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Anemias hiperproliferativas Número de reticulócitos reflete a capacidade de recuperação medular em um quadro de anemia. Contagem de reticulócitos: hipo ou hiperproliferativa? Contagem normal relativa (0.5 a 1.5%) e absoluta (25.000 a 100.000/ μL). Correção, se hematócrito alterado: % reticulócitos corrigido = % reticulócitos x Ht paciente/45. Cnemia hiperproliferativa-> produção aumentada na medula óssea → ↑ Reticulócitos. Engloba as anemias hemolíticas e causadas por sangramento agudo. Anemias hemolíticas Redução de sobrevida do eritrócito → destruição periférica. Padrão laboratorial geral: • Reticulocitose-> hiperproliferativa • Elevação de DHL / bilirrubina indireta • Consumo de haptoglobina Hemólise intravascular: • Hemoglobinúria • Hemoglobina livre no plasma • Presença de esquizócitos -> microangiopáticas Anemia falciforme Doença falciforme → grupo de doenças, no qual pelo menos uma das Hb mutantes é a HbS. AF (mutação homozigótica)/ S𝝱talasemia / HemoglobinopatiaSC. Doença hereditária mais comum do mundo. Polímeros de Hb → hemólise e vaso-oclusão. Hemácias em foice! Patogênese: sai ácido glutâmico -> entra valina (posição 6 da cadeia da 𝝱globina). Genética: herança autossômica recessiva. Fisiopatologia: hipoxemia / ↓ pH → ↓ falcização das hemácias. Quadro clínico geral- variável! ↑ HbS ↑ g ravidade do quadro. Queda de HbF (papel protetor) no 1º ano de vida → hemólise crônica e esplenomegalia. Em HbSS- autoesplenectomia → maior risco de infecção por germes capsulados (Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae tipo B, e Neisseria meningitidis). Vaso-oclusão: crise álgica; sequestro esplênico; AVEi; nefropatia. Hemólise crônica: anemia; calculose biliar; icterícia; atraso do desenvolvimento. Deflagradores: hipóxia, infecção, desidratação, temperatura. Avaliação laboratorial Hemograma: • Hb 7-9g/dl; trombocitose / corpúsculos de Howell-Jolly (asplenia); trombocitopenia (esplenomegalia). • Reticulocitose / macrocitose/ hemácias em foice. Bioquímica: elevação de bilirrubina indireta / DHL. Elevação crônica de enzimas hepática. Tratamento geral Suporte: • Ácido fólico contínuo (alto turnover de eritrócitos). • Hidroxiureia → ↑ HbF -> indicada em crises álgicas frequentes (> 3/ano), STA... • Transfusão de hemácias → ↓ HbS -> anemia sintomática, profilaxia de AVE ... • Quelante de ferro-> sobrecarga transfusional crônica (ferritina > 1000-1500) Curativo: grupos específicos e protocolo de pesquisa. Transplante alogênico de medula óssea. Terapia gênica: vetores virais, busca-se uma “reedição” genética. Situações especiais 1.Crise aplástica: Queda abrupta da hemoglobina e dos reticulócitos. Deficiência de folato e infecção pelo parvovírus B19. Tratamento: suporte transfusional; reposição de ácido fólico; imunoglobulina (PB19). 2. Crise de sequestro esplênico: Queda abrupta da hemoglobina e aumento dos reticulócitos. Dor abdominal, hipovolemia e esplenomegalia. Crianças com persistência do baço: HbSC / HbSB. Tratamento: reposição volêmica; transfusão de hemácias. 3. Micro-obstruções vasculares dos vasos interósseos: Quadro clínico: dor óssea e articular (EVA 8-10). Desencadeantes: infecção, desidratação, hipóxia... Tratamento: analgesia (opioides quando indicado), hidratação, transfusão; rastrear e tratar infecção. 4.Síndrome mão-pé: Dactilite. Por vezes, primeiro achado da doença. Dor/ edema/ calor/ rubor → dedos. Tratamento: analgesia / hidratação. 5. Síndromes vaso-oclusivas: SNC. AVCi. AVCh (Moyamoya). Rins → infarto papilar (hematúria dolorosa); isquemia crônica (GESF). Infartos ósseos → necrose asséptica da cabeça do fêmur. 6. Síndrome Torácica Aguda: mais cai. Febre + dor torácica + hipoxemia + nova opacidade pulmonar. Causas: infecção → embolia gordurosa, hiper- hidratação. Mortalidade: 4-10%. Tratamento: hidratação parcimoniosa; ATB empírico-> Macrolídeo e/ou quinolona, cobertura para: Streptococcus pneumoniae, Mycoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae. O2 suplementar se SPO2 < 92%; manter HbS < 30%. 