covered-mountain-duran- te-o-dia-718946/>. Acesso em: 12 dez. 2021. FIGURA 25 – IMAGEM DE UM HOTEL FAZENDA Você conhece o Hotel Fazenda Parque dos Sonhos, localizado no município de Socorro, em São Paulo? Esse hotel fazenda conta com uma diversidade de instalações, equipamentos e atividades de lazer, mas o mais interessante é que ele é totalmente adaptado para pessoas com defi ciência ou mobilidade reduzida. Confi ra: https://parquedossonhos.com.br/. INTERESSANTE Esses empreendimentos, além das instalações para lazer, possuem infraestrutura em áreas livres, com vistas a possibilitar o contato do hóspede com o meio. As áreas verdes podem incluir lagos ou lagoas com barcos, "pedalinhos" e outros equipamentos para a prática de esportes náuticos. Podem oferecer, ainda, pomares com árvores frutíferas, hortas e culturas de fl ores; além de animais de fazenda. Também oferecem passeios como de charretes e equitação (RIBEIRO, 2004). 4.1.3 Hotel de cura Os hotéis de cura englobam as estâncias hidrominerais e os spas. Os hotéis de estância hidrominerais têm como principal atração as fontes e piscinas de água mineral, que têm, muitas vezes, propriedades medicinais (RIBEIRO; QUEIROZ; SOUZA, 2004). Por esse motivo, são meios de hospedagem bastante frequentados por turistas da terceira idade e outros que desejam descansar ou tratar determinadas doenças (RIBEIRO, 2004). 120 Eles podem ser caracterizados como hotéis de cura, que são “hotéis de luxo, de quatro ou cinco estrelas. Situam-se em estâncias balnearias (águas termais ou frias, lamas) ou climáticas (mar, montanha) [...]. É comum a existência de um cassino junto ao hotel, com salas de jogos, boate, salas de cinema, teatros, concertos etc.” (BRASIL, 2022). Embora, caiba destacar, no Brasil os cassinos são proibidos, portanto, trata-se de um conceito generalizado para todo o mundo. Já os spas, embora sejam espaços destinados à saúde, têm incluído em suas programações atividades de lazer, especialmente as de cunho físico-esportivas (RIBEIRO; QUEIROZ; SOUZA, 2004). O interessante em relação aos spa é que os serviços de saúde, beleza e lazer prestados por eles tiveram origem na Bélgica, com objetivo de superar a sazonalidade turística nos meses fora da temporada – Ministério do Turismo (BRASIL, 2022). FONTE: <https://pixabay.com/pt/photos/spa-szechenyi-budapeste-hungria-1333668/>; <https://pixabay. com/pt/photos/spa-relaxar-vista-de-janela-853462/>. Acesso em: 12 dez. 2021. FIGURA 26 – IMAGEM DE UM SPA E UM HOTEL COM PISCINAS HIDROMINERAIS 4.1.4 Hotéis ecológicos Os hotéis ecológicos são situados em localidades imersas na natureza e são voltados à preservação ambiental. A principal atração são os recursos naturais, como florestas e rios. Engloba-se nessa tipologia os hotéis de selva e os lodge (RIBEIRO; QUEIROZ; SOUZA, 2004). Esses meios de hospedagem atraem turistas que têm a preocupação de preservação ambiental ou mesmo curiosos ou estudiosos da natureza (RIBEIRO, 2004). 121 FONTE: <https://pixabay.com/pt/photos/montanhas-arvores-fl oresta-5847639/>. Acesso em: 19 dez. 2021. FIGURA 27 – IMAGEM DE UM HOTEL DE SELVA Esses empreendimentos, tal qual os hotéis fazenda, possuem infraestrutura de acesso e turística em uma ampla área verde, ou, possibilita o contato direto com a natureza por meio do uso de equipamentos de lazer, como automóveis off roads e embarcações. Navios de cruzeiro: embora os navios de cruzeiro não sejam exatamente um meio de hospedagem, eles englobam esse serviço, por isso, merecem destaque também. Ribeiro (2004) caracteriza os navios de cruzeiros como um tipo específi co de resorts: os "resorts-fl utuantes". Isso porque eles oferecem uma vasta programação de lazer a bordo, como shows, atividades físicas e esportivas, festas, entre outros. INTERESSANTE Ainda em relação aos meios de hospedagem, cabe destacar que, em empreendimentos que possuem uma área extensa e as instalações de lazer são diversas e estão distantes uma das outras, se faz importante a elaboração de um mapa pictórico para que o hóspede consiga se localizar. Veja o exemplo a seguir, do Hotel Fazenda Parque dos Sonhos, mencionado anteriormente. 122 FONTE: <https://viajanteecia.com.br/wp-content/uploads/2020/12/ps70.jpg>. Acesso em: 19 dez. 2021. FIGURA 28 – MAPA PICTÓRICO DO PARQUE DOS SONHOS 5 EQUIPAMENTOS DE LAZER EM MEIOS DE HOSPEDAGEM Se os meios de hospedagem de lazer devem ter instalações específicas para a prática das atividades de lazer e recreação, em adição, algumas atividades necessitam de equipamentos específicos. Em geral, esses equipamentos são emprestados ou alugados aos hóspedes pelos próprios meios de hospedagem. A depender do tipo de pacote (all inclusive ou atividades pagas à parte), os equipamentos estarão inclusos para uso temporário ou devem ser alugados. Podemos ver alguns exemplos de equipamentos para determinadas atividades de lazer a seguir: • Observação de fauna: binóculos, aparelho de som portátil, veículo especial. • Pesca esportiva: equipamentos de pesca e embarcação. • Esportes aquáticos: equipamentos específicos, como apetrechos de pesca, prancha de surf ou stand up, embarcações, equipamentos de segurança, cilindros de mergulho, entre outros. • Esportes radicais: equipamentos específicos para cada esporte, capacete e outros equipamentos de proteção, roupas especiais. • Passeios ciclísticos: bicicletas, equipamentos de proteção individual. • Exercícios físicos: equipamentos de ginástica – aeróbicos (esteira, bicicleta, entre outros) e anaeróbico (pesos, anilhas, máquinas, barras, entre outros). • Jogos esportivos: bolas, redes, tacos, cestos, apito, tabela, entre outros. 123 FONTE: A autora FIGURA 29 – EXEMPLO DE ATIVIDADES QUE DEMANDAM EQUIPAMENTOS ESPECÍFICOS • Brincadeiras: equipamentos e instrumentos variados, a depender da brincadeira (podendo ser digital). • Artes: equipamentos e instrumentos variados de pintura, música, teatro, cinema, entre outras artes. É importante que a equipe de lazer e recreação e a Gerência do meio de hospedagem garantam a conservação dos equipamentos, realizando a manutenção periódica e a troca, quando necessário. Além disso, é preciso se ater às normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) em relação, por exemplo, a atividades de aventura. Dentre essas normas, ressaltam-se a ABNT NBR 13331: 2005, sobre o sistema de gestão de segurança; a ABNT NBR 15286: 2005, sobre informações mínimas preliminares a serem repassadas ao cliente, como grau de difi culdade e esforço físico previsto, vestimenta adequada e outros; e a ABNT NBR 15285: 2005, sobre as competências dos instrutores de atividades de aventura (ABNT, 2010). 124 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • O lazer diz respeito ao tempo livre das obrigações diárias e do repouso e é um direito fundamental do cidadão, previsto na Constituição Federal de 1988. Ele difere da recreação e do entretenimento por ser um conceito mais amplo, enquanto a recreação refere-se às atividades realizadas no tempo de lazer e o entretenimento diz respeito a ações, eventos ou atividades que objetivam entreter uma audiência. • A prática do lazer possui, ao menos, seis áreas de interesse: artísticos, intelectuais, físico-esportivos, manuais, turísticos e sociais. Cada uma dessas áreas pode ser trabalhada na programação de lazer dos meios de hospedagem. • Os serviços de lazer de um meio de hospedagem devem ser demonstrados viaprogramação divulgada entre hóspedes e visitantes. Essa programação deve ser planejada de forma a contemplar diferentes interesses e que não exclua nenhum perfil de hóspede ou visitante, ou seja, precisa ser inclusiva e variada. • Os principais cargos do setor de lazer em meios de hospedagem são o Gerente de Área de Lazer e o Atendente de área de ginástica e lazer. No entanto, os órgãos de lazer e recreação podem ser sazonais, existindo em períodos específicos como fins de semana, feriados, ou na alta temporada do turismo. Por esse motivo, é comum que os encarregados das atividades de lazer e recreação sejam freelancer ou com contrato temporário. • Há diversas tipologias de hotéis de lazer, como resorts, hotéis fazenda, hotéis ecológicos e Hotéis de cura. Cada uma dessas tipologia tem suas características e, portanto, as instalações, os equipamentos e os serviços disponíveis também diferem entre si. 125 1 O lazer é um direito fundamental do cidadão, estando previsto na Constituição Federal de 1988. Ele pode ser promovido de diferentes formas, sendo as viagens e a prática de atividades turísticas uma das mais realizadas em todo o mundo. Com base nas definições relacionadas ao lazer, analise as sentenças a seguir: I- O entretenimento diz respeito a uma ação, evento ou atividade com fim de entreter uma audiência. Podemos dar como exemplo os programas de televisão, o cinema, o teatro ou um show de mágica. II- O lazer diz respeito ao tempo livre do trabalho remunerado. Englobam-se em atividades de lazer o repouso e os estudos formais. III- A recreação refere-se a atividades realizadas no tempo de lazer, devendo ser realizadas de forma voluntária. Podemos citar como exemplo os jogos e brincadeiras. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 2 As atividades de lazer podem ser desenvolvidas em meios de hospedagens diversos. A depender da tipologia de meio de hospedagem, algumas atividades, instalações e equipamentos são mais comuns que em outras. No entanto, elas não precisam ser exclusivas de determinada tipologia de empreendimento. Sobre as tipologias de empreendimento hoteleiro caracterizados como “hotéis de lazer”, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: a) ( ) Os hotéis fazenda, assim como os resorts, sempre serão classificados como de quatro ou cinco estrelas, pois, ao contrário disso, serão classificados como “pousada”. b) ( ) Os hotéis ecológicos não podem ser classificados como hotéis de lazer porque toda a estrutura de lazer está localizada fora da propriedade (florestas, rios, lagos e outros). c) ( ) Os hotéis de cursa englobam os hotéis em estâncias hidrominerais e os spa hotéis, estando relacionados ao tratamento de saúde, beleza e relaxamento de corpo e mente. AUTOATIVIDADE 126 Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – F – V. d) ( ) F – V – F. 3 Para a realização das atividades de lazer, os empreendimentos hoteleiros devem contar com uma infraestrutura específica, que engloba as instalações e os equipamentos para a prática de diferentes atividades. Sobre as instalações e os equipamentos de lazer em meios de hospedagem, assinale a alternativa CORRETA: ( ) Em alguns casos, como nos pacotes que não são “all inclusive”, o hóspede ou visitante deve alugar o equipamento necessário para a realização das atividades de lazer. ( ) Os equipamentos de ginástica não são considerados equipamentos de lazer, por se tratarem de equipamentos voltados à saúde física do hóspede ou visitante. ( ) O Gerente de Área de Lazer não precisa supervisionar o uso do equipamento e sua depreciação, pois isso é função da equipe de manutenção. 4 Em meios de hospedagem que possuem atividades de lazer e recreação, é importante que elas sejam informadas aos hóspedes, sejam antes da reserva quanto durante a hospedagem. A forma mais simples e comum de que isso ocorra é por meio da divulgação de uma programação diária de atividades. Em relação a esse tema, disserte sobre a importância da programação de lazer e aspectos que devem ser levados em conta ao elaborá-la. 5 Para a realização das atividades de lazer e recreação, se faz necessária uma equipe qualificada. Em alguns meios de hospedagem, a equipe é terceirizada ou, são contratados funcionários temporários ou freelancers. Em outros, há uma equipe fixa durante todo o ano. Dentre os cargos dessa equipe, podemos destacar o Gerente e o Atendente da Área de Lazer. Nesse contexto, disserte sobre as funções e diferenças entre esses dois cargos. 127 TÓPICO 3 - SISTEMAS DE GESTÃO HOTELEIRA 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 3, abordaremos os sistemas hoteleiros. Para isso, caracterizaremos as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), nas quais os sistemas informatizados se enquadram. Portanto, em um primeiro momento será realizada a contextualização a respeito das TIC para, em seguida, adentrar no uso dessas tecnologias na hotelaria. Em relação às TIC na hotelaria, conheceremos um breve histórico do surgimento e evolução dessas tecnologias no setor da hospitalidade. Após essa contextualização, adentraremos nos tipos de TIC aplicadas à hotelaria, mais especificamente os Global Distribution Systems (GDS), os Central Reservation Systems (CRS), o motor de reserva, a internet das coisas, a comunicação digital (website, plataformas digitais e redes sociais digitais). Após entendermos o que são as TIC e sua aplicação na hotelaria, abordaremos os sistemas hoteleiros, iniciando pelos sistemas informatizados e, depois disso, os sistemas convencionais. No caso dos sistemas informatizados, focaremos nos Property Management System (PMS), ou sistema de gerenciamento de propriedades. Em relação aos sistemas convencionais (não informatizados), verificaremos alguns elementos que podem ser adotados para uma melhor gestão dos processos, organização do trabalho e eficiência. 2 USO DE TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) NA HOTELARIA Para iniciarmos esse tópico, precisamos compreender o que são as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC), nas quais os sistemas hoteleiros se enquadram. Portanto, vamos compreender esse conceito e sua aplicação na hotelaria. 2.1 TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) Antes de falarmos de Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), vamos falar da tecnologia como um todo. Mas, afinal, o que é tecnologia? Conforme o dicionário Michaelis (TECNOLOGIA, 2022), tecnologia é: UNIDADE 2 128 1. Conjunto de processos, métodos, técnicas e ferramentas relativos à arte, à indústria, à educação, entre outros. 2. Conhecimento técnico e científico e suas aplicações a um campo particular. 3. Tudo que é novo em matéria de conhecimento técnico e científico. Assim, podemos dizer que uma tecnologia é criada quando utilizamos nosso conhecimento técnico, científico e empírico para solução de problemas. Isso se aplica a qualquer tipo de tecnologia, incluindo as TIC. E o que são as TIC? Não existe uma definição para as Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC). Há, inclusive, diferentes terminologias, como “tecnologias da informação”, “tecnologias da informação e da comunicação”, “novas tecnologias”, “novas tecnologias da informação e da comunicação”. As Tecnologias da Informação e da Comunicação constituem todo o conjunto de ferramentas eletrônicas que facilitam a gestão operacional e estratégica das empresas, permitindo administrar a informação, as funções e os processos, assim como estabelecer uma comunicação interativa com outras partes interessadas para alcançar sua missão e objetivos (BUHALIS, 2003). Assim, as TIC conformam um sistema integrado de software e equipamentos conectados em rede que permitem o processamento de dados e a comunicação eficaz, que beneficia àsempresas, permitindo-as realizar negócios eletrônicos (BUHALIS, 2003). Pode-se dizer que as TIC congregam ferramentas, funções e efeitos. Vamos entender um pouco melhor sobre isso: • Ferramentas: equipamentos, ferramentas eletrônicas e dispositivos tecnológicos como hardware e software que utilizam o suporte das redes de telecomunicações; • Funções: descrevem os usos e os processos que as TIC realizam. Gerar, editar, armazenar informações e permitir estabelecer comunicação interativa com outras pessoas ou dispositivos (internet das coisas); • Efeitos: implicações que as TIC geram ou têm na sociedade. FERRAMENTA FUNÇÕES EFEITOS Motor de reserva Possibilitar a realização de reservas diretas. Aumento de reservas diretas – menos intermediários e comissões. Intranet Comunicação interna na empresa. Eficiência na comunicação entre os membros da equipe; eficiência nos processos. QUADRO 2 – EXEMPLOS DE FERRAMENTA, FUNÇÕES E EFEITOS NA HOTELARIA FONTE: A autora 129 Baseando-se em Medina e Plaza (2015), podemos destacar que as TIC são integradas pelos seguintes elementos: • Soluções tecnológicas: são a maneira como um usuário implementa uma solução criativa a um problema empresarial por meio das TIC. • Aplicações de automação no escritório: todas as técnicas, procedimentos e serviços que se baseiam em TIC e cuja implementação se realiza no âmbito do trabalho. Um exemplo disso são os processadores de texto, folhas de cálculo, programas de apresentação de slides, gestores de dados, entre outros. • Base de dados: conjunto estruturado de dados guardados em um sistema informático e sobre os quais é possível efetuar uma série de operações básicas de consulta, modificação, inserção ou exclusão. • Periféricos tecnológicos: são todos os dispositivos de entrada, saída e armazenamento secundário que são parte de um sistema informático, mas não do CPU (por exemplo, internet, intranet, extranet, websites, sistemas de gestão, canais de distribuição). • Ferramentas: síncronas (aplicativos de mensagem instantânea, plataforma de videoconferência) e assíncronas (e-mail, páginas eletrônicas, plataforma de vídeos). “Internet: rede mundial de informação ligada por computadores. Extranet: rede de colaboração que usa tecnologia Internet para facilitar a comunicação entre fornecedores, clientes ou outros negócios que partilhem objetivos comuns. Intranet: estrutura empresarial ou organizacional interna que usa a tecnologia Internet para permitir aos seus empregados contatarem-se entre si e partilharem informação com facilidade” (BRASIL, 2007, p. 8). NOTA 2.2 TECNOLOGIAS DE INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO (TIC) NA HOTELARIA Há décadas, antes de se utilizar o computador no setor de hospedagem, os encarregados de reservas realizavam o seu serviço de forma manual, conferindo mapas de reserva expostos na parede ou em grandes listas escritas à mão. Os meios de hospedagem recebiam inúmeras ligações telefônicas, cartas e fax de clientes potenciais interessados em reservar hospedagem. Por isso, uma equipe de pessoas, muitas vezes maior do que a da recepção, trabalhava para selecionar correspondências, datilografar cartas, enviar telegramas, entre outras atividades. Os atrasos eram frequentes, os custos de redação de correspondência eram altos e a disponibilidade de datilógrafos no mercado era escassa (O’CONNOR, 2001). 130 Essa situação parece um passado distante e não podemos imaginar como as atividades eram desenvolvidas. No entanto, a verdade é que os grandes avanços na tecnologia de informação e comunicação se deram apenas nas últimas décadas, com um grande salto nos últimos anos. 2.2.1 Histórico das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) na hotelaria Conforme relatado no documento “Estudos da competitividade do turismo brasileiro: tecnologia da informação aplicada ao turismo”, do Ministério do Turismo (BRASIL, 2007), o resumo da história das TIC no setor do turismo pode ser descrito da seguinte forma: O primeiro avanço que podemos relatar aconteceu na década de 1960, quando as empresas em geral estavam concentradas no processamento de dados, buscando aumentar a eficiência operacional via automação de determinados processos administrativos. Nessa década, também surgiu o primeiro sistema de reservas, criado por meio de uma parceria entre a companhia aérea American Airlines e a IBM. Fruto dessa parceria, foi criado o sistema conhecido pelo nome de SABRE, existente até os dias atuais. Na década de 1970, houve um avanço em direção dos sistemas de gestão de informações, visando dar suporte mais efetivo às atividades de gestão, especialmente controle de inventário e contabilidade. Também nessa década, mais precisamente e, 1976, o sistema SABRE, até então restrito às companhias de aviação civil, foi instalado pela primeira vez em uma agência de viagens iniciando o processo de automação dessas empresas. Na década de 1980 foram criados os sistemas de informações estratégica, buscando dar suporte à forma de planejar e gerenciar os negócios através do uso de redes de informação integradas. Após 1990, tem-se um salto das redes de informação: Intranet, Extranet e especialmente Internet. Nessa década, presenciou-se a expansão da internet, o que passou a permitir que as empresas fornecedoras de serviços turísticos estabelecessem contato direto com os consumidores em todo o mundo. Dentre os benefícios das TIC para a hotelaria, podemos citar: • reduz os custos administrativos; • diminui a papelada entre os setores; • minimiza os erros operacionais; 131 • aumenta os rendimentos/lucros do hotel; • torna a gestão das reservas mais eficiente; • melhora o atendimento; • oferece novos serviços para os hóspedes; • conecta a empresa a mais clientes potenciais. 2.2.2 Tipos de TIC aplicadas à hotelaria • Global Distribution Systems (GDS) Os GDS foram criados para uso pelas grandes companhias de aviação civil, com objetivo de resolver problemas de operação de voos e vendas diretas de assentos. No entanto, sua utilização se estendeu para outras áreas, como agências de viagens, proporcionando a ampliação dos pontos de venda das companhias áreas (MEDINA, 2020). Isso aconteceu, cabe destacar, em meados de 1970. Pode ser definido como um sistema centralizado e permanentemente banco de dados de informações acessível através de seu sistema. Um GDS fornece todos os tipos de tarifas e serviços de turismo, permitindo que os usuários façam, alterem e cancelem as reservas, além de emitirem bilhetes. Tudo isso em tempo real (GUIMARÃES; POGGI; BORGES, 2008). Esses sistemas permitiram gerir os grandes volumes de informação alcançados com o crescimento da operação das companhias aéreas (MEDINA, 2020). Atualmente são utilizados no turismo por companhias aéreas e agências de viagens que consolidam tais companhias, as empresas de aluguel de carros e, claro, os empreendimentos hoteleiros. 132 FONTE: A autora FIGURA 30 – ESQUEMA DA INTERAÇÃO ENTRE FORNECEDOR, GDS E CLIENTES Quando um hoteleiro insere seu empreendimento em um GDS não é para que o GDS venda a um intermediário ou cliente fi nal, mas para que algum intermediário (agências de turismo) o utilize como ferramenta para realizar as transações de reserva. IMPORTANTE • Central Reservation Systems (CRS) O CRS é um software que permite administrar, em tempo real, a distribuição de reservas (inventário e tarifas) de um empreendimento hoteleiro, independentemente de qual intermediário a realizou (GDS, agência de viagem, agência de viagem on-line, motor de reserva do site, ou outros) (FERREIRA, 2019). 133 FONTE: <https://www.ezeeabsolute.com/blog/increase-direct-hotel-bookings/>. Acesso em: 24 jan. 2021. FIGURA 31 – EXEMPLO DE MOTOR DE RESERVA EM SITE O primeiro CRS foi introduzido pela Holiday Inn em meados da década de 1960. É quando os computadores passam a representar papel fundamental na distribuição dos hotéis (BRASIL, 2022). INTERESSANTE O CRS possui três pontos positivos que merecemser destacados: 1- Para empreendimentos que recebem um volume muito grande de reservas, reduz consideravelmente o esforço para gestão de inventário e tarifas. Isso porque, sem um CRS, o encarregado de reservas deverá gerir o tarifário e o inventário de forma manual em cada um dos distribuidores. 2- O CRS centraliza as operações, pois todas as reservas, com exceção às realizadas via telefone ou balcão, passarão pelo CRS, que insere automaticamente no sistema de gestão hoteleira. Essa centralização evita erros no processo de inserção das reservas no sistema de gestão ou no mapa de reservas. 3- O CRS também possibilita a padronização de preços cobrados nos intermediários. Ao realizar a gestão do tarifário por meio desse software, os valores são padronizados, evitando diferenças entre uma e outra OTA, por exemplo. • Motor de reserva Martins e Fontana (2018) destacam que o Motor de reservas é uma ferramenta destinada aos empreendimentos hoteleiros que pretendem vender suas UH por meio de sua página eletrônica. Assim, possibilitam a entrada de reservas diretas, ou seja, sem intermediários. 134 O uso do motor de reservas pressupõe um custo adicional, por esse motivo ele não está presente em todos os sites de meios de hospedagem. No entanto, se comparado com o custo das comissões para intermediários, da adoção do motor de reservas pode ser uma estratégia interessante e lucrativa. Por isso, os pontos positivos do motor de reservas são: a possibilidade de reserva direta no site do hotel, mas sem necessidade de um atendente; facilidade para reserva, garantia, diminuição de perdas de reservas, possibilidade de flexibilizar tarifas, otimização das operações; e lucratividade pela inexistência de intermediários. Por outro lado, outras ferramentas ainda são privilegiadas pelos hóspedes, como o telefone, o e-mail e as OTA. No estudo de Martins e Fontana (2018) sobre o uso de motor de reservas pelos empreendimentos hoteleiros do município de Foz do Iguaçu, as autoras verificaram justamente isso, embora os motores de reservas fossem bastante utilizados. Outro exemplo é o Censo Hoteleiro realizado por instituições de turismo de Goiás. No município turístico de Pirenópolis, por exemplo, 68,5% dos empreendimentos hoteleiros não possuíam site próprio em 2019. E 74,9% tinham como seu principal canal de comercialização e divulgação uma OTA (GOIÁS TURISMO, 2019). Já no caso dos municípios de Goiânia, embora a maior parte das reservas vinham da central de reservas dos meios de hospedagem (44,5%), apenas 6,3% eram oriundas do site próprio, ou seja, do motor de reservas (GOIÁS TURISMO, 2018). • Internet das coisas A Internet das Coisas tem o potencial de transformar a hotelaria, alterando profundamente a forma como essas empresas coletam dados, se relacionam com usuários e automatizam seus processos (ALCATEL-LUCENT, 2020). Mas, o que é a Internet das Coisas? A Internet das Coisas “refere-se à rede de objetos físicos interligados por meio de sensores integrados, atuadores e outros dispositivos que podem coletar e transmitir informações sobre a atividade do campus em tempo real” (ALCATEL-LUCENT, 2020, p. 2). No âmbito da hotelaria, podemos ter como exemplo o controle de ações via aplicativo de celular, como climatização da UH; procedimentos on-line, como check-in e check- out; dispositivos inteligentes que transformam espelhos comuns em estações pessoais de informação interativa; robôs de entrega internos e autônomos, que automatizam o serviço de quarto; entre diversos outros. Embora essas inovações sejam interessantes, é preciso verificar que sua implantação demanda um investimento financeiro alto, portanto, é mais comum encontrar essas facilidades em meios de hospedagem de luxo ou superluxo. 135 • Comunicação digital A comunicação digital é uma função realizada por meio do uso da internet e suas ferramentas. Mateus, Caldevilla-Domínguez e Barrientos-Báez (2020, p. 7) apontam que o conceito básico de comunicação digital, ou virtual, é “um grande conjunto de redes digitais interligadas no mundo inteiro que, de forma integrada, viabiliza a conectividade independentemente do tipo de instrumento utilizado e permite aos usuários conectados usufruir de serviços de informação de alcance mundial”. Essa comunicação pode acontecer via dados, voz ou vídeo. No âmbito da hotelaria, o uso de comunicação digital tem importantes finalidades, dentre as quais podemos citar: uso para o marketing institucional, como, por exemplo, campanha de marketing via e-mail, plataformas de marketing, site próprio, redes sociais, entre outros; avaliações on-line dos clientes, via softwares/sistemas de gerenciamento de avaliações; atendimento on-line, por meio de chat de atendimento nos sites, e-mail ou aplicativos de mensagem instantânea. • Site próprio Um site de hotel pode apresentar fotos de UH, das áreas comuns e de lazer, preços e condições para reserva (políticas de pagamento, de cancelamento, garantia de no-show, entre outros), imagens ao vivo ou vídeos, informação em tempo real sobre temperatura e condições climáticas, entre diversas outras possibilidades (GUIMARÃES; POGGI; BORGES, 2008). Além disso, pode utilizar os dados de consumo de clientes como ferramenta estratégica para o marketing, especialmente quando o site possui um motor de reserva, onde os clientes realizam a compra. Os sites devem apresentar motor de reserva, ou ao menos uma forma de que o cliente possa realizar sua reserva on-line (chat, e-mail); e explorar ferramentas que façam sua clientela visitá-lo com frequência (GUIMARÃES; POGGI; BORGES, 2008). • Plataformas digitais As plataformas digitais são modelos de negócios baseados em tecnologia, que permitem comunicar através de aparelhos eletrônicos como computadores e smartphones, estimulando a interação pessoal e empresarial (MATEUS; CALDEVILLA- DOMÍNGUEZ; BARRIENTOS-BÁEZ, 2020). Elas englobam as OTA (On-line Travel Agencies), ou, simplesmente, agências de viagem on-line são empresas que atuam exclusivamente no ambiente on-line e permitem que os clientes reservem vários serviços relacionados a viagens, diretamente 136 via internet. Dentre os serviços, podemos citar os pacotes de viagem, passeios, aluguel de automóvel, passagens aéreas, seguro de viagem e, claro, reserva de hotéis (FERREIRA, 2019). Cada OTA fi rma um contrato específi co com o empreendimento hoteleiro e isso implica diferentes porcentagens de comissionamento, por exemplo. Dentre os pontos positivos da parceria com as OTA, podemos citar a facilidade de reserva, especialmente para as decisões de última hora; a confi abilidade na plataforma/OTA a nível global; a visibilidade do hotel; e os reviews. • Redes sociais digitais As Redes sociais são uma estrutura formada para conectar pessoas de acordo com seus interesses e valores, o que pode acontecer no ambiente on-line. Assim, podem ser utilizadas para o marketing institucional, ao disseminar conteúdo sobre o serviço (MATEUS; CALDEVILLA-DOMÍNGUEZ; BARRIENTOS-BÁEZ, 2020), de forma gratuita. Cabe destacarmos que existem diferentes redes sociais digitais, com perfi s de usuários distintos, por isso os tomadores de decisão precisam focar em um público-alvo e investir nas redes sociais digitais utilizadas por ele. FONTE: <https://pixabay.com/pt/vectors/%c3%adcones-de-m%c3%addia-social-1177293/>. Acesso em: 24 jan. 2022. FIGURA 32 – POSSIBILIDADES DE REDES SOCIAIS DIGITAIS PARA UTILIZAÇÃO PELAS AS EMPRESAS HOTELEIRAS 137 Ademais, não basta criar um perfil em uma rede social, é preciso planejar a interação com os usuários. Por isso, é fundamental a atualização constante, por meio de criação de conteúdo, usar imagens de qualidade do empreendimento e da região, responder aos comentários e dúvidas dos usuários que interagem na rede social, incentivar a interação dos usuários e, claro, utilizar os comentários positivos e negativos para aperfeiçoamento do sistema de qualidade do empreendimento. 3 SISTEMAINFORMATIZADO E SISTEMA CONVENCIONAL Os empreendimentos hoteleiros já utilizam os sistemas de gestão para redução de custos operacionais e maximização do uso da capacidade instalada (GUIMARÃES; POGGI; BORGES, 2008). No entanto, há empreendimentos que ainda utilizam o sistema convencional, ou seja, não informatizado. Vamos verificar a seguir a diferença entre esses dois modelos de sistema e de gestão. 3.1.1 Sistema informatizado Os sistemas informatizados de gestão hoteleira são conhecidos como Property Management System (PMS), ou sistema de gerenciamento de propriedades. Eles são softwares operacionais utilizados amplamente pelas empresas hoteleiras de qualquer porte e tipologia. São plataformas instaladas nos equipamentos eletrônicos ou utilizadas de forma on-line, que centraliza e automatiza a operação hoteleira, ou seja, é por meio do PMS que a equipe irá fazer a gestão de seus processos. Isso engloba desde o gerente geral até a equipe da governança. Os PMS possibilitam muito mais que a gestão de processos, como, por exemplo, o processo de hospedagem do hóspede (check-in, check-out, lançamento de comandas, cobrança) ou o processo de limpeza de apartamentos. A depender do pacote e da empresa contratada, o hoteleiro poderá utilizar a ferramenta para realizar, também gestão de reservas, gestão de estoque e compras, gestão financeira e até gestão de pessoas. 138 FONTE: A autora FIGURA 33 – EXEMPLOS DE FUNCIONALIDADES DOS PMS Para escolher o PMS mais adequado à empresa, o hoteleiro deverá se ater aos seguintes aspectos: • Custo-benefício: o sistema deve ter um preço justo pelas funcionalidades disponibilizadas e essas devem cumprir com as necessidades da empresa. • Suporte e Atendimento: a empresa que oferta o sistema deve ter atendimento e suporte disponível 24 horas ao dia, sete dias por semana, tendo em vista que um empreendimento hoteleiro nunca fecha as portas e a qualquer momento pode ocorrer uma falha no sistema. • Funcionalidades: nem sempre o maior número de funcionalidades é o mais importante. Elas devem cumprir com as necessidades do empreendimento de forma efi caz, portanto, às vezes, é mais interessante um sistema com menor funcionalidades, mas de fácil manipulação e controle que um sistema com muitas funcionalidades, mas que não opera de forma satisfatória. • Armazenamento: os dados precisam ser armazenados por diversos motivos, como uso para planejamento futuro, balanço anual, relatórios anuais, envio para contabilidade, entre diversos outros. Por isso, uma funcionalidade em relação ao armazenamento (como armazenamento em nuvens) é essencial para o hoteleiro. 139 FONTE: <http://blog.hospedin.com/planilha-para-controle-de-hotel-gratis/>. Acesso em: 19 dez. 2021. FIGURA 34 – MODELOS DE GESTÃO DE FLUXO DE CAIXA EM PLANILHA DE DADOS 3.1.2 Sistema convencional E se a empresa não tiver adquirido um sistema de gestão de propriedade informatizado? Caso isso não tenha ocorrido, o sistema de gestão é realizado de forma “convencional”, ou seja, não informatizado. A gestão não informatizada é um desafi o, especialmente para empreendimentos de médio ou grande porte. Por isso, é mais comum de se encontrar em micro ou pequenos empreendimentos. Para a gestão não informatizada, a equipe poderá adotar algumas estratégias para controle dos processos: • utilizar caderneta de controle de entrada de pagamentos, dando baixa nos pagamentos que entrarem na conta bancária do empreendimento; • utilizar um mapa de reservas impresso ou em planilha de dados no computador, realizando as alterações sempre que necessário; • utilizar o playbook como instrumento de relato para os demais turnos e funcionários; • utilizar planilha de controle de estoque e controle fi nanceiro, com atualização periódica; • utilizar o sistema municipal ou da Receita Estadual para emissão de Nota Fiscal; • realizar treinamento constante nos diversos departamentos do empreendimento, com ênfase na recepção, reservas e fi nanceiro; • utilizar os POP como procedimentos que evitam falhas e discrepâncias no atendimento e execução de tarefas; • utilizar documentos padronizados (modelos), como fi cha de hóspede, voucher de reservas, entre outros. 140 TECNOLOGIA ALIADA AOS SERVIÇOS DE HOSPEDARIA E TURISMO Geovanna Alves Os filmes de ficção científica costumam projetar um futuro em que todo o trabalho é realizado por máquinas. Em Wall-e, animação da Pixar, os seres humanos povoam um planeta completamente automatizado, onde homens e mulheres desfrutam dos serviços robotizados. Parte desse futuro imaginado por roteiristas faz parte do presente e é possível conhecer durante as férias. Quase uma viagem ao mundo da ficção científica. O hotel FlyZoo, na China, é a estreia no setor hoteleiro do grupo Alibaba, um gigante chinês do comércio eletrônico. As chaves e até mesmo os modernos cartões e pulseiras que abrem as portas dos quartos podem ser esquecidos. Quase tudo necessita de reconhecimento facial para ser acessado. Os recepcionistas foram substituídos por pódios eletrônicos que acolhem os hóspedes durante o check-in, fazendo uma análise dos rostos e dos cartões de identificação. O reconhecimento facial também é necessário nos elevadores que levam os hóspedes para o andar correto. A tecnologia está nos apartamentos. Para abrir e fechar cortinas, mudar a temperatura do ambiente, ajustar as luzes ou pedir serviço de quarto, basta lançar um comando de voz. O pedido no restaurante pode ser feito por um aplicativo móvel do hotel. Os garçons foram trocados por robôs em forma de cápsula, prontos para entregar a refeição escolhida. Nem mesmo o bar foge da inteligência artificial: um braço mecânico é o mixólogo que prepara mais de 20 drinks diferentes. Se quiser ser servido no quarto, seja comida ou novas toalhas, robôs em forma de disco farão o serviço. Em coletiva de imprensa, o diretor executivo do Alibaba Future Hotel Management Andy Wang afirmou que se trata de uma questão de eficiência e consistência do serviço; Os robôs não são perturbados pelos humores humanos. Às vezes, dizemos que não estamos com vontade, mas os robôs estarão sempre de bom humor, explica. Segundo ele, a indústria do turismo precisa de uma transformação digital. COMPETÊNCIAS Entretanto, não se assuste, seres humanos ainda trabalham no hotel. Alguns cozinheiros, camareiros e recepcionistas recebem os hóspedes que recusam o reconhecimento facial. Wang garante que esses dados são imediatamente apagados LEITURA COMPLEMENTAR 141 do sistema após o check-out, feito com um clique na aplicação móvel. De acordo com o professor Pedro Henrique Albuquerque, coordenador do Laboratório de Aprendizado de Máquina em Finanças e Organizações da Universidade de Brasília (UnB), existem muitas atividades que são impossíveis de serem totalmente substituídas por inteligências artificiais. Qualquer atividade, não só na área de turismo como em corporações no geral que atuem com habilidades e competências envolvendo: empatia, cuidados pessoais, que exijam um elevado nível de cognição e/ou muita variedade no conjunto de atividades exercidas, têm baixo potencial de automação ou robotização. Atendimento ao consumidor e registro de reclamações são exemplos de serviços que têm baixo potencial de automação, mas indicação de lugares para visita, reservas de quartos, sugestões de passeios podem ser facilmente realizadas por sistemas especializados, explica. O professor Pedro Henrique acrescenta que a automatização no turismo é utilizada desde a pesquisa do hotel à montagem dos roteiros. Elaboração de um pacote de turismo com locais a visitar, passeios sugeridos, por exemplo, podem ser customizados para os clientes da mesma maneira que o Netflix customiza suas sugestões de filmes, afirma. Segundo o professor, essa automatização é uma tendência em todas as organizações. Existem, porém, prós e contras. Para o empregador, um ponto positivo é que as atividades exercidas pelas firmas tendem a sermais eficientes e produtivas, sem custos adicionais como impostos trabalhistas, greves, faltas etc. Os contras envolvem a escassez de profissionais aptos no desenvolvimento e automação de serviços e processos, além de barreiras jurídicas, já que algumas profissões não podem ser automatizadas ou eliminadas sem regulamentação apropriada. Barreiras sociais também podem ser um problema, como, por exemplo, pessoas de idade avançada que podem ter dificuldade com os serviços robotizados, ou pessoas que preferem tratar diretamente com um ser humano na hora de fazer um cancelamento ou registrar reclamação. Do ponto de vista do empregado, segundo o especialista, os pontos positivos são tarefas maçantes e repetitivas que devem desaparecer, possibilitando maior tempo para o desenvolvimento de atividades cognitivas e resolução de novos problemas. Um dos pontos negativos para o empregado é que os profissionais com baixo nível de capacitação e cujas atividades sejam pouco variadas e repetitivas tenderão a perder os empregos. FONTE: <https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/turismo/2019/04/06/interna_turis- mo,747136/tecnologia-aliada-aos-servicos-de-hospedaria-e-turismo.shtml>. Acesso em: 13 dez. 2021. 