7. Priapismo: Maior parte ocorre por aumento da pressão venosa e hipofluxo arterial. Afeta 35-45% dos homens com AF. Ereção involuntária e dolorosa > 4h. Se > 24 horas-> necrose tecidual e cicatriz -> disfunção erétil. Analgesia + hidratação -> punção aspirativa do corpo cavernoso. Prognóstico: Fatores associados à morbidade. Dactilite antes do 1° ano de vida. Hemoglobina abaixo de 7 g/Dl. Insuficiência renal. Histórico de síndrome torácica aguda. Genótipo heterozigoto – AS (traço) → não apresentam hemólise crônica / vasooclusão. (traço falciforme). Infartos na medula renal→ hipostenúria. Exercícios físicos extenuantes (militares) → ↑ morte súbita- rabdomiólise. Expectativa de vida normal. Importante o aconselhamento genético. Talassemia Definição: desordem hereditária da síntese de hemoglobina. Deficiência quantitativa na síntese de: Alfatalassemia AlfaαTalassemia – 4 possíveis status mutacionais (cromossomo 16). Perda de 1 gene -> portador “silencioso” - α / α α. Sem repercussão clínica. Perda de 2 genes-> Talassemia minor (traço) - α/-α - - /α α. Assintomático. Pode ocorrer anemia discreta e redução do VCM (microcitose) Perda de 3 genes -> Doença da Hb H (β4) - α / --. Hemólise, esplenomegalia, alterações esqueléticas devido à eritropoese aumentada. Perda de 4 genes-> Hb Bart’s (γ4) Hidrópsia fetal -- / --. Incompatível com a vida, morte intraútero. Betatalassemia Deficiência / ausência das subunidades Beta. Região do mediterrâneo, sudeste asiático e África. Três tipos principais: • minor (traço) β/β0 β/β+ • intermedia β+/β0 β+/β+ • major (Cooley) β0/β0 βTalassemia minor (traço): assintomático; anemia leve com VCM ↓. HBA2 > 3.4%. βTalassemia intermédia: anemia hemolítica de grau variável; Necessidade transfusional leve. Eritropoese extramedular. βTalassemia major (anemia de Cooley): forma mais grave. Se desenvolve a partir do 6° mês (queda da Hb fetal). Hemólise intramedular e periférica. Hepatoesplenomegalia. Deformações ósseas (compensação da medula óssea). Sobrecarga de ferro. Manejo • Formas leves: seguimento clínico/ reposição de ácido fólico. • Formas graves-suporte: transfusão sanguínea/ terapia com quelante de ferro (manter ferritina < 1000 ng/mL). Manejo das complicações: endócrina / cardíaca. • Formas graves-curativo: TMO alogênico; Terapia gênica – protocolo de pesquisa. Anemia ferropriva: VCM e HCM baixos- RDW ELEVADO! Traço talassêmico: VCM e HCM baixos- RDW NORMAL! Doenças de membrana Esferocitose hereditária Defeito nas proteínas de membrana dos eritrócitos. Sustentação vertical do esqueleto - banda 3 mais comum! Formato esférico-> hemólise na circulação esplênica. Quadro clínico: Anemia hemolítica crônica, esplenomegalia, icterícia flutuante. Quando suspeitar? história familiar; CHCM elevado; colecistopatia calculosa crônica; microesferócitos. Diagnóstico: EMA (padrão-ouro), avalia a deficiência de Banda-3. Mais famoso -> Curva de fragilidade osmótica. Tratamento: reposição de ácido fólico; Esplenectomia- normaliza o Hb / mantém os esferócitos! Ocasionalmente, programa de transfusão. Hemólise por deficiência enzimática 1.Deficiência de G6PD Eritrócito suscetível ao estresse oxidativo. Quadro clínico: maioria das vezes, assintomática. Quando expostos a determinados agentes: anemia hemolítica intravascular aguda (autolimitada); icterícia neonatal; anemia hemolítica não esferocítica congênita- RARA! Diagnóstico: dosagem de G6PD- “pegadinha” - níveis podem estar normais durante as crises (níveis elevados da enzima nos reticulócitos); “bite” cells. Tratamento: evitar gatilhos; suporte transfusional durante as crises. 2. Deficiênciade piruvatoquinase Herança autossômica recessiva. Redução da formação de ATP- rigidez do eritrócito. Hemólise crônica. Dosagem da enzima confirma o diagnóstico. Terapêutica: esplenectomia. Anemia hemolítica autoimune (AHAI) Anticorpos quentes: Geralmente IgG. 80% dos casos. Associada a doenças linfoproliferativas e a autoimunes. Anticorpos frios: geralmente IgM. Secundárias a infecções (micoplasma) / doenças linfoproliferativas. Secundária a drogas: alfametildopa, penicilina. Tratamento: • Anticorpo quente IgG-> corticoide-> refratário-> anti-CD20 (rituximabe)-> esplenectomia. • Anticorpo frio IgM-> anti-CD20 (rituximabe) desde o início! Hemoglobinúria paroxística noturna – NPH Mutação adquirida do gene PIG-A → deficiência da GPI. Ancoragem de proteínas, que protegem a hemácia da hemólise pelo complemento (CD55, CD59); Quadro clínico: hemólise pelo complemento (anemia, hemoglobinúria); pancitopenia; trombose. Diagnóstico: citometria de fluxo; busca a redução de expressão dos antígenos CD55 e CD59 nos granulócitos. Tratamento: • suporte: ácido fólico / transfusão, se necessário / corticoide controverso; anticoagulação, se indicada. • Eculizumab-> inibe a ativação do complemento (C5) - reduz hemólise, necessidade de TX. • Transplante de medula óssea alogênico: raros casos. Anemia hemolítica microangiopática Lesão mecânica do eritrócito durante a circulação Hemólise intravascular e esquizócitos. Causas: púrpura trombocitopênica trombótica; síndrome hemolítico-urêmica; coagulação intravascular disseminada; síndrome HELLP; eclâmpsia.