142 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • Embora não exista uma definição única de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), podemos defini-las como o conjunto de ferramentas eletrônicas que facilitam a gestão operacional e estratégica das empresas, permitindo administrar a informação, as funções e os processos, assim como estabelecer uma comunicação interativa com outras partes interessadas para alcançar sua missão e objetivos. • As TIC são constituídas de ferramentas, funções e efeitos. E são integradas pelas soluções tecnológicas, aplicações de automação, bases de dados, periféricos tecnológicos e ferramentas síncronas e assíncronas. Esses componentes têm sido amplamente utilizados na hotelaria, especialmente nos últimos anos. • Dentre as TIC utilizadas na hotelaria, podemos citar os Global Distribution Systems (GDS) ou Sistemas de Distribuição Global; os Central Reservation Systems (CRS), ou Sistema Central de Reservas; os motores de reserva, utilizados nos sites oficiais dos empreendimentos; a internet das coisas; a comunicação digital, que engloba os sites, as plataformas digitais e as redes sociais digitais. • A gestão hoteleira pode ser realizada via sistema convencional ou sistema informatizado. No âmbito da informatização, destacamos os Property Management Systems (PMS), ou Sistemas de Gerenciamento de Propriedades. Esses sistemas contemplam diversas funcionalidades. No entanto, a gestão pode ser realizada via sistema convencional. Nesse caso, é importante adotar protocolos e medidas para assegurar a organização das tarefas e a eficiência dos processos. 143 1 As Tecnologias da Informação e da Comunicação (TIC) são amplamente utilizadas no setor hoteleiro, contribuindo para a redução de custos, diminuição da papelada, minimização de erros operacionais, entre diversos outros benefícios. Com relação às TIC utilizadas na hotelaria, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Os CRS são sistemas de gestão de propriedade. Por meio deles é possível realizar diversas funções, como check-in e check-out, lançamento de comandas, emissão de faturas, emissão de relatórios financeiros, entre outras. b) ( ) O motor de reserva é uma ferramenta utilizada pelas Agências de viagem On-line (OTA) para disponibilizar os empreendimentos para reserva pelo cliente final em suas plataformas. c) ( ) Os GDS surgiram com as companhias de aviação civil, tendo sido incorporadas ao setor de hotelaria posteriormente. Esses sistemas, possibilitam que o cliente final (hóspede) realize a reserva de sua hospedagem. d) ( ) As On-line Travel Agencies (OTA) são empresas que atuam exclusivamente no ambiente on-line e permitem a reserva de diversos serviços via plataforma digital. Dentre esses serviços está o de hospedagem. 2 Os PMS - Property Management System, são sistemas de gerenciamento de propriedade amplamente utilizados na hotelaria, sendo que os sistemas são criados de forma a atender as demandas do setor, ou seja, são especializados. Sobre os PMS, analise as sentenças a seguir: I- Os PMS são plataformas que focam apenas na gestão de processos, como check-in e check-out e lançamento de comandas. II- Os PMS são plataformas que podem ser instaladas no equipamento eletrônico, como computador, ou acessado de forma on-line, pelo navegador. III- Um dos aspectos importantes de serem considerados quando da escolha do PMS é o custo-benefício, pois há diferentes valores e funcionalidades disponibilizadas no mercado. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Somente a sentença I está correta. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) As sentenças II e III estão corretas. AUTOATIVIDADE 144 3 Ao implantar uma TIC no cotidiano hoteleiro, o tomador de decisões deve refletir sobre diversos aspectos, como a necessidade daquela tecnologia, a funcionalidade e facilidade de uso e o investimento financeiro necessário. Sobre o investimento financeiro nas TIC, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) A Internet das Coisas é uma rede de objetos físicos que podem coletar e transmitir informações em tempo real. É uma TIC pouco comum na hotelaria devido sua complexidade e alto custo. ( ) O motor de reserva é uma TIC amplamente utilizada pelos meios de hospedagem, devido seu caráter gratuito e de fácil manuseio. ( ) As redes sociais são um tipo de TIC interessante por possibilitar o marketing institucional e disseminar conteúdos de forma gratuita. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – V – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) V – V – V. d) ( ) F – F – V. 4 As tecnologias, em geral, são um conjunto de criações para solucionar um problema de ordem técnica, científica ou do nosso dia a dia. Há diversos tipos, como as Tecnologias Sociais e as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC). Disserte sobre o que são as TIC e os elementos que a compõem. 5 As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) são formadas por ferramentas, funções (usos e processos que as TIC realizam) e efeitos (implicações que as TIC geram ou têm na sociedade). Tendo como base essa característica, disserte sobre funções e efeitos das seguintes TIC: GDS, motor de reserva e CRS. 145 REFERÊNCIAS ALCATEL-LUCENT. A Internet das Coisas (IoT) na hotelaria. Estados Unidos: Alcatel-Lucent, c2020. Disponível em: https://www.al-enterprise.com/-/media/ assets/internet/documents/iot-for-hospitality-solutionbrief-ptbr.pdf. Acesso em: 13 dez. 2021. ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Brasil lidera processo inédito de certificação em turismo de aventura. 15 nov. 2010. Disponível em: https://www. abntcatalogo.com.br/mtur/noticia.aspx?ID=15#:~:text=%EF%82%A7%20ABNT%20 NBR%2015285%3A2005,prestar%20um%20servi%C3%A7o%20de%20qualidade. Acesso em: 19 dez. 2021. BRASIL. Secretaria de Inspeção do Trabalho, 2001. Portaria nº 25, de 15 de outubro de 2001. Altera a Norma Regulamentadora que trata de Equipamento de Proteção Individual – NR 6 e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 17 out. 2001. BRASIL. Ministério do Turismo. Estudos da competitividade do turismo brasileiro: tecnologia da informação aplicada ao turismo. Brasília: MTur, 2007. BRASIL. Ministério do turismo. Portaria nº 100, de 16 de junho de 2011. Institui o Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem (SBClass), estabelece os critérios de classificação destes, cria o Conselho Técnico Nacional de Classificação de Meios de Hospedagem (CTClass) e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 21 jun. 2011. BRASIL. Ministério do Turismo. Portaria nº 216, de 12 de junho de 2012. Dá nova redação aos arts. 3º, § 7º, 5º, 6º,inciso IV, 13 e 15 da Portaria nº 177, de 13 de setembro de 2011, que estabelece o Sistema Nacional de Registro de Hóspedes - SNRHos, e regulamenta a adoção da Ficha Nacional de Registro de Hóspedes - FNRH e do Boletim de Ocupação Hoteleira - BOH. Diário Oficial da União, Brasília, 13 jun. 2012. BRASIL. Ministério do trabalho e da previdência. Norma Regulamentadora n. 5 (NR-5). Brasília: MTP, 18 out. 2021. Disponível em: https://www.gov.br/trabalho-e- previdencia/pt-br/composicao/orgaos-especificos/secretaria-de-trabalho/inspecao/ seguranca-e-saude-no-trabalho/ctpp-nrs/norma-regulamentadora-no-5-nr-5. Acesso em: 13 dez. 2021. BRASIL. Ministério do turismo. Ministério do turismo, 2022. Glossário do Turismo. Brasília, DF: MTUR. Disponível em: http://dadosefatos.turismo.gov.br/gloss%C3%A1rio- do-turismo/889-h.html. Acesso em: 13 dez. 2021. 146 BUHALIS, D. E-Tourism: information technology for strategic tourism management. London: Pearson (Financial Times/Prentice Hall, 2003. CÂNDIDO, Í.; VIEIRA, E. V. Gestão de hotéis: técnicas, operações e serviços. Caxias do Sul (RS): Educs, 2003. DAVIES, C. A. Cargos em hotelaria. 3. ed. Caxias do Sul (RS): Editora Educs, 2001. DIAS, R.; PIMENTA, M. A. Gestão de hotelaria e turismo. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. DUMAZEDIER, J. Valores e conteúdos culturais do lazer. São Paulo: SESC, 1980. FERREIRA, M. O Impacto do Revenue Management no Crescimento da Hotelaria em Portugal. 2019, 111 f. Dissertação (Mestrado em Direção Hoteleira) – Universidade Politécnica do Porto, Porto (POR), 2019. GOIÁS TURISMO. Observatório do Turismo do Estado de Goiás. Censo Hoteleiro Pirenópolis 2018/2019. Pirenópolis (GO): Goiás Turismo, 2019. GOIÁS TURISMO. Observatório do Turismo do Estado de Goiás. Censo Hoteleiro Goiânia 2017/2018. Goiânia: Goiás Turismo, 2018. GUIMARÃES, A. S.; POGGI; BORGES, M. E-turismo: internet e negócios do turismo. São Paulo: Cengage Learning, 2008. LOUSANA, G. Boas práticas clínicas nos centros de pesquisa. Rio de Janeiro: Revinter, 2005. MARTINS, R. S. S.; FONTANA, R. F. Motor de reservas na hotelaria: um estudo dos meios de hospedagem de Foz do Iguaçu, Revista Ateliê do Turismo, Campo Grande, v. 2, n. 1, p. 74-99, jan./jun. 2018. MATEUS, A. F.; CALDEVILLA-DOMÍNGUEZ, D.; BARRIENTOS-BÁEZ, A. redes sociais, comunicação digital e turismo. Revista Ibérica de Sistemas e Tecnologias de Informação, [s.l.], n. 36, p. 577-595, out. 2020. MEDINA, A. C.; PLAZA, A. G. Necesidades formativas tecnológicas en turismo. Estudio de caso de Andalucía. Pasos Revista de Turismo y Patrimonio Cultural, El Sauzal (ESP), v. 13, n. 4, p. 913-929, jul. 2015. MEDINA, A. D. Los actores de la distribuición comercial en turismo y viajes: GDS y CRS – mitos y realidades. Revista Caribeña de Ciencias Sociales, [s.l.], v. 1, n. p., 2020. 147 MORENO. S. R. S.; MARCELLINO, N. C. Lazer/recreação e formação profissional. Licere, Belo Horizonte, v. 9, n. 1, p. 108-134, 2006. NEGRINE, A.; BRADCZ, L.; CARVALHO, P. Recreação na hotelaria: o pensar e o fazer lúdico. Caxias do Sul (RS): Educs, 2001. NETINBAG. Netinbag.com, 2022. What does a laundry supervisor do? Disponível em: https://www.netinbag.com/pt/education/what-does-a-laundry-supervisor-do.html. Acesso em: 13 dez. 2021. O’CONNOR, P. Distribuição da informação eletrônica em turismo e hotelaria. Porto Alegre: Bookman, 2001. PETROCCHI, M. Hotelaria: planejamento e gestão. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. RIBEIRO, O. C. F. Hotéis de Lazer. In: GOMES, C. L. (Org.). Dicionário crítico do lazer. Belo Horizonte: Autêntica, 2004, p. 107-122. RIBEIRO, O. C. F.; QUEIROZ, E.; SOUZA, L. M. Os hotéis de lazer do Estado de São Paulo: um diagnóstico. Licere, Belo Horizonte, v. 7, n. 1, p. 25-34, 2004. SIMONETTI, V. M. M. Comprometimento organizacional: um estudo de caso no setor de governança hoteleira. Revista Hospitalidade, São Paulo, v. 7, n. 2, p. 111-137, dez. 2010. TECNOLOGIA. In: DICIONÁRIO Brasileiro da Língua Portuguesa Michaelis, c2022. Disponível em: https://michaelis.uol.com.br/moderno-portugues/busca/portugues- brasileiro/tecnologia/. Acesso em 15 dez. 2021. VIDAL, M. P.; SIMONETTI, V. M. M. Comprometimento organizacional: um estudo de caso no setor de governança hoteleira. Revista Hospitalidade, São Paulo, v. 12, n. 2, p. 111-137, jul./dez. 2010. 148 149 ALIMENTOS E BEBIDAS (A&B) UNIDADE 3 — OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM PLANO DE ESTUDOS A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de: • explicar o que é o setor de Alimentos e Bebidas (A&B) e sua aplicação nos meios de hospedagem; • reconhecer cargos e funções das brigadas da cozinha, do salão e do bar; • exemplifi car tipologias da restauração, incluindo restaurantes, cafés e bares; • caracterizar os serviços de A&B conforme categorização dos meios de hospedagem pela SBClass; • listar os diferentes Pontos de Vendas (PDV) de um meio de hospedagem; • planejar o mobiliário, o espaço e utensílios básicos de uma cozinha/copa, um restaurante ou um bar. Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer dela, você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado. TÓPICO 1 – GERÊNCIA DE ALIMENTOS E BEBIDAS TÓPICO 2 – ESPAÇO E MOBILIÁRIO TÓPICO 3 – SERVIÇO DE COPA E BAR Preparado para ampliar seus conhecimentos? Respire e vamos em frente! Procure um ambiente que facilite a concentração, assim absorverá melhor as informações. CHAMADA 150 CONFIRA A TRILHA DA UNIDADE 3! Acesse o QR Code abaixo: 151 TÓPICO 1 — GERÊNCIA DE ALIMENTOS E BEBIDAS UNIDADE 3 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, no Tópico 1 desta unidade, você aprenderá sobre o setor de Alimentos e Bebidas, conhecido como “A&B”. Veremos suas características e as tipologias da restauração. Em seguida, adentraremos no setor de A&B em meios de hospedagem, destacando os serviços obrigatórios para cada categoria de meio de hospedagem e exemplificando os Pontos de Vendas (PDV) existentes nesses estabelecimentos (minibar, banquetes, room service, café da manhã do apartamento e máquinas de venda). Também destacaremos os cargos e funções relativos ao setor, os tipos de serviços de alimentação. Para isso, demonstraremos exemplos de organograma conforme o porte do estabelecimento. Em seguida, apresentaremos os cargos voltados à administração do setor: assistente executivo de A&B, gerente de compras, almoxarife e supervisor de banquetes. Após, apresentaremos alguns cargos da brigada da cozinha: chefe de cozinha, subchefe, entretemier, saucier, rotissieur, garde-manger, patissieur, tournant, aboyer e steward. Além disso, será a brigada do salão: maitre, gerente de restaurante, supervisor de restaurante, hostess, garçom, commis, caixa e supervisor de refeitório. Neste tópico, também apresentaremos os tipos de serviços de alimentação, mais especificamente serviço à inglesa direto, à inglesa indireto, à americana, à russa, à francesa e o serviço de mordomo. Em seguida, destaca-se o mise en place, um processo de organização e arrumação do espaço de trabalho, seja restaurante, seja cozinha. 2 O SETOR DE ALIMENTOS E BEBIDAS (A&B) O setor econômico de Alimentos e Bebidas, é bastante abrangente, englobando, por exemplo, as fábricas de alimentos e bebidas, os mercados, o comércio varejista, a produção de iguarias, entre diversos outros. No entanto, neste tópico, nós iremos focar nos estabelecimentos enquadrados pela CNAE 5611-2, que são os “Restaurantes e outros estabelecimentos de serviços de alimentação e bebidas”, incluindo os restaurantes e similares, os bares e outros estabelecimentos especializados em servir bebidas, as lanchonetes, as casas de chás e sucos e similares. Ou seja, os empreendimentos do terceiro setor, que ofertam alimentos e bebidas para consumo fora do lar. 152 O setor de alimentação fora do lar precisa se reinventar constantemente. Com o distanciamento social em decorrência da pandemia de Covid-19, algumas tendências surgiram em relação a esses serviços. Vamosconhecê- las? Acesse a reportagem no link: https://sebraeinteligenciasetorial.com.br/ produtos/noticias-de-impacto/impactos-da-economia-do-distanciamento- na-alimentacao-fora-do-lar/5ef3556bca02c519009166fe. INTERESSANTE Todo viajante precisa, em algum momento da viagem, se alimentar. A depender do caráter da viagem, das características da localidade ou do tempo livre disponível, o turista não terá disponibilidade para buscar um estabelecimento para realizar suas refeições. Por isso, é essencial que os meios de hospedagem estejam preparados para atender a essa demanda. A depender da tipologia ou grau de sofi sticação (estrelas), os serviços de um meio de hospedagem irão mudar. Isso se aplica também ao setor conhecido como Alimentos e Bebidas, ou, simplesmente, A&B. Esse setor tem essa denominação porque envolve, além do serviço de alimentação, os serviços relacionados às bebidas, como é o caso dos bares. Embora Cândido e Vieira (2003) considerem ser difícil classifi car todos os estabelecimentos de alimentação existentes, é possível fazer uma categorização mais ampla. Há inúmeros tipos de estabelecimentos que não conhecemos no Brasil, por serem muito específi cos de determinada região do mundo. Podemos pensar, por exemplo, nas “açaiterias” ou casas de açaí, uma iguaria brasileira e que é desconhecida por muitos no exterior. O mesmo ocorre com a tapiocaria e a pastelaria, que não são comuns em outros países. Retomando a categorização, Pacheco (2019), Cândido e Vieira (2003), Castelli (2006) e Fonseca (2006) apresentam algumas tipologias de estabelecimentos ou espaços relativos à restauração, ou seja, ao setor de A&B. Vamos conhecer alguns deles, que podem estar alocados em um meio de hospedagem. 2.1 TIPOLOGIA DA RESTAURAÇÃO Vamos conhecer agora algumas tipologias da restauração. São apenas alguns exemplos e modelos de categorização, há diversos outros, dada à complexidade do setor de alimentação fora do lar. 153 2.1.1 Restaurante tradicional Esse tipo de estabelecimento possui um cardápio extenso, com preparações tradicionais e de aceitação do público em geral (pratos clássicos). Recebe um público variado e possui decoração simples e tradicional, além de contar com enxoval e louças sem muito luxo ou sofisticação (FONSECA, 2006). Ou seja, são os restaurantes que presam por um cardápio e ambiente que se mantêm fixos ao longo dos anos e são reconhecidos por essa característica. 2.1.2 Restaurante internacional Geralmente estão localizados em hotéis sofisticados (4 ou 5 estrelas). Contam com cardápio com iguarias consagradas em nível internacional e carta de vinhos. O público também é diverso, embora o nível socioeconômico seja mais elevado que o do restaurante tradicional. A decoração do ambiente é clássica e sóbria e o enxoval e as louças são de qualidade (primeira linha) (CASTELLI, 2006; FONSECA, 2006). São, portanto, estabelecimentos mais refinados e, quando localizados em meios de hospedagem, vão de acordo com os serviços oferecidos pela empresa hoteleira. É uma questão lógica, pois os hóspedes que frequentam os hotéis de quatro estrelas ou mais esperam que os serviços como um todo sejam no padrão das acomodações, incluindo a alimentação. 2.1.3 Restaurante de especialidades Fonseca (2006) categoriza os restaurantes com especialidades como uma única categoria, enquanto Castelli (2006) entende como categorias diferentes. De modo geral, esses estabelecimentos são especializados em determinado produto, método de preparação, de cocção ou região. Possuem cardápios mais restritos e de alta qualidade. Dentre esses estabelecimentos, podemos citar os grill (casas especializadas em grelhados); os restaurantes típicos por país (japonês, brasileiro, mexicano, entre muitos outros), região (nordestino, nortista, entre outros) ou gênero (pizzaria, tapiocaria, churrascaria, galeteria, casas de massas, entre muitos outros); os fast food; os cafés; as lanchonetes; os cafés coloniais; e qualquer outro estabelecimento que se enquadre. Cabe ressaltar que Pacheco (2019) diferencia os restaurantes de especialidades dos restaurantes típicos de regiões/países. 154 2.1.4 Café Originário da França, o café ou cafeteria é um estabelecimento especializado em servir café, de várias maneiras, além de lanches, massas, sucos, refrigerantes e diversos tipos de bebidas alcoólicas (ESCOLA EDUCAÇÃO, 2022). Há quem diferencie café de cafeteria, sendo essa última os estabelecimentos localizados dentro de escolas, shopping e outros estabelecimentos. 3 SERVIÇOS DE A&B EM MEIOS DE HOSPEDAGEM Em meios de hospedagem, o setor de Alimentos e Bebidas pode ser o maior de todos (a depender da variedade de espaços e serviços ofertados). Em um meio de hospedagem de grande porte, esse departamento pode oferecer diversas opções, desde lugares mais econômicos até os mais sofi sticados. Inclusive, pode-se operar night clubs, lounges ou pubs (DAVIES, 2010a). Assim como destacado por Davies (2010a), quase qualquer tipo de serviço de alimentação pode ser encontrado nos estabelecimentos de hospedagem. Vamos entender melhor os serviços de A & B em meios de hospedagem no tópico seguinte. O Hotel Belmond (Hotel das Cataratas), localizado dentro do Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu (Paraná), oferece diversas experiências gastronômicas. Além de contar com dois restaurantes e um bar, o estabelecimento oferece as seguintes experiências: Sunset Cocktail no Gramado (coquetel no gramado, para apreciar o por-do-sol), Sunset at the Tower (apreciação do por-do-sol do ponto mais alto do parque, com champagne e canapés), piquenique no jardim, Cachaça Experience (degustação de cachaça), degustação de vinho, Gazebo (experiência gastronômica ao ar livre com menu interativo), assado sob as estrelas (experiência de apreciação de carne assada na brasa) e chá da tarde (BELMOND, 2022). INTERESSANTE Além disso, o departamento atende a hóspedes e clientes externos, ou seja, os espaços costumam ser abertos ao público em geral. Isso contribui para a geração de receita mesmo em períodos de baixa ocupação hoteleira. 155 “Um restaurante tradicional em geral oferece um tipo de cozinha e atende a um ou dois períodos de refeição por dia (isto é, almoço e jantar). Imagine um restaurante barato ou fino que você conheça. Eles oferecem café da manhã e ficam abertos sete dias por semana?” (HAYES; NINEMEYER, 2005, p. 204). As atividades de produção, preparo e distribuição de alimentos devem seguir as normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Nós abordaremos um pouco as regras na leitura complementar, mas para verificar uma lista completa, acesse: https://www.gov.br/anvisa/pt- br/assuntos/regulamentacao/legislacao/bibliotecas-tematicas/arquivos/ biblioteca-de-alimentos. IMPORTANTE IMPORTANTE No entanto, o gerenciamento de A&B é considerado o mais técnico e complexo da hotelaria, devido a diversos fatores internos e externos, especialmente, o controle financeiro (MATTOS; PONTES; MARIETTO, 2016). Hayes e Ninemeyer (2005) destacam que a complexidade se deve por diversos motivos, mas, principalmente, em decorrência da variedade de produtos e serviços. Nesse sentido, vale a pena destacar que o setor de A&B tem duas incumbências: produzir e preparar alimentos e comercializar alimentos, portanto, além de dominar o atendimento ao público, os encarregados desse setor devem entender as boas práticas para manipulação de alimentos e outros aspectos relativos à segurança. 3.1 SERVIÇOS DE A&B SEGUNDO O SBCLASS Conforme o Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem (SBClass) (MTUR, 2015), que segue um padrão internacional, os meios de hospedagem categorizados como uma ou duas estrelas devem oferecer serviço de café da manhã, mesmo que pago. Nos meios de hospedagem três estrelas, além do café da manhã também estão presentes o restaurante ou copa e o minibar nos apartamentos. Já os meios de hospedagem quatro estrelas, por conta de uma maior sofisticação,possuem facilidades para bebês (cadeiras altas no restaurante, facilidades para aquecimento de mamadeiras e comidas, entre outros), possibilidade de café da manhã no apartamento, serviço de refeições leves e bebidas nas Unidades Habitacionais (UH) (room service) no período mínimo de 18 horas; minibar nos apartamentos, bar, 156 restaurante e serviço à la carte no restaurante e serviço de alimentação disponível para café da manhã, almoço e jantar. Em caso de resort, tem-se, no mínimo dois restaurantes com cardápios diferentes e dois bares. Nos hotéis cinco estrelas, além dos elementos existentes na categoria mencionada anteriormente, adicionam-se: salão de eventos, preparação de dietas especiais (vegetariana, hipocalórica, restrições alimentares, entre outras) e room service 24 horas. No caso dos resorts cinco estrelas, além desses elementos, têm-se, no mínimo, três bares e três restaurantes, com cardápios diferentes e cardápio com cozinha regional ou típica em um dos restaurantes. Conheça mais detalhes sobre SBClass no link a seguir. http://antigo.turismo. gov.br/acesso-a-informacao/63-acoes-e-programas/5021-sistema-brasileiro- de-classificacao-de-meios-de-hospedagem-sbclass. O serviço de alimentação de um meio de hospedagem pode ser: café da manhã, meia pensão, pensão completa ou all inclusive. Vamos entender: Café da manhã: inclui o café da manhã na diária/cortesia. Meia pensão: inclui duas refeições no valor da diária. Pensão completa: inclui três ou mais refeições na diária. All inclusive: indica que a reserva é completa, com tudo incluso. Tipo de serviço comum em resorts e o acesso aos serviços de alimentação ocorrem durante todo o dia. DICAS NOTA No caso de hotéis fazenda, tem-se a seguinte oferta: • Hotéis fazenda uma estrela: serviço de alimentação disponível para café da manhã, culturas diversas (pomar, horta), instalações para criação de animais (piscicultura, bovinocultura, avicultura, entre outros) e restaurante. • Hotéis fazenda duas estrelas: acrescenta-se ao anterior o serviço de alimentação no período do almoço e jantar. • Hotéis fazenda três estrelas: acrescenta-se o bar e facilidades para bebês. • Hotéis fazenda quatro ou cinco estrelas: acrescenta-se o serviço de refeições leves e bebidas nos quartos (room service) no período mínimo de 12 horas; instalações para beneficiamento de produtos agropecuários, oferecimento de serviços típicos (como participação em colheitas, ordenhas e trato de animais); minibar nas UH; cardápio para crianças e serviço à la carte no restaurante. 157 3.2 PONTOS DE VENDA (PDV) O local onde esses alimentos e bebidas são disponibilizados dentro de um meio de hospedagem são chamados de “Ponto de Venda” (PVD). Os PVD são todos os pontos que têm a capacidade de gerar receita para o estabelecimento, como, por exemplo, o restaurante, o bar, a copa, entre outros (MATTOS; PONTES; MARIETTO, 2016). Mas, além do restaurante, do bar e da copa, que outros Pontos de Vendas um meio de hospedagem por ter? Vamos saber a seguir. 3.2.1 Minibar Geralmente, os produtos mais consumidos do frigobar são: bebidas; água; refrigerante; cervejas; sucos; bebidas alcoólicas – geralmente em garrafas pequenas. Junto ao frigobar são expostos também alguns petiscos, como biscoitos, castanhas, chocolates, entre outros snacks. Cabe destacar, no entanto, que o controle de consumo do minibar é realizado pelas camareiras, portanto, embora esteja relacionado aos serviços de alimentação, é de incumbência do departamento de Governança. Além disso, alguns meios de hospedagem de maior porte terceirizam o serviço para empresas especializadas. 3.2.2 Serviço de banquetes Os banquetes são compostos geralmente de uma refeição ofertada em datas comemorativas de caráter festivo ou solene, quando as pessoas se sentam em grandes mesas para desfrutar do mesmo cardápio (ROSSI, 2016). São serviços que podem ser oferecidos pelo hotel, como jantar de Dia das Mães, Ceia de Natal e Réveillon, entre outros, ou requisitado por quem precisa dos serviços (como festas de casamento e aniversário) (DAVIES, 2010b). Em alguns hotéis de grande porte, o serviço de banquetes é de responsabilidade do setor de eventos. Já em hotéis de médio porte e alguns de grande porte o serviço é de respondabilidade do órgão de Alimentos e Bebidas (ROSSI, 2016). 158 FONTE: <https://www.pexels.com/photo/two-chandelier-hanging-in-a-room-2504913/>. Acesso em: 10 jan. 2022. FIGURA 1 – MISE EN PLACE PARA BANQUETE Banquete: evento realizado em que são servidas comidas e bebidas. Catering: processo de venda e organização dos pormenores de um banquete (HAYES; NINEMEYER, 2005). NOTA Os banquetes bem planejados e executados geram bastante lucro, por isso, demandam uma supervisão rigorosa para que o evento atenda à expectativa de qualidade (HAYES; NINEMEYER, 2005). 3.2.3 Room service Conforme a categoria dos meios de hospedagem, pode existir ou não (embora com autonomia), o serviço de alimentação nos apartamentos, comumente designado pela expressão "room service". Conforme destaca Câmara (2012), nesse tipo de serviço, os hóspedes não precisam se deslocar até um restaurante para se alimentar. Além da alimentação, o room service também possui outros serviços, como entrega de produtos de higiene e serviços de lavanderia. https://www.pexels.com/photo/two-chandelier-hanging-in-a-room-2504913/ 159 No caso de disponibilidade desse serviço, ele dependerá exclusivamente do restaurante ou copa (também conhecida como copa-cambuza – quando é independente do restaurante) e terá seu funcionamento próprio como um subdepartamento dentro da governança (DAVIES, 2010a; CÂMARA, 2012). Em grandes hotéis, esse serviço pode estar sob a coordenação de um terceiro maitre (chefe de andares), auxiliado por garçons (CÂMARA, 2012). Em muitos hotéis, o serviço de room service funciona 24 horas. Os cardápios oferecidos devem ser enxutos e os itens oferecidos são cobrados à parte. As solicitações são feitas por telefone ao ramal previamente estabelecido ou por informações preenchidas em folhetos específicos nos apartamentos (DAVIES, 2010a). 3.2.4 Café da manhã no apartamento Os pedidos para o café da manhã podem ser feitos pelo hóspede de duas maneiras: telefonando diretamente à copa ou através da lista de alimentos para o café que, após preenchida pelo hóspede, é dependurada na maçaneta externa da porta do apartamento. Neste caso, o funcionário encarregado a recolhe, entregando-a à copa para providenciar os alimentos solicitados (CÂMARA, 2012). FONTE: <https://www.pexels.com/photo/food-love-woman-hotel-6466288/>. Acesso em: 10 jan. 2022. FIGURA 2 – CAFÉ DA MANHÃ SERVIDO NO APARTAMENTO https://www.pexels.com/photo/food-love-woman-hotel-6466288/ 160 Além disso, é possível indicar qual o horário que o café deverá ser servido. Davies (2010a) destaca que, mesmo quando o café da manhã está incluído na diária, quando for servido no apartamento, implicará taxa extra de serviço. 3.2.5 Máquinas de venda Outro ponto de venda possível de ser encontrado em meios de hospedagem são as máquinas de venda automáticas (DAVIES, 2010a). Essas máquinas funcionam com a inserção de moedas, que possibilita a retirada de alimentos ou bebidas frias ou quentes. É comum encontrar máquinas de snacks, refrigerantes e cafés. FONTE: <https://pixabay.com/pt/photos/maquina-de-vendas-m%c3%a1scara-facial-6856915/>. Acesso em: 8 jan. 2022. FIGURA 3 – EXEMPLO DE MÁQUINA DE VENDAS Cabe destacar que podem existir outros pontos de venda, como, por exemplo, o serviço de piquenique (venda de cestas de piquenique). A criatividade da equipe gestora dos meios de hospedagem é que decidirá quantos PVD existirão. 4 CARGOS E FUNÇÕES DE A&B NA HOTELARIA Para garantir o funcionamento de um órgão tão complexo, a estrutura organizacional de A&B costuma ser robusta. Aliás, quanto mais diversos forem os serviços oferecidos ao cliente, maior será o número de cargos do setor. Como todos os outros cargos e setoresjá apresentados da Unidade 1, Unidade 2 e nesta unidade, https://pixabay.com/pt/photos/maquina-de-vendas-m%c3%a1scara-facial-6856915/ 161 FIGURA 4 – EXEMPLO DE ORGANOGRAMA DE A&B DE MEIO DE HOSPEDAGEM DE PEQUENO PORTE FONTE: Adaptada de Boussard (2021) a estrutura de A&B irá depender do porte do estabelecimento, da tipologia e das características do serviço prestado. De forma geral, em um meio de hospedagem de pequeno porte, que conte com um restaurante e um bar, os cargos de chefi a podem ser representados conforme o organograma a seguir. Portanto, a partir desse exemplo, subordinado ao Gerente Geral do hotel está o Gerente de Alimentos e Bebidas, que tem uma função administrativa. Abaixo desse cargo, encontram-se os responsáveis pela cozinha (Chefe de cozinha), pelo salão (Gerente de Restaurante) e pelo bar (Chefe de Bar ou Chefe Bartender). Já em meios de hospedagem de médio porte, que contém com restaurante e bar próprios, a estrutura organizacional passa a ser mais robusta. Como exemplo de organograma para esses tipos de meio de hospedagem, Boussard (2021) apresenta o exemplo a seguir. FIGURA 5 – EXEMPLO DE ORGANOGRAMA DE A&B DE MEIO DE HOSPEDAGEM DE MÉDIO PORTE FONTE: Adaptada de Boussard (2021, p. 41) 162 Verifi ca-se que, neste caso, há cargos relativos aos recursos humanos, compras e contabilidade como assistentes à gerência de A&B. Além disso, surgem mais gerências subordinadas, como o gerente de catering e gerente de banquetes (responsáveis pelo serviço de banquetes) e o gerente de room service (responsável pelo serviço de quarto). Por fi m, exemplifi cando a estrutura organizacional desse órgão em um meio de hospedagem de grande porte, temos o organograma a seguir. FIGURA 6 – EXEMPLO DE ORGANOGRAMA DE A&B DE MEIO DE HOSPEDAGEM DE GRANDE PORTE FONTE: Adaptada de Boussard (2021, p. 42) A diferença com os meios de hospedagem de médio porte é que surgem novos cargos de supervisão subordinados, ou seja, não há apenas um gerente, mas também um supervisor, um chefe e, em alguns casos, um subchefe. De forma geral, os cargos de Alimentos e Bebidas podem ser caracterizados por: cargos gerais, brigada da cozinha, brigada do salão e encarregados do bar. Vamos entender melhor esses cargos a seguir. 4.1 CARGOS GERAIS Vamos conhecer alguns cargos que têm funções mais amplas no setor de A&B, ou seja, não são exclusivos da cozinha, do salão ou do bar. 163 FIGURA 7 – FUNÇÃO DO GERENTE DE RESTAURANTE FONTE: Adaptada de Davies (2010b, p. 371); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. 4.1.1 Gerente de restaurante O gerente de restaurante é o cargo-chave desse espaço do hotel. Ele não deve ser confundido com o gerente de A&B, que supervisiona todos os PDV do setor. O gerente de restaurante tem como principais atribuições, conforme Davies (2010b): - Supervisionar os funcionários e as atividades diárias do restaurante, certificando-se de que a equipe proporcione serviço de qualidade; planejar a mão de obra necessária para a semana; disponibilizar treinamento técnico regular para os funcionários; atualizar a equipe sobre os destaques do menu do dia, mês ou estação; selecionar, orientar e treinar os funcionários. - Certificar-se de que o restaurante esteja limpo e pronto para receber os comensais; encaminhar as considerações dos clientes ao gerente de A&B; orientar e supervisionar regularmente o serviço de qualidade e o trabalho de equipe; supervisionar a apresentação dos alimentos. - Desenvolver e aplicar estratégias para aumentar o lucro e controlar os custos, atingindo as metas de rentabilidade; auxiliar na elaboração do plano de marketing, recomendando estratégias para aumentar a lucratividade e competitividade do estabelecimento; aplicar estratégias para aumentar a clientela e a média de couverts; aumentar as vendas por meio de programas promocionais; certificar-se de que a equipe esteja usando técnicas especiais de vendas; maximizar a produtividade por meio de orçamento adequado, de planejamento e de controle de custos. - Acomodar as reservas de grupos, seguindo as técnicas adequadas para banquetes. - Preparar relatórios com informações que auxiliem nas decisões gerenciais e na avaliação crítica das atividades de trabalho. 164 4.1.2 Supervisor de restaurante Em alguns restaurantes, além do gerente é possível encontrar um supervisor, que é o “braço direito” do gerente. FIGURA 8 – FUNÇÃO DO SUPERVISOR DE RESTAURANTE FONTE: Adaptada de Davies (2010b); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. Segundo Davies (2010b), as funções do supervisor de restaurante são: - Orientar a equipe do restaurante em seu trabalho; supervisionar os garçons e commis, verificando se as praças estão supridas, arrumadas e limpas. - Verificar regularmente as condições gerais do salão, certificando-se de que esteja preparado para os clientes; manter o salão do restaurante limpo e em ordem. - Responder às perguntas dos clientes relacionadas ao hotel, aos serviços oferecidos e dar informações sobre o local/destino turístico. - Preparar relatórios das atividades para a gerência ou para o supervisor, quando solicitado. 4.1.3 Assistente executivo de gerência de A & B Agora, vamos apresentar o Assistente executivo de gerência de A&B. 165 FIGURA 9 – FUNÇÃO DO ASSISTENTE EXECUTIVO DE A&B FONTE: Adaptada de Davies (2010b, p. 249); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. Davies (2010b) apresenta as principais incumbências do Assistente Executivo de A&B, a saber: - Desenvolver e aplicar estratégias de marketing e vendas para atingir as metas de faturamento de A&B; preparar um plano de marketing; selecionar os itens do menu e recomendar preços baseados na concorrência e nas tendências do mercado; seguir um padrão de qualidade na compra das mercadorias e nas operações de marketing. - Desenvolver e aplicar estratégias de contenção de custos; aplicar o orçamento aprovado, fiscalizando diariamente o faturamento; controlar os custos seguindo os padrões das operações de previsão, orçamento, planejamento, folha de pagamento e de outros sistemas de gerenciamento de despesas; auditar, regularmente, o serviço e a qualidade de A&B, desenvolvendo e aplicando estratégias para melhoria dos resultados; certificar-se de que as compras e o controle de inventário estejam dentro dos padrões estabelecidos, supervisionando os inventários; certificar-se de que o departamento de A&B ofereça serviço de qualidade, satisfazendo ou superando as expectativas dos hóspedes. - Utilizar as qualidades de liderança e as técnicas de motivação para maximizar a produtividade dos funcionários e a apreciação nos comentários dos hóspedes; atingir as metas de satisfação dos funcionários; selecionar os funcionários e proporcionar a eles treinamento de qualidade; promover um ambiente de trabalho de qualidade para todos. - Criar e aplicar estratégias para atingir as metas de “intenção de retornar”, “percentual de reclamações dos hóspedes” e “lista de sugestões dos hóspedes"; estabelecer padrões de serviço ao hóspede e compará-los regularmente com o desempenho dos funcionários.- Dar assistência ao gerente-geral; orientar outros gerentes, bem como cooperar com eles quando solicitado. 166 4.1.4 Gerente de compras Em estabelecimentos que comercializam bens (neste caso, alimentos), é preciso ter um funcionário responsável pela compra dos insumos e itens necessários para o preparado, armazenamento e entrega para o consumidor. Esse cargo é o gerente de compras. FIGURA 10 – FUNÇÃO DO GERENTE DE COMPRAS FONTE: Adaptada de Davies (2010b, p. 253); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. Segundo Davies (2010b), dentre as funções principais do gerente de compras, estão: - Pesquisar e comprar insumos, equipamentos e serviços, garantindo o menor preço, compatível com os padrões de qualidade do estabelecimento; identificar os fornecedores locais e negociar os preços; certificar-se de que a mercadoria seja entregue emtempo hábil, controlando e encarregando-se dos pedidos; certificar-se de que os pedidos sejam devidamente aprovados. - Atingir eficientemente os requisitos do hotel, orientando e supervisionando o recebimento, a estocagem e a distribuição dos produtos; certificar-se de que os itens comprados estejam dentro dos padrões do hotel e aplicar medidas corretivas quando necessário; certificar-se de que as mercadorias que constam na nota fiscal sejam conferidas; manter em dia os registros e relatórios de controle; certificar-se de que os estoques estejam supridos; fazer um rodízio dos produtos estocados. - Acompanhar as tendências de mercado e recomendar as medidas adequadas, mantendo as condições de competitividade e rentabilidade das operações de compras; auxiliar na preparação do orçamento anual; supervisionar o desempenho do departamento em relação aos orçamentos aprovados e fazer recomendações. - Utilizar as qualidades de liderança e técnicas de motivação para maximizar a produtividade dos funcionários e a apreciação nos comentários dos hóspedes; selecionar, orientar e treinar os funcionários; determinar os padrões de desempenho dos funcionários e supervisioná-los. 167 FIGURA 11 – FUNÇÃO DO ALMOXARIFE FONTE: Adaptada de Davies (2010b); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. - Certificar-se de que o departamento proporcione aos hóspedes serviço de qualidade, satisfazendo ou superando suas expectativas; oferecer aos funcionários treinamento personalizado às suas habilidades; orientar e supervisionar regularmente serviço de qualidade e trabalho de equipe. 4.1.5 Almoxarife As compras realizadas são armazenadas em estoques secos e em câmaras frias, no caso de produtos perecíveis. Assim, faz-se necessário um responsável pelo gerenciamento do estoque. Esse cargo é o almoxarife. Davies (2010b) destaca as seguintes funções do almoxarife: - Certificar-se de que os produtos entregues estejam de acordo com as especificações da compra e ordens de pedido; avaliar a qualidade, a quantidade e as condições higiênicas dos produtos; conferir o peso e quantidade, comparando com os dados da nota fiscal do fornecedor; supervisionar o transporte dos produtos para o estoque, certificando-se de que os itens perecíveis sejam transportados antes; emitir um pedido de crédito quando os produtos estiverem estragados, não preencherem as especificações ou quando entregues em quantidade discrepante do pedido. - Liberar os produtos para uso somente depois de receber uma requisição por escrito assinada por funcionário autorizado. - Manter uma estocagem adequada de todos os produtos em suas áreas pré- designadas; manter o almoxarifado organizado e limpo para uma estocagem adequada; limpar e arrumar diariamente as diversas áreas do almoxarifado; adotar estratégias de gestão de estoque. 168 O almoxarife precisa ter noção de gestão de estoque. Um dos métodos de gestão de estoque é o “PEPS – Primeiro que entra, primeiro que sai”. Saiba mais desse método no vídeo do Canal Professor Daniel Santana, no Youtube. LINK:https://www.youtube.com/watch?v=I4twN0-ZFvU&ab_ channel=ProfessorDanielSantana. INTERESSANTE 4.1.6 Supervisor de banquetes Em meios de hospedagem que oferecem banquetes, é preciso existir um cargo que supervisione esse serviço, que pode ser um gerente ou um supervisor de banquetes. FIGURA 12 – FUNÇÃO DO SUPERVISOR DE BANQUETES FONTE: Adaptada de Davies (2010b, p. 267); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. Davies (2010b) aponta as seguintes responsabilidades para o supervisor de banquetes: - Maximizar a satisfação do cliente informando-o sobre as especifi cações dos banquetes e da cozinha e supervisionando a execução dessas tarefas; rever e anotar as especifi cações do cliente e sugerir alternativas quando adequado; informar o cliente sobre as leis aplicáveis em relação a consumo de bebidas alcoólicas, às normas e aos regulamentos do hotel, entre outros; transmitir as especifi cações do cliente à equipe da cozinha no que se refere à organização e aos serviços do banquete. - Certifi car-se de que os preços negociados para os serviços de banquete estejam de acordo com a rentabilidade prevista pelo hotel; certifi car-se de que os preços e as porções sejam oferecidos de acordo com os objetivos de rentabilidade do hotel; desenvolver e implementar o orçamento do banquete; supervisionar e comparar as despesas orçadas com as reais e aplicar medidas corretivas, quando necessário; coordenar com o controler (auditor noturno) o crédito para os clientes de banquetes; 169 Auguste Escoffi er (1846-1935) foi um chef francês que organizou sua cozinha criando a brigada de trabalho, onde cada pessoa tem uma função específi ca, introduzindo as hierarquias, a organização e disciplina. Ele também é conhecido como “pai da alta gastronomia”. Conheça mais sobre esse ilustre chef. Acesse em: https://www.youtube.com/watch?v=AmL6hjcH2Ec&ab_ channel=ArquitetoGourmet. INTERESSANTE conferir o número de pessoas que já confi rmaram sua presença para poder preparar os serviços do banquete e da cozinha com previsões exatas. - Certifi car-se de que o departamento proporcione aos clientes serviço de qualidade e trabalho de equipe, satisfazendo ou superando suas expectativas; acompanhar os serviços prestados, assegurando a satisfação dos comensais; avaliar os resultados e estabelecer estratégias para melhorar a qualidade dos serviços. - Utilizar as qualidades de liderança e as técnicas de motivação para maximizar a produtividade dos funcionários e a apreciação nos comentários dos clientes; selecionar, orientar e treinar os funcionários; determinar os padrões de desempenho dos funcionários e supervisioná-los. - Acompanhar as tendências do mercado e recomendar as medidas adequadas a serem tomadas, mantendo uma posição competitiva e rentável nas operações de banquetes; monitorar os preços competitivos; planejar os menus com o chefe executivo e com o gerente de compras; responsabilizar-se pelas vendas patrocinadas pelo hotel e pelos custos de banquetes. 4.2 BRIGADA DA COZINHA Agora vamos conhecer um pouco da brigada da cozinha, os cargos responsáveis pelo preparo dos alimentos. 4.2.1 Chefe de cozinha (chef) Para iniciar, vamos conhecer melhor o cargo principal de uma cozinha: o chefe de cozinha, ou apenas chef. É esse o cargo que comanda as operações da brigada da cozinha, atuando como um gerente. 170 FIGURA 13 – FUNÇÃO DO CHEFE DE COZINHA FONTE: Adaptada de Davies (2010b); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. Davies (2010b) destaca algumas responsabilidades do chef de cozinha, vamos conhecê-las. - Supervisionar as operações da cozinha, apresentando produtos de qualidade, dentro dos limites de contenção de custos, maximizando a satisfação dos comensais; seguir os padrões do hotel quanto à qualidade dos alimentos, da sua preparação, das receitas e da apresentação; garantir o padrão de qualidade do produto, conduzindo inspeções nos temperos, nas porções e na aparência do alimento a ser servido. - Supervisionar todas as áreas operacionais relacionadas ao setor de alimentação; supervisionar o inventário, as compras e os gastos de todos os suprimentos; certificar-se de que os procedimentos adequados de segurança e higiene estejam sendo seguidos. - Atualizar os menus regularmente para que reflitam as tendências locais e nacionais. - Garantir o número certo de funcionários e um suprimento adequado para todas as áreas de trabalho; orientar e supervisionar o serviço e o trabalho de equipe, selecionar, orientar e treinar os funcionários. - Acompanhar as tendências do mercado e recomendar as medidas adequadas a serem tomadas para manter a posição competitiva e a rentabilidade das operações; acompanhar os preços dos competidores; rever o resultado obtido com os produtos que estão sendo usados; recomendar novas políticas ou novos conceitos de procedimentos operacionais, expondo suas ideias ao gerente deA&B. • Preparar relatórios, quando necessário, com informações que auxiliem nas decisões gerenciais e a avaliação crítica das atividades de trabalho; ajudar na preparação do orçamento de A&B; controlar o custo da folha de pagamento; ajudar na elaboração dos preços. • Minimizar a deterioração dos alimentos, o desperdício e o excesso de produção. 171 FIGURA 14 – FUNÇÃO DO SUBCHEFE FONTE: Adaptada de Davies (2010b); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. 4.2.2 Subchefe (sous-chef) O subchefe deve ter um contato direto e permanente com o chef de cozinha, pois além de substituí-lo em sua ausência, há a possibilidade de que venha a ocupar o cargo de chef futuramente. Davies (2010b) aponta que, entre as funções do sous-chef estão: - Supervisionar e participar da preparação dos alimentos, garantindo a qualidade do produto dentro da contenção de custos; seguir os padrões do hotel quanto à qualidade da alimentação, da preparação, das receitas e da apresentação. - Garantir o número certo de funcionários e um suprimento adequado para todas as áreas de trabalho. - Supervisionar a preparação adequada de cada item do menu e garantir sua finalização sem atraso; supervisionar os temperos, as porções e a aparência do alimento a ser servido; guardar adequadamente os alimentos que não foram usados para minimizar o desperdício e maximizar a qualidade. - Ajudar a controlar o orçamento e as despesas da folha de pagamento. - Certificar-se de que os procedimentos adequados de segurança e higiene estejam sendo seguidos. - Acompanhar as tendências do mercado e recomendar medidas para manter a posição competitiva e a rentabilidade das operações. - Utilizar as qualidades de liderança e técnicas de motivação para maximizar a produtividade dos funcionários e a apreciação nos comentários dos hóspedes; selecionar, orientar e treinar os funcionários; determinar os padrões de desempenho dos funcionários e supervisionar sua manutenção. 172 4.2.3 Outros cargos da brigada da cozinha Além desses cargos, há diversos outros, que estarão presentes conforme a complexidade da brigada da cozinha. Quanto maior e mais especialidades a cozinha preparar, mais complexa será a estrutura organizacional. Vejamos alguns outros cargos que podem estar presentes nas cozinhas dos hotéis e sua responsabilidade principal, listados por Rossi (2016): • Entremetier: Responsável pela preparação das guarnições, sopas, legumes e farináceos. • Saucier: Responsável pelos molhos, peixes e carnes que não são fritas e grelhadas. • Rotissieur: Responsável pela preparação de pratos com carnes vermelhas, aves, pescados e legumes preparados ao forno, grelhados ou fritos. • Garde-manger: Responsável pela preparação de saladas e pratos frios. • Patissieur: Responsável pela preparação de massas doces e salgadas, produtos de confeitaria, sobremesas e sorvete. • Tournant: Substitui os colegas em períodos de folga, férias ou outros imprevistos. • Aboyer: Responsável pelo recebimento das comandas do salão e comunicação dos pedidos nas praças e controle da saída dos pedidos. • Steward: Responsável pela limpeza e higienização dos objetos, equipamentos e ambiente da cozinha. Podem haver stewards para cada função na cozinha, como, por exemplo, um para limpeza de panelas, outro para higienização das bancadas, outro para limpeza do piso e assim por diante. A animação Ratatouille, produzido pela Pixar e lançado em 2007, demonstra um pouco do cotidiano da cozinha, apresentando alguns cargos da brigada da cozinha. Confi ra nas plataformas Streaming, como nesta a seguir: https://www. disneyplus.com/pt-br/movies/ratatouille/4zRnUvYGbUZG. INTERESSANTE 4.3 BRIGADA DO SALÃO Agora que conhecemos a brigada da cozinha, vamos entender melhor a brigada do salão, ou seja, a equipe responsável pela manutenção do salão e pela execução do serviço. Assim, listamos alguns dos cargos que são comumente encontrados em um salão de restaurante. 173 4.3.1 Maitre O maitre, assim como o chefe de cozinha, atua como um gerente, mas neste caso em relação à brigada do salão. FIGURA 15 – FUNÇÃO DO MAITRE FONTE: Adaptada de Pacheco (2019, p. 4); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. Segundo Pacheco (2019), as principais funções do maitre são: - Pesquisar a opinião dos clientes sobre os serviços do restaurante, por meio de avaliações; manter-se a par da concorrência, realizando visita a outros restaurantes e bares. - Promover e incentivar o consumo por meio de estratégias de precificação, inovação do cardápio, festivais, banquetes e qualidade nos produtos. - Contratar e treinar profissionais para a brigada de serviço; gerenciar a carga horária dos funcionários, controlando as escalas de folgas. - Estar atento às normas de higiene e segurança; zelar pela prevenção a incêndios e acidentes. - Planejar e avaliar, junto com o gerente geral, o chefe de cozinha e outros chefes do setor, as atividades e os resultados do restaurante; elaborar, junto com outros profissionais, a carta de vinhos e os cardápios do bar e do restaurante. - Coordenar e supervisionar o inventário do restaurante e do bar; administrar o estoque de bebidas e insumos do bar. - Supervisionar o fechamento do bar e do restaurante. - Recepcionar os clientes e acompanhá-los até as mesas; fazer sugestões de pratos aos clientes. 4.3.2 Hostess A hostess é conhecida também com o “recepcionista”, um cargo encontrado em restaurantes mais sofisticados. Vamos conhecer ele melhor. 174 FIGURA 16 – FUNÇÃO DA HOSTESS FONTE: Adaptada de Davies (2010a, p. 79); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. Davies (2010a) aponta que entre as atribuições da hostess, estão: - Receber cortesmente os clientes do restaurante e acompanhá-los até seus lugares, contribuindo para a satisfação dos mesmos. Apresentar os menus e sugerir coquetéis e especialidades do dia. - Ter conhecimento de todos os itens do menu e da carta de bebidas. - Estar a par do funcionamento operacional do hotel, de seus serviços e das informações sobre o bairro para, quando solicitado, poder responder às perguntas dos clientes. 4.3.3 Garçom e commis É inegável a importância dos garçons e seus auxiliares, os commis. Esses cargos apenas estão ausentes de estabelecimentos que não os preveem, como em casos de cafeterias, onde o cliente recebe seu pedido diretamente no balcão. FIGURA 17 – FUNÇÃO DO GARÇOM E DO COMMIS FONTE: Adaptada de Davies (2010b, p. 383; 385); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. 175 FIGURA 18 – FUNÇÃO DO CAIXA FONTE: Adaptada de Davies (2010b); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. As atribuições do garçom, conforme Davies (2010b), são: - Tomar nota com exatidão de todos os pedidos de pratos e bebidas, confirmá-los e encaminhá-los; servir a comida e a bebida pedidas pelos comensais com rapidez e cortesia; limpar e arrumar as mesas antes da chegada de novos clientes; atender a outras solicitações dos clientes, contribuindo para a sua satisfação. - Estar a par do funcionamento do hotel, dos serviços oferecidos e de informações sobre eles e sobre o local/destino turístico aos clientes. - Informar à recepção ou à gerência quaisquer queixas dos clientes. Segundo Davies (2010b), as funções do commis são de apoio aos garçons, portanto, englobam: passar escova nas toalhas, limpar e tornar a arrumar as mesas, ajudando os garçons a proporcionarem um serviço rápido e cortês; tirar a mesa, usando o método adequado de empilhar os pratos e arrumar os copos e talheres nas bandejas; limpar as mesas e cadeiras e verificar se há alguma sujeira no chão; tornar a arrumar a mesa rapidamente; servir a água e o couvert, depois que os clientes estiverem sentados; polir a prata e dobrar as toalhas e guardanapos. 4.3.4 Caixa O caixa é um cargo essencial para qualquer comércio, por isso, não poderia estar ausente dessa lista de cargos e funções. Davies (2010b) destaca as principais atribuições desse cargo: -Processar com rapidez e precisão as contas dos clientes do restaurante. - Ter conhecimento das funções operacionais da caixa registradora ou do computador para lançar as contas; enviar para a Recepção ou lançar no sistema, imediatamente, todas as contas dos apartamentos. 176 - Informar-se sobre o nível de satisfação do cliente quanto ao serviço recebido; tentar solucionar quaisquer queixas e encaminhá-las ao Gerente de Restaurante. - Especificar as contas dos clientes de acordo com a política do hotel. - Fazer relatórios das operações para a gerência ou para o supervisor, quando solicitado. 4.3.5 Supervisor de refeitório Em alguns meios de hospedagem, especialmente os de maior porte, é comum encontrar refeitórios para os funcionários. Neste caso, a empresa precisa designar um supervisor de refeitório, responsável apenas por esse espaço e serviço. FIGURA 19 – FUNÇÃO DO SUPERVISOR DE REFEITÓRIO FONTE: Adaptada de Davies (2010b); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. Segundo Davies (2010b), as incumbências do supervisor de refeitório são: - Manter o refeitório dos funcionários limpo e bem-suprido; preparar e servir os itens da refeição; transportar a comida da área de preparação para o refeitório; organizar refrigeradores, buffets de saladas, buffets quentes e máquinas de café e mesas; arrumar louça, copos, talheres, copos plásticos, condimentos e outros itens. - Verificar a quantidade, qualidade e limpeza dos produtos alimentícios armazenados nos refrigeradores e nas áreas de estocagem e fazer os pedidos de suprimentos com a devida aprovação. - Saber lidar adequadamente com todos os equipamentos e utensílios e notificar seu supervisor sobre alguma dificuldade encontrada ou sobre algum reparo necessário. Outro cargo importante da brigada do salão é o sommelier. Saiba mais sobre essa profissão e sua diferença do enólogo, em: https://gauchazh.clicrbs. com.br/destemperados/bebidas/vinho/noticia/2020/09/voce-sabe-qual-e-a- diferenca-entre-enologo-e-sommelier-ckfoh9lc7006b016vfc1go6nz.html. IMPORTANTE https://gauchazh.clicrbs.com.br/destemperados/bebidas/vinho/noticia/2020/09/voce-sabe-qual-e-a-diferenca-entre-enologo-e-sommelier-ckfoh9lc7006b016vfc1go6nz.html https://gauchazh.clicrbs.com.br/destemperados/bebidas/vinho/noticia/2020/09/voce-sabe-qual-e-a-diferenca-entre-enologo-e-sommelier-ckfoh9lc7006b016vfc1go6nz.html https://gauchazh.clicrbs.com.br/destemperados/bebidas/vinho/noticia/2020/09/voce-sabe-qual-e-a-diferenca-entre-enologo-e-sommelier-ckfoh9lc7006b016vfc1go6nz.html 177 Guéridon: mesa retangular com rodinhas nos pés, prateleiras, espaços para se trabalhar e um dispositivo para esquentar os pratos, chamado réchaud (CÂMARA, 2012; DAVIES 2010a). NOTA 4.4 TIPOS DE SERVIÇOS DE ALIMENTAÇÃO Em um estabelecimento de alimentação fora do lar, o cliente poderá encontrar diferentes técnicas de entrega do alimento à mesa. Segundo Hayes e Ninemeyer (2005) e Davies (2010a), esses serviços podem ser categorizados em: • Serviço à inglesa direto: é comum em restaurantes mais sofisticados e em banquetes. Consiste em trazer da cozinha as travessas já preparadas. Os pratos são colocados à frente do cliente e servidos pelo lado esquerdo, diretamente da travessa para o prato. As bebidas são servidas pelo lado direito. • Serviço à inglesa indireto: consiste em trazer da cozinha o guéridon, com travessas e pratos até a mesa do cliente. Os pratos são servidos pelo garçom diante do cliente. O guéridon permanece ao lado da mesa para que, posteriormente, possa ser servida nova porção ao cliente. As bebidas são servidas pelo lado direito. FIGURA 20 – MODELO DE GUERIDÓN OU CARRINHO DE APOIO FONTE: <https://www.todoparatuhotel.com/pt/carrinho_flambe.html>. Acesso em: 8 jan. 2022. https://www.todoparatuhotel.com/pt/carrinho_flambe.html 178 • Serviço à americana: nesse serviço, os pratos são preparados na cozinha, sendo trazidos pelo garçom e colocados na mesa, pelo lado esquerdo do cliente. Outra modalidade do serviço à americana é o buffet ou self-service, que consiste em um balcão com os alimentos dispostos, onde o cliente se serve. As bebidas são servidas pela direita. • Serviço à russa: esse serviço está em desuso devido a sua complexidade e demora. Consiste em trazer a comida já pronta em recipientes e travessas, mas com as peças inteiras, que são fatiadas e montadas na frente do cliente. • Serviço à francesa: esse serviço é usado em recepções e jantares importantes. Consiste em trazer a comida em travessas já montadas com os respectivos talheres para serviços. O garçom posiciona-se ao lado esquerdo do cliente para que ele mesmo se sirva diretamente das travessas. Hayes e Ninemeyer (2005) acrescentam também o “serviço de mordomo”, no qual aperitivos e bebidas previamente servidas em taças são oferecidos pelos garçons que transitam entre os convidados. Esse serviço é comum em coquetéis. Buffet: é uma forma de servir comida a uma grande quantidade de pessoas. A comida é exposta em uma ou mais mesas quente ou fria, para que o consumidor se sirva sozinho de porções dos alimentos (CÂMARA, 2012). O serviço de buffet pode ser do tipo “livre”, no qual o comensal se serve à vontade por um preço fixo, ou “a quilo”, no qual há um valor estabelecido por quilo de alimento. NOTA 4.5 MISE EN PLACE O termo mise en place vem do idioma frânces e significa “colocado em ordem”. Na gastronômia, é um processo fundamental para a realização de um bom serviço, tanto no ambiente do salão quanto da cozinha. Consiste na arrumação das mesas, balcões e todo o salão ou cozinha para a realização do serviço. Engloba a colocação de toalhas limpas, guardanapos, copos, saleiros, pimenteiros, arranjos de flores, louças, cristais, talheres e qualquer outro objeto desejável, na posição adequada, conforme as regras de etiqueta. 179 FIGURA 21 – EXEMPLO DE MISE EN PLACE DE MESA FONTE: <https://www.restauranter.com.br/2013/08/mise-en-place.html>. Acesso em: 9 jan. 2022. No entanto, o mise en place é essencial para a brigada da cozinha, por organizar e otimizar os processos. Envolve desde a limpeza da bancada e utensílios, até o porcionamento dos alimentos necessários para a execução de uma receita ou prato. Descubra mais sobre a importância do mise en place no vídeo “Mise en Place: Pré-prepaoo do restaurante”, no canal do Youtube Marcelo Politi: https://www. youtube.com/watch?v=5WI3HP8GOz4&ab_channel=MarceloPoliti. DICAS Portanto, o mise en place também diz respeito à organização do espaço do restaurante, do bar, da cozinha e qualquer outro local onde se prepare e sirva alimentos. Por isso, vamos entender melhor sobre o espaço e mobiliário básico desses locais. https://www.restauranter.com.br/2013/08/mise-en-place.html https://www.youtube.com/watch?v=5WI3HP8GOz4&ab_channel=MarceloPoliti https://www.youtube.com/watch?v=5WI3HP8GOz4&ab_channel=MarceloPoliti 180 RESUMO DO TÓPICO 1 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A categorização dos estabelecimentos de Alimentos e Bebidas (A&B) é complexa, devido à heterogeneidade do setor e singularidades de cada região do mundo. No entanto, podemos exemplificar alguns como restaurante tradicional, restaurante internacional, restaurante de especialidades, café, pub, bar americano, piano bar, wine bar e brasserie, apenas para citar alguns. Essas especialidades podem ser encontradas dentro de meios de hospedagem, em seus restaurantes e bares. • Os serviços de A&B em meios de hospedagem estão diretamente relacionados à classificação dos estabelecimentos pelo Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem (SBClass). Conforme esse sistema, os meios de hospedagem de 1 e 2 estrelas devem oferecer café da manhã e a cada categoria superior (3, 4 e 5 estrelas) o número de serviços e comodidades deve ser maior. As tipologias resort e hotel fazenda também têm peculiaridades quanto aos serviços que devem ser oferecidos aos hóspedes. • Há diversos Pontos de Vendas (PDV),que podem ser implantados pelos gestores dos meios de hospedagem. Além do restaurante, da copa e do bar, podemos citar o minibar, os banquetes, o room service, o café da manhã no apartamento, as máquinas de vendas. • Os cargos do setor de A&B podem ser classificados por cargos mais gerais, que extrapolam um espaço específicos; a brigada da cozinha e a brigada do salão do restaurante; a equipe do bar; e a equipe da copa. São diversos cargos e funções que irão variar de meio de hospedagem para meio de hospedagem, sendo que a estrutura organizacional se torna mais complexa conforme o porte do estabelecimento e a diversidade de serviços e especialidades. • Os serviços de alimentação podem ser caracterizados como serviço à inglesa direto, serviço à inglesa indireto, serviço à americana, serviço à russa, serviço à francesa e o serviço de mordomo. 181 1 Os serviços de Alimentos e Bebidas (A&B) em meios de hospedagem irão variar conforme diversos fatores, entre os quais se destaca a classificação dos estabelecimentos conforme o Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem (SBClass). Sob responsabilidade do Ministério do Turismo, o SBClass categoriza os meios de hospedagem utilizando o sistema de “estrelas”. Sobre os serviços de A&B, conforme o SBClass, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Os meios de hospedagem de uma ou duas estrelas devem oferecer minibar em 100% das Unidades Habitacionais. b) ( ) Os meios de hospedagem de três estrelas possuem facilidades para bebês, como cadeiras específicas e aquecimento de mamadeira e comidas. c) ( ) Os resorts de cinco estrelas devem ter, no mínimo, três bares e três restaurantes com cardápios diferentes entre si. d) ( ) Os hotéis fazenda de uma estrela possuem serviço de alimentação no período do almoço e jantar. 2 A brigada do salão é a equipe responsável pela organização do salão, por atender aos comensais, por servir os pratos e por realizar a limpeza do ambiente. Com base nos cargos e funções da brigada do salão, analise as sentenças a seguir: I- O supervisor de restaurante é o mesmo que o maitre, sendo responsável pela gerência do estabelecimento. II- O maitre tem a função de gerência do salão e entre suas funções está a recepção dos clientes e o acompanhamento até as mesas, além de dar sugestões de pratos. III- Os commis são os ajudantes dos garçons e, entre suas funções está a limpeza e organização das mesas após a saída dos comensais. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e III estão corretas. b) ( ) Somente a sentença II está correta. c) ( ) As sentenças II e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 3 Quanto maior o restaurante e mais complexo seu cardápio, maior será a brigada da cozinha, ou seja, a equipe responsável pela preparação dos alimentos e montagem dos pratos a serem consumidos pelos comensais. De acordo com os cargos e funções da brigada da cozinha, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 182 ( ) O saucier é o profissional responsável por molhos, peixes e carnes que não são fritas ou grelhadas. ( ) O garde-manger é profissional responsável pela limpeza do ambiente da cozinha, de seus equipamentos e utensílios. ( ) O entremetier é o profissional responsável pela preparação de massas doces e salgadas e outros produtos da confeitaria. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – F – V. b) ( ) V – F – F. c) ( ) F – V – F. d) ( ) F – F – V. 4 Em meios de hospedagem que contam com serviços de A&B é possível encontrar diferentes regimes de refeição, ou seja, encontram-se diárias que não incluem serviço de alimentação, o que pode ser encontrado em meios de hospedagem de uma ou duas estrelas, até pacotes com todas as alimentações inclusas. Disserte sobre os serviços de alimentação em meios de hospedagem, explicando suas diferenças. 5 Ao se falar em alimentos e bebidas em meios de hospedagem, logo remetemos aos restaurantes. No entanto, esse setor engloba diversos Pontos de Vendas (PDV), que contribuem para a geração de receitas dos estabelecimentos. Assim, os PDV são todos os pontos que têm a capacidade de gerar receitas para o meio de hospedagem. Neste contexto, disserte sobre os PDV que podemos encontrar nos meios de hospedagem. 183 ESPAÇO E MOBILIÁRIO 1 INTRODUÇÃO No Tópico 2, abordaremos o espaço e mobiliário necessários para a existência e consecução dos serviços de alimentos e bebidas em um meio de hospedagem. Por isso, apresentaremos, primeiramente, esses elementos no ambiente do restaurante, cujo planejamento espacial deve garantir o bom fluxo de comensais e serviçais. Em seguida, destacaremos o espaço e mobiliário do salão de café da manhã, espaço bastante comum nos meios de hospedagem. Para isso, apontaremos também os tipos de serviço de café da manhã, que irão orientar o mobiliário e utensílios utilizados: café continental, café tropical, brunch, Brazilian breakfast e café colonial. Na sequência, apresentaremos o espaço e mobiliário do bar e, finalmente, da copa e cozinha, destacando a importância das praças de trabalho, conforme cargos e funções. 2 ESPAÇO E MOBILIÁRIO DO RESTAURANTE Os salões dos restaurantes são divididos em praças. As praças estão presentes também na cozinha. São instituidas para auxiliar no fluxo do trabalho pelos profissionais. Na cozinha, cada profissional tem um espaço reservado para preparar suas iguarias (SEQUERRA, 2018). Da mesma forma, no salão, cada garçom tem uma praça sob sua responsabilidade, ou seja, um conjunto de mesas que serão atendidas por ele, em conjunto com os commis e demais profissionais. Veja um exemplo na figura a seguir. UNIDADE 3 TÓPICO 2 - 184 FIGURA 22 – EXEMPLO DE PRAÇAS (STATIONS) DE UM RESTAURANTE FONTE: Boussard (2021, p. 50) O salão do restaurante é ocupado pelo mobiliário (como mesas, cadeiras, aparadores, guéridons, entre outros), pela circulação do pessoal que presta os serviços e pela circulação e espaço ocupados pelos clientes (comensais) (CÂMARA, 2012). Desse modo, é previso planejar o uso do espaço de modo a proporcionar conforto, comodidade e facilidade de locomoção. Uma forma de organizar previamente é fazendo um croqui, ou seja, um projeto gráfi co da organização do ambiente. A seguir apresenta-se um croqui de um restaurante com sistema de buff et (self-service). 185 FIGURA 23 – EXEMPLO DE ORGANIZAÇÃO DO AMBIENTE DO SALÃO FONTE: <https://www.itepconsultoria.com/otimizacao-de-layout-como-fazer/>. Acesso em: 18 jan. 2022. Verifique que a direção dos fluxos foi pensada no momento de planejar o layout do salão. Assim, as filas do caixa e do buffet não se encontram. Ademais, o trânsito de serviçais da cozinha até o balcão do buffet não é prejudicado pelo trânsito dos comensais. Outro detalhe que podemos observar é que a entrada para os sanitários não prejudica nenhum dos outros fluxos comentados e, tampouco, o fluxo de saída do estabelecimento. Agora vamos conhecer outro layout, de um restaurante que contém um bar em seu interior. Nesse próximo exemplo, observe que o bar foi disposto logo na entrada do estabelecimento, pois há os clientes que procuram o espaço apenas para consumir bebidas no bar, por isso, não precisam transitar pelos outros espaços do restaurante. Não obstante, o bar é de fácil acesso para as três áreas de alimentação (área normal, área semiprivativa e área privativa). https://www.itepconsultoria.com/otimizacao-de-layout-como-fazer/ 186 FIGURA 24 – LAYOUT DE RESTAURANTE COM BAR FONTE: Adaptada de Walker (2017, p. 194) Conforme destaca Câmara (2012), algumas medidas devem ser adotadas para garantir o melhor uso do espaço: aproveitar ao máximo os espaços disponíveis, sem prejudicar o conforto dos comensais, o fluxo das pessoas e a qualidade dos serviços; dispor as mesas de forma que evitem que o cliente fique voltado diretamente para a parede; evitar colocar mesas muito próximas à entrada principal do restauranteou à entrada para a cozinha; colocar mesas com diversas capacidades; e colocar a mesa do buffet em local visível, de fácil acesso para comensais e funcionários do salão. A Norma Brasileira NBR 9050/2004, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) designa quais critérios técnicos devem ser obedecidos no desenvolvimento de projetos arquitetônicos e urbanísticos, em edifícios de uso público, bem como instalações e adaptações de edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, incluindo os estabelecimentos de A&B e os meios de hospedagem. Saiba mais sobre esse assunto acessando a norma em: https://emap.fgv.br/sites/emap.fgv.br/files/u77/abnt_nbr_9050_.pdf. DICAS 187 Conforme destaca Davies (2010a, p. 25-26), “a qualidade dos suprimentos e dos equipamentos que se usa irá influir no produto apresentado aos clientes e na qualidade de serviço do restaurante. Assim como pratos e copos caros não são usados num restaurante fast food, pratos descartáveis também não são usados em um restaurante caro e de categoria”. IMPORTANTE Em relação ao mobiliário, as operações em restaurante demandam uma variedade de equipamentos e suprimentos, que precisam ser pensados conforme o tipo de serviço prestado. É preciso pensar no mobiliário, como número de mesas e cadeiras, aparadores (destinados à guarda de talheres, roupas e outros utensílios), guéridons, mesa para buffet e outros, mas também a qualidade e conforto desses móveis. Assim como destacado por Davies (2010a), os móveis de um restaurante podem ajudar a criar um ambiente que os gestores desejam, como móveis mais sofisticados ou mais simples. Também é importante considerar o conforto dos clientes. O tamanho das mesas também é um elemento a ser pensado, especialmente pensando no úblico do restaurante (exemplo, se são famílias, são necessárias mesas maiores) ou mesmo pensando no tipo de serviço prestado (necessidade de mais objetos na mesa durante a refeição, por exemplo). O planejamento de um restaurante deve contemplar a louçaria, sendo um aparelho completo para uso e um aparelho completo reserva, incluindo pratos rasos, pratos fundos, pratos de salada/sobremesa, pratos de pão, xícaras, pires, pratos de frutas, açucareiros, copos, taças de vinho branco, vinho tinto, vinho do Porto e água, taça de espumante/frisante e talheres diversos. Ademais, há uma série de acessórios necessários para a execução dos serviços, tais como: abridores de garrafa, açucareiros, baldes para garrafas, bandejas, bules para café e chá, cadeirinha para bebês, cafeteiras, gueridón, jarras, menus, moedores de pimenta, cumbucas, saleiro e pimenteira, tábuas, além de computador e máquina registradora para o caixa (DAVIES, 2010a; CÂMARA, 2012; FREUND, 2019). Também é de grande importância o planejamento da decoração do salão, pois trata-se de um dos elementos que compõe a categoria do estabelecimento, contribuindo para criar uma atmosfera agradável e em consonância com o serviço prestado (CÂMARA, 2012). 188 3 ESPAÇO E MOBILIÁRIO DO SALÃO DE CAFÉ DA MANHÃ Um café da manhã ou um cardápio mais complexo, irá demandar mais utensílios e equipamentos para elaborar e dispor os alimentos. Sobre isso, vamos compreender os tipos de café da manhã disponíveis em meios de hospedagem, citados por Câmara (2012) e Castelli (2006), a saber: • Café continental: composto de bebidas quentes (café, chá, chocolate); pães e torradas; manteiga e geleias; e complementos por solicitação do cliente e mediante pagamento extra). FIGURA 25 – CAFÉ CONTINENTAL – PORCIONADO FONTE: <https://www.reshot.com/free-stock-photos/photo/breakfast-px9v21/>. Acesso em: 19 jan. 2022. • Café tropical: disposto em um balcão de buffet, bastante comum no Brasil. Alguns dos componentes do buffet são: frutas e salada de frutas; pães e pães doces; bolos; frios (copa, salames, presunto, queijo, entre outros); sucos; bebidas quentes (café, leite, chocolate e chá); iogurte; manteiga; cereais; salsicha; ovos quentes; geleias; entre diversos outros. https://www.reshot.com/free-stock-photos/photo/breakfast-px9v21/ 189 FIGURA 25 – BUFFET DE CAFÉ TROPICAL FIGURA 27 – BRUNCH FONTE: <https://pixabay.com/pt/photos/buf%c3%aa-fixo-celebra%c3%a7%c3%a3o-re- fei%c3%a7%c3%a3o-974742/.> Acesso em: 19 jan. 2022. FONTE: <https://bit.ly/3LmkLBK>. Acesso em: 19 jan. 2022. • Brunch: serve para substituir o café da manhã daqueles que acordaram muito tarde. É um café mais reforçado pelo fato de introduzir ingredientes que compõem um almoço como saladas, consomês e sobremesas. 190 Köenig, Formentin e Borges (2016) apontam ainda outros dois tipos de café da manhã: - Brazilian Breakfast: café da manhã servido no Brasil, incluindo produtos genuinamente nacionais como suco de frutas tropicais, alimentos à base de mandioca, pão de queijo, doces de frutas, bolo de fubá, entre outros. Essa é uma modalidade de café tropical, ou buffet de café da manhã, no qual são incorporados alimentos locais. FIGURA 28 – BRAZILIAN BREAKFAST FONTE: <https://www.flickr.com/photos/mturdestinos/39074607090/in/album-72157693880555564/>. Acesso em: 19 jan. 2022. - Café colonial: comum na região Sul do Brasil, é um café bem reforçado, em que a maioria dos produtos são artesanais como doces artesanais, bolos, pães variados, cuca, frios coloniais, entre outros. Pode ser servido durante todo o dia. 191 FIGURA 29 – CAFÉ COLONIAL FONTE: <https://www.fl ickr.com/photos/mturdestinos/39990703695/in/album-72157693880555564/>. Acesso em: 19 jan. 2022. Quer saber mais sobre os tipos de café da manhã disponíveis nos meios de hospedagem do mundo? Assista ao vídeo “Hotel: como funciona o café da manhã?”, no Canal do Youtube, “Vai com Elas”. Acesse: https://www.youtube. com/watch?v=6PT9p3-gSLk&ab_channel=VaicomElas. INTERESSANTE Para um serviço de café da manhã no estilo continental e para os brunch e cafés coloniais no estilo buff et, é necessário um espaço maior para a colocação do balcão onde os alimentos e as bebidas serão dispostos. Também são necessários equipamentos e utensílios diferenciados, como máquina de café, sanduicheira, réchauds, travessas e pegadores. Já os serviços como café continental, brunch e café colonial servidos de forma porcionada na mesa, os utensílios necessários se localizam na cozinha/copa e são em número menor. Por exemplo, não é necessário um balcão de buff et. No entanto, ambos tipos de serviço demandam utensílios como xícaras de café e de chá, copos de suco, colheres, facas, garfos, pratos, cumbucas, jarras, leiteira, pegadores, bandejas, entre diversos outros. 192 4 ESPAÇO E MOBILIÁRIO DO BAR Em relação às instalações do bar, independentemente do tipo de bar ou bebidas oferecidas, alguns componentes são essenciais. Walker (2017) destaca que um bar possui diferentes áreas, o bar frontal (front bar), o bar traseiro (back bar) e o bar inferior (under bar). O bar frontal (balcão) é a estação de trabalho onde os clientes se sentam, além de dividir o espaço de trabalho do barman e o espaço de circulação de clientes. Esse balcão possui espaço para armazenamento de equipamentos, bebidas, gelo e outros necessários para a elaboração dos drinks. O bar traseiro está localizado, geralmente, na parede traseira do balcão principal. Constitui-se de um móvel, como prateleira, com função estética e funciona como área de armazenamento e exibição de bebidas. Em sua parte inferior, há armários de armazenamento refrigerados e a parte superior muitas vezes tem um espelho ou outra decoração e uma exibição de bebidas de marca premium. O volume de vendas e o tipo de bebida servido determinará a quantidade de espaço de armazenamento refrigerado necessário. Pode ser necessário um refrigerador para vinhos e outro para cervejas, por exemplo (WALKER, 2017). Por fim, o bar inferior é a parte onde o barman prepara as bebidas; inclui a parte sob o balcão da frente. O principal equipamento do bar inferior é o speed rack, que deve estar localizado em uma posiçãoconveniente para permitir que o barman trabalhe de forma rápida e eficiente. Speed rack: estante que fica posicionada entre o barman e o balcão, facilitando o acesso às garrafas de bebidas utilizadas nos drinks. NOTA FIGURA 30 – SPEED RACK FONTE: <https://clubedobarman.com/speed-rack/>. Acesso em: 18 jan. 2022. https://clubedobarman.com/speed-rack/ 193 Além do speed rack, caixas de gelo e espaços de preparação de bebidas e colocação de copos constituem o bar inferior (WALKER, 2017). Câmara (2012), por sua vez, destaca o mobiliário básico para um bar: • Balcão, onde são servidas bebidas aos clientes, servindo também como divisória para separar a parte externa, destinada aos clientes e a parte interna destinada aos profi ssionais do bar. • Banquetas apropriadas para os clientes sentarem-se junto ao balcão. • Mesa de serviço atrás do balcão do bar, onde são dispostos os insumos e utensílios necessários à operacionalidade do setor, como copos, utensílios de medida para preparação das misturas, frutas preparadas para misturar às bebidas, petiscos, entre diversos outros. • Geladeira, destinada à guarda de bebidas, sucos e outros gêneros perecíveis. • Máquina de fazer gelo. • Prateleiras para a exposição permanente de bebidas. • Armários para armazenar bebidas de uso do bar. • Pia em local adjacente e isolada do balcão, para a lavagem de copos e utensílios. • Utensílios variados, como abridor de garrafa, coadores, pegador de gelo, bandeja, colher bailarina, recipientes para petiscos, balde para gelo, talheres diversos, mixing- glass, copos e taças diversos, porta-copos, coqueteleira, dosador para bebidas, jarras, espremedor de frutas, ralador, louças diversas, saca-rolhas, tábua para cortar frutas, ralador, entre diversos outros. Para cada tipo de bebida, há um copo ou taça específi co. A depender da variedade de bebidas disponíveis, o planejamento de um bar deve contemplar a compra desses diferentes utensílios. Quer conhecer os diferentes copos existentes e suas funções? Então acesse: https://clubedobarman.com/ category/copos-2/ e clique em cada copo para ler as informações. INTERESSANTE 5 ESPAÇO E MOBILIÁRIO DA COPA E COZINHA Castelli (2006) destaca que a cozinha deve conter quatro áreas ou locais: 1. Locais para os colaboradores operacionais: vestuário, sanitário, refeitório e escritório do chefe de cozinha. 2. Local para as mercadorias: recebimento, estocagem, pré-preparo, cocção e distribuição. 3. Local para lavagem e higienização: dos utensílios da cozinha, dos utensílios do salão e do material de limpeza. 194 4. Local para o lixo: armazenamento e descarte. Da mesma forma, a copa deve contar com esses espaços, embora costume ser em uma área menor que a de uma cozinha industrial, presente em restaurantes. Mas assim como as cozinhas, o planejamento físico da copa deve considerar as características da produção culinária (FREUND, 2019) e a abragência de atendimento. Manoel et al. (2020) demonstram um exemplo de organização espacial de um restaurante, com cozinha maior que uma copa. Aqui, vamos nos ater a um detalhe importante: a setorização dos espaços e seu planejamento de forma a otimizar os serviços e evitar contaminações, como, por exemplo, com a disposição dos vestiários sem contato direto com o ambiente da cozinha. O mesmo ocorre com as câmaras frias e cubas (espaço para lavar os utensílios e alimentos). FIGURA 31 – LAYOUT DE UMA COZINHA DE RESTAURATE FONTE: Manoel et al. (2020, p. 51) Além do distanciamento dos vestiários e câmaras frias, observa-se que o espaço da cozinha é amplo e compartimentalizado, separando área de balcões de preparo e área das caldeiras e fogões. Assim também, o açougue e máquinas de cortar alimentos encontram-se distantes dos balcões e próximos aos estoques e câmaras. Esses fatores contribuem para a otimização do trabalho, oportunizando um serviço de maior rapidez e facilidade para a brigada da cozinha. Pode-se verifi car também que as cubas estão próximas ao salão do restaurante. É neste local que a louça e outros utensílios usados serão limpos e higienizados. Assim, o layout apresentado facilita, também, o serviço da brigada de salão. Agora, veremos outro exemplo de organização espacial do ambiente da cozinha/ copa, planejado de forma a otimizar o serviço em relação à movimentação dos membros da equipe. 195 FIGURA 32 – LAYOUT DE COZINHA DE RESTAURANTE E O TRÂNSITO DE COZINHEIROS FONTE: <https://www.itepconsultoria.com/otimizacao-de-layout-como-fazer/>. Acesso em: 18 jan. 2022. Esse espaço poderá servir de apoio simultaneamente a vários outros setores de atendimento como bar, piscinas, serviço de andares, café da manhã, entre outros (CÂMARA, 2012). Portanto, se a copa servir de apoio à área de lazer, o serviço será maior que se estiver apenas incumbida do café da manhã e do room service. Também interfere na área e nos equipamentos o fato de certos itens serem preparados no local ou comprados de terceiros, como pães, bolos, tortas e salgados, por exemplo. A copa e a cozinha devem dispor de vários equipamentos e utensílios necessários para os serviços que presta, embora o número de equipamentos e utensílios da copa seja relativamente menor do que o de uma cozinha industrial. Walker (2017) destaca que os equipamentos padrão desses espaços deve ser dividido de acordo com sua finalidade ou categoria, a saber: 1. Receber e armazenar alimentos. 2. Fabricar alimentos. 3. Preparar e processar alimentos. 4. Montar, segurar e servir alimentos. 5. Limpar e higienizar a cozinha e os utensílios. Walker (2017) aponta que o que vai determinar os equipamentos, mobiliário, utensílios e espaço da cozinha ou copa é o menu do estabelecimento. O autor destaca algumas variáveis do menu que definirão o planejamento do espaço: • Volume de vendas projetado para cada item de menu: qual é o tamanho do equipamento ou quantos equipamentos serão necessários? • Menu fixo ou variável: um menu fixo necessita de menos tipos de equipamentos. • Tamanho do menu: menus grandes podem exigir uma variedade maior de equipamentos. https://www.itepconsultoria.com/otimizacao-de-layout-como-fazer/ 196 • Velocidade de serviço desejada: o serviço rápido pode exigir equipamentos de maior capacidade. Reduzido, o tempo de preparação dos pratos se traduz em maior rotatividade de assentos no salão. • Consciência nutricional e equipamentos selecionados: o interesse em nutrição traz um aumento de interesse pelo método de preparo dos alimentos utilizados. Fritar é evitado para reduzir o consumo de gorduras. Assar, grelhar e cozinhar no vapor são formas mais saudáveis de preparar carne, peixes e aves, por exemplo. Dentre os equipamentos e utensílios, podemos citar máquina de lavar louça, fogão, fogão industrial, forno, douradores e salamandras, grelhas, frigideiras, chapas bifeiras, fritadeiras, réchaud, eletrodomésticos, balança, freezer, câmara fria, espremedores, máquina de cortar frios, estufa, processador de alimentos, prateleiras, mesas, armários, balcão/refrigerador, moedor de café, bandejas, bacias, louças e talheres diversos, entre muitos outros (CÂMARA, 2012; SEQUERRA, 2018; FREUND, 2019). Salamandras: são máquinas que produzem calor somente na parte de cima do forno. São usadas para caramelizar sobremesas, dourar receitas salgadas e carnes e gratinar pratos como lasanha, batata e sanduíche (SEQUERRA, 2018). NOTA No entanto, assim como destacado por Walker (2017), tanto na cozinha, quanto no salão, devemos nos lembrar dos equipamentos utilizados para limpeza e higienização dos espaços, dos equipamentos e dos utensílios, como as máquinas de lavar louça e as pias/cubas, por exemplo. 197 RESUMO DO TÓPICO 2 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • O espaço do salão deve ser pensado de forma a dividi-lo em praças de trabalho e a organizar os fluxos de pessoas. Além disso, deve ser ocupado por mobiliário que, além de prezar pela comodidade e conforto, facilite a circulaçãode clientes (comensais) e do pessoal que presta os serviços. • O espaço e, principalmente, o mobiliário do salão de café da manhã devem ir ao encontro do tipo de serviço ofertado: café continental, café tropical, brunch, Brazilian breakfast, café colonial. Cada tipo de serviço irá demandar mobiliário e equipamentos diferentes ou em maior ou menor número. • O bar pode ser caracterizado por um espaço de salão, onde pode haver mesas e cadeiras ou ser um espaço livre, o bar frontal, o bar traseiro e o bar inferior. Esses espaços são constituídos por mobiliários, equipamentos e utensílios diversos que possibilitam o serviço do barman e dos demais encarregados pelo bar. • A copa e a cozinha devem ser pensadas de forma a incluir quatro grandes áreas: os locais voltados para os colaboradores – como vestiários e sanitários –, o local para as mercadorias – recebimento, estocagem, pré-preparo, cocção e distribuição –, o local para lavagem e higienização dos utensílios e do material de limpeza e o local para armazenamento e descarte do lixo. A disposição desses espaços deve seguir as normas da vigilância sanitária e a otimização dos processos. • O que vai determinar os equipamentos, mobiliário, utensílios e espaço da cozinha ou copa é o menu. Aspectos como o volume de vendas projetado, o tipo de menu – se fixo ou variável –, o tamanho do menu, a consciência nutricional, além da velocidade de serviço desejada são elementos que determinarão o tipo e a quantidade de equipamentos necessários na copa e cozinha. 198 1 O tipo e quantidade de mobiliário, utensílios e equipamentos utilizados na cozinha ou na copa dependerá de fatores relacionados ao cardápio do estabelecimento. Um restaurante especializado em comida japonesa terá uma cozinha diferente de um restaurante italiano. Sobre os elementos do cardápio que orientam o planejamento da copa ou cozinha, assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) Um cardápio voltado para dietas específicas, como vegetariana ou low carb, não precisam ter equipamentos diferenciados. b) ( ) A velocidade de serviço não tem relação com os tipos ou quantidade de equipamentos de uma copa ou cozinha. c) ( ) O volume de vendas não interfere nos tipos ou quantidade de equipamento da copa ou cozinha. d) ( ) Ter um menu fixo ou variável é um aspecto que determina os tipos de equipamentos de uma copa ou cozinha. 2 O café da manhã é a refeição mais comumente disponibilizada em meios de hospedagem de todo o planeta. O serviço pode ser cortesia/incluído na diária ou pago à parte, podendo ser servido de diferentes formas. Em relação ao serviço de café da manhã, analise as sentenças a seguir: I- O café colonial pode ser servido não apenas no horário normal do café da manhã, mas durante todo o dia. II- O café tropical é um café da manhã disposto em um balcão de buffet, onde os hóspedes se servem. III- O brunch é um café da manhã com itens previamente selecionados e servidos na UH, durante o horário normal do café da manhã. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença I está correta. c) ( ) As sentenças I e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença III está correta. 2 O planejamento da cozinha ou copa deve considerar diferentes atividades e processos que acontecem nesse ambiente. De acordo com as áreas ou locais apontados por Castelli (2006), classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: AUTOATIVIDADE 199 ( ) O planejamento da cozinha/copa não precisa considerar o vestiário, os sanitários e o refeitório para os funcionários, pois esses espaços se localizam fora do ambiente de preparo de alimentos. ( ) O planejamento da cozinha/copa não precisa considerar o local de lavagem e higienização dos utensílios da cozinha e do salão, bem como do material de limpeza. ( ) O planejamento da cozinha/copa não precisa considerar o local de armazenamento e descarte do lixo, pois esse espaço se localiza fora do ambiente de preparo de alimentos. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) V – V – F. b) ( ) V – F – V. c) ( ) F – F – V. d) ( ) F – V – F. 4 Há diversas terminologias referentes ao setor de Alimentos e Bebidas. Os profissionais que desejam atuar nessa área devem conhecer e dominar essas nomenclaturas. Uma dessas nomenclaturas é a “praça”. Disserte sobre ela, explicando seu significado. 5 Segundo Walker (2017), um bar é formado de três partes: o bar frontal (front bar), o bar traseiro (back bar) e o bar inferior (under bar). Disserte sobre essas partes do bar, explicando suas diferenças. 200 201 TÓPICO 3 - SERVIÇO DE COPA E BAR 1 INTRODUÇÃO Acadêmico, para finalizar esta unidade, o Tópico 3 trará a apresentação dos serviços de copa e bar. Para isso, iniciaremos apresentando a copa central, espaço fundamental para os meios de hospedagem. Destacaremos os cargos e funções específicos da copa: cozinheiro da copa e cozinheiro do café da manhã. Em seguida, falaremos sobre o serviço do bar, incluindo algumas tipologias de bar, que podem ser encontradas em meios de hospedagem, como o pub, o bar americano, o piano bar o wine bar e a brasserie. Ademais, destacaremos dois cargos e funções do bar que são essenciais: o chefe de bar e o barman. E, para encerrar, temos uma leitura complementar que traz as principais normas de segurança da Anvisa, para restaurantes e outros food service (estabelecimentos dedicados ao serviço de alimentação fora do lar). 2 SERVIÇOS DA COPA Vamos aprender os serviços da copa, um espaço essencial para os meios de hospedagem. 2.1 COPA CENTRAL A copa central é um setor menos complexo do que a cozinha do restaurante, mas que preenche funções importantes dentro da estrutura funcional de um meio de hospedagem, principalmente pelo fato de, em alguns casos, prestar serviços durante vinte e quatro horas ao dia. É comum em pequenos meios de hospedagem que exista apenas uma copa, ao invés de uma cozinha com estrutura mais robusta. Como a copa funciona durante todo o período do dia, ela possui várias e distintas obrigações, entre as quais Câmara (2012) destaca: • Atender aos pedidos de café da manhã, seja no salão de café, seja nos apartamentos; • Atender ao pedido de lanches rápidos e bebidas; • Preparar os alimentos para a montagem do buffet do café da manhã; • Higienizar as câmaras frigoríficas, os fogões e a maquinaria localizados na copa. UNIDADE 3 202 2.2 CARGOS E FUNÇÕES DA COPA Podemos destacar dois cargos essenciais da copa: o cozinheiro da copa e o cozinheiro do café da manhã. Vamos conhecer melhor esses cargos e suas funções. 2.2.1 Cozinheiro da copa (copeiro) Também chamado de copeiro, o cozinheiro da copa é o responsável pelas refeições servidas pela copa. Como a copa costuma atender 24 horas por dia, é comum haver mais de um cozinheiro, cada qual em seu turno. FIGURA 33 – FUNÇÃO DO COZINHEIRO DA COPA FONTE: Adaptada de Davies (2010b, p. 341); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. Segundo Davies (2010b), o cozinheiro da copa tem como principais responsabilidades: • Preparar e guarnecer adequadamente, de acordo com as especificações do menu, todos os pratos preparados na copa, incluindo saladas, sanduíches, sobremesas, pratos especiais e outros pedidos. • Manter os refrigeradores e as áreas de armazenamento limpos e abastecidos. • Realizar os pedidos dos produtos alimentícios, com a devida aprovação e de acordo com os padrões do hotel. 2.2.2 Cozinheiro do café da manhã Como destacado anteriormente, a copa possui diversos cozinheiros, cada qual atendendo em seu turno. É comum que a copa seja a responsável por servir o café da manhã em meios de hospedagem de menor porte, portanto, deve haver um cozinheiro/ copeiro incumbido de preparar os alimentos para a primeira refeição do dia. 203 FIGURA 34 – FUNÇÃO DO COZINHEIRO DO CAFÉ DA MANHÃ FONTE: Adaptada de Davies (2010b, p. 337); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. As principaisresponsabilidades do cozinheiro do café da manhã, conforme Davies (2010b), são: - Preparar e guarnecer os pratos e alimentos a serem disponibilizados no buffet ou conforme os pedidos, seguindo as especificações dos menus e a boa apresentação dos pratos. - Preparar as áreas de trabalho para o café da manhã, certificando-se de que haja uma quantidade suficiente de itens apresentados para o número previsto de hóspedes e reservas. - Verificar a limpeza, a quantidade e a qualidade dos produtos alimentícios nos refrigeradores e nas áreas de armazenamento; manter limpas as áreas dos refrigeradores e de armazenamento. - Fazer os pedidos dos produtos alimentícios com a devida aprovação e de acordo com os padrões do hotel. Cabe ressaltar que alguns alimentos servidos no café da manhã costumam ser preparados no dia anterior, como bolos e gelatinas, por exemplo. Assim, facilita-se o serviço no turno da manhã, que fica incumbido de preparar os alimentos frescos. 3 SERVIÇO DO BAR O bar é um local público onde são vendidas bebidas alcoólicas e não alcoólicas, podendo, também, servir petiscos ou pequenas porções de alimentos. O bar pode funcionar individualmente ou inserido em um restaurante. Nesse caso, em alguns restaurantes, os bares são usados como ponto focal ou peça central (WALKER, 2017). Walker (2017) destaca que as vendas de bebidas em restaurantes podem representar uma parcela significativa das vendas totais. De forma geral, cerca de 25 a 30 por cento das vendas de um restaurante dizem respeito a bebidas. Ademais, as bebidas têm mais margem de lucro que os alimentos. uso, 204 Há uma diversidade de tipologias de bares, como tabernas, pubs, american bar, boteco, wine bar, brasserie/choperia, entre diversos outros. 3.1 TIPOLOGIAS DE BAR Agora vamos conhecer algumas tipologias de bar: o pub, o bar americano, o piano bar, o wine bar e a brasserie. • Pub: típico bar inglês, serve bebidas alcoólicas e refeições. Conta com mesas no salão. FIGURA 35 – PUB FONTE: <https://unsplash.com/photos/QGPmWrclELg>. Acesso em: 19 jan. 2022. • Bar americano: típico bar americano, composto por um longo balcão e prateleiras para exposição de garrafas de diversos tipos de bebidas. O barman é a principal atração (ESCOLA EDUCAÇÃO, 2022). https://unsplash.com/photos/QGPmWrclELg 205 FIGURA 36 – BAR AMERICANO FIGURA 37 – PIANO BAR DO HOTEL SENAC ILHA DO BOI FONTE: <https://pixabay.com/pt/photos/cidade-antiga-rep%c3%bablica-da-china-bar-2210280/>. Acesso em: 8 jan. 2022. FONTE: <https://www.hotelilhadoboi.com.br/pt/piano-bar>. Acesso em 18 jan. 2022. • Piano bar: mesmas características do American bar, porém, acrescidas de música ao vivo, tocada ao piano. • Wine bar: bar que tem como especialidade uma variada carta de vinhos, servidos em taças ou garrafas (ESCOLA EDUCAÇÃO, 2022). 206 FIGURA 38 – WINE BAR FIGURA 39 – BRASSERIE/CHOPERIA FONTE: <https://pixabay.com/pt/photos/vinho-barra-bar-de-vinhos-%C3%A1lcool-4896541/>. Acesso em: 18 jan. 2022. FONTE: <https://pixabay.com/pt/photos/chope-barra-bar-torneira-979210/>. Acesso em 19 jan. 2022. • Brasserie: no Brasil são conhecidas como Choperia ou Cervejaria, são estabelecimentos especializados em cervejas e chopps, com um cardápio variado dessas bebidas. https://pixabay.com/pt/photos/vinho-barra-bar-de-vinhos-%C3%A1lcool-4896541/ https://pixabay.com/pt/photos/chope-barra-bar-torneira-979210/ 207 Você sabia que na Escócia tem um hotel especializado para pessoas que querem ter uma experiência intensa com a cerveja? Esse é o BrewDog DogHouse Hotel. Nele, há torneiras de chopp nas UH. Veja mais em: https://clubedocervejeiro. com/com-torneira-de-cerveja-no-quarto-brewdog-inaugura-novo-hotel/. As bebidas classifi cam-se em: não alcoólicas, alcoólicas fermentadas, destiladas, por mistura/infusão. E nessas classifi cações, há subclassifi cações. As bebidas do tipo coquetel, podem ser categorizadas conforme dosagem e temperatura em: short drinks, servidos em pequenas doses, podendo ser aperitivo ou digestivo (exemplo: Dry Martini, Margarita e Alexander); long drinks, servidos em doses maiores (exemplos: Sex on the beach, blue lagoon) e hot drinks, bebidas completadas com água, café ou leite quente e servidas em copos apropriados (exemplo: Negroni) (CÂMARA, 2012). Pensando em diversifi car a oferta, mantendo a segurança dos hóspedes, o Hotel InnSide by Meliá São Paulo Itaim, localizado em São Paulo, lançou um serviço de room bar, ou seja, um room service de bar. Saiba mais sobre essa inovação em: https://www.mercadoeeventos.com.br/noticias/hotelaria/melia- lanca-servico-inedito-de-room-bar-em-sao-paulo/. INTERESSANTE INTERESSANTE DICAS Segundo destaca Câmara (2012), no setor de meio de hospedagem, a tipologia mais difundida é o bar americano. No Brasil, e legislação relacionada à produção, distribuição e comercialização de bebidas alcoólicas se divide em: i) vinhos e derivados da uva e do vinho e ii) demais bebidas. Os meios de hospedagem devem se ater a essas normas e às licenças necessárias para regularizar os serviços de venda para consumo local. Além disso, os bares que usam música publicamente, seja ao vivo ou não, devem estar regularizados frente ao ECAD – Escritório Central de Arrecadação e Distribuição. Esse órgão é responsável pela arrecadação e distribuição dos valores referentes aos 208 direitos autorais dos artistas. Desse modo, os bares (e restaurantes também) devem remunerar os artistas por meio do pagamento de direitos autorais, caso contrário, estará agindo ilegalmente, já que o ECAD está amparado pela Lei nº 9.610/1998 (BRASIL, 1998). 3.2 CARGOS E FUNÇÕES DO BAR Podemos destacar dois cargos essenciais para um bar: o chefe de bar e o barman ou bartender. Vamos conhecer melhor esses cargos e suas funções. 3.2.1 Chefe de bar Pacheco (2019) apresenta o chefe de bar, responsável pelo bar do hotel. Ele é o correspondente ao chefe de cozinha e ao maitre, ou seja, é o cargo de chefia desse espaço. Em alguns casos, ele pode ser chamado também de maitre de bar ou gerente de bar. FIGURA 40 – FUNÇÃO DO CHEFE DE BAR FONTE: Adaptada de Pacheco (2019); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. Dentre suas principais funções, Pacheco (2019) destaca: - Atender às reclamações dos clientes. - Participar da elaboração dos cardápios do bar. - Administrar o estoque de bebidas e outros insumos utilizados no bar; fazer o inventário do bar. - Assessorar no recrutamento e treinamento dos funcionários do bar. - Preparar planos de trabalho e escala de folga. 209 FIGURA 41 – BARMAN FONTE: Adaptada de Davies (2010b, p. 393); <https://bit.ly/3Bf9pes>. Acesso em: 8 fev. 2022. 3.2.2 Barman Outra figura essencial para um bar é o barman, que irá preparar as bebidas para os clientes. Além da preparação das bebidas, Davies (2010b) elenca outras responsabilidades do barman: - Certificar-se de que a área do bar esteja adequadamente limpa e bem-suprida. - Cortar frutas e porcionar outros insumos, quando necessário. - Certificar-se de que haja uma quantidade adequada de utensílios no bar e repor, caso necessário. - Fazer os pedidos de reposição dos suprimentos usados na noite anterior. - Responder às perguntas dos clientes e atender às suas reclamações. Você sabia que há diferenças entre barman e bartender? Entenda essas diferenças no link: https://www.ddrinks.com.br/blog/qual-a-diferenca-entre- barman-e-bartender. DICAS Além desses cargos, o bar costuma ter garçons específicos para si, quando não se trata de um bar americano, onde os clientes se sentam apenas ao longo do balcão. Assim, podemos verificar que o setor de A&B é amplo e sua estrutura organizacional é complexa, diferindo de um estabelecimento a outro, conforme sua tipologia, porte e serviços oferecidos. Não há uma fórmula mágica para o sucesso desse setor, no entanto, guiando-se por estratégias de quantificação e qualificação aqui apresentados, é possível assegurar a qualidade dos serviços.https://www.ddrinks.com.br/blog/qual-a-diferenca-entre-barman-e-bartender https://www.ddrinks.com.br/blog/qual-a-diferenca-entre-barman-e-bartender 210 No entanto, para finalizar essa unidade, cabe destacar que, assim como destacado por Hayes e Ninemeyer (2005), embora seja complexo e lucrativo, os serviços de alimentação de um hotel não são a atividade dominante/principal. A venda de diárias de UH é o principal objetivo de uma empresa hoteleira. Inclusive é por esse motivo que algumas empresas hoteleiras tercerizam a prestação de serviços em alimentos e bebidas. A terceirização da gestão de serviços de A&B em meios de hospedagem é uma realidade que acompanha outras tendências. Confirma a matéria do blog Netfood sobre o “destino” desses serviços, em: https://netfoods.com.br/blog- alimentos-e-bebidas-na-hotelaria-o-destino-desses-servicos/. IMPORTANTE 211 NORMAS DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA PARA RESTAURANTES E OUTROS FOOD SERVICES Ronei Angelo Grosbelli [...] Antes de entrarmos em nosso checklist para garantir o controle sanitário de seu estabelecimento, você precisa conhecer dois documentos que são essenciais para qualquer food service conseguir manter as normas da vigilância sanitária em dia: o Manual de Boas Práticas e o Procedimento Operacional Padronizado (POP) [...]. • Manual de Boas Práticas: deve mostrar a forma correta para realizar a limpeza do seu ambiente, os procedimentos de higiene, o controle de pragas, o uso da água e até os cuidados com a saúde dos funcionários, e seus treinamentos. Ele também inclui determinações do que fazer com o lixo. Tudo para garantir a produção de alimentos seguros. • Procedimento Operacional Padronizado (POP): deve descrever o passo a passo de cada tarefa de higiene em seu food service. Isso inclui as etapas da tarefa, a pessoa responsável por cada momento, os materiais usados e até a frequência das tarefas. Um restaurante pode ter vários POP tratando de diferentes tarefas no estabelecimento. De maneira idêntica, os dois documentos são centrais para estabelecer as normas internas de controle sanitário de um food service e precisam estar sempre disponíveis para consulta dos colaboradores e de fiscais da Anvisa. CHECKLIST DO CONTROLE DE HIGIENE SEGUINDO AS NORMAS DA VIGILÂNCIA SANITÁRIA: EVITE RISCOS À SAÚDE NO SEU FOOD SERVICE. Local de trabalho • Mantenha o local limpo e organizado: antes de mais nada, a sujeira acumulada em um ambiente desorganizado é ideal para a multiplicação dos micróbios que podem causar doenças. Por isso, faça a limpeza sempre ao final das atividades e em outros momentos em que o local aparentar sujeira. Aliás, a limpeza também ajuda o ambiente a ficar protegido de ratos, baratas e outras pragas urbanas. • Mantenha piso, parede e teto conservados: Rachaduras, goteiras, infiltrações, mofos e descascamentos podem concentrar sujeira e outros organismos que são um risco LEITURA COMPLEMENTAR 212 para a higiene e segurança do seu food service. • Tenha telas nas janelas: telas são importantíssimas para evitar a entrada de insetos e outros animais que são atraídos pela área de preparação de alimentos. Geralmente, eles carregam muitos microrganismos perigosos. • Tenha rede de esgoto ou fossa séptica: o esgoto é sobretudo, um contaminante muito sério para os alimentos. Para evitar isso, é indispensável ter uma rede de esgoto ou fossa séptica bem cuidada. • Deixe as caixas de gordura e de esgoto fora das áreas de preparo e armazenamento de alimentos: Muitos insetos se instalam na caixa de gordura e podem ser um risco para o controle sanitário do restaurante. • Ilumine bem seu ambiente de trabalho: com uma iluminação adequada, fica mais fácil visualizar sujeiras, insetos e outros agentes perigosos. • Tenha um ambiente bem ventilado: os micróbios se multiplicam com mais facilidade em ambientes quentes e abafados. • Evite vidros quebrados e outros fragmentos no local de trabalho: pedras, pedaços de vidro e outros fragmentos são um risco sério para seus consumidores. Então tome cuidado redobrado com isso. • Mantenha bancadas, mesas e tábuas de corte em boas condições, sem rachaduras: rachaduras e trincas assim como outros defeitos podem servir para acumular restos de alimentos e outras sujeiras. Assim, são ótimos lugares para proliferação de micróbios. • Guarde os produtos de limpeza longe dos alimentos: esses produtos contêm substâncias tóxicas se ingeridas. Evite ao máximo o contato deles com os alimentos. • Use apenas produtos de limpeza aprovados pela Anvisa: confira se seus produtos de limpeza contêm, no rótulo, o número de registro no Ministério da Saúde ou a frase: “Produto notificado na Anvisa”. • Nunca aplique venenos sem apoio de profissionais especializados: A aplicação de venenos contra insetos e animais só deve ser feita em últimos casos, e sempre com apoio profissional, isso, para evitar a contaminação dos alimentos. Banheiro • Deixe os banheiros e vestiários longe das áreas de preparo ou armazenamento de alimentos: Esses ambientes costumam ter alta carga de patógenos. Então não podem ser diretamente conectados à cozinha. • Mantenha o banheiro limpo e com papel higiênico, sabonete, antisséptico, papel toalha e lixeiras com tampa e pedal: Dessa forma, você diminui a presença de microrganismos perigosos no ambiente e o risco de contaminação. • Oriente todos para que sempre lavem as mãos depois de irem ao banheiro: essa dica é simples, mas muitos ainda não a seguem. Lavar as mãos é essencial para não levar bactérias e outros microrganismos para os alimentos. E não importa o que a pessoa foi fazer no banheiro! Mesmo que só tenha entrado para usar o espelho, ela tocou nas superfícies do ambiente, então é importante lavar as mãos de qualquer forma. 213 Cuidados com a água • Use apenas água tratada, do abastecimento público, ou proveniente de sistemas alternativos, como poços artesianos: A água do abastecimento público é tratada contra micróbios e parasitas, por isso deve ser a preferência de qualquer restaurante. Caso seu food service use um sistema alternativo, a qualidade da água deve ser analisada a cada seis meses. • Só use água potável para o preparo de alimentos e gelo: Os microrganismos na água podem ser facilmente transmitidos para o alimento. Por isso, opte sempre por usar água potável. • Conserve a caixa d’água tampada, sem rachaduras, vazamentos, infiltrações ou descascamentos: Assim, seu estabelecimento evita contaminações por terra, poeira, fezes de animais, insetos, entre outros. • Higienize a caixa d’água a cada seis meses: Mesmo tampada, a caixa d’água pode ser contaminada. Por isso, realize limpeza e desinfecção duas vezes ao ano, pelo menos. Lixo • Conte com lixeiras com tampa e pedal, que sejam fáceis de limpar: O lixo é um ambiente ideal para proliferação de microrganismos e, ainda, atrai animais e insetos. Por isso, é essencial que ele fique tampado. Além disso, ter um pedal permite que você tenha acesso à lixeira sem precisar tocar a tampa. Por fim, uma lixeira fácil de limpar permite uma higienização mais completa. • Sempre retire o lixo em sacos fechados: Nunca deixe sacos de lixo no seu local de trabalho e evite sacos abertos para não atrair animais ou disseminar os microrganismos. • Lave as mãos sempre que manusear o lixo: Ao tocar no lixo, você terá contato com muitos microrganismos que podem ser perigosos. Então, higienize-se antes de manusear os alimentos. Cozinheiros, auxiliares e outros manipuladores de alimentos • Esteja sempre limpo: a higiene pessoal é fundamental para trabalhar com segurança. Por isso, tomar banho diariamente é indispensável. • Use cabelos presos e cobertos com redes ou toucas: 1mm de cabelo, sozinho, pode conter até 50 mil micróbios. Por isso, mantenha-os presos e cobertos para evitar que caiam nos alimentos. Também é importante tomar cuidado com a barba. • Use o uniforme apenas na área de preparo dos alimentos:usar o uniforme fora da área de trabalho pode fazer com que ele sirva de transporte para micróbios quando você voltar. • Troque o uniforme diariamente: para ter seu uniforme sempre limpo e conservado, é essencial não repetir o uso sem antes lavá-lo. • Evite usar brincos, pulseiras e outros adereços: esses adornos pessoais também acumulam micróbios e podem cair nos alimentos. • Lave as mãos constantemente: a higienização é essencial, sempre antes de tocar os alimentos e depois de usar o banheiro, manusear o lixo, atender o telefone ou abrir a porta. Essa é a melhor forma de evitar a contaminação dos alimentos. Uma boa lavagem deve durar pelo menos 20 segundos. 214 • Lave as mãos em uma pia diferente da usada para lavar os objetos: para evitar a contaminação cruzada, tenha pias separadas. • Evite usar esmalte e tenha as unhas sempre curtas: unhas compridas tendem a acumular sujeira e o esmalte pode ser um agente contaminante. • Evite fumar, comer, tossir, espirrar, cantar, assoviar, falar demais ou mexer em dinheiro durante o preparo de alimentos: lembre-se de que muitos micróbios são encontrados na boca, no nariz e nos ouvidos, e que o dinheiro passa por muitas mãos antes de chegar até você. • Se estiver doente ou com cortes e feridas, não manipule alimentos: Uma pessoa doente pode contaminar facilmente os alimentos com os micróbios presentes em seu corpo. Além disso, feridas e cortes também possuem muitos microrganismos perigosos. • Faça exames periódicos de saúde: nem toda doença é sintomática. Então, para garantir que o manipulador não está contaminando os alimentos, ele deve fazer baterias de exames com frequência. Ingredientes • Só adquira ingredientes de estabelecimentos confiáveis: seus fornecedores também precisam seguir as boas práticas para garantir o controle sanitário dos ingredientes. • Armazene rapidamente os produtos congelados e refrigerados: dê prioridade para armazenar primeiro os alimentos que precisam ficar em baixas temperaturas, para evitar os riscos. Produtos não perecíveis devem ser guardados em seguida. Todos precisam estar em locais e temperatura adequados às próprias exigências. • Mantenha seus locais de armazenamento limpos, organizados e ventilados: assim, você evita a contaminação no estoque. • Não use ou compre produtos com embalagens defeituosas: se as embalagens estiverem amassadas, estufadas, enferrujadas, trincadas, com furos ou vazamentos, rasgadas, abertas ou com outro tipo de defeito, o alimento pode ter sido contaminado. • Limpe as embalagens antes de abri-las: a parte exterior da embalagem pode contaminar o alimento se você não a higienizar antes. • Armazene produtos não utilizados em embalagens identificadas: caso você não use todo o conteúdo de uma embalagem, armazene o restante em um recipiente fechado e identificado com o nome do produto, a data de retirada da embalagem e o prazo de validade após a abertura. Preparo dos alimentos • Lave as mãos antes de manipular alimentos e depois de manipular alimentos crus ou não lavados: tanto as carnes cruas quanto os vegetais não lavados podem possuir micróbios perigosos. Por isso, lave as mãos depois de manuseá-los. • Faça os alimentos atingirem 70º C durante o cozimento: Essa temperatura destrói os micróbios, então é recomendada para o cozimento. • Verifique a mudança na cor e na textura dos alimentos: tome cuidado para que o alimento não fique cru por dentro, principalmente as carnes. • Evite contato direto ou indireto entre alimentos crus e cozidos: os alimentos crus têm patógenos que podem ser transmitidos para os alimentos cozidos pelo toque ou pelo 215 uso dos mesmos utensílios, sem lavar. Então, evite essas situações. • Fique atento ao óleo: se ele tiver alterações no cheiro, sabor ou cor, ou formação de espuma e fumaça, troque-o imediatamente. • Evite manter alimentos congelados e refrigerados fora da geladeira por muito tempo: Em temperatura ambiente, os micróbios se multiplicam muito rápido. • Identifique alimentos preparados quando os armazenar na geladeira: deixe claro o nome do produto, a data do preparo e o prazo de validade. • Não descongele os alimentos à temperatura ambiente: use o forno de micro-ondas se for preparar o alimento imediatamente ou deixe-o na geladeira até descongelar. As carnes devem ser descongeladas dentro de recipientes, porque produzem sucos que podem contaminar outros alimentos. Transporte dos alimentos preparados • Armazene o alimento em vasilhames bem fechados: há micróbios em todos os ambientes. Por isso, os alimentos precisam estar bem protegidos e identificados. Dessa forma, se o transporte for demorado, é importante contar com caixas térmicas apropriadas. Além disso, o veículo utilizado também deve estar limpo. Ao servir os alimentos • Deixe a área das mesas e cadeiras bem limpa e organizada: assim você reduz o número de micróbios patogênicos no ambiente. • Conserve os equipamentos limpos e funcionando bem: isso inclui estufas, balcões, buffets, geladeiras, freezers etc. • Regule a temperatura das estufas, buffets e geladeiras: Nesse sentido, todos os equipamentos precisam estar bem regulados para evitar a multiplicação de micróbios. • Diminua o tempo entre o preparo e a distribuição dos alimentos: sobretudo, os micróbios só reduzem a velocidade de multiplicação quando os alimentos são armazenados a frio (5º C) ou aquecidos (60º C). Portanto, os alimentos não devem ser mantidos por muito tempo fora dessas temperaturas. • Proteja balcões e bufês para que os clientes não contaminem os alimentos enquanto se servem: é importante ter proteções para que os clientes não contaminem os alimentos prontos. • Garanta que os responsáveis estejam de mãos lavadas: o responsável por manusear ou servir os alimentos precisa estar bem higienizado. Ele também não pode pegar em dinheiro enquanto estiver nessa função. Geral • Tenha um supervisor capacitado: acima de tudo, a supervisão pode ser feita pelo proprietário do estabelecimento, pelo responsável técnico ou até por um funcionário. No entanto, o importante é que a pessoa seja capacitada com um curso que envolva o seguinte conteúdo: contaminantes alimentares, doenças transmitidas por alimentos, manipulação higiênica dos alimentos e Boas Práticas. FONTE: Adaptado de <https://sischef.com/blog/normas-da-vigilancia-sanitaria-para-restauran- tes-e-outros-food-services>. Acesso em: 14 jan. 2022. 216 RESUMO DO TÓPICO 3 Neste tópico, você adquiriu certos aprendizados, como: • A copa central é um setor menos complexo do que a cozinha do restaurante, mas que preenche funções importantes dentro da estrutura funcional de um meio de hospedagem, principalmente pelo fato de, em alguns casos, prestar serviços durante vinte e quatro horas ao dia. A copa é responsável pelos pedidos de café da manhã, por lanches rápidos e bebidas, pelo preparo de alimentos para o café da manhã; e pela higienização das câmaras frigoríficas, os fogões e a equipamentos da copa. • O cozinheiro da copa (também chamado de copeiro/copeira) e o cozinheiro do café da manhã são os principais cargos responsáveis pela copa. Enquanto no bar, podemos destacar o chefe de bar e o barman. • O bar é um local público onde são vendidas bebidas alcoólicas e não alcoólicas, podendo, também, servir petiscos ou pequenas porções de alimentos, sendo que ele pode funcionar de forma autônoma ou inserido em uma restaurante. • Assim como no caso dos restaurantes e outros estabelecimentos de alimentação fora do lar, há diversas tipologias de bar. Essas tipologias podem ser adotadas em meios de hospedagem, sendo o bar americano a mais comum. 217 1 A copa central é um espaço-chave em um meio de hospedagem, mesmo naqueles que possuem um restaurante. A copa central auxilia diversos espaços e serviços, como room service, café da manhã e área de piscinas e lazer. Em relação às funções da equipe da copa, assinale a alternativa CORRETA:a) ( ) Atender aos pedidos de café da manhã exclusivamente no salão. b) ( ) Atender ao pedido de coffee-break nas salas de reuniões. c) ( ) Porcionar os alimentos para a cozinha do restaurante. d) ( ) Realizar pedidos de compras de insumos para todos os PDV. e) ( ) Gerir o serviço de minibar das UH. 2 É comum encontrar bares dentro de meios de hospedagem, especialmente falando nos hotéis e resorts 4 e 5 estrelas, cujo espaço é obrigatório para a categorização. No entanto, existem diversas tipologias de bar. Sobre as tipologias de bar, analise as sentenças a seguir: I - Piano bar é um bar que, comumente, tem as mesmas características do bar americano, porém, acrescidas de música ao vivo, tocada no piano. II- Brasserie é um tipo de bar que tem como especialidade uma variada carta de vinhos, servidos em taças ou garrafas. III- Pub é um típico bar americano, composto por um longo balcão e prateleiras para exposição de garrafas de diversos tipos de bebidas. Assinale a alternativa CORRETA: a) ( ) As sentenças I e II estão corretas. b) ( ) Somente a sentença III está correta. c) ( ) As sentenças II e III estão corretas. d) ( ) Somente a sentença I está correta. 3 Para a realização dos serviços no setor de A&B, faz-se necessário uma diversidade de funcionários, ocupando cargos e funções específicas. Em relação aos cargos e funções do bar e da copa, classifique V para as sentenças verdadeiras e F para as falsas: ( ) Dentre as funções do barman está cortar e porcionar frutas para a elaboração das bebidas. ( ) Dentre as funções do cozinheiro da copa é fazer os pedidos dos produtos alimentícios necessários. AUTOATIVIDADE 218 ( ) Dentre as funções do cozinheiro do café da manhã está a supervisão da copa, juntamente ao gerente de A&B. Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA: a) ( ) F – V – F. b) ( ) V – V – F. c) ( ) F – F – V. d) ( ) V – F – V. 2 No processo de planejamento dos espaços direcionados aos serviços de Alimentos e Bebidas, é preciso se ater a diversos detalhes. Um aspecto que deve ser levado em consideração é em relação ao uso de música publicamente. Disserte sobre essa obrigatoriedade. 5 O Chefe de bar é um cargo de grande importância para esse espaço. Ele é o responsável operacional do bar. Em alguns casos, pode ser nominado como maitre de bar ou gerente de bar, a depender do estabelecimento. Neste aspecto, disserte sobre as principais funções do chefe de bar. 219 REFERÊNCIAS BELMOND HOTEL IGUASSU FALLS. Belmond Hotel, c2022. Experiências – alimentos e bebidas. Disponível em: https://www.belmond.com/pt-br/hotels/south-america/ brazil/iguassu-falls/belmond-hotel-das-cataratas/dining. Acesso em: 14 jan. 2022. BOUSSARD, S. Food and Beverage Management in the Luxury Hotel Industry. New York (USA): Business Expert Press, 2021. BRASIL. Lei nº 9.610, de 19 de fevereiro de 1998. Altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos autoriais e dá outras providências. Diário Oficial da União, Brasília, 20 fev. 1998. CÂMARA, C. S. Alimentos e bebidas. Manaus: Centro de Educação Técnica do Amazonas, 2012. CÂNDIDO, Í.; VIEIRA, E. V. Gestão de Hotéis: técnicas, operações e serviços. Caxias do Sul: EDUCS, 2003. CASTELLI, G. Gestão Hoteleira. São Paulo: Saraiva, 2006. DAVIES, C. A. Alimentos e bebidas. 4. ed. Caxias do Sul (RS): Editora Educs, 2010a. DAVIES, C. A. Cargos em Hotelaria. 4. ed. Caxias do Sul (RS): Editora Educs, 2010b. ESCOLA EDUCAÇÃO. Escola educação, c2022. Tipos de bar. Disponível em: https:// cursos.escolaeducacao.com.br/artigo/tipos-de-bar. Acesso em: 14 jan. 2022. FONSECA, M. T. Tecnologias gerenciais de restaurantes. 4 ed. São Paulo: Ed Senac SP, 2006. FREUND, F. T. Alimentos e bebidas: uma visão gerencial. São Paulo: Editora Senac, 2019. GROSBELLI, R. A. Normas da Vigilância Sanitária para restaurantes e outros food services, SisChef, 15 out. 2021. Disponível em: https://sischef.com/blog/normas-da- vigilancia-sanitaria-para-restaurantes-e-outros-food-services. Acesso em: 14 jan. 2022. HAYES, D. K.; NINEMEYER, J. D. Gestão de operações hoteleiras. Trad. Vivian Fittipaldi, Beth Honorato. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. 220 JESUS, J.; MANOEL, B.; VARELA, M. L.; CASSIMIRO, M. G.; TAKENATA, R. R.; FIGUEIREDO, G. C. Seguir a receita à risca, “Uma faca de dois gumes”: As variáveis que influenciam no Lead Time de uma cozinha industrial. Gestão da Produção em Foco, [s.l.], v. 39, p. 49-54, 2020. KÖENIG, M.; FORMENTIN, C. N.; BORGES, R. J. Tesauro de Turismo e Meios de hospedagem. NAVUS - Revista de Gestão e Tecnologia, [s.l.], v. 6, n. 5, p. 160-172, 2016. MATTOS, C. E.; PONTES, M. L. M.; MARIETTO, M. L. Gestão em Alimentos e Bebidas: indicadores para um novo campo de estudos no Brasil. Podium Sport, Leisure and Tourism Review, [s.l.], v. 5, n. 2, p. 99-119, maio/ago. BRASIL. Ministério do Turismo. Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem (SBClass). 16 jul. 2015. Disponível em: http://antigo.turismo.gov. br/acesso-a-informacao/63-acoes-e-programas/5021-sistema-brasileiro-de- classificacao-de-meios-de-hospedagem-sbclass. Acesso em: 14 jan. 2022. PACHECO, A. O. Manual do Maître d’hôtel. 7. ed. São Paulo: Senac SP, 2019. ROSSI, B. C. S. Participação da Área de Alimentos e Bebidas na Receita de um hotel: estudo de caso em uma unidade da Rede Accor no Rio de Janeiro. 82 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Bacharelado em Hotelaria), Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), Seropédica (RJ), 2016. SEQUERRA, L. Planejamento físico em serviços de alimentação. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2018. WALKER, J. Restaurant concepts, management and operations. Hoboken: Wiley, 2017. http://antigo.turismo.gov.br/acesso-a-informacao/63-acoes-e-programas/5021-sistema-brasileiro-de-classificacao-de-meios-de-hospedagem-sbclass.html http://antigo.turismo.gov.br/acesso-a-informacao/63-acoes-e-programas/5021-sistema-brasileiro-de-classificacao-de-meios-de-hospedagem-sbclass.html